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História da Língua Portuguesa: Escola Neogramática

Anotações sobre a reação aos Neogramáticos: princípio das leis fonéticas sem exceções, papel da analogia e da psicologia, críticas dialetológicas (Schuchardt), teoria das ondas (Schmidt), teoria dos estratos (Ascoli) e contribuições metodológicas.

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História da Língua Portuguesa 30/09/2020
Neogramáticos
Reação à teoria dos Neogramáticos
Neogramáticos 
� Historicismo radical da escola dos Neogramáticos.
� A escola começa com a publicação em 1878 do Prefácio 
de Pesquisas Morfológicas (Morphologischen
Untersuchungen), escrito por Hermann Ostoff e Karl 
Brugmann.
� Um dos seus principais representantes foi Hermann
Paul, o principal teorizador, que em 1880 publicou 
Princípios de História da Língua (Prinzipien der 
Sprachgeschichte)
Neogramáticos
� Para os neogramáticos as mudanças fonéticas são leis 
necessárias como as da Física e as da Biologia. “Qualquer 
transformação fonética é sempre a mesma em todos os 
membros de uma comunidade linguística exceto no caso de 
separação dialetal” e “todas as palavras em que figura o som 
submetido à transformação são atingidas sem exceção”
� Trata-se do princípio segundo o qual num mesmo local, 
num mesmo momento a lei fonética se exerce sem exceção.
� Leis sem exceções - “Ausnahmslose Lautgesetze”- e 
cronotópicas.
Neogramáticos
� Outro motor da evolução linguística é a analogia , 
fenómeno de evolução que funciona quando as leis 
fonéticas são insuficientes. 
� Este fenómeno de mudança atua já no plano 
gramatical, morfológico, restaurando distinções que as 
‘cegas’ leis fonéticas prejudicassem. 
� Mas a associação entre formas permanece ‘um último 
recurso’.
Neogramáticos
� Segundo os Neogramáticos “O único estudo científico 
da linguagem é o método histórico”.
� Esta Linguística histórica deveria estar estreitamente 
ligada à Psicologia e o objeto da investigação, a língua, 
é considerado como essencialmente psicológico. 
� Para evitar dar demasiada importância ao aspeto físico 
da linguagem.
� Do ponto de vista social a teoria não é adequada, não 
dando conta da variação existente numa comunidade 
linguística.
Neogramáticos
� Essas formulações, com algum radicalismo provocaram 
críticas de outros linguistas. Sobretudo a teoria da 
infalibilidade das leis fonéticas (leis absolutas, sem 
exceções), e o seu caráter cronotópico.
� Apesar de algumas inconsistências, a escola neogramática
deu um impulso decisivo ao estudo da evolução linguística 
esclarecendo simultaneamente o funcionamento da língua. 
Foi importante a exigência de rigor e de pormenor na 
formulação das leis.
� - distinção entre grafema e fonema, investigação direta 
sobre línguas vivas; importância do aspeto psíquico –
depois da articulação restam imagens da memória; as leis 
visavam subsistemas da língua (intuição do conceito de 
estrutura) 
Objetores…
� Objetores à teoria da infalibilidade das leis fonéticas
� Hugo Schuchardt (1842-1928) preconizou estudos 
dialetológicos e etimológicos, concebendo a mudança 
linguística segundo a distribuição ou situação 
geográfica. Chamou a atenção para a imensa gama de 
variedades de fala existente em qualquer comunidade; 
variedades condicionadas por fatores geográficos, mas 
também por variáveis de outro tipo como o género, a 
idade, o nível de escolaridade do sujeito-falante. 
‘Palavras e coisas’
� As leis fonéticas não eram sempre infalíveis e nem 
todas as exceções eram recuperáveis pelas analogia. Os 
autores ligados à linguística espacial apercebem-se de 
que certas formas, palavras ou estados fonéticos se 
conservam em realizações dialetais. Enquanto os 
Neogramáticos publicam teses sobre o determinismo 
das leis fonéticas, estudos sobre os dialetos 
demonstram que não há fronteiras nítidas para as 
mutações consonânticas e que às vezes cada palavra 
tinha as suas próprias fronteiras e a sua própria 
história. (Daí a designação do método de “Palavras e 
Coisas”).
Teoria das ‘ondas’
� Joannes Schmidt (1843-1901) Wellentheorie teoria das 
ondas. De acordo com esta teoria, novos traços 
linguísticos progridem de um centro de inovação em 
círculos concêntricos, progressivamente mais fracos, 
semelhantes às ondas provocadas por uma pedra 
lançada à água. 
� Há ondas de propagação dos fenómenos e as inovações 
mais tardias ficam no centro não atingindo as regiões 
periféricas. Assim se poderia explicar a convergência 
entre línguas afastadas
Objetores…
� A teoria das ondas contraria o caráter cronotópico das 
leis fonéticas dos Neogramáticos. Schmidt contesta a 
ideia de que as características das línguas sejam 
imanentes e transmitidas hereditariamente (teoria da 
árvore geneológica).
� Defende que assimilam características desenvolvidas 
