A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
114 pág.
Ebook 2021 - Lei Maria da Penha - Manual Caseiro - gratuito

Pré-visualização | Página 1 de 34

Manual Caseiro 
 
1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Manual Caseiro 
 
2 
 
LEI MARIA DA PENHA 
Lei nº 11.340/2006 
 
Prezado aluno, passaremos nesse momento ao estudo da Lei Maria da Penha. O presente 
material tem por objetivo reunir todas as informações que o candidato precisa para resolver questões 
dos certames públicos. Dessa forma, nosso material trouxe uma abordagem doutrinária sobre o tema 
objeto de estudo, novidades legislativas, a legislação (lei seca), questões já cobradas em concurso 
público pelas diversas bancas com indicativos dos artigos mais cobrados e que não podem deixar de 
serem estudados, súmulas, e, por fim, os informativos. 
Antes de adentrarmos aos comentários sobre cada capítulo específico, destacamos a 
necessidade de uma maior atenção as #Novidades Legislativas, isso porque só no ano de 2019 tivemos 
7 (sete) alterações na Lei Maria da Penha. Já no primeiro semestre de 2020, a lei voltou novamente a 
ser objeto de alterações. Diante do exposto, reforçamos ao candidato a importância do estudo 
minucioso sobre cada alteração que será apresentada, pois o examinador tem uma certa predileção em 
cobrar temas quentes, leia-se, temas recentemente alterados. 
Foca nas #NovidadesLegislativas! 
RETROSPECTIVA: 
 A Lei Maria da Penha é uma das leis penais extravagantes que mais sofre alterações, em 2019 
foram diversas. Em 2020, ainda no primeiro semestre, já tivemos também alterações. 
Vejamos a retrospectiva dessas mudanças legislativas: 
 
Lei 
13.827/2019
Lei 
13.836/2019
Lei 
13.871/2019
Lei 
13.880/2019
Lei 
13.882/2019
Lei 
13.894/2019
Lei 
13.931/2019
Lei 
13.984/2020
Manual Caseiro 
 
3 
 
 
• A Lei nº 13.827/2019 alterou a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) para autorizar, 
em algumas hipóteses, a aplicação, pela autoridade policial, de medida protetiva de 
urgência em favor da mulher. (Alteração com pertinência temática. #Atenção candidato 
da área policial). 
• A Lei nº 13.836/2019 promoveu uma pequena alteração na Lei Maria da Penha (Lei nº 
11.340/2006), acrescentando mais um inciso ao § 1º do art. 12 para dizer que o Delegado 
de Polícia deverá informar à autoridade judicial caso a mulher vítima da violência seja 
pessoa com deficiência. (Alteração com pertinência temática. #Atenção candidato da 
área policial). 
• A Lei nº 13.871/19 altera a Lei Maria da Penha e impõe ao agressor a obrigação de 
ressarcir os custos de serviços de saúde e dispositivos de segurança nos casos de 
violência contra a mulher. 
• A Lei nº 13.880/2019 promoveu alteração na Lei Maria da Penha para determinar que, 
se o autor da violência doméstica tiver uma arma de fogo (ainda que em casa ou no 
trabalho), ela deverá ser apreendida. 
• A Lei nº 13.882/2019 promoveu alteração na Lei Maria da Penha para garantir a 
matrícula dos dependentes da mulher vítima de violência doméstica e familiar em 
instituição de educação básica mais próxima de seu domicílio. 
• A Lei nº 13.894/2019 acrescentou um novo inciso ao § 2º do art. 9º prevendo que, se a 
vítima e o agressor forem casados ou viverem em união estável, a mulher deverá ser 
encaminhada à assistência judiciária para que possa ter a oportunidade de, assim 
desejando, desvincular-se formalmente do marido/companheiro agressor por meio da 
ação judicial própria. 
• A Lei nº 13.931/2019 alterou a Lei nº 10.778/2003 para dispor que profissionais de 
saúde deverão fazer notificação compulsória para a polícia informando os casos de 
violência contra a mulher. (Alteração com pertinência temática. #Atenção candidato da 
área policial). 
• A Lei nº 13.984/2020 acrescentou duas novas medidas protetivas de urgência, inserindo 
dois novos incisos no art. 22 da Lei Maria da Penha. 
 
