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C N CIÊNCIAS DA NATUREZA C CIÊNCIAS HUMANAS HL LINGUAGENS E CÓDIGOS C M MATEMÁTICA T R.P.A. - ENEM Revisão Programada Anual Desde 2010, o Hexag Medicina é referência na preparação pré-vestibular de candidatos às melhores uni- versidades do Brasil. Você está recebendo a R.P.A. (Revisão Programada Anual) do Hexag Medicina – caderno de questões do 1º dia e do 2º dia do Enem. Com o objetivo de verificar se você aprendeu os conteúdos estudados, este material apresenta: § indicação de temas e das competências e habilidades da matriz de referência do Enem. Em cada questão, há explicação de como as habilidades são aplicadas. § uma seleção de questões inéditas, adaptadas e PPL, ideais para exercitar a sua memória. Os assuntos esco- lhidos possuem grande incidência nos últimos anos do Enem. Aproveite e aprimore os seus conhecimentos. Bons estudos! Herlan Fellini CARO ALUNO SUMÁRIO LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS INGLÊS 7 ESPANHOL 37 GRAMÁTICA 51 INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS 75 LITERATURA 101 REDAÇÃO 137 CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS HISTÓRIA 157 GEOGRAFIA 227 FILOSOFIA E SOCIOLOGIA 305 CIÊNCIAS DA NATUREZA E SUAS TECNOLOGIAS BIOLOGIA 347 FÍSICA 441 QUÍMICA 537 MATEMÁTICA E SUAS TECNOLOGIAS MATEMÁTICA 621 Inglês RPA ENEM L C L C BETWEEN ENGLISH AND PORTUGUESE Inglês RPA ENEM L C L C BETWEEN ENGLISH AND PORTUGUESE Competência 1 – Aplicar as tecnologias da comunicação e da informação na escola, no trabalho e em outros contextos relevantes para sua vida. H1 Identificar as diferentes linguagens e seus recursos expressivos como elementos de caracterização dos sistemas de comunicação. H2 Recorrer aos conhecimentos sobre as linguagens dos sistemas de comunicação e informação para resolver problemas sociais. H3 Relacionar informações geradas nos sistemas de comunicação e informação, considerando a função social desses sistemas. H4 Reconhecer posições críticas aos usos sociais que são feitos das linguagens e dos sistemas de comunicação e informação. Competência 2 – Conhecer e usar língua(s) estrangeira(s) moderna(s) (LEM) como instrumento de acesso a informações e a outras culturas e grupos sociais. H5 Associar vocábulos e expressões de um texto em LEM ao seu tema. H6 Utilizar os conhecimentos da LEM e de seus mecanismos como meio de ampliar as possibilidades de acesso a informações, tecnologias e culturas. H7 Relacionar um texto em LEM, as estruturas linguísticas, sua função e seu uso social. H8 Reconhecer a importância da produção cultural em LEM como representação da diversidade cultural e linguística. Competência 3 – Compreender e usar a linguagem corporal como relevante para a própria vida, integradora social e formadora da identidade. H9 Reconhecer as manifestações corporais de movimento como originárias de necessidades cotidianas de um grupo social. H10 Reconhecer a necessidade de transformação de hábitos corporais em função das necessidades cinestésicas. H11 Reconhecer a linguagem corporal como meio de interação social, considerando os limites de desempenho e as alternativas de adaptação para diferentes indivíduos. Competência 4 – Compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organização do mundo e da própria identidade. H12 Reconhecer diferentes funções da arte, do trabalho da produção dos artistas em seus meios culturais. H13 Analisar as diversas produções artísticas como meio de explicar diferentes culturas, padrões de beleza e preconceitos. H14 Reconhecer o valor da diversidade artística e das inter-relações de elementos que se apresentam nas manifestações de vários grupos sociais e étnicos. Competência 5 – Analisar, interpretar e aplicar recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante a natureza, função, organização, estrutura das manifestações, de acordo com as condições de produção e recepção. H15 Estabelecer relações entre o texto literário e o momento de sua produção, situando aspectos do contexto histórico, social e político. H16 Relacionar informações sobre concepções artísticas e procedimentos de construção do texto literário. H17 Reconhecer a presença de valores sociais e humanos atualizáveis e permanentes no patrimônio literário nacional. Competência 6 – Compreender e usar os sistemas simbólicos das diferentes linguagens como meios de organização cognitiva da realidade pela constituição de significados, expressão, comunicação e informação. H18 Identificar os elementos que concorrem para a progressão temática e para a organização e estruturação de textos de diferentes gêneros e tipos. H19 Analisar a função da linguagem predominante nos textos em situações específicas de interlocução. H20 Reconhecer a importância do patrimônio linguístico para a preservação da memória e da identidade nacional Competência 7 – Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suas manifestações específicas. H21 Reconhecer em textos de diferentes gêneros, recursos verbais e não-verbais utilizados com a finalidade de criar e mudar comportamentos e hábitos. H22 Relacionar, em diferentes textos, opiniões, temas, assuntos e recursos linguísticos. H23 Inferir em um texto quais são os objetivos de seu produtor e quem é seu público alvo, pela análise dos procedimentos argumentativos utilizados. H24 Reconhecer no texto estratégias argumentativas empregadas para o convencimento do público, tais como a intimidação, sedução, comoção, chantagem, entre outras. Competência 8 – Compreender e usar a língua portuguesa como língua materna, geradora de significação e integradora da organização do mundo e da própria identidade. H25 Identificar, em textos de diferentes gêneros, as marcas linguísticas que singularizam as variedades linguísticas sociais, regionais e de registro. H26 Relacionar as variedades linguísticas a situações específicas de uso social. H27 Reconhecer os usos da norma padrão da língua portuguesa nas diferentes situações de comunicação. Competência 9 – Entender os princípios, a natureza, a função e o impacto das tecnologias da comunicação e da informação na sua vida pessoal e social, no desenvolvimento do conhecimento, associando-o aos conhecimentos científicos, às linguagens que lhes dão suporte, às demais tecnologias, aos processos de produção e aos problemas que se propõem solucionar. H28 Reconhecer a função e o impacto social das diferentes tecnologias da comunicação e informação. H29 Identificar pela análise de suas linguagens, as tecnologias da comunicação e informação. H30 Relacionar as tecnologias de comunicação e informação ao desenvolvimento das sociedades e ao conhecimento que elas produzem 9 Home is where the heart is The heart of psychosocial care is to be found in the home and it is here that the main trust of external efforts to improve the wellbeing of vulnerable children must be directed. The best way to support the wellbeing of young children affected by HIV/AIDS is to strengthen and reinforce the circles of care that surround children. Some children — especially those living outside families, on the streets or institutions, with chronically ill caregivers, and orphans — are more vulnerable and especially require psychosocial care and support. However, this social support needs to be provided in family settings, with the same characteristics of commitment, stability, and indivi- dualized affectionate care. The primary aim of all psychosocial support programmes should be an encouraging and enabling family support, including foster care, and placing and maintaining young children in stable and affectionate family environments. Only secondarily should direct services be provided to affected children. RICHTER, L.; FOSTER, G.; SHERR, L. W here the heart is: meeting the psychosocial needs of young children in the context of HIV/AIDS. Holanda: Bernard van Leer Foundation, 2006 (adaptado). Se o trecho sublinhado precisasse ser transferido para a forma interrogativa, suaforma seria: a) This social report doesn't need to de provided…? b) This social report needs to be provided…? c) Did this social report need to be provided…? d) Does this social report needs to be provided…? e) Does this social report need to be provided….? AplicAção dos conhecimentos - sAlA Tema: Terceira pessoa do singular e seu uso no simple present Construção da habilidade: Dentro da competência da área 2 do Enem, do aluno será exigida a capacidade de conhecer e usar línguas estrangeiras modernas como instrumento de acesso a informa- ções e a outras culturas e grupos sociais. Competência: 2 Habilidade: 5 MODELO 1 AULA 1 10 Home is where the heart is The heart of psychosocial care is to be found in the home and it is here that the main trust1 of external efforts2 to improve the wellbeing of vulnerable children must be directed. The best way to support the wellbeing of young children affected by HIV/AIDS is to strengthen and reinforce the circles3 of care that surround children. Some children — especially those living outside families, on the streets or institutions, with chronically ill caregivers, and orphans — are more vulnerable and especially require psychosocial care and support. However, this social support needs to be provided in family settings, with the same characteristics of commitment, stability, and indivi- dualized affectionate care. The primary aim4 of all psychosocial support programmes should be an encouraging and enabling family support, including foster care, and placing and maintaining5 young children in stable and affectionate family environments. Only secondarily should direct services be provided to affected children. RICHTER, L.; FOSTER, G.; SHERR, L. W here the heart is: meeting the psychosocial needs of young children in the context of HIV/AIDS. Holanda: Bernard van Leer Foundation, 2006 (adaptado). Sinônimos são palavras que possuem significados semelhantes e contribuem para um repertório vocabular diversificado quando utilizado de forma correta. Aponte a opção em que a troca do vo- cábulo não realiza essa contribuição. a) Confidence (ref1) b) Struggle (ref2) c) Spheres (ref3) d) Goal (ref4) e) Renewing (ref5) Tema: Terceira pessoa do singular e seu uso no simple present Construção da habilidade: Dentro da competência da área 2 do Enem, do aluno será exigida a capacidade de conhecer e usar línguas estrangeiras modernas como instrumento de acesso a informa- ções e a outras culturas e grupos sociais. Competência: 2 Habilidade: 5 MODELO 2 11 Scared fit My body was telling me things I did not want to hear. In February 2010, my doctor confirmed what my body was telling me. My not feeling well was a result of years of neglecting my body and diet. At 62, I had developed high blood pressure, type 2 diabetes, and my cholesterol was going through the roof. At 4' 10” and weighing 227 pounds, the problem was in the mirror looking back at me. My doctor said, “lose weight, start eating healthy, and start exercising if you want to live to a ripe old age”. Needless to say, I was scared I wouldn't see my grandkids and great-grandkids grow up. PAZ, A. Disponível em: www.healthandfitnessmag.com. Acesso em: 28 fev. 2012. A opção em que todos os verbos estão na forma do simple present é: a) was, want, hear, lose, live b) want, hear, lose, live, see c) hear, lose, live, see, was d) lose, live, see, was, want e) live, see, was, want, hear Tema: Terceira pessoa do singular e seu uso no simple present Construção da habilidade: Dentro da competência da área 2 do Enem, do aluno será exigida a capacidade de conhecer e usar línguas estrangeiras modernas como instrumento de acesso a informa- ções e a outras culturas e grupos sociais. Competência: 2 Habilidade: 5 MODELO 3 12 Our currency Australia was the first country in the world to have a complete system of bank notes made from plastic (polymer). These notes provide much greater security against counterfeiting. They also last four times as long as conventional paper (fibrous) notes. The innovative technology with which Australian bank notes are produced — developed entirely in Australia — offers artists brilliant scope for the creation of images that reflect the history and natural environment of Australia. At the same time, the polymer notes are cleaner than paper notes and easily recyclable. Australia's currency comprises coins of 5, 10, 20 and 50 cent and one and two dollar denominations; and notes of 5, 10, 20, 50 and 100 dollar denominations. AUSTRALIA GOVERNMENT. About Australia. Disponível em: www.newzealand.com. Acesso em: 7 dez. 2011. Das possíveis conclusões a respeito do texto, não se enquadra: a) A Austrália produz notas de plástico b) O país recebe auxílio exterior inteiramente para a produção dessas notas c) As notas de papel são mais difíceis de reciclar, o que justifica o uso das feitas de polímero d) O país tem menor variedade de notas que de moedas e) Os dados do texto foram publicados pelo governo australiano Tema: Terceira pessoa do singular e seu uso no simple present Construção da habilidade: Dentro da competência da área 2 do Enem, do aluno será exigida a capacidade de conhecer e usar línguas estrangeiras modernas como instrumento de acesso a informa- ções e a outras culturas e grupos sociais. Competência: 2 Habilidade: 5 MODELO 4 13 RAio X - Análise eXpositivA 1. Na forma interrogativa, o verbo auxiliar (do) inicia a oração concordando com o sujeito – this social report – que está na terceira pessoa do singular. Dessa forma, este verbo auxiliar ganha -es nesta flexão (does). Uma vez este verbo auxiliar aparecendo, o verbo principal deixa de ser flexio- nado e torna a sua posição de infinitivo (need). 2. Ao analisar os sinônimos, a referência 5, renewing, não substitui com êxito o termo maintaining 3. Da sequência de termos, o verbo was é forma pretérita do verbo to be. 4. O trecho entre travessões diz que as notas são produzidas e desenvolvidas inteiramente na Austrá- lia, ao contrário do que a alternativa b aponta GAbARito 1. E 2. E 3. B 4. B 14 ApRofunde seus conhecimentos 1. (Enem 2017) The Four Oxen and the Lion A Lion used to prowl about a field in whi- ch Four Oxen used to live. Many a time he tried to attack them; but whenever he came near, they turned their tails to one another, so that whichever way he approached them he was met by the horns of one of them. At last, however, they quarreled among them- selves, and each went off to pasture alone in a separate corner of the field. Then the Lion attacked them one by one and soon made an end of all four. Disponível em: www.aesopfables.com. Acesso em: 1 dez. 2011. A fábula The Four Oxen and the Lion ilustra um preceito moral, como se espera em tex- tos desse gênero. Essa moral, podendo ser compreendida como o tema do texto, está expressa em: a) O mais forte sempre vence. b) A união faz a força. c) A força carrega a justiça nas costas. d) O ataque é a melhor defesa. e) O inimigo da vida é a morte. 2. (Enem 2017) As Furniture Burns Quicker, Fire- fighters Reconsider Tactics House fires have changed. The New York Fire Department is rethinking its tactics for re- sidential fires, while trying to hold onto its culture of “aggressive interior firefighting" - charging inside burning buildings as fast as possible. Plastic flllings in sofas and mattresses burn much faster than older fillings like cotton, helping to transform the behavior of house flres in the last few decades, fireflghters and engineers say. With more plastic in homes, residential flres are now likely to use up all the oxygen in a room before they consume all flammable materiais. “Years ago you could break a window and it took the fire several minutes to develop — or tens of minutes”, a fire battalion chief in Queens, George K. Healy, said. “Now we're learning when you vent that window or the door, the fire is developing in, say, a minute.” LIBRADO, R. Disponível em: www.nytimes.com.Acesso em: 15 jun. 2013 (adaptado). O texto aborda o tema dos incêndios resi- denciais, que se propagam com mais rapidez atualmente por causa a) da composição sintética dos móveis. b) da estrutura das construções atuais. c) da acumulação demasiada de tecidos. d) dos recursos insuficientes de combate ao fogo. e) da ventilação inapropriada dos cômodos. 3. (Enem 2017) A proposta da capa da revista, associando as- pectos verbais e visuais, transmite a seguin- te mensagem: a) O combate aos problemas decorrentes do aquecimento global é visto como uma guerra. b) O aquecimento global é mundialmente consi- derado um problema insuperável e irreversível. c) O problema do aquecimento global poderá ser solucionado com a ajuda do Exército. d) As grandes guerras provocaram devastação, o que contribuiu para o aquecimento global. e) O Exército está trabalhando no processo de reposição de árvores em áreas devastadas. Prescrição: Para resolver as questões de inglês, do Enem e obter um desempenho satisfatório, é necessário dominar as técnicas de interpretação de texto em língua inglesa. 15 4. (Enem 2017) Synopsis Filmed over nearly three years, WASTE LAND follows renowned artist Vik Muniz as he journeys from his home base in Brooklyn to his native Brazil and the world's largest garbage dump, Jardim Gramacho, located on the outskirts of Rio de Janeiro. There he photographs an eclectic band of “catado- res” — self-designated pickers of recyclable materiais. Muniz’s initial objective was to “paint” the catadores with garbage. Howe- ver, his collaboration with these inspiring characters as they recreate photographic images of themselves out of garbage reveals both the dignity and despair of the catado- res as they begin to re-imagine their lives. Director Lucy Walker (DEVIL'S PLAYGROUND, BLINDSIGHT and COUNTDOWN TO ZERO) and co-directors João Jardim and Karen Harley have great access to the entire process and, in the end, offer stirring evidence of the transformative power of art and the alchemy of the human spirit. Disponível em: www.wastelandmovie. com. Acesso em: 2 dez. 2012 Vik Muniz é um artista plástico brasileiro ra- dicado em Nova York. O documentário Waste Land, produzido por ele em 2010, recebeu vários prêmios e: a) sua filmagem aconteceu no curto tempo de três meses. b) seus personagens foram interpretados por atores do Brooklyn. c) seu cenário foi um aterro sanitário na peri- feria carioca. d) seus atores fotografaram os lugares onde moram. e) seus diretores já pensam na continuidade desse trabalho. 5. (Enem 2017) If You’re Out There If you hear this message Wherever you stand I'm calling every woman Calling every man We're the generation We can't afford to wait The future started yesterday And we're already late We've been looking for a song to sing Searched for a melody Searched for someone to lead We've been looking for the world to change If you feel the same, we'll go on and say If you're out there Sing along with me if you're out there I'm dying to believe that you're out there Stand up and say it loud if you're out there Tomorrow's starting now...now...now [...] We can destroy Hunger We can conquer Hate Put down the arms and raise your voice We're joining hands today [...] LEGEND, J. Evolver. Los Angeles: Sony Music, 2008 (fragmento). O trecho da letra de If You’re Out There revela que essa canção, lançada em 2008, é um(a): a) convocação à luta armada. b) apelo ao engajamento social. c) atitude saudosista. d) crítica a atitudes impensadas. e) elogio à capacidade de aceitação. 6. (Enem) Are Twitter and Facebook Affec- ting How We Think? Is constant use of electronic gadgets resha- ping our brains and making our thinking shallower? By Neil Tweedie How many times do you click on your email icon in a day? Or look at Facebook, or Twitter? And how many times when reading on the in- ternet do you click on a link navigating away from the text that was the original object of your enquiry? The web, it seems, is like an electronic sweet shop, forever tempting us in different directions. But does this mental promiscuity, this tendency to flit around on- line, make us, well, thicker? Nicholas Carr, the American Science writer, has mined this theme for his new book, “The Shallows”, in which he argues that new me- dia are not just changing our habits but our brains. It turns out that the mature human brain is not an immutable seat of personality and intellect but a changeable thing, subject to “neuroplasticity”. When our activities al- ter, so does the architecture of our brain. I'm not thinking the way I used to think,” writes Carr. “I feel it most strongly when l’m rea- ding.” Disponível em: www.telegraph.co.uk. Acesso em: 27 fev. 2012. Neil Tweedie levanta vários questionamen- tos sobre a utilização de diferentes recursos tecnológicos disponíveis hoje em dia. A par- tir desses questionamentos e dos argumen- tos do escritor norte-americano Nicholas Carr, o texto sugere que: a) o ato de clicar em ícones e manusear apare- lhos prejudica o comportamento. b) o mundo virtual pode ser nocivo aos jovens, por ser muito promíscuo. 16 c) a internet contribui para o amadurecimento intelectual dos usuários. d) o uso intenso de recursos tecnológicos pode afetar nosso cérebro. e) as redes sociais virtuais ajudam a melhorar nossa forma de pensar. 7. (Enem) Getting Every Child to School Right now 67 million children are missing out on their right to an education. They can’t go to school because they have to work to survive, because they are girls or even be- cause there are no schools where they live. Where will these children be when they grow up without the chance to learn? We’re working to make sure every child goes to school. We’re helping build schools, train teachers, advocating girl’s education and reaching children who have to work or are caught up in emergencies with learning. You can help uphold every child’s right to an education. Make a donation today to not only give children the chance to go to scho- ol, but also save their lives and protect their childhoods. Disponível em: www.supportunicef.org. Acesso em: 20 maio 2013 (adaptado). Essa campanha pretende contribuir para di- minuir a desigualdade social, uma vez que: a) denuncia o trabalho de menores. b) aponta motivos para a evasão escolar. c) divulga o número de crianças fora da escola. d) defende a reforma de políticas educacionais. e) pede ajuda para garantir às crianças o direi- to à educação. 8. (Enem) On the Meaning of Being Chinese Ethnically speaking, I feel I am complica- ted to classify, but who isn’t, right? To me, being Chinese-Brazilian in America means a history of living in three opposite cultures, and sometimes feeling that I did not belong in neither, a constant struggle that immi- grants, and national citizens, face when their appearance is foreign to natives in the country. Jokingly, I say that I am Asian in America, Brazilian in China, and a “gringa” in Brazil. Nevertheless, I believe that dea- ling with these hard to reconcile extremes have somehow helped me to become more comfortable with my identity. BELEZA LI. Disponível em: www.aiisf.org. Acesso em: 28 mar. 2014. Nesse fragmento, Beleza Li resume sua experi- ência de vida ao descrever a complexidade em: a) viver como imigrante em um país asiático. b) definir quem ela é no que concerne à etnia. c) compreender as culturas que a constituem. d) lidar com brincadeiras sobre sua aparência. e) lutar contra a discriminação nos Estados Unidos. 9. (Enem) Hunger Games Review: Family Film Guide Parent Concerns: There is definitely violence in this film. The central Hunger Games may not be as bloody and brutal as author Suzan- ne Collins describes in the novel, but there’s a visceral reaction to seeing the kid-on-kid violence rather than conjuring it in your own imagination. The tributes kill each other in a host of ways, from spear, knife and arrow woundsto hand-to-hand battles that leave teens with their heads smashed in or necks snapped. The editing is quick and the shots never linger on anything overly graphic, but there is blood and twenty-two adolescents, aged 12-18, die in the annual blood sport pageant. Immature teens, even if they’ve read the books, may not be ready to handle to the film just yet. A good rule of thumb: if they’re not old enough to be reaped into the Hunger Games, theyYe probably not mature enough to see it. ANGULO-CHEN, S. Disponível em: http://news. moviefone.com. Acesso em: 28jun. 2012. Produções literárias e cinematográficas es- tão, muitas vezes, articuladas. No caso do filme Hunger Games, a autora da resenha chama a atenção para a questão da violên- cia, que é mais: a) detalhada do que a autora do livro gostaria que fosse. b) brutal do que os pais permitiriam para seus filhos. c) amena do que os adolescentes imaginavam. d) superficial do que o público poderia esperar. e) impactante do que a representada no livro. 10. (Enem) 17 Bansky é um grafiteiro famoso. Na obra pin- tada em um muro da cidade de Claremont, Califórnia, em 2007, ele fez uso de um tro- cadilho com a palavra “change”, o que carac- teriza seu grafite como um protesto contra a: a) escolha da mendicância como forma de vida. b) condição de vida das pessoas em miséria. c) falta de solidariedade dos mais favorecidos. d) marginalização das pessoas desabrigadas. e) incapacidade de os mendigos mudarem de vida. 11. (Enem) Mauritius: gender roles and statuses Division of Labor by Gender. The economic success of industry has led to low unemploy- ment rates. This has changed the workplace and home life as women joined the workfor- ce. This industrialization also led to women being promoted faster. According to the Mi- nister of Women, Family Welfare, and Child Development, a quarter of all managers are now women. Women are the traditional homekeepers of the society. Between 1985 and 1991 the num- ber of women working outside the home in- creased from 22 percent to 41 percent. With that trend continuing, hired housekeeping and child care have become relatively new and important industries. The Relative Status of Women and Men. Histo- rically, women have had subordinate roles in Mauritian society. However, the Constitution specifically prohibits discrimination based on sex, and women now have access to education, employment, and governmental services. In March 1998 the Domestic Violence Act was passed. This gave greater protection and legal authority to combat domestic abuse. In that same year it also became a crime to abandon one's family or pregnant spouse for more than two months, not to pay food support, or to engage in sexual harassment. Women are underrepresented in the govern- ment. The National Assembly has seventy se- ats, of which women hold five. Disponível em: www.everyculture.com. Acesso em: 4 fev. 2013. Questões como o papel de homens e mulhe- res na sociedade contemporânea vêm sendo debatidas de diferentes pontos de vista, in- fluenciados por valores culturais específicos de cada sociedade. No caso das Ilhas Mau- rício, esses valores sustentam a tomada de decisão em torno da: a) importância do reconhecimento da presença feminina na estrutura familiar. b) manutenção da igualdade entre mulheres e homens no trabalho. c) proteção legal da mulher contra atos discri- minatórios. d) representatividade da mulher em cargos po- líticos. e) criação de auxílio à mulher abandonada pelo cônjuge. 12. (Enem) Anúncios publicitários buscam chamar a atenção do consumidor por meio de recursos diversos. Nesse pôster, os números indicados correspondem ao(à) a) comprimento do cigarro. b) tempo de queima do cigarro. c) idade de quem começa a fumar. d) expectativa de vida de um fumante. e) quantidade de cigarros consumidos. 13. (Enem) New vaccine could fight bnicotine addiction Cigarette smokers who are having trouble quitting because of nicotine's addictive po- wer may some day be able to receive a novel antibody-producing vaccine to help them kick the habit. The average cigarette contains about 4 000 different chemicals that — when burned and inhaled — cause the serious health pro- blems associated with smoking. But it is the nicotine in cigarettes that, like other addic- tive substances, stimulates rewards centers in the brain and hooks smokers to the plea- surable but dangerous routine. Ronald Crystal, who chairs the department of genetic medicine at Weill-Cornell Medical College in New York, where researchers are developing a nicotine vaccine, said the idea is to stimulate the smoker's immune system to produce antibodies or immune proteins to destroy the nicotine molecule before it rea- ches the brain. BERMAN, J. Disponível em: www.voanews. com. Acesso em: 2 jul. 2012. Muitas pessoas tentam parar de fumar, mas fracassam e sucumbem ao vício. Na tentati- va de ajudar os fumantes, pesquisadores da Weill-Cornell Medical College estão desen- volvendo uma vacina que a) diminua o risco de o fumante se tornar de- pendente da nicotina. b) seja produzida a partir de moléculas de nicotina. c) substitua a sensação de prazer oferecida pelo cigarro. d) ative a produção de anticorpos para comba- ter a nicotina. e) controle os estímulos cerebrais do hábito de fumar. 18 14. (Enem) Uma campanha pode ter por objetivo cons- cientizar a população sobre determinada questão social. Na campanha realizada no Reino Unido, a frase “A third of the food we buy in the UK ends up being thrown away" foi utilizada para enfatizar o(a) a) desigualdade social. b) escassez de plantações. c) reeducação alimentar. d) desperdício de comida. e) custo dos alimentos. 15. (Enem) THE DEATH OF THE PC The days of paying for costly software upgra- des are numbered. The PC will soon be obso- lete. And BusinessWeek reports 70% of Ame- ricans are already using the technology that will replace it. Merrill Lynch calls it “a $160 billion tsunami”. Computing giants including IBM, Yahoo!, and Amazon are racing to be the first to cash in on this PC-killing revolution. Yet, two little-known companies have a huge head start. Get their names in a free report from The Motley Fool called, “The Two Words Bill Gates Doesn’t Want You to Hear…” Click here for instant access to this FREE report! BROUGHT TO YOU BY THE MOTLEY FOOL Disponível em: http://www.fool. com. Acesso em: 21 jul. 2010. Ao optar por ler a reportagem completa so- bre o assunto anunciado, tem-se acesso a duas palavras que Bill Gates não quer que o leitor conheça e que se referem: a) aos responsáveis pela divulgação desta in- formação na internet. b) as marcas mais importantes de microcompu- tadores do mercado. c) aos nomes dos americanos que inventaram a suposta tecnologia. d) aos sites da internet pelos quais o produto já pode ser conhecido. e) as empresas que levam vantagem para serem suas concorrentes. 16. (Enem) Definidas pelos países membros da Organi- zação das Nações Unidas e por organizações internacionais, as metas de desenvolvimen- to do milênio envolvem oito objetivos a se- rem alcançados até 2015. Apesar da diversi- dade cultural, esses objetivos, mostrados na imagem, são comuns ao mundo todo, sendo dois deles: a) O combate a AIDS e a melhoria do ensino universitário. b) A redução da mortalidade adulta e a criação de parcerias globais. c) A promoção da igualdade de gêneros e a er- radicação da pobreza. d) A parceria global para o desenvolvimento e a valorização das crianças. e) A garantia da sustentabilidade ambiental e o combate ao trabalho infantil. 17. (Enem) The record industry The record industry is undoubtedly in crisis, with labels laying off employees in continua- tion. This is because CD sales are plummeting as youngsters prefer to download their music from the Internet, usually free of charge. And yet it's not all gloom and doom. Some labels are in fact thriving. Putumayo World Music,for example, is growing, thanks to its catalogue of ethnic compilation albums, fea- turing work by largely unknown artists from around the planet. Putumayo, which takes its name from a val- ley in Colombia, was founded in New York in 1993. It began life as an alternative clothing company, but soon decided to concentrate on music. Indeed its growth appears to have coincided with that of world music as a genre. Speak Up. Ano XXIII, nº 275 (fragmento). A indústria fonográfica passou por várias mudanças no século XX e, como consequên- cia, as empresas enfrentaram crises. Entre as causas, o texto da revista Speak Up aponta: a) o baixo interesse dos jovens por alguns gê- neros musicais. b) o acesso a músicas, geralmente sem custo, pela Internet. c) a compilação de álbuns com diferentes esti- los musicais. d) a ausência de artistas populares entre as pessoas mais jovens. e) o aumento do número de cantores desconhe- cidos. 19 18. (Enem) Leia. I, too I, too, sing America. I am the darker brother. They send me to eat in the kitchen When company comes, But I laugh, And eat well, And grow strong. Tomorrow, I’ll be at the table When company comes. Nobody’ll dare Say to me, “Eat in the kitchen,” Then. Besides, They’ll see how beautiful I am And be ashamed I, too, am America. HUGHES, L. In: RAMPERSAD, A.; ROESSEL, D. (Ed.) The collected poems of Langston Hughes. New York: Knopf, 1994. Langston Hughes foi um poeta negro ameri- cano que viveu no século XX e escreveu I, too em 1932. No poema, a personagem descre- ve uma prática racista que provoca nela um sentimento de: a) coragem, pela superação. b) vergonha, pelo retraimento. c) compreensão, pela aceitação. d) superioridade, pela arrogância. e) resignação, pela submissão. 19. (Enem) Aproveitando-se de seu status social e da possível influência sobre seus fãs, o famoso músico Jimi Hendrix associa, em seu texto, os termos love, power e peace para justificar sua opinião de que: a) a paz tem o poder de aumentar o amor entre os homens. b) o amor pelo poder dever ser menor do que o poder do amor. c) o poder deve ser compartilhado entre aque- les que se amam. d) o amor pelo poder é capaz de desunir cada vez mais as pessoas. e) a paz será alcançada quando a busca pelo poder deixar de existir. 20. (Enem) Crystal Ball Come see your life in my crystal glass – Twenty-five cents is all you pay Let me look into your past – Here’s what you had for lunch today: Tuna salad and mashed potatoes, Collard greens pea soup and apple juice, Chocolate milk and lemon mousse. You admit I’ve got told it all? Well, I know it, I confess, Not by looking, in my ball, But just by looking at your dress. SILVERSTEIN, S. Falling up. New York: Harper Collins Publishers, 1996. A curiosidade a respeito do futuro pode exercer um fascínio peculiar sobre algumas pessoas, a ponto de colocá-las em situações inusitadas. Na letra da música Crystal Ball, essa situação fica evidente quando é revela- do à pessoa que ela: a) recebeu uma boa notícia. b) ganhou um colar de pedras. c) se sujou durante o almoço. d) comprou vestidos novos. e) encontrou uma moeda. 21. (Enem) The six-year molars The six-year molars are the first permanent teeth. They are the “keystone” of the dental arch. They are also extremely susceptible to decay. Parents have to understand that these teeth are very important. Over 25% of 6 to 7 year old children have beginning cavities in one of the molars. The early loss of one of these molars causes serious problems in childhood and adult life. It is never easy for parents to make kids take care of their teeth. Even so, parents have to insist and never give up. O texto aborda uma temática inerente ao processo de desenvolvimento do ser huma- no, a dentição. Há informação quantificada na mensagem quando se diz que as cáries dos dentes men- cionados: a) acontecem em mais de 25% das crianças en- tre seis e sete anos. b) ocorrem em menos de 25% das crianças en- tre seis e sete anos. c) surgem em uma pequena minoria das crianças. d) começam em crianças acima dos 7 anos. e) podem levar dezenas de anos para ocorrer. 20 22. (Enem) A emissão de gases tóxicos na atmosfera traz diversas consequências para nosso planeta. De acordo com o gráfico, retirado do texto Global warming is an international issue, observa-se que: a) as queimadas poluem um pouco mais do que os combustíveis usados nos meios de transporte. b) as residências e comércios são os menores emis- sores de gases de efeito estufa na atmosfera. c) o processo de tratamento de água contribui para a emissão de gases poluentes no planeta. d) os combustíveis utilizados nos meios de transpor- tes poluem mais do que as indústrias. e) os maiores emissores de gases de efeito estufa na atmosfera são as usinas elétricas. 23. (Enem) Viva la Vida I used to rule the world Seas would rise when I gave the word Now in the morning and I sleep alone Sweep the streets I used to own I used to roll the dice Feel the fear in my enemy’s eyes Listen as the crowd would sing “Now the old king is dead! Long live the king!” One minute I held the key Next the walls were closed on me And I discovered that my castles stand Upon pillars of salt and pillars of sand […] MARTIN, C. Viva la vida, Coldplay. In: Viva la vida or Death and all his friends. Parlophone, 2008. Letras de músicas abordam temas que, de certa forma, podem ser reforçados pela re- petição de trechos ou palavras. O fragmento da canção Viva la vida, por exemplo, permite conhecer o relato de alguém que a) costumava ter o mundo aos seus pés e, de repente, se viu sem nada. b) almeja o título de rei e, por ele, tem enfren- tado inúmeros inimigos. c) causa pouco temor a seus inimigos, embora tenha muito poder. d) limpava as ruas e, com seu esforço, tornou- -se rei de seu povo. e) tinha a chave para todos os castelos nos quais desejava morar. 24. (Enem) Os cartões-postais costumam ser utilizados por viajantes que desejam enviar noticias dos lugares que visitam a parentes e ami- gos. Publicado no site do projeto ANDRILL, o texto em formato de cartão-postal tem o propósito de: a) comunicar o endereço da nova sede do pro- jeto nos Estados Unidos. b) convidar colecionadores de cartões-postais a se reunirem em um evento. c) anunciar uma nova coleção de selos para an- gariar fundos para a Antártica. d) divulgar as pessoas a possibilidade de rece- berem um cartão-postal da Antártica. e) solicitar que as pessoas visitem o site do mencionado projeto com maior frequência. 25. (Enem) How fake images change our memory and behaviour For decades, researchers have been exploring just how unreliable our own memories are. Not only is memory fick- le when we access it, but it’s also quite easily subverted and rewritten. Combine this susceptibility with modern image-editing software at our fingertips like Photoshop, and it’s a recipe for disaster. In a world where we can witness news and world events as they unfold, fake images surround us, and our minds accept these pictures as real, and remember them later. These fake memories don’t just distort how we see our past, they affect our current and future behaviour too – from what we eat, to how we protest and vote. The problem is there’s virtually nothing we can do to stop it. Old memories seem to be the easiest to ma- nipulate. In one study, subjects were showed images from their childhood. Along with real images, researchers snuck in manipulated photographs of the subject taking a hot-air balloon ride with his or her family. After seeing those images, 50% of subjects recalled some part of that hot-air balloon ride – thou- gh the event was entirely made up. EVELETH, R. Disponível em: www.bbc.com. Acesso em: 10 jan. 2013 (adaptado). 21 A reportagem apresenta consequências do uso de novas tecnologias para a mente hu- mana. Nesse contexto, a memória das pesso- as é influenciada pelo(a): a) alteração de imagens. b) exposição ao mundovirtual. c) acesso a novas informações. d) fascínio por softwares inovadores. e) interferência dos meios de comunicação. 26. (Enem) My brother the star, my mother the earth my father the sun, my sister the moon, to my life give beauty, to my body give strength, to my corn give goodness, to my house give peace, to my spirit give truth, to my elders give wisdom. Disponível em: www.blackhawkproductions.com. Acesso em: 8 ago. 2012. Produções artístico-culturais revelam visões de mundo próprias de um grupo social. Esse poema demonstra a estreita relação entre a tradição oral da cultura indígena norte-ame- ricana e a: a) transmissão de hábitos alimentares entre gerações. b) dependência da sabedoria de seus ancestrais. c) representação do corpo em seus rituais. d) importância dos elementos da natureza. e) preservação da estrutura familiar. 27. (Enem) NOTICE OF BAGGAGE INSPECTION To protect you and your fellow passengers, the Transportation Security Administra- tion (TSA) is required by law to inspect all checked baggage. As part of this process, some bags are opened and physically inspec- ted. Your bag was among those selected for physical inspection. During the inspection, your bag and its contents may have been searched for prohi- bited items. At the completion of the inspec- tion, the contents were returned to your bag. If the TSA security officer was unable to open your bag for inspection because it was locked, the officer may have been forced to break the locks on your bag. TSA sincerely regrets having to do this, however TSA is not liable for damage to your locks resulting from this necessary security precaution. For packing tips and suggestions on how to secure your baggage during your next trip, please visit: www.tsa.gov __________________________ Smart Security Saves Time Transportation Security Administration. Disponível em: www.tsa.gov. Acesso em: 13 jan. 2010 (adaptado). As instituições públicas fazem uso de avisos como instrumento de comunicação com o ci- dadão. Este aviso, voltado a passageiros, tem o objetivo de: a) solicitar que as malas sejam apresentadas para inspeção. b) notificar o passageiro pelo transporte de produtos proibidos. c) informar que a mala foi revistada pelos ofi- ciais de segurança. d) dar instruções de como arrumar malas de forma a evitar inspeções. e) apresentar desculpas pelo dano causado a mala durante a viagem. 28. (Enem) The Road Not Taken (by Robert Frost) Two roads diverged in a wood, and I — I took the one less traveled by, And that has made all the difference. Disponível em: www.poetryfoundation.org. Acesso em: 29 nov. 2011 (fragmento). Estes são os versos finais do famoso poema The Road Not Taken, do poeta americano Robert Frost. Levando-se em consideração que a vida é comumente metaforizada como uma viagem, esses versos indicam que o autor: a) festeja o fato de ter sido ousado na escolha que fez em sua vida. b) lamenta por ter sido um viajante que encon- trou muitas bifurcações. c) viaja muito pouco e que essa escolha fez toda a diferença em sua vida. d) reconhece que as dificuldades em sua vida foram todas superadas. e) percorre várias estradas durante as diferen- tes fases de sua vida. 29. (Enem) Implementar políticas adequadas de alimen- tação e nutrição é uma meta prioritária em vários países do mundo. A partir da campa- nha If you can’t read it, why eat it?, os leito- res são alertados para o perigo de: 22 a) acessarem informações equivocadas sobre a for- mulação química de alimentos empacotados. b) consumirem alimentos industrializados sem o interesse em conhecer a sua composição. c) desenvolverem problemas de saúde pela fal- ta de conhecimento a respeito do teor dos alimentos. d) incentivarem crianças a ingerirem grande quantidade de alimentos processados e com conservantes. e) ignorarem o aumento constante da obesida- de causada pela má alimentação na fase de desenvolvimento da criança. GAbARito 1. B 2. A 3. A 4. C 5. B 6. D 7. E 8. B 9. E 10. B 11. C 12. D 13. D 14. D 15. E 16. C 17. B 18. A 19. B 20. C 21. A 22. E 23. A 24. D 25. A 26. D 27. C 28. A 29. B 23 Last Monday was a really awful day. I got to school late because I had missed the bus. Then I had a Math test and did badly because I hadn’t studied for it. Things went from bad to worse: while I was waiting for the bus home I realised I had lost my money so I had to walk home. I really wanted to go to the cinema with my parents that evening but by the time I got home they had already gone out. I put my dinner in the oven, went to watch TV and fell asleep. When I woke up an hour later, there was a terrible smell and smoke coming up the stairs: I had forgotten to take my dinner out of the oven. ACEVEDO, A.; GOWER, M. High Flyer. Longman, 1996. O termo sublinhado indica uma ideia de: a) gradação b) causa c) mudo d) tempo e) contraste AplicAção dos conhecimentos - sAlA Tema: Gênero textual Construção da habilidade: Dentro da competência da área 2 do Enem, do aluno será exigida a capacidade de conhecer e usar línguas estrangeiras modernas como instrumento de acesso a informa- ções e a outras culturas e grupos sociais. Competência: 2 Habilidade: 5 MODELO 1 AULA 2 24 Slumdog Millionaire Heartbreaking and exhilarating at the same time, about a Mumbai orphan who rises from rags to riches on the strength of his lively intelligence. The film’s universal appeal presents the real India to millions of moviegoers for the first time. The real India, supercharged with a plot as reliable and eternal as the hills. The film’s surface is so dazzling that you hardly realize how traditional it is underneath. But it’s the buried structure that pulls us through the story like a big engine on a short train. By the real India, I don’t mean an unblinking documentary like Louis Malle’s “Calcutta” or the recent “Born Into Brothels.” I mean the real India of social levels that seem to be separated by centuries. What do people think of when they think of India? On the one hand, Mother Teresa, “Salaam Bombay!” and the wretched of the earth. On the other, the “Masterpiece Theater”-style images of “A Passage to India,” “Gandhi” and “The Jewel in the Crown.” The film uses dazzling cinematography, breathless editing, driving music and headlong momen- tum to explode with narrative force, stirring in a romance at the same time. EBERT, R. Disponível em: http://rogerebert.suntimes.com. Acesso em: 11 abr. 2011 (adaptado). Falsos cognatos são palavras que apresentam um radical cujo significado destoa do esperado quan- do empregado em outro idioma. São exemplos desse texto: a) images, India b) film, realize c) film, India d) time, realize e) Images, time Tema: Gênero textual Construção da habilidade: Dentro da competência da área 2 do Enem, do aluno será exigida a capacidade de conhecer e usar línguas estrangeiras modernas como instrumento de acesso a informa- ções e a outras culturas e grupos sociais. Competência: 2 Habilidade: 5 MODELO 2 25 Ebonics The word ebonics is made up of two words. Ebony, which means black and phonics, which refers to sound. It is a systematic rule-governed natural speech that is consistent as any other language in sentence structure. This is referred to as syntax. What makes this speech pattern uniquely di- fferent to “so called” American Standard English is its verb tense or lack of it. An example of this can be seen in the sentence, “He is sick today”. This same sentence translated in ebonics would read, “He sick today”. As1 you can see the verb has been omitted. However, this speech pattern is consistently used. Major controversy has arisen whether or not ebonics is a separate language or simply a dialect. In doing my research, I have found that most linguists take the position that ebonics is a dialect. What distinguishes dialect from language is that in dialect two speakers share most or some of the same vocabulary and is recognizableand understandable. In contrast, separa- te languages are present only when the inability to communicate verbally occurs. Disponível em: www.writework.com. Acesso em: 17 ago. 2011 (adaptado) As conjunções podem assumir muitos papéis dentro de uma estrutura frasal, tal como na referên- cia 1. O valor exercido e o valor comum desta conjunção é, respectivamente: a) comparação e adversidade b) comparação e tempo c) comparação e conformidade d) comparação e concessão e) comparação e consequência Tema: Gênero textual Construção da habilidade: Dentro da competência da área 2 do ENEM, do aluno será exigida a capacidade de conhecer e usar línguas estrangeiras modernas como instrumento de acesso a informa- ções e a outras culturas e grupos sociais. Competência: 2 Habilidade: 5 MODELO 3 26 Veja a tirinha: As palavras scariest (primeiro quadro) e funniest (segundo) apresentam uma flexão que indica: a) Grau aumentativo do substantivo b) Grau comparativo do advérbio c) Grau relativo do verbo d) Grau superlativo do adjetivo e) Grau diminutivo da conjunção Tema: Gênero textual Construção da habilidade: Dentro da competência da área 2 do ENEM, do aluno será exigida a capacidade de conhecer e usar línguas estrangeiras modernas como instrumento de acesso a informa- ções e a outras culturas e grupos sociais. Competência: 2 Habilidade: 5 MODELO 4 27 RAio X - Análise eXpositivA 1. A expressão from bad to worse, traduzida, significa “de mal a pior”, o que indica uma gradação. 