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FACULDADE MULTIVIX – ES GUILHERME SOARES DE CASTRO DIREITO INTERNACIONAL Guilherme Soares de Castro Orientadora Laura Tose CARIACICA-ES 2019 GUILHERME SOARES DE CASTRO DIREITO INTERNACIONAL Trabalho de Aluno em Regime Didático Excepcional apresentado pelo acadêmico Guilherme Soares de Castro como exigência do curso de graduação 8º período em Direito da Faculdade Multivix como requisito parcial para aprovação na Disciplina de DIREITO INTERNACIONAL sob a orientação da professora Laura Tose CARIACICA-ES 2019 4 Sumário Introdução...................................................................................................................................5 1. EVOLUÇÃO HISTÓRICA E CONCEITO............................................................................5 1.1 Antiguidade (4.000 a.C a 476 d.C).......................................................................................5 1.2 Idade Média (476 d.C a 1.492 d.C).......................................................................................6 1.3 Idade Moderna (1453 d.C a 1789 d.C)..................................................................................7 1.4 Idade Contemporânea (1789 d.C ao tempo atual).................................................................8 1.5 Relação entre o Direito Interno do Estado e o Direito Internacional Público.....................10 2. FONTES DO DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO....................................................11 2.1 Costume Internacional........................................................................................................11 2.2 Principio Gerais do Direito.................................................................................................12 2.3 Atos Unilaterais...................................................................................................................13 2.4 Decisões Judiciárias e Doutrina..........................................................................................14 3. TRATADOS.........................................................................................................................14 3.1 Atores dos Tratados ...........................................................................................................14 3.2 Efeitos Jurídicos dos Tratados............................................................................................15 3.3 Classificação dos Tratados .................................................................................................16 3.4 Natureza Jurídica ................................................................................................................16 3.5 Condição de Validade dos Tratados ...................................................................................17 3.6 Partes Capazes ....................................................................................................................17 3.7 Agentes Habilitados ...........................................................................................................18 3.8 Consentimento Mutuo ........................................................................................................18 3.9 Objeto Licita Possível ........................................................................................................19 3.10 Efeitos dos Tratados sobre Terceiros ...............................................................................20 3.11 Estrutura dos Tratados .....................................................................................................21 3.12 Assinatura, Ratificação, Adesão e Aceitação dos Tratados .............................................22 3.13 Troca ou Deposito do Instrumento de Ratificação ...........................................................23 3.14 Promulgação, Publicação e Registro ................................................................................23 3.15 Processo de Incorporação no Direito Interno Brasileiro ..................................................24 3.16 Interpretação dos Tratados ...............................................................................................25 3.17 Cessação da Vigência e Extinção ....................................................................................25 4. DOMÍNIO PÚBLICO INTERNACIONAL.........................................................................26 4.1 O Ártico ..............................................................................................................................26 4.2 A Antártica .........................................................................................................................27 4.3 Rios e Canais Internacionais ..............................................................................................28 4.4 Direito Internacional do Mar ..............................................................................................29 BIBLIOGRAFIA......................................................................................................................30 5 INTRODUÇÃO O presente trabalho vem a cumprir exigência acadêmica para a disciplina de Direito Internacional Público na modalidade on-line em um estudo dirigido avaliativo sobre os tópicos a seguir. 1. EVOLUÇÃO HISTÓRICA E CONCEITO Colocamo-nos neste instante analise da evolução Histórica do Direito Internacional público, para isto, será necessários abordagem sobre os quatro períodos clássicos da história da humanidade a Antiguidade, Idade Média, Idade Moderna e Idade Contemporânea. 1.1 Antiguidade (4.000 a.C a 476 d.C) Neste sentido, uma corrente minoritária do Direito Internacional Público acredita que retomada do Império Romano pelos povos Bavos há autores que levam em consideração o surgimento do Direito Internacional apresentam como fundamento a criação de quatro institutos: da arbitragem, da imunidade diplomática, da permuta dos capturados em combates e do direito de asilo. Destaca-se na corrente minoritária o doutrinador Celso D. de Albuquerque Mello, onde registrou em seus estudos o nascedouro do Direto Internacional, nesta linha de pensamento o reconhecido doutrinados aponta que “a existência de um Direito Internacional desde que exista uma comunidade internacional, isto é, no momento em que duas ou mais coletividades independentes passam a manter relações entre si” assim justifica. Assim demonstra que a partir do tratado mais antigo que se tem conhecimento é do ano de 3.100 a.C entre Eannatum, senhor das terras do Estado de Lagash e a região de Umma na cidade da Mesopotâmia, ainda no mesmo período Antigo da historia não muito preciso, porém entre 1.291 a.C a 1.280 a.C há registro dos tratados entre Ramsés II, na época Rei do Egito, e Hattisuli, Rei dos Hititas que deu fim a guerra na Síria. Ainda com vista a Índia Antiga, no Código de Manu, no período de II a.C a II d.C, pois apresentavam em seu rol normas para relação entre os Estados similares ao Direito Internacional, com respeito ao costume do período, entre eles cita o doutrinador: a) Normas 6 sobre diplomacia; b) normas sobre guerras em que se proíbe o uso de armas pérfidas; c) Proíbe o ataque ao homem desarmado; ainda o costume de se respeitar durante as guerras: as plantações, as moradias e os agricultores. 