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Introdução a Sociologia: Karl Marx

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Introdução a Sociologia 


1) Em “O Manifesto Comunista” Marx expõe algumas ideias centrais de seu pensamento que fundamentam a crítica do autor a ordem burguesa em todas as suas formas. Disserte sobre as transformações sociais que Marx percebe, que inauguram um novo momento da história do homem, e como o conceito de classe é central em sua interpretação e na superação desta nova ordem. 

  Com o avanço da industrialização e a incitação do êxodo rural, a cena inglesa propiciou uma nova configuração social. A repentina urbanização resultou em um grande número de miseráveis, o que só reforçava a ideia de aceitar trabalhos em situações de extrema exploração, em locais insalubres, chegando a catorze horas de trabalho ao dia, trabalho realizado não diferenciado para homens, mulheres ou crianças.

  Marx escreve em “O Manifesto Comunista”, não a realidade presente de 1848 mas, o que ele previa ser o futuro do sistema capitalista, “exagerando” os fatos, mostrando aos operários em quê o Capitalismo iria transformar a sociedade, as mudanças que ocorreriam em todos os setores de suas vidas tanto privada quanto pública.“A história de todas as sociedades que existiram até os nossos dias tem sido a história das lutas de classe.” (Manifesto Comunista, pág. 7). Marx faz um apelo para que o proletariado se organizasse para a revolução naquele momento, “Agora!”. 

O modo de vida, a significação e papéis de cada indivíduo das famílias eram diferentes para quem trabalhava nas fábricas e para os seus senhores. “A burguesia rasgou o véu de sentimentalismo que envolvia as relações de famílias reduziu-as a simples relações monetárias.” (Manifesto Comunista,  pág. 11) O sentido da vida do proletário não seria mais a liberdade, a família ou seja lá o que for, o operário levantaria da cama todos os dias em nome do lucro do seu empregador. 

A burguesia carece mão-de-obra em seus empreendimentos, mantém os seus empregados em condições de sobrevivência mas não os dão o poder de se tornarem detentores de capital também. O proletariado, pensando individualmente, precisa do burguês para ter o salário no fim do mês, mas coletivamente são o motor vital das fábricas. “Assim, o desenvolvimento da grande indústria socava o terreno em que a burguesia assentou o seu regime de produção e de apropriação dos produtos. A burguesia produz, sobretudo, seus próprios coveiros. Sua queda e a vitória do proletariado são igualmente inevitáveis.” (Manifesto Comunista, pág. 27)

  Não tendo nada a perder, a classe trabalhadora fará a revolução, lutando pela liberdade de suas vidas, pelo fim da propriedade privada e do Estado. Para isso, o proletariado deveria se unir aos ideólogos comunistas, já que “o objetivo imediato dos comunistas é o mesmo que o de todos os demais partidos proletários: constituição dos proletários em classe, derrubada da supremacia burguesa, conquista do poder político pelo proletariado.” (Manifesto Comunista, pág. 29)

Marx mostra-se um humanista (entendendo humanismo como pensamento que cria o homem-objeto-gladiador oposto às tentativas de degradá-lo por outros objetivos) quando escreve: “O que queremos é suprimir o caráter miserável desta apropriação que faz com que o operário só viva para aumentar o capital e só viva na medida em que o exigem os interesses da classe dominante.” (Manifesto Comunista, pág. 32) 

Só o fim do Capitalismo, pela luta de classes, seria capaz de transformar a sociedade, pois “o trabalho assalariado cria propriedade para o proletariado? De modo algum. Cria o capital, isto é, a propriedade que explora o trabalho assalariado e que só pode aumentar sob a condição de produzir novo trabalho assalariado, a fim de explorá-lo novamente.” (Manifesto Comunista, pág. 30-31). A única forma de garantir que toda a sociedade tenha os mesmo direitos, deveres e privilégios, seria acabando com o que nos diferencia: a propriedade privada burguesa. 