2. As palavras time (tempo) e realize (perceber) possuem uma estrutura idêntica às de time (equipe) e realize (tornar real). 3. O valor comum exprimido pela conjunção “As” é de comparação, porém no texto é de conformidade. 4. A terminação -est se aplica apenas ao grau superlativo superior do adjetivo GAbARito 1. A 2. D 3. C 4. D 28 Construção da habilidade: Dentro da competência da área 2 do Enem, do aluno será exigida a capacidade de conhecer e usar línguas estrangeiras modernas como instrumento de acesso a informa- ções e a outras culturas e grupos sociais. ApRofunde seus conhecimentos 1. (Enem) Horse or cow Prior to taking retirement and selling off his land, a farmer needed to get rid of all the animals he owned, so he decided to call on every house in his village. At houses where the man was the boss, he gave a horse; at houses where the woman was the boss, he gave a dairy cow. Approaching one cottage, he saw a couple gardening and called out, ‘Who’s the boss around here?’ ‘I am,’ said the man. The farmer said: ‘I have a black horse and a brown horse. Which one would you like?’ The man thought for a minute and said, ‘The black one.’ ‘No, no, get the brown one,’ said his wife. The farmer said, ‘Here’s your cow.’ TIBBALLS, G. The book of senior jokes. Great Britain: Michael O’Mara, 2009 (adaptado) O texto relata o caso de um fazendeiro pres- tes a se aposentar e vender sua fazenda. O aspecto cômico desse texto provém da a) constatação pelo fazendeiro da razão de sua aposentadoria. b) opinião dos vizinhos referente à forma de se livrar dos animais. c) percepção do fazendeiro quanto à relação de poder entre o casal. d) agressividade da esposa relacionada a um questionamento inocente. e) indecisão dos cônjuges quanto à melhor es- colha a ser feita no momento. 2. (Enem) First Footing One of the major Hogmanay customs was “first-footing”. Shortly after “the bells” — the stroke of midnight when public clocks would chime to signal the start of the new year —, neighbours would visit one another’s houses to wish each other a good new year. This visiting was known “first-footing”,and the luckiest first-foot into any house was a tall, dark and handsome man — perhaps as a reward to the woman who traditionally had spent the previous day scrubbing her house (another Hogmanay ritual). Women or red heads, however, were always considered bad luck as first-foots. First-foots brought symbolic gifts to “han- dsel” the house: coal for the fire, to ensu- re that the house would be warm and safe, and shortbread or black bun (a type of fruit cake) to symbolise that the household would never go hungry that year. First-footing has faded in recent years, par- ticularly with the growth of the major street celebrations in Edinburgh and Glasgow, al- though not the Scots love of a good party, of which there are plenty on the night! Disponível em: www.visitscotland.com. Acesso em: 23 nov. 2011. A partir da leitura do texto sobre a come- moração do Ano-novo na Escócia, observa-se que, com o tempo, aspectos da cultura de um povo podem ser a) passados para outros povos. b) substituídos por outras práticas c) reforçados pelas novas gerações. d) valorizados pelas tradições locais. e) representados por festas populares. 3. (Enem - PPL) Languages and cultures use non-verbal communication which conveys meaning. Although many gestures are simi- lar in Thai and English such as nodding for affirmation many others are not shared. A good example of this is the ubiquitous “Thai smile”. The “smile” carries a far wider range of meanings in Thai than it does in English culture. This can sometimes lead to serious communication breakdowns between Thais and English speakers. An example from my own early experience in Thailand illustrates the point. When con- fronting the Thai owner of a language scho- ol with administrative problems, complaints 29 regarding student numbers in the class were met by a beaming smile and little else. I took this to mean lack of concern or an attempt to trivialise or ignore the problem. I left the discussion upset and angry by what appea- red to be the owner’s offhand attitude to my problems. It was only later when another native speaking English teacher, with considera- bly more experience of Thailand, explained that a smile meant an apology and the fact that the following day all my complaints had been addressed, that I fully understood the situation. Disponível em: www.spring.org.uk. Acesso em: 11 jul. 2011 (fragmento) Viver em um país estrangeiro pode ser uma experiência enriquecedora, embora possa também ser um desafio, pelo choque cultural. A experiência relatada pelo autor do texto re- vela diferentes atribuições de sentido a um determinado comportamento, mostrando que naquela situação o sorriso indicava um(a) a) forma educada de fazer uma reclamação. b) modo irônico de reagir a uma solicitação. c) jeito de reconhecer um erro e se desculpar. d) tentativa de minimizar um problema. e) estratégia para esconder a verdade. 4. (Enem PPL) Tennesse Mountain Properties Description Own a renovated house for less than $290 per month!!!!!!!! New windows, siding, flooring (laminate throughout and tile in entry way and bathroom), kitchen cabi- nets, counter top, back door, fresh paint and laundry on main floor. Heat billsare very low due to a good solid house and an energy efficient furnace. Disponível em: www.freerealestaeads.net .Acesso em: 30 nov. 2011(adaptado). Em jornais, há diversos anúncios que servem aos leitores. O conteúdo do anúncio veicula- do por este texto interessará a alguém que esteja procurando a) emprego no setor imobiliário. b) imóvel residencial para compra. c) serviço de reparos em domicílio. d) pessoa para trabalho doméstico. e) curso de decorador de interiores. 5. (Enem PPL) I read a study that measured the efficiency of I locomotion for various species on the planet. The condor used the least energy to move a kilometer. Humans came in with a rather unimpressive showing about a third of the way down the list ... That didn’t look so good, but then someo- ne at Scientific American had the insight to test the efficiency of locomotion for a man on a bicycle. And a man on a bicycle blew the condor away. That’s what a computer is to me: the computer is the most remarkable tool that we’ve ever come up with. It’s the equivalent of a bicycle for our minds. JOBS, S. Disponível em: www.msnbc.msn.com.Acesso em: 28 fev. 2012 (adaptado) Ao abordar o deslocamento de várias espé- cies, com base em um estudo que leu, Steve Jobs apresenta o computador como uma fer- ramenta que a) amplia a quantidade de energia gasta no planeta. b) alcança a mesma velocidade de uma bicicleta. c) altera a velocidade com a qual nos movemos. d) torna os meios de transporte mais eficientes. e) aumenta o potencial de nossas mentes. 6. (Enem PPL) Turning Brown A four-year-old boy was eating an apple in the back seat of the car, when he asked, “Daddy, why is my apple turning brown?” “Because,” his dad explained, “after you ate the skin off, the meat of the apple came into contact with the air, which caused it to oxidize, thus changing the molecular struc- ture and turning it into a different color.” There was a long silence. Then the son asked softly, “Daddy, are you talking to me?” Disponível em: http://hayspost.com. Acesso em: 10 nov. 2011. Considerando os participantes da conversa nessa piada, nota-se que o efeito de humor é obtido em função a) da dificuldade que o pai estava enfrentando para dar uma resposta ao filho. b) de o pai dizer que a maçã tem carne e que muda de cor em contato com o ar. c) de um menino de quatro anos entender uma explicação científica sobre a oxidação. d) do fato de a criança não saber por que a maçã que estava comendo era marrom. e) da escolha inadequada do tipo de linguagem para se conversar com uma criança. 7. (Enem PPL) Placas como a da gravura são usadas para orientar os usuários de um espaço urbano. 30 Essa placa, especificamente, tem a função de avisar que somente a) as despesas feitas com estacionamento são deduzidas. b) os donos de carro entram no estacionamento do parque. c) o proprietário autoriza a validação do estacionamento. d) os rebocadores precisam de permissão para entrar no local. e) os veículos autorizados podem estacionar naquela área. 8. (Enem PPL) The art of happiness Nearly every time you see him, he’s laughing or at least smiling. And he makes everyone else around him feel like smiling. He’s the Dalai Lama, the spiritual and temporal leader of Tibet, a No- bel Prize winner, and an increasingly popular speaker and statesman. Why is he so popular? Even after spending only a few minutes in his presence you can’t help feeling happier. If you ask him if he’s happy, even though he’s suffered the loss of his country, the Dalai Lama will give you an unconditional yes. What’s more, he’ll tell you that happiness is the purpose of life, and that “the very motion of our life is towards happiness”. How to get there has always been the question. He’s tried to answer it before, but he’s never had the help of a psychiatrist to get the message across in a context we can easily understand. LAMA, D.; CUTLER, H. The Art of Happiness: a handbook for living. Putnam Books, 1998. Pelo título e pela sinopse do livro de Lama e Cutler, constata-se que o tema da obra é a) o sucesso dos autores no Tibet. b) a busca da felicidade no cotidiano. c) o Prêmio Nobel recebido por Lama. d) a liderança de Dalai Lama no Tibet. e) a discussão de Lama e seu psiquiatra. 9. (Enem PPL) Cyberbullying is harassment through electronic means such as telephone text mes- sages, social media such as Facebook and Twitter or online blogs and bulletin boards. In normal bullying, students are given a daily break from the torment as bully and victim each go to their separate homes. But for victims of cyberbullying, there is no reprieve, as the abuse enters into their private lives. In the US, there are at least 44 states that have anti-bullying laws on the books. While only six of them use the actual word “cyberbullying”, 31 others have laws that specifically mention “electronic harassment”. Prosecution in the UK is a little more difficult. While all schools are required to have anti-bullying policies in place, cyberbullying itself is not named as a criminal offence. Offenders in the UK would have to be charged under various other laws, including the Protection from Harassment Act of 2003. This makes prosecution much more difficult. Authorities agree that in order to stop cyberbullying, there has to be parental involvement. Pa- rents need to be vigilant about their children’s access to technology. They should monitor their children’s use of social media, especially children under the age of 14. Bullies are not going to simply disappear, but parents can go a long way in protecting their children from being bullied. Go! English, ano II, n. 14 (fragmento). De acordo com o texto, nos Estados Unidos, alguns estados têm leis específicas para assédio via meios eletrônicos. Já no Reino Unido, a instauração de processos contra praticantes de cyber- bullying é mais difícil porque a) as vítimas precisam recorrer a outras leis existentes, pois o cyberbullying não é considerado crime. b) as leis que regulamentam o uso da internet e dos meios eletrônicos de comunicação são inexistentes. c) os pais das vítimas não têm interesse em denunciar os agressores de seus filhos às autoridades com- petentes. d) os estudantes com idade inferior a 18 anos não podem sofrer acusações de prática de cyberbullying ou bullying. e) as leis como a de Proteção contra Atos de Assédio de 2003 estabelecem que o cyberbullying não é crime. 31 10. (Enem PPL) a) divisão de espaço com os pais. b) perda da atenção dos pais. c) submissão aos pais. d) ausência dos pais. e) semelhança com os pais. 11. (Enem PPL) Movie: Hijras - The Third Gender Director: Devika Urvashi Bhisé Duration: 29 minutes Hijras are the outcastes of Indian society and live on its fringes. These eunuchs (originally only castrated males) were once employed by sultans and maharajas to guard the women in their harems. Now shunned by society, they are treated with less respect than the Dalits, or untouchables. Consi- dered neither men nor women, Hijras have no constitutional rights. Currently, there is an ongoing debate in India regarding whether or not they should be granted the status of a third gender. Most hijras are genetically born as men, but believe they are women within. The rest are hermaphro- dites with some abnormality in genitalia. For those born men, becoming a hijra is a painful process that involves removing the entire genitalia in a secret ceremony that is often undergone without any anesthetic. Currently, most hijras have only three ways in which they can make a living: prostitution, begging, and as performing shamans removing bad luck and/or spells from suspicious Indian households. Sex work is one of the only options for hijras because there are few employment opportunities available to them. Hijras are most commonly seen knocking on car windows, begging for money at stoplights. Although hijras are feared for their dissimilarities, they are also revered for their alleged mystical abilities. Most Indian families seek their blessings during any auspicious ceremony such as a birth, a wedding, or the building of a new house. As pariahs of society, they are subjected to prejudice that is often translated into verbal abuse, hu- miliation, extreme discrimination, and violence in public as well as private venues. I have documen- ted a short film to create awareness of the plight of this segment of society and allow their voices to be heard. I was privileged to share this community’s inner life and have tried to capture its stark reality as a friend rather than a voyeur. The filming took place from June 2008 to September 2008 in various cities and locations in India. Disponível em: www.engendered.org. Acesso em: 25 fev. 2012. O filme Hijras - The Third Gender tem como objetivo chamar atenção para a situação vivida por um segmento da sociedade indiana, os hijras. De acordo com o que se captura dessas vozes no filme e do que se lê no texto, esse segmento reivindica a) os mesmos direitos dos dalits, ou intocáveis. b) o direito constitucional de sair da marginalidade. c) um processo maishumano de mudança de sexo. d) a regulamentação de suas atuais funções sociais. e) o reconhecimento de suas habilidades místicas. 32 12. (Enem PPL) BELL, D. Disponível em: www.candorville.com. Acesso em: 29 fev. 2012. Com base nas informações verbais e no contexto social da tirinha, infere-se que o cliente a) constrange e intimida o garçom, a fim de não pagar a conta devida. b) está indisposto para conversar com o garçom sobre assuntos pessoais. c) explica ao garçom que vai aguardar outra pessoa chegar ao restaurante. d) mostra descontentamento com o serviço para não ter que pagar por ele. e) demonstra bom humor, fazendo piada no momento de fechar a conta. 13. (Enem PPL) Home is where the heart is The heart of psychosocial care is to be found in the home and it is here that the main trust of external efforts to improve the wellbeing of vulnerable children must be directed. The best way to support the wellbeing of young children affected by HIV/AIDS is to strengthen and reinforce the circles of care that surround children. Some children — especially those living outside families, on the streets or institutions, with chronically ill caregivers, and orphans — are more vulnerable and especially require psychosocial care and support. However, this social support needs to be provided in family settings, with the same characteristics of commitment, stability, and indivi- dualized affectionate care. The primary aim of all psychosocial support programmes should be an encouraging and enabling family support, including foster care, and placing and maintaining young children in stable and affectionate family environments. Only secondarily should direct services be provided to affected children. RICHTER, L.; FOSTER, G.; SHERR, L. W here the heart is: meeting the psychosocial needs of young children in the context of HIV/AIDS. Holanda: Bernard van Leer Foundation, 2006 (adaptado). Ao tratar dos problemas psicossociais dos portadores do vírus HIV/AIDS, o texto argumenta que a) as crianças em ambiente familiar enfrentam melhor a doença. b) o suporte das instituições traz mais benefícios que o familiar. c) as famílias dos portadores do HIV aprendem umas com as outras. d) a recuperação dos portadores do vírus HIV exige internamento. e) o tratamento dos pacientes depende de financiamento externo. 14. (Enem) Na tira da série For better or for worse, a comunicação entre as personagens fica comprometida em um determinado momento porque: a) as duas amigas divergem de opinião sobre futebol. b) uma das amigas desconsidera as preferências da outra. c) uma das amigas ignora que o outono é temporada de futebol. d) uma das amigas desconhece a razão pela qual a outra a maltrata. e) as duas amigas atribuem sentidos diferentes a palavra season. 33 15. (Enem) 36 hours in Buenos Aires Contemporary Argentine history is a roller coaster of financial booms and cracks, set to gripping political soap operas. But through all the highs and lows, one thing has remained constant: Buenos Aires’s graceful elegance and cosmopolitan cool. This attractive city continues to draw food lovers, design buffs and party people with its riotous night life, fashion-forward styling and a favorable exchange rate. Even with the uncertain economy, the creative energy and enterprising spirit of Porteños, as residents are called, prevail – just look to the growing ranks of art spaces, boutiques, restaurants and hotels. SINGER, P. Disponível em: www.nytimes.com. Acesso em: 30 jul. 2012. Nesse artigo de jornal, Buenos Aires é apresentada como a capital argentina, que: a) foi objeto de novelas televisivas baseadas em sua vida noturna e artística. b) manteve sua elegância e espírito cosmopolita, apesar das crises econômicas. c) teve sua energia e aspecto empreendedor ofuscados pela incerteza da economia. d) foi marcada historicamente por uma vida financeira estável, com repercussão na arte. e) parou de atrair apreciadores da gastronomia, devido ao alto valor de sua moeda. 16. (Enem) A partir da leitura dessa tirinha, infere-se que o discurso de Calvin teve um efeito diferente do pretendido, uma vez que ele: a) decide tirar a neve do quintal para convencer seu pai sobre seu discurso. b) culpa o pai por exercer influência negativa na formação de sua personalidade. c) comenta que suas discussões com o pai não correspondem às suas expectativas. d) conclui que os acontecimentos ruins não fazem falta para a sociedade. e) reclama que é vítima de valores que o levam a atitudes inadequadas. 17. (Enem) National Geographic News Christine Dell’ Amore Published April 26, 2010 Our bodies produce a small steady amount of natural morphine, a new study suggests. Traces of the chemical are often found in mouse and human urine, leading scientists to wonder whether the drug is being made naturally or being delivered by something the subjects consumed. The new research shows that mice produce the “incredible painkiller” – and that humans and other mammals possess the same chemical road map for making it, said study co-author Meinhart Zenk, who studies plant-based pharmaceuticals at the Donald Danforth Plant Science Center in St. Louis, Missouri. Disponível em: www.nationalgeographic.com. Acesso em: 27 jul. 2010. Ao ler a matéria publicada na National Geographic para a realização de um trabalho escolar, um estudante descobriu que: a) os compostos químicos da morfina, produzidos por humanos, são manipulados no Missouri. b) os ratos e os humanos possuem a mesma via metabólica para produção de morfina. c) a produção de morfina em grande quantidade minimiza a dor em ratos e humanos. d) os seres humanos têm uma predisposição genética para inibir a dor. e) a produção de morfina é um traço incomum entre os animais. 34 18. (Enem) Cartuns são produzidos com o intuito de satirizar comportamentos humanos e assim oportunizam a reflexão sobre nossos próprios comportamentos e atitudes. Nesse cartum, a linguagem utilizada pelos personagens em uma conversa em inglês evidencia a: a) predominância do uso da linguagem informal sobre a língua padrão. b) dificuldade de reconhecer a existência de diferentes usos da linguagem. c) aceitação dos regionalismos utilizados por pessoas de diferentes lugares. d) necessidade de estudo da língua inglesa por parte dos personagens. e) facilidade de compreensão entre falantes com sotaques distintos. 19. (Enem) 23 February 2012 Last update at 16:53 GMT - BBC World Service J. K. Rowling to pen first novel for adults Author J. K. Rowling has announced plans to publish her first novel for adults, which will be “very different” from the Harry Potter books she is famous for. The book will be published worldwide although no date or title has yet been released. “The freedom to explore new territory is a gift that Harry’s success has brought me,” Rowling said. All the Potter books were published by Bloomsbury, but Rowling has chosen a new publisher for her debut into adult fiction. “Although I’ve enjoyed writing it every bit as much, my next book will be very different to the Harry Potter series, which has been published so brilliantly by Bloomsbury and my other publishers around the world,” she said, in a statement. “I’m delighted to have a second publishing home in Little, Brown, and a publishing team that will be a great partner in this new phase of my writing life.” Disponível em: www.bbc.co.uk. Acesso em: 24 fev. 2012 (adaptado). J. K. Rowling tornou-se famosa por seus livros sobre o bruxo Harry Potter e suas aventuras, adap- tados para o cinema. Esse texto, que aborda a trajetória da escritora britânica, tem por objetivo: a) informar que a famosa série Harry Potter será adaptada para o público adulto. b) divulgar a publicação do romance por J. K. Rowling inteiramente para adultos. c) promover a nova editora que irá publicar os próximos livros de J. K. Rowling. d) informar que a autora de Harry Potter agora pretende escrever para adultos. e) anunciar um novo livro da série Harry Potterpublicado por editora diferente. 35 20. (Enem) A tira, definida como um segmento de história em quadrinhos, pode transmitir uma mensagem com efeito de humor. A presença desse efeito no diálogo entre Jon e Garfield acontece porque: a) Jon pensa que sua ex-namorada é maluca e que Garfield não sabia disso. b) JodelI é a única namorada maluca que Jon teve, e Garfield acha isso estranho. c) Garfield tem certeza de que a ex-namorada de Jon é sensata, o maluco é o amigo. d) Garfield conhece as ex-namoradas de Jon e considera mais de uma como maluca. e) Jon caracteriza a ex-namorada como maluca e não entende a cara de Garfield. GAbARito 1. C 2. B 3. C 4. B 5. E 6. E 7. E 8. B 9. A 10. E 11. B 12. E 13. A 14. E 15. B 16. C 17. B 18. B 19. D 20. D Espanhol RPA ENEM L C L C ENTRE ESPAÑOL Y PORTUGUÉS 38 39 Prescrição: A prova de Espanhol do ENEM apresenta questões que exigem do candidato um trabalho rígido com interpretação de textos. Os textos que possuem a maior incidência são textos informativos periódicos. ESPAÑOL AplicAção dos conhecimentos - sAlA 1. (Enem 2018) Revolución en la arquitectura china Levantar rascacielos en 19 días Un rascacielos de 57 pisos no llama atención en la China de siglo XXI Salvo que se haya construido en 19 días, claro. Y eso es preci- samente lo que ha conseguido Broad Sustai- nable Building (BSB), una empresa dedicada a la fabricación de purificadores de aire y de equipos de aire acondicionado para grandes infraestructuras que ahora se ha empeñado en liderar una revolución con su propio mo- delo de arquitectura modular prefabricada. Como subraya su presidente, Zhang Yue, es una fórmula económica, ecológica, segura y limpa. Ese último término, además, lo utili- za tanto para referirse al polvo que se pro- duce en la construcción como a los gruesos sobres que suelen circular por debajo de las mesas en adjudicaciones y permisos varios. “Quiero que nuestros edificios alumbren una nueva era en la arquitectura, y que se conviertan en símbolo de la lucha contra la contaminación y el cambio climático, que es la mayor amenaza a la que se enfrenta la hu- manidad”, sentencia. “Es como montar un Lego. Apenas hay sub- contratación, lo cual ayuda a mantener un costo bajo y un control de calidad estricto, y nos permite eliminartambién la corrupción inherente al sector”, explica la vicepresiden- ta de BSB y responsable del mercado inter- nacional, Jiang Yan. Disponível em: http://tecnologia.elpais.com. Acesso em: 23 jun. 2015(adaptado) No texto, alguns dos benefícios de se utili- zar estruturas pré-moldadas na construção de altos edifícios estão expressos por meio da palavra limpia. Essa expressão indica que, além de produzir menos resídu- os, o uso desse tipo de estrutura a) reduz o contingente de mão de obra. b) inibe a corrupção na construção civil. c) facilita o controle da qualidade da obra. d) apresenta um modelo arquitetônico conciso. e) otimiza os custos da construção de edifícios.. 2. (Enem 2018) El día en que lo iban a matar, Santiago Nasar se levantó a las 5:30 de la mañana para esperar el buque en que llega- ba el obispo. Había soñado que atravesaba un bosque de higuerones donde caía una llovi- zna tierna, y por un instante fue feliz en el sueño, pero al despertar se sintió por comple- to salpicado de cagada de pájaros. “Siempre soñaba con árboles”, me dijo Plácida Linero, su madre, evocando 27 años después los por- menora de aquel lunes ingrato. “La semana anterior había soñado que iba solo en un avi- ón de papel de estaño que volaba sin trope- zar por entre los almendros”, me dijo. Tenía una reputación muy bien ganada de intér- prete certera de los sueños ajenos, siempre que se los contaran en ayunas, pero no había advertido ningún augurio aciago en esos dos sueños de su hijo, ni en los otros sueños con árboles que él le había contado en las maña- nas que precedieron a su muerte. MÁRQUEZ, G.G Crónica de una muerte anunciada. Disponível em: http://biblio3.url.edu.gt. Acesso em: 2 jan. 2015. Na introdução do romance, o narrador resgata lembranças de Plácida Linero relacionadas a seu filho Santiago Nasa.Nessa introdução, o uso da expressão augurio aciago remete ao(à) a) relação mística que se estabelece entre Plá- cida e seu filho Santiago b) destino trágico de Santiago, que Plácida foi incapaz de prever nos sonhos. c) descompasso entre a felicidade de Santiago nos sonhos e seu azar na realidade. d) crença de Plácida na importância da inter- pretação dos sonhos para mudar o futuro. e) presença recorrente de elementos sombrios que se revelam nos sonhos de Santiago.. 3. (Enem 2018) ¿Qué es la X Solidaria? La X Solidaria es una equis que ayuda a las personas más vulnerables. Podrás marcarla cuando hagas la declaración de la renta. Es la casilla que se denomina “Fines Sociales”. Nosotros preferimos llamarla X Solidaria: § porque al marcarla haces que se destine un 0,7% de tus impuestos a programas sociales que realizan las ONG. § porque se benefician los colectivos más desfavorecidos, sin ningún coste econó- mico para ti. 40 § porque NO marcarla es tomar una actitud pasiva, y dejar que sea el Estado quien decida el destino de esa parte de tus im- puestos. § porque marcándola te conviertes en con- tribuyente activo solidario. As ações solidárias contribuem para o en- frentamento de problemas sociais. No texto, a ação solidária ocorre quando o contribuinte a) delega ao governo o destino de seus impostos. b) escolhe projetos que terão isenção de impos- tos. c) destina parte de seus impostos para custeio de programas sociais. d) determina a criação de impostos para implan- tação de projetos sociais. e) seleciona programas para beneficiar cidadãos vulneráveis socialmente.. 4. (Enem 2016) Preámbulo a las instrucciones para dar cuerda al reloj Piensa en esto: cuando te regalan un reloj te regalan un pequeño infiemo florido, una cadena de rosas, un calabozo de aire. No te dan solamente el reloj, que los cumplas muy felices y esperamos que te dure porque es de buena marca, suizo con áncora de rubíes; no te regalan solamente ese menudo picapedre- ro que te atarás a la muñeca y pasearás con- tigo. Te regalan — no lo saben, lo terrible es que no lo saben —, te regalan un nuevo pe- dazo frágil y precario de ti mismo, algo que es tuyo pero no es tu cuerpo, que hay que atar a tu cuerpo con su correa como un bra- cito desesperado colgándose de tu muñeca. Te regalan la necesidad de darle cuerda to- dos los días, la obligación de darle cuerda para que siga siendo un reloj; te regalan la obsesión de atender a la hora exacta en las vitrinas de las joyerías, en el anuncio por la radio, en el servicio telefónico. Te regalan el miedo de perderlo, de que te lo roben, de que se te caiga al suelo y se rompa. Te regalan su marca, y la seguridad de que es una marca mejor que las otras, te regalan la tendencia de comparar tu reloj con los demás relojes. No te regalan un reloj, tú eres el regalado, a ti te ofrecen para el cumpleaños del reloj. CORTÁZAR, J. Historias de cronopios y de famas. Buenos Aires: Sudamericana, 1963 (fragmento). Nesse texto, Júlio Cortázar transforma pe- quenas ações cotidianas em criação literária, a) denunciando a má qualidade dos relógios modernos em relação aos antigos. b) apresentando possibilidades de sermos pre- senteados com um relógio. c) convidando o leitor a refletir sobre a coisifi- cação do ser humano. d) desafiando o leitor a pensar sobre a efemeri- dade do tempo. e) criticando o leitor por ignorar os malefícios do relógio. 5. (Enem 2017) El Eclipse Cuando Fray Bartolomé Arrazola se sintió perdido aceptó que ya nada podría salvar- lo. La selva poderosa de Guatemala lo habia apresado, implacable y definitiva. Ante su ignorancia topográfica se sentó com tranqui- lidade a esperar la muerte. Al despertar se encontró rodeado por un grupo de indígenas de rostro impasibleque se disponia a sacrifi- carlo ante un altar, un altar que a Bartolomé le pareció como el lecho en que descansaria, an fin, de sus temores, de su destino, de sí mismo. Tres años en el país le habian confe- rido un mediano dominio de las lenguas na- tivas. Intentó algo. Dijo alguns palabras que fueron comprendidas. Entonces floreció en él una idea que tuvo por digna de su talento y de su cultura universal y de su arduo co- nocimiento de Aristóteles. Recrdó que para ese día se esperaba un eclipse total de sol. Y dispuso, en lo más íntimo, valerse de aquel conocimiento para enganãr a sus opresores y salvar la vida. -Si me matáis - les dijo - puedo hacer que el sol se oscurezca en su altura.Los indígenas lo miraron fijamente y Bartolomé sorprendió la incredulidad en sus ojos. Vio que se produjo un pequeño consejo, y esperó confiado, no sin cierto desdén. Duas horas después el corázon de Fray Bartolomé Arrazola chorreaba su sangre vehemente so- bre la piedra de los sacrificios (brilante bajo la opaca luz de un sol eclipsado), mientras uno de los indígenas recitaba sin ninguna inflexión de voz, sin prisa, una por una las infinitas fechas en que se producirían eclip- ses solares y lunares, que los astrónomos de la comunidad maya habían previsto y ano- tado en sus códices sin la valiosa ayuda de Aristóteles. MONTERROSO, A. Obras completas y otros cuentos. Bogotá: Norma, 1994 (adaptado) No texto, confrontam-se duas visões de mundo: a da cultura ocidental, representada por Frei Bartolomé Arrazola, e a da mítica pré-hispânica, representada pela comunida- de indígena maia. Segundo a narrativa, a) os catequizadores espanhóis avalizam os sa- beres produzidos pelas comunidades indíge- nas hispanoamericanas. b) os indígenas da comunidade maia mostram- -se perplexos diante da superioridade do co- nhecimento aristotélico do frei espanhol. c) o catequizador espanhol Arrazola apresenta- -se adaptado às culturas autóctones, ao pro- mover a interlocução entre os conhecimen- tos aristotélico e indígena. d) o episódio representa, de forma neutra, o significado do conhecimento ancestral indí- gena, quando comparado ao conhecimento ocidental. e) os conhecimentos acadêmicos de Arrazo- la são insuficientes para salvá-lo da morte, ante a sabedoria astronômica maia. 41 6. (Enem 2015) Los guionistas estadouniden- ses introducen cada vez más el español en sus diálogos. En lo últimos años, la realidade cultural y la presencia creciente de migrantes de origen latinoamericano en EE UU ha propiciado que cada vez más estadounidenses altern el in- glés y el español en un mismo discurso. Un estudio publicado en la revista Vial-vigo International Journal of Applied Linguistics se centra en las estrategias que usan los guionistas de la versión original para incluir el español en el guión o a personajes de ori- gen latinoamericano. Los guionistas estadounidenses suelen usar subtítulos en inglés cuando el español que aparece en la serie o pelicula es importante para el argumento. Si esto no ocurre, y sólo hay interjecciones, aparece sin subtítulos. En aquellas conversaciones que no tienen relevancia se añade en ocasiones el subtítulo Speaks Spanish(habla en español). “De esta forma, impiden al público conoocer qué están diciendo los dos personajes que hablan español”, explica la autora del estu- dio y profesora e investigadora en la Univer- sidad Pablo de Olavide (UPO) de Sevilla Disponível em: www.agenciasinc.es. Acesso em: 23 ago. 2012 (adaptado). De acordo com o texto, nos filmes norte-ame- ricanos, nem todas as falas em espanhol são legendadas em inglês. Esse fato revela a a) assimetria no tratamento do espanhol como elemento da diversidade linguística nos Es- tados Unidos. b) escassez de personagens de origem hispâni- ca nas séries e filmes produzidos nos Estados Unidos c) desconsideração com o público hispânico que frequenta as salas de cinema norte- -americanas. d) falta de uma formação linguística específica para os roteiristas e tradutores norte-ameri- canos. e) carência de pesquisas científicas sobre a in- fluência do espanhol na cultura norte-ame- ricana. 7. (Enem 2016) Aqui estoy estabelecido En los Estados Unidos, Diez años pasaron ya, En que crucé de mojado, Papeles no he arreglado, Sigo siendo un ilegal. Tengo mi esposa y mis hijos, Que me los traje muy chicos Y se han olvidado ya, De mi México querido, Del que yo nunca me olvido Y no puedo regresar. [...] Mis hijos no hablan conmigo, Otro idioma han aprendido, Y olvidado el español, Piensan como americanos, Niegan que son mexicanos, Aunque tengan mi color. LOS TIGRES DEL NORTE.Jaula de oro. Woodland Hills, Califórnia: Fonovisa, 1986 (fragmento). A letra de canção coloca em cena um dilema por vezes vivenciado por imigrantes. Esse dilema se configura no sentimento do pai em relação ao(à) a) diluição de sua identidade latino-americana, advinda do contato cotidiano com o outro. b) distanciamento dos filhos, gerado pela apro- priação da língua e da cultura do outro. c) preconceito étnico-racial sofrido pelos imi- grantes mexicanos no novo país. d) desejo de se integrar à nova cultura e de se comunicar na outra língua e) vergonha perante os filhos de viver ilegal- mente em outro país. 8. (Enem 2015) Disponível em: www.lacronicadeleon.es. Acesso em: 12 mar. 2012 (adaptado). A acessibilidade é um tema de relevância tanto na esfera pública quanto na esfera privada. No cartaz, a exploração desse tema destaca a importância de se a) estimular os cadeirantes na superação de barreiras. b) respeitar o estacionamento destinado a ca- deirantes. c) identificar as vagas reservadas aos cadeiran- tes d) eliminar os obstáculos para o trânsito de ca- deirantes. e) facilitar a locomoção de cadeirantes em esta- cionamentos.. 42 práticA dos conhecimentos - e.o. 1. (Enem PPL 2017) En la República Demo- crática del Congo menos del 29% de la po- blación rural tiene acceso al agua potable, y menos del 31% cuenta con servicios de saneamiento adecuados. En un país cuya situación ha sido calificada como “la peor emergencia posible de África en las últimas décadas”, las enfermedades hacen estragos entre la población. La diarrea provoca cada año la muerte del de los niños menores de cinco años, y los brotes epidémicos de cólera causan más de muertes anuales, sobre todo en las provincias de Katanga Oriental, Kivu del Norte u del Sur. Con el objetico de paliar esta situación, la Fundación We Are Water ha llevado a cabo un proyecto de Unicef en los distritos del sur y el este del país para mejorar el acceso al agua potable, la higiene y el saneamiento en las comunidades rurales y semirrurales donde el cólera es endémico. Gracias a la excavación de pozos, el estable- cimiento de instalaciones para la extracción de agua y la formación de agentes de salud para mejorar las prácticas de higiene de es- tas comunidades, niños, mujeres y hom- bres de aldeas y áreas cercanas a las ciuda- des han mejorado su acceso al agua potable y se verán libres de la amenaza del cólera. VAN DER BERG. E. Disponível em: www. nationalgeographic.com.es. Acesso em: 27 jul. 2012. A partir das informações sobre as condições de saneamento básico na República Demo- crática do Congo e do gênero escolhido para veiculá-las, a função do texto é a) divulgar dados estatísticos sobre a realidade do país. b) levar ao conhecimento público as práticas que visam a melhoria da saúde na região c) alertar as pessoas interessadas em conhecer a região sobre os problemas de saneamento. d) oferecer serviços de escavação de poços e acesso à água para a população da região. e) orientar a população do país sobre ações de saúde pública. 2. (Enem (Libras) 2017) Noticias de la Semana. jul. 2010 (adaptado). A imagem da televisão, aliada ao conteúdo verbal no anúncio, tem a função de a) promover a venda de aparelhos de LCD e o des- carte de televisoresconsiderados obsoletos. b) incentivar a compra de um produto sem o qual o aparelho de LCD será subutilizado. c) contrastar as características de aparelhos de televisão novos e antigos. d) destacar a alta tecnologia empregada nos aparelhos de LCD. e) demonstrar a superioridade dos aparelhos de LCD sobre os televisores convencionais. 3. (Enem PPL 2017) Disponível em: www.greenpeace.org. Acesso em: 2 jul. 2015. O texto publicitário objetiva a adesão do pú- blico a uma campanha ambiental. A relação estabelecida entre o enunciado “Lo que le haces al planeta, te lo haces a ti” e os ele- mentos não verbais pressupõe que as atitu- des negativas do homem para com o planeta a) aceleram o envelhecimento da pele. b) provocam a ocorrência de seca. c) aumentam o dano atmosférico. d) prejudicam o próprio homem. e) causam a poluição industrial. 43 5. (Enem (Libras) 2017) Carta de despedida a Fidel (abril de 1965) Me recuerdo en esta hora de muchas cosas, de cuando te conocí en casa de María Anto- nia, de cuando me propusiste venir, de toda la tensión de los preparativos. Un día pasa- ron preguntando a quien se debía avisar en caso de muerte y la posibilidad real del he- cho nos golpeó a todos. Después supimos que era cierto, que en una revolución se triunfa o se muere (si es verdadera). Muchos com- pañeros quedaron a lo largo del camino ha- cia la victoria. Hoy todo tiene un tono menos dramático porque somos más maduros, pero el hecho se repite. Siento que he cumplido la parte de mi deber que me ataba a la Revo- lución cubana en su territorio y me despido de ti, de los compañeros, de tu pueblo que ya es mío. CHE GUEVARA. Disponível em: www.centroche. co.cu. Acesso em: 21 fev. 2012. No fragmento da carta que escreveu a Fidel Castro antes de deixar Cuba, Che Guevara a) associa sua aceitação da morte a um convite que recebeu de Fidel Castro. b) questiona se o triunfo de um processo revo- lucionário exige conflito armado. c) comenta o abalo que os dois sentiram diante da possibilidade de morrer em combate. d) destaca que os conflitos dramáticos são es- quecidos com o passar do tempo. e) salienta as imprudências que resultaram na morte de muitos companheiros. 6. (Enem PPL 2017) Un gran disco rojo, si- lhuetas de manos y figuras animales que de- coran las paredes de diferentes cuevas del norte de España son las pinturas rupestres más antiguas jamás halladas. Hasta ahora se creia que – com una antigüe- dad de entre y años – las pinturas ru- pestres más antiguas estaban en cuevas de Francia y Portugal. Las fechas en las que, según el nuevo halla- zgo, se dibujaron estas pinturas coinciden con la primera migración conocida de los humanos modernos (los Homo sapiens) a Europa desde África. Pero hace años, sus primos los neandertales todavía vivían en lo que hoy es España. En estas pinturas pueden estar alguna de las claves para entender el desarrollo de la historia humana. Pero si, por el contrario, se comprueba que los artistas fueron los neandertales, el hallazgo “añade un nuevo elemento a nuestro conocimiento sobre sus capacidades y su sofisticación”. Eso indicaría 4. (Enem (Libras) 2017) Familia de construc- tores y mecenas La inauguración del Museo Universidad de Navarra, que desde hoy y durante un mes mantendrá una política de puertas abiertas, se enmarca de forma indisoluble en el re- cuerdo de una de las manifestaciones que, hace 42 años, cambiaron la relación de Es- paña con el arte moderno y las vanguardias: los Encuentros de Pamplona de 1972. Auspi- ciados (y costeados) por los Huarte, la mis- ma familia de constructores y coleccionistas de arte que ahora han impulsado el nuevo museo por medio de María Josefa Huarte, los Encuentros llevaron a la España franquista del 72 — y en concreto a la Pamplona gris y adormecida del 72 — cosas como la mú- sica de John Cage, el nuevo Arte Vasco, las locuras del Equipo Crónica o directamente la ignominia de unas carpas hinchables de colores frente a la fachada del mismísimo Gobierno Militar. Casi nadie daba crédito de lo que allí ocur- ría: en pleno tardofranquismo, melenudos sedientos de caña cultural alternaban con señoronas del régimen en los espectáculos y exposiciones. Estallaron dos bombas. El Par- tido Conmunista trató de evitar que los En- cuentros se celebrasen porque justificaban, de algún modo, la celebración de la cultura en un país que no la permitía. Los Huarte, empresarios navarros de la construcción, co- leccionistas, mecenas y productores de cine de vanguardia, se convirtieron en eso, en vanguardistas y propiciaron una de las ma- nifestaciones más estrafalarias, necesarias y, a la postre, decisivas de cara al futuro cul- tural de un país. Disponível em: http://cultura.elpais. com. Acesso em: 23 jan. 2015. De acordo com o texto, a inauguração do Mu- seo Universidad de Navarra rememora um momento significativo da história da Espa- nha, quando a) reuniões comunistas movimentaram um es- paço artístico. b) encontros artísticos construíram um espaço democrático. c) acontecimentos políticos permitiram uma mudança social. d) celebrações culturais questionaram um go- verno autoritário. e) manifestações vanguardistas propiciaram um futuro cultural. 44 que el pensamiento humano, abstracto y avanzado, y probablemente también el len- guaje, surgieron cientos de miles de años antes de lo que se creía. Disponível em: www.bbc.co.uk. Acesso em: 15 jun. 2012 (adaptado). A pintura rupestre é uma arte pré-histórica por meio da qual nossos ancestrais retrata- vam seu entorno, seu cotidiano, suas cren- ças. O achado arqueológico apresentado no texto pode ser de grande relevância por a) oferecer informações sobre o movimento mi- gratório dos Homo sapiens e dos neander- tais. b) comprovar a sofisticação artística e a capaci- dade criativa dos neandertais. c) ressignificar o conhecimento sobre o desen- volvimento do pensamento e da linguagem. d) ampliar a variedade de imagens representa- das por pinturas rupestres. e) atestar o grau de parentesco primitivo entre Homo sapiens e neandertais. 7. (Enem 2017) El eclipse Cuando Fray Bartolomé Arrazola se sentió perdido aceptó que ya nada podría salvar- lo. La selva poderosa de Guatemala lo había apresado, implacable y definitiva. Ante su ignorancia topográfica se sentó con tranqui- lidad a esperar la muerte. Al despertar se en- contró rodeado por un grupo de indígenas de rostro impasible que se disponía a sacrificar- lo ante un altar, un altar que a Bartolomé le pareció como el lecho en que descansaría, al fin, de sus temores, de su destino, de sí mis- mo. Tres años en el país le habían conferido un mediano dominio de las lenguas nativas. Intentó algo. Dijo algunas palabras que fue- ron comprendidas. Entonces floreció en él una idea que tuvo por digna de su talento y de su cultura universal y de su arduo co- nocimiento de Aristóteles. Recordó que para ese día se esperaba un eclipse total de sol. Y dispuso, en lo más íntimo, valerse de aquel conocimiento para engañar a sus opresores y salvar la vida. – Si me matáis – les dijo – puedo hacer que el sol se oscurezca en su altura. Los indígenas lo miraron fijamente y Bartolomé sorprendió la incredulidad en sus ojos. Vio que se produjo un pequeño consejo, y esperó confiado, no sin cierto desdén. Dos horas después el corazón de Fray Bartolomé Arrazola chorreaba su sangre vehemente so- bre la piedra de los sacrifícios (brillante bajo la opaca luz de un sol eclipsado), mientras uno de los indígenas recitaba sin ninguna inflexión de voz, sin prisa, una por una las infinitas fechas en que se producirían eclip- ses solares y lunares, que los atrónomos de la comunidad maya habían previsto y ano- tado en sus códices sin la valiosa ayuda de Aristóteles. Monterroso, A. Obras completas y otros cuentos. Bogotá: Norma, 1994 (adaptado). No texto, confrontam-seduas visões de mundo: a da cultura ocidental, representada por Frei Bartolomé Arrazola, e a da mítica pré-hispânica, representada pela comunida- de indígena maia. Segundo a narrativa, a) os catequizadores espanhóis avalizam os sa- beres produzidos pelas comunidades indíge- nas hispanoamericanas. b) os indígenas da comunidade maia, mostram- -se perplexos diante da superioridade do co- nhecimento aristotélico do frei espanhol. c) o catequizador espanhol Arrazola apresenta- -se adaptado às culturas autóctones, ao pro- mover a interlocução entre os conhecimen- tos aristotélicos e indígena. d) o episódio representa, de forma neutra, o sig- nificado do conhecimento ancestral indígena, quando comparado ao conhecimento ocidental. e) os conhecimentos acadêmicos de Arrazola são insuficientes para salvá-lo da morte, ante a sa- bedoria astronômica da cultura maia. 8. (Enem (Libras) 2017) Salta, 11 de enero de 1843. Sr. Tenente Manuel Isidoro Belzu Jirón de Puka-Cruz/La Paz/Bolívia Manuel, mi querido Manuel: Dejé que mi caballo me guiara por senderos en espiral y aquí estoy, sola, en un vallecito escondido entre las sierras. Todo esverdea, todo azulea. Salpica el blanco. Los azahares de los naranjos... [...] Y te extraño, mucho, muchísimo, como nunca, Manuel. ¿Tuve que hacer este viaje para darme cuenta? Valía la pena, entonces. MERCADER, M. Juanamanuela mucha mujer. Barcelona: Planeta, 1983. A saudação utilizada na introdução da carta, além de estabelecer interação, aporta um ca- ráter intimista ao texto, ao a) reforçar a estrutura formal de apresentação do destinatário. b) antecipar as características psicológicas do destinatário. c) expressar o carinho do emissor pelo destina- tário. d) evidenciar a importância da mensagem. e) enfatizar a solidão do emissor. 9. (Enem 2017) El carpintero Orlando Goicoechea reconoce las maderas por el olor; de qué árboles vienen, qué edad tienen, y oliéndolas sabe si fueron cortadas a tiempo o a destiempo y les adivina los po- sibles contratiempos. 45 Al cabo de tantos años de trabajo, Orlando se ha dado el lujo de comprarse un video, y ve una película tras otra. No sabía que eras loco por cine le dice el vecino. Y Orlando le explica que no, que a él ni le va ni le viene, pero gracias al video puede dete- ner las películas para estudiar los muebles. Galeano, E. Disponível em: http://elcajondesastre. blogcindarrio.com. Acesso em: 18 abr. 2012. No conto de Galeano, a expressão ni le va ni le viene encerra uma opinião a respeito de cinema que a) desconstrói a ideia central do conto sobre a importância das atividades de lazer. b) contradiz a percepção que o narrador tem em relação à profissão exercida por Orlando. c) revela o descaso do narrador com relação ao ofício desempenhado por Orlando. d) reforça a impressão do vizinho de que Orlan- do gostava de filmes. e) evidencia a extrema devoção do carpinteiro ao seu ofício. 