1.2 Idade Média (476 d.C a 1.492 d.C) Outro período que a corrente minoritária do Direito Internacional compreende como seu nascimento é a Idade Média, pois neste período foi de grande influencia da igreja na relação entre diferentes regiões exercendo grande poder para lutar contra os príncipes. Entretanto, foi introduzido a “Paz deDeus” no final do século X, que vale salientar que sobre sua regência, a igreja que era contraria as guerras privadas, foi capaz de “humanizar” as guerras da idade Média. Neste papel político da Igreja, são nítidos os aspectos positivos da sua influência no intermédio de regras na diferenciação do “beligerantes e não-beligerantes” estabelecendo limites às batalhas travadas entre reinados, assim respeitando a fragilidade a quem não estava diretamente ligado a batalha, como: a) proibir a destruição de colheitas e instrumentos agrícolas; b) respeito aos camponeses, comerciantes, peregrinos, mulheres, viajantes e todos os seus bens. Medida humanitária que visava preserva a produção de alimentos, assim evitar o problema da fome que de tempos em tempos assolavam o período medieval. Mesmo assim, alguns historiadores defendem que “Paz de Deus” não houve maior importância na busca da paz, pois não havia normas e ações coercitivas no caso de descumprimento por parte dos reinos, quando na realidade somente colocava-se a construir um senso cultural e social entre eles. Entretanto, exemplos como o 1º Concilio se reúne em Charroux 989 e o 2º em Nardone em 990, após se entendendo para a Limousin, Auvergne e Borgonha em 994. Estes concílios tiveram com objetivo a proteção a igreja e ao cléro, assim descrito por J.P. Poly e E. Bournazel no livro La Mutation Féodale, X – XII siècle, 1980. Após a segunda metade do século XII é substituído a “Paz da Igreja” pela “Paz do Rei” com a 1º Ordenação em 1055 que objetivava acabar com as guerras entre os nobres estabelecendo a paz no reino por um período de 10 anos. 7 Em seguida, tem-se registro em 1027 um acordo denominado de “A Trégua de Deus” onde sua característica estava em respeitar durante o período de guerra: a Nona hora de sábado até a primeira hora de segundo - feira para que todos pudessem cumprir seus deveres dominicais religiosos da época, estendo-se após a proibição de guerra nos dias santos. Em 1.040 em Marselha as batalhas deveriam ser suspensas no período: da tarde de quarta feira até segunda feira pela manhã, a quinta feira seria para celebrar ascensão de Cristo, a sexta feira a sua paixão, o sábado sua colocação no tumulo e no domingo a sua ressurreição no período da quaresma. Desta forma estes são os primeiros tratados que são considerados pela menor parte dos doutrinadores como o inicio de uma relação de acordo entre regiões distintas trazendo em si a composição de um Direito Internacional. Ainda neste contexto histórico ressalta a importância dos filósofos Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, onde analisam a possibilidade de guerra quando for “justa” a sua causa, e para isto põe-se os argumentos: a) guerra justa na defesa do país contra bárbaros e a casa contra bandidos; com duas condições legitimas: a) se é justa; b) se há direito de declarar guerra. Justa no sentido de reparar injustiça e declaração por chefe de Estado. Enquanto Santo Tomas de Aquino acreditava que poderia ser declarada sob três condições: a) Declarada pelo príncipe; b) necessário ter causa justa; c) intenção beligerante seja reta, “promover um bem ou evitar o mal”. 1.3 Idade Moderna (1453 d.C a 1789 d.C) Este período que grande parte de doutrina considera com marco inicial para o Direito Internacional, pois foi neste momento histórico ocorreu o Tratado de Vestefália (1648) negociado no período de três anos, realizados entre dois Estados limitando suas ações em prol do bem comum. O Tratado de Vestefália foi negociado na região de Munster (França), onde havia predominância católica e em Osnabruck (Suécia) com predominância Protestante, sendo concluído os termos gerais dos Congressos realizados nas duas regiões e assinados em Munster em 24/10/1648, sendo uma “ordem criada por Estados, para Estados” (K. Holsti). Considerando que o Tratado de Vestefalia foi a primeira oportunidade que os países da Europa reuniram-se para deliberação de assuntos de interesse comum, entre as decisões são as mais importantes, conforme descreve o professor Celso Mello: a) Criação de novos Estados: Suíça; b) independência dos Países-Baixos da Holanda; c) Alsácia foi incorporada a França; 8 d) Paz religiosa na Alemanha e torna 350 estados alemães quase que independente do imperador; e) impede a unificação da Alemanha sob a bandeira católica. Destaca-se a importância do Tratado por firmar entre os países da Europa Ocidental a paz até a Revolução Francesa. O desenvolvimento dos Tratados foi acompanhado pelo Tratado de Paz de Utrecht (1793) que colocava fim a sucessão espanhola, assim assinado nos Países Baixos onde se relacionavam neste período conflituoso vários países da Europa, que segundo Paul Fauchille “sistema em que há uma distribuição de forças, em que um estado não pode impor sua vontade a outro Estado” e Ian Bronwlie como a “Balança do Poder” respeitado pelos Estados membros até o início da Revolução Francesa, porém somente tornando estáveis pelo fim das guerras religiosas. Construído pelo Lorde Bolingbroke responsável pela diplomacia inglesa sendo “o primeiro homem de Estado a construir uma diplomacia com intenção deliberada de procurar equilíbrio continental” estabelecendo com o Tratado de Utrecht o primeiro instrumento diplomático, portanto a partir deste Tratado organiza o continente Europeu pelo equilíbrio aplicado no século XVIII entre Inglaterra, Áustria, Rússia, França e Prússia. 1.4 Idade Contemporânea (1789 d.C ao tempo atual) Neste contexto histórico ocorre o Congresso de Viena em setembro de 1814 e junho de 1815 considerada a “primeira carta territorial da Europa” pois estabeleceu um novo mapa político da Europa, após a derrota dos exércitos franceses comandados por Napoleão Bonaparte com a iniciativa de restaurar os tronos das famílias reais derrotados, ainda estabelecer indenizações a serem pagas pela França por suas responsabilidades de guerra assinado no Tratado de Paris (1814), discuntido-se o conteúdo até o final da batalha com as tropas Napoleônicas em junho de 1815. Entretanto, o Tratado de Viena trás em seu corpo a maior importância para o Direito Internacional Público, como destaca o Prof. Celso Mello: “Internacionalização dos Rios Europeus; Por influência da Inglaterra, ações contra o trafico nos navios negreiros; Suíça foi declarada e reconhecida como Estado neutra permanente; formação de novos Estados Suécia, Noruega, Bélgica e Holanda; classificação dos agentes diplomáticos entre outros. “ 9 Porém para chegar aos moldes até o Tratado de Viena, o acordo entre os países membros foi construído pela Santa Aliança assinado entre os Estados da Rússia, Prússia e Áustria que tinha por objetivo, segundo Bourquim um dos idealizadores e antigo membro da Constituinte Francesa por limitar e recomendar aos chefes de Estado que submetessem a sua autoridade e seu poder aos princípios cristãos, contando em seguida com a entrada da Inglaterra e França. Outras conferencias ocorreram após o Tratado de Viena entre os mais importantes podemos citar: Congresso de Paris que pôs fim a guerra na Criméia em 1856; Em 1864 a Conferencia de Genebra criou a Cruz Vermelha Internacional; Congresso de Berlim que 1878 