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CLÍNICA E PRESCRIÇÃO FARMACÊUTICA - LIVRO COMPLETO

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Clínicae
Prescrição
Farmacêutica
Prof.Dr.RicardodeSouzaPereira,Pharm.D.,Ph.D.
Inovadoreatualizado
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Clínica e Prescrição
Farmacêutica
Clínica e Prescrição
Farmacêutica
Prof. Dr. Ricardo de Souza Pereira, Pharm.D., Ph.D.
Belo Horizonte
Edição do Autor
2014
1ª edição
 2014 by Ricardo de Souza Pereira.
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, apropriada e
estocada, por qualquer forma ou meio, sem autorização, por escrito, do detentor do Copyright.
Impresso no Brasil
Catalogação na Publicação (CIP)
FIcha Catalográfica feita pelo autor
Pereira, Ricardo de Souza, 1965-
Clínica e prescrição farmacêutica / Ricardo de Souza Pereira. – Belo Horizonte: Rona,
2014.
236p. : 18x20cm
ISBN: 978-85-917770-0-6
1. Clínica. 2. Prescrfição farmacêutica. 3. Farmacologia clínica. I. Tìtulo.
CDD: 610
CDU: 616-03
P436c
2014
Capa: José Roberto da Silva Lana
Revisão linguística: Ricardo de Souza Pereira
Editoração eletrônica: José Roberto da Silva Lana
Impressão e acabamento: Rona Editora
Este livro foi impresso em papel Couchê 115g/m2 (miolo) e cartão supremo 250g/m2 (capa).
AGRADECIMENTOS
À Deus Todo-Poderoso, por iluminar o caminho.
Prof. Dr. Ricardo de Souza Pereira gostaria de agradecer pela gentileza da permissão de
reproduzir suas fotografias e figuras:
Fotolia®, Can Stock Photo®, Dr. Jean-François (França) e Dr. Sandeep Julka (Índia), Dr. Hiroko
Kodama (Japão), Governo Federal dos Estados Unidos, U.S. Army (Exército dos Estados Unidos) CDC
(Centers for Disease Control), Dr. Madhya Pradesh (Índia), Rudolf Schreier (Alemanha), Ryan Fransen
(Inglaterra), National Institute of Health (NIH – Estados Unidos), Dr. Brian Fisher (Estados Unidos),
Bruce Blaus (Alemanha), Michael Blandon (Estados Unidos), Salvanel (Itália) e Assianir (Itália).
E pelos desenhos ao Sr. Gilson da Gama (Macapá – Amapá) e Edson Almeida – ano de 2011
PREFÁCIO
“Os médicos receitam remédios que pouco conhecem, para curar doenças que conhecem
menos ainda, em seres humanos que desconhecem inteiramente”. Voltaire (1694 – 1778)
Este pensamento de Voltaire foi escrito há mais de 200 anos. Daquela época para o presente
momento, a medicina evoluiu bastante, mas esta frase continua correta. Quanto mais aprendemos
sobre o corpo humano e suas células diferenciadas, percebemos que temos muito a aprender sobre
estas estruturas extremamente complexas e suas doenças. Hoje, áreas como bioquímica, química
orgânica, biologia molecular encontraram explicações razoáveis para muitas das dúvidas da época
de Voltaire. Porém, outras surgiram. Em uma época em que existem aparelhos eletrônicos para
fazer exames não invasivos no interior do organismo, a clínica parece esquecida. Principalmente
pelos colegas farmacêuticos que há 50 anos eram o porto seguro para as famílias pobres tratarem os
males menos complexos. Hoje quase todos os médicos pedem exames. Se não aparecer no exame,
o paciente não tem nada. E nem sempre isto é uma verdade absoluta. Eu mesmo fui vítima de uma
parasitose adquirida no Canadá, em 1997, e consultei médicos de gabaritos: professores da Escola de
Medicina da Yale University (onde fiz meu pós-doutorado), professores da Escola de Medicina e do
Departamento de Parasitologia da Universidade de São Paulo. Os médicos americanos diziam que se
fosse um parasita, deveria ter sido adquirido no Brasil, pois nos EUA não há parasitoses pelo fato “da
água conter flúor e cloro”. No Brasil, como é de praxe, tais médicos pediram uma série de exames
que não resultaram em nada. Então, eu não tinha nada. Diagnóstico final: “estresse”. O diagnóstico
clássico brasileiro: “estresse” ou “virose”. Eu insistia na Trichinella spiralis (um parasita endêmico da
América do Norte e Leste Europeu e que não existe no Brasil). Todas as características clínicas
