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CEFALEIAS - TUTORIA

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Ádila Cristie Matos Martins 	 UCXXI — Distúrbios sensoriais, motores e da consciência Problema 1, TUTORIA
t
“Que dor é essa que não vai embora” - CEFALEIAS 
1.DEFINIR E CLASSIFICAR CEFALEIAS
2.CONHECER A FISIOPATOLOGIA, FATORES DE RISCO, QUADRO CLINICO, DIAGNÓSTICO E 
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DA CEFALEIA TENSIONAL, MIGRÂNEA E A POR USO EXCESSIVO DE 
MEDICAMENTO
3.ENTENDER A CONDUTA DOS PACIENTES COM CEFALEIA (ÊNFASE NA TOXINA BOTULÍNICA)
- O termo cefaleia aplica-se a todo processo doloroso referido no segmento cefálico, 
o qual pode originar-se em qualquer das estruturas faciais ou cranianas
- As dores, de modo geral, constituem o sintoma mais frequente em clínica e 
predominam nitidamente na cabeça em comparação a outras partes do corpo
- A cefaleia representa assim, possivelmente, o sintoma mais frequentemente 
referido na prática clínica
- Estima-se que, em qualquer população, 80% dos indivíduos apresentarão, ao 
menos uma vez ao ano, um episódio de cefaleia, e metade deste número, mais de 
dois
- O importante para médicos e população em geral é compreender que, em mais de 
90% dos casos, a cefaleia não significa um problema grave. Assim, a maioria é 
denominada PRIMÁRIA (não é associada a lesões estruturais anatomicamente 
visíveis e causadas por mecanismo de disfunção neuroquímica e neurofisiológica 
do sistema nervoso). As mais comuns são a enxaqueca e a cefaleia tensional, 
que são mais frequentes
- A enxaqueca ocorre em 15 a 30% dos indivíduos, e 9% deles mostram episódios 
frequentes de cefaleia
- Já cefaleia tensional aparece em 35 a 78% da população, e 3% apresentam 
episódios incapacitantes de dor
- Nos ambulatórios de clínica médica, a cefaleia é a terceira queixa mais frequente 
(10,3%), suplantado apenas por infecções de vias aéreas e dispepsias. Nas 
Unidades de Saúde, a cefaleia é responsável por 9,3% das consultas não 
agendadas, e nos ambulatórios de neurologia é o motivo mais frequente de 
consulta
- Pacientes com cefaleia representam 4,5% dos atendimentos em unidades de 
emergência, sendo o quarto motivo mais frequente de consulta nas unidades de 
urgência
- As cefaleias primárias são mais comuns até a quinta década. A partir da quinta e 
sexta décadas de vida, a incidência de dor de cabeça reduz de uma forma geral, e 
começa a ocorrer predomínio das cefaleias secundárias, associadas a lesões 
patológicas, como das neuralgias e dores neuropáticas do segmento cefálico
- As cefaleias comprometem o desempenho do indivíduo e geram prejuízos 
pessoais, produzindo dano psicológico e custos econômicos consideráveis. As 
cefaleias representam, portanto, elevado ônus social resultante dos custos para o 
tratamento, do absenteísmo e dos impactos em relação ao sistema previdenciário
MECANISMO GERAL 
- O conhecimento, mesmo resumido, das estruturas cranianas sensíveis à dor é 
importante para a compreensão dos mecanismos e características dos vários tipos 
de cefaléia
- São sensíveis à dor: todas as estruturas faciais superficiais ou profundas; o couro 
cabeludo; o periósteo craniano; os vasos sanguíneos extracranianos; as artérias do 
círculo de Willis e as porções proximais extracerebrais de seus ramos; os grandes 
seios venosos intracranianos e suas veias tributárias; a parte basal da dura-máter; 
os nervos sensitivos
- Não são sensíveis à dor: os ossos da calota craniana; as leptomeninges e a maior 
parte da dura-máter; o parênquima encefálico e todos os vasos no seu interior
- Os mecanismos envolvidos na produção das cefaleias são basicamente: 1) 
deslocamento, tração, distensão, irritação ou inflamação das estruturas sensíveis à 
dor, enumeradas acima; 2) vasodilatação
CLASSIFICAÇÃO 
- PRIMÁRIAS: se caracterizam pela ausência de anormalidades identificáveis aos 
exames subsidiários habituais ou em outras estruturas do organismo. São doenças 
