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Aula 07 Direito Civil p/ PC-MA (Delegado) Pós-Edital Professor: Paulo H M Sousa http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 1 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa AULA 07 RESPONSABILIDADE CIVIL II Sumário Sumário .................................................................................................... 1 Considerações Iniciais ................................................................................ 2 RESPONSABILIDADE CIVIL ......................................................................... 2 9.2. Responsabilidade Civil imprópria ........................................................... 2 1. Responsabilidade por fato de terceiro .................................................... 3 2. Responsabilidade por fato de coisa ...................................................... 10 3. Responsabilidade por fato de animal .................................................... 12 9.3. Responsabilidade Civil, Penal e Administrativa ...................................... 13 1. Distinções entre ilícito civil e penal ...................................................... 13 2. Influência da jurisdição criminal no cível .............................................. 19 3. Distinções entre ilícito civil e administrativo.......................................... 22 9.4. Abuso de direito ................................................................................ 24 Legislação pertinente ................................................................................ 30 Jurisprudência e Súmulas Correlatas .......................................................... 30 Questões ................................................................................................. 41 Questões sem comentários ..................................................................... 41 Gabaritos ............................................................................................. 67 Questões com comentários ..................................................................... 73 Resumo ................................................................................................ 119 Considerações Finais .............................................................................. 121 http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 2 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa AULA 07 – RESPONSABILIDADE CIVIL II Considerações Iniciais Na aula passada, começamos a tratar da Responsabilidade Civil. Repito: relativamente às provas de Nível Superior, a Responsabilidade Civil não é um tema lá muito forte. Como eu disse, é uma escolha dos examinadores, talvez a Responsabilidade Civil seja questionada em outras tantas áreas, como o Direito do Consumidor, Direito Ambiental, Direito Administrativo etc. Isso ficará claro quando eu falar de algumas situações mais peculiares da Responsabilidade Civil, remetendo sua análise detalhada a essas outras áreas. Apesar de não ser assim tão relevante, é sempre mais prudente evitarmos que seja esse o motivo pelo qual você não conseguiria sua aprovação. Como diz o ditado, é melhor prevenir do que remediar! Contraprova é que na última prova da PC/MA tivemos uma questão sobre o tema, que será vista nesta aula! RESPONSABILIDADE CIVIL 9.2. Responsabilidade Civil imprópria A cisão entre Schuld e Haftung fica bem clara ao tratarmos das hipóteses da responsabilidade civil elencadas pelo CC/2002. Dentre elas encontram-se as situações de responsabilidade por fato de terceiro, responsabilidade por fato de coisa e responsabilidade por fato de animal. Ou seja, ainda que o causador do dano seja outra pessoa, ou mesmo quando sequer uma pessoa causa o dano, mas um animal, ou ainda se for ele causado por algo inanimado, responsabilizaremos alguém, imputando a ela a indenização. Aqui, o Direito Civil se afasta enormemente da responsabilidade penal contemporânea, sistema de responsabilização do qual seria, em linhas gerais, impensável imputar ao acusado pena por ato cometido por outrem; mais absurdo ainda responsabilizar alguém pelo dano causado a outrem por uma coisa. Assim, é possível aduzir que, em regra, a responsabilidade civil é por fato próprio, ou seja, responsabiliza-se o causador direto do dano. No entanto, na responsabilidade civil imprópria responsabiliza-se alguém por fato não cometido http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 3 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa diretamente por ela, mas que, por uma série de razões, o ordenamento jurídico imputa a responsabilidade, ainda que indiretamente, àquele que não causou o dano. Por fim, vimos já anteriormente, que na atualidade é possível falar em responsabilidade sem culpa mesmo, a chamada responsabilidade objetiva, na qual se prescinde totalmente da contraprova da culpabilidade. 1. Responsabilidade por fato de terceiro Vê-se aqui a possibilidade de não causar dano a outrem e, ainda assim, ser responsabilizado. A lei, em situações especiais, remete a responsabilidade por um dano a terceiro, que não o causador do dano. Mas isso pode acontecer a qualquer um, de qualquer modo, a qualquer tempo? Não. Via de regra, o fundamento é um dever de guarda, controle, vigilância ou proteção. Em regra, se verifica a responsabilidade por fato de outrem em relações de submissão ou autoridade, como no caso do patrão e empregado ou do pai e filho, por exemplo. Juridicamente falando, responsabiliza-se um terceiro porque ele se omitiu no seu dever, ou seja, há responsabilidade pela omissão (o pai que deixa de punir moderadamente o filho, o patrão que não exerce sua autoridade disciplinar sobre o funcionário). Há, em algum sentido, desleixo, descaso, falta de vigilância. Isso porque quem tem alguém sob seu comando, controle, autoridade ou submissão, deve zelar tanto pelo agente quanto pelas pessoas e coisas com as quais o agente entra em contato. Quais são essas hipóteses? Elas estão presentes nos incisos do art. 932 do CC/2002: http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 4 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa Mas a responsabilidade dessas pessoas é objetiva ou subjetiva? Segundo o art. 933 do CC-2002, a responsabilidade é objetiva, sequer existindo espaço para que o terceiro prove que tomou todas as medidas que lhe competiam para evitar o dano: As pessoas indicadas no artigo antecedente, ainda que não haja culpa de sua parte, responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos. Ou seja, nem que o responsabilizado prove que não teve culpa alguma e não podia ter evitado o dano, responderá. Mas o responsável legal arca com o prejuízo? Sim, mas há a possibilidade de ação regressiva contra o causador do dano, nos termos do art. 934, que esclarece que aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem pagou, salvo se o causador do dano for descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz. Segundo Venosa, ainda que não se diga expressamente, inclui-se na exceção do art. 934 também os tutores e curadores pelos danos causados pelos pupilos ou curatelados. Veja-se que, em verdade, o art. 932 não trata apenas dos casos de responsabilidade civil imprópria, mas é de redação bastante geral: Art. 934. Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem pagou,salvo se o causador do dano for descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz. • Pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia Os pais • Pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições O tutor e o curador • Por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele O empregador ou comitente • Pelos seus hóspedes, moradores e educandos Os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, mesmo para fins de educação • Até a concorrente quantia Os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 5 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa É com base nesse dispositivo que se dá azo à ação in rem verso, prevista genericamente no art. 886 (“Não caberá a restituição por enriquecimento, se a lei conferir ao lesado outros meios para se ressarcir do prejuízo sofrido”). Assim, aquele que ressarce dano causado por outrem empobrece ao mesmo tempo em que o causador do dano enriquece, na medida em que deixa de indenizar não fica mais rico, literalmente, mas, ao deixar de empobrecer, quando deveria, enriquece. Não se permite, com base na vedação ao enriquecimento sem causa, que alguém se enriqueça às custas de outrem. As saídas são muitas (ou, processualmente falando, as ações), mas, mesmo quando o processo não dá instrumento específico, o enriquecimento sem causa não deve prosperar. Como compatibilizar essas percepções aparentemente contraditórias? A partir da residual ação in rem verso, por meio do qual “aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem pagou”. Em todos os casos supracitados, a responsabilidade do causador do dano com o responsável legal é solidária, por previsão expressa do art. 942, parágrafo único do CC/2002. Curiosamente, se há responsabilidade civil por dano causado por incapaz, quem responde são responsáveis legais. Porém, se os responsáveis legais não tiverem a obrigação de indenizar (não estiver o menor sob a autoridade, p.ex.) ou quando estes não possuírem meios para adimplir com a indenização, segundo o art. 928 do CC/2002, os próprios incapazes responderão. Nesse caso, no entanto, há limitação da responsabilidade dos incapazes para não privar do necessário o incapaz ou as pessoas que dele dependem, atentando-se ao mínimo existencial, nos termos do parágrafo único desse artigo. 2016 – FAURGS – TJ/RS – Juiz Estadual Substituto Sobre a reparação de danos, é correto afirmar que a) apenas a culpa concorrente da vítima é admitida como causa de redução da indenização pelo Código Civil, constituindo exceção ao princípio da reparação integral. b) se adota, segundo entendimento majoritário, a teoria do risco integral como fundamento da imputação de responsabilidade, independente de culpa em razão de atividade de risco (artigo 927, parágrafo único). c) todos os membros de um grupo, pela adoção da teoria da causalidade alternativa, podem ser responsabilizados, quando não seja possível determinar, dentre eles, quem deu causa à lesão. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 6 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa d) a responsabilidade pelo fato do animal é independente de culpa do seu dono ou detentor, não podendo ser afastada mesmo quando ausente o nexo de causalidade. e) o patrimônio do incapaz não pode servir ao pagamento da indenização, cabendo exclusivamente aos pais, tutores ou curadores, conforme o caso, responder pelos danos que ele causar. Comentários A alternativa A está incorreta, pois o art. 944, parágrafo único (“Se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano, poderá o juiz reduzir, eqüitativamente, a indenização“) permite a redução da indenização em outros casos. A alternativa B está incorreta, já que o referido dispositivo adota a responsabilidade objetiva, mas não integral, excepcionalíssima no ordenamento privado. A alternativa C está correta, sendo esse caso excepcional de responsabilização civil. A alternativa D está incorreta, já que, obviamente, a ausência de nexo de causalidade afasta o dever de indenizar, como, por exemplo, no caso de culpa exclusiva da vítima que atiça o animal. A alternativa E está incorreta, na literalidade do art. 928: “O incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes”. Vejamos cada uma dessas situações detalhadamente. 1. Responsabilidade dos pais Em regra, os filhos não exercem atividades que possibilitem auferir renda, não possuem patrimônio e não terão como arcar com a indenização, se devida, ao contrário dos pais, que, também geralmente, possuem melhores condições para tanto. Mesmo que inexista capacidade, o dano causado pelo menor deve ser indenizado, já que o direito civil pretende a tutela da vítima; mesmo que o menor não tenha causado ato ilícito, pois incapaz, há responsabilidade civil. Cuidado em relação às expressões “sob sua autoridade” e “em sua companhia”. A autoridade liga-se ao poder familiar; se um ou ambos ou genitores não detém poder familiar sobre o menor, não responde pelo dano, como, por exemplo, no caso do filho sob a guarda de um dos pais, ou sob a guarda dos avós. A companhia não remete apenas à companhia momentânea, mas duradoura, ou seja, se o menor sai, à noite, e causa um dano, os pais são responsáveis, ainda que não na companhia efetiva do menor; veja-se que se o filho não está na companhia dos pais por desídia destes, não se afasta a responsabilidade. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 7 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa A emancipação legal concedida pelos pais excluiria sua responsabilidade, mas a jurisprudência do STJ a mantém. Ao contrário, nos demais casos em que adquire a maioridade (como nos casos de casamento, exercício efetivo de emprego público, existência de economia própria decorrente de emprego e estabelecimento de empresa), a responsabilidade dos pais cessa. 2. Responsabilidade do tutor/curador Em regra, os próprios pais são os tutores e curadores, mas nem sempre. Há grande crítica à responsabilidade objetiva, especialmente em relação à curatela, que é, em geral, ato de altruísmo e gratuito. De qualquer forma, o CC/2002 mantém a responsabilidade dos tutores e curadores pelos atos praticados pelos tutelados e curatelados, igualmente de maneira objetiva. 3. Responsabilidade do empregador/comitente O conceito de empregador não está contido na legislação civil, mas no art. 2º da CLT: Considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. Esse artigo, no § 1º, equipara determinadas figuras ao empregador: Equiparam-se ao empregador, para os efeitos exclusivos da relação de emprego, os profissionais liberais, as instituições de beneficência, as associações recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos, que admitirem trabalhadores como empregados. Ou seja, em resumo, todo aquele que contrata alguém e se utiliza de seu trabalho, mediante remuneração, para auferir algum benefício, mediante estabelecimento de uma relação hierárquica de subordinação, é empregador, ao menos para os fins desse artigo do CC/2002. Por outro lado, a noção de comitente está no art. 693 do CC/2002: O contrato de comissão tem por objeto a aquisição ou a venda de bens pelocomissário, em seu próprio nome, à conta do comitente. Ou seja, o comitente é o “favorecido” pelos negócios. Essa responsabilização ocorre, em regra, apenas durante a execução da atividade subordinada, ou seja, durante o “expediente”. Porém, com base na Teoria da Aparência, há exceções, eis que aquele que sofre o dano “acredita” que o causador do dano o fez em razão do emprego e, por isso, deve ser indenizado. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 8 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa 2015 – FCC – TRT 15ª REGIÃO – Juiz do Trabalho Substituto O motorista de um supermercado, dirigindo veículo da empresa e no horário de trabalho, envolveu-se em acidente, do qual resultou a morte de ocupante de outro veículo, mas foi absolvido na ação penal por insuficiência de prova. Sua culpa, entretanto, assim como os demais requisitos para a responsabilização civil, foram provados em ação indenizatória movida pelo cônjuge e filhos da vítima contra aquele motorista e seu empregador. Neste caso, a) o motorista e seu empregador serão solidariamente responsáveis pela indenização. b) somente o empregador será responsável pela indenização, porque o empregado foi absolvido no juízo criminal. c) somente o motorista será responsável pela indenização, se o seu empregador provar que diligenciou na escolha do preposto e o vigiou, mas ambos serão solidariamente responsáveis se essa prova não for realizada. d) o motorista e seu empregador serão conjuntamente responsáveis pela indenização, sendo subsidiária a responsabilidade do empregador. e) não haverá obrigação de indenizar, porque a sentença penal absolutória eliminou a responsabilidade civil. Comentários A alternativa A está correta, segundo o art. 942, parágrafo único (“São solidariamente responsáveis com os autores os coautores e as pessoas designadas no art. 932”) conjugado com o art. 932, inc. III (“São também responsáveis pela reparação civil o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele”. A alternativa B está incorreta, conforme o art. 942: “Os bens do responsável pela ofensa ou violação do direito de outrem ficam sujeitos à reparação do dano causado; e, se a ofensa tiver mais de um autor, todos responderão solidariamente pela reparação”. A alternativa C está incorreta, consoante o art. 933: “As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente, ainda que não haja culpa de sua parte, responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos”. A alternativa D está incorreta, de acordo com o parágrafo único do art. 942, supracitado. A alternativa E está incorreta, já que o art. 935 (“A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal”) prevê que as questões não podem ser discutidas, mas a exclusão da responsabilidade penal por ausência de prova não obsta sua prova no juízo cível. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 9 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa 4. Responsabilidade dos estabelecimentos de albergue A amplitude desse artigo abrange todo tipo de estabelecimento de albergue remunerado: creche, escola, hotel, motel, SPA, asilo, hospital, sanatório, centros de recuperação de dependentes etc. Sublinhe-se a necessidade de contraprestação para haver responsabilidade objetiva. Essa responsabilidade abrange os danos causados pelos hóspedes a terceiros e pelo estabelecimento aos hóspedes. No mesmo sentido, o art. 14 do CDC estabelece a responsabilidade objetiva na prestação de serviços. Mesmo danos causados fora da instituição são passíveis de indenização por ela, como, por exemplo, no caso de uma excursão de alunos organizada pela escola. Além disso, cláusulas que atenuam ou isentam a responsabilidade do estabelecimento são nulas, mesmo que existam avisos ostensivos, conforme regra do art. 51, inc. I do CDC. 5. Responsabilidade pela participação em produto de crime Primeiro, não confunda participação com a coautoria, talqualmente não se pode fazer no âmbito da responsabilidade penal. Resumidamente, na coautoria o sujeito participa do evento, ainda que de maneiras distintas, ao passo que na participação apenas auxilia. Aqui, o agente apenas recebe o produto do crime. Em realidade, essa participação configura o tipo de receptação do art. 180 do CP. No entanto, a repercussão penal é irrelevante para a responsabilidade civil. Nesse caso, responde ao partícipe penas pelo dano até o valor que recebeu. Ao contrário, na coautoria, responderia integralmente pelo dano, e não de maneira limitada, como no caso tratado especificamente pelo art. 932 do CC/2002. 2014 – FMP – PGE/AC – Procurador do Estado É caso de responsabilidade subjetiva: (A) a dos pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia. (B) a do tutor pelo pupilo que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia. (C) a dos que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia. (D) a do incapaz se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes. Comentários http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 10 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa A está incorreta, de acordo com art. 932, inc. I (“São também responsáveis pela reparação civil os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia”) em conjunto com o art. 933 (“As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente, ainda que não haja culpa de sua parte, responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos”). A alternativa B está incorreta, conforme o art. 932, inc. II (“São também responsáveis pela reparação civil o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições”) em conjunto com o art. 933 (“As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente, ainda que não haja culpa de sua parte, responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos”). A alternativa C está incorreta, na literalidade do art. 932, inc. V (“São também responsáveis pela reparação civil os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia”) em conjunto com o art. 933 (“As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente, ainda que não haja culpa de sua parte, responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos”). A alternativa D está correta, conforme a regra geral do art. 927, não contrariada pelo art. 928 (“O incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes”). Veja-se que, inexistindo menção expressa sobre a responsabilidade ser objetiva, segue-se a regra de responsabilização objetiva. 2. Responsabilidade por fato de coisa Segundo Arnaldo Rizzardo: O dono de uma coisa inanimada é responsável pelos danos que a mesma causar. A responsabilidade por fato de coisa abrange tanto o proprietário quanto aquele que exerce sua guarda (detentor). No CC/2002 adotou-se a responsabilidade objetiva, ou seja, o lesado deve apenas provar o dano e o nexo causal com a conduta, sendo desnecessário questionar a culpa do dono da coisa. Ainda assim, o agente poderá eximir-se da responsabilidade se conseguir comprovar o caso fortuito/força maior ou a culpa exclusiva da vítima.Não há um dispositivo legal próprio para essa espécie de responsabilidade, aplicando-se o art. 927. Isso porque se entende a responsabilidade por fato da coisa como espécie da responsabilidade objetiva por risco de atividade. A responsabilidade por fato da coisa diferencia-se das demais espécies porque não requer uma conduta direta do autor do dano com a coisa em relação ao dano. Basta a posse, propriedade ou detenção da coisa e o dano para configurar-se a responsabilidade. Duas espécies têm grande importância: http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 11 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa 1. Responsabilidade pela ruína de edifício Caso especial de responsabilidade for fato de coisa está presente no art. 937 do CC/2002, que estipula que: O dono do edifício ou construção responde pelos danos que resultarem de sua ruína, se esta provier de falta de reparos, cuja necessidade fosse manifesta. A responsabilidade do dono da obra é objetiva, pois se entende que não agiu com o devido cuidado, seja falta de reparos, seja por falha construtiva. Contudo, o art. 937 abre amplas possibilidades de defesa do dono da obra, pois lhe permite provar que agiu com o devido cuidado, inexistindo falta de reparos. Além disso, o artigo menciona a manifesta necessidade dos reparos para configurar a responsabilidade. Nada obstante, aqui, surge um caso curioso, pois, em regra, um edifício não desaba se estiver em perfeitas condições, cai apenas quando há necessidade de algum reparo ou há uma falha na construção. Assim, presume-se a necessidade de reparos se o edifício desaba. Apesar de objetiva, há uma mínima chance de a parte se desincumbir da indenização. A responsabilidade pela ruína estende-se a todo tipo de imóvel, não apenas às construções ou imóveis novos, incluindo-se aí a responsabilidade do proprietário que adquire imóvel já com muitos anos de uso, pois se entende que deveria tê-lo vistoriado adequadamente. Abrange, em verdade, todo tipo de edificação: pontes, canalizações (gás canalizado), andaimes (de prédios em obras), arquibancadas (de estádios), marquises (eventos em geral), escadas rolantes (de shopping center). O único modo de afastar a responsabilização é comprovar a ocorrência de um caso fortuito ou de culpa exclusiva da vítima. 2. Responsabilidade pela queda ou lançamento de coisas de edifícios Outro caso especial de responsabilidade for fato de coisa está presente no art. 938 do CC/2002, que aduz que aquele que habitar prédio, ou parte dele, responde pelo dano proveniente das coisas que dele caírem ou forem lançadas em lugar indevido. O termo “prédio” é entendido de maneira bastante larga, compreendendo, além do condomínio edilício vertical, casas, hotéis, estações, escritórios, templos, escolas, clínicas, ou seja, todo local em que as pessoas ficam, permanecem, “habitarem” (também em sentido largo, e não apenas “morar”) O termo “coisa” é também genérico, abrangendo lixo, placas, pequenos objetos, vasos de plantas e mesmo água (que cai sobre um equipamento eletrônico em funcionamento, por exemplo). A responsabilidade do dono do edifício é objetiva, pois se entende que não agiu com o devido cuidado ao deixar que coisas fossem lançadas ou caíssem do http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 12 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa edifício. Não importa quem lançou o objeto para a vítima, acionando-se todos os proprietários. Se condomínio edilício, geralmente aciona-se o próprio condomínio, pois é difícil, ou mesmo impossível, precisar o autor. Porém, se possível for fixar quem foi o autor do dano, não pode a vítima pretender obter a indenização do condomínio, pois manifesta sua ilegitimidade passiva. Mesmo que o lançamento ou queda sejam efetuados por terceiro (um parente que visita em casa, criança na escola, hóspede do hotel), o proprietário responde, com vistas na teoria do risco. 3. Responsabilidade por fato de animal Mesmo na vigência do CC/1916 havia presunção de culpa do proprietário do animal que causa dano, pela presunção de falta de cuidado e diligência do dono. O CC/2002 exclui a responsabilidade apenas nos casos de culpa exclusiva da vítima ou de força maior, segundo art. 936. 2014 – FUNRIO – IF/PI – Professor de Direito No tocante a responsabilidade civil é correto afirmar que a. haverá obrigação de reparar o dano, dependentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem. b. o incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes. c. os responsáveis não são responsáveis civilmente pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e companhia. d. o dono, ou detentor, do animal não ressarcirá o dano por este causado, se não provar culpa da vítima ou força maior. e. aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem pagou, mesmo se o causador do dano for descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz. Comentários A alternativa A está incorreta, nos termos do art. 927, parágrafo único: “Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem”. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 13 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa B está correta, segundo o art. 928: “O incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes”. A alternativa C está incorreta, conforme o art. 932, inc. I: “São também responsáveis pela reparação civil os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia”. A alternativa D está incorreta, na forma do art. 936: “O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este causado, se não provar culpa da vítima ou força maior”. A alternativa E está incorreta, de acordo com o art. 934: “Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem pagou, salvo se o causador do dano for descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz”. A fuga do animal, ou sua permanência em local inapropriado, portanto, importam em presunção de culpa do dono. São os casos de animal que pula o muro, animal que morde a pessoa através de uma grade ou ataca alguém durante uma festa de rua. Nesses casos, o animal deveria estar bem guardado/não deveria estar lá. Por isso, a vítima deve apenas apontar o dano e o nexo causal com a conduta. Cumprirá ao dono provar a existência de culpa exclusiva da vítima ou de força maior. O excludente de culpa exclusiva da vítima limita-se à culpa exclusiva; se a vítima concorre com o dano, responde o dono. Por exemplo, se vítima que provoca o animal, que vem a pular o muro e atacá-la, há culpa concorrente, já que se estivesse bem preso, o animal provocado não causaria dano; a vaca que atravessa a rodovia rapidamente numa curva, estando o motorista em excesso de velocidade, ocasiona culpa concorrente; se ela estava parada numa longa reta, e vai invadindo a pista lentamente, é culpa exclusiva, já que o motorista tinha de reduzir, prudentemente. Os animais selvagens ou sem dono não geram dever de indenizar a ninguém, eis que não há “alguém” propriamente dito para responsabilizar.Se para evitar uma colisão o sujeito causa dano a outrem, responsabiliza-se o causador do dano, que tem direito de regresso contra o proprietário ou, se animal selvagem ou sem dono, arca o agente sozinho. 9.3. Responsabilidade Civil, Penal e Administrativa 1. Distinções entre ilícito civil e penal O ato ilícito pode ter naturezas jurídicas distintas, a partir de sua perspectiva de análise. Lembro bem da graduação, nas aulas de Direito Penal (e essa talvez seja uma das coisas que jamais esquecerei sobre penal) é que o crime, no seu conceito analítico, é a “conduta típica, antijurídica e culpável”. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 14 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa Lembro disso porque, desde aquela época, já me preocupava em diferenciar a responsabilidade civil da responsabilidade penal e como visualizar suas semelhanças e pontos de contato. Isso porque, originariamente, o conceito de ato ilícito não tinha distinção no Direito Civil e no Direito Penal. A noção mais clássica de ato ilícito, independente se civil ou criminal consolidou-se ao longo do tempo e se cristalizou, sob uma perspectiva claramente dotada dessa historicidade, no art. 186 do CC/2002: Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. É daí que se retira o conceito mais elementar de ato ilícito, dotado de culpabilidade e antijuridicidade, respectivamente pela exigência de culpa, caracterizada tanto por ação quanto por omissão (conduta negligente ou imprudente), e pela exigência de violação direito alheio, causando-lhe dano. Desse conceito é que se caracterizam os pressupostos do dever de indenizar, quais sejam a conduta (ilícita), o dano e o nexo de causalidade entre a conduta e o dano, somados à culpa, no caso da responsabilidade subjetiva. A conduta, seja comissiva, seja omissiva, precisa ser violadora da esfera de direitos de outrem e passível de lhe causar dano. Essa conduta precisa ser culposa, na responsabilidade como regra geral trazida pelo art. 927. Se conduta há, mas não se pode imputar culpa ao agente, não se pode falar em dever de indenizar. Por outro lado, mesmo havendo conduta culposa, não há dano, não há dever de indenizar, da mesma forma. Por fim, por óbvio, entre a conduta e o dano deve haver uma nexo de causalidade, um liame que ligue ambos os pontos. Segundo a tradição civilística, esse liame deve ser direto e imediato. Danos indiretos ou mediatos não são indenizáveis, mas nem sempre essa teoria se aplica de maneira tão restrita. O mesmo vale para o Direito Penal, cuja noção de ato ilícito se confunde com a noção de ato ilícito civil, ante a ausência de diferenciação que havia entre ambos. Porém, paralelamente ao estabelecimento do princípio da legalidade cria-se também a noção de tipicidade. Isso ocorre, segundo boa parte da doutrina, especialmente com a Carta Magna de 1215, que limitava o poder real ao devido processo legal; a partir do compromisso do monarca, nenhum homem livre poderia ser aprisionado sem um julgamento legal, feito por seus pares, pela lei do território. Essa noção, ainda bastante ampla, foi fixada num regime de tipicidade, mais ou menos como hoje o conhecemos, com a revolucionária Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789, que previa, no art. 4º: A liberdade consiste em poder fazer tudo aquilo que não prejudique outrem: assim, o exercício dos direitos naturais de cada homem não tem por limites senão os que asseguram http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 15 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa aos outros membros da sociedade o gozo dos mesmos direitos. Estes limites apenas podem ser determinados pela Lei. 1 Veja que na última parte fica claramente disposto que os limites à atuação estão na Lei. Vale lembrar que, a partir da divisão de poderes bem clássica de Montesquieu, só é Lei o que o Poder Legislativo assim o estabelece. Portanto, as condutas que limitam o exercício de direitos devem ser estabelecidas pela lei. No caso do Direito Penal, os tipos penais passam a ser a regra para a verificação da ilicitude. Aí eu volto para aquele conceito analítico tradicional de crime, a “conduta típica, antijurídica e culpável”. Fora a tipicidade, a antijuridicidade e a culpabilidade já eram pressupostos do ato ilícito, válido também para o Direito Civil. A tipicidade, portanto, é o elemento que distingue a verificação do ato ilícito, nuclearmente. Obviamente, como a tipicidade simplesmente não existe no Direito Civil, numerosas soluções – e problemas – sobre a tipicidade não são objeto de análise na responsabilidade civil. Assim, os excludentes de tipicidade, como o caso da aplicação do princípio da insignificância, não se analisam na responsabilidade civil, por absoluta incompatibilidade. Por mais insignificante que seja, o furto de um objeto cumpre os requisitos de antijuridicidade e culpabilidade presentes no art. 186 do CC/2002, o que caracteriza o dever de indenizar. É possível que estejam presentes os elementos da responsabilização e, por isso, exista o dever de indenizar, mas não veremos repercussão alguma na esfera cível. Isso porque o agente simplesmente nada faz, por ausência de razoabilidade patrimonial. O custo, tanto em termos objetivos – financeiros e de tempo –, quanto em termos subjetivos – desgaste, stress etc. –, pode ser excessivo para a vítima. Por exemplo, alguém me furta um sabonete comum. Provavelmente não seria condenada na esfera criminal, já que o valor insignificante do objeto seria fundamento suficiente para a exclusão da tipicidade por aplicação do princípio da insignificância. Não obstante a presença dos elementos do dever de indenizar, provavelmente eu não a acionaria judicialmente, buscando indenização pelo dano. O custo com o transporte da minha casa até o JEC supera o valor do bem furtado, sem contar com o desgaste emocional e o “tempo perdido”. Mas posso fazê-lo, se quiser, independentemente dos custos financeiros e psicológicos, e o autor do dano não pode se escusar com base no princípio da insignificância. Ademais, a forma como se analisa os pressupostos de antijuridicidade e culpabilidade são distintos. Ao passo que a doutrina civilística mantém a culpabilidade baseada na culpa em sentido amplo (subdividida em culpa em 1Vide a seguinte versão da Declaração: http://pfdc.pgr.mpf.mp.br/atuacao-e-conteudos-de- apoio/legislacao/direitos-humanos/declar_dir_homem_cidadao.pdf http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 16 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa sentido estrito e dolo), a doutrina penal ampliou horizontes, criando também as figuras da culpa consciente e do dolo eventual. Inclusive, a distinção de culpa e dolo é irrelevante na maioria dos casos para aplicação da responsabilidade civil, exigindo-se dolo para responsabilizar o agente apenas em situações excepcionais, como no caso da responsabilidade do doador pelos danos causados ao donatário em relação ao bem doado. Ao contrário, no Direito Penal, a distinção é imprescindível e irá impactar profundamente na aplicação do direito, já que existem numerosos casos de tipos apenas dolosos, como o tipo de dano (ao passo que no Direito Civil o dano independe de dolo!). Grande parte da responsabilidade civil passa ao largo dessas discussões sobre culpabilidade, pela aplicação da responsabilidade civil objetiva, que afasta completamente as noções subjetivas. Igualmente, o graude culpabilidade é em regra irrelevante no Direito Civil, exceto no caso de aplicação do art. 944, parágrafo único (“Se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano, poderá o juiz reduzir, equitativamente, a indenização”). Veja-se que, inclusive, era tão difícil para a doutrina civilística tradicional falar em responsabilidade civil sem culpa que se chamava ela de culpa objetiva (o que é uma contradição em termos, já que a culpabilidade é essencialmente subjetiva). Somente mais recentemente é que se passou a falar, sem grandes problemas, em responsabilidade civil sem culpa. Curiosamente, por outro lado, a responsabilidade civil ainda se encontra essencialmente ligada ao dano, por conta do princípio da restituição integral. Não se fala em responsabilidade civil sem dano. Quando, em uma situação concreta, não existe dano ou sua prova é impossível, a doutrina e a jurisprudência se valem do chamado dano in re ipsa, ou dano presumido. Exemplo da presunção de dano pela dificuldade de prova é o art. 953, parágrafo único. Este dispositivo estabelece que no caso de indenização por injúria, difamação ou calúnia, caso o ofendido não possa provar prejuízo material, caberá ao juiz fixar, equitativamente, o valor da indenização, na conformidade das circunstâncias do caso. Ou seja, o dano não é afastado, mas presumido, ante a impossibilidade ou extrema dificuldade de comprovação do dano. O mesmo ocorre quando não há dano a ser indenizado. A partir de uma dada conduta, há situações nas quais determinada conduta ilícita gera dano, mas, às vezes, em outras situações sequer há dano. Novamente, presume-se o dano, ainda que a contraparte comprove a inexistência dele. Isso ocorre com o dano moral no caso de inclusão indevida do consumidor em órgão restritivo de crédito. A jurisprudência, uníssona, estabelece o dever de indenizar a partir do dano in re ipsa. Sinceramente, na maioria das http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 17 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa situações trata-se de responsabilidade sem dano. Pode haver dano, claro, como no caso de uma pessoa que perde uma oportunidade de negócio porque não consegue empréstimo bancário para honrar negócio em decorrência da inclusão indevida. Posso ter consultado a SERASA apenas por curiosidade e visto meu nome incluído indevidamente no órgão – e não houve dano algum. Ao contrário, posso até ter ficado feliz, pela perspectiva de receber indenização, mas receberei indenização do mesmo jeito, não importa. Ainda assim, é necessário recorrer ao expediente do dano in re ipsa, pois não se reconhece a responsabilidade civil sem dano. No Direito Penal, ao contrário, ainda que sob fortes críticas, o tipo de dano vem se tornando mais comum, especialmente nos tipos penais presentes no Código de Trânsito Brasileiro – CTB. O art. 306 do CTB estabelece que a condução de veículo automotor com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de substância psicoativa que determine dependência é vedada. A pena é aplicada ainda que o condutor não tenha causado dano algum, apenas pelo perigo decorrente da conduta eventualmente danosa. Ainda dentro da culpabilidade, outro foco de grande discussão no Direito Penal é a imputabilidade. As discussões sobre a maioridade penal provavelmente se eternizarão, alguns clamando por sua redução – e, no limite, pela exclusão de um critério temporal objetivo –, outros clamando por sua extensão – e, no limite, pela exclusão quiçá da própria punição estatal. A imputabilidade é assunto de suma importância no crime. No cível, essa discussão é praticamente inócua. Tecnicamente falando, por conta dos institutos da tutela, curatela e representação, estende-se a responsabilidade dos “inimputáveis” a seus representantes legais. O Direito Civil vai além, fixando a responsabilidade civil objetiva dos pais pelos danos causados pelos seus filhos e a responsabilidade civil objetiva dos tutores e dos curadores pelos danos causados pelos tutelados e curatelados, segundos o art. 932, incs. I e II c/c art. 933. Com isso, contorna-se a discussão sobre o grau de consciência de uma pessoa sobre a prática de um ato danoso. Os críticos da imputabilidade penal aos 18 anos dizem que a pessoa entre 16 e 18 anos é plenamente apta a compreender os efeitos de sua conduta. No Direito Civil, em que pese a redução da “maioridade civil” trazer mudanças para o dever de indenizar, essa redução teria pouco ou nenhum impacto, já que, de qualquer forma, os pais se responsabilizariam. Isso porque, já no âmbito das obrigações, analisamos as diferenças entre obrigação e responsabilidade, pelo que se pode imputar a alguém a responsabilidade pelo inadimplemento de uma obrigação de outrem (como no casos dos pais pelos filhos). Esse raciocínio é impensável no Direito Penal, já que a condenação de alguém, que não o próprio agente, pela conduta alheia significaria que a pena ultrapassa a pessoa do ofensor. Nem mesmo as propostas criminais mais endurecedoras sugerem essa possibilidade. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 18 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa As diferenças também existem quanto ao nexo de causalidade. Enquanto se utiliza, largamente, no Direito Civil a teoria do dano direto e imediato para limitar o nexo de causalidade, no Direito Penal, o limitador do nexo causal é o dolo, pela teoria finalista. Se analisada a teoria da imputação objetiva do Direito Penal, chegaremos à concussão de ela se parece, em certa medida, com a teoria do dano direto e imediato do Direito Civil. Ainda que seja pouco utilizada a teoria da imputação objetiva lá, já que ela não resolve a maioria das situações concretas, as críticas a ela dirigidas são bastante parecidas com as críticas que a teoria do dano direto e imediato sofrem aqui, no Direito Privado. A própria essência do Direito Civil e do Direito Penal é distinta. Enquanto na responsabilidade civil a tutela se volta à vítima, no Direito Penal a tutela se volta ao ofensor, em linhas gerais. Na responsabilidade civil é frequente a crítica a dispositivos que tutelam o ofensor, como o parágrafo único do art. 944 (“Se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano, poderá o juiz reduzir a indenização”). A redução da indenização se dá em razão do ofensor; a vítima ficará sem restituição integral, o que viola a racionalidade básica do sistema. Na responsabilidade penal, ao contrário, há frequente crítica a dispositivos que tutelam a vítima, como o art. 72 da Lei 9.099/1995 (Na audiência preliminar, presente o representante do MP, o autor do fato e a vítima, o Juiz esclarecerá sobre a possibilidade da composição dos danos). Quebra-se, em alguma medida, o monopólio estatal da aplicação da lei penal, já que o ofendido poderá obstar a continuidade da persecução penal, voluntariamente. Igualmente, a base de aplicação da responsabilidade é distinta. Ao passo que no crime a pena privativa de liberdade éa regra, ela é a exceção no cível; ao contrário, ao passo que no cível a indenização seja a regra, no crime ela é exceção. Modernamente, os pontos de contato também se tornam mais frequentes. Enquanto há uma tendência, no Direito Penal, ao uso maior das penas restritivas de direitos em detrimento das privativas de liberdade, há uma tentativa, no Direito Civil, de ampliar o uso de medidas não-pecuniárias de reparação, como o direito de resposta e as obrigações de não-fazer. Ainda que atualmente as diferenças entre a responsabilidade civil e a responsabilidade penal sejam marcantes e bastante evidentes, suas semelhanças também se evidenciam quando analisamos ambos os objetos, com certo “distanciamentocientífico”. Essas semelhanças se explicam pela origem comum da responsabilidade do agente causador de danos, eis que ambas – a cível e a criminal – eram indistintas. A cisão ocorrerá de maneira mais completa apenas com o positivismo jurídico, com sua exigência de cientificidade. Veremos os laços que ainda unem a responsabilidade civil e a reponsabilidade penal, especialmente em relação aos impactos, na esfera judicial, de uma sobre http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 19 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa a outra. Isso porque uma mesma conduta pode ter repercussões, ao mesmo tempo, na esfera cível e criminal, como no caso do homicídio, fato jurídico que atrai a aplicação do art. 121 do Código Penal – CP e do CPP, e do art. 928 do CC/2002 e do CPC. 2. Influência da jurisdição criminal no cível O art. 935 do CC/2002, como dito, aduz existir independência do juízo cível e criminal, porém não se pode discutir mais a autoria e existência do fato quando já há decisão na esfera criminal. Os julgamentos cíveis e criminais são independentes, mas não devem ser contraditórios. A ideia de que o julgamento criminal faz coisa julgada para o cível é visto com muitas ressalvas. 2015 – FUNDATEC – PGE/RS – Procurador do Estado Em relação à obrigação de indenizar, analise as seguintes assertivas: I. O incapaz pode responder, equitativamente, por prejuízos por ele causados. II. O pai pode ressarcir-se perante o filho, relativamente incapaz, pela indenização paga a terceiro por ato cometido pelo seu descendente. III. A obrigação de prestar reparação transmite-se com a herança. IV. A responsabilidade civil independe da criminal, podendo se questionar quanto à existência do fato mesmo quando esta questão se achar decidida no juízo criminal. Quais estão corretas? A) Apenas I e III. B) Apenas II e III. C) Apenas I, II e III. D) Apenas I, II e IV. E) Apenas I, III e IV. Comentários O item I está correto, como vimos em aula anterior, de acordo com o art. 928: “O incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes”. O item II está incorreto, na forma do art. 934: “Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem pagou, d http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 20 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa salvo se o causador do dano for descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz”. O item III está correto, segundo o art. 943: “O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmitem-se com a herança”. O item IV está incorreto, conforme o art. 935: “A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal”. A alternativa A está correta, portanto. Há a concorrência da responsabilidade civil-criminal. Um atropelamento gera responsabilidade civil e criminal, ou seja, pode o ofensor ser punido em ambas as esferas ou em apenas uma delas, seja no cível, seja no criminal. O problema é que há atipicidade da responsabilidade civil e tipicidade da responsabilidade criminal; nesta, impera o subjetivismo, naquela, caminha- se para a objetividade. O crime visa punir o agressor; o cível visa tutelar a vítima. Por isso, a atuação do juiz criminal não limita a do juiz cível. Como pode haver concorrência de responsabilidades, pode um delito ser julgado pelo juiz cível e pelo criminal ao mesmo tempo. A coisa julgada cível é influenciada pela criminal, mas não o inverso. O juiz criminal, de certo modo, guia a instrução quanto à autoria e ao ato/fato criminoso. Feita coisa julgada no cível, em pendência de processo criminal, a sentença criminal não poderá reverter a sentença cível, já transitada em julgado. Apenas quando há uma sentença condenatória cível e, em fase de execução cível, o juízo criminal não encontra autoria no fato, o executado cível pode, se ainda pendente a execução, impugnar a sentença, alegando a ausência de autoria. Se, no entanto, a execução cível já está terminada, ou seja, o executado já adimpliu com a indenização, nada mais há para se fazer. Logicamente, a autoria e a materialidade do fato deveriam ser apuradas primeiro no Juízo criminal, mas, por vezes, a esfera cível acaba por resolver essa questão antes. O art. 91, inc. I, do CP coloca que a função da sentença criminal é tornar certa a obrigação de indenizar, mas não diz qual é a extensão do dano, nem mesmo se houve dano. O art. 387, inc. IV do CPP, porém, estabeleceu a possibilidade de o juiz criminal fixar um valor mínimo de indenização, que servirá de piso ao juiz cível na hora da liquidação, que se dá na forma vista mais abaixo. Outra inovação importante foi feita pela Lei 12.403/2011, que alterou o art. 336 do CPP, colocando que a fiança criminal poderá ser usada para o pagamento de indenização, no caso de o réu ser condenado. Já o art. 63 do CPP fala que transitada em julgado a sentença condenatória, pode-se promover o cumprimento da sentença para reparação do dano. b http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 21 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa Ainda que exista uma sentença criminal absolutória, pode-se ingressar com uma ação cível indenizatória, por: falta de provas e atipicidade de conduta. Isso se dá porque as possibilidades de responsabilização na esfera cível são muito mais amplas que no criminal e a atipicidade e falta de provas não faz coisa julgada para o cível, como dissemos antes. Outra possibilidade de haver indenização cível no criminal existe no art. 72 da Lei 9.099/1995 (Lei dos Juizados Especiais Estaduais). Na audiência preliminar levada a cabo perante o Juizado Especial Criminal, o réu e o autor podem fazer a composição dos danos, evitando-se a persecução criminal. O juiz cível pode sobrestar o processo civil para aguardar o processo penal, segundo o art. 64 do CPP c/c art. 315 do CPC. Em geral, isso ocorre nos casos de existência de fato delituoso e legítima defesa. Porém, por vezes não ocorre na prática por conta do regramento do §1º do art. 315, que estabelece que se a ação penal não for exercida dentro de 3 meses, contados da intimação do despacho de sobrestamento, cessará o efeito deste, decidindo o juiz cível a questão, incidentalmente. Da propositura da ação penal, o juízo cível suspenderá o feito por, no máximo, 1 ano, prazo o qual, se superado, exige que o cível decida incidentalmente a questão prévia. Por fim, você lembra da aula sobre prescrição e decadência? Tínhamos um detalhe importante sobre as regras de prescrição que se aplicam aqui: Art. 200. Quando a ação se originar de fato que deva ser apurado no juízo criminal, não correrá a prescrição antes da respectiva sentença definitiva. Assim, se for necessário apurar algo no Juízo Criminal, a prescrição ficará suspensa até que o juiz do crime tenha proferido sentença definitiva, ou seja, não sujeita a recurso (trânsito em julgado). Discussões Juízo Cível Visa indenizar a vítima Objetividade (tendência à responsabilidade objetiva) Não influencia no outro Executa a sentença transitada em julgado no Criminal Sentença condenatória penal é título executivo judicial Juízo Criminal Visa punir o agressor Subjetividade (tendência à responsabilidade baseada na culpa) Influencia na autoria e materialidade Pode estabelecer indenização mínima e fiança para o Cível Juizado EspecialCriminal: pode fazer composição cível 6 http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 22 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa acerca do cumprimento da pena já em segundo grau de jurisdição são irrelevantes para a aplicação do art. 200 do CC/2002, já que o texto legal é expresso em falar em “sentença definitiva”. 3. Distinções entre ilícito civil e administrativo Para além das semelhanças e diferenças entre a responsabilidade civil e a responsabilidade criminal, há ainda a responsabilidade administrativa. Assim como pode haver uma conduta geradora de responsabilidade civil e penal concomitantes, pode ela gerar responsabilidade administrativa. Há, obviamente, conexões entre a responsabilidade penal e a responsabilidade administrativa. Não analisaremos essas conexões, pois fogem do nosso objetivo. Serão elas vistas nessas respectivas áreas. A nós interessa as conexões entre a responsabilidade civil e a responsabilidade administrativa, estabelecida pela CF/1988, pelo CC/2002 e pela Lei 8.112/1990, a lei que trata dos servidores públicos civis – LSP. O art. 125 dessa lei prevê que as sanções civis, penais e administrativas poderão cumular-se, sendo independentes entre si. A rigor, a responsabilidade civil tem relevância na análise dos danos causados pelos agentes públicos no exercício de suas funções. A base está em dois artigos, o art. 43 do CC/2002 e o art. 37, §6º da CF/1988. Diz o art. 43 do CC/2002: As pessoas jurídicas de direito público interno são civilmente responsáveis por atos dos seus agentes que nessa qualidade causem danos a terceiros, ressalvado direito regressivo contra os causadores do dano, se houver, por parte destes, culpa ou dolo. Por outro lado, a redação do art. 37, § 6º da CF/1988 vai um pouco além, além de deixar mais claro os limites de aplicação do dispositivo legal: As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. Veja-se que o CC/2002 não trata das “pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços públicos”; a CF/1988 o faz, de modo a afastar qualquer dúvida sobre a extensão da responsabilidade civil do Estado, que se dá de maneira bastante ampla. A responsabilidade, frise-se, é do Estado, que terá direito de regresso contra o agente público causador do dano, mas apenas nos casos de culpa ou dolo. Trata-se, portanto, de caso de responsabilidade civil objetiva na relação vítima-Estado (seja ela relativa aos usuários ou aos não-usuários do serviço) e de responsabilidade civil subjetiva, na relação Estado-agente público, em linhas gerais. O Estado responde independentemente de culpa, ao passo que ele deve provar a culpa do agente causador do dano, por força de aplicação do referido artigo constitucional. 9 http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 23 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa A relação Estado-agente público fica mais transparente no seu art. 121 da LSP, que estabelece de maneira bem evidente que o servidor público responde civil, penal e administrativamente pelo exercício irregular de suas atribuições. De modo bastante repetitivo a LSP traz a mesma regra do CC/2002 (que reproduz, em grande parte, o art. 15 do CC/1916) e da CF/1988. O art. 122 prevê que a responsabilidade civil do funcionário público decorre de ato omissivo ou comissivo, doloso ou culposo, que resulte em prejuízo ao erário ou a terceiros. Mas não só. Nossa realidade jurídica tipicamente legalista vai repetir, dois artigos depois, a mesma coisa! O art. 124 repisa que a responsabilidade civil- administrativa resulta de ato omissivo ou comissivo praticado no desempenho do cargo ou função. É pra não deixa dúvida! Mas não só (de novo)! O art. 122, §2º diz que houver dano a terceiros, responderá regressivamente o servidor perante o erário. Ufa! É pra não deixar dúvidas meeesmo. O ponto positivo desse artigo é esclarecer que o agente público é responsável pessoalmente pelo ato praticado no desempenho do cargo. Ora, se ele pratica ato ilícito fora do exercício do cargo, será pessoalmente responsável, não se cogitando em responsabilidade regressiva a partir da responsabilidade objetiva do Estado pelo ato. Nos casos de responsabilização por ato praticado no exercício da função, o servidor responde pessoalmente perante a Administração Pública. O §3º do art. 122 ainda deixa claro que a obrigação de reparar o dano estende-se aos sucessores do servidor e contra eles será executada, até o limite do valor da herança recebida. A cobrança estatal seguirá a forma comum, com a obtenção de bens que assegurem a execução do débito pela via judicial. O art. 122, §1º, permite que, no caso de dolo, o Estado possa exercer o direito regressivo de maneira peculiar. Em geral, diz o art. 45, salvo por imposição legal, ou mandado judicial, nenhum desconto incidirá sobre a remuneração ou provento. Igualmente, o vencimento, a remuneração e o provento não serão objeto de arresto, sequestro ou penhora, exceto nos casos de prestação de alimentos resultante de decisão judicial, prevê o art. 48. No entanto, no caso de ato ilícito doloso, a cobrança rege-se pelo art. 46. Nesses casos, o erário previamente comunicada o servidor ativo, aposentado ou o pensionista sobre a indenização a ser cobrada, dando-lhe prazo máximo de 30 dias para pagamento. O servidor pode solicitar o parcelamento do valor. Se solicitado o parcelamento, o §1º, o valor de cada parcela não poderá ser inferior ao correspondente a 10% da remuneração, provento ou pensão. 7 http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 24 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa Relevante é o art. 126 da LSP. Segundo o dispositivo legal, a responsabilidade administrativa do servidor será afastada no caso de absolvição criminal que negue a existência do fato (materialidade) ou sua autoria. Isso é importante para as relações da responsabilidade penal-civil-administrativa. Isso porque o art. 935 do CC/2002 estabelece que não se pode discutir, no cível, a autoria e a existência do fato já decidas no criminal. Assim, se há ação no cível e procedimento administrativo sobre determinado ato, mas, nesse meio tempo, o crime afasta (ou reconhece) a autoria ou a materialidade do fato, tanto no cível quanto no administrativo não poderão mais ser discutidas essas questões. De modo a ajudar no combate à corrupção, a Lei 12.527/2011 inseriu o art. 126- A à LSP. Segundo ele, nenhum servidor poderá ser responsabilizado civil, penal ou administrativamente por dar ciência à autoridade superior ou, quando houver suspeita de envolvimento desta, a outra autoridade competente para apuração de informação concernente à prática de crimes ou improbidade de que tenha conhecimento, ainda que em decorrência do exercício de cargo, emprego ou função pública. Por fim, maiores digressões sobre a Responsabilidade Civil do Estado são vistas com mais propriedade no Direito Administrativo, já que é lá que outras categorias específicas, e necessárias para melhor análise dos institutos, são vistas. Por exemplo, a distinção entre as pessoas jurídicas de direito público, a responsabilidade do Estado por omissão (que é diferente da por ato comissivo), entre tantas outras coisas. Para evitar repetições, que comprometem o seu tempo, e eventualmente contradições, vou deixar para o professor de Administrativo cuidar do “caso”, OK? Vamos adiante, portanto.9.4. Abuso de direito A figura do abuso de direito é velha conhecida da doutrina civilística. Segundo Francisco Amaral, O abuso de direito consiste no uso imoderado do direito subjetivo, de modo a causar dano a outrem. Em princípio, aquele que age dentro do seu direito a ninguém prejudica (neminem laedit qui jure suo utitur). No entanto, o titular do direito subjetivo, no uso desse direito, pode prejudicar terceiros, configurando ato ilícito e sendo obrigado a reparar o dano. O instituto vem previsto especificamente no art. 187, ainda que não com o nome de “abuso de direito”. Diz o dispositivo que também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim socioeconômico, pela boa-fé ou pelos bons costumes. Ou seja, a ilicitude não está na conduta em si, mas no abuso dela. Assim, a edificação de um muro é ato lícito, mas se edificado em altura incompatível com http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 25 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa o razoável, com o intuito manifesto de prejudicar a insolação natural ao prédio vizinho, veremos o abuso do direito de edificar, reputado ilícito pelo art. 187. 2015 – UEPA – PGE/PA – Procurador do Estado Sobre a responsabilidade civil, é correto afirmar que: a) na responsabilidade civil decorrente do abuso de direito o ofensor não pratica ato ilícito, mas apenas se excede no exercício de um direito respaldado em lei. b) de acordo com a jurisprudência predominante do STF, a responsabilidade civil das pessoas jurídicas de direito privado, prestadoras de serviços públicos, é objetiva apenas relativamente a terceiros usuários do serviço; não abrangendo os não-usuários, que devem provar a culpa das concessionárias e/ou permissionárias. c) de acordo com a jurisprudência predominante do STF, a indenização acidentária exclui a de direito comum devida pelo causador do dano resultante de acidente do trabalho, de modo a evitar o bis in idem. d) de acordo com a jurisprudência predominante do STJ, a anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito dá ensejo a indenização por dano moral, mesmo quando preexistente legítima inscrição. e) não é possível ao STJ rever o valor da indenização por danos morais pelas instâncias ordinárias, por aplicação da Súmula nº 7 daquele Tribunal Superior, ressalvadas as hipóteses em que esse valor se mostrar ínfimo ou exagerado. Comentários A alternativa A está incorreta, já que o art. 187 é claro ao dispor que o abuso de direito gera ato ilícito. A alternativa B está incorreta, como vimos anteriormente, já que se entende que a responsabilidade da Administração Pública é objetiva em relação a terceiros, sejam usuários e não-usuários. A alternativa C está incorreta, conforme ficará mais claro na jurisprudência correlata, adiante, pois se tratam de indenizações de fontes diferentes. A alternativa D está incorreta, conforme ficará mais claro na jurisprudência correlata, adiante, já que a anotação prévia, regular ou não, é que causa o dano, sendo que a posterior não acrescenta dano à vítima. A alternativa E está correta, conforme ficará mais claro na jurisprudência correlata, adiante, dado que o próprio STJ excepciona a aplicação da Súmula 7. Por isso, os requisitos para a verificação do abuso de direito são: http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 26 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa No entanto, prevê o art. 188, não constituem atos ilícitos: I - os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido; II - a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de remover perigo iminente. No caso do inc. II, o ato será legítimo somente quando as circunstâncias o tornarem absolutamente necessário, não excedendo os limites do indispensável para a remoção do perigo, pela leitura integral do parágrafo único. 2014 – UFPR – DPE/PR – Defensor Público Estadual A respeito da Responsabilidade Civil no Código Civil de 2002, é correto afirmar: a) Ainda que a responsabilidade por fato de terceiro seja objetiva em relação aos pais, incumbe ao ofendido provar a culpa do filho menor que estiver sob a autoridade ou em companhia daqueles e que seja o causador do dano, com o que estará configurado o dever de indenizar. b) Aquele que requerer em Juízo a busca e apreensão de determinado bem sem necessidade não pratica ato ilícito, uma vez que apenas está exercendo seu direito constitucional de ação. c) Os atos praticados em estado de necessidade são considerados lícitos, razão pela qual não obrigam o seu autor a indenizar o dono da coisa deteriorada ou destruída, mesmo que este não seja culpado pela situação de perigo que motivou a ação. d) O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmitem-se com a herança, sendo ilimitada a responsabilidade do sucessor a título universal. 1. Titularidade do direito pelo agente 2. Exercício excessivo do direito 3. Ultrapassagem dos limites impostos 4. Violação do direito alheio 5. Nexo de causalidade http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 27 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa e) Compreende-se no conceito de dano emergente aquilo que a vítima efetivamente perdeu e o que razoavelmente deixou de ganhar com a ocorrência do fato danoso. Comentários A alternativa A está correta, pela literalidade do art. 933: “As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente, ainda que não haja culpa de sua parte, responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos”. Ou seja, os responsável legais respondem objetivamente, mas não se fala o mesmo sobre os causadores dos danos. A alternativa B está incorreta, visualizando-se, in casu, típico caso de abuso de direito, nos termos do art. 187 A alternativa C está incorreta, dado que o art. 188, incs. I e II limitam a licitude à legítima defesa, ao exercício regular de direito e à destruição de pessoa/coisa para evitar perigo iminente, mas não o estado de necessidade A alternativa D está incorreta, pelo princípio do direito hereditário brasileiro de que as dívidas não atingem os herdeiros quando ultrapassarem as forças da herança. Veremos o abuso de direito se desdobrar em variadas situações específicas, geralmente vinculados ao princípio da boa-fé objetiva, como deixa claro o Enunciado 412 do CJF, que podemos classificar da seguinte maneira: A) Vedação ao comportamento contraditório O venire contra factum proprium foi tema tratado no Direito dos Contratos, pois é lá que sua aplicação é mais evidente. No entanto, já no Direito das Obrigações tratamos dele, em relação ao tema específico do local do pagamento (“Art. 330. O pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renúncia do credor relativamente ao previsto no contrato”). Assim, se alguém age de determinada forma, toma determinada conduta, criando uma expectativa justa outrem, com base na confiança, não pode, posteriormente, agir de maneira contrária. É por isso que o art. 330 proíbe ao credor que reiteradamente recebe em local distinto do contratado pretender cobrar do devedor, posteriormente, no local anteriormente previsto, sem que este concorde. Igualmente, se não comparecer ao local habitual, a mora será sua, e não do devedor que não paga, por esperar pelo credor, sem obter resposta. O STJ, nesse sentido, em repetidas decisões veda o comportamento contraditório, por aplicação dos princípios da confiança e da lealdade, deveres laterais de conduta decorrentes da cláusulageral da boa-fé objetiva. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 28 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa B) Supressão e surgimento A supressio é instituto intimamente ligado à vedação ao comportamento contraditório e à caducidade. Ocorre nas situações nas quais a pessoa não exercita seu exercício em tempo adequado, pelo que o transcurso do tempo torna seu exercício abusivo. A supressio, assim, inibe o exercício de um direito, até então reconhecido, pelo seu não exercício. Não se confunde com a caducidade, apesar da ligação com os institutos da prescrição e da decadência. O mesmo art. 330 serve de exemplo, já que não há prescrição ou decadência em relação à alteração do local do pagamento. Ocorre, porém, que como o titular do direito creditório deixou o tempo fluir sem exercitar o direito de exigir que o devedor realizasse o pagamento no local devido, o exercício, após largo prazo, é abusivo. Suprime-se seu direito, portanto, em outras palavras. Já o surrectio é a outra face da supressão, tratando-se da situação na qual não há direito algum, mas o exercício contrariamente à norma legal ou contratual que gera estabilização daquela relação jurídica para o futuro. A surrectio, assim, é a aquisição de um direito pelo decurso do tempo, pela expectativa legitimamente despertada por ação ou comportamento. O art. 330, igualmente, demonstra o surgimento. Apesar de não ser direito do devedor fazer o pagamento em local diverso do ajustado, sua reiteração faz surgir o direito. C) A ninguém é dado aproveitar-se da própria torpeza O tu quoque, tradicionalmente ligado ao nemo auditur propriam turpitudinem allegans, é, em alguma medida, a expressão civil da perspectiva criminal de que a ninguém é dado alegar o desconhecimento da lei. Assim, não pode a pessoa alegar o desconhecimento de uma situação jurídica justamente para não a observar. Trata-se da surpresa de uma parte por ato injustificado da outra. Ou, em outras palavras, para usar um exemplo tipicamente contratual, não pode um contratante alegar que não leu o contrato para se escusar de cumpri-lo, sob a exata alegação de que não sabia de seu conteúdo. Não pode uma das partes querer que a outra cumpra sua parte sem que tenha previamente cumprido a sua. D) Vedação ao agravamento do prejuízo Conhecido por sua versão anglo-saxônica, o duty to mitigate the loss, igualmente deriva do princípio da boa-fé objetiva e liga-se umbilicalmente ao nemo auditur propriam turpitudinem allegans. Nesse sentido, o credor tem de evitar o próprio prejuízo, tomando medidas judiciais cabíveis para proteger seu http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 29 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa crédito, sendo que posteriormente não pode agravar os prejuízos do devedor ou de terceiros por conta de sua desídia. 