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geografia
VESTIBULAR+ENEM 2018
W W W . G U I A D O E S T U D A N T E . C O M . B R
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Fundada em 1950
 VICTOR CIVITA ROBERTO CIVITA
 (1907-1990) (1936-2013) 
Conselho Editorial: Victor Civita Neto (Presidente), Thomaz Souto Côrrea (Vice-Presidente), 
Alecsandra Zapparoli, Giancarlo Civita e José Roberto Guzzo
Presidente do Grupo Abril: Walter Longo
Diretora Editorial e Publisher da Abril: Alecsandra Zapparoli
Diretor de Operações: Fábio Petrossi Gallo
Diretor de Assinaturas: Ricardo Perez
Diretora da Casa Cor: Lívia Pedreira
Diretor da GoBox: Dimas Mietto
Diretora de Mercado: Isabel Amorim
Diretor de Planejamento, Controle e Operações: Edilson Soares
Diretora de Serviços de Marketing: Andrea Abelleira 
Diretor de Tecnologia: Carlos Sangiorgio
Diretor Editorial – Estilo de Vida: Sérgio Gwercman
Diretor de Redação: Fabio Volpe
Diretor de Arte: Fábio Bosquê Editores: Ana Prado, Fábio Akio Sasaki, Lisandra Matias, Paulo Montoia 
Repórter: Ana Lourenço Analista de Informações Gerenciais: Simone Chaves de Toledo Analista de 
Informações Gerenciais Jr.: Maria Fernanda Teperdgian Designers: Dânue Falcão, Vitor Inoue Estagiários: 
Giovanna Fontenelle, Marcela Coelho, Sophia Kraenkel Atendimento ao Leitor: Sandra Hadich, Walkiria 
Giorgino CTI Andre Luiz Torres, Marcelo Augusto Tavares, Marisa Tomas PRODUTO DIGITAL Gerentes de 
Produto: Pedro Moreno e Renata Aguiar
COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Consultoria: Arno Aloisio Goettems Texto: Arno Aloisio Goettems, Cristina 
Carmo e Yuri Vasconcelos. Infografia e ilustração: 45 Jujubas, Alex Argozino e Mario Kanno (Multi-SP) 
Revisão: Bia Mendes e texxto comunicação
www.guiadoestudante.com.br
GE GEOGRAFIA 2018 ed.10 (ISBN 978-85-69522-25-6) é uma publicação da Editora Abril. Distribuída em todo o 
país pela Dinap S.A. Distribuidora Nacional de Publicações, São Paulo. 
A PUBLICAÇÃO não admite publicidade redacional.
IMPRESSA NA GRÁFICA ABRIL Av. Otaviano Alves de Lima, 4400, CEP 02909-900 – Freguesia do Ó - 
São Paulo - SP
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5GE GEOGRAFIA 2018 
O passo final é reforçar os estudos sobre atualidades, pois as pro-
vas exigem alunos cada vez mais antenados com os principais fatos 
que ocorrem no Brasil e no mundo. Além disso, é preciso conhecer 
em detalhes o seu processo seletivo – o Enem, por exemplo, é bem 
diferente dos demais vestibulares.
� COMO O GE PODE AJUDAR VOCÊ O GE Enem e o GE Fuvest são verda-
deiros “manuais de instrução”, que mantêm você atualizado sobre 
todos os segredos dos dois maiores vestibulares do país. Com duas 
edições no ano, o GE ATUALIDADES traz fatos do noticiário que 
podem cair nas próximas provas – e com explicações claras, para 
quem não tem o costume de ler jornais nem revistas.
Um plano para 
os seus estudos
Este GUIA DO ESTUDANTE GEOGRAFIA oferece uma ajuda e tanto 
para as provas, mas é claro que um único guia não abrange toda a preparação 
necessária para o Enem e os demais vestibulares.
É por isso que o GUIA DO ESTUDANTE tem uma série de publicações 
que, juntas, fornecem um material completo para um ótimo plano de estudos. 
O roteiro a seguir é uma sugestão de como você pode tirar melhor proveito de 
nossos guias, seguindo uma trilha segura para o sucesso nas provas.
O primeiro passo para todo vestibulando é escolher com clareza 
a carreira e a universidade onde pretende estudar. Conhecendo o 
grau de dificuldade do processo seletivo e as matérias que têm peso 
maior na hora da prova, fica bem mais fácil planejar os seus estudos 
para obter bons resultados.
� COMO O GE PODE AJUDAR VOCÊ O GE PROFISSÕES traz todos os 
cursos superiores existentes no Brasil, explica em detalhes as carac-
terísticas de mais de 270 carreiras e ainda indica as instituições que 
oferecem os cursos de melhor qualidade, de acordo com o ranking 
de estrelas do GUIA DO ESTUDANTE e com a avaliação oficial do MEC.
Para começar os estudos, nada melhor do que revisar os pontos 
mais importantes das principais matérias do Ensino Médio. Você 
pode repassar todas as matérias ou focar apenas em algumas delas. 
Além de rever os conteúdos, é fundamental fazer muito exercício 
para praticar.
� COMO O GE PODE AJUDAR VOCÊ Além do GE GEOGRAFIA, que você 
já tem em mãos, produzimos um guia para cada matéria do Ensino 
Médio: GE HISTÓRIA , Português, Redação, Matemática, Biologia, 
Química e Física. Todos reúnem os temas que mais caem nas pro-
vas, trazem muitas questões de vestibulares para fazer e têm uma 
linguagem fácil de entender, permitindo que você estude sozinho.
CAPA: 45 JUJUBAS
1 Decida o que vai prestar
2 Revise as matérias-chave
3 Mantenha-se atualizado
APRESENTAÇÃO
Os guias ficam um ano nas bancas – 
com exceção do ATUALIDADES, que 
é semestral. Você pode comprá-los 
também pelo site do Guia do Estudante: 
 guiadoestudante.com.br 
FALE COM A GENTE: 
Av. das Nações Unidas, 7221, 18º andar, 
CEP 05425-902, São Paulo/SP, ou email para: 
guiadoestudante.abril@atleitor.com.br
CALENDÁRIO GE 2017
Veja quando são lançadas 
as nossas publicações
MÊS PUBLICAÇÃO
Janeiro
Fevereiro GE HISTÓRIA
Março GE ATUALIDADES 1
Abril GE GEOGRAFIA
Maio
GE QUÍMICA
GE PORTUGUÊS
Junho
GE BIOLOGIA
GE ENEM
GE REDAÇÃO
Julho GE FUVEST 
Agosto
GE ATUALIDADES 2
GE MATEMÁTICA
Setembro GE FÍSICA
Outubro GE PROFISSÕES
Novembro
Dezembro
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CARTA AO LEITOR
6 GE GEOGRAFIA 2018
Desde 1880, quando a temperatura do planeta começou a ser medida, a população da Ter-ra não enfrentou um ano tão quente como o de 2016. É o que diz a Agência Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês), uma das principais au-
toridades nesse âmbito. A temperatura média global no ano 
passado foi 0,94 grau Celsius acima da média do século XX.
Equilíbrio 
alterado
Teria 2016 sido um ano atípico em termos climáticos? 
Nada disso. A temperatura do planeta no ano passado bateu 
o recorde, que era de 2015, que por sua vez quebrou a maior 
marca de 2014 – três recordes seguidos. Isso sem contar que, 
desde 1976, a temperatura global vem se mantendo acima da 
média histórica. Ou seja, não estamos falando de um ponto 
fora da curva, mas sim de uma tendência praticamente 
consolidada: o planeta está mais quente.
A elevação da temperatura global diz muito respeito às 
atividades humanas, principalmente em razão das emissões 
de gases que intensificam o efeito estufa. Como consequência, 
observamos extremos climáticos que vão de intensas tempes-
tades a secas prolongadas, passando pelo derretimento do gelo 
do Ártico até picos de calor em diversas cidades do planeta.
A Geografia é a disciplina que se propõe a estudar o espaço 
geográfico e suas constantes transformações. Como você verá 
nesta publicação, muitas dessas alterações são estimuladas 
por fenômenos naturais, como uma erupção vulcânica ou o 
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7GE GEOGRAFIA 2018 
ENXUGANDO GELO 
Crianças brincam 
em um iceberg na 
costa da Groenlândia: 
aquecimento 
global provoca o 
desprendimento de 
grandes blocos de gelo
ciclo hidrológico. Mas sob qualquer aspecto que você analisar 
a litosfera, a hidrosfera, a atmosfera e a biosfera, a marca do 
homem estará lá, alterando o equilíbrio da natureza. 
É por isso que o GUIA DO ESTUDANTE GEOGRAFIA pro-
põe o estudo das definições e dos conceitos referentes aos temas 
mais importantes da Geografia física associado aos principais 
assuntos contemporâneos. Dessa forma é possível acompanhar 
todo o dinamismo inerente à disciplina e conseguir assimilar 
melhor como a ação antrópica e a Geografia se relacionam. 
Tudo isso acompanhado de um amplo conjunto de informações 
na forma de textos, resumos, simulados, mapas e infográficos.
Para complementar seu aprendizado de Geografia, também 
recomendamos o GUIA DO ESTUDANTE ATUALIDADES, 
que é lançado duas vezes por ano e aborda os aspectos maisrelacionados aos temas contemporâneos da Geografia humana.
Um abraço,
� Fábio Sasaki, editor – fabio.sasaki@abril.com.br
8 EM CADA 10
APROVADOS NA 
USP USARAM O 
GUIA DO 
ESTUDANTE
O selo de qualidade acima é resultado de uma pes-
quisa realizada com 300 estudantes aprovados em 
três dos principais cursos da Universidade de São 
Paulo: Direito, Engenharia e Medicina.
� 8 em cada 10 entrevistados na 
pesquisa usaram algum conteúdo do 
GUIA DO ESTUDANTE durante sua 
preparação para o vestibular. 
TESTADO E APROVADO!
� Pesquisa quantitativa feita nos dias 13 e 14/2/2017.
� Total de estudantes aprovados nesses cursos: 1.566.
� Margem de erro amostral: 5 pontos percentuais.
MAIS CONTEÚDO PARA VOCÊ
As publicações do GE contam agora com o recurso 
mobile view. Essa tecnologia permite que você aces-
se, com seu smartphone, conteúdos extras em algu-
mas aulas e reportagens dos nossos guias. A presen-
ça desses conteúdos, principalmente em forma de 
vídeos, será sempre identificada com o ícone abaixo:
Usar o recurso mobile view é simples:
1• Baixe em seu smartphone o 
aplicativo Blippar. Ele está disponível, 
gratuitamente, para aparelhos com 
sistema Android e iOS em lojas virtuais 
como Google Play e AppleStore.
2• Depois, basta abrir o aplicativo e usar 
o celular nas matérias que apresentam 
o ícone do mobile view – seguindo as 
orientações em cada página.
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SUMÁRIO
8 GE GEOGRAFIA 2018
� Geografia 
VESTIBULAR + ENEM 
2018
CARTOGRAFIA
10 Imagens de satélite contra a pobreza O desenvolvimento mapeado
12 Elementos do mapa Dicas para entender os elementos cartográficos
14 Coordenadas geográficas Aprenda a identificar pontos no mapa
16 Fusos horários Como os países acertam os seus relógios
18 Tipos de mapa Os diferentes aspectos retratados pela cartografia
20 Projeções As formas de representar o espaço geográfico 
22 Como cai na prova + Resumo Questões comentadas e síntese da seção
LITOSFERA
24 Zelândia, o continente submerso A mais nova extensão de terra
26 Composição e estrutura geológica As camadas internas do planeta
28 Tipos de relevo Depressões, planaltos, planícies e montanhas
30 Placas tectônicas Os grandes blocos que modelam o relevo 
32 Relevo em movimento A ação de forças internas e externas na Terra
36 Relevo do Brasil O processo de formação do terreno nacional 
38 Recursos minerais Conheça suas características geológicas
40 Características dos solos Processo de formação e fertilidade 
42 Deslizamentos e inundações Os efeitos da ocupação desordenada
44 Contaminação dos solos Um dos principais problemas ambientais
46 Como cai na prova + Resumo Questões comentadas e síntese da seção
HIDROSFERA
48 Uma esperança na aridez do sertão O Nordeste e a seca
50 A distribuição de água no planeta Onde está a água no globo 
52 Água salgada Oceanos e mares ajudam a equilibrar a vida na Terra
56 Água doce As reservas que guardam o líquido que consumimos 
58 Tsunami Tremores no fundo do mar provocam ondas de destruição
60 Bacias hidrográficas do Brasil As fontes de água do nosso território
62 Escassez hídrica no mundo Onde a falta de água já provoca crise
64 Escassez hídrica no Brasil Torneiras secas no Nordeste e no Sudeste 
66 Poluição hídrica Os efeitos perversos da contaminação das águas 
68 Como cai na prova + Resumo Questões comentadas e síntese da seção
ATMOSFERA
70 Um cético do clima no poder Donald Trump e sua agenda energética
72 Camadas da atmosfera A estrutura de gás que envolve o planeta
73 Meteorologia Os principais fenômenos que influenciam o clima
76 El Niño e La Niña Entenda esses fenômenos meteorológicos
77 Ciclone Os efeitos devastadores da perturbação atmosférica
78 Climas do mundo As características das dez classificações climáticas
80 Climas do Brasil Os seis principais grupos climáticos do país
82 Poluição do ar Os efeitos da emissão de gases nocivos à atmosfera
84 Aquecimento global As alterações climáticas causadas pelo homem
86 Os efeitos das mudanças climáticas Os riscos que podemos enfrentar
88 Energias renováveis As alternativas para evitar a poluição do ar
90 Acordo de Paris e Protocolo de Kyoto Redução das emissões em pauta
92 Como cai na prova + Resumo Questões comentadas e síntese da seção
BIOSFERA
94 A Amazônia sob risco de “savanização” A floresta tropical em perigo
96 Ecologia O ciclo natural que sustenta a vida no planeta
98 A evolução do planeta Infográfico mostra a origem da vida na Terra
100 Vegetação no mundo As características das formações vegetais
106 Biomas brasileiros A rica biodiversidade do país sob ameaça
110 Preservação e conservação Os mecanismos de proteção ambiental 
111 Código Florestal Nova lei regulamenta o uso da terra no Brasil
112 Conferências ambientais Os eventos em que o ambientalismo é pauta
114 Como cai na prova + Resumo Questões comentadas e síntese da seção
ATLAS
116 O mundo em resumo Um perfil socioeconômico e físico dos continentes
126 O Brasil em resumo As cinco regiões brasileiras em fatos e números
RAIO X
132 As preciosas informações contidas nos enunciados das questões 
SIMULADO
134 32 questões para você aplicar os seus conhecimentos
GLOSSÁRIO
146 Os principais conceitos básicos que você encontrará na publicação
RAFAEL ARENAS/REUTERS
OBRA DA NATUREZA 
Uma nuvem de fumaça 
e poeira colore o céu 
de Puerto Montt, no 
Chile: vulcão Calbuco 
entrou em atividade 
em 2015 pela primeira 
vez em 50 anos
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9GE GEOGRAFIA 2018 
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GLOSSÁRIO
146 GE GEOGRAFIA 2018
AÇÕES ANTRÓPICAS Ações do homem no 
meio ambiente, como a construção de cidades, 
indústrias, estradas, o desmatamento para a 
implantação da agropecuária, entre outras.
ASSOREAMENTO Excesso de sedimentos nos 
leitos de rios e lagos.
AQUÍFERO Extensos depósitos de águas 
subterrâneas em áreas continentais, como o 
Aquífero Guarani, na América do Sul.
AUSTRAL Sul.
BACIA HIDROGRÁFICA Área delimitada pelos 
divisores de água, ou seja, por altitudes maiores e 
que compreende um rio principal, seus afluentes e 
subafluentes, os lagos e as águas subterrâneas.
BOREAL Norte.
CLIMA Sucessão habitual dos tipos de tempo 
atmosférico. Para classificar os tipos de clima, 
são necessários registros de temperatura e 
pluviosidade de, no mínimo, 30 anos. 
CORRENTES DE CONVECÇÃO Correntes 
de materiais (ar, magma, água...) que se 
movem devido à diferença de temperatura e, 
consequentemente, de densidade.
CROSTA Porção externa e sólida do planeta 
Terra formada por rochas, minerais e solos e 
com profundidades que variam entre 6 e 75 
quilômetros, aproximadamente.
DEPRESSÃO ABSOLUTA Forma de relevo onde 
predomina a erosão e que apresenta altitude 
menor que a do nível do mar.
DEPRESSÃO RELATIVA Forma de relevo 
com altitude inferior à dos planaltos e com 
predomínio da erosão sobre a sedimentação.
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 
Desenvolvimento que atende às necessidades 
das gerações presentes sem comprometer as 
necessidades das futuras gerações.
Conceitos 
básicos
Os principais termos que 
você precisa saber para 
estudar Geografia
ECOSSISTEMA São sistemas dinâmicos 
resultantes da interdependência entre fatores 
físicos do meio ambiente – como atmosfera, 
solo e água – e os seres vivos que o habitam.
EQUINÓCIO Dia do ano em que os raios solares 
incidem diretamente sobre a linha do Equador, 
marcando o início da primavera ou do outono 
nos hemisférios Norte e Sul.
EROSÃO Desgaste das rochas por meio de agentes 
externos ou exógenos, como as chuvas, os ventos, 
as geleiras, os rios, os oceanos, entre outros.
GPS (GLOBAL POSITIONING SYSTEM) Sistema 
de Posicionamento Global, formado por 24 
satélites em órbitas a 20.200 quilômetros ao 
redor da Terra. O sistema permite a localização 
de qualquer ponto da superfície terrestre com 
receptores móveis e tem inúmeras aplicações, 
como identificar rotas de navegação, por exemplo. 
INTEMPERISMO Conjunto de forças 
físicas, químicas e biológicas associadas à 
decomposição das rochas.
ISTMOFaixa estreita de terras que liga dois 
continentes ou outras extensas áreas e terras 
emersas. Entre os mais conhecidos estão o Istmo 
de Suez e o Istmo do Panamá.
LATITUDE Medida em graus da distância de 
um ponto qualquer da superfície terrestre em 
relação à linha do Equador.
LITOSFERA Parte sólida externa da crosta 
terrestre, formada por rochas.
LONGITUDE Medida em graus da distância de 
um ponto qualquer da superfície terrestre em 
relação ao meridiano de Greenwich.
MANTO Camada geológica da Terra composta 
de material fundido, o magma, que se encontra 
entre 350 e 2.900 quilômetros de profundidade.
MERIDIANO Linhas imaginárias que cruzam a 
Terra no sentido norte-sul, de um polo ao outro 
do globo. Os meridianos nos indicam a longitude.
MERIDIONAL Sul.
MIGRAÇÃO Migrante é a pessoa que passa a 
morar em local diferente daquele em que vivia 
anteriormente. No local de onde a pessoa sai ela 
é considerada um emigrante e no local onde ela 
passa a se fixar é considerada um imigrante.
NÚCLEO (DA TERRA) Parte interna do planeta, 
composta dos minerais ferro e níquel. 
É subdividido em núcleo externo (material 
fundido) e núcleo interno (material sólido).
PARALELO Linhas perpendiculares aos 
meridianos, que cruzam a Terra no sentido 
leste-oeste. Os paralelos determinam a latitude. 
PEGADA ECOLÓGICA Área (em hectares) 
necessária para suprir as necessidades das 
populações, de acordo com seus modos de vida.
PLACAS TECTÔNICAS Partes da crosta terrestre 
delimitadas por falhas geológicas.
PLANALTO Forma de relevo na qual os 
processos de erosão superam a sedimentação.
PLANÍCIE Forma de relevo relativamente plana 
na qual predomina a sedimentação e, em geral, 
está localizada em altitudes menores que as do 
seu entorno.
PLUVIOSIDADE Volume de chuvas em um 
determinado tipo de clima.
ROTAÇÃO Movimento da Terra em torno do seu 
próprio eixo imaginário.
SEDIMENTAÇÃO Deposição dos sedimentos após 
o processo de erosão e transporte feito pelos 
agentes erosivos (rios, geleiras, ventos etc.).
SETENTRIONAL Norte.
SOLSTÍCIO Dia do ano em que os raios solares 
incidem diretamente sobre um dos trópicos 
(Câncer ou Capricórnio), marcando o início do 
verão ou do inverno nos hemisférios Norte e Sul.
TECTONISMO Conjunto de fenômenos 
geológicos responsáveis pela movimentação e 
fragmentação da crosta terrestre. 
TRANSLAÇÃO Movimento da Terra em torno 
do Sol.
TROPOSFERA Parte inferior da atmosfera 
terrestre, entre as altitudes de zero a 12 mil 
metros, aproximadamente.
ZONAS TÉRMICAS As três faixas do globo com 
médias de temperatura semelhantes: zona 
equatorial ou intertropical, zonas temperadas 
Norte e Sul (entre os trópicos e os círculos 
polares) e as zonas polares Norte e Sul.
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10 GE GEOGRAFIA 2018
CARTOGRAFIA
1 CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO� Os elementos cartográficos ..........................................................................12� Coordenadas geográficas ..............................................................................14
� Fusos horários ..................................................................................................16
� Tipos de mapas .................................................................................................18
� Projeções cartográficas ..................................................................................20
� Como cai na prova + Resumo .......................................................................22
A imagem que ilustra a página ao lado, da península coreana iluminada durante a noite, foi captada por astronautas da 
Estação Espacial Internacional (ISS) há três 
anos e revela um cenário intrigante: enquanto os 
territórios da Coreia do Sul e da China cintilam 
com o clarão gerado pela iluminação das cidades 
desses países, a Coreia do Norte encontra-se 
quase totalmente na escuridão. A exceção é 
a capital, Pyongyang, facilmente identificada 
como um ponto iluminado no meio do breu.
Para além da simples curiosidade, a análise 
da intensidade da iluminação em imagens no-
turnas do nosso planeta revela indiretamente 
o grau de desenvolvimento econômico daquela 
região. Por essa lógica, quanto mais claro é um 
certo lugar, mais rico ele é, já que a luz é uma 
necessidade humana básica, e as pessoas ten-
dem a usá-la mais na medida em que são mais 
ricas. Consequentemente, a escuridão indica 
os lugares menos desenvolvidos.
Por isso, fotografias noturnas do planeta feitas 
do espaço têm sido cada vez mais utilizadas por 
economistas como uma ferramenta importante 
para estimar o grau de riqueza e de pobreza 
de regiões do globo – principalmente aquelas 
carentes de dados econômicos mais acurados, 
como muitos países da África Subsaariana. Des-
sa forma, é possível identificar os bolsões de 
pobreza com maior precisão e encaminhar as 
ações públicas necessárias.
Mas não se pode tomar esse dado isoladamen-
te. A simples observação da imagem noturna 
pode levar a imprecisões, já que um bairro pobre, 
mas com alta densidade populacional, pode 
ter o mesmo nível de luminosidade de uma 
vizinhança rica, mas esparsamente povoada. 
Por isso, um estudo divulgado por pesquisado-
res da Universidade de Stanford, nos Estados 
Unidos, sugere a combinação da análise das 
imagens noturnas com fotos diurnas de alta 
resolução – ao verificar também o local durante 
o dia, mostrando quão urbanizado é o lugar, a 
metodologia tende a ser mais precisa.
Esses estudos são um bom exemplo de como a 
cartografia nos fornece informações imprescin-
díveis para mostrar a 
realidade de diferentes 
localidades e fomen-
tar o estabelecimento 
de políticas públicas. 
Neste capítulo, você 
ficará ainda mais por 
dentro da linguagem e 
do poder dos mapas no 
estudo da Geografia.
Fotos noturnas feitas do espaço são uma nova ferramenta 
para medir níveis de desenvolvimento no planeta e 
identificar as regiões mais carentes
Imagens de satélite 
contra a pobreza
UM PAÍS NO BREU 
Imagem mostra detalhe 
da Ásia: a área iluminada 
à direita é a Coreia do Sul 
e no alto à esquerda está 
a China. A mancha escura 
com um ponto iluminado 
no meio é a Coreia do Norte
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11GE GEOGRAFIA 2018 NASA
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12 GE GEOGRAFIA 2018
CARTOGRAFIA OS ELEMENTOS CARTOGRÁFICOS
A cartografia é dotada de 
uma linguagem própria, 
com símbolos, indicadores e 
representações. Veja a seguir 
algumas dicas para interpretar 
corretamente os mapas
Tudo começou quando o homem pré-histórico passou a desenhar no interior das cavernas a loca-
lização de seu entorno. Foi assim que 
surgiram os primeiros mapas. À medida 
que o homem foi conquistando novos 
espaços, cruzando mares e aprimorando 
as técnicas cartográficas, os mapas se 
tornaram mais sofisticados. Hoje, com a 
ajuda de poderosos satélites, até mesmo 
as mais inóspitas regiões do planeta são 
reproduzidas com alta precisão.
Com o passar dos séculos, os mapas 
tiveram importantes funções estratégi-
cas: ajudaram a impulsionar a expansão 
marítimo-comercial europeia no século 
XV e atualmente são fundamentais para 
que as administrações públicas desen-
volvam projetos de organização territo-
rial. Com os mapas, é possível realizar 
variados tipos de levantamento, seja ele 
político, socioeconômico ou ambiental. 
Por isso, eles são imprescindíveis ao 
estudo da geografia física e humana e 
à compreensão dos principais temas 
que movem o mundo.
Qualquer representação geométri-
ca da superfície terrestre, ou mesmo 
de parte dela, pode ser considerada 
um mapa – desde o desenho pouco 
apurado do homem pré-histórico até 
o mais completo planisfério produzido 
pela Nasa recentemente. Sejam eles 
rudimentares, sejam eles complexos, 
é importante ressaltar que os mapas 
possuem uma linguagem própria, com 
símbolos, indicadores e representações 
que facilitam sua interpretação. Conhe-
ça mais os recursos utilizados pelos 
cartógrafos para reproduzir diferentes 
informações gráficas.
TÍTULO
O título é a nossa 
primeira aproximação 
com o mapa. Observá-locom atenção pode 
“encurtar” o caminho 
da sua leitura e 
compreensão, pois 
nos permite conhecer, 
de imediato, qual é o 
conteúdo representado. 
Em geral, vem 
acompanhado do 
ano em que os dados 
foram coletados.
LEGENDA
A legenda é um dos elementos mais importantes 
do mapa, pois dá significado aos indicadores nele 
representados. Ela informa se os dados são percentuais 
ou absolutos, além do significado de cores, símbolos, 
linhas e demais recursos utilizados. 
A leitura da legenda deve ser feita em conjunto com a 
visualização da distribuição dos dados no mapa. Neste 
exemplo, as manchas mais escuras mostram os locais 
onde há maior concentração de pessoas por quilômetro 
quadrado. Note que o mapa não fornece os nomes 
dos países. Essas informações você pode aprender por 
meio da leitura atenta dos mapas políticos. Trata-se, 
aliás, de uma dica interessante: os mapas sempre 
se complementam. Portanto, ao estudar Geografia, 
lembre-se de olhar para os mapas com a mesma 
atenção que você olha para os textos, fotografias, 
gráficos e tabelas.
O fascinante 
universo 
dos mapas
FONTE
A fonte informa a 
origem (instituição, 
pesquisa etc.) dos dados 
utilizados para compor 
o mapa.
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13GE GEOGRAFIA 2018 
ROSA DOS VENTOS
A rosa dos ventos indica 
a orientação geográfica, 
ou seja, para que lado se 
encontram, no mapa, os 
pontos cardeais (norte, 
sul, leste e oeste). Pode 
parecer bem óbvio que 
o norte esteja na parte 
superior do mapa, pois 
essa é uma convenção 
internacional. 
Entretanto, em alguns 
tipos de mapas, como as 
plantas cartográficas e 
em projeções azimutais 
ou planas, o norte nem 
sempre se encontra na 
parte superior do mapa.
ESCALA
A escala indica a relação entre o espaço verdadeiro 
e seu correspondente no mapa. A escala gráfica 
apresentada no mapa acima mostra que 1 centímetro 
equivale a 1.237,5 quilômetros nas dimensões reais. 
Já a escala numérica do mapa ao lado nos mostra que 
cada centímetro reproduzido equivale a 55,5 milhões de 
centímetros – ou 555 quilômetros nas dimensões reais.
Ao analisar os dois mapas, também é possível 
comparar reproduções cartográficas feitas em escalas 
pequenas e grandes. No mapa acima, reproduzido 
em uma escala pequena é possível identificar 
os continentes, a divisão política dos países e os 
oceanos, além dos locais com maior concentração 
de habitantes. Já no mapa ao lado, em escala maior, 
vemos uma área mais restrita – no caso, o território 
brasileiro. Assim, é possível observar os detalhes do 
contorno do país e identificar com mais precisão as 
áreas de maior densidade demográfica.
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14 GE GEOGRAFIA 2018
CARTOGRAFIA COORDENADAS GEOGRÁFICAS
Para encontrar determinado lu-gar, como a casa de alguém ou um órgão público, precisamos 
de um endereço, não é mesmo? Sa-
bendo o nome da cidade, do bairro, da 
rua e o número da casa, chegaremos 
ao destino. No entanto, nem todas as 
regiões do planeta têm um endereço 
com essas informações. Por isso, para 
obtermos a localização de qualquer 
ponto ou área da superfície terrestre, 
BRASÍLIA
EQUADOR
15º47’S
47º55’O
MERIDIANO DE GREENWICH
TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO
CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO
CÍRCULO POLAR ÁRTICO
TRÓPICO DE CÂNCER
utilizamos as coordenadas geográficas. 
Trata-se de um sistema obtido a partir 
do cruzamento de uma rede de linhas 
imaginárias – os meridianos e paralelos:
• Os meridianos cruzam a Terra no 
sentido norte-sul, de um polo ao outro 
do globo. Os meridianos nos indicam a 
longitude, que é a distância expressa 
em graus entre um local no mapa e o 
meridiano de Greenwich.
Localização precisa
Um sistema de eixos horizontais e verticais constituem 
as coordenadas geográficas, que nos ajudam a identificar 
qualquer posição na superfície terrestre
• Os paralelos são linhas perpendiculares 
aos meridianos, que cruzam a Terra no 
sentido leste-oeste. Eles determinam a 
latitude, também expressa em graus, e 
nos indicam a distância entre um local 
no planisfério e a linha do Equador. 
Para localizar qualquer ponto na su-
perfície terrestre é só fazer o cruzamento 
do meridiano com o paralelo e obter os 
dados referentes a latitude e longitude. 
MERIDIANO DE GREENWICH
O meridiano de Greenwich, que ganhou esse nome 
por passar pela cidade de Greenwich, na Inglaterra, 
divide o planeta em Ocidente e Oriente. A partir dele, as 
distâncias são contabilizadas de zero a 180 graus, tanto 
para leste quanto para oeste. A longitude de um lugar é 
a sua distância até o meridiano de Greenwich – quanto 
mais distante, maior será sua longitude. A longitude 
de Brasília, por exemplo, é de 47º55’O – lê-se 47 graus e 
55 minutos de longitude oeste. Ou seja, Brasília está a 
cerca de 47 graus a oeste do meridiano de Greenwich.
Também é comum informar no lugar das iniciais dos 
pontos cardeais (N, S, L e O) um sinal de + (positivo) 
para as latitudes norte e longitudes leste e, em 
contrapartida, um sinal de – (negativo) para as 
latitudes sul e longitudes oeste. 
LINHA DO EQUADOR
A linha do Equador é equidistante em relação aos polos 
Norte e Sul da Terra e serve como referência para traçar 
os paralelos, como os trópicos de Câncer e Capricórnio e 
os círculos polares Ártico e Antártico. Ela divide o planeta 
em porção norte, ou setentrional, e sul, ou meridional. 
As linhas que partem do Equador são divididas de zero 
a 90 graus para as duas direções. A latitude de um lugar 
é determinada por sua distância em relação à linha do 
Equador – quanto mais longe, mais alta é a latitude de um 
ponto. A latitude de Brasília, por exemplo, é 15º47’S – lê-se 
15 graus e 47 minutos de latitude sul. Ou seja, a cidade 
fica a pouco mais de 15 graus ao sul da linha do Equador. 
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15GE GEOGRAFIA 2018 
POR QUE AS COORDENADAS 
SÃO MEDIDAS EM GRAUS?
Geralmente as distâncias são medidas em metros ou quilômetros. 
Por que então a latitude e a longitude são medidas em graus? Ocorre 
que, apesar de a maioria dos planisférios não mostrar isso, estamos 
tratando da medida de uma superfície curva, pois a Terra tem a forma 
arredondada. Assim, essas medidas equivalem à abertura do ângulo 
entre as linhas imaginárias traçadas a partir do centro da Terra até a 
linha do Equador (latitude) e do centro da Terra até o Meridiano de 
Greenwich (longitude). Veja o exemplo de Brasília, nas figuras abaixo:
SAIBA MAIS
BÚSSOLAS, PORTULANOS E GPS
Da Idade Média (séculos V a XV) ao período das Grandes Navegações 
(séculos XV a XVII), a localização geográfica era obtida por meio da 
observação dos astros – a posição do Sol durante o dia e das cons-
telações e da Lua à noite, por exemplo. As distâncias e as direções 
a serem seguidas eram obtidas pela leitura atenta da bússola e das 
Cartas Portulanas ou Mapas Portulanos.
A bússola, cuja invenção é creditada aos chineses, foi fundamental 
para a navegação marítima no período das Grandes Navegações. Sua 
agulha imantada alinha-se com os polos magnéticos Norte e Sul da 
Terra e, dessa forma, permite que o navegador possa localizar-se e 
seguir na direção desejada. O desenvolvimento das Cartas Portulanas 
também facilitou a navegação, à medida que traziam as linhas de rumo 
para orientar o trajeto das embarcações, além de mostrar detalhes do 
litoral e a indicação dos principais portos, baías e cidades, como mostra 
este exemplo que representa o Mar Mediterrâneo e o seu entorno.
Atualmente, dispomos de tecnologias infinitamente mais precisas para 
obter as coordenadas geográficas e identificar praticamente qualquer 
lugar no planeta. Esses dados são facilmente levantados pelo GPS 
(Global Positioning System), um sistema composto por 24 satélites 
que fornece a um aparelho receptor sua posição exata na superfície 
terrestre. As informações são visualizadas a partir de aparelhos de 
GPS, celulares e computadores de bordo em automóveis, aviões e 
navios e são fundamentais para a navegação terrestre, marítimaou 
aérea hoje em dia. 
[1] ALEX ARGOZINO [2] REPRODUÇÃO 
[1]
[2]
Fonte: Atlas Geográfico Mundial. Editora Fundamento, 2007. p. 4
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16 GE GEOGRAFIA 2018
CARTOGRAFIA FUSOS HORÁRIOS
Os fusos horários foram estabele-cidos porque, em razão do mo-vimento de rotação da Terra, as 
várias porções da superfície terrestre 
são iluminadas de forma diferencia-
da no decorrer do dia. Para dar uma 
volta completa em torno de si, o pla-
neta gira 360º e faz isso em um dia, ou 
seja, em 24 horas. Dessa forma, foram 
determinadas 24 faixas longitudinais 
(no sentido norte-sul do globo) de 15º. 
Cada faixa, denominada de fuso horário 
teórico ou astronômico, corresponde, 
portanto, a 1 hora.
O fuso de referência do horário mun-
dial é o de Greenwich, localidade situ-
ada em Londres, na Inglaterra. Esse 
fuso se estende 7º30’ a oeste e 7º 30’ a 
leste do Meridiano de Greenwich, tam-
bém chamado de Meridiano 0º. A par-
tir dele, foram definidos os demais 
fusos teóricos – indo para leste, acres-
centa-se uma hora a cada fuso; para 
oeste, subtrai-se uma hora.
Entretanto, esses limites teóricos 
dos fusos horários, delimitados a cada 
15º, não coincidem com os limites dos 
países. Por isso, foram criados os fusos 
horários práticos, também conhecidos 
como fusos civis ou políticos. Esses 
fusos respeitam os limites políticos dos 
países, pois consideram os interesses 
de cada nação em fazer parte de um ou 
de outro fuso, de acordo, por exemplo, 
com a integração econômica, política e 
sociocultural com as regiões vizinhas. 
Como os limites das linhas são uma 
convenção, os fusos acabam sendo 
maleáveis. Em novembro de 2013, por 
exemplo, o Brasil passou a ter quatro 
fusos horários, em vez de três. Com a 
medida, os fusos do estado do Acre e 
de parte do Amazonas foram modifica-
dos, a partir de uma leve adaptação do 
meridiano. E essas mudanças ocorrem 
no mundo todo. Em 2016, a Rússia, que, 
com sua vastidão territorial tinha nove 
fusos horários, decidiu aumentar para 
11. Além disso, alguns países adotam as 
chamadas “horas fracionadas”, como o 
Irã (3 horas e meia a mais em relação ao 
fuso de Greenwich) e a Índia (5 horas 
e meia a mais em relação ao fuso de 
Greenwich).
Acertando os ponteiros
Com base nos meridianos e no sistema de 
rotação da Terra, o sistema de fusos horários 
ajuda a organizar as horas em diversas 
localidades do globo
TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO
TRÓPICO DE CÂNCER
CÍRCULO ANTÁRTICO
CÍRCULO ÁRTICO
EQUADOR
A N T Á R T I C A
Brasília
Lima
Cidade 
do México
Ilhas Galápagos
Honolulu
Tonga
Georgetown
Dacar
Trípoli
Cairo
Berlim
Luanda
Cidade
do Cabo
Maputo
Jerusalém
Riad
Nairóbi
Adis-Adeba
Moscou
Samara
Teerã
Astana
Nova
Délhi
Pequim
Tóquio
Hong
Kong
Seul
Pyongyang
Jacarta
Melbourne
Sydney
Manila
Lisboa
Londres
Paris
Bogotá
Cidade do
Panamá
Nova York
Ottawa
Washington
Vancouver
Los Angeles
San Francisco
Tijuana
Buenos
Aires
+13
+13
-3
+9
+5
+3
+4
+12
-9
Wellington
Reykjavik
Ilhas da Linha
Ilhas
Marquesas
Ilha
Pitcairn
Ilha
de Páscoa
Ilhas
Malvinas
Ilhas
Geórgia
do Sul
Taiti
Paramaribo
Belém
La Paz
Rio Branco
Cuiabá
Assunção
Manaus
Caracas
Santo
Domingo
Quito
Seattle
Edmonton
Anchorage
Whitehorse
Açores
Samoa
Santiago Montevidéu
Houston Miami
Havana
New
Orleans
Chicago
St. Louis
Halifax
St. John’s
MontrealWinnipeg
Denver
Phoenix
Túnis
Argel
Casablanca
Lagos
Abidjan
Johannesburgo
Antananarivo
Cartum
Campala
Lusaka
Kinshasa
Windhoek
Fernando
de Noronha
Bagdá
Murmansk
Helsinque
São
Petersburgo
Roma
Viena
EstocolmoOslo
Istambul
Atenas
KievVarsóviaDublin
Madri
Meca Mascate
Yangun
Bangcoc
Dili
Adelaide
Brisbane
Perth
Cingapura
Colombo
Mumbai
Karachi
Calcutá
Katmandu
Lhasa
Ashkhabad
Tashkent
Cabul Xi’an
Ulan
Bator
Irkutsk
Vladivostok
Xangai
Taipé
Petropavlovsk
Magadan
YakutskYekaterinburgo
Ilhas
Chatham
Oceano Pacífico
Oceano Pacífico
Oceano Ártico Oceano Ártico
Oceano
Atlântico
Oceano
Índico
Manágua
Kiribati
+3
Omsk
+6
+8
+5
Hanói
1h 2h 3h 4h 5h 6h 7h 8h 9h 10h 11h 12h 13h 14h 15h 16h 17h 18h 19h 20h 21h 22h 23h 0h0h
-12 +12-11 +11-10 +10-9 +9-7 +7-6 +6-5 +5-4 +4-3 +3-2 +2-1 +10-8 +8
150º O 120º 90º 60º 60º 90º 120º 150º L 180º180º 30º 30º0º
Horário Universal
de Greenwich
Horário fracionado
Linha Internacional de Data
+8
Krasnoyarsk
Bucareste Novosibirsk
Fonte: World Time Zone
N
1.780 km
OLHA A HORA! Para determinar o horário em 
um país, deve-se aumentar uma hora no relógio 
para cada fuso a leste de Greenwich e diminuir 
uma hora para cada fuso a oeste dele VEN
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17GE GEOGRAFIA 2018 
HORÁRIO DE VERÃO
Com o horário de verão, o Brasil mantém seus 
quatro fusos, mas muda a disposição deles, pois 
as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste adiantam 
o relógio em uma hora. O objetivo é aproveitar 
melhor a luz solar, já que, durante o verão, quan-
to maior a latitude, maior o fotoperíodo – o Sol 
nasce mais cedo e se põe mais tarde. 
A medida provoca uma importante redução 
no consumo de energia durante os horários de 
maior consumo, sobretudo das 18h às 20h, o 
que reduz a sobrecarga no sistema elétrico e os 
riscos de apagões. Nos estados localizados em 
latitudes mais baixas (mais próximos da linha 
do Equador), como no Nordeste e Norte, há 
pouca variação do fotoperíodo e, por isso, não 
compensa fazer a mudança para o horário de 
verão. Nesses estados, mesmo que houvesse 
alguma economia de energia à tarde, a mu-
dança provocaria um aumento no consumo 
de energia no início da manhã. 
O horário de verão começa no terceiro domin-
go de outubro e termina no terceiro domingo 
de fevereiro. Se neste último for carnaval, o 
encerramento fica para o domingo seguinte.
VENEZUELA MUDA FUSO HORÁRIO CRIADO POR 
CHÁVEZ PARA POUPAR ENERGIA
A Venezuela reverteu nesta sexta-feira (15) uma mudança de fuso 
horário de meia hora que foi uma das marcas registradas do governo 
do falecido presidente Hugo Chávez.
Chávez atrasou os relógios do país 30 minutos em 2007 para que as 
crianças pudessem acordar para ir à escola com luz do sol.
Mas seu sucessor, Nicolás Maduro, decidiu retomar o sistema ante-
rior, quatro horas atrás do Horário do Meridiano de Greenwich (GMT, 
na sigla em inglês), para ter mais luz solar no final da tarde, quando 
o consumo de energia chega ao máximo. (...)
G1, 15/4/2016
SAIU NA IMPRENSA
OS FUSOS HORÁRIOS DO BRASIL
Exemplos da variação dos horários nos fusos brasileiros quando 
em Londres (fuso de referência) são 15 horas
As regiões Sul, Sudeste e Nordeste, o Distrito Federal e os estados 
de Goiás, do Tocantins, Pará e Amapá acompanham o horário de 
Brasília. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Roraima e a 
maior parte do Amazonas têm uma hora a menos. Já um pequeno 
trecho do Amazonas e o Acre passaram a ter duas a menos que Brasília 
com a mudança de fuso implementada em 2013.
Com as alterações, o Brasil ficou com quatro fusos horários. No 
alto, os relógios mostram os diversos horários quando é meio-dia em 
Brasília. Note como Fernando de Noronha e as ilhas oceânicas estão 
mais “adiantados” em relação aos horários do Brasil continental: 
nessas regiões já são 13 horas.
DF
PA
GO
AP
MA
PI
BA
CE
PE
SP RJ
ES
AC
AM
RR
RO
MT
MS
PR
SC
MG
TO
RS
11h10h 12h 13h
Atol das
Rocas (RN)
3’52’S
33’50’O
Penedos de
S. Pedro e
S. Paulo (RN)
3’56’S
29’22’O
Fernando de
Noronha (PE)
3’50’S
32’24’O
*Em relação ao
horário de Greenwich
-4h
-5h
-2h
-3h
FUSO
HORÁRIO*
RN
PB
AL
SE
1h
entram no 
horário de verão
não entram no
horário de verão
SAIBA MAIS
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18 GE GEOGRAFIA 2018
Grandes
Lagos
Aconcágua
6.959 m
Mte. McKinley
6.194 m
Amazon
as
Cordilheira dos Andes
Apa
lac
hes
Pico da 
Neblina
3.014 m
Sã
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ra
nc
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iss
iss
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i
M
ontanhas Rochosas
CARTOGRAFIA TIPOS DE MAPA
Veja como as diversas formas 
de representar o espaço 
geográfico podem alterar 
o modo como enxergamos 
o planeta
Representação: é essa a ideiaque norteia a construção de um mapa. Ocorre que, obvia-
mente, o tamanho e a complexidade 
do planeta não cabem no papel. Desse 
modo, é preciso fazer escolhas para 
conseguir mostrar, num espaço tão res-
trito, o máximo daquilo que comporta 
o mundo real. 
Dessas escolhas é que resultam as 
diversas maneiras de representar um 
território, que pode se dar com base 
em focos variados, como seus aspectos 
físicos, políticos ou sociais. Cada um 
desses recortes, por sua vez, abarca ou-
tras subdivisões. A representação física 
do planeta, por exemplo, engloba mapas 
de hidrografia e relevo, entre outros. 
Todas essas divisões são importantes 
tanto por seu caráter teórico, ao faci-
litar o estudo de uma área, quanto pela 
aplicação prática desse conhecimento, 
ao nortear a implantação de políticas 
de saúde ou ambientais. 
Entretanto, com tantas possibilidades, 
é preciso atenção na hora de ler os ma-
pas e avaliar as conclusões tiradas com 
base em sua análise. Afinal, como vimos, 
eles mostram apenas uma parte da re-
alidade. Assim, dependendo do ponto 
de vista adotado para sua construção, 
eles podem acabar servindo para in-
fluenciar – positiva ou negativamente – 
o modo como enxergamos determina-
da área ou algum fenômeno. Confira a 
seguir alguns dos principais tipos de 
mapas e o que eles representam.
Vários mapas, 
diferentes 
leituras
MAPAS FÍSICOS
Este tipo de mapa destaca as 
características físicas da superfície 
terrestre, em especial de relevo e 
hidrografia. Geralmente, as diferentes 
faixas de altitudes são apresentadas por 
meio de uma sequência de cores: nas terras 
emersas, os tons em verde são usados para 
altitudes mais baixas, seguidos do amarelo, 
laranja e marrom, sucessivamente, para as 
altitudes mais elevadas. 
Também constam nos mapas físicos 
denominações das unidades de relevo 
que se destacam no território, como 
cadeias montanhosas, serras, planaltos 
e planícies, bem como os picos mais 
elevados. Quanto à hidrografia, são 
representados com traços azuis os 
grandes rios e seus principais afluentes 
e subafluentes. Os principais lagos 
também são identificados.
MAPAS POLÍTICOS
É este recorte que dá aos mapas a cara 
que mais conhecemos: os continentes 
divididos em países, os países divididos 
em regiões e estas, em cidades (veja, 
ao lado, os 35 países do continente 
americano). Seu objetivo é simplesmente 
demarcar os limites entre territórios, que 
podem mudar no decorrer dos anos.
As fronteiras entre as nações, por 
exemplo, sofreram muitas mudanças no 
decorrer da história. As atualizações do 
mapa-múndi atingiram número recorde 
no século XX, por causa do turbilhão de 
eventos ocorridos no período, como o 
desmembramento da ex-União Soviética. 
A mais recente alteração no mapa político 
ocorreu em 2011, com o desmembramento 
do Sudão, que deu origem ao Sudão 
do Sul. Em suma, aparecer ou não no 
mapa significa ter a própria existência 
reconhecida pelo resto do mundo.
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19GE GEOGRAFIA 2018 
SAIBA MAIS
ANAMORFOSES, OS MAPAS DISTORCIDOS
Os mapas têm como objetivo apresentar de forma mais fiel possível 
o espaço geográfico, certo? Mais ou menos. Existem alguns tipos de 
representação cartográfica que distorcem o tamanho e o traçado das 
regiões para reforçar o efeito comparativo sobre o tema apresentado. 
Esses mapas recebem o nome de anamorfoses e costumam cair nos 
vestibulares com certa frequência.
Nesta anamorfose, o tamanho de cada país é proporcional ao seu 
Produto Interno Bruto (PIB) e não à sua extensão territorial. Logo, 
chama a atenção o aumento de tamanho dos Estados Unidos, dono 
da maior economia do mundo, com 18 trilhões de dólares. Por sua vez, 
note como o Canadá, que tem a segunda maior extensão territorial 
do planeta, atrás apenas da Rússia, ficou representado de uma forma 
bem menor nesta anamorfose. Isso acontece porque o gigantismo de 
sua área não é proporcional ao seu PIB. Já o mapa do Brasil apresenta 
poucas distorções na comparação entre economia e área.
MAPAS TEMÁTICOS
São mapas que representam dados 
sobre determinados temas, permitindo 
observar as características de uma 
região e estabelecer comparações 
entre os países apresentados. Os temas 
abordados podem ser os mais diversos, 
da economia à cultura, passando por 
demografia e meio ambiente. 
Neste exemplo, os países da América são 
agrupados a partir de sua classificação 
no ranking mundial do Índice de 
Desenvolvimento Humano (IDH). 
O indicador, apurado pela Organização 
das Nações Unidas (ONU), serve 
para medir as variações no padrão 
de qualidade de vida das diferentes 
populações do globo, levando em conta 
três fatores: educação, longevidade e 
renda. Ao observarmos o mapa de IDH 
do continente americano acima, 
notamos que Estados Unidos, Canadá, 
Chile e Argentina são as únicas nações 
com IDH muito alto, enquanto o Haiti é a 
única nação com baixo desenvolvimento 
humano. O Brasil, junto com países como 
Venezuela e México, tem IDH alto.
Índice de 
Desenvolvimento 
Humano (2015) 
Muito Alto 
Alto 
Médio 
Baixo 
Dados não disponíveis
Estados Unidos
Canadá
Argentina
Chile
Cuba
Venezuela
Haiti
Brasil
México
PARA IR ALÉM 
Confira dezenas de 
anamorfoses sobre os 
mais diversos temas no site 
www.worldmapper.org.
Estados Unidos
Canadá
Brasil
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20 GE GEOGRAFIA 2018
CARTOGRAFIA PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS
Ao longo dos séculos, os cartó-grafos vêm se empenhando em desenvolver mapas-múndi da 
forma mais fi el possível. O problema é 
que a Terra tem um formato esférico, 
com um leve achatamento nos polos. 
O maior desafi o na criação dos mapas, 
portanto, é representar este planeta 
esférico em uma superfície plana. Para 
ter uma ideia da difi culdade de fazer 
essa transposição, no decorrer dos anos 
surgiram mais de 200 tipos de projeção 
cartográfi ca. E todas apresentam algum 
tipo de distorção.
Forma e 
conteúdo
O desafi o de reproduzir a 
superfície esférica da Terra 
em um mapa plano levou ao 
surgimento de uma infi nidade 
de projeções cartográfi cas. 
Conheça a seguir os tipos
mais comuns
Equador
Gr
ee
nw
ic
h
Trópico de Capricórnio
Trópico de Câncer
60˚
60˚
20˚
20˚
Trópico de Câncer
Equador
180˚
160˚
140˚
120˚ 100˚ 80˚ 60˚
40˚
20˚
0˚
Greenwich
Polo
Norte
PROJEÇÃO CILÍNDRICA
Este tipo de projeção é produzido como 
se um cilindro envolvesse a esfera 
terrestre e fosse então planifi cado. 
A projeção cilíndrica ainda consegue 
representar com menos distorções as 
baixas latitudes. 
PROJEÇÃO CÔNICA
Neste tipo de projeção, a representação 
é feita como se um cone envolvesse 
o planeta e depois fosse planifi cado. 
Esta projeção é utilizada para mapas 
de latitudes médias, pois nessa região a 
distorção é menor. 
PROJEÇÃO PLANA 
OU AZIMUTAL
O mapa é construído sobre um plano que 
tangencia algum ponto da superfície 
terrestre. Seu uso mais comum é para 
melhorar a visibilidade das regiões 
polares e de suas proximidades.
AS DIFERENTES REPRESENTAÇÕES DA ESFERA TERRESTRE
Dependendo da figura geométrica utilizada para desenvolver o mapa, as projeções podem ser classificadas da seguinte forma:
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21GE GEOGRAFIA 2018 
CONFORME
Prioriza a forma, ou seja, o contorno 
dos continentes e oceanos e distorce 
a área, principalmente nas latitudes 
maiores. Na Projeção de Mercator ao 
lado, a Groenlândia, que tem cerca de 
2,8 milhões de quilômetros quadrados, 
aparece no mapa com quase o mesmo 
tamanho da África, com seus mais de 
30 milhões de quilômetros quadrados.
EQUIVALENTE
Mantém a equivalência da área, 
ou seja, a proporção entre as áreas 
reais e sua representação nos mapas. 
No entanto, as formas ficam distorcidas, 
como a América do Sul e a África, que 
aparecem mais alongadas no mapa, como 
se nota na Projeção de Peters.
EQUIDISTANTE
Representa com maior fidelidade as 
distâncias, por isso é frequentemente 
adotada para definir rotas aéreas e 
marítimas.No entanto, ela distorce as 
formas e as áreas. As projeções planas ou 
azimutais, descritas na página ao lado, 
também são consideradas equidistantes. 
ARBITRÁRIA OU AFILÁTICA
Não se prende totalmente a nenhuma 
regra, distorcendo tanto a área como 
a forma, porém sem exagerar essas 
distorções, buscando um resultado 
mais equilibrado. O exemplo mais 
representativo é a Projeção de Robinson, 
utilizada na maior parte dos atlas 
e livros escolares.
DIFERENTES PROJEÇÕES CAUSAM POLÊMICA
As projeções também podem ser classificadas de acordo com os parâmetros utilizados 
para conservar ou distorcer as áreas:
SAIBA MAIS
AS IMAGENS DE SATÉLITES
Os satélites são instrumentos essenciais para 
a obtenção de imagens da superfície terres-
tre com grande riqueza de detalhes. A partir 
dessas informações, os cartógrafos produzem 
mapas temáticos, monitoram problemas am-
bientais, como o desmatamento e a poluição 
das águas, descobrem novas riquezas, como ja-
zidas minerais, entre inúmeras outras funções. 
A obtenção de imagens de satélite faz parte de 
um conjunto de técnicas conhecidas como sen-
soriamento remoto. Como a própria expressão 
já diz, trata-se de uma forma de obter imagens 
com sensores localizados à distância. Depen-
dendo das variações que as características físi-
cas da superfície terrestre apresentam, ocorrem 
diferentes índices de reflexão da luz solar ou das 
radiações dos sensores ativos dos satélites. As 
águas, por exemplo, tendem a absorver maior 
quantidade de energia, enquanto construções 
(prédios, estradas, pontes etc.) ou mesmo o solo 
exposto refletem mais a energia incidente. Desta 
forma, é possível identificar as características 
naturais e da ocupação humana de uma deter-
minada área. Existem ainda filtros utilizados para 
realçar alguma caraterística, como as variações 
do relevo, dos recursos minerais, da vegetação 
ou das águas, por exemplo.
