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Bronquiolite - Resumo + Questões

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A bronquiolite viral aguda (BVA) é a infecção do trato respiratório inferior mais comum em lactentes (<2 anos). 
A doença resulta da obstrução inflamatória das pequenas vias aéreas - isto é - dos bronquíolos, com edema, 
muco e debris celulares, podendo causar hipoxemia precoce e hipercapnia em quadros muito graves. 
o Possui gravidade variável, manifestando-se mais frequentemente por formas leves, mas que podem 
evoluir para apresentações graves. 
o As características anatômicas e fisiológicas do aparelho respiratório 
do lactente são determinantes no quadro clínico. A superfície de 
troca gasosa nos pulmões ainda não está plenamente desenvolvida e 
a resistência aérea é alta nos primeiros meses de vida, determinando 
uma frequência respiratória mais elevada (taquipneia). 
O vírus sincicial respiratório (VSR) é o principal agente etiológico, mas existem outros agentes causais da 
BVA bem determinados, como influenza, rinovírus, parainfluenza (tipos 1 e 3), adenovírus, metapneumovírus, 
bocavírus humano. 
• A fonte de infecção é geralmente um membro da família ou colega da creche ou escola, com 
enfermidade respiratória aparentemente benigna. A transmissão ocorre normalmente por contato direto 
ou próximo a secreções contaminadas, que podem envolver gotículas ou fômites, mas também ocorre 
autoinoculação pelas mãos (após contato com material contaminado). 
o Atenção especial deve ser dada para a deposição de secreções e materiais contaminados, visto 
que podem permanecer infectantes (por viabilidade do agente viral) por várias horas em roupas, 
luvas, estetoscópios e mãos. 
• As crianças maiores e os adultos toleram melhor situações de edema bronquiolar quando comparados 
aos lactentes, desenvolvendo manifestações clínicas mais leves, quando infectados pelos vírus, sendo 
as apresentações severas mais comuns em bebês de baixa idade, entre 1 e 3 meses de vida. 
• As infecções pelo VSR não conferem imunidade completa, sendo comum a reinfecção. 
O VSR in vitro é um dos menos agressivos entre os vírus respiratórios, porém sua grande afinidade pelo epitélio 
bronquiolar explica sua tendência a produzir problemas respiratórios importantes. Os mecanismos 
patogênicos na bronquiolite permanecem ainda indefinidos. A capacidade de recuperação depois da infecção 
com VSR relaciona-se com os níveis secretórios das imunoglobulinas IgA, IgG e IgM e de anticorpo 
dependentes da citotoxicidade mediada por células. A variação dos achados clínicos em crianças pequenas 
poderia ocorrer como consequência da falta de desenvolvimento das defesas individuais do hospedeiro. 
Fatores de risco 
• Sexo masculino 
• Bebês não alimentados ao seio materno 
• Que vivem em aglomerações 
• Mães adolescentes 
• Mães que fumaram durante a gravidez 
 
 
DIAGNÓSTICO 
Evolutivamente, o quadro clínico inicia com rinorreia, tosse e febre baixa, que evolui para dificuldade 
respiratória associada a sinais de obstrução brônquica e sibilância. A doença é autolimitada na maioria dos 
casos. A presença de cianose indica hipóxia e caracteriza gravidade, que pode vir associada a episódios de 
apneia, principalmente em prematuros. 
 
IDADE FR MÁXIMA 
Até 2 meses Até 60 irpm 
2-12 meses Até 50 irpm 
> 12 meses Até 40 irpm 
 
