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23-capituloVII

Atividade de compreensão textual: o texto "Da utilidade dos animais" (Carlos Drummond de Andrade) seguido de questões sobre a contradição no discurso da professora, identificação de falas e da conclusão de Ricardo e análise do uso de discurso direto/indireto e normas culta/coloquial.

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Fabiola Luz

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Português 
 
Editora Exato 74 
CAPÍTULO VII 
1. TEXTO 
Da utilidade dos animais 
Terceiro dia de aula. A professora é um amor na sala, 
estampas coloridas mostra animais de todos os feitios. É preci-
so querer bem a eles, diz a professora, com um sorriso que 
envolve a fauna, protegendo-a. Eles têm direito à vida, como 
nós, e além disso são muito úteis. Quem não sabe que o ca-
chorro é o maior amigo da gente? Cachorro faz muita falta. 
Mas não é só ele não. A galinha, o peixe , a vaca... Todos a-
judam. 
- Aquele cabeludo ali, professora, também ajuda? 
- Aquele? É o iaque, um boi da Ásia Central. Aquele 
serve de montaria e de burro de carga. Do pêlo se fazem pe-
rucas bacaninhas. E a carne, dizem que é gostosa. 
-Mas se serve de montaria, como é que a gente vai 
comer ele? 
-Bem, primeiro serve para uma coisa, depois para ou-
tra. Vamos adiante. Este é o texugo. Se vocês quiserem pintar 
a parede do quarto, escolham pincel de texugo. Parece que é 
ótimo. 
-Ele faz pincel, professora? 
-Quem, o texugo'? Não, só fornece o pêlo. Para pincel 
de barba também, que o Arturzinho vai usar quando crescer. 
Arturzinho objetou que pretende usar barbeador elétri-
co. Além do mais, não gostaria de pelar o texugo, uma vez 
que devemos gostar dele, mas a professora já explicava 
~utilidade do canguru: 
-Bolsas, malas, maletas, tudo isso o couro do canguru 
dá pra gente. Não falando na carne. O canguru é utilíssimo. 
-Vivo, fessora? 
-A vicunha, que vocês estão vendo aí, produz. ..produz 
é maneira de dizer, ela fornece, ou por outra, com o pêlo dela 
nós preparamos ponchos, mantas, cobertores, etc. 
-E depois a gente come a vicunha, né, fessora'? 
-Daniel, não é preciso comer todos os animais. Basta 
retirar a lã da vicunha, que torna a crescer... 
-E a gente torna a cortar'? Ela não tem sossego, tadi-
nha. 
-Vejam agora como a zebra é camarada. Trabalha no 
circo, e seu couro listrado serve para forro de cadeira, de al-
mofada e para tapete. Também se aproveita a carne, sabem? 
-A carne também é listrada'? –pergunta que desenca-
deia riso geral. 
-Não riam da Betty, ela é uma garota que quer saber 
direito as coisas. Querida, eu nunca vi carne de zebra no a-
çougue, mas posso garantir que não é listrada. Se fosse, não 
deixaria de ser comestível por causa disto. Ah, o pingüim? 
Este vocês já conhecem da praia do Leblon, onde cos-
tuma aparecer, trazido pela correnteza. Pensam que só serve 
para brincar'? Estào enganados, vocês devem respeitar o bi-
chinho. O excremento – não sabem o que é? O cocô do pin-
güim é um adubo maravilhoso: guano, rico em nitrato. O 
óleo feito com a gordura do pingüim... 
-Mas a senhora disse que a gente deve respeitar. 
-Claro. Mas o óleo é bom. 
-Do javali, professora. duvido que a gente lucre algu-
ma coisa. 
-Pois lucra. O pêlo dá escovas de ótima qualidade. 
-E o castor'? 
-Pois quando voltar a moda do chapéu para homens. 
o castor vai prestar muito serviço. Aliás, já presta, com a pele 
usada para agasalhos. É o que se pode chamar um bom e-
xemplo. 
-Eu, hem? 
-Dos chifres do rinoceronte, Belá, você pode enco-
mendar um vaso raro para o living de sua casa. Do couro da 
girafa, Luís Gabriel pode tirar um escudo de verdade; deixan-
do os pêlos da cauda para Teresa fazer um bracelete genial. 
A tartaruga-marinha, meu Deus, é de uma utilidade que vocês 
não calculam. Comem-se os ovos e toma-se a sopa: uma de-
lícia. O casco serve para fabricar pentes, cigarreiras, tanta 
coisa. ..O biguá é engraçado. 
-Engraçado, como'? 
-Apanha peixe pra gente. 
-Apanha e entrega. professora'? 
-Não é bem assim. Você bota um anel no pescoço de-
le, e o biguá pega o peixe mas não pode engolir. Então você 
tira o peixe da goela do biguá. 
-Bobo que ele é. 
-Não. E útil. Ai de nós se não fossem os animais que 
nos ajudam de todas as maneiras. 
Por isso que eu digo: devemos amar os animais, e não 
maltratá-los de jeito nenhum. Entendeu, Ricardo? 
-Entendi. A gente deve amar, respeitar, pelar e comer 
os animais. e aproveitar bem o pêlo, o couro e os ossos. 
ANDRADE, Carlos Drummond de. In: Para gostar de ler. 7. ed. São 
Paulo, Ática, 1992. v. 4, p. 17-20. 
Descobrindo idéias do texto 
1 O desenvolvimento do texto mostra que a fala inicial da 
professora encerra uma contradição. Qual? 
 