regularizou a situação política e territorial dos Estados Balcânicos, a Bósnia e Herzegovina ocupada e administrada pela Áustria em nome da Turquia; a Sérvia, a Romênia e Montenegro com aumento territorial; em 1885 a Conferencia Africana de Berlim tratou da bacia do Congo, estabelecendo novos requisitos para sua ocupação. Neste contexto vieram para estabelecer critérios a serem respeitados e cumpridos para os novos caminhos dos mapas políticos e territoriais na demografia Européia, proteção estratégica aos Estados com período de paz nas regiões. O Czar Nicolau da Rússia iniciou os diálogos para 1º Conferencia de Haia, por interesses armamentistas, pois havia umdesenvolvimento bélico por parte dos países vizinhos, sendo Haia escolhida porque segundo o Czar caso realizada nos grandes centros Europeus da época poderiam influênciar politicamente nas decisões a serem tomadas e Haia localizada na Holanda era considerada neutra no cenário da época. Como tema principal era: Soluções pacificas dos litígios internacionais. Conferencia que propiciou ainda: Convenção sobre leis e costumes da guerra terrestre; convenção para adaptação à guerra marítima dos princípios da convenção de Genebra (1864). No ensejo discursos para humanização da guerra, proibindo o uso de gás asfixiante e o lançamento de explosivos ou projeteis de balões e ainda o emprego de projeteis que se espalham ao atingir o corpo humano. Na oportunidade reuniram-se delegados para 1º Conferencia de Haia de 26 países: 20 europeus, 04 asiáticos, China, Japão, Pérsia e Sião, ainda Estados Unidos e México da America do Norte. Já em 1907 por iniciativa do presidente americano Theodore Roosevelt e da Rainha da Holanda Guilhermina Helena Paulina Maria deu-se a 2º Conferencia de Haia com a presença de 44 países inclusive países da América do Sul, diferentemente da 1º Conferencia, tendo 10 concluído as convenções: a) à regulamentação pacifica dos conflitos internacionais; b) à limitação de força na cobrança de dividas contratuais; c) à abertura das hostilidades; d) às leis e costumes das guerras terrestres; e) aos direitos e deveres das potencias e pessoas neutras em caso de guerra terrestre; f) ao regime dos navios de comércios inimigos no inicio das hostilidades; g) à transformação dos navios de comercio em navios de guerra; h) à colocação de minas submarinas automáticas de contato; i) ao bombardeio de forças navais em tempo de guerra; j) a certas restrições ao exercício do direito de captura na guerra marítima; l) ao estabelecimento de uma Corte Internacional de Presas; m) aos direitos e deveres das potencias neutras em caso de guerra marítima; n) à declaração relativa à interdição de lançar projeteis e explosivos do alto de balões. 1.5 Relação entre a Direito Interno do Estado e o Direito Internacional Público O presente tópico busca analise entre o Direito Interno e o Direito Internacional no sentido de solucionar como será articulação jurídica para dirimir eventuais conflitos entre as normas e qual a prevalência entre elas. Neste sentido a doutrina traz duas correntes para questão, sendo o Monismo e o Dualismo, conforme descreveremos suas diferenciações a seguir: Corrente Monista: Cabe destacar nesta corrente a importante contribuição de Hans Kelsen na estruturação de duas formas desta corrente. Primeiramente o monismo internacionalista, onde sustenta a supremacia da norma internacional em relação a norma interna onde todas as norma jurídicas internas do Estado devem se ajustar denominando assim como monismo internacional. Dentro do conceito monista, existe ainda o monismo nacionalista, onde a normal predominante é do Estado soberano em relação a norma internacional, estabelecidos como “faculdade”. Assim a norma internacional só possui valor por intermédio da Constituição Estatal hierarquicamente superior. Corrente Dualista: Neste sentido destacam-se dois autores Carl Heinrich Triepel da Alemanha e Dionisio Anzilotti da Itália que defendem que o direito internacional e o direito interno são sistemas independentes que necessariamente precisam estar ligados entre si para coexistirem. Destaca-se também a diferença entre as fontes e sujeitos desta corrente, enquanto o direito internacional parte da vontade comum entre os Estados e tem com sujeitos os 11 próprios Estados o direito interno tem com fonte a vontade unilateral do Estado e como sujeitos os indivíduos. Desta forma os defensores do Dualismo dirão que para um Tratado ser recepcionado pleno direito interno haverá sua proposição a internalizarão quando submetido ao Legislativo e transformado em lei para aplicação interna, atualmente a corrente adotada pelo Brasil. 2. FONTES DO DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Assim como todos os ramos do direito possuem suas fontes para completar a lei expressa dando maior amplitude e isonomia ao julgador diante de um caso concreto. No direito internacional público não se difere neste contexto e estão expressos de forma exemplificativa no Art. 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça do ano de 1945, sendo: A Corte, cuja função é decidir de acordo com o direito internacional as controvérsias que lhe forem submetidas, aplicará: a. as convenções internacionais, quer gerais, quer especiais, que estabeleçam regras expressamente reconhecidas pelos Estados litigantes; b. o costume internacional, como prova de uma prática geral aceita como sendo o direito; c. os princípios gerais de direito, reconhecidos pelas nações civilizadas; d. sob ressalva da disposição do Artigo 59, as decisões judiciárias e a doutrina dos juristas mais qualificados das diferentes nações, como meio auxiliar para a determinação das regras de direito. A presente disposição não prejudicará a faculdade da Corte de decidir uma questão ex aequo et bono, se as partes com isto concordarem. 2.1 Costume Internacional Em suma, costume internacional pode ser caracterizar como o comportamento reiterado e por um lastro de tempo que possa ser reconhecido em uma determinada região ou Estado diante de determinado fato, porém a doutrina não é unânime sobre qual a relação de tempo é necessária para considerar o Costume. Entretanto o Professor Francisco Rizek aponta seus elementos subjetivos “a convicção que assim proceder não sem motivo, mas por ser necessário, justo, e conseqüentemente jurídico” 12 Ainda, o Costume Internacional representa um grande avanço e desenvolvimento de novos conteúdos, principalmente pela aceleração evolutiva, juntamente com o aumento dos Estados participantes. Nestes aspectos os Costumes dividem-se: Elemento Material: O procedimento que um determinado comportamento regular no ponto de vista material não é necessariamente positivo, pois pode-se tratar de uma omissão, de uma abstenção, de um não fazer em uma determinada situação. Entretanto a ação ou a omissão dos sujeitos serão sempre pessoas jurídicas de Direito Internacional Público. Elemento Subjetivo “opinio júris”: É possível que determinado comportamento seja reiterado por hábito ou praxe, porém o elemento material não seria suficiente para concretizar com norma costumeira, pois dentro deste aspecto é necessário que seja determinada pela opinio júris, racionalizando, se procede por ser necessário, correto, justo e de bom Direito. Prova do costume: Basicamente procura-se a prova do costume por atos estatais em prol de um comportamento que tenha a necessidade de comprovar sua existência, opondo-se a parte adversa. Assim cite o Professor Francisco Rezek: “prova do costume em atos estatais, não só executivos — via de regra aqueles que compõem a prática diplomática —, mas ainda nos textos legais e nas decisões judiciárias que disponham sobre temas de interesse do direito das gentes.” 