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Alice Bastos 
Clamídia 
Introdução 
Agente etiológico: Clamydia trachomatis; 
 São bactérias parasitas intracelulares 
obrigatórias que se multiplicam em células 
eucariotas e têm parede celular de composição 
comum à maioria das gram-negativas; 
 Ela se hospeda nas células epiteliais do trato 
genital; 
 
É transmitida principalmente por meio do contato 
sexual (anal, oral ou vaginal); 
Uma vez adquirida, a infecção pode persistir por vários 
meses, propiciando um longo período de 
disseminação; 
O local mais frequentemente acometido na mulher é a 
cérvice uterina; 
 A partir dela, a infecção pode progredir para o 
trato genital superior, atingindo o endométrio 
(endometrite), as tubas (salpingite), o 
peritônio pélvico (peritonite) e, mais 
raramente, a cápsula do fígado (peri-hepatite); 
 Pode ocorrer a disseminação hematogênica da 
bactéria, que atingirá as articulações (artrite); 
Quando não tratada, pode provocar complicações, 
como: 
 Infertilidade; 
 Gravidez tubária. 
 
Quadro clínico 
A clamídia causa sintomas em uma minoria de 
mulheres infectadas; 
 Quando presentes, os sintomas são vagos e 
inespecíficos; 
As principais manifestações clínicas são representas 
por: 
 Corrimento vaginal (normalmente 
mucopurulento ou mucoturvo); 
 Disúria; 
 Dor pélvica (geralmente inespecífica e de 
intensidade variável); 
 Dispareunia (dor na relação sexual); 
 Sangramento genital irregular (espontâneo ou 
durante as relações sexuais); 
 Dor no hipocôndrio direito; 
OBS.: Não existem características específicas de 
corrimento vaginal que permitem associá-lo à presença 
de Clamydia trachomatis. 
 
Diagnóstico 
As infecções por Clamydia devem ser pesquisadas em 
mulheres jovens que procurem atendimento e 
apresentem um dos seguintes critérios: 
 Queixa de corrimento vaginal e/ou sintomas 
relacionados ao trato urinário; 
 Que refiram algum sintoma em seu(s) 
parceiro(s) sexual(is); 
Alice Bastos 
 Portadoras de outras ISTs; 
 Que tenham esfregaço cervicovaginal 
demonstrando número aumentado de células 
inflamatórias. 
Diagnóstico clínico 
É feito com base no quadro clínico apresentado acima; 
Não é suficiente para confirmação do diagnóstico, logo, 
torna-se necessária a confirmação laboratorial. 
Diagnóstico laboratorial 
PCR: É o exame de escolha. Possui alta sensibilidade de 
detecção, acima de 90%, e mantém a especificidade 
superior a 99%; 
ELISA: detecção do antígeno clamidiano pela reação 
com anticorpos marcados com enzima; 
Imunofluorescência direta: detecção da Clamydia por 
meio da reação com anticorpos monoclonais 
específicos marcados com substância fluorescente. 
Tratamento 
Os esquemas terapêuticos mais utilizados são: 
 Doxiciclina: dose de 100 mg, a cada 12 horas 
por um período que varia de 10 a 15 dias para 
as infecções não complicadas e de 15 a 21 dias 
para as infecções complicadas; 
 Tetraciclina: dose de 500 mg, a cada 6 horas 
por um período que varia de 10 a 15 dias para 
as infecções não complicadas e de 15 a 21 dias 
para as infecções complicadas; 
 Ofloxacina: dose de 300 mg, a cada 12 horas, 
de 7 a 10 dias; 
 Azitromicina: dose única de 1 g; 
É importante excluir a concomitância de outras ISTs; 
 Quando presentes, deve-se associar o 
tratamento da outra IST com o tratamento 
para a Clamídia; 
É fundamental realizar o tratamento dos parceiros 
sexuais; 
Sempre que possível, devem-se realizar exames de 
controle pós-tratamento para certificar-se de que a 
infecção foi erradicada. 
 
Referências 
LINHARES, I. A. et al. Clamídias. In: FOCACCIA, Roberto. 
Veronesi: tratado de infectologia. 5. Ed. São Paulo: 
Atheneu, 2015. p. 931-960.