cujo sintoma principal, porém não único, são episódios recorrentes de cefaleia
1. Enxaqueca ou migrânea
2. Cefaleia do tipo tensão ou tensional
3. Cefaleia em salvas e outras cefaleias trigêminoautonômicas (inclui a 
hemicrania paroxística, a hemicrania contínua e a short lasting unilateral 
headache with conjunctival injection and tearing [SUNCT])
Ádila Cristie Matos Martins 	 UCXXI — Distúrbios sensoriais, motores e da consciência Problema 1, TUTORIA
t
4. Outras cefaleias primárias (cefaleia idiopática em facadas ou pontadas, 
cefaleia da tosse, cefaleia do esforço físico, cefaleia associada à atividade 
sexual, cefaleia hípnica, cefaleia em trovoada ou thunderclap headache, cefaleia 
por compressão extrínseca, cefaleia por estímulo frio, cefaleia numular e a nova 
cefaleia persistente diária)
- SECUNDÁRIAS: são decorrentes de lesões identificadas no segmento cefálico ou 
de afecções sistêmicas
5. Cefaleia atribuída a trauma ou lesão cefálica e/ou cervical (inclui as cefaleias 
pós-traumáticas)
6. Cefaleia atribuída à transtorno vascular craniano e/ou cervical
7. Cefaleia atribuída à transtorno intracraniano não vascular (não inclui as 
infecções)
8. Cefaleia atribuída ao uso de substância (química/drogas/medicamentos) ou à 
sua supressão
9. Cefaleia atribuída à infecção
10.Cefaleia atribuída a transtorno da homeostase
11.Cefaleia ou dor facial atribuída ao transtorno de ossos cranianos, pescoço 
(inclui a cefaleia cervicogênica), olhos, orelhas, nariz, seios paranasais, 
dentes, boca, articulação temporomandibular e outras estruturas cranianas/
cervicais
12.Cefaleia atribuída a transtorno psiquiátrico
- NEUROPATIAS CRANIANAS DOLOROSAS, OUTRAS DORES FACIAIS E 
OUTRAS CEFALEIAS:
13.Lesões dolorosas dos nervos cranianos e outras dores faciais (neuropática e 
central)
14.Outras cefaleias - Cefaleias, neuralgias e dores faciais não classificáveis ou não 
especificáveis
Avaliação dos pacientes com cefaleia 
- A história clínica constitui o dado mais importante. A distinção entre as cefaleias 
primária e secundária deve ser evidenciada durante a anamnese pelos padrões 
clínicos
- Momento e circunstâncias da instalação
- Horário e velocidade de início
- Intensidade e caráter da dor
- Duração do ataque individual 
- Localização e a irradiação da dor 
- Frequência das crises
- Ocorrência de sintomas neurológicos e físicos gerais que precedem e/ou 
acompanham a dor
- Variações sazonais
- Progressão dos sintomas, frequência, fatores de desencadeamento e piora 
- Tratamentos atuais e prévios, insatisfatórios ou efetivos 
- Evidência sobre abuso de analgésicos, de ergóticos e de cafeína 
- História familiar de cefaleia
- Correlação da cefaleia com o sono 
- Profissão
- Problemas emocionais
- Impacto da cefaleia nas atividades de vida diária, prática, social e profissional 
- Sinais de alarme podem indicar a possibilidade de cefaleia secundária. Dessa 
forma, exames complementares (como exames da neuroimagem) são indicados
Sinais de alarme 
SINAIS DE ALERTA PARA CEFALEIA SECUNDÁRIA (“MNEMÔNICO SNOOP”)
S (Systemic) 
Sinais sistêmicos como febre, mialgia, perda de peso, sudorese, 
toxemia, rigidez de nuca, rash cutâneo, portadores de neoplasia, 
HIV ou coagulopatias, usuários de imunossupressores, gravidez 
ou pós-parto
N (Neurologic) 
Alteração do estado mental ou do nível de consciência, diplopia, 
disfunção nervos cranianos, alteração sensibilidade, fraqueza, 
ataxia, história de crise epilépticas ou perda de consciência, 
papiledema, meningismo
O (Older) Cefaleia que iniciou após os 50 anos
O (Onset) Cefaleia de início súbito, primeira cefaleia, “pior” da vida ou em trovoada (a dor atinge o máximo instantaneamente após início)
P (Pattern) 
Mudança de padrão da cefaleia prévia ou cefaleia progressiva 
(intensidade, frequência ou duração) ou cefaleia refratária. 
Precipitado pela manobra de Valsalva. Agravamento postural. 
Papiledema 
Ádila Cristie