2 Procure outro exemplo de contradição entre o que a pro-
fessora diz e o que ela demonstra. 
 
3 Quem foi o primeiro a perceber o discurso contraditório 
da professora. 
 
4 Procure outras falas de alunos que demonstram perceber 
a incoerência da professora. 
 
5 O que mostra a conclusão a que chegou Ricardo no final 
da aula? 
 
6 O que predomina no texto: discurso direto (diálogo) ou 
indireto? Dê um exemplo. 
 
7 Para tornar mais vivo o diálogo, mais real, mais adequa-
do aos personagens, o autor usa normal culta no discurso 
da professora e norma coloquial, popular, na fala dos a-
lunos. Dê exemplos. 
 
 
 
Português 
 
Editora Exato 75 
2. ANÁLISE E REFLEXÃO LINGÜÍSTICA 
Período composto por coordenação 
1 Leia: 
“Trinta voluntários arrecadam e distribuem lei pão, verdu-
ras e legumes para famílias carentes e encaminham ado-
lescentes para cursos profissionalizantes”. (Revista 
Capricho, São Paulo, abril, 6 de maio de 2001). 
Observe o período acima e responda as questões abaixo: 
a) Que ações são realizadas pelos voluntários? 
b) De quantas orações é composto esse período? Por 
que? 
c) Qual é a palavra que liga essas orações? 
 
 
A palavra que liga orações ou termos de uma mesma 
oração é chamada de conjunção. 
Num período composto, podem ser encontrados três 
tipos de orações: principal, subordinada e coordenada. Va-
mos estudar, no momento, apenas os períodos com orações 
coordenadas. Observe: 
O trabalho voluntário traz benefícios à população, da 
as pessoas mais felizes e facilita a vida de muitas famílias. 
O período acima contém três orações que apresentam 
estrutura completa pois possui termos necessários para que 
tenha sentido completo. Orações como essas são chamadas 
de coordenadas. Duas ou mais orações coordenadas entre si 
formam o período composto por coordenação. 
2 Leia o período abaixo: 
Joguei meu colchonete no chão e passei a noite ao lado 
do filhote. 
Agora realize as seguintes atividades: 
a) Identifique os verbos e informe o número de orações. 
b) Note que se trata de um período composto. Localize 
cada uma das orações que o compõe. 
c) Por que essas orações são consideras coordenadas? 
 
 
Observe: 
Os jovens trabalhadores, divertem-se, estudam. Nesse 
período, não há conjunção ligando as orações. Ela oi substi-
tuída pela pontuação. Quando isso ocorre, as orações são 
classificadas como orações coordenadas assindéticas. 
No período composto por coordenação, as orações 
podem ser: 
� Coordenadas assindéticas: quando não há conjun-
ção ligando as orações; em seu lugar aparece a 
vírgula, o ponto e vírgula ou o dois-pontos. 
� Coordenadas sindéticas: quando há conjunções li-
gando as orações coordenadas entre si. 
As orações coordenadas sindéticas são classificadas 
conforme a idéia que exprimem. Elas podem ser: 
� Aditivas: estabelecem uma idéia de adição, de a-
créscimo, em relação a outra oração. São inicia-
das pelas conjunções: e, nem, mas também. 
Exemplo: A jovem estuda de manhã e faz um tra-
balho voluntário à tarde. 
� Adversativas: estabelecem uma idéia de oposição, 
contraste em relação a outra oração. São iniciadas 
pelas conjunções: mas, porém, contudo, todavia, 
no entanto, entretanto. Exemplo: Muitas pessoas 
têm consciência da importância do trabalho volun-
tário, entretanto é necessária uma maior mobiliza-
ção da sociedade. 
� Alternativas: estabelecem uma idéia de alternância 
ou exclusão entre as orações. São iniciadas pelas 
conjunções: ou... ou, ora... ora, já... já, quer... 
quer. Exemplo: Ora falava demais, ora se calava 
durante horas. 
� Conclusivas: estabelecem uma idéia de conclusão 
entre as orações. São iniciadas pelas conjunções: 
logo, pois, portanto, por conseguinte, por isso,de 
modo que. Exemplo: Devemos nos preocupar com 
a situação do país, portanto agir como cidadãos. 
1 Leia: 
As pessoas querem realização profissional; muitas vezes, 
escolhem a profissão mais rentável, não ficam felizes com 
isso. 
a) O período contém três orações. Como essas oração 
vêm separadas? 
b) Como essas orações são classificadas? 
 
