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Geografia da População – Exercícios de Revisão Questões Discursivas (parte 2) 1. (Ufpr 2019) Na maior parte da China, já é permitido ter dois filhos e, em algumas regiões, como no Tibete, até mais de dois. No Brasil, o debate em torno da legalização do aborto tem mobilizado a atenção dos mais diversos segmentos da sociedade. Já a Dinamarca se destaca como o país com maior proporção de bebês nascidos através do uso da fertilização in vitro. Tais fatos evidenciam que, na atualidade, os serviços de planejamento familiar ultrapassam os objetivos puramente demográficos, voltando-se cada vez mais para o desenvolvimento do ser humano. a) Justifique a necessidade de políticas públicas de planejamento familiar, tanto em países como o Brasil quanto na Dinamarca. b) Por que uma política austera de planejamento familiar pode significar consequências negativas para a economia de um país, sobretudo no médio e longo prazos? 2. (Ufjf-pism 3 2019) Sobre a crise na Venezuela e os conflitos entre brasileiros e refugiados, leia o texto a seguir e responda às questões que seguem: “Grupos de brasileiros estão perseguindo refugiados venezuelanos que vivem na cidade de Roraima e queimando seus pertences após um comerciante local ser surrado em uma tentativa de assalto na véspera. Agredidos com pedaços de pau, os refugiados foram expulsos das tendas que ocupavam na região na fronteira do Brasil com a Venezuela. [...] Das ruas da cidade, o confronto avançou para a fronteira. Com pedradas, um grupo fez venezuelanos recuarem para dentro de seu território, até que membros da guarda venezuelana no local disparassem tiros de advertência para evitar a deterioração da situação. [...] Este não é o primeiro incidente xenófobo no estado. Roraima chegou a receber cerca de 130 mil venezuelanos, que fogem da crise humanitária, econômica e política que assola o país do ditador Nicolás Maduro. [...] A maioria se dirigiu para Boa Vista. Mais da metade dessas pessoas, porém, já teria deixado o país, segundo o governo federal. Outra parcela foi interiorizada para estados como São Paulo e Rio de Janeiro.” (PRADO, Avener; MELLO, Patrícia Campos. Venezuelanos e brasileiros se confrontam nas ruas de cidade de Roraima. Folha de São Paulo, São Paulo, 19 mai. 2018. Mundo, p.A14.) a) Indique DUAS causas da crise da Venezuela. b) Cite DOIS fatores que levam ao conflito xenófobo. 3. (Ufjf-pism 3 2019) Observe a charge abaixo: a) Cite DOIS processos espaciais que podem ser evidenciados acima. b) Correlacione os processos evidenciados na resposta anterior com DUAS questões geopolíticas mundiais da atualidade. 4. (Uerj 2019) O desafio de pensar a imigração como política pública O conflito entre brasileiros e venezuelanos desencadeado no dia 18/08/2018 em Roraima é apenas o mais recente e dramático episódio do desafio que o tema da imigração representa hoje para o Brasil. Os registros de ataques na cidade de Pacaraima evidenciaram não apenas a falta de estratégia que tem marcado a política migratória brasileira, mas também a ameaça de crescimento de um sentimento anti- imigrante, que já se expressa na intensa politização do tema revelada nas redes sociais durante esses últimos dias. Adaptado de nexojornal.com.br, 26/08/2018. Apresente um efeito positivo para a economia do Brasil, decorrente do tipo de migração abordada, justificando-o com base nas informações da reportagem. Também com base na reportagem, identifique uma alteração na estrutura populacional do estado de Roraima, resultante da entrada desse grupo específico de migrantes. 5. (Ufpr 2019) Apenas em 2017, 94 mil venezuelanos deram entrada em solicitações de refúgio em outras nações. De 2014 até 7 de março de 2018, 145,2 mil venezuelanos haviam pedido asilo em outros Estados. Números são da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), que emitiu novas orientações de proteção internacional para os governos de países que acolhem as pessoas deslocadas. (Disponível em: <https://nacoesunidas.org/numero-de-venezuelanos-pedindo-refugio- em-outros-paises-aumentou-20-vezes-desde-2014/>, acesso em 23 de agosto de 2018.) A partir da leitura do fragmento de texto acima, discorra sobre o sentido da expressão “pessoas deslocadas” e contextualize essa expressão em face do processo migratório. 6. (Uel 2018) Sobre os fenômenos da imigração, emigração e migração de retorno, no Brasil, considere as tendências de fluxos migratórios internacionais a partir de 1980, exemplifique e explique: a) 1 (um) fluxo de emigração e de migração de retorno. b) 1 (um) fluxo de imigração. 