Prévia do material em texto
Políticas e Legislação da Educação Especial e da Educação Inclusiva Educação, Deficiência e Legislação Responsável pelo Conteúdo: Profa. Ms. Sueli Yngaunis Revisão Textual: Profa. Ms. Selma Aparecida Cesarin 5 Un id ad e Educação, Deficiência e Legislação O aluno será capaz de: - Conhecer os principais instrumentos legislativos que regulamentaram e regulamentam a Educação. Esta Unidade apresenta o percurso do Brasil até a atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira que, em seu capítulo V, trata da educação especial. A educação especial com caráter segregacionista vai dando espaço à educação inclusiva, por força da influência dos instrumentos de organismos internacionais que pregam o acesso universal à educação. O Brasil acompanhou esses organismos internacionais, elaborando e aprovando leis que garantam não só o acesso à educação, mas também a adoção de medidas de adaptação de currículo, métodos e outras providências por parte das instituições de ensino, para que todos os alunos, apesar das diferenças, possam aprender e se desenvolver. Foi um longo percurso, e há ainda muito a caminhar. Recomendamos que consultem os documentos dos organismos internacionais que influenciaram esse processo. Eles estão indicados em Material Complementar. Nesta unidade, trabalharemos os seguintes tópicos: • A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira • Legislação Brasileira e os Documentos Internacionais T hinkstock/G etty Im ages 6 Unidade: Educação, Deficiência e Legislação A educação especial foi por muito tempo segregacionista, até que os países membros das Nações Unidas assinaram, em 1994, na cidade de Salamanca, na Espanha, um dos documentos mais importante na área da educação: a Declaração de Salamanca, cujos princípios norteiam as ações para a promoção da educação inclusiva. O que é educação inclusiva? É quando alunos com deficiência estudam junto com alunos considerados “normais”, os que não têm deficiência. Porém, para chegar neste ponto da história de educação brasileira, tudo começou quando D. Pedro II criou, em 1854, o Imperial Instituto dos Meninos Cegos, atualmente, Instituto Benjamin Constant. De lá para cá, foram muitos instrumentos legais e documentos de organismo internacionais que fizeram parte da educação de pessoas com deficiência no Brasil. Apesar da obrigatoriedade da matrícula de alunos com deficiência em escolas de ensino comum, ainda faltam condições e conhecimento para que o processo de ensino aprendizagem seja efetivo. É um processo ainda em construção. E a legislação deu um bom empurrãozinho nessa história. Contextualização 7 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira O sistema educacional (público e privado) do Brasil, em todos os seus níveis, é regulamentado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira, a LDB 9394/96, que divide a educação brasileira em dois níveis: a educação básica e o ensino superior. A primeira LDB que regulamentou todos os níveis foi promulgada em 1961 (LDB 4024/61). A LDB promulgada em 1996 reafirma o direito à educação garantida pela Constituição Federal, e estabelece os princípios da educação e os deveres do Estado. A LDB 9394/96 prevê a educação de alunos com deficiência preferencialmente na rede regular de ensino, incorporando os princípios da Declaração de Salamanca, um dos mais importantes documentos das Nações Unidas sobre educação inclusiva. Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação (BRASIL, 1996) Segundo essa LDB, o currículo, métodos, recursos e organização devem ser adaptar às necessidades dos alunos, por meio da oferta de apoio especializado para atender as especificidades de cada um. Para os defensores da educação inclusiva, a convivência entre os alunos com deficiência com os demais alunos (chamados de “normais”) é considerada benéfica para ambos, vez que as experiências comuns proporcionam possibilidades de desenvolvimento aos alunos com deficiência, e os seus colegas aprendem a conviver com as diferenças. Já aqueles que veem a educação inclusiva com ressalvas, afirmam que apesar De a lei