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PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 1 
 
 
Proteção contra incêndios e 
explosões 
 
 
 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 2 
 PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 
 
 
Introdução 
Neste momento, é fundamental, como objetivo maior desta disciplina, apresentar os 
aspectos normativos da Norma Regulamentadora NR 23 como orientações de 
prevenção contra incêndios estabelecidos pelo Ministério do Trabalho e como medidas 
primárias no campo da prevenção. São as seguintes: 
 
NR 23 - Proteção contra incêndios 
 
Publicação D.O.U. (redação dada pela Portaria SIT nº 221, de 06 de maio de 2011): 
23.1 Todos os empregadores devem adotar medidas de prevenção de incêndios, em 
conformidade com a legislação estadual e as normas técnicas aplicáveis. 
23.1.1 O empregador deve providenciar para todos os trabalhadores informações 
sobre: 
a) utilização dos equipamentos de combate ao incêndio; 
b) procedimentos para evacuação dos locais de trabalho com segurança; 
c) dispositivos de alarme existentes. 
23.2 Os locais de trabalho deverão dispor de saídas, em número suficiente e dispostas 
de modo que aqueles que se encontrem nesses locais possam abandoná-los com 
rapidez e segurança, em caso de emergência. 
23.3 As aberturas, saídas e vias de passagem devem ser claramente assinaladas por 
meio de placas ou sinais luminosos, indicando a direção da saída. 
23.4 Nenhuma saída de emergência deverá ser fechada à chave ou presa durante a 
jornada de trabalho. 
23.5 As saídas de emergência podem ser equipadas com dispositivos de travamento 
que permitam fácil abertura do interior do estabelecimento. 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 3 
 
Percebe-se claramente na redação da referida Norma Regulamentadora que a grande 
preocupação da legislação vigente está relacionada a medidas preventivas em relação 
aos aspectos construtivos das edificações e às responsabilidades de empregados e 
empregadores nesse processo de proteção contra incêndios. 
 
Princípios básicos do fogo 
 
Pode-se definir o fogo como a consequência de uma reação química denominada 
combustão, que produz calor e luz. Para que essa reação química ocorra, deve-se ter 
no mínimo dois reagentes que, a partir da existência de uma circunstância favorável, 
poderão combinar-se. Os elementos essenciais do fogo são: 
 
• Combustível: todo material ou substância que possui a propriedade de 
queimar. Pode se apresentar em três estados físicos: sólido, líquido e gasoso. 
a) Sólidos: tecido, madeira, papel, algodão, entre outros; 
b) Líquidos: voláteis - desprendem gases inflamáveis à temperatura 
ambiente: éter, benzina, álcool etc. Não voláteis - desprendem gases 
inflamáveis a temperaturas maiores que a do ambiente: graxa, óleo etc.; 
c) Gasosos: propano, etano, butano etc.; 
 
• Comburente: elemento que ativa o fogo e dá vida às chamas. O elemento 
mais comum é o oxigênio, encontrado na atmosfera numa proporção de 21%, 
sendo 78% de nitrogênio e 1% de outros gases; 
 
• Calor: elemento que fornece a energia da ativação necessária para iniciar a 
reação entre o combustível e o comburente, mantendo e propagando a 
combustão. 
 
Logo, podemos resumir e considerar que o fogo é constituído por três entidades 
distintas que compõem o chamado "triângulo do fogo". São eles o combustível 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 4 
(aquilo que queima, como a madeira), o comburente (entidade que permite a queima, 
como o oxigênio) e o calor. Sem uma ou mais dessas entidades, não pode haver fogo. 
 
Triângulo do fogo 
 
 
Além desses três elementos, muitos consideram um quarto elemento: a reação em 
cadeia. 
 
Após iniciarem a combustão, os combustíveis geram mais calor. Esse calor provoca o 
desprendimento de mais gases e vapores combustíveis, desenvolvendo uma 
transformação em cadeia, que, em resumo, é o produto de uma transformação, 
gerando outra. Também pode se representar essa reação em cadeia pelo tetraedro 
do fogo: 
 
 
 
 
 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 5 
Classificação de incêndios 
É de suma importância que, no combate ao fogo, possamos identificar a que classe de 
incêndio pertence o que temos a nossa frente. 
Os incêndios são classificados em: A – B – C e D. 
 
CLASSE 
A Incêndios envolvendo materiais que queimam em superfície e profundidade e 
deixam resíduos. Ex.: madeira, papel, papelão, tecidos etc. 
B Incêndios envolvendo materiais que queimam em superfície e não deixam 
resíduos. Ex.: gasolina, éter, nafta, álcool etc. 
C Incêndios envolvendo toda linha de materiais energizados. Ex.: motores, 
equipamentos elétricos etc. 
D Incêndios envolvendo materiais pirofóricos (metais que queimam). Ex.: 
magnésio, zircônio, titânio etc. 
 
Nesta etapa, apresentaremos as principais formas de extinção do fogo, suas medidas 
de controle e as orientações para que uma brigada de incêndio seja efetiva junto às 
organizações, sempre seguindo as orientações da nossa Norma Regulamentadora NR 
23 do Ministério do Trabalho e Emprego. 
 
Métodos de extinção 
Como já conhecemos o triângulo do fogo, podemos entender que, para a correta 
extinção do fogo, basta eliminar um dos elementos essenciais à sua existência, ou 
seja, o calor, o comburente ou o combustível. 
Os processos para extinção do fogo, com a eliminação de um de seus componentes, 
são: 
 
“Resfriamento” (retirada do calor) – consiste na retirada de calor do material 
incendiado até que ele fique abaixo de seu ponto de ignição. O agente mais usado é 
a água, que existe com maior facilidade e é o mais econômico, além de ser o elemento 
com maior capacidade de absorver o calor. 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 6 
Ex.: apagar uma fogueira. 
 
 
“Abafamento” (retirada do comburente) – consiste na retirada do oxigênio. 
Ex.: quando colocamos um copo sobre uma vela acesa. 
 
O oxigênio encontra-se no ar atmosférico na proporção de 21%. De 21% a 13%, ainda 
teremos oxigênio para provocar chamas e brasas; de 13% a 8%, o oxigênio é 
suficiente apenas para a formação de brasas; e, abaixo de 8%, não há oxigênio 
suficiente para a combustão. 
 
“Isolamento ou remoção do material” (retirada do combustível) – consiste na 
retirada do combustível, diminuindo assim as possibilidades de propagação do fogo 
por contato ou condução. Ex.: fechamento da válvula de um tambor de gás. 
 
 
CLASSES DE 
INCÊNDIO 
MATERIAIS 
COMBUSTÍVEIS 
MEDIDAS DE 
CONTROLE 
EXTINTORES 
A 
Fogo em materiais 
de fácil combustão, 
com a propriedade 
de queima em sua 
superfície e 
profundidade, e 
que deixam 
resíduos. 
 
Tecidos, madeiras, 
papéis, fibras etc. 
RESFRIAMENTO: 
Retirada do calor, isto 
é, baixar a 
temperatura para que 
fique abaixo da 
temperatura de 
ignição. 
 
 
Água, espuma. 
Obs.: 1. 
B 
Fogo em produtos 
que queimam 
somente em sua 
 
Graxa, vernizes, tintas, 
gasolina etc. 
ABAFAMENTO: 
Retirada do 
comburente 
(oxigênio). Nesse tipo 
 
Gás carbônico, 
pó químico, 
espuma 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 7 
superfície, não 
deixando resíduos. 
de fogo, não há 
formação de brasa e, 
portanto, deve-se 
fazer o abafamento da 
superfície. 
(geralmente 
usada para 
incêndios em 
grandes 
tanques). 
C 
Fogo em 
equipamentos 
elétricos 
energizados. 
 
Motores, 
transformadores, 
quadros de 
distribuição, fios sob 
tensão etc. 
ABAFAMENTO: 
Utilizar agente 
extintor que não 
conduz eletricidade. 
 
Gáscarbônico, 
pó químico 
seco e Halon. 
Obs.: 2. 
D 
Fogo em elementos 
pirofóricos. 
 
Magnésio, zircônio, 
titânio etc. 
ABAFAMENTO: 
Retirada do 
comburente pelo uso 
de pós especiais que 
formam camadas 
protetoras, impedindo 
continuação das 
chamas. A limalha de 
ferro fundido se 
presta ao combate 
desse tipo de fogo. 
 
Pó químico 
especial. 
 
 
Obs.: 1 Nos fogos classe A, em seu início, poderão ser usados ainda pós químicos 
secos ou gases carbônicos. 
 
Obs.: 2 Com a corrente desligada, esse incêndio passa a ser combatido como se fosse 
de classe A ou B. 
 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 8 
Tipos de agentes extintores 
Como vimos, para diferentes tipos de incêndios, utilizam-se diferentes agentes 
extintores. Entre eles, os principais são: 
 
a) Sistema hidráulico; 
b) Extintores. 
 
 
Sistema hidráulico 
A água, usada sob pressão, age no material incendiado. 
 
Hidrantes 
 
São dispositivos existentes em redes hidráulicas que facilitam o combate ao fogo. São 
facilmente identificáveis pela porta vermelha com um visor, localizados normalmente 
perto de escadas e elevadores. 
 
Basicamente, compreendem: 
 
➢ Reservatório que pode ser elevado ou subterrâneo; 
➢ Canalização; 
➢ Mangueiras; 
➢ Esguichos; 
➢ Abrigos, 
 
 
 
 
Sistema “sprinkler” (chuveiros automáticos) 
 
Consiste em uma série de encanamentos e ramificações que diminuem de diâmetro à 
medida que se afastam do encanamento central, onde estão instaladas as válvulas de 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 9 
controle de fechamento, alarme, dreno e outras que cobrem uma determinada área. 
É acionado quando um aquecimento suficiente romper a ampola do bico, evitando 
assim a propagação do fogo. 
As empresas que têm instalações “sprinkler” são obrigadas a manter relatórios diários 
ou semanais que demonstrem a situação de todo esse equipamento de proteção. 
São obrigatórias também inspeções trimestrais, feitas pelo inspetor da empresa 
responsável pelas instalações dos sistemas “sprinkler”. 
 
Extintores 
São aparelhos que servem para extinguir instantaneamente os princípios de incêndio. 
De modo geral, são constituídos de um recipiente de metal contendo o agente extintor. 
A seguir, apresentamos a relação dos extintores em uso nas empresas: 
 
1. Extintor de água pressurizada; 
2. Extintor de água de pressão injetada; 
3. Extintor de espuma química; 
4. Extintor de espuma mecânica pressurizada; 
5. Extintor de espuma de pressão injetada; 
6. Extintor de gás carbônico; 
7. Extintor de pó químico seco pressurizado; 
8. Extintor de pó químico seco, pressão injetada; 
9. Extintor Halon. 
 
Maiores explicações sobre o uso desses equipamentos poderão ser obtidas 
junto ao SESMT da empresa, no rótulo dos próprios extintores ou em 
manuais específicos. 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 10 
 
 
 
 
Selo da ABNT 
Todo extintor deve possuir o selo da ANT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) 
que registra a data de vencimento do teste hidrostático e de recarga do equipamento. 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 11 
 
 
 
São fornecidos nas cores: 
 
➢ Azul – usado para extintores novos; 
➢ Amarelo – para extintores vistoriados; 
➢ Verde – para controle de recarga dos extintores de espuma química. 
 
Obs.: Os extintores que não possuírem esse selo deverão ser encaminhados para esse 
teste. 
 
Distribuição e instalação de extintores 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 12 
As exigências quanto à área a ser coberta por uma unidade extintora e quanto à 
capacidade extintora estão na NR-23 da Portaria 3.214, bem como exige o Corpo de 
Bombeiros e as companhias de seguro. 
A instalação de extintores deve obedecer à seguinte tabela: 
 
Área coberta p/unidade 
de extintores 
Risco de fogo Distância máxima a 
ser percorrida 
500 m2 pequeno 20 m 
250 m2 médio 10 m 
150 m2 grande 10 m 
 
Obs.: Deverão existir pelo menos dois extintores em cada pavimento 
(independentemente da área ocupada). 
 
Sinalização de equipamentos de combate a incêndio 
Existem exigências do Corpo de Bombeiros e das companhias de seguro que são mais 
complexas. A Norma Regulamentadora 23 da Portaria nº 3.214, bem como a 
Associação Brasileira de Normas Técnicas, firmam a sinalização e a altura máxima em 
que devem ser colocados os extintores, visando a facilitar sua localização e 
identificação. 
 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 13 
 
 
Brigada contra incêndio 
Toda empresa deverá ter a sua brigada contra incêndio, e, sempre que possível, os 
cipeiros devem pertencer ao grupo de combate ao fogo. 
Seus integrantes têm como função prioritária eliminar princípios de incêndio, bem 
como verificar condições inseguras, riscos de incêndio ou explosão. Deve haver 
esquematizado um sistema de controle que proporcione rápida comunicação e 
correspondente tomada de providências. 
 
 
 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 14 
O grupo deverá ser constituído de elementos dos diversos setores, particularmente da 
área de manutenção e de supervisão. A CIPA deverá se preocupar em solicitar um 
treinamento específico e contínuo que será dado a toda brigada por um elemento do 
Corpo de Bombeiros, ensinando-a a: 
 
a. Saber localizar, de imediato, o equipamento de combate ao fogo; 
b. Usar um extintor; 
c. Engatar mangueiras e acionar o sistema de hidrantes; 
d. Controlar o sistema de “sprinkler” (chuveiros automáticos contra fogo); 
e. Conhecer as saídas de emergência para o abandono da área. 
 
Providências a serem tomadas em caso de incêndio 
➢ Toda área deve ser evacuada. Os curiosos e as pessoas de boa vontade só 
atrapalham; 
➢ A brigada deve intervir e, orientada pelo chefe, isolar a área e dar combate ao 
fogo; 
➢ A brigada não tem todos os recursos e não domina todas as técnicas de 
combate ao fogo. Portanto, deve ser chamado imediatamente o Corpo de 
Bombeiros; 
➢ Antes de se dar combate ao incêndio, deve ser desligada a entrada de força à 
emergência; 
➢ Quando o Corpo de Bombeiros chegar, é preciso explicar qual é o tipo de fogo 
(classes “A”, “B”, “C” ou “D”) e orientar os soldados do fogo sobre a área do 
incêndio; 
➢ Em qualquer caso, deve-se manter a calma e atuar com seriedade, e ninguém 
deve tentar ser herói; 
➢ Os equipamentos elétricos que não puderem ser desligados, mesmo em caso 
de incêndio, deverão possuir circuito elétrico independente e placa indicadora 
próxima aos seus dispositivos de combate. 
 
 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 15 
Treinamento de todos os funcionários da empresa 
Como foi visto, é de fundamental importância que toda empresa possua uma brigada 
de incêndio. Entretanto, todos os funcionários da empresa devem estar preparados 
para atuar em caso de incêndio. Dessa forma, um treinamento constante deverá ser 
dado a todo elemento da empresa, utilizando-se os mesmos procedimentos do 
treinamento da brigada de incêndio. 
 
Atividades 
Um funcionário de uma empresa ficou retido num incêndio dentro de suas instalações. 
Como deve proceder nesse caso? Faça uma análise de acordo com nossas aulas de 
incêndio e apresente as formas que esse funcionário deve proceder. 
 
Chave de resposta: 
• Se não puder sair, mantenha-se próximo a uma janela, de preferência com vista para 
a rua. Sinalize sua posição até que seja percebido. 
• Feche, mas não tranque a porta do cômodo onde estiver. Vede as frestas com umcobertor ou tapete para não deixar entrar fumaça. 
• Em caso de fumaça, mantenha-se junto ao chão e utilize um lenço ou toalha molhada 
sobre o nariz e a boca (filtro). Deixe a fumaça escapar abrindo uma janela (ou 
quebrando o vidro, se ela for fixa). 
• Atire pela janela o que puder queimar facilmente (papéis, tapetes, cortinas etc.), 
mas com cuidado para não machucar quem estiver na rua. 
 
O treinamento de combate ao incêndio é essencial para empresas de todos os ramos 
e tamanhos, colaborando diretamente para a prevenção de acidentes e garantindo 
que os colaboradores adotem a postura mais segura em caso de fogo. Uma vez que 
nunca se sabe quando um problema como esse pode acontecer, é fundamental que 
todos estejam preparados e prontos para agir e evacuar o local com segurança. 
Durante um treinamento de combate ao incêndio, todos os colaboradores participantes 
aprendem noções básicas sobre fogo: como reconhecer sua classe e tipo, como utilizar 
os extintores e qual modelo é o mais indicado para cada tipo de situação. Além disso, 
os treinados aprendem os cuidados necessários para acabar com o fogo utilizando os 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 16 
sistemas de combate a incêndio. Os participantes de um treinamento como esse 
também se tornam mais responsáveis com os equipamentos de segurança, e diminui-
se o risco de problemas, como datas de validade vencidas e mau funcionamento. Em 
geral, todos os integrantes da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) 
devem participar de todos os treinamentos a respeito do combate ao incêndio e de 
outras normas de segurança. Além disso, o ideal é que a maioria dos colaboradores 
da empresa também participe desse tipo de treinamento, de modo que todos se sintam 
aptos e seguros a tomar alguma atitude em caso de acidentes envolvendo o fogo. 
 
Quanto mais pessoas conhecerem tudo a respeito do combate ao incêndio, melhor 
será para a segurança dos envolvidos e da própria empresa. 
 
Colaboradores que participam de um treinamento de combate a incêndio também são 
orientados a respeito da melhor forma de agir em caso de fogo: como evacuar o prédio 
com calma e tranquilidade, como ajudar as pessoas com mais dificuldade de 
locomoção e quais os procedimentos devem ser realizados para que tudo seja realizado 
com o máximo de segurança. 
 
O treinamento de combate a incêndios também é indicado para aqueles que agirão 
como líderes em caso de emergência e que ficarão responsáveis pelo contato com o 
Corpo de Bombeiros e com a disseminação de informações importantes, como onde 
estão os extintores de incêndio, os hidrantes, quais são as saídas de emergência e 
qual é o local de encontro. 
 
 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 17 
 
 
 
Neste momento, é fundamental entendermos um pouco sobre os sistemas 
de proteção passivas. O que vem a ser um sistema de proteção passiva? 
 
Os sistemas de proteção passiva contra incêndios nem sempre estão aparentes – e, 
por isso, eles são tão pouco conhecidos. Estão compreendidos nesses sistemas a 
proteção estrutural em situação de incêndio, prevenindo o colapso prematuro de 
estruturas de edificações (sejam elas em concreto, aço, madeira ou outros métodos 
construtivos), o controle de materiais de acabamento e revestimento que basicamente 
estabelecem normativas e regras para limitar a propagação de chamas e emissão de 
fumaça dos revestimentos de piso, parede, forro e cobertura dentro da construção civil 
e, por fim, sistemas de compartimentação de ambientes, tais como as portas corta-
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 18 
fogo, paredes corta-fogo que resistem a duas horas, sistemas firestop para pequenas 
e grandes passagens, como os shafts elétricos e hidráulicos. 
Basicamente, o objetivo da proteção passiva é confinar o potencial destrutivo de um 
fogo sem combatê-lo ativamente, mas sim limitando o avanço das chamas, calor, 
fumaça e/ou gases quentes em uma edificação. Tudo isso irá contribuir positivamente 
para uma evacuação mais segura, com menos vítimas fatais e feridos, um combate 
mais efetivo e maior preservação do patrimônio. 
Em proteção passiva contra o fogo, nem sempre o conceito é de TRRF (tempo 
requerido de resistência ao fogo): existe o conceito de reação ao fogo, por exemplo, 
em que se busca avaliar o comportamento de um determinado material quando 
exposto ao fogo. A avaliação de tempo é quando falamos em sistemas que atendem 
à resistência estrutural em situação de incêndio (Instrução Técnica – 08/SP) e 
compartimentação de ambientes (IT-09/SP). Já para os materiais de revestimento e 
acabamento (IT-10/SP), a avaliação restringe-se à propagação de chamas e à 
densidade óptica de fumaça. Todas essas instruções técnicas se baseiam em 
normativas nacionais e internacionais, sendo os resultados classificados em tabela e 
posteriormente aplicados à construção civil. 
 
Orientações quanto à proteção passiva 
 
Para pleno entendimento quanto aos sistemas de proteção passiva, é 
fundamental que possamos estudar algumas definições. 
 
 Elemento corta-fogo é aquele que apresenta, por um período determinado de 
tempo, as seguintes propriedades: 
i) Integridade mecânica a impactos (resistência); 
ii) Impede a passagem das chamas e da fumaça (estanqueidade); 
iii) Impede a passagem de caloria (isolamento térmico). 
 
Elemento para-chamas é aquele que apresenta, por um período determinado de 
tempo, as seguintes propriedades: 
i) Integridade mecânica a impactos (resistência); 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 19 
ii) Impede a passagem das chamas e da fumaça (estanqueidade), não 
proporcionando isolamento térmico. 
 
Compartimentação horizontal 
Área máxima para compartimentação e composição 
 
Sempre que houver exigência de compartimentação horizontal (de áreas), deve-se 
restringir as áreas dos compartimentos com os seguintes elementos construtivos ou 
de vedação: 
 
a) Paredes corta-fogo; 
b) Portas corta-fogo; 
c) Vedadores corta-fogo; 
d) Registros corta-fogo (dampers); 
e) Selos corta-fogo; 
f) Cortina corta-fogo; 
g) Afastamento horizontal entre aberturas. 
 
Características de construção 
 
Para os ambientes compartimentados horizontalmente entre si, devem ser exigidos os 
seguintes requisitos: 
 
• A parede de compartimentação deve ter a propriedade corta-fogo, sendo 
construída entre o piso e o teto, devidamente vinculada à estrutura do edifício, 
com reforços estruturais adequados; 
• No caso de edificações que possuam coberturas combustíveis (telhados), a 
parede de compartimentação deve estender-se, no mínimo, 1 m acima da linha 
de cobertura (telhado); 
• Se as telhas combustíveis, translúcidas ou não, estiverem distanciadas a pelo 
menos 2 metros da parede de compartimentação, não há necessidade de 
estender a parede 1 m acima do telhado; 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 20 
 
 
 
 
* As aberturas situadas na mesma fachada, em lados opostos da parede de 
compartimentação, devem ser afastadas horizontalmente entre si por trecho de parede 
com 2 m de extensão devidamente consolidada à parede de compartimentação e 
apresentando a mesma resistência ao fogo; 
* A distância mencionada no item anterior pode ser substituída por um prolongamento 
da parede de compartimentação, externo à edificação, com extensão mínima de 0,90 
m; 
* As aberturas situadas em fachadas ortogonais pertencentes a áreas de 
compartimentação horizontal distintas do edifício devem estar distanciadas 4 m na 
projeção horizontal de forma a evitar a propagação do incêndio por radiação térmica. 
 