2.2 Principio Gerais do Direito Primeiramente vale destacar em seu texto do art. 38, Inc. III, “nações civilizadas” colocado pelo relator em 1920, onde era determinar que as nações participantes teriam em seus Ordenamentos Jurídicos os princípios processuais, o principio da boa-fé e o principio da res judicata, em conformidade com o depoimento de Phillimore. Portanto, a de se destacar a interpretação extensiva para uma seria de princípios comuns as ordens internais dos países do ocidente como: Direitos adquiridos e da justa indenização pela nacionalização de bens estrangeiros. Ainda cumpre observar os princípios gerais dos Direitos das Gentes: da não agressão; solução pacifica dos litígios entre os Estados; o da auto 13 determinação dos povos; a coexistência pacifica;desarmamento; a proibição da propaganda de guerra. Assim proposto pela escola soviética cumprindo a prestigiar tais princípios. Os princípios gerais do Direito Internacional Público, assim como os princípios internos de cada Estado, ocupa-se em preencher as lacunas na interpretação das leis a fim de não deixar que nenhuma demanda seja apreciada pela Corte Internacional, no caso de não haver previsão da matéria em tratados e costumes internacionais, salienta-se que assim como o costume os princípios estão fundados de comum acordo entre os Estados. 2.3 Atos Unilaterais O Estatuto da Corte não menciona os atos unilaterais no art. 38, entretanto devido as suas conseqüências jurídicas não é possível afeta-los, ainda que considerado por poucos autores, por eles não representarem normas, assim é importante destacar que se trata de um ato Estatal que se consuma em um ato jurídico com conseqüências para todos os participantes tratados. Os atos unilaterais são exercidos através dos seus gêneros: notificação, do protesto, da renuncia ou do reconhecimento, nestes atos, não se apresenta na criação normativa, entretanto causam efeitos jurídicos e por conseqüência obrigações, tanto quanto produzem as ratificações de um tratado, a adesão ou a denuncia. 1Ato e Norma. Todo Estado, entretanto, pode eventualmente produzir ato unilateral de irrecusável natureza normativa, cuja abstração e generalidade sirvam para distingui-lo do ato jurídico simples e avulso. Nesta categoria, de resto, inscrevem-se as centenas de diplomas legais que se promulgam, a cada dia, no interior das diversas ordens jurídicas nacionais, e que, na sua quase totalidade, não interessam ao direito das gentes. É certo, contudo, que o ato normativo unilateral — assim chamado por promanar da vontade de uma única soberania — pode casualmente voltar-se para o exterior, em seu objeto, habilitando-se à qualidade de fonte do direito internacional na medida em que possa ser invocado por outros Estados em abono de uma vindicação qualquer, ou como esteio da licitude de certo procedimento. Tal é o caso das leis ou decretos com que cada Estado determina, observados os limites próprios, a extensão de 1 Transcrito Francisco Rezek, Curso Elementar – Direito Internacional, pg. 91 14 seu mar territorial ou de sua zona econômica exclusiva, o regime de seus portos, ou ainda a franquia de suas águas interiores à navegação estrangeira. 2.4 Decisões Judiciárias e Doutrina Serão formas auxiliares para atender a uma demanda a qual se coloque na Corte Internacional, buscando analise efetiva e a capacidade de permitir a solução para todos os casos que lhe forem submetidos, pois não haveria possibilidade que em 1920 o legislador positiva-se princípios ou situações até a data e futuras dentro do Estatuto, considerando que sociedade e direito estão em constante evolução. Então, tão chamadas de auxiliares ou acessórios, funcionam como instrumento útil ao correto entendimento e aplicação que são lícitos aumento na busca através de analises submetidas e decididas pela Corte ou através de pesquisadores / estudiosos, ainda resoluções de organizações internacionais como forma de analise e sustentação para as decisões proferidas. As decisões judiciárias são aquelas que compõe o rol das decisões da Corte Internacional, arbitrais, proferidas na soluções de controvérsia entre os Estados, assim como as decisões pelas Cortes, como Corte de Haia. Observa-se que as jurisprudências e doutrinas utilizadas levaram em consideração, apenas o Direito Internacional Público e os julgamentos nestas Cortes, criações jurídicas ou doutrinarias de Estados não produziram efeitos jurídicos para serem utilizadas por estas Cortes nas analises a sua submissão entre Estados. Nas decisões das organizações internacionais, Salienta-se que somente ocorre em decisões procedimentais ou casos com pouca relevância, as decisões importantes estas só estão obrigadas por unanimidade e, se majoritária somente obrigam os integrantes da corrente vitoriosa. 3. TRATADOS 3.1 Atores dos Tratados Os Tratados são acordos internacionais escritos e concluídos de comum acordo entre Estados ou organizações internacionais e a Santa Fé que poderão ser compostos de dois ou mais entes 15 do Direito publico internacional, isto, independente da sua denominação especifica com intuito de produzir efeitos jurídicos entre as partes, salienta-se que empresas privadas, pouco importando sua dimensão econômica ou sua multinacionalidade, não são considerados sujeitos de Direito Internacional, desta forma não podem figurar como atores dos tratados internacionais. 3.2 Efeitos Jurídicos dos Tratados No Brasil, em particular, para que um Tratado produza efeitos em nosso ordenamento jurídico é necessário respeito ao procedimento, conforme a Constituição Federal no seu Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: I - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional; assim após submissão a Câmara dos Deputados e Senado Federal, seus efeitos jurídicos serão considerados no Brasil. Entretanto, há Tratados que não produzem efeitos nas relações jurídicas dos Estados participantes, sem gerar obrigações e prerrogativas, onde serão apenas manifestações de cunho político, assumidos por chefes de Estados com um cunho moral diante a sociedade, fundado sobre a honra, e condicionado, no tempo à permanência dos seus atores no poder, sem estabelecer força vinculante e coercitiva dos tratados internacional, estes são chamados de Gentlemen’s Agreenment (Acordo de Cavalheiros), desta forma a doutrina o distingue como tratado, por entender que ali não há acordo entre os Estados, mas um pacto entre Estadistas. O exemplo clássico de gentlemen’s agreement é a Carta do Atlântico, assinada pelo Presidente norte-americano Franklin Roosevelt e pelo primeiro ministro britânico Winston Churchill a bordo do navio USS Augusta, em 1941. Ainda, existem outras formas de Tradados que não irão produzir efeitos jurídicos como: Modus Vivendi que são acordos temporários que buscam regular determinada situação emergencial ou ainda compromissos preparatórios para composição de Tratados, normalmente o conceito de Modus Vivendi ultrapassa fronteiras e objetiva arranjos 16 temporários para regiões que estão com problemas de convivência e precisam estabelecer período pacifico e de equilíbrio até a solução definitiva do conflito. Outro