CORES E TEXTURAS Nesta imagem da região 
metropolitana de São Paulo, as porções de 
água estão representadas na cor preta, as áreas 
urbanizadas na cor rosa, a vegetação na cor 
verde e o solo exposto na cor marrom
INPE
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22 GE GEOGRAFIA 2018
COMO CAI NA PROVA
1. (Fuvest 2017) Anamorfose geográfi ca representa superfícies dos países 
em áreas proporcionais a uma determinada quantidade.
Observe as seguintes anamorfoses:
 
 
Nas alternativas apresentadas, os títulos que identifi cam de forma correta as 
anamorfoses I e II são, respectivamente: 
a) Transporte aéreo e Transporte ferroviário. 
b) População urbana e População rural. 
c) População total e Produto Interno Bruto. 
d) Ocorrência de HIV e Ocorrência de malária. 
e) Exportação de armas e Importação de armas
RESOLUÇÃO
A anamorfose possui uma força comunicativa poderosa e cartografi camente 
tem o papel de valorizar certos fenômenos geográfi cos, provocando a subversão 
da forma com o propósito de revelar o assunto retratado. Para responder este 
tipo de questão é preciso identifi car o grau de distorção das áreas dos países no 
mapa. Além disso, o conhecimento geral de temas da geografi a física e humana 
é fundamental para saber a quais assuntos o mapa estará relacionado.
No caso desta questão, as alternativas levam às seguintes refl exões: 
A afi rmativa A é incorreta porque países como Japão e China têm forte movimento 
aéreo e o transporte ferroviário é maior em países desenvolvidos; 
A afi rmativa B é incorreta porque não só os países desenvolvidos registram altos 
percentuais de população urbana;
A afi rmativa C é incorreta porque Estados Unidos, Rússia, Brasil, China, Índia são 
os países mais populosos; 
A afi rmativa D é incorreta porque a ocorrência do HIV é maior no continente africano. 
Logo, a resposta que representa a melhor opção é aquela que envolve o comércio 
mundial de armas. EUA, países de Europa Ocidental e Rússia são grandes produtores 
e exportadores. Já Índia e Paquistão (em tensão por disputa territorial), Japão e 
Coreia do Sul (temerosos por ameaças da Coreia do Norte) e países do Oriente 
Médio e do norte da África (envolvidos com ações terroristas e fundamentalismo 
islâmico) são grandes importadores de armamentos. 
Resposta: E
2. (Mackenzie 2016) 
Escala : 1:15.000
Com base no mapa e em seus conhecimentos sobre Escalas Cartográfi cas e Fusos 
Horários Mundiais, qual alternativa contempla, correta e respectivamente, as 
seguintes perguntas.
I. Qual a distância linear entre os dois pontos atingidos pelas explosões, em 
Bruxelas, sabendo que a distância entre os dois pontos no mapa é de 7 cm?
II. Sabendo que o ataque ao Aeroporto Internacional de Zaventem – Bruxelas 
– Bélgica ocorreu às 8h do dia 22/03/2016, país localizado a 15º Leste de 
Greenwich, que horas os relógios brasileiros marcavam em seu fuso principal, 
horário de Brasília, localizado a 45o Oeste de Greenwich? 
a) 150 metros; 4h do dia 21/03/2016. 
b) 1.500 metros; 20h do dia 21/03/2016. 
c) 1.050 metros; 4h do dia 22/03/2016. 
d) 10.500 metros; 20h do dia 22/03/2016. 
e) 105.000 metros; 4h do dia 23/03/2016. 
RESOLUÇÃO
I – A escala numérica indicada no mapa aponta 1: 15.000. Ou seja, para cada 1 
centímetro no mapa temos, na realidade, 15.000 centímetros, ou 150 metros. 
Em uma distância linear de 7 centímetros, temos a seguinte correspondência: 
 1 cm — 150 m
7 cm — x
x= 1050 m
II – Devemos considerar a localidade de Bruxelas a 15° Leste de Greenwich e de 
Brasília a 45° Oeste. Cada fuso equivale a 1 hora e corresponde a 15°. Logo, a diferença 
entre as duas localidades apontadas na questão é de 4 fusos, o equivalente a 4 horas. 
Como no sentido leste as horas aumentam e no sentido oeste as horas diminuem, 
podemos concluir que, no momento do atentado executado em Bruxelas às 8 horas, 
os relógios brasileiros marcavam na sua hora ofi cial quatro horas a menos, pois 
Brasília se localiza mais a oeste da Bélgica. Com isso a hora registrada foi de 4 horas. 
Resposta: C
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23GE GEOGRAFIA 2018 
RESUMO
Cartografia
ELEMENTOS DOS MAPAS São as informações que acompa-
nham os mapas e a eles dão significado. Os principais elementos 
são o título, a legenda (indica o significado dos símbolos, cores 
e demais recursos utilizados nos mapas), a rosa dos ventos 
(indica os pontos cardeais), a fonte dos dados e a escala, que 
determina a proporção em que o mapa foi feito, comparado 
à superfície real.
COORDENADAS GEOGRÁFICAS São valores em graus, minutos 
e segundos obtidos a partir do cruzamento dos meridianos 
(linhas imaginárias traçadas no sentido norte-sul) e dos para-
lelos (linhas imaginárias traçadas no sentido leste-oeste). As 
coordenadas são fundamentais para a localização de qualquer 
ponto ou área na superfície terrestre. O ponto de referência dos 
paralelos é a linha do Equador, enquanto dos meridianos é o 
meridiano de Greenwich. Os paralelos determinam a latitude 
e os meridianos indicam a longitude. 
FUSOS HORÁRIOS São faixas longitudinais (que se estendem 
no sentido norte-sul no globo terrestre) criadas para organizar a 
hora mundial. Inicialmente foram determinadas 24 faixas, cada 
uma com 15 graus. A hora adotada em cada país, no entanto, 
foi regulamentada com base nos fusos horários práticos, que 
acompanham os limites territoriais dos países ou estados, 
de acordo com os interesses político-econômicos regionais. 
O ponto de referência do horário mundial é o meridiano de 
Greenwich, na Inglaterra: indo para leste, adianta-se o relógio; 
para oeste, deve-se atrasá-lo. Muitos países adotam o horário 
de verão, adiantando o relógio em uma hora para aproveitar 
melhor a luz solar e reduzir o consumo de energia.
TIPOS DE MAPAS De acordo com o tipo de informação que 
representam, os mapas podem ser classificados como: mapas 
políticos, que mostram os limites político-territoriais dos 
países; mapas físicos, com as principais características de 
relevo e hidrografia; e os mapas temáticos, que representam 
algum tema ou assunto específico, como dados econômicos, 
populacionaisou ambientais. As anamorfoses aumentam ou 
diminuem o tamanho dos países ou continentes de acordo 
com os dados quantitativos que estão sendo representados.
PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS São técnicas utilizadas para 
representar a Terra, que é esférica, em uma superfície plana. 
As principais projeções são classificadas de acordo com a figura 
geométrica utilizada para representar a superfície terrestre: 
cilindro (projeção cilíndrica); cone (projeção cônica) e plano 
(projeção plana ou azimutal). Há distorções em todas as pro-
jeções, sendo que em cada uma se prioriza uma determinada 
propriedade: a área, a forma ou as distâncias. A projeção de 
Mercator é mais precisa nas distâncias, mas distorce as áreas. 
Já a projeção de Peters privilegia o tamanho da área, porém 
não consegue apresentar as formas de maneira fiel.
3. (Unicamp 2017) A representação cartográfi ca dos fatos geográfi cos avançou 
consideravelmente, nas últimas décadas, sobretudo a partir do emprego de 
tecnologias modernas utilizadas pela Cartografi a, por exemplo, as imagens 
SRTM, como a que será vista a seguir:
a) Explique por que a Groenlândia e a Península Arábica, que possuem aproxima-
damente a mesma superfície no mapa-múndi acima, apresentam dimensões 
tão discrepantes, e indique qual é a projeção desse mapa-múndi. 
b) Defi na escala cartográfi ca e indique se o mapa acima apresenta uma escala 
grande ou pequena. 
RESOLUÇÃO
a) O mapa apresentado na questão foi feito em uma projeção cilíndrica do tipo 
conforme idealizada por Mercartor. Este mapa prioriza a forma e o contorno 
dos continentes. No entanto, ele distorce o tamanho e a proporção das áreas 
continentais. As áreas de baixa latitude, mais próximas da linha do Equador, 
são reproduzidas de forma mais fi el, como acontece com a Península Arábica. 
Já as regiões de alta latitude, como a Groenlândia, são apresentadas em um 
tamanho proporcionalmente maior do que de fato são.
b) A escala cartográfi ca permite que se estabeleça uma relação entre o espaço 
real e a área apresentada no mapa. O mapa-múndi reproduzido na questão 
tem escala pequena – ela mostra poucos detalhes, priorizando a apresentação 
de uma área de abrangência maior.
� SAIBA MAIS
As escalas numéricas são expressas por uma fração cujo numerador é a 
medida no mapa e o denominador é a medida correspondente ao terreno.
Ex: 1:50.000 ou 1/50.000 – 1 cm no mapa corresponde a 50.000 cm no terreno).
O tamanho da escala é tanto menor quanto maior for o denominador. Veja na 
tabela abaixo como o tamanho da escala se relaciona com a fi nalidade do mapa:
Tamanho Escala Finalidade do Mapa
Grande 
1:50 / 1:100 Plantas arquitetônicas e de engenharia
1:500 a 1: 20.000 Plantas urbanas; projetos de engenharia
Média 1: 25.000 a 1:250.000 Mapas topográfi cos
Pequena Acima de 1: 250.000 Atlas geográfi cos; globos
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24 GE GEOGRAFIA 2018
LITOSFERA
2 CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO� Composição e estrutura geológica .............................................................26� Tipos de relevo ..................................................................................................28
� Placas tectônicas .............................................................................................30
� Relevo em movimento....................................................................................32
� Relevo do Brasil ................................................................................................36
� Recursos minerais ...........................................................................................38
� Características dos solos ...............................................................................40
� Deslizamento de terra e inundações ........................................................42
� Contaminação dos solos ................................................................................44
� Como cai na prova + Resumo .......................................................................46
maior em relação ao entorno e detém uma crosta 
mais espessa que a do leito oceânico – quatro 
características comuns aos continentes validados.
Embora seja natural pensarmos que um con-
tinente deva estar inteiramente na superfície, 
os pesquisadores argumentam que o fato de 
Zelândia ter apenas 6% de suas terras emersas 
não lhe tira o direito de ser vista como tal. “É o 
menor e mais fi no continente já encontrado, e o 
fato de estar tão submerso, mas não fragmentado, 
o torna útil para explorar a coesão e desintegra-
ção da crosta continental”, aponta Mortimer.
Como não existe um organismo internacional 
que reconheça formalmente os continentes, a 
Zelândia só irá fazer parte da lista se a comuni-
dade científi ca aceitar os argumentos dos pes-
quisadores neozelandeses e passar a citá-la em 
seus trabalhos. Dessa forma, o novo continente 
quase inteiramente 
submerso do Pacífi co 
passaria a ser ensinado 
nas aulas de Geogra-
fi a. Enquanto isso não 
acontece, você apren-
de no capítulo a seguir 
todos os tradicionais 
fenômenos do relevo 
e de sua formação.
O NOVO CONTINENTE
Representação da Terra 
mostra a Zelândia, em volta 
do tracejado em vermelho: 
apenas a Nova Zelândia, 
ao sul, e a pequena ilha da 
Nova Caledônia, ao norte, 
estão acima do nível do mar
Um artigo publicado em fevereiro de 2017 na revista científi ca da Geological Society of America (GSA) propõe uma 
mudança signifi cativa nos livros de Geografi a. 
Segundo o estudo liderado pelo geólogo neoze-
landês Nick Mortimer, o mundo teria um novo 
continente: a Zelândia. O território possui 4,9 
milhões de quilômetros quadrados (cerca de 
60% da área do Brasil) e localiza-se no sudo-
este do Oceano Pacífi co, ao lado da Austrália. 
Detalhe: 94% de suas terras são submersas, e 
as únicas porções acima do nível do mar são as 
ilhas de Nova Zelândia e Nova Caledônia, dis-
tantes cerca de 2.400 quilômetros uma da outra.
A formação da Zelândia estaria relacionada ao 
mesmo fenômeno que deu origem aos demais 
continentes: a deriva continental. A Pangeia, 
a grande e única extensão de terra que existia 
há 225 milhões de anos, foi se fragmentando 
gradativamente até dar forma aos continentes 
que conhecemos atualmente. 
A Zelândia se descolou da Austrália e da An-
tártica e submergiu, mas ainda assim poderia ser 
considerada um continente. É o que defende o 
estudo de Mortimer, com base em critérios geo-
lógicos. Dados coletados por satélite mostram que 
a Zelândia tem uma área bem defi nida, é dotada 
de uma geologia distinta, possui uma elevação 
Território localizado no sudoeste do 
Oceano Pacífi co tem apenas 6% de sua 
área acima do nível do mar 
Zelândia, 
o continente 
submerso
CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO
� Composição e estrutura geológica .............................................................26
� Tipos de relevo ..................................................................................................28
� Placas tectônicas .............................................................................................30
� Relevo em movimento....................................................................................32
� Relevo do Brasil ................................................................................................36
� Recursos minerais ...........................................................................................38
� Características dos solos ...............................................................................40
� Deslizamento de terra e inundações ........................................................42
� Contaminação dos solos ................................................................................44
� Como cai na prova + Resumo .......................................................................46
APONTE O CELULAR PARA AS 
PÁGINAS E VEJA VÍDEO SOBRE 
A FORMAÇÃO DA ZELÂNDIA
(MAIS INFORMAÇÕES NA PÁG. 7)
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25GE GEOGRAFIA 2018 MARIO KANNO/MULTISP
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26 GE GEOGRAFIA2018
LITOSFERA COMPOSIÇÃO E ESTRUTURA GEOLÓGICA
O termo litos, em grego, significa “pedra” ou “rocha”. Portanto, conhecer a litosfera é saber literalmente onde estamos pisando, 
já que ela dá nome à camada sólida que reveste a 
esfera terrestre. Essa rigidez em sua superfície, 
aliás, é uma característica que nem todos os pla-
netas possuem. No Sistema Solar, além da Terra, 
somente outros três (Mercúrio, Vênus e Marte) são 
classificados como planetas rochosos. Os demais 
(Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) são gigantes 
gasosos e não possuem uma crosta rochosa.
A litosfera é composta pela crosta e por uma 
parte do manto superior, conforme ilustra a ima-
Por 
dentro 
do globo
Conheça as 
características 
das camadas 
internas do 
planeta e como 
o relevo foi 
formado ao 
longo dos anos
Manto inferior
Manto superior
Fonte: ALMANAQUE ABRIL
Crosta
Núcleo externo
Núcleo 
central
CROSTA
É a parte superior ou externa da litosfera, 
encontrada tanto nas áreas continentais (crosta 
continental) como submersas pelos oceanos 
(crosta oceânica). A crosta continental apresenta 
espessuras que variam de 30 a 70 quilômetros, 
aproximadamente, com rochas mais densas na 
parte inferior e menos densas na porção superior, 
próxima da superfície. A crosta oceânica, por sua 
vez, tem espessura entre 6 e 7 quilômetros de 
profundidade e é constituída predominantemente 
por rochas mais densas.
gem abaixo. É sobre ela que o relevo ganha seus 
contornos, formando desde depressões até cadeias 
montanhosas. Além dessas camadas, a Terra possui 
outras partes em sua estrutura interna igualmente 
sólidas, como o núcleo interno, ou fluidas, como 
o manto e o núcleo externo. Conhecer essa estru-
tura e sua dinâmica é fundamental para entender 
fenômenos como os terremotos, as atividades 
vulcânicas e os tsunamis, por exemplo, e assim 
poder buscar os meios de se proteger contra seus 
efeitos devastadores. 
Veja abaixo as características das diferentes 
camadas da Terra:
TETO DAS AMÉRICAS O Monte Aconcágua, na Argentina, é o ponto mais alto do continente americano, medindo 6.959 metros
AS CAMADAS DA TERRA
APONTE O CELULAR PARA AS 
PÁGINAS E VEJA VIDEOAULA 
SOBRE ESTRUTURAS GEOLÓGICAS 
(MAIS INFORMAÇÕES NA PÁG. 7)
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27GE GEOGRAFIA 2018 
A estrutura geológica
A estrutura geológica e mineralógica da crosta está na base do modo de vida das populações 
humanas, uma vez que fornece dezenas de recursos necessários à vida, como a produção de ali-
mentos (obtidos por meio do cultivo do solo), os materiais utilizados na construção de moradias 
(tijolos, cimento, ferro), a geração de energia (petróleo, urânio), entre inúmeros outros. Confira 
a seguir as principais estruturas geológicas da litosfera:
FORMAÇÃO DAS ESTRUTURAS GEOLÓGICAS
Escudo 
cristalino
Dobramentos 
modernos
Bacias 
sedimentares
2,5 bilhões 4,5 bilhões 250 milhões 
Arqueozoica Proterozoica Paleozoica Mesozoica Cenozoica
65 milhões 570 milhões 
ESCUDOS CRISTALINOS 
São os terrenos mais antigos da crosta terrestre, 
formados pelo choque de massas continentais 
ocorrido há centenas de milhões de anos durante 
a era Pré-Cambriana (Arqueozoica e Proterozoica). 
Os escudos cristalinos são constituídos de rochas 
magmáticas, ou seja, trata-se do magma – material 
líquido-pastoso proveniente do manto – em estado 
sólido. As rochas magmáticas dividem-se em duas 
categorias: as extrusivas, como o basalto, que são 
formadas com o esfriamento rápido do magma na 
superfície terrestre; e as intrusivas, como o granito, que 
são resfriadas lentamente dentro da crosta terrestre. 
Os escudos cristalinos também exibem as rochas 
metamórficas, que são o resultado da transformação 
das rochas magmáticas, sedimentares ou mesmo 
de outras metamórficas, por meio de processos 
químicos e físicos nas grandes profundidades 
da Terra. O mármore, por exemplo, é formado 
do calcário quando esse é submetido a altas 
temperaturas e pressão.
BACIAS SEDIMENTARES
Foram formadas nas eras Paleozoica e Mesozoica, 
com a erosão das rochas dos escudos cristalinos – 
após o desgaste dos maciços, seus sedimentos foram 
depositados em regiões mais baixas. O acúmulo 
desses detritos, somado aos restos orgânicos, leva à 
formação de rochas sedimentares pelo processo de 
MANTO SUPERIOR
É a parte da estrutura 
interna da Terra que se 
encontra logo abaixo 
da crosta e vai até cerca 
de 400 quilômetros 
de profundidade. 
Juntamente com a 
crosta, a parte superior 
do manto, formada por 
rochas sólidas, constitui 
a litosfera.
MANTO INFERIOR
Constituído por rochas fundidas diante das 
elevadas temperaturas, o manto inferior 
estende-se de 400 a 2.900 quilômetros de 
profundidade. É nessa parte que se formam 
as correntes de convecção do magma: o 
contato com o núcleo externo aumenta as 
temperaturas desses materiais, que são 
impulsionados em direção ao manto 
superior, onde se “resfriam” e, mais densos, 
tornam a descer para perto do núcleo, onde 
novamente são aquecidos e reiniciam o ciclo.
NÚCLEO 
EXTERNO
Localizado na 
faixa entre 2.900 e 
5.100 quilômetros, 
é constituído por 
dois minerais 
predominantes: 
o níquel e o ferro, 
totalmente fundidos 
pelas elevadas 
temperaturas.
NÚCLEO CENTRAL
O núcleo central constitui a 
camada que fica entre 5.100 
quilômetros e o centro da 
Terra, a 6.378 quilômetros. 
É constituído de uma liga 
metálica formada por ferro 
e níquel, porém em estado 
sólido em função da elevada 
pressão a que é submetido. Seu 
movimento de rotação é maior 
do que o do restante da Terra.
litificação. Essa deposição é feita em camadas. 
O calcário, presente em cavernas, o arenito e o 
carvão são exemplos de rochas sedimentares. 
DOBRAMENTOS MODERNOS 
Trata-se das formações mais recentes da crosta 
terrestre, surgidas do choque de placas ocorrido entre 
o fim da era Mesozoica e o início da Cenozoica. 
As rochas são mais flexíveis e situam-se na zona de 
contato entre as placas tectônicas. Nessa região de 
grande instabilidade e frequentes movimentos sísmicos 
encontram-se montanhas e vulcões ativos e extintos.
PARA IR ALÉM
O filme Viagem ao 
Centro da Terra, de 
Eric Brevig, baseado 
na obra de Júlio Verne, 
conta a história de 
um grupo de pessoas 
que descobre um 
caminho para o núcleo 
do planeta. Essa obra 
de ficção apresenta 
características 
geológicas internas 
da Terra.
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28 GE GEOGRAFIA 2018
LITOSFERA TIPOS DE RELEVO
DEPRESSÕES
São áreas da superfície localizadas em 
altitude inferior à das regiões próximas 
(depressão relativa) ou abaixo do nível do 
mar (depressão absoluta). As depressões 
podem ser formadas de várias maneiras: 
por deslocamento do terreno, remoção de 
sedimentos, dissolução de rochas ou até 
por queda de meteoritos. O Mar Morto, 
situado 416 metros abaixo do nível do mar, 
é a maior depressão do globo. Ele banha 
Israel, Jordânia e Cisjordânia e leva esse 
nome em razão da elevada concentração 
de sal de suas águas – dez vezes superior 
à dos demais oceanos –, o que impede a 
existência de qualquer forma de vida.
MONTANHAS
Também chamadas de dobramentos 
modernos, são grandes áreas elevadas 
resultantes do choque de placas tectônicas 
(veja mais na pág. 32). Os maiores picos do 
mundo ficam na Cordilheira do Himalaia, 
um complexo montanhoso que se estende 
por cinco países asiáticos: Paquistão, 
Índia, Nepal, Butão e China. Sua formação, 
iniciada há cerca de 70 milhões de anos, 
resulta do choque entre a placa tectônica 
Indiana e a placa Eurasiática (veja mais 
na pág. 31). O curioso é que a placa 
Indiana continua a se mover, fazendo 
com que o Himalaia se eleve a uma taxa 
de 5 milímetros por ano. 
SAIBA MAIS
O RELEVO SUBMARINO
Escondido sob o cobertor das águas mari-
nhas, o solo oceânico apresenta um rico relevo 
de montanhas, planaltos e fossas profundíssi-
mas. Como essas formas não estão expostas 
à erosão de agentes externos, como o vento 
e as chuvas, os perfis são mais contrastantes 
e escarpados. Podemos destacar três porções 
desse relevosubmerso: 
Plataforma continental: terras submersas 
que se prolongam das terras emersas, como 
uma orla em torno dos continentes. Topogra-
ficamente, ela é uma superfície quase plana, 
formada pelo acúmulo de sedimentos de 
origem continental. Vai até os 200 metros de 
profundidade, que também é o limite da pe-
netração da luz solar (veja mais na pág. 54). 
Cordilheira submarina: elevações de forma 
regular que surgem ao longo dos oceanos, 
como a Dorsal Mesoatlântica. Essa cadeia 
de montanhas submersas tem mais de 10 mil 
quilômetros de comprimento e se estende no 
sentido norte-sul pela região central do Oceano 
Atlântico. Sua formação se deve ao afastamen-
to das placas tectônicas, que permitiu que o 
magma chegasse à superfície. Em alguns pon-
tos, os picos se elevam acima do nível do mar 
e formam ilhas, como é o caso do arquipélago 
de Fernando de Noronha, no Brasil. 
Há outras cordilheiras submarinas nos ocea-
nos Índico e Pacífico, todas com uma caracte-
rística em comum: formam-se em locais onde 
as placas tectônicas estão se afastando umas 
das outras. O afastamento é lento (menos de 
2 centímetros ao ano), impulsionado pelas 
correntes convectivas do magma, que se eleva 
e forma novas rochas ao se resfriar.
Fossas oceânicas: também conhecidas como 
fossas abissais, são gigantescos abismos sub-
marinos formados quando uma placa tectôni-
ca é forçada para debaixo de outra, após uma 
colisão. O local mais profundo dos oceanos é 
a Fossa das Marianas, um enorme vale sub-
marino com 10.920 metros de profundidade, 
localizado a leste das Ilhas Marianas, no Oce-
ano Pacífico. 
Ela tem por volta de 2,5 mil quilômetros de 
extensão e fica na fronteira entre duas pla-
cas tectônicas, a do Pacífico e a das Filipinas. 
Caso o Monte Everest fosse colocado dentro 
da Fossa das Marianas, ainda restariam mais 
de 2 mil metros de água entre seu pico e o 
nível do mar. 
As quatro faces da Terra
Conheça os principais tipos de relevo 
que constituem o cenário global 
PLANALTOS
São elevações de altitudes variadas, em 
que predomina o processo de erosão e cuja 
composição rochosa pode ser de rochas 
sedimentares, cristalinas ou metamórficas. 
Os planaltos apresentam superfície 
irregular, como serras e chapadas, e são 
delimitados por áreas rebaixadas em 
um de seus lados. O continente africano 
se destaca pela presença de planaltos, 
com altitudes predominantes entre 400 
e 2 mil metros. Na porção leste/nordeste, 
destacam-se os planaltos da Etiópia e o dos 
Grandes Lagos. 
PLANÍCIES
São áreas de superfície relativamente 
plana, formadas por rochas sedimentares 
e nas quais predominam os processos 
de deposição e acúmulo de sedimentos. 
Na maior parte das vezes, as planícies 
são encontradas em baixas altitudes. Em 
geral, localizam-se próximas do litoral, 
como a planície do norte europeu, ou de 
grandes rios ou lagos, como ocorre com a 
planície do Rio Amazonas. Mas é bom ficar 
atento: não é a altitude de um relevo que 
determina se ele é uma planície; o principal 
fator definidor é o acúmulo de sedimentos. 
Nas regiões elevadas, por exemplo, 
existem as planícies de montanha, que 
são formadas de rocha sedimentar e 
delimitadas por aclives. 
ALTOS E BAIXOS Exemplos de relevo (da esquerda para a direita): Depressão do Mar Morto (Israel), 
Cordilheira do Himalaia (Nepal), Planalto do Apalache (EUA) e Planície Amazônica (Brasil)
[1]
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29GE GEOGRAFIA 2018 
1. ÁSIA: Everest (Nepal) 8.850 m
2.
AMÉRICA DO SUL: 
Aconcágua (Argentina)
6.959 m
3.
AMÉRICA DO NORTE: 
McKinley (EUA)
6.194 m
4.
ÁFRICA: Kilimanjaro
(Quênia)
5.895 m
5. EUROPA: Elbrus (Rússia) 5.642 m
6. ANTÁRTICA: Maciço Vinson 4.897 m
7.
OCEANIA: Kosciuszko
(Austrália)
2.228 m
Fonte: Atlas National Geographic
MONTES MAIS ALTOS POR CONTINENTE
O maior deles fica na Cordilheira do Himalaia, no Nepal
ELEVAÇÃO OCEÂNICA O arquipélago de Fernando de Noronha é formado a 
partir de alguns pontos emersos da Dorsal Mesoatlântica
[1] iSTOCK PHOTO | DIVULGAÇÃO | IRMO CELSO [2] iSTOCK PHOTO
AS FORMAÇÕES DO 
RELEVO NO MUNDO
4.800 m
3.000 m
1.800 m
1.200 m
600 m
300 m
150 m
0
-1.000m
-2.000 m
-3.000 m
-4.000 m
-5.000 m
-6.000 m
-7.000 m
-8.000 m
ALTITUDES
Picos
Fonte: IBGE
Aconcágua
Maciço Vinson
Pico da 
Neblina
Mte. McKinley
Mte. 
Elbrus
Mte. Kilimanjaro
Mte. Everest
Mte. Kosciuszko
TETO DO MUNDO
Os maiores picos 
do mundo ficam 
na Cordilheira do 
Himalaia, um complexo 
montanhoso localizado 
no coração da Ásia.
NAS PROFUNDEZAS 
DO OCEANO
O local mais profundo 
dos oceanos é a Fossa das 
Marianas, um enorme vale 
submarino localizado a leste 
das Ilhas Marianas, 
no Oceano Pacífico
SALGADO E SEM VIDA
O Mar Morto banha 
Israel, Jordânia e 
Cisjordânia e é a maior 
depressão do globo 
BERÇO DAS ÁGUAS
O planalto dos Grandes Lagos abriga 
as nascentes das duas maiores bacias 
hidrográficas do continente: a do Rio 
Congo, a maior em volume de água, 
e a do Rio Nilo. 
CORDILHEIRAS OCEÂNICAS
A Dorsal Mesoatlântica forma 
uma cadeia de montanhas 
que se estende de norte a sul 
no Oceano Atlântico
As maiores altitudes (mancha marrom) ficam no 
centro-sul da Ásia. As planícies (áreas verdes e 
amarelo-claras) estão espalhadas pelo globo
SEDIMENTOS ACUMULADOS
A Planície Amazônica é uma 
faixa de terra que acompanha 
o Rio Amazonas e torna-se 
mais larga quando chega na 
foz, na Ilha de Marajó
[2]
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30 GE GEOGRAFIA 2018
LITOSFERA PLACAS TECTÔNICAS
A s placas tectônicas são gigantescos blocos que compõem a camada sólida externa do nosso planeta (a litosfera), sustentando os 
continentes e os oceanos. Impulsionadas pelo 
movimento do magma incandescente (material 
em estado líquido-pastoso no interior da Terra), 
as principais placas se empurram, afastam-se 
umas das outras e afundam ou elevam-se alguns 
milímetros por ano, alterando suas dimensões e 
modifi cando o contorno do relevo terrestre. Esses 
imensos fragmentos atuam como artistas que, 
continuamente, recriam a paisagem da Terra. 
Aliás, a palavra “tectônica” vem de tektoniké, 
expressão grega que signifi ca “a arte de cons-
truir”. A confi guração atual dos continentes, por 
exemplo, é fruto de milhões de anos de “trabalho 
artístico” das placas. Veja ao lado as característi-
cas de 16 das mais importantes placas tectônicas.
A deriva continental
Desenvolvida pelo alemão Alfred Lothar We-
gener, a teoria da deriva continental não recebeu 
muito crédito quando foi divulgada em 1912. À 
época, poucos acreditaram na hipótese levantada 
por esse cientista de que, no passado geológico, 
toda a crosta terrestre estava unida em um único 
continente – a Pangeia – e que, posteriormente, ela 
se rompeu em dois supercontinentes: Laurásia e 
Gondwana. Estas, por sua vez, se desmembraram 
em várias outras partes, que passaram a se mover 
em diferentes direções. Para sustentar sua argu-
mentação, Wegener recorreu à semelhança dos 
contornos da África ocidental e do leste da América 
do Sul e também à análise de fósseis e amostras 
de rochas. Posteriormente, a confi rmação de que 
as placas rochosas fl utuam sobre magma incan-
descente ajudou a fortalecer a tese de Wegener.
Atualmente, geólogos do mundo inteiro reto-
mam e aprofundam as descobertas de Wegener 
a partir da teoria da Tectônica das Placas. Os 
estudos em vigor desde a década de 1960 descre-
vem a analisam com detalhes os movimentos das 
placas que compõem a crosta terrestre, bem como 
suas consequências, como os abalos sísmicos e 
as alterações no relevo terrestre e do fundo dos 
oceanos. Confi ra à direita como foi o processo de 
deslocamento de terras que resultou na formação 
dos atuais continentes.
As construtoras 
da Terra
As placas tectônicas modelam e 
modifi cam o relevo do planeta há 
milhões de anos
PLACA DE COCOS
Foi formada a partir do 
desprendimento da placa 
do Pacífi co. Fundiu-se com a 
placa do Caribe, criando uma 
zona turbulenta
QUEBRA-CABEÇA PLANETÁRIO
Conheça as características de 16 das 
mais importantes placas tectônicasPLACA DA AMÉRICA 
DO NORTE
O deslocamento em relação à 
placa do Pacífi co cria uma zona 
turbulenta: em um dos limites, 
na Califórnia, está a falha de 
San Andreas, famosa pelos 
terremotos arrasadores
PLACA DO PACÍFICO
Com cerca de 70 milhões 
de quilômetros quadrados, 
está em constante 
renovação na região do 
Havaí, onde o magma sobe 
e cria ilhas vulcânicas. No 
encontro com a placa das 
Filipinas, ela afunda em 
uma área conhecida como 
Fossa das Marianas, na 
qual o oceano atinge sua 
profundidade máxima: 
10.920 metros
PLACA DE NAZCA
A cada ano, essa placa de 
10 milhões de quilômetros 
quadrados no leste do 
Oceano Pacífi co fi ca 
10 centímetros menor pelas 
trombadas com a placa 
Sul-Americana. Esta, por ser 
mais leve, desliza por cima 
da placa de Nazca, criando 
vulcões e elevando as 
montanhas dos Andes
PLACA JUAN DE FUCA
É a menor das placas 
tectônicas, que se fundiu 
com a placa Norte-
Americana e criou a 
Cordilheira das Cascatas, 
nos Estados Unidos
Todos os continentes estavam 
reunidos em um único chamado 
Pangeia (do grego: toda terra), 
formado durante a era Paleozoica
225 MILHÕES DE ANOS ATRÁS
A Pangeia começou a se partir 
no sentido leste-oeste, 
formando dois subcontinentes: 
Laurásia e Gondwana
180 MILHÕES DE ANOS ATRÁS
DERIVA DOS CONTINENTES
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31GE GEOGRAFIA 2018 
PLACA DA ÁFRICA
No meio do Atlântico, uma falha 
submersa abre caminho para o 
magma do manto inferior, fazendo 
com que esse bloco se afaste da 
placa Sul-Americana e cresça de 
tamanho. A tendência é passar os 
65 milhões de quilômetros atuais
PLACA DO CARIBE
A placa do Caribe desliza ao 
lado da placa Norte-Americana, 
criando falhas transformantes. 
Foi o atrito entre elas que gerou, 
em 2010, o avassalador terremoto 
no Haiti, país que fi ca no limite 
entre as duas placas
PLACA SUL-AMERICANA
Como o Brasil está no meio 
desse bloco, ele sente pouco os 
efeitos de terremotos. No centro 
do continente, a placa tem 200 
quilômetros de espessura; na 
borda com a placa da África, não 
passam de 15 quilômetros
PLACA IRANIANA
Localizada entre as placas Arábica e 
Euroasiática, o bloco sustenta a maior parte do 
território do Irã. Por causa disso, o país registra 
grande atividade sísmica, como o terremoto de 
2006, que matou mais de 31 mil pessoas
PLACA DE ANATÓLIA
Sobre essa placa fi ca boa parte do 
território da Turquia. O choque 
desse bloco com a placa Arábica e 
com a placa Euroasiática torna o 
país uma área sujeita a violentas 
atividades sísmicas
PLACA DA ANTÁRTICA
É o bloco que dá suporte 
à Antártida e a uma parte 
do Atlântico Sul, em um total 
de 25 milhões de quilômetros 
quadrados
PLACA ARÁBICA
A placa sustenta a 
Península Arábica e foi 
responsável pela criação do 
Mar Vermelho. O choque 
com a placa Euroasiática 
e com a placa Indiana 
provoca fortes terremotos
PLACA AUSTRALIANA
O bloco que sustenta a Austrália 
e a maior parte do Oceano Índico 
ruma velozmente para o norte. 
Além de se chocar com a placa 
Indiana, a borda nordeste bate na 
placa do Pacífi co, criando ilhas na 
região turbulenta
PLACA INDIANA
A placa comporta todo o subcontinente 
indiano. No choque com a placa Euroasiática, 
nasceu o conjunto de montanhas do Himalaia, 
no sul da Ásia, onde há mais de 100 montanhas 
com altitudes superiores a 7 mil metros
PLACA DAS FILIPINAS
Essa placa concentra em seus limites quase a 
metade dos vulcões ativos do planeta. Colisões 
com a placa Euroasiática causam terremotos 
e erupções destruidoras, como a do Monte 
Pinatubo, em 1991, uma das mais violentas dos 
últimos 50 anos
PLACA EUROASIÁTICA
Sustenta a Europa, parte da Ásia, do Atlântico 
Norte e do Mar Mediterrâneo. Ela se choca 
contra a placa das Filipinas e com a do 
Pacífi co, onde fi ca o Japão. O encontro triplo 
é tumultuado e dá origem a uma das áreas 
do globo com o maior índice de terremotos e 
vulcões do planeta
[1]
Fendas separaram a
 América do Sul, a África e a Índia, 
iniciando a formação dos oceanos 
Atlântico e Índico
135 MILHÕES DE ANOS ATRÁS
A placa da Índia deslocou-se em 
direção à Ásia. O choque entre 
os dois blocos formou as regiões 
elevadas do Himalaia e do Tibete
65 MILHÕES DE ANOS ATRÁS
Na atual confi guração da Terra, 
a deriva continua. A América do Sul, 
por exemplo, afasta-se da África 
cerca de 5 centímetros por ano
ATUALMENTE
[1] MULTI/SP [2] LUIZ IRIA E RODRIGO RATIER/REVISTA MUNDO ESTRANHO
[2]
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32 GE GEOGRAFIA 2018
LITOSFERA RELEVO EM MOVIMENTO
E O VENTO MUDOU As dunas exemplifi cam como 
o relevo está sujeito a transformações
[1]
O relevo é resultado da dinâmica de fenômenos internos e exter-nos sobre a camada mais super-
fi cial da Terra, a litosfera. Depressões, 
planícies, planaltos e montanhas foram 
esculpidos no decorrer de milhões de 
anos – e continuam em constante trans-
formação. A qualquer momento, por 
exemplo, terrenos podem ser elevados 
por pressões de dentro do planeta ou 
mesmo ser gastos por agentes do intem-
perismo, mudando de cara e ganhando 
novas curvas. 
Duas ações combinam-se para modelar 
o relevo: as forças internas ou endógenas, 
que dão as linhas mestras do relevo, e as 
externas ou exógenas, que modifi cam 
as formas já existentes. Veja a seguir as 
forças que esculpiram – e continuam 
esculpindo – os contornos do planeta.
Eu tenho 
a força!
Os vigorosos agentes internos 
e externos que, a cada segundo, 
modelam o relevo
FORÇAS INTERNAS 
Também chamadas de endógenas, são as forças responsáveis 
por dar forma ao relevo. São três os agentes internos do globo: 
o tectonismo, o vulcanismo e os abalos sísmicos.
1 TECTONISMO
 São os lentos deslocamentos das placas tectônicas, que podem ser verticais ou 
horizontais. Quando é vertical (epirogênese), levanta ou abaixa a crosta durante um 
prolongado espaço de tempo. 
É o que ocorre, por exemplo, na Península Escandinava, que se eleva alguns 
centímetros todo ano. 
Quando o movimento de uma placa em relação a outra é horizontal (orogênese), 
uma acaba entrando embaixo da outra (a subducção). 
É o processo que resulta na formação das imensas cadeias de montanhas 
e de fossas. Veja exemplos de como as placas tectônicas se movimentam.
FALHAS TRANSFORMANTES
São criadas por duas placas que deslizam uma ao lado 
da outra. O atrito entre elas guarda muita tensão, que 
pode causar terremotos destruidores. Exemplo disso é 
a falha de San Andreas, que corta a costa da Califórnia, 
nos Estados Unidos, e o litoral oeste do México.
PLACAS CONVERGENTES 1
São placas que vão uma de encontro à outra. A placa 
mais densa mergulha para baixo da menos densa. É o 
caso do choque entre uma placa oceânica (mais densa) 
e outra continental. Elas se comprimem, dando origem 
a cadeias montanhosas, como a Cordilheira dos Andes. 
As regiões em que esse de tipo de choque ocorre são 
suscetíveis a terremotos.
PLACAS CONVERGENTES 2
Quando as placas têm a mesma densidade (duas 
placas continentais, por exemplo), chocam-se e se 
comprimem. O Himalaia é resultado desse fenômeno.
PLACAS DIVERGENTES
São aquelas que se afastam. Pela falha aberta na 
crosta pode escapar magma, dando origem a ilhas 
vulcânicas, como as do Havaí. O Oceano Atlântico é 
cortado de norte a sul por uma falha desse tipo, que 
está afastando a América do Sul da África. Esse tipo de 
estrutura provoca menos terremotos.
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33GE GEOGRAFIA 2018 
2 VULCANISMO
 Os vulcões são fendas na crosta 
terrestre por meio das quais o magma, 
o material em estado líquido-pastoso 
vindo do manto, atinge a superfície. 
Existem dois tipos básicos de vulcão: o 
explosivo e o não explosivo. O primeiro 
aparece nos pontos de encontro 
das placas tectônicas, os grandes 
blocos que formam a litosfera – seu 
melhor exemplo está nos vulcões que 
desenham o Cinturão de Fogo, em 
torno do Oceano Pacífico. Esse tipo se 
caracteriza também pela lava quase 
sólida, além de expelir poeira e uma 
mistura de gases e vapor-d’água. A lava 
desses vulcões vem das profundezas 
da Terra,onde a temperatura elevada 
derrete a rocha da crosta oceânica e faz 
com que ela se misture à água do mar. 
É justamente a presença de água que 
confere o caráter explosivo ao vulcão. 
Isso ocorre porque, conforme a lava 
sobe, o vapor-d’água é liberado da 
rocha e esbarra numa tampa formada 
pelo material endurecido da explosão 
anterior, aumentando a pressão até 
explodir de vez. Já os vulcões não 
explosivos, como os do Havaí, ficam 
bem no meio de uma placa tectônica, 
longe do choque entre elas. Esse tipo 
surge quando ocorre alguma fissura na 
crosta terrestre por onde a lava pode 
escorrer. Essa lava é mais líquida e 
incandescente.
NATUREZA EM FÚRIA
POMPEIA
UMA REGIÃO VITIMADA PELA FÚRIA DO VESÚVIO 
Hoje, parece impossível viver à beira de um vulcão e não se dar conta do perigo. Mas era 
assim que os moradores do balneário romano de Pompeia levavam a vida no ano de 79, pois 
já fazia quase 2 mil anos que o Monte Vesúvio não entrava em erupção. Quando a montanha 
soltou um estrondo, o chão tremeu e uma nuvem preta encobriu o sol, as pessoas saíram 
para a rua, curiosas.
Alguns minutos depois do primeiro rugido, o vulcão lançou uma saraivada de pedras 
e começou a fazer as primeiras vítimas. Outras morriam ao respirar a fumaça. No fim do 
processo, duas avalanches cobriram Pompeia com 6 metros de cinzas e pedras, matando 
16 mil pessoas. A coisa aconteceu de forma tão rápida que é como se as cidades tivessem 
ficado congeladas no tempo, tornando-se os registros mais detalhados da era romana que 
chegaram até nós. A foto ao lado mostra o “Jardim dos Fugitivos”, que abriga diversos corpos 
fossilizados, cobertos pelas cinzas do Vesúvio.
ACESSO ÀS 
PROFUNDEZAS 
Os vulcões, como 
o Parinacota, no 
Deserto do Atacama, 
no Chile, são fendas 
por onde o magma sai
PARA IR ALÉM
O documentário 
Tudo sobre Vulcões, 
do Discovery Channel, 
apresenta imagens de 
uma série de erupções 
vulcânicas e teorias 
desenvolvidas por 
cientistas que podem 
ajudar a prever 
esses fenômenos.
[1] SERGIO DUTTI [2] FELIPE ORRIGO [3] VALDEMIR CUNHA
[2]
[3]
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34 GE GEOGRAFIA 2018
LITOSFERA RELEVO EM MOVIMENTO
3 ABALOS SÍSMICOS
 São tremores na superfície terrestre 
causados pelo movimento das placas 
tectônicas ou em virtude da grande 
energia liberada pelo vulcanismo. Eles 
se propagam a partir do hipocentro 
(foco de contato entre as placas) em 
ondas pelas rochas, atingindo regiões 
distantes do epicentro (ponto na 
superfície da Terra diretamente acima 
do local onde se registra a maior 
intensidade do tremor). A cada vez 
que as enormes placas se encontram, 
grande quantidade de energia fica 
acumulada em suas rochas. De tempos 
em tempos, o arsenal é liberado de 
forma explosiva – essa liberação pode 
ser sentida por meio de terremotos 
que chacoalham as áreas continentais 
do globo, geralmente nas bordas das 
placas. Quando os abalos sísmicos 
ocorrem no fundo oceânico, são 
batizados de maremoto. Esses últimos 
podem causar os temíveis tsunamis, ou 
ondas gigantes (veja mais na pág. 58).
NATUREZA EM FÚRIA
HAITI
VIOLENTO TERREMOTO DEVASTA PAÍS POBRE
No dia 12 de janeiro de 2010, a terra tremeu 
violentamente no Haiti. Em apenas um minuto, 
o terremoto de 7 pontos na escala Richter 
derrubou 90% das construções de sua capital, 
Porto Príncipe. Mais de 3 milhões de pessoas –
um terço da população haitiana – foram afe-
tadas pelo tremor. O número de mortos é 
estimado entre 220 mil e 250 mil.
O terremoto no Haiti foi uma tragédia anun-
ciada. A ilha de Hispaniola, que abriga o Haiti 
e a República Dominicana, fica sobre a fenda 
entre duas grandes placas tectônicas, a do 
Caribe e a Norte-Americana (veja mais na 
pág. 30). E regiões desse tipo estão sujeitas 
a abalos sísmicos. 
País mais pobre das Américas, o Haiti já 
tinha enormes carências mesmo antes da 
catástrofe. Em 2017, seis anos após o terre-
moto, 50 mil pessoas ainda vivem em acam-
pamentos improvisados. Sem perspectivas, 
muitos haitianos acabam migrando para 
nações como o Brasil, onde esperam uma 
oportunidade de recomeçar a vida.
VOCÊ SABIA?
TERREMOTOS NO BRASIL
As regiões mais propícias a terremotos localizam-se na junção 
das placas tectônicas. Como o Brasil fica bem no meio da placa 
Sul-Americana, não há abalos sísmicos de grandes proporções. Mas 
isso não significa que estamos livres de tremores. Fenômenos de 
pequena intensidade podem se manifestar no Brasil devido a falhas 
geológicas provocadas por desgastes na placa tectônica. Também 
ocorrem tremores como reflexo de outros choques entre placas 
tectônicas ocorridos em locais mais distantes na América do Sul. 
Em abril de 2008, um abalo de 5,2 pontos na escala Richter atingiu 
a cidade de São Paulo e assustou milhares de moradores. Um ano 
antes, um tremor de 4,9 pontos na cidade de Itacarambi, no norte 
de Minas Gerais, provocou a primeira vítima fatal de terremotos no 
Brasil, depois que uma parede caiu sobre uma criança de 5 anos.
[1]
DEVASTADO O terremoto no Haiti, em 2010, derrubou 90% das construções da capital, Porto Príncipe
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35GE GEOGRAFIA 2018 
FORÇAS EXTERNAS 
Também chamadas de exógenas ou agentes esculpidores, são as forças que modelam 
o relevo terrestre. Os principais agentes desse grupo são a erosão e o intemperismo:
2 INTEMPERISMO
 É o processo de degradação das 
rochas provocado por fenômenos 
químicos e físicos. 
� O INTEMPERISMO QUÍMICO ocorre 
quando a rocha tem sua composição 
química alterada pelo efeito da água 
e da umidade no decorrer dos anos, 
provocando sua decomposição.
� O INTEMPERISMO FÍSICO ou mecânico 
consiste na fragmentação das 
rochas por meio de alguns dos 
seguintes processos:
 • solidificação da água: a água em 
estado líquido se infiltra na fenda das 
rochas, onde fica acumulada. Com 
a queda de temperatura, a água se 
solidifica, passando a ocupar um volume 
10% maior que o do estado líquido, o 
suficiente para fragmentar a rocha.
 • raízes de plantas: o crescimento das 
raízes das árvores por entre as rochas 
alarga as fendas e ajuda a desintegrar 
sua estrutura.
 • variação de 
temperatura: 
em locais onde 
a alteração da 
temperatura 
diária é mais 
constante – como 
nos desertos 
ou em regiões 
próximas aos 
polos –, as rochas 
estão sujeitas 
a contrações 
e dilatações 
frequentes. Com 
o tempo, esse 
processo provoca 
fraturas em sua 
composição. 
1 EROSÃO
 A exposição prolongada a agentes 
naturais provoca o desgaste das 
rochas e dos solos. 
 O processo de desintegração e 
consequente transporte do material 
decomposto recebe o nome de 
erosão. Veja os principais elementos 
causadores desse fenômeno.
VENTOS
As dunas dos desertos e as paisagens 
das praias são exemplos clássicos de 
formação por erosão eólica.
RIOS
Vales, cânions 
e planícies nos 
mais diversos 
continentes são 
moldados pelo 
movimento 
sinuoso das 
águas dos rios.
MARES
O choque das 
ondas do mar 
em paredões 
litorâneos 
provoca o 
desgaste da 
superfície, 
dando origem 
às falésias.
GELEIRAS 
Os fiordes na Península 
Escandinava, no norte 
da Europa, também 
são formados pelo 
deslocamento das 
geleiras e pelo desgaste 
que elas provocam 
nas montanhas.
[1] iSTOCK PHOTO [2] DIVULGAÇÃO [3] MANOEL NOVAES [4] RODRIGO CESAR [5] iSTOCK PHOTO
[2]
[3]
[4]
[5]
� O QUE ISSO TEM A 
VER COM A FÍSICA 
Quando um 
corpo sólido que 
tem dimensões 
significativas 
é submetido a 
uma variação de 
temperatura, ocorre 
uma dilatação ou 
contração volumétrica. 
Para calcular a 
variação do volume 
de um corpo em 
função da variação 
de temperatura 
é utilizado um 
coeficiente de 
dilatação volumétrico. 
Para saber mais, veja 
o GUIA DO ESTUDANTE 
FÍSICA.
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36 GE GEOGRAFIA 2018
LITOSFERA RELEVO DO BRASIL
BACIA SEDIMENTAR 
AMAZÔNICA
ESCUDO DO 
BRASIL CENTRAL
ESCUDO 
DAS GUIANAS
BACIA 
SEDIMENTAR 
DO MARANHÃO
ESCUDO 
ATLÂNTICO
DOBRAMENTOS
– ATLÂNTICO
DOBRAMENTOS
– NORDESTE
DOBRAMENTOS
– BRASÍLIA
BACIA 
SEDIMENTAR
DO PARANÁ
Predomínio de rochassedimentares
Predomínio de rochas cristalinas
0 250 500 750
km
Oceano 
Atlântico
Oceano 
Atlântico
Fonte: IBGE
Terra 
(velha) 
à vista!
Os principais 
tipos de relevo 
do Brasil foram 
esculpidos 
sobre rochas 
de milhões e 
milhões de anos
Apesar de o Brasil ser uma nação relati-vamente jovem, com pouco mais de 500 anos, contando a partir da chegada dos 
portugueses, seus terrenos são de outras eras. 
Tudo teve início há cerca de 4,5 bilhões de anos, 
quando a litosfera começou a se formar, com 
o resfriamento do magma, e, mais tarde, com 
os movimentos das placas tectônicas. Nesses 
primórdios da história terrestre, durante a era 
Arqueozoica, as primeiras rochas deram origem 
aos escudos cristalinos, ou maciços antigos, um 
dos dois tipos de formação geológica que ocor-
rem no Brasil. Do longo processo de erosão dos 
escudos cristalinos surgiu o outro tipo de estru-
tura geológica do país: as bacias sedimentares. 
Presentes na maior parte do território, são cons-
tituídas de rochas formadas pela desagregação 
de outras rochas e de diferentes materiais (veja 
a estrutura geológica brasileira no mapa abaixo).
Em razão dessa formação antiga, e sofrendo 
há milênios com a erosão de agentes do intem-
perismo como ventos e chuva, as altitudes por 
aqui são modestas: aproximadamente 40% do 
território se encontra abaixo de 200 metros de 
altitude e cerca de 90% não passa de 900 metros. 
Outro fator para termos um relevo considerado 
tão baixo é a ausência dos dobramentos modernos 
que deram origem a imensas cadeias de mon-
tanhas, como os Alpes e os Andes. Isso ocorre 
porque o Brasil se localiza bem no meio da placa 
Sul-Americana, longe das zonas de choque entre 
as placas tectônicas, onde se dão os movimentos 
de soerguimento ou afundamento das placas. 
Sem as cadeias de montanhas, sobram-nos ou-
tros três principais tipos de relevo: planaltos, 
planícies e depressões. Com base nisso, no de-
correr dos anos, os estudiosos propuseram várias 
classificações do perfil geográfico brasileiro. A 
mais aceita foi estabelecida, nos anos 1990, pelo 
geógrafo Jurandyr Ross, da Universidade de São 
Paulo (USP). Considerando o processo de forma-
ção dos diversos relevos do mundo (veja mais na 
pág. 27), e também a altitude das formações do 
Brasil, Ross chegou à definição de 28 estruturas 
no país: 11 planaltos, 11 depressões e 6 planícies. 
Veja na página ao lado três destaques do ancestral 
relevo brasileiro.
PERTO DO CÉU Entre MG e RJ, o Pico das Agulhas Negras é o quinto mais alto do Brasil, com 2.791 metros
ESTRUTURA GEOLÓGICA DO BRASIL
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37GE GEOGRAFIA 2018 
PLANÍCIES E 
TABULEIROS LITORÂNEOS
Relevo característico do litoral das 
regiões Norte e Nordeste e do norte 
do Espírito Santo, constitui-se da 
combinação de planícies, formadas 
pela deposição de sedimentos de 
rios e do mar, e dos tabuleiros, 
terrenos de baixa altitude (entre 
30 e 60 metros) que terminam 
de forma abrupta na costa, em 
escarpas – neste caso chamadas 
de falésias. Na definição de Ross, 
as planícies são superfícies planas 
e áreas em que o processo de 
acumulação de sedimentos é maior 
que o erosivo.
DEPRESSÃO DO ARAGUAIA 
Acompanhando o leito do Rio Araguaia, essa 
depressão tem superfície entre 300 e 400 
metros de altitude; configura-se uma depressão 
por estar abaixo dos terrenos que a circundam. 
Na definição de Ross, depressões são 
superfícies formadas por processos erosivos, 
com suave inclinação e menos irregulares que 
planaltos. Entre as 11 depressões brasileiras, 
também merecem destaque a depressão da 
Amazônia Ocidental (com cerca de 200 metros 
de altitude) e a depressão da borda leste da 
bacia do Paraná (que chega a atingir altitudes 
entre 600 e 750 metros). 