10. (Enem 2017) Aquí estoy establecido, En los Estados Unidos, Diez años pasaron ya, En que crucé de mojado, Papeles no he arreglado, Sigo siendo un ilegal. Tengo mi esposa y mis hijos, Que me los traje muy chicos, Y se han olividado ya, De mi México querido, Del que yo nunca me olvido, Y no puedo regresar. [...] Mis hijos no hablan conmigo, Otro idioma han aprendido, Y olvidado el español, Piensan como americanos, Niegan que son mexicanos, Aunque tengan mi color. Los Tigres del Norte. Jaula de oro. Woodland Hills, Califórnia: Fonovisa, 1986 (fragmento). A letra de canção coloca em cena um dilema por vezes vivenciado por imigrantes. Esse dilema se configura no sentimento do pai em relação ao(à) a) diluição de sua identidade latino-americana, advinda do contato cotidiano com o outro. b) distanciamento dos filhos, gerado pela apro- priação da língua e da cultura do outro. c) preconceito étnico-racial sofrido pelos imi- grantes mexicanos no novo país. d) desejo de se integrar à nova cultura e de se comunicar na outra língua. e) vergonha perante os filhos de viver ilegal- mente em outro país. 11. (Enem 2ª aplicação 2016) Disponível em: www.sasia.org.ar. Acesso em: 30 maio 2016. Essa propaganda foi criada para uma cam- panha de conscientização sobre a violência contra a mulher. As palavras que compõem a imagem indicam que a a) violência contra a mulher está aumentando. b) agressão à mulher acontece de forma física e verbal. c) violência contra a mulher é praticada por homens. d) agressão à mulher é um fenômeno mundial. e) violência contra a mulher ocorre no ambien- te doméstico. 12. (Enem PPL 2016) Disponível em: www.e-faro.info. Acesso em: 19 nov. 2012 (adaptado). A charge apresenta uma interpretação dos efeitos da crise econômica espanhola e ques- tiona o(a) a) decisão política de salvar a moeda única eu- ropeia. b) congelamento dos salários dos funcionários. c) apatia da população em relação à política. d) confiança dos cidadãos no sistema bancário. e) plano do governo para salvar instituições fi- nanceiras. 46 13. (Enem PPL 2016) LÓPEZ, A. Pescado. Disponível em: http://blogs. publico.es. Acesso em: 25 ago. 2014. A charge tem a função de denunciar ironica- mente o(a) a) rebeldia dos filhos em relação à alimentação. b) contaminação dos alimentos ingeridos pela sociedade. c) inadequação dos hábitos alimentares da so- ciedade atual. d) autoritarismo das mães na escolha da ali- mentação dos filhos. e) falta de habilidade da mulher moderna no preparo das refeições. 14. (Enem PPL 2016) Dejad a la gente correr No habrá maratón en los próximos años en la que los corredores no sientan la mezcla de temor y de respeto por las víctimas que se desprende, inevitablemente, del atenta- do terrorista perpetrado en Boston el 15 de abril de 2013. Ello es un acto casi reflejo de inquietud, de pérdida de cierta inocencia en un evento convocado para unir a personas de procedencias muy distintas, sin importar más circunstancias, ideologías o credos. Antes de la Primera Maratón de Cisjordania, los organizadores y participantes de esta se reunieron en Belén en una vigilia en la que, con velas, homenajearon a las víctimas de la masacre orquestada por los hermanos Tsar- naev. “Toda la gente tiene el derecho a cor- rer”, se leía en sus pancartas. La Primera Maratón de Cisjordania, organi- zada por el grupo independiente Derecho al Movimiento, lucía como lema una breve cita de la Declaración Universal de los Derechos Humanos: “Toda persona tiene derecho a circular libremente”. Los agentes de policía palestinos habían redoblado la seguridad, en una medida más de puro acto reflejo que otra cosa. Muchas son las cargas del pueblo palestino, a nivel de gobernanza interna y por impo- siciones en Israel, pero un ataque terrorista a los corredores no era realmente una po- sibilidad. Finalmente participaron con total normalidad 650 corredores, de 28 países. El 70% eran palestinos. Necesariamente, la maratón discurrió en varios tramos frente al muro erigido por Israel, y atravesó dos cam- pos de refugiados. ALANDETE, D. Disponível em: http://blogs.elpais. com. Acesso em: 22 abr. 2013 (adaptado). No texto são abordadas as circunstâncias em que aconteceu a primeira maratona realiza- da na Cisjordânia (Palestina). Os envolvidos nessa maratona propuseram um lema e con- feccionaram faixas nas quais reivindicavam a a) garantia de segurança em provas de atletis- mo e no cotidiano. b) melhoria das vias de acesso e das instalações esportivas. c) presença dos palestinos em competições in- ternacionais. d) punição dos culpados por atos de terrorismo. e) liberdade de ir e vir e de praticar esportes. 15. (Enem 2ª aplicação 2016) Ante las situa- ciones adversas algunas personas sufren se- cuelas a lo largo de toda la vida. Otras, la mayoría, se sobreponen y la intensidad de las emociones negativas van decreciendocon el tiempo y se adaptan a la nueva situación. Hay un tercer grupo de personas a las cuales la vivencia del trauma las hace crecer per- sonalmente y sus vidas adquieren un nuevo sentido y salen fortalecidas. Investigadores de la Unidad de Psicología Básica de la Universidad Autónoma de Bar- celona (UAB) han analizado las respuestas de estudiantes de la Facultad de Psicología en diferentes cuestionarios para evaluar su nivel de satisfacción con la vida y encontrar relaciones con su resiliencia y con la capa- cidad de reparación emocional, uno de los componentes de la inteligencia emocional, que consiste en la habilidad de controlar las propias emociones y las de los demás. “Algunas de las características de las perso- nas resilientes pueden ser entrenadas y me- joradas, como la autoestima y la regulación de las propias emociones. Con este aprendi- zaje se podría dotar de recursos a las perso- nas para facilitar su adaptación y mejorar su calidad de vida”, explica Joaquín T. Limone- ro, profesor del Grupo de investigación en Estrés y Salud de la UAB y coordinador del estudio. Disponível em: www.tendencias21.net. Acesso em: 28 jul. 2012 (adaptado). A reportagem cita uma pesquisa que tem como tema o comportamento das pessoas diante das adversidades. 47 De acordo com o texto, um dos objetivos da investigação com os alunos da Faculdade de Psicologia é a) entender de que forma os traumas sofridos servem de suporte para a resolução dos pro- blemas que surgirão ao longo da vida. b) compreender como a adaptação das emoções negativas contribui para o desenvolvimento da inteligência emocional. c) analisar os vínculos entre a satisfação exis- tencial, a flexibilidade e a habilidade de recuperar-se emocionalmente. d) verificar de que forma as pessoas exercitam e melhoram a autoestima e o controle das emoções. e) sistematizar maneiras de dotar as pessoas de recursos para lidar com as emoções próprias e alheias. 16. (Enem 2016) Inestabilidad estable Los que llevan toda la vida esforzándose por conseguir un pensamiento estable, con su- ficiente solidez como para evitar que la in- certidumbre se apodere de sus habilidades, todas esas lecciones sobre cómo asegurarse el porvenir, aquellos que nos aconsejaban que nos dejáramos de bagatelas poéticas y encontráramos un trabajo fijo y etcétera, abuelos, padres, maestros, suegros, bancos y aseguradoras, nos estaban dando gato por liebre. Y el mundo, este mundo que nos han creado, que al tocarlo en la pantalla creemos estar transformando a medida de nuestro deseo, nos está modelando según un coeficiente de rentabilidad, nos está licuando para inte- grarnos a su metabolismo reflejo. FERNÁNDEZ ROJANO, G. Disponível em: http:// diariojaen.es. Acesso em: 23 maio 2012. O título do texto antecipa a opinião do autor pelo uso de dois termos contraditórios que expressam o sentido de a) competitividade e busca do lucro, que carac- terizam a sociedade contemporânea. b) busca de estabilidade financeira e emocio- nal, que marca o mundo atual. c) negação dos valores defendidos pelas gera- ções anteriores em relação ao trabalho. d) necessidade de realização pessoal e profis- sional no sistema vigente. e) permanência da inconstância em uma socie- dade marcada por contínuas mudanças. 17. (Enem PPL 2016) Medio millón de personas en Lima habla una lengua indígena Quechua, aimara, ashaninka, cauqui, jaqaru, matsigenka y shipibo-konibo son lenguas originarias que tienen algo en común: todas conviven en Lima, y hoy, como todo 27 de mayo, son recordadas como parte del Día del Idioma Nativo. En la capital existe al me- nos medio millón de habitantes que se co- munican a través de siete de las 47 lenguas indígenas que existen en todo el Perú. Solo en el caso de quechuahablantes, en Lima podemos encontrar al menos 477 mil, más de 26 mil cuya lengua originaria es el aima- ra, 1.750 ashaninka, 2.500 shipibo-konibo y 700 jaqaru. Agustín Panizo, lingüista del Ministerio de Cultura, destacó que si bien en los últimos años se ha avanzando en el reconocimiento del derecho de que cada ciu- dadano hable su idioma nativo, todavía hace falta más difusión sobre la importancia de respetarlas y preservarlas. Según datos del Ministerio de Cultura, en el Perú existen 47 lenguas indígenas habladas por más de cua- tro millones de habitantes. No obstante, se calcula que al menos 37 lenguas nativas se han extinguido y que 27 de las sobrevivien- tes están en peligro de desaparecer. Disponível em: http://elcomercio. pe. Acesso em: 10 jul. 2015. A diversidade linguística é anualmente tra- tada no Día del Idioma Nativo, em Lima. No texto, o desafio apontado em relação a essa questão é a) delinear o quantitativo de línguas nativas remanescentes. b) despertar para a necessidade de proteger as línguas indígenas. c) incentivar a comemoração da sobrevivência das línguas nativas. d) fazer o levantamento estatístico dos falantes das línguas nativas. e) manter a sociedade atualizada sobre a reali- dade linguística peruana. 18. (Enem 2ª aplicação 2016) Desde Nápoles hasta Johannesburgo, desde Buenos Aires hasta Barcelona, los actos de xenofobia y ra- cismo indican que nos encontramos ante un fenómeno global. Definida por la Real Acade- mia de la Lengua como el “odio, repugnancia y hostilidad a los extranjeros”, la xenofobia va de la mano con los flujos migratorios por razones económicas o ambientales, y el des- plazamiento forzado provocado por los con- flictos armados internos y las guerras. El otro, el que viste, habla y tiene otra cultura y una religión diferente es visto con sospecha, desconfianza y temor en los países del lla- mado primer mundo. Los políticos de dere- cha y los grandes medios “ensalzan lo propio y denigren lo ajeno” contribuyendo a crear un clima de miedo y odio hacia el extraño y desconocido. TAMAYO, G. E. Disponível em: www.alainet.org. Acesso em: 23 fev. 2012. 48 No texto, a relação entre o fenômeno discri- minatório e a postura de políticos de direita e de grandes meios de comunicação tem a função de a) denunciar as práticas que encobrem as di- ferenças. b) tornar públicas as razões econômicas da xenofobia. c) criticar aqueles que favorecem a aparição do medo. d) reclamar das atitudes tomadas pelos países desenvolvidos. e) apontar as causas que determinam os flu- xos migratórios. 19. (Enem 2016) La Sala II de la Cámara de Casación Penal ordenó que Marcela y Feli- pe Noble Herrera, los hijos adoptivos de la dueña de Clarín, se sometan “a la extracción directa, con o sin consentimiento, de míni- mas muestras de sangre, saliva, piel, cabello u otras muestras biológicas” que les perte- nezcan de “manera indubitable” para poder determinar si son hijos de desaparecidos. El tribunal, así, hizo lugar a un reclamo de las Abuelas de Plaza de Mayo y movió un ca- sillero una causa judicial que ya lleva diez años de indefinición. Sin embargo, simultá- neamente, fijó un límite y sólo habilitó la comparación de los perfiles genéticos de los jóvenes con el ADN de las familias de perso- nas “detenidas o desaparecidas con certeza” hasta el 13 de mayo de 1976, en el caso de Marcela, y hasta el 7 de julio del mismo año en el de Felipe. La obtención del material genético no será inmediata, ya que algunas de las partes apelarán y el tema inevitable- mente desembocará a la Corte Suprema, que tendrá la palabra final sobre la discusión de fondo. “Es una de cal y otra de arena, es querer quedar bien con Dios y con el diablo”, resumió la pre- sidenta de Abuelas, Estela Carlotto, su primera impresión de la resolución que firmaron Guil- lermo Yacobucci, Luis García y Raúl Madueño. Aun así la evaluó como “un paso importante” porque determina que “sí o sí la extracción de sangre o de elementos que contengan ADN debe proceder’. “Lo que nos cayó mal”, acotó, es “la limitación” temporal que permitiráque la comparación se haga sólo con un grupo de familias. “Seguimos con la historia de que acá hay de primera y de segunda. ¿Por qué todos los demás casos siempre se han comparado con el Banco (de Datos Genéticos) completo y en éste no?”, se preguntó. HAUSER, I. Disponível em: www.pagina12.com.ar. Acesso em: 30 maio 2016. Nessa notícia, publicada no jornal argentino Página 12, citam-se comentários de Estela Carlotto, presidente da associação Abuelas de Plaza de Mayo, com relação a uma decisão do tribunal argentino. No contexto da fala, a expressão “una de cal y otra de arena” é utilizada para a) referir-se ao fato de a decisão judicial não implicar a sua imediata aplicação. b) destacar a inevitável execução da sentença. c) ironizar a parcialidade da Justiça nessa ação. d) criticar a coleta compulsória do material ge- nético. e) enfatizar a determinação judicial como algo consolidado. 20. (Enem PPL 2016) De tal palo, tal astilla Cuando Michael Acuña ingresó en la Academy of Cuisine, en el estado de Maryland, ya hacía muchos soles que era un excelente cocinero. Es que sus padres, Manuel y Albita, fueron propietarios de El Mesón Tico, en Madrid, y, desde niño, Michael no salía de la cocina. Ya graduado, trabajó en Washington, en Filomena’s Four Seasons, entre otros pres- tigiosos lugares. Cuando su familia regresó a su país, Costa Rica, y abrió Las Tapas de Manuel, al este de San José – la capital –, pronto se les reunió. El éxito no se hizo esperar: inmediata am- pliación, primero, y luego un segundo res- taurante, esta vez al oeste de la ciudad, con tablado flamenco y un alegre bar. Más de veinticinco tapas, clientes fieles que llegan una y otra vez, y una calidad constan- te, testimonian la razón de su éxito. ROSS, M. American Airlines Nexos. n. 1, mar. 2003. O título do texto traz uma expressão idiomá- tica. Essa expressão, vinculada às informa- ções do texto, reforça que o sucesso alcançado por Michael Acuña deve-se ao fato de ele ter a) estudado em uma instituição renomada. b) trabalhado em restaurantes internacionais. c) aberto seu primeiro empreendimento individual. d) voltado às raízes gastronômicas de seu país de origem. e) convivido desde a infância no universo culi- nário da família. 21. (Enem 2016) Agua al soñar que un cántaro en la cabeza acarreas, será éxito y triunfo lo que tú veas. Bañarse en un río donde el agua escalda, es augurio de enemigos y de cuchillo en la espalda. 49 Bañarse en un río de agua puerca, es perder a alguien cerca. ORTIZ, A.; FLORES FARFÁN. J. A. Sueños mexicanos. México: Artes de México. 2012. O poema retoma elementos da cultura popu- lar mexicana que refletem um dos aspectos que a constitui, caracterizado pela a) percepção dos perigos de banhar-se em rios de águas poluídas. b) crença na relevância dos sonhos como pre- monições ou conselhos. c) necessidade de resgate da tradição de carre- gar água em cântaros. d) exaltação da importância da preservação da água. e) cautela no trato com inimigos e pessoas traiçoeiras. 22. (Enem 2016) Preámbulo a las instrucciones para dar cuerda al reloj Piensa en esto: cuando te regalan un reloj te regalan un pequeño infierno florido, una cadena de rosas, un calabozo de aire. No te dan solamente el reloj, que los cumplas muy felices y esperamos que te dure porque es de buena marca, suizo con ancora de rubíes; no te regalan solamente ese menudo picapedre- ro que te atarás a la muñeca y pasearás con- tigo. Te regalan – no lo saben, lo terrible es que no lo saben –, te regalan un nuevo peda- zo frágil y precario de ti mismo, algo que es tuyo pero no es tu cuerpo, que hay que atar a tu cuerpo con su correa como un bracito desesperado colgándose de tu muñeca. Te re- galan la necesidad de darle cuerda todos los días, la obligación de darle cuerda para que siga siendo un reloj; te regalan la obsesión de atender a la hora exacta en las vitrinas de las joyerías, en el anuncio por la radio, en el servicio telefónico. Te regalan el miedo de perderlo, de que te lo roben, de que se te caiga al suelo y se rompa. Te regalan su marca, y la seguridad de que es una marca mejor que las otras, te regalan la tendencia de comparar tu reloj con los demás relojes. No te regalan un reloj, tú eres el regalado, a ti te ofrecen para el cumpleaños del reloj. CORTÁZAR, J. Historias de cronopios y de famas. Buenos Aires: Sudamericana, 1963 (fragmento). Nesse texto, Júlio Cortázar transforma pe- quenas ações cotidianas em criação literária, a) denunciando a má qualidade dos relógios modernos em relação aos antigos. b) apresentando possibilidades de sermos pre- senteados com um relógio. c) convidando o leitor a refletir sobre a coisifi- cação do ser humano. d) desafiando o leitor a pensar sobre a efemeri- dade do tempo. e) criticando o leitor por ignorar os malefícios do relógio. GAbArito 1. B 2. B 3. D 4. E 5. C 6. C 7. E 8. C 9. E 10. B 11. B 12. E 13. B 14. E 15. C 16. E 17. B 18. C 19. C 20. E 21. B 22. C Gramática L C RPA ENEM ENTRE LETRAS L C Competência 1 – Aplicar as tecnologias da comunicação e da informação na escola, no trabalho e em outros contextos relevantes para sua vida. H1 Identificar as diferentes linguagens e seus recursos expressivos como elementos de caracterização dos sistemas de comunicação. H2 Recorrer aos conhecimentos sobre as linguagens dos sistemas de comunicação e informação para resolver problemas sociais. H3 Relacionar informações geradas nos sistemas de comunicação e informação, considerando a função social desses sistemas. H4 Reconhecer posições críticas aos usos sociais que são feitos das linguagens e dos sistemas de comunicação e informação. Competência 2 – Conhecer e usar língua(s) estrangeira(s) moderna(s) (LEM) como instrumento de acesso a informações e a outras culturas e grupos sociais. H5 Associar vocábulos e expressões de um texto em LEM ao seu tema. H6 Utilizar os conhecimentos da LEM e de seus mecanismos como meio de ampliar as possibilidades de acesso a informações, tecnologias e culturas. H7 Relacionar um texto em LEM, as estruturas linguísticas, sua função e seu uso social. H8 Reconhecer a importância da produção cultural em LEM como representação da diversidade cultural e linguística. Competência 3 – Compreender e usar a linguagem corporal como relevante para a própria vida, integradora social e formadora da identidade. H9 Reconhecer as manifestações corporais de movimento como originárias de necessidades cotidianas de um grupo social. H10 Reconhecer a necessidade de transformação de hábitos corporais em função das necessidades cinestésicas. H11 Reconhecer a linguagem corporal como meio de interação social, considerando os limites de desempenho e as alternativas de adaptação para diferentes indivíduos. Competência 4 – Compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organização do mundo e da própria identidade. H12 Reconhecer diferentes funções da arte, do trabalho da produção dos artistas em seus meios culturais. H13 Analisar as diversas produções artísticas como meio de explicar diferentes culturas, padrões de beleza e preconceitos. H14 Reconhecer o valor da diversidade artística e das inter-relações de elementos que se apresentam nas manifestações de vários grupos sociais e étnicos. Competência 5 – Analisar, interpretar e aplicar recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante a natureza, função, organização, estrutura das manifestações, de acordo com as condições de produção e recepção. H15 Estabelecer relações entre o texto literário e o momento de sua produção, situando aspectos do contexto histórico, social e político. H16 Relacionar informações sobre concepções artísticas e procedimentos de construção do texto literário. H17 Reconhecer a presença de valores sociais e humanos atualizáveis e permanentes nopatrimônio literário nacional. Competência 6 – Compreender e usar os sistemas simbólicos das diferentes linguagens como meios de organização cognitiva da realidade pela constituição de significados, expressão, comunicação e informação. H18 Identificar os elementos que concorrem para a progressão temática e para a organização e estruturação de textos de diferentes gêneros e tipos. H19 Analisar a função da linguagem predominante nos textos em situações específicas de interlocução. H20 Reconhecer a importância do patrimônio linguístico para a preservação da memória e da identidade nacional Competência 7 – Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suas manifestações específicas. H21 Reconhecer em textos de diferentes gêneros, recursos verbais e não-verbais utilizados com a finalidade de criar e mudar comportamentos e hábitos. H22 Relacionar, em diferentes textos, opiniões, temas, assuntos e recursos linguísticos. H23 Inferir em um texto quais são os objetivos de seu produtor e quem é seu público alvo, pela análise dos procedimentos argumentativos utilizados. H24 Reconhecer no texto estratégias argumentativas empregadas para o convencimento do público, tais como a intimidação, sedução, comoção, chantagem, entre outras. Competência 8 – Compreender e usar a língua portuguesa como língua materna, geradora de significação e integradora da organização do mundo e da própria identidade. H25 Identificar, em textos de diferentes gêneros, as marcas linguísticas que singularizam as variedades linguísticas sociais, regionais e de registro. H26 Relacionar as variedades linguísticas a situações específicas de uso social. H27 Reconhecer os usos da norma padrão da língua portuguesa nas diferentes situações de comunicação. Competência 9 – Entender os princípios, a natureza, a função e o impacto das tecnologias da comunicação e da informação na sua vida pessoal e social, no desenvolvimento do conhecimento, associando-o aos conhecimentos científicos, às linguagens que lhes dão suporte, às demais tecnologias, aos processos de produção e aos problemas que se propõem solucionar. H28 Reconhecer a função e o impacto social das diferentes tecnologias da comunicação e informação. H29 Identificar pela análise de suas linguagens, as tecnologias da comunicação e informação. H30 Relacionar as tecnologias de comunicação e informação ao desenvolvimento das sociedades e ao conhecimento que elas produzem 53 Pela primeira vez na vida teve pena de haver tantos assuntos no mundo que não compreendia e esmoreceu. Mas uma mosca fez um ângulo reto no ar, depois outro, além disso, os seis anos são uma idade de muitas coisas pela primeira vez, mais do que uma por dia e, por isso, logo depois, arribou. Os assuntos que não compreendia eram uma espécie de tontura, mas o Ilídio era forte. Se calhar estava a falar de tratar da cabra: nunca esqueças de tratar da cabra. O Ilídio não gostava que a mãe o mandasse tratar da cabra. Se estava ocupado a contar uma história a um guarda- -chuva, não queria ser interrompido. Às vezes, a mãe escolhia os piores momentos para chamá-lo, ele podia estar a contemplar um segredo, por isso, assustava-se e, depois, irritava-se. Às vezes, fazia birras no meio da rua. A mãe envergonhava-se e, mais tarde, em casa, dizia que as pessoas da vila nunca tinham visto um menino tão velhaco. O Ilídio ficava enxofrado, mas lembrava-se dos homens que lhe chamavam reguila, diziam ah, reguila de má raça. Com essa memória, recuperava o orgulho. Era reguila, não era velhaco. Essa certeza dava-lhe forças para protestar mais, para gritar até, se lhe apetecesse. PEIXOTO, J. L. Livro. São Paulo: Cia. das Letras, 2012. No texto, observa-se o uso característico do português de Portugal, marcadamente diferente do uso do português do Brasil. O trecho que confirma essa afirmação é: a) “Pela primeira vez na vida teve pena de haver tantos assuntos no mundo que não compreendia e es- moreceu. b) “Os assuntos que não compreendia eram uma espécie de tortura, mas o Idílio era forte. c) “Essa certeza dava-lhe forças para protestar mais, para gritar até, se lhe apetecesse.” d) “Se calhar estava a falar de tratar da cabra: nunca esqueças de tratar da cabra.” e) “O Ilídio não gostava que a mãe o mandasse tratar da cabra.” AplicAção dos conhecimentos - sAlA MODELO 1 Tema: Variação Linguística Construção da habilidade: Reconhecer que também são consideradas variantes linguísticas as diferenças entre português brasileiro e português de Portugal Competência: 8 Habilidade: 26 AULAS 1 E 2 54 Fazer 70 anos Fazer 70 anos não é simples. A vida exige, para o conseguirmos, perdas e perdas no íntimo do ser, como, em volta do ser, mil outras perdas. [...] Ó José Carlos, irmão-em-Escorpião! Nós o conseguimos... E sorrimos de uma vitória comprada por que preço? Quem jamais o saberá? ANDRADE, C. D. Amar se aprende amando. São Paulo: Círculo do Livro, 1992 (fragmento). O pronome oblíquo “o”, nos versos “A vida exige, para o conseguirmos” e “Nós o conseguimos”, garante a progressão temática e o encadeamento textual, recuperando o segmento a) “Ó José Carlos”. b) “perdas e perdas”. c) “A vida exige”. d) “Fazer 70 anos”. e) “irmão-sem-Escorpião” MODELO 2 Tema: Conjunções Pronomes Construção da habilidade: Saber usar os sistemas de referencialidade do português, como os pronomes oblíquos. Competência: 8 Habilidade: 27 55 João/Zero (Wagner Moura) é um cientista genial, mas infeliz porque há 20 anos atrás foi humilha- do publicamente durante uma festa e perdeu Helena (Alinne Moraes), uma antiga e eterna paixão. Certo dia, uma experiência com um de seus inventos permite que ele faça uma viagem no tempo, retornando para aquela época e podendo interferir no seu destino. Mas quando ele retorna, desco- bre que sua vida mudou totalmente e agora precisa encontrar um jeito de mudar essa história, nem que para isso tenha que voltar novamente ao passado. Será que ele conseguirá acertar as coisas? Disponível em: http://adorocinema.com. Acesso em: 4 out. 2011. Uma atualização gramatical que atualiza os eventos apresentados na resenha, contribuindo para despertar o interesso do leitor pelo filme é a) o emprego do verbo haver, em vez de ter, em “há 20 anos atrás foi humilhado”. b) a descrição dos fatos com verbos no presente do indicativo, como “retorna” e “descobre”. c) a repetição do emprego da conjunção “mas” para contrapor ideias. d) a finalização do texto com a frase de efeito “Será que ele conseguirá acertar as coisas?”. e) o uso do pronome de terceira pessoa “ele” ao longo do texto para fazer referência ao protagonista “João/Zero”. Tema: Pronomes Gêneros textuais: Resenha Construção da habilidade: Reconhecer as características que compõem os gêneros textuais (mais especificamente, nessa questão, o gênero resenha). Competência: 6 Habilidade: 18 MODELO 3 56 Tema: Uso de conectivos Construção da habilidade: Localizar no texto elementos que operam como conectivos. Competência: 8 Habilidade: 27 MODELO 4 Da timidez Ser um tímido notório é uma contradição. O tímido tem horror a ser notado, quanto mais a ser no- tório. Se ficou notório por ser tímido, então tem que se explicar. Afinal, que retumbante timidez é essa, que atrai tanta atenção? Se ficou notório apesar de ser tímido, talvez estivesse se enganando junto com os outros e sua timidez seja apenas um estratagema para ser notado. Tão secreto que nem ele sabe. É como no paradoxo psicanalítico, só alguém que se acha muito superior procura o analista para tratar um complexo de inferioridade, porque só ele acha que se sentir inferior é doença. [...] O tímido tenta se convencer de que só tem problemas com multidões, mas isto não é vantagem. Para o tímido, duas pessoas são uma multidão. Quando não consegue escapar e se vê diante de uma plateia, o tímido não pensa nos membros da plateia como indivíduos. Multiplica-os por quatro, pois cada indivíduo tem dois olhos e doisouvidos. Quatro vias, portanto, para receber suas gafes. Não adianta pedir para a plateia fechar os olhos, ou tapar um olho e um ouvido para cortar o des- conforto do tímido pela metade. Nada adianta. O tímido, em suma, é uma pessoa convencida de que é o centro do Universo, e que seu vexame ainda será lembrado quando as estrelas virarem pó. VERISSIMO, L. F. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. Entre as estratégias de progressão textual presentes nesse trecho, identifica-se o emprego de ele- mentos conectores. Os elementos que evidenciam noções semelhantes estão destacados em: a) “Se ficou notório por ser tímido” e “[...] então tem que se explicar”. b) “então tem que se explicar” e “[...] quando as estrelas virarem pó”. c) “[...] ficou notório apesar de ser tímido [...] e “[...] mas isto não é vantagem [...]. d) “[...] um estratagem para ser notado [...]” e “Tão secreto que nem ele sabe”. e) “[...] como no paradoxo psicanalítico [...]” e “[...] porque só ele acha [...]”. 57 RAio X - Análise eXpositivA 1. Na frase da opção [D], a expressão “estava a falar”, conjugação perifrástica com verbo auxiliar seguido de preposição e um verbo principal no infinitivo, é bastante comum no português de Por- tugal, diferente do Brasil que usa, preferencialmente, a construção com o gerúndio. 2. É correta a opção [D], pois o pronome oblíquo “o”, nos versos “A vida exige, para o conseguirmos” e “Nós o conseguimos”, recupera o segmento “Fazer 70 anos”: para conseguirmos fazer 70 anos, Nós conseguimos fazer 70 anos. 3. O uso do presente do indicativo para descrever fatos ocorridos no passado (chamado presente his- tórico ou narrativo) confere mais vivacidade ao texto e realça os acontecimentos que estão sendo descritos. Dessa forma, o narrador volta ao momento dos acontecimentos, narra como se presen- ciasse as cenas, tornando o texto mais dinâmico e criando maior expectativa ao leitor. Assim, é correta a opção [B]. 4. É correta a opção [C], pois tanto a locução prepositiva “apesar de” como a conjunção coordenativa adversativa “mas” apresentam noção de oposição. GAbARito 1. D 2. D 3. B 4. C 58 pRáticA dos conhecimentos - e.o. 1. (Enem) TEXTO I Antigamente Antigamente, os pirralhos dobravam a língua diante dos pais e se um se esquecia de arear os den- tes antes de cair nos braços de Morfeu, era capaz de entrar no couro. Não devia também se esque- cer de lavar os pés, sem tugir nem mugir. Nada de bater na cacunda do padrinho, nem de debicar os mais velhos, pois levava tunda. Ainda cedinho, aguava as plantas, ia ao corte e logo voltava aos penates. Não ficava mangando na rua nem escapulia do mestre, mesmo que não entendesse pata- vina da instrução moral e cívica. O verdadeiro smart calçava botina de botões para comparecer todo liró ao copo d’água, se bem que no convescote apenas lambiscasse, para evitar flatos. Os bilontras é que eram um precipício, jogando com pau de dois bicos, pelo que carecia muita cautela e caldo de galinha. O melhor era pôr as barbas de molho diante de um treteiro de topete, depois de fintar e engambelar os coiós, e antes que se pudesse tudo em pratos limpos, ele abria o arco. ANDRADE, C. D. Poesia e prosa. Rio de janeiro: nova Aguilar, 1983 (fragmento). TEXTO II Palavras do arco da velha Expressão Significado Cair nos braços de Morfeu Dormir Debicar Zombar, ridicularizar Tunda Surra Mangar Escarnecer, caçoar Tugir Murmurar Liró Bem-vestido Copo d’água Lanche oferecido pelos amigos Convescote Piquenique Bilontra Velhaco Treteiro de topete Tratante atrevido Abrir o arco Fugir FLORIN, J. L. As línguas mudam. In: Revista Língua Portuguesa, n. 24, out. 2007 (adaptado). Na leitura do fragmento do texto Antigamente constata-se, pelo emprego de palavras obsoletas, que itens lexicais outrora produtivos não mais o são no português brasileiro atual. Esse fenômeno revela que a) a língua portuguesa de antigamente carecia de termos para se referir a fatos e coisas do cotidiano. b) o português brasileiro se constitui evitando a ampliação do léxico proveniente do português europeu. c) a heterogeneidade do português leva a uma estabilidade do seu léxico no eixo temporal. d) o português brasileiro apoia-se no léxico inglês para ser reconhecido como língua independente. e) o léxico do português representa uma realidade linguística variável e diversificada. Prescrição: Para resolver os exercícios dessa aula, será necessário instrumentalizar conhecimentos a respeito de linguagem coloquial (usos orais) e de linguagem prescritiva (usos relacionados à gramática normativa). Isso envolve saber diferenciar usos linguísticos espaciais (regionais), temporais (históricos), sociais e também situacionais. 59 2. (Enem) Nesse texto, busca-se convencer o leitor a mudar seu comportamento por meio da as- sociação de verbos no modo imperativo à a) indicação de diversos canais de atendimento. b) divulgação do Centro de Defesa da Mulher. c) informação sobre a duração da campanha. d) apresentação dos diversos apoiadores. e) utilização da imagem das três mulheres. 3. (Enem) Entrei numa lida muito dificultosa. Martírio sem fim o de não entender nadinha do que vinha nos livros e do que o mestre Frederico falava. Estranheza colosso me ce- gava e me punha tonto. Acho bem que foi desse tempo o mal que me acompanha até hoje de ser recanteado e meio mocorongo. Com os meus, em casa, conversava por trin- ta, tinha ladineza e entendimento. Na rua e na escola – nada; era completamente afrá- sico. As pessoas eram bichos do outro mun- do que temperavam um palavreado grego de tudo. Já sabia juntar as sílabas e ler por cima toda coisa, mas descrencei e perdi a influência de ir à escola, porque diante dos escritos que o mestre me passava e das lições marcadas nos livros, fiquei sendo um quarta-feira de marca maior. Alívio bom era quando chegava em casa. BERNARDES, C. Rememórias dois. Goiânia: Leal, 1969. O narrador relata suas experiências na pri- meira escola que frequentou e utiliza cons- truções linguísticas próprias de determinada região, constatadas pelo a) registro de palavras como “estranheza” e “cegava”. b) emprego de regência não padrão em “chegar em casa”. c) uso de dupla negação em “não entender na- dinha”. d) emprego de palavras como “descrencei” e “ladineza”. e) uso de substantivo “bichos” para retomar “pessoas”. 4. (Enem) – Não, mãe. Perde a graça. Este ano, a senhora vai ver. Compro um barato. – Barato? Admito que você compre uma lem- brancinha barata, mas não diga isso a sua mãe. É fazer pouco-caso de mim. – Ih, mãe, a senhora está por fora mil anos. Não sabe que barato é o melhor que tem, é um barato! – Deixe eu escolher, deixe... – Mãe é ruim de escolha. Olha aquele blazer furado que a senhora me deu no Natal! – Seu porcaria, tem coragem de dizer que sua mãe lhe deu um blazer furado? – Viu? Não sabe nem o que é furado? Aquela cor já era, mãe, já era! ANDRADE, C. D. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1998. O modo como o filho qualifica os presentes é incompreendido pela mãe, e essas escolhas lexicais revelam diferenças entre os interlo- cutores, que estão relacionadas a) à linguagem infantilizada. b) ao grau de escolaridade. c) à dicotomia de gêneros. d) às especificidades de cada faixa etária. e) à quebra de regras da hierarquia familiar. 5. (Enem) No ano de 1985 aconteceu um aci- dente muito grave em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, perto da aldeia guarani de Sapukai. Choveu muito e as águas pluviais provocaram deslizamentos de terras das en- costas da Serra do Mar, destruindo o Labora- tório de Radioecologia da Central Nuclear Al- mirante Álvaro Alberto, construída em 1970 num lugar que os índios tupinambás, há mais de 500 anos, chamavam de Itaorna. O prejuízo foi calculado na época em 8 bilhões de cruzeiros. Os engenheiros responsáveis pela construçãoda usina nuclear não sabiam que o nome dado pelos índios continha in- formação sobre a estrutura do solo, minado pelas águas da chuva. Só descobriram que Itaorna, em língua tupinambá, quer dizer ‘pedra podre’, depois do acidente. FREIRE, J. R. B. Disponível em: www.taquiprati. com.br. Acesso em: 1 ago. 2012 (adaptado). 60 Considerando-se a história da ocupação na região de Angra dos Reis mencionada no tex- to, os fenômenos naturais que a atingiram poderiam ter sido previstos e suas consequ- ências minimizadas se a) o acervo linguístico indígena fosse conheci- do e valorizado. b) as línguas indígenas brasileiras tivessem sido substituídas pela língua geral. c) o conhecimento acadêmico tivesse sido prio- rizado pelos engenheiros. d) a língua tupinambá tivesse palavras adequa- das para descrever o solo. e) o laboratório tivesse sido construído de acordo com as leis ambientais vigentes na época. 6. (Enem) TEXTO I Um ato de criatividade pode contudo gerar um modelo produtivo. Foi o que ocorreu com a palavra sambódromo, criativamente forma- da com a terminação -(ó)dromo (= corrida), que figura em hipódromo, autódromo, cartó- dromo, formas que designam itens culturais da alta burguesia. Não demoraram a circular, a partir de então, formas populares como rangódromo, beijódromo, camelódromo. AZEREDO, J. C. Gramática Houaiss da língua portuguesa. São Paulo: Publifolha, 2008. TEXTO II Existe coisa mais descabida do que chamar de sambódromo uma passarela para desfile de escolas de samba? Em grego, -dromo quer dizer “ação de correr, lugar de corrida”, dai as palavras autódromo e hipódromo. É certo que, às vezes, durante o desfile, a escola se atrasa e é obrigada a correr para não perder pontos, mas não se desloca com a velocidade de um cavalo ou de um carro de Formula 1. GULLAR, F. Disponível em: www1.folha. uol.com.br. Acesso em: 3 ago, 2012. Há nas línguas mecanismos geradores de palavras. Embora o Texto II apresente um julgamento de valor sobre a formação da pa- lavra sambódromo, o processo de formação dessa palavra reflete a) o dinamismo da língua na criação de novas palavras. b) uma nova realidade limitando o aparecimen- to de novas palavras. c) a apropriação inadequada de mecanismos de criação de palavras por leigos. d) o reconhecimento da impropriedade semânti- ca dos neologismos. e) a restrição na produção de novas palavras com o radical grego. 7. (Enem) Como estamos na “Era Digital”, foi necessário rever os velhos ditados existentes e adaptá-los à nova realidade. Veja abaixo... 1. A pressa é inimiga da conexão. 2. Amigos, amigos, senhas à parte. 3. Para bom provedor uma senha basta. 4. Não adianta chorar sobre arquivo deletado. 5. Mais vale um arquivo no HD do que dois baixando. 6. Quem clica seus males multiplica. 7. Quem semeia e-mails, colhe spams. 8. Os fins justificam os e-mails. Disponível em: www.abusar.org.br. Acesso em: 20 maio 2015 (adaptado). No texto, há uma reinterpretação de ditados populares com o uso de termos da informá- tica. Essa reinterpretação a) torna o texto apropriado para profissionais da informática. b) atribui ao texto um caráter humorístico. c) restringe o acesso ao texto por público não especializado. d) deixa a terminologia original mais acessível ao público em geral. e) dificulta a compreensão do texto por quem não domina a língua inglesa. 8. (Enem) A tendência dos nomes O nome é uma das primeiras coisas que não escolhemos na vida. Estará inscrito nos regis- tros: na maternidade, no RG, no CPF, no obi- tuário etc. Enfim, uma escolha que não fize- mos nos acompanha do berço ao túmulo, pois na lápide se dirá que ali jaz Fulano de Tal. SILVA, D. Língua, n. 77, mar. 2012. Algumas palavras atuam no desenvolvimen- to de um texto contribuindo para a sua pro- gressão. A palavra “enfim” promove o enca- deamento do texto, tendo sido utilizada com a intenção de a) explicar que os nomes das pessoas são esco- lhidos no nascimento. b) ratificar que os nomes registrados no nasci- mento são imutáveis. c) reiterar que os nomes recebidos são impor- tantes até a morte. d) concluir que os nomes acompanham os indi- víduos até a morte. e) acrescentar que ninguém pode escolher o próprio nome. 9. (Enem) História da máquina que faz o mundo rodar Cego, aleijado e moleque, Padre, doutor e soldado, Inspetor, juiz de direito, Comandante e delegado, Tudo, tudo joga o dinheiro Esperando bom resultado. 61 Matuto, senhor de engenho, Praciano e mandioqueiro, Do agreste ao sertão Todos jogam seu dinheiro Se um diz que é mentiroso Outro diz que é verdadeiro. Na opinião do povo Não tem quem possa mandar Faça ou não faça a máquina O povo tem que esperar Por que quem joga dinheiro Só espera mesmo é ganhar. Assim é que muitos pensam Que no abismo não cai Que quem não for no Juazeiro Depois de morto ainda vai, Assim também é crença Que a dita máquina sai. Quando um diz: ele não faz, Já outro fica zangado Dizendo: assim como Cristo Morreu e foi ressuscitado Ele também faz a máquina E seu dinheiro é lucrado. CRUZ, A. F. Disponível em: www.jangadabrasil. org. Acesso em: 5 ago. 2012 (fragmento). No fragmento, as escolhas lexicais remetem às origens geográficas e sociais da literatura de cordel. Exemplifica essa remissão o uso de palavras como a) cego, aleijado, moleque, soldado, juiz de di- reito. b) agreste, sertão, Juazeiro, matuto, senhor de engenho. c) comandante, delegado, dinheiro, resultado, praciano. d) mentiroso, verdadeiro, joga, ganhar. e) morto, crença, zangado, Cristo. 10. (Enem) Gripado, penso entre espirros em como a palavra gripe nos chegou após uma série de contágios entre línguas. Partiu da Itália em 1743 a epidemia de gripe que dis- seminou pela Europa, além do vírus propria- mente dito, dois vocábulos virais: o italia- no influenza e o francês grippe. O primeiro era um termo derivado do latim medieval influentia, que significava “influência dos astros sobre os homens”. O segundo era ape- nas a forma nominal do verbo gripper, isto é, “agarrar”. Supõe-se que fizesse referência ao modo violento como o vírus se apossa do organismo infectado. RODRIGUES, S. “Sobre palavras”. Veja, São Paulo, 30 nov. 2011. Para se entender o trecho como uma unidade de sentido, é preciso que o leitor reconheça a ligação entre seus elementos. Nesse texto, a coesão é construída predominantemente pela retomada de um termo por outro e pelo uso da elipse. O fragmento do texto em que há coesão por elipse do sujeito é: a) “[…] a palavra gripe nos chegou após uma série de contágios entre línguas.” b) “Partiu da Itália em 1743 a epidemia de gri- pe […]”. c) “O primeiro era um termo derivado do latim medieval influentia, que significava ‘influ- ência dos astros sobre os homens’.” d) “O segundo era apenas a forma nominal do verbo gripper […]”. e) “Supõe-se que fizesse referência ao modo violento como o vírus se apossa do organis- mo infectado.” 11. (Enem) Secretaria de Cultura EDITAL NOTIFICAÇÃO — Síntese da resolução publi- cada no Diário Oficial da Cidade, 29/07/2011 — página 41 — 511ª Reunião Ordinária, em 21/06/2011. Resolução nº 08/2011 — TOMBAMENTO dos imóveis da Rua Augusta, nº 349 e nº 353, es- quina com a Rua Marquês de Paranaguá, nº 315, nº 327 e nº 329 (Setor 010, Quadra 026, Lotes 0016-2 e 00170-0), bairro da Consola- ção, Subprefeitura da Sé, conforme o processo administrativo nº 1991-0.005.365-1. Folha de S. Paulo, 5 ago. 2011 (adaptado). Um leitor interessado nas decisões governa- mentais escreve uma carta para o jornal que publicou o edital, concordando com a reso- lução sintetizada no Edital da Secretaria de Cultura. Uma frase adequada para expressar sua concordância é: a) Que sábia iniciativa! Os prédios em péssimo estado de conservação devem ser derruba- dos. b) Até que enfim! Os edifícios localizados nesse trecho descaracterizamo conjunto arquite- tônico da Rua Augusta. c) Parabéns! O poder público precisa mostrar sua força como guardião das tradições dos moradores locais. d) Justa decisão! O governo dá mais um passo rumo à eliminação do problema da falta de moradias populares. e) Congratulações! O patrimônio histórico da cidade merece todo empenho para ser pre- servado. 62 12. (Enem) A aptidão física, em termos gerais, pode ser definida como a capacidade que um indivíduo possui para realizar atividades fí- sicas. Ter uma boa amplitude nos movimen- tos das diversas partes corporais é um dos componentes da aptidão física relacionada à saúde, pois permite maior disposição para atividades da vida diária, como, por exem- plo, maior facilidade para alcançar os pró- prios pés. NAHAS, M. V. Atividade física, saúde e qualidade de vida: conceitos e sugestões para um estilo de vida ativo. Londrina: Midiograf, 2006 (adaptado). O componente da aptidão física destacado no texto é a) força. b) agilidade. c) equilíbrio. d) velocidade. e) flexibilidade. 13. (Enem) Dúvida Dois compadres viajavam de carro por uma estrada de fazenda quando um bicho cruzou a frente do carro. Um dos compadres falou: – Passou um largato ali! O outro perguntou: – Lagarto ou largato? O primeiro respondeu: – Num sei não, o bicho passou muito rápido. Piadas coloridas. Rio de Janeiro: Gênero, 2006. Na piada, a quebra de expectativa contribui para produzir o efeito de humor. Esse efeito ocorre porque um dos personagens a) reconhece a espécie do animal avistado. b) tem dúvida sobre a pronúncia do nome do réptil. c) desconsidera o conteúdo linguístico da per- gunta. d) constata o fato de um bicho cruzar a frente do carro. e) apresenta duas possibilidades de sentido para a mesma palavra. 14. (Enem) O cordelista por ele mesmo Aos doze anos eu era forte, esperto e nutrido. Vinha do Sítio de Piroca muito alegre e divertido vender cestos e balaios que eu mesmo havia tecido. Passava o dia na feira e à tarde regressava levando umas panelas que minha mãe comprava e bebendo água salgada nas cacimbas onde passava. BORGES, J. F. Dicionário dos sonhos e outras histórias de cordel. Porto Alegre: LP&M, 2003 (fragmento). Literatura de cordel é uma criação popular em verso, cuja linguagem privilegia, tema- ticamente, histórias de cunho regional, len- das, fatos ocorridos para firmar certas cren- ças e ações destacadas nas sociedades locais. A respeito do uso das formas variantes da linguagem no Brasil, o verso do fragmento que permite reconhecer uma região brasilei- ra é a) “muito alegre e divertido”. b) “Passava o dia na feira”. c) “levando umas panelas”. d) “que minha mãe comprava”. e) “nas cacimbas onde passava”. 