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Português Editora Exato 74 CAPÍTULO VII 1. TEXTO Da utilidade dos animais Terceiro dia de aula. A professora é um amor na sala, estampas coloridas mostra animais de todos os feitios. É preci- so querer bem a eles, diz a professora, com um sorriso que envolve a fauna, protegendo-a. Eles têm direito à vida, como nós, e além disso são muito úteis. Quem não sabe que o ca- chorro é o maior amigo da gente? Cachorro faz muita falta. Mas não é só ele não. A galinha, o peixe , a vaca... Todos a- judam. - Aquele cabeludo ali, professora, também ajuda? - Aquele? É o iaque, um boi da Ásia Central. Aquele serve de montaria e de burro de carga. Do pêlo se fazem pe- rucas bacaninhas. E a carne, dizem que é gostosa. -Mas se serve de montaria, como é que a gente vai comer ele? -Bem, primeiro serve para uma coisa, depois para ou- tra. Vamos adiante. Este é o texugo. Se vocês quiserem pintar a parede do quarto, escolham pincel de texugo. Parece que é ótimo. -Ele faz pincel, professora? -Quem, o texugo'? Não, só fornece o pêlo. Para pincel de barba também, que o Arturzinho vai usar quando crescer. Arturzinho objetou que pretende usar barbeador elétri- co. Além do mais, não gostaria de pelar o texugo, uma vez que devemos gostar dele, mas a professora já explicava ~utilidade do canguru: -Bolsas, malas, maletas, tudo isso o couro do canguru dá pra gente. Não falando na carne. O canguru é utilíssimo. -Vivo, fessora? -A vicunha, que vocês estão vendo aí, produz. ..produz é maneira de dizer, ela fornece, ou por outra, com o pêlo dela nós preparamos ponchos, mantas, cobertores, etc. -E depois a gente come a vicunha, né, fessora'? -Daniel, não é preciso comer todos os animais. Basta retirar a lã da vicunha, que torna a crescer... -E a gente torna a cortar'? Ela não tem sossego, tadi- nha. -Vejam agora como a zebra é camarada. Trabalha no circo, e seu couro listrado serve para forro de cadeira, de al- mofada e para tapete. Também se aproveita a carne, sabem? -A carne também é listrada'? –pergunta que desenca- deia riso geral. -Não riam da Betty, ela é uma garota que quer saber direito as coisas. Querida, eu nunca vi carne de zebra no a- çougue, mas posso garantir que não é listrada. Se fosse, não deixaria de ser comestível por causa disto. Ah, o pingüim? Este vocês já conhecem da praia do Leblon, onde cos- tuma aparecer, trazido pela correnteza. Pensam que só serve para brincar'? Estào enganados, vocês devem respeitar o bi- chinho. O excremento – não sabem o que é? O cocô do pin- güim é um adubo maravilhoso: guano, rico em nitrato. O óleo feito com a gordura do pingüim... -Mas a senhora disse que a gente deve respeitar. -Claro. Mas o óleo é bom. -Do javali, professora. duvido que a gente lucre algu- ma coisa. -Pois lucra. O pêlo dá escovas de ótima qualidade. -E o castor'? -Pois quando voltar a moda do chapéu para homens. o castor vai prestar muito serviço. Aliás, já presta, com a pele usada para agasalhos. É o que se pode chamar um bom e- xemplo. -Eu, hem? -Dos chifres do rinoceronte, Belá, você pode enco- mendar um vaso raro para o living de sua casa. Do couro da girafa, Luís Gabriel pode tirar um escudo de verdade; deixan- do os pêlos da cauda para Teresa fazer um bracelete genial. A tartaruga-marinha, meu Deus, é de uma utilidade que vocês não calculam. Comem-se os ovos e toma-se a sopa: uma de- lícia. O casco serve para fabricar pentes, cigarreiras, tanta coisa. ..O biguá é engraçado. -Engraçado, como'? -Apanha peixe pra gente. -Apanha e entrega. professora'? -Não é bem assim. Você bota um anel no pescoço de- le, e o biguá pega o peixe mas não pode engolir. Então você tira o peixe da goela do biguá. -Bobo que ele é. -Não. E útil. Ai de nós se não fossem os animais que nos ajudam de todas as maneiras. Por isso que eu digo: devemos amar os animais, e não maltratá-los de jeito nenhum. Entendeu, Ricardo? -Entendi. A gente deve amar, respeitar, pelar e comer os animais. e aproveitar bem o pêlo, o couro e os ossos. ANDRADE, Carlos Drummond de. In: Para gostar de ler. 7. ed. São Paulo, Ática, 1992. v. 4, p. 17-20. Descobrindo idéias do texto 1 O desenvolvimento do texto mostra que a fala inicial da professora encerra uma contradição. Qual? 2 Procure outro exemplo de contradição entre o que a pro- fessora diz e o que ela demonstra. 