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Ebook 2021 - Lei Maria da Penha - Manual Caseiro - gratuito

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um dos âmbitos do art. 5° (âmbito da unidade doméstica, âmbito da família ou em 
qualquer relação íntima de afeto). Logo, a violência doméstica e familiar contra a mulher estará 
configurada tanto quando uma mulher for vítima de violência sexual no âmbito da unidade doméstica, 
quando contra ela for perpetrada violência psicológica numa relação íntima de afeto, por exemplo. 
Interessante observamos que o art. 7° faz uso da expressão “entre outras”, portanto não se 
trata de um rol taxativo, mas sim exemplificativo. Logo, é perfeitamente possível o reconhecimento 
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de outras formas de violência doméstica e familiar contra a mulher. Tem-se aí verdadeira hipótese de 
interpretação analógica. 
 
 Vamos esquematizar? 
 
 
Violência Física 
Trata-se de qualquer conduta que ofenda a integridade ou a saúde 
corporal da vítima. A ofensa à integridade corporal é a lesão que afeta 
órgãos, tecidos ou aspectos externos do corpo, como fraturas, 
ferimentos, equimoses e lesão de um músculo. Podemos citar as 
diversas espécies de lesão corporal (CP, art. 129), o homicídio (CP, art. 
121) e até mesmo a contravenção penal de vias de fato (Dec.-Lei n° 
3.688/41, art. 21). 
 
 
 
 
Violência Psicológica 
Qualquer conduta que cause dano emocional e diminuição da 
autoestima da mulher ou que lhe prejudique e perturbe o pleno 
desenvolvimento ou que vise a degradar ou controlar suas ações, 
comportamentos, crenças e decisões. Pode causar neuroses, depressão, 
entre outras, ainda que de forma transitória. Por exemplo, crimes como 
o constrangimento ilegal (CP, art. 146), a ameaça (CP, art. 147), e o 
sequestro e cárcere privado (CP, art. 148). 
Obs.: O adultério não é mais crime, porém a sua prática poderá gerar 
uma humilhação à mulher. Isto é, houve a prática de uma violência 
psicológica. 
 
 
Violência Sexual 
Qualquer conduta ligada à dignidade sexual da mulher de forma não 
consentida por ela. 
 
Nessa violência podemos citar a prática de vários crimes, como 
exemplo o estupro, estupro de vulnerável. 
 
 
Violência Patrimonial 
Qualquer conduta ligada aos objetos, instrumentos de trabalho da 
vítima, bem como seus documentos pessoais, bens, valores e direitos ou 
recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas 
necessidades. 
 
Dentro da violência patrimonial podemos citar o estelionato, 
apropriação indébita, furto. 
 
 
Violência Moral 
Consiste na conduta ofensiva à honra da vítima, tendo em vista que ao 
referir-se a ela o legislador elencou os crimes contra a honra: calúnia, 
difamação ou injúria. 
 
Exemplo: crimes contra a honra (art. 138, 139 e 140, do CP), porém 
praticados no âmbito de violência doméstica e familiar. Cumpre 
destacarmos que essa seria a única hipótese que pela própria definição 
pressupõe a prática de um crime. 
 
Candidato, as formas de violência do art. 7º da Lei Maria da Penha são taxativas? Excelência, para 
uma 1ª corrente, as formas de violência compõem um rol taxativo, sendo, contudo, essa posição 
minoritária, pois a própria legislação faz menção a “entre outras” formas de violência. Nessa esteira, 
uma 2ª corrente entende que esse rol é exemplificativo, abrangendo outras formas de violência ainda 
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que não citadas no art. 7º. Esse entendimento encontra respaldo ainda na finalidade proposta pela Lei, 
qual seja, conferir maior proteção a Mulher, sendo a tese adotada majoritariamente. 
Corroborando ao exposto, preleciona o professor Gabriel Habib (Leis Especiais – Vol. Único, 
pág. 829, 2016): Apesar de o legislador ter enumerado diversas formas de violência, o rol do presente 
artigo é exemplificativo, em razão das expressões “entre outras” contidas no caput. 
 
8. Requisitos para aplicação da Lei Maria da Penha: 
 
A) Sujeito passivo: Mulher. 
O sujeito passivo é exclusivamente a mulher. Dessa forma, temos que em relação ao sujeito 
passivo da violência doméstica e familiar, há uma exigência de uma qualidade especial: ser 
mulher. Portanto, revela-se inviável a aplicação da Lei Maria da Penha nas hipóteses de 
violência contra homens, mesmo quando originadas no ambiente doméstico ou familiar. 
 
