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Apostila de Língua Portuguesa com temas: língua e linguagem, variação linguística, semântica, texto e discurso (direto, indireto e indireto livre), fonética e ortografia, morfologia, classes de palavras, sintaxe e figuras de linguagem; inclui distinção entre língua e fala e cita português e LIBRAS.

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Todo o material desta apostila (incluídos textos e imagens) estão protegidos por direitos autorais de seus criadores, 
conforme artigo 5º, inciso XXVII, da Constituição Federal e os artigos 7º e 28, da Lei 9.610/98, sendo proibida toda e 
qualquer forma de plágio, cópia, reprodução ou qualquer outra forma de uso, não autorizada expressamente, seja ela 
onerosa ou não, sujeitando-se o transgressor, as penalidades previstas civil e criminalmente, nos termos do art. 186 e 
seguintes do Código Civil e art. 184, §1º a 3º do Código Penal.
Expediente
Direção Pedagógica
Paulo Cícero Moraes
Site
Élio Silva
Rafael Reis
Equipe Polo Editorial 
Revisão Textual
Lucas Retes 
Diana Amendoeira 
Fábio Leite
Revisão Geral
Júlio Cesar Lorens
Diagramação
Ivo Oliveira 
Marco Fábio 
Patrícia Regina 
Capa
Élio Silva
Língua 
portuguesa
Sumário
Capítulos 
1. Língua e Linguagem ........................................................................................................................................................ 5
2. Variação linguística ...........................................................................................................................................................8
3. Noções de Semântica ......................................................................................................................................................11
4. Texto e Discurso ............................................................................................................................................................... 14
5. Discurso direto, indireto e indireto livre ................................................................................................................. 20
6. Fonética e convenções ortográficas ........................................................................................................................23
7. Morfologia e processos de formação da palavra ................................................................................................26
8. Classes de palavras ........................................................................................................................................................ 30
9. Sintaxe do período simples ........................................................................................................................................ 43
10. Sintaxe do período composto ....................................................................................................................................52
11. Sintaxe de concordância e sintaxe de regência ..................................................................................................60
12. Figuras de linguagem.....................................................................................................................................................65
Língua
A língua é um sistema de signos linguísticos convencionais, 
usado pelos membros de uma mesma comunidade. Ou seja: 
um grupo social convenciona e utiliza um conjunto organiza-
do de elementos linguísticos representativos. A língua é um 
fenômeno que está além do domínio individual de cada um 
de nós, devendo ser entendida, portanto, como um produto 
de uma comunidade, parte do domínio dessa comunidade. 
O português brasileiro, por exemplo, é a língua de uma 
grande comunidade de pessoas ouvintes, nascidas no Brasil. 
A LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) é a língua de uma 
grande comunidade de pessoas surdas nascidas no Brasil. 
Essas línguas não se limitam a uma ou outra pessoa. Elas 
nascem e se desenvolvem no âmbito de um grupo social, 
não no âmbito individual.
Uma das consequências de a língua ser um fenômeno 
social é ela ser também convencional, existindo e se man-
tendo por um acordo coletivo tácito entre os falantes. Nesse 
sentido, Evani de Carvalho Viotti sentencia que “isso significa 
que um falante de uma língua não pode fazer modificações 
nessa língua a seu bel prazer”:
um falante do português que não goste de chamar os 
dias da semana de segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, 
quinta-feira, sexta-feira, sábado e domingo. Ele resolve, 
então, sozinho, chamar esses dias de, por exemplo, lual, 
martal, mercural, toral, livral, saturnal e solal. Daí ele 
liga para o médico para marcar uma consulta, e diz que 
prefere ser atendido no próximo mercural, porque em 
todos os martais e torais ele trabalha o dia inteiro (p. 16). 
Observa-se, portanto, que a comunicação humana seria 
impossível se a língua não fosse convencional. Cabe dife-
renciarmos, no entanto, a língua da fala. A fala é a língua em 
ação, mas ela não se limita ao meio – sonoro, gestual, escrito 
– para colocá-la em uso. Ela é a prática da língua e apresenta 
várias propriedades, que vão muito além do som, do gesto, ou 
da grafia. Para Saussure, a fala não devia ser estudada pela 
linguística, justamente porque ele pensava que ela era secun-
dária e assistemática. Todavia, hoje, a visão que se tem da fala 
é muito diferente. Seu estudo é extremamente interessante e 
é considerado de grande importância na linguística moderna.
Linguagem
Se a língua é um código verbal característico, ou seja, 
um conjunto de palavras e combinações específicas, com-
partilhado por um determinado grupo, a linguagem, de acor-
do com Ferdinand de Saussure, é uma faculdade humana, 
uma capacidade que os seres humanos têm para produzir, 
desenvolver, compreender a língua e outras manifestações, 
como a música, a pintura e a dança, por exemplo. A linguagem 
é heterogênea e multifacetada: apresenta aspectos físicos, 
fisiológicos e psíquicos, pertencendo tanto ao domínio indi-
vidual quanto ao domínio social. A linguagem é o mecanismo 
que utilizamos para transmitir conceitos, ideias e sentimentos. 
Trata-se de um processo de interação. 
Signo linguístico
O signo linguístico é uma unidade constituída pela união 
de um conteúdo com uma expressão. Chama-se a essa ex-
pressão de significante, ao conteúdo, significado. Ao ouvirmos 
a palavra “casa”, reconhecemos os sons que a formam, que 
se identificam com a lembrança deles que se encontra em 
nossa memória, e que constitui o que Saussure denominou 
de “imagem sonora”. Ao ouvirmos a palavra “casa”, podemos 
associá-la a um edifício de formatos e tamanhos variados, 
geralmente de um ou dois andares, quase sempre destinado à 
habitação. Esse conceito, que não se refere a uma habitação 
específica, é o significado do signo “casa”.
Dessa forma, o signo linguístico apresenta dois lados 
indissociáveis, em que um não existe separado do outro: 
um significante (a imagem sonora, a forma, a expressão, a 
parte concreta do signo, suas letras e seus fonemas), e um 
significado (o conteúdo, o conceito, a ideia transmitida pelo 
signo, a parte abstrata do signo). 
“E quando chega a noite e eu não consigo dormir
Meu coração acelera e eu sozinha aqui
Eu mudo o lado da cama, eu ligo a televisão
Olhos nos olhos no espelho e o telefone na minha mão”
Estrofe final da canção “A noite”, gravada pela cantora Tiê.
“Quando você foi embora
Fez-se noite em meu viver
Forte eu sou mas não tem jeito
Hoje eu tenho que chorar
Minha casa não é minha
E nem é meu este lugar
Estou só e não resisti
Muito tenho pra falar”
Estrofe inicial da canção “Travessia”, gravada por Milton Nascimento.
Ao escutar a palavra “noite”, reconhecemos a sequência 
de sons que forma essa palavra. Esses sons se identificam 
com a lembrança deles que está em nossa memória. Essa 
lembrança constitui uma real imagem sonora, armazenada em 
nosso cérebro que é o significante do signo noite, que tem dois 
significados: um, o sentido próprio, habitual, objetivo, direto, que 
pode ser compreendido na canção “A noite”, isto é, o tempo 
que transcorre entre o ocaso e o nascer do sol; e outro, o sen-
tido que ganha em “Travessia”, tristeza, desolação, solidão, 
com a partida do ser amado, embora na canção interpretada 
por Tiê, o termo possa também sugerir solidão pelo contexto. 
Quando se une um significantea um significado, temos um 
signo denotado; quando ao primeiro significado ajunta-se um 
segundo, temos um signo conotado. 
Ressalta-se que em uma língua qualquer é muito comum 
ocorrer de um significante ser suporte para mais de um 
Capítulo 01
5
Língua e Linguagem 
significado. A isso chamamos de polissemia. Porém, em um 
dado texto o suposto efeito polissêmico de um termo pode 
ser atenuado ou mesmo neutralizado pelo contexto.
Para a compreensão de um texto, muitas vezes o dado 
contextual é bastante importante, principalmente quando 
se trata de um texto de caráter estético, literário, já que, no 
discurso literário, uma palavra pode adquirir múltiplas possi-
bilidades de significado.
Disponível em: http://www2.uol.com.br/niquel/seletas. 
Muitas vezes, flagramos pessoas que não entenderam a 
piada, que não conseguiram “pegar” o seu humor, sua graça. 
Não porque tenha sido sem graça, o que pode acontecer, 
mas porque a pessoa não contextualizou uma dada situação. 
Geralmente, as charges e as tirinhas publicadas em periódi-
cos trazem cenas que necessitam de nossa atualização, isto 
é, de que estejamos conectados ao que está acontecendo, ou 
de que tenhamos um certo cabedal cultural para entendê-las. 
É o caso da tirinha em questão, de Fernando Gonsales, em 
que o seu efeito de humor está centralizado no jogo irônico 
entre os sentidos literal e figurado. 
A “cantada” do tamanduá serviu para, literalmente, “co-
mer” a formiga. Isso porque, na sua acepção vulgar, o verbo 
“comer” liga-se à prática do ato sexual. A “cantada” do taman-
duá, aliás, cheia de clichês, serviu aos seus propósitos, não 
para saciar seus desejos libidinosos, mas naturais, instintivos, 
já que esse animal alimenta-se naturalmente de formigas. E, 
é claro, que, além disso, o leitor tem que ter conhecimentos 
prévios sobre piadas envolvendo elefante e formiga, para 
melhor incorporar os sentidos disseminados pela tirinha.
Normalmente, utilizamos as palavras de maneira objetiva, 
literal, respeitando o sentido “real” da palavra, ou seja, aquele 
que é registrado nos dicionários. Quando o discurso apresen-
tado tem a intenção de informar, recorremos a uma linguagem 
objetiva, denotativa. Denotação, portanto, é a linguagem em 
seu sentido conceitual, referencial, direto, objetivo, literal.
A linguagem poética, criativa, literária, geralmente, busca 
criar efeitos de sentido que ultrapassam a literalidade, ad-
quirindo, assim, um valor conotativo. Conotação, portanto, é 
a linguagem em seu sentido expressivo e simbólico, pois se 
apresenta repleta de figuras, de imagens. 
Linguagem verbal e não verbal
Ao falarmos em texto ou linguagem, geralmente, pensa-
mos no uso da escrita ou da fala para nos comunicarmos. No 
nosso cotidiano, usamos frequentemente a linguagem verbal; 
quando não a utilizamos, podemos recorrer, por exemplo à 
linguagem não verbal. A linguagem não verbal liga-se ao uso 
de imagens, figuras, desenhos, símbolos, dança, postura 
corporal, pintura, música, mímica, escultura e gestos como 
meio de comunicação. 
Tanto a linguagem verbal quanto a não verbal expressam 
sentidos e, para isso, utilizam-se de signos, com a diferença 
de que, na primeira, os signos são constituídos dos sons 
da língua, enquanto que nas demais são explorados outros 
signos, como sons musicais, formas, cores e gestos, por 
exemplo. A sinalização de trânsito, o semáforo, os logotipos, 
as bandeiras, o uso de cores para chamar a atenção ou 
exprimir uma mensagem são exemplos da linguagem não 
verbal presentes no nosso cotidiano.
Cabe observar que para manter uma comunicação não 
é preciso usar a fala, e sim utilizar uma linguagem, seja ela 
verbal ou não verbal. A comunicação pode ser estabelecida 
também de forma mista, ou melhor, com uma linguagem 
mista, em que usamos simultaneamente a linguagem verbal 
e a linguagem não verbal, isto é, usando palavras escritas e 
figuras ao mesmo tempo.
Uma diferença que pode ser estabelecida entre a lin-
guagem verbal e a não verbal é que a primeira apresenta 
linearidade e a segunda, vários signos podem ocorrer si-
multaneamente. 
Se, na linguagem verbal, é impossível conceber uma palavra 
encavalada em outra, na pintura, por exemplo, várias figuras 
ocorrem simultaneamente. Quando contemplamos um quadro, 
captamos de maneira imediata a totalidade de seus elementos 
e, depois, por um processo analítico, podemos ir decompondo 
essa totalidade. 
Os textos verbais tanto podem ser figurativos, quando repro-
duzem elementos concretos, simulando um efeito de realidade, 
como não figurativos, quando exploram temas abstratos. Igual-
mente, os textos não verbais podem ser figurativos, quando 
exibem fotos, por exemplo, ou não figurativos e abstratos. A 
pintura abstrata, por exemplo, simula elementos do mundo 
real, contrapondo luz e sombra; já as esculturas modernas e 
contemporâneas exploram jogos de formas e volumes.
Disponível em: http://assuperlistas.com/2017/02/21/
os-melhores-cartunistas-do-brasil/. 
A charge é um gênero no qual a linguagem visual está indis-
sociavelmente ligada à linguagem verbal. Na charge de Latuff, 
uma série de elementos figurativos comunicam uma visão 
de mundo, uma crítica à desigualdade social e ao privilégio e 
impunidade dos endinheirados. No caso, as duas televisões 
enquadram o rosto de ambas as personagens, mas enquanto o 
estereotípico traficante do morro é focalizado e exibido, a outra 
televisão não mostra as feições do traficante abastado: exibe 
apenas estática, de modo a encobrir a identidade do meliante. 
Os detalhes das composições das personagens permitem 
que se identifique a classe social ao qual pertence cada um 
deles. A bermuda, os chinelos e o boné do Comando Ver-
melho, arma à mostra, em contraste com o paletó, terno e 
gravata do criminoso de colarinho branco, desfrutando de sua 
taça de vinho, outro indicador de sua posição privilegiada. 
Língua Portuguesa
6
Língua, identidade e cultura: uma 
relação de interdependência
A língua é a manifestação de uma cultura e, ao mesmo 
tempo, precisa de uma cultura que lhe dê suporte, sendo, tam-
bém suporte para uma cultura. Ela é, portanto, a expressão 
da cultura, uma vez que se constitui como instrumento deci-
sivo para a assimilação e difusão de uma cultura, afinal, as 
experiências sociais só são transmitidas por meio da língua. 
Cultura, língua e identidade encontram-se inter-relacio-
nadas, haja vista que a cultura só se constrói por meio da 
língua e, ao produzir sentidos sobre algo, constrói identidades. 
Essas identidades só adquirem significado com base em um 
conjunto de atributos culturais que se relacionam mutuamente 
e que se sobressaem com relação a outros atributos. 
A cultura, assim como a língua e a identidade, não é 
algo fixo, determinado e acabado. Ela está em processo de 
constituição, uma vez que é produzida por seres sociais que 
estão em constante processo de interação, inseridos em 
uma sociedade que passa por transformações em todos os 
setores (político, econômico, científico, social, ideológico, 
cultural etc.). 
Referências 
BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e filosofia da linguagem. 8 ed. São 
Paulo: Hucitec, 1997. p. 36.
BAKHTIN, Mikhail. Questões de literatura e de estética: a teoria do 
romance. 4 ed. São Paulo: Editora Unesp/ Hucitec, 1998. p. 45.
COELHO, Lidiane Pereira; MESQUITA, Diana Pereira Coelho de 
“Língua, cultura e identidade: conceitos intrínsecos e interdepen-
dentes”. In ENTRELETRAS, Araguaína/TO, v. 4, n. 1, p. 24-34, 
jan./jul. 2013. (Adaptado).
CHAUÍ, Marilena. A linguagem. In: CHAUÍ, Marilena. Convite à Filo-
sofia. 13 ed. São Paulo: Ática, 2006. p. 136-151. 
FIOTIN, José Luiz, SAVIOLI, Francisco Platão. Para entender o 
texto: leitura e redação (Manual do Professor). 3 ed. São Paulo: 
Ática, 1992. p. 372.
SAUSSURE, Ferdinand de. Tratado de linguística geral. Organizado 
por Chasrles Bally e Albert Sechehaye. Trad. Antônio Chelini, 
José Paulo Paes e Izidoro Blikstein. São Paulo: Cultrix, 2006.
VIOTTI, Evani de Carvalho. Introduçãoaos estudos linguísti-
cos. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publica-
tion/318878515_Introducao_aos_estudos_linguisticos>. Acesso 
em: 20 mar. 2015.
Exercícios
1. (EEAr – 2017) Leia:
Marque a opção que apresenta correta interpretação 
da tirinha da Mafalda, personagem presente no último 
quadrinho, de autoria do cartunista argentino Quino, em 
que Felipe, no primeiro quadrinho, mostra-se pensativo 
com a possibilidade de participar do serviço militar. 
A) O menino, receoso do que poderá enfrentar no 
quartel, imagina situações complicadas a que se 
submeterá e reage com a chegada de seu herói, de 
modo que seus gritos foram escutados por Mafalda. 
B) O jovem menino, com medo do que o quartel lhe 
reserva, cria situações mentais em que, fatalmente, 
não consegue êxito, conforme expresso no último 
quadrinho. 
C) A possibilidade de poder contar com a presença 
física de seu herói no quartel retira, desde o início, 
todo medo e ansiedade do jovem que deseja servir 
às Forças Armadas de seu país. 
D) Embora com desejo de servir às Forças Armadas, a 
presença de Mafalda, no último quadrinho, reforça 
a ideia de que as mulheres não concordam com o 
fato de o serviço militar obrigatório ser exclusivo 
para homens. 
2. (ITA – 2017)
Analisando as duas tirinhas, NÃO se pode afirmar que 
A) Calvin se revela incapaz de compreender o notici-
ário, diferentemente do pai de Mafalda.
B) Calvin e Mafalda, apesar de crianças, são críticos 
em relação ao conteúdo televisivo.
C) a reação de Calvin e a de Mafalda são diferentes 
diante do conteúdo televisivo.
D) ambas tratam da relação entre telespectador e 
mídia televisiva.
E) ambas apresentam personagens que questionam 
o noticiário veiculado pela TV.
Gabarito
1. A
2. A
Língua e Linguagem
7
Língua é uma forma de linguagem criada pelos seres 
humanos para garantir a expressão de pensamentos e neces-
sidades. Por ser, portanto, um organismo sujeito a influências 
contextuais, diz-se que a língua é viva e disso depreende-
-se que ela está sujeita a diversas transformações. De uma 
perspectiva ampla, basta observar quantas línguas são hoje 
faladas em todo o planeta para perceber como são diferentes 
as formas encontradas por indivíduos para a expressão de 
si e a forma como veem o mundo. 
Existem, por exemplo, as línguas indo-europeias itálicas, 
derivadas do latim (antiga língua falada na região do Lácio, 
na Itália). Historicamente, o latim foi difundido pela Europa, 
mas, em cada região, foi percebido diferentemente pela 
comunidade de indivíduos que ali habitava. Estes grupos 
organizavam essa língua oralmente a partir de influências 
linguísticas (fonéticas, morfológicas, sintáticas ou lexicais) 
das primeiras línguas adquiridas e aprendidas por eles. Dis-
so surgiram muitas línguas, dentre as quais se encontram 
o português, o italiano, o espanhol, o francês, o catalão e o 
romeno. Por terem, pois, a mesma origem, apesar de diferen-
tes, as línguas itálicas possuem muitas semelhanças quando 
comparadas entre si. No entanto, por terem mais diferenças 
do que semelhanças e por seus falantes não conseguirem 
compreender-se perfeitamente sem que sejam gerados pro-
blemas comunicativos, diz-se que o italiano, o francês e o por-
tuguês são línguas diferentes. Isto é, ainda que originalmente 
variantes de uma mesma língua, os exemplos referidos têm 
hoje diferentes sistemas linguísticos e podem ser percebidos 
enquanto entidades linguísticas individuais (línguas).
De maneira semelhante, a língua falada no Brasil é bem 
diferente da língua falada em Portugal ou em Moçambique. 
Contudo, pelos falantes conseguirem se compreender sem 
grandes problemas e por terem um repertório linguístico 
muito semelhante, que obedece praticamente aos mesmos 
processos linguísticos, diz-se que a língua falada em cada 
um desses países é a mesma, ou seja, a língua portuguesa. 
Apesar de variações, o sistema linguístico é, grosso modo, 
o mesmo e, portanto, também a língua.
Posto isso, referir-se a variações linguísticas consiste em 
trabalhar as diferentes maneiras com que uma mesma língua 
é elaborada por seus falantes. Essas diferenças podem ser 
entre países ou até mesmo dentro de um mesmo país. O 
português falado em Brasília, por exemplo, não é o mesmo 
que o falado no Rio de Janeiro ou na Bahia, pois ocorrem 
variações linguísticas tanto fonéticas como lexicais de uma 
região para a outra, das quais resultam à maneira como os 
falantes utilizam a língua. A variação geográfica de produção 
de uma mesma língua é denominada, pois, dialeto.
No texto a seguir, há a transcrição de um caso contado 
a partir do dialeto reconhecido notoriamente como mineiro. 
Observe que a preservação das marcas linguísticas de va-
riação é o que gera o sentido pretendido ao texto.
Disponível em: https://www.flogao.com.br/declare-
seuamor/66976612. Acesso em: 12 jan 2018.
Dessa forma, se as marcas do dialeto fossem retiradas 
do texto, ele perderia grande parte do caráter humorístico 
que pretende. 
Como a língua é um organismo vivo, heterogêneo e sob a 
influência constante de seu realizador (o falante), as variações 
não são apenas de acordo com a localidade geográfica. Elas 
compreendem também outras características, como a época, 
a faixa etária, a situação e a condição social ou cultural dos 
falantes.
De maneira geral, sobressaem-se quatro tipos de variação 
linguística, as quais estão definidas a seguir.
Variação histórica
A língua, por ser um organismo sob a influência contínua 
da ação humana, sofre transformações ao longo do tempo. A 
variação histórica observa, então, quais mudanças ocorreram 
historicamente na língua, sejam elas fonológicas, lexicais, 
estruturais etc.
Variação diatópica
A variação diatópica refere-se às mudanças que ocorrem 
na língua de acordo com as marcas regionais empregadas 
pelos falantes. A variação compreende os ditos “regionalis-
mos”, que obedecem a aspectos culturais e geográficos de 
determinada comunidade de indivíduos.
Capítulo 02
8
Variação linguística
Variação diastrática
A variação diastrática ou social ocorre por influência da 
convivência de indivíduos em determinados grupos sociais. 
A utilização de gírias ou jargões, por exemplo, é observada 
nesse tipo de variação. 
Variação diafásica
A variação diafásica da língua diz respeito ao contexto 
em que ela é empregada, de acordo com as necessidades 
comunicativas do falante. Esse tipo de variação abrange, pois, 
os conceitos de formalidade e informalidade. 
Formalidade e informalidade
A variação da língua denominada “norma culta” ou “norma-
-padrão” é apenas uma variação linguística possível. No 
entanto, convencionou-se utilizá-la como meio de expressão 
preferível para situações formais. Segundo o linguista Mário 
Perini (2005):
Existe uma linguagem padrão utilizada em textos jornalísticos 
e técnicos (como revistas semanais, jornais, livros didáticos e 
científicos), linguagem essa que apresenta uma grande unifor-
midade gramatical, e mesmo estilística, em todo o Brasil (...) a 
linguagem de um livro técnico ou didático publicado em Recife 
não se distingue da de um livro publicado em São Paulo ou 
Porto Alegre; os regionalismos não penetram em tais textos.
Esse padrão é encontrado em textos técnicos e jornalísticos em 
geral, mas nem sempre nos textos literários. O texto literário 
não apenas reflete as decisões pessoais do autor (...), mas 
ainda pode conter traços do coloquial de uma ou outra região. 
PERINI, M. Gramática Descritiva do Portu-
guês. São Paulo: Ática. 2005. p. 26.
Infere-se, pois, que a denominada “língua culta ou formal” 
está fortemente relacionada à modalidade escrita e caracte-
riza-se por não incorporar regionalismos, gírias ou qualquer 
elemento característico da linguagem coloquial. 
A modalidade coloquial da língua, por sua vez, é a utilizada 
no dia a dia dos indivíduos, sobretudo em situações espontâ-
neas de fala, nas quais a língua é o instrumento pelo qual são 
expressas livremente ideias, sem a preocupaçãoconsciente 
de regras gramaticais pelo falante. 
Ora, da mesma forma que algumas situações exigem a 
utilização da modalidade formal da língua, outras exigem a 
utilização da modalidade coloquial. O falante competente é, 
pois, aquele que consegue transitar bem por todas as situa-
ções comunicativas e perceber qual modalidade é a mais 
adequada ao contexto em que se insere. 
Observe, agora, o Cordel do Fogo Encantado, que com-
preende o texto “Ai se sesse...”, de autoria do poeta Zé da Luz.
Se um dia nois se gostasse
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse
Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém acontecesse de São Pedro não abrisse
A porta do céu e fosse te dizer qualquer tulice
E se eu me arriminasse
E tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Tarvês que nois dois ficasse
Tarvês que nois dois caisse
E o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse
Perceba que, como o cordel é um gênero literário fundamen-
talmente oral, foram mantidas todas as marcas de oralidade 
compreendidas no dialeto do autor. Essas marcas referem-se 
tanto à grafia de palavras quanto a outros aspectos gramati-
cais, como o acordo verbal. Em um texto formal, essas marcas 
deveriam ser suprimidas, mas, neste caso, elas acrescentam 
ao texto um significado particular ao que propôs o autor.
No quadro a seguir estão dispostas as definições de va-
riações linguísticas específicas:
Variações linguísticas
Dialeto
Variação de elaboração da língua comum a 
indivíduos localizados em um mesmo espaço 
geográfico.
Tem-se um exemplo do dialeto nordestino na 
utilização da palavra “aperreado” (angustiado, 
estressado) ou, no dialeto mineiro, na expres-
são “proncovô” (Aonde eu devo ir?).
Ressalta-se que, por vezes, o termo “dialeto” 
é utilizado para generalizar a ideia de variação 
linguística, podendo fazer referência, assim, a 
qualquer produção linguística não controlada, 
ou seja, não formal. 
Socioleto
Variação de elaboração da língua entre comu-
nidades definidas, de acordo com o espaço 
social que ocupam, a partir de determinados 
critérios, como econômicos ou de faixa etária.
É exemplo de socioleto a utilização constante 
de gírias na produção linguística que, em geral, 
se refere à comunidade jovem. 
Idioleto
Variação da língua particular a uma pessoa. 
Caracteriza-se por ser a maneira repetitiva com 
que um indivíduo expressa oral ou graficamen-
te a organização psicológica que faz da língua.
Ecoleto
Variação da língua particular a uma comunida-
de organizada de indivíduos, em geral, família. 
Normalmente, os idioletos (maneira com que 
cada integrante do grupo manifesta-se) evo-
luem para ecoletos ao serem adotados por 
mais pessoas.
Norma-
-padrão
A norma-padrão da língua é apenas uma das 
variações existentes, mas é fundamentalmente 
mais divulgada por ser o modo como se con-
vencionou utilizar a língua para comunicação 
pública. Em virtude disso, a norma-padrão é 
ensinada em escolas e utilizada pelo sistema 
judiciário e pela imprensa a fim de assegurar 
uma comunicação mais eficaz entre indivíduos. 
Em determinadas situações, a utilização da 
norma culta é mais adequada que a de ou-
tras variações linguísticas. Dessa forma, em 
congruência às regras estabelecidas por essa 
variação, a frase “nois vai na casa” em detri-
mento de “nós vamos à casa” é inadequada.
Variação linguística
9
Registro
Registro é o modo como se escolhe registrar 
uma determinada ideia a fim de adequá-la ao 
público a que se dirige. Essa variação com-
preende a adequação da elaboração linguística 
ao contexto em que é realizada de modo a 
torná-la mais formal ou coloquial, de acordo 
com os objetivos pretendidos pelo emissor.
Preconceito linguístico
Dadas as informações sobre variação linguística já abor-
dadas, observa-se que não existem formas mais corretas 
que outras e sim uma variação no modo de expressão dos 
falantes, visto que a língua é um organismo vivo e submete-se 
às diversas e constantes influências externas. No entanto, há 
uma equivocada interpretação do conceito de “norma culta” 
amplamente divulgada e que gera sérias consequências so-
ciais e ideológicas. O termo passou a ser percebido enquanto 
meio “ideal” de manifestação linguística independentemente 
da situação comunicacional, deixando, pois, de se observar 
o fato de que a “norma culta” é primordialmente reservada a 
ambientes formais de fala. Por conseguinte, muitos falantes 
são discriminados pela maneira com que se expressam.
O linguista Marcos Bagno, em entrevista ao programa de 
rádio Enchendo a Linguística (UFMG, 2013), afirma que não 
raros são os casos em que a língua é um meio de discrimina-
ção e até mesmo de exclusão social. Afirmar, por exemplo, 
que alguém fala errado ou não sabe a própria língua materna 
é uma maneira de silenciá-la por meio do preconceito linguís-
tico. Além disso, muitos são os casos em que regionalismos 
são elementos desprezados e ridicularizados de acordo com 
a falta de prestígio atribuída a seus falantes. 
O preconceito linguístico é, pois, uma manifestação 
discriminatória que usa a língua como meio de fazer atribui-
ções pejorativas ao falante. Destarte, é imprescindível o seu 
combate a fim de que ninguém seja silenciado ou receie se 
expressar simplesmente por não empregar regras gramaticais 
relativas à norma culta. 
Exercícios
1. (FGV – 2017) Na entrevista de um jornal mineiro apa-
reciam os depoimentos de dois jovens:
Jovem 1 – Uma luta de boxe é muito mais chocante 
quando a gente está presente no ginásio. Nós vemos 
os golpes e é divertido ver um deles cair à sua frente. 
Na TV não tem emoção.
Jovem 2 – Numa luta de boxe, as câmeras filmam todos 
os detalhes. Quando um dos lutadores é ferido, o san-
gue é mostrado na nossa cara. É impressionante. Ver 
a luta de perto não é a mesma coisa, os espectadores 
não veem nada. 
A presença de traços da linguagem coloquial é visível 
nos depoimentos; a frase que mostra variante formal é: 
A) Uma luta de boxe é muito mais chocante...
B) ...quando a gente está presente no ginásio. 
C) ...é divertido ver um deles cair à sua frente. 
D) Na TV não tem emoção. 
E) O sangue é mostrado na nossa cara.
2. (FGV – 2014)
Uma ideia simples
Elio Gaspari, Folha de São Paulo, 27/8/2014
Todos os candidatos prometem crescimento e auste-
ridade. Entre os chavões mais batidos vem sempre a 
reforma tributária, tema complexo, chato mesmo, acaba 
sempre em parolagem. Promete - se a simplificação das 
leis que regulam os tributos, e a cada ano eles ficam 
mais complicados. Uma coletânea da legislação bra-
sileira pesa seis toneladas. Aqui vai uma contribuição, 
que foi trazida pelo Instituto Endeavor. Relaciona-se 
com o regime de cobrança de impostos de pequenas 
empresas, aquelas que faturam até R$ 3,6 milhões 
por ano (R$ 300 mil por mês). É o Simples – pode-se 
estimar que ele facilita a vida de algo como 3 milhões 
de empresas ativas.
Sobre a variedade de linguagem mostrada no texto, 
afirma-se CORRETAMENTE que ela pertence à lin-
guagem:
A) formal, com exemplos de coloquialismo;
B) informal, com inserções de gíria;
C) regional, com traços de formalidade;
D) popular, com falhas gramaticais;
E) culta, com marcas de erudição.
3. (FGV – 2017)
TEXTO
Por que sentimos calafrios e desconforto ao ouvir 
certos sons agudos – como unhas arranhando um 
quadro-negro?
 Esta é uma reação instintiva para protegermos nossa 
audição. A cóclea (parte interna do ouvido) tem uma 
membrana que vibra de acordo com as frequências so-
noras que ali chegam. A parte mais próxima ao exterior 
está ligada à audição de sons agudos; a região mediana 
é responsável pela audição de sons de frequência mé-
dia; e a porção mais final, por sons graves.(....)
Aí podemos acrescentar outro fator. Uma nota de violão 
tem um número limitado e pequeno de frequências – 
formando um som mais “limpo”. Já no espectro de som 
proveniente de unhasarranhando um quadro-negro (ou 
de atrito entre isopores ou entre duas bexigas de ar) 
há um número infinito delas. Assim, as células vibram 
de acordo com muitas frequências e aquelas presen-
tes na parte inicial da cóclea, por serem mais frágeis, 
são lesadas com mais facilidade. Daí a sensação de 
aversão a esse sons agudos e “crus”.
Ronald Ranvaud, Ciência Hoje, nº 282. 
Em São Paulo diz-se “bexigas”, enquanto no Rio de 
Janeiro diz-se “balões”.
Essa diferença é um exemplo de 
A) linguagem coloquial. 
B) gíria. 
C) regionalismo.
D) linguagem erudita. 
E) arcaísmo.
Gabarito
1. C
2. A
3. C
Língua Portuguesa
10
Se as palavras e expressões estabelecem entre si relações 
sintáticas, formando estruturas frasais e oracionais, como 
veremos nos próximos volumes, elas também se entrelaçam 
firmando nexos de sentido de outra ordem, não propriamente 
gramaticais. São o que chamamos de fenômenos léxico-
-semânticos. Dois deles já devem ser bastante conhecidos 
por você: sinonímia e antonímia. 
Palavras ou ideias sinônimas são aquelas que apresentam 
sentido semelhante e podem, assim, ser substituídas uma(s) 
pela(s) outra(s) em diversos contextos sem demasiados prejuí-
zos de sentido. Lembre-se, entretanto, que nenhuma palavra 
apresenta sentido idêntico ao de outra, isto é, não existe sinôni-
mo perfeito. Ainda assim, a sinonímia é um dos processos mais 
produtivos da língua e um recurso fundamental para a coesão 
e a coerência textual, evitando a redundância e o truncamento 
dos enunciados. É claro que para cada palavra ou expressão 
existirá uma série de sinônimos, com graus variados de ade-
quação de acordo com os contextos de uso. Veja, na tabela, 
alguns exemplos de sinônimos:
Idoso Velho
Alegre Feliz
Seco Árido
Dor Agonia
Conspícuo Perceptível
Semblante Expressão
Leia o seguinte editorial e perceba o quanto a variedade de 
sinônimos criados para designar uma mesma doença pode 
atestar o grau de angústia provocado pela enfermidade. Ou 
seja, fatores de ordem cultural e médico-sanitária instigam a 
diversificação vernacular de uma língua.
mil habitantes, contra 42,8 casos em 2001 (queda de 
15,9%). Com relação às mortes, a redução foi de 23,4%.
Vários elementos contribuíram para a melhora. Entre 
ações específicas, vale destacar a ampliação do trata-
mento supervisionado, no qual um agente de saúde ou 
alguém que recebeu treinamento se certifica de que o 
paciente toma diariamente os remédios.
A terapia, que em geral dura seis meses, precisa ser 
levada até o fim. Caso contrário, a doença pode voltar sob 
formas resistentes, cujo tratamento é mais caro e complexo.
A adoção de associações de antibióticos em doses 
padronizadas também ajudou, por reduzir a quantidade 
de pílulas que o paciente precisa tomar. Causas mais 
remotas, como a melhoria na renda da população e seus 
efeitos sobre as condições de moradia, também podem 
ter contribuído.
Seria um erro, no entanto, acreditar que a batalha 
esteja ganha. Apenas no ano passado, 4.600 pessoas 
morreram em decorrência da tuberculose no país, e 
houve mais de 69 mil novas infecções.
Cada vez mais o bacilo se especializa em populações 
vulneráveis, como moradores de rua, portadores de Aids, 
subnutridos crônicos e indígenas. Merecem também 
atenção dependentes de drogas, que não raro reúnem 
parte dessas características numa só pessoa.
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/37516-
-tuberculose-ainda.shtml. Acesso em: 10 mar. 2018.
Tuberculose, ainda
São Paulo, terça-feira, 17 de abril de 2012
Consumpção, delicada, doença ruim, febre hética, 
fimia, fininha, magra, mal de secar, mal dos peitos, 
moléstia-magra, seca, tíbia, tísica, peste branca...
A profusão de sinônimos nos dicionários para designar 
a tuberculose dá bem a medida de quanto a doença pene-
trou no imaginário popular. Quando seres humanos temem 
algo, o primeiro impulso é providenciar-lhe um eufemismo.
Em meados do século 20, com os antibióticos, imagi-
nou-se que as moléstias infecciosas estariam controladas 
para sempre. O sonho durou pouco. O fenômeno da re-
sistência às drogas antibacterianas, aliado a assimetrias 
no crescimento econômico, transformou a TB (abreviatura 
que também é uma forma de eufemismo) em uma doença 
endêmica na maior parte dos países em desenvolvimento.
É um notável progresso, portanto, a notícia do Minis-
tério da Saúde de que a incidência da moléstia e sua 
mortalidade estão caindo no Brasil. Em 2011, foram 
registrados 36 casos de TB para cada grupo de 100 
Palavras ou ideias antônimas são aquelas que esta-
belecem relações de sentido opostas. Desde a mais tenra 
idade, somos levados a pensar de forma dicotômica, de 
modo a tecer considerações sobre o mundo e as coisas. Por 
isso sabemos que há coisas boas e ruins, novas e velhas, 
saudáveis e nocivas, entre outras. É claro que podemos e 
devemos vislumbrar nuances e relativizar acontecimentos, 
ações e fenômenos para que não nos deixemos recair em 
uma lógica demasiadamente maniqueísta, mas a bipartição 
de valores parece ser algo inscrito no intelecto humano.
 Por isso, nada mais natural que as línguas refletirem isso, 
apresentando um repertório de palavras e expressões direta-
mente antagônicas em termos axiológicos. O estabelecimento 
de contrastes e oposições é uma estratégia argumentativa 
valiosa, por isso a proficuidade da antinomia. 
Veja, na tabela, alguns exemplos de antônimos em meio 
a incontáveis outros.
Bem Mal
Deus Diabo
Claro Escuro
Jovem Idoso
Dúvida Certeza
Amor Ódio
Capítulo 03
11
Noções de Semântica
Homonímia
As palavras homônimas são palavras “iguais” na forma. 
Veja a tirinha a seguir:
 Armandinho. de Alexandre Beck. Disponível 
em: https://tirasarmandinho.tumbler.com/post/134547196389/.
Na tirinha, as palavras “cestas” e “sextas’’ são fonicamente 
idênticas, mas diferentes no sentido. “Cesta” designa um 
recipiente para objetos diversos feito de fibras entrelaçadas; 
“sexta”, por sua vez, é o penúltimo dia da semana. Perceba 
que a grafia das palavras também é diferente, mas isso não 
ocorre em todos os casos.
Assim, temos também palavras homônimas idênticas na 
grafia e na pronúncia ou homônimas perfeitas: “sara” (verbo 
flexionado no presente do indicativo, na terceira pessoa do 
singular) e “Sara” (nome próprio feminino); “verão” (verbo 
“ver” flexionado no futuro do presente, na terceira pessoa do 
plural) e “verão” (estação do ano); “manga” (parte da camisa) 
e “manga” (fruta). No caso de “sexta” e “cesta”, como visto, 
temos palavras iguais na pronúncia, mas diferentes na grafia. 
São, então, homônimas homófonas. O último grupo é o 
das palavras iguais apenas na grafia. São as homônimas 
homógrafas. Exemplo: “gosto” (verbo “gostar” flexionado 
no presente do indicativo, na primeira pessoa do singular) e 
“gosto” (substantivo).
Paronímia
Vimos que palavras homônimas são palavras iguais seja 
na pronúncia, seja na grafia, seja em ambas. Existem também 
palavras apenas semelhantes nesses dois aspectos. São as 
palavras parônimas. 
É preciso ter muito cuidado ao empregar vocábulos que 
apresentam relação de paronímia, pois isso pode resultar na 
inserção da palavra parônima no lugar da correta para o sen-
tido que se quer transmitir. Veja o caso dos verbos “ratificar” 
e “retificar”. O primeiro tem sentido de “confirmar, comprovar 
corroborar”, ao passo que o segundo significa “endireitar, cor-
rigir”. A alternância de uma mera letra compromete o sentido 
do enunciado, obstruindo a comunicação.
Hiperonímia e hiponímia. 
Hiperonímia e hiponímia são relações de sentido em que 
uma apresenta um sentido mais geral, ocupando, portanto, 
uma posição hierárquica “superior”, e a outra possui um senti-
do mais restrito e específico. A palavra “animal” interage com 
a palavra “baleia” segundo essa hierarquização, assim como 
a palavra “renascentista” e o nome próprio “Leonardo Da 
Vinci”. O reconhecimento dessas relações é muito importante 
na tessitura textual e nos processos coesivos da língua, pois 
permite a substituição depalavras e a progressividade das 
ideias por articulações semânticas. Por isso, muitos autores 
afirmam que o uso de hiperônimos e hipônimos constitui 
um profícuo recurso coesivo, assim como o emprego de 
sinônimos e antônimos.
Disponível em: http://angloresolve.plurall.net/press/question/2274780.
Na tirinha, Calvin, confuso com o choro da mãe enquanto 
ela descasca uma cebola, afirma que “deve ser difícil cozinhar 
se você antropomorfiza as hortaliças”. “Hortaliça” é, portanto, 
hiperômima de “cebola”. Por conseguinte, “cebola” é palavra 
hipônima de “hortaliça”.
Polissemia e ambiguidade
Polissemia se refere aos variados sentidos que as pala-
vras podem apresentar. Leia a tirinha a seguir que brinca com 
um caso de polissemia da língua portuguesa:
Disponível em:coral.ufsm.br/arco/digital/noticia.php?Id_noticia=254.
Nela há uma discrepância óbvia entre o que a menina 
entende por “lançar um livro” e o sentido que Armandinho 
extrai dessa expressão, provocando um efeito de humor. 
Casos como esse são abundantes na língua e constituem 
um recurso expressivo de muita riqueza. 
Ambiguidade é um fenômeno semântico no qual um 
enunciado revela mais de um sentido possível.
Disponível em:photusfactus.blogspot.
com/2010/10/censo-e-internet.html.
Na tirinha de Raimundo Waldez Duarte, o sentido de “rede” 
como “internet” não é compreendido pela família que vive 
em condições miseráveis. Para eles, “rede” é uma peça de 
tecido suspensa nas extremidades, que se usa para dormir. 
O emprego da ambiguidade pode sinalizar esmero na cons-
trução textual, ou seja, a valorização das potencialidades 
expressivas das palavras e expressões, mas também, em 
casos não intencionais, pode ser um problema no texto, geral-
mente porque as ideias não estão organizadas com cuidado 
suficiente, abrindo espaço para diferentes interpretações e 
gerando entraves comunicativos. 
Língua Portuguesa
12
Exercícios
1. (Fuvest – 2018) Examine esta propaganda.
Por ser empregado tanto na linguagem formal quanto 
na linguagem informal, o termo “legal” pode ser lido, 
no contexto da propaganda, respectivamente, nos 
seguintes sentidos: 
A) lícito e bom.
B) aceito e regulado. 
C) requintado e excepcional. 
D) viável e interessante. 
E) jurídico e autorizado. 
2. (ESPCEX (Aman) – 2017) Assinale a alternativa que 
contém, na sequência em que aparecem, os adjetivos 
correspondentes aos seguintes seres:
Cobre – Pele – Braço – Bode – Cobra – Prata
A) Cuprículo – Epidérmico – Braçal – Hircinto – Colu-
brino – Argênteo
B) Cuprículo – Epidérmico – Braquial – Hircino – Co-
lubrino – Argentino
C) Cobremol – Cutâneo – Braçal – Caprino – Ofidíco 
– Argênteo
D) Cuprículo – Epidérmico – Braquial – Hircinto – Ofí-
dico – Argentino
E) Colúmbrum – Cutâneo – Braçal – Caprino – Colu-
brino – Argênteo
3. (EEAR – 2017) Leia: “Aquele Sérgio, de Raul Pompéia, 
entrava no internato de cabelos grandes e com uma 
alma de anjo cheirando à virgindade”.
(José Lins do Rego, Menino de Engenho. Ed. Moderna Ltda., São Paulo, 1983).
No texto, o verbo “cheirar” tem significado de 
A) aspirar – desejar algo.
B) inalar – absorver o cheiro.
C) indagar – questionar algo.
D) parecer – ter características de.
4. (EsPCEx (Aman) – 2018)
Noruega como Modelo de Reabilitação de Criminosos
O Brasil é responsável por uma das mais altas taxas 
de reincidência criminal em todo o mundo. No país, 
a taxa média de reincidência (amplamente admitida, 
mas nunca comprovada empiricamente) é de mais ou 
menos 70%, ou seja, 7 em cada 10 criminosos voltam 
a cometer algum tipo de crime após saírem da cadeia.
Alguns perguntariam “Por quê?”. E eu pergunto: “Por 
que não?” O que esperar de um sistema que propõe 
reabilitar e reinserir aqueles que cometerem algum tipo 
de crime, mas nada oferece, para que essa situação re-
almente aconteça? Presídios em estado de depredação 
total, pouquíssimos programas educacionais e laborais 
para os detentos, praticamente nenhum incentivo cul-
tural, e, ainda, uma sinistra cultura (mas que diverte 
muitas pessoas) de que bandido bom é bandido morto 
(a vingança é uma festa, dizia Nietzsche).
LUIZ FLÁVIO GOMES, jurista, diretor-presidente do Instituto Avante Brasil e 
coeditor do Portal atualidadesdodireito.com.br. Estou no blogdolfg.com.br.
** Colaborou Flávia Mestriner Botelho, socióloga e pesquisadora do Instituto Avante 
Brasil..FONTE: Adaptado de http://institutoavantebrasil.com.br/noruega-como-
-modelo-de-reabilitacao-de-criminosos/.Acessado em: 17 de março de 2017.
(...) uma sinistra cultura de que bandido bom é bandido 
morto.”
O adjetivo em destaque apresenta, no texto, o signi-
ficado de: 
A) errada
B) maligna
C) desprezível
D) forte
E) correta
5. (G1-Ifsul – 2017 - Adaptado) Que par exemplifica um 
caso de palavras homógrafas? 
A) Achado / roubado. 
B) Vadiar / trabalhar. 
C) Casa (verbo) / casa (substantivo). 
D) Colher (verbo) / colher (substantivo).
Gabarito
1. A
2. B
3. D
4. B
5. D
Noções de Semântica
13
Por muitos anos, antes do advento da Linguística e suas 
ramificações, concebeu-se o ato da leitura como uma mera 
decodificação de constituintes linguísticos, ou seja, o saber 
sobre esse fenômeno ancorava-se no nível das palavras e 
das sentenças, sem considerar outros partícipes no processo.
Com Ferdinand Saussure (1857-1913), fundador da 
Linguística, e Noam Chomsky, (1928-) pai da teoria gerati-
vista, o complexo lógico-léxico e gramatical que constitui as 
línguas humanas e a competência do falante ao apropriar-se 
dele para falar e escrever tornaram-se objetos de estudo da 
ciência, mas até meados da década de 1960 as interações 
firmadas nas práticas de leitura ainda não haviam sido colo-
cadas em pauta e averiguadas.
O problema da linguagem, sua aquisição e seus mecanis-
mos de funcionamento, com base em sua materialidade e no 
usuário que lança mão de seus recursos, converteu-se, em 
certa medida, no epicentro dos estudos das Humanidades.
Cumpre, portanto, para nossos propósitos didáticos, es-
tabelecer definições fundamentais do campo da Linguística. 
A saber: o que vem a ser texto, contexto, gênero e discurso. 
Esses são os conceitos basilares para a Linguística Textual, a 
Análise do Discurso e tantas outras disciplinas que compõem 
a constelação dos estudos da linguagem.
Texto e contexto
O conceito de texto é muito mais abrangente do que o 
senso comum nos informa. Em termos gerais, é texto toda 
produção linguística, falada ou escrita, não importando a 
extensão, que faça sentido em uma situação de interlocução.
As noções de comunicação e interação são fundamentais 
para o entendimento do que vem a ser texto. Nós, seres hu-
manos, estamos indissociavelmente enredados nas malhas 
textuais, por isso a ciência da linguagem, nos moldes atuais, 
privilegia muito mais os aspectos sociocognitivos conflagra-
dos pelos diversos textos que lemos e produzimos do que 
seus componentes estruturais: fonemas, morfemas, palavras, 
frases, orações, período etc.
Sempre que produzimos algum texto, seja em uma con-
versa espontânea ou na escrita de um artigo de opinião, por 
exemplo, estamos exercendo uma atividade social que cum-
pre determinado papel organizacional e presume uma função 
comunicativa. Essa dinâmica é fundamental, pois todo texto 
se manifesta regulado por esferas da comunicação que lhe 
conferem inteligibilidade e funcionalidade, assegurando sua 
circulação. Alguns textos apresentam maior potencial de ritua-
lização do que outros, de modo a serem reencenados cada 
vez que se estabelecem novos interlocutores, e adquirem 
diferentes suportes, mas as circunstâncias que deflagraram sua 
produção é uma propriedade inalienável de sua própria cons-
tituição como rede de sentidos e, muitas vezes, requisito para 
a apreensão de seus significados nos meios nos quais circula.
Essa irrupção de sentidos, no entanto, não é promovida por 
sujeitos a-históricos e estanques, mas por seres que trazem 
em seu próprio bojo o outro. Essa relação ficará mais clara 
quando estudarmos intertextualidadeno próximo volume, mas 
é importante ter em mente que nenhum de nós está imune à 
interferência de outras vozes e influências quando dizemos 
qualquer coisa. Somos criaturas sociais por constituição, e 
ninguém é fonte exclusiva de nenhum dito, pois o indivíduo 
só consegue dizer algo se apoiando em outras falas.
Essa ideia de sujeito autônomo, do qual provém o sentido 
unívoco, é amplamente contestada nos meios acadêmicos, 
pois precisamos sempre nos apropriar de outros sentidos e 
sujeitos ao produzirmos nossas falas, mesmo que não nos 
demos conta disso. Por isso, não existe contexto “puro” de 
um texto, pois mesmo o instante deflagrado por cada enun-
ciação está entremeado de entonações prévias, camadas de 
sentidos que se sobrepõe, se refletem e se refratam.
Assim, contexto se refere, de maneira geral, a todos às 
circunstâncias que garantem a realização de um texto, ou seja, 
ele é uma propriedade inalienável do próprio texto, tomado em 
sua dimensão plurissignificativa, não sendo possível estabele-
cer uma fronteira entre as duas instâncias interdependentes.
Leia o seguinte excerto da pesquisadora Maria da Graça 
Costa Val, em que ela dá exemplos de enunciados normalmen-
te não concebidos como textos pela ausência de uma unidade 
de sentido aparente, mas, em virtude de suas situações co-
municativas muito específicas, se realizam plenamente entre 
os interlocutores devidamente inseridos nas raias do discurso, 
Falando apenas de texto verbal, pode-se definir texto, hoje, 
como qualquer produção linguística, falada ou escrita, de 
qualquer tamanho, que possa fazer sentido numa situação de 
comunicação humana, isto é, numa situação de interlocução. 
Por exemplo: uma enciclopédia é um texto, uma aula é um 
texto, um e-mail é um texto, uma conversa por telefone é um 
texto, é também texto a fala de uma criança que, dirigindo-se à 
mãe, aponta um brinquedo e diz “té”. “Té” não chega a ser pro-
priamente nem ao menos uma palavra da Língua Portuguesa; 
portanto, isolada, fora da situação em que foi usada, não tem 
e nem deixa de ter sentido. No entanto, quando pronunciada 
por uma criança e dirigida à mãe, acompanhada do gesto de 
apontar um brinquedo, passa a ser um texto bom e completo, 
pode ser interpretada como o verbo “quero”, pronunciado de 
acordo com as possibilidades do locutor naquele momento, e 
significando um pedido da criança de que a mãe lhe dê o brin-
quedo. Por outro lado, um livro de Física Quântica ou um tratado 
de Filosofia podem ser claros e consistentes para os especialistas 
e absolutamente incompreensíveis para os leigos1. 
Portanto, o texto não é meramente um todo articulado de 
sentenças estagnadas e autossuficientes, mas uma rede de 
comunicabilidades, por meio das quais o sentido não repou-
sa simplesmente no encadeamento verbal, mas ancora-se 
em categorias não verbais e fatos de ordem pregressa que 
situem o leitor no circuito sociodiscursivo que o enceta. Isso 
nos permite afirmar que texto e contexto são categorias in-
dissolúveis, ou seja, não é possível estabelecer plenamente 
onde um começa e o outro termina.