 
 
PROTEÇÃOCONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 21 
 
 
Fachadas ortogonais. 
 
 
* As aberturas situadas em fachadas paralelas, coincidentes ou não, pertencentes a 
áreas de compartimentação horizontal distintas dos edifícios situados no mesmo lote 
ou terreno devem estar distanciadas de forma a evitar a propagação do incêndio por 
radiação térmica. 
 
 
 
 
 Fachadas paralelas. 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 22 
 
 
 
Fachadas não coincidentes. 
 
 
 
 
a) Paredes resistentes ao fogo 
 
Para os ambientes compartimentados horizontalmente entre si, devem ser exigidos os 
seguintes requisitos: 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 23 
• A parede de compartimentação deve ter a propriedade corta-fogo, sendo 
construída entre o piso e o teto, devidamente vinculada à estrutura do edifício, 
com reforços estruturais adequados; 
• No caso de edificações que possuam coberturas combustíveis (telhados), a 
parede de compartimentação deve estender-se, no mínimo, 1 m acima da linha 
de cobertura (telhado); 
• Se as telhas combustíveis, translúcidas ou não, estiverem distanciadas a pelo 
menos 2 metros da parede de compartimentação, não há necessidade de 
estender a parede 1 m acima do telhado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 24 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Norma Regulamentadora NR 23 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 25 
 
A Norma Regulamentadora NR 23:1978, do Ministério do Trabalho e Emprego, é uma 
das normas que determina as diretrizes básicas da prevenção de incêndios, a qual 
toda e qualquer empresa deve se enquadrar para planejar e executar um Plano de 
Prevenção e Combate a Incêndio (PPCI) eficiente. 
 
NR 23 – Proteção Contra Incêndios. Publicação. 
D.O.U. Portaria GM n.º 3.214, de 08 de junho de 1978. 
06/07/78. Atualizações/Alterações. 
D.O.U. Portaria SNT n.º 06, de 29 de outubro de 1991. 
Portaria SNT n.º 02, de 21 de janeiro de 1992. 
Portaria SIT n.º 24, de 09 de outubro de 2001. 
Portaria SIT n.º 221, de 06 de maio de 2011. 
(Redação dada pela Portaria SIT n.º 221, de 06 de maio de 2011). 
 
 
23.1 Todos os empregadores devem adotar medidas de prevenção de incêndios, em 
conformidade com a legislação estadual e as normas técnicas aplicáveis. 
23.1.1 O empregador deve providenciar para todos os trabalhadores informações 
sobre: 
a) utilização dos equipamentos de combate ao incêndio; 
b) procedimentos para evacuação dos locais de trabalho com segurança; 
c) dispositivos de alarme existentes (...). 
23.2 Os locais de trabalho deverão dispor de saídas, em número suficiente e dispostas 
de modo que aqueles que se encontrem nesses locais possam abandoná-los com 
rapidez e segurança, em caso de emergência. 
23.3 As aberturas, saídas e vias de passagem devem ser claramente assinaladas por 
meio de placas ou sinais luminosos, indicando a direção da saída. 
23.4 Nenhuma saída de emergência deverá ser fechada à chave ou presa durante a 
jornada de trabalho. 
23.5 As saídas de emergência podem ser equipadas com dispositivos de travamento 
que permitam fácil abertura do interior do estabelecimento. 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 26 
 
 
Além da NR 23, outra norma que deve ser estudada é a NBR 12693:2010 – Sistemas 
de proteção por extintores de incêndio, não esquecendo que cada município tem suas 
diretrizes, as quais são estipuladas no código de posturas do município; portanto, elas 
deverão ser analisadas conjuntamente com as demais legislações sobre o assunto. 
 
NBR 12693 (sistemas de proteção por extintores de incêndio) 
 
A NBR 12693:2010 tem como principal objetivo determinar as condições mínimas 
exigíveis para a realização de projetos e instalação de sistemas de proteção por 
extintores portáteis de incêndio e/ou sobre rodas. Essas determinações devem ser 
seguidas; caso contrário, a empresa poderá ser notificada, multada e/ou sofrer um 
processo de interdição até que cumpra as determinações da legislação vigente no país. 
 
Essa norma, além das determinações mínimas exigidas, aponta também alguns 
conceitos importantes para a sua interpretação, tais como: a distância máxima em 
metros que o extintor poderá ser carregado do ponto onde está fixado até qualquer 
outro ponto da área de proteção desse extintor, bem como outros conceitos que serão 
lembrados e detalhados com clareza no decorrer das explicações. 
 
Faz parte de um projeto e da instalação de sistemas de proteção contra incêndio: 
 
a) Determinação do grau de risco de incêndio da empresa; 
b) Determinação da quantidade de equipamentos necessários conforme o risco de 
incêndio; 
c) Distribuição dos equipamentos pela área da empresa conforme a classe de fogo; 
d) Instalação dos equipamentos de combate nas respectivas áreas da empresa; 
e) Sinalização para identificação dos locais onde serão fixados os equipamentos de 
combate ao fogo; 
f) Montagem da brigada de incêndio; 
g) Elaboração de um plano de abandono de área; 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 27 
h) Sistema de iluminação de emergência; 
i) Sistema de alarme de emergência. 
 
 
Determinação do grau de risco de incêndio 
 
O grau de risco de incêndio é determinado pela Tarifa de Seguro de Incêndio do Brasil 
(TSIB) e/ou determinado no anexo A da NBR 12693:2010. De acordo com a TSIB e a 
NBR 12693:2010, o grau de risco de incêndio é classificado em três classes: 
 
a) Classe A – risco pequeno; 
b) Classe B – risco médio; 
c) Classe C – risco grande. 
 
 
A classe de risco A, B e C, da classe de ocupação da TSIB, não tem relação 
direta com as letras A, B, C e D que determinam as classes de incêndio. 
 
Para o risco pequeno, a classe de ocupação é enquadrada na TSIB como 01 e 02, 
excluídos os depósitos, que devem ser considerados como classe B. Já a NBR 
12693:2010 determina que as edificações e as áreas de risco, com carga de incêndio 
específica até 300 MJ/m2 (mega joule por metro quadrado) e líquidos combustíveis 
com volume menor que 3,6 litros, são consideradas com grau de risco pequeno. 
Para o risco médio, a classe de ocupação na TSIB é enquadrada entre 03 e 06 – 
inclusive os depósitos de classe de ocupação 01 e 02. Já a NBR 12693:2010 determina 
como grau de risco médio as edificações ou áreas com carga de incêndio específica 
entre 300 MJ/m2 e 1200 MJ/m2 e líquidos combustíveis com volume igual de 3,6 litros 
até 18 litros. 
Para o risco grande, a classe de ocupação, na Tarifa de Seguro Incêndio do Brasil, é 
enquadrada entre 07 e 13. Já a NBR 12693:2010 determina que, para serem 
consideradas como risco grande, as edificações e as áreas de risco devem possuir 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 28 
carga de incêndio acima de 1200 MJ/m2 e líquidos combustíveis com volume maior 
que 18 litros. 
 
 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 29 
 
Determinação da quantidade de extintores 
 
Para fazermos o projeto e a distribuição dos extintores de incêndio, é importante 
sabermos a diferença que existe entre os equipamentos de combate ao fogo. Segundo 
a NBR 12693:2010, os extintores de incêndio são classificados de acordo com a massa 
total do extintor. Faz parte da massa total do extintor: o recipiente, o agente extintor 
e os acessórios. Ao levar em consideração esses itens, os extintores de incêndio são 
classificados como: 
 
• Extintores portáteis; 
• Extintores sobre rodas. 
 
São considerados extintoresportáteis aqueles equipamentos com massa total até 20 
kg. Os extintores sobre rodas são aqueles manuseados e transportados por um único 
operador e que têm massa total superior entre 20 kg e 250 kg. 
Outros dois fatores importantes para a realização do projeto são: a determinação da 
carga nominal e a capacidade extintora equivalente dos extintores de incêndio. A carga 
nominal de um extintor de incêndio é definida como a quantidade de agente extintor 
presente dentro dele e é medida em litros ou quilogramas. 
A capacidade extintora mínima é definida como sendo a quantidade necessária de 
agente extintor (presente em um só ou em vários extintores) capaz de suprimir um 
princípio de incêndio. Essa quantidade é determinada a partir de testes em laboratório. 
A capacidade extintora deve respeitar a quantidade estabelecida pela NBR 12693:2010 
reproduzida a seguir: 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 30 
 
 
Além da determinação da capacidade extintora necessária e da unidade extintora, é 
importante haver a determinação da área máxima a ser protegida pelo extintor e a 
distância máxima a ser percorrida pelo operador até o local onde se encontra o 
extintor. 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 31 
 
 
 
 
Como a NBR 12693, em sua redação de 2010, não faz mais referência à área máxima 
a ser protegida por extintor de incêndio da classe A, optou-se por usar, como 
referência para o cálculo estimado da quantidade de extintores necessários por área, 
a tabela que anteriormente era recomendada na NBR 12693:1993. 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 32 
 
 
Distribuição dos extintores pela área da empresa conforme a classe de fogo. 
A localização dos extintores de incêndio, na área interna das edificações ou 
na área externa (estacionamento, área de carga e de descarga, entre 
outras) da empresa, deve seguir rigorosamente o projeto elaborado por 
profissional habilitado. 
A instalação dos extintores portáteis de incêndio deve seguir algumas 
recomendações da NBR 12693:2010: 
 
a) Os extintores portáteis, quando fixados em paredes ou colunas, devem ser fixados 
com suportes que tenham a capacidade de resistir, no mínimo, a três vezes o peso 
total do extintor; 
b) A alça de manuseio do extintor de incêndio, quando ele estiver fixado em paredes 
ou colunas, não pode ultrapassar a altura máxima de 1,60 m a contar do piso acabado; 
c) A parte inferior do extintor deve ficar no mínimo a 0,10 m do piso acabado, mesmo 
que apoiado em suporte; 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 33 
 
 
c) O extintor de incêndio não pode ficar solto nem em contato direto com o piso 
para não correr o risco de sofrer batidas e consequentes quedas que poderão 
danificá-lo. 
 
 
Sinalização do local onde se encontra o extintor de incêndio 
 
A sinalização dos locais onde se encontram os extintores de incêndio é muito 
importante, pois, se facilitarmos essa visualização, os trabalhadores irão saber onde 
buscar o equipamento em caso de necessidade. A sinalização do local deve seguir as 
seguintes determinações: 
 
a) Nas áreas industriais e depósitos, deve existir no piso uma marcação sob o extintor 
a fim de evitar que seu acesso seja obstruído. Essa marcação deve ter as seguintes 
dimensões e cores: 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 34 
• Área pintada de vermelho de 70 × 70 centímetros; 
• Borda amarela de 15 cm de largura; 
 
b) Na sinalização de parede, é recomendada a utilização de setas indicativas 
vermelhas, com bordas amarelas, situadas acima do extintor, indicando o tipo de 
agente extintor recomendado para aquele local. 
 
 
 
 
Necessitamos conhecer tudo sobre as técnicas de prevenção e de combate 
ao fogo para que isso seja utilizado de forma segura, como um elemento 
que auxilie no desenvolvimento de novas tecnologias, contribuindo para 
melhorar a vida de todos nós, e não como um causador de destruição. 
 
Cuidados básicos 
 
É fundamental que o engenheiro de segurança conscientize a todos numa organização 
quanto aos cuidados básicos que devem ser tomados para evitar-se os riscos de 
incêndio. Essas orientações também devem ser ampliadas para o dia a dia, como os 
ambientes domésticos. São elas: não brinque com fogo! Um cigarro mal apagado 
jogado descuidadamente numa lixeira pode causar uma catástrofe. Apague o cigarro 
antes de deixá-lo em um cinzeiro ou de jogá-lo em uma caixa de areia. Cuidado com 
fósforos. Habitue-se a apagar os palitos de fósforos antes de jogá-los fora. Obedeça 
às placas de sinalização e não fume em locais proibidos, mal ventilados ou ambientes 
sujeitos à alta concentração de vapores inflamáveis, tais como vapores de colas e de 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 35 
materiais de limpeza. Evite usar espiriteira. Sua utilização é insegura. Nunca apoie 
velas sobre caixas de fósforos nem sobre materiais combustíveis. Não utilize a casa de 
força, casa de máquinas dos elevadores e a casa de bombas do prédio como depósito 
de materiais e objetos. São locais importantes e perigosos que devem estar sempre 
desimpedidos. As baterias devem ser instaladas em local de fácil acesso e ventilado. 
Não é recomendado o uso de baterias automotivas. 
 
Instalações elétricas 
 
Outro ponto fundamental são os cuidados com as instalações elétricas. A sobrecarga 
na instalação é uma das principais causas de incêndios. Se a corrente elétrica estiver 
acima do que a fiação suporta, ocorre superaquecimento dos fios, podendo dar início 
a um incêndio. Por isso: 
 
* Não ligue mais de um aparelho por tomada. Essa é uma das causas de sobrecarga 
na instalação elétrica; 
* Não faça ligações provisórias. Tome sempre cuidado com as instalações elétricas. 
Fios descascados, quando encostam um no outro, provocam curto-circuito e faíscas. 
 
 
Chame um técnico qualificado para executar ou reparar as instalações elétricas ou 
quando encontrar um dos seguintes problemas: constante abertura dos dispositivos 
de proteção (disjuntores); queimas frequentes de fusíveis; aquecimento da fiação e/ou 
disjuntores; quadros de distribuição com dispositivos de proteção do tipo chave-faca 
com fusíveis cartucho ou rolha. Substitua-os por disjuntores ou fusíveis do tipo Diazed 
ou NH; fiações expostas (a fiação deve estar sempre embutida em eletrodutos); 
lâmpadas incandescentes instaladas diretamente em torno de material combustível, 
pois elas liberam grande quantidade de calor; inexistência de aterramento adequado 
para as instalações e equipamentos elétricos, tais como: torneiras e chuveiros 
elétricos, ar condicionado, entre outras; evite aterrá-los em canos d’água. 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 36 
Atenção: toda a instalação elétrica tem de estar de acordo com a NBR 5410 da ABNT 
(Associação Brasileira de Normas Técnicas). 
 
Antes de instalar um novo aparelho, verifique se não vai sobrecarregar o 
circuito. Utilize os aparelhos elétricos somente de modo especificado pelo 
fabricante. 
 
 
 
Instalações de gás 
 
Somente pessoas habilitadas devem realizar consertos ou modificações nas instalações 
de gás. Sempre verifique possíveis vazamentos no botijão, trocando-o imediatamente 
caso constate a mínima irregularidade. O botijão que estiver visualmente em péssimo 
estado deve ser imediatamente recusado. Para verificar vazamento, nunca use 
fósforos ou chama, apenas água e sabão. Nunca tente improvisar maneiras de eliminar 
vazamentos, como cera, por exemplo. Coloque os botijões sempre em locais 
ventilados. Sempre rosqueie o registro do botijão apenas com uma das mãos paraevitar rompimento da válvula interna. Aparelhos que usam gás devem ser revisados 
pelo menos a cada dois anos. 
Ao sentir cheiro de gás, não ligue ou desligue a luz nem aparelhos elétricos. Afaste as 
pessoas do local e procure ventilá-lo. Feche o registro de gás para restringir o 
combustível e o risco de propagação mais rápida do incêndio. Não há perigo de 
explosão do botijão ao fechar o registro. Se possível, leve o botijão para local aberto 
e ventilado. 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 37 
 
Em casos de vazamento de gás com chama, não ligue ou desligue a luz nem aparelhos 
elétricos. Afaste as pessoas do local e procure ventilá-lo. Feche o registro de gás para 
restringir o combustível e o risco de propagação mais rápida do incêndio. Não há perigo 
de explosão do botijão ao fechar o registro. Se possível, leve o botijão para local aberto 
e ventilado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 38 
 
 
Em casos de incêndio com botijão de gás no local, sempre que possível, 
retire o botijão do local antes que o fogo possa atingi-lo. Em todas essas 
situações, chame sempre os bombeiros. 
 
Áreas de circulação 
 
Em relação às áreas destinadas às circulações, mantenha sempre desobstruídos 
corredores, escadas e saídas de emergência, sem vasos, tambores ou sacos de lixo. 
Jamais utilize corredores, escadas e saídas de emergência como depósito, mesmo que 
seja provisoriamente. Nunca guarde produtos inflamáveis nesses locais. As coletas de 
lixo devem ser bem planejadas para não comprometer o abandono do edifício em caso 
de emergência. 
 
As portas corta-fogo não devem ter trincos ou cadeados. Conheça bem o edifício em 
que você circula, mora ou trabalha, principalmente os meios de escape e as rotas de 
fuga. 
 
Evite sempre que águas de lavagem atinjam os circuitos elétricos e/ou enferrujem as 
bases das portas corta-fogo. Não permita jamais que a água se infiltre pelas portas 
dos elevadores, pois isso pode provocar sérios acidentes. 
 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 39 
Manutenção do sistema de segurança 
Extintores de incêndio 
 
Os extintores de incêndio devem ser apropriados para os locais a serem protegidos. 
É importante verificar constantemente se: 
 
1. Acesso aos extintores não está obstruído; 
2. Manômetros indicam pressurização (faixa verde ou amarela); 
3. Aparelho não apresenta vazamento; 
4. Os bicos e válvulas da tampa estão desentupidos; 
5. Leve qualquer irregularidade ao conhecimento do responsável para que a 
situação seja rapidamente sanada. 
 
A recarga dos extintores deve ser realizada: 
 
1. Imediatamente após ter sido utilizado; 
2. Caso esteja despressurizado (manômetro na faixa vermelha); 
3. Após ser submetido a teste hidrostático; 
4. Caso o material esteja empedrado. 
 
Tais procedimentos devem ser verificados pelo zelador e fiscalizados por 
todos. 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 40 
 
 
Mesmo não tendo sido utilizados, os extintores deverão ser recarregados: 
 
• Após 1 (um) ano: tipo espuma; 
• Após 3 (rês) anos: tipo pó químico seco e água pressurizada; 
• Semestralmente: se houver diferença de peso que exceda 5% (tipo pó químico seco 
e água pressurizada) ou 10% (tipo CO2). 
 
Esvazie os extintores antes de enviá-los para recarga; programe a recarga 
de forma a não deixar os locais desprotegidos; a época de recarga deve ser 
aproveitada para treinar as equipes de emergência. O Corpo de Bombeiros 
exige uma inspeção anual de todos os extintores, além dos testes 
hidrostáticos a cada cinco anos, por firma habilitada. Devem ser 
recarregados os extintores em que forem constatados vazamentos, 
diminuição de carga ou pressão e vencimento de carga. 
 
Importante: Para recarga ou teste hidrostático, escolha uma firma idônea. Os 
hidrantes e mangotinhos devem ser mantidos sempre bem sinalizados e desobstruídos. 
A caixa de incêndio deverá conter: 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 41 
• Registro globo com adaptador, mangueira aduchada (enrolada pelo meio), ou zigue-
zague, esguicho regulável (desde que haja condição técnica para seu uso), ou 
agulheta, duas chaves para engate e cesto móvel para acondicionar a mangueira; 
• Mangotinho deve ser enrolado em “oito” ou em camadas nos carretéis e pode ser 
usado por uma pessoa apenas. Seu abrigo deve ser de chapa metálica e dispor de 
ventilação. 
 
 
 
 
Verifique sempre se: 
 
a) A mangueira está com os acoplamentos enrolados para fora, facilitando o engate 
no registro e no esguicho; 
b) A mangueira está desconectada do registro; 
c) Estado geral da mangueira é bom: desenrole-a e cheque se não tem nós, furos, 
trechos desfiados, ressecados ou desgastados; 
d) Registro apresenta vazamento ou está com o volante emperrado; 
e) Há juntas amassadas; 
f) Há água no interior das mangueiras ou no interior da caixa hidrante, o que provocará 
o apodrecimento da mangueira e a oxidação da caixa. 
 
Atenção: 
 
a) Nunca jogue água sobre instalações elétricas energizadas; 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 42 
b) Nunca deixe fechado o registro geral do barrilete do reservatório d’água (o registro 
geral do sistema de hidrantes localiza-se junto à saída do reservatório d’água); 
c) Se for preciso fazer reparo na rede, certifique-se de que, após o término do serviço, 
o registro permaneça aberto; 
d) Se a bomba de pressurização não der partida automática, é necessário dar partida 
manual no painel central, que fica próximo à bomba de incêndio; 
e) Nunca utilize a mangueira dos hidrantes para lavar pisos ou regar jardins; 
f) Mantenha sempre em ordem a instalação hidráulica de emergência com auxílio de 
profissionais especializados. 
 
As instalações fixas de combate a incêndios destinam-se a detectar o início 
do fogo e resfriá-lo. 
 
Os tipos são: 
 
a) Detector de fumaça; 
b) Detector de temperatura; 
c) Detector de chama; 
d) Chuveiro automático: redes de pequenos chuveiros no teto dos ambientes; 
e) Dilúvio: gera um nevoeiro d’água; 
f) Cortina d’água: rede de pequenos chuveiros afixados no teto, alinhados para, 
quando acionados, formarem uma cortina d’água; 
g) Resfriamento: rede de pequenos chuveiros instalados ao redor e no topo de tanques 
de gás, petróleo, gasolina e álcool. Geralmente são usados em áreas industriais; 
h) Halon: a partir de posições tomadas pelo Ministério da Saúde, o Corpo de Bombeiros 
tem recomendado a não utilização desse sistema, uma vez que seu agente é composto 
de CFC, destruidor da camada de ozônio. 
 
Iluminação de emergência 
A iluminação de emergência, que entra em funcionamento quando falta energia 
elétrica, pode ser alimentada por gerador ou bateria e acumuladores (não automotiva). 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 43 
A iluminação de emergência é obrigatória nos elevadores. Faça constantemente a 
revisão dos pontos de iluminação. 
 
Baterias: as baterias devem ser instaladas acima do piso e afastadas da parede, em 
local seco, ventilado e sinalizado. Providencie a manutenção periódica das baterias de 
acordo com as indicações do fabricante; devem ser verificados seus terminais (polos) 
e a densidade do eletrólito. 
 