2015 – COPS/UEL – PGE/PR – Procurador do Estado Com relação à responsabilidade civil no direito civil brasileiro contemporâneo, é CORRETO afirmar que: A) O abuso do direto pressupõe logicamente a existência do direito, embora o titular se exceda no exercício dos poderes que o integram. Assim, quem alega a ausência de direito não pode validamente alegar a existência de abuso de direito. E quem pretende indenização pelos danos decorrentes do exercício abusivo de direito deve comprovar a culpa neste exercício abusivo de um direito existente. B) Como a responsabilidade civil da Administração Pública é objetiva, não se lhe aplicam as excludentes de responsabilidade por ausência de nexo de causalidade entre a conduta e o dano ou por inexistência de dano. C) Em regra, o fundamento da responsabilidade civil extracontratual no direito brasileiro é uma atuação culposa. Excepcionalmente, poderá haver imputação pelo risco. D) Na responsabilidade civil contratual, a violação de deveres laterais impostos pelo princípio da boa-fé, tais como os deveres mútuos de proteção, lealdade, informação e assistência, não gera o dever de indenizar perdas e danos, mas tão somente a anulação do contrato. E) Nos casos de deferimento judicial de indenização por danos morais decorrentes de ato ilícito, os juros de mora contam-se a partir da citação. Comentários A alternativa A está incorreta, porque o abuso de direito não pressupõe comprovação de culpa, basta demonstrar o excesso, abusivo, como vimos anteriormente. A alternativa B está incorreta, dado que, em que pese se tratar de responsabilidade civil objetiva, seja para a Administração Pública ou não, os excludentes de responsabilidade por exclusão do nexo de causalidade (no caso, a culpa exclusiva da vítima) também se aplicam à espécie. A alternativa C está correta, por aplicação da regra do art. 927 e de seu parágrafo único, vistos na aula passada. A alternativa D está incorreta, como vimos acima, já que a violação desses deveres é abusiva, na forma do art. 187 do CC/2002. A alternativa E está incorreta, como vimos na aula de Direito das Obrigações, por aplicação da Súmula 54 do STJ (“Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em caso de responsabilidade extracontratual”). http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 30 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa Legislação pertinente No que tange aos elementos da aula de hoje, há mais que se falar na jurisprudência, como já fizemos durante a aula, do que da legislação, já que se tratam de temas de legislação aberta, própria à colmatação judicial. Por isso, vamos direto ao próximo item. Na aula que vem, quanto aos Direito Reis, voltarei a tratar da legislação pertinente. Foco! Jurisprudência e Súmulas Correlatas Ainda que o menor seja emancipado voluntariamente pelos pais, a responsabilidade destes se mantém em caso de dano causado por aquele: AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. ATROPELAMENTO. LESÕES CORPORAIS. INCAPACIDADE. DEVER DE INDENIZAR. REEXAME DE MATÉRIA DE FATO. REVISÃO DO VALOR DA INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL. PENSÃO MENSAL. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. CUMULAÇÃO. POSSIBILIDADE. JULGAMENTO ULTRA PETITA. OCORRÊNCIA. RESPONSABILIDADE CIVIL DOS PAIS. EMANCIPAÇÃO. A emancipação voluntária, diversamente da operada por força de lei, não exclui a responsabilidade civil dos pais pelos atos praticados por seus filhos menores (AgRg no Ag 1239557/RJ, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 09/10/2012, DJe 17/10/2012). Veja que esse posicionamento do STJ vem de longa data, ou seja, a Corte mantém o entendimento de que a emancipação voluntária dos pais não têm o condão de eximir-lhes de indenizar pelos atos praticados pelos filhos: Responsabilidade civil. Pais. Menor emancipado. A emancipação por outorga dos pais não exclui, por si só, a responsabilidade decorrente de atos ilícitos do filho. (REsp 122.573/PR, Rel. Ministro EDUARDO RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 23/06/1998, DJ 18/12/1998, p. 340). Ainda que o menor possa ser responsabilizado pelos danos causados, diretamente, de maneira subsidiária e mitigada, por força do art. 928 do CC/2002, não há litisconsórcio necessário na lide, mas apenas litisconsórcio facultativo simples, opcional ao autor da ação: DIREITO CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL POR FATO DE OUTREM - PAIS PELOS ATOS PRATICADOS PELOS FILHOS MENORES. ATO ILÍCITO COMETIDO POR MENOR. RESPONSABILIDADE CIVIL MITIGADA E SUBSIDIÁRIA DO INCAPAZ PELOS SEUS ATOS (CC, ART. 928). LITISCONSÓRCIO NECESSÁRIO. INOCORRÊNCIA. A responsabilidade http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br31 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa civil do incapaz pela reparação dos danos é subsidiária e mitigada (CC, art. 928). Não há litisconsórcio passivo necessário, pois não há obrigação - nem legal, nem por força da relação jurídica (unitária) - da vítima lesada em litigar contra o responsável e o incapaz. É possível, no entanto, que o autor, por sua opção e liberalidade, tendo em conta que os direitos ou obrigações derivem do mesmo fundamento de fato ou de direito (CPC,73, art. 46, II) intente ação contra ambos - pai e filho -, formando-se um litisconsórcio facultativo e simples. O art. 932, I do CC ao se referir a autoridade e companhia dos pais em relação aos filhos, quis explicitar o poder familiar (a autoridade parental não se esgota na guarda), compreendendo um plexo de deveres como, proteção, cuidado, educação, informação, afeto, dentre outros, independentemente da vigilância investigativa e diária, sendo irrelevante a proximidade física no momento em que os menores venham a causar danos (REsp 1436401/MG, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 02/02/2017, DJe 16/03/2017). O STJ já definiu que o fato de o menor não residir com um dos genitores não configura, por si só, causa excludente de responsabilidade civil do genitor que não reside com o menor: DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL INDIRETA DOS PAIS PELOS ATOS DOS FILHOS. EXCLUDENTES. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. O fato de o menor não residir com o(a) genitor(a) não configura, por si só, causa excludente de responsabilidade civil. Há que se investigar se persiste o poder familiar com todas os deveres/poderes de orientação e vigilância que lhe são inerentes (AgRg no AREsp 220.930/MG, Rel. Ministro SIDNEI BENETI, TERCEIRA TURMA, julgado em 09/10/2012, DJe 29/10/2012). No entanto, o mesmo STJ reconhece que, em determinadas situações, excepcionalmente, o fato de o genitor não deter a guarda e habitar em local diverso, inclusive em município diferente, pode ensejar o afastamento da responsabilidade deste genitor: RESPONSABILIDADE CIVIL DOS PAIS PELOS ATOS ILÍCITOS DE FILHO MENOR - PRESUNÇÃO DE CULPA - LEGITIMIDADE PASSIVA, EM SOLIDARIEDADE, DO GENITOR QUE NÃO DETÉM A GUARDA - POSSIBILIDADE - NÃO OCORRÊNCIA IN CASU - RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. Como princípio inerente ao pátrio poder ou poder familiar e ao poder-dever, ambos os genitores, inclusive aquele que não detém a guarda, são responsáveis pelos atos ilícitos praticados pelos filhos menores, salvo se comprovarem que não concorreram com culpa para a ocorrência do dano. Essa realidade, narrada no voto vencido do v. acórdão recorrido, é situação excepcional que isenta o genitor, que não detém a guarda e não habita no mesmo domicílio, de responder solidariamente pelo ato ilícito cometido pelo menor, ou seja, deve ser considerado parte ilegítima (REsp 777.327/RS, Rel. Ministro MASSAMI UYEDA, TERCEIRA TURMA, julgado em 17/11/2009, DJe 01/12/2009). Mas, como se pode afastar essa responsabilidade? Segundo o STJ, deve o genitor que pretende ver excluída sua responsabilidade participar da lide, permitindo-se-lhe o contraditório e a ampla defesa: RECURSO ESPECIAL - RESPONSABILIDADE CIVIL - INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS - RESPONSABILIDADE CIVIL DOS PAIS PELOS DANOS CAUSADOS POR FILHOS MENORES DE IDADE - EXCLUSÃO - POSSIBILIDADE - COMPROVAÇÃO DE QUE NÃO CONCORREU COM CULPA NA REALIZAÇÃO DO EVENTO DANOSO - PRECEDENTES - NECESSIDADE DE PRÉVIA PARTICIPAÇÃO E MANIFESTAÇÃO NA LIDE INDENIZATÓRIA DO http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 32 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa GENITOR SEPARADO E SEM GUARDA - LEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM - IDENTIFICAÇÃO - HOMENAGEM AO CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA. A jurisprudência desta Corte Superior caminha no sentido de que é possível, ao genitor, ainda que separado e sem o exercício da guarda, eximir-se da responsabilidade civil de ilícito praticado por filhos menores, se comprovado que não concorreu com culpa na ocorrência do dano. Precedentes. Contudo, para tanto, é mister que o genitor separado e sem a guarda, participe da lide, em homenagem à ampla defesa e ao contraditório, momento em que será possível, ao genitor, comprovar se, para a ocorrência do evento danoso, agiu com culpa (REsp 1146665/PR, Rel. Ministro MASSAMI UYEDA, TERCEIRA TURMA, julgado em 22/11/2011, DJe 12/12/2011). Se o filho biológico, menor, deixa de residir com o genitor, não se pode falar em dano material pela morte dele, já que não contribuía economicamente com os pais, mas não se afasta o dano moral, pois, a despeito de não estar mais com eles, há evidente laço que, rompido com o falecimento, gera abalo moral quantificável: RESPONSABILIDADE CIVIL. MORTE DE FILHO MENOR DE IDADE. EXCEPCIONALIDADE DO CASO CONCRETO. RELAÇÃO AFETIVA CONTROVERSA ENTRE VÍTIMA E AUTORA. MENOR INSERIDO EM FAMÍLIA DIVERSA COMO SE FILHO FOSSE. CONSEQUÊNCIAS DO ILÍCITO PARA OS RÉUS. RELEVÂNCIA NA DOSIMETRIA DA CONDENAÇÃO. DANO MATERIAL. PENSÃO MENSAL. NÃO-CABIMENTO. AUSÊNCIA DE DEPENDÊNCIA FINANCEIRA SEQUER PRESUMIDA. A autora, mãe biológica do menor vítima de homicídio culposo, ajuizou ação de indenização em face de casal que - reconhecidamente, tanto pela sentença de improcedência, quanto pelo acórdão que a reformou -, acolheu o menor em sua residência como se filho fosse. Em razão de o filho biológico do casal réu ter desferido, acidentalmente, o disparo de arma de fogo que ceifou a vida do filho biológico da autora, pretende esta indenização por danos morais e materiais. A jurisprudência da Casa é uníssona em afirmar que, cuidando-se de família de baixa renda, a colaboração do menor trabalhador é presumida. Porém, tal presunção não se sustenta se a realidade dos autos indicar que a vítima, além de não conviver com a autora, não lhe prestava nenhuma ajuda financeira, circunstância a revelar que o infortúnio não causou à autora nenhuma redução patrimonial, tampouco lucros cessantes. Afasta-se, portanto, o dano material. Se, por um lado, a autora se distanciou de seu filho biológico nos últimos dois anos de sua vida, não é menos verdade que durante os outros nove anos o menor com ela conviveu, não sendo possível afirmar-se que inexistiu dor moral decorrente da perda precoce do seu filho. Com efeito, muito embora a legitimidade para pleitear-se indenização por danos morais, decorrentes de morte, tenha tido como pressuposto o grau de parentesco entre a vítima e o requerente, tal solução não é destituída de causa. Em realidade, a depender do grau de parentesco, presume-se a existência de laços afetivos sólidos, cujo rompimento em razão da morte do querido ente gera sofrimento indenizável. Destarte, mostra-se relevante à determinação da legitimidade para receber indenização por dano moral, em última análise, e sobretudo, os laços afetivos entre a vítima, em vida, e o autor da ação, cuja existência é presumida em parentes próximos, porquanto nesses casos os fatos tidos por danosos, de regra, conseguem ingressar na esfera da dignidade da pessoa, causando-lhe abalo moral (REsp 866.220/BA, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 17/08/2010, DJe 13/09/2010). Se o menor se afoga na piscina do clube, aguardando os pais o buscarem após suas atividades, há responsabilidade da pessoa jurídica, presumindo- se sua culpa. Pode ela afastar seu dever de indenizar, provando que não agiu culposamente. Igualmente, nesses casos não se pode alegar culpa concorrente http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 33 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa dos pais, porque a associação aceitoutacitamente o dever de guarda dos menores: RECURSOS ESPECIAIS. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. FALECIMENTO DE MENOR IMPÚBERE VÍTIMA DE AFOGAMENTO EM PISCINA DE CLUBE ASSOCIATIVO. CULPA IN VIGILANDO. RESPONSABILIDADE CONCORRENTE DOS PAIS. NÃO OCORRÊNCIA. PENSIONAMENTO AOS PAIS. FIXAÇÃO DO TERMO FINAL. DATA EM QUE A VÍTIMA COMPLETARIA 65 ANOS DE IDADE, SOB PENA DE JULGAMENTO ULTRA PETITA, ASSEGURADO O DIREITO DE ACRESCER. RECURSO ESPECIAL DA RÉ DESPROVIDO E PROVIDO PARCIALMENTE O DOS AUTORES. Tratando-se de acidentes em piscinas, poços, lagos e afins, em princípio, a responsabilidade de quem explora esse tipo de atividade é presumida, embora decorra da existência de conduta culposa, ou seja, proveniente da responsabilidade subjetiva, a qual só poderá ser elidida mediante a comprovação de alguma situação excludente prevista na lei, como motivo de força maior, fato de terceiro ou fato exclusivo da vítima. Diversamente, a partir do momento em que a associação recreativa permitiu que os pais deixassem os filhos menores impúberes na portaria do clube para frequentar as aulas na escolinha de futebol - o que inclusive se tornou corriqueiro -, aceitou a incumbência de guarda sobre eles, surgindo, em contrapartida, para ela o dever de zelar por sua incolumidade física ou demonstrar que, se não o fez, foi por algum motivo que escapou ao seu controle, a fim de tornar evidente que não incorreu em falta de vigilância ou não agiu com culpa. Na hipótese, não deve ser acolhida a alegação de culpa concorrente dos pais, o que importaria em redução do valor da indenização, haja vista que, tendo havido a aceitação tácita por parte da associação do dever de guarda dos filhos dos autores, reside nesse fato o elemento ontológico da responsabilidade, o qual se sobrepõe à eventual ausência dos pais no momento do trágico incidente, como causa direta e imediata do dano (REsp 1346320/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 16/08/2016, DJe 05/09/2016). Se o menor foge do hospital e, por isso, sofre agravamento de sua doença e vem a morrer, há responsabilidade do nosocômio em concorrência com a responsabilidade dos pais, aquele por não exercer seu dever de guarda adequadamente, e estes pela atitude negligente dos pais após a fuga do menor: RECURSO ESPECIAL. CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL. PRESCRIÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. FUGA DE PACIENTE MENOR DE ESTABELECIMENTO HOSPITALAR. AGRAVAMENTO DA DOENÇA. MORTE SUBSEQUENTE. NEXO DE CAUSALIDADE. CONCORRÊNCIA DE CULPAS. RECONHECIMENTO. REDUÇÃO DA CONDENAÇÃO. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. As circunstâncias invocadas pelas instâncias ordinárias levaram a que concluíssem que a causa direta e determinante do falecimento do menor fora a omissão do hospital em impedir a evasão do paciente menor, enquanto se encontrava sob sua guarda para tratamento de doença que poderia levar à morte. Contudo, não se pode perder de vista sobretudo a atitude negligente dos pais após a fuga do menor, contribuindo como causa direta e também determinante para o trágico evento danoso. Está-se, assim, diante da concorrência de causas, atualmente prevista expressamente no art. 945 do Código Civil de 2002, mas, há muito, levada em conta pela doutrina e jurisprudência pátrias (REsp 1307032/PR, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 18/06/2013, DJe 01/08/2013). Apesar de, em regra, o proprietário do veículo ser também responsável pelos danos causados a terceiros, ainda que ele não seja o motorista causador do dano, no caso de alienação do veículo, mesmo que não registrada devidamente, essa regra não se aplica: http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 34 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa STJ Súmula 132 05/05/1995 A ausência de registro da transferência não implica a responsabilidade do antigo proprietário por dano resultante de acidente que envolva o veiculo alienado. A Súmula 221 anda sendo revista por conta de sua aplicabilidade, ao menos em tese, às publicações online, especialmente por conta das regras do Marco Civil da Internet. De qualquer forma, ela estabelece a responsabilidade conjunta do autor e do veículo de publicação de escrito. Veja: STJ Súmula 221 26/05/1999 São civilmente responsáveis pelo ressarcimento de dano, decorrente de publicação pela imprensa, tanto o autor do escrito quanto o proprietário do veículo de divulgação. Caso seja fixada indenização por acidente automobilístico, a vítima terá descontados os valores recebidos a título de DPVAT: STJ Súmula 246 17/04/2001 O valor do seguro obrigatório deve ser deduzido da indenização judicialmente fixada. Mesmo que não esteja adimplente em relação ao DPVAT, a vítima de acidente automobilístico faz jus ao recebimento da indenização, o que parece contrariar a regra do contrato de seguro (que no caso do DPVAT é obrigatório). Porém, essa regra se fixou por analogia ao recebimento do seguro mesmo por pessoas que não o pagam, não porque inadimplentes, mas simplesmente porque não têm dever legal de fazê-lo, como é o caso dos pedestres: STJ Súmula 257 29/08/2001 A falta de pagamento do prêmio do seguro obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT) não é motivo para a recusa do pagamento da indenização. A indenização do DPVAT deve ser paga de maneira proporcional, em caso de invalidez também proporcional: STJ Súmula 474 19/06/2012 A indenização do seguro DPVAT, em caso de invalidez parcial do beneficiário, será paga de forma proporcional ao grau da invalidez. Em caso de dano causado por acidente de trabalho, o prazo prescricional para que se busque a indenização se estabelece a partir da data na qual o segurado teve ciência inequívoca de sua incapacidade para o trabalho. Isso porque, como é sabido, o INSS não é lá muito rápido para dar resposta sobre os benefícios trabalhistas (in)deferidos: http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 35 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa STJ Súmula 278 16/06/2003 O termo inicial do prazo prescricional, na ação de indenização, é a data em que o segurado teve ciência inequívoca da incapacidade laboral. A jurisprudência brasileira tem firme entendimento quanto ao cabimento de indenização por dano moral no caso de inscrição indevida em órgão de proteção ao crédito. Há, inclusive, entendimento consolidado de que esse dano é in re ipsa, ou seja, dispensa a prova do dano (o consumidor não precisa provar qualquer violação a direito de personalidade ou que efetivamente tenha “sofrido” ou passado por situações vexatórias); basta provar que a inscrição é indevida. No entanto, caso já existe outra inscrição (devida ou não), a inscrição feita indevidamente não gera dano moral indenizável, já que não se verifica dano que deve ser reparado: STJ Súmula 385 08/06/2009 Da anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, não cabe indenização por dano moral, quando preexistente legítima inscrição, ressalvado o direito ao cancelamento. Veja-se que, feito o pagamento, a responsabilidade pela baixa do protesto é do consumidor, pelo que a manutenção da inscrição isenta o fornecedor do dever de indenizar. Por outro lado, a exclusão do nome do consumidor de cadastro de restrição de crédito deve ocorrer em 5 dias, contados do pagamento. Não o fazendo, a inscrição torna-se indevida, e a empresa passa a se responsabilizar pelo dano moral eventualmente causado: STJ Súmula 548 19/10/2015 Incumbe ao credor a exclusão do registro da dívida em nome do devedor no cadastro de inadimplentes no prazo de cinco diasúteis, a partir do integral e efetivo pagamento do débito. Fora das hipóteses do DPVAT, no caso de seguro automobilístico facultativo, a vítima do evento danoso não pode manejar a ação de indenização em face da seguradora do causador do dano, direta e exclusivamente: STJ Súmula 529 18/05/2015 No seguro de responsabilidade civil facultativo, não cabe o ajuizamento de ação pelo terceiro prejudicado direta e exclusivamente em face da seguradora do apontado causador do dano. Hábito pernicioso e, infelizmente, habitual, das operadoras de cartão de enviar cartões sem prévia solicitação do consumidor constitui ato ilícito passível de indenização: STJ Súmula 532 08/06/2015 http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 36 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa Constitui prática comercial abusiva o envio de cartão de crédito sem prévia e expressa solicitação do consumidor, configurando-se ato ilícito indenizável e sujeito à aplicação de multa administrativa. Para cadastrar o consumidor nos órgãos restritivos de crédito é necessário enviar previamente comunicação ao endereço fornecido pelo credor, sem que seja necessária a prova do efetivo recebimento da carta mediante aviso de recebimento: REPETITIVO. CADASTRO. CRÉDITO. AR. Os órgãos mantenedores de cadastros de proteção ao crédito cumprem o dever estabelecido no art. 43, § 2º, do CDC (notificação prévia da inscrição) pela comprovação do envio de correspondência ao devedor no endereço fornecido pelo credor, sem que seja necessária a prova do efetivo recebimento da carta mediante aviso de recebimento (AR). Esse entendimento foi reafirmado pela Seção no julgamento de recurso repetitivo (art. 543-C do CPC). Precedentes citados: AgRg no Ag 1.019.370-RJ, DJe 23/6/2008; AgRg no Ag 833.769-RS, DJ 12/12/2007; REsp 893.069-RS, DJ 31/10/2007; REsp 1.065.096-RS, DJe 23/9/2008, e AgRg no Ag 727.440-RJ, DJe 17/6/2009. REsp 1.083.291-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 9/9/2009. Porém, segundo a Súmula 404, desnecessário que a notificação seja acompanhada de aviso de recebimento (AR): É dispensável o aviso de recebimento (AR) na carta de comunicação ao consumidor sobre a negativação de seu nome em bancos de dados e cadastros. De qualquer forma, se for enviada comunicação a endereço diverso do informado claramente pelo próprio consumidor, há dano moral indenizável: RECURSO ESPECIAL. CONSUMIDOR. CADASTRO DE DEVEDORES INADIMPLENTES. DEVER DE NOTIFICAÇÃO PRÉVIA. ENDEREÇO INCORRETO DO DEVEDOR. DISTINÇÃO EM FACE DE RECURSO REPETITIVO. DEFEITO DO SERVIÇO. DANO MORAL. Demanda indenizatória movida por consumidor que teve seu nome incluído no SPC sem prévia notificação, tendo sido a comunicação enviada para endereço incorreto. Dever legal do arquivista de notificar o consumidor antes de inclusão em cadastro no endereço informado pelo credor (Resp 1.083.291/RS, afetado ao rito dos recursos repetitivos). Mantenedor de cadastro que não está obrigado, em regra, a investigar a veracidade das informações prestadas pelo credor. Inaplicabilidade do precedente ao caso, em face de prévia comunicação enviada pelo consumidor ao órgão mantenedor do cadastro para que futuras notificações fossem remetidas a endereço por ele indicado ante a existência de fraudes praticadas com seu nome (REsp 1620394/SP, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 15/12/2016, DJe 06/02/2017). O STJ já definiu que as instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno quando de fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias: STJ Súmula 479 http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 37 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa As instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias. Essa responsabilidade se alastra, inclusive, nos casos de saques fraudulentos: O banco deve compensar os danos morais sofridos por consumidor vítima de saque fraudulento que, mesmo diante de grave e evidente falha na prestação do serviço bancário, teve que intentar ação contra a instituição financeira com objetivo de recompor o seu patrimônio, após frustradas tentativas de resolver extrajudicialmente a questão. (AgRg no AREsp 395.426 -DF, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Rel. para acórdão Marco Buzzi, 4ª Turma, julgado em 15/10/2015). A Súmula 492 do STF já definia, desde 1969, que a empresa que loca veículos responde pelos danos causados pelo locatário. Essa responsabilidade, inclusive, é solidária: STF Súmula 492 A empresa locadora de veículos responde, civil e solidariamente com o locatário, pelos danos por este causados a terceiro, no uso do carro locado. A indenização acidentária não exclui a indenização ordinária, caso se verifique dolo ou culpa grave (que se avizinha ao dolo criminal) do empregador, dadas as origens diferentes de ambas: Súmula 229 A indenização acidentária não exclui a do direito comum, em caso de dolo ou culpa grave do empregador. O STJ, ainda na vigência do CC/1916, já dispunha que há responsabilidade do condomínio pela queda de objetos causadores de dano quando não é possível identificar qual unidade os lançou: RESPONSABILIDADE CIVIL. OBJETOS LANÇADOS DA JANELA DE EDIFÍCIOS. A REPARAÇÃO DOS DANOS É RESPONSABILIDADE DO CONDOMÍNIO. A impossibilidade de identificação do exato ponto de onde parte a conduta lesiva, impõe ao condomínio arcar com a responsabilidade reparatória por danos causados à terceiros. Inteligência do art. 1.529, do Código Civil Brasileiro. (REsp 64.682/RJ, Rel. Ministro BUENO DE SOUZA, QUARTA TURMA, julgado em 10/11/1998, DJ 29/03/1999, p. 180). A presença de animal na pista gera para a concessionária de serviços rodoviários o dever de indenizar, de forma objetiva, pela morte de motorista que se choca com animal na rodovia: RESPONSABILIDADE CIVIL. ACIDENTE. É cediço que, segundo a jurisprudência deste Superior Tribunal, as concessionárias de serviços rodoviários, nas suas relações com os usuários da estrada, estão subordinadas ao CDC. Dessa forma, a presença de animal na pista coloca em risco a segurança dos usuários da rodovia, devendo a concessionária http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 38 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa responder, de forma objetiva, pela morte de motociclista que se chocou com animal na rodovia. Com esse entendimento, a Turma não conheceu do recurso da concessionária, no qual se defendia a denunciação à lide do DNER para reparação dos danos, afirmando ser da autarquia a responsabilidade de patrulhar a rodovia para apreensão de animais soltos, e confirmou o acórdão recorrido que decidiu descaber a denunciação à lide. Precedentes citados: REsp 647.710-RJ, DJ 30/6/2006; AgRg no Ag 522.022-RJ, DJ 5/4/2004, e REsp 467.883-RJ, DJ 1º/9/2003. REsp 573.260-RS, Rel. Min. Aldir Passarinho Junior, julgado em 27/10/2009. Já o Estado responde subjetivamente pela presença de animais na pista que causam dano, mormente por aplicação do dever de fiscalização deficiente, de especial modo em regiões com trânsito frequente de animais: RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE RESPONSABILIDADE CIVIL. ACIDENTE DE TRÂNSITO. DANOS MATERIAIS E MORAIS. ANIMAL QUE SE ENCONTRAVA EM RODOVIA ESTADUAL. LEGITIMIDADE PASSIVA DO ESTADO. RESPONSABILIDADE SUBJETIVA. DEVER DE FISCALIZAÇÃO. OMISSÃO INEXISTENTE. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA AFASTADA. Há responsabilidadesubjetiva do Estado que, por omissão, deixa de fiscalizar rodovia estadual com trânsito freqüente de animais, contribuindo para a ocorrência do acidente (REsp 1173310/RJ, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/03/2010, DJe 24/03/2010). Em que pese seja uníssono na jurisprudência a impossibilidade de costume contra legem, há o hábito na realidade social brasileira de se utilizar do cheque, título de crédito compensável à vista, para pagamentos à prazo. Não se veda ao credor fazê-lo, ainda que o costume social determine que aguarde; no entanto, ao fazê-lo, causa dano moral, indenizável, que, segundo o STJ, sequer necessita de prova do dano: AGRAVO REGIMENTAL - RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS EM RAZÃO DA APRESENTAÇÃO ANTECIPADA DE CHEQUE PRÉ-DATADO, ENSEJANDO A INSCRIÇÃO DO NOME DO EMITENTE NO BANCO CENTRAL - PROCEDÊNCIA - PROVA DO DANO - DESNECESSIDADE - INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N. 83/STJ - QUANTUM INDENIZATÓRIO - RAZOABILIDADE - RECURSO IMPROVIDO (AgRg no REsp 1222180/AL, Rel. Ministro MASSAMI UYEDA, TERCEIRA TURMA, julgado em 26/04/2011, DJe 11/05/2011). Pode sofrer pessoa jurídica de direito público dano moral? Segundo o STJ, não, por subversão à lógica dos danos e pela possibilidade de subversão da ordem democrática: DIREITO CIVIL-CONSTITUCIONAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. INFORMAÇÕES VEICULADAS EM REDE DE RÁDIO E TELEVISÃO. AÇÃO INDENIZATÓRIA POR DANO MORAL AJUIZADA POR MUNICÍPIO CONTRA O PARTICULAR. IMPOSSIBILIDADE. DIREITOS FUNDAMENTAIS. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO. RECONHECIMENTO LIMITADO. Em razão disso, de modo geral, a doutrina e jurisprudência nacionais só têm reconhecido às pessoas jurídicas de direito público direitos fundamentais de caráter processual ou relacionados à proteção constitucional da autonomia, prerrogativas ou competência de entidades e órgãos públicos, ou seja, direitos oponíveis ao próprio Estado e não ao particular. Porém, ao que se pôde pesquisar, em se tratando de direitos fundamentais de natureza material pretensamente oponíveis contra particulares, a jurisprudência do http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 39 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa Supremo Tribunal Federal nunca referendou a tese de titularização por pessoa jurídica de direito público. No caso em exame, o reconhecimento da possibilidade teórica de o município pleitear indenização por dano moral contra o particular constitui a completa subversão da essência dos direitos fundamentais, não se mostrando presente nenhum elemento justificador do pleito, como aqueles apontados pela doutrina e relacionados à defesa de suas prerrogativas, competência ou alusivos a garantias constitucionais do processo. Pretende- se a responsabilidade de rede de rádio e televisão local por informações veiculadas em sua programação que, como alega o autor, teriam atingido a honra e a imagem da própria Municipalidade. Tal pretensão representa real ameaça a centros nervosos do Estado Democrático de Direito, como a imprensa livre e independente, ameaça que poderia voltar- se contra outros personagens igualmente essenciais à democracia. A Súmula n. 227/STJ constitui solução pragmática à recomposição de danos de ordem material de difícil liquidação - em regra, microdanos - potencialmente resultantes do abalo à honra objetiva da pessoa jurídica. Cuida-se, com efeito, de resguardar a credibilidade mercadológica ou a reputação negocial da empresa, que poderiam ser paulatinamente fragmentadas por violações a sua imagem, o que, ao fim e ao cabo, conduziria a uma perda pecuniária na atividade empresarial. Porém, esse cenário não se verifica no caso de suposta violação à imagem ou à honra - se existente - de pessoa jurídica de direito público (REsp 1258389/PB, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 17/12/2013, DJe 15/04/2014). É necessário provar o dano em caso de violação ao direito de imagem, com uso comercial sem autorização? A jurisprudência assentada do STJ diz que não, já que a obrigação da reparação decorre do próprio uso indevido do direito personalíssimo, não havendo de cogitar-se da prova da existência de prejuízo ou dano: DIREITO À IMAGEM. CORRETOR DE SEGUROS. NOME E FOTO. UTILIZAÇÃO SEM AUTORIZAÇÃO. PROVEITO ECONÔMICO. DIREITOS PATRIMONIAL E EXTRAPATRIMONIAL. LOCUPLETAMENTO. DANO. PROVA. DESNECESSIDADE. O direito à imagem reveste-se de duplo conteúdo: moral, porque direito de personalidade; patrimonial, porque assentado no princípio segundo o qual a ninguém é lícito locupletar-se à custa alheia. A utilização da imagem de cidadão, com fins econômicos, sem a sua devida autorização, constitui locupletamento indevido, ensejando a indenização. Em se tratando de direito à imagem, a obrigação da reparação decorre do próprio uso indevido do direito personalíssimo, não havendo de cogitar-se da prova da existência de prejuízo ou dano. O dano é a própria utilização indevida da imagem, não sendo necessária a demonstração do prejuízo material ou moral (REsp 267.529/RJ, Rel. Ministro SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA, QUARTA TURMA, julgado em 03/10/2000, DJ 18/12/2000, p. 208). O art. 935 é claro ao dispor que não se pode “questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal”. No entanto, o STJ entende que, apesar de comprovada a autoria no juízo criminal, pode o juízo cível reconhecer a culpa concorrente da vítima, reduzindo a indenização. Isso porque a questão da culpa concorrente não é, a rigor, e em regra, relevante para a imposição da pena (ainda que possa sê-lo na dosimetria da pena), mas relevantíssima para a fixação do quantum indenizatório: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. MORTE POR DISPARO DE ARMA DE FOGO. CONDENAÇÃO POR HOMICÍDIO CULPOSO NA ESFERA CRIMINAL. SENTENÇA QUE TORNA CERTO O DEVER DE INDENIZAR. POSSIBILIDADE DE O http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 40 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa JUÍZO CIVIL RECONHECER A CULPA CONCORRENTE. PRECEDENTES DO STJ. VÍTIMA QUE PRATICA FURTO EM PROPRIEDADE ALHEIA NO MOMENTO EM FOI ALVEJADA POR TIRO. RELEVÂNCIA DA CONDUTA DA VÍTIMA. CIRCUNSTÂNCIA QUE INTERFERE DECISIVAMENTE NA FIXAÇÃO DA INDENIZAÇÃO. PENSÃO CIVIL. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. Apesar da impossibilidade de discussão sobre os fatos e sua autoria, nada obsta que o juízo cível, após o exame dos autos e das circunstâncias que envolveram as condutas do autor e da vítima, conclua pela existência de concorrência de culpa em relação ao evento danoso (REsp 1354346/PR, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 17/09/2015, DJe 26/10/2015). O STJ já fixou há tempos o entendimento de que o dono da obra responde solidariamente com o empreiteiro pelos danos causados pela ruína, em caso de empreitada (o art. 937 limita a responsabilidade ao dono do imóvel quando não se fala em garantia pela empreitada): Responsabilidade civil. Desabamento de muro. Responsabilidade do dono do imóvel e do empreiteiro. Prova do dano moral. Precedentes da Corte. Do mesmo modo, precedente da Corte já assentou que o "proprietário da obra responde, solidariamente com o empreiteiro, pelos danos que a demolição de prédio causa no imóvel vizinho" (REsp 180.355/SP, Rel. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO, TERCEIRA TURMA, julgado em 14/10/1999, DJ 06/12/1999, p. 84). O mero soar de alarme em estabelecimento comercial não gera dano moral, automaticamente, segundo o STJ: CIVIL E PROCESSUAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ALARME SONORO. DISPARO. DANO MORAL. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 7DO STJ. TESE DO RECURSO CONTRÁRIA À JURISPRUDÊNCIA DO STJ. A alegação de que o mero soar de alarme em estabelecimento comercial geraria dano moral não encontra amparo na jurisprudência desta Corte Superior (STJ - AgRg no AREsp: 291760 MG 2013/0025555-0, Relator: Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, Data de Julgamento: 14/05/2013, T4 - QUARTA TURMA, Data de Publicação: DJe 22/05/2013). O mero travamento da porta giratória com detector de metais não gera dano moral, automaticamente, segundo o STJ: RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS MORAIS. POLICIAL MILITAR. TRAVAMENTO DE PORTA GIRATÓRIA DE BANCO. DISPOSITIVO DE SEGURANÇA. ATO LÍCITO. EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO. É obrigação da instituição financeira promover a segurança de seus clientes, constituindo-se em exercício regular de direito a utilização de porta giratória com detector de objetos metálicos. Não caracteriza ato ilícito passível de indenização por dano moral o simples travamento da porta giratória na passagem de policial militar armado, ainda que fardado (REsp 1444573/SP, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Rel. p/ Acórdão Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, TERCEIRA TURMA, julgado em 04/09/2014, DJe 17/09/2014). O STJ entende que as ações de indenização por danos morais perpetrados pelos agentes do Estado ocorridas durante o regime militar de exceção são imprescritíveis, dada a gravidade da violação havida: http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 41 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. PERSEGUIÇÃO POLÍTICA OCORRIDA DURANTE O REGIME MILITAR. IMPRESCRITIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ART. 1º DO DECRETO 20.910/1932. PRECEDENTES. ACUMULAÇÃO DE REPARAÇÃO ECONÔMICA COM INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM. PROSEGUIMENTO DO JULGAMENTO QUANTO AO MÉRITO. A jurisprudência do STJ é pacificada no sentido de que a prescrição quinquenal, disposta no art. 1º do Decreto 20.910/1932, é inaplicável aos danos decorrentes de violação de direitos fundamentais, que são imprescritíveis, principalmente quando ocorreram durante o Regime Militar, época na qual os jurisdicionados não podiam deduzir a contento suas pretensões. Ressalte-se que a afronta aos direitos básicos da pessoa humana, como a proteção da sua dignidade lesada pela tortura e prisão por delito de opinião durante o Regime Militar de exceção, enseja ação de reparação ex delicto imprescritível e ostenta amparo constitucional no art. 8.º, § 3º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. O Supremo Tribunal Federal já reconheceu, em hipótese similar à dos autos, a inexistência de violação ao art. 97 da CF/88 quando o acórdão recorrido entendeu inaplicável o prazo prescricional estabelecido no art. 1º do Decreto 20.910/1932. A Lei 10.559/2002 proíbe a acumulação de: a) reparação econômica em parcela única com reparação econômica em prestação continuada (art. 3º, § 1º); b) pagamentos, benefícios ou indenizações com o mesmo fundamento, facultando-se ao anistiado político, nesta hipótese, a escolha da opção mais favorável (art. 16). Inexiste vedação para a acumulação da reparação econômica com indenização por danos morais, porquanto se trata de verbas indenizatórias com fundamentos e finalidades diversas: aquela visa à recomposição patrimonial (danos emergentes e lucros cessantes), ao passo que esta tem por escopo a tutela da integridade moral, expressão dos direitos da personalidade. Recurso Especial parcialmente provido (REsp 1664760/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/06/2017, DJe 30/06/2017). O Enunciado 37 da I Jornada de Direito Civil do CJF esclarece que a responsabilidade civil decorrente de abuso de direito é objetiva, independente de comprovação de culpa: Enunciado 37 A responsabilidade civil decorrente do abuso do direito independe de culpa, e fundamenta- se somente no critério objetivo-finalístico. Questões Questões sem comentários http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 42 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa As questões abaixo foram tratadas ao longo da aula. Na sequência, estão elas sem comentários, secas, para você acompanhar. Adiante, estarão os gabaritos dessas questões e, ao final, os comentários: 2016 – FAURGS – TJ/RS – Juiz Estadual Substituto Sobre a reparação de danos, é correto afirmar que a) apenas a culpa concorrente da vítima é admitida como causa de redução da indenização pelo Código Civil, constituindo exceção ao princípio da reparação integral. b) se adota, segundo entendimento majoritário, a teoria do risco integral como fundamento da imputação de responsabilidade, independente de culpa em razão de atividade de risco (artigo 927, parágrafo único). c) todos os membros de um grupo, pela adoção da teoria da causalidade alternativa, podem ser responsabilizados, quando não seja possível determinar, dentre eles, quem deu causa à lesão. d) a responsabilidade pelo fato do animal é independente de culpa do seu dono ou detentor, não podendo ser afastada mesmo quando ausente o nexo de causalidade. e) o patrimônio do incapaz não pode servir ao pagamento da indenização, cabendo exclusivamente aos pais, tutores ou curadores, conforme o caso, responder pelos danos que ele causar. 2015 – FCC – TRT 15ª REGIÃO – Juiz do Trabalho Substituto O motorista de um supermercado, dirigindo veículo da empresa e no horário de trabalho, envolveu-se em acidente, do qual resultou a morte de ocupante de outro veículo, mas foi absolvido na ação penal por insuficiência de prova. Sua culpa, entretanto, assim como os demais requisitos para a responsabilização civil, foram provados em ação indenizatória movida pelo cônjuge e filhos da vítima contra aquele motorista e seu empregador. Neste caso, a) o motorista e seu empregador serão solidariamente responsáveis pela indenização. b) somente o empregador será responsável pela indenização, porque o empregado foi absolvido no juízo criminal. c) somente o motorista será responsável pela indenização, se o seu empregador provar que diligenciou na escolha do preposto e o vigiou, mas ambos serão solidariamente responsáveis se essa prova não for realizada. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 43 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa d) o motorista e seu empregador serão conjuntamente responsáveis pela indenização, sendo subsidiária a responsabilidade do empregador. e) não haverá obrigação de indenizar, porque a sentença penal absolutória eliminou a responsabilidade civil. 2015 – UEPA – PGE/PA – Procurador do Estado Sobre a responsabilidade civil, é correto afirmar que: a) na responsabilidade civil decorrente do abuso de direito o ofensor não pratica ato ilícito, mas apenas se excede no exercício de um direito respaldado em lei. b) de acordo com a jurisprudência predominante do STF, a responsabilidade civil das pessoas jurídicas de direito privado, prestadoras de serviços públicos, é objetiva apenas relativamente a terceiros usuários do serviço; não abrangendo os não-usuários, que devem provar a culpa das concessionárias e/ou permissionárias. c) de acordo com a jurisprudência predominante do STF, a indenização acidentária exclui a de direito comum devida pelo causador do dano resultante de acidentedo trabalho, de modo a evitar o bis in idem. d) de acordo com a jurisprudência predominante do STJ, a anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito dá ensejo a indenização por dano moral, mesmo quando preexistente legítima inscrição. e) não é possível ao STJ rever o valor da indenização por danos morais pelas instâncias ordinárias, por aplicação da Súmula nº 7 daquele Tribunal Superior, ressalvadas as hipóteses em que esse valor se mostrar ínfimo ou exagerado. 2015 – COPS/UEL – PGE/PR – Procurador do Estado Com relação à responsabilidade civil no direito civil brasileiro contemporâneo, é CORRETO afirmar que: A) O abuso do direto pressupõe logicamente a existência do direito, embora o titular se exceda no exercício dos poderes que o integram. Assim, quem alega a ausência de direito não pode validamente alegar a existência de abuso de direito. E quem pretende indenização pelos danos decorrentes do exercício abusivo de direito deve comprovar a culpa neste exercício abusivo de um direito existente. B) Como a responsabilidade civil da Administração Pública é objetiva, não se lhe aplicam as excludentes de responsabilidade por ausência de nexo de causalidade entre a conduta e o dano ou por inexistência de dano. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 44 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa C) Em regra, o fundamento da responsabilidade civil extracontratual no direito brasileiro é uma atuação culposa. Excepcionalmente, poderá haver imputação pelo risco. D) Na responsabilidade civil contratual, a violação de deveres laterais impostos pelo princípio da boa-fé, tais como os deveres mútuos de proteção, lealdade, informação e assistência, não gera o dever de indenizar perdas e danos, mas tão somente a anulação do contrato. E) Nos casos de deferimento judicial de indenização por danos morais decorrentes de ato ilícito, os juros de mora contam-se a partir da citação. 2015 – FUNDATEC – PGE/RS – Procurador do Estado Em relação à obrigação de indenizar, analise as seguintes assertivas: I. O incapaz pode responder, equitativamente, por prejuízos por ele causados. II. O pai pode ressarcir-se perante o filho, relativamente incapaz, pela indenização paga a terceiro por ato cometido pelo seu descendente. III. A obrigação de prestar reparação transmite-se com a herança. IV. A responsabilidade civil independe da criminal, podendo se questionar quanto à existência do fato mesmo quando esta questão se achar decidida no juízo criminal. Quais estão corretas? A) Apenas I e III. B) Apenas II e III. C) Apenas I, II e III. D) Apenas I, II e IV. E) Apenas I, III e IV. 2014 – UFPR – DPE/PR – Defensor Público Estadual A respeito da Responsabilidade Civil no Código Civil de 2002, é correto afirmar: a) Ainda que a responsabilidade por fato de terceiro seja objetiva em relação aos pais, incumbe ao ofendido provar a culpa do filho menor que estiver sob a autoridade ou em companhia daqueles e que seja o causador do dano, com o que estará configurado o dever de indenizar. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 45 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa b) Aquele que requerer em Juízo a busca e apreensão de determinado bem sem necessidade não pratica ato ilícito, uma vez que apenas está exercendo seu direito constitucional de ação. c) Os atos praticados em estado de necessidade são considerados lícitos, razão pela qual não obrigam o seu autor a indenizar o dono da coisa deteriorada ou destruída, mesmo que este não seja culpado pela situação de perigo que motivou a ação. d) O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmitem-se com a herança, sendo ilimitada a responsabilidade do sucessor a título universal. e) Compreende-se no conceito de dano emergente aquilo que a vítima efetivamente perdeu e o que razoavelmente deixou de ganhar com a ocorrência do fato danoso. 2014 – FMP – PGE/AC – Procurador do Estado É caso de responsabilidade subjetiva: (A) a dos pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia. (B) a do tutor pelo pupilo que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia. (C) a dos que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia. (D) a do incapaz se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes. 2014 – FUNRIO – IF/PI – Professor de Direito No tocante a responsabilidade civil é correto afirmar que a. haverá obrigação de reparar o dano, dependentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem. b. o incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes. c. os responsáveis não são responsáveis civilmente pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e companhia. d. o dono, ou detentor, do animal não ressarcirá o dano por este causado, se não provar culpa da vítima ou força maior. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 46 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa e. aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem pagou, mesmo se o causador do dano for descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz. As questões abaixo, agora sem comentários, não estão contidas na aula. Elas orbitam em torno das questões acima e, por isso, apresentam comentários não tão detalhados quanto as questões anteriores. É pra você treinar! Adiante, seguem os gabaritos e, ao fim, os comentários. 1. 2016 – TRT 4ª REGIÃO – TRT 4ª REGIÃO (RS) – Juiz do Trabalho Substituto Considere as assertivas abaixo sobre responsabilidade civil. I - É possível a responsabilização do incapaz pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes. II - O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmitem-se com a herança, podendo a reparação ser cobrada integralmente do herdeiro. III - A indenização é prestada, preferencialmente, em moeda corrente. Quais são corretas? a) Apenas I b) Apenas II c) Apenas III d) Apenas II e III e) I, II e III 2. 2016 – TRF – TRF/3ª Região – Juiz Federal Substituto Marque a alternativa correta, observando a jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça: a) A simples propositura da ação de revisão de contrato inibe a caracterização da mora do autor. b) Nas indenizações por ato ilícito, os juros compostos não são devidos por aquele que praticou o crime. c) A evicção consiste na perda parcial ou integral da posse ou da propriedade do bem, via de regra, em virtude de decisão judicial que atribui o uso, a http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 47 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa posse ou a propriedade a outrem, em decorrência de motivo jurídico anterior ao contrato de aquisição. d) Os conceitos de onerosidade excessiva e de imprevisão são sinônimos, tendo o legislador civil deles feito uso de modo indistinto. 3. 2016 – VUNESP – TJM/SP – Juiz Estadual Substituto Considere o caso hipotético. Antonio e Maria contrataram a prestação de serviço de um laboratório particularpara coletar células-tronco embrionárias do cordão umbilical de seu filho que iria nascer, pagando previamente pelo serviço de coleta. Por ocasião do parto, o laboratório foi avisado pelo casal, mas nenhum representante compareceu, deixando de coletar o material genético que poderia ser usado, no futuro, em eventual tratamento da saúde do nascituro. Proposta ação indenizatória pelos pais e a criança, assinale a alternativa que melhor soluciona a questão. a) Os pais têm direito à indenização por danos materiais e os três a danos morais, não se falando na perda de uma chance, ou dano hipotético, que só ocorreria se a criança fosse vir a necessitar do material coletado no futuro. b) Os pais têm direito à indenização por danos morais e materiais e a criança a ser reparada pela perda de uma chance de obter um proveito determinado ou de evitar uma perda, por ser a beneficiária do contrato celebrado. c) Apenas os pais são legitimados a receber indenização por danos morais, materiais e pela perda de uma chance, uma vez que a criança não participou do contrato, tratando-se de mero dano hipotético. d) Os três são legitimados a receber indenização por danos materiais, morais e pela perda de uma chance, em razão da potencialização do dano. e) Os pais têm direito apenas a serem reparados por danos materiais e a criança pelos danos morais ou pela perda de uma chance, que se confundem, evidenciada por um dano certo, por evitar determinado prejuízo. 4. 2016 – TRT 2ª REGIÃO – TRT 2ª REGIÃO (SP) – Juiz do Trabalho Substituto Quanto à responsabilidade civil assinale a alternativa INCORRETA: a) Sendo da própria atividade o risco de dano, o autor ficará responsável pela indenização civil independentemente da aferição de culpa. b) Decidido acerca da existência do fato e seu autor no juízo criminal, é vedado discutir-se tais questões no juízo competente para resolver sobre a responsabilidade civil. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 48 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa c) Sendo o dano desproporcional à gravidade da culpa do autor, o Juiz poderá reduzir o valor da indenização, mas se o autor for menor, poderá deixar de fixá-la se privá-lo ou a seus dependentes do necessário. d) O incapaz não responde pelos prejuízos que causar ainda que as pessoas por ele responsáveis não disponham de meios suficientes para cumprir a obrigação. e) O Juiz poderá fixar indenização a ser paga de uma só vez se do dano sofrido vier resultar defeito que inabilite a vítima ao exercício de sua profissão. 5. 2016 – CESPE – PGE/AM – Procurador do Estado A teoria da responsabilidade civil objetiva aplica-se a atos ilícitos praticados por agentes de autarquias estaduais. 6. 2016 – CESPE – PGE/AM – Procurador do Estado Constitui ato lícito a ação de destruir o vidro lateral de veículo alheio, de alto valor comercial, a fim de removê-lo das proximidades de local onde se alastrem chamas de incêndio. 7. 2016 – FCC – DPE/BA – Defensor Público Estadual De acordo com a jurisprudência dominante no Superior Tribunal de Justiça, (A) o Estado tem responsabilidade civil nos casos de morte de custodiado em unidade prisional, desde que se prove a culpa in vigilando. (B) a operadora de saúde não é responsável por eventuais falhas na prestação de serviços pelo profissional credenciado. (C) a inclusão indevida do nome de consumidor em cadastro de proteção ao crédito gera dano moral indenizável, desde que se comprove efetivo prejuízo extrapatrimonial. (D) as instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias. (E) a falta de pagamento do prêmio do seguro obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT) justifica a recusa do pagamento da indenização. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 49 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa 8. 2015 – CESPE – TRF/5ª Região – Juiz Federal Substituto Juliana faleceu aos oito anos de idade, após ter sido atropelada por um veículo oficial do Ministério da Fazenda. Os pais da criança, pessoas humildes e de baixa renda, ajuizaram ação contra a União, requerendo indenização por danos materiais consistentes no pagamento de pensão mensal. Com relação a essa situação hipotética, assinale a opção correta. a) A pensão mensal será devida aos pais da vítima a partir do dia em que esta completaria quatorze anos de idade. b) A pensão mensal no valor de dois terços do salário mínimo será devida aos pais da vítima desde a data do falecimento desta. c) A pensão mensal arbitrada somente deixará de ser paga quando ocorrer o óbito dos pais da vítima. d) Gratificação natalina e décimo terceiro salário não farão parte da pensão fixada a título de indenização. e) A pensão mensal no valor de um terço do salário mínimo será devida aos pais da vítima desde a data do evento danoso. 9. 2015 – FCC – TJ/PI – Juiz Estadual Substituto O incapaz a) responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes. b) não responde com seus bens pelos prejuízos que causar, em nenhuma hipótese, se a incapacidade for absoluta. c) não responde com seus bens pelos prejuízos que causar, devendo suportá-los somente seus responsáveis. d) apenas responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo. e) apenas responde com seus bens pelos prejuízos que causar, se a incapacidade cessar, ficando até esse momento suspenso o prazo prescricional. 10. 2015 – TRT 21ª REGIÃO – TRT 21ª REGIÃO (RN) – Juiz do Trabalho Substituto Consoante a dinâmica da responsabilidade civil, é correto afirmar, à luz da legislação pátria e da jurisprudência dominante nos Tribunais Superiores: a) Ofensas indenizáveis, se possuírem mais de um autor, somente implicam responsabilização solidária nos casos de obrigação indivisível, pois do http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 50 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa contrário, cada autor responde de forma proporcional à extensão de sua culpa. b) Não se configura ilícito praticado em face de direito personalíssimo do empregado, a mera utilização de sua imagem para fins comerciais, sem autorização, durante a jornada de trabalho, não se podendo falar em reparação de dano moral por tal motivo. c) A incapacidade é elemento excludente da responsabilidade civil própria, o que não limita a possibilidade de reparação perante os responsáveis legais pelo incapaz. d) Na hipótese de responsabilidade extracontratual, os juros de mora são devidos desde a data do evento danoso e não da citação. e) O construtor tem responsabilidade exclusivamente perante o dono da obra, devendo este último responder perante terceiros que, eventualmente, venham a sofrer danos decorrentes da execução da mesma. 11. 2015 – FCC – TRT 23ª REGIÃO (MT) – Juiz do Trabalho Substituto Carlos foi vítima de golpe por meio do qual fraudadores utilizaram-se de documentos falsos a fim de realizar operações bancárias em seu nome. Procurada por Carlos, a instituição financeira afirmou não ter tido culpa pelo incidente, negando-se a restituir o prejuízo. A negativa é a) ilícita, configurando abuso do direito, decorrente da inobservância do princípio da boa-fé subjetiva, que impõe às partes, dentre outros, o dever anexo de segurança, independentementeda existência do elemento culpa. b) lícita, pois, para caracterização do abuso do direito, é necessária a existência do elemento culpa. c) lícita, por ausência de nexo de causalidade entre a atividade da instituição financeira e o prejuízo experimentado por Carlos. d) lícita, pois somente comete ato ilícito aquele que, por ação ou omissão voluntária decorrente de negligência ou imprudência, viola direito e causa dano a outrem. e) ilícita, configurando abuso do direito, decorrente da inobservância do princípio da boa-fé objetiva, que impõe às partes, dentre outros, o dever anexo de segurança, independentemente da existência do elemento culpa. 12. 2015 – FCC – TRT 15ª Região – Juiz do Trabalho Substituto O motorista de um supermercado, dirigindo veículo da empresa e no horário de trabalho, envolveu-se em acidente, do qual resultou a morte de ocupante http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 51 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa de outro veículo, mas foi absolvido na ação penal por insuficiência de prova. Sua culpa, entretanto, assim como os demais requisitos para a responsabilização civil, foram provados em ação indenizatória movida pelo cônjuge e filhos da vítima contra aquele motorista e seu empregador. Neste caso, a) o motorista e seu empregador serão solidariamente responsáveis pela indenização. b) somente o empregador será responsável pela indenização, porque o empregado foi absolvido no juízo criminal. c) somente o motorista será responsável pela indenização, se o seu empregador provar que diligenciou na escolha do preposto e o vigiou, mas ambos serão solidariamente responsáveis se essa prova não for realizada. d) o motorista e seu empregador serão conjuntamente responsáveis pela indenização, sendo subsidiária a responsabilidade do empregador. e) não haverá obrigação de indenizar, porque a sentença penal absolutória eliminou a responsabilidade civil. 13. 2015 – FCC – TRT 23ª Região – Juiz do Trabalho Substituto Caminhão da Transportadora Ribeirão, conduzido por seu empregado Lúcio, abalroou veículo pertencente a Paulo, que ajuizou ação pugnando pela condenação da empresa. Esta será responsabilizada de maneira a) subjetiva, se provado que Lúcio agiu com culpa. b) objetiva, independentemente de prova de que Lúcio agiu com culpa. c) subjetiva, por culpa presumida, se provado que Lúcio agiu com culpa. d) objetiva, se provado que Lúcio agiu com culpa. e) subjetiva, por culpa presumida, independentemente de prova de que Lúcio agiu com culpa. 14. 2015 – TRT 8ª Região – TRT 8ª Região – Juiz do Trabalho Substituto Sobre a responsabilidade civil no Código Civil Brasileiro, é CORRETO afirmar que: a) O incapaz não responde pelos prejuízos que causar tendo em vista a responsabilidade dos pais ou responsáveis. b) Haverá obrigação de reparar o dano, através da averiguação de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 52 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem. c) Se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exercer o seu ofício ou profissão, ou se lhe diminua a capacidade de trabalho, a indenização, além das despesas do tratamento e lucros cessantes até ao fim da convalescença, incluirá pensão correspondente à importância do trabalho para que se inabilitou, ou da depreciação que ele sofreu. d) O prejudicado não poderá exigir que a indenização seja arbitrada e paga de uma só vez, salvo se demonstrado o estado de solvência do devedor. e) Em caso de usurpação ou esbulho do alheio, quando não mais exista a própria coisa, a indenização será estimada pelo seu preço ordinário, não sendo considerado o preço de afeição. 15. 2015 – FCC – TJ/SC – Juiz Estadual Substituto A v́tima de um acidente automobiĺstico ajuizou, um ano aṕs o fato, ac ֚̃o indenizat́ria contra o condutor, a quem o propriet́rio confiara o véculo, ocorrendo imediatamente a citac֚̃o. Achando-se ainda o processo em curso, mas j́ passados quatro anos do acidente, a v́tima propoǺs ac֚̃o indenizat́ria contra o propriet́rio do automotor, que, na contestac֚̃o, alegou inviabilidade do pedido, em raz̃o da pretensão j́ deduzida contra o condutor, e prescric֚̃o. Nesse caso, (A) o juiz deveŕ extinguir o processo, porque a propositura da ac֚̃o contra um dos devedores importa reńncia do direito em relac֚̃o ao outro. (B) ambas as alegac֚̃es do ŕu encontram respaldo na lei. (C) nenhuma das alegac֚̃es do ŕu deve ser acolhida. (D) apenas a alegac֚̃o de inviabilidade do pedido, em raz̃o da pretens̃o j́ deduzida contra o condutor, ́ acolh́vel. (E) apenas a arguic֚̃o de prescric֚̃o ́ acolh́vel. 16. 2015 – CEFET – MPE/BA – Promotor de Justiça Substituto Assinale a alternativa INCORRETA sobre a responsabilidade civil, segundo o Código Civil Brasileiro: a) Aquele que, por ato ilícito, causar dano a outrem fica obrigado a repará- lo. b) O incapaz pode ser responsabilizado pelos prejuízos que causar se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 53 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa c) A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal. d) O direito de exigir a reparação se transmite com a herança, mas não a obrigação de prestá-la. e) Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem pagou, salvo se o causador do dano for descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz. 17. 2015 – CESPE – AGU – Advogado da União Dada a existência de íntima ligação entre o abuso de direito e a boa-fé objetiva, a lei estabelece a decretação da nulidade como sanção ao autor do ato abusivo. 18. 2015 – CESPE – DPU – Defensor Público Federal Extinta a relação jurídica por culpa de uma das partes, a outra parte podeŕば pleitear indenização em face do que lucraria em investimento financeiro de risco com a manutenção da relação jurídica desfeita. 19. 2015 – FUNDATEC – PGE/RS – Procurador do Estado Assinale a alternativa correta. A) O dano exclusivamente moral, provocado por omissão voluntária, não permite a caracterização de um ilícito civil. B) Aos atos jurídicos lícitos, que não sejam negócios jurídicos, aplicam-se as disposições pertinentes aos defeitos do negócio jurídico. C) Para a caracterização do ato ilícito por abuso de direito previsto no Código Civil é necessária a aferição de culpa do autor do fato. D) Só é considerado ilícito o ato que, exercido em excesso manifesto aos limites impostos pelos bons costumes, necessariamente causar dano a alguém. E) Constitui ilicitude civil a conduta de destruir coisa alheia para remover perigo iminente. 20. 2015 – FCC – DPE/MA – Defensor Público Estadual http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 54 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa A respeito da responsabilidade civil, é correto afirmar: (A) A cláusula penal compensatória tem a finalidade de compensar os prejuízos causados pelo atraso no cumprimento da obrigação avençada, ao passo que a cláusulapenal moratória serve como forma de pré-fixar o valor mínimo da indenização no caso de descumprimento da obrigação. (B) No contrato de transporte oneroso de pessoas, o transportador responde pelos danos causados às pessoas transportadas, mas não responde por eventuais danos causados às bagagens transportadas caso haja cláusula excludente da responsabilidade. (C) A responsabilidade extracontratual objetiva se caracteriza pela responsabilidade independentemente de ter o causador do dano agido com dolo ou culpa, razão pela qual não pode ser afastada em razão de caso fortuito ou de força maior. (D) O incapaz responde subsidiariamente pelos prejuízos que causar, somente caso seus responsáveis não tenham obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes, mas a indenização deve ser fixada por equidade e não poderá privar o incapaz do necessário para a sua manutenção. (E) Nas hipóteses em que o ato ilícito retira da vítima a oportunidade de obter uma situação futura melhor, como por exemplo quando em razão do ato ilícito a vítima foi impedida de participar de um concurso público, está diante de lucros cessantes, fazendo jus a indenização no valor dos salários que a vítima receberia caso fosse aprovada no concurso. 21. 2015 – CESPE – DPE/PE – Defensor Público Estadual A respeito de obrigações e contratos, julgue o item abaixo, de acordo com a jurisprudência do STJ. Caso determinada rede de rádio, por informações veiculadas em sua programação, atinja a honra e a imagem do próprio Estado, será admitida, nessa hipótese, ação indenizatória por dano moral pelo ente federativo em desfavor da empresa de radiodifusão, devendo o locutor responder regressivamente se tiver agido com dolo ou culpa. Nesse caso, se o locutor for economicamente hipossuficiente, deverá a DP atuar na defesa dele. 22. 2014 – VUNESP – TJ/SP – Juiz Estadual Substituto No que se refere a indenização, assinale a opção correta. a) A morte de filho menor que não exercia trabalho remunerado não poderá gerar indenização. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 55 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa b) O soar de alarme nas saídas das lojas por si só acarreta o dever de indenizar o cliente. c) Tendo em vista que a indenização se mede pela extensão do dano, o juiz somente poderá reduzir equitativamente a indenização, havendo excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano, no caso de haver pedido expresso da parte. d) Não gera o dever de indenizar o simples travamento de porta giratória nos estabelecimentos bancários com usuário dentro. 23. 2014 – CESPE – PGE/BA – Procurador do Estado Acerca da responsabilidade civil, julgue os itens subsequentes, à luz da jurisprudência dominante do STJ. Na hipótese de indenização por danos morais ou materiais decorrentes do falecimento de ente querido, o termo inicial da contagem do prazo prescricional é a data do óbito, independentemente da data da ação ou da omissão. 24. 2014 – CESPE – PGE/BA – Procurador do Estado Acerca da responsabilidade civil, julgue os itens subsequentes, à luz da jurisprudência dominante do STJ. O espólio tem legitimidade para postular indenização pelos danos materiais e morais supostamente experimentados pelos herdeiros. 25. 2014 – FCC – DPE/PB – Defensor Público Estadual Sônia é proprietária de uma pousada. Marina, sua, vizinha, cria codornas. Segundo Sônia, o forte cheiro das codornas atrapalharia seu negócio. Por tal razão, com a intenção de afugentar as codornas, mas também imaginando que poderia entreter seus clientes, passou, com autorização do órgão ambiental, a criar corujas, as quais acabaram por dizimar as codornas. Sônia cometeu ato (A) ilícito, pois agiu com dolo direto de matar as codornas, podendo Marina, em razão de tal fato, postular indenização. (B) lícito, pois não é obrigada a tolerar atividade danosa a seus negócios. (C) lícito, pois a criação das corujas foi autorizada pelo órgão ambiental, podendo Marina, entretanto, em razão dos prejuízos que experimentou, postular indenização. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 56 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa (D) ilícito, pois excedeu abusivamente os limites impostos pela boa-fé objetiva e pela finalidade social do negócio, podendo Marina, em razão de tal fato, postular indenização. (E) imoral, porém lícito, uma vez que fundado em exercício regular do direito. 26. 2014 – FUNDATEC – Câmara Municipal/Porto Alegre (RS) – Procurador Legislativo Assinale a alternativa correta a respeito dos direitos dos contratos e da responsabilidade civil: A) A sentença penal absolutória sempre afastará a responsabilidade na esfera cível. B) A obrigação de reparação a o dano não se transmite com a herança. C) É anulável a venda de ascendente a descendente, ainda que os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. D) Na compra e venda com reserva de domínio, o vendedor busca atenuar os efeitos da tradição, de modo que conservará a propriedade para si até que o preço esteja integralmente pago. E) Faculta-se ao comodatário o direito de recobrar do comodante as despesas feitas com o uso e gozo da coisa emprestada. 27. 2014 – FUNDATEC – Câmara Municipal/Porto Alegre (RS) – Procurador Legislativo Assinale a alternativa correta em relação aos institutos da propriedade e da responsabilidade civil: A) Os registros de propriedade particular de imóveis situados em terrenos de marinha não são oponíveis à União. B) As pessoas jurídicas de direito público interno são civilmente responsáveis por atos dos seus agentes que nessa qualidade causem danos a terceiros, ressalvado direito regressivo contra os causadores do dano, exclusivamente se houver dolo por parte destes. C) Os rios, mares, estradas, ruas e praças são bens públicos de uso especial. D) O titular de direito que, ao exercê-lo, exceder manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes, incidirá na hipótese de abuso de direito, porém não praticará ato ilícito. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 57 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa E) O empregador responderá civilmente pelos atos dos seus empregados, praticados no exercício do trabalho que lhes competir, somente quando comprovada a sua culpa. 28. 2013 – PGR – PGR – Procurador da República Em matéria de danos materiais e/ou morais, o Superior Tribunal de Justiça vem entendendo que: I - O mero descumprimento contratual, em princípio, não enseja responsabilização ao pagamento de indenização por danos morais, visto não passar de incômodo da vida em sociedade. II - O roubo ou furto perpetrado contra a instituição financeira, com repercussão negativa ao cofre locado, constitui risco assumido pelo fornecedor do serviço, haja vista compreender-se na própria atividade empresarial, configurando, assim, hipótese de fortuito interno. III - O endossatário que recebe, por endosso translativo, título de crédito contendo vício formal, sendo inexistente a causa para conferir lastro à emissão de duplicata, não responde pelos danos causados diante de protesto indevido. IV - Legitimamente protestado o título de crédito, não cabe ao devedor, que paga posteriormente a dívida, o ônus de providenciar a baixa do protesto em cartório, pois trata-se de relação de consumo, havendo dano moral pela manutenção do apontamento. Das proposições acima: a) ( ) I e IV estão corretas; b) ( ) IIe III estão corretas; c) ( ) III e IV estão corretas; d) ( ) I e II estão corretas. 29. 2013 – MPE/SP – MPE/SP – Promotor de Justiça Substituto Em tema de responsabilidade civil, assinale a assertiva INCORRETA. a) A empresa locadora de veículos não responde civilmente pelos prejuízos causados pelo locatário a terceiros, no uso do carro locado. b) São responsáveis pela reparação civil o empregador ou comitente, por conduta de seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir ou em razão dele. c) São responsáveis pela reparação civil o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados que estiverem sob sua autoridade ou em sua companhia. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 58 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa d) O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este causado, se não provar culpa da vítima ou força maior. e) São responsáveis pela reparação civil os pais, pelos atos de filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia. 30. 2013 – CESPE – DP/DF – Defensor Público Estadual Segundo o ordenamento jurídico brasileiro, todas as pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado que integrem a administração pública responderão objetivamente pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros. 31. 2013 – FEPESE – DPE/SC – Analista Técnico da Defensoria Assinale a alternativa correta de acordo com o Código Civil brasileiro. a) A indenização mede-se pela extensão do dano e pelo grau de culpa do agente. b) Os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, também serão responsáveis pela reparação civil, até a concorrente quantia. c) O incapaz não responde pelos prejuízos que causar, cabendo ao seu representante legal o fazer. d) Aquele que demandar por dívida já paga, no todo ou em parte, sem ressalvar as quantias recebidas, ficará obrigado a pagar ao devedor o equivalente do que dele exigir, salvo se houver prescrição. e) O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la cessa com a morte do causador do dano. 32. 2012 – MPT – MPT – Procurador do Trabalho À luz do Código Civil, assinale a assertiva CORRETA: (a) No caso de indenização por danos, se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exercer o seu ofício ou profissão, ou se lhe diminua a capacidade de trabalho, a indenização, além das despesas do tratamento e lucros cessantes até o fim da convalescença, incluirá pensão correspondente à importância do trabalho para que se inabilitou, ou da depreciação que ele sofreu; porém, se o ofensor preferir, poderá exigir que a indenização seja arbitrada para pagamento de uma só vez. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 59 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa (b) Se a obrigação for indeterminada, e não houver na lei ou no contrato disposição fixando a indenização devida pelo inadimplente, apurar-se-á o valor das perdas e danos na forma que a lei processual determinar. (c) Em nenhuma circunstância constituirá ato ilícito a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de remover perigo iminente. (d) Não comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelos bons costumes. (e) Não respondida. 33. 2012 – FCC – DPE/PR – Defensor Público Estadual Sobre o Sistema de Responsabilidade Civil é correto afirmar: (A) No caso de atropelamento por veículo dirigido profissionalmente, a pretensão de reparação civil das escoriações e fraturas sofridas, pelo pedestre, sob o prisma do Direito Civil, exigirá a prova da culpa do motorista ofensor. (B) Moradora de Curitiba perdeu o horário para realização de prova de segunda fase de concurso realizado em Manaus em razão de atraso no voo devido à greve dos pilotos de determinada companhia aérea. Esta situação caracteriza o chamado dano reflexo ou por ricochete. (C) Pessoa embriagada, que atravessa larga avenida fora da faixa de segurança e correndo, vindo a ser atropelada por motorista que trafegava acima do limite de velocidade, deve ser indenizada integralmente, com base no princípio da restitutio in integrum. (D) Microempresário contrata as empresas X e Y para o transporte cumulativo de uma carga que deixa de ser entregue em seu destino. Nesse caso, cada transportador deve responder pelo eventual descumprimento do contrato relativamente ao respectivo percurso, podendo opor tratar-se de obrigação de meio. (E) Famoso artista de rua, que tem sua imagem veiculada em propaganda comercial sem sua autorização, terá direito à indenização, independentemente da demonstração de seu prejuízo. 34. 2012 – FCC – DPE/PR – Defensor Público Estadual O absolutamente incapaz não responde pelos danos que causar, tendo em vista a responsabilidade privativa de seus pais ou responsáveis. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 60 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa 35. 2012 – CESPE – DPE/SE – Defensor Público Estadual Acerca dos efeitos da responsabilidade civil extracontratual, assinale a opção correta. A- Embora a indenização por ato ilícito proveniente de dano extracontratual seja medida pela extensão do dano, se a vítima tiver concorrido culposamente para o evento danoso, a sua indenização será fixada com base na gravidade de sua culpa em confronto com a do autor do dano. B- Como regra, a responsabilidade civil não passa da pessoa causadora do dano; assim, não havendo determinação expressa do empregador para que seus empregados façam ou deixem de fazer alguma coisa, não se pode responsabilizar o empregador pelos atos praticados por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele. C- As vítimas de lesão ou de outra ofensa à saúde têm direito de exigir do ofensor tão somente as despesas provenientes do tratamento, estendendo- se a obrigação de reparar os danos até o fim da convalescença, independentemente do tempo, e, nesse caso, o lesado, se preferir, poderá exigir que a indenização seja arbitrada e paga de uma só vez. D- Não comete ato ilícito civil aquele que, por ação voluntária, destrói coisa alheia a fim de remover perigo iminente de dano, ainda que a ação não seja estritamente necessária, e o agente exceda os limites do indispensável para a remoção do perigo. E- Mesmo que a responsabilidade civil independa da criminal, a lei veda que se questione, na esfera cível, fato decidido no juízo criminal; por conseguinte, a sentença penal absolutória, independentemente do motivo da absolvição, impede o processamento da ação civil de reparação de dano causado pelo mesmo fato que tenha provocado a absolvição do agente provocador do ilícito. 36. 2012 – FGV – PC/MA – Delegado de Polícia Substituto Claúdio se hospedou num hotel em Maranguape e deixou os seus pertences pessoais no quarto. Ao retornar de um passeio pela cidade, foi surpreendido com os vários itens de sua bagagem danificados por uma placa de gesso que havia se descolado do teto e caído. Ao se dirigir à Direção do estabelecimento, soube que não seria ressarcido pelo hotel, pois o gerente desconfiava de um antigo funcionário a quem iria atribuir a autoria e, portanto, responsabilidade pelo ilícito. Considerando o fato narrado, assinale a afirmativa correta. a) Os donos de hotéis são responsáveis, independentemente de culpa, pelosbens de seus hóspedes, devendo, portanto, Cláudio ser ressarcido pelo hotel. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 61 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa b) Somente comete ato ilícito, aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, e, portanto, o hotel não tem obrigação de indenizar Cláudio. c) Como o hotel suspeita que o antigo funcionário seja o responsável pelo ilícito, haverá necessidade de aguardar que o fato seja apurado no juízo criminal, para após analisar o fato no juízo cível. d) O hotel não deve indenizar Cláudio, pois houve culpa exclusiva da vítima, já que ele deveria ter deixado, aos cuidados do gerente, seus pertences pessoais para que houvesse essa garantia. e) O hotel deve indenizar Cláudio, pois cometeu ato ilícito. 37. 2011 – PGR – PGR – Procurador da República No que se refere à responsabilidade civil por danos causados ao meio ambiente: I. Um mesmo fato pode originar ações diversas, visando a reparação do dano individual e a reparação do dano coletivo; II. Eventos da natureza não excluem a responsabilidade quando alguém cria uma situação que, se inexistente, não levaria o evento natural a causar o dano; III. Havendo pluralidade de autores, a responsabilidade é solidária, sendo possível acionar qualquer um deles pela integralidade do dano; IV. A responsabilidade objetiva por risco integral, quanto aos danos ambientais, não é pacifica na doutrina. Das assertivas acima: a) I e II estão corretas; b) II e IV estão corretas; c) Todas estão corretas; d) Todas estão incorretas. 38. 2011 – CESPE – DPE/MA – Defensor Público Estadual Tendo em vista que o termo responsabilidade é utilizado em qualquer situação em que alguma pessoa, natural ou jurídica, deva arcar com as consequências de um ato, fato ou negócio danoso, assinale a opção correta a respeito da responsabilidade civil. A Os bens do responsável por ofensa ou violação do direito de outrem ficam sujeitos à reparação do dano causado, e o direito de exigir reparação, mas não a obrigação de prestá-la, transmite-se com a herança. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 62 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa B Considere a seguinte situação hipotética. Marco, que presta serviços de “passeio com animais”, passeia, três vezes por semana, com um cachorro da raça doberman, de propriedade de Thiago. Por ser tratar de um cachorro de guarda, Marco foi orientado por Thiago a, sempre, nos passeios, fixar focinheira no cachorro. Em um dos passeios, o referido animal, que estava sem a focinheira, atacou e mordeu uma pessoa que passava no local. Nessa situação hipotética, apenas Thiago, o dono do animal, poderia ser demandado para ressarcir o dano causado à vítima. C A responsabilidade civil independe da criminal, de modo que a sentença penal absolutória, por falta de provas quanto ao fato, não tem influência na ação indenizatória, que pode revolver toda a matéria em seu bojo. D Não constitui ato ilícito a destruição de coisa alheia para remover perigo iminente, e o dono da coisa, ainda que não seja culpado do perigo, não tem direito à indenização do prejuízo que sofrer. E O empregador, exceto se comprovar que não há culpa de sua parte, responde pelos atos ilícitos dos empregados no exercício do trabalho ou em razão dele. 39. 2010 – CESPE – DPE/BA – Defensor Público Estadual No tocante à responsabilidade civil, julgue os itens seguintes. O mero afastamento de filho de 16 anos de idade da casa paterna não é suficiente para elidir a responsabilidade dos pais. 40. 2010 – CESPE – DPU – Defensor Público Federal A exemplo da responsabilidade civil por ato ilícito em sentido estrito, o dever de reparar decorrente do abuso de direito depende da comprovação de ter o indivíduo agido com culpa ou dolo. 41. 2009 – CESPE – AGU – Advogado da União Ricardo, que dirigia seu carro em velocidade normal, atropelou Raimundo, causando-lhe sérios ferimentos. Em depoimento prestado na delegacia de polícia, Ricardo afirmou que o atropelamento ocorrera por motivos de força maior, haja vista que trafegava normalmente pela via quando um motoqueiro, dirigindo em alta velocidade, cruzou a frente do veículo que ele conduzia, não lhe tendo restado outra alternativa senão a de desviar o carro para o acostamento. Alegou, ainda, que não havia visto Raimundo, que aguardava pelo ônibus no acostamento, e que, se não tivesse desviado o http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 63 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa veículo, ele poderia ter causado a morte do motoqueiro. Testemunhas confirmaram a versão de Ricardo. A despeito de o ato praticado por Ricardo não ser considerado ilícito civil, ele terá a obrigação de indenizar Raimundo, caso haja o ajuizamento de ação com esse fim. 42. 2009 – CESPE – DPE/AL – Defensor Público Estadual Lucas, menor com dezessete anos de idade, pegou o carro de seus pais, enquanto eles dormiam, e causou um acidente ao colidir no veículo de Eduardo. Considerando essa situação hipotética, julgue os próximos itens com base na disciplina da responsabilidade civil. Ainda que provada a culpa de Lucas, seus pais não terão a obrigação de indenizar o dano provocado, porquanto, nesse caso, não se pode falar em culpa in vigilando. 43. 2009 – CESPE – DPE/AL – Defensor Público Estadual Lucas, menor com dezessete anos de idade, pegou o carro de seus pais, enquanto eles dormiam, e causou um acidente ao colidir no veículo de Eduardo. Considerando essa situação hipotética, julgue os próximos itens com base na disciplina da responsabilidade civil. Em razão de a emancipação cessar a menoridade, predomina o entendimento de que, caso os pais tivessem emancipado Lucas, ficaria afastada a responsabilidade deles pelos danos causados a Eduardo. 44. 2009 – FCC – DPE/MA – Defensor Público Estadual No tocante à disciplina da responsabilidade civil, é correto afirmar: (A) Os pais são responsáveis objetivamente pela reparação civil dos danos causados por filhos menores ou, embora maiores de 18 anos, incapazes, ainda que estes não estejam sob sua autoridade e em sua companhia. (B) Para que ocorra a responsabilidade civil subjetiva, basta a existência de um dano material ou moral e de uma ação ou omissão dolosa ou culposa. (C) Na responsabilidade civil objetiva, a culpa exclusiva do prejudicado afasta o dever de reparação do causador do dano porque é causa de exclusão do dano. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 64 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa (D) Na responsabilidade civil objetiva, a culpa exclusiva do prejudicado em nada altera a situação jurídica do causador do dano, o qual responderá independentemente de culpa. (E) Na responsabilidade civil objetiva, não surgirá o dever de reparação do dano na hipótese de culpa exclusiva da vítima por falta de nexo de causalidade entre a ação do agente e o dano sofrido. 45. 2006 – CESPE – AGU – Advogado da União A responsabilidade civil por ato de terceiro permite estendera obrigação de reparar o dano a pessoa diversa daquela que praticou a conduta danosa, desde que exista uma relação jurídica entre o causador do dano e o responsável pela indenização. Nessa hipótese, a obrigação de indenizar é objetiva; portanto, não se perquire a culpa do agente.46. 2006 – CESPE – AGU – Advogado da União Considere por hipótese que ocorra o desabamento da marquise de um prédio, depois de quatro anos de construção, provocando a morte de uma transeunte. Nessa situação, a responsabilidade civil pela reparação do dano é do proprietário do prédio. 47. 2006 – CESPE – DPE/AC – Defensor Público Estadual Catarina procurou a defensoria pública de seu estado para relatar que seu filho, de 15 anos de idade, foi atropelado e ficou paraplégico em razão das lesões sofridas no acidente. O veículo que o atropelou era dirigido por Diogo, de 16 anos de idade. Catarina afirmou que procurou o proprietário do veículo, Vitor, pai de Diogo, para que ele a ajudasse com as despesas médicas e com a aquisição de uma cadeira de rodas. Vitor se negou a auxiliar Catarina, alegando não ter qualquer responsabilidade no caso, pois quem dirigia o carro no momento do acidente era seu filho. Com relação a essa situação hipotética, assinale a opção correta, tendo a legislação pertinente como base. A Como o veículo não era dirigido por seu proprietário, nada pode ser feito quanto ao auxílio demandado por Catarina a Vitor, e não há como pleitear qualquer indenização, haja vista Diogo ser menor de idade. B Por ter seu filho ficado paralítico e dada a não-participação de Vitor no acidente, o mais aconselhável é que Catarina ajuíze ação requerendo o ressarcimento por danos morais, apenas. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 65 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa C Na situação em apreço, Vitor apenas responde pelos danos para os quais fique demonstrada a intenção de Diogo de lesionar o filho de Catarina. D Na situação apresentada, Vitor responde pelos danos materiais e morais sofridos pelo filho de Catarina. 48. 2005 – FCC – PGE/SE – Procurador do Estado A pessoa jurídica de direito público interno que em seu laboratório produz medicamentos, nesta atividade (A) não responde por vício ou defeito do produto, porque o serviço de saúde é considerado público e a responsabilidade civil será regulada apenas pela Constituição Federal. (B) não pode ser considerada fornecedora, porque o adquirente dos medicamentos é mero usuário. (C) é considerada consumidora dos insumos utilizados na produção dos medicamentos. (D) não poderá ser considerada fornecedora nem consumidora, porque é vedada a presença do Estado no mercado de consumo. (E) é fornecedora e sujeita-se ao Código de Defesa do Consumidor. 49. 2004 – CESPE – AGU – Advogado da União A responsabilidade civil por ato danoso praticado pelo absolutamente incapaz decorre da ilicitude, e o incapaz responde com seus bens pelos danos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes para tal. 50. 2003 – FCC – PGE/MA – Procurador do Estado Cometendo ato ilícito o incapaz, (A) respondem, em qualquer hipótese, somente seus pais, tutores ou curadores, sem direito de regresso contra o incapaz que estiver sob sua guarda e em sua companhia. (B) não responderá ele pelos prejuízos causados, que deverão ser ressarcidos por seus representantes e, na impossibilidade destes, pelo Estado. (C) ele sempre responderá pelos prejuízos que causar até o limite de seu patrimônio. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 66 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa (D) responderão seus representantes que poderão reaver o que pagou, salvo se o causador do dano for ascendente, descendente ou cônjuge absolutamente incapazes. (E) poderá ele responder pelos prejuízos que causar, pagando indenização equitativa e desde que não fique ele próprio nem as pessoas que dele dependam privados do necessário. 51. 2003 – PGE – PGE/MS – Procurador do Estado Assinale a alternativa correta: a) A responsabilidade civil depende da criminal, podendo ser questionada a existência do fato constitutivo ou sobre quem seja o seu autor, a não ser na hipótese de trânsito em julgado da decisão proferida no juízo criminal, quando a matéria fática encontra-se sob o manto da coisa julgada; b) Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem pagou, salvo se o causador do dano for descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz; c) O dono ou detentor do animal ressarcirá o dano por este causado, mesmo na hipótese de força maior ou culpa da vítima; d) Não é responsável pela reparação civil o que participou gratuitamente no produto de crime, desde que o valor que lhe coube não ultrapasse 20 (vinte) salários mínimos; e) O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-las não se transmitem com a herança. 52. 2003 – CESPE – DPE/AM – Defensor Público Estadual Com referência à responsabilidade civil, julgue os itens que se seguem. O estabelecimento comercial não será obrigado a indenizar proprietário de veículo furtado em via pública e que tiver sido entregue ao serviço de manobrista do referido estabelecimento. 53. 2003 – CESPE – DPE/AM – Defensor Público Estadual Com referência à responsabilidade civil, julgue os itens que se seguem. Em matéria de danos causados ao meio ambiente, a responsabilidade é objetiva, independe da existência de culpa e se configura diante da prova do dano, da ação ou da omissão do causador e da relação de causalidade. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 67 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa 54. 2003 – CESPE – DPE/AM – Defensor Público Estadual Com referência à responsabilidade civil, julgue os itens que se seguem. Os pais da vítima de morte em acidente de trânsito não são parte legítima para pleitear indenização por danos materiais, em forma de pensionamento mensal, porque se presume que cabe aos pais sustentar os filhos. 55. 2003 – CESPE – DPE/AM – Defensor Público Estadual Com referência à responsabilidade civil, julgue os itens que se seguem. O estabelecimento bancário responde pelos danos causados a terceiro em decorrência de conta-corrente aberta com documentos falsos. Gabaritos Gabaritos das questões com comentários ao longo da aula: 2016 – FAURGS – TJ/RS – Juiz Estadual Substituto C 2015 – FCC – TRT 15ª REGIÃO – Juiz do Trabalho Substituto A 2015 – UEPA – PGE/PA – Procurador do Estado E 2015 – COPS/UEL – PGE/PR – Procurador do Estado C 2015 – FUNDATEC – PGE/RS – Procurador do Estado A 2014 – UFPR – DPE/PR – Defensor Público Estadual http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 68 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa A 2014 – FMP – PGE/AC – Procurador do Estado D 2014 – FUNRIO – IF/PI – Professor de Direito B Gabaritos das questões sem comentários ao longo da aula: 1. 2016 – TRT 4ª REGIÃO – TRT 4ª REGIÃO (RS) – Juiz do Trabalho Substituto A 2. 2016 – TRF – TRF/3ª Região – Juiz Federal Substituto C 3. 2016 – VUNESP – TJM/SP – Juiz Estadual Substituto B 4. 2016 – TRT 2ª REGIÃO – TRT 2ª REGIÃO (SP) – Juiz do Trabalho Substituto D 5. 2016 – CESPE – PGE/AM – Procurador do Estado C 6. 2016 – CESPE – PGE/AM – Procurador do Estado C 7. 2016 – FCC – DPE/BA – Defensor Público Estadual D 8. 2015 – CESPE – TRF/5ª Região – Juiz Federal Substituto http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br69 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa A 9. 2015 – FCC – TJ/PI – Juiz Estadual Substituto A 10. 2015 – TRT 21ª REGIÃO – TRT 21ª REGIÃO (RN) – Juiz do Trabalho Substituto D 11. 2015 – FCC – TRT 23ª REGIÃO (MT) – Juiz do Trabalho Substituto E 12. 2015 – FCC – TRT 15ª Região – Juiz do Trabalho Substituto A 13. 2015 – FCC – TRT 23ª Região – Juiz do Trabalho Substituto D 14. 2015 – TRT 8ª Região – TRT 8ª Região – Juiz do Trabalho Substituto C 15. 2015 – FCC – TJ/SC – Juiz Estadual Substituto E 16. 2015 – CEFET – MPE/BA – Promotor de Justiça Substituto D 17. 2015 – CESPE – AGU – Advogado da União E 18. 2015 – CESPE – DPU – Defensor Público Federal E http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 70 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa 19. 2015 – FUNDATEC – PGE/RS – Procurador do Estado B 20. 2015 – FCC – DPE/MA – Defensor Público Estadual D 21. 2015 – CESPE – DPE/PE – Defensor Público Estadual E 22. 2014 – VUNESP – TJ/SP – Juiz Estadual Substituto D 23. 2014 – CESPE – PGE/BA – Procurador do Estado C 24. 2014 – CESPE – PGE/BA – Procurador do Estado E 25. 2014 – FCC – DPE/PB – Defensor Público Estadual D 26. 2014 – FUNDATEC – Câmara Municipal/Porto Alegre (RS) – Procurador Legislativo D 27. 2014 – FUNDATEC – Câmara Municipal/Porto Alegre (RS) – Procurador Legislativo A 28. 2013 – PGR – PGR – Procurador da República D 29. 2013 – MPE/SP – MPE/SP – Promotor de Justiça Substituto A http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 71 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa 30. 2013 – CESPE – DP/DF – Defensor Público Estadual E 31. 2013 – FEPESE – DPE/SC – Analista Técnico da Defensoria B 32. 2012 – MPT – MPT – Procurador do Trabalho B 33. 2012 – FCC – DPE/PR – Defensor Público Estadual E 34. 2012 – FCC – DPE/PR – Defensor Público Estadual E 35. 2012 – CESPE – DPE/SE – Defensor Público Estadual A 36. 2012 – FGV – PC/MA – Delegado de Polícia Substituto A 37. 2011 – PGR – PGR – Procurador da República C 38. 2011 – CESPE – DPE/MA – Defensor Público Estadual C 39. 2010 – CESPE – DPE/BA – Defensor Público Estadual C 40. 2010 – CESPE – DPU – Defensor Público Federal E http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 72 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa 41. 2009 – CESPE – AGU – Advogado da União C 42. 2009 – CESPE – DPE/AL – Defensor Público Estadual E 43. 2009 – CESPE – DPE/AL – Defensor Público Estadual E 44. 2009 – FCC – DPE/MA – Defensor Público Estadual E 45. 2006 – CESPE – AGU – Advogado da União C 46. 2006 – CESPE – AGU – Advogado da União C 47. 2006 – CESPE – DPE/AC – Defensor Público Estadual D 48. 2005 – FCC – PGE/SE – Procurador do Estado E 49. 2004 – CESPE – AGU – Advogado da União E 50. 2003 – FCC – PGE/MA – Procurador do Estado E 51. 2003 – PGE – PGE/MS – Procurador do Estado B 52. 2003 – CESPE – DPE/AM – Defensor Público Estadual http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 73 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa E 53. 2003 – CESPE – DPE/AM – Defensor Público Estadual C 54. 2003 – CESPE – DPE/AM – Defensor Público Estadual E 55. 2003 – CESPE – DPE/AM – Defensor Público Estadual C Questões com comentários Aqui, as questões que foram comentadas ao longo da aula, com comentários: 2016 – FAURGS – TJ/RS – Juiz Estadual Substituto Sobre a reparação de danos, é correto afirmar que a) apenas a culpa concorrente da vítima é admitida como causa de redução da indenização pelo Código Civil, constituindo exceção ao princípio da reparação integral. b) se adota, segundo entendimento majoritário, a teoria do risco integral como fundamento da imputação de responsabilidade, independente de culpa em razão de atividade de risco (artigo 927, parágrafo único). c) todos os membros de um grupo, pela adoção da teoria da causalidade alternativa, podem ser responsabilizados, quando não seja possível determinar, dentre eles, quem deu causa à lesão. d) a responsabilidade pelo fato do animal é independente de culpa do seu dono ou detentor, não podendo ser afastada mesmo quando ausente o nexo de causalidade. e) o patrimônio do incapaz não pode servir ao pagamento da indenização, cabendo exclusivamente aos pais, tutores ou curadores, conforme o caso, responder pelos danos que ele causar. Comentários http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 74 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa A está incorreta, pois o art. 944, parágrafo único (“Se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano, poderá o juiz reduzir, eqüitativamente, a indenização“) permite a redução da indenização em outros casos. A alternativa B está incorreta, já que o referido dispositivo adota a responsabilidade objetiva, mas não integral, excepcionalíssima no ordenamento privado. A alternativa C está correta, sendo esse caso excepcional de responsabilização civil. A alternativa D está incorreta, já que, obviamente, a ausência de nexo de causalidade afasta o dever de indenizar, como, por exemplo, no caso de culpa exclusiva da vítima que atiça o animal. A alternativa E está incorreta, na literalidade do art. 928: “O incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes”. 2015 – FCC – TRT 15ª REGIÃO – Juiz do Trabalho Substituto O motorista de um supermercado, dirigindo veículo da empresa e no horário de trabalho, envolveu-se em acidente, do qual resultou a morte de ocupante de outro veículo, mas foi absolvido na ação penal por insuficiência de prova. Sua culpa, entretanto, assim como os demais requisitos para a responsabilização civil, foram provados em ação indenizatória movida pelo cônjuge e filhos da vítima contra aquele motorista e seu empregador. Neste caso, a) o motorista e seu empregador serão solidariamente responsáveis pela indenização. b) somente o empregador será responsável pela indenização, porque o empregado foi absolvido no juízo criminal. c) somente o motorista será responsável pela indenização, se o seu empregador provar que diligenciou na escolha do preposto e o vigiou, mas ambos serão solidariamente responsáveis se essa prova não for realizada. d) o motorista e seu empregador serão conjuntamente responsáveis pela indenização, sendo subsidiária a responsabilidade do empregador. e) não haverá obrigação de indenizar, porque a sentença penal absolutória eliminou a responsabilidade civil. Comentários A alternativa A está correta, segundo o art. 942, parágrafo único (“São solidariamente responsáveis com os autores os coautores e as pessoas designadas no art. 932”) conjugado com o art. 932, inc. III (“São também responsáveis pela reparação civil o empregador ou comitente, por seus http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 75 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa empregados, serviçais e prepostos, no exercíciodo trabalho que lhes competir, ou em razão dele”. A alternativa B está incorreta, conforme o art. 942: “Os bens do responsável pela ofensa ou violação do direito de outrem ficam sujeitos à reparação do dano causado; e, se a ofensa tiver mais de um autor, todos responderão solidariamente pela reparação”. A alternativa C está incorreta, consoante o art. 933: “As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente, ainda que não haja culpa de sua parte, responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos”. A alternativa D está incorreta, de acordo com o parágrafo único do art. 942, supracitado. A alternativa E está incorreta, já que o art. 935 (“A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal”) prevê que as questões não podem ser discutidas, mas a exclusão da responsabilidade penal por ausência de prova não obsta sua prova no juízo cível. 