Capítulo 04
14
Texto e Discurso
Retomando os estudos de Graça Costa Val, essa autora 
ainda salienta que “um ponto importante nessa definição é que 
[o texto] possa fazer sentido numa situação de interlocução. 
Isso significa duas coisas: a) nenhum texto tem sentido em 
si mesmo, por si mesmo; b) todo texto pode fazer sentido, 
numa determinada situação, para determinados interlocutores.”
Todo texto, portanto, deve ser considerado tanto como 
objeto de significação, ou seja, como um tecido organizado e 
estruturado, quanto como objeto de comunicação, ou melhor, 
objeto de uma cultura, cujo sentido depende, em suma, do 
contexto sócio-histórico. 
O texto é produzido por um sujeito num dado tempo e 
num determinado espaço. Esse sujeito, por pertencer a 
um grupo social num tempo e num espaço, expõe em seus 
textos as ideias, os anseios, os temores, as expectativas 
de seu tempo e de seu grupo social. Todo texto tem um 
caráter histórico, não no sentido de que narra fatos his-
tóricos, mas no de que revela os ideais e as concepções 
de um grupo social numa determinada época2. 
Todo texto mostra o seu tempo, de uma maneira ou de outra. 
Entretanto, há de se observar que em uma mesma sociedade 
ocorrem pontos de vista diferenciados de seus mais variados 
sujeitos. Além disso, como analisa Costa Val (2004), “conside-
rar o texto como um produto linguístico que traz em si mesmo 
o seu sentido e todas as suas características, significaria acre-
ditar que todos aqueles que ouçam ou leiam um determinado 
texto, mesmo que em circunstâncias diferentes, vão entendê-lo 
exatamente do mesmo jeito”. A autora lembra que “todos nós 
já vivenciamos situações em que textos literários, ou jurídicos, 
ou religiosos, ou noticiosos, ou da conversa cotidiana, foram 
interpretados diferentemente por pessoas diferentes”. Nesse 
sentido, Costa Val observa que “essa diversidade de interpre-
tações acontece porque cada texto pode ser textualizado de 
maneiras diferentes por diferentes ouvintes ou leitores. Por isso 
é que se tem preferido, atualmente, falar em textualização”. 
Nessa acepção, essa autora define “textualidade” como “um 
princípio geral que faz parte do conhecimento textual dos fa-
lantes e que os leva a aplicar a todas as produções linguísticas 
que falam, escrevem, ouvem ou leem um conjunto de fatores 
capazes de textualizar essas produções”3. 
Em outras palavras: “para um conjunto de palavras 
constituir um texto, é preciso que esse conjunto pareça aos 
interlocutores um todo articulado e com sentido, pertinente e 
adequado à situação de interação em que ocorre”, para fazer 
com que “essas palavras possam ser entendidas como um 
texto – compreensível, normal, com sentido.”4
Leia o seguinte texto, publicado no jornal Folha de S. Paulo, 
em 3 de novembro de 2013.
Guinada à direita
Há uma década, escrevi um texto em que me definia como 
“meio intelectual, meio de esquerda”. Não me arrependo. Era 
jovem e ignorante, vivia ainda enclausurado na primeira parte 
da célebre frase atribuída a Clemenceau, a Shaw e a Churchill, 
mas na verdade cunhada pelo próprio Senhor: “Um homem 
que não seja socialista aos 20 anos não tem coração; um 
homem que permaneça socialista aos 40 não tem cabeça”. 
Agora que me aproximo dos 40, os cabelos rareiam e arejam-
-se as ideias, percebo que é chegado o momento de trocar as 
sístoles pelas sinapses.
Como todos sabem, vivemos num totalitarismo de es-
querda. A rubra súcia domina o governo, as universidades, a 
mídia, a cúpula da CBF e a Comissão de Direitos Humanos e 
Minorias, na Câmara. O pensamento que se queira libertário 
não pode ser outra coisa, portanto, senão reacionário. E quem 
há de negar que é preciso reagir? Quando terroristas, gays, 
índios, quilombolas, vândalos, maconheiros e aborteiros ten-
tam levar a nação para o abismo, ou os cidadãos de bem se 
unem, como na saudosa Marcha da Família com Deus pela 
Liberdade, que nos salvou do comunismo e nos garantiu 20 
anos de paz, ou nos preparemos para a barbárie.
Se é que a barbárie já não começou... Veja as cotas, por 
exemplo. Após anos dessa boquinha descolada pelos negros 
nas universidades, o que aconteceu? O branco encontra-se 
escanteado. Para todo lado que se olhe, da direção das 
empresas aos volantes dos SUVs, das mesas do Fasano à 
primeira classe dos aviões, o que encontramos? Negros ricos 
e despreparados caçoando da meritocracia que reinava por 
estes costados desde a chegada de Cabral.
Antes que me acusem de racista, digo que meu problema 
não é com os negros, mas com os privilégios das “minorias”. 
Vejam os índios, por exemplo. Não fosse por eles, seríamos 
uma potência agrícola. O Centro-Oeste produziria soja sufi-
ciente para a China fazer tofus do tamanho da Groenlândia, 
encheríamos nossos cofres e financiaríamos inúmeros estádios 
padrão Fifa, mas, como você sabe, esses ágrafos, apoiados 
pelo poderosíssimo lobby dos antropólogos, transformaramtoda nossa área cultivável numa enorme taba. Lá estão, agora, 
improdutivos e nus, catando piolho e tomando 51.
Contra o poder desmesurado dado a negros, índios, gays 
e mulheres (as feias, inclusive), sem falar nos ex-pobres, que 
agora possuem dinheiro para avacalhar, com sua ignorância, 
a cultura reconhecidamente letrada de nossas elites, nós, da 
direita, temos uma arma: o humor. A esquerda, contudo, sabe 
do poder libertário de uma piada de preto, de gorda, de baia-
no, por isso tenta nos calar com o cabresto do politicamente 
correto. Só não jogo a toalha e mudo de vez pro Texas por 
acreditar que neste espaço, pelo menos, eu ainda posso lutar 
contra esses absurdos.
Peço perdão aos antigos leitores, desde já, se minha nova 
persona não lhes agradar, mas no pé que as coisas estão é pre-
ciso não apenas ser reacionário, mas sê-lo de modo grosseiro, 
raivoso e estridente. Do contrário, seguiremos dominados pelo 
crioléu, pelas bichas, pelas feministas rançosas e por velhos 
intelectuais da USP, essa gentalha que, finalmente compreendi, 
é a culpada por sermos um dos países mais desiguais, mais 
injustos e violentos sobre a Terra. Me aguardem.5 
Leia alguns comentários de leitores da Folha, após a 
publicação do texto de Antônio Prata.
Maravilhoso, corajoso e absolutamente necessário o texto 
de Antonio Prata (“Guinada à direita”). Com ironias endereça-
das aos pitbulls Reinaldo Azevedo, Demétrio Magnoli e Luiz 
Felipe Pondé, toca num ponto crucial: os escribas da direita 
são absolutamente autoritários, raivosos e desrespeitosos 
com as opiniões divergentes e ainda pretendem ser os donos 
do pensamento democrático. Lavou minha alma.
Carlos Gueller (São Paulo, SP).
Adolf Hitler, ao ler Antonio Prata (“Guinada à direita”, “Cotidia-
no”, 3/11), teria ficado feliz por ser assinante da Folha... Me per-
gunto se isso é uma piada, pois é inacreditável a publicação de 
um texto tão fascista, ofensivo e preconceituoso. É assustador!
Vânia Gomes (São Paulo, SP).
Sugiro a Antonio Prata que reflita sobre o poema “Inclassi-
ficáveis”, de Arnaldo Antunes. Se somos hoje uma sociedade 
violenta é porque somos herdeiros da desigualdade que se 
instalou aqui desde o Descobrimento. Raciocínios intolerantes 
não contribuem em nada para reduzir a violência.
Jesuíno B. Carvalho (São Paulo, SP).
Texto e Discurso
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Muito corajosa e pertinente a coluna de Antonio Prata 
(“Cotidiano”, 3/11). Realmente é essa gentalha, protegida 
por um poder totalitário instalado em nossa nação há mais 
de uma década, que impede o pleno desenvolvimento do 
país. Parabéns. Aguardo ansioso por novas colunas raivosas.
Renato Mietto (São Paulo, SP).
Antonio Prata deve estar sendo muito irônico ou o jornal pirou.
Clarisse M. Machado (São Paulo, SP).
Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/paineldoleitor/2013/11/ 
1366366-leitores-elogiam-e-criticam-a-coluna-de-antonio-prata.
shtml>. Acesso em: 03 dez. 2018.
Antônio Prata, portanto, utilizou-se de uma conhecida es-
tratégia discursiva denominada ironia. E uma forma de fazer 
a ironia acontecer é se afirmar uma coisa que, na verdade, 
se quer entendida de forma contrária. No caso do texto de 
Antônio Prata, o leitor deveria atentar-se para a troca repen-
tina de posicionamento ideológico por ele assumido. Assim, 
para a boa compreensão do texto, o leitor deveria ser uma 
espécie de “seguidor” de Prata, conhecer seus textos ante-
riores para compreender a ironia por ele lançada nessa sua 
crônica, caso contrário, poderia considerar as ideias desse 
escritor elitistas, racistas, sexistas e homofóbicas.
Observe, agora, a seguinte tirinha.
Disponível em: http://comicshagar.blogspot.com.br/.
Nessa tirinha (segundo quadrinho), verifica-se que a fala 
da personagem, Hagar, torna-se também irônica, uma vez 
que ele sugere que os políticos praticam ações similares às 
dos antigos vikings. 
A palavra ironia vem do grego eironeía, significando dis-
simulação, interrogação dissimulada. De modo genérico, a 
ironia consiste em dizer o contrário do que se pensa, mas 
dando-o a entender, ou seja, estabelece um contraste entre 
o modo de enunciar o pensamento e o seu conteúdo. A ironia 
funciona, portanto, 
como processo de aproximação de dois pensamentos, e 
situa-se no limite entre duas realidades, e é precisamente 
a noção de balanço, de sustentação, num limiar, a sua 
característica básica, do ponto de vista da estrutura. Por 
isso mesmo, pressupõe que o interlocutor não a com-
preenda de imediato: escamoteado, o pensamento não 
se dá a conhecer prontamente.7 
A ironia também resulta do inteligente emprego do contras-
te, com vistas a perturbar o interlocutor. A ironia, na verdade, 
vai depender sempre do contexto, pois fora dele não se 
poderá evidenciar o seu efeito.
Na tirinha, a antropomorfização das personagens é alvo de ironias, 
escancarando o absurdo da situação por meio do contraste entre 
o cavalo-homem e o cavalinho de pau não antropomorfizado.
Disponível em: www.1.folha.uol.com.br/ilustra-
da/cartum/cartunsdiarios/#30/12/2013.
Textualização 
Todo texto é um conjunto formado por partes que se 
complementam, que dependem umas das outras, de sua 
organização, para gerar sentido. Para tanto, dois fatores, num 
primeiro momento, são essenciais: a coesão e a coerência. 
Para que um texto apresente coesão é necessário que 
as várias partes de uma frase, por exemplo, apresentem-se 
bem conectadas para que ele cumpra sua função primordial: 
sintonia entre quem escreve esse texto e quem o lê. 
Coesão, portanto, é a amarração entre as várias par-
tes do texto, isto é, o entrelaçamento significativo entre 
declarações e sentenças. 
Há duas formas de coesão: a lexical e a gramatical. A primei-
ra é obtida pelas relações de sinônimos, hiperônimos, nomes 
genéricos e formas reduzidas, por exemplo; a segunda é con-
seguida a partir do emprego adequado de pronomes, adjetivos, 
expressões adverbiais, conjunções e numerais, por exemplo. 
Costa Val (2004) adverte que “A coesão não é uma ca-
racterística que vem pronta no texto, mas é um princípio de 
textualização que as pessoas aplicam aos textos que falam, 
ouvem, escrevem e leem com o intuito de atribuir sentido à 
sequência de palavras e frases com que deparam.”8
Já a coerência é um processo global responsável pela 
formação do sentido que garante a boa compreensão de um 
texto. Caso não haja uma continuidade de sentido, o texto 
torna-se desconexo, discrepante, incoerente. 
A coerência tem a ver com conhecimentos e informações. 
Ouvir ou ler um texto e entendê-lo, considerá-lo coerente, 
significa conseguir processá-lo com os conhecimentos e a 
habilidade de interpretação que se tem e, então, avaliá-lo 
como compatível com esses conhecimentos. 
A coerência abrange, além da coesão textual, outros fa-
tores de ordens diversas, além do conhecimento de mundo 
e do conhecimento compartilhado, tais como: intenciona-
lidade, aceitabilidade, informatividade, situacionalidade e 
intertextualidade.9
A intencionalidade e a aceitabilidade são fatores que 
se constituem através do princípio de cooperação entre os 
interlocutores, pois quem produz um texto tem sempre a 
intenção de que ele seja compreendido, e quem o recebe 
espera entendê-lo.
A informatividade relaciona-se ao grau de novidade e 
previsibilidade contidos em um texto, podendo, desse modo, 
dificultar ou facilitar a compreensão do texto.
A situacionalidade diz respeito às relações entre texto e 
contexto, ao conjunto de fatores que tornam um texto essen-
cial em uma situação de comunicação corrente ou passível 
de ser construída.
A intertextualidade envolve os variados conhecimentos 
prévios de outros textos por parte dos interlocutores, relacio-
nando-se, assim, aos fatores que tornam a utilização de um 
texto dependente de um ou mais textos previamente existentes. 
Na verdade, todo discurso é produzido apartir de um já dito.10
Há de se ressaltar que todo texto tem que ser pensado 
em função de seu contexto. Para o desenvolvimento da 
capacidade de compreensãocrítica, na leitura e na escuta, 
há de se considerar quando, onde, para quê e para quem o 
texto foi produzido, ou seja, que, na construção da coerência 
e na apreciação do texto, deve-se levar em conta a situacio-
nalidade, a intencionalidade, a aceitabilidade pretendida, a 
intertextualidade. Na interpretação, recompor as condições 
em que o texto foi produzido facilita e enriquece o processo 
de textualização. 
Língua Portuguesa
16
A maioria dos textos jornalísticos, por exemplo, é expressa 
de forma objetiva, literal, respeitando o sentido “real” dos 
termos que os compõe, ou seja, aquele que é registrado nos 
dicionários, já que o que se pretende é passar uma informa-
ção de forma clara e concisa, para que seja bem entendida. 
De acordo com Graça Costa Val, 
a coerência é co-construída pelos interlocutores e depen-
de da co-construção da coesão, da situacionalidade, da 
intencionalidade, da aceitabilidade, da informatividade, 
da intertextualidade. Um texto é aceito e avaliado pelos 
interlocutores (aceitabilidade) como coerente quando os 
recursos linguísticos que utiliza são percebidos como 
integrados num todo inteligível (coesão), que lhes pareça 
adequado à situação em que ocorre (situacionalidade) e 
apropriado para a realização das intenções do locutor 
diante dos ouvintes ou leitores a que se destina (inten-
cionalidade).
Desse modo, levando-se em conta as palavras de Costa 
Val, o texto de Verissimo, embora aparentemente nonsense, 
revela-se coerente. 
Discurso 
A definição de discurso passa necessariamente pela 
noção de sujeito, não o sujeito potentado do sentido, mas 
o sujeito fragmentado e trespassado por feixes de valores e 
significações que ecoam em todas as esferas sociais. À guisa 
de simplificação, definimos discurso como o repertório de 
signos que rege nossa interação simbólica com o mundo e 
permite que nos entendamos minimamente para produzir e 
reproduzir sentidos.
Assim, a todo texto subjazem vários discursos, os quais 
ele chancela ou rechaça de acordo com a perspectiva ado-
tada. Essas multiplicidades de sentido nem sempre estarão 
explícitas, portanto, cabe aos analistas e aos leitores compe-
tentes, em geral, desencavar significações possíveis. Quanto 
mais complexo o texto, mais variadas são as possibilidades 
de leitura.
Domínio discursivo são espaços institucionais de enuncia-
ção aos quais se vinculam gêneros textuais por contiguidade 
em matéria de condições de produção. Temos, assim o do-
mínio discursivo religioso, o domínio discursivo jornalístico, o 
domínio discursivo jurídico, o domínio discursivo escolar, entre 
muitos outros. Em outras palavras, são esferas da atividade 
humana que congregam propósitos comunicativos diversos, 
cada uma albergando seus gêneros específicos.
Internacionalização da Amazônia 
Durante debate ocorrido no mês de Novembro/2000, em 
uma Universidade, nos Estados Unidos, o ex-governador do 
Distrito Federal, Cristovam Buarque (PT), foi questionado 
sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. 
O jovem introduziu sua pergunta dizendo que esperava a 
resposta de um humanista e não de um brasileiro. Segundo 
Cristovam, foi a primeira vez que um debatedor determinou a 
ótica humanista como o ponto de partida para a sua resposta:
“De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra 
a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos 
governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, 
ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degrada-
ção ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua 
internacionalização, como também de tudo o mais que tem 
importância para a Humanidade. Se a Amazônia, sob uma 
ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionali-
zemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O 
petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade 
quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os 
donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou 
diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. 
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria 
ser internacionalizado
Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres huma-
nos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, 
ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o 
desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos es-
peculadores globais. Não podemos deixar que as reservas 
financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da 
especulação. Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver 
a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. 
O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu 
do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo 
gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, 
como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e 
destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.
Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar 
com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, 
aquele quadro deveria ter sido internacionalizado. Durante 
este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum 
do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram difi-
culdades em comparecer por constrangimentos na fronteira 
dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das 
Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos 
Manhattan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim 
como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, 
Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história 
do mundo, deveriam pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA 
querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la 
nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arse-
nais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram 
que são capazes de usar essas armas, provocando uma 
destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis 
queimadas feitas nas florestas do Brasil. Nos seus debates, 
os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido 
a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo 
em troca da dívida.
Comecemos usando essa dívida para garantir que cada 
criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola. Inter-
nacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não 
importando o país onde nasceram, como patrimônio que 
merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que me-
rece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças 
pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles 
não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; 
que morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito 
defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o 
mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia 
seja nossa. Só nossa.”
(*) Cristovam Buarque foi governador do Distrito Fede-
ral (PT) e reitor da Universidade de Brasília (UnB), nos anos 
90. É palestrante e humanista respeitado mundialmente.
No texto, a voz do enunciador, contrária à internacionaliza-
ção da Amazônia, apropria-se do discurso de seus oponentes 
para expor as falácias de seus argumentos, impondo um 
rigor silogístico que desmascara as intenções verdadeiras 
dos grupos interessados em explorar os recursos da floresta 
amazônica, desbancando, assim, as pretensões “humanistas” 
alardeadas. Ora, se a Amazônia é patrimônio da humanidade, 
por que os acervos culturais pertencentes a países desenvol-
vidos também não podem ser partilhados por todos, alega 
Cristovam Buarque? Perceba que se trata de um sofisticado 
Texto e Discurso
17
percurso argumentativo, semelhante ao empreendido por 
Antônio Prata em “A guinada à direita”, cuja adesão a uma 
determinada formação ideológica só se revela plenamente 
quando se percorre o texto em sua inteireza e se avalia as 
pistas enunciativas trazidas por ele.
Agora que travamos contato com essas concepções-cha-
ve, voltemos ao problema da leitura. Como esse fenômeno 
pode ser descrito? Pesquisas atuais identificam quatro gran-
des sistemas atuantes no processamento textual: o linguístico 
(repertório lexical e gramatical), o enciclopédico(os dados 
armazenados na memória do indivíduo), o sociointeracional 
(que abrange a vivência verbal do falante, as formas de inte-
ração tecidas pela linguagem que sua inserção no mundo o 
fez acumular ao longo da vida) e, finalmente, o conhecimento 
relacionado aos paradigmas textuais, isto é, aos modelos 
globais, no que tange ao reconhecimento de textos como 
pertencentes a certo gênero e tipo textual.
Com base nesses repertórios ativados, conseguimos 
fazer inferências e traçar relações entre textos diversos. 
A leitura, tomada não há muito tempo como simples ação 
decodificadora e linear de signos, é um processo complexo, 
multifuncional e intertextual por excelência, pois todo texto 
pressupõe, como vimos, a existência pregressa de infinitos 
outros textos. O leitor também, no ato de leitura, vai mobilizar 
todos seus conhecimentos de mundo e, muitas vezes, pode 
traçar rotas insuspeitadas e manifestar sentidos “ocultos” 
para leitores menos experientes.
Referências
COSTA VAL, Maria da Graça. Texto, textualidade e textualização. In: 
CECCANTINI, J.L.T.; PEREIRA, R. F.; ZANCHETTA JUNIOR, J. 
Pedagogia Cidadã: cadernos de formação: língua portuguesa. 
v. 1. São Paulo: UNESP, Pró-Reitoria de Graduação, 2004. p. 
113-128. 
COSTA VAL, Maria da Graça. Redação e textualidade. São Paulo: 
Martins Fontes, 1991. p. 3-16.
MOISÉS, Massaud. Dicionário de termos literários. São Paulo: 
Cultrix, 1985. p. 295.
SAVIOLI, Francisco Platão; FIORIN, José Luiz. Lições de texto: leitura 
e redação. 5 ed. São Paulo: Ática, 2006. p. 17.
Exercícios
A PIPOCA
Rubem Alves
A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até 
atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com 
as palavras que com as panelas. Por isso tenho mais escrito 
sobre comidas que cozinhado. Dedico-me a algo que poderia 
ter o nome de “culinária literária”. Já escrevi sobre as mais va-
riadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nóbis, 
picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, 
suflês, sopas, churrascos. Cheguei mesmo a dedicar metade 
de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A 
festa de Babette, que é uma celebração da comida como ritual 
de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, 
nunca escrevi como chef. Escrevi como filósofo, poeta, psi-
canalista e teólogo – porque a culinária estimula todas essas 
funções do pensamento.
As comidas, para mim, são entidades oníricas. Provocam a 
minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que 
chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois 
foi precisamente isso que aconteceu. A pipoca, milho mirrado, 
grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, 
brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíti-
cas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela 
mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconte-
ceu. Minhas ideias começaram a estourar como pipoca. Percebi, 
então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um 
bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma 
inesperada e imprevisível. A pipoca se revelou a mim, então, como 
um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, 
as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como 
aqueles das pipocas dentro de uma panela.
Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem 
sentido religioso? Pois tem. Para os cristãos, religiosos são o 
pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, 
a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, 
não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida 
e alegria devem existir juntas. Lembrei-me, então, de lição 
que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do candomblé 
baiano: que a pipoca é a comida sagrada do candomblé...
A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido. Fosse eu 
agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos 
aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e 
trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de 
vista do tamanho, os milhos da pipoca não podem competir 
com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas 
o fato é que houve alguém que teve a ideia de debulhar as 
espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando 
que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos. 
Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordu-
ra. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado. 
Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da 
panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era 
o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se 
transformavam em flores brancas e macias que até as crianças 
podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, 
de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, 
molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. 
É muito divertido ver o estouro das pipocas!
E o que é que isso tem a ver com o candomblé? É que a 
transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da 
grande transformação porque devem passar os homens para 
que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não 
é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do 
estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, 
impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentina-
mente, nos transformar em outra coisa − voltar a ser crianças!
Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho 
de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de 
pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes 
transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem 
não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São 
pessoas de uma mesmice e dureza assombrosas. Só que elas 
não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito 
de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida 
nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode 
ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, 
perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pâ-
nico, medo, ansiedade, depressão – sofrimentos cujas causas 
ignoramos. Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. 
Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da 
grande transformação.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, 
lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora 
Língua Portuguesa
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chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada 
em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não 
pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A 
pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso 
prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: 
pum! − e ela aparece como uma outra coisa, completamente 
diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta 
rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.
Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está re-
presentado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição 
é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um 
jeito para ser de outro. “Morre e transforma-te!” − dizia Goethe.
Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os 
piruás com os paulistas descobri que eles ignoram o que seja. 
Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é 
palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio 
para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho 
de pipoca que se recusa a estourar. Meu amigo William, extraor-
dinário professor-pesquisador da Unicamp, especializou-se em 
milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da 
pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os 
piruás. Mas, no mundo da poesia as explicações científicas não 
valem. Por exemplo: em Minas “piruá” é o nome que se dá às 
mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada 
dos quarenta, lamentava: “Fiquei piruá!” Mas acho que o poder 
metafórico dos piruás é muito maior. Piruás são aquelas pessoas 
que, por mais que o fogoesquente, se recusam a mudar. Elas 
acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o 
jeito delas serem. Ignoram o dito de Jesus: “Quem preservar a 
sua vida perdê-la-á.” A sua presunção e o seu medo são a dura 
casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão 
ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca 
macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro 
alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não 
servem para nada. Seu destino é o lixo. Quanto às pipocas 
que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que 
sabem que a vida é uma grande brincadeira...
Disponível em http://www.releituras.com/rubemalves-
pipoca.asp. Acessado em 31 de mai. 2016.
1. (Efomm – 2017) Rubem Alves demonstra em sua crô-
nica que o ser humano, quando passa por dificuldades, 
transforma-se em uma pessoa melhor. O processo 
doloroso pode ser revelado na passagem: 
A) Mas o fato é que sou mais competente com as 
palavras que com as panelas. 
B) Elas acham que não pode existir coisa mais mara-
vilhosa do que o jeito delas serem. 
C) A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. 
D) É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo 
como borboleta voante. 
E) (...) sob o ponto de vista do tamanho, os milhos da 
pipoca não podem competir com os milhos normais. 
2. (Efomm – 2017) Para o autor, se uma pessoa busca 
uma verdadeira metamorfose, faz-se necessário sub-
meter-se a um procedimento básico. Assim, para evo-
luir, o ser humano necessita passar por um processo de 
A) abjuração. 
B) inconformismo. 
C) padecimento. 
D) rejeição. 
E) revolta. 
3. (Efomm – 2017) Analise as afirmativas abaixo e assinale 
a opção INCORRETA. 
A) Como tema principal do texto, o autor utiliza a pipoca 
para referir-se às pessoas hipócritas e medíocres 
que não querem se transformar em pessoas me-
lhores e permanecem do mesmo jeito a vida toda. 
B) O que “une” o significado de “pipoca” e “pensamen-
to” semanticamente tão diferentes é a constatação 
de que elas têm algo em comum, ou melhor, o 
estouro (surgimento) inesperado e imprevisível. 
C) A pipoca se revela para ele como extraordinário 
objeto poético, pois, ao pensar nela, suas ideias 
começaram a estourar assim como uma pipoca 
surge na panela. 
D) O autor acrescenta ao texto o sentido religioso da 
pipoca que, como o pão e o vinho cristãos, é um 
alimento sagrado para o Candomblé. 
E) Para o autor, a pipoca comida é inspiração que faz 
sonhar; a pipoca comida que estoura são pensa-
mentos que surgem; a pipoca comida é o alimento 
sagrado para o Candomblé, assim como o pão e o 
vinho são para os cristãos. 
Gabarito
1. D
2. C
3. A
Texto e Discurso
19
Discurso é a denominação dada à produção linguística realizada pelos seres humanos para se expressarem. O discurso 
pode ser registrado ou reproduzido como “discurso direto”, “discurso indireto” ou “discurso indireto livre” de acordo com as 
características com que é apresentado. A estrutura narrativa pode conter estes três diferentes tipos de discurso, os quais são 
escolhidos pelo autor em virtude da maneira com que deseja expressar as ideias dos personagens. 
Discurso direto
No discurso direto, conservam-se as características linguísticas da produção expressiva de um personagem, transcrevendo 
exatamente quais foram os termos por ele utilizados. Esse tipo de discurso garante ao autor marcar bem o idioleto de cada per-
sonagem, isto é, a maneira com que se expressam recorrentemente. Como marcas tipográficas desse discurso, tem-se o uso 
de dois pontos, aspas e travessão – este, no entanto, pode não se fazer presente em casos de redação jornalística, em que há a 
transposição da fala de algum indivíduo. Além disso, as falas das personagens são precedidas, encerradas ou intercaladas por 
verbos dicendi (dos quais os exemplos mais utilizados são os verbos disse, acrescentou, perguntou, respondeu).
São características desse tipo de discurso, pois: o uso de dois pontos, aspas e travessão, o fato de a transcrição ser direta 
e não haver intermediário entre a fala do personagem e seu registro, e, por fim, o fato de existirem marcas linguísticas parti-
culares a cada personagem, como utilização de termos específicos ou maneiras de estruturar as sentenças.
Leia o seguinte excerto do romance O Fim de Policarpo Quaresma do escritor Lima Barreto (1881-1922):
“Apressou-se em ir receber o visitante na sala principal. Ele já subia a pequena escada da frente e penetrava pela 
varanda adentro.
- Boas tardes, major.
- Boas tardes. Faça o favor de entrar.
O desconhecido entrou e sentou-se. Era um tipo comum, mas o que havia nele de estranho, era a gordura. Não era 
desmedida ou grotesca, mas tinha um aspecto desonesto. Parecia que a fizera de repente e comia, a mais não poder, com 
medo de a perder de um dia para outro. Era assim como a de um lagarto que entesoura enxúndia para o inverno ingrato. 
Através da gordura de suas bochechas, via-se perfeitamente a sua magreza natural, normal, e se devia ser gordo não era 
naquela idade, com pouco mais de trinta anos, sem dar tempo que todo ele engordasse; porque, se as suas faces eram 
gordas, as suas mãos continuavam magras com longos dedos fusiformes e ágeis. O visitante falou:
- Eu sou o Tenente Antonino Dutra, escrivão da coletoria...
- Alguma formalidade? indagou medroso Quaresma.
- Nenhuma, major. Já sabemos quem o senhor é; não há novidade nem nenhuma exigência legal.”
Neste trecho, a presença do discurso direto fica evidente por meio do emprego de recursos gráficos e dos verbos dicendi, 
ou verbos “de dizer” (“falou”, “indagou”), distinguindo claramente, segundo critérios convencionados, as vozes do narrador e 
as falas das duas personagens. 
Discurso indireto
No discurso indireto, por sua vez, as falas das personagens estão presentes no discurso do próprio narrador. Desse modo, 
conserva-se a ideia expressa, mas não a maneira linguística com que isso foi feito: O significado do que é dito representa a 
expressão do personagem, mas não as suas exatas palavras. 
Nesse tipo de discurso há majoritariamente a presença da conjunção integrante (salvo em casos de oração reduzida, em 
que o verbo encontra-se na forma nominal). Exemplo de discurso indireto: 
“Ana Cipriana me chamou a um canto e, nervosa, argumentou que uma coisa era minha amiga não acreditar em 
Deus, outra bem diferente era Deus não existir. E que, mesmo contrariando as convicções da morta, não podíamos deixar 
que sua alma fosse arder no inferno.”
CASTELLO, José. Deus veste um albornoz surrado. Melhores crônicas de José Castello. Editora Global.
Capítulo 05
20
Discurso direto, indireto e indireto livre
Transposição do discurso direto para o indireto
Ao ser alterado o discurso direto para indireto, ocorrem alterações no modo com que os períodos que compõem o texto 
são estruturados. De acordo com LIMA (1972), entre as mudanças destacam-se:
1. Terceira pessoa, em vez de primeira ou segunda.
2. Pretérito imperfeito, em vez de presente.
3. Futuro do pretérito, em vez de futuro do presente.
4. Subjuntivo, em vez de indicativo ou imperativo.
5. Forma declarativa, em vez de interrogativa ou imperativa.
6. Demonstrativo aquele, em vez de este ou esse.
(LIMA, Rocha. Gramática Normativa da Língua Portuguesa. Edição revista segundo o novo Acor-
do Ortográfico. 50ª Ed. – Rio de Janeiro: José Olympio, 2012: 593)
Exemplos das marcas de transposição:
Marca Discurso direto Discurso indireto
No discurso indireto, a ideia é expressa 
em terceira pessoa, em vez de primeira ou 
segunda, como ocorre no discurso direto.
Eu comecei meus estudos ontem. Ela disse que começara seus estudos no dia anterior.
No discurso indireto, o verbo que estaria 
no presente no discurso indireto passa a 
estar no pretérito imperfeito.
João ordenou a Pedro: 
“- Coma!”. 
João ordenava que Pedro comesse.
Apresenta o futuro do pretérito no discurso 
indireto em vez de futuro do presente, 
como no discurso direto.
Bianca, sorrindo, disse-lhe:“- Logo tudo 
estará bem!”.
Bianca, sorrindo, disse-lhe que logo 
tudo estaria bem.
No discurso indireto, em vez de indicativo 
ou imperativo (modos verbais do discurso 
direto), o verbo encontra-se no subjuntivo.
João ordenou a Pedro: 
“- Coma!”. João ordenava que Pedro comesse.
Forma declarativa, no discurso indireto, 
deixando de ser interrogativa ou impera-
tiva, como no discurso direto.
João ordenou a Pedro: 
“- Coma!”. João ordenava que Pedro comesse.
No discurso indireto, utiliza-se o demons-
trativo ‘‘aquele’’, em vez de ‘‘este’’ ou 
‘‘esse’’, como ocorre no discurso direto.
Segurando a foto já antiga, a criança 
perguntou: “- Esta mulher ruiva é a minha 
mãe?”.
Segurando a foto já antiga, a criança 
perguntava se aquela mulher ruiva 
era a sua mãe.
Discurso indireto livre
Por fim, há o discurso indireto livre, no qual o texto, apesar de ser elaborado completamente pelo narrador e, por isso, escrito 
em terceira pessoa, contém marcas das vozes dos próprios personagens. Esse discurso apresenta, portanto, características 
tanto do discurso direto como do discurso indireto. Contudo, deve-se atentar-se ao fato de que não são empregues verbos 
dicendi, tampouco existem marcas de subordinação: as vozes das personagens são expressas de modo repentino, em orações 
separadas daquelas que descrevem ou narram os eventos, mas ainda como se integrassem a narração.
Para tornar mais claro o conteúdo ora apresentado, observe a tabela abaixo.
Discurso direto Discurso indireto Discurso indireto livre
Júlia recusou-se a deixar Pedro e disse-
-lhe: “Nunca o abandonarei, meu amor!”.
Júlia recusou-se a deixar Pedro e disse-lhe 
que nunca o abandonaria.
Júlia recusou-se a deixar Pedro. Nun-
ca o abandonaria.
A esposa, lamentando-se pela morte do 
marido, disse: “Maldito seja quem lhe 
tirou a vida”.
A esposa, lamentando-se pela morte do 
marido, disse que maldito fosse quem lhe 
tirara a vida.
A esposa lamentava-se pela morte 
do marido. Maldito seja quem lhe 
tirou a vida.
Eu aceitei, ainda que contrariado, a quan-
tia, mas lhes disse: “Esta é a última vez 
que jogo para esse time”.
Ele aceitou, ainda que contrariado, a quan-
tia, e disse-lhes que aquela era a última 
vez que jogava para aquele time.
Ele aceitou, ainda que contrariado, 
a quantia. Esta era a última vez que 
jogava para este time.
Discurso direto, indireto e indireto livre
21
Exercícios
Felicidade Clandestina
Clarice Lispector
Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto 
nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com 
balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. (...)
Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima 
de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.(...)
Com base no texto acima, responda à(s) questão(ões) a seguir. 
1. (EFOMM/Adaptada – 2016) Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. Na 
transposição do discurso indireto para o direto, teremos: 
A) Passe pela minha casa no dia seguinte que eu lhe empresto o livro – disse-me. 
B) Passasse pela minha casa no dia seguinte que eu lhe emprestaria o livro – disse-me. 
C) Passe pela minha casa no dia seguinte que eu lhe emprestava o livro – disse-me. 
D) Se passar pela minha casa amanhã, lhe emprestarei o livro – disse-me. 
E) Passe pela minha casa amanhã que eu lhe emprestarei o livro – disse-me. 
2. (EsPCEx (AMAN) – 2017) Assinale a alternativa que apresenta exemplo de discurso indireto livre.
A) – Desejo muito conhecer Carlota – disse-me Glória, a certo ponto da conversação. – Por que não a trouxe consigo?
B) Omar queixou-se ao pai. Não era preciso tanta severidade. Por que não tratava os outros filhos com o mesmo rigor?
C) – Isso não pode continuar assim, respondeu ela; – é preciso que façamos as pazes definitivamente.
D) Uma semana depois, Virgília perguntou ao Lobo Neves, a sorrir, quando seria ele ministro. Ele respondeu que, pela 
vontade dele, naquele mesmo instante.
E) Daí a pouco chegou João Carlos e, após ligeiro exame, receitou alguma coisa, dizendo que nada havia de anormal...
3. (FGV – 2015)
Novelas 
Não vejo novelas. A última que me prendeu no sofá foi escrita pelo Dias Gomes, que era um craque. Hoje, 15 segundos 
de novela bastam para me matar de tédio. Os mesmos personagens, o mesmo enredo, as mesmas caretas, as mesmas 
frases idiotas, as mesmas cenas toscas, a mesma história chata. 
(Roberto Gomes, Gazeta do Povo, 2009) 
A nova forma da frase inicial “Não vejo novelas”, se colocada em discurso indireto, iniciando-se a nova frase por “O autor 
do texto declara que...”, seria
A) não via novelas.
B) não vê novelas.
C) não viu novelas.
D) não verá novelas.
E) não veria novelas. 
Gabarito
1. E
2. B
3. B
Língua Portuguesa
22
A composição sonora das palavras é resultante de processos que conjugam vogais, consoantes e semivogais. 
Existem, no português, língua de ritmo acentual, doze vogais, que constituem a base sonora das sílabas. Elas podem ser 
representadas graficamente da seguinte maneira:
/a/ - pato, ataque.
 /ã/ - rã, santo, panda.
/e/ - pelugem, aquele. 
/ẽ/ - pente, amêndoa.
/é/ - frete, reza. 
/i/ - limite; rito.
/ĩ/ - sinto; limbo. 
/o/ - tomo; b ca. 
/õ/ - sonho; ronco; ações. 
/ó/ - roda; modo. 
/u/ - ruído; sujo.
/ũ/ - assunto; jumbo. 
Perceba que não há propriamente uma correspondência entre sons e letras. Isso ocorre porque as letras são representações 
gráficas de fonemas, que são os constituintes sonoros elementares das palavras, captados, portanto, pela audição. Assim, com-
binações diferentes de letras resultarão em um mesmo fonema em mais de um caso. 
As vogais são classificadas em vogais orais (/a/, /e/, /i/, /o/, /u/) e nasais (/ẽ/,/ĩ/, /õ/, /ũ/). No português, não temos propriamente 
vogais nasais, mas vogais nasalizadas. 
Outra classificação importante é a que leva em conta a tonicidade da vogal, ou seja, a intensidade com a qual elas são pronun-
ciadas. Assim, as vogais dividem-se em vogais átonas (bola, amém) e vogais tônicas (cético, apito, tudo). 
Em relação ao timbre, as vogais podem ser abertas (dez, mata, dó), fechadas (selo, mudo, ator) e reduzidas, que aparecem 
sempre no final das palavras (remo, mente, fase).
As semivogais são fonemas que ocorrem sempre acompanhados de vogais e formam junto com elas uma única emissão de 
voz (sílaba). A palavra “incauto”, por exemplo, é formada por três sílabas: in-cau-to. Na segunda sílaba, o fonema que se destaca 
é a vogal a, havendo uma redução de intensidade quando pronunciamos o fonema u. Esse fonema u é, assim, uma semivogal. 
Dependendo de como as vogais interagem entre si e com as semivogais, nas sílabas, teremos diferentes encontros vocálicos. 
• Ditongo – é o encontro de dois fonemas vocálicos na mesma sílaba: azeite, infância, açougue.
• Tritongo – é o encontro de três fonemas vocálicos na mesma sílaba: saguão, Paraguai, enxaguou. 
• Hiato – é o encontro de dois fonemas vocálicos, cada um em uma sílaba: ami-ú-de, a-mei-a, pa-ul, ru-í-do. 
As consoantes são produzidas quando há obstrução da passagem de ar na cavidade bucal. Geralmente se relacionam si-
labicamente com as vogais, no português, mas podem constituir sequências “consoante + consoante”. Essas sequências são 
chamadas encontros consonantais. 
Exemplos: im-pac-to, á-tri-o, cla-ví-cu-la.
Um fenômeno que ocorre no nível gráfico é o dígrafo. Nele, duas letras correspondem a um único fonema. Eles se subdividem 
em dígrafos separáveis e dígrafos inseparáveis. No primeiro grupo, temos: ss (as-sa-do), rr (ar-ra-nhar), sc (pis-ci-na), sç (cres-
-ça), xc (ex-ce-len-te). No segundo grupo, temos: lh: a-lhe-a-men-to, nh: ga-nho, ch: cha-ma,qu: qui-lo, gu: guer-ra)
Convenções ortográficas
A partir do Novo Acordo Ortográfico, o alfabeto passa a ter 26 letras: acrescentaram-se 3, sendo elas: k, w e y. Estas são em-
pregadas para grafar nomes próprios estrangeiros, algumas siglas e abreviaturas.
O uso das letras na escrita alfabética é regulamentado por um sistema ortográfico. É natural que haja uma convenção ortográ-
fica, porque nossa escrita vem se constituindo há séculos e porque os critérios que determinam a escolha das letras são diversos, 
baseando-se não só na fonologia, mas também na morfologia e etimologia, ou seja, na história e na origem das palavras.
Capítulo 06
23
Fonética e convenções ortográficas
Acordo ortográfico - O que mudou?
O alfabeto passou a ter 26 
letras, com o acréscimo de 
K, W e Y, que aparecem em 
abreviaturas, símbolos, siglas, 
nomes próprios ou palavras 
estrangeiras.
O acento agudo deixa de 
existir nas sílabas tônicas das 
palavras paroxitonas forma-
das pelos ditongos abertos ei 
e oi, como assembleia, ideia, 
jiboia e paranoia.
O acento circunflexo caiu nas 
palavras paroxitonas termina-
das em hiatos oo e ee, como 
voo, enjoo, creem, deem, 
leem, veem.
Com a extinção do trema, 
agora palavras como bilingue, 
ensanguentado, linguiça e 
cinquenta se escrevem desta 
maneira.
No caso do trema, nomes próprios mantiveram-se: Bündchen, Schönberg, Müller, por exemplo.
ACENTUAÇÃO GRÁFICA
situação exemplos
Monossílabas tônicas terminadas em a, e, o (s) chá, fé, dó.
Oxitonas
terminadas em:
a, as, e, es, o, os, em, ens.
sofá, jacaré, avô, atrás, convés, avós, 
alguém, parabéns.
Paroxítonas terminadas em: i, is, l, n, um, uns, us, r, x, ã, ãs, ão, ãos, ditongo, ps.
pólen, safári, íris, fácil, álbum, tórax, 
vírus, órgão, imã, mágoa, móveis, régua, 
bíceps.
Proparoxítonas todas têm acento. árabe, árvore, exército, caríssimos, quilômetro.
Hiato “ i ” e “ u ”, acompanhados ou não de “ s ”. saúde, paraíso, faísca, balaústre.
éu, éi, ói acentuados quando abertos e tônicos. chapéu, herói.
O que mudou?
Ortografia - Uso do Hífen
Acordo Ortográfico - Tabela do Hífen
VOGAIS
DIFERENTES
Não use hífen 
e junte
autoescola, infraestrutura, autoa juda, autoafirmação, 
semiaberto, semiárido.
VOGAIS
IGUAIS
Use hífen anti-inflamatório, micro-ônibus, micro-ondas, auto-observação, 
contra-ataque.
CONSOANTES 
DIFERENTES
Não use hífen 
e junte superlegal, hipermercado, intermunicipal, superpopulação.
CONSOANTES
IGUAIS
Use hífen sub-base, super-requintado, inter-relacionar, super-romântico.
VOGAL +
CONSOANTE
Não use hífen 
e junte seminovo, autoconhecimento, autodesenvolvimento.
CONSOANTE +
VOGAL
Não use hífen 
e junte hiperacidez, superinteressante.
VOGAL + R / S Junte e dobre o R ou o S
antirrugas, antissocial, ultrassonografia, autorretrato, 
minissaia, ultrarrigoroso, corresponsável, contrarregra.
Observações
1 - Se o segundo elemento começar por “r” ou “s”, essas letras são duplicadas para manter a pronúncia.
2 - Com o prefixo “sub”, emprega-se o hífen se o segundo elemento começar por “r”.
3 - Prefixos que sempre exigem hífen: além, aquém, ex, pré, pró, pós, recém e sem.
Língua Portuguesa
24
Exercícios
1. (EsPCEx – 2015) Assinale a alternativa em que a grafia 
de todas as palavras está correta.
A) Mulçumano é todo indivíduo que adere ao isla-
mismo.
B) Gostaria de saber como se entitula esse poema 
em francês.
C) Esses irmãos vivem se degladiando, mas no fundo 
se amam.
D) Não entendi o porquê da inclusão desses asterís-
ticos.
E) Essa prova não será empecilho para mim.
2. (EsPCEx – 2014) Assinale a alternativa em que o perí-
odo está grafado corretamente.
A) O aborígeni esperava com displiscência que a maré 
baixasse.
B) O aborígene esperava com displisciência que a 
maré baichasse.
C) O aborígine esperava com displicência que a maré 
baixace.
D) O aborígine esperava com displicência que a maré 
baixasse.
E) O aborígini esperava com displicência que a maré 
baixasse.
3. (EsPCEx – 2014) Quanto à separação silábica, assinale 
a alternativa correta.
A) trans-a-tlân-ti-co; hi-dre-lé-tri-ca; su-bes-ti-mar; in-
-te-rur-ba-no; bi-sa-vô
B) ist-mo; ma-gnó-lia; ap-ti-dão; felds-pa-to; sols-tí-cio
C) a-fta; sub-lin-gual; téc-ni-co; rép-til; rit-mo
D) e-clip-se; trans-tor-no; de-cep-ção; of-tal-mo-lo-gis-
-ta; ra-diou-vin-te
E) ra-di-ou-vin-te; pre-en-cher; pers-pi-caz; de-sa-ten-
-to; in- te-rur-ba-no
4. (EsPCEx – 2011) Assinale a alternativa em que todas 
as palavras estão grafadas corretamente.
A) cotelaria - majestade - giló - continue - viajem
B) miçanga – dansar – ganço - possues - cafajeste
C) chuchu – pajem – exceção - escárnio - atravéz
D) cachimbo – capixaba – caxumba - coturno - vicis-
situde
E) esteriótipo – analisar – catalizador - gesso – entopir
5. (EsPCEx – 2011) Assinale a alternativa que melhor 
completa as lacunas do texto a seguir:
Estar ob__e__ivamente ob__ecado pela beleza dessa 
mulher tra__ sempre uma sensação de impotência, 
e__e__ão feita quando, em raras vezes, ela olha para 
mim e sorri.
A) c – ss – c – z – xc – ç
B) s – c – c – z – xc – ç
C) s – ss – c – z – xc – ç
D) c – ss – c – z – xc – ç
E) s – ss – s – z – xc – ç
6. (G1-IFSC – 2018) A indústria tecnológica se desenvol-
veu muito nos últimos anos. Com isso, a quantidade e a 
qualidade dos produtos eletrônicos surpreendem cada 
dia mais os consumidores.
Sabendo-se que as palavras em destaque receberam 
acentos gráficos por serem proparoxítonas, em qual 
alternativa há somente palavras cujos acentos foram 
empregados com base na mesma regra de acentuação?
Assinale a alternativa CORRETA. 
A) bêbado, pública, cáqui, trânsito 
B) mínimo, chapéu, cândida, biquíni 
C) abadá, tricô, flácido, avô 
D) máxima, música, alfândega, obstáculo 
E) tráfego, ímpeto, sábado, fênix 
7. (EsPCEx (AMAN) – 2017) Dígrafo é o grupo de duas 
letras formando um só fonema. Ditongo é a combina-
ção de uma vogal com uma semivogal, ou vice-versa, 
na mesma sílaba. Nas palavras “também” e “ontem”, 
observa-se que há, para cada palavra, respectivamente, 
A) dígrafo – dígrafo/dígrafo – dígrafo. 
B) ditongo nasal – ditongo nasal/ditongo nasal – di-
tongo nasal. 
C) dígrafo – ditongo nasal/ditongo nasal – dígrafo. 
D) ditongo nasal – dígrafo/dígrafo – ditongo nasal. 
E) dígrafo – ditongo nasal/dígrafo – ditongo nasal. 
8. (G1-IFAL – 2016) 
Cientistas americanos apresentaram ontem resultados 
preliminares de uma vacina contra o fumo. O medica-
mento impede que a nicotina – componente do tabaco 
que causa dependência – chegue ao cérebro. Em ratos 
vacinados, até da nicotina injetada deixou de atingir o 
sistema nervoso central.
O GLOBO,18/12/99.
Analise as afirmativas a seguir:
I. A palavra “cérebro” é paroxítona.
II. “Cientistas” é, no texto, uma palavra masculina, haja 
vista a concordância do adjetivo que a acompanha.
III. A palavra “até” é monossílabo tônico. 
IV. A palavra “até” é oxítona terminada em “e”, por isso 
é acentuada.
V. No texto, há três palavras oxítonas que não são 
acentuadas graficamente: deixou, atingir e central.
Estão CORRETAS 
A) apenas II e IV. 
B) apenas II, IV e V. 
C) apenas I e III. 
D) apenas III e V. 
E) apenas IV e V. 
Gabarito
1. E
2. D
3. D
4. D
5. C
6. D
7. E
8. B
Fonética e convenções ortográficas
25
As palavras da língua portuguesa podem ser decompostas em unidades menores de significação. Tomemos como exemplo a 
palavra “suspeitíssimas“. 
• A terminação -a nos informa que a palavra é feminina.
• -issim traduz intensidade e grau superlativo.
• s indica que a palavra está no plural.
Essas unidades mínimas constituidoras das palavras e detentoras de significado são denominadas morfemas. 
Entre os morfemas, temos dois grandes grupos:
• o primeiro é constituído pelo radical.
Radical: elemento básico de representação e identificação das palavras.
Radical é, portanto, o termo concentrador da significação originária da palavra, seu conteúdo gramatical e etimológico expresso, 
desvestido de elementos secundários. 
Exemplos:
Tent-ativa
Folh-eado
In-fund-adoCorp-úsculo
Des-mont-ar
• O segundo grupo reúne uma série de constituintes, cada um com uma identidade própria.
Afixos (prefixos e sufixos), desinência e vogal temática componentes antepostos ou pospostos que alteram ligeiramente a 
significação dos primeiros.
Afixos são elementos que são anexados aos radicais e agregam novos sentidos, operando mudanças e gerando palavras 
derivadas. Se subdividem em prefixos, que são acréscimos posicionados antes do radical, e sufixos, acrescentados após o radical
Desinências são terminações que assinalam flexões na palavra, flexões que podem ser de pessoa, número, modo e tempo.
Flexionemos os seguintes verbos para identificar suas desinências e verificar sua funcionalidade:
Atrapalhar Resolver Admitir
Eu atrapalhei
Tu atrapalh-a-ste
Ele/ela atrapalh-ou
Nós atrapalh-a-mos
Vós atrapalh-a-stes
Eles/elas atrapalh-a-ram
Eu resolv-i
Tu resolv-e-ste
Ele/ela resolv-e-u
Nós resolv-e-mos
Vós resolv-e-stes
Eles/ elas resolv-e-ram 
Eu admit-i
Tu admit-i-ste
Ele/ela admit-i-u
Nós admit-i-mos
Vós admit-i-stes
Eles/elas admit-i-ram
Os elementos em negrito indicam as desinências modo-temporais e número-pessoais que serão estudadas mais a fundo no 
volume seguinte, quando destrincharmos as propriedades dos verbos. 
A vogal isolada em cada flexão é denominada vogal temática, porque ela informa a qual conjugação o verbo pertence. No por-
tuguês, temos três terminações verbais. A vogal a caracteriza os verbos da primeira conjugação, a vogal e, os verbos da segunda 
conjugação e a vogal i, os verbos da terceira conjugação. 
A vogal temática também ocorre nos substantivos.
Outros dois componentes importantes que, no entanto, não constituem propriamente morfemas são as:
Vogais de ligação e consoantes de ligação: elos que se estabelecem em alguns casos entre o primeiro e o segundo grupo 
de morfemas.