3 Quem foi o primeiro a perceber o discurso contraditório da professora. 4 Procure outras falas de alunos que demonstram perceber a incoerência da professora. 5 O que mostra a conclusão a que chegou Ricardo no final da aula? 6 O que predomina no texto: discurso direto (diálogo) ou indireto? Dê um exemplo. 7 Para tornar mais vivo o diálogo, mais real, mais adequa- do aos personagens, o autor usa normal culta no discurso da professora e norma coloquial, popular, na fala dos a- lunos. Dê exemplos. Português Editora Exato 75 2. ANÁLISE E REFLEXÃO LINGÜÍSTICA Período composto por coordenação 1 Leia: “Trinta voluntários arrecadam e distribuem lei pão, verdu- ras e legumes para famílias carentes e encaminham ado- lescentes para cursos profissionalizantes”. (Revista Capricho, São Paulo, abril, 6 de maio de 2001). Observe o período acima e responda as questões abaixo: a) Que ações são realizadas pelos voluntários? b) De quantas orações é composto esse período? Por que? c) Qual é a palavra que liga essas orações? A palavra que liga orações ou termos de uma mesma oração é chamada de conjunção. Num período composto, podem ser encontrados três tipos de orações: principal, subordinada e coordenada. Va- mos estudar, no momento, apenas os períodos com orações coordenadas. Observe: O trabalho voluntário traz benefícios à população, da as pessoas mais felizes e facilita a vida de muitas famílias. O período acima contém três orações que apresentam estrutura completa pois possui termos necessários para que tenha sentido completo. Orações como essas são chamadas de coordenadas. Duas ou mais orações coordenadas entre si formam o período composto por coordenação. 2 Leia o período abaixo: Joguei meu colchonete no chão e passei a noite ao lado do filhote. Agora realize as seguintes atividades: a) Identifique os verbos e informe o número de orações. b) Note que se trata de um período composto. Localize cada uma das orações que o compõe. c) Por que essas orações são consideras coordenadas? Observe: Os jovens trabalhadores, divertem-se, estudam. Nesse período, não há conjunção ligando as orações. Ela oi substi- tuída pela pontuação. Quando isso ocorre, as orações são classificadas como orações coordenadas assindéticas. No período composto por coordenação, as orações podem ser: � Coordenadas assindéticas: quando não há conjun- ção ligando as orações; em seu lugar aparece a vírgula, o ponto e vírgula ou o dois-pontos. � Coordenadas sindéticas: quando há conjunções li- gando as orações coordenadas entre si. As orações coordenadas sindéticas são classificadas conforme a idéia que exprimem. Elas podem ser: � Aditivas: estabelecem uma idéia de adição, de a- créscimo, em relação a outra oração. São inicia- das pelas conjunções: e, nem, mas também. Exemplo: A jovem estuda de manhã e faz um tra- balho voluntário à tarde. � Adversativas: estabelecem uma idéia de oposição, contraste em relação a outra oração. São iniciadas pelas conjunções: mas, porém, contudo, todavia, no entanto, entretanto. Exemplo: Muitas pessoas têm consciência da importância do trabalho volun- tário, entretanto é necessária uma maior mobiliza- ção da sociedade. � Alternativas: estabelecem uma idéia de alternância ou exclusão entre as orações. São iniciadas pelas conjunções: ou... ou, ora... ora, já... já, quer... quer. Exemplo: Ora falava demais, ora se calava durante horas. � Conclusivas: estabelecem uma idéia de conclusão entre as orações. São iniciadas pelas conjunções: logo, pois, portanto, por conseguinte, por isso,de modo que. Exemplo: Devemos nos preocupar com a situação do país, portanto agir como cidadãos. 