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VEN DA P ROIB IDA geografia VESTIBULAR+ENEM 2018 W W W . G U I A D O E S T U D A N T E . C O M . B R VEN DA P ROIB IDA Fundada em 1950 VICTOR CIVITA ROBERTO CIVITA (1907-1990) (1936-2013) Conselho Editorial: Victor Civita Neto (Presidente), Thomaz Souto Côrrea (Vice-Presidente), Alecsandra Zapparoli, Giancarlo Civita e José Roberto Guzzo Presidente do Grupo Abril: Walter Longo Diretora Editorial e Publisher da Abril: Alecsandra Zapparoli Diretor de Operações: Fábio Petrossi Gallo Diretor de Assinaturas: Ricardo Perez Diretora da Casa Cor: Lívia Pedreira Diretor da GoBox: Dimas Mietto Diretora de Mercado: Isabel Amorim Diretor de Planejamento, Controle e Operações: Edilson Soares Diretora de Serviços de Marketing: Andrea Abelleira Diretor de Tecnologia: Carlos Sangiorgio Diretor Editorial – Estilo de Vida: Sérgio Gwercman Diretor de Redação: Fabio Volpe Diretor de Arte: Fábio Bosquê Editores: Ana Prado, Fábio Akio Sasaki, Lisandra Matias, Paulo Montoia Repórter: Ana Lourenço Analista de Informações Gerenciais: Simone Chaves de Toledo Analista de Informações Gerenciais Jr.: Maria Fernanda Teperdgian Designers: Dânue Falcão, Vitor Inoue Estagiários: Giovanna Fontenelle, Marcela Coelho, Sophia Kraenkel Atendimento ao Leitor: Sandra Hadich, Walkiria Giorgino CTI Andre Luiz Torres, Marcelo Augusto Tavares, Marisa Tomas PRODUTO DIGITAL Gerentes de Produto: Pedro Moreno e Renata Aguiar COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Consultoria: Arno Aloisio Goettems Texto: Arno Aloisio Goettems, Cristina Carmo e Yuri Vasconcelos. Infografia e ilustração: 45 Jujubas, Alex Argozino e Mario Kanno (Multi-SP) Revisão: Bia Mendes e texxto comunicação www.guiadoestudante.com.br GE GEOGRAFIA 2018 ed.10 (ISBN 978-85-69522-25-6) é uma publicação da Editora Abril. Distribuída em todo o país pela Dinap S.A. Distribuidora Nacional de Publicações, São Paulo. A PUBLICAÇÃO não admite publicidade redacional. IMPRESSA NA GRÁFICA ABRIL Av. Otaviano Alves de Lima, 4400, CEP 02909-900 – Freguesia do Ó - São Paulo - SP VEN DA P ROIB IDA 5GE GEOGRAFIA 2018 O passo final é reforçar os estudos sobre atualidades, pois as pro- vas exigem alunos cada vez mais antenados com os principais fatos que ocorrem no Brasil e no mundo. Além disso, é preciso conhecer em detalhes o seu processo seletivo – o Enem, por exemplo, é bem diferente dos demais vestibulares. � COMO O GE PODE AJUDAR VOCÊ O GE Enem e o GE Fuvest são verda- deiros “manuais de instrução”, que mantêm você atualizado sobre todos os segredos dos dois maiores vestibulares do país. Com duas edições no ano, o GE ATUALIDADES traz fatos do noticiário que podem cair nas próximas provas – e com explicações claras, para quem não tem o costume de ler jornais nem revistas. Um plano para os seus estudos Este GUIA DO ESTUDANTE GEOGRAFIA oferece uma ajuda e tanto para as provas, mas é claro que um único guia não abrange toda a preparação necessária para o Enem e os demais vestibulares. É por isso que o GUIA DO ESTUDANTE tem uma série de publicações que, juntas, fornecem um material completo para um ótimo plano de estudos. O roteiro a seguir é uma sugestão de como você pode tirar melhor proveito de nossos guias, seguindo uma trilha segura para o sucesso nas provas. O primeiro passo para todo vestibulando é escolher com clareza a carreira e a universidade onde pretende estudar. Conhecendo o grau de dificuldade do processo seletivo e as matérias que têm peso maior na hora da prova, fica bem mais fácil planejar os seus estudos para obter bons resultados. � COMO O GE PODE AJUDAR VOCÊ O GE PROFISSÕES traz todos os cursos superiores existentes no Brasil, explica em detalhes as carac- terísticas de mais de 270 carreiras e ainda indica as instituições que oferecem os cursos de melhor qualidade, de acordo com o ranking de estrelas do GUIA DO ESTUDANTE e com a avaliação oficial do MEC. Para começar os estudos, nada melhor do que revisar os pontos mais importantes das principais matérias do Ensino Médio. Você pode repassar todas as matérias ou focar apenas em algumas delas. Além de rever os conteúdos, é fundamental fazer muito exercício para praticar. � COMO O GE PODE AJUDAR VOCÊ Além do GE GEOGRAFIA, que você já tem em mãos, produzimos um guia para cada matéria do Ensino Médio: GE HISTÓRIA , Português, Redação, Matemática, Biologia, Química e Física. Todos reúnem os temas que mais caem nas pro- vas, trazem muitas questões de vestibulares para fazer e têm uma linguagem fácil de entender, permitindo que você estude sozinho. CAPA: 45 JUJUBAS 1 Decida o que vai prestar 2 Revise as matérias-chave 3 Mantenha-se atualizado APRESENTAÇÃO Os guias ficam um ano nas bancas – com exceção do ATUALIDADES, que é semestral. Você pode comprá-los também pelo site do Guia do Estudante: guiadoestudante.com.br FALE COM A GENTE: Av. das Nações Unidas, 7221, 18º andar, CEP 05425-902, São Paulo/SP, ou email para: guiadoestudante.abril@atleitor.com.br CALENDÁRIO GE 2017 Veja quando são lançadas as nossas publicações MÊS PUBLICAÇÃO Janeiro Fevereiro GE HISTÓRIA Março GE ATUALIDADES 1 Abril GE GEOGRAFIA Maio GE QUÍMICA GE PORTUGUÊS Junho GE BIOLOGIA GE ENEM GE REDAÇÃO Julho GE FUVEST Agosto GE ATUALIDADES 2 GE MATEMÁTICA Setembro GE FÍSICA Outubro GE PROFISSÕES Novembro Dezembro VEN DA P ROIB IDA CARTA AO LEITOR 6 GE GEOGRAFIA 2018 Desde 1880, quando a temperatura do planeta começou a ser medida, a população da Ter-ra não enfrentou um ano tão quente como o de 2016. É o que diz a Agência Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês), uma das principais au- toridades nesse âmbito. A temperatura média global no ano passado foi 0,94 grau Celsius acima da média do século XX. Equilíbrio alterado Teria 2016 sido um ano atípico em termos climáticos? Nada disso. A temperatura do planeta no ano passado bateu o recorde, que era de 2015, que por sua vez quebrou a maior marca de 2014 – três recordes seguidos. Isso sem contar que, desde 1976, a temperatura global vem se mantendo acima da média histórica. Ou seja, não estamos falando de um ponto fora da curva, mas sim de uma tendência praticamente consolidada: o planeta está mais quente. A elevação da temperatura global diz muito respeito às atividades humanas, principalmente em razão das emissões de gases que intensificam o efeito estufa. Como consequência, observamos extremos climáticos que vão de intensas tempes- tades a secas prolongadas, passando pelo derretimento do gelo do Ártico até picos de calor em diversas cidades do planeta. A Geografia é a disciplina que se propõe a estudar o espaço geográfico e suas constantes transformações. Como você verá nesta publicação, muitas dessas alterações são estimuladas por fenômenos naturais, como uma erupção vulcânica ou o A LI ST E R D O Y LE /R E U TE R S VEN DA P ROIB IDA 7GE GEOGRAFIA 2018 ENXUGANDO GELO Crianças brincam em um iceberg na costa da Groenlândia: aquecimento global provoca o desprendimento de grandes blocos de gelo ciclo hidrológico. Mas sob qualquer aspecto que você analisar a litosfera, a hidrosfera, a atmosfera e a biosfera, a marca do homem estará lá, alterando o equilíbrio da natureza. É por isso que o GUIA DO ESTUDANTE GEOGRAFIA pro- põe o estudo das definições e dos conceitos referentes aos temas mais importantes da Geografia física associado aos principais assuntos contemporâneos. Dessa forma é possível acompanhar todo o dinamismo inerente à disciplina e conseguir assimilar melhor como a ação antrópica e a Geografia se relacionam. Tudo isso acompanhado de um amplo conjunto de informações na forma de textos, resumos, simulados, mapas e infográficos. Para complementar seu aprendizado de Geografia, também recomendamos o GUIA DO ESTUDANTE ATUALIDADES, que é lançado duas vezes por ano e aborda os aspectos maisrelacionados aos temas contemporâneos da Geografia humana. Um abraço, � Fábio Sasaki, editor – fabio.sasaki@abril.com.br 8 EM CADA 10 APROVADOS NA USP USARAM O GUIA DO ESTUDANTE O selo de qualidade acima é resultado de uma pes- quisa realizada com 300 estudantes aprovados em três dos principais cursos da Universidade de São Paulo: Direito, Engenharia e Medicina. � 8 em cada 10 entrevistados na pesquisa usaram algum conteúdo do GUIA DO ESTUDANTE durante sua preparação para o vestibular. TESTADO E APROVADO! � Pesquisa quantitativa feita nos dias 13 e 14/2/2017. � Total de estudantes aprovados nesses cursos: 1.566. � Margem de erro amostral: 5 pontos percentuais. MAIS CONTEÚDO PARA VOCÊ As publicações do GE contam agora com o recurso mobile view. Essa tecnologia permite que você aces- se, com seu smartphone, conteúdos extras em algu- mas aulas e reportagens dos nossos guias. A presen- ça desses conteúdos, principalmente em forma de vídeos, será sempre identificada com o ícone abaixo: Usar o recurso mobile view é simples: 1• Baixe em seu smartphone o aplicativo Blippar. Ele está disponível, gratuitamente, para aparelhos com sistema Android e iOS em lojas virtuais como Google Play e AppleStore. 2• Depois, basta abrir o aplicativo e usar o celular nas matérias que apresentam o ícone do mobile view – seguindo as orientações em cada página. VEN DA P ROIB IDA SUMÁRIO 8 GE GEOGRAFIA 2018 � Geografia VESTIBULAR + ENEM 2018 CARTOGRAFIA 10 Imagens de satélite contra a pobreza O desenvolvimento mapeado 12 Elementos do mapa Dicas para entender os elementos cartográficos 14 Coordenadas geográficas Aprenda a identificar pontos no mapa 16 Fusos horários Como os países acertam os seus relógios 18 Tipos de mapa Os diferentes aspectos retratados pela cartografia 20 Projeções As formas de representar o espaço geográfico 22 Como cai na prova + Resumo Questões comentadas e síntese da seção LITOSFERA 24 Zelândia, o continente submerso A mais nova extensão de terra 26 Composição e estrutura geológica As camadas internas do planeta 28 Tipos de relevo Depressões, planaltos, planícies e montanhas 30 Placas tectônicas Os grandes blocos que modelam o relevo 32 Relevo em movimento A ação de forças internas e externas na Terra 36 Relevo do Brasil O processo de formação do terreno nacional 38 Recursos minerais Conheça suas características geológicas 40 Características dos solos Processo de formação e fertilidade 42 Deslizamentos e inundações Os efeitos da ocupação desordenada 44 Contaminação dos solos Um dos principais problemas ambientais 46 Como cai na prova + Resumo Questões comentadas e síntese da seção HIDROSFERA 48 Uma esperança na aridez do sertão O Nordeste e a seca 50 A distribuição de água no planeta Onde está a água no globo 52 Água salgada Oceanos e mares ajudam a equilibrar a vida na Terra 56 Água doce As reservas que guardam o líquido que consumimos 58 Tsunami Tremores no fundo do mar provocam ondas de destruição 60 Bacias hidrográficas do Brasil As fontes de água do nosso território 62 Escassez hídrica no mundo Onde a falta de água já provoca crise 64 Escassez hídrica no Brasil Torneiras secas no Nordeste e no Sudeste 66 Poluição hídrica Os efeitos perversos da contaminação das águas 68 Como cai na prova + Resumo Questões comentadas e síntese da seção ATMOSFERA 70 Um cético do clima no poder Donald Trump e sua agenda energética 72 Camadas da atmosfera A estrutura de gás que envolve o planeta 73 Meteorologia Os principais fenômenos que influenciam o clima 76 El Niño e La Niña Entenda esses fenômenos meteorológicos 77 Ciclone Os efeitos devastadores da perturbação atmosférica 78 Climas do mundo As características das dez classificações climáticas 80 Climas do Brasil Os seis principais grupos climáticos do país 82 Poluição do ar Os efeitos da emissão de gases nocivos à atmosfera 84 Aquecimento global As alterações climáticas causadas pelo homem 86 Os efeitos das mudanças climáticas Os riscos que podemos enfrentar 88 Energias renováveis As alternativas para evitar a poluição do ar 90 Acordo de Paris e Protocolo de Kyoto Redução das emissões em pauta 92 Como cai na prova + Resumo Questões comentadas e síntese da seção BIOSFERA 94 A Amazônia sob risco de “savanização” A floresta tropical em perigo 96 Ecologia O ciclo natural que sustenta a vida no planeta 98 A evolução do planeta Infográfico mostra a origem da vida na Terra 100 Vegetação no mundo As características das formações vegetais 106 Biomas brasileiros A rica biodiversidade do país sob ameaça 110 Preservação e conservação Os mecanismos de proteção ambiental 111 Código Florestal Nova lei regulamenta o uso da terra no Brasil 112 Conferências ambientais Os eventos em que o ambientalismo é pauta 114 Como cai na prova + Resumo Questões comentadas e síntese da seção ATLAS 116 O mundo em resumo Um perfil socioeconômico e físico dos continentes 126 O Brasil em resumo As cinco regiões brasileiras em fatos e números RAIO X 132 As preciosas informações contidas nos enunciados das questões SIMULADO 134 32 questões para você aplicar os seus conhecimentos GLOSSÁRIO 146 Os principais conceitos básicos que você encontrará na publicação RAFAEL ARENAS/REUTERS OBRA DA NATUREZA Uma nuvem de fumaça e poeira colore o céu de Puerto Montt, no Chile: vulcão Calbuco entrou em atividade em 2015 pela primeira vez em 50 anos VEN DA P ROIB IDA 9GE GEOGRAFIA 2018 VEN DA P ROIB IDA GLOSSÁRIO 146 GE GEOGRAFIA 2018 AÇÕES ANTRÓPICAS Ações do homem no meio ambiente, como a construção de cidades, indústrias, estradas, o desmatamento para a implantação da agropecuária, entre outras. ASSOREAMENTO Excesso de sedimentos nos leitos de rios e lagos. AQUÍFERO Extensos depósitos de águas subterrâneas em áreas continentais, como o Aquífero Guarani, na América do Sul. AUSTRAL Sul. BACIA HIDROGRÁFICA Área delimitada pelos divisores de água, ou seja, por altitudes maiores e que compreende um rio principal, seus afluentes e subafluentes, os lagos e as águas subterrâneas. BOREAL Norte. CLIMA Sucessão habitual dos tipos de tempo atmosférico. Para classificar os tipos de clima, são necessários registros de temperatura e pluviosidade de, no mínimo, 30 anos. CORRENTES DE CONVECÇÃO Correntes de materiais (ar, magma, água...) que se movem devido à diferença de temperatura e, consequentemente, de densidade. CROSTA Porção externa e sólida do planeta Terra formada por rochas, minerais e solos e com profundidades que variam entre 6 e 75 quilômetros, aproximadamente. DEPRESSÃO ABSOLUTA Forma de relevo onde predomina a erosão e que apresenta altitude menor que a do nível do mar. DEPRESSÃO RELATIVA Forma de relevo com altitude inferior à dos planaltos e com predomínio da erosão sobre a sedimentação. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Desenvolvimento que atende às necessidades das gerações presentes sem comprometer as necessidades das futuras gerações. Conceitos básicos Os principais termos que você precisa saber para estudar Geografia ECOSSISTEMA São sistemas dinâmicos resultantes da interdependência entre fatores físicos do meio ambiente – como atmosfera, solo e água – e os seres vivos que o habitam. EQUINÓCIO Dia do ano em que os raios solares incidem diretamente sobre a linha do Equador, marcando o início da primavera ou do outono nos hemisférios Norte e Sul. EROSÃO Desgaste das rochas por meio de agentes externos ou exógenos, como as chuvas, os ventos, as geleiras, os rios, os oceanos, entre outros. GPS (GLOBAL POSITIONING SYSTEM) Sistema de Posicionamento Global, formado por 24 satélites em órbitas a 20.200 quilômetros ao redor da Terra. O sistema permite a localização de qualquer ponto da superfície terrestre com receptores móveis e tem inúmeras aplicações, como identificar rotas de navegação, por exemplo. INTEMPERISMO Conjunto de forças físicas, químicas e biológicas associadas à decomposição das rochas. ISTMOFaixa estreita de terras que liga dois continentes ou outras extensas áreas e terras emersas. Entre os mais conhecidos estão o Istmo de Suez e o Istmo do Panamá. LATITUDE Medida em graus da distância de um ponto qualquer da superfície terrestre em relação à linha do Equador. LITOSFERA Parte sólida externa da crosta terrestre, formada por rochas. LONGITUDE Medida em graus da distância de um ponto qualquer da superfície terrestre em relação ao meridiano de Greenwich. MANTO Camada geológica da Terra composta de material fundido, o magma, que se encontra entre 350 e 2.900 quilômetros de profundidade. MERIDIANO Linhas imaginárias que cruzam a Terra no sentido norte-sul, de um polo ao outro do globo. Os meridianos nos indicam a longitude. MERIDIONAL Sul. MIGRAÇÃO Migrante é a pessoa que passa a morar em local diferente daquele em que vivia anteriormente. No local de onde a pessoa sai ela é considerada um emigrante e no local onde ela passa a se fixar é considerada um imigrante. NÚCLEO (DA TERRA) Parte interna do planeta, composta dos minerais ferro e níquel. É subdividido em núcleo externo (material fundido) e núcleo interno (material sólido). PARALELO Linhas perpendiculares aos meridianos, que cruzam a Terra no sentido leste-oeste. Os paralelos determinam a latitude. PEGADA ECOLÓGICA Área (em hectares) necessária para suprir as necessidades das populações, de acordo com seus modos de vida. PLACAS TECTÔNICAS Partes da crosta terrestre delimitadas por falhas geológicas. PLANALTO Forma de relevo na qual os processos de erosão superam a sedimentação. PLANÍCIE Forma de relevo relativamente plana na qual predomina a sedimentação e, em geral, está localizada em altitudes menores que as do seu entorno. PLUVIOSIDADE Volume de chuvas em um determinado tipo de clima. ROTAÇÃO Movimento da Terra em torno do seu próprio eixo imaginário. SEDIMENTAÇÃO Deposição dos sedimentos após o processo de erosão e transporte feito pelos agentes erosivos (rios, geleiras, ventos etc.). SETENTRIONAL Norte. SOLSTÍCIO Dia do ano em que os raios solares incidem diretamente sobre um dos trópicos (Câncer ou Capricórnio), marcando o início do verão ou do inverno nos hemisférios Norte e Sul. TECTONISMO Conjunto de fenômenos geológicos responsáveis pela movimentação e fragmentação da crosta terrestre. TRANSLAÇÃO Movimento da Terra em torno do Sol. TROPOSFERA Parte inferior da atmosfera terrestre, entre as altitudes de zero a 12 mil metros, aproximadamente. ZONAS TÉRMICAS As três faixas do globo com médias de temperatura semelhantes: zona equatorial ou intertropical, zonas temperadas Norte e Sul (entre os trópicos e os círculos polares) e as zonas polares Norte e Sul. VEN DA P ROIB IDA 10 GE GEOGRAFIA 2018 CARTOGRAFIA 1 CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO� Os elementos cartográficos ..........................................................................12� Coordenadas geográficas ..............................................................................14 � Fusos horários ..................................................................................................16 � Tipos de mapas .................................................................................................18 � Projeções cartográficas ..................................................................................20 � Como cai na prova + Resumo .......................................................................22 A imagem que ilustra a página ao lado, da península coreana iluminada durante a noite, foi captada por astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS) há três anos e revela um cenário intrigante: enquanto os territórios da Coreia do Sul e da China cintilam com o clarão gerado pela iluminação das cidades desses países, a Coreia do Norte encontra-se quase totalmente na escuridão. A exceção é a capital, Pyongyang, facilmente identificada como um ponto iluminado no meio do breu. Para além da simples curiosidade, a análise da intensidade da iluminação em imagens no- turnas do nosso planeta revela indiretamente o grau de desenvolvimento econômico daquela região. Por essa lógica, quanto mais claro é um certo lugar, mais rico ele é, já que a luz é uma necessidade humana básica, e as pessoas ten- dem a usá-la mais na medida em que são mais ricas. Consequentemente, a escuridão indica os lugares menos desenvolvidos. Por isso, fotografias noturnas do planeta feitas do espaço têm sido cada vez mais utilizadas por economistas como uma ferramenta importante para estimar o grau de riqueza e de pobreza de regiões do globo – principalmente aquelas carentes de dados econômicos mais acurados, como muitos países da África Subsaariana. Des- sa forma, é possível identificar os bolsões de pobreza com maior precisão e encaminhar as ações públicas necessárias. Mas não se pode tomar esse dado isoladamen- te. A simples observação da imagem noturna pode levar a imprecisões, já que um bairro pobre, mas com alta densidade populacional, pode ter o mesmo nível de luminosidade de uma vizinhança rica, mas esparsamente povoada. Por isso, um estudo divulgado por pesquisado- res da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, sugere a combinação da análise das imagens noturnas com fotos diurnas de alta resolução – ao verificar também o local durante o dia, mostrando quão urbanizado é o lugar, a metodologia tende a ser mais precisa. Esses estudos são um bom exemplo de como a cartografia nos fornece informações imprescin- díveis para mostrar a realidade de diferentes localidades e fomen- tar o estabelecimento de políticas públicas. Neste capítulo, você ficará ainda mais por dentro da linguagem e do poder dos mapas no estudo da Geografia. Fotos noturnas feitas do espaço são uma nova ferramenta para medir níveis de desenvolvimento no planeta e identificar as regiões mais carentes Imagens de satélite contra a pobreza UM PAÍS NO BREU Imagem mostra detalhe da Ásia: a área iluminada à direita é a Coreia do Sul e no alto à esquerda está a China. A mancha escura com um ponto iluminado no meio é a Coreia do Norte VEN DA P ROIB IDA 11GE GEOGRAFIA 2018 NASA VEN DA P ROIB IDA 12 GE GEOGRAFIA 2018 CARTOGRAFIA OS ELEMENTOS CARTOGRÁFICOS A cartografia é dotada de uma linguagem própria, com símbolos, indicadores e representações. Veja a seguir algumas dicas para interpretar corretamente os mapas Tudo começou quando o homem pré-histórico passou a desenhar no interior das cavernas a loca- lização de seu entorno. Foi assim que surgiram os primeiros mapas. À medida que o homem foi conquistando novos espaços, cruzando mares e aprimorando as técnicas cartográficas, os mapas se tornaram mais sofisticados. Hoje, com a ajuda de poderosos satélites, até mesmo as mais inóspitas regiões do planeta são reproduzidas com alta precisão. Com o passar dos séculos, os mapas tiveram importantes funções estratégi- cas: ajudaram a impulsionar a expansão marítimo-comercial europeia no século XV e atualmente são fundamentais para que as administrações públicas desen- volvam projetos de organização territo- rial. Com os mapas, é possível realizar variados tipos de levantamento, seja ele político, socioeconômico ou ambiental. Por isso, eles são imprescindíveis ao estudo da geografia física e humana e à compreensão dos principais temas que movem o mundo. Qualquer representação geométri- ca da superfície terrestre, ou mesmo de parte dela, pode ser considerada um mapa – desde o desenho pouco apurado do homem pré-histórico até o mais completo planisfério produzido pela Nasa recentemente. Sejam eles rudimentares, sejam eles complexos, é importante ressaltar que os mapas possuem uma linguagem própria, com símbolos, indicadores e representações que facilitam sua interpretação. Conhe- ça mais os recursos utilizados pelos cartógrafos para reproduzir diferentes informações gráficas. TÍTULO O título é a nossa primeira aproximação com o mapa. Observá-locom atenção pode “encurtar” o caminho da sua leitura e compreensão, pois nos permite conhecer, de imediato, qual é o conteúdo representado. Em geral, vem acompanhado do ano em que os dados foram coletados. LEGENDA A legenda é um dos elementos mais importantes do mapa, pois dá significado aos indicadores nele representados. Ela informa se os dados são percentuais ou absolutos, além do significado de cores, símbolos, linhas e demais recursos utilizados. A leitura da legenda deve ser feita em conjunto com a visualização da distribuição dos dados no mapa. Neste exemplo, as manchas mais escuras mostram os locais onde há maior concentração de pessoas por quilômetro quadrado. Note que o mapa não fornece os nomes dos países. Essas informações você pode aprender por meio da leitura atenta dos mapas políticos. Trata-se, aliás, de uma dica interessante: os mapas sempre se complementam. Portanto, ao estudar Geografia, lembre-se de olhar para os mapas com a mesma atenção que você olha para os textos, fotografias, gráficos e tabelas. O fascinante universo dos mapas FONTE A fonte informa a origem (instituição, pesquisa etc.) dos dados utilizados para compor o mapa. VEN DA P ROIB IDA 13GE GEOGRAFIA 2018 ROSA DOS VENTOS A rosa dos ventos indica a orientação geográfica, ou seja, para que lado se encontram, no mapa, os pontos cardeais (norte, sul, leste e oeste). Pode parecer bem óbvio que o norte esteja na parte superior do mapa, pois essa é uma convenção internacional. Entretanto, em alguns tipos de mapas, como as plantas cartográficas e em projeções azimutais ou planas, o norte nem sempre se encontra na parte superior do mapa. ESCALA A escala indica a relação entre o espaço verdadeiro e seu correspondente no mapa. A escala gráfica apresentada no mapa acima mostra que 1 centímetro equivale a 1.237,5 quilômetros nas dimensões reais. Já a escala numérica do mapa ao lado nos mostra que cada centímetro reproduzido equivale a 55,5 milhões de centímetros – ou 555 quilômetros nas dimensões reais. Ao analisar os dois mapas, também é possível comparar reproduções cartográficas feitas em escalas pequenas e grandes. No mapa acima, reproduzido em uma escala pequena é possível identificar os continentes, a divisão política dos países e os oceanos, além dos locais com maior concentração de habitantes. Já no mapa ao lado, em escala maior, vemos uma área mais restrita – no caso, o território brasileiro. Assim, é possível observar os detalhes do contorno do país e identificar com mais precisão as áreas de maior densidade demográfica. VEN DA P ROIB IDA 14 GE GEOGRAFIA 2018 CARTOGRAFIA COORDENADAS GEOGRÁFICAS Para encontrar determinado lu-gar, como a casa de alguém ou um órgão público, precisamos de um endereço, não é mesmo? Sa- bendo o nome da cidade, do bairro, da rua e o número da casa, chegaremos ao destino. No entanto, nem todas as regiões do planeta têm um endereço com essas informações. Por isso, para obtermos a localização de qualquer ponto ou área da superfície terrestre, BRASÍLIA EQUADOR 15º47’S 47º55’O MERIDIANO DE GREENWICH TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO CÍRCULO POLAR ÁRTICO TRÓPICO DE CÂNCER utilizamos as coordenadas geográficas. Trata-se de um sistema obtido a partir do cruzamento de uma rede de linhas imaginárias – os meridianos e paralelos: • Os meridianos cruzam a Terra no sentido norte-sul, de um polo ao outro do globo. Os meridianos nos indicam a longitude, que é a distância expressa em graus entre um local no mapa e o meridiano de Greenwich. Localização precisa Um sistema de eixos horizontais e verticais constituem as coordenadas geográficas, que nos ajudam a identificar qualquer posição na superfície terrestre • Os paralelos são linhas perpendiculares aos meridianos, que cruzam a Terra no sentido leste-oeste. Eles determinam a latitude, também expressa em graus, e nos indicam a distância entre um local no planisfério e a linha do Equador. Para localizar qualquer ponto na su- perfície terrestre é só fazer o cruzamento do meridiano com o paralelo e obter os dados referentes a latitude e longitude. MERIDIANO DE GREENWICH O meridiano de Greenwich, que ganhou esse nome por passar pela cidade de Greenwich, na Inglaterra, divide o planeta em Ocidente e Oriente. A partir dele, as distâncias são contabilizadas de zero a 180 graus, tanto para leste quanto para oeste. A longitude de um lugar é a sua distância até o meridiano de Greenwich – quanto mais distante, maior será sua longitude. A longitude de Brasília, por exemplo, é de 47º55’O – lê-se 47 graus e 55 minutos de longitude oeste. Ou seja, Brasília está a cerca de 47 graus a oeste do meridiano de Greenwich. Também é comum informar no lugar das iniciais dos pontos cardeais (N, S, L e O) um sinal de + (positivo) para as latitudes norte e longitudes leste e, em contrapartida, um sinal de – (negativo) para as latitudes sul e longitudes oeste. LINHA DO EQUADOR A linha do Equador é equidistante em relação aos polos Norte e Sul da Terra e serve como referência para traçar os paralelos, como os trópicos de Câncer e Capricórnio e os círculos polares Ártico e Antártico. Ela divide o planeta em porção norte, ou setentrional, e sul, ou meridional. As linhas que partem do Equador são divididas de zero a 90 graus para as duas direções. A latitude de um lugar é determinada por sua distância em relação à linha do Equador – quanto mais longe, mais alta é a latitude de um ponto. A latitude de Brasília, por exemplo, é 15º47’S – lê-se 15 graus e 47 minutos de latitude sul. Ou seja, a cidade fica a pouco mais de 15 graus ao sul da linha do Equador. VEN DA P ROIB IDA 15GE GEOGRAFIA 2018 POR QUE AS COORDENADAS SÃO MEDIDAS EM GRAUS? Geralmente as distâncias são medidas em metros ou quilômetros. Por que então a latitude e a longitude são medidas em graus? Ocorre que, apesar de a maioria dos planisférios não mostrar isso, estamos tratando da medida de uma superfície curva, pois a Terra tem a forma arredondada. Assim, essas medidas equivalem à abertura do ângulo entre as linhas imaginárias traçadas a partir do centro da Terra até a linha do Equador (latitude) e do centro da Terra até o Meridiano de Greenwich (longitude). Veja o exemplo de Brasília, nas figuras abaixo: SAIBA MAIS BÚSSOLAS, PORTULANOS E GPS Da Idade Média (séculos V a XV) ao período das Grandes Navegações (séculos XV a XVII), a localização geográfica era obtida por meio da observação dos astros – a posição do Sol durante o dia e das cons- telações e da Lua à noite, por exemplo. As distâncias e as direções a serem seguidas eram obtidas pela leitura atenta da bússola e das Cartas Portulanas ou Mapas Portulanos. A bússola, cuja invenção é creditada aos chineses, foi fundamental para a navegação marítima no período das Grandes Navegações. Sua agulha imantada alinha-se com os polos magnéticos Norte e Sul da Terra e, dessa forma, permite que o navegador possa localizar-se e seguir na direção desejada. O desenvolvimento das Cartas Portulanas também facilitou a navegação, à medida que traziam as linhas de rumo para orientar o trajeto das embarcações, além de mostrar detalhes do litoral e a indicação dos principais portos, baías e cidades, como mostra este exemplo que representa o Mar Mediterrâneo e o seu entorno. Atualmente, dispomos de tecnologias infinitamente mais precisas para obter as coordenadas geográficas e identificar praticamente qualquer lugar no planeta. Esses dados são facilmente levantados pelo GPS (Global Positioning System), um sistema composto por 24 satélites que fornece a um aparelho receptor sua posição exata na superfície terrestre. As informações são visualizadas a partir de aparelhos de GPS, celulares e computadores de bordo em automóveis, aviões e navios e são fundamentais para a navegação terrestre, marítimaou aérea hoje em dia. [1] ALEX ARGOZINO [2] REPRODUÇÃO [1] [2] Fonte: Atlas Geográfico Mundial. Editora Fundamento, 2007. p. 4 VEN DA P ROIB IDA 16 GE GEOGRAFIA 2018 CARTOGRAFIA FUSOS HORÁRIOS Os fusos horários foram estabele-cidos porque, em razão do mo-vimento de rotação da Terra, as várias porções da superfície terrestre são iluminadas de forma diferencia- da no decorrer do dia. Para dar uma volta completa em torno de si, o pla- neta gira 360º e faz isso em um dia, ou seja, em 24 horas. Dessa forma, foram determinadas 24 faixas longitudinais (no sentido norte-sul do globo) de 15º. Cada faixa, denominada de fuso horário teórico ou astronômico, corresponde, portanto, a 1 hora. O fuso de referência do horário mun- dial é o de Greenwich, localidade situ- ada em Londres, na Inglaterra. Esse fuso se estende 7º30’ a oeste e 7º 30’ a leste do Meridiano de Greenwich, tam- bém chamado de Meridiano 0º. A par- tir dele, foram definidos os demais fusos teóricos – indo para leste, acres- centa-se uma hora a cada fuso; para oeste, subtrai-se uma hora. Entretanto, esses limites teóricos dos fusos horários, delimitados a cada 15º, não coincidem com os limites dos países. Por isso, foram criados os fusos horários práticos, também conhecidos como fusos civis ou políticos. Esses fusos respeitam os limites políticos dos países, pois consideram os interesses de cada nação em fazer parte de um ou de outro fuso, de acordo, por exemplo, com a integração econômica, política e sociocultural com as regiões vizinhas. Como os limites das linhas são uma convenção, os fusos acabam sendo maleáveis. Em novembro de 2013, por exemplo, o Brasil passou a ter quatro fusos horários, em vez de três. Com a medida, os fusos do estado do Acre e de parte do Amazonas foram modifica- dos, a partir de uma leve adaptação do meridiano. E essas mudanças ocorrem no mundo todo. Em 2016, a Rússia, que, com sua vastidão territorial tinha nove fusos horários, decidiu aumentar para 11. Além disso, alguns países adotam as chamadas “horas fracionadas”, como o Irã (3 horas e meia a mais em relação ao fuso de Greenwich) e a Índia (5 horas e meia a mais em relação ao fuso de Greenwich). Acertando os ponteiros Com base nos meridianos e no sistema de rotação da Terra, o sistema de fusos horários ajuda a organizar as horas em diversas localidades do globo TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO TRÓPICO DE CÂNCER CÍRCULO ANTÁRTICO CÍRCULO ÁRTICO EQUADOR A N T Á R T I C A Brasília Lima Cidade do México Ilhas Galápagos Honolulu Tonga Georgetown Dacar Trípoli Cairo Berlim Luanda Cidade do Cabo Maputo Jerusalém Riad Nairóbi Adis-Adeba Moscou Samara Teerã Astana Nova Délhi Pequim Tóquio Hong Kong Seul Pyongyang Jacarta Melbourne Sydney Manila Lisboa Londres Paris Bogotá Cidade do Panamá Nova York Ottawa Washington Vancouver Los Angeles San Francisco Tijuana Buenos Aires +13 +13 -3 +9 +5 +3 +4 +12 -9 Wellington Reykjavik Ilhas da Linha Ilhas Marquesas Ilha Pitcairn Ilha de Páscoa Ilhas Malvinas Ilhas Geórgia do Sul Taiti Paramaribo Belém La Paz Rio Branco Cuiabá Assunção Manaus Caracas Santo Domingo Quito Seattle Edmonton Anchorage Whitehorse Açores Samoa Santiago Montevidéu Houston Miami Havana New Orleans Chicago St. Louis Halifax St. John’s MontrealWinnipeg Denver Phoenix Túnis Argel Casablanca Lagos Abidjan Johannesburgo Antananarivo Cartum Campala Lusaka Kinshasa Windhoek Fernando de Noronha Bagdá Murmansk Helsinque São Petersburgo Roma Viena EstocolmoOslo Istambul Atenas KievVarsóviaDublin Madri Meca Mascate Yangun Bangcoc Dili Adelaide Brisbane Perth Cingapura Colombo Mumbai Karachi Calcutá Katmandu Lhasa Ashkhabad Tashkent Cabul Xi’an Ulan Bator Irkutsk Vladivostok Xangai Taipé Petropavlovsk Magadan YakutskYekaterinburgo Ilhas Chatham Oceano Pacífico Oceano Pacífico Oceano Ártico Oceano Ártico Oceano Atlântico Oceano Índico Manágua Kiribati +3 Omsk +6 +8 +5 Hanói 1h 2h 3h 4h 5h 6h 7h 8h 9h 10h 11h 12h 13h 14h 15h 16h 17h 18h 19h 20h 21h 22h 23h 0h0h -12 +12-11 +11-10 +10-9 +9-7 +7-6 +6-5 +5-4 +4-3 +3-2 +2-1 +10-8 +8 150º O 120º 90º 60º 60º 90º 120º 150º L 180º180º 30º 30º0º Horário Universal de Greenwich Horário fracionado Linha Internacional de Data +8 Krasnoyarsk Bucareste Novosibirsk Fonte: World Time Zone N 1.780 km OLHA A HORA! Para determinar o horário em um país, deve-se aumentar uma hora no relógio para cada fuso a leste de Greenwich e diminuir uma hora para cada fuso a oeste dele VEN DA P ROIB IDA 17GE GEOGRAFIA 2018 HORÁRIO DE VERÃO Com o horário de verão, o Brasil mantém seus quatro fusos, mas muda a disposição deles, pois as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste adiantam o relógio em uma hora. O objetivo é aproveitar melhor a luz solar, já que, durante o verão, quan- to maior a latitude, maior o fotoperíodo – o Sol nasce mais cedo e se põe mais tarde. A medida provoca uma importante redução no consumo de energia durante os horários de maior consumo, sobretudo das 18h às 20h, o que reduz a sobrecarga no sistema elétrico e os riscos de apagões. Nos estados localizados em latitudes mais baixas (mais próximos da linha do Equador), como no Nordeste e Norte, há pouca variação do fotoperíodo e, por isso, não compensa fazer a mudança para o horário de verão. Nesses estados, mesmo que houvesse alguma economia de energia à tarde, a mu- dança provocaria um aumento no consumo de energia no início da manhã. O horário de verão começa no terceiro domin- go de outubro e termina no terceiro domingo de fevereiro. Se neste último for carnaval, o encerramento fica para o domingo seguinte. VENEZUELA MUDA FUSO HORÁRIO CRIADO POR CHÁVEZ PARA POUPAR ENERGIA A Venezuela reverteu nesta sexta-feira (15) uma mudança de fuso horário de meia hora que foi uma das marcas registradas do governo do falecido presidente Hugo Chávez. Chávez atrasou os relógios do país 30 minutos em 2007 para que as crianças pudessem acordar para ir à escola com luz do sol. Mas seu sucessor, Nicolás Maduro, decidiu retomar o sistema ante- rior, quatro horas atrás do Horário do Meridiano de Greenwich (GMT, na sigla em inglês), para ter mais luz solar no final da tarde, quando o consumo de energia chega ao máximo. (...) G1, 15/4/2016 SAIU NA IMPRENSA OS FUSOS HORÁRIOS DO BRASIL Exemplos da variação dos horários nos fusos brasileiros quando em Londres (fuso de referência) são 15 horas As regiões Sul, Sudeste e Nordeste, o Distrito Federal e os estados de Goiás, do Tocantins, Pará e Amapá acompanham o horário de Brasília. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Roraima e a maior parte do Amazonas têm uma hora a menos. Já um pequeno trecho do Amazonas e o Acre passaram a ter duas a menos que Brasília com a mudança de fuso implementada em 2013. Com as alterações, o Brasil ficou com quatro fusos horários. No alto, os relógios mostram os diversos horários quando é meio-dia em Brasília. Note como Fernando de Noronha e as ilhas oceânicas estão mais “adiantados” em relação aos horários do Brasil continental: nessas regiões já são 13 horas. DF PA GO AP MA PI BA CE PE SP RJ ES AC AM RR RO MT MS PR SC MG TO RS 11h10h 12h 13h Atol das Rocas (RN) 3’52’S 33’50’O Penedos de S. Pedro e S. Paulo (RN) 3’56’S 29’22’O Fernando de Noronha (PE) 3’50’S 32’24’O *Em relação ao horário de Greenwich -4h -5h -2h -3h FUSO HORÁRIO* RN PB AL SE 1h entram no horário de verão não entram no horário de verão SAIBA MAIS VEN DA P ROIB IDA 18 GE GEOGRAFIA 2018 Grandes Lagos Aconcágua 6.959 m Mte. McKinley 6.194 m Amazon as Cordilheira dos Andes Apa lac hes Pico da Neblina 3.014 m Sã o F ra nc isc o M iss iss ipp i M ontanhas Rochosas CARTOGRAFIA TIPOS DE MAPA Veja como as diversas formas de representar o espaço geográfico podem alterar o modo como enxergamos o planeta Representação: é essa a ideiaque norteia a construção de um mapa. Ocorre que, obvia- mente, o tamanho e a complexidade do planeta não cabem no papel. Desse modo, é preciso fazer escolhas para conseguir mostrar, num espaço tão res- trito, o máximo daquilo que comporta o mundo real. Dessas escolhas é que resultam as diversas maneiras de representar um território, que pode se dar com base em focos variados, como seus aspectos físicos, políticos ou sociais. Cada um desses recortes, por sua vez, abarca ou- tras subdivisões. A representação física do planeta, por exemplo, engloba mapas de hidrografia e relevo, entre outros. Todas essas divisões são importantes tanto por seu caráter teórico, ao faci- litar o estudo de uma área, quanto pela aplicação prática desse conhecimento, ao nortear a implantação de políticas de saúde ou ambientais. Entretanto, com tantas possibilidades, é preciso atenção na hora de ler os ma- pas e avaliar as conclusões tiradas com base em sua análise. Afinal, como vimos, eles mostram apenas uma parte da re- alidade. Assim, dependendo do ponto de vista adotado para sua construção, eles podem acabar servindo para in- fluenciar – positiva ou negativamente – o modo como enxergamos determina- da área ou algum fenômeno. Confira a seguir alguns dos principais tipos de mapas e o que eles representam. Vários mapas, diferentes leituras MAPAS FÍSICOS Este tipo de mapa destaca as características físicas da superfície terrestre, em especial de relevo e hidrografia. Geralmente, as diferentes faixas de altitudes são apresentadas por meio de uma sequência de cores: nas terras emersas, os tons em verde são usados para altitudes mais baixas, seguidos do amarelo, laranja e marrom, sucessivamente, para as altitudes mais elevadas. Também constam nos mapas físicos denominações das unidades de relevo que se destacam no território, como cadeias montanhosas, serras, planaltos e planícies, bem como os picos mais elevados. Quanto à hidrografia, são representados com traços azuis os grandes rios e seus principais afluentes e subafluentes. Os principais lagos também são identificados. MAPAS POLÍTICOS É este recorte que dá aos mapas a cara que mais conhecemos: os continentes divididos em países, os países divididos em regiões e estas, em cidades (veja, ao lado, os 35 países do continente americano). Seu objetivo é simplesmente demarcar os limites entre territórios, que podem mudar no decorrer dos anos. As fronteiras entre as nações, por exemplo, sofreram muitas mudanças no decorrer da história. As atualizações do mapa-múndi atingiram número recorde no século XX, por causa do turbilhão de eventos ocorridos no período, como o desmembramento da ex-União Soviética. A mais recente alteração no mapa político ocorreu em 2011, com o desmembramento do Sudão, que deu origem ao Sudão do Sul. Em suma, aparecer ou não no mapa significa ter a própria existência reconhecida pelo resto do mundo. VEN DA P ROIB IDA 19GE GEOGRAFIA 2018 SAIBA MAIS ANAMORFOSES, OS MAPAS DISTORCIDOS Os mapas têm como objetivo apresentar de forma mais fiel possível o espaço geográfico, certo? Mais ou menos. Existem alguns tipos de representação cartográfica que distorcem o tamanho e o traçado das regiões para reforçar o efeito comparativo sobre o tema apresentado. Esses mapas recebem o nome de anamorfoses e costumam cair nos vestibulares com certa frequência. Nesta anamorfose, o tamanho de cada país é proporcional ao seu Produto Interno Bruto (PIB) e não à sua extensão territorial. Logo, chama a atenção o aumento de tamanho dos Estados Unidos, dono da maior economia do mundo, com 18 trilhões de dólares. Por sua vez, note como o Canadá, que tem a segunda maior extensão territorial do planeta, atrás apenas da Rússia, ficou representado de uma forma bem menor nesta anamorfose. Isso acontece porque o gigantismo de sua área não é proporcional ao seu PIB. Já o mapa do Brasil apresenta poucas distorções na comparação entre economia e área. MAPAS TEMÁTICOS São mapas que representam dados sobre determinados temas, permitindo observar as características de uma região e estabelecer comparações entre os países apresentados. Os temas abordados podem ser os mais diversos, da economia à cultura, passando por demografia e meio ambiente. Neste exemplo, os países da América são agrupados a partir de sua classificação no ranking mundial do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O indicador, apurado pela Organização das Nações Unidas (ONU), serve para medir as variações no padrão de qualidade de vida das diferentes populações do globo, levando em conta três fatores: educação, longevidade e renda. Ao observarmos o mapa de IDH do continente americano acima, notamos que Estados Unidos, Canadá, Chile e Argentina são as únicas nações com IDH muito alto, enquanto o Haiti é a única nação com baixo desenvolvimento humano. O Brasil, junto com países como Venezuela e México, tem IDH alto. Índice de Desenvolvimento Humano (2015) Muito Alto Alto Médio Baixo Dados não disponíveis Estados Unidos Canadá Argentina Chile Cuba Venezuela Haiti Brasil México PARA IR ALÉM Confira dezenas de anamorfoses sobre os mais diversos temas no site www.worldmapper.org. Estados Unidos Canadá Brasil VEN DA P ROIB IDA 20 GE GEOGRAFIA 2018 CARTOGRAFIA PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS Ao longo dos séculos, os cartó-grafos vêm se empenhando em desenvolver mapas-múndi da forma mais fi el possível. O problema é que a Terra tem um formato esférico, com um leve achatamento nos polos. O maior desafi o na criação dos mapas, portanto, é representar este planeta esférico em uma superfície plana. Para ter uma ideia da difi culdade de fazer essa transposição, no decorrer dos anos surgiram mais de 200 tipos de projeção cartográfi ca. E todas apresentam algum tipo de distorção. Forma e conteúdo O desafi o de reproduzir a superfície esférica da Terra em um mapa plano levou ao surgimento de uma infi nidade de projeções cartográfi cas. Conheça a seguir os tipos mais comuns Equador Gr ee nw ic h Trópico de Capricórnio Trópico de Câncer 60˚ 60˚ 20˚ 20˚ Trópico de Câncer Equador 180˚ 160˚ 140˚ 120˚ 100˚ 80˚ 60˚ 40˚ 20˚ 0˚ Greenwich Polo Norte PROJEÇÃO CILÍNDRICA Este tipo de projeção é produzido como se um cilindro envolvesse a esfera terrestre e fosse então planifi cado. A projeção cilíndrica ainda consegue representar com menos distorções as baixas latitudes. PROJEÇÃO CÔNICA Neste tipo de projeção, a representação é feita como se um cone envolvesse o planeta e depois fosse planifi cado. Esta projeção é utilizada para mapas de latitudes médias, pois nessa região a distorção é menor. PROJEÇÃO PLANA OU AZIMUTAL O mapa é construído sobre um plano que tangencia algum ponto da superfície terrestre. Seu uso mais comum é para melhorar a visibilidade das regiões polares e de suas proximidades. AS DIFERENTES REPRESENTAÇÕES DA ESFERA TERRESTRE Dependendo da figura geométrica utilizada para desenvolver o mapa, as projeções podem ser classificadas da seguinte forma: VEN DA P ROIB IDA 21GE GEOGRAFIA 2018 CONFORME Prioriza a forma, ou seja, o contorno dos continentes e oceanos e distorce a área, principalmente nas latitudes maiores. Na Projeção de Mercator ao lado, a Groenlândia, que tem cerca de 2,8 milhões de quilômetros quadrados, aparece no mapa com quase o mesmo tamanho da África, com seus mais de 30 milhões de quilômetros quadrados. EQUIVALENTE Mantém a equivalência da área, ou seja, a proporção entre as áreas reais e sua representação nos mapas. No entanto, as formas ficam distorcidas, como a América do Sul e a África, que aparecem mais alongadas no mapa, como se nota na Projeção de Peters. EQUIDISTANTE Representa com maior fidelidade as distâncias, por isso é frequentemente adotada para definir rotas aéreas e marítimas.No entanto, ela distorce as formas e as áreas. As projeções planas ou azimutais, descritas na página ao lado, também são consideradas equidistantes. ARBITRÁRIA OU AFILÁTICA Não se prende totalmente a nenhuma regra, distorcendo tanto a área como a forma, porém sem exagerar essas distorções, buscando um resultado mais equilibrado. O exemplo mais representativo é a Projeção de Robinson, utilizada na maior parte dos atlas e livros escolares. DIFERENTES PROJEÇÕES CAUSAM POLÊMICA As projeções também podem ser classificadas de acordo com os parâmetros utilizados para conservar ou distorcer as áreas: SAIBA MAIS AS IMAGENS DE SATÉLITES Os satélites são instrumentos essenciais para a obtenção de imagens da superfície terres- tre com grande riqueza de detalhes. A partir dessas informações, os cartógrafos produzem mapas temáticos, monitoram problemas am- bientais, como o desmatamento e a poluição das águas, descobrem novas riquezas, como ja- zidas minerais, entre inúmeras outras funções. A obtenção de imagens de satélite faz parte de um conjunto de técnicas conhecidas como sen- soriamento remoto. Como a própria expressão já diz, trata-se de uma forma de obter imagens com sensores localizados à distância. Depen- dendo das variações que as características físi- cas da superfície terrestre apresentam, ocorrem diferentes índices de reflexão da luz solar ou das radiações dos sensores ativos dos satélites. As águas, por exemplo, tendem a absorver maior quantidade de energia, enquanto construções (prédios, estradas, pontes etc.) ou mesmo o solo exposto refletem mais a energia incidente. Desta forma, é possível identificar as características naturais e da ocupação humana de uma deter- minada área. Existem ainda filtros utilizados para realçar alguma caraterística, como as variações do relevo, dos recursos minerais, da vegetação ou das águas, por exemplo. CORES E TEXTURAS Nesta imagem da região metropolitana de São Paulo, as porções de água estão representadas na cor preta, as áreas urbanizadas na cor rosa, a vegetação na cor verde e o solo exposto na cor marrom INPE VEN DA P ROIB IDA 22 GE GEOGRAFIA 2018 COMO CAI NA PROVA 1. (Fuvest 