Não trazem informações mórficas, mas contribuem para a eufonia da palavra.
Não trazem informações mórficas, mas contribuem para a eufonia da palavra.
Capítulo 07
26
Morfologia e processos de formação da palavra
Veja os exemplos: 
• Mão-z-inh-a: -inh é sufixo de diminutivo, e a consoante z 
existe apenas para uni-lo ao radical da palavra. 
• Gasoduto: a vogal o existe apenas para conectar os 
radicais das palavras, que formam, como veremos na 
segunda parte do capítulo, uma composição. 
Processos de formação da palavra
As palavras são formadas por meio de dois processos 
abrangentes, a derivação e a composição. Os vocábulos for-
mados por derivação são aqueles que nascem a partir de uma 
palavra primitiva, que tem esse nome justamente por ser a 
partir dela que se criam as novas palavras. É o caso do termo 
“lápis”, matriz do substantivo “lapiseira”. Já as palavras que se 
formam por processo de composição resultam da combinação 
de duas palavras que, juntas, formam outra, como exemplifica 
um termo como “guarda-chuva”, ou qualquer outro substantivo 
ou adjetivo composto.
Formação por derivação
O processo de formação por derivação é amparado por meio 
do acréscimo de afixos a um termo primitivo.
No quadro abaixo, há exemplos de palavras formadas por 
meio do acréscimo de prefixos ou de sufixos:
Derivação prefixal Derivação sufixal
Descrença
Reviver
Ex-marido
Pré-vestibular
Amoroso
Simplesmente
Abalado
calmaria
Como se pôde observar no quadro acima, a formação de 
palavras por meio do acréscimo de prefixos é chamada de 
derivação prefixal, ao passo que aquelas que se formam pela 
colocação de sufixos é denominada de derivação sufixal.
Derivação parassintética
Há muitas palavras na língua que apresentam tanto prefixos 
quanto sufixos, por exemplo: engrandecimento, ensolarado, 
rejuvenescimento, etc. Tais palavras, no que diz respeito à 
sua formação, são classificadas em dois subgrupos. Um é 
representado por termos que se formaram com o acréscimo 
simultâneo de prefixo e sufixo, são as palavras formadas por 
derivação parassintética. O outro grupo, composto de vocá-
bulos formados pelo acréscimo não simultâneo dos afixos, é o 
das palavras formadas por prefixação e sufixação.
Derivação parassintética Derivação prefixal e sufixal
Enfurecer
Desalmado
ajoelhado
Expropriar
Desigualdade
Infelizmente
Revalorização
Deslealmente
Caso se retire o prefixo ou o sufixo dos termos formados 
por parassíntese, a palavra que sobra não possui existência na 
língua, daí se dizer que os afixos acoplaram-se simultaneamen-
te ao termo primitivo, fazendo com que o valor semântico da 
palavra seja dependente de ambos. Retire-se, por exemplo, o 
prefixo “ex” da palavra expropriar e o que restará é um vocábulo 
sem existência autônoma no idioma, “propriar”. Entretanto, no 
caso da derivação prefixal e sufixal, ao se retirarem os afixos, 
o termo que resta é pleno de sentido: a palavra “desigualdade” 
sem o prefixo “des” é simplesmente “igualdade”.
Derivação imprópria
Chama-se de derivação imprópria não exatamente a criação 
de um novo termo, mas a modificação de sua categoria morfo-
lógica. Ao se utilizar, por exemplo, um adjetivo como advérbio 
ou um verbo como substantivo, ocorre a derivação imprópria. 
Observe as frases a seguir:
• João joga bonito!
• O caminhar faz bem à saúde.
Nas duas frases acima, os termos sublinhados tiveram a 
sua classificação morfológica alterada em virtude do uso que 
foi feito deles. No primeiro caso, um adjetivo foi utilizado como 
advérbio, no segundo, um verbo fez as vezes de substantivo.
Derivação regressiva ou deverbal
Na derivação regressiva, ocorre um processo contrário àque-
le das derivações por meio do acoplamento de afixos à palavra 
primitiva. Um vocábulo formado por derivação regressiva perde 
elementos mórficos ao invés de ganhar. Dessa forma, substitui-
-se a terminação de um verbo pelas desinências a, o ou e. Os 
exemplos a seguir deixam clara a diferença:
Palavra primitiva Derivação regressiva
Atacar
Chorar
Abalar
ataque
choro
abalo
Formação por composição
São duas as maneiras de se formar novas palavras por meio 
da composição: a justaposição ou a aglutinação. As palavras 
formadas por justaposição são aquelas em que somente se 
colocam lado a lado dois termos e, ao encontro dos dois, cria-se 
a nova palavra, sem que haja a perda de qualquer elemento 
mórfico. O termo “pé-de-moleque”, por exemplo, é formado por 
justaposição. Já nas palavras formadas por aglutinação, há 
perda de elementos mórficos. As palavras parecem ter entrado 
uma na outra e se aglutinado. Como exemplo de formação por 
aglutinação, tem-se o vocábulo “vinagre”.
Justaposição Aglutinação
Girassol
Guarda-chuva
Água-marinha
Pé-de-meia
Planalto
Fidalgo
Hidrelétrica
Aguardente
Redução ou abreviação
A redução ou abreviação é o processo pelo qual se forma 
uma nova palavra por eliminação de parte de uma palavra já 
existente.
Veja alguns exemplos: foto (fotografia); pneu (pneumático); 
neura (neurose); Sampa (São Paulo); Floripa (Florianópolis), 
moto (motocicleta); quilo (quilograma).
Esse processo é muito frequente na linguagem coloquial.
Palavra primitiva Redução
Motocicleta
Português
Comunista
Fotografia
Moto
Portuga
Comuna
Foto
Morfologia e processos de formação da palavra
27
Criação de siglas (siglonimização)
Este é outro processo de redução que dá origem a novas 
palavras na língua. São inúmeros os exemplos de siglas que 
foram incorporadas à língua como palavras independentes.
Veja alguns exemplos: FGTS (Fundo de Garantia por Tem-
po de Serviço); ONU (Organização das Nações Unidas); CPF 
(Cadastro de Pessoas Físicas).
As siglas costumam-se ser rapidamente incorporadas ao 
vocabulário dos falantes e são percebidas como palavras da 
língua, o que explica o fato de que passam também a submeter-
-se aos mecanismos normais de flexão e derivação. Por isso, 
ouvimos frequentemente referência aos Ets, aos petistas, com-
pramos CDs, assistimos a DVDs e assim por diante.
Onomatopeia
As palavras formadas segundo a sugestão sonora, não eti-
mológica, são chamadas de onomatopaicas. Elas participam de 
todas as línguas e correspondem, muitasvezes, a um processo 
de formação bastante intuitivo, muito presente, por exemplo, na 
infância, naquele momento em que as crianças nomeiam muitos 
seres ou objetos a partir da imitação de seus sons. São exemplos 
de onomatopeias: tic-tac, au-au, atchim, zum-zum, etc. 
Neologismo
A definição de neologismo é complexa, principalmente 
porque toda palavra, em algum momento de sua história, foi 
um neologismo. Outro motivo que torna sua definição difícil 
é que ela se baseia numa convenção normativa. Em outras 
palavras, chamaremos de neologismo os vocábulos que não 
possuem entrada nos dicionários oficiais da língua portugue-
sa, o que quer dizer que muitas das palavras com as quais 
lidamos cotidianamente podem ser consideradas, do ponto de 
vista normativo, como um neologismo, já que não compõem 
os dicionários da língua. São exemplos de neologismo: coisar, 
xurugar (G. Rosa), tretar, etc.
Estrangeirismo
O estrangeirismo recebe nomes diferentes de acordo com 
o idioma de origem:
• anglicismo (do inglês) 
• galicismo (do francês)
• germanismo (do alemão) 
 O estrangeirismo pode ser de duas categorias:
Com aportuguesamento: adapta-se a grafia do idioma es-
trangeiro para o português. Ex: abajur (do francês “abat-jour”), 
algodão (do árabe “al-qutun”), lanche (do inglês “lunch”) 
Sem aportuguesamento: conserva-se a forma original da 
palavra. Ex: networking, mise-en-scène, pizza etc. 
Não são consideradas estrangeirismos as palavras de origem 
latina, bem como as palavras brasileiras de origem tupi.
Hibridismos
São palavras formadas por elementos pertencentes à línguas 
diferentes.
Não há uniformidade da origem dos elementos que formam 
o composto, sobretudo provenientes do grego e do latim.
Os falantes já consideram os elementos aportuguesados, 
dada a recorrência dessas palavras em nosso idioma, visto 
que já se incorporaram ao nosso léxico.
Vejam alguns exemplos:
Bicicleta - Bi (latim) + ciclo (grego) + eta (ette-francês);
Sociologia - Socio (latim) + logia (grego);
Monocultura - mono (grego) + cultura (latim);
Outros exemplos:
goiabeira (tupi e português); surfista (inglês e grego); etc.
Exercícios
1. (EsPCEX – 2015) Responda, na sequência, os vocábulos 
cujos prefixos ou sufixos correspondem aos seguintes 
significados:
QUASE; ATRAVÉS; EM TORNO DE; FORA; SIMULTA-
NEIDADE
A) hemisfério; trasladar; justapor; epiderme; parasita
B) semicírculo; metamorfose; retrocesso; ultrapassar; 
circunavegação
C) penumbra; diálogo; periscópio; exogamia; sintaxe
D) visconde; ultrapassar; unifamiliar; programa; multi-
nacional
E) pressupor; posteridade; companhia; abdicar; ambi-
valente
2. (EsPCEX – 2012) Assinale a alternativa em que todas 
as palavras são formadas por prefixos com significação 
semelhante.
A) metamorfose – metáfora – meteoro – malcriado 
B) apogeu – aversão – apóstata – abster
C) síncope – simpatia – sobreloja – sílaba 
D) êxodo – embarcar – engarrafar – enterrar
E) débil – declive – desgraça – decapitar
3. (EsPCEX – 2011) “Língua torta: portão menor que porta.”
Observando-se a frase acima, de Millôr Fernandes, pode-
-se inferir que
A) a forma -ão não necessariamente funciona como su-
fixo aumentativo, como no caso da palavra irmão, por 
exemplo. Sendo assim, porta e portão são palavras 
completamente distintas e, portanto, a frase de Millôr 
Fernandes não faz sentido.
B) a frase está em sentido denotativo e quer mostrar 
que, ao não dominar bem o próprio idioma, o falante 
mal consegue passar pelo portão da comunicação e, 
portanto, menos ainda conseguirá quando a exigência 
chegar a interpretações mais complexas.
C) a forma portão, por ter o sufixo aumentativo -ão, 
indica aumento, ou seja, uma porta grande. Como 
existem portões menores que a forma normal porta, 
Millôr conclui que, nesse caso, a língua é torta, ou 
seja, defeituosa.
D) o humorista faz uma brincadeira com o fato de a 
linguagem vir de dentro para fora na comunicação 
interpessoal. Sendo assim, para que as palavras 
entrem no mundo da comunicação, devem passar 
primeiramente pelo portão, representado pelos dentes, 
para só então entrarem pela porta, representada pela 
boca, cuja abertura, enquanto porta, é maior do que 
a da arcada dentária.
E) o pensador Millôr Fernandes, por trás de uma frase 
curta e rimada, quer nos levar a imaginar que, quando 
não se domina a linguagem, a primeira barreira, repre-
sentada pelo termo portão, precisa ser ultrapassada 
sem medo, porque, depois dessa entrada dificultosa, 
todo o resto será mais fácil, já que é comum as portas 
se abrirem para aqueles que falam bem.
Língua Portuguesa
28
4. (EsPCEx – 2014) Assinale a opção em que todas as palavras correspondem à mesma origem.
A) Do árabe: algodão, almofada, alagamento.
B) Do inglês: xampu, esporte, futebol.
C) Do japonês: judô, gueixa, ameixa.
D) Do chinês: chá, nanquim, mirim.
E) Do francês: toalete, tricô, licor.
5. (EsPCEx – 2011) 
Quanto à estrutura e formação de palavras, assinale a alternativa correta.
A) Perfeição e percurso são palavras cognatas.
B) Em combatente, ocorre derivação parassintética.
C) A palavra pontiagudo é formada por justaposição.
D) Em exportar e êxodo, os prefixos têm sentido correspondente.
E) Em hipótese, o prefixo indica “antes, anterioridade”.
6. (Unicamp – 2018) O brasileiro João Guimarães Rosa e o irlandês James Joyce são autores reverenciados pela inven-
tividade de sua linguagem literária, em que abundam neologismos. Muitas vezes, por essa razão, Guimarães Rosa e 
Joyce são citados como exemplos de autores “praticamente intraduzíveis”. Mesmo sem ter lido os autores, é possível 
identificar alguns dos seus neologismos, pois são baseados em processos de formação de palavras comuns ao portu-
guês e ao inglês.
Entre os recursos comuns aos neologismos de Guimarães Rosa e de James Joyce, estão:
I. Onomatopeia (formação de uma palavra a partir de uma reprodução aproximada de um som natural, utilizando-se 
os recursos da língua); e
II. Derivação (formação de novas palavras pelo acréscimo de prefixos ou sufixos a palavras já existentes na língua).
Os neologismos que aparecem nas opções abaixo foram extraídos de obras de Guimarães Rosa (GR) e James Joyce 
(JJ). Assinale a opção em que os processos (I) e (II) estão presentes: 
A) Quinculinculim (GR, No Urubuquaquá, no Pinhém) e tattarrattat (JJ, Ulisses).
B) Transtrazer (GR, Grande sertão: veredas) e monoideal (JJ, Ulisses).
C) Rtststr (JJ, Ulisses) e quinculinculim (GR, No Urubuquaquá, no Pinhém).
D) Tattarrattat (JJ, Ulisses) e inesquecer-se (GR, Ave, Palavra).
7. (Fuvest – 2017) Evidentemente, não se pode esperar que Dostoiévski seja traduzido por outro Dostoiévski, mas desde 
que o tradutor procure penetrar nas peculiaridades da linguagem primeira, aplique-se com afinco e faça com que sua 
criatividade orientada pelo original permita, paradoxalmente, afastar-se do texto para ficar mais próximo deste, um passo 
importante será dado. Deixando de lado a fidelidade mecânica, frase por frase, tratando o original como um conjunto de 
blocos a serem transpostos, e transgredindo sem receio, quando necessário, as normas do “escrever bem”, o tradutor 
poderá trazê-lo com boa margem de fidelidade para a língua com a qual está trabalhando.
SCHNAIDERMAN, Boris. Dostoiévski Prosa Poesia.
O prefixo presente na palavra “transpostos” tem o mesmo sentido do prefixo que ocorre em 
A) ultrapassado. 
B) retrocedido. 
C) infracolocado. 
D) percorrido. 
E) introvertido. 
Gabarito
1. C
2. B
3. C
4. B
5. D
6. D
7. A
Morfologia e processos de formação da palavra
29
As palavras que compõem a língua apresentam diferentes 
funções, tanto sintáticas como semânticas. A organização delas 
em grupos, em classes, nos auxilia a distinguir o funcionamento 
de cada uma dessas classes e o modo como elas se relacionam 
entre si para gerar o fenômeno da significação.
Classes de palavras variáveis e in-
variáveis
As palavras podem se dividir em variáveis ou invariáveis. 
Denomina-se variável aquela classe de palavras que se flexibili-
za, modificandoa sua própria forma em função de um contexto 
em que está inserida ou da necessidade de se criar um novo 
significado; já as invariáveis são aquelas que não apresentam 
qualquer alteração em sua forma, independentemente do con-
texto do qual façam parte.
Variáveis
Gênero, número e grau: Os substantivos e adjetivos flexio-
nam para indicar se são masculinos ou femininos; se estão no 
singular ou no plural; ou, ainda, se estão no aumentativo ou no 
diminutivo:
• Menino/menina; meninos/meninas; menininho/meninão 
(Substantivos)
• Bonito/bonita; bonitos/bonitas; bonitinha; bonitona
Gênero e número: Os artigos e numerais.
• o/a/os/as/um/uma/uns/umas (artigos)
• uma/duas/duzentas/milhões/primeiras (numerais)
Gênero, número e pessoa: Além de flexionarem em gênero 
e número, os pronomes também variam de acordo com a pes-
soa do discurso que representam (1°, 2° ou 3°).
• Eu/nós; meu/seu/nosso.
Modo, tempo, número, pessoa e voz: Os verbos são a 
única classe de palavras que, além de apresentar as flexões 
anteriormente vistas, também variam em função do modo, do 
tempo e da voz.
• Quero/quisesse/sou querido/quereria
Invariáveis
As classes invariáveis são representadas pelos advérbios, 
preposições, conjunções e interjeições. O advérbio ontem, por 
exemplo, esteja numa frase no singular ou no plural, conservará 
exatamente sua mesma forma:
• Fui ao cinema ontem.
• Fomos ao cinema ontem.
O substantivo
Como o nome sugere, a classe dos substantivos exerce 
função primordial na língua, substancial. Sintaticamente, ele 
assume funções nucleares na estruturação das frases. A sua 
definição é de difícil exatidão dada a sua complexidade, mas, 
num âmbito geral, o classificaremos como
Classe de palavras que nomeia os seres (existentes 
ou não), as ações, os sentimentos, as sensações, etc. Os 
substantivos, morfossintaticamente, admitem que se lhe 
anteponha um artigo (um determinante), o que pode auxiliar 
quanto a sua classificação.
No excerto abaixo, todos os substantivos estão em negrito
Classificação dos substantivos
A classe dos substantivos apresenta, ainda, subdivisões. 
Apresentamos a seguir uma tabela com as possibilidades de 
classificação dos substantivos:
Primitivo/Derivado Próprio/Comum
Casa/caseiro
Amor/amoroso
Crença/descrença
Rafael/homem
Sabará/cidade
Plutão/planeta
Concreto/Abstrato Simples/Composto
Fada/beleza
Livro/leitura
Herói/ bravura
Flor/beija-flor
Sol/ girassol
Chuva/guarda-chuva
Substantivos coletivos
Os substantivos coletivos possuem a propriedade de designar 
um conjunto de seres. Há os coletivos específicos, que remetem 
a seres de uma mesma espécie, como “biblioteca”, “arquipélago” 
ou “atlas”. E há também os não específicos, que exigem o uso 
de determinantes para que seu significado se dê plenamente, 
tais como “junta de médicos” ou “manada de elefantes”.
No quadro abaixo, encontram-se alguns coletivos especí-
ficos:
Arsenal Coletivo de armas e munições
Atlas Coletivo de mapas
Carrilhão Coletivo de sinos
Concílio Coletivo de bispos convocados pelo papa
Colmeia Coletivo de abelha
Enxoval Coletivo de roupas e complementos
Júri Coletivo de jurados
Pinacoteca Coletivo de quadros
Vocabulário Coletivo de palavras
Você amaria um sujeito com um olho de vidro?
Ela disse que a venda negra nos olhos até o tornava 
atraente, misterioso. Ele estava completamente bêbado e 
falou que as pessoas precisam se conhecer até o fundo. 
Arrancando o olho de vidro, jogou-o dentro da laranjada 
dela. Disse que se ela bebesse com o olho dentro do copo, 
ele ficaria apaixonado para sempre. Ela bebeu. 
(Sérgio Sant’Anna, in http://www.releituras.com/)
Capítulo 08
30
Classes de palavras 
O gênero dos substantivos
Além de serem divididos em masculinos e femininos, os substantivos podem ser classificados como uniformes ou biformes, 
sendo uniformes aqueles que apresentam uma única forma para designar tanto o masculino quanto o feminino e biformes aqueles 
que apresentam duas formas. 
Substantivos biformes
Há duas maneiras básicas de se formar o feminino na língua portuguesa: uma delas reside na própria flexão do substantivo, na 
mudança de sua terminação; é o caso das palavras menino/menina. Outra maneira de se realizar o trânsito do masculino para o 
feminino é mudando-se completamente a palavra, ou seja, fazendo com que surja um outro radical, por exemplo homem/mulher. 
Os substantivos que sofrem mudança de radical ao mudar de gênero são chamados de heterônimos.
Substantivos uniformes
Como apresentam uma só forma para masculino e feminino, os substantivos uniformes se valem de outros meios para designar 
o gênero a que pertencem. Classificam-se em:
Sobrecomuns: possuem um único gênero gramatical, tanto para nomear pessoas do sexo masculino quanto do feminino. Seu 
gênero gramatical é definido pelo artigo que o antecede: o indivíduo/ a criança/ o cônjuge/ a testemunha.
Comuns-de-dois: apesar de possuírem uma única forma, um mesmo radical, esses substantivos delimitam o seu gênero por 
meio de mudança gramatical marcada pelos artigos femininos ou masculinos: o estudante/a estudante; o jornalista/a jornalista; o 
mártir/ a mártir.
Epicenos: referem-se apenas ao universo dos animais e, caso seja necessário o estabelecimento de um gênero que não seja 
o gramatical, opta-se pela posposição dos adjetivos macho ou fêmea: a barata/ o rouxinol/ a cobra/ a cobra macho.
Formação do substantivo simples
A formação do substantivo simples se dá de variadas maneiras. O quadro a seguir apresenta os casos mais gerais de formação do plural.
Flexão de Número (plural) dos substantivos
Terminação (regra geral) Plural Exemplos
vogal e ditongo acrescenta -s mesas, pais
consoante (r, n, s e z) acrescenta -es flores, líquenes, países, raízes
-ão muda para -ãos, -ães ou -ões mãos, cães, leões
-m muda para -ns homens, tons
-al, -oi, ul muda para -ais, -ois, -uis casais, bois, pauis
-el, -ol muda para -éis, -óis anéis, faróis
-il tônico muda o -l em -s funis, barris
-il tônico muda para -eis répteis, fósseis
-ás, ês acrescenta -es gases, franceses
-s, -x não mudam lápis, pires, pirex, inox
OBSERVAÇÕES:
1. Muitos substantivos terminados em –ão admitem mais de uma forma de plural. Veja alguns deles:
Ancião – anciãos, anciões e anciães
Vilão – vilãos, vilões e vilães
2. O plural do substantivo caráter é caracteres (com a sílaba tônica no “té”); o de júnior é juniores (com a tônica no “ô”).
Classes de palavras
31
FORMAÇÃO DO SUBSTANTIVO COMPOSTO
A formação do plural dos substantivos compostos depende da forma como são grafados, do tipo de palavras que formam o 
composto e da relação que estabelecem entre si.
Caso 1 Aqueles que são grafados sem hífen com-portam-se como os substantivos simples.
aguardente / aguardentes - girassol / girassóis
pontapé / pontapés - malmequer / malmequeres
Caso 2 Para pluralizar os substantivos compostos cujos elementos são ligados por hífen
a) Quando as duas palavras forem substantivos, pode-se optar em colocar 
apenas o primeiro elemento ou ambos no plural:
palavra-chave = palavras-chave ou palavras-chaves
couve-flor = couves-flor ou couves-flores
bomba-relógio = bombas-relógio ou bombas-relógios
peixe-espada = peixes-espada ou peixes-espadas
b) Flexionam-se os dois elementos, quando formados de: 
substantivo + adjetivo = amor-perfeito e amores-perfeitos 
adjetivo + substantivo = gentil-homem e gentis-homens
numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras
c) Flexiona-se somente o segundo elemento, quando formados de: 
verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas 
palavra invariável + palavra variável = alto-falante e alto-falantes 
palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e reco-recos
d) Flexiona-se somente o primeiro elemento, quando formados de: 
substantivo + preposição clara + substantivo = água-de-colônia e águas-
-de-colônia
substantivo + preposição oculta + substantivo = cavalo-vapor e cavalos-
-vapor
e) Permanecem invariáveis, quando formados de: 
verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora 
verbo + substantivo no plural= o saca-rolhas e os saca-rolhas
Caso 3 Casos Especiais
o louva-a-deus e os louva-a-deus
o bem-te-vi e os bem-te-vis
o bem-me-quer e os bem-me-queres
o joão-ninguém e os joões-ninguém.
O adjetivo
O adjetivo é uma classe de palavras que existe em função 
de outra, ou seja, se o substantivo pode existir autonoma-
mente em uma dada oração, tal como em “Rui desenhou a 
capa”, donde se observa que “Rui” e “capa” são substantivos, 
o mesmo não acontece com o adjetivo; ele funciona como um 
termo que especifica um substantivo. O adjetivo é a classe 
de palavras que atua como determinante dos substantivos, 
delimitando-os, especificando-os, enfim, particularizando-os.
Se no plano sintático os adjetivos não ocupam, na maior 
parte das vezes, uma função nuclear, o mesmo não se pode 
dizer a respeito da dimensão semântica, na qual eles são im-
prescindíveis para a geração do significado em todos os seus 
matizes. No que concerne ao texto literário, por exemplo, é o 
uso moderado ou exagerado de adjetivos que muitas vezes 
permite caracterizar o estilo de um autor.
O texto I, pertencente a um autor romântico, é repleto de 
adjetivos que evidenciam, inclusive, o pertencimento do autor 
ao Romantismo:
TEXTO I
Verdes mares bravios de minha terra natal, onde 
canta a jandaia nas frondes da carnaúba; verdes mares 
que brilhais como líquida esmeralda aos raios do sol 
nascente, perlongando as alvas praias... 
(José de Alencar, in Iracema)
Já o texto II, de autoria de Graciliano Ramos, não apre-
senta sequer um adjetivo, daí a crítica especializada ter 
caracterizado o seu estilo como sendo seco e contrário aos 
ditames do Romantismo:
Flexões do adjetivo
Como se trata de uma classe de palavras que se define por 
meio de outra, a dos substantivos, ela também se comporta 
de acordo com esta. Assim, os adjetivos variam em gênero e 
número de acordo com o substantivo ao qual estão ligados.
Plural dos adjetivos simples
1. Os adjetivos simples que terminam em “a, e, o, u” re-
cebem a letra s no plural.
Exemplos: otimista, otimistas; leve, leves; esperto, es-
pertos; hindu, hindus.
2. Os adjetivos terminados em “al” formam plural em ais.
Exemplos: leal, leais; irreal, irreais; manual, manuais; 
TEXTO II
Há criaturas que não suporto. Os vagabundos, por 
exemplo. Parece-me que eles cresceram muito, e, 
aproximando-se de mim, não vão gemer peditórios: vão 
gritar, exigir, tomar-me qualquer coisa.
 (Graciliano Ramos, in Angústia)
Língua Portuguesa
32
Lugar de origem Adjetivo pátrio
Luanda luandense
São Luís sao-luisense
São Paulo
paulista (estado),
paulistano (cidade)
Três Corações tricordiano
Porto Velho porto-velhense
Recife recifense
Natal natalense
Teresina teresinense
Tocantins tocantinense
Sergipe sergipano
Rio de Janeiro
fluminense (estado),
carioca (cidade)
Rio Grande do Norte rio-grandense-do-norte, norte--rio-grandense. potiguar
Rio Grande do Sul
rio-grandense-do-sul,
sul-rio-grandense, gaúcho
PLURAL DOS ADJETIVOS PÁTRIOS 
COMPOSTOS
Na formação de adjetivos pátrios compostos, o primeiro 
elemento aparece na forma reduzida. Escreve-se com hífen 
quando houver duas ou mais etnias.
África = afro- Cultura afro-americana Afrodescendentes
Alemanha =
germano- ou teuto-
Competições teuto-inglesas
América = américo- Companhia américo-africana
Ásia = ásio- Encontros ásio-europeus
Áustria = austro- Peças austro-búlgaras
Bélgica = belgo- Acampamentos belgo-franceses
Brasil =
brasilo-, brasílico-
Comissões brasilo-argentinas
China = sino-, chino- Acordos sino-japoneses
Espanha = hispano- Mercado hispano-português
Europa = euro- Negociações euro-americanas
França =
franco-, ou galo-
Reuniões franco-italianas
Grécia = greco- Filmes greco-romanos
Índia = indo- Guerras indo-paquistanesas
Inglaterra = anglo- Letras anglo-portuguesas
Itália = ítalo- Sociedade ítalo-portuguesa
Japão = nipo- Associações nipo-brasileiras
Portugal = luso- Acordos luso-brasileiros
Locuções adjetivas
O que realmente define o adjetivo é, como já foi dito, a sua 
relação com o substantivo, desse modo o que mais interessa na 
sua definição e classificação é a sua ligação com o substantivo. 
legal, legais; abdominal, abdominais; oral, orais; bucal, bucais; 
rural, rurais.
3. Os adjetivos simples que terminam em “il” formal plural 
em is, caso sejam oxítonas, e em eis, caso não sejam oxítonas.
Exemplos: gentil, gentis; anil, anis; fácil, fáceis; útil, úteis; 
frágil, frágeis; difícil, difíceis.
4. Adjetivos terminados em “m”, formam o plural em ns.
Exemplos: bom, bons; jovem, jovens.
5. Os adjetivos terminados em “ão” podem formar o plural 
através de três terminações diferentes, dependendo de sua 
raiz, são elas ães, ões e aos.
Exemplos: babão, babões; alemão, alemães; cristão, cris-
tãos.
6. Os adjetivos terminados em “el”, fazem plural retirando-se 
o “l” e acrescentando-se “is”.
Exemplos: cruel, cruéis; fiel, fiéis; sensível, sensíveis; incrí-
vel, incríveis; visível, visíveis.
PLURAL DOS ADJETIVOS COMPOSTOS
1. Com regra geral, a flexão dos adjetivos compostos só 
ocorre no último elemento.
Exemplos: Gostava de sapato marrom-escuro – Gostava 
de sapatos marrom-escuros.
Assinou acordo econômico-financeiro – Assinou acordos 
econômico-financeiros.
2. Há 3 casos de adjetivos compostos que não seguem 
essa regra.
Caso 1 – Os adjetivos compostos que indicam cor, quando 
o último elemento for um substantivo, não sofrem flexão.
Exemplos: Usava uma camisa verde-abacate – Usavam 
camisas verde-abacate.
Comprou a cortina amarelo-ouro. – Compraram cortinas 
amarelo-ouro.
Caso 2 – Os adjetivos compostos: azul-marinho e azul-
-celeste também não variam.
Exemplos: Comprou um terno azul-marinho. – Comprou 
ternos azul-marinho.
Havia ali um carro azul-celeste. – Havia ali carros azul-
-celeste.
Caso 3 – No adjetivo composto “surdo-mudo”, ambos os 
elementos variam.
Exemplo: Homem surdo-mudo. – Homens surdos-mudos.
Adjetivos Pátrios
Lugar de origem Adjetivo pátrio
Goiânia goianiense
Belo Horizonte belo-horizontino
Salvador soteropolitano, salvadorense
Florianópolis florianopolitano
Curitiba curitibano
Campo Grande campo-grandense
João Pessoa pessoense
Santa Catarina
catarinense, catarineta
ou barriga-verde
Estados Unidos estadunidense, norte-americano
Costa RIca costa-riquenho, costa-riquense
Grécia grego, helênico
Jerusalém hierosolimitano, hierosolimita
Bogotá bogotano
Classes de palavras
33
Em uma expressão como “olhos de vidro” vê-se que “de 
vidro” exerce função de adjetivo, pois está determinando, 
especificando o substantivo “olhos”. À junção de preposição 
+ substantivo, ambos com função de adjetivo, de qualificativo, 
dá-se o nome de locução adjetiva. Vejam-se alguns exemplos:
• “O malandro possui dentes de ouro.”
• “Lá em casa há um relógio de areia.”
• “Ela usava um vestido de festa.”
Artigo
Os artigos são uma classe de palavras presa, que tem sua 
funcionalidade atrelada, também, à classe dos substantivos. 
Eles se subdividem em definidos e indefinidos
Definidos Indefinidos
o, a, os, as um, uma, uns, umas
Lembremo-nos de que ao se antepor um artigo a qualquer 
classe de palavras da língua, esta se transforma em um subs-
tantivo.
Sob o ponto de vista estritamente semântico, o uso dos 
artigos pode ser eficaz para se alcançar efeitos de sentido 
específicos. As duas frases a seguir, por exemplo, possuem 
sentido diverso e isso se deve simplesmente à troca de um 
artigo definido por um indefinido:
• Uma mulher foi atendida na enfermaria.
• A mulher foi atendida na enfermaria.
Relação determinado/determinante
Mais importante do que dominar a nomenclatura classificató-
ria de adjetivos e substantivos é entender o modo como essas 
duas classes de palavra se relacionam. Vimos que o adjetivo 
atua como termo que caracteriza um substantivo, assim nós 
o chamaremos de determinante, uma vez que é ele quem 
determina, delimita e/ou amplia a significação de um substan-
tivo. Já o substantivo é o determinado; é ele quem apresenta 
o núcleo da significação da oração, como se vêno exemplo a 
seguir, extraído da famosa canção A banda, de Chico Buarque:
A moça triste que vivia calada sorriu...
Repare que as expressões “moça” e “moça triste” apresen-
tam divergência somente no que tange à caracterização dada 
pelo adjetivo ao substantivo moça, mas a diferença que se tem 
entre uma e outra declara a importância do valor semântico 
dos adjetivos.
Numeral 
Designa, semanticamente, quantidade numérica, número 
de ordem, múltiplo ou fração. Funcionam morfossintaticamen-
te como determinantes de substantivos, modificando-os ou 
especificando-os. Classificam-se como cardinais (1, 2, 3), ordi-
nais (primeiro, segundo, terceiro), multiplicativos (dobro, duplo, 
triplo), fracionários (meio, metade, terço) e coletivos (dúzia, par). 
Pronomes
Assim como os adjetivos, os pronomes têm o funcionamen-
to vinculado aos substantivos, pois a sua principal função é 
substituí-los ou fazer remissão a eles.
No plano da legibilidade de um texto, de sua coesão e coe-
rência, os pronomes desempenham funções fundamentais. São 
eles que elevam a um plano gramatical as relações de coesão e 
conexão entre os termos, frases, parágrafos e suas respectivas 
ideias. Os pronomes atuam, portanto, como classe que realiza 
a referenciação em um dado texto.
Os pronomes se subdividem em: pessoais, demonstrati-
vos, interrogativos, relativos, indefinidos e de tratamento. Nos 
quadros que se seguem temos a exemplificação de cada uma 
dessas classes.
Pronomes pessoais
Os pronomes pessoais dividem-se em retos ou oblíquos. Os 
pronomes pessoais do caso reto são aqueles que exercem a 
função sintática de sujeito dentro das orações; já os pronomes 
do caso oblíquo fazem o papel de complementos ou adjuntos.
A frase de extrato popular “Eu amo ela” está, sob o ponto de 
vista normativo, equivocada, pois o pronome “ela” não deveria 
ocupar a posição de complemento do verbo amar, já que ele 
pertence ao caso reto. Para dar correção gramatical à frase, bas-
ta, portanto, substituí-lo por um pronome oblíquo: “Eu a amo”. 
Pronomes Pessoais
Retos
Oblíquos
Átonos Tônicos
eu
tu
ele
nós 
vós
eles
me
te
o, a, lhe, se
nos
vos
os, as, lhes, se
mim, comigo
ti, contigo
si, consigo, ele, ela
conosco, nós
convosco, vós
si, consigo, eles, elas
Casos especiais
1. Após as formas verbais terminadas em som nasal, os pro-
nomes átonos o(s), a(s), assumem as formas “no(s)” e “na(s)”. 
Isso irá ocorrer quando o verbo for Transitivo Direto, sendo 
objeto direto o complemento.
Exemplos:
Todos os alunos entregaram as provas.
Todos os alunos entregaram-nas. 
Puseram o livro sobre a mesa. 
Puseram-no sobre a mesa. 
2. Os pronomes “me, te, se, nos e vos”, ao depender da 
regência expressa pelo verbo, atuam, ora como objeto direto, 
ora como indireto: 
Exemplos:
Os alunos sempre me respeitaram.
Constatamos que o verbo respeitar se classifica como tran-
sitivo direto, pois quem respeita, respeita alguém. Daí o fato de 
o pronome “me” representar o objeto direto do referido verbo. 
Os alunos sempre me obedeceram. 
Inferimos que o verbo obedecer se classifica como transitivo 
indireto, haja vista que quando obedecemos, obedecemos a 
alguém. Assim sendo, o pronome “me” representa o objeto 
indireto. 
3. Os pronomes o(s), a(s), exercem a função de objeto direto, 
ao substituírem o complemento verbal não regido de preposição 
obrigatória: 
Exemplos:
Comprei o carro para você. 
Comprei-o para você. 
(objeto direto)
Encontrei a aluna estudando para a prova de Português.
Língua Portuguesa
34
Encontrei-a estudando para a prova de Português. 
(objeto direto)
4. Os pronomes o(s), a(s), assumem as formas lo(s), la(s), 
após as formas verbais terminadas em “r”, “s” ou “z”, bem 
como depois da partícula “eis”: 
Exemplos:
Eis a pauta de reunião pronta.
Ei-la pronta. 
Devo fazer essas atividades. 
Devo fazê-las. 
Consideramos louvável a sua atitude. 
Consideramo-la louvável. 
Fiz as atividades rapidamente. 
Fi-las rapidamente.
Nesse caso, a transitividade é direta, tendo como comple-
mentos, objetos diretos. 
5. Em se tratando de complemento verbal, o pronome “lhe” 
sempre funciona como objeto indireto. 
Exemplos:
Entregamos ao professor as atividades.
Entregamos-lhe as atividades. 
(objeto indireto – entregamos a quem?)
6. Uso do eu/tu e mim/ti
As duas hipóteses existem na língua portuguesa e estão 
corretas. Contudo, devem ser usadas em situações diferen-
tes. As expressões para eu/tu deverão ser usadas quando 
assumem a função de sujeito; já para mim/ti, usadas quando 
assumem a função de objeto indireto.
Exemplos:
Veja se tem algum erro para eu corrigir. (sujeito=ação)
Para eu fazer isso, vou precisar da tua ajuda. (sujeito=ação)
Façam silêncio para eu telefonar para este cliente. 
(sujeito=ação)
Você comprou este caderno para mim? (objeto 
indireto=alvo)
Esse pijama é para mim e não para minha irmã. (objeto 
indireto=alvo)
Vocês podem fazer isso para mim? (objeto indireto=alvo)
Pronomes demonstrativos
Variáveis
Invariáveis
Masculinos Femininos
este, estes
esse, esses
aquele, aqueles
esta, estas
essa, essas
aquela, aquelas
isto
isso
aquilo
Emprego dos pronomes demonstrativos
O pronome demonstrativo relaciona-se à pessoa do dis-
curso e indica a distância entre esta e o objeto mencionado.
Em relação ao espaço
Ganhei de presente esta camisa 
que estou usando.
Próximo da pessoa 
que fala
Essa cadeira está fora do lugar. Próximo da pessoa que ouve.
Em relação ao espaço
De quem é aquele estojo? Longe de quem fala e de quem ouve.
Os pronomes demonstrativos se relacionam com os tem-
pos verbais.
Em relação ao tempo
Nesta semana, teremos reuniões 
importantes.
Pode indicar o presen-
te ou uma ação futura
Nesse dia, encontramos João e 
sua irmã.
Indica uma ação em 
um passado muito pró-
ximo.
Naquele tempo, morávamos todos 
no interior.
Indica um fato em pas-
sado distante.
Os demonstrativos servem também para indicar ao leitor ou 
ao ouvinte algo que foi mencionado ou que se vai mencionar.
Em relação ao discurso
Pedro, João e José: estes são os meus melhores 
amigos.
Pronomes indefinidos
Como a própria nomenclatura declara, os pronomes 
indefinidos referem-se a outros nomes de maneira vaga e 
imprecisa, funcionando, muitas vezes, como um recurso 
de referenciação resumitiva da língua, como se observa na 
seguinte frase: “Todos fizeram a prova ontem.” Vê-se que o 
pronome todos remete a um sujeito inespecífico e de caráter 
coletivo.
Abaixo, temos alguns pronomes indefinidos
Invariáveis Variáveis
alguém, ninguém;
tudo, nada;
algo;
cada;
outrem;
mais, menos, 
demais
algum, alguns, alguma, algumas
nenhum, nenhuns, ne-
nhuma, nenhumas
todo, toda, todos, todas
muito, muitos, muita, muitas
pouco, pouca, poucos, poucas, etc.
Pronomes possessivos
Singular
1a pessoa meu, minha, meus, minhas
2a pessoa teu, tua, teus, tuas
3a pessoa seu, sua, seus, suas
Plural
1a pessoa nosso, nossa, nossos, nossas
2a pessoa vosso, vossa, vossos, vossas
3a pessoa seu, sua, seus, suas
Atenção quanto ao uso dos Pronomes 
Possessivos!
Em algumas situações, a falta de clareza expressa pelas 
ideias de um enunciado, ou texto qualquer, pode ser carac-
terizada como ambiguidade, ou seja, dependendo do caso, 
pode-se dar dupla interpretação sobre aquilo que se quer ou 
pretende dizer, o que, muitas vezes, impede a interpretação 
de um determinado texto.
Classes de palavras
35
Veja:
Quando se deparou com Mariana, Davi fez comentários 
sobre os seus resultados no Enem.
O que se pode inferir é que há uma falta de clareza no que 
refere ao uso do pronome “seus”, haja vista que os comentá-
rios feitos por Davi podem estar se referindo aos resultados 
no Enem dele ou de Mariana, ou, de repente, aos resultados 
de ambos.
E como resolver este problema semântico? Bem, vamos 
tornar o trecho mais claro e coeso, formulando assim:
Quando se deparou com Mariana, Davi fez comentários 
sobre os resultados no Enem dela (nos caso, de Mariana). OU
Quando se deparou com Mariana, Davi fez comentários 
sobre os resultados no Enemdele (nos caso, de Davi). OU
Quando se deparou com Mariana, Davi fez comentários 
sobre os resultados no Enem deles (nos caso, de Davi e de 
Mariana). 
Pronomes relativos
Invariáveis Variáveis
que o qual, a qual, os quais, as quais
quem cujo, cuja, cujos, cujas
onde quanto, quanta, quantos, quantas
Os pronomes relativos “cujo/cuja” apresentam algumas 
particularidades importantes de serem enfatizadas. Em pri-
meiro lugar, eles só podem ser utilizados caso haja, na frase, 
uma relação de posse:
• A casa cujo dono enlouqueceu está à venda.
Vê-se, na frase acima, que “casa” e “dono” são, respecti-
vamente, posse e possuidor. 
Outra peculiaridade dos relativos “cujo/cuja” diz respeito ao 
fato de que, segundo as prescrições da gramática normativa, 
eles não admitem que lhes seja posposto um artigo. Não se 
poderia escrever, portanto, “A casa cujo o dono enlouqueceu 
está à venda.”
Por fim, é necessário ter atenção com a utilização do 
relativo “onde”, pois muitos redatores utilizam-no a torto e 
a direito sem se preocuparem com a correção gramatical 
das frases que constroem. “Onde” deve ser utilizado se seu 
antecedente indicar a ideia de lugar.
Atenção quanto ao uso dos Pronomes 
Relativos!!!
Outra situação, também corriqueira, em que acontece a 
ambiguidade, encontra-se nos Pronomes relativos.
Veja:
1. A estudante disse ao amigo que estudava Medicina.
 Como resolver este problema semântico? Bem, vamos 
tornar o trecho mais claro e coeso, formulando assim:
A estudante de Medicina disse ao amigo. OU
A estudante disse ao amigo do curso de Medicina.
2. Durante a viagem, saboreamos alimentos e bebidas 
cuja qualidade é inigualável.
Infere-se perguntar acerca de qual qualidade se apresen-
ta inigualável: das bebidas ou dos alimentos? Tornemos o 
discurso mais claro, portanto:
Durante a viagem, saboreamos alimentos e bebidas, os 
quais possuem qualidade inigualável.
FUNÇÃO SINTÁTICA DOS PRONOMES 
RELATIVOS
1) Pronome Relativo QUE
O pronome relativo “que” é usado para substituir pessoa ou 
coisa, que estejam no singular ou no plural. Sintaticamente, 
o relativo “que” pode desempenhar várias funções:
a) Sujeito: Este é o aluno que faz todas as atividades.
Substituindo o pronome pelo antecedente, temos:
Este é o aluno.
O aluno (= que) representará o nosso colégio.
b) Objeto Direto: Fiz as questões que você pediu.
Substituindo o pronome pelo antecedente, temos:
Fiz as questões
Você pediu as questões (= que)
c) Objeto Indireto: Eis as questões de que preciso.
Substituindo o pronome pelo antecedente, temos:
Eis as questões.
Preciso das questões (= de que)
 d) Complemento Nominal: Estas são as informações de 
que ele tem necessidade.
Substituindo o pronome pelo antecedente, temos:
Estas são as informações.
Ele tem necessidade das informações (= de que)
e) Predicativo do Sujeito: Você é o professor que muitos 
querem ser.
Substituindo o pronome pelo antecedente, temos:
Você é o professor.
Muitos querem ser o professor (= que) 
f) Agente da Passiva: Esta é a aluna por quem fui admirado.
Substituindo o pronome pelo antecedente, temos:
Esta é a aluna.
Fui admirado pela aluna (= por quem)
 g) Adjunto Adverbial: O acidente ocorreu no dia em que 
eles chegaram. (adjunto adverbial de tempo).
Substituindo o pronome pelo antecedente, temos:
O acidente ocorreu no dia
Eles chegaram no dia. (= em que)
h) Adjunto adnominal (posse)
Não consigo conviver com pessoas cujas aspirações 
sejam essencialmente materiais. (Não consigo conviver com 
pessoas / As aspirações dessas pessoas são essencialmente 
materiais).
Pronomes interrogativos
Os pronomes “que, quem, qual e quanto” são considerados 
pronomes relativos quando compõem orações que apresen-
tam interrogações diretas ou indiretas:
• Quem nos poderá ajudar?
• Quantos alunos faltaram ontem?
• Quero saber quem eram os meus pais.
• O que você faz aqui?
Língua Portuguesa
36
Pronomes de tratamento
Pronome de 
tratamento Emprego
Você Tratamento familiar
Senhor Tratamento respeitoso
Senhorita Mulheres solteiras
Senhora Tratamento respeitoso
Vossa Senhoria Ocupantes de cargos importantes
Vossa Excelência
Autoridades superiores (presi-
dente, juízes, deputados, go-
vernadores, ministros, etc.
Vossa Eminência Cardeais
Vossa Alteza Príncipes, princesas e duques
Vossa Majestade Reis e rainhas
Vossa Meritíssima Juízes
Vossa magnificência Reitores
Vossa reve-
rendíssima
Sacerdotes religiosos, bis-
pos, padres e pastores
Vossa Santidade Papa
Verbo
Os verbos, diferentemente de todas as outras classes de 
palavras, podem se situar no tempo (presente, pretérito e futuro). 
Denomina-se verbo qualquer palavra que se permita conjugável 
e que se predisponha a se modificar em função da relação entre 
o enunciado e o seu tempo. De acordo com o dicionário Houaiss, 
o verbo é uma “classe de palavras que, do ponto de vista 
semântico, contêm as noções de ação, processo ou estado”. 
Há de se tomar cuidado para não se confundir verbos com 
alguns substantivos abstratos que indiquem ação ou proces-
so, como é o caso de substantivos como “beijo” e “chute”.
Estrutura do verbo
Os verbos apresentam os seguintes elementos mórficos: 
o radical, morfema invariável que guarda a significação do 
verbo; a vogal temática, que indica a que conjugação ele per-
tence e as desinências, que podem informar sobre o número, 
a pessoa, o modo e o tempo do verbo.
Radical
Vogal 
temática
Desinência 
modo-temporal
Desinência 
número-pessoal
cant a sse mos
vend e ria mos
part i ra mos
Para saber qual é a vogal temática de um verbo basta 
colocá-lo no infinitivo impessoal e retirar-lhe a desinência “r” 
de infinitivo.
A vogal temática “a” representa os verbos da primeira 
conjugação:
• Amar – Comprar – Chorar
A vogal temática “e” representa os verbos da segunda 
conjugação:
• Vender – Sofrer – Querer
A vogal temática “i” representa os verbos da terceira conju-
gação:
• Partir – Sair – Refletir
Tema
Chama-se tema à junção do radical e da vogal temática 
de um verbo. Assim, no caso do verbo “andar”, temos “and” 
como radical e “anda” como tema. O “r” que sobra é apenas 
uma desinência de infinitivo.
Tempos e modos verbais
Assim como existem três tempos verbais (presente, pre-
térito e futuro), há também somente três modos verbais: o 
indicativo, o subjuntivo e o imperativo. Desses três, somente 
o indicativo e o subjuntivo flexionam-se nos três tempos, pois 
o modo imperativo só admite o presente.
Modo indicativo
O modo indicativo, além de flexionar em todos os tem-
pos verbais, também apresenta conjugação completa nas 
subdivisões do pretérito e do futuro. O que caracteriza o 
modo indicativo, além de suas possibilidades desinenciais, 
é a sua capacidade de indicar certeza em relação ao fato 
enunciado. Segue abaixo a conjugação completa de um 
verbo no indicativo:
Presente Pretérito perfeito Pretérito imperfeito
gosto
gostas
gosta
gostamos
gostais
gostam
gostei
gostaste
gostou
gostamos
gostastes
gostaram
gostava
gostavas
gostava
gostávamos
gostáveis
gostavam
Pretérito mais 
que perfeito Futuro simples
Futuro do 
pretérito
gostara
gostaras
gostara
gostáramos
gostáreis
gostaram
gostarei
gostarás
gostará
gostaremos
gostareis
gostarão
gostaria
gostarias
gostaria
gostaríamos
gostaríeis
gostariam
Modo subjuntivo
O modo subjuntivo só flexiona nos seguintes tempos 
verbais: presente, pretérito imperfeito e futuro. O subjuntivo 
é o modo que assinala as ideias de incerteza, hipótese ou 
condição:
Presente Pretérito Imperfeito Futuro
goste
gostes
goste
gostemos
gosteis
gostem
gostasse
gostasses
gostasse
gostássemos
gostásseis
gostassem
gostar
gostares
gostar
gostarmos
gostardes
gostarem
Classes de palavras
37
Modo imperativo
O imperativo caracteriza as ordens e pedidos. Como foi 
anteriormente dito, ele só possui flexão de presente. No 
entanto, o modo imperativo apresenta algumas peculiarida-
des: não se conjuga um verbo que esteja no imperativo na 
primeira pessoa do singular e ele se divide em imperativo 
negativo e afirmativo.
Imperativoafirmativo Imperativo negativo
gosta (tu)
goste (você)
gostemos (nós)
gostai (vós)
gostem (vocês)
gostes (tu)
goste (você)
gostemos (nós)
gosteis (vós)
gostem (vocês)
Perceba, a partir do quadro acima, que há formas distintas 
de se usar o imperativo. Caso o interlocutor seja representado 
por pronome de segunda pessoa, o imperativo derivará do 
presente do indicativo, retirando-se a desinência “s”: “tu gostas 
= GOSTA TU”. Caso o interlocutor seja representado pelo pro-
nome de tratamento “você”, o imperativo derivará do presente 
do subjuntivo, retirando-se também a desinência “s”: “GOSTES 
= GOSTE VOCÊ”.
A fim de esclarecer o uso do modo imperativo, analisemos 
a utilização desse modo verbal em uma estrofe do poema 
“Letra para uma valsa romântica”, de Manuel Bandeira:
“Ri, desdenha, pisa,
Meu canto, no entanto,
Mais te diviniza.
Mulher diferente,
Tão indiferente
Desumana, Elisa!” 
Perceba que o eu-lírico dirige-se a um “tu” gramaticalmente 
explícito pelo pronome “te” do terceiro verso, assim os verbos 
do primeiro verso, todos no imperativo, derivaram-se do pre-
sente do indicativo: “tu ris/ tu desdenhas/tu pisas”.
Formas nominais
Os verbos apresentam, ainda, uma categoria que exerce 
função tanto de verbo como de nome, daí serem chamados 
de verbos nominais. Sintaticamente, tais verbos exercem a 
função típica de nomes, tais como de adjetivo, substantivo e 
advérbio. Observe os verbos destacados nas frases abaixo:
• Juca está revoltado (função de adjetivo)
• Ele gosta de nadar (função de substantivo)
• Maria foi correndo para casa. (função de advérbio)
São três as formas nominais: particípio, infinitivo e gerún-
dio. Delas, a única forma que pode flexionar é a do infinitivo, 
desde que tenha sujeito próprio.
