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Gestão Empreendedora e Inovação

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GESTÃO EMPREENDEDORA E 
INOVAÇÃO 
Marcia Maria da Graça Costa 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
, 
 
 
2 
 
 
SUMÁRIO 
 
1 EMPREENDEDORISMO E O EMPREENDEDOR .......................................... 3 
2 O PROCESSO EMPREENDEDOR .............................................................. 25 
3 INOVAÇÃO E EMPREENDEDORISMO ..................................................... 49 
4 INOVAÇÃO E TECNOLOGIA .................................................................... 68 
5 EMPREENDEDORISMO SUSTENTÁVEL ................................................... 91 
6 EMPREENDEDORISMO CORPORATIVO ................................................ 111 
 
 
, 
 
 
3 
 
 
1 EMPREENDEDORISMO E O EMPREENDEDOR 
O Brasil é considerado um dos países mais empreendedores do mundo. Em 2017, 
36,4% dos brasileiros com idade entre 18 e 64 anos conduziam atividades 
empreendedoras. Isso significa que 36 em cada 100 brasileiros estavam envolvidos em 
um negócio próprio. É um contingente de quase 50 milhões de brasileiros 
empreendendo ou realizando ações para criação de um negócio futuro (GEM, 2018). 
O que torna o nosso país tão favorável às atividades empreendedoras? E qual é o 
resultado do esforço desses milhões de empreendedores? 
Para responder essas questões, precisamos compreender a história do 
empreendedorismo, como ele teve início no Brasil, e o seu cenário atual. 
 
1.1 Análise histórica do empreendedorismo 
O empreendedorismo, como um conceito, existe desde que surgiu a necessidade de 
realização de grandes projetos, tais como a construção das pirâmides do Egito, os 
jardins suspensos da Babilônia, o Farol de Alexandria, a cidade Maia de Chichen Itzá e 
outras obras grandiosas que estão distribuídas pelo mundo afora. Até meados da 
Idade Média, os empreendedores ainda não eram conhecidos por assumir riscos, mas 
exerciam o papel de gerenciar grandes projetos. O marco inicial teria sido a assinatura 
de um contrato entre o explorador Marco Polo (1254-1324)1 e um comerciante de 
tecidos e especiarias para vender seus produtos na chamada Rota do Oriente2. Dessa 
forma, ele assumiu grandes riscos, pois a carga poderia ser roubada e ele teria que 
 
1 Marco Polo foi um mercador, embaixador e explorador veneziano cujas aventuras estão registradas 
em As Viagens de Marco Polo, um livro que descreve para os europeus as maravilhas da China, de sua 
capital Pequim e de outras cidades e países da Ásia. (WIKIPEDIA, s.d.). 
2 A Rota do Oriente, também conhecida como rotas das especiarias, foram percursos comerciais gerados 
pelo comércio de especiarias provenientes da Ásia, interligando diversos povos ao longo do tempo, da 
Europa à Ásia. (WIKIPEDIA, s.d.). 
 