7. (Fac. Albert Einstein - Medicina 2018) SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL “Parece propósito firme do governo violentar a população desta capital por todos os meios e modos. Como não bastasse [...]a vacinação obrigatória, entendeu provocar essas arruaças que, há dois dias já, trazem em sobressalto o povo. Desde ante-ontem que a polícia, numa ridícula exibição de força, provoca os transeuntes, ora os desafiando diretamente, ora agredindo-os, desde logo, com o chanfalho e com a pata de cavalo, ora, enfim, levantando proibições sobre determinadas pontos da cidade.” Correio da Manhã, 12 de novembro de 1904. Disponível em: http://www1.uol.com.br/rionosjornais/rj10.htm “Diante de antigas e novas emergências sanitárias, como febre amarela, dengue, zika e chikungunya, é inevitável se questionar por que o Brasil parece patinar no combate ao Aedes aegypti e a doenças por ele transmitidas, a despeito dos êxitos obtidos pelos seus cientistas no início do século passado e dos avanços científicos e tecnológicos que se sucederam desde então. Oswaldo Cruz morreu em 11 de fevereiro de 1917 sem testemunhar o surto [febre amarela] que se abateu sobre a cidade já em 1928. De lá para cá, a história tomou rumos que o sanitarista dificilmente suporia: cem anos após a sua morte, o Rio de Janeiro, já não mais sede do governo federal, vive novamente a apreensão de ter a febre amarela batendo a suas portas. Os paralelos com o passado indicam que o país parece ter ignorado algumas lições que poderia ter aprendido ao longo de sua história.” (FIOCRUZ, Legado, https://portal.fiocruz.br/pt-br/content/legado, acesso em 15/11/2017 A partir dos textos e das imagens, situe os dois momentos e as respectivas políticas de saúde pública, tendo em vista a relação entre os poderes públicos e a população. 8. (Ufpr 2018) Leia a seguir um trecho da Declaração final do 14º Acampamento Terra Livre: pela garantia dos direitos originários dos nossos povos!, realizado em Brasília em abril de 2017: “Nós, povos e organizações indígenas do Brasil, mais de quatro mil lideranças de todas as regiões do país, reunidos por ocasião do XIV Acampamento Terra Livre, realizado em Brasília/DF de 24 a 28 de abril de 2017, diante dos ataques e medidas adotadas pelo Estado brasileiro voltados a suprimir nossos direitos garantidos pela Constituição Federal e pelos Tratados Internacionais ratificados pelo Brasil, vimos junto à opinião pública nacional e internacional nos manifestar. Denunciamos a mais grave e iminente ofensiva aos direitos dos povos indígenas desde a Constituição Federal de 1988, orquestrada pelos três Poderes da República em conluio com as oligarquias econômicas nacionais e internacionais, com o objetivo de usurpar e explorar nossos territórios tradicionais e destruir os bens naturais, essenciais para a preservação da vida e o bem-estar da humanidade, bem como devastar o patrimônio sociocultural que milenarmente preservamos”. Levando em conta essa publicação, aponte quatro causas e quatro consequências das recentes decisões políticas nacionais envolvendo os povos indígenas e seus territórios. 9. (Uerj 2017) Comparando as projeções para Copacabana e Lagoa com aquelas para Rocinha e Maré, no ano de 2065, aponte dois indicadores demográficos relevantes para explicar ocontraste verificado. Justifique sua resposta. 10. (Ufpr 2017) Leia o texto a seguir, sobre a taxa de fecundidade no Brasil. A taxa de fecundidade total no Brasil, que até 1960 era de mais de 6,0 filhos por mulher, tem apresentado desde então sucessivas e significativas quedas, chegando a 1,90 filho em 2010, situando-se abaixo do nível de reposição, de 2,1 filhos, valor que garante a substituição das gerações. A redução dos níveis de fecundidade nos últimos 50 anos foi a principal razão para a queda do ritmo de crescimento da população brasileira, que chegou a crescer cerca de 3,0% ao ano, sendo de 1,17% na última década. Além disso, a fecundidade teve influência determinante também na mudança da estrutura etária populacional do País, que se apresenta bem mais envelhecida, em função do aumento proporcional de idosos e da diminuição de crianças. Apesar da queda da fecundidade ter se dado em todas as Grandes Regiões e grupos populacionais, o momento e a velocidade em que ela ocorreu foram diferenciados em relação a essas populações. A oportunidade de efetivação do tamanho desejado