Particípio Gerúndio Infinitivo
cantado
pedido
dançado
parado
cantando
pedindo
dançando
parando
cantar
pedir
dançar
parar
O particípio nem sempre apresenta as desinências “ado” 
e “ido”. É preciso ficar atento ao funcionamento do verbo na 
frase, pois há verbos que apresentam mais de uma forma 
para o particípio (são os verbos abundantes):
• Pago ou pagado
• Morto ou matado
• Sujeito ou sujeitado
Vozes verbais
A voz verbal diz respeito à relação estabelecida entre o 
verbo e seu sujeito. São três as vozes do verbo: ativa, passiva 
e reflexiva.
Voz ativa
Diz-se que um verbo está na voz ativa quando seu sujeito 
é o agente da ação expressa por ele:
• Luísa vendeu seus livros.
• Arthur ganhou o jogo.
Voz passiva
Fala-se em voz passiva se o sujeito do verbo representar 
o paciente da ação verbal. Há duas formas de voz passiva, a 
sintética e a analítica. A voz passiva sintética é caracterizada 
pela utilização de um pronome agregado ao verbo. Chama-se 
a esse pronome de “partícula apassivadora”:
• Desenvolvem-se programas de saúde popular no Brasil.
• Vendem-se apartamentos
Já a passiva analítica dispensa o pronome e apresenta 
uma locução verbal ao invés de um só verbo:
• Programas de saúde popular são desenvolvidos no 
Brasil.
• Apartamentos são vendidos.
Atenção
A partir dos exemplos anteriores, você pôde perceber 
que uma das maneiras de saber se o “se” é ou não partícula 
apassivadora é proceder à transformação da voz passiva 
sintética em voz passiva analítica. Caso a transformação seja 
possível, trata-se de voz passiva sintética e o “se” é partícula 
apassivadora e não “índice de indeterminação do sujeito”.
Voz reflexiva
A voz reflexiva ocorre quando o sujeito do verbo é, a um 
só tempo, agente e paciente da ação verbal:
• Pedro repreendeu-se após falar besteiras.
• Abraçaram-se com amor.
Aspectos verbais do indicativo
O presente do indicativo é usado para:
• exprimir um fato que ocorre no momento da fala (pre-
sente momentâneo). Ex: Veja como o maestro rege a 
orquestra. 
• indicar estados e ações permanentes ou duradouros, 
como axiomas científicos, jurídicos e religiosos (presen-
te durativo ou universal). Ex: A Carta Magna baseia-
-se na Declaração Universal dos Direitos Humanos. 
• expressar uma ação habitual (presente frequentativo 
ou habitual). Ex: Rafael bebe três xícaras de café 
assim que se levanta. 
• assinalar um fato futuro próximo. Ex: amanhã vou ao 
colegiado e esclareço suas dúvidas.
• descrever eventos históricos, dando-lhes ênfase e re-
levo (presente narrativo ou histórico). Ex: Kutúzov e 
suas tropas enfrentam o exército de Napoleão. 
O pretérito perfeito do indicativo: exprime um fato já 
concluído no momento da fala. Ex: Ele resolveu não se en-
volver nas suas intrigas. 
Língua Portuguesa
38
O pretérito imperfeito: exprime ação durativa ou habitual. Ex: Levantava cedo pra conseguir sentar no ônibus. 
O pretérito mais-que-perfeito: expressa uma ação que ocorreu antes de outra ação já passada. Ex: Sentei à mesa para 
saborear o prato que o anfitrião fizera (havia/tinha feito) para nós. 
O futuro do presente: expressa fatos certos ou prováveis de acontecer posteriormente à enunciação da fala e o futuro 
do pretérito exprime um futuro hipotético, que não se concretizou. Ex: Sua encomenda chegará amanhã. Sua encomenda 
chegaria amanhã se os voos tivessem sido cancelados. 
Tipos de verbo
Na língua portuguesa, os verbos se dividem em regulares, irregulares, defectivos, abundantes e pronominais:
Regular Irregular Defectivo Abundante Pronominal
Verbos que seguem o 
mesmo paradigma do 
grupo a que pertencem
Verbos que se afas-
tam do paradigma 
a que pertencem
Verbos que não apre-
sentam todas as formas 
de seu paradigma
Verbos que apresentam 
mais de uma forma para 
o particípio passado
Verbos que só se 
conjugam com o au-
xílio de um pronome
Canto
Cantas
Canta
Cantamos
Cantais
Cantam
Perco
Perdes
Perde
Perdemos
Perdeis
perdem
Ø
Ø
Ø
Falimos
Falis
Ø
Acendido/aceso
Anexado/anexo
Entregado/entregue
Expressado/expresso
Frigido/frito
Inserido/inserto
Queixar-se
Imbuir-se
Suicidar-se
Barbear-se
Paradigma de conjugação
Os verbos regulares pertencentes a uma mesma conjugação (1°, 2° ou 3°) apresentam um modelo de conjugação, ou seja, 
um paradigma. Assim, se você sabe conjugar o verbo amar, você também sabe conjugar o verbo gostar, pois ambos possuirão 
as mesmas flexões de tempo e modo.
O problema se dá, portanto, com os verbos que não são regulares, como é o caso do verbo “caber”, que não segue intei-
ramente o paradigma de conjugação dos verbos cuja vogal temática é “e”. Observe o quadro que se segue e note a diferença 
de conjugação do verbo “caber” e a de dois outros verbos. Repare que somente no caso do verbo “caber” houve alteração 
no radical do verbo:
Caibo
Cabes
Cabe
Cabemos
Cabeis
cabem
Vendo
Vendes
Vende
Vendemos
Vendeis
vendem
Corro
Corres
Corre
Corremos
Correis
correm
Advérbio e locuções adverbiais
Os advérbios, assim como os adjetivos, são uma classe de palavras que têm sua função ligada à outra. No caso dos advér-
bios, a sua existência está muitíssimo atrelada aos verbos, funcionando como modalizadores daquilo que se declara nestes.
Num plano mais abrangente, os advérbios são mecanismos importantes para se conceder nuances às mensagens, forne-
cendo, por exemplo, informações sobre tempo, modo, instrumento, lugar, intensidade, etc.
Na primeira coluna do quadro abaixo, há frases ausentes de advérbio e, na segunda, um advérbio foi acrescentado à frase 
com o objetivo de se evidenciar a sua função:
Maria morreu Maria morreu de rir
Pedro foi á aula Pedro não foi à aula
Seremos um país grande Amanhã seremos um país grande
Note-se que, no primeiro exemplo, tem-se uma locução adverbial. Ou seja, um conjunto de palavras que equivalem a um único 
advérbio.
Tempo Lugar Modo
hoje; logo; primeiro; ontem; tarde; 
outrora; amanhã; cedo; dantes; 
depois; ainda; antigamente; antes; 
doravante; nunca; então; ora; ja-
mais; agora; sempre; já; enfim; etc.
aqui; antes; dentro; ali; adiante; fora; 
acolá; atrás; além; lá; detrás; aquém; 
cá; acima; onde; perto; ai; abaixo; 
aonde; longe; debaixo; algures; 
defronte; nenhures; etc.
bem; mal; melhor; pior; assim; aliás; depressa; 
devagar; como;debalde; sobremodo; sobretudo; 
sobremaneira; quase; principalmente.
Obs.: muitos advérbios de modo formam-se 
juntando mente à forma feminina do adjetivo.
Classes de palavras
39
Quantidade Afirmação Negação
muito; pouco; mais; menos; de-
masiado; quanto; quão; tanto; tão; 
assaz; que (equivale a quão); tudo; 
nada; todo; bastante; quase.
sim; certamente; realmente; decerto; 
efetivamente; etc. não; nem; nunca; jamais; etc.
Dúvida Exclusão Inclusão
acaso; porventura; possivelmente; 
provavelmente; quiçá; talvez.
apenas; exclusivamente; salvo; 
senão; somente; simplesmente; só; 
unicamente.
ainda; até; mesmo; inclusivamente; também.
Ordem Designação Interrogação
depois; primeiramente; ultimamen-
te. eis. onde? como? quando? porque?
Conjunção e Locuções Conjuntivas
As conjunções e locuções conjuntivas compreendem uma série de conectivos e operadores que permitem unir orações e 
termos das orações em enunciados claros. Aprofundaremos o estudo das conjunções no próximo volume, com a abordagem 
da sintaxe do período simples e composto. 
 As conjunções se dividem em coordenativas e subordinativas integrantes e adverbiais. As conjunções coordenativas 
unem orações sintaticamente independentes, ou seja, estão presentes em períodos formados por orações coordenadas. As 
conjunções integrantes atuam sempre como introdutoras de orações subordinadas substantivas e as conjunções adverbiais, 
de orações subordinadas adverbiais, como a própria nomenclatura já indica. 
 O repertório desses conectores encontra-se elencado e classificado nos quadros a seguir. O critério de classificação 
das conjunções é o valor semântico que desempenham nos períodos, ou seja, na construção da significação dos enunciados.
Tabela das Conjunções Coordenadas
Classificação Conjunções Exemplos
ADITIVAS e, nem, mas também, como também, bem como, etc. Pedro é educado e gentil.
ADVERSATIVAS mas, porém, todavia, contudo, entretanto, no entanto, etc.
Não se esforçou muito, porém obteve um bom 
resultado.
ALTERNATIVAS ou...ou; ora...ora; quer...quer; já...já, etc. Ou você estuda, ou trabalha.
CONCLUSIVAS logo, portanto, por isso, assim, por con-seguinte, etc.
Possui um bom histórico profissional, logo não 
ficarás desempregado.
EXPLICATIVAS que, porque, porquanto, pois, etc. Não compareci à festa porque não fui convidada.
Tabela das Conjunções Subordinativas Integrantes
Conjunções Empregos Exemplos
QUE em declarações que indicam certeza
É inescapável que a mudança incorra na desacele-
ração da produção. 
Todos os professores estavam cientes de que o pro-
jeto tinha uma dimensão interdisciplinar.
SE em declarações que indicam incerteza
Helena ainda não havia decidido se participava da 
reunião.
Você sabe se o Henrique aceitou o convite?
Língua Portuguesa
40
Tabela das Conjunções Subordinadas Adverbiais
Tipos Circunstâncias que expressam Principais conjunções Exemplos
CAUSAIS Causa, motivo, ra-zão do efeito
Porque, como, visto, que, já 
que
Ele não fez o trabalho porque ele não tem 
o livro.
COMPARATIVAS Comparação Como, que, quanto (mais, me-nos) do que Ela fala mais que um papagaio.
CONCESSIVAS Concessão Embora, ainda que, se bem que, mesmo Embora estivesse cansada, fui ao shopping.
CONDICIONAIS Condição Se, caso, contanto que, desde que, a menos que
Se ela tivesse estudado, tiraria uma nota 
melhor.
CONFORMATIVAS Conformidade Conforme, como, segundo Segundo me disseram a casa é essa.
CONSECUTIVAS Consequência (tal, tão, tanto) que, de modo que Eu estava tão feliz que desmaiei.
FINAIS Finalidade Para que, a fim de que, que Todos trabalham para que possam sobreviver.
PROPORCIONAIS Proporção À proporção que, à medida que Quanto mais ela estudava, mais felizes seus pais ficavam.
TEMPORAIS Tempo, momento Quando, antes que, depois que, logo que Quando eu sair vou passar na locadora.
Diferenças Entre Orações Coordenadas Explicativas E Subordinadas Causais
Coordenada Explicativa Subordinada Causal
• Explica ou justifica fato expresso na declaração anterior.
• Há vírgula entre a oração explicativa e sua precedente.
• As orações coordenadas são independentes uma da outra.
• Frequentemente é empregada depois de orações impera-
tivas e optativas (Não suba aí que você pode cair. / Seja 
feliz, porque você merece!)
• A oração subordinada adverbial causal indica a causa 
do fato mencionado na oração principal.
• Não há vírgula entre elas.
• As orações subordinadas têm uma relação de depen-
dência entre si.
• A oração subordinada causal pode ser colocada no início 
do período introduzida pela conjunção como.
Veja estes exemplos:
1. “Não atravesse a rua, porque você pode ser atropelado”
Nesse caso, o uso da conjunção “porque” é coordenada explicativa, uma vez que a segunda oração esclarece o enunciado 
da primeira, sendo as duas independentes e sem um nexo causal indissociável.
Não atravesse a rua. Você pode ser atropelado. (relação de independência)
2. “Precisavam enterrar os mortos em outra cidade porque não havia cemitério no local.”:
Nesse caso, o uso da conjunção “porque” é subordinada causal, já que mostra a causa da ação expressa pelo verbo da 
oração principal. Outra forma de reconhecê-la é colocá-la no início do período, introduzida pela conjunção “como” – o que não 
ocorre com a coordenada explicativa:
Como não havia cemitério no local, precisavam enterrar os mortos em outra cidade.
Preposição
As preposições são palavras invariáveis que têm importante função coesiva nos textos. Ao contrário das conjunções, que 
estabelecem a ligação entre as oração de um dado período, as preposições fazem a conexão dos nomes entre si, estabele-
cendo entre eles uma relação de subordinação, como nas frases:
• Paulo foi de carona para a faculdade.
• Maria é contra a xenofobia.
São exemplos de preposição:
a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, per, perante, por, sem, sob, sobre, trás
É importante atentar sempre à regência do verbo, nome ou advérbio ao utilizar uma preposição.
Interjeição 
São palavras que expressam estados emocionais do falante, variando de acordo com o contexto emocional. Elas podem: 
alegria, advertência, afugenta mento, alívio, animação, aplauso, silêncio, espanto etc. As interjeições não exercem função 
sintática e, mesmo sozinhas, podem formular frases, uma vez que são capazes de gerar significação completa. São exemplos 
de interjeição ou locução interjetiva: “Ai!, Fogo!, Meu Deus!, Quem me dera!”.
Classes de palavras
41
Exercícios
1. (EsPCEx – 2015) Assinale a única opção em que a 
palavra “a” é artigo.
A) Hoje, ele veio a falar comigo.
B) Essa caneta não é a que te emprestei.
C) Convenci-a com poucas palavras.
D) Obrigou-me a arcar com mais despesas.
E) Marquei-te a fronte, mísero poeta.
2. (EsPCEx – 2015) Assinale a alternativa em que o pro-
nome grifado não apresenta vício de linguagem.
A) Quando Ana entrou no consultório de Vilma, encon-
trou-a com seu noivo.
B) Caro investidor, cuide melhor de seu dinheiro.
C) O professor proibiu que o aluno utilizasse sua 
gramática.
D) Aída disse a Luís que não concordava com sua 
reprovação.
E) Você deve buscar seu amigo e levá-lo em seu carro 
até o aeroporto.
3. (EsPCEx – 2015) Assinale a alternativa em que o uso 
dos pronomes relativos está em acordo com a norma 
culta da Língua Portuguesa.
A) Busca-se uma vida por onde a tolerância seja, de 
fato, alcançada.
B) Precisa-se de funcionários com cujo caráter não 
pairem dúvidas.
C) São pessoas com quem depositamos toda a con-
fiança.
D) Há situações de onde tiramos forças para pros-
seguir.
E) José é um candidato de cuja palavra não se deve 
duvidar.
4. (EsPCEx – 2015) Assinale a alternativa correta quanto 
ao emprego do verbo haver.
A) Eu não sei, doutor, mas devem haver leis.
B) Também a mim me hão ferido.
C) Haviam tantas folhas pelas calçadas.
D) Faziam oito dias que não via Guma.
E) Não haverão umas sem as outras.
5. (EsPCEx – 2014) Assinale a opção que completa cor-
retamente as lacunas das frases a seguir.
I. ____ uma semana que telefonoe não consigo con-
tato.
II. ____ muito tempo que a amiga o procurava sem 
sucesso.
III. Passara no concurso _____ pouco tempo.
IV Iniciou os estudos ______ poucos dias.
V. Estávamos ali _______ quatro horas.
A) havia – há – havia – há – havia.
B) há – havia – há – há – havia.
C) há – há – há – há – há – há.
D) havia – havia – havia – havia – havia.
E) há – havia – havia – há – havia.
6. (EsPCEx – 2012) Assinale a alternativa que contém a 
classificação do modo verbal, dos verbos grifados nas 
frases abaixo, respectivamente.
– Esse seu lado perverso, eu o conheço faz tempo.
– Anda logo, senão chegarás só amanhã.
– Se você chegar na hora, ganharemos um tempo 
precioso.
– Acabaríamos a tarefa hoje, se todos ajudassem.
A) indicativo – imperativo – subjuntivo – subjuntivo – 
indicativo – subjuntivo – indicativo
B) subjuntivo – indicativo – indicativo – subjuntivo – 
indicativo – subjuntivo – indicativo
C) subjuntivo – imperativo – indicativo – infinitivo – in-
dicativo – subjuntivo – indicativo
D) indicativo – imperativo – indicativo – subjuntivo – 
indicativo – indicativo – subjuntivo
E) indicativo – subjuntivo – indicativo – subjuntivo – 
indicativo – subjuntivo – subjuntivo
7. (EsPCEx – 2012) Em “Embarcaremos amanhã, então, 
vimos dizer-lhe adeus, hoje.”, a alternativa que classifi-
ca corretamente a conjugação modo-temporal do verbo 
destacado no fragmento é
A) Pretérito Perfeito do Indicativo 
B) Futuro do Presente do indicativo
C) Presente do Indicativo 
D) Imperativo Afirmativo
E) Pretérito Imperfeito do Indicativo
8. (EsPCEx – 2011) Na frase “Se o ______ , avisa-me.”, a 
alternativa que completa corretamente a frase é:
A) veres 
B) vir 
C) reverdes 
D) vires 
E) ver
9. (EsPCEx – 2011) 
Assinale a alternativa correta, em relação ao significado 
dos termos em negrito e sublinhados.
A) “O conto é bem curto.” (qualidade)
B) “Eu até aceitaria seu presente, se não fosse tão 
caro.” (modo)
C) “Até as palavras não ditas possuem uma magia 
para aliviar a alma.” (intensidade)
D) “Até as palavras não ditas possuem uma magia para 
aliviar a alma.” (direção)
E) “Ficarei esperando você, ansiosa, até o amanhecer.” 
(tempo)
Gabarito
1. E
2. B
3. E
4. B
5. E
6. D
7. C
8. D
9. E
Língua Portuguesa
42
O objeto de estudo da Sintaxe é, a grosso modo, a estrutura das unidades da língua em interação nos enunciados, seguindo 
os princípios de sucessão e linearidade. Compete, pois, à análise sintática realizar a descrição do modo como os termos de uma 
oração se organizam e geram, ou não, a significação. Antes de ingressar no estudo dos componentes sintáticos do período, é 
preciso ter clareza acerca das diferenças entre frase, oração e período. 
Frase é toda seleção e/ou sequenciação de palavras capaz de expressar sentidos no interior de uma língua. Chamam-se fra-
ses nominais as que não contêm verbo, e frases verbais (ou orações) as que possuem verbo. A oração é composta por sujeito e 
predicado e, em casos excepcionais, apenas predicado. Em toda oração, há um verbo, mesmo que esteja elíptico. Já o período 
é a frase composta de uma ou mais orações. Se o período contém apenas uma oração, ele é chamado de período simples. Se 
ele é formado por mais de uma oração, ele é chamado período composto. Neste capítulo, vamos nos deter no estudo do período 
simples. 
Tendo isso em mente, vejamos um exemplo de atuação de análise sintática. Sabe-se que há, na língua portuguesa, uma estru-
tura básica que subsidia a formulação da maioria de nossas frases, tal estrutura é assim traduzida pela sintaxe: sujeito + verbo 
+ complemento + adjunto adverbial. Em outras palavras, não é comum que se escreva ou que se escute a seguinte frase em 
português: Fizeram a prova alunos os. Ao contrário, o que se observa é a seguinte formulação:
Assim, podemos concluir que a análise sintática está a serviço da descrição do modo como os termos se relacionam entre si e 
da função que exercem uns em relação aos outros. Não é objetivo dela, no entanto, responder por que, tradicionalmente, a frase em 
português obedece à forma sujeito + verbo + complemento + adjunto adverbial, mas sim constatar esse fato e traduzi-lo de modo a 
tornar as suas relações mais inteligíveis de um ponto de vista estrutural. A sintaxe se interessa, também, por demonstrar as várias outras 
posições que os termos podem assumir para realizarem a mesma significação. A frase acima, por exemplo, poderia perfeitamente estar 
escrita de outro modo, sem que, no entanto, os termos que a compõem sofressem qualquer alteração em sua classificação sintática:
Termos Essenciais da Oração: Sujeito e Predicado
Sujeito
Várias são as definições de sujeito encontradas nos mais diversos manuais gramaticais; quase todas, no entanto, acabam 
por reduzir as possibilidades de funcionamento dessa categoria sintática ao defini-la de modo um tanto quanto descuidado. 
Assim, optaremos pela definição de sujeito que nos oferta o linguista Mário Perini, para quem o sujeito é o termo com o qual o 
verbo concorda. Desse modo, na frase “Os alunos fizeram a prova rapidamente”, vê-se que a expressão “os alunos” é que se 
harmoniza com o verbo “fizeram”, levando-o, inclusive, para o plural.
Tipos de sujeito
Sujeito simples
 É aquele caracterizado por possuir somente um núcleo nominal. Observe os exemplos que se seguem:
• O professor fechou o conteúdo.
Nota-se que o sujeito é “o professor”, pois é esta expressão que se harmoniza, sintática e semanticamente, com o verbo. 
• Jogaram-se pedras na janela das bruxas
No caso acima, “pedras” é o sujeito da oração, pois é esse substantivo que concorda com o verbo “jogaram”, pois “pedras 
foram jogadas”. Temos, nesse exemplo, um caso de sujeito na voz passiva, pois o sujeito não praticou a ação nomeada pelo 
verbo, mas sim a recebeu.
É preciso ficar atento aos casos em que o sujeito simples surge rodeado de outros termos. Observe:
• Os homens brasileiros de 1822 comemoraram a independência.
Vê-se que o verbo “comemoraram” se harmoniza com a expressão “os homens brasileiros de 1822”, já que eles foram quem 
comemoraram; no entanto, apesar de o sujeito estar expresso por 5 termos, ele apresenta somente um núcleo. No exemplo 
supracitado, o substantivo “homens”; trata-se, portanto, de um sujeito simples. Assim, o que define o sujeito como simples não 
tem a ver, necessariamente, com a quantidade de termos que parecem concordar com o verbo.
Sujeito verbo complemento adjunto adverbial
Os alunos fizeram a prova rapidamente
Adjunto adverbial verbo complemento sujeito
Rapidamente fizeram a prova os alunos
Capítulo 09
43
Sintaxe do período simples
Sujeito composto 
É, ao contrário do simples, aquele que apresenta mais de 
um núcleo nominal. Modifiquemos a frase do exemplo anterior 
e teremos um sujeito composto:
• Os homens e mulheres brasileiros comemoraram a in-
dependência.
Nota-se, agora, que o sujeito do verbo “comemoraram” 
possui dois núcleos nominais: homens e mulheres.
Sujeito desinencial (também chamado de elíp-
tico ou oculto)
É, como a própria definição explicita, aquele marcado pela 
desinência do verbo. O sujeito desinencial não está, pois, ex-
presso na oração, mas pode ser determinado facilmente em 
função da desinência de primeira pessoa do verbo:
• Comprei pão
O sujeito do verbo “comprei” só pode ser o pronome pessoal 
do caso reto, “eu”.
Sujeito indeterminado
Apresenta algumas dificuldades especiais, sobretudo em 
função do uso da partícula “se” como modo de se realizar a 
indeterminação do sujeito. Conceitualmente, ocorre o sujeito in-
determinado quando há na frase um verbo sem sujeito expresso. 
São duas as maneiras de se indeterminar o sujeito de um verbo:
• Perseguiram o ladrão
Não há como identificar o sujeito do verbo “perseguiram”, 
mas sabe-se que alguém, um sujeito indeterminado, é o 
responsável por essa ação. 
• Vive-se bem em B.H
Também não é possível saber, por essa frase, quem vive bem 
em B.H, mas alguém vive, daí denominarmos esse fenômeno de 
sujeito indeterminado.O sujeito indeterminado pode ocorrer 
das seguintes formas:
• Verbo na terceira pessoa do plural ausente de sujeito ex-
presso;
• Verbo na 3a. pessoa do singular, sendo transitivo indireto 
ou intransitivo + se.
O sujeito inexistente ou oração sem sujeito
Só existe em função dos verbos impessoais, isto é, dos 
verbos que, por natureza, não admitem nem exigem sujeito. 
Vejam-se alguns casos de sujeito inexistente:
• Anoitece em N.Y
Ocorre inexistência do sujeito nas orações em que se en-
contra um verbo que indique fenômeno da natureza. Seria o 
caso do verbo “anoitecer” do exemplo acima. Repare que não 
faz sentido perguntar sobre quem anoitece, ou seja, esse verbo 
não possui sujeito. Assim, os verbos que remetem a fenômenos 
da natureza não possuem sujeito.
• Há muitas pessoas preocupadas nesta sala
• Já estou aqui há muito tempo
O verbo “haver”, na acepção de “existir”, 1° exemplo, ou sig-
nificando passagem de tempo, 2° exemplo, não admite sujeito.
• Faz 20 dias que não leio
O verbo “fazer”, ao indicar tempo transcorrido, também não 
admite sujeito.
Obs: O verbo “ser”, ao indicar tempo transcorrido, também 
assume a forma impessoal:
• Era tarde da noite quando ela se foi
Sujeito oracional
Há casos, ainda, em que o sujeito do verbo é uma oração 
inteira, não apenas um núcleo nominal:
Importa cuidar da saúde
Convém que trabalhemos.
Os sujeitos dos verbos “importa” e “convém” são, respecti-
vamente, as orações “cuidar da saúde” e “que trabalhemos”.
Transitividade Verbal
Antes de começarmos a estudar sobre Predicado, vamos 
rever a Transitividade Verbal.
1. Verbo Transitivo Direto:
EXIGE complemento verbal (objeto direto), não preposi-
cionado.
Exemplo: Ana Elisa fez todas as provas. (quem faz, faz 
algo, no caso, “todas as provas” – objeto direto do verbo fazer)
2. Verbo Transitivo Indireto: 
EXIGE complemento verbal (objeto indireto), acompanhado 
por preposição.
Exemplo: Aline necessita de suas provas corrigidas. (quem 
necessita, necessita de algo, no caso, “de suas provas corrigi-
das” – objeto indireto do verbo necessitar)
3. Verbo Bitransitivo:
EXIGE complementos verbais (objeto direto e indireto ou 
vice-versa).
Exemplo: O professor entregou as provas ao aluno. (quem 
entrega, entrega algo a alguém, no caso, “as provas” ‘aos alu-
nos” – objeto direto e indireto respectivamente)
4. Verbo Intransitivo:
NÃO NECESSITA DE COMPLEMENTOS VERBAIS. Eles 
se bastam.
Exemplo: A luz se apagou.
5. Verbo de ligação:
Apenas ligam o sujeito ao Predicativo (valor de adjetivo no 
Predicado).
Exemplo: Agenor tornou-se um cérebro! (“um cérebro” 
caracteriza o sujeito “Agenor”)
ATENÇÃO!!!
Nem sempre o Verbo Intransitivo se basta. Em algumas 
situações, ele pode pedir complemento verbal. 
Exemplo: Eu dormi muito. (Verbo Intransitivo)
Eu dormi um sono tranquilo. (Verbo Transitivo Direto, pois 
pede o complemento verbal “um sono tranquilo”)
Outro caso acontece com os Verbos de Ligação. Acontecem 
2 casos com os verbos de ligação. Veja:
1. Verbos que comumente não são classificados como de 
Ligação podem assumir tal posição.
Exemplo: Ele vive desanimado! (Ele é desanimado, sendo, 
portanto, um Verbo de Ligação)
2. Verbos que comumente são classificados como de Ligação 
podem ser Intransitivos.
Exemplo: Ele ficou em casa. (Neste caso, não havendo Predi-
cativo do sujeito, passa a ser classificado como Verbo Intransitivo).
Predicado
Predicado é aquilo que se declara a respeito do sujeito. Nele é 
obrigatória a presença de um verbo ou locução verbal. Quando se 
identifica o sujeito de uma oração, identifica-se também o predica-
do. Em termos, tudo o que difere do sujeito (e do vocativo, quando 
ocorrer) numa oração é o seu predicado. Veja alguns exemplos:
As mulheres compraram roupas novas.
 (Predicado)
Durante o ano, muitos alunos desistem do curso.
 (Predicado) (Predicado)
A natureza é bela.
 (Predicado)
Língua Portuguesa 
44
Tipos de Predicado
1. Predicado Nominal 
Quando o verbo for de ligação e o núcleo, um Predicativo do 
sujeito, ou seja, uma característica dada ao sujeito.
Exemplo: Almir está nervoso!
2. Predicado Verbal
Quando o verbo for transitivo ou intransitivo e o núcleo, o 
próprio verbo, ou seja, não haverá Predicativos (características).
Exemplo: Helena saiu da escola tarde.
3. Predicado Verbo-nominal
Quando o verbo for transitivo ou intransitivo e o núcleo, um 
Predicativo do Sujeito ou do Objeto, ou seja, uma característica 
atribuída ao sujeito ou ao objeto).
Exemplo: Carlos saiu apressado da escola.
Complementos Verbais
Objeto direto 
Responde à necessidade que determinados verbos possuem 
de terem a sua significação ampliada, complementada, por 
outros termos. No caso do objeto direto, o que o caracteriza é 
a transitividade do verbo ao qual ele se liga.O objeto direto é 
a expressão que complementa um verbo transitivo direto. Nos 
exemplos a seguir, sublinhamos os objetos diretos:
• Estevão vendeu um livro
• Martha abraçou seu cão
• Martim namorou Iracema
Objeto indireto
Diferentemente do direto, liga-se a verbos cuja transitividade 
exige a presença da preposição, daí serem chamados de verbos 
transitivos indiretos, como demonstram os exemplos abaixo:
• Ela necessita de ajuda
• Pedro gosta de pão
• Juca antipatiza com Maria
ATENÇÃO! 
Não confunda Objeto Indireto com Complemento Nominal.
Objeto Indireto completa um verbo, acompanhado por uma 
preposição; já o Complemento Nominal completa um nome 
(substantivo, adjetivo ou advérbio), também acompanhado por 
uma preposição. Veja:
Érica duvida de suas convicções. (“de suas convicções” é 
objeto indireto, já que completa o verbo “duvida”)
Érica tem dúvida de suas convicções. (“de suas convicções” 
é complemento nominal, uma vez que completa o nome (subs-
tantivo) “dúvida”)
PRONOMES OBLÍQUOS ÁTONOS COMO 
OBJETOS DIRETOS E INDIRETOS
São chamados átonos os pronomes oblíquos que não são 
precedidos de preposição.
Possuem acentuação tônica fraca.
Exemplo:
Ele me deu um presente.
O quadro dos pronomes oblíquos átonos é assim configurado:
- 1ª pessoa do singular (eu): me
- 2ª pessoa do singular (tu): te
- 3ª pessoa do singular (ele, ela): o, a, lhe
- 1ª pessoa do plural (nós): nos
- 2ª pessoa do plural (vós): vos
- 3ª pessoa do plural (eles, elas): os, as, lhes
Observações:
O lhe é o único pronome oblíquo átono que já se apresenta 
na forma contraída, ou seja, houve a união entre o pronome o 
ou a e preposição a ou para. Por acompanhar diretamente uma 
preposição, o pronome lhe exerce sempre a função de objeto 
indireto na oração.
Os pronomes me, te, nos e vos podem tanto ser objetos diretos 
como objetos indiretos.
Os pronomes o, a, os e as atuam exclusivamente como ob-
jetos diretos.
Atenção:
Os pronomes o, os, a, as assumem formas especiais depois 
de certas terminações verbais. Quando o verbo termina em -z, 
-s ou -r, o pronome assume a forma lo, los, la ou las, ao mesmo 
tempo que a terminação verbal é suprimida.
Exemplo:
 fiz + o = fi-lo
 fazeis + o = fazei-lo
 dizer + a = dizê-la
Quando o verbo termina em som nasal, o pronome assume 
as formas no, nos, na, nas.
Exemplo:
 viram + o: viram-no
 repõe + os = repõe-nos
 retém + a: retém-na
 tem + as = tem-nas 
ATENÇÃO: 
O pronome “lhe(s)” pode ter valor, também, de Adjunto 
adnominal, indicando posse.
Exemplo: Sigo-lhe os passos. (Sigo os seus passos – 
posse)
Agente da passiva
O agente da passiva é definido pela relação que há entre 
sujeito e verbo. Dizemos que um verbo está na voz ativa 
quando seu sujeito corresponde ao agente da ação verbal, 
como na seguinte frase:
• Graciliano escreveu muitos livros
Saiba que:
Os pronomes me, te, lhe, nos, vos e lhes podem combi-
nar-se com os pronomes o, os, a, as, dando origem a for-
mas como mo, mos, ma, mas; to, tos, ta, tas; lho, lhos, lha, 
lhas; no-lo, no-los, no-la, no-las, vo-lo, vo-los, vo-la, vo-las. 
Observe o uso dessas formas nos exemplos que seguem:
- Trouxeste o pacote? - Não contaram a novidade a 
vocês?
- Sim, entreguei-to ainda há pouco. - Não, nãono-la contaram.
No português do Brasil, essas combinações não são 
usadas; até mesmo na língua literária atual, seu emprego 
é muito raro. 
Sintaxe do período simples
45
Diz-se, pelo contrário, que um verbo está na voz passiva 
quando seu sujeito não é o agente da ação verbal, mas sim 
o paciente:
• Muitos livros foram escritos por Graciliano.
No caso da frase acima, dá-se a existência do agente 
da passiva, que nada mais é do que o termo que, em uma 
frase na voz passiva, corresponde ao agente da ação verbal. 
O agente da passiva é sempre precedido de preposição:
• As árvores foram plantadas pelos agricultores.
• Lídia era amada por Tom.
Perceba que ao se transformarem as frases que estão na 
voz passiva para a voz ativa, o agente da passiva torna-se 
o sujeito da nova construção:
• Os agricultores plantaram as árvores
• Tom amava Lídia.
Complemento nominal
É um termo ou expressão que, antecedido de preposi-
ção, complementa a significação de um nome transitivo, 
seja ele um adjetivo, substantivo ou advérbio que exijam 
complementação:
• “Os manifestantes pararam perto da igreja.”
• “Júlia tem medo de altura.”
• “Seus lábios têm gosto de bergamota.”
Adjunto adnominal
Possui a função de determinante de núcleos nominais, 
ligando-se sempre a substantivos ou termos substantivados. 
Os artigos, adjetivos, pronomes e numerais podem assumir 
a função de adjunto adnominal. Uma maneira simples de 
classificar um adjunto é proceder, antes, à classificação das 
categorias sintáticas nucleares, tais como sujeito e comple-
mentos. Achados os núcleos, os termos que exercerem a 
função de determinante deles serão os adjuntos, como se 
pode observar no exemplo seguinte:
• O estudante aplicado acertou a questão difícil.
ATENÇÃO!
Não confunda Complemento Nominal com Adjunto Ad-
nominal!
Quando houver uma locução adjetiva, tem-se que fazer a 
seguinte pergunta: esta locução faz ou sofre ação? No caso 
de ser agente, será classificada como Adjunto Adnominal; 
já se for paciente, Complemento Nominal. Veja:
A construção do engenheiro foi notável! (o engenheiro 
quem fez a ação, portanto se trata de Adjunto Adnominal).
A construção daquele Colégio foi notável! (o Colégio foi 
construído, sofrendo ação, então se trata de Complemento 
Nominal)
Predicativo
Predicativo é o termo que confere ao sujeito ou ao objeto 
uma qualidade, uma característica. Existem dois tipos de 
predicativo: 
PREDICATIVO DO SUJEITO e o PREDICATIVO DO 
OBJETO.
1. Predicativo do sujeito:
termo que caracteriza o sujeito da oração.
Exemplo: Ela entrou em casa apressada. (“apressada” 
caracteriza o sujeito “Ela”).
2. Predicativo do sujeito:
termo que caracteriza o objeto direto da oração.
Exemplo: Ela viu um homem apressado. (“apressado” 
caracteriza o objeto “um homem”).
Adjunto adverbial
 É determinante dos verbos, podendo indicar circunstân-
cia, modo e intensidade das ações verbais. É necessário 
diferenciar o adjunto adverbial dos complementos verbais. 
Em uma frase como “ele veio de trem”, “de trem” não é um 
complemento verbal, mas sim um adjunto, pois não com-
plementa o verbo, mas sim lhe fornece indicação de modo.
• Os meninos foram correndo ao parque.
• Após vinte dias de alegria, ele infelizmente conheceu 
a tristeza.
• Não gostei de minhas provas.
• Às vezes saio com meus amigos.
• Ele saiu às pressas.
• Certamente farei as provas amanhã.
• Em 2018 farei o ENEM.
Língua Portuguesa 
46
Classificação do Adjunto Adverbial
Listamos abaixo algumas circunstâncias que o adjunto adverbial pode exprimir. Não deixe de observar os exemplos.
Circunstância Exemplo
• 1. Acréscimo Além da tristeza, sentia profundo cansaço.
• 2. Afirmação
Sim, realmente irei partir.
Ele irá com certeza.
• 3. Assunto Falávamos sobre futebol. (ou de futebol, ou a respeito de futebol).
• 4. Causa
Com o calor, o poço secou.
Não comentamos nada por discrição.
O menor trabalha por necessidade.
• 5. Companhia
Fui ao cinema com sua prima.
Com quem você saiu? 
Sempre contigo irei estar.
• 6. Concessão Apesar do estado precário do gramado, o jogo foi ótimo.
• 7. Condição
Sem minha autorização, você não irá.
Sem erros, não há acertos.
• 8. Conformidade Fez tudo conforme o combinado. (ou segundo o combinado)
• 9. Dúvida
Talvez seja melhor irmos mais tarde.
Porventura, encontrariam a solução da crise?
Quiçá acertemos desta vez.
• 10. Fim, finalidade
Ela vive para o amor.
Daniel estudou para o exame.
Trabalho para o meu sustento. 
Viajei a negócio.
• 11. Frequência
Sempre aparecia por lá.
Havia reuniões todos os dias.
• 12. Instrumento
Rodrigo fez o corte com a faca.
O artista criava seus desenhos a lápis.
• 13. Intensidade
A atleta corria bastante.
O remédio é muito caro.
• 14. Limite A menina andava correndo do quarto à sala.
• 15. Lugar
Nasci em Porto Alegre.
Estou em casa.
Vive nas montanhas.
Viajou para o litoral.
“Há, em cada canto de minh’alma, um altar a um Deus diferente.” (Álvaro de Campos)
• 16. Matéria
Compunha-se de substâncias estranhas.
Era feito de aço.
• 17. Meio
Fui de avião.
Viajei de trem. 
Enriqueceram mediante fraude.
• 18. Modo
Foram recrutados a dedo.
Fiquem à vontade. 
Esperava tranquilamente o momento decisivo.
• 19. Negação
Não há erros em seu trabalho.
Não aceitarei a proposta em hipótese alguma.
• 20. Preço As casas estão sendo vendidas a preços muito altos.
• 21. Substituição ou troca Abandonou suas convicções por privilégios econômicos.
• 22. Tempo
O escritório permanece aberto das 8h às 18h.
Beto e Mara se casarão em junho.
Ontem à tarde encontrou um velho amigo.
Sintaxe do período simples
47
Aposto
É uma expressão ou termo, tradicionalmente separado por vírgulas, que atua como uma extensão, uma explicação de um 
nome anterior.
• Juliana, vizinha de Maria, foi ao cinema.
Tipos de Aposto
a) Explicativo:
A Ecologia, ciência que investiga as relações dos seres vivos entre si e com o meio em que vivem, adquiriu grande destaque 
no mundo atual.
b) Enumerativo:
A vida humana se compõe de muitas coisas: amor, trabalho, ação.
c) Resumidor ou Recapitulativo:
Vida digna, cidadania plena, igualdade de oportunidades, tudo isso está na base de um país melhor.
d) Comparativo:
Seus olhos, indagadores holofotes, fixaram-se por muito tempo na baía anoitecida.
e) Distributivo:
Drummond e Guimarães Rosa são dois grandes escritores, aquele na poesia e este na prosa.
f) Aposto de Oração:
Ela correu durante uma hora, sinal de preparo físico.
Além desses, há o aposto especificativo, que difere dos demais por não ser marcado por sinais de pontuação (vírgula ou dois-
-pontos). O aposto especificativo individualiza um substantivo de sentido genérico, prendendo-se a ele diretamente ou por meio 
de uma preposição, sem que haja pausa na entonação da frase:
Exemplo:
O poeta Manuel Bandeira criou obra de expressão simples e temática profunda. 
Atenção:
Para não confundir o aposto de especificação com adjunto adnominal, observe a seguinte frase:
A obra de Camões é símbolo da cultura portuguesa.
Nessa oração, o termo em destaque tem a função de adjetivo: a obra camoniana. É, portanto, um adjunto adnominal.
 O escritor português, Camões, é símbolo da cultura de seu país.
Nesse caso, o termo em destaque tem função de aposto: explica quem é o poeta.
Observações:
1) Os apostos, em geral, destacam-se por pausas, indicadas na escrita, por vírgulas, dois pontos ou travessões. Não havendo 
pausa, não haverá vírgulas.
Exemplo:
Acabo de ler o romance: A moreninha.
2) Às vezes, o aposto pode vir precedido de expressões explicativas do tipo: a saber, isto é, por exemplo, etc.
Exemplo:
Alguns alunos, a saber, Marcos, Rafael e Bianca não entraram na sala de aula após o recreio.
3) O aposto pode aparecer antes do termo a que se refere.
Exemplo:
Código universal, a música não tem fronteiras.
4) O aposto que se refere ao objeto indireto, complemento nominal ou adjunto adverbial pode aparecer precedido de preposição.
Exemplo:
Estava deslumbrada com tudo: com a aprovação, com o ingresso na universidade, com asfelicitações.
Vocativo 
Não possui função sintática. Isso quer dizer que ele, sintaticamente, não se relaciona com nenhum dos termos que estejam na 
mesma oração que ele. Em uma frase como “Ana, você foi à padaria?”, o nome “Ana” não possui função sintática, sendo chama-
do de vocativo. Repare que o sujeito do verbo “ir” é o pronome “você” e o complemento adverbial dele é o substantivo “padaria”, 
poetanto, sintaticamente, o nome próprio “Ana” não exerce qualquer função sintática.
Língua Portuguesa 
48
Distinção entre Vocativo e Aposto
O vocativo não mantém relação sintática com outro termo da oração.
Exemplo:
Crianças, vamos entrar.
(Vocativo)
O aposto mantém relação sintática com outro termo da oração.
Exemplo:
A vida de Moisés, grande profeta, foi filmada.
 (Sujeito) (Aposto)
Colocação pronominal
Primeira pessoa Segunda Pessoa Terceira Pessoa
Singular Plural Singular Plural Reflexivo
Maculino Feminino
Singular Plural Singular Plural
Sujeito eu nós tu vós - ele eles ela elas
Objeto direto me nos te vos se o os a as
Objeto indireto me nos te vos se lhe lhes lhe lhes
Objeto preposicionado mim nós ti vós si ele eles ela elas
Comitativo comigo conosco contigo convosco consigo com ele com eles com ela com elas
Com base nos conhecimentos de sintaxe, estudaremos a colocação do pronome oblíquo átono e do demonstrativo “o” em 
relação ao verbo a que se ligam. Esses pronomes podem assumir três posições distintas. São elas:
ÊNCLISE à O pronome é colocado após o verbo:
• Sinto-me contente pela vitória da seleção.
PRÓCLISE à O pronome é colocado antes do verbo:
• Não se faça de rogado!
MESÓCLISE à O pronome é colocado no meio do verbo
• Ser-me-á agradável acompanhá-la até sua morada.
As regras que descreveremos acerca da colocação pronominal dizem respeito ao uso formal da língua portuguesa e se devem, 
em muitos dos casos, a diferenças que foram se criando entre as variantes da Língua Portuguesa do Brasil e de Portugal. Assim, 
se na língua falada do Brasil é muito comum que se utilize a próclise, esta não é a regra em Portugal que, ao contrário, assume a 
ênclise como padrão. Acontece que muitas das regras que compõem nossos manuais gramaticais provêm do falar lusitano e não 
do brasileiro. Tendo em vista esse fato, o linguista Evanildo Bechara afirma, não sem algum toque de ironia: “chegou-se à conclu-
são de que muitas das regras estabelecidas pelos puristas ou estavam erradas, ou se aplicavam em especial ao falar lusitano.”
 É natural, no Brasil, que se diga em uma padaria: “Me vende um cafezinho e um pastel!”, mas, do ponto de vista da norma culta, a frase seria 
corrigida para: “Vende-me um cafezinho e um pastel!”, isso porque as gramáticas normativas brasileiras demoram a assumir as estruturas lin-
guísticas que têm seu uso consagrado pela fala popular. Lembremo-nos, nesse caso, do famoso poema de Oswald de Andrade, “Pronominais”. 
Nele, o poeta homenageia o falar brasileiro e mostra o quão distante a norma gramatical, de vertente portuguesa, está da descrição 
da língua falada no Brasil:
“Dê-me um cigarro 
Diz a gramática 
Do professor e do aluno 
E do mulato sabido 
Mas o bom negro e o bom branco 
Da Nação Brasileira 
Dizem todos os dias 
Deixa disso camarada 
Me dá um cigarro”
Sintaxe do período simples
49
REGRAS DE COLOCAÇÃO PRONOMINAL
ÊNCLISE
Utiliza-se a ênclise
A) Quando o verbo inicia um período:
• Diga-me a verdade, Maria.
• Faz-me bem viver no campo.
B) Com verbos no gerúndio, desde que não esteja pre-
cedido pela preposição “em”:
• Nunca mais irei ai cinema, ela disse, levantando-se 
abruptamente.
• Faça os exercícios, estudando-os muito você estará 
preparado.
C) Com verbos no imperativo afirmativo:
• Pare de ver t.v e ajude-me a lavar a roupa.
• Estevão, empreste-me seu livro de química.
PRÓCLISE
Utiliza-se a próclise quando, antes do verbo, houver alguma 
palavra ou expressão de “valor atrativo”. São elas:
A) Advérbios e pronomes indefinidos:
• Jamais lhes daria meu perdão.
• Não me envergonhei de ti.
• Ainda a encontrarei.
• Ninguém me contou sobre o segredo.
• Todos se esconderam da verdade.
B) Pronomes relativos( que, o qual, a qual, os quais, as 
quais, cujo, cuja, onde, quem, etc.):
• O livro que te emprestei é ótimo!
• Eu vou ao cinema onde se passa filme do Tarantino.
C) Pronomes demonstrativos:
• Aquilo me foi dito de modo assustador.
• Esta me disse algo duvidoso, aquele me contou a ver-
dade.
D) Conjunções subordinativas (quando, se, já que, em-
bora, à medida que, etc.):
• À medida que se esforça, alcança-se o sucesso.
• Se me beijar, andarei nas nuvens.
• Enquanto me enganam, faço-me de bobo.
E) Verbo no gerúndio precedido da preposição “em”:
• Em se tratando de literatura, gosto mais dos realistas 
que dos românticos.
MESÓCLISE
Só se utiliza a mesóclise caso o verbo esteja no futuro, sela 
ele simples ou do pretérito:
• Comprá-lo-ia se pudesse.
• Dir-lhe-ei a verdade, Arthur. 
Caso haja qualquer das palavras atrativas mencionadas no 
tópico anterior, ela prevalecerá e será utilizada a próclise no 
lugar da mesóclise. Observe as duas frases abaixo:
• Dar-te-ei um beijo quando quiseres.
• Não te darei um beijo quando quiseres.
OBSERVAÇÕES IMPORTANTES:
A) Não se utiliza ênclise se o verbo estiver no particípio:
• Ele tem me dado muito amor.
B) Se o verbo estiver no infinitivo, tanto o uso da próclise 
quanto da ênclise são admitidos.
• Júlia irá se fazer de santa.
• Júlia irá fazer-se de santa.
C) Com verbos no Futuro do Presente ou no Futuro 
do Pretérito - pois nesses casos deve ser usada 
apenas a mesóclise ou a próclise. 
• Chamar-te-ei assim que puder.
Exercícios
1. (EsPCEx – 2015) 
Assinale a oração em que o termo ou expressão grifa-
dos exerce a função de Objeto Indireto.
A) Cumprimentei-as respeitosamente.
B) Perderam-na para sempre.
C) Amava mais a ele que aos outros.
D) Eu culpo a tudo e a todos.
E) Obedeceu-lhe prontamente.
2. (EsPCEx – 2015) 
Leia a frase abaixo e assinale a alternativa que traduz, 
na sequência em que aparecem, as circunstâncias 
grifadas.
“Num átimo, cessou de todo o ruído das vozes e ele 
entrou a falar à vontade, calma e decididamente.”
A) tempo - intensidade - modo - modo - modo
B) modo - inclusão - explanação - modo - modo
C) tempo - intensidade - intensidade - modo - modo
D) modo - intensidade - intensidade - modo - modo
E) realce - intensidade - modo - afetividade - modo
3. (EsPCEx – 2014) 
Assinale a alternativa que contém a expressão cuja 
classificação sintática é a mesma da sublinhada na 
frase abaixo.
“Era uma verdadeira casa de ensino.”
A) aviso do ministro
B) defesa da pátria
C) perdão da injúria
D) temor da trovoada
E) disputa dos papéis
4. (EsPCEx – 2014) 
Assinale a alternativa cujo período está de acordo com 
a norma culta da Língua.
A) Precisa-se vendedores.
B) Cercou-se as cidades.
C) Corrigiu-se o decreto.
D) Dominou-se muitos.
E) Aclamaram-se a rainha.
5. (EsPCEx – 2014) 
No trecho abaixo, a alternativa correta quanto ao sujeito 
da oração é:
“O por fazer é só com Deus.”
A) oração sem sujeito
B) sujeito oracional
C) sujeito composto “O por fazer”
D) sujeito simples “O por fazer”
E) sujeito simples “Deus”
Língua Portuguesa 
50
6. (EsPCEx – 2012) Assinale a alternativa correta quanto 
à classificação do sujeito, respectivamente, para cada 
uma das orações abaixo.
– Choveu pedra por no mínimo 20 minutos.
– Vende-se este imóvel.
– Fazia um frio dos diabos naquele dia.
A) indeterminado, inexistente, simples 
B) oculto, simples, inexistente
C) inexistente, inexistente, inexistente 
D) oculto, inexistente, simples
E) simples, simples, inexistente
7. (EsPCEx – 2011) Leia o trecho abaixo e responda a 
questão a seguir.
“Pobre velha música!
Não sei por que agrado,
Enche-se de lágrimas
Meu olhar parado.”
O sujeito de “enche-se”, no 3º verso é
A) pobre velha música 
B) lágrimas 
C) meu olhar parado 
D) música 
E) eu
8. (EFOMM – 2018) Assinale a alternativa em que o termo 
sublinhado NÃO cumpre a função de sujeito. 
A) Maspara navegar não basta sonhar. É preciso 
saber. 
B) Disse certo poeta: ‘Navegar é preciso’, a ciência 
da navegação é saber preciso (...). 
C) É preciso sonhar para se decidir sobre o destino 
da navegação. 
D) Naus e navegação têm sido uma das mais pode-
rosas imagens na mente dos poetas. 
E) O meu sonho para a educação foi dito por Bache-
lard (...). 
9. (EFOMM – 2018) Mas o coração humano, lugar dos 
sonhos, ao contrário da ciência, é coisa imprecisa.
Na passagem acima, a expressão sublinhada cumpre 
determinada função sintática que aparece nas opções 
abaixo, EXCETO em 
A) Não só os poetas: C. Wright Mills, um sociólogo 
sábio, comparou a uma galera que navega pelos 
mares. 
B) Infelizmente a ciência, utilíssima, especialista em 
saber como as coisas funcionam, tudo ignora sobre 
o coração humano. 
C) Mas há um pesadelo que me atormenta: o deserto. 