2) Marx desenvolveu uma abordagem própria da sociedade, posteriormente chamada de materialismo histórico e dialético, que passa por uma nova forma de pensar a constituição das ideias e os elementos determinantes na história humana, estabelecendo um método. A partir das obras lidas, em especial “A história dos homens” (Ideologia alemã), disserte sobre o método marxiano, bem como a noção de estrutura e superestrutura e sua centralidade na obra do autor. 

Marx sente a necessidade de adotar uma nova forma de analisar a história do homem, assim desenvolve o método materialista histórico dialético. "Meu método dialético não só difere do hegeliano, mas é também a sua antítese direta. Para Hegel, o processo de pensamento, que ele, sob o nome de ideia, transforma num sujeito autônomo, é o demiurgo do real, real que constitui apenas a sua manifestação externa. Para mim, pelo contrário, o ideal não é nada mais que o material, transposto e traduzido na cabeça do homem". (O Capital, página 140).

O materialismo histórico dialético se caracteriza pelo seu esquema tese-antítese-síntese e, se utiliza de fatos históricos empíricos. “As nossas premissas são os indivíduos reais, a sua ação e as suas condições materiais de existência, quer se trate daquelas que encontrou já elaboradas aquando do seu aparecimento quer das que ele próprio criou. Estas bases são portanto verificáveis por vias puramente empíricas.” (pág. 4, A história dos homens - Ideologia alemã). A ideia de superestrutura e infraestrutura, em Marx, se utiliza dessa via para fazer suas análises. 

A infraestrutura, onde se dá as relações de produção: empregados-empregados, patrões-empregados, é diretamente conduzida pela superestrutura: jurídico-política e a estrutura ideológica. Em que esta é responsável pela manutenção das relações sociais presentes na infraestrutura e por sua própria sobrevivência, já que toda a sustentação da burguesia têm sua base por meio das relações de produção e de troca.

O Estado seria, assim, um exemplo de um instrumento de uso da força legitimado pela ideologia. Para Marx, o Estado está sempre à serviço da classe dominante, buscando conservar as bases da sociedade, o que nesse caso quer dizer conservar a burguesia no poder. “A sociedade civil enquanto tal só se desenvolve com a burguesia; todavia, a organização social diretamente resultante da produção e do comércio, e que constituiu sempre a base do Estado e do resto da superestrutura idealista, tem sido constantemente designada pelo mesmo nome.” (pág. 58, A história dos homens - Ideologia alemã).

A Revolução Comunista seria, então, uma forma de suprimir esse sistema opressivo capitalista, em que nem o Estado e muito menos a burguesia são capazes, ou no segundo caso, partidários da igualdade social e econômica das classes. 



3) Disserte sobre a análise de Marx relacionada a forma “mercadoria” e a noção de fetichismo da mercadoria, abordando a teoria do valor-trabalho e de mais-valia.

Na produção industrial, a mercadoria é a síntese de elementos da natureza e da força de trabalho do homem, assim compondo o seu valor. Com esse processo de produção cada vez mais fragmentado e subdividido, o homem perde o reconhecimento de si no resultado do produto final, o fetichismo da mercadoria faz com que o seu valor seja quantificado pelo objeto em si e, não pelas relações sociais do processo produtivo. 

  Com o avanço de tecnologias, as atividades destinadas ao homem foram se tornando cada vez mais simples, repetitivas e tornando o trabalhador uma peça fácil de substituir. O valor da força trabalho é pago de modo que possa garantir a sobrevivência do proletariado, não o capacitando para ser um competidor capitalista, apenas o mantendo como  mão-de-obra. 

A exploração do trabalhador gera a mais-valia, o trabalho excedente do proletário não remunerado resulta no lucro capitalista. O burguês sabe e utiliza da fetichização e dos avanços da tecnologia a seu favor, justificando os baixos salários. O trabalhador não se reconhecendo na mercadoria e, juntamente fazendo parte de uma pequena e simples parte do processo de produção, perde a consciência do real valor do produto.