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Negociação e Arbitragem Internacional
Ibmec Centro 丨 Prof. Paulo Emílio Vauthier Borges Macedo
Alunas: Giulia Gaspar, Júlia Paiva e Rebeca Vital
North Sea Continental Shelf Cases, 20 de fevereiro de 1969
CONTEXTO DO CASO
	O caso da Plataforma Continental do Mar do Norte se tratou de uma Jurisdição Contenciosa entre a República Federal Alemã e a Dinamarca, ao mesmo tempo que se deu entre a República Federal Alemã e dos Países Baixos. O objeto da disputa, que foi enviada à Corte Internacional de Justiça no dia 20 de Fevereiro de 1967, era sobre a delimitação da plataforma continental do Mar do Norte, e foi feita através de um Compromisso Judicial.
	A Corte Internacional de Justiça (CIJ) é o principal órgão de justiça do Sistema ONU. Criado através de dois tratados - a Carta da ONU e o Estatuto da CIJ - ele é o sucessor da Corte Permanente de Justiça Internacional, tendo herdado a jurisprudência, juízes e prédio do anterior, e com a elaboração do seu estatuto se dando à imagem e semelhança da primeira. Podendo julgar todos os casos sobre qualquer matéria de Direito Internacional Público, e emitindo decisões em casos de jurisdição contenciosa, quando haja litígios.
As Partes pediram que a Corte deliberasse sobre os princípios e regras de direito internacional que seriam aplicáveis, que com base nisso, fizesse a delimitação da divisão entre os territórios.
A composição da Corte Internacional de Justiça, à época, era a que segue. Como Presidente, e Vice-presidente, Bustamante Rivero e Koretsky, respectivamente. Como juízes: Lorde Gerald Fitzmaurice, Tanaka, Jessup, Morelli, Sir Muhammad Zafrulla Khan, Padilla Nervo, Forster, Gros, Ammoun, Beng-zon, Petren, Lachs e Onyeama. E os juízes ad hoc Mosler e Sørensen; e como escrivão Aquarone.
Mesmo que à época a República Federal da Alemanha não fosse membro oficial da CIJ, diferentemente de Dinamarca e Países Baixos, ela pôde estar diante daquela devido ao Artigo 35, parágrafo 2 do Estatuto, onde ficava estipulado que a Corte seria aberta também àqueles Estados não signatários do Estatuto. As condições a serem aplicadas nesses casos estão dispostas na Resolução 9 adotada em 15 de Outubro de 1946 pelo Conselho de Segurança, onde fica estabelecido que um Estado não signatário precisa ter depositado, previamente, no Registro da Corte, uma declaração onde ele aceita a sua jurisdição, de acordo com a Carta das Nações Unidas e se sujeita às condições do Estatuto e às Regras da Corte, além de se comprometer a agir de boa fé diante das decisões da Corte e aceitar as mesmas obrigações de um Estado membro das Nações Unidas, de acordo com o Artigo 94 da Carta. 
Artigo 94
1. Cada membro das Nações Unidas se compromete a conformar-se com a decisão da Corte Internacional de Justiça em qualquer caso em que for parte.
2. Se uma das Partes num caso deixar de cumprir as obrigações que lhe incumbem em virtude de sentença proferida pela Corte, a outra terá direito de recorrer ao Conselho de Segurança que poderá, se julgar necessário, fazer recomendações ou decidir sobre medidas a serem tomadas para o cumprimento da sentença.
A Resolução 9 também estipula que essa declaração a ser depositada possa ser particular, no caso de disputa ou disputas que já tenham ocorrido, ou geral, no caso de disputa ou disputas que já tenham ocorrido ou possam vir a ocorrer. A República Federal da Alemanha fez o depósito de declarações em 1955, 1956, 1961, 1965 e 1971.
NARRATIVA DA CONTROVÉRSIA
As características peculiares do Mar do Norte -que possui forma aproximadamente oval, é pouco profundo e quase inteiramente cercado pelas terras do continente europeu e ilhas britânicas, possui uma plataforma continental que, salvo a “fossa norueguesa”, permanece a uma distância inferior a 200 metros de profundidade e é rica em petróleo- tornaram a delimitação dessa plataforma objeto de disputa entre os Estados na região. Apesar de acordos prévios, ainda persistiam dúvidas com relação ao prosseguimento do traçado dessa delimitação. 