D) O paraíso é jardim, lugar de felicidade, prazeres e 
alegrias para os homens e mulheres. 
E) Sugiro aos educadores que pensem menos nas 
tecnologias do ensino – psicologias e quinquilharias 
– e tratem de sonhar, com os seus alunos, sonhos 
de um Paraíso. 
10. (EEAr – 2017) Assinale a alternativa em que o se é 
índice de indeterminação do sujeito na frase. 
A) Não se ouvia o barulho. 
B) Perdeu-se um gato de estimação. 
C) Precisa-se de novos candidatos militares. 
D) Construíram-se casas e apartamentos na rua pacata.
11. (EsPCEx (AMAN) – 2017) Marque a alternativa em que 
os termos do período foram escritos na ordem direta.
A) Em canoa furada eu não embarco.
B) Sempre lutamos com os mesmos objetivos na edu-
cação.
C) Todos os anos, a cena repetia-se na escola.
D) “Não tem azul nem estrelas a noite que enlutam os 
ventos”.
E) Um grande incêndio reduziu a floresta a cinzas 
mês passado.
12. (EsPCEx (AMAN) – 2018) Em “A população manifesta 
muito mais prazer no massacre contra o preso”, o 
termo destacado tem a função de: 
A) Adjunto Adnominal 
B) Agente da Passiva 
C) Objeto Direto 
D) Objeto Indireto 
E) Complemento Nominal 
13. (EsPCEx (AMAN) – 2018) Assinale o período que 
contém agente da passiva: 
A) O Brasil é responsável por uma das mais altas taxas 
de reincidência criminal em todo o mundo. 
B) Há pouquíssimos programas educacionais e labo-
rais para os detentos. 
C) A comida é oferecida pela prisão, mas é preparada 
pelos próprios detentos. 
D) Situação contrária é encontrada na Noruega. 
E) A reincidência é de cerca de 16% entre os ho-
micidas, estupradores e traficantes que por ali 
passaram. 
Gabarito
1. E
2. A
3. A
4. E
5. D
6. E
7. C
8. E
9. B
10. C
11. E
12. E
13. C
Sintaxe do período simples
51
Os períodos compostos subdividem-se em compostos por 
coordenação e compostos por subordinação, sendo que a 
diferença fundamental que se dá entre essas duas categorias 
é de valor antes sintático do que semântico. Observe as duas 
frases que se seguem:
a) Pedro ama balas, mas Maria detesta qualquer doce.
b) Pedro ama as balas que Maria detesta.
No exemplo “a”, tem-se um período composto por coorde-
nação, pois as duas orações que o compõem não dependem 
uma da outra do ponto de vista sintático. Isso quer dizer que 
na oração “Pedro ama balas” já há sujeito, verbo e comple-
mento, assim como na oração “Maria detesta qualquer doce.” 
Ou seja, as duas orações, cada uma delas, estão completas 
sintaticamente.
Já no exemplo “b”, vê-se que a segunda oração, “Maria 
detesta”, depende sintaticamente da primeira oração, pois nela 
reside o complemento do verbo detestar. Assim, nesse exemplo, 
uma oração apresenta um termo que é função sintática da outra.
Coordenação
As orações coordenadas podem ser sindéticas ou assindéti-
cas. Sindéticas são aquelas orações que possuem conjunções 
coordenativas e as assindéticas dispensam a existência de tais 
conectivos.
Coordenadas Sindéticas
As coordenadas sindéticas são classificadas de acordo com 
o valor semântico de suas conjunções, observando-se sempre 
o uso específico que delas é feito em um dado texto. Elas se 
dividem em:
coordenadas exemplo
Aditivas (e, nem, mas 
também...)
Ela nem estuda, nem trabalha
Fulano gosta de Beatles e de 
Stones
Adversativas (mas, po-
rém, entretanto, contudo, 
todavia, no entanto)
Vamos estudar física, mas 
nada aprenderemos.
Estevão viu o filme, contudo 
não gostou.
Conclusivas (logo, portan-
to, assim, desse modo...)
Penso, logo desisto.
Estudo bastante, portanto 
serei aprovado.
Explicativas (porque, pois)
Julieta se matou porque quis.
Evandro saiu com os amigos, 
pois assim ficaria bem.
Alternativas (ora, ou...) Ora Renata come, ora Renata dorme...
ATENÇÃO!
• No que concerne aos exemplos das orações coordenadas, 
nota-se que algumas delas parecem depender sintaticamen-
te umas das outras, como é o caso de “Estevão viu o filme, 
cativo ou conclusivo; no primeiro caso, a conjunção 
vem antes do verbo e, no segundo caso, depois, entre 
vírgulas ou, no final, vírgula e ponto-final.
Exemplo: Conseguiu a aprovação, pois estudou como 
nunca fizera antes.
 O relógio é de ouro; não enferruja, pois.
Coordenadas Assindéticas
As coordenadas assindéticas apresentam, no lugar das 
conjunções coordenativas, o uso de sinais de pontuação 
a separarem-nas:
• Maria viu o filme; não gostou.
• Petrarca fazia sonetos, Dante também.
Subordinação
O período composto por subordinação triparte-se em su-
bordinadas substantivas, adverbiais e adjetivas. Cada uma 
dessas divisões recebeu a nomeação que vai ao encontro 
da função morfossintática exercida pelas orações subordinadas 
que compõem o período. Ou seja, as subordinadas substantivas 
exercem função sintática típica dos substantivos e assim ocorre-
rá também com as adjetivas e as adverbiais, as quais terão as 
respectivas funções de adjetivos ou de advérbios.
Subordinadas Substantivas
As subordinadas substantivas são geralmente introduzidas 
por conjunção integrante (que, se, quando...) e podem exercer 
as funções de: sujeito, objeto direto, objeto indireto, comple-
mento nominal, aposto e predicativo.
Subordinadas exemplo
Subjetiva (função de sujeito) É importante que nos ame-
mos uns aos outros.
Convém estudar Biologia.
Objetiva direta Paulo quer que os alunos 
aprendam História.
Gilberto perguntou se a litera-
tura morreu.
contudo não gostou.” No entanto, o fenômeno que ocorre aí 
é o da elipse; nesse caso, um tipo dela, a zeugma, em que 
se omite uma informação que já está bastante clara, pois 
fora expressa na oração anterior: não é necessário escrever 
“Estevão viu o filme, mas Estevão não gostou do filme.”, 
pois esses termos estão implícitos na outra oração. 
• O elemento coesivo “pois” pode ser classificado como expli-
Capítulo 10
52
Sintaxe do período composto
Objetiva indireta Lúcia gosta de que a elogiem.
Vinícius precisa de que o 
ajudem.
Completiva nominal As crianças têm medo de que 
os pais lhes faltem.
O ator tem necessidade de 
que o aplaudam.
Predicativa O fundamental é que não nos 
preocupemos.
Meu maior desejo era que 
todos viessem...
Apositiva Estevão me disse isto: que 
nunca fugisse de meus pro-
blemas.
Diga-me uma coisa, estas 
árvores são frutíferas?
Agentes da Passiva
Apesar de muitas gramáticas não reconhecerem esta clas-
sificação, podemos nos deparar com construções nas quais a 
oração subordinada exerce o valor sintático de agente da passi-
va. Essas orações iniciam-se por pronomes indefinidos (quem, 
quantos, qualquer, etc.) precedidos das preposições por ou de. 
O trabalho foi escrito/ por quem entende do assunto. (agente 
da passiva = por quem entende do assunto).
As ordens são dadas por quem tem autoridade. (agente da 
passiva = por quem tem autoridade).
Orações subordinadas substantivas 
reduzidas 
As orações subordinadas podem ser reduzidas de infinitivo, 
de gerúndio e de particípio. As subordinadas substantivas só 
podem ser reduzidas de infinitivo. 
As orações reduzidas são classificadas de acordo com sua 
função no período. Assim: 
• É recomendávelos alunos assistirem à palestra. 
oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo 
• Imaginava não ser classificado para as finais. 
oração subordinada substantiva objetiva direta reduzida 
de infinitivo
Analisando o período composto
Para se realizar a análise sintática das subordinadas subs-
tantivas, pode-se lançar mão de alguns atalhos que auxiliam na 
classificação certeira dessas orações. Tomemos a seguinte frase 
como exemplo:
• “Juliana pediu que o seu desejo fosse atendido”
Primeiramente separa-se a oração principal da subordinada:
• “Juliana pediu/ que seu desejo fosse atendido”
Procede-se à análise da primeira oração e o termo sintático 
que nela estiver faltando (lembrando que a estrutura canônica de 
nossa língua é composta de sujeito + verbo + complemento) será 
a classificação sintática da oração subordinada. Assim, em “Juliana 
pediu”, Juliana é sujeito do verbo pediu. Falta a esta oração somente 
o complemento do verbo; é ele quem está na outra oração, um 
objeto direto oracional ou uma oração subordinada objetiva direta.
Outro caminho para se analisar uma subordinada substantiva 
é transformando-a num período simples, substituindo-se a oração 
subordinada pelos pronomes demonstrativos “isso” ou “disso”: 
“Juliana pediu isso”. Vê-se que o pronome “isso” ocupa a função 
de objeto direto.
Subordinadas Adjetivas
Existem somente dois tipos de oração subordinada adjetiva, 
a explicativa e a restritiva. Ambas, em sua forma desenvolvi-
da, são introduzidas por pronome relativo. Este, em qualquer 
hipótese, terá um referente, já que se trata de um pronome e 
não de conjunção integrante.
Ao contrário das subordinadas substantivas, que exercem 
uma função sintática primordial em relação à oração principal, 
as orações adjetivas (como o próprio nome diz) funcionam 
como adjacência sintática da principal. Não são, pois, um termo 
integrante dela, mas sim acessório. Observe o período a seguir:
• O carro que comprei é vermelho.
A oração principal é “o carro é vermelho”. Vê-se que ela está, 
do ponto de vista estrutural, completa. Assim, a subordinada 
“que comprei” não compõe um termo sintático fundamental para 
o funcionamento de sua estrutura.
Adjetiva Restritiva
As adjetivas restritivas particularizam a informação sobre o 
nome a que remetem, restringindo a informação feita na oração 
principal. Geralmente, elas não são separadas por vírgula, o 
que ajuda muito a diferenciá-las das adjetivas explicativas:
• Os homens que fazem atividade física são menos pro-
pensos ao sedentarismo. 
A oração subordinada, no exemplo acima, especifica um 
grupo de homens dentro do grupo dos homens em geral. Quer 
dizer, apenas aqueles que fazem atividade física são menos 
propensos ao sedentarismo. Ocorre, desse modo, uma restrição 
em relação à informação inicial, “os homens”.
Adjetiva Explicativa
Normalmente separada por vírgula, a adjetiva explicativa, ao 
contrário da restritiva, generaliza a informação fornecida pelo 
nome a que se refere:
• Os homens, que são mortais, precisam ser mais hu-
mildes.
No caso do período acima, a adjetiva explicativa concede 
um caráter absoluto à expressão “os homens”. Nesta frase, de 
inspiração barroca, todos os homens são mortais, logo todos 
precisam ser humildes. 
OBSERVAÇÃO: Muitos estudantes encontram dificuldade 
para diferenciar uma conjunção integrante de um pronome rela-
tivo. Para proceder a essa diferenciação, basta lembrar que as 
conjunções integrantes não fazem referência a nenhum outro 
nome da oração, já que não são pronomes, e também não pos-
suem função sintática; elas apenas realizam a ligação entre uma 
oração e outra. Além disso, as conjunções integrantes estão 
ligadas a verbos; já os pronomes relativos, ligam-se a nomes.
a) Maria precisa de que a ajudem.
Na oração acima, o “que” é conjunção integrante. Ele, além 
de não realizar referenciação, liga o objeto indireto “a ajudem” 
à oração principal “Maria precisa”.
b) O livro de que te falei é ótimo.
Já na oração “b”, o “que” é um pronome relativo, pois, além de 
fazer remissão ao substantivo “livro”, ele possui função sintática. 
No caso em análise, ele exerce a função de “objeto indireto”.
Sintaxe do período composto
53
Subordinadas Adverbiais
As subordinadas adverbiais atuam como importante mecanismo de coesão, permitindo ao redator que conceda clareza e 
sofisticação ao seu texto. As adverbiais são nomeadas de acordo com o valor lógico-semântico que possuem, sendo assim, a 
sua classificação está atrelada ao sentido que imprimem no texto e não propriamente à sua função sintática. Elas apresentam 
conjunções subordinativas que explicitam a sua significação. São divididas em nove tipos:
Tipos Circunstâncias que expressam Principais conjunções Exemplos
CAUSAIS Causa, motivo, razão do efeito Porque, como, visto, que, já que Ele não fez o trabalho porque ele não tem o livro.
COMPARATIVAS Comparação Como, que, quanto (mais, me-nos) do que Ele fala mais que um papagaio.
CONCESSIVAS Concessão Embora, ainda que, se bem que, mesmo
Embora estivesse cansada, fui 
ao shopping.
CONDICIONAIS Condição Se, caso, contanto que, desde que, a menos que
Se ela tivesse estudado, tiraria 
uma nota melhor.
CONFORMATIVAS Conformidade Conforme, como, segundo Segundo me disseram a casa é essa.
CONSECUTIVAS Consequência (tal, tão, tanto) que, de modo que Eu estava tão feliz que des-maiei.
FINAIS Finalidade Para que, a fim de que, que Todos trabalham para que pos-sam sobreviver.
PROPORCIONAIS Proporção À proporção que, à medida que Quanto mais ela estudava, mais felizes seus pais ficavam.
TEMPORAIS Tempo, momento Quando, antes que, depois que, logo que
Quando eu sair vou passar na 
locadora.
Atenção:
Cuidado para não confundir as orações coordenadas explicativas com as subordinadas adverbiais causais. Observe a diferença entre elas:
- Orações Coordenadas Explicativas: caracterizam-se por fornecer um motivo, explicando a oração anterior. 
Exemplo:
A criança devia estar doente, porque chorava muito. (O choro da criança não poderia ser a causa de sua doença.)
- Orações Subordinadas Adverbiais Causais: exprimem a causa do fato. 
Exemplo:
Henrique está triste porque perdeu seu emprego. (A perda do emprego é a causa da tristeza de Henrique.)
Note-se também que há pausa (vírgula, na escrita) entre a oração explicativa e a precedente e que esta é, muitas vezes, imperativa, o 
que não acontece com a oração adverbial causal.
Classificação das Subordinadas Substantivas
Classificar uma oração subordinada substantiva significa indicar a função sintática que ela exerce no período. No quadro abaixo 
estão os nomes que uma oração subordinada substantiva pode receber, dependendo da função sintática que ela exerce no período.
Oração subordinada substantiva Função no período composto
• 1. Subjetiva Sujeito da oração principal
• 2. Objetiva direta Objeto direto do verbo da oração principal
• 3. Objetiva indireta Objeto indireto do verbo da oração principal
• 4. Predicativa predicativo do sujeito da oração principal
• 5. Completiva nominal complemento nominal de um nome da oração principal
• 6. Apositiva aposto de um nome da oração principal
Língua Portuguesa
54
26
Oração Subordinada Adjetiva
Que
(o qual, os quais, as quais)
Pronome
Relativosem vírgula antes
Restritiva Explicativa
GeneralizaRestritige
Neste aniversário só comerei os bombons que são doces Neste aniversário, só comerei os bombons, que são doces
Pressupõe a existência
de mais um grupo Verificar semântica
com vírgula antes
com vírgula antes do que
LEMBRETE
Existem também orações subordinadas reduzidas, que 
são aquelas que não apresentam conjunção integrante, pro-
nome relativo ou conjunção subordinativa adverbial em sua 
estruturação. As orações reduzidas formam-se com o apoio 
dos verbos nominais, podendo ser: reduzidas de gerúndio, 
particípio ou infinitivo.
O período “Joana tem enganado as pessoas” apresenta 
uma oração subordinada substantiva reduzida de particípio. 
Observe que a oração em destaque,apesar de não possuir 
conjunção integrante, é função sintática da oração principal, 
no caso em análise, ela faz a função de objeto direto do 
verbo ter. 
Abaixo temos alguns exemplos de orações reduzidas:
Subordinadas substantivas reduzidas:
• Lutar pela paz é um ato de justiça. (Subjetiva, reduzida 
de infinitivo)
• Não se esqueça de fazer exercícios. (Objetiva indireta, 
reduzida de infinitivo)
• Seu maior desejo era sair de férias. (Predicativa, re-
duzida de infinitivo.
Subordinadas adjetivas reduzidas:
• Todos os papéis rasgados pelo chefe eram importan-
tes. (Restritiva, reduzida de particípio.)
• Vimos um livro esfarrapado, escrito no século XVIII. 
(Explicativa, reduzida de particípio.)
• Era uma mulher bastante bela, provinda da cidade de 
Nápoles. (Restritiva, reduzida de gerúndio.)
Subordinadas adverbiais reduzidas:
• A permanecerem os sintomas, o médico deverá ser 
consultado. (Condicional, reduzida de infinitivo.)
• Estude bastante antes de fazer a prova. (Temporal, 
reduzida de infinitivo.)
• Estando triste, chorou copiosamente. (Causal, redu-
zida de gerúndio)
Pontuação
Finalizados nossos estudos de sintaxe, estudaremos a 
pontuação sob o ponto de vista sintático-semântico. Veremos 
que os sinais de pontuação estão a serviço da estruturação dos 
enunciados e que esta estruturação – ordenada por vírgulas, 
pontos finais e outros sinais de pontuação – é que garante a 
possibilidade de legibilidade de um dado texto.
Segundo Evanildo Bechara,
O enunciado não se constrói com um amontoado de 
palavras e orações. Elas se organizam segundo princí-
pios gerais de dependência e independência sintática e 
semântica, recobertos por unidades melódicas e rítmicas 
que sedimentam estes princípios. Proferidas as palavras 
e orações sem tais aspectos melódicos e rítmicos, o enun-
ciado estaria prejudicado na sua função comunicativa. Os 
sinais de pontuação, que já vêm sendo em pregados 
desde muito tempo, procuram garantir no texto escrito 
esta solidariedade sintática e semântica. Por isso, uma 
pontuação errônea produz efeitos tão desastrosos à comu-
nicação quanto o desconhecimento dessa solidariedade 
a que nos referimos. (p. 764)
Daremos atenção privilegiada ao uso da vírgula que, sem 
sombra de dúvidas, é o sinal de pontuação que mais possui 
peculiaridades e que exige do redator vigilância sintática 
sobre as frases que ele próprio constrói.
Vírgula
Vimos, no capítulo de Análise Sintática, que a estrutura-
-base de nossas orações é composta por SUJEITO + VERBO 
+ COMPLEMENTO + ADJUNTO ADVERBIAL. Assim, na 
Sintaxe do período composto
55
língua portuguesa, é natural que a maioria de nossas frases 
apresente um sujeito anteposto ao verbo e que este verbo se 
situe antes de seu complemento, como na seguinte oração:
• Pedro jogou futebol à noite.
Observe-se que na frase acima não há necessidade de se 
utilizar a vírgula, isso se deve porque, nela, a ordem direta 
da oração foi respeitada, ou seja, manteve-se intacta a estru-
tura sujeito + verbo + complemento + adjunto adverbial. 
Portanto, nossa primeira regra quanto ao uso da vírgula é 
também a regra mais importante, pois aí se encontra a matriz 
de outras regras:
Não se utiliza a vírgula em uma oração que esteja escrita 
na ordem direta.
Dada a primeira regra sobre o uso da vírgula, o estudo 
desse sinal de pontuação no período simples passa a ser 
bastante descomplicado, pois usaremos a vírgula somen-
te se a oração em causa não reproduzir a ordem direta. 
Inverta-se, a título de exemplo, a frase “Pedro jogou futebol 
à noite” e teremos que fazer uso da vírgula:
• Pedro, à noite, jogou futebol.
Não utilizamos, porém, a vírgula somente em períodos 
simples. Em verdade, grande parte dos textos se constrói 
a partir da relação entre orações num período composto. 
A vírgula, nesse caso, funcionará para separar as orações 
que assim o exigirem. No caso do uso da vírgula no período 
composto, é preciso estar atento à fluência das orações 
no texto, a fim de fazer com que o excesso de zelo com 
a pontuação não acabe por prejudicar o texto, tornando-o 
truncado ou obscuro.
Casos em que se deve utilizar a vír-
gula:
A) Para indicar aposto:
• Shakespeare, autor de Hamlet, também escrevia 
sonetos.
B) Para separar vocativo:
• Ana, por que você não foi à escola?
C) Para separar oração intercalada:
• A morte, pensa Epicuro, não passa de uma ilusão.
D) Para separar orações coordenadas (exceto aditivas que 
possuam sujeito idêntico expresso):
• Ele pensa em casamento, mas ela vive de paixões 
efêmeras.
• Não irei à festa hoje, logo não poderão me chatear 
com fofocas.
• Ora Marília estuda, ora Marília trabalha.
E) Para introduzir oração subordinada adjetiva explicativa:
• Os tigres, que são felinos, possuem hábitos noturnos.
F) Para indicar adjunto adverbial deslocado ou oração su-
bordinada adverbial deslocada:
• Dois dias após o carnaval, Pedro e Paulo ainda se 
encontravam em festa.
• À medida que a população envelhece, o país trata 
melhor de seus idosos.
G) Para separar orações coordenadas assindéticas:
• Eu não li o capítulo cinco, simplesmente não quis.
• Comprei laranja, pera, uvas e morangos.
H) Para indicar elipse:
• Juliano leu Dom Casmurro; Marina, São Bernardo. 
Travessão
O uso consagrado do travessão vincula-se à exposição das 
falas de personagens no discurso direto, como se observa no 
exemplo abaixo, extraído do conto “Catástrofe”, de Luiz Vilela:
“— Vai ser uma catástrofe!
— O que eu podia fazer?
— Você podia ter falado pra ela não vir.
— Eu ia falar uma coisa dessas?
— Por que não?
— Uma pessoa me telefona falando que quer vir passar 
uns dias na minha casa: aí eu falo pra ela não vir?
— Por que não? 
— Você falaria?
— Claro que eu falaria.
— Pois eu não.”
No entanto, o travessão não se presta apenas a esse fim. 
Esse sinal de pontuação exerce eficazmente a função da 
“vírgula” ou dos “parênteses” nos casos em que se observa 
a oração intercalada ou o aposto:
• Naquele fatídico dia – há duas semanas exatamente –, 
um sujeito misterioso veio até nós e revelou o segredo 
de sua vida.
• Tiradentes – símbolo da futura independência do Brasil 
– é personagem histórico bastante polêmico.
Parênteses
A função tradicional dos parênteses liga-se à necessidade 
de intercalar informações adicionais em determinadas ora-
ções, indicando que tais informações são uma excrescência 
do discurso. Elas podem ser importantes, mas não são o 
núcleo (nem sintático nem semântico) da informação:
• Maria (mãe de Joana) foi de carro para o centro da 
cidade.
Além disso, os parênteses atuam do mesmo modo que os 
travessões, podendo substituir as vírgulas quando se trata 
de oração intercalada ou aposto explicativo:
• Naquele fatídico dia (há duas semanas exatamente), 
um sujeito misterioso veio até nós e revelou o segredo 
de sua vida.
• Tiradentes (símbolo da futura independência do Brasil) 
é personagem histórico bastante polêmico
Dois pontos
Diversos são os usos do sinal de dois pontos, quase todos 
eles se prendem às relações de coerência e coesão que sus-
tentam a textualidade do discurso. Quando bem utilizados, 
concedem clareza e sofisticação aos textos, como se nota 
no exemplo da letra “c”. 
Língua Portuguesa
56
Utiliza-se o sinal de dois pontos para:
A) Indicar uma enumeração:
• Nesta cidade há: praças, parques, feiras populares e 
bares, sobretudo, bares.
B) Anteceder citações:
• Shakespeare, em Macbeth, escreveu: “Só será longa 
a noite que nunca encontrar o dia,”
C) Anunciar aposto ou oração de tipo explicativo:
• A História da independência do Brasil é repleta de 
fatos antecedentes que revelam seu caráter iminente: 
a Inconfidência Mineira talvez seja o episódio mais 
contundente disso.
Ponto e vírgula
O uso do ponto e vírgula não é propriamente obrigatório, já 
que, na maioria dos casos, esse sinal de pontuação pode ser 
substituído pela vírgula sem que haja alteração substancial 
no sentido da oração.
Pode-se usar o ponto e vírgula nos seguintes casos:
A) Para separar oraçõescoordenadas que apresentam 
sentidos contrastantes:
• Pedro ama cinema; Maria detesta a sétima arte.
B) Para separar as orações em um período longo, garantin-
do-se elegante efeito estilístico:
• A literatura brasileira formou-se de modo tão sui generis 
quanto a própria sociedade a que ela dá expressão, 
desenvolvendo, na matéria poética, aquilo que se vivia 
sem nenhuma poesia durante muitos séculos; prova 
disso são os sonetos e liras de Gonzaga, ou mesmo a 
sátira engenhosa de Gregório de Matos. 
C) Para separar itens de uma enumeração:
• Os cargos públicos são providos por:
I. nomeação;
II. aproveitamento;
III. reintegração;
IV. reversão.
D) Para separar orações coordenadas adversativas e con-
clusivas que apresentem o conectivo deslocado:
• Te esperarei no coreto; não garanto, no entanto, que 
seja pontual.
Reticências
As reticências têm seu uso vinculado a motivos mais 
propriamente semânticos do que sintáticos. Sendo assim, a 
sua utilização, apesar de não ser obrigatória, garante efeitos 
de sentido bastante eficazes. Mostraremos alguns exemplos 
de seu uso; lembremo-nos, no entanto, de que eles apenas 
demonstram a flexibilidade de sentido que esse sinal de 
pontuação garante aos textos escritos. Os exemplos que se 
seguem não compõem prescrições de uso.
Utilizam-se as reticências para:
A) Indicar hesitação ou interrupção do pensamento:
• Nunca quis rememorar aquela tragédia porque... por-
que... ah! Certas coisas não se explicam!
B) Para dar uma dimensão prolongada a uma frase:
• Essa vida é prima do acaso, surpreendente, misteriosa, 
infinita...
C) Para realçar ironia ou malícia por parte do narrador (neste 
caso, há necessidade de o leitor estar vigilante quanto 
ao contexto intra e extratextual em que se empregam as 
reticências):
• Tom Jobim teria adorado a nova moda do sertanejo 
universitário...
Aspas
O uso tradicional e oficial das aspas liga-se às normas que 
prescrevem o manejo das citações nos textos. Ou seja, as 
aspas evidenciam a utilização de um texto alheio dentro de 
outro. Grafa-se, com aspas duplas, o início e o fim de uma 
citação. É uma maneira de se dar crédito de autoria a outrem. 
Como se observa no exemplo abaixo:
• Penso, como o personagem zombeteiro Quincas Borba, 
que “a única desgraça é não nascer.”
Afora esse uso, utilizam-se as aspas para:
A) Indicar uso de palavra estrangeira, arcaica, vulgar ou 
neológica:
• O mineiro gosta muito do verbo “coisar”.
• Antigamente chamava-se beijo de “ósculo” e abraço 
de “amplexo”.
• Ocorreu um fato “sui generis” na noite de ontem.
B) Realçar intenção irônica:
• A extrema “beleza” do rapaz arrancou gargalhadas 
das moças.
C) Para indicar a impropriedade do uso de um termo que se 
aproxima daquele que seria o mais próprio:
• Do ponto de vista legal, não sei como chamar a “rou-
balheira” que acomete a política brasileira há anos.
Ponto de interrogação
Utiliza-se o ponto de interrogação a fim de se evidenciar 
uma pergunta direta:
• Por que você não foi à aula ontem?
• Quantos copos de água você bebeu?
• Quem virá ao nosso encontro de hoje?
No caso das perguntas feitas de forma indireta, utiliza-se 
o ponto final; não o ponto de interrogação:
• Perguntei o que ela pensaria se eu a beijasse.
• Preciso saber o que você pensa de mim, Luísa.
Ponto de exclamação
O ponto de exclamação é outro dos sinais de pontuação 
que não possui uso obrigatório, mas sim de efeito estilístico. 
Utiliza-se, via de regra, o ponto de exclamação nas:
A) Frases imperativas:
• Maria, vá dormir agora!
• Estudem muito!
B) Locuções interjetivas e frases exclamativas:
• Coitado!
• Ai!
• Como é linda a Bahia!
Sintaxe do período composto
57
 Ponto 
Alguns gramáticos subdividem o ponto em três tipos: 
“ponto simples”, que marca apenas o fim de um período; 
“ponto parágrafo”, que marca fim de período e de parágrafo 
e o “ponto final”, que evidencia o fim do texto.
Tais distinções, no entanto, não são funcionais, pois, do 
ponto de vista gramatical, vê-se que o ponto atua sempre 
como finalizador de um período. A correção na utilização 
do ponto evita o excesso de períodos longos em um texto e 
auxilia no estabelecimento da clareza pretendida.
O uso do período longo não é, de modo algum, proibi-
do. No entanto, caso seja utilizado, ele exige do redator 
perícia quanto à distribuição de outros sinais de pontuação 
e quanto ao manejo dos conectivos.
Segue abaixo um período longo, escrito somente com um 
ponto final, em seguida, reescrevemos o mesmo período, 
transformando-o em três:
• “A luta entre o dever e o desejo é o que compõe grande 
parte das tragédias de Shakespeare; vejam-se, por 
exemplo, os dramas de consciência do príncipe Hamlet: 
todos eles ligados ao embate entre as forças primitivas 
de seu inconsciente (matar seu tio) e ao dever de se 
fazer justiça (desmascarar seu tio).”
• “A luta entre o dever e o desejo é o que compõe grande 
parte das tragédias de Shakespeare. Vejam-se, por 
exemplo, os dramas de consciência do príncipe Hamlet. 
Todos eles estão ligados ao embate entre as forças 
primitivas de seu inconsciente (matar seu tio) e ao dever 
de se fazer justiça (desmascarar seu tio).”
Exercícios
1. (EsPCEx – 2015) No período “Ninguém sabe como 
ela aceitará a proposta”, a oração grifada é uma 
subordinada
A) adverbial comparativa.
B) substantiva completiva nominal.
C) substantiva objetiva direta.
D) adverbial modal.
E) adverbial causal.
2. (EsPCEx – 2015) Leia a frase abaixo e assinale a al-
ternativa que substitui corretamente a oração grifada.
“Vejo que sabes tanto quanto nós, se bem que tenhas 
estado no local dos acontecimentos.”
A) “..., porque tenhas estado no local dos aconteci-
mentos.”
B) “..., porquanto tenhas estado no local dos aconte-
cimentos.”
C) “..., posto que tenhas estado no local dos aconte-
cimentos.”
D) “..., para que tenhas estado no local dos aconte-
cimentos.”
E) “..., sem que tenhas estado no local dos aconteci-
mentos.”
3. (EsPCEx – 2014) “Chovesse ou fizesse sol, o Major 
não faltava.”
Assinale a alternativa que apresenta a oração subordi-
nada com a mesma ideia das orações grifadas acima.
A) Você não sairá sem antes me avisar.
B) Aprendeu a ler sem ter frequentado escola.
C) Retirei-me discretamente, sem ser percebido.
D) Não podia fitá-lo sem que risse.
E) Aqui viverás em paz, sem ser incomodado.
4. (EsPCEx – 2012) “Carta a uma jovem que, estando 
em uma roda em que dava aos presentes o tratamento 
de ‘você’, se dirigiu ao autor chamando-o ‘o senhor’ ”.
A análise morfossintática das palavras grifadas, na se-
quência em que aparecem, está correta na alternativa:
A) conjunção integrante, adjunto adverbial, partícula 
apassivadora, pronome pessoal oblíquo
B) sujeito, pronome relativo, pronome pessoal, artigo 
definido
C) pronome relativo, conjunção integrante, objeto 
direto, pronome substantivo
D) pronome relativo, adjunto adverbial, pronome oblí-
quo, objeto direto
5. (EsPCEx – 2014) Marque a opção que justifica a co-
locação do ponto e vírgula e da vírgula utilizados por 
José de Alencar no período.
“Depois Iracema quebrou a flecha homicida; deu a haste 
ao desconhecido, guardando consigo a ponta farpada.”
A) O ponto e vírgula indica citação e a vírgula indica 
locução.
B) O ponto e vírgula separa oração coordenada e a 
vírgula separa oração reduzida.
C) O ponto e vírgula indica citação e a vírgula separa 
termos da oração.
D) O ponto e vírgula separa oração coordenada e a 
vírgula marca mudança de sujeito.
E) O ponto e vírgula indica enumeração e a vírgula 
separa termos da oração.
6. (EsPCEx – 2014) Assinale a alternativa que analisa 
corretamente a oração sublinhada na frase a seguir.
“Os animais que se alimentam de carne chamam-se 
carnívoros.”
A) A oração adjetiva sublinhada serve para explicar 
como são chamados os animais que se alimentam 
de carne e, portanto, por ser explicativa, deveria 
estar separada por vírgulas.
B) Como todos os animais carnívoros alimentam-se 
de carne, não há restrição. Nesse caso, a oração 
sublinhada só poderáser explicativa e, portanto, 
deveria estar separada por vírgulas.
C) Trata-se de uma oração evidentemente explicativa, 
pois ensina como são chamados os animais que se 
alimentam de carne. Sendo assim, a oração adjetiva 
sublinhada deveria estar separada por vírgulas.
D) A oração adjetiva sublinhada tanto pode ser expli-
cativa, pois esclarece, em forma de aposto, o termo 
antecedente, quanto pode ser restritiva, por limitar 
o sentido do termo “animais”.
E) A oração adjetiva sublinhada só pode ser restritiva, 
pois reduz a categoria dos animais e é indispensável 
ao sentido da frase: somente os que comem carne 
é que são chamados de carnívoros.
Língua Portuguesa
58
7. (EsPCEx – 2012) Assinale a alternativa correta quanto 
à classificação sintática das orações grifadas abaixo, 
respectivamente.
– Acredita-se que a banana faz bem à saúde.
– Ofereceram a viagem a quem venceu o concurso.
– Impediram o fiscal de que recebesse a propina 
combinada.
– Os patrocinadores tinham a convicção de que os 
lucros seriam compensadores.
A) subjetiva – objetiva indireta – objetiva indireta – 
completiva nominal
B) subjetiva – objetiva indireta – completiva nominal – 
completiva nominal
C) adjetiva – completiva nominal – objetiva indireta – 
objetiva indireta
D) objetiva direta – objetiva indireta – objetiva indireta 
– completiva nominal
E) subjetiva - completiva nominal - objetiva indireta - 
objetiva indireta
8. (EsPCEx – 2015) Leia o conjunto de frases a seguir e 
responda, na sequência, quais funções são assumidas 
pela palavra “que”.
Cinco contos que fossem, era um arranjo menor...
Que bom seria viver aqui!
Leio nos seus olhos claros um quê de profunda curio-
sidade.
A nós que não a eles, compete fazê-lo.
Falou de tal modo que nos empolgou.
A) conjunção subordinativa consecutiva - interjeição 
de admiração - pronome indefinido – conjunção 
subordinativa comparativa - conjunção subordina-
tiva consecutiva
B) conjunção subordinativa concessiva - interjeição de 
admiração - substantivo - pronome relativo - con-
junção subordinativa consecutiva
C) conjunção subordinativa consecutiva - advérbio de 
intensidade - substantivo - pronome relativo - con-
junção subordinativa consecutiva
D) conjunção subordinativa concessiva - advérbio de 
intensidade - substantivo - conjunção coordenativa 
- conjunção subordinativa consecutiva
E) conjunção subordinativa comparativa - interjeição de 
admiração - pronome indefinido – palavra expletiva 
- conjunção subordinativa consecutiva
9. (EsPCEx – 2015) Assinale a alternativa em que está 
destacada uma oração coordenada explicativa.
A) Peço que te cales.
B) O homem é um animal que pensa.
C) Ele não esperava que a mãe o perdoasse.
D) Leve-a até o táxi, que ela precisa ir agora.
E) É necessário que estudes.
10. (EsPCEx – 2011) 
“De sorte que os jagunços os assaltaram, de surpresa, 
antes da chegada, ao meio-dia, no Angico. Foi mais 
sério o ataque, ainda que não valesse o nome de 
combate, que mais tarde lhe deram.”
(Euclides da Cunha, Os Sertões)
No trecho acima, a oração adverbial destacada ex-
pressa
A) causa. 
B) consequência. 
C) proporção. 
D) finalidade. 
E) concessão.
11. (EsPCEx – 2011) 
Em “Uns diziam que se matou, outros, que fora para 
o Acre.”, a vírgula em destaque, colocada depois da 
palavra “outros”, foi empregada do mesmo modo na 
alternativa:
A) “O amor, isto é, o mais forte e sublime dos senti-
mentos...”
B) “A História, diz Cícero, é a mestra da vida.”
C) “O dinheiro, Jaime o trazia escondido nas mangas 
do paletó.”
D) “Eis que, aos poucos, lá para as bandas do oriente, 
clareia um cantinho do céu.”
E) “As mãos eram pequenas e os dedos, finos e de-
licados.”
Gabarito
1. C
2. C
3. B
4. D
5. B
6. E
7. A
8. D
9. D
10. E
11. E
Sintaxe do período composto
59
Sintaxe de concordância 
Concordância nominal
Na concordância nominal, estudamos as maneiras como os 
nomes se harmonizam entre si, mais especificamente, o modo 
como os determinantes concordam com os determinados.
Regra geral: Os determinantes (artigos, adjetivos e nume-
rais) concordam em número e gênero com os determinados 
(substantivos):
• Os homens honestos rejeitam a corrupção (O artigo 
definido “os” e o adjetivo “honestos” assumem o mesmo 
número e gênero do substantivo “homens”)
Regras específicas
Se o adjetivo estiver anteposto a mais de um substantivo, o 
adjetivo concordará com o núcleo mais próximo:
• Bela mulher e homem chegaram à festa.
Se o adjetivo estiver posposto a mais de um substantivo, é 
facultativa a concordância com o núcleo mais próximo ou com os 
dois determinados. Lembrando-se, nesse caso, que se houver 
um substantivo masculino, a opção pela concordância no plural 
deverá também assumir o gênero masculino:
• Prato e xícara limpos
• Prato e xícara limpa
Observe-se que nos exemplos supracitados não se pode 
flexionar o adjetivo no feminino plural.
Casos especiais
Alguns adjetivos e pronomes são facilmente confundidos 
com advérbios. É, no entanto, importante diferenciá-los, já que 
os advérbios são invariáveis, mas adjetivos e pronomes não.
Bastante
• Bastantes pessoas foram à festa. (Pronome, classe 
variável).
• Os jovens comem bastante. (Advérbio, classe invariável).
Meio/Meia
• Juca estava meio chateado. (Advérbio, classe invariável).
• Thiago correu meio metro. (Numeral, classe variável).
Anexo
O termo é um adjetivo e como tal varia normalmente de 
acordo com o substantivo a quem se liga:
• Anexas vão as cartas de que te falei.
• O documento anexo é de extrema importância.
É proibido/É necessário
As expressões “É proibido/ É necessário” e similares só fle-
xionarão se houver determinação por meio de artigo feminino:
• É proibido carona.
• É proibida a carona.
• É necessário cuidar-se.
• É necessária a família.
Menos/Alerta
São termos invariáveis:
• Todos os homens estavam alerta.
• Havia menos mulheres do que os homens esperavam.
Só
A palavra “só” pode funcionar como advérbio ou adjetivo. 
Caso seja adjetivo, sofrerá variação; sendo advérbio, manter-
-se-á no singular:
• Eles estavam sós na floresta.
• Ele só estuda a força. 
Concordância verbal
Estuda-se, neste caso, a maneira como o verbo se harmo-
niza com o seu sujeito (quando ele possui sujeito, pois não se 
esqueça dos verbos impessoais, que se mantêm na terceira 
pessoa do singular).
Regra geral: O verbo concorda com o sujeito em número 
e pessoa:
• A tristeza e a alegria passaram por aqui. (O verbo assume 
o plural, pois seu sujeito é composto, ou seja, possui mais 
de um núcleo: tristeza e alegria).
Regras específicas:
Sujeito ligado por com
Se o sujeito no singular é seguido imediatamente de outro 
no singular ou no plural mediante a preposição com, ou locu-
ção equivalente, pode o verbo ficar no singular, ou ir ao plural 
para realçar a participação simultânea na ação: “El-rei, com 
toda a corte e toda a nobreza, estava fora da cidade, por causa 
da peste em que então Lisboa ardia”.”Estas explicações não 
evitaram que o desembargador, com os seus velhos amigos, 
prognosticassem o derrancamento do morgado da Agra...” 
Sujeito ligado por nem ... nem
O sujeito composto ligado pela série aditiva negativa nem... 
nem leva o verbo normalmente ao plural e, às vezes, ao sin-
gular: “É a nobre dama recém-chegada, à qual nem o cansaço 
de trabalhosa jornada, nem o hábito dos cômodos do mundo 
puderam impedir...” [AH.1, 136].671/854
“... nem Deus, nem o mundo lhes dará a mínima recompen-
sa” [AH.2,16].
Constituído o sujeito pela série nem um... nem outro, fica 
o verbo no singular: Nem um nem outro compareceu ao exame.
Capítulo 11
60
Sintaxe de concordância e sintaxe de regência
Sujeito ligado por ou
O verbo concordará com o sujeito mais próximo se a con-
junção indicar:
• exclusão: “a quem a doença ou a idade impossibilitou 
de ganhar o sustento...” 
• retificação de número gramatical: “Cantares é o nome que 
o autor ou autores do Cancioneiro chamado do Colégio 
dos Nobres dão a cada um dos poemetos...” 
• identidadeou equivalência: O professor ou o nosso se-
gundo pai merece o respeito da pátria.
Se a ideia expressa pelo predicado puder referir-se a toda 
a série do sujeito composto, o verbo irá para o plural mais 
frequentemente, porém pode ocorrer o singular:
“A nulidade ou a validade do contrato... eram assunto de 
direito civil”
Sujeito representado por expressão 
como a maioria dos homens
Se o sujeito é representado por expressões do tipo de a maior 
parte de, a maioria de, grande parte de, parte de e um nome 
no plural, o verbo irá para o singular ou plural:
“a maior parte deles recusou segui-lo com temor do poder 
da regente” 
“e a maior parte dos esquadrões seguiram-nos”
Sujeito representado por cada um 
de + plural
Neste caso, o verbo fica no singular: Cada um dos concor-
rentes deve preencher corretamente as fichas de inscrição (e 
não devem preencher!)
A concordância com mais de um
Depois de mais de um o verbo é em geral empregado no 
singular, sendo raro o aparecimento de verbo no plural: “... mais 
de um poeta tem derramado...
Concordância nas expressões de 
porcentagem
Nas linguagens modernas em que entram expressões 
numéricas de porcentagem, a tendência é fazer concordar o 
verbo com o termo preposicionado que especifica a referência 
numérica:
• Trinta por cento do Brasil assistiu à transmissão dos 
jogos da Copa. 
• Trinta por cento dos brasileiros assistiram à transmissão 
dos jogos da Copa.
Concordância atrativa
Se o sujeito com mais de um núcleo estiver posposto ao ver-
bo, pode-se realizar a concordância com o núcleo mais próximo:
• Que sobrevenham ordem e paz
• Que sobrevenha ordem e paz
Silepse ou concordância ideológica:
Ocorre a silepse quando não se faz a concordância estri-
tamente gramatical, mas sim com a ideia contida na oração:
Todos precisamos de juízo (A concordância lógica seria 
“todos precisam”, já que “todos” é pronome de terceira pessoa, 
no entanto, optou-se pela primeira do plural a fim de se indicar 
a inclusão do eu na frase.)
O sujeito é o pronome relativo “quem”:
O verbo pode ficar na terceira pessoa do singular, concor-
dando com o pronome, ou concordar com o antecedente do 
pronome:
• Fui eu quem fiz o trabalho.
• Fui eu quem fez o trabalho.
Nas locuções:
é pouco, é muito, é mais de, é menos de, junto a especifi-
cações de preço, peso, quantidade, distância e etc., o verbo 
fica sempre no singular:
• Duzentos e cinquenta é pouco
• Cem metros é muito
Sintaxe de Regência 
Na nossa língua, há verbos e nomes que exigem a ligação 
com outros termos para terem plenitude de significado, assim 
como há aqueles que não fazem tal exigência, funcionando 
muito bem autonomamente; é o caso, por exemplo, dos verbos 
intransitivos, que se bastam sintaticamente.
Fala-se em regência nominal quando se focalizam as rela-
ções entre os nomes transitivos – que exigem complementação 
– e seus respectivos complementos. Por exemplo, o substantivo 
“medo” surge quase sempre acompanhado de termos que dão 
precisão a sua carga semântica: “Joana tem medo de altura.” 
Assim, diz-se que o nome “medo” é transitivo.
Já a regência verbal, ocupa-se das relações que se estabele-
cem entre os verbos transitivos e seus complementos. No caso 
dos verbos, é preciso ficar atento àqueles que têm o significado 
redimensionado em função da mudança de sua regência.
Há verbos que possuem regência própria, absoluta, como 
é o caso do verbo “fazer”, que é transitivo direto, pois sempre 
exige um objeto direto, como se pode observar na frase a seguir:
• Paula fez um quadro.
Note-se que o verbo “fazer” não admite ser utilizado como 
intransitivo:
• Paula fez.
Por outro lado, há verbos que não possuem uma regência 
absoluta. Dependendo do contexto em que estão inseridos, 
eles assumem transitividades diversas, como é o caso do 
verbo “estudar”:
• Ulisses estudou para a prova.
• Ulisses estudou matemática.
• Ulisses estudou.
Dentre os exemplos acima, apenas na 2° oração o verbo “es-
tudar” exigiu objeto direto, nas duas outras frases ele funcionou 
como intransitivo, permitindo, na 1°, a colocação de um adjunto 
adverbial. Conclui-se daí que a classificação da regência de 
um verbo deverá sempre observar o seu uso. 
Regência De Alguns Verbos
Agradecer
É transitivo direto se seu complemento for representado por 
“coisa”. Caso seu complemento seja “pessoa”, ele assumirá 
transitividade indireta.
• Agradeci aos amigos o presente que me deram.
• As crianças agradeceram o presente ganhado.
Sintaxe de concordância e sintaxe de regência
61
Aspirar
Na acepção de respirar, é transitivo direto. No sentido de 
desejar, é transitivo indireto:
• Aspirei todo o perfume que emanava de seu corpo.
• Aspiro ao cargo de chefia.
Assistir
Quando significa “ver”, é transitivo indireto. Já no sentido de 
“prestar assistência”, é transitivo direto:
• Assistimos ao filme no domingo.
• Assistimos os alunos em nossas aulas.
Implicar
No sentido de “ter implicância com”, é transitivo indireto. Na 
acepção de “ocasionar, acarretar”, é transitivo direto:
• Os irmãos implicam com as irmãs.
• Viver implica arriscar-se.
Obedecer/Desobedecer
São transitivos indiretos e exigem a preposição “a”:
• Não desobedeça às regras desta instituição.
• Ele só obedece a quem lhe quer bem.
Pagar/Perdoar
São transitivos diretos se o seu complemente é represen-
tado por “coisa”. No entanto, serão transitivos indiretos se seu 
complemento for representado por “pessoa”:
• Sempre paguei os meus débitos em dia.
• Jamais perdoarei a você, Ana.
Simpatizar/Antipatizar
São verbos de regência idêntica, exigindo sempre a prepo-
sição “com”:
• Antipatizo com fulano.
• Simpatizo com Alessandra.
(Os verbos “simpatizar/antipatizar” não admitem, de acordo 
com a norma culta, a colocação de pronome. É equivocada, 
portanto, a seguinte redação: “simpatizo-me com fulano.”).
Sugere-se ao aluno que, ao fazer as suas redações em casa, 
consulte um bom dicionário para sanar suas dúvidas sobre 
regência verbal e nominal.
Segue a listagem da regência de alguns nomes:
A
• afável com, para com
• agradar a
• agradável a
• ansioso de, por
• avesso a
B
• Benéfico a
C
• cheiro a, de
• cobiçoso de
• coetâneo de
• cúmplice em
D
• desatento a
• descontente com
• diligente em, para
E
• equivalente a
• erudito em
• escasso de
• essencial a
• estranho a
F
• Favorável a
• fecundo em
• fértil de, em
• fiel a
G
• generoso com
• grato a
H
• hábil em
• horror a
• hostil a
I
• idêntico a
• impenetrável a
• imune a
• indigno de
• indócil a
• indulgente para, para com
L
• leal a, com, para com
• lento em
• liberal com
M
• misericordioso com, para com
N
• necessário a
• nocivo a
• negligente em
O
• obediente a
• ódio a, de, contra,para com
• odioso a, para
• ojeriza a, por, contra
• orgulhoso com, para com, de
P
• passível de
• pernicioso a
• prejudicial a
• pródigo de, em
Língua Portuguesa
62
R
• rente com, a, de
• responsável por
• residente em
S
• sedento de, por
• seguro de, em
• semelhante a
• surdo a, de
T
• temer de, por
• temeroso de
• transido de
• trespassado de
U
• útil a, para
V
• versado em
Acento Grave (Crase)
O acento grave é utilizado para indicar o fenômeno da crase, 
que corresponde à contração da preposição a com o artigo 
feminino a ou com os pronomes demonstrativos aquele, aquela 
aquilo (à = a+a; àquele = a+aquele). 
Regra geral
Excetuando-se o caso dos pronomes demonstrativos “aque-
le e aquilo”, não se usa o acento grave antes de palavras do 
gênero masculino, já que nesse caso não há possibilidade de 
ocorrer o fenômeno da crase.
Observe as duas orações abaixo:
• Pedro foi à casa de carnes.
• Pedro viu a corrida na t.v.
Na primeira oração, ocorre a crase, pois o verbo “ir” é regido 
pela preposição “a”e o substantivo “casa” é determinado pelo 
artigo feminino “a”, logo, é obrigatório o uso do acento grave.
Já na segunda oração, tem-se o verbo “ver”, que é transitivo 
direto e não é regido por preposição. Assim, o “a” que antece-
de o substantivo feminino “corrida” é tão somente umartigo 
feminino. Como não houve o encontro da preposição “a’ com 
o artigo feminino, não se utiliza o acento grave. 
Vê-se, assim, que a crase está ligada à regência dos verbos 
e nomes, e somente aqueles que são regidos por preposição 
possibilitam a recorrência ao acento grave.
Não se utiliza o acento grave
A) Antes de verbos:
• Elas ficaram a observar o desenrolar dos acontecimentos.
• Muitos chegaram a ver a estrela cadente.
B) Diante de pronomes pessoais retos, oblíquos e de tratamen-
to (excetuando-se “senhora, senhorita, dona e madame”:
• Não diga nada a ela.
• Entregue tudo a Sua Majestade.
• Ninguém se referiu a ti.
C) Antes de pronomes indefinidos:
• Minha vida não interessa a ninguém.
• Não revele nosso segredo a outrem.
D) Diante dos pronomes demonstrativos “este, esta, esse, 
essa e isso”:
• Ninguém vem a este lugar há séculos.
• Pergunte a esse homem qual é o caminho correto.
E) Diante de pronomes relativos (à exceção de “a qual” e “as 
quais”):
• A moça a quem se fez alusão chama-se Diana.
• Ontem encontramos o João, a cuja esposa devemos 
alguns favores.
F) Em expressões formadas por palavras replicadas (dia a dia, 
uma a uma, corpo a corpo, gota a gota, ponta a ponta etc.):
• Ele estava frente a frente com a morte.
• Vimo-nos cara a cara com o perigo.
G) Diante de “a” no singular que esteja posposto por uma 
palavra no plural:
• Não pretendo me dirigir a pessoas estranhas.
• Ele vai a reuniões semanais.
Uso facultativo do acento grave
São três os casos em que se pode utilizar ou não o acento 
grave:
A) Diante dos pronomes possessivos:
• Joana não veio à/a minha festa.
• Não falte à/a nossa reunião de sábado.
B) Diante de nomes próprios femininos:
• O palestrante referiu-se à/a Clarice Lispector
• À/A Carolina deixo todo o meu amor.
C) Antes da preposição “até”:
• Ele foi até à/a porta, pois ouvira a campainha.