Alarme de incêndio 
Os alarmes de incêndio podem ser manuais ou automáticos. 
Os detectores de fumaça, de calor ou de temperatura acionam automaticamente os 
alarmes. O alarme deve ser audível em todos os setores da área abrangida pelo 
sistema de segurança. As verificações nos alarmes precisam ser feitas periodicamente,seguindo as instruções do fabricante. A edificação deve contar com um plano de ação 
para otimizar os procedimentos de abandono do local quando do acionamento do 
alarme. 
 
Sistema de som e interfonia 
 
Os sistemas de som e interfonia devem ser incluídos no plano de abandono do local e 
devem ser verificados e mantidos em funcionamento de acordo com as recomendações 
do fabricante. 
 
Portas corta-fogo 
As portas corta-fogo são próprias para isolamento e proteção das rotas de fuga, 
retardando a propagação do fogo e da fumaça. Elas devem resistir ao calor por 60 
minutos no mínimo (verifique se está afixado o selo de conformidade com a ABNT). 
Toda porta corta-fogo deve abrir sempre no sentido de saída das pessoas. Seu 
fechamento deve ser completo. Além disso, elas nunca devem ser trancadas com 
cadeados ou fechaduras e não devem ser usados calços, cunhas ou qualquer outro 
artifício para mantê-las abertas. Não se esqueça de verificar constantemente o estado 
das molas, maçanetas, trincos e folhas da porta. 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 44 
 
 
 
Rotas de fuga 
Corredores, escadas, rampas, passagens entre prédios geminados e saídas são rotas 
de fuga e devem sempre ser mantidas desobstruídas e bem sinalizadas. 
 
Importante: Conheça a localização das saídas de emergência das edificações que 
adentrar. Só utilize áreas de emergência no topo dos edifícios e as passarelas entre 
prédios vizinhos na total impossibilidade de se utilizar a escada de incêndio. As 
passarelas entre prédios têm de estar em paredes cegas ou isoladas das chamas. 
Lembre-se: é sempre aconselhável DESCER. 
 
Lixeiras 
 
As portas dos dutos das lixeiras devem estar fechadas com alvenaria, sem possibilidade 
de abertura, para não permitir a passagem da fumaça ou gases para as áreas da 
escada ou entre andares do edifício. 
 
 
Para-raios 
O para-raios deve ser o ponto mais alto do edifício. Massas metálicas, como torres, 
antenas, guarda-corpos, painéis de propaganda e sinalização, devem ser interligadas 
aos cabos de descida do para-raios, integrando o sistema de proteção contra 
descargas elétricas atmosféricas. O para-raios deve estar funcionando 
adequadamente. Caso contrário, haverá inversão da descarga para as massas 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 45 
metálicas que estiverem em contato com o cabo do para-raios. Os para-raios podem 
ser do tipo Franklin ou Gaiola de Faraday. O tipo radioativo/iônico tem sua instalação 
condenada devido à sua carga radioativa e por não ter eficiência adequada. A 
manutenção dos para-raios deve ser feita anualmente por empresas especializadas 
conforme instrução do fabricante. É preciso observar a resistência ôhmica do 
aterramento entre elétrodos e a terra (máximo de 10 ohm) ou logo após a queda do 
raio. 
 
Equipe de emergência 
 
A equipe de emergência é a brigada de combate a incêndio. Ë uma equipe formada 
por pessoas treinadas com conhecimento sobre prevenção contra incêndio, abandono 
de edificação, pronto-socorro e devidamente dimensionada de acordo com a 
população existente na edificação. 
 
 
 
Cabe a essa equipe a vistoria semestral nos equipamentos de prevenção e combate a 
incêndios, assim como o treinamento de abandono de prédio pelos moradores e 
usuários. A relação das pessoas com dificuldade de locomoção, permanente ou 
temporária, deve ser atualizada constantemente e os procedimentos necessários para 
a retirada dessas pessoas em situações de emergência devem ser previamente 
definidos. A equipe de emergência deve garantir a saída dos ocupantes do prédio de 
acordo com o “plano de abandono”, não se esquecendo de verificar a existência de 
retardatários em sanitários, salas e corredores. O sistema de alto-falantes ajuda a 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 46 
orientar a saída de pessoas; o locutor recebe treinamento e precisa se empenhar para 
impedir o pânico. A relação e a localização dos membros da equipe de emergência 
devem ser conhecidas por todos os usuários. 
 
 
 
Combate a incêndios – primeiras providências 
1. Ao perceber um princípio de incêndio, acione imediatamente o alarme e aja de 
acordo com o plano de evacuação. Logo a seguir, chame o Corpo de Bombeiros; 
2. A uma ordem da equipe de emergência, encaminhe-se, sem correria, para a 
saída indicada e desça (não suba) pela escada de segurança; 
3. Nunca use os elevadores; 
4. Se tiver de atravessar uma região em chamas, procure envolver o corpo com 
algum tecido molhado não sintético. Isso dará proteção ao seu corpo e evitará 
que se desidrate; 
5. Proteja os olhos e a respiração, pois são as partes mais sensíveis que a fumaça 
provocada pelo fogo pode atingir primeiro; 
6. Use máscara de proteção ou, no mínimo, uma toalha molhada no rosto. 
 
Métodos de extinção do fogo 
Há três meios de extinguir o fogo: 
 
Abafamento: consiste em eliminar o comburente (oxigênio) da queima, fazendo com 
que ela enfraqueça até apagar-se. Para exemplificar, basta lembrar que, quando se 
está fritando um bife e o óleo liberado entra em combustão, a chama é eliminada pelo 
abafamento ao se colocar a tampa na frigideira. Reduziu-se a quantidade de oxigênio 
existente na superfície da fritura. Incêndios em cestos de lixo podem ser abafados com 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 47 
toalhas molhadas de pano não sintético. Extintores de CO2 são eficazes para provocar 
o abafamento. 
 
Retirada do material: há duas opções de ação na retirada de material: 
a) Retirar o material que está queimando a fim de evitar que o fogo se propague; 
b) Retirar o material que está próximo ao fogo, efetuando um isolamento para que as 
chamas não tomem grandes proporções. 
 
 
 
Resfriamento: o resfriamento consiste em tirar o calor do material. Para isso, usa-
se um agente extintor que reduza a temperatura do material em chamas. O agente 
mais usado para combater incêndios por resfriamento é a água. 
 
Classes de incêndio e agentes extintores 
Quase todos os materiais são combustíveis; no entanto, devido à diferença na sua 
composição, queimam de formas diferentes e exigem maneiras diversas de extinção 
do fogo. Convencionou se dividir os incêndios em quatro classes conforme a tabela a 
seguir. 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 48 
 
 
 
Medidas de proteções ativas 
 
O fogo sob controle proporciona ao ser humano conforto e segurança, além de permitir 
a transformação de materiais necessários no dia a dia. Fora de controle, o fogo 
inicialmente irá aquecer o ambiente e seus materiais, chegando a um ponto nos quais 
os materiais poderão ser deformados e transformados, podendo vir a se transformar 
em um incêndio. Independentemente do grau de desenvolvimento que o fogo sem 
controle venha a atingir, perdas (materiais, ambientais, pessoais e sociais), na maioria 
das vezes, ocorrerão. Acidentes em espaços fechados (bares e casas noturnas, por 
exemplo) requerem uma atenção especial de todos os envolvidos e principalmente dos 
profissionais de segurança no trabalho que implantam e fiscalizam o cumprimento das 
normas de proteção e combate a incêndios existentes. Nesses estabelecimentos, a 
presença de medidas ativas e passivas, bem como a existência de pessoal treinado, 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 49 
torna-se indispensável, pois os procedimentos de emergência realizados de maneira 
incorreta contribuem para vítimas fatais. Nos últimos anos, aumentaram os registros, 
notificações e interdições de bares e casas noturnas de todo o Brasil. Uma das 
principais causas relatadas porespecialistas é que esse tipo de ambiente possui uma 
segurança contra incêndio bastante vulnerável, colocando o público frequentador e 
funcionários em risco de morte. Entre alguns acidentes registrados recentemente, 
pode-se citar o da boate Kiss, ocorrido no dia 27 de janeiro de 2013 na cidade de 
Santa Maria/RS, em que, devido à inexistência de medidas de proteção e combate, 
além da superlotação do local, 241 vieram a óbito devido a um incêndio de grandes 
proporções. 
 
 
 
Dentro desse contexto, é importante apresentar os reais objetivos da 
prevenção de incêndio: 
 
a) Proteger a vida dos ocupantes das edificações e áreas de risco em caso de incêndio; 
b) Dificultar a propagação do incêndio, reduzindo danos ao meio ambiente e ao 
patrimônio; 
c) Proporcionar meios de controle e extinção do incêndio; 
d) Dar condições de acesso para as operações do Corpo de Bombeiros; 
e) Proporcionar a continuidade dos serviços nas edificações e áreas de risco. 
 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 50 
 
Esses objetivos são alcançados pelo: 
 
a) Controle da natureza e da quantidade dos materiais combustíveis constituintes e 
contidos no edifício; 
b) Dimensionamento da compartimentação interna, da resistência ao fogo de seus 
elementos e do distanciamento entre edifícios; 
c) Dimensionamento da proteção e da resistência ao fogo da estrutura do edifício; 
d) Dimensionamento dos sistemas de detecção e alarme de incêndio e/ou dos sistemas 
de chuveiros automáticos de extinção de incêndio e/ou dos equipamentos manuais 
para combate; 
e) Dimensionamento das rotas de escape e dos dispositivos para controle do 
movimento da fumaça; 
f) Controle das fontes de ignição e riscos de incêndio; 
g) Acesso aos equipamentos de combate a incêndio; 
h) Treinamento do pessoal habilitado a combater um princípio de incêndio e coordenar 
o abandono seguro da população de um edifício; 
i) Gerenciamento e manutenção dos sistemas de proteção contra incêndio instalado; 
j) Controle dos danos ao meio ambiente decorrentes de um incêndio. 
 
Importantes considerações gerais de segurança contra incêndio 
 
O fogo pode ser definido como um fenômeno físico e químico em que ocorre uma 
reação de oxidação, emitindo luz e calor. 
 
Devem coexistir quatro componentes para que ocorra o fenômeno do fogo: 
 
1) Combustível; 
2) Comburente (oxigênio); 
3) Calor; 
4) Reação em cadeia. 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 51 
 
 
 
Mecanismo de extinção do fogo 
 
Os meios de extinção se utilizam desse princípio, pois agem através da inibição de um 
dos componentes para apagar um incêndio. 
O combustível pode ser definido como qualquer substância capaz de produzir calor 
por meio da reação química. 
O comburente é a substância que alimenta a reação química, sendo mais comum o 
oxigênio. 
O calor pode ser definido como uma forma de energia que se transfere de um sistema 
para outro em virtude de uma diferença de temperatura. Ele se distingue das outras 
formas de energia porque, como o trabalho, só se manifesta num processo de 
transformação. Podemos ainda definir incêndio como sendo o fogo 
indesejável, qualquer que seja sua dimensão. 
 
Como foi dito, o comburente é o oxigênio do ar, e sua composição porcentual no ar 
seco é de 20,99%. Os demais componentes são o nitrogênio, com 78,03%, e outros 
gases (CO2, Ar, H2, He, Ne, Kr), com 0,98%. O calor, por sua vez, pode ter como 
fonte a energia elétrica, o cigarro aceso, os queimadores a gás, a fricção ou mesmo a 
concentração da luz solar através de uma lente. 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 52 
O fogo se manifesta diferentemente em função da composição química do material. 
De outra maneira, um mesmo material pode queimar de modo diferente em função 
da sua superfície específica, das condições de exposição ao calor, da oxigenação e da 
umidade contida. 
 
A maioria dos sólidos combustíveis possui um mecanismo sequencial para sua ignição. 
O sólido precisa ser aquecido, quando então desenvolve vapores combustíveis que se 
misturam com o oxigênio, formando a mistura inflamável (explosiva), cujo início se 
torna dá na presença de uma pequena chama (ou mesmo fagulha ou centelha) ou em 
contato com uma superfície aquecida acima de 500°C, dando origem à chama na 
superfície do sólido, que fornece mais calor, aquecendo mais materiais e assim 
sucessivamente. Alguns sólidos pirofóricos (sódio, fósforo, magnésio etc.) não se 
comportam conforme o mecanismo acima descrito. 
Os líquidos inflamáveis e combustíveis possuem mecanismos semelhantes, ou seja, o 
líquido, ao ser aquecido, vaporiza-se e o vapor se mistura com o oxigênio, formando 
a “mistura inflamável” (explosiva) que tem início na presença de uma pequena chama 
(ou mesmo fagulha ou centelha) ou em contato com superfícies aquecidas acima de 
500°C, dando origem à chama na superfície do líquido, que aumenta a vaporização e 
a chama. A quantidade de chama fica limitada à capacidade de vaporização do líquido. 
Os líquidos são classificados pelo seu ponto de fulgor, ou seja, pela menor temperatura 
na qual liberam uma quantidade de vapor que, em contato com uma chama, produzem 
um lampejo (uma queima instantânea). Entretanto, existe outra classe de líquidos, 
denominados instáveis ou reativos, cuja característica é a de se polimerizar, decompor, 
condensar violentamente ou ainda de se tornar autorreativo sob condições de choque, 
pressão ou temperatura, podendo desenvolver grande quantidade de calor. A mistura 
inflamável vapor-ar (gás-ar) possui uma faixa ideal de concentração para se tornar 
inflamável ou explosiva, e os limites dessa faixa são denominados limite inferior de 
inflamabilidade e limite superior de inflamabilidade, sendo expressos em porcentagem 
ou volume. 
 
Estando a mistura fora desses limites, não ocorrerá a ignição. Os materiais sólidos não 
queimam através de mecanismos tão precisos e característicos como os dos líquidos e 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 53 
gases. Nos materiais sólidos, a área específica é um fator importante para determinar 
sua razão de queima, ou seja, a quantidade do material queimado na unidade de 
tempo que está associado à quantidade de calor gerado e, portanto, à elevação da 
temperatura do ambiente. 
Um material sólido com igual massa e com área específica diferente, como, por 
exemplo, de 1 m² e 10 m², queima em tempos inversamente proporcionais; contudo, 
libera a mesma quantidade de calor. No entanto, a temperatura atingida no segundo 
caso será bem maior. Por outro lado, não se pode afirmar que isso é sempre verdade; 
no caso da madeira, observa-se que, quando apresentada em forma de serragem, ou 
seja, com áreas específicas grandes, não se queima com grande rapidez. 
Comparativamente, a madeira em forma de pó pode formar uma mistura explosiva 
com o ar, comportando-se, dessa maneira, como um gás que possui velocidade de 
queima muito grande. No mecanismo de queima dos materiais sólidos, temos a 
oxigenação como outro fator de grande importância. Quando a concentração em 
volume de oxigênio no ambiente cair para valores abaixo de 14%, a maioria dos 
materiais combustíveis existentes no local não mantém a chama na sua superfície. 
A duração do fogo é limitada pela quantidade de ar e do material combustível no local. 
O volume de ar existente numa sala de 30 m2 irá queimar 7,5 kg de madeira; portanto, 
o ar necessário para a alimentação do fogo dependerá das aberturas existentes na 
sala. Vários pesquisadores (Kawagoe, Sekine, Lie) estudaram o fenômeno, e a equação 
apresentada por Lie é: 
 
V' = a H’B Vm, em que: 
V' = vazão do ar introduzido; 
a = coeficiente de descarga; 
H'= altura da seção do vão de ventilação abaixo do plano neutro; 
B = largura do vão; 
Vm = velocidade média do ar; 
 
Considerando L o volume de ar necessário para a queima completa de kg de madeira, 
a taxa máxima de combustão será dada por V’/L, isto é: 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 54 
 
 
R = V’ x a H’B V’ m 
 L L 
 
 
Da taxa de combustão ou queima, segundo os pesquisadores, pode-se definir a 
seguinte expressão representando a quantidade de peso de madeira equivalente 
consumida na unidade de tempo: 
R = C Av H, em que: 
R = taxa de queima (kg/min); 
C = Constante = 5,5 Kg/mim m5/2; 
Av = HB = área da seção de ventilação (m²); 
H = altura da seção (m); 
Av = = grau de ventilação (Kawagoe) (m5/2); 
 
 
Quando houver mais de uma abertura de ventilação, deve-se utilizar um fator global 
igual a:  Ai √ Hi. 
A razão de queima em função da abertura fica, portanto: 
R = 5,5 Av √H para a queima em kg/min; R = 330 Av √ H para a queima em kg/h. 
 
Essa equação diz que o formato da seção tem grande influência. 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 55 
Por exemplo, para uma abertura de 1,6 m2 (2 m x 0,8 m), teremos: 
Sendo: 2 m a largura = R1 = 7,9 kg/min; 2 m a altura = R2 = 12,4 kg/min. 
 
Por outro lado, se, numa área de piso de 10 m², existir 500 kg de material combustível 
expresso em equivalente em madeira, ou seja, se a carga de incêndio específica for 
de 50 kg/m² e a razão de queima devido à abertura para ventilação tiver o valor de 
R1 e R2 acima calculado, então a duração da queima será respectivamente de 40 min 
e 63 min. 
O cálculo acima tem a finalidade de apresentar o princípio para determinação da 
duração do incêndio real; não busca determinar o Tempo Requerido de Resistência ao 
Fogo (TRRF) das estruturas. Esse cálculo é válido somente para uma abertura, 
enquanto as outras permanecem fechadas (portas ou janelas); caso contrário, deve-
se redimensionar a duração do incêndio para uma nova ventilação existente. 
 
 
 
 
Com a evolução do incêndio e a oxigenação do ambiente através de portas e janelas, 
ele ganhará ímpeto: os materiais passarão a ser aquecidos por convecção e radiação, 
acarretando um momento denominado de “inflamação generalizada – flashover”, 
que se caracteriza pelo envolvimento total do ambiente pelo fogo e pela emissão de 
gases inflamáveis através de portas e janelas, que se queimam no exterior do edifício. 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 56 
 
Nesse momento, torna-se impossível a sobrevivência no interior do ambiente. O tempo 
gasto para o incêndio alcançar o ponto de inflamação generalizada é relativamente 
curto e depende, essencialmente, dos revestimentos e acabamentos utilizados no 
ambiente de origem, embora as circunstâncias em que o fogo comece a se desenvolver 
exerçam grande influência. 
 
 
 
A possibilidade de um foco de incêndio extinguir ou evoluir para um grande incêndio 
depende basicamente dos seguintes fatores: 
 
1) Quantidade, volume e espaçamento dos materiais combustíveis no local; 
2) Tamanho e situação das fontes de combustão; 
3) Área e locação das janelas; 
4) Velocidade e direção do vento; 
5) Forma e dimensão do local. Pela radiação emitida por forros e paredes, os materiais 
combustíveis que ainda não queimaram são pré-aquecidos à temperatura próxima da 
sua temperatura de ignição. As chamas são bem visíveis no local. 
 
Se esses fatores criarem condições favoráveis ao crescimento do fogo, a inflamação 
generalizada irá correr e todo o compartimento será envolvido pelo fogo. A partir disso, 
o incêndio irá se propagar para outros compartimentos da edificação, seja por 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 57 
convecção de gases quentes no interior da casa ou através do exterior, na medida em 
que as chamas que saem pelas aberturas (portas e janelas) transferem fogo para o 
pavimento superior, quando esse existir, principalmente através das janelas 
superiores. A fumaça, que já na fase anterior à inflamação generalizada pode ter se 
espalhado no interior da edificação, se intensifica e se movimenta perigosamente no 
sentido ascendente, estabelecendo, em instantes, condições críticas para a 
sobrevivência na edificação. Caso a proximidade entre as fachadas da edificação 
incendiada e as adjacentes possibilite a incidência de intensidade crítica de radiação, 
o incêndio poderá se propagar (por radiação) para outras habitações, configurando 
uma conflagração. 
 
A proximidade ainda maior entre habitações pode estabelecer uma situação ainda mais 
crítica para a ocorrência da conflagração na medida em que o incêndio se alastrar 
muito rapidamente por contato direto das chamas entre as fachadas. No caso de 
habitações agrupadas em bloco, a propagação do incêndio entre unidades poderá se 
dar por condução de calor via paredes e forros, por destruição dessas barreiras ou 
ainda através da convecção de gases quentes que venham a penetrar por aberturas 
existentes. Com o consumo do combustível existente no local ou decorrente da falta 
de oxigênio, o fogo pode diminuir de intensidade, entrando na fase de resfriamento e 
consequente extinção. 
 
A influência da ventilação 
 
Durante um incêndio, o calor emana gases dos materiais combustíveis, que podem ser 
mais ou menos densos que o ar, em decorrência da variação de temperatura interna 
e externa da edificação. Essa diferença de temperatura provoca um movimento 
ascensional dos gases que são paulatinamente substituídos pelo ar que adentra na 
edificação por meio das janelas e portas. A partir disso, ocorre uma constante troca 
entre o ambiente interno e externo, com a saída dos gases quentes e fumaça e a 
entrada de ar. 
Em um incêndio, ocorrem dois casos típicos que estão relacionados com a ventilação 
e com a quantidade de combustível em chama. No primeiro caso, no qual a vazão de 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 58 
ar que adentrar no interior da edificação incendiada for superior à necessidade da 
combustão dos materiais, temos um fogo aberto, aproximando-se a uma queima de 
combustível ao ar livre, cuja característica será de uma combustão rápida. No segundo 
caso, no qual a entrada de ar é controlada ou deficiente em decorrência de pequenas 
aberturas externas, temos um incêndio com duração mais demorada, cuja queima é 
controlada pela quantidade de combustível, ou seja, pela carga incêndio, na qual a 
estrutura da edificação estará sujeita a temperaturas elevadas por um tempo maior 
de exposição, até que ocorra a queima total do conteúdo do edifício. 
 
Em resumo, a taxa de combustão de um incêndio pode ser determinada pela 
velocidade do suprimento de ar, estando implicitamente relacionada com a quantidade 
de combustível e sua disposição da área do ambiente em chamas e das dimensões 
das aberturas. Desse conceito decorre a importância da forma e quantidade de 
aberturas em uma fachada. 
 