instituir a obrigatoriedade da matrícula de alunos com deficiência na rede regular de ensino, o governo não oferece condições para que as escolas possam atender as especificidades dos alunos com deficiência. Para que possamos compreender como o Brasil chegou até a LDB 9394/96, é importante conhecer alguns momentos da história da educação especial no Brasil e como organizações mundiais como a Nações Unidas têm um importante papel para que o Brasil adotasse o modelo da educação inclusiva. Como começou a educação especial no Brasil? A história da educação especial no Brasil data do período imperial, quando o então imperador D. Pedro II, admirando o trabalho de um jovem cego que educou com sucesso a filha do médico da família imperial, criou, em 1854, o Imperial Instituto dos Meninos Cegos que, a partir de 1891, passou a se chamar Instituto Benjamim Constant – IBC. 8 Unidade: Educação, Deficiência e Legislação Instituto Benjamin Constant Carlos Luis M C da Cruz/Wikimedia Commons O Instituto Benjamin Constant foi criado pelo Imperador D. Pedro II pelo Decreto Imperial n.º 1.428, de 12 de setembro de 1854, tendo sido inaugurado, solenemente, no dia 17 de setembro do mesmo ano, na presença do Imperador, da Imperatriz e de todo o Ministério, com o nome de Imperial Instituto dos Meninos Cegos. Este foi o primeiro passo concreto no Brasil para garantir ao cego o direito à cidadania. (...) continua no link • http://trt-1.jusbrasil.com.br/noticias/100047884/trt-rj-e-ibc-ampliam-universo-de- pessoas-com-deficiencia-visual. Em 1857, foi a vez do Instituto Imperial dos Surdos-Mudos, também criado pelo imperador D. Pedro II, e que a partir de 1957 passou a se chamar Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES. O tratamento de pessoas com deficiência intelectual, que até bem pouco tempo eram denominadas deficientes mentais, iniciou-se em 1874, no hospital psiquiátrico da Bahia, atualmente hospital Juliano Moreira. A preocupação com as implicações em problemas de saúde e com a relação com a criminalidade levou a “deficiência mental” a receber maior destaque nas políticas públicas, após a Proclamação da República, em 1889. O fato de o número de atendimentos realizados pelas entidades e instituições privadas serem superiores, quando comparados ao número de atendimentos realizados pelas instituições públicas, conferiu a elas um importante papel na história da educação especial, devido ao seu considerável poder de influência na discussão das políticas públicas. A participação da pessoa com deficiência na sociedade era condicionada às suas possibilidades de agir o mais próximo da “normalidade”. Quando possuíam deficiências mais acentuadas, eram impedidas de trabalhar e por isso eram segregadas em instituições públicas. http://trt-1.jusbrasil.com.br/noticias/100047884/trt-rj-e-ibc-ampliam-universo-de-pessoas-com-deficiencia-visual http://trt-1.jusbrasil.com.br/noticias/100047884/trt-rj-e-ibc-ampliam-universo-de-pessoas-com-deficiencia-visual 9 Apesar da crescente importância da escolarização entre a população, as pessoas com deficiência não podiam conviver na mesma escola que as pessoas consideradas “normais” e por isso deveriam estudar em uma escola separada; assim surgem as classes especiais. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 4.024), sancionada em 20 de dezembro de 1961, previa o direito das pessoas com deficiência à educação. O texto da lei utilizava o termo “excepcionais” para se referir a alunos com deficiência e instava as instituições privadas a atender esses alunos, garantindo que elas receberiam do poder público mediante a concessão de bolsas de estudos,empréstimos e subvenções (BRASIL, 1961). Título X Art. 88. A educação de excepcionais, deve, no que fôr possível, enquadrar-se no sistema geral de educação, a fim de integrá-los na comunidade. Art. 89. Tôda iniciativa privada considerada eficiente pelos conselhos estaduais de educação, e relativa à educação de excepcionais, receberá dos poderes públicos tratamento especial mediante bôlsas de estudo, empréstimos e subvenções. Acesse a lei 4.024/61 no link: • http://www.histedbr.fe.unicamp.br/navegando/fontes_escritas/6_Nacional_ Desenvolvimento/ldb%20lei%20no%204.024,%20de%2020%20de%20 dezembro%20de%201961.htm O artigo 88 prevê a inserção, se possível, do aluno “excepcional” no sistema regular de ensino; porém, o artigo 89 incentiva que instituições privadas que consigam ser eficientes na educação desses aluos recebam incentivos do governo. Percebe-se aí uma contradição. Em 1971, com a aprovação da Lei 5.692, fica definido o direito de alunos com deficiência a tratamento especial; não há menção sobre a adaptação do sistema de ensino para atender esses alunos: Art. 9º. Os alunos que apresentem deficiências físicas ou mentais, os que se encontrem em atraso considerável quanto à idade regular de matrícula e os superdotados deverão receber tratamento especial, de acordo com as normas fixadas pelos competentes Conselhos de Educação (BRASIL, 1971). O Ministério da Educação (MEC) criou, em 1973, o Centro Nacional de Educação Especial – CENESP, que tinha a incumbência de gerenciar a educação especial no Brasil, sob uma visão integracionista. Porém, as ações ainda eram marcadas por um tom assistencialista e não tinham o caráter de política pública de acesso universal à educação (MOREIRA, s.d.). O direito de todos à educação é previsto no artigo 205 da Constituição Brasileira, promulgada em 1988, que afirma: http://www.histedbr.fe.unicamp.br/navegando/fontes_escritas/6_Nacional_Desenvolvimento/ldb%20lei%20no%204.024,%20de%2020%20de%20dezembro%20de%201961.htm http://www.histedbr.fe.unicamp.br/navegando/fontes_escritas/6_Nacional_Desenvolvimento/ldb%20lei%20no%204.024,%20de%2020%20de%20dezembro%20de%201961.htm http://www.histedbr.fe.unicamp.br/navegando/fontes_escritas/6_Nacional_Desenvolvimento/ldb%20lei%20no%204.024,%20de%2020%20de%20dezembro%20de%201961.htm 10 Unidade: Educação, Deficiência e Legislação Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (BRASIL, 1988). O direito de acesso do aluno com deficiência ao sistema de ensino está previsto na Constituição Brasileira, que prevê igualdade de condições de acesso e permanência no sistema de ensino (art. 206). O atendimento educacional especializado às pessoas com deficiências – no texto de lei, o termo utilizado é “portadores de deficiência” – é citado no inciso III, do artigo 208; porém, ainda não se refere à adaptação das condições de ensino para uma educação inclusiva, pois o texto de lei afirma “preferencialmente, na rede regular de ensino” e utiliza a denominação atendimento educacional especializado (BRASIL, 1988). Alunos com deficiência em uma escola comum Thinkstock/G etty Im ages O Decreto 93.481, de 29 de outubro de 1986, que dispõe sobre o apoio às pessoas portadoras de deficiência, sua integração social, instituiu a Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência Coordenadoria (CORDE), atualmente com o status de Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência, por meio do Decreto 7.256/10. A lei 7.853, de 24 de outubro de 1989, que dispõe sobre apoio às pessoas portadoras de deficiência, sua integração social e sobre a CORDE, teve um papel fundamental na garantia dos direitos das pessoas com deficiência, estabelecendo normas que assegurem o pleno exercício dos seus direitos, nomeando a tutela jurisdicional dos interesses coletivos dessas pessoas, e em seu artigo 5º prevê a intervenção do Ministério Público nas ações públicas, coletivas ou individuais em que se discutam interesses relacionados à deficiência das pessoas. 11 O Decreto 3.298/99, que revogou o decreto 93.481 e que regulamentou a Lei 7.853, em seu artigo 1º, dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, em consonância com o Programa Nacional de Direitos Humanos, passa a incluir um conjunto de orientações normativas com o objetivo de assegurar o pleno exercício dos direitos individuais e sociais das pessoas com deficiência. Artigo 6º do decreto 3.298/99 Art. 6º São diretrizes da Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência: I - estabelecer mecanismos que acelerem e favoreçam a inclusão social da pessoa portadora de deficiência; II - adotar estratégias