• Dirigiu-se até às/as freiras para lhes cumprimentar.
Casos especiais
A) Só ocorrerá crase diante da palavra “casa” se esta estiver 
determinada:
• Vou à casa de meus amigos amanhã.
• Voltei triste a casa.
B) A expressão “a distância” só admitirá crase se estiver de-
terminada:
• Eles estavam à distância de 20 metros do local do crime.
• Ele escuta muito bem a distância.
C) Ocorrerá crase antes da palavra “terra” se esta estiver 
determinada:
• Chegamos, enfim, à terra prometida.
• Depois de muito viajar, eles desceram a terra.
Sintaxe de concordância e sintaxe de regência
63
Exercícios
1. (EsPCEx – 2015) Assinale a alternativa que apresenta 
uma oração correta quanto à concordância.
A) Sobre os palestrantes tem chovido elogios.
B) Só um ou outro menino usavam sapatos.
C) Mais de um ator criticaram o espetáculo.
D) Vossa Excelência agistes com moderação.
E) Mais de um deles se entreolharam com espanto.
2. (EsPCEx – 2012) 
Assinale a alternativa que completa corretamente as 
lacunas do período abaixo.
“Informaram aos candidatos que, ___________ , seguiam 
a comunicação oficial, o resultado e a indicação do local do 
exame médico, e que estariam inteiramente à ________ 
disposição para verificação.”
A) anexo – vossa 
B) anexos – sua
C) anexo – sua
D) anexas – vossa 
E) anexos – vossa
3. (EsPCEx – 2012) 
Assinale a alternativa que completa corretamente as 
lacunas da frase abaixo.
Quando se aproximava ___ tarde, logo depois do almoço, 
___ moça largava ___ roupas secando, para, ___ cinco, 
voltar com o ombro entulhado, ___ casa, direto ___ en-
goma ___ ferro de carvão.
A) a - a - às - as - a - à - à 
B) à - à - às - as - à - a - à
C) a - a - as - às - a - à - à 
D) à - à - as - às - à - a - a
E) a - a - as - às - a - à – a
4. (EsPCEx – 2012) Assinale a alternativa que completa 
corretamente as lacunas.
“Não nos ______ respeito os motivos que ____________ 
os homens a __________ à causa.
A) diz – conduzirão – aderir 
B) dizem – conduzirão – aderirem 
C) dizem – conduzirá – aderirem
D) diz – conduzirá – aderir 
E) dizem – conduzirá – aderir
5. (EsPCEx (AMAN) – 2017) Assinale a alternativa correta 
quanto ao emprego do pronome relativo. 
A) Aquele era o homem do qual Miguel devia favores. 
B) Eis um homem de quem o caráter é excepcional. 
C) Refiro-me ao livro que está sobre a mesa. 
D) Aquele foi um momento onde eu tive grande alegria. 
E) As pessoas que falei são muito ricas. 
6. (G1 - Col. Naval – 2017) Em que opção todas as pre-
posições em destaque estão de acordo com a regência 
do nome? 
A) Por ter sido transferido, o marinheiro foi morar à Rua 
Martinez, local próximo ao quartel. 
B) Em nosso país, temos ojeriza por guerra, mas temos 
capacidade para lutar sem medo. 
C) Os alunos oriundos de outros Estados ficam curiosos 
para conhecer Angra dos Reis. 
D) Desejoso pela aprovação, este candidato demonstra 
capacidade para qualquer faina. 
E) É preferível não se alimentar do que alimentar-se com 
produtos nocivos ao organismo.
7. (EEAR – 2017) Assinale a alternativa que NÃO apresenta 
falha na concordância. 
A) Ainda que sobre menas coisas para nós, devemos ir. 
B) As peças não eram bastante para a montagem do 
veículo. 
C) Os formulários estão, conforme solicitado, anexo à 
mensagem. 
D) Neste contexto de provas em que vocês se encontram, 
está proibida a tentativa de cola. 
8. (G1 - UTFPR – 2017) Assinale a alternativa que está 
inteiramente de acordo com a norma padrão. 
A) Hoje já são vinte de novembro. Como o ano passou 
rápido! 
B) “Vossas Excelências ireis renunciar?”, perguntou com 
ingenuidade a jornalista. 
C) Deixou-me em lágrimas quando afirmou: “entre eu e 
ti não pode haver compromissos!” 
D) As aulas do período matutino encerram pontualmente 
ao meio dia e meio. 
E) Quais de vocês vão conosco amanhã? E quem vai 
conosco mesmos no domingo? 
9. (Eear – 2017) Leia:
I. Encontrei a pessoa certa.
II. Falei sobre os olhos dela.
Ao unir as duas orações, subordinando a II a I, manten-
do o mesmo sentido que cada uma apresenta e usando 
adequadamente os pronomes relativos, tem-se: 
A) Encontrei a pessoa certa sobre cujos os olhos dela 
falei. 
B) Encontrei a pessoa certa sobre os olhos dela falei. 
C) Encontrei a pessoa certa sobre cujos olhos falei. 
D) Encontrei a pessoa certa cujos olhos falei. 
Gabarito
1. E
2. B
3. E
4. B
5. C
6. B
7. D
8. A
9. C
Língua Portuguesa
64
Figuras de linguagem são formas simbólicas, recursos ex-
pressivos que possibilitam gerar sentidos alegóricos ao texto. 
Dessa forma, são elementos que enriquecem a elaboração 
textual de maneira a torná-la mais criativa, literária, inventiva e 
de proporcionar a uma mesma construção linguística variados 
significados, que dependem em grande parte do poder de 
abstração lúdica do receptor. 
As figuras de linguagem, apesar de predominantes em 
textos literários, podem ser encontradas em construções 
orais, diálogos e ditos populares. Já nos textos referenciais, 
dissertativo-argumentativos, jornalísticos ou ensaísticos, evita-
-se o emprego desses elementos a fim de priorizar a exatidão 
do que está sendo dito e não deixar a subjetividade do leitor 
influenciar definitivamente a interpretação feita.
Figuras de linguagem podem, portanto, ser definidas como 
recursos estilísticos de ordem sintática, morfológica, semântica 
e fônica da língua. É primordial saber identificá-las e qual efei-
to geram em um texto para, dessa forma, compreender mais 
abrangentemente o que é dito. Antes, porém, cabe compreender 
a distinção entre sentido denotativo e conotativo.
Denotativo ou conotativo
Os termos linguísticos podem ser utilizados de duas ma-
neiras no discurso. Quando empregados de acordo com o 
seu significado intrínseco, dicionarizado, diz-se que o sentido 
é denotativo. Quando, porém, um signo linguístico é utilizado 
para referir-se a um significante diferente daquele que lhe é 
próprio, gerando um novo significado, diz-se que foi empregue 
em sentido conotativo. Para facilitar a distinção entre eles, 
pode-se observar que sentido denotativo é o sentido literal 
de emprego de um termo.Já o sentido conotativo é o sentido 
figurado de um termo.
Metáfora
A metáfora é a figura de linguagem caracterizada pela utiliza-
ção de um signo (uma palavra) para referir-se a um significado 
diferente do que lhe é usual. A metáfora opera, pois, em âmbito 
semântico e, para compreendê-la, é necessário que o receptor 
se desvincule da literalidade do termo, mas sem dele se afastar 
completamente, uma vez que a assimilação do texto também 
decorre da ligação que se faz do significado primeiro do termo 
e do que ele passou a significar no contexto da expressão 
linguística analisada. 
A metáfora trabalha, enfim, construções imagéticas por meio 
de associação semântica. Caracteriza-se por ser uma operação 
substitutiva de sentido, em que o receptor deixa de dar a um 
termo o significado que lhe é próprio para interpretá-lo de acor-
do com o contexto em que aparece. Há, pois, uma operação 
mental mais elaborada, já que é preciso relacionar ideias para 
não gerar impertinência semântica e, portanto, incompreensão.
Exemplo:
“Márcio é um gato!” (Nesse caso, ao se qualificar o indivíduo 
como um gato pretende-se caracterizá-lo como encantador 
e bonito. Perceba que não há, na expressão metafórica, a 
presença de conectivos entre os elementos relacionados, e a 
ligação entre eles é feita apenas pelo emprego do verbo ser).
Símile ou comparação
Essa figura de linguagem decorre da comparação entre 
termos a partir de seus significados. Ocorre, como a metá-
fora, em âmbito semântico, mas diferencia-se desta por ser 
acompanhada de conectivos que tornam explícita a relação 
comparativa feita entre elementos linguísticos. Exemplos dos 
conectivos presentes em construções de símile são: como, tal 
qual, da mesma maneira que, semelhante a, igual a, parecido 
com, como, da mesma forma que. 
Exemplo: 
A casa era grande como um palácio.
Hipérbole
A hipérbole é a figura de linguagem utilizada quando se 
expressa uma ideia de maneira exagerada a fim de impres-
sionar o receptor.
Exemplos:
“Eu já lhe expliquei o que ocorreu um milhão de vezes!”
“Rios te correrão dos olhos, se chorares” (BILAC, Olavo).
Eufemismo
Eufemismo é substituição de uma palavra ou expressão que 
tenha um sentido forte, agressivo ou desagradável, por outra 
palavra ou expressão menos desagradável e mais suave. Ob-
serve a tirinha abaixo que trabalha, com humor, a figura de 
linguagem ora explicitada.
Exemplos:
Disponível em: http://blogdomarcelogurgel.blogspot.
com/2013/11/as-charges-da-semana-novembro-2013.html
“Pedro foi para o céu” (Em vez de dizer que “Pedro mor-
reu”, utiliza-se a expressão “ir para o céu” para suavizar a 
transmissão de uma mensagem dolorosa ao emissor e/ou 
ao receptor).
“E quando chegar a última calma” (em vez de morte); “Ele 
faltou à verdade” (em vez de mentiu).
Capítulo 12
65
Figuras de linguagem
Metonímia
Metonímia é o efeito gerado ao se utilizar um termo por outro 
a partir da relação existente entre eles. Existem tipos básicos 
de metonímia, a saber: a parte pelo todo (1), o todo pela parte 
(2), o autor pela obra (3), a matéria pela obra (4), o singular 
pelo plural (5), o continente pelo conteúdo (6). Deles têm-se 
os exemplos:
1) “Aquele que criou todo o Hemisfério”. (Camões). Nesse 
caso, hemisfério equivale a mundo e tomou-se uma parte 
espacial pelo todo. 
2) “Ele só naquela casa sabia que Deus derramara seu 
sangue para que o mundo o amasse”. (José Lins do Rego). 
Nesse caso, o autor utiliza “mundo” para referir-se a “todos os 
homens”, utilizando, portanto, uma expressão metonímica de 
todo pela parte. 
3) “A menina lia avidamente Clarice Lispector”. Nesse caso, 
o sentido pretendido é que o sujeito lia avidamente as obras da 
autora Clarice Lispector e não a autora em si. 
4) Algumas marcas, de tão populares, passam a represen-
tar o produto que vendem. Por exemplo, diz-se Maisena para 
referir-se a amido de milho, Cotonete para referir-se a hastes 
de algodão, etc. 
5) “O homem desconectou-se do meio-ambiente ao destruí-
-lo”. Nesse período, o termo “homem” equivale a “todos os 
homens” e, portanto, ocorre o uso do singular para referenciar 
o plural. 
6) “Os jovens tomaram uma garrafa de vinho”. Nesse caso, 
o sentido pretendido é que o sujeito bebeu todo o conteúdo 
(vinho) contido em uma garrafa. 
Observe a tirinha abaixo:
Disponível em: literariaflordelacio.blogspot.com/2014/03/
literatura-1ano-denotação-palavra-em.html.
Nela, o efeito de humor gerado deve-se à interpretação 
equivocada, pelo personagem Chico Bento, do uso da figura 
metonímica já cristalizada “cabeça de gado”, que representa o 
todo (boi ou vaca) pela parte (cabeça).
Sinédoque
A sinédoque é considerada por alguns autores como um 
caso particular de metonímia. Trata-se da substituição de um 
termo específico por outro de sentido mais geral.
Exemplo: 
O Brasil não venceu a Copa. No caso, o “país” substitui o 
termo “seleção brasileira.”
Antonomásia
A antonomásia, compreendida pela metonímia, é um tipo de 
figura de linguagem na qual se utiliza uma expressão identitária 
para referir-se a um indivíduo em vez de simplesmente men-
cionar o seu nome. Essa figura de linguagem, além do efeito 
estilístico que gera, é muito utilizada para agregar mais infor-
mações ao texto e para evitar a repetição de nomes próprios.
• “O rei sol viveu em Versailles”. (= Louis XIV, regente da 
França por 72 anos)
• “O célebre compositor de Garota de Ipanema morreu 
em 1994”. (= Tom Jobim)
• “O rei cantou no Especial de Natal da Rede Globo”. (= 
o cantor Roberto Carlos)
Perífrase 
Por vezes confundida com a antonomásia, a perífrase 
decorre de um processo mesmo semelhante ao daquela, di-
ferenciando-se dela apenas por ser a utilização de expressões 
identitárias para referir-se a outros elementos que não pessoas, 
isto é, por aludir, por meio de uma expressão de identidade, a 
algo (animal, objeto, cidade, país, etc.) e não a alguém.
• “Em 2001, ocorreu um ataque terrorista nas torres 
gêmeas, nos EUA”. (= World Trade Center)
• “A cidade luz é maravilhosa”. (=Paris)
• “O país do futebol e do samba abriga pessoas simpá-
ticas e receptivas”. (=Brasil)
Antítese
A antítese é a contraposição de termos ou construções de 
significação oposta em uma mesma sequência linguística.
Exemplo: 
João está entre a vida e a morte.
‘‘Residem juntamente no seu peito/ um demônio que ruge 
e um Deus que chora’’ (BILAC, Olavo).
Paradoxo 
Paradoxo é a justaposição de ideias logicamente inconci-
liáveis e antagônicas, ou seja, que se contradizem, em uma 
mesma construção linguística. 
Exemplo:
“(...) o amor é fogo que arde sem se ver / é ferida que dói, 
e não se sente / é um contentamento descontente / é dor que 
desatina sem doer.” (CAMÕES)
Prosopopeia
A prosopopeia ocorre quando seres humanos são defini-
dos a partir de características de seres inanimados e abs-
tratos ou de animais. A atribuição também pode ser inversa, 
quando ocorre a personificação, isto é, quando animais ou 
seres inanimados recebem características e capacidades 
humanas. Um dos principais objetivos do emprego dessa 
figura de linguagem é gerar efeito lúdico ao texto
Exemplos: 
O homem uivava de dor.
“As casas espiam os homens que correm atrás de mulhe-
res.” (DRUMMOND)
‘‘Deixa-me, fonte!’’/ Dizia a flor, tonta de terror’’ (CARVA-
LHO, Vicente de).
Pleonasmo
O pleonasmo ocorre quando se emprega em uma mesma 
construção linguística palavras de equivalência semântica, 
ocorrendo, portanto, uma repetição desnecessária de sentido.
Há dois tipos de pleonasmo: o pleonasmo literário, que 
serve para enfatizar uma ideia, e o pleonasmo grosseiro que 
decorre de repetição desnecessária de ideias por já serem de 
sentido óbvio. 
Língua Portuguesa
66
Exemplo de pleonasmo literário: 
“(...) era véspera de Natal, as horas passavam, ele devia de 
querer estar ao lado de ia-Dijina, em sua casa deles dois, da 
outra banda, na Lapa-Laje.” (ROSA, Guimarães).
Exemplos de pleonasmo grosseiro: 
“subir para cima”, “descer para baixo”, “entrar para dentro”,“sair para fora”, etc. 
Hipérbato
Hipérbato é a inversão da ordem canônica dos termos da 
oração ou a inversão das orações de um mesmo período.
Exemplo: 
Na letra do Hino Nacional do Brasil, composta por Joaquim 
Osório Duque Estrada, há um exemplo de hipérbato. Observe 
o trecho abaixo: 
“Ouviram do Ipiranga às margens plácidas, de um povo 
heroico o brado retumbante”.
A ordem canônica da oração é, de acordo com as regras 
gramaticais: 1) sujeito, 2) predicado (2.1.verbo, 2.2. comple-
mentos e predicativos) e 3) adjuntos. No entanto, de modo a 
promover um efeito estilístico, o autor realizou uma inversão 
na ordem da oração que, em condições expressivas normais, 
seria: “Ouviram o brado retumbante de um povo heroico, às 
margens plácidas do Ipiranga”. 
Anáfora
A anáfora ocorre quando há repetição de um mesmo termo 
em diferentes frases de uma mesma oração a fim de enfatizar 
o sentido pretendido.
Exemplo: 
“Elegante nas vestes, elegante nas palavras e elegante 
no modo de agir”.
Sinestesia
A sinestesia ocorre quando se associam sensações perten-
centes a diferentes capacidades sensoriais. 
Exemplos:
“Estou vendo aquele caminho / cheiroso da madrugada”. 
(Cecília Meireles) Nesse verso, a visão é caracterizada por um 
elemento olfativo (cheiroso). 
 “Aquele vermelho, porém, amargava toda a sala”. Nessa 
frase, um elemento visual (a cor vermelha) caracteriza-se a 
partir de uma qualidade do paladar (amarga). 
Assíndeto
Assíndeto ocorre quando há orações coordenadas assin-
déticas repetidamente em um mesmo período, isto é, quando 
há ausência de conjunções coordenativas em uma construção 
linguística. Essa figura de linguagem modifica a velocidade de 
leitura ou de reprodução de algo, que passa a ser mais veloz.
Exemplo: 
“Vim, vi, venci.” (Júlio César)
Polissíndeto
Polissíndeto é a repetição de um conectivo ao longo de uma 
mesma construção linguística a fim de gerar um efeito estilístico. 
Exemplo: 
“Falta-lhe o solo aos pés: recua e corre, vacila e grita, luta e 
ensanguenta, e rola, e tomba, e se espedaça, e morre.” (Olavo 
BILAC)
Catacrese
Catacrese é a metáfora que, devido à sua considerável po-
pularização na linguagem dos falantes de determinado lugar, 
se cristalizou. 
Exemplos: 
Asa da xícara, Batata da perna, Olho do furacão.
Anacoluto
Anacoluto são termos que iniciam uma frase sem nela exer-
cer função sintática, apenas enfatizando aquilo a que se refere. 
Exemplo: 
“E a menina, para não passar a noite só, era melhor que 
fosse dormir na casa de uns vizinhos”. (Rachel de QUEIROZ) 
Perceba que, no exemplo acima, os elementos “e a menina” 
não exercem função sintática na oração, uma vez que ela já 
contém todos os elementos sintáticos necessários e, por si só, 
já possui sentido total. Os elementos iniciais servem apenas, 
portanto, para reforçar a ideia do sujeito da oração.
Apóstrofe
Apóstrofe é a interpelação a um ser tido como superior a fim 
de demarcar um pedido lamurioso.
Exemplo: 
“Ó mar, por que não apagas / com a espuma de tuas vagas 
/ de teu manto este borrão?” 
No exemplo acima, o eu lírico interpela ao mar (tido como 
superior) a fim de que se apaguem as marcas de sofrimento 
que passaram pelos mares em navios negreiros. É comum, 
na literatura, a interpelação a elementos da natureza a fim de 
demarcar o seu imenso poder e superioridade em relação a 
todos os seres humanos.
Silepse
A silepse é uma figura de linguagem decorrente do fato de, 
para gerar concordância, privilegiar-se a ideia em vez das carac-
terísticas linguísticas do termo que a representa. A silepse pode 
ocorrer em relação ao gênero (1), ao número (2) e à pessoa (3). 
Exemplos:
1) “Vossa Excelência (fem.) parece magoado (masc.)”.
2) “Onde está a turma (singular)? Estão (plural) viajando?”
3) “Enfim, lá em São Paulo todos (3ª pessoa) éramos (1ª pes-
soa) felizes graças ao seu trabalho...” (Rubem BRAGA)
Ironia
Disponível em: https://www.google.com.br/search?q=hagar+o+horrive
l+tirinhas&newwindow=1&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=p
C7oUcG9L4_U8wSi74DICg&ved=0CC4QsAQ&biw=1440&bih=799
Modernamente ou de modo genérico, a ironia consiste em 
dizer o contrário do que se pensa, mas dando-o a entender, 
ou seja, estabelece um contraste entre o modo de enunciar o 
pensamento e o seu conteúdo. 
Figuras de linguagem
67
A ironia também resulta do inteligente emprego do contraste, 
com vistas a perturbar o interlocutor. É uma forma de humor ou 
de provocar humor. 
Gradação
Gradação é a elaboração linguística em que os termos 
são ordenados a partir de critérios de ordem crescente ou 
decrescente.
Exemplo: 
“Deus criou o céu, a terra, o mar e os homens”. 
Elipse
Define-se como a supressão consciente de um termo na frase.
Exemplo: 
A cidade dormia, ninguém na rua.
Nesse caso, há a elipse da expressão “não havia” que pre-
cederia “ninguém na rua”. A elipse é aqui permitida pela ideia 
sugerida pela expressão anterior “a cidade dormia”. 
Zeugma
Zeugma define-se como a omissão de um termo anterior-
mente mencionado (explicitamente) na frase.
Exemplo: 
Eu bebi suco e Joana, refrigerante.
Nesse caso, ocorre a supressão zeugmática do verbo “be-
ber”, uma vez que ele já havia sido mencionado no período. 
Onomatopeia
Onomatopeia é a representação gráfica de sons naturais, 
barulhos, sons de animais, gritos e ruídos, entre outros.
Exemplo: 
Brrrr
Pow!
Paranomásia
Paronomásia é a utilização de palavras parônomas (isto é, 
palavras fonicamente parecidas) com o intuito de obter efeitos 
de sonoridade e sentido, de modo que o som se propague nos 
enunciados. A vinculação temática entre o fenômeno sonoro e 
o assunto do texto, em versos ou em prosa, revela a intencio-
nalidade expressiva desse recurso. 
Exemplo: 
Porque eu mude
o mundo muda
e a poesia irrompe
donde menos se espera
às vezes
cheirando a flor
GULLAR, Ferreira. Manhã de sol (fragmento).
Assonância e Aliteração
Assonância é um recurso sonoro que consiste na repetição 
de vogais em um verso ou frase. Aliteração, por sua vez, con-
siste na repetição de sons consonantais.
Exemplo 1: 
Assonância
Na messe, que enlouquece, estremece a quermesse...
CASTRO, Eugênio de. Um sonho (fragmento).
Exemplo 2: 
Aliteração
Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas
CRUZ E SOUZA, João da. Violões que choram (fragmento).
Exercícios
1. (EsPCEx – 2011) 
“Quando eu passo no Saara amortalhada...
Ai! dizem: “Lá vai África embuçada
No seu branco albornoz. . .”
Nem vêem que o deserto é meu sudário,
Que o silêncio campeia solitário
Por sobre o peito meu.
(…)”
No texto, extraído de Vozes d’África, de Castro Alves, 
encontramos a seguinte figura de linguagem:
A) Catacrese 
B) Assíndeto 
C) Anacoluto 
D) Polissíndeto 
E) Prosopopeia
2. (EEAR – 2017) Leia:
I. “As derrotas e as frustrações são amargas”.
II. “O rio tinha entrado em agonia, após tantos meses 
sem chuva”.
III. “As crianças cresceram, no devagar depressa do 
tempo”.
IV. “Maria Joaquina completava quinze primaveras”.
As figuras de linguagem encontradas nos textos acima 
são, respectivamente, 
A) metáfora, metonímia, paradoxo e prosopopeia. 
B) antítese, prosopopeia, metáfora e metonímia. 
C) metonímia, metáfora, prosopopeia e antítese. 
D) metáfora, prosopopeia, paradoxo e metonímia. 
Gabarito
1. E
2. D
Língua Portuguesa
68
Literatura
Sumário
Capítulos
1. A linguagem literária ........................................................................................................................................................71
2. Funções da linguagem....................................................................................................................................................75
3. Trovadorismo ......................................................................................................................................................................79
4. Humanismo .........................................................................................................................................................................835. Classicismo e Quinhentismo .........................................................................................................................................85
6. Barroco .................................................................................................................................................................................87
7. Arcadismo .............................................................................................................................................................................91
8. Romantismo ........................................................................................................................................................................95
9. Realismo e Naturalismo .................................................................................................................................................101
10. Parnasianismo e Simbolismo ......................................................................................................................................104
11. Pré-Modernismo ..............................................................................................................................................................108
12. Modernismo ....................................................................................................................................................................... 112
13. Tendências Contemporâneas ..................................................................................................................................... 125
Redação
Dissertação ............................................................................................................................................................................. 128
Arte, Literatura
Disponível em: http://www.portalsaofrancisco.com.
br/alfa/fotorrealismo/fotorrealismo-6.php
Essa obra do belga René Magritte (1898-1967) pode servir 
de ponto de partida para algumas reflexões sobre a arte. O 
título do quadro de Magritte, a princípio, pode parecer comple-
tamente sem sentido – Isto não é um cachimbo –, no entanto, 
devemos entender que o quadro é apenas uma imagem que 
representa um cachimbo e não o cachimbo em si. A professora 
Leyla Perrone-Moisés (1990) salienta que “A linguagem não 
pode substituir o mundo, nem ao menos representá-lo fielmente. 
Pode apenas evocá-lo, aludir a ele através de um pacto que 
implica a perda do real concreto” (p. 105). 
As palavras da professora relacionam-se não só à literatu-
ra, mas à criação artística de modo geral. “A linguagem [seja 
ela literária, pictórica etc.] tem uma função referencial e uma 
pretensão representativa. Entretanto, o mundo criado pela 
linguagem nunca está totalmente adequado ao real. Narrar 
uma história, mesmo que ela tenha ocorrido, é reinventá-la” 
(PERRONE-MOISÉS, 1990, p. 105). 
Leia agora um poema de Fernando Pessoa (1888 – 1935), 
poeta português: 
Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
O poema remete ao fato de que um poeta, ao construir seu 
texto, não projeta seus sentimentos e emoções na folha de 
papel, mas finge, cria uma outra realidade, feita de palavras, 
assim como o músico o faz com os sons. O artista transforma-
-se num criador de mundos, de sonhos, de ilusões etc. Cabe 
observar que o primeiro verso de “Autopsicografia” apresenta 
uma afirmação categórica: “O poeta é um fingidor.”, ponto. 
Os três versos seguintes ampliam (e confirmam) o que está 
escrito no primeiro verso. Assim, essa primeira estrofe nos 
remete a uma relação fundamental: a do artista e sua obra, 
a do poeta e o poema. 
A segunda estrofe muda o foco para outra relação, não 
menos fundamental: a da obra com o público, o poema e o 
leitor. Vejamos:
E os [leitores] que leem [aquilo] o que 
[o poeta] escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas [dores] que ele [poeta] teve,
Mas só a [dor] que eles [leitores] não têm.
Devemos analisar uma obra, portanto, pelo que está nela 
e saber que se trata de uma representação apenas. Tanto 
o quadro de Magritte quanto o poema de Fernando Pessoa 
evidenciam que a arte precisa ser entendida não como a 
realidade em que estamos, mas como uma possibilidade de 
sua representação/interpretação. 
Conceito de Literatura
Em relação ao conceito de literatura afirma o Novo Dicio-
nário Aurélio:
Literatura. [Do lat. litteratura] S. f. 1. Arte de compor ou 
escrever trabalhos artísticos em prosa ou verso. 2. O con-
junto de trabalhos literários dum país ou duma época. 3. Os 
homens de letras: A literatura brasileira fez-se representar no 
colóquio de Lisboa. 4. A vida literária. 5. A carreira das letras. 
6. Conjunto de conhecimentos relativos às obras ou aos 
autores literários: estudante de literatura brasileira; manual 
de literatura portuguesa. 7. Qualquer dos usos estéticos da 
linguagem: literatura oral. 8. Fam. Irrealidade, ficção: So-
nhador, tudo quanto diz é literatura. 9. Bibliografia: já é bem 
extensa a literatura da física nuclear. 10. Conjunto de escritos 
de propaganda de um produto industrial.
A partir do primeiro conceito, ou seja, “arte de compor ou 
escrever trabalhos artísticos em prosa ou versos”, podemos 
tirar algumas conclusões. A mais imediata é aquela sugerida 
pelas palavras “arte” e “artísticos”: literatura é arte, assim 
como a pintura ou a música. Isso equivale a defini-la, portanto, 
como atividade criadora, antes de tudo. A arte, como se sabe, 
recria o real, conferindo-lhe novas dimensões e caracteres. 
Seu intuito é provocar a emoção e a reflexão.
Se a pintura é a arte das formas e das cores, e a música 
a dos sons, poderíamos reelaborar o conceito de literatura, 
dizendo que a literatura é a arte da palavra. Assim sendo, po-
demos eliminar de seu âmbito (literatura) uma série de outras 
obras escritas cujo propósito artístico não seja o fundamental, 
ou não esteja presente. Textos jornalísticos e científicos, 
técnicos e documentais, para citarmos alguns exemplos, 
não se enquadram no conjunto das obras artístico-literárias. 
Capítulo 01
71
A linguagem literária
Sentido literal e figurado.
A maioria dos registros de linguagem utiliza as palavras de 
maneira objetiva, literal, respeitando o sentido “real” da palavra, 
ou seja, aquele que é registrado nos dicionários. 
Quando o discurso apresentado tem a intenção de informar, 
recorremos a uma linguagem objetiva, denotativa. Denotação, 
portanto, é a linguagem em seu sentido conceitual, referencial, 
direto, objetivo, literal.
A linguagem poética, criativa, literária, geralmente busca criar 
efeitos de sentido que ultrapassam a literalidade, adquirindo, 
assim, um valor conotativo. Conotação, portanto, é a linguagem 
em seu sentido expressivo e simbólico, pois se apresenta re-
pleta de figuras, de imagens. Vejamos algumas dessas figuras 
de pensamento, as quais, segundo filósofos da linguagem, 
constituem a base de nossa própria estrutura cognitiva: 
Metáfora: é a transposição do sentido de um termo para outra 
esfera de significação; a metáfora põe em destaque aspectos que 
a palavra, por si só, não é capaz de evocar: “o rio de teus pensa-
mentos”; “as ondas de seu temperamento”; “A vida é um punhal 
com dois gumes fatais: não amar é sofrer, amar é sofrer mais”.
Metonímia: é a figura de linguagem que consiste na amplia-
ção do âmbito de significação de uma palavra ou expressão, 
partindo de uma relação objetiva entre a significação própria e 
a figurada: “ganhar o pão com o suor”.
Intertextualidadel
De modo geral, entende-se por intertextualidade a superposi-
ção de um texto a outro, ou a absorção e a transformação de uma 
multiplicidade de textos. Todo texto é um mosaico de citações, 
uma retomada de outrostextos, desde a simples vinculação a 
um gênero até a retomada explícita de um determinado texto.
Entendamos aqui o sentido de texto de forma mais ampla, 
como lugar de manifestação de sentido e de significados, tudo 
que “pode ser lido”.
Formas intertextuais 
Citação 
A citação pode ser entendida como a retomada de um trecho, 
a incorporação explícita de uma parte de um texto no corpo de 
outro texto. Esse expediente evidencia-se, no texto escrito, pelo 
uso de marcadores como as aspas: é uma transcrição parcial 
e literal de um texto alheio. .
Paráfrase e paródia
A paráfrase posiciona-se como uma continuidade, caminhan-
do para o lado da condensação, para a “intertextualidade das 
semelhanças”, diferentemente da paródia, que caminha para o 
lado da “intertextualidade das diferenças”. A paródia apresenta-se 
como um efeito centrífugo, descentralizador, enquanto a paráfrase 
apresenta-se como um efeito centrípeto, centralizador, uma vez 
que retoma o processo de construção do texto apropriado, man-
tendo a sua ideologia, os seus efeitos de sentido. 
A paródia aponta para novos padrões de relação, por se 
mostrar avessa à ideologia dominante, por ser descontínua, 
por ser deslocada em relação ao modelo originário, o que a 
difere da paráfrase.
Canção do exílio
 Minha terra tem palmeiras
 Onde canta o Sabiá;
 As aves que aqui gorjeiam,
 Não gorjeiam como lá.
 Nosso céu tem mais estrelas,
 Nossas várzeas têm mais flores,
 Nossos bosques têm mais vida,
 Nossa vida mais amores.
 Em cismar, sozinho, à noite
 Mais prazer encontro eu lá;
 Minha terra tem palmeiras,
 Onde canta o Sabiá.
 Minha terra tem primores,
 Que tais não encontro eu cá;
 Em cismar – sozinho à noite –
 Mais prazer encontro eu lá;
 Minha terra tem palmeiras, 
 Onde canta o Sabiá.
 Não permita Deus que eu morra,
 Sem que eu volte para lá;
 Sem que desfrute os primores
 Que não encontro por cá;
 Sem qu’inda aviste as palmeiras,
 Onde canta o Sabiá.
Talvez em nossa literatura não haja outro texto tão parafraseado 
e parodiado quanto esse, que se caracteriza pela visão idealizada 
da pátria. Vejamos, a seguir, alguns textos que retomam, inte-
gralmente ou parcialmente, o ufanismo de Gonçalves Dias (1823 
– 1864) , ora em forma de paráfrase, ora em forma de paródia.
 Deitado eternamente em berço esplêndido
 Ao som do mar e à luz do céu profundo,
 Fulguras, ó Brasil, florão da América,
 Iluminado ao sol do novo mundo.
 Do que a terra mais garrida
 Teus risonhos lindos campos têm flores
 “Nossos bosques têm mais vida”
 Nossa vida em teu seio mais amores.
 Ó Pátria amada
 Idolatrada
 Salve! Salve!
 Brasil, de amor eterno seja símbolo
 O lábaro que ostentas estrelado
 E diga ao verde-louro desta flâmula
 Paz no futuro e glória no passado
 Mas se ergues da justiça a clava forte
 Verás que um filho teu não foge à luta
 Nem teme quem te adora a própria morte
Disponível em: http://www.brasilescola.com/his-
toriab/hinonacionaldobrasil.htm.
Verifica-se que houve a retomada do poema de Gonçalves 
Dias, sem que se perdesse o sentido original dos versos, caracte-
risticamente ufanistas, isto é, em que se evidencia um acentuado 
orgulho pela terra natal. Cabe observar que o verso “Nossos 
bosques têm mais vida” vem entre aspas, o que evidencia, 
nitidamente, uma citação. Também Olavo Bilac (1864 – 1918) 
retomou essa ideologia ufanista, em poemas como “A Pátria”.
Já a paródia apresenta uma divergência em relação ao modelo 
retomado, pois ao invés de endossar a ideia do texto apropriado, 
evidencia uma ruptura, uma crítica em relação a ele. Tomemos 
como exemplo a paródia de Oswald de Andrade (1890 – 1954) à 
“Canção do exílio”:
Literatura
72
 Canto de regresso à pátria
 Minha terra tem Palmares
 onde gorjeia o mar
 os passarinhos daqui
 não cantam como os de lá
 Minha terra tem mais rosas
 E quase que mais amores
 Minha terra tem mais ouro
 Minha terra tem mais terra
 Quero terra amor e rosas
 Eu quero tudo de lá
 Não permita Deus que eu morra
 Sem que volte para lá
 Não permita Deus que eu morra
 Sem que eu volte pra São Paulo
 Sem que veja a Rua 15
 E o progresso de São Paulo
In: ANDRADE, Oswald de. Poesia Pau-Bra-
sil. São Paulo: Globo, 1990. p. 139.
Observa-se que o sentimentalismo e a idealização cedem 
lugar, na primeira estrofe, à denúncia social, evidenciada na 
troca de “palmeiras” por “Palmares”, refúgio dos escravos.
Pastiche
Apresentando elementos próximos e ao mesmo tempo dis-
tantes da paródia, encontra-se o pastiche, que muitos, equivo-
cadamente, veem como seu sinônimo. É certo que tanto paródia 
quanto pastiche envolvem imitação. O pastiche associa-se à 
imitação de um estilo, ou à apropriação de um gênero sem, com 
isso, querer criticá-lo. O pastiche, normalmente, repete o estilo 
apropriado, muitas vezes constituindo “uma verdadeira ascese 
para alguns escritores, que buscam nessa forma (gênero) o 
afinamento de uma escritura própria”. 
Antropofagia
Cabe ressaltar que, de maneira similar, a releitura crítica da 
cultura, por meio de procedimentos intertextuais, também pode 
ser vista como uma espécie de antropofagia cultural. Como 
sentencia Haroldo de Campos, a Antropofagia é “o pensamento 
da devoração crítica do legado cultural universal, elaborado não 
a partir da perspectiva submissa e reconciliada do ‘bom selva-
gem’, mas segundo o ponto desabusado do ‘mau selvagem’, 
devorador de brancos, antropófago”. A Antropofagia não se 
condiciona a um ato de submissão, de catequese, mas a uma 
“transculturação”, melhor ainda, a “uma ‘transvaloração’”, a uma 
visão crítica da história, da cultura, efetivando tanto apropria-
ções como expropriações, desierarquizando, desconstruindo. 
As diversas transformações verificadas na arte em geral têm 
levado muitos artistas a dialogarem não com a realidade apa-
rente das coisas, como já foi observado, mas com a realidade 
da própria linguagem. Dividindo e mesmo compartilhando o seu 
espaço com a TV, o cinema e o jornal, a linguagem literária, 
por exemplo, alargou-se internamente, ao se apropriar de uma 
vasta gama de materiais estilísticos e formais pertencentes a 
outros espaços artísticos. 
Referências
BARTHES, Roland. A morte do autor. In: O rumor da língua. São Paulo: 
Martins Fontes, 2004. (p.6).
BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas: magia e técnica, arte e política. 5. ed. 
Trad. Sérgio Paulo Rouanet. São Paulo: Brasiliense, 1993. (p. 165-196).
CAMPOS, Haroldo. Metalinguagem e outras metas. 4. ed. São Paulo: Pers-
pectiva, 1992. (p. 234-235).
HARVEY, David. Condição pós-moderna. 4. ed. Trad. Adail Ubirajara Sobral 
e Maria Stela Gonçalves. São Paulo: Edições Loyola, 1994. (p. 58).
KRISTEVA, Julia. Introdução à semanálise. Trad. Lúcia Helena França 
Ferraz. São Paulo: Perspectiva, 1974. (p. 77-78).
PERRONE-MOISÉS, Leyla. A criação do texto literário. In: Flores da 
escrivaninha. São Paulo: Companhia das Letras, 1990 (p. 100-110). 
PESSOA, Fernando. O eu profundo e os outros eus (seleção poética). 13 
ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980. (p. 104).
SANT’ANNA, Afonso Romano de. Paródia, paráfrase & cia. São Paulo: 
Ática, 1980. (p. 45).
SCHNEIDER, Michel. Ladrões de palavras. Trad. Luiz Fernando P.N. 
Franco. Campinas: Unicamp, 1990. (p. 83).
Exercícios
1. (ITA – 2012) Considere o poema abaixo, de Ana Cristina 
César (1952-1983).
Fisionomia 
não é mentira 
é outra 
a dor que dói 
em mim 
é um projeto 
de passeio 
em círculo 
um malogro 
do objeto 
em foco 
a intensidade 
de luz 
de tarde 
no jardim 
é outra 
a dor que dói
O título do poema está relacionado ao eu lírico por um 
conflito de natureza 
A) amorosa. 
B) social. 
C) física. 
D) existencial. 
E) imaginária
2. (ITA – 2002) Leia, a seguir, o texto em que Millôr Fer-
nandes parodia Manuel Bandeira:
Que Manuel Bandeira me perdoe, mas
VOU-ME EMBORA DE PASÁRGADA
Vou-me embora de Pasárgada
Sou inimigo do Rei
Não tenho nada que eu quero
Não tenho e nunca terei
Vou-me embora de Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
A existência é tão dura
As elites tão senis
Que Joana, a louca da Espanha,Ainda é mais coerente
do que os donos do país.
 (FERNANDES, Millôr. “Mais! Folha de S. Paulo”, mar. 2001.)
Os três últimos versos de Millôr Fernandes exprimem: 
A) a inconsequência dos governantes. 
B) a má vontade dos políticos. 
C) a ignorância do povo. 
D) a pobreza de espírito das elites. 
E) a loucura das mulheres no governo. 
A linguagem literária
73
5. Leia os seguintes versos de Carlos Drummond de Andrade:
Não faças versos sobre os acontecimentos
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
Não aquece nem ilumina.
Uma das constantes na obra de Carlos Drummond de 
Andrade, como se verifica nos versos acima é:
A) a louvação do homem social.
B) o negativismo destrutivo.
C) a violação e desintegração da palavra.
D) o questionamento da própria poesia.
E) o pessimismo lírico.
Gabarito
1. D
2. D
3. A
4. C
5. D
3. (EsPCEx – 2012) 
Faça a correspondência da segunda coluna com base 
na primeira e assinale a alternativa que preenche cor-
retamente as colunas, no que diz respeito às formas 
líricas.
Coluna 1
( 1 ) elegia
( 2 ) écloga
( 3 ) ode
( 4 ) soneto
Coluna 2
( ) o(a) mais conhecido(a) das formas líricas. Poema 
em 14 versos, organizados em dois quartetos e 
dois tercetos.
( ) poema originado na Grécia Antiga que exalta os 
valores nobres, caracterizando-se pelo tom de 
louvação.
( ) poema pastoril que retrata a vida bucólica dos 
pastores, em um ambiente campestre.
( ) trata de acontecimentos tristes, muitas vezes en-
focando a morte de um ente querido.
A) 4, 3, 2, 1 
B) 3, 2, 1, 4 
C) 2, 1, 3, 4 
D) 1, 2, 4, 3 
E) 4, 3, 1, 2
4. Uma das funções da literatura é a função social, de 
compromisso, de engajamento, isto é, o escritor mostra-
-se, por meio de sua produção, consciente e crítico em 
relação à realidade de seu tempo. Em todas as alternati-
vas, os versos transcritos da obra de Carlos Drummond 
de Andrade exemplificam essa afirmativa, EXCETO:
A) As guerras, as fomes, as discussões dentro dos 
edifícios
 provam apenas que a vida prossegue
 e nem todos se libertaram ainda.
B) Não serei o poeta de um mundo caduco.
 Também não cantarei o mundo futuro.
 Estou preso à vida e olho meus companheiros.
 (...)
 O tempo é minha matéria, o tempo presente, os ho-
mens 
 [presentes, a vida presente.]
C) Mundo, mundo vasto mundo,
 se eu me chamasse Raimundo
 seria uma rima, não seria uma solução.
 mundo mundo vasto mundo,
 mais vasto é o meu coração.
D) Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta 
distribuição porque não podes, sozinho, dinamitar 
a ilha de Manhattan.”
Literatura
74
A linguagem é o meio pelo qual se expressa determinada ideia a fim de comunicá-la a alguém para atingir objetivos defi-
nidos. Em um contexto comunicacional, há sempre dois ou mais indivíduos, uma mensagem, um código e um contexto. Ao 
observar como cada um desses elementos é organizado no discurso, pode-se perceber qual a função da linguagem por ele 
cumprida. Existem seis tipos de funções, a saber: referencial ou denotativa, poética, emotiva ou expressiva, conativa ou ape-
lativa, fática e metalinguística. Antes de conhecê-las, porém, faz-se necessário compreender quais são os elementos básicos 
que estruturam a linguagem, que foram sistematizados no esquema abaixo.
Contexto
Emissor Mensagem Receptor
Canal
Código
Tal esquema foi proposto, na década de 1960, pelo forma-
lista russo Roman Jakobson (1896-1982), um dos precursores 
da análise estrutural da linguagem. A produtividade de seus 
estudos e teorias é irretorquível, mas, desde então, a ciência 
da linguagem passou por inúmeras transformações em todas 
as suas áreas. A explanação feita neste material é de cunho 
didático e, portanto, não compreende toda a discussão acerca 
da complexidade da linguagem e da comunicação. 
Segundo os analistas do discurso, por exemplo, as vozes 
envolvidas na comunicação não se limitam ao emissor e 
receptor, já que ambos estão intrinsecamente circundados 
por uma multiplicidade de vozes, ou seja, estão imersos no 
discurso. Isso implica que nenhuma mensagem é inteiramente 
original, estando trespassada pelos ecos de falas anteriores 
através dos tempos. 
Feitas essas observações, podemos dar prosseguimento 
à matéria, pois o fato de a teoria de Jakobson não dar conta 
de toda a complexidade do assunto não significa, de modo 
algum, considerar seus estudos menos valorosos e nortea-
dores para aqueles que querem compreender um pouco das 
riquezas da linguagem.
Segundo o autor, a mensagem, produto pelo qual a 
linguagem é realizada, forma-se pela junção de elementos 
expressivos e um objetivo comunicativo que visa cumprir 
determinado efeito. Ela insere-se em um contexto, o qual 
pode ser definido como o objetivo situacional, ou seja, o que 
o emissor deseja alcançar ao produzi-la.
O emissor é aquele que elabora e transmite a mensagem, 
escolhendo quais elementos usará para melhor expressá-la. 
Ele sempre fará uso de um código (conjunto de elementos 
usados na expressão de uma mensagem) que pode ser verbal 
ou não verbal. Se utilizar elementos linguísticos, o código 
será, pois, verbal e usará vocábulos de uma determinada 
língua (no caso deste material, por exemplo, o código utili-
zado é a língua portuguesa). Se, no entanto, forem utilizadas 
outras formas expressivas, como a pintura ou a dança, o 
código será não verbal. 
O receptor ou interlocutor é aquele que recebe a men-
sagem, ou seja, que decodifica o conteúdo transmitido pelo 
emissor a partir de um código. 
O canal, por sua vez, é o meio pelo qual a mensagem é 
transmitida e pode ser o próprio ar (no qual são reproduzidas 
as partículas de som da fala), as mídias sociais, os livros, as 
pinturas, etc.
Após compreender bem os elementos do quadro proposto 
por JAKOBSON (1960), é possível perceber quais são e 
como se caracterizam as possíveis funções da linguagem. 
Funções da linguagem
Cada texto cumpre um propósito predefinido por seu autor, 
ou seja, toda e qualquer produção linguística visa transmitir 
uma mensagem específica a fim de atingir os objetivos dese-
jados pelo emissor. A isto, a organização textual feita de modo 
que a produção textual tenha certo efeito e cumpra determinado 
fim, dá-se o nome de Função da Linguagem. Um mesmo texto, 
porém, pode ser formado por mais de uma função linguística 
levando-se em conta as características que apresenta.
Função referencial ou denotativa
A função referencial ocorre quando o objetivo da comunica-
Capítulo 02
75
Funções da linguagem
ção é fundamentalmente a transmissão de informações sobre 
a realidade ou sobre um elemento a ser designado. É a lingua-
gem característica das notícias de jornal, do discurso científico 
e de qualquer exposição de conceitos. Essa função evidencia 
o referente (contexto situacional de que trata a mensagem). 
Exemplifica-se a presença da função referencial no trecho 
abaixo, retirado de uma matéria jornalística.
Uma nova estrada para o turismo de natureza
“Existe um paraíso escondido no interior do país com 
potencial para tornar-se uma segunda Transpantaneira - a 
rodovia MT-060. A nova rota é conhecida como Estrada Turís-
tica e fica próxima da fronteira entre o Brasil e a Bolívia, em 
Cáceres, no Mato Grosso. O desafio dessa região é similar 
ao de muitas áreas naturais do Brasil: implementar o turismo 
de natureza para gerar desenvolvimento socioeconômico e 
o empoderamento das comunidades locais. Seria possível 
trilhar esse sonho em uma região tão distante dos grandes 
centros urbanos?
O Brasil tem em seu território alguns dos ecossistemas 
mais ricos em biodiversidade do mundo. O Pantanal, com 
seus 250 mil quilômetros quadrados de extensão, é um des-
ses exemplos. Segundo o Fórum Econômico Mundial, o Brasil 
é o líder em um ranking de 140 países em belezas naturais.”
UTSCH, Jussara. Uma nova estrada para o turismo na nature-
za. In: Revista Época. Disponível em: http://epoca.globo.com/
colunas-e-blogs/blog-do-planeta/noticia/2014/09/uma-nova-estrada--bpara-o-turismo-de-naturezab.html. Acesso em: 19 dez. 2017.
Nele, é possível observar claramente o foco no contexto 
situacional de que trata e a predominância dos elementos 
de denotação (uso objetivo e direto da linguagem), visando 
informar o receptor sobre o assunto. 
Foco da função referencial: contexto.
Função emotiva ou expressiva
A função emotiva reflete o estado de ânimo do emissor, 
os seus sentimentos, emoções e atitudes relativos ao que 
trata. Um dos indicadores da função emotiva em um texto é 
a presença de marcas de primeira pessoa do discurso, além 
de interjeições e de alguns sinais de pontuação, como as 
reticências e o ponto de exclamação.
No trecho abaixo, extraído do poema ‘‘Sentimento do mun-
do’’, de Carlos Drummond de Andrade (1930), há a utilização 
da função expressiva da linguagem.
“Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo
mas estou cheio de escravos 
minhas lembranças escorrem 
e o corpo transige
 na confluência do amor”.
DE ANDRADE, Carlos Drummond. Sentimento do mundo. 
In: Sentimento do mundo. Rio de Janeiro: Record, 1940.
Nos versos desse poema, é possível perceber como o eu 
lírico expressa seus anseios e as complexidades psíquicas de 
seu ser, sobrelevando-se, enquanto emissor, em detrimento dos 
demais componentes da comunicação, no mosaico interacional. 
Foco da função emotiva: emissor.
Função conativa ou apelativa
A função conativa ou apelativa ocorre quando o objetivo 
da comunicação é persuadir o destinatário, influenciando seu 
comportamento. Um texto cuja função é conativa ou apelativa 
vale-se de estratégias, como a presença da segunda pes-
soa do discurso, o uso de vocativos e do imperativo. Assim, 
desperta o interesse do interlocutor de modo a fazê-lo agir 
de determinada forma.
Essa função é encontrada majoritariamente em textos 
publicitários, pois eles visam convencer o público-alvo a agir 
de determinada maneira e focalizam, portanto, o receptor para 
elaboração do conteúdo comunicativo. 
Observe o material abaixo.
Disponível em: http://cmt1anocd.blogspot.com/2013/11/
serenata-de-amor.html. Acesso em: 06 dez. 2018.
Esse material, do tipo publicitário, exemplifica perfeita-
mente a função apelativa. Nele, o foco é estabelecido no 
receptor: o emissor com ele dialoga e dele se aproxima até 
mesmo pela utilização da linguagem coloquial. Além disso, 
há a utilização do imperativo como forma de convencê-lo a 
realizar o que lhe é proposto.
A função conativa é utilizada para atingir o receptor, de modo a seduzi-
-lo a aderir a determinada causa ou, simplesmente, comprar um pro-
duto. A linguagem direta, incisiva e objetiva, juntamente com o apelo 
emocional forte, caracteriza o anúncio do Ministério da Saúde.
Disponível em: http://2.bp.blogspot.com/_mkJT3X-
3kEH4/S4XwR0Mb6rI/AAAAAAAAAAM/qDTl7jT03mM/
s1600-h/dengue.jpg. Acesso em: 06 dez. 2018.
Foco da função conativa: receptor.
Função fática
A função fática ocorre em elaborações cujo objetivo é esta-
belecer uma situação comunicativa entre emissor e receptor. 
Nessa função, o próprio canal é o protagonista das falas. 
Essa função é predominantemente percebida em diálogos, 
em expressões de cumprimento, saudações e discursos me-
diados pelo telefone. A frase “Alô! Está me ouvindo?” é um 
exemplo de ocorrência da função fática, pois, ao elaborá-la, o 
indivíduo, ao conversar no telefone, testa o canal para garantir 
que a comunicação ocorra sem obstruções. 
Literatura
76
Alô, alô, marciano
Aqui quem fala é da Terra.
Pra variar estamos em guerra
Você não imagina a loucura
O ser humano tá na maior fissura porque
Tá cada vez mais down the high society
Down, down, down
The high society
Down, down, down
The high society
Down, down, down
The high society
Down, down, down 
A canção “Alô, alô, marciano”, composta por Rita Lee e in-
terpretada por Elis Regina, inicia-se com uma expressão típica 
da função fática, usualmente utilizada em situações cotidianas 
para verificar a funcionalidade do canal de comunicação.
