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1
ISSN 2358-1018
www.vetsciencemagazine.com.br
EMERGÊNCIAS NA CLÍNICA VETERINÁRIA
CONDUTAS QUE SALVAM VIDAS!
Número 18
MAGAZINEum benefício para o cliente TECSA
2
MAQUINOGRAMA NÃO É HEMOGRAMA. CUIDADO!
A busca por diagnósticos rápidos na medicina veterinária está em ampla expansão. Assim, os exames 
laboratoriais já figuram no dia a dia das Clínicas e Hospitais como algo imprescindível para o bom 
exercício da profissão.Porém, a necessidade de exames mais ágeis não pode comprometer a qualidade 
e a precisão das análises. Existe uma diferença enorme entre um HEMOGRAMA – realizado 
por um Médico Veterinário Patologista Clínico ou Hematologista Veterinário e um exame gerado 
por uma máquina sem qualquer análise qualitativa – seja análise pré-analítica- seja na execução do 
hemograma (LEITURA DAS LÂMINAS), seja na fase pós-analítica – interpretação dos achados. 
Existe muita diferença entre os resultados destes maquinogramas e de Hemogramas realizados por 
especialista. Obviamente, quem comercializa estas máquinas sempre irá dizer que é a mesma coisa, 
mas aqui entra o discernimento e o olhar científico de pesquisadores. Bom, caros colegas, se fosse 
a mesma coisa não existiria a Profissão de Patologista Clínico ou de Hematologista – profissionais 
que estudam para analisar cada hemograma de forma única. Hemogramas felinos, por exemplo, 
jamais podem ser liberados apenas por leitura de máquinas – as particularidades encontradas na 
leitura das lâminas em felinos são inúmeras e fundamentais para o laudo final. Um Hemograma com 
problemas na coleta não será devidamente analisado pela máquina e o laudo poderá ter interferências 
nas análises, o que pode trazer sérias consequências para o diagnóstico clínico veterinário. Visando 
esta segurança, os laboratórios veterinários investem cada vez mais em novas tecnologias, como 
aparelhos com softwares calibrados para análises das diferentes espécies e tendo, ainda, a presença de 
um médico veterinário hematologista como responsável técnico para a leitura de cada lâmina. Este é 
o profissional qualificado que conhece as particularidades das diversas espécies e assegura a qualidade 
do exame.
Pesquisadores veterinários conseguiram definir os parâmetros fisiológicos laboratoriais, não somente 
nas espécies domésticas, mas também em animais silvestres, onde cada uma delas possui características 
próprias e diferenças que só um laboratório com médicos veterinários capacitados pode perceber e, 
assim, gerar o laudo correto para a espécie pesquisada. O Hematologista Veterinário é o garantidor 
da Qualidade do Produto final – o laudo - que será referência para a tomada de decisões pelo Clínico.
A contagem diferencial de leucócitos difere entre espécies e é fornecida pela análise conjunta dos 
equipamentos automatizados e pela leitura do esfregaço corado pelos Hematologistas veterinários, 
que avaliam as diferentes formas leucocitárias e as expressam de forma relativa e absoluta. Os 
neutrófilos carregam consigo informações valiosas como alterações tóxicas/corpúsculos de Dohlle. 
Os Linfócitos também carregam informações que a máquina não fornece, como a reatividade 
por estímulo antigênico, atipias devido à processos neoplásicos ou hemoparasitas Ex. Erliquiose). 
A avaliação microscópica é essencial para detectar a presença de bastonetes (desvio à esquerda) e 
informações importantes que a Lâmina pode conter, como por exemplo, presença de hemoparasitas 
(Anaplasma sp, Babesia sp e Erlichia canis) e corpúsculos de Lenz. Tais achados são encontrados 
apenas com a análise das lâminas, o que reforça a necessidade de um médico veterinário devidamente 
capacitado para reconhecê-los e descrevê-los em seu laudo.
Mediante todas essas informações e das particularidades entre espécies, conclui-se claramente que 
a leitura das lâminas e a análise e acompanhamento de um Médico Veterinário Hematologista ou 
Patologista Clinico é fundamental e imprescindível. Exames de máquinas, sem nenhuma análise por 
parte de médicos veterinários, são aceitáveis nas emergências – mas na rotina sempre devemos prezar 
pela excelência na qualidade de resultado deste importante exame. #maquinanaofazhemograma!
EDITORIAL
Luiz Eduardo Ristow
Diretor Presidente
Dr. Otávio Valério de Carvalho 
MV- Phd em Virologia Molecular 
Diretor Técnico 
4
Obs.: os artigos assinados são de inteira responsabilidade dos autores e não representam necessariamente, a visão e opinião do TECSA Laboratórios.
ÍNDICE
Editores/Publishers: 
Dr. Luiz Eduardo Ristow . CRMV-SP 5560S . CRMV-MG 3708 . 
ristow@tecsa.com.br
Dr. Afonso Alvarez Perez Jr. . afonsoperez@tecsa.com.br
Equipe de Médicos Veterinários TECSA . tecsa@tecsa.com.br
Diagramação: Sê Comunicação . se@secomunicacao.com.br
Contatos e Publicidade: 
comunicacao@tecsa.com.br
Av. do Contorno , nº 6226 , B. Funcionários, Belo Horizonte - MG – CEP 
30.110-042
PABX-(31) 3281-0500
Tiragem: 5000 revistas . Publicação Bimestral
Na Internet: 
www.vetsciencemagazine.com.br
CIRCULAÇÃO DIRIGIDA
A revista VetScience® Magazine é uma publicação do Grupo TECSA 
dirigida somente aos médicos veterinários, como parte do Projeto 
JORNADA DO CONHECIMENTO, criado pelo mesmo. Este projeto visa a 
universalização do conhecimento em Medicina Laboratorial Veterinária. 
A periodicidade é Bimestral, com artigos originais de pesquisa clínica 
e experimental, artigos de revisão sistemática de literatura, metanálise, 
artigos de opinião, comunicações, imagens e cartas ao editor.
Não é permitida a reprodução total ou parcial do conteúdo desta 
revista sem a prévia autorização do TECSA.
Os editores não podem se responsabilizar pelo abuso ou má aplicação do 
conteúdo da revista VetScience magazine.
Grupo TECSA – Referência de precisão, tecnologia e inovação 
desde 1994!
EXPEDIENTE
ISSN: 2358-1018
ÍNDICE
40. ANEMIAS EM FELINOS
36. MEDICINA DE FELINOS
06. FLUIDOTERAPIA EM PEQUENOS ANIMAIS
11. ANESTESIA NO PACIENTE CRÍTICO
16.PRINCÍPIOS GERAIS DA CIRURGIA DE URGÊNCIA
23.EPIDEMIOLOGIA DOS ACIDENTES OFÍDICOS EM ANIMAIS DE COMPANHIA
25.SEPSE E A SÍNDROME DA ANGÚSTIA RESPIRATÓRIA AGUDA (SARA)
28. HIPOCALCEMIA GRAVE COM SINAIS NEUROMUSCULARES PROVENIENTE DE HIPOPARATIREOIDISMO EM UM CÃO
30. RECEPÇÃO DE PACIENTES EM URGÊNCIA
35. DISTÚRBIOS ELETROLÍTICOS E DO EQUILÍBRIO ÁCIDO-BASE EM DOIS CASOS PRESUNTIVOS DE LEPTOSPIROSE CANINA COM ÓBITO PRECOCE
37. INFEÇÕES NOSOCOMIAIS 
06. EMERGÊNCIAS
Colaboraram neste número:
Dr. Anderson C. Camargo; Dr. Cláudio Roberto S. Mattoso; Dra. Daniele Silvano Gonçalves; Dr. Guilherme Stancioli; Dra. Isabela de Oliveira Avelar; Dra. Janete 
Madalena da Silva; Dr. João Paulo Fernandez Ferreira; Dr. João Paulo Franco; Dr. Luiz Eduardo Ristow; Dra. Luiza França Melo; Dra. Marcela Ribeiro Gasparini; 
Dr. Otávio Valério de Carvalho; Dr. Thiago Luis Santos Gonçalves, todos membros da Equipe de Médicos Veterinários do TECSA Laboratórios. Além do Médico 
Patologista Clínico Dr. Afonso Alvarez Perez Jr.
Contribuíram também para este número os renomados Colegas: Dra. Alice Volpi; Dra. Ana Maria R. Ferreira; Dr. Breno Curty Barbosa; Dra. Cíntia Cristina 
Martins Valadares de Souza; Dra. Gracy C.G. Marcello; Dra. Karoline Figueiredo Camargo; Dra. Maria Cristina N. Castro; Dr. Marthin R. Lempek; Dra. Marília 
Martins Melo; Dr. Nayro X. Alencar; Dr. Nuno Paixão; Dr. Rubens Antonio Carneiro; Dra. Taiane Rodrigues; Dra. Veruschka Kellermann Brauer e Dr. José Vieira-
reira; Dr. Warley Gomes dos Santos.
6
EMERGÊNCIAS
FLUIDOTERAPIA EM PEQUENOS ANIMAIS
Dra. Taiane Rodrigues, Médica Veterinaria, Serviço de Urgência, Cuidados Intensivos e Anestesia do Hospital VetCentral, Portugal.
 Dr. Nuno Paixao, Médico Veterinario, Diretor do Serviço de Urgência, Cuidados Intensivos e Anestesia do Hospital VetCentral, 
Portugal - Contacto: nunopaixao@hospvetcentral.pt
base de água, com moléculas pequenas, às 
quais, a membrana capilar é permeável, 
fazendo-os capazes de entrar em todos 
os compartimentoscorpóreos (KIRBY 
& RUDLOFF, 2008). A translocação 
desses fluidos do capilar ao espaço 
intersticial ocorre devido às forças de 
Starling. A solução de Ringer Lactato, 
por exemplo, quando administrada 
por via endovenosa, retém apenas 20% 
no espaço intravascular, tendo os 80% 
restantes localizados no interstício após, 
cerca de 1 hora. O fato do cristaloide 
participar de todo o plano de terapia 
hídrica que ocorre, ajudando o líquido 
intersticial a desempenhar seu papel 
no metabolismo e na sobrevivência da 
célula, o torna de grande importância 
(KIRBY & RUDLOFF, 2008). Estas 
soluções, ainda podem ser divididas em: 
Soluções de manutenção e soluções de 
reposição. As soluções de reposição 
são isotônicas, alcalinizantes ou 
acidificantes, e mesmo apresentando 
composição de eletrólitos semelhante 
ao plasma, possuem o sódio como base 
de constituição. Foram desenvolvidos 
para corrigir falhas específicas na 
concentração plasmática, assim como, 
na quantidade corporal total de 
eletrólitos e álcalis (Sódio, potássio, 
cloreto, bicarbonato, cálcio e fósforo). 
Por isso, podem ser utilizadas de forma 
rápida e em quantidades consideráveis, 
mas cuidadosas, sem interferir nas 
concentrações hidroeletrolíticas normais 
do plasma (MORAIS & TRAPP, 
1998; MONTIANI-FERREIRA 
& PACHALY, 2000). No entanto, a 
administração de grandes volumes pode 
causar uma redução na pressão oncótica 
plasmática, diluindo sua concentração 
de bicarbonato e resultando em uma 
acidemia dilucional, que poderá 
ser evitada se forem empregadas 
soluções que contenham lactato, 
acetato ou gluconato. Isto porque, 
estes, são precursores metabólicos 
do bicarbonato via biotransformação 
nos músculos, fígado e maioria dos 
tecidos (MONTIANI-FERREIRA 
& PACHALY, 2000). As principais 
soluções de reposição e os comentários 
relevantes estão no Quadro 2. Soluções 
de manutenção são administradas a 
pacientes ainda enfermos, porém, após 
a recuperação do déficit hídrico. Foram 
formuladas com o intuito de repor as 
perdas diárias normais de eletrólitos 
e líquidos hipotônicos, e também 
satisfazem as necessidades de potássio 
em pacientes que necessitem do mesmo. 
Caso sejam utilizados fluidos de 
reposição na terapia de manutenção, o 
excesso de eletrólitos é eliminado graças 
à função renal. Porém, se utilizados de 
forma prolongada, isso pode resultar 
em hipocalemia. Para evitarmos tal 
desequilíbrio, as soluções de reposição 
deverão ser adicionadas com cloreto 
de potássio (Figura 1), de forma que 
a concentração final deste eletrólito 
seja 20-30 mEq/L. Em comparação 
ao plasma, as soluções possuem uma 
quantidade mais elevada de potássio 
e muito mais baixa de sódio e de 
cloreto. Soluções de manutenção não 
são elaboradas para infusões rápidas 
(MORAIS et al., 2003). 
Para formular líquidos de manutenção 
próprios, estima-se que a necessidade 
seja de 40-60 mEq / L de sódio e 20-
30 mEq / L de potássio. A solução 
fisiológica de Nacl 0.9% tem 0 mEq 
/ L, enquanto o Ringer Lactato tem 
4mEq / L de potássio. Sendo assim, 
1. Introdução.
Perdas volêmicas são distúrbios 
comuns na prática veterinária e estão 
associadas a inúmeros fatores. Sua 
identificação é fácil e o seu tratamento, 
embora possa parecer simples, requer 
boa dose de critério e conhecimento. O 
sucesso desta terapia depende da escolha 
correta do fluido de acordo com o tipo 
de necessidade do paciente. E para 
isto, é necessário tanto o entendimento 
da fisiologia dos líquidos corporais, 
quanto da farmacologia das soluções 
empregadas.
2. Soluções empregadas na 
fluidoterapia.
Os cristaloides e colóides são as duas 
principais classes de líquidos utilizadas 
na fluidoterapia. Para uma visão geral da 
classificação destas soluções de acordo 
com critérios variáveis, o quadro abaixo 
(Quadro1) mostra, de forma simples, 
como podem ser divididas.
Quadro 1. Classificação das soluções utilizadas 
em fluidoterapia
1.De acordo com o 
tamanho molecular 
e permeabilidade 
capilar
1.1 Cristalóide
1.2 Colóide
2. De acordo com 
a osmolaridade 
ou tonicidade
2.1 Hipotônico
2.2 Isotônico
3. De acordo 
com a função 
pretendida
3.1 Manutenção
3.2 Reposição
 Normalmente, os cristaloides, como 
as soluções de NaCl 0,9%, NaCl 
0,45%, Ringer Lactato e Glicose 5%, 
são as soluções mais empregadas na 
fluidoterapia por serem constituídos à 
https://www.facebook.com/veruschka.kellermannbrauer?fref=nf
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EMERGÊNCIAS NA CLÍNICA VETERINÁRIA
CONDUTAS QUE SALVAM VIDAS!
Número 18
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todos os pacientes que são submetidos 
à fluidoterapia e que não apresentem 
hipercalemia, devem ter a fluido 
suplementada com KCl diluído. Para 
isto, temos que 15 ml de KCl a 10% 
fornecem 20mEq de potássio. Logo, 
para obtenção de uma solução com 15 
mEq / L de potássio são necessários 
cerca de 10 mL de KCl a 10% por litro 
de Ringer Lactato (MORAIS et al, 
2000).
Figura1. Solução de Cloreto de potássio 
empregada para suplementação de algumas 
soluções cristalóides.
 A solução glicosada a 5% deve 
ser aplicada sempre de forma lenta, 
seja para repor déficits calculados, na 
administração de fármacos de infusão 
a uma velocidade constante ou em 
combinação com líquidos de reposição. 
No último caso, cria-se uma solução de 
ajuste para manutenção, o que resulta em 
um líquido de reposição parcialmente 
concentrado com glicose a 5%. Para isto, 
podemos adicionar 5 ampolas de glicse 
50% em 500mL de Ringer Lactato 
(Kirby e Rudloff, 2004). Tal solução, 
não deve ser utilizada como “fonte de 
calorias” para pacientes, pois, além de 
propiciar apenas 15% das necessidades 
calóricas de manutenção, a glicose é 
metabolizada e serve, somente, como 
fonte de água. Pode ser administrada 
a pacientes que apresentam alto-risco 
de desenvolver hipoglicemia, como aqueles com insulinomas ou choque séptico 
(MORAIS, 2002).
Quadro 2. Principais soluções de reposição e manutenção empregadas na fluidoterapia.
S o l u ç ã o 
isotônica 
de Ringer 
Lactato
- Composição similar ao L.E.C;
- pH 6.5;
- Características alcalinizantes, uma vez que o lactato sofre 
biotransformação hepática em bicarbonato, sendo, portanto, indicada 
para as acidoses metabólicas;
- É a mais versátil das soluções Empregadas;
- Por conter cálcio está contra indicada para pacientes hipercalcêmicos;
- Não deve ser administrada junto com hemoderivados, no mesmo 
cateter, pois causa precipitação do cálcio com o anticoagulante;
S o l u ç ã o 
isotônica 
de Ringer
- Características similares ao Ringer Lactato;
- Não contém lactato;
- Contém mais cloreto e mais cálcio que outras soluções, tornando-a 
levemente acidificante (ph 5,5);
- É a solução mais indicada para alcaloses metabólicas;
S o l u ç ã o 
isotônica 
de Nacl a 
0,9%
- Não é uma solução balanceada, pois contém apenas sódio, cloro e 
água;
- É acidificante, sendo indicada para pacientes com 
alcalose,hipoadrenocorticismo, insuficiência renal , oligúrica-anúrica 
e hipercalcemia;
S o l u ç ã o 
de Glicose 
5%
- Tem composição semelhante à solução de Nacl a 0,9%;
- Apresenta, porém, maior osmolalidade e ph 4,0;
 A utilização de colóides está indicada, 
quando se necessita melhorar o 
quadro de hipotensão e contribuir 
para manter a pressão oncótica 
(MAZZAFERRO, 2011) como, por 
exemplo, no tratamento da hipovolemia, 
já que resulta, rapidamente, em uma 
estabilidade hemodinâmica, assim 
como, em oxigenação tecidual adequada. 
A expansão dessas soluções além de ser 
mais duradoura, necessita de volumes 
menores se comparada às soluções 
salinas isotônicas. Por exemplo, a perda 
de 1 ml de sangue pode ser reposta com 
1 ml de coloide, porém, se utilizarmos 
soluções cristaloides, essa proporção é 
passa de 1:1 à 1:3 até 1:4 (PETTIFER, 
2007; FANTONI, 2008). Seu volume 
de expansão é definido pela distribuição, 
peso molecular, pressão oncótica, 
taxa de degradação, carga elétrica e 
limiar de eliminação (FANTONI & 
CARDOZO, 2012). A administraçãosem cuidados pode resultar em efeitos 
colaterais como coagulopatias, falência 
renal, reações anafiláticas e disfunção 
hepática. Por outro lado, a probabilidade 
 Por outro lado, os colóides, conhecidos 
por seu alto peso molecular, exercem 
efeito expansor, por possuírem macro 
moléculas incapazes de atravessar o 
endotélio capilar, permanecendo, assim, 
no espaço intravascular. (FANTONI, 
2008; CORTOPASSI & PATRICIO, 
2009). Podem ser classificados em 
naturais ou sintéticos (Quadro 3), de 
acordo com sua origem. Diferente 
da albumina no plasma, que contém 
moléculas de tamanho e peso iguais, 
os coloides sintéticos apresentam 
moléculas de peso e tamanho 
diversificados (PETTIFER, 2007; 
FANTONI & CARDOZO, 2012). Os 
tipos mais comuns de soluções coloidais 
e suas principais características, estão 
identificados no Quadro 4.
Quadro 3. Classificação dos colóides
1.Colóides 
Naturais
- Sangue fresco
- Albumina
2.Colóides 
Sintéticos
- Amidos
- Gelatina
8
EMERGÊNCIAS
de edema pulmonar ou edema periférico é menor com as soluções coloidais, assim 
como, o efeito deletério sobre a coagulação em decorrência da hemodiluição 
(FANTONI & CARDOZO, 2012). Também estão associados a menor neutrofilia 
e ação inflamatória e diminuiem a lesão endotelial coibindo o extravasamento de 
plasma para o interstício (FANTONI & CARDOZO, 2012). 
Quadro 4. Tipos e características das soluções coloidais.
Amidos - Menor risco de reações anafiláticas entre os colóides sintéticos;
- Relacionados à menor neutrofilia e reação inflamatória;
- Diminuem a lesão endotelial coibindo o extravasamento de plasma 
para o interstício;
Gelatina
- Grandes riscos de reações anafiláticas;
- Produzidas a partir do colágeno bovino;
- Podem ocorrer coagulopatias dilucionais após administração de 
grandes volumes;
- Respostas inflamatórias exacerbadas;
- Baixo custo;
Plasma - Capaz de aumentar o volume intravascular em até 5x o 
volume infundido devido à quantidade de albumina;
- Podem ser administrados por meio de transfusões;
- Por se tratar de um coloide natural apresenta menor 
risco de interferir na coagulação sanguínea;
-Menor risco de reações anafiláticas; 
- Alto custo;
Sangue 
Fresco
- Indicado quando além de restabelecer a volemia, é necessário repor 
eritrócitos;
- Alta capacidade de restabelecer o volume vascular;
- Devem ser realizados testes de compatibilidade antes do 
procedimento;
- Baixo risco de reações anafiláticas;
Figura 1. Solução colóide (Hidroxietilamido), Soluções cristaloides de Ringer Lactato e Nacl 0,9%, 
respectivamente.
3. Etapas da fluidoterapia
Depois de realizar a avaliação clínica 
do paciente, pode-se classificar o tipo 
e porcentagem de desidratação e/
ou hipovolemia que este apresenta. 
Sabendo disto, parte-se para a escolha 
do fluido a ser utilizado e como deve ser 
utilizado, levando em consideração que 
o programa de fluidoterapia compreende 
quatro etapas: Reanimação, reidratação, 
manutenção e reposição de perdas. A 
reanimação, normalmente, é crucial 
nos casos de urgência, onde se devem 
repor perdas ocorridas, de forma rápida, 
através de bolus, como por exemplo, 
nos casos de choque, que necessitam de 
reposição de grande volume de fluido 
em um pequeno espaço de tempo. O 
volume administrado deve ser o volume 
necessário para expandir o espaço 
intravascular, restabelecer a volemia e, 
consequentemente, perfusão e valores 
de pressões sanguíneas. A segunda fase, 
a reidratação, é a etapa de reposição, 
onde se calcula os déficits de fluidos e o 
percentual de desidratação do paciente, 
sendo realizada a administração da 
quantidade de fluido necessária para 
reidratá-lo. Esta reposição é feita, 
baseada na fórmula: VR (ml)= DH% 
x P x 10, onde “DH%” é o percentual 
de desidratação e “P” o peso. O tempo 
que essa reposição vai ocorrer, depende 
do tempo em que ocorreu a perda. 