1
2
7
4 10
9 5 6
3
8
Fontes: IBGE e Jurandyr Ross
Planaltos
Planícies
Depressões
DESTAQUES DO RELEVO BRASILEIRO
2
3
1
0 m
1.000 m
2.000 m
3.000 m
Planaltos Residuais 
Norte-Amazônicos
Depressão Marginal 
Norte-Amazônica
Planalto da 
Amazônia Oriental
Planície do 
Rio Amazonas
Depressão Marginal 
Sul-Amazônica
Planaltos 
Residuais 
Sul-Amazônicos
PERFIS DE RELEVO
Confira três grandes recortes do Brasil
NORTE Este perfil (noroeste-sudeste), com cerca de 2 mil quilômetros, vai das altas serras 
de Roraima até Mato Grosso. Mostra as faixas de planícies às margens do Rio Amazonas, 
a partir das quais vêm extensões de terras mais altas: planaltos e planícies
0 m
1.000 m
2.000 m
3.000 m
Planície do 
Pantanal Mato-
Grossense Oceano 
Atlântico
Planaltos e 
chapadas da 
bacia do Paraná
Rio Paraná
Depressão 
periférica da 
borda leste 
da bacia do Paraná
Planaltos e 
serras do Atlântico
leste-sudeste
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1.000 m
2.000 m
3.000 m
Rio Parnaíba
Planaltos e 
chapadas da 
bacia do rio 
Parnaíba
Escarpa 
(ex-serra) 
do Ibiapaba
Depressão 
Sertaneja
Planalto da 
Borborema Tabuleiros 
litorâneos
Oceano 
Atlântico
NORDESTE Com quase 1,5 mil quilômetros, este perfil vai do Maranhão a Pernambuco. É um 
retrato fiel do relevo da região, com destaque para os dois planaltos (o da bacia do Parnaíba 
e o de Borborema) cercando a Depressão Sertaneja (ex-Planalto Nordestino)
CENTRO-OESTE E SUDESTE Este corte, de cerca de 1,5 mil quilômetros, vai de 
Mato Grosso do Sul ao litoral paulista. Além da planície do Pantanal, pode-se ver a bacia 
do Paraná, formada por rios de planalto, que abrigam as maiores hidrelétricas do país
PONTOS MAIS ALTOS DO BRASIL 
(em metros) 
 1 2.993 Pico da Neblina
 2 2.972 Pico 31 de Março
 3 2.891 Pico da Bandeira
 4 2.798 Pico Pedra da Mina
 5 2.791 Pico das Agulhas Negras
 6 2.769 Pico do Cristal
 7 2.734 Monte Roraima
 8 2.680 Morro do Couto
 9 2.670 Pedra do Sino de Itatiaia
 10 2.665 Pico Três Estados
Fontes: IBGE e Jurandyr Ross
PLANALTOS E SERRAS DO 
ATLÂNTICO LESTE-SUDESTE 
Estendendo-se do sul da Bahia ao sul do país, 
esse imenso planalto é composto de diferentes 
subunidades morfológicas, como a Serra do Mar e a 
Serra da Mantiqueira. Seus terrenos são formados 
de antigos escudos cristalinos, que, em alguns 
pontos, e há milhões de anos, foram erguidos por 
movimentos resultantes do choque entre placas 
tectônicas a grande distância. O resultado disso é 
o relevo acidentado e heterogêneo da região, com 
vales profundos, escarpas (terrenos muito íngremes 
que lembram degraus), chapadas (superfícies 
extensas e horizontais, de elevada altitude) e 
elevações, como o Pico das Agulhas Negras, na Serra 
do Itatiaia (MG/RJ), de 2.791,55 metros. Na definição 
de Ross, o planalto caracteriza-se por ser uma região 
em que o processo erosivo supera o de acumulação 
– são conhecidos como formas residuais, ou 
seja, resultantes do processo de erosão. Além de 
cristalinos, podem ser sedimentares, como é o caso 
dos Planaltos Residuais Norte-Amazônicos.
MARIO RODRIGUES
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38 GE GEOGRAFIA 2018
LITOSFERA RECURSOS MINERAIS
A s rochas são agrupamentos de minerais que formam a crosta terrestre e se desenvolve-ram no decorrer de bilhões de anos. Entre 
as mais de 3,5 mil variedades de rochas, estão os 
minérios, dos quais podemos extrair substâncias 
de interesse econômico. No conjunto dos minérios, 
distinguem-se aqueles utilizados para a obtenção 
de metais, como o alumínio, o ferro, o magnésio e 
o titânio. Embora os minérios metálicos tendam 
a se concentrar em maciços rochosos por toda a 
crosta terrestre, os depósitos mais explorados en-
contram-se em rochas metamórfi cas, nos escudos 
cristalinos da crosta continental. 
O ouro e a platina são os únicos minérios me-
tálicos que ocorrem principalmente na forma 
Riqueza 
que vem 
do solo
Conheça o 
processo de 
formação 
geológica dos 
minérios e 
suas principais 
aplicações 
econômicas
de metais na natureza. Zinco, prata, ferro, cobre 
e outros metais também podem ser achados 
no estado primário, mas normalmente estão 
associados a outros minerais. Nesses casos, os 
minérios são reduzidos pela metalurgia para se 
transformarem metais. 
As substâncias minerais são utilizadas como 
matéria-prima em diversos processos de manu-
fatura. Alguns exemplos são: o alumínio e o ferro 
na construção civil; o manganês na fabricação 
de fertilizantes e pilhas; as argilas na fabricação 
de cerâmicas; o zircônio na fabricação de pisos 
e revestimentos; e o caulim na fabricação de 
papel e celulose, vidros e tintas. 
Onde estão os minérios no Brasil
Com aproximadamente 36% de seu território 
formado por escudos cristalinos, o Brasil pos-
sui algumas das reservas minerais mais ricas 
do planeta, incluindo minério de ferro, bauxita 
(alumínio), cobre, zinco, cromo, níquel, calcário 
e argila. A maioria dos minérios metálicos do 
Brasil encontra-se em Minas Gerais, na região 
chamada Quadrilátero Ferrífero, e no Pará, 
na província mineral de Carajás. Os dois esta-
dos respondem por quase dois terços de toda a 
produção mineral brasileira. 
Outras unidades da federação também abri-
gam importantes reservas minerais. Rio Grande 
do Sul e Santa Catarina, por exemplo, destacam-
se pelo carvão. Já Bahia e Espírito Santo estão 
entre os principais produtores de pedras precio-
sas do Brasil, enquanto Goiás tem signifi cativas 
jazidas de cobre. Veja no mapa onde se localizam 
as principais jazidas minerais no país.
PRINCIPAIS RESERVAS MINERAIS NO BRASIL
Bauxita
Cobre
Diamante
Ferro
Manganês
Níquel
Ouro
Fonte: Departamento Nacional 
de Produção Mineral
TERRA FERIDA 
Marcas de mineração na 
Serra do Curral, em Belo 
Horizonte (MG)
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39GE GEOGRAFIA 2018 
Área pré-sal
Exploração do pré-sal
Exploração do pós-sal
Libra
Júpiter
Ostra
Abalone
Argonauta
Bacia de CamposRota 1 - Mexilhão
Rota 2 - Com
perj
Ro
ta
 3 
- T
ec
ab
Bacia de Santos
Lula
Área de Iracema Iara
Franco
Parati
Lapa
Sapinhoá
BM-S-50
Caramba
Bem-Te-Vi
Carcará
SP
RJ
ES
MG
Fonte: Petrobras
Formação do petróleo
Principal fonte de energia mundial, o petróleo 
é um combustível fóssil formado da decom-
posição de matérias orgânicas em ambientes 
marinhos. O acúmulo de restos de animais e 
vegetais microscópicos que se precipitam no 
fundo marinho origina bacias sedimentares, nas 
quais, em milhões de anos, a ação de microrga-
nismos, o calor e a pressão intensos reduzem a 
matéria orgânica a uma massa viscosa de car-
bono e hidrogênio – o petróleo. Infi ltrando-se 
por rochas porosas, ele migra para regiões de 
menor pressão até sair para a superfície ou topar 
com uma camada impermeável. Bloqueado, o 
petróleo se acumula nos poros e fraturas das 
rochas sedimentares, de onde é extraído. 
As regiões mais propícias para a formação do 
petróleo são mares interiores, baías e golfos. As 
reservas existentes no interior dos continen-
tes resultam de áreas originalmente marinhas 
que foram erguidas por meio de movimentos 
na crosta terrestre ou do óleo que migrou das 
rochas geradoras até as rochas armazenadoras 
através das fi ssuras.
O pré-sal brasileiro
Desde que foram descobertas as reservas de 
petróleo no campo de Tupi, na Bacia de Santos, 
em 2007, um novo termo passou a frequentar os 
noticiários: o pré-sal. Trata-se do nome que os 
geólogos dão à camada de rochas porosas que 
se localiza abaixo de uma espessa camada de sal 
no subsolo marinho. É lá que fi cam os grandes 
reservatórios de petróleo, em uma faixa que se 
estende por 800 quilômetros na área marítima 
entre o Espírito Santo e Santa Catarina, a mais 
de 7 mil metros de profundidade. A explora-
ção do petróleo no pré-sal pode fazer o Brasil 
dobrar suas reservas, que estão em torno de 15 
bilhões de barris.
As jazidas do pré-sal começaram a se formar 
há mais de 100 milhões de anos, quando o super-
continente Gondwana se partiu, dando origem 
aos continentes sul-americano e africano (veja 
na pág. 30). Na Bacia de Campos, o principal 
campo petrolífero brasileiro localizado na camada 
pós-sal, o óleo está armazenado em rochas com 
predomínio de silício. No pré-sal, a substância 
encontra-se armazenada em rochas constituídas 
essencialmente de carbonato de cálcio e magnésio, 
o que difi culta o trabalho dos geólogos. Mesmo 
com esses desafi os, a extração nos poços da ca-
mada do pré-sal já responde por quase metade do 
total de petróleo produzido no país, ultrapassando 
a marca de 1 milhão de barris por dia.
SAIBA MAIS
A ÉPOCA DO ANTROPOCENO
Do Big Bang aos dias de hoje, a Terra já passou por in-
tensas transformações nesses quase 5 bilhões de anos. 
As principais mudanças podem ser observadas através 
de uma linha do tempo conhecida como Escala de Tempo 
Geológica. Ela estabelece os grandes eventos pelo qual 
o planeta passou a partir de uma classificação em eras, 
períodos e épocas (veja mais na pág. 98).
Faz 11.700 anos que estamos na época do Holoceno. Ou 
estávamos. As marcas que o homem vem deixando no pla-
neta são tão intensas que já teriam provocado mudanças 
que jusfificariam o início de uma nova época geológica: 
o Antropoceno. É o que defende os cientistas do Grupo 
de Trabalho do Antropoceno. Este novo tempo geológico 
teria começado na década de 1950, com a expansão sem 
precedentes da população e do consumo.
Como evidências, os cientistas dizem que sedimentos na 
crosta terrestre e no oceano contém resíduos de plástico, 
de concreto e de alumínio, além de fuligem decorrente 
da queima de combustíveis fósseis e radiação nuclear. 
A ação do homem já teria dado origem, inclusive, a 208 
novos minerais nos últimos 200 anos.
� COMBUSTÍVEIS 
FÓSSEIS
Eles recebem 
esse nome pois se 
formaram a partir da 
fossilização de seres 
vivos: do plâncton 
marinho, no caso 
do petróleo e do gás 
natural, e de florestas 
e pântanos no caso 
do carvão mineral. 
As reservas 
atualmente exploradas 
são resultantes 
da deposição e 
decomposição 
ocorridas em tempos 
geológicos passados.
O mapa apresenta a área onde se 
encontram as jazidas do pré-sal, 
nas Bacias de Campos e de Santos.
Também mostra a extensão 
e a localização das jazidas 
do pós-sal na região
AS JAZIDAS DO PRÉ-SAL
YANN ARTHUS-BERTRAND
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40 GE GEOGRAFIA 2018
LITOSFERA CARACTERÍSTICAS DOS SOLOS
O solo é uma camada com espessuras variadas (de alguns centímetros a vários metros) de material não consolidado que cobre 
a superfície da crosta terrestre. Constituído por 
matéria mineral e matéria orgânica, é o substrato 
para a vida dos ecossistemas. Os solos são resultado 
da decomposição das rochas, que através dos anos 
passam por um processo de intemperismo físico, 
químico e biológico. Esse processo cria diferentes 
camadas, às quais se dá o nome de horizontes. O 
conjunto dos horizontes constitui o perfil do solo, 
que permite identificar o estágio de formação em 
que se encontram (veja a figura abaixo).
Camada sobre camada
Saiba mais sobre as características dos solos e 
os fatores que contribuem para sua fertilidade
Fonte: GOETTEMS, Arno Aloísio; JOIA, Antonio Luís. Geografia: leituras e interação – vol. único. São Paulo: Leya, 2013. Pg 93.
Fertilidade dos solos
Os solos podem ser classificados em “agri-
cultáveis” e “não agricultáveis”. Geralmente, as 
terras que não permitem a exploração agrícola 
são encontradas em altitudes muito elevadas, 
como nos picos do Himalaia, dos Andes e demais 
cadeias montanhosas, ou em regiões desérticas 
frias (regiões polares) e quentes (Deserto do 
Saara), onde as restrições decorrem das tem-
peraturas extremas ou da escassez de água. 
As áreas mais exploradas para a produção 
agropecuária são aquelas com climas favoráveis, 
com pluviosidade e temperaturas adequadas, 
FORMAÇÃO E PERFIS DE SOLO EM CLIMAS ÚMIDOS
Nos solos maduros podem ser identificadas as camadas O, A, B e C, que se diferenciam pela 
composição físico-química, cor, presença ou ausência de matéria orgânica, entre outras características. 
CARACTERÍSTICAS DOS HORIZONTES DO SOLO
O 
Horizonte orgânico, também denominado 
de serrapilheira. Corresponde à camada 
superficial de florestas e matas; é 
composto de materiais de origem vegetal 
e animal em decomposição.A 
Horizonte mineralógico. Composto 
de material de origem mineral 
proveniente da rocha-mãe ou trazido 
de outros lugares por vento, água ou 
gelo. Há grande presença de matéria 
orgânica decomposta, motivo pelo 
qual pode ser denominado horizonte 
humífero (húmus).
B 
Horizonte de acumulação de argila, matéria 
orgânica e oxi-hidróxidos de ferro e alumínio 
provenientes das camadas superiores. Esse 
processo de transferência de minerais entre 
camadas é chamado lixiviação, considerado 
um tipo de erosão química do solo.
C 
Horizonte de rocha alterada, 
denominado alterita ou saprolito. 
É nele que começa a decomposição 
da rocha. Formado por sedimentos 
grosseiros na base e por sedimentos 
mais finos na parte superior.
R 
Rocha que dá origem ao solo, também 
denominada rocha-mãe. A velocidade de 
decomposição depende de vários fatores, 
como a composição mineral da própria 
rocha e o tipo de clima (climas quentes e 
úmidos tendem a acelerar o intemperismo).
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41GE GEOGRAFIA 2018 
e solos férteis. A fertilidade natural dos solos 
depende, primeiramente, da sua composição 
química – os solos muito férteis dispõem de 
nutrientes suficientes para a exploração agrí-
cola, sem a necessidade de adubação artificial. 
Além disso, a fertilidade dos solos está ligada à 
capacidade de reter água e matéria orgânica (o 
que depende da presença de argilas) e de reter 
oxigênio (o que depende da estrutura física, já 
que o solo precisa ser poroso e “aerado”). Veja 
abaixo algumas regiões do globo que se destacam 
por apresentarem solos férteis, intensamente 
explorados pela agricultura.
 RECÔNCAVO BAIANO (BRASIL/BAHIA)
Região com o solo massapê, argiloso e de elevada fertilidade 
química natural. A presença de argila é importante para regular 
a drenagem e, consequentemente, evitar a perda de nutrientes 
essenciais para as plantas. Esse tipo de solo possibilitou a 
implantação das primeiras plantações de cana-de-açúcar e dos 
engenhos de cana pelos colonizadores portugueses.
8 REGIÃO SUL 
9 REGIÃO CENTRO-OESTE 
(BRASIL)
Possuem os latossolos vermelhos 
originados a partir da decomposição 
do basalto, rico em ferro. Ao ser 
oxidado, este mineral confere a cor 
avermelhada ao solo. Os imigrantes 
italianos que se dirigiram para as 
plantações de café no interior do 
estado de São Paulo apelidaram esse 
solo de “terra rossa” (terra vermelha), 
motivo pelo qual esses solos são 
muitas vezes (e erroneamente) 
denominados “terra roxa”. 
3 UCRÂNIA 4 ARGENTINA 
Esses países possuem o solo tchernozion (do russo 
tcherno = escuro e zion = terra) ou chernozén. 
Quimicamente fértil e com elevada matéria 
orgânica, tem alta produtividade agrícola e é muito 
utilizado para o plantio de trigo.
5 FRANÇA 6 HOLANDA 
7 VALE DO RIO AMARELO (CHINA) 
Possuem o solo loess (do alemão löss = solto), 
formado pela deposição de sedimentos carregados 
pelo vento. Na China é intensivamente utilizado 
para a produção de arroz. 
1 VALE DO RIO MISSISSIPI 
(ESTADOS UNIDOS) 
2 VALE DO RIO NILO (EGITO)
A deposição de sedimentos e de matéria orgânica 
nas planícies inundadas renovam anualmente a 
fertilidade natural dessas regiões.
OS SOLOS FÉRTEIS NO BRASIL E NO MUNDO
CELEIRO ORIENTAL Plantações às margens do Rio Amarelo, na China: a fertilidade do solo é 
garantida com a ajuda de sedimentos trazidos pelo vento
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LITOSFERA DESLIZAMENTO DE TERRA E INUNDAÇÕES
Enchente é 
um fenômeno 
natural, que 
causa o aumento 
temporário do 
nível da água, 
porém sem 
transbordamento
Inundação é o 
transbordamento 
de um curso 
d’água, 
atingindo a 
planície em 
torno do rio ou a 
área de várzea
Alagamento ocorre quando a 
água fica acumulada nas ruas 
e nos perímetros urbanos, 
por problemas de drenagem
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A CHUVA E AS CIDADES
Entenda a diferença entre enchente, inundação e alagamento:
DEBAIXO D'ÁGUA O município de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, sofreu com o alagamento provocado pelas fortes chuvas que caíram em março de 2016
Os temporais são fenômenos naturais que atingem as cidades de tempos em tem-pos. A dimensão dos danos que causam, 
porém, poderia ser menor, se as zonas urbanas 
fossem construídas respeitando a natureza. 
As cheias dos rios, por exemplo, são naturais 
e cíclicas. Um bom planejamento, portanto, 
deveria preservar seus leitos livres. Mas não é 
o que ocorre na maioria das grandes cidades. 
A ocupação dessas áreas, principalmente em 
trechos de planície também conhecidas como 
várzeas, provoca inundações que trazem enor-
mes transtornos e prejuízos sociais e materiais. 
Casas são invadidas pelas águas, formam-se 
enormes congestionamentos e serviços, como 
transportes e abastecimento de água, são inter-
rompidos, entre outras consequências.
Para entender melhor esse fenômeno, é pre-
ciso atentar para as diferenças entre enchente, 
inundação e alagamento. Veja na figura ao lado:
Ocupação caótica
Saiba como a falta de planejamento 
urbano potencializa os efeitos dos 
temporais, provocando deslizamentos 
de terras e inundações
[1]
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43GE GEOGRAFIA 2018 
Além das características de relevo e hidrogra-
fia, há outros fatores que aumentam o volume de 
água dos rios de planície e que contribuem para 
a ocorrência de inundações em áreas urbanas:
� A IMPERMEABILIZAÇÃO DO SOLO 
Ruas e avenidas pavimentadas, prédios, 
casas, indústrias e estacionamentos impedem 
ou reduzem a infiltração da água no solo e, 
consequentemente, aumentam o volume e a 
velocidade do escoamento das águas superficiais.
� A RETIFICAÇÃO E A CANALIZAÇÃO DO LEITO DE 
RIOS E CÓRREGOS Em geral, os rios de planície 
apresentam meandros ou “curvas”. A retificação 
e canalização desses rios, feita para ampliar os 
espaços a serem ocupados pela cidade, diminuem 
a extensão do rio. 
� DEPOSIÇÃO INADEQUADA DE LIXO SÓLIDO O lixo 
jogado nas ruas e calçadas ou mesmo diretamente 
nos rios e córregos dificulta a vazão das águas.
� DESMATAMENTO A retirada da mata nas encostas 
e nas margens dos rios provoca o aumento da 
erosão e, consequentemente, o assoreamento 
dos rios em seus trechos de planície, ou seja, o 
acúmulo de sedimentos nos leitos dos rios e lagos, 
facilitando o seu transbordamento.
Deslizamentos de terras
Os deslizamentos de terra estão diretamente 
relacionados às características de relevo, solo, 
clima e cobertura vegetal. Apesar de serem fe-
nômenos naturais, os deslizamentos são poten-
cializados pela ocupação humana desordenada. 
A construção de casas e estradas e a implantação 
da agricultura e da pecuária tendem a desestabi-
lizar ainda mais o frágil equilíbrio natural desses 
ambientes, aumentando as chances de acidentes 
que trazem prejuízos incalculáveis, incluindo a 
perda de dezenas de vidas humanas anualmente.
No Brasil, as áreas mais sujeitas à ocorrência 
de deslizamentos são as que se encontram na 
unidade de relevo conhecida como Planaltos e 
Serras do Atlântico Leste-Sudeste (veja o mapa de 
relevo do Brasil, na página 37). Isso porque a região 
caracteriza-se pela existência de áreas com grande 
declividade (escarpas e encostas das serras), solos 
rasos e elevada pluviosidade concentrada no ve-
rão, sobretudo nas encostas próximas ao litoral e 
voltadas para o leste, que recebem os fluxos de ar 
úmido provenientes das águas oceânicas. Como a 
região foi densamente povoada em áreas de risco, 
como encostas de morro, os acidentes se tornam 
mais frequentes. Entre os casos mais emblemáticos 
ocorridos no país, estão os deslizamentos na região 
serrana do Rio de Janeiro, em janeiro de 2011. 
DESASTRES NATURAIS CUSTARAM AO 
BRASIL R$ 182 BI EM 20 ANOS
Prejuízos causados por desastres naturais no Brasil 
custaram pelo menos R$ 182,8 bilhões – uma média 
de R$ 800 milhões por mês –, entre 1995 e 2014. Os nú-
meros fazem parte do mais completo mapeamento da 
quantidade de eventos meteorológicos, como secas, 
estiagens,inundações e enxurradas, que atingiram o 
País nesse intervalo de 20 anos e o impacto financeiro 
que eles tiveram.
Estão incluídas na análise tragédias como as enchentes 
e deslizamentos de terra que atingiram a região serrana 
do Rio de Janeiro, em 2011, deixando 918 mortos, além 
das inundações no Vale do Itajaí (SC), em novembro de 
2008 (...). Minas Gerais foi o Estado com mais registros 
e o Rio Grande do Sul, o líder em prejuízos.
Os autores do trabalho, realizado pelo Centro de 
Estudos e Pesquisas sobre Desastres (Ceped) da Univer-
sidade Federal de Santa Catarina, com apoio do Banco 
Mundial, afirmam, no entanto, que os resultados são 
reconhecidamente subestimados. Isso ocorre porque 
os dados disponíveis sobre os eventos climáticos e 
seus possíveis danos materiais são limitados (...). “É 
só a ponta do iceberg e ainda assim estamos falando 
de uma média de R$ 800 milhões por mês (...)", afirma 
Frederico Ferreira Pedroso, especialista do programa de 
Gestão de Riscos de Desastres do Banco Mundial. (...)
O Estado de S.Paulo, 10/03/2017
SAIU NA IMPRENSA
[1] MARCEL NAVES/AFP [2] ANA CAROLINA FERNANDES/FOLHA IMAGEM
TERRA ARRASADA 
Chuvas torrenciais 
provocaram deslizamentos 
de terra no bairro de 
Campo Grande em 
Teresópolis, região serrana 
do Rio de Janeiro, em 2011: 
o povoamento em áreas 
de risco potencializa 
os acidentes
[2]VEN
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44 GE GEOGRAFIA 2018
LITOSFERA CONTAMINAÇÃO DOS SOLOS
Durante vários anos, o homem pouco se importou com as con-sequências que suas atividades 
poderiam ter para o solo. Do estilo de 
vida consumista, que gera uma colossal 
quantidade de resíduos a ser descarta-
da, passando pelo uso indiscriminado 
de produtos tóxicos na indústria até o 
manejo inadequado das culturas agrí-
colas, nossa sociedade vai gradativa-
mente contaminando os solos. Como 
consequência, muitas áreas estão se tor-
nando impróprias para a produção de 
alimentos ou para a presença humana.
As principais formas de poluição 
do solo estão associadas a atividades 
econômicas como a agricultura, o ex-
trativismo mineral e a produção in-
dustrial, ou à falta de investimentos 
no tratamento adequado ao lixo. Veja 
cada um desses casos:
LIXO
A deposição inadequada do lixo, 
principalmente em aterros sem nenhum 
controle ambiental (os chamados 
lixões), está entre as principais causas da 
contaminação dos solos nas cidades. Além 
de produzir o gás natural metano (CH4), 
um dos agravadores do efeito estufa, a 
decomposição da matéria orgânica por 
microrganismos gera o caldo chorume, 
altamente poluente para o solo e para os 
lençóis freáticos. 
O destino mais adequado para o lixo urbano 
são os aterros sanitários. Trata-se de áreas 
nas quais os resíduos são compactados 
e cobertos por terra. Terrenos assim têm 
sistema de drenagem que captam líquidos 
e gases resultantes da decomposição dos 
resíduos orgânicos, evitando maiores danos 
aos solo. Outra opção são os incineradores 
públicos, principalmente para o lixo 
hospitalar, odontológico e ambulatorial.
Terra maculada
A degradação dos solos, 
provocada principalmente 
pela exploração dos recursos 
naturais e pelo tratamento 
inadequado do lixo, é um 
dos principais problemas 
ambientais da atualidade
De acordo com o Instituto Brasileiro de 
Geografia e Estatística (IBGE), mais de 50% 
dos municípios destinavam os resíduos 
sólidos em lixões. Apenas 28% das cidades 
faziam o descarte em aterros sanitários. Em 
2010, o governo federal instituiu a Política 
Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que 
determinava uma série de regras para o 
manejo sustentável do lixo. Entre outras 
medidas, a PNRS estabeleceu que agosto de 
2014 seria o prazo final para as prefeituras 
erradicarem os lixões e passarem a depositar 
o lixo em aterros sanitários. No entanto, mais 
de 60% dos municípios não conseguiram 
cumprir a determinação. Um projeto de lei 
tramita no Congresso para estender até 2021 
o prazo para a erradicação dos lixões.
RESÍDUOS INDUSTRIAIS
As fábricas nas áreas urbanas também 
depositam grandes quantidades de 
resíduos industriais, como produtos 
químicos e metal pesado, em áreas 
próximas de onde estão instaladas. Com 
o tempo, esses elementos infiltram-se no 
solo, que fica contaminado e improdutivo, 
podendo provocar doenças nos habitantes 
que vivem próximos à indústria.
AGROTÓXICOS
O uso de agrotóxicos para fertilizar o solo, 
eliminar ervas daninhas e destruir pragas 
pode aumentar a produtividade agrícola 
em grande escala, mas produz um nefasto 
efeito colateral: a contaminação do solo. 
Com o tempo, esses resíduos químicos 
vão se acumulando e ajudam a degradar 
ainda mais as áreas agrícolas, tornando-as 
impróprias para o cultivo. Ou seja, apesar 
dos ganhos produtivos no curto prazo, a 
aplicação intensiva de agrotóxicos é uma 
prática insustentável para a agricultura. 
Segundo a Organização das Nações 
Unidas para a Alimentação e a Agricultura 
(FAO), um quarto dos solos do planeta 
está degradado, afetando diretamente a 
produção mundial de alimentos. 
MERCÚRIO NOS GARIMPOS
A exploração de minérios, como ouro e 
diamantes nos garimpos da Região Norte 
do Brasil, utiliza mercúrio no processo de 
separação das pedras preciosas dos demais 
sedimentos. Por ser um mineral pesado 
altamente tóxico, o mercúrio depositado no 
solo e nas águas provoca graves prejuízos à 
fauna e à saúde humana. 
ENTRE OS URUBUS Criança recolhe papelão no lixão da Canabrava, em Salvador (BA): mais da metade 
dos municípios brasileiros descarta os resíduos sólidos em áreas sem nenhum controle ambiental
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45GE GEOGRAFIA 2018 
SAIBA MAIS
O PRINCÍPIO DOS 3 RS: 
REDUZIR, REUTILIZAR 
E RECICLAR
A melhor solução para o lixo é 
reaproveitá-lo para fazer novos bens, 
reduzindo a sobrecarga dos depósitos. 
O reaproveitamento do lixo envolve o 
princípio dos “3 Rs”: 
� Reduzir a produção de resíduos, com a 
adoção de novos hábitos de compra. 
� Reutilizar potes, vasilhames, caixas 
e outros objetos de uso cotidiano e o 
material neles contido. 
� Reciclar o lixo descartado após o 
consumo, transformando-o em matéria- 
prima industrial para nova fabricação. 
Para que seja reciclado, o lixo deve ser 
descartado de forma seletiva e entregue 
em postos distribuídos pelas prefeituras 
(quando existem) ou por empresas em 
locais predefinidos, doados a entidades 
que recebem material desse tipo ou na 
forma estabelecida pelos programas 
porta a porta. Apesar das iniciativas nesse 
sentido, apenas 3% do lixo é reciclado no 
Brasil, segundo dados do Compromisso 
Empresarial para a Reciclagem (Cempre).
Veja abaixo um quadro com os principais 
produtos recicláveis:
A erosão das camadas superficiais 
do solo pelo escoamento das águas das 
chuvas, também conhecida como ero-
são laminar, é uma das maiores preo- 
cupações ambientais da agricultura 
atualmente. Esse processo provoca a 
perda gradativa de nutrientes do solo. 
Em algumas culturas, como o feijão e a 
mandioca, essa perda pode chegar a 40 
toneladas por hectare em um ano. Para 
ter uma dimensão melhor do problema, 
em uma área com floresta nativa, essa 
perda é de apenas 0,004 tonelada por 
hectare no mesmo período. 
A melhor forma para evitar a ação 
da erosão é a adoção de técnicas de 
conservação do solo. O plantio direto é 
uma técnica que não revolve as camadas 
superficiais do solo, mantendo sobre 
ela a matéria orgânica (plantas, folhas 
e palhas de colheitas anteriores), o que 
contribui para conter a erosão. Já as 
curvas de nível é uma técnica de plan-
tio adequada às variações das altitudes 
e à inclinação do relevo, evitando o 
escoamento direto das águas das chuvas 
que caem na lavoura. A ausência dessas 
técnicas pode dar origem a ravinas 
Os principais produtos recicláveis
Vidro
Garrafas, potes de 
alimentos, frascos de 
remédio e de perfume. 
Cacos de vidro
Volta a ser usado 
infinitas vezes sem 
perder as 
características
Papel
Revistas, jornais, papéis 
variados, caixas de 
papelão (de todos os 
tipos)
Transforma-se em 
papelreciclado para 
agendas, cartões e 
caixas de papelão
Plástico 
Garrafas PET, potes (de 
todos os tipos), tampas, 
embalagens, sacos (de 
leite, arroz etc.)
Matéria-prima de fibras 
têxteis, tubos, artefatos 
plásticos, cordas, cerdas 
de vassoura, carpetes
Metal 
Latas de aço e alumínio, 
tampas, arames, fios, 
grampos, pregos, tubos 
de pasta, alumínio, cobre
O aço volta a ser usado 
sem limites. O alumínio 
pode ser reusado em 
latas e autopeças
Não podem ser 
reciclados
Espelhos, vidro de 
janela e de boxe de 
banheiro, vidro de 
automóveis, cristais, 
lâmpadas, vidro 
temperado, ampolas de 
remédio, celofane, 
espuma, fraldas 
descartáveis, pilhas, 
latas enferrujadas, 
papel higiênico, 
guardanapos com 
restos de comida, papel 
laminado
e plastificado,
papel-carbono
Fonte: Como Cuidar do Seu Meio Ambiente – Editora Beı, edição e texto da Rita Mendonça, 2004
Papel 
Pano 
Filtro de cigarro 
Chiclete 
Lata de aço 
Madeira pintada 
Náilon 
Plástico 
Alumínio 
Vidro
Borracha 
3 a 6 meses
6 meses a 1 ano
5 anos
5 anos
5 a 10 anos
13 anos
Mais de 30 anos
Centenas de anos
Centenas de anos
Mais de mil anos
Indeterminado
OR
IG
EM
U
TI
LI
D
AD
E
Quanto 
tempo 
leva para 
se degradar 
na natureza
˜
(sulcos formados no solo devido à ação 
erosiva da água) e voçorocas (aberturas 
ainda maiores que as ravinas e que, se 
atingirem o lençol freático, podem ser 
irreversíveis e impedem o aproveita-
mento agrícola da área atingida).
Outro grave problema da degradação 
dos solos envolve a grande concentra-
ção de sais nos seus horizontes superfi-
ciais, o que dificulta o desenvolvimento 
das plantas e, consequentemente, a pro-
dução de alimentos. A salinização dos 
solos pode se dar por meio de processos 
naturais ou provocados e acelerados 
pelas atividades humanas. A irrigação é 
a principal prática agrícola responsável 
por induzir ou acelerar esse processo.
No mundo, as principais áreas atin-
gidas pela salinização encontram-se 
na África e na Ásia. Um dos casos mais 
conhecidos é o da região do Mar de 
Aral, na fronteira entre o Cazaquistão 
e o Uzbequistão, na Ásia Central. Desde 
o período da União Soviética, extinta 
em 1990, vinham sendo implantados 
nessa região projetos de irrigação, em 
especial para a produção de algodão 
(veja mais na pág. 67). 
Colheita maldita
Entenda como a erosão e a salinização prejudicam os solos e 
provocam enormes perdas para as culturas agrícolas
FERNANDO VIVAS
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46 GE GEOGRAFIA 2018
COMO CAI NA PROVA
1. (PUC-PR 2016) O Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) 
relatou que, entre dezembro de 2015 e janeiro de 2016, ocorreram pequenos 
tremores de terra com magnitudes entre 1.1 e 1.9 em epicentros localizados 
na região da cidade de Londrina, o que explica as vibrações sentidas pelos 
moradores, principalmente nos bairros Califórnia e São Fernando.
Tabela 1 – Pequenos tremores identifi cados pela
 Rede Sismográfi ca Brasileira (RSBR) com estações regionais
Data e Hora (Local)
LAT 
(+/- 5 km)
LON
+/- 5 km)
Prof. *
(km)
Magnitude 
(mR)
14/12/2015 06:16:06 -23.35 -51.15 0.0 1.8
01/01/2016 16:49:34 -23.38 -51.15 0.0 1.9
21/01/2016 14:13:10 -23.33 -51.12 0.0 1.9
(*) profundidade fi xada em 0 km. Não há dados sufi cientes para se determinar 
as profundidades.
Adaptado de Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP). Tremores de Dezembro de 
2015 / Janeiro de 2016 em Londrina-PR. Disponível em: <http://moho.iag.usp.br/content-sample/
reports/20160122/Relatorio-Londrina-20160122-2300.pdf>. Acesso em 20 mar. 2016.
Segundo o Centro de Sismologia, tremores de magnitude pequena (<4) não 
são incomuns no Brasil e podem ocorrer em qualquer região. [...] Portanto, 
não há motivos para descartar os tremores ocorridos em Londrina como 
tendo origem natural. 
Sendo assim, os tremores registrados em Londrina podem ser causados 
 
a) pela proximidade com a Cordilheira dos Andes, região geologicamente 
instável, onde a divergência entre as placas do Pacífi co e da América do Sul 
gera grandes tremores de terra. 
b) por concentração de tensões geológicas de origem natural, presentes em 
toda a crosta terrestre. 
c) pela exploração de gás de xisto através de fraturamento (fracking) hidráulico. 
d) por barragens artifi ciais, como o lago gerado pela hidrelétrica de Itaipu, pois 
o peso do reservatório pressiona as falhas geológicas do substrato geológico. 
e) pela atividade vulcânica no oeste paranaense, decorrente do encontro 
das placas da América do Sul e da África, originárias da fragmentação do 
supercontinente Pangea. 
 
RESOLUÇÃO
A afi rmativa A é incorreta, pois os tremores que ocorrem na região da Cordilheira 
dos Andes, e que poderiam ser sentidos no Brasil, ocorrem pela convergência 
entre as placas do Pacífi co e da América do Sul e não pela divergências entre elas. 
A afi rmativa C é incorreta. A exploração de gás de xisto por meio de fraturamento 
(fracking) hidráulico pode provocar tremores de terra. Mas essa técnica, muito 
comum nos EUA, ainda não é usada no Brasil.
A afi rmativa D não é correta porque, apesar de a construção de barragens poder 
provocar tremores, o mapeamento das falhas no Brasil não apontam para a 
área de Itaipu. 
A afi rmativa E é incorreta, pois não existe atividade vulcânica no oeste para-
naense, e o tipo de movimento verifi cado entre as placas da América do Sul e 
da África é divergente. 
A alternativa correta é a B: os terremotos no Brasil são de baixa e média intensi-
dade na escala Richter. Em sua maioria, são decorrentes de falhas geológicas de 
pequena extensão existentes na estrutura geológica local. 
Resposta: B
2. (USF 2016) Observe as imagens a seguir.
Fonte: <http://www.aguaspluviais.inf.br/manual.aspx?id=8> Acesso em: 12/09/2015, às 18h.
As imagens evidenciam a alteração ao meio ambiente causada pelo processo 
de urbanização.
a) Aponte duas consequências sociais ou ambientais decorrentes da transfor-
mação do espaço evidenciada nas imagens.
b) Cite uma ação que poderia minimizar os problemas decorrentes da ocupação 
do espaço evidenciada nas imagens. 
RESOLUÇÃO
a) A ação intensiva do ser humano sobre o meio, em virtude da ocupação do solo, 
altera as condições ambientais originais. Entre as consequências ambientais e 
sociais da transformação da paisagem acima, destacam-se: perda de biodiver-
sidade decorrente do desmatamento, aumento da erosão do solo, elevação do 
assoreamento dos rios pela retirada da mata ciliar, prováveis enchentes pela 
impermeabilização do solo, possível poluição dos recursos hídricos e elevação 
da temperatura (ilha de calor) na área urbana. 
b) Entre as ações é possível citar a recomposição das matas ciliares ao longo dos 
rios para minimizar a erosão e o assoreamento; a criação de áreas verdes para 
melhorar a infi ltração de água no solo e combater enchentes; o tratamento 
adequado de água e esgoto; e a adequada deposição do lixo. 
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RESUMO
47GE GEOGRAFIA 2018 
Litosfera
ESTRUTURAS GEOLÓGICAS A camada mais superficial do planeta 
é a litosfera, cuja superfície é formada por três tipos de estrutura 
geológica: escudos cristalinos (os terrenos mais antigos, formados 
por rochas magmáticas), bacias sedimentares (surgidas com a 
erosão das rochas dos escudos cristalinos) e dobramentos mo-
dernos (formações recentes que ficam entre as placas tectônicas).
RELEVO Existem quatro principais tipos de relevo no mundo: 
depressões são áreas localizadas em altitude inferior à das re-
giões vizinhas ou abaixo do nível do mar; montanhas são áreas 
elevadas resultantes do choque de placas tectônicas; planaltos 
são elevações delimitadas por superfícies rebaixadas; e planícies 
são áreas planas, geralmente encontradas em baixas altitudes.
PLACAS TECTÔNICAS São gigantescos blocos que integram 
a litosfera. O globo é recortado por grandes placas que se 
deslocam e se chocam, numa movimentação constante e 
lenta. As regiões próximas à borda dessas placas são sujeitasa terremotos e atividade vulcânica.
FORÇAS INTERNAS E EXTERNAS As forças internas dão forma 
ao relevo. O tectonismo consiste no lento deslocamento das 
placas tectônicas. Os abalos sísmicos são os tremores causados 
na superfície do planeta pela movimentação da placa tectônica. 
Já o vulcanismo é a elevação do magma para a superfície por 
meio de fendas na crosta terrestre. São duas as principais for-
ças externas. O intemperismo é o processo de degradação das 
rochas provocada por fenômenos químicos e físicos. Já a erosão 
consiste no desgaste da rocha em razão da exposição prolongada 
a agentes naturais, como ventos, geleiras, rios e mares.
RECURSOS MINERAIS Os minérios são elementos dos quais po-
demos extrair substâncias de interesse econômico. Destacam-
se os utilizados para a obtenção de metais, como o alumínio, 
o ferro e o titânio. Os depósitos mais explorados ficam nos 
escudos cristalinos. No Brasil, os minérios são encontrados 
principalmente em Minas Gerais e no Pará.
SOLOS O solo compreende a parte superficial da litosfera e 
se forma, principalmente, da decomposição das rochas e se 
dispõe em camadas, denominadas horizontes. Os horizontes 
O (orgânico) e A são os mais superficiais e mais significativos 
para a agricultura. A composição mineral, o nível de acidez 
e a capacidade de reter matéria orgânica e água são fatores 
determinantes para a fertilidade dos diferentes tipos de solos, 
de grande importância para as atividades agropecuárias. 
LIXO A deposição inadequada do lixo em aterros sem nenhum 
controle ambiental (os chamados lixões) está entre as princi-
pais causas da contaminação dos solos nas cidades. Mais de 
50% dos municípios destinam os resíduos sólidos em lixões. 
Apenas 28% das cidades faz o descarte em aterros sanitários. 
�SAIBA MAIS
As enchentes ocorrem quando a precipitação é elevada e a vazão ultrapassa a 
capacidade de escoamento dos rios. É um fenômeno natural, provocando inun-
dações, que permitem a deposição de partículas minerais e de matéria orgânica 
na área que vai além de suas margens – a várzea. No entanto, em grandes cidades 
como São Paulo, a impermeabilização do solo ocasiona grandes alagamentos. 
A água não consegue infi ltrar no solo, escoando de forma rápida e em grande 
volume para as vias de circulação de trânsito. É o que acontece na Marginal Tietê:
Pista 
local
Pista 
local
Pista 
expressa
Pista 
expressa
RIO TIETÊ
Marginal direitaMarginal esquerda
Área de inundação
Nível normal
3. (Espcex Aman 2016) O relevo é o resultado da atuação de forças de origem 
interna e externa, as quais determinam as reentrâncias e as saliências da crosta 
terrestre. Sobre esse assunto, podemos afi rmar que
I. o surgimento das grandes cadeias montanhosas, como os Andes, os Alpes 
e o Himalaia, resulta dos movimentos orogenéticos, caracterizados pelos 
choques entre placas tectônicas.
II. o intemperismo químico é um agente esculpidor do relevo muito característico das 
regiões desérticas, em virtude da intensa variação de temperatura nessas áreas.
III. extensas planícies, como as dos rios Ganges, na Índia, e Mekong, no Vietnã, 
são resultantes do trabalho de deposição de sedimentos feito pelos rios, 
formando as planícies aluviais.
IV. os planaltos brasileiros caracterizam-se como relevos residuais, pois perma-
neceram mais altos que o relevo circundante, por apresentarem estrutura 
rochosa mais resistente ao trabalho erosivo.
V. por situar-se em área de estabilidade tectônica, o Brasil não possui formas 
de relevo resultantes da ação do vulcanismo.
Assinale a alternativa que apresenta todas as afi rmativas corretas 
a) I, II e III
b) I, III e IV
c) II, IV e V 
d) I, II e V
e) III, IV e V
RESOLUÇÃO
As afi rmativas I, III e IV estão corretas. Sobre os outros itens, a afi rmativa II diz, 
equivocadamente, que o intemperismo químico ocorre em regiões desérticas. Na 
verdade, nessas localidades com baixo índice pluviométrico verifi ca-se a atuação do 
intemperismo físico e da erosão eólica. Já a afi rmativa V está incorreta porque o passado 
geológico do atual território do Brasil, durante a Era Mesozoica, registra atividade 
vulcânica. Ela foi responsável por aspectos importantes da estrutura geológica, do 
relevo e do solo no país, como a existência de cuestas basálticas e do solo de terra roxa. 
Resposta: B
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48 GE GEOGRAFIA 2018
HIDROSFERA
3 CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO� A distribuição de água no planeta .............................................................50� Água salgada .....................................................................................................52
� Água doce ............................................................................................................56
� Tsunami ..............................................................................................................58
� Bacias hidrográficas do Brasil .....................................................................60
� Escassez hídrica no mundo ..........................................................................62
� Escassez hídrica no Brasil ............................................................................64
� Poluição hídrica ...............................................................................................66
� Como cai na prova + Resumo .......................................................................68
O s nordestinos estão enfrentando mais uma rigorosa seca. Embora estiagens severas costumem castigar a região de tempos 
em tempos, desta vez a situação é mais grave: 
o Nordeste não via uma seca tão intensa para 
um período consecutivo como este desde 1910. 
A área mais afetada é o semiárido, região que 
abriga 23 milhões de pessoas. Com a ausência de 
chuvas, os grandes reservatórios da região estão 
secando. No início de 2017, eles operavam com 
somente 16% da capacidade. Segundo a Agência 
Nacional de Águas (ANA), dos 533 reservatórios 
monitorados pelo órgão na região, 142 estavam 
vazios. A situação é mais crítica no Ceará, onde 
os açudes estavam com 7% de sua capacidade 
em janeiro deste ano.
A estiagem pode levar o fornecimento de água 
nas áreas urbanas ao colapso, provocando sérios 
transtornos à população. Em vários municípios 
de pequeno porte, o abastecimento já está sendo 
feito com caminhões-pipa. Nas regiões rurais, 
o problema é outro. Agricultores perdem suas 
plantações e veem o gado morrer. Em Pernam-
buco, o rebanho bovino, composto em 2011 por 
2,5 milhões de cabeças, teve uma baixa de 554 
mil animais no ano passado.
A boa notícia é que em março foi inaugurado 
o primeiro trecho do projeto de transposição do 
Rio São Francisco, que prevê o deslocamento 
de parte das águas desse manancial por canais 
artificiais para reservatórios situados no se-
miárido nordestino. Apontada desde o tempo 
do Império como uma solução para a seca no 
Nordeste, a transposição começou a sair do 
papel em 2007, consumindo investimentos da 
ordem de 9,6 bilhões de reais.
O projeto se estende por 477 quilômetros 
e é dividido em dois eixos. O leste é o trecho 
recém-inaugurado. Com 217 quilômetros, ele 
beneficiará 4,5 milhões de pessoas em 168 loca-
lidades da Paraíba e de Pernambuco. Já o eixo 
norte, com 260 quilômetros, tem inauguração 
prevista ainda para 2017 e atenderá 222 muni-
cípios e 7,5 milhões de pessoas no Ceará e Rio 
Grande do Norte. 
Nas páginas seguintes, você vai saber mais 
sobre a hidrosfera e a 
importância estraté-
gica da água, além de 
entender como a crise 
hídrica é um fenôme-
no que preocupa não 
apenas a população do 
Nordeste, mas tam-
bém de outras regiões 
do Brasil e do mundo.
Em meio à maior estiagem dos últimos 100 anos no 
Nordeste, a inauguração de um trecho da transposição do 
Rio São Francisco pode amenizar os efeitos da seca
Uma esperança 
na aridez do sertão
ÁGUAS DE MARÇO 
Inauguração do eixo leste 
da transposição do Rio 
São Francisco, em março 
de 2016: projeto poderá 
beneficiar 12 milhões de 
pessoas no semiáridonordestino
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49GE GEOGRAFIA 2018 EDUARDO KNAPP/FOLHAPRESS
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50 GE GEOGRAFIA 2018
3
Primeiro homem a ver o planeta do espaço, o astronauta russo Yuri Gagarin tornou célebre a frase em 
que descreveu o que observou lá de cima: 
“A Terra é azul”. A coloração do nosso 
planeta visto da órbita terrestre é conse-
quência do enorme volume de água de 
que a Terra dispõe. São cerca de 1,4 bilhão 
de quilômetros cúbicos que cobrem mais 
de 70% da superfície do globo.
O conjunto de toda a água do pla-
neta recebe o nome de hidrosfera. Há 
cerca de 4 bilhões de anos, quando 
nosso planeta era uma nuvem quente 
de poeira e gás, a água encontrava-se 
misturada a outros gases, no estado de 
vapor. À medida que o planeta esfriava, 
esse vapor foi se condensando e, sob a 
forma de chuva, precipitando-se sobre 
a superfície. Dessa longa e caudalosa 
tempestade formaram-se os oceanos, 
mares e o conjunto das “águas continen-
tais”, composto de rios, lagos, lençóis 
subterrâneos, geleiras e neves eternas. 
Mas todo esse volume de água que 
cobre o planeta não está à disposição 
para o nosso consumo. Desse 1,4 bilhão 
de quilômetros cúbicos de água que 
A Terra é azul
Ocupando mais de 70% 
da superfície terrestre, 
a hidrosfera domina a 
paisagem do nosso planeta
PLANETA ÁGUA Apesar de a Terra dispor de 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos de água, apenas 2,5% desse volume é próprio para o consumo humano
revestem o globo, apenas 2,5% são de 
água doce – algo em torno de 35 mi-
lhões de quilômetros cúbicos. Além 
disso, a maior parte da água ou está 
congelada nas geleiras e calotas polares 
ou encontra-se escondida em depósi-
tos subterrâneos. A real proporção da 
água a que o homem tem acesso fácil – 
a superficial, de rios lagos e pântanos – é 
de, no máximo, 0,4% da água doce exis-
tente no mundo (veja mais no gráfico). Ou 
seja, temos 100 mil quilômetros cúbicos 
para matar a sede, cuidar da higiene, ge-
rar energia, produzir alimentos e bens in-
dustriais. Não é exatamente pouca água – 
imagine que cada pessoa no mundo tenha 
direito a mais de 570 bilhões de litros por 
dia, durante 75 anos. 
O problema é que a água não é distri-
buída assim, de forma equilibrada, entre 
toda a população. A própria natureza 
impõe restrições. Enquanto regiões como 
a Amazônia é riquíssima em recursos 
hídricos, trechos da África e do Oriente 
Médio sofrem com uma brutal escas-
sez, responsável, inclusive, por sérios 
conflitos armados. Para piorar, a ação 
do homem em nada vem ajudando a 
HIDROSFERA A DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA NO PLANETA
[1]
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51GE GEOGRAFIA 2018 
A DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA NO PLANETA
Apenas uma pequena parte da água da Terra é 
acessível para uso humano
ÁGUA DOCE
ÁGUA ATMOSFÉRICA E DE SUPERFÍCIE
TOTAL DA ÁGUA
Água doce
2,5%
Água salgada
97,5%
Fonte: National Geographic
Biota
0,8%
(conjunto dos 
seres vivos)
Lagos de
água doce
67,4%
Umidade
do solo
12,2%
Atmosfera 
9,5%
Pântanos e 
áreas alagadas
8,5%
Rios
1,6%
Subterrânea 
30,1%
Permafrost
0,8%
(camada de subsolo
na tundra congelada)
Água atmosférica e 
de superfície 
0,4%
Geleiras
68,7%
tornar a distribuição e o acesso à água 
mais democráticos. Se hoje 2,4 bilhões 
de pessoas não têm acesso à água trata-
da, isso se deve principalmente ao mau 
gerenciamento das fontes naturais e à 
falta de equilíbrio entre a renovação e o 
consumo da água.
O ciclo hidrológico
Toda a água disponível no planeta está 
em constante renovação. Esse processo 
no qual a água se desloca da superfície 
terrestre e da atmosfera, passando pelos 
estados líquido, sólido e gasoso, recebe 
o nome de ciclo hidrológico.
Um dos responsáveis por esse processo 
é a energia solar, que incide na superfície 
do planeta e provoca a evapotranspiração 
das águas, ou seja, elas passam do estado 
líquido para o gasoso. A evaporação dos 
oceanos ocorre com maior intensidade, 
mas o fenômeno acontece ainda em rios, 
lagos e demais águas continentais. A 
transpiração das plantas também con-
tribui para a evaporação da água.
O vapor de água resultante desse pro-
cesso dá origem às nuvens, que se des-
locam com o movimento de rotação da 
Terra e dos ventos. Quando as nuvens 
se condensam, ocorre a precipitação, e 
a água volta para a superfície terrestre, 
atingindo tanto o continente quanto os 
oceanos. Essa precipitação pode ser líqui-
da, no caso das chuvas, ou sólida, se cair 
na forma de neve ou granizo. Tudo de-
pende das condições climáticas da região.
Ao atingir os continentes, a água da 
precipitação pode percorrer alguns 
caminhos: 
� volta para a atmosfera, em novo pro-
cesso de evapotranspiração;
� infi ltra-se no solo, alimentando as 
águas subterrâneas;
� é escoada na direção de rios, lagos 
e mares.
O destino dessas águas é infl uenciado 
por fatores como a cobertura vegetal, as 
condições climáticas e a geologia e a alti-
tude. Em áreas mais áridas, por exemplo, 
a evaporação é maior que a infi ltração, ao 
passo que, em terrenos arenosos, a água 
se infi ltra mais rapidamente.
Veja as quatro etapas do processo de renovação hidrológica
O CICLO DA ÁGUA
A energia solar 
incide sobre a 
superfície do planeta.
1
3 Os ventos carregam o vapor 
de água dos oceanos para os 
continentes. As nuvens se 
condensam, e a água volta 
para a superfície terrestre 
na forma de chuva – 
a precipitação também pode 
ocorrer como neve ou granizo.
A água das chuvas é escoada 
para os rios, lagos e mares. 
Também pode infiltrar-se no 
solo ou voltar para a 
atmosfera pelo processo de 
evaporação.
O calor provoca a 
evaporação da água, 
que passa para o estado 
gasoso e é transferida 
para a atmosfera. 
A transpiração 
de plantas e animais 
contribui para esse 
processo. Apesar de o 
fenômeno também ocorrer 
em rios e em lagos, é nos 
oceanos que a evaporação 
é mais intensa.
2
4
[1] NASA [2] MULTISP
[2]
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52 GE GEOGRAFIA 2018
3
Imensidão 
marinha
Quase a totalidade da 
hidrosfera é formada por 
oceanos e mares, habitat 
da maioria das espécies do 
planeta e responsáveis por 
grande parcela da atividade 
econômica mundial
HIDROSFERA ÁGUA SALGADA
As águas marinhas dividem-se em oceanos (grandes áreas) e mares (áreas menores). Juntas, essa 
imensidão de água salgada representa 
97,5% de toda a hidrosfera. Conforme 
veremos a seguir, os oceanos e mares 
têm uma incalculável importância para 
o equilíbrio do planeta, tanto nos aspec-
tos ambientais como socioeconômicos. 
A própria origem da vida, de acordo 
com a teoria do Big Bang, teria ocorrido 
nos oceanos há cerca de 3,5 bilhões de 
anos (veja mais na pág. 98). 
A origem da água salgada
Durante centenas de milhões de anos, 
a chuva foi formando os rios – que, por 
sua vez, dissolveram rochas de dife-
rentes períodos geológicos, nas quais 
o sal comum, cloreto de sódio (NaCl), 
é encontrado em abundância. Como 
todos os cursos de água correm para 
o oceano, os mares ficam com quase 
todo o sal dissolvido nesse processo. 