63 15. (Enem) As palavras e as expressões são mediadoras dos sentidos produzidos nos textos. Na fala de Hagar, a expressão “é como se” ajuda a conduzir o conteúdo enunciado para o campo da a) conformidade, pois as condições meteorológicas evidenciam um acontecimento ruim. b) reflexibilidade, pois o personagem se refere aos tubarões usando um pronome reflexivo. c) condicionalidade, pois a atenção dos personagens é a condição necessária para a sua sobrevivência. d) possibilidade, pois a proximidade dos tubarões leva à suposição do perigo iminente para os homens. e) impessoalidade, pois o personagem usa a terceira pessoa para expressar o distanciamento dos fatos. GAbARito 1. E 2. E 3. D 4. D 5. A 6. A 7. B 8. D 9. B 10. E 11. E 12. E 13. C 14. E 15. D 65 (Enem) Descubra e aproveite um momento todo seu. Quando você quebra o delicado chocolate, o irresistível recheio cremoso começa a derreter na sua boca, acariciando todos os seus sentidos. Criado por nossa empresa. Paixão e amor por chocolate desde 1845. Veja, n. 2.320, 8 mai. 2013 (adaptado). O texto publicitário tem a intenção de persuadir o público-alvo a consumir determinado produto ou serviço. No anúncio, essa intenção assume a forma de um convite, estratégia argumentativa linguisticamente marcada pelo uso de a) conjunção (quando). b) adjetivo (irresistível). c) verbo no imperativo (descubra). d) palavra do campo afetivo (paixão). e) expressão sensorial (acariciando). MODELO 1 Tema: Gêneros discursivos Construção da habilidade: Dentro da competência da área 1 do Enem, será exigida a capacidade de aplicar as tecnologias da comunicação e da informação na escola, no trabalho e em outros contex- tos relevantes para vida do aluno. Competência: 1 Habilidade: 3 AplicAção dos conhecimentos - sAlA AULAS 3 E 4 66 (Enem) O Flamengo começou a partida no ataque, enquanto o Botafogo procurava fazer uma for- te marcação no meio campo e tentar lançamentos para Victor Simões, isolado entre os zagueiros rubro-negros. Mesmo com mais posse de bola, o time dirigido por Cuca tinha grande dificuldade de chegar a área alvinegra por causa do bloqueio montado pelo Botafogo na frente da sua área. No entanto, na primeira chance rubro-negra, saiu o gol. Após cruzamento da direita de Ibson, a zaga alvinegra rebateu a bola de cabeça para o meio da área. Kléberson apareceu na jogada e cabe- ceou por cima do goleiro Renan. Ronaldo Angelim apareceu nas costas da defesa e empurrou para o fundo da rede quase que em cima da linha: Flamengo 1 a 0. Disponível em: http://momentodofutebol.blogspot.com (adaptado). O texto, que narra uma parte do jogo final do Campeonato Carioca de futebol, realizado em 2009, contém vários conectivos, sendo que a) “após” é conectivo de causa, já que apresenta o motivo de a zaga alvinegra ter rebatido a bola de cabeça. b) “enquanto” tem um significado alternativo, porque conecta duas opções possíveis para serem aplicadas no jogo. c) “no entanto” tem significado de tempo, porque ordena os fatos observados no jogo em ordem cronológica de ocorrência. d) “mesmo” traz ideia de concessão, já que “com mais posse de bola”, ter dificuldade não é algo naturalmente esperado. e) “por causa de”z indica consequência, porque as tentativas de ataque do Flamengo motivaram o Botafogo a fazer um bloqueio. MODELO 2 Tema: Gêneros discursivos Construção da habilidade: Relacionar informações geradas nos sistemas de comunicação e in- formação, considerando a função social desses sistemas. Competência: 1 Habilidade: 3 67 Observe a charge: O humor da tira decorre da reação de uma das cobras com relação ao uso de pronome pessoal reto, em vez de pronome oblíquo. De acordo com a norma padrão da língua, esse uso é inadequado, pois a) contraria o uso previsto para o registro oral da língua. b) contraria a marcação das funções sintáticas de sujeito e objeto. c) gera inadequação na concordância com o verbo. d) gera ambiguidade na leitura do texto. e) apresenta dupla marcação de sujeito. Tema: Gêneros discursivos Construção da habilidade: Dentro da competência da área 1 do Enem, será exigida a capacidade de aplicar as tecnologias da comunicação e da informação na escola, no trabalho e em outros contex- tos relevantes par vida do aluno. Competência: 1 Habilidade: 3 MODELO 3 68 (Enem) Agora eu era herói E o meu cavalo só falava inglês. A noiva do cowboy Era você, além das outras três. Eu enfrentava os batalhões, Os alemães e seus canhões. Guardava o meu bodoque E ensaiava o rock para as matinês. CHICO DUARQUE. João e Maria, 1977 (fragmento). Nos terceiro e oitavo versos da letra da canção, constata- se que o emprego das palavras cowboy e rock expressa a influência de outra realidade cultural na língua portuguesa. Essas palavras cons- tituem evidências de a) regionalismo, ao expressar a realidade sociocultural de habitantes de uma determinada região. b) neologismo, que se caracteriza pelo aportuguesamento de uma palavra oriunda de outra língua. c) jargão profissional, ao evocar a linguagem de uma área específica do conhecimento humano. d) arcaísmo,ao representar termos usados em outros períodos da história da língua. e) estrangeirismo, que significa a inserção de termos de outras comunidades linguísticas no português. Tema: Gêneros discursivos Construção da habilidade: Dentro da competência da área 1 do Enem, será exigida a capacidade de aplicar as tecnologias da comunicação e da informação na escola, no trabalho e em outros contex- tos relevantes par vida do aluno. Competência: 1 Habilidade: 3 MODELO 4 69 RAio X - Análise eXpositivA 1. Na primeira frase do texto publicitário, o uso do imperativo nos termos verbais “descubra” e “aproveite” configura o uso da função apelativa da linguagem sob a forma de um convite, tentando persuadir o público-alvo a consumir determinado tipo de chocolate. Assim, é correta a opção [C]. 2. A conjunção subordinativa “mesmo” indica concessão, pois estabelece uma relação de oposição ao que seria esperado. Apesar de o Flamengo ter maior posse de bola, tinha dificuldade em chegar à área alvinegra. “Mesmo” ser substituído por “embora” ou “ainda que”. “Após” e “enquanto” esta- belecem circunstância de tempo, “no entanto”, adversidade e “por causa de”, causa, o que invalida as outras opções 3. No segundo quadro, o pronome pessoal “eles” é inadequado, pois deve ser usado para desempe- nhar função de sujeito. Como o verbo “arrasar” é transitivo, o pronome deveria ser substituído pelo pronome oblíquo “os” em função de objeto direto. Segundo a norma padrão da língua, a frase deveria ser substituída por “Vamos arrasá-los!”. 4. É correta a alternativa [E]. Os estrangeirismos são geralmente introduzidos na língua ao mesmo tempo em que um conceito novo, ou pertencente à outra cultura (como é o caso de cowboy ou rock). Se o uso for suficientemente frequente e duradouro, é comum o aparecimento de um termo ou expressão equivalente, ou a adaptação à escrita e à pronúncia do português, como aconteceu, entre muitos outros casos, com líder e futebol. GAbARito 1. C 2. D 3. B 4. E 70 Prescrição: Para resolver os exercícios dessa aula, serão necessários conhecimentos a respeito dos principais gêneros discursivos presentes em nosso sistema linguístico. Além disso, conhecer alguns produtos culturais nacionais (música, pintura e literatura) irá contribuir para uma maior efetividade na resolução de exercícios que “cruzam” os gêneros discursivos (intertextualidade). pRáticA dos conhecimentos - e.o. 1. (Enem) A palavra e a imagem têm o poder de criar e destruir, de prometer e negar. A pu- blicidade se vale deste recurso linguístico- -imagético como seu principal instrumento. Vende a ficção como o real, o normal como algo fantástico; transforma um carro em um símbolo de prestigio social, uma cerveja em uma loira bonita, e um cidadão comum num astro ou estrela, bastando tão somente utili- zar o produto ou serviço divulgado. 1Assim, fazer o banal tomar-se o ideal é tarefa ordi- nária da linguagem publicitária. ALMEIDA, W. M. A linguagem publicitária e o estrangeirismo. Língua Portuguesa, n. 35, jan. 2012. Alguns elementos linguísticos estabelecem relações entre as diferentes partes do texto. Nesse texto, o vocábulo “Assim” (ref. 1) tem a função de a) contrariar os argumentos anteriores. b) sintetizar as informações anteriores. c) acrescentar um novo argumento. d) introduzir uma explicação. e) apresentar uma analogia. 2. (Enem) O American Idol islâmico Quem não gosta do Big Brother diz que os reality shows são programas vazios, sem cul- tura. No mundo árabe, esse problema já foi resolvido: em The Millions’ Poet (“O Poeta dos Milhões”), líder de audiência no golfo pérsico, o prêmio vai para o melhor poeta. O programa, que é transmitido pela Abu Dhabi TV e tem 70 milhões de espectadores, é uma competição entre 48 poetas de 12 países ára- bes — em que o vencedor leva um prêmio de US$ 1,3 milhão. Mas lá, como aqui, o reality gera controvér- sia. O BBB teve a polêmica dos “coloridos” (grupo em que todos os participantes eram homossexuais). E Millions’ Poet detonou uma discussão sobre os direitos da mulher no mundo árabe. GARATTONI, B. O American Idol islâmico. SuperInteressante. Edição 278, maio 2010 (fragmento). No trecho “Mas lá, como aqui, o reality gera controvérsia”, o termo destacado foi utiliza- do para estabelecer uma ligação com outro termo presente no texto, isto é, fazer refe- rência ao a) vencedor, que é um poeta árabe. b) poeta, que mora na região da Arábia. c) mundo árabe, local em que há o programa. d) Brasil, lugar onde há o programa BBB. e) programa, que há no Brasil e na Arábia. 3. (Enem) Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, to- mavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozi- nha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no aparta- mento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo ho- rizonte. Como um lavrador. Ela plantara as sementes que tinha na mão, não outras, mas essas apenas. LISPECTOR, C. Laços de família. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. A autora emprega por duas vezes o conectivo mas no fragmento apresentado. Observando aspectos da organização, estruturação e fun- cionalidade dos elementos que articulam o texto, o conectivo mas a) expressa o mesmo conteúdo nas duas situa- ções em que aparece no texto. b) quebra a fluidez do texto e prejudica a com- preensão, se usado no início da frase. c) ocupa posição fixa, sendo inadequado seu uso na abertura da frase. d) contém uma ideia de sequência temporal que direciona a conclusão do leitor. e) assume funções discursivas distintas nos dois contextos de uso 4. (Enem) Carnavália Repique tocou O surdo escutou E o meu corasamborim Cuíca gemeu, será que era meu, quando ela 71 passou por mim? […] ANTUNES, A.; BROWN, C.; MONTE, M. Tribalistas, 2002 (fragmento). No terceiro verso, o vocábulo “corasam- borim”, que é a junção coração + samba + tamborim, refere-se, ao mesmo tempo, a ele- mentos que compõem uma escola de samba e a situação emocional em que se encontra o autor da mensagem, com o coração no ritmo da percussão. Essa palavra corresponde a um(a) a) estrangeirismo, uso de elementos linguísticos originados em outras línguas e representati- vos de outras culturas. b) neologismo, criação de novos itens linguís- ticos, pelos mecanismos que o sistema da língua disponibiliza. c) gíria, que compõe uma linguagem originada em determinado grupo social e que pode vir a se disseminar em uma comunidade mais ampla. d) regionalismo, por ser palavra característica de determinada área geográfica. e) termo técnico, dado que designa elemento de área específica de atividade. 5. (Enem) Cultivar um estilo de vida saudável é extremamente importante para diminuir o risco de infarto, mas também como de pro- blemas como morte súbita e derrame. Signi- fica que manter uma alimentação saudável e praticar atividade física regularmente já reduz, por si só, as chances de desenvolver vários problemas. Além disso, é importante para o controle da pressão arterial, dos níveis de colesterol e de glicose no sangue. Tam- bém ajuda a diminuir o estresse e aumentar a capacidade física, fatores que, somados, reduzem as chances de infarto. Exercitar-se, nesses casos, com acompanhamento médico e moderação, é altamente recomendável. ATALIA, M. Nossa vida. Época. 23 mar. 2009. As ideias veiculadas no texto se organizam estabelecendo relações que atuam na cons- trução do sentido. A esse respeito, identifi- ca-se, no fragmento, que a) A expressão “Além disso” marca uma sequen- ciação de ideias. b) o conectivo “mas também” inicia oração que exprime ideia de contraste. c) o termo “como”, em “como morte súbita e derrame”, introduz uma generalização. d) o termo “Também” exprime uma justificativa.e) o termo “fatores” retoma coesivamente “ní- veis de colesterol e de glicose no sangue” 6. (Enem) A colocação pronominal é a posição que os pronomes pessoais oblíquos átonos ocupam na frase em relação ao verbo a que se referem. São pronomes oblíquos átonos: me, te, se, o, os, a, as, lhe, lhes, nos e vos, Esses pronomes podem assumir três posi- ções na oração em relação ao verbo. Prócli- se, quando o pronome é colocado antes do verbo, devido a partículas atrativas, corno o pronome relativo. Ênclise, quando o prono- me é colocado depois do verbo, o que acon- tece quando este estiver no imperativo afir- mativo ou no infinitivo impessoal regido da preposição “a” ou quando o verbo estiver no gerúndio. Mesóclise, usada quando o verbo estiver flexionado no futuro do presente ou no futuro do pretérito. A mesóclise é um tipo de colocação prono- minal raro no uso coloquial da língua por- tuguesa. No entanto, ainda é encontrada em contextos mais formais, como se observa em: a) Não lhe negou que era um improviso. b) Faz muito tempo que lhe falei essas coisas. c) Nunca um homem se achou em mais apertado lance. d) Referia-se à D. Evarista ou tê-la-ia encontra- do em algum outro autor? e) Acabou de chegar dizendo-lhe que precisava retornar ao serviço imediatamente 7. (Enem) MORUMBI PRÓXIMA AO COL. PIO XII Linda residência rodeada por maravilhoso jardim com piscina e amplo espaço gourmet. 1 000 m2 construídos em 2 000 m2 de ter- reno, 6 suítes. R$ 3 200 000. Rua tranquila: David Pimentel. Cód. 480067 Morumbi Palá- cio Tel.: 3740-5000 Folha de São Paulo. Classificados, 27 fev. 2012 (adaptado). Os gêneros textuais nascem emparelhados a necessidades e atividades da vida sociocul- tural. Por isso, caracterizam-se por uma fun- ção social específica, um contexto de uso, um objetivo comunicativo e por peculiaridades linguísticas e estruturais que lhes conferem determinado formato. Esse classificado pro- cura convencer o leitor a comprar um imóvel e, para isso, utiliza-se a) da predominância das formas imperativas dos verbos e de abundância de substantivos. b) de uma riqueza de adjetivos que modificam os substantivos, revelando as qualidades do produto. c) de uma enumeração de vocábulos, que visam conferir ao texto um efeito de certeza. d) do emprego de numerais, quantificando as características e aspectos positivos do pro- duto. e) da exposição de opiniões de corretores de imóveis no que se refere à qualidade do pro- duto 72 8. (Enem) Devemos dar apoio emocional especí- fico, trabalhando o sentimento de culpa que as mães têm de infectar o filho. O principal problema que vivenciamos é quanto ao alei- tamento materno. Além do sentimento muito forte manifestado pelas gestantes de ama- mentar seus filhos, existem as cobranças da família, que exige explicações pela recusa em amamentar, sem falar nas companheiras na maternidade que estão amamentando. Esses conflitos constituem nosso maior desafio. As- sim, criamos a técnica de mamadeirar. O que é isso? É substituir o seio materno por amor, oferecendo a mamadeira, e não o peito! PADOIN, S. M. M. et al. (Org.) Experiências interdisciplinares em Aids: interfaces de uma epidemia.SantaMaria: UFSM, 2006 (adaptado). O texto é o relato de uma enfermeira no cuidado de gestantes e mães soropositivas. Nesse relato, em meio ao drama de mães que não devem amamentar seus recém-nascidos, observa-se um recurso da língua portuguesa, presente no uso da palavra “mamadeirar”, que consiste a) na manifestação do preconceito linguístico. b) na recorrência a um neologismo. c) no registro coloquial da linguagem. d) na expressividade da ambiguidade lexical. e) na contribuição da justaposição na formação de palavras 9. (Enem) Cientistas solucionam origem de partículas de água em Saturno. O telescópio espacial Herschel resolveu 1um problema que ficou sem solução durante 14 anos. 2A ori- gem dos vapores de água na atmosfera su- perior de Saturno encontra-se nas partículas que saem de uma de suas luas, a Enceladus, e chegam até o planeta. 3A descoberta faz com que a Enceladus torne- se conhecida, a partir de agora, como a única lua do Siste- ma Solar capaz de influenciar 5a composição bioquímica do planeta que orbita.4O volume despejado a cada segundo não é pouco. A Enceladus chega a expelir aproximadamen- te 250 kg de vapores de água que se for- mam na região polar sul. Desse total, uma parte é perdida no espaço e entre 3% a 5% deslocam-se até Saturno. 6O fenômeno, de certo modo, pôde ser compreendido graças ao 9avanço da tecnologia. Os astrônomos não conseguiram detectá-lo até o momento por causa da 7transparência dos vapores. Coube às ondas infravermelhas do Herschel 8esse encargo e achado. A primeira vez que um te- lescópio da ESA (Agência Espacial Europeia) detectou água na atmosfera superior de Sa- turno foi em 1997. Disponível em: www1.folha.uol.com. br. Acesso em: 26 jul. 2011. Um texto é construído pela articulação dos vários elementos que o compõem. Tal arti- culação pode se dar por meio de palavras ou de expressões que remetem a outras ou, ain- da, a segmentos maiores já apresentados ou a serem ainda apresentados no decorrer do texto. A análise do modo como esse texto foi cons- truído revela que a expressão a) O “um problema” (ref. 1) remete o leitor para “A origem dos vapores de água na atmosfera superior de Saturno” (ref. 2), segmento que se encontra na frase seguinte. b) “A descoberta” (ref. 3) retoma “um proble- ma que ficou sem solução durante 14 anos.” (ref. 1), segmento que aparece na primeira frase do texto. c) “O volume despejado” (ref. 4) retoma “a composição química do planeta que orbita.” (ref. 5), segmento apresentado na frase ime- diatamente anterior. d) “O fenômeno” (ref. 6) remete o leitor para “transparência dos vapores” (ref. 7), seg- mento que é apresentado na frase seguinte. e) O “esse encargo e achado” (ref. 8) retoma “avanço da tecnologia” (ref. 9), segmento presente na porção anterior do texto. 10. (Enem) Era uma vez Um rei leão que não era rei. Um pato que não fazia quá-quá. Um cão que não latia Um peixe que não nadava. Um pássaro que não voava. Um tigre que não comia. Um gato que não miava. Um homem que não pensava... E, enfim, era uma natureza sem nada. Acabada. Depredada. Pelo homem que não pensava. Laura Araújo Cunha CUNHA, L. A. In: KOCH, I. V.; ELIAS, V. M. Ler e escrever: estratégias de produção textual. São Paulo: Contexto, 2011. São as relações entre os elementos e as partes do texto que promovem o desenvolvimento das ideias. No poema, a estratégia linguísti- ca que contribui para esse desenvolvimento, estabelecendo a continuidade do texto, é a a) escolha de palavras de diferentes campos se- mânticos. b) negação contundente das ações praticadas pelo homem. c) intertextualidade com o gênero textual fá- bula infantil. d) repetição de estrutura sintática com novas informações. e) utilização de ponto final entre termos de uma mesma oração. 73 11. (Enem) Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamen- tos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir todas as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostu- ma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. COLASANTI, M. Eu sei, mas não devia. Rio de Janeiro, Rocco, 1996. A progressão é garantida nos textos por de- terminados recursos linguísticos, e pela co- nexão entre esses recursos e as ideias que eles expressam. Na crônica, a continuidade textual é construída, predominantemente, por meio a) do emprego de vocabulário rebuscado, possi- bilitando a elegância do raciocínio. b) da repetição deestruturas, garantindo o pa- ralelismo sintático e de ideias. c) da apresentação de argumentos lógicos, constituindo blocos textuais independentes. d) da ordenação de orações justapostas, dis- pondo as informações de modo paralelo. e) da estruturação de frases ambíguas, cons- truindo efeitos de sentido apostos. 12. (Enem) TEXTO I Antigamente Antigamente, os pirralhos dobravam a lín- gua diante dos pais e se um se esquecia de arear os dentes antes de cair nos braços de Morfeu, era capaz de entrar no couro. Não devia também se esquecer de lavar os pés, sem tugir nem mugir. Nada de bater na ca- cunda do padrinho, nem de debicar os mais velhos, pois levava tunda. Ainda cedinho, aguava as plantas, ia ao corte e logo vol- tava aos penates. Não ficava mangando na rua nem escapulia do mestre, mesmo que não entendesse patavina da instrução moral e cívica. O verdadeiro smart calçava botina de botões para comparecer todo liró ao copo d’água, se bem que no convescote apenas lambiscasse, para evitar flatos. Os bilontras é que eram um precipício, jogando com pau de dois bicos, pelo que carecia muita cautela e caldo de galinha. O melhor era pôr as bar- bas de molho diante de um treteiro de tope- te, depois de fintar e engambelar os coiós, e antes que se pudesse tudo em pratos limpos, ele abria o arco. ANDRADE, C. D. Poesia e prosa. Rio de janeiro: nova Aguilar, 1983 (fragmento). TEXTO II Palavras do arco da velha Expressão Significado Cair nos braços de Morfeu Dormir Debicar Zombar, ridicularizar Tunda Surra Mangar Escarnecer, caçoar Tugir Murmurar Liró Bem-vestido Copo d’água Lanche ofereci- do pelos amigos Convescote Piquenique Bilontra Velhaco Treteiro de topete Tratante atrevido Abrir o arco Fugir FLORIN, J. L. As línguas mudam. In: Revista Língua Portuguesa, n. 24, out. 2007 (adaptado). Na leitura do fragmento do texto Antiga- mente constata-se, pelo emprego de palavras obsoletas, que itens lexicais outrora produti- vos não mais o são no português brasileiro atual. Esse fenômeno revela que a) a língua portuguesa de antigamente carecia de termos para se referir a fatos e coisas do cotidiano. b) o português brasileiro se constitui evitando a ampliação do léxico proveniente do portu- guês europeu. c) a heterogeneidade do português leva a uma estabilidade do seu léxico no eixo temporal. d) o português brasileiro apoia-se no léxico in- glês para ser reconhecido como língua inde- pendente. e) o léxico do português representa uma reali- dade linguística variável e diversificada. 13. (Enem) — Ora dizeis, não é verdade? Pois o Sr. Lúcio queria esse cravo, mas vós lho não podíeis dar, porque o velho militar não tirava os olhos de vós; ora, conversando com o Sr. Lúcio, acordastes ambos que ele iria es- perar um instante no jardim... MACEDO, J. M. A moreninha. Disponível em: www.dominiopublico.com.br. Acesso em: 17 abr. 2010 (fragmento). O trecho faz parte do romance A moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo. Nessa parte do romance, há um diálogo entre dois perso- nagens. A fala transcrita revela um falante que utiliza uma linguagem a) informal, com estruturas e léxico coloquiais. b) regional, com termos característicos de uma região. c) técnica, com termos de áreas específicas. d) culta, com domínio da norma padrão. e) lírica, com expressões e termos empregados em sentido figurado 74 14. (Enem) Nessa charge, o recurso morfossintático que colabora para o efeito de humor está indica- do pelo(a) a) emprego de uma oração adversativa, que orienta a quebra da expectativa ao final. b) uso de conjunção aditiva, que cria uma rela- ção de causa e efeito entre as ações. c) retomada do substantivo “mãe”, que desfaz a ambiguidade dos sentidos a ele atribuídos d) utilização da forma pronominal “la”, que reflete um tratamento formal do filho em relação à “mãe”. e) repetição da forma verbal “é”, que reforça a relação de adição existente entre as orações 15. (Enem) Tarefa Morder o fruto amargo e não cuspir Mas avisar aos outros quanto é amargo Cumprir o trato injusto e não falhar Mas avisar aos outros quanto é injusto Sofrer o esquema falso e não ceder Mas avisar aos outros quanto é falso Dizer também que são coisas mutáveis... E quando em muitos a não pulsar – do amargo e injusto e falso por mudar – então confiar à gente exausta o plano de um mundo novo e muito mais humano. CAMPOS, G. Tarefa. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1981. Na organização do poema, os empregos da conjunção “mas” articulam, para além de sua função sintática, a) a ligação entre verbos semanticamente se- melhantes. b) a oposição entre ações aparentemente in- conciliáveis. c) a introdução do argumento mais forte de uma sequência. d) o reforço da causa apresentada no enunciado introdutório. e) a intensidade dos problemas sociais presen- tes no mundo. GAbARito 1. B 2. C 3. E 4. B 5. A 6. D 7. B 8. B 9. A 10. D 11. B 12. E 13. D 14. A 15. C Interpretação de textos L C RPA ENEM ENTRE TEXTOS L C Competência 1 – Aplicar as tecnologias da comunicação e da informação na escola, no trabalho e em outros contextos relevantes para sua vida. H1 Identificar as diferentes linguagens e seus recursos expressivos como elementos de caracterização dos sistemas de comunicação. H2 Recorrer aos conhecimentos sobre as linguagens dos sistemas de comunicação e informação para resolver problemas sociais. H3 Relacionar informações geradas nos sistemas de comunicação e informação, considerando a função social desses sistemas. H4 Reconhecer posições críticas aos usos sociais que são feitos das linguagens e dos sistemas de comunicação e informação. Competência 2 – Conhecer e usar língua(s) estrangeira(s) moderna(s) (LEM) como instrumento de acesso a informações e a outras culturas e grupos sociais. H5 Associar vocábulos e expressões de um texto em LEM ao seu tema. H6 Utilizar os conhecimentos da LEM e de seus mecanismos como meio de ampliar as possibilidades de acesso a informações, tecnologias e culturas. H7 Relacionar um texto em LEM, as estruturas linguísticas, sua função e seu uso social. H8 Reconhecer a importância da produção cultural em LEM como representação da diversidade cultural e linguística. Competência 3 – Compreender e usar a linguagem corporal como relevante para a própria vida, integradora social e formadora da identidade. H9 Reconhecer as manifestações corporais de movimento como originárias de necessidades cotidianas de um grupo social. H10 Reconhecer a necessidade de transformação de hábitos corporais em função das necessidades cinestésicas. H11 Reconhecer a linguagem corporal como meio de interação social, considerando os limites de desempenho e as alternativas de adaptação para diferentes indivíduos. Competência 4 – Compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organização do mundo e da própria identidade. H12 Reconhecer diferentes funções da arte, do trabalho da produção dos artistas em seus meios culturais. H13 Analisar as diversas produções artísticas como meio de explicar diferentes culturas, padrões de beleza e preconceitos. H14 Reconhecer o valor da diversidade artística e das inter-relações de elementos que se apresentam nas manifestações de vários grupos sociais e étnicos. Competência 5 – Analisar, interpretar e aplicar recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante a natureza, função, organização, estrutura das manifestações, de acordo com as condições de produção e recepção. H15 Estabelecer relações entre o texto literário e o momento de sua produção, situando aspectos do contexto histórico, social e político. H16 Relacionar informações sobre concepções artísticas e procedimentos de construção do texto literário. H17 Reconhecer a presença de valores sociais e humanos atualizáveis e permanentes no patrimônio literário nacional.Competência 6 – Compreender e usar os sistemas simbólicos das diferentes linguagens como meios de organização cognitiva da realidade pela constituição de significados, expressão, comunicação e informação. H18 Identificar os elementos que concorrem para a progressão temática e para a organização e estruturação de textos de diferentes gêneros e tipos. H19 Analisar a função da linguagem predominante nos textos em situações específicas de interlocução. H20 Reconhecer a importância do patrimônio linguístico para a preservação da memória e da identidade nacional Competência 7 – Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suas manifestações específicas. H21 Reconhecer em textos de diferentes gêneros, recursos verbais e não-verbais utilizados com a finalidade de criar e mudar comportamentos e hábitos. H22 Relacionar, em diferentes textos, opiniões, temas, assuntos e recursos linguísticos. H23 Inferir em um texto quais são os objetivos de seu produtor e quem é seu público alvo, pela análise dos procedimentos argumentativos utilizados. H24 Reconhecer no texto estratégias argumentativas empregadas para o convencimento do público, tais como a intimidação, sedução, comoção, chantagem, entre outras. Competência 8 – Compreender e usar a língua portuguesa como língua materna, geradora de significação e integradora da organização do mundo e da própria identidade. H25 Identificar, em textos de diferentes gêneros, as marcas linguísticas que singularizam as variedades linguísticas sociais, regionais e de registro. H26 Relacionar as variedades linguísticas a situações específicas de uso social. H27 Reconhecer os usos da norma padrão da língua portuguesa nas diferentes situações de comunicação. Competência 9 – Entender os princípios, a natureza, a função e o impacto das tecnologias da comunicação e da informação na sua vida pessoal e social, no desenvolvimento do conhecimento, associando-o aos conhecimentos científicos, às linguagens que lhes dão suporte, às demais tecnologias, aos processos de produção e aos problemas que se propõem solucionar. H28 Reconhecer a função e o impacto social das diferentes tecnologias da comunicação e informação. H29 Identificar pela análise de suas linguagens, as tecnologias da comunicação e informação. H30 Relacionar as tecnologias de comunicação e informação ao desenvolvimento das sociedades e ao conhecimento que elas produzem 77 TEXTO I TEXTO II As duas imagens são produções que têm a cerâmica como matéria-prima. A obra Estrutura vertical dupla se distingue da urna funerária marajoara ao a) evidenciar a simetria na disposição das peças. b) materializar a técnica sem função utilitária. c) abandonar a regularidade na composição. d) anular possibilidades de leituras afetivas. e) integrar o suporte em sua constituição. AplicAção dos conhecimentos - sAlA MODELO 1 Tema: Arte (Leitura de imagens) Construção da habilidade: Na questão a seguir, é necessário que o vestibulando lembre que, historicamente, os objetos de cerâmica apresentavam funções utilitárias (especialmente urnas cerimo- niais, como a que vemos no texto II). Já a cerâmica em seus usos contemporâneos entra em um campo mais artístico e escapa das funções utilitárias Competência: 4 Habilidade: 12 AULA 1 78 TEXTO I TEXTO II Stephen Lund, artista canadense, morador em Victoria, capital da Colúmbia Britânica (Canadá), transformou-se em fenômeno mundial produzindo obras de arte virtuais pedalando sua bike. Se- guindo rotas traçadas com o auxílio de um dispositivo de GPS, ele calcula ter percorrido mais de 10 mil quilômetros. Disponível em: www.booooooom.com. Acesso em: 9 dez. 2017 (adaptado). Os textos destacam a inovação artística proposta por Stephen Lund a partir do(a) a) deslocamento das tecnologias de suas funções habituais. b) perspectiva de funcionamento do dispositivo de GPS. c) ato de guiar sua bicicleta pelas ruas da cidade. d) análise dos problemas de mobilidade urbana. e) foco na promoção ctultural da sua cidade. MODELO 2 Tema: Arte (leitura de magens) Construção da habilidade: Na questão a seguir, é necessário reconhecer que determinados ins- trumentos que habitualmente não são utilizados como elementos artísticos podem ser mobilizados em circunstâncias ou performances específicas. Competência: 4 Habilidade: 12 79 Vez por outra, indo devolver um filme na locadora ou almoçar no árabe da rua de baixo, dobro uma esquina e tomo um susto. Ué, cadê o quarteirão que estava aqui? Onde na véspera havia casinhas geminadas, roseiras cuidadas por velhotas e janelas de adolescentes, cheias de adesivos, há apenas uma imensa cratera, cercada de tapumes. [...] Em breve, do buraco brotará um prédio, com grandes garagens e minúsculas varandas, e será bati- zado de Arizona Hills, ou Maison Lacroix, ou Plaza de Marbella, e isso me entristece. Não só porque ficará mais feio meu caminho até a locadora, ou até o árabe na rua de baixo, mas porque é meu bairro que morre, devagarinho. Os bairros, como os homens, também têm um espírito. [...] Às vezes, no fim da tarde, quando ouço o sino da igreja da Caiubi badalar seis vezes, quase acredito que estou numa cidade do interior. Aí saio para devolver os vídeos, olho para o lado, percebo que o quarteirão desapareceu e me dou conta de que estou em São Paulo, e que eu mesmo tenho minha cota de responsabilidade: moro no segundo andar de um prédio. [...] Ali embaixo, onde agora fica a garagem, já houve uma cratera, e antes dela o jardim de uma velhota e a janela de um adoles- cente, cheia de adesivos. PRATA, A. Perdizes. In: Meio intelectual, meio de esquerda. São Paulo: Editora 34, 2010. Na crônica, a incidência do contexto social sobre a voz narrativa manifesta-se no(a) a) decepção com o progresso da cidade de São Paulo. b) sentimento de nostalgia causado pela demolição das casas antigas. c) percepção de uma descaracterização da identidade do bairro. d) necessidade de uma autocrítica em relação aos próprios hábitos. e) descontentamento com os estrangeirismos da nova geografia urbana. Tema: Gêneros textuais: Crônicas Construção da habilidade: A crônica é um gênero que apresenta dados de marca jornalística (apresentação de dados do cotidiano). É a partir da percepção de mudanças cotidianas que surge a fundamentação da crítica que o autor elabora. Competência: 7 Habilidade: 22 MODELO 3 80 Tema: Gêneros textuais: Textos jornalísticos Construção da habilidade: Reconhecer dentre as modalidades de texto jornalístico o que é uma notícia de divulgação (as notícias tem caráter prioritariamente referencial). Competência: 7 Habilidade: 22 MODELO 4 Cores do Brasil Ganhou nova versão, revista e ampliada, o livro lançado em 1988 pelo galerista Jacques Ardies, cuja proposta é ser publicação informativa sobre nomes do “movimento arte naïf do Brasil”, como define o autor. Trata-se de um caminho estético fundamental na arte brasileira, assegura Ardies. O termo em francês foi adotado por designar internacionalmente a produção que no Brasil é cha- mada de arte popular ou primitivismo, esclarece Ardies. O organizador do livro explica que a obra não tem a pretensão de ser um dicionário. “Falta muita gente. São muitos artistas”, observa. A nova edição veio da vontade de atualizar informações publicadas há 26 anos. Ela incluiu artistas em atividade atualmente e veteranos que ficaram de fora do primeiro livro. A arte naïf no Brasil 2 traz 79 autores de várias regiões do Brasil. WALTER SEBASTIÃO. Estado de Minas, 17 jan. 2015 (adaptado). O fragmento do texto jornalístico aborda o lançamento de um livro sobre arte naïf no Brasil. Na organização desse trecho predomina o uso da sequência a) injuntiva, sugerida pelo destaque dado à fala do organizador do livro. b) argumentativa, caracterizada pelo uso de adjetivos sobre o livro. c) narrativa, construída pelo uso de discurso direto e indireto. d) descritiva, formada com baseem dados editoriais da obra. e) expositiva, composta por informações sobre a arte naïf. 81 RAio X - Análise eXpositivA 1. Uma das propostas da cerâmica contemporânea é ativar outros sentidos para além da função uti- litária. Neste aspecto a pesquisa da artista sugere tais possibilidades estéticas e de apreciação da obra. 2. A compreensão e pesquisa sobre as possibilidades de produção de uma determinada ideia sobre a criação de arte é parte fundamental do contexto da produção da arte e das particularidades da arte contemporânea, onde os materiais artísticos tradicionais não são prioridade e muitas vezes não respondem aos diferentes formatos e realizações. Dá lugar a deslocamentos e outras funções às tecnologias, materiais, procedimentos etc. 3. Ao longo do texto, o narrador expressa surpresa face às transformações que acontecem no espaço urbano pelo qual circula (“Ué, cadê o quarteirão que estava aqui?”), percepção da inevitabilidade do processo de mudança (“Em breve, do buraco brotará um prédio’) e da progressiva descaracte- rização da identidade do bairro em que mora (“percebo que o quarteirão desapareceu onde agora fica a garagem, já houve uma cratera, e antes dela o jardim de uma velhota e a janela de um ado- lescente, cheia de adesivos”). Assim, é correta a opção [C]. 4. É correta a opção [E], já que se trata de um texto que visa à divulgação de nomes do movimento arte naïf do Brasil, cujos conceitos são também apresentados de forma objetiva e com o máximo de neutralidade. GAbARito 1. A 2. A 3. C 4. E 82 pRáticA dos conhecimentos - e.o. 1. (Enem) Querido Sr. Clemens, Sei que o ofendi porque sua carta, não datada de outro dia, mas que parece ter sido escrita em 5 de julho, foi muito abrupta; eu a li e reli com os olhos turvos de lágrimas. Não usarei meu maravi- lhoso broche de peixe-anjo se o senhor não quiser; devolverei ao senhor, se assim me for pedido... OATES, J. C. Descanse em paz. São Paulo: Leya, 2008. Nesse fragmento de carta pessoal, quanto à sequenciação dos eventos, reconhece-se a norma- -padrão pelo(a) a) colocação pronominal em próclise. b) uso recorrente de marcas de negação. c) emprego adequado dos tempos verbais. d) preferência por arcaísmos, como “abrupta” e “turvo”. e) presença de qualificadores, como “maravilhoso” e “peixe-anjo”. 2. (Enem) Quarto de despejo Carolina Maria de Jesus Do diário da catadora de papel Carolina Maria de Jesus surgiu este autêntico exemplo de literatura- -verdade, que relata o cotidiano triste e cruel da vida na favela. Com uma linguagem simples, mas contundente e original, a autora comove o leitor pelo realismo e pela sensibilidade na maneira de contar o que viu, viveu e sentiu durante os anos em que morou na comunidade do Canindé, em São Paulo, com seus três filhos. Ao ler este relato — verdadeiro best-seller no Brasil e no exterior — você vai acompanhar o duro dia a dia de quem não tem amanhã. E vai perceber com tristeza que, mesmo tendo sido escrito na década de 1950, este livro jamais perdeu a sua atualidade. JESUS, C. M. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2007. Identifica-se como objetivo do fragmento extraído da quarta capa do livro Quarto de despejo a) retomar trechos da obra. b) resumir o enredo da obra. c) destacar a biografia da autora. d) analisar a linguagem da autora. e) convencer o interlocutor a ler a obra. 3. (Enem) O exercício da crônica Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este é levado meio a tapas pelas personagens e situações que, azar dele, criou porque quis. Com um prosador cotidiano, a coisa fia mais fino. Senta-se diante de sua máquina, acende um cigarro, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação um fato qualquer, de preferência colhido no noticiário matutino, ou da véspera, em que, com duas artimanhas peculia- res, possa injetar um sangue novo. MORAES, V. Para viver um grande amor: crônicas e poemas. São Paulo: Cia. das Letras, 1991. Nesse trecho, Vinicius de Moraes exercita a crônica para pensá-la como gênero e prática. Do ponto de vista dele, cabe ao cronista a) criar fatos com a imaginação. b) reproduzir as notícias dos jornais. c) escrever em linguagem coloquial. d) construir personagens verossímeis. e) ressignificar o cotidiano pela escrita. Prescrição: Para resolver os exercícios dessa aula, será necessário trabalhar conhecimentos básicos sobre verbos, conjunções, sistemas de referencialidade te quadrinhos. 83 4. (Enem) Essa tirinha revela que um dos impactos sociais provenientes do uso das Tecnologias de Informa- ção e Comunicação tem como consequência o(a) a) falta de percepção da realidade. b) crítica da sociedade aos poderes midiáticos. c) contestação das informações disponibilizadas. d) questionamento sobre a reputação das grandes mídias. e) indignação do telespectador com os meios de comunicação. 5. (Enem) As tecnologias provocam mudanças comportamentais. Em relação ao seu uso exagerado, o texto critica a a) busca por relacionamentos superficiais. b) falta de tempo para o descanso. c) necessidade de manter-se conectado. d) quantidade excessiva de informações on-line. e) tendência do internauta a permanecer isolado. 6. (Enem) 84 Em relação aos impactos das Tecnologias de Informação e Comunicação na contemporaneidade, essa tirinha faz uma crítica ao(à) a) leitura obrigatória dos jornais on-line. b) modo de vida anterior ao século 20. c) realização constante de protestos na internet. d) virtualização exagerada das relações humanas. e) consumo desmedido no mercado virtual. 7. (Enem) A inteligência está na rede Pergunta: Há tecnologias que melhoram a vida humana, como a invenção do calendário, e outras que revolucionam a história humana, como a invenção da roda. A internet, o iPad, o Facebook, o Google são tecnologias que pertencem a que categoria? Resposta: À das que revolucionam a história. O que está acontecendo no mundo de hoje é seme- lhante ao que se passou com a sociedade agrária depois da prensa móvel de Gutenberg. Antes, o conhecimento estava concentrado em oligopólios. A invenção de Gutenberg começou a democrati- zar o conhecimento, e as instituições do feudalismo entraram num processo de atrofia. A novidade afetou a Igreja Católica, as monarquias, os poderes coloniais e, com o passar do tempo, resultou nas revoluções na América Latina, nos Estados Unidos, na França. Resultou na democra- cia parlamentar, na reforma protestante, na criação das universidades, do próprio capitalismo. Martinho Lutero chamou a prensa móvel de “a mais alta graça de Deus”. Agora, mais uma vez, o gênio da tecnologia saiu da garrafa. Com a prensa móvel, ganhamos acesso à palavra escrita. Com a internet, cada um de nós pode ser seu próprio editor. A imprensa nos deu acesso ao conhecimento que já havia sido produzido e estava registrado. A internet nos dá acesso ao conhecimento contido no cérebro de outras pessoas em qualquer parte do mundo. Isso é uma revolução. E, tal como acon- teceu no passado, está fazendo com que nossas instituições se tornem obsoletas. TAPSCOTT, D. Entrevista concedida a Augusto Nunes. Veja, 21 abr. 2011 (adaptado). Segundo o pesquisador entrevistado, a internet revolucionou a história da mesma forma que a prensa móvel de Gutenberg revolucionou o mundo no século XV. De acordo com o texto, as duas invenções, de maneira similar, provocaram o(a) a) ocorrência de revoluções em busca por governos mais democráticos. b) divulgação do conhecimento produzido em papel nas diversas instituições. c) organização das sociedades a favor do acesso livre à educação e às universidades. d) comércio do conhecimento produzido e registrado em qualquer parte do mundo. e) democratização do conhecimento pela divulgação de ideias por meiode publicações. 8. (Enem) Doutor dos sentimentos Veja quem é e o que pensa o português António Damásio, um dos maiores nomes da neurociência atual, sempre em busca de desvendar os mistérios do cérebro, das emoções e da consciência Ele é baixo, usa óculos, tem cabelos brancos penteados para trás e costuma vestir terno e gravata. A surpresa vem quando começa a falar. António Damásio não confirma em nada o clichê que se tem de cientista. Preocupado em ser o mais didático possível, tenta, pacientemente, com certa graça e até ironia, sempre que cabível, traduzir para os leigos estudos complexos sobre o cérebro. Português, Damásio é um dos principais expoentes da neurociência atual. Diferentemente de outros neurocientistas, que acham que apenas a ciência tem respostas à com- preensão da mente, Damásio considera que muitas ideias não provêm necessariamente daí. Para ele, um substrato imprescindível para entender a mente, a consciência, os sentimentos e as emo- ções advém da vida intuitiva, artística e intelectual. Fora dos meios científicos, o nome de Damásio começou a ser celebrado na década de 1990, quando lançou seu primeiro livro, uma obra que fala de emoção, razão e do cérebro humano. TREFAUT, M. P. Disponível em: http://revistaplaneta.terra.com.br. Acesso em: 2 set. 2014 (adaptado). Na organização do texto, a sequência que atende à função sociocomunicativa de apresentar objeti- vamente o cientista António Damásio é a a) descritiva, pois delineia um perfil do professor. b) injuntiva, pois faz um convite à leitura de sua obra. c) argumentativa, pois defende o seu comportamento incomum. d) narrativa, pois são contados fatos relevantes ocorridos em sua vida. e) expositiva, pois traz as impressões da autora a respeito de seu trabalho. 85 9. (Enem) O jogo do aprendizado O governo da Irlanda do Norte parece ter encontrado uma boa solução para prender a atenção dos alunos durante as aulas. O de- partamento regional de cultura, artes e la- zer decidiu comprar e distribuir um jogo de blocos eletrônico para mais de 200 escolas e 30 bibliotecas do país, segundo o jornal The Guardian. O jogo permite aos participantes explorar um vasto terreno composto de blo- cos, com possibilidade de adaptar o ambien- te do jeito que preferirem, de modo a criar e destruir vários tipos de estruturas tridimen- sionalmente. A flexibilidade do jogo foi elogiada por pais de crianças autistas, que encontraram nele um espaço no qual podiam se exprimir em segurança, progredindo em meses o que ti- nham levado anos para conseguir em sessões de terapia. Uma prova de que videogames podem ensinar e trazer diversão para um público bem abrangente, diferentemente do estigma de “vício” com o que são normal- mente associados. MENDONÇA, F. M. Carta Capital, abr. 2015 (adaptado). Ao relacionar tecnologia e educação e evi- denciar uma mudança de paradigma por meio dessa relação, o texto indica que o in- vestimento em jogos tem o objetivo de a) proporcionar meios eficazes de conhecimen- to. b) tornar os jogos de videogame mais fáceis. c) assegurar um novo público para os games. d) promover a integração de alunos autistas. e) retirar o rótulo negativo dos games. 10. (Enem) Feminismo pra quê? Mas será que você sabe o que é feminismo? É assustadora a quantidade de gente que não sabe o que é feminismo. Ninguém tem a obrigação de saber, é claro, mas a partir do momento em que você decide opinar sobre um assunto, é de bom tom saber do que se trata. As pessoas são “contra” o feminismo sem sequer saber o que significa. Feminis- mo não prega ódio, feminismo não prega a dominação das mulheres sobre os homens. Feminismo clama por igualdade, pelo fim da dominação de um gênero sobre outro. Feminismo não é o contrário de machismo. Machismo é um sistema de dominação. Fe- minismo é uma luta por direitos iguais. Fe- minismo não tem nada a ver com deixar de usar batom, salto ou cercear sua liberdade sexual. Ninguém vai confiscar sua cartei- rinha de feminista se você usar rímel. Mas te abre para a possibilidade de só usar ma- quiagem quando quiser, não porque tem que obrigatoriamente estar impecável e linda to- dos os dias a enfeitar o mundo. Feminismo não tem nada a ver com não ter filhos, e sim com a escolha de como e quando esses filhos virão, e se virão. Feminismo não tem nada a ver com não ser feminina. E nem com ser. Feminismo tem a ver com liberdade, com eu, você, elas e eles podermos todos viver e ser, sem ninguém dando pitaco em como deve- mos nos portar, como devemos nos vestir, o que devemos dizer, o que devemos fazer com nossos corpos. Outra coisa importante: nem todas as feministas estão de acordo a res- peito de todos os tópicos. Cada um constrói seu feminismo. O feminismo não é um livro de regras, mas uma discussão, uma conversa, um processo. Chega de reproduzir conceitos sem sequer parar para pensar neles. AVERBUCK, C. Carta Capital, 28 set. 2015 (adaptado). No texto, entre as estratégias argumentati- vas empregadas para a defesa de um ponto de vista, a autora recorre à a) definição de feminismo pelo que ele não é para confrontar discursos antifeministas. b) contradição na caracterização do feminismo para contemplar visões antagônicas. c) menção a situações cotidianas das mulheres para representar o universo feminino. d) formulação de perguntas para as quais o lei- tor terá de encontrar respostas no texto. e) explicitação de diferentes opiniões para che- gar a um consenso sobre o feminismo. 11. (Enem) O comportamento do público, em geral, parece indicar o seguinte: o texto da peça de teatro não basta em si mesmo, não é uma obra de arte completa, pois ele só se realiza plenamente quando levado ao palco. Para quem pensa assim, ler um texto dramá- tico equivale a comer a massa do bolo antes de ele ir para o forno. Mas ele só fica pron- to mesmo depois que os atores deram vida àquelas emoções; que cenógrafos compuse- ram os espações, refletindo externamente os conflitos internos dos envolvidos; que os fi- gurinistas vestiram os corpos sofredores em movimento. LACERDA, R. Leitores. Metáfora, n. 7, abr. 2012. Em um texto argumentativo, podem-se en- contrar diferentes estratégias para guiar o leitor por um raciocínio e chegar a deter- minada conclusão. Para defender sua ideia a favor da incompletude do texto dramático fora do palco, o autor usa como estratégia argumentativa a a) comoção. b) analogia. c) identificação. d) contextualização. e) enumeração. 