é o Acordo Executivo é uma forma utilizada pelos Estados Unidos para que o Presidente possa receber autorização especial para concluir o Tratado sem que seja necessário passar pelo crivo do Senado 3.3 Classificação dos Tratados Dentre as classificações dos tratados cabe trazer os que apresentam maior relevância para o estudo, sendo: Números de partes – Os tratados podem ser bilaterais quando manifestam a intenção de vontade entre dois Estados ou organizações internacionais, ou multilaterais quando a vontade esta condicionada a partir de três Estados assumindo compromissos reciprocamente. Procedimento dos Tratados – Entre os procedimentos podem ser realizados de duas formas, o bifásico – o Tratado esta condicionado ao consentimento com assinatura e após a ratificação, e outra forma é o unifásico onde o consentimento definitivo se exprime pela assinatura assim criada vigência para o Tratado. Observa-se que o Estado brasileiro utiliza-se dos dois procedimentos a depender da matéria do Tratado Internacional. Natureza das Normas – Distinção entre tratados contratuais e tratados normativos, segundo Charles Rousseau “É nítida a diferença funcional entre os tratados - contratos, assim chamados porque com eles as partes realizam uma operação jurídica – tais como osacordos de comercio, de aliança, de cessão territorial - , e os tratados – leis , por cujo meio as partes editam uma regra de direito objetivamente valida.” Execução no Tempo – Pode-se dividir em duas formas os permanentes e os transitórios. O primeiro é aquele que se prolonga no tempo, sua execução é sucessiva independentemente do agente político, sem ter prazo para que perca validade entre as partes. Transitório são, normalmente, executados imediatamente e possuem prazo determinado para que produza efeitos entre os Estados membros. (continuar). 3.4 Natureza Jurídica 17 Conforme exposto na classificação dos tratados internacionais, neste prisma existem duas naturezas jurídicas neste ramo do direito, a primeira o tratado pode ter natureza contratual e a segunda natureza normativa ou tratado lei. Diante deste conceito a distinção entre eles dar-se que o tratado contratual firma uma relação entre os Estados – Membros, normalmente bilateral, expressando seus interesses comerciais ou territoriais, enquanto os tratados de natureza normativa ou de lei estabelecem as condutas a serem respeitadas na permanência dos Estado interessado, sita-se como exemplo a Convenção de Viena que é fonte para o Direito Internacional a OMS (Organização Mundial de Saúde) e OMC (Organização Mundial do Comércio). Desta forma se estamos diante de um tratado que estabelece norma jurídica normativa e que após tramites regulares para aceitação do Estado participante de acordo com seu ordenamento jurídico, este será um tratado de natureza jurídica normativa. Quanto diante de uma relação comercial ou territorial, onde há benesses e obrigações as serem cumpridas, porém sem o cunho legal, estaremos diante de um tratado comercial. 3.5 Condições de Validade dos Tratados Para validade de um tratado internacional é necessário respeitar algumas condições básicas para que sua estrutura possa ter a validade desejada entre os Estados Membros e os efeitos normativos jurídicos ou contratuais, congruentes ao descrito no tópico anterior. Assim os critérios que devem ser observados são: capacidade das partes, agentes habilitados, consentimento mútuo, licitude e possibilidade do objeto, onde serão detalhados abaixo. 3.6 Partes Capazes As partes capazes são orientados através do art. 6º da Convenção de Viena “todos os Estados tem capacidade de concluir tratados” onde podemos entender esta capacidade seja pelo Estado soberano ou pelos estados que compõe sua união federativa, como o caso do Brasil, importante salientar que o Estado Brasileiro não assume qualquer responsabilidade por tratados internacionais que seus entes federativos participem que não forem submetidos ao Poder Executivo Federal e o Senado Federal. 18 Ainda, a capacidade se estende as organizações internacionais, o Estado da Santa Fé e os Estados beligerantes. Salienta-se que as organizações Não Governamentais (ONGs), empresas e indivíduos não possuem personalidade jurídica de direito internacional para participar como partes dos tratados internacionais. 3.7 Agentes Habilitados Todos os Estado tem capacidade de celebrar acordos, conforme Art. 6º da Convenção de Viena, porém é necessário determinarmos quem são os atores que podem negociar e concretizar os tratados com representatividade nas personalidades jurídicas de direto público em âmbito internacional. Nesta perspectiva a representatividade para os tratados pelo Chefe de Estado que não aqueles que ostentam a representatividade de determinado Estado nas relações internacionais, pois em razão do cargo possuem idoneidade para negociar e firmar os acordos, entretanto será necessário o consentimento Estatal definitivo, na forma da lei. Contudo, cabe destacar a diferença entre chefe de Estado e Governo, enquanto o primeiro é responsável pela representatividade externo do Estado o segundo tem o direcionamento de suas atribuições para o cenário interno da administração pública do Estado. Normalmente, no sistema Parlamentarista esta divisão das funções é muito clara com o chefe de Estado e a instituição do primeiro ministro que será o chefe de governo. Todavia o sistema presidencialista adotado pelo Brasil concentra a figura do chefe de Estado e Governo na função do chefe do executivo federal o Presidente eleito democraticamente. Ainda, como terceira autoridade que pode representar o Estado nos tratados é a figura do plenipotenciário que é o ministro responsável pelas relações exteriores que possui autorização derivada do chefe de Estado e Governo para atuar com mandatário nas relações internacionais que buscam fechar os acordos. Nesta seara, há possibilidade de representação pelo chefe de missão diplomática que obtiver a carta de plenos poderes, que o habilitará a participação nas negociações de acordos bilaterais. 3.8 Consentimento Mútuo 19 O tratado e um acordo entre os Estados, onde é necessário ter o consentimento mutuo para que haja vigor do objeto do tratado, seja na esfera normativa (lei) ou contratual e na forma de uniformizar no âmbito internacional como se dará tal procedimento a Convenção de Viena, através do seu artigo 11 aponta que: “Meios de Manifestar Consentimento em Obrigar-se por um Tratado. O consentimento de um Estado em obrigar-se por um tratado pode manifestar-se pela assinatura, troca dos instrumentos constitutivos do tratado, ratificação, aceitação, aprovação ou adesão, ou por quaisquer outros meios, se assim acordado.” Então, após o consentimento do por meio de assinatura do acórdão, efetivamente produzirá os efeitos jurídicos a qual os Estados concordaram em participar. Como regra internacional nos tratados multilaterais negociados em Conferencias internacionais a adoção do texto, dar-se pela maioria de 2/3 dos Estados presentes e votantes, a não ser que, pela maioria, decidam adotar regra diversa. Cabe salientar que os efeitos jurídicos propostos dependeram da analise de cada Estado participante, porque embora entenda-se o procedimento jurídico de cada país, o consentimento tem caráter irretratável, mesmo antes da entrada em vigor, em razão do principio do pacta sunt servanda. No Brasil a ratificação cabe ao Presidente da Republica, como destacar o Art. 84, inc. VII “Compete privativamente ao Presidente da República: celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional;” e a confirmação pelo Congresso Nacional, Art. 49, inc. I “É da competência exclusiva do Congresso Nacional: resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional;” A Ratificação é o atos de governo, formal, unilateral, e de alcance internacional, em que o país exprime definitivamente a vontade de obrigar-se (consentimento). 