2 Que idéia as orações coordenadas expressam nos perío-
dos a seguir? 
a) algumas opiniões dos jovens entrevistados são muito 
radicais, portanto devem ser criticadas. 
b) É bom que o jovem participe mais ativamente da políti-
ca porque o momento é de mudança. 
c) Os adolescentes marcaram uma entrevista, mas o polí-
tico convidado não compareceu. 
d) Ela estuda e faz planos para o futuro. 
e) Os jovens atuam politicamente na sociedade, entretan-
to poucos reconhecem isso. 
 
3 Divida os períodos em suas orações e classifique-as: 
a) Chegou nervoso, entretanto foi gentil com todos. 
b) Ou fazia lição ou assistia ao filme. 
c) a tarde está boa para um passeio, por isso já estou me 
despedindo. 
d) Fiquei contente, porque deu tudo certo. 
e) Pedro não só estuda, mais também trabalha. 
 
3. ORTOGRAFIA: VAMOS ESCREVER CERTO 
1 Leia as frases abaixo observando as palavras destacadas: 
“[...] a fiscalização ainda é reduzida, notadamente nos 
municípios da Baixada Santista, onde se concentram mais de 
60% dos casos até agora registrados no Estado”. 
Aonde vão os caros que fazem a fumigação dos focos 
do mosquito? 
Procure empregar as palavras destacadas nos textos 
acima para substituir as expressões destacadas nas frases se-
guintes: 
a) A sala em que estudamos é bem iluminada. 
b) Em que lugar está sua mochila? 
c) Para onde você foi depois das aulas? 
d) a que lugar iremos nas férias? 
e) A cidade em que você mora fica em qual região do 
Brasil? 
 
 
 
Português 
 
Editora Exato 76 
2 Complete as afirmações abaixo com onde ou aonde. 
a) ___________ deve ser usado em substituição a em que. 
b) ___________ deve ser usado quando o termo antece-
dente ao qual se refere for lugar físico. 
c) ___________ deve ser usado com verbo que indica 
movimento em direção a um lugar. 
d) ___________ deve ser usado substituição a para onde. 
 
3 Observe as locuções adverbiais abaixo: 
À deriva, à vontade, às vezes, à noite, às claras, à direita, 
à esquerda, às escondidas. 
Você deve ter percebido que foram todas grafadas com o 
acento indicador de crase. Esse acento deve ser empre-
gado nas locuções adverbiais. Emprega-se também o a-
cento de crase indicações de horas e antes do nome dos 
dias da semana, quando compõem uma locução adver-
bial de tempo. 
Veja: 
Nossas aulas começam às 7 horas. 
O professor saiu às 11 horas 
A revista chega às quartas-feiras. 
Empregue no texto abaixo o acento que indica a crase 
quando necessário. 
As segundas-feiras temos aulas de educação física com 
prática esportivas. As vezes jogamos basquete, que é o 
esporte preferido da minha turma. É difícil dar conta de 
tudo: precisamos sair da classe as pressas, ir para o vesti-
ário trocar de roupa e as 10 horas em ponto de estar na 
quadra. Quem se atrasa fica fora do time. No início, o 
professor nos deixa brincar a vontade com a bola, depois 
começa um treino puxado. É preciso seguir a risca as ori-
entações do técnico: “Corre, bate a bola, via a direita, 
salta, faz o rebote”. A tarde, quando estou em casa fa-
zendo os exercícios das outras matérias para o dia seguin-
te, sinto dor no corpo inteiro, mas é super legal jogar 
basquete. 
4. PRÁTICA DE PRODUÇÃO DE TEXTO 
Manifestar um ponto de vista é direito de todo cidadão 
e é uma maneira de participar da vida em sociedade. 
Propomos aqui que você reflita sobre os problemas 
que afetam as pessoas no seu dia-a-dia e escolha um que, na 
sua opinião, seja o mais grave ou o que deveria ser resolvido 
antes – por ser uma questão relacionada à escola, ao bairro, 
à cidade ou mesmo ao país. 
Exponha o problema que você pretende que seja re-
solvido. Mostre suas causas e as conseqüências para a popu-
lação, dê sugestões de como solucioná-lo.

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