86 12. (Enem) A origem da capoeira está ligada à escravidão brasileira, pois nasceu como ele- mento de resistência à opressão do negro escravo naquela época. Considerados como mercadorias, os negros eram submetidos à vontade e aos desmandos de seus senhores. O castigo, a humilhação e o medo foram for- mas de manutenção e controle desse siste- ma. A forma mais importante de resistência a essas condições de vida foram as fugas. A capoeira surge nesse contexto como elemen- to de resistência física, diante da necessi- dade de autodefesa à opressão, utilizando seu corpo para confrontar seus opressores; e resistência cultural, proveniente da necessi- dade do negro escravo de se fazer humano, reconstruindo sua identidade. Disponível em: http://ebookbrowsee.net. Acesso em: 28 jan. 2014 (adaptado). O contexto do surgimento da prática da ca- poeira no Brasil marca física, histórica e culturalmente essa manifestação corporal, caracterizando-a como uma a) prática corporal de controle das ações huma- nas. b) forma de reconstrução identitária como de- fesa do negro. c) atividade física esportiva de cunho competi- tivo entre negros. d) maneira de adaptação da cultura negra à so- ciedade escravocrata. e) manifestação cultural das relações simétri- cas entre escravos e senhores. 13. (Enem) Você sabe a diferença entre comuni- cação síncrona e assíncrona? A forma síncronapermite a comunicação entre as pessoas em tempo real, ou seja, o emissor envia uma mensagem para o recep- tor e este a recebe quase que instantanea- mente, como numa conversa por telefone. São exemplos deste tipo de comunicação o chat e a videoconferência. Já a forma assíncrona dispensa a participa- ção simultânea das pessoas, ou seja, o emis- sor envia uma mensagem ao receptor, o qual poderá ler e responder esta mensagem em outro momento. São exemplos deste tipo de comunicação o correio eletrônico, o fórum e a lista de discussão. Correio eletrônico — o que é e-mail? Correio eletrônico, ou simplesmente e-mail (abreviatura de electronic mail), é uma fer- ramenta que permite compor, enviar e re- ceber mensagens, textos, figuras e outros arquivos pela internet. É um modo assín- crono de comunicação, ou seja, independe da presença simultânea do remetente e do destinatário da mensagem, sendo muito prá- tico quando a comunicação precisa ser feita entre pessoas que estejam muito distantes, em diferentes fusos horários. BRASIL. MEC/Proinfo. Disponível em: www.eproinfo. mec.gov.br. Acesso em: 17 jan. 2014 (adaptado). O texto evidencia que um dos fatores deter- minantes para a escolha do e-mail como uma forma de comunicação é o(a) a) presença do interlocutor. b) emergência do contato. c) disponibilidade dos meios de comunicação. d) alcance espaço-temporal da mensagem. e) relação entre os interlocutores. 14. (Enem) Uma noite em 67, de Renato Terra e Ricardo Calil. Editora Planeta, 296 páginas. Mas foi uma noite, aquela noite de sábado 21 de outubro de 1967, que parou o nosso país. Parou pra ver a finalíssima do III Festi- val da Record, quando um jovem de 24 anos chamado Eduardo Lobo, o Edu Lobo, saiu carregado do Teatro Paramount em São Paulo depois de ganhar o prêmio máximo do fes- tival com Ponteio, que cantou acompanhado da charmosa e iniciante Marília Medalha. Foi naquela noite que Chico Buarque entoou sua Roda viva ao lado do MPB-4 de Magro, o arranjador. Que Caetano Veloso brilhou can- tando Alegria, alegria com a plateia ao som das guitarras dos Beat Boys, que Gilberto Gil apresentou a tropicalista Domingo no par- que com os Mutantes. Aquela noite que acabou virando filme, em 2010, nas mãos de Renato Terra e Ricardo Calil, agora virou livro. O livro que está sen- do lançado agora é a história daquela noite, ampliada e em estado que no jargão jorna- lístico chamamos de matéria bruta. Quem viu o filme vai se deliciar com as histórias – e algumas fofocas – que cada um tem para contar, agora sem os cortes necessários que um filme exige. E quem não viu o filme tem diante de si um livro de histórias, pensando bem, de História. VILLAS, A. Disponível em: www.cartacapital.com. br. Acesso em: 18 jun. 2014 (adaptado). Considerando os elementos constitutivos dos gêneros textuais circulantes na sociedade, nesse fragmento de resenha predominam a) caracterizações de personalidades do con- texto musical brasileiro dos anos 1960. b) questões polêmicas direcionadas à produção musical brasileira nos anos 1960. c) relatos de experiências de artistas sobre os festivais de música de 1967. d) explicações sobre o quadro cultural do Brasil durante a década de 1960. e) opiniões a respeito de uma obra sobre a cena musical de 1967. 87 15. (Enem) TEXTO I Frevo: Dança de rua e de salão, é a grande alucinação do Carnaval pernambucano. Tra- ta-se de uma marcha de ritmo frenético, que é a sua característica principal. E a multidão ondulando, nos meneios da dança, fica a fer- ver. E foi dessa ideia de fervura (o povo pro- nuncia frevura, frever) que se criou o nome frevo. CASCUDO, L. C. Dicionário do folclore brasileiro. São Paulo: Global, 2001 (adaptado). TEXTO II Frevo é Patrimônio Imaterial da Humanida- de O frevo, ritmo genuinamente pernambuca- no, agora é do mundo. A música que hipno- tiza milhões de foliões e dá o tom do Carna- val no estado foi oficialmente reconhecida como Patrimônio material da Humanidade. O anúncio foi feito em Paris, nesta quarta- -feira, durante cerimônia da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciên- cia e a Cultura (Unesco). Disponível em: www.diariodepernambuco. com.br. Acesso em: 14 jun. 2015. Apesar de abordarem o mesmo tema, os tex- tos I e II diferenciam-se por pertencerem a gêneros que cumprem, respectivamente, a função social de a) resumir e avaliar. b) analisar e reportar. c) definir e informar d) comentar e explanar. e) discutir e conscientizar. GAbARito 1. C 2. E 3. E 4. B 5. C 6. D 7. E 8. A 9. A 10. A 11. B 12. B 13. D 14. E 15. C 89 (Enem) A trajetória de Liesel Meminger é contada por uma narradora mórbida, surpreenden- temente simpática. Ao perceber que a pequena ladra de livros lhe escapa, a Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943. Traços de uma sobrevivente: a mãe comunista, perseguida pelo nazismo, envia Liesel e o irmão para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde um casal se dispõe a adotá-los por dinheiro. O garoto morre no trajeto e é enterrado por um coveiro que deixa cair um livro na neve. É o primeiro de uma série que a menina vai surrupiar ao longo dos anos. O único vínculo com a família é esta obra, que ela ainda não sabe ler. A vida ao redor é a pseudorrealidade criada em torno do culto a Hitler na Segunda Guerra. Ela assiste à eufórica celebração do aniversário do Führer pela vizinhança. A Morte, perplexa diante da violência humana, dá um tom leve e divertido à narrativa deste duro confronto entre a infância perdida e a crueldade do mundo adulto, um sucesso absoluto – e raro – de crítica e público. Disponível em: www.odevoradordelivros.com. Acesso em: 24 jun. 2014. Os gêneros textuais podem ser caracterizados, dentre outros fatores, por seus objetivos. Esse frag- mento é um(a) a) reportagem, pois busca convencer o interlocutor da tese defendida ao longo do texto. b) resumo, pois promove o contato rápido do leitor com uma informação desconhecida. c) sinopse, pois sintetiza as informações relevantes de uma obra de modo impessoal. d) instrução, pois ensina algo por meio de explicações sobre uma obra específica. e) resenha, pois apresenta uma produção intelectual de forma crítica. AplicAção dos conhecimentos - sAlA MODELO 1 Tema: Gêneros textuais Construção da habilidade: O reconhecimento de gêneros textuais, gesto muito frequente nas provas do ENEM, será trabalhado neste exercício. Vale lembrar, portanto, que, todo texto apresenta características pontuais que o vinculam a um determinado "tipo textual" Competência: 7 Habilidade: 21 AULA 2 90 (Enem) Pela evolução do texto, no que se refere à linguagem empregada, percebe-se que a garota a) deseja afirmar-se como nora por meio de uma fala poética b) utiliza expressões linguísticas próprias do discurso infantil. c) usa apenas expressões linguísticas presentes no discurso formal. d) se expressa utilizando marcas do discurso formal e do informal. e) usa palavras com sentido pejorativo para assustar o interlocutor. MODELO 2 Tema: Quadrinhos e interpretção de texto Construção da habilidade: O exercício trabalha a partir da ideia de que as competências lin- guísticas do falante envolvem conseguir reconhecer marcas linguísticas que determinam usos que pertencentes ao campo formal versus os que pertencem ao campo informal Competência: 8 Habilidade: 25 91 (Enem) TEXTO I TEXTO II Imaginemos um cidadão, residente na periferia de um grande centro urbano, que diariamente acorda às 5h para trabalhar, enfrenta em média 2 horas de transporte público, em geral lotado, para chegar às 8h ao trabalho. Termina o expediente às 17h e chega em casa às 19h para, aí sim, cuidar dos afazeres domésticos, dos filhos etc. Como dizer a essa pessoa que ela deve praticar exercícios, pois é importante para sua saúde? Como ela irá entender a mensagem da importância do exercíciofísico? A probabilidade de essa pessoa praticar exercícios regularmente é significa- tivamente menor que a de pessoas da classe média/alta que vivem outra realidade. Nesse caso, a abordagem individual do problema tende a fazer com que a pessoa se sinta impotente em não conseguir praticar exercícios e, consequentemente, culpada pelo fato de ser ou estar sedentária. FERREIRA, M. S. Aptidão física e saúde na educação física escolar: ampliando o enfoque. RBCE, n. 2, jan. 2001 (adaptado). O segundo texto, que propõe uma reflexão sobre o primeiro acerca do impacto de mudanças no estilo de vida na saúde, apresenta uma visão a) medicalizada, que relaciona a prática de exercícios físicos por qualquer indivíduo à promoção da saúde. b) ampliada, que considera aspectos sociais intervenientes na prática de exercícios no cotidiano. c) crítica, que associa a interferência das tarefas da casa ao sedentarismo do indivíduo. d) focalizada, que atribui ao indivíduo a responsabilidade pela prevenção de doenças. e) geracional, que preconiza a representação do culto à jovialidade. Tema: Gêneros textuais Construção da habilidade: O exercício trabalha a partir da ideia de que as competências linguísticas do falante envolvem conseguir vincular informações existentes entre dois tipos de texto, percebendo neles alguma definição de ideia geral AL. Competência: 7 Habilidade: 21 MODELO 3 92 Tema: Gêneros textuais Construção da habilidade: O exercício trabalha a partir da ideia de que as competências linguísticas do falante envolvem conseguir reconhecer marcas linguísticas que determinam usos que pertencentes ao campo formal versus o que pertencem ao campo informal Competência: 7 Habilidade: 21 MODELO 4 (Enem) A utilização de determinadas variedades linguísticas em campanhas educativas tem a função de atingir o público-alvo de forma mais direta e eficaz. No caso desse texto, identifica-se essa estra- tégia pelo(a) a) discurso formal da língua portuguesa. b) registro padrão próprio da língua escrita. c) seleção lexical restrita à esfera da medicina. d) fidelidade ao jargão da linguagem publicitária. e) uso de marcas linguísticas típicas da oralidade. 93 RAio X - Análise eXpositivA 1. O texto apresenta uma breve apreciação e descrição de uma obra literária com o objetivo de apre- sentá-la de forma sintetizada, apontando, guiando e convidando o leitor a conhecer o livro na integra. Assim, é correta a opção [E] que define o fragmento como uma resenha por apresentar uma produção intelectual de forma crítica. . 2. A formalidade do discurso da garota é interrompida no último quadro, quando usa a expressão “vai ter de tomar jeito”, típica da linguagem informal, para insinuar que, quando casar com Hamlet, Hagar deve melhorar o seu comportamento. 3. A descrição da rotina comum às camadas da população que são sujeitas a sobrecarga laboral diária, dificuldades de locomoção entre local de trabalho e residência e execução de tarefas domésticas revela que a probabilidade de essa parcela praticar exercícios regularmente é quase impossível. Ou seja, o texto apresenta uma visão ampliada, que considera aspectos sociais intervenientes na prática de exercícios no cotidiano, como se afirma em [B]. 4. É correta a opção [E], pois o uso de expressões como “está difícil largar” e “ir se acostumando” no anúncio revela que marcas linguísticas típicas da oralidade em campanhas educativas têm a função de atingir o público-alvo de forma mais direta e eficaz. GAbARito 1. E 2. D 3. B 4. E 94 pRáticA dos conhecimentos - e.o. 1. (Enem) Esse texto é uma propaganda veiculada nacionalmente. Esse gênero textual utiliza-se da persuasão com uma intencionalidade específica. O principal ob- jetive desse texto é a) comprovar que o avanço da dengue no país está relacionado ao fato de a população desconhecer os agentes causadores. b) convencer as pessoas a se mobilizarem, com o intuito de eliminar os agentes causadores da doença. c) demonstrar que a propaganda tem um caráter institucional e, por essa razão, não pretende vender produtos. d) informar à população que a dengue é uma doença que mata e que, por essa razão, deve ser combatida. e) sugerir que a sociedade combata a doença, observando os sintomas apresentados e procurando auxílio médico. 2. (Enem) E a sujeira virou arte Dia após dia, a poluição invisível dos canos de descarga vai grudando nos muros junto à fuligem de fogueiras acesas por moradores de rua, até que não seja mais possível distinguir o limpo original do sujo acumulado. É nesse momento que surge o artista visual Drin Cortes, 27. Com um pano úmido, um pincel e uma garrafa de água — e nada além —, ele tem transformado a paisagem da capital mineira ao usar a técnica do grafite reverso, que consiste em apagar a sujeira para criar desenhos que dialogam com a problemática da cidade. O trabalho [atual] consiste em desenhar rostos de pessoas Prescrição: Para resolver os exercícios dessa aula, será necessário instrumentalizar conhecimentos a respeito de linguagem coloquial (usos orais) e de linguagem prescritiva (usos relacionados à gramática normativa). Isso envolve saber diferenciar usos linguísticos espaciais (regionais), temporais (históricos), sociais e também situacionais. 95 desaparecidas, que tenham em sua história alguma relação com as drogas. “Esse lugar respira o problema da droga. O usuário de crack muitas vezes é tratado de forma hostil. Essa é uma forma de as pessoas passarem por aqui e olharem duas vezes para aquilo que a sujeira esconde. E que, na verdade, elas não veem porque não querem”, diz. SIMÕES, L. Disponível em: www.otempo.com.br. Acesso em: 3 fev. 2015 (adaptado). A arte pode representar padrões de beleza ou ter o propósito de questioná-los, permitindo que a sociedade reveja valores e preconcei- tos. O artista Drin Cortes utiliza da técnica do grafite reverso com o objetivo de a) ressaltar o descaso do poder público com a limpeza. b) evidenciar a humanidade dos usuários de drogas. c) apresentar a estética da paisagem urbana. d) destacar a poética dos espaços públicos. e) debater o perigo da poluição. 3. (Enem) Chamou-me o bragantino e levou- -me pelos corredores e pátios até ao hospício propriamente. Aí é que percebi que ficava e onde, na seção, na de indigentes, aquela em que a imagem do que a Desgraça pode so- bre a vida dos homens é mais formidável. O mobiliário, o vestuário das camas, as camas, tudo é de uma pobreza sem par. Sem fazer monopólio, os loucos são da proveniência mais diversa, originando-se em geral das camadas mais pobres da nossa gente pobre. São de imigrantes italianos, portugueses e outros mais exóticos, são os negros roceiros, que teimam em dormir pelos desvãos das ja- nelas sobre uma esteira esmolambada e uma manta sórdida; são copeiros, cocheiros, mo- ços de cavalariça, trabalhadores braçais. No meio disto, muitos com educação, mas que a falta de recursos e proteção atira naquela geena social. BARRETO, L. Diário do hospício e O cemitério dos vivos. São Paulo: Cosac & Naify, 2010. No relato de sua experiência no sanatório onde foi interno, Lima Barreto expõe uma realidade social e humana marcada pela ex- clusão. Em seu testemunho, essa reclusão demarca uma a) medida necessária de intervenção terapêuti- ca. b) forma de punição indireta aos hábitos desre- grados. c) compensação para as desgraças dos indiví- duos. d) oportunidade de ressocialização em um novo ambiente. e) conveniência da invisibilidade a grupos vul- neráveis e periféricos. 4. (Enem) O valor das coisas Você deve ter notado que a revista custa R$ 13. Não é pouco, eu sei. É mais que boa par- te das revistas — e olha que muitas delas têm papel mais grosso, mais brilhante, uma atitude mais arrogante, mais de quem sabe de tudo. Se você desembolsou R$ 13 para ler estas linhas, é porque, de algumamaneira, você enxergou valor aqui neste trabalho que nós fazemos. Temos muito orgulho disso, e muita consciência da responsabilidade que isso implica. Esta edição fala muito deste assunto: o va- lor das coisas. Ficar antenados nas ideias transformadoras que estão mudando a lógi- ca de tudo é nossa obrigação aqui na revis- ta. Acreditamos que, assim, entregaremos a você uma publicação que ajude a entender as coisas e a tomar as decisões certas para viver bem. É esse o meu compromisso com você. Prometo que vamos trabalhar duro todos os dias para que a revista valha cada centavo que você gasta conosco. Grande abraço, Diretor de Redação. BURGIERMAN, D. R. Superinteressante, ed. 317, abr. 2013 (adaptado). As cartas ao leitor, publicadas em revistas, valem-se de diversas estratégias argumenta- tivas, por meio das quais se busca construir uma relação de cumplicidade entre revista e público-alvo e promover a adesão do leitor à publicação. Nessa carta, constrói-se uma imagem de revista que a) busca o menor preço para garantir economia ao leitor. b) respeita o leitor e tem consciência de sua responsabilidade em fazer um trabalho de qualidade. c) assume diante do leitor sua diferença em re- lação a outras revistas que estão no merca- do. d) privilegia ideias transformadoras que estão mudando a lógica de tudo no mundo. e) justifica seu investimento porque precisa me- lhorar seu padrão gráfico. 5. (Enem) Inspiração no lixo O paulistano Jaime Prades, um dos precur- sores do grafite e da arte urbana, chegou ao lixo por sua intensa relação com as ruas de São Paulo. “A partir da década de 1980, pas- sei a perceber o desastre que é a ecologia urbana. Quando a gente fala em questão am- biental, sempre se refere à natureza, mas a crise ambiental urbana é forte”, diz Prades. Inspirado pela obra de Frans Krajcberg, há quatro anos Jaime Pradez decidiu construir 96 uma árvore gigante no Parque do Ibirapuera ou em outro local público, feita com sobras de madeira garimpadas em caçambas. “Elas são como os intestinos da cidade, são vís- ceras expostas”, conta Prades. “Percebi que cada pedaço de madeira carregava a memó- ria da árvore de onde ela veio. Percebi que não estava só reciclando, e sim resgatando”. Sua árvore gigante ainda não vingou, mas a ideia evoluiu. Agora, ele pretende criar uma plataforma na internet para estimular outros artistas a fazer o mesmo. “Teríamos uma floresta virtual planetária, na qual se colocariam essas questões de forma poética, criando uma discussão enriquecedora.” VIEIRA, A. National Geographic Brasil, n. 65-A, 2015. O texto tematiza algumas transformações das funções da arte na atualidade. No tra- balho citado, do artista Jaime Prades, con- sidera-se a a) reflexão sobre a responsabilidade ambiental homem. b) valorização da poética em detrimento do conteúdo. c) preocupação com o belo encontrado na na- tureza. d) percepção da obra como suporte da memó- ria. e) reutilização do lixo como forma de consumo. 6. (Enem) Ser pai faz bem para a pressão! Uma pesquisa feita pela Brigham Young Uni- versity, nos EUA, indica que a paternidade pode ajudar a manter a pressão arterial bai- xa. Os dados foram medidos em 198 adul- tos, monitorados por aparelhos anexados ao braço, em intervalos aleatórios, durante 24 horas. Comparada às do grupo de adultos sem filhos, a média dos pais foi inferior em 4,5 pontos para a pressão arterial diastólica. Julianne Holt-Lunstad, autora do estudo, diz que outros fatores (como atividades físicas) também colaboram para reduzir esses níveis e que o objetivo da pesquisa é comprovar como fatores sociais colaboram para a saú- de do corpo. “Isso não significa que quan- to mais crianças você tiver, melhor será sua pressão sanguínea. Os resultados estão co- nectados a essa relação de parentesco, mas sem considerar o número de sucessores ou situação profissional”, pondera Julianne. ALVES, I. Vivasaúde, n. 83, s.d. O texto apresenta resultados de uma pesqui- sa científica, objetivando a) informar o leitor leigo a respeito dos resul- tados obtidos, com base em dados monitora- dos. b) sensibilizar o leitor acadêmico a respeito da paternidade, com apoio nos comentários da pesquisadora. c) persuadir o leitor especializado a se benefi- ciar do exercício da paternidade, com base nos dados comparados. d) dar ciência ao leitor especializado da valida- de da investigação, com base na reputação da instituição promotora. e) instruir o leitor leigo a respeito da validade relativa da investigação, com base nas de- clarações da pesquisadora.t 7. (Enem) Boa parte dos usuários da internet — em especial aqueles que têm perfis em redes sociais – já receberam alguma notícia por meio dessas ferramentas antes mesmo da publicação nos grandes portais, rádio ou televisão. Na maioria das vezes, uma pessoa que presenciou o fato descreve o que acon- teceu e o assunto se espalha pela rede. Essa é uma rotina cada vez mais comum à me- dida que aumenta o acesso à internet e às mídias sociais, além da mudança de perfil dos blogs, que já estão na rede há mais de 10 anos. Os pesquisadores atualmente debatem a relevância dos conteúdos colaborativos nos meios de comunicação, como discernir notí- cias reais de spam (lixo eletrônico) e como essa forma de publicar notícias pode melho- rar os jornais e demais mídias. Todo cidadão pode ser um produtor de notícias, e lidar com esse cenário em que as notícias vêm de todos os falos é um desafio. SANTANA, A. E. Disponível em: www.ebc.com.br. Acesso em: 18 maio 2013 (adaptado). Ao valorizar a descentralização da produção de informações, o texto explicita que o prin- cipal impacto das comunidades virtuais na comunicação contemporânea é o(a) a) crescimento do número de leitores. b) agilidade na veiculação de notícias. c) aproximação entre leitores e editores. d) possibilidade da visão correta do fato. e) aumento da qualidade das publicações. 8. (Enem) Doutor dos sentimentos Veja quem é e o que pensa o português An- tónio Damásio, um dos maiores nomes da neurociência atual, sempre em busca de des- vendar os mistérios do cérebro, das emoções e da consciência Ele é baixo, usa óculos, tem cabelos brancos penteados para trás e costuma vestir terno e gravata. A surpresa vem quando começa a fa- lar. António Damásio não confirma em nada o clichê que se tem de cientista. Preocupado em ser o mais didático possível, tenta, pa- cientemente, com certa graça e até ironia, sempre que cabível, traduzir para os leigos estudos complexos sobre o cérebro. Portu- guês, Damásio é um dos principais expoen- tes da neurociência atual. 97 Diferentemente de outros neurocientistas, que acham que apenas a ciência tem res- postas à compreensão da mente, Damásio considera que muitas ideias não provêm ne- cessariamente daí. Para ele, um substrato im- prescindível para entender a mente, a consci- ência, os sentimentos e as emoções advém da vida intuitiva, artística e intelectual. Fora dos meios científicos, o nome de Damásio come- çou a ser celebrado na década de 1990, quan- do lançou seu primeiro livro, uma obra que fala de emoção, razão e do cérebro humano. TREFAUT, M. P. Disponível em: http://revistaplaneta.terra.com.br. Acesso em: 2 set. 2014 (adaptado). Na organização do texto, a sequência que atende à função sociocomunicativa de apre- sentar objetivamente o cientista António Damásio é a a) descritiva, pois delineia um perfil do profes- sor. b) injuntiva, pois faz um convite à leitura de sua obra. c) argumentativa, pois defende o seu comporta- mento incomum. d) narrativa, pois são contados fatos relevantes ocorridos em sua vida. e) expositiva, pois traz as impressões da autora a respeito de seu trabalho. 9. Nesse cartaz publicitário de uma empresa de papel e celulose, a combinação dos elemen- tos verbais e não verbais visa a) justificar os prejuízos ao meioambiente, ao vincular a empresa à difusão da cultura. b) incentivar a leitura de obras literárias, ao re- ferir-se a títulos consagrados do acervo mun- dial. c) seduzir o consumidor, ao relacionar o anun- ciante às histórias clássicas da literatura uni- versal. d) promover uma reflexão sobre a preservação ambiental ao aliar o desmatamento aos clás- sicos da literatura. e) construir uma imagem positiva do anuncian- te, ao associar a exploração alegadamente sustentável à produção de livros. 10. (Enem) TEXTO I Terezinha de Jesus De uma queda foi ao chão Acudiu três cavalheiros Todos os três de chapéu na mão O primeiro foi seu pai O segundo, seu irmão O terceiro foi aquele A quem Tereza deu a mão BATISTA, M. F. B. M.; SANTOS, I. M. F. (Org.). Cancioneiro da Paraíba. João Pessoa: Grafset, 1993 (adaptado). TEXTO II Outra interpretação é feita e partir das con- dições sociais daquele tempo. Para a ama e para a criança para quem cantava a cantiga, e música falava do casamento como um des- tino natural na vida da mulher, na sociedade brasileira do século XIX, marcada pelo pa- triarcalismo. A música prepara a moça para o seu destino não apenas inexorável, mas desejável; o casamento, estabelecendo uma hierarquia de obediência (pai, irmão mais velho, marido), de acordo com a época e cir- cunstâncias de sua vida. Disponível em: http://provsjose.blogspot. com.br. Acesso em: 5 dez. 2012. O comentário do Texto II sobre o Texto I evo- ca a mobilização da língua oral que, em de- terminados contextos, a) assegura existência de pensamentos contrá- rios à ordem vigente. b) mantém a heterogeneidade das formas de re- lações sociais. c) conserva a influência sobre certas culturas. d) preserva a diversidade cultural e comporta- mental. e) reforça comportamentos e padrões culturais. 11. (Enem) TEXTO I TEXTO II Speto Paulo César Silva, mais conhecido como Spe- to, é um grafiteiro paulista envolvido com o skate e a música. O fortalecimento de sua 98 arte ocorreu, em 1999, pela oportunidade de ver de perto as referências que trazia há tempos, ao passar por diversas cidades do Norte do Brasil em uma turnê com a banda O Rappa. Revista Zupi, n. 19, 2010. O grafite do artista paulista Speto, exposto no Museu Afro Brasil, revela elementos da cultura brasileira reconhecidos a) na influência da expressão abstrata. b) na representação de lendas nacionais. c) na inspiração das composições musicais. d) nos traços marcados pela xilogravura nor- destina. e) nos usos característicos de grafismos dos skates. 12. (Enem) É viajando pelo mundo que os dois profissionais do Living Tongues lnstitute for Endangered Languages reúnem subsí- dios para formar os chamados “dicionários falantes” de idiomas em fase de extinção, com poucos falantes no planeta. “A maioria das línguas do mundo é oral, o que significa que não estão escritas ou seus falantes não costumam escrevê-las. E, apesar de os proje- tos tradicionais dos linguistas serem os de escrever gramáticas e dicionários, gostamos de pensar em línguas vivas, e saber que as pessoas as estão falando. Então, se você vai a um dicionário, deve ser capaz de ouvi-lo. Foi com isso em mente que criamos os dicio- nários para oito de algumas das línguas mais ameaçadas do mundo”, disse o linguista K. David Harrison. Para os ativistas de cada co- munidade com idioma ameaçado, esse dicio- nário é uma ferramenta que pode ser usada para disseminar o conhecimento da língua entre os mais jovens. Para todas as outras pessoas interessadas, é a oportunidade de encontrar sons e formas de discursos huma- nos desconhecidos para grande parte da po- pulação do globo. É a diversidade linguística escondida e que agora pode ser revelada. Disponível em: http://revistalingua.uol.com. br. Acesso em: 28 jul. 2012 (adaptado). Considerando o projeto dos “dicionários fa- lantes”, compreende-se que o trabalho dos linguistas apresentado no texto objetiva a) destacar a importância desse tipo de iniciati- va para a reconstituição de línguas extintas. b) ratificar a tradição oral como instrumento de preservação das línguas no mundo. c) demonstrar a existência de registros linguís- ticos sob risco de desaparecer. d) preservar a memória cultural de um povo por meio de registros escritos. e) estimular projetos voltados para a escrita de gramáticas e dicionários. 13. (Enem) O hoax, como é chamado qualquer boato ou farsa na internet, pode espalhar vírus entre os seus contatos. Falsos sorteios de celulares ou frases que Clarice Lispector nunca disse são exemplos de hoax. Trata- -se de boatos recebidos por e-mail ou com- partilhados em redes sociais. Em geral, são mensagens dramáticas ou alarmantes que acompanham imagens chocantes, falam de crianças doentes ou avisam sobre falsos ví- rus. O objetivo de quem cria esse tipo de mensagem pode ser apenas se divertir com a brincadeira (de mau gosto), prejudicar a imagem de uma empresa ou espalhar uma ideologia política. Se o hoax for do tipo phishing (derivado de fishing, pescaria, em inglês) o problema pode ser mais grave: o usuário que clicar pode ter seus dados pessoais ou bancários roubados por golpistas. Por isso é tão im- portante ficar atento. VIMERCATE, N. Disponível em: www.techtudo.com.br. Acesso em: 1 maio 2013 (adaptado). Ao discorrer sobre os hoaxes, o texto suge- re ao leitor, como estratégia para evitar essa ameaça, a) recusar convites de jogos e brincadeiras fei- tos pela internet. b) analisar a linguagem utilizada nas mensa- gens recebidas. c) classificar os contatos presentes em suas re- des sociais. d) utilizar programas que identifiquem falsos vírus. e) desprezar mensagens que causem comoção 14. (Enem) Rompendo com as paredes retas e com a geo- metrização clássica acadêmica, os arquitetos modernistas desenvolveram seus projetos graças também a um momento de industria- lização e modernização do Brasil. Observan- do a imagem apresentada, analisa-se que a) Niemeyer projetou os edifícios de Brasília com a intenção de impor a arquitetura sobre a natureza, seguindo os princípios da arqui- tetura moderna. b) o Palácio da Alvorada, em Brasília, na posi- ção horizontal, permite fazer uma integração do edifício com a paisagem do cerrado e o horizonte, um conceito de vanguarda para a arquitetura da época. 99 c) Niemeyer projetou o Palácio da Alvorada com colunas de linhas quebradas e rígidas, com o propósito de unir as tendências recentes da arquitetura moderna, criando um novo estilo. d) os prédios de Brasília são elevados e susten- tados por colunas, deixando um espaço livre sob o edifício, com o objetivo de separar o ambiente externo do interno, trazendo mais harmonia à obra. e) Niemeyer projetou os edifícios de Brasília com espaços amplos, colunas curvas, janelas largas e grades de proteção, separando os jar- dins e praças da área útil do prédio. 15. (Enem) Distantes uma da outra quase 100 anos, as duas telas seguintes, que integram o patrimônio cultural brasileiro, valorizam a cena da primeira missa no Brasil, relatada na carta de Pero Vaz de Caminha. Enquanto a primeira retrata fielmente a carta, a se- gunda — ao excluir a natureza e os índios — critica a narrativa do escrivão da frota de Cabral. Além disso, na segunda, não se vê a cruz fincada no altar. Ao comparar os quadros e levando-se em con- sideração a explicação dada, observa-se que a) a influência da religião católica na catequiza- ção do povo nativo é objeto das duas telas. b) a ausência dos índios na segunda tela signi- fica que Portinari quis enaltecer o feito dos portugueses. c) ambas, apesar de diferentes, retratam um mesmo momento e apresentam uma mesma visão do fato histórico. d) a segunda tela, ao diminuir o destaque da cruz, nega a importância da religião no pro- cesso dos descobrimentos. e) a tela de Victor Meirelles contribuiupara uma visão romantizada dos primeiros dias dos portugueses no Brasil. GAbARito 1. D 2. C 3. E 4. B 5. A 6. A 7. B 8. A 9. E 10. E 11. D 12. B 13. B 14. B 15. E Literatura L C ENTRE LETRAS L C RPA ENEM Competência 1 – Aplicar as tecnologias da comunicação e da informação na escola, no trabalho e em outros contextos relevantes para sua vida. H1 Identificar as diferentes linguagens e seus recursos expressivos como elementos de caracterização dos sistemas de comunicação. H2 Recorrer aos conhecimentos sobre as linguagens dos sistemas de comunicação e informação para resolver problemas sociais. H3 Relacionar informações geradas nos sistemas de comunicação e informação, considerando a função social desses sistemas. H4 Reconhecer posições críticas aos usos sociais que são feitos das linguagens e dos sistemas de comunicação e informação. Competência 2 – Conhecer e usar língua(s) estrangeira(s) moderna(s) (LEM) como instrumento de acesso a informações e a outras culturas e grupos sociais. H5 Associar vocábulos e expressões de um texto em LEM ao seu tema. H6 Utilizar os conhecimentos da LEM e de seus mecanismos como meio de ampliar as possibilidades de acesso a informações, tecnologias e culturas. H7 Relacionar um texto em LEM, as estruturas linguísticas, sua função e seu uso social. H8 Reconhecer a importância da produção cultural em LEM como representação da diversidade cultural e linguística. Competência 3 – Compreender e usar a linguagem corporal como relevante para a própria vida, integradora social e formadora da identidade. H9 Reconhecer as manifestações corporais de movimento como originárias de necessidades cotidianas de um grupo social. H10 Reconhecer a necessidade de transformação de hábitos corporais em função das necessidades cinestésicas. H11 Reconhecer a linguagem corporal como meio de interação social, considerando os limites de desempenho e as alternativas de adaptação para diferentes indivíduos. Competência 4 – Compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organização do mundo e da própria identidade. H12 Reconhecer diferentes funções da arte, do trabalho da produção dos artistas em seus meios culturais. H13 Analisar as diversas produções artísticas como meio de explicar diferentes culturas, padrões de beleza e preconceitos. H14 Reconhecer o valor da diversidade artística e das inter-relações de elementos que se apresentam nas manifestações de vários grupos sociais e étnicos. Competência 5 – Analisar, interpretar e aplicar recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante a natureza, função, organização, estrutura das manifestações, de acordo com as condições de produção e recepção. H15 Estabelecer relações entre o texto literário e o momento de sua produção, situando aspectos do contexto histórico, social e político. H16 Relacionar informações sobre concepções artísticas e procedimentos de construção do texto literário. H17 Reconhecer a presença de valores sociais e humanos atualizáveis e permanentes no patrimônio literário nacional. Competência 6 – Compreender e usar os sistemas simbólicos das diferentes linguagens como meios de organização cognitiva da realidade pela constituição de significados, expressão, comunicação e informação. H18 Identificar os elementos que concorrem para a progressão temática e para a organização e estruturação de textos de diferentes gêneros e tipos. H19 Analisar a função da linguagem predominante nos textos em situações específicas de interlocução. H20 Reconhecer a importância do patrimônio linguístico para a preservação da memória e da identidade nacional Competência 7 – Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suas manifestações específicas. H21 Reconhecer em textos de diferentes gêneros, recursos verbais e não-verbais utilizados com a finalidade de criar e mudar comportamentos e hábitos. H22 Relacionar, em diferentes textos, opiniões, temas, assuntos e recursos linguísticos. H23 Inferir em um texto quais são os objetivos de seu produtor e quem é seu público alvo, pela análise dos procedimentos argumentativos utilizados. H24 Reconhecer no texto estratégias argumentativas empregadas para o convencimento do público, tais como a intimidação, sedução, comoção, chantagem, entre outras. Competência 8 – Compreender e usar a língua portuguesa como língua materna, geradora de significação e integradora da organização do mundo e da própria identidade. H25 Identificar, em textos de diferentes gêneros, as marcas linguísticas que singularizam as variedades linguísticas sociais, regionais e de registro. H26 Relacionar as variedades linguísticas a situações específicas de uso social. H27 Reconhecer os usos da norma padrão da língua portuguesa nas diferentes situações de comunicação. Competência 9 – Entender os princípios, a natureza, a função e o impacto das tecnologias da comunicação e da informação na sua vida pessoal e social, no desenvolvimento do conhecimento, associando-o aos conhecimentos científicos, às linguagens que lhes dão suporte, às demais tecnologias, aos processos de produção e aos problemas que se propõem solucionar. H28 Reconhecer a função e o impacto social das diferentes tecnologias da comunicação e informação. H29 Identificar pela análise de suas linguagens, as tecnologias da comunicação e informação. H30 Relacionar as tecnologias de comunicação e informação ao desenvolvimento das sociedades e ao conhecimento que elas produzem 103 POUSSIN, Nicolas. Triomphe de Netune. 1634. Disponível em: https://www.wikiart.org/pt/nicolas-poussin/triumph-of-neptune-1634 A obra de Poussin possui elementos do movimento classicista, pois a) valoriza elementos ligados à imaginação, criação e irrealidade. b) contempla a beleza das formas, o antropocentrismo e o rigor estético antigo. c) analisa o comportamento humano e social com objetividade. d) retrata as relações interpessoais com subjetividade. e) difunde ideais individualistas ligados a fundamentos materialistas. AplicAção dos conhecimentos - sAlA MODELO 1 Tema: Classicismo Construção da habilidade: Dentro da competência da área 4 do Enem, será exigida a capacidade de compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organi- zação do mundo e da própria identidade, com base na escola literária do Classicismo. . Competência: 4 Habilidade: 12 SEMANA 1 104 A obra de Caspar David Friedrich faz parte da escola literária romântica. Nesse sentido, pode-se afirmar que a obra a) estabelece uma ruptura com a pintura neoclássica, com ênfase nos sentimentos do artista e a valori- zação da natureza. b) cria uma continuidade no movimento das obras clássicas com rigor estético. c) valoriza os itens subjetivos da arte moderna para desenvolver a sua ideia principal. d) difunde novos pensamentos após o neoclassicismo e exalta o cientificismo. e) contempla a valorização do humanismo, utilizando a figura do ser humano como foco principal do movimento. MODELO 2 Tema: Romantismo Construção da habilidade: Dentro da competência da área 4 do Enem, será exigida a capacidade de compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organi- zação do mundo e da própria identidade, com base na escola literária romântica. Competência: 4 Habilidade: 12 105 Canção do exílio Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá. Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores. (...) (...) Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu’inda aviste as palmeiras, Onde canta o Sabiá. Gonçalves Dias, 1843. Disponível em: https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/literatura/primeira-geracao-romantismo-brasileiro.htm (ADAPTADO).O poema constitui a primeira fase romântica da literatura brasileira. Essa obra demonstra as se- guintes características da época: a) a valorização do pensamento clássico ao pensar na própria terra como algo singular. b) o sofrimento por não estar no seu lugar de origem, delimitando um sofrimento exacerbado. c) a utilização de uma linguagem rebuscada, desempenhando as qualidades de lugar descrito pelo poeta. d) a contemplação de ideias geográficas sobre a ideia principal do poema pelo autor. e) a exaltação da natureza e do nacionalismo, valorizando a liberdade e a pátria Tema: Indianismo Construção da habilidade: Dentro da competência da área 4 do Enem, será exigida a capaci- dade de compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organização do mundo e da própria identidade, com base na escola literária romântica em sua face indianista. MODELO 3 Competência: 5 Habilidade: 15 106 Longe do meu lado A paixão já passou em minha vida Foi até bom mas ao final deu tudo errado E agora carrego em mim Uma dor triste, um coração cicatrizado E olha que tentei o meu caminho Mas tudo agora é coisa do passado Quero respeito e sempre ter alguém Que me entenda e sempre fique ao meu lado Mas não, não quero estar apaixonado. A paixão quer sangue e corações arruinados E saudade é só mágoa por ter sido Feito tanto estrago E essa escravidão e essa dor Não quero mais Quando acreditei que tudo era um fato consumado Veio a foice e jogou-te longe Longe do meu lado Legião Urbana. A tempestade ou o livro dos dias. Disponível em: https://www.vagalume.com.br/legiao-urbana/longe-do-meu-lado.html A canção da banda Legião Urbana representa características da estética da chamada geração ultrar- romântica na literatura brasileira. Entre essas marcas, destaca-se a a) realização de estrofes com rimas marcadas no decorrer da canção. b) estabelecimento de ideias semelhantes ao movimento neoclássico da Literatura. c) valorização do egocentrismo, pessimismo e sentimentalismo, demonstrando descrença do amor e a tristeza. d) contemplação de ideias sobre o amor de forma objetiva e idealizada de si próprio. e) determinação de ideais subjetivos voltados para a felicidade expressa no amor. Tema: Ultrarromantismo Construção da habilidade: Dentro da competência da área 4 do Enem, será exigida a capaci- dade de compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organização do mundo e da própria identidade, com base na escola literária romântica em sua face MODELO 4 Competência: 5 Habilidade: 16 107 Não consultes dicionários. Casmurro não está aqui no sentido que eles lhe dão, mas no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para atribuir-me fumos de fidalgo. Tudo por estar cochilando! Também não achei melhor título para a minha narração — se não tiver outro daqui até ao fim do livro, vai este mesmo. O meu poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua. Há livros que apenas terão isso dos seus autores; alguns nem tanto. ASSIS, Machado de. Dom Casmurro. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ua000194.pdf O fragmento do primeiro capítulo da obra de Machado de Assis configura algumas das principais características do movimento realista, como a) a valorização da objetividade em oposição ao movimento romântico e a presença da ironia. b) a necessidade de se expressar de forma subjetiva para que o leitor consiga tirar as suas próprias con- clusões. c) o aprimoramento das práticas românticas, como o pessimismo e a exacerbação do tédio. d) o desenvolvimento de ideais voltados para o neoclassicismo, como o rigor estético e a preocupação com as formas. e) o processo de ruptura com as escolas literárias precedentes e a valorização do subjetivismo. MODELO 5 Tema: Realismo Construção da habilidade: Dentro da competência da área 4 do Enem, será exigida a capacidade de compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organi- zação do mundo e da própria identidade, com base na escola literária realista. Competência: 5 Habilidade: 15 108 “Mais rápida que a corça selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde cam- peava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.” “Diante dela e todo a contemplá-la está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da floresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar; nos olhos o azul triste das águas profundas. Ignotas armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo.” ALENCAR, José de. Iracema. 1865. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/iracema/ No fragmento da prosa romântica de José de Alencar, parte de uma trilogia, o autor narra o mo- mento em que a indígena se encontra com o colonizador. A reação da personagem define a) o espanto pelo fato de nunca ter visto a imagem de um homem europeu anteriormente. b) a idealização da mulher no movimento indianista pela descrição de suas características. c) a conformação de ver um homem que já havia visto anteriormente. d) a subjetividade expressa pelo romantismo, pois se define em detalhes a aparência do homem que avis- tou. e) o pensamento europeu desenvolvido da época, pois os indígenas já possuíam costume com tal cultura. Tema: Prosa romântica Construção da habilidade: Dentro da competência da área 4 do Enem, será exigida a capacidade de compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organi- zação do mundo e da própria identidade, com base na escola literária romântica. MODELO 6 Competência: 5 Habilidade: 15 109 “Daí a pouco, em volta das bicas era um zunzum crescente; uma aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas. Uns, após outros, lavavam a cara, incomodamente, debaixo do fio de água que escorria da altura de uns cinco palmos.” AZEVEDO, Aluisio. O Cortiço. 1890. Disponível em: http://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/Livros_eletronicos/cortico.pdf Aluisio Azevedo, importante nome do Naturalismo, aborda uma das características desse movi- mento no fragmento em questão, que é a) a idealização do ser humano como algo subjetivo, voltando os seus pensamentos para o entendimento romântico. b) a realização de falas ligadas ao objetivismo, com enfoque nos ideais neoclássicos. c) a evidenciação do zoomorfismo, a animalização das pessoas devido ao cientificismo exagerado desta corrente. d) a diferenciação entre homens e mulheres, valorizando a figura feminina demasiadamente. e) a antecipação de uma ruptura com os ideais cientificistas, demonstrando maior sentimentalismo. Tema: Naturalismo Construção da habilidade: Dentro da competência da área 4 do Enem, será exigida a capacidade de compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organi- zação do mundo e da própria identidade, com base na escola literária realista, em sua face naturalista. MODELO 7 Competência: 5 Habilidade: 15 110 MODELO 8 Observe o poema de Augusto dos Anjos: Saudade Hoje que a mágoa me apunhala o seio, E o coração me rasga atroz, imensa, Eu a bendigo da descrença, em meio, Porque eu hoje só vivo da descrença. À noute quando em funda soledade Minh’alma se recolhe tristemente, P’ra iluminar-me a alma descontente, Se acende o círio triste da Saudade. E assim afeito às mágoas e ao tormento, E à dor e ao sofrimento eterno afeito, Para dar vida à dor e ao sofrimento, Da saudade na campa enegrecida Guardo a lembrança que me sangra o peito, Mas que no entanto me alimenta a vida. Observando a rigidez da métrica, a melancolia e o ceticismo em relação ao amor, Augusto dos An- jos destacou-se no pré-modernismo. Todavia uma de suas características não está presente neste poema, que é: a) a exaltação ao sentimento nacionalista. b) o retorno de mecanismosbarrocos como as antíteses. c) a utilização de termos em grego ou latim. d) a precisão das assonâncias e aliterações. e) a utilização de termos médicos e científicos. Tema: Pré Modernismo Construção da habilidade: Dentro da competência da área 4 do Enem, do aluno será exigida a capacidade de compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organização do mundo e da própria identidade, com base no pré-modernismo. Competência: 4 Habilidade: 13 111 RAio X - Análise eXpositivA 1. O classicismo tem como algumas de suas principais características o rigor estético pela Antiguida- de Clássica, a valorização da beleza do corpo humano, que determina o antropocentrismo, e a busca pela perfeição. 2. A obra traz em questão o romantismo na arte, marcado pela ruptura dos padrões preestabelecidos pelo neoclassicismo, tendo como base temas como o nacionalismo, a angústia e a solidão. 3. O autor Gonçalves Dias é o principal representante da primeira geração romântica, marcada pela exaltação da natureza, das belezas do Brasil, isto é, um nacionalismo objetivo. Nesse contexto, cria-se uma poesia voltada para o índio e para a natureza brasileira, com linguagem simples e acessível a todos os públicos da época. 4. O Ultrarromantismo - ou geração byroniana – é marcada pelo forte egocentrismo, em que o poeta, assim como na música de Legião Urbana, demonstra pessimismo quanto ao amor, a desilusão e a tristeza, a constante idealização da mulher e o sentimento não alcançado. 