Mecanismos de movimentação dos gases quentes 
 
Quando se tem um foco de fogo num ambiente fechado, como, por exemplo, em uma 
sala, o calor destila gases combustíveis do material e ainda há a formação de outros 
gases devido à combustão dos gases destilados. Esses gases podem ser mais ou 
menos densos de acordo com a sua temperatura, a qual é sempre maior do que a do 
ambiente, e, portanto, possuem uma força de flutuação com movimento ascensional 
bem maior que o movimento horizontal. Os gases quentes vão se acumulando junto 
ao forro e se espalhando por toda a camada superiordo ambiente, penetrando nas 
aberturas existentes no local. Os gases quentes, assim como a fumaça, são gerados 
por uma fonte de calor (material em combustão) e fluem no sentido ascendente com 
formato de cone invertido. 
Esta figura é denominada "plume". 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 59 
 
 
 
De acordo com a quantidade de materiais combustíveis, de sua disposição, área e 
volume do local e das dimensões das aberturas, a taxa de queima pode ser 
determinada pela velocidade de suprimento do ar. Entretanto, quando a vazão do ar 
for superior às necessidades da combustão, então a taxa de queima não será mais 
controlada por esse mecanismo, aproximando-se, nesse caso, à combustão do 
material ao ar livre. No incêndio, devido ao alto nível de energia em que ficam 
expostos, os materiais destilam gases combustíveis que não queimam no ambiente 
por falta de oxigênio. Esses gases superaquecidos, que saem pelas aberturas com 
temperaturas muito superiores às de sua autoignição, encontram o oxigênio do ar 
externo ao ambiente e têm seu ponto de ignição, formando grandes labaredas. As 
chamas assim formadas são as responsáveis pela rápida propagação vertical nos atuais 
edifícios que não possuem sistemas para evitá-las. 
 
Instalações preventivas de proteção contra incêndio 
A propagação do incêndio entre edifícios isolados pode se dar através dos seguintes 
mecanismos: 
 
1) Radiação térmica emitida: a) pelas aberturas existentes na fachada do edifício 
incendiado; b) pela cobertura do edifício incendiado; c) pelas chamas que saem pelas 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 60 
aberturas na fachada ou pela cobertura; d) pelas chamas desenvolvidas pela própria 
fachada quando ela for composta por materiais combustíveis; 
 
2) Convecção, que ocorre quando os gases quentes emitidos pelas aberturas 
existentes na fachada ou pela cobertura do edifício incendiado atingem a fachada do 
edifício adjacente; 
 
3) Condução, que ocorre quando as chamas da edificação ou parte da edificação 
contígua à outra a atingem, transmitindo calor e incendiando-a. 
 
Dessa forma há duas maneiras de isolar uma edificação em relação à outra. São: 
 
1) Por meio de distanciamento seguro (afastamento) entre as fachadas das 
edificações; 
2) Por meio de barreiras estanques entre edifícios contíguos. 
 
Com a previsão das paredes corta-fogo, uma edificação é considerada totalmente 
estanque em relação à edificação contígua. O distanciamento seguro entre edifícios 
pode ser obtido por meio de uma distância mínima horizontal entre fachadas de 
edifícios adjacentes, capaz de evitar a propagação de incêndio entre os mesmos, 
decorrente do calor transferido por radiação térmica através da fachada e/ou por 
convecção através da cobertura. Em ambos os casos, o incêndio irá se propagar, 
entrando em contato através das aberturas com os materiais localizados no interior 
dos edifícios adjacentes e/ou com materiais combustíveis localizados nas próprias 
fachadas. 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 61 
 
 
Compartimentação vertical e horizontal 
 
A partir da ocorrência de inflamação generalizada no ambiente de origem do incêndio, 
ele poderá propagar-se para outros ambientes através dos seguintes mecanismos 
principais: 
 
1) Convecção de gases quentes dentro do próprio edifício; 
2) Convecção dos gases quentes que saem pelas janelas (incluindo as chamas) 
capazes de transferir o fogo para pavimentos superiores; 
3) Condução de calor através das barreiras entre compartimentos; 
4) Destruição dessas barreiras. Diante da necessidade de limitação da propagação do 
incêndio, a principal medida a ser adotada consiste na compartimentação, que visa a 
dividir o edifício em células capacitadas a suportar a queima dos materiais combustíveis 
nelas contidos, impedindo o alastramento do incêndio. 
 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 62 
Os principais propósitos da compartimentação são: 
 
1) Conter o fogo em seu ambiente de origem; 
2) Manter as rotas de fuga seguras contra os efeitos do incêndio; 
3) Facilitar as operações de resgate e combate ao incêndio. A capacidade dos 
elementos construtivos de suportar a ação do incêndio denomina-se “resistência ao 
fogo” e se refere ao tempo durante o qual conservam suas características funcionais 
(de vedação e/ou estrutural). 
 
O método utilizado para determinar a resistência ao fogo consiste em expor um 
protótipo (reproduzindo tanto quanto possível as condições de uso do elemento 
construtivo no edifício) a uma elevação padronizada de temperatura em função do 
tempo. Ao longo do tempo, são feitas medidas e observações para determinar o 
período no qual o protótipo satisfaz a determinados critérios relacionados com a função 
do elemento construtivo no edifício. O protótipo do elemento de compartimentação 
deve obstruir a passagem do fogo, mantendo sua integridade (recebe por isso a 
denominação de corta-fogo). 
 
A elevação padronizada de temperatura utilizada no método para determinação da 
resistência ao fogo constitui-se em uma simplificação das condições encontradas nos 
incêndios e visa a reproduzir somente a fase de inflamação generalizada. Deve-se 
ressaltar que, de acordo com a situação particular do ambiente incendiado, irão ocorrer 
variações importantes nos fatores que determinam o grau de severidade de exposição, 
que são: 
 
1) Duração da fase de inflamação generalizada; 
2) Temperatura média dos gases durante essa fase; 
3) Fluxo de calor médio através dos elementos construtivos. 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 63 
 
 
Os valores de resistência ao fogo a serem requeridos para a compartimentação na 
especificação foram obtidos tomando-se por base: 
 
1) A severidade (relação temperatura x tempo) típica do incêndio; 
2) A severidade obtida nos ensaios de resistência ao fogo. 
 
A severidade típica do incêndio é estimada de acordo com a variável ocupação 
(natureza das atividades desenvolvidas no edifício). 
A compartimentação horizontal se destina a impedir a propagação do incêndio de 
forma que grandes áreas sejam afetadas, dificultando sobremaneira o controle do 
incêndio, aumentando o risco de ocorrência de propagação vertical e aumentando o 
risco à vida humana. 
 
A compartimentação horizontal pode ser obtida através dos seguintes dispositivos: 
 
1) Paredes e portas corta-fogo; 
2) Registros corta-fogo nos dutos que transpassam as paredes corta-fogo; 
3) Selagem corta-fogo da passagem de cabos elétricos e tubulações das paredes corta-
fogo; 
4) Afastamento horizontal entre janelas de setores compartimentados. 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 64 
A compartimentação vertical se destina a impedir o alastramento do incêndio entre 
andares e assume caráter fundamental para o caso de edifícios altos em geral. A 
compartimentação vertical deve ser tal que cada pavimento componha um 
compartimento isolado. Para isso, são necessários: 
 
1) Lajes corta-fogo; 
2) Enclausuramento das escadas através de paredes e portas corta-fogo; 
3) Registros corta-fogo em dutos que intercomunicam os pavimentos; 
4) Selagem corta-fogo de passagens de cabos elétricos e tubulações através das lajes; 
5) Utilização de abas verticais (parapeitos) ou abas horizontais projetando-se além da 
fachada, resistentes ao fogo e separando as janelas de pavimentos consecutivos 
(nesse caso, é suficiente que esses elementos mantenham suas características 
funcionais, obstruindo dessa forma a livre emissão de chamas para o exterior). 
 
 
 
Resistência ao fogodas estruturas 
 
Uma vez que o incêndio atingiu a fase de inflamação generalizada, os elementos 
construtivos no entorno de fogo estarão sujeitos à exposição de intensos fluxos de 
energia térmica. A capacidade dos elementos estruturais de suportar por determinado 
período tal ação, que se denomina de resistência ao fogo, permite preservar a 
estabilidade estrutural do edifício. 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 65 
Durante o incêndio, a estrutura do edifício como um todo estará sujeita a esforços 
decorrentes de deformações térmicas, e os seus materiais constituintes estarão sendo 
afetados (perdendo resistência) por atingir temperaturas elevadas. 
O efeito global das mudanças promovidas pelas altas temperaturas alcançadas nos 
incêndios sobre a estrutura do edifício traduz-se na diminuição progressiva da sua 
capacidade portante. 
 
Durante esse processo, pode ocorrer que, em determinado instante, o esforço atuante 
em uma seção se iguale ao esforço resistente, podendo ocorrer o colapso do elemento 
estrutural. Os objetivos principais ao se garantir a resistência ao fogo dos elementos 
estruturais são: 
 
1) Possibilitar a saída dos ocupantes da edificação em condições de segurança; 
2) Garantir condições razoáveis para o emprego de socorro público, em que se permita 
o acesso operacional de viaturas, equipamentos e seus recursos humanos, com tempo 
hábil para exercer as atividades de salvamento (pessoas retidas) e combate a incêndio 
(extinção); 
3) Evitar ou minimizar danos ao próprio prédio, a edificações adjacentes, à 
infraestrutura pública e ao meio ambiente. 
 
Em suma, as estruturas dos edifícios, principalmente as de grande porte, 
independentemente dos materiais que as constituam, devem ser dimensionadas de 
forma a possuírem resistência ao fogo compatível com a magnitude do incêndio que 
possam vir a ser submetidas. 
 
A população do edifício deve estar preparada para enfrentar uma situação de incêndio, 
quer seja adotando as primeiras providências no sentido de controlar o incêndio, quer 
seja abandonando o edifício de maneira rápida e ordenada. Para isso ser possível, é 
necessário como primeiro passo a elaboração de planos para enfrentar a situação de 
emergência que estabeleçam, em função dos fatores determinantes de risco de 
incêndio, as ações a serem adotadas e os recursos materiais e humanos necessários. 
A formação de uma equipe com esse fim específico é um aspecto importante desse 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 66 
plano, pois permitirá a execução adequada do plano de emergência. Essas equipes 
podem ser divididas em duas categorias decorrentes da função a exercer: 
 
1) Equipes destinadas a propiciar o abandono seguro do edifício em caso de incêndio; 
2) Equipe destinada a propiciar o combate aos princípios de incêndio na edificação. 
 
Em um edifício, podemos encontrar uma equipe distinta para cada função ou que as 
exerça simultaneamente. Tais planos devem incluir a provisão de quadros sinóticos 
em distintos setores do edifício (aqueles que apresentem parcela significativa da 
população flutuante, como em hotéis) que indiquem a localização das saídas, do 
quadro sinótico com o texto "você está aqui" e a dos equipamentos de combate manual 
no setor. 
Por último, deve-se promover o treinamento periódico dos brigadistas e de toda a 
população do edifício. 
 
 
 
Planta de risco 
 
É fundamental evitar qualquer perda de tempo quando os bombeiros chegarem ao 
edifício em que ocorrer o incêndio. Para isso, é necessário existir em todas as entradas 
do edifício (cujo porte pode incidir em dificuldades nas ações dos bombeiros) 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 67 
informações úteis ao combate, fáceis de entender, e que localizem por meio de plantas 
os seguintes aspectos: 
 
1)Ruas de acesso; 
2)Saídas, escadas, corredores e elevadores de emergência; 
3)Válvulas de controle de gás e outros combustíveis; 
4)Chaves de controle elétrico; 
5)Localização de produtos químicos perigosos; 
6)Reservatórios de gases liquefeitos, comprimidos e de produtos perigosos. 
7)Registros e portas corta-fogo que fechem automaticamente em caso de incêndios e 
botoeiras para acionamento manual desses dispositivos; 
8)Pontos de saídas de fumaça; 
9)Janelas que podem ser abertas em edifícios selados; 
10)Painéis de sinalização e alarme de incêndio; 
11) Casa de bombas do sistema de hidrantes e de chuveiros automáticos; 
12) Extintores etc.; 
13)Sistema de ventilação e localização das chaves de controle; 
14)Sistemas de chuveiros automáticos e respectivas válvulas de controle; 
15)Hidrantes internos e externos e hidrantes de recalque e respectivas válvulas de 
controle. 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 68 
 
 
 
Observações gerais 
 
Cada instalação preventiva de proteção contra incêndio e pânico abordada e exigida 
nas edificações ou áreas de risco tem uma finalidade e características próprias; 
portanto, em um dimensionamento, superdimensionamento ou a adoção de uma 
delas, não implica a eliminação de outra, salvo se previsto expressamente. 
 
Plano de emergência 
Na elaboração de um plano de emergência, deverá ter-se em conta os seguintes 
fatores: 
 
a) Levantamento e identificação de riscos. Será necessário fazer um 
levantamento adequado dos riscos e, em especial, identificar as zonas de maior risco 
com vista ao reforço das medidas preventivas nessas áreas; 
 
b) Previsão dos possíveis cenários e das respectivas consequências. Deverá 
ser feita uma análise probabilística das potenciais ocorrências negativas; naturalmente 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 69 
que, quanto mais graves as consequências do sinistro se preveem, mais cuidadosa e 
exaustiva deverá ser tal análise; 
 
c) Listagem dos meios disponíveis ➯ meios humanos: deverá saber-se com 
exatidão quais as pessoas implicadas na atuação em caso de emergência e garantir 
que elas possuam todos os conhecimentos necessários; na base desses meios 
humanos, encontra-se uma equipe de primeira intervenção, devidamente treinada, 
não só preparada para atuar perante um sinistro (ex.: incêndio) como também para 
proceder à evacuação e coordenar eventual apoio com o exterior. Meios materiais: 
todos os meios materiais deverão estar devidamente identificados, localizados em 
locais estratégicos e perfeitamente operacionais; 
 
d) Controle das emissões dos alarmes. Deverá indicar a responsabilidade de quem 
ordena a emissão do alarme de nível setorial ou geral e em que circunstâncias deverá 
ser acionado, procedendo-se de igual modo para eventuais passos posteriores (ex.: 
pedido de ajuda exterior aos bombeiros). Por outro lado, deverá prever quais os 
quadros técnicos que terão de ser contatados (quer se encontrem ou não na empresa), 
em que circunstâncias e quais os meios a utilizar para veicular esse alerta. 
 
e) Elaboração de plantas e esquemas de emergência. Deverá elaborar plantas 
e esquemas de emergência para que, tendo em conta os aspectos arquitetônicos das 
instalações, se possam localizar com facilidade todo um conjunto de elementos 
relacionados com as vias de evacuação, cortes de energia elétrica, extintores e bocas 
de incêndio, matérias perigosas armazenadas etc.; 
 
f) Estabelecimento de canais e meios de comunicação. A informação clara e 
concisa é um dos aspectos importantes em caso de emergência; assim, é fundamental 
haver um procedimento que não ofereça dúvidas de como poderá ser feita a 
comunicação da situação de emergência e as respectivas prioridades. Deverão 
também estar sempre previstas vias de comunicaçãoalternativas; 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 70 
g) Colaboração com o exterior e plano de emergência externo. O plano de 
emergência deverá sempre contemplar a necessidade de pedir auxílio aos meios 
exteriores, como, por exemplo, bombeiros, emergência médica e serviços hospitalares, 
polícia, proteção civil, empresas vizinhas, entre outras; em alguns casos, 
principalmente nas indústrias de alto risco (ex.: petrolíferas, químicas), os planos de 
emergência não se deverão limitar ao interior da empresa, estendendo-o pela periferia 
e efetuando, assim, um plano de emergência externo, geralmente coordenado com as 
empresas vizinhas e entidades oficiais. É fundamental quer se trate de um plano de 
emergência interno ou externo, que a sua articulação com o meio envolvente seja 
eficaz, nomeadamente quanto ao nível de troca de informação e disponibilidade de 
meios; 
 
h) Plano de evacuação. O plano de emergência não poderá ser considerado 
completo se não incluir um plano de evacuação adequado e adaptado no que diz 
respeito a: 
 
➯ Características do próprio edifício; 
➯ Acessibilidade; 
➯ Disponibilidade de acessos e vias de evacuação em toda a área da instalação, com 
especial atenção para as zonas consideradas mais perigosas, onde existam pessoas 
permanente ou ocasionalmente (ex.: visitantes); no caso de se prever que um acidente 
possa afetar a vizinhança, essas medidas deverão ser estendidas ao exterior das 
instalações; 
➯ Determinar um local de concentração ("ponto de encontro") amplo e afastado dos 
locais de risco; 
➯ Adequar os caminhos de evacuação, dependendo do tipo de instalação (ex.: 
garagem, unidade industrial, edifício de andares); 
➯ As vias de evacuação deverão estar identificadas de forma correta, com orientações 
visuais em locais estratégicos, contendo alternativas em função do local e do tipo de 
sinistro; 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 71 
➯ Os treinos da evacuação e do combate ao sinistro são igualmente importantes, 
devendo estar coordenados entre si. 
 
 
 
 
Orientações fundamentais 
 
Estabelecer os requisitos para a elaboração, manutenção e revisão de um plano de 
emergência contra incêndio, visando a proteger a vida, o meio ambiente e o 
patrimônio, bem como viabilizar a continuidade dos negócios. 
 
 Fornecer informações operacionais das edificações ou áreas de risco ao Corpo 
de Bombeiros para otimizar o atendimento de ocorrências. 
 
 
Padronizar e alocar as plantas de risco de incêndio nas edificações para facilitar o 
atendimento operacional prestado pelo Corpo de Bombeiros. 
 
 
Elaboração do plano de emergência contra incêndio 
Para a elaboração de um plano de emergência contra incêndio, é necessário realizar 
uma análise preliminar dos riscos de incêndio, buscando identificá-los, relacioná-los e 
representá-los em planta de risco de incêndio. 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 72 
 
 Conforme o nível dos riscos de incêndio existentes, o levantamento prévio e o 
plano de emergência devem ser elaborados por engenheiros, técnicos ou especialistas 
em gerenciamento de emergências. 
 
 O profissional habilitado deve realizar uma análise dos riscos da edificação com 
o objetivo de minimizar e/ou eliminar todos os riscos existentes, recomendando-se a 
utilização de métodos consagrados, tais como: what if, check list, HAZOP, árvore de 
falhas, diagrama lógico de falhas. 
 
 O plano de emergência contra incêndio deve contemplar, no mínimo, as 
informações detalhadas da edificação e os procedimentos básicos de emergência em 
caso de incêndio. 
 
Devem ser consideradas: 
 
a) A localização (urbana, rural, características da vizinhança, distâncias de outras 
edificações e/ou riscos, distância da unidade do Corpo de Bombeiros, existência de 
Plano de Auxilio Mutuo (PAM)); 
 
 
b) A construção (alvenaria, concreto, metálica, madeira etc.); 
 
c) O tipo de ocupação (industrial, comercial, residencial, escolar etc.); 
 
d) A população total e por setor, área e andar (fixa, flutuante, características, cultura 
etc.); 
 
e) A característica de funcionamento (horários e turnos de trabalho e os dias e horários 
fora do expediente); 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 73 
 
f) As pessoas portadoras de necessidades especiais; 
 
g) Os riscos específicos inerentes à atividade; 
 
h) Os recursos humanos (brigada de incêndio, brigadas profissionais, grupos de apoio 
etc.) e materiais existentes (saídas de emergência, sistema de hidrantes, chuveiros 
automáticos, sistema de detecção de incêndio, sistema de espuma mecânica e de 
resfriamento, escadas pressurizadas, grupo motogerador etc.). 
 
 Alerta: identificada uma situação de emergência, qualquer pessoa pode, pelos 
meios de comunicação disponíveis ou sistema de alarme, alertar os ocupantes, os 
brigadistas, os bombeiros profissionais civis e o apoio externo. Esse alerta pode ser 
executado automaticamente em edificações que possuem sistema de detecção de 
incêndio. 
 
 Análise da situação: após o alerta, deve ser analisada a situação, desde o 
início até o final da emergência, e serem desencadeados os procedimentos 
necessários, que podem ser priorizados ou realizados simultaneamente, de acordo com 
os recursos materiais e humanos disponíveis no local. 
 
 Apoio externo: o Corpo de Bombeiros e/ou outros órgãos locais devem ser 
acionados de imediato, preferencialmente por um brigadista, que deve informar: 
 
a) Nome do solicitante e o número do telefone utilizado; 
 
b) Endereço completo, pontos de referência e/ou acessos; 
 
c) Características da emergência, local ou pavimento e eventuais vítimas e suas 
condições. 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 74 
 
 Primeiros socorros: prestar os primeiros socorros às possíveis vítimas, 
mantendo ou estabelecendo suas funções vitais, até que se obtenha o socorro 
especializado. 
 
 Eliminar os riscos: por meio do corte das fontes de energia (elétrica etc.) 
e do fechamento das válvulas das tubulações (GLP, oxiacetileno, gases, produtos 
perigosos etc.), quando possível e necessário, da área sinistrada atingida ou geral. 
 
 Abandono de área: proceder ao abandono da área parcial ou total, 
quando necessário, conforme comunicação preestabelecida, conduzindo a população 
fixa e flutuante para o ponto de encontro, ali permanecendo até a definição final da 
emergência. O plano deve contemplar ações de abandono para portadores de 
deficiência física permanente ou temporária, bem como as pessoas que necessitem de 
auxílio (idosos, gestantes etc.). 
 
Isolamento da área: isolar fisicamente a área sinistrada de modo a garantir os 
trabalhos de emergência e evitar que pessoas não autorizadas adentrem no local. 
 
 Confinamento do incêndio: confinar o incêndio de modo a evitar a sua 
propagação e demais consequências. 
Combate ao incêndio: proceder ao combate, quando possível, até a extinção do 
incêndio, restabelecendo a normalidade. 
 
 Investigação: levantar as possíveis causas do sinistro e os demais 
procedimentos adotados com o objetivo de propor medidas preventivas e corretivas 
para evitar a sua repetição. 
 
 Deve ser prevista a interface do plano de emergência contra incêndio com 
outros planos da edificação ou área de risco (produtos perigosos, explosões, 
inundações, pânico etc.). 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 75 
 
Divulgação e treinamento do plano de emergênciacontra incêndio 
 
 O plano de emergência contra incêndio deve ser amplamente divulgado aos 
ocupantes da edificação de forma a garantir que todos tenham conhecimento dos 
procedimentos a serem executados em caso de emergência. Sugere-se que os 
visitantes sejam informados sobre o plano de emergência contra incêndio da edificação 
por meio de panfletos, vídeos e/ou palestras. 
 
 O plano de emergência contra incêndio deve fazer parte dos treinamentos de 
formação, treinamentos periódicos e reuniões ordinárias dos membros da brigada de 
incêndio, dos brigadistas profissionais, do grupo de apoio etc. 
 