Lembrando que em animais jovens a 
reposição pode ser feita em um intervalo 
mais curto, já em animais idosos, esta 
reposição não pode ser realizada tão 
rapidamente. Na manutenção, deve 
ser administrada a quantidade de fluido 
diária necessária. Geralmente, os valores 
calculados são de 40 ml/kg/dia para 
cães grandes e 60 ml/kg/dia para cães 
pequenos e gatos. A reposição de perdas 
corresponde às perdas posteriores, como 
por exemplo, nos casos de gastroenterites, 
onde se repõe a quantidade de fluido, 
através de bolus, para cada perda 
como vômito ou diarreia. Isto é um 
tanto quanto subjetivo, se levarmos em 
consideração que existem pacientes 
que não apresentam perdas posteriores 
como vômito, diarreia, hipertermia ou 
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EMERGÊNCIAS
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CONDUTAS QUE SALVAM VIDAS!
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poliúria. Nesses casos, o volume total 
de fluidos administrados a tal paciente, 
será o de reidratação acrescido ao de 
manutenção. Se, por acaso, o paciente 
tem perdas posteriores baixas, como, 
por exemplo, hipertermia, esse volume 
pode ser aumentado em 10%, porque 
para cada grau de temperatura elevada 
que ele apresenta mais perda de fluidos 
vai ocorrer. Se as perdas são moderadas, 
com alguns vômitos e diarreias, o 
volume aumenta em 15 %. E para perdas 
posteriores elevadas, aumentamos 
para 20%. De acordo com um estudo 
realizado sobre a quantidade média de 
líquido que um paciente perde para cada 
episódio de vômito ou diarreia, os valores 
obtidos foram de 2,5ml/kg e 5ml/kg, 
respectivamente. Valores estes, que 
devem ser repostos em bolus, na mesma 
quantidade, utilizando cristaloides. É de 
suma importância lembrar que as taxas 
nunca são constantes, necessitando, 
de reavaliação e readaptação, sempre 
que seja necessário. Normalmente, os 
pacientes que estão a receber fluidos, 
devem ser avaliados a cada 6-8h para 
um plano terapêutico mais eficaz.
4. Vias de administração
Cateter
Periférico
• V. Cefálica
• V. Safena Medial 
/ Lateral
Cateter 
Central • V. Jugular• V. Femoral
Cateter 
Intra-Ósseo
• Úmero
• Fossa da Tíbia
5. Tipos de Cateter
Teflon - Rígido;- Reatividade moderada;
Silicone
- Quimicamente inerte;
- Suave;
- Flexível;
- Reatividade muito baixa;
- Reutilizável;
- Alto custo;
Poliuretanos
- Suave;
- Flexível;
- Reatividade moderada;
Polivinilclorado - Extremamente reativo;- Não deve ser utilizado;
Polipropileno - Extremamente reativo;- Não deve ser utilizado;
Polietileno - Extremamente reativo;- Não deve ser utilizado;
Figura 3. Cateteres venosos e seus respectivos calibres e tamanhos.
10
EMERGÊNCIAS
6. Conclusão
A terapia fluídica não é a panacéia 
universal e não substitui o diagnóstico 
correto e tratamento das causas primárias 
do desequilíbrio hidroeletrolítico. Além 
disso, devemos levar em consideração 
que é a solução que se adapta ao 
paciente e não o contrário. O que muitas 
vezes acontece, é que o profissional 
submete o paciente a um protocolo de 
administração de soluções, que nem 
sempre são adequadas, resultando 
em sérios distúrbios iatrogênicos. O 
emprego correto da fluidoterapia e do 
seu manejo depende do conhecimento 
da fisiologia dos líquidos corporais, 
da escolha do fluido e das causas 
relacionadas. Garantidamente, se isto 
ocorrer, a taxa de sucesso no tratamento 
aumenta consideravelmente.
Referências:
RUDLOFF, E.; KIRBY R. Fluid Resuscitation 
and the Trauma Patient. Veterinary Clinical 
Small Animal, v.38, p.645–652, 2008.
MORAIS, H.S.A.; TRAPP, S.M. Fluidoterapia: 
¿Qué? ¿Cuándo?¿Cómo? Revista de Medicina 
Veterinaria, v.79, n.6, p.435-438, 1998.
MONTIANI-FERREIRA, F..; PACHALY, 
J.R. Manual de fluidoterapia em pequenos 
animais. São Paulo: Editora Guará, 2000. 79 p.
MORAIS, H.A.; DEARO, A.C.O.; PEREIRA, 
P.M.; REICHMANN, P. Fluidoterapia e 
Transfusão Sangüínea. In: ANDRADE, S.F. 
Manual de Terapêutica Veterinária. São Paulo: 
Roca, 2003, cap. 19, p.477-501.
FANTONI, D.T. Colóides e produtos sanguíneos. 
In: Congreso Latinoamericano de
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FANTONI, D.T.; CARDOZO L.B. Choque 
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clínicas e cirúrgicas no paciente grave.
14 Rio de Janeiro: Elsevier, 2012. p.282-291.
PETIFFER, G. In: SLATTER, D. Manual de 
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Manole, 2007. v.3, p.17-43.
MAZZAFERRO, E.M. Fluid therapy: it’s more 
than just lrs these days. In: Latin
American Veterinary Conference, 10, 2011, 
Lima. Proceedings… Lima: LAVC, 2011.
EXAMES REALIZADOS PELO TECSA LABORATÓRIOS
COD EXAMES DIAS
570 CHECK-UP GLOBAL DE FUNÇÕES 0
856 CHECK-UP CARDIORRENAL 2
233 CHECK-UP EMERGÊNCIA 0
331 PERFIL ELETROLÍTICO 1
788 CHECK UP GLOBAL DE FUNÇÕES COM 
HEMOGRAMA
0
235 CHECK-UP PÓS-OPERATÓRIO 1
591 COAGULOGRAMA 0
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ANESTESIA NO PACIENTE CRÍTICO
Dra. Juliana Meireles, Médica Veterinária, Serviço de Urgência, Cuidados Intensivos e Anestesia do Hospital VetCentral, Portugal.
Dr. Nuno Paixao, Médico Veterinário, Director do Serviço de Urgência, Cuidados Intensivos e Anestesia do Hospital VetCentral, Portugal 
Contacto: nunopaixao@hospvetcentral.pt
Avaliação do Paciente
Sistema respiratório
Deve-se avaliar frequência, padrão e 
esforço respiratório. Deve ser realizada 
também auscultação pulmonar, que 
fornecerá informações sobre a função 
respiratória do paciente. Qualquer 
anormalidade na auscultação (como 
sibilos, sons abafados e crepitação) deve 
ser investigada, sempre que possível, 
antes do procedimento anestésico, pois 
pode gerar complicações com risco 
de vida. A capacidade de transportar 
oxigênio também deve ser avaliada, 
mediante verificação dos níveis mínimos 
de hemoglobina. 
Sistema cardiovascular
Deve-se avaliar a cor das mucosas, 
o tempo de preenchimento capilar, 
a frequência cardíaca, o ritmo, a 
qualidade e a sincronicidade do pulso, 
além da pressão arterial. Assim como 
em relação ao sistema respiratório, 
qualquer anormalidade deve ser 
investigada, sempre que possível, antes 
do procedimento anestésico, com a 
finalidade de tornar o procedimento 
mais seguro para o paciente. 
Sistema nervoso
A anestesia é a depressão reversível do 
sistema nervoso central, e o anestesista 
baseia-se inclusive na avaliação deste 
sistema para avaliar a profundidade 
da anestesia através dos reflexos e 
tônus muscular. O desenvolvimento 
de um plano anestésico seguro e eficaz 
para os pacientes em questão requer o 
conhecimento do estado neurológico 
basal, ou seja, aquele anterior à 
administração de qualquer fármaco. 
Alguns medicamentos anestésicos 
podem resultar em alterações 
significativas na pressão intracraniana, 
com possibilidade de agravamento 
dos efeitos de eventual traumatismo 
craniano ou doença cerebral, razão pela 
qual se deve ter cuidado na escolha do 
protocolo a ser utilizado. 
Sistema renal
Para todos os pacientes, não só os em 
estado crítico, a anestesia pode afetar a 
função renal, através da diminuição da 
filtração glomerular ou diminuição do 
fluxo sanguíneo renal. Concretamente, 
uma má função renal com azotemia pode 
afetar a resposta aos agentes anestésicos, 
ocasionando maior sensibilidade do 
SNC. A insuficiência renal também 
pode afetar o estado ácido-base do 
paciente, resultando em um aumento 
do potássio sérico. Pacientes com níveis 
séricos de potássio maiores do que 5,5 
mEq/l não devem ser anestesiados, até 
que os níveis séricos do potássio tenham 
sido reduzidos. Por isso, os resultados da 
bioquímica sérica pré-anestesia devem 
ser analisados com o objetivo de se 
avaliar a função hepática, renal, estado 
ácido-base e os eletrólitos. 
Manejo da dor
O tratamento da dor é uma questão 
importante a ser considerada após o 
exame inicial do paciente crítico, porque 
ela se mostrou um fator poderoso na 
produção de instabilidade fisiológica 
nesses pacientes. Por isso, é fundamental 
que o seu controle seja tomado como 
uma das prioridades. 
A principal preocupação que se tem 
quando se inicia o tratamento da dor é 
que ocorra “desestabilização” do paciente, 
devido aos efeitos dos analgésicos. No 
entanto, essa preocupação é injustificada 
na maioria dos casos. 
Para o tratamento da dor, podem ser 
utilizados fármacos opióides, AINES, 
anestésicos locais e dissociativos. Eles 
devem ser escolhidos de acordo com 
suas propriedades farmacocinéticas e 
possíveis efeitos adversos. Vale ressaltar 
que os opióides são os fármacos mais 
Introdução
O paciente gravemente enfermo ou 
ferido representa um verdadeiro desafio 
no gerenciamento de anestesia e controle 
da dor, uma vez que, em razão do quadro 
instável, respondem de forma anormal a 
esses procedimentos. As reservas físicas 
e os mecanismos compensatórios estão, 
muitas vezes, reduzidos, resultando 
em pacientes mais frágeis, propensos a 
complicações e possivelmente incapazes 
de responder aos estresses adicionais 
da anestesia. Hipotensão, hipovolemia, 
hipercapnia, hipoxia, hipotermia, dor, 
arritmias e anormalidades eletrolíticas 
são alguns dos problemas potenciais 
para esses pacientes e que devem 
ser considerados na elaboração do 
protocolo anestésico, assim como o 
histórico do animal, os medicamentos 
previamente utilizados, o exame físico 
completo, os exames complementares 
necessários, os exames de emergência 
(glicemia, lactato, hematócrito, sólidos 
totais e eletrólitos) e o procedimento 
a ser realizado. É comum que surjam 
dúvidas acerca dos fármacos a escolher, 
das doses a serem utilizadas e em que 
ordem administrá-los. O conhecimento 
das particularidades dos diferentes 
compostos disponíveis, associado com 
a experiência clínica, influenciará 
diretamente nos índices de sucesso. É 
importante lembrar que, sempre que 
possível, a escolha dos fármacos deve ser 
feita após avaliação completa e detalhada 
do paciente, assim como estabilização 
respiratória e hemodinâmica. Ou seja, 
a tentação de apressar os pacientes 
instáveis para a anestesia/cirurgia 
deve ser evitada sempre que o risco da 
anestesia em um animal crítico for maior 
do que o do adiamento da cirurgia ou 
do procedimento, até que o animal seja 
estabilizado. 
12
EMERGÊNCIAS
utilizados para promover analgesia 
em pacientes críticos, porque são 
hemodinamicamente seguros.
Medicação pré-anestésica
A MPA não é comumente 
utilizada em pacientes traumatizados 
ou criticamente doentes, se o 
tratamento sistêmico da dor tiver sido 
implementado no período de avaliação. 
Se nenhuma analgesia foi previamente 
administrada, os opióides estão 
indicados e devem ser administrados, 
por serem fármacos seguros do ponto de 
vista cardiorrespiratório, embora possam 
causar uma depressão respiratória dose-
dependente.
Fármacos tranquilizantes, 
principalmente os benzodiazepínicos, 
podem ser necessários nos casos em 
que o animal está agitado ou que se 
deseja promover relaxamento muscular. 
Os fenotiazínicos também podem ser 
utilizados, desde que em baixas doses e 
em animais normovolêmicos. 
Os fármacos a serem utilizados 
devem ser escolhidos de acordo com o 
impacto hemodinâmico que promovem 
no paciente, a depressão cardiovascular 
e respiratória que causam, a eficiência 
do organismo para os metabolizar e 
eliminar e a incidência de afecções 
gástricas que promovem (náusea, 
regurgitação, salivação ou vômito). 
Nos pacientes letárgicos, deprimidos 
ou instáveis, a dose da maioria dos 
fármacos deve ser diminuída. Inclusive 
a MPA deve ser evitada nos casos em 
que seja desnecessária ou perigosa, 
passando-se imediatamente à indução 
anestésica. 
Tabela 1. Doses recomendadas de analgésicos, tranquilizantes e sedativos para uso em pacientes críticos.
Drogas Doses Comentários
OPIÓIDES
Morfina
0,1 a 1 mg/kg IM, SC, 
IV a cada 4-6 horas
0,1 a 0,5 mg/kg/h (infusão)
É agonista total dos receptoresmu. Pode causar salivação, vômito, 
retenção urinária, constipação intestinal e depressão respiratória 
leve. Possue baixo impacto cardiovascular, bom efeito sedativo, 
analgésico potente e efeito antitussígeno. Quando administrada 
pela via IV, pode causar liberação de histamina.
Fentanil
0,002 a 0,01 mg/kg IV a 
cada 20-30 minutos
0,0001 a 0,0007 mg/kg/min (infusão)
É agonista total dos receptores mu. Promove impacto 
cardiovascular e depressão respiratória de forma dose-dependente. 
Pode causar salivação. É muito utilizado em pacientes críticos. 
Analgésico potente e bom efeito sedativo.
Butorfanol
0,1 a 0,8 mg/kg IM, SC, 
IV a cada 1-2 horas
0,1 a 0,2 mg/kg/min (infusão)
É antagonista dos receptores mu e agonista dos receptores kappa. 
Possui efeito antitussígeno e sedativo leve. Recomendado para 
tratamento de dor leve. Promove baixo impacto cardiovascular e 
depressão respiratória, assim como menor ocorrência de efeitos 
gastrointestinais. 
Buprenorfina 0,01 a 0,03 mg/kg IM, SC, IV a cada 6-8 horas
É agonista parcial dos receptores mu. Promove baixo impacto 
cardiovascular e depressão respiratória, assim como menor 
ocorrência de efeitos gastrointestinais. Muito utilizada para tratar 
dor pós-operatória leve a moderada.
Metadona 0,2 a 1 mg/kg IM, IV, SC a cada 4-6 horas
É agonista total dos receptores mu.
Pode causar bradicardia, mas não demonstra depressão respiratória 
relevante. Promove sedação média e analgesia potente. Menor 
ocorrência de efeitos gastrointestinais.
Meperidina 2 a 5 mg/kg IM, IV, SC a cada 1-2 horas
É agonista total dos receptores mu. Promove menor atividade 
hipnótica, efeito constipante e ação sobre o centro da tosse, quando 
comparada à morfina. A depressão respiratória é semelhante a 
da morfina, assim como as alterações cardiovasculares. Promove 
sedação média e analgesia potente. Quando administrada pela via 
IV, pode causar liberação de histamina.
Naloxona 0,01 a 0,02 mg/kg IM, IV, SC Antagonista dos receptores mu e kappa e delta.
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BENZODIAZEPÍNICOS
Diazepam 0,1 a 0,5 mg/kg IV Mínima depressão cardiorrespiratória. Não promovem 
analgesia. Indicados para pacientes críticos e podem se 
combinar com opióides ou dissociativos. Promovem adequado 
relaxamento muscular, sedação e efeito anticonvulsivante.
Midazolam 0,1 a 0,5 mg/kg IM, SC, IV
0,1 a 0,5 mg/kg/h (infusão)
Flumazenil 0,01 a 0,05 mg/kg IM, IV Antagonista
FENOTIAZÍNICOS
Acepromazina 0,01 a 0,05 mg/kg IM, SC, IV Seu uso não está recomendado em pacientes críticos devido 
ao impacto negativo a nível cardiovascular (hipotensão e 
vasodilatação). Promovem boa sedação, são antieméticos e 
não possuem efeito analgésico. Efeito prolongado. Não existe 
antagonista. São antiarrítmicos. 
ALFA 2 AGONISTAS
Medetomidina 0,01 a 0,04 mg/kg IM, IV Promovem excelente analgesia, sedação e relaxamento muscular. 
Efeitos cardiovascular e respiratório relevantes, com hipertensão 
inicial seguida de hipotensão, bradicardia, vasoconstrição 
periférica intensa, arritmias e depressão respiratória. Podem 
provocar vômitos, hiperglicemia e diurese. Não recomendado 
para uso em pacientes críticos. 
Dexmedetomidina 0,001 a 0,01 mg/kg IM, IV
Atipamezole 0,05 a 0,1 mg/kg IM, IV Antagonistas
DISSOCIATIVO
Ketamina 2 a 5 mg/kg IV
5 a 10 mg/kg IM
Aumento da FC, contratilidade miocárdica, consumo de oxigênio 
pelo miocárdio e pressão arterial. Depressor do miocárdio 
em pacientes com sepse ou hipovolemia descompensada. Uso 
acompanhado de relaxante muscular. Promove boa analgesia. 
Deve-se ter cuidado com seu uso em pacientes com trauma 
crânioencefálico, devido ao aumento da PIC e pressão intra ocular. 
Indução e Manutenção Anestésica
Os pacientes traumatizados devem 
ser considerados com estômago 
cheio, de modo que a proteção das 
vias aéreas é uma prioridade. A lesão 
do SNC deve ser assumida, a menos 
que seja comprovado o contrário, e 
os medicamentos anestésicos devem 
ser selecionados de acordo. A pré-
oxigenação deve ser realizada antes 
da indução, pois permitirá tempo 
adicional para entubar o animal, o que 
se torna importante em animais com 
dificuldades respiratórias ou com via 
aérea de difícil entubação. É importante 
que a entubação seja realizada em todos 
os casos de anestesia geral, para controlar 
a ventilação e proteger a via aérea de 
possível aspiração. A indução anestésica, 
de maneira geral, requer menores 
doses nos pacientes críticos, quando 
comparados aos pacientes submetidos 
a procedimentos cirúrgicos eletivos. A 
indução com propofol ou etomidato 
deve ser feita de maneira lenta, para 
permitir a identificação da dose mínima 
necessária a entubação endotraqueal. 
A indução com propofol, entretanto, 
causa hipotensão, e isso aumenta o risco 
anestésico em pacientes hipovolêmicos 
ou com baixas reservas cardíacas. Uma 
alternativa de indução mais segura 
para pacientes hemodinamicamente 
instáveis é o uso de opióides, 
principalmente fentanil, associados aos 
benzodiazepínicos, para promover o 
relaxamento muscular adequado. Para 
facilitar a entubação pode-se realizar a 
dessensibilização tópica da laringe com 
lidocaína. 
Todos os anestésicos inalatórios 
14
EMERGÊNCIAS
promovem depressão cardiovascular, 
respiratória, diminuição do metabolismo 
cerebral, aumento do fluxo sanguíneo 
cerebral e aumento da PIC de forma dose 
dependente. Por isso, deve-se encontram 
a CAM mínima necessária para manter 
o paciente em plano anestésico/
cirúrgico com mínimos efeitos 
secundários. Nesse sentido, o uso de 
analgesia multimodal é o mais indicado. 
Técnicas de bloqueio locorregional 
são recomendadas para diminuir o 
requerimento dos anestésicos gerais 
e os fármacos mais utilizados nesses 
bloqueios são lidocaína e bupivacaína, 
sendo que o tempo de início da ação 
da lidocaína é menor (5 minutos), 
quando comparado ao da bupivacaína 
(15 minutos), enquanto que a duração 
da bupivacaína é maior (4 horas), 
quando comparada a da lidocaína (2 
horas). Outra alternativa para diminuir 
o requerimento dos agentes inalatórios 
é fornecer analgesia parenteral usando 
fármacos que tenham menos efeitos 
deletérios no desempenho cardíaco. A 
forma mais simples é administrar, de 
forma contínua, fármacos que tenham 
efeito analgésico pela via IV, sendo os 
mais utilizados os opióides, lidocaína e 
ketamina. 
Em pacientes com trauma 
crânioencefálico e aumento da PIC, a 
manutenção anestésica com agentes 
inalatórios não é indicada, pois pode 
induzir a desregulação do fluxo cerebral, 
como consequência da vasodilatação 
cerebrovascular. Nesses casos, pode 
ser mais seguro o uso do propofol 
em infusão contínua, como forma de 
manutenção anestésica. 
Tabela 2. Doses recomendadas de anestésicos para uso em pacientes críticos.
Drogas Doses Comentários
BARBITÚRICOS
Propofol
1 a 10 mg/kg IV (dose dependente)
0,005 a 0,2 mg/kg/min 
(infusão contínua)
Rápida indução anestésica (30 segundos) e curta duração (5 a 10 
minutos). Importante depressor cardiorrespiratório dose-dependente. 
Anticonvulsivante. Diminui a PIC. Não promove analgesia.
Etomidato 0,5 a 2 mg/kg IV
Rápida indução anestésica e eliminação. Pobre relaxamento muscular, 
por isso deve ser associado a sedativos ou tranquilizantes. Promove 
mínima depressão. Pode induzir aumento da PIC, por isso seu uso 
deve ser evitado em pacientes com trauma craniano. Não promove 
analgesia.
INALATÓRIOS
Isofluorano/ 
Sevofluorano/
Desfluorano
---
Promovem depressão cardiorrespiratória dose-dependente. 
Requerem adequada ventilação alveolar e débito cardíaco para serem 
absorvidos. 