Por conta dessas controvérsias, o Ministro das Relações Exteriores da Holanda, em 16 de fevereiro de 1967, apresentou até a Corte a cópia original de dois compromissos judiciais (recebidos em 20 de fevereiro de 1967) firmados entre Alemanha e Holanda e entre Alemanha e Dinamarca, relativos à delimitação da plataforma continental desses países no Mar do Norte, além de uma cópia original para os três governos envolvidos, de um protocolo relativo a certas questões processuais, decorrentes dos compromissos já mencionados. As Partes demandaram à Corte que declarasse quais seriam os princípios e regras do direito internacional aplicáveis e se comprometeram a proceder, em seguida, às delimitações sobre esta base. Por uma ordem em 26 de abril de 1968, a Corte juntou os procedimentos nos dois casos. 
	Dessa forma, a Corte foi convocada, nos dois compromissos, a decidir quais seriam os princípios e regras de direito internacional aplicáveis na delimitação entre as partes das zonas da plataforma continental do Mar do Norte concernentes a cada um dos países além das linhas de delimitação parciais já fixadas nas proximidades imediatas das costas. 
Levou-se em consideração, por um lado, um acordo de 1º de dezembro de 1964 entre a República Federal da Alemanha e os Países Baixos e, por outro, um acordo entre Alemanha e Dinamarca de 9 de junho de 1965. A Corte não foi solicitada que de fato delimitasse os limites adicionais envolvidos, já que as Partes se comprometeram, em seus respectivos compromissos, a proceder à delimitação por via de acordo conforme decisão da Corte. No entanto, as Partes não chegaram a um acordo sobre a delimitação das zonas do Mar do Norte visto que a Dinamarca e os Países Baixos pretendiam que o prolongamento se efetuasse a partir do princípio da equidistância e a Alemanha não concordava. Para a República Federal, esse princípio reduziria drasticamente o que ela estimava ser sua justa parte da plataforma continental em proporção ao comprimento de seu litoral. 
RESUMO DOS PRINCIPAIS INCIDENTES PROCESSUAIS
Convenção de Genebra de 1958. ARTIGO 6.º 
1. No caso de uma mesma plataforma continental ser adjacente aos territórios de dois ou vários Estados cujas costas são opostas, o limite da plataforma continental entre estes Estados será determinado por acordo entre eles. Na falta de acordo e a menos que circunstâncias especiais justifiquem outra delimitação, esta será constituída pela linha mediana em que todos os pontos são equidistantes dos pontos mais aproximados das linhas de base a partir das quais é medida a largura do mar territorial de cada um dos Estados.
2. No caso em que a mesma plataforma continental é adjacente aos territórios de dois Estados limítrofes, a delimitação da plataforma continental é determinada por acordo entre eles. Na falta de acordo e a menos que circunstâncias especiais justifiquem outra delimitação, esta far-se-á pelo princípio da equidistância dos pontos mais próximos das linhas de base a partir das quais é medida a largura do mar territorial de cada Estado.
3. Ao delimitar a plataforma continental, toda a linha de demarcação estabelecida de acordo com os princípios mencionados nos parágrafos 1 e 2 do presente artigo deveria ser definida por referência às cartas e às características geográficas existentes numa dada data e deveria ser feita menção de pontos de referência permanentes e fixos à terra. 
A Equidistância como um princípio de Direito Internacional Consuetudinário
Uma outra questão a ser resolvida era se, através de processos de lei positiva, o princípio da equidistância deveria ser entendido como uma regra do direito internacional consuetudinário. Rejeitando as apelações dinamarquesas e holandesas, a Corte entendeu que esse princípio, presente no Artigo 6 da Convenção de Genebra, não havia sido elaborado com o objetivo de que se tornasse uma regra de direito geral, o que foi comprovado pelo fato de era aberto aos Estados a possibilidade de fazer reservas à esse artigo.
Dinamarca e Países Baixos chegaram a argumentar que mesmo que, nadata da Convenção de Genebra, não houvesse uma lei de direito internacional geral que em favor do princípio da equidistância, essa regra haveria surgido com a Convenção, devido ao seu próprio impacto, e com base nas práticas subsequentes do Estado. Para que isso ocorresse, era preciso que o Artigo 6 tivesse, em todas as possíveis ocasiões, um caráter de criação de normas. Esse artigo foi estruturado de forma que a obrigação de fazer uso do método da equidistância era condicionado ao uso do método da equidistância por acordo.