2015 – UEPA – PGE/PA – Procurador do Estado Sobre a responsabilidade civil, é correto afirmar que: a) na responsabilidade civil decorrente do abuso de direito o ofensor não pratica ato ilícito, mas apenas se excede no exercício de um direito respaldado em lei. b) de acordo com a jurisprudência predominante do STF, a responsabilidade civil das pessoas jurídicas de direito privado, prestadoras de serviços públicos, é objetiva apenas relativamente a terceiros usuários do serviço; não abrangendo os não-usuários, que devem provar a culpa das concessionárias e/ou permissionárias. c) de acordo com a jurisprudência predominante do STF, a indenização acidentária exclui a de direito comum devida pelo causador do dano resultante de acidente do trabalho, de modo a evitar o bis in idem. d) de acordo com a jurisprudência predominante do STJ, a anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito dá ensejo a indenização por dano moral, mesmo quando preexistente legítima inscrição. e) não é possível ao STJ rever o valor da indenização por danos morais pelas instâncias ordinárias, por aplicação da Súmula nº 7 daquele Tribunal Superior, ressalvadas as hipóteses em que esse valor se mostrar ínfimo ou exagerado. Comentários http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 76 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa A está incorreta, já que o art. 187 é claro ao dispor que o abuso de direito gera ato ilícito. A alternativa B está incorreta, como vimos anteriormente, já que se entende que a responsabilidade da Administração Pública é objetiva em relação a terceiros, sejam usuários e não-usuários. A alternativa C está incorreta, conforme ficará mais claro na jurisprudência correlata, adiante, pois se tratam de indenizações de fontes diferentes. A alternativa D está incorreta, conforme ficará mais claro na jurisprudência correlata, adiante, já que a anotação prévia, regular ou não, é que causa o dano, sendo que a posterior não acrescenta dano à vítima. A alternativa E está correta, conforme ficará mais claro na jurisprudência correlata, adiante, dado que o próprio STJ excepciona a aplicação da Súmula 7. 2015 – COPS/UEL – PGE/PR – Procurador do Estado Com relação à responsabilidade civil no direito civil brasileiro contemporâneo, é CORRETO afirmar que: A) O abuso do direto pressupõe logicamente a existência do direito, embora o titular se exceda no exercício dos poderes que o integram. Assim, quem alega a ausência de direito não pode validamente alegar a existência de abuso de direito. E quem pretende indenização pelos danos decorrentes do exercício abusivo de direito deve comprovar a culpa neste exercício abusivo de um direito existente. B) Como a responsabilidade civil da Administração Pública é objetiva, não se lhe aplicam as excludentes de responsabilidade por ausência de nexo de causalidade entre a conduta e o dano ou por inexistência de dano. C) Em regra, o fundamento da responsabilidade civil extracontratual no direito brasileiro é uma atuação culposa. Excepcionalmente, poderá haver imputação pelo risco. D) Na responsabilidade civil contratual, a violação de deveres laterais impostos pelo princípio da boa-fé, tais como os deveres mútuos de proteção, lealdade, informação e assistência, não gera o dever de indenizar perdas e danos, mas tão somente a anulação do contrato. E) Nos casos de deferimento judicial de indenização por danos morais decorrentes de ato ilícito, os juros de mora contam-se a partir da citação. Comentários A alternativa A está incorreta, porque o abuso de direito não pressupõe comprovação de culpa, basta demonstrar o excesso, abusivo, como vimos anteriormente. A alternativa B está incorreta, dado que, em que pese se tratar de responsabilidade civil objetiva, seja para a Administração Pública ou não, os http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 77 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa excludentes de responsabilidade por exclusão do nexo de causalidade (no caso, a culpa exclusiva da vítima) também se aplicam à espécie. A alternativa C está correta, por aplicação da regra do art. 927 e de seu parágrafo único, vistos na aula passada. A alternativa D está incorreta, como vimos acima, já que a violação desses deveres é abusiva, na forma do art. 187 do CC/2002. A alternativa E está incorreta, como vimos na aula de Direito das Obrigações, por aplicação da Súmula 54 do STJ (“Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em caso de responsabilidade extracontratual”). 2015 – FUNDATEC – PGE/RS – Procurador do Estado Em relação à obrigação de indenizar, analise as seguintes assertivas: I. O incapaz pode responder, equitativamente, por prejuízos por ele causados. II. O pai pode ressarcir-se perante o filho, relativamente incapaz, pela indenização paga a terceiro por ato cometido pelo seu descendente. III. A obrigação de prestar reparação transmite-se com a herança. IV. A responsabilidade civil independe da criminal, podendo se questionar quanto à existência do fato mesmo quando esta questão se achar decidida no juízo criminal. Quais estão corretas? A) Apenas I e III. B) Apenas II e III. C) Apenas I, II e III. D) Apenas I, II e IV. E) Apenas I, III e IV. Comentários O item I está correto, como vimos em aula anterior, de acordo com o art. 928: “O incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes”. O item II está incorreto, na forma do art. 934: “Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem pagou, salvo se o causador do dano for descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz”. O item III está correto, segundo o art. 943: “O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmitem-se com a herança”. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 78 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa O item IV está incorreto, conforme o art. 935: “A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal”. A alternativa A está correta, portanto. 2014 – UFPR – DPE/PR – Defensor Público Estadual A respeito da Responsabilidade Civil no Código Civil de 2002, é correto afirmar: a) Ainda que a responsabilidade por fato de terceiro seja objetiva em relação aos pais, incumbe ao ofendidoprovar a culpa do filho menor que estiver sob a autoridade ou em companhia daqueles e que seja o causador do dano, com o que estará configurado o dever de indenizar. b) Aquele que requerer em Juízo a busca e apreensão de determinado bem sem necessidade não pratica ato ilícito, uma vez que apenas está exercendo seu direito constitucional de ação. c) Os atos praticados em estado de necessidade são considerados lícitos, razão pela qual não obrigam o seu autor a indenizar o dono da coisa deteriorada ou destruída, mesmo que este não seja culpado pela situação de perigo que motivou a ação. d) O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmitem-se com a herança, sendo ilimitada a responsabilidade do sucessor a título universal. e) Compreende-se no conceito de dano emergente aquilo que a vítima efetivamente perdeu e o que razoavelmente deixou de ganhar com a ocorrência do fato danoso. Comentários A alternativa A está correta, pela literalidade do art. 933: “As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente, ainda que não haja culpa de sua parte, responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos”. Ou seja, os responsável legais respondem objetivamente, mas não se fala o mesmo sobre os causadores dos danos. A alternativa B está incorreta, visualizando-se, in casu, típico caso de abuso de direito, nos termos do art. 187 A alternativa C está incorreta, dado que o art. 188, incs. I e II limitam a licitude à legítima defesa, ao exercício regular de direito e à destruição de pessoa/coisa para evitar perigo iminente, mas não o estado de necessidade A alternativa D está incorreta, pelo princípio do direito hereditário brasileiro de que as dívidas não atingem os herdeiros quando ultrapassarem as forças da herança. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 79 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa 2014 – FMP – PGE/AC – Procurador do Estado É caso de responsabilidade subjetiva: (A) a dos pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia. (B) a do tutor pelo pupilo que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia. (C) a dos que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia. (D) a do incapaz se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes. Comentários A alternativa A está incorreta, de acordo com art. 932, inc. I (“São também responsáveis pela reparação civil os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia”) em conjunto com o art. 933 (“As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente, ainda que não haja culpa de sua parte, responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos”). A alternativa B está incorreta, conforme o art. 932, inc. II (“São também responsáveis pela reparação civil o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições”) em conjunto com o art. 933 (“As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente, ainda que não haja culpa de sua parte, responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos”). A alternativa C está incorreta, na literalidade do art. 932, inc. V (“São também responsáveis pela reparação civil os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia”) em conjunto com o art. 933 (“As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente, ainda que não haja culpa de sua parte, responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos”). A alternativa D está correta, conforme a regra geral do art. 927, não contrariada pelo art. 928 (“O incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes”). Veja-se que, inexistindo menção expressa sobre a responsabilidade ser objetiva, segue-se a regra de responsabilização objetiva. 2014 – FUNRIO – IF/PI – Professor de Direito No tocante a responsabilidade civil é correto afirmar que http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 80 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa a. haverá obrigação de reparar o dano, dependentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem. b. o incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes. c. os responsáveis não são responsáveis civilmente pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e companhia. d. o dono, ou detentor, do animal não ressarcirá o dano por este causado, se não provar culpa da vítima ou força maior. e. aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem pagou, mesmo se o causador do dano for descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz. Comentários A alternativa A está incorreta, nos termos do art. 927, parágrafo único: “Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem”. A alternativa B está correta, segundo o art. 928: “O incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes”. A alternativa C está incorreta, conforme o art. 932, inc. I: “São também responsáveis pela reparação civil os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia”. A alternativa D está incorreta, na forma do art. 936: “O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este causado, se não provar culpa da vítima ou força maior”. A alternativa E está incorreta, de acordo com o art. 934: “Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem pagou, salvo se o causador do dano for descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz”. Aqui, as questões que não foram tratadas ao longo da aula, com comentários: 1. 2016 – TRT 4ª REGIÃO – TRT 4ª REGIÃO (RS) – Juiz do Trabalho Substituto http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 81 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa Considere as assertivas abaixo sobre responsabilidade civil. I - É possível a responsabilização do incapaz pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes. II - O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmitem-se com a herança, podendo a reparação ser cobrada integralmente do herdeiro. III - A indenização é prestada, preferencialmente, em moeda corrente. Quais são corretas? a) Apenas I b) Apenas II c) Apenas III d) Apenas II e III e) I, II e III Comentários O item I está correto, na literalidade do art. 928: “O incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes”. O item II está incorreto. A primeira parte está correta, pela previsão do art. 943: “O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmitem-se com a herança”. No entanto, a reparação pode ser cobrada dos herdeiros apenas nos limites das forças da herança, e não integralmente (ainda que a redação do item seja dúbia). O item III está incorreto,como se extrai do art. 947: “Se o devedor não puder cumprir a prestação na espécie ajustada, substituir-se-á pelo seu valor, em moeda corrente”, que estabelece que a reparação é a que restitui a pessoa ao status quo ante. A alternativa A é a correta, portanto. 2. 2016 – TRF – TRF/3ª Região – Juiz Federal Substituto Marque a alternativa correta, observando a jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça: a) A simples propositura da ação de revisão de contrato inibe a caracterização da mora do autor. b) Nas indenizações por ato ilícito, os juros compostos não são devidos por aquele que praticou o crime. c) A evicção consiste na perda parcial ou integral da posse ou da propriedade do bem, via de regra, em virtude de decisão judicial que atribui o uso, a http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 82 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa posse ou a propriedade a outrem, em decorrência de motivo jurídico anterior ao contrato de aquisição. d) Os conceitos de onerosidade excessiva e de imprevisão são sinônimos, tendo o legislador civil deles feito uso de modo indistinto. Comentários A alternativa A está incorreta, de acordo com a Súmula 380 do STJ: “A simples propositura da ação de revisão de contrato não inibe a caracterização da mora do autor”. A alternativa B está incorreta, conforme a Súmula 186 do STJ: “Nas indenizações por ato ilícito, os juros compostos somente são devidos por aquele que praticou o crime”. A alternativa C está correta, já que a alternativa retrata, quase literalmente, o entendimento doutrinário uníssono a respeito do instituto da evicção. A alternativa D está incorreta, como se extrai do art. 478 (“Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da citação”) e do art. 317 (“Quando, por motivos imprevisíveis, sobrevier desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e o do momento de sua execução, poderá o juiz corrigi-lo, a pedido da parte, de modo que assegure, quanto possível, o valor real da prestação”). 3. 2016 – VUNESP – TJM/SP – Juiz Estadual Substituto Considere o caso hipotético. Antonio e Maria contrataram a prestação de serviço de um laboratório particular para coletar células-tronco embrionárias do cordão umbilical de seu filho que iria nascer, pagando previamente pelo serviço de coleta. Por ocasião do parto, o laboratório foi avisado pelo casal, mas nenhum representante compareceu, deixando de coletar o material genético que poderia ser usado, no futuro, em eventual tratamento da saúde do nascituro. Proposta ação indenizatória pelos pais e a criança, assinale a alternativa que melhor soluciona a questão. a) Os pais têm direito à indenização por danos materiais e os três a danos morais, não se falando na perda de uma chance, ou dano hipotético, que só ocorreria se a criança fosse vir a necessitar do material coletado no futuro. b) Os pais têm direito à indenização por danos morais e materiais e a criança a ser reparada pela perda de uma chance de obter um proveito determinado ou de evitar uma perda, por ser a beneficiária do contrato celebrado. c) Apenas os pais são legitimados a receber indenização por danos morais, materiais e pela perda de uma chance, uma vez que a criança não participou do contrato, tratando-se de mero dano hipotético. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 83 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa d) Os três são legitimados a receber indenização por danos materiais, morais e pela perda de uma chance, em razão da potencialização do dano. e) Os pais têm direito apenas a serem reparados por danos materiais e a criança pelos danos morais ou pela perda de uma chance, que se confundem, evidenciada por um dano certo, por evitar determinado prejuízo. Comentários A alternativa A está incorreta, eis que esse é típico caso de aplicação da teoria da perda de uma chance. A alternativa B está correta, conforme a jurisprudência do STJ: “RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. PERDA DE UMA CHANCE. DESCUMPRIMENTO DE CONTRATO DE COLETA DE CÉLULAS-TRONCO EMBRIONÁRIAS DO CORDÃO UMBILICAL DO RECÉM NASCIDO. NÃO COMPARECIMENTO AO HOSPITAL. LEGITIMIDADE DA CRIANÇA PREJUDICADA. DANO EXTRAPATRIMONIAL CARACTERIZADO. 1. Demanda indenizatória movida contra empresa especializada em coleta e armazenagem de células tronco embrionárias, em face da falha na prestação de serviço caracterizada pela ausência de prepostos no momento do parto. 2. Legitimidade do recém nascido, pois "as crianças, mesmo da mais tenra idade, fazem jus à proteção irrestrita dos direitos da personalidade, entre os quais se inclui o direito à integralidade mental, assegurada a indenização pelo dano moral decorrente de sua violação" (REsp. 1.037.759/RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, TERCEIRA TURMA, julgado em 23/02/2010, DJe 05/03/2010). 3. A teoria da perda de uma chance aplica-se quando o evento danoso acarreta para alguém a frustração da chance de obter um proveito determinado ou de evitar uma perda. 4. Não se exige a comprovação da existência do dano final, bastando prova da certeza da chance perdida, pois esta é o objeto de reparação. 5. Caracterização de dano extrapatrimonial para criança que tem frustrada a chance de ter suas células embrionárias colhidas e armazenadas para, se for preciso, no futuro, fazer uso em tratamento de saúde. 6. Arbitramento de indenização pelo dano extrapatrimonial sofrido pela criança prejudicda (REsp 1291247/RJ, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 19/08/2014, DJe 01/10/2014)”. A alternativa C está incorreta, já que é a criança a sofrer o dano da conduta irresponsável, e não os pais. A alternativa D está incorreta, porque os pais não são partes legítimas para pleitear indenização em vista de os danos se relacionarem com a criança. A alternativa E está incorreta, pelas mesmas razões expostas nas alternativas anteriores. 4. 2016 – TRT 2ª REGIÃO – TRT 2ª REGIÃO (SP) – Juiz do Trabalho Substituto Quanto à responsabilidade civil assinale a alternativa INCORRETA: http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 84 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa a) Sendo da própria atividade o risco de dano, o autor ficará responsável pela indenização civil independentemente da aferição de culpa. b) Decidido acerca da existência do fato e seu autor no juízo criminal, é vedado discutir-se tais questões no juízo competente para resolver sobre a responsabilidade civil. c) Sendo o dano desproporcional à gravidade da culpa do autor, o Juiz poderá reduzir o valor da indenização, mas se o autor for menor, poderá deixar de fixá-la se privá-lo ou a seus dependentes do necessário. d) O incapaz não responde pelos prejuízos que causar ainda que as pessoas por ele responsáveis não disponham de meios suficientes para cumprir a obrigação. e) O Juiz poderá fixar indenização a ser paga de uma só vez se do dano sofrido vier resultar defeito que inabilite a vítima ao exercício de sua profissão. Comentários A alternativa A está correta, conforme a segunda parte do art. 927, parágrafo único: “Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitosde outrem”. A alternativa B está correta, na literalidade do art. 935: “A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal”. A alternativa C está correta, na conjugação do art. 944, parágrafo único (“Se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano, poderá o juiz reduzir, eqüitativamente, a indenização“) com o art. 928, parágrafo único (“A indenização prevista neste artigo, que deverá ser eqüitativa, não terá lugar se privar do necessário o incapaz ou as pessoas que dele dependem”). A alternativa D está incorreta, segundo o art. 928: “O incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes”. A alternativa E está correta, na dicção do parágrafo único (“O prejudicado, se preferir, poderá exigir que a indenização seja arbitrada e paga de uma só vez”) do art. 950 (“Se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exercer o seu ofício ou profissão, ou se lhe diminua a capacidade de trabalho, a indenização, além das despesas do tratamento e lucros cessantes até ao fim da convalescença, incluirá pensão correspondente à importância do trabalho para que se inabilitou, ou da depreciação que ele sofreu”). 5. 2016 – CESPE – PGE/AM – Procurador do Estado http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 85 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa A teoria da responsabilidade civil objetiva aplica-se a atos ilícitos praticados por agentes de autarquias estaduais. Comentários O item está correto, pois, de fato, a responsabilidade do Estado pelos ilícitos causados por agentes de autarquias, federais ou estaduais, é objetiva. Nesse sentido, a lição do art. 37, §6º da CF/1988: “As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa”. Em julgado ainda pré-Constituição de 1988, no AI 113722 AgR/SP, o Min. Sydney Sanches já o decidia. 6. 2016 – CESPE – PGE/AM – Procurador do Estado Constitui ato lícito a ação de destruir o vidro lateral de veículo alheio, de alto valor comercial, a fim de removê-lo das proximidades de local onde se alastrem chamas de incêndio. Comentários O item está correto, na forma do art. 188, inc. II do CC/2002: “Não constituem atos ilícitos, a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de remover perigo iminente”. Atente para a regra do parágrafo único: “No caso do inciso II, o ato será legítimo somente quando as circunstâncias o tornarem absolutamente necessário, não excedendo os limites do indispensável para a remoção do perigo”. 7. 2016 – FCC – DPE/BA – Defensor Público Estadual De acordo com a jurisprudência dominante no Superior Tribunal de Justiça, (A) o Estado tem responsabilidade civil nos casos de morte de custodiado em unidade prisional, desde que se prove a culpa in vigilando. (B) a operadora de saúde não é responsável por eventuais falhas na prestação de serviços pelo profissional credenciado. (C) a inclusão indevida do nome de consumidor em cadastro de proteção ao crédito gera dano moral indenizável, desde que se comprove efetivo prejuízo extrapatrimonial. (D) as instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 86 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa (E) a falta de pagamento do prêmio do seguro obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT) justifica a recusa do pagamento da indenização. Comentários A alternativa A está incorreta, em decorrência da aplicação do AgRg no AREsp 346.952/PE (Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/10/2013, DJe 23/10/2013): “ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. MORTE DE PRESO. ESTABELECIMENTO PRISIONAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO”. A alternativa B está incorreta, na forma do AgRg no AREsp 194.955/RJ (Rel. Ministro SIDNEI BENETI, TERCEIRA TURMA, julgado em 26/02/2013, DJe 20/03/2013): AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO. RESPONSABILIDADE CIVIL. OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. ERRO MÉDICO. 1. A operadora de plano da saúde responde por falhas nos serviços prestados por profissional médico credenciado. Precedentes desta Corte”. A alternativa C está incorreta, conforme o REsp 1105974/BA (Rel. Ministro SIDNEI BENETI, TERCEIRA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009): “RESPONSABILIDADE CIVIL. INCLUSÃO INDEVIDA DO NOME DA CLIENTE NOS ÓRGÃOS DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO. DANO MORAL PRESUMIDO. VALOR DA REPARAÇÃO. CRITÉRIOS PARA FIXAÇÃO. CONTROLE PELO STJ. POSSIBILIDADE. REDUÇÃO DO QUANTUM”. A alternativa D está correta, consoante estabelece a Súmula 479/STJ: "As instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias". A alternativa E está incorreta, de acordo com a Súmula 257/STJ: “A falta de pagamento do prêmio do seguro obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT) não é motivo para a recusa do pagamento da indenização”. 8. 2015 – CESPE – TRF/5ª Região – Juiz Federal Substituto Juliana faleceu aos oito anos de idade, após ter sido atropelada por um veículo oficial do Ministério da Fazenda. Os pais da criança, pessoas humildes e de baixa renda, ajuizaram ação contra a União, requerendo indenização por danos materiais consistentes no pagamento de pensão mensal. Com relação a essa situação hipotética, assinale a opção correta. a) A pensão mensal será devida aos pais da vítima a partir do dia em que esta completaria quatorze anos de idade. b) A pensão mensal no valor de dois terços do salário mínimo será devida aos pais da vítima desde a data do falecimento desta. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 87 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa c) A pensão mensal arbitrada somente deixará de ser paga quando ocorrer o óbito dos pais da vítima. d) Gratificação natalina e décimo terceiro salário não farão parte da pensão fixada a título de indenização. e) A pensão mensal no valor de um terço do salário mínimo será devida aos pais da vítima desde a data do evento danoso. Comentários A alternativa A está correta, conforme o STJ: “Tratando-se de família de baixa renda, presume-se que o filho contribuiria para o sustento de seus pais, quando tivesse idade para passar a exercer trabalho remunerado, dano este passível de indenização. Pensão mensal de 2/3 (dois terços) do salário mínimo, inclusive gratificação natalina, contada a partir do dia em que a vítima completasse 14 anos até a data em que viria a completar 25 anos, reduzida, a partir de então, para 1/3 (um terço) do salário mínimo, até o óbito dos beneficiários da pensão ou a data em que a vítima completaria 65 anos de idade, o que ocorrer primeiro (AgRg no Ag 1217064/RJ, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 23/04/2013, DJe 08/05/2013)”. A alternativa B está incorreta, contando-se o pensionamento de 2/3 a partir apenas da data na quala pessoa completaria 14 anos, conforme visto acima. A alternativa C está incorreta, já que é irrelevante a morte dos pais da vítima, mas sim a morte de seus beneficiários (ainda que em geral sejam os pais os beneficiários, mas nem sempre), igualmente de acordo com o julgado acima. A alternativa D está incorreta, pois, novamente com base no julgado mencionado, a gratificação natalina é devida (sendo que “décimo terceiro” é o termo popular para o técnico-trabalhista gratificação natalina). A alternativa E está incorreta, ulteriormente, com base no julgado supracitado, já que o terço é contado apenas a partir dos 25 anos. 9. 2015 – FCC – TJ/PI – Juiz Estadual Substituto O incapaz a) responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes. b) não responde com seus bens pelos prejuízos que causar, em nenhuma hipótese, se a incapacidade for absoluta. c) não responde com seus bens pelos prejuízos que causar, devendo suportá-los somente seus responsáveis. d) apenas responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 88 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa e) apenas responde com seus bens pelos prejuízos que causar, se a incapacidade cessar, ficando até esse momento suspenso o prazo prescricional. Comentários A alternativa A está correta, na literalidade do art. 928: “O incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes”. As alternativas B, C, D e E estão incorretas, consequentemente. 10. 2015 – TRT 21ª REGIÃO – TRT 21ª REGIÃO (RN) – Juiz do Trabalho Substituto Consoante a dinâmica da responsabilidade civil, é correto afirmar, à luz da legislação pátria e da jurisprudência dominante nos Tribunais Superiores: a) Ofensas indenizáveis, se possuírem mais de um autor, somente implicam responsabilização solidária nos casos de obrigação indivisível, pois do contrário, cada autor responde de forma proporcional à extensão de sua culpa. b) Não se configura ilícito praticado em face de direito personalíssimo do empregado, a mera utilização de sua imagem para fins comerciais, sem autorização, durante a jornada de trabalho, não se podendo falar em reparação de dano moral por tal motivo. c) A incapacidade é elemento excludente da responsabilidade civil própria, o que não limita a possibilidade de reparação perante os responsáveis legais pelo incapaz. d) Na hipótese de responsabilidade extracontratual, os juros de mora são devidos desde a data do evento danoso e não da citação. e) O construtor tem responsabilidade exclusivamente perante o dono da obra, devendo este último responder perante terceiros que, eventualmente, venham a sofrer danos decorrentes da execução da mesma. Comentários A alternativa A está incorreta, segundo o art. 942, parágrafo único: “São solidariamente responsáveis com os autores os coautores e as pessoas designadas no art. 932”. A alternativa B está incorreta, de acordo com a Súmula 403 do STJ: “Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada da imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais”. A alternativa C está incorreta, na literalidade do art. 928: “O incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes”. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 89 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa D está correta, conforme o art. 398: “Nas obrigações provenientes de ato ilícito, considera-se o devedor em mora, desde que o praticou”. A alternativa E está incorreta, dada a jurisprudência antiga do STJ a respeito: “Responsabilidade civil. Desabamento de muro. Responsabilidade do dono do imóvel e do empreiteiro. Prova do dano moral. Precedentes da Corte. Do mesmo modo, precedente da Corte já assentou que o "proprietário da obra responde, solidariamente com o empreiteiro, pelos danos que a demolição de prédio causa no imóvel vizinho" (REsp 180.355/SP, Rel. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO, TERCEIRA TURMA, julgado em 14/10/1999, DJ 06/12/1999, p. 84)”. 11. 2015 – FCC – TRT 23ª REGIÃO (MT) – Juiz do Trabalho Substituto Carlos foi vítima de golpe por meio do qual fraudadores utilizaram-se de documentos falsos a fim de realizar operações bancárias em seu nome. Procurada por Carlos, a instituição financeira afirmou não ter tido culpa pelo incidente, negando-se a restituir o prejuízo. A negativa é a) ilícita, configurando abuso do direito, decorrente da inobservância do princípio da boa-fé subjetiva, que impõe às partes, dentre outros, o dever anexo de segurança, independentemente da existência do elemento culpa. b) lícita, pois, para caracterização do abuso do direito, é necessária a existência do elemento culpa. c) lícita, por ausência de nexo de causalidade entre a atividade da instituição financeira e o prejuízo experimentado por Carlos. d) lícita, pois somente comete ato ilícito aquele que, por ação ou omissão voluntária decorrente de negligência ou imprudência, viola direito e causa dano a outrem. e) ilícita, configurando abuso do direito, decorrente da inobservância do princípio da boa-fé objetiva, que impõe às partes, dentre outros, o dever anexo de segurança, independentemente da existência do elemento culpa. Comentários A alternativa A está incorreta, eis que há inobservância da boa-fé objetiva, não subjetiva, inaplicável à seara negocial. A alternativa B está incorreta, segundo o Enunciado 37 do CJF: “responsabilidade civil decorrente do abuso do direito independe de culpa, e fundamenta-se somente no critério objetivo-finalístico”. A alternativa C está incorreta, evidentemente, já que se trata de situação de fortuito interno. A alternativa D está incorreta, conforme o art. 187: “Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes”. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 90 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa E está correta, de acordo com a Súmula 479 do STJ: “As instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias”. 12. 