Foco da função fática: canal.
Função poética
A função poética é uma elaboração em que se evidencia 
a forma da mensagem, ou seja, na qual o emissor se preo-
cupa mais com o modo de dizer do que com o conteúdo da 
mensagem. O emissor busca romper com formas habituais 
de expressão a fim de deixar o seu texto mais bonito, fugindo 
da lógica e, assim, provocando um efeito no receptor. Embora 
seja propriamente literária, a função poética não lhe é exclu-
siva, pois pode ser encontrada em expressões cotidianas 
que se utilizam de figuras de linguagem e na publicidade. 
Ressalta-se, ainda, que, na função poética, há uso constante 
de elementos conotativos (de criação de novos significados 
a signos linguísticos).
Leia o poema abaixo, intitulado ‘‘Lua Adversa’’ e escrito 
em 1942 por Cecília Meireles (1901-1964).
Lua adversa
“Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua…
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua…)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua…
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu…” 
MEIRELES, Cecília. Lua adversa. In: 1942.
Na análise desse poema, observa-se a utilização de figu-
ras de linguagem, como a metáfora e a símile. Ademais, a 
expressão é controlada pelo emissor, que seleciona termos 
capazes de gerar efeito artístico, como o ritmo promovido por 
rimas. No entanto, ressalta-se que pode haver, em um mesmo 
texto, a presença de uma ou mais função da linguagem. No 
caso do poema transcrito de MEIRELES (1942), há, além da 
função poética, cujo foco é a mensagem, a função emotiva, 
cujo foco é o emissor e seus sentimentos. 
No poema abaixo, por sua vez, o autor explora o recurso 
visual para dar o sentido desejado ao texto. Assim, vale-se da 
representação, na disposição das palavras, da maneira com 
que um homem embriagado caminha confundindo os passos.
Foco da função poética: mensagem.
Função metalinguística
Para transmitir mensagens, o fundamental é que haja uma 
fonte e um destino, distintos no tempo e no espaço. A fonte 
é geradora da mensagem e o destino é o fim para o qual a 
mensagem se dirige. Nesse caminho de passagem, o que 
possibilita à mensagem caminhar é o canal. Na verdade, o 
que transita pelo canal são sinais físicos, concretos, codifica-
dos. Código é a organização dos elementos que compõem 
um conjunto, com regras de permissão e de proibição que 
determinam o modo de ocorrência da combinação desses 
sinais físicos. 
Por exemplo, convencionou-se que no código da língua 
portuguesa não é possível começar palavras com três con-
soantes; já no inglês, essa regra não existe.
Como visto, uma determinada fonte codifica sinais, isto é, 
constrói mensagens, que se referem a um objeto, e as envia 
a um destinatário, fazendo a passagem desta informação/
mensagem, através de um suporte físico, que é o canal. 
Esta apostila que recebe os sinais gráficos, as letras, é o 
suporte físico, o canal da mensagem. Na pintura, é a tela, e 
assim por diante.
Quando a preocupação do emissor está voltada para o 
próprio código utilizado, ou seja, o código é o tema da men-
sagem ou é utilizado para explicar o próprio código, tem-se 
a presença de um processo metalinguístico.
Ocorre metalinguagem quando se dá uma definição ou 
quando se explica ou se pede explicação sobre o conteúdo da 
mensagem. Por extensão, fala-se em metalinguagem quando 
um filme tem por tema o próprio cinema, uma peça teatral tem por 
tema o teatro, uma poesia discorre sobre o ato de escrever, etc. 
Veja, abaixo, um poema de teor metalinguístico:
Funções da linguagem
77
Tecendo a Manhã
1
Um galo sozinho não tece uma manhã: 
ele precisará sempre de outros galos. 
De um que apanhe esse grito que ele 
e o lance a outro; de um outro galo 
que apanhe o grito de um galo antes 
e olance a outro; e de outros galos 
que com muitos outros galos se cruzem 
os fios de sol de seus gritos de galo, 
para que a manhã, desde uma teia tênue, 
se vá tecendo, entre todos os galos. 
2
E se encorpando em tela, entre todos, 
se erguendo tenda, onde entrem todos, 
se entretendendo para todos, no toldo 
(a manhã) que plana livre de armação. 
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo 
que, tecido, se eleva por si: luz balão. 
In: MELO NETO, João Cabral. A educação pela pe-
dra. Rio de janeiro: Nova Fronteira, 1996. p. 35
Foco da função metalinguística: código.
Exercícios
1. (EsPCEx – 2011) 
Quando a intenção do emissor está voltada para a 
própria mensagem, quer na seleção e combinação 
das palavras, quer na estrutura da mensagem, com as 
mensagens carregadas de significados, temos a função 
de linguagem denominada
A) fática. 
B) poética. 
C) emotiva. 
D) referencial. 
E) metalinguística.
2. (UniAtenas – 2018) Leia o texto para responder à 
questão:
Ao sair da piscina, Fratus foi entrevistado pela repórter 
do canal Sportv Karen Duarte e foi bastante sucinto 
nas respostas. “Está chateado”, perguntou a repórter. 
“Não, estou felizão, fiquei em sexto”, disparou o atleta. 
“Fiz uma estratégia que a gente achou que poderia dar 
certo, mas deu errado”, afirmou Fratus em seguida. “Foi 
uma prova previsível, sem qualquer tipo de surpresa”, 
explicou, em mais uma resposta curta. 
Da Redação (redacao@correio24horas.com.br) (Adaptado).
As figuras de linguagem são recursos de nosso idioma 
para tornar as mensagens que emitimos mais expressi-
vas e significativas. Diante disso, marque a alternativa 
correta. O entrevistado usou em sua resposta:
A) Uma hipérbole
B) Uma metáfora
C) Um paradoxo
D) Uma antítese
E) Uma ironia
3. (FGV – 2017) “Mais importante, esta semana, foi conhe-
cer o aviso da China aos Estados Unidos da América do 
Norte, desencorajando ambos de qualquer ação militar. 
Caso Pyongyang opte por atacar primeiro, alertou o 
jornal do Partido Comunista Chinês, Pequim se manterá 
neutra. O recado para Washington também foi claro: 
se Trump contemplar a derrubada do regime de Kim, 
a China se moverá para impedir que isso ocorra. No 
fundo já está entendido que seria insensatez histórica 
cogitar em opção militar para desencruar um confronto 
no qual todos os países envolvidos estão fornidos de 
mísseis e ogivas nucleares”.
O GLOBO, julho de 2017
Na frase “Pequim se manterá neutra”, há a presença 
de linguagem figurada denominada 
A) pleonasmo. 
B) personificação. 
C) metáfora.
D) anacoluto.
E) metonímia. 
4. (FGV – 2017) Leia a frase a seguir.
“Entre os efeitos positivos do fumo inclui-se a econo-
mia com o sistema de saúde por causa da mortalidade 
prematura do fumante.”
Assinale a opção que indica o exemplo de linguagem 
figurada presente nessa frase.
A) Metáfora
B) Eufemismo
C) Ironia
D) Pleonasmo 
E) Personificação
Gabarito
1. B
2. E
3. B
4. C
Literatura
78
Durante a sua vida, você já deve ter se deparado com muitas 
representações sobre a Idade Média, muitas delas contraditórias 
entre si. Período de obscurantismo religioso, pragas devastadoras, 
Cruzadas, muitas vezes, as imagens que nos sãos passadas do 
Medievo não são nada lisonjeiras. É importante ter em mente, 
contudo, que todas essas representações são falhas e parciais 
e escamoteiam informações importantes para que possamos ter 
uma ideia verdadeiramente abrangente desse período histórico. 
Por outro lado, um traço indubitavelmente importante da Idade 
Média é a noção de cavalaria e o código de conduta que advinha 
dessa instituição. Um desses códigos é o amor cortês, ou seja, a 
celebração da pessoa alvo de afeto, de maneira a elevá-la a um pla-
no quase etéreo. Esse conceito era um traço cultural tão importante 
para a nobreza europeia que inspirou grande parte de uma tradição 
literária denominada Trovadorismo. 
Wikipedia Commons (Domínio Público)
Exemplo de amor cortês. A senhora na sacada saúda seu amante 
com uma coroa de louros. A personagem masculina é o conde Kraft 
de Toggenburg, um membro de uma das mais velhas e poderosas 
famílias nobres da Suíça Oriental. Ele morreu em 1261. Acima da 
cabeça do nobre, o brasão da família, assinalando a importân-
cia da nascimento e da linhagem para a sociedade medieval.
Os trovadores, categoria que dá nome ao período, eram 
músicos e poetas-cantores pertencentes à nobreza, que com-
punham e declamavam versos musicados nos saraus e festas 
das cortes e, mais raramente, em celebrações de cunho popular. 
Havia também os segréis e menestréis (trovadores profissio-
nais) e o jogral (bobo da corte e intérprete de composições de 
autoria alheia). 
É importante ressaltar que embora a influência dos trovado-
res seja decisiva para conferir a tônica da literatura produzida 
no período, está também nesse bojo a produção em prosa, a 
qual existia em menor quantidade. Estamos falando dos pri-
mórdios da Língua Portuguesa, a chamada última flor do Lácio, 
e, consequentemente, do alvorecer da literatura portuguesa. 
São esses trovadores, portanto, os precursores de tudo que 
virá posteriormente.
A modelo estamental de sociedade, como em toda a Europa, 
também vigorava na Península Ibérica, que, durante os séculos 
XI e XII, vivia uma era de guerras e transformações, mudanças 
entre as quais inclui a oficialização do galego português como 
língua do Condado Portucalense, reino que acabara de se 
tornar independente. 
É nesse substrato político e social que vicejam as primeiras 
manifestações literárias em galego-português de que se tem 
notícia, as chamadas cantigas, o gênero de maior difusão e 
aceitação nos séculos XII, XIII e XIV e ancorava-se em uma 
poética bastante complexa, o que dificultava seu aprendizado. 
Levando em conta seus aspectos formais e contextos de 
circulação, as cantigas podem ser agrupadas em dois grandes 
grupos: as cantigas líricas e as cantigas satíricas. 
Cantigas líricas
Cantigas de amor
O eu lírico dessas canções era sempre masculino, um homem 
que se dirigia a sua castiça e virtuosa senhora, em uma relação que 
se assemelha à vassalagem. Como você deve saber com base em 
seus estudos de História, a hierarquia entre suseranos e vassalos 
era uma instituição política e social de caráter fulcral para a existência 
e manutenção do feudalismo. 
No que concerne ao eu lírico das cantigas, essa relação social é 
transposta para o plano amoroso, podendo-se falar de um vassalo-
-trovador. Com raras exceções, o eu poético não revela o nome da 
dama que glorifica, pois tal designação constituiria uma quebra de 
mesura, subvertendo as convenções do amor cortês. 
Nos versos das cantigas de amor é comum perceber uma atitude 
servil diante da senhora, o que nos leva a outro aspecto importan-
tíssimo das cantigas de amor: a coita amorosa, isto é, o sofrimento 
amoroso: o submisso eu lírico tem ciência de que jamais poderá 
concretizar fisicamente seus sentimentos, do que resulta sua pecha 
de “coitado”, perene sofredor.
Começavam quase sempre por expressões ou palavras como: 
“mia senhor”, “senhor” ou “fremosa senhor” (notar que, naquela 
época, os nomes terminados em -or eram uniformes quanto ao 
gênero). Conforme o assunto, recebiam várias denominações: 
pastorelas (amores bucólicos), descord ou desacordo (amores 
não correspondidos), tenção (dialogada entre dois trovadores, 
como desafio) etc. (TAVARES, p. 49, 1996).
Leia a seguinte cantiga de amor de autoria de D. Denis 
(1261-1325), filho do Rei D. Afonso III: 
Senhor fremosa, vejo-vos queixar
porque vos am’, e no meu coraçom
hei mui gram pesar, se Deus mi perdom,
porque vej’end’a vós haver pesar,
e queria-m’em de grado quitar,
mais nom posso forçar o coraçom
Capítulo 03
79
Trovadorismo
 
que mi forçou meu saber e meu sem;
desi meteu-me no vosso poder,
e do pesar que vos eu vej’haver,
par Deus, senhor, a mim pesa muit’em;
e partir-m’ia de vós querer bem
mais tolhe-m’end’o coraçom poder
 
que me forçou de tal guisa, senhor,
que sem nem força, nom hei já de mi;
e do pesar que vós tomadesi,
tom’eu pesar que nom posso maior,
e queria nom vos haver amor,
mais o coraçom pode mais ca mi.
(Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa, 543).
Cantigas de amigo
As cantigas de amigo — que já haviam despontado em terras 
hispânicas em tempos ainda mais remotos e nisso e no estilo 
diferiam das cantigas de amor, oriundas do rovarismo provençal 
—, por sua vez, têm um eu lírico feminino, geralmente uma 
jovem camponesa, diferentemente das de amor. Não tome 
esse dado como uma indicação de que as mulheres também 
atuavam com menestréis. Trata-se apenas de uma convenção 
dessa modalidade de poema, por isso lembre-se que o eu lírico 
não deve ser confundido com o poeta de carne e osso, o qual 
era sempre um homem. 
Nessas cantigas, a mulher lamenta a ausência do amado, 
seu interlocutor. Pode-se afirmar que as cantigas de amigo 
apresentavam uma estrutura e linguagem mais simples e livre, 
incluindo, muitas vezes, refrãos. Essas características combi-
nadas com a evocação idílica da vida no campo, tornavam as 
cantigas de amigo muito apropriadas para serem acompanhadas 
com danças ao ar livre. 
Leia a seguir a cantiga de amigo de Nuno Fernández Torneol:
Bem entendi, meu amigo,
que mui gram pesar houvestes
quando falar nom podestes
vós noutro dia comigo,
mais certo seed’amigo
que nom foi o vosso pesar
que s’ao meu podess’iguar.
 
Mui bem soub’eu por verdade
que érades tam coitado
que nom havia recado,
mais amigo acá tornade;
sabede bem por verdade
que nom foi o vosso pesar
que s’ao meu podess’iguar.
Bem soub’, amigo, por certo,
que o pesar daquel dia
vosso, que par nom havia,
mais pero foi encoberto,
e por em seede certo
que nom foi o vosso pesar
que s’ao meu podess’iguar.
 
Ca o meu nom se pod’osmar,
nem eu nom pudi negar.
(Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lis-
boa 553/ Cancioneiro do Vaticano 146).
Cantigas satíricas
Cantigas de escárnio
Nessas cantigas, o tema de amor cede lugar à crítica social. 
Nelas o eu lírico tece comentários mordazes, mas velados a um 
determinado indivíduo ou grupo, utilizando pistas para que o 
alvo de sua causticidade pudesse ser identificado pelos ouvintes 
sem ser nomeado. Temas como a tirania e injustiça do senhor 
feudal e vícios sociais, como a indolência e a farra desmedida, 
apareciam com profusão nas cantigas de escárnio. 
Leia a seguinte cantiga, atribuída a D. Joam Garcia de Gui-
lhade, em que o eu lírico escarnece da feiura de uma senhora, 
ao mesmo tempo que afeta sua intenção de cantar seu louvor 
(ou “loor”, em galego português):
Ai, dona fea, foste-vos queixar
que vos nunca louve’en em meu trobar;
mas ora quero fazer um cantar
em que vos loarei toda via;
e vedes como vos quero loar:
dona fea, velha e sandia!…
Dona fea, se Deus mi perdom,
pois havedes [a]tam gram coraçom
que vos eu loe, em esta razom
vos quero já loar todavia;
e vedes qual será a loaçom:
dona fea, velha e sandia!
Dona fea, nunca vos eu loei
em meu trobar, pero muito trobei;
mais ora já um bom cantar farei
em que vos loarei todavia;
e direi-vos como vos loarei:
dona fea, velha e sandia!
Disponível em: http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.
asp?cdcant=1520&pv=sim. Acesso: 04 jan 2018.
Cantigas de maldizer
Nessa modalidade de cantiga, o eu lírico abria mão de grande 
parte das sutilezas e artifícios que caracterizam as cantigas de 
escárnio, optando por explicitar os desafetos contra os quais 
o eu poético cantava seus versos. A virulência e o emprego 
de ofensas e agressões eram traços usuais das cantigas de 
maldizer. Muitas vezes, chegavam a recair na obscenidade e 
no emprego de palavras consideradas de baixo calão. 
Leia a seguir a cantiga de maldizer de Afonso Eanes de Coton:
Maria Mateu, daqui vou desertar.
De cona não achar o mal me vem.
Aquela que a tem não ma quer dar
e alguém que ma daria não a tem.
Maria Mateu, Maria Mateu,
tão desejosa sois de cona como eu!
Quantas conas foi Deus desperdiçar
Literatura
80
invadidas. Compreende-se que cada um de tais povos falou os di-
versos dialetos latinos a seu modo, imprimindo neles os sinais dos 
seus anteriores hábitos linguísticos, não havendo agora forças 
de unificação que fossem desfazendo nas gerações sucessivas 
as marcas iniciais de aquisição. É a influência do superestrato. 
Com o correr do tempo, entre o quinto e o sétimo século da 
nossa era, surgiram os diversos romances, mais tarde línguas 
românicas. A partir de então, e até os começos do século IX, tais 
foram as modificações sofridas pela antiga língua dos romanos 
na região, que uma nova fase evolutiva passa a existir sob a 
denominação de romance ou romanço, ou, mais especifica-
mente, de romance lusitânico. Foi durante a sua implantação 
na Península que o território sofreu, no século V, a invasão dos 
Bárbaros, com a fixação dos suevos ao noroeste e dos visigodos 
pelo resto da região.
Corrido o tempo, nos princípios do século VIII – precisamente 
no ano 711 –, iria a Península ser de novo objeto de invasão e 
conquista, desta vez por parte dos árabes, que a dominaram 
quase inteiramente. Como falassem uma língua completamente 
distinta do latim, não a impuseram aos vencidos; como professas-
sem uma religião diversa da cristã, foram tolerantes e permitiram 
que os subjugados continuassem a rezar pelo seu Evangelho.
Desde cedo, porém, os cristãos não se conformaram com o 
domínio maometano e começaram a organizar a resistência. 
Refugiados ao Norte, na região montanhosa dos Montes Can-
tábricos, sustentaram, sob o comando do Pelágio, guerrilhas 
e escaramuças que, aos poucos, foram expulsando os árabes, 
empurrando-os para o Sul. Inicia-se, dessa maneira, o movimen-
to que tem o nome de Reconquista, o qual culmina por reunir 
contra os mouros não só as populações de Leão e Castela, mas 
cristãos de várias outras partes. Caberia, por fim, a D. Afonso 
Henriques, filho de Henrique de Borgonha – um nobre francês 
a quem Afonso VI concedera a mão de sua filha D. Tareja e o 
governo do Condado Portucalense em reconhecimento de seus 
feitos – a tarefa de rechaçar definitivamente, na Batalha de Ou-
rique, de 1139, os invasores, vindo a sagrar-se rei de Portugal. 
A fase histórica do português tem início com a constituição da 
nacionalidade, no momento em que a língua, deixando de ser 
instrumento de comunicação de um povo sem coesão nacional, 
passa ser escrita e tem por si o fato de ser a expressão de um 
país autônomo e independente. 
Não deixam de ser expressivos os períodos de história da 
língua portuguesa estabelecidos por Leite de Vasconcelos, 
devendo-se apenas ressaltar que comportam subdivisões, 
notadamente com relação à língua moderna:
1. Latim Lusitânico: É a língua falada na Lusitânia, desde a 
implantação do latim, por obra da romanização, até o sé-
culo V. Dele formamos ideia pela reconstituição linguística. 
2. Romance Lusitânico: é a língua falada na Lusitânia, 
do século V ao século IX. Também não deixou documentos 
escritos. 
3. Português Proto-Histórico: É a época da constituição 
do português como língua falada, a qual vai do século IX ao 
século XII. 
4. Português Arcaico: Do século XIII ao século XVI, mostra 
esse período a primeira fase do português escrito. 
5. Português Moderno: Do século XVI ao XX, vem de Luís 
de Camões, verdadeiro marco da língua moderna. 
Bibliografia: TAVARES, Hênio. Teoria Literá-
ria. Belo Horizonte: Vila Rica. 11 ed., 1996
quando aqui abundou quem as não quer!
E a outros, fê-las muito desejar:
a mim e a ti, ainda que mulher.
Maria Mateu, Maria Mateu
tão desejosa sois de cona como eu!
Disponível em: http://cseabra.utopia.com.br/poesia/
poesias/0643.html. Acesso em 10 dez 2018.
A formação das línguas românicas
Gladstone Chaves de Melo (Adaptado).
Chamam-se línguas românicas os diversos idiomas que 
representam continuações históricas do latim. 
Como explicar que o latim coloquial falado pelas classes po-
pulares do Antigo Império Romano, bastante uno até o terceiro 
século da era cristã, se tenha alterado por modos tão diversos, 
que hoje é impossível a um português entender, semprévio es-
tudo e prática, um francês ou um romeno? Em outras palavras: 
quais as causas da diferenciação acentuada e divergente do 
latim vulgar e da consequente formação das línguas românicas? 
Na primeira fase, três principais fatores trabalharam de 
concerto para produzir aquele resultado histórico: – a diferen-
ciação cronológica, a diversidade de substrato ou diferenciação 
etnológica e a quebra da unidade política e cultural.
1 – O latim originalmente é uma língua falada numa pequena 
região do Lácio, na Itália, onde mais tarde se ergueu a cidade 
de Roma. Rigorosamente, pois, é a língua romana. Sua área 
primitiva entestava com a de outras línguas, algumas da mesma 
família e algo parecidas. Com a expansão de Roma foi o povo 
latino pondo-se em contato com outros idiomas, como o osco, 
o umbro, o messápio e o etrusco.
Os povos que foram sendo sujeitados politicamente a Roma 
acabaram por esquecer a própria língua e admitir o latim. Ora, 
como a expansão de Roma não se deu da noite para o dia, 
compreende-se facilmente que as primeiras regiões romaniza-
das receberam um latim antigo, de aspecto bem mais arcaico 
do que o que se estabeleceu nas últimas.
2 – Imposto pela conquista dos povos vencidos, o latim entrou 
a ser falado por indivíduos que tinham antes uma outra língua 
materna, mas que a abandonaram para usarem a do vencedor. 
Ora, é claro que tais indivíduos trouxeram para a nova língua 
marcas dos seus anteriores hábitos linguísticos. É claro tam-
bém que [esses traços] eram diversos para cada, de acordo 
com o tipo de sua língua anterior. Essa língua primeira é que é 
chamada de substrato pelos linguistas.
3 – Mantinha-se, portanto, em grande parte do Império a 
língua latina, dialetada sim, porém mais ou menos a mesma 
por toda parte. Atuavam constantemente e em todas as regiões 
forças centrífugas, fatores de divergências, assentadas umas na 
diferenciação cronológica no estabelecimento do latim, nascidas 
outras de diferenças de substrato. Enquanto os diversos povos 
de língua latina se sentiam integrados na civilização romana, 
se sentiam politicamente ligados à metrópole, essa consciência 
de solidariedade sustentava a unidade da língua e reprimia a 
expansão das tendências dialetais. Porém, sobrevinda a queda 
do Império, desaparecidas as escolas, desbancadas as elites 
prestigiosas, cada um dos dialetos do latim pôde desenvolver 
livremente as suas tendências peculiares. 
Acrescente-se a isso o seguinte, e aqui entramos na segun-
da fase: os diversos povos bárbaros, que falavam quase todos 
dialetos germânicos, acabaram por adotar o latim nas regiões 
Trovadorismo
81
Exercício.
1. (EsPCEx (AMAN) – 2014) É correto afirmar sobre o Trovadorismo que 
A) os poemas são produzidos para ser encenados. 
B) as cantigas de escárnio e maldizer têm temáticas amorosas. 
C) nas cantigas de amigo, o eu lírico é sempre feminino. 
D) as cantigas de amigo têm estrutura poética complicada. 
E) as cantigas de amor são de origem nitidamente popular. 
Gabarito
1. C
Literatura
82
O período de transição entre a Idade Média e o Renascimen-
to na Europa é marcado pela influência decisiva do Humanis-
mo, movimento artístico e filosófico que trouxe à baila novos 
paradigmas também para a literatura. 
Os séculos XV e XVI foram importantíssimos para a História 
de Portugal, pois concernem a Era das Grandes Navegações, 
nas quais as conquistas ultramarinas da Coroa Portuguesa e 
seus marujos desbravadores, às custas de muitas vidas huma-
nas, atingiram níveis prodigiosos, alçando o país lusitano ao 
estatuto de maior potência da Europa. 
Célebre entre os príncipes e mesmo entre os monarcas é 
o infante D. Henrique de Avis, o Navegador, que inaugurou o 
ciclo de grandes conquistas portuguesas ao apossar-se da 
cidade de Ceuta, no Norte da África, na região do Estreito de 
Gibraltar, local portuário de relevância estratégica decisiva, pois 
possibilitava o controle de uma das principais rotas comerciais 
da época. 
Na esfera filosófica, o principal aporte das ideias que pulula-
vam em meio aos pensadores, naturalistas e artistas do período 
era o Antropocentrismo, ou seja, a inserção do homem como 
medida de todas as coisas. A Europa continuava fortemente 
católica, mas é possível perceber um nítido deslocamento va-
lorativo na mentalidade teocêntrica que absorvia a maior parte 
das preocupações do homem medieval. 
Como a literatura, a arte da palavra, reflete e refrata as 
transformações eclodidas no seio da sociedade, não surpreende 
que o século XV tenha contado com baluartes conferidores de 
vigor insuspeito às Letras e uma verdadeira guinada na tradição 
literária, preparando terreno para o advento do Classicismo.
Em Portugal, podemos pontuar três movimentos decisivos no 
âmbito da literatura, cada um incidindo sobre um gênero distinto: 
a poesia, a crônica histórica e o teatro. Analisaremos a seguir 
cada um desses para constatar os elementos de renovação 
que vivificaram essas manifestações literárias e imprimiram o 
signo da modernidade vindoura em suas obras.
Poesia Palaciana
Com a admissão dos poetas nos salões mais seletos da 
aristocracia, paulatinamente desvestida de seu caráter bélico 
e mais afeita à vida na corte, por influência da centralização 
progressiva dos encargos políticos na figura do rei, a poesia 
adquiriu um estatuto próprio, não mais se vinculando inaliena-
velmente à música. Os trovadores do medievo cederam espaço 
para os declamadores de saraus, o que significou uma elitização 
ainda maior dessas artes. 
Por outro lado, a poesia palaciana pautou-se também por um 
exercício de sofisticação da linguagem literária. Tornaram-se mais 
comuns os usos de figuras e artifícios de linguagem, a preocupa-
ção formal e os expedientes semânticos e sonoros, conferindo 
um caráter autóctone aos versos não tão evidente nas cantigas. 
O martírio amoroso também sofreu uma nítida amenização, 
realçando uma dimensão mais lúdica e focada na exploração 
dos recursos e potencialidades da língua, a qual já adquiria 
contornos distintos: nesse período, o português se diferencia do 
galego, portanto as produções poéticas palacianas que nos são 
legadas são de compreensão muito mais simples para falantes 
do português contemporâneo. 
Veja a seguir um exemplo:
João Roiz de Castel-Branco (Séc. XV)
..
Senhora, partem tam tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.
..
Tam tristes, tam saudosos,
tam doentes da partida,
tam cansados, tam chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.
DE CARVALHO, Amorim. Dos trovadores ao Or-
feu: contribuição para o estudo do maneirismo na poe-
sia portuguesa. Lisboa: Edições Ecopy, 2012.
A crônica histórica de Fernando Lopes
Os conhecimentos acerca da vida do escrivão de livros e 
“guardador das escrituras do Tombo” Fernão Lopes (c.1378-
-c.1459) são escassos, mas de indubitável monta é sua contri-
buição para a nova configuração assumida pelo gênero crônica 
histórica. Seu apreço por tópicos cotidianos, pela verossimilhan-
ça e pelo engendramento de perfis psicológicos dos atores que 
povoam seus relatos, individualizados e aquilatados à altura 
dos encadeamentos de episódios que protagonizavam e que 
o cronista narrava no mesmo momento de seus desenlaces, 
além da inédita focalização, não só sobre os varões, monarcas 
e membros da elite, mas também sobre as classes mais baixas 
na hierarquia social lhe renderam sua presença no panteão 
de escritores mais representativos e influentes de Portugal. 
Entre suas obras mais famosas estão A Crônica de D. João I 
e Crônicas de D. Pedro e D. Fernando.
Biblioteca Augustana.
Retrato Político de S. Vicente de Fora e assinatura de Fernão Lopes. 
O teatro vicentino
Gil Vicente (c.1465-c.1535) é considerado o pai do teatro 
português, no entanto, é importante frisar que manifestações 
teatrais eram praticadas desde o Trovadorismo, em pleno me-
dievo. Eram geralmente representações coletivas de passagens 
bíblicas, mas aenvergadura literária do gênero, de acordo com 
a fortuna crítica, foi alcançada com o teatro vicentino.
Capítulo 04
83
Humanismo
 Em consonância com o espírito da época, a temática pro-
fana passou a fulgurar simultaneamente às tramas extraídas 
da Bíblia, evidenciando o pendor antropocêntrico. É importante 
frisar, contudo, que a preocupação moral e religiosa ainda é um 
aspecto importantíssimo dos autos de Gil Vicente. Tanto é assim 
que produções contemporâneas como O Auto da Compadecida, 
por sua vez inspirada no teatro popular, são herdeiras diretas 
de Gil Vicente, estando também com os pés cravados ora no 
profano, ora no sagrado. 
Essa característica inovadora, aliada aos diálogos ágeis e 
mordazes, ao equilíbrio formal e ao forte envolvimento com a 
plateia contribuíram para a popularidade de Gil Vicente. Os 
personagens que integram seus enredos são denominados 
personagens-tipo e encarnam grupos sociais inteiros, ou seja, 
os actantes não se sobressaem por sua profundidade psico-
lógica ou por um roteiro de vida individualizado, mas por sua 
adequação aos caracteres sociais que povoavam o imaginário 
dos homens e mulheres da época: o usurário, a alcoviteira, o 
parvo, o fidalgo, entre outros que compõem a galeria.
Para fins didáticos, as peças escritas por Gil Vicente podem 
ser divididas em dois grupos:
• os autos: em que a temática religiosa prevalece, tratada de 
maneira séria ou cômica. A finalidade anunciada dessas 
obras era a moralização do público.
• as farsas: voltadas para o entretenimento. Eram curtas, 
compostas de apenas um ato e os temas eram provenien-
tes do cotidiano, ou seja, em seu conteúdo prevalecia os 
aspectos profanos.
As duas obras mais emblemáticas de Gil Vicente são O Auto 
da Barca do Inferno e A Farsa de Inês Pereira. 
Illustração da edição original Auto da Barca do Inferno
Exercícios
1. (PUC SP) A farsa “O Velho da Horta” revela surpreen-
dente domínio da arte teatral. Segundo seus estudiosos, 
Gil Vicente utiliza-se de processos dramáticos que se 
tornarão típicos em suas criações cômicas. Não condiz 
com as características de seu teatro, 
A) o rigoroso respeito à categoria tempo, delineado na 
justa sucessão do transcorrer cronológico das ações. 
B) a não preparação de cenas e entrada de personagens, 
o que provoca a precipitação de certos quadros e 
situações. 
C) o realismo na caracterização social, psicológica e 
linguística de seus personagens. 
D) o perfeito domínio do diálogo e grande poder de ex-
ploração do cômico. 
E) o pouco aparato cênico, limitado ao necessário para 
sugerir o ambiente em que decorre a peça. 
2. (G1 - IFSP – 2016) Considere o trecho para responder 
à questão.
No final do século XV, a Europa passava por grandes mu-
danças provocadas por invenções como a bússola, pela 
expansão marítima que incrementou a indústria naval e o 
desenvolvimento do comércio com a substituição da eco-
nomia de subsistência, levando a agricultura a se tornar 
mais intensiva e regular. Deu-se o crescimento urbano, 
especialmente das cidades portuárias, o florescimento 
de pequenas indústrias e todas as demais mudanças 
econômicas do mercantilismo, inclusive o surgimento da 
burguesia.
Tomando-se por base o contexto histórico da época e os 
conhecimentos a respeito do Humanismo, marque (V) para 
verdadeiro ou (F) para falso e assinale a alternativa correta.
( ) O Humanismo é o nome que se dá à produção escrita 
e literária do final da Idade Média e início da moderna, 
ou seja, parte do século XV e início do XVI. 
( ) Fernão Lopes é um importante prosador do Huma-
nismo português. Destacam-se entre suas obras: 
Crônica Del-Rei D. Pedro I, Crônica Del-Rei Fernando 
e Crônica de El-Rei D. João. 
( ) Gil Vicente é um importante autor do teatro português 
e suas principais obras são: Auto da Barca do Inferno 
e Farsa de Inês Pereira. 
( ) Gil Vicente é um autor não reconhecido em Portugal, 
em virtude de sua prosa e documentação histórica não 
participarem da cultura portuguesa. 
A) V, V, V, F. 
B) V, F, V, V. 
C) F, V, V, F. 
D) V, V, F, F. 
E) V, F, F, V. 
Gabarito
1. A
2. A
Literatura
84
Classicismo
A Renascença consistiu num período da História de enorme 
pujança cultural na Europa. Esse esplendor das artes se tra-
duziu no âmbito da literatura na forma do Classicismo, estilo 
de época que incorporou muitas das principais características 
do espírito humanista, a saber: o universalismo, o apreço pela 
forma e pela medida, o apreço pelos modelos greco-romanos 
da Antiguidade Clássica e a consequente releitura da mitologia 
pagã dessas civilizações e a busca do equilíbrio e da razão. 
Na poesia, o soneto despontou como a forma poética mais 
adequada para a escrita poeta. Sá de Miranda (1481-1558), 
respeitado literato da Universidade de Coimbra introduziu e 
louvou os requintes da poesia feita com dois quartetos e dois 
tercetos, preconizando também os versos decassílabos, métri-
ca considerada mais requintada e distante da fala tradicional. 
Nesse ponto e em vários outros, se opunha ao gosto pela re-
dondilha maior e menor que marcou o Trovadorismo e a Poesia 
Palaciana precedente. 
O maior expoente do Classicismo português foi sem dúvida 
Luís de Camões (1524-1580), poeta de renome internacional, 
autor do grande épico Os Lusíadas, que celebra as conquistas 
marítimas e bélicas do povo português, narrando a expedição 
de Vasco da Gama, primeiro a cruzar o Atlântico para alcanças 
a Índia a partir da Europa. 
O retrato pintado em Goa, 1581.
(Wikipedia Commons). 
Dotado de uma precisão rítmica e dedicada adesão à métrica 
heroica (ou decassílaba), Camões também foi um profícuo cria-
dor de sonetos. Por sua inegável contribuição para a literatura 
de sua nação, Camões persiste como uma referência inconteste 
entre os escritores lusitanos e exemplo máximo de sofisticação 
técnica para seus contemporâneos. 
Leia a seguir um dos sonetos camonianos mais emblemáti-
cos, rico em metáforas e paradoxos.
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
CAMÕES, L. Rimas. Coimbra: Biblioteca Geral da Universidade de 
Coimbra, 1953.
Quinhentismo 
As primeiras manifestações literárias sobre a América estão 
delimitadas pelo seu caráter informativo, expressam sem maiores 
intenções artísticas os contatos do europeu com o Novo Mundo. 
São documentos a respeito das condições gerais da terra con-
quistada. Neles se descrevem os problemas, as prováveis rique-
zas, as lutas de dominação, a paisagem física e humana etc.. 
No início, “tudo são flores”: a visão europeia sobre as terras 
recém-descobertas é idílica. Entretanto, com o tempo, a visão 
idílica e paradisíaca transforma-se. Para o colonizador, embora 
a natureza continue exuberante, os habitantes da terra passam 
a ser descritos como seres boçais e selvagens, como se verifica 
nos relatos de Pero de Magalhães Gândavo.
Desembarque de Cabral em Porto Seguro, óleo so-
bre tela de Oscar Pereira da Silva, 1922. Acervo do 
Museu Histórico Nacional (Rio de Janeiro).
Disponível em: http://super.abril.com.br/blogs/
superlistas/8-exploradores-e-suas-viagens/
Capítulo 05
85
Classicismo e Quinhentismo
Para se ressituarem no mundo, agora mais amplo, aberto, 
variado, composto de novas terras, novos homens, costumes 
e civilizações, os europeus dependiam de informações, relatos 
e narrativas de todo o tipo. Junto com as representações que 
tinham do mundo, sucumbe também o imaginário, construído e 
apoiado mais em fantasias que em fatos reais. Para reconstruí-
-lo, precisavam agora de um novo tipo de narrativa, diferente da 
de Marco Polo, apoiadamais na observação do que realmente 
se encontrava nesses ‘novos mundos’ – o mundo não se cons-
tituía ainda numa realidade minimamente integrada –, o que 
não quer dizer que não tenham sido criadas novas fantasias. 
Só que agora o fantasioso deixava de ser dominante e impor-
tavam mais os elementos da observação direta do que havia 
nas terras e de como eram as gentes. (RONCARI, 1995, p. 26).
Nesse sentido, conforme Luiz Roncari, a Carta ao rei Dom 
Manuel, escrita por Pero Vaz de Caminha, e as de outros es-
crivães e cronistas, voltadas para suprir essas “necessidades 
europeias” da época, “pertencem ao gênero de relato, que se 
constituiu com vistas a reconstruir o imaginário europeu a partir 
de novos valores e de uma nova visão de mundo” (RONCARI, 
1995, p. 26). Para Roncari, isso evidencia que a Carta é muito 
mais obra pertencente à história da literatura portuguesa, no 
capítulo das suas narrativas de viagens. O Brasil, segundo ainda 
Roncari, entra apenas como objeto da narrativa: é sobre suas 
terras e seus primeiros habitantes que ela discorre.
Além das primeiras imagens da terra e dos homens, também 
podemos observar na Carta os valores éticos e materiais que 
orientavam o interesse português sobre as realidades deste 
mundo novo, e como, ao registrar pela escrita as impressões do 
encontro, o relato fixa o choque e o contraste entre esses valo-
res portugueses e os dos indígenas. (RONCARI, 1995, p. 28).
A Carta, escrita numa sequência cronológica, aproxima-se de 
um diário, exibe os principais acontecimentos da viagem da frota 
capitaneada por Pedro Álvares Cabral ao Brasil, desde a partida 
de Belém, Portugal, no dia 9 de março de 1500, até a despedida 
da Ilha de Vera Cruz, no dia primeiro de maio do mesmo ano. 
O texto ficou guardado na Torre do Tombo, de Lisboa, até 1773, 
quando foi descoberto por José de Seabra da Silva. A Carta 
não exerceu nenhuma influência sobre escritores portugueses 
e brasileiros até 1817, quando foi pela primeira vez publicada 
sob a orientação do padre Manuel de Aires Casal, pela imprensa 
régia do Rio de Janeiro. O texto foi mutilado em suas partes mais 
picantes, ou seja, as ousadas descrições das “vergonhas” das 
indígenas. Somente no século XX, com a supervisão de Carolina 
Michaëllis e de Jaime Cortesão, é que a Carta foi devidamente 
apresentada ao público, alcançando enorme repercussão.
Vários poetas modernistas, dotados de forte senso crítico, 
apropriaram-se da Carta para uma revisão de leitura do país. 
Oswald de Andrade, em seu livro de poemas Pau-Brasil, no texto 
“As meninas da gare”, recorta a passagem da descrição das índias 
nuas e desloca-as para o espaço da estação ferroviária, com viés 
crítico, descarrilando o sentido e antecipando a questão da ex-
ploração sexual, da prostituição nativa pelo colonizador. Observe, 
primeiramente, o excerto da Carta e, depois, o poema de Oswald:
Ali andavam entre eles três ou quatro moças, bem moças 
e bem gentis, com cabelos muito pretos compridos pelas 
espáduas, e suas vergonhas tão altas e tão cerradinhas, 
e tão limpas das cabeleiras, que de as nós muito bem 
olharmos não tínhamos nenhuma vergonha.
As meninas da gare
Eram três ou quatro moças bem moças e 
 [bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha3
Literatura de catequese
No Brasil do século XVI não houve apenas a prática de uma 
literatura de informação. Os padres jesuítas que aqui aportaram 
utilizaram a literatura e o teatro como instrumento de mediação 
entre a fé cristã e o paganismo dos povos indígenas. Conhecida 
como literatura de catequese, seu fundamento óbvio era auxiliar 
na conversão do indígena, fazendo com que certos conceitos 
de difícil absorção por parte dos autóctones se tornassem mais 
atraentes por meio do trabalho artístico. A arte nesse caso não 
cumpria uma função propriamente estética, podendo-se afirmar 
que o seu conteúdo era de maior relevância do que a sua forma.
O representante de maior ressonância da literatura de catequese 
é o padre José de Anchieta. Tendo chegado ao Brasil em 1553, 
a pedido do também padre Manuel da Nóbrega, ele se envolveu 
intensamente com os índios, tornando-se não só seu professor e 
catequizador como também seu defensor. Suas obras são todas de 
respiração religiosa, transformando-se em veículos de doutrinação 
cristã. Lembremo-nos de que nessa época a Igreja Católica vive 
embates decisivos com o protestantismo. Era importante, assim, 
garantir que as novas possessões se transformassem em novos 
terrenos para a expansão do catolicismo.
Exercícios
1. (EsPCEx (AMAN) – 2017) Leia o soneto a seguir e marque 
a alternativa correta quanto à proposição apresentada.
Se amor não é qual é este sentimento?
Mas se é amor, por Deus, que cousa é a tal?
Se boa por que tem ação mortal?
Se má por que é tão doce o seu tormento?
Se eu ardo por querer por que o lamento
Se sem querer o lamentar que val?
Ó viva morte, ó deleitoso mal,
Tanto podes sem meu consentimento.
E se eu consinto sem razão pranteio.
A tão contrário vento em frágil barca,
Eu vou por alto-mar e sem governo.
É tão grave de error, de ciência é parca
Que eu mesmo não sei bem o que eu anseio
E tremo em pleno estio e ardo no inverno.
O artista do Classicismo, para revelar o que está no uni-
verso, adota uma visão 
A) subjetiva. 
B) idealista. 
C) racionalista. 
D) platônica. 
E) negativa. 
 
Gabarito
1. C
Literatura
86
O Renascimento caracterizou-se pelo racionalismo, pelo 
equilíbrio, pela clareza e pela linearidade dos contornos. Já o 
Barroco tenta conciliar duas concepções de mundo opostas: 
a medieval e a renascentista. Assim, valores como o humanis-
mo, o gosto pelas coisas terrenas, as satisfações mundanas 
e carnais, trazidos pelo Renascimento, fundem-se a valores 
espirituais trazidos pela Contrarreforma, do que resulta uma 
forma de viver conflituosa, expressa na arte barroca.
O Barroco na arte marcou um momento de crise espiritual da 
sociedade europeia. O homem do século XVII mostrava-se dividido 
entre duas mentalidades, duas formas diferentes de ver o mundo.
Convivendo com o sensualismo e os prazeres materiais trazi-
dos pelo Renascimento, os valores espirituais – marcadamente 
fortes na Idade Média e deixados em parte pelo Renascimen-
to – voltaram a exercer forte influência sobre a mentalidade 
da época. Uma das causas foi, indubitavelmente, a onda de 
religiosidade trazida pela Contrarreforma e pela fundação da 
Companhia de Jesus. O que decorreu daí foram naturalmente 
sentimentos contraditórios, já que o homem estava dividido 
entre valores opostos. E a arte barroca, que exprime essa 
contradição, igualmente oscila entre o clássico (e pagão) e o 
medieval (de valores cristãos), apresentando-se, pois, como 
uma arte marcada pela dualidade.
Nas artes plásticas, de modo geral, o Barroco voltou-se para 
a obscuridade da pintura e dos ambientes arquitetônicos, para 
o sensualismo visual, para a dramaticidade dos movimentos. 
Entre outros, destacam-se, na pintura, artistas como Velásquez, 
Rubens, Caravaggio e Vermeer.
Na música de Bach, Handel, Vivaldi e Corelli, a expressão 
barroca se faz pela dramaticidade extraída de frases musicais 
que surgem num ritmo crescente e se repetem até culminar 
numa grande apoteose. 
Características do Barroco
De maneira bem resumida, apresentaremos os traços carac-
terizadores da arte barroca (aqui daremos ênfase à Literatura). 
Todavia, cabe ressaltar que nenhum estilo artístico deve ser 
entendido de modo engessado. Embora uma determinada 
época possa ser marcada predominantemente por uma certa 
tendência, sempre há exceções, desvios.
Requinte formal
Presença de construções sintáticas elaboradas, assim como 
o uso de um vocabulário de nível elevado. Nota-se, também, 
que o estilo barroco prefere a figuração, a sugestão por meio 
de metáforas, na maioria das vezes, raras, difíceis, rebuscadas. 
Comparações, símbolos e alegorias bíblicas sãoexpedientes 
comuns dessa literatura. Além disso, as hipérboles (exageros) 
e as inversões sintáticas (hipérbatos) costumam aparecer nos 
textos barrocos com certa frequência.
Conflito espiritual
O homem barroco sente-se dilacerado e angustiado diante 
da alteração de valores, dividindo-se entre o mundo espiritual 
e o mundo material. As figuras que melhor expressam esse 
estado de alma são a antítese e o paradoxo.
Temas contraditórios
Há o gosto pela confrontação violenta de temas opostos, 
como amor/dor, vida/morte, juventude/velhice, pecado/per-
dão, por exemplo.
Carpe diem
O homem barroco tem consciência de que a vida terrena é 
efêmera, passageira, e, por isso, é preciso pensar na salvação 
espiritual. Mas, já que a vida é passageira, sente, ao mesmo 
tempo, desejo de gozá-la antes que acabe, o que resulta num 
sentimento contraditório, já que gozar a vida implica pecar, 
e, se há pecado, não há salvação.
Cultismo
É o rebuscamento formal caracterizado pelo jogo de pa-
lavras e pelo excessivo emprego de figuras de linguagem. 
Também conhecido por gongorismo, pela influência do estilo 
do poeta espanhol Luis de Gongora. Observe um exemplo 
dessa tendência barroca, a partir do seguinte poema de 
Gregório de Mattos:
O todo sem a parte não é todo;
A parte sem o todo não é parte;
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga que é parte, sendo o todo.
Em todo o Sacramento está Deus todo,
E todo assiste inteiro em qualquer parte,
E feito em partes todo em toda a parte,
Em qualquer parte sempre fica todo.
O braço de Jesus não seja parte.
Pois que feito Jesus em partes todo,
Assiste cada parte em sua parte.
Não se sabendo parte deste todo,
Um braço que lhe acharam, sendo parte,
Não diz as partes todas deste todo.
Conceptismo
Do espanhol concepto, ideia, conceptismo liga-se ao 
jogo de ideias constituído pelas sutilezas do raciocínio e do 
pensamento lógico, por analogias, comparações etc. Embo-
ra seja mais comum o cultismo manifestar-se na poesia e 
conceptismo na prosa, é perfeitamente normal aparecerem 
ambos em um mesmo texto. 
Sermão da Sexagésima: polêmico, esse sermão resume 
a arte de pregar por meio de recursos conceptistas. Visava 
Vieira, ao analisar “por que não frutificava a Palavra de Deus 
na terra”, a seus adversários católicos – os gongóricos do-
minicanos. 
Capítulo 06
87
Barroco
No introito do sermão, Vieira se propõe a analisar de quem 
era a culpa por não frutificar a palavra de Deus: “Ora suposto 
que a conversão das almas por meio da pregação depende 
destes três concursos: de Deus, do pregador e do ouvinte, por 
qual deles devemos entender a falta? 
Inicialmente, o sermonista inocenta Deus de forma impera-
tiva e dogmática: “Primeiramente por parte de Deus, não falta 
nem pode faltar. Posteriormente, inocenta os ouvintes: “Os 
pregadores deitam a culpa nos ouvintes, mas não é assim. Se 
fora por parte dos ouvintes, não fizera a Palavra de Deus muito 
grande fruto, mas não fazer nenhum fruto e nenhum efeito, não 
é por parte dos ouvintes. Provo”.
Eliminando os dois primeiros, fatalmente a culpa caberia ao 
pregador: “Sabeis, cristãos, por que não faz fruto a Palavra de 
Deus? Por culpa dos pregadores. Sabeis, pregadores, por que 
não faz fruto a Palavra de Deus? Por culpa nossa”. Mas de 
todos os pregadores? Não. Vieira em seguida irá desferir, de 
forma irônica, e mesmo sarcástica, uma série de críticas aos 
pregadores dominicanos, seguidores de uma forma cultista, 
gongórica de expressão.
Locus Horroendus
É a utilização do horrível, do dramático, como tema artís-
tico, misturando-se com o belo. Cenas grotescas e mesmo 
repugnantes são inseridas no contexto artístico. É o oposto do 
clássico, que só tinha interesse pelo que era ameno, agradável. 
A pintura a seguir, de Caravaggio, ilustra essa tendência.
 David com a cabeça de Golias. Caravaggio.
http://bravonline.abril.com.br/materia/ele-antecipou-
-a-fotografia#image=Capa Caravaggio
A poesia de Gregório de Matos
Conhecido como “Boca do Inferno”, devido à sua produção 
satírica, Gregório de Matos é o maior poeta barroco brasileiro 
e um dos fundadores da poesia lírica e satírica no país. Devido 
às suas sátiras, foi perseguido pelo governador baiano Antônio 
Souza Menezes, o “Braço de Prata”. O poeta foi extremamente 
irreverente. Irreverente como pessoa, ao chocar os valores e 
a falsa moral da sociedade baiana de seu tempo, com seus 
comportamentos considerados indecorosos; irreverente como 
poeta lírico, porque seguia e, ao mesmo tempo, quebrava os 
modelos barrocos europeus; irreverente como poeta satírico, 
pois, empregando um vocabulário chulo, de baixo calão, denun-
ciou as contradições e falsidades daquela sociedade, ignorando 
o poder das autoridades políticas e religiosas.
Hoje, entretanto, a obra de Gregório de Matos é reconhecida 
como um projeto literário que não só abriu uma tradição entre 
nós, mas também que superou os limites do movimento a que 
estava filiado – o Barroco –, e o poeta chegou a ser, em pleno 
século XVII, de certa forma, um dos precursores da poesia 
moderna do século XX.
Gregório de Matos cultivou a poesia lírico-religiosa, amorosa 
e filosófica. Como poeta lírico, adequou-se aos temas e aos 
procedimentos de linguagem mais frequentes no Barroco 
europeu.
A sátira
Gregório de Mattos representa uma das veias mais ferinas 
e ricas de toda a literatura satírica em língua portuguesa. A 
exemplo de certos trovadores da Idade Média, o poeta não 
poupou palavrões em sua linguagem nem críticas a todas 
as classes da sociedade baiana de seu tempo. Criticava o 
governador, o clero, os comerciantes, os negros, os mulatos... 
e amava as mulatas. Vejamos alguns exemplos dessa sua 
produção.
Décima
Se Pica-Flor me chamais,
Pica-Flor aceito ser,
Mas resta agora saber,
Se no nome que me dais,
Meteis a flor que guardais
No passarinho melhor!
Se me dais este favor,
Sendo só de mim o Pica,
E o mais vosso, claro fica,
Que fico então Pica-Flor.
Cabe aqui um breve comentário em relação ao poema 
anterior (uma décima – composição de dez versos). Trata-se 
de uma réplica, pois Gregório de Matos retruca uma freira 
que o comparou a um passarinho (beija-flor ou pica-flor), 
por ser ele escasso de corpo, magro. Se no início do poema 
o termo pica-flor relaciona-se ao pássaro, no final, o termo 
ganha conotação chula, em que se observa a relação entre 
“pica”, órgão genital masculino, e “flor”, órgão genital feminino.
O sermonário de pe. Antônio Vieira
Pe. AntonioVieira é figura central do século 17. Clé-
rigo, professor, missionário e diplomata, Vieira vi-
veu em Lisboa, em quatro estados do Brasil e em 
Roma, e frequentou tanto a corte quanto a selva.