Monitoração
O suporte transcirúrgico deve ser 
individualizado para cada paciente 
e orientado também por fatores 
identificados durante o período 
pré-cirúrgico. É importante que a 
monitorização seja a mais completa 
possível, avaliando principalmente 
eletrocardiografia (avaliaa função 
elétrica do coração), capnografia 
(método não invasivo para avaliar 
ventilação alveolar e perfusão pulmonar), 
oximetria de pulso (mede a saturação 
arterial de hemoglobina com oxigênio), 
controle da pressão arterial (oscilômetro, 
Doppler ou pressão arterial invasiva) e 
temperatura corporal (monitorada para 
definir quando são necessárias medidas 
de suporte). Mesmo após o término do 
período anestésico/cirúrgico o paciente 
crítico requer a mesma intensidade 
de monitoração e supervisão, sendo 
essencial uma unidade de cuidados 
intensivos, até que a recuperação do 
paciente seja completa. A administração 
de fluidos é necessária nesses pacientes, 
devido às perdas normais, somadas, 
eventualmente, às perdas excessivas 
e associadas às hemorragias, perdas 
gastrointestinais e consumo de água 
diminuído. Dessa forma, pacientes 
críticos geralmente se beneficiam 
quando têm mais de um acesso venoso 
(via de administração de escolha), 
possibilitando que múltiplos agentes 
e fluidos possam ser administrados 
durante e após o período anestésico. 
Ambos os fluidos, cristaloides (5-15 
ml/kg/h) e coloides (4ml/kg/bolus), 
podem ser apropriados, dependendo 
do caso. Animais com hipoalbunemia 
e hipovolemia se beneficiam de bolus 
de coloide, que pode aumentar o 
volume plasmático entre 2 e 4 ml por 
ml de colóide administrado. As perdas 
de sangue estimadas superiores a 25% 
indicam a necessidade de administração 
de componentes sanguíneos ou sangue 
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total, como forma de fornecer equilíbrio 
coloidal adequado e proporcionar 
capacidade de transporte de oxigênio 
aos tecidos. Além dos cuidados para 
manutenção do equilíbrio coloidal, pode 
ser necessária uma terapia específica 
para tratar a hipotensão. Agentes 
inotrópicos, como dopamina (0,003-
0,007 mg/kg/min) ou dobutamina 
(0,002-0,005 mg/kg/min), podem ser 
utilizados para aumentar a pressão 
sanguínea e estabelecer hemodinâmica 
estável.
Referências 
Aldrigde, P., & O’dwyer, L. (2013). Analgesia 
and anaesthesia of the emergency and critical 
patient. Em P. Aldrigde, & L. O’dwyer, Practical 
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Em R. Rabelo, Emergências de pequenos 
animais: condutas clínicas e cirúrgicas no 
paciente grave (pp. 743-750). Rio de Janeiro: 
Elsevier.
EXAMES REALIZADOS PELO TECSA LABORATÓRIOS
COD EXAMES DIAS
581 PERFIL GLICÊMICO 1
333 PERFIL HEPÁTICO 0
233 CHECK-UP EMERGÊNCIA 0
788 CHECK UP GLOBAL DE FUNÇÕES COM 
HEMOGRAMA
0
570 CHECK-UP GLOBAL DE FUNÇÕES 0
324 PERFIL BIOQUÍMICO 0
801 PERFIL CHECK-UP GLOBAL PLUS 1
331 PERFIL ELETROLÍTICO 1
348 PERFIL PRÉ-ANESTÉSICO I 0
345 PERFIL PRÉ-OPERATÓRIO 0
Kushner, L. I. (2010). Anesthetic protocols for 
systemically healthy cats. Em K. J. Drobatz, & 
M. F. Costello, Feline emergency and critical care 
medicine (pp. 53-61). Ames: Wiley-Blackwell.
Kushner, L. I. (2010). Guidelines for anesthesia 
in critically ill feline patients. Em K. J. Drobatz, 
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Blackwell.
Perkowski, S. Z. (2009). Sedation of the critically 
ill patient. Em D. C. Silverstein, & K. Hopper, 
Small animal critical care medicine (pp. 700-
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Raiser, A. G., Castro, J. L., & Santalucia, S. 
(2015). Trauma - avaliação e manejo. Em A. G. 
Raiser, J. L. Castro, & S. Santalucia, Trauma: 
uma abordagem clínico-cirúrgica (pp. 20-34). 
Curitiba: Medvep.
16
EMERGÊNCIAS
PRINCÍPIOS GERAIS DA CIRURGIA DE URGÊNCIA
Dra. Karoline Figueiredo Camargo, Médica Veterinaria, Serviço de Urgência, Cuidados Intensivos e Anestesia do Hospital VetCentral, Portugal
 Dr. Nuno Paixao, Médico Veterinario, Director do Serviço de Urgência, Cuidados Intensivos e Anestesia do Hospital VetCentral, Portugal 
Dra. Alice Volpi, Médica Veterinaria, Serviço de Urgência, Cuidados Intensivos e Anestesia do Hospital VetCentral, Portugal
1) Pacientes que necessitam cirurgia 
imediata para evitar a morte;
2) Pacientes hemodinamicamente 
instáveis e com lesões que contribuem 
significativamente para a morbilidade e 
que exigem intervenção cirúrgica;
3) Pacientes hemodinamicamente 
estáveis e podem ser operados conforme 
a gravidade das lesões. Em pacientes 
gravemente traumatizados onde há 
necessidade de intervenção cirúrgica 
urgente, pode ser realizado com pouca 
consideração pela assepsia, no entanto, 
preconizar ao máximo uma cirurgia 
limpa. Em casos que não é necessária 
uma cirurgia de salvação iminente, a 
reanimação apropriada e estabilização do 
paciente são essenciais antes da indução 
anestésica. Se o animal não estiver 
respondendo a reanimação volêmica e 
aos cuidados de suporte, deve-se ter em 
mente que o procedimento cirúrgico 
pode ser essencial para a estabilização.A 
determinação da estabilidade do paciente 
é crítica e é uma área de investigação 
em curso na medicina humana. 
Há pouca literatura na medicina 
veterinária sobre o momento ideal para 
a intervenção cirúrgica. Complicações 
em paciente com trauma severo são 
frequentemente associadas à lesões 
teciduais graves e desenvolvimento de 
um estado inflamatório geral. O trauma 
induzido pela cirurgia contribui para a 
inflamação e se for realizada durante 
a fase inflamatória sistêmica, podem 
ocorrer efeitos adversos. A complicação 
mais significativa da cirurgia com 
tempo inadequado é o potencial para 
desenvolver falha de múltiplos órgãos 
(MOF).
Todo hospital ou clínica veterinária 
admite frequentemente pacientes em 
estado de urgência, no qual alguns 
podem exigir intervenção cirúrgica 
de emergência em minutos a horas 
de chegada. Garantir que o hospital 
esteja preparado para receber esses 
animais é primordial para um resultado 
bem sucedido. Esta preparação inclui 
assegurar que o estabelecimento esteja 
adequadamente equipado e com 
uma equipe de médicos veterinários 
competentes com conhecimentos e 
habilidades necessárias para avaliar, 
priorizar, estabilizar e proporcionar 
cuidados definitivos. O Médico 
Veterinário deve ser rápido e eficiente 
em sua triagem e avaliação inicial 
do paciente para determinar a 
gravidade do quadro clínico e se há 
necessidade de intervenção cirúrgica. 
É primordial haver prontidão para 
realização de procedimentos cirúrgicos 
potencialmente vitais, incluindo acesso 
vascular, manobras para controle de 
hemorragias ativas e toracotomia 
de emergência para reanimação 
cardiopulmonar aberta. Celiotomia de 
emergência pode ser necessária para 
controle de hemorragias, dilatação 
vólvulo-gástrica, remoções de corpos 
estranhos no trato gastrointestinal, 
rupturas em sistema urinário, cesarianas 
de emergência, por exemplo. 
Procedimentos cirúrgicos, onde a morte 
é iminente, não devem ser adiados por 
qualquer motivo. O bom julgamento 
deve ser exercido, isso porque os riscos 
de realizar o procedimento devem 
ser ponderados contra os riscos de 
transporte e a cirurgia tardia. 
Os pacientes traumatizados podem 
ser classificados em três categorias: FIGURA 1: Trauma torácico em um cão. Fonte: Hospital Veterinário Vetcentral.
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Ambiente Hospitalar Organizado 
e Equipado
É primordial um centro cirúrgico 
organizado e equipado em casos 
que a intervenção cirúrgica de 
emergência é indicada. Uma sala 
equipada, incluindo monitores 
cardiorrespiratórios, ventilador 
anestésico, anestesia inalatória, bombas 
de fluidos, aquecedores de fluidos, 
aspirador cirúrgico e eletrocautério. 
Fluidos intravenosos devem estar 
disponíveis, incluindo cristalóides, 
colóidese sangue total, juntamente 
com materiais para autotransfusão, 
se necessário no paciente gravemente 
hemorrágico. O material cirúrgico 
deve estar devidamente esterilizado, 
juntamente com a vestimenta. Uma 
caixa cirúrgica básica deve conter 
todos os instrumentos para realizar 
qualquer celiotomia exploratória. Os 
instrumentos curvos são preferidos 
sobre os retos, pois permitem uma 
melhor visualização dos tecidos a serem 
incisados. O uso de grampos cirúrgicos 
é útil para diminuir o tempo operatório 
e prevenir a morbidade quando usados 
adequadamente. Clipes vasculares 
proporcionam uma rápida e segura 
ligação vascular, desde que os vasos 
estejam entre um terço e dois terços 
do diâmetro do grampo. A prontidão 
não se refere apenas às instalações 
físicas, mas também à equipe. Esta 
deve ser composta por, no mínimo, três 
pessoas, incluindo o cirurgião, auxiliar 
e anestesista. O treinamento da equipe 
é vital, onde deve assumir a forma de 
sessões didáticas além de situações de 
emergências simuladas. 
Avaliação inicial do paciente
A avaliação primária de emergência 
deve ser rápida, direta e é regida 
pelo ABCD (Aiway – Breathing – 
Circulation – Disability) do trauma, 
com objetivo de avaliação da patência da 
via aérea, ventilação e respiração, estado 
hemodinâmico e por fim, avaliação 
da capacidade neurológica. 
A avaliação do sistema respiratório 
está focada na determinação da 
presença ou ausência de hipoxemia ou 
hipoventilação. A hipoxemia prolongada 
e o mau fornecimento de oxigênio no 
tecido podem resultar em falência de 
órgãos, portanto, devem ser tratados 
imediatamente. A permeabilidade da 
via aérea superior deve ser avaliada 
primeiro. A presença de estridor 
juntamente com dispnéia inspiratória, 
pode ser indicativo de obstrução 
de vias aéreas superiores. Todos os 
animais traumatizados, mesmo que 
não apresentem quadros de alterações 
respiratórias, a oxigenioterapia deve 
ser iniciada até sua estabilização. Se 
o paciente estiver com dispnéia grave 
ou apneia, a entubação endotraqueal 
imediata deve ser realizada e a ventilação 
por pressão positiva deve ser iniciada. A 
entubação endotraqueal dos pacientes 
críticos deve ser em posição dorsal ou 
lateral, com a cabeça na mesma altura que 
o coração para preservar a oxigenação 
cerebral, já que na posição ventral ocorre 
diminuição do fluxo sanguíneo. Avaliar 
o estado hemodinâmico do animal, 
isto é, coloração das mucosas, tempo 
de preenchimento capilar, temperatura 
corporal, frequência cardíaca e 
respiratória, pressões sanguíneas, 
pulso femoral e metatarsal e estado 
de hidratação. Os pacientes devem ser 
estabilizados o máximo possível antes da 
cirurgia. A estabilização do paciente se 
dá através do controle da hipoperfusão 
e hipoxigenação, com o objetivo de 
normalizar a oxigenação dos tecidos e 
a perfusão sanguínea. A hipoxigenação 
é revertida quando garantimos uma via 
aérea viável e uma respiração eficaz, 
juntamente com a oxigenioterapia. 
A hipoperfusão é revertida com 
fluidoterapia, controle das pressões 
sanguíneas e hemorragias ativas, 
restaurando assim, um volume efetivo 
de circulação e mantendo a capacidade 
de transporte de oxigênio. O cateter 
venoso deve ser o maior calibre possível 
para melhor administração de fluidos.
Diante de uma intervenção cirúrgica 
de urgência, devem ser priorizadas a 
reposição de fluidos e correção das 
anormalidades ácido-base e eletrólitos 
antes da indução anestésica. Na 
avaliação do paciente, incluir a inspeção, 
palpação, auscultação e percussão do 
abdome, com objetivo de localizar a dor e 
detectar presença de fluidos, órgãos com 
gases, massas sólidas, corpo estranho ou 
hérnias. Lembrando que, a manipulação 
de felinos deve ser realizada de forma 
gentil para evitar o estresse, em local 
silencioso e a quantidade mínima de 
pessoas no ambiente. A palpação 
abdominal é realizada para localizar a 
dor e obtermos diagnósticos diferenciais 
de acordo com a sua disseminação e 
localização anatomicamente. Além dos 
sinais gerais, os sinais de dor abdominal, 
como taquicardia, taquipnéia, ganidos 
ou gemidos e o enrijecimento dos 
músculos abdominais, espontaneamente 
ou em resposta à palpação. Deve-se 
saber que nem todos os felinos irão 
demonstrar dor na palpação, mesmo 
na presença de doença intra-abdominal 
significativa. Na inspeção visual 
é importante avaliar se há distensão 
abdominal, realizar o balotamento suave 
do abdômen para verificar se há presença 
de líquido livre. Presença de hematomas 
e lesões periumbilicais (Sinal de Cullen) 
podem ser sugestivos de injúrias, porém, 
trombocitopenia ou trombocitopatias 
devem ser considerados. Petéquias 
e equimoses pode ser sugestivo de 
coagulopatias. Realizar palpação retal 
para observar presença de sangue, 
melena, fraturas pélvicas ou outras 
patologias. Os sinais clínicos podem ser 
variados de acordo com a enfermidade 
acometida. O animal pode apresentar 
letargia ou depressão, anorexia, 
vômitos, desidratação, hipersalivação, 
hipertermia, taquipnéia, taquicardia e 
distensão abdominal. Os felinos podem 
apresentar uma postura com cotovelos 
abduzidos e pescoço distendido devido 
a dor, mudanças de comportamento 
como agressividade e relutância para 
se movimentar. Porém, alguns gatos 
podem não expressar dor à palpação 
abdominal mas não se deve descartar 
doença abdominal aguda. Os cães 
podem apresentar a “posição de oração” 
em casos de dor abdominal cranial 
18
EMERGÊNCIAS
intensa, como na pancreatite, por exemplo. No caso das obstruções intestinais, os sinais clínicos dependem do tempo decorrido 
entre a instalação da obstrução e a apresentação, da sua localização anatômica e se está completa ou parcialmente obstruído. 
estranhos, obstruções, perfurações ou 
neoplasias e também, coletar amostras 
guiadas. Entretanto é importante 
ressaltar a importância do lavado 
peritoneal diagnóstico (LPD) na 
ausência do método FAST, uma vez 
que o método apresenta índices de 
acurácia superiores a 95%. As principais 
indicações do método incluem os casos 
de abdome agudo, trauma abdominal, 
bem como nos casos que é preciso avaliar 
a presença de peritonite secundária a 
deiscência de pontos em pós cirúrgicos 
de enterotomia ou enteroanastomoses, 
por exemplo. O fluido abdominal deve 
ser analisado através da mensuração de 
glicemia, lactato, hematócrito, sólidos 
totais, creatinina, potássio e citologia 
do líquido. Efusões hemorrágicas 
são classificadas como traumática 
(traumas fechados, traumas penetrantes, 
mordeduras e armas de fogo) ou 
espontânea. A realização do hematócrito 
do fluido pode revelar hemorragia intra-
abdominal se revelar valores acima de 
2% a 5%. Em um estudo de 16 casos de 
felinos com hemoperitôneo espontâneo, 
12 casos (75%) foram associados em 
patologias hepáticas como neoplasias, 
necrose e amiloidose. Em outro 
estudo de 65 casos de hemoperitôneo 
espontâneo, 46% dos gatos tinham 
neoplasia abdominal e 54% não tinham 
neoplasias associada e sim, apresentavam 
necrose hepática ou coagulopatias. 
Hemangiossarcoma foi a neoplasia mais 
comumente diagnosticada. A análise 
bioquímica do fluido abdominal não 
diluído é uma importante ferramenta 
de diagnóstico para identificar a 
origem da causa. Valores de creatinina 
e potássio no líquido peritoneal acima 
dos valores séricos indicam ruptura 
em algum segmento do trato urinário 
– uroperitôneo. Valores de lactato 
superior a 2,5 mg/dL sugere peritonite 
séptica no cão. Valores de bilirrubina 
superior ao sérico sugere ruptura do 
trato biliar, geralmente nesses casos o 
fluido tem coloração esverdeado. A 
FIGURA 2: Obstrução intestinal em um cão devido a corpo estranho. FIGURA 3: Presença de áreas de necroses nas alças intestinais. Fonte: 
Hospital Veterinário Vetcentral.
Exames Complementares
Exames complementares são 
frequentemente necessários para se 
determinar a extensão da doença e 
confirmar o diagnóstico e a necessidade 
de intervenção cirúrgica, na qual 
incluem as análises sanguíneas, examesradiográficos e ultrassonográfico, 
abdominocentese, lavagem peritoneal e 
até avançar para celiotomia exploratória. 
Lactato, hematócrito, proteínas totais, 
glicemia, gases sanguíneos, eletrólitos 
e uma tira de urina são extremamente 
úteis na determinação da gravidade do 
quadro clínico. Outros exames incluem 
perfil bioquímico, hemograma completo, 
cultura de líquido abdominal/torácico e 
cultura de feridas. O uso do ultrassom 
na emergência através do AFAST e 
TFAST é um método de avaliação 
rápido e não invasivo, ao contrário do 
lavado peritoneal diagnóstico (LPD). 
É útil para detectar presença de líquido 
e ar livre, peritonite, organomegalia 
e alterações gastrointestinais diretas 
ou indiretas compatíveis com corpo 
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EMERGÊNCIAS
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EMERGÊNCIAS NA CLÍNICA VETERINÁRIA
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diminuição da glicose no sangue pode 
estar associada a quadro de sepse e 
associada ao sintoma de dor abdominal 
aguda pode ser sugestivo de peritonite 
séptica. A mensuração de glicose entre 
o líquido abdominal e o sangue é uma 
forma de diagnostico bastante sensível 
(86%) e altamente especifico (100%) 
para peritonite séptica em gatos. Os 
valores de glicose superiores a 20 mg/
dL do sangue periférico para o fluido 
abdominal são sugestivos para a doença. 
No entanto, o diagnóstico definitivo 
de peritonite séptica deve-se basear 
na integração de exames citológicos, 
bioquímico e de imagem.
Preparação Cirúrgica do Paciente
É sempre indicada a preparação ampla 
da pele no paciente emergente, pois pode 
ser necessário a implantação de tubos 
ou drenos fora do campo cirúrgico. As 
dimensões do campo cirúrgico variam 
com a cirurgia em individual, mas em 
geral, deve-se incluir o mínimo de 
15-20 cm da extensão mais distante 
da incisão de pele. Assepsia cirúrgica 
adequada com Cloridrato de hexidina e 
o iodo povidona são os mais utilizados 
na rotina. O posicionamento adequado 
do paciente na mesa é essencial para 
garantir uma boa exposição. No entanto, 
a posição pode ter consequências 
negativas na ventilação e no estado 
hemodinâmico. As massas abdominais 
ou útero gravídico podem ocultar 
a veia cava abdominal quando o 
paciente é posicionado dorsalmente, 
diminuindo assim, a pré-carga e 
consequentemente o débito cardíaco. 
Colocar o animal em um ligeiro ângulo 
pode evitar essa complicação. 
 Os pacientes colocados em decúbito 
dorsal com os membros mantidos 
em posição amplamente estendida 
não conseguem manter uma boa 
ventilação. Uma maneira de diminuir 
o comprometimento ventilatório é 
dobrando os membros torácicos nos 
cotovelos até um ângulo de 90°.
Tempo Cirúrgico
O tempo operatório prolongado foi 
associado a uma maior morbilidade 
e mortalidade principalmente nos 
pacientes críticos. Em traumas graves, 
o tempo operatório não se deve exceder 
mais de uma hora. O tempo cirúrgico 
prolongado promove hipotermia, agrava 
a acidose e o quadro de coagulação, 
além de, dobrar a taxa de infecção a 
cada hora a mais de cirurgia. A cada 
hora de procedimento cirúrgico leva 
à perda de 4,6°C de temperatura 
corporal devido à exposição da 
cavidade. É primordial que o 
cirurgião tenha conhecimento profundo 
de anatomia, pois a cirurgia em pacientes 
traumatizados pode ser complicada e 
desafiadora, exigindo maior agilidade, 
delicadeza e competência da equipe. A 
técnica cirúrgica deve ser tão precisa 
quanto possível e os tecidos devem ser 
manipulados suavemente. 
Controle de Hemorragias
O hemoperitôneo é definido como 
uma acumulação patológica de sangue 
extravasado dentro da cavidade 
peritoneal que pode ser classificado em 
duas categorias: traumático e espontâneo. 
O hemoperitôneo traumático é 
resultado de traumatismo contundente 
ou penetrante e o espontâneo pode ser 
associado aos processos neoplásicos, 
coagulopatias congênitas ou adquiridas, 
torções hepáticas/esplênicas e dilatação 
vólvulo-gástrica.A decisão de prosseguir 
para intervenção cirúrgica deve ser feita 
uma vez que a terapia médica não seja 
efetiva, como por exemplo, quando há 
hipotensão não responsiva à reanimação 
volêmica com fluidos. Outras indicações 
para prosseguir com cirurgia incluem 
identificação de massa abdominal 
hemorrágica, ferida abdominal 
penetrante, sinais de isquemia de órgãos 
devido à torção. Os principais objetivos 
no tratamento de hemorragias incluem 
a redução do fluxo sanguíneo para a área 
afetada e o uso de agentes hemostáticos. 
Com técnicas hemostáticas apropriadas, 
a redução do fluxo sanguíneo permite 
que haja formação de coágulos. Os 
grandes vasos – incluindo aorta, artérias 
renais, veia cava e a artéria hepática e 
veia porta – podem ser temporariamente 
ocluídos de forma segura e por curto 
período de tempo (Tabela 1). Os meios 
de oclusão incluem o tamponamento 
digital ou com compressas, torniquete 
de Rummel ou por pinças vasculares 
atraumáticas (Satinsky ou Bulldog).
Tabela 1: Tempo limite para oclusão vascular para auxiliar na hemostasia cirúrgica.