2015 – FCC – TRT 15ª Região – Juiz do Trabalho Substituto O motorista de um supermercado, dirigindo veículo da empresa e no horário de trabalho, envolveu-se em acidente, do qual resultou a morte de ocupante de outro veículo, mas foi absolvido na ação penal por insuficiência de prova. Sua culpa, entretanto, assim como os demais requisitos para a responsabilização civil, foram provados em ação indenizatória movida pelo cônjuge e filhos da vítima contra aquele motorista e seu empregador. Neste caso, a) o motorista e seu empregador serão solidariamente responsáveis pela indenização. b) somente o empregador será responsável pela indenização, porque o empregado foi absolvido no juízo criminal. c) somente o motorista será responsável pela indenização, se o seu empregador provar que diligenciou na escolha do preposto e o vigiou, mas ambos serão solidariamente responsáveis se essa prova não for realizada. d) o motorista e seu empregador serão conjuntamente responsáveis pelaindenização, sendo subsidiária a responsabilidade do empregador. e) não haverá obrigação de indenizar, porque a sentença penal absolutória eliminou a responsabilidade civil. Comentários A alternativa A está correta, dada a literalidade do art. 942, parágrafo único: “São solidariamente responsáveis com os autores os co-autores e as pessoas designadas no art. 932”. A alternativa B está incorreta, como se extrai do Informativo 517 do STJ: “Sentença penal absolutória, por insuficiência de provas, não gera repercussão no juízo cível”. A alternativa C está incorreta, como se vê pelo art. 932, inc. III: “São também responsáveis pela reparação civil o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele”. A alternativa D está incorreta, já que a responsabilidade é solidária, a teor do art. 942, supramencionado. A alternativa E está incorreta, novamente, pelas mesmas razões apontadas na assertiva B. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 91 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa 13. 2015 – FCC – TRT 23ª Região – Juiz do Trabalho Substituto Caminhão da Transportadora Ribeirão, conduzido por seu empregado Lúcio, abalroou veículo pertencente a Paulo, que ajuizou ação pugnando pela condenação da empresa. Esta será responsabilizada de maneira a) subjetiva, se provado que Lúcio agiu com culpa. b) objetiva, independentemente de prova de que Lúcio agiu com culpa. c) subjetiva, por culpa presumida, se provado que Lúcio agiu com culpa. d) objetiva, se provado que Lúcio agiu com culpa. e) subjetiva, por culpa presumida, independentemente de prova de que Lúcio agiu com culpa. Comentários A alternativa A está incorreta, porque a responsabilidade civil subjetiva se aplica apenas ao agente, sendo objetiva a responsabilidade civil do responsável. A alternativa B está incorreta, pelas mesmas razões da alternativa anterior, dado que necessário provar a culpa do agente. A alternativa C está incorreta, não havendo que se falar em culpa presumida. A alternativa D está correta, na literalidade do art. 932, inc. III: “São também responsáveis pela reparação civil o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele”. A alternativa E está incorreta, pelas mesmas razões da assertiva C, supramencionada. 14. 2015 – TRT 8ª Região – TRT 8ª Região – Juiz do Trabalho Substituto Sobre a responsabilidade civil no Código Civil Brasileiro, é CORRETO afirmar que: a) O incapaz não responde pelos prejuízos que causar tendo em vista a responsabilidade dos pais ou responsáveis. b) Haverá obrigação de reparar o dano, através da averiguação de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem. c) Se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exercer o seu ofício ou profissão, ou se lhe diminua a capacidade de trabalho, a indenização, além das despesas do tratamento e lucros cessantes até ao fim http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 92 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa da convalescença, incluirá pensão correspondente à importância do trabalho para que se inabilitou, ou da depreciação que ele sofreu. d) O prejudicado não poderá exigir que a indenização seja arbitrada e paga de uma só vez, salvo se demonstrado o estado de solvência do devedor. e) Em caso de usurpação ou esbulho do alheio, quando não mais exista a própria coisa, a indenização será estimada pelo seu preço ordinário, não sendo considerado o preço de afeição. Comentários A alternativa A está incorreta, conforme o art. 928: “O incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes”. A alternativa B está incorreta, de acordo com o art. 927, parágrafo único: ”Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem”. A alternativa C está correta, na literalidade do art. 950: “Se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exercer o seu ofício ou profissão, ou se lhe diminua a capacidade de trabalho, a indenização, além das despesas do tratamento e lucros cessantes até ao fim da convalescença, incluirá pensão correspondente à importância do trabalho para que se inabilitou, ou da depreciação que ele sofreu”. A alternativa D está incorreta, na dicção do art. 950, parágrafo único: “O prejudicado, se preferir, poderá exigir que a indenização seja arbitrada e paga de uma só vez”. A alternativa E está incorreta, dada a disposição do art. 952: “Havendo usurpação ou esbulho do alheio, além da restituição da coisa, a indenização consistirá em pagar o valor das suas deteriorações e o devido a título de lucros cessantes; faltando a coisa, dever-se-á reembolsar o seu equivalente ao prejudicado”. 15. 2015 – FCC – TJ/SC – Juiz Estadual Substituto A v́tima de um acidente automobiĺstico ajuizou, um ano aṕs o fato, ac ֚̃o indenizat́ria contra o condutor, a quem o propriet́rio confiara o véculo, ocorrendo imediatamente a citac֚̃o. Achando-se ainda o processo em curso, mas j́ passados quatro anos do acidente, a v́tima prop̂s ac֚̃o indenizat́ria contra o propriet́rio do automotor, que, na contestac֚̃o, alegou inviabilidade do pedido, em raz̃o da pretensão j́ deduzida contra o condutor, e prescric֚̃o. Nesse caso, (A) o juiz deveŕ extinguir o processo, porque a propositura da ac֚̃o contra um dos devedores importa reńncia do direito em relac֚̃o ao outro. (B) ambas as alegac֚̃es do ŕu encontram respaldo na lei. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 93 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa (C) nenhuma das alegac֚̃es do ŕu deve ser acolhida. (D) apenas a alegac֚̃o de inviabilidade do pedido, em raz̃o da pretens̃o j́ deduzida contra o condutor, ́ acolh́vel. (E) apenas a arguic֚̃o de prescric֚̃o ́ acolh́vel. Comentários A responsabilização do proprietário do veículo pelos danos causados pelo motorista já é antiga no STJ: RESPONSABILIDADE CIVIL - ACIDENTE DE AUTOMOVEL. RESPONSABILIDADE DO PROPRIETARIO QUE CEDE O USO DO VEICULO A TERCEIRO. DANO MATERIAL E MORAL - CUMULAÇÃO - POSSIBILIDADE. (REsp 6.852/RS, Rel. Ministro EDUARDO RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 29/04/1991, DJ 03/06/1991, p. 7425). Igualmente, o reconhecimento de que a responsabilidade é solidária também já é antiga: RESPONSABILIDADE CIVIL. ACIDENTE DE VEICULO. DONO DO AUTOMOVEL. - O DONO DO AUTOMOVEL QUE O EMPRESTA AO FILHO, SENDO ESTE O CAUSADOR CULPOSO DO ACIDENTE, RESPONDE SOLIDARIAMENTE PELOS DANOS. PRESUNÇÃO DE CULPA NÃO AFASTADA PELA PROVA DOS AUTOS (REsp 116.828/RJ, Rel. Ministro RUY ROSADO DE AGUIAR, QUARTA TURMA, julgado em 27/05/1997, DJ 24/11/1997, p. 61225). Por fim, vale lembrar que o prazo, no caso, é de 3 anos, por aplicação do art. 205, §3º, inc. V: “Prescreve em três anos a pretensão de reparação civil”. A alternativa A está incorreta, por aplicação do art. 275, parágrafo único: “Não importará renúncia da solidariedade a propositura de ação pelo credor contra um ou alguns dos devedores”. A alternativa B está incorreta, pelas mesmas razões mencionadas na alternativa anterior. A alternativa C está correta, por aplicação da jurisprudência do STJ,que estabelece a solidariedade entre o motorista e o proprietário do veículo. Ademais, no caso, houve interrupção da prescrição por conta da propositura da demanda em face do motorista (art. 202, inc. I: “A interrupção da prescrição, que somente poderá ocorrer uma vez, dar-se-á por despacho do juiz, mesmo incompetente, que ordenar a citação, se o interessado a promover no prazo e na forma da lei processual”), sendo que recomeçou a correr logo em seguida, um ano após o acidente (art. 202, parágrafo único: “A prescrição interrompida recomeça a correr da data do ato que a interrompeu, ou do último ato do processo para a interromper”). Nesse caso, interrompida a prescrição, recomeçaria a correr com o trânsito em julgado da demanda, já que a lide continua em curso, pelo que, contando-se o prazo trienal do art. 205, §3º, inc. V, teria a vítima três anos, contados do último ato do processo, para propor demanda contra o proprietário, o que ocorreu. A alternativa D está incorreta, por aplicação do citado art. 275, parágrafo único. A alternativa E está incorreta, igualmente, por aplicação do já citado art. 202, parágrafo único. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 94 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa 16. 2015 – CEFET – MPE/BA – Promotor de Justiça Substituto Assinale a alternativa INCORRETA sobre a responsabilidade civil, segundo o Código Civil Brasileiro: a) Aquele que, por ato ilícito, causar dano a outrem fica obrigado a repará- lo. b) O incapaz pode ser responsabilizado pelos prejuízos que causar se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes. c) A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal. d) O direito de exigir a reparação se transmite com a herança, mas não a obrigação de prestá-la. e) Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem pagou, salvo se o causador do dano for descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz. Comentários A alternativa A está correta, na literalidade do art. 927: “Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo”. A alternativa B está correta, consoante o art. 928: “O incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes”. A alternativa C está correta, dada a regra do art. 935: “A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal”. A alternativa D está incorreta, pela previsão inversa do art. 943: “O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmitem-se com a herança”. A alternativa E está correta, como prevê o art. 934: “Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem pagou, salvo se o causador do dano for descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz”. 17. 2015 – CESPE – AGU – Advogado da União Dada a existência de íntima ligação entre o abuso de direito e a boa-fé objetiva, a lei estabelece a decretação da nulidade como sanção ao autor do ato abusivo. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 95 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa Comentários O item está incorreto, eis que as consequências do abuso de direito são variadas, a depender da situação, indo desde a nulidade até a manutenção do ato, com reparação a posteriori. 18. 2015 – CESPE – DPU – Defensor Público Federal Extinta a relação jurídica por culpa de uma das partes, a outra parte podeŕば pleitear indenização em face do que lucraria em investimento financeiro de risco com a manutenção da relação jurídica desfeita. Comentários O item está incorreto, já que a indenização é medida pelo dano direto e imediato, pelo que danos hipotéticos, que abrangem investimentos de risco, não são englobados pela indenização. Vale mencionar que nem mesmo a aplicação da Teoria da Perda de uma Chance teria o condão de alterar esse entendimento, já que ela pressupõe alta probabilidade do dano indenizado, o que não ocorre, evidentemente, em investimentos de risco. 19. 2015 – FUNDATEC – PGE/RS – Procurador do Estado Assinale a alternativa correta. A) O dano exclusivamente moral, provocado por omissão voluntária, não permite a caracterização de um ilícito civil. B) Aos atos jurídicos lícitos, que não sejam negócios jurídicos, aplicam-se as disposições pertinentes aos defeitos do negócio jurídico. C) Para a caracterização do ato ilícito por abuso de direito previsto no Código Civil é necessária a aferição de culpa do autor do fato. D) Só é considerado ilícito o ato que, exercido em excesso manifesto aos limites impostos pelos bons costumes, necessariamente causar dano a alguém. E) Constitui ilicitude civil a conduta de destruir coisa alheia para remover perigo iminente. Comentários A alternativa A está incorreta, nos termos do art. 186: “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”. A alternativa B está correta, pelas razões vistas em aula anterior, porque sua aplicação é incompatível. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 96 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa C está incorreta, pela ausência do requisito de culpabilidade no art. 187, abaixo transcrito. A alternativa D está incorreta, pela redação literal do art. 187: “Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes”. A alternativa E está incorreta, segundo o art. 188, inc. II: “Não constituem atos ilícitos, a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de remover perigo iminente”. 20. 2015 – FCC – DPE/MA – Defensor Público Estadual A respeito da responsabilidade civil, é correto afirmar: (A) A cláusula penal compensatória tem a finalidade de compensar os prejuízos causados pelo atraso no cumprimento da obrigação avençada, ao passo que a cláusula penal moratória serve como forma de pré-fixar o valor mínimo da indenização no caso de descumprimento da obrigação. (B) No contrato de transporte oneroso de pessoas, o transportador responde pelos danos causados às pessoas transportadas, mas não responde por eventuais danos causados às bagagens transportadas caso haja cláusula excludente da responsabilidade. (C) A responsabilidade extracontratual objetiva se caracteriza pela responsabilidade independentemente de ter o causador do dano agido com dolo ou culpa, razão pela qual não pode ser afastada em razão de caso fortuito ou de força maior. (D) O incapaz responde subsidiariamente pelos prejuízos que causar, somente caso seus responsáveis não tenham obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes, mas a indenização deve ser fixada por equidade e não poderá privar o incapaz do necessário para a sua manutenção. (E) Nas hipóteses em que o ato ilícito retira da vítima a oportunidade de obter uma situação futura melhor, como por exemplo quando em razão do ato ilícito a vítima foi impedida de participar de um concurso público, está diante de lucroscessantes, fazendo jus a indenização no valor dos salários que a vítima receberia caso fosse aprovada no concurso. Comentários A alternativa A está incorreta, invertendo as funções das cláusulas penais, já que a compensatória, também chamada de multa penitencial, serve para pré- fixar a indenização. A alternativa B está incorreta, nos termos do art. 734: “O transportador responde pelos danos causados às pessoas transportadas e suas bagagens, salvo http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 97 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa motivo de força maior, sendo nula qualquer cláusula excludente da responsabilidade”. A alternativa C está incorreta, já que o caso fortuito e a força maior são excludentes gerais de responsabilidade, sendo que somente se os afastam em casos específicos, como a mora, mas não no caso da responsabilidade extracontratual objetiva. A alternativa D está correta, de acordo com o art. 928 (“O incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes”) e seu parágrafo único (“A indenização prevista neste artigo, que deverá ser equitativa, não terá lugar se privar do necessário o incapaz ou as pessoas que dele dependem”). A alternativa E está incorreta, pois os lucros cessantes são apenas aqueles aferíveis a partir do evento danoso, de maneira direta e objetiva. Esse seria, a rigor, um caso de aplicação da teoria da perda de uma chance, mas, em realidade, sequer se a pode aplicar, já que não há chance real e séria, estatisticamente provável. 21. 2015 – CESPE – DPE/PE – Defensor Público Estadual A respeito de obrigações e contratos, julgue o item abaixo, de acordo com a jurisprudência do STJ. Caso determinada rede de rádio, por informações veiculadas em sua programação, atinja a honra e a imagem do próprio Estado, será admitida, nessa hipótese, ação indenizatória por dano moral pelo ente federativo em desfavor da empresa de radiodifusão, devendo o locutor responder regressivamente se tiver agido com dolo ou culpa. Nesse caso, se o locutor for economicamente hipossuficiente, deverá a DP atuar na defesa dele. Comentários O item está incorreto, segundo o STJ: “DIREITO CIVIL-CONSTITUCIONAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. INFORMAÇÕES VEICULADAS EM REDE DE RÁDIO E TELEVISÃO. AÇÃO INDENIZATÓRIA POR DANO MORAL AJUIZADA POR MUNICÍPIO CONTRA O PARTICULAR. IMPOSSIBILIDADE. DIREITOS FUNDAMENTAIS. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO. RECONHECIMENTO LIMITADO. Em razão disso, de modo geral, a doutrina e jurisprudência nacionais só têm reconhecido às pessoas jurídicas de direito público direitos fundamentais de caráter processual ou relacionados à proteção constitucional da autonomia, prerrogativas ou competência de entidades e órgãos públicos, ou seja, direitos oponíveis ao próprio Estado e não ao particular (REsp 1258389/PB, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 17/12/2013, DJe 15/04/2014)”. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 98 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa 22. 2014 – VUNESP – TJ/SP – Juiz Estadual Substituto No que se refere a indenização, assinale a opção correta. a) A morte de filho menor que não exercia trabalho remunerado não poderá gerar indenização. b) O soar de alarme nas saídas das lojas por si só acarreta o dever de indenizar o cliente. c) Tendo em vista que a indenização se mede pela extensão do dano, o juiz somente poderá reduzir equitativamente a indenização, havendo excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano, no caso de haver pedido expresso da parte. d) Não gera o dever de indenizar o simples travamento de porta giratória nos estabelecimentos bancários com usuário dentro. Comentários A alternativa A está incorreta, segundo a Súmula 491 do STF: “É indenizável o acidente que cause a morte de filho menor, ainda que não exerça trabalho remunerado". A alternativa B está incorreta, conforme o STJ: “CIVIL E PROCESSUAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ALARME SONORO. DISPARO. DANO MORAL. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 7 DO STJ. TESE DO RECURSO CONTRÁRIA À JURISPRUDÊNCIA DO STJ. A alegação de que o mero soar de alarme em estabelecimento comercial geraria dano moral não encontra amparo na jurisprudência desta Corte Superior (STJ - AgRg no AREsp: 291760 MG 2013/0025555-0, Relator: Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, Data de Julgamento: 14/05/2013, T4 - QUARTA TURMA, Data de Publicação: DJe 22/05/2013)”. A alternativa C está incorreta, pois o art. 944, parágrafo único (“Se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano, poderá o juiz reduzir, equitativamente, a indenização”) não exige pedido expresso. A alternativa D está correta, novamente, consoante o STJ: “RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS MORAIS. POLICIAL MILITAR. TRAVAMENTO DE PORTA GIRATÓRIA DE BANCO. DISPOSITIVO DE SEGURANÇA. ATO LÍCITO. EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO. É obrigação da instituição financeira promover a segurança de seus clientes, constituindo-se em exercício regular de direito a utilização de porta giratória com detector de objetos metálicos. Não caracteriza ato ilícito passível de indenização por dano moral o simples travamento da porta giratória na passagem de policial militar armado, ainda que fardado (REsp 1444573/SP, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Rel. p/ Acórdão Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, TERCEIRA TURMA, julgado em 04/09/2014, DJe 17/09/2014)”. 23. 2014 – CESPE – PGE/BA – Procurador do Estado http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 99 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa Acerca da responsabilidade civil, julgue os itens subsequentes, à luz da jurisprudência dominante do STJ. Na hipótese de indenização por danos morais ou materiais decorrentes do falecimento de ente querido, o termo inicial da contagem do prazo prescricional é a data do óbito, independentemente da data da ação ou da omissão. Comentários O item está correto, eis que, em regra, como vimos em linhas gerais da aula sobre a teoria do fato jurídico, o prazo prescricional começa a fluir do evento. Na responsabilidade civil, o evento deve ser danoso, contando-se o prazo a partir daí. 24. 2014 – CESPE – PGE/BA – Procurador do Estado Acerca da responsabilidade civil, julgue os itens subsequentes, à luz da jurisprudência dominante do STJ. O espólio tem legitimidade para postular indenização pelos danos materiais e morais supostamente experimentados pelos herdeiros. Comentários O item está incorreto, pois se há dano moral indenizável, sentido pelos herdeiros, devem eles buscar, pessoalmente, a indenização, sendo que o espólio é parte ilegítima nessa demanda. 25. 2014 – FCC – DPE/PB – Defensor Público Estadual Sônia é proprietária de uma pousada. Marina, sua, vizinha, cria codornas. Segundo Sônia, o forte cheiro das codornas atrapalharia seu negócio. Por tal razão, com a intenção de afugentar as codornas, mas também imaginando que poderia entreter seus clientes, passou, com autorização do órgão ambiental, a criar corujas, as quais acabaram por dizimar as codornas. Sônia cometeu ato (A) ilícito, pois agiu com dolo direto de matar as codornas, podendo Marina, em razão de tal fato, postular indenização. (B) lícito, pois não é obrigada a tolerar atividade danosa a seus negócios. (C) lícito, pois a criação das corujas foi autorizada pelo órgão ambiental, podendo Marina, entretanto, em razão dos prejuízos que experimentou, postular indenização. (D)ilícito, pois excedeu abusivamente os limites impostos pela boa-fé objetiva e pela finalidade social do negócio, podendo Marina, em razão de tal fato, postular indenização. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 100 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa (E) imoral, porém lícito, uma vez que fundado em exercício regular do direito. Comentários A alternativa A está incorreta, pois não houve dolo por parte de Sônia. A alternativa B está incorreta, já que Marina exercia atividade lícita. A alternativa C está incorreta, dado que a conduta de Sônia foi ilícita. A alternativa D está correta, pelo evidente excesso de Sônia na criação de corujas que, como ela mesma sabia, poderia causar dano às codornas de Marina, ainda que de maneira culposa. A alternativa E está incorreta, porque a conduta dela foi fundada em exercício de direito, mas de forma abusiva, como dito acima. 26. 2014 – FUNDATEC – Câmara Municipal/Porto Alegre (RS) – Procurador Legislativo Assinale a alternativa correta a respeito dos direitos dos contratos e da responsabilidade civil: A) A sentença penal absolutória sempre afastará a responsabilidade na esfera cível. B) A obrigação de reparação a o dano não se transmite com a herança. C) É anulável a venda de ascendente a descendente, ainda que os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. D) Na compra e venda com reserva de domínio, o vendedor busca atenuar os efeitos da tradição, de modo que conservará a propriedade para si até que o preço esteja integralmente pago. E) Faculta-se ao comodatário o direito de recobrar do comodante as despesas feitas com o uso e gozo da coisa emprestada. Comentários A alternativa A está incorreta, pela literalidade do art. 935: “A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal”. A alternativa B está incorreta, conforme estabelece o art. 943: “O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmitem-se com a herança”. A alternativa C está incorreta, de acordo com o art. 496: “É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido”. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 101 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa D está correta, consoante regra do art. 521: “Na venda de coisa móvel, pode o vendedor reservar para si a propriedade, até que o preço esteja integralmente pago”. A alternativa E está incorreta, na forma do art. 584: “O comodatário não poderá jamais recobrar do comodante as despesas feitas com o uso e gozo da coisa emprestada”. 27. 2014 – FUNDATEC – Câmara Municipal/Porto Alegre (RS) – Procurador Legislativo Assinale a alternativa correta em relação aos institutos da propriedade e da responsabilidade civil: A) Os registros de propriedade particular de imóveis situados em terrenos de marinha não são oponíveis à União. B) As pessoas jurídicas de direito público interno são civilmente responsáveis por atos dos seus agentes que nessa qualidade causem danos a terceiros, ressalvado direito regressivo contra os causadores do dano, exclusivamente se houver dolo por parte destes. C) Os rios, mares, estradas, ruas e praças são bens públicos de uso especial. D) O titular de direito que, ao exercê-lo, exceder manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes, incidirá na hipótese de abuso de direito, porém não praticará ato ilícito. E) O empregador responderá civilmente pelos atos dos seus empregados, praticados no exercício do trabalho que lhes competir, somente quando comprovada a sua culpa. Comentários A alternativa A está correta, como veremos em aula subsequente, por conta da aplicação da Súmula 496 do STJ: “Os registros de propriedade particular de imóveis situados em terrenos de marinha não são oponíveis à União”. A alternativa B está incorreta, como vimos em nossas aulas iniciais, por força do art. 43: “As pessoas jurídicas de direito público interno são civilmente responsáveis por atos dos seus agentes que nessa qualidade causem danos a terceiros, ressalvado direito regressivo contra os causadores do dano, se houver, por parte destes, culpa ou dolo”. A alternativa C está incorreta, igualmente como também já visto, na forma do art. 99: “São bens públicos os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças”. A alternativa D está incorreta, consoante regra do art. 187: “Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 102 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes”. A alternativa E está incorreta, pela conjugação do art. 932, inc. III (“São também responsáveis pela reparação civil, o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele”), com o art. 933 (“As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente, ainda que não haja culpa de sua parte, responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos”). 28. 2013 – PGR – PGR – Procurador da República Em matéria de danos materiais e/ou morais, o Superior Tribunal de Justiça vem entendendo que: I - O mero descumprimento contratual, em princípio, não enseja responsabilização ao pagamento de indenização por danos morais, visto não passar de incômodo da vida em sociedade. II - O roubo ou furto perpetrado contra a instituição financeira, com repercussão negativa ao cofre locado, constitui risco assumido pelo fornecedor do serviço, haja vista compreender-se na própria atividade empresarial, configurando, assim, hipótese de fortuito interno. III - O endossatário que recebe, por endosso translativo, título de crédito contendo vício formal, sendo inexistente a causa para conferir lastro à emissão de duplicata, não responde pelos danos causados diante de protesto indevido. IV - Legitimamente protestado o título de crédito, não cabe ao devedor, que paga posteriormente a dívida, o ônus de providenciar a baixa do protesto em cartório, pois trata-se de relação de consumo, havendo dano moral pela manutenção do apontamento. Das proposições acima: a) ( ) I e IV estão corretas; b) ( ) II e III estão corretas; c) ( ) III e IV estão corretas; d) ( ) I e II estão corretas. Comentários O item I está correto, já que a violação do contrato gera apenas as indenizações decorrentes do inadimplemento. Para haver indenização por dano moral, a violação deve extrapolar o mero descumprimento. O item II está correto, pois o caso enunciado mostra um caso de risco intrínseco ao serviço prestado pela instituição financeira. Veja, porém, que a jurisprudência fixa o entendimento de que a indenização se dará na forma do contrato, http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 103 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa independentemente de os bens inseridos no cofre serem muito superiores ao valor assegurado, como é comum. O item III está incorreto, pelas razões que você vê no Direito Empresarial, mas, de qualquer forma, o endossatário responde. O item IVestá incorreto, porque a responsabilidade pela baixa é do consumidor, dado que o protesto fora devido, anteriormente. A alternativa D está correta, portanto. 29. 2013 – MPE/SP – MPE/SP – Promotor de Justiça Substituto Em tema de responsabilidade civil, assinale a assertiva INCORRETA. a) A empresa locadora de veículos não responde civilmente pelos prejuízos causados pelo locatário a terceiros, no uso do carro locado. b) São responsáveis pela reparação civil o empregador ou comitente, por conduta de seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir ou em razão dele. c) São responsáveis pela reparação civil o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados que estiverem sob sua autoridade ou em sua companhia. d) O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este causado, se não provar culpa da vítima ou força maior. e) São responsáveis pela reparação civil os pais, pelos atos de filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia. Comentários A alternativa A está incorreta, conforme a Súmula 492 do STF: “A EMPRESA LOCADORA DE VEÍCULOS RESPONDE, CIVIL E SOLIDARIAMENTE COM O LOCATÁRIO, PELOS DANOS POR ESTE CAUSADOS A TERCEIRO, NO USO DO CARRO LOCADO”. A alternativa B está correta, na dicção do art. 932, inc. III: “São também responsáveis pela reparação civil o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele”. A alternativa C está correta, conforme o art. 932, inc. II: “São também responsáveis pela reparação civil o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições”. A alternativa D está correta, na literalidade do art. 936: “O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este causado, se não provar culpa da vítima ou força maior”. A alternativa E está correta, de acordo com o art. 932, inc. I: “São também responsáveis pela reparação civil os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia”. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 104 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa 30. 2013 – CESPE – DP/DF – Defensor Público Estadual Segundo o ordenamento jurídico brasileiro, todas as pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado que integrem a administração pública responderão objetivamente pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros. Comentários O item está incorreto, conforme a literalidade do art. 37, §6º da CF/1988: “As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa”. 31. 2013 – FEPESE – DPE/SC – Analista Técnico da Defensoria Assinale a alternativa correta de acordo com o Código Civil brasileiro. a) A indenização mede-se pela extensão do dano e pelo grau de culpa do agente. b) Os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, também serão responsáveis pela reparação civil, até a concorrente quantia. c) O incapaz não responde pelos prejuízos que causar, cabendo ao seu representante legal o fazer. d) Aquele que demandar por dívida já paga, no todo ou em parte, sem ressalvar as quantias recebidas, ficará obrigado a pagar ao devedor o equivalente do que dele exigir, salvo se houver prescrição. e) O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la cessa com a morte do causador do dano. Comentários A alternativa A está incorreta, dada a literalidade do art. 944: “A indenização mede-se pela extensão do dano”. A alternativa B está correta, conforme a regra do art. 932, inc. V: “São também responsáveis pela reparação civil os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia”. A alternativa C está incorreta, de acordo com o art. 928: “O incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes”. A alternativa D está incorreta, segundo o art. 940: “Aquele que demandar por dívida já paga, no todo ou em parte, sem ressalvar as quantias recebidas ou pedir mais do que for devido, ficará obrigado a pagar ao devedor, no primeiro caso, o http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 105 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa dobro do que houver cobrado e, no segundo, o equivalente do que dele exigir, salvo se houver prescrição”. A alternativa E está incorreta, conforme o art. 943: “O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmitem-se com a herança”. 32. 