Além disso, uma participação de relevância em uma convenção poderia mostrar que uma regra convencional havia se tornado uma regra geral do direito internacional; no presente caso, o número de ratificações e adesões até o momento não era suficiente. No que se refere ao elemento temporal, embora a passagem de apenas um curto período de tempo não fosse necessariamente uma barreira para a formação de uma nova regra do direito internacional consuetudinário, era indispensável a prática dos Estados durante esse período. Foram citados 15 casos em que os Estados envolvidos concordaram em traçar ou traçaram limites de acordo com o princípio da equidistância, mas não há nenhuma que comprove que eles agiram assim porque se sentiram legalmente a fazê-lo, por uma regra do direito consuetudinário. Os casos citados eram evidências inconclusivas e insuficientes de uma prática estabelecida.
Com isso, a Corte concluiu que a Convenção de Genebra não era uma regra obrigatória do direito internacional consuetudinário que prescrevia o uso do princípio da equidistância.
ARGUMENTOS DAS PARTES
Dinamarca e Países Baixos
	Para Dinamarca e Holanda, a disputa deveria ser resolvida por meio do Princípio da Equidistância, definido no Artigo 6º da Convenção sobre a Plataforma Continental. De acordo com essa regra, na ausência de um acordo entre as Partes com objetivo de empregar um outro método, qualquer delimitação de plataforma continental deveria seguir a linha da equidistância, exceto se houvessem “circunstâncias especiais” reconhecidas. 
Para os países em questão, a configuração da costa alemã do Mar do Norte não constitui em si, uma circunstância especial. Alegaram ainda que se não fosse possível a aplicação da disposição prevista neste artigo às partes em litígio, a delimitação deveria se operar entre elas "com base nos direitos exclusivos de cada qual sobre a plataforma continental adjacente às suas costas e no princípio segundo o qual a delimitação deve deixar a cada uma das Partes todos os pontos da plataforma continental que estejam mais próximos de suas costas que das costas da outra Parte".
Reiteram que mesmo que Alemanha não houvesse ratificado a Convenção, este artigo deveria ser obrigatório à ela, na medida em que ela aceitou as obrigações mediante seu comportamento, declarações públicas e pronunciamentos, considerando que o emprego do dispositivo em questão provém de uma regra de direito costumeiro. 
Para sustentar esse argumento, a proposta dinamarquesa e holandesa é a contestação de que os direitos do Estado costeiro sobre sua plataforma continental têm por fundamento a soberania que ele exerce sobre o território cuja plataforma continental é o prolongamento natural sob o mar, partindo do princípio que os direitos do Estado existem ipso facto e ab initio. Ou seja, argumentavam que todas as partes da plataforma continental mais próximas de um Estado que de qualquer ponto situado sobre a costa de um outro Estado entendiam ao primeiro Estado. A delimitação, portanto, deveria ser operada por um método que atribuísse a cada Estado interessado todas as zonas que são mais próximas da sua própria costa que de qualquer outra, tornando somente uma linha de equidistância válida para tal propósito. 
República Federal da Alemanha
	Afirmou, em contraponto, que não havia ratificado a Convenção sobre a Plataforma Continental e, portanto, não estaria sujeita ao caráter vinculante previsto no dispositivo sobre a equidistância, que, a seu ver, não havia se convertido em norma consuetudinária internacional e mesmo que estivesse vinculada à Convenção, esse princípio não prevaleceria nos termos do citado parágrafo 2.° do artigo 6.° — no caso de existirem circunstâncias especiais. Para a Alemanha, tais circunstâncias existiam, ao considerar a configuração côncava de suas costas no Mar do Norte. Além do mais, mesmo que a Alemanha tivesse ratificado a Convenção de Genebra, poderia formular uma reserva ao artigo 6º, conforme faculdade oferecida pelo artigo 12. 
 Levando ainda em consideração a forma do Mar do Norte, a República Federal sustentava que cada um dos Estados interessados poderia cogitar que sua zona da plataforma continental se estendesse até o ponto central do mar ou pelo menos atingisse sua linha mediana. 