TEMPO LIMITE PARA OCLUSÃO VASCULAR
VASO SANGUÍNEO TEMPO DE OCLUSÃO
Aorta ascendente (proximal à subclávia esquerda)
Aorta torácica descendente 
Tríade Portal
Artéria hepática
Artéria e veia esplênica
Artéria e veia renal
Aorta abdominal
Veia cava caudal (distal do fígado)
2 – 3 minutos
5 – 10 minutos
10 – 15 minutos
30 minutos
15 – 20 minutos
30 minutos
30 minutos
Sem tempo limite
20
EMERGÊNCIAS
 Em casos de hemorragia hepática 
grave, o controle temporário pode ser 
alcançado através da realização da 
Manobra de Pringle modificada, que 
tem como objetivo ocluir a tríade que 
compõe a veia porta, artéria hepática 
e o ducto biliar comum. A manobra 
controlará aproximadamente 70% 
do fluxo sanguíneo para o fígado e 
proporcionara um curto período de 
tempo para identificar claramente a 
lesão e assim, controlar definitivamente 
a hemorragia. A hemostasia definitiva 
pode ser atingida com pressão direta, 
suturas de feridas, ligaduras de vasos, 
clipes vasculares, tamponamento com 
omento viável, eletrocauterização, 
seladores de vasos (EnSeal®, 
Harmonic Scalpel®) ou remoção do 
tecido hemorrágico. Os materiais 
hemostáticos tópicos também podem 
auxiliar para o controle de hemorragias 
em determinadas situações. Colas de 
fibrinas, esponjas hemostáticas e celulose 
oxidada são produtos disponíveis. Nos 
casos de hemoperitôneo sem origem 
neoplásica ou séptica, a autotransfusão 
da hemorragia peritoneal pode ser 
realizada quando não há bolsas de 
sangue fresco disponíveis. Se o sangue 
autotransfundido estiver presente 
na cavidade por mais de uma hora, 
não é uma boa fonte de fatores de 
coagulação, pois estes foram esgotados 
pela hemorragia. Por esse motivo, os 
pacientes que recebem transfusões 
maciças de sangue autotransfundido, 
precisam de transfusão de plasma 
congelado fresco para fornecer fatores 
de coagulação.
O sangue deve ser coletado de forma 
mais asséptica possível, em recipientes 
estéreis e administrado intravenoso 
com filtro acoplado para remover 
contaminantes. Idealmente, o sangue do 
abdômen não é recomendado para uso 
de autotransfusão até que tenha sido 
determinado que não há contaminação 
grosseira do trato gastrointestinal, trato 
biliar ou neoplasias (hemangiossarcoma, 
por exemplo). Porém, em situações 
graves, o sangue deve ser coletado 
mesmo contaminado com organismos 
infecciosos ou células neoplásicas.A 
hemostasia precisa é importante em 
todos os pacientes, porém em pacientes 
críticos esta se torna mais complicada. 
As coagulopatias são comuns nesses 
animais. Coágulos sanguíneos e 
hematomas devem ser evitados porque 
ambos podem levar a um retardo na 
cicatrização e uma maior probabilidade 
de infecção.
Tubos de Alimentação e 
Descompressão Nasogástrica
Deve-se tomar uma decisão 
consciente em relação à colocação de um 
tubo de alimentação em cada paciente 
submetido a cirurgia de urgência. 
Idealmente, um tubo nasogástrico 
deve ser colocado para descompressãopós-operatória, alimentação enteral 
precoce e quando há suspeita de 
gastroparesia. Tubos gástricos ou em 
jejuno em pós operatórios de cirurgias 
gastrointestinal superior, incluindo a 
cirurgia hepatobiliar e pancreática, se 
caso houver dúvida de que a nutrição 
enteral não será tolerada dentro de 24 
a 48 horas.
Lavagem Peritoneal
Antes de fechar o abdômen, deve-se 
lavar com fluidos isotônicos aquecidos 
na quantidade proporcional ao grau 
de contaminação. Recomenda-se 200 
a 300 ml/kg de peso mínimo ou até 
que o efluente de lavagem seja limpo. 
Antibióticos intraperitoneais não são 
indicados, pois não demonstraram 
efeitos benéficos, além de causarem 
irritação à serosa dos órgãos. Assim 
como o uso de anti-sépticos no líquido 
de lavagem que podem levar a peritonite 
química, aumento da formação de 
adesão e retardo na cicatrização.
Drenagem Peritoneal
Em casos de peritonite, a drenagem 
peritoneal é indicada se a fonte de 
contaminação não for completamente 
controlada. Se a infecção anaeróbica 
for provável, uma segunda celiotomia 
deve ser planejada. Há duas opções de 
drenagem peritoneal descritas, aberta ou 
fechada. A drenagem abdominal aberta 
tem muitas desvantagens, incluído perda 
de proteínas, anormalidade eletrolíticas, 
perda de fluidos, potencial para infecção 
ascendente e risco de evisceração. A 
drenagem fechada é uma alternativa 
efetiva, onde drenos são implantados 
em abdômen cranial. Os drenos 
devem permanecer até a quantidade 
de fluidos produzidos esteja dentro 
dos limites fisiológicos (1-2 ml/kg/dia) 
e a citologia do fluido não apresente 
sinais de inflamação ou infecção ativa. 
Este método de drenagem é eficaz e 
minimiza a morbidade.
Controle de Danos
Todos os pacientes traumatizados 
estão sujeitos a apresentarem a tríade da 
morte que é composta por um quadro 
de acidose, hipotermia e coagulopatia. 
Portanto, diante de um paciente em 
emergência, a rapidez e eficiência é 
primordial para evitarmos a piora do 
quadro. Há pacientes politraumatizados 
que apresentam maior probabilidade de 
morte em um procedimento cirúrgico 
definitivo em relação a procedimentos 
cirúrgicos de reparação. A cirurgia de 
controle de danos tem como finalidade 
o controle de hemorragias, prevenção 
de infecções e evitando assim, mais 
danos ao paciente. Nos casos de trauma 
severo que requerem intervenção para 
controlar a hemorragia com risco de 
vida, as recomendações humanas atuais 
são para manter o tempo operacional de 
90 minutos ou menos para evitar a tríade 
da morte. Diante de um paciente com 
hemorragia massiva de difícil resolução 
definitiva é recomendado realizar uma 
hemostasia transitória compressiva 
mediante a utilização de compressas, 
que proporcionam pressão direta sobre 
os sangramentos. A aplicação deve ser 
feita por fora do órgão lesado e realizar 
pressão contra o parênquima do órgão.
Alguns cuidados devem ser 
ressaltados com a pressão exercida das 
compressas em vasos principais como 
a veia cava, no qual pode prejudicar o 
retorno venoso e aumentar a pressão 
intra-abdominal. O aumento na 
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pressão intra-abdominal pode levar à 
síndrome do compartilhamento, com 
diminuição da perfusão de órgãos, 
dificuldade respiratória e insuficiência 
renal e intestinal, secundariamente. 
Para evitar a pressão excessiva, deve 
ser colocado um material estéril - 
como por exemplo, plástico de soro 
fisiológico cortado em forma plana 
– e suturado nas bordas da linha alba 
como um curativo impermeável, o 
que ajuda a prevenir a perda de calor 
e perda de proteína, evitando assim, 
o desenvolvimento da síndrome 
compartimental. O tamponamento não 
tem efeito em hemorragias arteriais. 
Ao fechar a cavidade abdominal deve-
se certificar se não há sangramentos e 
verificar se não há aumento da pressão 
intra-abdominal. As compressas devem 
ser retiradas em, no máximo, 48 horas. 
Estudos comprovam que a incidência 
de sepse é de 16% quando estas são 
retiradas em 48 horas e o índice aumenta 
para 60% quando são removidas em 4 
dias. A temperatura corporal deve ser 
controlada e acidose tratada. Uma vez 
que o paciente se encontra mais estável, 
o abdômen é reexplorado e uma cirurgia 
definitiva é realizada como indicado. 
Para controle de vazamentos de órgãos 
são necessários procedimentos simples 
como ligadura de alças intestinais 
com fita cardíaca, sutura contínua ou 
grampeamento gástrico e intestinal. 
Anastomoses intestinais são evitadas 
nessa fase.
A cirurgia de controle de danos 
ortopédicos (“Damage Control 
Orthopedics” – DCO) é definido 
como uma intervenção minimamente 
traumática, menos agressiva a tecidos 
moles e menor perda sanguínea, 
com o objetivo de uma estabilização 
ortopédica para diminuir a resposta 
inflamatória. A osteossíntese pode ser 
feita com fixadores externos após a 
reanimação inicial do paciente. Após 
estabilização dos parâmetros clínicos, a 
cirurgia definitiva é então realizada com 
maior segurança. Nos casos de fratura 
pélvica, há necessidade extrema de 
checagem por toque retal para avaliar se 
há presença de extremidade de ossos da 
fratura, perfurações e sangramento retal, 
com o objetivo de definir a necessidade 
de intervenção imediata, sempre 
acompanhada da avaliação AFAST 
ultrassonográfica de urgência. 
Tríade da Morte 
Todos os pacientes traumatizados 
estão sujeitos a desenvolver a tríade da 
morte, na qual é definida pelo quadro 
de hipotermia, coagulopatia e acidose. 
Em estudos em medicina humana, 
cita que aproximadamente 50% dos 
pacientes traumatizados apresentam 
algum grau de hipotermia. É citado que 
a hipoperfusão causa a queda de 4° a 5 
° C por hora de perda de calor corporal, 
ainda mais exacerbado pela exposição 
de cavidades abertas ou órgãos, perda 
da capacidade de termorregulação em 
pacientes intoxicados ou com danos 
neurológicos e administração de 
fluidoterapia à temperatura ambiente, no 
qual a cada litro de fluido administrado 
diminui a temperatura corporal em 
0,5°C. Outros fatores que interferem 
na hipotermia é a idade do animal, 
peso corporal, severidade do trauma e 
anestésicos/sedativos. Um meio para 
minimizar esta questão, são o uso de 
circuitos de aquecimento em máquinas 
anestésicas, fluidoterapia aquecida e 
uso de colchões térmicos (aquecimento 
passivo) e secador (aquecimento ativo). 
A temperatura da sala de tratamento 
deve permanecer entre 25° - 30°C, o 
suficiente para permitir a termogênese 
e evitar a perda de calor. A l g u m a s 
consequências do quadro hipotérmico 
incluem: diminuição do débito 
cardíaco e isquemia do miocárdio, 
diminuição da resposta cardiovascular 
para catecolaminas (epinefrina), 
hipoxigenação tecidual e arritmias 
como fibrilação atrial e ventricular. A 
nível sanguíneo, ocorre diminuição da 
função dos fatores de coagulação e das 
plaquetas, dificultando a hemostasia 
e diminuição do número e função dos 
glóbulos brancos, aumentando assim, o 
risco de infecção, pneumonia e sepse. O 
quadro de acidose tem como o principal 
contribuidor a hipoperfusão tecidual. 
A anemia pela perda de sangue, a 
vasoconstrição periférica em resposta a 
hipotermia e hipovolemia, a diminuição 
geral do débito cardíaco, prejudicam 
gravemente a liberação de oxigênio para 
os tecidos. Isso resulta uma demanda 
excessivamente superior de oxigênio 
para os tecidos. Devido a isso, as células 
do organismo iniciam o metabolismo 
anaeróbio, resultando na produção 
de ácido lático como subproduto. A 
medida que a perfusão do paciente 
traumático agrava, o ácido lático 
rapidamente se acumula nos tecidos, 
resultando em acidose metabólica grave. 
É importante ressaltar que esse processo 
ocorre frequentemente na presença de 
sinais vitais normais ou ligeiramente 
anormais. As consequências da 
acidose ocorrem em diversos sistemas 
do organismo. No cardiovascular ocorre 
diminuiçãodo débito cardíaco e pressões 
sanguíneas, diminuição da resposta 
cardiovascular para catecolaminas 
(epinefrina), redução do limite para 
o desenvolvimento de fibrilação 
ventricular. Já no sistema respiratório 
causa hiperventilação e fadiga dos 
músculos respiratórios. No sistema 
nervoso central leva a diminuição do 
estado mental e coma. Alterações na 
função dos fatores de coagulação e 
das plaquetas também pode ocorrer. 
Uma causa adicional de acidose no 
paciente com trauma é a reanimação 
volêmica excessiva utilizando soluções 
cristalóides desequilibradas, como a 
solução salina que é acidificante. Essa 
acidose metabólica hiperclorêmica 
só serve para agravar a acidose lática 
existente do trauma. Além disso, há 
evidências de que o uso excessivo de 
cloreto pode aumentar a inflamação 
do tecido sistêmico e assim contribuir 
para a coagulopatia do trauma. Por 
último, o trauma também pode ter 
acidose respiratória. Isto é resultado 
de hipoventilação devido à depressão 
ou obstrução das vias respiratórias, 
resultando em hipercapnia. Em estudo 
na Medicina Humana mostrou que 
a função do sistema de coagulação foi 
22
EMERGÊNCIAS
reduzida em 55-70% quando o pH caiu 
de 7.4 para 7.0. O sistema de coagulação 
é uma série de reações enzimáticas 
complexas dependentes da temperatura 
e do pH que resultam na formação 
de coágulos sanguíneos responsáveis 
pela hemostasia. A coagulopatia pode 
ocorrer por algumas razões, no entanto, 
independente da causa especifica, a 
coagulopatia resulta no potencial de 
hemorragia continua no paciente com 
trauma hemorrágico. A coagulopatia no 
trauma ocorre não só pela hipotermia e 
acidose, mas também como resultado 
da perda de fatores de coagulação 
por hemorragia e hemodiluição. A 
coagulopatia devido à hemodiluição se 
dá quando reanimamos um paciente 
hemorrágico com fluidoterapia que 
não contem os mesmos fatores de 
coagulação que foram perdidos. Além 
disso, em pacientes críticos, uma série 
de reações enzimáticas pode levar a uma 
ativação anormal e excessiva do sistema 
de coagulação, causando a formação 
excessiva de coágulos. As transfusões 
sanguíneas são indicadas quando houver 
perdas agudas de sangue de mais de 
20% do volume sanguíneo do paciente, 
ou se os parâmetros de perfusão não 
estão melhorando com reanimação 
volêmica com fluidos. Quando há 
suspeita que o paciente esteja com 
distúrbios hemorrágicos, recomenda-
se a administração de plasma fresco 
congelado antes de sinais clínicos de 
coagulopatias.
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Elsevier, 2010. 1468p. 
SLATTER, D. Manual de cirurgia de pequenos 
animais. 3. ed. São Paulo: Manole, 2009.2v. 
2714pp. 
OLIVEIRA, A.L.A. Técnicas cirúrgicas em 
pequenos animais. Rio de Janeiro. Elsevier. 
2012. 492p.
FOSSUM, T.W. Small animal surgery. 3. ed. St. 
Louis: Mosby, 2008. 1195p.
EXAMES REALIZADOS PELO TECSA LABORATÓRIOS
COD EXAMES DIAS
581 PERFIL GLICÊMICO 1
836 PERFIL PRÉ-ANESTÉSICO II 0
331 PERFIL ELETROLÍTICO 1
570 CHECK-UP GLOBAL DE FUNÇÕES 0
801 PERFIL CHECK-UP GLOBAL PLUS 1
333 PERFIL HEPÁTICO 0
233 CHECK-UP EMERGÊNCIA 0
23
EMERGÊNCIAS
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EMERGÊNCIAS NA CLÍNICA VETERINÁRIA
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Número 18
MAGAZINEum benefício para o cliente TECSA
EPIDEMIOLOGIA DOS ACIDENTES OFÍDICOS 
EM ANIMAIS DE COMPANHIA
Dr. Warley Gomes dos SANTOS1; Dra. Marília Martins MELO2
MV, MSc, DSc Ciência Animal, área de concentração Toxicologia e Plantas tóxicas pela Escola de Veterinária, UFMG. 
Professora titular de Toxicologia e Plantas tóxicas - Laboratório de Toxicologia Veterinária, EV, UFMG
respondido. Foram feitas as seguintes 
perguntas:
Descreva o nome popular das 
serpentes que tem causado acidentes em 
sua rotina:
Você já atendeu algum animal picado 
por serpentes?
Algum animal que você atendeu 
picado por serpente foi a óbito?
Há soro antiofídico no seu serviço 
médico-veterinário?
Qual a via que você administra o soro 
antiofídico?
Resultados e Discussão
Neste inquérito epidemiológico, 
foram obtidas respostas com abrangência 
de grande parte do território nacional, 
com respostas oriundas de 14 Unidades 
Federativas como a seguir:
Amazonas: 1
Bahia: 1
Distrito Federal: 2
Espírito Santo: 3
Goiânia: 1
Minas Gerais: 29
Pará: 4
Paraná: 5
Pernambuco: 16
Rio de Janeiro: 4
Rio Grande do Sul: 2
São Paulo: 24
Santa Catarina: 2
Tocantins: 1
Para a pergunta: Descreva o nome 
popular das serpentes que tem causado 
acidentes em sua rotina:
Foram obtidos 64 nomes de serpentes 
como causa de acidente na região 
do veterinário que respondeu. Deste 
universo de resposta, segue a seguinte 
distribuição: Bothrops spp 35 (54,68%); 
Crotalus spp 21 (32,81%); Micrurus 
spp 6 (9,37%); Lachesis spp 2 (3,12%). 
As serpentes do gênero Bothrops 
foram descritas pelos colegas quase 
na totalidade com o nome popular de 
jararaca. Ainda foi reportada como 
jararaquinha do rabo branco, jararacussu, 
urutu e cruzeira. As serpentes do 
gênero Crotalus, foram referidas em 
sua totalidade como cascavel. Para as 
serpentes do gênero Micrurus como 
coral e gênero Lachesis como surucucu.
Entre as 2 respostas por acidente por 
surucucu, uma resposta é do estado do 
Pará e a outra do interior do estado de 
São Paulo.
Em relação às respostas para acidentes 
por serpentes coral, 3 respostas são do 
estado de Pernambuco (50%); 1 resposta 
do estado do Pará; 1 Minas Gerais e 1 
São Paulo.
Para a pergunta se você já atendeu 
algum animal picado por serpentes, 
houve um total de 92 respostas, sendo 
que 53,3% afirmam já ter atendido 
algum animal vítima de acidente ofídico.
Introdução
O ofidismo é uma doença tropical 
comum que faz parte da lista das 
doenças negligenciadas, pois constitui 
um relevante problema de saúde 
coletiva, com mortalidade mundial 
estimada em cerca de 50.000 óbitos de 
pessoas por ano (Chippaux, 1998).No 
Brasil, as serpentes da família Viperidae 
são as principais envolvidas nos 
acidentes ofídicos que podem culminar 
com complicações e até mesmo o óbito 
(SINAN NET, 2016). Em medicina 
veterinária, por não haver um sistema 
de notificação de agravos obrigatório 
nos casos de acidentes ofídicos, detalhes 
epidemiológicos são desconhecidos. 
Outro fato, é que há muitas crenças e 
mitos em relação ao manejo clínico dos 
animais envenenados por serpentes, 
pois quase sempre ocorre um atraso ou 
não administração do soro antiofídico 
na vítima (Santos et al., 2013).O 
presente estudo objetiva conhecer o 
perfil epidemiológico aliado a outras 
características do acidente ofídico bem 
como utilização de soro antiofídico em 
cães e gatos.
Materiais e métodos
No presente estudo, foi realizado 
um inquérito epidemiológico e para 
isto, houve a aplicação de um breve 
questionário com perguntas com 
respostas fechadas. As perguntas 
envolviam aspectos epidemiológicos 
importantes para se conhecer em 
relação aos acidentes ofídicos em cães 
e gatos e também quanto à aspectos 
do tratamento nos envenenamentos 
ofídicos. O questionário foidistribuído 
via formulário eletrônico pelo https://
docs.google.com sendo enviado aos 
colegas médicos veterinários abrangendo 
um grande número de regiões do 
país. Um total de 95 questionários foi 
Em relação à pergunta se algum 
animal que você atendeu picado por 
serpente foi a óbito, foi obtido um total 
de 95 respostas, sendo que 60% alega 
que não houve óbito.
https://docs.google.com
https://docs.google.com
24
EMERGÊNCIAS
semelhantemente à epidemiologia 
humana. Pode-se inferir que os casos de 
acidentes ofídicos em animais podem 
ser sentinelas epidemiológicas de 
possíveis acidentes no ser humano.
Fato preocupante observado foi a 
ausência do antiveneno em 60% das 
respostas bem como a sua não aplicação 
em 35,8% das respostas. Tal fato pode 
está relacionado também à resposta 
obtida abordando a mortalidade, onde 
o observado no presente estudo foi que 
60% dos animais não foram à óbito e 
por conseguinte interpreta-se que pode 
haver uma mortalidade de até 40% dos 
animais vítimas de acidente ofídico. Taxa 
muito acima a observada no ser humano. 
Dentre os acidentes botrópicos no ser 
humano no ano de 2015, 968 (7,24%) 
os casos foram classificados como grave 
e um total de 24 óbitos pelo agravo. 
O acidente crotálico provocou 194 
(13,64%) casos classificados como grave 
e 22 óbitos. Os acidentes laquésicos 
5 (0,56%) pessoas foram classificadas 
como grave, porém houve 7 óbitos 
e pelas serpentes não peçonhentas 2 
(0,22%) casos foram classificados como 
grave (Disponível em SINAN NET, 
Acidente por animais peçonhentos). O 
percentual de atendimentos decorrentes 
de picadas por cascavéis em cães no 
ano de 2012 até maio de 2013 foi de 
aproximadamente 90%, sendo um 
caso somente por Bothrops spp em 
consonância com a epidemiologia 
humana na região metropolitana de 
Belo Horizonte havendo uma inversão 
da epidemiologia nacional e também 
não ocorreu óbitos provavelmente 
relacionados à administração do soro 
antiofídico (SANTOS et al., 2013). Na 
experiência do autor, a epidemiologia 
dos envenenamentos ofídicos pode 
variar grandemente dentro do 
território nacional, necessitando 
maiores investigações. O mesmo teve 
a participação em diversos casos de 
envenenamento por serpentes Micrurus 
ibiboboca em cães na Unidade Federativa 
de Pernambuco (dados não publicados), 
o que demonstra esta variabilidade 
dentro do território nacional.
Conclusões
O presente estudo demonstra haver 
uma casuística considerável de acidentes 
por serpentes principalmente em cães 
e que a abordagem destes animais 
quanto ao tratamento na maior parte 
das vezes não é realizada de forma 
adequada, pois o soro antiofídico 
não está presente em muitos serviços 
veterinários. A taxa de óbitos observada 
foi superior à encontrada em vítimas 
humanas. Em relação às espécies de 
serpentes envolvidas nos acidentes com 
os animais está em consonância com a 
epidemiologia relatada nos acidentes 
ofídicos com humanos.