2017) Anamorfose geográfi ca representa superfícies dos países em áreas proporcionais a uma determinada quantidade. Observe as seguintes anamorfoses: Nas alternativas apresentadas, os títulos que identifi cam de forma correta as anamorfoses I e II são, respectivamente: a) Transporte aéreo e Transporte ferroviário. b) População urbana e População rural. c) População total e Produto Interno Bruto. d) Ocorrência de HIV e Ocorrência de malária. e) Exportação de armas e Importação de armas RESOLUÇÃO A anamorfose possui uma força comunicativa poderosa e cartografi camente tem o papel de valorizar certos fenômenos geográfi cos, provocando a subversão da forma com o propósito de revelar o assunto retratado. Para responder este tipo de questão é preciso identifi car o grau de distorção das áreas dos países no mapa. Além disso, o conhecimento geral de temas da geografi a física e humana é fundamental para saber a quais assuntos o mapa estará relacionado. No caso desta questão, as alternativas levam às seguintes refl exões: A afi rmativa A é incorreta porque países como Japão e China têm forte movimento aéreo e o transporte ferroviário é maior em países desenvolvidos; A afi rmativa B é incorreta porque não só os países desenvolvidos registram altos percentuais de população urbana; A afi rmativa C é incorreta porque Estados Unidos, Rússia, Brasil, China, Índia são os países mais populosos; A afi rmativa D é incorreta porque a ocorrência do HIV é maior no continente africano. Logo, a resposta que representa a melhor opção é aquela que envolve o comércio mundial de armas. EUA, países de Europa Ocidental e Rússia são grandes produtores e exportadores. Já Índia e Paquistão (em tensão por disputa territorial), Japão e Coreia do Sul (temerosos por ameaças da Coreia do Norte) e países do Oriente Médio e do norte da África (envolvidos com ações terroristas e fundamentalismo islâmico) são grandes importadores de armamentos. Resposta: E 2. (Mackenzie 2016) Escala : 1:15.000 Com base no mapa e em seus conhecimentos sobre Escalas Cartográfi cas e Fusos Horários Mundiais, qual alternativa contempla, correta e respectivamente, as seguintes perguntas. I. Qual a distância linear entre os dois pontos atingidos pelas explosões, em Bruxelas, sabendo que a distância entre os dois pontos no mapa é de 7 cm? II. Sabendo que o ataque ao Aeroporto Internacional de Zaventem – Bruxelas – Bélgica ocorreu às 8h do dia 22/03/2016, país localizado a 15º Leste de Greenwich, que horas os relógios brasileiros marcavam em seu fuso principal, horário de Brasília, localizado a 45o Oeste de Greenwich? a) 150 metros; 4h do dia 21/03/2016. b) 1.500 metros; 20h do dia 21/03/2016. c) 1.050 metros; 4h do dia 22/03/2016. d) 10.500 metros; 20h do dia 22/03/2016. e) 105.000 metros; 4h do dia 23/03/2016. RESOLUÇÃO I – A escala numérica indicada no mapa aponta 1: 15.000. Ou seja, para cada 1 centímetro no mapa temos, na realidade, 15.000 centímetros, ou 150 metros. Em uma distância linear de 7 centímetros, temos a seguinte correspondência: 1 cm — 150 m 7 cm — x x= 1050 m II – Devemos considerar a localidade de Bruxelas a 15° Leste de Greenwich e de Brasília a 45° Oeste. Cada fuso equivale a 1 hora e corresponde a 15°. Logo, a diferença entre as duas localidades apontadas na questão é de 4 fusos, o equivalente a 4 horas. Como no sentido leste as horas aumentam e no sentido oeste as horas diminuem, podemos concluir que, no momento do atentado executado em Bruxelas às 8 horas, os relógios brasileiros marcavam na sua hora ofi cial quatro horas a menos, pois Brasília se localiza mais a oeste da Bélgica. Com isso a hora registrada foi de 4 horas. Resposta: C VEN DA P ROIB IDA 23GE GEOGRAFIA 2018 RESUMO Cartografia ELEMENTOS DOS MAPAS São as informações que acompa- nham os mapas e a eles dão significado. Os principais elementos são o título, a legenda (indica o significado dos símbolos, cores e demais recursos utilizados nos mapas), a rosa dos ventos (indica os pontos cardeais), a fonte dos dados e a escala, que determina a proporção em que o mapa foi feito, comparado à superfície real. COORDENADAS GEOGRÁFICAS São valores em graus, minutos e segundos obtidos a partir do cruzamento dos meridianos (linhas imaginárias traçadas no sentido norte-sul) e dos para- lelos (linhas imaginárias traçadas no sentido leste-oeste). As coordenadas são fundamentais para a localização de qualquer ponto ou área na superfície terrestre. O ponto de referência dos paralelos é a linha do Equador, enquanto dos meridianos é o meridiano de Greenwich. Os paralelos determinam a latitude e os meridianos indicam a longitude. FUSOS HORÁRIOS São faixas longitudinais (que se estendem no sentido norte-sul no globo terrestre) criadas para organizar a hora mundial. Inicialmente foram determinadas 24 faixas, cada uma com 15 graus. A hora adotada em cada país, no entanto, foi regulamentada com base nos fusos horários práticos, que acompanham os limites territoriais dos países ou estados, de acordo com os interesses político-econômicos regionais. O ponto de referência do horário mundial é o meridiano de Greenwich, na Inglaterra: indo para leste, adianta-se o relógio; para oeste, deve-se atrasá-lo. Muitos países adotam o horário de verão, adiantando o relógio em uma hora para aproveitar melhor a luz solar e reduzir o consumo de energia. TIPOS DE MAPAS De acordo com o tipo de informação que representam, os mapas podem ser classificados como: mapas políticos, que mostram os limites político-territoriais dos países; mapas físicos, com as principais características de relevo e hidrografia; e os mapas temáticos, que representam algum tema ou assunto específico, como dados econômicos, populacionaisou ambientais. As anamorfoses aumentam ou diminuem o tamanho dos países ou continentes de acordo com os dados quantitativos que estão sendo representados. PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS São técnicas utilizadas para representar a Terra, que é esférica, em uma superfície plana. As principais projeções são classificadas de acordo com a figura geométrica utilizada para representar a superfície terrestre: cilindro (projeção cilíndrica); cone (projeção cônica) e plano (projeção plana ou azimutal). Há distorções em todas as pro- jeções, sendo que em cada uma se prioriza uma determinada propriedade: a área, a forma ou as distâncias. A projeção de Mercator é mais precisa nas distâncias, mas distorce as áreas. Já a projeção de Peters privilegia o tamanho da área, porém não consegue apresentar as formas de maneira fiel. 3. (Unicamp 2017) A representação cartográfi ca dos fatos geográfi cos avançou consideravelmente, nas últimas décadas, sobretudo a partir do emprego de tecnologias modernas utilizadas pela Cartografi a, por exemplo, as imagens SRTM, como a que será vista a seguir: a) Explique por que a Groenlândia e a Península Arábica, que possuem aproxima- damente a mesma superfície no mapa-múndi acima, apresentam dimensões tão discrepantes, e indique qual é a projeção desse mapa-múndi. b) Defi na escala cartográfi ca e indique se o mapa acima apresenta uma escala grande ou pequena. RESOLUÇÃO a) O mapa apresentado na questão foi feito em uma projeção cilíndrica do tipo conforme idealizada por Mercartor. Este mapa prioriza a forma e o contorno dos continentes. No entanto, ele distorce o tamanho e a proporção das áreas continentais. As áreas de baixa latitude, mais próximas da linha do Equador, são reproduzidas de forma mais fi el, como acontece com a Península Arábica. Já as regiões de alta latitude, como a Groenlândia, são apresentadas em um tamanho proporcionalmente maior do que de fato são. b) A escala cartográfi ca permite que se estabeleça uma relação entre o espaço real e a área apresentada no mapa. O mapa-múndi reproduzido na questão tem escala pequena – ela mostra poucos detalhes, priorizando a apresentação de uma área de abrangência maior. � SAIBA MAIS As escalas numéricas são expressas por uma fração cujo numerador é a medida no mapa e o denominador é a medida correspondente ao terreno. Ex: 1:50.000 ou 1/50.000 – 1 cm no mapa corresponde a 50.000 cm no terreno). O tamanho da escala é tanto menor quanto maior for o denominador. Veja na tabela abaixo como o tamanho da escala se relaciona com a fi nalidade do mapa: Tamanho Escala Finalidade do Mapa Grande 1:50 / 1:100 Plantas arquitetônicas e de engenharia 1:500 a 1: 20.000 Plantas urbanas; projetos de engenharia Média 1: 25.000 a 1:250.000 Mapas topográfi cos Pequena Acima de 1: 250.000 Atlas geográfi cos; globos VEN DA P ROIB IDA 24 GE GEOGRAFIA 2018 LITOSFERA 2 CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO� Composição e estrutura geológica .............................................................26� Tipos de relevo ..................................................................................................28 � Placas tectônicas .............................................................................................30 � Relevo em movimento....................................................................................32 � Relevo do Brasil ................................................................................................36 � Recursos minerais ...........................................................................................38 � Características dos solos ...............................................................................40 � Deslizamento de terra e inundações ........................................................42 � Contaminação dos solos ................................................................................44 � Como cai na prova + Resumo .......................................................................46 maior em relação ao entorno e detém uma crosta mais espessa que a do leito oceânico – quatro características comuns aos continentes validados. Embora seja natural pensarmos que um con- tinente deva estar inteiramente na superfície, os pesquisadores argumentam que o fato de Zelândia ter apenas 6% de suas terras emersas não lhe tira o direito de ser vista como tal. “É o menor e mais fi no continente já encontrado, e o fato de estar tão submerso, mas não fragmentado, o torna útil para explorar a coesão e desintegra- ção da crosta continental”, aponta Mortimer. Como não existe um organismo internacional que reconheça formalmente os continentes, a Zelândia só irá fazer parte da lista se a comuni- dade científi ca aceitar os argumentos dos pes- quisadores neozelandeses e passar a citá-la em seus trabalhos. Dessa forma, o novo continente quase inteiramente submerso do Pacífi co passaria a ser ensinado nas aulas de Geogra- fi a. Enquanto isso não acontece, você apren- de no capítulo a seguir todos os tradicionais fenômenos do relevo e de sua formação. O NOVO CONTINENTE Representação da Terra mostra a Zelândia, em volta do tracejado em vermelho: apenas a Nova Zelândia, ao sul, e a pequena ilha da Nova Caledônia, ao norte, estão acima do nível do mar Um artigo publicado em fevereiro de 2017 na revista científi ca da Geological Society of America (GSA) propõe uma mudança signifi cativa nos livros de Geografi a. Segundo o estudo liderado pelo geólogo neoze- landês Nick Mortimer, o mundo teria um novo continente: a Zelândia. O território possui 4,9 milhões de quilômetros quadrados (cerca de 60% da área do Brasil) e localiza-se no sudo- este do Oceano Pacífi co, ao lado da Austrália. Detalhe: 94% de suas terras são submersas, e as únicas porções acima do nível do mar são as ilhas de Nova Zelândia e Nova Caledônia, dis- tantes cerca de 2.400 quilômetros uma da outra. A formação da Zelândia estaria relacionada ao mesmo fenômeno que deu origem aos demais continentes: a deriva continental. A Pangeia, a grande e única extensão de terra que existia há 225 milhões de anos, foi se fragmentando gradativamente até dar forma aos continentes que conhecemos atualmente. A Zelândia se descolou da Austrália e da An- tártica e submergiu, mas ainda assim poderia ser considerada um continente. É o que defende o estudo de Mortimer, com base em critérios geo- lógicos. Dados coletados por satélite mostram que a Zelândia tem uma área bem defi nida, é dotada de uma geologia distinta, possui uma elevação Território localizado no sudoeste do Oceano Pacífi co tem apenas 6% de sua área acima do nível do mar Zelândia, o continente submerso CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO � Composição e estrutura geológica .............................................................26 � Tipos de relevo ..................................................................................................28 � Placas tectônicas .............................................................................................30 � Relevo em movimento....................................................................................32 � Relevo do Brasil ................................................................................................36 � Recursos minerais ...........................................................................................38 � Características dos solos ...............................................................................40 � Deslizamento de terra e inundações ........................................................42 � Contaminação dos solos ................................................................................44 � Como cai na prova + Resumo .......................................................................46 APONTE O CELULAR PARA AS PÁGINAS E VEJA VÍDEO SOBRE A FORMAÇÃO DA ZELÂNDIA (MAIS INFORMAÇÕES NA PÁG. 7) VEN DA P ROIB IDA 25GE GEOGRAFIA 2018 MARIO KANNO/MULTISP VEN DA P ROIB IDA 26 GE GEOGRAFIA2018 LITOSFERA COMPOSIÇÃO E ESTRUTURA GEOLÓGICA O termo litos, em grego, significa “pedra” ou “rocha”. Portanto, conhecer a litosfera é saber literalmente onde estamos pisando, já que ela dá nome à camada sólida que reveste a esfera terrestre. Essa rigidez em sua superfície, aliás, é uma característica que nem todos os pla- netas possuem. No Sistema Solar, além da Terra, somente outros três (Mercúrio, Vênus e Marte) são classificados como planetas rochosos. Os demais (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) são gigantes gasosos e não possuem uma crosta rochosa. A litosfera é composta pela crosta e por uma parte do manto superior, conforme ilustra a ima- Por dentro do globo Conheça as características das camadas internas do planeta e como o relevo foi formado ao longo dos anos Manto inferior Manto superior Fonte: ALMANAQUE ABRIL Crosta Núcleo externo Núcleo central CROSTA É a parte superior ou externa da litosfera, encontrada tanto nas áreas continentais (crosta continental) como submersas pelos oceanos (crosta oceânica). A crosta continental apresenta espessuras que variam de 30 a 70 quilômetros, aproximadamente, com rochas mais densas na parte inferior e menos densas na porção superior, próxima da superfície. A crosta oceânica, por sua vez, tem espessura entre 6 e 7 quilômetros de profundidade e é constituída predominantemente por rochas mais densas. gem abaixo. É sobre ela que o relevo ganha seus contornos, formando desde depressões até cadeias montanhosas. Além dessas camadas, a Terra possui outras partes em sua estrutura interna igualmente sólidas, como o núcleo interno, ou fluidas, como o manto e o núcleo externo. Conhecer essa estru- tura e sua dinâmica é fundamental para entender fenômenos como os terremotos, as atividades vulcânicas e os tsunamis, por exemplo, e assim poder buscar os meios de se proteger contra seus efeitos devastadores. Veja abaixo as características das diferentes camadas da Terra: TETO DAS AMÉRICAS O Monte Aconcágua, na Argentina, é o ponto mais alto do continente americano, medindo 6.959 metros AS CAMADAS DA TERRA APONTE O CELULAR PARA AS PÁGINAS E VEJA VIDEOAULA SOBRE ESTRUTURAS GEOLÓGICAS (MAIS INFORMAÇÕES NA PÁG. 7) VEN DA P ROIB IDA 27GE GEOGRAFIA 2018 A estrutura geológica A estrutura geológica e mineralógica da crosta está na base do modo de vida das populações humanas, uma vez que fornece dezenas de recursos necessários à vida, como a produção de ali- mentos (obtidos por meio do cultivo do solo), os materiais utilizados na construção de moradias (tijolos, cimento, ferro), a geração de energia (petróleo, urânio), entre inúmeros outros. Confira a seguir as principais estruturas geológicas da litosfera: FORMAÇÃO DAS ESTRUTURAS GEOLÓGICAS Escudo cristalino Dobramentos modernos Bacias sedimentares 2,5 bilhões 4,5 bilhões 250 milhões Arqueozoica Proterozoica Paleozoica Mesozoica Cenozoica 65 milhões 570 milhões ESCUDOS CRISTALINOS São os terrenos mais antigos da crosta terrestre, formados pelo choque de massas continentais ocorrido há centenas de milhões de anos durante a era Pré-Cambriana (Arqueozoica e Proterozoica). Os escudos cristalinos são constituídos de rochas magmáticas, ou seja, trata-se do magma – material líquido-pastoso proveniente do manto – em estado sólido. As rochas magmáticas dividem-se em duas categorias: as extrusivas, como o basalto, que são formadas com o esfriamento rápido do magma na superfície terrestre; e as intrusivas, como o granito, que são resfriadas lentamente dentro da crosta terrestre. Os escudos cristalinos também exibem as rochas metamórficas, que são o resultado da transformação das rochas magmáticas, sedimentares ou mesmo de outras metamórficas, por meio de processos químicos e físicos nas grandes profundidades da Terra. O mármore, por exemplo, é formado do calcário quando esse é submetido a altas temperaturas e pressão. BACIAS SEDIMENTARES Foram formadas nas eras Paleozoica e Mesozoica, com a erosão das rochas dos escudos cristalinos – após o desgaste dos maciços, seus sedimentos foram depositados em regiões mais baixas. O acúmulo desses detritos, somado aos restos orgânicos, leva à formação de rochas sedimentares pelo processo de MANTO SUPERIOR É a parte da estrutura interna da Terra que se encontra logo abaixo da crosta e vai até cerca de 400 quilômetros de profundidade. Juntamente com a crosta, a parte superior do manto, formada por rochas sólidas, constitui a litosfera. MANTO INFERIOR Constituído por rochas fundidas diante das elevadas temperaturas, o manto inferior estende-se de 400 a 2.900 quilômetros de profundidade. É nessa parte que se formam as correntes de convecção do magma: o contato com o núcleo externo aumenta as temperaturas desses materiais, que são impulsionados em direção ao manto superior, onde se “resfriam” e, mais densos, tornam a descer para perto do núcleo, onde novamente são aquecidos e reiniciam o ciclo. NÚCLEO EXTERNO Localizado na faixa entre 2.900 e 5.100 quilômetros, é constituído por dois minerais predominantes: o níquel e o ferro, totalmente fundidos pelas elevadas temperaturas. NÚCLEO CENTRAL O núcleo central constitui a camada que fica entre 5.100 quilômetros e o centro da Terra, a 6.378 quilômetros. É constituído de uma liga metálica formada por ferro e níquel, porém em estado sólido em função da elevada pressão a que é submetido. Seu movimento de rotação é maior do que o do restante da Terra. litificação. Essa deposição é feita em camadas. O calcário, presente em cavernas, o arenito e o carvão são exemplos de rochas sedimentares. DOBRAMENTOS MODERNOS Trata-se das formações mais recentes da crosta terrestre, surgidas do choque de placas ocorrido entre o fim da era Mesozoica e o início da Cenozoica. As rochas são mais flexíveis e situam-se na zona de contato entre as placas tectônicas. Nessa região de grande instabilidade e frequentes movimentos sísmicos encontram-se montanhas e vulcões ativos e extintos. PARA IR ALÉM O filme Viagem ao Centro da Terra, de Eric Brevig, baseado na obra de Júlio Verne, conta a história de um grupo de pessoas que descobre um caminho para o núcleo do planeta. Essa obra de ficção apresenta características geológicas internas da Terra. iSTOCK PHOTO VEN DA P ROIB IDA 28 GE GEOGRAFIA 2018 LITOSFERA TIPOS DE RELEVO DEPRESSÕES São áreas da superfície localizadas em altitude inferior à das regiões próximas (depressão relativa) ou abaixo do nível do mar (depressão absoluta). As depressões podem ser formadas de várias maneiras: por deslocamento do terreno, remoção de sedimentos, dissolução de rochas ou até por queda de meteoritos. O Mar Morto, situado 416 metros abaixo do nível do mar, é a maior depressão do globo. Ele banha Israel, Jordânia e Cisjordânia e leva esse nome em razão da elevada concentração de sal de suas águas – dez vezes superior à dos demais oceanos –, o que impede a existência de qualquer forma de vida. MONTANHAS Também chamadas de dobramentos modernos, são grandes áreas elevadas resultantes do choque de placas tectônicas (veja mais na pág. 32). Os maiores picos do mundo ficam na Cordilheira do Himalaia, um complexo montanhoso que se estende por cinco países asiáticos: Paquistão, Índia, Nepal, Butão e China. Sua formação, iniciada há cerca de 70 milhões de anos, resulta do choque entre a placa tectônica Indiana e a placa Eurasiática (veja mais na pág. 31). O curioso é que a placa Indiana continua a se mover, fazendo com que o Himalaia se eleve a uma taxa de 5 milímetros por ano. SAIBA MAIS O RELEVO SUBMARINO Escondido sob o cobertor das águas mari- nhas, o solo oceânico apresenta um rico relevo de montanhas, planaltos e fossas profundíssi- mas. Como essas formas não estão expostas à erosão de agentes externos, como o vento e as chuvas, os perfis são mais contrastantes e escarpados. Podemos destacar três porções desse relevosubmerso: Plataforma continental: terras submersas que se prolongam das terras emersas, como uma orla em torno dos continentes. Topogra- ficamente, ela é uma superfície quase plana, formada pelo acúmulo de sedimentos de origem continental. Vai até os 200 metros de profundidade, que também é o limite da pe- netração da luz solar (veja mais na pág. 54). Cordilheira submarina: elevações de forma regular que surgem ao longo dos oceanos, como a Dorsal Mesoatlântica. Essa cadeia de montanhas submersas tem mais de 10 mil quilômetros de comprimento e se estende no sentido norte-sul pela região central do Oceano Atlântico. Sua formação se deve ao afastamen- to das placas tectônicas, que permitiu que o magma chegasse à superfície. Em alguns pon- tos, os picos se elevam acima do nível do mar e formam ilhas, como é o caso do arquipélago de Fernando de Noronha, no Brasil. Há outras cordilheiras submarinas nos ocea- nos Índico e Pacífico, todas com uma caracte- rística em comum: formam-se em locais onde as placas tectônicas estão se afastando umas das outras. O afastamento é lento (menos de 2 centímetros ao ano), impulsionado pelas correntes convectivas do magma, que se eleva e forma novas rochas ao se resfriar. Fossas oceânicas: também conhecidas como fossas abissais, são gigantescos abismos sub- marinos formados quando uma placa tectôni- ca é forçada para debaixo de outra, após uma colisão. O local mais profundo dos oceanos é a Fossa das Marianas, um enorme vale sub- marino com 10.920 metros de profundidade, localizado a leste das Ilhas Marianas, no Oce- ano Pacífico. Ela tem por volta de 2,5 mil quilômetros de extensão e fica na fronteira entre duas pla- cas tectônicas, a do Pacífico e a das Filipinas. Caso o Monte Everest fosse colocado dentro da Fossa das Marianas, ainda restariam mais de 2 mil metros de água entre seu pico e o nível do mar. As quatro faces da Terra Conheça os principais tipos de relevo que constituem o cenário global PLANALTOS São elevações de altitudes variadas, em que predomina o processo de erosão e cuja composição rochosa pode ser de rochas sedimentares, cristalinas ou metamórficas. Os planaltos apresentam superfície irregular, como serras e chapadas, e são delimitados por áreas rebaixadas em um de seus lados. O continente africano se destaca pela presença de planaltos, com altitudes predominantes entre 400 e 2 mil metros. Na porção leste/nordeste, destacam-se os planaltos da Etiópia e o dos Grandes Lagos. PLANÍCIES São áreas de superfície relativamente plana, formadas por rochas sedimentares e nas quais predominam os processos de deposição e acúmulo de sedimentos. Na maior parte das vezes, as planícies são encontradas em baixas altitudes. Em geral, localizam-se próximas do litoral, como a planície do norte europeu, ou de grandes rios ou lagos, como ocorre com a planície do Rio Amazonas. Mas é bom ficar atento: não é a altitude de um relevo que determina se ele é uma planície; o principal fator definidor é o acúmulo de sedimentos. Nas regiões elevadas, por exemplo, existem as planícies de montanha, que são formadas de rocha sedimentar e delimitadas por aclives. ALTOS E BAIXOS Exemplos de relevo (da esquerda para a direita): Depressão do Mar Morto (Israel), Cordilheira do Himalaia (Nepal), Planalto do Apalache (EUA) e Planície Amazônica (Brasil) [1] VEN DA P ROIB IDA 29GE GEOGRAFIA 2018 1. ÁSIA: Everest (Nepal) 8.850 m 2. AMÉRICA DO SUL: Aconcágua (Argentina) 6.959 m 3. AMÉRICA DO NORTE: McKinley (EUA) 6.194 m 4. ÁFRICA: Kilimanjaro (Quênia) 5.895 m 5. EUROPA: Elbrus (Rússia) 5.642 m 6. ANTÁRTICA: Maciço Vinson 4.897 m 7. OCEANIA: Kosciuszko (Austrália) 2.228 m Fonte: Atlas National Geographic MONTES MAIS ALTOS POR CONTINENTE O maior deles fica na Cordilheira do Himalaia, no Nepal ELEVAÇÃO OCEÂNICA O arquipélago de Fernando de Noronha é formado a partir de alguns pontos emersos da Dorsal Mesoatlântica [1] iSTOCK PHOTO | DIVULGAÇÃO | IRMO CELSO [2] iSTOCK PHOTO AS FORMAÇÕES DO RELEVO NO MUNDO 4.800 m 3.000 m 1.800 m 1.200 m 600 m 300 m 150 m 0 -1.000m -2.000 m -3.000 m -4.000 m -5.000 m -6.000 m -7.000 m -8.000 m ALTITUDES Picos Fonte: IBGE Aconcágua Maciço Vinson Pico da Neblina Mte. McKinley Mte. Elbrus Mte. Kilimanjaro Mte. Everest Mte. Kosciuszko TETO DO MUNDO Os maiores picos do mundo ficam na Cordilheira do Himalaia, um complexo montanhoso localizado no coração da Ásia. NAS PROFUNDEZAS DO OCEANO O local mais profundo dos oceanos é a Fossa das Marianas, um enorme vale submarino localizado a leste das Ilhas Marianas, no Oceano Pacífico SALGADO E SEM VIDA O Mar Morto banha Israel, Jordânia e Cisjordânia e é a maior depressão do globo BERÇO DAS ÁGUAS O planalto dos Grandes Lagos abriga as nascentes das duas maiores bacias hidrográficas do continente: a do Rio Congo, a maior em volume de água, e a do Rio Nilo. CORDILHEIRAS OCEÂNICAS A Dorsal Mesoatlântica forma uma cadeia de montanhas que se estende de norte a sul no Oceano Atlântico As maiores altitudes (mancha marrom) ficam no centro-sul da Ásia. As planícies (áreas verdes e amarelo-claras) estão espalhadas pelo globo SEDIMENTOS ACUMULADOS A Planície Amazônica é uma faixa de terra que acompanha o Rio Amazonas e torna-se mais larga quando chega na foz, na Ilha de Marajó [2] VEN DA P ROIB IDA 30 GE GEOGRAFIA 2018 LITOSFERA PLACAS TECTÔNICAS A s placas tectônicas são gigantescos blocos que compõem a camada sólida externa do nosso planeta (a litosfera), sustentando os continentes e os oceanos. Impulsionadas pelo movimento do magma incandescente (material em estado líquido-pastoso no interior da Terra), as principais placas se empurram, afastam-se umas das outras e afundam ou elevam-se alguns milímetros por ano, alterando suas dimensões e modifi cando o contorno do relevo terrestre. Esses imensos fragmentos atuam como artistas que, continuamente, recriam a paisagem da Terra. Aliás, a palavra “tectônica” vem de tektoniké, expressão grega que signifi ca “a arte de cons- truir”. A confi guração atual dos continentes, por exemplo, é fruto de milhões de anos de “trabalho artístico” das placas. Veja ao lado as característi- cas de 16 das mais importantes placas tectônicas. A deriva continental Desenvolvida pelo alemão Alfred Lothar We- gener, a teoria da deriva continental não recebeu muito crédito quando foi divulgada em 1912. À época, poucos acreditaram na hipótese levantada por esse cientista de que, no passado geológico, toda a crosta terrestre estava unida em um único continente – a Pangeia – e que, posteriormente, ela se rompeu em dois supercontinentes: Laurásia e Gondwana. Estas, por sua vez, se desmembraram em várias outras partes, que passaram a se mover em diferentes direções. Para sustentar sua argu- mentação, Wegener recorreu à semelhança dos contornos da África ocidental e do leste da América do Sul e também à análise de fósseis e amostras de rochas. Posteriormente, a confi rmação de que as placas rochosas fl utuam sobre magma incan- descente ajudou a fortalecer a tese de Wegener. Atualmente, geólogos do mundo inteiro reto- mam e aprofundam as descobertas de Wegener a partir da teoria da Tectônica das Placas. Os estudos em vigor desde a década de 1960 descre- vem a analisam com detalhes os movimentos das placas que compõem a crosta terrestre, bem como suas consequências, como os abalos sísmicos e as alterações no relevo terrestre e do fundo dos oceanos. Confi ra à direita como foi o processo de deslocamento de terras que resultou na formação dos atuais continentes. As construtoras da Terra As placas tectônicas modelam e modifi cam o relevo do planeta há milhões de anos PLACA DE COCOS Foi formada a partir do desprendimento da placa do Pacífi co. Fundiu-se com a placa do Caribe, criando uma zona turbulenta QUEBRA-CABEÇA PLANETÁRIO Conheça as características de 16 das mais importantes placas tectônicasPLACA DA AMÉRICA DO NORTE O deslocamento em relação à placa do Pacífi co cria uma zona turbulenta: em um dos limites, na Califórnia, está a falha de San Andreas, famosa pelos terremotos arrasadores PLACA DO PACÍFICO Com cerca de 70 milhões de quilômetros quadrados, está em constante renovação na região do Havaí, onde o magma sobe e cria ilhas vulcânicas. No encontro com a placa das Filipinas, ela afunda em uma área conhecida como Fossa das Marianas, na qual o oceano atinge sua profundidade máxima: 10.920 metros PLACA DE NAZCA A cada ano, essa placa de 10 milhões de quilômetros quadrados no leste do Oceano Pacífi co fi ca 10 centímetros menor pelas trombadas com a placa Sul-Americana. Esta, por ser mais leve, desliza por cima da placa de Nazca, criando vulcões e elevando as montanhas dos Andes PLACA JUAN DE FUCA É a menor das placas tectônicas, que se fundiu com a placa Norte- Americana e criou a Cordilheira das Cascatas, nos Estados Unidos Todos os continentes estavam reunidos em um único chamado Pangeia (do grego: toda terra), formado durante a era Paleozoica 225 MILHÕES DE ANOS ATRÁS A Pangeia começou a se partir no sentido leste-oeste, formando dois subcontinentes: Laurásia e Gondwana 180 MILHÕES DE ANOS ATRÁS DERIVA DOS CONTINENTES VEN DA P ROIB IDA 31GE GEOGRAFIA 2018 PLACA DA ÁFRICA No meio do Atlântico, uma falha submersa abre caminho para o magma do manto inferior, fazendo com que esse bloco se afaste da placa Sul-Americana e cresça de tamanho. A tendência é passar os 65 milhões de quilômetros atuais PLACA DO CARIBE A placa do Caribe desliza ao lado da placa Norte-Americana, criando falhas transformantes. Foi o atrito entre elas que gerou, em 2010, o avassalador terremoto no Haiti, país que fi ca no limite entre as duas placas PLACA SUL-AMERICANA Como o Brasil está no meio desse bloco, ele sente pouco os efeitos de terremotos. No centro do continente, a placa tem 200 quilômetros de espessura; na borda com a placa da África, não passam de 15 quilômetros PLACA IRANIANA Localizada entre as placas Arábica e Euroasiática, o bloco sustenta a maior parte do território do Irã. Por causa disso, o país registra grande atividade sísmica, como o terremoto de 2006, que matou mais de 31 mil pessoas PLACA DE ANATÓLIA Sobre essa placa fi ca boa parte do território da Turquia. O choque desse bloco com a placa Arábica e com a placa Euroasiática torna o país uma área sujeita a violentas atividades sísmicas PLACA DA ANTÁRTICA É o bloco que dá suporte à Antártida e a uma parte do Atlântico Sul, em um total de 25 milhões de quilômetros quadrados PLACA ARÁBICA A placa sustenta a Península Arábica e foi responsável pela criação do Mar Vermelho. O choque com a placa Euroasiática e com a placa Indiana provoca fortes terremotos PLACA AUSTRALIANA O bloco que sustenta a Austrália e a maior parte do Oceano Índico ruma velozmente para o norte. Além de se chocar com a placa Indiana, a borda nordeste bate na placa do Pacífi co, criando ilhas na região turbulenta PLACA INDIANA A placa comporta todo o subcontinente indiano. No choque com a placa Euroasiática, nasceu o conjunto de montanhas do Himalaia, no sul da Ásia, onde há mais de 100 montanhas com altitudes superiores a 7 mil metros PLACA DAS FILIPINAS Essa placa concentra em seus limites quase a metade dos vulcões ativos do planeta. Colisões com a placa Euroasiática causam terremotos e erupções destruidoras, como a do Monte Pinatubo, em 1991, uma das mais violentas dos últimos 50 anos PLACA EUROASIÁTICA Sustenta a Europa, parte da Ásia, do Atlântico Norte e do Mar Mediterrâneo. Ela se choca contra a placa das Filipinas e com a do Pacífi co, onde fi ca o Japão. O encontro triplo é tumultuado e dá origem a uma das áreas do globo com o maior índice de terremotos e vulcões do planeta [1] Fendas separaram a América do Sul, a África e a Índia, iniciando a formação dos oceanos Atlântico e Índico 135 MILHÕES DE ANOS ATRÁS A placa da Índia deslocou-se em direção à Ásia. O choque entre os dois blocos formou as regiões elevadas do Himalaia e do Tibete 65 MILHÕES DE ANOS ATRÁS Na atual confi guração da Terra, a deriva continua. A América do Sul, por exemplo, afasta-se da África cerca de 5 centímetros por ano ATUALMENTE [1] MULTI/SP [2] LUIZ IRIA E RODRIGO RATIER/REVISTA MUNDO ESTRANHO [2] VEN DA P ROIB IDA 32 GE GEOGRAFIA 2018 LITOSFERA RELEVO EM MOVIMENTO E O VENTO MUDOU As dunas exemplifi cam como o relevo está sujeito a transformações [1] O relevo é resultado da dinâmica de fenômenos internos e exter-nos sobre a camada mais super- fi cial da Terra, a litosfera. Depressões, planícies, planaltos e montanhas foram esculpidos no decorrer de milhões de anos – e continuam em constante trans- formação. A qualquer momento, por exemplo, terrenos podem ser elevados por pressões de dentro do planeta ou mesmo ser gastos por agentes do intem- perismo, mudando de cara e ganhando novas curvas. Duas ações combinam-se para modelar o relevo: as forças internas ou endógenas, que dão as linhas mestras do relevo, e as externas ou exógenas, que modifi cam as formas já existentes. Veja a seguir as forças que esculpiram – e continuam esculpindo – os contornos do planeta. Eu tenho a força! Os vigorosos agentes internos e externos que, a cada segundo, modelam o relevo FORÇAS INTERNAS Também chamadas de endógenas, são as forças responsáveis por dar forma ao relevo. São três os agentes internos do globo: o tectonismo, o vulcanismo e os abalos sísmicos. 1 TECTONISMO São os lentos deslocamentos das placas tectônicas, que podem ser verticais ou horizontais. Quando é vertical (epirogênese), levanta ou abaixa a crosta durante um prolongado espaço de tempo. É o que ocorre, por exemplo, na Península Escandinava, que se eleva alguns centímetros todo ano. Quando o movimento de uma placa em relação a outra é horizontal (orogênese), uma acaba entrando embaixo da outra (a subducção). É o processo que resulta na formação das imensas cadeias de montanhas e de fossas. Veja exemplos de como as placas tectônicas se movimentam. FALHAS TRANSFORMANTES São criadas por duas placas que deslizam uma ao lado da outra. O atrito entre elas guarda muita tensão, que pode causar terremotos destruidores. Exemplo disso é a falha de San Andreas, que corta a costa da Califórnia, nos Estados Unidos, e o litoral oeste do México. PLACAS CONVERGENTES 1 São placas que vão uma de encontro à outra. A placa mais densa mergulha para baixo da menos densa. É o caso do choque entre uma placa oceânica (mais densa) e outra continental. Elas se comprimem, dando origem a cadeias montanhosas, como a Cordilheira dos Andes. As regiões em que esse de tipo de choque ocorre são suscetíveis a terremotos. PLACAS CONVERGENTES 2 Quando as placas têm a mesma densidade (duas placas continentais, por exemplo), chocam-se e se comprimem. O Himalaia é resultado desse fenômeno. PLACAS DIVERGENTES São aquelas que se afastam. Pela falha aberta na crosta pode escapar magma, dando origem a ilhas vulcânicas, como as do Havaí. O Oceano Atlântico é cortado de norte a sul por uma falha desse tipo, que está afastando a América do Sul da África. Esse tipo de estrutura provoca menos terremotos. VEN DA P ROIB IDA 33GE GEOGRAFIA 2018 2 VULCANISMO Os vulcões são fendas na crosta terrestre por meio das quais o magma, o material em estado líquido-pastoso vindo do manto, atinge a superfície. Existem dois tipos básicos de vulcão: o explosivo e o não explosivo. O primeiro aparece nos pontos de encontro das placas tectônicas, os grandes blocos que formam a litosfera – seu melhor exemplo está nos vulcões que desenham o Cinturão de Fogo, em torno do Oceano Pacífico. Esse tipo se caracteriza também pela lava quase sólida, além de expelir poeira e uma mistura de gases e vapor-d’água. A lava desses vulcões vem das profundezas da Terra,onde a temperatura elevada derrete a rocha da crosta oceânica e faz com que ela se misture à água do mar. É justamente a presença de água que confere o caráter explosivo ao vulcão. Isso ocorre porque, conforme a lava sobe, o vapor-d’água é liberado da rocha e esbarra numa tampa formada pelo material endurecido da explosão anterior, aumentando a pressão até explodir de vez. Já os vulcões não explosivos, como os do Havaí, ficam bem no meio de uma placa tectônica, longe do choque entre elas. Esse tipo surge quando ocorre alguma fissura na crosta terrestre por onde a lava pode escorrer. Essa lava é mais líquida e incandescente. NATUREZA EM FÚRIA POMPEIA UMA REGIÃO VITIMADA PELA FÚRIA DO VESÚVIO Hoje, parece impossível viver à beira de um vulcão e não se dar conta do perigo. Mas era assim que os moradores do balneário romano de Pompeia levavam a vida no ano de 79, pois já fazia quase 2 mil anos que o Monte Vesúvio não entrava em erupção. Quando a montanha soltou um estrondo, o chão tremeu e uma nuvem preta encobriu o sol, as pessoas saíram para a rua, curiosas. Alguns minutos depois do primeiro rugido, o vulcão lançou uma saraivada de pedras e começou a fazer as primeiras vítimas. Outras morriam ao respirar a fumaça. No fim do processo, duas avalanches cobriram Pompeia com 6 metros de cinzas e pedras, matando 16 mil pessoas. A coisa aconteceu de forma tão rápida que é como se as cidades tivessem ficado congeladas no tempo, tornando-se os registros mais detalhados da era romana que chegaram até nós. A foto ao lado mostra o “Jardim dos Fugitivos”, que abriga diversos corpos fossilizados, cobertos pelas cinzas do Vesúvio. ACESSO ÀS PROFUNDEZAS Os vulcões, como o Parinacota, no Deserto do Atacama, no Chile, são fendas por onde o magma sai PARA IR ALÉM O documentário Tudo sobre Vulcões, do Discovery Channel, apresenta imagens de uma série de erupções vulcânicas e teorias desenvolvidas por cientistas que podem ajudar a prever esses fenômenos. [1] SERGIO DUTTI [2] FELIPE ORRIGO [3] VALDEMIR CUNHA [2] [3] VEN DA P ROIB IDA 34 GE GEOGRAFIA 2018 LITOSFERA RELEVO EM MOVIMENTO 3 ABALOS SÍSMICOS São tremores na superfície terrestre causados pelo movimento das placas tectônicas ou em virtude da grande energia liberada pelo vulcanismo. Eles se propagam a partir do hipocentro (foco de contato entre as placas) em ondas pelas rochas, atingindo regiões distantes do epicentro (ponto na superfície da Terra diretamente acima do local onde se registra a maior intensidade do tremor). A cada vez que as enormes placas se encontram, grande quantidade de energia fica acumulada em suas rochas. De tempos em tempos, o arsenal é liberado de forma explosiva – essa liberação pode ser sentida por meio de terremotos que chacoalham as áreas continentais do globo, geralmente nas bordas das placas. Quando os abalos sísmicos ocorrem no fundo oceânico, são batizados de maremoto. Esses últimos podem causar os temíveis tsunamis, ou ondas gigantes (veja mais na pág. 58). NATUREZA EM FÚRIA HAITI VIOLENTO TERREMOTO DEVASTA PAÍS POBRE No dia 12 de janeiro de 2010, a terra tremeu violentamente no Haiti. Em apenas um minuto, o terremoto de 7 pontos na escala Richter derrubou 90% das construções de sua capital, Porto Príncipe. Mais de 3 milhões de pessoas – um terço da população haitiana – foram afe- tadas pelo tremor. O número de mortos é estimado entre 220 mil e 250 mil. O terremoto no Haiti foi uma tragédia anun- ciada. A ilha de Hispaniola, que abriga o Haiti e a República Dominicana, fica sobre a fenda entre duas grandes placas tectônicas, a do Caribe e a Norte-Americana (veja mais na pág. 30). E regiões desse tipo estão sujeitas a abalos sísmicos. País mais pobre das Américas, o Haiti já tinha enormes carências mesmo antes da catástrofe. Em 2017, seis anos após o terre- moto, 50 mil pessoas ainda vivem em acam- pamentos improvisados. Sem perspectivas, muitos haitianos acabam migrando para nações como o Brasil, onde esperam uma oportunidade de recomeçar a vida. VOCÊ SABIA? TERREMOTOS NO BRASIL As regiões mais propícias a terremotos localizam-se na junção das placas tectônicas. Como o Brasil fica bem no meio da placa Sul-Americana, não há abalos sísmicos de grandes proporções. Mas isso não significa que estamos livres de tremores. Fenômenos de pequena intensidade podem se manifestar no Brasil devido a falhas geológicas provocadas por desgastes na placa tectônica. Também ocorrem tremores como reflexo de outros choques entre placas tectônicas ocorridos em locais mais distantes na América do Sul. Em abril de 2008, um abalo de 5,2 pontos na escala Richter atingiu a cidade de São Paulo e assustou milhares de moradores. Um ano antes, um tremor de 4,9 pontos na cidade de Itacarambi, no norte de Minas Gerais, provocou a primeira vítima fatal de terremotos no Brasil, depois que uma parede caiu sobre uma criança de 5 anos. [1] DEVASTADO O terremoto no Haiti, em 2010, derrubou 90% das construções da capital, Porto Príncipe VEN DA P ROIB IDA 35GE GEOGRAFIA 2018 FORÇAS EXTERNAS Também chamadas de exógenas ou agentes esculpidores, são as forças que modelam o relevo terrestre. Os principais agentes desse grupo são a erosão e o intemperismo: 2 INTEMPERISMO É o processo de degradação das rochas provocado por fenômenos químicos e físicos. � O INTEMPERISMO QUÍMICO ocorre quando a rocha tem sua composição química alterada pelo efeito da água e da umidade no decorrer dos anos, provocando sua decomposição. � O INTEMPERISMO FÍSICO ou mecânico consiste na fragmentação das rochas por meio de alguns dos seguintes processos: • solidificação da água: a água em estado líquido se infiltra na fenda das rochas, onde fica acumulada. Com a queda de temperatura, a água se solidifica, passando a ocupar um volume 10% maior que o do estado líquido, o suficiente para fragmentar a rocha. • raízes de plantas: o crescimento das raízes das árvores por entre as rochas alarga as fendas e ajuda a desintegrar sua estrutura. • variação de temperatura: em locais onde a alteração da temperatura diária é mais constante – como nos desertos ou em regiões próximas aos polos –, as rochas estão sujeitas a contrações e dilatações frequentes. Com o tempo, esse processo provoca fraturas em sua composição. 1 EROSÃO A exposição prolongada a agentes naturais provoca o desgaste das rochas e dos solos. O processo de desintegração e consequente transporte do material decomposto recebe o nome de erosão. Veja os principais elementos causadores desse fenômeno. VENTOS As dunas dos desertos e as paisagens das praias são exemplos clássicos de formação por erosão eólica. RIOS Vales, cânions e planícies nos mais diversos continentes são moldados pelo movimento sinuoso das águas dos rios. MARES O choque das ondas do mar em paredões litorâneos provoca o desgaste da superfície, dando origem às falésias. GELEIRAS Os fiordes na Península Escandinava, no norte da Europa, também são formados pelo deslocamento das geleiras e pelo desgaste que elas provocam nas montanhas. [1] iSTOCK PHOTO [2] DIVULGAÇÃO [3] MANOEL NOVAES [4] RODRIGO CESAR [5] iSTOCK PHOTO [2] [3] [4] [5] � O QUE ISSO TEM A VER COM A FÍSICA Quando um corpo sólido que tem dimensões significativas é submetido a uma variação de temperatura, ocorre uma dilatação ou contração volumétrica. Para calcular a variação do volume de um corpo em função da variação de temperatura é utilizado um coeficiente de dilatação volumétrico. Para saber mais, veja o GUIA DO ESTUDANTE FÍSICA. VEN DA P ROIB IDA 36 GE GEOGRAFIA 2018 LITOSFERA RELEVO DO BRASIL BACIA SEDIMENTAR AMAZÔNICA ESCUDO DO BRASIL CENTRAL ESCUDO DAS GUIANAS BACIA SEDIMENTAR DO MARANHÃO ESCUDO ATLÂNTICO DOBRAMENTOS – ATLÂNTICO DOBRAMENTOS – NORDESTE DOBRAMENTOS – BRASÍLIA BACIA SEDIMENTAR DO PARANÁ Predomínio de rochassedimentares Predomínio de rochas cristalinas 0 250 500 750 km Oceano Atlântico Oceano Atlântico Fonte: IBGE Terra (velha) à vista! Os principais tipos de relevo do Brasil foram esculpidos sobre rochas de milhões e milhões de anos Apesar de o Brasil ser uma nação relati-vamente jovem, com pouco mais de 500 anos, contando a partir da chegada dos portugueses, seus terrenos são de outras eras. Tudo teve início há cerca de 4,5 bilhões de anos, quando a litosfera começou a se formar, com o resfriamento do magma, e, mais tarde, com os movimentos das placas tectônicas. Nesses primórdios da história terrestre, durante a era Arqueozoica, as primeiras rochas deram origem aos escudos cristalinos, ou maciços antigos, um dos dois tipos de formação geológica que ocor- rem no Brasil. Do longo processo de erosão dos escudos cristalinos surgiu o outro tipo de estru- tura geológica do país: as bacias sedimentares. Presentes na maior parte do território, são cons- tituídas de rochas formadas pela desagregação de outras rochas e de diferentes materiais (veja a estrutura geológica brasileira no mapa abaixo). Em razão dessa formação antiga, e sofrendo há milênios com a erosão de agentes do intem- perismo como ventos e chuva, as altitudes por aqui são modestas: aproximadamente 40% do território se encontra abaixo de 200 metros de altitude e cerca de 90% não passa de 900 metros. Outro fator para termos um relevo considerado tão baixo é a ausência dos dobramentos modernos que deram origem a imensas cadeias de mon- tanhas, como os Alpes e os Andes. Isso ocorre porque o Brasil se localiza bem no meio da placa Sul-Americana, longe das zonas de choque entre as placas tectônicas, onde se dão os movimentos de soerguimento ou afundamento das placas. Sem as cadeias de montanhas, sobram-nos ou- tros três principais tipos de relevo: planaltos, planícies e depressões. Com base nisso, no de- correr dos anos, os estudiosos propuseram várias classificações do perfil geográfico brasileiro. A mais aceita foi estabelecida, nos anos 1990, pelo geógrafo Jurandyr Ross, da Universidade de São Paulo (USP). Considerando o processo de forma- ção dos diversos relevos do mundo (veja mais na pág. 27), e também a altitude das formações do Brasil, Ross chegou à definição de 28 estruturas no país: 11 planaltos, 11 depressões e 6 planícies. Veja na página ao lado três destaques do ancestral relevo brasileiro. PERTO DO CÉU Entre MG e RJ, o Pico das Agulhas Negras é o quinto mais alto do Brasil, com 2.791 metros ESTRUTURA GEOLÓGICA DO BRASIL VEN DA P ROIB IDA 37GE GEOGRAFIA 2018 PLANÍCIES E TABULEIROS LITORÂNEOS Relevo característico do litoral das regiões Norte e Nordeste e do norte do Espírito Santo, constitui-se da combinação de planícies, formadas pela deposição de sedimentos de rios e do mar, e dos tabuleiros, terrenos de baixa altitude (entre 30 e 60 metros) que terminam de forma abrupta na costa, em escarpas – neste caso chamadas de falésias. Na definição de Ross, as planícies são superfícies planas e áreas em que o processo de acumulação de sedimentos é maior que o erosivo. DEPRESSÃO DO ARAGUAIA Acompanhando o leito do Rio Araguaia, essa depressão tem superfície entre 300 e 400 metros de altitude; configura-se uma depressão por estar abaixo dos terrenos que a circundam. Na definição de Ross, depressões são superfícies formadas por processos erosivos, com suave inclinação e menos irregulares que planaltos. Entre as 11 depressões brasileiras, também merecem destaque a depressão da Amazônia Ocidental (com cerca de 200 metros de altitude) e a depressão da borda leste da bacia do Paraná (que chega a atingir altitudes entre 600 e 750 metros). 