em centros de influência e transmitidos em ondas, que 
se cruzam e entrecruzam com frequência
Teoria dos ‘estratos’
� Também a teoria dos estratos – G.I. Ascoli (1829-1907) 
– salienta a importância do contacto e da inter -
influência de línguas. 
� Saggi Ladini (1873)
� Schizzi franco-provenzale (1874)
� Método Geo-Tipológico (Goebl, 1995)
Método neolinguístico ou espacial 
(M. Bartoli)
� Apesar de combater a rigidez das “leis fonéticas” dos 
neogramáticos, a linguística espacial estabelece novas 
“leis”, com o nome de “normas areais”, com as quais 
demonstra como a história dos diversos aspetos da 
língua deixa as suas marcas no espaço.
Teoria das ondas
� O método preconizado por Mateo Bartoli (1873-1946), 
utilizando dados da geografia linguística, completa o 
método histórico-comparativo.
� Através da neolinguística ou linguística espacial, abre-
se mais uma possibilidade para a datação de uma 
parcela do léxico;
� Há um número significativo de exceções, quando 
aplicada na prática. 
� Deve ser aplicada como complemento do método 
histórico-comparativo.
Geografia linguística
� Expor com o auxílio de cartas geográficas a extensão 
dos fenómenos linguísticos. Traçar linhas (isoglosas –
isófonas, isoléxicas)que limitam a área de certos 
fenómenos e como não há fronteiras que nitidamente 
coincidam, feixes de isoglosas – zonas mais ou menos 
largas determinam a separação, havendo zonas 
limítrofes ou de transição. 
� A apresentação dos dados da investigação sobre 
dialetos, em cartas geográficas, na forma de atlas, fez 
avançar os estudos dialetológicos.
Dialetologia
Exemplo: Fratura na área entre Douro e Mondego: Isoglosas Geografia linguística
� Os dialetólogos tiveram a ideia de fazer a descrição da língua a partir de 
recolha de dados nas diversas regiões geográficas, com base na 
investigação numa rede de pontos de inquérito que cobre toda a 
comunidade linguística, onde se aplicam os questionários. Estes 
incidem sobre fenómenos fonéticos e prosódicos, variantes lexicais ou 
de estruturas morfossintáticas, questões de pragmática e de natureza 
metalinguística, além de temas para entrevista dirigida e textos para 
leitura. O objetivo consiste na elaboração de mapas de fenómenos de 
variação linguística diatópica, portanto de base geográfica, que virão a 
constituir um Atlas linguístico. 
� A comparação de dados pode ser feita sem dificuldade, observando as 
particularidades fonéticas ou morfológicas, etc, em todos os dialetos 
duma dada área. 
� A anotação, numa carta geográfica dos fenómenos em questão permite 
a observação de uma ou de outra forma em diversas variedades pelo 
exame do mapa respetivo.
Geografia linguística
� Os trabalhos de Geografia linguística mostram que os esquemas 
neagramáticos podem ser rígidos e simplistas.
� Jules Gilliéron (1854-1926) Atlas Linguistique de la France (1902-
1912) inovou a metodologia da linguística pondo em prática a 
investigação de campo. 
� Exemplos de Atlas linguísticos da península Ibérica: ILB, ALPI, 
ALEPG.
� Do Português brasileiro, além do projeto do ALiB Atlas 
Linguístico do Brasil, existem já diversos Atlas regionais, de 
determinados estados, como o Atlas Lingüístico de Minas Gerais 
(EALMG), de 1977; o Atlas Lingüístico da Paraíba (ALPB), de 
1984, o Atlas Lingüístico de Sergipe (ALS), de 1987, o Atlas 
Lingüístico do Paraná (ALPR), de 1994 e o Atlas Lingüístico-
Etnográfico da Região Sul (ALERS), de 2002, que dão uma 
imagem precisa de parâmetros de variação regional. 
Geografia linguística
� A geografia linguística sofreuuma evolução. A 
metodologia de inquérito apurou-se, a recolha de 
dados é hoje feita de tal modo que atualmente é 
possível transcrever o som e a imagem com precisão 
quase absoluta e disponibilizá-los em arquivos virtuais 
para consulta direta e imediata.
� Podemos ver e ouvir a manifestação dialetal dos 
informantes repetidamente e a qualquer momento.
� Hans Goebl Linguística de contacto – dialetometria
(desenvolvimento atual da metodologia que permite a 
quantificação e projeção dos dados em cartas).
Bibliografia
� Hock, H.H. Language History, language change and language 
relationship: an introduction to historical and comparative linguistics. 
� Kristeva, J. História da Linguagem (trad.) ed. 70, Lisboa, 1970Cap. XV 
pp. 271-303
� Malmberg, B. Les nouvelles tendances de la Linguistique
� Paris, P.U.F. 1972 cap 1 pp. 13-54
� Meillet, A. “La Méthode Comparative en Linguistique Historique”, caps. 
I, II, III.
� Robbins, R.H. A short history of Linguistic 1976
� Sihler, A.L. Language history : an introduction. (ver capítulo
‘Reconstruction’)
� Silva, Rosa Virgínia Mattos e; Sobre a mudança linguística: uma revisão 
histórica, "Boletim de Filologia", T. XXVI, 1980/81, p. 83-99.

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