 
Exercícios simulados 
 
 Devem ser realizados exercícios simulados de abandono de área, parciais e 
completos, na edificação, com a participação de todos os ocupantes, sendo 
recomendada uma periodicidade máxima de um ano para simulados completos. 
 
 Imediatamente após o simulado, deve ser realizada uma reunião 
extraordinária para avaliação e correção das falhas ocorridas, com a elaboração de ata 
na qual constem: 
 
a) Data e horário do evento; 
 
b) Tempo gasto no abandono; 
 
c) Tempo gasto no retorno; 
 
d) Atuação dos profissionais envolvidos; 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 76 
e) Comportamento da população; 
 
f) Participação do Corpo de Bombeiros e tempo gasto para a sua chegada; 
 
g) Ajuda externa (por exemplo: PAM – Plano de Auxílio Mútuo etc.); 
 
h) Falha de equipamentos; 
 
i) Falhas operacionais; 
 
j) Demais problemas levantados na reunião. 
 
Manutenção do plano de emergência contra incêndio 
 
 Devem ser realizadas reuniões periódicas com o coordenador geral da 
brigada de incêndio, chefes e líderes de brigada de incêndio, um representante dos 
brigadistas profissionais (se houver) e um representante do grupo de apoio, com 
registro em ata e envio às áreas competentes para as providências pertinentes. 
 
 Nas reuniões periódicas, devem ser discutidos os seguintes itens: 
 
a) Calendário dos exercícios de abandono; 
 
b) Funções de cada pessoa dentro do plano de emergência contra incêndio; 
 
c) Condições de uso dos equipamentos de combate a incêndio; 
 
d) Apresentação dos problemas relacionados à prevenção de incêndios encontrados 
nas inspeções para que sejam feitas propostas corretivas; 
 
e) Atualização de técnicas e táticas de combate a incêndio; 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 77 
f) Outros assuntos. 
 
 
 Devem ser realizadas reuniões extraordinárias para análise de situação 
sempre que: 
 
a) Ocorrer um sinistro; 
 
b) For identificado um perigo iminente; 
 
c) Ocorrer uma alteração significativa dos processos industriais ou de serviços de 
área ou de leiaute; 
 
d) Houver a previsão e execução de serviços que possam gerar algum risco. 
 
Revisão do plano de emergência contra incêndio 
 O Plano de emergência contra incêndio deve ser revisado por profissional 
habilitado sempre que: 
 
a) Ocorrer uma alteração significativa nos processos industriais e processos de 
serviços de área ou leiaute; 
 
b) For constatada a possibilidade de melhoria do plano; 
 
c) Completar 12 meses da última revisão. 
 
 As alterações significativas nos processos industriais e processos de serviços, 
de área ou leiaute devem ser acompanhadas de uma avaliação por um profissional 
habilitado, preferencialmente aquele que elaborou o plano de emergência contra 
incêndio, a fim de que avalie e efetue as eventuais alterações necessárias. 
As avaliações do plano devem contar com a colaboração do coordenador geral da 
brigada de incêndio, dos líderes da brigada de incêndio, um representante dos 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 78 
brigadistas profissionais (se houver na edificação), um representante do grupo de 
apoio e os profissionais responsáveis pelas alterações significativas nos processos 
industriais, processos de serviços, de área ou de leiaute. 
 
Auditoria do plano 
 Um profissional habilitado deve realizar uma auditoria do plano a cada 12 
meses, preferencialmente antes de sua revisão. Nessa auditoria, deve-se avaliar se o 
plano está sendo cumprido em conformidade, bem como verificar se os riscos 
encontrados na análise elaborada pelo profissional habilitado foram minimizados ou 
eliminados. 
 
Procedimento para vistoria do Corpo de Bombeiros 
 O plano de emergência contra incêndio não deve ser exigido por ocasião da 
vistoria para fins de emissão do certificado de vistoria, sendo obrigatórias apenas a 
planilha de informações operacionais e a planta de risco de incêndio. Entretanto, uma 
cópia do plano de emergência contra incêndio deve estar disponível para consulta em 
local de permanência humana constante (portaria, sala de segurança etc.), podendo 
ser requisitada pelo Corpo de Bombeiros na vistoria, em treinamento ou em situações 
de emergência. 
 
Planilha de informações operacionais 
 A planilha de informações operacionais se constitui no resumo de dados 
sobre a edificação, sua ocupação e detalhes úteis para o pronto atendimento 
operacional do Corpo de Bombeiros. As informações operacionais devem ser 
fornecidas por meio do preenchimento de planilha. Essa planilha de informações 
operacionais deve ser apresentada por ocasião do pedido de vistoria a ser realizada 
na edificação ou área de risco. 
 
 
Quando da substituição de projeto ou alteração dos riscos existentes na edificação, 
deve ser feita a atualização da planilha de informações operacionais. 
O serviço de segurança contra incêndio deve encaminhar uma cópia da planilha de 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 79 
informações operacionais para COBOM (CIOSP) e para o posto de bombeiros 
responsável pelo atendimento daquela localidade. 
 
 
Planta de risco de incêndio 
 
A Planta de risco de incêndio visa a facilitar o reconhecimento do local por parte das 
equipes de emergência e dos ocupantes da edificação e das áreas de risco. 
 
 Planta de risco de incêndio deve fornecer as seguintes informações: 
 
a) Principais riscos (explosão e incêndio); 
 
b) Paredes e portas corta-fogo; 
 
c) Hidrantes externos; 
 
d) Número de pavimentos; 
 
e) Registro de recalque; 
 
f) Reserva de incêndio; 
 
g) Local de manuseio e/ou armazenamento de produtos perigosos; 
 
h) Vias de acesso às viaturas do Corpo de Bombeiros; 
 
i) Hidrantes urbanos próximos da edificação; 
 
j) Localização das saídas de emergência. 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 80 
A planta de risco de incêndio deve permanecer na entrada da edificação, portaria ou 
recepção, nos pavimentos de descarga e junto ao hall dos demais pavimentos de forma 
que seja visualizada por ocupantes da edificação e pelas equipes do Corpo de 
Bombeiros em caso de emergências. 
 
 
Modelo de uma planta de risco de incêndio 
 
 
 
 
A planta de risco de incêndio deve ser conferida pelo vistoriador no local a ser fixada 
a partir da primeira vistoria em que a edificação ou área de risco estiver ocupada. Por 
ocasião de substituição de projeto ou alteração dos riscos existentes na edificação, 
deve ser feita a substituição da planta de risco de incêndio. 
 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 81 
Descrição da edificação ou área de risco 
 
Identificação da edificação: identificar o nome da empresa. 
 
Localização: indicar o tipo de localização: se urbana ou rural, endereço,característica 
da vizinhança, distância do Corpo de Bombeiros e meios de ajuda externa. 
 
Estrutura: indicar o tipo, por exemplo, de alvenaria, concreto, metálica, madeira etc. 
 
Dimensões: indicar área total construída e de cada uma das edificações, altura de 
cada edificação, número de andares, se há subsolos, garagens e outros detalhes. 
Ocupação: indicar o tipo de ocupação de acordo com o regulamento de segurança 
contra incêndio. 
 
População: indicar a população fixa e flutuante, além de suas características, total e 
por setor, área e andar. 
 
Características de funcionamento: indicar os horários e turnos de trabalho, os 
dias e horários fora do expediente de funcionamento e as demais características da 
planta, departamentos, responsáveis e ramais internos. 
 
Pessoas portadoras de necessidades especiais: indicar o número de pessoas e 
sua localização na planta. 
 
Riscos específicos inerentes à atividade: detalhar todos os riscos existentes (por 
exemplo: cabine primária, caldeira, equipamentos, cabine de pintura etc.). 
 
Recursos humanos: indicar o número de membros da Brigada de Incêndio, de 
Brigadistas Profissionais, de Corpo de Bombeiros e outros meios de ajuda externa. 
 
Sistemas de Segurança contra incêndio: indicar os equipamentos e recursos 
existentes (sistema de hidrantes, chuveiros automáticos, sistema de espuma e 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 82 
resfriamento, reserva técnica de incêndio, reserva de 
líquido gerador de espuma, grupo motogerador etc.). 
 
Rotas de fuga: indicar as rotas de fuga e os pontos de encontro, mantendo-os 
sinalizados e desobstruídos. 
 
Primeiros socorros e hospitais próximos: deve indicar quem são as pessoas 
habilitadas para prestar os primeiros socorros às eventuais vítimas e os hospitais 
próximos. 
Eliminar riscos: deve indicar quem é a pessoa responsável pelo corte da energia 
elétrica (parcial ou total) e pelo fechamento das válvulas das tubulações se necessário. 
Abandono de área: deve indicar a metodologia a ser usada caso seja necessário 
abandonar o prédio e as pessoas responsáveis por esse processo. 
 
Isolamento de área: deve indicar a metodologia a ser usada para isolar as áreas 
sinistradas e as pessoas responsáveis por esse processo. 
 
Confinamento do incêndio: deve indicar a metodologia a ser usada para evitar a 
propagação do incêndio e suas consequências, bem como as pessoas responsáveis 
por esse processo. 
 
Combate ao incêndio: deve indicar quem vai combater o incêndio e os meios a 
serem utilizados em seu combate. 
 
 
 Investigação: após o controle total da emergência e a volta à normalidade, 
o chefe da brigada deve iniciar o processo de investigação e elaborar um relatório, por 
escrito, sobre o sinistro e as ações de contenção, para as devidas providências e/ou 
investigação. 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 83 
Responsabilidade pelo plano: o responsável pela empresa (preposto) e o 
responsável pela elaboração do plano de emergência contra incêndio devem assinar o 
plano. 
 
Definição de primeiros socorros 
 
São os procedimentos de emergência que devem ser aplicados a uma pessoa em 
perigo de vida, visando a manter os sinais vitais e evitando o agravamento de seu 
estado de saúde, até que ela receba assistência definitiva. 
Significa: 
 
✓ Atendimento imediato; 
✓ Prestado à vítima de um acidente; 
✓ Mal súbito. 
 
Aspectos legais dos primeiros socorros 
 
Obrigação legal abaixo, condições em que será obrigação moral: 
 
1) Quando a função profissional exigir; 
2) Quando preexistir uma responsabilidade intrínseca; 
3) Após iniciar o atendimento de socorro. 
 
Importante: caso de omissão de socorro 
 
Segundo o Código Penal Brasileiro, qualquer indivíduo, mesmo o leigo na área da 
saúde (pertencente a qualquer outra área de trabalho, ocupação ou estudo), tem o 
dever de ajudar um necessitado ou acidentado ou simplesmente chamar ajuda para 
ele. Do contrário, sofrerá complicações penais. 
 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 84 
Artigo 135. Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à 
criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou 
em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade 
pública: 
Pena. Detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa. Parágrafo único. A pena é 
aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e 
triplicada, se resulta a morte. 
 
 
 
Finalidade 
 
✓ Manter a vida; 
✓ Reduzir o agravamento das lesões; 
✓ Encaminhar para socorro adequado. 
 
Importante: segurança da cena; estado de consciência; vias aéreas; respiração; 
circulação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 85 
Segurança da cena 
 
Tem como objetivo preservar a vida do socorrista. Para atingir esse objetivo, é 
necessário: 
 
- Verificar se o ambiente está seguro; 
- Utilizar equipamentos de segurança; 
- Sinalizar área. 
 
 
Vias aéreas 
 
a) São classificadas em vias aéreas superiores e estabilização da coluna cervical. 
Nesse sentido, é fundamental: 
 
• Falar com a vítima; 
• Imobilizar a coluna cervical; 
• Posicionar a vítima (de costas em uma superfície dura); 
• Efetuar manobras de elevação do queixo ou da mandíbula; 
• Visualizar a cavidade oral e retirar corpos estranhos. 
 
 
Respiração e ventilação 
 
* O tórax do paciente; 
* Ver, ouvir e sentir se há movimento respiratório; 
* Realizar respiração boca a boca. 
 
Verificar a respiração 
 
• Sentir o ar que é expirado; 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 86 
• Observar os movimentos respiratórios no tórax. 
 
 
Parada respiratória 
 
• Posicionar a cabeça; 
• Iniciar a respiração boca a boca. 
 
 
Circulação com controle de hemorragias 
 
• Verificar a existência de pulso; 
• Iniciar massagem cardíaca na ausência de pulso; 
• Controlar sangramentos; 
• Aquecer o paciente; 
• Lembrar-se de manter a cabeça alinhada. 
 
RCP – Ressuscitação cardiopulmonar 
 
Segundo a Aliança dos Comitês de Ressuscitação, as diretrizes são para que leigos 
executem as compressões torácicas de forma contínua, fazendo manter o fluxo 
contínuo de sangue para o coração, cérebro e outros órgãos vitais, permitindo a 
manutenção da vida por mais tempo. 
 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 87 
 
 
 
Estado de choque 
 
O choque ocorre quando o sistema circulatório falha em mandar sangue para as 
diversas partes do corpo. 
 
Sinais e sintomas 
 
✓ Pulso rápido; 
✓ Respirações curtas, rápidas e irregulares; 
✓ Pele fria e úmida; pálida e arroxeada nas extremidades; 
✓ Agitação ou depressão do nível de consciência. 
 
 
Hemorragias e/ou fraturas graves 
 
✓ Dor intensa; 
✓ Queimaduras graves 
✓ Esmagamentos ou amputações; 
✓ Exposições prolongadas a frio ou calor extremos; 
✓ Acidente por choque elétrico; 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 88 
✓ Ferimentos extensos ou graves; 
✓ Infecções graves. 
 
Conduta 
 
✓ Deitar a vítima de costas, com a cabeça alinhada e cervical imobilizada, 
elevando os membros inferiores se não houver fraturas; 
✓ Se houver hemorragia, comprimir o local; 
✓ Cobrir a vítima; 
✓ Providenciar transporte para remoção imediata a serviço de emergência de 
hospital. 
 
 
Hemorragia 
 
Conceito: é a perdaconstante de sangue ocasionada pelo rompimento de um ou mais 
vasos sanguíneos (veias ou artérias). 
 
 
 
 
Classificação: a hemorragia pode ser externa ou interna. 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 89 
Hemorragia externa: é aquela que é visível, sendo, portanto mais fácil de identificar. 
Se não for prestado atendimento, pode levar ao estado de choque. A hemorragia pode 
ser arterial ou venosa. Na arterial, a saída de sangue acompanha os batimentos 
cardíacos. Na venosa, o sangue sai continuamente. 
 
 
Atendimento para hemorragia externa: 
 
➢ Proteger-se com luvas (sempre que em contato com sangue ou fluidos 
corpóreos). Identificar o local exato da hemorragia: o sangue espalha-se, e 
podemos estar realizando atendimento no local errado; 
➢ Colocar um pano limpo dobrado no local do ferimento que ocasiona a 
hemorragia; 
➢ Colocar a atadura em volta ou fazer uma atadura improvisada com tiras largas 
ou cintos. Não utilizar objetos que possam causar dificuldade circulatória 
(arames, barbante, fios etc.). Faça um curativo compressivo sem prejudicar a 
circulação daquele membro; 
➢ Se a hemorragia for em braço ou perna, eleve o membro; só não o faça se 
houver fraturas. Pressione a área com os seus dedos (ponto de pressão) para 
auxiliar a estancar a hemorragia; 
➢ Caso o sangue continue saindo mesmo após a realização do curativo 
compressivo, não retire os panos molhados de sangue; 
➢ Coloque outro pano limpo em cima e uma nova atadura, evitando, com isso, 
interferir no processo de coagulação; 
➢ Evite usar torniquete, pois ele pode levar à amputação cirúrgica de membro se 
não for afrouxado corretamente e no tempo certo; 
➢ Se a hemorragia for abundante, pegue uma camisa ou um cinto, coloque um 
pouco acima da hemorragia, dê um nó e puxe. Fique segurando firme: isso vai 
diminuir a chegada de sangue ao local. Esse método é para substituir o 
torniquete e não causa lesões circulatórias, pois, cada vez que o socorrista 
cansar e tiver de "tomar fôlego", vai diminuir a pressão e aquela área será 
irrigada com sangue arterial. 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 90 
 
 
 
Ferimentos 
 
✓ Ferimento por arma branca; 
✓ Ferimentos por arma de fogo; 
✓ Acidente automobilístico; 
✓ Queda de altura; 
✓ Atropelamento; 
✓ Agressão; 
✓ Esportes de risco. 
 
Fratura 
 
Definição: fratura é a quebra de um osso. Pode ser completa (quando ocorre a 
separação ou ruptura total de um osso) ou incompleta (fissura), quebra parcial com 
ou sem desvio dos fragmentos. 
 
Classificação de fraturas 
 
a) Fechadas: quando não há solução de continuidade entre a pele e o osso 
fraturado (trinca); 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 91 
b) Abertas: quando existe um ferimento no local da fratura, porém o osso não se 
expõe; 
c) Expostas: quando existe uma abertura na pele por onde se expõe parte do 
osso fraturado. 
 
Como diagnosticar uma fratura: a inchação, a deformidade e a dor são os sintomas 
mais comuns. Para melhor avaliação, estimule o socorrido a mobilizar o membro 
afetado. As vítimas que apresentarem sinais de fratura do fêmur e fraturas múltiplas 
na bacia devem ser levadas ao hospital imediatamente, pois essas fraturas costumam 
sangrar muito. Ao sofrer uma fratura do fêmur, a vítima poderá perder até 1,5 litro de 
sangue. Já se apresentar fraturas múltiplas da bacia, esse mesmo paciente poderá 
perder até 3 litros de sangue. 
 
 
 
Sinais e sintomas 
 
✓ Dor intensa que aumenta com o movimento; 
✓ Inchação do ponto fraturado; 
✓ Deformidade de contorno; 
✓ Perda de função (dificuldade de movimento); 
✓ Posição anormal do membro fraturado; 
✓ Mobilidade insólita de um ponto como se ali houvesse uma nova articulação; 
✓ Sensação de crepitação. 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 92 
 
 
Conduta 
 
✓ Não mover o paciente antes de conhecer a lesão; 
✓ Não lhe permitir levantar-se ou sentar-se; 
✓ Não lhe dar álcool ou estimulantes; 
✓ Não remover a vítima sem uma prévia imobilização; 
✓ Imobilize o local de modo a impedir que o osso fraturado se mexa e danifique 
as partes moles. A imobilização costuma reduzir a dor; 
✓ Não tente de forma alguma colocar o osso no lugar; 
✓ Se houver ferimento na pele, lave com água e sabão e coloque uma compressa 
de gaze cobrindo a região afetada antes de imobilizar. 
 
 
Queimaduras 
 
São agentes causadores: chama, brasa ou fogo; vapores quentes; líquidos ferventes; 
sólidos superaquecidos ou incandescentes; substância química; radiações; frio 
excessivo; eletricidade. 
 
 
Térmicas 
 
Causadas pela condução do calor através de líquidos, sólidos, gases quentes e do calor 
de chamas. 
Conduta: não interessa qual a profundidade da queimadura térmica, o primeiro 
cuidado é a interrupção da atividade agressiva aos tecidos orgânicos do agente 
agressor. Utilização de água corrente na zona lesada. Nunca estoure as bolhas que 
se poderão formar na queimadura. 
 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 93 
 
 
Elétricas 
 
Causadas pelo contato com a eletricidade de alta e baixa voltagem. O dano é causado 
pela produção de calor que ocorre à medida que a corrente elétrica atravessa o corpo. 
Conduta: a principal prioridade está em determinar se a vítima ainda permanece em 
contato com a rede elétrica. 
 
• Podem causar paradas cardíacas, e a reanimação cardiopulmonar pode ser 
necessária; 
• Deve-se encaminhar para o hospital. 
 
 
Químicas 
 
Provocadas pelo contato de substâncias corrosivas, líquidas ou sólidas com a pele. O 
produto químico continua a reagir até ser totalmente removido. A pele libera água que 
permite qualquer reação, portanto é melhor lavar e diluir com grande quantidade de 
água. 
Conduta: retirar a roupa impregnada pela substância. A lavagem deve começar 
imediatamente. 
Importante: identificar o produto. 
 
 
Radiação 
 
Resulta da exposição à luz solar ou a fontes nucleares. A pele libera água que permite 
qualquer reação, portanto é melhor lavar e diluir com grande quantidade de água. 
Conduta: aplicar água corrente ou toalhas molhadas; ingerir bastantes líquidos pelo 
risco de desidratação. 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 94 
O que NÃO fazer? 
 
• Não toque a área afetada; 
• Nunca fure as bolhas; 
• Não tente retirar pedaços de roupa grudados na pele. Se necessário, recorte 
em volta da roupa que está sobre a região afetada; 
• Não use manteiga, pomada, creme dental ou qualquer outro produto doméstico 
sobre a queimadura; 
• Não cubra a queimadura com algodão; 
• Não use gelo ou água gelada para resfriar a região. 
 
 
Desmaio: é a perda súbita e passageira, parcial ou total da consciência, acompanhada 
de uma baixa temporária de suprimento sanguíneo e oxigênio no cérebro. 
Sinais e sintomas: visão escurecida e perda parcial ou total da consciência; tontura e 
palidez. 
 
Crise convulsiva: é uma doença do sistema nervoso, não transmissível, que se 
caracteriza por contrações desordenadas da musculatura, geralmente com perda da 
consciência. 
Sintomas: salivação abundante; perda de urina; movimentos desordenados dos 
membros. 
Causas: epilepsia; hipoglicemia; overdose; abstinência alcoólica; meningite; lesões 
cerebrais: tumores, derrames e febre alta. 
Conduta: avaliar a cena; lateralizar todo o corpo; não tentar conter mecanicamente a 
crise; afastar tudo que possa lesar a pessoa; afrouxar as roupas; pedirajuda e 
aguardar cessar a crise. 
Fase de recuperação: uma crise convulsiva leva em torno de 3 a 7 minutos. Após isso, 
vem: 
 
• O estado de sonolência; 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 95 
• Confusão mental; 
• Reorganização do pensamento. 
 
 
 
 Asfixia: é causada por obstrução das via aérea. Suas manifestações incluem: 
 
• Ausência ou dificuldade para falar; 
• Angústia respiratória. 
 
 
Acidentes por animais peçonhentos 
 
O que são animais peçonhentos? 
 
