Prévia do material em texto
Bloqueio de Ramo O bloqueio de ramo ocorre ou no ramo direito ou no ramo esquerdo, nunca em ambos. Critérios BRE: · QRS > 120ms (evitar escolher QRS que terminem em curvas, escolher semrpe QRS que se identifica o começo e o fim do complexo) · Onda R alargada com entalhe (complexo RSR’) · Desvio de eixo para a esquerda · Complexo QRS negativo em V1 Bloqueio de ramo é “a arte pela arte” -> não existe medicamento, o paciente também não apresenta sintomas (ritmo sinusal, não altera o ritmo), a não ser que esteja associado a outra patologia. É uma patologia exclusivamente eletrocardiográfica e que sozinha, não significa nada, mesmo sendo de 3° grau. O que leva a um bloqueio de ramo? Insuficiência cardíaca é a principal causa, principalmente no BRE (chagas faz mais BRD). Outras causas -> idiopática, cardiopatias isquêmicas, miocardiopatia hipertensiva etc. O QRS alarga porque os ventrículos demoram mais para serem despolarizados, se só tem um ramo funcionando, ele tem que fazer o papel dos dois. Todo QRS largo é um bloqueio de ramo (as exceções são TV e hipocalemia) Como eu sei se é direito ou esquerdo? olhando para V1: · V1 positivo: (pra cima) BRD · V1 negativo: (pra baixo) BRE Critérios do bloqueio de ramo direito: · QRS alargado (> 120ms) · Segunda onda positiva (R’) ao final do QRS · Desvio do eixo para a direita OBS.: e quando a amplitude for igual, como diferencia BRE de BRD? Avaliamos se a variação (onda R) de maior área em V1 é positiva ou negativa. Ex.: abaixo temos um BRD, porque a amplitude de maior área é positiva. BRD + BDAS = Chagas (patognomônico -> isso não quer dizer que chagas não faça BRE, mas o clássico é BRD) Como eu vejo BDAS no eletro? É atraves de uma equação que ele não deu tempo de ensinar, então ele deu uma dica: · DI positivo + DII e aVF negativos = BDAS A “orelhinha do Batman” é o RR’, sinal clássico de obstrução de ramo OBS.: o ponto J é o ponto de finalização do QRS. Esse ponto é o que dá a noção de se o segmento ST está ou não suprado. O ponto J tem que estar alinhado com a linha de base, se estiver pra cima tem supra, se tiver pra baixo tem infra. Não presença de BRE eu não posso laudar supra de infarto, o supra possivelmente é do BRE e não de infarto. Tem que usar os critérios de SGarbosa pra diferenciar. Nunca um paciente vai ter BRE e Supra ao mesmo tempo. Também não pode laudar BDAS se o pacinete tiver BRE, só no BRD. Infarto Agudo do Miocárdio · Isquemia: oclusão parcial de um vaso coronariano com diminuição do aporte de O2 para o miocárdio, porém sem ocasionar lesão ao músculo. É um fenômeno potencialmente reversível. Identificada na onda T. · Infarto: oclusão de um vaso a ponto de ocasionar lesão ao músculo cardíaco. Identificado no segmento ST · Necrose: processo irreversível que representa morte do tecido miocárdico. Identificada na onda Q. Irrigação miocárdica: · Coronária direita: VD e parede inferior · Coronária esquerda: · Descendente anterior: septo, parede anterior e parede lateral · Circunflexa: parede lateral alta O supra nada mais é que uma elevação do ponto J no ECG, que é o ponto onde termina o QRS. Ele tem que estar alinhado com a linha de base, se ele estiver acima da linha de base temos supra de ST e se estiver abaixo temos infra de ST. Derivações que podem esta alteradas: · Descendente anterior: · V1 e V2: septal · V3 e V4: anterior · V5 e V6: lateral · Circunflexa: · DI e AVL: lateral alta · Coronária direita: · DII, DIII e AVF: inferior · V7 e V8: posterior · V3R e V4R: ventrículo direito OBS.: não tem como ter DII e DII suprado sem AVF suprado, porque ele está entre os dois. Para ter supra eu preciso ter no mínimo 2 derivações que são pares (99% das vezes, a não ser que seja uma contiguidade de parede -> ex.: se for V2 + V# eu posso caracterizar com um supra de parede anterolateral, o que não pode é V1+ V6 por exemplo, o que está entre eles teria que ter supra também). Tem que ter ou os pares ou as contiguidades. Quanto maior o supra (quando mais derivações alteradas) pior o prognóstico. A imagem em espelho é quando paredes que estão normais, espelham o infarto (o paciente tem supra em algumas derivações e infra em outras, sendo que o infra é o espelho. Semrpe que tiver supra não vai poder ter infra, a não ser que seja espelho, e sempre que tem infra não pode ter supra) Lembrando que não tem lógica para a parede que vai espelhar o supra, qualquer parede pode ou não espelhar. O paciente não necessariamente vai ter espelho, ele pode