3.9 Objeto Licito e Possível A vinculação dos Estados em um tratado internacional depende diretamente que seja vinculado sobre um objeto licito e possível, similar conceito adotado no ordenamento jurídico interno, onde deve visar o direito materialmente possível permitido pelo direito e pela moral. 20 Um exemplo histórico que podemos cita de um tratado de Monique em 1938 que tratou de objeto não licito que propôs a partilha da antiga Tchecoslováquia sem a participação e assinatura dos principais interessados, quanto a possibilidade, por exemplo o tratado da Lua e dos corpos celestes que carece de qualquer efetividade, tendo em vista que são considerados como patrimônio da humanidade, ainda faz surgir a preocupação de evitar a militarização do espaço. 3.10 Efeitos dos Tratados sobre Terceiros Neste tocante, um Estado somente sofrerá os efeitos de um tratado caso seja parte integrante deste acordo, sendo obrigatório o cumprimento das partes ratificadas assim que entrar em vigor. Assim disciplina o art. 34 da Convençãode Viena “Um tratado não cria obrigações nem direitos para um terceiro Estado sem o seu consentimento.” Desta forma para que um tratado crie obrigações a um terceiro, seguindo o mesmo raciocínio ao assumir compromissos ou usufruir de benefícios expressos terá que estabelecer sua aceitação nos termos a qual ainda não faça parte. Neste quadro destaca-se quatro situações: a) Efeitos difusos – devem ser automaticamente reconhecidos por terceiros, por exemplo quando dois países fixam os limites dos seus territórios; b) Efeitos Aparentes – quando um Estado não faz parte do tratado bilateral pode pleitear direito em função de um tratado mais amplo com clausula da nação mais favorecida, principio fundamental do GATT, no âmbito do comércio internacional, determinando a extensão a terceiros de benefícios concedidos a um Estado; c) Direitos previstos no próprio tratado – aqueles concedidos a um Estado que não faz parte do acordo; d) Obrigações previstas no próprio tratado – quando duas ou mais partes fixam obrigações a terceiros, que somente serão obrigados após efetiva aceitação das condições. A convenção de Viena de 1969 e 1986 regulamenta a participação de terceiros em tratados internacionais, sendo: 21 Artigo 35 Tratados que Criam Obrigações para Terceiros Estados Uma obrigação nasce para um terceiro Estado de uma disposição de um tratado se as partes no tratado tiverem a intenção de criar a obrigação por meio dessa disposição e o terceiro Estado aceitar expressamente, por escrito, essa obrigação. Artigo 36 Tratados que Criam Direitos para Terceiros Estados 1. Um direito nasce para um terceiro Estado de uma disposição de um tratado se as partes no tratado tiverem a intenção de conferir, por meio dessa disposição, esse direito quer a um terceiro Estado, quer a um grupo de Estados a que pertença, quer a todos os Estados, e o terceiro Estado nisso consentir. Presume-se o seu consentimento até indicação em contrário, a menos que o tratado disponha diversamente. 2. Um Estado que exerce um direito nos termos do parágrafo 1 deve respeitar, para o exercício desse direito, as condições previstas no tratado ou estabelecidas de acordo com o tratado. Artigo 37 Revogação ou Modificação de Obrigações ou Direitos de Terceiros Estados 1. Qualquer obrigação que tiver nascido para um terceiro Estado nos termos do artigo 35 só poderá ser revogada ou modificada com o consentimento das partes no tratado e do terceiro Estado, salvo se ficar estabelecido que elas haviam acordado diversamente. 2. Qualquer direito que tiver nascido para um terceiro Estado nos termos do artigo 36 não poderá ser revogado ou modificado pelas partes, se ficar estabelecido ter havido a intenção de que o direito não fosse revogável ou sujeito a modificação sem o consentimento do terceiro Estado. Artigo 38 Regras de um Tratado Tornadas Obrigatórias para Terceiros Estados por Força do Costume Internacional Nada nos artigos 34 a 37 impede que uma regra prevista em um tratado se torne obrigatória para terceiros Estados como regra consuetudinária de Direito Internacional, reconhecida como tal. 3.11 Estrutura dos Tratados Os tratados não possuem um modelo a qual deva ser seguido, ou seja, um estrutura padrão a ser usado pelos Estados ao celebrar os acordos internacionais, porem cabe observar alguns critérios básicos para sua formação, que de nenhuma forma deve ser interpretado como taxativo na sua composição, conforme o Prof. Roberto Caparroz, transcrevemos: a) Preâmbulo – é a introdução do tratado, na qual são enumerados os participantes e apresentados os motivos, os objetos e as circunstâncias que ensejaram o acordo, sem força vinculante; 22 b) Dispositivo – parte principal do tratado que encerra as normas jurídicas, escritas em linguagem técnica e formatada em artigos ou clausulas, com as obrigações assumidas pelas partes; c) Anexos – indicam as informações de caráter técnico do acordo, como procedimentos, especificações, tabelas, etc... que devem ser obedecidas pelos signatários. Normalmente os anexos são alterados na medida em que a tecnologia e os recursos se modernizam, ao contrario da parte dispositiva, que prima pela estabilidade. 3.12 Assinatura, ratificação, Adesão e Aceitação dos Tratados Assinatura de um tratado é o reconhecimento pelas partes sobre os artigos ou cláusulas propostas no ato negocial e que busca vincular o seu cumprimento onde começa a contar para troca ou o deposito dos instrumentos de ratificação quando necessários. O art. 11 da convenção de Viena estabeleceu um padrão a todos os países partes dos tratados internacionais unificando a forma adotada pelos países da União Européia, exigindo a ratificação, aceitação, aprovação ou adesão, ou por quaisquer outros meios, se assim acordado. Assinatura pode ter meramente um valor político, onde o Estado signatário reconhece as normas costumeiras tornadas convencionais. No caso do Brasil, somente assinatura não tem o condão de tornar o tratado parte do ordenamento jurídico, porem cria um vinculo de caráter irretratável em principio do principio do pacta sunt servenda. Após assinatura é necessária a ratificação destes tratados para opere de pleno efeito no território brasileiro, sendo meramente um ato administrativo do Chefe de Estado confirmando em seu nome ou em nome do Estado o aceite do agente signatário, a exemplo do Brasil a ratificação ocorre após submetido o tratado ao Congresso Nacional. Em regra o direito internacional não há prescrição para ratificação onde a qualquer tempo será avaliada pelo Congresso, ao citar o exemplo do Tratado de Viena que levou 17 anos para ser incorporado ao nosso sistema. Entretanto Rodrigo Caparroz cita três sistemas situações possíveis para ratificação: a) Ausência de prazo entre assinatura e ratificação, que fica a critério de cada Estado; b) Previsão, no próprio tratado, de prazo de ratificação; 23 c) Fixação do numero mínimo de adesões, hipótese em que o tratado passa a valer quando atingido o quorum mínimo. Em vista tal situação há o compromisso entre os Estados, no intervalo da assinatura a ratificação de não frustrar o compromisso assumido ou a finalidade do tratado, não devem praticar nenhum ato destinado a prejudicar o compromisso pactuado, sob penal de responsabilização. 