Além disso, as partículas de cloro e de 
sódio suspensas na atmosfera também 
são levadas pela chuva, completando o 
processo. Ainda assim, a salinidade de 
uma massa de água depende principal-
mente de sua taxa de evaporação, que 
acaba determinando a concentração do 
sal. É por isso que lagos e açudes podem 
se tornar salgados em regiões de muito 
calor, como ocorre no nordeste brasi-
leiro. Por essa mesma razão, os mares 
equatoriais são mais salgados que os 
polares. Os mais salgados do planeta 
são o Mar Morto, no interior da Ásia, 
e o Mediterrâneo. O menos salgado é o 
Mar Báltico, no norte da Europa, que, 
por causa de seu baixo teor de sal, chega 
a ficar congelado durante o inverno.
A biodiversidade marinha
A grande biodiversidade marinha 
pode ser confirmada estatisticamente: 
dos 33 filos (grandes grupos de seres 
vivos), 15 são exclusivamente mari-
nhos e cinco são predominantemente 
marinhos. São mais de 230 mil espécies 
conhecidas nos mares e oceanos, porém 
estima-se que o número ultrapasse1 
milhão de espécies.
Os ambientes diversificados propi-
ciam a formação de ecossistemas di-
versos, desde as águas rasas e quentes 
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53GE GEOGRAFIA 2018 
das costas continentais – com grande 
aporte de alimentos provenientes dos 
rios – até águas profundas, frias e sem 
luz, com erupções de lava e gás metano, 
entre outros materiais tóxicos para as 
espécies da superfície. Algumas espé-
cies marinhas têm funções vitais para o 
planeta Terra em escala global, como o 
plâncton, cuja absorção de CO2 é maior 
do que a de todas as florestas das terras 
emersas somadas.
A economia dos mares 
e dos oceanos
Os mares e oceanos são explorados 
economicamente desde os primórdios 
da existência dos seres humanos para a 
obtenção de alimentos e energia, o trans-
porte, o lazer, entre outras atividades. 
As rotas estabelecidas no período das 
Grandes Navegações (séculos XV a XVII) 
mudaram o mapa econômico mundial, 
ampliando numa escala jamais vista até 
então as trocas comerciais e a exploração 
de recursos naturais do planeta. 
Atualmente, merecem destaque as se-
guintes atividades econômicas assentadas 
na exploração dos mares e dos oceanos:
MARES
Os mares são blocos menores de água salgada ligados 
aos oceanos. Em geral, são classificados de acordo com 
a maneira pela qual se juntam aos oceanos.
Mares abertos: são ligados ao oceano por meio 
de grandes aberturas. Ex.: Mar das Antilhas ou do 
Caribe e o Mar do Norte, entre as ilhas britânicas e 
o continente europeu. 
Mares continentais: as ligações com o oceano são 
menores, feitas por meio de estreitos. Ex.: Mar 
Mediterrâneo, ao sul da Europa, e Mar Vermelho, 
entre a península Arábica e a África. 
MARES E OCEANOS
OCEANO
ATLÂNTICO
Mar do Caribe
Mar
 Mediterrâneo
Mar do Norte
Golfo 
do México
Golfo
Pérsico
Bacia
de Campos
Mar
Vermelho
Mar
MortoOCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
ÍNDICO
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO
OCEANO GLACIAL ÁRTICO
OCEANO
PACÍFICO
C. de Humboldt 
Mares fechados: apesar de serem chamados de mares, 
são, na verdade, grandes lagos com água salgada. 
Ex.: Mar Morto, no Oriente Médio
OCEANOS
De acordo com a maioria dos especialistas, são três os 
grandes oceanos: Pacífico, Atlântico e Índico. O limite 
entre um oceano e outro é determinado pelo contorno 
dos continentes. Alguns geógrafos apontam a existência 
de dois outros oceanos, o Ártico, no norte do globo, 
e o Antártico, que circunda o continente gelado ao sul. 
iSTOCK PHOTO
GRANDES NAVEGAÇÕES 
Cerca de 80% do 
volume total do 
comércio mundial 
é feito por meio de 
transporte marítimo
� A PESCA 
Base da alimentação de milhões de 
pessoas, a pesca tradicional e indus-
trial é feita em todos os oceanos e na 
maioria dos mares, sobretudo em áre-
as costeiras. A produtividade é maior 
em regiões banhadas por correntes 
marítimas frias. Um bom exemplo é a 
corrente de Humboldt, que passa pela 
costa peruana (veja no mapa).
� EXTRATIVISMO MINERAL 
Além da extração de petróleo e gás 
natural, explorado em áreas como a 
Bacia de Campos, o Golfo Pérsico e o 
Golfo do México (veja localização no 
mapa), outros recursos minerais são 
prospectados em águas oceânicas. 
Merece destaque a mineração feita 
no Mar Morto, de cujo leito se extra-
em grandes quantidades de potássio, 
o que coloca Israel e Jordânia na lista 
dos dez maiores exportadores desse 
mineral. O produto é utilizado, entre 
outras aplicações, na fabricação de 
adubos químicos. Já África do Sul e 
Namíbia exploram diamantes nos 
mares que banham o seu litoral.
� ROTAS COMERCIAIS
Cerca de 80% das mercadorias co-
mercializadas entre diferentes paí-
ses no mundo são transportadas por 
navios cargueiros, que diariamente 
atravessam os oceanos. O Oceano 
Atlântico é intensamente explorado 
economicamente, em especial no 
Atlântico Norte, onde se encontram 
rotas que interligam as potentes eco-
nomias da América do Norte e os 
países da Europa Ocidental. O Oce-
ano Pacífico é um elo cada vez mais 
forte entre as economias ocidentais 
e orientais. Já o Oceano Índico é 
percorrido por embarcações que ex-
ploram o petróleo no Oriente Médio, 
sobretudo no Golfo Pérsico.
� TURISMO 
O turismo marítimo é outra ativi-
dade em expansão, explorando as 
orlas marítimas com a implantação 
de balneários, navegação, pesca es-
portiva e atividades de mergulho. A 
indústria turística também projeta 
suas atividades para o alto-mar com 
a navegação dos cruzeiros marítimos.
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54 GE GEOGRAFIA 2018
3 HIDROSFERA ÁGUA SALGADA
Arquipélago 
de Fernando 
de Noronha
Atol das
Rocas
Arquipélago 
de São Pedro 
e São Paulo
Arquipélago 
de Abrolhos
Poços do pré-sal
Ilhas da 
Trindade e
Martin Vaz
JúpiterTupi
Guará
Carioca
BR
AS
ILGU
IA
NA
 
FR
AN
CE
SA
BRASILURUGUAI
Salvador
Rio de Janeiro
Florianópolis
São Luís
Belém
O c e a n o 
A t l â n t i c o
CROSTA CONTINENTAL
CROSTA OCEÂNICA
PLANÍCIE
ABISSAL
TALUDE
ELEVAÇÃO
PLATAFORMA
Mar territorial Zona contígua
Zona econômica exclusiva Plataforma continental
LINHA 
BASE
Fronteiras marítimas
Fronteira Definição Limite a partir da orla Área 
Mar territorial Soberania absoluta, econômica 
e militar
12 milhas (22,2 km) –
Zona contígua Controle administrativo 24 milhas (44,4 km) –
Zona econômica 
exclusiva
Direitos econômicos absolutos 
sobre a água, o assoalho e o subsolo
200 milhas (370 km) 3.539.919 km2
Plataforma 
continental
Direitos sobre o assoalho marítimo 
e seus seres e o subsolo
até 350 milhas (648 km)
(área reivindicada)
4.489.919 km2
Fonte: Marinha do Brasil/ Ministério das Relações Exteriores
OS LIMITES MARINHOS DO BRASIL Controle dos mares e oceanos
A importância geopolítica dos mares e 
dos oceanos refl ete-se nas disputas que 
muitas nações travam entre si para poder 
exercer sua soberania sobre o território 
marítimo. A difi culdade em estabelecer 
as faixas oceânicas a que cada país tem 
direito deu origem à Convenção das Na-
ções Unidas sobre o Direito do Mar. Ela 
determina os limites do mar territorial, 
ou seja, as águas que fazem parte do ter-
ritório nacional de cada país, onde pos-
suem total soberania econômica e militar. 
Além do mar territorial, são defi nidas as 
zonas contíguas, nas quais o Estado deve 
fi scalizar e combater crimes ambien-
tais; as zonas econômicas exclusivas, 
que estabelece direitos absolutos para 
a realização de pesquisas e exploração 
econômica; e a plataforma continental, 
área na qual o país detém direitos sobre 
o assoalho marítimo e o subsolo.
Na zona econômica exclusiva brasilei-
ra, estão 91% de todo o petróleo explorado 
pelo país, incluindo as jazidas do pré-sal. 
Diante da necessidade de garantir sua 
proteção, em 2004, o Brasil solicitou à 
ONU que estenda sua soberania sobre 
a área de mar acima da plataforma con-
tinental para até 350 milhas náuticas 
(648 quilômetros), conforme prevê a 
convenção, mas ainda não obteve o aval 
sobre essa decisão. Veja ao lado e abaixo a 
localização e a extensão de cada nível de 
fronteira marítima no litoral brasileiro.VEN
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55GE GEOGRAFIA 2018 
CHINA FINALIZA INSTALAÇÕES NO MAR DO SUL DA 
CHINA QUE PODEM ABRIGAR MÍSSEIS, DIZEM EUA
A China praticamente finalizou a construção de quase duas dezenas 
de estruturas em ilhas artificiais no Mar do Sul da China que parecem 
projetadas para abrigar mísseis terra-ar de longa distância, disseram 
duas autoridades dos Estados Unidos à Reuters, o que foi considerado 
um teste precoce ao presidente norte-americano, Donald Trump.
A China reivindica quase todas as águas, pelas quais circula um terço do 
comércio marítimo mundial. Brunei, Malásia, Filipinas, Taiwan e Vietnã 
também têm reivindicações no local. O governo Trump classificou a 
construção de ilhas chinesas no Mar do Sul da China como ilegal. (...)
Reuters, 22/2/2017
SAIU NA IMPRENSA
SAIBA MAIS
MARÉS E CORRENTES MARÍTIMAS
As marés são o movimento de subida e descida das águas em relação 
à costa, ocasionado pela atração que a Lua e o Sol exercemsobre as 
massas de água. A influência da Lua é sentida de maneira mais forte, 
porque o Sol, apesar de ser muito maior do que ela e, portanto, ter um 
campo gravitacional mais poderoso, está muito mais afastado (veja o 
infográfico abaixo). Além dessa força de atração dos astros, outro fenô-
meno astronômico colabora para a formação das marés: a rotação da 
Terra. Girando em torno de si mesma, a Terra fica sempre com metade 
de sua superfície virada para a Lua. O resultado é o movimento das 
águas de acordo com a posição do planeta e de seu satélite. A cada 
dia, acontecem duas marés altas (quando o oceano está de frente para 
a Lua) e duas baixas (nos intervalos entre as altas). 
A rotação da Terra influencia outro tipo de movimento das águas 
oceânicas: as correntes marítimas. Elas são gigantescas porções 
de água que se deslocam nos oceanos de forma independente das 
águas que as circundam. É por causa do fenômeno da inércia que as 
correntes se deslocam com o movimento do planeta: as águas tende-
riam a continuar paradas, mas acabam se movimentando em sentido 
contrário ao da rotação do globo. As correntes também ocorrem em 
razão da inclinação do eixo terrestre e da diferença de temperatura 
entre o Equador e as zonas polares. As correntes podem ser frias ou 
quentes e influenciam a vida no planeta de várias formas. A corrente 
fria de Humboldt, por exemplo, esfria a costa oeste da América do Sul. 
Há ainda a corrente quente do Atlântico Norte (ou corrente do Golfo), 
que evita o congelamento de portos europeus, e a corrente fria do 
Labrador, que desce do Ártico e influencia as gélidas temperaturas da 
costa leste norte-americana no inverno (veja mapa com as principais 
correntes marítimas na pág. 79).
No lado da Terra voltado para a 
Lua, as águas (em azul) sobem, 
atraídas pela gravidade lunar
Para facilitar, imagine 
que o planeta fosse todo 
recoberto pelos oceanos
SOB O DOMÍNIO DA LUA
Entenda como o satélite da Terra interfere nas marés
Maré alta
Maré alta
Maré baixaMaré baixa
Mar do Sul da China
O Mar do Sul da China é uma das prin-
cipais regiões em disputa no mundo atu-
almente. Além de ser uma importante 
rota marítima, o local tem um grande 
potencial para a exploração petrolífera. 
A China alega ter precedência histórica 
sobre a região e explora economicamente 
suas águas. No entanto, em julho de 2016, 
a ONU acatou um pedido das Filipinas 
e decidiu que a China não tem base le-
gal para reivindicar “direitos históricos” 
no Mar do Sul da China. O governo de 
Pequim disse que não irá reconhecer a 
decisão e manterá o controle da região. 
CHINA
TAIWAN
FILIPINAS
INDONÉSIA
BRUNEI
MALÁSIA
VIETNÃ
LAOS
Hanoi Hong Kong
Ilhas 
Paracel
Ilhas
Spratly
Manila
CAMBOJA
Campo de gás 
de Sampaguita
Mar do Sul 
da China
 China Filipinas
 Vietnã Malásia
 Brunei
Fonte: The Economist
ÁREAS REINVIDICADAS POR
A DISPUTA NO MAR DO SUL DA CHINA
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56 GE GEOGRAFIA 2018
3
Reservas vitais
Saiba onde ficam as principais 
fontes de água doce, que 
representam menos de 
3% de toda a hidrosfera
A pesar de a água dominar a pai-sagem do globo, a quantidade de H2O disponível para nosso 
consumo é proporcionalmente irrisória: 
do 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos 
de água da hidrosfera, apenas 2,5% são 
de água doce. Mas a garganta começa 
a secar mesmo quando observamos 
que a maior parte da água doce, quase 
70%, está sob a forma de gelo, ou seja, 
indisponível, nos polos. 
As principais fontes para matar a sede 
dos bilhões de seres vivos no mundo 
são: as águas subterrâneas, captadas por 
meio da exploração de poços; as águas 
de superfície, que englobam desde lagos 
e rios até a umidade do solo; e a água 
presente na atmosfera. Tudo isso junto, 
DOCE PAISAGEM 
Vista aérea do Lago 
Michigan, em Chicago, 
nos Estados Unidos, 
que compõe um dos 
cinco Grandes Lagos: 
sua formação se deu 
por erosão glacial
HIDROSFERA ÁGUA DOCE
contudo, não atinge 1% do volume da 
hidrosfera. Seja como for, mesmo que o 
volume relativo seja mínimo, os números 
absolutos de H2O à nossa disposição ain-
da são bastante significativos, desde que 
administrados racionalmente e preserva-
dos de qualquer contaminação. Confira a 
seguir as características dos reservatórios 
que guardam todo esse precioso líquido. 
Geleiras 
Reservatório de 68,7% da água doce 
do planeta, as geleiras são enormes mas-
sas formadas pelo acúmulo de neve no 
decorrer de milhares de anos. Existem 
em áreas planas próximas aos polos ou 
na forma de imensos rios de gelo que 
avançam lentamente pelos vales em altas 
latitudes ou em cordilheiras elevadas. 
As geleiras se movimentam: descem 
encostas pela ação da gravidade ou se 
espalham pelo solo com a força de seu 
peso. Em seu trajeto, elas desgastam 
as rochas e, ao chegar a mares e lagos, 
dão origem a plataformas de gelo. Os 
icebergs são massas de gelo que se des-
prendem dessas plataformas e flutuam 
pelos oceanos.
Lagos
Os lagos, definidos conceitualmen-
te como corpos de água parada, são 
a maioria da água doce de superfície 
disponível para consumo. Podem ser 
formados de várias maneiras: por acú-
mulo de água da chuva, afloramento 
de uma nascente, pela alimentação de 
rios ou pela erosão glacial (desgaste 
das rochas provocado pelo movimento 
das geleiras). Essa última explica a ori-
gem dos Grandes Lagos da América do 
Norte, que abrigam 27% da água doce 
proveniente de lagos do planeta.
Também são lagos os mares fechados, 
sem ligação com o oceano, como o Mar 
Cáspio – o maior lago do mundo, com 
área de 370 mil quilômetros quadrados – 
e o Mar Morto. Outro mar, o de Aral, 
enfrenta enorme desastre ambiental e 
perdeu cerca de 90% do volume total 
de água (veja mais na pág. 67).
Rios
São cursos naturais de água que se 
deslocam de um ponto mais alto (nas-
cente) até um nível mais baixo (foz ou 
desembocadura), onde lançam suas 
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58 GE GEOGRAFIA 2018
3 HIDROSFERA TSUNAMI
Ondas de 
destruição
Tremores provocados por 
fenômenos geológicos no 
fundo do mar dão origem 
aos terríveis tsunamis 
A palavra tsunami em japonês significa “onda de porto” e dá nome a um fenô-meno conhecido como maré de ter-
remoto. Os tsunamis são ondas gigantescas, 
com mais de 30 metros de altura, provocadas 
por perturbações nas profundezas do mar, 
como abalos sísmicos (maremotos), erupções 
vulcânicas ou deslizamentos no fundo oceâ-
nico (veja ao lado). Os tremores provocados 
por esses fenômenos geológicos propagam 
uma série de ondulações por grandes distân-
cias na superfície do oceano. Essas ondas são 
inicialmente bastante longas e baixas, não 
mais que 0,3 a 0,6 metro. Entretanto, a coisa 
se complica quando elas se aproximam da 
costa, onde a profundidade diminui e surge 
atrito com o fundo do oceano.
O resultado é que as ondas passam a ser 
comprimidas num espaço cada vez menor, 
o que as obriga a subir. Os tsunamis, então, 
formam uma coluna descomunal, sugando 
o mar da costa a ponto de deixar parte do 
solo oceânico descoberto. Esse é o último 
aviso. Minutos depois, eles chegam, em 
geral catastroficamente.
A CHEGADA DO TSUNAMI NA COSTA
Diferenças nas encostas do litoral podem suavizar ou aumentar o impacto
Um declive menos acentuado na beira-mar faz com que as ondas percam força, atenuando o tsunami
Uma maior profundidade na encosta joga as ondas para cima, amplificando sua potência
TUDO COMEÇA 
NO FUNDO DO MAR
Ondas gigantes são provocadas por 
três tipos de fenômeno
Erupções vulcânicas injetam 
toneladas de lava no chão oceânico, 
provocando ondas devastadoras 
Terremotos submarinos deslocam a 
crosta oceânica, empurrando a massa 
de água para cima
Uma imensa bolha de gás se 
forma no fundo do solo oceânico, 
surtindo o mesmo efeito de uma 
explosão descomunal
[3]
[4]
[1]
[2]
[5]
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59GE GEOGRAFIA 2018 
NATUREZA EM FÚRIA
INDONÉSIA
O PLANETA MOBILIZADO PELA ONDA GIGANTE 
A tragédia de 26 de dezembro de 2004 foi 
aindamais devastadora porque o Oceano 
Índico não tinha um sistema de aviso eficaz 
nem estava acostumado a esse tipo de onda. 
A alta densidade populacional das áreas atin-
gidas (15 países na Ásia e na África) também 
amplificou a catástrofe, que deixou 230 mil 
mortos. A Indonésia foi o país mais atingido – 
só na ilha de Sumatra morreram mais de 
170 mil pessoas.
O tsunami nasceu de um terremoto de 9 
pontos na escala Richter. A partir do epicen-
tro, a cerca de 160 quilômetros a oeste da 
ilha indonésia de Sumatra, surgiram ondas 
de 10 metros de altura, que viajavam a 800 
quilômetros por hora. 
A comoção diante da tragédia provocou 
uma mobilização mundial. Nações de todo o 
globo enviaram dinheiro, donativos e volun-
tários com rapidez sem precedentes.
NATUREZA EM FÚRIA
JAPÃO
O DESASTRE QUE GEROU 
UM ALERTA NUCLEAR
No dia 11 de março de 2011, o Japão sofreu 
o maior terremoto de sua história. O abalo 
de 9 pontos na escala Richter teve seu epi-
centro no oceano Pacífico, a 67 quilômetros 
da costa nordeste, provocando um tsunami 
devastador. As ondas viajaram a 800 quilô-
metros por hora, arrastando carros, barcos e 
edifícios. Cidades como Sendai e Ishi ficaram 
submersas em meio aos escombros.
Além de deixar pelo menos 9 mil mortos, 
o tsunami comprometeu o sistema de res-
friamento da usina atômica de Fukushima. 
O superaquecimento dos reatores provocou 
explosões, e houve vazamento de material ra-
dioativo. Enquanto milhares de desabrigados 
eram socorridos, o país ainda era ameaçado 
por uma catástrofe nuclear.
[6]
[7]
[1][2][3][4][5] NEWTON VERLANGIER/ REVISTA MUNDO ESTRANHO [6] KYODO PRESS/ AP [7] DUDI ANUNG/ AP
COSTA BRAVA Tsunami invade o litoral de Iwanuma, no norte do Japão, em março de 2011
CENÁRIO DESOLADOR A cidade de Meulaboh, na Indonésia, após a passagem do tsunami, em 2004
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60 GE GEOGRAFIA 2018
3 HIDROSFERA BACIAS HIDROGRÁFICAS DO BRASIL
O Brasil concentra mais de 
10% da água doce disponível na 
superfície do planeta. Descubra 
os meandros das águas que 
percorrem nosso país
Enquanto várias regiões do planeta são pouco privilegiadas em relação à disponibilidade de água, o Brasil 
não tem do que reclamar nesse quesito: 
nosso território concentra mais de 10% da 
água superficial disponível para consumo 
no mundo. Toda essa caudalosa riqueza 
está espalhada pelos milhares de rios que 
percorrem o país. A maioria desses rios 
nasce em regiões de altitude média – o 
Amazonas, que tem origem na cordilheira 
dos Andes, é uma das exceções. Uma 
característica importante é o predomínio 
de rios de planalto, o que permite bom 
aproveitamento hidrelétrico. 
O regime dos rios brasileiros é pluvial, 
ou seja, são alimentados pela água da chu-
va (o Amazonas é exceção, pois também 
recebe neve derretida dos Andes). Em 
virtude da predominância do clima tro-
pical no país, com bastante chuva, nossos 
rios são majoritariamente perenes (nunca 
secam). Desaguando no Oceano Atlântico 
ou em outros afluentes que correm para o 
mar, eles têm, em sua maioria, foz do tipo 
estuário: o canal se afunila, e as águas são 
lançadas livremente no oceano. Outro 
tipo de foz é o delta, em que aparecem 
ilhas na região do deságue. Há, ainda, a 
foz mista, como a do Amazonas. 
Apesar de a água ser abundante aqui no 
Brasil, o país não está livre do problema 
da falta de água. Isso porque as fontes na-
turais são mal distribuídas pelo território 
e há uma crônica má administração dos 
recursos hídricos (veja mais na pág. 64). 
O vasto emaranhado de afluentes na-
cionais está agrupado em oito grandes 
bacias hidrográficas. As bacias, por sua 
vez, reúnem-se em regiões hidrográficas 
para facilitar o planejamento ambiental 
e o uso racional dos recursos. Veja a se-
guir cada uma das oito grandes regiões 
hidrográficas do Brasil.
Território 
caudaloso
Fonte: IBGE
1
32
4
8A
8B
8E
8D
8C6
5
7
1. Região hidrográfica 
da Amazônia
Engloba a maior bacia hidrográfica 
do mundo, a Amazônica, com área de 
3,8 milhões de quilômetros quadrados 
em terras brasileiras, o equivalente a 
cerca de 60% do total (os outros 40% 
distribuem-se nos territórios de Peru, 
Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana 
e Bolívia). Seu curso principal nasce 
no Peru, com o nome de rio Vilcanota, 
e recebe depois as denominações de 
Ucaiali, Urubamba, Marañón e Ama-
zonas. Quando entra no Brasil, vira 
Solimões, até o encontro com o rio 
Negro; desse ponto até a foz, volta a 
se chamar Amazonas. Seus principais 
afluentes no Brasil são os rios Madeira, 
Tapajós e Xingu, na margem direita, e, 
na margem esquerda, Negro, Trombetas 
e Paru. Um estudo divulgado em 2008 
pelo Inpe mostrou que o rio Amazonas 
é o maior do mundo: o rio brasileiro 
tem 6.992 quilômetros de extensão, 
superando o rio Nilo, com 6.852 qui-
lômetros. A confirmação desses dados, 
contudo, ainda depende da aceitação de 
instituições geográficas internacionais. 
A bacia Amazônica tem mais de 
20 mil quilômetros de rios navegáveis. 
Hidrovias como a do Rio Madeira, que 
opera de Porto Velho a Itacoatiara, ser-
vem de escoadouro para a produção 
agrícola do Centro-Oeste.
2. Região hidrográfica 
dos rios Tocantins-Araguaia
Ocupando 921 mil quilômetros qua-
drados, essa área é definida pela bacia 
do Rio Tocantins. Ele nasce em Goiás 
e desemboca na foz do Rio Amazonas. 
Parte de seu potencial hidrelétrico é 
aproveitada pela usina de Tucuruí, no 
Pará. Já o Rio Araguaia nasce em Mato 
Grosso, na divisa com Goiás, unindo-se 
ao Rio Tocantins no extremo norte do 
estado do Tocantins.
3. Região hidrográfica 
do Rio São Francisco 
Possui uma área de 638 mil quilô-
metros quadrados e seu principal rio 
é o São Francisco, com cerca de 2,7 mil 
quilômetros de extensão. O Velho Chico 
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61GE GEOGRAFIA 2018 
SAIBA MAIS
BACIAS HIDROGRÁFICAS
Uma bacia hidrográfica compreende as águas 
superficiais (lagos, rios e seus afluentes e suba-
fluentes, além do escoamento das águas das 
chuvas) e também as águas subterrâneas. Em 
geral, as bacias hidrográficas são exorreicas, 
ou seja, suas águas escoam para os mares ou 
oceanos. As bacias endorreicas (aquelas em 
que as águas escoam para lagos ou pântanos) 
são menos frequentes. A foz é onde o rio de-
ságua – ela pode ser em estuário, se desem-
boca no mar em um único canal, ou em delta, 
quando é formado por vários canais do leito 
do rio. Veja na imagem ao lado os principais 
elementos da bacia hidrográfica.
nasce em Minas Gerais e percorre os 
estados da Bahia, de Pernambuco, Ala-
goas e Sergipe até a foz, na divisa entre 
esses dois últimos estados. É o maior 
rio totalmente localizado em território 
brasileiro, sendo essencial para a eco-
nomia das localidades que percorre 
– grande parte localizada em região 
semiárida – , pois permite a atividade 
agrícola em suas margens e oferece 
condições para a irrigação artificial de 
áreas mais distantes. Essa, inclusive, é 
uma das questões em debate em torno 
do projeto de transposição das águas 
do São Francisco (veja mais na pág. 64).
4. Região hidrográfica 
do Rio Parnaíba
Segunda principal região hídrica 
do Nordeste, atrás da região do São 
Francisco, ocupa uma área de 333 mil 
quilômetros quadrados, entre os esta-
dos do Ceará, Maranhão e Piauí. Ao 
desaguar no oceano Atlântico, fazendo 
a divisa do Piauí com o Maranhão, o 
Rio Parnaíba forma um delta oceânico. 
A piscicultura é a principal atividade 
econômica praticada no rio. 
5. Região hidrográfica 
do Rio Paraná
Abrangendo uma das áreas com o 
maior desenvolvimento econômico do 
país, a região da bacia do Paraná tem 
cerca de 880 mil quilômetros quadrados. 
O Rio Paraná, com quase 3 mil quilô-
metros de extensão, nasce na junção 
dos rios Paranaíba e Grande, na divisa 
entre Mato Grosso do Sul, Minas Gerais 
e São Paulo. Essa bacia apresenta o maior 
aproveitamento hídrico do Brasil, abri-
gando hidrelétricas como a de Itaipu. 
Afluentes do Paraná, como o Tietê e 
o Paranapanema, também têm grande 
potencial para gerar energia. Ahidrovia 
Tietê-Paraná é a mais antiga do país.
6. Região hidrográfica 
do Rio Paraguai
É constituída pela bacia brasileira do 
Rio Paraguai, abrigando a grande planí-
cie do Pantanal Mato-Grossense. Com 
sua nascente em território brasileiro, na 
Serra do Araporé, próximo de Cuiabá 
(MT), o Rio Paraguai ocupa uma região 
de 363 mil quilômetros quadrados no 
Brasil, correspondente a cerca de um 
terço da área total, e inclui também 
Argentina, Bolívia e Paraguai. Seus rios 
são muito usados para a navegação e 
para o consumo animal.
7. Região hidrográfica 
do Rio Uruguai
Com cerca de 274 mil quilômetros 
quadrados, é constituída pela parte 
brasileira da bacia do Uruguai, rio que 
surge da união dos rios Pelotas e Ca-
noas. Tem grande importância tanto 
pelo potencial hidrelétrico como pela 
concentração de atividades agroindus-
triais na região.
8. Região hidrográfica 
do Atlântico
Trata-se de um conjunto de várias pe-
quenas e médias bacias costeiras forma-
das por rios que deságuam no Atlântico, 
exceto os do Amapá, que fazem parte 
da região hidrográfica Amazônica. São 
cinco regiões:
a) A Atlântico Nordeste Ocidental, de 
274 mil quilômetros quadrados, abri-
ga os rios situados entre a foz do 
Gurupi (divisa Pará-Maranhão) e a 
do Rio Parnaíba (divisa Maranhão-
-Piauí).
b) A Atlântico Nordeste Oriental, de 
286 mil quilômetros quadrados, fica 
entre a foz do Parnaíba e a do São 
Francisco, na divisa entre Alagoas 
e Sergipe.
c) A Atlântico Leste, com 388 mil qui-
lômetros quadrados, vai da foz do São 
Francisco ao Rio Mucuri (extremo 
sul da Bahia).
d) A Atlântico Sudeste, com 215 mil 
quilômetros quadrados, vai do Mu-
curi à área da divisa entre São Paulo 
e Paraná.
e) Por fim, a Atlântico Sul abrange 
as bacias dos rios Itajaí, Capivari e 
aquelas ligadas ao Rio Guaíba e ao 
sistema lagunar do Rio Grande do 
Sul, somando 187 mil quilômetros 
quadrados de área.VEN
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62 GE GEOGRAFIA 2018
3 HIDROSFERA ESCASSEZ HÍDRICA NO MUNDO
Se hoje uma a cada nove pessoas no mundo não tem acesso à água potável em quantidade necessária 
para garantir sua saúde, é porque a ação 
do homem está interferindo direta-
mente nessa relação entre a oferta e a 
demanda de água potável. O aumento 
populacional, o consumo crescente, 
o desperdício, a contaminação dos 
mananciais e as alterações climáticas 
exercem grande pressão sobre as fontes 
de abastecimento de água.
A população mundial saltou de 2,5 
bilhões de pessoas em 1950 para mais de 
7 bilhões atualmente. E esse acelerado 
crescimento demográfico não signifi-
ca apenas maior consumo de água em 
nossas casas. Com mais gente no mun-
do, nossa sociedade precisa aumentar 
a produção no campo para produzir 
alimentos e na indústria para gerar 
os bens que consumimos. Como o de-
senvolvimento industrial e agropecuá- 
rio é hoje responsável pelo consumo de 
90% de toda a água utilizada pela huma-
nidade, é possível ter uma dimensão da 
pressão que esse aumento populacional 
exerce sobre as fontes hídricas.
O mundo tem sede
Entenda como a ação do homem pressiona as 
fontes de água e provoca disputas pelo controle 
de bacias hidrográficas no mundo
PARA IR ALÉM
O documentário Ouro Azul – As Guerras 
Mundiais pela Água, de Sam Bozzo, trata, 
por meio de entrevistas com especialistas 
de diversos países, da escassez hídrica em 
várias regiões do mundo e dos conflitos que 
podem surgir em razão da falta de água, 
com sérias implicações geopolíticas.
USO HUMANO DA ÁGUA
Subterrânea e superficial
Industrial
21% Agricultura
69%
Doméstico
10%
Fonte: National Geographic
Disputas por água
À medida que um bem tão essencial 
para a vida humana começa a se esgo-
tar, as disputas pelas fontes hídricas 
tornam-se mais frequentes. O maior 
foco de tensão é a exploração de rios 
e bacias hidrográficas que se espalham 
pelos territórios de diferentes países. 
Quais nações têm direito ao controle 
dessas águas? Qual é a forma mais justa 
de compartilhar os recursos hídricos?
Como não há resposta simples a es-
tas perguntas, as disputas envolvendo 
o controle de reservas hídricas já estão 
se tornando uma realidade em diversos 
lugares do mundo. Na Bacia do Rio Nilo, 
por exemplo, a construção de uma hi-
drelétrica pelo governo da Etiópia pode 
afetar o fluxo de água para outras nove 
nações africanas. Da mesma forma, uma 
barragem construída pela Turquia na 
Bacia do Tigre e do Eufrates é criticada 
pelas autoridades da Síria e do Iraque por 
diminuir a vazão desses rios. Por sua vez, 
o governo chinês também está erguendo 
hidrelétricas no Rio Mekong, afetando o 
abastecimento de água para países como 
Índia, Laos, Camboja e Vietnã.
PESCARIA 
PREJUDICADA 
No distrito de Long 
Phu, no Vietnã, a seca 
e a construção de 
barragens pela China 
afetam o fluxo de 
água do Rio Mekong
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63GE GEOGRAFIA 2018 
SAIBA MAIS
PEGADA HÍDRICA E 
ÁGUA VIRTUAL
Além da água que consumimos diretamente 
todos os dias para beber, cozinhar os nossos 
alimentos e fazer a higiene pessoal, gastamos 
outras centenas de litros indiretamente. Tudo 
o que utilizamos no dia a dia, como roupas, 
alimentos e eletrodomésticos, precisou de 
água para ser produzido. Para identificar a 
quantidade real de água utilizada, foi criado 
o conceito de “pegada hídrica”, que mede o 
consumo da chamada “água virtual”. Em pro-
dutos de origem animal, por exemplo, a maior 
parte da água virtual tem origem na produção 
da ração que alimenta a criação.
A ÁGUA ESTÁ PRESENTE EM TUDO O QUE CONSUMIMOS
Água virtual é a quantidade de água usada, direta ou indiretamente, na produção de algo. 
Veja quantos litros de água virtual existe em alguns produtos
Fontes: R.L.Carmo, A.L.R.O.Ojima, R.Ojima e T.T.Nascimento; Hoekstra e Chapagain e Water Footprint Network
32 litros
Microchip
(2 g)
140 litros
Xícara de café
(125 ml)
10 litros
Folha de papel A4
(80 g/m2)
2.000 litros
Camiseta de 
algodão (250 g)
135 litros
Ovo
(40 g)
200 litros
Copo de leite
(200 ml)
2.325 litros
Carne bovina
(150 g)
720 litros
Carne suína
(150 g)
8.000 litros
Par de sapatos 
de couro
Em produtos de 
origem animal, a 
maior parte da água 
virtual tem origem na 
produção da ração que 
alimenta a criação 
Fonte: Comprehensive Assessment of Water Management in Agriculture, 2007
Escassez hídrica física
Áreas onde o consumo humano já superou a 
capacidade de renovação natural, com extração de 
mais de 75% das águas das bacias hidrográficas
Próximo da escassez hídrica física 
Mais de 60% do fluxo dos rios dessas bacias é usado, 
e a população deve enfrentar a escassez física em 
breve
Sem dados disponíveis
Escassez hídrica econômica
Questões políticas e econômicas também limitam o 
acesso à água. Encontram-se nessa situação regiões 
em que menos de 20% da água disponível é 
aproveitada, enquanto os habitantes sofrem com 
desabastecimento por causa de conflitos ou falta de 
infraestrutura e saneamento 
Escassez hídrica pequena ou inexistente 
Ocorre em regiões ricas em recursos hídricos, com 
retirada inferior a 25% do total de água disponível
A ÁGUA DOCE NO MUNDO
Europa
7%Américas
46%
Ásia
32%
África
9% 
12%
Só o Brasil
Oceania
6%
ESCASSEZ HÍDRICA NO MUNDO
STR/AFP
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64 GE GEOGRAFIA 2018
HIDROSFERA ESCASSEZ HÍDRICA NO BRASIL
Acesso desigual
Seja por aspectos climáticos ou 
má gestão dos recursos hídricos, 
o Brasil também enfrenta o problema 
da seca. Veja a situação no Nordeste 
e no Sudeste, duas das regiões mais 
afetadas atualmente
M esmo concentrando cerca de 12% das reservas mundiais de água doce e sendo privilegiado por uma profusão de rios, 
o Brasil não está imune à escassez hídrica. Um 
dos problemas é que o precioso líquido não é 
distribuído de maneira uniforme pelo território 
nacional. Os estados do Norte, com somente 8% da 
população, têm quase 70% das reservas hídricas. 
Em compensação, o Nordeste, que concentra 28% 
da população, possui apenas 3% da água disponível 
e é a região mais afetada pela seca no país.
No Nordeste,a escassez hídrica está diretamente 
relacionada com o clima semiárido do sertão. A 
presença de uma massa quente e seca que estacio-
na na região durante longos períodos é responsável 
pela falta de chuvas. Alguns fenômenos climáticos 
sazonais, como a ocorrência do El Niño, podem 
agravar ainda mais a situação (veja mais na pág. 76). 
A seca no Nordeste é um fenômeno constatado 
desde o período colonial. Portanto, as autoridades 
ao longo das últimas décadas já poderiam ter 
desenvolvido políticas públicas eficazes para 
minimizar os efeitos da baixa pluviosidade. Con-
tudo, a construção de açudes, que permitem 
tornar perenes os rios intermitentes, e projetos de 
irrigação durante muitos anos beneficiou apenas 
grandes latifundiários em detrimento da popu-
lação mais duramente castigada – atitude que 
ajudou a cunhar o termo “indústria da seca”, ao 
perpetuar os problemas decorrentes da estiagem.
A transposição do Rio São Francisco 
Atualmente, a principal obra do governo federal 
para combater os efeitos da seca é a transposi-
ção do Rio São Francisco. Iniciadas em 2007, as 
obras têm como objetivo desviar uma pequena 
parcela de seu volume por meio de dutos e canais 
que devem abastecer rios menores e açudes que 
secam durante a estiagem no semiárido nordes-
tino. O governo acredita que a obra beneficiará 
12 milhões de pessoas e estimulará a agricultura 
nas áreas atingidas. Os críticos da transposição, 
porém, acreditam que poços profundos e cister-
nas (que são reservatórios para a captação de água 
da chuva) são alternativas mais eficazes e baratas 
para combater a seca, além de argumentar que 
PARA IR ALÉM
O documentário Entre 
Rios, de Caio Ferraz, trata 
da urbanização de São 
Paulo, pelo viés dos cursos 
d’água, desde a primeira 
vila até os dias atuais: 
www.youtube.com/
watch?v=Fwh-cZfWNIc.
VEN
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65GE GEOGRAFIA 2018 
o projeto não alcançará muitas comunidades e 
beneficiará principalmente os grandes fazendei-
ros. Existe ainda o temor de que o projeto cause 
impactos ambientais no Rio São Francisco. 
Em março de 2017, o eixo leste da obra foi 
inaugurado, levando as águas do “Velho Chico” 
para cidades de Pernambuco e da Paraíba. O go-
verno anunciou que a obra será concluída ainda 
em 2017 (veja o mapa na pág. ao lado).
A crise hídrica nas grandes metrópoles
Nem mesmo o Sudeste, caracterizado pela gran-
de presença de umidade, está imune à escassez de 
água. Uma grave crise hídrica atingiu todos os es-
tados da região em 2014 e 2015 e foi especialmente 
aguda em São Paulo e sua região metropolitana. 
Responsável pelo abastecimento de 8,8 milhões 
de pessoas, o Sistema Cantareira quase entrou 
em colapso, e o governo estadual foi obrigado a 
utilizar o chamado volume morto – uma reserva 
técnica que fica abaixo das comportas das represas. 
Ainda que a estiagem tenha contribuído para 
agravar a situação, a crise reflete a falta de plane-
jamento e investimentos no sistema de abasteci-
mento de água. Por isso, apesar de o pior da crise 
já ter sido superado, o setor ainda apresenta sérios 
problemas estruturais. Veja alguns dos principais 
entraves que o setor enfrenta na região:
� MANANCIAIS 
São todas as fontes 
de água, superficiais 
ou subterrâneas, que 
podem ser usadas 
para o abastecimento 
das populações. Isso 
inclui, por exemplo, 
rios, lagos, represas e 
lençóis freáticos
� Há pelo menos duas décadas, especialistas 
em recursos hídricos alertam que as regi-
ões metropolitanas devem criar medidas 
para atender ao aumento da demanda de 
água nessas regiões, fruto do crescimento 
populacional. Entretanto, as obras para 
aumentar a captação, o tratamento e a dis-
tribuição de água não foram realizadas ou 
foram feitas em ritmo muito abaixo do que 
seria necessário.
� A lentidão ou a conivência do poder pú-
blico na questão da ocupação das áreas de 
mananciais reduziu a capacidade de re-
posição da água em grandes reservatórios, 
como o da Cantareira e do Alto Tietê. Essa 
ocupação, fruto do crescimento desordenado 
das cidades, ocorreu com a implantação de 
áreas residenciais e comerciais (agrícolas e 
industriais), provocando desmatamento, im-
permeabilização do solo e poluição das águas. 
� Há fortes críticas de diversos setores da 
sociedade sobre o modelo de gestão públi-
co-privada dos recursos hídricos. Em São 
Paulo, a Sabesp é uma empresa de capital 
misto (51% sob controle do Estado e o res-
tante pertence a investidores privados), 
com ações negociadas na bolsa de valores. 
Esse modelo concretiza, portanto, a con-
cepção da água como mercadoria voltada 
para a obtenção de lucro, e não como um 
bem universal e direito de todos.
� A lentidão ou inexistência de programas de 
despoluição das águas dos rios e lagos em 
áreas urbanas restringe as fontes de água 
para o abastecimento público. A coleta de 
esgoto, serviço cobrado pelas empresas que 
fazem a distribuição da água, atende apenas 
a 65% da população (veja mais na pág. 66).
SÓ A CARCAÇA 
O município de Olho d'Água 
do Casado (AL) é um dos 
mais atingidos pela severa 
estiagem que castiga o 
sertão do Nordeste: sem 
água, agricultores perdem 
a lavoura e o rebanho
TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO
0 100
Escala (em km)
50
PERNAMBUCO
BAHIA
CEARÁ
ALAGOAS
SERGIPE
PARAÍBA
Ri
o 
Pi
ra
nh
as
-A
çu
Oceano 
Atlântico
Rio Brígida
Ri
o M
ox
ot
ó
Rio Paraíba
Rio
 do
 Pe
ixeR
io
 Ja
gu
ar
ib
e
R
io
 S
al
g
ad
o
Ri
o 
Ap
od
i
Eixo Norte*
99 m3/s
Eixo Leste*
28 m3/s
Cabrobó
RIO G. 
DO NORTE
Rio São Francisco
Locais de captação
Canais em construção
Rios receptores
* Vazão máxima
Floresta
ADOLFO SANTOS SONTERIA/FOLHAPRESS
VEN
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3
66 GE GEOGRAFIA 2018
HIDROSFERA POLUIÇÃO HÍDRICA
A pesar da evidente importância da água para a nossa sobrevivência e para as inúmeras atividades humanas, como 
produção de alimentos, lazer e transporte, um 
dos maiores desafios ambientais da atualidade 
diz respeito à contaminação das fontes hídricas. 
A poluição das águas é causada, sobretudo, pelo 
lançamento de dejetos industriais e agrícolas, 
esgoto doméstico e resíduos sólidos. Isso com-
promete a qualidade das águas superficiais e 
subterrâneas em inúmeros pontos do planeta. 
Segundo estimativas da Organização Mundial 
de Saúde (OMS), 663 milhões de pessoas ainda 
consomem água imprópria e em torno de 2,4 
bilhões de pessoas não possuem esgotamento 
sanitário – um terço da população mundial. 
Além de indisponibilizar mananciais que 
poderiam ser utilizados para o consumo de 
água potável pela população, a contaminação 
das águas está relacionada à transmissão de 
diferentes tipos de doenças que, juntas, causam 
1,5 milhão de mortes por ano no mundo – as 
maiores vítimas são as crianças de países pobres 
e em desenvolvimento. Os ecossistemas também 
são gravemente afetados pela poluição hídrica, 
Águas turvas
A contaminação das fontes hídricas, 
que deteriora os ecossistemas e 
provoca milhares de mortes no 
mundo, é um dos grandes desafios 
ambientais da atualidade
COLETA DE ESGOTO NO BRASIL (2015)*
Percentual de domicílios atendidos
NorteBrasil Nordeste Centro-
Oeste
Sudeste Sul 
Fonte: PNAD 2015
*Ligados na rede geral, com e sem fossa séptica
65,3%
22,6%
42,9%
53,2%
88,6%
65,1%
ESGOTAMENTO SANITÁRIO NO MUNDO (2015)
População com o mínimo de condições, em faixas de % por país
Fonte: Organização Mundial da Saúde
91–100%
76–90%
50–75%
menos de 50%
sem dados
que compromete a fauna e a flora aquática. 
Veja a seguir as principais atividades humanas 
responsáveis pela poluição das águas. 
A precariedade do saneamento básico
A falta de coleta e tratamento de esgotos in-
dustriais e domésticos, sobretudo nas grandes 
áreas urbanas, representa uma séria ameaça a 
rios, lagos e represas. Esses ambientes sofrem 
o fenômeno conhecido como eutrofização: os 
esgotos domésticos, ricos em matéria orgânica, 
quando são lançados na água, geram um excesso 
de nutrientes que provoca o crescimento acele-
rado de plantas e algas aquáticas.Estas, por sua 
vez, impedem a passagem de luz e a transferência 
de oxigênio para o meio aquático, favorecendo o 
desenvolvimento de bactérias anaeróbias.
No Brasil, de acordo com dados do IBGE de 
2015, eram atendidos com coleta de esgoto por 
rede canalizada 44,5 milhões de domicílios, nos 
5.570 municípios do país – o que representa 
65,3% do total. Ou seja, um terço das residên-
cias brasileiras não são atendidas por serviços 
de coleta de esgoto. Segundo o Instituto Trata 
Brasil e o Conselho Empresarial Brasileiro para 
o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), em 
2014 apenas 12 dos 100 maiores municípios 
brasileiros haviam cumprido as exigências do 
Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB), 
que prevê ações de abastecimento de água, 
tratamento de esgotos, coleta e tratamento de 
resíduos sólidos e manejo das águas pluviais 
urbanas. Nota-se, ainda, grandes disparidade 
entre as regiões quanto à coleta de esgoto (veja 
o gráfico abaixo).VEN
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67GE GEOGRAFIA 2018 
Descarga no mar de dejetos 
industriais e urbanos
Área poluída pela 
circulação de petróleo
Mares e lagos poluídos
Mares e lagos bastante poluídos
OCEANO ATLÂNTICO
OCEANO PACÍFICO
OCEANO PACÍFICO
OCEANO ÍNDICO
OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO
Gr
ee
nw
ic
h Círculo Polar Antártico
Trópico de Câncer
Trópico de Capricórnio
Equador 
OCEANO GLACIAL ÁRTICO
Círculo Polar Ártico
0 2.500 5.000 km
N
POLUIÇÃO DAS ÁGUAS (2007)
Fonte: ilustração de Alex Argozino, baseado em mapa publicado no Atlas Geográfico: Espaço Mundial (Editora Moderna).
CONTAMINAÇÃO 
INTEROCEÂNICA 
O uso de adubos químicos 
nas lavouras, que é escoado 
no litoral, e a deposição de 
material não biodegradável 
respondem por grande parte 
da poluição nas áreas 
costeiras. Veja também como o 
transporte marítimo deixa um 
rastro de petróleo por onde 
passam os cargueiros.
� COMMODITIES 
São produtos de 
origem mineral 
(petróleo, minério de 
ferro, alumínio, entre 
outros) ou agrícola 
(soja, milho, algodão, 
etc.) negociados nas 
bolsas de valores no 
mercado internacional
SAIBA MAIS
A CATÁSTROFE DO MAR DE ARAL 
Além de contaminar os mananciais, a agroindústria 
também provoca enorme desperdício de água. Quando 
mal planejada, a irrigação pode dar origem a catástrofes 
ambientais extremas. É o que aconteceu no Mar de Aral. 
Encravado entre o Uzbequistão e o Cazaquistão, na Ásia 
Central, o Aral ocupava uma área de 68 mil quilômetros 
quadrados – pouco maior que o estado do Rio de Janeiro. 
O desastre começou a se formar nos anos 1960, com o 
desvio dos rios Amu e Syr para irrigar as lavouras da 
antiga União Soviética. Passados quase 50 anos, o Aral 
perdeu 90% do volume de água. Entre outras consequên-
cias, o recuo ampliou as áreas desérticas e o processo 
de salinização decorrente da irrigação mal planejada 
diminuiu drasticamente a flora e a fauna locais. Em 2014, 
a parte oriental do Mar de Aral secou completamente.
1977 2016
NASA
A deposição de lixo e 
vazamentos nos oceanos
Os oceanos são os principais “corredores” do 
transporte mundial de mercadorias e matérias-
-primas. Os milhares de navios cargueiros e de 
pesca industrial provocam, nas rotas mais utili-
zadas, a poluição das águas com vazamentos de 
combustíveis e deposição de lixo (veja o mapa). 
Outras fontes de resíduos sólidos nos oceanos, 
principalmente de plásticos e outros materiais 
não biodegradáveis, são as cidades litorâneas e 
a descarga de rios poluídos nas águas oceânicas.
Os vazamentos de petróleo que ocorrem com 
certa frequência nos poços explorados no assoa-
lho oceânico também estão entre as principais 
fontes poluidoras dos oceanos. 
O uso de adubos químicos e de 
agrotóxicos na produção agrícola
A agricultura comercial, voltada para a produ-
ção de commodities comercializadas em escala 
global, utiliza toneladas de adubos químicos para 
aumentar a produtividade e de produtos tóxicos 
para controlar a proliferação de pragas (insetos, 
doenças e plantas indesejadas) nas lavouras. 
Além de contaminar os solos (veja mais na pág. 
44), o uso desses produtos dá origem ao pro-
cesso de fertilização artifi cial das águas de rios, 
lagos e oceanos com nutrientes, principalmente 
nitrogênio e fósforo. É o mesmo fenômeno da 
eutrofi zação, verifi cado na poluição por esgoto 
doméstico. Estudos mostram que o Aquífero 
Guarani, um dos maiores reservatórios de água 
doce do mundo, apresenta elevado grau de con-
taminação por agrotóxicos.
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68 GE GEOGRAFIA 2018
COMO CAI NA PROVA3
1. (Unesp 2017) A Pegada Hídrica é uma ferramenta de gestão de recursos 
hídricos que indica o consumo de água doce com base em seus usos direto e 
indireto. “Precisamos desconstruir a percepção de que a água vem apenas da 
torneira (um uso direto) e que simplesmente consertar um pequeno vazamento 
é o bastante para assumir uma atitude sustentável”, ressalta Albano Araujo, 
coordenador da Estratégia de Água Doce da Nature Conservancy.
www.wwf.org.br. Adaptado
Considerando o excerto e os conhecimentos acerca do consumo de água no 
planeta, é correto afi rmar que o uso indireto de água doce corresponde
a) à comercialização de água sob a forma de produto fi nal. 
b) ao emprego de água extraída de reservas subterrâneas para o abastecimento 
público. 
c) à quantidade de água utilizada para a fabricação de bens de consumo. 
d) ao aproveitamento doméstico da água resultante de processos de despoluição. 
e) à distribuição de água oriunda de represas distantes do consumidor fi nal. 
RESOLUÇÃO
O consumo direto da água está relacionado ao uso do líquido para ações como beber, 
cozinhar e lavar. No entanto, para dimensionar com maior precisão o consumo 
de água no mundo, é preciso levar em consideração o uso indireto do líquido, ou 
seja, a quantidade de água que foi utilizada para a produção e consumo de bens e 
serviços – só a agricultura e a indústria são responsáveis por 90% do uso da água 
em todo o mundo. A água usada, direta ou indiretamente na produção de bens e 
serviços, também é chamada de água virtual.
Resposta: C
2. (UEL 2017)
\
Disponível em:<http://projects.inweh.unu.edu/inweh/inweh/content/3128>. Acesso em: 30 jul. 2016.
Com base no mapa acima e nos conhecimentos sobre a bacia hidrográfi ca 
do Rio São Francisco, ou do “Velho Chico”, como é conhecido, responda aos 
itens a seguir.
a) Descreva duas características físicas que conferem importância econômica 
e social a esse contexto geográfi co.
b) Cite uma das problemáticas ambientais e analise suas implicações para os 
diferentes usuários do “Velho Chico”. 
RESOLUÇÃO
a) O Rio São Francisco é perene, ou seja, ele dispõe de água durante todo o seu 
percurso, nunca secando, mesmo nos períodos de maior estiagem. O “Velho Chico” 
nasce em Minas Gerais na Serra da Canastra (área de clima tropical de altitude), 
percorre cinco estados e atravessa o Sertão do Nordeste com clima semiárido. A 
bacia é margeada por diferentes biomas – Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, além 
de biomas costeiros e insulares –, o que lhe confere grande diversidade ambiental. 
Devido a essas características, o rio possibilita grande aproveitamento econômico 
e exerce importante papel social. É vital para o abastecimento humano de água, a 
agricultura irrigada, o transporte (hidrovia) e a geração de energia (hidrelétricas). 
b) A bacia hidrográfi ca do Rio São Francisco sofreu intensa degradação ambiental 
nas últimas décadas. Entre os problemas: lançamento de esgotos domésticos sem 
tratamento, deposição de resíduos industriais, despejo de lixo, lançamento de 
resíduos de mineração, devastação das matas ciliares e assoreamento. Assim, é 
fundamental investir na revitalização da bacia do São Francisco, inclusive para 
viabilizar no médio e longo prazo os benefícios do projeto de transposição. 
3. (Mackenzie 2014)
RISCO DE ESCASSEZ DE ÁGUA EM DIFERENTES PAÍSES DO MUNDO
Fonte: http://www.mlit.go.jp/english/2006/c_l_and_w_bureau/01_worldwater/
 Diferentes estudos avaliam o potencial risco da escassezde água no mundo. De 
um modo geral, esses estudos comparam a oferta de água doce disponível aos 
diferentes tipos de consumo pelas sociedades humanas. Além disso, são feitas 
estimativas de crescimento demográfi co e econômico para se estabelecer o grau 
de segurança futura para cada país ou região. Com base nessas informações e 
seus conhecimentos a respeito do tema, considere as afi rmações:
I. O baixo risco de escassez no Egito, Sudão e Líbia se justifi ca pela abundância de 
água do Nilo, cuja bacia detém o maior volume d’água do continente africano.
II. A região metropolitana de São Paulo tem riscos devido ao desperdício, os 
vazamentos na distribuição, o comprometimento dos mananciais e o elevado 
consumo, apesar da situação relativamente confortável do Brasil em relação 
a países como Índia e Peru.