de articulação com órgãos e entidades públicos e privados, bem assim com organismos internacionais e estrangeiros para a implantação desta Política; III - incluir a pessoa portadora de deficiência, respeitadas as suas peculiaridades, em todas as iniciativas governamentais relacionadas à educação, à saúde, ao trabalho, à edificação pública, à previdência social, à assistência social, ao transporte, à habitação, à cultura, ao esporte e ao lazer; IV - viabilizar a participação da pessoa portadora de deficiência em todas as fases de implementação dessa Política, por intermédio de suas entidades representativas; V - ampliar as alternativas de inserção econômica da pessoa portadora de deficiência, proporcionando a ela qualificação profissional e incorporação no mercado de trabalho; e VI - garantir o efetivo atendimento das necessidades da pessoa portadora de deficiência, sem o cunho assistencialista. A participação do aluno com deficiência no sistema regular de ensino e a indicação da necessidade dos apoios e adaptações necessárias a esse atendimento estão previstos no inciso III do artigo 5º do capítulo VII, que aborda a equiparação de oportunidades, e também na seção II, que trata do acesso à educação, tornando compulsória a matrícula de alunos com deficiência em cursos regulares nas escolas públicas e privadas, como também a obrigatoriedade de oferta de educação especial nas escolas públicas. A recusa, suspensão, cancelamento sem justa causa de matrícula de aluno com deficiência configura crime, e é punível com reclusão de 1(um) a 4(quatro) anos e multa. Moreira (s.d.) alerta para a ausência de orientação na legislação sobre quem pode definir a capacidade de um aluno de se integrar ou não ao sistema regular de ensino, o que deixa uma brecha, pois ao prever a matrícula compulsória às pessoas com deficiência “capazes de se integrar no sistema de ensino regular”, permite que as próprias instituições de ensino definam os padrões que atestem esta capacidade de integração no sistema educacional. 12 Unidade: Educação, Deficiência e Legislação Legislação Brasileira e os Documentos Internacionais Em 1990, a Conferência Mundial sobre a Educação para Todos aconteceu na cidade de Jomtien, na Tailândia e resultou em um documento que recebeu o nome de Declaração de Jomtien, ou Declaração Mundial de Educação Para Todos, um dos principais documentos mundiais sobre educação. O objetivo desse documento era satisfazer as necessidades básicas da aprendizagem de todas as crianças, jovens e adultos. Os países participantes dessa Conferência foram incentivados a elaborar Planos Decenais que contemplassem as diretrizes e metas do Plano e Ação da Conferência. No Brasil, atendendo as resoluções da Conferência de Jomtien, o Ministério da Educação divulgou o seu Plano Decenal de Educação Para Todos para o período de 1993 a 2003. De acordo com a Declaração: Cada pessoa – criança, jovem ou adulto – deve estar em condições de aproveitar as oportunidades educativas voltadas para satisfazer suas necessidades básicas de aprendizagem. Essasnecessidades compreendem tanto os instrumentos essenciais para a aprendizagem (como a leitura e a escrita, a expressão oral, o cálculo, a solução de problemas), quanto os conteúdos básicos da aprendizagem (como conhecimentos, habilidades, valores e atitudes), necessários para que os seres humanos possam sobreviver, desenvolver plenamente suas potencialidades, viver e trabalhar com dignidade, participar plenamente do desenvolvimento, melhorar a qualidade de vida, tomar decisões fundamentadas e continuar aprendendo. A amplitude das necessidades básicas de aprendizagem e a maneira de satisfazê-las variam segundo cada país e cada cultura, e, inevitavelmente, mudam com o decorrer do tempo (CONFERÊNCIA MUNDIAL DE EDUCAÇÃO PARA TODOS). Com relação às pessoas com deficiência, a Declaração de Jomtien afirma que: As necessidades básicas de aprendizagem das pessoas portadoras de deficiências requerem atenção especial. É preciso tomar medidas que garantam a igualdade de acesso à educação aos portadores de todo e qualquer tipo de deficiência, como parte integrante do sistema educativo (CONFERÊNCIA MUNDIAL DE EDUCAÇÃO PARA TODOS). O direito universal à instrução é garantido pelo artigo XXXVI da Declaração Universal dos Direitos Humanos, documento assinado pelos países membros da ONU, em 1948. Em 16 de novembro de 1945, foi criada a Organização das Nações Unidades para a Educação, a Ciência e a Cultura, a UNESCO, agência da ONU responsável pela educação, que teve a iniciativa de realizar quatro conferências durante da década de 1960, que produziram o primeiro retrato estatístico que mostrou os níveis mundiais de educação. 