1 2 7 4 10 9 5 6 3 8 Fontes: IBGE e Jurandyr Ross Planaltos Planícies Depressões DESTAQUES DO RELEVO BRASILEIRO 2 3 1 0 m 1.000 m 2.000 m 3.000 m Planaltos Residuais Norte-Amazônicos Depressão Marginal Norte-Amazônica Planalto da Amazônia Oriental Planície do Rio Amazonas Depressão Marginal Sul-Amazônica Planaltos Residuais Sul-Amazônicos PERFIS DE RELEVO Confira três grandes recortes do Brasil NORTE Este perfil (noroeste-sudeste), com cerca de 2 mil quilômetros, vai das altas serras de Roraima até Mato Grosso. Mostra as faixas de planícies às margens do Rio Amazonas, a partir das quais vêm extensões de terras mais altas: planaltos e planícies 0 m 1.000 m 2.000 m 3.000 m Planície do Pantanal Mato- Grossense Oceano Atlântico Planaltos e chapadas da bacia do Paraná Rio Paraná Depressão periférica da borda leste da bacia do Paraná Planaltos e serras do Atlântico leste-sudeste 0 m 1.000 m 2.000 m 3.000 m Rio Parnaíba Planaltos e chapadas da bacia do rio Parnaíba Escarpa (ex-serra) do Ibiapaba Depressão Sertaneja Planalto da Borborema Tabuleiros litorâneos Oceano Atlântico NORDESTE Com quase 1,5 mil quilômetros, este perfil vai do Maranhão a Pernambuco. É um retrato fiel do relevo da região, com destaque para os dois planaltos (o da bacia do Parnaíba e o de Borborema) cercando a Depressão Sertaneja (ex-Planalto Nordestino) CENTRO-OESTE E SUDESTE Este corte, de cerca de 1,5 mil quilômetros, vai de Mato Grosso do Sul ao litoral paulista. Além da planície do Pantanal, pode-se ver a bacia do Paraná, formada por rios de planalto, que abrigam as maiores hidrelétricas do país PONTOS MAIS ALTOS DO BRASIL (em metros) 1 2.993 Pico da Neblina 2 2.972 Pico 31 de Março 3 2.891 Pico da Bandeira 4 2.798 Pico Pedra da Mina 5 2.791 Pico das Agulhas Negras 6 2.769 Pico do Cristal 7 2.734 Monte Roraima 8 2.680 Morro do Couto 9 2.670 Pedra do Sino de Itatiaia 10 2.665 Pico Três Estados Fontes: IBGE e Jurandyr Ross PLANALTOS E SERRAS DO ATLÂNTICO LESTE-SUDESTE Estendendo-se do sul da Bahia ao sul do país, esse imenso planalto é composto de diferentes subunidades morfológicas, como a Serra do Mar e a Serra da Mantiqueira. Seus terrenos são formados de antigos escudos cristalinos, que, em alguns pontos, e há milhões de anos, foram erguidos por movimentos resultantes do choque entre placas tectônicas a grande distância. O resultado disso é o relevo acidentado e heterogêneo da região, com vales profundos, escarpas (terrenos muito íngremes que lembram degraus), chapadas (superfícies extensas e horizontais, de elevada altitude) e elevações, como o Pico das Agulhas Negras, na Serra do Itatiaia (MG/RJ), de 2.791,55 metros. Na definição de Ross, o planalto caracteriza-se por ser uma região em que o processo erosivo supera o de acumulação – são conhecidos como formas residuais, ou seja, resultantes do processo de erosão. Além de cristalinos, podem ser sedimentares, como é o caso dos Planaltos Residuais Norte-Amazônicos. MARIO RODRIGUES 3 2 1 VEN DA P ROIB IDA 38 GE GEOGRAFIA 2018 LITOSFERA RECURSOS MINERAIS A s rochas são agrupamentos de minerais que formam a crosta terrestre e se desenvolve-ram no decorrer de bilhões de anos. Entre as mais de 3,5 mil variedades de rochas, estão os minérios, dos quais podemos extrair substâncias de interesse econômico. No conjunto dos minérios, distinguem-se aqueles utilizados para a obtenção de metais, como o alumínio, o ferro, o magnésio e o titânio. Embora os minérios metálicos tendam a se concentrar em maciços rochosos por toda a crosta terrestre, os depósitos mais explorados en- contram-se em rochas metamórfi cas, nos escudos cristalinos da crosta continental. O ouro e a platina são os únicos minérios me- tálicos que ocorrem principalmente na forma Riqueza que vem do solo Conheça o processo de formação geológica dos minérios e suas principais aplicações econômicas de metais na natureza. Zinco, prata, ferro, cobre e outros metais também podem ser achados no estado primário, mas normalmente estão associados a outros minerais. Nesses casos, os minérios são reduzidos pela metalurgia para se transformarem metais. As substâncias minerais são utilizadas como matéria-prima em diversos processos de manu- fatura. Alguns exemplos são: o alumínio e o ferro na construção civil; o manganês na fabricação de fertilizantes e pilhas; as argilas na fabricação de cerâmicas; o zircônio na fabricação de pisos e revestimentos; e o caulim na fabricação de papel e celulose, vidros e tintas. Onde estão os minérios no Brasil Com aproximadamente 36% de seu território formado por escudos cristalinos, o Brasil pos- sui algumas das reservas minerais mais ricas do planeta, incluindo minério de ferro, bauxita (alumínio), cobre, zinco, cromo, níquel, calcário e argila. A maioria dos minérios metálicos do Brasil encontra-se em Minas Gerais, na região chamada Quadrilátero Ferrífero, e no Pará, na província mineral de Carajás. Os dois esta- dos respondem por quase dois terços de toda a produção mineral brasileira. Outras unidades da federação também abri- gam importantes reservas minerais. Rio Grande do Sul e Santa Catarina, por exemplo, destacam- se pelo carvão. Já Bahia e Espírito Santo estão entre os principais produtores de pedras precio- sas do Brasil, enquanto Goiás tem signifi cativas jazidas de cobre. Veja no mapa onde se localizam as principais jazidas minerais no país. PRINCIPAIS RESERVAS MINERAIS NO BRASIL Bauxita Cobre Diamante Ferro Manganês Níquel Ouro Fonte: Departamento Nacional de Produção Mineral TERRA FERIDA Marcas de mineração na Serra do Curral, em Belo Horizonte (MG) VEN DA P ROIB IDA 39GE GEOGRAFIA 2018 Área pré-sal Exploração do pré-sal Exploração do pós-sal Libra Júpiter Ostra Abalone Argonauta Bacia de CamposRota 1 - Mexilhão Rota 2 - Com perj Ro ta 3 - T ec ab Bacia de Santos Lula Área de Iracema Iara Franco Parati Lapa Sapinhoá BM-S-50 Caramba Bem-Te-Vi Carcará SP RJ ES MG Fonte: Petrobras Formação do petróleo Principal fonte de energia mundial, o petróleo é um combustível fóssil formado da decom- posição de matérias orgânicas em ambientes marinhos. O acúmulo de restos de animais e vegetais microscópicos que se precipitam no fundo marinho origina bacias sedimentares, nas quais, em milhões de anos, a ação de microrga- nismos, o calor e a pressão intensos reduzem a matéria orgânica a uma massa viscosa de car- bono e hidrogênio – o petróleo. Infi ltrando-se por rochas porosas, ele migra para regiões de menor pressão até sair para a superfície ou topar com uma camada impermeável. Bloqueado, o petróleo se acumula nos poros e fraturas das rochas sedimentares, de onde é extraído. As regiões mais propícias para a formação do petróleo são mares interiores, baías e golfos. As reservas existentes no interior dos continen- tes resultam de áreas originalmente marinhas que foram erguidas por meio de movimentos na crosta terrestre ou do óleo que migrou das rochas geradoras até as rochas armazenadoras através das fi ssuras. O pré-sal brasileiro Desde que foram descobertas as reservas de petróleo no campo de Tupi, na Bacia de Santos, em 2007, um novo termo passou a frequentar os noticiários: o pré-sal. Trata-se do nome que os geólogos dão à camada de rochas porosas que se localiza abaixo de uma espessa camada de sal no subsolo marinho. É lá que fi cam os grandes reservatórios de petróleo, em uma faixa que se estende por 800 quilômetros na área marítima entre o Espírito Santo e Santa Catarina, a mais de 7 mil metros de profundidade. A explora- ção do petróleo no pré-sal pode fazer o Brasil dobrar suas reservas, que estão em torno de 15 bilhões de barris. As jazidas do pré-sal começaram a se formar há mais de 100 milhões de anos, quando o super- continente Gondwana se partiu, dando origem aos continentes sul-americano e africano (veja na pág. 30). Na Bacia de Campos, o principal campo petrolífero brasileiro localizado na camada pós-sal, o óleo está armazenado em rochas com predomínio de silício. No pré-sal, a substância encontra-se armazenada em rochas constituídas essencialmente de carbonato de cálcio e magnésio, o que difi culta o trabalho dos geólogos. Mesmo com esses desafi os, a extração nos poços da ca- mada do pré-sal já responde por quase metade do total de petróleo produzido no país, ultrapassando a marca de 1 milhão de barris por dia. SAIBA MAIS A ÉPOCA DO ANTROPOCENO Do Big Bang aos dias de hoje, a Terra já passou por in- tensas transformações nesses quase 5 bilhões de anos. As principais mudanças podem ser observadas através de uma linha do tempo conhecida como Escala de Tempo Geológica. Ela estabelece os grandes eventos pelo qual o planeta passou a partir de uma classificação em eras, períodos e épocas (veja mais na pág. 98). Faz 11.700 anos que estamos na época do Holoceno. Ou estávamos. As marcas que o homem vem deixando no pla- neta são tão intensas que já teriam provocado mudanças que jusfificariam o início de uma nova época geológica: o Antropoceno. É o que defende os cientistas do Grupo de Trabalho do Antropoceno. Este novo tempo geológico teria começado na década de 1950, com a expansão sem precedentes da população e do consumo. Como evidências, os cientistas dizem que sedimentos na crosta terrestre e no oceano contém resíduos de plástico, de concreto e de alumínio, além de fuligem decorrente da queima de combustíveis fósseis e radiação nuclear. A ação do homem já teria dado origem, inclusive, a 208 novos minerais nos últimos 200 anos. � COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS Eles recebem esse nome pois se formaram a partir da fossilização de seres vivos: do plâncton marinho, no caso do petróleo e do gás natural, e de florestas e pântanos no caso do carvão mineral. As reservas atualmente exploradas são resultantes da deposição e decomposição ocorridas em tempos geológicos passados. O mapa apresenta a área onde se encontram as jazidas do pré-sal, nas Bacias de Campos e de Santos. Também mostra a extensão e a localização das jazidas do pós-sal na região AS JAZIDAS DO PRÉ-SAL YANN ARTHUS-BERTRAND VEN DA P ROIB IDA 40 GE GEOGRAFIA 2018 LITOSFERA CARACTERÍSTICAS DOS SOLOS O solo é uma camada com espessuras variadas (de alguns centímetros a vários metros) de material não consolidado que cobre a superfície da crosta terrestre. Constituído por matéria mineral e matéria orgânica, é o substrato para a vida dos ecossistemas. Os solos são resultado da decomposição das rochas, que através dos anos passam por um processo de intemperismo físico, químico e biológico. Esse processo cria diferentes camadas, às quais se dá o nome de horizontes. O conjunto dos horizontes constitui o perfil do solo, que permite identificar o estágio de formação em que se encontram (veja a figura abaixo). Camada sobre camada Saiba mais sobre as características dos solos e os fatores que contribuem para sua fertilidade Fonte: GOETTEMS, Arno Aloísio; JOIA, Antonio Luís. Geografia: leituras e interação – vol. único. São Paulo: Leya, 2013. Pg 93. Fertilidade dos solos Os solos podem ser classificados em “agri- cultáveis” e “não agricultáveis”. Geralmente, as terras que não permitem a exploração agrícola são encontradas em altitudes muito elevadas, como nos picos do Himalaia, dos Andes e demais cadeias montanhosas, ou em regiões desérticas frias (regiões polares) e quentes (Deserto do Saara), onde as restrições decorrem das tem- peraturas extremas ou da escassez de água. As áreas mais exploradas para a produção agropecuária são aquelas com climas favoráveis, com pluviosidade e temperaturas adequadas, FORMAÇÃO E PERFIS DE SOLO EM CLIMAS ÚMIDOS Nos solos maduros podem ser identificadas as camadas O, A, B e C, que se diferenciam pela composição físico-química, cor, presença ou ausência de matéria orgânica, entre outras características. CARACTERÍSTICAS DOS HORIZONTES DO SOLO O Horizonte orgânico, também denominado de serrapilheira. Corresponde à camada superficial de florestas e matas; é composto de materiais de origem vegetal e animal em decomposição.A Horizonte mineralógico. Composto de material de origem mineral proveniente da rocha-mãe ou trazido de outros lugares por vento, água ou gelo. Há grande presença de matéria orgânica decomposta, motivo pelo qual pode ser denominado horizonte humífero (húmus). B Horizonte de acumulação de argila, matéria orgânica e oxi-hidróxidos de ferro e alumínio provenientes das camadas superiores. Esse processo de transferência de minerais entre camadas é chamado lixiviação, considerado um tipo de erosão química do solo. C Horizonte de rocha alterada, denominado alterita ou saprolito. É nele que começa a decomposição da rocha. Formado por sedimentos grosseiros na base e por sedimentos mais finos na parte superior. R Rocha que dá origem ao solo, também denominada rocha-mãe. A velocidade de decomposição depende de vários fatores, como a composição mineral da própria rocha e o tipo de clima (climas quentes e úmidos tendem a acelerar o intemperismo). VEN DA P ROIB IDA 41GE GEOGRAFIA 2018 e solos férteis. A fertilidade natural dos solos depende, primeiramente, da sua composição química – os solos muito férteis dispõem de nutrientes suficientes para a exploração agrí- cola, sem a necessidade de adubação artificial. Além disso, a fertilidade dos solos está ligada à capacidade de reter água e matéria orgânica (o que depende da presença de argilas) e de reter oxigênio (o que depende da estrutura física, já que o solo precisa ser poroso e “aerado”). Veja abaixo algumas regiões do globo que se destacam por apresentarem solos férteis, intensamente explorados pela agricultura. RECÔNCAVO BAIANO (BRASIL/BAHIA) Região com o solo massapê, argiloso e de elevada fertilidade química natural. A presença de argila é importante para regular a drenagem e, consequentemente, evitar a perda de nutrientes essenciais para as plantas. Esse tipo de solo possibilitou a implantação das primeiras plantações de cana-de-açúcar e dos engenhos de cana pelos colonizadores portugueses. 8 REGIÃO SUL 9 REGIÃO CENTRO-OESTE (BRASIL) Possuem os latossolos vermelhos originados a partir da decomposição do basalto, rico em ferro. Ao ser oxidado, este mineral confere a cor avermelhada ao solo. Os imigrantes italianos que se dirigiram para as plantações de café no interior do estado de São Paulo apelidaram esse solo de “terra rossa” (terra vermelha), motivo pelo qual esses solos são muitas vezes (e erroneamente) denominados “terra roxa”. 3 UCRÂNIA 4 ARGENTINA Esses países possuem o solo tchernozion (do russo tcherno = escuro e zion = terra) ou chernozén. Quimicamente fértil e com elevada matéria orgânica, tem alta produtividade agrícola e é muito utilizado para o plantio de trigo. 5 FRANÇA 6 HOLANDA 7 VALE DO RIO AMARELO (CHINA) Possuem o solo loess (do alemão löss = solto), formado pela deposição de sedimentos carregados pelo vento. Na China é intensivamente utilizado para a produção de arroz. 1 VALE DO RIO MISSISSIPI (ESTADOS UNIDOS) 2 VALE DO RIO NILO (EGITO) A deposição de sedimentos e de matéria orgânica nas planícies inundadas renovam anualmente a fertilidade natural dessas regiões. OS SOLOS FÉRTEIS NO BRASIL E NO MUNDO CELEIRO ORIENTAL Plantações às margens do Rio Amarelo, na China: a fertilidade do solo é garantida com a ajuda de sedimentos trazidos pelo vento iSTOCK PHOTO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 10 VEN DA P ROIB IDA 42 GE GEOGRAFIA 2018 LITOSFERA DESLIZAMENTO DE TERRA E INUNDAÇÕES Enchente é um fenômeno natural, que causa o aumento temporário do nível da água, porém sem transbordamento Inundação é o transbordamento de um curso d’água, atingindo a planície em torno do rio ou a área de várzea Alagamento ocorre quando a água fica acumulada nas ruas e nos perímetros urbanos, por problemas de drenagem 1 2 3 1 2 3 A CHUVA E AS CIDADES Entenda a diferença entre enchente, inundação e alagamento: DEBAIXO D'ÁGUA O município de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, sofreu com o alagamento provocado pelas fortes chuvas que caíram em março de 2016 Os temporais são fenômenos naturais que atingem as cidades de tempos em tem-pos. A dimensão dos danos que causam, porém, poderia ser menor, se as zonas urbanas fossem construídas respeitando a natureza. As cheias dos rios, por exemplo, são naturais e cíclicas. Um bom planejamento, portanto, deveria preservar seus leitos livres. Mas não é o que ocorre na maioria das grandes cidades. A ocupação dessas áreas, principalmente em trechos de planície também conhecidas como várzeas, provoca inundações que trazem enor- mes transtornos e prejuízos sociais e materiais. Casas são invadidas pelas águas, formam-se enormes congestionamentos e serviços, como transportes e abastecimento de água, são inter- rompidos, entre outras consequências. Para entender melhor esse fenômeno, é pre- ciso atentar para as diferenças entre enchente, inundação e alagamento. Veja na figura ao lado: Ocupação caótica Saiba como a falta de planejamento urbano potencializa os efeitos dos temporais, provocando deslizamentos de terras e inundações [1] VEN DA P ROIB IDA 43GE GEOGRAFIA 2018 Além das características de relevo e hidrogra- fia, há outros fatores que aumentam o volume de água dos rios de planície e que contribuem para a ocorrência de inundações em áreas urbanas: � A IMPERMEABILIZAÇÃO DO SOLO Ruas e avenidas pavimentadas, prédios, casas, indústrias e estacionamentos impedem ou reduzem a infiltração da água no solo e, consequentemente, aumentam o volume e a velocidade do escoamento das águas superficiais. � A RETIFICAÇÃO E A CANALIZAÇÃO DO LEITO DE RIOS E CÓRREGOS Em geral, os rios de planície apresentam meandros ou “curvas”. A retificação e canalização desses rios, feita para ampliar os espaços a serem ocupados pela cidade, diminuem a extensão do rio. � DEPOSIÇÃO INADEQUADA DE LIXO SÓLIDO O lixo jogado nas ruas e calçadas ou mesmo diretamente nos rios e córregos dificulta a vazão das águas. � DESMATAMENTO A retirada da mata nas encostas e nas margens dos rios provoca o aumento da erosão e, consequentemente, o assoreamento dos rios em seus trechos de planície, ou seja, o acúmulo de sedimentos nos leitos dos rios e lagos, facilitando o seu transbordamento. Deslizamentos de terras Os deslizamentos de terra estão diretamente relacionados às características de relevo, solo, clima e cobertura vegetal. Apesar de serem fe- nômenos naturais, os deslizamentos são poten- cializados pela ocupação humana desordenada. A construção de casas e estradas e a implantação da agricultura e da pecuária tendem a desestabi- lizar ainda mais o frágil equilíbrio natural desses ambientes, aumentando as chances de acidentes que trazem prejuízos incalculáveis, incluindo a perda de dezenas de vidas humanas anualmente. No Brasil, as áreas mais sujeitas à ocorrência de deslizamentos são as que se encontram na unidade de relevo conhecida como Planaltos e Serras do Atlântico Leste-Sudeste (veja o mapa de relevo do Brasil, na página 37). Isso porque a região caracteriza-se pela existência de áreas com grande declividade (escarpas e encostas das serras), solos rasos e elevada pluviosidade concentrada no ve- rão, sobretudo nas encostas próximas ao litoral e voltadas para o leste, que recebem os fluxos de ar úmido provenientes das águas oceânicas. Como a região foi densamente povoada em áreas de risco, como encostas de morro, os acidentes se tornam mais frequentes. Entre os casos mais emblemáticos ocorridos no país, estão os deslizamentos na região serrana do Rio de Janeiro, em janeiro de 2011. DESASTRES NATURAIS CUSTARAM AO BRASIL R$ 182 BI EM 20 ANOS Prejuízos causados por desastres naturais no Brasil custaram pelo menos R$ 182,8 bilhões – uma média de R$ 800 milhões por mês –, entre 1995 e 2014. Os nú- meros fazem parte do mais completo mapeamento da quantidade de eventos meteorológicos, como secas, estiagens,inundações e enxurradas, que atingiram o País nesse intervalo de 20 anos e o impacto financeiro que eles tiveram. Estão incluídas na análise tragédias como as enchentes e deslizamentos de terra que atingiram a região serrana do Rio de Janeiro, em 2011, deixando 918 mortos, além das inundações no Vale do Itajaí (SC), em novembro de 2008 (...). Minas Gerais foi o Estado com mais registros e o Rio Grande do Sul, o líder em prejuízos. Os autores do trabalho, realizado pelo Centro de Estudos e Pesquisas sobre Desastres (Ceped) da Univer- sidade Federal de Santa Catarina, com apoio do Banco Mundial, afirmam, no entanto, que os resultados são reconhecidamente subestimados. Isso ocorre porque os dados disponíveis sobre os eventos climáticos e seus possíveis danos materiais são limitados (...). “É só a ponta do iceberg e ainda assim estamos falando de uma média de R$ 800 milhões por mês (...)", afirma Frederico Ferreira Pedroso, especialista do programa de Gestão de Riscos de Desastres do Banco Mundial. (...) O Estado de S.Paulo, 10/03/2017 SAIU NA IMPRENSA [1] MARCEL NAVES/AFP [2] ANA CAROLINA FERNANDES/FOLHA IMAGEM TERRA ARRASADA Chuvas torrenciais provocaram deslizamentos de terra no bairro de Campo Grande em Teresópolis, região serrana do Rio de Janeiro, em 2011: o povoamento em áreas de risco potencializa os acidentes [2]VEN DA P ROIB IDA 44 GE GEOGRAFIA 2018 LITOSFERA CONTAMINAÇÃO DOS SOLOS Durante vários anos, o homem pouco se importou com as con-sequências que suas atividades poderiam ter para o solo. Do estilo de vida consumista, que gera uma colossal quantidade de resíduos a ser descarta- da, passando pelo uso indiscriminado de produtos tóxicos na indústria até o manejo inadequado das culturas agrí- colas, nossa sociedade vai gradativa- mente contaminando os solos. Como consequência, muitas áreas estão se tor- nando impróprias para a produção de alimentos ou para a presença humana. As principais formas de poluição do solo estão associadas a atividades econômicas como a agricultura, o ex- trativismo mineral e a produção in- dustrial, ou à falta de investimentos no tratamento adequado ao lixo. Veja cada um desses casos: LIXO A deposição inadequada do lixo, principalmente em aterros sem nenhum controle ambiental (os chamados lixões), está entre as principais causas da contaminação dos solos nas cidades. Além de produzir o gás natural metano (CH4), um dos agravadores do efeito estufa, a decomposição da matéria orgânica por microrganismos gera o caldo chorume, altamente poluente para o solo e para os lençóis freáticos. O destino mais adequado para o lixo urbano são os aterros sanitários. Trata-se de áreas nas quais os resíduos são compactados e cobertos por terra. Terrenos assim têm sistema de drenagem que captam líquidos e gases resultantes da decomposição dos resíduos orgânicos, evitando maiores danos aos solo. Outra opção são os incineradores públicos, principalmente para o lixo hospitalar, odontológico e ambulatorial. Terra maculada A degradação dos solos, provocada principalmente pela exploração dos recursos naturais e pelo tratamento inadequado do lixo, é um dos principais problemas ambientais da atualidade De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 50% dos municípios destinavam os resíduos sólidos em lixões. Apenas 28% das cidades faziam o descarte em aterros sanitários. Em 2010, o governo federal instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que determinava uma série de regras para o manejo sustentável do lixo. Entre outras medidas, a PNRS estabeleceu que agosto de 2014 seria o prazo final para as prefeituras erradicarem os lixões e passarem a depositar o lixo em aterros sanitários. No entanto, mais de 60% dos municípios não conseguiram cumprir a determinação. Um projeto de lei tramita no Congresso para estender até 2021 o prazo para a erradicação dos lixões. RESÍDUOS INDUSTRIAIS As fábricas nas áreas urbanas também depositam grandes quantidades de resíduos industriais, como produtos químicos e metal pesado, em áreas próximas de onde estão instaladas. Com o tempo, esses elementos infiltram-se no solo, que fica contaminado e improdutivo, podendo provocar doenças nos habitantes que vivem próximos à indústria. AGROTÓXICOS O uso de agrotóxicos para fertilizar o solo, eliminar ervas daninhas e destruir pragas pode aumentar a produtividade agrícola em grande escala, mas produz um nefasto efeito colateral: a contaminação do solo. Com o tempo, esses resíduos químicos vão se acumulando e ajudam a degradar ainda mais as áreas agrícolas, tornando-as impróprias para o cultivo. Ou seja, apesar dos ganhos produtivos no curto prazo, a aplicação intensiva de agrotóxicos é uma prática insustentável para a agricultura. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), um quarto dos solos do planeta está degradado, afetando diretamente a produção mundial de alimentos. MERCÚRIO NOS GARIMPOS A exploração de minérios, como ouro e diamantes nos garimpos da Região Norte do Brasil, utiliza mercúrio no processo de separação das pedras preciosas dos demais sedimentos. Por ser um mineral pesado altamente tóxico, o mercúrio depositado no solo e nas águas provoca graves prejuízos à fauna e à saúde humana. ENTRE OS URUBUS Criança recolhe papelão no lixão da Canabrava, em Salvador (BA): mais da metade dos municípios brasileiros descarta os resíduos sólidos em áreas sem nenhum controle ambiental VEN DA P ROIB IDA 45GE GEOGRAFIA 2018 SAIBA MAIS O PRINCÍPIO DOS 3 RS: REDUZIR, REUTILIZAR E RECICLAR A melhor solução para o lixo é reaproveitá-lo para fazer novos bens, reduzindo a sobrecarga dos depósitos. O reaproveitamento do lixo envolve o princípio dos “3 Rs”: � Reduzir a produção de resíduos, com a adoção de novos hábitos de compra. � Reutilizar potes, vasilhames, caixas e outros objetos de uso cotidiano e o material neles contido. � Reciclar o lixo descartado após o consumo, transformando-o em matéria- prima industrial para nova fabricação. Para que seja reciclado, o lixo deve ser descartado de forma seletiva e entregue em postos distribuídos pelas prefeituras (quando existem) ou por empresas em locais predefinidos, doados a entidades que recebem material desse tipo ou na forma estabelecida pelos programas porta a porta. Apesar das iniciativas nesse sentido, apenas 3% do lixo é reciclado no Brasil, segundo dados do Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre). Veja abaixo um quadro com os principais produtos recicláveis: A erosão das camadas superficiais do solo pelo escoamento das águas das chuvas, também conhecida como ero- são laminar, é uma das maiores preo- cupações ambientais da agricultura atualmente. Esse processo provoca a perda gradativa de nutrientes do solo. Em algumas culturas, como o feijão e a mandioca, essa perda pode chegar a 40 toneladas por hectare em um ano. Para ter uma dimensão melhor do problema, em uma área com floresta nativa, essa perda é de apenas 0,004 tonelada por hectare no mesmo período. A melhor forma para evitar a ação da erosão é a adoção de técnicas de conservação do solo. O plantio direto é uma técnica que não revolve as camadas superficiais do solo, mantendo sobre ela a matéria orgânica (plantas, folhas e palhas de colheitas anteriores), o que contribui para conter a erosão. Já as curvas de nível é uma técnica de plan- tio adequada às variações das altitudes e à inclinação do relevo, evitando o escoamento direto das águas das chuvas que caem na lavoura. A ausência dessas técnicas pode dar origem a ravinas Os principais produtos recicláveis Vidro Garrafas, potes de alimentos, frascos de remédio e de perfume. Cacos de vidro Volta a ser usado infinitas vezes sem perder as características Papel Revistas, jornais, papéis variados, caixas de papelão (de todos os tipos) Transforma-se em papelreciclado para agendas, cartões e caixas de papelão Plástico Garrafas PET, potes (de todos os tipos), tampas, embalagens, sacos (de leite, arroz etc.) Matéria-prima de fibras têxteis, tubos, artefatos plásticos, cordas, cerdas de vassoura, carpetes Metal Latas de aço e alumínio, tampas, arames, fios, grampos, pregos, tubos de pasta, alumínio, cobre O aço volta a ser usado sem limites. O alumínio pode ser reusado em latas e autopeças Não podem ser reciclados Espelhos, vidro de janela e de boxe de banheiro, vidro de automóveis, cristais, lâmpadas, vidro temperado, ampolas de remédio, celofane, espuma, fraldas descartáveis, pilhas, latas enferrujadas, papel higiênico, guardanapos com restos de comida, papel laminado e plastificado, papel-carbono Fonte: Como Cuidar do Seu Meio Ambiente – Editora Beı, edição e texto da Rita Mendonça, 2004 Papel Pano Filtro de cigarro Chiclete Lata de aço Madeira pintada Náilon Plástico Alumínio Vidro Borracha 3 a 6 meses 6 meses a 1 ano 5 anos 5 anos 5 a 10 anos 13 anos Mais de 30 anos Centenas de anos Centenas de anos Mais de mil anos Indeterminado OR IG EM U TI LI D AD E Quanto tempo leva para se degradar na natureza ˜ (sulcos formados no solo devido à ação erosiva da água) e voçorocas (aberturas ainda maiores que as ravinas e que, se atingirem o lençol freático, podem ser irreversíveis e impedem o aproveita- mento agrícola da área atingida). Outro grave problema da degradação dos solos envolve a grande concentra- ção de sais nos seus horizontes superfi- ciais, o que dificulta o desenvolvimento das plantas e, consequentemente, a pro- dução de alimentos. A salinização dos solos pode se dar por meio de processos naturais ou provocados e acelerados pelas atividades humanas. A irrigação é a principal prática agrícola responsável por induzir ou acelerar esse processo. No mundo, as principais áreas atin- gidas pela salinização encontram-se na África e na Ásia. Um dos casos mais conhecidos é o da região do Mar de Aral, na fronteira entre o Cazaquistão e o Uzbequistão, na Ásia Central. Desde o período da União Soviética, extinta em 1990, vinham sendo implantados nessa região projetos de irrigação, em especial para a produção de algodão (veja mais na pág. 67). Colheita maldita Entenda como a erosão e a salinização prejudicam os solos e provocam enormes perdas para as culturas agrícolas FERNANDO VIVAS VEN DA P ROIB IDA 46 GE GEOGRAFIA 2018 COMO CAI NA PROVA 1. (PUC-PR 2016) O Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) relatou que, entre dezembro de 2015 e janeiro de 2016, ocorreram pequenos tremores de terra com magnitudes entre 1.1 e 1.9 em epicentros localizados na região da cidade de Londrina, o que explica as vibrações sentidas pelos moradores, principalmente nos bairros Califórnia e São Fernando. Tabela 1 – Pequenos tremores identifi cados pela Rede Sismográfi ca Brasileira (RSBR) com estações regionais Data e Hora (Local) LAT (+/- 5 km) LON +/- 5 km) Prof. * (km) Magnitude (mR) 14/12/2015 06:16:06 -23.35 -51.15 0.0 1.8 01/01/2016 16:49:34 -23.38 -51.15 0.0 1.9 21/01/2016 14:13:10 -23.33 -51.12 0.0 1.9 (*) profundidade fi xada em 0 km. Não há dados sufi cientes para se determinar as profundidades. Adaptado de Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP). Tremores de Dezembro de 2015 / Janeiro de 2016 em Londrina-PR. Disponível em: <http://moho.iag.usp.br/content-sample/ reports/20160122/Relatorio-Londrina-20160122-2300.pdf>. Acesso em 20 mar. 2016. Segundo o Centro de Sismologia, tremores de magnitude pequena (<4) não são incomuns no Brasil e podem ocorrer em qualquer região. [...] Portanto, não há motivos para descartar os tremores ocorridos em Londrina como tendo origem natural. Sendo assim, os tremores registrados em Londrina podem ser causados a) pela proximidade com a Cordilheira dos Andes, região geologicamente instável, onde a divergência entre as placas do Pacífi co e da América do Sul gera grandes tremores de terra. b) por concentração de tensões geológicas de origem natural, presentes em toda a crosta terrestre. c) pela exploração de gás de xisto através de fraturamento (fracking) hidráulico. d) por barragens artifi ciais, como o lago gerado pela hidrelétrica de Itaipu, pois o peso do reservatório pressiona as falhas geológicas do substrato geológico. e) pela atividade vulcânica no oeste paranaense, decorrente do encontro das placas da América do Sul e da África, originárias da fragmentação do supercontinente Pangea. RESOLUÇÃO A afi rmativa A é incorreta, pois os tremores que ocorrem na região da Cordilheira dos Andes, e que poderiam ser sentidos no Brasil, ocorrem pela convergência entre as placas do Pacífi co e da América do Sul e não pela divergências entre elas. A afi rmativa C é incorreta. A exploração de gás de xisto por meio de fraturamento (fracking) hidráulico pode provocar tremores de terra. Mas essa técnica, muito comum nos EUA, ainda não é usada no Brasil. A afi rmativa D não é correta porque, apesar de a construção de barragens poder provocar tremores, o mapeamento das falhas no Brasil não apontam para a área de Itaipu. A afi rmativa E é incorreta, pois não existe atividade vulcânica no oeste para- naense, e o tipo de movimento verifi cado entre as placas da América do Sul e da África é divergente. A alternativa correta é a B: os terremotos no Brasil são de baixa e média intensi- dade na escala Richter. Em sua maioria, são decorrentes de falhas geológicas de pequena extensão existentes na estrutura geológica local. Resposta: B 2. (USF 2016) Observe as imagens a seguir. Fonte: <http://www.aguaspluviais.inf.br/manual.aspx?id=8> Acesso em: 12/09/2015, às 18h. As imagens evidenciam a alteração ao meio ambiente causada pelo processo de urbanização. a) Aponte duas consequências sociais ou ambientais decorrentes da transfor- mação do espaço evidenciada nas imagens. b) Cite uma ação que poderia minimizar os problemas decorrentes da ocupação do espaço evidenciada nas imagens. RESOLUÇÃO a) A ação intensiva do ser humano sobre o meio, em virtude da ocupação do solo, altera as condições ambientais originais. Entre as consequências ambientais e sociais da transformação da paisagem acima, destacam-se: perda de biodiver- sidade decorrente do desmatamento, aumento da erosão do solo, elevação do assoreamento dos rios pela retirada da mata ciliar, prováveis enchentes pela impermeabilização do solo, possível poluição dos recursos hídricos e elevação da temperatura (ilha de calor) na área urbana. b) Entre as ações é possível citar a recomposição das matas ciliares ao longo dos rios para minimizar a erosão e o assoreamento; a criação de áreas verdes para melhorar a infi ltração de água no solo e combater enchentes; o tratamento adequado de água e esgoto; e a adequada deposição do lixo. VEN DA P ROIB IDA RESUMO 47GE GEOGRAFIA 2018 Litosfera ESTRUTURAS GEOLÓGICAS A camada mais superficial do planeta é a litosfera, cuja superfície é formada por três tipos de estrutura geológica: escudos cristalinos (os terrenos mais antigos, formados por rochas magmáticas), bacias sedimentares (surgidas com a erosão das rochas dos escudos cristalinos) e dobramentos mo- dernos (formações recentes que ficam entre as placas tectônicas). RELEVO Existem quatro principais tipos de relevo no mundo: depressões são áreas localizadas em altitude inferior à das re- giões vizinhas ou abaixo do nível do mar; montanhas são áreas elevadas resultantes do choque de placas tectônicas; planaltos são elevações delimitadas por superfícies rebaixadas; e planícies são áreas planas, geralmente encontradas em baixas altitudes. PLACAS TECTÔNICAS São gigantescos blocos que integram a litosfera. O globo é recortado por grandes placas que se deslocam e se chocam, numa movimentação constante e lenta. As regiões próximas à borda dessas placas são sujeitasa terremotos e atividade vulcânica. FORÇAS INTERNAS E EXTERNAS As forças internas dão forma ao relevo. O tectonismo consiste no lento deslocamento das placas tectônicas. Os abalos sísmicos são os tremores causados na superfície do planeta pela movimentação da placa tectônica. Já o vulcanismo é a elevação do magma para a superfície por meio de fendas na crosta terrestre. São duas as principais for- ças externas. O intemperismo é o processo de degradação das rochas provocada por fenômenos químicos e físicos. Já a erosão consiste no desgaste da rocha em razão da exposição prolongada a agentes naturais, como ventos, geleiras, rios e mares. RECURSOS MINERAIS Os minérios são elementos dos quais po- demos extrair substâncias de interesse econômico. Destacam- se os utilizados para a obtenção de metais, como o alumínio, o ferro e o titânio. Os depósitos mais explorados ficam nos escudos cristalinos. No Brasil, os minérios são encontrados principalmente em Minas Gerais e no Pará. SOLOS O solo compreende a parte superficial da litosfera e se forma, principalmente, da decomposição das rochas e se dispõe em camadas, denominadas horizontes. Os horizontes O (orgânico) e A são os mais superficiais e mais significativos para a agricultura. A composição mineral, o nível de acidez e a capacidade de reter matéria orgânica e água são fatores determinantes para a fertilidade dos diferentes tipos de solos, de grande importância para as atividades agropecuárias. LIXO A deposição inadequada do lixo em aterros sem nenhum controle ambiental (os chamados lixões) está entre as princi- pais causas da contaminação dos solos nas cidades. Mais de 50% dos municípios destinam os resíduos sólidos em lixões. Apenas 28% das cidades faz o descarte em aterros sanitários. �SAIBA MAIS As enchentes ocorrem quando a precipitação é elevada e a vazão ultrapassa a capacidade de escoamento dos rios. É um fenômeno natural, provocando inun- dações, que permitem a deposição de partículas minerais e de matéria orgânica na área que vai além de suas margens – a várzea. No entanto, em grandes cidades como São Paulo, a impermeabilização do solo ocasiona grandes alagamentos. A água não consegue infi ltrar no solo, escoando de forma rápida e em grande volume para as vias de circulação de trânsito. É o que acontece na Marginal Tietê: Pista local Pista local Pista expressa Pista expressa RIO TIETÊ Marginal direitaMarginal esquerda Área de inundação Nível normal 3. (Espcex Aman 2016) O relevo é o resultado da atuação de forças de origem interna e externa, as quais determinam as reentrâncias e as saliências da crosta terrestre. Sobre esse assunto, podemos afi rmar que I. o surgimento das grandes cadeias montanhosas, como os Andes, os Alpes e o Himalaia, resulta dos movimentos orogenéticos, caracterizados pelos choques entre placas tectônicas. II. o intemperismo químico é um agente esculpidor do relevo muito característico das regiões desérticas, em virtude da intensa variação de temperatura nessas áreas. III. extensas planícies, como as dos rios Ganges, na Índia, e Mekong, no Vietnã, são resultantes do trabalho de deposição de sedimentos feito pelos rios, formando as planícies aluviais. IV. os planaltos brasileiros caracterizam-se como relevos residuais, pois perma- neceram mais altos que o relevo circundante, por apresentarem estrutura rochosa mais resistente ao trabalho erosivo. V. por situar-se em área de estabilidade tectônica, o Brasil não possui formas de relevo resultantes da ação do vulcanismo. Assinale a alternativa que apresenta todas as afi rmativas corretas a) I, II e III b) I, III e IV c) II, IV e V d) I, II e V e) III, IV e V RESOLUÇÃO As afi rmativas I, III e IV estão corretas. Sobre os outros itens, a afi rmativa II diz, equivocadamente, que o intemperismo químico ocorre em regiões desérticas. Na verdade, nessas localidades com baixo índice pluviométrico verifi ca-se a atuação do intemperismo físico e da erosão eólica. Já a afi rmativa V está incorreta porque o passado geológico do atual território do Brasil, durante a Era Mesozoica, registra atividade vulcânica. Ela foi responsável por aspectos importantes da estrutura geológica, do relevo e do solo no país, como a existência de cuestas basálticas e do solo de terra roxa. Resposta: B VEN DA P ROIB IDA 48 GE GEOGRAFIA 2018 HIDROSFERA 3 CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO� A distribuição de água no planeta .............................................................50� Água salgada .....................................................................................................52 � Água doce ............................................................................................................56 � Tsunami ..............................................................................................................58 � Bacias hidrográficas do Brasil .....................................................................60 � Escassez hídrica no mundo ..........................................................................62 � Escassez hídrica no Brasil ............................................................................64 � Poluição hídrica ...............................................................................................66 � Como cai na prova + Resumo .......................................................................68 O s nordestinos estão enfrentando mais uma rigorosa seca. Embora estiagens severas costumem castigar a região de tempos em tempos, desta vez a situação é mais grave: o Nordeste não via uma seca tão intensa para um período consecutivo como este desde 1910. A área mais afetada é o semiárido, região que abriga 23 milhões de pessoas. Com a ausência de chuvas, os grandes reservatórios da região estão secando. No início de 2017, eles operavam com somente 16% da capacidade. Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), dos 533 reservatórios monitorados pelo órgão na região, 142 estavam vazios. A situação é mais crítica no Ceará, onde os açudes estavam com 7% de sua capacidade em janeiro deste ano. A estiagem pode levar o fornecimento de água nas áreas urbanas ao colapso, provocando sérios transtornos à população. Em vários municípios de pequeno porte, o abastecimento já está sendo feito com caminhões-pipa. Nas regiões rurais, o problema é outro. Agricultores perdem suas plantações e veem o gado morrer. Em Pernam- buco, o rebanho bovino, composto em 2011 por 2,5 milhões de cabeças, teve uma baixa de 554 mil animais no ano passado. A boa notícia é que em março foi inaugurado o primeiro trecho do projeto de transposição do Rio São Francisco, que prevê o deslocamento de parte das águas desse manancial por canais artificiais para reservatórios situados no se- miárido nordestino. Apontada desde o tempo do Império como uma solução para a seca no Nordeste, a transposição começou a sair do papel em 2007, consumindo investimentos da ordem de 9,6 bilhões de reais. O projeto se estende por 477 quilômetros e é dividido em dois eixos. O leste é o trecho recém-inaugurado. Com 217 quilômetros, ele beneficiará 4,5 milhões de pessoas em 168 loca- lidades da Paraíba e de Pernambuco. Já o eixo norte, com 260 quilômetros, tem inauguração prevista ainda para 2017 e atenderá 222 muni- cípios e 7,5 milhões de pessoas no Ceará e Rio Grande do Norte. Nas páginas seguintes, você vai saber mais sobre a hidrosfera e a importância estraté- gica da água, além de entender como a crise hídrica é um fenôme- no que preocupa não apenas a população do Nordeste, mas tam- bém de outras regiões do Brasil e do mundo. Em meio à maior estiagem dos últimos 100 anos no Nordeste, a inauguração de um trecho da transposição do Rio São Francisco pode amenizar os efeitos da seca Uma esperança na aridez do sertão ÁGUAS DE MARÇO Inauguração do eixo leste da transposição do Rio São Francisco, em março de 2016: projeto poderá beneficiar 12 milhões de pessoas no semiáridonordestino VEN DA P ROIB IDA 49GE GEOGRAFIA 2018 EDUARDO KNAPP/FOLHAPRESS VEN DA P ROIB IDA 50 GE GEOGRAFIA 2018 3 Primeiro homem a ver o planeta do espaço, o astronauta russo Yuri Gagarin tornou célebre a frase em que descreveu o que observou lá de cima: “A Terra é azul”. A coloração do nosso planeta visto da órbita terrestre é conse- quência do enorme volume de água de que a Terra dispõe. São cerca de 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos que cobrem mais de 70% da superfície do globo. O conjunto de toda a água do pla- neta recebe o nome de hidrosfera. Há cerca de 4 bilhões de anos, quando nosso planeta era uma nuvem quente de poeira e gás, a água encontrava-se misturada a outros gases, no estado de vapor. À medida que o planeta esfriava, esse vapor foi se condensando e, sob a forma de chuva, precipitando-se sobre a superfície. Dessa longa e caudalosa tempestade formaram-se os oceanos, mares e o conjunto das “águas continen- tais”, composto de rios, lagos, lençóis subterrâneos, geleiras e neves eternas. Mas todo esse volume de água que cobre o planeta não está à disposição para o nosso consumo. Desse 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos de água que A Terra é azul Ocupando mais de 70% da superfície terrestre, a hidrosfera domina a paisagem do nosso planeta PLANETA ÁGUA Apesar de a Terra dispor de 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos de água, apenas 2,5% desse volume é próprio para o consumo humano revestem o globo, apenas 2,5% são de água doce – algo em torno de 35 mi- lhões de quilômetros cúbicos. Além disso, a maior parte da água ou está congelada nas geleiras e calotas polares ou encontra-se escondida em depósi- tos subterrâneos. A real proporção da água a que o homem tem acesso fácil – a superficial, de rios lagos e pântanos – é de, no máximo, 0,4% da água doce exis- tente no mundo (veja mais no gráfico). Ou seja, temos 100 mil quilômetros cúbicos para matar a sede, cuidar da higiene, ge- rar energia, produzir alimentos e bens in- dustriais. Não é exatamente pouca água – imagine que cada pessoa no mundo tenha direito a mais de 570 bilhões de litros por dia, durante 75 anos. O problema é que a água não é distri- buída assim, de forma equilibrada, entre toda a população. A própria natureza impõe restrições. Enquanto regiões como a Amazônia é riquíssima em recursos hídricos, trechos da África e do Oriente Médio sofrem com uma brutal escas- sez, responsável, inclusive, por sérios conflitos armados. Para piorar, a ação do homem em nada vem ajudando a HIDROSFERA A DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA NO PLANETA [1] VEN DA P ROIB IDA 51GE GEOGRAFIA 2018 A DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA NO PLANETA Apenas uma pequena parte da água da Terra é acessível para uso humano ÁGUA DOCE ÁGUA ATMOSFÉRICA E DE SUPERFÍCIE TOTAL DA ÁGUA Água doce 2,5% Água salgada 97,5% Fonte: National Geographic Biota 0,8% (conjunto dos seres vivos) Lagos de água doce 67,4% Umidade do solo 12,2% Atmosfera 9,5% Pântanos e áreas alagadas 8,5% Rios 1,6% Subterrânea 30,1% Permafrost 0,8% (camada de subsolo na tundra congelada) Água atmosférica e de superfície 0,4% Geleiras 68,7% tornar a distribuição e o acesso à água mais democráticos. Se hoje 2,4 bilhões de pessoas não têm acesso à água trata- da, isso se deve principalmente ao mau gerenciamento das fontes naturais e à falta de equilíbrio entre a renovação e o consumo da água. O ciclo hidrológico Toda a água disponível no planeta está em constante renovação. Esse processo no qual a água se desloca da superfície terrestre e da atmosfera, passando pelos estados líquido, sólido e gasoso, recebe o nome de ciclo hidrológico. Um dos responsáveis por esse processo é a energia solar, que incide na superfície do planeta e provoca a evapotranspiração das águas, ou seja, elas passam do estado líquido para o gasoso. A evaporação dos oceanos ocorre com maior intensidade, mas o fenômeno acontece ainda em rios, lagos e demais águas continentais. A transpiração das plantas também con- tribui para a evaporação da água. O vapor de água resultante desse pro- cesso dá origem às nuvens, que se des- locam com o movimento de rotação da Terra e dos ventos. Quando as nuvens se condensam, ocorre a precipitação, e a água volta para a superfície terrestre, atingindo tanto o continente quanto os oceanos. Essa precipitação pode ser líqui- da, no caso das chuvas, ou sólida, se cair na forma de neve ou granizo. Tudo de- pende das condições climáticas da região. Ao atingir os continentes, a água da precipitação pode percorrer alguns caminhos: � volta para a atmosfera, em novo pro- cesso de evapotranspiração; � infi ltra-se no solo, alimentando as águas subterrâneas; � é escoada na direção de rios, lagos e mares. O destino dessas águas é infl uenciado por fatores como a cobertura vegetal, as condições climáticas e a geologia e a alti- tude. Em áreas mais áridas, por exemplo, a evaporação é maior que a infi ltração, ao passo que, em terrenos arenosos, a água se infi ltra mais rapidamente. Veja as quatro etapas do processo de renovação hidrológica O CICLO DA ÁGUA A energia solar incide sobre a superfície do planeta. 1 3 Os ventos carregam o vapor de água dos oceanos para os continentes. As nuvens se condensam, e a água volta para a superfície terrestre na forma de chuva – a precipitação também pode ocorrer como neve ou granizo. A água das chuvas é escoada para os rios, lagos e mares. Também pode infiltrar-se no solo ou voltar para a atmosfera pelo processo de evaporação. O calor provoca a evaporação da água, que passa para o estado gasoso e é transferida para a atmosfera. A transpiração de plantas e animais contribui para esse processo. Apesar de o fenômeno também ocorrer em rios e em lagos, é nos oceanos que a evaporação é mais intensa. 