 Não aceitava, portanto, a aplicação do princípio da equidistância como critério a ser utilizado na delimitação, principalmente por julgar que reduziria radicalmente o que estimava ser sua parte justa da plataforma continental em proporção ao comprimento de seu litoral. 
 Dessa forma, sua defesa se baseou no fato de que a disputa deveria ser solucionada por meio de uma repartição da Plataforma Continental em partes justas e equitativas (que seriam proporcionais ao comprimento do litoral de cada Estado). Ou seja, a República Federal considerou que cada parte deveria ter um direito original às áreas da plataforma continental que constituíam o prolongamento natural do seu território terrestre dentro e sob o mar. 
DECISÃO E FUNDAMENTAÇÃO
Foi pedido à Corte Internacional de Justiça que decidisse a respeito da seguinte questão: Quais são os princípios e regras de direito internacional aplicáveis à delimitação entre as Partes, das áreas da Plataforma Continental do Mar do Norte, que correspondem a cada uma delas, além daquelas já delimitadas pela Convenção de 9 de Junho de 1965.
Entretanto, não foi pedido à Corte que delimitasse as fronteiras que estivessem envolvidas, estando essa tarefa reservada às Partes, de acordo com o Compromisso Judicial. Com isso, também não caberia à Corte o papel de prescrever os métodos a serem aplicados em tal delimitação, devendo indicar somente os princípios e regras de direito sob os quais os métodos de delimitação devem ser escolhidos.
Pela história do desenvolvimento do regime jurídico da plataforma continental, a principal razão pela qual o método da equidistância não deve ser considerado uma regra de direito é que, se ele tivesse que ser aplicado obrigatoriamente em todas as situações, isso não estaria de acordo com algumas noções legais básicas que têm refletido a opinio juris em matéria de delimitação, como a necessidade dela ser o objeto de um acordo entre os Estado envolvidos, a ser resolvido com base em princípios equitativos (princípios esses que eram derivados da Truman Proclamation).
O que indica que deve haver a aplicação da equidade como uma forma da lei que exija a aplicação de princípios equitativos, de acordo com alguma regras que sempre sustentaram o desenvolvimento do regime jurídico da plataforma continental:
· As Partes estariam sobre uma obrigação de entrar em negociações com o objetivo de chegar a um acordo e não somente passar pelo processo formal de negociação, contemplando a possibilidade de modificações em suas posições iniciais. Esse princípio é bem ilustrado no Artigo 33 da Carta da ONU, que discorre sobre uma das formas de solucionar pacificamente as disputas entre Estados. Lembrando que as obrigações de negociar não necessariamente implicam a obrigação de se chegar à uma solução para o caso;
· As Partes têm a obrigação de agir de tal maneira que, no caso particular, e levando em consideração todas as circunstâncias, sejam aplicados princípios equitativos, - podendo ser usado o método da equidistância, sozinho ou em combinação com outros métodos existentes;
· A plataforma continental de qualquer Estado deve ser o prolongamento natural do seu território terrestre e não deve invadir o prolongamento natural do território de outro Estado.
	A decisãotambém chama atenção para o fato de que o método da equidistância, em termos geográficos, não leva necessariamente à equidade, por causa de alguns fatores como o fato de que pequenas irregularidades em um litoral acabar sendo amplificadas por esse princípio, como no caso de costas côncavas ou convexas, devendo haver uma elaboração de uma compensação para casos como este; além disso, no caso particular do Mar do Norte, a convergência de delimitações, acarretaria uma delimitação injusta[footnoteRef:1]. [1: “What is unacceptable in this instance is that a State should enjoy continental shelf rights considerably different from those of its neighbours merely because in the one case the coastline is roughly convex in form and in the other it is markedly concave, although those coastlines are comparable in length.” (North Sea Continental Shelf, Judgment, I.C.J. Reports 1969, p. 51)
] 
	O Tribunal declarou que considera que o direito internacional de delimitação da plataforma continental não envolve nenhuma regra imperativa e entende que o uso da equidistância, ou outro método de delimitação, não era obrigatório entre as Partes. Assim, a delimitação permitiria que se recorresse a vários princípios ou métodos, ou a uma combinação deles, desde que através de um acordo ajustado com princípios equitativos, e que levasse em consideração todas as circunstâncias relevantes. O efeito disso é que as Partes não têm a obrigatoriedade de aplicar ao caso nem a Convenção de 1958 e nem o princípio da equidistância, como uma regra obrigatória de direito internacional geral.