EXAMES REALIZADOS PELO TECSA LABORATÓRIOS
COD EXAMES DIAS
788 CHECK UP GLOBAL DE FUNCOES COM 
HEMOGRAMA
0
576 CULTURA COM ANTIBIOGRAMA 
COMBINADO (AEROBIOS E ANAEROBIOS)
8
715
PERFIL TIPAGEM SANGUINEA+CHECK 
UP GLOBAL DE FUNCOES+HEMOGRAMA 
CANINO
1
58 HEMOCULTURA 8
856 PERFIL CHECK UP CARDIO - RENAL 2
304 PACOTE TOXICOLOGICO COMPLETO 
11 ITENS
15
Para a pergunta se há soro antiofídico 
no seu serviço médico-veterinário, 
houve um total de 95 respostas e 60% 
refere não haver soro antiofídico para 
uso veterinário em seu serviço.
Para a pergunta qual a via que você 
administra o soro antiofídico, houve um 
total de 95 respostas.
Segundo os dados epidemiológicos 
humanos on line do Ministério da 
Saúde/SVS - Sistema de Informação 
de Agravos de Notificação - Sinan Net 
na plataforma do Tabnet Datasus, no 
ano de 2015 houve 18.565 notificações 
decorrente de acidentes com serpentes. 
Deste total, 13.373 (72,02%) foram 
notificados como serpentes do gênero 
Bothrops. Serpentes do gênero Crotalus 
foram 1.422 casos (7,66%). As serpentes 
do gênero Micrurus correspondem a 139 
casos (0,75%). Lachesis corresponde a 
524 casos (2,82%). As serpentes não 
peçonhentas 897 casos (4,83%) e 2.210 
(11,90%) acidentes ofídicos foram 
ignorados o tipo de serpente ou em 
branco (Disponível em SINAN NET, 
Acidente por animais peçonhentos). 
Deste modo, as serpentes do gênero 
Bothrops são as principais espécies 
envolvidas nos acidentes ofídicos 
no Brasil em humanos quanto em 
animais conforme as respostas obtidas 
neste inquérito. As serpentes do 
gênero Crotalus foram a segunda 
resposta mais frequente, Micrurus em 
terceira colocação seguida de Lachesis 
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SEPSE E A SÍNDROME DA ANGÚSTIA 
RESPIRATÓRIA AGUDA (SARA)
Dr. Breno Curty Barbosa
(Doutorando em Ciência Animal – Universidade Federal de Minas Gerais)
Sepse e sua derivações
O conceito de sepse tem sido 
atualizado, sendo a classificação anterior 
adotada definida como a síndrome da 
resposta inflamatória sistêmica (SIRS) 
com um foco infeccioso presumido 
ou comprovado, seja por vírus, fungos 
ou bactérias. Esta pode ser classificada 
em quadros conforme os sinais clínicos 
que o paciente apresenta. Sendo assim, 
é estratificada em sepse, sepse grave e 
choque séptico. A classificação mais 
recente (SEPSE 3) que ainda está 
repleta de discussão define sepse como 
disfunção orgânica potencialmente 
fatal causada por uma resposta imune 
desregulada a uma infecção e choque 
séptico sendo a sepse acompanhada por 
profundas anormalidades circulatórias e 
celulares/metabólicas capazes aumentar 
a mortalidade substancialmente. 
Segundo Barbosa et al. (2016), a sepse 
tem sido diagnosticada com maior 
frequência na medicina veterinária, 
sendo responsável por alta mortalidade 
em unidades de terapia intensiva e 
Introdução
Conhecida desde 1967 em Medicina 
Humana, a Síndrome da Angústia 
Respiratória Aguda (SARA) ganhou 
vários sinônimos com o decorrer 
do tempo, dentre eles pulmão de 
choque, síndrome do pulmão rígido, 
síndrome da angústia respiratória 
do adulto, lesão pulmonar aguda 
(LPA). Apesar de tantas derivações 
de nomenclatura, nenhuma expõe o 
componente inflamatório sistêmico que 
é o responsável pela sua ocorrência em 
especial os quadros sépticos. Associado 
a vasta denominação acompanham-
se os métodos diagnósticos, sendo as 
definições de Berlim em 1994, posterior 
atualização em 2011 os consensos 
determinantes para a classificação. 
Em Medicina Veterinária a SARA é 
pouco conhecida, com poucos trabalhos 
em literatura, sendo suas definições 
próximas as de Berlim 1994. Tanto em 
Medicina Humana quanto a Veterinária, 
a síndrome é responsável por elevadas 
taxas de mortalidade.
em clínicas veterinárias, e de grande 
importância intervenções imediatas 
para seu controle e tratamento (Fig.1). 
Nos quadros de sepse grave (segundo 
critérios de SEPSE 2) observam-se 
além de dois critérios da SIRS, que 
são oriundos de alterações sistêmicas 
como ilustrado no quadro 1, mais a 
associação de ao menos uma disfunção 
orgânica decorrente da intensa 
liberação de citocinas inflamatórias 
e comprometimento dos sistemas 
orgânicos como ilustra o quadro 2. Como 
exemplos a síndrome do desconforto 
respiratório agudo responsável por uma 
disfunção respiratória grave; diminuição 
da pressão arterial sistólica do valor 
basal; oligúria; elevação dos valores 
de lactato sérico; alterações em nível 
de consciência como a escala AVDN 
descrita no quadro 3; alterações em 
enzimas hepáticas e/ou renais, entre 
outros (Theobaldo, 2012).
Quadro 1. Valores de variáveis fisiológicas em cão com quadro de síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SIRS). 
VARIÁVEL CÃO 
Temperatura retal < 38,1˚C ou > 39,2˚C
Frequência cardíaca > 120 bpm
Frequência respiratória > 20 mpm
Leucócitos totais; bastonetes < 6 x 103/mm3 ou > 16x103/mm3; > 3%
Fonte: Hauptmann et al.(1997).
26
EMERGÊNCIAS
Quadro 2. Disfunções orgânicas 
associadas ao quadro de sepse grave em 
cão.
Hipotensão: PAM < 80mmHg ou 
PAS < 120mmHg
Hipotensão grave: queda abrupta de 
mais de 40mmHg na PAS ou PAM 
< 65mmHg
Oligúria (< 2ml/kg/h) ou Creatinina 
> 2mg/dL
Hiperbilirrubinemia: > 0,5mg/dL
Consciência alterada: Glasgow 
pediátrico modificado < 17 ou 
AVDN < A 
Disfunção respiratória
Trombocitopenia : < 50.000/mm3 ou 
queda de mais de 50% em 12 horas
Prolongamento de TP, TTPa/ 
aumento de D-dímero ou queda de 
fibrinogênio
Íleo paralítico
Albumina < 2,5g/dL
 
PAM: pressão arterial média; PAS: 
pressão arterial sistólica; AVDN: 
alerta, responsivo a comando verbal, 
responsivo à dor, não responsivo; TP: 
tempo de protrombina; TTPa: tempo 
de tromboplastina parcial ativada. 
Adaptado de Rabelo (2013).
Quadro 3 – Escala AVDN
A Alerta, responsivo a chamado.
V Responsivo a comando verbal
D Responsivo apenas à dor
N
Não responsivo a comando 
verbal ou estímulo doloroso
Fonte: Rabelo, 2013.
Pulmões na sepse
O pulmão é um órgão que 
frequentemente evolui com disfunção 
orgânica nos animais em sepse 
mesmo que o foco infeccioso não seja 
pulmonar. Isso ocorre pela abundância 
de mediadores inflamatórios na 
circulação sistêmica durante os quadros 
inflamatórios acentuados como os 
sépticos. A barreira alveolocapilar, que 
é composta pelo íntimo contado dos 
pneumócitos tipo 1 com as células do 
endotélio capilar alveolar, desencadeia 
papel vital na oxigenação sanguínea. O 
pneumócito tipo 1 é o responsável pela 
troca do gás carbônico das hemácias 
oriundo da circulação sistêmica, pelo 
oxigênio que se encontra no interior 
dos alvéolos. Porém, nos quadros de 
inflamação desordenada como na 
sepse, algumas citocinas inflamatórias 
em destaque a IL-8 que é a citocina 
mais importante no recrutamento 
de células polimorfonucleares para 
o espaço alveolar, causam danos 
endoteliais nos humanos e em cães. 
O conjunto inflamatório resulta em 
perda da integridade da barreira 
alveolocapilar, distanciamento da íntima 
junção dos pneumócitos tipo 1 com o 
endotélio vascular comprometendo a 
oxigenação, associado com aumento 
de permeabilidade dos capilares 
pulmonares causando influxo de 
proteínas plasmáticas e células 
sanguíneas para o interior dos alvéolos, 
elevação da pressão osmótica intra-
alveolar atraindo líquido para o local 
que deveria estar ocupado por ar, além 
de acarretar diluição e inativação do 
surfactante pulmonar. Sabe-se que 
são altas as taxas de mortalidade em 
medicina humana, porém em medicina 
veterinária está em fase de estudo, 
com ampla variação entre 21-100% de 
mortalidade (Caldeira Filho e Westphal, 
2010; Kitsis, 2011).O distanciamento 
da junção alveolocapilar, a morte dos 
pneumócitos tipo 1 por radicais livres, 
ocupação dos alvéolos por infiltrados 
proteicos, líquido e células inflamatórias 
diluindo e inativando os surfactantes, 
acarretam no principal sinal clínico 
da SARA, que é a intensa hipoxemia 
refratária a oxigenoterapia não invasiva 
(Caldeira Filho e Westphal, 2010; 
Angus, 2012).
Diagnóstico 
Seu relato inicial na medicina 
humana ocorreu no ano de 1967, 
em que 12 pacientes em unidades de 
terapia intensiva foram admitidos no 
setor com os mesmo sinais clínicos 
de intensa taquipneia, hipoxemia 
refratária a oxigenoterapia, dispneia, e 
uma opacificação bilateral dos lóbulos 
pulmonares pela radiografia sendo 
que os insultos não eram oriundos 
dos pulmões inicialmente. Porém 
somente em 1994, na cidade de Berlim, 
a American-European Consensus 
Conference (AECC) determinou os 
critérios básicos para classificação do 
paciente na síndrome. O primeiro 
critério é que o surgimento do quadro 
seja de caráter agudo, o segundo é 
o índice de oxigenação derivado da 
relação da pressão parcial de oxigênio 
arterial (PaO2) (mensurado na 
hemogasometria arterial) com a fração 
inspirada de oxigênio (FiO2) se menor 
ou igual a 200 seria um forte indicativo 
da síndrome, sendo que em pessoas 
saudáveis esse valor deveria ser maior 
que 450. Outro ponto seria infiltrados 
bilaterais pulmonares visibilizados 
no exame radiográfico, e por último 
ausência de hipertensão atrial esquerda 
por exames clínicos ou pressão capilar 
da artéria pulmonar menor ou igual a 
18 cmH2O (Caldeira Filho e Westphal, 
2010; Angus, 2012). A SARA era 
considerado, pelas definições de Berlim, 
o quadro mais acentuado da lesão 
pulmonar aguda (LPA) que apresenta 
os mesmos achados, porém uma relação 
PaO2/ FiO2 menor ou igual a 300. 
Algumas limitações ocorrem nessa 
classificação de Berlim, dentre elas a não 
limitação do tempo para se caracterizar 
um episodio agudo; variação da relação 
dos pacientes que se encontram em 
ventilação mecânica com pressão 
positiva ao final da expiração (PEEP) ou 
em taxas diferentes de fração inspirada; 
subjetividade na identificação dos 
infiltrados pulmonares via radiografia; 
e as falhas em classificar hipertensão 
atrial esquerda. Com isso em 2011 
foram realizadas outras reuniões para 
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adequação do quadro de SARA (Sorbo 
et al., 2016). Segundo essa atualização de 
Berlim 1994 no ano de 2011, definiu-se 
que a SARA seria uma forma acentuada 
de LPA sendo, portanto, excluído esse 
termo das definições. Determinação 
do prazo de tempo caracterizado como 
agudo, sendo de até uma semana após 
uma injúria conhecida ou não, além da 
piora do quadro respiratório; presença 
de opacidade bilateral em radiografia 
de tórax sendo não derivado de efusões, 
colapso de lobo pulmonar ou nódulos; 
remoção do cateter de Swan-Ganz 
como ferramenta para exclusão de 
edema cardiogênico por ser uma técnica 
pouco empregada, invasiva e elevado 
custo, associado ao fato de pacientes em 
falência cardíaca ou sobrecarga de fluido 
também poderem apresentar a síndrome, 
surgindo como sugestão à realização do 
ecocardiograma; presença de hipoxemia 
pelo índice de oxigenação PaO2 / FiO2 
com a seguinte classificação: 
200 mmHg < PaO2/FiO2  ≤ 300 mmHg – Leve
100 mmHg < PaO2/FiO2≤ 200 mmHg – Moderada
PaO2/FiO2 ≤ 100 mmHg – Grave
Em Medicina Veterinária a 
caracterização do quadro de SARA 
ainda se assemelha com a classificação 
de Berlim de 1994, ou seja, exposição 
aos fatores de riscos tanto as desordens 
respiratórias primárias quanto as 
afecções sistêmicas; sinais com 
desenvolvimento agudo; radiografias 
torácica apresentando um padrão de 
infiltrados pulmonares bilaterais; uma 
relação PaO2/FiO2  menor 300 mmHg 
para LPA, que ainda permanece, e 
PaO2/FiO2  menor 200 mmHg para 
SARA; ausência de evidências clínicas 
de hipertensão atrial esquerda (DeClue 
e Cohn, 2007).
Tratamento
O tratamento das disfunções 
respiratórias decorrentes da sepse ainda é 
inespecífico e sem terapias direcionadas 
para seu controle. Em medicina 
humana aplica-se o uso da ventilação 
mecânica, substâncias surfactantes, e 
ultimamente uso de substâncias anti-
inflamatórias (ácidos graxos ricos em 
ômega 3) e a solução salina hipertônica, 
porém se faz necessário mais estudos 
(Ísola, 2013), principalmente em 
Medicina Veterinária. Portanto o 
suporte e controle dos quadros sépticos 
são fundamentais para seu controle, 
entrando com os pacotes de controle 
e sobrevivência de sepse o mais rápido 
possível.
Considerações finais
A SARA é uma síndrome sistêmica 
complexa, que possui um grande 
envolvimento sistêmico. A necessidade 
de adequação da classificação da SARA 
em Medicina Veterinária também se faz 
necessária, haja vista poucos critérios 
de inclusão da Síndrome. Avanços 
como a utilização da hemogasometria 
permitirá o diagnóstico e a ventilação 
mecânica microprocessada favorecerá 
um adequado tratamento, não se 
esquecendo de adotar precocemente 
todas as medidas para o tratamento 
da sepse e suas derivações. SARA e 
SEPSE são nomes que não podem ser 
esquecidos na medicinaveterinária.
Figura 1 Fotomacrografia de lobo pulmonar coletado em necropsia. Área pulmonar com hepatização, 
infiltrado piossanguinolento. A maior parte do pulmão deste animal estava em atelectasia. Causa 
do óbito choque séptico associado a SARA. Imagem cedida gentilmente pelo MV Warley Gomes dos 
Santos.
EXAMES REALIZADOS PELO TECSA LABORATÓRIOS
COD EXAMES DIAS
788 CHECK UP GLOBAL DE FUNCOES COM 
HEMOGRAMA
0
576 CULTURA COM ANTIBIOGRAMA COMBINADO 
(AEROBIOS E ANAEROBIOS)
8
715
PERFIL TIPAGEM SANGUINEA+CHECK 
UP GLOBAL DE FUNCOES+HEMOGRAMA 
CANINO
1
58 HEMOCULTURA 8
856 PERFIL CHECK UP CARDIO - RENAL 2
28
EMERGÊNCIAS
HIPOCALCEMIA GRAVE COM SINAIS NEUROMUSCULARES 
PROVENIENTE DE HIPOPARATIREOIDISMO EM UM CÃO
Dr. MV, MSc, DSc Warley Gomes dos Santos
Dra. MV Cíntia Cristina Martins Valadares de Souza
raça definida, sexo masculino, atendido 
no dia 09 de Agosto de 2016 em uma 
clínica após múltiplas crises epiléticas 
convulsivas generalizadas. Tais crises 
ocorriam há dois dias (sete episódios 
em domicílio). Animal tinha uma 
dieta totalmente caseira à base de 
proteína bovina cozida. À admissão do 
paciente, foi administrado midazolam 
para cessar o episódio agudo de crises 
epiléticas convulsivas generalizadas. 
Após o internamento não teve crises 
epiléticas convulsivas até o dia 11 
de Agosto. O animal estava ativo, 
eliminações presentes (diurese e fezes), 
e normorexia, aceitando o alimento que 
tutora trazia de casa (carne cozida). O 
paciente era agressivo, irritadiço com 
a equipe quando manipulado. Sem 
alterações em ecoDopplercardiografia e 
eletrocardiografia e sem alterações graves 
no hemograma. Proteína plasmática 
total encontrava-se ligeiramente elevada 
e os níveis da albumina encontravam-se 
adequados. Entre os exames bioquímicos 
de triagem, a dosagem sérica de cálcio 
total encontrava-se abaixo dos valores 
de referência para a espécie, sendo 
observado 4,1 mg/dl. Animal teve alta 
e no dia 13 de Agosto, foi internado 
novamente devido episódio de crise 
epilética convulsiva em domicílio. 
No internamento não apresentou 
nenhuma crise. A dosagem sérica do 
cálcio total era de 3mg/dl. No dia 14 
de Agosto foi realizada uma tomografia 
computadorizada e não houve qualquer 
intercorrência ou mesmo alterações 
relacionadas à administração de 
contraste iodado, sendo mantido em 
fluidoterapia com cristaloides. Não 
houve qualquer alteração digna de nota 
em exame tomográfico. O paciente 
mantinha-se em reposição de cálcio 
na forma de gluconato de cálcio pela 
via intravenosa. Apresentava-se ativo, 
eliminações presentes. No dia 15 de 
Agosto em horário de visita, animal 
ficou muito agitado e apresentou 
uma crise generalizada, sendo esta 
tratada no momento com midazolam 
pela via intravenosa. No dia 16 de 
Agosto, paciente sem crises e os níveis 
séricos de cálcio total encontravam-se 
baixos e níveis de fósforo elevando-
se. No dia 17 de Agosto, ainda sem 
crises epiléticas convulsivas, ativo, 
alimentando. Iniciado suplementação 
de cálcio via oral. Realizado urinálise 
na qual havia presença de proteinúria, 
traços de corpos cetônicos, sem 
glicosúria. Adicionalmente, foi 
coletado amostra para a dosagem de 
paratormônio. De forma súbita em 
plantão noturno, o quadro clínico do 
animal ficou pior, sendo que no dia 
19 de Agosto foi realizado intubação 
orotraqueal e ventilação por bolsa-
válvula-máscara devido ter ocorrido 
uma parada respiratória. Animal evoluiu 
rapidamente com acidose respiratória e 
metabólica (nos demais dias, os exames 
de hemogasometria não apresentavam 
graves alterações do equilíbrio ácido-
base). Os níveis de cálcio iônico dosado 
em equipamento de hemogasometria 
(Cobas B 221) encontravam-se 
intensamente abaixo da referência 
para cães, sendo suplementado pela 
via intravenosa. Os níveis do potássio 
também se encontravam em níveis 
baixos para a espécie antes do tratamento 
da enfermidade. O Quadro 1. apresenta 
exames seriados de hemogasometria 
venosa do animal evidenciando os 
níveis de cálcio iônico de forma 
cronológica durante o internamento 
do paciente. Durante o dia, o animal 
Introdução
O hipoparatireoidismo é uma 
endocrinopatia considerada rara a 
incomum em cães decorrente da 
deficiência absoluta ou relativa do 
paratormônio (PTH). Provenientes 
da concentração inadequada deste 
hormônio podem surgir desordens 
neuromusculares graves devido às 
alterações dos níveis de cálcio, fósforo 
e outras desordens metabólica e 
ácido-base com risco de óbito do 
paciente. A dosagem do cálcio iônico 
e paratormônio são imprescindíveis 
para a conclusão diagnóstica. As causas 
do hipoparatireoidismo podem ser 
diversas tais como destruição ou atrofia 
das paratireoides secundário a uma 
tireoidite linfocítica; enteropatias com 
perda de proteína; após laringectomias, 
tireoidectomias (como exemplo nos 
felinos) ou quimioterapias. Outras causas 
comuns de hipocalcemia no cão que 
devem ser consideradas no diagnóstico 
diferencial são tetania puerperal no caso 
de fêmeas, intoxicação por etilenoglicol, 
hipoalbuminemia, doença renal crônica, 
pancreatite aguda e até mesmo erro 
laboratorial devido coleta em tubos 
com quelantes de cálcio como o EDTA 
(Feldman e Nelson, 2004; Freitas et al., 
2014; Cardoso et al., 2015).
Relato de caso e Discussão
Relata-se em ordem cronológica, 
dentro de um curto período de 
tempo, toda a evolução de um caso 
de hipoparatireoidismo primário que 
foi atendido dentro de um quadro de 
emergência clínica devido às alterações 
dos níveis de cálcio no organismo 
promovendo uma miríade de alterações, 
principalmente de ordem neurológica. 