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III. A Europa Oriental, a China e o México apresentam riscos de escassez maiores 
do que o Brasil, em razão de consideráveis contingentes populacionais em 
áreas urbanas e produção industrial diversifi cada, setores que consomem 
mais água do que a agropecuária em todo o mundo.
Assinale a alternativa correta. 
a) Apenas a afi rmação I está correta. 
b) Apenas a afi rmação II está correta. 
c) Apenas a afi rmação III está correta. 
d) Apenas as afi rmações I e II estão corretas. 
e) Apenas as afi rmações II e III estão corretas. 
RESOLUÇÃO
A afi rmação I está incorreta. O risco de escassez nas áreas citadas é elevado em razão 
da presença do clima desértico na região, exemplifi cado pela presença do extenso 
Deserto do Saara. Além, disso o Rio Nilo, embora não seja um rio intermitente, não 
é garantia de abastecimento aos países assinalados. A construção de barragens ao 
longo de seu curso para a geração de energia hidrelétrica também pode afetar o fl uxo 
das águas do Nilo para os países da região.
A afi rmação II é correta, pois aponta os problemas que prejudicam a oferta de água da 
região metropolitana de São Paulo, onde ocorrem desperdício e ocupação irregular 
dos mananciais, diminuindo a oferta de água. 
A afi rmação III é incorreta. Apesar de apontar adequadamente que os riscos de escas-
sez hídrica na Europa Oriental, na China e no México são maiores do que no Brasil, 
o setor que mais consome água em escala mundial é o agropecuário e não o industrial.
Resposta: B
� SAIBA MAIS
GRANDES RESERVATÓRIOS DE ÁGUA MUNDO
Veja a seguir quais são as principais bacias hidrográficas do mundo:
1. Yukon
2. Mackenzie
3. Nelson
4. Mississipi
5. St. Lawrence
6. Amazônica
7. Paraná
8. Níger
9. Bacia do Lago Chade
10. Congo
11. Nilo
12. Zambezi
13. Volga
14. Ob
15. Yenisey
16. Lena
17. Kolyma
18. Amur
19. Ganges 
 e Brahmaputra
20. Yangtze
21. Murray Darling
22. Huang He
23. Indo
24. Tigre e Eufrates
25. Danúbio
26. Orange
RESUMO
Hidrosfera
HIDROSFERA É o conjunto de toda a água presente no planeta, 
que corresponde a cerca de 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos 
e cobre mais de 70% da superfície do globo. 
CICLO HIDROLÓGICO É o processo pelo qual a água circula 
entre a superfície da Terra e a atmosfera. A energia solar pro-
voca a evaporação da água, que passa para o estado gasoso 
e chega à atmosfera. Esse vapor de água se transforma em 
nuvem, que se condensa, dando origem às chuvas. As gotas de 
água atingem os continentes e são escoadas para rios, lagos 
e oceanos e também se infiltram no solo.
ÁGUA SALGADA A água salgada representa 97,5% de toda 
a hidrosfera. Esse volume se divide em oceanos e mares. 
Os oceanos são grandes áreas de água salgada delimitadas 
pelos continentes. Os mares são blocos menores de água e são 
classificados conforme sua relação com os oceanos. Podem 
ser de três tipos: abertos, continentais e fechados.
ÁGUA DOCE Apenas 2,5% de toda a hidrosfera corresponde 
a água doce. Desse total, quase 70% estão congelados em 
geleiras ou calotas polares. O volume de água disponível para 
o consumo humano, presente em lençóis subterrâneos, lagos 
e rios, não chega a 1% da hidrosfera.
BACIAS HIDROGRÁFICAS DO BRASIL O território brasileiro 
concentra mais de 12% da água doce superficial do planeta. 
O Brasil apresenta oito grandes regiões hidrográficas: Amazô-
nica (a maior do mundo), dos rios Tocantins-Araguaia, do São 
Francisco, do Rio Parnaíba, do Rio Paraná, do Rio Paraguai, do 
Rio Uruguai e do Atlântico.
ESCASSEZ DE ÁGUA A distribuição de água no planeta é irre-
gular, com regiões onde há abundância (como a Amazônia) e 
outras que sofrem com a escassez (como trechos da África). 
Cerca de 2,4 bilhões de pessoas não têm acesso à água limpa. 
Isso se deve principalmente ao mau gerenciamento das fontes 
naturais, como a ocupação ilegal dos mananciais. Além disso, 
há uma superexploração das reservas hídricas. Somente a 
agricultura consome 69% da água doce disponível – a indústria 
absorve 21% e o uso doméstico representa 10%. 
ESCASSEZ DE ÁGUA NO BRASIL A água por aqui é abundante, 
mas mal distribuída. O Nordeste tem 28% da população, mas 
apenas 3% da água disponível. Atualmente, as regiões Nordeste 
e Sudeste enfrentam grave escassez hídrica em função da falta 
de chuva e da má gestão das fontes de água.
POLUIÇÃO DAS ÁGUAS Os rios e lagos são ameaçados pelo 
lançamento de dejetos industriais e agrícolas, esgoto doméstico 
e resíduos sólidos. Cerca de um terço da população mundial 
não dispõe de água suficiente para o saneamento básico.
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70 GE GEOGRAFIA 2018
ATMOSFERA
4 CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO� Camadas da atmosfera ..................................................................................72� Meteorologia .....................................................................................................73
� El Niño e La Niña .............................................................................................76
� Ciclone .................................................................................................................77
� Climas do mundo .............................................................................................78
� Climas do Brasil ................................................................................................80
� Poluição do ar ...................................................................................................82
� Aquecimento global ........................................................................................84
� Os efeitos das mudanças climáticas .........................................................86
� Energias renováveis .......................................................................................88
� Protocolo de Kyoto e Acordo de Paris .......................................................90
� Como cai na prova + Resumo .......................................................................92
“O conceito de aquecimento global foi criado pelos chineses e para os chineses com o objetivo de tornar 
a indústria dos Estados Unidos não competi-
tiva.” A afirmação foi postada no Twitter em 
novembro de 2012 pelo magnata Donald Trump, 
o homem que, quatro anos depois, seria eleito 
presidente dos Estados Unidos (EUA). Con-
siderado um cético das mudanças climáticas, 
Trump faz parte de um grupo de indivíduos que 
não acredita que a elevação da temperatura do 
planeta seja fruto da ação humana. 
De acordo com o novo presidente, as ações de 
contenção ao aquecimento global são um obstácu-
lo para o desenvolvimento da economia dos EUA. 
Por isso, não causou surpresa a decisão de Trump 
de revisar o Plano de Energia Limpa, em março de 
2017. Lançado pelo seu antecessor, Barack Obama, 
o plano restringia o uso de combustíveis fósseis nas 
usinas termelétricas dos EUA e era considerado 
o principal legado ambiental do ex-presidente. 
Com o decreto assinado por Trump, as usinas 
podem voltar a utilizar carvão, petróleo e gás 
sem restrições. Além disso, o presidente dos 
EUA revogou a moratória sobre a mineração e 
a construção de novas usinas de carvão. Essas 
decisões tendema impulsionar ainda mais a 
emissão de gases do efeito estufa pelos EUA.
Outra preocupação dos ambientalistas diz 
respeito à promessa de Trump de retirar os 
EUA do Acordo de Paris, o pacto contra o aque-
cimento global firmado por 195 países em 2015. 
O objetivo do acordo é limitar o aumento da 
temperatura no final deste século. Para isso, os 
países signatários se comprometeram a adotar 
medidas para reduzir a emissão de gases de 
efeito estufa, a principal causa da elevação da 
temperatura. O compromisso, no entanto, é 
voluntário e cada país define sua meta.
A participação norte-americana no Acordo de 
Paris é vital para que o pacto tenha êxito. Primeiro, 
porque os EUA são um dos maiores poluidores 
globais. Além disso, o acordo prevê que os países 
ricos garantam um financiamento anual de 100 
bilhões de dólares para as nações mais vulneráveis 
investirem em energias limpas – e a contribuição 
dos EUA é essencial.
Neste capítulo, apro-
fundamos a discussão 
acerca dos efeitos da 
ação humana sobre o 
aquecimento global e 
discutimos outros as-
suntos referentes ao 
clima e à meteorologia 
do Brasil e do mundo.
Ao assumir a presidência dos Estados Unidos, Donald 
Trump impulsiona o uso de combustíveis fósseis nas usinas 
termelétricas e ameaça abandonar o Acordo de Paris
Um cético do 
clima no poder
EFEITO TRUMP 
O presidente dos EUA, 
Donald Trump, apresenta 
o decreto que elimina 
as restrições ao uso de 
combustíveis fósseis pelas 
usinas norte-americanas, 
em março de 2017
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71GE GEOGRAFIA 2018 CARLOS BARRIA/REUTERS
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72 GE GEOGRAFIA 2018
ATMOSFERA CAMADAS DA ATMOSFERA 
F oi da junção de duas palavras gregas, atmós (vapor) e sphaîra (esfera), que nasceu o nome da 
estrutura de gás que envolve um saté-
lite ou planeta: a atmosfera. Na Terra, 
essa “esfera de vapores” é composta de 
diversas camadas e, em sua porção mais 
densa, chega a até 600 quilômetros de 
altitude a partir do nível do mar. É uma 
espessura considerável, mas quase ir-
Vapor 
essencial
Explore as diversas camadas 
da atmosfera, a invisível esfera 
de gás que envolve a Terra e 
garante a existência de vida 
no planeta
risória se considerarmos o tamanho do 
globo terrestre, de aproximadamente 
12,8 mil quilômetros de diâmetro. Mas, 
independentemente de sua espessura, a 
atmosfera é essencial para a vida. Além 
de conter o oxigênio que respiramos, 
ela mantém a Terra quente, protege os 
seres vivos dos raios ultravioleta vin-
dos do Sol e funciona como um escudo 
contra meteoritos.
Há vários critérios pelos quais pode-
mos classifi car a atmosfera. A divisão 
mais conhecida, feita de acordo com as 
variações de temperatura conforme a 
altitude, reparte a atmosfera em cinco ca-
madas distintas: troposfera, estratosfera, 
mesosfera, termosfera e exosfera. Veja as 
principais características de cada uma:
AS CAMADAS DA ATMOSFERA
MESOSFERA
A camada mais fria da 
atmosfera fi ca entre 
50 e 90 quilômetros de 
altitude. Sua temperatura 
diminui conforme 
subimos: parte de -15 0C 
na divisa com a 
estratosfera e chega a 
-120 0C. É onde ocorrem as 
estrelas cadentes.
TROPOSFERA
A camada inferior da 
atmosfera vai do nível 
do mar até cerca de 12 
quilômetros de altitude. 
Sua temperatura atinge 
-60 ºC na parte superior. 
Nessa faixa acontece a 
maioria dos fenômenos 
climáticos.
ESTRATOSFERA
Vai até 50 quilômetros 
acima do nível do mar. 
Sua temperatura sobe 
com o aumento de 
altitude: começa em 
-60 ºC e vai até -15 ºC. 
É onde fi ca a camada 
de ozônio.
TERMOSFERA
Camada mais extensa 
da atmosfera, ela parte 
dos 90 e chega aos 600 
quilômetros de altitude. 
Também é a mais quente: 
na parte superior, chega 
a 2.000 0C. É nessa faixa 
que orbitam os ônibus 
espaciais. FAIXAS DE 
TRANSIÇÃO
Entre as camadas 
da atmosfera, há 
regiões fronteiriças 
que apresentam 
características 
de transição. São 
elas: a tropopausa, 
a estratopausa, 
a mesopausa e a 
termopausa.
600 km
2.000˚C
90 km
-120˚C
50 km
-15˚C
20 km
-60˚C
CAMADA DE OZÔNIO
ESTRATOPAUSA
TERMOPAUSA
Balões 
meteorológicos
Poluentes
Refl exão das 
ondas de rádio
Balões 
tripulados 
Monte Everest
8.844 m 
Nuvens geradas 
por explosões 
atômicas 
Aviões a jato 
Satélite 
artifi cial
Estação
espacial
Cortinas
iluminadas
Estrelas 
cadentes
[1]
TROPOPAUSA
MESOPAUSA
EXOSFERA
É a última camada da 
atmosfera, na fronteira 
com o espaço sideral. 
Nela, as moléculas 
tornam-se cada vez mais 
rarefeitas, libertando-se 
da gravidade terrestre. 
O fi nal da exosfera 
pode chegar a 
10 mil quilômetros. 
As medições indicam 
que a temperatura dessa 
região fi que em torno 
de 1.600 0C.VEN
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73GE GEOGRAFIA 2018 
ATMOSFERA METEOROLOGIA
A meteorologia é a ciência que estuda a atmos-fera terrestre e seus principais fenômenos. Trata-se de uma ciência muito complexa, 
já que a atmosfera é bastante extensa e instável. 
Mas o grau de precisão da previsão do tempo 
evoluiu muito desde a construção dos primeiros 
termômetros no século XVI. Os meteorologistas 
contam hoje com instrumentos como satélites, 
radares, boias marítimas e balões atmosféricos 
para estudar os mais variados fenômenos através 
da análise de dados em supercomputadores.
Os boletins meteorológicos são essenciais para 
o controle do tráfego de aviões, para a agricultura, 
para o gerenciamento de recursos hídricos e para 
situações menos rotineiras, como a chegada de 
furacões. A seguir, confi ra um mapeamento dos 
principais fenômenos atmosféricos estudados 
pelos meteorologistas.
Tudo o que 
vem do céu
Conheça os fenômenos que 
movimentam a atmosfera 
terrestre e são objeto de estudo 
dos meteorologistas
Nuvem
É um agregado de gotículas de água, de cristais 
de gelo, ou uma combinação dos dois. As nuvens 
são formadas principalmente pelo movimento 
ascendente do ar úmido: o vapor-d’água conden-
sa quando a temperatura diminui até o ponto de 
orvalho. Elas são classifi cadas em vários tipos, 
de acordo com o aspecto, a estrutura e a forma.
Chuva
É a precipitação de água em forma líquida, 
com gotas de diâmetro maior que 0,5 milímetro. 
Existem três tipos de chuva. 
A chuva de convecção é resultante da as-
censão do vapor-d’água das partes mais baixas 
da atmosfera – mais aquecido, ele esfria e se 
condensa à medida que sobe. É o caso das pan-
cadas de chuva que ocorrem durante o verão na 
região Sudeste do país. 
A chuva frontal é o resultado do encontro de 
duas massas de ar de diferentes temperaturas e 
umidades: a massa fria e seca empurra para cima 
a massa quente e úmida, que esfria e provoca 
a precipitação. Esse tipo de chuva é típico das 
regiões de clima temperado. 
A chuva orográfi ca ou de relevo ocorre 
quando a massa de ar sobe por causa de algum 
obstáculo de relevo, como uma montanha – a 
FECHOU O TEMPO
Tempestade se aproxima de 
Queensland, na Austrália, 
trazendo chuvas intensas 
e descargas elétricas: 
fenômeno comum em 
regiões de clima tropical
[2]
[1] MKANNO/MULTISP [2] iSTOCK PHOTO
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74 GE GEOGRAFIA 2018
ATMOSFERA METEOROLOGIA
queda de temperatura, na ascensão, provoca a 
condensação do vapor. Essa chuva é comum nas 
áreas próximas ao litoral do Nordeste e do Su-
deste, que recebem massas úmidas do Atlântico. 
Neve, granizo e geada
Um dos mais belos fenômenos atmosféri-
cos, a neve é fruto da precipitação de cristais 
de gelo, geralmente agrupados em fl ocos, que 
são formados pelo congelamento do vapor-
-d’água suspenso na atmosfera. O granizo, por 
sua vez, é o cristal de gelo que, por causa de 
fortes correntes ascendentes dentro da nuvem, 
acaba subindo e caindo várias vezes, até ganhar 
volume e se precipitar de vez. Por fi m, a geada 
nada mais é que orvalho congelado, que, sob a 
forma de uma fi ninha camada branca, cobre as 
superfícies onde cai.
Vento
Trata-se do deslocamento de ar, geralmente na 
horizontal, de um ponto de pressão atmosférica 
mais alta para outro onde ela é mais baixa. As 
diferenças de pressão, causadoras dos ventos, 
estão relacionadasà temperatura. A brisa nas 
regiões litorâneas é um bom exemplo disso: o 
continente e o mar concentram calor de ma-
neiras diferentes, e isso faz o vento mudar de 
direção conforme o período do dia.
Massa de ar
Trata-se de um corpo de ar com características 
próprias de umidade, pressão e temperatura. 
Essas características dependem das diferentes 
regiões da superfície terrestre em que as massas 
se formam: caso ocorra nos polos, serão frias 
e secas; se se formarem nas áreas oceânicas 
tropicais, serão quentes e úmidas. 
A borda de uma massa de ar frio que avança 
em direção a outra mais quente, provocando 
quedas bruscas de temperatura, é chamada de 
frente fria. Trata-se de um mecanismo natu-
ral da atmosfera para compensar diferenças 
de temperatura no planeta. Avançando com 
velocidades de até 30 km/h, o ar frio e seco, 
mais denso, empurra a massa quente e leve 
para cima. Se houver umidade sufi ciente, a 
passagem da frente causará chuvas intensas, 
com direito a granizo, raios e trovões. As mais 
severas podem provocar quedas de até 10 ºC 
em apenas uma hora. 
No Brasil, as regiões mais atingidas pelo fe-
nômeno são a Sudeste e a Sul, onde também 
podem ocorrer geadas. Isso acontece porque, 
na América do Sul, a maioria das frentes frias 
se origina nas latitudes médias, ao extremo sul 
do continente. Com seu avanço, contudo, as 
frentes perdem energia e velocidade, e o contato 
VENTOS ALÍSIOS E A ZONA DE CONVERGÊNCIA
A circulação dos ventos em escala global tem grande influência nos tipos 
de clima, sobretudo na circulação das massas de ar e, consequentemente, na 
formação e no volume das chuvas nas diferentes regiões do globo. Toda essa 
troca de ar entre as camadas mais baixas e mais altas da troposfera, bem como 
entre diferentes latitudes, dão origem a “células” de circulação do ar em escala 
global, denominadas células de Hadley. 
Nas baixas latitudes, em regiões próximas à linha do Equador, o ar tende a 
subir por ser mais aquecido e menos denso. No alto da troposfera, essas cor-
rentes de ar são impulsionadas para latitudes maiores, próximas aos trópicos 
de Câncer e Capricórnio, onde se resfriam e tornam a descer para a superfície, 
em direção à região equatorial. Esses ventos, denominados alísios, são úmidos 
e provocam chuva.
Os alísios sofrem um desvio em função do movimento de rotação da Terra: 
no Hemisfério Sul, eles vêm do sudeste e, no Hemisfério Norte, partem do 
nordeste. Esse fenômeno é conhecido como efeito de Coriólis. Nas latitudes 
maiores, ocorrem movimentos semelhantes, porém com sentido contrário ao 
da região intertropical.
A faixa onde ocorre o encontro dos ventos alísios provenientes do Hemisfério 
Norte e do Hemisfério Sul é denominada Zona de Convergência dos Ventos Alí-
sios. Essa faixa não está exatamente sobre a linha do Equador pois acompanha 
a variação das estações do ano: quando é verão no Hemisfério Norte, ele se 
forma mais ao norte e, ao contrário, move-se mais para o sul quando é verão 
nesse hemisfério. A Zona de Convergência, associada a outros fatores, como a 
temperatura das águas oceânicas e a circulação das massas de ar locais, pode 
favorecer a formação de chuvas, visto que é onde se encontram os ventos 
úmidos dos dois hemisférios na região intertropical. 
Veja na ilustração abaixo como são formados os ventos alísios:
Células de Hadley
Zona de camadas 
equatoriais
NE
Ventos 
alísios
SE 
Ventos 
alísios
0º
30º
60º
60º
30º
Células de Hadley
com o solo quente reduz o frio das massas de 
ar. Por isso, é tão raro uma frente fria chegar 
até o Nordeste. 
Já a frente quente é a extremidade de uma 
massa de ar quente que se forma pela evaporação 
da água de correntes marítimas quentes – essas 
massas de ar elevam a temperatura e a umidade 
nas regiões que elas atingem.
[1]
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75GE GEOGRAFIA 2018 
SAIBA MAIS
AS MASSAS DE AR QUE ATUAM NO BRASIL
As massas de ar têm influência direta nos tipos de clima no Brasil. Devido à localização do 
país no globo, predominam as massas equatoriais e tropicais. Porém, no inverno ocorre a 
atuação da massa Polar Atlântica em grande parte do território brasileiro. Veja a seguir como 
se caracteriza cada uma dessas massas.
[1] ALEX ARGOZINO
A ATUAÇÃO DAS MASSAS DE AR NO BRASIL DURANTE O VERÃO E O INVERNO
MASSAS DE AR ATUANTES
0 250 500 750
km
Oceano 
Atlântico
Oceano 
Atlântico
AC
AM
RR
PA
AP
RO
MT
MA
TO
PI
CE
BA
MG
GO
MS
SP
PR
SC
RS
RJ
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PB
RN
0 250 500 750
km
Oceano 
Atlântico
Oceano 
Atlântico
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PI
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MG
GO
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PR
SC
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RJ
ES
SE
AL
PE
PB
RN
VERÃO INVERNO
TA
Tropical Continental
Forma-se em uma região de clima tropical mais seco, no semiárido da região conhecida 
como Chaco, no Paraguai. Por isso, a massa Tropical Continental caracteriza-se como 
quente e seca. Ela atua durante o verão nas regiões Sul e Centro-Oeste, sendo 
responsável pela ocorrência de estiagens, sobretudo no oeste de Santa Catarina e do 
Paraná e no noroeste gaúcho. 
Tropical Atlântica
Forma-se sobre o sul do Oceano Atlântico e é caracterizada como uma massa quente e 
úmida. Atua diretamente sobre a porção leste do Brasil nas regiões Sul, Sudeste e 
Nordeste, sendo responsável, por exemplo, pelas chuvas orográficas (de relevo) nas 
encostas das serras litorâneas, como a Serra do Mar, na Região Sudeste.
Equatorial Continental
Origina-se na região amazônica, onde as elevadas temperaturas e a umidade 
proveniente da evapotranspiração (liberação de água pelas plantas) e da evaporação de 
rios e lagos a tornam quente e úmida. Sua influência atinge grande parte do território 
nacional durante o verão no Hemisfério Sul, transferindo umidade da Floresta 
Amazônica para regiões de clima tropical e semiárido. No inverno no Hemisfério Sul, 
essa massa perde força e sua atuação se restringe à Região Norte.
EC
Equatorial Atlântica
Esta massa também tem origem na região equatorial, mas ela surge sobre o Oceano 
Atlântico. O elevado índice de evaporação das águas quentes do Atlântico central torna 
esta massa de ar quente bastante úmida. De modo geral, a massa Equatorial Atlântica 
atinge a Região Norte e a faixa costeira da Região Nordeste. Sua incidência está 
relacionada à variação das estações: durante o verão do Hemisfério Sul encontra-se 
mais ao sul e, quando o Hemisfério Norte está no verão, desloca-se mais para o norte.
EA
TC
Polar Atlântica
Forma-se sobre o Oceano Antártico e sobre o extremo sul do Oceano Atlântico. Em sua 
origem, a massa Polar Atlântica é fria e seca devido aos baixos índices de evaporação da 
água nessas regiões oceânicas. À medida que se desloca para o norte e atravessa outras 
áreas do oceano, penetrando no continente, ela provoca chuvas com a formação de 
frentes frias. Com o avanço dessa massa polar, o ar úmido e mais quente (menos denso) 
que se encontra nas regiões por onde ela passa é forçado a subir, formando nuvens de 
chuva (chuvas frontais). Essa massa de ar pode chegar, ainda que com menor 
intensidade do que nas regiões Sul e Sudeste, até as regiões Norte e Centro-Oeste, onde 
a queda de temperaturas que ela provoca é denominada friagem pela população 
regional. Esse deslocamento até a Região Norte ocorre graças à configuração do relevo, 
com planícies ao centro (Planície Platina e do Chaco, por exemplo), uma cadeia de 
montanhas a oeste (Cordilheira dos Andes) e os planaltos brasileiros a leste, formando 
uma espécie de corredor para esta massa de ar.
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76 GE GEOGRAFIA 2018
ATMOSFERA EL NIÑO E LA NIÑA
EFEITOS DOS FENÔMENOS EL NIÑO E LA NIÑA NA AGRICULTURA BRASILEIRA
Região El Niño La Niña
Norte 
Secas acentuadas, principalmente no leste da Amazônia: 
aumento do risco de incêndios florestais e prejuízos para a 
produção agropecuária.
Tendência ao aumento de chuvas no norte e leste da 
Amazônia; chuvas normais no inverno, sem prejuízos à 
agropecuária.
Nordeste
Secas severas: perdas na agricultura, napecuária, na geração de 
energia elétrica e dificuldades para o abastecimento de água.
Chuvas acima da média sobre a região semiárida, favorecendo 
a agricultura de subsistência e a pecuária.
Centro-Oeste
Sem efeitos evidentes, exceto tendência de aumento das 
chuvas no sul do MS, que favorecem a produção de grãos.
Não há alterações significativas de temperatura e 
pluviosidade.
Sudeste
Leve aumento das temperaturas (redução das geadas, 
que prejudicam culturas como o café) e sem alterações 
significativas na pluviosidade.
Não há alterações significativas de pluviosidade, com leve 
queda nas temperaturas no inverno, que não interferem na 
colheita da cana e do café.
Sul
Excesso de chuvas na primavera e começo de verão, no ano 
inicial do evento, e final de outono e começo de inverno. 
Beneficia as culturas de verão, como soja e milho.
Chuvas abaixo do normal, com estiagens severas na parte 
oeste dos estados da região, prejudicando as culturas de 
verão, como soja e milho. A primavera seca favorece a 
produção de trigo.
Fonte: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)
Presente 
de Natal
Entenda os fenômenos do 
El Niño e de La Niña e de que forma 
eles afetam o clima mundial
B atizado em referência ao Menino Jesus, por ocorrer em geral no fim do ano, à época do Natal, o El Niño (“o menino”, 
em espanhol) é um fenômeno de aquecimento 
anormal das águas superficiais do Pacífico les-
te, na costa da América do Sul (para entender 
melhor, acompanhe o processo no infográfico). 
É denominado, pelos cientistas, de Enos, sigla 
para El Niño Oscilação Sul.
O El Niño é fruto do enfraquecimento dos ventos 
alísios, que normalmente sopram de leste para o 
oeste pelo Pacífico 1 – isso faz que a água aquecida 
na região equatorial não seja levada em direção à 
Indonésia, como de costume. Com isso, as massas 
de ar quentes e úmidas ficam estacionadas na 
costa sul-americana, provocando chuvas intensas 
nessa área 2 e, ao mesmo tempo, seca na Indo-
nésia, Austrália e em outras regiões. Na verdade, 
o clima de todo o planeta é alterado. O El Niño, 
que ocorre em média uma ou duas vezes a cada 
dez anos, também altera o ecossistema marinho. 
Como não há o deslocamento das águas quentes 
da superfície, as águas profundas, que são mais 
frias e carregadas de nutrientes, não conseguem 
vir à tona, na ressurgência 3– a população de 
peixes, por exemplo, diminui drasticamente 4. 
Há, ainda, o caso do La Niña, fenômeno oposto 
ao El Niño: em vez de as águas do Pacífico les-
te se aquecerem, elas 
esfriam. Isso acontece 
porque os ventos alí-
sios, que carregam a 
água quente para o oes-
te, ficam mais intensos. 
Consequentemente, as 
águas quentes da su-
perfície são deslocadas 
em maior quantidade 
para o oeste e mais 
água fria vem à tona 5. 
A temperatura do ocea- 
no diminui na região 
próxima à costa oeste 
da América do Sul, e o 
clima fica mais úmido 
na Austrália e Indoné-
sia, por causa das mas-
sas de ar quentes.
ANO NORMAL
ANO COM LA NIÑA
Costa da 
Indonésia
Costa da 
América 
do Sul
Costa da 
Indonésia
Costa da 
América 
do Sul
Ventos alísios
Ventos alísios 
mais fortes 
Oceano Pacífico
Oceano Pacífico
Fortes chuvas 
Água fria
Água aquecida
Ressurgência 
da água fria
Forte ressurgência 
da água fria
Água aquecida
1
3
ANO COM EL NIÑO
Costa da 
Indonésia
Costa da 
América 
do Sul
Ventos alísios 
mais fracos 
Oceano Pacífico
Água fria
Água aquecida
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77GE GEOGRAFIA 2018 
ATMOSFERA CICLONE
De olho 
no ciclone
Entenda como se forma a 
ventania arrasadora que pode 
deixar milhares de mortos
O s ciclones são uma perturbação atmosférica no centro da qual a pressão é muito baixa, provo-
cando ventos circulares com velocidade 
superior a 119 quilômetros por hora. Ele 
ocorre nas regiões tropicais, sobre os 
mares quentes, podendo causar grande 
destruição quando atinge o continente.
Denominações 
Embora furacão, tufão e tornado se-
jam palavras comumente usadas como 
sinônimos de ciclone, há uma pequena 
diferença entre elas. A distinção entre 
os termos refere-se mais a uma questão 
de localização. De modo geral, o ciclone 
que se forma sobre o Oceano Atlânti-
co é chamado de furacão, enquanto o 
que se forma sobre o Oceano Pacífi co 
é conhecido como tufão. Por fi m, há o 
caso dos tornados, que surgem sobre 
o continente, após o choque de uma 
massa de ar quente com outra de ar 
frio – a ventania toma a forma de um 
cone invertido e sai num turbilhão ar-
rasador com velocidades de até 500 
quilômetros por hora. 
O desastre do ciclone Bhola
Para quem já assistiu – e sobreviveu – 
à passagem de um ciclone, a experiência 
pode ser aterradora. Em Bangladesh, na 
Ásia, por exemplo, um desses turbilhões 
arrasou o país em 13 de novembro de 
1970. O redemoinho nasceu no golfo de 
Bengala e avançou para a costa, criando 
ondas de até 6 metros. Elas invadiram a 
densamente povoada região do delta do 
Rio Ganges, matando cerca de 500 mil 
pessoas – 100 mil só na ilha de Bhola 
(nome que batizou o ciclone). Foi o 
pior desastre natural do século XX. 
Para nossa sorte, o Brasil não sofre com 
esse tipo de fenômeno. Tudo graças 
às baixas temperaturas das águas do 
Atlântico Sul. 
FAIXAS DE TEMPESTADE
O FURACÃO
POR DENTRO Olho
AR QUENTE E ÚMIDO
Uma densa nuvem 
cobre o furacão
VENTO OESTEQuando as nuvens atingem cerca 
de 5 mil metros de altura, começa 
a chover. Nesse ponto, o ar seco 
ascendente encontra as nuvens, 
resfria-se, fi cando mais pesado, e 
desce pelo olho do furacão. Esse 
ar, ao chegar à superfície do mar, 
vai formar novas nuvens
4
O furacão começa com a 
combinação de dois fatores: 
ar quente e úmido e a água 
aquecida dos oceanos das 
regiões tropicais
127 ˚C 
O atrito das correntes de ar com 
a superfície do mar faz que os 
ventos e as nuvens girem de 
oeste para leste, no sentido 
de rotação da Terra. O ar mais 
quente vai subindo numa 
espiral pelo olho do furacão
3
As correntes de ar se 
aquecem em contato com 
a água, fi cam mais leves e sobem, 
formando as primeiras nuvens. 
Enquanto sugam energia das 
águas quentes, essas correntes 
vão circulando em direção 
ao olho do furacão – 
região de baixa pressão 
no centro
2
O ciclone passa a se deslocar quando 
ventos externos sopram na direção 
oeste em grande velocidade. Se ele 
chegar ao continente e encontrar a 
umidade do ar baixa, as nuvens se 
desfazem e – ufa! – o vendaval acaba
5
A tempestade 
começa com um 
emaranhado de 
nuvens… 
…que vai 
girando de modo 
coordenado…
…até formar 
uma espiral 
de nuvens…
…em torno do olho do 
furacão (zona de baixa 
pressão, no centro) e 
ganhar mais velocidade
VEJA A SEGUIR COMO SE FORMA UM CICLONE
[1] [2] MULTI/SP
[2]
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78 GE GEOGRAFIA 2018
ATMOSFERA CLIMAS DO MUNDO
O clima da Terra é influenciado por vários fatores, entre eles latitude, pressão atmosférica, 
altitude, relevo, vegetação, massas de 
ar, maritimidade (proximidade de um 
local em relação ao mar), continentali-
dade (distância de um ponto em relação 
ao mar) e correntes marítimas.
As áreas em torno da linha do Equa-
dor, que recebem forte insolação, têm 
predominantemente clima equatorial, 
marcado por altas temperaturas e umi-
dade. Já as regiões de latitudes mais 
elevadas, próximas aos polos, registram 
clima frio ou polar, com invernos rigo-
rosos e temperaturas baixas.
No mapa, você confere as mais impor-
tantes correntes marítimas, os principais 
tipos de clima, segundo a classificação 
de Wilhelm Köpen, a mais aceita atu-
almente, e as três principais zonas cli-
máticas. Veja a seguir as características 
dos principais tipos de clima do planeta.
Equatorial
Quente e úmido durante o ano todo, 
está presente na região da linha do 
Equador e nas áreas de baixa latitude, 
Diversidade 
climática
Conheça as características dos 
dez principais grupos de 
clima do planeta
como a América Central, a Indoné-
sia, a região central da África e o norte 
do Brasil. A umidade relativa do ar é 
elevada, com média anualde 90%, e a 
chuva é abundante durante o ano todo. 
A temperatura também é alta e estável, 
com média anual de 25 ºC.
Tropical
Fica nas áreas entre os trópicos de 
Câncer e de Capricórnio, cobrindo 
grande parte do território brasileiro e 
do continente africano, Índia, Península 
da Indochina e norte da Austrália. O 
clima é quente, com média anual supe-
rior a 20 ºC. As chuvas são intensas no 
verão e, no resto do ano, ocorrem mais 
nas regiões próximas ao mar. 
No Sudeste Asiático, destacam-se 
as chuvas de monções, tempestades 
torrenciais provocadas pelo vento 
úmido que sopra do oceano. Quando 
começa o verão, o continente se es-
quenta rapidamente, formando uma 
zona de baixa pressão, e as massas de 
ar do oceano trazem as chuvas. Essa 
dinâmica, comum em outros pontos do 
planeta, tem maiores proporções nessa 
região em virtude da vastidão de terra 
(o continente asiático) e de mar (os 
oceanos Índico e Pacífico) envolvidas 
no fenômeno.
Mediterrâneo 
É o clima predominante no sul da 
Europa. Os verões são quentes e secos 
– a temperatura chega a 30 ºC – e os 
invernos, moderados e com um pouco 
de chuva. As mínimas de temperatura 
podem atingir 0 ºC. 
Temperado
Também de latitudes médias, o tem-
perado está presente nas áreas da Amé-
rica do Norte, da Europa e do leste da 
Ásia. No temperado continental, o 
inverno é muito rigoroso e o verão é 
quente – as médias de temperatura são 
-5 ºC e 24 ºC, respectivamente. As chu-
vas são escassas, sobretudo no inverno. 
A continentalidade justifica a umidade 
relativa do ar mais baixa e a grande 
amplitude térmica anual nesses locais. 
Já o temperado oceânico está pre-
sente no oeste e no noroeste da Europa. 
As chuvas são abundantes durante o 
Corrente fria
Corrente quente
CORRENTES MARÍTIMAS
TIPOS DE CLIMA 
(adaptação da classificação de Köpen)
Mediterrâneo
Temperado
Subtropical
Semiárido
Frio de montanha
Tropical
Desértico
Frio
Polar
Equatorial
ZONAS CLIMÁTICAS
Polar
Polar
Intertropical
Polar
Polar
Temperada
Temperada
MAPA MUNDIAL DO CLIMA 
E CORRENTES MARÍTIMAS 
DEU BRANCO Nevascas em países de clima temperado, como o Canadá, são comuns no inverno
APONTE O CELULAR PARA AS 
PÁGINAS E VEJA VIDEOAULA 
SOBRE CLIMAS
(MAIS INFORMAÇÕES NA PÁG. 7)
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79GE GEOGRAFIA 2018 
ano, e as temperaturas não sofrem muita 
variação – os invernos são frios (média 
de -3 ºC) e os verões, frescos (média de 
15 ºC). A proximidade com o mar (ma-
ritimidade) é um fator que influencia 
a baixa amplitude térmica e as chuvas 
bem distribuídas durante o ano.
Subtropical
É outro clima de latitudes médias, 
que se caracteriza como uma faixa de 
transição entre os climas tropicais e os 
mais frios. Está presente nas regiões 
ao sul do trópico de Capricórnio (sul 
de São Paulo, Paraná, Santa Catarina 
e Rio Grande do Sul) e na região leste 
dos Estados Unidos. A quantidade de 
chuva não varia muito durante o ano, 
mas as temperaturas mudam bastante: 
o inverno é frio e o verão, quente.
Desértico
Ocorre em regiões como o Saara, o 
centro da Austrália, norte do México 
e sul dos EUA. O índice pluviométrico 
é baixíssimo: a média anual de preci-
pitação é inferior a 250 milímetros, o 
equivalente a aproximadamente um 
mês de chuva no clima equatorial. A 
umidade relativa do ar também é mui-
to baixa, cerca de 40%. A amplitude 
térmica diária é elevada: de dia, a tem-
peratura ultrapassa os 40 ºC e, à noite, 
chega a graus negativos. 
Semiárido
Clima seco, presente na Ásia Central 
(Cazaquistão, no interior da China e 
Mongólia), na Patagônia e no planalto 
oeste das Montanhas Rochosas (EUA). 
A precipitação é escassa e irregular, 
com longos períodos de estiagem, não 
ultrapassando os 600 milímetros por 
ano. As temperaturas são elevadas du-
rante o ano, com média entre 25 ºC e 
27 ºC. No Brasil localiza-se no chamado 
Polígono das Secas.
Frio de montanha
Ocorre nas cadeias de montanhas 
ao redor do globo: áreas elevadas dos 
Andes, Montanhas Rochosas, Alpes e 
Himalaia. É um clima frio, com tem-
peratura que diminui 6 ºC a cada mil 
metros de altitude. Acima dos 2 mil 
metros, há neve constante. A umidade 
relativa do ar varia conforme o lado 
da cadeia: a média é de 90% do lado 
do vento (barlavento), caindo para até 
30% do lado contrário (sotavento). A 
quantidade de precipitação também é 
variável, chegando a 2 mil milímetros 
por ano nas regiões tropicais.
Frio
É o clima do norte do Canadá e da 
Sibéria, na Rússia. O inverno é bastante 
rigoroso e prolongado, com mínima 
de -15 ºC, e o verão, brando e curto, 
com temperatura máxima de 10 ºC. A 
precipitação é escassa, menos de 300 
milímetros por ano.
Polar
É o clima com as menores temperatu-
ras do planeta: no inverno, ela permane-
ce em torno de -30 ºC e, no verão, a mé-
dia é de 4 ºC. Está presente no extremo 
norte do Canadá, da Rússia e do Alasca, 
em parte da Península Escandinava e 
na Antártica. A umidade relativa do ar 
é alta, entre 70% e 80%, mas a precipi-
tação, bastante reduzida: cerca de 100 
milímetros de neve acumulados ao ano.
ANTÁRTICA
OCEANIA
ÁFRICA
EUROPA
ÁSIA
AMÉRICA OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO
OCEANO GLACIAL ÁRTICO
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
ÍNDICO
CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO
CÍRCULO POLAR ÁRTICO
TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO
TRÓPICO DE CÂNCER
EQUADOR
Fonte: IBGE
C. Norte Equatorial 
C. Sul Equatorial 
C. de Humboldt 
C. do Brasil 
C. 
da
s F
al
kl
an
d 
C. Circumpolar da Antártica 
C. da Antártica C. da Antártica 
C. Australiana 
C. de Benguela C. Sul Equatorial 
C. Sul Equatorial 
C. Norte Equatorial 
C. do Japão 
C. Oia Sivo 
C. das Monções 
C. de Madagáscar 
C. Sul Equatorial 
C. da Guianas 
C. Norte Equatorial 
C. do Golfo 
C. das Canárias
C. Norte Atlântica 
C. da Groenlândia 
C. do Labrador 
C. do Atlântico Sul 
C. da Califórnia 
C. do Pacífico Norte 
CORRENTE FRIA E DESERTO
As correntes marítimas são grandes deslocamentos de 
massas de água que influenciam o clima. No Chile, a fria 
Corrente de Humboldt provoca chuvas no Oceano Pacífico. 
Com isso, a massa de ar chega sem umidade ao continente, 
o que explica a aridez do Deserto do Atacama.
CHUVAS DE MONÇÕES
Trata-se de um fenômeno típico do Oceano Índico e do 
Sudeste Asiático. Elas têm origem na grande diferença de 
temperatura das águas do mar e do continente durante 
o verão. Um vento contínuo leva a umidade do oceano e 
a transforma em fortes chuvas sobre o continente.
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 Clima equatorial
Temperatura (oC)
Precipitação (mm)
1. MANAUS
 Clima tropical
Temperatura (oC)
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1. Equatorial
2. Tropical
3. Semiárido
4. Tropical de altitude
5. Tropical atlântico
6. Subtropical
80 GE GEOGRAFIA 2018
ATMOSFERA CLIMAS DO BRASIL
M esmo sendo conhecido como “um país tropical”, com mais de 90% do território entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio, o Brasil também compreende variações climáticas. 
Os tipos de clima no país são definidos com base em critérios diversos, mas, 
sobretudo, a partir da quantidade de chuva e da temperatura média no decorrer 
do ano. Essas informações aparecem juntas em um gráfico denominado climo-
grama, que você vê acima. A leitura dele pode parecer complicada, mas é bastante 
simples: as barras representam a média pluviométrica no mês, expressa em 
milímetros; já as linhas indicam a temperatura média mensal, em graus Celsius.
O climograma permite a identificação de cada um dos climas e até uma dife-
renciação entre eles. Uma comparação interessante, por exemplo, é a do clima 
equatorial com o do semiárido. A princípio, eles podem parecer semelhantes por 
causa da temperatura média, que oscila em torno de 26 ºC. Porém,ficam claramente 
diferentes quando observamos as barras que indicam o índice pluviométrico de 
cada um: enquanto no clima equatorial chove abundantemente durante o ano 
todo, no semiárido, o índice pluviométrico é muito baixo e distribuído de forma 
irregular. Confira a seguir as principais características dos seis principais tipos 
climáticos do Brasil, além de alguns climogramas a eles relacionados.
Muito além 
de tropical
Apesar de o nosso país estar localizado quase 
inteiramente entre os trópicos, o clima do 
Brasil apresenta muitas variações
1. Clima equatorial
Fica nas proximidades da linha do 
Equador, abarcando a Amazônia, norte de 
Mato Grosso e oeste do Maranhão. Chove 
durante o ano todo, e em grande quanti-
dade; é bastante úmido e a temperatura 
varia pouco no decorrer do ano, com 
média de 26 ºC. O climograma 1 acima 
traz informações sobre a pluviosidade 
e a temperatura da cidade de Manaus 
(AM), localizada nessa faixa de clima. 
Repare como, no gráfico, a quantidade de 
precipitação (representada pelas barras 
verticais) é bem alta, atingindo mais de 
300 milímetros no mês de março, com 
apenas uma pequena queda no meio 
do ano (em julho, agosto e setembro), 
quando fica abaixo dos 100 milímetros. A 
pequena variação de temperatura, típica 
do clima equatorial, também pode ser 
vista no climograma de Manaus: a linha 
horizontal, formada pelas temperaturas 
médias de cada mês, quase não sobe nem 
desce, ficando em torno dos 26 0C.
2. Clima tropical 
Predominante no território brasileiro, 
pega toda a faixa do centro do país, leste 
MAPA DE CLIMAS DO BRASIL 
RECANTO GELADO 
As mais baixas 
temperaturas no país 
são registradas na 
Região Sul, a única com 
clima subtropical. 
As temperaturas médias 
anuais são inferiores 
a 21 0C. 
MÁXIMA E MÍNIMA 
A temperatura máxima oficial no país foi registrada em Bom Jesus do 
Piauí, em 21 de novembro de 2005. Os termômetros chegaram a 44,7 oC. 
A mínima foi na cidade de Caçador, em Santa Catarina: -14 oC, 
em 30 de junho de 1952.
CHUVAS DE VERÃO
As tempestades que 
costumam atingir a 
Região Sudeste durante o 
verão são causadas pelo 
encontro de duas massas 
de ar que formam a 
zona de convergência do 
Atlântico Sul. 
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 Clima semiárido
Temperatura (oC)
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3. JUAZEIRO
 Clima tropical de altitude
Temperatura (ºC)
Precipitação (mm)
4. BELO HORIZONTE
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 Clima tropical atlântico
Temperatura (ºC)
Precipitação (mm)
5. JOÃO PESSOA
 Clima tropical atlântico
Temperatura (ºC)
Precipitação (mm)
5. RIO DE JANEIRO
 Clima subtropical
Temperatura (ºC)
Precipitação (mm)
6. CURITIBA
81GE GEOGRAFIA 2018 
do Maranhão, Piauí e oeste da Bahia e 
de Minas Gerais. Inverno e verão são 
estações bem marcadas pela diferença 
de pluviosidade: o verão é bastante chu-
voso e há seca no inverno. No climo-
grama 2, de Goiânia (GO), conseguimos 
enxergar essa diferença pela variação 
na altura das barras de precipitação: em 
julho, a precipitação chega a quase zero 
e, em janeiro, ultrapassa 250 milíme-
tros. A temperatura no clima tropical, 
de modo geral, é alta, caindo um pouco 
nos meses de inverno; a média fica entre 
18 ºC em locais de serra e 28 ºC na maior 
parte do território.
3. Clima semiárido 
É o clima das zonas mais secas do 
interior do Nordeste. Caracteriza-se 
pela baixa umidade, pouca chuva e 
temperaturas elevadas. O climogra-
ma 3, referente à cidade baiana de 
Juazeiro, na divisa com Pernambuco, 
representa graficamente essas carac-
terísticas: note que entre julho e se-
tembro as barrinhas de precipitação 
são bastante baixas – em agosto a mí-
nima de chuva chega a 1,7 milímetro. 
A chuva se concentra entre os me-
ses de novembro e abril, mas o total 
anual de precipitação não chega a 
550 milímetros – o volume é inferior 
ao atingido em apenas dois meses (fe-
vereiro e março) no clima equatorial. 
Já a linha de temperatura varia entre 
24,5 ºC e 28,5 ºC durante o ano, médias 
térmicas bastante elevadas. 
4. Clima tropical de altitude
É o clima das áreas com altitude acima 
de 800 metros em Minas Gerais, no Es-
pírito Santo, no Rio de Janeiro e em São 
Paulo. Os verões são quentes e chuvosos, 
e os invernos, frios e secos. Isso pode ser 
visto no climograma 4, que mostra as 
médias de temperatura e pluviosidade 
de Belo Horizonte (MG). No inverno, 
as barras de chuva atingem o mínimo 
de cerca de 10 milímetros e, no verão, 
passam de 300 milímetros. Em compa-
ração com o clima tropical, o tropical de 
altitude tem o mesmo comportamento 
pluviométrico, mas as médias anuais de 
temperatura são menores, ficando em 
torno dos 20 ºC – no inverno, as tem-
peraturas são bem mais baixas.
5. Clima tropical atlântico
Esse clima cobre quase todo o lito-
ral do país: começa no Rio Grande do 
Norte e vai até o Paraná. A quantidade 
de chuvas varia conforme a latitude 
da localidade. Por exemplo, enquanto 
no Nordeste chove muito no inverno, 
no Sudeste chove mais no verão, como 
pode ser visto nos climogramas 5 de 
João Pessoa (PB) e do Rio de Janeiro 
(RJ). A variação de temperatura é maior 
na porção mais ao sul do litoral. No Rio 
de Janeiro, oscila entre 21,5 ºC e 26,5 ºC 
e, em João Pessoa, entre 24 ºC e 28 ºC.
6. Clima subtropical
É o clima das regiões ao sul do Tró-
pico de Capricórnio: sul de São Paulo, 
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do 
Sul. A quantidade de chuva não varia 
muito durante o ano, mas as temperatu-
ras mudam bastante: o inverno é frio e 
o verão, quente. No climograma 6, que 
representa Curitiba (PR), por exemplo, 
a temperatura oscila entre 12,5 ºC e 
20 ºC, enquanto as barras de precipi-
tação apresentam pouca variação (a 
média anual é de 110 milímetros).
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82 GE GEOGRAFIA 2018
ATMOSFERA POLUIÇÃO DO AR
A poluição do ar é provocada principalmen-te pela queima de combustíveis fósseis nos transportes e na geração de energia 
elétrica e pela atividade industrial. Dióxido de 
carbono (CO2), monóxido de carbono (CO) e 
hidrocarbonetos (HC) são alguns dos poluentes 
mais emitidos. Veja a seguir alguns dos efeitos mais 
comuns provocados pela emissão desses gases.
Buraco na camada de ozônio
O aparecimento de buracos na camada de 
ozônio é um processo natural, já que, em certas 
épocas do ano, reações químicas na atmosfera 
produzem aberturas, que depois se fecham. O 
ozônio absorve parte da radiação ultravioleta 
B (UVB) emitida pelo Sol. Sem ela, as plantas 
teriam redução na capacidade de fotossíntese 
e haveria maior incidência de câncer de pele e 
catarata. A atividade humana, porém, acentuou 
o processo. As reações que destroem o ozônio 
são intensifi cadas pela emissão de compostos 
químicos halogenados artifi ciais, sobretudo 
os clorofl uorcarbonos (CFCs), criados nos 
anos 1930 e usados como fl uidos refrigerantes 
em geladeiras, aparelhos de ar condicionado e 
como propelente de aerossóis.
A boa notícia é que, nos últimos anos, acordos 
internacionais levaram ao fi m da produção das 
substâncias nocivas à camada de ozônio. Estu-
dos recentes indicam que o buraco na camada 
de ozônio atualmente está 9% menor do que no 
ano 2000. No entanto, desde 2010, o tamanho do 
rombo não diminui – são 23 milhões de quilôme-
tros quadrados, área equivalente à da América 
do Norte. A perspectiva, segundo a Organização 
Mundial de Meteorologia,é que a camada deverá 
voltar à espessura original por volta de 2050.
Atmosfera 
carregada
A emissão de poluentes no ar causa 
uma série de efeitos nocivos ao 
homem e à natureza
Fonte: Nasa
1979
1987
2006
2016
CORTINA DE FUMAÇA Um denso nevoeiro paira sobre as ruas de Krabi, na Tailândia: efeito do dióxido de carbono liberado pelas queimadas na Indonésia
EVOLUÇÃO DO BURACO 
NA CAMADA DE OZÔNIO 
(1979-2016)
A abertura na atmosfera é 
representada pela cor azul 
nas imagens abaixoVEN
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83GE GEOGRAFIA 2018 
Chuva ácida
Toda chuva é naturalmente ácida (pH infe-
rior a 7), em função das reações do vapor-d'água 
com o gás carbônico presente na atmosfera. 
Entretanto, ao atingir um pH inferior a 5,6 a 
chuva é considerada, de fato, ácida e passa a 
ser tratada como um problema ambiental. Esse 
aumento de acidez se deve à queima de com-
bustíveis fósseis, feita principalmente pelas 
atividades industriais e pelos automóveis, que 
liberam óxido de nitrogênio (NOx) e dióxido 
de enxofre (SO2) na atmosfera. Esses compos-
tos reagem com o vapor-d'água presente na 
atmosfera, formando o ácido nítrico (HNO3) e 
o ácido sulfúrico (H2SO4). Quando chove, essas 
substâncias atingem o solo e a água, alterando 
suas características e prejudicando lavouras, 
florestas e a vida aquática. Também danificam 
edifícios e monumentos históricos.
As principais áreas de ocorrência se encon-
tram próximas às regiões de maior emissão de 
gases causadores do efeito estufa, ou seja, as 
mais urbanizadas e industrializadas, como o 
Nordeste dos Estados Unidos, a Europa oci-
dental, o leste da China, o eixo Rio-São Paulo. 
Entretanto, essas substâncias podem ser trans-
portadas pelos ventos para regiões mais afasta-
das desses grandes centros urbano-industriais, 
causando a chuva ácida. Trata-se, portanto, de 
uma “poluição transfronteiriça”. O leste do 
Canadá, por exemplo, sofre com a chuva ácida 
proveniente da poluição gerada na megalópole 
Boston-Washington-Nova York e nas cidades 
industriais da região dos Grandes Lagos, dos 
Estados Unidos. Já os países escandinavos como 
Noruega, Finlândia e Suécia recebem as corren-
tes de ar que trazem a poluição da Alemanha, 
Holanda, Bélgica e Inglaterra.
 � O QUE ISSO TEM A VER 
COM QUÍMICA 
A reação entre dióxido 
de carbono (CO2) e as 
moléculas de água (H2O) 
libera íons H+. Quanto 
maior a concentração de 
H+ maior é a acidez. Essa 
concentração é medida 
pelo pH, o potencial 
hidrogeniônico, que 
segue uma escala de zero 
a 14 na qual: 
0 < pH < 7: soluções 
ácidas 
pH = 7: soluções neutras 
7 < pH ≤ 14: soluções 
básicas ou alcalinas 
Para saber mais, veja 
o GUIA DO ESTUDANTE 
QUÍMICA.
Ilhas de calor
Os poluentes lançados na atmosfera, principal-
mente o dióxido de carbono, ajudam a aumentar 
a temperatura do ar mais próximo da atmosfera. 
Em regiões urbanas, esse fato é agravado pela 
substituição da cobertura vegetal por prédios 
de concreto e cimento e ruas asfaltadas. Esses 
materiais absorvem mais calor e o devolvem na 
forma de radiação térmica. A combinação desses 
fenômenos tende a aumentar a temperatura nos 
grandes centros, criando as ilhas de calor. A dife-
rença de temperatura entre uma área verde e uma 
típica zona central de uma cidade pode ser de 8 
graus centígrados a mais (veja o mapa ao lado). 
Inversão térmica
A inversão térmica é um fenômeno atmosférico 
natural que ocorre principalmente nas manhãs de 
outono e inverno, com a penetração de massas de 
ar frio, em regiões de clima tropical e subtropical. 
Caracteriza-se pela alteração na sequência de 
camadas de ar. Em condições normais, a tempe-
ratura fica cada vez mais baixa conforme aumenta 
a altitude. Em uma situação de inversão térmica, 
porém, forma-se uma camada de ar mais quente 
logo acima da camada de ar mais frio próxima 
ao solo. Isso ocorre graças ao resfriamento da 
superfície e do ar durante o final da madrugada 
e início da manhã, quando as temperaturas, tanto 
da terra quanto do ar, são mais baixas. 