ter só o supra. “Espelha quem quiser, se quiser” O tamanho do supra não influencia no prognóstico do paciente, e sim quantas paredes ele pega. OBS.: a exceção da regra é AVR, se ele estiver suprado sozinho nós já podemos classificar como infarto, inclusive grave. AVR = infarto de tronco de coronária esquerda. Quando o paciente não forma parede no eletro (só pega uma derivação, sem o par e sem contiguidade), nós temos que fazer V3R e V4R para saber se ele está infartando. Se o paciente também tiver espelho (infra) em alguma derivação podemos dizer que é infarto. OBS.: sempre que você achar um infra no ECG, procure por um supra primeiro, provavelmente é um espelho, especialmente se o paciente estiver sintomático. Isso porque a conduta do supra (reperfusão) é diferente da do infra (não reperfunde de imediato) Supras que não significam infarto: (nem tudo que reluz é ouro e nem tudo que tem supra é IAM) · Causas: pericardite, alteração precoce de repolarização, BRE, aumento da PIC, síndrome de Brugada · Pericardite: supra todas as derivações, mas poupa AVR e V1. Normalmente é um paciente jovem, que chega na emergência em posição arqueada. Não vai pensar em IAM, a não ser que suspeite de drogas. · BRE: causa elevação de segmento ST. Vai ser um paciente com QRS alargado e V1 negativo. · Alteração precoce de repolarização precoce: as vezes a onda T acaba caindo “em cima” do WRS, ou seja, não tem segmento ST, e isso acaba fazendo uma imagem com supra (porque o QRS e a onda T estão muito próximos, mas não é um diagnóstico útil). Aqui como é difícil de diferenciar, temos que ir a procura de espelhos nas outras derivações. Se tiver espelho é supra (Claro que nem sempre o IAM vai estar espelhado, mas já ajuda) · Síndrome de Brugada: (é uma das principais causas de morte súbita no mundo), aqui a gente só avalia V1 e V2. A característica clássica é uma elevação do ponto J com declínio em plano inclinado (ou inflexão intrinsecóide) do segmento ST (parece uma rampa, ela desce retinha e inclinada) OBS.: cuidado para não confundir supra com BRD!!!! Sempre olhar o segmento ST e se tem a orelhinha do batman. Taquiarritmias Existem 4 perguntas básicas para laudar qualquer taquiarritmia: 1. FC > 100bpm? 2. QRS alargado (ventricular) ou estreito (supraventricular)? 3. Onda P é facilmente visível? 4. RR regular ou irregular? OBS.: é possível que a FC esteja menor que 100bpm e ainda assim o paciente tenha taquiarritmia. Isso ocorre porque nas taquiarritmia irregulares, dependendo do intervalo usado para calcular a FC, pode ser que a pessoa seja classificada como normorítimica, mas na verdade tem uma taquiarritmia ali. Taquicardia sinusal: · FC > 100bpm · QRS estreito · RR regular · Onda P é facilmente visível · Causas: febre, pânico, exercício físico, uso de drogas, hipertireoidismo, dor e choque. OBS.: cuidado para não confundir com a onda F (serrilhada) do flutter atrial Fibrilação atrial: · FC > 100bpm no menor eixo entre os QRS · QRS comumente estreito · Onda P é de difícil visualização (não dá pra ver a onda P) · RR irregular Sempre pegar a menor distância entre os QRS para análise da FC para saber se a resposta ventricular é alta ou baixa. A resposta ventricular alta é a fibrilação atrial com menor intervalo entre QRS >120bpm. Se eu gero um QRS, obrigatoriamente eu tenho uma onda T depois. Entre dois QRS tem que ter obrigatoriamente uma onda T. Fatores de risco para fibrilação atrial -> DMII, HAS, valvopatias, idade avançada, hipertireoidismo. Taquicardia supraventricular: · FC > 100bpm · QRS estreito (existe um tipo detaqui-supra de QRS largo, mas ele não vai cobrar na prova) · Onda P de difícil visualização · RR regular A grande diferença da taquicardia supraventricular para a fibrilação atrial é a regularidade de RR que ocorre na taquicardia supraventricular. OBS.: é difícil ter taqui-supra de FC menor que 150bpm É a taquicardia mais associada com jovem, principalmente os que associam com drogas e bebida. Causas de taquicardia supra-ventricular -> Wolf-Parkinson-White, cardiopatias congênitas, uso de drogas (broncodilatadores ou digoxina), pós-operatório de cirurgias cardíacas, distúrbios hidroeletrolíticos, intoxicação alcoólica. É nessa taquicardia que nós fazemos o uso da adenosina, que faz um “reset” no coração: ela bloqueia o nó sinusal fazendo o paciente ficar em assistolia por alguns segundos. Flutter atrial: · FC atrial > 100bpm · QRS estreito · Onda P é substituída por ondas F (ondas em dente de serra) · RR regular (se vier associado com fibrilação atrial ele pode ser irregular) OBS.: a frequência atrial não é calculada pela distância entre duas ondas R e sim pela distância entre duas ondas F: Na imagem acima temos 2 ondas F (serrihadas) para cada QRS + uma onda T. Taquicardia ventricular: · FC > 100bpm · QRS largo · Onda P de difícil visualização · RR regular A diferença entre a taquicardia ventricular pras outras é que essa tem QURS largo. Critérios de Brugada -> não cai na prova, mas é importante saber: a taquicardia supraventricular com QRS aberrante nada mais é que uma taqui-supra de QRS largo. Existe uma forma de diferenciar ela da TV: ausência de complexo QRS (se só tem RT ou ST) e ver se a onda RS existe em morfologia de complexo de onda ou se existe em mono-onda (Só o ST ou RT) Regularidade do intervalo RR, tenho apenas QRS e T, não dá pra ver a onda P. É possível ver que ele tem um R e um S apenas. Não vai cair na prova. OBS.: fibrilação atrial + QRS largo -> BRE (imagem abaixo) OBS.: o fibrilo-flutter é quando aparece o flutter acompanhado de intervalos irregulares. Bradiarritmias Temos as bradiarritmias infranodais e intranodais, mas isso não muda o raciocínio clínico para identificação no ECG. BAV de 1° grau: Condução átrio-ventricular lentificada. No ECG, o intervalo que mede o tempo de condução atrioventricular é o intervalo PR. No BAV de 1° ocorre prolongamento do intervalo PR (>200ms -> se for maior que 5 quadradinhos). Na grande maioria das vezes é um bloqueio sem repercussão hemodinâmica, não é algo maligno, a não ser que o intervalo PR se alargue muito. “Ele sempre atrasa, mas ele atrasa sempre no mesmo horário, é uma coisa previsível” BAV 2° MOBITZ 1: Ele atrasa, mas de forma irregular: ele vai atrasando cada vez mais a cada ciclo, então é irregular, mas não é de forma totalmente imprevisível. É característico a onda P chegar no horário certo, depois ela vai atrasando, atrasando cada vez mais até que ela é bloqueada e não vem (fenômeno de Wecknbar?). Pode acontecer de ter onda P sem QRS também. O BAV 2° é muito associado a IAM de parede inferior (normalmente o bloqueio é transitório e secundário a vagotomia das primeiras 06h de IAM – reflexo de Bezold-Jarish) No IAM o BAV de 2° grau Mobitz I pode evoluir para um BAVT que pode ser transitório e causar repercussão hemodinâmica no paciente. BAV 2° Mobitz 2: O QRS “alterna”, ou seja, uma vez ele chega no lugar certo e no próximo ciclo ele não vem, depois chega certo de novo, pra no próximo não aparecer de novo, sempre vai ter uma onda P sozinha seguida de outra acompanhada pelo QRS. (o átrio contrai 2x para ter uma contração ventricular) BAV de 3°: (BAVT) Bloqueia totalmente todos os estímulos de passarem para o ventrículo. Então como que ele vai sobreviver? Um marcapasso ectópico assume o controle ventricular, fazendo com que o complexo QRS apareça em completa irregularidade com a onda P. o ventrículo não se comunica com o átrio, ele não sabe o que está acontecendo acima dele. O problema é que o marcapasso ectópico que assume são as fibras de purkinjie, que é um marcapasso “ruim” é fraco, não consegue gerar a contração na intensidade que o coração precisa (no máximo 40bpm, 50bpm se for atleta). Ela está assumindo uma função que não é dela, por isso não sai certo. OBS.: não pode liberar um paciente com BAVT nem Mobitz II pra casa sem ter colocado um marcapasso. Aqui é possível acontecer da onda P cair entre o QRS e a onda T, ou seja, o ventrículo e o átrio realmente não se comunicam. Como diferenciar a onda P da onda T? tudo que vem antes do QRS eu já sei que é uma onda T. temos que olhar a morfologia das ondas do paciente, sempre a onda P e a onda T vão ter morfologias iguais, então se eu consigo identificar a onda P primeiro eu vou olhando pela morfologia para descobrir onde estão as outras. Ex.: na imagem acima a morfologia da P do paciente é mais espiculada e a onda T é mais alargada. Em qualquer eletro, uma onda P entre QRS e a onda T é patognomônico de BAVT. Se tiver um QRS que está maior que os outros também, podemos suspeitar que a onda P caiu dentro do QRS e elas se somara, a mesma coisa se a onda T vier maior que as outras. Principais causas de BAVT -> · Doença de Lenégre: doença fibro-degenerativa da junção AV. é a causa mais comum de bloqueios infranodais. · IAM de parede inferior: é a segunda causa mais importante destes bloqueios · Endocardite infecciosa, amiloidose e sarcoidose. Resumindo: OBS.: exemplo de um BAVT onde a onda T está invertida