Obs.1: Figura pública também pode ser vítima de violência doméstica e familiar contra a mulher. 
 
Informativo 539 - A Lei presume a hipossuficiência da mulher vítima de violência doméstica. O 
fato de a vítima ser figura pública renomada não afasta a competência do Juizado de Violência 
Doméstica e Familiar contra a Mulher para processar e julgar o delito. Isso porque a situação de 
vulnerabilidade e de hipossuficiência da mulher, envolvida em relacionamento íntimo de afeto, 
revela-se ipso facto, sendo irrelevante a sua condição pessoal para a aplicação da Lei Maria da 
Penha. Trata-se de uma presunção da Lei. 
 
- Presunção absoluta de vulnerabilidade e presunção relativa de vulnerabilidade 
 
Na situação em que o homem for o sujeito ativo, há uma presunção absoluta de vulnerabilidade 
daquela mulher que foi vítima da violência. Por outro lado, na circunstância e que uma outra mulher 
for sujeito ativo do crime a presunção será relativa. 
Assim: 
o Homem como sujeito ativo: presunção absoluta de vulnerabilidade. 
o Mulher como sujeito ativo: presunção relativa de vulnerabilidade. 
• STJ: “(...)Delito contra honra, envolvendo irmãs, não configura hipótese de 
incidência da Lei nº 11.340/06, que tem como objeto a mulher numa 
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perspectiva de gênero e em condições de hipossuficiência ou inferioridade 
física e econômica. Sujeito passivo da violência doméstica, objeto da referida 
lei, é a mulher. Sujeito ativo pode ser tanto o homem quanto a mulher, desde 
que fique caracterizado o vínculo de relação doméstica, familiar ou de 
afetividade. No caso, havendo apenas desavenças e ofensas entre irmãs, não 
há qualquer motivação de gênero ou situação de vulnerabilidade que 
caracterize situação de relação íntima que possa causar violência doméstica ou 
familiar contra a mulher. Não se aplica a Lei nº 11.340/06”. (STJ, 3ª Seção, 
CC 88.027/MG, Rel. Min. Og Fernandes, DJe 18/12/2008). 
 
Quanto ao transexual há divergências, alguns entendem que deve prevalecer a identidade genética, 
mas há quem entenda que a identidade psicológica deve prevalecer. 
 
B) Âmbito doméstico: Art. 5º. 
C) Tipo de violência: Art. 7º, Violência terá de ser dolosa e não de forma culposa. 
D) Vulnerabilidade e hipossuficiência: Em relação ao casal é presumida para mulher, por motivos 
lógicos, fisiologicamente o homem é mais forte, obviamente ressalvadas as exceções. Nas relações 
entre irmãs por exemplo não será presumida, serão analisados os casos concretos. Vejamos alguns 
julgados atípicos que evidenciam esse aspecto. 
Seguem alguns julgados atípicos em que há a aplicação da Lei Maria da Penha: 
• BRIGA ENTRE IRMÃS: STJ Resp 1.239.850/DF e HC 184.990/RS 
• MÃE E FILHA: STJ, HC 277.561/AL 
• ENTRE CUNHADOS: STJ, HC 172.634/DF 
• EX NAMORADOS: HC 357.885/SP 
• RELAÇÃO EXTRACONJUGAL: RHC 43.927/RS 
• AGRESSÃO CONTRA AMBOS OS GENITORES: HC 310143 RS 
• GENRO CONTRA SOGRA: RHC 50847/BA 
 
Candidato, é possível aplicarmos a Lei Maria Penha ao sujeito passivo homem? 
Prezado candidato, cumpre destacarmos que apesar de não poder ser sujeito passivo na lei Maria da 
Penha, o homem pode ser vítima de violência doméstica e familiar, nas situações dos arts. 129, §§ 
9, 10 e 11 do CP. Contudo, não se aplica a este os regramentos da Lei nº 11.340/2006, mas o CP. 
Vejamos: 
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§ 9º Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com 
quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de 
coabitação ou de hospitalidade: (Redação dada pela Lei nº 11.340, de 2006) 
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos. (Redação dada pela Lei nº 11.340, de 2006) 
§ 10. Nos casos previstos nos §§ 1º a 3º deste artigo, se as