Trata-se de um paciente canino, sem 
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EMERGÊNCIAS
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EMERGÊNCIAS NA CLÍNICA VETERINÁRIA
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apresentava-se com tosse não produtiva 
frequente e estava prostrado, porém 
sem crises epiléticas convulsivas. Dia 
20 de Agosto, apresentou uma crise 
convulsiva e ainda com os acessos de 
tosses intensos. Em novo hemograma 
realizado, apresentava-se com discreta 
anemia normocítica e hipocrômica, e 
leucocitose por neutrofilia. Mantinha-
se a discreta hiperproteinemia 
anteriormente observada. Plaquetas 
dentro de valores adequados para a 
espécie. Foi iniciado com nebulização, 
dropropizina e glicocorticoide pela via 
oral e adicionalmente, fenobarbital pela 
via intravenosa. No dia 21 Agosto, a 
tosse não produtiva reduziu e animal 
apresentava-se estável, e alimentando 
da dieta caseira, porém, apresentava-se 
com síncope durante a manipulação. O 
cálcio iônico dosado em equipamento 
para hemogasometria encontrava-se 
extremamente baixo sendo observado 
o valor de 0,3mmol/L. Foi realizada a 
reposição pela via intravenosa na forma 
de gluconato de cálcio. No dia 22 de 
Agosto, havia reduzido os episódios 
de tosse. Os resultados laboratoriais 
das dosagens do paratormônio foram 
conclusivos para hipoparatireoidismo, 
sendo os valores de 0,12 pmol/L 
(Referência paratormônio 1,9-12,38 
pmol/L). No dia 23 de Agosto, 
animal mantinha-se sem crises 
epiléticas convulsivas, porém com 
níveis críticos de cálcio iônico, mesmo 
com suplementação via intravenosa e 
oral, sendo observados valores de 0,2 
mmol/L. Dia 24 de Agosto, Animal 
teve alta hospitalar supervisionada e iria 
iniciar o uso de calcitriol. Em domicílio, 
no dia 25 de Agosto, apresentou 
uma crise focal com movimentos 
involuntários da face (ainda não estava 
em uso do calcitriol) sendo internado 
novamente. Dia 26 de Agosto, os níveis 
de cálcio iônico encontravam-se 0,5 
mmol/L. Durante a visita (momento 
de excitação do animal) apresentou 
uma crise parcial. Neste dia, iniciou o 
uso do calcitriol. De forma exponencial, 
após o início do calcitriol, os níveis 
de cálcio iônico elevaram-se, tendo o 
maior valor até então de 0,83 mmol/L 
no dia 27 de Agosto. No dia 29 Agosto, 
níveis de cálcio iônico encontrava-se em 
0,9 mmol/L (Referência cálcio iônico 
1,15-1,35mmol/L). Nãoapresentava 
mais crises epiléticas convulsivas tendo 
alta hospitalar. Após isto, os níveis 
do cálcio iônico se mantiveram em 
valores adequados para a espécie em 
consonância com o bom quadro clínico 
do animal. Apenas um ano após o 
início do tratamento com calcitriol que 
o animal teve um episódio de crises 
convulsivas, mas foi devido tutor não 
administrar o fármaco, aliado ao fato 
de nunca ter seguido a dieta correta do 
animal.
Considerações Finais
O paciente do presente relato teve 
um desfecho clínico favorável apesar 
de episódios de gravidade antes do 
diagnóstico e tratamento adequado de 
sua condição clínica. Todos os achados 
laboratoriais e clínicos que este animal 
apresentou levaram ao diagnóstico de 
hipoparatireoidismo primário. Uma 
característica do paciente crítico é a sua 
instabilidade, requerendo monitoração 
constante. O paciente com desordens 
que cursam com hipocalcemia grave 
como o hipoparatireoidismo possui 
estas instabilidades em seu quadro e 
necessita de monitoramento e cuidados 
intensivos para evitar agravos ou mesmo 
óbito. A suplementação de gluconato de 
cálcio pela via intravenosa com devida 
monitoração aliado a mensurações 
seriadas de hemogasometria e dosagens 
eletrolíticas (cálcio iônico, sódio, 
potássio) também são importantes 
para uma adequada correção imediata 
das alterações instaladas bem como 
intervenção imediata nos casos de crises 
epiléticas convulsivas. 
Quadro 1. Exames seriados de hemogasometria venosa e eletrólitos de um cão com hipocalcemia grave 
com diagnóstico de hipoparatireoidismo.
*HEMOGASOMETRIA 
VENOSA CÃES
17 18 19 21 23 25 26 27 29
08 08 08 08 08 08 08 08 08
16 16 16** TOT 16 16 16 16 16 16 ALTA
pH 7,35-7,45 7,382 6,880 7,356 7,406
pCO2 35-45 mmHg 36,3 46,5 43,5 42,5
HCO3- 20-24 mmol/L 21,1 8,5 23,3 26,1
BE -4 - +4 mmol/L -3,5 -24,4 -1,3 1,2
Na+ 140-155 mmol/L 154,3 150,6 144,7 146,8
K+ 3,5-5,5 mmol/L 2,62 2,74 3,62 3,90
iCa++ 1,15-1,35 mmol/L 0.319 0,244 0,521 0,3 0,242 0,443 0,500 0,833 0,9
HT 35-54 % 37,3 38,2 40,5 43,0
*Os valores de referência podem ter diferença entre equipamentos, sítio de coleta, tipo de heparina, 
tempo de realização do exame após coleta e entre sangue venoso e arterial. ** TOT- tubo orotraqueal.
EXAMES REALIZADOS PELO TECSA LABORATÓRIOS
COD EXAMES DIAS
419 PARATORMONIO VETERINARIO - PTH 3
730 PERFIL TRIAGEM HORMONAL MACHOS 2
702 PERFIL TRIAGEM HORMONAL FEMEAS 2
331 PERFIL ELETROLITICO 1
788 CHECK UP GLOBAL DE FUNCOES COM 
HEMOGRAMA
0
696 PERFIL HIPOTIREOIDISMO 
RADIOIMUNOENSAIO
2
697 PERFIL HIPERADRENOCORTICISMO 
RADIOIMUNOENSAIO 
2
INÍCIO 
CALCITRIOL
30
EMERGÊNCIAS
RECEPÇÃO DE PACIENTES EM URGÊNCIA
Dra. Veruschka Kellermann Brauer, Médica Veterinaria, Serviço de Urgência, Cuidados Intensivos e Anestesia do Hospital VetCentral, Portugal
Dr. Nuno Paixao, Médico Veterinario, Director do Serviço de Urgência, Cuidados Intensivos e Anestesia do Hospital VetCentral, Portugal
devem ser coletadas de maneira objetiva 
e rápida. Perguntas a serem feitas 
envolvem nível de consciência, padrão 
respiratório, hemorragias, mobilidade, 
feridas e quando as alterações 
começaram. Os proprietários devem-
se manter longe de riscos, reduzindo o 
stress do animal e protegendo gatos com 
um cobertor e cães com mordaça. O 
transporte também deve ser direcionado, 
com pequenos animais dentro de 
caixas, e grandes sobre superfícies retas. 
Possíveis traumas medulares devem ser 
minimamente manipulados e serem 
transportados em superfícies retas 
e firmes, em decúbito lateral, desde 
que o animal o permita. O tempo é 
chave essencial para reverter o quadro 
com sucesso. Mortes que ocorrem 
após poucos minutos do trauma estão 
relacionados com lesões extremamente 
graves, como ruptura medular cervical 
e hemorragia de grandes vasos. A 
primeira hora pós trauma é considerada 
a “hora de ouro”, não sendo um tempo 
exato, e podendo levar pacientes à 
morte quando o processo de reanimação 
não for realizado adequadamente. 
Através de processos de compensação 
do organismo, sequelas maiores 
podem estar sendo disfarçadas, e o 
tempo deve ser usado para identifica-
las. Para otimizar o tempo, a triagem 
deve ser bem-feita, assim como sala e 
equipamentos de emergência devem 
estar organizados e preparados. É 
importante lembrar que a “hora de ouro” 
não deve ser considerada como uma 
hora de atendimento, mas sim, a partir 
do momento do trauma. Pacientes 
específicos como felinos, pediátricos e 
geriátricos não suportam um período 
prolongado de descompensação, 
necessitando de uma intervenção ainda 
mais rápida. A avaliação primária 
deve incluir a triagem, que pode ser 
fatal para o paciente em serviço de 
urgência e está relacionada ao processo 
de fornecer prioridade de tratamento 
à determinados pacientes quando os 
recursos são insuficientes para todos. 
Uma triagem bem-feita seguida 
de processo de reanimação precoce 
aumentam a taxa de sobrevivência 
dos pacientes. Deve haver preparo e 
treinamento para saber diagnosticar 
riscos de morte, sabendo escolher entre 
dois ou mais pacientes. De preferência, 
a triagem deve ser feita por profissionais 
capacitados a diferenciarem a gravidade 
O modelo de receção de pacientes em 
urgencia, é uma sequencia de, avaliação 
primária, anamnese e história clinica 
e avaliação secundária. A avaliação 
primária, tem como objectivo detectar 
alterações que colocam em risco de vida 
imediato o paciente. Deve ser rapida 
e eficaz, tendo em conta prioridades 
fisiológicas. A avaliação primária 
de pacientes recebidos em urgência 
é fundamental, principalmente na 
medicina veterinária. Isso porque nem 
sempre as informações sobre o animal 
e as queixas são passadas corretamente 
pelo proprietário, podendo haver 
doenças primárias descompensadas, 
e a triagem feita pela recepção pode 
ser falha. Geralmente, o primeiro 
contato do proprietário com o serviço 
de urgência é telefônico, havendo a 
necessidade de um preparo da recepção 
para se comunicar ou passar a ligação 
para alguém devidamente preparado. 
Quem tiver esse contato telefônico deve 
coletar nome e contato do proprietário, 
acalma-lo, ter conhecimento médico e 
de situações de emergência e reconhecer 
situações que deverão ser encaminhadas 
a um centro médico e atendidas 
imediatamente. Todas as informações 
https://www.facebook.com/veruschka.kellermannbrauer?fref=nf
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e determinarem quanto tempo o animal 
pode ficar seguramente sem tratamento, 
caso necessário. A triagem é importante 
não apenas na necessidade de escolher 
qual o caso mais grave, mas também 
na recepção, visto que os proprietários 
de animais não possuem um senso de 
urgência adequado, a não ser que haja 
sinais clínicos muito evidentes. Na 
recepção também deve ser feita um 
exame físico, incluindo frequências 
cardíaca e respiratória, padrão 
respiratório, ausculta cardiopulmonar 
e abdominal, temperatura central e 
periférica, tempo de preenchimento 
capilar e jugular e coloração de mucosas. 
Esta avaliação deve ser feita inclusive em 
pacientes que têm horário marcado para 
consulta, visto que podem ter alguma 
descompensação recente e inesperada. 
Mais recentemente, foi criado um 
meio de triagem veterinária baseado na 
categorização dos pacientes em cores 
relacionadas com o tempo que deverão 
ser atendidos: vermelho, atendimento 
imediato; laranja, 15 minutos; amarelo, 
30 a 60 minutos; verde, 120 minutos. 
Em comparativo, esse método é mais 
efetivo em relação à avaliação intuitiva 
de técnicos veterinários com base no 
exame visual do paciente e seu histórico 
médico. Ao receber o paciente, deve-se 
obter um breve histórico médico com 
o proprietário, motivo para dar entrada 
na urgência e sinais apresentados. Uma 
avaliação rápida, englobando sistema 
respiratório, cardiovascular, neurológico 
e urinário também deve ser feita,sendo 
que qualquer alteração em pelo menos 
um dos sistemas deve encaminhar 
o animal para a sala de urgência. 
Demais condições como dor intensa, 
recente ingestão de toxinas, convulsões 
recentes, trauma, hemorragias ativas, 
órgãos prolapsados, mordidas de 
cobra recentes, hiper ou hipotermia, 
feridas abertas, fraturas, queimaduras, 
distocias e óbito também devem ser 
atendidas rapidamente. A partir do 
momento em que o paciente é recebido 
na sala de urgência, e visto que o 
tratamento deve ser rápido, é de grande 
importância seguir protocolos, que 
auxiliam na organização e na rapidez 
dos procedimentos. São avaliados os 
mesmos sistemas da triagem, mas de 
maneira mais aprofundada e mais 
rápida. A abordagem inicial deve seguir 
o algoritmo A-B-C-D, que engloba, 
respectivamente, vias aéreas, ventilação, 
circulação e status neurológico. Em 
inglês, e originalmente: Airway, 
Breathing, Circulation, Disability. 
Essa sequência prioriza os sistemas 
mais responsáveis pela manutenção 
a vida, e o exame físico deve ser feito 
simultaneamente, focando nas alterações 
mais graves do momento e preparando 
o início da terapia reanimadora. A 
avaliação do status neurológico não 
entra na avaliação primária de urgência, 
devendo ser avaliado após a estabilização 
das demais etapas. Primeiro, deve ser 
avaliada a funcionalidade das vias aéreas 
e se está havendo troca gasosa adequada 
na ventilação. O objetivo desse primeiro 
passo é detectar se há ou não hipoxemia 
e/ou hipoventilação. Englobando essas 
duas etapas, o padrão respiratório deve ser 
observado, para auxiliar na identificação 
da alteração e iniciar o tratamento o 
mais rapidamente. A ausculta deve ser 
feita em todo o trato respiratório, para 
identificar possível local com maior 
intensidade, podendo indicar local 
de obstrução. Por exemplo, pacientes 
com obstrução de via aérea superior 
reduzirão a frequência respiratória 
mas aumentarão a amplitude, afim de 
minimizar a resistência aérea. Casos 
com apnéia ou bradipnéia severa são 
indicativos de paragem respiratório, 
devendo ser entubado, ventilado e 
estabilizado, conforme a necessidade. 
Caso as vias aéreas superiores estejam 
íntegras e funcionais, a frequência 
e esforço respiratório devem ser 
avaliados, juntamente com a coloração 
de mucosas. Mucosas cianóticas 
indicam um processo de hipóxia já 
bastante avançado, e qualquer alteração 
na ausculta pulmonar necessitam de 
suplementação de oxigênio até que 
outros procedimentos possam ser 
realizados. Atenção para diferenciar a 
causa de taquipneia: quando associada a 
um esforço respiratório, está relacionada 
à algum comprometimento respiratório. 
Porém, na ausência de esforço, pode estar 
relacionada à um processo de hipóxia, 
geralmente associado à hipovolemia, 
dor, distensão abdominal e hipertermia. 
A suplementação de oxigênio sempre 
deve ser o primeiro passo para qualquer 
alteração respiratória, seguido de outros 
procedimentos direcionados à causa 
primária. Por exemplo, em caso de 
presença de líquido ou ar em espaço 
pleural, realizar toracocentese.
Em felinos, o cuidado na 
manipulação deve ser redobrado, 
visto que qualquer estress pode levar à 
uma descompensação maior, seguida 
de paragem cardiorrespiratória. 
Geralmente, nesses pacientes, 
taquipneia e esforço respiratório em 
decúbito lateral sugerem uma severa 
hipoxemia, devendo-se evitar qualquer 
manipulação desnecessária. Gatos 
assim podem ser beneficiados primeiro 
com uma suplementação de oxigênio 
através de uma via não estressante, em 
uma incubadora, por exemplo, e apenas 
após a sua melhora, terminar a avaliação 
primária e partir para acesso venoso. A 
importância da circulação se deve ao 
fornecimento adequado de oxigênio aos 
tecidos, sendo o sistema cardiovascular 
responsável pelo transporte de sangue 
oxigenado do pulmão a todo o 
organismo. Uma perfusão inadequada 
é considerada indicador de choque 
circulatório e pode ser diagnosticado 
através do exame físico. A identificação 
deve ser o mais precoce possível, pois 
uma hipóxia prolongada e severa leva 
a uma cascata de eventos que resultará 
em um disfunção múltipla de órgãos e 
óbito. Pacientes em fase compensatória 
podem apresentar apenas alterações 
circulatórias brandas, porém, não deve 
ser desvalorizados, pois podem acabar 
tendo uma deterioração maior, com pior 
prognóstico e tratamento dificultado. 
A frequência cardíaca normalmente 
varia de 70 a 120 batimentos por 
minuto em cães pequeno, 60 a 120 
em grandes e de 140 a 200 em gatos. 
32
EMERGÊNCIAS
Uma redução nessa taxa pode resultar 
em um débito cardíaco menor, e, 
consequentemente, uma perfusão 
inadequada. A bradicardia é incomum 
na urgência, e pode ser consequência de 
desequilíbrio eletrolítico (hipercalemia), 
alteração neurológica (aumento da 
pressão intracraniana), distúrbios de 
condução (bloqueio atrioventricular) ou 
até mesmo efeito de drogas anestésicas 
ou analgésicas. Já o aumento é mais 
fácil de receber em urgência, visto que a 
taquicardia é secundária à hipovolemia, 
dor, ansiedade, hipoxemia e inflamação 
sistêmica. O aumento da frequência 
cardíaca irá aumentar o débito cardíaco e 
a entrega de oxigênio, porém, essa é uma 
manobra compensatória e temporária. 
O eletrocardiograma sempre é indicado 
para bradicardia e taquicardia arrítmica. 
A avaliação da coloração de mucosas 
é subjetiva, porém, pode promover 
informações sobre a perfusão periférica. 
Quando de coloração marrom, indica 
metahemoglobina, quando amarelada 
(icterícia), aumento de bilirrubina sérica 
secundária à hemólise ou alteração 
hepática, quando pálida, anemia ou 
vasoconstrição periférica consequente 
ao choque, e, quando congestas, 
vasodilatação por inflamação sistêmica 
ou hipertermia. Mucosas cianóticas 
são indicativas de hipoxemia associada 
à volume normal de células vermelhas, 
já que cianose não é clinicamente 
evidente na ausência de níveis normais 
de hemoglobina. O tempo de 
preenchimento capilar também é um 
fator que deve ser seguido no exame 
físico para avaliar perfusão periférica, 
e, em conjunto com qualidade de pulso, 
frequência cardíaca, padrão respiratório 
e coloração de mucosas, também 
avalia volemia e etiologia do choque. 
O tempo normal de preenchimento 
é de 1 a 2 segundos, desde que haja 
volemia e perfusão adequadas. Quando 
aumentado, é sugestivo de hipoperfusão 
associada a vasoconstrição periférica, 
resposta compensatória para manter a 
perfusão e entrega de oxigênio em órgãos 
vitais. Em casos de vasoconstrição 
periférica, haverá também extremidades 
frias. Quando o tempo estiver reduzido, 
há vasodilatação ou uma alteração 
sistêmica, como inflamação, choque 
distributivo, hipertermia ou choque de 
calor. 
Distensão venosa é outro parâmetro 
importante para definir volemia do 
paciente. A distensão é reflexo de 
hipervolemia, insuficiência cardíaca 
congestiva direita ou aumento da 
pressão em cavidades cardíacas direitas. 
Melhor do que avaliar distensão de 
jugular, é avaliação de safena lateral. O 
paciente é colocado em decúbito lateral, 
e, se a safena lateral do membro oposto 
ao decúbito estiver distendida mesmo 
acima da linha do coração, indica 
aumento de pressão venosa central. 
Causas para isso são efusão pericárdica, 
hipervolemia, ou insuficiência cardíaca 
congestiva direita. Quando a distensão 
estiver acompanhada de mucosas pálidas 
e tempo de preenchimento capilar 
aumentado, há possibilidade de choque 
cardiogênico. Para finalizar circulação, 
qualidade de pulso. O pulso femural 
deve ser palpado simultaneamente 
à auscultação cardíaca ou palpação 
da batida. Quando a volemia estiver 
adequada e o débito cardíaco também, 
haverá sincronia entre o pulso e 
batimento. O pulso é consequência 
da diferença entre a pressão sistólica 
e diastólica, podendo mascarar 
alguma alteração nelas. Sendo assim, 
marcadores como o lactato acabam 
por ser mais fidedignos em relação à 
perfusão periférica, e, se estiver alterado, 
deve haver um aprofundamento maior 
paradefinir uma causa dinâmica, como 
sepse ou algo que leve a redução na 
pressão diastólica. Pulsação fraca ou 
sem sincronia com os batimentos está 
relacionada com baixo débito cardíaco 
associado a hipovolemia, redução na 
contratilidade cardíaca, vasoconstrição 
periférica ou redução na pressão do 
pulso. A falta de sincronia ou pulso 
irregular são indícios de arritmia 
cardíaca, devendo o paciente passar por 
eletrocardiograma.
Tanto na avaliação respiratória, 
quando na cardíaca, a auscultação é 
essencial. O sistema respiratório deve 
ser auscultado em toda a sua extensão, 
desde cavidade nasal até pulmão, onde 
cada alteração é indicativo de uma 
etiologia.
LOCAL ALTERAÇÃO SUSPEITA
Vias aéreas superiores Estertores Presença de fluidos
Pulmão Crepitação Presença de fluidos (edema pulmonar, pneumonia, hemorragia pulmonar)
Inspiração Estridor inspiratório Paralisia laringe
Expiração Chiado expiratório Colapso de vias aéreas menores ou bronquite
Porção cranioventral – pulmão Densidade, Pneumonia aspirativa
Pulmão Abafamento de sons Consolidação pulmonar, pneumotórax ou efusão pleural.
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A ausculta cardíaca deve ser feita 
rotineiramente, e a frequência depende 
de cada caso, sempre simultaneamente 
à palpação de pulso. Qualquer alteração 
em sincronia ou ritmo cardíaco, deve 
ser encaminhado para outros exames 
diagnósticos. Durante o exame físico, 
ou já na recepção do paciente, o nível de 
consciência deve ser avaliado. Animais 
pouco responsivos à estímulos visuais 
e táteis podem estar assim por diversas 
causas importantes. Casos em estupor, 
onde ainda há resposta à estímulo 
doloroso, estão relacionados com severa 
alteração neurológica ou metabólica. Já 
casos de coma ou convulsão são sinais 
de atividade elétrica cerebral anormal, 
por alteração neurológica primária ou 
metabólica, como encefalopatia hepática. 
A temperatura geralmente está alterada 
nos pacientes em urgência. Quando 
aumentada, deve-se eliminar a causa 
ambiental, e investigada rapidamente, 
já que está associada com inflamação 
sistêmica e infecção. Pacientes com 
hipotermia, facilmente relacionada 
com hipovolemia e déficit neurológico, 
devem ser aquecidos imediatamente. 
Na avaliação neurológica, são avaliados 
atividade cerebral e medula espinhal. 
Convulsões, status mental alterado 
(estupor ou coma) e paralisia aguda 
com perda de nocicepção devem ter 
atenção imediata. Convulsões devem ser 
controladas imediatamente, pois quando 
prolongadas levam a hipertermia, edema 
cerebral e lesões cerebrais irreversíveis. 
Aumento de pressão intracraniana deve 
ser levada em consideração em qualquer 
caso de alteração de status mental, e 
os cuidados consequentes devem ser 
tomados. O aumento pode levar a 
isquemia cerebral e herniação através do 
forame magno. Pacientes com suspeita 
de lesão medular devem ser imobilizados 
para prevenir lesões secundárias ou 
agravação do quadro. Alterações renais 
agudas ou em vesícula urinária podem 
levar a acidose metabólica, hipercalemia, 
arritmias cardíacas e óbito; quando 
que precisam de tratamento urgente. 
Sendo assim, todo paciente recebido 
em urgência deve ser palpado para 
avaliar presença de bexiga íntegra e 
repleta, descartando possibilidade 
de ruptura vesical ou uretral. Bexiga 
repleta associada a bradicardia, e um 
eletrocardiograma apresentado arritmias 
cardíacas são sugestivas de hipercalemia, 
havendo necessidade de estabilização 
imediata. Um acesso intravenoso 
deve ser adquirido rapidamente, de 
forma confortável e menos estressante 
possível para o paciente, afim de iniciar 
qualquer tratamento necessário para 
as anormalidades diagnosticadas na 
avaliação primária. Normalmente, é 
colocado em veias cefálicas ou safenas 
lateral, podendo o acesso venoso 
central ser levando em consideração 
quando suspeitas de coagulopatia e 
aumento de pressão intracraniana forem 
descartados. Para pacientes neonatos 
ou demasiadamente pequenos, uma 
alternativa é o acesso intraósseo. Análises 
de urgência incluem microhematócrito, 
sólidos totais, glicemia e esfregaço 
sanguíneo. Idealmente inclui gases 
sanguíneos venosos, eletrólitos e 
mensuração de lactato sanguíneo, já 
na avaliação primária do paciente, para 
auxiliar no diagnóstico e definição de 
terapia que deverá ser feita. 