	Um fator final a ser levado em consideração é o elemento de um razoável grau de proporcionalidade que uma delimitação realizada de acordo com princípios equitativos deve produzir entre a extensão da plataforma continental pertencente aos Estados envolvidos, e os comprimentos de suas respectivas linhas costeiras. A escolha e aplicação dos métodos técnicos apropriados seria uma questão para as Partes. Um método discutido no decurso do processo, sob o nome do princípio da frente costeira, consiste em traçar uma linha de base reta entre os pontos extremos de cada extremidade da costa em questão ou, em alguns casos, uma série dessas linhas. O estabelecimento de uma ou mais linhas de base desse tipo pode desempenhar um papel útil na eliminação ou diminuição das distorções que podem resultar do uso desse método.
Considerando a configuração do mar do Norte e tendo em conta a situação geográfica das costas das Partes, os métodos por elas escolhidos com o objetivo de fixar a delimitação de suas respectivas áreas pode levar a uma sobreposição delas. O Tribunal considera que tal situação deve ser aceita como um fato e resolvida por um acordo, ou na impossibilidade disso, por uma divisão igual das áreas sobrepostas ou por acordos de exploração conjunta.
A Corte rejeitou a apelação dinamarquesa e holandesa em relação à aplicação para as delimitações em questão, dos princípios de equidistância definidos no Artigo 6 da Convenção de Genebra sobre Plataformas Continentais de 1958, por entender que: a República Federal, por não ter ratificado o Tratado, não estava sujeita ao artigo 6; e que o princípio da equidistância não era uma consequência necessária dos direitos da plataforma continental, não sendo assim uma regra de direito internacional.
A Corte também rejeitou a apelação alemã na questão da aceitação do princípio da partilha da plataforma continental em partes iguais. O entendimento do órgão foi o de que cada uma das Partes tinha um direito natural sobre essas áreas de plataforma que constituíam um prolongamento natural de seus territórios terrestres. Assim, esse caso não se trataria de uma partilha ou divisão das áreas, mas sim de um caso de delimitação dessas áreas.
A decisão final foi a de que (por onze votos a seis):
1. O uso do princípio da equidistância não era obrigatório pelas Partes;
2. Não existe um método que seja obrigatório em todas as circunstâncias;
3. Os princípios e regras de direito internacional aplicáveis à delimitação entre as Partes, nas áreas de plataforma continental no Mar do Norte que pertencem a cada uma delas, além do limite parcial determinado pelos acordos de 1 de dezembro de 1964 e 9 de junho de 1965, são os seguintes:
a. A Corte entendeu que as linhas fronteiriças em questão deveriam ser desenhadas através de um acordo entre as Partes que levasse em consideração o princípio da equidade, e que respeitasse algumas diretrizes, sem que fosse invadido o prolongamento natural do território terrestre de outros Estados;
b. No caso dessa delimitação resultar em áreas de Estados distintos que que se sobrepõe, esse território deve ser dividido entre eles em partes iguais, à menos que se decida por um acordo de jurisdição conjunta, uso ou exploração de toda a parte ou de um trecho dela.
4. Ao longo das negociações, devem ser levados em conta os seguintes fatores:
a. A configuração geral do litoral costeiro das Partes, bem como a presença de quaisquer características especiais ou incomuns;
b. Na medida em que seja conhecido ou facilmente determinável, a estrutura física e geológica e os recursos naturais das áreas de plataforma continental envolvidas;
c. O elemento de um grau razoável de proporcionalidade, que uma delimitação realizada de acordo com princípios equitativos deve produzir, entre a extensão das áreas de plataforma continentais pertencentes ao Estado costeiro e o comprimento de sua costa medido na direção geral da costa.
