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DAVID RICARDO - SOBRE O VALOR (RESUMO)

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no entanto, durabilidade
muito diferente. Somente uma pequena parcela  do valor do instrumento mais durável
seria transferida para a mercadoria,  enquanto uma porção muito maior do valor do
instrumento menos durável seria adicionada à mercadoria produzida com seu auxílio."
Pensando em uma sociedade primitiva, onde o caçador realiza a atividade de caça e fabrica as
ferramentas necessárias para essa atividade ele próprio, o valor total da mercadoria, isto é,
capital+trabalho,  pertence a ele.
Agora, se considerarmos uma sociedade onde uns detém o capital e outros detém a força de
trabalho, sendo o valor relativo de uma mercadoria determinado pela quantidade de trabalho
incorporada no capital e a quantidade de trabalho incorporada a atividade produtiva em si de
modo que uma parcela do valor da mercadoria vá para o capitalista e outra para o trabalhador, o
valor de troca das mercadorias continuaria sendo determinado pela quantidade de trabalho
incorporado tanto pelo capital, quanto pelo trabalho.
A redução na utilização de trabalho na produção de qualquer mercadoria sempre afeta seu valor
relativo, embora de modo distinto:
a redução na quantidade empregada na produção da mercadoria afeta integralmente o
valor relativo dessa;
a redução na quantidade empregada na produção do capital afeta parcialmente o valor
dessa, correspondendo o benefício restante às demais mercadorias onde fossem
empregado o capital;
SEÇÃO IV
SOBRE A NATUREZA HETEROGÊNEA DO CAPITAL E SUA RELAÇÃO COM A VARIAÇÃO DE
VALOR DAS MERCADORIAS
Vamos supor duas atividades: caça e pesca.
Se num dado período fossem empregues a mesma quantidade de trabalho na produção de
ferramentas necessárias à caça de 10 castores que na pesca de 20 salmões e que este capital
tivesse a mesma duração, e a mesma quantidade de trabalho para a produção da mesma
quantia em ambas atividades, então:
                        CAÇA                    PESCA
PERÍODO            1 dia                      1 dia
CAPITAL              x                            x
DURAÇÃO           y                            y
PRODUÇÃO       10                          20
TROCA              10 CASTORES POR 20 SALMÕES
Nesse caso, onde idêntico é o volume, idêntica é a duração e idêntica é a natureza do capital
empregado em ambas as atividades, mantendo-se essa identidade, o único fator que pode
provocar mudança na proporção em que castores são trocados por salmões é a quantidade de
trabalho empregado na atividade.
Vamos supor que a quantidade de trabalho necessário para a produção de uma mercadoria
permaneça inalterada em dois períodos.  Entretanto, se com a mesma quantidade de trabalho
empregado na produção de x mercadorias em ambos os períodos, o seu valor relativo varia, isso
se da devido a proporção em que dois tipos de capital se combinam nessa atividade produtiva.
Assim, natureza do capital não é heterogênea:
CAPITAL FIXO: Durável, não tem retorno imediato
CAPITAL CIRCULANTE: Perecível, seu retorno é imediato.
O trigo pode ser usado, por exemplo, ora como capital fixo pelo agricultor, ora como capital
circulante pelo padeiro.
O salário que o empregador entrega ao trabalhador pelo seu trabalho é um capital
circulante.
Duas atividades podem utilizar o mesmo montante de capital, mas este pode estar dividido
de modo diferente entre parte fixa e parte circulante. As diferentes proporções em que
capital fixo e circulante se combinam afetam diferentemente o valor relativo das
mercadorias. 
I - MERCADORIAS PRODUZIDAS SEM CAPITAL - QUANTIDADE DE TRABALHO AFETA
VALOR VARIÁVEL
II - MERCADORIAS PRODUZIDAS COM CAPITAL IDÊNTICO - QUANTIDADE DE
TRABALHO AFETA VALOR VARIÁVEL
III - MERCADORIAS PRODUZIDAS COM CAPITAL IDÊNTICO, PORÉM DIVIDIDOS
DIFERENTEMENTE ENTRE CAPITAL FIXO E CIRCULANTE - VALOR DO TRABALHO  AFETA
VALOR VARIÁVEL
Vamos supor três mercadorias: tecidos de lã. artigos de algodão e trigo.
Cada uma delas é produzida com a mesma quantidade de trabalho.