2 4 [1] NASA [2] MULTISP [2] VEN DA P ROIB IDA 52 GE GEOGRAFIA 2018 3 Imensidão marinha Quase a totalidade da hidrosfera é formada por oceanos e mares, habitat da maioria das espécies do planeta e responsáveis por grande parcela da atividade econômica mundial HIDROSFERA ÁGUA SALGADA As águas marinhas dividem-se em oceanos (grandes áreas) e mares (áreas menores). Juntas, essa imensidão de água salgada representa 97,5% de toda a hidrosfera. Conforme veremos a seguir, os oceanos e mares têm uma incalculável importância para o equilíbrio do planeta, tanto nos aspec- tos ambientais como socioeconômicos. A própria origem da vida, de acordo com a teoria do Big Bang, teria ocorrido nos oceanos há cerca de 3,5 bilhões de anos (veja mais na pág. 98). A origem da água salgada Durante centenas de milhões de anos, a chuva foi formando os rios – que, por sua vez, dissolveram rochas de dife- rentes períodos geológicos, nas quais o sal comum, cloreto de sódio (NaCl), é encontrado em abundância. Como todos os cursos de água correm para o oceano, os mares ficam com quase todo o sal dissolvido nesse processo. Além disso, as partículas de cloro e de sódio suspensas na atmosfera também são levadas pela chuva, completando o processo. Ainda assim, a salinidade de uma massa de água depende principal- mente de sua taxa de evaporação, que acaba determinando a concentração do sal. É por isso que lagos e açudes podem se tornar salgados em regiões de muito calor, como ocorre no nordeste brasi- leiro. Por essa mesma razão, os mares equatoriais são mais salgados que os polares. Os mais salgados do planeta são o Mar Morto, no interior da Ásia, e o Mediterrâneo. O menos salgado é o Mar Báltico, no norte da Europa, que, por causa de seu baixo teor de sal, chega a ficar congelado durante o inverno. A biodiversidade marinha A grande biodiversidade marinha pode ser confirmada estatisticamente: dos 33 filos (grandes grupos de seres vivos), 15 são exclusivamente mari- nhos e cinco são predominantemente marinhos. São mais de 230 mil espécies conhecidas nos mares e oceanos, porém estima-se que o número ultrapasse1 milhão de espécies. Os ambientes diversificados propi- ciam a formação de ecossistemas di- versos, desde as águas rasas e quentes VEN DA P ROIB IDA 53GE GEOGRAFIA 2018 das costas continentais – com grande aporte de alimentos provenientes dos rios – até águas profundas, frias e sem luz, com erupções de lava e gás metano, entre outros materiais tóxicos para as espécies da superfície. Algumas espé- cies marinhas têm funções vitais para o planeta Terra em escala global, como o plâncton, cuja absorção de CO2 é maior do que a de todas as florestas das terras emersas somadas. A economia dos mares e dos oceanos Os mares e oceanos são explorados economicamente desde os primórdios da existência dos seres humanos para a obtenção de alimentos e energia, o trans- porte, o lazer, entre outras atividades. As rotas estabelecidas no período das Grandes Navegações (séculos XV a XVII) mudaram o mapa econômico mundial, ampliando numa escala jamais vista até então as trocas comerciais e a exploração de recursos naturais do planeta. Atualmente, merecem destaque as se- guintes atividades econômicas assentadas na exploração dos mares e dos oceanos: MARES Os mares são blocos menores de água salgada ligados aos oceanos. Em geral, são classificados de acordo com a maneira pela qual se juntam aos oceanos. Mares abertos: são ligados ao oceano por meio de grandes aberturas. Ex.: Mar das Antilhas ou do Caribe e o Mar do Norte, entre as ilhas britânicas e o continente europeu. Mares continentais: as ligações com o oceano são menores, feitas por meio de estreitos. Ex.: Mar Mediterrâneo, ao sul da Europa, e Mar Vermelho, entre a península Arábica e a África. MARES E OCEANOS OCEANO ATLÂNTICO Mar do Caribe Mar Mediterrâneo Mar do Norte Golfo do México Golfo Pérsico Bacia de Campos Mar Vermelho Mar MortoOCEANO ATLÂNTICO OCEANO ÍNDICO OCEANO PACÍFICO OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO OCEANO GLACIAL ÁRTICO OCEANO PACÍFICO C. de Humboldt Mares fechados: apesar de serem chamados de mares, são, na verdade, grandes lagos com água salgada. Ex.: Mar Morto, no Oriente Médio OCEANOS De acordo com a maioria dos especialistas, são três os grandes oceanos: Pacífico, Atlântico e Índico. O limite entre um oceano e outro é determinado pelo contorno dos continentes. Alguns geógrafos apontam a existência de dois outros oceanos, o Ártico, no norte do globo, e o Antártico, que circunda o continente gelado ao sul. iSTOCK PHOTO GRANDES NAVEGAÇÕES Cerca de 80% do volume total do comércio mundial é feito por meio de transporte marítimo � A PESCA Base da alimentação de milhões de pessoas, a pesca tradicional e indus- trial é feita em todos os oceanos e na maioria dos mares, sobretudo em áre- as costeiras. A produtividade é maior em regiões banhadas por correntes marítimas frias. Um bom exemplo é a corrente de Humboldt, que passa pela costa peruana (veja no mapa). � EXTRATIVISMO MINERAL Além da extração de petróleo e gás natural, explorado em áreas como a Bacia de Campos, o Golfo Pérsico e o Golfo do México (veja localização no mapa), outros recursos minerais são prospectados em águas oceânicas. Merece destaque a mineração feita no Mar Morto, de cujo leito se extra- em grandes quantidades de potássio, o que coloca Israel e Jordânia na lista dos dez maiores exportadores desse mineral. O produto é utilizado, entre outras aplicações, na fabricação de adubos químicos. Já África do Sul e Namíbia exploram diamantes nos mares que banham o seu litoral. � ROTAS COMERCIAIS Cerca de 80% das mercadorias co- mercializadas entre diferentes paí- ses no mundo são transportadas por navios cargueiros, que diariamente atravessam os oceanos. O Oceano Atlântico é intensamente explorado economicamente, em especial no Atlântico Norte, onde se encontram rotas que interligam as potentes eco- nomias da América do Norte e os países da Europa Ocidental. O Oce- ano Pacífico é um elo cada vez mais forte entre as economias ocidentais e orientais. Já o Oceano Índico é percorrido por embarcações que ex- ploram o petróleo no Oriente Médio, sobretudo no Golfo Pérsico. � TURISMO O turismo marítimo é outra ativi- dade em expansão, explorando as orlas marítimas com a implantação de balneários, navegação, pesca es- portiva e atividades de mergulho. A indústria turística também projeta suas atividades para o alto-mar com a navegação dos cruzeiros marítimos. VEN DA P ROIB IDA 54 GE GEOGRAFIA 2018 3 HIDROSFERA ÁGUA SALGADA Arquipélago de Fernando de Noronha Atol das Rocas Arquipélago de São Pedro e São Paulo Arquipélago de Abrolhos Poços do pré-sal Ilhas da Trindade e Martin Vaz JúpiterTupi Guará Carioca BR AS ILGU IA NA FR AN CE SA BRASILURUGUAI Salvador Rio de Janeiro Florianópolis São Luís Belém O c e a n o A t l â n t i c o CROSTA CONTINENTAL CROSTA OCEÂNICA PLANÍCIE ABISSAL TALUDE ELEVAÇÃO PLATAFORMA Mar territorial Zona contígua Zona econômica exclusiva Plataforma continental LINHA BASE Fronteiras marítimas Fronteira Definição Limite a partir da orla Área Mar territorial Soberania absoluta, econômica e militar 12 milhas (22,2 km) – Zona contígua Controle administrativo 24 milhas (44,4 km) – Zona econômica exclusiva Direitos econômicos absolutos sobre a água, o assoalho e o subsolo 200 milhas (370 km) 3.539.919 km2 Plataforma continental Direitos sobre o assoalho marítimo e seus seres e o subsolo até 350 milhas (648 km) (área reivindicada) 4.489.919 km2 Fonte: Marinha do Brasil/ Ministério das Relações Exteriores OS LIMITES MARINHOS DO BRASIL Controle dos mares e oceanos A importância geopolítica dos mares e dos oceanos refl ete-se nas disputas que muitas nações travam entre si para poder exercer sua soberania sobre o território marítimo. A difi culdade em estabelecer as faixas oceânicas a que cada país tem direito deu origem à Convenção das Na- ções Unidas sobre o Direito do Mar. Ela determina os limites do mar territorial, ou seja, as águas que fazem parte do ter- ritório nacional de cada país, onde pos- suem total soberania econômica e militar. Além do mar territorial, são defi nidas as zonas contíguas, nas quais o Estado deve fi scalizar e combater crimes ambien- tais; as zonas econômicas exclusivas, que estabelece direitos absolutos para a realização de pesquisas e exploração econômica; e a plataforma continental, área na qual o país detém direitos sobre o assoalho marítimo e o subsolo. Na zona econômica exclusiva brasilei- ra, estão 91% de todo o petróleo explorado pelo país, incluindo as jazidas do pré-sal. Diante da necessidade de garantir sua proteção, em 2004, o Brasil solicitou à ONU que estenda sua soberania sobre a área de mar acima da plataforma con- tinental para até 350 milhas náuticas (648 quilômetros), conforme prevê a convenção, mas ainda não obteve o aval sobre essa decisão. Veja ao lado e abaixo a localização e a extensão de cada nível de fronteira marítima no litoral brasileiro.VEN DA P ROIB IDA 55GE GEOGRAFIA 2018 CHINA FINALIZA INSTALAÇÕES NO MAR DO SUL DA CHINA QUE PODEM ABRIGAR MÍSSEIS, DIZEM EUA A China praticamente finalizou a construção de quase duas dezenas de estruturas em ilhas artificiais no Mar do Sul da China que parecem projetadas para abrigar mísseis terra-ar de longa distância, disseram duas autoridades dos Estados Unidos à Reuters, o que foi considerado um teste precoce ao presidente norte-americano, Donald Trump. A China reivindica quase todas as águas, pelas quais circula um terço do comércio marítimo mundial. Brunei, Malásia, Filipinas, Taiwan e Vietnã também têm reivindicações no local. O governo Trump classificou a construção de ilhas chinesas no Mar do Sul da China como ilegal. (...) Reuters, 22/2/2017 SAIU NA IMPRENSA SAIBA MAIS MARÉS E CORRENTES MARÍTIMAS As marés são o movimento de subida e descida das águas em relação à costa, ocasionado pela atração que a Lua e o Sol exercemsobre as massas de água. A influência da Lua é sentida de maneira mais forte, porque o Sol, apesar de ser muito maior do que ela e, portanto, ter um campo gravitacional mais poderoso, está muito mais afastado (veja o infográfico abaixo). Além dessa força de atração dos astros, outro fenô- meno astronômico colabora para a formação das marés: a rotação da Terra. Girando em torno de si mesma, a Terra fica sempre com metade de sua superfície virada para a Lua. O resultado é o movimento das águas de acordo com a posição do planeta e de seu satélite. A cada dia, acontecem duas marés altas (quando o oceano está de frente para a Lua) e duas baixas (nos intervalos entre as altas). A rotação da Terra influencia outro tipo de movimento das águas oceânicas: as correntes marítimas. Elas são gigantescas porções de água que se deslocam nos oceanos de forma independente das águas que as circundam. É por causa do fenômeno da inércia que as correntes se deslocam com o movimento do planeta: as águas tende- riam a continuar paradas, mas acabam se movimentando em sentido contrário ao da rotação do globo. As correntes também ocorrem em razão da inclinação do eixo terrestre e da diferença de temperatura entre o Equador e as zonas polares. As correntes podem ser frias ou quentes e influenciam a vida no planeta de várias formas. A corrente fria de Humboldt, por exemplo, esfria a costa oeste da América do Sul. Há ainda a corrente quente do Atlântico Norte (ou corrente do Golfo), que evita o congelamento de portos europeus, e a corrente fria do Labrador, que desce do Ártico e influencia as gélidas temperaturas da costa leste norte-americana no inverno (veja mapa com as principais correntes marítimas na pág. 79). No lado da Terra voltado para a Lua, as águas (em azul) sobem, atraídas pela gravidade lunar Para facilitar, imagine que o planeta fosse todo recoberto pelos oceanos SOB O DOMÍNIO DA LUA Entenda como o satélite da Terra interfere nas marés Maré alta Maré alta Maré baixaMaré baixa Mar do Sul da China O Mar do Sul da China é uma das prin- cipais regiões em disputa no mundo atu- almente. Além de ser uma importante rota marítima, o local tem um grande potencial para a exploração petrolífera. A China alega ter precedência histórica sobre a região e explora economicamente suas águas. No entanto, em julho de 2016, a ONU acatou um pedido das Filipinas e decidiu que a China não tem base le- gal para reivindicar “direitos históricos” no Mar do Sul da China. O governo de Pequim disse que não irá reconhecer a decisão e manterá o controle da região. CHINA TAIWAN FILIPINAS INDONÉSIA BRUNEI MALÁSIA VIETNÃ LAOS Hanoi Hong Kong Ilhas Paracel Ilhas Spratly Manila CAMBOJA Campo de gás de Sampaguita Mar do Sul da China China Filipinas Vietnã Malásia Brunei Fonte: The Economist ÁREAS REINVIDICADAS POR A DISPUTA NO MAR DO SUL DA CHINA VEN DA P ROIB IDA 56 GE GEOGRAFIA 2018 3 Reservas vitais Saiba onde ficam as principais fontes de água doce, que representam menos de 3% de toda a hidrosfera A pesar de a água dominar a pai-sagem do globo, a quantidade de H2O disponível para nosso consumo é proporcionalmente irrisória: do 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos de água da hidrosfera, apenas 2,5% são de água doce. Mas a garganta começa a secar mesmo quando observamos que a maior parte da água doce, quase 70%, está sob a forma de gelo, ou seja, indisponível, nos polos. As principais fontes para matar a sede dos bilhões de seres vivos no mundo são: as águas subterrâneas, captadas por meio da exploração de poços; as águas de superfície, que englobam desde lagos e rios até a umidade do solo; e a água presente na atmosfera. Tudo isso junto, DOCE PAISAGEM Vista aérea do Lago Michigan, em Chicago, nos Estados Unidos, que compõe um dos cinco Grandes Lagos: sua formação se deu por erosão glacial HIDROSFERA ÁGUA DOCE contudo, não atinge 1% do volume da hidrosfera. Seja como for, mesmo que o volume relativo seja mínimo, os números absolutos de H2O à nossa disposição ain- da são bastante significativos, desde que administrados racionalmente e preserva- dos de qualquer contaminação. Confira a seguir as características dos reservatórios que guardam todo esse precioso líquido. Geleiras Reservatório de 68,7% da água doce do planeta, as geleiras são enormes mas- sas formadas pelo acúmulo de neve no decorrer de milhares de anos. Existem em áreas planas próximas aos polos ou na forma de imensos rios de gelo que avançam lentamente pelos vales em altas latitudes ou em cordilheiras elevadas. As geleiras se movimentam: descem encostas pela ação da gravidade ou se espalham pelo solo com a força de seu peso. Em seu trajeto, elas desgastam as rochas e, ao chegar a mares e lagos, dão origem a plataformas de gelo. Os icebergs são massas de gelo que se des- prendem dessas plataformas e flutuam pelos oceanos. Lagos Os lagos, definidos conceitualmen- te como corpos de água parada, são a maioria da água doce de superfície disponível para consumo. Podem ser formados de várias maneiras: por acú- mulo de água da chuva, afloramento de uma nascente, pela alimentação de rios ou pela erosão glacial (desgaste das rochas provocado pelo movimento das geleiras). Essa última explica a ori- gem dos Grandes Lagos da América do Norte, que abrigam 27% da água doce proveniente de lagos do planeta. Também são lagos os mares fechados, sem ligação com o oceano, como o Mar Cáspio – o maior lago do mundo, com área de 370 mil quilômetros quadrados – e o Mar Morto. Outro mar, o de Aral, enfrenta enorme desastre ambiental e perdeu cerca de 90% do volume total de água (veja mais na pág. 67). Rios São cursos naturais de água que se deslocam de um ponto mais alto (nas- cente) até um nível mais baixo (foz ou desembocadura), onde lançam suas VEN DA P ROIB IDA VEN DA P ROIB IDA 58 GE GEOGRAFIA 2018 3 HIDROSFERA TSUNAMI Ondas de destruição Tremores provocados por fenômenos geológicos no fundo do mar dão origem aos terríveis tsunamis A palavra tsunami em japonês significa “onda de porto” e dá nome a um fenô-meno conhecido como maré de ter- remoto. Os tsunamis são ondas gigantescas, com mais de 30 metros de altura, provocadas por perturbações nas profundezas do mar, como abalos sísmicos (maremotos), erupções vulcânicas ou deslizamentos no fundo oceâ- nico (veja ao lado). Os tremores provocados por esses fenômenos geológicos propagam uma série de ondulações por grandes distân- cias na superfície do oceano. Essas ondas são inicialmente bastante longas e baixas, não mais que 0,3 a 0,6 metro. Entretanto, a coisa se complica quando elas se aproximam da costa, onde a profundidade diminui e surge atrito com o fundo do oceano. O resultado é que as ondas passam a ser comprimidas num espaço cada vez menor, o que as obriga a subir. Os tsunamis, então, formam uma coluna descomunal, sugando o mar da costa a ponto de deixar parte do solo oceânico descoberto. Esse é o último aviso. Minutos depois, eles chegam, em geral catastroficamente. A CHEGADA DO TSUNAMI NA COSTA Diferenças nas encostas do litoral podem suavizar ou aumentar o impacto Um declive menos acentuado na beira-mar faz com que as ondas percam força, atenuando o tsunami Uma maior profundidade na encosta joga as ondas para cima, amplificando sua potência TUDO COMEÇA NO FUNDO DO MAR Ondas gigantes são provocadas por três tipos de fenômeno Erupções vulcânicas injetam toneladas de lava no chão oceânico, provocando ondas devastadoras Terremotos submarinos deslocam a crosta oceânica, empurrando a massa de água para cima Uma imensa bolha de gás se forma no fundo do solo oceânico, surtindo o mesmo efeito de uma explosão descomunal [3] [4] [1] [2] [5] VEN DA P ROIB IDA 59GE GEOGRAFIA 2018 NATUREZA EM FÚRIA INDONÉSIA O PLANETA MOBILIZADO PELA ONDA GIGANTE A tragédia de 26 de dezembro de 2004 foi aindamais devastadora porque o Oceano Índico não tinha um sistema de aviso eficaz nem estava acostumado a esse tipo de onda. A alta densidade populacional das áreas atin- gidas (15 países na Ásia e na África) também amplificou a catástrofe, que deixou 230 mil mortos. A Indonésia foi o país mais atingido – só na ilha de Sumatra morreram mais de 170 mil pessoas. O tsunami nasceu de um terremoto de 9 pontos na escala Richter. A partir do epicen- tro, a cerca de 160 quilômetros a oeste da ilha indonésia de Sumatra, surgiram ondas de 10 metros de altura, que viajavam a 800 quilômetros por hora. A comoção diante da tragédia provocou uma mobilização mundial. Nações de todo o globo enviaram dinheiro, donativos e volun- tários com rapidez sem precedentes. NATUREZA EM FÚRIA JAPÃO O DESASTRE QUE GEROU UM ALERTA NUCLEAR No dia 11 de março de 2011, o Japão sofreu o maior terremoto de sua história. O abalo de 9 pontos na escala Richter teve seu epi- centro no oceano Pacífico, a 67 quilômetros da costa nordeste, provocando um tsunami devastador. As ondas viajaram a 800 quilô- metros por hora, arrastando carros, barcos e edifícios. Cidades como Sendai e Ishi ficaram submersas em meio aos escombros. Além de deixar pelo menos 9 mil mortos, o tsunami comprometeu o sistema de res- friamento da usina atômica de Fukushima. O superaquecimento dos reatores provocou explosões, e houve vazamento de material ra- dioativo. Enquanto milhares de desabrigados eram socorridos, o país ainda era ameaçado por uma catástrofe nuclear. [6] [7] [1][2][3][4][5] NEWTON VERLANGIER/ REVISTA MUNDO ESTRANHO [6] KYODO PRESS/ AP [7] DUDI ANUNG/ AP COSTA BRAVA Tsunami invade o litoral de Iwanuma, no norte do Japão, em março de 2011 CENÁRIO DESOLADOR A cidade de Meulaboh, na Indonésia, após a passagem do tsunami, em 2004 VEN DA P ROIB IDA 60 GE GEOGRAFIA 2018 3 HIDROSFERA BACIAS HIDROGRÁFICAS DO BRASIL O Brasil concentra mais de 10% da água doce disponível na superfície do planeta. Descubra os meandros das águas que percorrem nosso país Enquanto várias regiões do planeta são pouco privilegiadas em relação à disponibilidade de água, o Brasil não tem do que reclamar nesse quesito: nosso território concentra mais de 10% da água superficial disponível para consumo no mundo. Toda essa caudalosa riqueza está espalhada pelos milhares de rios que percorrem o país. A maioria desses rios nasce em regiões de altitude média – o Amazonas, que tem origem na cordilheira dos Andes, é uma das exceções. Uma característica importante é o predomínio de rios de planalto, o que permite bom aproveitamento hidrelétrico. O regime dos rios brasileiros é pluvial, ou seja, são alimentados pela água da chu- va (o Amazonas é exceção, pois também recebe neve derretida dos Andes). Em virtude da predominância do clima tro- pical no país, com bastante chuva, nossos rios são majoritariamente perenes (nunca secam). Desaguando no Oceano Atlântico ou em outros afluentes que correm para o mar, eles têm, em sua maioria, foz do tipo estuário: o canal se afunila, e as águas são lançadas livremente no oceano. Outro tipo de foz é o delta, em que aparecem ilhas na região do deságue. Há, ainda, a foz mista, como a do Amazonas. Apesar de a água ser abundante aqui no Brasil, o país não está livre do problema da falta de água. Isso porque as fontes na- turais são mal distribuídas pelo território e há uma crônica má administração dos recursos hídricos (veja mais na pág. 64). O vasto emaranhado de afluentes na- cionais está agrupado em oito grandes bacias hidrográficas. As bacias, por sua vez, reúnem-se em regiões hidrográficas para facilitar o planejamento ambiental e o uso racional dos recursos. Veja a se- guir cada uma das oito grandes regiões hidrográficas do Brasil. Território caudaloso Fonte: IBGE 1 32 4 8A 8B 8E 8D 8C6 5 7 1. Região hidrográfica da Amazônia Engloba a maior bacia hidrográfica do mundo, a Amazônica, com área de 3,8 milhões de quilômetros quadrados em terras brasileiras, o equivalente a cerca de 60% do total (os outros 40% distribuem-se nos territórios de Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana e Bolívia). Seu curso principal nasce no Peru, com o nome de rio Vilcanota, e recebe depois as denominações de Ucaiali, Urubamba, Marañón e Ama- zonas. Quando entra no Brasil, vira Solimões, até o encontro com o rio Negro; desse ponto até a foz, volta a se chamar Amazonas. Seus principais afluentes no Brasil são os rios Madeira, Tapajós e Xingu, na margem direita, e, na margem esquerda, Negro, Trombetas e Paru. Um estudo divulgado em 2008 pelo Inpe mostrou que o rio Amazonas é o maior do mundo: o rio brasileiro tem 6.992 quilômetros de extensão, superando o rio Nilo, com 6.852 qui- lômetros. A confirmação desses dados, contudo, ainda depende da aceitação de instituições geográficas internacionais. A bacia Amazônica tem mais de 20 mil quilômetros de rios navegáveis. Hidrovias como a do Rio Madeira, que opera de Porto Velho a Itacoatiara, ser- vem de escoadouro para a produção agrícola do Centro-Oeste. 2. Região hidrográfica dos rios Tocantins-Araguaia Ocupando 921 mil quilômetros qua- drados, essa área é definida pela bacia do Rio Tocantins. Ele nasce em Goiás e desemboca na foz do Rio Amazonas. Parte de seu potencial hidrelétrico é aproveitada pela usina de Tucuruí, no Pará. Já o Rio Araguaia nasce em Mato Grosso, na divisa com Goiás, unindo-se ao Rio Tocantins no extremo norte do estado do Tocantins. 3. Região hidrográfica do Rio São Francisco Possui uma área de 638 mil quilô- metros quadrados e seu principal rio é o São Francisco, com cerca de 2,7 mil quilômetros de extensão. O Velho Chico VEN DA P ROIB IDA 61GE GEOGRAFIA 2018 SAIBA MAIS BACIAS HIDROGRÁFICAS Uma bacia hidrográfica compreende as águas superficiais (lagos, rios e seus afluentes e suba- fluentes, além do escoamento das águas das chuvas) e também as águas subterrâneas. Em geral, as bacias hidrográficas são exorreicas, ou seja, suas águas escoam para os mares ou oceanos. As bacias endorreicas (aquelas em que as águas escoam para lagos ou pântanos) são menos frequentes. A foz é onde o rio de- ságua – ela pode ser em estuário, se desem- boca no mar em um único canal, ou em delta, quando é formado por vários canais do leito do rio. Veja na imagem ao lado os principais elementos da bacia hidrográfica. nasce em Minas Gerais e percorre os estados da Bahia, de Pernambuco, Ala- goas e Sergipe até a foz, na divisa entre esses dois últimos estados. É o maior rio totalmente localizado em território brasileiro, sendo essencial para a eco- nomia das localidades que percorre – grande parte localizada em região semiárida – , pois permite a atividade agrícola em suas margens e oferece condições para a irrigação artificial de áreas mais distantes. Essa, inclusive, é uma das questões em debate em torno do projeto de transposição das águas do São Francisco (veja mais na pág. 64). 4. Região hidrográfica do Rio Parnaíba Segunda principal região hídrica do Nordeste, atrás da região do São Francisco, ocupa uma área de 333 mil quilômetros quadrados, entre os esta- dos do Ceará, Maranhão e Piauí. Ao desaguar no oceano Atlântico, fazendo a divisa do Piauí com o Maranhão, o Rio Parnaíba forma um delta oceânico. A piscicultura é a principal atividade econômica praticada no rio. 5. Região hidrográfica do Rio Paraná Abrangendo uma das áreas com o maior desenvolvimento econômico do país, a região da bacia do Paraná tem cerca de 880 mil quilômetros quadrados. O Rio Paraná, com quase 3 mil quilô- metros de extensão, nasce na junção dos rios Paranaíba e Grande, na divisa entre Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo. Essa bacia apresenta o maior aproveitamento hídrico do Brasil, abri- gando hidrelétricas como a de Itaipu. Afluentes do Paraná, como o Tietê e o Paranapanema, também têm grande potencial para gerar energia. Ahidrovia Tietê-Paraná é a mais antiga do país. 6. Região hidrográfica do Rio Paraguai É constituída pela bacia brasileira do Rio Paraguai, abrigando a grande planí- cie do Pantanal Mato-Grossense. Com sua nascente em território brasileiro, na Serra do Araporé, próximo de Cuiabá (MT), o Rio Paraguai ocupa uma região de 363 mil quilômetros quadrados no Brasil, correspondente a cerca de um terço da área total, e inclui também Argentina, Bolívia e Paraguai. Seus rios são muito usados para a navegação e para o consumo animal. 7. Região hidrográfica do Rio Uruguai Com cerca de 274 mil quilômetros quadrados, é constituída pela parte brasileira da bacia do Uruguai, rio que surge da união dos rios Pelotas e Ca- noas. Tem grande importância tanto pelo potencial hidrelétrico como pela concentração de atividades agroindus- triais na região. 8. Região hidrográfica do Atlântico Trata-se de um conjunto de várias pe- quenas e médias bacias costeiras forma- das por rios que deságuam no Atlântico, exceto os do Amapá, que fazem parte da região hidrográfica Amazônica. São cinco regiões: a) A Atlântico Nordeste Ocidental, de 274 mil quilômetros quadrados, abri- ga os rios situados entre a foz do Gurupi (divisa Pará-Maranhão) e a do Rio Parnaíba (divisa Maranhão- -Piauí). b) A Atlântico Nordeste Oriental, de 286 mil quilômetros quadrados, fica entre a foz do Parnaíba e a do São Francisco, na divisa entre Alagoas e Sergipe. c) A Atlântico Leste, com 388 mil qui- lômetros quadrados, vai da foz do São Francisco ao Rio Mucuri (extremo sul da Bahia). d) A Atlântico Sudeste, com 215 mil quilômetros quadrados, vai do Mu- curi à área da divisa entre São Paulo e Paraná. e) Por fim, a Atlântico Sul abrange as bacias dos rios Itajaí, Capivari e aquelas ligadas ao Rio Guaíba e ao sistema lagunar do Rio Grande do Sul, somando 187 mil quilômetros quadrados de área.VEN DA P ROIB IDA 62 GE GEOGRAFIA 2018 3 HIDROSFERA ESCASSEZ HÍDRICA NO MUNDO Se hoje uma a cada nove pessoas no mundo não tem acesso à água potável em quantidade necessária para garantir sua saúde, é porque a ação do homem está interferindo direta- mente nessa relação entre a oferta e a demanda de água potável. O aumento populacional, o consumo crescente, o desperdício, a contaminação dos mananciais e as alterações climáticas exercem grande pressão sobre as fontes de abastecimento de água. A população mundial saltou de 2,5 bilhões de pessoas em 1950 para mais de 7 bilhões atualmente. E esse acelerado crescimento demográfico não signifi- ca apenas maior consumo de água em nossas casas. Com mais gente no mun- do, nossa sociedade precisa aumentar a produção no campo para produzir alimentos e na indústria para gerar os bens que consumimos. Como o de- senvolvimento industrial e agropecuá- rio é hoje responsável pelo consumo de 90% de toda a água utilizada pela huma- nidade, é possível ter uma dimensão da pressão que esse aumento populacional exerce sobre as fontes hídricas. O mundo tem sede Entenda como a ação do homem pressiona as fontes de água e provoca disputas pelo controle de bacias hidrográficas no mundo PARA IR ALÉM O documentário Ouro Azul – As Guerras Mundiais pela Água, de Sam Bozzo, trata, por meio de entrevistas com especialistas de diversos países, da escassez hídrica em várias regiões do mundo e dos conflitos que podem surgir em razão da falta de água, com sérias implicações geopolíticas. USO HUMANO DA ÁGUA Subterrânea e superficial Industrial 21% Agricultura 69% Doméstico 10% Fonte: National Geographic Disputas por água À medida que um bem tão essencial para a vida humana começa a se esgo- tar, as disputas pelas fontes hídricas tornam-se mais frequentes. O maior foco de tensão é a exploração de rios e bacias hidrográficas que se espalham pelos territórios de diferentes países. Quais nações têm direito ao controle dessas águas? Qual é a forma mais justa de compartilhar os recursos hídricos? Como não há resposta simples a es- tas perguntas, as disputas envolvendo o controle de reservas hídricas já estão se tornando uma realidade em diversos lugares do mundo. Na Bacia do Rio Nilo, por exemplo, a construção de uma hi- drelétrica pelo governo da Etiópia pode afetar o fluxo de água para outras nove nações africanas. Da mesma forma, uma barragem construída pela Turquia na Bacia do Tigre e do Eufrates é criticada pelas autoridades da Síria e do Iraque por diminuir a vazão desses rios. Por sua vez, o governo chinês também está erguendo hidrelétricas no Rio Mekong, afetando o abastecimento de água para países como Índia, Laos, Camboja e Vietnã. PESCARIA PREJUDICADA No distrito de Long Phu, no Vietnã, a seca e a construção de barragens pela China afetam o fluxo de água do Rio Mekong VEN DA P ROIB IDA 63GE GEOGRAFIA 2018 SAIBA MAIS PEGADA HÍDRICA E ÁGUA VIRTUAL Além da água que consumimos diretamente todos os dias para beber, cozinhar os nossos alimentos e fazer a higiene pessoal, gastamos outras centenas de litros indiretamente. Tudo o que utilizamos no dia a dia, como roupas, alimentos e eletrodomésticos, precisou de água para ser produzido. Para identificar a quantidade real de água utilizada, foi criado o conceito de “pegada hídrica”, que mede o consumo da chamada “água virtual”. Em pro- dutos de origem animal, por exemplo, a maior parte da água virtual tem origem na produção da ração que alimenta a criação. A ÁGUA ESTÁ PRESENTE EM TUDO O QUE CONSUMIMOS Água virtual é a quantidade de água usada, direta ou indiretamente, na produção de algo. Veja quantos litros de água virtual existe em alguns produtos Fontes: R.L.Carmo, A.L.R.O.Ojima, R.Ojima e T.T.Nascimento; Hoekstra e Chapagain e Water Footprint Network 32 litros Microchip (2 g) 140 litros Xícara de café (125 ml) 10 litros Folha de papel A4 (80 g/m2) 2.000 litros Camiseta de algodão (250 g) 135 litros Ovo (40 g) 200 litros Copo de leite (200 ml) 2.325 litros Carne bovina (150 g) 720 litros Carne suína (150 g) 8.000 litros Par de sapatos de couro Em produtos de origem animal, a maior parte da água virtual tem origem na produção da ração que alimenta a criação Fonte: Comprehensive Assessment of Water Management in Agriculture, 2007 Escassez hídrica física Áreas onde o consumo humano já superou a capacidade de renovação natural, com extração de mais de 75% das águas das bacias hidrográficas Próximo da escassez hídrica física Mais de 60% do fluxo dos rios dessas bacias é usado, e a população deve enfrentar a escassez física em breve Sem dados disponíveis Escassez hídrica econômica Questões políticas e econômicas também limitam o acesso à água. Encontram-se nessa situação regiões em que menos de 20% da água disponível é aproveitada, enquanto os habitantes sofrem com desabastecimento por causa de conflitos ou falta de infraestrutura e saneamento Escassez hídrica pequena ou inexistente Ocorre em regiões ricas em recursos hídricos, com retirada inferior a 25% do total de água disponível A ÁGUA DOCE NO MUNDO Europa 7%Américas 46% Ásia 32% África 9% 12% Só o Brasil Oceania 6% ESCASSEZ HÍDRICA NO MUNDO STR/AFP VEN DA P ROIB IDA 3 64 GE GEOGRAFIA 2018 HIDROSFERA ESCASSEZ HÍDRICA NO BRASIL Acesso desigual Seja por aspectos climáticos ou má gestão dos recursos hídricos, o Brasil também enfrenta o problema da seca. Veja a situação no Nordeste e no Sudeste, duas das regiões mais afetadas atualmente M esmo concentrando cerca de 12% das reservas mundiais de água doce e sendo privilegiado por uma profusão de rios, o Brasil não está imune à escassez hídrica. Um dos problemas é que o precioso líquido não é distribuído de maneira uniforme pelo território nacional. Os estados do Norte, com somente 8% da população, têm quase 70% das reservas hídricas. Em compensação, o Nordeste, que concentra 28% da população, possui apenas 3% da água disponível e é a região mais afetada pela seca no país. No Nordeste,a escassez hídrica está diretamente relacionada com o clima semiárido do sertão. A presença de uma massa quente e seca que estacio- na na região durante longos períodos é responsável pela falta de chuvas. Alguns fenômenos climáticos sazonais, como a ocorrência do El Niño, podem agravar ainda mais a situação (veja mais na pág. 76). A seca no Nordeste é um fenômeno constatado desde o período colonial. Portanto, as autoridades ao longo das últimas décadas já poderiam ter desenvolvido políticas públicas eficazes para minimizar os efeitos da baixa pluviosidade. Con- tudo, a construção de açudes, que permitem tornar perenes os rios intermitentes, e projetos de irrigação durante muitos anos beneficiou apenas grandes latifundiários em detrimento da popu- lação mais duramente castigada – atitude que ajudou a cunhar o termo “indústria da seca”, ao perpetuar os problemas decorrentes da estiagem. A transposição do Rio São Francisco Atualmente, a principal obra do governo federal para combater os efeitos da seca é a transposi- ção do Rio São Francisco. Iniciadas em 2007, as obras têm como objetivo desviar uma pequena parcela de seu volume por meio de dutos e canais que devem abastecer rios menores e açudes que secam durante a estiagem no semiárido nordes- tino. O governo acredita que a obra beneficiará 12 milhões de pessoas e estimulará a agricultura nas áreas atingidas. Os críticos da transposição, porém, acreditam que poços profundos e cister- nas (que são reservatórios para a captação de água da chuva) são alternativas mais eficazes e baratas para combater a seca, além de argumentar que PARA IR ALÉM O documentário Entre Rios, de Caio Ferraz, trata da urbanização de São Paulo, pelo viés dos cursos d’água, desde a primeira vila até os dias atuais: www.youtube.com/ watch?v=Fwh-cZfWNIc. VEN DA P ROIB IDA 65GE GEOGRAFIA 2018 o projeto não alcançará muitas comunidades e beneficiará principalmente os grandes fazendei- ros. Existe ainda o temor de que o projeto cause impactos ambientais no Rio São Francisco. Em março de 2017, o eixo leste da obra foi inaugurado, levando as águas do “Velho Chico” para cidades de Pernambuco e da Paraíba. O go- verno anunciou que a obra será concluída ainda em 2017 (veja o mapa na pág. ao lado). A crise hídrica nas grandes metrópoles Nem mesmo o Sudeste, caracterizado pela gran- de presença de umidade, está imune à escassez de água. Uma grave crise hídrica atingiu todos os es- tados da região em 2014 e 2015 e foi especialmente aguda em São Paulo e sua região metropolitana. Responsável pelo abastecimento de 8,8 milhões de pessoas, o Sistema Cantareira quase entrou em colapso, e o governo estadual foi obrigado a utilizar o chamado volume morto – uma reserva técnica que fica abaixo das comportas das represas. Ainda que a estiagem tenha contribuído para agravar a situação, a crise reflete a falta de plane- jamento e investimentos no sistema de abasteci- mento de água. Por isso, apesar de o pior da crise já ter sido superado, o setor ainda apresenta sérios problemas estruturais. Veja alguns dos principais entraves que o setor enfrenta na região: � MANANCIAIS São todas as fontes de água, superficiais ou subterrâneas, que podem ser usadas para o abastecimento das populações. Isso inclui, por exemplo, rios, lagos, represas e lençóis freáticos � Há pelo menos duas décadas, especialistas em recursos hídricos alertam que as regi- ões metropolitanas devem criar medidas para atender ao aumento da demanda de água nessas regiões, fruto do crescimento populacional. Entretanto, as obras para aumentar a captação, o tratamento e a dis- tribuição de água não foram realizadas ou foram feitas em ritmo muito abaixo do que seria necessário. � A lentidão ou a conivência do poder pú- blico na questão da ocupação das áreas de mananciais reduziu a capacidade de re- posição da água em grandes reservatórios, como o da Cantareira e do Alto Tietê. Essa ocupação, fruto do crescimento desordenado das cidades, ocorreu com a implantação de áreas residenciais e comerciais (agrícolas e industriais), provocando desmatamento, im- permeabilização do solo e poluição das águas. � Há fortes críticas de diversos setores da sociedade sobre o modelo de gestão públi- co-privada dos recursos hídricos. Em São Paulo, a Sabesp é uma empresa de capital misto (51% sob controle do Estado e o res- tante pertence a investidores privados), com ações negociadas na bolsa de valores. Esse modelo concretiza, portanto, a con- cepção da água como mercadoria voltada para a obtenção de lucro, e não como um bem universal e direito de todos. � A lentidão ou inexistência de programas de despoluição das águas dos rios e lagos em áreas urbanas restringe as fontes de água para o abastecimento público. A coleta de esgoto, serviço cobrado pelas empresas que fazem a distribuição da água, atende apenas a 65% da população (veja mais na pág. 66). SÓ A CARCAÇA O município de Olho d'Água do Casado (AL) é um dos mais atingidos pela severa estiagem que castiga o sertão do Nordeste: sem água, agricultores perdem a lavoura e o rebanho TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO 0 100 Escala (em km) 50 PERNAMBUCO BAHIA CEARÁ ALAGOAS SERGIPE PARAÍBA Ri o Pi ra nh as -A çu Oceano Atlântico Rio Brígida Ri o M ox ot ó Rio Paraíba Rio do Pe ixeR io Ja gu ar ib e R io S al g ad o Ri o Ap od i Eixo Norte* 99 m3/s Eixo Leste* 28 m3/s Cabrobó RIO G. DO NORTE Rio São Francisco Locais de captação Canais em construção Rios receptores * Vazão máxima Floresta ADOLFO SANTOS SONTERIA/FOLHAPRESS VEN DA P ROIB IDA 3 66 GE GEOGRAFIA 2018 HIDROSFERA POLUIÇÃO HÍDRICA A pesar da evidente importância da água para a nossa sobrevivência e para as inúmeras atividades humanas, como produção de alimentos, lazer e transporte, um dos maiores desafios ambientais da atualidade diz respeito à contaminação das fontes hídricas. A poluição das águas é causada, sobretudo, pelo lançamento de dejetos industriais e agrícolas, esgoto doméstico e resíduos sólidos. Isso com- promete a qualidade das águas superficiais e subterrâneas em inúmeros pontos do planeta. Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), 663 milhões de pessoas ainda consomem água imprópria e em torno de 2,4 bilhões de pessoas não possuem esgotamento sanitário – um terço da população mundial. Além de indisponibilizar mananciais que poderiam ser utilizados para o consumo de água potável pela população, a contaminação das águas está relacionada à transmissão de diferentes tipos de doenças que, juntas, causam 1,5 milhão de mortes por ano no mundo – as maiores vítimas são as crianças de países pobres e em desenvolvimento. Os ecossistemas também são gravemente afetados pela poluição hídrica, Águas turvas A contaminação das fontes hídricas, que deteriora os ecossistemas e provoca milhares de mortes no mundo, é um dos grandes desafios ambientais da atualidade COLETA DE ESGOTO NO BRASIL (2015)* Percentual de domicílios atendidos NorteBrasil Nordeste Centro- Oeste Sudeste Sul Fonte: PNAD 2015 *Ligados na rede geral, com e sem fossa séptica 65,3% 22,6% 42,9% 53,2% 88,6% 65,1% ESGOTAMENTO SANITÁRIO NO MUNDO (2015) População com o mínimo de condições, em faixas de % por país Fonte: Organização Mundial da Saúde 91–100% 76–90% 50–75% menos de 50% sem dados que compromete a fauna e a flora aquática. Veja a seguir as principais atividades humanas responsáveis pela poluição das águas. A precariedade do saneamento básico A falta de coleta e tratamento de esgotos in- dustriais e domésticos, sobretudo nas grandes áreas urbanas, representa uma séria ameaça a rios, lagos e represas. Esses ambientes sofrem o fenômeno conhecido como eutrofização: os esgotos domésticos, ricos em matéria orgânica, quando são lançados na água, geram um excesso de nutrientes que provoca o crescimento acele- rado de plantas e algas aquáticas.Estas, por sua vez, impedem a passagem de luz e a transferência de oxigênio para o meio aquático, favorecendo o desenvolvimento de bactérias anaeróbias. No Brasil, de acordo com dados do IBGE de 2015, eram atendidos com coleta de esgoto por rede canalizada 44,5 milhões de domicílios, nos 5.570 municípios do país – o que representa 65,3% do total. Ou seja, um terço das residên- cias brasileiras não são atendidas por serviços de coleta de esgoto. Segundo o Instituto Trata Brasil e o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), em 2014 apenas 12 dos 100 maiores municípios brasileiros haviam cumprido as exigências do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB), que prevê ações de abastecimento de água, tratamento de esgotos, coleta e tratamento de resíduos sólidos e manejo das águas pluviais urbanas. Nota-se, ainda, grandes disparidade entre as regiões quanto à coleta de esgoto (veja o gráfico abaixo).VEN DA P ROIB IDA 67GE GEOGRAFIA 2018 Descarga no mar de dejetos industriais e urbanos Área poluída pela circulação de petróleo Mares e lagos poluídos Mares e lagos bastante poluídos OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO OCEANO PACÍFICO OCEANO ÍNDICO OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO Gr ee nw ic h Círculo Polar Antártico Trópico de Câncer Trópico de Capricórnio Equador OCEANO GLACIAL ÁRTICO Círculo Polar Ártico 0 2.500 5.000 km N POLUIÇÃO DAS ÁGUAS (2007) Fonte: ilustração de Alex Argozino, baseado em mapa publicado no Atlas Geográfico: Espaço Mundial (Editora Moderna). CONTAMINAÇÃO INTEROCEÂNICA O uso de adubos químicos nas lavouras, que é escoado no litoral, e a deposição de material não biodegradável respondem por grande parte da poluição nas áreas costeiras. Veja também como o transporte marítimo deixa um rastro de petróleo por onde passam os cargueiros. � COMMODITIES São produtos de origem mineral (petróleo, minério de ferro, alumínio, entre outros) ou agrícola (soja, milho, algodão, etc.) negociados nas bolsas de valores no mercado internacional SAIBA MAIS A CATÁSTROFE DO MAR DE ARAL Além de contaminar os mananciais, a agroindústria também provoca enorme desperdício de água. Quando mal planejada, a irrigação pode dar origem a catástrofes ambientais extremas. É o que aconteceu no Mar de Aral. Encravado entre o Uzbequistão e o Cazaquistão, na Ásia Central, o Aral ocupava uma área de 68 mil quilômetros quadrados – pouco maior que o estado do Rio de Janeiro. O desastre começou a se formar nos anos 1960, com o desvio dos rios Amu e Syr para irrigar as lavouras da antiga União Soviética. Passados quase 50 anos, o Aral perdeu 90% do volume de água. Entre outras consequên- cias, o recuo ampliou as áreas desérticas e o processo de salinização decorrente da irrigação mal planejada diminuiu drasticamente a flora e a fauna locais. Em 2014, a parte oriental do Mar de Aral secou completamente. 1977 2016 NASA A deposição de lixo e vazamentos nos oceanos Os oceanos são os principais “corredores” do transporte mundial de mercadorias e matérias- -primas. Os milhares de navios cargueiros e de pesca industrial provocam, nas rotas mais utili- zadas, a poluição das águas com vazamentos de combustíveis e deposição de lixo (veja o mapa). Outras fontes de resíduos sólidos nos oceanos, principalmente de plásticos e outros materiais não biodegradáveis, são as cidades litorâneas e a descarga de rios poluídos nas águas oceânicas. Os vazamentos de petróleo que ocorrem com certa frequência nos poços explorados no assoa- lho oceânico também estão entre as principais fontes poluidoras dos oceanos. O uso de adubos químicos e de agrotóxicos na produção agrícola A agricultura comercial, voltada para a produ- ção de commodities comercializadas em escala global, utiliza toneladas de adubos químicos para aumentar a produtividade e de produtos tóxicos para controlar a proliferação de pragas (insetos, doenças e plantas indesejadas) nas lavouras. Além de contaminar os solos (veja mais na pág. 44), o uso desses produtos dá origem ao pro- cesso de fertilização artifi cial das águas de rios, lagos e oceanos com nutrientes, principalmente nitrogênio e fósforo. É o mesmo fenômeno da eutrofi zação, verifi cado na poluição por esgoto doméstico. Estudos mostram que o Aquífero Guarani, um dos maiores reservatórios de água doce do mundo, apresenta elevado grau de con- taminação por agrotóxicos. VEN DA P ROIB IDA 68 GE GEOGRAFIA 2018 COMO CAI NA PROVA3 1. (Unesp 2017) A Pegada Hídrica é uma ferramenta de gestão de recursos hídricos que indica o consumo de água doce com base em seus usos direto e indireto. “Precisamos desconstruir a percepção de que a água vem apenas da torneira (um uso direto) e que simplesmente consertar um pequeno vazamento é o bastante para assumir uma atitude sustentável”, ressalta Albano Araujo, coordenador da Estratégia de Água Doce da Nature Conservancy. www.wwf.org.br. Adaptado Considerando o excerto e os conhecimentos acerca do consumo de água no planeta, é correto afi rmar que o uso indireto de água doce corresponde a) à comercialização de água sob a forma de produto fi nal. b) ao emprego de água extraída de reservas subterrâneas para o abastecimento público. c) à quantidade de água utilizada para a fabricação de bens de consumo. d) ao aproveitamento doméstico da água resultante de processos de despoluição. e) à distribuição de água oriunda de represas distantes do consumidor fi nal. RESOLUÇÃO O consumo direto da água está relacionado ao uso do líquido para ações como beber, cozinhar e lavar. No entanto, para dimensionar com maior precisão o consumo de água no mundo, é preciso levar em consideração o uso indireto do líquido, ou seja, a quantidade de água que foi utilizada para a produção e consumo de bens e serviços – só a agricultura e a indústria são responsáveis por 90% do uso da água em todo o mundo. A água usada, direta ou indiretamente na produção de bens e serviços, também é chamada de água virtual. Resposta: C 2. (UEL 2017) \ Disponível em:<http://projects.inweh.unu.edu/inweh/inweh/content/3128>. Acesso em: 30 jul. 2016. Com base no mapa acima e nos conhecimentos sobre a bacia hidrográfi ca do Rio São Francisco, ou do “Velho Chico”, como é conhecido, responda aos itens a seguir. a) Descreva duas características físicas que conferem importância econômica e social a esse contexto geográfi co. b) Cite uma das problemáticas ambientais e analise suas implicações para os diferentes usuários do “Velho Chico”. RESOLUÇÃO a) O Rio São Francisco é perene, ou seja, ele dispõe de água durante todo o seu percurso, nunca secando, mesmo nos períodos de maior estiagem. O “Velho Chico” nasce em Minas Gerais na Serra da Canastra (área de clima tropical de altitude), percorre cinco estados e atravessa o Sertão do Nordeste com clima semiárido. A bacia é margeada por diferentes biomas – Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, além de biomas costeiros e insulares –, o que lhe confere grande diversidade ambiental. Devido a essas características, o rio possibilita grande aproveitamento econômico e exerce importante papel social. É vital para o abastecimento humano de água, a agricultura irrigada, o transporte (hidrovia) e a geração de energia (hidrelétricas). b) A bacia hidrográfi ca do Rio São Francisco sofreu intensa degradação ambiental nas últimas décadas. Entre os problemas: lançamento de esgotos domésticos sem tratamento, deposição de resíduos industriais, despejo de lixo, lançamento de resíduos de mineração, devastação das matas ciliares e assoreamento. Assim, é fundamental investir na revitalização da bacia do São Francisco, inclusive para viabilizar no médio e longo prazo os benefícios do projeto de transposição. 