Em regiões onde o ar não se encontra carregado 
de poluentes, a inversão térmica não provoca 
nenhum problema ambiental. No entanto, em 
ambientes urbanos, a inversão térmica causa o 
bloqueio das correntes ascendentes de ar, retendo 
grande quantidade de poluentes próximos à su-
perfície durante algumas horas. Isso ocorre por-
que as trocas verticais 
de ar, chamadas cor-
rentes de convecção, 
não chegam a atingir a 
superfície, formando-
-se somente a partir da 
camada de ar quente 
para cima. Por esse 
motivo, os poluentes 
não conseguem se dis-
persar. Quando o Sol 
esquenta a superfície 
no decorrer da manhã, 
o ar da camada mais 
baixa se aquece e sobe, 
as correntes de con-
vecção voltam a atingir 
o solo e os poluentes 
voltam a ser dispersa-
dos em camadas mais 
elevadas.
Temperatura aparente
da superfície
Menor Maior
Distribuição da 
vegetação em SP
Rural Urbano
Fonte: Atlas Ambiental do Município de São Paulo 
No sul da cidade, 
onde há mata e quase 
não existem prédios nem 
casas, as temperaturas 
são bem mais baixas.
A região central de 
São Paulo, altamente 
urbanizada, apresenta 
temperaturas mais 
elevadas.
Município de São Paulo, com variação de temperatura de 24 °C a 32 °C
DENSIDADE DEMOGRÁFICA E ILHAS DE CALOR
DIA NORMAL
AR QUENTE
AR FRIO
AR MAIS FRIO
AR FRIO
AR QUENTE
AR FRIO
INVERSÃO TÉRMICA
FENÔMENO DA INVERSÃO TÉRMICA
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84 GE GEOGRAFIA 2018
ATMOSFERA AQUECIMENTO GLOBAL
EFEITO ESTUFA
O fenômeno permite a 
existência de vida na Terra. 
Veja como ele funciona 
e o modo como as ações 
humanas o afetam
1
2 3
4
5
O Sol emite sua energia 
pelo espaço na forma de luz 
visível, radiação ultravioleta 
e infravermelha
Quando os raios do Sol chegam 
à Terra, cerca de 30% da energia 
luminosa volta para o espaço, 
refl etida por poeira e nuvens na 
atmosfera e, ainda, por refl etores 
naturais na superfície, como áreas 
 cobertas de neve e gelo
O ar, terras e águas 
absorvem cerca de 70% 
da radiação solar
Aquecida, a superfície 
emite calor na forma de 
radiação infravermelha
Um pouco da radiação térmica 
da Terra vai para o espaço, mas a 
maior parte é retida na atmosfera, 
absorvida por vapor-d'água, 
dióxido de carbono, metano e 
outros gases do efeito estufa
6
7 A temperatura do planeta varia, 
de maneira natural, por causa dos 
ciclos solares e geológicos. 
Mas, de acordo com o relatório 
do IPCC, as atividades humanas 
afetaram o ritmo normal do ciclo e 
o equilíbrio natural de produção e 
absorção de gases
Se o calor não fosse retido 
pelo efeito estufa, o planeta 
congelaria a uma temperatura 
média de 18 ºC negativos
Planeta 
em ebulição
Cientistas confi rmam que a atividade 
humana está provocando alterações 
climáticas em todo o globo
S e antes a ideia do aquecimento global era apenas uma hipótese, hoje os cientistas já contam com evidências mais seguras 
para afi rmar que a ação do homem sobre o 
meio ambiente está alterando a temperatura do 
planeta. O estudo mais consistente a respeito 
foi divulgado em 2007 pelo Painel Intergover-
namental de Mudanças Climáticas (IPCC), 
entidade que reúne 2.500 cientistas de mais de 
130 países sob a chancela da Organização das 
Nações Unidas (ONU). A partir desse docu-
mento, que representou um marco ambiental, 
especialistas do mundo todo passaram a 
culpar nosso padrão de desenvolvimento 
pelo aquecimento da Terra. 
Em setembro de 2013, o IPCC divul-
gou um novo estudo no qual aumenta 
de 90% para 95% o grau de certeza 
científi ca quanto à participação do homem na 
elevação da temperatura do planeta: “É extrema-
mente provável que a infl uência humana sobre o 
clima tenha causado mais da metade do aumento 
observado da temperatura média da superfície 
global entre 1951 e 2010”, dizem os cientistas. O 
relatório da ONU aponta que entre 1880 e 2012 
a temperatura média na Terra subiu 0,85 ºC. Em 
algumas regiões, que incluem o Brasil, o aumento 
foi de até 2,5 graus. Além disso, o nível médio 
da água dos oceanos subiu19 centímetros e as 
últimas três décadas foram as mais quentes desde 
1850. O estudo também permitiu aos cientistas 
projetar as dramáticas consequências que as 
próximas gerações enfrentarão, caso esse pro-
cesso não seja revertido (veja mapa na pág. 86).
O efeito estufa
Sempre ouvimos falar que o efeito estufa é o 
grande vilão do aquecimento global, o que não 
deixa de ser verdade. Mas uma coisa precisa 
fi car clara: é graças a ele que existe vida em 
nosso planeta. O efeito estufa é um fenômeno 
natural que faz com que a temperatura média 
do globo se conserve nos limites necessários 
para a manutenção da vida, em torno de 14,5 ºC. 
Ele ocorre em razão da existência de gases que 
estão naturalmente na atmosfera e impedem a 
VEN
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85GE GEOGRAFIA 2018 
8 Hoje, milhões de toneladas de carbono que a 
natureza tirou de circulação, armazenado como 
petróleo no subsolo ou biomassa nas matas, 
são jogadas pela ação humana na atmosfera 
em poucas horas, na forma de CO
2
. Ao aumentar 
a concentração desse e de outros gases, o 
homem amplia o efeito estufa, o que provoca o 
aquecimento do planeta
OS GASES DA ATMOSFERA
78,084%
Nitrogênio (N
2
)
20,946%
Oxigênio (O
2
)
0,934%
Argônio (Ar)
0,036%
Outros gases
DIÓXIDO DE CARBONO (CO
2
): 0,0332%
NEÔNIO (NE): 0,0018%
OUTROS GASES: 0,0010%
[1]
Fonte: Nasa
CONCENTRAÇÃO DE DIÓXIDO DE CARBONO NA ATMOSFERA NOS ÚLTIMOS 10 MIL ANOS
8.000
a.C.
5.500
a.C.
3.000
a.C.
500
a.C.
2.000
350
300
250
D
ió
xi
d
o
 d
e
 c
a
rb
o
n
o
 (p
p
m
)
350
330
15,5
15
14,5
310
290
19001880 1920 1940 1960 1980 2000
CO
2 (
pp
m
)
Gr
au
s C
el
si
us
CO
2
 e temperatura média da Terra
MAIS GÁS, MAIS CALOR
No gráfico à esquerda, veja como a concentração 
de dióxido de carbono (CO
2
) deu um salto a partir 
da Revolução Industrial, no século XVIII. Isso pode 
ser visto por meio da linha vermelha no lado 
direito do gráfico, que sobe quase 
perpendicularmente. No detalhamento desse 
período, no gráfico acima, a relação do CO
2
 com o 
aquecimento global fica clara: a curva de aumento 
de CO
2
 coincide com a da elevação da temperatura.
PARA IR ALÉM
O documentário Uma 
Verdade Inconveniente, 
dirigido por Davis 
Guggenheim e 
apresentado pelo 
ex-vice-presidente 
dos Estados Unidos 
Al Gore, procura 
evidenciar as causas e 
as consequências do 
aquecimento global. 
Parte da análise de 
dados de variação 
de temperaturas e 
concentração de CO2 
na atmosfera terrestre, 
e chama a atenção sobre 
as responsabilidades 
individuais e coletivas 
do homem diante dessa 
situação.
dissipação para o espaço de parte da radiação 
vinda do Sol, que é absorvida e refl etida pela 
Terra (veja o infográfi co). 
O problema é que, por causa da ação do homem, 
esse benéfi co “cobertor” atmosférico está se trans-
formando num forno. E quando nos referimos à 
ação do homem, trata-se daquelas atividades que 
resultam na emissão e no acúmulo na atmosfera 
de gases responsáveis pelo efeito estufa. Entre 
os principais, estão o dióxido de carbono (CO2), 
produzido pela queima de combustíveis fósseis 
(especialmente carvão mineral e derivados de 
petróleo, como óleo cru, diesel e gasolina) para 
gerar energia; o metano (gás natural, CH4), libe-
rado pela decomposição de lixo, digestão do gado, 
plantações alagadas (principalmente de arroz); 
e óxido nitroso (N2O), que advém, entre outros 
meios, do tratamento de dejetos de animais, do uso 
de fertilizantes e de alguns processos industriais. 
Além disso, ao alterar a terra por meio do desma-
tamento e de atividades agrícolas, o ser humano 
está lançando no ar, por apodrecimento ou queima, 
CO2 que estava acumulado nas plantas e no solo.
Todas essas atividades são realizadas mais 
intensamente nos países desenvolvidos. Esta-
dos Unidos, Japão e muitas nações europeias 
apresentam elevada produção de gases do efeito 
estufa per capita, principalmente por causa do 
uso de automóveis e da elevada industrialização. 
Contudo, países em desenvolvimento, como a 
China, vêm aumentando signifi cativamente 
as emissões desses gases nos últimos anos. Os 
chineses já ultrapassaram os norte-america-
nos como os maiores poluidores do planeta, 
tornando-se responsáveis por um quarto das 
emissões mundiais. 
QUANTIDADE DE GASES DO EFEITO ESTUFA NA ATMOSFERA 
BATE RECORDE EM 2015
A quantidade de gases do efeito estufa presente na atmosfera bateu um novo recorde 
em 2015, por isso que continua o aumento incessante que alimenta a mudança cli-
mática, advertiu nesta segunda-feira a Organização Mundial da Meteorologia (OMM).
Em 2015, a concentração atmosférica de CO2 – principal gás de efeito estufa de longa 
duração – alcançou 400 partes por milhão (ppm), segundo indica o Boletim sobre os 
gases do efeito estufa que publica anualmente a OMM.
Além disso, o relatório destaca que os níveis de CO2 dispararam de novo em 2016, 
alcançando novos recordes como consequência do fenômeno do El Niño, que teve 
devastadores efeitos em distintas zonas do mundo entre 2015 e os primeiros meses 
de 2016. (...)
Época Negócios, 24/10/2016
SAIU NA IMPRENSA
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86 GE GEOGRAFIA 2018
ATMOSFERA OS EFEITOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS
PARA IR ALÉM
O documentário Seis 
Graus que Podem Mudar 
o Mundo, da National 
Geographic, simula 
possíveis cenários 
decorrentes do aumento 
de um até seis graus 
Celsius na temperatura 
global sobre os 
diversos ecossistemas e 
populações humanas.
O pior cenário
Extremos climáticos como secas 
prolongadas e furacões devem se 
tornar mais frequentes em função 
do processo de mudança climática
Desde 1880, quando a temperatura do planeta começou a ser medida, a popu-lação mundial não enfrentou um ano 
tão quente como o de 2016. Segundo a Nasa, a 
Agência Espacial Norte-Americana, os recordes 
de temperatura são uma constante neste século: 
16 dos 17 anos mais quentes da história foram 
registrados após o ano 2000. Esses dados con-
solidam uma tendência de aquecimento global 
de longo prazo, o que abre a possibilidade da 
ocorrência mais frequente de eventos climáti-
cos extremos, como secas prolongadas, chuvas 
torrenciais e violentos ciclones. É o que pode 
ocorrer se não houver uma redução na emissão 
de gases do efeito estufa, na análise dos cientistas 
do Painel Intergovernamental sobre a Mudança 
no Clima (IPCC). 
As projeções do IPCC indicam que, se as emis-
sões permanecerem nos níveis atuais, a temperatu-
ra média do planeta pode subir até 4,8 ºC, e o nível 
dos mares deve aumentar em até 82 centímetros. 
As geleiras irão continuar a derreter e é fortemente 
provável que o gelo do Ártico diminua até o final 
do século. Segundo os cientistas, nenhuma parte 
do globo ficará imune aos efeitos do aquecimento 
global (veja mais no mapa).
Os terríveis cenários previstos pelos cientistas 
do IPCC certamente teriam consequências em 
termos estratégicos e geopolíticos. O Departa-
mento de Defesa dos Estados Unidos alerta para 
o fato de que, atingido pelas mudanças climá-
ticas, o mundo seria mais instável e perigoso. 
Haveria um aumento de migrações e até mesmo 
invasões populacionais para obter recursos 
como água e alimentos. E os maiores problemas 
ocorreriam justamente onde hoje já existem 
graves questões políticas, como em regiões da 
Ásia e da África. Para o órgão de governo dos 
EUA, em alguns locais, a tensão social causada 
pela fome poderia se tornar mais explosiva, 
combinada com a tensão étnico-religiosa.
A corrente cética
As explicações sobre as causas do aumento 
da temperatura global não são aceitas por todo 
mundo. Há cientistas que questionam seus fun-
damentos. Eles alegam que a temperatura média 
da Terra subiu e desceu várias vezes durante 
sua existência, e que isso pode estar ocorrendo 
neste momento. Ou seja, esse esquenta-esfria do 
planeta faria parte de um ciclo natural no qual 
o clima alterna períodos quentes e eras glaciais.
Além disso, essa “corrente cética” acredita 
que, mesmo que exista uma tendência para o 
aquecimento, ela está mais ligadaaos fatores na-
turais do que à ação humana. O clima seria mais 
influenciado pelas glaciações, pelo vulcanismo 
e por fenômenos astronômicos. Esses cientistas 
também contestam a capacidade científica de 
prever com antecedência de décadas como será 
o clima da Terra. 
No entanto, os que defendem esta tese são acusa-
dos de agir em favor daqueles que atuam no lobby 
de interesses das indústrias que vivem do petróleo 
e de governos que seriam afetados pelas medidas 
necessárias para conter o aquecimento global. 
AMÉRICA LATINA
Na América Central aumentará 
a ocorrência de ciclones 
tropicais. As chuvas devem 
diminuir na Bacia Amazônica 
e aumentar na Bacia do Prata, 
região que abrange o sul do 
Brasil, além de Paraguai, 
Uruguai e Argentina.
AMÉRICA DO NORTE
A região deve ser afetada 
por fortes secas e queda na 
disponibilidade de água, 
especialmente na parte central. 
Haverá maior ocorrência de 
ciclones tropicais no golfo do 
México e na costa leste dos EUA 
e do Canadá.
MUDANÇAS NA TEMPERATURA 
2081-2100
110 C
90
70
50
40
30
20
1,50
10
0,50
VEN
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87GE GEOGRAFIA 2018 
OS EFEITOS 
NO BRASIL
Segundo o Painel 
Brasileiro de Mudanças 
Climáticas (PBMC), até 
2100, a temperatura no 
país irá aumentar entre 
1 ºC e 6 ºC, em 
comparação com a 
registrada no fim do 
século XX. Nesse cenário, 
a agricultura, a geração e 
a distribuição de energia 
e a gestão dos recursos 
hídricos serão afetados. 
Veja os efeitos regionais 
no mapa ao lado.
ÁSIA
As chuvas de monções devem 
se tornar mais intensas no sul 
e no leste do continente. 
A frequência de tempestades e 
ciclones irá aumentar em áreas 
como o Mar do Japão, a Baía de 
Bengala, o Mar do Sul da China 
e o Golfo da Tailândia.
OCEANIA
Fortes ondas de calor devem 
atingir a Austrália, com chuvas 
extremas no sul do país e secas 
no noroeste. As ilhas do Pacífico 
ficarão mais vulneráveis à 
passagem de ciclones tropicais.
ÁFRICA
As temperaturas devem 
aumentar principalmente no 
sul do continente. É provável 
que a seca piore na parte 
ocidental e na região do Sahel, 
provocando queda da safra e 
agravando a situação de fome.
REGIÕES POLARES
O gelo do Ártico pode diminuir 
até 94% durante o verão. 
Com o derretimento na calota 
norte da Terra, o nível do mar 
pode aumentar de 45 a 82 
centímetros, nível considerado 
perigoso pelos cientistas.
EUROPA
A temperatura deve aumentar 
de forma generalizada no 
continente, com menos dias de 
frio intenso no inverno. No sul 
e leste europeus, os períodos 
de seca devem reduzir a água 
disponível e a produtividade 
agrícola, enquanto, no noroeste 
do continente, o IPCC prevê 
maior volume de chuvas.
OUTRAS POSSÍVEIS CONSEQUÊNCIAS:
� Ameaças à biodiversidade e aceleração da extinção de espécies.
� Esgotamento das reservas de água e agravamento de sua distribuição.
� Comprometimento da produção agrícola e da segurança alimentar, 
especialmente nas regiões tropical e subtropical.
� Elevação do nível dos oceanos e ameaças a cidades litorâneas.
NORTE
O volume de chuvas na 
Amazônia deve cair até 40%, 
o que levaria a uma 
substituição da floresta por 
uma vegetação mais rala, 
semelhante à do cerrado.
NORDESTE
Até 2100, a temperatura na 
caatinga poderá subir até 
4,5 ºC, e a ocorrência de chuva 
irá diminuir entre 40% e 50%.
CENTRO-OESTE
As chuvas devem diminuir 
entre 35% e 45%. No Pantanal 
e no cerrado, as temperaturas 
devem subir de 3,5 ºC a 5,5 ºC.
SUDESTE
Na região da Mata Atlântica, o 
clima deverá ficar até 3 ºC mais 
quente e até 30% mais chuvoso.
ZONA COSTEIRA
O aumento do nível do 
mar em até 30 cm afetaria 
ecossistemas costeiros do Norte 
e Nordeste, como manguezais; a 
população litorânea teria de ser 
remanejada.
SUL
Na região dos pampas, 
a temperatura deve subir 3 ºC, 
com previsão de um aumento 
de 40% na ocorrência de chuvas.
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88 GE GEOGRAFIA 2018
ATMOSFERA ENERGIAS RENOVÁVEIS
Alternativas 
limpas
Investimentos em fontes de energia 
renováveis são essenciais para reduzir 
as emissões de gases do efeito estufa
O s cientistas do Painel Intergovernamen-tal sobre a Mudança no Clima (IPCC) são enfáticos em apontar o que é pre-
ciso ser feito para evitar os efeitos dramáticos 
das mudanças climáticas: suspender o uso sem 
restrições de combustíveis fósseis. Desde a 
Revolução Industrial, há mais de 200 anos, 
nossas atividades econômicas são baseadas na 
queima de fontes não renováveis e altamente 
poluentes como petróleo, gás e carvão. A energia 
que consumimos para gerar eletricidade e aque-
cimento, para nos locomovermos em viagens de 
carro, avião ou navios e para mover a atividade 
manufatureira contribui com cerca de metade 
das emissões dos gases de efeito estufa.
Na prática, para alterar essa matriz de 
energia e reduzir a dependência econômica 
de combustíveis fósseis, seria preciso ampliar 
o uso de energias renováveis. Trata-se de um 
procedimento que já está em andamento ao 
redor do mundo, ainda que num ritmo abai-
xo do desejável. A China, o maior emissor de 
gases do efeito estufa do planeta, é o país que 
mais vem investindo em energia renovável há 
alguns anos. Os Estados Unidos e a Europa 
também avançam em projetos para baratear o 
custo dessas fontes de energia. O Brasil, que é o 
sétimo maior investidor em energias renováveis 
� MATRIZ DE ENERGIA 
Combinação das 
fontes de energia 
disponíveis numa 
economia ou país e 
dos usos de energia. 
A economia moderna 
consome energia em 
duas principais formas: 
a energia combustível, 
que alimenta 
principalmente 
equipamentos 
mecânicos, como 
motores, e a energia 
elétrica, que alimenta 
essencialmente 
equipamentos 
eletrônicos.� O QUE ISSO TEM A VER COM HISTÓRIA A Revolução 
Industrial é o processo de transformação da 
economia agrária, baseada no trabalho manual, em 
outra, dominada pela indústria mecanizada, que se 
caracteriza pelo uso de novas fontes de energia e de 
máquinas, pela especialização do trabalho e pela 
aplicação da ciência na indústria. Ela teve início por 
volta de 1760, na Inglaterra. 
Para saber mais, veja o GUIA DO ESTUDANTE HISTÓRIA.
do mundo, tem cerca de 40% de sua matriz 
energética proveniente de recursos renováveis 
(veja o gráfico acima) e caminha para ter 93% 
de sua energia elétrica com origem em fontes 
que não se esgotarão até 2050, de acordo com 
um estudo da ONG Greenpeace. 
Vale ressaltar que algumas das fontes de energia 
alternativas ainda têm um custo ambiental alto. 
As usinas hidrelétricas, por exemplo, costumam 
afetar a biodiversidade, como no caso da Usina de 
Belo Monte, no Pará, que vem causando polêmica 
por reduzir a vazão do Rio Xingu, o que com-
prometeria o ecossistema da região Amazônica. 
Já a energia nuclear pode causar sérios danos 
ambientais com o lixo radioativo. Confira alguns 
exemplos de fontes de energia renováveis e limpas.
Energia eólica
A energia é produzida quando a força do vento 
gira as hélices das turbinas eólicas, que conver-
tem a energia mecânica em elétrica. O Brasil 
tem grande potencial nessa área por possuir 
condições naturais favoráveis. Os estados da 
Bahia, do Ceará, do Rio Grande do Norte e do 
Rio Grande do Sul respondem por 60% de toda 
a energia eólica gerada no país. Só no Nordeste, 
a fonte eólica atende atualmente a 30% das 
necessidades energéticas da região. 
Petróleo 
e derivados
37,3%
Carvão
5,9%
Gás natural
13,7%
Nuclear
1,3%
Biomassa
25,1%
Hidráulica
11,3%
Outras*
5,3%
BRASIL – 2015
Fontes: Agência Internacional de Energia e Ministério de Minas e Energia
RenovávelNão renovável
Gás natural
21,2%
Nuclear
4,8%
Biomassa
10,3%
Hidráulica
2,4%
Outras*
1,4%
Petróleo 
e derivados
31,3%
Carvão
28,6%**
MUNDO – 2014
OFERTA DE ENERGIA POR FONTE
*Inclui eólica e solar **Inclui xisto (folhelho)
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89GE GEOGRAFIA 2018 
Energia solar
A principal forma de captar a energia prove-
niente do Sol é por meio de painéis fotovoltaicos, 
que possuem células solares capazes de trans-
formar a radiação solar em eletricidade.Quanto 
maior a intensidade de luz, maior o fl uxo de 
energia elétrica. O Brasil também é privilegia-
do em radiação solar, especialmente na região 
Nordeste. O elevado preço dessa tecnologia, 
porém, ainda inviabiliza investimentos mais 
pesados nesse tipo de energia no país.
Biomassa
A matéria orgânica também vem sendo utilizada 
para gerar energia. Seu aproveitamento pode ser 
feito pela combustão direta, por processos termo-
químicos ou biológicos. No Brasil, óleos vegetais e 
bagaço de cana, entre outros materiais, dão origem 
à energia elétrica. A biomassa também pode se 
transformar em biocombustíveis – o álcool etílico 
já é amplamente usado nos veículos brasileiros.
Energia geotérmica
O calor interno do globo, principalmente em 
áreas geologicamente ativas, pode produzir 
energia em usinas termelétricas a partir dos 
gêiseres (fontes de vapor no interior da Terra), 
presentes em países como EUA, México e Japão.
PETRÓLEO
A combinação de material 
decomposto com as altas 
temperaturas e a pressão 
do subsolo forma jazidas 
de petróleo e gás. 
O carbono guardado nesses 
depósitos soma 300 bilhões 
de toneladas
CO
2
 + água + energia solar 
O
2
 + açúcares 
CO
2
 
H
2
O
EN
ER
GI
A 
SO
LA
R
FOTOSSÍNTESE
Na fotossíntese, 
as plantas absorvem 
CO
2
 e liberam oxigênio. 
Os vegetais estão na 
base de todas as 
cadeias alimentares 
do planeta
VEGETAÇÃO
Cerca de 600 bilhões 
de toneladas de 
carbono ficam 
estocadas nas plantas 
naturais ou cultivadas
QUEIMADAS E DESMATES
A queima da vegetação 
libera carbono no ar. 
A mata derrubada 
significa menos 
organismos para absorver 
o carbono. Restos de 
matéria orgânica sobre o 
solo têm 1 trilhão de 
toneladas de carbono
CARVÃO MINERAL
Formado com os restos 
soterrados de plantas e 
animais, o carvão mineral 
estoca cerca de 3 trilhões de 
toneladas de carbono
DEVOLUÇÃO 
DO CARBONO
A atmosfera devolve à 
superfície da Terra e aos 
oceanos cerca de 200 
bilhões de toneladas de 
carbono a cada ano
SEDIMENTOS MARINHOS
O carbono depositado em 
sedimentos marinhos 
guarda 150 bilhões de 
toneladas de carbono 
OCEANO
Grande parte do CO
2
 da 
atmosfera dissolve-se 
na água e é absorvida 
por seres marinhos 
ATMOSFERA
A camada gasosa que 
envolve a Terra guarda 
750 bilhões de toneladas 
de dióxido de carbono
O CICLO DO CARBONO
O carbono tem um ciclo natural entre o subsolo, os organismos, 
a atmosfera e os mares. As atividades humanas aumentam sua quantidade 
no ar. O volume de carbono em cada etapa é estimado pelos cientistas
O Sol é a fonte 
de energia que 
sustenta a vida 
na Terra
COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS
A queima de petróleo e 
carvão acelera a liberação de 
carbono para a atmosfera, 
soltando mais de 5 bilhões de 
toneladas no ar a cada ano 
SAIBA MAIS
CICLO DO CARBONO
Apesar de ser o responsável direto pelo efeito estu-
fa e, consequentemente, pelo aquecimento global, o 
carbono é um elemento químico essencial para a vida 
humana. Ele faz parte de um ciclo natural: transita entre 
a atmosfera, a biosfera e a hidrosfera, garantindo o 
equilíbrio do meio ambiente. Para se desenvolverem, 
as plantas transformam o dióxido de carbono presente 
na atmosfera em carboidratos, que formam folhas e 
troncos. Nesse processo, conhecido como fotossíntese, 
os vegetais liberam oxigênio. Os oceanos também 
absorvem o carbono da atmosfera – em contato com 
a água do mar, o dióxido de carbono se transforma 
em ácido carbônico, dissolvendo-se nas profundezas 
dos oceanos.
Mas, além de absorver carbono, esse ciclo natural 
libera o elemento na atmosfera, num processo que pode 
se dar de diversas formas: pela erupção de vulcões, 
pela decomposição de organismos, pela respiração, 
ou mesmo pela flatulência de animais. Infelizmente, 
nosso padrão de desenvolvimento, baseado na queima 
de combustíveis fósseis para a geração de energia, vem 
rompendo esse equilíbrio natural. Em suma, estamos 
emitindo mais carbono do que a natureza é capaz de 
absorver, desestabilizando o ciclo.
� O QUE ISSO TEM 
A VER COM BIOLOGIA
A fotossíntese é um 
processo metabólico, 
pelo qual os vegetais 
transformam gás 
carbônico (CO2) e água 
em açúcares e oxigênio. 
A energia necessária para 
que a fotossíntese ocorra 
vem do Sol e é captada 
pelo pigmento clorofila. 
A fotossíntese pode ser 
resumida na seguinte 
equação:
6 CO2 + 12 H2O + luz = 
C6H12O6 + 6 O2 + 6H2O
O C6H12O6 é a glicose, 
um carboidrato (açúcar).
Para saber mais, 
veja o GUIA DO 
ESTUDANTE BIOLOGIA.
MULTI/SP
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90 GE GEOGRAFIA 2018
ATMOSFERA PROTOCOLO DE KYOTO E ACORDO DE PARIS
Difícil consenso
Na Conferência Geral das Partes, os 
países discutem ações para conter 
a mudança climática e estabelecem 
tratados, como o Acordo de Paris
A constatação de que a intensa emissão de gases do efeito estufa está alterando o clima do planeta vem mobilizando a co-
munidade internacional nos últimos anos. Mas 
enfrentar um problema global dessas proporções 
requer um difícil alinhamento entre os líderes 
mundiais. Em fóruns internacionais como a 
Conferência Geral das Partes, os países se 
reúnem todos os anos para discutir ações para 
conter a mudança climática – ela é conhecida 
por sua sigla em inglês: COP. 
Chegar a um consenso nas COPs é uma tarefa 
muito complicada porque há vários interesses 
conflitantes entre as nações. Por isso que o Acor-
do de Paris, firmado em dezembro de 2015, foi 
considerado histórico: pela primeira vez houve 
um entendimento para a redução das emissões de 
carbono que envolve todas as nações do mundo. 
O Protocolo de Kyoto
Antes do Acordo de Paris, o grande marco am-
biental havia sido o Protocolo de Kyoto, assinado 
em 1997 durante a terceira COP. O documento 
é o primeiro acordo oficial com metas e prazos 
para reduzir as emissões de gases do efeito estu-
fa. Ele estabeleceu que os países desenvolvidos, 
responsáveis por lançar a maior parte dos gases, 
deveriam reduzir suas emissões em pelo menos 
5% em relação aos níveis de 1990. Já as nações em 
desenvolvimento, como o Brasil e a China, que ti-
veram uma industrialização tardia, não precisaram 
adotar metas, mas comprometiam-se a diminuir 
a emissão de carbono voluntariamente.
Mas o Protocolo de Kyoto já nasceu prati-
camente condenado. Os EUA não assinaram o 
documento por se recusar a mudar sua matriz 
energética – fortemente dependente de petróleo 
– e não concordar com a ausência de metas para 
os países em desenvolvimento. Posteriormente, 
outros países também abandonaram os compro-
missos firmados no protocolo. Os governos de 
Canadá, Japão, Austrália e Rússia passaram a 
reclamar da falta de compromisso das economias 
emergentes. Eles alegam que o crescimento eco-
nômico de países como China e Índia aumentou 
muito a emissão de carbono global, e exigiam o 
cumprimento de metas dessas nações.
COMPROMISSO
O presidente da França, 
François Hollande (à dir.), 
e outras autoridades 
mundiais celebram a 
assinatura do Acordo de 
Paris, em dezembro de 
2015, durante a COP21VEN
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91GE GEOGRAFIA 2018 
SAIBA MAIS
MERCADO DE 
CARBONO
Para minimizar o dese-
quilíbrio entre as emis-
sões de gases dos países 
ricos e dos menos de-
senvolvidos, o Protoco-
lo de Kyoto estabeleceu 
o “mercado de carbono”. 
Ele funciona da seguinte 
forma: os países desen-
volvidos, incapazes de 
substituir o carvão e o pe-
tróleo de uma hora para 
outra, podem compensar 
parte de suas emissões 
comprando créditos de 
carbono de outros países 
cujas emissões ficaram 
abaixo do limite estipu-
lado. Esses créditos são 
pagos com investimentos 
em projetos que ajudem 
as nações vendedoras a 
reduzir suas emissões de 
gases do efeito estufa. 
O primeiro projeto ba-
seado nesse mercado de 
carbono foi implemen-
tado em 2005, em Nova 
Iguaçu (RJ). Um antigo 
lixão foi transformado 
em aterro sanitário com o 
financiamento da Holan-
da. Agora, com o Acordo 
de Paris, a previsão é que 
esse mecanismo se disse-
mine mais pelo mundo.
O Acordo de Paris
Por todas essas dificuldades, o Acordo de Paris 
firmadodurante a COP21, realizada na capital 
francesa, em dezembro de 2015, foi recebido 
com bastante otimismo. O documento, assinado 
por representantes de 195 países-membros da 
Convenção do Clima da ONU, entrou em vigor 
em novembro de 2016. Ele obriga a participação 
de todos os países – e não apenas os ricos – no es-
tabelecimento de metas para limitar o aumento da 
temperatura média do planeta até 2100. O objetivo 
é restringir o aquecimento a “bem menos de 2º C”.
Cada nação fica obrigada a apresentar um con-
junto de metas para reduzir a emissão de carbono. 
O documento final também estabeleceu que os 
países ricos irão garantir um financiamento de, 
no mínimo, 100 bilhões de dólares por ano para 
projetos de combate às mudanças do clima e 
adaptação em nações em desenvolvimento a 
partir de 2020 e até, ao menos, 2025. 
Mas o acordo não é perfeito. Apesar de o es-
tabelecimento das metas ser compulsório para 
todas as nações, o cumprimento dos objetivos 
é voluntário. Além disso, o conjunto das metas 
apresentado pelos países é considerado insufi-
ciente – mesmo que todos os países consigam 
cumprir o que propuseram, a temperatura média 
ainda deverá subir entre 2,7º C e 3,5º C.
Para piorar, a posse de Donald Trump como 
presidente dos EUA causa temores de que o país 
possa se retirar do acordo. Trump, que se mostra 
cético em relação ao aquecimento global, disse 
não querer que a economia norte-americana seja 
prejudicada em virtude das metas de redução de 
gases (veja mais na pág. 70).
Os compromissos do Brasil
O Brasil oficializou a meta voluntária de redu-
zir as emissões de gases do efeito estufa em 37% 
até 2025 e 43% até 2030 em relação aos valores 
de 2005. Além dessa meta, o compromisso do 
Brasil apresentado na COP21 inclui garantir 
45% de fontes renováveis no total da matriz 
energética, ampliar para 23% a participação 
de fontes renováveis (eólica, solar e biomassa) 
na geração de energia elétrica e acabar com o 
desmatamento ilegal.
Segundo o governo, as emissões entre 2005 e 
2012 reduziram 41,1%. Em boa medida, essa re-
dução é creditada a uma forte queda nos índices 
de desmatamento na Amazônia Legal. Na última 
década, as atividades ligadas à derrubada das 
florestas deixaram de ser a principal emissora 
de CO2. Atualmente, a produção de energia a 
partir da queima de combustíveis fósseis é a 
maior fonte poluidora do país.
Menos de 10.000
Sem dados disponíveis
Mais de 1.000.000
De 500.000 a 1.000.000
De 100.000 a 499.999
De 10.000 a 99.999
FRANCOIS GUILLOT/AFP
POLUIÇÃO E DESENVOLVIMENTO Países desenvolvidos como Estados Unidos, Canadá e 
Japão estão entre os que mais emitem carbono na atmosfera. Mas note que as nações em 
desenvolvimento que tiveram crescimento acelerado na última década (2001-2010), como Brasil, 
China e Índia, também são grandes emissoras. A África é o continente que menos polui.
EMISSÕES DE CARBONO – 2012
Em milhares de metros cúbicos de CO
2
 equivalente
Fonte: Banco Mundial
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92 GE GEOGRAFIA 2018
COMO CAI NA PROVA
1. (Enem 2016) (primeira aplicação) Segundo a Conferência de Kyoto, os paí-
ses centrais industrializados, responsáveis históricos pela poluição, deveriam 
alcançar a meta de redução de 5,2% do total de emissões segundo níveis de 
1990. O nó da questão é o enorme custo desse processo, demandando mudanças 
radicais nas indústrias para que se adaptem rapidamente aos limites de emissão 
estabelecidos e adotem tecnologias energéticas limpas. A comercialização 
internacional de créditos de sequestro ou de redução de gases causadores do 
efeito estufa foi a solução encontrada para reduzir o custo global do processo. 
Países ou empresas que conseguirem reduzir as emissões abaixo de suas metas 
poderão vender este crédito para outro país ou empresa que não consiga.
BECKER, B. Amazônia: Geopolítica na Virada do II Milênio. Rio de Janeiro: Garamond, 2009.
As posições contrárias à estratégia de compensação presente no texto rela-
cionam-se à ideia de que ela promove 
a) retração nos atuais níveis de consumo. 
b) surgimento de confl itos de caráter diplomático. 
c) diminuição dos lucros na produção de energia. 
d) desigualdade na distribuição do impacto ecológico.
e) decréscimo dos índices de desenvolvimento econômico. 
RESOLUÇÃO
O Protocolo de Kyoto é um acordo internacional assinado em 1997 pelo qual os países 
desenvolvidos se comprometeram a reduzir sua emissão de gases do efeito estufa. 
O problema é que muitos países relutam em fazer a transição para uma matriz mais 
limpa porque ela implica elevados custos que podem comprometer o desenvolvimento 
econômico. Para lidar com essa questão, o Protocolo de Kyoto criou um mecanismo 
conhecido como mercado de carbono. Trata-se de uma forma de compensação que é 
criticada por manter a desigualdade na distribuição do impacto ecológico: as nações 
desenvolvidas, tradicionais emissoras de gases do efeito estufa, podem continuar quei-
mando combustíveis fósseis desde que comprem os chamados créditos de carbono de 
nações ou empresas que tenham conseguido diminuir suas emissões abaixo da meta. 
Resposta: D
2. (Fuvest 2016) Considere a matriz energética mundial.
a) Identifi que, com base no quadro acima, uma fonte de energia que é consi-
derada a maior responsável tanto pelo efeito estufa quanto pela formação 
da chuva ácida. Justifi que sua resposta.
b) Identifi que a principal fonte de energia usada nas usinas hidrelétricas, 
no Brasil, e explique uma vantagem quanto ao uso desse recurso natural.
c) Identifi que, com base no quadro acima, as fontes de energia usadas nas 
usinas termelétricas, no Brasil, e explique uma desvantagem de ordem 
econômica que elas apresentam. 
 RESOLUÇÃO
a) Entre as fontes de energia apresentadas, o carvão mineral (combustível fóssil) 
é o principal responsável pelo efeito estufa e pela formação da chuva ácida. A 
sua queima nas termoelétricas resulta na liberação de grande quantidade de 
carbono que, por reações químicas com os gases da atmosfera, produz compos-
tos como o CO e o CO
2
. Eles são responsáveis pela retenção de calor refl etido 
pela superfície da Terra, intensifi cando o efeito estufa. Esses compostos (CO e 
CO
2
) também reagem com o vapor de água da atmosfera, bem como com as 
gotículas em suspensão no ar (as nuvens), causando as chamadas chuvas ácidas.
b) As usinas hidrelétricas são movidas pela força das águas (energia hidráulica) 
– no caso brasileiro, pela força das águas dos rios. Esta energia corresponde a 
uma fonte renovável e não poluente (limpa), pois não há a emissão de gases 
estufa e apresenta menor custo na geração de energia. 
c) De modo geral, as usinas termelétricas brasileiras utilizam gás natural, carvão 
mineral e petróleo e derivados. Trata-se de fontes energéticas importadas, com 
custo elevado, principalmente o petróleo e o gás. Como o valor dessas fontes 
está atrelado ao dólar, o seu uso encarece a geração de eletricidade no país. Isso 
pode impactar na balança comercial do país e ser uma desvantagem econômica. 
3. (Mackenzie 2016)
Estabeleça a correspondência entre os climogramas e os respectivos domínios 
morfoclimáticos brasileiros.
vv
( ) Clima Equatorial – Domínio Amazônico.
( ) Clima Subtropical – Domínio das Araucárias e Domínio das Pradarias.
( ) Clima Semiárido – Domínio da Caatinga.
( ) Clima Tropical – Domínio do Cerrado e Domínio de Mares de Morros.
( ) Clima Tropical Úmido – Domínio de Mares de Morros.
( ) Clima Tropical de Altitude – Domínio de Mares de Morros.
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93GE GEOGRAFIA 2018 
RESUMO
Lorem ipsondolor
GIAMCORE MAGNA accum am, vullam, core feum auguerit, si 
blam, quat. Lor sequat lorerci tem accum il ulput nummy nit 
nullam adit ea ad tetumsan hent lor init adionsequip exeros 
do dolor sum zzrit amcorer sustrud dui et autpatin eugue ve-
lenim vulluptate consectem zzrit wismod el ulputatum incing 
et lutdiamcom molumsandip.
EAFACIDUNT DOLOBOR sustrud magna feugiam veniam 
zzrilit luptatem iriusto consequi eraestoeugait luptat do ese 
tat dolut venis amconsed mincillandre commodi onullan ver 
sustrud modigniam ipsuscillam, cor iliquat.
Num volobor eraestionum ing eniatummy nulputem vent amet 
iusto odignim quisis adiam aliquat vel esequip
IS NULLA FEUGAIT aut venim nostrud min ut wissecte magni-
bh et nim incillandre do commy non hendip eu feugait lobore 
magnim am, quisciduis nulluptatum venit in velendi gnissenit, 
sequat. Equat. Ut iliscidunt la commy nostion hendiam commod 
dit velendrero diat, vel ing ex elit at pratin esectet nonullan 
heniam doloreet amcore do eu facil utpat. Osto odiamet, velent 
pratet nosto consequisl ullandrem quat am dolorem veliquatue 
min velesequam nonse facipisim zzriure.
RCILIQUATET VULLAN ute commy nullaorem ip ero consectet 
lum vel ulput veliquis exerosting endreros aut ilis at. Lesto do-
lorperci tio dolutpat ullaore riurerit in henim iusci bla at. Gait 
atummolore tie te er ipisim dit wisl ipsum dunt velis aliquat. 
NONUMMO LOBORERO etumsandrem dolorperatem do duis 
acidunt vel ullamet nosto coreet alis aliquipit vent adignisim 
ipsuscipit in Del ut lutat aute mincill andipsustis do exeraestrud 
eum nissed essequat nonulput volore tem adit er ip elenit ing 
et irilit iureet laorem veraess equisi. Ecte vulla commy nullam, 
sis nulluptat, sum venibh elesto conum nonulla facilit nit lorem 
delesto ea feui blandre eui tet lam
IS NULLA FEUGAIT aut venim nostrud min ut wissecte magni-
bh et nim incillandre do commy non hendip eu feugait lobore 
magnim am, quisciduis nulluptatum venit in velendi gnissenit, 
sequat. Equat. Ut iliscidunt la commy nostion hendiam commod 
dit velendrero diat, vel ing ex elit at pratin esectet nonullan 
heniam doloreet amcore do eu facil utpat. 
RCILIQUATET VULLAN ute commy nullaorem ip ero consectet 
lum vel ulput veliquis exerosting endreros aut ilis at. Lesto do-
lorperci tio dolutpat ullaore riurerit in henim iusci bla at. Gait 
atummolore tie te er ipisim dit wisl ipsum dunt velis aliquat. 
NONUMMO LOBORERO etumsandrem dolorperatem do duis 
acidunt vel ullamet nosto coreet alis aliquipit vent adignisim 
ipsuscipit in Del ut lutat aute mincill andipsustis do exeraestrud 
eum nissed essequat nonulput volore tem adit er ip elenit.
Atmosfera
FENÔMENOS ATMOSFÉRICOS Principal objeto de estudo 
dos meteorologistas, eles se formam com diferentes reações 
químicas que ocorrem na atmosfera. Nuvem, chuva, neve, 
granizo, geada, vento e massas de ar são formados por causa 
de certas condições de umidade, pressão e temperatura.
EL NIÑO Esse fenômeno se forma duas vezes a cada dez anos 
na época do Natal, com o enfraquecimento dos ventos alísios, 
que normalmente sopram as águas aquecidas do Pacífico do 
leste para o oeste – da costa da América do Sul até a região da 
Indonésia. Como essas águas quentes e úmidas permanecem 
na costa sul-americana, elas provocam chuvas nessa área e 
seca na Indonésia e Austrália. 
CLIMAS DO MUNDO São dez os principais tipos climáticos do 
mundo: equatorial, tropical, mediterrâneo, temperado, sub-
tropical, desértico, semiárido, frio de montanha, frio e polar. 
Fatores como latitude, altitude, proximidade do mar, pressão 
atmosférica e influência das correntes marítimas determinam 
as diferenças entre os climas.
CLIMAS DO BRASIL O Brasil possui seis tipos climáticos prin-
cipais: equatorial, tropical, semiárido, tropical de altitude, 
tropical atlântico e subtropical. A ocorrência de chuvas e a 
temperatura média são os critérios mais importantes para 
definir os climas no Brasil.
AQUECIMENTO GLOBAL O efeito estufa é um fenômeno na-
tural, no qual os gases presentes na atmosfera retêm o calor 
recebido do Sol. A emissão de gases por indústrias, veículos, 
desmatamento e agropecuária potencializa o fenômeno e pode 
ser um dos causadores do aquecimento global.
ENERGIAS ALTERNATIVAS Uma das alternativas para reduzir 
a emissão de gases do efeito estufa é a adoção de fontes de 
energia renovável. No Brasil, quase metade da energia utiliza-
da é proveniente de recursos renováveis. Entre as principais 
energias alternativas destacam-se a eólica (produzida pelos 
ventos), a solar (proveniente do Sol) e a biomassa (feita com 
matéria orgânica).
PROTOCOLO DE KYOTO E ACORDO DE PARIS O Protocolo de 
Kyoto foi estabelecido em 1997 com o objetivo de diminuir a 
emissão de gases do efeito estufa. Ele previa que os países 
desenvolvidos deveriam cortar suas emissões de dióxido de 
carbono e outros gases, mas isentava os países em desenvol-
vimento da obrigação de reduzir as emissões. O acordo não 
funcionou e foi substituído pelo Acordo de Paris. Assinado em 
dezembro de 2015, ele obriga todos os 195 países signatários a 
estabelecer metas para o corte de emissões de gases do efeito 
estufa, de modo a evitar que o aquecimento médio do planeta 
ultrapasse os 2 ºC até 2100.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta. 
a) 1 – 6 – 5 – 3 – 2 – 4
b) 1 – 6 – 5 – 2 – 4 – 3
c) 1 – 2 – 4 – 5 – 3 – 6
d) 4 – 6 – 5 – 3 – 2 – 1
e) 4 – 6 – 5 – 2 – 1 – 3
RESOLUÇÃO
Nos climogramas, as barras indicam pluviosidade e a linha a temperatura. Sendo 
assim, temos: 
Climograma 1: indica elevadas temperaturas médias, baixa amplitude térmica 
anual e chuvas abundantes no decorrer do ano todo, o que é típico do clima 
equatorial, característico do domínio morfoclimático amazônico.
Climograma 2: representa o clima tropical típico, que é marcado pela existência 
de dois períodos distintos: um chuvoso e outro de baixa pluviosidade. O domínio 
do cerrado é característico desse tipo de clima.
Climograma 3: está ligado a uma variação de clima tropical: o de altitude. Embora 
contenha características pluviométricas semelhantes ao clima tropical típico, 
possui médias térmicas inferiores e se liga ao domínio de mares de morros.
Climograma 4: representa o clima tropical úmido, típico do litoral oriental nor-
destino, que concentra as chuvas no outono e no inverno. O domínio dos mares 
de morros engloba as áreas sujeitas ao clima tropical úmido.
Climograma 5: indica um clima semiárido, presente no domínio da caatinga, com 
altas temperaturas médias e pluviosidade baixa e irregular no decorrer do ano.
Climograma 6: está ligado ao clima subtropical, de alta amplitude térmica anual 
e chuvas bem distribuídas no decorrer do ano, típico do domínio das pradarias. 
 Resposta: B
�SAIBA MAIS
O clima corresponde ao comportamento do tempo atmosférico durante um longo 
período. No Brasil os principais fatores climáticos são: a latitude, a altitude, as 
massas de ar e a continentalidade.
A diferença climática no Brasil permite que haja grande variação de temperatura 
no nosso território. Como podemos verifi car no mapa abaixo, há predominância 
das maiores temperaturas médias anuais na Região Norte, fenômeno que pode 
ser explicado pela baixa latitude, o que resulta em elevada insolação durante o 
ano. Em contrapartida, os valores de temperatura na Região Sul do país são os 
mais baixos em razão de sua localização em latitudes médias, o que resulta na 
ação mais intensa das massas polares.
 
 TEMPERATURA MÉDIA ANUAL EM 2014
empraba.gov.br
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94 GE GEOGRAFIA 2018
CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO
� Ecologia ...............................................................................................................96
� A evolução do planeta ....................................................................................98
� Vegetação no mundo ....................................................................................100
� Biomas brasileiros .........................................................................................106
� Preservação e conservação ........................................................................110
� Código Florestal .............................................................................................111
� Conferências ambientais ............................................................................112
� Como cai na prova + Resumo .....................................................................1145
BIOSFERA
Há muitos anos, cientistas do Brasil e do mundo vêm apontando como o desma-tamento aliado à ocorrência de períodos 
de seca podem provocar profundas alterações 
na Floresta Amazônica e fazer com que ela 
sofra um processo de “savanização”. Ou seja, a 
exuberante floresta tropical perderia biomassa 
e daria lugar a uma vegetação mais rala, com 
árvores espaçadas e menos folhas, bem parecida 
com o Cerrado brasileiro.
Dois estudos recentes, um do Instituto de 
Pesquisa Climática de Postdam (PIK), da Ale-
manha, e outro de um grupo de cientistas bra-
sileiros de diversas instituições, jogaram mais 
luzes sobre essa questão. De modo geral, eles 
mostram a ocorrência de um ciclo vicioso de 
seca e diminuição florestal na Amazônia. A 
derrubada de árvores de grande porte, que têm 
maior capacidade de regular as chuvas, afeta 
diretamente o clima, que tende a ficar mais 
seco. Por sua vez, a redução das precipitações 
provoca a morte de mais árvores. Resumindo: 
quanto menor a floresta, maior a seca, e, quanto 
maior a seca, menor a floresta.
Essa alteração climática não fica restrita apenas 
à região. Por meio do fenômeno conhecido como 
“rios voadores”, a umidade e o vapor d’água da 
Amazônia são transportados para outros lugares, 
regulando o ciclo hidrológico de diversos pontos 
do país. Logo, as alterações no clima da Amazônia 
também afetariam outras regiões brasileiras.
O fato é que é impossível dissociar esse proble-
ma da ação humana, que intensifica o fenômeno 
por meio da emissão de gases do efeito estufa e 
da derrubada das árvores. O governo brasileiro 
comprometeu-se a acabar com o desmatamento 
ilegal da Floresta Amazônica até 2030, mas está 
longe de atingir essa meta. No ano passado, a 
área desmatada cresceu 28%, atingindo 7.989 
quilômetros quadrados – um território equiva-
lente a cinco vezes a cidade de São Paulo. Foi a 
maior taxa registrada desde 2008. Pará, Mato 
Grosso e Rondônia foram os estados que apre-
sentaram os maiores índices de perda florestal, 
somando 75% do desmatamento.
Nas próximas páginas, você encontrará mais 
informações sobre a 
Amazônia e outros 
biomas brasileiros. 
Abordamos também 
os perigos mais laten-
tes aos ecossistemas 
mundiais e as ações 
governamentais para 
tentar frear as amea-
ças ao meio ambiente.
A combinação de desmatamento e seca pode fazer com 
que a maior floresta tropical do planeta se transforme em 
uma região com as características do Cerrado
A Amazônia sob risco 
de “savanização”
SOBREVIVENTE 
Árvore isolada no meio 
de uma fazenda na cidade 
de Novo Progresso (PA), 
na região da Amazônia: 
a devastação do bioma 
aumentou 28% em 2016 em 
relação ao ano anterior
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95GE GEOGRAFIA 2018 UESLEI MARCELINO/REUTERS
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96 GE GEOGRAFIA 2018
5 BIOSFERA ECOLOGIA
O termo ecologia ganhou destaque nas últimas décadas, juntamente com a relevância crescente dos 
assuntos relacionados ao meio ambien-
te. Muitas vezes esse termo é usado de 
forma indevida ou superficial, como em 
afirmações do tipo “Defenda a ecolo-
gia”. Na verdade, trata-se da ciência que 
estuda as relações dos seres vivos entre 
si ou com o ambiente em que vivem. A 
ecologia é um conteúdo multidiscipli-
nar que engloba estudos de Biologia, 
Geografia, Geologia, Química, entre 
outras áreas curriculares. 
Veja a seguir alguns conceitos essen-
ciais para a compreensão da ecologia, 
como ecossistema, bioma, biosfera e 
biodiversidade:
Ecossistemas
Os ecossistemas são sistemas dinâ-
micos resultantes da interdependência 
entre os fatores físicos do meio am-
biente e os seres vivos que o habitam. 
Os nutrientes, a água, o ar, os gases, 
a energia disponível e as substâncias 
orgânicas e inorgânicas num ambiente 
constituem a parte abiótica (não viva) 
Delicado 
equilíbrio
A relação que os seres vivos 
mantêm entre si e com o 
ambiente que habitam 
forma um ciclo natural 
que sustenta a vida no planeta
de um ecossistema. O conjunto de seres 
vivos é chamado de biota e é composto 
de três categorias de organismos: as 
plantas, os animais e os decomposito-
res – microrganismos que decompõem 
plantas e animais e os transformam em 
componentes simples, reciclados.
Uma floresta, um rio, um lago ou um 
simples jardim são exemplos de ecos-
sistemas. Eles se misturam e interagem. 
Os ecossistemas podem, também, ser 
subdivididos em pequenas unidades 
bióticas, conhecidas como comunida-
des biológicas. Elas são formadas por 
duas ou mais populações de espécies 
que interagem e são interdependentes – 
como o conjunto da flora e da fauna 
de um lago. 
Já o termo habitat se refere a um 
ambiente ou ecossistema que ofere-
ce condições especialmente favorá-
veis à sobrevivência de certa espécie. 
Por exemplo, o cerrado é o habitat do 
lobo-guará. Um ecossistema pode ser 
o habitat de diversas espécies para as 
quais oferece alimento, água, abrigo, 
entre outras condições essenciais à 
reprodução da vida.
PERFEITA HARMONIA Aves tuiuiús e caturritas em árvore do Pantanal: o Brasil abriga uma das mais ricas biodiversidades do planeta
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97GE GEOGRAFIA 2018 
� O QUE ISSO TEM A VER COM BIOLOGIA
Veja abaixo uma descrição resumida dos cinco reinos da natureza:
Reino Monera: organismos unicelulares procariontes, como bactérias 
e cianobactérias
Reino Protista: seres unicelulares eucariontes, como algas, protozoários 
e amebas
Reino dos Fungos: seres eucariontes, unicelulares e pluricelulares, 
como mofos, bolores, cogumelos e leveduras
Reino Vegetal: seres pluricelulares autótrofos, com células revestidas 
de uma parede de celulose, como briófitas (musgos), pteridófitas 
(samambaias), gimnospermas (pinheiros) e angiospermas (plantas 
com flores e frutos)
Reino Animal: organismos pluricelulares e heterótrofos, que inclui 
os vertebrados (um subfilo dos cordados, que abrange animais com 
esqueleto interno, coluna vertebral, cérebro e medula espinhal) e os 
invertebrados (animais sem coluna vertebral nem cérebro)
Para saber mais, veja o GUIA DO ESTUDANTE BIOLOGIA
Biomas
Os grandes conjuntos relativamen-
te homogêneos de ecossistemas são 
chamados de biomas. O termo bioma 
designa as comunidades de organismos 
estáveis, desenvolvidas e bem adaptadas 
às condições ambientais de uma grande 
região – pense na Floresta Amazônica 
ou na tundra ártica. Na Geografia, o 
estudo dos biomas tem como um dos 
focos principais a vegetação, elemento 
que se destaca na paisagem.