VOTOS DISSIDENTES
Vice Presidente Koretsky
O Vice Presidente Korestsky não concorda com o julgamento da corte, para ele a sentença nega a possibilidade de aplicar o Artigo 6, parágrafo 2, da Convenção de Genebra sobre a Plataforma Continental a esses casos em uma base puramente convencional. Segundo o juiz Koretsky havia uma tríade composta pelo acordo/contrato, a equidistância e as circunstâncias especiais, essas constituíam a regra do direito consuetudinário internacional aplicável à delimitação da plataforma continental. Essa era uma regra unitária e seus elementos não podiam ser separados. O acordo foi o principal meio de realizar esse processo. Os estados eram livres, nesse contexto, de confiar nas considerações que selecionavam. Em seguida, deve-se considerar circunstâncias especiais. A equidistância se aplicaria apenas subsidiariamente a esses aspectos. Em ordem hierárquica, portanto, a regra lê acordo / circunstâncias especiais / equidistância. Porém, onde havia circunstâncias especiais, não era necessariamente apropriado descartar a equidistância: seria suficiente ajustá-la ou modificá-la, para que respondesse de maneira mais adequada às particularidades do caso.
Juiz Tanaka
 O Juiz Tanaka apesar de demonstrar um imenso respeito pelo Tribunal, ele compartilha de opiniões divergentes a respeito de alguns pontos importantes na parte operativa, bem como nas razões da Sentença. Ele acorda com o Tribunal que é incontestável que o primeiro princípio do direito internacional a ser aplicado à delimitação entre as Partes das áreas da plataforma continental no Mar do Norte, é o da obrigação de entrar em negociações com o objetivo de chegar a um acordo. A prioridade da negociação e do acordo é um princípio de natureza processual, e ao contrário do Tribunal ele partilha da opinião a favor da equidistância. O juiz Tanaka optou pela prioridade da equidistância e pela subsidiariedade muito forte de circunstâncias especiais. A necessidade de equidistância condena circunstâncias especiais a serem um vetor menor de adaptação da linha de equidistância, sem jamais poder comandar um método diferente da equidistância. A questão importante em relação aos presentes casos é que as partes devem ter a garantia de poder rescindir o contrato possível repetição interminável de negociações detalhadas pela aplicação final do princípio da equidistância. Outra questão importante deve ser que, de acordo com o princípio da equidistância, o status de uma lei mundial contribuiria para o desenvolvimento progressivo do direitointernacional.
Juiz Morelli 
Para o Juiz Morelli fica bastante claro que os princípios e regras que o Tribunal foi chamado a estabelecer só poderiam ser princípios e regras vinculantes para cada uma das duas partes de cada Acordo Específico com a outra Parte. Daqui resulta que os princípios e regras que deviam ser objeto da constatação solicitada à Corte eram os princípios e as regras do direito internacional geral e não os princípios e regras contidos na Convenção de Genebra na Plataforma Continental de 29 de abril de 1958 (e em particular no seu artigo 6º), a Convenção, que não havia sido ratificada pela República Federal Alemã, não lhe era vinculativa. Sobre este ponto, ele compartilha inteiramente a opinião do Tribunal. Ao contrário do Tribunal, porém, pensa que, para encontrar os princípios e regras do direito internacional geral sobre a delimitação da plataforma continental, pode ser útil, sempre que as circunstâncias o exigirem, levar em consideração a Convenção como importante fator de evidência no que diz respeito ao direito internacional geral, porque o objetivo da Convenção é especificamente, seja qual for a taxa, em princípio, para codificar o direito internacional geral e porque este; objetivo foi, dentro de certos limites, efetivamente realizado. Em conexão com a Convenção, pode-se observar que ela foi assinada pela República Federal Alemã. Isso significa que a República Federal participou de uma operação técnica que, em benefício do objetivo declarado da Convenção, consistia no estabelecimento do direito internacional geral. 
Juiz Lachs
O Juiz Lachs não concorda com o raciocínio e conclusões do julgamento, as provas produzidas nos processos no Tribunal de Justiça não são de fato suficientes para justificar uma isenção da regra da equidistância. Não foi demonstrado que a sua aplicação exponha a República Federal Alemã a qualquer dificuldade especial, devido à curva da costa, impor-lhe quaisquer encargos indevidos ou criar-lhe sérias dificuldades. Em particular, a questão do efeito combinado das delimitações em questão em cada caso respectivo não surge, pois cada uma deve ser determinada com base na regra da equidistância. Este conclui que, a delimitação entre as partes das áreas da plataforma continental no mar do Norte que pertencem a cada uma delas além dos limites parciais já determinados por acordo deve ser realizada de acordo com o disposto no artigo 6, parágrafo 2 , da Convenção de Genebra de 1958 e, em particular, pela aplicação da regra da equidistância.