da família em função da maior disseminação de práticas contraceptivas a partir da década de 1980, em especial a esterilização feminina, possibilitou uma redução mais significativa da fecundidade nas Regiões Norte e no Nordeste do País, contribuindo para a diminuição dos diferenciais regionais da fecundidade. Essa tendência prosseguiu nas últimas duas décadas, já que as duas regiões com os maiores níveis de fecundidade foram as que apresentaram as maiores reduções em suas taxas nos períodos 1991/2000 e 2000/2010. A Região Norte, contudo, é a única que ainda apresentava, em 2010, uma fecundidade acima do nível de reposição, situando-se em um patamar um pouco acima das demais regiões. O declínio dos níveis de fecundidade no Brasil foi resultante da queda nas taxas específicas por idade em todas as faixas etárias no período de 2000 a 2010. Contudo, essa queda foi maior nos grupos mais jovens, o que fez com que o padrão de fecundidade brasileiro, que é indicado pela intensidade com que as mulheres têm filhos ao longo das idades, também sofresse alterações nesse período. (Disponível em: <http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/98/cd_2010_nupcialidade_fecundi dade_migracao_amostra.pdf>.) Escreva um texto destacando do fragmento acima dados relevantes para a compreensão das mudanças ocorridas na taxa de fecundidade da população brasileira nas últimas décadas, discorrendo sobre o que esse quadro nos permite projetar em relação ao futuro cenário das políticas públicas no Brasil. GABARITO 1. a) Em países como o Brasil, a necessidade de políticas públicas de planejamento familiar se dá em razão de embasar a formação da família de forma consciente e saudável enquanto em países como a Dinamarca, busca-se o aumento da natalidade como forma de recompor a taxa de reposição da população. b) Porque pode achatar a taxa de fecundidade do país reduzindo a reposição da população e a PEA enquanto eleva a proporção de idosos. 2. a) Dentre as causas da crise da Venezuela, pode-se apontar: a queda vertiginosa do preço do barril do petróleo resultante da crise do mercado imobiliário dos EUA em 2008, haja vista, ser esse o produto base da economia venezuelana; crise e instabilidade política associada aos governos de Chávez e Maduro; crise econômica gerando hiperinflação, desvalorização da moeda, desabastecimento de produtos, desemprego. b) Dentre os fatores que levam aos conflitos xenófobos pode-se citar: temor ao imigrante no tocante ao desemprego, políticas assistenciais do Estado, aculturação; insegurança social causada pela crise econômica; ascensão e propagação de preceitos políticos de extrema direita; nacionalismo extremado; preconceito ao imigrante 3. a) Dentre os processos espaciais evidenciados pela charge, pode-se citar: a segregação dada pela desigualdade social; a diferente apropriação do solo urbano em razão do poder de compra; as diferentes condições humanas resultantes da classe social. b) A charge evidencia as diferentes condições sociais por meio de um “muro”, o que remete a questão geopolítica dos novos “muros” – a exemplo da Cisjordânia separando palestinos e israelenses, México e EUA, e os muros construídos ao redor da Rocinha no RJ – expressando o contexto da Nova Ordem Mundial, onde o Muro de Berlim dá espaço às diferenças socioeconômicas. A interpretação da charge remete também a conflitos como a adoção de maior austeridade e contenção dos fluxos migratórios, a exemplo do fluxo da África e Oriente Médio em 2014. 4. Um efeito positivo para a economia do Brasil decorre do perfil dos imigrantes venezuelanos, grande parte integrando a população em idade ativa (acima de 15 anos) e com ensino médio e superior concluídos, portanto, trata-se de mão de obra com maior qualificação em várias áreas. Entre as alterações decorrentes da entrada de imigrantes venezuelanos, o aumento da proporção de adultos na composição etária de Roraima. Entre outras alterações na demografia de Roraima, um aumento significativo na população absoluta do estado, uma vez que Roraima é o estado menos populoso do país, além de uma elevação na proporção de homens. 5. Pessoas deslocadas são grupos humanos que, em razão de situações de crise, perseguições, violência e guerras, deslocam-se forçosamente para outros territórios dentro de seus próprios países – deslocados internos – ou para outros países – deslocamentos forçados – compondo nesse caso, o fluxo de refugiados. Nesse contexto, a ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), não considera o deslocamento forçado como migrações. 