Biosfera
A biosfera ou “esfera da vida” é o con-
junto de todos os biomas do planeta. Ela 
faz referência a todas as formas de vida 
da Terra em escala global – dos reinos 
monera, protista, animal, vegetal e dos 
fungos – em conjunto com os fatores não 
vivos que as sustentam. A biosfera abran-
ge desde as profundezas dos oceanos, 
que atingem cerca de 11 mil metros, até 
o limite da troposfera, camada inferior 
da atmosfera, que atinge uma altitude 
de cerca de 12 mil metros. Entre os seres 
vivos, os humanos são os que possuem a 
maior capacidade de intervenção (positi-
va e negativa) no equilíbrio das diversas 
formas de vida que constituem a biosfera.
Biodiversidade
O termo biodiversidade abarca toda a 
variedade das formas de vida (animais, 
vegetais e microrganismos), espécies e 
ecossistemas, em uma região ou em todo 
o planeta. É uma riqueza tão grande que 
se ignora o número de espécies vegetais e 
animais existentes no mundo. A estimati-
va é de que haja cerca de 14 milhões, mas 
até agora somente 1,7 milhão foi classi-
ficado pela União Internacional para a 
Conservação da Natureza (IUCN).
A biodiversidade garante o equilí-
brio dos ecossistemas e, por tabela, do 
planeta todo. Por isso, qualquer dano 
provocado a ela não afeta somente as 
espécies que habitam determinado lo-
cal, mas toda uma fina rede de relações 
entre os seres e o meio em que vivem. 
A principal ameaça à biodiversidade do 
planeta é justamente a ação humana. 
De acordo a World Wildlife Fund, uma 
das ONGs ambientalistas mais ativas no 
mundo, em menos de 40 anos o planetaperdeu 30% de sua biodiversidade, sen-
do que os países tropicais tiveram uma 
queda de 60% nesse período.
SAIBA MAIS
PEGADA ECOLÓGICA
Segundo a organização não governamental World Wildlife Fund, o homem está consumindo 
30% a mais dos recursos naturais que a Terra pode oferecer. Se continuarmos nesse ritmo 
predatório de exploração dos recursos naturais, em 2030 a demanda atingirá os 100%, ou seja, 
precisaremos de dois planetas para sustentar o mundo.
A pressão das atividades humanas sobre os ecossistemas é medida pela pegada ecológica. 
Ela nos mostra se o nosso estilo de vida está de acordo com a capacidade do planeta de 
oferecer seus recursos naturais, de renová-los e de absorver os resíduos produzidos pela 
atividade humana. 
O índice, apresentado em hectares globais, representa a superfície ocupada por terras cultiva-
das, pastagens, florestas, áreas de pesca ou edificadas. Em tese, a sustentabilidade do planeta 
estaria garantida se cada pessoa no mundo utilizasse 1,8 hectare de área (quase dois campos de 
futebol). O problema é que essa média é de cerca de 2,7 hectares. Nos países desenvolvidos, esse 
número é ainda maior – o índice dos Estados Unidos, por exemplo, é de 8 hectares por pessoa. 
O Brasil apresenta um índice um pouco maior que a média mundial: 2,9 (veja mapa abaixo).
THIAGO BAZZI
< 1,7
> 6,7
5,1 - 6,7
3,4 - 5,1
1,7 - 3,4
Fonte: Global Footprint Network
PEGADA ECOLÓGICA MUNDIAL
Em hectares por pessoa
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98 GE GEOGRAFIA 2018
BIOSFERA A EVOLUÇÃO DO PLANETA
Qual é a origem da vida na terra?
Nosso planeta surgiu 5 bilhões de anos atrás, após uma 
complexa cadeia de eventos. As primeiras formas de vida 
apareceram 1,5 bilhão de anos depois, e o nascimento do 
homem ocorreu há “apenas” 100 mil anos
Da massa de moléculas inanimadas 
de carbono surgiu a vida há 3,5 bilhões de 
anos. Parece milagre, mas é pura química. 
O planeta, então, era frequentemente 
bombardeado por meteoros, 
restos da explosão inicial
Há quase 
5 bilhões de anos, uma 
estrela explodiu num canto da Via 
Láctea, espalhando poeira pelo espaço. 
A gravidade começou a juntar 
os grãos de poeira em pedaços 
cada vez maiores. 
Assim surgiu 
a Terra
3 BILHÕES
As células se espalham pela Terra. 
Mas o processo é lento, diante da 
queda de meteoros. O planeta, 
ainda novo, guarda o calor da 
explosão estelar, e seu interior 
quente vive vazando por vulcões. 
Outro problema são os tórridos 
raios solares
2 BILHÕES
A agitação cósmica e geológica aos 
poucos vai diminuindo, enquanto 
o planeta esfria. Forma-se a 
camada de ozônio, que torna os 
raios solares menos nocivos e 
permite o surgimento de formas 
de vida mais complexas
1 BILHÃO
Aparecem células mais 
complicadas, os eucariontes, 
que possuem todas as organelas. 
A vida vai, aos poucos, tomando 
o planeta, protegida do Sol pela 
camada de ozônio. Os meteoros 
são cada vez mais raros
600 MILHÕES
Surgem os primeiros 
organismos multicelulares – 
todos invertebrados. 
A variedade de vida aumenta 
de maneira impressionante. 
Os oceanos se povoam com os 
seres mais estranhos
ERA ARQUEOZOICA ERA PROTEROZOICA
No decorrer da história do planeta, os continentes navegaram sobre a rocha derretida (veja mais na pág. 30)
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De tempo em tempo, a vida na Terra sofre um grande golpe e ocorre uma extinção em massa. Foi assim 
há meio bilhão de anos, quando boa parte dos seres sumiu de repente. Pouco se sabe sobre a tragédia – 
mas a prova de que ela aconteceu são as conchas fossilizadas de animais marinhos, cuja diversidade teve 
uma brusca redução
Há 230 milhões de anos ocorreu outra grande extinção. Das espécies marinhas, 96% simplesmente sumiram. 
Algumas teorias acreditam que grandes erupções vulcânicas tenham provocado isso. Essa extinção em massa, 
conhecida como a do fim do Permiano, foi muito pior do que a que acabou com os dinossauros
A culpa pela extinção em massa que assolou o planeta há 65 milhões de anos, matando os dinossauros, 
geralmente é atribuída a um meteoro, embora ainda haja dúvidas. Paradoxalmente, o cataclismo foi um 
impulso para a vida: abriu espaço para que outras espécies se desenvolvessem. Fenômeno parecido 
aconteceu em outras grandes extinções
Vivemos hoje outra imensa extinção em massa, esta com uma causa bem diferente das outras: a ação humana. 
Centenas de espécies somem todos os dias por causa da perda de habitats, principalmente nas florestas tropicais. 
O homem já é a maior força transformadora do planeta, superando tempestades, furacões e terremotos
400 MILHÕES
Há 350 milhões de anos, 
os vertebrados saem do mar – 
surgem os anfíbios. Todos os 
continentes estão unidos em 
um só grande bloco – 
a Pangeia, que começa a ser 
habitada por muitas plantas 
primitivas (veja mais na pág. 30)
300 MILHÕES
Os répteis aparecem 
há 300 milhões de anos e, 
em seguida, tomam o planeta. 
Os primeiros dinossauros 
passam a ser vistos em 
todos os continentes. 
Os insetos também se 
diversificam muito
200 MILHÕES
Há 200 milhões de anos 
surgem os mamíferos – 
então não muito mais que 
ratinhos insignificantes com 
características de répteis. 
A Terra ainda é dos dinossauros. 
Outra inovação: as plantas 
ganham flores
100 MILHÕES
Com a extinção dos 
dinossauros, há 65 milhões 
de anos, sobra espaço para 
os mamíferos. Eles se 
tornam maiores e mais 
diversificados e herdam 
o trono do planeta. 
As aves também se espalham
HOJE
Surge o homem – 
há apenas 100 mil 
anos, insignificantes 
para a longa história do 
planeta. A nova espécie 
vem alterando a Terra 
como nenhuma antes fizera
ERA PALEOZOICA ERA MESOZOICA ERA CENOZOICA
500 MILHÕES
Aparecem os peixes 
primitivos – não muito 
diferentes dos atuais 
tubarões. São os primeiros 
vertebrados. A Terra fica 
mais interessante
1 2
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LUIZ IRIA, RODRIGO MAROJA E DENIS RUSSO BURGIERMAN/REVISTA SUPERINTERESSANTE 
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Vegetação mediterrânea
Tundra
Vegetação de montanha
Floresta de coníferas
Floresta tropical
Estepe/pradaria/pampas
Savana/cerrado
Floresta temperada
Deserto
Fonte: The Times Concise Atlas of the World
BIOSFERA VEGETAÇÃO NO MUNDO
As diferentes 
paisagens 
do planeta
Conheça as características 
e a localização dos principais 
tipos de formação vegetal 
do planeta
Na Geografia, as diferentes for-mações vegetais da Terra são analisadas do ponto de vista da 
distribuição geográfica, das característi-
cas fisionômicas e das suas relações com 
o clima, o relevo, os solos e o substrato 
rochoso. O estudo da vegetação também 
deve ser feito sob o ponto de vista da 
exploração econômica pelo homem e 
as consequências socioambientais da 
derrubada das florestas. 
Veja a seguir as principais formações 
vegetais do planeta, onde elas se loca-
lizam e quais são suas características 
mais marcantes.
1 DESERTO
Nos desertos, a vegetação é esparsa e 
de poucas espécies. Como as regiões 
áridas têm índices pluviométricos 
abaixo de 250 milímetros ao ano, as 
plantas são xeromórficas, ou seja, 
adaptadas à ausência de chuvas – os 
cactos, por exemplo, armazenam água 
e desenvolvem espinhos no lugar das 
folhas, para reduzir a evapotranspiração 
(perda de água na fotossíntese). 
Nos desertos frios, que ficam em altas 
latitudes (Patagônia, por exemplo, na 
América do Sul), as temperaturas variam 
pouco durante o dia. Já os desertos 
quentes, como do Atacama, da Austrália 
e do Saara, ficam em regiões tropicais e, 
no decorrer do dia, apresentam grande 
variação de temperatura, despencando 
de mais de 40 ºC durante o dia para 
índices abaixo de zero à noite. 
TIPOS DE VEGETAÇÃO NO MUNDO
RESISTENTES Nos desertos, como o do Atacama 
(Chile), as plantas são adaptadas à falta de água
[1]
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2 VEGETAÇÃO DE MONTANHA
A vegetação de montanha é rasteira, 
formada apenas de ervas e arbustos que, 
a duras penas, conseguem sobreviver 
no clima hostil.Algumas características 
como folhas duras (coriáceas) ajudam 
a resistir ao frio e aos fortes ventos das 
altitudes elevadas.
Esse tipo de formação vegetal pode 
ser encontrado em diversas regiões 
montanhosas pelo mundo, como as 
encostas da Cordilheira dos Andes (na 
América do Sul), dos Alpes (na Europa), 
da Cordilheira do Himalaia (na Ásia) 
e das Montanhas Rochosas (nos 
Estados Unidos).
3 FLORESTA DE CONÍFERAS 
OU FLORESTA BOREAL
Floresta homogênea, de pinheiros 
e abetos, com folhas em formato 
de agulha (aciculifoliadas) e copas 
em forma de cone, que acumulam 
menos neve durante o longo inverno 
das regiões de latitudes médias e 
elevadas. No solo, o frio rigoroso 
também impõe duras limitações para 
o desenvolvimento das espécies 
vegetais: há pouca vegetação rasteira, 
como alguns liquens, musgos e 
arbustos. A floresta de coníferas 
é intensamente explorada como 
matéria-prima para importantes 
indústrias madeireiras, de papel e 
celulose. Essa formação é encontrada 
principalmente no norte da Europa, 
da América e da Ásia (onde é chamada 
de taiga). AINDA DE PÉ A floresta de coníferas, encontrada na Letônia, é explorada pela indústria madeireira
NAS ALTURAS Só vegetação rasteira consegue suportar o clima hostil das Montanhas Rochosas (EUA)
[1] DIVULGAÇÃO [2] MARCELO SACCO [3] iSTOCK PHOTOS
[2]
[3]
APONTE O CELULAR PARA AS 
PÁGINAS E VEJA VIDEOAULA 
SOBRE VEGETAÇÃO E BIOMAS 
(MAIS INFORMAÇÕES NA PÁG. 7)
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4 TUNDRA
Desenvolve-se em uma das regiões mais frias do mundo, a do clima subpolar, como no norte da Rússia. Ela 
é formada por musgos e algumas espécies herbáceas que aparecem no solo somente nos poucos meses de 
degelo, quando o verão eleva a temperatura para 4 ºC, em média. No resto do ano, o solo fica coberto de neve, 
motivo pelo qual é denominado permafrost (permanentemente congelado). Por ter uma relação direta com o 
degelo nas regiões subpolares, a tundra é utilizada como bioindicador para o estudo de possíveis aumentos 
das temperaturas globais e suas consequências nesse frágil bioma.
5 ESTEPE (CAMPOS, PAMPAS, 
PRADARIAS)
Típica de áreas de clima temperado 
continental, a estepe é uma formação 
vegetal pobre, sem árvores, 
constituída basicamente de gramíneas, 
que se estende sobretudo em regiões 
planas, podendo ser encontrada 
também em relevo montanhoso, como 
nos planaltos tibetanos. Dependendo 
da área onde se localiza, recebe um 
nome diferente: campos, no Brasil; 
pampas, na Argentina; e pradaria, nos 
Estados Unidos e no Canadá. Essa flora 
também é encontrada na África, na 
Ásia Central e em trechos da Austrália. 
Por ser constituída de gramíneas, 
que são pastagens naturais, é 
comum encontrar, nessas regiões, 
a agropecuária como atividade 
econômica principal. O relevo plano e 
o solo fértil em algumas dessas áreas 
favorece a produção agrícola.
BIOSFERA VEGETAÇÃO NO MUNDO
VEGETAÇÃO SUBPOLAR A tundra, formada por musgos e herbáceas, aparece nos poucos meses do degelo em regiões como Manitoba, no Canadá
AGROPECUÁRIA As pradarias norte-americanas possuem solos férteis e uma pastagem natural
[1]
[2]
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6 FLORESTA TEMPERADA
É uma cobertura vegetal típica das 
latitudes médias – aparece no norte da 
China, na Coreia do Sul, no Japão, no 
leste dos Estados Unidos, na Europa 
e no sudeste da Austrália e Nova 
Zelândia. Essa floresta é formada por 
árvores decíduas, chamadas ainda de 
estacionais, caducas ou caducifólias, 
ou seja, que perdem as folhas no 
inverno para suportar as baixas 
temperaturas. As poucas espécies de 
árvore, como carvalhos, bordos e faias, 
são espaçadas, e o solo é recoberto por 
gramíneas. Grande parte da floresta 
temperada, contudo, já foi devastada – 
na Europa, por exemplo, de 70% a 80% 
da cobertura original já foi perdida; na 
China, de 80% a 90%. 
7 FLORESTA TROPICAL
Vegetação das áreas de baixas 
latitudes, quentes e úmidas; as plantas 
têm folhas largas (latifoliadas), que 
absorvem mais energia solar, e são 
perenes, isto é, não caem no “inverno”, 
pois as temperaturas permanecem 
elevadas. O solo é coberto por húmus, 
formado pela decomposição de 
galhos, troncos e folhas. As florestas 
tropicais cobrem grande parte da 
América do Sul (Região Amazônica), da 
América Central, da zona equatorial 
da África, do Sudeste Asiático e do 
Subcontinente Indiano. 
ITEM RARO Quase 90% da cobertura original de florestas temperadas na China já foi derrubada
ZONA EQUATORIAL A Região Amazônica abriga uma quente e úmida floresta tropical
[1] iSTOCK PHOTOS [2] EDWIN OLSON [3] IVAN WALSH [4] iSTOCK PHOTOS
[3]
[4]
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8 VEGETAÇÃO MEDITERRÂNEA
A vegetação mediterrânea é formada por espécies adaptadas a períodos secos, como os garrigues, o maqui 
– arbustos, moitas e árvores pequenas, como oliveiras – e o chaparral, similar ao maqui, mas menos denso. 
Essa formação vegetal é encontrada no litoral do Mar Mediterrâneo, na Califórnia (EUA), na Austrália e na 
África do Sul. A oliveira, da qual se extrai o azeite de oliva, e o loureiro, cuja folha é utilizada como tempero, 
são espécies nativas da vegetação temperada. O clima mediterrâneo também favorece a produção de uvas 
e concentram as principais vinícolas do mundo.
9 SAVANA (CERRADO)
Na savana, presente em áreas de 
baixas latitudes, as plantas são 
rasteiras e há pequenas árvores, 
distribuídas de maneira esparsa, 
alternadas com bosques com 
vegetação arbórea mais desenvolvida. 
Nas regiões mais secas, predomina a 
vegetação rasteira e espinhosa. 
A savana é uma vegetação estacional, 
marcada por duas estações bem 
definidas: o período seco (no inverno) 
e o período chuvoso (no verão). Essas 
formações são encontradas na África, 
na Ásia (Índia, principalmente), 
na Austrália e na América, onde recebe 
os nomes específicos de lhanos 
(na Venezuela) e cerrado (no Brasil). 
A ocorrência de uma prolongada 
estação seca faz com que as plantas 
desenvolvam adaptações para 
reservar e obter água, como as folhas 
coriáceas e as raízes profundas para 
atingir o lençol freático. 
BIOSFERA VEGETAÇÃO NO MUNDO
ISOLADAS As pequenas árvores distribuídas de forma esparsa são uma característica da savana africana
NA MOITA 
Arbustos e pequenas 
árvores são típicas 
da vegetação 
mediterrânea, 
presente na Espanha[1]
[2]
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105GE GEOGRAFIA 2018 
PARA IR ALÉM
O documentário 
Home – Nosso Planeta, 
Nossa Casa, de Yann 
Arthus-Bertrand, 
mostra exuberantes 
imagens aéreas de 
diversas paisagens e 
suas transformações 
decorrentes das 
ações antrópicas: 
www.youtube.com/
homeproject
SAIBA MAIS
HOTSPOTS – AS ZONAS EM PERIGO
As zonas do planeta mais ricas em biodiversidade e mais ameaçadas de destruição são defi-
nidas pelo conceito hotspots (em inglês, pontos quentes), criado em 1988 pelo ecólogo inglês 
Norman Myers. São 34 regiões ou biomas, incluindo a Mata Atlântica e o Cerrado brasileiro. 
Atualmente, elas representam apenas 2,3% da superfície da Terra, mas 50% das espécies de 
plantas e 42% das de vertebrados terrestres são endêmicas dessas regiões. Os hotspots já 
perderam 70% da vegetação original. 
 
Os 34 hotspots concentram
2,3% da 
superfície terrestre
50%
da flora
42%
dos vertebrados
São áreas que já perderam, ao menos,
70% da vegetação original
HOTSPOTS*
Polinésia-
Micronésia
Polinésia-
Micronésia
Nova Zelândia
Nova Zelândia
Zona litorânea
da Califórnia
Ilhas do 
Caribe
Andes
tropical
Japão
Filipinas
Cerrado
Florestas
chilenas
Mata Atlântica
Bacia do
Mediterrâneo
Montanhas do
sudoeste da China
Montanhas da
Ásia CentralCáucaso
HimalaiaAnatólia e Irã
Litoral oeste da
Índia e Sri Lanka
Nova Caledônia
Ilhas da Melanésia 
Ocidental
Sudoeste 
da Austrália
Madagáscar e ilhas 
do oceano Índico
Chifre da África
Florestas costeiras da África Oriental
Planaltos
do México
Florestas da América 
Central e do México
Galápagos e litoral de
Equador e Colômbia
Região da 
Cidade do Cabo
Florestasda 
África Ocidental Malásia e 
Indonésia Ocidental Indonésia
Central
Sudeste
Asiático
Litoral da Namíbia
e África do Sul Sudeste sul-africano
Montanhas da 
África Oriental
AS REGIÕES RICAS EM DIVERSIDADE BIOLÓGICA MAIS AMEAÇADAS DO PLANETA (2013)
Fonte: The Times Concise Atlas of the World
Gelo e neve
Tundra
Taiga
Florestas 
Temperadas
Florestas 
Tropicais
Equador
Latitude
Polo
Alta
A
lt
it
u
d
e
Baixa
A VARIAÇÃO DAS COBERTURAS VEGETAIS DE ACORDO COM A LATITUDE E A ALTITUDE
A RELAÇÃO ENTRE
CLIMA E VEGETAÇÃO
Para estudar os principais tipos de vege-
tação, é importante conhecer sua relação 
com os demais elementos naturais, como 
o clima. A variação da temperatura e da 
umidade é um dos fatores que mais in-
fluenciam as formações vegetais.
À medida que diminui tanto a tempe-
ratura como a umidade, menos exube-
rante se torna a vegetação e com me-
nor número de espécies, ou seja, menor 
biodiversidade. A região intertropical, 
mais próxima à linha do Equador, reú-
ne o chamado “ótimo climático”: altas 
temperaturas, pluviosidade elevada e luz 
intensa, propiciando o desenvolvimento 
das florestas tropicais pluviais, além de 
milhares de espécies vegetais. É o caso 
da Amazônia, que abriga a mais rica bio-
diversidade do planeta.
Conforme avançamos para altas latitu-
des e nos aproximamos dos polos, onde há 
escassez de luz e baixas temperaturas, a 
variedade de plantas diminui progressiva-
mente (veja na figura). A tundra, presente 
no extremo norte da Rússia e do Canadá, 
é formada por musgos e algumas espécies 
herbáceas, que surgem nos poucos meses 
em que a neve derrete.
Mas a ausência de umidade, mesmo em 
regiões quentes como a zona intertropical, 
leva à formação de desertos, onde poucas 
espécies se adaptam. Isso também ocorre 
em regiões com disponibilidade de água, 
porém com temperaturas muito baixas 
a ponto de congelá-la (regiões polares), 
formando os desertos frios. 
[1] [2] iSTOCK PHOTOS
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106 GE GEOGRAFIA 2018
BIOSFERA BIOMAS BRASILEIROS
Patrimônio 
em perigo
O Brasil é a nação com a maior 
biodiversidade do planeta, mas seus 
seis grandes biomas estão sob uma 
ameaça persistente
O Brasil é, de longe, o campeão mundial de biodiversidade: para ter uma ideia, de cada cinco espécies de animais e vegetais 
conhecidas do planeta, uma encontra-se aqui. 
O país apresenta, ainda, a maior diversidade 
de primatas, anfíbios e insetos. Em boa parte, 
toda essa riqueza deve-se à extensão de seu 
território e aos diversos climas que caracterizam 
seus biomas. Está no território nacional a maior 
floresta tropical úmida (Floresta Amazônica), 
com mais de 30 mil espécies vegetais, bem como 
a maior planície inundável (o Pantanal), além 
do Cerrado, da Caatinga e da Mata Atlântica.
Entretanto, como no resto do mundo, sobretu-
do nas últimas décadas, o Brasil assistiu, quase 
impassível, à deterioração de seus ambientes 
naturais, em virtude de males contemporâneos 
como a urbanização descontrolada, a explo-
ração mineral, o desmatamento a serviço da 
agropecuária e a poluição. A seguir, conheça 
toda a exuberância dos seis grandes biomas 
brasileiros, conforme definição do IBGE, e as 
ameaças a esse riquíssimo manancial de vida. 
1 CAATINGA
� O BIOMA 
A Caatinga limita-se apenas ao território brasileiro, 
o que significa que sua biodiversidade é única 
em todo o mundo. Seus 826,4 mil quilômetros 
quadrados representam cerca de 10% do território 
brasileiro. Apesar do clima semiárido, a Caatinga 
é pontilhada por “ilhas de umidade”, de solo 
extremamente fértil. Vivem nesse bioma cerca de 
1,2 mil espécies de planta – 360 delas endêmicas 
(que não ocorrem em nenhum outro lugar do 
planeta) – e outras tantas de mamíferos, aves, 
répteis e anfíbios. Quanto à vegetação, as plantas 
da Caatinga são xerófilas, ou seja, adaptadas ao 
clima seco e à pouca quantidade de água. Algumas 
armazenam água; outras possuem raízes superficiais 
para captar o máximo das chuvas. Há as que contam 
com recursos para diminuir a transpiração, como 
espinhos e poucas folhas. A vegetação é formada 
por três estratos: o arbóreo, com árvores de 8 a 12 
metros; o arbustivo, com vegetação de 2 a 5 metros; 
e o herbáceo, abaixo de 2 metros.
� A AMEAÇA 
Os maiores problemas enfrentados pela região são 
a salinização do solo e a desertificação de grandes 
áreas, o que acarreta em um processo de redução 
da vegetação e da capacidade produtiva do solo. 
Estima-se que, no decorrer dos últimos 15 anos 
do século passado, 40 mil quilômetros quadrados 
de caatinga tenham se transformado em deserto. 
Alguns dos responsáveis por isso são a exploração 
da vegetação para a produção de lenha e carvão, a 
contaminação do solo por agrotóxicos e o emprego 
de técnicas de irrigação inadequadas para o tipo de 
solo existente ali. Acredita-se que cerca de 50% do 
bioma já tenha sofrido algum tipo de deterioração e 
que 20% estejam completamente degradados.
BIOMAS BRASILEIROS
Fonte: Ibama 2012
AMAZÔNIA
PANTANAL
PAMPA
MATA ATLÂNTICA
CAATINGA
CERRADO
RASO DA CATARINA A região do norte baiano é rica em cactus, vegetação típica da Caatinga
DESMATAMENTO
Área 
desmatada
53%
Área ocupada 
por corpos d’água
1%
Área de 
vegetação 
remanescente
46%
Caatinga 
(826.411 km2 – 2009)
1
2
3
6
4
5
[1]
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107GE GEOGRAFIA 2018 
2 CERRADO
� O BIOMA 
O segundo maior bioma brasileiro ocupa uma 
área de 2 milhões de quilômetros quadrados 
(cerca de 24% do território brasileiro), coberta 
pela mais rica flora de savana tropical do mundo. 
São mais de 11 mil espécies vegetais – 44% delas 
endêmicas (que não ocorrem em nenhum outro 
lugar do planeta). A fauna também é riquíssima, 
com centenas de espécies de mamíferos, 
aves, répteis e anfíbios. Quanto à vegetação, 
caracteriza-se pela presença de pequenos 
arbustos e árvores retorcidas, com casca grossa. 
Encontram-se, ainda, gramíneas e o cerradão, 
tipo mais denso de cerrado que abriga formações 
típicas de florestas esparsas e disseminadas 
entre arbustos.
� A AMEAÇA 
O Cerrado é uma das regiões mais ameaçadas do 
globo. Ele é considerado pelos ambientalistas um 
dos 34 biomas do planeta que exigem atenção 
especial de preservação, os hotspots (veja mais 
na pág. 105). De fato, com a Mata Atlântica, é 
o bioma brasileiro que mais sofreu alterações 
com a ocupação humana. Sessenta por cento 
de sua área total é destinada à pecuária, e 6%, 
à monocultura intensiva de grãos – entre eles, a 
onipresente soja. A agropecuária fez aumentar 
a deterioração de uma terra já ferida com o 
garimpo, a contaminação dos rios por mercúrio, 
a erosão do solo e o assoreamento dos cursos 
de água. O cerrado já perdeu quase a metade 
da vegetação e, se nada for feito para reverter a 
situação, o bioma pode desaparecer até 2030. 
Alguns especialistas apontam que o cerrado já 
está em um ciclo irreversível de extinção e que sua 
cobertura original não pode mais ser recuperada.
3 MATA ATLÂNTICA
� O BIOMA
Com clima tropical, quente e úmido, a Mata 
Atlântica possui um relevo de planaltos e serras. 
Quanto à vegetação, entre as florestas tropicais, 
a Mata Atlântica é a que apresenta a maior 
biodiversidade por hectare do planeta, com 
espécies vegetais como ipê, quaresmeira, cedro, 
palmiteiro, imbaúba, jequitibá-rosa e figueiras. 
A vegetação remanescente guarda ainda cerca de 
20 mil espécies de planta – 8 mil, endêmicas (que 
não ocorrem em nenhum outro lugar do planeta). 
De exuberante biodiversidade, apresenta, em 
alguns locais, mais de 450 espécies de árvore 
num único hectare. A região reúne, ainda, 
centenas de espécies de mamíferos, aves, 
répteis e anfíbios. 
� A AMEAÇA 
Como o Cerrado, a Mata Atlântica também é 
considerada um hotspot, uma das 34 áreas 
do planeta que exigem ação preservacionista 
mais urgente. Sua cobertura vegetal ocupava, 
originalmente, mais de 1 milhão de quilômetros 
quadrados, cerca de 13% do território nacional. 
No entanto, restam apenas cerca de 22% do volume 
original. Ele foi o bioma que maissofreu com a 
urbanização do país – hoje, as cidades da região 
concentram cerca de 60% da população brasileira.
Ecossistema associado à Mata Atlântica, a Mata 
de Araucárias, localizada, sobretudo, na Região 
Sul, é o ambiente que sofreu o maior grau de 
devastação em termos percentuais no país – 
restam apenas cerca de 2% dos quase 100 mil 
quilômetros quadrados originais. A derrubada 
indiscriminada para a expansão das áreas de 
cultivo e para a produção de papel, celulose e 
móveis está por trás desse trágico cenário. 
CONTORCIONISMO As árvores retorcidas do cerrado PARAÍSO AMEAÇADO A Mata Atlântica contorna a Praia do Félix, em Ubatuba (SP)
DESMATAMENTO
Área ocupada 
por corpos d’água
1%
Área 
desmatada
48%
Área de 
vegetação 
remanescente
51%
Cerrado 
(2.039.386 km2 –2010)
Área ocupada 
por corpos d’água
2%
Área 
desmatada
76%
Área de 
vegetação 
remanescente
22%
Mata Atlântica 
(1.103.961 km2 – 2009)
[1] CLAUDIO LARANGEIRA [2] GLADSTONE CAMPOS [3] RENATO PIZZUTTO 
[2] [3]
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5
108 GE GEOGRAFIA 2018
5 PAMPA (CAMPOS SULINOS)
� O BIOMA
Esse bioma cobre 177,8 mil quilômetros quadrados, 
equivalentes a cerca de 2% do território brasileiro. 
Os Pampas são vastas extensões de campos limpos, 
de solo coberto por gramíneas e pontilhado de 
pequenos arbustos, onde proliferam milhares de 
espécies de plantas, mamíferos e aves. São campos 
típicos do Rio Grande do Sul. A região plana, de 
vegetação aberta e de pequeno porte, forma um 
tapete herbáceo que não atinge 1 metro de altura, 
com pouca variedade de espécies. Sete tipos de 
cactus e de bromélia são endêmicos dos Pampas.
� A AMEAÇA 
A ocupação humana acelerada e o emprego de 
técnicas não sustentáveis de cultivo e criação 
resultaram na formação de areais em algumas 
áreas. Os Pampas sofrem, ainda, com a caça 
predatória e o bombeamento de água dos 
banhados – ecossistemas alagados, com densa 
vegetação de juncos e aguapés.
4 AMAZÔNIA
� O BIOMA 
Com 4,2 milhões de quilômetros quadrados 
(equivalentes a cerca de 49% do território nacional), 
o bioma Amazônia é o maior do país. A paisagem 
é dominada pela Floresta Amazônica e pela maior 
bacia hidrográfica do mundo. Essa floresta tem 
vegetação de folhas largas (latifoliadas), comuns 
em regiões de clima equatorial, quente e úmido. Ele 
apresenta três tipos de mata: de igapó (parte do solo 
inundado); de várzea (periodicamente inundadas); 
e de terra firme (nas partes mais elevadas do relevo, 
livres de inundação). Mas, longe de ser uma área 
homogênea de floresta tropical, o bioma também 
abarca áreas de campos abertos e manchas de 
cerrado. As espécies que habitam a região – desde 
plantas até aves e mamíferos – representam cerca 
de 20% do total de espécies conhecidas do planeta. 
� A AMEAÇA 
Todos os anos, a região perde milhares de 
quilômetros quadrados de vegetação, pelo corte 
de árvores e pelas queimadas. A floresta tem 
sido derrubada para a exploração de madeira, 
a agropecuária, a mineração, além de outras 
atividades econômicas. O agronegócio responde 
por uma parcela significativa do desmatamento 
generalizado: nada menos do que cerca de 40% 
da produção de carne e soja do país se concentra 
na Amazônia Legal. Nesse avanço, é visível uma 
mancha de mata derrubada, conhecida como 
Arco do Desflorestamento, que representa cerca 
de 12% da cobertura original da Amazônia (veja 
o mapa abaixo). Apesar de a área desmatada 
na Amazônia ter desacelerado nos últimos dez 
anos, o indicador retomou a trajetória de alta de 
dois anos para cá. Entre agosto de 2015 e julho 
de 2016, o total desmatado foi de 7.989 km2, um 
aumento de 29% em relação ao período anterior.
PARA IR ALÉM
O site do Instituto 
Imazon apresenta 
informações referentes a 
políticas públicas e ações 
não governamentais na 
Amazônia. Disponibiliza 
também vídeos e mapas 
sobre a região: 
www.imazon.org.br
Maranhão
Rondônia
Acre
Amazonas
Roraima
Pará
Tocantins
Amapá
Mato Grosso
Desmatamento até 2012
Formação não florestal
Floresta
ZONAS DA AMAZÔNIA LEGAL DE ACORDO 
COM A COBERTURA VEGETAL
Fonte: Imazon
EXUBERANTE A floresta tropical da Amazônia é a maior do mundo, com 30 mil espécies de plantas
CAMPO LIMPO Os pampas são típicos do Rio Grande do Sul
DESMATAMENTO
BIOSFERA BIOMAS BRASILEIROS
Área ocupada 
por corpos d’água
4%
Área 
desmatada
12%
Amazônia 
(4.196.943 km2 – 2007)
Área de vegetação 
remanescente
84%
Área ocupada 
por corpos d’água
10%
Área 
desmatada
54%
Área de vegetação 
remanescente
36%
Pampa 
(177.767 km2 – 2009)
[1]
[2]
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109GE GEOGRAFIA 2018 
6 PANTANAL
� O BIOMA
Situado na bacia do Rio Paraguai, o Pantanal 
cobre cerca de 1,8% do território nacional, com 
151,3 quilômetros quadrados. O menor bioma 
brasileiro é a maior área alagada de água doce 
do mundo. Mais de 80% da região permanece 
intocada, onde proliferam milhares de espécies 
conhecidas de plantas, aves, mamíferos, répteis 
e anfíbios. É considerada uma área de transição 
entre a Amazônia e o Cerrado, ao norte, e o chaco, 
na bacia do Rio Paraguai, ao sul. Esse mosaico de 
ecossistemas intercala regiões de cerrado e floresta 
úmida, além de áreas aquáticas e semiaquáticas. 
Quanto à vegetação, podem ser identificadas três 
áreas: as alagadas, as periodicamente alagadas e as 
que não sofrem inundação. Nas áreas alagadas, a 
vegetação de gramíneas desenvolve-se no inverno 
e serve de alimento para o gado. Nas de eventuais 
alagamentos, encontram-se, além de vegetação 
rasteira, arbustos e palmeiras, como o buriti. 
Nas que não sofrem inundação, predominam os 
cerrados e espécies arbóreas da floresta tropical. 
� A AMEAÇA 
As transformações no Pantanal são lentas, mas 
implacáveis. A degradação agravou-se nas últimas 
duas décadas, com o crescimento das cidades e 
a ocupação da cabeceira de importantes rios que 
cortam a região. A navegação nos rios Paraguai 
e Paraná põe em risco as frágeis matas ciliares. 
Mas a maior ameaça vem da agropecuária: as 
queimadas para renovação das pastagens, a 
contaminação das águas e do solo por pesticidas 
e a introdução de espécies exóticas de capim. 
O turismo desorganizado, bem como a caça e a 
pesca predatórias, completam o pacote. Apesar 
disso, ainda é o bioma mais preservado do Brasil.
ZONAS LITORÂNEAS
Ao lado dos seis grandes biomas, os ambientalis-
tas destacam a zona costeira brasileira como uma 
região particular, que abriga centenas de ecossiste-
mas extremamente ricos e delicados. São mais de 
7 mil quilômetros de extensão de litoral, marcados 
por manguezais, dunas, falésias, praias, recifes e 
lagunas. O litoral brasileiro pode ser dividido em 
quatro zonas distintas:
� Litoral amazônico, do Rio Oiapoque ao Delta 
do Parnaíba, trecho coberto por manguezais e 
matas de várzea.
� Litoral nordestino, do Delta do Parnaíba ao 
Recôncavo Baiano, que alterna dunas, falésias, 
restingas e manguezais. É o habitat de várias 
espécies de tartaruga e do peixe-boi-marinho, 
em risco de extinção.
� Zona litorânea do Sudeste, do Recôncavo à divisa 
entre São Paulo e Paraná. Apesar de ser a região 
mais densamente povoada, é também a que pre-
serva as maiores porções de Mata Atlântica.
� Litoral sul, que abrange a costa de Paraná, Santa 
Catarina e Rio Grande do Sul, caracteriza-se por 
manguezais, costões e, a partir de Torres (RS), 
por uma faixa contínua de praia.
A biodiversidade desses ecossistemas está em 
constante risco, diante da urbanização e suas con-
sequências, como desmatamento de encostas e con-
taminação das águas. A especulação imobiliária é a 
maior destruidora da vegetação nativa, que resulta 
no deslocamento de dunas e no desabamento de 
morros. O afluxo exagerado de turistas às cidades 
litorâneas sobrecarrega os precários sistemas de 
saneamento e polui os córregos e o mar. Os ecos-
sistemas da zona costeira também são degradados 
pelos rios que vêm do interior do país e despejam no 
litoral resíduos agrícolas e efluentes industriais. Um 
dos ambientes mais ameaçados por tudoisso são os 
mangues. Esses ricos ecossistemas – com centenas 
de peixes, crustáceos e plantas – funcionam como 
filtros naturais: as raízes parcialmente submersas 
das árvores retêm sedimentos e impurezas, impe-
dindo sua chegada ao mar.
ECOSSISTEMA DE TRANSIÇÃO O Pantanal é a maior área alagada de água doce do mundo
DESMATAMENTO
Área 
desmatada
15%
Área ocupada 
por corpos d’água
2%
Área de vegetação 
remanescente
83%
Pantanal 
(151.313 km2 – 2009)
[1] IRMO CELSO [2] CLAUDIO LARANGEIRA [3] VALDEMIR CUNHA 
[3]
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110 GE GEOGRAFIA 2018
55 BIOSFERA PRESERVAÇÃO E CONSERVAÇÃO
Com a evolução da consciência ambiental ao longo das décadas, foram sendo criados mecanismos 
legais para proteger áreas de grande 
importância ecológica. Foi assim que 
surgiram os parques nacionais, esta- 
duais e municipais, as reservas ecológi-
cas ou extrativistas e as áreas de prote-
ção ambiental. 
Dentro desse âmbito, podem ser iden-
tificadas duas correntes de pensamento: 
o preservacionismo, que coloca em pri-
meiro plano a necessidade de proteção 
dos ecossistemas e dos habitats naturais e 
em segundo plano as populações humanas 
dessas áreas. Já o conservacionismo de-
Os limites 
da exploração
Mecanismos legais de 
proteção ambiental 
tentam regulamentar 
o uso da terra e proteger 
os ecossistemas brasileiros
fende a necessidade de se protegerem os 
ecossistemas naturais juntamente com as 
populações humanas, em especial os po-
vos tradicionais que vivem nesses locais.
A primeira área criada oficialmente 
para a proteção da flora e da fauna no 
mundo foi o Parque Nacional de Yellow- 
stone, nos Estados Unidos, no ano de 
1872. Esse parque tinha como objetivo 
proteger legalmente a vida selvagem e 
preservar áreas de grande beleza cê-
nica, sem a presença de populações 
humanas. Tratava-se, portanto, de uma 
visão preservacionista. Esse enfoque 
também foi adotado em outros países, 
incluindo o Brasil, onde foi criado o 
Parque Nacional de Itatiaia, no estado 
do Rio de Janeiro, na década de 1930.
Diversas outras ações semelhan-
tes surgiram no país sob essa mesma 
perspectiva, mas, ao longo do século 
XX, a visão conservacionista passou a 
influenciar a criação de Unidades de 
Conservação (UCs), ou seja, as popula-
ções locais passaram a ser consideradas 
corresponsáveis pela conservação das 
áreas protegidas. Atualmente o Sistema 
Nacional de Unidades de Conservação 
(Snuc) – criado pela lei federal nº 9.985, 
de 18 de julho de 2000, e gerenciado pelo 
Ministério do Meio Ambiente – classifica 
as áreas protegidas em dois grupos:
� Unidades de Proteção Integral – 
permite apenas o uso indireto dos re-
cursos naturais, por meio de pesquisa 
científica, atividades educacionais e 
turismo ecológico. O objetivo prin-
cipal é a preservação da natureza.
� Unidades de Uso Sustentável – pre-
vê a exploração parcial dos recursos 
naturais, de acordo com legislação 
específica para cada área protegi-
da. O objetivo é tornar compatível a 
conservação da natureza com o uso 
sustentável dos recursos naturais. 
Em 2016, o Brasil tinha 2.175 uni-
dades de conservação continentais, 
sendo 687 Unidades de Proteção In-
tegral e 1.488 de Uso Sustentável. No 
total, as áreas protegidas no Brasil so-
mam 1.583 quilômetros quadrados – 
o que representa cerca de 18% do territó-
rio nacional. Há uma forte concentração 
de áreas protegidas na Amazônia (cerca 
de 27,7% do bioma é designado unidade 
de conservação). Isso não significa que 
não ocorram transgressões, já que há 
desmatamentos ilegais, poluição das 
águas e desrespeito aos direitos dos po-
vos tradicionais (indígenas, ribeirinhos, 
seringueiros). A Mata Atlântica e o cerra-
do, os dois biomas brasileiros na lista de 
hotspots mundiais (veja mais na pág. 105), 
possuem bem menos áreas protegidas 
do que a Amazônia (veja gráfico abaixo).
Amazônia
Caatinga
Cerrado
Mata Atlântica
Pampa
Pantanal
Total em terra
Total no mar
Fonte: Ministério do Meio Ambiente
UNIDADES DE CONSERVAÇÃO (2016)
Proporção em área do bioma em unidades de 
conservação federais, estaduais e municipais, 
até agosto no ano
Preservado Não preservado
27,7%
7,7%
8,6%
10%
2,7%
4,6%
17,9%
1,6%
72,3%
92,3%
91,4%
 90%
97,3%
95,4%
82,1%
98,4%
RESERVA NATURAL O Parque Nacional de Itatiaia foi criado para preservar sua fauna e flora originais
[1]
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111GE GEOGRAFIA 2018 
5 BIOSFERA CÓDIGO FLORESTAL
1 . ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP)
São áreas, cobertas ou não por vegetação nativa, 
que devem ser protegidas. Essas áreas têm a 
função ambiental de preservar recursos hídricos, 
paisagens, estabilidade geológica, biodiversidade, 
além de proteger o solo e assegurar o bem-estar das 
populações humanas que vivem no local. As APPs 
representam cerca de 20% do território nacional.
PRINCIPAIS PONTOS
• São admitidos alguns usos, desde que considerados 
de interesse social ou baixo impacto, somente em 
áreas rurais consolidadas – trata-se dos imóveis 
estabelecidos antes da promulgação da Lei de 
Crimes Ambientais, em julho de 2008. 
• As multas referentes aos desmatamentos 
realizados pelas áreas rurais consolidadas 
serão convertidas em serviços de preservação 
e melhoria do meio ambiente.
APP
Topos de morro
São consideradas APPs os morros com altura 
mínima de 100 metros e inclinação média de 25º.
APP
Encostas
São consideradas APPs as encostas 
com declive acima de 45º. Aquelas com 
declividade inferior a 45º agora podem ser 
exploradas sem restrições.
APP
Nascentes
Um raio mínimo de 50 metros 
deve ser preservado nas áreas 
não desmatadas. Nas áreas rurais 
consolidadas, a proteção passou 
a ser de 15 metros no mínimo.
APP
Manguezais
São consideradas APPs 
em toda a sua extensão. 
A nova lei prevê a criação 
de camarão e salinas em 
áreas de apicuns e salgados.
A ÁREA DE PRESERVAÇÃO 
VARIA CONFORME O BIOMA
2 . RESERVA LEGAL
Área localizada no interior 
de propriedade rural necessária 
ao uso sustentável dos recursos naturais. É proibido 
desmatar a área de reserva legal, mas é permitida 
a exploração econômica com manejo sustentável.
PRINCIPAIS PONTOS
• O percentual mínimo de cada propriedade a ser preservado 
como reserva legal varia conforme o bioma (veja ao lado). 
Em alguns casos, é permitido incluir as APPs nesse percentual.
AMAZÔNIA 80%
CERRADO (na Amazônia Legal) 35%
CERRADO (fora da Amazônia Legal) 20%
OUTROS 20%
[2]
APP
Mata ciliar
É a formação vegetal 
presente nas margens de 
rios, córregos, lagos, represas e 
nascentes. Sua preservação é importante 
para evitar o assoreamento dos rios, proteger as 
nascentes e conservar a biodiversidade. Nas áreas ainda 
não desmatadas, prevalece o estabelecido na lei anterior: a faixa 
de mata ciliar protegida varia de 30 a 500 metros, conforme a largura do 
curso d’água. Mas o novo Código é menos rigoroso com as áreas rurais 
consolidadas. De modo geral, nessas áreas, a faixa de mata ciliar a ser 
preservada varia de 5 a 100 metros, conforme o tamanho do imóvel e 
independentemente da largura do rio.
O Código Florestal brasileiro foi cria-do em 1934 para regulamentar a exploração dos recursos naturais 
como a madeira, a borracha e a água. Em 
2012, essas regras foram modifi cadas a 
fi m de equilibrar desenvolvimento eco-
nômico e preservação ambiental. Mas as 
negociações para a aprovação do novo Có-
digo Florestal opuseram os interesses dos 
grandes proprietários, que defendiam a 
fl exibilização da lei para a expansão agro-
pecuária, e dos ambientalistas, favoráveis 
a regras mais rígidas para o desmate.
A legislação 
ambiental no 
Brasil
O Código Florestal brasileiro 
regulamenta o uso da terra 
para tentar equilibrar 
desenvolvimento econômico 
e preservação ambiental
Os principais pontos da lei aprovada 
dizem respeito às regiões em que é per-
mitido o desmate e às zonas que devem 
ser protegidas em uma propriedade par-
ticular. Ela regulamenta o uso da terra 
nas áreas de preservação permanente 
(APPs),como topos de morro, encostas 
e nascentes, e nas reservas legais (veja as 
defi nições abaixo). A redução das áreas 
protegidas e a isenção de multa a quem 
desmatou até 2008 são os temas mais 
controversos. Veja, a seguir, os princi-
pais aspectos da lei ambiental.
O NOVO CÓDIGO FLORESTAL
[1] LEO FELTRAN [2] FARREL/AE
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112 GE GEOGRAFIA 2018
5 BIOSFERA CONFERÊNCIAS AMBIENTAIS
Devido à pressão crescente da comunidade científica, além de ONGs, movimentos sociais e ou-
tros setores da sociedade civil, as questões 
ambientais passaram a integrar a agenda 
política internacional. Desde o primeiro 
evento com a presença de chefes de Es-
tado para tratar da temática ambiental, 
ocorrido em Estocolmo, em 1972, até a 
Rio+20, em 2012, houve alguns avanços 
no combate à degradação ambiental, 
como a aprovação de documentos, ado-
ção de princípios comuns e assinatura de 
convenções em defesa do meio ambiente. 
Avançou-se também na perspecti-
va adotada: a maioria dos governantes 
concorda atualmente que a questão am-
biental não está desvinculada das ques-
Ambientalismo 
em pauta
Eventos internacionais 
reúnem lideranças políticas 
e científicas para debater as 
questões ambientais. Mas 
os compromissos dos países 
para promover os avanços 
necessários ainda são tímidos
tões sociais, ou seja, não basta cuidar 
do meio ambiente, é preciso atender às 
necessidades das populações humanas, 
sobretudo dos mais pobres. Critica-se, 
porém, a lentidão na implantação de 
medidas que de fato contribuam para 
essas transformações, condicionadas às 
relações econômicas. 
 
Os principais eventos ambientais
O primeiro evento com a presença 
de chefes de Estado para tratar da te-
mática ambiental foi a Conferência 
Mundial de Estocolmo, ocorrido em 
1972 na capital da Suécia. Promovida 
pela ONU, o encontro abordou pela pri-
meira vez a produção dos países ricos 
como causa importante da degradação 
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113GE GEOGRAFIA 2018 
SAIBA MAIS
DESENVOLVIMENTO 
SUSTENTÁVEL
A pressão sobre a biodiversidade do pla-
neta advém principalmente de um padrão 
de desenvolvimento econômico baseado na 
superexploração dos recursos naturais. Para 
tentar impor limites ao uso predatório do 
meio ambiente, a Comissão Mundial sobre o 
Meio Ambiente e Desenvolvimento da Organi-
zação das Nações Unidas (ONU) apresentou, 
em 1987, o relatório Nosso Futuro Comum, 
que define o importante conceito norteador 
de desenvolvimento sustentável, aquele que 
“atende às necessidades do presente, sem 
comprometer a possibilidade de as gerações 
futuras atenderem às suas necessidades”. 
A ideia de sustentabilidade diz respeito à 
noção de que a sociedade deve viver com 
os recursos naturais que o meio ambiente 
pode lhe fornecer, e não com o que ela deseja 
que a Terra lhe forneça. O desafio é aliar o 
progresso econômico à preservação do meio 
ambiente, o que exige uma mudança no mo-
delo de desenvolvimento e nos padrões de 
consumo vigentes. 
da natureza. Foram debatidas também 
questões referentes ao controle de na-
talidade e a estagnação econômica. 
A Declaração de Estocolmo reuniu 
26 princípios e ações voltadas para 
a redução dos impactos ambientais.
A Eco 92 também representou ou-
tro marco importante. A conferência 
mundial sobre meio ambiente realizada 
no Rio de Janeiro, em 1992, foi organi-
zada com o objetivo de minimizar os 
impactos ambientais a partir de um 
modelo de desenvolvimento mais justo 
e sustentável (veja mais sobre o conceito 
de sustentabilidade ao lado). O encon-
tro aprovou o documento Convenção 
sobre a Mudança do Clima, que trata 
do aquecimento global, e a Convenção 
FALTA PLANEJAMENTO PARA 
QUE O BRASIL INVISTA NUM 
MODELO VERDE, DIZ ESTUDO
Enquanto parte do mundo investe em uma 
nova indústria que produza mais, poupe ener-
gia e, assim, suje menos o ambiente com 
gases do efeito estufa, o Brasil segue parado 
nessa transição. É o que concluiu um estudo 
sobre o setor feito pelo Instituto Escolhas (...). 
“O grosso da indústria nacional é de baixa 
e média tecnologias. É também bastante 
poluente e ineficiente, com uma aposta em 
commodities sem valor agregado”, afirma 
Ricardo Sennes, diretor da consultoria Pros-
pectiva. (...) A atual indústria de base do país, 
que fabrica insumos para setores fundamen-
tais da economia, como a construção civil, é 
dependente de muita energia para operar. (...)
Folha de S.Paulo, 28/11/2016
SAIU NA IMPRENSA
sobre a Diversidade Biológica, sobre 
a preservação de ecossistemas. Além 
disso, elaborou a Agenda 21, um plano 
que estabelece estratégias globais para 
promover o desenvolvimento susten-
tável no mundo, que envolve mudan-
ças de padrão de consumo e produção, 
principalmente pelos países mais ricos.
A partir da Eco 92, estabeleceu-se a 
realização de encontros anuais, deno-
minados Conferência Geral das Partes 
(cuja sigla é COP), para aprofundar as 
discussões ambientais. Na terceira COP, 
realizada em Kyoto, no Japão, foi assi-
nado o Protocolo de Kyoto, o primeiro 
acordo oficial com metas e prazos para 
a redução de gases do efeito estufa (veja 
mais na pág. 90).
Dez anos depois da realização da Eco 
92, a cidade de Johannesburgo, na África 
do Sul, sediou a Rio+10 para discutir os 
avanços obtidos desde o encontro no Rio 
de Janeiro. Ao final do evento foi elabo-
rado um plano para a implementação 
da Agenda 21, que, entretanto, frustrou 
expectativas por ter sido apenas um 
documento de diretrizes e soluções, que 
não tinha força de lei.
Em 2012, o Rio de Janeiro voltou a 
reunir lideranças mundiais de todo o 
mundo para fazer um balanço da Eco 
92. A Rio+20 desenvolveu o conceito de 
“economia verde”, que propõe a constru-
ção de uma sociedade sustentável, que 
freie a degradação do meio ambiente e, 
simultaneamente, combata a pobreza e 
as desigualdades. O documento “O futuro 
que queremos” mantém o princípio das 
“responsabilidades comuns, mas diferen-
ciadas”, cuja diretriz determina que os 
países ricos devem arcar com os maiores 
custos ambientais por terem emitido mais 
poluentes para se desenvolverem. 
Essa discussão domina o debate am-
biental atualmente. O acordo obtido na 
COP-21, realizada em dezembro de 2015 
em Paris, representa um importante pas-
so nesse sentido, já que estabeleceu a 
criação de um fundo de 100 bilhões de 
dólares anuais, financiado pelos países 
ricos, para auxiliar as nações em desen-
volvimento. Mas o fato de as metas para 
redução das emissões de gases serem 
voluntárias pode restringir os avanços 
(veja mais na pág. 90).
MARCO ECOLÓGICO
A Eco 92, realizada 
no Rio de Janeiro, 
em 1992, reuniu 
autoridades de todo o 
mundo para debater a 
mudança climática e a 
preservação ambiental
WILSON PEDROSA/ESTADÃO CONTEÚDO/AE
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114 GE GEOGRAFIA 2018
COMO CAI NA PROVA5
1.(Enem 2016) (segunda aplicação) 
CÚPULA DOS POVOS COMEÇA COMO CONTRAPONTO À RIO+20
Enquanto a conferência ofi cial no Riocentro, na Barra, é restrita a participantes 
credenciados, que só entram depois de passar por um forte controle de seguran-
ça, a Cúpula dos Povos é aberta ao público, em tendas ao ar livre no Aterro do 
Flamengo. Ela é aberta também às tribos e discussões mais diversas, em mesas 
de debate e painéis geridos pelos próprios participantes, buscando promover 
a mobilização social. Problemas ambientais, econômicos, sociais, políticos e de 
minorias serão discutidos no evento, afi rma uma ativista norte-americana, em 
alusão ao movimento que ocupou Wall Street, em Nova York, no ano passado. 
Disponível em. www.bbc.co.uk. Acesso em: 14 ago. 2012.
Uma articulação entre as agendas ambientalistas e a antiglobalização indica a 
a) humanização do sistema capitalista fi nanceiro. 
b) consolidação do movimento operário internacional. 
c) promoção de consenso com as elites políticas locais. 
d) constituição de espaços de debates transversais globais. 
e) construção das pautas com os partidos políticos socialistas.