 
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Achados clínicos 
• Idade → BVA afeta crianças menores de 2 anos. O pico de incidência das hospitalizações está 
centrado entre 3 e 6 meses de idade. 
• Febre → Lactentes com bronquiolite podem ter febre ou história de febre. Essa manifestação é mais 
marcada na fase prodrômica da doença. A sua ausência não exclui o diagnóstico, mas a presença de 
temperaturas elevadas ou manifestações de toxemia requerem avaliação cuidadosa para outras causas. 
• Tosse → Manifestação comum nos quadros de BVA. Geralmente seca, associada à sibilância, é uma 
das primeiras manifestações de comprometimento pulmonar na bronquiolite. 
• Taquipneia → O aumento da frequência respiratória é um sinal importante nas infecções do trato 
respiratório inferior (bronquiolite e pneumonia). Traduz a resposta do organismo ao acometimento 
pulmonar pelo agente infeccioso, na tentativa de compensar os mecanismos que prejudicam a mecânica 
pulmonar e a troca gasosa. 
• Tiragem → Subcostal, intercostal e supraclaviculares são comumente vistas em lactentes com BVA. 
Em algumas situações, esse esforço respiratório pode estar associado a presença de tórax 
hiperinsuflado, o que pode facilitar um diagnóstico clínico diferencial entre BVA e pneumonia. 
• Crepitações → Crepitações inspiratórias disseminadas por todos os campos pulmonares são 
manifestações comuns, mas não universais, nos portadores de BVA. 
• Pode haver ainda sibilância. 
 
Achados radiológicos 
A radiografia de tórax pode ser útil nos casos graves, quando ocorre piora súbita do quadro respiratório, quando 
existem doenças cardíacas ou pulmonares prévias, para excluir outros diagnósticos. Os principais achados são: 
hiperinsuflação torácica difusa, hipertransparência, retificação do diafragma e até broncograma aéreo com 
um infiltrado de padrão intersticial. 
Achados laboratoriais 
Exames laboratoriais não devem ser solicitados considerando que não são necessários para consolidação 
diagnóstica. A própria identificação do agente etiológico não tem indicação para ser realizada de rotina. 
TRATAMENTO 
Na grande maioria dos pacientes, a evolução é benigna e o processo evolui para a cura sem a necessidade de 
nenhuma intervenção. Os pacientes são assistidos em casa e o princípio do tratamento está fundamentado em 
uma terapêutica eminentemente sintomática (controle da temperatura, do status hídrico e nutricional, bem 
como acompanhamento da evolução do comprometimento respiratório). 
Mesmo para os pacientes mais graves, não há terapêutica específica disponível que abrevie o curso e a resolução 
dos sintomas. O tratamento, portanto, é de suporte. 
Tratamento Domiciliar 
• Fazer higiene das mãos com água e sabão e ou álcool a 70%. 
• Evitar tabagismo passivo. 
• Manter alimentação normal para a idade da criança. 
• Fazer higiene da cavidade nasal com solução salina. 
• Uso de antitérmicos se for necessário. 
• Reavaliação médica se houver dúvidas ou se sinais de alerta presentes. 
 
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Os critérios para indicação da hospitalização se baseiam no grau de comprometimento do sofrimento 
respiratório e na presença de fatores de risco associados, visto que cuidados intensivos podem ser necessários. 
Quando hospitalizar? 
• Episódios de Apneia 
• Criança com piora do estado geral (hipoativa, prostrada, acorda apenas com estímulos prolongados) 
• Desconforto respiratório (gemência, retração torácica, FR >60, cianose central, saturação < 92%) 
• Sinais de desidratação 
• Recusa alimentar, ingestão reduzida e/ou sem diurese por 12 horas 
• Presença de comorbidade: displasia, cardiopatia, imunodeficiência, doença neuromuscular, outras 
• Idade < 3 meses 
• Prematuridade, especialmente < 32 semanas 
• Condição social ruim 
• Dificuldade de acesso ao serviço de saúde se houver piora clínica 
• Incapacidade, falta de confiança para identificar sinais de “alerta” 
Os lactentes têm respiração nasal e a aspiração com o intuito de fazer higiene das narinas, em algumas situações, 
pode ser recomendado, pois melhora o esforço respiratório e facilita a alimentação. Assim, a recomendação é 
fazer lavagem nasal com aspiração suave e mais superficial possível, quando necessário. 
• Importante referir que a presença de febre elevada não é um achado comum na fase pulmonar da 
doença e, sempre que estiver presente, é preciso atentar para complicações associadas. 
• Medidas de isolamento de contato são obrigatoriamente requeridas. Caso não haja possibilidade 
de isolamento, uma distância mínima de 2 metros entre cada leito da unidade deve ser obedecida. 
Aporte hídrico 
o Uma vez que o paciente desenvolva quadro de sofrimento respiratório progressivo, com risco de 
falência respiratória,