5. Machado de Assis, o mais importante escritor realista, tem marcas específicas em suas obras, como a presença constante de ironia, objetividade ao tratar com o leitor e a narração em primeira pes- soa, mudanças significativas em oposição aos ideais românticos anteriores da época. 6. Iracema, em suas palavras, descreve a total estranheza pela figura do homem europeu colonizador. Dessa forma, é possível afirmar que a sua reação define total espanto, ao passo que esta expressa, pela descrição, a visão de algo até então desconhecido pela personagem. 7. Devido ao cientificismo exacerbado, o Naturalismo transformou o homem e a sociedade em objetos de experiências, isto é, os naturalistas, como o autor em questão, buscam analisar os seres huma- nos de modo totalmente científico, por esses fatores que ocorre a animalização das pessoas, sendo determinadas como “machos” e “fêmeas”, a título de exemplo no texto. 8. A característica de Augusto dos Anjos ausente no poema é a utilização de termos médicos e cien- tíficos. GAbARito 1. B 2. A 3. E 4. C 5. A 6. A 7. C 8. E 112 Prescrição: Para resolver os exercícios dessa aula, será necessário estabelecer relações entre um texto literário e o momento em que foi produzido; analisar os procedimentos de construção do texto literário, associando-os à forma como os artistas de determinadas geração concebem a arte; e refletir sobre como os valores sociais e humanos presentes na cultura do lugar em que vive são integrados ao patrimônio literário nacional. pRáticA dos conhecimentos - e.o. TEXTOS PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Texto I Ouvia: Que não podia odiar E nem temer Porque tu eras eu. E como seria Odiar a mim mesma E a mim mesma temer. HILST, H. Cantares. São Paulo: Globo, 2004 (fragmento). Texto II Transforma-se o amador na cousa amada Transforma-se o amador na cousa amada, por virtude do muito imaginar; não tenho, logo, mais que desejar, pois em mim tenho a parte desejada. Camões. Sonetos. Disponível em: http://www. jornaldepoesia.jor.br. Acesso em: 03 set. 2010 (fragmento). 1. Nesses fragmentos de poemas de Hilda Hilst e de Camões, a temática comum é: a) o “outro” transformado no próprio eu lírico, o que se realiza por meio de uma espécie de fusão de dois seres em um só. b) a fusão do “outro” com o eu lírico, havendo, nos versos de Hilda Hilst, a afirmação do eu lírico de que odeia a si mesmo. c) o “outro” que se confunde com o eu líri- co, verificando-se, porém, nos versos de Ca- mões, certa resistência do ser amado. d) a dissociação entre o “outro” e o eu lírico, porque o ódio ou o amor se produzem no imaginário, sem a realização concreta. e) o “outro” que se associa ao eu lírico, sendo tratados, nos Textos I e II, respectivamente, o ódio o amor. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO “Ele era o inimigo do rei”, nas palavras de seu biógrafo, Lira Neto. Ou, ainda, “um ro- mancista que colecionava desafetos, azucri- nava D. Pedro II e acabou inventando o Bra- sil”. Assim era José de Alencar (1829-1877), o conhecido autor de O guarani e Iracema, tido como o pai do romance no Brasil. Além de criar clássicos da literatura brasileira com temas nativistas, indianistas e históri- cos, ele foi também folhetinista, diretor de jornal, autor de peças de teatro, advogado, deputado federal e até ministro da Justiça. Para ajudar na descoberta das múltiplas fa- cetas desse personagem do século XIX, parte de seu acervo inédito será digitalizada. História Viva, n. 99, 2011. 2. Com base no texto, que trata do papel do es- critor José de Alencar e da futura digitaliza- ção de sua obra, depreende-se que: a) a digitalização dos textos é importante para que os leitores possam compreender seus romances. b) o conhecido autor de O guarani e Iracema foi importante porque deixou uma vasta obra literária com temática atemporal. c) a divulgação das obras de José de Alencar, por meio da digitalização, demonstra sua im- portância para a história do Brasil Imperial. d) a digitalização dos textos de José de Alencar terá importante papel na preservação da me- mória linguística e da identidade nacional. e) o grande romancista José de Alencar é im- portante porque se destacou por sua temáti- ca indianista. 3. O mulato Ana Rosa cresceu; aprendera de cor a gramá- tica do Sotero dos Reis; lera alguma coisa; sabia rudimentos de francês e tocava modi- nhas sentimentais ao violão e ao piano. Não era estúpida; tinha a intuição perfeita da virtude, um modo bonito, e por vezes lamen- tara não ser mais instruída. Conhecia muitos trabalhos de agulha; bordava como poucas, e dispunha de uma gargantazinha de contralto que fazia gosto de ouvir. Uma só palavra boiava à superfície dos seus pensamentos: “Mulato”. E crescia, crescia, transformando-se em tenebrosa nuvem, que escondia todo o seu passado. Ideia parasita, que estrangulava todas as outras ideias. — Mulato! 113 Esta só palavra explicava-lhe agora todos os mesquinhos escrúpulos, que a sociedade do Maranhão usara para com ele. Explicava tudo: a frieza de certas famílias a quem vi- sitara; as reticências dos que lhe falavam de seus antepassados; a reserva e a cautela dos que, em sua presença, discutiam questões de raça e de sangue. AZEVEDO, A. O Mulato. São Paulo: Ática, 1996 (fragmento). O texto de Aluísio Azevedo é representativo do Naturalismo, vigente no final do século XIX. Nesse fragmento, o narrador expressa fidelidade ao discurso naturalista, pois: a) relaciona a posição social a padrões de com- portamento e à condição de raça. b) apresenta os homens e as mulheres melhores do que eram no século XIX. c) mostra a pouca cultura feminina e a distri- buição de saberes entre homens e mulheres. d) ilustra os diferentes modos que um indiví- duo tinha de ascender socialmente. e) critica a educação oferecida às mulheres e os maus-tratos dispensados aos negros. 4. São características das obras do Classicismo: a) o individualismo, a subjetividade, a idealiza- ção, o sentimento exacerbado. b) o egocentrismo, a interação da natureza com o eu, as formas perfeitas. c) o contraste entre o grotesco e o sublime, a valorização da natureza, o escapismo. d) a observação da realidade, a valorização do eu, a perfeição da natureza. e) a retomada da mitologia pagã, a pureza das formas, a busca da perfeição estética. TEXTOS PARA A PRÓXIMA QUESTÃO TEXTO I Canção do exílio Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiamcomo lá. Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas tem mais flores, Nossos bosques tem mais vida, Nossa vida mais amores. [...] Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Em cismar – sozinho, a noite – Mais prazer eu encontro la; Minha terra tem palmeiras Onde canta o Sabiá. Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu’inda aviste as palmeiras Onde canta o Sabiá. DIAS, G. Poesia e prosa completas. Rio de Janeiro: Aguilar, 1998. TEXTO II Canto de regresso à Pátria Minha terra tem palmares Onde gorjeia o mar Os passarinhos daqui Não cantam como os de lá Minha terra tem mais rosas E quase tem mais amores Minha terra tem mais ouro Minha terra tem mais terra Ouro terra amor e rosas Eu quero tudo de lá Não permita Deus que eu morra Sem que volte para lá Não permita Deus que eu morra Sem que volte pra São Paulo Sem que eu veja a rua 15 E o progresso de São Paulo ANDRADE, O. Cadernos de poesia do aluno Oswald. São Paulo: Círculo do Livro. s/d. 5. Os textos I e II, escritos em contextos históri- cos e culturais diversos, enfocam o mesmo mo- tivo poético: a paisagem brasileira entrevista a distância. Analisando-os, conclui-se que: a) o ufanismo, atitude de quem se orgulha ex- cessivamente do país em que nasceu, e o tom de que se revestem os dois textos. b) a exaltação da natureza é a principal carac- terística do texto B, que valoriza a paisagem tropical realçada no texto A. c) o texto B aborda o tema da nação, como o texto A, mas sem perder a visão crítica da realidade brasileira. d) o texto B, em oposição ao texto A, revela distanciamento geográfico do poeta em rela- ção à pátria. e) ambos os textos apresentam ironicamente a paisagem brasileira. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Pobre Isaura! Sempre e em toda parte esta contínua importunação de senhores e de es- cravos, que não a deixam sossegar um só mo- mento! Como não devia viver aflito e atribu- lado aquele coração! Dentro de casa contava ela quatro inimigos, cada qual mais porfiado em roubar-lhe a paz da alma, e torturar-lhe o coração: três amantes, Leôncio, Belchior, e André, e uma êmula terrível e desapiedada, 114 Rosa. Fácil lhe fora repelir as importunações e insolências dos escravos e criados; mas que seria dela, quando viesse o senhor?!... GUIMARÃES, B. A escrava Isaura. São Paulo: Ática, 1995 (adaptado). 6. A personagem Isaura, como afirma o títu- lo do romance, era uma escrava. No trecho apresentado, os sofrimentos por que passa a protagonista: a) assemelham-se aos das demais escravas do país, o que indica o estilo realista da abordagem do tema da escravidão pelo autor do romance. b) demonstram que, historicamente, os proble- mas vividos pelas escravas brasileiras, como Isaura, eram mais de ordem sentimental do que física. c) diferem dos que atormentavam as demais escravas do Brasil do século XIX, o que reve- la o caráter idealista da abordagem do tema pelo autor do romance. d) indicam que, quando o assunto era o amor, as escravas brasileiras, de acordo com a aborda- gem lírica do tema pelo autor, eram tratadas como as demais mulheres da sociedade. e) revelam a condição degradante das mulhe- res escravas no Brasil, que, como Isaura, de acordo com a denúncia feita pelo autor, eram importunadas e torturadas fisicamente pelos seus senhores. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Capítulo III Um criado trouxe o café. Rubião pegou na xícara e, enquanto lhe deitava açúcar, ia dis- farçadamente mirando a bandeja, que era de prata lavrada. Prata, ouro, eram os metais que amava de coração; não gostava de bron- ze, mas o amigo Palha disse-lhe que era ma- téria de preço, e assim se explica este par de figuras que aqui está na sala: um Mefistófe- les e um Fausto. Tivesse, porém, de escolher, escolheria a bandeja, – primor de argenta- ria, execução fina e acabada. O criado espe- rava teso e sério. Era espanhol; e não foi sem resistência que Rubião o aceitou das mãos de Cristiano; por mais que lhe dissesse que es- tava acostumado aos seus crioulos de Minas, e não queria línguas estrangeiras em casa, o amigo Palha insistiu, demonstrando-lhe a necessidade de ter criados brancos. Rubião cedeu com pena. O seu bom pajem, que ele queria por na sala, como um pedaço da pro- víncia, nem o pode deixar na cozinha, onde reinava um francês, Jean; foi degradado a outros serviços. ASSIS, M. Quincas Borba. In: Obra completa. V.1. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993 (fragmento). 7. Quincas Borba situa-se entre as obras-pri- mas do autor e da literatura brasileira. No fragmento apresentado, a peculiaridade do texto que garante a universalização de sua abordagem reside: a) no conflito entre o passado pobre e o pre- sente rico, que simboliza o triunfo da apa- rência sobre a essência. b) no sentimento de nostalgia do passado de- vido à substituição da mão de obra escrava pela dos imigrantes. c) na referência a Fausto e Mefistófeles, que re- presentam o desejo de eternização de Rubião. d) na admiração dos metais por parte de Rubião, que metaforicamente representam a durabili- dade dos bens produzidos pelo trabalho. e) na resistência de Rubião aos criados estrangei- ros, que reproduz o sentimento de xenofobia. Leia os poemas apresentados a seguir. MALVA-MAÇÃ A P... De teus seios tão mimosos Quem gozasse o talismã! Quem ali deitasse a fronte Cheia de amoroso afã! E quem nele respirasse A tua malva-maçã! Dá-me essa folha cheirosa Que treme no seio teu! Dá-me a folha… hei de beijá-la Sedenta no lábio meu! Não vês que o calor do seio Tua malva emurcheceu... [...] AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos. In: Obra completa. Organização de Alexei Bueno. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000. p. 269. Há uma flor que está em redor de mim, uma flor que nasce nos cabelos da aurora e desce sobre as águas e os ombros de todos nós. Não, não quero amar senão a natureza quando ela se abre como uma flor e suas corolas à madrugada; eu não quero amar, senão a mulher que está em redor de mim, a mulher que me acolhe com seus braços e me oferece o que há de mais íntimo, a sua pérola e sonho à madrugada. GARCIA, José Godoy. Poesia. Brasília: Thesaurus, 1999. p. 153. 8. Nos poemas transcritos, a representação da figura feminina se assemelha por apresentar: a) a sensualidade da mulher metaforizada pe- los elementos da natureza. b) a idealização de uma mulher única enfatiza- da pela fidelidade do eu lírico. c) o distanciamento da mulher exemplificado por sua indiferença aos apelos do eu lírico. d) a simplicidade da mulher evidenciada por suas qualidades morais. e) o exotismo da mulher emoldurado pela des- crição de um cenário idílico. 115 A questão a seguir toma por base um frag- mento de Glória moribunda, do poeta ro- mântico brasileiro Álvares de Azevedo (1831-1852). É uma visão medonha uma caveira? Não tremas de pavor, ergue-a do lodo. Foi a cabeça ardente de um poeta, Outrora à sombra dos cabelos loiros. Quando o reflexo do viver fogoso Ali dentro animava o pensamento, Esta fronte era bela. Aqui nas faces Formosa palidez cobria o rosto; Nessas órbitas — ocas, denegridas! — Como era puro seu olhar sombrio! Agora tudo é cinza. Resta apenas A caveira que a alma em si guardava, Como a concha no mar encerra a pérola, Como a caçoula a mirra incandescente. Tu outrora talvez desses-lhe um beijo; Por que repugnas levantá-la agora? Olha-a comigo! Que espaçosa fronte! Quanta vida ali dentro fermentava, Como a seiva nos ramos do arvoredo! E a sede em fogo das ideias vivas Onde está? onde foi? Essa alma errante Que um dia no viver passou cantando, Como canta na treva um vagabundo, Perdeu-se acaso no sombrio vento, Como noturna lâmpada apagou-se? E a centelha da vida, o eletrismo Que as fibras tremulantes agitava Morreu para animar futuras vidas? Sorris? eu sou um louco. As utopias, Os sonhos da ciência nada valem. A vida é um escárnio sem sentido, Comédia infame que ensanguenta o lodo. Há talvez um segredo que ela esconde; Masesse a morte o sabe e o não revela. Os túmulos são mudos como o vácuo. Desde a primeira dor sobre um cadáver, Quando a primeira mãe entre soluços Do filho morto os membros apertava Ao ofegante seio, o peito humano Caiu tremendo interrogando o túmulo... E a terra sepulcral não respondia. (Poesias completas, 1962.) 9. No verso Morreu para animar futuras vidas?, sob forma interrogativa, o eu lírico sugere com o termo animar que: a) a morte de uma pessoa deve ser festejada pelos que ficam. b) o verdadeiro objetivo da morte é demonstrar o desvalor da vida. c) a vida do poeta é mais consistente e anima- da que todas as outras. d) a alma que habitou o corpo talvez possa re- encarnar em novo corpo. e) outras pessoas passam a viver melhor quan- do um homem morre. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO O texto a seguir foi retirado do último capí- tulo do romance Lucíola, de José de Alencar. Nele, o romancista narra os momentos finais vividos pela heroína, ao lado de Paulo, o seu amado. De joelhos à cabeceira eu suplicava-lhe que bebesse o remédio que a devia salvar. (...) O dia se passou na cruel agonia que só com- preendem aqueles que ajoelhados à borda de um leito viram finar-se gradualmente uma vida querida. Quebrado de fadiga e vencido por uma vigília de tantas noites, tinha insensivelmente ador- mecido, sentado como estava à beira da cama, com os lábios sobre a mão gelada de Lúcia e a testa apoiada no encosto do leito. O sono foi curto, povoado de sonhos horríveis; acor- dei sobressaltado e achei-me reclinado sobre o peito de Lúcia, que se sentara de encontro às 251 almofadas para suster minha cabeça ao colo, como faria uma terna mãe com seu filho. Mesmo adormecido ela me sorria, me falava, e cobria-me de beijos: – Se soubesses que gozo supremo é para mim beijar-te neste momento! Agora que o corpo está morto e a carne álgida, não sente nem a dor nem o prazer, é a minha alma só que te beija, que se une à tua e se desprende par- cela por parcela para embeber em teu seio. E seus lábios ávidos devoravam-me o ros- to de carícias, bebendo o pranto que corria abundante de meus olhos: Se alguma coisa me pudesse salvar ainda, se- ria esse bálsamo celeste, meu amigo! Eu soluçava como uma criança. – Beija-me também, Paulo. Beija-me como beijarás um dia tua noiva! Oh! agora posso te confessar sem receio. Nesta hora não se mente. Eu te amei desde o momento em que te vi! Eu te amei por séculos nestes poucos dias que passamos juntos na terra. Agora que a minha vida se conta por instantes, amo-te em cada momento por uma existência intei- ra. Amo-te ao mesmo tempo com todas as afeições que se pode ter neste mundo. Vou te amar enfim por toda a eternidade. A voz desfaleceu completamente, de extenu- ada que ela ficara por esse enérgico esforço. Eu chorava de bruços sobre o travesseiro, e as suas palavras suspiravam docemente em minha alma, como as dulias dos anjos devem ressoar aos espíritos celestes. ALENCAR, José de. Lucíola. Rio de Janeiro: Ática, 1992. p. 124-126. 116 10. Representada por personagens de uma obra do estilo romântico, a cena retratada no tex- to deixa entrever a: a) necessidade do apego à vida para viver ape- nas o momento. b) intensidade de um amor que transcende o plano físico. c) descrição da natureza associada aos personagens. d) necessidade de não fugir à realidade para vi- ver um grande amor. e) visão maniqueísta da vida, declarada pela heroína. 11. “A sociedade, no meio da qual me eduquei, fez de mim um homem à sua feição. Habi- tuei-me a considerar a riqueza como a pri- meira força viva da existência e os exemplos ensinavam-me que o casamento era meio tão legítimo de adquiri-la, como a herança e qualquer honesta especulação.” No enredo de SENHORA, tal como se depre- ende do trecho transcrito, há uma aproxima- ção entre casamento e: a) recomendações divulgadas pela igreja. b) normas impostas aos escravos. c) costumes copiados dos indígenas. d) leis do tempo da colônia. e) práticas da organização social burguesa. 12. Tanto na prosa de José de Alencar quanto na poesia de Gonçalves Dias, a figura do índio é caracterizada: a) com os atributos da honradez de um cavalei- ro medieval. b) enquanto um herói pagão movido pelas for- ças da natureza. c) como uma mescla de ingenuidade e violência incontrolável. d) por meio de uma fiel descrição de seus valo- res naturais. e) da mesma forma como o representava An- chieta em suas peças. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Ultimamente ando de novo intrigado com o enigma de Capitu. Teria ela traído mesmo o marido, ou tudo não passou de imaginação dele, como narrador? Reli mais uma vez o ro- mance e não cheguei a nenhuma conclusão. Um mistério que o autor deixou para a pos- teridade. (Fernando Sabino, O bom ladrão.) 13. No texto de Sabino, o narrador questiona a traição de Capitu. Lendo o texto de Machado, pode-se entender que esse questionamento decorre de: a) os fatos serem narrados pela visão de uma personagem, no caso, o narrador em primei- ra pessoa, que fornece ao leitor o perfil psi- cológico de Capitu. b) a personagem ser vista por José Dias como “oblíqua e dissimulada”, o que gerou mal- -estar no apaixonado de Capitu, deixando de vê-la como uma mulher de encantos. c) a apresentação da personagem Capitu ser feita no romance de maneira muito objetiva, sem expressão dos sentimentos que a vincu- lavam ao homem que a amava. d) os aspectos psicológicos de Capitu serem apresentados apenas pelos comentários de José Dias, o que lhe torna a caracterização muito subjetiva. e) o amado de Capitu não conseguir enxergar nela características mais precisas e menos misteriosas, o que o faz descrevê-la de forma bastante idealizada. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO (...) Um poeta dizia que o menino é o pai do homem. Se isto é verdade, vejamos alguns lineamentos do menino. Desde os cinco anos merecera eu a alcunha de “menino diabo”; e verdadeiramente não era outra coisa; fui dos mais malignos do meu tempo, arguto, indiscreto, traquinas e voluntarioso. Por exemplo, um dia quebrei a cabeça de uma escrava, porque me nega- ra uma colher do doce de coco que estava fazendo, e, não contente com o malefício, deitei um punhado de cinza ao tacho, e, não satisfeito da travessura, fui dizer à minha mãe que a escrava é que estragara o doce “por pirraça”; e eu tinha apenas seis anos. Prudêncio, um moleque de casa, era o meu cavalo de todos os dias; punha as mãos no chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa de freio, eu trepava-lhe ao dorso, com uma varinha na mão, fustigava-o, dava mil voltas a um e outro lado, e ele obedecia, – algumas vezes gemendo – mas obedecia sem dizer palavra, ou, quando muito, um – “ai, nho- nhô!” – ao que eu retorquia: “Cala a boca, besta!” – Esconder os chapéus das visitas, deitar rabos de papel a pessoas graves, pu- xar pelo rabicho das cabeleiras, dar beliscões nos braços das matronas, e outras muitas fa- çanhas deste jaez, eram mostras de um gê- nio indócil, mas devo crer que eram também expressões de um espírito robusto, porque meu pai tinha-me em grande admiração; e se às vezes me repreendia, à vista de gente, fazia-o por simples formalidade: em particu- lar dava-me beijos. Não se conclua daqui que eu levasse todo o resto da minha vida a quebrar a cabeça dos outros nem a esconder-lhes os chapéus; mas opiniático, egoísta e algo contemptor dos homens, isso fui; se não passei o tempo a esconder-lhes os chapéus, alguma vez lhes puxei pelo rabicho das cabeleiras. (Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas.) 14. É correto afirmar que: a) se trata basicamente de um texto naturalis- ta, fundado no Determinismo. b) o texto revela um juízo crítico do contexto escravista da época. 117 c) o narrador se apresenta bastante sisudo e amargo, bem ao gosto machadiano. d) o texto apresenta papéis sociais ambíguos das personagens em foco. e) os comportamentos desumanos do narrador são sutilmente desnudados. 15. No texto a seguir, Machado de Assisfaz uma crítica ao Romantismo: Certo não lhe falta imaginação; mas esta tem suas regras, o as- tro, leis, e se há casos em que eles rompem as leis e as regras é porque as fazem novas, é porque se chama Shakespeare, Dante, Go- ethe, Camões. Com base nesse texto, notamos que o autor: a) preocupa-se com princípios estéticos e acre- dita que a criação literária deve decorrer de uma elaborada produção dos autores. b) refuga o Romantismo, na medida em que os autores desse período reivindicaram uma es- tética oposta à clássica. c) entende a arte como um conjunto de prin- cípios estéticos consagrados, que não pode ser manipulado por movimentos literários específicos. d) defende a ideia de que cada movimento lite- rário deve ter um programa estético rígido e inviolável. e) entende que Naturalismo e o Parnasianismo constituem soluções ideais para pôr termo à falta de invenção dos românticos. TEXTO PARA AS PRÓXIMAS DUAS QUESTÕES Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, “olhos de cigana oblíqua e dissimulada”. Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimu- lada sabia, e queria ver se se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca os vira; eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas. A demo- ra da contemplação creio que lhe deu outra ideia do meu intento; imaginou que era um pretexto para mirá-los mais de perto, com os meus olhos longos, constantes, enfiados neles, e a isto atribuo que entrassem a ficar crescidos, crescidos e sombrios, com tal ex- pressão que... Retórica dos namorados, dá-me uma compa- ração exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode ima- gem capaz de dizer, sem quebra da dignida- de do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. (Machado de Assis, Dom Casmurro.) 16. Para o narrador, os olhos de Capitu eram “olhos de ressaca, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca”. Entende-se, então, que ele: a) começava a nutrir sentimento de repulsa em relação a ela, como está sugerido em [seus olhos] “entrassem a ficar crescidos, cresci- dos e sombrios, com tal expressão que...” b) se sentia fortemente atraído por ela, como comprova o trecho: “Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro...” c) passou a desconfiar da sinceridade dela, como está exposto em: “mas dissimulada sabia, e queria ver se se podiam chamar assim.” d) começava a vê-la como uma mulher comum, sem atrativos especiais, como demonstra o trecho: “eu nada achei extraordinário...” e) deixava de vê-la como uma mulher enig- mática, como está sugerido em: “Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova.” 17. Ao afirmar que Capitu tinha olhos de “cigana oblíqua”, José Dias a vê como uma mulher: a) irresistível. b) inconveniente. c) compreensiva. d) evasiva. e) irônica. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Antes de concluir este capítulo, fui à jane- la indagar da noite por que razão os sonhos hão de ser assim tão tênues que se esgarçam ao menor abrir de olhos ou voltar de corpo, e não continuam mais. A noite não me res- pondeu logo. Estava deliciosamente bela, os morros palejavam de luar e o espaço morria de silêncio. Como eu insistisse, declarou- -me que os sonhos já não pertencem à sua jurisdição. Quando eles moravam na ilha que Luciano lhes deu, onde ela tinha o seu palácio, e donde os fazia sair com as suas caras de vária feição, dar-me-ia explicações possíveis. Mas os tempos mudaram tudo. Os sonhos antigos foram aposentados, e os mo- dernos moram no cérebro da pessoa. Estes, ainda que quisessem imitar os outros, não poderiam fazê-lo; a ilha dos Sonhos, como a dos Amores, como todas as ilhas de todos os mares, são agora objeto da ambição e da rivalidade da Europa e dos Estados Unidos. Machado de Assis - D. Casmurro palejavam: tornavam pálidos 18. Assinale a alternativa correta sobre “D. Cas- murro.” a) A linguagem concisa e objetiva do autor são recursos usados a fim de não prejudicar o desenvolvimento linear da narrativa. b) O aproveitamento da mitologia segue o prin- cípio da mimese (“imitação”) de tradição clássico-renascentista. 118 c) A idealização da natureza é prova da influ- ência que o Romantismo exerceu sobre o es- tilo machadiano. d) A crítica ao determinismo cientificista é ín- dice do estilo naturalista de Machado de Assis. e) A digressão permite ao narrador interromper o fluxo narrativo para tecer comentários crí- ticos em tom irônico. 19. (...) desde que Jerônimo propendeu para ela, fascinando-a com a sua tranquila seriedade de animal bom e forte, o sangue da mestiça reclamou os seus direitos de apuração, e Rita preferiu no europeu o macho de raça superior. O cavouqueiro, pelo seu lado, cedendo às im- posições mesológicas, enfarava a esposa, sua congênere, e queria a mulata, porque a mulata era o prazer, a volúpia, era o fruto dourado e acre destes sertões americanos, onde a alma de Jerônimo apren- deu lascívias de macaco e onde seu corpo po- rejou o cheiro sensual dos bodes. (Aluísio Azevedo, O Cortiço) Tendo em vista as características naturalis- tas e cientificistas, sobretudo do Determinis- mo, que predominam no romance O cortiço, o trecho (assinale o item não pertinente): a) explicita a personagem que age de acordo com os impulsos característicos de sua raça. b) põe em evidência o zoomorfismo, em que se destacam os elementos instintivos de prazer, sensualidade e desejo. c) faz alusão à competição entre os mais fortes (europeus) e os mais fracos (brasileiros). d) ressalta o homem sucumbindo aos fatores preponderantes do meio. e) condena veladamente o sexo e defende indi- retamente os princípios morais. 20. Assinale a alternativa que contém a afirma- ção correta sobre o Naturalismo no Brasil. a) O Naturalismo usou elementos da natureza sel- vagem do Brasil do século XIX para defender teses sobre os defeitos da cultura primitiva. b) A valorização da natureza rude verificada nos poetas árcades se prolonga na visão na- turalista do século XIX, que toma a natureza decadente dos cortiços para provar os male- fícios da mestiçagem. c) O Naturalismo no Brasil esteve sempre ligado à beleza das paisagens das cidades e do inte- rior do Brasil. d) O Naturalismo, por seus princípios cientí- ficos, considerava as narrativas literárias exemplos de demonstração de teses e ideias sobre a sociedade e o homem. e) O Naturalismo do século XIX no Brasil difun- diu na literatura uma linguagem científica e hermética, fazendo com que os textos literá- rios fossem lidos apenas por intelectuais. GAbARito 1. A 2. D 3. A 4. E 5. C 6. C 7. A 8. A 9. D 10. B 11. E 12. A 13. A 14. B 15. A 16. B 17. D 18. E 19. E 20. D 119 121 O trovador Sentimentos em mim do asperamente dos homens das primeiras eras... As primaveras do sarcasmo Intermitentemente no meu coração arlequinal... Intermitentemente... Outras vezes é um doente, um frio na minha alma doente como um longo som redondo... Cantabona! Cantabona! Dlorom... Sou um tupi tangendo um alaúde! ANDRADE, M. In: MANFIO, D. Z. (Org.) Poesias completas de Mário de Andrade. Belo Horizonte: Itatiaia, 2005. Durante a 1ª fase do modernismo surgiu o Manifesto Antropofágico, que pregava a absorção das influências. As características desse manifesto podem ser visíveis em versos como: a) Sentimentos em mim do asperamente b) Intermitentemente no meu coração arlequinal c) Outras vezes é um doente, um frio d) Cantabona! Cantabona! / Dlorom... e) Sou um tupi tangendo um alaúde! AplicAção dos conhecimentos - sAlA MODELO 1 Tema: Modernismo Construção da habilidade: Dentro da competência da área 4 do Enem, será exigida a capacidade de compreender a arte como sabercultural e estético gerador de significação e integrador da organi- zação do mundo e da própria identidade, com base na primeira fase do modernismo. Competência: 4 Habilidade: 13 SEMANA 2 122 Observe o poema: Mulher Proletária Mulher proletária - única fábrica, Que o operário tem, (fábrica de filhos) Tu Na tua superprodução de máquina humana Forneces anjos para o Senhor Jesus, Forneces braços para o senhor burguês. Mulher proletária, O operário, teu proprietário Há de ver, há de ver: A tua produção, A tua superprodução, Ao contrário das máquinas burguesas Salvar o teu proprietário. Dentre as muitas características deste(a) autor(a), cuja geração modernista estava mais voltada às denúncias contra a desigualdade social, nota-se o jogo de palavras bem elaborado tal qual um(a) parnasiano(a). Trata-se de: a) Jorge de Lima b) Cecília Meireles c) Jorge Amado d) Clarice Lispector e) Graciliano Ramos MODELO 2 Tema: Modernismo Construção da habilidade: Dentro da competência da área 4 do Enem, será exigida a capacidade de compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organi- zação do mundo e da própria identidade, com base na segunda fase do modernismo. Competência: 4 Habilidade: 13 123 Uma esperança Aqui em casa pousou uma esperança. Não a clás- sica, que tantas vezes verifica-se ser ilusória, em- bora mesmo assim nos sustente sempre. Mas a outra, bem concreta e verde: o inseto. Houve um grito abafado de um de meus filhos: – Uma esperança! E na parede, bem em cima de sua cadeira! Emoção dele também que unia em uma só as duas esperanças, já tem idade para isso. Antes surpresa minha: esperança é coisa secreta e costuma pousar diretamente em mim, sem nin- guém saber, e não acima de minha cabeça numa parede. Pequeno rebuliço: mas era indubitável, lá estava ela, e mais magra e verde não poderia ser. – Ela quase não tem corpo, queixei-me. – Ela só tem alma, explicou meu filho e, como filhos são uma surpresa para nós, descobri com surpresa que ele falava das duas esperanças. Ela caminhava devagar sobre os fiapos das lon- gas pernas, por entre os quadros da parede. Três vezes tentou renitente uma saída entre dois quadros, três vezes teve que retroceder caminho. Custava a aprender. – Ela é burrinha, comentou o menino. – Sei disso, respondi um pouco trágica. – Está agora procurando outro caminho, olhe, coitada, como ela hesita. – Sei, é assim mesmo. – Parece que esperança não tem olhos, mamãe, é guiada pelas antenas. – Sei, continuei mais infeliz ainda. Ali ficamos, não sei quanto tempo olhando. Vi- giando-a como se vigiava na Grécia ou em Roma o começo de fogo do lar para que não se apagasse. – Ela se esqueceu de que pode voar, mamãe, e pensa que só pode andar devagar assim. Andava mesmo devagar – estaria por acaso feri- da? Ah não, senão de um modo ou de outro es- correria sangue, tem sido sempre assim comigo. MODELO 3 Tema: Modernismo Construção da habilidade: Dentro da competência da área 4 do ENEM, será exigida a capaci- dade de compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organização do mundo e da própria identidade, com base na terceira fase do modernismo. Competência: 4 Habilidade: 13 Foi então que farejando o mundo que é comível, saiu de trás de um quadro uma aranha. Não uma aranha, mas me parecia “a” aranha. Andando pela sua teia invisível, parecia transladar-se ma- ciamente no ar. Ela queria a esperança. Mas nós também queríamos e, oh! Deus, queríamos menos que comê-la. Meu filho foi buscar a vassoura. Eu disse fracamente, confusa, sem saber se chegara infelizmente a hora certa de perder a esperança: – É que não se mata aranha, me disseram que traz sorte... – Mas ela vai esmigalhar a esperança! - respon- deu o menino com ferocidade. – Preciso falar com a empregada para limpar atrás dos quadros – falei sentindo a frase des- locada e ouvindo o certo cansaço que havia na minha voz. Depois devaneei um pouco de como eu seria sucinta e misteriosa com a empregada: eu lhe diria apenas: você faz o favor de facilitar o caminho da esperança. O menino, morta a aranha, fez um trocadilho, com o inseto e a nossa esperança. Meu outro filho, que es- tava vendo televisão, ouviu e riu de prazer. Não havia dúvida: a esperança pousara em casa, alma e corpo. Mas como é bonito o inseto: mais pousa que vive, é um esqueletinho verde, e tem uma forma tão delica- da que isso explica por que eu, que gosto de pegar nas coisas, nunca tentei pegá-la. Uma vez, aliás, agora é que me lembro, uma es- perança bem menor que esta, pousara no meu braço. Não senti nada, de tão leve que era, foi só visualmente que tomei consciência de sua pre- sença. Encabulei com a delicadeza. Eu não mexia o braço e pensei: “e essa agora? que devo fazer?” Em verdade nada fiz. Fiquei extremamente quie- ta como se uma flor tivesse nascido em mim. Depois não me lembro mais o que aconteceu. E, acho que não aconteceu nada. (LISPECTOR, Clarice. Uma esperança. In: Felicidade clandestina. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.) Clarice Lispector é uma escritora que explora os monólogos internos de seus personagens em seu estilo de escrita. Isto produz um efeito de fragmentação de enredo e pouca necessidade de compre- ender o ambiente, já que o foco se torna os pensamentos e sentimentos dos personagens envolvidos. Em relação ao conto, é correto afirmar que sua construção acontece, principalmente em função: a) da descrição do convívio familiar. b) de um fato ao mesmo tempo simples e inusitado. c) do pessimismo gerado pela narradora personagem. d) de dois possíveis sentidos atribuídos a um mesmo vocábulo. e) da imprecisão do ambiente 124 MODELO 4 Veja a letra da canção Ideologia, de Cazuza: Meu partido É um coração partido E as ilusões Estão todas perdidas Os meus sonhos Foram todos vendidos Tão barato que eu nem acredito Ah! Eu nem acredito Que aquele garoto Que ia mudar o mundo Mudar o mundo Frequenta agora As festas do Grand Monde Meus heróis Morreram de overdose Meus inimigos Estão no poder Ideologia! Eu quero uma pra viver Ideologia! Eu quero uma pra viver Tema: anos 80 — o poema pós-utópico Construção da habilidade: Dentro da competência da área 4 do Enem, do aluno será exigida a capacidade de compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organização do mundo e da própria identidade, com base na literatura dos anos 80. Competência: 4 Habilidade: 13 Um dos artistas mais famosos dos anos 80 na música foi Cazuza. Suas letras, carregadas dos mais variados temas, atravessaram gerações. O tema presente na canção trata a) de inversão da realidade produzida pelos ideólogos, tal como na concepção de Marx, e que consiste numa necessidade do proletariado. b) de visão de mundo que os seres humanos necessitam para se adaptarem a um mundo em que as utopias perderam sua força mobilizadora. c) de elemento que contribui para maior coesão social na medida em que explicita as contradições da sociedade de classes. d) de fato social sem importância para a construção da subjetividade na sociedade atual e na qual todos são reduzidos à condição de consumidores. e) da reviravolta de sua vida particular em virtude da AIDS. O meu prazer Agora é risco de vida Meu sex and drugs Não tem nenhum rock ‘n’ roll Eu vou pagar A conta do analista Pra nunca mais Ter que saber Quem eu sou Ah! Saber quem eu sou Pois aquele garoto Que ia mudar o mundo Mudar o mundo Agora assiste a tudo Em cima do muro Em cima do muro! Meus heróis Morreram de overdose Meus inimigos Estão no poder Ideologia! Eu quero uma pra viver Ideologia! Pra viver 125 Segue, abaixo, a letra da banda Mamonas Assassinas, chamada Pelados em Santos: Mina, seus cabelo é da hora Seu corpão violão Meu docinho de coco Tá me deixando louco Minha Brasília amarela Tá de portas abertas Pra mode a gente se amar Pelados em Santos Pois você, minha pitchula Me deixou legalzão Não me sintcho sozinho Você é meu chuchuzinho Musicis very good (Oxente ai, ai, ai!) Mas comigo ela não quer se casar (Oxente ai, ai, ai!) Na Brasília amarela com roda gaúcha Ela não quer entrar (Oxente ai, ai, ai!) É feijão com jabá A desgraçada num quer compartilhar Mas ela é lindia Mutcho mar do que lindia Very, very beautiful Você me deixa doidião Oh, yes! Oh, no! Meu docinho de coco Music is very porreta (Oxente Paraguai!) Pos Paraguai ela não quis viajar (Oxente Paraguai!) Comprei um Reebok e uma calça Fiorucci Ela não quer usar (Oxente Paraguai!) MODELO 5 Tema: Anos 90 e 2000 Construção da habilidade: Dentro da competência da área 4 do Enem,t será exigida a capaci- dade de compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organização do mundo e da própria identidade, com base na literatura dos anos 90 e 2000. Competência: 4 Habilidade: 13 Eu não sei o que faço Pra essa mulé eu conquistchar Porque ela é lindia Mutcho mar do que lindia Very, very beautiful Você me deixa doidião Oh, yes! Oh, no! Meu chuchuzinho Oh, yes! No, no, no, no! Eu te I love you! Pera aí que tem mais Um poquinho de u Uuuuu Tchê Ao longo da literatura brasileira, diversas ca- racterísticas são criadas, mantidas e descar- tadas pelos movimentos sucessores. Consi- derando a afirmativa, não se evidencia nesta letra: a) a valorização do personagem nacional como protagonista – Arcadismo b) a idealização da mulher amada – Romantismo c) a assonância como recurso de musicalidade – Simbolismo d) a implementação de personagens irônicos – Pré-modernismo e) o Antropofagismo – Modernismo, primeira geração 126 RAio X - Análise eXpositivA 1. O Movimento Antropofágico prezava pela busca e absorção das influências adquiridas, o que é de- clarado no verso “Sou um tupi tangendo um alaúde!”, exemplificando o objetivo proposto. 2. As questões de métrica e jogo de palavras são características específicas de Jorge de Lima. 3. No decorrer do texto, a autora explora a ambiguidade do termo esperança no diálogo entre os per- sonagens e também dentro dos monólogos internos. 4. A sequência de fatos demonstram a necessidade de reação do eu lírico, mas para tal, este precisa de algo que lhe dê impulso para lutar por suas utopias. 5. A implementação de personagens irônicos não é uma característica do pré-modernismo GAbARito 1. E 2. A 3. D 4. B 5. D 127 Prescrição: Para resolver os exercícios dessa aula, será necessário estabelecer relações entre um texto literário e o momento em que foi produzido; analisar os procedimentos de construção do texto literário, associando-os à forma como os artistas de determinadas geração concebem a arte; e refletir sobre como os valores sociais e humanos presentes na cultura do lugar em que vive são integrados ao patrimônio literário nacional. pRáticA dos conhecimentos - e.o. 1. (Enem) Famigerado Com arranco, [o sertanejo] calou-se. Como arrependido de ter começado assim, de evi- dente. Contra que aí estava com o fígado em más margens; pensava, pensava. Cabismedi- tado. Do que, se resolveu. Levantou as fei- ções. Se é que se riu: aquela crueldade de dentes. Encarar, não me encarava, só se fito à meia esguelha. Latejava-lhe um orgulho indeciso. Redigiu seu monologar. O que frouxo falava: de outras, diversas pes- soas e coisas, da Serra, do São Ão, travados assuntos, insequentes, como dificultação. A conversa era para teias de aranha. Eu tinha de entender-lhe as mínimas entonações, se- guir seus propósitos e silêncios. Assim no fechar-se com o jogo, sonso, no me iludir, ele enigmava. E, pá: – Vosmecê agora me faça a boa obra de que- rer me ensinar o que é mesmo que é: fasmis- gerado... faz-me-gerado... falmisgeraldo... familhas-gerado...? ROSA, J. G. Primeiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988. A linguagem peculiar é um dos aspectos que conferem a Guimarães Rosa um lugar de des- taque na literatura brasileira. No fragmento lido, a tensão entre a personagem e o narra- dor se estabelece porque: a) o narrador se cala, pensa e monologa, ten- tando assim evitar a perigosa pergunta de seu interlocutor. b) o sertanejo emprega um discurso cifrado, com enigmas, como se vê em “a conversa era para teias de aranhas”. c) entre os dois homens cria-se uma comunica- ção impossível, decorrente de suas diferen- ças socioculturais. d) a fala do sertanejo é interrompida pelo gesto de impaciência do narrador, decidido a mu- dar o assunto da conversa. e) a palavra desconhecida adquire o poder de gerar conflito e separar as personagens em planos incomunicáveis. 2. (Enem) Confidência do itabirano De Itabira trouxe prendas diversas que ora [te ofereço: esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil; este São Benedito do velho santeiro Alfredo [Durval; este couro de anta, estendido no sofá de [visitas; este orgulho, esta cabeça baixa. Tive ouro, tive gado, tive fazendas. Hoje sou funcionário público. Itabira é apenas uma fotografia na parede. Mas como dói. ANDRADE, C. D. Sentimento do mundo. São Paulo: Cia. das Letras, 2012 (fragmento). O poeta pensa a região como lugar, pleno de afetos. A longa história da ocupação de Mi- nas Gerais, iniciada com a mineração, deixou marcas que se atualizam em Itabira, peque- na cidade onde nasceu o poeta. Nesse senti- do, a evocação poética indica o(a): a) pujança da natureza resistindo à ação humana. b) sentido de continuidade do progresso. c) cidade como imagem positiva da identidade mineira. d) percepção da cidade como paisagem da me- mória. e) valorização do processo de ocupação da re- gião. 3. (Enem) O corpo no cavalete é um pássaro que agoniza exausto do próprio grito. As vísceras vasculhadas principiam a contagem regressiva. No assoalho o sangue se decompõe em matizes que a brisa beija e balança: o verde – de nossas matas o amarelo – de nosso ouro o azul – de nosso céu o branco o negro o negro CACASO. In: HOLLANDA, H. B (Org.). 26 poetas hoje. Rio do Janeiro: Aeroplano, 2007. 128 Situado na vigência do Regime Militar que governou o Brasil, na década de 1970, o poe- ma de Cacaso edifica uma forma de resistên- cia e protesto a esse período, metaforizando: a) as artes plásticas, deturpadas pela repressão e censura. b) a natureza brasileira, agonizante como um pássaro enjaulado. c) o nacionalismo romântico, silenciado pela perplexidade com a Ditadura. d) o emblema nacional, transfigurado pelas marcas do medo e da violência. e) as riquezas da terra, espoliadas durante o aparelhamento do poder armado. 4. (Enem) Mãos dadas Não serei o poeta de um mundo caduco. Também não cantarei o mundo futuro. Estou preso à vida e olho meus companheiros. Estão taciturnos mas nutrem grandes [esperanças. Entre eles, considero a enorme realidade. O presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas. Não serei o cantor de uma mulher, de uma [história. Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem [vista na janela. Não distribuirei entorpecentes ou cartas de [suicida. Não fugirei para ilhas nem serei raptado por [serafins. O tempo é a minha matéria, o tempo [presente, os homens presentes, a vida presente. ANDRADE, C. D. Sentimento do mundo. São Paulo: Cia. das Letras, 2012. Escrito em 1940, o poema Mãos dadas revela um eu lírico marcado pelo contexto de opres- são política no Brasil e da Segunda Guerra Mundial. Em face dessa realidade, o eu lírico: a) considera que em sua época o mais impor- tante é a independência dos indivíduos. b) desvaloriza a importância dos planos pesso- ais na vida em sociedade. c) reconhece a tendência à autodestruição em uma sociedade oprimida. d) escolhe a realidade social e seu alcance indi- vidual como matéria poética. e) critica o individualismo comum aos românti- cos e aos excêntricos. 5. (Enem) Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécu- la e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que ouniverso jamais começou. […] Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas continuarei a escrever. Como co- meçar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré-pré- -história já havia os monstros apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos – sou eu que escrevo o que estou es- crevendo. […] Felicidade? Nunca vi palavra mais doida, inventada pelas nordestinas que andam por aí aos montes. Como eu irei dizer agora, esta história será o resultado de uma visão gradual – há dois anos e meio venho aos poucos descobrindo os porquês. É visão da iminência de. De quê? Quem sabe se mais tarde saberei. Como que estou escrevendo na hora mesma em que sou lido. Só não inicio pelo fim que justificaria o começo – como a morte parece dizer sobre a vida – porque preciso registrar os fatos an- tecedentes. LISPECTOR, C. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1988 (fragmento). A elaboração de uma voz narrativa peculiar acompanha a trajetória literária de Clarice Lispector, culminada com a obra A hora da estrela, de 1977, ano da morte da escritora. Nesse fragmento, nota-se essa peculiaridade porque o narrador: a) observa os acontecimentos que narra sob uma ótica distante, sendo indiferente aos fatos e às personagens. b) relata a história sem ter tido a preocupação de investigar os motivos que levaram aos eventos que a compõem. c) revela-se um sujeito que reflete sobre ques- tões existenciais e sobre a construção do discurso. d) admite a dificuldade de escrever uma histó- ria em razão da complexidade para escolher as palavras exatas. e) propõe-se a discutir questões de natureza fi- losófica e metafísica, incomuns na narrativa de ficção. 6. (Enem) Aquele bêbado — Juro nunca mais beber – e fez o sinal da cruz com os indicadores. Acrescentou: — Ál- cool. O mais, ele achou que podia beber. Bebia paisagens, músicas de Tom Jobim, versos de Mário Quintana. Tomou um pileque de Se- gall. Nos fins de semana embebedava-se de Índia Reclinada, de Celso Antônio. — Curou-se 100% de vício – comentavam os amigos. Só ele sabia que andava bêbado que nem um gambá. Morreu de etilismo abstrato, no meio de uma carraspana de pôr do sol no Leblon, e seu féretro ostentava inúmeras coroas de ex-alcoólatras anônimos. ANDRADE, C. D. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: Record, 1991. 129 A causa mortis do personagem, expressa no último parágrafo, adquire um efeito irônico no texto porque, ao longo da narrativa, ocor- re uma: a) metaforização do sentido literal do verbo “beber”. b) aproximação exagerada da estética abstra- cionista. c) apresentação gradativa da coloquialidade da linguagem. d) exploração hiperbólica da expressão “inúme- ras coroas”. e) citação aleatória de nomes de diferentes ar- tistas. 7. (Enem) Verbo ser QUE VAI SER quando crescer? Vivem pergun- tando em redor. Que é ser? É ter um corpo, um jeito, um nome? Tenho os três. E sou? Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo ou jeito? Ou a gente só prin- cipia a ser quando cresce? É terrível, ser? Dói? É bom? É triste? Ser: pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas? Repito: ser, ser, ser. Er. R. Que vou ser quando crescer? Sou obrigado a? Posso escolher? Não dá para entender. Não vou ser. Não quero ser. Vou crescer assim mesmo. Sem ser. Esquecer. ANDRADE, C. D. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992. A inquietação existencial do autor com a au- toimagem corporal e a sua corporeidade se desdobra em questões existenciais que têm origem: a) no conflito do padrão corporal imposto con- tra as convicções de ser autêntico e singular. b) na aceitação das imposições da sociedade se- guindo a influência de outros. c) na confiança no futuro, ofuscada pelas tra- dições e culturas familiares. d) no anseio de divulgar hábitos enraizados, negligenciados por seus antepassados. e) na certeza da exclusão, revelada pela indife- rença de seus pares. 8. (Enem) Cegueira Afastou-me da escola, atrasou-me, enquan- to os filhos de seu José Galvão se interna- vam em grandes volumes coloridos, a doen- ça de olhos que me perseguia na meninice. Torturava-me semanas e semanas, eu vivia na treva, o rosto oculto num pano escuro, tropeçando nos móveis, guiando-me às apal- padelas, ao longo das paredes. As pálpebras inflamadas colavam-se. Para descerrá-las, eu ficava tempo sem fim mergulhando a cara na bacia de água, lavando-me vagarosamente, pois o contato dos dedos era doloroso em ex- cesso. Finda a operação extensa, o espelho da sala de visitas mostrava-me dois bugalhos sangrentos, que se molhavam depressa e queriam esconder-se. Os objetos surgiam empastados e brumosos. Voltava a abrigar- -me sob o pano escuro, mas isto não atenua- va o padecimento. Qualquer luz me deslum- brava, feria-me como pontas de agulha [...]. Sem dúvida o meu espectro era desagra- dável, inspirava repugnância. E a gente da casa se impacientava. Minha mãe tinha a franqueza de manifestar-me viva antipatia. Dava-me dois apelidos: bezerro-encourado e cabra-cega. RAMOS, G. Infância. Rio de Janeiro: Record, 1984. (fragmento) O impacto da doença, na infância, revela-se no texto memorialista de Graciliano Ramos através de uma atitude marcada por: a) uma tentativa de esquecer os efeitos da doença. b) preservar a sua condição de vítima da negli- gência materna. c) apontar a precariedade do tratamento médi- co no sertão. d) registrar a falta de solidariedade dos amigos e familiares. e) recompor em minúcias e sem autopiedade, a sensação da dor. 9. (Enem) TEXTO I Poema de sete faces Mundo mundo vasto mundo, Se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não seria uma solução. Mundo mundo vasto mundo, mais vasto é meu coração. ANDRADE, C. D. Antologia poética. Rio de Janeiro: Record, 2001 (fragmento). TEXTO II CDA (imitado) Ó vida, triste vida! Se eu me chamasse Aparecida dava na mesma. FONTELA, O. Poesia reunida. São Paulo: Cosac Naify; Rio de Janeiro: 7Letras, 2006. Orides Fontela intitula seu poema “CDA”, si- gla de Carlos Drummond de Andrade, e entre parênteses indica “imitado” porque, como nos versos de Drummond: a) apresenta o receio de colocar os dramas pes- soais no mundo vasto. b) expõe o egocentrismo de sentir o coração maior que o mundo. c) aponta a insuficiência da poesia para solu- cionar os problemas da vida. d) adota tom melancólico para evidenciar a de- sesperança com a vida. e) invoca a tristeza da vida para potencializar a ineficácia da rima. 130 10. (Enem) Logia e mitologia Meu coração de mil e novecentos e setenta e dois Já não palpita fagueiro sabe que há morcegos de pesadas olheiras que há cabras malignas que há cardumes de hienas infiltradas no vão da unha da alma um porco belicoso de radar e que sangra e ri e que sangra e ri a vida anoitece provisória centuriões sentinelas do Oiapoque ao Chuí. CACASO. Lero-lero. Rio de Janeiro: 7Letras; São Paulo: Cosac & Naify, 2002. O título do poema explora a expressividade de termos que representam o conflito do momen- to histórico vivido pelo poeta na década de 1970. Nesse contexto, é correto afirmar que: a) o poeta utiliza uma série de metáforas zoo- lógicas com significado impreciso. b) “morcegos”, “cabras”, e “hienas” metafori- zam as vítimas do regime militar vigente. c) o “porco” , animal difícil de domesticar, re- presenta os movimentos de resistência. d) o poeta caracteriza o momento de opressão através de alegorias de forte poder de impacto. e) “centuriões” e “sentinelas” simbolizam os agentes que garantem a paz social experi- mentada. 11. (Enem) Ai, palavras, ai, palavras Que estranha potência a vossa! Todo o sentido da vida Principia a vossa porta: O mel do amor cristaliza Seu perfume em vossa rosa; Sois o sonho e sois a audácia, Calúnia, fúria, derrota... A liberdade das almas, ai! Com letras se elabora... e dos venenos humanos sois a mais fina retorta: frágil, frágil,como o vidro e mais que o aço poderosa! Reis, impérios, povos, tempos, pelo vosso impulso rodam... MEIRELES, C. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1985 (fragmento). O fragmento destacado foi transcrito do Ro- manceiro da Independência, de Cecília Mei- reles. Centralizada no episódio histórico da Inconfidência Mineira, a obra, no entanto, elabora uma reflexão mais ampla sobre a se- guinte relação entre o homem e a linguagem: a) A força e a resistência humanas superam os danos provocados pelo poder corrosivo das palavras. b) As relações humanas, em suas múltiplas es- feras, têm seu equilíbrio vinculado aos sig- nificado das palavras. c) O significado dos nomes não expressa de for- ma justa e completa a grandeza da luta do homem pela vida. d) Renovando o significado das palavras, o tempo permite às gerações perpetuar seus valores e suas crenças. e) Como produto da criatividade humana, a linguagem tem seu alcance limitado pelas intenções e gestos. 12. (Enem) Prima Julieta Prima Julieta irradiava um fascínio singular. Era a feminilidade em pessoa. Quando a co- nheci, sendo ainda garoto e já sensibilíssimo ao charme feminino, teria ela uns trinta ou trinta e dois anos de idade. Apenas pelo seu andar percebia-se que era uma deusa, diz Virgílio de outra mulher. Pri- ma Julieta caminhava em ritmo lento, agi- tando a cabeça para trás, remando os belos braços brancos. A cabeleira loura incluía re- flexos metálicos. Ancas poderosas. Os olhos de um verde azulado borboleteavam. A voz rouca e ácida, em dois planos: voz de pessoa da alta sociedade. MENDES, M. A idade do serrote. Rio de Janeiro: Sabiá, 1968. Entre os elementos constitutivos dos gêne- ros, está o modo como se organiza a pró- pria composição textual, tendo-se em vista o objetivo de seu autor: narrar, descrever, argumentar, explicar, instruir. No trecho, reconhece-se uma sequência textual a) explicativa, em que se expõem informações objetivas referentes à prima Julieta. b) instrucional, em que se ensina o comporta- mento feminino, inspirado em prima Julieta. c) narrativa, em que se contam fatos que, no decorrer do tempo, envolvem prima Julieta. d) descritiva, em que se constrói a imagem de prima Julieta a partir do que os sentidos do enunciador captam. e) argumentativa, em que se defende a opinião do enunciador sobre prima Julieta, buscan- do-se a adesão do leitor a essas ideias. 13. (Enem) Ó meio-dia confuso, ó vinte-e-um de abril sinistro, que intrigas de ouro e de sonho houve em tua formação? Quem ordena, julga e pune? Quem é culpado e inocente? Na mesma cova do tempo cai o castigo e o perdão. Morre a tinta das sentenças e o sangue dos enforcados... — liras, espadas e cruzes pura cinza agora são. Na mesma cova, as palavras, o secreto pensamento, as coroas e os machados, mentira e verdade estão. [...] MEIRELES, C. Romanceiro da Inconfidência. Rio de Janeiro: Aguilar, 1972. (fragmento) 131 O poema de Cecília Meireles tem como ponto de partida um fato da história nacional, a Inconfidência Mineira. Nesse poema, a rela- ção entre texto literário e contexto históri- co indica que a produção literária é sempre uma recriação da realidade, mesmo quando faz referência a um fato histórico determi- nado. No poema de Cecília Meireles, a recria- ção se concretiza por meio: a) do questionamento da ocorrência do próprio fato, que, recriado, passa a existir como for- ma poética desassociada da história nacional. b) da descrição idealizada e fantasiosa do fato histórico, transformado em batalha épica que exalta a força dos ideais dos Inconfidentes. c) da recusa da autora de inserir nos versos o desfecho histórico do movimento da Incon- fidência: a derrota, a prisão e a morte dos Inconfidentes. d) do distanciamento entre o tempo da escrita e o da Inconfidência, que, questionada po- eticamente, alcança sua dimensão histórica mais profunda. e) do caráter trágico, que, mesmo sem corres- ponder à realidade, foi atribuído ao fato his- tórico pela autora, a fim de exaltar o heroís- mo dos Inconfidentes. 14. (Enem) No poema “Procura da poesia”, Carlos Drummond de Andrade expressa a concepção estética de se fazer com palavras o que o escul- tor Michelangelo fazia com mármore. O frag- mento a seguir exemplifica essa afirmação. “(...) Penetra surdamente no reino das palavras. Lá estão os poemas que esperam ser escritos. (...) Chega mais perto e contempla as palavras. Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra e te pergunta, sem interesse pela resposta, pobre ou terrível, que lhe deres: trouxeste a chave?” Carlos Drummond de Andrade. A rosa do povo. Rio de Janeiro: Record, 1997, p. 13-14. Esse fragmento poético ilustra o seguinte tema constante entre autores modernistas: a) a nostalgia do passado colonialista revisitado. b) a preocupação com o engajamento político e social da literatura. c) o trabalho quase artesanal com as palavras, despertando sentidos novos. d) a produção de sentidos herméticos na busca da perfeição poética. e) a contemplação da natureza brasileira na perspectiva ufanista da pátria. 15. (Enem) Primeiro surgiu o homem nu de ca- beça baixa. Deus veio num raio. Então apa- receram os bichos que comiam os homens. E se fez o fogo, as especiarias, a roupa, a espada e o dever. Em seguida se criou a fi- losofia, que explicava como não fazer o que não devia ser feito. Então surgiram os nú- meros racionais e a História, organizando os eventos sem sentido. A fome desde sempre, das coisas e das pessoas. Foram inventados o calmante e o estimulante. E alguém apagou a luz. E cada um se vira como pode, arrancan- do as cascas das feridas que alcança. BONASSI, F. 15 cenas do descobrimento de Brasis. In: MORICONI, I. (Org.). Os cem melhores contos do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. A narrativa enxuta e dinâmica de Fernando Bonassi configura um painel evolutivo da história da humanidade. Nele, a projeção do olhar contemporâneo manifesta uma per- cepção que: a) recorre à tradição bíblica como fonte de ins- piração para a humanidade. b) desconstrói o discurso da filosofia a fim de questionar o conceito de dever. c) resgata a metodologia da história para de- nunciar as atitudes irracionais. d) transita entre o humor e a ironia para cele- brar o caos da vida cotidiana. e) satiriza a matemática e a medicina para des- mistificar o saber científico. 16. (Enem) TEXTO I Voluntário Rosa tecia redes, e os produtos de sua peque- na indústria gozavam de boa fama nos arre- dores. A reputação da tapuia crescera com a feitura de uma maqueira de tucum ornamen- tada com a coroa brasileira, obra de ingênuo gosto, que lhe valera a admiração de toda a comarca e provocara a inveja da célebre Ana Raimunda, de Óbidos, a qual chegara a for- mar uma fortunazinha com aquela especia- lidade, quando a indústria norte-americana reduzira à inatividade os teares rotineiros do Amazonas. SOUSA, I. Contos amazônicos. São Paulo: Martins Fontes, 2004. TEXTO II Relato de um certo oriente Emilie, ao contrário de meu pai, de Dorner e dos nossos vizinhos, não tinha vivido no interior do Amazonas. Ela, como eu, jamais atravessara o rio. Manaus era o seu mundo visível. O outro latejava na sua memória. Imantada por uma voz melodiosa, quase en- cantada, Emilie maravilha-se com a descri- ção da trepadeira que espanta a inveja, das folhas malhadas de um tajá que reproduz a fortuna de um homem, das receitas de curan- deiros que veem em certas ervas da floresta 132 o enigma das doenças mais temíveis, com as infusões de coloração sanguínea aconselha- das para aliviar trinta e seis dores do corpo humano. “E existem ervas que não curam nada”, revelava a lavadeira, “mas assanham a mente da gente. Basta tomar um gole do lí- quido fervendo para que o cristão sonhe uma única noite muitas vidas diferentes”. Esse re- lato poderia ser de duvidosa veracidade para outras pessoas, mas não para Emilie. HATOUM, M. São Paulo: Cia. das Letras, 2008. As representaçõesda Amazônia na literatura brasileira mantêm relação com o papel atri- buído à região na construção do imaginário nacional. Pertencentes a contextos históri- cos distintos, os fragmentos diferenciam-se ao propor uma representação da realidade amazônica em que se evidenciam a) aspectos da produção econômica e da cura na tradição popular. b) manifestações culturais autênticas e da re- signação familiar. c) valores sociais autóctones e influência dos estrangeiros. d) formas de resistência locais e do cultivo das superstições. e) costumes domésticos e levantamento das tradições indígenas. 17. (Enem) Dario vinha apressado, guarda-chuva no braço esquerdo e, assim que dobrou a es- quina, diminuiu o passo até parar, encostan- do-se à parede de uma casa. Por ela escorre- gando, sentou-se na calçada, ainda úmida da chuva, e descansou na pedra o cachimbo. Dois ou três passantes rodearam-no e inda- garam se não se sentia bem. Dario abriu a boca, moveu os lábios, não se ouviu resposta. O senhor gordo, de branco, sugeriu que devia sofrer de ataque. TREVISAN, D. Uma vela para Dario. Cemitério de Elefantes. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1964 (adaptado). No texto, um acontecimento é narrado em linguagem literária. Esse mesmo fato, se re- latado em versão jornalística, com caracte- rísticas de notícia, seria identificado em: a) Aí, amigão, fui diminuindo o passo e tentei me apoiar no guarda-chuva... mas não deu. Encostei na parede e fui escorregando. Foi mal, cara! Perdi os sentidos ali mesmo. Um povo que passava falou comigo e tentou me socorrer. E eu, ali, estatelado, sem conseguir falar nada! Cruzes! Que mal! b) O representante comercial Dario Ferreira, 43 anos, não resistiu e caiu na calçada da Rua da Abolição, quase esquina com a Padre Viei- ra, no centro da cidade, ontem por volta do meio-dia. O homem ainda tentou apoiar-se no guarda-chuva que trazia, mas não conse- guiu. Aos populares que tentaram socorrê-lo não conseguiu dar qualquer informação. c) Eu logo vi que podia se tratar de um ata- que. Eu vinha logo atrás. O homem, todo aprumado, de guarda-chuva no braço e ca- chimbo na boca, dobrou a esquina e foi di- minuindo o passo até se sentar no chão da calçada. Algumas pessoas que passavam para- ram para ajudar, mas ele nem conseguia falar. d) Vítima Idade: entre 40 e 45 anos Sexo: masculino Cor: branca Ocorrência: Encontrado desacordado na Rua da Abolição, quase esquina com Padre Vieira. Ambulância chamada às 12h34min por ho- mem desconhecido. A caminho. e) Pronto socorro? Por favor, tem um homem caído na calçada da rua da Abolição, quase esquina com a Padre Vieira. Ele parece des- maiado. Tem um grupo de pessoas em vol- ta dele. Mas parece que ninguém aqui pode ajudar. Ele precisa de uma ambulância rápi- do. Por favor, venham logo! 18. Leia o poema: podem ficar com a realidade esse baixo astral em que tudo entra pelo cano eu quero viver de verdade eu fico com o cinema americano O poeta Paulo Leminski neste poema usa de procedimento redundante em sua obra. As- sinale a alternativa que identifica esse pro- cedimento. a) intertextualidade. b) ironia. c) crítica à sociedade de massa. d) fuga à realidade. e) desejo de viver intensamente. 19. Leia o poema: o bicho alfabeto tem vinte e três patas ou quase por onde ele passa nascem palavras e frases com frases se fazem asas palavras o vento leve o bicho alfabeto passa fica o que não se escreve (Paulo Leminski) Identifique a alternativa correta. a) A metalinguagem, presente no poema trans- crito, é um recurso exclusivo da poesia con- temporânea. b) Aproximando o alfabeto a um ser capaz de se movimentar o poeta favorece a ideia cen- tral do poema: tudo o que tem a ver com palavras está sujeito a mudanças. 133 c) Paulo Leminski, representante da poesia marginal, enfatiza no poema a inutilidade da palavra escrita. d) Ao apresentar o alfabeto como um bicho com número ímpar de patas Leminski cria a ideia de um desequilíbrio que prejudica a expressão poética. e) A ausência de metáforas e de rimas é carac- terística não apenas do poema citado, mas de toda a obra de Paulo Leminski. 20. Leia os versos de Cecília Meireles, extraídos do poema Epigrama nº 8. Encostei-me a ti, sabendo bem que eras [somente onda. Sabendo bem que eras nuvem, depus a [minha vida em ti. Como sabia bem tudo isso, e dei-me ao teu [destino frágil, fiquei sem poder chorar, quando caí. O eu lírico reconhece que a pessoa em quem depôs sua vida representava: a) uma relação incerta, por isso os desenganos vividos seriam inevitáveis. b) um sentimento intenso, por isso tinha cer- teza de que não sofreria. c) um caso de amor passageiro, por isso se sen- tia enganado. d) uma angústia inevitável, por isso seria me- lhor aquele amor. e) uma opção equivocada, por isso sempre teve medo de amar. 21. Venturosa de sonhar-te, à minha sombra me deito. (Teu rosto, por toda parte, mas, amor, só no meu peito!) — Barqueiro, que céu tão leve! Barqueiro, que mar parado! Barqueiro, que enigma breve, o sonho de ter amado! Em barca de nuvens sigo: e o que vou pagando ao vento para levar-te comigo é suspiro e pensamento. — Barqueiro, que doce instante! Barqueiro, que instante imenso, não do amado nem do amante: mas de amar o amor que penso! MEIRELES, Cecília. Canções. Obra poética. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1972. p. 564. A poesia de Cecília Meireles constitui “esbo- ços de quadros metafísicos”, o que pode ser comprovado no texto por meio: a) da exaltação do ente amado em sua plenitu- de de beleza. b) do sofrimento causado pelo distanciamento entre os amantes. c) da nostalgia de um tempo marcado pela ex- periência concreta do amor. d) de uma atitude reflexiva do sujeito poético a respeito do amor como ideia. e) de versos predominantemente descritivos de uma paisagem estática que reflete o íntimo do sujeito lírico. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Epigrama 2 És precária e veloz, Felicidade. Custas a vir e, quando vens, não te demoras. Foste tu que ensinaste aos homens que havia [tempo, e, para te medir, se inventaram as horas. Felicidade, és coisa estranha e dolorosa: Fizeste para sempre a vida ficar triste: Porque um dia se vê que as horas todas [passam, e um tempo despovoado e profundo persiste. (Cecília Meireles) 22. Assinale a afirmação errônea sobre o poema. a) Ao dialogar com a figura da Felicidade, o “eu” poético personifica-a. b) A Felicidade é caracterizada por elementos paradoxais. c) As horas foram inventadas como tentativa de substituição da Felicidade. d) Constata-se que o tempo é tão fugaz quanto a Felicidade. e) A Felicidade acaba sendo responsável pelo vazio existencial. Considere o poema abaixo, de Ana Cristina César (1952-1983). Fisionomia não é mentira é outra a dor que dói em mim é um projeto de passeio em círculo um malogro do objeto em foco a intensidade de luz de tarde no jardim é outra a dor que dói 23. O título do poema está relacionado ao eu lí- rico por um conflito de natureza: a) amorosa. b) social. c) física d) existencial. e) imaginária. 134 24. (Enem) Vei, a Sol Ora o pássaro careceu de fazer necessidade, fez e o herói ficou escorrendo sujeira de uru- bu. Já era de madrugadinha e o tempo es- tava inteiramente frio. Macunaíma acordou tremendo, todo lambuzado. Assim mesmo examinou bem a pedra mirim da ilhota para vê si não havia alguma cova com dinheiro enterrado. Não havia não. Nem a correnti- nha encantada de prata que indica pro es- colhido, tesouro de holandês. Havia só as formigas jaquitaguas ruivinhas. Então passou Caiuanogue, a estrela da ma- nhã. Macunaíma já meio enjoado de tanto viver pediu pra ela que o carregasse pro céu. Caiuanogue foi se chegando porém o herói fedia muito. – Vá tomar banho! – ela fez. E foi-se embora. Assim nasceu a expressão “Vá tomar banho” que os brasileiros empregam se referindo a certos imigrantes europeus. ANDRADE, M. Macunaíma: o herói sem nenhum caráter. Rio de Janeiro: Agir, 2008. Ofragmento de texto faz parte do capítulo VII, intitulado “Vei, a Sol”, do livro Macu- naíma, de Mário de Andrade, pertencente à primeira fase do Modernismo brasileiro. Considerando a linguagem empregada pelo narrador, é possível identificar: a) resquícios do discurso naturalista usado pe- los escritores do século XIX. b) ausência de linearidade no tratamento do tempo, recurso comum ao texto narrativo da primeira fase modernista. c) referência à fauna como meio de denunciar o primitivismo e o atraso de algumas regiões do país. d) descrição preconceituosa dos tipos popula- res brasileiros, representados por Macunaí- ma e Caiuanogue. e) uso da linguagem coloquial e de temáticas do lendário brasileiro como meio de valori- zação da cultura popular nacional. 25. (Enem) Evocação do Recife A vida não me chegava pelos jornais nem pe- los livros Vinha da boca do povo na língua errada do povo Língua certa do povo Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil Ao passo que nós O que fazemos É macaquear A sintaxe lusíada… BANDEIRA, M. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2007. Segundo o poema de Manuel Bandeira, as variações linguísticas originárias das classes populares devem ser: a) satirizadas, pois as várias formas de se falar o português no Brasil ferem a língua portu- guesa autêntica. b) questionadas, pois o povo brasileiro esquece a sintaxe da língua portuguesa. c) subestimadas, pois o português “gostoso” de Portugal deve ser a referência de correção linguística. d) reconhecidas, pois a formação cultural brasi- leira é garantida por meio da fala do povo. e) reelaboradas, pois o povo “macaqueia” a lín- gua portuguesa original. 26. (Enem) Cena O canivete voou E o negro comprado na cadeia Estatelou de costas E bateu coa cabeça na pedra ANDRADE, O. Pau-brasil. São Paulo: Globo, 2001. O Modernismo representou uma ruptura com os padrões formais e temáticos até então vi- gentes na literatura brasileira. Seguindo es- ses aspectos, o que caracteriza o poema Cena como modernista é o(a): a) construção linguística por meio de neologismo. b) estabelecimento de um campo semântico inusitado. c) configuração de um sentimentalismo conci- so e irônico. d) subversão de lugares-comuns tradicionais. e) uso da técnica de montagem de imagens jus- tapostas. 27. (Enem) O poema de Oswald de Andrade remonta à ideia de que a brasilidade está relacionada ao futebol. Quanto à questão da identidade nacional, as anotações em torno dos versos constituem: 135 a) direcionamentos possíveis para uma leitura crí- tica de dados histórico-culturais. b) forma clássica da construção poética brasileira. c) rejeição à ideia do Brasil como o país do futebol. d) intervenções de um leitor estrangeiro no exercí- cio de leitura poética. e) lembretes de palavras tipicamente brasileiras substitutivas das originais. 28. (ENEM) Só é meu O país que trago dentro da alma. Entro nele sem passaporte Como em minha casa. [...] As ruas me pertencem. Mas não há casas nas ruas, As casas foram destruídas desde a minha in- fância. Os seus habitantes vagueiam no espaço À procura de um lar. Só é meu O mundo que trago dentro da alma. BANDEIRA, M. “Um poema de Chagall”. In: Estrela da vida inteira: poemas traduzidos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,1993 (fragmento). A arte, em suas diversas manifestações, des- perta sentimentos que atravessam fronteiras culturais. Relacionando a temática do texto com a imagem, percebe-se a ligação entre a: a) alegria e a satisfação na produção das obras modernistas. b) memória e a lembrança passadas no íntimo do enunciador. c) saudade e o refúgio encontrados pelo ho- mem na natureza. d) lembrança e o rancor relacionados ao seu ofício original. e) exaustão e o medo impostos ao corpo de todo artista. 29. (Enem) ERRO DE PORTUGUÊS Quando o português chegou Debaixo de uma bruta chuva Vestiu o índio Que pena! Fosse uma manhã de Sol O índio tinha despido O português. Oswald de Andrade. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978. O primitivismo observável no poema ante- rior, de Oswald de Andrade, caracteriza de forma marcante: a) o regionalismo do Nordeste. b) o concretismo paulista. c) a poesia Pau-Brasil. d) o simbolismo pré-modernista. e) o tropicalismo baiano. 30. (Enem) “Poética”, de Manuel Bandeira, é quase um manifesto do movimento moder- nista brasileiro de 1922. No poema, o autor elabora críticas e propostas que representam o pensamento estético predominante na época. Poética Estou farto do lirismo comedido Do lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e [manifestações de apreço ao Sr. diretor. Estou farto do lirismo que para e vai averi- guar no dicionário [o cunho vernáculo de um vocábulo Abaixo os puristas .................................................................. Quero antes o lirismo dos loucos O lirismo dos bêbedos O lirismo difícil e pungente dos bêbedos O lirismo dos clowns de Shakespeare — Não quero mais saber do lirismo que não é libertação. (BANDEIRA, Manuel. Poesia Completa e Prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1974.) Com base na leitura do poema, podemos afir- mar corretamente que o poeta: a) critica o lirismo louco do movimento moder- nista. b) critica todo e qualquer lirismo na literatura. c) propõe o retorno ao lirismo do movimento clássico. d) propõe o retomo ao lirismo do movimento romântico. e) Propõe a criação de um novo lirismo. GAbARito 1. E 2. D 3. D 4. D 5. C 6. A 7. A 8. E 9. C 10. D 11. B 12. D 13. D 14 C 15. D 16. A 17. B 18. B 19. B 20 A 21. D 22. C 23. D 24. E 25. D 26. E 27. A 28. B 29. C 30. E Redação ENTRE FRASES L C L C RPA ENEM Competência 1 – Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa. Competência 2 – Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa. Competência 3 – Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. Competência 4 – Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação. Competência 5 – Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos. 139 A redação do Enem é corrigida a partir da análise de cinco competências, sendo atribuído o valor de 200 pontos para cada uma delas, totalizando 1000 pontos. Cabe ao candidato o conhecimento pleno das competências e níveis de proficiência, a fim de que atinja o grau máximo na avaliação. Fonte: Matriz de Referência – Cartilha de Redação Inep. Avisos importantes Competências 1 e 2 Aula 1 140 CompetênCia 1 Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa. Em primeiro lugar, você deve se atentar ao fato de que a escrita formal é a modalidade da língua associada a textos dissertativo-argumentativos. Assim, você será alertado sobre a obrigatoriedade de usar a modalidade formal já na proposta de redação: “A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos cons- truídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema...”. Desse modo, o avaliador corrigirá sua redação, nessa Competência, considerando os possíveis problemas de construção sintática e a presença de desvios (gramaticais, de convenções da escrita, de escolha de registro e de escolha vocabular). Em relação à construção sintática, você deve estruturar as orações e os períodos de seu texto sempre bus- cando garantir que eles estejam completos e contribuam para a fluidez da leitura. Quanto aos desvios, você deve estar atento aos seguintes aspectos: § Convenções da escrita: acentuação, ortografia, separação silábica, uso do hífen e uso de letras maiús-culas e minúsculas. § Gramaticais: concordância verbal e nominal, flexão de nomes e verbos, pontuação, regência verbal e nominal, colocação pronominal, pontuação e paralelismo. § Escolha de registro: adequação à modalidade escrita formal, isto é, ausência de uso de registro informal e/ou de marcas de oralidade. § Escolha vocabular: emprego de vocabulário preciso, o que significa que as palavras selecionadas são usadas em seu sentido correto e são apropriadas para o texto. Esteja muito atento à construção sintática das orações e aos problemas de acentuação, pontuação, concor- dância e ortografia; Dê preferência ao emprego de períodos menores, em que as subordinações e orações intercaladas possam ficar mais claras e organizadas aos olhos do leitor; RELEIA o seu rascunho antes de passar a limpo procurando eliminar quaisquer desvios da norma padrão e usos lexicais da informalidade. 141 CompetênCia 2 Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo. A sua redação atenderá às exigências de elaboração de um texto dissertativo-argumentativo, se combinar dois princípios de estruturação: Importante Leia com atenção a proposta da redação e os textos motivadores, para compreender bem o que está sendo solicitado. Evite ficar preso às ideias desenvolvidas nos textos motivadores, porque foram apresentadas apenas para despertar uma reflexão sobre o tema. Não copie trechos dos textos motivadores. Lembre-se de que eles foram apresentados apenas para desper- tar seus conhecimentos sobre o tema. Além disso, a recorrência de cópia é avaliada negativamente e fará com que seu texto tenha uma pontuação mais baixa. Reflita sobre o tema proposto para definir qual será o foco da discussão, isto é, para decidir como abordá-lo, qual será o ponto de vista adotado e como defendê-lo. 142 Utilize informações de várias áreas do conhecimento, demonstrando que você está atualizado em relação ao que acontece no mundo. Essas informações devem ser usadas de modo produtivo no seu texto, evidenciando que elas servem a um propósito muito bem definido: ajudá-lo a validar seu ponto de vista. Isso significa que essas informações devem estar articuladas à discussão desenvolvida em sua redação. Leia com MUITA ATENÇÃO o recorte temático proposto, buscando elaborar uma redação que atende integralmente ao que se pede; Construa seus parágrafos de modo a deixar claro que seu texto possui uma introdução, desenvolvimento conclu- são; Utilize ao menos um repertório pessoal na redação que esteja vinculado ao tema e que seja proveniente de outras áreas do conhecimento: literatura, história, sociologia, filosofia, direito, cinematografia, música, etc. . proposta 1 Texto I A cada dez adultos no Brasil, quatro estão inadimplentes, de acordo com a Serasa Experian. Além de assistirem ao crescimento de suas dívidas como bola de neve (pela incidência diária de multa, juros e correção monetária), as pessoas com o nome sujo na praça perdem o acesso a empréstimos bancários, cheque especial e cartão de crédito. Uma explicação para a alta inadimplência está na situação econômica do país, historicamente delicada, com salários baixos e desemprego elevado. Mas essa não é a única causa. As contas não pagas também têm um componente individual: o chamado analfabetismo financeiro. A expressão, que remete ao analfabetismo funcional, é recente e vem sendo utilizada por universidades e instituições como o Banco Mundial. A pessoa é considerada analfabeta financeira quando não lida com o dinheiro de forma plenamente cons- ciente e racional. Ela, por exemplo, não tem ideia de quanto gasta por mês. Não se preocupa em classificar suas despesas (alimentação, transporte, educação, telefone, lazer) nem em saber o peso que cada categoria tem no orçamento pessoal. Compra por impulso e não reflete se o produto é necessário e urgente. O analfabeto financeiro faz parcelamentos ignorando o peso dos juros no preço final. Entra no cheque especial e paga apenas o valor mínimo da fatura do cartão de crédito sem perceber que em ambas as situações está contraindo empréstimo — e empréstimo caro. https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/especial-cidadania/despreparo-financeiro-da-populacao-e-preocupante (19.09.2019) Texto II As figuras do ‘homem provedor’ e da ‘mulher que cuida da casa’ estão em discussão e não é de hoje. A presença feminina no mercado de trabalho colaborou para o começo do debate. No entanto, algumas crenças antigas permeiam nossa sociedade até os dias de hoje. Alguns exemplos podem estar ao nosso redor. Frases como “Precisa arranjar um marido rico” ou “Você não conseguirá pagar as contas após o divórcio” ainda são comuns. Para a educadora financeira Luciana Ikedo é comum que os homens evoluam financeiramente e na carreira, enquanto as mulheres estagnam ou regridem. “E, de repente, a gestão financeira está integralmente nas mãos do marido. E a mulher passa a ter essa crença de que não consegue arcar com os próprios custos de vida sozinha, prendendo-se a relacionamentos que já acabaram por medo da instabilidade financeira”, ressalta. 143 Do ponto de vista psíquico, a educação financeira para meninas desde a primeira infância promove maior liberdade de escolha na vida adulta. “Penso que, para mudarmos, é preciso educar financeiramente as mulheres para fazer com que elas assumam o protagonismo financeiro. Quando tomamos as rédeas de nossas vidas finan- ceiras, naturalmente perdemos o medo de arcar com as próprias contas e percebemos que a liberdade financeira é uma das coisas mais preciosas que podemos almejar”, avalia Luciana Ikedo. https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/comportamento/educacao-financeira-para-meninas-promove-maior- -liberdade-de-escolha-na-vida-adulta,80e50b286abee735c45aee3c53c8c18c2spyh3hw.html (24.09.2019) Texto III Texto IV O mercado financeiro deu um salto de desenvolvimento nos últimos anos, com o surgimento de (muitas) novas corretoras e casas de análise, o que é ótimo para os investidores e para o desenvolvimento do mercado financeiro do país. Por outro lado, atraiu também empresas mal-intencionadas e que atuam à margem do conjunto de regras que regulamentam o setor. “O mercado que opera na sombra, não temos números exatos, mas tem crescido e o número de denúncias na CVM no primeiro trimestre já foi praticamente igual ao ano passado inteiro”, conta Rogerio Vicentin de Oliveira, chefe da coordenação de educação financeira da superintendência de orientação e proteção aos investidores da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que fiscaliza o mercado de valores mobiliários no país. https://valorinveste.globo.com/educacao-financeira/noticia/2019/05/19/golpes-financeiros-crescem- -veja-dicas-para-evitar-cair-em-ciladas-na-hora-de-investir.ghtml (19/05/2019) A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema A NECESSIDADE DE SE VALORIZAR A EDUCAÇÃO FINANCEIRA ENTRE A POPULAÇÃO, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. 144 proposta 2 Texto I A estatísticas do Ministério da Saúde são incontestáveis. A queda da cobertura vacinal atingiu patamares alarmantes. A aplicação da tríplice viral caiu mais de 10 pontos desde 2011, chegando a cerca de 90% em 2018 – abaixo das metas estabelecidas internacionalmente. Estamos falando de uma importante proteção contra o saram- po, cujo surto atinge estados como São Paulo. A mesma curva descendente ocorre na aplicação de outras vacinas. https://gauchazh.clicrbs.com.br/opiniao/noticia/2019/09/as-doencas-erradicadas-estao-voltando-a-assombrar-nossos-filhos-e-filhas--ck0bi5sr103wk01l5unzjs7w9.html (09/09/2019) Texto II . Texto III O sarampo era considerado uma doença erradicada no Brasil desde 2016, quando a Organização Mundial da Saúde(OMS) identificou que o país estava há um ano sem registro de casos do vírus. Mas isso mudou em 2018: bole- tins recentes da entidade advertem que está em curso um surto da doença, altamente contagiosa e que pode levar à morte crianças pequenas ou causar sequelas graves. O Ministério da Saúde, por sua vez, informou haver alto risco de retorno da poliomielite em pelo menos 312 cidades brasileiras. A doença era considerada erradicada na América do Sul desde 1994, após décadas provocando milhares de casos de paralisia infantil. A preocupação com a pólio se dá pelo fato de que, embora não tenha havido casos recentes no Brasil, identificou-se um registro da doença na vizinha Venezuela e a circulação do vírus em outros 23 países do mundo nos últimos três anos. Os alertas acima colocam em evidência doenças que estavam controladas graças à vacinação em massa, mas que ameaçam provocar estragos na saúde pública brasileira caso a imunização sofra baixas. “Por não termos mais contato com algumas doenças infecciosas, a percepção é que elas deixaram de existir e que a vacinação é inútil. Mas poucas intervenções da medicina foram tão eficazes como as vacinas, capazes de erradicar doenças que antes mata- vam muitas pessoas”, avalia o pesquisador do Serviço de Bacteriologia do Instituto Butantan, Paulo Lee Ho. (Laís Modelli. “Sarampo, pólio, difteria e rubéola voltam a ameaçar após erradicação no Brasil”. www.bbc.com, 07.07.2018. Adaptado.) 145 A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa so- bre O REAPARECIMENTO DE DOENÇAS ERRADICADAS NO BRASIL, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. proposta 3 Texto I No Brasil, 82 mil pessoas são registradas como desaparecidas todos os anos Números estão no anuário lançado nessa terça-feira, em Brasília, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública O Fórum Brasileiro de Segurança Pública lançou o anuário com estatísticas sobre o tema. Um dos levantamentos aponta que, ao longo do ano pas- sado, as autoridades de segurança registram mais de 82 mil desaparecimentos de pessoas. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha orienta e apoia familiares de desaparecidos em todo o mundo. A coordenadora regional das Atividades de Proteção do Comitê, Marianne Pecassou, avalia que esse número pode não refletir a realidade. O cientista político Tulio Kahn, que é pesquisador associado ao Fórum de Segurança Pública, concorda que o dado poderia ser melhor. De acordo com ele, nem sempre as famílias ou os próprios órgãos de segurança deixam de notificar quando uma pessoa é encontrada. http://radios.ebc.com.br/reporter-nacional/2019/09/no-brasil-82-mil-pessoas-sao-registradas-como-desaparecidas-todos-osanos. Acessado em 08/08/2019. Texto II Rio - Aos 14 anos de idade, Pam Mariano foi avisada que um cartaz com o seu rosto estava colado em um poste de Copacabana, com uma única palavra: ‘Desaparecida’. O telefone de contato era o de sua mãe, que um ano antes havia sentenciado que não queria uma filha homossexual em casa. Expulsa após uma surra, virou moradora de rua e encontrou na prostituição a única maneira de sobreviver. Sua história não é exceção. A recusa de pais em aceitar a sexualidade dos filhos tem repercutido nas esta- tísticas de jovens desaparecidos. É o que indica levantamento da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) obtido por O DIA. Desde 2015, 3.084 adolescentes, entre 12 e 17 anos, desapareceram de casa no Município do Rio, sendo que 2.817 foram encontrados. https://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2019/06/5651520-jovens-lesbicas-fogem-da-intolerancia-fami- liar-e-aumentam-estatistica-de-desaparecidos.html#foto=1 (10.06.2019) Texto III Ivanise da Silva reclama que os cadastros nacionais de desaparecidos para adultos e crianças, lançados da década passada, não foram atualizados e não podem ser utilizados para ajudar a localizar as pessoas e produzir uma estatística confiável. Ela participou da elaboração das duas plataformas e lembra que o funcionamento desses serviços está previsto em lei. “Aquilo foi para inglês ver”, salienta. “O cadastro nacional de veículos funciona e até acha carro roubado no Paraguai. Por que não temos cadastro para pessoas desaparecidas?”, pergunta. 146 A Lei nº 13.812/2019, sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro em março, descreve no artigo 3º que “a busca e a localização de pessoas desaparecidas são consideradas prioridade com caráter de urgência pelo poder público e devem ser realizadas preferencialmente por órgãos investigativos especializados, sendo obrigatória a cooperação operacional por meio de cadastro nacional, incluídos órgãos de segurança pública e outras entidades que venham a intervir nesses casos”. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de 1990, prevê no Artigo nº 87 o funcionamento de “serviço de identificação e localização de pais, responsável, crianças e adolescentes desaparecidos”. Para Marianne Pecassou a disponibilidade e a troca de informações são fundamentais para resolver casos de desaparecimento. Além disso, é necessário ter ações preventivas e esclarecimento da opinião pública. “Alertar ajuda a prevenir”, sublinha. “Não queremos piedade, mas precisamos de solidariedade. https://www.nsctotal.com.br/noticias/mais-de-82-mil-pessoas-desapareceram-no-ultimo-ano-segundo-anuario (15.09.2019) Texto IV A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema O DRAMA DE PESSOAS DESAPARECIDAS NO BRASIL, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. . 147 CompetênCia 3 Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. É preciso, para alcançar a melhor avaliação da competência 3, a apresentação de uma ideia a ser defendida com argumentos que justifiquem a posição assumida. Essa competência trata da inteligibilidade do seu texto, ou seja, de sua coerência, de sua plausibilidade entre as ideias apresentadas. A inteligibilidade depende de alguns fatores: § Relação de sentido entre as partes do texto § Precisão vocabular § Seleção de argumentos § Progressão temática adequada ao desenvolvimento do tema (planejamento) § Adequação entre conteúdo do texto e mundo real Competências 3, 4 e 5 Aula 2 148 Construa uma tese que já anuncie ao leitor quais serão seus argumentos: Ex.: Nesse sentido, torna-se fundamental preservar a cultura popular brasileira para assegurar o reco- nhecimento identitários¹ dos indivíduos e para combater os preconceitos manifestos no senso comum². Nesse exemplo, as ideias sublinhadas anunciadas na tese deverão ser desenvolvidas, respectivamente nos segundo e terceiro parágrafos. Elabore seus parágrafos de desenvolvimento com sua opinião (introduzida pelo tópico frasal) e com explica- ções, informações e fatos que a comprovem. Para isso, utilize a estrutura do parágrafo-padrão. Além disso, vale ressaltar que – mesmo diante das denúncias – as ações do Estado ao enfrentar o problema também se revelam pouco eficazes. Isso se deve ao fato de não haver um sistema que organize os dados coletados por diferentes entidades – como a polícia Federal e delegacias regionais – e, com eles, produza ações estratégicas de combate àsquadrilhas. Esse cenário contraria o código civil brasileiro, que determina a ampliação e aperfeiçoamento das políti- cas de repressão ao tráfico humano no país. Nesse sentido, nota-se que o problema também carece de ações na esfera da administração pública. Tópico Frasal Desenvolvimento Conclusão do parágrafo 149 CompetênCia 4 Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação. Os aspectos a serem avaliados nessa competência dizem respeito à estruturação lógica e formal entre as partes da redação. A organização textual exige que as frases e os parágrafos estabeleçam entre si uma relação que garanta a sequenciação coerente do texto e a interdependência das ideias. É imprescindível que sejam bem estabelecidas a estruturação de parágrafos, a estruturação de períodos e a referenciação. § Capriche na coesão entre os períodos e parágrafos de seu texto. Lembre-se que as ideias devem estar sempre muito bem amarradas; § Use a coesão referencial para retomar termos apresentados anteriormente, evitando ao máximo a repetição de palavras. Há muitas pessoas sem saneamento básico. Tal problema... Não há assistência às vítimas. Na maior parte dos casos, elas estão sujeitas... ... muitos ainda não reconhecem os transtor- nos mentais entre os adolescentes. Isso porque... 