apontavam para uma triquinose. Telefonei para um autor de um livro de Parasitologia que confirmou
meu diagnóstico. O problema era: como matar este parasita? Na época, eu gastava quase todo o
meu salário em remédios anti-parasitários para não morrer, pois li em um artigo científico que
Trichinella spiralis pode matar em 3 meses se a infestação for maciça. E era maciça. Não existe teste
diagnóstico para evidenciar a presença de larvas no intestino. O médico e professor da USP pediu 5
exames de fezes. Este parasita não é acusado nas fezes. É possível observar, a presença de larvas ou
quistos, por meio de uma biópsia do músculo. Claro que este exame nunca foi pedido. Os anti-
parasitários existentes no mercado melhoravam os sintomas terríveis que eu sentia, por 2 ou 3
meses. Após este período todos eles retornavam piores do que antes. Final da história: curei este
parasita comendo semente de abóbora (Curcubita pepo) torrada e salgada. Esta história, com final
feliz, mostra a importância que o profissional de saúde deve dar ao conhecimento de clínica. Pedido
de exames são importantes, mas não podemos basear todo o nosso trabalho em seus resultados.
Para aprender clínica, dediquei anos e anos de atendimento gratuito para a população de
classe pobre, média e alta acompanhando médicos de grande conhecimento como o saudoso Dr.
Salvador Ferrari (formado em medicina em 1939) e meu ex-orientador de pós-doutorado na Escola
de Medicina da Yale University na cidade de New Haven (Estado de Connecticut, Estados Unidos). Foi
uma dedicação muito grande, de minha parte, para aprender a verdadeira arte de curar. Este livro
representa apenas um pouco do meu conhecimento clínico e científico. Por este motivo, gostaria de
aconselhar a leitura na sequência dos capítulos. Clínica não se aprende da noite para o dia. É necessária
experiência, observação, talento e, sobretudo, boa vontade em querer ajudar o próximo, sem medir
hora de almoço ou de jantar.
Como dizia o grande médico e benfeitor Bezerra de Menezes:
“O médico verdadeiro é isto: não tem o direito de acabar a refeição, de escolher a hora, de
inquirir se é longe ou perto... O que não acode por estar com visitas, por ter trabalhado e achar-se
fatigado ou por ser alta à noite, mau o caminho e o tempo, ficar perto ou longe do morro; o que
sobretudo pede um carro a quem não tem com que pagar a receita, ou diz a quem lhe chora à porta
que procure outro - esse não é médico, é negociante da medicina, que trabalha para recolher capital
e juros dos gastos da formatura.”
Este pensamento se aplica também ao farmacêutico e a outros profissionais de saúde. Eu me
lembro das vezes que quando era criança e ficava doente, minha família me levava, de madrugada,
à casa do farmacêutico que, por sua vez, nos atendia como se fosse dia e com a maior boa vontade do
mundo. Este tipo de prática desapareceu e parece uma lembrança distante. Nos dias atuais, é triste
ler notícias que um paciente chega à farmácia, com uma receita de medicamento controlado, e o
farmacêutico não quer atender, por que está na hora de seu almoço. Para atendimento de paciente
não existe hora e lugar. Sempre segui este pensamento de Bezerra de Menezes. Tanto que o objetivo
desde livro é ajudar a melhorar a saúde da população brasileira. Principalmente os 11 milhões de
habitantes dos 700 municípios que não possuem médicos. Se não existem médicos, como conseguir
uma receita para comprar um antibiótico? Ciente destes problemas, escrevi o capítulo chamado
“antibióticos não convencionais”. Nele, é comentado sobre medicamentos de livre dispensação que
pertencem a outras classes farmacológicas, mas que possuem efeito antibiótico de médio e largo
espectro. Todas estas informações preciosas foram baseadas em evidências científicas publicadas
nas melhores revistas científicas do mundo. Acredito que este conteúdo, que me custou 20 anos de
trabalho árduo, será de grande valor para os farmacêuticos e outros profissionais

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