3. (Mackenzie 2014) RISCO DE ESCASSEZ DE ÁGUA EM DIFERENTES PAÍSES DO MUNDO Fonte: http://www.mlit.go.jp/english/2006/c_l_and_w_bureau/01_worldwater/ Diferentes estudos avaliam o potencial risco da escassezde água no mundo. De um modo geral, esses estudos comparam a oferta de água doce disponível aos diferentes tipos de consumo pelas sociedades humanas. Além disso, são feitas estimativas de crescimento demográfi co e econômico para se estabelecer o grau de segurança futura para cada país ou região. Com base nessas informações e seus conhecimentos a respeito do tema, considere as afi rmações: I. O baixo risco de escassez no Egito, Sudão e Líbia se justifi ca pela abundância de água do Nilo, cuja bacia detém o maior volume d’água do continente africano. II. A região metropolitana de São Paulo tem riscos devido ao desperdício, os vazamentos na distribuição, o comprometimento dos mananciais e o elevado consumo, apesar da situação relativamente confortável do Brasil em relação a países como Índia e Peru. VEN DA P ROIB IDA 69GE GEOGRAFIA 2018 III. A Europa Oriental, a China e o México apresentam riscos de escassez maiores do que o Brasil, em razão de consideráveis contingentes populacionais em áreas urbanas e produção industrial diversifi cada, setores que consomem mais água do que a agropecuária em todo o mundo. Assinale a alternativa correta. a) Apenas a afi rmação I está correta. b) Apenas a afi rmação II está correta. c) Apenas a afi rmação III está correta. d) Apenas as afi rmações I e II estão corretas. e) Apenas as afi rmações II e III estão corretas. RESOLUÇÃO A afi rmação I está incorreta. O risco de escassez nas áreas citadas é elevado em razão da presença do clima desértico na região, exemplifi cado pela presença do extenso Deserto do Saara. Além, disso o Rio Nilo, embora não seja um rio intermitente, não é garantia de abastecimento aos países assinalados. A construção de barragens ao longo de seu curso para a geração de energia hidrelétrica também pode afetar o fl uxo das águas do Nilo para os países da região. A afi rmação II é correta, pois aponta os problemas que prejudicam a oferta de água da região metropolitana de São Paulo, onde ocorrem desperdício e ocupação irregular dos mananciais, diminuindo a oferta de água. A afi rmação III é incorreta. Apesar de apontar adequadamente que os riscos de escas- sez hídrica na Europa Oriental, na China e no México são maiores do que no Brasil, o setor que mais consome água em escala mundial é o agropecuário e não o industrial. Resposta: B � SAIBA MAIS GRANDES RESERVATÓRIOS DE ÁGUA MUNDO Veja a seguir quais são as principais bacias hidrográficas do mundo: 1. Yukon 2. Mackenzie 3. Nelson 4. Mississipi 5. St. Lawrence 6. Amazônica 7. Paraná 8. Níger 9. Bacia do Lago Chade 10. Congo 11. Nilo 12. Zambezi 13. Volga 14. Ob 15. Yenisey 16. Lena 17. Kolyma 18. Amur 19. Ganges e Brahmaputra 20. Yangtze 21. Murray Darling 22. Huang He 23. Indo 24. Tigre e Eufrates 25. Danúbio 26. Orange RESUMO Hidrosfera HIDROSFERA É o conjunto de toda a água presente no planeta, que corresponde a cerca de 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos e cobre mais de 70% da superfície do globo. CICLO HIDROLÓGICO É o processo pelo qual a água circula entre a superfície da Terra e a atmosfera. A energia solar pro- voca a evaporação da água, que passa para o estado gasoso e chega à atmosfera. Esse vapor de água se transforma em nuvem, que se condensa, dando origem às chuvas. As gotas de água atingem os continentes e são escoadas para rios, lagos e oceanos e também se infiltram no solo. ÁGUA SALGADA A água salgada representa 97,5% de toda a hidrosfera. Esse volume se divide em oceanos e mares. Os oceanos são grandes áreas de água salgada delimitadas pelos continentes. Os mares são blocos menores de água e são classificados conforme sua relação com os oceanos. Podem ser de três tipos: abertos, continentais e fechados. ÁGUA DOCE Apenas 2,5% de toda a hidrosfera corresponde a água doce. Desse total, quase 70% estão congelados em geleiras ou calotas polares. O volume de água disponível para o consumo humano, presente em lençóis subterrâneos, lagos e rios, não chega a 1% da hidrosfera. BACIAS HIDROGRÁFICAS DO BRASIL O território brasileiro concentra mais de 12% da água doce superficial do planeta. O Brasil apresenta oito grandes regiões hidrográficas: Amazô- nica (a maior do mundo), dos rios Tocantins-Araguaia, do São Francisco, do Rio Parnaíba, do Rio Paraná, do Rio Paraguai, do Rio Uruguai e do Atlântico. ESCASSEZ DE ÁGUA A distribuição de água no planeta é irre- gular, com regiões onde há abundância (como a Amazônia) e outras que sofrem com a escassez (como trechos da África). Cerca de 2,4 bilhões de pessoas não têm acesso à água limpa. Isso se deve principalmente ao mau gerenciamento das fontes naturais, como a ocupação ilegal dos mananciais. Além disso, há uma superexploração das reservas hídricas. Somente a agricultura consome 69% da água doce disponível – a indústria absorve 21% e o uso doméstico representa 10%. ESCASSEZ DE ÁGUA NO BRASIL A água por aqui é abundante, mas mal distribuída. O Nordeste tem 28% da população, mas apenas 3% da água disponível. Atualmente, as regiões Nordeste e Sudeste enfrentam grave escassez hídrica em função da falta de chuva e da má gestão das fontes de água. POLUIÇÃO DAS ÁGUAS Os rios e lagos são ameaçados pelo lançamento de dejetos industriais e agrícolas, esgoto doméstico e resíduos sólidos. Cerca de um terço da população mundial não dispõe de água suficiente para o saneamento básico. VEN DA P ROIB IDA 70 GE GEOGRAFIA 2018 ATMOSFERA 4 CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO� Camadas da atmosfera ..................................................................................72� Meteorologia .....................................................................................................73 � El Niño e La Niña .............................................................................................76 � Ciclone .................................................................................................................77 � Climas do mundo .............................................................................................78 � Climas do Brasil ................................................................................................80 � Poluição do ar ...................................................................................................82 � Aquecimento global ........................................................................................84 � Os efeitos das mudanças climáticas .........................................................86 � Energias renováveis .......................................................................................88 � Protocolo de Kyoto e Acordo de Paris .......................................................90 � Como cai na prova + Resumo .......................................................................92 “O conceito de aquecimento global foi criado pelos chineses e para os chineses com o objetivo de tornar a indústria dos Estados Unidos não competi- tiva.” A afirmação foi postada no Twitter em novembro de 2012 pelo magnata Donald Trump, o homem que, quatro anos depois, seria eleito presidente dos Estados Unidos (EUA). Con- siderado um cético das mudanças climáticas, Trump faz parte de um grupo de indivíduos que não acredita que a elevação da temperatura do planeta seja fruto da ação humana. De acordo com o novo presidente, as ações de contenção ao aquecimento global são um obstácu- lo para o desenvolvimento da economia dos EUA. Por isso, não causou surpresa a decisão de Trump de revisar o Plano de Energia Limpa, em março de 2017. Lançado pelo seu antecessor, Barack Obama, o plano restringia o uso de combustíveis fósseis nas usinas termelétricas dos EUA e era considerado o principal legado ambiental do ex-presidente. Com o decreto assinado por Trump, as usinas podem voltar a utilizar carvão, petróleo e gás sem restrições. Além disso, o presidente dos EUA revogou a moratória sobre a mineração e a construção de novas usinas de carvão. Essas decisões tendema impulsionar ainda mais a emissão de gases do efeito estufa pelos EUA. Outra preocupação dos ambientalistas diz respeito à promessa de Trump de retirar os EUA do Acordo de Paris, o pacto contra o aque- cimento global firmado por 195 países em 2015. O objetivo do acordo é limitar o aumento da temperatura no final deste século. Para isso, os países signatários se comprometeram a adotar medidas para reduzir a emissão de gases de efeito estufa, a principal causa da elevação da temperatura. O compromisso, no entanto, é voluntário e cada país define sua meta. A participação norte-americana no Acordo de Paris é vital para que o pacto tenha êxito. Primeiro, porque os EUA são um dos maiores poluidores globais. Além disso, o acordo prevê que os países ricos garantam um financiamento anual de 100 bilhões de dólares para as nações mais vulneráveis investirem em energias limpas – e a contribuição dos EUA é essencial. Neste capítulo, apro- fundamos a discussão acerca dos efeitos da ação humana sobre o aquecimento global e discutimos outros as- suntos referentes ao clima e à meteorologia do Brasil e do mundo. Ao assumir a presidência dos Estados Unidos, Donald Trump impulsiona o uso de combustíveis fósseis nas usinas termelétricas e ameaça abandonar o Acordo de Paris Um cético do clima no poder EFEITO TRUMP O presidente dos EUA, Donald Trump, apresenta o decreto que elimina as restrições ao uso de combustíveis fósseis pelas usinas norte-americanas, em março de 2017 VEN DA P ROIB IDA 71GE GEOGRAFIA 2018 CARLOS BARRIA/REUTERS VEN DA P ROIB IDA 72 GE GEOGRAFIA 2018 ATMOSFERA CAMADAS DA ATMOSFERA F oi da junção de duas palavras gregas, atmós (vapor) e sphaîra (esfera), que nasceu o nome da estrutura de gás que envolve um saté- lite ou planeta: a atmosfera. Na Terra, essa “esfera de vapores” é composta de diversas camadas e, em sua porção mais densa, chega a até 600 quilômetros de altitude a partir do nível do mar. É uma espessura considerável, mas quase ir- Vapor essencial Explore as diversas camadas da atmosfera, a invisível esfera de gás que envolve a Terra e garante a existência de vida no planeta risória se considerarmos o tamanho do globo terrestre, de aproximadamente 12,8 mil quilômetros de diâmetro. Mas, independentemente de sua espessura, a atmosfera é essencial para a vida. Além de conter o oxigênio que respiramos, ela mantém a Terra quente, protege os seres vivos dos raios ultravioleta vin- dos do Sol e funciona como um escudo contra meteoritos. Há vários critérios pelos quais pode- mos classifi car a atmosfera. A divisão mais conhecida, feita de acordo com as variações de temperatura conforme a altitude, reparte a atmosfera em cinco ca- madas distintas: troposfera, estratosfera, mesosfera, termosfera e exosfera. Veja as principais características de cada uma: AS CAMADAS DA ATMOSFERA MESOSFERA A camada mais fria da atmosfera fi ca entre 50 e 90 quilômetros de altitude. Sua temperatura diminui conforme subimos: parte de -15 0C na divisa com a estratosfera e chega a -120 0C. É onde ocorrem as estrelas cadentes. TROPOSFERA A camada inferior da atmosfera vai do nível do mar até cerca de 12 quilômetros de altitude. Sua temperatura atinge -60 ºC na parte superior. Nessa faixa acontece a maioria dos fenômenos climáticos. ESTRATOSFERA Vai até 50 quilômetros acima do nível do mar. Sua temperatura sobe com o aumento de altitude: começa em -60 ºC e vai até -15 ºC. É onde fi ca a camada de ozônio. TERMOSFERA Camada mais extensa da atmosfera, ela parte dos 90 e chega aos 600 quilômetros de altitude. Também é a mais quente: na parte superior, chega a 2.000 0C. É nessa faixa que orbitam os ônibus espaciais. FAIXAS DE TRANSIÇÃO Entre as camadas da atmosfera, há regiões fronteiriças que apresentam características de transição. São elas: a tropopausa, a estratopausa, a mesopausa e a termopausa. 600 km 2.000˚C 90 km -120˚C 50 km -15˚C 20 km -60˚C CAMADA DE OZÔNIO ESTRATOPAUSA TERMOPAUSA Balões meteorológicos Poluentes Refl exão das ondas de rádio Balões tripulados Monte Everest 8.844 m Nuvens geradas por explosões atômicas Aviões a jato Satélite artifi cial Estação espacial Cortinas iluminadas Estrelas cadentes [1] TROPOPAUSA MESOPAUSA EXOSFERA É a última camada da atmosfera, na fronteira com o espaço sideral. Nela, as moléculas tornam-se cada vez mais rarefeitas, libertando-se da gravidade terrestre. O fi nal da exosfera pode chegar a 10 mil quilômetros. As medições indicam que a temperatura dessa região fi que em torno de 1.600 0C.VEN DA P ROIB IDA 73GE GEOGRAFIA 2018 ATMOSFERA METEOROLOGIA A meteorologia é a ciência que estuda a atmos-fera terrestre e seus principais fenômenos. Trata-se de uma ciência muito complexa, já que a atmosfera é bastante extensa e instável. Mas o grau de precisão da previsão do tempo evoluiu muito desde a construção dos primeiros termômetros no século XVI. Os meteorologistas contam hoje com instrumentos como satélites, radares, boias marítimas e balões atmosféricos para estudar os mais variados fenômenos através da análise de dados em supercomputadores. Os boletins meteorológicos são essenciais para o controle do tráfego de aviões, para a agricultura, para o gerenciamento de recursos hídricos e para situações menos rotineiras, como a chegada de furacões. A seguir, confi ra um mapeamento dos principais fenômenos atmosféricos estudados pelos meteorologistas. Tudo o que vem do céu Conheça os fenômenos que movimentam a atmosfera terrestre e são objeto de estudo dos meteorologistas Nuvem É um agregado de gotículas de água, de cristais de gelo, ou uma combinação dos dois. As nuvens são formadas principalmente pelo movimento ascendente do ar úmido: o vapor-d’água conden- sa quando a temperatura diminui até o ponto de orvalho. Elas são classifi cadas em vários tipos, de acordo com o aspecto, a estrutura e a forma. Chuva É a precipitação de água em forma líquida, com gotas de diâmetro maior que 0,5 milímetro. Existem três tipos de chuva. A chuva de convecção é resultante da as- censão do vapor-d’água das partes mais baixas da atmosfera – mais aquecido, ele esfria e se condensa à medida que sobe. É o caso das pan- cadas de chuva que ocorrem durante o verão na região Sudeste do país. A chuva frontal é o resultado do encontro de duas massas de ar de diferentes temperaturas e umidades: a massa fria e seca empurra para cima a massa quente e úmida, que esfria e provoca a precipitação. Esse tipo de chuva é típico das regiões de clima temperado. A chuva orográfi ca ou de relevo ocorre quando a massa de ar sobe por causa de algum obstáculo de relevo, como uma montanha – a FECHOU O TEMPO Tempestade se aproxima de Queensland, na Austrália, trazendo chuvas intensas e descargas elétricas: fenômeno comum em regiões de clima tropical [2] [1] MKANNO/MULTISP [2] iSTOCK PHOTO VEN DA P ROIB IDA 74 GE GEOGRAFIA 2018 ATMOSFERA METEOROLOGIA queda de temperatura, na ascensão, provoca a condensação do vapor. Essa chuva é comum nas áreas próximas ao litoral do Nordeste e do Su- deste, que recebem massas úmidas do Atlântico. Neve, granizo e geada Um dos mais belos fenômenos atmosféri- cos, a neve é fruto da precipitação de cristais de gelo, geralmente agrupados em fl ocos, que são formados pelo congelamento do vapor- -d’água suspenso na atmosfera. O granizo, por sua vez, é o cristal de gelo que, por causa de fortes correntes ascendentes dentro da nuvem, acaba subindo e caindo várias vezes, até ganhar volume e se precipitar de vez. Por fi m, a geada nada mais é que orvalho congelado, que, sob a forma de uma fi ninha camada branca, cobre as superfícies onde cai. Vento Trata-se do deslocamento de ar, geralmente na horizontal, de um ponto de pressão atmosférica mais alta para outro onde ela é mais baixa. As diferenças de pressão, causadoras dos ventos, estão relacionadasà temperatura. A brisa nas regiões litorâneas é um bom exemplo disso: o continente e o mar concentram calor de ma- neiras diferentes, e isso faz o vento mudar de direção conforme o período do dia. Massa de ar Trata-se de um corpo de ar com características próprias de umidade, pressão e temperatura. Essas características dependem das diferentes regiões da superfície terrestre em que as massas se formam: caso ocorra nos polos, serão frias e secas; se se formarem nas áreas oceânicas tropicais, serão quentes e úmidas. A borda de uma massa de ar frio que avança em direção a outra mais quente, provocando quedas bruscas de temperatura, é chamada de frente fria. Trata-se de um mecanismo natu- ral da atmosfera para compensar diferenças de temperatura no planeta. Avançando com velocidades de até 30 km/h, o ar frio e seco, mais denso, empurra a massa quente e leve para cima. Se houver umidade sufi ciente, a passagem da frente causará chuvas intensas, com direito a granizo, raios e trovões. As mais severas podem provocar quedas de até 10 ºC em apenas uma hora. No Brasil, as regiões mais atingidas pelo fe- nômeno são a Sudeste e a Sul, onde também podem ocorrer geadas. Isso acontece porque, na América do Sul, a maioria das frentes frias se origina nas latitudes médias, ao extremo sul do continente. Com seu avanço, contudo, as frentes perdem energia e velocidade, e o contato VENTOS ALÍSIOS E A ZONA DE CONVERGÊNCIA A circulação dos ventos em escala global tem grande influência nos tipos de clima, sobretudo na circulação das massas de ar e, consequentemente, na formação e no volume das chuvas nas diferentes regiões do globo. Toda essa troca de ar entre as camadas mais baixas e mais altas da troposfera, bem como entre diferentes latitudes, dão origem a “células” de circulação do ar em escala global, denominadas células de Hadley. Nas baixas latitudes, em regiões próximas à linha do Equador, o ar tende a subir por ser mais aquecido e menos denso. No alto da troposfera, essas cor- rentes de ar são impulsionadas para latitudes maiores, próximas aos trópicos de Câncer e Capricórnio, onde se resfriam e tornam a descer para a superfície, em direção à região equatorial. Esses ventos, denominados alísios, são úmidos e provocam chuva. Os alísios sofrem um desvio em função do movimento de rotação da Terra: no Hemisfério Sul, eles vêm do sudeste e, no Hemisfério Norte, partem do nordeste. Esse fenômeno é conhecido como efeito de Coriólis. Nas latitudes maiores, ocorrem movimentos semelhantes, porém com sentido contrário ao da região intertropical. A faixa onde ocorre o encontro dos ventos alísios provenientes do Hemisfério Norte e do Hemisfério Sul é denominada Zona de Convergência dos Ventos Alí- sios. Essa faixa não está exatamente sobre a linha do Equador pois acompanha a variação das estações do ano: quando é verão no Hemisfério Norte, ele se forma mais ao norte e, ao contrário, move-se mais para o sul quando é verão nesse hemisfério. A Zona de Convergência, associada a outros fatores, como a temperatura das águas oceânicas e a circulação das massas de ar locais, pode favorecer a formação de chuvas, visto que é onde se encontram os ventos úmidos dos dois hemisférios na região intertropical. Veja na ilustração abaixo como são formados os ventos alísios: Células de Hadley Zona de camadas equatoriais NE Ventos alísios SE Ventos alísios 0º 30º 60º 60º 30º Células de Hadley com o solo quente reduz o frio das massas de ar. Por isso, é tão raro uma frente fria chegar até o Nordeste. Já a frente quente é a extremidade de uma massa de ar quente que se forma pela evaporação da água de correntes marítimas quentes – essas massas de ar elevam a temperatura e a umidade nas regiões que elas atingem. [1] VEN DA P ROIB IDA 75GE GEOGRAFIA 2018 SAIBA MAIS AS MASSAS DE AR QUE ATUAM NO BRASIL As massas de ar têm influência direta nos tipos de clima no Brasil. Devido à localização do país no globo, predominam as massas equatoriais e tropicais. Porém, no inverno ocorre a atuação da massa Polar Atlântica em grande parte do território brasileiro. Veja a seguir como se caracteriza cada uma dessas massas. [1] ALEX ARGOZINO A ATUAÇÃO DAS MASSAS DE AR NO BRASIL DURANTE O VERÃO E O INVERNO MASSAS DE AR ATUANTES 0 250 500 750 km Oceano Atlântico Oceano Atlântico AC AM RR PA AP RO MT MA TO PI CE BA MG GO MS SP PR SC RS RJ ES SE AL PE PB RN 0 250 500 750 km Oceano Atlântico Oceano Atlântico AC AM RR PAEC EA EA EC PA TATC TA AP RO MT MA TO PI CE BA MG GO MS SP PR SC RS RJ ES SE AL PE PB RN VERÃO INVERNO TA Tropical Continental Forma-se em uma região de clima tropical mais seco, no semiárido da região conhecida como Chaco, no Paraguai. Por isso, a massa Tropical Continental caracteriza-se como quente e seca. Ela atua durante o verão nas regiões Sul e Centro-Oeste, sendo responsável pela ocorrência de estiagens, sobretudo no oeste de Santa Catarina e do Paraná e no noroeste gaúcho. Tropical Atlântica Forma-se sobre o sul do Oceano Atlântico e é caracterizada como uma massa quente e úmida. Atua diretamente sobre a porção leste do Brasil nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, sendo responsável, por exemplo, pelas chuvas orográficas (de relevo) nas encostas das serras litorâneas, como a Serra do Mar, na Região Sudeste. Equatorial Continental Origina-se na região amazônica, onde as elevadas temperaturas e a umidade proveniente da evapotranspiração (liberação de água pelas plantas) e da evaporação de rios e lagos a tornam quente e úmida. Sua influência atinge grande parte do território nacional durante o verão no Hemisfério Sul, transferindo umidade da Floresta Amazônica para regiões de clima tropical e semiárido. No inverno no Hemisfério Sul, essa massa perde força e sua atuação se restringe à Região Norte. EC Equatorial Atlântica Esta massa também tem origem na região equatorial, mas ela surge sobre o Oceano Atlântico. O elevado índice de evaporação das águas quentes do Atlântico central torna esta massa de ar quente bastante úmida. De modo geral, a massa Equatorial Atlântica atinge a Região Norte e a faixa costeira da Região Nordeste. Sua incidência está relacionada à variação das estações: durante o verão do Hemisfério Sul encontra-se mais ao sul e, quando o Hemisfério Norte está no verão, desloca-se mais para o norte. EA TC Polar Atlântica Forma-se sobre o Oceano Antártico e sobre o extremo sul do Oceano Atlântico. Em sua origem, a massa Polar Atlântica é fria e seca devido aos baixos índices de evaporação da água nessas regiões oceânicas. À medida que se desloca para o norte e atravessa outras áreas do oceano, penetrando no continente, ela provoca chuvas com a formação de frentes frias. Com o avanço dessa massa polar, o ar úmido e mais quente (menos denso) que se encontra nas regiões por onde ela passa é forçado a subir, formando nuvens de chuva (chuvas frontais). Essa massa de ar pode chegar, ainda que com menor intensidade do que nas regiões Sul e Sudeste, até as regiões Norte e Centro-Oeste, onde a queda de temperaturas que ela provoca é denominada friagem pela população regional. Esse deslocamento até a Região Norte ocorre graças à configuração do relevo, com planícies ao centro (Planície Platina e do Chaco, por exemplo), uma cadeia de montanhas a oeste (Cordilheira dos Andes) e os planaltos brasileiros a leste, formando uma espécie de corredor para esta massa de ar. PA VEN DA P ROIB IDA 76 GE GEOGRAFIA 2018 ATMOSFERA EL NIÑO E LA NIÑA EFEITOS DOS FENÔMENOS EL NIÑO E LA NIÑA NA AGRICULTURA BRASILEIRA Região El Niño La Niña Norte Secas acentuadas, principalmente no leste da Amazônia: aumento do risco de incêndios florestais e prejuízos para a produção agropecuária. Tendência ao aumento de chuvas no norte e leste da Amazônia; chuvas normais no inverno, sem prejuízos à agropecuária. Nordeste Secas severas: perdas na agricultura, napecuária, na geração de energia elétrica e dificuldades para o abastecimento de água. Chuvas acima da média sobre a região semiárida, favorecendo a agricultura de subsistência e a pecuária. Centro-Oeste Sem efeitos evidentes, exceto tendência de aumento das chuvas no sul do MS, que favorecem a produção de grãos. Não há alterações significativas de temperatura e pluviosidade. Sudeste Leve aumento das temperaturas (redução das geadas, que prejudicam culturas como o café) e sem alterações significativas na pluviosidade. Não há alterações significativas de pluviosidade, com leve queda nas temperaturas no inverno, que não interferem na colheita da cana e do café. Sul Excesso de chuvas na primavera e começo de verão, no ano inicial do evento, e final de outono e começo de inverno. Beneficia as culturas de verão, como soja e milho. Chuvas abaixo do normal, com estiagens severas na parte oeste dos estados da região, prejudicando as culturas de verão, como soja e milho. A primavera seca favorece a produção de trigo. Fonte: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Presente de Natal Entenda os fenômenos do El Niño e de La Niña e de que forma eles afetam o clima mundial B atizado em referência ao Menino Jesus, por ocorrer em geral no fim do ano, à época do Natal, o El Niño (“o menino”, em espanhol) é um fenômeno de aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico les- te, na costa da América do Sul (para entender melhor, acompanhe o processo no infográfico). É denominado, pelos cientistas, de Enos, sigla para El Niño Oscilação Sul. O El Niño é fruto do enfraquecimento dos ventos alísios, que normalmente sopram de leste para o oeste pelo Pacífico 1 – isso faz que a água aquecida na região equatorial não seja levada em direção à Indonésia, como de costume. Com isso, as massas de ar quentes e úmidas ficam estacionadas na costa sul-americana, provocando chuvas intensas nessa área 2 e, ao mesmo tempo, seca na Indo- nésia, Austrália e em outras regiões. Na verdade, o clima de todo o planeta é alterado. O El Niño, que ocorre em média uma ou duas vezes a cada dez anos, também altera o ecossistema marinho. Como não há o deslocamento das águas quentes da superfície, as águas profundas, que são mais frias e carregadas de nutrientes, não conseguem vir à tona, na ressurgência 3– a população de peixes, por exemplo, diminui drasticamente 4. Há, ainda, o caso do La Niña, fenômeno oposto ao El Niño: em vez de as águas do Pacífico les- te se aquecerem, elas esfriam. Isso acontece porque os ventos alí- sios, que carregam a água quente para o oes- te, ficam mais intensos. Consequentemente, as águas quentes da su- perfície são deslocadas em maior quantidade para o oeste e mais água fria vem à tona 5. A temperatura do ocea- no diminui na região próxima à costa oeste da América do Sul, e o clima fica mais úmido na Austrália e Indoné- sia, por causa das mas- sas de ar quentes. ANO NORMAL ANO COM LA NIÑA Costa da Indonésia Costa da América do Sul Costa da Indonésia Costa da América do Sul Ventos alísios Ventos alísios mais fortes Oceano Pacífico Oceano Pacífico Fortes chuvas Água fria Água aquecida Ressurgência da água fria Forte ressurgência da água fria Água aquecida 1 3 ANO COM EL NIÑO Costa da Indonésia Costa da América do Sul Ventos alísios mais fracos Oceano Pacífico Água fria Água aquecida 2 4 5 [1]VEN DA P ROIB IDA 77GE GEOGRAFIA 2018 ATMOSFERA CICLONE De olho no ciclone Entenda como se forma a ventania arrasadora que pode deixar milhares de mortos O s ciclones são uma perturbação atmosférica no centro da qual a pressão é muito baixa, provo- cando ventos circulares com velocidade superior a 119 quilômetros por hora. Ele ocorre nas regiões tropicais, sobre os mares quentes, podendo causar grande destruição quando atinge o continente. Denominações Embora furacão, tufão e tornado se- jam palavras comumente usadas como sinônimos de ciclone, há uma pequena diferença entre elas. A distinção entre os termos refere-se mais a uma questão de localização. De modo geral, o ciclone que se forma sobre o Oceano Atlânti- co é chamado de furacão, enquanto o que se forma sobre o Oceano Pacífi co é conhecido como tufão. Por fi m, há o caso dos tornados, que surgem sobre o continente, após o choque de uma massa de ar quente com outra de ar frio – a ventania toma a forma de um cone invertido e sai num turbilhão ar- rasador com velocidades de até 500 quilômetros por hora. O desastre do ciclone Bhola Para quem já assistiu – e sobreviveu – à passagem de um ciclone, a experiência pode ser aterradora. Em Bangladesh, na Ásia, por exemplo, um desses turbilhões arrasou o país em 13 de novembro de 1970. O redemoinho nasceu no golfo de Bengala e avançou para a costa, criando ondas de até 6 metros. Elas invadiram a densamente povoada região do delta do Rio Ganges, matando cerca de 500 mil pessoas – 100 mil só na ilha de Bhola (nome que batizou o ciclone). Foi o pior desastre natural do século XX. Para nossa sorte, o Brasil não sofre com esse tipo de fenômeno. Tudo graças às baixas temperaturas das águas do Atlântico Sul. FAIXAS DE TEMPESTADE O FURACÃO POR DENTRO Olho AR QUENTE E ÚMIDO Uma densa nuvem cobre o furacão VENTO OESTEQuando as nuvens atingem cerca de 5 mil metros de altura, começa a chover. Nesse ponto, o ar seco ascendente encontra as nuvens, resfria-se, fi cando mais pesado, e desce pelo olho do furacão. Esse ar, ao chegar à superfície do mar, vai formar novas nuvens 4 O furacão começa com a combinação de dois fatores: ar quente e úmido e a água aquecida dos oceanos das regiões tropicais 127 ˚C O atrito das correntes de ar com a superfície do mar faz que os ventos e as nuvens girem de oeste para leste, no sentido de rotação da Terra. O ar mais quente vai subindo numa espiral pelo olho do furacão 3 As correntes de ar se aquecem em contato com a água, fi cam mais leves e sobem, formando as primeiras nuvens. Enquanto sugam energia das águas quentes, essas correntes vão circulando em direção ao olho do furacão – região de baixa pressão no centro 2 O ciclone passa a se deslocar quando ventos externos sopram na direção oeste em grande velocidade. Se ele chegar ao continente e encontrar a umidade do ar baixa, as nuvens se desfazem e – ufa! – o vendaval acaba 5 A tempestade começa com um emaranhado de nuvens… …que vai girando de modo coordenado… …até formar uma espiral de nuvens… …em torno do olho do furacão (zona de baixa pressão, no centro) e ganhar mais velocidade VEJA A SEGUIR COMO SE FORMA UM CICLONE [1] [2] MULTI/SP [2] VEN DA P ROIB IDA 78 GE GEOGRAFIA 2018 ATMOSFERA CLIMAS DO MUNDO O clima da Terra é influenciado por vários fatores, entre eles latitude, pressão atmosférica, altitude, relevo, vegetação, massas de ar, maritimidade (proximidade de um local em relação ao mar), continentali- dade (distância de um ponto em relação ao mar) e correntes marítimas. As áreas em torno da linha do Equa- dor, que recebem forte insolação, têm predominantemente clima equatorial, marcado por altas temperaturas e umi- dade. Já as regiões de latitudes mais elevadas, próximas aos polos, registram clima frio ou polar, com invernos rigo- rosos e temperaturas baixas. No mapa, você confere as mais impor- tantes correntes marítimas, os principais tipos de clima, segundo a classificação de Wilhelm Köpen, a mais aceita atu- almente, e as três principais zonas cli- máticas. Veja a seguir as características dos principais tipos de clima do planeta. Equatorial Quente e úmido durante o ano todo, está presente na região da linha do Equador e nas áreas de baixa latitude, Diversidade climática Conheça as características dos dez principais grupos de clima do planeta como a América Central, a Indoné- sia, a região central da África e o norte do Brasil. A umidade relativa do ar é elevada, com média anualde 90%, e a chuva é abundante durante o ano todo. A temperatura também é alta e estável, com média anual de 25 ºC. Tropical Fica nas áreas entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio, cobrindo grande parte do território brasileiro e do continente africano, Índia, Península da Indochina e norte da Austrália. O clima é quente, com média anual supe- rior a 20 ºC. As chuvas são intensas no verão e, no resto do ano, ocorrem mais nas regiões próximas ao mar. No Sudeste Asiático, destacam-se as chuvas de monções, tempestades torrenciais provocadas pelo vento úmido que sopra do oceano. Quando começa o verão, o continente se es- quenta rapidamente, formando uma zona de baixa pressão, e as massas de ar do oceano trazem as chuvas. Essa dinâmica, comum em outros pontos do planeta, tem maiores proporções nessa região em virtude da vastidão de terra (o continente asiático) e de mar (os oceanos Índico e Pacífico) envolvidas no fenômeno. Mediterrâneo É o clima predominante no sul da Europa. Os verões são quentes e secos – a temperatura chega a 30 ºC – e os invernos, moderados e com um pouco de chuva. As mínimas de temperatura podem atingir 0 ºC. Temperado Também de latitudes médias, o tem- perado está presente nas áreas da Amé- rica do Norte, da Europa e do leste da Ásia. No temperado continental, o inverno é muito rigoroso e o verão é quente – as médias de temperatura são -5 ºC e 24 ºC, respectivamente. As chu- vas são escassas, sobretudo no inverno. A continentalidade justifica a umidade relativa do ar mais baixa e a grande amplitude térmica anual nesses locais. Já o temperado oceânico está pre- sente no oeste e no noroeste da Europa. As chuvas são abundantes durante o Corrente fria Corrente quente CORRENTES MARÍTIMAS TIPOS DE CLIMA (adaptação da classificação de Köpen) Mediterrâneo Temperado Subtropical Semiárido Frio de montanha Tropical Desértico Frio Polar Equatorial ZONAS CLIMÁTICAS Polar Polar Intertropical Polar Polar Temperada Temperada MAPA MUNDIAL DO CLIMA E CORRENTES MARÍTIMAS DEU BRANCO Nevascas em países de clima temperado, como o Canadá, são comuns no inverno APONTE O CELULAR PARA AS PÁGINAS E VEJA VIDEOAULA SOBRE CLIMAS (MAIS INFORMAÇÕES NA PÁG. 7) VEN DA P ROIB IDA 79GE GEOGRAFIA 2018 ano, e as temperaturas não sofrem muita variação – os invernos são frios (média de -3 ºC) e os verões, frescos (média de 15 ºC). A proximidade com o mar (ma- ritimidade) é um fator que influencia a baixa amplitude térmica e as chuvas bem distribuídas durante o ano. Subtropical É outro clima de latitudes médias, que se caracteriza como uma faixa de transição entre os climas tropicais e os mais frios. Está presente nas regiões ao sul do trópico de Capricórnio (sul de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e na região leste dos Estados Unidos. A quantidade de chuva não varia muito durante o ano, mas as temperaturas mudam bastante: o inverno é frio e o verão, quente. Desértico Ocorre em regiões como o Saara, o centro da Austrália, norte do México e sul dos EUA. O índice pluviométrico é baixíssimo: a média anual de preci- pitação é inferior a 250 milímetros, o equivalente a aproximadamente um mês de chuva no clima equatorial. A umidade relativa do ar também é mui- to baixa, cerca de 40%. A amplitude térmica diária é elevada: de dia, a tem- peratura ultrapassa os 40 ºC e, à noite, chega a graus negativos. Semiárido Clima seco, presente na Ásia Central (Cazaquistão, no interior da China e Mongólia), na Patagônia e no planalto oeste das Montanhas Rochosas (EUA). A precipitação é escassa e irregular, com longos períodos de estiagem, não ultrapassando os 600 milímetros por ano. As temperaturas são elevadas du- rante o ano, com média entre 25 ºC e 27 ºC. No Brasil localiza-se no chamado Polígono das Secas. Frio de montanha Ocorre nas cadeias de montanhas ao redor do globo: áreas elevadas dos Andes, Montanhas Rochosas, Alpes e Himalaia. É um clima frio, com tem- peratura que diminui 6 ºC a cada mil metros de altitude. Acima dos 2 mil metros, há neve constante. A umidade relativa do ar varia conforme o lado da cadeia: a média é de 90% do lado do vento (barlavento), caindo para até 30% do lado contrário (sotavento). A quantidade de precipitação também é variável, chegando a 2 mil milímetros por ano nas regiões tropicais. Frio É o clima do norte do Canadá e da Sibéria, na Rússia. O inverno é bastante rigoroso e prolongado, com mínima de -15 ºC, e o verão, brando e curto, com temperatura máxima de 10 ºC. A precipitação é escassa, menos de 300 milímetros por ano. Polar É o clima com as menores temperatu- ras do planeta: no inverno, ela permane- ce em torno de -30 ºC e, no verão, a mé- dia é de 4 ºC. Está presente no extremo norte do Canadá, da Rússia e do Alasca, em parte da Península Escandinava e na Antártica. A umidade relativa do ar é alta, entre 70% e 80%, mas a precipi- tação, bastante reduzida: cerca de 100 milímetros de neve acumulados ao ano. ANTÁRTICA OCEANIA ÁFRICA EUROPA ÁSIA AMÉRICA OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO OCEANO PACÍFICO OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO OCEANO GLACIAL ÁRTICO OCEANO ATLÂNTICO OCEANO ÍNDICO CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO CÍRCULO POLAR ÁRTICO TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO TRÓPICO DE CÂNCER EQUADOR Fonte: IBGE C. Norte Equatorial C. Sul Equatorial C. de Humboldt C. do Brasil C. da s F al kl an d C. Circumpolar da Antártica C. da Antártica C. da Antártica C. Australiana C. de Benguela C. Sul Equatorial C. Sul Equatorial C. Norte Equatorial C. do Japão C. Oia Sivo C. das Monções C. de Madagáscar C. Sul Equatorial C. da Guianas C. Norte Equatorial C. do Golfo C. das Canárias C. Norte Atlântica C. da Groenlândia C. do Labrador C. do Atlântico Sul C. da Califórnia C. do Pacífico Norte CORRENTE FRIA E DESERTO As correntes marítimas são grandes deslocamentos de massas de água que influenciam o clima. No Chile, a fria Corrente de Humboldt provoca chuvas no Oceano Pacífico. Com isso, a massa de ar chega sem umidade ao continente, o que explica a aridez do Deserto do Atacama. CHUVAS DE MONÇÕES Trata-se de um fenômeno típico do Oceano Índico e do Sudeste Asiático. Elas têm origem na grande diferença de temperatura das águas do mar e do continente durante o verão. Um vento contínuo leva a umidade do oceano e a transforma em fortes chuvas sobre o continente. iSTOCK PHOTO VEN DA P ROIB IDA ja n fe v m a r a b r m a i ju n ju l a g o se t o u t n o v d ez ja n fe v m a r a b r m a i ju n ju l a g o se t o u t n o v d ez Clima equatorial Temperatura (oC) Precipitação (mm) 1. MANAUS Clima tropical Temperatura (oC) Precipitação (mm) 2. GOIÂNIA 400 350 300 250 200 150 100 50 0 30 25 20 15 10 400 350 300 250 200 150 100 50 0 30 25 20 15 10 1. Equatorial 2. Tropical 3. Semiárido 4. Tropical de altitude 5. Tropical atlântico 6. Subtropical 80 GE GEOGRAFIA 2018 ATMOSFERA CLIMAS DO BRASIL M esmo sendo conhecido como “um país tropical”, com mais de 90% do território entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio, o Brasil também compreende variações climáticas. Os tipos de clima no país são definidos com base em critérios diversos, mas, sobretudo, a partir da quantidade de chuva e da temperatura média no decorrer do ano. Essas informações aparecem juntas em um gráfico denominado climo- grama, que você vê acima. A leitura dele pode parecer complicada, mas é bastante simples: as barras representam a média pluviométrica no mês, expressa em milímetros; já as linhas indicam a temperatura média mensal, em graus Celsius. O climograma permite a identificação de cada um dos climas e até uma dife- renciação entre eles. Uma comparação interessante, por exemplo, é a do clima equatorial com o do semiárido. A princípio, eles podem parecer semelhantes por causa da temperatura média, que oscila em torno de 26 ºC. Porém,ficam claramente diferentes quando observamos as barras que indicam o índice pluviométrico de cada um: enquanto no clima equatorial chove abundantemente durante o ano todo, no semiárido, o índice pluviométrico é muito baixo e distribuído de forma irregular. Confira a seguir as principais características dos seis principais tipos climáticos do Brasil, além de alguns climogramas a eles relacionados. Muito além de tropical Apesar de o nosso país estar localizado quase inteiramente entre os trópicos, o clima do Brasil apresenta muitas variações 1. Clima equatorial Fica nas proximidades da linha do Equador, abarcando a Amazônia, norte de Mato Grosso e oeste do Maranhão. Chove durante o ano todo, e em grande quanti- dade; é bastante úmido e a temperatura varia pouco no decorrer do ano, com média de 26 ºC. O climograma 1 acima traz informações sobre a pluviosidade e a temperatura da cidade de Manaus (AM), localizada nessa faixa de clima. Repare como, no gráfico, a quantidade de precipitação (representada pelas barras verticais) é bem alta, atingindo mais de 300 milímetros no mês de março, com apenas uma pequena queda no meio do ano (em julho, agosto e setembro), quando fica abaixo dos 100 milímetros. A pequena variação de temperatura, típica do clima equatorial, também pode ser vista no climograma de Manaus: a linha horizontal, formada pelas temperaturas médias de cada mês, quase não sobe nem desce, ficando em torno dos 26 0C. 2. Clima tropical Predominante no território brasileiro, pega toda a faixa do centro do país, leste MAPA DE CLIMAS DO BRASIL RECANTO GELADO As mais baixas temperaturas no país são registradas na Região Sul, a única com clima subtropical. As temperaturas médias anuais são inferiores a 21 0C. MÁXIMA E MÍNIMA A temperatura máxima oficial no país foi registrada em Bom Jesus do Piauí, em 21 de novembro de 2005. Os termômetros chegaram a 44,7 oC. A mínima foi na cidade de Caçador, em Santa Catarina: -14 oC, em 30 de junho de 1952. CHUVAS DE VERÃO As tempestades que costumam atingir a Região Sudeste durante o verão são causadas pelo encontro de duas massas de ar que formam a zona de convergência do Atlântico Sul. VEN DA P ROIB IDA ja n fe v m a r a b r m a i ju n ju l a g o se t o u t n o v d ez ja n fe v m a r a b r m a i ju n ju l a g o se t o u t n o v d ez ja n fe v m a r a b r m a i ju n ju l a g o se t o u t n o v d ez ja n fe v m a r a b r m a i ju n ju l a g o se t o u t n o v d ez ja n fe v m a r a b r m a i ju n ju l a g o se t o u t n o v d ez 400 350 300 250 200 150 100 50 0 30 25 20 15 10 400 350 300 250 200 150 100 50 0 30 25 20 15 10 Clima semiárido Temperatura (oC) Precipitação (mm) 3. JUAZEIRO Clima tropical de altitude Temperatura (ºC) Precipitação (mm) 4. BELO HORIZONTE 400 350 300 250 200 150 100 50 0 30 25 20 15 10 400 350 300 250 200 150 100 50 0 30 25 20 15 10 400 350 300 250 200 150 100 50 0 30 25 20 15 10 Clima tropical atlântico Temperatura (ºC) Precipitação (mm) 5. JOÃO PESSOA Clima tropical atlântico Temperatura (ºC) Precipitação (mm) 5. RIO DE JANEIRO Clima subtropical Temperatura (ºC) Precipitação (mm) 6. CURITIBA 81GE GEOGRAFIA 2018 do Maranhão, Piauí e oeste da Bahia e de Minas Gerais. Inverno e verão são estações bem marcadas pela diferença de pluviosidade: o verão é bastante chu- voso e há seca no inverno. No climo- grama 2, de Goiânia (GO), conseguimos enxergar essa diferença pela variação na altura das barras de precipitação: em julho, a precipitação chega a quase zero e, em janeiro, ultrapassa 250 milíme- tros. A temperatura no clima tropical, de modo geral, é alta, caindo um pouco nos meses de inverno; a média fica entre 18 ºC em locais de serra e 28 ºC na maior parte do território. 3. Clima semiárido É o clima das zonas mais secas do interior do Nordeste. Caracteriza-se pela baixa umidade, pouca chuva e temperaturas elevadas. O climogra- ma 3, referente à cidade baiana de Juazeiro, na divisa com Pernambuco, representa graficamente essas carac- terísticas: note que entre julho e se- tembro as barrinhas de precipitação são bastante baixas – em agosto a mí- nima de chuva chega a 1,7 milímetro. A chuva se concentra entre os me- ses de novembro e abril, mas o total anual de precipitação não chega a 550 milímetros – o volume é inferior ao atingido em apenas dois meses (fe- vereiro e março) no clima equatorial. Já a linha de temperatura varia entre 24,5 ºC e 28,5 ºC durante o ano, médias térmicas bastante elevadas. 4. Clima tropical de altitude É o clima das áreas com altitude acima de 800 metros em Minas Gerais, no Es- pírito Santo, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Os verões são quentes e chuvosos, e os invernos, frios e secos. Isso pode ser visto no climograma 4, que mostra as médias de temperatura e pluviosidade de Belo Horizonte (MG). No inverno, as barras de chuva atingem o mínimo de cerca de 10 milímetros e, no verão, passam de 300 milímetros. Em compa- ração com o clima tropical, o tropical de altitude tem o mesmo comportamento pluviométrico, mas as médias anuais de temperatura são menores, ficando em torno dos 20 ºC – no inverno, as tem- peraturas são bem mais baixas. 