, 
 
 
4 
 
reembolsar os comerciantes. Mas, as expressões empreendedorismo e empreendedor 
ainda não eram utilizadas (CHIAVENATO, 2012; FABRETE, 2019). 
Segundo Chiavenato e Fabrete, derivada da palavra francesa entrepreneuer, que 
significa o “indivíduo que assume riscos”, a palavra empreendedor começou a ser 
utilizada no século XVIII pelo economista Richard Cantillon (1680-1734). A palavra foi 
utilizada para diferenciar o capitalista do empreendedor. Segundo Cantillon, o 
capitalista apenas investia recursos financeiros em um negócio, correndo apenas riscos 
financeiros. Por outro lado, era o empreendedor que assumia papel ativo, correndo 
riscos físicos e emocionais, viajando pelo mundo para realizar o comércio. 
O uso da palavra evoluiu com outro economista, dessa vez Jean-Baptiste Say (1767-
1832), que passa a associar o empreendedor ao aumento da produtividade. Seria 
alguém que transfere recursos econômicos entre atividades com baixa e elevada 
produtividade, tornando-se um elemento essencial no sistema econômico. Por fim, 
mais um economista se envolve na definição do empreendedor. Dessa vez, Carl 
Menger (1840-1921), que definiu o empreendedor como alguém que antecipa ações e 
realiza previsões sobre as necessidades futuras do negócio. O papel e o perfil do 
empreendedor continuaram a ser estudados e definidos pelos economistas. Já no 
século XX, Ludwig von Mises (18881-1973) afirmava que o empreendedor é alguém 
que toma decisões; enquanto Friedrich von Hayek (1899-1992) ampliou o conceito, 
extrapolando o fator “assumir riscos” para alguém que identifica oportunidades de 
mercado (CHIAVENATO, 2012; FABRETE, 2019). 
Finalmente, nos anos 1950, Joseph Schumpeter (1883-1950) introduz a ideia de 
“destruição criativa” ao comportamento do empreender. Para o economista, o 
empreendedor é uma pessoa capaz de converter uma ideia em uma inovação bem-
sucedida, com a substituição de produtos. Dessa forma, surge a associação do 
empreendedor com criação de novas empresas ou revitalização de empresas já 
maduras, sempre com base no conceito de novos negócios em resposta à identificação 
de oportunidades. É por isso que, por meio da destruição criativa, o empreendedor se 
torna responsável pelo dinamismo do mercado, contribuindo para o crescimento 
econômico. 
, 
 
 
5 
 
O tema empreendedor e empreendedorismo continuou a ser estudado por diversos 
pesquisadores, de várias áreas, que contribuíram muito para a compreensão do 
assunto. Confira uma síntese desses estudos no quadro a seguir. 
 
Quadro 1.1 - Contribuições para o entendimento do empreendedorismo 
 
Fonte: Chiavenato (2012, p. 7-8). 
Esses estudos contribuíram para compreender melhor o papel do empreendedor na 
economia, e na sociedade como um todo. Chiavenato (2012) sintetiza o 
comportamento empreendedor como aquele em que alguém coloca em risco a sua 
segurança pessoal e profissional para assumir riscos, investindo tempo e dinheiro para 
colocar uma ideia em prática. 
Em relação às contribuições do empreendedorismo para a sociedade, Maximiano 
(2012) e Dornelas (2018) destacam que seu fortalecimento representa um papel 
significativo e importante para o desenvolvimento econômico e social, em especial, 
pela sua capacidade de gerar empregos e renda para a população. Nesse sentido, a 
ANO AUTOR CONTRIBUIÇÃO
1961 McClelland
Identifica três necessidades do empreendedor: poder, afiliação e sucesso 
(sentir que se é reconhecido). Afirma que: “o empreendedor manifesta 
necessidade de sucesso”
1966 Rotter
Identifica o locus de controle interno e externo: “o empreendedor 
manifesta locus de controle interno”
1970 Drucker
O comportamento do empreendedor reflete uma espécie de desejo de 
colocar sua carreira e sua segurança financeira na linha de frente e correr 
riscos em nome de uma ideia, investindo muito tempo e capital em algo 
incerto
1973 Kirsner
“Empresário é alguém que identifica e explora desequilíbrios existentes na 
economia e está atento ao aparecimento de oportunidades”
1982 Casson “O empreendedor toma decisões criteriosas e coordena recursos escassos”
1985
Sexton e 
Bowman
“O empreendedor consegue ter uma grande tolerância à ambiguidade”
1986 Bandura
“O empreendedor procura a autoeficácia: controle da ação humana através 
de convicções que cada indivíduo tem para prosseguir autonomamente na 
procura de influenciar a sua envolvente para produzir os resultados 
desejados
2002
William 
Baumol
“O empreendedor é a máquina de inovação do livre mercado”
, 
 