Exames de ultrassom como o FAST 
(Focused assessment with sonography) 
são usados para uma avaliação rápida 
e objetiva de cavidades abdominal 
e torácica, em busca de líquido em 
pleura, abdômen e pericárdio, além de 
identificação de pneumotórax, hérnia 
diafragmática e fratura de costelas. 
Preparo da Sala de Urgência
Visto que a triagem, a recepção e o 
tratamento de reanimação devem ser 
feitos de maneira organizada e rápida, 
a sala de urgência deve estar sempre 
preparada e organizada, além de ter 
uma equipe devidamente treinada. 
Do contrário, dependendo do quadro 
do paciente, o indicado é encaminha-
lo para outro local mais adequado. Os 
primeiros minutos de atendimento são 
essenciais para o prognóstico e sobrevida 
do paciente. A área de atendimento 
tem de estar preparada para variados 
procedimentos, tanto clínicos quanto 
cirúrgicos, e principalmente para 
estabilizar vias aéreas, ventilação 
positiva, oxigenioterapia, acesso 
vascular, fluidoterapia, controle 
de hemorragias, monitorização 
cardiovascular, e administração de 
drogas. A sua localização também é 
essencial, com fácil acesso, aberta e de 
boa circulação, próxima da recepção, 
facilitando o contato entre veterinário, 
administração e cliente, além da 
proximidade com o centro cirúrgico e 
setor de imagens. Antes de qualquer 
sala repleta de equipamentos, a equipe 
disponível deve ser experiente, estar 
preparada e periodicamente treinada. 
O atendimento deve ser organizado 
e coesivo, e idealmente todos devem 
conhecer todas as etapas. O treinamento 
deve ser efetivo, padronizado e 
periódico, preferencialmente a cada 
6 meses para reduzir riscos de perda 
de habilidade, além de reuniões mais 
frequentes para discutir performances 
realizadas, e identificar pontos fracos e 
fortes. Conversas imediatamente após o 
atendimento de um trauma também são 
importantes, gerando enriquecimento 
significativo para o próximo evento. 
Comunicação e treinamento em 
equipe melhoram a efetividade, além 
de ter um líder dentro do grupo, para 
conduzir, distribuir funções e aplicar 
regras e procedimentos. Há uma técnica 
de comunicação denominada “circuito 
fechado”, onde uma ordem é repetida por 
quem a recebeu, para verificar a acurácia, 
evitando que não seja cumprida, ou 
seja cumprida de maneira inadequada. 
Para haver uma centralização dos 
equipamentos mínimos necessários, 
pode-se usar o carrinho de urgência, 
sem acumular equipamentos 
desnecessários que possam levar a 
alguma confusão no evento e demora 
do tratamento. Pequenos detalhes como 
tiras de adesivo previamente cortadas e 
separadas, conjunto de fluido conectado 
a equipo, seringas e cateteres com 
seus pacotes semi-abertos e seringas 
com ar conectadas aos traqueotubos 
já otimizam o tempo. Todos os itens 
34
EMERGÊNCIAS
presentes no carrinho devem ser 
revisados diariamente e após cada 
atendimento, organizando-o e repondo 
material que foi utilizado. Esse material 
deve ser exclusivo para atendimentos 
de urgência. As repartições do 
carrinho devem estar divididas 
conforme o protocolo A-B-C. No 
primeiro compartimento, haverá tubos 
endotraqueais de diversos tamanhos, 
mascara laríngea, bolsa de reanimação 
com reservatório de oxigênio, 
laringoscópio, sondas uretrais para 
aplicação de fármacos via intrabronquial, 
kit para punção traqueal ( cateter 14G, 
seringa 20 mL e conexões para fonte de 
oxigênio), kit para cricotireoideotomia 
e traqueotomia de urgência (lâmina de 
bisturi 23, lâmina de bisturi 11, tesoura, 
pinça hemostática curva, cânulas detraqueotomia de diversos tamanhos), 
kit de punção torácica (torneira de três 
vias conectada à seringa de 20 mL, 
com scalp 19G) e kit de sucção de 
vias aéreas e luz auxiliar. No segundo 
compartimento, foco no acesso vascular. 
Bolsa de fluido, preferencialmente 
Lactato ringer, conectada a equipo 
macrogotas pronto para uso, tiras de 
adesivo preparadas, gazes estéreis, 
cateteres intravasculares periféricos de 
diferentes tamanhos, agulha 40X12 e 
27X8, kit de sutura rápida (fio nylon 
2-0, porta agulhas, pinça hemostática 
curva e tesoura), seringas de variados 
tamanhos já agulhada e lâmina de 
bisturi 11 e 23. No terceiro, devem 
estar as drogas: adrenalina, vasopressina, 
sulfato de atropina, lidocaína 2%, 
lidocaína em spray, cetamina, diazepan 
ou midazolan, fentanil, naloxona, 
glicose 50%, gluconato de cálcio 10%, 
cloreto de potássio 19,4%, manitol e 
furosemida. Para facilitar a utilização, 
preencher seringas e identifica-las. E 
no quarto compartimento, matérias 
que podem complementar e facilitar os 
procedimentos anteriores, como gel para 
Doppler, eletrodos e desfibrilação, fonte 
de luz, material de proteção individual, 
campos operatórios. Todos organizados 
e de fácil visualização sempre. A estação 
fixa de atendimento de urgência também 
pode ter a disposição equipamentos de 
monitorização bastante importantes, 
como Doppler vascular e manguitos, 
lactímetro e glicosímetro, oxímetro de 
pulso, eletrocardiograma, capnógrafo, 
desfibrilador e pás, estetoscópio, 
termômetro retal e de periferia e 
ultrassom para exame FAST de 
urgência.
EXAMES REALIZADOS PELO TECSA LABORATÓRIOS
COD EXAMES DIAS
324 PERFIL BIOQUÍMICO 0
801 PERFIL CHECK-UP GLOBAL PLUS 1
235 CHECK-UP PÓS-OPERATÓRIO 1
788 CHECK UP GLOBAL DE FUNÇÕES COM 
HEMOGRAMA
0
233 CHECK-UP EMERGÊNCIA 0
570 CHECK-UP GLOBAL DE FUNÇÕES 0
35
EMERGÊNCIAS
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EMERGÊNCIAS NA CLÍNICA VETERINÁRIA
CONDUTAS QUE SALVAM VIDAS!
Número 18
MAGAZINEum benefício para o cliente TECSA
DISTÚRBIOS ELETROLÍTICOS E DO EQUILÍBRIO ÁCIDO-BASE 
EM DOIS CASOS PRESUNTIVOS DE LEPTOSPIROSE CANINA 
COM ÓBITO PRECOCE
Dr. Warley Gomes dos Santos
MV, MSc e DSc Ciência Animal, pelo Departamento de Clínica e Cirurgia Veterinárias, da Escola de Medicina 
Veterinária da UFMG. Doutorado com linha de pesquisa em toxicologia e plantas tóxicas. Atuação Emergência e 
Cuidados Críticos Veterinários.
no aparecimento predominantemente 
de alterações renais. No último caso, 
o cão pode eliminar leptospiras na 
urina por um longo período de tempo. 
Podem ocorrer outros sorovares, causando 
síndromes anictéricas (Mitika et al., 2004). 
Relato de caso e discussão
Relatam-se dois pacientes caninos 
da cidade de Recife, PE, que foram 
encaminhados de outro serviço para 
cuidados intensivos devido quadro 
presuntivo de leptospirose canina. 
Ambos os animais eram contactantes 
no mesmo domicílio. Estes animais 
apresentavam-se com hipotermia grave, 
icterícia cutâneo-mucosa generalizada 
(Fig.1). Foram iniciadas manobras de 
reanimação volêmica com soluções 
cristaloides e aquecimento corporal 
interno com pequenas quantidades 
de enema com água aquecida e outras 
medidas de suporte clínico, bem 
como antimicrobianos intravenosos. 
Os pacientes evoluíram ao óbito 
em menos de 24h após a admissão. 
Figura 1 Mucosa oral apresentando icterícia 
intensa em animal com diagnóstico presuntivo 
de leptospirose canina. Arquivo pessoal.
Os exames de hemogasometria 
foram realizados com sangue venoso 
em seringa heparinizada, coletado 
da jugular externa e executados 
imediatamente após a obtenção da 
amostra. Os parâmetros obtidos com as 
principais alterações eletrolíticas e do 
equilíbrio ácido-base estão apresentadas 
(Fig.2). Ambos os pacientes caninos 
apresentavam distúrbios caracterizados 
por acidose metabólica e respiratória, 
ou seja, um distúrbio misto. O animal 
número 1, apesar de apresentar um 
distúrbio misto, o valor elevado de 
PCO2 demonstra um predomínio do 
componente respiratório. O animal 
número 2, inicialmente o componente 
metabólico era o mais predominante em 
seu quadro, porém no terceiro exame, 
anteriormente ao óbito, havia também 
similarmente ao animal 1 o predomínio 
de uma acidose respiratória. Ambos os 
animais evoluíram ao óbito em curto 
período de tempo e apresentavam 
acidose metabólica e respiratória com 
anion gap (intervalo de ânions) elevado 
evidenciando um acúmulo de ácidos 
(ânions não mensuráveis). As principais 
causas de anion gap elevado no cão são 
devido às toxinas urêmicas, acidose 
lática, cetoácidos, intoxicação por 
salicilatos e intoxicação por etilenoglicol, 
sendo o último, pouco frequente os 
casos de intoxicações no Brasil. De fato, 
os autores do presente relato observam 
em sua rotina clínica que a maior parte 
dos animais com anion gap elevado são 
de causas renais (azotemia ou uremia 
e hiperfosfatemia) e em segundo lugar 
devido a níveis elevados de lactato. Os 
Introdução
A Leptospirose é uma enfermidade 
provocada por bactérias do gênero 
Leptospira. Há grande frequência de 
ocorrência da doença acometendo 
cães do meio urbano e grande relação 
com o crescimento desordenado das 
cidades, com pouca infra-estrutura e 
o deficiente saneamento ambiental 
urbano. A doença também acomete 
os animais do meio rural, incluindo 
bovinos, equinos, ovinos e suínos. 
Estas bactérias do tipo espiroquetas 
podem sobreviver por longos períodos 
em poças d’água, favorecendo a sua 
transmissão nos períodos de chuva 
e alagamentos (Schuller et al. 2015). 
Devido a estas características da doença, 
Recife, PE e região metropolitana, por 
ter longos períodos pluviométricos com 
alagamentos, sobretudo nos meses de 
Junho e Julho, têm ocorrido uma maior 
frequência de ocorrência da doença em 
cães, inclusive com casos notificados 
no ser humano. Entre os meses de 
Janeiro e Junho do corrente, no mínimo 
um animal por mês foi dado com 
diagnóstico sorológico de leptospirose 
canina no serviço de internamento da 
instituição onde foram internados os 
animais do presente relato. Os sorovares 
mais frequentes diagnosticados tem 
sido canicola e icterohaemorrhagiae. 
O sorovar icterohaemorrhagiae causa 
a síndrome ictero-hemorrágica em 
cães, que é de evolução desfavorável na 
maioria das vezes com danos ao fígado 
e rins, resultando em icterícia e injúria 
renal aguda e óbito muito precocemente. 
A infecção pelo sorovar canicola resulta 
36
EMERGÊNCIAS
animais que apresentam anion gap com 
valores muito elevados frequentemente 
tem um prognóstico desfavorável. Na 
avaliação do anion gap, os valores podem 
ser corrigidos para os níveis séricos de 
fósforo e albumina caso estes estejam 
alterados no paciente. Esta correção 
propicia uma avaliação etiológica 
mais acurada da acidose metabólica 
(Artero, 2017). O animal 2 apresentava 
hipercalemia grave provavelmente 
pela não excreção renal por quadro de 
injúria renal aguda anúrica. Mesmo 
com tratamento clínico direcionado à 
redução dos níveis do potássio, não houve 
efetividade do tratamento (havia sido 
administrado via intravenosa gluconato 
de cálcio para proteger o miocárdio da 
hipercalemia, bicarbonato de sódio e 
glicose hipertônica). Aliado ao quadro 
clínico geral, esta hipercalemia pode ter 
contribuído com o óbito tão precoce do 
animal (Kogika et al., 2017). O animal 
número 2 do relato, além da grave 
hipercalemia, também apresentava 
níveis de sódio abaixo da referência 
caracterizando uma hiponatremia. 
Tal hiponatremia pode ser de origem 
diluicional devido retenção de água 
bem como pela quantidade excessiva de 
solutos (toxinas urêmicas). Em relação 
ao cálcio iônico, ambos pacientes caninos 
apresentavam níveis muito inferiores 
aos valores de referência para a espécie. 
Embora os valores de cálcio iônico em 
analisadores de gases sanguíneos, em 
amostra heparinizada são tipicamente 
inferiores à amostra não heparinizada 
os valores obtidos estão bem abaixo 
da referência para a espécie (Galvão 
etal., 2017). A literatura humana 
tem reportado que o paciente grave 
frequentemente apresenta baixos níveis 
deste íon tão importante em múltiplas 
atividades vitais e este pode ser utilizado 
como prognóstico do paciente crítico 
(Zhang et al., 2014).
*HEMOGASOMETRIA VENOSA
30-06-17
ANIMAL 1- PRETINHA
EXAME 1
01-07-17
ANIMAL 2- MEL
EXAME 1
01-07-17
ANIMAL 2- MEL
EXAME 2
01-07-17
ANIMAL 2- MEL
EXAME 3
pH 7,35-7,45 7,178 7,217 7,214 7,080
pCO2 35-45 mmHg 52,4 37,3 32,0 53,6
HCO3- 20-24 mmol/L 19,0 14,8 12,6 15,5
BE -4 - +4 mmol/L -9,7 -12,1 -13,9 -14,7
Na+ 140-155 mmol/L 142,2 134,1 143,0 131,7
K+ 3,5-5,5 mmol/L 4,8 8,6 8,1 8,4
iCa++ 1,15-1,35 mmol/L 0,715 0,931 0,610 0,792
Anion Gap 28,4 34,9 40,5 33,4
Figura 2 Hemogasometria com sangue venoso de dois animais com distúrbio ácido-base e eletrolítico. *Os valores de referência podem ter diferença entre 
equipamentos, sítio de coleta, tipo de heparina, tempo de realização do exame após coleta e entre sangue venoso e arterial. Equipamento Cobas B 121. 
Considerações Finais
As alterações eletrolíticas e do 
equilíbrio ácido-base ocorrem 
frequentemente no paciente grave. A 
monitoração por avaliações seriadas em 
exames de hemogasometria ou mesmo 
na avaliação por métodos tradicionais 
no laboratório clínico é fundamental 
tanto para a obtenção do prognóstico 
quanto para o direcionamento do 
tratamento clínico.
EXAMES REALIZADOS PELO TECSA LABORATÓRIOS
COD EXAMES DIAS
788 CHECK UP GLOBAL DE FUNCOES COM HEMOGRAMA 0
785 LEPTOSPIROSE - PCR REAL TIME QUALITATIVO 7
786 LEPTOSPIROSE - PCR REAL TIME QUANTITATIVO 7
81 LEPTOSPIROSE CANINA OU EQUINA - MICROAGLUTINACAO (IGM) 2
526 PERFIL DIAGNOSTICO COMPLETO DE LEPTOSPIROSE CANINA 2
527 PERFIL DIAGNOSTICO SOROLOGICO LEPTOSPIROSE CANINA 2
331 PERFIL ELETROLITICO 1
37
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INFEÇÕES NOSOCOMIAIS
Dr. José Vieira, Médico Veterinario, Serviço de Urgência, Cuidados Intensivos e Anestesia do Hospital VetCentral, Portugal 
Dr. Nuno Paixao, Médico Veterinario, Director do Serviço de Urgência, Cuidados Intensivos e Anestesia do Hospital VetCentral, Portugal
adversa à presença de um agente 
infecioso ou às suas toxinas, sem que haja 
evidência da presença ou incubação dessa 
infeção no momento de admissão do 
paciente, ou seja, corresponde a infeções 
adquiridas pelo paciente num ambiente 
hospitalar e que se manifesta durante o 
período de hospitalização ou após a alta 
se relacionado com os procedimentos 
levados acabo durante esse período 
(Blood & Studdert, 2002; Rodrigues, 
2013; Horan, Mary & Dudeck, 2008). 
Estas podem ser causadas por fontes 
endógenas, em que o foco de infeção 
está presente em partes do organismo 
do paciente usualmente colonizadas por 
micro-organismos (pele, nariz, boca, 
trato gastrointestinal) ou por fontes 
exógenas, que não são menos do que 
todas as fontes externas ao paciente tais 
como a equipa que fornece os cuidados 
de saúde, as visitas, o equipamento e 
ambiente hospitalar (Horan et al., 2008). 
De igual modo as infeções nosocomiais 
podem ser classificadas em endémicas 
ou epidémicas, sendo as endémicas as 
mais comuns e as epidémicas as que 
surgem durante surtos, definidos como 
um aumento inusual, acima da média, 
de uma infeção específica ou de um 
micro-organismo infetante (WHO, 
2002). Estima-se que este tipo de 
infeções chega a afetar entre 4 a 9% dos 
pacientes (ECDC, 2008).
Fatores de risco
Como expectável o espectro e 
frequência de infeções nosocomiais 
difere em função do país, regiões dentro 
do mesmo país, tipo de instalações de 
saúde e ainda departamentos dentro 
dessas instalações (Mielke, 2010). Na 
medicina veterinária pode deduzir-
se riscos mais reduzidos quando 
comparado com a congénere humana. 
Tal diferenciação deve-se ao menor 
número de pacientes, aos períodos de 
hospitalização mais curtos ou a não 
submissão a procedimentos altamente 
invasivos como os que são levados 
a cabo nesta última. Contundo esta 
realidade não é estática e termina 
por seguir a tendência observada 
na medicina humana devido ao 
progresso feito que permitiu aumentar 
a qualidade de vida e longevidade dos 
animais, o que se deduz num maior 
número de pacientes geriátricos, 
crónicos e imunocomprometidos, 
realizar procedimentos cirúrgicos mais 
diversificados e em maior número e 
aumentar o período de hospitalizações. 
Na medicina veterinária tem que 
ter sido em conta também o desafio 
relacionado com a higiene dos pacientes 
, assim como o potencial zoonótico que 
alguns agentes etiológicos apresentam 
(Wieler, 2014; Milton et al, 2015; Stull 
& Weese, 2015).
Figura 1: Esquema da tríade ecológica de 
Leavell & Clarck.
Não se pode falar de risco de infeções 
sem mencionar os três elementos 
essenciais para a sua instalação, 
nomeadamente o agente, o hospedeiro 
e o ambiente. Respetivamente ao 
agente é necessário ter em consideração 
que os pacientes hospitalizados 
poderão ser expostos a diversos micro-
organismos distintos, porém nem 
sempre o contacto entre estes resulta 
no desenvolvimento de doença clínica. 
Introdução
Começamos a afirmar que muitas 
das infecções nosocomiais, aparecem 
por mau maneio nosso de pacientes, 
antibióticos, desinfectantes, etc, em 
ambiente clinico e hospitalar.O avanço 
científico e tecnológico da medicina 
permitiu beneficiar em muito a saúde dos 
pacientes devido ao desenvolvimento de 
novas terapêuticas e técnicas cirúrgicas 
contundo apesar desse benefício 
surgem paralelamente, nalguns casos, 
prejuízos devido a infeções adquiridas 
em âmbito hospitalar. Deste modo 
as infeções adquiridas em hospitais 
tornaram-se mais frequentes nos países 
industrializados, sendo a razão mais 
proeminente de falha nos tratamentos 
médicos avançados tais como cirurgias 
complexas, tratamento de pacientes 
imunodeprimidos e de pacientes que 
exigem cuidados intensivos (Mielke, 
2010). As infeções nosocomiais 
ou hospitalares são responsáveis 
pelo aumento da morbilidade e 
mortalidade dos pacientes, altos custos e 
prolongamento do internamento e estão 
dependentes de vários fatores como 
seja o estado imunitário do paciente 
internado, a realização de exames e 
terapêuticas invasivas, o ambiente 
hospitalar e as práticas de prestação de 
cuidados aos doentes, como o recurso 
intensivo e desmesurado a antibióticos 
responsáveis pela promoção da 
resistência anti-microbiana. Quando 
presentes em taxas elevadas deixam em 
evidência a má qualidade na prestação 
de cuidados de saúde (WHO, 2002).
Definição
As infeções nosocomiais ou infeções 
adquiridas em hospitais são definidas 
como uma condição localizada ou 
sistémica que resulta de uma reação 
Agente Ambiente
Hospedeiro
38
EMERGÊNCIAS
Para que tal se dê será necessário a 
conjugação de fatores vários como as 
características do micro-organismo, 
resistência antimicrobiana se aplicável, 
virulência intrínseca e quantidade de 
material infecioso inoculado. 
Como referido a transmissão destes 
agente pode dar-se pela própria flora 
do paciente (endógena), por fontes 
externas (exógena), ou mesmo infeção 
cruzada entre diferentes pacientes. 
A evolução científica inerente ao 
desenvolvimento humano levou a uma 
mudança de paradigma em que antes 
da introdução de boas práticas de 
higiene e da antibioterapia a maioria 
das infeções hospitalares se deviam a 
patogénios de origem externa ou por 
micro-organismos que não faziam 
parte da flora normal do doente, para 
uma situação em que a maioria das 
infeções adquiridas atualmente são 
causadas por micro-organismos comuns 
na população em geral, não causando 
doença ou causando quadros mais 
ligeiros do que nos doentes internados 
(WHO, 2002). No que diz respeito ao 
hospedeiro serão as suas idiossincrasias 
a determinar a não infeção ou infeção 
clínica e a sua gravidade. Fatores como 
a idade, sendo os mais prejudicadosos 
jovens e geriátricos, o estado imunitário, 
o historial clínico, intervenções 
diagnósticas e terapêuticas realizadas, 
ou serem portadores de doenças crónicas 
ou de síndromes de imunodeficiência 
que comprometem as defensas ao 
ponto de micro-organismos inócuos se 
poderem tornar patogénicos (Mielke, 
2010; WHO, 2002). Estes pacientes 
apresentam uma maior vulnerabilidade 
para este tipo de infeções, tipicamente 
acometidos através de infeções nos 
sítios submetidos a intervenções 
cirúrgicas, infeções por mordedura, 
por colocação de cateteres intravenosos 
ou por colocação de sondas uretrais 
(Walther, Tedin & Lübke-Becker, 
2016). Por último temos o ambiente; 
os hospitais veterinários congregam 
tanto animais infetados como animais 
com risco elevado de contrair infeção. 