5. Clima tropical atlântico Esse clima cobre quase todo o lito- ral do país: começa no Rio Grande do Norte e vai até o Paraná. A quantidade de chuvas varia conforme a latitude da localidade. Por exemplo, enquanto no Nordeste chove muito no inverno, no Sudeste chove mais no verão, como pode ser visto nos climogramas 5 de João Pessoa (PB) e do Rio de Janeiro (RJ). A variação de temperatura é maior na porção mais ao sul do litoral. No Rio de Janeiro, oscila entre 21,5 ºC e 26,5 ºC e, em João Pessoa, entre 24 ºC e 28 ºC. 6. Clima subtropical É o clima das regiões ao sul do Tró- pico de Capricórnio: sul de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A quantidade de chuva não varia muito durante o ano, mas as temperatu- ras mudam bastante: o inverno é frio e o verão, quente. No climograma 6, que representa Curitiba (PR), por exemplo, a temperatura oscila entre 12,5 ºC e 20 ºC, enquanto as barras de precipi- tação apresentam pouca variação (a média anual é de 110 milímetros). VEN DA P ROIB IDA 82 GE GEOGRAFIA 2018 ATMOSFERA POLUIÇÃO DO AR A poluição do ar é provocada principalmen-te pela queima de combustíveis fósseis nos transportes e na geração de energia elétrica e pela atividade industrial. Dióxido de carbono (CO2), monóxido de carbono (CO) e hidrocarbonetos (HC) são alguns dos poluentes mais emitidos. Veja a seguir alguns dos efeitos mais comuns provocados pela emissão desses gases. Buraco na camada de ozônio O aparecimento de buracos na camada de ozônio é um processo natural, já que, em certas épocas do ano, reações químicas na atmosfera produzem aberturas, que depois se fecham. O ozônio absorve parte da radiação ultravioleta B (UVB) emitida pelo Sol. Sem ela, as plantas teriam redução na capacidade de fotossíntese e haveria maior incidência de câncer de pele e catarata. A atividade humana, porém, acentuou o processo. As reações que destroem o ozônio são intensifi cadas pela emissão de compostos químicos halogenados artifi ciais, sobretudo os clorofl uorcarbonos (CFCs), criados nos anos 1930 e usados como fl uidos refrigerantes em geladeiras, aparelhos de ar condicionado e como propelente de aerossóis. A boa notícia é que, nos últimos anos, acordos internacionais levaram ao fi m da produção das substâncias nocivas à camada de ozônio. Estu- dos recentes indicam que o buraco na camada de ozônio atualmente está 9% menor do que no ano 2000. No entanto, desde 2010, o tamanho do rombo não diminui – são 23 milhões de quilôme- tros quadrados, área equivalente à da América do Norte. A perspectiva, segundo a Organização Mundial de Meteorologia,é que a camada deverá voltar à espessura original por volta de 2050. Atmosfera carregada A emissão de poluentes no ar causa uma série de efeitos nocivos ao homem e à natureza Fonte: Nasa 1979 1987 2006 2016 CORTINA DE FUMAÇA Um denso nevoeiro paira sobre as ruas de Krabi, na Tailândia: efeito do dióxido de carbono liberado pelas queimadas na Indonésia EVOLUÇÃO DO BURACO NA CAMADA DE OZÔNIO (1979-2016) A abertura na atmosfera é representada pela cor azul nas imagens abaixoVEN DA P ROIB IDA 83GE GEOGRAFIA 2018 Chuva ácida Toda chuva é naturalmente ácida (pH infe- rior a 7), em função das reações do vapor-d'água com o gás carbônico presente na atmosfera. Entretanto, ao atingir um pH inferior a 5,6 a chuva é considerada, de fato, ácida e passa a ser tratada como um problema ambiental. Esse aumento de acidez se deve à queima de com- bustíveis fósseis, feita principalmente pelas atividades industriais e pelos automóveis, que liberam óxido de nitrogênio (NOx) e dióxido de enxofre (SO2) na atmosfera. Esses compos- tos reagem com o vapor-d'água presente na atmosfera, formando o ácido nítrico (HNO3) e o ácido sulfúrico (H2SO4). Quando chove, essas substâncias atingem o solo e a água, alterando suas características e prejudicando lavouras, florestas e a vida aquática. Também danificam edifícios e monumentos históricos. As principais áreas de ocorrência se encon- tram próximas às regiões de maior emissão de gases causadores do efeito estufa, ou seja, as mais urbanizadas e industrializadas, como o Nordeste dos Estados Unidos, a Europa oci- dental, o leste da China, o eixo Rio-São Paulo. Entretanto, essas substâncias podem ser trans- portadas pelos ventos para regiões mais afasta- das desses grandes centros urbano-industriais, causando a chuva ácida. Trata-se, portanto, de uma “poluição transfronteiriça”. O leste do Canadá, por exemplo, sofre com a chuva ácida proveniente da poluição gerada na megalópole Boston-Washington-Nova York e nas cidades industriais da região dos Grandes Lagos, dos Estados Unidos. Já os países escandinavos como Noruega, Finlândia e Suécia recebem as corren- tes de ar que trazem a poluição da Alemanha, Holanda, Bélgica e Inglaterra. � O QUE ISSO TEM A VER COM QUÍMICA A reação entre dióxido de carbono (CO2) e as moléculas de água (H2O) libera íons H+. Quanto maior a concentração de H+ maior é a acidez. Essa concentração é medida pelo pH, o potencial hidrogeniônico, que segue uma escala de zero a 14 na qual: 0 < pH < 7: soluções ácidas pH = 7: soluções neutras 7 < pH ≤ 14: soluções básicas ou alcalinas Para saber mais, veja o GUIA DO ESTUDANTE QUÍMICA. Ilhas de calor Os poluentes lançados na atmosfera, principal- mente o dióxido de carbono, ajudam a aumentar a temperatura do ar mais próximo da atmosfera. Em regiões urbanas, esse fato é agravado pela substituição da cobertura vegetal por prédios de concreto e cimento e ruas asfaltadas. Esses materiais absorvem mais calor e o devolvem na forma de radiação térmica. A combinação desses fenômenos tende a aumentar a temperatura nos grandes centros, criando as ilhas de calor. A dife- rença de temperatura entre uma área verde e uma típica zona central de uma cidade pode ser de 8 graus centígrados a mais (veja o mapa ao lado). Inversão térmica A inversão térmica é um fenômeno atmosférico natural que ocorre principalmente nas manhãs de outono e inverno, com a penetração de massas de ar frio, em regiões de clima tropical e subtropical. Caracteriza-se pela alteração na sequência de camadas de ar. Em condições normais, a tempe- ratura fica cada vez mais baixa conforme aumenta a altitude. Em uma situação de inversão térmica, porém, forma-se uma camada de ar mais quente logo acima da camada de ar mais frio próxima ao solo. Isso ocorre graças ao resfriamento da superfície e do ar durante o final da madrugada e início da manhã, quando as temperaturas, tanto da terra quanto do ar, são mais baixas. Em regiões onde o ar não se encontra carregado de poluentes, a inversão térmica não provoca nenhum problema ambiental. No entanto, em ambientes urbanos, a inversão térmica causa o bloqueio das correntes ascendentes de ar, retendo grande quantidade de poluentes próximos à su- perfície durante algumas horas. Isso ocorre por- que as trocas verticais de ar, chamadas cor- rentes de convecção, não chegam a atingir a superfície, formando- -se somente a partir da camada de ar quente para cima. Por esse motivo, os poluentes não conseguem se dis- persar. Quando o Sol esquenta a superfície no decorrer da manhã, o ar da camada mais baixa se aquece e sobe, as correntes de con- vecção voltam a atingir o solo e os poluentes voltam a ser dispersa- dos em camadas mais elevadas. Temperatura aparente da superfície Menor Maior Distribuição da vegetação em SP Rural Urbano Fonte: Atlas Ambiental do Município de São Paulo No sul da cidade, onde há mata e quase não existem prédios nem casas, as temperaturas são bem mais baixas. A região central de São Paulo, altamente urbanizada, apresenta temperaturas mais elevadas. Município de São Paulo, com variação de temperatura de 24 °C a 32 °C DENSIDADE DEMOGRÁFICA E ILHAS DE CALOR DIA NORMAL AR QUENTE AR FRIO AR MAIS FRIO AR FRIO AR QUENTE AR FRIO INVERSÃO TÉRMICA FENÔMENO DA INVERSÃO TÉRMICA iSTOCK PHOTO VEN DA P ROIB IDA 84 GE GEOGRAFIA 2018 ATMOSFERA AQUECIMENTO GLOBAL EFEITO ESTUFA O fenômeno permite a existência de vida na Terra. Veja como ele funciona e o modo como as ações humanas o afetam 1 2 3 4 5 O Sol emite sua energia pelo espaço na forma de luz visível, radiação ultravioleta e infravermelha Quando os raios do Sol chegam à Terra, cerca de 30% da energia luminosa volta para o espaço, refl etida por poeira e nuvens na atmosfera e, ainda, por refl etores naturais na superfície, como áreas cobertas de neve e gelo O ar, terras e águas absorvem cerca de 70% da radiação solar Aquecida, a superfície emite calor na forma de radiação infravermelha Um pouco da radiação térmica da Terra vai para o espaço, mas a maior parte é retida na atmosfera, absorvida por vapor-d'água, dióxido de carbono, metano e outros gases do efeito estufa 6 7 A temperatura do planeta varia, de maneira natural, por causa dos ciclos solares e geológicos. Mas, de acordo com o relatório do IPCC, as atividades humanas afetaram o ritmo normal do ciclo e o equilíbrio natural de produção e absorção de gases Se o calor não fosse retido pelo efeito estufa, o planeta congelaria a uma temperatura média de 18 ºC negativos Planeta em ebulição Cientistas confi rmam que a atividade humana está provocando alterações climáticas em todo o globo S e antes a ideia do aquecimento global era apenas uma hipótese, hoje os cientistas já contam com evidências mais seguras para afi rmar que a ação do homem sobre o meio ambiente está alterando a temperatura do planeta. O estudo mais consistente a respeito foi divulgado em 2007 pelo Painel Intergover- namental de Mudanças Climáticas (IPCC), entidade que reúne 2.500 cientistas de mais de 130 países sob a chancela da Organização das Nações Unidas (ONU). A partir desse docu- mento, que representou um marco ambiental, especialistas do mundo todo passaram a culpar nosso padrão de desenvolvimento pelo aquecimento da Terra. Em setembro de 2013, o IPCC divul- gou um novo estudo no qual aumenta de 90% para 95% o grau de certeza científi ca quanto à participação do homem na elevação da temperatura do planeta: “É extrema- mente provável que a infl uência humana sobre o clima tenha causado mais da metade do aumento observado da temperatura média da superfície global entre 1951 e 2010”, dizem os cientistas. O relatório da ONU aponta que entre 1880 e 2012 a temperatura média na Terra subiu 0,85 ºC. Em algumas regiões, que incluem o Brasil, o aumento foi de até 2,5 graus. Além disso, o nível médio da água dos oceanos subiu19 centímetros e as últimas três décadas foram as mais quentes desde 1850. O estudo também permitiu aos cientistas projetar as dramáticas consequências que as próximas gerações enfrentarão, caso esse pro- cesso não seja revertido (veja mapa na pág. 86). O efeito estufa Sempre ouvimos falar que o efeito estufa é o grande vilão do aquecimento global, o que não deixa de ser verdade. Mas uma coisa precisa fi car clara: é graças a ele que existe vida em nosso planeta. O efeito estufa é um fenômeno natural que faz com que a temperatura média do globo se conserve nos limites necessários para a manutenção da vida, em torno de 14,5 ºC. Ele ocorre em razão da existência de gases que estão naturalmente na atmosfera e impedem a VEN DA P ROIB IDA 85GE GEOGRAFIA 2018 8 Hoje, milhões de toneladas de carbono que a natureza tirou de circulação, armazenado como petróleo no subsolo ou biomassa nas matas, são jogadas pela ação humana na atmosfera em poucas horas, na forma de CO 2 . Ao aumentar a concentração desse e de outros gases, o homem amplia o efeito estufa, o que provoca o aquecimento do planeta OS GASES DA ATMOSFERA 78,084% Nitrogênio (N 2 ) 20,946% Oxigênio (O 2 ) 0,934% Argônio (Ar) 0,036% Outros gases DIÓXIDO DE CARBONO (CO 2 ): 0,0332% NEÔNIO (NE): 0,0018% OUTROS GASES: 0,0010% [1] Fonte: Nasa CONCENTRAÇÃO DE DIÓXIDO DE CARBONO NA ATMOSFERA NOS ÚLTIMOS 10 MIL ANOS 8.000 a.C. 5.500 a.C. 3.000 a.C. 500 a.C. 2.000 350 300 250 D ió xi d o d e c a rb o n o (p p m ) 350 330 15,5 15 14,5 310 290 19001880 1920 1940 1960 1980 2000 CO 2 ( pp m ) Gr au s C el si us CO 2 e temperatura média da Terra MAIS GÁS, MAIS CALOR No gráfico à esquerda, veja como a concentração de dióxido de carbono (CO 2 ) deu um salto a partir da Revolução Industrial, no século XVIII. Isso pode ser visto por meio da linha vermelha no lado direito do gráfico, que sobe quase perpendicularmente. No detalhamento desse período, no gráfico acima, a relação do CO 2 com o aquecimento global fica clara: a curva de aumento de CO 2 coincide com a da elevação da temperatura. PARA IR ALÉM O documentário Uma Verdade Inconveniente, dirigido por Davis Guggenheim e apresentado pelo ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, procura evidenciar as causas e as consequências do aquecimento global. Parte da análise de dados de variação de temperaturas e concentração de CO2 na atmosfera terrestre, e chama a atenção sobre as responsabilidades individuais e coletivas do homem diante dessa situação. dissipação para o espaço de parte da radiação vinda do Sol, que é absorvida e refl etida pela Terra (veja o infográfi co). O problema é que, por causa da ação do homem, esse benéfi co “cobertor” atmosférico está se trans- formando num forno. E quando nos referimos à ação do homem, trata-se daquelas atividades que resultam na emissão e no acúmulo na atmosfera de gases responsáveis pelo efeito estufa. Entre os principais, estão o dióxido de carbono (CO2), produzido pela queima de combustíveis fósseis (especialmente carvão mineral e derivados de petróleo, como óleo cru, diesel e gasolina) para gerar energia; o metano (gás natural, CH4), libe- rado pela decomposição de lixo, digestão do gado, plantações alagadas (principalmente de arroz); e óxido nitroso (N2O), que advém, entre outros meios, do tratamento de dejetos de animais, do uso de fertilizantes e de alguns processos industriais. Além disso, ao alterar a terra por meio do desma- tamento e de atividades agrícolas, o ser humano está lançando no ar, por apodrecimento ou queima, CO2 que estava acumulado nas plantas e no solo. Todas essas atividades são realizadas mais intensamente nos países desenvolvidos. Esta- dos Unidos, Japão e muitas nações europeias apresentam elevada produção de gases do efeito estufa per capita, principalmente por causa do uso de automóveis e da elevada industrialização. Contudo, países em desenvolvimento, como a China, vêm aumentando signifi cativamente as emissões desses gases nos últimos anos. Os chineses já ultrapassaram os norte-america- nos como os maiores poluidores do planeta, tornando-se responsáveis por um quarto das emissões mundiais. QUANTIDADE DE GASES DO EFEITO ESTUFA NA ATMOSFERA BATE RECORDE EM 2015 A quantidade de gases do efeito estufa presente na atmosfera bateu um novo recorde em 2015, por isso que continua o aumento incessante que alimenta a mudança cli- mática, advertiu nesta segunda-feira a Organização Mundial da Meteorologia (OMM). Em 2015, a concentração atmosférica de CO2 – principal gás de efeito estufa de longa duração – alcançou 400 partes por milhão (ppm), segundo indica o Boletim sobre os gases do efeito estufa que publica anualmente a OMM. Além disso, o relatório destaca que os níveis de CO2 dispararam de novo em 2016, alcançando novos recordes como consequência do fenômeno do El Niño, que teve devastadores efeitos em distintas zonas do mundo entre 2015 e os primeiros meses de 2016. (...) Época Negócios, 24/10/2016 SAIU NA IMPRENSA VEN DA P ROIB IDA 86 GE GEOGRAFIA 2018 ATMOSFERA OS EFEITOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS PARA IR ALÉM O documentário Seis Graus que Podem Mudar o Mundo, da National Geographic, simula possíveis cenários decorrentes do aumento de um até seis graus Celsius na temperatura global sobre os diversos ecossistemas e populações humanas. O pior cenário Extremos climáticos como secas prolongadas e furacões devem se tornar mais frequentes em função do processo de mudança climática Desde 1880, quando a temperatura do planeta começou a ser medida, a popu-lação mundial não enfrentou um ano tão quente como o de 2016. Segundo a Nasa, a Agência Espacial Norte-Americana, os recordes de temperatura são uma constante neste século: 16 dos 17 anos mais quentes da história foram registrados após o ano 2000. Esses dados con- solidam uma tendência de aquecimento global de longo prazo, o que abre a possibilidade da ocorrência mais frequente de eventos climáti- cos extremos, como secas prolongadas, chuvas torrenciais e violentos ciclones. É o que pode ocorrer se não houver uma redução na emissão de gases do efeito estufa, na análise dos cientistas do Painel Intergovernamental sobre a Mudança no Clima (IPCC). As projeções do IPCC indicam que, se as emis- sões permanecerem nos níveis atuais, a temperatu- ra média do planeta pode subir até 4,8 ºC, e o nível dos mares deve aumentar em até 82 centímetros. As geleiras irão continuar a derreter e é fortemente provável que o gelo do Ártico diminua até o final do século. Segundo os cientistas, nenhuma parte do globo ficará imune aos efeitos do aquecimento global (veja mais no mapa). Os terríveis cenários previstos pelos cientistas do IPCC certamente teriam consequências em termos estratégicos e geopolíticos. O Departa- mento de Defesa dos Estados Unidos alerta para o fato de que, atingido pelas mudanças climá- ticas, o mundo seria mais instável e perigoso. Haveria um aumento de migrações e até mesmo invasões populacionais para obter recursos como água e alimentos. E os maiores problemas ocorreriam justamente onde hoje já existem graves questões políticas, como em regiões da Ásia e da África. Para o órgão de governo dos EUA, em alguns locais, a tensão social causada pela fome poderia se tornar mais explosiva, combinada com a tensão étnico-religiosa. A corrente cética As explicações sobre as causas do aumento da temperatura global não são aceitas por todo mundo. Há cientistas que questionam seus fun- damentos. Eles alegam que a temperatura média da Terra subiu e desceu várias vezes durante sua existência, e que isso pode estar ocorrendo neste momento. Ou seja, esse esquenta-esfria do planeta faria parte de um ciclo natural no qual o clima alterna períodos quentes e eras glaciais. Além disso, essa “corrente cética” acredita que, mesmo que exista uma tendência para o aquecimento, ela está mais ligadaaos fatores na- turais do que à ação humana. O clima seria mais influenciado pelas glaciações, pelo vulcanismo e por fenômenos astronômicos. Esses cientistas também contestam a capacidade científica de prever com antecedência de décadas como será o clima da Terra. No entanto, os que defendem esta tese são acusa- dos de agir em favor daqueles que atuam no lobby de interesses das indústrias que vivem do petróleo e de governos que seriam afetados pelas medidas necessárias para conter o aquecimento global. AMÉRICA LATINA Na América Central aumentará a ocorrência de ciclones tropicais. As chuvas devem diminuir na Bacia Amazônica e aumentar na Bacia do Prata, região que abrange o sul do Brasil, além de Paraguai, Uruguai e Argentina. AMÉRICA DO NORTE A região deve ser afetada por fortes secas e queda na disponibilidade de água, especialmente na parte central. Haverá maior ocorrência de ciclones tropicais no golfo do México e na costa leste dos EUA e do Canadá. MUDANÇAS NA TEMPERATURA 2081-2100 110 C 90 70 50 40 30 20 1,50 10 0,50 VEN DA P ROIB IDA 87GE GEOGRAFIA 2018 OS EFEITOS NO BRASIL Segundo o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC), até 2100, a temperatura no país irá aumentar entre 1 ºC e 6 ºC, em comparação com a registrada no fim do século XX. Nesse cenário, a agricultura, a geração e a distribuição de energia e a gestão dos recursos hídricos serão afetados. Veja os efeitos regionais no mapa ao lado. ÁSIA As chuvas de monções devem se tornar mais intensas no sul e no leste do continente. A frequência de tempestades e ciclones irá aumentar em áreas como o Mar do Japão, a Baía de Bengala, o Mar do Sul da China e o Golfo da Tailândia. OCEANIA Fortes ondas de calor devem atingir a Austrália, com chuvas extremas no sul do país e secas no noroeste. As ilhas do Pacífico ficarão mais vulneráveis à passagem de ciclones tropicais. ÁFRICA As temperaturas devem aumentar principalmente no sul do continente. É provável que a seca piore na parte ocidental e na região do Sahel, provocando queda da safra e agravando a situação de fome. REGIÕES POLARES O gelo do Ártico pode diminuir até 94% durante o verão. Com o derretimento na calota norte da Terra, o nível do mar pode aumentar de 45 a 82 centímetros, nível considerado perigoso pelos cientistas. EUROPA A temperatura deve aumentar de forma generalizada no continente, com menos dias de frio intenso no inverno. No sul e leste europeus, os períodos de seca devem reduzir a água disponível e a produtividade agrícola, enquanto, no noroeste do continente, o IPCC prevê maior volume de chuvas. OUTRAS POSSÍVEIS CONSEQUÊNCIAS: � Ameaças à biodiversidade e aceleração da extinção de espécies. � Esgotamento das reservas de água e agravamento de sua distribuição. � Comprometimento da produção agrícola e da segurança alimentar, especialmente nas regiões tropical e subtropical. � Elevação do nível dos oceanos e ameaças a cidades litorâneas. NORTE O volume de chuvas na Amazônia deve cair até 40%, o que levaria a uma substituição da floresta por uma vegetação mais rala, semelhante à do cerrado. NORDESTE Até 2100, a temperatura na caatinga poderá subir até 4,5 ºC, e a ocorrência de chuva irá diminuir entre 40% e 50%. CENTRO-OESTE As chuvas devem diminuir entre 35% e 45%. No Pantanal e no cerrado, as temperaturas devem subir de 3,5 ºC a 5,5 ºC. SUDESTE Na região da Mata Atlântica, o clima deverá ficar até 3 ºC mais quente e até 30% mais chuvoso. ZONA COSTEIRA O aumento do nível do mar em até 30 cm afetaria ecossistemas costeiros do Norte e Nordeste, como manguezais; a população litorânea teria de ser remanejada. SUL Na região dos pampas, a temperatura deve subir 3 ºC, com previsão de um aumento de 40% na ocorrência de chuvas. VEN DA P ROIB IDA 88 GE GEOGRAFIA 2018 ATMOSFERA ENERGIAS RENOVÁVEIS Alternativas limpas Investimentos em fontes de energia renováveis são essenciais para reduzir as emissões de gases do efeito estufa O s cientistas do Painel Intergovernamen-tal sobre a Mudança no Clima (IPCC) são enfáticos em apontar o que é pre- ciso ser feito para evitar os efeitos dramáticos das mudanças climáticas: suspender o uso sem restrições de combustíveis fósseis. Desde a Revolução Industrial, há mais de 200 anos, nossas atividades econômicas são baseadas na queima de fontes não renováveis e altamente poluentes como petróleo, gás e carvão. A energia que consumimos para gerar eletricidade e aque- cimento, para nos locomovermos em viagens de carro, avião ou navios e para mover a atividade manufatureira contribui com cerca de metade das emissões dos gases de efeito estufa. Na prática, para alterar essa matriz de energia e reduzir a dependência econômica de combustíveis fósseis, seria preciso ampliar o uso de energias renováveis. Trata-se de um procedimento que já está em andamento ao redor do mundo, ainda que num ritmo abai- xo do desejável. A China, o maior emissor de gases do efeito estufa do planeta, é o país que mais vem investindo em energia renovável há alguns anos. Os Estados Unidos e a Europa também avançam em projetos para baratear o custo dessas fontes de energia. O Brasil, que é o sétimo maior investidor em energias renováveis � MATRIZ DE ENERGIA Combinação das fontes de energia disponíveis numa economia ou país e dos usos de energia. A economia moderna consome energia em duas principais formas: a energia combustível, que alimenta principalmente equipamentos mecânicos, como motores, e a energia elétrica, que alimenta essencialmente equipamentos eletrônicos.� O QUE ISSO TEM A VER COM HISTÓRIA A Revolução Industrial é o processo de transformação da economia agrária, baseada no trabalho manual, em outra, dominada pela indústria mecanizada, que se caracteriza pelo uso de novas fontes de energia e de máquinas, pela especialização do trabalho e pela aplicação da ciência na indústria. Ela teve início por volta de 1760, na Inglaterra. Para saber mais, veja o GUIA DO ESTUDANTE HISTÓRIA. do mundo, tem cerca de 40% de sua matriz energética proveniente de recursos renováveis (veja o gráfico acima) e caminha para ter 93% de sua energia elétrica com origem em fontes que não se esgotarão até 2050, de acordo com um estudo da ONG Greenpeace. Vale ressaltar que algumas das fontes de energia alternativas ainda têm um custo ambiental alto. As usinas hidrelétricas, por exemplo, costumam afetar a biodiversidade, como no caso da Usina de Belo Monte, no Pará, que vem causando polêmica por reduzir a vazão do Rio Xingu, o que com- prometeria o ecossistema da região Amazônica. Já a energia nuclear pode causar sérios danos ambientais com o lixo radioativo. Confira alguns exemplos de fontes de energia renováveis e limpas. Energia eólica A energia é produzida quando a força do vento gira as hélices das turbinas eólicas, que conver- tem a energia mecânica em elétrica. O Brasil tem grande potencial nessa área por possuir condições naturais favoráveis. Os estados da Bahia, do Ceará, do Rio Grande do Norte e do Rio Grande do Sul respondem por 60% de toda a energia eólica gerada no país. Só no Nordeste, a fonte eólica atende atualmente a 30% das necessidades energéticas da região. Petróleo e derivados 37,3% Carvão 5,9% Gás natural 13,7% Nuclear 1,3% Biomassa 25,1% Hidráulica 11,3% Outras* 5,3% BRASIL – 2015 Fontes: Agência Internacional de Energia e Ministério de Minas e Energia RenovávelNão renovável Gás natural 21,2% Nuclear 4,8% Biomassa 10,3% Hidráulica 2,4% Outras* 1,4% Petróleo e derivados 31,3% Carvão 28,6%** MUNDO – 2014 OFERTA DE ENERGIA POR FONTE *Inclui eólica e solar **Inclui xisto (folhelho) VEN DA P ROIB IDA 89GE GEOGRAFIA 2018 Energia solar A principal forma de captar a energia prove- niente do Sol é por meio de painéis fotovoltaicos, que possuem células solares capazes de trans- formar a radiação solar em eletricidade.Quanto maior a intensidade de luz, maior o fl uxo de energia elétrica. O Brasil também é privilegia- do em radiação solar, especialmente na região Nordeste. O elevado preço dessa tecnologia, porém, ainda inviabiliza investimentos mais pesados nesse tipo de energia no país. Biomassa A matéria orgânica também vem sendo utilizada para gerar energia. Seu aproveitamento pode ser feito pela combustão direta, por processos termo- químicos ou biológicos. No Brasil, óleos vegetais e bagaço de cana, entre outros materiais, dão origem à energia elétrica. A biomassa também pode se transformar em biocombustíveis – o álcool etílico já é amplamente usado nos veículos brasileiros. Energia geotérmica O calor interno do globo, principalmente em áreas geologicamente ativas, pode produzir energia em usinas termelétricas a partir dos gêiseres (fontes de vapor no interior da Terra), presentes em países como EUA, México e Japão. PETRÓLEO A combinação de material decomposto com as altas temperaturas e a pressão do subsolo forma jazidas de petróleo e gás. O carbono guardado nesses depósitos soma 300 bilhões de toneladas CO 2 + água + energia solar O 2 + açúcares CO 2 H 2 O EN ER GI A SO LA R FOTOSSÍNTESE Na fotossíntese, as plantas absorvem CO 2 e liberam oxigênio. Os vegetais estão na base de todas as cadeias alimentares do planeta VEGETAÇÃO Cerca de 600 bilhões de toneladas de carbono ficam estocadas nas plantas naturais ou cultivadas QUEIMADAS E DESMATES A queima da vegetação libera carbono no ar. A mata derrubada significa menos organismos para absorver o carbono. Restos de matéria orgânica sobre o solo têm 1 trilhão de toneladas de carbono CARVÃO MINERAL Formado com os restos soterrados de plantas e animais, o carvão mineral estoca cerca de 3 trilhões de toneladas de carbono DEVOLUÇÃO DO CARBONO A atmosfera devolve à superfície da Terra e aos oceanos cerca de 200 bilhões de toneladas de carbono a cada ano SEDIMENTOS MARINHOS O carbono depositado em sedimentos marinhos guarda 150 bilhões de toneladas de carbono OCEANO Grande parte do CO 2 da atmosfera dissolve-se na água e é absorvida por seres marinhos ATMOSFERA A camada gasosa que envolve a Terra guarda 750 bilhões de toneladas de dióxido de carbono O CICLO DO CARBONO O carbono tem um ciclo natural entre o subsolo, os organismos, a atmosfera e os mares. As atividades humanas aumentam sua quantidade no ar. O volume de carbono em cada etapa é estimado pelos cientistas O Sol é a fonte de energia que sustenta a vida na Terra COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS A queima de petróleo e carvão acelera a liberação de carbono para a atmosfera, soltando mais de 5 bilhões de toneladas no ar a cada ano SAIBA MAIS CICLO DO CARBONO Apesar de ser o responsável direto pelo efeito estu- fa e, consequentemente, pelo aquecimento global, o carbono é um elemento químico essencial para a vida humana. Ele faz parte de um ciclo natural: transita entre a atmosfera, a biosfera e a hidrosfera, garantindo o equilíbrio do meio ambiente. Para se desenvolverem, as plantas transformam o dióxido de carbono presente na atmosfera em carboidratos, que formam folhas e troncos. Nesse processo, conhecido como fotossíntese, os vegetais liberam oxigênio. Os oceanos também absorvem o carbono da atmosfera – em contato com a água do mar, o dióxido de carbono se transforma em ácido carbônico, dissolvendo-se nas profundezas dos oceanos. Mas, além de absorver carbono, esse ciclo natural libera o elemento na atmosfera, num processo que pode se dar de diversas formas: pela erupção de vulcões, pela decomposição de organismos, pela respiração, ou mesmo pela flatulência de animais. Infelizmente, nosso padrão de desenvolvimento, baseado na queima de combustíveis fósseis para a geração de energia, vem rompendo esse equilíbrio natural. Em suma, estamos emitindo mais carbono do que a natureza é capaz de absorver, desestabilizando o ciclo. � O QUE ISSO TEM A VER COM BIOLOGIA A fotossíntese é um processo metabólico, pelo qual os vegetais transformam gás carbônico (CO2) e água em açúcares e oxigênio. A energia necessária para que a fotossíntese ocorra vem do Sol e é captada pelo pigmento clorofila. A fotossíntese pode ser resumida na seguinte equação: 6 CO2 + 12 H2O + luz = C6H12O6 + 6 O2 + 6H2O O C6H12O6 é a glicose, um carboidrato (açúcar). Para saber mais, veja o GUIA DO ESTUDANTE BIOLOGIA. MULTI/SP VEN DA P ROIB IDA 90 GE GEOGRAFIA 2018 ATMOSFERA PROTOCOLO DE KYOTO E ACORDO DE PARIS Difícil consenso Na Conferência Geral das Partes, os países discutem ações para conter a mudança climática e estabelecem tratados, como o Acordo de Paris A constatação de que a intensa emissão de gases do efeito estufa está alterando o clima do planeta vem mobilizando a co- munidade internacional nos últimos anos. Mas enfrentar um problema global dessas proporções requer um difícil alinhamento entre os líderes mundiais. Em fóruns internacionais como a Conferência Geral das Partes, os países se reúnem todos os anos para discutir ações para conter a mudança climática – ela é conhecida por sua sigla em inglês: COP. Chegar a um consenso nas COPs é uma tarefa muito complicada porque há vários interesses conflitantes entre as nações. Por isso que o Acor- do de Paris, firmado em dezembro de 2015, foi considerado histórico: pela primeira vez houve um entendimento para a redução das emissões de carbono que envolve todas as nações do mundo. O Protocolo de Kyoto Antes do Acordo de Paris, o grande marco am- biental havia sido o Protocolo de Kyoto, assinado em 1997 durante a terceira COP. O documento é o primeiro acordo oficial com metas e prazos para reduzir as emissões de gases do efeito estu- fa. Ele estabeleceu que os países desenvolvidos, responsáveis por lançar a maior parte dos gases, deveriam reduzir suas emissões em pelo menos 5% em relação aos níveis de 1990. Já as nações em desenvolvimento, como o Brasil e a China, que ti- veram uma industrialização tardia, não precisaram adotar metas, mas comprometiam-se a diminuir a emissão de carbono voluntariamente. Mas o Protocolo de Kyoto já nasceu prati- camente condenado. Os EUA não assinaram o documento por se recusar a mudar sua matriz energética – fortemente dependente de petróleo – e não concordar com a ausência de metas para os países em desenvolvimento. Posteriormente, outros países também abandonaram os compro- missos firmados no protocolo. Os governos de Canadá, Japão, Austrália e Rússia passaram a reclamar da falta de compromisso das economias emergentes. Eles alegam que o crescimento eco- nômico de países como China e Índia aumentou muito a emissão de carbono global, e exigiam o cumprimento de metas dessas nações. COMPROMISSO O presidente da França, François Hollande (à dir.), e outras autoridades mundiais celebram a assinatura do Acordo de Paris, em dezembro de 2015, durante a COP21VEN DA P ROIB IDA 91GE GEOGRAFIA 2018 SAIBA MAIS MERCADO DE CARBONO Para minimizar o dese- quilíbrio entre as emis- sões de gases dos países ricos e dos menos de- senvolvidos, o Protoco- lo de Kyoto estabeleceu o “mercado de carbono”. Ele funciona da seguinte forma: os países desen- volvidos, incapazes de substituir o carvão e o pe- tróleo de uma hora para outra, podem compensar parte de suas emissões comprando créditos de carbono de outros países cujas emissões ficaram abaixo do limite estipu- lado. Esses créditos são pagos com investimentos em projetos que ajudem as nações vendedoras a reduzir suas emissões de gases do efeito estufa. O primeiro projeto ba- seado nesse mercado de carbono foi implemen- tado em 2005, em Nova Iguaçu (RJ). Um antigo lixão foi transformado em aterro sanitário com o financiamento da Holan- da. Agora, com o Acordo de Paris, a previsão é que esse mecanismo se disse- mine mais pelo mundo. O Acordo de Paris Por todas essas dificuldades, o Acordo de Paris firmadodurante a COP21, realizada na capital francesa, em dezembro de 2015, foi recebido com bastante otimismo. O documento, assinado por representantes de 195 países-membros da Convenção do Clima da ONU, entrou em vigor em novembro de 2016. Ele obriga a participação de todos os países – e não apenas os ricos – no es- tabelecimento de metas para limitar o aumento da temperatura média do planeta até 2100. O objetivo é restringir o aquecimento a “bem menos de 2º C”. Cada nação fica obrigada a apresentar um con- junto de metas para reduzir a emissão de carbono. O documento final também estabeleceu que os países ricos irão garantir um financiamento de, no mínimo, 100 bilhões de dólares por ano para projetos de combate às mudanças do clima e adaptação em nações em desenvolvimento a partir de 2020 e até, ao menos, 2025. Mas o acordo não é perfeito. Apesar de o es- tabelecimento das metas ser compulsório para todas as nações, o cumprimento dos objetivos é voluntário. Além disso, o conjunto das metas apresentado pelos países é considerado insufi- ciente – mesmo que todos os países consigam cumprir o que propuseram, a temperatura média ainda deverá subir entre 2,7º C e 3,5º C. Para piorar, a posse de Donald Trump como presidente dos EUA causa temores de que o país possa se retirar do acordo. Trump, que se mostra cético em relação ao aquecimento global, disse não querer que a economia norte-americana seja prejudicada em virtude das metas de redução de gases (veja mais na pág. 70). Os compromissos do Brasil O Brasil oficializou a meta voluntária de redu- zir as emissões de gases do efeito estufa em 37% até 2025 e 43% até 2030 em relação aos valores de 2005. Além dessa meta, o compromisso do Brasil apresentado na COP21 inclui garantir 45% de fontes renováveis no total da matriz energética, ampliar para 23% a participação de fontes renováveis (eólica, solar e biomassa) na geração de energia elétrica e acabar com o desmatamento ilegal. Segundo o governo, as emissões entre 2005 e 2012 reduziram 41,1%. Em boa medida, essa re- dução é creditada a uma forte queda nos índices de desmatamento na Amazônia Legal. Na última década, as atividades ligadas à derrubada das florestas deixaram de ser a principal emissora de CO2. Atualmente, a produção de energia a partir da queima de combustíveis fósseis é a maior fonte poluidora do país. Menos de 10.000 Sem dados disponíveis Mais de 1.000.000 De 500.000 a 1.000.000 De 100.000 a 499.999 De 10.000 a 99.999 FRANCOIS GUILLOT/AFP POLUIÇÃO E DESENVOLVIMENTO Países desenvolvidos como Estados Unidos, Canadá e Japão estão entre os que mais emitem carbono na atmosfera. Mas note que as nações em desenvolvimento que tiveram crescimento acelerado na última década (2001-2010), como Brasil, China e Índia, também são grandes emissoras. A África é o continente que menos polui. EMISSÕES DE CARBONO – 2012 Em milhares de metros cúbicos de CO 2 equivalente Fonte: Banco Mundial VEN DA P ROIB IDA 92 GE GEOGRAFIA 2018 COMO CAI NA PROVA 1. (Enem 2016) (primeira aplicação) Segundo a Conferência de Kyoto, os paí- ses centrais industrializados, responsáveis históricos pela poluição, deveriam alcançar a meta de redução de 5,2% do total de emissões segundo níveis de 1990. O nó da questão é o enorme custo desse processo, demandando mudanças radicais nas indústrias para que se adaptem rapidamente aos limites de emissão estabelecidos e adotem tecnologias energéticas limpas. A comercialização internacional de créditos de sequestro ou de redução de gases causadores do efeito estufa foi a solução encontrada para reduzir o custo global do processo. Países ou empresas que conseguirem reduzir as emissões abaixo de suas metas poderão vender este crédito para outro país ou empresa que não consiga. BECKER, B. Amazônia: Geopolítica na Virada do II Milênio. Rio de Janeiro: Garamond, 2009. As posições contrárias à estratégia de compensação presente no texto rela- cionam-se à ideia de que ela promove a) retração nos atuais níveis de consumo. b) surgimento de confl itos de caráter diplomático. c) diminuição dos lucros na produção de energia. d) desigualdade na distribuição do impacto ecológico. e) decréscimo dos índices de desenvolvimento econômico. RESOLUÇÃO O Protocolo de Kyoto é um acordo internacional assinado em 1997 pelo qual os países desenvolvidos se comprometeram a reduzir sua emissão de gases do efeito estufa. O problema é que muitos países relutam em fazer a transição para uma matriz mais limpa porque ela implica elevados custos que podem comprometer o desenvolvimento econômico. Para lidar com essa questão, o Protocolo de Kyoto criou um mecanismo conhecido como mercado de carbono. Trata-se de uma forma de compensação que é criticada por manter a desigualdade na distribuição do impacto ecológico: as nações desenvolvidas, tradicionais emissoras de gases do efeito estufa, podem continuar quei- mando combustíveis fósseis desde que comprem os chamados créditos de carbono de nações ou empresas que tenham conseguido diminuir suas emissões abaixo da meta. Resposta: D 2. (Fuvest 2016) Considere a matriz energética mundial. a) Identifi que, com base no quadro acima, uma fonte de energia que é consi- derada a maior responsável tanto pelo efeito estufa quanto pela formação da chuva ácida. Justifi que sua resposta. b) Identifi que a principal fonte de energia usada nas usinas hidrelétricas, no Brasil, e explique uma vantagem quanto ao uso desse recurso natural. c) Identifi que, com base no quadro acima, as fontes de energia usadas nas usinas termelétricas, no Brasil, e explique uma desvantagem de ordem econômica que elas apresentam. RESOLUÇÃO a) Entre as fontes de energia apresentadas, o carvão mineral (combustível fóssil) é o principal responsável pelo efeito estufa e pela formação da chuva ácida. A sua queima nas termoelétricas resulta na liberação de grande quantidade de carbono que, por reações químicas com os gases da atmosfera, produz compos- tos como o CO e o CO 2 . Eles são responsáveis pela retenção de calor refl etido pela superfície da Terra, intensifi cando o efeito estufa. Esses compostos (CO e CO 2 ) também reagem com o vapor de água da atmosfera, bem como com as gotículas em suspensão no ar (as nuvens), causando as chamadas chuvas ácidas. b) As usinas hidrelétricas são movidas pela força das águas (energia hidráulica) – no caso brasileiro, pela força das águas dos rios. Esta energia corresponde a uma fonte renovável e não poluente (limpa), pois não há a emissão de gases estufa e apresenta menor custo na geração de energia. c) De modo geral, as usinas termelétricas brasileiras utilizam gás natural, carvão mineral e petróleo e derivados. Trata-se de fontes energéticas importadas, com custo elevado, principalmente o petróleo e o gás. Como o valor dessas fontes está atrelado ao dólar, o seu uso encarece a geração de eletricidade no país. Isso pode impactar na balança comercial do país e ser uma desvantagem econômica. 3. (Mackenzie 2016) Estabeleça a correspondência entre os climogramas e os respectivos domínios morfoclimáticos brasileiros. vv ( ) Clima Equatorial – Domínio Amazônico. ( ) Clima Subtropical – Domínio das Araucárias e Domínio das Pradarias. ( ) Clima Semiárido – Domínio da Caatinga. ( ) Clima Tropical – Domínio do Cerrado e Domínio de Mares de Morros. ( ) Clima Tropical Úmido – Domínio de Mares de Morros. ( ) Clima Tropical de Altitude – Domínio de Mares de Morros. VEN DA P ROIB IDA 93GE GEOGRAFIA 2018 RESUMO Lorem ipsondolor GIAMCORE MAGNA accum am, vullam, core feum auguerit, si blam, quat. Lor sequat lorerci tem accum il ulput nummy nit nullam adit ea ad tetumsan hent lor init adionsequip exeros do dolor sum zzrit amcorer sustrud dui et autpatin eugue ve- lenim vulluptate consectem zzrit wismod el ulputatum incing et lutdiamcom molumsandip. EAFACIDUNT DOLOBOR sustrud magna feugiam veniam zzrilit luptatem iriusto consequi eraestoeugait luptat do ese tat dolut venis amconsed mincillandre commodi onullan ver sustrud modigniam ipsuscillam, cor iliquat. Num volobor eraestionum ing eniatummy nulputem vent amet iusto odignim quisis adiam aliquat vel esequip IS NULLA FEUGAIT aut venim nostrud min ut wissecte magni- bh et nim incillandre do commy non hendip eu feugait lobore magnim am, quisciduis nulluptatum venit in velendi gnissenit, sequat. Equat. Ut iliscidunt la commy nostion hendiam commod dit velendrero diat, vel ing ex elit at pratin esectet nonullan heniam doloreet amcore do eu facil utpat. Osto odiamet, velent pratet nosto consequisl ullandrem quat am dolorem veliquatue min velesequam nonse facipisim zzriure. RCILIQUATET VULLAN ute commy nullaorem ip ero consectet lum vel ulput veliquis exerosting endreros aut ilis at. Lesto do- lorperci tio dolutpat ullaore riurerit in henim iusci bla at. Gait atummolore tie te er ipisim dit wisl ipsum dunt velis aliquat. NONUMMO LOBORERO etumsandrem dolorperatem do duis acidunt vel ullamet nosto coreet alis aliquipit vent adignisim ipsuscipit in Del ut lutat aute mincill andipsustis do exeraestrud eum nissed essequat nonulput volore tem adit er ip elenit ing et irilit iureet laorem veraess equisi. Ecte vulla commy nullam, sis nulluptat, sum venibh elesto conum nonulla facilit nit lorem delesto ea feui blandre eui tet lam IS NULLA FEUGAIT aut venim nostrud min ut wissecte magni- bh et nim incillandre do commy non hendip eu feugait lobore magnim am, quisciduis nulluptatum venit in velendi gnissenit, sequat. Equat. Ut iliscidunt la commy nostion hendiam commod dit velendrero diat, vel ing ex elit at pratin esectet nonullan heniam doloreet amcore do eu facil utpat. RCILIQUATET VULLAN ute commy nullaorem ip ero consectet lum vel ulput veliquis exerosting endreros aut ilis at. Lesto do- lorperci tio dolutpat ullaore riurerit in henim iusci bla at. Gait atummolore tie te er ipisim dit wisl ipsum dunt velis aliquat. NONUMMO LOBORERO etumsandrem dolorperatem do duis acidunt vel ullamet nosto coreet alis aliquipit vent adignisim ipsuscipit in Del ut lutat aute mincill andipsustis do exeraestrud eum nissed essequat nonulput volore tem adit er ip elenit. Atmosfera FENÔMENOS ATMOSFÉRICOS Principal objeto de estudo dos meteorologistas, eles se formam com diferentes reações químicas que ocorrem na atmosfera. Nuvem, chuva, neve, granizo, geada, vento e massas de ar são formados por causa de certas condições de umidade, pressão e temperatura. EL NIÑO Esse fenômeno se forma duas vezes a cada dez anos na época do Natal, com o enfraquecimento dos ventos alísios, que normalmente sopram as águas aquecidas do Pacífico do leste para o oeste – da costa da América do Sul até a região da Indonésia. Como essas águas quentes e úmidas permanecem na costa sul-americana, elas provocam chuvas nessa área e seca na Indonésia e Austrália. CLIMAS DO MUNDO São dez os principais tipos climáticos do mundo: equatorial, tropical, mediterrâneo, temperado, sub- tropical, desértico, semiárido, frio de montanha, frio e polar. Fatores como latitude, altitude, proximidade do mar, pressão atmosférica e influência das correntes marítimas determinam as diferenças entre os climas. CLIMAS DO BRASIL O Brasil possui seis tipos climáticos prin- cipais: equatorial, tropical, semiárido, tropical de altitude, tropical atlântico e subtropical. A ocorrência de chuvas e a temperatura média são os critérios mais importantes para definir os climas no Brasil. AQUECIMENTO GLOBAL O efeito estufa é um fenômeno na- tural, no qual os gases presentes na atmosfera retêm o calor recebido do Sol. A emissão de gases por indústrias, veículos, desmatamento e agropecuária potencializa o fenômeno e pode ser um dos causadores do aquecimento global. ENERGIAS ALTERNATIVAS Uma das alternativas para reduzir a emissão de gases do efeito estufa é a adoção de fontes de energia renovável. No Brasil, quase metade da energia utiliza- da é proveniente de recursos renováveis. Entre as principais energias alternativas destacam-se a eólica (produzida pelos ventos), a solar (proveniente do Sol) e a biomassa (feita com matéria orgânica). PROTOCOLO DE KYOTO E ACORDO DE PARIS O Protocolo de Kyoto foi estabelecido em 1997 com o objetivo de diminuir a emissão de gases do efeito estufa. Ele previa que os países desenvolvidos deveriam cortar suas emissões de dióxido de carbono e outros gases, mas isentava os países em desenvol- vimento da obrigação de reduzir as emissões. O acordo não funcionou e foi substituído pelo Acordo de Paris. Assinado em dezembro de 2015, ele obriga todos os 195 países signatários a estabelecer metas para o corte de emissões de gases do efeito estufa, de modo a evitar que o aquecimento médio do planeta ultrapasse os 2 ºC até 2100. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta. a) 1 – 6 – 5 – 3 – 2 – 4 b) 1 – 6 – 5 – 2 – 4 – 3 c) 1 – 2 – 4 – 5 – 3 – 6 d) 4 – 6 – 5 – 3 – 2 – 1 e) 4 – 6 – 5 – 2 – 1 – 3 RESOLUÇÃO Nos climogramas, as barras indicam pluviosidade e a linha a temperatura. Sendo assim, temos: Climograma 1: indica elevadas temperaturas médias, baixa amplitude térmica anual e chuvas abundantes no decorrer do ano todo, o que é típico do clima equatorial, característico do domínio morfoclimático amazônico. Climograma 2: representa o clima tropical típico, que é marcado pela existência de dois períodos distintos: um chuvoso e outro de baixa pluviosidade. O domínio do cerrado é característico desse tipo de clima. Climograma 3: está ligado a uma variação de clima tropical: o de altitude. Embora contenha características pluviométricas semelhantes ao clima tropical típico, possui médias térmicas inferiores e se liga ao domínio de mares de morros. Climograma 4: representa o clima tropical úmido, típico do litoral oriental nor- destino, que concentra as chuvas no outono e no inverno. O domínio dos mares de morros engloba as áreas sujeitas ao clima tropical úmido. Climograma 5: indica um clima semiárido, presente no domínio da caatinga, com altas temperaturas médias e pluviosidade baixa e irregular no decorrer do ano. Climograma 6: está ligado ao clima subtropical, de alta amplitude térmica anual e chuvas bem distribuídas no decorrer do ano, típico do domínio das pradarias. Resposta: B �SAIBA MAIS O clima corresponde ao comportamento do tempo atmosférico durante um longo período. No Brasil os principais fatores climáticos são: a latitude, a altitude, as massas de ar e a continentalidade. A diferença climática no Brasil permite que haja grande variação de temperatura no nosso território. Como podemos verifi car no mapa abaixo, há predominância das maiores temperaturas médias anuais na Região Norte, fenômeno que pode ser explicado pela baixa latitude, o que resulta em elevada insolação durante o ano. Em contrapartida, os valores de temperatura na Região Sul do país são os mais baixos em razão de sua localização em latitudes médias, o que resulta na ação mais intensa das massas polares. TEMPERATURA MÉDIA ANUAL EM 2014 empraba.gov.br VEN DA P ROIB IDA 94 GE GEOGRAFIA 2018 CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO � Ecologia ...............................................................................................................96 � A evolução do planeta ....................................................................................98 � Vegetação no mundo ....................................................................................100 � Biomas brasileiros .........................................................................................106 � Preservação e conservação ........................................................................110 � Código Florestal .............................................................................................111 � Conferências ambientais ............................................................................112 � Como cai na prova + Resumo .....................................................................1145 BIOSFERA Há muitos anos, cientistas do Brasil e do mundo vêm apontando como o desma-tamento aliado à ocorrência de períodos de seca podem provocar profundas alterações na Floresta Amazônica e fazer com que ela sofra um processo de “savanização”. Ou seja, a exuberante floresta tropical perderia biomassa e daria lugar a uma vegetação mais rala, com árvores espaçadas e menos folhas, bem parecida com o Cerrado brasileiro. Dois estudos recentes, um do Instituto de Pesquisa Climática de Postdam (PIK), da Ale- manha, e outro de um grupo de cientistas bra- sileiros de diversas instituições, jogaram mais luzes sobre essa questão. De modo geral, eles mostram a ocorrência de um ciclo vicioso de seca e diminuição florestal na Amazônia. A derrubada de árvores de grande porte, que têm maior capacidade de regular as chuvas, afeta diretamente o clima, que tende a ficar mais seco. Por sua vez, a redução das precipitações provoca a morte de mais árvores. Resumindo: quanto menor a floresta, maior a seca, e, quanto maior a seca, menor a floresta. Essa alteração climática não fica restrita apenas à região. Por meio do fenômeno conhecido como “rios voadores”, a umidade e o vapor d’água da Amazônia são transportados para outros lugares, regulando o ciclo hidrológico de diversos pontos do país. Logo, as alterações no clima da Amazônia também afetariam outras regiões brasileiras. O fato é que é impossível dissociar esse proble- ma da ação humana, que intensifica o fenômeno por meio da emissão de gases do efeito estufa e da derrubada das árvores. O governo brasileiro comprometeu-se a acabar com o desmatamento ilegal da Floresta Amazônica até 2030, mas está longe de atingir essa meta. No ano passado, a área desmatada cresceu 28%, atingindo 7.989 quilômetros quadrados – um território equiva- lente a cinco vezes a cidade de São Paulo. Foi a maior taxa registrada desde 2008. Pará, Mato Grosso e Rondônia foram os estados que apre- sentaram os maiores índices de perda florestal, somando 75% do desmatamento. Nas próximas páginas, você encontrará mais informações sobre a Amazônia e outros biomas brasileiros. Abordamos também os perigos mais laten- tes aos ecossistemas mundiais e as ações governamentais para tentar frear as amea- ças ao meio ambiente. A combinação de desmatamento e seca pode fazer com que a maior floresta tropical do planeta se transforme em uma região com as características do Cerrado A Amazônia sob risco de “savanização” SOBREVIVENTE Árvore isolada no meio de uma fazenda na cidade de Novo Progresso (PA), na região da Amazônia: a devastação do bioma aumentou 28% em 2016 em relação ao ano anterior VEN DA P ROIB IDA 95GE GEOGRAFIA 2018 UESLEI MARCELINO/REUTERS VEN DA P ROIB IDA 96 GE GEOGRAFIA 2018 5 BIOSFERA ECOLOGIA O termo ecologia ganhou destaque nas últimas décadas, juntamente com a relevância crescente dos assuntos relacionados ao meio ambien- te. Muitas vezes esse termo é usado de forma indevida ou superficial, como em afirmações do tipo “Defenda a ecolo- gia”. Na verdade, trata-se da ciência que estuda as relações dos seres vivos entre si ou com o ambiente em que vivem. A ecologia é um conteúdo multidiscipli- nar que engloba estudos de Biologia, Geografia, Geologia, Química, entre outras áreas curriculares. Veja a seguir alguns conceitos essen- ciais para a compreensão da ecologia, como ecossistema, bioma, biosfera e biodiversidade: Ecossistemas Os ecossistemas são sistemas dinâ- micos resultantes da interdependência entre os fatores físicos do meio am- biente e os seres vivos que o habitam. Os nutrientes, a água, o ar, os gases, a energia disponível e as substâncias orgânicas e inorgânicas num ambiente constituem a parte abiótica (não viva) Delicado equilíbrio A relação que os seres vivos mantêm entre si e com o ambiente que habitam forma um ciclo natural que sustenta a vida no planeta de um ecossistema. O conjunto de seres vivos é chamado de biota e é composto de três categorias de organismos: as plantas, os animais e os decomposito- res – microrganismos que decompõem plantas e animais e os transformam em componentes simples, reciclados. Uma floresta, um rio, um lago ou um simples jardim são exemplos de ecos- sistemas. Eles se misturam e interagem. Os ecossistemas podem, também, ser subdivididos em pequenas unidades bióticas, conhecidas como comunida- des biológicas. Elas são formadas por duas ou mais populações de espécies que interagem e são interdependentes – como o conjunto da flora e da fauna de um lago. Já o termo habitat se refere a um ambiente ou ecossistema que ofere- ce condições especialmente favorá- veis à sobrevivência de certa espécie. Por exemplo, o cerrado é o habitat do lobo-guará. Um ecossistema pode ser o habitat de diversas espécies para as quais oferece alimento, água, abrigo, entre outras condições essenciais à reprodução da vida. PERFEITA HARMONIA Aves tuiuiús e caturritas em árvore do Pantanal: o Brasil abriga uma das mais ricas biodiversidades do planeta VEN DA P ROIB IDA 97GE GEOGRAFIA 2018 � O QUE ISSO TEM A VER COM BIOLOGIA Veja abaixo uma descrição resumida dos cinco reinos da natureza: Reino Monera: organismos unicelulares procariontes, como bactérias e cianobactérias Reino Protista: seres unicelulares eucariontes, como algas, protozoários e amebas Reino dos Fungos: seres eucariontes, unicelulares e pluricelulares, como mofos, bolores, cogumelos e leveduras Reino Vegetal: seres pluricelulares autótrofos, com células revestidas de uma parede de celulose, como briófitas (musgos), pteridófitas (samambaias), gimnospermas (pinheiros) e angiospermas (plantas com flores e frutos) Reino Animal: organismos pluricelulares e heterótrofos, que inclui os vertebrados (um subfilo dos cordados, que abrange animais com esqueleto interno, coluna vertebral, cérebro e medula espinhal) e os invertebrados (animais sem coluna vertebral nem cérebro) Para saber mais, veja o GUIA DO ESTUDANTE BIOLOGIA Biomas Os grandes conjuntos relativamen- te homogêneos de ecossistemas são chamados de biomas. O termo bioma designa as comunidades de organismos estáveis, desenvolvidas e bem adaptadas às condições ambientais de uma grande região – pense na Floresta Amazônica ou na tundra ártica. Na Geografia, o estudo dos biomas tem como um dos focos principais a vegetação, elemento que se destaca na paisagem. Biosfera A biosfera ou “esfera da vida” é o con- junto de todos os biomas do planeta. Ela faz referência a todas as formas de vida da Terra em escala global – dos reinos monera, protista, animal, vegetal e dos fungos – em conjunto com os fatores não vivos que as sustentam. A biosfera abran- ge desde as profundezas dos oceanos, que atingem cerca de 11 mil metros, até o limite da troposfera, camada inferior da atmosfera, que atinge uma altitude de cerca de 12 mil metros. Entre os seres vivos, os humanos são os que possuem a maior capacidade de intervenção (positi- va e negativa) no equilíbrio das diversas formas de vida que constituem a biosfera. Biodiversidade O termo biodiversidade abarca toda a variedade das formas de vida (animais, vegetais e microrganismos), espécies e ecossistemas, em uma região ou em todo o planeta. É uma riqueza tão grande que se ignora o número de espécies vegetais e animais existentes no mundo. A estimati- va é de que haja cerca de 14 milhões, mas até agora somente 1,7 milhão foi classi- ficado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A biodiversidade garante o equilí- brio dos ecossistemas e, por tabela, do planeta todo. Por isso, qualquer dano provocado a ela não afeta somente as espécies que habitam determinado lo- cal, mas toda uma fina rede de relações entre os seres e o meio em que vivem. A principal ameaça à biodiversidade do planeta é justamente a ação humana. De acordo a World Wildlife Fund, uma das ONGs ambientalistas mais ativas no mundo, em menos de 40 anos o planetaperdeu 30% de sua biodiversidade, sen- do que os países tropicais tiveram uma queda de 60% nesse período. SAIBA MAIS PEGADA ECOLÓGICA Segundo a organização não governamental World Wildlife Fund, o homem está consumindo 30% a mais dos recursos naturais que a Terra pode oferecer. Se continuarmos nesse ritmo predatório de exploração dos recursos naturais, em 2030 a demanda atingirá os 100%, ou seja, precisaremos de dois planetas para sustentar o mundo. A pressão das atividades humanas sobre os ecossistemas é medida pela pegada ecológica. Ela nos mostra se o nosso estilo de vida está de acordo com a capacidade do planeta de oferecer seus recursos naturais, de renová-los e de absorver os resíduos produzidos pela atividade humana. O índice, apresentado em hectares globais, representa a superfície ocupada por terras cultiva- das, pastagens, florestas, áreas de pesca ou edificadas. Em tese, a sustentabilidade do planeta estaria garantida se cada pessoa no mundo utilizasse 1,8 hectare de área (quase dois campos de futebol). O problema é que essa média é de cerca de 2,7 hectares. Nos países desenvolvidos, esse número é ainda maior – o índice dos Estados Unidos, por exemplo, é de 8 hectares por pessoa. O Brasil apresenta um índice um pouco maior que a média mundial: 2,9 (veja mapa abaixo). THIAGO BAZZI < 1,7 > 6,7 5,1 - 6,7 3,4 - 5,1 1,7 - 3,4 Fonte: Global Footprint Network PEGADA ECOLÓGICA MUNDIAL Em hectares por pessoa VEN DA P ROIB IDA 5 98 GE GEOGRAFIA 2018 BIOSFERA A EVOLUÇÃO DO PLANETA Qual é a origem da vida na terra? Nosso planeta surgiu 5 bilhões de anos atrás, após uma complexa cadeia de eventos. As primeiras formas de vida apareceram 1,5 bilhão de anos depois, e o nascimento do homem ocorreu há “apenas” 100 mil anos Da massa de moléculas inanimadas de carbono surgiu a vida há 3,5 bilhões de anos. Parece milagre, mas é pura química. O planeta, então, era frequentemente bombardeado por meteoros, restos da explosão inicial Há quase 5 bilhões de anos, uma estrela explodiu num canto da Via Láctea, espalhando poeira pelo espaço. A gravidade começou a juntar os grãos de poeira em pedaços cada vez maiores. Assim surgiu a Terra 3 BILHÕES As células se espalham pela Terra. Mas o processo é lento, diante da queda de meteoros. O planeta, ainda novo, guarda o calor da explosão estelar, e seu interior quente vive vazando por vulcões. Outro problema são os tórridos raios solares 2 BILHÕES A agitação cósmica e geológica aos poucos vai diminuindo, enquanto o planeta esfria. Forma-se a camada de ozônio, que torna os raios solares menos nocivos e permite o surgimento de formas de vida mais complexas 1 BILHÃO Aparecem células mais complicadas, os eucariontes, que possuem todas as organelas. A vida vai, aos poucos, tomando o planeta, protegida do Sol pela camada de ozônio. Os meteoros são cada vez mais raros 600 MILHÕES Surgem os primeiros organismos multicelulares – todos invertebrados. A variedade de vida aumenta de maneira impressionante. Os oceanos se povoam com os seres mais estranhos ERA ARQUEOZOICA ERA PROTEROZOICA No decorrer da história do planeta, os continentes navegaram sobre a rocha derretida (veja mais na pág. 30) VEN DA P ROIB IDA 99GE GEOGRAFIA 2018 De tempo em tempo, a vida na Terra sofre um grande golpe e ocorre uma extinção em massa. Foi assim há meio bilhão de anos, quando boa parte dos seres sumiu de repente. Pouco se sabe sobre a tragédia – mas a prova de que ela aconteceu são as conchas fossilizadas de animais marinhos, cuja diversidade teve uma brusca redução Há 230 milhões de anos ocorreu outra grande extinção. Das espécies marinhas, 96% simplesmente sumiram. Algumas teorias acreditam que grandes erupções vulcânicas tenham provocado isso. Essa extinção em massa, conhecida como a do fim do Permiano, foi muito pior do que a que acabou com os dinossauros A culpa pela extinção em massa que assolou o planeta há 65 milhões de anos, matando os dinossauros, geralmente é atribuída a um meteoro, embora ainda haja dúvidas. Paradoxalmente, o cataclismo foi um impulso para a vida: abriu espaço para que outras espécies se desenvolvessem. Fenômeno parecido aconteceu em outras grandes extinções Vivemos hoje outra imensa extinção em massa, esta com uma causa bem diferente das outras: a ação humana. Centenas de espécies somem todos os dias por causa da perda de habitats, principalmente nas florestas tropicais. O homem já é a maior força transformadora do planeta, superando tempestades, furacões e terremotos 400 MILHÕES Há 350 milhões de anos, os vertebrados saem do mar – surgem os anfíbios. Todos os continentes estão unidos em um só grande bloco – a Pangeia, que começa a ser habitada por muitas plantas primitivas (veja mais na pág. 30) 300 MILHÕES Os répteis aparecem há 300 milhões de anos e, em seguida, tomam o planeta. Os primeiros dinossauros passam a ser vistos em todos os continentes. Os insetos também se diversificam muito 200 MILHÕES Há 200 milhões de anos surgem os mamíferos – então não muito mais que ratinhos insignificantes com características de répteis. A Terra ainda é dos dinossauros. Outra inovação: as plantas ganham flores 100 MILHÕES Com a extinção dos dinossauros, há 65 milhões de anos, sobra espaço para os mamíferos. Eles se tornam maiores e mais diversificados e herdam o trono do planeta. As aves também se espalham HOJE Surge o homem – há apenas 100 mil anos, insignificantes para a longa história do planeta. A nova espécie vem alterando a Terra como nenhuma antes fizera ERA PALEOZOICA ERA MESOZOICA ERA CENOZOICA 500 MILHÕES Aparecem os peixes primitivos – não muito diferentes dos atuais tubarões. São os primeiros vertebrados. A Terra fica mais interessante 1 2 3 4 1 2 3 4 LUIZ IRIA, RODRIGO MAROJA E DENIS RUSSO BURGIERMAN/REVISTA SUPERINTERESSANTE VEN DA P ROIB IDA 100 GE GEOGRAFIA 2018 5 Vegetação mediterrânea Tundra Vegetação de montanha Floresta de coníferas Floresta tropical Estepe/pradaria/pampas Savana/cerrado Floresta temperada Deserto Fonte: The Times Concise Atlas of the World BIOSFERA VEGETAÇÃO NO MUNDO As diferentes paisagens do planeta Conheça as características e a localização dos principais tipos de formação vegetal do planeta Na Geografia, as diferentes for-mações vegetais da Terra são analisadas do ponto de vista da distribuição geográfica, das característi- cas fisionômicas e das suas relações com o clima, o relevo, os solos e o substrato rochoso. O estudo da vegetação também deve ser feito sob o ponto de vista da exploração econômica pelo homem e as consequências socioambientais da derrubada das florestas. Veja a seguir as principais formações vegetais do planeta, onde elas se loca- lizam e quais são suas características mais marcantes. 1 DESERTO Nos desertos, a vegetação é esparsa e de poucas espécies. Como as regiões áridas têm índices pluviométricos abaixo de 250 milímetros ao ano, as plantas são xeromórficas, ou seja, adaptadas à ausência de chuvas – os cactos, por exemplo, armazenam água e desenvolvem espinhos no lugar das folhas, para reduzir a evapotranspiração (perda de água na fotossíntese). Nos desertos frios, que ficam em altas latitudes (Patagônia, por exemplo, na América do Sul), as temperaturas variam pouco durante o dia. Já os desertos quentes, como do Atacama, da Austrália e do Saara, ficam em regiões tropicais e, no decorrer do dia, apresentam grande variação de temperatura, despencando de mais de 40 ºC durante o dia para índices abaixo de zero à noite. TIPOS DE VEGETAÇÃO NO MUNDO RESISTENTES Nos desertos, como o do Atacama (Chile), as plantas são adaptadas à falta de água [1] VEN DA P ROIB IDA 101GE GEOGRAFIA 2018 2 VEGETAÇÃO DE MONTANHA A vegetação de montanha é rasteira, formada apenas de ervas e arbustos que, a duras penas, conseguem sobreviver no clima hostil.Algumas características como folhas duras (coriáceas) ajudam a resistir ao frio e aos fortes ventos das altitudes elevadas. Esse tipo de formação vegetal pode ser encontrado em diversas regiões montanhosas pelo mundo, como as encostas da Cordilheira dos Andes (na América do Sul), dos Alpes (na Europa), da Cordilheira do Himalaia (na Ásia) e das Montanhas Rochosas (nos Estados Unidos). 3 FLORESTA DE CONÍFERAS OU FLORESTA BOREAL Floresta homogênea, de pinheiros e abetos, com folhas em formato de agulha (aciculifoliadas) e copas em forma de cone, que acumulam menos neve durante o longo inverno das regiões de latitudes médias e elevadas. No solo, o frio rigoroso também impõe duras limitações para o desenvolvimento das espécies vegetais: há pouca vegetação rasteira, como alguns liquens, musgos e arbustos. A floresta de coníferas é intensamente explorada como matéria-prima para importantes indústrias madeireiras, de papel e celulose. Essa formação é encontrada principalmente no norte da Europa, da América e da Ásia (onde é chamada de taiga). AINDA DE PÉ A floresta de coníferas, encontrada na Letônia, é explorada pela indústria madeireira NAS ALTURAS Só vegetação rasteira consegue suportar o clima hostil das Montanhas Rochosas (EUA) [1] DIVULGAÇÃO [2] MARCELO SACCO [3] iSTOCK PHOTOS [2] [3] APONTE O CELULAR PARA AS PÁGINAS E VEJA VIDEOAULA SOBRE VEGETAÇÃO E BIOMAS (MAIS INFORMAÇÕES NA PÁG. 7) VEN DA P ROIB IDA 102 GE GEOGRAFIA 2018 5 4 TUNDRA Desenvolve-se em uma das regiões mais frias do mundo, a do clima subpolar, como no norte da Rússia. Ela é formada por musgos e algumas espécies herbáceas que aparecem no solo somente nos poucos meses de degelo, quando o verão eleva a temperatura para 4 ºC, em média. No resto do ano, o solo fica coberto de neve, motivo pelo qual é denominado permafrost (permanentemente congelado). Por ter uma relação direta com o degelo nas regiões subpolares, a tundra é utilizada como bioindicador para o estudo de possíveis aumentos das temperaturas globais e suas consequências nesse frágil bioma. 5 ESTEPE (CAMPOS, PAMPAS, PRADARIAS) Típica de áreas de clima temperado continental, a estepe é uma formação vegetal pobre, sem árvores, constituída basicamente de gramíneas, que se estende sobretudo em regiões planas, podendo ser encontrada também em relevo montanhoso, como nos planaltos tibetanos. Dependendo da área onde se localiza, recebe um nome diferente: campos, no Brasil; pampas, na Argentina; e pradaria, nos Estados Unidos e no Canadá. Essa flora também é encontrada na África, na Ásia Central e em trechos da Austrália. Por ser constituída de gramíneas, que são pastagens naturais, é comum encontrar, nessas regiões, a agropecuária como atividade econômica principal. O relevo plano e o solo fértil em algumas dessas áreas favorece a produção agrícola. BIOSFERA VEGETAÇÃO NO MUNDO VEGETAÇÃO SUBPOLAR A tundra, formada por musgos e herbáceas, aparece nos poucos meses do degelo em regiões como Manitoba, no Canadá AGROPECUÁRIA As pradarias norte-americanas possuem solos férteis e uma pastagem natural [1] [2] VEN DA P ROIB IDA 103GE GEOGRAFIA 2018 6 FLORESTA TEMPERADA É uma cobertura vegetal típica das latitudes médias – aparece no norte da China, na Coreia do Sul, no Japão, no leste dos Estados Unidos, na Europa e no sudeste da Austrália e Nova Zelândia. Essa floresta é formada por árvores decíduas, chamadas ainda de estacionais, caducas ou caducifólias, ou seja, que perdem as folhas no inverno para suportar as baixas temperaturas. As poucas espécies de árvore, como carvalhos, bordos e faias, são espaçadas, e o solo é recoberto por gramíneas. Grande parte da floresta temperada, contudo, já foi devastada – na Europa, por exemplo, de 70% a 80% da cobertura original já foi perdida; na China, de 80% a 90%. 7 FLORESTA TROPICAL Vegetação das áreas de baixas latitudes, quentes e úmidas; as plantas têm folhas largas (latifoliadas), que absorvem mais energia solar, e são perenes, isto é, não caem no “inverno”, pois as temperaturas permanecem elevadas. O solo é coberto por húmus, formado pela decomposição de galhos, troncos e folhas. As florestas tropicais cobrem grande parte da América do Sul (Região Amazônica), da América Central, da zona equatorial da África, do Sudeste Asiático e do Subcontinente Indiano. ITEM RARO Quase 90% da cobertura original de florestas temperadas na China já foi derrubada ZONA EQUATORIAL A Região Amazônica abriga uma quente e úmida floresta tropical [1] iSTOCK PHOTOS [2] EDWIN OLSON [3] IVAN WALSH [4] iSTOCK PHOTOS [3] [4] VEN DA P ROIB IDA 104 GE GEOGRAFIA 2018 5 8 VEGETAÇÃO MEDITERRÂNEA A vegetação mediterrânea é formada por espécies adaptadas a períodos secos, como os garrigues, o maqui – arbustos, moitas e árvores pequenas, como oliveiras – e o chaparral, similar ao maqui, mas menos denso. Essa formação vegetal é encontrada no litoral do Mar Mediterrâneo, na Califórnia (EUA), na Austrália e na África do Sul. A oliveira, da qual se extrai o azeite de oliva, e o loureiro, cuja folha é utilizada como tempero, são espécies nativas da vegetação temperada. O clima mediterrâneo também favorece a produção de uvas e concentram as principais vinícolas do mundo. 9 SAVANA (CERRADO) Na savana, presente em áreas de baixas latitudes, as plantas são rasteiras e há pequenas árvores, distribuídas de maneira esparsa, alternadas com bosques com vegetação arbórea mais desenvolvida. Nas regiões mais secas, predomina a vegetação rasteira e espinhosa. A savana é uma vegetação estacional, marcada por duas estações bem definidas: o período seco (no inverno) e o período chuvoso (no verão). Essas formações são encontradas na África, na Ásia (Índia, principalmente), na Austrália e na América, onde recebe os nomes específicos de lhanos (na Venezuela) e cerrado (no Brasil). A ocorrência de uma prolongada estação seca faz com que as plantas desenvolvam adaptações para reservar e obter água, como as folhas coriáceas e as raízes profundas para atingir o lençol freático. BIOSFERA VEGETAÇÃO NO MUNDO ISOLADAS As pequenas árvores distribuídas de forma esparsa são uma característica da savana africana NA MOITA Arbustos e pequenas árvores são típicas da vegetação mediterrânea, presente na Espanha[1] [2] VEN DA P ROIB IDA 105GE GEOGRAFIA 2018 PARA IR ALÉM O documentário Home – Nosso Planeta, Nossa Casa, de Yann Arthus-Bertrand, mostra exuberantes imagens aéreas de diversas paisagens e suas transformações decorrentes das ações antrópicas: www.youtube.com/ homeproject SAIBA MAIS HOTSPOTS – AS ZONAS EM PERIGO As zonas do planeta mais ricas em biodiversidade e mais ameaçadas de destruição são defi- nidas pelo conceito hotspots (em inglês, pontos quentes), criado em 1988 pelo ecólogo inglês Norman Myers. São 34 regiões ou biomas, incluindo a Mata Atlântica e o Cerrado brasileiro. Atualmente, elas representam apenas 2,3% da superfície da Terra, mas 50% das espécies de plantas e 42% das de vertebrados terrestres são endêmicas dessas regiões. Os hotspots já perderam 70% da vegetação original. Os 34 hotspots concentram 2,3% da superfície terrestre 50% da flora 42% dos vertebrados São áreas que já perderam, ao menos, 70% da vegetação original HOTSPOTS* Polinésia- Micronésia Polinésia- Micronésia Nova Zelândia Nova Zelândia Zona litorânea da Califórnia Ilhas do Caribe Andes tropical Japão Filipinas Cerrado Florestas chilenas Mata Atlântica Bacia do Mediterrâneo Montanhas do sudoeste da China Montanhas da Ásia CentralCáucaso HimalaiaAnatólia e Irã Litoral oeste da Índia e Sri Lanka Nova Caledônia Ilhas da Melanésia Ocidental Sudoeste da Austrália Madagáscar e ilhas do oceano Índico Chifre da África Florestas costeiras da África Oriental Planaltos do México Florestas da América Central e do México Galápagos e litoral de Equador e Colômbia Região da Cidade do Cabo Florestasda África Ocidental Malásia e Indonésia Ocidental Indonésia Central Sudeste Asiático Litoral da Namíbia e África do Sul Sudeste sul-africano Montanhas da África Oriental AS REGIÕES RICAS EM DIVERSIDADE BIOLÓGICA MAIS AMEAÇADAS DO PLANETA (2013) Fonte: The Times Concise Atlas of the World Gelo e neve Tundra Taiga Florestas Temperadas Florestas Tropicais Equador Latitude Polo Alta A lt it u d e Baixa A VARIAÇÃO DAS COBERTURAS VEGETAIS DE ACORDO COM A LATITUDE E A ALTITUDE A RELAÇÃO ENTRE CLIMA E VEGETAÇÃO Para estudar os principais tipos de vege- tação, é importante conhecer sua relação com os demais elementos naturais, como o clima. A variação da temperatura e da umidade é um dos fatores que mais in- fluenciam as formações vegetais. À medida que diminui tanto a tempe- ratura como a umidade, menos exube- rante se torna a vegetação e com me- nor número de espécies, ou seja, menor biodiversidade. A região intertropical, mais próxima à linha do Equador, reú- ne o chamado “ótimo climático”: altas temperaturas, pluviosidade elevada e luz intensa, propiciando o desenvolvimento das florestas tropicais pluviais, além de milhares de espécies vegetais. É o caso da Amazônia, que abriga a mais rica bio- diversidade do planeta. Conforme avançamos para altas latitu- des e nos aproximamos dos polos, onde há escassez de luz e baixas temperaturas, a variedade de plantas diminui progressiva- mente (veja na figura). A tundra, presente no extremo norte da Rússia e do Canadá, é formada por musgos e algumas espécies herbáceas, que surgem nos poucos meses em que a neve derrete. Mas a ausência de umidade, mesmo em regiões quentes como a zona intertropical, leva à formação de desertos, onde poucas espécies se adaptam. Isso também ocorre em regiões com disponibilidade de água, porém com temperaturas muito baixas a ponto de congelá-la (regiões polares), formando os desertos frios. [1] [2] iSTOCK PHOTOS VEN DA P ROIB IDA 5 106 GE GEOGRAFIA 2018 BIOSFERA BIOMAS BRASILEIROS Patrimônio em perigo O Brasil é a nação com a maior biodiversidade do planeta, mas seus seis grandes biomas estão sob uma ameaça persistente O Brasil é, de longe, o campeão mundial de biodiversidade: para ter uma ideia, de cada cinco espécies de animais e vegetais conhecidas do planeta, uma encontra-se aqui. O país apresenta, ainda, a maior diversidade de primatas, anfíbios e insetos. Em boa parte, toda essa riqueza deve-se à extensão de seu território e aos diversos climas que caracterizam seus biomas. Está no território nacional a maior floresta tropical úmida (Floresta Amazônica), com mais de 30 mil espécies vegetais, bem como a maior planície inundável (o Pantanal), além do Cerrado, da Caatinga e da Mata Atlântica. Entretanto, como no resto do mundo, sobretu- do nas últimas décadas, o Brasil assistiu, quase impassível, à deterioração de seus ambientes naturais, em virtude de males contemporâneos como a urbanização descontrolada, a explo- ração mineral, o desmatamento a serviço da agropecuária e a poluição. A seguir, conheça toda a exuberância dos seis grandes biomas brasileiros, conforme definição do IBGE, e as ameaças a esse riquíssimo manancial de vida. 1 CAATINGA � O BIOMA A Caatinga limita-se apenas ao território brasileiro, o que significa que sua biodiversidade é única em todo o mundo. Seus 826,4 mil quilômetros quadrados representam cerca de 10% do território brasileiro. Apesar do clima semiárido, a Caatinga é pontilhada por “ilhas de umidade”, de solo extremamente fértil. Vivem nesse bioma cerca de 1,2 mil espécies de planta – 360 delas endêmicas (que não ocorrem em nenhum outro lugar do planeta) – e outras tantas de mamíferos, aves, répteis e anfíbios. Quanto à vegetação, as plantas da Caatinga são xerófilas, ou seja, adaptadas ao clima seco e à pouca quantidade de água. Algumas armazenam água; outras possuem raízes superficiais para captar o máximo das chuvas. Há as que contam com recursos para diminuir a transpiração, como espinhos e poucas folhas. A vegetação é formada por três estratos: o arbóreo, com árvores de 8 a 12 metros; o arbustivo, com vegetação de 2 a 5 metros; e o herbáceo, abaixo de 2 metros. � A AMEAÇA Os maiores problemas enfrentados pela região são a salinização do solo e a desertificação de grandes áreas, o que acarreta em um processo de redução da vegetação e da capacidade produtiva do solo. Estima-se que, no decorrer dos últimos 15 anos do século passado, 40 mil quilômetros quadrados de caatinga tenham se transformado em deserto. Alguns dos responsáveis por isso são a exploração da vegetação para a produção de lenha e carvão, a contaminação do solo por agrotóxicos e o emprego de técnicas de irrigação inadequadas para o tipo de solo existente ali. Acredita-se que cerca de 50% do bioma já tenha sofrido algum tipo de deterioração e que 20% estejam completamente degradados. BIOMAS BRASILEIROS Fonte: Ibama 2012 AMAZÔNIA PANTANAL PAMPA MATA ATLÂNTICA CAATINGA CERRADO RASO DA CATARINA A região do norte baiano é rica em cactus, vegetação típica da Caatinga DESMATAMENTO Área desmatada 53% Área ocupada por corpos d’água 1% Área de vegetação remanescente 46% Caatinga (826.411 km2 – 2009) 1 2 3 6 4 5 [1] VEN DA P ROIB IDA 107GE GEOGRAFIA 2018 2 CERRADO � O BIOMA O segundo maior bioma brasileiro ocupa uma área de 2 milhões de quilômetros quadrados (cerca de 24% do território brasileiro), coberta pela mais rica flora de savana tropical do mundo. São mais de 11 mil espécies vegetais – 44% delas endêmicas (que não ocorrem em nenhum outro lugar do planeta). A fauna também é riquíssima, com centenas de espécies de mamíferos, aves, répteis e anfíbios. Quanto à vegetação, caracteriza-se pela presença de pequenos arbustos e árvores retorcidas, com casca grossa. Encontram-se, ainda, gramíneas e o cerradão, tipo mais denso de cerrado que abriga formações típicas de florestas esparsas e disseminadas entre arbustos. � A AMEAÇA O Cerrado é uma das regiões mais ameaçadas do globo. Ele é considerado pelos ambientalistas um dos 34 biomas do planeta que exigem atenção especial de preservação, os hotspots (veja mais na pág. 105). De fato, com a Mata Atlântica, é o bioma brasileiro que mais sofreu alterações com a ocupação humana. Sessenta por cento de sua área total é destinada à pecuária, e 6%, à monocultura intensiva de grãos – entre eles, a onipresente soja. A agropecuária fez aumentar a deterioração de uma terra já ferida com o garimpo, a contaminação dos rios por mercúrio, a erosão do solo e o assoreamento dos cursos de água. O cerrado já perdeu quase a metade da vegetação e, se nada for feito para reverter a situação, o bioma pode desaparecer até 2030. Alguns especialistas apontam que o cerrado já está em um ciclo irreversível de extinção e que sua cobertura original não pode mais ser recuperada. 3 MATA ATLÂNTICA � O BIOMA Com clima tropical, quente e úmido, a Mata Atlântica possui um relevo de planaltos e serras. Quanto à vegetação, entre as florestas tropicais, a Mata Atlântica é a que apresenta a maior biodiversidade por hectare do planeta, com espécies vegetais como ipê, quaresmeira, cedro, palmiteiro, imbaúba, jequitibá-rosa e figueiras. A vegetação remanescente guarda ainda cerca de 20 mil espécies de planta – 8 mil, endêmicas (que não ocorrem em nenhum outro lugar do planeta). De exuberante biodiversidade, apresenta, em alguns locais, mais de 450 espécies de árvore num único hectare. A região reúne, ainda, centenas de espécies de mamíferos, aves, répteis e anfíbios. � A AMEAÇA Como o Cerrado, a Mata Atlântica também é considerada um hotspot, uma das 34 áreas do planeta que exigem ação preservacionista mais urgente. Sua cobertura vegetal ocupava, originalmente, mais de 1 milhão de quilômetros quadrados, cerca de 13% do território nacional. No entanto, restam apenas cerca de 22% do volume original. Ele foi o bioma que maissofreu com a urbanização do país – hoje, as cidades da região concentram cerca de 60% da população brasileira. Ecossistema associado à Mata Atlântica, a Mata de Araucárias, localizada, sobretudo, na Região Sul, é o ambiente que sofreu o maior grau de devastação em termos percentuais no país – restam apenas cerca de 2% dos quase 100 mil quilômetros quadrados originais. A derrubada indiscriminada para a expansão das áreas de cultivo e para a produção de papel, celulose e móveis está por trás desse trágico cenário. CONTORCIONISMO As árvores retorcidas do cerrado PARAÍSO AMEAÇADO A Mata Atlântica contorna a Praia do Félix, em Ubatuba (SP) DESMATAMENTO Área ocupada por corpos d’água 1% Área desmatada 48% Área de vegetação remanescente 51% Cerrado (2.039.386 km2 –2010) Área ocupada por corpos d’água 2% Área desmatada 76% Área de vegetação remanescente 22% Mata Atlântica (1.103.961 km2 – 2009) [1] CLAUDIO LARANGEIRA [2] GLADSTONE CAMPOS [3] RENATO PIZZUTTO [2] [3] VEN DA P ROIB IDA 5 108 GE GEOGRAFIA 2018 5 PAMPA (CAMPOS SULINOS) � O BIOMA Esse bioma cobre 177,8 mil quilômetros quadrados, equivalentes a cerca de 2% do território brasileiro. Os Pampas são vastas extensões de campos limpos, de solo coberto por gramíneas e pontilhado de pequenos arbustos, onde proliferam milhares de espécies de plantas, mamíferos e aves. São campos típicos do Rio Grande do Sul. A região plana, de vegetação aberta e de pequeno porte, forma um tapete herbáceo que não atinge 1 metro de altura, com pouca variedade de espécies. Sete tipos de cactus e de bromélia são endêmicos dos Pampas. � A AMEAÇA A ocupação humana acelerada e o emprego de técnicas não sustentáveis de cultivo e criação resultaram na formação de areais em algumas áreas. Os Pampas sofrem, ainda, com a caça predatória e o bombeamento de água dos banhados – ecossistemas alagados, com densa vegetação de juncos e aguapés. 4 AMAZÔNIA � O BIOMA Com 4,2 milhões de quilômetros quadrados (equivalentes a cerca de 49% do território nacional), o bioma Amazônia é o maior do país. A paisagem é dominada pela Floresta Amazônica e pela maior bacia hidrográfica do mundo. Essa floresta tem vegetação de folhas largas (latifoliadas), comuns em regiões de clima equatorial, quente e úmido. Ele apresenta três tipos de mata: de igapó (parte do solo inundado); de várzea (periodicamente inundadas); e de terra firme (nas partes mais elevadas do relevo, livres de inundação). Mas, longe de ser uma área homogênea de floresta tropical, o bioma também abarca áreas de campos abertos e manchas de cerrado. As espécies que habitam a região – desde plantas até aves e mamíferos – representam cerca de 20% do total de espécies conhecidas do planeta. � A AMEAÇA Todos os anos, a região perde milhares de quilômetros quadrados de vegetação, pelo corte de árvores e pelas queimadas. A floresta tem sido derrubada para a exploração de madeira, a agropecuária, a mineração, além de outras atividades econômicas. O agronegócio responde por uma parcela significativa do desmatamento generalizado: nada menos do que cerca de 40% da produção de carne e soja do país se concentra na Amazônia Legal. Nesse avanço, é visível uma mancha de mata derrubada, conhecida como Arco do Desflorestamento, que representa cerca de 12% da cobertura original da Amazônia (veja o mapa abaixo). Apesar de a área desmatada na Amazônia ter desacelerado nos últimos dez anos, o indicador retomou a trajetória de alta de dois anos para cá. Entre agosto de 2015 e julho de 2016, o total desmatado foi de 7.989 km2, um aumento de 29% em relação ao período anterior. PARA IR ALÉM O site do Instituto Imazon apresenta informações referentes a políticas públicas e ações não governamentais na Amazônia. Disponibiliza também vídeos e mapas sobre a região: www.imazon.org.br Maranhão Rondônia Acre Amazonas Roraima Pará Tocantins Amapá Mato Grosso Desmatamento até 2012 Formação não florestal Floresta ZONAS DA AMAZÔNIA LEGAL DE ACORDO COM A COBERTURA VEGETAL Fonte: Imazon EXUBERANTE A floresta tropical da Amazônia é a maior do mundo, com 30 mil espécies de plantas CAMPO LIMPO Os pampas são típicos do Rio Grande do Sul DESMATAMENTO BIOSFERA BIOMAS BRASILEIROS Área ocupada por corpos d’água 4% Área desmatada 12% Amazônia (4.196.943 km2 – 2007) Área de vegetação remanescente 84% Área ocupada por corpos d’água 10% Área desmatada 54% Área de vegetação remanescente 36% Pampa (177.767 km2 – 2009) [1] [2] VEN DA P ROIB IDA 109GE GEOGRAFIA 2018 6 PANTANAL � O BIOMA Situado na bacia do Rio Paraguai, o Pantanal cobre cerca de 1,8% do território nacional, com 151,3 quilômetros quadrados. O menor bioma brasileiro é a maior área alagada de água doce do mundo. Mais de 80% da região permanece intocada, onde proliferam milhares de espécies conhecidas de plantas, aves, mamíferos, répteis e anfíbios. É considerada uma área de transição entre a Amazônia e o Cerrado, ao norte, e o chaco, na bacia do Rio Paraguai, ao sul. Esse mosaico de ecossistemas intercala regiões de cerrado e floresta úmida, além de áreas aquáticas e semiaquáticas. Quanto à vegetação, podem ser identificadas três áreas: as alagadas, as periodicamente alagadas e as que não sofrem inundação. Nas áreas alagadas, a vegetação de gramíneas desenvolve-se no inverno e serve de alimento para o gado. Nas de eventuais alagamentos, encontram-se, além de vegetação rasteira, arbustos e palmeiras, como o buriti. Nas que não sofrem inundação, predominam os cerrados e espécies arbóreas da floresta tropical. � A AMEAÇA As transformações no Pantanal são lentas, mas implacáveis. A degradação agravou-se nas últimas duas décadas, com o crescimento das cidades e a ocupação da cabeceira de importantes rios que cortam a região. A navegação nos rios Paraguai e Paraná põe em risco as frágeis matas ciliares. Mas a maior ameaça vem da agropecuária: as queimadas para renovação das pastagens, a contaminação das águas e do solo por pesticidas e a introdução de espécies exóticas de capim. O turismo desorganizado, bem como a caça e a pesca predatórias, completam o pacote. Apesar disso, ainda é o bioma mais preservado do Brasil. ZONAS LITORÂNEAS Ao lado dos seis grandes biomas, os ambientalis- tas destacam a zona costeira brasileira como uma região particular, que abriga centenas de ecossiste- mas extremamente ricos e delicados. São mais de 7 mil quilômetros de extensão de litoral, marcados por manguezais, dunas, falésias, praias, recifes e lagunas. O litoral brasileiro pode ser dividido em quatro zonas distintas: � Litoral amazônico, do Rio Oiapoque ao Delta do Parnaíba, trecho coberto por manguezais e matas de várzea. � Litoral nordestino, do Delta do Parnaíba ao Recôncavo Baiano, que alterna dunas, falésias, restingas e manguezais. É o habitat de várias espécies de tartaruga e do peixe-boi-marinho, em risco de extinção. � Zona litorânea do Sudeste, do Recôncavo à divisa entre São Paulo e Paraná. Apesar de ser a região mais densamente povoada, é também a que pre- serva as maiores porções de Mata Atlântica. � Litoral sul, que abrange a costa de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, caracteriza-se por manguezais, costões e, a partir de Torres (RS), por uma faixa contínua de praia. A biodiversidade desses ecossistemas está em constante risco, diante da urbanização e suas con- sequências, como desmatamento de encostas e con- taminação das águas. A especulação imobiliária é a maior destruidora da vegetação nativa, que resulta no deslocamento de dunas e no desabamento de morros. O afluxo exagerado de turistas às cidades litorâneas sobrecarrega os precários sistemas de saneamento e polui os córregos e o mar. Os ecos- sistemas da zona costeira também são degradados pelos rios que vêm do interior do país e despejam no litoral resíduos agrícolas e efluentes industriais. Um dos ambientes mais ameaçados por tudoisso são os mangues. Esses ricos ecossistemas – com centenas de peixes, crustáceos e plantas – funcionam como filtros naturais: as raízes parcialmente submersas das árvores retêm sedimentos e impurezas, impe- dindo sua chegada ao mar. ECOSSISTEMA DE TRANSIÇÃO O Pantanal é a maior área alagada de água doce do mundo DESMATAMENTO Área desmatada 15% Área ocupada por corpos d’água 2% Área de vegetação remanescente 83% Pantanal (151.313 km2 – 2009) [1] IRMO CELSO [2] CLAUDIO LARANGEIRA [3] VALDEMIR CUNHA [3] VEN DA P ROIB IDA 110 GE GEOGRAFIA 2018 55 BIOSFERA PRESERVAÇÃO E CONSERVAÇÃO Com a evolução da consciência ambiental ao longo das décadas, foram sendo criados mecanismos legais para proteger áreas de grande importância ecológica. Foi assim que surgiram os parques nacionais, esta- duais e municipais, as reservas ecológi- cas ou extrativistas e as áreas de prote- ção ambiental. Dentro desse âmbito, podem ser iden- tificadas duas correntes de pensamento: o preservacionismo, que coloca em pri- meiro plano a necessidade de proteção dos ecossistemas e dos habitats naturais e em segundo plano as populações humanas dessas áreas. Já o conservacionismo de- Os limites da exploração Mecanismos legais de proteção ambiental tentam regulamentar o uso da terra e proteger os ecossistemas brasileiros fende a necessidade de se protegerem os ecossistemas naturais juntamente com as populações humanas, em especial os po- vos tradicionais que vivem nesses locais. A primeira área criada oficialmente para a proteção da flora e da fauna no mundo foi o Parque Nacional de Yellow- stone, nos Estados Unidos, no ano de 1872. Esse parque tinha como objetivo proteger legalmente a vida selvagem e preservar áreas de grande beleza cê- nica, sem a presença de populações humanas. Tratava-se, portanto, de uma visão preservacionista. Esse enfoque também foi adotado em outros países, incluindo o Brasil, onde foi criado o Parque Nacional de Itatiaia, no estado do Rio de Janeiro, na década de 1930. Diversas outras ações semelhan- tes surgiram no país sob essa mesma perspectiva, mas, ao longo do século XX, a visão conservacionista passou a influenciar a criação de Unidades de Conservação (UCs), ou seja, as popula- ções locais passaram a ser consideradas corresponsáveis pela conservação das áreas protegidas. Atualmente o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc) – criado pela lei federal nº 9.985, de 18 de julho de 2000, e gerenciado pelo Ministério do Meio Ambiente – classifica as áreas protegidas em dois grupos: � Unidades de Proteção Integral – permite apenas o uso indireto dos re- cursos naturais, por meio de pesquisa científica, atividades educacionais e turismo ecológico. O objetivo prin- cipal é a preservação da natureza. � Unidades de Uso Sustentável – pre- vê a exploração parcial dos recursos naturais, de acordo com legislação específica para cada área protegi- da. O objetivo é tornar compatível a conservação da natureza com o uso sustentável dos recursos naturais. Em 2016, o Brasil tinha 2.175 uni- dades de conservação continentais, sendo 687 Unidades de Proteção In- tegral e 1.488 de Uso Sustentável. No total, as áreas protegidas no Brasil so- mam 1.583 quilômetros quadrados – o que representa cerca de 18% do territó- rio nacional. Há uma forte concentração de áreas protegidas na Amazônia (cerca de 27,7% do bioma é designado unidade de conservação). Isso não significa que não ocorram transgressões, já que há desmatamentos ilegais, poluição das águas e desrespeito aos direitos dos po- vos tradicionais (indígenas, ribeirinhos, seringueiros). A Mata Atlântica e o cerra- do, os dois biomas brasileiros na lista de hotspots mundiais (veja mais na pág. 105), possuem bem menos áreas protegidas do que a Amazônia (veja gráfico abaixo). Amazônia Caatinga Cerrado Mata Atlântica Pampa Pantanal Total em terra Total no mar Fonte: Ministério do Meio Ambiente UNIDADES DE CONSERVAÇÃO (2016) Proporção em área do bioma em unidades de conservação federais, estaduais e municipais, até agosto no ano Preservado Não preservado 27,7% 7,7% 8,6% 10% 2,7% 4,6% 17,9% 1,6% 72,3% 92,3% 91,4% 90% 97,3% 95,4% 82,1% 98,4% RESERVA NATURAL O Parque Nacional de Itatiaia foi criado para preservar sua fauna e flora originais [1] VEN DA P ROIB IDA 111GE GEOGRAFIA 2018 5 BIOSFERA CÓDIGO FLORESTAL 1 . ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP) São áreas, cobertas ou não por vegetação nativa, que devem ser protegidas. Essas áreas têm a função ambiental de preservar recursos hídricos, paisagens, estabilidade geológica, biodiversidade, além de proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas que vivem no local. As APPs representam cerca de 20% do território nacional. PRINCIPAIS PONTOS • São admitidos alguns usos, desde que considerados de interesse social ou baixo impacto, somente em áreas rurais consolidadas – trata-se dos imóveis estabelecidos antes da promulgação da Lei de Crimes Ambientais, em julho de 2008. • As multas referentes aos desmatamentos realizados pelas áreas rurais consolidadas serão convertidas em serviços de preservação e melhoria do meio ambiente. APP Topos de morro São consideradas APPs os morros com altura mínima de 100 metros e inclinação média de 25º. APP Encostas São consideradas APPs as encostas com declive acima de 45º. Aquelas com declividade inferior a 45º agora podem ser exploradas sem restrições. APP Nascentes Um raio mínimo de 50 metros deve ser preservado nas áreas não desmatadas. Nas áreas rurais consolidadas, a proteção passou a ser de 15 metros no mínimo. APP Manguezais São consideradas APPs em toda a sua extensão. A nova lei prevê a criação de camarão e salinas em áreas de apicuns e salgados. A ÁREA DE PRESERVAÇÃO VARIA CONFORME O BIOMA 2 . RESERVA LEGAL Área localizada no interior de propriedade rural necessária ao uso sustentável dos recursos naturais. É proibido desmatar a área de reserva legal, mas é permitida a exploração econômica com manejo sustentável. PRINCIPAIS PONTOS • O percentual mínimo de cada propriedade a ser preservado como reserva legal varia conforme o bioma (veja ao lado). Em alguns casos, é permitido incluir as APPs nesse percentual. AMAZÔNIA 80% CERRADO (na Amazônia Legal) 35% CERRADO (fora da Amazônia Legal) 20% OUTROS 20% [2] APP Mata ciliar É a formação vegetal presente nas margens de rios, córregos, lagos, represas e nascentes. Sua preservação é importante para evitar o assoreamento dos rios, proteger as nascentes e conservar a biodiversidade. Nas áreas ainda não desmatadas, prevalece o estabelecido na lei anterior: a faixa de mata ciliar protegida varia de 30 a 500 metros, conforme a largura do curso d’água. Mas o novo Código é menos rigoroso com as áreas rurais consolidadas. De modo geral, nessas áreas, a faixa de mata ciliar a ser preservada varia de 5 a 100 metros, conforme o tamanho do imóvel e independentemente da largura do rio. O Código Florestal brasileiro foi cria-do em 1934 para regulamentar a exploração dos recursos naturais como a madeira, a borracha e a água. Em 2012, essas regras foram modifi cadas a fi m de equilibrar desenvolvimento eco- nômico e preservação ambiental. Mas as negociações para a aprovação do novo Có- digo Florestal opuseram os interesses dos grandes proprietários, que defendiam a fl exibilização da lei para a expansão agro- pecuária, e dos ambientalistas, favoráveis a regras mais rígidas para o desmate. A legislação ambiental no Brasil O Código Florestal brasileiro regulamenta o uso da terra para tentar equilibrar desenvolvimento econômico e preservação ambiental Os principais pontos da lei aprovada dizem respeito às regiões em que é per- mitido o desmate e às zonas que devem ser protegidas em uma propriedade par- ticular. Ela regulamenta o uso da terra nas áreas de preservação permanente (APPs),como topos de morro, encostas e nascentes, e nas reservas legais (veja as defi nições abaixo). A redução das áreas protegidas e a isenção de multa a quem desmatou até 2008 são os temas mais controversos. Veja, a seguir, os princi- pais aspectos da lei ambiental. O NOVO CÓDIGO FLORESTAL [1] LEO FELTRAN [2] FARREL/AE VEN DA P ROIB IDA 112 GE GEOGRAFIA 2018 5 BIOSFERA CONFERÊNCIAS AMBIENTAIS Devido à pressão crescente da comunidade científica, além de ONGs, movimentos sociais e ou- tros setores da sociedade civil, as questões ambientais passaram a integrar a agenda política internacional. Desde o primeiro evento com a presença de chefes de Es- tado para tratar da temática ambiental, ocorrido em Estocolmo, em 1972, até a Rio+20, em 2012, houve alguns avanços no combate à degradação ambiental, como a aprovação de documentos, ado- ção de princípios comuns e assinatura de convenções em defesa do meio ambiente. Avançou-se também na perspecti- va adotada: a maioria dos governantes concorda atualmente que a questão am- biental não está desvinculada das ques- Ambientalismo em pauta Eventos internacionais reúnem lideranças políticas e científicas para debater as questões ambientais. Mas os compromissos dos países para promover os avanços necessários ainda são tímidos tões sociais, ou seja, não basta cuidar do meio ambiente, é preciso atender às necessidades das populações humanas, sobretudo dos mais pobres. Critica-se, porém, a lentidão na implantação de medidas que de fato contribuam para essas transformações, condicionadas às relações econômicas. Os principais eventos ambientais O primeiro evento com a presença de chefes de Estado para tratar da te- mática ambiental foi a Conferência Mundial de Estocolmo, ocorrido em 1972 na capital da Suécia. Promovida pela ONU, o encontro abordou pela pri- meira vez a produção dos países ricos como causa importante da degradação VEN DA P ROIB IDA 113GE GEOGRAFIA 2018 SAIBA MAIS DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL A pressão sobre a biodiversidade do pla- neta advém principalmente de um padrão de desenvolvimento econômico baseado na superexploração dos recursos naturais. Para tentar impor limites ao uso predatório do meio ambiente, a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento da Organi- zação das Nações Unidas (ONU) apresentou, em 1987, o relatório Nosso Futuro Comum, que define o importante conceito norteador de desenvolvimento sustentável, aquele que “atende às necessidades do presente, sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas necessidades”. A ideia de sustentabilidade diz respeito à noção de que a sociedade deve viver com os recursos naturais que o meio ambiente pode lhe fornecer, e não com o que ela deseja que a Terra lhe forneça. O desafio é aliar o progresso econômico à preservação do meio ambiente, o que exige uma mudança no mo- delo de desenvolvimento e nos padrões de consumo vigentes. da natureza. Foram debatidas também questões referentes ao controle de na- talidade e a estagnação econômica. A Declaração de Estocolmo reuniu 26 princípios e ações voltadas para a redução dos impactos ambientais. A Eco 92 também representou ou- tro marco importante. A conferência mundial sobre meio ambiente realizada no Rio de Janeiro, em 1992, foi organi- zada com o objetivo de minimizar os impactos ambientais a partir de um modelo de desenvolvimento mais justo e sustentável (veja mais sobre o conceito de sustentabilidade ao lado). O encon- tro aprovou o documento Convenção sobre a Mudança do Clima, que trata do aquecimento global, e a Convenção FALTA PLANEJAMENTO PARA QUE O BRASIL INVISTA NUM MODELO VERDE, DIZ ESTUDO Enquanto parte do mundo investe em uma nova indústria que produza mais, poupe ener- gia e, assim, suje menos o ambiente com gases do efeito estufa, o Brasil segue parado nessa transição. É o que concluiu um estudo sobre o setor feito pelo Instituto Escolhas (...). “O grosso da indústria nacional é de baixa e média tecnologias. É também bastante poluente e ineficiente, com uma aposta em commodities sem valor agregado”, afirma Ricardo Sennes, diretor da consultoria Pros- pectiva. (...) A atual indústria de base do país, que fabrica insumos para setores fundamen- tais da economia, como a construção civil, é dependente de muita energia para operar. (...) Folha de S.Paulo, 28/11/2016 SAIU NA IMPRENSA sobre a Diversidade Biológica, sobre a preservação de ecossistemas. Além disso, elaborou a Agenda 21, um plano que estabelece estratégias globais para promover o desenvolvimento susten- tável no mundo, que envolve mudan- ças de padrão de consumo e produção, principalmente pelos países mais ricos. A partir da Eco 92, estabeleceu-se a realização de encontros anuais, deno- minados Conferência Geral das Partes (cuja sigla é COP), para aprofundar as discussões ambientais. Na terceira COP, realizada em Kyoto, no Japão, foi assi- nado o Protocolo de Kyoto, o primeiro acordo oficial com metas e prazos para a redução de gases do efeito estufa (veja mais na pág. 90). Dez anos depois da realização da Eco 92, a cidade de Johannesburgo, na África do Sul, sediou a Rio+10 para discutir os avanços obtidos desde o encontro no Rio de Janeiro. Ao final do evento foi elabo- rado um plano para a implementação da Agenda 21, que, entretanto, frustrou expectativas por ter sido apenas um documento de diretrizes e soluções, que não tinha força de lei. Em 2012, o Rio de Janeiro voltou a reunir lideranças mundiais de todo o mundo para fazer um balanço da Eco 92. A Rio+20 desenvolveu o conceito de “economia verde”, que propõe a constru- ção de uma sociedade sustentável, que freie a degradação do meio ambiente e, simultaneamente, combata a pobreza e as desigualdades. O documento “O futuro que queremos” mantém o princípio das “responsabilidades comuns, mas diferen- ciadas”, cuja diretriz determina que os países ricos devem arcar com os maiores custos ambientais por terem emitido mais poluentes para se desenvolverem. Essa discussão domina o debate am- biental atualmente. O acordo obtido na COP-21, realizada em dezembro de 2015 em Paris, representa um importante pas- so nesse sentido, já que estabeleceu a criação de um fundo de 100 bilhões de dólares anuais, financiado pelos países ricos, para auxiliar as nações em desen- volvimento. Mas o fato de as metas para redução das emissões de gases serem voluntárias pode restringir os avanços (veja mais na pág. 90). MARCO ECOLÓGICO A Eco 92, realizada no Rio de Janeiro, em 1992, reuniu autoridades de todo o mundo para debater a mudança climática e a preservação ambiental WILSON PEDROSA/ESTADÃO CONTEÚDO/AE VEN DA P ROIB IDA 114 GE GEOGRAFIA 2018 COMO CAI NA PROVA5 1.