Disponível em: http://www.portalbei.com.br/2013/04/com-textos-inedi-
tos-obra-completa-de-padre-antonio-vieira-e-lancada-em-portugal/)
Português de origem, Vieira tinha sete anos quando 
veio com a família para o Brasil. Na Bahia, estudou com os 
jesuítas e espontaneamente ingressou na ordem da Compa-
Literatura
88
nhia de Jesus, iniciando seu noviciado com apenas 15 anos. 
Embora religioso, nunca ficou restrito à pregação religiosa. 
Sempre pôs seus sermões a serviço das causas políticas que 
abraçava e defendia, e por isso se indispôs com muita gente: 
com os pequenos comerciantes, com os colonos que escravi-
zavam os índios, e até com a Inquisição.
Valendo-se do púlpito – único meio de propagação de ideias 
às massas no Nordeste do século XVII – Vieira pregou a índios, 
brancos e negros, a brasileiros, a africanos e portugueses, a 
dominadores e a dominados, pondo em prática suas ideias 
políticas, tanto na catequese e na defesa do índio, como na 
sua defesa da colônia em favor de Portugal contra a invasão 
holandesa.
As qualidades de Vieira como orador são incomparáveis. 
Aliando sua formação jesuítica à estética barroca em voga, 
pronunciou sermões que se tornaram, ao mesmo tempo, a 
expressão máxima do Barroco em prosa sacra e uma das prin-
cipais expressões ideológicas e literárias da Contrarreforma.
Cabeexplicar que o sermão é um texto em prosa, longo e 
demoradamente elaborado, que tem como principais objetivos 
a propaganda e a edificação religiosa. Modalidade literária, 
o sermão é um discurso que comenta a palavra sagrada, 
apoiando-se, basicamente, na Bíblia. Explorando os recursos 
verbais com a finalidade de ensinar, persuadir e comover, 
pode-se dizer que é uma espécie de parenética, isto é, um 
discurso de efeito moral. 
Vejamos, em seguida, a presença do Barroco na obra de 
Vieira, tomando por base um de seus mais polêmicos sermões, 
o Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as 
da Holanda, pregado em 1640, na Igreja de N. Sª. da Ajuda, na 
cidade da Bahia (Salvador), em virtude de um iminente ataque 
dos holandeses, para a tomar a cidade, e publicado como texto 
definitivo em 1679.
O próprio título já consagra a oposição em que irá se ba-
sear o discurso: Portugal x Holanda. Mas Vieira, logo em sua 
exposição inicial, ao comparar o Salmo XLIII à sorte do Brasil, 
afirma: “Vamos lendo todo o Salmo, e em todas as cláusulas 
dele veremos retratadas as da nossa fortuna: o que fomos e o 
que somos”16. Um pouco mais adiante salienta: “Tão presumido 
venho da vossa misericórdia, Deus meu, que ainda que nós 
somos os pecadores, vós haveis de ser o arrependido”. Todo 
o discurso, encontra-se recheado de paradoxos e antíteses, 
que constituíam a base da estética barroca.
Ideal contrarreformista: 
Não haverá missas, nem altares, nem sacerdotes que as 
digam; morrerão os católicos sem confissão nem sacramentos; 
pregar-se-ão heresias nestes mesmos púlpitos, e em lugar de 
S. Jerônimo e Santo Agostinho, ouvir-se-ão e alegar-se-ão 
neles os infames nomes de Calvino e Lutero, beberão a falsa 
doutrina os inocentes que ficarem, relíquias dos portugueses; 
e chegaremos a estado que, se perguntarem aos filhos e netos 
dos que aqui estão: – Menino, de que seita sois? Um respon-
derá: Eu sou calvinista: outro: – Eu sou luterano.
Imagens hiperbólicas, evidenciando o locus horroendus 
(exposição de cenas dramáticas para pasmar o ouvinte): 
Entrarão por esta cidade [os holandeses] com fúria de ven-
cedores e de hereges; não perdoarão a estado, a sexo, nem 
a idade, com os fios dos mesmos alfanjes medirão a todos; 
chorarão as mulheres, vendo que não se guarda decoro à sua 
modéstia; chorarão os velhos, vendo que senão guarda respei-
to a suas cãs; chorarão os nobres, vendo que se não guarda 
cortesia a sua qualidade; chorarão os religiosos e venerá-
veis sacerdotes, vendo que até as coroas sagradas os não 
defendem; chorarão finalmente todos, e entre todos mais 
lastimosamente os inocentes, porque nem a esses perdoará 
(como em outras ocasiões não perdoou), a desumanidade 
herética.
Entrarão os hereges nesta igreja e nas outras; arrebata-
rão essa custódia, em que agora estais adorado dos anjos; 
tomarão os cálices e vasos sagrados, e aplicá-los-ão a suas 
nefandas embriaguezes; derrubarão dos altares os vultos e 
estátuas de santos, deformá-las-ão a cutiladas, e metê-las-
-ão no fogo; e não perdoarão as mãos furiosas e sacrílegas, 
nem às imagens tremendas de Cristo crucificado, nem às 
da Virgem Maria.
Cabe, por fim, lembrar que esse como outros sermões 
pregados por Vieira não se distanciam da realidade iminente. 
A invasão holandesa foi um fato real, assim como as ameaças 
e avanços protestantes frente ao catolicismo. O sermonista 
acomoda as palavras bíblicas ao contexto histórico, buscando 
nos salmos e outros livros do Antigo e do Novo Testamento 
os argumentos necessários para evidenciar as misérias por 
que passava a Província do Brasil. Tudo isso dito de forma 
dramática, pois que o sermão apresenta esse caráter teatral, 
já que tinha o intuito de comover, emocionar o ouvinte.
Referências
GOMBRICH, E. H. A história da arte. 4 ed. Rio de Janeiro: Editora 
Guanabara, 1988 (p. 305-306).
MACIEL, Luiz Carlos Junqueira; XAVIER, Gilberto. Gregório de 
Matos: 25 poemas. Belo Horizonte/Rio de Janeiro: Itatiaia, 1998.
MATOS, Gregório de. Obra poética. 3 ed. Rio de Janeiro: Record.
VIEIRA, Antonio. Sermões. 12 ed. Rio de Janeiro: Agir, 1995.
Exercícios
1. (EsPCEx (AMAN) – 2018) “Se gostas de afetação e 
pompa de palavras e do estilo que chamam culto, não 
me leias. Quando esse estilo florescia, nasceram as 
primeiras verduras do meu; mas valeu-me tanto sem-
pre a clareza, que só porque me entendiam comecei a 
ser ouvido. (...) Esse desventurado estilo que hoje se 
usa, os que querem honrar chamam-lhe culto, os que 
o condenam chamam-lhe escuro, mas ainda lhe fazem 
muita honra. O estilo culto não é escuro, é negro (...) 
e muito cerrado. É possível que somos portugueses e 
havemos de ouvir um pregador em português e não 
havemos de entender o que diz?!”
Padre Antônio Vieira, nesse trecho, faz uma crítica ao 
estilo barroco conhecido como 
A) conceptismo, por ser marcado pelo jogo de ideias, 
de conceitos, seguindo um raciocínio lógico. 
B) quevedismo, por utilizar-se de uma retórica aprimo-
rada, a exemplo de seu principal cultor: Quevedo. 
C) antropocentrismo, caracterizado por mostrar o ho-
mem, culto e inteligente, como centro do universo. 
D) gongorismo, ao caracterizar-se por uma linguagem 
rebuscada, culta e extravagante. 
E) teocentrismo, caracterizado por padres escritores 
que dominaram a literatura seiscentista.
Barroco 
89
[...]. O ladrão que furta para comer não vai nem leva ao 
Inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu trato, 
são os ladrões de maior calibre e de mais alta esfera [...]. 
Não são só ladrões, diz o santo [São Basílio Magno], os 
que cortam bolsas, ou espreitam os que se vão banhar, 
para lhes colher a roupa; os ladrões que mais própria e 
dignamente merecem este título são aqueles a quem os 
reis encomendam os exércitos e legiões, ou o governo das 
províncias, ou a administração das cidades, os quais já com 
manha, já com força, roubam e despojam os povos. Os 
outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades 
e reinos: os outros furtam debaixo do seu risco, estes sem 
temor, nem perigo: os outros, se furtam, são enforcados: 
estes furtam e enforcam.
(Essencial, 2011.) 
Em um trecho do “Sermão da Sexagésima”, Antônio Vieira 
critica o chamado estilo cultista de alguns oradores sacros 
de sua época nos seguintes termos: “Basta que não ha-
vemos de ver num sermão duas palavras em paz? Todas 
hão de estar sempre em fronteira com o seu contrário?” 
Palavras “em fronteira com o seu contrário”, contudo, tam-
bém foram empregadas por Vieira, conforme se verifica 
na expressão destacada em: 
A) “Navegava Alexandre [Magno] em uma poderosa arma-
da pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia” (1º parágrafo)
B) “O ladrão que furta para comer não vai nem leva ao 
Inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu 
trato, são os ladrões de maior calibre e de mais alta 
esfera” (3º parágrafo) 
C) “Saibam estes eloquentes mudos que mais ofendem 
os reis com o que calam que com o que disserem” 
(2º parágrafo)
D) “Quando li isto em Sêneca, não me admirei tanto de que 
um filósofo estoico se atrevesse a escrever uma tal 
sentença em Roma, reinando nela Nero” (2º parágrafo)
E) “Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam 
cidades e reinos” (3º parágrafo)
Gabarito
1. D 2. A 3. C
2. (G1 - cftmg – 2018)
Já desprezei, sou hoje desprezado,
Despojo sou, de quem triunfo hei sido,
E agora nos desdéns de aborrecido,
Desconto as ufanias de adorado.
O amor me incita a um perpétuo agrado,
O decoro me obriga a um justo olvido:
E não sei, no que emprendo, e no que lido,
Se triunfe o respeito, se o cuidado.
Porém vença o mais forte sentimento,
Perca o brio maior autoridade,
Que é menos o ludíbrio, que o tormento.
Quem quer, só do querer faça vaidade,
Que quem logra em amor entendimento,
Não tem outro capricho, que a vontade.
MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos de Gregório de 
Matos. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
Em termos formais e temáticos, as principais caracte-
rísticas barrocas do soneto são, respectivamente, 
A) a sintaxe rebuscadae o culto aos contrastes. 
B) o rigor métrico e a crítica ao sentimentalismo. 
C) o vocabulário erudito e a reflexão sobre o amor. 
D) as rimas alternadas e o embate entre emoção e 
razão. 
3. (Unesp – 2018) “Sermão do bom ladrão”
Navegava Alexandre [Magno] em uma poderosa ar-
mada pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia; e como 
fosse trazido à sua presença um pirata, que por ali 
andava roubando os pescadores, repreendeu-o muito 
Alexandre de andar em tão mau ofício; porém ele, que 
não era medroso nem lerdo, respondeu assim: “Basta, 
Senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou 
ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois 
imperador?”. Assim é. [...] Mas Sêneca, que sabia bem 
distinguir as qualidades, e interpretar as significações, 
a uns e outros, definiu com o mesmo nome: [...] Se o 
rei de Macedônia, ou qualquer outro, fizer o que faz o 
ladrão e o pirata; o ladrão, o pirata e o rei, todos têm o 
mesmo lugar, e merecem o mesmo nome.
Quando li isto em Sêneca, não me admirei tanto de 
que um filósofo estoico se atrevesse a escrever uma 
tal sentença em Roma, reinando nela Nero; o que mais 
me admirou, e quase envergonhou, foi que os nossos 
oradores evangélicos em tempo de príncipes católicos, 
ou para a emenda, ou para a cautela, não preguem a 
mesma doutrina. Saibam estes eloquentes mudos que 
mais ofendem os reis com o que calam que com o que 
disserem; porque a confiança com que isto se diz é sinal 
que lhes não toca, e que se não podem ofender; e a cau-
tela com que se cala é argumento de que se ofenderão, 
porque lhes pode tocar. [...]
Suponho, finalmente, que os ladrões de que falo não 
são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de 
sua fortuna condenou a este gênero de vida, porque a 
mesma sua miséria ou escusa ou alivia o seu pecado 
Literatura
90
O Juramento dos horácios, por Jacques-Louis David, 1784, Museu do 
Louvre, Paris. Disponível em: http://www.doispensamentos.com.br/site/?p=680
Os revolucionários franceses gostavam de se considerar 
gregos e romanos renascidos, e sua pintura, não menos que 
a arquitetura, refletia seu gosto pelo que era designado como 
grandeza romana. O principal artista desse estilo, denominado 
neoclássico, foi o pintor Jacques-Louis David.
Uma das obras mais conhecidas e influentes da escola neo-
clássica, inspirada na história da Roma Antiga, é O juramento 
dos horácios, em que os valores estéticos da Antiguidade 
servem de veículo condutor a uma mensagem atual: cidadãos 
(homens livres) agarram em armas, ou seja, tomam nas suas 
mãos o poder sobre o futuro da nação.
A banhista de Valpinçon, por Jean Auguste Dominique In-
gres, 808. Disponível em: http://www.infopedia.pt/$a-banhista-de-
-valpincon-de-ingres;jsessionid=O54DrnbJOGr3arRVRj5q7g
 De linha conservadora, Ingres tinha sido discípulo e se-
guidor de David e, tal como ele, admirava a arte heroica da 
Antiguidade clássica. Em seus ensinamentos, insistiu sobre a 
disciplina de absoluta precisão na classe vital e desprezava as 
improvisações e a confusão. A Banhista de Valpinçon eviden-
cia sua mestria na representação de formas e a fria clareza de 
sua composição. De acordo com Gombrich (1988), “fica fácil 
compreender por que tantos artistas invejavam a segurança 
técnica deste pintor e respeitavam sua autoridade, mesmo 
quando discordavam dos seus pontos de vista. Mas também 
fica fácil compreender por que os seus contemporâneos mais 
veementes achavam insuportável essa perfeição fluente”. Em 
Banhista de Valpinçon, obra carregada de sensualidade, a 
integridade do corpo nu da mulher sentada vista de costas 
é recuperada pelos contornos marcados, pelas linhas, luz e 
cor, assim como pela integração das formas da figura com as 
dobras e movimento dos lençóis, cortina, turbante. Suavizada 
pela delicadeza do ambiente, a banhista sugere um erotismo 
frio e lânguido.
Na música, o estilo neoclássico é denominado como período 
clássico ou classicismo. As composições são marcadas pela 
simplificação das estruturas musicais barrocas. Mozart e Haydn 
são os compositores mais representativos do auge desse estilo, 
por sintetizaram os trabalhos de seus antecessores, dando forma 
definida à sonata, à música de câmara, ao concerto e à sinfonia. 
O século XVIII é o Século das Luzes, em que se desenvolve 
uma visão científica do mundo. O século estava em transição, 
atravessado por tendências contraditórias, polarizado entre a 
liberdade e a tradição, a espontaneidade e o formalismo. O sub-
jetivismo burguês avançava firme em substituição ao formalismo 
cortês, não sem experimentar de passagem formas tradicionais, 
ainda de restauração clássica, mas de sentido diferente. 
No Brasil, o Arcadismo desenvolveu-se em Minas Gerais, 
onde se havia descoberto ouro, fato que marcou o local como 
centro econômico e, portanto, cultural da colônia portuguesa.
No apogeu da produção aurífera, entre 1740 e 1760, Vila Rica 
(hoje Ouro Preto) e o Rio de Janeiro substituíram a cidade de Sal-
vador como os dois polos da produção e da divulgação de ideias.
Os ideais do Iluminismo francês eram trazidos da Europa 
pelos poucos membros da burguesia letrada brasileira – juristas 
formados em Coimbra, padres, comerciantes e militares.
De maneira resumida, na literatura, o Neoclassicismo en-
cerra os seguintes traços estéticos:
Retorno aos moldes clássicos: contra os exageros 
barrocos, o poeta árcade assume uma tendência normativa, 
voltando-se para o padrão greco-latino de composição. 
Simplicidade: De acordo com a expressão latina inutilia trun-
cat, deveria ser cortado o excesso, aquilo que fosse considerado 
inútil, valorizando-se, assim, a simplicidade e o equilíbrio.
Academismo: criação de academias (Arcádias) que congre-
gassem poetas com nomes pastoris: Tomás Antônio Gonzaga 
era Dirceu; Cláudio Manoel da Costa era Glauceste; daí o 
nome Arcadismo, também aplicável a este estilo de época. A 
literatura teria de ter um cunho didático e pragmático, quando 
não espelhasse o simples, o belo, o racional e o natural.
Capítulo 07
91
edições
Arcadismo
Bucolismo: a vida campestre – valorizando-se a convivência 
em contato com a natureza, em consequência da imitação do 
passado greco-latino (autores clássicos como Virgílio). A poesia 
pastoril ou bucólica era bem mais que um postulado estético a 
que devia seguir o poeta, chegando mesmo a representar uma 
idealização da vida, como no exemplo que se segue:
Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
Que viva de guardar alheio gado;
De tosco trato, d’expressões grosseiro,
Dos frios gelos e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal e nele assisto;
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
E mais as finas lãs de que me visto.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela! 
GONZAGA, Tomás Antônio. Marília de Dir-
ceu. Rio de Janeiro: Ediouro [s.d.] – p. 13.
Fugere urbem, sequere naturam: fugir da cidade, seguir 
a natureza, em consequência da Teoria do Bom Selvagem 
de Rousseau, segundo a qual o homem deve viver longe da 
sociedade, que o corrompe: 
Quem deixa o trato pastoril amado
Pela ingrata, civil correspondência,
Ou desconhece o rosto da violência,
Ou do retiro a paz não tem provado.
Que bom é ver nos campos transladado
No gênio do pastor, o da inocência!
E que mal é no trato e na aparência
Ver sempre o cortesão dissimulado!
Ali respira amor sinceridade,
Aqui sempre a traição seu rosto encobre;
Uma só trata a mentira, outro a verdade.
Ali não há fortuna, que soçobre;
Aqui quanto se observa, é variedade:
Oh ventura de rico! Oh bem do pobre! 
COSTA, Claudio Manuel da. Poemas escolhi-
dos. Rio de Janeiro: Ediouro – p. 34-35.
Cabem aqui algumas considerações sobre essa temática 
campo x cidade. Na música popular brasileira, ela irá ser re-
tomada em diversos momentos, a partir do século XX. Com 
Catulo da Paixão Cearense, em “Luar do sertão”:
Não há, ó gente, ó não
Luar como esse do sertão
Não há, ó gente, ó não
Luar como esse do sertão
Oh! que saudade do luar da minha terra
Lá na serra branqueando folhassecas
pelo chão
Este luar cá da cidade tão escuro
Não tem aquela saudade do luar lá do sertão
E também com Gilberto Gil e Dominguinhos em “Lamento 
Sertanejo”, por exemplo:
Por ser de lá
Do sertão, lá do cerrado
Lá do interior do mato
Da caatinga e do roçado
Eu quase não saio
Eu quase não tenho amigo
Eu quase que não consigo
Ficar na cidade sem viver contrariado
Cupido entrou no Céu. O grande Jove
Uma vez se mudou em chuva de ouro;
Outras vezes tomou as várias formas
De General de Tebas, velha e touro.
O próprio Deus da Guerra, desumano,
Não viveu de amor ileso;
Quis a Vênus e foi preso
Na rede que lhe armou o Deus Vulcano. 
GONZAGA, Tomás Antônio. Marília de Dir-
ceu. Rio de Janeiro: Ediouro [s.d.] – p. 16.
Por ser de lá
Na certa, por isso mesmo
Não gosto de cama mole
Não sei comer sem torresmo
Eu quase não falo
Eu quase não sei de nada
Sou como rês desgarrada
Nessa multidão, boiada caminhando a esmo
E com compositores sertanejos em geral.
Locus amoenus: os poetas árcades procuram valorizar o 
conceito de arte como imitação da natureza, recriando-a atra-
vés de descrições em que era embelezada em seus aspectos 
menos poéticos; a natureza dos árcades é bem diferente da 
natureza que será cantada pelos poetas românticos: a dos ár-
cades é verossímil (embora não seja real), mais convencional, 
estática, enquanto que, para os poetas românticos, a natureza 
assumirá um papel de cúmplice, de extensão, e mesmo de 
sublimação para os sentimentos. Tem-se, no Neoclassicismo, 
o chamado locus amoenus, local agradável, apropriado para o 
idílio bucólico, em oposição ao locus horroendus barroco, que 
exagerava no tratamento das paixões humanas, do fantástico, 
do macabro, aspectos cruéis da realidade, cenas repugnantes, 
com a finalidade de pasmar o espectador ou o leitor. Tomemos 
um exemplo desse locus amoenus em Tomás Antônio Gonzaga:
Dispus-me a servir-te;
Levava o teu gado
À fonte mais clara
À vargem e prado
De relva melhor
Marília, escuta
Um triste pastor.
Se vinha da herdade,
Trazia nos ninhos
As aves nascidas
Abrindo os biquinhos
De fome ou temor
Marília, escuta
Um triste pastor. 
GONZAGA, Tomás Antônio. Marília de Dir-
ceu. Rio de Janeiro: Ediouro [s.d.] – p. 18.
Mitologia greco-latina: eguindo o padrão clássico, a mito-
logia era presença quase obrigatória, como exemplificam os 
versos seguintes, também de Gonzaga:
Há ainda a presença da poesia épica, como exemplificam 
Caramuru, de Santa Rita Durão, e Uraguai, de Basílio da 
Gama. Na poesia lírica, além de Tomás Antônio Gonzaga e 
Cláudio Manoel da Costa, temos Silva Alvarenga e Alvarenga 
Peixoto. 
Literatura
92
Podem ser encontradas ainda manifestações pré-român-
ticas no Neoclassicismo, quando o sentimento é cultivado 
de maneira mais intensa, mais subjetiva, como evidencia o 
seguinte quarteto de Cláudio Manoel da Costa:
Nise? Nise? onde estás? Aonde espera
Achar-te uma alma, que por ti suspira,
Se quanto a vista se dilata e gira,
Tanto mais de encontrar-te desespera! 
COSTA, Claudio Manuel da. Poemas escolhi-
dos. Rio de Janeiro: Ediouro – p. 34.
Cabe ressaltar a presença da sátira, trata-se das Cartas 
Chilenas, poema de caráter satírico, incompleto, que circulou 
em partes pela Vila Rica, entre 1787-1788. Depois da Incon-
fidência Mineira, essas cartas nunca mais apareceram pela 
cidade, o que fez supor que os seus autores ou o seu autor 
fosse um dos poetas árcades presos: Tomás Antônio Gonza-
ga, Cláudio Manoel da Costa ou Alvarenga Peixoto. Somente 
no século XX, após estudos de Rodrigues Lapa, foi atribuída, 
definitivamente, a autoria a Tomás Antônio Gonzaga.
A obra é toda em jogo de disfarces: Fanfarrão Minésio é 
o pseudônimo do governador; chilenas equivale a mineiras; 
Santiago, de onde são assinadas, equivale a Vila Rica. O 
autor das cartas é identificado como Critilo, e seu destinatário, 
como Doroteu.
As Cartas Chilenas são a principal expressão satírica 
da literatura colonial do século XVIII. Trilhando os caminhos 
abertos por Gregório de Mattos, Gonzaga dá continuidade à 
irregular tradição satírica de nossa literatura, ao mesmo tempo 
em que oferece à historiografia um rico painel social e político 
daqueles dois anos que precederam a Inconfidência Mineira.
O povo, Doroteu, é como as moscas
que correm ao lugar, aonde sentem
o derramado mel; é semelhante
aos corvos e aos abutres, que se ajuntam
nos ermos, onde fede a carne podre.
À vista, pois, dos fatos, que executa
o nosso grande chefe, decisivos
da piedade que finge, a louca gente 
de toda a parte corre a ver se encontra
algum pequeno alívio à sombra dele. 
“Carta 2ª” Apud OLIVEIRA, Tarquínio J. B. As cartas chilenas: 
fontes textuais. São Paulo: Editora Referência, 1972 – p. 76.
Exercícios
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES: 
O texto abaixo é uma das liras que integram Marília de 
Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga. 
1. Em uma frondosa
Roseira se abria 
Um negro botão! 
Marília adorada 
O pé lhe torcia 
Com a branca mão. 
2. Nas folhas viçosas 
A abelha enraivada 
O corpo escondeu. 
Tocou-lhe Marília,
Na mão descuidada 
A fera mordeu. 
3. Apenas lhe morde, 
Marília, gritando, 
Co dedo fugiu. 
Amor, que no bosque 
Estava brincando, 
Aos ais acudiu. 
4. Mal viu a rotura, 
E o sangue espargido, 
Que a Deusa mostrou, 
Risonho beijando 
O dedo ofendido, 
Assim lhe falou: 
5. Se tu por tão pouco 
O pranto desatas, 
Ah! dá-me atenção: 
E como daquele, 
Que feres e matas, 
Não tens compaixão? 
(GONZAGA, Tomás Antônio. Marília de Dirceu & Car-
tas Chilenas. 10. ed. São Paulo: Ática, 2011.) 
1. (ITA – 2018) Haicai tirado de unia falsa lira de Gonzaga 
Quis gravar “Amor” 
No tronco de um velho freixo: 
“Marília” escrevi. 
(BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. 20 
ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.) 
O poema abaixo retoma imagens presentes nas liras 
de Marília de Dirceu e no haicai de Manuel Bandeira, 
apresentados acima. 
Passeio no bosque 
o canivete na mão não deixa 
marcas no tronco da goiabeira 
cicatrizes não se transferem 
(CACASO. Beijo na boca. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2000.) 
Algumas pessoas, ao gravarem nomes, datas etc., nos 
troncos das árvores, buscam externar afetos ou senti-
mentos. Esse texto, contudo, registra uma experiência 
particular de alguém que, fazendo isso, 
A) se liberta das dores amorosas, pois as exterioriza 
de alguma forma. 
B) percebe que provocará danos irreversíveis à inte-
gridade da árvore. 
C) busca refúgio na solidão do espaço natural. 
D) se dá conta de que é impossível livrar-se dos sen-
timentos que o afligem. 
E) encontra dificuldade em gravar o tronco com um 
simples canivete. 
Arcadismo
93
2. (ITA – 2018) O poema abaixo dialoga com as liras de 
Marília de Dirceu.
Haicai tirado de unia falsa lira de Gonzaga 
Quis gravar “Amor” 
No tronco de um velho freixo: 
“Marília” escrevi. 
(BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. 20 
ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.) 
Dentre as marcas mais visíveis de intertextualidade, 
encontram-se as seguintes, EXCETO 
A) o título do poema menciona o autor de Marília de 
Dirceu. 
B) ambos os textos pertencem à mesma forma poética. 
C) no poema, Marília é, assim como em Gonzaga, o 
objeto amoroso. 
D) tal como nos textos árcades, no de Bandeira, a 
natureza é o cenário do amor. 
E) este poema de Bandeira possui, como os de Gon-
zaga, teor sentimental. 
3. (ITA – 2018) Neste poema,
I. há o relato de um episódio vivido por Marília: após 
ser ferida por uma abelha, ela é socorrida pelo Amor. 
II. o Amor é personificado em uma deidade que dirige 
a Marília uma pequena censura amorosa. 
III. a censura que o Amor faz a Marília é um artificio por 
meio do qual o sujeito lírico, indiretamente, dirige a 
ela uma queixa amorosa. 
IV. o propósito maior do poema surge, no final, no 
lamento que o sujeito lírico dirige à amada, que 
parece fazê-lo sofrer. 
Estão CORRETAS: 
A) I, II e III apenas. 
B) I, II e IV apenas. 
C) I e III apenas. 
D) II, III e IV apenas. 
E) todas 
4. (UFSM – 2015) Na literatura, os alimentossão empre-
gados com frequência de forma figurada. E o que se vê 
no poema de Cláudio Manuel da Costa:
LXVII
Não te cases com Gil, bela serrana;
Que é um vil, um infame, um desastrado;
Bem que ele tenha mais 1devesa, e gado,
A minha condição é mais humana.
Que mais te pode dar sua cabana,
Que eu aqui te não tenha aparelhado?
O leite, a fruta, o queijo, o mel dourado;
Tudo aqui acharás nesta choupana:
Bem que ele tange o seu 3rabil grosseiro,
Bem que te louve assim, bem que te adore,
Eu sou mais 2extremoso, e verdadeiro.
Eu tenho mais razão, que te enamore:
E se não, diga o mesmo Gil vaqueiro:
Se é mais, que ele te cante, ou que eu te chore.
Fonte: IGLESIA, Francisco (org.). Melhores poemas de Cláu-
dio Manuel da Costa. São Paulo: Global, 2012, p. 96.
Glossário
1Devesa: terra.
2Extremoso: excessivamente carinhoso.
3Rabil: uma espécie de violino rústico ou rabeca.
Sobre o poema, assinale a alternativa INCORRETA. 
A) Tendo como cenário o campo e, como personagens, 
vaqueiros, o poema pode ser caracterizado como 
bucólico, o que vai ao encontro de uma tendência 
da poesia do período em que foi composto. 
B) O poema apresenta uma situação de conflito entre 
dois vaqueiros que, segundo o eu lírico, apresentam 
condições econômicas idênticas, mas sentimentais 
opostas. 
C) O último verso do poema apresenta uma antítese 
como forma de representação de que a disputa 
retratada não poderá apresentar o mesmo final feliz 
para todas as partes envolvidas. 
D) O uso anafórico de “bem”, no primeiro terceto do 
poema, reforça a ideia de que o adversário do eu 
lírico pelo amor da “bela serrana” também possui 
virtudes, ainda que não sejam tão intensas. 
E) O poema apresenta rimas externas, interpoladas 
nos quartetos e alternadas nos tercetos, mas tam-
bém apresenta rima interna, o que assinala uma das 
características da lírica: a musicalidade.
Gabarito
1. D
2. B
3. E
4. B
Literatura
94
O romantismo definiu-se como estética literária, a partir dos 
últimos 25 anos do século XVIII, quando publicado, em 1774, 
na Alemanha, Werther, de Goethe. Essa obra lança as bases 
definitivas do sentimentalismo romântico e do escapismo pelo 
suicídio. Em 1781, Schiller publica Os salteadores, inaugurando 
a volta ao passado histórico. Um pouco mais adiante vem à luz 
o drama Guilherme Tell, em que a personagem transforma-se 
em herói nacional lutando pela independência.
Na Inglaterra, essa nova escola literária se manifesta nos 
primeiros anos do século XIX, destacando-se Lord Byron e sua 
poesia ultrarromântica (que irá exercer, como veremos, grande 
influência sobre o poeta brasileiro Álvares de Azevedo), e Wal-
ter Scott, autor do célebre Ivanhoe, que desenvolve o gênero 
romance histórico. 
Entretanto, se coube à Alemanha e à Inglaterra um papel 
pioneiro com relação à nova tendência, coube à França o papel 
de divulgar o Romantismo, principalmente no Brasil.
O Romantismo tem início, no Brasil, em 1836, quando Gon-
çalves de Magalhães publica, na França, a Niterói – revista 
brasiliense– e lança, no mesmo ano, o livro Suspiros poéticos e 
saudades. Portanto, essa nova estética é introduzida entre nós 
em pleno período regencial, ainda sob o impacto da abdicação 
de D. Pedro I, quando a jovem nação, politicamente indepen-
dente desde 1822, vivia uma necessidade de autoafirmação.
Contexto histórico
Na segunda metade do século XVIII, o processo de indus-
trialização modificou as relações econômicas, estabelecendo, 
na Europa, uma nova organização política que muito influen-
ciaria os tempos modernos. Assim é que, em consequência 
do processo industrial e da ascensão da burguesia ao poder 
político, o plano social delineia-se em duas classes distintas e 
antagônicas, embora atuassem juntas durante a Revolução: a 
classe dominante, agora representada pela burguesia capita-
lista industrial, e a classe dominada, representada pelo prole-
tariado. O Romantismo, no dizer de um célebre historiador, foi 
uma escola da burguesia, pela burguesia e para a burguesia, 
daí seu caráter profundamente ideológico em favor da classe 
dominante (inclusive com algumas manifestações de rebeldia 
por parte de pequenos burgueses insatisfeitos).
O nacionalismo, o sentimentalismo, o subjetivismo, o irra-
cionalismo – características marcantes do Romantismo inicial 
– não podem ser analisados isoladamente, sem se mencionar 
sua carga ideológica, uma vez que burguesia e Romantismo são 
praticamente sinônimos, sendo o segundo a expressão literária 
da plena dominação da primeira. O advento do Romantismo, 
pois, só tem uma explicação clara e profunda, objetiva, quando 
subordinada ao quadro histórico em que se processou.
No Brasil, o Romantismo surge em meio a uma série de 
transformações propiciadas pela transmigração da família real, 
em 1808. A instalação da corte no Rio de Janeiro obrigou os 
portugueses a estabelecerem várias mudanças econômicas 
e administrativas para o funcionamento do governo, como 
a fundação do Banco do Brasil, a criação dos tribunais das 
Finanças e da Justiça, a criação de um curso de Direito, a 
inauguração da Biblioteca Real e a implantação da imprensa. 
O Rio de Janeiro tornou-se a nova metrópole e os elos com a po-
lítica e a economia portuguesa foram se fragilizando, fazendo 
surgir uma espécie de sentimento antilusitano, anticolonialista 
e fazendo brotar um ideal nacionalista entre os habitantes.
Em 1822, com a independência política do país, houve, 
por assim dizer, a emergência de uma consciência nacional. 
Ela não vinha, porém, de forma tranquila, pois, antes de tudo, 
significava para os homens livres do Brasil, como analisa 
Luiz Roncari (1995), a perda de uma identidade segura: a de 
poderem considerar-se tão portugueses quanto os da metró-
pole, comungando os mesmos valores ocidentais civilizados 
e cristãos. Apesar dos interesses políticos e econômicos 
bastante divergentes desde o século XVIII, foi somente após 
a Independência que os homens livres brasileiros se defron-
taram com a pergunta crucial a respeito de sua identidade: 
quem eram? europeus ou americanos?
De acordo com Luiz Roncari: 
“Trata-se do período mais importante de tomada de 
consciência da nossa particularidade, ou seja, de que não 
poderíamos mais continuar considerando-nos europeus ou 
portugueses, tal qual faziam os colonos no tempo do domínio 
português. Não éramos e já não queríamos ser “reinóis” ou 
“filhos de Portugal”, mas também não nos podíamos considerar 
indígenas. Tanto nos costumes como na cultura tínhamos absor-
vido os elementos básicos da civilização europeia, e tudo o que 
nossos ascendentes pretendiam era participar dela. (p. 278).”
Com o Romantismo, portanto, é que irá surgir, de forma 
mais efetiva, uma reflexão sobre as marcas históricas cons-
tituintes da identidade de nossa nação. Identidade essa que, 
mais tarde, com o Modernismo, será revista de maneira já 
distanciada e crítica.
Características gerais
Inicialmente, romântico era tudo aquilo que se opunha a 
clássico. Isto é, os modelos da Antiguidade Clássica foram 
então substituídos pelos da Idade Média (notadamente de 
seus últimos séculos, que coincidem com o surgimento da 
burguesia). A uma arte de caráter erudito e nobre se opõe uma 
arte de caráter popular, que valoriza o folclórico e o nacional; 
o indivíduo passa a ser o centro das atenções, apelando-se 
para a imaginação e para os sentimentos, do que resulta uma 
interpretação subjetiva da realidade.
Mulher diante da aurora, pintura do ale-
mão Caspar David Friedrich.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Der_Moench_
am_Meer_(C_D_Friedrich).jpg
Capítulo 08
95
Romantismo
O monge à beira mar, de Caspar David Friedrich: romantismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Caspar_David_Friedrich_019.jpg
Caspar David Friedrich (1774 – 1840) é um dos mais cé-
lebres representantes da pintura romântica alemã. Suas telas 
paisagísticas, impregnadas de simbolismo e idealismo, evo-
cam geralmente sentimentos religiosos. Diferentemente dos 
neoclássicos, Friedrich buscavaapreender a natureza não de 
forma meramente objetiva: suas paisagens refletem o estado de 
espírito da poesia lírica romântica de seu tempo. Sua pintura, 
quase sempre, poetizava a natureza, fazendo da sua inspiração 
uma ponte para uma reunião sublime entre o observador soli-
tário e o ambiente externo, como se pode constatar nas telas 
acima. Para Friedrich, o artista devia não só pintar aquilo que 
vê diante de si, mas também o que vê dentro de si. 
Um dos acontecimentos mais expressivos identificados com 
o Romantismo foi o surgimento de um público consumidor, uma 
vez que a literatura torna-se mais popular, o que não acontecia 
com os estilos de época de características clássicas. Surge 
o romance, forma mais acessível de manifestação literária; o 
teatro ganha novo impulso, abandonando as formas clássicas 
e se inspirando em temas nacionais, como é o caso, no Brasil, 
da comédia de costumes criada por Martins Pena.
Os românticos cultivavam o nacionalismo, que se manifes-
tava na exaltação da natureza pátria, no retorno ao passado 
histórico e na criação do herói nacional (no caso das literaturas 
europeias, esses heróis nacionais são belos e valentes cava-
leiros medievais; na literatura brasileira, nossos heróis são os 
índios, não menos belos, valentes e civilizados). 
Da exaltação do passado histórico nasce o culto à Idade 
Média, que, além de representar as glórias e tradições do 
passado, assume o papel de negar os valores da Antiguidade 
Clássica, como o paganismo. O romântico promove uma volta 
ao catolicismo medieval, ou, nas palavras de Gonçalves de Ma-
galhães, introdutor do Romantismo entre nós,“na gótica catedral, 
admirando a grandeza de Deus, e os prodígios do Cristianismo”.
A natureza também assume múltiplos significados: ora é uma 
extensão da pátria, ora é um refúgio acolhedor, ora é um prolon-
gamento do próprio poeta e de seu estado emocional, servindo 
também como forma de sublimação dos desejos contidos.
Outra característica marcante romântica é o sentimenta-
lismo, a supervalorização das emoções pessoais, fazendo 
contar o mundo interior, o subjetivismo extremado. E à medida 
que esse aprofundamento em direção ao “eu” se intensifica, 
cultivando o individualismo, perde-se a consciência do todo, 
do social, gerando uma espécie de egocentrismo, segundo o 
qual os poetas românticos se colocavam como o centro do 
universo. Claro, surge daí um choque entre a realidade objetiva 
e o mundo interior do poeta. A derrota inevitável do ego produz 
um estado de frustração e de tédio. Seguem-se constantes e 
múltiplas fugas da realidade: o álcool, o ópio, os prostíbulos, o 
saudosismo em relação à infância, as constantes idealizações 
da sociedade, do amor e da mulher. O romântico, enfim, foge 
no tempo e no espaço. No entanto, essas fugas têm ida e volta, 
exceção feita à mais extremada: a morte.
Cabe lembrar que, já a partir de 1860, desenvolve-se uma 
literatura romântica de caráter mais social, em virtude das 
transformações econômicas, políticas e sociais por que passava 
o país. A poesia passa a refletir as grandes agitações de seu 
tempo. No Brasil, a luta abolicionista, a Guerra do Paraguai 
e o ideal republicano influenciaram, de certa forma, a poesia 
social de Castro Alves.
As gerações poéticas do romantismo 
no Brasil
Normalmente se têm apontado três gerações de escritores 
românticos. Essa divisão, contudo, engloba principalmente os 
autores de poesia. Os romancistas não se enquadram muito 
bem nessa divisão, uma vez que suas obras podem apresentar 
traços de mais de uma geração. Dessa forma, as três gerações 
de poetas românticos brasileiros são:
Primeira geração: nacionalista, indianista e religiosa. 
Destaca-se aqui aquele que é considerado um dos maiores 
poetas românticos: Gonçalves Dias.
Segunda geração: marcada pelo “mal do século”, apresenta 
egocentrismo exacerbado, pessimismo, satanismo e atração 
pela morte. Destacam-se os poetas: Álvares de Azevedo, Ca-
simiro de Abreu, Fagundes Varela e Junqueira Freire.
Terceira geração: formada pelo grupo condoreiro, desen-
volve uma poesia de cunho político e social. A maior expressão 
desse grupo é Castro Alves.
Autores – Primeira geração
Embora Gonçalves de Magalhães seja considerado o in-
trodutor do Romantismo no Brasil, foi, na verdade, Gonçalves 
Dias quem implantou e solidificou a poesia romântica em nossa 
literatura. Sua obra pode ser considerada a realização de um 
verdadeiro projeto de construção da cultura brasileira. Buscando 
captar a sensibilidade e os sentimentos de nosso povo, o poeta 
criou uma obra voltada para o índio e para a natureza brasileira, 
numa linguagem simples e acessível, envolta, muitas vezes, 
num clima de sensualidade e erotismo. Seus versos, tais como 
aqueles que fazem parte da célebre “Canção do exílio”, são 
melódicos e exploram métricas e ritmos variados. Produziu 
também poemas religiosos, de fundo panteísta, isto é, em que 
Deus é associado à natureza.
Sua obra apresenta elementos líricos e épicos. Na épica, 
canta os feitos heroicos de índios valorosos que, na realidade, 
substituem a figura do herói medieval europeu. Na lírica, os 
temas mais comuns são a pátria, a natureza, Deus, o índio e o 
amor não correspondido.
De sua produção épica destaca-se “I-Juca-Pirama”. O poema 
narra a história vivida por índio tupi que cai prisioneiro de uma 
nação inimiga, os timbiras. O drama do prisioneiro reside nos 
sentimentos contraditórios provocados por sua prisão: de um 
lado, deseja morrer lutando, e, de outro, deseja viver para cuidar 
do pai, doente e cego. O prisioneiro é libertado e afirma que 
voltará a se entregar quando seu pai vier a falecer. Os timbiras 
não acreditam em seu argumento e acusam-no de covarde. 
Posteriormente, o índio reencontra o pai, leva-lhe alimento, mas 
o velho, percebendo o cheiro das tintas e os ornamentos do 
ritual, descobre o segredo do filho. O pai nega o próprio filho. 
Então, o velho tupi conduz o filho à tribo timbira e pede que 
ele seja sacrificado. Mais adiante, o pai amaldiçoa o filho, este 
para provar sua coragem, luta contra a tribo inimiga, como um 
verdadeiro herói. No último canto do poema, são afirmadas as 
qualidades heroicas do guerreiro, que se transforma em mito 
nas tradições indígenas. O título do poema, extraído da língua 
tupi, significa “o que há de ser morto”.
Literatura
96
A seguir, um pequeno excerto, do canto IV de “I-juca-Pirama”, 
em que o prisioneiro é preparado para um cerimonial antro-
pofágico. Ao lhe pedirem, como é próprio do ritual, que cante 
seus feitos de guerra e que se defenda da morte, o prisioneiro 
responde aos inimigos:
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi:
Sou filho das selvas,
Nas selvas cresci;
Guerreiros, descendo
Da tribo tupi.
Da tribo pujante,
Que agora anda errante
Por fado inconstante,
Guerreiros, nasci:
Sou bravo, sou forte,
sou filho do Norte;
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi.
A poesia lírica de Gonçalves Dias é um dos pontos altos de toda 
a poética nacional. Esse autor cultivou versos de rica construção 
formal, equilibrada, sem cair nos exageros românticos. Seu equi-
líbrio de linguagem e seus temas preferidos serviram de modelo a 
muitas gerações de poetas que o sucederam, tanto no Romantis-
mo quanto em outros movimentos literários subsequentes. 
Vejamos, a seguir, um de seus poemas: “Leito de folhas 
verdes”.
Leito de folhas verdes
Por que tardas, Jatir, que tanto a custo
À voz do meu amor moves teus passos?
Da noite a viração, movendo as folhas,
Já nos cimos do bosque rumoreja.
Eu sob a copa da mangueira altiva
Nosso leito gentil cobri zelosa
Com mimoso tapiz de folhas brandas,
Onde o frouxo luar brinca entre as flores.
Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,
Já solta o bogari mais doce aroma!
Como prece de amor, como estas preces,
No silêncio da noite o bosque exala.
Brilha a lua no céu, brilham estrelas,
Correm perfumes no correr da brisa,
A cujo influxo mágico respira-se
Um quebranto de amor, melhor que a vida!
A flor que desabrocha ao romper d’alvaUm só giro de sol, não mais, vegeta:
Eu sou aquela flor que espero ainda
Doce raio do sol que dê vida.
Sejam vales ou montes, lago ou terra,
Onde quer que tu vás, ou dia ou noite,
Vai seguindo após ti meu pensamento;
Outro amor nunca tive: és meu, sou tua!
Meus olhos outros olhos nunca viram,
Não sentiram meus lábios outros lábios,
Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas
A arazoia na cinta me apertaram.
Do tamarindo a flor jaz entreaberta,
Já solta o bogari mais doce aroma;
Também meu coração, como estas flores,
Melhor perfume ao pé da noite exala!
Não escutas, Jatir! nem tardo acodes
À voz do meu amor, que em vão te chama!
Tupã! lá rompe o sol! do leito inútil
A brisa da manhã sacuda as folhas! 
De traços nitidamente líricos com incorporação de elementos 
da cor local, da paisagem brasileira (tamarindo, mangueira, 
bogari etc.) e com marcas da cultura indígena, em “Leito de 
folhas verdes”, observamos que o ato amoroso é marcado 
pela angústia da espera do ser amado. Nesse poema, a voz 
é feminina, a indígena anseia pela chegada de seu amante, 
Jatir. O tempo no poema tem início com a chegada da noite 
e termina com o amanhecer do dia seguinte, sem que o amor 
seja consumado. 
Autores – segunda geração
A maioria dos autores dessa geração era composta por 
jovens que levavam uma vida desregrada, dividida entre os 
estudos acadêmicos, o ócio, os casos amorosos e a leitura 
de obras europeias. Grande parte dos poetas dessa geração 
morreu com pouco mais de 20 anos.
Copiando o estilo de vida dos escritores românticos europeus 
como Byron e Musset, essa geração se caracterizava pelo es-
pírito do “mal do século”, isto é, por uma onda de pessimismo 
doentio diante da existência, que se traduzia no apego a certos 
valores decadentes, tais como a bebida, o vício, na atração 
pelos aspectos noturnos e pela morte. Em Álvares de Azevedo, 
principal representante dessa geração, esses traços são ainda 
acrescidos de temas macabros e satânicos.
Quanto ao amor, os poetas dessa geração, denominada 
ultrarromântica, possuem uma visão dualista, que envolve 
atração e medo, desejo e culpa. Segundo Mário de Andrade, 
os românticos, e principalmente os ultrarromânticos, temem a 
realização amorosa. O ideal feminino é normalmente associado 
a figuras incorpóreas ou assexuadas, como “anjo”, “criança” e 
“virgem”, sendo que as referências ao amor físico se dão apenas 
de modo indireto ou superficialmente. 
Diferentemente da poesia de Álvares de Azevedo, em que 
o amor se confunde com a morte, o amor na poesia de Casi-
miro de Abreu, apesar do medo, associa-se sempre à vida e 
à sensualidade, mas uma sensualidade disfarçada, fruto de 
insinuações e do jogo de mostrar e esconder. Ao lado do tra-
tamento ingênuo que deu ao amor, esse poeta abordou outros 
temas em sua obra como a solidão, a natureza, a pátria e a 
saudade. Este último celebrizado no famoso “Meus oito anos”:
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida, 
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais! 
Romantismo 
97
Digno representante da segunda geração romântica, Ál-
vares de Azevedo estabeleceu um projeto literário baseado 
na contradição, talvez a contradição que ele próprio sentisse 
como adolescente. Perfeitamente enquadrada nos dualismos 
que caracterizam a linguagem romântica, essa contradição é 
visível nas partes que formam sua principal obra poética, “Lira 
dos vinte anos”. A primeira e a terceira partes mostram um poeta 
adolescente, casto, sentimental e ingênuo. Ele mesmo chama 
a essas partes de a face de Ariel , isto é, a face do bem, como 
exemplifica o seguinte poema:
Soneto
Pálida, à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!
Era a virgem do mar! na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d’alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!
Era mais bela! o seio palpitando...
Negros olhos as pálpebras abrindo...
Formas nuas no leito resvalando...
Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti – as noites eu velei chorando,
Por ti – nos sonhos morrerei sorrindo! 
Outro autor dessa segunda geração que merece destaque 
é Fagundes Varela. Esse poeta cultivou em sua obra poética 
todos os temas do Romantismo: exaltou a natureza e o amor, 
passou pela influência de Byron, enveredou depois pela poesia 
patriótica e social, falou da América livre e da abolição, até cair 
numa profunda religiosidade mística. Varela é entendido como 
um poeta de transição entre a segunda e a terceira geração 
romântica, anunciador da poesia condoreira, que seria desen-
volvida por Castro Alves.
Autores - terceira geração
Enquanto os poetas das primeiras gerações românticas se 
ocupavam em conflitos íntimos, frutos de uma visão egocêntrica 
e de um universo limitado pelo “eu”, Castro Alves, poeta da 
terceira geração, educado pela literatura de Victor Hugo, tinha 
horizontes mais amplos, interessando-se não apenas pelo “eu”, 
mas também pela realidade que o rodeava, num processo de 
universalização. Cantou o amor, a mulher, a morte, o sonho, 
como também a República, o abolicionismo, a igualdade, as 
lutas de classe, os oprimidos. 
A poesia lírico-amorosa de Castro Alves evolui de um campo 
de idealização para uma concretização das virgens sonhadas 
pelos românticos. Percebe-se, em seus versos, uma mulher 
mais real, de carne e osso, sensual com forte dosagem erótica. 
O poeta baiano, diante da realização amorosa, chega a ter 
rasgos irreverentes: “Amar-te é melhor que ser Deus”, e, às 
vezes, desesperadamente eufórico, arrebatado pela realidade 
física, material: “Mulher! Mulher! Aqui tudo é volúpia”. Convi-
vendo num clima marcado pela sensualidade, o poeta vê-se 
preso por imagens eróticas:
Boa-noite, Maria! Eu vou-me embora.
A lua nas janelas bate em cheio.
Boa-noite, Maria! É tarde... é tarde...
Não me apertes assim contra teu seio.
Boa-noite!... E tu dizes - Boa-noite.
Mas não digas assim por entre beijos...
Mas não mo digas descobrindo o peito,
– Mar de amor onde vagam meus desejos. 
De outra forma, o tempo de Castro Alves foi marcado por 
transformações sociais, e tais transformações viriam a refletir 
nas manifestações dos estudantes da época: “A praça! A pra-
ça é do povo/ Como o céu é do condor”21. É esta liberdade, o 
condor voando nos picos andinos, o povo na praça, que vai 
marcar a poesia social do poeta, denunciadora de grandes 
desigualdades:
Quebre-se o cetro do papa,
Faça-se dele uma cruz!
A púrpura sirva ao povo
p’ra cobrir os ombros nus. 
Todavia, Castro Alves tornou-se célebre por sua obra sobre 
a escravidão. E foi justamente nos versos sobre os escravos 
que o poeta alcançou maior sucesso, em que consegue fundir a 
efusão lírica e a eloquência condoreira, como bem exemplificam 
“Vozes d’África”, “Canção do africano” e, é claro, “Navio negreiro”. 
“Navio negreiro” é um poema épico, eloquente, marcado por 
imagens grandiosas. Divide-se em seis partes, ou cantos. No 
primeiro canto, o poeta faz uma descrição do cenário: “‘Stamos 
em pleno mar... Doudo no espaço/ Brinca o luar”. No segundo, 
o poeta faz elogios aos marinheiros pela nacionalidade; é a 
exaltação do belo humano: “Nautas de todas as plagas!/ Vós 
sabeis achar nas vagas/ As melodias do céu...”.
Entretanto, em franca oposição às estrofes anteriores, tem-
-se a visão do navio negreiro, ao belo do cenário e das figuras 
humanas dos marinheiros, opõe-se um quadro de horror: “Que 
cena infame e vil!... Meu Deus! Meu Deus! Que horror!”. Na 
quarta parte, há a descrição do navio negreiro e do sofrimento 
dos escravos. Já na quinta parte, em oposição à desgraça 
dos negros aprisionados tem-se a imagem desse povo livre 
em sua terra:“Ontem plena liberdade,/ A vontade por poder.../ 
Hoje...c’mulo de maldade/ Nem são livres p’ra...morrer...”.
Outro importante nome da terceira geração romântica é 
Sousândrade, nome adotado por Joaquim

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