Animais peçonhentos são aqueles que produzem substância tóxica e apresentam um 
aparelho especializado para inoculação dessa substância que é o veneno, possuem 
glândulas que se comunicam com dentes ocos, ou ferrões, ou aguilhões, por onde o 
veneno passa ativamente. 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 96 
 
 
Quais são os animais peçonhentos de importância em saúde pública? 
 
Serpentes do grupo da jararaca, cascavel, surucucu e coral verdadeira; algumas 
aranhas, como a aranha marrom, armadeira e a viúva-negra, além dos escorpiões 
preto e o amarelo. 
 
Primeiros socorros: muitos procedimentos, embora não recomendados, são ainda 
amplamente empregados como medidas visando a retardar a absorção do veneno. 
Boa parte deles pode, na verdade, contribuir para a ocorrência de complicações no 
local da picada. 
 
Serpentes: características dos gêneros de serpentes peçonhentas no Brasil. 
 
Fosseta loreal presente 
 
A fosseta loreal, órgão sensorial termorreceptor, é um orifício situado entre o olho e a 
narina, daí a denominação popular de “serpente de quatro ventas”. Indica com 
segurança que a serpente é peçonhenta. Todas as serpentes desse gênero são 
providas de dentes inoculadores bem desenvolvidos e móveis situados na porção 
anterior do maxilar. 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 97 
 
Jararaca: possui fosseta loreal ou lacrimal, tendo a extremidade da cauda com 
escamas e cor geralmente parda. Nomes populares: caiçara, jararacuçu, urutu, 
jararaca do rabo branco, cotiara, cruzeira e outros. As espécies mais agressivas 
encontram-se em locais úmidos. 
 
Cascavel: possui fosseta loreal ou lacrimal, a extremidade da cauda apresenta guizo 
ou chocalho de cor amarelada. Nomes populares: cascavel, boicininga, maracamboia 
etc. Essas serpentes são menos agressivas que as jararacas e encontram-se em locais 
secos. 
 
Coral verdadeira: não possui fosseta loreal (atenção: ausência de fosseta loreal é 
característica de não venenosas. As corais são exceção). Coloração em anéis 
vermelhos, pretos, brancos e amarelos. Nomes populares: coral, coral verdadeira, 
boicará etc. São encontradas em tocas e possuem hábitos subterrâneos. Essas 
serpentes não são agressivas. Seus acidentes são raros, porém, pelo risco de 
insuficiência respiratória aguda, devem ser considerados como graves. 
 
 
 
 
Como prevenir acidentes com animais peçonhentos? 
 
• O uso de botas de cano alto ou perneira de couro, além de botinas e sapatos, 
evita cerca de 80% dos acidentes; 
• Cerca de 15% das picadas atingem mãos ou antebraços. Use luvas de aparas 
de couro para manipular folhas secas, montes de lixo, lenha, palhas etc. Não 
se deve colocar as mãos em buracos; 
• Cobras gostam de se abrigar em locais quentes, escuros e úmidos. Cuidado ao 
mexer em pilhas de lenha, palhadas de feijão, milho ou cana. Cuidado ao revirar 
cupinzeiros; 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 98 
• Onde há rato, há cobra. Limpe paióis e terreiros, não deixe amontoar lixo. Feche 
buracos de muros e frestas de portas; 
• Evite acúmulo de lixo ou entulho, de pedras, tijolos, telhas, madeiras, bem como 
mato alto ao redor das casas, que atraem e abrigam pequenos animais que 
servem de alimentos às serpentes. 
 
Primeiros socorros em casos de acidentes com picadas de cobra 
 
✓ Lavar o local da picada apenas com água ou com água e sabão; 
✓ Manter o paciente deitado; 
✓ Manter o paciente hidratado; 
✓ Procurar o serviço médico mais próximo; 
✓ Se possível, levar o animal para identificação. 
 
Importante: O que não fazer em casos de acidentes com picadas de cobra. 
 
• Não fazer torniquete ou garrote; 
• Não cortar o local da picada; 
• Não perfurar ao redor do local da picada; 
• Não colocar folhas, pó de café ou outros contaminantes; 
• Não oferecer bebidas alcoólicas, querosene ou outros tóxicos. 
 
 
Aranhas 
 
Aranha marrom: aranha pouca agressiva, com hábitos noturnos. Encontrada em pilhas 
de tijolos, telhas, beira de barracos, nas residências, atrás de móveis, cortinas e 
eventualmente nas roupas. 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 99 
Aranha armadeira: aranha muito agressiva, com hábitos vespertinos e noturnos. 
Encontrada em bananeiras, folhagens, entre madeira e pedras empilhadas e no interior 
de residências. 
 
Viúva-negra: encontrada predominantemente no litoral nordestino, causa acidentes 
leves e moderados, com dor local acompanhada de contrações musculares, agitação 
e sudorese. 
 
Caranguejeiras e tarântulas: apesar de muito comuns, não causam envenenamento. 
As que fazem teias áreas geométricas, muito encontradas dentro das casas, também 
não oferecem perigo. 
 
Escorpião 
 
Os escorpiões são pouco agressivos e têm hábitos noturnos. Encontram-se em pilhas 
de madeira, cercas, sob pedras e nas residências. Duas espécies merecem maior 
atenção médica: T. serralatus (amarelo) e T. bahiensis (marrom). 
 
Como prevenir acidentes: 
 
✓ Manter jardins e quintais limpos. Evitar o acúmulo de entulhos, folhas secas, 
lixo doméstico, material de construção nas proximidades das casas; 
✓ Evitar folhagens densas (plantas ornamentais, trepadeiras, arbusto, bananeiras 
e outras) junto a paredes e muros das casas. Manter a grama aparada; 
✓ Limpar periodicamente os terrenos baldios vizinhos, pelo menos, numa faixa de 
um a dois metros junto das casas; 
✓ Sacudir roupas e sapatos antes de usá-los, pois as aranhas e os escorpiões 
podem se esconder neles e picam ao serem comprimidos contra o corpo; 
✓ Não pôr as mãos em buracos, sob pedras e troncos podres. É comum a presença 
de escorpiões sob dormentes da linha férrea; 
✓ O uso de calçados e de luvas de raspas de couro pode evitar acidentes. 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 100 
Primeiros socorros: lavar o local da picada; usar compressas mornas ajuda no alívio 
da dor; procurar o serviço médico mais próximo; se possível, levar o animal para 
identificação. 
 
 
 
 
Importante: os soros antipeçonhentos são produzidos no Brasil pelo 
Instituto Butantan (São Paulo), pela Fundação Ezequiel Dias (Minas Gerais) 
e pelo Instituto Vital Brazil (Rio de Janeiro). Toda a produção é comprada 
pelo Ministério da Saúde, que distribui para todo o país por meio das 
Secretarias de Estado de Saúde. Assim, o soro está disponível em serviços 
de saúde e é oferecido gratuitamente aos acidentados. 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 101 
 
 
 
Transporte de produtos perigosos 
Em todo e qualquer acidente envolvendo o transporte rodoviário de produtos 
perigosos, o órgão que receber essa informação deverá de imediato repassá-la ao 
plantão do COBOM (Centro de Operações do Corpo de Bombeiros), a quem cabe 
avaliar a situação e desencadear as primeiras ações de combate à emergência. 
 
Em função do quadro apresentado, além do acionamento do Corpo de Bombeiros, 
outras entidades deverão ser mobilizadas em caso de: 
 
✓ Existência de vazamento de qualquer produtoperigoso; 
✓ Ocorrência de avarias nas embalagens de armazenamento dos produtos; 
✓ Tombamento de veículos com produtos perigosos; 
✓ Acidentes de trânsito com veículos transportadores de produtos perigosos em 
que haja a necessidade da realização de transbordo da carga; 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 102 
✓ Outras ocorrências, como explosões, incêndios ou casos que, de acordo com o 
cenário apresentado, possam representar situações de perigo para a segurança 
e saúde da comunidade ou para o meio ambiente. 
 
Nos acidentes de trânsito ocorridos nas diversas estradas brasileiras, é 
estatisticamente correto afirmar que os primeiros órgãos a tomarem conhecimento 
dessas ocorrências são o Corpo de Bombeiros, bem como as Polícias Rodoviárias 
Estadual ou Federal, no caso de eles se darem em rodovias estaduais ou federais, 
respectivamente. Assim, caberá, na grande maioria dos casos, aos representantes 
dessas entidades darem o primeiro atendimento aos acidentes, adotando as 
providências iniciais. 
 
As regras básicas do primeiro no local de um acidente com produto perigoso são: 
 
1. Informe sua central de operações; 
2. Sinalize e isole a área, desviando o fluxo de trânsito; 
3. Aproxime-se cuidadosamente do local, sempre de costas para o vento, tomando o 
ponto de vazamento como referência; 
4. Avalie se há a possibilidade de entrar na área de risco sem ter contato com o produto 
(pisar, tocar ou inalar) para realizar uma melhor avaliação da situação e verificar a 
existência de vítimas; 
5. Realize a identificação do produto envolvido na ocorrência; caso isso não seja 
possível, tente entrar em contato com o motorista do veículo; 
6. Repasse as informações à sua central de comunicações para o acionamento dos 
demais órgãos, do transportador e do produtor, além do acionamento do plano de 
emergência de cada localidade e do plano de emergência da empresa transportadora, 
caso exista um. 
 
 
 
 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 103 
Identificação do produto 
 
 Os caminhões que transportam produtos perigosos possuem símbolos e documentos 
que possibilitam a identificação dos produtos transportados de acordo com as normas 
da ONU (Organização das Nações Unidas). 
 
 
Rótulo de risco 
 
Placa em forma de losango que contém o número da classe de risco do produto 
transportado, bem como o símbolo dessa classe, que possibilita a identificação do risco 
principal do produto, mesmo à distância. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 104 
Rótulo de risco - classe 8 - corrosivos 
 
O número situado abaixo do símbolo, no rótulo de risco, indica a classe ou subclasse 
da substância, de acordo com a classificação da ONU, que segue: 
 
1. Explosivos: 
1.1. Substâncias e artigos com risco de explosão em massa; 
1.2. Substâncias e artigos com risco de projeção, mas sem risco de explosão em 
massa; 
1.3. Substâncias e artigos com risco de fogo e com pequeno risco de explosão, de 
projeção, mas sem risco de explosão em massa; 
1.4. Substâncias e artigos que não apresentam risco significativo; 
1.5. Substâncias muito insensíveis, com um risco de explosão em massa, mas que são 
tão insensíveis que a probabilidade de iniciação ou de transição de queima para a 
detonação, em condições normais de transporte, é muito pequena; 
1.6. Artigos extremamente insensíveis, sem risco de explosão em massa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 105 
Gases 
 
2.1. Gases inflamáveis; 
2.2. Gases não inflamáveis, não tóxicos; 
2.3. Gases tóxicos. 
 
3. Líquidos inflamáveis. 
 
4. Sólidos inflamáveis; substâncias sujeitas à combustão espontânea e substâncias 
que, em contato com a água, emitem gases inflamáveis: 
4.1. Sólidos inflamáveis; 
4.2. Substâncias sujeitas à combustão espontânea; 
4.3. Substâncias que, em contato com a água, emitem gases inflamáveis. 
 
5. Substâncias oxidantes e peróxidos orgânicos: 
5.1. Substâncias oxidantes; 
5.2. Peróxidos orgânicos. 
 
6. Substâncias tóxicas (venenosas) e substâncias infectantes: 
6.1. Substâncias tóxicas (venenosas); 
6.2. Substâncias infectantes. 
 
7. Materiais radioativos. 
 
8. Corrosivos. 
 
9. Substâncias perigosas diversas. 
 
As cores dos rótulos de risco também estão relacionadas com as 
características de periculosidade das substâncias; assim, tem-se: 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 106 
 
 
 
 
 
 
Painel de segurança 
 
Trata-se de uma placa de cor laranja que possibilita identificar o nome da substância 
transportada, bem como os seus principais riscos. 
 
 
 
 
 
O número situado na parte superior do painel representa o número de risco e serve 
para identificar os riscos principal e subsidiários da substância transportada. O número 
de risco pode ser composto por dois ou três algarismos, sendo que a importância do 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 107 
risco é registrada da esquerda para a direita. Os algarismos que compõem os números 
de risco têm o seguinte significado: 
 
2 - Emissão de gás devido à pressão ou reação química; 
3 - Inflamabilidade de líquidos (vapores) e gases ou líquidos sujeitos a 
autoaquecimento; 
4 - Inflamabilidade de sólidos ou sólidos sujeitos à combustão espontânea; 
5 - Efeito oxidante (favorece incêndio); 
6 - Toxicidade; 
7 - Radioatividade; 
8 - Corrosividade; 
9 - Risco de violenta reação espontânea. 
 
Observações: 
 
A letra “X” antes dos algarismos significa que a substância reage perigosamente com 
água; 
-A repetição de um número indica, em geral, aumento da intensidade daquele risco 
específico; 
 -Quando o risco associado a uma substância puder ser adequadamente indicado por 
um único número, este será seguido pelo algarismo 0 (zero). 
 
Exemplos: 23 - gás inflamável; 336 - líquido muito inflamável, tóxico; X338 - líquido 
muito inflamável, corrosivo, que reage perigosamente com água (*); 883 - produto 
muito corrosivo, inflamável. (*) Não utilizar água, exceto com aprovação de um 
especialista. 
 
O número situado na parte inferior do painel de segurança representa o registro da 
substância na classificação da ONU; assim, através do painel e com o esse número, é 
possível identificar o nome específico do produto transportado; para tanto, há a 
necessidade de se consultar a lista de produtos perigosos constante da legislação 
pertinente (Portaria Nº 204, de 20/05/97, do Ministério dos Transportes) ou manuais 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 108 
técnicos, como o Manual para atendimento de emergências com produtos perigosos, 
da ABIQUIM (Associação Brasileira da Indústria Química e de Produtos Derivados). 
 
Importante: Caso, no primeiro contato com um acidente envolvendo produto 
perigoso, não estejam disponíveis nenhuma – ou quaisquer outras – dessas 
referências, acione a central de sua entidade para obter informações quanto aos 
procedimentos a serem adotados nessa situação. 
 
A figura abaixo apresenta um exemplo de utilização do rótulo de risco e do painel de 
segurança num veículo transportador de produtos perigosos. 
 
 
 
 
Documentação de porte obrigatório no transporte 
 
 Além da simbologia de risco presente no veículo, os documentos relacionados com a 
carga transportada podem fornecer importantes informações sobre a mesma. Entre 
esses documentos, destaca-se a ficha de emergência, que é um documento de porte 
obrigatório e contém o nome, endereço e telefone do expedidorda carga, além de 
informações básicas sobre como proceder com aquele produto em situações 
emergenciais. No caso do transporte de produtos perigosos fracionados (cargas 
embaladas), o motorista deverá portar tantas fichas quantos forem os produtos. 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 109 
 
Procedimentos básicos 
 
Segurança pessoal: o principal aspecto a ser considerado durante o atendimento a 
acidentes que envolvem produtos químicos diz respeito à segurança das pessoas, 
principalmente das primeiras que chegarem ao local da ocorrência. 
 
 O sucesso de uma operação de atendimento a acidentes envolvendo produtos 
químicos está associado à rapidez e à eficiência no acionamento das equipes de 
atendimento, à avaliação correta e desencadeamento de ações compatíveis com a 
situação apresentada e à disponibilidade dos recursos necessários e capacidade de 
mobilização. 
 
Etapas de um atendimento emergencial 
 
 Os acidentes envolvendo produtos químicos podem ocasionar situações bastante 
diferenciadas, necessitando, na maioria das vezes, de um desencadeamento de ações 
específicas para cada caso. De uma maneira geral, no entanto, os trabalhos de 
atendimento podem ser divididos nas seguintes etapas: 
 
- Sinalização e isolamento da área, garantindo via de acesso para as equipes de 
resposta; 
- Avaliação inicial; 
- Acionamento; 
 
Outras providências: 
 
- isolar a área, afastando os curiosos; 
- sinalizar o local do acidente; 
- eliminar ou manter longe de todos os focos de ignição; 
- cigarro, motores, lanternas etc.; 
- procurar atender às recomendações das fichas de emergência; 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 110 
- entregar as fichas de emergência aos socorros públicos assim que chegar; 
- avisar imediatamente ao transportador, ao embarcador do produto, ao corpo de 
bombeiros e à polícia; 
- outras informações julgadas necessárias. 
 
 
Sinalização e isolamento da área 
 
A primeira etapa de um atendimento emergencial referente a um acidente envolvendo 
produtos perigosos diz respeito à sinalização do local e ao isolamento da área de forma 
a garantir que todas as pessoas não envolvidas com a operação de emergência 
mantenham-se afastadas da área de risco. Essa ação deve ser realizada sempre 
mantendo-se o vento pelas costas, de modo a evitar a inalação de eventuais vapores 
emanados do produto vazado. A sinalização e o isolamento são as primeiras tarefas 
que devem ser realizadas para se manter o controle da situação. Para tanto, deve-se 
utilizar os recursos necessários para essa operação, como cones de sinalização e faixas 
de isolamento, entre outros. 
 
Outro aspecto que deve ser levado em consideração nesse primeiro atendimento diz 
respeito à garantia de uma via de acesso para as viaturas das equipes de emergência, 
as quais chegarão ao local da ocorrência, que devem ter sua entrada na área facilitada; 
dessa forma, é importante que equipes do trânsito operacionalizem essas ações. 
 
Procedimentos básicos 
 
Segurança pessoal: o principal aspecto a ser considerado durante o atendimento a 
acidentes que envolvem produtos químicos diz respeito à segurança das pessoas, 
principalmente das primeiras que chegarem ao local da ocorrência. 
 
O sucesso de uma operação de atendimento a acidentes envolvendo produtos 
químicos está associado à rapidez e à eficiência no acionamento das equipes de 
atendimento, à avaliação correta e ao desencadeamento de ações compatíveis com a 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 111 
situação apresentada e à disponibilidade dos recursos necessários e capacidade de 
mobilização. 
 
Riscos químicos 
 
 A seguir, são abordados os principais aspectos a serem observados nos acidentes de 
acordo com as classes de risco dos produtos envolvidos. 
 
Classe 1 - explosivos: 
 
 O explosivo é uma substância que é submetida a uma transformação química 
extremamente rápida, produzindo simultaneamente grandes quantidades de gases e 
calor. Devido ao calor, os gases liberados, por exemplo, nitrogênio, oxigênio, monóxido 
de carbono, dióxido de carbono e vapor d'água, expandem-se a altíssimas velocidades, 
provocando o deslocamento do ar circunvizinho, gerando um aumento de pressão 
acima da pressão atmosférica normal (sobrepressão). 
 
 Muitas das substâncias pertencentes a essa classe são sensíveis a calor, choque e 
fricção, como, por exemplo, azida de chumbo e fulminato de mercúrio. Já outros 
produtos dessa mesma classe necessitam de um intensificador para explodirem. 
 
 De acordo com a rapidez e a sensibilidade dos explosivos, podem ocorrer dois tipos 
de explosões: detonação e deflagração. A detonação é um tipo de explosão em que a 
transformação química ocorre muito rapidamente, sendo que a velocidade de 
expansão dos gases é muito superior à velocidade do som naquele ambiente (da 
ordem de km/s). Já a deflagração é um tipo de explosão na qual a transformação 
química é bem mais lenta, sendo que a velocidade de expansão dos gases é, no 
máximo, a velocidade do som naquele ambiente. Nesse caso, pode surgir a combustão. 
 
 A detonação é caracterizada por apresentar picos de pressão elevada num período 
extremamente pequeno de tempo, enquanto que a deflagração comporta-se de 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 112 
maneira oposta. A sobrepressão gerada a partir de uma explosão pode atingir valores 
elevados, provocando danos destrutivos a edificações e pessoas. 
 
Entende-se por danos catastróficos às estruturas aqueles onde ocorre o seu colapso, 
deixando o local sem condições de uso. Danos graves não comprometem a estrutura 
como um todo, ou seja, é a ocorrência de danos, como rachaduras, queda de telhado 
e porta danificada (arrancada), entre outros. 
 
Exemplos de diferentes tipos de explosivos: 
 
-Substâncias e artefatos com risco de explosão em massa. Ex.: TNT, fulminato de 
mercúrio. Essas substâncias geram explosões do tipo detonação; 
-Substâncias e artefatos com risco de projeção. Ex.: granadas. Essas substâncias 
geram explosões do tipo deflagração; 
-Substâncias e artefatos com risco predominante de fogo. Ex.: artigos pirotécnicos; 
-Substâncias e artefatos que não apresentam riscos significativos. Ex.: dispositivos 
iniciadores; 
-Substâncias pouco sensíveis. Ex.: explosivos de demolição. 
 
 Por ser a explosão um fenômeno extremamente rápido e incontrolável, as medidas a 
serem desencadeadas durante o atendimento a acidentes com produtos desse tipo 
deverão ser de caráter preventivo. 
 
 Tais medidas incluem o controle dos fatores que podem gerar um aumento de 
temperatura (calor), choque e fricção. 
 
 Em casos de incêndio, além do risco iminente de explosão, pode-se ter a emanação 
de gases tóxicos e/ou venenosos. Nesses casos, a proteção respiratória adequada é o 
equipamento autônomo de respiração a ar comprimido, além de roupas especiais. 
 
 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 113 
Nos incêndios envolvendo substâncias explosivas, esses equipamentos 
oferecem proteção limitada devido à natureza do produto, ou seja, são 
eficientes apenas para a proteção contra gases gerados pelo incêndio, e não 
para os efeitos decorrentes de uma eventual explosão. 
 
 Outro aspecto importante diz respeito ao atendimento onde a explosão já tenha 
ocorrido. De acordo com as características do produto envolvido, nem toda carga 
envolvida pode ter sido consumida pela explosão, podendo, portanto, existirem nas 
imediações do local da ocorrência produtos intactos, razão pela qual a operação de 
remoção dos explosivosdeve ser realizada sempre manualmente e com todo o cuidado 
requerido. 
Classe 2 - gases: 
 
Gás é um dos estados da matéria. No estado gasoso, a matéria tem forma e volume 
variáveis. A força de repulsão entre as moléculas é maior que a de coesão. Os gases 
são caracterizados por apresentarem baixa densidade e capacidade de se moverem 
livremente. 
 Diferentemente dos líquidos e sólidos, os gases expandem-se e contraem-se 
facilmente quando alteradas a pressão e/ou temperatura. 
Dessa forma, esta classe contempla os gases nas mais diversas condições conforme 
abaixo: 
 
-Gases permanentes - são aqueles que não podem ser liquefeitos à temperatura 
ambiente, ou seja, são produtos com temperatura de ebulição bastante baixa. Por 
exemplo, ar, argônio e dióxido de carbono; 
 -Gases liquefeitos - são aqueles que podem se tornar líquidos sob pressão à 
temperatura ambiente. Por exemplo, GLP, cloro e amônia; 
 -Gases dissolvidos - são aqueles que se encontram dissolvidos sob pressão em um 
solvente, como é o caso do acetileno; 
-Gases permanentes altamente refrigerados - são os gases permanentes que se 
encontram armazenados à sua temperatura de ebulição. Por exemplo, oxigênio 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 114 
(temperatura de estocagem de -183 ºC) e nitrogênio (temperatura de estocagem de 
-196 ºC). 
 
