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Apostila-Fundamentos-da-Música-1

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Todas as crianças e adolescentes têm o direito de aprender a cantar, a tocar, 
a ler partituras, a apreciar a boa música de todos os tipos, clássica e não clássica, a 
compartilhar com os demais as experiências musicais, a ser mais feliz graças ao 
domínio pessoal da arte dos sons. O Brasil é um país rico culturalmente e a música 
serve de mediadora e incentivadora. 
5.2 A importância do ensino de música na escola 
Segundo a Base Nacional Comum Curricular, a música é uma linguagem 
artística e “é uma forma de conhecimento que articula saberes do corpo, da 
sensibilidade, da instituição, da razão e da emoção” (BNCC, 2016, p.112) 
Ao reconhecermos a eficiência da música como uma linguagem artística, 
nada melhor do que discorrer sobre a importância do seu ensino na escola. A luta 
por sua inserção na matriz curricular foi grande e, agora que a temos como uma das 
linguagens da disciplina de Arte, devemos reconhecer seu valor próprio, onde ela é 
um meio para o desenvolvimento integral do ser humano e não um fim em si mesma. 
A música, por si só e por muitas outras razões, justifica sua inserção no ambiente 
escolar. Ela constitui uma importante forma de comunicação e expressão humana e 
praticamente todos os povos do mundo possuem algum tipo de música. Ilari reforça 
que 
[...] a música carrega traços de história, cultura, e identidade social, que são 
transmitidos e desenvolvidos através da educação musical. [...] o fazer 
musical da aula de música envolve diversas formas de aprendizagem 
contidas em atividades como audição, canto, representação, reprodução, 
criação, composição, improvisação, movimento, dança e execução 
instrumental entre outras. Todas estas atividades auxiliam no 
desenvolvimento da inteligência musical. Além disso, no exercício dessas 
 
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formas de aprendizagem os alunos podem ter sensação de realização 
pessoal, de bem-estar e de prazer (ILARI, 2005, p.6) 
 
O ensino aprendizagem dessa linguagem artística, musical, promovem o 
respeito às diferenças e a interação cultural e podem ser trabalhados e 
contextualizados em cada nível da Educação Básica, especificamente. Queremos 
destacar, a seguir, como essa linguagem pode contribuir em cada nível escolar. 
Na educação infantil, a linguagem musical tem características próprias que 
devem ser consideradas em cada fase de desenvolvimentos da criança, provoca 
diferentes sensações e influencia no desenvolvimento de suas capacidades físicas, 
afetivas, neurológicas, emocionais e sociais. Nesta fase ela pode ser estimulada 
com várias experiências musicais a fim de perceber as diferenças existentes entre 
outros sons, letras, ritmos, volume, velocidade, gestos corporais, melhorando assim 
a concentração, atenção auditiva, memorização e socialização, ativando os círculos 
cerebrais e assimilando diversos códigos sonoros. Estas experiências musicais 
favorecerão, além das habilidades motoras, cognitivas e linguísticas, o 
amadurecimento de sua personalidade. 
A idade e as fases de desenvolvimento da criança precisam ser respeitadas e 
a linguagem musical deve promover a educação integral, estimular o pleno 
desenvolvimento do aluno e da aluna, tanto físico, intelectual, cognitivo e social. 
 
Há evidências de que a música também pode contribuir com o processo de 
maturação do indivíduo, ou seja, auxiliar nos aspectos que envolvem a 
aprendizagem das regras sociais. De forma lúdica, ao brincar de roda, por 
exemplo, a criança tem a oportunidade de vivenciar situações de perda, de 
escolha, de decepções, de afirmação e de dúvida (AGNOLON; MASOTTI, 
2016, p.1). 
 
 
Estas situações serão vivenciadas ao longo da vida. Por isso, quanto mais 
cedo a criança souber administrá-las, mas cedo será poupada de sofrimentos e 
tristezas mais cedo também saberá tomar decisões acertadas em sua vida. 
5.3 O ensino aprendizagem na Educação Infantil e a questão da música 
É notório que a música se configura em uma linguagem, a qual compreendida 
desde a infância auxilia os indivíduos na expressão de suas emoções e sentimentos, 
além de corroborar para a constituição da criatividade. Ademais, contribui para a 
 
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formação e desenvolvimento da personalidade da criança, pela ampliação cultural, 
enriquecimento da inteligência e pela evolução da sensibilidade musical. 
 