3.13 Troca ou Deposito do Instrumento de Ratificação O Poder Executivo concede uma carta de ratificação assinada pelo chefe de Estado juntamente com o Ministro das relações exteriores informando da inviabilidade do tratado, pois é necessário a troca da carta entre os Estados que participam do tratado, no caso dos acordos bilaterais deverá haver a troca entre eles, entretanto quando os acordos forem multilaterais ocorrerá o deposito ao governo de um Estado indicado no próprio tratado. 3.14 Promulgação, Publicação e Registro Promulgação trata-se do vinculo estatal e reconhecimento das obrigações assumidas junto ao consentimento do tratado, firmados através do transcurso legal, respeitando a própria soberania, tendo assim pleno poder de execução interno. Publicidade dos tratados, respeita os mesmos critérios do direito interno, onde é necessário dar ciência a todos sobre as integração no ordenamento jurídico, dar-se no Brasil na forma de um decreto legislativo emitido pelo Congresso Nacional após a ratificação do Poder executivo Federal, finalizando com um Decreto da Promulgação. Por fim, o registro deve ser realizado no Secretariado da ONU, conforme carta das Nações Unidas art. 102, Capitulo XVI, disposições diversas: 1. Todo tratado e todo acordo internacional, concluídos por qualquer membro das Nações Unidas depois da entrada em vigor da presente Carta, deverão, dentro do mais breve prazo possível, ser registrados e publicados pelo Secretariado. 2. Nenhuma parte em qualquer tratado ou acordo internacionalque não tenha sido registrado de conformidade com as disposições do parágrafo 1º deste artigo poderá invocar tal tratado ou acordo perante qualquer órgão das Nações Unidas. 24 3.15 Processo de Incorporação no Direito Interno Brasileiro Devido ao modelo Republicano adotado pela Republica Federativa do Brasil, com a divisão dos poderes entre Executivo, Legislativo e Judiciário, a recepção de um tratado deve respeitar algumas observações técnicas utilizados para produção de leis, contanto com a analise e presença dos poderes Executivos e Legislativos, como disciplina a Constituição Federal quanto a função do Presidente da Republica (art. 84, VIII) e do Congresso Nacional (Art. 49, I). Neste contexto vamos expor o passo a passo para incorporação do tratado em nosso sistema jurídico, sendo: a) O Presidente da República, como Chefe de Estado e de governo, assina o tratado e manifesta o compromisso do Brasil no âmbito do direito internacional. b) O ministro das Relações Exteriores traduz o texto negociado para o português (se for o caso), prepara a minuta da mensagem presidencial e faz a análise jurídica dos dispositivos. c) A Casa Civil verifica a legalidade e o mérito do tratado, bem como propõe o encaminhamento do texto integral ao Congresso Nacional. d) O Presidente da República envia o texto revisado e a mensagem para o Congresso Nacional. e) O texto do acordo tramita inicialmente pela Câmara dos Deputados. f) Caso aprovado, segue para o Senado Federal; se recusado, extingue o procedimento, sem necessidade de encaminhamento ao Senado. g) Faz-se a leitura em plenário e o texto é submetido às comissões pertinentes, especialmente a comissão de relações exteriores e a comissão de constituição e justiça. h) A aprovação do texto, na redação final, exige votação em plenário com maioria simples dos deputados e senadores. i) Com a aprovação, o Presidente do Senado promulga o decreto legislativo correspondente, que será numerado e publicado no Diário Oficial da União; é possível que dois ou mais tratados sejam promulgados pelo mesmo decreto legislativo. j) O Presidente da República exara um decreto executivo que confere publicidade ao acordo, tornando-o obrigatório para todas as pessoas após a devida publicação no Diário Oficial da União. 25 Após a incorporação no ordenamento jurídico brasileiro o tratado é reconhecido como Lei Ordinária, porem quando o tratar de direito humanos, estes serão equivalentes a emenda constitucional conforme exposta na Constituição Federal Art. 5, § 3º: “Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais.” 3.16 Interpretação dos Tratados Quando os tratados são desenvolvidos e redigidos em um idioma diverso entre os Estado participantes é necessário a tradução, portanto é necessário observar a boa-fé neste trabalho, tendo em vista que as partes poderão alterar o sentido daquilo acordado, seja em beneficio próprio ou desfavorecendo a outra parte, assim como orienta a Convenção de Viena no art. 31: “Um tratado deve ser interpretado de boa fé segundo o sentido comum atribuível aos termos do tratado em seu contexto e à luz de seu objetivo e finalidade. “ Esta interpretação deve levar em consideração todos os compromissos, instrumentos ou praticas relacionados com o tratado. Ainda, no art. 31 da Convenção de Viena permitem meios suplementares para interpretação, como trabalhos preparatórios e as circunstâncias de conclusão do acordo para evitar ambigüidades obscuras e vagas. 3.17 Cessação da vigência e Extinção Após assumidas obrigações em um tratado pelos Estados Membros, não significaram que terão que se submeter ad aeternum a suas clausulas e condições, desta forma há formas e prazos que poderão ser estabelecidos para extinção destas obrigações que serão relacionadas abaixo: a) Previsão ab-rogatória – são aqueles acordos que estabelecem desde o inicio de sua vigência um prazo de validade entre as partes, onde ao final terão os efeitos pactuados cessados. 26 b) Decisão posterior – Quando os signatários resolvem extinguir as obrigações acordadas entre eles, porém para os acordos multilaterais terá que ser votado e respeitado por maioria dos votos, conforme estipulado no próprio instrumento. c) Novo Tratado – Quando for pactuado um novo tratado pelas partes sobre o mesmo tema, contendo clausula expressa de revogação, observadas as incompatibilidade para existência dos dois tratados. d) Denuncia – Quando um Estado manifesta sua vontade unilateral de abandonar o compromisso assumido. Assim o Estado denunciante informa com antecedência para a partir daí iniciar o prazo de carência. e) Nulidade – Decorre de vicio grave em sua composição detectado após a conclusão que ofenda a norma imperativa e o direito internacional. f) Suspensão da Execução – Os Estados membros do tratado estarão liberados do cumprimento pactuado no período de analise, porém deverão se abster de qualquer ato que porventura possa prejudicar a vigência dos efeitos consagrados pelo instrumento inicial. 