RESOLUÇÃO
A Cúpula dos Povos foi um evento paralelo à ConferênciaRio+20, ocorrida no Rio 
de Janeiro em 2012. Ela teve um caráter democrático e permitiu a participação de 
pessoas de várias partes do mundo, com o objetivo de discutir os temas abordados 
no âmbito das reuniões ofi ciais. Dessa forma, movimentos sociais e populares, 
sindicatos, organizações da sociedade civil e ambientalistas de todo o mundo 
presentes na Cúpula dos Povos puderam realizar debates, tendo como temas 
principais a justiça social e questões ambientais. Dessa forma, os participantes 
do evento mostraram como as demandas de ambientalistas e de movimentos 
antiglobalização são convergentes, justifi cando a realização de um debate paralelo. 
Resposta: D
2. (CFTMG 2017) Observe o mapa em sequência.
A partir da análise do mapa, é INCORRETO afi rmar que a vegetação primária 
indicada pela letra 
a) C, caracteriza-se por espécies latifoliadas de grande porte, com regimes 
pluviométricos elevados. 
b) D, possui um perfi l morfológico diverso, englobando desde campos herbáceos 
até árvores esparsas. 
c) B, é relativamente homogênea, sendo historicamente impactada pela explo-
ração da madeira e da celulose. 
d) A, é marcada pela presença de pequenos vegetais espaçados entre si, com 
predominância de líquens e musgos. 
 
RESOLUÇÃO
A alternativa incorreta, como pede a questão é a A. A área C apresenta descrição 
errada, pois corresponde às pradarias, também denominadas campos ou estepes. 
É caracterizada por formações vegetais arbustivas e herbáceas, além de vegetação 
xerófi la em alguns casos. É um tipo de vegetação associada a clima temperado 
continental e semiárido. 
As outras regiões apontadas no mapa podem ser identifi cadas da seguinte forma:
A letra A indica a formação vegetal chamada de tundra.
A letra B corresponde às fl orestas boreais, também chamadas de fl oresta de 
coníferas ou taiga. 
A letra D corresponde a formação vegetal denominada savana.
Resposta: A
3. (UEL 2017) Analise as fi guras a seguir.
Disponível em: <http://www.ispn.org.br/arquivos/mapa-desmatamento-cerrado.jpg>. Acesso em: 12 ago. 2016.
As fi guras 1 e 2 mostram a distribuição da vegetação no bioma Cerrado nos 
estados brasileiros.
Cite e explique dois fatores que justifi cam as alterações ocorridas ao longo 
do tempo. 
RESOLUÇÃO
 Em meados do século XX, o bioma do Cerrado, um tipo de vegetação complexo 
adaptado ao clima tropical, localizado principalmente na porção central do Brasil, 
passou por um intenso processo de degradação ambiental. Cerca de 50% de sua 
cobertura vegetal foi devastada. Esse fato está associado à abertura de rodovias 
e à construção de Brasília. Podemos relacionar a devastação também à expansão 
da fronteira agrícola na região. O governo estimulou a ocupação das terras para 
a realização de práticas agropecuárias, fato que incentivou um crescente fl uxo 
migratório (do Sul, do Sudeste e do Nordeste). A expansão do cultivo da soja e 
a utilização do Cerrado para pastagens ampliaram os problemas ambientais e 
também explicam a representação na Figura 2.
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115GE GEOGRAFIA 2018 
RESUMO
Biosfera
BIODIVERSIDADE É a variabilidade de organismos vivos de 
todas as origens existentes (animais, vegetais e microrganismos) 
nos ecossistemas terrestres e aquáticos. A biodiversidade for-
nece a matéria-prima para produtos essenciais à sobrevivência 
humana, incluindo madeira, alimentos e medicamentos. Ações 
humanas como desmatamentos, ocupação desordenada e 
poluição de solos e rios são a grande ameaça à diversidade 
biológica e provocam extinção de espécies.
SUSTENTABILIDADE O conceito de desenvolvimento sus-
tentável propõe utilizar os recursos naturais de forma que a 
natureza os consiga repor, para garantir as necessidades das 
gerações futuras. Essa ideia tem como objetivo conciliar o 
desenvolvimento econômico com o respeito ao meio ambiente.
ECOSSISTEMAS São áreas de qualquer dimensão onde há 
uma relação de interdependência entre os seres vivos (plan-
tas, animais e decompositores) e os fatores físicos do meio 
ambiente, como o solo e a água. 
VEGETAÇÃO NO MUNDO São nove os principais tipos de vege-
tação: deserto, estepe (campos, pampas, pradaria), floresta de 
coníferas, floresta temperada, floresta tropical, savana/cerrado, 
tundra, vegetação de montanha e vegetação mediterrânea. As 
regiões de baixa latitude, onde há maior incidência de chuva 
e luz solar, propiciam maior diversidade vegetal. Conforme 
a latitude vai aumentando, a variedade de plantas diminui 
progressivamente.
BIOMAS BRASILEIROS Biomas são comunidades formadas 
por organismos estáveis, desenvolvidas e bem adaptadas às 
condições ambientais de uma grande região. Os seis grandes 
biomas brasileiros são: a Amazônia (o maior do país), a Caatinga 
(exclusivamente brasileiro), o Cerrado (um dos mais ameaçados 
do mundo), a Mata Atlântica (possui apenas 22% de vegetação 
remanescente), o Pampa (também modificado, é usado como 
pastagem) e o Pantanal (o mais bem preservado).
DESMATAMENTO A extração da madeira, a agropecuária, o 
avanço das cidades e a exploração mineral são as principais 
ações que exercem pressão sobre as florestas. Mais de 75% 
da cobertura vegetal original do mundo já foi desmatada. No 
Brasil, a Amazônia já perdeu 12% da sua cobertura original; a 
Mata Atlântica e o Cerrado estão entre os biomas mais amea- 
çados do planeta.
CÓDIGO FLORESTAL Sancionado em outubro de 2012, o 
novo Código Florestal pretende regulamentar o uso da terra. 
Ambientalistas criticam a ampliação da área permitida para 
o desmatamento, o que era uma exigência dos produtores 
rurais. A isenção de multa a quem desmatou até 2008 é outro 
tema controverso.
�SAIBA MAIS
A região do Cerrado responde por mais de 60% de toda a produção de soja no Brasil. 
Veja no mapa abaixo como o seu cultivo ocupa quase a totalidade do bioma.
O CERRADO E A ÁREA DE PRODUÇÃO DE SOJA NO BRASIL
Fonte: Confederação Nacional do Transporte e IBGE
Quantidade produzida de soja 
em milhares de toneladas
Em 2013
30 a 300 Acima de 300
0 1000
Km
Bioma do Cerrado
4. (Uerj 2016) 
BIODIVERSIDADE? CONHEÇO DE ALGUM LUGAR...
Ter ouvido falar em biodiversidade é uma coisa. Saber definir o termo, outra 
– pelo menos segundo uma pesquisa global realizada pela União para o Bio-
Comércio Ético (UEBT), associação sem fins lucrativos que busca promover o 
uso respeitoso da biodiversidade. Foram ouvidas mil pessoas em cada um dos 
dezesseis países participantes, incluindo o Brasil. Por aqui, embora 92% dos 
entrevistados já tenham ouvido falar no assunto, apenas 44% deles conseguem 
dar uma definição satisfatória do termo – um número alto se comparado à 
média mundial, de 28%. Ainda segundo os resultados da pesquisa, a televisão 
e o rádio são as maiores fontes de informação que os brasileiros têm sobre 
biodiversidade, seguidas pela escola e por artigos em jornais e revistas.
Adaptado de cienciahoje.uol.com.br, 30/07/2015. 
De acordo com a Convenção sobre a Diversidade Biológica de 1992, biodiver-
sidade é a variedade de organismos vivos existentes no planeta ou em uma 
determinada região do globo, incluindo ecossistemas terrestres e marinhos.
Aponte dois fatores que provocam a perda da biodiversidade de uma região.
RESOLUÇÃO
Entre os fatores que interferem negativamente na biodiversidade de uma região, é 
possível citar a urbanização – o habitat natural costuma ser afetado pela construção 
de estradas e por obras de infraestrutura. Também afetam a biodiversidade o desma-
tamento para a introdução de culturas agrícolas ou pastagem e a contaminação dos 
ambientes por pesticidas, agrotóxicos e lixo industrial.
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116 GE GEOGRAFIA 2018
A TERRA É AZUL 
(E AMARELA) 
Imagem de satélite 
mostra o planeta 
visto do espaço – os 
pontos luminosos são 
da cidade de Moscou, 
capital da Rússia
A superfície do planeta é dividida em seis continentes, as grandes extensões de terra emersas limitadas pelas águas de mares e oceanos. Eles ocupam 150.377.393 
quilômetros quadrados, dimensão que corresponde a 29,4%da superfície total do globo. Mas nem sempre foi assim. 
Há cerca de 400 milhões de anos, as terras do planeta 
estavam reunidas em um único continente, chamado de 
Pangeia – em grego, pan significa toda; e geia, terra. Esse 
imenso bloco começou a rachar no sentido leste-oeste por 
volta de 200 milhões de anos atrás e, aos poucos, seus terri-
tórios foram se afastando uns dos outros, dando origem aos 
continentes como conhecemos hoje (veja mais na pág. 30). 
A atual configuração física do globo foi estabelecida há 
65 milhões de anos, em decorrência desse processo de 
deslocamento da crosta. O movimento constituiu os seis 
continentes existentes: África, América, Antártica (ou 
Antártida), Ásia, Europa e Oceania. A América, por sua vez, 
é subdividida em três: América do Norte, América Central e 
Confira a seguir um abrangente 
retrato físico, econômico e social 
das seis grandes extensões de terra 
do planeta
O mundo 
em resumo
CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO
� Mapa-múndi ............................118
� Perfil dos continentes ..........120
� África ..........................................121
� América .....................................122
� Antártica ...................................123
� Ásia .............................................124
� Europa e Oceania ...................125
� Brasil ..........................................126
� Perfil das regiões ....................128
� Centro-Oeste e Nordeste ......129
� Norte e Sudeste .......................130
� Sul ...............................................131
DISTRIBUIÇÃO FÍSICA
A litosfera não é contínua, mas dividida em vários blocos, denominados 
placas tectônicas. Elas são separadas por grandes fendas vulcânicas 
em permanente atividade no fundo do mar. Através dessas fendas, o 
magma sobe à superfície. Isso expande o fundo do mar e movimenta, em 
várias direções, os blocos que formam a superfície (veja mais na pág. 30).
 A própria distribuição das superfícies continentais se dá de forma 
desigual, correspondendo a 40,4% da área do Hemisfério Norte e 
a apenas 14,4% da do Hemisfério Sul. As regiões polares também 
são distintas. No sul, há um continente – a Antártica – coberto por 
espessa camada de gelo; já no norte, existe uma grande depressão, 
coberta pelo Oceano Ártico.
ATLAS
6
América do Sul. Vale ressaltar que o Ártico, região de mares 
e águas congeladas, não é um continente. 
Como você verá nas páginas seguintes, os continentes 
apresentam características físicas, sociais e econômicas 
bastante diferenciadas.
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117GE GEOGRAFIA 2018 
POPULAÇÃO 
A Ásia é o maior e mais populoso dos continentes, reunindo quase 
60% dos habitantes do globo. É também o berço de algumas das mais 
antigas civilizações e religiões do mundo. As duas nações com a maior 
população estão no continente asiático: China (1,4 bilhão de pessoas) 
e Índia (1,3 bilhão). 
Em contrapartida, o crescimento demográfico na Europa está pra-
ticamente estagnado. No período entre 2010 e 2015, a ONU estima 
que sua população tenha crescido apenas 0,1%. Com isso, a Europa 
acaba necessitando de mão de obra especializada de outras partes do 
planeta. A discussão em torno da imigração ilegal de trabalhadores 
sem qualificação se torna cada vez mais intensa e tem sido motivo de 
criação de diversas – e polêmicas – legislações restritivas. 
Já na América, os Estados Unidos (EUA), por sua força econômica, são 
o principal polo receptor de imigrantes. Em 2015 viviam no país 43,3 
milhões de imigrantes, que representam 13,5% da população total. Os 
mexicanos formam o maior grupo, constituindo 11,6 milhões – só no ano 
passado, pelo menos 140 mil pessoas migraram do México para os EUA.
ECONOMIA 
Do ponto de vista dos recursos naturais, a Ásia abriga as maiores 
jazidas conhecidas de petróleo, em particular no Oriente Médio e 
nos países de sua região central. 
A África, por sua vez, apresenta os problemas sociais mais agudos, 
especialmente na região ao sul do Deserto do Saara (a África Subsa-
ariana). Embora o continente reúna as maiores reservas de minérios 
e pedras preciosas do planeta, sua população vive em extrema mi-
séria. Bolsões de pobreza também são encontrados na maior parte 
da Ásia e nas porções central e sul da América, que, com o México, 
formam a América Latina. 
A produção de riquezas concentra-se principalmente na América 
do Norte e na Europa: a soma do Produto Interno Bruto (PIB) dos 
países dessas regiões é superior a 50% do total do planeta. Nessas 
nações estão os indicadores sociais mais positivos do mundo, que 
garantem boas condições de vida a ampla parcela da população. 
Na Ásia, destacam-se China e Japão – segunda e terceira maiores 
economias mundiais, respectivamente.
NASA
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CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO
OCEANO ATLÂNTICO
OCEANO PACÍFICO
POLO SUL
Mar de Weddell
Mar de Davis
Mar de Ross
Mar de Amundsen
Mar de Bellingshausen
CÍRCULO POLAR ÁRTICO
RÚSSIA
GROENLÂNDIA
Finlândia
SuéciaIslândia
Noruega
ALASCA
CANADÁ
POLO NORTE
POLO SUL
POLO NORTE
ILHAS FALKLAND
(MALVINAS)
PANAMÁ
ARGENTINA
COLÔMBIA
EQUADOR
PERU
VENEZUELA
BRASIL
ANTÁRTICA
BOLÍVIA
CHILE
URUGUAI
PARAGUAI
GUIANA FRANCESA
SURINAME
GUIANA
PORTO 
RICO
REP. DOMINICANA
HAITIJAMAICA
CUBA
NICARÁGUA
COSTA RICA
HONDURAS
BELIZE
GUATEMALA
EL SALVADOR
MÉXICO
BAHAMAS
ESTADOS UNIDOS 
DA AMÉRICA
CANADÁ
ALASCA
(EUA)RÚSSIA
ILHAS HAVAÍ
(EUA)
ILHAS SAMOA
TONGA
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO
ATLÂNTICO
TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO
TRÓPICO DE CÂNCER
CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO
EQUADOR
I. Marquesas
(FRA)
I. Tahiti
(FRA)
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1.216,1
360,5641
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40,2
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19,3
98,4
71,2
4,6
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nia
40,1
79,5 82,6
48,7
74,2 71,3
Em milhões, 2016
POPULAÇÃO
Habitantes/km², 2016
DENSIDADE
Em %, 2016
POPULAÇÃO URBANA
Fonte: Banco Mundial e ONU
0
1.000
2.000
3.000
4.000
5.000
4.436,2
738,8
39,6
0
10
30
50
70
20
40
60
90
80
0
20
10
30
40
50
70
90
60
80
118 GE GEOGRAFIA 2018
ATLAS MUNDO
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Í
PORTUGAL
ESPANHA
ANDORRA
MÔNACO
VATICANO
SAN MARINO
LIECHTENSTEIN
ITÁLIA
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GEÓRGIA
SÍRIACHIPRE
BULGÁRIA
GRÉCIA
MALTA
ALBÂNIA
MACEDÔNIA
RÚSSIA
REINO
UNIDO
IRLANDA
DINAMARCA
NORUEGA
SUÉCIA
FINLÂNDIA
ESTÔNIA
LETÔNIA
LITUÂNIA
BELARUS
UCRÂNIA
MOLDÁVIA
ROMÊNIA
ALEMANHA
HOLANDA
BÉLGICA
FRANÇA SUÍÇA
LUXEMBURGO ESLOVÁQUIA
REP. TCHECA
ÁUSTRIA HUNGRIA
ESLOVÊNIA
BÓSNIA–
HERZEGOVINA SÉRVIA
CROÁCIA
POLÔNIA
FEDERAÇÃO DOS
ESTADOS DA
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I. Anguilla (RUN)
I. S. Martin (FRA e HOL)
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I. Guadalupe (FRA)
DOMINICA
I. Martinica (FRA)
SANTA LÚCIA
BARBADOS
GRANADA
TRINIDAD
E TOBAGO
I. Margarita 
(VEN)
I. Blanquilla 
(VEN)
I. Orchilla 
(VEN)
I. La Tortuga 
(VEN)
I. Bonaire 
(HOL)
I. Curaçao 
(HOL)
Mar do Caribe
I. Aruba 
(HOL)
AMÉRICA DO SUL
REP. 
DOMINICANA
SÃO CRISTÓVÃO
E NÉVIS
I. Montserrat (RUN)
SÃO VICENTE
E GRANADINAS
Porto Rico
(EUA)
MONTENEGRO
I. GEÓRGIA DO SUL
LÍBIA
TUNÍSIA
ARGÉLIA
MARROCOS
PORTUGAL
ESPANHA
ITÁLIA
TURQUIA
GEÓRGIA UZBEQUISTÃO
IRÃ
ARÁBIA
SAUDITA
EGITO
OMÃ
EMIRADOS 
ÁRABES UNIDOS
CATAR
BAREIN
KUWAITJORDÂNIA
IRAQUE
SÍRIA
LÍBANO
ISRAEL
CHIPRE
BULGÁRIA
GRÉCIA
ARMÊNIA
AZERBAIJÃO
MADAGASCAR
MAURÍCIO
COMORES
SEICHELES
SOMÁLIA
ETIÓPIA
DJIBUTI
ERITREIASUDÃO
SUDÃO
DO SUL
REPÚBLICA
CENTRO-
AFRICANA
UGANDA QUÊNIA
BURUNDI
TANZÂNIA
ZÂMBIA
MALAUÍ
MOCAMBIQUE
SUAZILÂNDIA
LESOTO
ÁFRICA 
DO SUL
BOTSUANA
ZIMBÁBUENAMÍBIA
ANGOLA
REP. DEM.
DO CONGO
RUANDA
IÊMEN
MALI
NÍGER CHADE
CAMARÕES
NIGÉRIA
CONGO
GABÃO
GUINÉ EQUATORIAL
TO
GO
BE
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BURKINA
FASSO
COSTA
DO
MARFIM
GA
N
A
LIBÉRIA
SERRA LEOA
GUINÉGUINÉ-BISSAU
GÂMBIA
SENEGAL
CABO
 VERDE
MAURITÂNIA
Ilhas Canárias
SaaraOcidental
AÇORES
(POR)
ÍNDIA
SRI LANKA
MALDIVAS
MIANMAR
CHINA
BUTÃO
NEPALPAQUISTÃO
BANGLADESH
LAOS
TAILÂNDIA
CAMBOJA
BRUNEI
MALÁSIA
CINGAPURA
INDONÉSIA
FILIPINASVIETNÃ
TAIWAN
(FORMOSA)
TIMOR-LESTE
PAPUA
NOVA-GUINÉ
AUSTRÁLIA NOVA 
CALEDÔNIA
(FRA)
NOVA 
ZELÂNDIA
FIJI
VANUATU
SALOMÃO
KIRIBATI
NAURU
ILHAS
MARSHALL
JAPÃO
COREIA
DO NORTE
COREIA
DO SUL
MONGÓLIA
QUIRGUISTÃO
TADJIQUISTÃO
AFEGANISTÃO
TURCOMENISTÃO
CAZAQUISTÃO
RÚSSIA
ISLÂNDIA
REINO
UNIDO
IRLANDA
DINAMARCA
NORUEGA SUÉCIA
FINLÂNDIA
ESTÔNIA
LETÔNIA
LITUÂNIA
BELARUS
UCRÂNIA
ROMÊNIA
ALEMANHA
FRANÇA
ÁUSTRIA HUNGRIA
GROENLÂNDIA
(DIN)
Projeção Robinson
SÃO TOMÉ
E PRÍNCIPE
POLÔNIA
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO ANTÁRTICO
OCEANO ÁRTICO
OCEANO
ÍNDICO
Mar 
do
Norte
Mar 
Mediterrâneo
Mar 
Negro
CÍRCULO POLAR ÁRTICO
M
E
L
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N
119GE GEOGRAFIA 2018 
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PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) – 2015* 
(em % por continente)
Europa
26,3
África
3,1
Ásia
33,5
América
34,6
Oceania
2,5
Europa
9,9
África
16,4
Oceania
0,5
Ásia
59,7
América
13,5
POPULAÇÃO – 2016*
Distribuição, em % 
*Total de 7,432 bilhões em 2016 *Total mundial: 74,2 trilhões de dólares
PIB PER CAPITA – 2015 
(em dólares)
1.884
África
25.151
América
5.489
Ásia
25.714
Europa
46.623
Oceania
ÁREA DISTRIBUÍDA (em %) Total mundial: 150.377.393 km2 
Ásia
30,0
África
20,1
América
27,9
Europa
6,9
Oceania
5,7
Antártica
9,3
América
Ásia
Oceania
Europa
África
Antártica
Fontes: Fundo de Populações das Nações Unidas e Banco Mundial
120 GE GEOGRAFIA 2018
ATLAS MUNDO
Perfil dos continentes
O que dizem os números
COMPARANDO ÁSIA E AMÉRICA 
A Ásia é o maior continente do planeta em área, superando por apenas 2,1% a América. No entanto, a população asiática representa quase 
60% de todos os habitantes do mundo, muito acima dos indicadores da América, que somam apenas 13,5%. Esse elevado povoamento 
diz muito a respeito do Produto Interno Bruto (PIB) asiático, que é responsável por um terço de toda a riqueza produzida no mundo. Mas 
perceba que, mesmo com uma população quatro vezes menor que a asiática, a América tem um PIB 1,1% superior. Essa diferença se traduz 
nos dados de PIB per capita, ou seja, o quanto cada habitante do continente recebe por ano. Enquanto os asiáticos ganham apenas 5.489 
dólares por ano em média, os trabalhadores da América recebem 25.151 dólares.
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122 GE GEOGRAFIA 2018
ATLAS MUNDO
AMÉRICA
72% 
do produto interno bruto 
das Américas é gerado 
nos Estados Unidos
Três em um
S egundo continente mais extenso, com área de 42 milhões de quilômetros qua-drados, a América é formada por duas 
grandes massas de terra (América do Norte e 
América do Sul), unidas por uma estreita faixa 
(América Central). Um sistema de cadeias mon-
tanhosas percorre o território em sua porção 
oeste, sem interrupção, desde o Estreito de 
Magalhães, no extremo sul, até o Estreito de 
Bering, no extremo norte.
Nenhum continente apresenta tamanho dese-
quilíbrio regional quanto a América. Ao norte, os 
Estados Unidos (EUA) e o Canadá são duas das 
mais desenvolvidas nações do planeta, enquanto os 
outros países – que compõem a América Latina – 
estão num nível de desenvolvimento bem inferior. 
AMÉRICA DO NORTE
A América do Norte é ocupada por três grandes paí-
ses: Canadá, EUA – bastante desenvolvidos – e México, 
menos desenvolvido. 
DISTRIBUIÇÃO FÍSICA Compreende uma área de 23,4 
milhões de quilômetros quadrados. Suas principais 
elevações se localizam a oeste, enquanto a maior bacia 
hidrográfica, a do Mississippi-Missouri, se situa a leste. A 
maior ilha do mundo fica na América do Norte: Groenlân-
dia, com quase 2,2 milhões de quilômetros quadrados. 
Na porção norte, de clima continental frio, predominam 
as florestas de coníferas; o centro e o sudeste, de clima 
continental, são ocupados por florestas temperadas e 
pradarias; no sudoeste, há desertos. 
POPULAÇÃO Abriga cerca de 489,2 milhões de habitantes 
em 2016. A maioria descende de colonizadores europeus, 
de escravos africanos e de vários grupos de imigrantes. 
Os principais centros urbanos encontram-se na Cidade 
do México, em Nova York e Los Angeles.
ECONOMIA É plenamente industrializada nos Estados 
Unidos e no Canadá e, em menor grau, no México. A 
América do Norte apresenta agricultura altamente me-
canizada, com destaque para a produção de cereais, 
milho, soja e laranja. Além disso, possui vastas reservas 
de combustíveis fósseis e minérios. 
AMÉRICA CENTRAL
A região, que responde por apenas 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB) da Amé-
rica, sobrevive basicamente da agricultura e do turismo. Pelo Canal do Panamá, a 
principal passagem entre o Oceano Atlântico e o Pacífico, circulam 5% de todo o 
comércio marítimo mundial. A região abriga, ainda, a única nação comunista do 
continente americano: Cuba. 
DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A América Central, com 748,6 mil quilômetros quadrados, é 
formada pelo istmo que une a América do Norte à América do Sul e pelas ilhas do Mar do 
Caribe. O território centro-americano possui relevo montanhoso, com vários vulcões ativos. 
No verão, o Caribe é assolado por furacões, com ventos de até 300 quilômetros por hora. 
POPULAÇÃO Reúne 89,9 milhões de habitantes em 2016. A região é povoada em gran-
de parte por mestiços, descendentes de índios, africanos e colonizadores europeus. 
ECONOMIA A agricultura emprega a maioria da população. A industrialização é 
incipiente e limita-se ao processamento de produtos agrícolas. O turismo na região 
do Caribe está em plena expansão. 
FENDA CONTINENTAL 
Navios cruzam o Canal 
do Panamá, que liga os 
oceanos Atlântico e Pacífico
BELEZA AMERICANA O Grand Canyon, nos Estados Unidos, 
tem paredões com quase 2 mil metros de altura
[1] 
[2] VEN
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123GE GEOGRAFIA 2018 
ANTÁRTICA
Cerca de
70% 
das reservas de água 
doce da Terra estão 
sob a forma de gelo na 
Antártica
AMÉRICA DO SUL
A região possui vastos recursos naturais, mas também 
graves problemas sociais. O Brasil é a economia mais 
desenvolvida, enquanto Chile, Argentina e Uruguai apre-
sentam melhor índice de desenvolvimento humano (IDH).
DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A América do Sul conta com 17,8 
milhões de quilômetros quadrados. A porção oeste é 
ocupada pela Cordilheira dos Andes, cujo ponto mais alto 
é o Pico Aconcágua (6.959 metros). As planícies centrais 
abrigam a bacia hidrográfica do Orinoco, a Amazônica e 
a do Prata. Na região norte, onde o clima é equatorial, 
encontram-se florestas latifoliadas tropicais úmidas. O 
sul possui faixas de clima desértico, como na região de 
Atacama, e uma zona temperada, ocupada por florestas 
subtropicais e pelos pampas argentinos. 
POPULAÇÃO A América do Sul tem 422,5 milhões de 
habitantes em 2016. A população é formada por des-
cendentes de europeus (em especial espanhóis e por-
tugueses), africanos e indígenas, contando com alta 
porcentagem de mestiços. 
ECONOMIA A indústria está centrada na produção agrí-
cola e de bens de consumo. No Brasil e na Argentina, 
encontra-se mais diversificada, abrangendo setores como 
siderurgia e metalurgia. O Brasil é responsável por cerca 
de três quintos da produção industrial sul-americana. 
FENÔMENO AMAZÔNICO O famoso encontro das águas 
escuras do Rio Negro com o barrento Rio Solimões
DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A Antártica é cercada pelas águas dos oceanos Atlântico, Pací-
fico e Índico. É o lugar mais frio do globo com temperaturas inferiores a 0 ºC no verão 
e menores que -80 ºC no inverno. Sob a grossa camada de gelo, estende-se o Lago 
Vostok, um dos maiores do mundo, com 10 mil quilômetros quadrados de extensão.
ECONOMIA As atividades humanas no continente restringem-se à pesca e à investigação 
científica. Diversas nações mantêm base de pesquisa na região, entre as quais o Brasil, 
que desenvolve atividades na Base Comandante Ferraz. Em 1991 foi assinado o Protocolo 
de Madri, que entrouem vigor em 1998. Esse documento proíbe por 50 anos a exploração 
econômica dos recursos naturais. A medida é preventiva, já que, até hoje, não foram en-
contradas reservas de interesse comercial. Argentina, Austrália, Chile, França, Noruega, 
Nova Zelândia e Reino Unido reivindicam áreas no continente.
O continente de gelo
T ambém chamada de Antártida, a Antártica é coberta por uma enorme camada de gelo. A superfície do continente ocupa 14 milhões de quilômetros quadrados, e 99% de sua superfície é 
coberta por um manto de gelo que atinge quase 5 quilômetros de espessura. 
Essa massa de gelo é de extrema importância para o equilíbrio do planeta. 
Isso porque, além de concentrar cerca de 70% das reservas de água doce 
da Terra, interfere no nível dos oceanos, por causa das variações em sua 
extensão e espessura. No inverno, até 18 milhões de quilômetros quadrados 
do oceano em torno do continente ficam cobertos por uma fina camada 
de gelo. O buraco na camada de ozônio localiza-se em cima do continente 
e ameaça a estabilidade de suas geleiras (90% das existentes no planeta), 
em virtude da maior exposição à radiação solar (veja mais na pág. 82).
ESCALA
0 755 km
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO
ÍNDICO
Mar de Davis
Mar de Ross
Mar de Weddell
Mar de
Bellingshausen
Mar de Amundsen
Li
m
ite
 e
xt
re
m
o 
do
 m
ar
 co
ng
el
ad
o
M
ontanhas Transantárticas 
Ilhas Shetland
do Sul
Maciço Vinson
5.897 m
ANTÁRTICA
ORIENTAL
ANTÁRTICA
OCIDENTAL
TERRA DE
ENDERBY
TERRA
DE WILKES
TERRA DE
MARIE BYRD
TERRA DE
ELLSWORTH
TERRA DA
RAINHA MAUD
Geleira Lambert
Plataforma de
gelo Ronne
Criosfera 1
Plataforma de
gelo Filchner
Plataforma de
gelo Ross
180º 
0º 
90º O 90º L
80º S 
70º S 
POLO SUL
Círculo 
Polar Antártico 
Ilha Rei George
Ilhas Shetland do Sul
1
5
7
6 4 3
2
Neumayer (Alemanha)
Sanae IV
(África do Sul)
Troll
(Noruega)
Rothera (Reino Unido)
Marambio (Argentina)
McMurdo (EUA)
Amundsen-Scott (EUA)
Scott Base
(Nova Zelândia)
Dummont d'Urville
(França)
Casey
(Austrália)
Maitri (Índia)
Syowa (Japão)
Mawson (Austrália)
Mirny (Rússia)
Principal base
permanente de cada país*
1 Comandante Ferraz (Brasil) 2 Arctowski (Polônia)
3 Jubany (Argentina) 4 King Sejong (Coreia do Sul)
5 Artigas (Uruguai) 6 Eduardo Frei (Chile) 7 Great Wall (China)
Península Antártica 
*Bulgária, Equador, Espanha, Finlândia, Peru, Romênia, Suécia e República Tcheca mantêm apenas bases temporárias
Fonte: Comitê Científico de Pesquisa Antártica (SCAR)
[1] DIVULGAÇÃO/ NATIONAL GEOGRAPHIC CHANNEL [2] DIVULGAÇÃO [3] MANOEL MARQUES
[3] 
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124 GE GEOGRAFIA 2018
ATLAS MUNDO
DISTRIBUIÇÃO FÍSICA Maior continente do mundo, sua área é de cerca de 45 milhões 
de quilômetros quadrados. A fronteira convencional entre Ásia e Europa é determinada 
pelos Montes Urais, pelo Rio Ural, pelo Mar Cáspio, pelas montanhas do Cáucaso e pelo Mar 
Negro. Dessa forma, os territórios de Turquia e Rússia estendem-se pelos dois continentes.
O relevo asiático apresenta a maior altitude média da Terra (960 metros), em razão da 
presença de grandes cadeias montanhosas, entre as quais a Cordilheira do Himalaia 
e a do Kunlun, que contornam o planalto do Tibete. Há também grandes depressões, 
como o Mar Morto, situado 365 metros abaixo do nível do mar.
Em virtude da vastidão de seu território, da diversidade de relevos e do regime 
de monções (vento periódico que, no verão, sopra do mar para o continente e, no 
inverno, do continente para o mar), existem muitos tipos de clima na Ásia. Como 
consequência, há também grande variedade de vegetação: tundra, estepes, florestas 
de coníferas, florestas temperadas e florestas tropicais. 
POPULAÇÃO O continente é o mais populoso do mundo, com 4,4 bilhões de habitan-
tes em 2016. A distribuição da população é bastante desigual, com mais de 60% dos 
habitantes concentrados na China e na Índia. Há grande diversidade étnica, linguística 
e religiosa. Os conflitos em curso no continente provocam grandes deslocamentos de 
pessoas – os maiores contingentes de refugiados são formados por 5 milhões de pales-
tinos e 4,9 milhões de emigrados da Síria, que fogem da guerra civil iniciada em 2011.
ECONOMIA A Ásia apresenta contrastes econômicos extremos. A porção mais desen-
volvida – que inclui países como Japão, Coreia do Sul e Taiwan – registra renda per 
capita quase 100 vezes maior que a das regiões pobres. No sul do continente, região 
que abrange nações como Índia, Paquistão e Bangladesh, a pobreza atinge elevadas 
proporções: 15% da população vive com menos de 1,90 dólar por dia.
Desde a abertura econômica iniciada no fim dos anos 1970, a China é o país que mais se 
industrializa na Ásia. Em pouco mais de um quarto de século, o país tornou-se a segunda 
maior economia global, atrás apenas dos Estados Unidos, e o maior exportador mundial.
A extração mineral é a principal fonte de divisas dos prósperos países do Golfo Pérsico, 
que detêm mais de 50% das jazidas mundiais de petróleo. A atividade extrativista é 
intensa também na Rússia – dona de cerca de um terço do gás natural do planeta e 
de grandes reservas conhecidas de petróleo. 
Apesar da intensa modernização econômica, grande parte dos empregos no continente 
estão na agricultura – no sul da Ásia, por exemplo, metade da força de trabalho atua 
no setor. A Ásia responde por aproximadamente 45% da produção mundial de cereais, 
com destaque para o arroz (90% do que se produz no planeta). Mas, ainda assim, precisa 
importá-los para suprir a demanda interna, especialmente da China.
ÁSIA
Mais de
50% 
das reservas mundiais 
de petróleo estão no 
Oriente Médio
Vastidão oriental
A Ásia é o maior e o mais populoso con-tinente. Na Cordilheira do Himalaia, estão os pontos mais altos do planeta, 
em especial o Monte Everest, com 8.850 metros, 
na fronteira entre o Nepal e a China. Situam-se 
no continente asiático algumas das maiores 
concentrações humanas, em megacidades como 
Tóquio, no Japão. 
Os recursos naturais são imensos. A Ásia 
produz quase metade do petróleo do mundo, 
possuindo as maiores reservas conhecidas, nos 
países do Golfo Pérsico. Ao lado do Japão, a 
principal nação industrial do continente, e de 
países em acelerado processo de desenvolvimen-
to, como a China, há várias regiões atrasadas, 
com graves problemas sociais, sobretudo na 
Ásia Central. 
A região também sofre com sérios conflitos, 
como a guerra civil na Síria. As disputas terri-
toriais entre israelenses e palestinos, no Oriente 
Médio, e o conflito entre Índia e Paquistão pela 
região da Caxemira, são outros exemplos. Mais 
recentemente, o fundamentalismo religioso deu 
origem a grupos como o Estado Islâmico, que 
controla regiões no Iraque e na Síria.
DISTRIBUIÇÃO DA POPULAÇÃO – 2016*
*Não inclui a Rússia
Em %
Fonte: Fundo de Populações das Nações Unidas (Fnuap)
China
31,3
Demais
países
22,1
Paquistão
4,3
Indonésia
5,9
Índia
29,9
Bangladesh
3,7
Japão
2,8
TRADIÇÃO 
Família nômade da 
Mongólia, país que abriga 
povos e culturas milenares [1] 
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125GE GEOGRAFIA 2018 
EUROPA OCEANIA
Mais de
90% 
da cobertura original de 
florestas já foi devastada 
na maior parte da Europa
PRAIA NEGRA Litoral da 
Islândia, a segunda maior 
ilha da Europa, repleta de 
vulcões ativos
POVOS NATIVOS Os aborígenes habitam o território da 
Austrália desde, pelo menos, 45 mil anos antes de Cristo
DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A Europa pertence, com a Ásia, à massa de terra conhecida como 
Eurásia. O continente europeu tem área de 10 milhões de quilômetros quadrados. A 
maior parte do território é formada por planícies. Predomina o clima temperado, mas 
há variações. A vegetação original já foi bastante devastada, prevalecendo florestas 
temperadas e de coníferas. 
POPULAÇÃO O continente tem 738,8 milhões de habitantes em 2016 e é o único com 
tendência de redução da população. Paralelamente às baixas taxas de natalidade, o 
envelhecimento dos habitantes exerce forte pressão demográfica nocontinente e pode 
comprometer o crescimento econômico. Por isso, apesar da atual resistência de muitos 
países à entrada de imigrantes, a Europa precisa da força de trabalho dos estrangeiros.
ECONOMIA O parque industrial europeu é um dos mais avançados do mundo, com 
destaque para os setores automobilístico, químico, siderúrgico e de telecomunicações. 
Persistem, entretanto, contrastes de desenvolvimento entre os países ocidentais, que 
detêm cerca de 80% do PIB do continente, e as nações do leste, do ex-bloco comunista. 
A criação da União Europeia, em 1992, tenta superar esse quadro desigual, mas a 
crise atual da região explicita o fosso que separa as nações ricas das mais atrasadas.
Berço da civilização ocidental
O continente é considerado o berço da civilização ocidental. Ali se desenvolveram, por exemplo, o Renascimento, a Revolução Francesa e a Revolução Industrial, eventos que moldaram o 
mundo moderno. A pequena extensão da Europa contrasta com sua 
importância histórica. Impulsionado pela expansão marítima e comer-
cial, o continente exerceu, por séculos, papel hegemônico sobre o globo, 
abrigando várias potências coloniais. 
Porém, após o fim da II Guerra Mundial, o continente viu-se dividido, 
por décadas, em dois blocos hostis, um capitalista e outro socialista – eles 
correspondem, em linhas gerais, à Europa Ocidental e à Europa Oriental. 
A primeira é integrada pelas nações mais ricas do continente. A segunda é 
formada predominantemente por países que saíram do bloco comunista e 
procuram melhorar sua economia. Após o encerramento da Guerra Fria, nos 
anos 1990, foi criada a União Europeia (UE), o principal bloco econômico 
do mundo. Atualmente, a UE tenta superar uma grave crise econômica, 
alavancada pelo alto endividamento dos países-membros.
DISTRIBUIÇÃO FÍSICA É o menor continente do mundo, 
com 8,5 milhões de quilômetros quadrados de extensão. 
A Austrália corresponde a cerca de 90% da área emersa 
da Oceania. A maioria das ilhas da Oceania é de origem 
vulcânica, sendo cobertas de florestas tropicais. 
POPULAÇÃO A Oceania é também o menos habitado 
dos continentes, com 39,6 milhões de pessoas em 2016. 
Cerca de 60% dessa população vive na Austrália. 
ECONOMIA A Austrália destaca-se pelo parque industrial, 
pela agricultura e pela extração mineral, enquanto a 
economia das ilhas do Pacífico é agrícola.
Mais que cangurus
A Oceania é formada por uma massa continental (a Austrália), a parte leste da Ilha de Nova Guiné, as ilhas que 
constituem a Nova Zelândia e pequenas ilhas 
e atóis que se espalham pelo Oceano Pacífico. 
Essas ilhas menores se dividem em três grupos: 
a Polinésia, no extremo leste; a Melanésia, na 
região central; e a Micronésia, situada ao norte.
Há diferenças marcantes na região. Enquan-
to a Austrália e a Nova Zelândia são nações 
desenvolvidas, as demais têm economia frágil. 
A Oceania enfrenta, ainda, graves problemas 
ambientais. Estudos indicam que, dentro de um 
século, a elevação do nível do mar, causada pelo 
aquecimento global, poderá submergir ilhas e 
atóis da região. 
[1] CINDY WILK [2] ALMIR DE FREITAS [3] DIVULGAÇÃO
[2] 
[2] 
[3] 
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126 GE GEOGRAFIA 2018
ATLAS BRASIL
Quinto maior país do mundo, o Brasil conta com um território de 8.515.767 quilômetros quadrados de extensão. Com todo esse tamanho, para efeitos ad-
ministrativos, nosso território é dividido em cinco 
regiões: Centro-Oeste, Nordeste, Norte, Sudeste e Sul. Essa 
divisão regional, que fica a cargo do Instituto Brasileiro de 
Geografia e Estatística (IBGE), tem como objetivo reunir 
estados com traços físicos, humanos, econômicos e sociais 
comuns, o que ajuda no planejamento de políticas voltadas 
para áreas com necessidades semelhantes. 
Mas nem sempre o Brasil foi “repartido” da forma como é 
hoje, tendo sido estabelecidas muitas divisões regionais no 
decorrer da história. A atual está em vigor desde 1970, mas 
sofreu algumas alterações depois da Constituição de 1988. 
O estado do Tocantins foi criado com a divisão de Goiás e 
incorporado à Região Norte. Além disso, Roraima, Amapá e 
Rondônia deixaram de ser territórios para se tornar estados. 
Por fim, Fernando de Noronha foi incorporado ao estado de 
Pernambuco. Em 2017, o Brasil registra 5.570 municípios 
nos 26 estados mais o Distrito Federal.
 A despeito do tipo de recorte, o fato é que as disparidades 
entre as regiões são muito grandes. Para ter uma ideia, a 
Região Sudeste, a segunda menor em área, possui o maior 
número de habitantes, o maior percentual de pessoas que 
vivem em cidades e é responsável por mais da metade do 
Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. A Região Nordeste, 
por sua vez, apresenta alguns dos mais baixos indicadores 
sociais. A Região Norte, com o segundo menor número de 
habitantes, apresenta o maior contingente de população 
indígena e tem o mais alto índice de crescimento demográ-
fico. A Região Sul, seguida de perto pela Sudeste, é a que 
apresenta os melhores indicadores: tem o menor índice de 
mortalidade infantil e a menor taxa de analfabetismo. A 
Região Centro-Oeste, embora conte com população menor, 
apresenta acelerado crescimento demográfico, atrás apenas 
da Região Norte.
PLANO PILOTO Imagem de satélite mostra Brasília à noite: a iluminação permite observar o projeto urbanístico, que é comparado às formas de um avião
O Brasil 
em resumo
Confira a seguir as principais 
características físicas, econômicas e 
sociais das cinco regiões brasileiras
NASA
VEN
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SULSUL
SUDESTESUDESTE
NORDESTENORDESTE
NORTE
CENTRO-OESTECENTRO-OESTE
450 O550 O
250 S
100 S
Equador
Trópico de
Capricórnio
Oceano
Pacífico
Oceano
Atlântico
NORTE
Ilha de
Trindade (ES)
20’32’S 29’19’O
Ilha de Martin
Vaz (ES)
20’31’S 28’50’O
Atol das
Rocas (RN)
3’52’S
33’50’O
Abrolhos (BA)
17’25’S
38’33’O
DISTRITO
FEDERAL
PARÁ
GOIÁS
AMAPÁ
MARANHÃO
PIAUÍ
BAHIA
CEARÁ
RIO GRANDE
DO NORTE
PARAÍBA
PERNAMBUCO
ALAGOAS
SERGIPE
SÃO PAULO
RIO DE JANEIRO
ESPÍRITO SANTO
ACRE
AMAZONAS
PERU
RORAIMA
VENEZUELA
COLÔMBIA GUIANA
SURINAME Guiana
Francesa
(França)
RONDÔNIA
BOLÍVIA
CHILE
PARAGUAI
URUGUAI
ARGENTINA
MATO GROSSO
MATO GROSSO
DO SUL
PARANÁ
SANTA CATARINA
MINAS GERAIS
TOCANTINS
RIO GRANDE DO SUL
PONTOS EXTREMOS
NORTE
Nascente do Rio Ailã,
no Monte Caburaí (RR),
fronteira com a Guiana
LESTE
Ponta do
Seixas (PB)
SUL
Arroio Chuí (RS), na
fronteira com o Uruguai
OESTE
Nascentes do
Rio Moa, na Serra
de Contamana (AC),
fronteira com o Peru
Fontes: IBGE (mapa) e Ministério das Relações Exteriores (tabela)
Obs.: O território da Guiana Francesa (França)
mantém fronteira de 730 km com o Brasil
Manaus
Rio Branco
Porto Velho
Boa Vista
Macapá
Belém
São Luís
Teresina
Fortaleza
Natal
Recife
Maceió
Aracaju
Salvador
Palmas
Cuiabá
Goiânia
Campo Grande Vitória
São Paulo
Curitiba
Florianópolis
Porto Alegre
Rio de Janeiro
Belo Horizonte
João Pessoa
PAÍSES QUE FAZEM FRONTEIRA COM O BRASIL
País
Bolívia
Peru
Venezuela
Colômbia
Guiana
Paraguai
Argentina
Uruguai
Suriname
3.423
2.995
2.199
1.644
1.606
1.366
1.261
1.069
593
Fronteira
(em km)
3’50’S
Fernando de
Noronha (PE)
32’24’O
Penedos de
S. Pedro e
S. Paulo (RN)
3’56’S
29’22’O
ESTADOS E CAPITAIS BRASILEIROS
127GE GEOGRAFIA 2018 
VEN
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IDA
SulSudesteNordesteCentro-OesteNorte
32.687
37.298
14.329 
35.653
17.879R$ 5,78 
trilhões
206.081
Norte
Nordeste
Centro-Oeste
Sul
Sudeste
PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) – 2014
Em %, por região e total 
POPULAÇÃO – 2016 
Em milhares e em %, por região
Fontes: Projeção da População e Contas Nacionais – IBGE
PIB PER CAPITA – 2014 
(em reais)
ÁREA* (em %) Total do Brasil: 8.515.767 km2
Centro-Oeste
18,9
Norte
45,2
Nordeste
18,2
Sudeste
10,9
Sul
6,8
*Distribuição nas regiões brasileiras
Nordeste
56.916
27,6%
Sul
29.440
14,3%
Norte
17.708
8,6%
Centro-Oeste
15.661
7,6%
Sudeste
86.357
41,9%
Nordeste
13,9
Sul
16,4
Norte
5,4
Centro-Oeste
9,4Sudeste
54,9
128 GE GEOGRAFIA2018
ATLAS BRASIL
Perfil das regiões
O que dizem os números
DISPARIDADES REGIONAIS 
Apesar de o Norte ocupar 45,2% do espaço territorial brasileiro, apenas 8,6% dos brasileiros habitam a região. O Sudeste, por sua vez, abrange apenas 10,9% da área brasileira, 
mas responde por 41,9% da população e mais da metade do total de bens e serviços produzidos no país – o Produto Interno Bruto (PIB). Já o Nordeste, com 27,6% da população 
brasileira, é a segunda região mais populosa do país, mas é responsável por apenas 13,9% do PIB nacional. Como consequência, a região apresenta o menor PIB per capita do Brasil: 
o trabalhador nordestino recebe em média 14.329 reais por ano. O valor representa menos da metade do que ganha anualmente os habitantes do Sudeste, donos do maior PIB per 
capita do país: 37.298 reais por ano.
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129GE GEOGRAFIA 2018 
CENTRO-
OESTE NORDESTE
73% 
é a taxa de urbanização 
do Nordeste em 2015, a 
menor do Brasil
O cerne brasileiro
Formada pelos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e pelo Dis-trito Federal, a região localiza-se no ex-
tenso Planalto Central. Seu relevo se caracteriza 
por terrenos antigos e aplainados pela erosão, 
que originaram chapadões. O território também 
abriga a planície do Pantanal Mato-Grossense, 
cortada pelo Rio Paraguai e sujeita a cheias 
durante parte do ano. O clima do Centro-Oeste 
é tropical semiúmido e úmido, com chuvas de 
verão. A vegetação é de cerrado nos planaltos. 
No Pantanal, considerado patrimônio da hu-
manidade pela Unesco, os campos cerrados 
dividem o espaço com a floresta, que se torna 
mais fechada e úmida no norte do Mato Grosso.
POPULAÇÃO Ainda no Brasil colônia, o povoamento do 
Centro-Oeste resulta de dois movimentos migratórios. 
Um vem do Sul e do Sudeste, em virtude do transporte 
de gado às fazendas que ali começaram a se instalar e 
da ação dos bandeirantes paulistas. O outro movimen-
to vem do Nordeste, também ligado ao comércio de 
gado, que acaba criando, e fortalecendo, os primeiros 
povoados da região. No século XX, as maiores ondas 
migratórias vêm do Nordeste e ocorrem a partir dos 
anos 1950, com a construção da nova capital federal, 
Brasília. Segundo o IBGE, o Centro-Oeste é a região do 
país que proporcionalmente mais recebe imigrantes, com 
30,2% de residentes vindos de outros estados em 2015.
ECONOMIA O crescimento econômico da região deve-se, 
sobretudo, ao bom desempenho do setor agropecuário. 
Com cerca de 72 milhões de cabeças de gado, o rebanho 
bovino do Centro-Oeste responde por um terço do total 
do país. Na agricultura, os produtos mais importantes são 
o algodão, o milho e, principalmente, a soja, cuja colheita 
responde por quase metade da produção nacional. Entre 
os recursos minerais que mais se destacam estão calcário, 
cobre, níquel e manganês.
Por outro lado, a região enfrenta o desafio de aliar o 
crescimento econômico com a preservação ambiental. 
A adaptação da soja ao solo do cerrado devastou grande 
parte da vegetação local, e a cultura do grão avança para 
o norte de Mato Grosso, rumo à Floresta Amazônica.
 POPULAÇÃO A história nordestina é marcada pelos movimentos migratórios. No fim 
do século XIX, o ciclo da borracha na Amazônia deu início à migração dos nordesti-
nos, que aumentou no século XX para o Sudeste, com a industrialização, e para o 
Centro-Oeste, com a construção de Brasília. Além da atração econômica de outras 
regiões, os fluxos migratórios são motivados pelos períodos de seca. 
ECONOMIA Nos últimos anos, a economia nordestina vem apresentando crescimen-
to. Com a guerra fiscal (concessão de benefícios fiscais pelos governos estaduais 
com o objetivo de atrair empresas), uma série de indústrias se instalou nos estados 
nordestinos para fugir da carga tributária mais pesada no Sul e no Sudeste. Além 
disso, a região é a segunda produtora de petróleo do país – lá funciona um dos polos 
petroquímicos mais importantes: o de Camaçari (BA). 
Apesar dos longos períodos de seca, a pecuária e a agricultura vêm ganhando 
destaque. A boa adaptação das cabras ao clima local faz com que o Nordeste tenha 
o maior rebanho do país. A cana-de-açúcar é o produto agrícola de destaque, mas 
as lavouras irrigadas de frutas tropicais têm crescido em importância na produção 
nacional. Outro setor relevante na economia nordestina é o turismo.
Além do sertão
F ormada por nove estados – Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia –, a maior parte da região é constituída por extensos pla-
naltos, antigos e aplainados pela erosão. Os climas predominantes são o 
tropical e o semiárido, com grande parte do território coberta pela caatinga. 
O Nordeste reúne os mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano 
(IDH) do país, com altas taxas de mortalidade infantil e analfabetismo.
PRÉ-HISTÓRIA Pinturas rupestres no sítio arqueológico da Serra da Capivara, no Piauí
PABLO DE SOUZA/CIA DA LUZ
VEN
DA P
ROIB
IDA
130 GE GEOGRAFIA 2018
ATLAS BRASIL
NORTE SUDESTE
98% 
das terras indígenas 
brasileiras encontram-se 
na Amazônia Legal
Gigante setentrional
F ormada por sete estados (Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Ron-dônia, Roraima e Tocantins), a região é banhada pelos grandes rios das bacias Amazônica e do Tocantins. Em todo o Norte 
predomina o clima equatorial. A Floresta Amazônica, a vegetação mais 
abundante, é uma das áreas de maior biodiversidade do planeta. Esse 
patrimônio, contudo, está ameaçado pelo desmatamento.
POPULAÇÃO A maior concentração de índios está no Norte e, segundo o Instituto 
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a região abriga 342,8 mil índios de diversas 
etnias (38% do total). Amazonas, Pará e Roraima são os estados com a maior concen-
tração indígena. No decorrer das décadas, os estados do Norte também receberam 
grandes levas de imigrantes de outras regiões, sobretudo do Nordeste. 
ECONOMIA Além do intenso extrativismo vegetal, de produtos como látex e madeira, 
a região é rica em minérios. Lá estão a Serra dos Carajás (PA), a mais importante 
área de mineração do país, rica em manganês, ferro e ouro, e a Serra do Navio (AP).
A economia foi bastante beneficiada com a instalação, no fim da década de 1960, 
da Zona Franca de Manaus, baseada em políticas de incentivo fiscal. Com mais de 
600 indústrias, o Polo Industrial de Manaus responde por cerca de metade do PIB do 
Amazonas. Os principais setores do polo são o eletroeletrônico, de informática, motos 
e bicicletas, químico e de refrigerante. Nos últimos anos, contudo, o crescimento eco-
nômico tem ocorrido à custa de atividades de grande impacto ambiental: o aumento 
da pecuária extensiva – um terço do rebanho do país está na Amazônia –, o avanço 
da agricultura, sobretudo das lavouras de soja e, por fim, a extração de madeira.
A FILA ANDA Duas famílias reunidas na cidade de Breves, na região do Marajó, no Pará
Multidão urbana
F ormada por quatro estados – Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro –, a região situa-se na parte 
mais elevada do Planalto Atlântico, onde estão as 
serras da Mantiqueira, do Mar e do Espinhaço. 
Os climas predominantes são tropical úmido, se-
miúmido e de altitude. A mata tropical nativa foi 
praticamente devastada durante o povoamento. 
O relevo planáltico do Sudeste confere grande 
potencial hidrelétrico à região. Em Minas Gerais 
ocorre o encontro da nascente de duas impor-
tantes bacias hidrográficas: a do Rio Paraná, 
que se forma próximo à região conhecida como 
Triângulo Mineiro, e a do Rio São Francisco, 
que nasce na Serra da Canastra.
[1] 
[2] 
VEN
DA P
ROIB
IDA
131GE GEOGRAFIA 2018 
SUL
4,1% 
é a taxa de analfabetismo 
na Região Sul, a menor 
do Brasil
93% 
dos habitantes da Região 
Sudeste vivem nas 
cidades
CARTÃO-POSTAL Vista aérea 
da cidade do Rio de Janeiro, 
com o Cristo Redentor e o 
Pão de Açúcar ao fundo FLORESTA NATIVA A Mata de Araucária é uma cobertura vegetal típica da Região Sul
POPULAÇÃO A região é 
a que concentra a maior

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