Independentemente do risco apresentado pelo produto, seu estado físico representa 
por si só uma grande preocupação, uma vez que os gases expandem-se 
indefinidamente até ocuparem todo o recipiente que os contém. Em caso de 
vazamento, os gases tendem a ocupar todo o ambiente mesmo quando possuem 
densidade diferentes à do ar. 
 
Além do risco inerente ao estado físico, os gases podem apresentar riscos adicionais, 
como, por exemplo, inflamabilidade, toxicidade, poder de oxidação e corrosividade, 
entre outros. 
 
 Alguns gases, como, por exemplo, o cloro, apresentam odor e cor característicos, 
enquanto que outros, como é o caso do monóxido de carbono, não apresentam odor 
ou coloração, o que pode dificultar a sua identificação na atmosfera, bem como as 
ações de controle quando de um eventual vazamento. 
 
 Como mencionado anteriormente, os gases sofrem grande influência quando expostos 
a variações de pressão e/ou temperatura. A maioria dos gases podem ser liquefeitos 
com o aumento da pressão e/ou diminuição da temperatura. A amônia, por exemplo, 
pode ser liquefeita quando submetida a uma pressão de aproximadamente 8 kgf/cm2 
ou quando submetida a uma temperatura de aproximadamente -33,4º C. 
 
Quando liberados, os gases mantidos liquefeitos por ação da pressão e/ou temperatura 
tenderão a passar para seu estado natural nas condições ambientais, ou seja, estado 
gasoso. Durante a mudança do estado líquido para o estado gasoso, ocorre uma alta 
expansão do produto, gerando volumes gasosos muito maiores do que o volume 
ocupado pelo líquido. A isso se denomina taxa de expansão. O cloro, por exemplo, 
tem uma taxa de expansão de 457 vezes, ou seja, um volume de cloro líquido gera 
457 volumes de cloro gasoso. Com a finalidade de reduzir a taxa de evaporação do 
produto, poderá ser aplicada uma camada de espuma sobre a poça formada desde 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 115 
que esse material seja compatível com o produto vazado. Em função disso, nos 
vazamentos de produtos liquefeitos deverá ser adotada a preferência ao vazamento 
na fase gasosa em vez do vazamento na fase líquida. 
 
 Uma propriedade físico-química relevante a ser considerada no atendimento a 
vazamentos dos gases é a densidade do produto em relação à densidade do ar. Gases 
mais densos que o ar tendem a se acumular ao nível do solo e, consequentemente, 
terão sua dispersão dificultada quando comparada à dos gases com densidade próxima 
ou inferior à do ar. Um outro fator que também dificulta a dispersão dos gases é a 
presença de grandes obstáculos, como, por exemplo, as edificações nas áreas urbanas. 
 
 Alguns gases considerados biologicamente inertes, ou seja, que não são 
metabolizados pelo organismo humano, sob certas condições, podem representar 
riscos ao homem. Todos os gases, exceto o oxigênio, são asfixiantes. Grandes 
vazamentos, mesmo de gases inertes, reduzem o teor de oxigênio dos ambientes 
fechados, causando danos que podem culminar na morte das pessoas expostas. 
 
 Assim, em ambientes confinados, deve-se monitorar constantemente a concentração 
de oxigênio. Nas situações em que a concentração de oxigênio estiver abaixo de 19,5 
% em volume, deverão ser adotadas medidas no sentido de restabelecer o nível 
normal de oxigênio, ou seja, em torno de 21 % em volume. Essas medidas consistem 
basicamente em ventilação, natural ou forçada, do ambiente em questão. 
 
 Em função das características apresentadas pelo ambiente envolvido, a proteção 
respiratória utilizada deverá obrigatoriamente ser do tipo autônoma. Nessas situações, 
é de fundamental importância o monitoramento frequente do nível de oxigênio e dos 
possíveis gases presentes na atmosfera. 
 
 Especial atenção deve ser dada quando o gás envolvido for inflamável, 
principalmente se ele estiver confinado. Medições constantes dos índices de 
explosividade no ambiente, através da utilização de equipamentos intrinsecamente 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 116 
seguros, e a eliminação das possíveis fontes de ignição constituem ações prioritárias 
a serem adotadas. 
 
De acordo com as características do produto envolvido, e em função do cenário da 
ocorrência, pode ser necessária a aplicação de neblina d'água para abater os gases ou 
vapores emanados pelo produto. 
 
A operação de abatimento dos gases será tanto mais eficiente quanto maior for a 
solubilidade do produto em água, como é o caso da amônia e do ácido clorídrico. 
 
Vale lembrar que a água utilizada para o abatimento dos gases deverá ser contida e 
recolhida posteriormente para que ela não cause a poluição dos recursos hídricos 
existentes na região da ocorrência. Já para os produtos com baixa solubilidade em 
água, o abatimento através de neblina d'água também poderá ser utilizado, sendo 
que, nesse caso, a mesma atuará com um bloqueio físico ao deslocamento da nuvem. 
 
Deve-se ressaltar que a neblina d'água deverá ser aplicada somente sobre a nuvem, 
e não sobre as eventuais poças formadas pelo gás liquefeito, uma vez que a adição 
de água sobre elas provocará uma intensa evaporação do produto, gerando um 
aumento dos vapores na atmosfera. 
 
 Após o vazamento de um gás liquefeito, a fase líquida do produto estará a uma 
temperatura próxima à temperatura de ebulição do produto, ou seja, a um valor baixo 
suficiente para que, em caso de contato com a pele, provoque queimaduras. 
 
Outro aspecto relevante nos acidentes envolvendo produtos gasosos é a possibilidade 
da ocorrência de incêndios ou explosões. Mesmo os recipientes contendo gases não 
inflamáveis podem explodir em casos de incêndio. A radiação térmica proveniente das 
chamas é, muitas vezes, suficientemente alta para provocar um aumento da pressão 
interna do recipiente, podendo causar sua ruptura catastrófica e, consequentemente, 
o seu lançamento a longas distâncias, causando danos a pessoas, estruturas e 
equipamentos próximos. 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 117 
 
Em muitos casos, dependendo da análise da situação, a alternativa mais segura pode 
ser a não extinção do fogo, mas apenas seu controle, principalmente se não houver a 
possibilidade de eliminar a fonte do vazamento. 
 
Certas ocorrências envolvendo produtos gasosos de elevada toxicidade ou 
inflamabilidadeexigem que seja efetuada a evacuação da população próxima ao local 
do acidente. 
 
A necessidade ou não da evacuação da população dependerá de algumas variáveis, 
como, por exemplo: 
 
Risco apresentado pelo produto envolvido; 
 -Quantidade do produto vazado; 
 -Características físico-químicas do produto (densidade, taxa de expansão etc.); 
- Condições meteorológicas na região; 
 -Topografia do local; 
- Proximidade a áreas habitadas. 
 
Gases criogênicos: 
 
Os gases criogênicos devem merecer cuidados especiais quando da ocorrência de 
vazamentos. Esses gases, para serem liquefeitos, devem ser refrigerados a 
temperaturas inferiores a -150 ºC. Devido à sua natureza "fria", os gases criogênicos 
apresentam quatro riscos principais: 
 
a. Riscos à saúde. 
 
Os gases criogênicos, devido a baixa temperatura, poderão provocar severas 
queimaduras ao tecido, conhecidas por enregelamento, quando do contato com líquido 
ou mesmo com o vapor. A formação de uma nuvem a partir de um gás criogênico 
sempre representará uma situação de risco, visto que a densidade do vapor será maior 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 118 
que a do ar, uma vez que a temperatura é muito baixa, o que provocará o 
deslocamento do ar atmosférico e, consequentemente, redução na concentração de 
oxigênio no ambiente. 
 
 b. Efeitos sobre outros materiais. 
 
 A baixa temperatura desses gases acarretará situações de risco, uma vez que o 
simples contato do produto com outros materiais poderá danificá-los. Por exemplo, se 
houver contato do produto com tanques de armazenamento de produtos químicos, 
estes se tornarão quebradiços, acarretando o vazamento do produto estocado. 
 
 Outro efeito significativo é a capacidade que os gases criogênicos têm para solidificar 
ou condensar outros gases. Não devemos esquecer que a temperatura de solidificação 
da água é de 0 ºC à pressão atmosférica. Isso quer dizer que a água presente na 
umidade atmosférica poderá congelar; assim, se isso ocorrer próximo a, por exemplo, 
uma válvula (que pode ser a do próprio tanque com vazamento), ela apresentará 
dificuldade para a realização de manobras. Assim sendo, não se deve jamais jogar 
água diretamente sobre um sistema de alívio ou válvulas de um tanque criogênico. 
Também não se deve jogar água no interior de um tanque criogênico, pois a ela atuará 
como um objeto superaquecido (ela está a 15 ou 20 ºC), acarretando a formação de 
vapores e, portanto, aumento da pressão interna do tanque. 
 
 c. Intensificação dos riscos do estado gasoso. 
 
 Além dos riscos inerentes ao próprio estado gasoso, já contemplado anteriormente, o 
vazamento de um gás criogênico poderá intensificar tais riscos. Por exemplo, o 
vazamento de oxigênio liquefeito acarretará o aumento da concentração desse produto 
no ambiente, o que poderá causar a ignição espontânea de certos materiais orgânicos. 
Por tal razão, não devem ser utilizadas roupas de material sintético (náilon), e sim 
roupas de algodão. Um aumento de 3% na concentração de oxigênio provocará um 
aumento de 100% na taxa de combustão de um produto. 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 119 
O hidrogênio, por sua vez, pode impregnar-se em materiais porosos, tornando-os mais 
inflamáveis que nas condições normais. 
 
 d. Alta taxa de evaporação no estado gasoso. 
 
Os gases criogênicos, quando expostos à temperatura ambiente, tendem a se 
expandir, gerando volumes gasosos muito superiores ao volume de líquido inicial. Para 
o nitrogênio, um litro de produto líquido gera 697 litros de gás, enquanto que para o 
oxigênio a proporção é de 863 vezes. Dessa forma, fica claro que os recipientes 
contendo gases criogênicos jamais poderão ser aquecidos ou terem seu sistema de 
refrigeração danificado sob pena de ocorrer a superpressurização do tanque, sendo 
que os sistemas de alívio poderão não suportar a demanda de vapores, acarretando a 
ruptura do tanque. 
 
 A nuvem gerada pelo vazamento de um gás criogênico será fria, invisível (a parte 
visível não indica a extensão total da nuvem), dificultará a visibilidade e tenderá a se 
acumular sobre o solo, pois a densidade do produto será maior que a do ar devido à 
baixa temperatura. 
Dessa forma, algumas regras básicas deverão ser seguidas rigorosamente quando do 
atendimento a um acidente envolvendo um gás criogênico, entre as quais destacam-
se: 
 
 -Aproxime-se e trabalhe nas áreas livres do derramamento; 
 -Evite entrar na nuvem. Se o fizer, utilize roupas herméticas não porosas, máscara 
autônoma de respiração, luvas de amianto ou de couro e botas de borracha; 
Utilize neblina d'água para conter a nuvem e fortes jatos para resfriar os tanques 
expostos ao fogo. Não direcione água aos sistemas de alívio de pressão ou nas poças 
de produto; 
Evacue grandes áreas (600 m) de um tanque criogênico em chamas. Não apague o 
fogo a menos que o fluxo de gás possa ser estancado; 
Em caso de queimaduras, lave a área com água morna, afrouxe as roupas e encaminhe 
a vítima ao hospital; 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 120 
Atente para estancar o vazamento, mas, se houver dúvida, controle a situação até 
que um técnico da empresa fabricante do produto, com conhecimento mais 
especializado, compareça ao local. 
 
Os assuntos abordados neste capítulo levaram em consideração apenas os riscos 
inerentes ao estado físico do produto, ou seja, não foram considerados de maneira 
detalhada os riscos intrínsecos dos produtos, como, por exemplo, a inflamabilidade, 
toxicidade ou corrosividade. As ações específicas a serem desencadeadas de acordo 
com o risco apresentado pelo produto serão descritas nos respectivos capítulos. 
 
Classe 3 - líquidos inflamáveis: 
 
Líquidos inflamáveis são líquidos, mistura de líquidos ou líquidos contendo sólidos em 
solução ou em suspensão que produzem vapores inflamáveis a temperaturas de até 
60,5 ºC em teste de vaso fechado. Via de regra, as substâncias pertencentes a essa 
classe são de origem orgânica, como, por exemplo, hidrocarbonetos, álcoois, aldeídos 
e cetonas, entre outros. Para uma resposta mais segura às ocorrências envolvendo 
líquidos inflamáveis, faz-se necessário o pleno conhecimento de algumas propriedades 
físico-químicas dos mesmos antes da adoção de quaisquer ações. 
 
Essas propriedades, assim como suas respectivas aplicações, estão descritas a seguir: 
 
a. Ponto de fulgor (flash point). 
 
É a menor temperatura na qual uma substância libera vapores em quantidades 
suficientes para que a mistura de vapor e ar logo acima de sua superfície propague 
uma chama a partir do contato com uma fonte de ignição. Considerando a temperatura 
ambiente numa região de 25 ºC, e ocorrendo um vazamento de um produto com ponto 
de fulgor de 15 ºC, significa que o produto nessas condições está liberando vapores 
inflamáveis, bastando apenas uma fonte de ignição para que haja a ocorrência de um 
incêndio ou de uma explosão. Por outro lado, se o ponto de fulgor do produto for de 
30 ºC, significa que ele não estará liberando vapores inflamáveis. Então, de acordo 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 121 
com o citado, o conceito de ponto de fulgor está diretamente associado à temperatura 
ambiente. 
 
 b. Limites de inflamabilidade. 
 
Para um gás ou vapor inflamável queimar, é necessário que exista, além da fonte de 
ignição, uma mistura chamada "ideal" entre o ar atmosférico (oxigênio) e o gás 
combustível. A quantidade de oxigênio no ar é praticamente constante, em torno de 
21% em volume. Já a quantidade de gás combustível necessário para a queimavaria 
para cada produto e está dimensionada através de duas constantes: o Limite Inferior 
de Explosividade (LIE) e o Limite Superior de Explosividade (LSE). O LIE é a mínima 
concentração de gás que, misturada ao ar atmosférico, é capaz de provocar a 
combustão do produto a partir do contato com uma fonte de ignição. Concentrações 
de gás abaixo do LIE não são combustíveis, pois, nessa condição, tem-se excesso de 
oxigênio e pequena quantidade do produto para a queima. Essa condição é chamada 
de "mistura pobre". 
 
O LSE é a máxima concentração de gás que, misturada ao ar atmosférico, é capaz de 
provocar a combustão do produto a partir de uma fonte de ignição. Concentrações 
de gás acima do LSE não são combustíveis, pois, nessa condição, tem-se excesso de 
produto e pequena quantidade de oxigênio para que a combustão ocorra. É a chamada 
"mistura rica". 
 
Os valores do LIE e LSE são geralmente fornecidos em porcentagens de volume 
tomadas a aproximadamente 20 ºC e 1 atm. Para qualquer gás, 1% em volume 
representa 10000 ppm (partes por milhão). Pode-se então concluir que os gases ou 
vapores combustíveis só queimam quando sua percentagem em volume estiver entre 
os limites (inferior e superior) de explosividade, que é a mistura "ideal" para a 
combustão. 
 
Mistura pobre, mistura ideal e mistura rica 
Conforme já mencionado, os valores de LIE e LSE variam de produto para produto. 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 122 
 
Existem equipamentos capazes de medir a porcentagem em volume no ar de um gás 
ou vapor combustível. Esses instrumentos são conhecidos como explosímetros. Os 
explosímetros são equipamentos compostos fundamentalmente por sensores, 
resistores e circuitos transistorizados, tendo seu princípio de funcionamento baseado 
na Ponte de Wheatstone. 
 
 Quando a mistura de gás combustível/ar penetrar no sensor do aparelho, a mesma 
entra em contato com um resistor aquecido, provocando sua imediata combustão. O 
calor gerado nessa queima modifica o valor do resistor, desequilibrando a Ponte de 
Wheatstone. Um circuito eletrônico encarrega-se de acusar uma deflexão no ponteiro 
de medição proporcional ao calor gerado pela queima. 
 
Esses equipamentos são blindados e, portanto, à prova de explosões, o que vale dizer 
que tanto a combustão que ocorre em seu interior quanto qualquer eventual curto-
circuito em suas partes eletrônicas não provocam explosões, mesmo que o LIE do gás 
esteja ultrapassado. 
 
Nas operações de emergência envolvendo gases ou vapores combustíveis, e que 
exijam a utilização de explosímetro, é importante que o operador tome algumas 
precauções básicas quanto ao seu uso adequado, tais como: 
 
- Calibrar o aparelho sempre em área não contaminada pelo gás; 
-Realizar medições frequentes em diversos pontos da região atingida, levando em 
conta as propriedades do gás e fatores como localização e direção do vento, entre 
outros; 
 -Em locais onde existam grandes quantidades de gás combustível, é conveniente que 
o equipamento seja calibrado após cada medição, evitando assim sua saturação, o que 
nem sempre é percebido pelo operador. 
 
Além do ponto de fulgor e do limite de inflamabilidade, outro fator relevante a ser 
considerado é a presença de possíveis fontes de ignição. 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 123 
 
 Nas situações emergenciais, estão presentes, na maioria das vezes, diversos tipos de 
fontes que podem ocasionar a ignição de substâncias inflamáveis. Entre elas, merecem 
destaque: 
 
-Chamas vivas; 
 -Superfícies quentes; 
 -Automóveis; 
 -Cigarros; 
 -Faíscas por atrito; 
 -Eletricidade estática. 
 
Especial atenção deve ser dada à eletricidade estática, uma vez que ela é uma fonte 
de ignição de difícil percepção. Trata-se na realidade do acúmulo de cargas 
eletrostáticas que, por exemplo, um caminhão-tanque adquire durante o transporte. 
 
Se, por algum motivo, o produto inflamável que esteja sendo transportado, seja líquido 
ou gás, tiver de ser transferido para outro veículo ou recipiente, será necessário que 
os mesmos sejam aterrados e conectados entre si de modo a evitar a ocorrência de 
uma diferença de potencial, o que poderá gerar uma faísca elétrica, representando 
assim uma situação de alto potencial de risco. 
 
 É importante lembrar que, assim como os equipamentos de medição, todos os demais, 
como lanternas e bombas, deverão ser intrinsecamente seguros. 
 
 Por questões de segurança, muitas vezes não é recomendável a contenção de um 
produto inflamável próximo ao local do vazamento, de modo a se evitar concentrações 
altas de vapores em locais com grande movimentação de pessoas ou equipamentos. 
 
Classe 4 - sólidos inflamáveis: 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 124 
São substâncias sujeitas à combustão espontânea e substâncias que, em contato com 
a água, emitem gases inflamáveis. Essa classe abrange todas as substâncias sólidas 
que podem se inflamar na presença de uma fonte de ignição, em contato com o ar ou 
com a água, e que não estão classificadas como explosivos. De acordo com o estado 
físico dos produtos dessa classe, a área atingida em decorrência de um acidente é, 
normalmente, bastante restrita, uma vez que sua mobilidade no meio é muito pequena 
quando comparada à dos gases ou líquidos, facilitando assim as operações a serem 
desencadeadas para o controle da emergência. 
 
 Em função da variedade das características dos produtos dessa classe, eles estão 
agrupados em três subclasses distintas, a saber: 
 
Os produtos dessa subclasse podem se inflamar quando expostos ao calor, choque ou 
atrito, além, é claro, de chamas vivas. A facilidade de combustão será tanto maior 
quanto mais finamente dividido o material estiver. Os conceitos de ponto de fulgor e 
limites de inflamabilidade apresentados no capítulo anterior também são aplicáveis aos 
produtos dessa classe. 
 
Como exemplos desses produtos, podemos citar o nitrato de ureia e o enxofre. 
 
Subclasse 4.2 - substâncias sujeitas à combustão espontânea: 
 
 Nessa subclasse, estão agrupados os produtos que podem se inflamar em contato 
com o ar, mesmo sem a presença de uma fonte de ignição. Devido a essa 
característica, esses produtos são transportados, na sua maioria, em recipientes com 
atmosferas inertes ou submersos em querosene ou água. Quando da ocorrência de 
um acidente envolvendo esses produtos, a perda da fase líquida poderá propiciar o 
contato deles com o ar, motivo pelo qual a estanqueidade do vazamento deverá ser 
adotada imediatamente. 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 125 
Outra ação a ser desencadeada em caso de acidente é o lançamento de água sobre o 
produto, de forma a mantê-lo constantemente úmido, desde que ele seja compatível 
com água, evitando assim sua ignição espontânea. 
 
O fósforo branco ou amarelo e o sulfeto de sódio são exemplos de produtos que se 
ignizam espontaneamente quando em contato com o ar. 
 
Subclasse 4.3 - substâncias que, em contato com a água, emitem gases inflamáveis: 
 
As substâncias pertencentes a essa classe, por interação com a água, podem tornar-
se espontaneamente inflamáveis ou produzir gases inflamáveis em quantidades 
perigosas. 
 
O sódio metálico, por exemplo, reage de maneira vigorosa quando em contato com a 
água, liberando o gás hidrogênio que é altamente inflamável. Outro exemplo é o 
carbureto de cálcio, que, por interação com a água, libera acetileno. 
 
De uma maneira geral, os produtos dessa classe, e principalmente os das subclasses 
4.2 e 4.3, liberam gases tóxicos ou irritantes quando entramem combustão. 
 
Pelo exposto, e associado à natureza dos eventos, as ações preventivas são de suma 
importância, pois, quando as reações decorrentes desses produtos se iniciam, ocorrem 
de maneira rápida e praticamente incontrolável. 
 
Classe 5 - oxidantes e peróxidos orgânicos: 
 
A classe 5 está dividida nas subclasses 5.1 - oxidantes e 5.2 - peróxidos orgânicos. 
 