Portanto, situações de sobrelotação, 
transferências frequentes de um 
serviço para o outro ou uma elevada 
concentração em determinada área 
para além da promoção da deslocação 
dos micro-organismos também 
promove uma maior contaminação de 
objetos, dispositivos e materiais que 
no seu conjunto irão contribuir para o 
surgimento de infeções nosocomiais. 
(WHO, 2002).
Localização das infeções 
nosocomiais
Na medicina humana as infeções do 
trato urinário e respiratório, infeção do 
sítio cirúrgico, e infeções da corrente 
sanguínea assumem aproximadamente 
80% das Infeções nosocomiais, para 
a medicina veterinária suma ainda 
as infeções gastrointestinais (Stull & 
Weese, 2015). As infeções nosocomais 
localizadas no trato urinário são, deste 
tipo de infeções, as mais comuns 
na clínica de pequenos animais. Os 
patogénios envolvidos podem ter origem 
no reto ou períneo do próprio animal 
ou então nos sistemas de drenagem 
das sondas ureterais caso estes sejam 
contaminados por ascensão de bactérias 
até a bexiga em casos de fluxo retrógrado 
de urina, situação que pode suceder 
caso o sistema esteja colocado num 
plano mais elevado do que o paciente, 
quando é realizado flush, ou em casos 
de obstrução ao normal fluxo. As sondas 
uretrais acarretam consigo um outro 
risco, a formação de biofilmes por 
bactérias presentes na sua superfície por 
fraca penetração bacteriana, resistências 
ou falhas na terapêutica (Saint & 
Chenoweth, 2003).AS infeções do local 
cirúrgico acometem tecidos, órgãos e 
cavidades manipulados durante um 
procedimento cirúrgico e consideram-
se para este efeito as que surgem até o 
trigésimo dia pós-cirúrgico e no caso 
da colocação de próteses este período 
estende-se até um ano.
Como fatores de risco temos uma 
tricotomia insuficiente ou mal realizada, 
duração do procedimento cirúrgico 
(superiores a 90 minutos aumentam 
o risco de infeção em duas vezes 
quando comparado com cirurgias 
de 60 minutos), antibioterapia em 
feridas limpas duas horas antes do 
procedimento e continuação após as 
24 horas, longos períodos de anestesia 
anteriores às cirurgias para realização 
de exames de diagnóstico ou a idade do 
paciente na qual pacientes com idade 
inferior a um ano ou superior a 10 
apresentando maior risco. Além destes 
fatores acresce a interferência do animal 
que poderá morder, lamber ou permitir 
o contacto da sutura com superfícies 
contaminadas (Dunning, 2007; Braga, 
2008). Respeito às infeções da corrente 
sanguínea estão normlamente associadas 
ao uso de dispositivos intravasculares. 
A colocação de cateteres intravenosos 
pode levar à sua contaminação pela flora 
da pele aquando da cateterização, mas 
também por patogénios ambientais e 
entéricos (Marsh-Ng, Burney, Garcia, 
2007). Segundo Seguela & Pages, 2011, 
a infusão de soluções enriquecidas 
com dextrose ou a manutenção de 
cateteres durante períodos superiores 
a setenta e duas horas potenciam a 
sua contaminação e colonização. Os 
mesmos autores isolaram, a partir 
destes dispositivos, Staphylococcus 
epidermidis, Staphylococcus 
intermedius, Staphylococcus aureus, 
Enterobacter spp, Escherichia coli, 
Pseudomonas spp, Klebsiella spp, 
Streptococcus não hemolítico e Candida 
glabrata. Apesar do maior risco associado 
à longa permanência dos cateteres 
intravenosos não existem evidências de 
que uma mudança profilática reduza 
este risco, motivo pelo qual o paciente 
deve ser mantido cateterizado o período 
mínimo indispensável para levar a cabo 
a sua terapêutica (Stull & Weese, 2015). 
No que toca às infeções gastrointestinais 
são reconhecidas quando há um 
aumento de episódios de diarreia nos 
pacientes hospitalizados. Em instalações 
para pequenos animais a salmonelose é 
a infeção nosocomial intestinal mais 
frequentemente reportada, contudo 
esta situação poderá dever-se não a 
um maior risco mas a uma mais fácil 
identificação e notificação (Benedict, 
Morley & Metre, 2008).
Patogénios relevantes
Os patogénios envolvidos tendem 
a ser oportunistas encontrados em 
animais saudáveis, estáveis no ambiente 
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ou patogénios que já desenvolveram 
resistências a alguns fármacos. 
Na clínica de pequenos animais 
destacam-se o Adenovirus canino, 
Bordetella bronchiseptica, Calicivirus, 
Chlamydophila, Esgana, Herpes vírus, 
vírus influenza, Microsporum canis, 
Parainfluenza virus, Parvoviroses, 
coronavirus respiratório, organimos 
multiresistentes, Acinetobacter spp, 
Escherichia coli, Enterococcus spp, 
Salmonella spp, Staphylococcus spp e 
Pseudomonas spp (Stull & Weese, 
2015). No que toca às resistências 
há que ressalvar que vários patogénios 
relevantes no que diz respeito às infeções 
nosocomiais na medicina veterinária 
estão classificados como ameaças graves 
de resistência antibacteriana pelo Centro 
de controlo e Prevenção de Doenças 
dos EUA, nomeadamente Acinetobacter 
spp, Enterobacteriaceae produtores 
de b-lactamase de espectro alargado 
(ESBL), Pseudomonas aeruginosa, 
Salmonella spp e Staphylococcus aureus 
resistente à meticilina (SARM), agentes 
estes com graus variáveis de resistência 
nos estados europeus conforme evidencia 
o relatório do Centro de Controlo e 
Prevenção de Doenças Europeu (CDC, 
2013; ECDC, 2017). Esta resistência 
deve-se à seleção e troca de elementos 
genéticos que promovem a emergência 
de estirpes bacterianas multirresistentes 
podendo conduzir à eliminação de 
micro-organismos sensíveis e a uma 
persistência das estirpes resistentes 
que em determinadas situações podem 
tornar-se endémicas no centro médico 
em questão. Situação que se agrava nos 
países em vias de desenvolvimento, onde 
os antibióticos de segunda linha são 
caros ou não estão disponíveis. Portanto 
pode concluir-se que o aumento do 
número e concentração de animais 
e pessoas, alterações de imunidade, 
surgimento de novos microrganismos 
e uma maior resistência bacteriana aos 
antibióticos permitirão uma maior 
difusão deste tipo de infeções (WHO, 
2002).
Prevenção e programas de 
controlo da infeção
Uma prevenção adequada idealmente 
será feita através da criação de divisões 
para distintos grupos de pacientes 
considerando, por exemplo, tipos de 
intervenções cirúrgicas e potenciais 
complicações, tipos de procedimentos 
terapêuticos ou de diagnóstico, 
anamnese e historial clínico à chegada, os 
resultados de antibiogramas e períodos 
de internamento estimados (Mendes, 
2006). A monitorização da ocorrência 
de infeção hospitalar na medicina 
veterinária não tem sido valorizada o 
suficiente, daí imperar a necessidade 
de consciencalizar toda a equipa 
envolvida para a temática em discussão 
incluindo a realidade das resistências 
antimicrobianas por forma que sejam 
adotadas por estes medidas de prevenção, 
que seja realizada uma monitorização 
das tendências no centro em questão, 
já seja a incidência e distribuição das 
infecções nosocomiais, a sua prevalência 
e quando necessário proceder â adoção 
de novo programas ou adaptação dos 
existentes, como a avaliação do impacto 
das medidas preventivas ,identificandoa necessidade de novos programas ou 
ou intensificar os existentes e avaliar 
o impacto das medidas de prevenção 
levadas a cabo(Ogeer-gyles, 2006). 
O primeiro passo para minimizar a 
incidência e os riscos associados às 
infeções nosocomais é a adoção de 
medidas e comportamentos preventivos, 
e para tal é necessário documentar todas 
as situações identificadas. Benedict, 
Morley e Metre, no ano de 2008, levaram 
a cabo um estudo em 38 hospitais 
veterinários, que concluiu que 82% dos 
hospitais estudados reportaram surtos 
de infeções nosocomais no período 
de 5 anos anteriores ao estudo, 45% 
reportaram mais do que um surto, 58% 
necessitaram de restringir a admissão 
de pacientes e 32% viram-se obrigados 
a encerrar partes das instalações por 
forma a controlar a propagação dessas 
infeções. Igualmente relevante é o facto 
de 50% destes centros terem reportado 
zoonoses nos dois anos anteriores ao 
estudo. 
A adoção de boas medidas de higiene e 
assepsia, assim como a descontaminação 
dos diferentes departamentos destes 
centros serão passos elementares e 
essenciais para prevenir este tipo de 
situacões. Contudo, não poderá deixar 
de contar com programas de controlo, 
desenvolvidos nos próprios centros 
de atendimento médico-veterinário 
(consultórios, clínicas e hospitais 
veterinários) e que envolvam a precoce 
deteção e tratamento dos doentes 
clínicos detetados e deteção dos 
portadores assintomáticos que possam 
vir a ser hospedeiros (STRATTON 
C.W,1990).
Conclusões
As infeções nosocomais são um 
sério problema de saúde pública que 
se vê agravado pelos cada vez maiores 
agregados populacionais, variações 
de imunidade, deteção de novos 
patogénios e resistência dos patogénios 
conhecidos. Sabe-se que são 
mais os pacientes que durante surtos 
desenvolvem infeção subclínica do que 
os que chegam a desenvolver a doença, 
o que nos deve levar ao pensamento 
crítico de não ficarmo-nos apenas com 
os animais doentes mas também com os 
que podem vir a ser um foco importante 
de infeções cruzadas . Na medicina 
veterinária, e de forma consistente com 
os estudos realizados para a medicina 
humana, observa-se que a presença de 
patogénios resistentes varia consoante 
o centro médico, localização, pacientes 
admitidos, serviços oferecidos e relação 
com outros centros Deste modo os 
centros de referência apresentam 
maior risco de introdução deste tipo 
de patogénios. A título de exemplo, 
Hoet et al. (2013), conclui que cães de 
estudantes de medicina veterinária estão 
fortemente associados a maior risco de 
colonização por MRSA, de igual modo 
pessoas que trabalhem ou vivam com 
animais, especialmente se doentes, 
apresentam maior risco de ser infetados. 
E se tivermos em conta que 60% das 
doenças infeciosas são consideradas 
zoonoses então não podemos esquecer 
a relação homem-animal como link 
epidemiológico para a propagação deste 
tipo de infeções (CLeaveland et al., 
2001; Donker et al., 2012; Gronthal et 
al., 2014).
Referências bibliográficas:
Solicite as Referencias bibliográficas 
originais do autor através do email: 
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EXAMES REALIZADOS PELO TECSA LABORATÓRIOS
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349 CHECK-UP GLOBAL DE FUNÇÕES 0
869 CHECK-UP CARDIORRENAL 2
837 CHECK-UP EMERGÊNCIA 0
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40
MEDICINA LAB. DE FELINOS
ANEMIAS EM FELINOS
Dr. Rubens Antonio Carneiro – Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG
Dr. Marthin Raboch Lempek – Universidade Federal Minas Gerais - UFMG
sanguínea, destruição eritrocitária, 
produção eritrocitária efetiva diminuída, 
sendo ser classificadas em agudas e 
crônicas. As anemias podem ainda 
ser classificadas por resposta medular 
como regenerativas e arregenerativas, 
pela presença de resposta reticulocitária 
e pelos índices eritrocitários, VGM, 
CHGM em macrociticas, microcíticas, 
normocrômicas, hipocrômicas.
Anemias em felinos
As anemias de felinos seguem um 
padrão semelhante às outras espécies 
em relação as causas determinantes. A 
diferença está relacionada ás anemias 
infeciosas com parasitas bem específicas. 
Em geral, os felinos reagem de forma 
diferente e mais resistente que os cães 
aso processos em que se desenvolvem 
a anemia. Em geral a resposta máxima 
medular dos gatos demora cerca de sete 
dias a partir do início da anemia, onde se 
espera uma boa resposta reticulocitária. 
Os reticulócitos dos cães são do tipo 
agregado, os dos felinos são agregados 
e pontilhados que são grânulos 
citoplasmáticos espalhados pela célula. 
A resposta eritropoiética adequada 
à anemia em gatos, quando baseada 
apenas na contagem de reticulócitos 
agregados é cerca de metade daquela 
esperada em cães, nestes casos, o 
número de reticulócitos pontilhados 
devem ser considerados, pois podem 
ser os únicos reticulócitos aumentados 
nas perdas sanguíneas discretas. Os 
reticulócitos pontilhados permanecem 
elevados por um período mais longo 
no sangue periférico (até duas semanas 
após a resolução da anemia).
Introdução
As anemias são definidas quando ocorre 
diminuição de eritrócitos, hemoglobina 
e volume globular. Em geral estes 
valores se alteram proporcionalmente 
pois todos são avaliações dos eritrócitos 
do sangue. Entretanto, eles podem 
não estar uniformemente diminuídos, 
por causa da variação de intervalos 
de referencia, presença de eritrócitos 
anormais, volume eritrocitário anormal, 
ou concentração de hemoglobina 
intracelular anormal. Anemia é mais 
um estado anormal, patológico, do que 
uma doença, com significância principal 
na capacidade diminuída do sangue de 
transportar oxigênio para os tecidos., 
resultando em intolerância á exercícios, 
fraqueza, depressão, e taquipnéia e 
mucosas pálidas.A anemia pode se 
desenvolver quando ocorre perda 
Hemácias de felinos Reticulócitos agregados e pontilhados
Os eritrócitos de felinos são menores 
que os dos cães, sendo a variação do 
volume globular (24 – 45%). Devido 
a esse pequeno tamanho, inclusive 
sendo ás vezes semelhante em tamanho 
a algumas plaquetas, os aparelhos 
de contagem eletrônica ás vezes se 
confundem. Em geral a contagem 
tem que ser avaliada e conferida por 
métodos manuais. Os corpúsculos de 
howell Joly podem se confundir com 
Haemobartonella felis, geralmente são 
encontrados em tratamentos crônicos 
com corticosteroides, e também 
indicam função esplênica diminuída. 
A forma de coleta nos felinos pode 
influenciar no número de reticulócitos, 
animais quando excitados e contidos 
para o procedimento podem aumentar 
a contagem. Os corpúsculos de Heinz 
podem ser observados em gatos sadios, 
em geral são formados pela agregação de 
grânulos finos precipitados, indicando 
desnaturação da hemoglobina. Em 
felinos indica uma propensão a 
desnaturação da hemoglobina. Esse 
corpúsculos tem sido atribuídos ao 
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MEDICINA LAB. DE FELINOS
ISSN 2358-1018
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EMERGÊNCIAS NA CLÍNICA VETERINÁRIA
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número acentuado de grupos sulfidrila 
reativos encontrados na molécula da 
hemoglobina felina. .A média de vida 
da hemácia felna é de cerca de 68 dias. 
As causas de anemias em geral são as 
mesmas em todas as espécies, variando 
de acordo o parasita ou microorganismo 
que seja espécie-específica. Os gatos 
tem características peculiares na 
demonstração dos sintomas clínicos, em 
geral a cor da mucosa não é indicado, 
pois os felinos tem as mucosas com 
aparência relativamente pálidas. O ideal 
é observar o palato. A resposta a anemia 
é que é diferente nos gatos. Os gatos 
apresentam baixa concentração de 2,3-
DPG que é importante na liberação de 
hemoglobina pela hemácia. Isso facilita 
a liberação da hemoglobina nessa 
espécie, tornando mais resistentes aos 
quadros anêmicos. 
Anemias devido a agentes 
infecciosos
Babesiose
É parasita intracelular e é espécie 
especifico; em gatos a espécie é a 
Babesia felis. O parasita geralmente não 
é observado no sangue periférico, mais 
frequentemente no sanguecapilar. É 
transmitido pelo carrapato ixodidae. 
Babesiose em gatos determinam 
anorexia, letargia e anemia de vários 
graus dependendo da intensidade 
da infecção. Geralmente a anemia é 
regenerativa macrocítica e hipocrômica, 
a icterícia é rara e geralmente não 
apresenta febre. O diagnóstico pode 
ser sorológico, mas principalmente pela 
visualização do parasita. O tratamento é 
Doxociclina e imidocarb
Hemobartonelose
Haemobartonellas são pequenas 
estruturas cocoides na superfície 
do eritrócito, sendo um organismo 
altamente pleomórfico. É transmitido 
entre brigas entre os animais. 
Geralmente causa uma anemia aguda 
em felinos, onde normalmente só os 
eritrócitos maduros são infectados. 
Raramente, podem ser observados 
microorganismo no plasma. Em sangue 
refrigerado, na presença de EDTA, os 
organismos frequentemente se destacam 
dos eritrócitos, sendo importante a 
confecção do esfregaço á fresco. É um 
parasita de difícil diagnóstico, sendo 
recomendado hemograma e esfregaços 
consecutivos. Os sintomas clínicos 
são perda de peso, febre, desidratação, 
icterícia, linfoadenomegalia, anemia. 
O grau da anemia dependerá da 
infestação e resistência do animal. A 
anemia é regenerativa normocítica e 
hipocrômica, sendo que alguns animais 
podem não apresentar remissão da 
anemia. Pode ocorrer sequestro de 
eritrpocitos infectados no baço, fígado, 
pulmões e medula óssea. Pode ocorrer 
eritrogagocitose, mas também apenas 
remoção do parasita por macrófagos. 
A esplenectomia não afeta o curso 
da doença. Animais FeLv positivo 
podem ter doença mais exacerbada. O 
tratamento em geral é pela doxiciclina e 
corticosteroides. 
Cytauxzoonoses
O parasita não é encontrado 
comumente no Brasil, é um piroplasma 
encontrado em eritrócitos e sua 
esquizogonia ocorre em macrófagos 
de vários tecidos. A esquizogonia é 
responsável pelos sinais clínicos e 
macrófagos intravasculares podem 
aumentar significativamente, 
obstruindo o lumem de vasos. Podem 
apresentar desidratação, depressão, febre 
acentuada, anemia não regenerativa. 
Pode apresentar também leucopenia e 
trombocitopenia.
Anemia hemolítica imunomediada
A anemia hemolítica imunomediada 
(AHIM) é definida como uma redução 
do número de eritrócitos em decorrência 
da destruição por imunoglobulinas ou 
pelo sistema complemento (hemólise 
intravascular) ou ainda, pela remoção 
promovida pelo sistema monocítico 
fagocitário (hemólise extravascular). 
Ocorre quando o sistema imune de um 
animal produz anticorpos que se ligam 
direta ou indiretamente seus próprios 
eritrócitos (IgA SE) e provocam a 
sua destruição. As moléculas IgASE 
podem ser IgG, IgM ou IgA, e o 
grau de lise vai depender do tipo e 
quantidade de anticorpo que se liga ao 
eritrócito e também do envolvimento 
do complemento de fixação. Os 
animais podem apresentar anemia, 
anorexia, letargia, vômitos, constipação, 
obstipação, polidipsia. Geralmente não 
apresentam febre e podem apresentar 
esplenomegalia. O diagnóstico é 
clínico, mas pode ser feito o teste de 
aglutinação e Coombs. A observação de 
esferócitos em gatos é difícil devido ao 
tamanho diminutos dos eritrócitos. As 
causas podem ser primária (idiopática) 
e secundária. As secundárias podem 
estar relacionadas com o micoplasma 
e neoplasia. Podem estar associadas 
a FeLV, erliquiose, babesiose, 
micoplasmose , Linfoma, leucemia 
mieloide, síndrome mielodisplásica. 
Alguns medicamentos usados para 
tratamento de hipertiroidismo e 
eritropoietina para tratamento de 
injúria renal.
Cytauxzoonose: Schslm’s Veterinary hematology M. Haemofelis: fonte Shalm”s Veterinary 
hematology
42
MEDICINA LAB. DE FELINOS
M Haemofelis: Fonte Shalm”s Veterinary hematology M. Haemofelis: fonte Shalm”s Vetrinary hematology
Micoplasmose
Causa anemia hemolítica aguda 
dependente do número de parasitas 
no sangue. Pode ocorrer mesmo em 
animai não imune comprometidos, 
mas infecções de FIV e FeLV podem 
predispor. A hemólise é primariamente 
extravascular e anemia pode ser 
acentuada, sendo a parasitemia cíclica. 
Mesmo após o tratamento o gato 
pode permanecer como portador. A 
transmissão se deve a presença de 
pulgas, mas pode ser também por 
lambedura, mas pode ocorrer também 
por transfusões e vertical via mãe.
Anemias oxidativas
A hemoglobina de felinos é bem 
mais sensível a lesões oxidativas devido 
a presença de oito grupos sulfidrilas, 
reativos e frágeis e a facilidade de 
dissociação da hemoglobina. O baço 
dos felinos é não sinusoidal e ineficiente 
na remoção de Bh dos eritrócitos 
porque os poros largos nas vênulas da 
poupa esplênica permitem os eritrócitos 
entrarem e saírem sem deformação. 
Por essa facilidade de circulação 
esplênica ocorre maior facilidade de 
desenvolvimento de anemia por estresse 
oxidativo. Produtos causadores de 
anemia oxidativas :
• Acetaminophen (Paracetamol)
• Propilenoglicol
• Hipertireoedismo
• Linfoma
• Azul de metileno (Mictasol)
• Fenazopiridina (Pyridium)
• Benzocaína
• Cebolas
Corpúsculo de Heinz: fonte Shalm”s Veterinary hematology
Bibliografia
1) Schalm’s Veterinary hematology – sexta edição 
– 2010 -1206pag // DOUGLAS J. WEISS - K. 
JANE WARDROP
2) Immune-mediated hemolytic anemia: 
understanding the nemesis // Sheila McCullough 
- Vet Clin Small Anim - 33 (2003) 1295–1315
3) Fundamentos de Patologia clínica veterinária 
// Steven L. Stockham - Michael A. Scott – 
segunda Edição 2011 – 726pag
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