(Enem 2016) (segunda aplicação) CÚPULA DOS POVOS COMEÇA COMO CONTRAPONTO À RIO+20 Enquanto a conferência ofi cial no Riocentro, na Barra, é restrita a participantes credenciados, que só entram depois de passar por um forte controle de seguran- ça, a Cúpula dos Povos é aberta ao público, em tendas ao ar livre no Aterro do Flamengo. Ela é aberta também às tribos e discussões mais diversas, em mesas de debate e painéis geridos pelos próprios participantes, buscando promover a mobilização social. Problemas ambientais, econômicos, sociais, políticos e de minorias serão discutidos no evento, afi rma uma ativista norte-americana, em alusão ao movimento que ocupou Wall Street, em Nova York, no ano passado. Disponível em. www.bbc.co.uk. Acesso em: 14 ago. 2012. Uma articulação entre as agendas ambientalistas e a antiglobalização indica a a) humanização do sistema capitalista fi nanceiro. b) consolidação do movimento operário internacional. c) promoção de consenso com as elites políticas locais. d) constituição de espaços de debates transversais globais. e) construção das pautas com os partidos políticos socialistas. RESOLUÇÃO A Cúpula dos Povos foi um evento paralelo à ConferênciaRio+20, ocorrida no Rio de Janeiro em 2012. Ela teve um caráter democrático e permitiu a participação de pessoas de várias partes do mundo, com o objetivo de discutir os temas abordados no âmbito das reuniões ofi ciais. Dessa forma, movimentos sociais e populares, sindicatos, organizações da sociedade civil e ambientalistas de todo o mundo presentes na Cúpula dos Povos puderam realizar debates, tendo como temas principais a justiça social e questões ambientais. Dessa forma, os participantes do evento mostraram como as demandas de ambientalistas e de movimentos antiglobalização são convergentes, justifi cando a realização de um debate paralelo. Resposta: D 2. (CFTMG 2017) Observe o mapa em sequência. A partir da análise do mapa, é INCORRETO afi rmar que a vegetação primária indicada pela letra a) C, caracteriza-se por espécies latifoliadas de grande porte, com regimes pluviométricos elevados. b) D, possui um perfi l morfológico diverso, englobando desde campos herbáceos até árvores esparsas. c) B, é relativamente homogênea, sendo historicamente impactada pela explo- ração da madeira e da celulose. d) A, é marcada pela presença de pequenos vegetais espaçados entre si, com predominância de líquens e musgos. RESOLUÇÃO A alternativa incorreta, como pede a questão é a A. A área C apresenta descrição errada, pois corresponde às pradarias, também denominadas campos ou estepes. É caracterizada por formações vegetais arbustivas e herbáceas, além de vegetação xerófi la em alguns casos. É um tipo de vegetação associada a clima temperado continental e semiárido. As outras regiões apontadas no mapa podem ser identifi cadas da seguinte forma: A letra A indica a formação vegetal chamada de tundra. A letra B corresponde às fl orestas boreais, também chamadas de fl oresta de coníferas ou taiga. A letra D corresponde a formação vegetal denominada savana. Resposta: A 3. (UEL 2017) Analise as fi guras a seguir. Disponível em: <http://www.ispn.org.br/arquivos/mapa-desmatamento-cerrado.jpg>. Acesso em: 12 ago. 2016. As fi guras 1 e 2 mostram a distribuição da vegetação no bioma Cerrado nos estados brasileiros. Cite e explique dois fatores que justifi cam as alterações ocorridas ao longo do tempo. RESOLUÇÃO Em meados do século XX, o bioma do Cerrado, um tipo de vegetação complexo adaptado ao clima tropical, localizado principalmente na porção central do Brasil, passou por um intenso processo de degradação ambiental. Cerca de 50% de sua cobertura vegetal foi devastada. Esse fato está associado à abertura de rodovias e à construção de Brasília. Podemos relacionar a devastação também à expansão da fronteira agrícola na região. O governo estimulou a ocupação das terras para a realização de práticas agropecuárias, fato que incentivou um crescente fl uxo migratório (do Sul, do Sudeste e do Nordeste). A expansão do cultivo da soja e a utilização do Cerrado para pastagens ampliaram os problemas ambientais e também explicam a representação na Figura 2. VEN DA P ROIB IDA 115GE GEOGRAFIA 2018 RESUMO Biosfera BIODIVERSIDADE É a variabilidade de organismos vivos de todas as origens existentes (animais, vegetais e microrganismos) nos ecossistemas terrestres e aquáticos. A biodiversidade for- nece a matéria-prima para produtos essenciais à sobrevivência humana, incluindo madeira, alimentos e medicamentos. Ações humanas como desmatamentos, ocupação desordenada e poluição de solos e rios são a grande ameaça à diversidade biológica e provocam extinção de espécies. SUSTENTABILIDADE O conceito de desenvolvimento sus- tentável propõe utilizar os recursos naturais de forma que a natureza os consiga repor, para garantir as necessidades das gerações futuras. Essa ideia tem como objetivo conciliar o desenvolvimento econômico com o respeito ao meio ambiente. ECOSSISTEMAS São áreas de qualquer dimensão onde há uma relação de interdependência entre os seres vivos (plan- tas, animais e decompositores) e os fatores físicos do meio ambiente, como o solo e a água. VEGETAÇÃO NO MUNDO São nove os principais tipos de vege- tação: deserto, estepe (campos, pampas, pradaria), floresta de coníferas, floresta temperada, floresta tropical, savana/cerrado, tundra, vegetação de montanha e vegetação mediterrânea. As regiões de baixa latitude, onde há maior incidência de chuva e luz solar, propiciam maior diversidade vegetal. Conforme a latitude vai aumentando, a variedade de plantas diminui progressivamente. BIOMAS BRASILEIROS Biomas são comunidades formadas por organismos estáveis, desenvolvidas e bem adaptadas às condições ambientais de uma grande região. Os seis grandes biomas brasileiros são: a Amazônia (o maior do país), a Caatinga (exclusivamente brasileiro), o Cerrado (um dos mais ameaçados do mundo), a Mata Atlântica (possui apenas 22% de vegetação remanescente), o Pampa (também modificado, é usado como pastagem) e o Pantanal (o mais bem preservado). DESMATAMENTO A extração da madeira, a agropecuária, o avanço das cidades e a exploração mineral são as principais ações que exercem pressão sobre as florestas. Mais de 75% da cobertura vegetal original do mundo já foi desmatada. No Brasil, a Amazônia já perdeu 12% da sua cobertura original; a Mata Atlântica e o Cerrado estão entre os biomas mais amea- çados do planeta. CÓDIGO FLORESTAL Sancionado em outubro de 2012, o novo Código Florestal pretende regulamentar o uso da terra. Ambientalistas criticam a ampliação da área permitida para o desmatamento, o que era uma exigência dos produtores rurais. A isenção de multa a quem desmatou até 2008 é outro tema controverso. �SAIBA MAIS A região do Cerrado responde por mais de 60% de toda a produção de soja no Brasil. Veja no mapa abaixo como o seu cultivo ocupa quase a totalidade do bioma. O CERRADO E A ÁREA DE PRODUÇÃO DE SOJA NO BRASIL Fonte: Confederação Nacional do Transporte e IBGE Quantidade produzida de soja em milhares de toneladas Em 2013 30 a 300 Acima de 300 0 1000 Km Bioma do Cerrado 4. (Uerj 2016) BIODIVERSIDADE? CONHEÇO DE ALGUM LUGAR... Ter ouvido falar em biodiversidade é uma coisa. Saber definir o termo, outra – pelo menos segundo uma pesquisa global realizada pela União para o Bio- Comércio Ético (UEBT), associação sem fins lucrativos que busca promover o uso respeitoso da biodiversidade. Foram ouvidas mil pessoas em cada um dos dezesseis países participantes, incluindo o Brasil. Por aqui, embora 92% dos entrevistados já tenham ouvido falar no assunto, apenas 44% deles conseguem dar uma definição satisfatória do termo – um número alto se comparado à média mundial, de 28%. Ainda segundo os resultados da pesquisa, a televisão e o rádio são as maiores fontes de informação que os brasileiros têm sobre biodiversidade, seguidas pela escola e por artigos em jornais e revistas. Adaptado de cienciahoje.uol.com.br, 30/07/2015. De acordo com a Convenção sobre a Diversidade Biológica de 1992, biodiver- sidade é a variedade de organismos vivos existentes no planeta ou em uma determinada região do globo, incluindo ecossistemas terrestres e marinhos. Aponte dois fatores que provocam a perda da biodiversidade de uma região. RESOLUÇÃO Entre os fatores que interferem negativamente na biodiversidade de uma região, é possível citar a urbanização – o habitat natural costuma ser afetado pela construção de estradas e por obras de infraestrutura. Também afetam a biodiversidade o desma- tamento para a introdução de culturas agrícolas ou pastagem e a contaminação dos ambientes por pesticidas, agrotóxicos e lixo industrial. VEN DA P ROIB IDA 116 GE GEOGRAFIA 2018 A TERRA É AZUL (E AMARELA) Imagem de satélite mostra o planeta visto do espaço – os pontos luminosos são da cidade de Moscou, capital da Rússia A superfície do planeta é dividida em seis continentes, as grandes extensões de terra emersas limitadas pelas águas de mares e oceanos. Eles ocupam 150.377.393 quilômetros quadrados, dimensão que corresponde a 29,4%da superfície total do globo. Mas nem sempre foi assim. Há cerca de 400 milhões de anos, as terras do planeta estavam reunidas em um único continente, chamado de Pangeia – em grego, pan significa toda; e geia, terra. Esse imenso bloco começou a rachar no sentido leste-oeste por volta de 200 milhões de anos atrás e, aos poucos, seus terri- tórios foram se afastando uns dos outros, dando origem aos continentes como conhecemos hoje (veja mais na pág. 30). A atual configuração física do globo foi estabelecida há 65 milhões de anos, em decorrência desse processo de deslocamento da crosta. O movimento constituiu os seis continentes existentes: África, América, Antártica (ou Antártida), Ásia, Europa e Oceania. A América, por sua vez, é subdividida em três: América do Norte, América Central e Confira a seguir um abrangente retrato físico, econômico e social das seis grandes extensões de terra do planeta O mundo em resumo CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO � Mapa-múndi ............................118 � Perfil dos continentes ..........120 � África ..........................................121 � América .....................................122 � Antártica ...................................123 � Ásia .............................................124 � Europa e Oceania ...................125 � Brasil ..........................................126 � Perfil das regiões ....................128 � Centro-Oeste e Nordeste ......129 � Norte e Sudeste .......................130 � Sul ...............................................131 DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A litosfera não é contínua, mas dividida em vários blocos, denominados placas tectônicas. Elas são separadas por grandes fendas vulcânicas em permanente atividade no fundo do mar. Através dessas fendas, o magma sobe à superfície. Isso expande o fundo do mar e movimenta, em várias direções, os blocos que formam a superfície (veja mais na pág. 30). A própria distribuição das superfícies continentais se dá de forma desigual, correspondendo a 40,4% da área do Hemisfério Norte e a apenas 14,4% da do Hemisfério Sul. As regiões polares também são distintas. No sul, há um continente – a Antártica – coberto por espessa camada de gelo; já no norte, existe uma grande depressão, coberta pelo Oceano Ártico. ATLAS 6 América do Sul. Vale ressaltar que o Ártico, região de mares e águas congeladas, não é um continente. Como você verá nas páginas seguintes, os continentes apresentam características físicas, sociais e econômicas bastante diferenciadas. VEN DA P ROIB IDA 117GE GEOGRAFIA 2018 POPULAÇÃO A Ásia é o maior e mais populoso dos continentes, reunindo quase 60% dos habitantes do globo. É também o berço de algumas das mais antigas civilizações e religiões do mundo. As duas nações com a maior população estão no continente asiático: China (1,4 bilhão de pessoas) e Índia (1,3 bilhão). Em contrapartida, o crescimento demográfico na Europa está pra- ticamente estagnado. No período entre 2010 e 2015, a ONU estima que sua população tenha crescido apenas 0,1%. Com isso, a Europa acaba necessitando de mão de obra especializada de outras partes do planeta. A discussão em torno da imigração ilegal de trabalhadores sem qualificação se torna cada vez mais intensa e tem sido motivo de criação de diversas – e polêmicas – legislações restritivas. Já na América, os Estados Unidos (EUA), por sua força econômica, são o principal polo receptor de imigrantes. Em 2015 viviam no país 43,3 milhões de imigrantes, que representam 13,5% da população total. Os mexicanos formam o maior grupo, constituindo 11,6 milhões – só no ano passado, pelo menos 140 mil pessoas migraram do México para os EUA. ECONOMIA Do ponto de vista dos recursos naturais, a Ásia abriga as maiores jazidas conhecidas de petróleo, em particular no Oriente Médio e nos países de sua região central. A África, por sua vez, apresenta os problemas sociais mais agudos, especialmente na região ao sul do Deserto do Saara (a África Subsa- ariana). Embora o continente reúna as maiores reservas de minérios e pedras preciosas do planeta, sua população vive em extrema mi- séria. Bolsões de pobreza também são encontrados na maior parte da Ásia e nas porções central e sul da América, que, com o México, formam a América Latina. A produção de riquezas concentra-se principalmente na América do Norte e na Europa: a soma do Produto Interno Bruto (PIB) dos países dessas regiões é superior a 50% do total do planeta. Nessas nações estão os indicadores sociais mais positivos do mundo, que garantem boas condições de vida a ampla parcela da população. Na Ásia, destacam-se China e Japão – segunda e terceira maiores economias mundiais, respectivamente. NASA VEN DA P ROIB IDA CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO POLO SUL Mar de Weddell Mar de Davis Mar de Ross Mar de Amundsen Mar de Bellingshausen CÍRCULO POLAR ÁRTICO RÚSSIA GROENLÂNDIA Finlândia SuéciaIslândia Noruega ALASCA CANADÁ POLO NORTE POLO SUL POLO NORTE ILHAS FALKLAND (MALVINAS) PANAMÁ ARGENTINA COLÔMBIA EQUADOR PERU VENEZUELA BRASIL ANTÁRTICA BOLÍVIA CHILE URUGUAI PARAGUAI GUIANA FRANCESA SURINAME GUIANA PORTO RICO REP. DOMINICANA HAITIJAMAICA CUBA NICARÁGUA COSTA RICA HONDURAS BELIZE GUATEMALA EL SALVADOR MÉXICO BAHAMAS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA CANADÁ ALASCA (EUA)RÚSSIA ILHAS HAVAÍ (EUA) ILHAS SAMOA TONGA OCEANO PACÍFICO OCEANO ATLÂNTICO TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO TRÓPICO DE CÂNCER CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO EQUADOR I. Marquesas (FRA) I. Tahiti (FRA) P O L I N É S I A Am . L at. e Ca rib e Áfr ica Ás ia Am . d o N ort e Eu rop a Oc ea nia 1.216,1 360,5641 Áfr ica Am . L at. e Ca rib e Ás ia Am . d o N ort e Eu rop a Oc ea nia 40,2 31,8 19,3 98,4 71,2 4,6 Áfr ica Am . d o N ort e Am . L at. e Ca rib e Ás ia Eu rop a Oc ea nia 40,1 79,5 82,6 48,7 74,2 71,3 Em milhões, 2016 POPULAÇÃO Habitantes/km², 2016 DENSIDADE Em %, 2016 POPULAÇÃO URBANA Fonte: Banco Mundial e ONU 0 1.000 2.000 3.000 4.000 5.000 4.436,2 738,8 39,6 0 10 30 50 70 20 40 60 90 80 0 20 10 30 40 50 70 90 60 80 118 GE GEOGRAFIA 2018 ATLAS MUNDO VEN DA P ROIB IDA Í PORTUGAL ESPANHA ANDORRA MÔNACO VATICANO SAN MARINO LIECHTENSTEIN ITÁLIA TURQUIA GEÓRGIA SÍRIACHIPRE BULGÁRIA GRÉCIA MALTA ALBÂNIA MACEDÔNIA RÚSSIA REINO UNIDO IRLANDA DINAMARCA NORUEGA SUÉCIA FINLÂNDIA ESTÔNIA LETÔNIA LITUÂNIA BELARUS UCRÂNIA MOLDÁVIA ROMÊNIA ALEMANHA HOLANDA BÉLGICA FRANÇA SUÍÇA LUXEMBURGO ESLOVÁQUIA REP. TCHECA ÁUSTRIA HUNGRIA ESLOVÊNIA BÓSNIA– HERZEGOVINA SÉRVIA CROÁCIA POLÔNIA FEDERAÇÃO DOS ESTADOS DA MICRONÉSIA Ilh as V irgen s (RUN) (EUA) I. Anguilla (RUN) I. S. Martin (FRA e HOL) ANTÍGUA E BARBUDA I. Guadalupe (FRA) DOMINICA I. Martinica (FRA) SANTA LÚCIA BARBADOS GRANADA TRINIDAD E TOBAGO I. Margarita (VEN) I. Blanquilla (VEN) I. Orchilla (VEN) I. La Tortuga (VEN) I. Bonaire (HOL) I. Curaçao (HOL) Mar do Caribe I. Aruba (HOL) AMÉRICA DO SUL REP. DOMINICANA SÃO CRISTÓVÃO E NÉVIS I. Montserrat (RUN) SÃO VICENTE E GRANADINAS Porto Rico (EUA) MONTENEGRO I. GEÓRGIA DO SUL LÍBIA TUNÍSIA ARGÉLIA MARROCOS PORTUGAL ESPANHA ITÁLIA TURQUIA GEÓRGIA UZBEQUISTÃO IRÃ ARÁBIA SAUDITA EGITO OMÃ EMIRADOS ÁRABES UNIDOS CATAR BAREIN KUWAITJORDÂNIA IRAQUE SÍRIA LÍBANO ISRAEL CHIPRE BULGÁRIA GRÉCIA ARMÊNIA AZERBAIJÃO MADAGASCAR MAURÍCIO COMORES SEICHELES SOMÁLIA ETIÓPIA DJIBUTI ERITREIASUDÃO SUDÃO DO SUL REPÚBLICA CENTRO- AFRICANA UGANDA QUÊNIA BURUNDI TANZÂNIA ZÂMBIA MALAUÍ MOCAMBIQUE SUAZILÂNDIA LESOTO ÁFRICA DO SUL BOTSUANA ZIMBÁBUENAMÍBIA ANGOLA REP. DEM. DO CONGO RUANDA IÊMEN MALI NÍGER CHADE CAMARÕES NIGÉRIA CONGO GABÃO GUINÉ EQUATORIAL TO GO BE N IN BURKINA FASSO COSTA DO MARFIM GA N A LIBÉRIA SERRA LEOA GUINÉGUINÉ-BISSAU GÂMBIA SENEGAL CABO VERDE MAURITÂNIA Ilhas Canárias SaaraOcidental AÇORES (POR) ÍNDIA SRI LANKA MALDIVAS MIANMAR CHINA BUTÃO NEPALPAQUISTÃO BANGLADESH LAOS TAILÂNDIA CAMBOJA BRUNEI MALÁSIA CINGAPURA INDONÉSIA FILIPINASVIETNÃ TAIWAN (FORMOSA) TIMOR-LESTE PAPUA NOVA-GUINÉ AUSTRÁLIA NOVA CALEDÔNIA (FRA) NOVA ZELÂNDIA FIJI VANUATU SALOMÃO KIRIBATI NAURU ILHAS MARSHALL JAPÃO COREIA DO NORTE COREIA DO SUL MONGÓLIA QUIRGUISTÃO TADJIQUISTÃO AFEGANISTÃO TURCOMENISTÃO CAZAQUISTÃO RÚSSIA ISLÂNDIA REINO UNIDO IRLANDA DINAMARCA NORUEGA SUÉCIA FINLÂNDIA ESTÔNIA LETÔNIA LITUÂNIA BELARUS UCRÂNIA ROMÊNIA ALEMANHA FRANÇA ÁUSTRIA HUNGRIA GROENLÂNDIA (DIN) Projeção Robinson SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE POLÔNIA OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO OCEANO ANTÁRTICO OCEANO ÁRTICO OCEANO ÍNDICO Mar do Norte Mar Mediterrâneo Mar Negro CÍRCULO POLAR ÁRTICO M E L A N É S I A M I C R O N É S I A TUVALU N 119GE GEOGRAFIA 2018 VEN DA P ROIB IDA PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) – 2015* (em % por continente) Europa 26,3 África 3,1 Ásia 33,5 América 34,6 Oceania 2,5 Europa 9,9 África 16,4 Oceania 0,5 Ásia 59,7 América 13,5 POPULAÇÃO – 2016* Distribuição, em % *Total de 7,432 bilhões em 2016 *Total mundial: 74,2 trilhões de dólares PIB PER CAPITA – 2015 (em dólares) 1.884 África 25.151 América 5.489 Ásia 25.714 Europa 46.623 Oceania ÁREA DISTRIBUÍDA (em %) Total mundial: 150.377.393 km2 Ásia 30,0 África 20,1 América 27,9 Europa 6,9 Oceania 5,7 Antártica 9,3 América Ásia Oceania Europa África Antártica Fontes: Fundo de Populações das Nações Unidas e Banco Mundial 120 GE GEOGRAFIA 2018 ATLAS MUNDO Perfil dos continentes O que dizem os números COMPARANDO ÁSIA E AMÉRICA A Ásia é o maior continente do planeta em área, superando por apenas 2,1% a América. No entanto, a população asiática representa quase 60% de todos os habitantes do mundo, muito acima dos indicadores da América, que somam apenas 13,5%. Esse elevado povoamento diz muito a respeito do Produto Interno Bruto (PIB) asiático, que é responsável por um terço de toda a riqueza produzida no mundo. Mas perceba que, mesmo com uma população quatro vezes menor que a asiática, a América tem um PIB 1,1% superior. Essa diferença se traduz nos dados de PIB per capita, ou seja, o quanto cada habitante do continente recebe por ano. Enquanto os asiáticos ganham apenas 5.489 dólares por ano em média, os trabalhadores da América recebem 25.151 dólares. VEN DA P ROIB IDA VEN DA P ROIB IDA 122 GE GEOGRAFIA 2018 ATLAS MUNDO AMÉRICA 72% do produto interno bruto das Américas é gerado nos Estados Unidos Três em um S egundo continente mais extenso, com área de 42 milhões de quilômetros qua-drados, a América é formada por duas grandes massas de terra (América do Norte e América do Sul), unidas por uma estreita faixa (América Central). Um sistema de cadeias mon- tanhosas percorre o território em sua porção oeste, sem interrupção, desde o Estreito de Magalhães, no extremo sul, até o Estreito de Bering, no extremo norte. Nenhum continente apresenta tamanho dese- quilíbrio regional quanto a América. Ao norte, os Estados Unidos (EUA) e o Canadá são duas das mais desenvolvidas nações do planeta, enquanto os outros países – que compõem a América Latina – estão num nível de desenvolvimento bem inferior. AMÉRICA DO NORTE A América do Norte é ocupada por três grandes paí- ses: Canadá, EUA – bastante desenvolvidos – e México, menos desenvolvido. DISTRIBUIÇÃO FÍSICA Compreende uma área de 23,4 milhões de quilômetros quadrados. Suas principais elevações se localizam a oeste, enquanto a maior bacia hidrográfica, a do Mississippi-Missouri, se situa a leste. A maior ilha do mundo fica na América do Norte: Groenlân- dia, com quase 2,2 milhões de quilômetros quadrados. Na porção norte, de clima continental frio, predominam as florestas de coníferas; o centro e o sudeste, de clima continental, são ocupados por florestas temperadas e pradarias; no sudoeste, há desertos. POPULAÇÃO Abriga cerca de 489,2 milhões de habitantes em 2016. A maioria descende de colonizadores europeus, de escravos africanos e de vários grupos de imigrantes. Os principais centros urbanos encontram-se na Cidade do México, em Nova York e Los Angeles. ECONOMIA É plenamente industrializada nos Estados Unidos e no Canadá e, em menor grau, no México. A América do Norte apresenta agricultura altamente me- canizada, com destaque para a produção de cereais, milho, soja e laranja. Além disso, possui vastas reservas de combustíveis fósseis e minérios. AMÉRICA CENTRAL A região, que responde por apenas 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB) da Amé- rica, sobrevive basicamente da agricultura e do turismo. Pelo Canal do Panamá, a principal passagem entre o Oceano Atlântico e o Pacífico, circulam 5% de todo o comércio marítimo mundial. A região abriga, ainda, a única nação comunista do continente americano: Cuba. DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A América Central, com 748,6 mil quilômetros quadrados, é formada pelo istmo que une a América do Norte à América do Sul e pelas ilhas do Mar do Caribe. O território centro-americano possui relevo montanhoso, com vários vulcões ativos. No verão, o Caribe é assolado por furacões, com ventos de até 300 quilômetros por hora. POPULAÇÃO Reúne 89,9 milhões de habitantes em 2016. A região é povoada em gran- de parte por mestiços, descendentes de índios, africanos e colonizadores europeus. ECONOMIA A agricultura emprega a maioria da população. A industrialização é incipiente e limita-se ao processamento de produtos agrícolas. O turismo na região do Caribe está em plena expansão. FENDA CONTINENTAL Navios cruzam o Canal do Panamá, que liga os oceanos Atlântico e Pacífico BELEZA AMERICANA O Grand Canyon, nos Estados Unidos, tem paredões com quase 2 mil metros de altura [1] [2] VEN DA P ROIB IDA 123GE GEOGRAFIA 2018 ANTÁRTICA Cerca de 70% das reservas de água doce da Terra estão sob a forma de gelo na Antártica AMÉRICA DO SUL A região possui vastos recursos naturais, mas também graves problemas sociais. O Brasil é a economia mais desenvolvida, enquanto Chile, Argentina e Uruguai apre- sentam melhor índice de desenvolvimento humano (IDH). DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A América do Sul conta com 17,8 milhões de quilômetros quadrados. A porção oeste é ocupada pela Cordilheira dos Andes, cujo ponto mais alto é o Pico Aconcágua (6.959 metros). As planícies centrais abrigam a bacia hidrográfica do Orinoco, a Amazônica e a do Prata. Na região norte, onde o clima é equatorial, encontram-se florestas latifoliadas tropicais úmidas. O sul possui faixas de clima desértico, como na região de Atacama, e uma zona temperada, ocupada por florestas subtropicais e pelos pampas argentinos. POPULAÇÃO A América do Sul tem 422,5 milhões de habitantes em 2016. A população é formada por des- cendentes de europeus (em especial espanhóis e por- tugueses), africanos e indígenas, contando com alta porcentagem de mestiços. ECONOMIA A indústria está centrada na produção agrí- cola e de bens de consumo. No Brasil e na Argentina, encontra-se mais diversificada, abrangendo setores como siderurgia e metalurgia. O Brasil é responsável por cerca de três quintos da produção industrial sul-americana. FENÔMENO AMAZÔNICO O famoso encontro das águas escuras do Rio Negro com o barrento Rio Solimões DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A Antártica é cercada pelas águas dos oceanos Atlântico, Pací- fico e Índico. É o lugar mais frio do globo com temperaturas inferiores a 0 ºC no verão e menores que -80 ºC no inverno. Sob a grossa camada de gelo, estende-se o Lago Vostok, um dos maiores do mundo, com 10 mil quilômetros quadrados de extensão. ECONOMIA As atividades humanas no continente restringem-se à pesca e à investigação científica. Diversas nações mantêm base de pesquisa na região, entre as quais o Brasil, que desenvolve atividades na Base Comandante Ferraz. Em 1991 foi assinado o Protocolo de Madri, que entrouem vigor em 1998. Esse documento proíbe por 50 anos a exploração econômica dos recursos naturais. A medida é preventiva, já que, até hoje, não foram en- contradas reservas de interesse comercial. Argentina, Austrália, Chile, França, Noruega, Nova Zelândia e Reino Unido reivindicam áreas no continente. O continente de gelo T ambém chamada de Antártida, a Antártica é coberta por uma enorme camada de gelo. A superfície do continente ocupa 14 milhões de quilômetros quadrados, e 99% de sua superfície é coberta por um manto de gelo que atinge quase 5 quilômetros de espessura. Essa massa de gelo é de extrema importância para o equilíbrio do planeta. Isso porque, além de concentrar cerca de 70% das reservas de água doce da Terra, interfere no nível dos oceanos, por causa das variações em sua extensão e espessura. No inverno, até 18 milhões de quilômetros quadrados do oceano em torno do continente ficam cobertos por uma fina camada de gelo. O buraco na camada de ozônio localiza-se em cima do continente e ameaça a estabilidade de suas geleiras (90% das existentes no planeta), em virtude da maior exposição à radiação solar (veja mais na pág. 82). ESCALA 0 755 km OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO OCEANO ÍNDICO Mar de Davis Mar de Ross Mar de Weddell Mar de Bellingshausen Mar de Amundsen Li m ite e xt re m o do m ar co ng el ad o M ontanhas Transantárticas Ilhas Shetland do Sul Maciço Vinson 5.897 m ANTÁRTICA ORIENTAL ANTÁRTICA OCIDENTAL TERRA DE ENDERBY TERRA DE WILKES TERRA DE MARIE BYRD TERRA DE ELLSWORTH TERRA DA RAINHA MAUD Geleira Lambert Plataforma de gelo Ronne Criosfera 1 Plataforma de gelo Filchner Plataforma de gelo Ross 180º 0º 90º O 90º L 80º S 70º S POLO SUL Círculo Polar Antártico Ilha Rei George Ilhas Shetland do Sul 1 5 7 6 4 3 2 Neumayer (Alemanha) Sanae IV (África do Sul) Troll (Noruega) Rothera (Reino Unido) Marambio (Argentina) McMurdo (EUA) Amundsen-Scott (EUA) Scott Base (Nova Zelândia) Dummont d'Urville (França) Casey (Austrália) Maitri (Índia) Syowa (Japão) Mawson (Austrália) Mirny (Rússia) Principal base permanente de cada país* 1 Comandante Ferraz (Brasil) 2 Arctowski (Polônia) 3 Jubany (Argentina) 4 King Sejong (Coreia do Sul) 5 Artigas (Uruguai) 6 Eduardo Frei (Chile) 7 Great Wall (China) Península Antártica *Bulgária, Equador, Espanha, Finlândia, Peru, Romênia, Suécia e República Tcheca mantêm apenas bases temporárias Fonte: Comitê Científico de Pesquisa Antártica (SCAR) [1] DIVULGAÇÃO/ NATIONAL GEOGRAPHIC CHANNEL [2] DIVULGAÇÃO [3] MANOEL MARQUES [3] VEN DA P ROIB IDA 124 GE GEOGRAFIA 2018 ATLAS MUNDO DISTRIBUIÇÃO FÍSICA Maior continente do mundo, sua área é de cerca de 45 milhões de quilômetros quadrados. A fronteira convencional entre Ásia e Europa é determinada pelos Montes Urais, pelo Rio Ural, pelo Mar Cáspio, pelas montanhas do Cáucaso e pelo Mar Negro. Dessa forma, os territórios de Turquia e Rússia estendem-se pelos dois continentes. O relevo asiático apresenta a maior altitude média da Terra (960 metros), em razão da presença de grandes cadeias montanhosas, entre as quais a Cordilheira do Himalaia e a do Kunlun, que contornam o planalto do Tibete. Há também grandes depressões, como o Mar Morto, situado 365 metros abaixo do nível do mar. Em virtude da vastidão de seu território, da diversidade de relevos e do regime de monções (vento periódico que, no verão, sopra do mar para o continente e, no inverno, do continente para o mar), existem muitos tipos de clima na Ásia. Como consequência, há também grande variedade de vegetação: tundra, estepes, florestas de coníferas, florestas temperadas e florestas tropicais. POPULAÇÃO O continente é o mais populoso do mundo, com 4,4 bilhões de habitan- tes em 2016. A distribuição da população é bastante desigual, com mais de 60% dos habitantes concentrados na China e na Índia. Há grande diversidade étnica, linguística e religiosa. Os conflitos em curso no continente provocam grandes deslocamentos de pessoas – os maiores contingentes de refugiados são formados por 5 milhões de pales- tinos e 4,9 milhões de emigrados da Síria, que fogem da guerra civil iniciada em 2011. ECONOMIA A Ásia apresenta contrastes econômicos extremos. A porção mais desen- volvida – que inclui países como Japão, Coreia do Sul e Taiwan – registra renda per capita quase 100 vezes maior que a das regiões pobres. No sul do continente, região que abrange nações como Índia, Paquistão e Bangladesh, a pobreza atinge elevadas proporções: 15% da população vive com menos de 1,90 dólar por dia. Desde a abertura econômica iniciada no fim dos anos 1970, a China é o país que mais se industrializa na Ásia. Em pouco mais de um quarto de século, o país tornou-se a segunda maior economia global, atrás apenas dos Estados Unidos, e o maior exportador mundial. A extração mineral é a principal fonte de divisas dos prósperos países do Golfo Pérsico, que detêm mais de 50% das jazidas mundiais de petróleo. A atividade extrativista é intensa também na Rússia – dona de cerca de um terço do gás natural do planeta e de grandes reservas conhecidas de petróleo. Apesar da intensa modernização econômica, grande parte dos empregos no continente estão na agricultura – no sul da Ásia, por exemplo, metade da força de trabalho atua no setor. A Ásia responde por aproximadamente 45% da produção mundial de cereais, com destaque para o arroz (90% do que se produz no planeta). Mas, ainda assim, precisa importá-los para suprir a demanda interna, especialmente da China. ÁSIA Mais de 50% das reservas mundiais de petróleo estão no Oriente Médio Vastidão oriental A Ásia é o maior e o mais populoso con-tinente. Na Cordilheira do Himalaia, estão os pontos mais altos do planeta, em especial o Monte Everest, com 8.850 metros, na fronteira entre o Nepal e a China. Situam-se no continente asiático algumas das maiores concentrações humanas, em megacidades como Tóquio, no Japão. Os recursos naturais são imensos. A Ásia produz quase metade do petróleo do mundo, possuindo as maiores reservas conhecidas, nos países do Golfo Pérsico. Ao lado do Japão, a principal nação industrial do continente, e de países em acelerado processo de desenvolvimen- to, como a China, há várias regiões atrasadas, com graves problemas sociais, sobretudo na Ásia Central. A região também sofre com sérios conflitos, como a guerra civil na Síria. As disputas terri- toriais entre israelenses e palestinos, no Oriente Médio, e o conflito entre Índia e Paquistão pela região da Caxemira, são outros exemplos. Mais recentemente, o fundamentalismo religioso deu origem a grupos como o Estado Islâmico, que controla regiões no Iraque e na Síria. DISTRIBUIÇÃO DA POPULAÇÃO – 2016* *Não inclui a Rússia Em % Fonte: Fundo de Populações das Nações Unidas (Fnuap) China 31,3 Demais países 22,1 Paquistão 4,3 Indonésia 5,9 Índia 29,9 Bangladesh 3,7 Japão 2,8 TRADIÇÃO Família nômade da Mongólia, país que abriga povos e culturas milenares [1] VEN DA P ROIB IDA 125GE GEOGRAFIA 2018 EUROPA OCEANIA Mais de 90% da cobertura original de florestas já foi devastada na maior parte da Europa PRAIA NEGRA Litoral da Islândia, a segunda maior ilha da Europa, repleta de vulcões ativos POVOS NATIVOS Os aborígenes habitam o território da Austrália desde, pelo menos, 45 mil anos antes de Cristo DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A Europa pertence, com a Ásia, à massa de terra conhecida como Eurásia. O continente europeu tem área de 10 milhões de quilômetros quadrados. A maior parte do território é formada por planícies. Predomina o clima temperado, mas há variações. A vegetação original já foi bastante devastada, prevalecendo florestas temperadas e de coníferas. POPULAÇÃO O continente tem 738,8 milhões de habitantes em 2016 e é o único com tendência de redução da população. Paralelamente às baixas taxas de natalidade, o envelhecimento dos habitantes exerce forte pressão demográfica nocontinente e pode comprometer o crescimento econômico. Por isso, apesar da atual resistência de muitos países à entrada de imigrantes, a Europa precisa da força de trabalho dos estrangeiros. ECONOMIA O parque industrial europeu é um dos mais avançados do mundo, com destaque para os setores automobilístico, químico, siderúrgico e de telecomunicações. Persistem, entretanto, contrastes de desenvolvimento entre os países ocidentais, que detêm cerca de 80% do PIB do continente, e as nações do leste, do ex-bloco comunista. A criação da União Europeia, em 1992, tenta superar esse quadro desigual, mas a crise atual da região explicita o fosso que separa as nações ricas das mais atrasadas. Berço da civilização ocidental O continente é considerado o berço da civilização ocidental. Ali se desenvolveram, por exemplo, o Renascimento, a Revolução Francesa e a Revolução Industrial, eventos que moldaram o mundo moderno. A pequena extensão da Europa contrasta com sua importância histórica. Impulsionado pela expansão marítima e comer- cial, o continente exerceu, por séculos, papel hegemônico sobre o globo, abrigando várias potências coloniais. Porém, após o fim da II Guerra Mundial, o continente viu-se dividido, por décadas, em dois blocos hostis, um capitalista e outro socialista – eles correspondem, em linhas gerais, à Europa Ocidental e à Europa Oriental. A primeira é integrada pelas nações mais ricas do continente. A segunda é formada predominantemente por países que saíram do bloco comunista e procuram melhorar sua economia. Após o encerramento da Guerra Fria, nos anos 1990, foi criada a União Europeia (UE), o principal bloco econômico do mundo. Atualmente, a UE tenta superar uma grave crise econômica, alavancada pelo alto endividamento dos países-membros. DISTRIBUIÇÃO FÍSICA É o menor continente do mundo, com 8,5 milhões de quilômetros quadrados de extensão. A Austrália corresponde a cerca de 90% da área emersa da Oceania. A maioria das ilhas da Oceania é de origem vulcânica, sendo cobertas de florestas tropicais. POPULAÇÃO A Oceania é também o menos habitado dos continentes, com 39,6 milhões de pessoas em 2016. Cerca de 60% dessa população vive na Austrália. ECONOMIA A Austrália destaca-se pelo parque industrial, pela agricultura e pela extração mineral, enquanto a economia das ilhas do Pacífico é agrícola. Mais que cangurus A Oceania é formada por uma massa continental (a Austrália), a parte leste da Ilha de Nova Guiné, as ilhas que constituem a Nova Zelândia e pequenas ilhas e atóis que se espalham pelo Oceano Pacífico. Essas ilhas menores se dividem em três grupos: a Polinésia, no extremo leste; a Melanésia, na região central; e a Micronésia, situada ao norte. Há diferenças marcantes na região. Enquan- to a Austrália e a Nova Zelândia são nações desenvolvidas, as demais têm economia frágil. A Oceania enfrenta, ainda, graves problemas ambientais. Estudos indicam que, dentro de um século, a elevação do nível do mar, causada pelo aquecimento global, poderá submergir ilhas e atóis da região. [1] CINDY WILK [2] ALMIR DE FREITAS [3] DIVULGAÇÃO [2] [2] [3] VEN DA P ROIB IDA 126 GE GEOGRAFIA 2018 ATLAS BRASIL Quinto maior país do mundo, o Brasil conta com um território de 8.515.767 quilômetros quadrados de extensão. Com todo esse tamanho, para efeitos ad- ministrativos, nosso território é dividido em cinco regiões: Centro-Oeste, Nordeste, Norte, Sudeste e Sul. Essa divisão regional, que fica a cargo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem como objetivo reunir estados com traços físicos, humanos, econômicos e sociais comuns, o que ajuda no planejamento de políticas voltadas para áreas com necessidades semelhantes. Mas nem sempre o Brasil foi “repartido” da forma como é hoje, tendo sido estabelecidas muitas divisões regionais no decorrer da história. A atual está em vigor desde 1970, mas sofreu algumas alterações depois da Constituição de 1988. O estado do Tocantins foi criado com a divisão de Goiás e incorporado à Região Norte. Além disso, Roraima, Amapá e Rondônia deixaram de ser territórios para se tornar estados. Por fim, Fernando de Noronha foi incorporado ao estado de Pernambuco. Em 2017, o Brasil registra 5.570 municípios nos 26 estados mais o Distrito Federal. A despeito do tipo de recorte, o fato é que as disparidades entre as regiões são muito grandes. Para ter uma ideia, a Região Sudeste, a segunda menor em área, possui o maior número de habitantes, o maior percentual de pessoas que vivem em cidades e é responsável por mais da metade do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. A Região Nordeste, por sua vez, apresenta alguns dos mais baixos indicadores sociais. A Região Norte, com o segundo menor número de habitantes, apresenta o maior contingente de população indígena e tem o mais alto índice de crescimento demográ- fico. A Região Sul, seguida de perto pela Sudeste, é a que apresenta os melhores indicadores: tem o menor índice de mortalidade infantil e a menor taxa de analfabetismo. A Região Centro-Oeste, embora conte com população menor, apresenta acelerado crescimento demográfico, atrás apenas da Região Norte. PLANO PILOTO Imagem de satélite mostra Brasília à noite: a iluminação permite observar o projeto urbanístico, que é comparado às formas de um avião O Brasil em resumo Confira a seguir as principais características físicas, econômicas e sociais das cinco regiões brasileiras NASA VEN DA P ROIB IDA SULSUL SUDESTESUDESTE NORDESTENORDESTE NORTE CENTRO-OESTECENTRO-OESTE 450 O550 O 250 S 100 S Equador Trópico de Capricórnio Oceano Pacífico Oceano Atlântico NORTE Ilha de Trindade (ES) 20’32’S 29’19’O Ilha de Martin Vaz (ES) 20’31’S 28’50’O Atol das Rocas (RN) 3’52’S 33’50’O Abrolhos (BA) 17’25’S 38’33’O DISTRITO FEDERAL PARÁ GOIÁS AMAPÁ MARANHÃO PIAUÍ BAHIA CEARÁ RIO GRANDE DO NORTE PARAÍBA PERNAMBUCO ALAGOAS SERGIPE SÃO PAULO RIO DE JANEIRO ESPÍRITO SANTO ACRE AMAZONAS PERU RORAIMA VENEZUELA COLÔMBIA GUIANA SURINAME Guiana Francesa (França) RONDÔNIA BOLÍVIA CHILE PARAGUAI URUGUAI ARGENTINA MATO GROSSO MATO GROSSO DO SUL PARANÁ SANTA CATARINA MINAS GERAIS TOCANTINS RIO GRANDE DO SUL PONTOS EXTREMOS NORTE Nascente do Rio Ailã, no Monte Caburaí (RR), fronteira com a Guiana LESTE Ponta do Seixas (PB) SUL Arroio Chuí (RS), na fronteira com o Uruguai OESTE Nascentes do Rio Moa, na Serra de Contamana (AC), fronteira com o Peru Fontes: IBGE (mapa) e Ministério das Relações Exteriores (tabela) Obs.: O território da Guiana Francesa (França) mantém fronteira de 730 km com o Brasil Manaus Rio Branco Porto Velho Boa Vista Macapá Belém São Luís Teresina Fortaleza Natal Recife Maceió Aracaju Salvador Palmas Cuiabá Goiânia Campo Grande Vitória São Paulo Curitiba Florianópolis Porto Alegre Rio de Janeiro Belo Horizonte João Pessoa PAÍSES QUE FAZEM FRONTEIRA COM O BRASIL País Bolívia Peru Venezuela Colômbia Guiana Paraguai Argentina Uruguai Suriname 3.423 2.995 2.199 1.644 1.606 1.366 1.261 1.069 593 Fronteira (em km) 3’50’S Fernando de Noronha (PE) 32’24’O Penedos de S. Pedro e S. Paulo (RN) 3’56’S 29’22’O ESTADOS E CAPITAIS BRASILEIROS 127GE GEOGRAFIA 2018 VEN DA P ROIB IDA SulSudesteNordesteCentro-OesteNorte 32.687 37.298 14.329 35.653 17.879R$ 5,78 trilhões 206.081 Norte Nordeste Centro-Oeste Sul Sudeste PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) – 2014 Em %, por região e total POPULAÇÃO – 2016 Em milhares e em %, por região Fontes: Projeção da População e Contas Nacionais – IBGE PIB PER CAPITA – 2014 (em reais) ÁREA* (em %) Total do Brasil: 8.515.767 km2 Centro-Oeste 18,9 Norte 45,2 Nordeste 18,2 Sudeste 10,9 Sul 6,8 *Distribuição nas regiões brasileiras Nordeste 56.916 27,6% Sul 29.440 14,3% Norte 17.708 8,6% Centro-Oeste 15.661 7,6% Sudeste 86.357 41,9% Nordeste 13,9 Sul 16,4 Norte 5,4 Centro-Oeste 9,4Sudeste 54,9 128 GE GEOGRAFIA2018 ATLAS BRASIL Perfil das regiões O que dizem os números DISPARIDADES REGIONAIS Apesar de o Norte ocupar 45,2% do espaço territorial brasileiro, apenas 8,6% dos brasileiros habitam a região. O Sudeste, por sua vez, abrange apenas 10,9% da área brasileira, mas responde por 41,9% da população e mais da metade do total de bens e serviços produzidos no país – o Produto Interno Bruto (PIB). Já o Nordeste, com 27,6% da população brasileira, é a segunda região mais populosa do país, mas é responsável por apenas 13,9% do PIB nacional. Como consequência, a região apresenta o menor PIB per capita do Brasil: o trabalhador nordestino recebe em média 14.329 reais por ano. O valor representa menos da metade do que ganha anualmente os habitantes do Sudeste, donos do maior PIB per capita do país: 37.298 reais por ano. VEN DA P ROIB IDA 129GE GEOGRAFIA 2018 CENTRO- OESTE NORDESTE 73% é a taxa de urbanização do Nordeste em 2015, a menor do Brasil O cerne brasileiro Formada pelos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e pelo Dis-trito Federal, a região localiza-se no ex- tenso Planalto Central. Seu relevo se caracteriza por terrenos antigos e aplainados pela erosão, que originaram chapadões. O território também abriga a planície do Pantanal Mato-Grossense, cortada pelo Rio Paraguai e sujeita a cheias durante parte do ano. O clima do Centro-Oeste é tropical semiúmido e úmido, com chuvas de verão. A vegetação é de cerrado nos planaltos. No Pantanal, considerado patrimônio da hu- manidade pela Unesco, os campos cerrados dividem o espaço com a floresta, que se torna mais fechada e úmida no norte do Mato Grosso. POPULAÇÃO Ainda no Brasil colônia, o povoamento do Centro-Oeste resulta de dois movimentos migratórios. Um vem do Sul e do Sudeste, em virtude do transporte de gado às fazendas que ali começaram a se instalar e da ação dos bandeirantes paulistas. O outro movimen- to vem do Nordeste, também ligado ao comércio de gado, que acaba criando, e fortalecendo, os primeiros povoados da região. No século XX, as maiores ondas migratórias vêm do Nordeste e ocorrem a partir dos anos 1950, com a construção da nova capital federal, Brasília. Segundo o IBGE, o Centro-Oeste é a região do país que proporcionalmente mais recebe imigrantes, com 30,2% de residentes vindos de outros estados em 2015. ECONOMIA O crescimento econômico da região deve-se, sobretudo, ao bom desempenho do setor agropecuário. Com cerca de 72 milhões de cabeças de gado, o rebanho bovino do Centro-Oeste responde por um terço do total do país. Na agricultura, os produtos mais importantes são o algodão, o milho e, principalmente, a soja, cuja colheita responde por quase metade da produção nacional. Entre os recursos minerais que mais se destacam estão calcário, cobre, níquel e manganês. Por outro lado, a região enfrenta o desafio de aliar o crescimento econômico com a preservação ambiental. A adaptação da soja ao solo do cerrado devastou grande parte da vegetação local, e a cultura do grão avança para o norte de Mato Grosso, rumo à Floresta Amazônica. POPULAÇÃO A história nordestina é marcada pelos movimentos migratórios. No fim do século XIX, o ciclo da borracha na Amazônia deu início à migração dos nordesti- nos, que aumentou no século XX para o Sudeste, com a industrialização, e para o Centro-Oeste, com a construção de Brasília. Além da atração econômica de outras regiões, os fluxos migratórios são motivados pelos períodos de seca. ECONOMIA Nos últimos anos, a economia nordestina vem apresentando crescimen- to. Com a guerra fiscal (concessão de benefícios fiscais pelos governos estaduais com o objetivo de atrair empresas), uma série de indústrias se instalou nos estados nordestinos para fugir da carga tributária mais pesada no Sul e no Sudeste. Além disso, a região é a segunda produtora de petróleo do país – lá funciona um dos polos petroquímicos mais importantes: o de Camaçari (BA). Apesar dos longos períodos de seca, a pecuária e a agricultura vêm ganhando destaque. A boa adaptação das cabras ao clima local faz com que o Nordeste tenha o maior rebanho do país. A cana-de-açúcar é o produto agrícola de destaque, mas as lavouras irrigadas de frutas tropicais têm crescido em importância na produção nacional. Outro setor relevante na economia nordestina é o turismo. Além do sertão F ormada por nove estados – Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia –, a maior parte da região é constituída por extensos pla- naltos, antigos e aplainados pela erosão. Os climas predominantes são o tropical e o semiárido, com grande parte do território coberta pela caatinga. O Nordeste reúne os mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do país, com altas taxas de mortalidade infantil e analfabetismo. PRÉ-HISTÓRIA Pinturas rupestres no sítio arqueológico da Serra da Capivara, no Piauí PABLO DE SOUZA/CIA DA LUZ VEN DA P ROIB IDA 130 GE GEOGRAFIA 2018 ATLAS BRASIL NORTE SUDESTE 98% das terras indígenas brasileiras encontram-se na Amazônia Legal Gigante setentrional F ormada por sete estados (Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Ron-dônia, Roraima e Tocantins), a região é banhada pelos grandes rios das bacias Amazônica e do Tocantins. Em todo o Norte predomina o clima equatorial. A Floresta Amazônica, a vegetação mais abundante, é uma das áreas de maior biodiversidade do planeta. Esse patrimônio, contudo, está ameaçado pelo desmatamento. POPULAÇÃO A maior concentração de índios está no Norte e, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a região abriga 342,8 mil índios de diversas etnias (38% do total). Amazonas, Pará e Roraima são os estados com a maior concen- tração indígena. No decorrer das décadas, os estados do Norte também receberam grandes levas de imigrantes de outras regiões, sobretudo do Nordeste. ECONOMIA Além do intenso extrativismo vegetal, de produtos como látex e madeira, a região é rica em minérios. Lá estão a Serra dos Carajás (PA), a mais importante área de mineração do país, rica em manganês, ferro e ouro, e a Serra do Navio (AP). A economia foi bastante beneficiada com a instalação, no fim da década de 1960, da Zona Franca de Manaus, baseada em políticas de incentivo fiscal. Com mais de 600 indústrias, o Polo Industrial de Manaus responde por cerca de metade do PIB do Amazonas. Os principais setores do polo são o eletroeletrônico, de informática, motos e bicicletas, químico e de refrigerante. Nos últimos anos, contudo, o crescimento eco- nômico tem ocorrido à custa de atividades de grande impacto ambiental: o aumento da pecuária extensiva – um terço do rebanho do país está na Amazônia –, o avanço da agricultura, sobretudo das lavouras de soja e, por fim, a extração de madeira. A FILA ANDA Duas famílias reunidas na cidade de Breves, na região do Marajó, no Pará Multidão urbana F ormada por quatro estados – Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro –, a região situa-se na parte mais elevada do Planalto Atlântico, onde estão as serras da Mantiqueira, do Mar e do Espinhaço. Os climas predominantes são tropical úmido, se- miúmido e de altitude. A mata tropical nativa foi praticamente devastada durante o povoamento. O relevo planáltico do Sudeste confere grande potencial hidrelétrico à região. Em Minas Gerais ocorre o encontro da nascente de duas impor- tantes bacias hidrográficas: a do Rio Paraná, que se forma próximo à região conhecida como Triângulo Mineiro, e a do Rio São Francisco, que nasce na Serra da Canastra. [1] [2] VEN DA P ROIB IDA 131GE GEOGRAFIA 2018 SUL 4,1% é a taxa de analfabetismo na Região Sul, a menor do Brasil 93% dos habitantes da Região Sudeste vivem nas cidades CARTÃO-POSTAL Vista aérea da cidade do Rio de Janeiro, com o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar ao fundo FLORESTA NATIVA A Mata de Araucária é uma cobertura vegetal típica da Região Sul POPULAÇÃO A região é a que concentra a maior