13 A UNESCO no mundo e no Brasil Christopher Lancaster/Wikimedia Commons A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) foi criada em 16 de novembro de 1945, logo após a Segunda Guerra Mundial, com o objetivo de garantir a paz por meio da cooperação intelectual entre as nações, acompanhando o desenvolvimento mundial e auxiliando os Estados-Membros – hoje são 193 países – na busca de soluções para os problemas que desafiam nossas sociedades. É a agência das Nações Unidas que atua nas seguintes áreas de mandato: Educação, Ciências Naturais, Ciências Humanas e Sociais, Cultura e Comunicação e Informação (texto extraído do link • http://nacoesunidas.org/agencia/unesco/ Os países que assinaram a Declaração de Jomtien assumiram que a educação é um direito fundamental de todos e que é fundamental para o desenvolvimento das pessoas e das sociedades, favorecendo o seu progresso social, econômico e cultural. O Brasil, um dos signatários do documento, assumiu o compromisso de erradicar o analfabetismo e universalizar o ensino fundamental no país, e tem criado instrumentos norteadores para a construção de sistemas educacionais inclusivos. Em resposta aos movimentos dos direitos humanos e contra as instituições segregacionistas iniciadas nas décadas de 1960 e 1970, é assinada, em 1994, na Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada na cidade de Salamanca, na Espanha, um dos mais importantes documentos para a consolidação da educação inclusiva, que trata dos princípios, política e prática em educação especial. http://nacoesunidas.org/agencia/unesco/ 14 Unidade: Educação, Deficiência e Legislação O documento apresenta os Procedimentos padrões das Nações Unidas para a Equalização de Oportunidades para Pessoas Portadores de Deficiências, demandando que os Estados signatários assegurem que a educação de pessoas com deficiências seja parte integrante do sistema educacional. A Declaração de Salamanca reafirma os princípios de que, independente das diferenças individuais, a educação é direito de todos e que toda criança que possui dificuldade de aprendizagem pode ser considerada com necessidades educacionais especiais, cabendo à escola adaptar-se às especificidades dos alunos, e que o ensino deve ser diversificado e realizado em um espaço comum a todas as crianças. Trecho da Declaração de Salamanca, aprovada pelas Nações Unidades, em 1994: • Toda criança tem direito fundamental à educação, e a ela deve ser dada a oportunidade de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem; • Toda criança possui características, interesses, habilidades e necessidades de aprendizagem que são únicas; • Sistemas educacionais deveriam ser designados e programas educacionais deveriam ser implementados no sentido de se levar em conta a vasta diversidade de tais características e necessidades; • Aqueles com necessidades educacionais especiais devem ter acesso à escola regular, que deveria acomodá-los dentro de uma Pedagogia centrada na criança, capaz de satisfazer a tais necessidades; • Escolas regulares que possuam tal orientação inclusiva constituem os meios mais eficazes de combater atitudes discriminatórias criando-se comunidades acolhedoras, construindo uma sociedade inclusiva e alcançando educação para todos; além disso, tais escolas provêem uma educação efetiva à maioria das crianças e aprimoram a eficiência e, em última instância, o custo da eficácia de todo o sistema educacional (http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/salamanca.pdf). Em dezembro do mesmo ano, o MEC assina a Portaria 1793, que recomenda a inclusão da Disciplina Aspectos Ético - Político - Educacionais na normalização e integração da pessoa portadora de necessidades especiais, prioritariamente nos cursos de Pedagogia, Psicologia e em todas as Licenciaturas e também nos cursos do grupo de Ciência da Saúde, no cursos de Serviço Social e nos demais cursos superiores de acordo com as suas especificidades. A portaria também recomenda a manutenção e expansão de estudos adicionais, cursos de graduação e de especialização já organizados para as diversas áreas da Educação Especial. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira, LDB 9394/96, é um importante instrumento para a consolidação da educação inclusiva no Brasil, ao dedicar um capítulo para tratar da regulamentação da educação especial no Brasil. http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/salamanca.pdf 15 Material Complementar Como material complementar, recomendamos que você conheça os principais documentos que tiveram importante influência para a criação das políticas públicas de educação inclusiva no Brasil: - BOTEGA, Leonardo da Rocha. A Conferência de Jomtien e a Educação para todos no Brasil dos anos 1990. Disponível em: http://educacaoonline.pro.br/ index.php?option=com_content&view=article&id=22:a-conferencia-de-jomtien-e-a- educacao-para-todos-no-brasil-dos-anos-1990&catid=4:educacao&Itemid=15; - Declaração de Salamanca. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/ salamanca.pdf; - BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação da Educação Brasileira. Disponível em: http://cmoreira2.jusbrasil.com.br/artigos/111821610/marcos-historicos- e-legais-da-educacao-especial-no-brasil. http://educacaoonline.pro.br/index.php?option=com_content&view=article&id=22:a-conferencia-de-jomtien-e-a-educacao-para-todos-no-brasil-dos-anos-1990&catid=4:educacao&Itemid=15 http://educacaoonline.pro.br/index.php?option=com_content&view=article&id=22:a-conferencia-de-jomtien-e-a-educacao-para-todos-no-brasil-dos-anos-1990&catid=4:educacao&Itemid=15 http://educacaoonline.pro.br/index.php?option=com_content&view=article&id=22:a-conferencia-de-jomtien-e-a-educacao-para-todos-no-brasil-dos-anos-1990&catid=4:educacao&Itemid=15 http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/salamanca.pdf http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/salamanca.pdf http://cmoreira2.jusbrasil.com.br/artigos/111821610/marcos-historicos-e-legais-da-educacao-especial-no-brasil http://cmoreira2.jusbrasil.com.br/artigos/111821610/marcos-historicos-e-legais-da-educacao-especial-no-brasil 16 Unidade: Educação, Deficiência e Legislação Referências BOTEGA, Leonardo da Rocha. A conferência de Jomtien e a educação para todos no Brasil dos anos 1990. Disponível em: http://educacaoonline.pro.br/index.php?option=com_content&view=article&id=22:a-conferencia-de-jomtien-e-a-educacao-para-todos-no-brasil- dos-anos-1990&catid=4:educacao&Itemid=15 . BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, 1988. ______. Lei de Diretrizes e Bases da Educação da Educação Nacional. Lei 4.024. 20 de dezembro de 1961 ______. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei 5.692, de 11 de agosto de 1971. ______. Senado Federal. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: n. 9394/96. Brasília: 1996. Conferência Mundial de Educação para Todos. Declaração mundial sobre educação para todos e Plano de ação para satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem. Jomtien, Tailândia: março de 1990. Disponível em: http://www.unicef.org/brazil/pt/ resources_10230.htm. Acesso em: 17 out. 2014. MEC/SEESP Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Documento elaborado pelo Grupo de Trabalho nomeado pela Portaria Ministerial nº 555, de 5 de junho de 2007, prorrogada pela Portaria nº 948, de 9 de outubro de 2007. MOREIRA, Camila. Marcos históricos e legais da Educação Especial no Brasil. Disponível em: http://cmoreira2.jusbrasil.com.br/artigos/111821610/marcos-historicos-e-legais- da-educacao-especial-no-brasil. Acesso em: 15 out. 2014. 17 Anotações