90% da população não conhece o termo. Esse dado evidencia o quanto... § Use os conectivos para ligar seus períodos e parágrafos. Evite repetir conectivos: a pontuação máxi- ma também depende de um repertório amplo de operadores argumentativos. ENUMERAÇÃO e ADIÇÃO Em primeiro lugar, vale salientar / Além disso, vale afirmar / Primeiramente, pode-se afirmar/ Além disso, convém observar que... CONCLUSÃO Logo, é fundamental / Portanto, não se pode afirmar.../ Assim, cabe ao Minis- tério... EXPLICAÇÃO Em virtude disso/ Isso ocorre porque/ Isso se deve ao fato/ Tal situação ocorre, pois... EXEMPLIFICAÇÃO Prova disso, um exemplo disso, por exemplo 150 CompetênCia 5 Elaborar proposta de solução para o problema abordado, respeitando os valores humanos e considerando a diver- sidade sociocultural. Faça uma proposta concreta. Pense em ações possíveis e evite clichês. Não se esqueça de nenhum dos elementos: AGENTE, AÇÃO, MEIO, FINALIDADE. Lembre-se também de que ao menos 1 desses elementos precisa estar DETALHADO. AGENTE AÇÃO MEIO FINALIDADE c/ detalhamento Logo, o Ministério da Saú- de deve alertar a população sobre a importância da va- cinação, por meio da ampliação de campanhas que mostrem os riscos à saúde das gerações com o objetivo de aumentar o número de pessoas vacinadas no país, evitando o reaparecimento de doenças antes erradicadas. AGENTE AÇÃO MEIO c/detalhamento FINALIDADE Em paralelo, cabe às es- colas instruir os alunos a como li- dar com as informações que aparecem na internet, por intermédio de atividades lúdicas – como debates, rodas de conversas e oficinas de pes- quisa – com a finalidade aprimorar a capacidade de filtragem de in- formações entre crianças e ado- lescentes. O quinto aspecto a ser avaliado no seu texto é a apresentação de uma proposta de intervenção para o problema abordado. Por isso, a sua redação deve apresentar uma tese sobre o tema, apoiada em argumentos con- sistentes, e uma proposta de intervenção para o problema abordado. Considerando seu planejamento de escrita, seu projeto de texto, avaliado na competência 3, sua proposta deve ser coerente com a tese desenvolvida e com os argumentos utilizados, já que expressa sua visão, como autor, das possíveis soluções para a questão discutida. Além disso, é necessário também, ao idealizar sua proposta de intervenção, respeitar os direitos humanos, ou seja, não romper com os valores de cidadania, liberdade, solidariedade e diversidade cultural. A proposta de intervenção deve refletir os conhecimentos de mundo de quem a redige e, quando muito bem elaborada, deve conter não apenas a exposição da ação interventiva sugerida, mas também o ator social compe- tente para executá-la, de acordo com o âmbito da ação escolhida: individual, familiar, comunitário, social, político, governamental e mundial. Além disso, a proposta de intervenção deve conter o meio de execução da ação e seu possível efeito, bem como o detalhamento da ação ou do meio para realizá-la. 151 Ao redigir seu texto, evite propostas vagas ou muito genéricas; busque ações mais concretas, mais específi- cas ao tema e consistentes com o desenvolvimento de suas ideias. Antes de elaborar sua proposta, procure responder às seguintes perguntas: O que é possível apresentar como proposta de intervenção para o problema abordado pelo tema? Quem deve executá-la? Como viabilizar essa proposta? Qual efeito ela pode alcançar? A proposta de intervenção também deve refletir os conhecimentos de mundo de quem a redige e, quando muito bem elaborada, deve conter não apenas a exposição da ação interventiva sugerida, mas também o ator social competente para executá-la, de acordo com o âmbito da ação escolhida: individual, familiar, comunitário, social, político, governamental e mundial. Além disso, a proposta de intervenção deve conter o meio de execução da ação e o seu possível efeito, bem como algum outro detalhamento. O seu texto será avaliado, portanto, com base na composição e no detalhamento da proposta que você apresentar. Resumindo: seu texto será avaliado, portanto, com base na composição e no detalhamento da proposta que você apresentar. Redação no Enem 2018. Cartilha do Participante. proposta 1 Texto I Saúde mental é um conceito vago que engloba desde transtornos como dislexia, autismo, síndrome de Down, demência senil, depressão, que se manifestam de diferentes formas e com diferentes sintomas, até distúr- bios psicológicos e de comportamento – ansiedade e estresse, por exemplo – diretamente relacionados com as condições de vida impostas pela sociedade atual. Embora seja uma patologia tão abrangente, é longa a tradição de lidar mal com as pessoas que têm “pro- blemas mentais”. Num passado não tão remoto assim, quem nascia com uma doença psiquiátrica ou a desen- volvesse durante a vida era trancafiado num quarto, isolado de toda a família, e os parentes procuravam evitar a aproximação de vizinhos e amigos, porque essas enfermidades eram motivo de vergonha. Os asilos criados com o intuito de prestar assistência a esses doentes não conseguiram colocar em prática a proposta de atendimento. Em São Paulo, o Juqueri foi uma organização típica dessa fase. Muitos portadores de doenças psiquiátricas internados nessa instituição concebida para prestar-lhes atendimento especializado, ali permaneceram até morrer. Atualmente, a Política Nacional de Saúde Mental vigente no Brasil e instituída por lei federal defende o atendimento dessas pessoas fora dos hospitais e enfatiza a necessidade de sua reabilitação psicossocial. Para que isso seja realizado de forma eficaz, é necessária a implantação de medidas de apoio não só ao paciente, mas também à sua família. Disponível em: <www12.senado.leg.br/emdiscussao/edicoes/regulacao-economica/desperdicio-de-alimentos>. Texto II Mudanças bruscas de comportamento, abuso de substâncias e irritabilidade. Se essa descrição corresponde a alguém próximo a você, talvez essa pessoa precise de ajuda de um profissional de saúde mental. Segundo Rodrigo Leite, coordenador dos ambulatórios do IPq (Instituto de Psiquiatria) do Hospital das Clínicas da USP, ninguém sabe muito bem como se comportar no momento em que se depara com uma situação como essa. 152 Mas a primeira coisa a se fazer é prestar atenção ao início dos sintomas. “Não precisa esperar a pessoa quebrar a casa inteira para ver que tem algo errado”, diz Leite. “Os transtornos não começam do dia para a noite. Seguem um curso, que começa com alterações mais leves, que, se não são tratadas, vão evoluindo para alterações comportamentais mais grosseiras.” https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2018/11/como-identificar-problemas-mentais-e-ajudar-as-pessoas-a-buscar-ajuda.shtml (08.11.2018) Texto III https://laboro.edu.br/saude-mental-e-a-cobranca-da-sociedade/ Acesso em 28.09.2019. Texto IV Art. 1º Esta Lei institui a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio, a ser implementada pela União, pelos Estados, pelos Municípios e pelo Distrito Federal. Art. 2º Fica instituída a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio, como estratégia permanente do poder público para a prevenção desses eventos e para o tratamento dos condicionantes a eles associados. Parágrafo único. A Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio será implementada pela União, em cooperação com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, e com a participação da sociedade civil e de instituições privadas. Art. 3º São objetivos da Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio: I – promover a saúde mental; II – prevenir a violência autoprovocada; III – controlar os fatores determinantes e condicionantes da saúde mental; IV – garantir o acesso à atenção psicossocial das pessoas em sofrimento psíquico agudo ou crônico, espe- cialmente daquelas com histórico de ideação suicida, automutilações e tentativa de suicídio; V – abordar adequadamente os familiares e as pessoas próximas das vítimas de suicídio e garantir-lhes assistência psicossocial; VI – informar e sensibilizar a sociedade sobre a importância e a relevância das lesões autoprovocadas como problemas de saúde pública passíveis de prevenção; VII – promover a articulação intersetorial para a prevenção do suicídio, envolvendo entidades de saúde, educação, comunicação, imprensa, polícia, entre outras; http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/lei/L13819.htm (26.04.2019) 153 A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema DIFICULDADES NA PROMOÇÃO DA SAÚDE MENTAL NO BRASIL, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumen- tos e fatos para defesa de seu ponto de vista. proposta 2 Texto I Erotização precoce nada mais é do que a exposição prematura de conteúdos e estímulos a indivíduos que ainda não têm maturidade suficiente para compreendê-los e elaborá-los. Pois bem, ilustremos com uma situação relativamente comum nos dias de hoje: se um menino ou uma menina, ainda pequenos, são apresentados a uma cena de sexo explícito, seja ela televisionada ou assistida ao vivo, muito provavelmente eles, além de não entende- rem completamente do que se trata, serão invadidos por uma gama de sentimentos e fantasias a respeito do ato, que pode gerar desde uma excitação exacerbada que provoca ansiedade, até sentir medo por acharem que se trata de algo violento, que machuca, gera dor. Em ambas as situações – ou em quaisquer outras possíveis impressões que os pequenos possam vir a ter em relação ao que viram – o impacto dessa apresentação tão adiantada em suas vidas acaba por trazer interpretações equivocadas, deixando marcas importantes nesse processo. https://labedu.org.br/sobre-os-riscos-da-erotizacao-precoce-na-infancia-2/ (12.06.2017) Texto II Recentemente, Gabriella Abreu Severino, mais conhecida como Melody, tornou-se novamente alvo de polê- micas, dessa vez envolvendo seu último clipe e sua aparência em fotos do Instagram. A menina sofre um processo de erotização e adultização por conta do modo que se portava e como se vestia em publicações nas redes sociais e nos vídeos – sendo que ela tem só 11 anos de idade. Melody era assediada online por meio de comentários de conotação pornográfica e chegou a ter sua conta suspensa após um grande número de críticas quanto ao apelo sexual das fotos. Em seu último videoclipe, já fora do ar, a cantora mirim faz caras e bocas, usa um figurino sensual e aparece com a maquiagem carregada, lhe dando a aparência de uma pessoa mais velha. O MdeMulher conversou com Deborah Moss, neuropsicóloga e especialista em psicologia do desenvolvi- mento, a respeito desse comportamento das crianças e pré-adolescentes que têm um histórico de comportamento igual ao de Melody. Buscamos compreender, sobretudo, as consequências que essas atitudes podem ter no futuro, influenciando o desenvolvimento sexual, psicológico e emocional das jovens. Deborah fala sobre o quão importante é a fase da infância para o desenvolvimento humano e alerta sobre o seu encurtamento, fenômeno potencializado pela popularização da internet em meio às crianças. “As crianças de hoje em dia já querem logo ser adultas. Elas acabam tendo que passar por toda a infância sem ter aquela parte lúdica”. https://mdemulher.abril.com.br/estilo-de-vida/psicologa-fala-sobre-os-riscos-da-adultizacao-e-erotizacao-de-meninas/ (24.01.2019) 154 Texto III O Projeto de Lei 10583/18 inclui medidas de prevenção à erotização precoce nas escolas públicas do Brasil. O texto define erotização precoce como a prática de exposição prematura de conteúdo, estímulos e comporta- mentos a indivíduos que ainda não têm maturidade suficiente para compreensão e elaboração de tais ações. Pela proposta, da deputada Mariana Carvalho (PSDB-RO), entre os objetivos das medidas estão: a) prevenir e combater a prática da erotização infantil (sexualização precoce) no comportamento e aprendizado social das crianças; b) capacitar docentes e equipe pedagógica para a implementação das ações de discussão, prevenção, orientação e solução do problema; c) orientar envolvidos em situação de erotização precoce, visando à recuperação da atuação comportamental, o pleno desenvolvimento e a convivência harmônica no ambiente social; d) envolver a família no processo de construção da cultura do combate à erotização infantil. Carvalho aponta que é necessário definir o que é erotização precoce, pois não se trata de isolar a criança de sua sexualidade, mas sim evitar que fatores externos influenciem negativamente a forma como ela enxerga sua sexualidade, suas atitudes sexuais, valores, assim como seus relacionamentos e até mesmo sua capacidade de entender o amor e o afeto. https://www.camara.leg.br/noticias/550681-PROJETO-PREVE-QUE-ESCOLAS-PUBLICAS- -ADOTEM-MEDIDAS-CONTRA-EROTIZACAO-PRECOCE (11.01.2019) Texto IV https://www.facebook.com/criancanaonamoranemdebrincadeira/photos/p.296079467764126/296079467764126/?type=1&theater A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema OS RISCOS DA EROTIZAÇÃO PRECOCE PARA O DESENVOLVIMENTO INFANTO-JUVENIL, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. 155 proposta 3 Texto I O número de vagas ofertadas no ensino superior a distância no Brasil em 2018 superou as do ensino su- perior presencial pela primeira vez na história. É o que mostram os dados do Censo de Educação Superior 2018, divulgados hoje pelo MEC (Ministério da Educação). Mesmo com esse salto nas vagas oferecidas, ainda há mais alunos matriculados em cursos presenciais do que em cursos de ensino superior a distância. No ano passado, foram 13,5 milhões de vagas oferecidas para um curso de educação superior no Brasil. Delas, 7,1 milhões foram para cur- sos a distância, enquanto 6,4 foram para cursos presenciais. Segundo os dados do censo, porém, havia 2 milhões de alunos matriculados no ano passado em cursos de ensino superior a distância, número três vezes menor que a quantidade de alunos matriculados em cursos de ensino superior presencial, que de era 6,4 milhões. https://educacao.uol.com.br/noticias/2019/09/19/pela-1-vez-vagas-no-ensino--superior-a-distancia-superam-as-no-presencial.htm (19.09.2019) Texto II O ensino a distância pode ser um complemento ao ensino presencial e responder a demandas específicas. Entretanto, poucas são as pessoas que se adaptam a ele, muitas não conseguem organizar seu tempo de forma adequada, outras, ainda, não têm espaço e ambiente adequado para estudo. Esses fatores, bem como a impos- sibilidade de troca de experiências com colegas, têm sido apontados como responsáveis pelas enormes taxas de abandono na educação a distância. Docentes, pesquisadores e instituições sérias de ensino superior sabem usar os recursos da educação a distância de forma adequada. Deixar que essa modalidade seja ainda mais explorada por instituições privadas que já se mostraram incapazes de oferecer adequadamente o ensino presencial apenas piorará ainda mais a educação no país Otaviano Helene, professor do Instituto de Física da USP, ex-presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pes- quisas) https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2019/07/educacao-a-distancia-assim-nao.shtml (27.07.2019) Texto III Independente dos diversos problemas e entraves à implementação de cursos a distância no País, a estimati- va é de que as inovações digitais dinamizem o aprendizado. “Eu vejo um futuro muito forte da tecnologia na edu- cação”, diz Romero Tori. Segundo ele, a tendência é a existência de uma educação híbrida. “Estamos caminhando para que os cursos presenciais fiquem mais tecnológicos, bem como os cursos a distância se aproximam de cursos presenciais. Em cursos a distância já são comuns encontros presenciais entre alunos”, avalia. “Um ensino a distância democratiza o ensino. Com um curso a distância se pode aproveitar os melhores professores de forma que eles sejam acessíveis a todos os alunos”, avalia Gil da Costa Marques, coordenador-geral do curso a distância de Licenciatura em Ciências da USP e docente do Instituto de Física. Segundo o coordenador, a EAD poderá solucionar dois grandes problemas da educação brasileira: o acesso e o domínio do conhecimento. “Realmente são poucos, hoje, os que têm acesso a uma educação superior.” https://www.usp.br/espacoaberto/?materia=ead-e-solucao-para-problemas-na-educacao-brasileira (Acesso em 27.09.2019) 156 Texto IV A possibilidade de o próprio aluno montar o seu plano de aula de acordo com a rotina é atrativa. A edu- cação a distância permite que alunos sejam os protagonistas durante a graduação, pós-graduação ou em cursos profissionalizantes, além de aliar o conteúdo tradicional com o universo multimídia. Apesar dos pontos positivos, quem se matricula em um curso EAD relata dificuldades: problemas de comunicação, atendimento ruim e até má qualidade do serviço prestado. O enfermeiro Ednilson Messias de Oliveira, de 36 anos, é de Divinópolis (MG) e está matriculado em uma pós-graduação de Enfermagem do Trabalho de uma instituição de Brasília. Essa é o segundo curso que ele fez na mesma faculdade. Da primeira vez, ao cursar Enfermagem em Urgência e Emergência, ele cita que a experiência foi positiva. Na segunda, porém, não teve a mesma sorte. “Na primeira pós deu tudo certo. Acho que foi porque não tive que ter tanto contato com a faculdade. Na segunda vez precisei fazer mais contato por conta de alguns pro- blemas, e enfrentei várias barreiras para chegar a quem precisava. O contato com a faculdade é muito burocrático, porque não tem como ficarmos ‘cara a cara’”, critica. Diferentemente de Ednilson, a orçamentista Shayene Boaventura, 29 anos, não tem do que reclamar. De Uberaba (MG), ela se mudou para Brasília há três anos. Na época, quando cursava o 5º semestre, ela teve de tran- car o curso de Engenharia Civil para se mudar para a nova cidade. Quando chegou à capital, descobriu que sua faculdade oferecia o curso, com os mesmos professores, na modalidade EAD. Por ter passado pelas duas modalidades na mesma universidade, ela conclui que não há diferenças na qualidade do conteúdo. “A única diferença que percebi é que o EAD exige uma disciplina maior. O material está ali e é você que tem que sentar para estudar. No presencial, o professor te puxa. Aqui não tem. É a necessidade que faz a gente buscar o estudo”, compara. Com duas filhas, de 8 e 9 anos, e trabalhando fora o dia inteiro, Shayane adaptou sua rotina facilmente. “Eu acho até mais fácil, porque a aula está salva e posso assistir uma, duas ou até entender o conteúdo. No presencial, não tem isso. Tenho tutores quase que 24 horas, me respondem sempre com rapidez. Eu me organizo com base na minha rotina”, aponta. https://jornaldebrasilia.com.br/concursos-e-carreiras/apesar-da-facilidade-educacao- -distancia-apresenta-problemas-para-estudantes/ (04.02.2019) A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema OS DESAFIOS NA PROMOÇÃO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR À DISTÂNCIA NO BRASIL, apre- sentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. C H História C H HISTÓRIA RPA ENEM Competência 1 – Compreender os elementos culturais que constituem as identidades. H1 Interpretar historicamente e/ou geograficamente fontes documentais acerca de aspectos da cultura. H2 Analisar a produção da memória pelas sociedades humanas. H3 Associar as manifestações culturais do presente aos seus processos históricos H4 Comparar pontos de vista expressos em diferentes fontes sobre determinado aspecto da cultura. H5 Identificar as manifestações ou representações da diversidade do patrimônio cultural e artístico em diferentes sociedades. Competência 2 – Compreender as transformações dos espaços geográficos como produto das relações socioeconômicas e culturais de poder. H6 Interpretar diferentes representações gráficas e cartográficas dos espaços geográficos. H7 Identificar os significados histórico-geográficos das relações de poder entre as nações. H8 Analisar a ação dos estados nacionais no que se refere à dinâmica dos fluxos populacionais e no enfrentamento de problemas de ordem econômico- -social. H9 Comparar o significado histórico-geográfico das organizações políticas e socioeconômicas em escala local, regional ou mundial H10 Reconhecer a dinâmica da organização dos movimentos sociais e a importância da participação da coletividade na transformação da realidade histórico-geográfica. Competência 3 – Compreender a produção e o papel histórico das instituições sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferen- tes grupos, conflitos e movimentos sociais. H11 Identificar registros de práticas de grupos sociais no tempo e no espaço. H12 Analisar o papel da justiça como instituição na organização das sociedades. H13 Analisar a atuação dos movimentos sociais que contribuíram para mudanças ou rupturas em processos de disputa pelo poder. H14 Comparar diferentes pontos de vista, presentes em textos analíticos e interpretativos, sobre situação ou fatos de natureza histórico-geográfica acerca das instituições sociais, políticas e econômicas. H15 Avaliar criticamente conflitos culturais, sociais, políticos, econômicos ou ambientais ao longo da história. Competência 4 – Entender as transformações técnicas e tecnológicas e seu impacto nos processos de produção, no desenvolvimento do conhecimento e na vida social. H16 Identificar registros sobre o papel das técnicas e tecnologias na organização do trabalho e/ou da vida social. H17 Analisar fatores que explicam o impacto das novas tecnologias no processo de territorialização da produção. H18 Analisar diferentes processos de produção ou circulação de riquezas e suas implicações sócio-espaciais. H19 Reconhecer as transformações técnicas e tecnológicas que determinam as várias formas de uso e apropriação dosespaços rural e urbano. H20 Selecionar argumentos favoráveis ou contrários às modificações impostas pelas novas tecnologias à vida social e ao mundo do trabalho. Competência 5 – Utilizar os conhecimentos históricos para compreender e valorizar os fundamentos da cidadania e da democracia, favo- recendo uma atuação consciente do indivíduo na sociedade. H21 Identificar o papel dos meios de comunicação na construção da vida social. H22 Analisar as lutas sociais e conquistas obtidas no que se refere às mudanças nas legislações ou nas políticas públicas. H23 Analisar a importância dos valores éticos na estruturação política das sociedades. H24 Relacionar cidadania e democracia na organização das sociedades. H25 Identificar estratégias que promovam formas de inclusão social. Competência 6 – Compreender a sociedade e a natureza, reconhecendo suas interações no espaço em diferentes contextos históricos e geográficos. H26 Identificar em fontes diversas o processo de ocupação dos meios físicos e as relações da vida humana com a paisagem. H27 Analisar de maneira crítica as interações da sociedade com o meio físico, levando em consideração aspectos históricos e (ou) geográficos. H28 Relacionar o uso das tecnologias com os impactos sócio-ambientais em diferentes contextos histórico-geográficos. H29 Reconhecer a função dos recursos naturais na produção do espaço geográfico, relacionando-os com as mudanças provocadas pelas ações humanas. H30 Avaliar as relações entre preservação e degradação da vida no planeta nas diferentes escalas. 159 “A democracia ateniense tem por base a isonomia, igualdade diante dos nomos. Basta ser cidadão para ter acesso à assembleia com direito à palavra, para poder sentar-se no conselho e exercer grande maioria das magistraturas.” (CROUZET, Maurice. História Geral das civilizações. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003, v2) De acordo com o texto, todos aqueles que eram considerados cidadãos poderiam fazer parte da democracia grega e participar dos seus magistrados. Eram considerados cidadãos aptos a participar das assembleias democráticas atenienses: a) Todos aqueles que habitavam em Atenas b) Todos os homens que eram sexagenários, pois o governo necessitava de experiência nas assembleias para tomar decisões. c) Todos os homens e mulheres filhos de mãe grega. d) Todos os homens com mais de 21 anos, filhos de mãe grega e com funções militares exercidas. e) Todos os homens que continham bens para comprar lugar na assembleia. AplicAção dos conhecimentos - sAlA Tema: Antiguidade ocidental greco-romana Construção da habilidade: Na competência 5 do Enem, a habilidade 24 exige que o aluno consi- ga relacionar a democracia com aqueles cidadãos que são aptos a exerce-la na Grécia Antiga. Competência: 5 Habilidade: 24 MODELO 1 AULAS 1 E 2 160 “O conceito de feudalismo[...] designa o modo de organização social baseado em relações pessoais de dependência e subordinação direta, sem maior interferência de poderes públicos centralizados”. (MACEDO, José Rivair. Movimentos populares na Idade Média. São Paulo: Moderna, 2003) No feudalismo, duas práticas de relações pessoais eram muito utilizadas na sociedade feudal. Uma feita entre os próprios senhores nobres e outra entre senhores e subordinados. Essas práticas nomeiam-se, respectivamente: a) Escravidão e servidão b) Feudalidade e escravidão c) Vassalagem e servidão d) Servidão e Feudalidade e) Vassalagem e escravidão MODELO 2 Tema: Período Feudal Construção da habilidade: Dentro da competência 3, a habilidade 11 procura reconhecer as práticas sociais e relacionais entre senhores feudais e subordinados do feudalismo. Competência: 3 Habilidade: 11 161 “A sociedade medieval e a do início da idade moderna eram muito mais semelhantes à “economia natural” do que geralmente supomos. O camponês francês dos séculos XVI e XVII praticamente não usava dinheiro, exceto para as suas transações com o Estado e, em relação à venda no varejo, não era especializada nem nas cidades alemãs nem nas vilas, até fins do século XVI” HOBSBAWN, Eric. As origens da revolução industrial. São Paulo: Global, 1979. O século XVI é marcado pela expansão mercantil européia em relação ao Novo Mundo. Sobre a so- ciedade que se constituía na época, podemos afirmar que: a) Passou por um momento de intenso crescimento econômico e progresso social devido a exploração das colônias, que só viria a ser freado pela crise geral da economia europeia no século XVII. b) Era contraditória, pois, ao passo que adotava mecanismos de uma economia regida pelo livre mercado, ainda possuía resquícios de uma economia pré-capitalista irracional. c) Possuía particularidades e mecanismos de troca próprios e, por isso, não pode ser observada pelo pris- ma da ciência econômica moderna, e sim, pensada nos termos da mentalidade da época. d) Não é possível afirmar de fato que existia uma economia no sentido moderno, ao passo que as trocas eram irracionais. e) Passou por um momento de crise econômica devido a abundância de ouro e prata retirados no Brasil por Portugal, que inundaria o mercado com moedas, provocando uma inflação que desestabilizaria a economia europeia. MODELO 3 Tema: Transição do feudalismo para o capitalismo Construção da habilidade: Dentro da competência 4, a habilidade 18 visa reconhecer as mudan- ças econômicas que a sociedade europeia passava naquele período histórico, fazendo uma conexão com os primórdios do capitalismo em partes diferentes do continente. Competência: 4 Habilidade: 18 162 (Fonte: http://www.klepsidra.net/klepsidra26/agora.htm) Após a emergência da Polis, a Ágora era considerada uma importante parte da cidade grega. Esse grande espaço social assumia as funções no âmbito: a) Democrático, promovendo as discussões políticas e filosóficas b) Habitacional, visto que a maioria da população da Grécia antiga vivia nas cidades c) Segregacional, onde apenas as principais famílias poderiam frequentar d) Religioso, abrigando a Acrópole, fazendo da Ágora o principal centro da religião e) Democrático, permitindo a política a qualquer morador ateniense MODELO 4 Tema: Antiguidade ocidental greco-romana Construção da habilidade: No âmbito da competência 3, a habilidade 11 prevê práticas da sociedade grega de convívio politico e econômico, além de observar como eles eram utilizados na Ágora, no contexto histórico da democracia. Competência: 3 Habilidade: 11 163 RAio X - Análise eXpositivA 1. Para resolver a questão, o aluno deve se lembrar daqueles que compunham a sociedade apta para exercer a democracia. Devemos lembrar que a democracia antiga não poder ser comparada com a democracia da atualidade, uma vez que na Grécia antiga apenas os homens com mais de 21 anos, com serviço militar e grego nascidos de mãe grega eram aptos a exercer a política. Mulheres, es- cravos e estrangeiros estavam inaptos. 2. O aluno deve se lembrar das práticas de vassalagem e servidão. Na vassalagem, há um senhor com muitos bens e outro senhor que não possui tantos bens quanto o primeiro. O senhor com menos bens promete sua fidelidade ao senhor mais rico nas guerras e na ajuda financeira, caso precise, enquanto o senhor mais rico lhe dá benefícios. Já na servidão, o camponês pobre recebe terra e abrigo em troca da sua força de trabalho para um senhor feudal. 3. A Europa no período do descobrimento viveu um período de opulência devido ao comércio, mas isso não se traduziu em progresso social. É um erro observar a economia da época pelo prisma da economia atual, pois, a época possuía seus mecanismos próprios, dependendo de uma economia moral e visual. 4. Para resolver a questão, o aluno deve lembrar-se da função da Ágora nas sociedades gregas clás- sicas. Nas praças de Atenas havia grande circulação de comércio, bem como discussões políticas e filosóficas entre os cidadãos da democracia. Olhando para as outras opções, não poderia ser habitacional pois a maioria vivia no campo. Não poderia ser segregacional,pois a democracia se instaurava na ágora. Também não podendo ser o principal centro religioso, sendo esse localizado na Acrópole, lugar mais alto da cidade, longe da Ágora GAbARito 1. D 2. C 3. C 4. A 164 Prescrição: Para resolver as questões abaixo, atente-se aos principais tópicos da Antiguidade Ocidental greco-romana. Há a necessidade de compreender as principais características econômicas e políticas do período feudal, além da transição desse modo de produção rumo à modernidade capitalista. pRáticA dos conhecimentos - e.o. 1. (Enem) Os escravos tornam-se propriedade nossa seja em virtude da lei civil, seja da lei comum dos povos; em virtude da lei civil, se qualquer pessoa de mais de vinte anos per- mitir a venda de si própria com a finalidade de lucrar conservando uma parte do preço da compra; e em virtude da lei comum dos povos, são nossos escravos aqueles que fo- ram capturados na guerra e aqueles que são filhos de nossas escravas. CARDOSO, C. F. Trabalho compulsório na Antiguidade. São Paulo: Graal, 2003. A obra Institutas, do jurista Aelius Marcia- nus (século III d.C.), instrui sobre a escra- vidão na Roma antiga. No direito e na so- ciedade romana desse período, os escravos compunham uma a) mão de obra especializada protegida pela lei. b) força de trabalho sem a presença de ex-cida- dãos. c) categoria de trabalhadores oriundos dos mesmos povos. d) condição legal independente da origem ética do indivíduo. e) comunidade criada a partir do estabeleci- mento das leis escritas. 2. (Enem) A Lei das Doze Tábuas, de meados do século V a.C., fixou por escrito um velho di- reito costumeiro. No relativo às dívidas não pagas, o código permitia, em última análise, matar o devedor; ou vendê-lo como escravo “do outro lado do Tibre” – isto é, fora do território de Roma. CARDOSO, C. F. S. O trabalho compulsório na Antiguidade. Rio de Janeiro: Graal, 1984. A referida lei foi um marco na luta por di- reitos na Roma Antiga, pois possibilitou que os plebeus a) modificassem a estrutura agrária assentada no latifúndio. b) exercessem a prática da escravidão sobre seus devedores. c) conquistassem a possibilidade de casamento com os patrícios. d) ampliassem a participação política nos car- gos políticos públicos. e) reivindicassem as mudanças sociais com base no conhecimento das leis. 3. (Enem) Os cercamentos do século XVIII po- dem ser considerados como sínteses das transformações que levaram à consolidação do capitalismo na Inglaterra. Em primeiro lugar, porque sua especialização exigiu uma articulação fundamental com o mercado. Como se concentravam na atividade de pro- dução de lã, a realização da renda dependeu dos mercados, de novas tecnologias de bene- ficiamento do produto e do emprego de no- vos tipos de ovelhas. Em segundo lugar, con- centrou-se na inter-relação do campo com a cidade e, num primeiro momento, também se vinculou à liberação de mão de obra. RODRIGUES, A. E. M. “Revoluções burguesas”. In: REIS FILHO, D.A.etal (Orgs.). O século XX, v. I. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000 (adaptado). Outra consequência dos cercamentos que te- ria contribuído para a Revolução Industrial na Inglaterra foi o a) aumento do consumo interno. b) congelamento do salário mínimo. c) fortalecimento dos sindicatos proletários. d) enfraquecimento da burguesia industrial. e) desmembramento das propriedades impro- dutivas. 4. (Enem) O garfo muito grande, com dois den- tes, que era usado para servir as carnes aos convidados, é antigo, mas não o garfo indi- vidual. Este data mais ou menos do século XVI e difundiu-se a partir de Veneza e da Itália em geral, mas com lentidão. O uso só se generalizaria por volta de 1750. BRAUDEL, F. Civilização material, economia e capitalismo: séculos XV-XVIII; as estruturas do cotidiano. São Paulo: Martins Fontes, 1977 (adaptado). No processo de transição para a modernida- de, o uso do objeto descrito relaciona-se à a) construção de hábitos sociais. b) introdução de medidas sanitárias. c) ampliação das refeições familiares. d) valorização da cultura renascentista. e) incorporação do comportamento laico. 165 5. (Enem) Veneza, emergindo obscuramente ao longo do início da Idade Média das águas às quais devia sua imunidade a ataques, era nominalmente submetida ao Império Bizan- tino, mas, na prática, era uma cidade-estado independente na altura do século X. Veneza era única na cristandade por ser uma co- munidade comercial: “Essa gente não lavra, semeia ou colhe uvas”, como um surpreso observador do século XI constatou. Comer- ciantes venezianos puderam negociar ter- mos favoráveis para comerciar com Constan- tinopla, mas também se relacionaram com mercadores do islã. FLETCHER, R. A cruz e o crescente: cristianismo de islã, de Maomé à Reforma. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2004. A expansão das atividades de trocas na Baixa Idade Média, dinamizadas por centros como Veneza, reflete o(a) a) importância das cidades comerciais. b) integração entre a cidade e o campo. c) dinamismo econômico da Igreja cristã. d) controle da atividade comercial pela nobreza feudal. e) ação reguladora dos imperadores durante as trocas comerciais. 6. (Enem) TEXTO I O aparecimento da máquina movida a vapor foi o nascimento do sistema fabril em grande escala, representando um aumento tremen- do na produção, abrindo caminho na direção dos lucros, resultado do aumento da procura. Eram forças abrindo um novo mundo. HUBERMAN, L. História da riqueza do homem. Rio de Janeiro: Zahar, 1974 (adaptado). TEXTO II Os edifícios das fábricas adaptavam-se mal à concentração de numerosa mão de obra, reunida para longos dias de trabalho, numa situação árdua e insalubre. O trabalho nas fábricas destruiu o sistema doméstico de produção. Homens, mulheres e crianças dei- xavam os lugares onde moravam para traba- lhar em diferentes fábricas. LEITE, M. M. Iniciação à história social contemporânea. São Paulo: Cultrix,1980 (adaptado). As estratégias empregadas pelos textos para abordar o impacto da Revolução Industrial sobre as sociedades que se industrializavam são, respectivamente, a) ressaltar a expansão tecnológica e deter-se no trabalho doméstico. b) acentuar as inovações tecnológicas e priori- zar as mudanças no mundo do trabalho. c) debater as consequências sociais e valorizar a reorganização do trabalho. d) indicar os ganhos sociais e realçar as perdas culturais. e) minimizar as transformações sociais e criti- car os avanços tecnológicos. 7. (Enem PPL) O servo pertence à terra e ren- de frutos ao dono da terra. O operário urba- no livre, ao contrário, vende-se a si mesmo e, além disso, por partes. Vende em leilão 8,10,12,15 horas da sua vida, dia após dia, a quem melhor pagar, ao proprietário das matérias-primas, dos instrumentos de tra- balho e dos meios de subsistência, isto é, ao capitalista. MARX, K. Trabalho assalariado e capital & salário, preço e lucro. São Paulo: Expressão Popular, 2010. O texto indica que houve uma transformação dos espaços urbanos e rurais com a imple- mentação do sistema capitalista, devido às mudanças tecnossociais ligadas ao a) desenvolvimento agrário e ao regime de ser- vidão. b) aumento da produção rural, que fixou a po- pulação nesse meio. c) desenvolvimento das zonas urbanas e às no- vas relações de trabalho. d) aumento populacional das cidades associado ao regime de servidão. e) desenvolvimento da produção. 8. (Enem) Queixume das operárias da seda Sempre tecemos panos de seda E nem por isso vestiremos melhor [...] Nunca seremos capazes de ganhar tanto Que possamos ter melhor comida [...] Pois a obra de nossas mãos Nenhuma de nós terá para se manter [...] E estamos em grande miséria Mas, com os nossos salários, enriquece aque- le para quem trabalhamos Grande parte das noites ficamos acordadas E todo o dia para isso ganhar Ameaçam-nosde nos moer de pancada Os membros quando descansamos E assim, não nos atrevemos a repousar. CHRÉTIEN DE TROYES apud LE GOFF. J. Civilização do Ocidente Medieval. Lisboa: Edições 70, 1992. Tendo em vista as transformações socioeco- nômicas da Europa Ocidental durante a Bai- xa Idade Média, o texto apresenta a seguinte situação: a) Uso da coerção no mundo do trabalho arte- sanal. b) Deslocamento das trabalhadoras do campo para as cidades. c) Desorganização do trabalho pela introdução do assalariamento. d) Enfraquecimento dos laços que ligavam pa- trões e empregadas. e) Ganho das artífices pela introdução da remu- neração pelo seu trabalho. 166 9. (Enem) No contexto da polis grega, as leis co- muns nasciam de uma convenção entre cida- dãos, definida pelo confronto de suas opini- ões em um verdadeiro espaço público, a ágora, confronto esse que concedia a essas conven- ções a qualidade de instituições públicas. MAGDALENO, F. S. A territorialidade da representação política: vínculos territoriais de compromisso dos deputados fluminenses. São Paulo: Annablume, 2010. No texto, está relatado um exemplo de exer- cício da cidadania associado ao seguinte mo- delo de prática democrática: a) Direta. b) Sindical. c) Socialista. d) Corporativista. e) Representativa. 10. (Enem) Mirem-se no exemplo Daquelas mulheres de Atenas Vivem pros seus maridos Orgulho e raça de Atenas. BUARQUE, C.; BOAL, A. “Mulheres de Atenas”. In: Meus caros amigos,1976. Disponível em: http://letras. terra.com.br. Acesso em 4 dez. 2011 (fragmento) Os versos da composição remetem à condição das mulheres na Grécia antiga, caracteriza- da, naquela época, em razão de a) sua função pedagógica, exercida junto às crianças atenienses. b) sua importância na consolidação da demo- cracia, pelo casamento. c) seu rebaixamento de status social frente aos homens. d) seu afastamento das funções domésticas em períodos de guerra. e) sua igualdade política em relação aos ho- mens. 11. (Enem) Assentado, portanto, que a Escritu- ra, em muitas passagens, não apenas admi- te, mas necessita de exposições diferentes do significado aparente das palavras, parece- -me que, nas discussões naturais, deveria ser deixada em último lugar. GALILEI, G. Carta a Benedetto Castelli. In: Ciência e fé: cartas de Galileu sobre o acordo do sistema copernicano com a Bíblia. São Paulo: Unesp, 2009. (adaptado) O texto, extraído da carta escrita por Galileu (1564-1642) cerca de trinta anos antes de sua condenação pelo Tribunal do Santo Ofi- cio, discute a relação entre ciência e fé, pro- blemática cara no século XVII. A declaração de Galileu defende que a) a bíblia, por registrar literalmente a palavra divina, apresenta a verdade dos fatos natu- rais, tornando-se guia para a ciência. b) o significado aparente daquilo que é lido acerca da natureza na bíblia constitui uma referência primeira. c) as diferentes exposições quanto ao signifi- cado das palavras bíblicas devem evitar con- frontos com os dogmas da Igreja. d) a bíblia deve receber uma interpretação lite- ral porque, desse modo, não será desviada a verdade natural. e) os intérpretes precisam propor, para as pas- sagens bíblicas, sentidos que ultrapassem o significado imediato das palavras. 12. (ENEM) Segundo Aristóteles, “na cidade com o melhor conjunto de normas e naquela do- tada de homens absolutamente justos, os cidadãos não devem viver uma vida de tra- balho trivial ou de negócios – esses tipos de vida são desprezíveis e incompatíveis com as qualidades morais –, tampouco devem ser agricultores os aspirantes à cidadania, pois o lazer é indispensável ao desenvolvimento das qualidades morais e à prática das ativi- dades políticas”. VAN ACKER, T. Grécia. A vida cotidiana na cidade-Estado. São Paulo: Atual, 1994. O trecho, retirado da obra Política, de Aristó- teles, permite compreender que a cidadania: a) possui uma dimensão histórica que deve ser criticada, pois é condenável que os políticos de qualquer época fiquem entregues à ocio- sidade, enquanto o resto dos cidadãos tem de trabalhar. b) era entendida como uma dignidade própria dos grupos sociais superiores, fruto de uma concepção política profundamente hierar- quizada da sociedade. c) estava vinculada, na Grécia Antiga, a uma percepção política democrática, que levava todos os habitantes da pólis a participarem da vida cívica. d) tinha profundas conexões com a justiça, ra- zão pela qual o tempo livre dos cidadãos de- veria ser dedicado às atividades vinculadas aos tribunais. e) vivida pelos atenienses era, de fato, restrita àque- les que se dedicavam à política e que tinham tem- po para resolver os problemas da cidade. 13. (ENEM) O que implica o sistema da pólis é uma extraordinária preeminência da palavra sobre todos os outros instrumentos do poder. A palavra constitui o debate contraditório, a discussão, a argumentação e a polêmica. Torna-se a regra do jogo intelectual, assim como do jogo político. VERNANT, J. P. As origens do pensamento grego. Rio de Janeiro: Bertrand, 1992 (adaptado). Na configuração política da democracia gre- ga, em especial a ateniense, a ágora tinha por função: a) agregar os cidadãos em torno de reis que go- vernavam em prol da cidade. b) permitir aos homens livres o acesso às deci- sões do Estado expostas por seus magistrados. c) constituir o lugar onde o corpo de cidadãos se reunia para deliberar sobre as questões da comunidade. d) reunir os exercícios para decidir em assem- bleias fechadas os rumos a serem tomados em caso de guerra. e) congregar a comunidade para eleger repre- sentantes com direito a pronunciar-se em assembleias. 167 14. (ENEM) Os calendários são fontes históricas importan- tes, na medida em que expressam a concepção de tempo das sociedades. Essas imagens com- põem um calendário medieval (1460-1475) e cada uma delas representa um mês, de janeiro a dezembro. Com base na análise do calendá- rio, apreende-se uma concepção de tempo: a) cíclica, marcada pelo mito arcaico do eterno retorno. b) humanista, identificada pelo controle das horas de atividade por parte do trabalhador. c) escatológica, associada a uma visão religiosa sobre o trabalho. d) natural, expressa pelo trabalho realizado de acordo com as estações do ano. e) romântica, definida por uma visão bucólica da sociedade. 15. (ENEM) Se a mania de fechar, verdadeiro habitus da mentalidade medieval nascido talvez de um profundo sentimento de inse- gurança, estava difundida no mundo rural, estava do mesmo modo no meio urbano, pois que uma das características da cidade era de ser limitada por portas e por uma muralha. DUBY, G. et al. “Séculos XIV-XV”. In: ARIÈS, P.; DUBY, G. História da vida privada da Europa Feudal à Renascença. São Paulo: Cia. das Letras, 1990 (adaptado). As práticas e os usos das muralhas sofreram importantes mudanças no final da Idade Média, quando elas assumiram a função de pontos de passagem ou pórticos. Este proces- so está diretamente relacionado com: a) o crescimento das atividades comerciais e urbanas. b) a migração de camponeses e artesãos. c) a expansão dos parques industriais e fabris. d) o aumento do número de castelos e feudos. e) a contenção das epidemias e doenças. 16. Sou uma pobre e velha mulher, Muito ignorante, que nem sabe ler. Mostraram-me na igreja da minha terra Um Paraíso com harpas pintado E o Inferno onde fervem almas danadas, Um enche-me de júbilo, o outro me aterra. VILLON. F. In: GOMBRICH, E. História da arte. Lisboa: LTC. 1999. Os versos do poeta francês François Villon fazem referência às imagens presentes nos templos católicos medievais. Nesse contexto, as imagens eram usadas com o objetivo de: a) refinar o gosto dos cristãos. b) incorporar ideais heréticos. c) educar os fiéis através do olhar. d) divulgar a genialidade dos artistas católicos. e) valorizar esteticamente os templos religiosos.17. O café tem origem na região onde hoje se encontra a Etiópia, mas seu cultivo e consu- mo se disseminaram a partir da Península Árabe. Aportou à Europa por Constantinopla e, finalmente, em 1615, ganhou a cidade de Veneza. Quando o café chegou à região euro- peia, alguns clérigos sugeriram que o produ- to deveria ser excomungado, por ser obra do diabo. O papa Clemente VIII (1592-1605), contudo, resolveu provar a bebida. Tendo gostado do sabor, decidiu que ela deveria ser batizada para que se tornasse uma “bebida verdadeiramente cristã”. THORN, J. Guia do café. Lisboa: Livros e livros, 1998 (adaptado). A postura dos clérigos e do papa Clemente VIII diante da introdução do café na Europa Ocidental pode ser explicada pela associação dessa bebida ao: a) ateísmo. b) judaísmo. c) hinduísmo. d) islamismo. e) protestantismo. 18. Para uns, a Idade Média foi uma época de trevas, pestes, fome, guerras sanguinárias, superstições, crueldade. Para outros, uma época de bons cavaleiros, damas corteses, fadas, guerras honradas, torneios, grandes ideais. Ou seja, uma Idade Média “má” e uma Idade Média “boa”. Tal disparidade de apreciações com relação a esse período da História se deve: a) ao Renascimento, que começou a valorizar a comprovação documental do passado, for- mando acervos documentais que mostram tanto a realidade “boa” quanto a “má”. b) à tradição iluminista, que usou a Idade Mé- dia como contraponto a seus valores racio- nalistas, e ao Romantismo, que pretendia ressaltar as “boas” origens das nações. c) à indústria de videojogos e cinema, que encontrou uma fonte de inspiração nessa mistura de fantasia e realidade, construindo uma visão falseada do real. d) ao Positivismo, que realçou os aspectos po- sitivos da Idade Média, e ao marxismo, que denunciou o lado negativo do modo de pro- dução feudal. e) à religião, que com sua visão dualista e ma- niqueísta do mundo, alimentou tais inter- pretações sobre a Idade Média. 168 19. A Praça da Concórdia, antiga Praça Luís XV, é a maior praça pública de Paris. Inaugurada em 1763, tinha em seu centro uma estátua do rei. Situada ao longo do Sena, ela é a in- tersecção de dois eixos monumentais. Bem nesse cruzamento está o Obelisco de Luxor, decorado com hieróglifos que contam os rei- nados dos faraós Ramsés II e Ramsés III. Em 1829, foi oferecido pelo vice-rei do Egito ao povo francês e, em 1836, instalado na praça diante de mais de 200 mil espectadores e da família real. NOBLAT, R. Disponível em: www.oglobo. com Acesso em: 12 dez. 2012. A constituição do espaço público da Praça da Concórdia ao longo dos anos manifesta o(a): a) lugar da memória na história nacional. b) caráter espontâneo das festas populares. c) lembrança da antiguidade da cultura local. d) triunfo da nação sobre os países africanos. e) declínio do regime de monarquia absolutista. 20. Durante a realeza, e nos primeiros anos repu- blicanos, as leis eram transmitidas oralmen- te de uma geração para outra. A ausência de uma legislação escrita permitia aos patrícios manipular a justiça conforme seus interes- ses. Em 451 a.C., porém, os plebeus conse- guiram eleger uma comissão de dez pessoas – os decênviros – para escrever as leis. Dois deles viajaram a Atenas, na Grécia, para es- tudar a legislação de Sólon. COULANGES, F. A cidade antiga. São Paulo: Martins Fontes, 2000. A superação da tradição jurídica oral no mundo antigo, descrita no texto, esteve re- lacionada à: a) adoção do sufrágio universal masculino. b) extensão da cidadania aos homens livres. c) afirmação de instituições democráticas. d) implantação de direitos sociais. e) tripartição dos poderes políticos. 21. Texto I Olhamos o homem alheio às atividades pú- blicas não como alguém que cuida apenas de seus próprios interesses, mas como um inú- til; nós, cidadãos atenienses, decidimos as questões públicas por nós mesmos na cren- ça de que não é o debate que é empecilho à ação, e sim o fato de não se estar esclarecido pelo debate antes de chegar a hora da ação. TUCÍDIDES. História da Guerra do Peloponeso. Brasília: UnB, 1987 (adaptado). Texto II Um cidadão integral pode ser definido por nada mais nada menos que pelo direito de administrar justiça e exercer funções pú- blicas; algumas destas, todavia, são limi- tadas quanto ao tempo de exercício, de tal modo que não podem de forma alguma ser exercidas duas vezes pela mesma pessoa, ou somente podem sê-lo depois de certos inter- valos de tempo prefixados. ARISTÓTELES. Política. Brasília: UnB, 1985. Comparando os textos I e II, tanto para Tu- cídides (no século V a.C.) quanto para Aris- tóteles (no século IV a.C.), a cidadania era definida pelo(a): a) prestígio social. b) acúmulo de riqueza. c) participação política. d) local de nascimento. e) grupo de parentesco. 22. No início foram as cidades. O intelectual da Idade Média – no Ocidente – nasceu com elas. Foi com o desenvolvimento urbano ligado às funções comercial e industrial – digamos modestamente artesanal – que ele apareceu, como um desses homens de ofício que se ins- talavam nas cidades nas quais se impôs a di- visão do trabalho. Um homem cujo ofício é escrever ou ensinar, e de preferência as duas coisas a um só tempo, um homem que, profis- sionalmente, tem uma atividade de professor e erudito, em resumo, um intelectual – esse homem só aparecerá com as cidades. LE GOFF, J. Os intelectuais na Idade Média. Rio de Janeiro: José Olympio, 2010 O surgimento da categoria mencionada no período em destaque no texto evidencia o(a): a) apoio dado pela Igreja ao trabalho abstrato. b) relação entre desenvolvimento urbano e di- visão de trabalho. c) importância organizacional das corporações de ofício. d) progressiva expansão da educação escolar. e) acúmulo de trabalho dos professores e eruditos. 23. A casa de Deus, que acreditam una, está, portanto, dividida em três: uns oram, outros combatem, outros, enfim, trabalham. Essas três partes que coexistem não suportam ser separadas; os serviços prestados por uma são a condição das obras das outras duas; cada uma por sua vez encarrega-se de aliviar o conjunto... Assim a lei pode triunfar e o mundo gozar da paz. ALDALBERON DE LAON. In: SPINOSA, F. Antologia de textos históricos medievais. Lisboa: Sá da Costa, 1981. A ideologia apresentada por Aldalberon de Laon foi produzida durante a Idade Média. Um objetivo de tal ideologia e um processo que a ela se opôs estão indicados, respecti- vamente, em: a) justificar a dominação estamental / revoltas camponesas. b) subverter a hierarquia social / centralização monárquica. c) impedir a igualdade jurídica / revoluções burguesas. d) controlar a exploração econômica / unifica- ção monetária. e) questionar a ordem divina / Reforma católica 169 24. (ENEM) O canto triste dos conquistados: os últimos dias de Tenochtitlán Nos caminhos jazem dardos quebrados; os cabelos estão espalhados. Destelhadas estão as casas, Vermelhas estão as águas, os rios, como se alguém as tivesse tingido, Nos escudos esteve nosso resguardo, mas os escudos não detêm a desolação… PINSKY, J. et al. História da América através de textos. São Paulo: Contexto, 2007 (fragmento). O texto é um registro asteca, cujo sentido está relacionado ao(à): a) tragédia causada pela destruição da cultura desse povo. b) tentativa frustrada de resistência a um po- der considerado superior. c) extermínio das populações indígenas pelo Exército espanhol. d) dissolução da memória sobre os feitos de seus antepassados. e) profetização das consequências da coloniza- ção da América. 25. (ENEM) Na antiga Grécia, o teatro tratou de questões como destino, castigo e justiça. Muitos gregos sabiam de cor inúmeros ver- sos das peças dos seus grandes autores. Na Inglaterra dos séculos XVI e XVII, Shakes- peare produziu peças nas quais temas como o amor, o poder, o bem e o mal foram trata- dos. Nessas peças, os grandes personagens falavam em verso e os demais em prosa. No Brasil colonial,