Juiz Sørensen
O Juiz Sorensen não consegue acordar com a decisão do tribunal e expõe assim a razão da sua dissidência. Apesar de concordar em certos pontos com o Tribunal, como o fato que, por sua conduta, a República Federal da Alemanha não assumiu as obrigações decorrentes da Convenção de Genebra na Plataforma Continental. Considera, no entanto, que a Convenção de Genebra e, em particular, o seu artigo 6.º, vinculam a República Federal de forma diferente. Ele não crê que o princípio da equidistância - mesmo sujeito a modificações em circunstâncias especiais - seja inerente ao conceito jurídico da plataforma continental ou parte desse conceito por implicação necessária. O Artigo 6, parágrafo 2, da Convenção sobre a Plataforma Continental é aplicável à delimitação, uma vez que entre Partes, das áreas da plataforma continental no Mar do Norte que pertencer a cada um deles, além das linhas de fronteira parciais já acordado. Na seção do artigo 6, parágrafo 2, nenhuma circunstância especial existe que justifique outra fronteira que não a resultante da aplicação do princípio da equidistância.
VOTOS EM SEPARADO
Presidente J. L. Bustamante y Rivero
O Presidente da CIJ à época, compartilhou do entendimento do resultado do julgamento de maneira geral. Porém ele discorda com o parágrafo 59, que discorre sobre as fronteiras laterais entre águas territoriais adjacentes a serem traçadas em base de equidistância. Mesmo assim, ele acredita que é possível fornecer mais considerações que possam servir de base para a delimitação a ser praticada pelas partes. A razão que ele afirma para ter feito voto em separado foi a de que por mais que a instituição da plataforma continental seja uma nova instituição, agora que a sua aplicação têm espalhado para mais países do globo, tendo vários países adotado seus princípios fundamentais para as suas legislações e sendo elas constantemente aplicadas. Ele também afirma que discorda da ideia de que a plataforma continental começa apenas após o limite do mar territorial - ideia considerada pela Convenção de Genebra de 1958 -, para ele tal classificação é discutível e lhe parece artificial não somente por contradizer a ideia de adjacência ao litoral, mas acima de tudo por perturbar o conceito geológico de território terrestre, já que seria uma prolongação.
Juiz Jessup
Philip Jessup concorda com a decisão da Corte de que o princípio da equidistância não era obrigatório diante ao direito internacional. Ele também destaca o fato de que a principal razão pela qual as Partes se empenharam na delimitação das suas respectivas plataformas continentais se deve à possibilidade de existência de depósitos de óleo e gás no leito marítimo. Porém ele chama a atenção para o fato de que não foi pedido à Corte que ela leve em consideração os recursos econômicos da plataforma continental ao determinar quais princípios seriam “justos e equitativos”. É verdade que não existe uma regra de direito internacional que exija que os Estados vizinhos de uma área, como o Mar do Norte, delimitem seus respectivos trechos da plataforma continental de forma a distribuir a cada Estado uma "parcela justa" dos recursos minerais nessa plataforma. Essa regra seria impossível de ser executada, já que exigiria como condição um conhecimento preciso da localização e tamanho ou produtividade de todas as partes da área. 	O americano diz que, devido à uma economia no Julgamento emitido pela Corte, ela não incluiu a detalhada e fatual análise que ele considera que deve ser exposta e que pode ser levada em consideração ao se realizar o acordo que as Partes desenvolverão. Além disso, ele espera que essa sua dissertação possa contribuir para um melhor entendimento dos princípios de equidade. Ele também acrescenta que compartilha com os pontos destacados pelo juiz Sir Muhammad Zafrulla Khan.
