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Farmacologia

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mecanismos de resistência à 
insulina (RI), falência progressiva da célula β, 
múltiplos transtornos metabólicos (disglicemia, 
dislipidemia e inflamação vascular) e repercussões 
micro e macrovasculares que acompanham a 
história natural da doença. 
Quanto as evidências quanto ao uso de fitoterapia 
no tratamento complementar do diabetes, são 
poucos artigos que apontam efeitos conclusivos, 
porém algumas plantas são capazes de melhorar o 
estado inflamatório e oxidativo induzido pela 
doença e minimizar o dano das células β 
pancreáticas, melhorando a secreção de insulina. 
Além disso, esse mesmo efeito anti-inflamatório e 
antioxidante dos compostos bioativos de plantas 
melhoras a sensibilidade à insulina, otimizando a 
captação de glicose e melhorando o perfil glicídico 
sérico. Os fitoterápicos que mais se destacam no 
controle da glicemia são: Canela, Alho, Romã, 
Alcachofra, Pata de vaca, melão de são caetano, in 
natura ou na forma de chás. 
 
Manejo clínico das doenças tireoidianas 
O tratamento farmacológico da fisiopatologia da 
glândula tireoide envolve a reposição do hormônio 
tireoidiano deficiente ou um antagonismo do 
hormônio tireoidiano presente em quantidades 
excessivas. A reposição é evidente por si própria, 
enquanto os antagonistas atuam em múltiplas 
etapas na síntese e ação do hormônio tireoidiano. 
 
1) Tratamento do Hipotireoidismo: 
A reposição hormonal é feita através do hormônio 
tiroxina (T4). Apesar do hormônio triiodotironina 
(T3) ser metabolicamente mais ativo, sua meia-
vida é de 1 dia, enquanto o T4 tem uma meia-vida 
de 6 dias, o que permite que o T4 seja usado apenas 
uma vez ao dia pelo paciente. 
O TSH é um marcador acurado da atividade do 
hormônio tireoidiano, visto que a liberação de TSH 
pela adeno-hipófise é extremamente sensível ao 
controle de retroalimentação pelo hormônio 
tireoidiano no sangue. 
Interação com nutrientes: 
A droga deve ser administrada em jejum. Pacientes 
com hipotireoidismo podem ter deficiência de 
selênio até regular o hormônio. 
 
2) Tratamento do hipertireoidismo: 
São fármacos que agem na síntese dos hormônios 
tireoidianos, desde a captação inicial de iodeto, a 
organificação e o acoplamento, até a conversão 
periférica de T4 em T3. 
 
Na Prática 
1) Um nutricionista, em um atendimento clínico 
no consultório, ao avaliar seu paciente notou 
que ele fazia uso de muitos medicamentos, 
prescritos pelo médico, para tratamento de 
alterações no perfil de lipídeos do sangue e 
controle da pressão arterial. Porém, o paciente 
relatou que sempre, após tomar os 
medicamentos, sentia dores gástricas. 
A fim de minimizar os sintomas causados pelos 
medicamentos e não alterar seu efeito, e como 
não pode interferir no uso de medicamentos, o 
nutricionista pensou em usar algum fitoterápico 
para proteger a mucosa gástrica e prevenir a 
agressão e consequentemente dor sentida pelo 
paciente. Porém, ciente de não ter ainda a 
qualificação exigida pelo conselho para a 
prescrição de fitoterápicos isolados, sugeriu 
então o uso de chás, que possuem efeitos 
similares, a fim de tentar alcançar similares 
resultado esperado. 
Ciente que o efeito do chá é mais lento, e que 
essa não pode ser a única conduta, elaborou um 
plano alimentar evitando alimentos que 
agridam a mucosa do TGI e que forneçam 
nutrientes adequados para aumentar a defesa e 
imunidade do paciente. 
 
2) Os idosos, diante das alterações relacionadas ao 
estado fisiológico no processo de medicamento 
e muitas vezes doenças relacionadas, acabam 
fazendo uso de terapia multimedicamentosa. 
Dentre os medicamentos mais utilizados estão: 
Antiagregante plaquetário, anti-hipertensivo, 
diuréticos e hipoglicemiantes. O nutricionista 
deve estar atento ao tipo de fármaco, sua dose e 
o horário, para prevenir menor atividade do 
mesmo e consequências nutricionais. Um 
exemplo são os anti-hipertensivos que podem 
ter sua absorção diminuída em 30 a 50%, sendo 
assim não devemos colocar alimentos no 
mesmo horário do medicamento. 
Já os diuréticos podem aumentar a depleção de 
alguns eletrólitos e os anticoagulantes, 
principalmente ácido acetilsalicílico (AAS), 
diminuem a absorção de algumas vitaminas e 
aminoácidos com isso, deve ser considerado o 
uso de alimentos contendo esses nutrientes em 
períodos longe do horário de administração da 
droga. 
 
3) Uma doença crônica associada ao aumento da 
resposta inflamatória tecidual pode induzir o 
aumento da produção de radicais livres e diante 
de uma má nutrição (quanti e qualitativa) e 
menor resposta antioxidante pode desencadear 
um estresse oxidativo. Este estresse, quando 
ocorre na membrana celular e pode alterar os 
receptores celulares. 
Alterações em receptores de membrana podem 
alterar a ação do fármaco, podendo tanto 
potencializar ou inibir essa atividade, o que 
pode prejudicar o tratamento de uma doença. 
Nesse caso, o nutricionista agiria melhorando o 
perfil alimentar, prescrevendo 
alimentos/nutrientes que atuam na reconstrução 
e/ou regeneração da membrana celular e 
fosfolipídios, como os ácidos graxos poli-
insaturados ômega 3, que possuem, além de 
propriedades antioxidantes, anti-inflamatória. 
Alimentos com ação antioxidante para 
minimizar o estresse oxidativo e tentar 
reequilibrar o sistema, a fim de minimizar as 
alterações de receptores e melhorar a atividade 
do fármaco. 
 
4) Ao atender um paciente, o nutricionista para 
traçar um plano alimentar adequado deve levar 
em consideração os fármacos utilizados à fim 
de identificar possíveis carências nutricionais. 
O uso de vários fármacos pode diminuir a 
absorção de alguns nutrientes, assim como 
alguns nutrientes/alimentos podem prejudicar a 
ação de fármacos. 
Um exemplo é o paciente que precisa perder 
peso e apresenta dislipidemia e foi orientado 
pelo médico o uso de sinvastatina há 6 meses. 
Como esta droga diminui a atividade de uma 
enzima fundamental para a atividade da 
mitocôndria, e esta diminuição pode levar à 
menor atividade metabólica, deve-se atentar 
para a necessidade da suplementação da 
coenzima Q10 para aumentar a disposição e 
atividade mitocondrial à fim de auxiliar a perda 
de peso e a efetividade do plano alimentar.