 Um oxidante é um material que libera oxigênio rapidamente para sustentar a 
combustão dos materiais orgânicos. Outra definição semelhante afirma que o oxidante 
é um material que gera oxigênio à temperatura ambiente ou quando levemente 
aquecido. Assim, pode-se verificar que ambas as definições afirmam que o oxigênio é 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 126 
sempre liberado por um agente oxidante. Devido à facilidade de liberação do oxigênio, 
essas substâncias são relativamente instáveis e reagem quimicamente com uma 
grande variedade de produtos. Apesar de a grande maioria das substâncias oxidantes 
não serem inflamáveis, o simples contato delas com produtos combustíveis pode gerar 
um incêndio, mesmo sem a presença de fontes de ignição. Outro aspecto a considerar 
é a grande reatividade dos oxidantes com compostos orgânicos. Geralmente essas 
reações são vigorosas, ocorrendo grandes liberações de calor, podendo acarretar fogo 
ou explosão. Mesmo pequenos traços de um oxidante podem causar a ignição de 
alguns materiais, tais como o enxofre, a terebentina, o carvão vegetal etc. Com o 
aumento da concentração de oxigênio, além do aumento na taxa de combustão de um 
produto, a quantidade necessária para a queima será menor, ou seja, o LIE, Limite 
Inferior de Explosividade, é reduzido, podendo ocorrer a ignição espontânea do 
produto. 
 
 Quando aquecidos, alguns produtos dessa subclasse, como, por exemplo, nitratos e 
percloratos, entre outros, liberam gases tóxicos que se dissolvem na mucosa do trato 
respiratório, produzindo líquidos corrosivos. 
 
Como exemplo de produto oxidante, podemos citar o peróxido de hidrogênio, 
comercialmente chamado de água oxigenada. Esse produto é um poderoso agente 
oxidante e, em altas concentrações, reage com a maioria dos metais, como Cu, Co, 
Mg, Fe, Pb, entre outros, o que acarretará sua decomposição com risco de 
incêndio/explosão. 
 
 Mesmo sem a presença de uma fonte de ignição, soluções de peróxido de hidrogênio 
em concentrações acima de 50% em peso (200 volumes) em contato com materiais 
combustíveis podem causar a ignição desses produtos. 
 
Os peróxidos orgânicos são agentes de alto poder oxidante, sendo que a maioria é 
irritante para os olhos, pele, mucosas e garganta. Os produtos dessa subclasse 
apresentam a estrutura - O - O - e podem ser considerados derivados do peróxido de 
hidrogênio (H2O2), onde um ou ambos os átomos de hidrogênio foram substituídos 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 127 
por radicais orgânicos. Assim como os oxidantes, os peróxidos orgânicos são 
termicamente instáveis e podem sofrer decomposição exotérmica e autoacelerável, 
criando o risco de explosão. Esses produtos são também sensíveis a choque e atrito. 
 
Nos Estados Unidos, antes de um peróxido orgânico ser aceito para carregamento, 
seja em caminhão ou trem, o Departamento de Transportes (DOT) exige uma série de 
testes de sensibilidade, ou seja, ponto de fulgor, taxa de queima, decomposição 
térmica, teste de impacto, entre outros. Somente após esses testes e a diluição do 
produto, o DOT permite o seu carregamento. Alguns produtos poderão formar 
peróxidos durante a estocagem se os mesmos estiverem expostos a hidrogênio ou a 
oxidantes, e formarão com maior facilidade caso estejam no estado líquido. 
 
Devido ao risco de formação de peróxidos, para alguns compostos é sugerido um 
período máximo de estocagem de 3 meses, como, por exemplo, éter isopropílico, 
divinil acetileno, cloreto de vinilideno, potássio metálico e amideto de sódio, entre 
outros. 
 
Já para outros produtos, é sugerido um período máximo de estocagem de 12 meses, 
como, por exemplo: éter etílico, tetrahidrofurano (THF), dioxano, metilisobutilcetona, 
éteres vinílicos, diciclopentadieno, metilacetileno, ciclohexano, tetrahidronaftaleno, 
cumeno, metilciclopentano. 
 
Outros compostos possuem risco de formação de peróxidos caso haja polimerização; 
para esses produtos, o período de estocagem máximo sugerido é de 12 meses. Entre 
eles, podemos citar o estireno, butadieno, tetrafluoretileno, vinil acetileno, acetato de 
vinila, cloreto de vinila, vinilpiridina e clorobutadieno. Porém, quando estocados no 
estado líquido, o potencial para formação de peróxidos aumenta para alguns produtos, 
principalmente butadieno, clorobutadieno e tetrafluoretileno, podendo para esses 
casos ser considerado três meses o período máximo de estocagem. 
 
Caso haja suspeita da formação de peróxido, alguns procedimentos básicos deverão 
ser adotados: 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 128 
 
 -Isole a área; 
 -Inspecione visualmente os recipientes; 
 -Não tente movê-los; 
 -Verifique se há corrosão, ferrugens ou ondulações na embalagem ou na tampa. Se 
houver, assuma a existência de peróxidos; 
 -Verifique se há formação de cristais brancos ou pó; 
 -Se o selo da tampa estiver rompido, considere o material potencialmente explosivo; 
 -Se houver suspeita de formação de peróxidos, não abra a embalagem. Acione o 
fabricante; 
 -Se for necessário abrir a embalagem, gire a tampa vagarosamente no sentido anti-
horário, atentando para minimizar o atrito; 
 -Se a tampa resistir em abrir, pare. Entenda que o material é explosivo. 
 
Quando houver necessidade de conter ou absorver produtos oxidantes ou peróxidos 
orgânicos, deverá ser considerado que a maioria deles poderá reagir com matéria 
orgânica e que, portanto, nas ações de contenção/absorção, não poderá ser utilizada 
terra, serragem ou qualquer outro material incompatível. Nesses casos, recomenda-se 
a utilização de materiais inertes e umedecidos, como, por exemplo, a areia. Muitos dos 
produtos aqui classificados necessitam de equipamentos cativos para as operações de 
transbordo. Isso se deve à alta instabilidade química de certas substâncias dessa 
classe. Um dos métodos mais utilizados e eficientes para a redução dos riscos 
oferecidos pelos produtos da classe 5 é a diluição em água, desde que o produto seja 
compatível com a mesma. 
 
A diluição tem por objetivo reduzir o poder oxidante e sua instabilidade. Porém, devido 
à solubilidade de alguns desses produtos, a água de diluição deverá ser armazenada 
de modo a se evitar poluição. Também nos casos de fogo, a água é o agente de 
extinção mais eficiente, uma vez que retira o calor do material em questão. Já a 
espuma e o CO2 serão ineficazes, pois atuam com base no princípio da exclusão do 
oxigênio atmosférico, o que não é necessário num incêndio envolvendo substâncias 
oxidantes. 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 129 
 
Classe 6 - substâncias tóxicas (venenosas) e substâncias infectantes: 
 
A classe 6 está dividida nas seguintes subclasses: 
 
6.1 - substâncias tóxicas (venenosas); 
6.2 - substâncias Infectantes. 
 
Substâncias tóxicas (venenosas): 
 
 São substâncias capazes de provocar a morte ou danos à saúde humana se ingeridas, 
inaladas ou por contato com a pele, mesmo em pequenas quantidades. 
 
As vias pelas quais os produtos químicos podem entrar em contato com o nosso 
organismo são três: inalação, absorção cutânea e ingestão. A inalação é a via mais 
rápida de entrada de substâncias para o interior do nosso corpo. A grande superfície 
dos alvéolospulmonares, que representam num homem adulto 80 a 90 m², facilita a 
absorção de gases e vapores, os quais podem passar à corrente sanguínea e serem 
distribuídos a outras regiões do organismo. Já com relação à absorção cutânea, 
podemos dizer que existem duas formas de as substâncias tóxicas agirem. A primeira 
é como tóxico localizado, onde o produto em contato com a pele e age na sua 
superfície, provocando uma irritação primária e localizada. A segunda forma é como 
tóxico generalizado, quando a substância tóxica reage com as proteínas da pele ou 
mesmo penetra através dela, atinge o sangue e é distribuída para o nosso organismo, 
podendo atingir vários órgãos. Apesar de a pele e a gordura atuarem como uma 
barreira protetora do corpo, algumas substâncias, como ácido cianídrico, mercúrio e 
alguns defensivos agrícolas, têm a capacidade de penetrar através da pele. 
 
Quanto à ingestão, essa é considerada uma via de ingresso secundário, uma vez que 
tal fato somente ocorrerá de forma acidental. Os efeitos gerados a partir de contatos 
com substâncias tóxicas estão relacionados com o grau de toxicidade delas e o tempo 
de exposição ou dose. Em função do alto risco apresentado pelos produtos dessa 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 130 
classe, durante as operações de atendimento a emergências é necessária a utilização 
de equipamentos de proteção respiratória. 
 
 Entre esses equipamentos, pode-se citar as máscaras faciais com filtros químicos e os 
conjuntos autônomos de respiração a ar comprimido. Deve-se sempre ter em mente 
que os filtros químicos apenas retêm os poluentes atmosféricos, não fornecendo 
oxigênio e, dependendo das concentrações, podendo saturar-se rapidamente. Para a 
escolha do filtro adequado, é indispensável que o produto presente na atmosfera seja 
previamente identificado. 
 
 Já os conjuntos autônomos de respiração a ar comprimido deverão ser utilizados em 
ambientes confinados, em situações onde o produto envolvido não esteja identificado 
ou em atmosferas com altas concentrações de poluentes. 
 
 Comumente associa-se a existência de um produto num ambiente com a presença de 
um odor. No entanto, como já foi mencionado anteriormente, nem sempre isso ocorre. 
Algumas substâncias são inodoras, enquanto outras têm a capacidade de inibir o 
sentido olfativo, podendo conduzir o indivíduo a situações de risco. O gás sulfídrico, 
por exemplo, apresenta um odor característico em baixas concentrações, porém em 
altas concentrações pode inibir a capacidade olfativa. Assim sendo, é fundamental que, 
nas operações de emergência onde produtos dessa natureza estejam presentes, sejam 
realizados constantes monitoramentos da concentração dos produtos na atmosfera. 
 
Os resultados obtidos nesses monitoramentos poderão ser comparados com valores 
de referência conhecidos, como, por exemplo, o LT (Limite de Tolerância), que é a 
concentração na qual um trabalhador pode ficar exposto durante oito horas diárias ou 
quarenta e oito horas semanais sem sofrer efeitos adversos à sua saúde, e também o 
IDLH, que é o valor imediatamente perigoso à vida, ao qual uma pessoa pode ficar 
exposta durante trinta minutos sem sofrer danos à sua saúde. 
 
 Dado o alto grau de toxicidade dos produtos da Classe 6, faz-se necessário lembrar 
que a operação de contenção deles é de fundamental importância, já que, 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 131 
normalmente, são também muito tóxicos para a vida aquática, representando 
portanto alto potencial de risco para a contaminação dos corpos d'água, devendo ser 
dada atenção especial àqueles utilizados na recreação, irrigação, dessedentação de 
animais e abastecimento público. 
 
Substâncias infectantes: 
 
As substâncias infectantes são aquelas que contêm microrganismos viáveis, incluindo 
uma bactéria, vírus, “rickettsia”, parasita, fungo ou um recombinante, híbrido ou 
mutante, que provocam ou geram a suspeita de que possam provocar doenças em 
seres humanos ou animais. 
 
Materiais radioativos: 
 
 Para fins de transporte, material radioativo é qualquer material cuja atividade 
específica seja superior a 70 kBq/kg. Nesse contexto, atividade específica significa a 
atividade por unidade de massa de um radionuclídio ou, para um material em que o 
radionuclídio é essencialmente distribuído de maneira uniforme, a atividade por 
unidade de massa do material. Para efeito de classificação dos materiais radioativos, 
incluindo aqueles considerados como rejeito radioativo, deverá sempre ser consultada 
a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). 
 
As normas relativas ao transporte desses materiais (CNEN-NE-5.01 e normas 
complementares a ela) estabelecem requisitos de radioproteção e segurança a fim de 
que seja garantido um nível adequado de controle de eventual exposição de pessoas, 
bens e meio ambiente à radiação ionizante. Entretanto, é necessário também levar em 
conta outras propriedades que possam significar um risco adicional. 
 
Dada a especificidade desses materiais, é aconselhável que, em qualquer acidente 
durante o transporte de produtos radioativos, seja sempre acionado um especialista 
nessa área para assessorar os técnicos de atendimento à emergência. 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 132 
Classe 8 - corrosivos: 
 
Substâncias corrosivas são aquelas que apresentam uma severa taxa de corrosão ao 
aço. Evidentemente, tais materiais são capazes de provocar danos também aos tecidos 
humanos. Basicamente, existem dois principais grupos de materiais que apresentam 
essas propriedades e são conhecidos por ácidos e bases. Ácidos são substâncias que, 
em contato com a água, liberam íons H+, provocando alterações de pH para a faixa 
com valores situados entre 0 (zero) a 7 (sete). As bases são substâncias que, em 
contato com a água, liberam íons OH-, provocando alterações de pH para a faixa de 7 
(sete) a 14 (quatorze). 
 
 Como exemplo de produtos dessa classe, pode-se citar o ácido sulfúrico, ácido 
clorídrico, ácido nítrico, hidróxido de sódio e hidróxido de potássio, entre outros. Muitos 
dos produtos pertencentes a essa classe reagem com a maioria dos metais, gerando 
hidrogênio, que é um gás inflamável, acarretando assim um risco adicional. 
 
Certos produtos apresentam como risco subsidiário um alto poder oxidante, enquanto 
outros podem reagir vigorosamente com a água ou com outros materiais, como, por 
exemplo, compostos orgânicos. O contato desses produtos com a pele e os olhos pode 
causar severas queimaduras, motivo pelo qual deverão ser utilizados equipamentos de 
proteção individual compatíveis com o produto envolvido. Via de regra, as roupas de 
PVC são as normalmente recomendadas para o manuseio dos corrosivos. 
 
O monitoramento ambiental durante as operações envolvendo esses materiais pode 
ser realizado através de diversos parâmetros, de acordo com o produto envolvido, 
entre os quais vale destacar as medições de pH e condutividade. Nas ocorrências 
envolvendo ácidos ou bases que atinjam corpos d'água, uma maior ou menor variação 
do pH natural poderá ocorrer, dependendo de diversos fatores, como, por exemplo, a 
concentração e quantidade do produto vazado, além das características do corpo 
d'água atingido. 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 133 
 Um dos métodos que pode ser aplicado em campo para a redução dos riscos é a 
neutralização do produto derramado. Essa técnica consiste na adição de um produto 
químico de modo a levar o pH próximo ao natural. 
 
 No caso de substâncias ácidas, os produtos comumente utilizados para a neutralização 
são a barrilha e a cal hidratada, ambas com característicaalcalina. A utilização da cal 
virgem não é recomendada, uma vez que sua reação com os ácidos é extremamente 
vigorosa. 
 
 Antes que a neutralização seja efetuada, deverá ser recolhida a maior quantidade 
possível do produto derramado, de modo a se evitar o excessivo consumo de produto 
neutralizante e, consequentemente, a geração de grande quantidade de resíduos. 
 
 Os resíduos provenientes da neutralização deverão ser totalmente removidos e 
dispostos de forma e em locais adequados. 
 
Como já foi dito anteriormente, a neutralização é apenas uma das técnicas que podem 
ser utilizadas para a redução dos riscos nas ocorrências com corrosivos. Outras 
técnicas, como a absorção, remoção e diluição, deverão também ser contempladas, 
de acordo com o cenário apresentado. 
 
A seleção do método mais adequado a ser utilizado deve sempre levar em 
consideração os aspectos de segurança e proteção ambiental. No caso de se optar 
pela neutralização do produto, deve-se considerar que ela consiste basicamente no 
lançamento de outro produto químico no ambiente contaminado e que, portanto, 
poderão ocorrer reações químicas paralelas àquela necessária para a neutralização. 
Outro aspecto a ser ponderado é a característica do corpo d'água, o que às vezes 
direciona os trabalhos de campo para o monitoramento dele, de forma a se aguardar 
uma diluição natural do produto. Esses casos normalmente ocorrem em águas 
correntes, onde o controle da situação é mais difícil devido à mobilidade do produto 
no meio. 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 134 
Se ocorrer um descontrole durante a neutralização, poder-se-á ter uma inversão 
brusca na escala do pH, o que ocasionará efeitos muito mais danosos aos ecossistemas 
que resistiram à primeira variação do pH. De modo geral, nos corpos d'água onde há 
a presença de vida, não é aconselhável o lançamento de produto químico sem o 
acompanhamento de especialistas. 
 
Durante as reações de neutralização, quanto mais concentrado estiver o produto 
derramado, maior será a liberação de energia em forma de calor, além da possibilidade 
de ocorrência de respingos, motivo pelo qual cabe reforçar a necessidade dos técnicos 
envolvidos nas ações utilizarem roupas de proteção adequadas durante a realização 
dessas atividades. 
 
 A técnica de diluição somente deverá ser utilizada nos casos em que não houver 
possibilidade de contenção do produto derramado e quando seu volume for bastante 
reduzido. Isso se deve ao fato de que, para se obter concentrações seguras utilizando 
esse método, o volume de água necessário será sempre muito grande, ou seja, na 
ordem de 1000 a 10000 vezes o volume do produto vazado. 
 
Vale ressaltar que, se o volume de água adicionado ao produto não for suficiente para 
diluí-lo a níveis seguros, ocorrerá o agravamento da situação devido ao aumento do 
volume da mistura. 
Como pôde-se observar nos comentários anteriores, a absorção e o recolhimento são 
as técnicas mais recomendadas quando comparadas com a neutralização e a diluição. 
 
 Essa classe representa, provavelmente, o segundo maior volume no transporte 
rodoviário, perdendo apenas em quantidade manipulada para os líquidos inflamáveis. 
Esse dado é importante, pois, devido às características desses produtos, o potencial 
de risco apresentado ao ambiente, e consequentemente ao homem, obriga que ações 
de controle sejam adotadas imediatamente quando da ocorrência de acidentes. 
 
Substâncias perigosas diversas: 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 135 
 Incluem-se nessa classe as substâncias e os artigos que durante o transporte 
apresentarem um risco não abrangido por qualquer das outras classes. 
 
 São exemplos de substâncias incluídas nessa classe: acetaldeído amônia; hidrossulfito 
de zinco; mamona em grãos, farinha, pasta ou flocos; polímeros, granulados, 
expansíveis, que desprendem vapores inflamáveis e substâncias que apresentam risco 
para o meio ambiente, líquidas não especificadas entre outras. 
 
 
Considerações finais 
 
Até o início dos anos oitenta, havia poucas e dispersas legislações de proteção ao meio 
ambiente. Com o advento da Lei nº 6.938/81, que criou a Política Nacional do Meio 
Ambiente, passou-se a ter a visão mais protecionista nas questões ambientais. Institui-
se, a partir de então, as responsabilidades de pessoas físicas ou jurídicas, de direito 
público ou privado, que, direta ou indiretamente, causem degradação ambiental, 
independentemente de culpa, adotando-se para o caso a teoria da responsabilidade 
objetiva, na qual o risco é que determina o dever de responder pelo dano. 
 
Segundo os princípios da responsabilidade objetiva previstos na Lei nº 6.938/81, todo 
aquele que deu causa responde pelo dano, bastando para isso provar o nexo causal 
entre a ação produzida e o dano efetivo. A responsabilidade é tida como objetiva, pois 
independe de um elemento subjetivo, ou seja, a culpa, que antes era fundamental na 
apuração de responsabilidades provenientes de danos. Dessa forma, com o advento 
da lei em referência, desnecessário se tornou provar a culpa do causador de dano 
ambiental, de tal forma que a prova de culpa se tornou irrelevante, restando somente 
num caso concreto estabelecer o nexo causal. 
 
Especificamente, num acidente de transporte rodoviário de produtos perigosos, ainda 
que a empresa transportadora tenha tomado todos os cuidados e não tenha, a 
princípio, culpa pelo acidente, a responsabilidade pelos danos ambientais causados 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 136 
continua sendo da empresa transportadora, pois a ausência de culpa, nesse caso, não 
é mais excludente da responsabilidade de indenizar e reparar os danos. 
 
A Lei de Política Nacional de Meio Ambiente, Lei nº 6.938, no seu artigo 3º, inciso IV, 
define o poluidor como: "a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, 
responsável direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação 
ambiental". Observa-se que, no caso em tela, a responsabilidade civil atinge, além do 
transportador, que efetivamente é o poluidor direto, também o fabricante, importador 
e destinatário do produto, os quais são considerados poluidores indiretos. Dessa 
forma, o fabricante do produto continua responsável pelos danos decorrentes de 
impactos ao meio ambiente e a terceiros gerados por acidentes envolvendo seus 
produtos, mesmo não sendo o causador direto do acidente. 
 
Quem fabrica, importa ou adquire um produto perigoso está assumindo os riscos de 
um evento indesejado e as consequências que aquele produto pode causar. É 
importante frisar que, no caso de um acidente envolvendo o transporte rodoviário de 
produtos perigosos, o poluidor inicialmente é o transportador; caso ele não responda 
pelo acidente, tanto o fabricante quanto o importador e o destinatário do produto 
podem ser acionados a responder pelo acidente caso o transportador não o faça. No 
caso de os responsáveis indiretos responderem pelo ônus do acidente, eles podem, 
num segundo momento, acionar judicialmente o responsável direto (transportador) 
para serem ressarcidos dos prejuízos gerados pelo acidente. 
 
A Constituição Federal de 1988 recepcionou a Lei de Política Nacional do Meio 
Ambiente, o art. 225 da CF/88, fixando os princípios gerais em relação ao meio 
ambiente ao estabelecer, no parágrafo terceiro, que as condutas e atividades lesivas 
ao meio ambiente sujeitarão aos infratores, pessoas físicas ou jurídicas, as sanções 
penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar o dano causado. 
Destaca-se no dispositivo constitucional que a responsabilidade penal é prevista nãosó para a pessoa física como também para a pessoa jurídica. 
 
 
 
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 137 
Art. 225 - Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de 
uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder 
Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras 
gerações. 
 
Segundo o disposto no parágrafo 3º, do art. 225 da CF, "as condutas e atividades 
consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão aos infratores, pessoas físicas ou 
jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de 
reparar os danos causados". 
 
 
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PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 138 
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