3. DOMÍNIO PÚBLICO INTERNACIONAL 4.1 O Ártico A região do glacial norte (Ártico) consiste apenas em gelo proveniente do mar congelado, ainda distante e com clima e recursos biológicos precários, sem que desperte grande interesse político ou econômico, assim explica-se o simplório tratamento jurídico com o qual é tratado pelos países da região, consistindo apenas em um interesse como um corredor aéreo e marítimo alternativo entre a Europa e o extremo Oriente usufruindo desta liberdade de transito sem que exista tratado especifico que a constituem, considerado assim como alto-mar. Entretanto, com uma visão ampla sobre a região polar o canadense Pascal Poirier apresentou em 1907 a Teoria dos Setores que fundamenta-se sobre “a tomada de posse varia de acordo com as condições da região” atingindo os países do circulo Ártico. Contudo a teoria não buscava o controle sobre o alto-mar, mais a ilhas que existem na área de oitocentos quilômetros ou mais do ponto de convergência, sendo o resultado para os países do Canadá (alcançando as ilhas Sverdrup), da Dinamarca em razão da Groelândia, da Noruega 27 (arquipélago de Spitzberg) e da Rússia (Ilha de Wrangel e o arquipélago de Francisco José entre outras terras). Cabe salientar que os Estados proclamaram tais ilhas e arquipélagos com atos unilaterais. Salientamos a regulação através da Convenção sobre o Direito do Mar em 1982 que fortemente sustenta o Principio da Liberdade dos Mares nos Art. 87 e 234, a qual, citaremos abaixo respectivamente: Art. 87 - O alto mar está aberto a todos os Estados, quer costeiros quer sem litoral. A liberdade do alto mar é exercida nas condições estabelecidas na presente Convenção e nas demais normas de direito internacional. Compreende, inter alia, para os Estados quer costeiros quer sem litoral: a) liberdade de navegação; b) liberdade de sobrevôo; c) liberdade de colocar cabos e dutos submarinos nos termos da PARTE VI; d) liberdade de construir ilhas artificiais e outras instalações permitidas pelo direito internacional, nos termos da parte VI; e) Liberdade de pesca nos termos das condições enunciadas na seção 2; f) liberdade de investigação científica, nos termos das Partes VI e XIII. Art. 234 - Os Estados tem o direito de adotar e aplicar leis e regulamentos não discriminatórios para prevenir, reduzir e controlar a poluição do meio marinho proveniente de embarcações na áreas cobertas de gelo dentro dos limites da zona econômica exclusiva, quando condições de clima particularmente rigorosas e a presença de gelo sobre tais áreas durante a maior parte do ano criem obstruções ou perigos excepcionais para a navegação, e a poluiçãodo meio marinho possa causar danos graves ao equilíbrio ecológico ou alterá-lo de modo irreversível. Tais leis e regulamentos devem ter em devida conta a navegação e a proteção e preservação do meio marinho com base nos melhores dados científicos de que se disponha. 4.2 A Antártica Em contra ponto ao hemisfério norte, o hemisfério sul (Antártica) desperta o interesse das grandes potencias mundial, tendo em vista seus 15 milhões de quilômetros quadrados de terra e minerais, como isso um vasto paraíso para exploração econômica. Diante desta área com potencial econômico, em 1959 foi negociado entre Argentina, Chile, Noruega, França, Reino Unido, Estados Unidos e ex União Soviética um tratado onde os ingressantes pactuam a renuncia de eventuais pretensões de domínio sobre parte do continente, nem tampouco reconhecem pretensões alheias, alem disso a não militarização, seu uso somente para fins pacíficos (pesquisas cientificas e preservação dos recursos biológicos), 28 proibidos o estabelecimento de bases ou fortificações, manobras militares, testes com armas de qualquer natureza e o lançamento de resíduos radioativos. Com o intuito de frear a escalada Russa na negligência de suas ações no ecossistema da base de Bellingshausen, entre outras questões foi assinado o Protocolo de Madri em 1991 reafirmando em seus dispositivos a preservação, proibindo a exploração mineral pelo prazo de 50 anos, tendo atualmente ratificados 33 países, inclusive o Brasil. 4.3 Rios e Canais Internacionais Na visão do Direito Internacional os rios e canais internacionais são aqueles que atravessam Estados diferentes chamados de contíguos, criando assim uma fronteira natural entre dois Estados, ou os sucessivos quando atravessam mais de dois Estados. Neste sentido cada Estado terá sua soberania respeitada até a linha divisória da fronteira, restando responsabilidade jurídica sobre a parte que corre em seu território. Como importante marca no regulamento geral foi estabelecido pela Convenção de Barcelona em 1921 com dois princípios basilares para analise liberdade de navegação e a igualdade no tratamento a terceiros. A liberdade de navegação, livre navegação ou liberdade dos mares, é um princípio consuetudinário do direito internacional marítimo que, com as exceções previstas no direito internacional, garante aos navios que icem o pavilhão de um Estado, não serem objeto de ingerências de outros estados. Ainda, a igualdade no tratamento a terceiro que permite a cobrança de taxas para navegação e o compremetimento aos cuidados ambientas da região. Um exemplo de acordo para o controle destas regiões de rios e canais internacionais que cortam Estado diferentes e de grande relevancia para a merica do sul é o Tratado de Cooperação da Amazonia assinado em 1978 entre os países do Brasil, Colombia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela para produzir efeitos juridicos para controle no desenvolvimento e progresso sustentavel da região , ainda estimular estudos cientificos e regulação da navegação. Os canais internacionais são vias criadas para interligar dois ponto distintos a mar internacional, onde sua soberania será unica do Estado no seu territorio, como maior exemplo o canal do Panama que liga o oceano Atlantico ao Pacifico através do mar do Caribe. 29 4.4 Direito Internacional do Mar O Direito do Mar éuma das ramificações mais importantes do direito internacional, denominado Direito da Gentes, criado em Genebra em 1958 na Convenção sobre o alto-mar, plataforma continental, mar territorial e zona contigua, onde após longo desenvolvimento na Convenção da Nações Unidas sobre o direito do mar foi assinada em Montengo Bay no ano de 1982. No Brasil a regulação da sua região costeira (mar territorial), zona contígua, zona economica exclusiva, plataforma ambiental estão expressos na lei 8.617/1993. Assim, toda legislação propicia ao Brasil a proteção e soberania, seja economicamente ou cientificamente para exploração e cuidados necessarios para região. 30 Referencias Bibliograficas Oliveira, Maxwillian Novais. Direito Internacional Público. – Vitória: Multivix, 2017. Mello, Celso D. de Albuquerque. Curso de Direito Internacional Público. 12º Ed. Rio de Janeiro, 2000. Caparroz, Roberto. Direito Internacional Público – Saberes do Direito 55. 1º Ed. São Paulo: Saraiva, 2012. Rezek, Francisco. Direito Internacional Público – Curso Elementar. 15º Ed. São Paulo: Saraiva, 2014. Accioly, Hildebrando. Silva, G.E. do Nascimento. Casella, Paulo Borba. Manual do Direito Internacional Público. 20º Ed. São Paulo: Saraiva, 2012. Site WIKIPEDIA. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Conven%C3%A7%C3%B5es_da_Haia_(1899_e_1907) Site YOUTUBE. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=9H6m7DkGb7U Site NAÇÕES UNIDAS. Disponível em: https://nacoesunidas.org/carta/cap16/ Site CAMARA LEGISLATIVA. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1990/decreto-99165-12-marco-1990-328535- publicacaooriginal-1-pe.html Site WIKIPEDIA. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Protocolo_de_Prote%C3%A7%C3%A3o_Ambiental_do_Tratad o_da_Ant%C3%A1rtica Site WIKIPEDIA. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Canal_do_Panam%C3%A1 Site WIKIPEDIA. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Liberdade_de_navega%C3%A7%C3%A3o Site WIKIPEDIA. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Congresso_de_Viena