Bons estudos, #Tmjuntos! 
 
Manual Caseiro 
 
4 
 
1. Breve histórico da Lei Maria da Penha 
 
Situação/Caso-concreto inspiração para Lei Maria da Penha: 
A pessoa homenageada com seu nome na referida Lei, trata-se de Maria da Penha Maia 
Fernandes, ela sofreu uma tentativa de homicídio em 1983 e seu parceiro agressor foi preso apenas 
em 2002. Na época o indivíduo simulou um assalto, realizou disparos de arma de fogo, eletrocutou a 
ex-esposa na banheira e ela chegou a ficar paralitica, situação muito grave e extremamente delicada 
que infelizmente acontece todos os dias em nosso país. 
No Brasil antes da Lei Maria da Penha não havia uma punição que gerasse um temor por parte 
dos homens no tocante a violência doméstica, geralmente as agressões eram punidas apenas com o 
pagamento de cestas básicas, por exemplo, o agressor não ficava preso. Havia de certa forma uma 
“impunidade”. 
A Lei Maria da Penha entrou em vigor no dia 22.09.2006. 
A referida legislação recebeu esse nome em decorrência da traumática situação vivenciada pela 
Sra. Maria da Penha Maia Fernandes, a qual foi vítima dessa violência. A Sra. Maria da Penha sofreu 
uma primeira violência no dia 29.05.1983, vítima de disparo de arma de fogo efetuado pelo próprio 
marido, vindo em consequência deste tiro a ficar paraplégica. Infelizmente, o histórico de violência 
sofrida pela mesma não cessou por aí, com um pouco menos de uma semana do último episódio, ela é 
vítima novamente, mas agora de uma descarga elétrica. 
Não obstante todos esses atentados contra a Sra. Maria da Penha, somente em setembro de 2002 
o indivíduo responsável pelas agressões foi preso, sendo que foi denunciado em 1984. 
O caso foi levado à Corte Interamericana que publicou o relatório. 
 
Relatório n. 54/2001 da Comissão Interamericana de Direitos Humanos: “A 
ineficácia judicial, a impunidade e a impossibilidade de a vítima obter uma reparação 
mostra a falta de cumprimento do compromisso assumido pelo Brasil de reagir 
adequadamente ante a violência doméstica”. 
 
Diante da publicação desse relatório o Brasil resolveu criar uma Lei específica tutelando essa 
violência. 
Pelo exposto, contemplamos que a Lei n° 11.340/06 foi criada não apenas para atender ao 
disposto no art. 226, § 8°, da Constituição Federal, segundo o qual “o Estado assegurará a assistência 
à família na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no 
Manual Caseiro 
 
5 
 
âmbito de suas relações”, mas também de modo a dar cumprimento a diversos tratados internacionais 
ratificados pela República Federativa do Brasil. 
 
2. Lei de caráter multidisciplinar 
 A Lei Maria da Penha não trouxe originalmente em sua redação, crimes e penas, mas 
sim mecanismos processuais de proteção à mulher vítima de violência doméstica e familiar. Cumpre 
destacarmos contudo que, com o a vigência da Lei 13.641/2018, foi inserido novo tipo penal na Lei Maria 
da Penha prevendo como crime essa conduta: Art. 24-A. Descumprir decisão judicial que defere medidas 
protetivas de urgência previstas nesta Lei: Pena – detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos. Assim, temos 
no atual contexto um tipo penal na legislação. 
Atenção, candidato! 
Ao contrário do que muitos pensam, a Lei Maria da Penha não previa crimes. Este diploma traz uma série 
de disposições processuais e também de direito civil. O art. 24-A, agora inserido coma Lei 13.641, é o 
único delito tipificado na Lei nº 11.340/2006. 
 
3. Fundamento Constitucional e Convencional 
Constituição Federal, art. 226. (...) 
§ 8º O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a 
integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações. 
 
 
Inicialmente, cumpre destacarmos que a Constituição Federal não é o único documento a tratar 
da proteção a família e prevê a criação de mecanismos que proíbam a violência doméstica, também 
existem várias convenções internacionais que foram elaboradas com o objetivo de proteção da mulher, 
um exemplo ocorre em 1975 na cidade do México, onde foi celebrada a primeira conferência mundial 
sobre a mulher.