6. a) Fluxo de emigração e migração de retorno: a partir da década de 1980, o Brasil conheceu um forte movimento de saída de brasileiros para o exterior, em busca de trabalho e melhores condições de vida. Com a posterior crise econômica mundial, os países centrais geraram a reversão das expectativas daqueles que viviam no exterior, e vários tomaram a decisão de retornar ao Brasil, caracterizando um expressivo fluxo de retorno (não há registrados dados exatos desses fluxos). No Japão e na União Europeia, por exemplo, foram criados programas de retorno voluntário assistido, oferecendo apoio àqueles que, por falta de condições financeiras, não tinham meios para retornar ao seu país. b) Fluxo de imigração: a situação econômica privilegiada do Brasil em relação a outras nações, no início dos anos 2000, aumentou as solicitações de vistos de trabalho de estrangeiros em empresas brasileiras, por exemplo, o que indica uma situação de “ganho de cérebros” no Brasil recente. Outro exemplo é a situação dos haitianos que buscam refúgio no Brasil, devido às catástrofes ambientais e condições de extrema pobreza no Haiti. 7. Os dois momentos abordados pelos textos e imagens são: início do século XX, onde a precária condição sanitária é responsável por numerosas epidemias como varíola e febre amarela enfrentadas pelo governo com a obrigatoriedade da vacina antivariólica causando, em razão da falta de esclarecimento à população, uma revolta, fortemente reprimida pelo exército; início do século XXI, onde a manutenção de parte da sociedade na condição de baixa renda aliada à baixa eficiência do sistema público de saúde não tem alcançado metas de imunização da população à episódios endêmicos. 8. As recentes decisões políticas nacionais envolvem a criação ou a retomada de projetos de lei ou projetos de emenda constitucional como: PEC 215/2000 delegando exclusivamente ao Congresso Nacional o dever de demarcar territórios indígenas e quilombolas; PEC 187/2016 que autoriza a exploração econômica (agropecuária e atividades florestais) das terras indígenas; PL 1610/1996 que autoriza a exploração mineral nas terras indígenas; PL 3729/2004 que reduz a eficiênciado licenciamento ambiental. Dentre as causas pode-se citar: o avanço do agronegócio sobre áreas de fronteiras agrícolas; o fortalecimento da bancada ruralista no Congresso; o interesse de grandes investidores em áreas de mineração situadas atualmente em reservas; a transferência de decisões do Executivo para o Legislativo. Dentre as consequências pode-se citar: a proibição de ampliação de áreas demarcadas e dificuldade para demarcação de novas áreas; a expulsão de tribos em áreas de litígio; o enfraquecimento da aplicação de leis ambientais; a redução sistemática da representatividade dos povos nativos no país; o aumento da violência em áreas de fronteiras agrícolas e florestais. 9. Os dois indicadores demográficos relevantes para explicar o contraste verificado entre Copacabana/Lagoa e Rochinha/Maré são a expectativa de vida e a taxa de fecundidade. Melhores indicadores humanos como renda, nível socioeconômico, escolaridade e empregabilidade, além de infraestrutura e ação do poder público resultam em maior longevidade e menor fecundidade para Copacabana/Lagoa, ao contrário de Rocinha/Maré, cujo nível socioeconômico menor resulta em indicadores humanos pouco satisfatórios. 10. As mudanças ocorridas na taxa de fecundidade da população brasileira nas últimas décadas são atestadas quando se observa que em um período de 50 anos o número de filho por mulher passa de para resultado de fatores como o intenso processo de urbanização, a adoção de métodos contraceptivos, a inserção e consolidação da mulher no mercado de trabalho, a alteração da composição tradicional da unidade familiar, dentre outros. A tendência da redução da taxa de fecundidade leva ao estreitamento da base da pirâmide etária e por sua vez, ao envelhecimento da população, a redução da PEA e do mercado de consumo, a pressão sobre o sistema previdenciário, a ampliação da razão de dependência (ativos inativos) e a possível estagnação econômica. Diante desse novo padrão demográfico, as políticas públicas deverão estar mais voltadas ao investimento: para a qualificação profissional, como uma forma de aumentar a produtividade no mercado; do sistema de saúde que acolha maior porcentagem de idosos e superidosos; e em reformas previdenciárias que atenuem a razão de dependência.