1 Leia: As pessoas querem realização profissional; muitas vezes, escolhem a profissão mais rentável, não ficam felizes com isso. a) O período contém três orações. Como essas oração vêm separadas? b) Como essas orações são classificadas? 2 Que idéia as orações coordenadas expressam nos perío- dos a seguir? a) algumas opiniões dos jovens entrevistados são muito radicais, portanto devem ser criticadas. b) É bom que o jovem participe mais ativamente da políti- ca porque o momento é de mudança. c) Os adolescentes marcaram uma entrevista, mas o polí- tico convidado não compareceu. d) Ela estuda e faz planos para o futuro. e) Os jovens atuam politicamente na sociedade, entretan- to poucos reconhecem isso. 3 Divida os períodos em suas orações e classifique-as: a) Chegou nervoso, entretanto foi gentil com todos. b) Ou fazia lição ou assistia ao filme. c) a tarde está boa para um passeio, por isso já estou me despedindo. d) Fiquei contente, porque deu tudo certo. e) Pedro não só estuda, mais também trabalha. 3. ORTOGRAFIA: VAMOS ESCREVER CERTO 1 Leia as frases abaixo observando as palavras destacadas: “[...] a fiscalização ainda é reduzida, notadamente nos municípios da Baixada Santista, onde se concentram mais de 60% dos casos até agora registrados no Estado”. Aonde vão os caros que fazem a fumigação dos focos do mosquito? Procure empregar as palavras destacadas nos textos acima para substituir as expressões destacadas nas frases se- guintes: a) A sala em que estudamos é bem iluminada. b) Em que lugar está sua mochila? c) Para onde você foi depois das aulas? d) a que lugar iremos nas férias? e) A cidade em que você mora fica em qual região do Brasil? Português Editora Exato 76 2 Complete as afirmações abaixo com onde ou aonde. a) ___________ deve ser usado em substituição a em que. b) ___________ deve ser usado quando o termo antece- dente ao qual se refere for lugar físico. c) ___________ deve ser usado com verbo que indica movimento em direção a um lugar. d) ___________ deve ser usado substituição a para onde. 3 Observe as locuções adverbiais abaixo: À deriva, à vontade, às vezes, à noite, às claras, à direita, à esquerda, às escondidas. Você deve ter percebido que foram todas grafadas com o acento indicador de crase. Esse acento deve ser empre- gado nas locuções adverbiais. Emprega-se também o a- cento de crase indicações de horas e antes do nome dos dias da semana, quando compõem uma locução adver- bial de tempo. Veja: Nossas aulas começam às 7 horas. O professor saiu às 11 horas A revista chega às quartas-feiras. Empregue no texto abaixo o acento que indica a crase quando necessário. As segundas-feiras temos aulas de educação física com prática esportivas. As vezes jogamos basquete, que é o esporte preferido da minha turma. É difícil dar conta de tudo: precisamos sair da classe as pressas, ir para o vesti- ário trocar de roupa e as 10 horas em ponto de estar na quadra. Quem se atrasa fica fora do time. No início, o professor nos deixa brincar a vontade com a bola, depois começa um treino puxado. É preciso seguir a risca as ori- entações do técnico: “Corre, bate a bola, via a direita, salta, faz o rebote”. A tarde, quando estou em casa fa- zendo os exercícios das outras matérias para o dia seguin- te, sinto dor no corpo inteiro, mas é super legal jogar basquete. 4. PRÁTICA DE PRODUÇÃO DE TEXTO Manifestar um ponto de vista é direito de todo cidadão e é uma maneira de participar da vida em sociedade. Propomos aqui que você reflita sobre os problemas que afetam as pessoas no seu dia-a-dia e escolha um que, na sua opinião, seja o mais grave ou o que deveria ser resolvido antes – por ser uma questão relacionada à escola, ao bairro, à cidade ou mesmo ao país. Exponha o problema que você pretende que seja re- solvido. Mostre suas causas e as conseqüências para a popu- lação, dê sugestões de como solucioná-lo.