Empregam, cada uma delas, 100 trabalhadores, sendo que cada um deles recebe 50 libras por
ano
Assim, cada atividade emprega 5000 libras por ano como capital circulante.
Os tecidos de lã e os artigos de algodão empregam uma máquina como capital fixo.
Essa máquina é produzida num período de um ano, com 100 trabalhadores, cada qual
recebendo 50 libras por ano. Isto é, a máquina é produzida nas mesmas condições que o trigo.
Na produção da máquina, tanto quanto na produção do trigo, utiliza-se apenas capital circulante
O capitalista espera auferir lucros de 10% do capital circulante empregado.
Assim temos que:
capital fixo capital
circulante
lucro cf lucro cc valor
  Máquina 0 5000 0 500 5500
 Trigo 0 5000 0 500 5500
A máquina possui o mesmo valor de troca que o trigo.
No ano seguinte a máquina é usada como capital fixo na produção de artigos de algodão e
tecidos de lã, gerando lucros de 10% sobre o capital fixo. Temos:
capital fixo capital
circulante
lucro cf lucro cc valor
tecido de lã 5500 5000 550 500 6050
artigo de
algodão
5500 5000 550 500 6050
trigo 0 5000 0 500 5500
"Nesse caso, portanto, os capitalistas empregaram exatamente a mesma quantidade
anual de trabalho na produção de suas  mercadorias, mas os bens produzidos diferem em
valor por causa das diferentes quantidades de capital fixo, ou trabalho    acumulado,
empregadas respectivamente por cada um. O tecido de lã e os produtos de algodão têm
o mesmo valor por serem  produzidos com idênticas quantidades de trabalho e de capital
fixo. O trigo, no entanto, não tem o mesmo valor que essas    mercadorias, pois é
produzido, no que se refere ao capital fixo, em circunstâncias diferentes. (Ricardo, 1982
[1817], p. 55). "
O valor de troca das mercadorias produzidas com capital fixo aumenta em relação aquela
mercadoria que, embora seja produzida com a mesma quantidade de trabalho, emprega apenas
capital circulante.
Que tipo de efeito pode ter um aumento dos salários(ou queda dos lucros) sobre esses dois
tipos de mercadorias?
Se o salário aumenta, a taxa de lucro cai. Vamos supor que com o aumento do salário a taxa de
lucro caiu de 10% para 9%.
Assim, em vez de acrescentar 550 libras ao preço normal de seus produtos (5 500 libras) a título
de lucros de seu capital fixo, os fabricantes adicionariam apenas 9% daquela soma, ou 495 libras,
e, conseqüentemente, o preço seria de 5 995 libras, em vez de 6 050 libras.
capital fixo capital
circulante
lucro cf lucro cc valor
tecido de lã 5500 5045,87 495 454,13 5995
artigo de
algodão
5500 5045,87 495 454,13 5995
trigo 0 5045,87 0 454,13 5500
Temos que a mercadoria que é produzida com capital fixo, em relação aquela que é
produzida apenas com capital circulante tem seu valor relativo diminuído em virtude de
um aumento de salários.
de modo que a queda do valor de troca da mercadoria resulta unicamente da queda do
lucro do capital fixo, que não  sofre nenhuma compensação
SEÇÃO V
VARIAÇÕES DE VALOR DECORRENTES DA DURABILIDADE DO CAPITAL OU DA RAPIDEZ
DE RETORNO
Quanto menos durável for o capital fixo, mais ele se aproximará da natureza do capital
circulante.
Um capital fixo de natureza não durável, exigirá trabalho para a sua manutenção. Esse
trabalho, ou a quantidade de trabalho despendida na atividade de manutenção, deverá ser
incorporado ao valor final da mercadoria que é produzida por esse capital.
Um aumento de salários, ou uma queda na taxa de lucros, tendem a aumentar o valor relativo
das mercadorias produzidas com capital fixo menos durável e diminuir o valor relativo das
mercadorias produzidas com capital fixo duradouro. 
O valor das máquinas não é afetado pelo aumento do valor do trabalho.
Uma máquina realiza o trabalho de 100 homens e custa $5000.
Os 100 homens devem ganhar no total $5000 por ano.
Seria indiferente empregar os homens ou comprar a máquina.
Se o salário dos trabalhadores aumentasse para $5500 por ano, seria mais vantajoso empregar a
máquina.
Mas o valor da máquina não aumentaria com o aumento dos salários?
Não. Pois os trabalhadores empregados na construção da máquina deveriam ser menos