2012 – MPT – MPT – Procurador do Trabalho À luz do Código Civil, assinale a assertiva CORRETA: (a) No caso de indenização por danos, se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exercer o seu ofício ou profissão, ou se lhe diminua a capacidade de trabalho, a indenização, além das despesas do tratamento e lucros cessantes até o fim da convalescença, incluirá pensão correspondente à importância do trabalho para que se inabilitou, ou da depreciação que ele sofreu; porém, se o ofensor preferir, poderá exigir que a indenização seja arbitrada para pagamento de uma só vez. (b) Se a obrigação for indeterminada, e não houver na lei ou no contrato disposição fixando a indenização devida pelo inadimplente, apurar-se-á o valor das perdas e danos na forma que a lei processual determinar. (c) Em nenhuma circunstância constituirá ato ilícito a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de remover perigo iminente. (d) Não comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelos bons costumes. (e) Não respondida. Comentários A alternativa A está incorreta, conforme o art. 950, parágrafo único: “O prejudicado, se preferir, poderá exigir que a indenização seja arbitrada e paga de uma só vez”. A alternativa B está correta, na literalidade do art. 946: “Se a obrigação for indeterminada, e não houver na lei ou no contrato disposição fixando a indenização devida pelo inadimplente, apurar-se-á o valor das perdas e danos na forma que a lei processual determinar”. A alternativa C está incorreta, na conjugação do art. 188, inc. II (“Não constituem atos ilícitos a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de remover perigo iminente”) com seu parágrafo único: “No caso do inciso II, o ato será legítimo somente quando as circunstâncias o tornarem absolutamente necessário, não excedendo os limites do indispensável para a remoção do perigo”. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 106 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa D está incorreta, de acordo com o art. 187: “Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes”. 33. 2012 – FCC – DPE/PR – Defensor Público Estadual Sobre o Sistema de Responsabilidade Civil é correto afirmar: (A) No caso de atropelamento por veículo dirigido profissionalmente, a pretensão de reparação civil das escoriações e fraturas sofridas, pelo pedestre, sob o prisma do Direito Civil, exigirá a prova da culpa do motorista ofensor. (B) Moradora de Curitiba perdeu o horário para realizaçãode prova de segunda fase de concurso realizado em Manaus em razão de atraso no voo devido à greve dos pilotos de determinada companhia aérea. Esta situação caracteriza o chamado dano reflexo ou por ricochete. (C) Pessoa embriagada, que atravessa larga avenida fora da faixa de segurança e correndo, vindo a ser atropelada por motorista que trafegava acima do limite de velocidade, deve ser indenizada integralmente, com base no princípio da restitutio in integrum. (D) Microempresário contrata as empresas X e Y para o transporte cumulativo de uma carga que deixa de ser entregue em seu destino. Nesse caso, cada transportador deve responder pelo eventual descumprimento do contrato relativamente ao respectivo percurso, podendo opor tratar-se de obrigação de meio. (E) Famoso artista de rua, que tem sua imagem veiculada em propaganda comercial sem sua autorização, terá direito à indenização, independentemente da demonstração de seu prejuízo. Comentários A alternativa A está incorreta, na conjugação dos arts. 932, inc. III (“São também responsáveis pela reparação civil, o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele”) e 933 (“As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente, ainda que não haja culpa de sua parte, responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos”). A alternativa B está incorreta, sendo este um caso de dano indireto (sendo o dano direto o atraso na chegada), porque sentido pela própria vítima, e não por ricochete (dano sentido por terceiro alheio à relação jurídica). A alternativa C está incorreta, pela aplicação mais literal do art. 945: “Se a vítima tiver concorrido culposamente para o evento danoso, a sua indenização será fixada tendo-se em conta a gravidade de sua culpa em confronto com a do autor do dano”. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 107 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa D está incorreta, pela combinação do caput do art. 733 (“Nos contratos de transporte cumulativo, cada transportador se obriga a cumprir o contrato relativamente ao respectivo percurso, respondendo pelos danos nele causados a pessoas e coisas”) com seu § 1º (“O dano, resultante do atraso ou da interrupção da viagem, será determinado em razão da totalidade do percurso”). A alternativa E está correta, por aplicação da Lei de Direitos Autorais, havendo, nesse caso, dano moral indenizável. 34. 2012 – FCC – DPE/PR – Defensor Público Estadual O absolutamente incapaz não responde pelos danos que causar, tendo em vista a responsabilidade privativa de seus pais ou responsáveis. Comentários O item está incorreto, de acordo com o art. 928: “O incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes”. 35. 2012 – CESPE – DPE/SE – Defensor Público Estadual Acerca dos efeitos da responsabilidade civil extracontratual, assinale a opção correta. A- Embora a indenização por ato ilícito proveniente de dano extracontratual seja medida pela extensão do dano, se a vítima tiver concorrido culposamente para o evento danoso, a sua indenização será fixada com base na gravidade de sua culpa em confronto com a do autor do dano. B- Como regra, a responsabilidade civil não passa da pessoa causadora do dano; assim, não havendo determinação expressa do empregador para que seus empregados façam ou deixem de fazer alguma coisa, não se pode responsabilizar o empregador pelos atos praticados por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele. C- As vítimas de lesão ou de outra ofensa à saúde têm direito de exigir do ofensor tão somente as despesas provenientes do tratamento, estendendo- se a obrigação de reparar os danos até o fim da convalescença, independentemente do tempo, e, nesse caso, o lesado, se preferir, poderá exigir que a indenização seja arbitrada e paga de uma só vez. D- Não comete ato ilícito civil aquele que, por ação voluntária, destrói coisa alheia a fim de remover perigo iminente de dano, ainda que a ação não seja estritamente necessária, e o agente exceda os limites do indispensável para a remoção do perigo. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 108 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa E- Mesmo que a responsabilidade civil independa da criminal, a lei veda que se questione, na esfera cível, fato decidido no juízo criminal; por conseguinte, a sentença penal absolutória, independentemente do motivo da absolvição, impede o processamento da ação civil de reparação de dano causado pelo mesmo fato que tenha provocado a absolvição do agente provocador do ilícito. Comentários A alternativa A está correta, na forma do art. 945: “Se a vítima tiver concorrido culposamente para o evento danoso, a sua indenização será fixada tendo-se em conta a gravidade de sua culpa em confronto com a do autor do dano”. A alternativa B está incorreta, de acordo com o art. 932, inc. III: “São também responsáveis pela reparação civil, o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele”. A alternativa C está incorreta, conforme o art. 949: “No caso de lesão ou outra ofensa à saúde, o ofensor indenizará o ofendido das despesas do tratamento e dos lucros cessantes até ao fim da convalescença, além de algum outro prejuízo que o ofendido prove haver sofrido”. A alternativa D está incorreta, consoante regra do art. 188, inc. II (“Não constituem atos ilícito, a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de remover perigo iminente”) c/c o parágrafo único (“No caso do inciso II, o ato será legítimo somente quando as circunstâncias o tornarem absolutamente necessário, não excedendo os limites do indispensável para a remoção do perigo”). A alternativa E está incorreta, pela literalidade do art. 935: “A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal”. 2012 – FGV – PC/MA – Delegado de Polícia Substituto Claúdio se hospedou num hotel em Maranguape e deixou os seus pertences pessoais no quarto. Ao retornar de um passeio pela cidade, foi surpreendido com os vários itens de sua bagagem danificados por uma placa de gesso que havia se descolado do teto e caído. Ao se dirigir à Direção do estabelecimento, soube que não seria ressarcido pelo hotel, pois o gerente desconfiava de um antigo funcionário a quem iria atribuir a autoria e, portanto, responsabilidade pelo ilícito. Considerando o fato narrado, assinale a afirmativa correta. a) Os donos de hotéis são responsáveis, independentemente de culpa, pelos bens de seus hóspedes, devendo, portanto, Cláudio ser ressarcido pelo hotel. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 109 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa b) Somente comete ato ilícito, aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, e, portanto, o hotel não tem obrigação de indenizar Cláudio. c) Como o hotel suspeita que o antigo funcionário seja o responsável pelo ilícito, haverá necessidade de aguardar que o fato seja apurado no juízo criminal, para após analisar o fato no juízo cível. d) O hotel não deve indenizar Cláudio, pois houve culpa exclusiva da vítima, já queele deveria ter deixado, aos cuidados do gerente, seus pertences pessoais para que houvesse essa garantia. e) O hotel deve indenizar Cláudio, pois cometeu ato ilícito. Comentários A alternativa A está correta, na literalidade do art. 932, inc. IV: “São também responsáveis pela reparação civil os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, mesmo para fins de educação, pelos seus hóspedes, moradores e educandos”. A alternativa B está incorreta, já que a previsão geral sobre o ato ilícito contida no art. 186 não exclui as hipóteses de responsabilidade objetiva. A alternativa C está incorreta, eis que a eventual culpa/dolo do funcionário será impacto no direito de regresso do hotel pelo prejuízo indenizado ao hóspede, apenas. A alternativa D está incorreta, evidentemente, já que seria absurdo esperar que os hóspedes deixassem todos os seus pertences pessoais com o gerente do estabelecimento. A alternativa E está incorreta, porque, no caso, se trata de responsabilidade objetiva. 36. 2011 – PGR – PGR – Procurador da República No que se refere à responsabilidade civil por danos causados ao meio ambiente: I. Um mesmo fato pode originar ações diversas, visando a reparação do dano individual e a reparação do dano coletivo; II. Eventos da natureza não excluem a responsabilidade quando alguém cria uma situação que, se inexistente, não levaria o evento natural a causar o dano; III. Havendo pluralidade de autores, a responsabilidade é solidária, sendo possível acionar qualquer um deles pela integralidade do dano; IV. A responsabilidade objetiva por risco integral, quanto aos danos ambientais, não é pacifica na doutrina. Das assertivas acima: a) I e II estão corretas; ==db697== http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 110 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa b) II e IV estão corretas; c) Todas estão corretas; d) Todas estão incorretas. Comentários O item I está correto, conforme o STJ: “É jurisprudência pacífica desta Corte o entendimento de que um mesmo dano ambiental pode atingir tanto a esfera moral individual como a esfera coletiva, acarretando a responsabilização do poluidor em ambas, até porque a reparação ambiental deve ser feita da forma mais completa possível. (REsp 135.513-2 RJ 2012/0246010-3)”. O item II está correto, de acordo com a adoção, no Brasil, da teoria do risco integral em matéria ambiental. O item III está correto, já que o evento danoso é único e indivisível, pressupondo, portanto, um nexo causal comum. O item IV está correto, porque, apesar de majoritária, conforme esclarecido no item II, ela não é unânime na doutrina, especialmente quanto aos autores do Direito Administrativo. A alternativa C está correta, portanto. 37. 2011 – CESPE – DPE/MA – Defensor Público Estadual Tendo em vista que o termo responsabilidade é utilizado em qualquer situação em que alguma pessoa, natural ou jurídica, deva arcar com as consequências de um ato, fato ou negócio danoso, assinale a opção correta a respeito da responsabilidade civil. A Os bens do responsável por ofensa ou violação do direito de outrem ficam sujeitos à reparação do dano causado, e o direito de exigir reparação, mas não a obrigação de prestá-la, transmite-se com a herança. B Considere a seguinte situação hipotética. Marco, que presta serviços de “passeio com animais”, passeia, três vezes por semana, com um cachorro da raça doberman, de propriedade de Thiago. Por ser tratar de um cachorro de guarda, Marco foi orientado por Thiago a, sempre, nos passeios, fixar focinheira no cachorro. Em um dos passeios, o referido animal, que estava sem a focinheira, atacou e mordeu uma pessoa que passava no local. Nessa situação hipotética, apenas Thiago, o dono do animal, poderia ser demandado para ressarcir o dano causado à vítima. C A responsabilidade civil independe da criminal, de modo que a sentença penal absolutória, por falta de provas quanto ao fato, não tem influência na ação indenizatória, que pode revolver toda a matéria em seu bojo. D Não constitui ato ilícito a destruição de coisa alheia para remover perigo iminente, e o dono da coisa, ainda que não seja culpado do perigo, não tem direito à indenização do prejuízo que sofrer. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 111 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa E O empregador, exceto se comprovar que não há culpa de sua parte, responde pelos atos ilícitos dos empregados no exercício do trabalho ou em razão dele. Comentários A alternativa A está incorreta, na forma do art. 943: “O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmitem-se com a herança”. A alternativa B está incorreta, de acordo com o art. 936: “O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este causado, se não provar culpa da vítima ou força maior”. A alternativa C está correta, segundo o art. 935: “A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal”. A alternativa D está incorreta, conforme o art. 929: “Se a pessoa lesada, ou o dono da coisa, no caso do inciso II do art. 188, não forem culpados do perigo, assistir-lhes-á direito à indenização do prejuízo que sofreram”. A alternativa E está incorreta, na dicção do art. 933: “As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente, ainda que não haja culpa de sua parte, responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos”. 38. 2010 – CESPE – DPE/BA – Defensor Público Estadual No tocante à responsabilidade civil, julgue os itens seguintes. O mero afastamento de filho de 16 anos de idade da casa paterna não é suficiente para elidir a responsabilidade dos pais. Comentários O item está correto, já que a responsabilidade dos pais só cessa com a maioridade do filho. Ademais, mesmo que fosse ele emancipado (e o exercício não fala que ele foi emancipado, mas que está apenas afastado, sem indicar a razão), resistiria ainda a responsabilidade dos pais. 39. 2010 – CESPE – DPU – Defensor Público Federal A exemplo da responsabilidade civil por ato ilícito em sentido estrito, o dever de reparar decorrente do abuso de direito depende da comprovação de ter o indivíduo agido com culpa ou dolo. Comentários O item está incorreto, dado que não é requisito da responsabilidade civil decorrente do abuso de direito a ação culposa ou dolosa. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 112 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa 40. 2009 – CESPE – AGU – Advogado da União Ricardo, que dirigia seu carro em velocidade normal, atropelou Raimundo, causando-lhe sérios ferimentos. Em depoimento prestado na delegacia de polícia, Ricardo afirmou que o atropelamento ocorrera por motivos de força maior, haja vista que trafegava normalmente pela via quando um motoqueiro, dirigindo em alta velocidade, cruzou a frente do veículo que ele conduzia, não lhe tendo restado outra alternativa senão a de desviar o carro para o acostamento. Alegou, ainda, que não havia visto Raimundo, que aguardava pelo ônibus no acostamento, e que, se não tivesse desviado o veículo, ele poderia ter causado a morte do motoqueiro. Testemunhas confirmaram a versão de Ricardo. A despeito de o ato praticado por Ricardo não ser considerado ilícito civil, ele terá a obrigação de indenizar Raimundo, caso haja o ajuizamento de ação com esse fim. Comentários O item está correto, eis que,em que pese Ricardo não ser o “culpado”, num sentido atécnico do termo, pelo dano, a regra do art. 929 é bastante clara: “Se a pessoa lesada, ou o dono da coisa, no caso do inciso II do art. 188, não forem culpados do perigo, assistir-lhes-á direito à indenização do prejuízo que sofreram”. 41. 2009 – CESPE – DPE/AL – Defensor Público Estadual Lucas, menor com dezessete anos de idade, pegou o carro de seus pais, enquanto eles dormiam, e causou um acidente ao colidir no veículo de Eduardo. Considerando essa situação hipotética, julgue os próximos itens com base na disciplina da responsabilidade civil. Ainda que provada a culpa de Lucas, seus pais não terão a obrigação de indenizar o dano provocado, porquanto, nesse caso, não se pode falar em culpa in vigilando. Comentários O item está incorreto, conforme o art. 932, inc. I: “São também responsáveis pela reparação civil os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia”. 42. 2009 – CESPE – DPE/AL – Defensor Público Estadual http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 113 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa Lucas, menor com dezessete anos de idade, pegou o carro de seus pais, enquanto eles dormiam, e causou um acidente ao colidir no veículo de Eduardo. Considerando essa situação hipotética, julgue os próximos itens com base na disciplina da responsabilidade civil. Em razão de a emancipação cessar a menoridade, predomina o entendimento de que, caso os pais tivessem emancipado Lucas, ficaria afastada a responsabilidade deles pelos danos causados a Eduardo. Comentários O item está incorreto, de acordo com o STJ: “AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. ATROPELAMENTO. LESÕES CORPORAIS. INCAPACIDADE. DEVER DE INDENIZAR. REEXAME DE MATÉRIA DE FATO. REVISÃO DO VALOR DA INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL. PENSÃO MENSAL. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. CUMULAÇÃO. POSSIBILIDADE. JULGAMENTO ULTRA PETITA. OCORRÊNCIA. RESPONSABILIDADE CIVIL DOS PAIS. EMANCIPAÇÃO. A emancipação voluntária, diversamente da operada por força de lei, não exclui a responsabilidade civil dos pais pelos atos praticados por seus filhos menores (AgRg no Ag 1239557/RJ, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 09/10/2012, DJe 17/10/2012)”. 43. 2009 – FCC – DPE/MA – Defensor Público Estadual No tocante à disciplina da responsabilidade civil, é correto afirmar: (A) Os pais são responsáveis objetivamente pela reparação civil dos danos causados por filhos menores ou, embora maiores de 18 anos, incapazes, ainda que estes não estejam sob sua autoridade e em sua companhia. (B) Para que ocorra a responsabilidade civil subjetiva, basta a existência de um dano material ou moral e de uma ação ou omissão dolosa ou culposa. (C) Na responsabilidade civil objetiva, a culpa exclusiva do prejudicado afasta o dever de reparação do causador do dano porque é causa de exclusão do dano. (D) Na responsabilidade civil objetiva, a culpa exclusiva do prejudicado em nada altera a situação jurídica do causador do dano, o qual responderá independentemente de culpa. (E) Na responsabilidade civil objetiva, não surgirá o dever de reparação do dano na hipótese de culpa exclusiva da vítima por falta de nexo de causalidade entre a ação do agente e o dano sofrido. Comentários A alternativa A está incorreta, como veremos adiante, já que a responsabilidade dos pais sobre os filhos depende de a autoridade parental manter-se incólume, http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 114 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa ou seja, se não tiver um dos pais autoridade sobre o filho, não responde ele pelo dano causado. A alternativa B está incorreta, já que faltou aí o nexo de causalidade, imprescindível tanto para a responsabilidade civil subjetiva quanto para a objetiva. A alternativa C está incorreta, pois a culpa exclusiva da vítima exclui o dever de indenizar por conta do rompimento do nexo de causalidade. O dano existe, mas foi praticado pela própria vítima. A alternativa D está incorreta, eis que, como eu disse no item anterior, há cessação do nexo de causalidade, o que afasta o dever de indenizar mesmo no caso de responsabilidade objetiva (que independe de culpa, mas ainda depende da verificação conjunta do dano e do nexo causal, portanto). A alternativa E está correta, pelas mesmas razões que mencionei acima, nas alternativas C e D. 44. 2006 – CESPE – AGU – Advogado da União A responsabilidade civil por ato de terceiro permite estendera obrigação de reparar o dano a pessoa diversa daquela que praticou a conduta danosa, desde que exista uma relação jurídica entre o causador do dano e o responsável pela indenização. Nessa hipótese, a obrigação de indenizar é objetiva; portanto, não se perquire a culpa do agente. Comentários O item está correto, na forma do art. 933: “As pessoas indicadas no artigo antecedente, ainda que não haja culpa de sua parte, responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos”. 45. 2006 – CESPE – AGU – Advogado da União Considere por hipótese que ocorra o desabamento da marquise de um prédio, depois de quatro anos de construção, provocando a morte de uma transeunte. Nessa situação, a responsabilidade civil pela reparação do dano é do proprietário do prédio. Comentários O item está correto, segundo a dicção do art. 937: “O dono de edifício ou construção responde pelos danos que resultarem de sua ruína, se esta provier de falta de reparos, cuja necessidade fosse manifesta”. 46. 2006 – CESPE – DPE/AC – Defensor Público Estadual http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 115 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa Catarina procurou a defensoria pública de seu estado para relatar que seu filho, de 15 anos de idade, foi atropelado e ficou paraplégico em razão das lesões sofridas no acidente. O veículo que o atropelou era dirigido por Diogo, de 16 anos de idade. Catarina afirmou que procurou o proprietário do veículo, Vitor, pai de Diogo, para que ele a ajudasse com as despesas médicas e com a aquisição de uma cadeira de rodas. Vitor se negou a auxiliar Catarina, alegando não ter qualquer responsabilidade no caso, pois quem dirigia o carro no momento do acidente era seu filho. Com relação a essa situação hipotética, assinale a opção correta, tendo a legislação pertinente como base. A Como o veículo não era dirigido por seu proprietário, nada pode ser feito quanto ao auxílio demandado por Catarina a Vitor, e não há como pleitear qualquer indenização, haja vista Diogo ser menor de idade. B Por ter seu filho ficado paralítico e dada a não-participação de Vitor no acidente, o mais aconselhável é que Catarina ajuíze ação requerendo o ressarcimento por danos morais, apenas. C Na situação em apreço, Vitor apenas responde pelos danos para os quais fique demonstrada a intenção de Diogo de lesionar o filho de Catarina. D Na situação apresentada, Vitor responde pelos danos materiais e morais sofridos pelo filho de Catarina. Comentários A alternativa A está incorreta, dado que o causador do dano era menor, pelo que incide a regra do art. 932, inc. I. A alternativa B está incorreta, porque visível é que a indenização devida englobará danos materiais. A alternativa C está incorreta, pois a responsabilidade dos pais pelos atos dos filhos é objetiva. A alternativa D está correta, nos termos ao art. 932, inc. I, supracitado na alternativa A. 47. 2005 – FCC – PGE/SE – Procurador do Estado A pessoa jurídica de direito público interno que em seu laboratórioproduz medicamentos, nesta atividade (A) não responde por vício ou defeito do produto, porque o serviço de saúde é considerado público e a responsabilidade civil será regulada apenas pela Constituição Federal. (B) não pode ser considerada fornecedora, porque o adquirente dos medicamentos é mero usuário. (C) é considerada consumidora dos insumos utilizados na produção dos medicamentos. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 116 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa (D) não poderá ser considerada fornecedora nem consumidora, porque é vedada a presença do Estado no mercado de consumo. (E) é fornecedora e sujeita-se ao Código de Defesa do Consumidor. Comentários A alternativa A está incorreta, porque, a despeito de um serviço ser público, ele pode ser enquadrado nas relações de consumo. A alternativa B está incorreta, pois, “mero usuário” também é consumidor, a rigor. A alternativa C está incorreta, dado que, ao utilizar os insumos na produção, se distancia do conceito de consumidor, “destinatário final do produto”, previsto no CDC. A alternativa D está incorreta, eis que a intervenção do Estado na economia não é incomum, sendo ele detentor de numerosas pessoas jurídicas que empreendem no setor privado. A alternativa E está correta, pelas razões já expostas nas alternativas anteriores. 48. 2004 – CESPE – AGU – Advogado da União A responsabilidade civil por ato danoso praticado pelo absolutamente incapaz decorre da ilicitude, e o incapaz responde com seus bens pelos danos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes para tal. Comentários O item está incorreto, já que não se verifica a necessidade de ilicitude na conduta do menor, que pode ser responsabilizado ainda que lícito o ato. 49. 2003 – FCC – PGE/MA – Procurador do Estado Cometendo ato ilícito o incapaz, (A) respondem, em qualquer hipótese, somente seus pais, tutores ou curadores, sem direito de regresso contra o incapaz que estiver sob sua guarda e em sua companhia. (B) não responderá ele pelos prejuízos causados, que deverão ser ressarcidos por seus representantes e, na impossibilidade destes, pelo Estado. (C) ele sempre responderá pelos prejuízos que causar até o limite de seu patrimônio. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 117 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa (D) responderão seus representantes que poderão reaver o que pagou, salvo se o causador do dano for ascendente, descendente ou cônjuge absolutamente incapazes. (E) poderá ele responder pelos prejuízos que causar, pagando indenização equitativa e desde que não fique ele próprio nem as pessoas que dele dependam privados do necessário. Comentários A alternativa A está incorreta, na forma do art. 928: “O incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes”. A alternativa B está incorreta, já que o Estado não responde pelos danos causados por menores, ainda que na impossibilidade dos pais deste menor. A alternativa C está incorreta, de acordo com o art. 932, inc. I: “São também responsáveis pela reparação civil os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia”. A alternativa D está incorreta, conforme o art. 934: “Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem pagou, salvo se o causador do dano for descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz”. A alternativa E está correta, consoante regra do art. 928, parágrafo único: “A indenização prevista neste artigo, que deverá ser equitativa, não terá lugar se privar do necessário o incapaz ou as pessoas que dele dependem”. 50. 2003 – PGE – PGE/MS – Procurador do Estado Assinale a alternativa correta: a) A responsabilidade civil depende da criminal, podendo ser questionada a existência do fato constitutivo ou sobre quem seja o seu autor, a não ser na hipótese de trânsito em julgado da decisão proferida no juízo criminal, quando a matéria fática encontra-se sob o manto da coisa julgada; b) Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem pagou, salvo se o causador do dano for descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz; c) O dono ou detentor do animal ressarcirá o dano por este causado, mesmo na hipótese de força maior ou culpa da vítima; d) Não é responsável pela reparação civil o que participou gratuitamente no produto de crime, desde que o valor que lhe coube não ultrapasse 20 (vinte) salários mínimos; e) O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-las não se transmitem com a herança. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 118 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa Comentários A alternativa A está incorreta, segundo dicção do art. 935: “A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal”. A alternativa B está correta, na literalidade do art. 934: “Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem pagou, salvo se o causador do dano for descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz”. A alternativa C está incorreta, na forma do art. 936: “O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este causado, se não provar culpa da vítima ou força maior”. A alternativa D está incorreta, de acordo com o art. 932, inc. V: “São também responsáveis pela reparação civil os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia”. A alternativa E está incorreta, consoante regra do art. 943: “O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmitem-se com a herança”. 51. 2003 – CESPE – DPE/AM – Defensor Público Estadual Com referência à responsabilidade civil, julgue os itens que se seguem. O estabelecimento comercial não será obrigado a indenizar proprietário de veículo furtado em via pública e que tiver sido entregue ao serviço de manobrista do referido estabelecimento. Comentários O item está incorreto, já que, pelo princípio da confiança, se entende que o oferecimento de manobrista integra o contrato de consumo. 52. 2003 – CESPE – DPE/AM – Defensor Público Estadual Com referência à responsabilidade civil, julgue os itens que se seguem. Em matéria de danos causados ao meio ambiente, a responsabilidade é objetiva, independe da existência de culpa e se configura diante da prova do dano, da ação ou da omissão do causador e da relação de causalidade. Comentários O item está correto, dado que os danos ambientais se verificam objetivamente. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 119 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa 53. 2003 – CESPE – DPE/AM – Defensor Público Estadual Com referência à responsabilidade civil, julgue os itens que se seguem. Os pais da vítima de morte em acidente de trânsito não são parte legítima para pleitear indenização por danos materiais, em forma de pensionamento mensal, porque se presume que cabe aos pais sustentar os filhos. Comentários O item está incorreto, como vimos em aula anterior, pois o falecido não poderá fazê-lo, estendendo-se a permissão aos parentes vivos.54. 2003 – CESPE – DPE/AM – Defensor Público Estadual Com referência à responsabilidade civil, julgue os itens que se seguem. O estabelecimento bancário responde pelos danos causados a terceiro em decorrência de conta-corrente aberta com documentos falsos. Comentários O item está correto, porque tal se trata de fortuito interno. Resumo Quais são as hipóteses de responsabilidade civil imprópria? http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 120 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa Como funciona a esfera cível e a esfera criminal e como elas se influenciam? Quais são os requisitos para a verificação do abuso de direito? • Pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia Os pais • Pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições O tutor e o curador • Por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele O empregador ou comitente • Pelos seus hóspedes, moradores e educandos Os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, mesmo para fins de educação • Até a concorrente quantia Os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime Juízo Cível Visa indenizar a vítima Objetividade (tendência à responsabilidade objetiva) Não influencia no outro Executa a sentença transitada em julgado no Criminal Sentença condenatória penal é título executivo judicial Juízo Criminal Visa punir o agressor Subjetividade (tendência à responsabilidade baseada na culpa) Influencia na autoria e materialidade Pode estabelecer indenização mínima e fiança para o Cível Juizado Especial Criminal: pode fazer composição cível http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 121 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa Quais são as decorrências da vedação ao abuso, derivadas da boa-fé objetiva? Considerações Finais Chegamos ao final desta aula. Vimos a segunda parte da responsabilidade civil que pode aparecer na sua prova. Com isso, na aula que vem, daremos início ao Direito das Coisas. Quaisquer dúvidas, sugestões ou críticas entrem em contato conosco. Estou disponível no fórum no Curso, por e-mail e, inclusive, pelo Facebook. 1. Titularidade do direito pelo agente 2. Exercício excessivo do direito 3. Ultrapassagem dos limites impostos 4. Violação do direito alheio 5. Nexo de causalidade • Venire contra factum proprium Vedação ao comportamento contraditório • Supressio Supressão e surgimento • Surrectio Surgimento • Tu quoque, nemo auditur propriam turpitudinem allegans A ninguém é dado aproveitar-se da própria torpeza • Duty to mitigate the loss Vedação ao agravamento do prejuízo http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 122 de 122 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 07 – Prof. Paulo H M Sousa Aguardo vocês na próxima aula. Até láば! Paulo H M Sousa prof.phms@gmail.com facebook.com/prof.phms Fórum de Dúvidas do Portal do Aluno http://www.iceni.com/infix.htm