Prévia do material em texto
Seção A | Crânio e Face ▶Introdução Na avaliação do crânio e da face, podem-se realizar desde exames radiológicos convencionais a exames contrastados especiais (p. ex., sialografia, que é o estudo radiológico das glândulas salivares), mas atualmente os 2 métodos de imagem mais utilizados são a tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética (RM). A TC foi desenvolvida por Ambrose e Hounsfield, em 1973, o que rendeu a ambos o prêmio Nobel em 1979. Antes do advento da TC, a avaliação do crânio era feita, basicamente, focalizando as alterações ósseas na calota craniana, como as anomalias congênitas, tipo craniossinostose (fechamento precoce das suturas), podendo-se, ainda, avaliar fraturas, lesões calcificadas ou sinais indiretos de hipertensão intracraniana como as impressões digitiformes ou o desvio da glândula pineal calcificada na radiografia em posteroanterior (PA) do crânio. Neste capítulo serão abordados o estudo radiológico convencional e os principais achados em TC e RM. ▶Radiologia convencional Para o estudo radiológico adequado do crânio e da face, tornam-se necessários os seguintes elementos: •Conhecimento da anatomia dessas regiões •Exame clínico minucioso para caracterizar especificamente a(s) possível(eis) região(ões) lesada(s) •Conhecimento das diversas incidências para que sejam solicitadas as mais adequadas às diferentes regiões a serem estudadas. ■Rotina mínima A rotina mínima para o estudo do crânio consta de 2 incidências básicas: PA e perfil (lateral). O recurso utilizado para dissociar estruturas específicas do crânio e da face nas radiografias convencionais é a diferença de inclinação do raio central. Todas as incidências são feitas com variações de angulação, de acordo com a estrutura a ser estudada. Assim, na técnica radiológica do crânio e da face são utilizadas algumas linhas básicas, sobre as quais se baseiam essas angulações. A principal delas é a linha horizontal alemã (LHA), também conhecida como linha infraorbitomeatal, que vai do teto do conduto auditivo externo até a borda inferior da órbita. Com o corpo humano em posição anatômica, a LHA deve ficar perpendicular ao maior eixo longitudinal do corpo. O plano horizontal que passa por esta linha é denominado plano horizontal alemão (PHA). Na incidência em PA, o raio central incide paralelamente à LHA, que fica perpendicular ao filme. No perfil, a LHA fica paralela ao filme e o raio central incide perpendicularmente. As estruturas mais importantes a serem identificadas nas radiografias são apresentadas no Quadro 12.1, sendo recomendada a revisão das estruturas anatômicas do crânio nos livros básicos de anatomia. Outras incidências para o estudo do crânio são: Reverchon (Bretton, Towne) e Hirtz. Reverchon (Bretton, Towne) Utilizada para o estudo a região occipital. É muito importante nos casos de traumatismo em que fraturas do occipital podem não ser vistas nas 2 incidências básicas. É feita com o raio central de 25° a 30°, inclinado podalicamente em relação à LHA que está paralela ao filme. Outras áreas estudadas nesta incidência são: •Forame magno •Dorso da sela turca •Rochedo (estruturas do ouvido, conduto auditivo interno) •Côndilos mandibulares •Mandíbula: ramos verticais e articulação temporomandibular (ATM) •Células da mastoide. Hirtz Nesta incidência, o pescoço do paciente é hiperestendido. O raio central penetra perpendicularmente no meio da LHA, quando esta estiver paralela ao plano da mesa. É uma incidência excelente para a base do crânio, mostrando as 3 fossas cranianas com boa definição e os forames por onde passam importantes estruturas anatômicas, como os nervos e vasos. É possível analisar as seguintes estruturas: •Processo odontoide •Arco anterior do atlas •Meato acústico interno •Meato acústico externo •Células da mastoide •Forame oval e espinhoso •Mandíbula •Seio esfenoidal •Vômer •Osso occipital. Estudos por imagem de regiões específicas Seios da face (paranasais) A rotina radiológica completa para estudo dos seios da face consta de 4 incidências: •Incidência em frontonaso (FN): é importante para avaliar os seios frontais e as células etmoidais, e é realizada apoiando-se na mesa a região frontal e o nariz •Incidência em mentonaso (MN): é utilizada principalmente para a avaliação dos seios maxilares, e é realizada apoiando-se na mesa a região mentoniana e o nariz. •Incidências em perfil e Hirtz: são importantes para a análise dos seios esfenoidais, podendo também complementar a análise dos seios frontais, maxilares e células etmoidais. O ideal é que essas radiografias (pelo menos a MN) sejam feitas em posição ortostática para que possa ser avaliada a presença de níveis líquidos. Elas promovem um estudo dos seios, cujo principal comprometimento é a inflamação (sinusite). As alterações mais comumente observadas são os espessamentos da mucosa, as formações polipoides, os velamentos (ocupação total do seio) e os níveis líquidos (único sinal definitivo de sinusite aguda) (Figura 12.27). Figura 12.24 Ressonância magnética de crânio no plano axial ponderada em T1 e em T2. Observe que em T1 o liquor (no sistema ventricular) é preto, ou seja, hipointenso, e em T2 é branco (hiperintenso). Figura 12.25 Ressonância magnética de crânio no plano sagital ponderada em T1. Observe a diferença entre os sulcos nos hemisférios cerebrais e os sulcos no cerebelo. Figura 12.26 Ressonância magnética de crânio no plano coronal ponderada em T2. Quando o estudo radiológico convencional não elucida satisfatoriamente o diagnóstico, a TC é de grande valia. Ossos próprios do nariz As incidências mais importantes para o estudo de fraturas nos ossos próprios do nariz são MN e perfil. Deve-se ter atenção à espinha nasal anterior que frequentemente se quebra nas fraturas de nariz. Na incidência em perfil, deve-se utilizar pouca penetração (kV). Cavum Seu estudo normalmente é feito na investigação de tumores ou na suspeita de hipertrofia das adenoides ou das amígdalas palatinas, as quais, quando aumentadas, podem estreitar esta região, prejudicando a passagem do ar. As incidências habituais são perfil (Figura 12.28) e Hirtz. Sela turca O estudo da sela turca é de fundamental importância para o diagnóstico dos tumores da hipófise. Normalmente são feitas incidências em PA, perfil e Reverchon (radiografias localizadas – spot-films); antes do advento da TC, também se usava tomografia linear em PA e perfil. Importante não é só a análise da integridade óssea, como também do volume selar. A técnica mais usada para a medição do volume selar é a seguinte: Figura 12.27 Radiografia dos seios da face em frontonaso (A) e mentonaso (B) de um paciente com sinusite. As setas indicam as células etmoidais veladas. Figura 12.28 Radiografia em perfil observando-se a coluna aérea do cavum reduzida, com aumento das partes moles (seta). •Volume selar = 1/2 h × l × c, em que h = altura; l = largura; c = comprimento •Valores normais: ∘Máximo = 1.092 mm3 ∘Médio = 594 mm3 ∘Mínimo = 396 mm3. Embora a TC avalie melhor a estrutura óssea da sela, o padrão-ouro de imagem para as doenças selares é a RM, que apresenta as seguintes vantagens sobre a TC: possibilidade de cortes sagitais, estudo detalhado da adeno-hipófise e neuro-hipófise, maior eficácia na identificação dos microadenomas, melhor avaliação da extensão das doenças hipofisárias e uso do meio de contraste (gadolínio), isento de reação alérgica.