Juiz Padilla Nervo 
O juiz concorda com o julgamento da Corte. Ao seu ver, como não houve ratificação por parte da Alemanha da Convenção de 1958, está claro que o princípio da equidistância não deveria ser aplicado. Ponderou também que a República Federal não se baseou no artigo 6º da Convenção para delimitar os limites perto da costa. Tais linhas foram definidas por um acordo entre as Partes, tornando a sua direção, extensão e resultados considerados por eles justos e equitativos. Em última instância, o juiz considerava que apenas um acordo poderia resolver o problema entre as partes. Além do mais, na sua opinião, o artigo 6º não incorpora uma regra preexistente aceita de direito internacional consuetudinário, sendo melhor compreendida como uma regra convencional ou método técnico que poderia ser alterado pelas partes da Convenção. Complementa seu raciocínio afirmando que, se a regra da equidistância fosse preexistente do direito internacional, não permitiria a resolução por meio de acordo entre as Partes. Finalmente, a partir de seu ponto de vista, os parágrafos 71 a 75 da consideração da Corte contém, na sua aplicação do presente caso, a declaração dos requisitos que devem ser cumpridos para que uma regra que em sua origem é apenas contratual, poder tornar-se em regra de direito internacional consuetudinário. 
Juiz Fouad Ammoun
O juiz observa que a Corte considerou que apenas delimitações relativas à plataforma continental e feitas entre Estados adjacentes podem ser consideradas como precedentes e que os atos que devem ser levados em consideração nessa investigação são todos aqueles relacionados à delimitação de águas marítimas de qualquer tipo, tendo como conceitosubjacente comum a todos esses trechos de água que todos procedem da noção de prolongamento natural do território terrestre dos Estados costeiros. Continua argumentando que os instrumentos anteriores à Convenção sobre a Plataforma Continental, relativos à delimitação de águas marítimas não poderiam ter natureza mais variada e que uma série de fatores seriam necessários para a transformação do método da equidistância em uma regra do direito consuetudinário. O juiz lembra ainda que pode-se contar uma dúzia de Estados que não são parte da Convenção de 1958, que optaram, além dos Estados signatários da Convenção, pelo método da equidistância. Reitera, por conseguinte, que a República Federal da Alemanha não pode estar vinculada por uma regra habitual regional que rejeita, concordando, nesses termos, com a decisão da Corte, que não deveria aceitar a sustentação dos governos dinamarquês e holandês. Ao seu ver, no entanto, o Tribunal considerou que, na falta de um método de delimitação que as partes são obrigadas a usar, elas deveriam ser chamadas a negociar um acordo mediante a aplicação de princípios equitativos, chegando a uma verdade evidente de que é necessário ser justo, não dando muitas indicações às partes de como proceder. A principal questão que se coloca, para o juiz, é a seguinte: Existe um princípio geral de direito reconhecido pelas nações, conforme previsto no artigo 38, alínea (c), do Estatuto da Corte, a partir do qual seguiria uma regra no sentido de que a plataforma continental poderia, em caso de desacordo, ser delimitado equitativamente entre as partes? Conclui seu raciocínio afirmando que não seria prematuro dizer que a aplicação do princípio da equidade para a delimitação das áreas da plataforma continental no presente caso estaria alinhada com a prática praeter legem. 	
REPERCUSSÃO
A repercussão do caso aqui discutido teve consequências significativas para o direito internacional e, mais especificamente, para o direito do mar. A conceituação (derivada da sentença) da plataforma como o “prolongamento natural” sob o mar, do território do Estado costeiro, serviu de premissa para a tese da autonomia do regime da plataforma continental. 
Discussões, a partir de então, foram feitas com relação à tal conceito e ao da zona econômica exclusiva, acentuando dúvidas se este conceito excluiria o da plataforma continental, sendo este, um dos pontos destoantes entre princípios da Conferência de Santo Domingo e os da reunião de Yaoundé, contrapondo, de um lado, países latino-americanos e, de outro, países africanos; entre, enfim, países de plataforma continental extensa e os que a tem circunscrita ao âmbito das duzentas milhas marítimas. É persistente, de acordo com a diretriz dominante na Conferência das Nações Unidas a ideia da plataforma continental como “prolongamento natural” do território terrestre, não terminando no limite das duzentas milhas marítimas. Dessa forma, o término da plataforma poderia ser determinado em razão de um critério geológico preciso, o do limite exterior da margem continental, rejeitando o critério da explorabilidade, contemplado equivocadamente pela Convenção de 1958 sobre a Plataforma Continental e tornando esse novo conceito a tendência prevalecente nas reuniões diplomáticas ora em curso. 
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