A criança é um espectador do mundo dos adultos e o resultado das 
relações sociais que vê a sua volta. Primeiro, ela é espectadora e só 
posteriormente é que se transforma em ator, como por exemplo, quando 
imita um adulto. A imitação é um aspecto importante no desenvolvimento 
intelectual e afetivo da criança. A linguagem musical é um excelente meio 
para o desenvolvimento da expressão, do equilíbrio, da autoestima e 
autoconhecimento, além de um poderoso meio de interação social. (Goés, 
2009, p. 5) 
 
No período correspondente a primeira infância a linguagem assume papel 
fundamental na vida da criança, a partir da qual ela irá estabelecer suas relações 
sociais se inserindo neste contexto. (VYGOTSKY, 1996c). 
Dessa forma, no contexto escolar deverá contribuir para a formação integral 
das crianças. Por intermédio da linguagem musical, tornar-se-á mais abrangente a 
apreensão do saber, proporcionando um desenvolvimento mais consistente, 
implicando em um conhecimento do mundo, gradual, de modo sensível e harmônico. 
A escola possui papel fundamental no que diz respeito à ambientação dos alunos, 
pois não somente indica o caminho do saber didático, mas influência nos 
comportamentos, visto que na grande maioria das vezes as crianças permanecem 
na escola boa parte do seu tempo. Conectada ao processo ensino-aprendizagem, a 
música deve ser trabalhada pelos profissionais das instituições formais de ensino, 
como um instrumento mediador desse processo. 
Promover atividades que envolvam a musicalidade na Educação Infantil pode 
ser uma ferramenta eficaz na promoção do desenvolvimento, favorecendo diversos 
aspectos, tais como: memória, imaginação, pensamento, e principalmente a 
oralidade. Em se tratando da expansão de vocabulário, Martins (2016) pontua que, 
para Vygotsky, o desenvolvimento da fala se constitui em um grande salto qualitativo 
no processo de humanização do psiquismo, por se tratar do entrecruzamento de 
pensamento e linguagem, uma vez que estas duas funções seguem linhas distintas 
e independentes de desenvolvimento. 
Quando uma criança adquire um sistema linguístico ocorre uma 
reorganização de todos os seus processos mentais, a palavra passa a assumir o 
papel de dar forma à atividade mental, que proporcionará o aperfeiçoamento do 
reflexo da realidade, alterando também a memória, a imaginação, o pensamento e a 
 
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ação, quando esta reorganização ocorre é que o ser humano passa a se diferenciar 
dos outros animais, à medida que agora consegue operar ativamente, modificando o 
meio. (Scherer e Pereira, 2009) 
Segundo o pensamento de Tuleski e Eidt (2016), a formação das funções 
psicológicas superiores envolvem dois grupos de fenômenos; os meios externos do 
desenvolvimento cultural que seriam as ferramentas materiais e simbólicas que 
produziram as primeiras transformações psíquicas (fala, escrita, cálculo, desenho 
etc.) e os processos de desenvolvimento das funções que se referem à memória, 
percepção, atenção e pensamento conceitual. A princípio pode parecer que se trata 
de dois fenômenos separados, no entanto eles estão estritamente ligados sendo que 
o segundo se desenvolve utilizando-se do primeiro. 
 
 
Fonte: institutofreedom.com.br 
 
Neste sentido, a música, segundo Ilari (2003) é um estímulo importante para o 
desenvolvimento do cérebro da criança. Culturalmente é comum que se tenha o 
hábito de cantar e dançar com bebês; essa prática auxilia tanto no aprendizado 
musical, quanto no desenvolvimento da afetividade e socialização, bem como na 
aquisição da linguagem. 
No ambiente escolar a música exerce uma segunda função que é o ensino 
aprendizado

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