 
6 
 
ação empreendedora tem impacto relevante no desenvolvimento de um país, em 
virtude do seu potencial de geração de riqueza, inovação e aumento da produtividade. 
Maximiano (2012) sintetiza a importância do empreendedorismo para a sociedade em 
três variáveis: inovação, padrão e qualidade de vida. A Inovação é um motor 
econômico relevante, e os estudos comprovam que os pequenos negócios costumam 
ser mais eficientes que as grandes empresas por apresentarem maior flexibilidade para 
gerar inovações. Os fatos históricos demonstram que a maioria das inovações 
importantes e impactantes da atualidade foram criadas no âmbito de pequenas 
empresas. 
Quanto ao padrão e à qualidade de vida, a atividade empreendedoraafeta vários 
aspectos sociais de maneira significativa. Considerando o Padrão de Vida como a 
quantidade de produtos que podem ser comprados com a renda disponível, os 
empreendedores afetam esse padrão ao permitir uma inserção social que outras 
atividades não permitiriam. A Qualidade de Vida é o bem-estar geral da sociedade, 
proporcionado por fatores que contribuem para o conforto e a satisfação das pessoas. 
O incremento das atividades empreendedoras de uma sociedade, com o aumento do 
padrão de vida, reflete de forma direta no seu bem-estar. Não é por acaso que as 
principais economias mundiais, reconhecidas pela melhor qualidade de vida, são as 
mesmas que estimulam o espírito empreendedor. 
 
1.2 Conceito e caracterização do empreendedorismo 
As diversas inovações e invenções surgidas ao longo do século XX têm transformado a 
vida das pessoas. Novos olhares sobre elementos já existentes, e a criação de 
elementos verdadeiramente novos, revolucionaram o estilo de vida da sociedade. 
Sempre que essas inovações são estudadas pelos pesquisadores, percebe-se que a sua 
base é o comportamento empreendedor. Veja, na figura a seguir, algumas dessas 
contribuições do empreendedorismo ao longo do século XX (DORNELAS, 2018). 
 
, 
 
 
7 
 
Figura 1.1 – Contribuições do empreendedorismo: ideias e invenções do século XX 
 
Fonte: Dornelas (2018, p. 2). 
 
É por isso que Jeffry Timmons afirmou que “o empreendedorismo é uma revolução 
silenciosa, que será para o século 21 mais do que a revolução industrial foi para o 
século 20” (TIMMONS, 1990 apud DORNELAS, 2018, p.1). 
Para compreender a forma como o empreendedorismo vem revolucionando o mundo, 
o empreender se tornou objeto de estudo em diversas áreas, no entanto, nota-se um 
aumento da preocupação em entender o empreendedorismo e como ele pode ser 
ensinado e aplicado. Ainda que os estudos já aconteçam há séculos, o avanço 
tecnológico, e seus impactos nos meios de produção, têm exigido um número maior 
de empreendedores. Assim, a formalização dos conhecimentos sobre o 
empreendedorismo, que permita sua aplicação nos diversos níveis de educação 
escolar, tornou-se fator crítico de sucesso (DORNELAS, 2018). 
E como é possível conceituar empreendedorismo? A própria origem da palavra já 
permite alguma conceituação, uma vez que o termo “entrepreneuer” identifica alguém 
, 
 
 
8 
 
que corre riscos para iniciar algo novo. A partir desse conceito inicial, Dornelas (2018, 
p. 30) amplia o conceito para a definição que utilizaremos ao longo da disciplina, 
quando afirma “que o processo empreendedor envolve todas as funções, atividades e 
ações associadas à criação de novos negócios, não se limitando à abertura de 
empresas”. Indo além, e desdobrando o conceito inicial, segundo o autor, 
Em primeiro lugar, o empreendedorismo envolve o processo de criação de 
algo novo, de valor. Em segundo, requer a devoção, o comprometimento de 
tempo e o esforço necessário para fazer a empresa crescer. Em terceiro, que 
riscos calculados sejam assumidos, e decisões críticas, tomadas; é preciso 
ousadia e ânimo, apesar de falhas e erros. (DORNELAS, 2018, p. 30). 
 
Por essa conceituação, é possível perceber que o empreendedorismo não é uma 
característica de personalidade, ou seja, não se nasce empreendedor, como era o 
pensamento vigente há alguns anos. Por se tratar de um processo que envolve 
metodologias e técnicas, o aprendizado não só é possível, como tem sido praticado em 
diversas instituições de ensino, inclusive aqui no Brasil. Até mesmo porque o sucesso 
de um empreendimento não depende apenas da vontade do empreendedor, mas 
também de diversos fatores internos e externos (que devem ser considerados na 
análise do negócio) e da maneira como o negócio é administrado. Tudo isso requer o 
desenvolvimento de competências que envolvem os conhecimentos originados de 
diversas áreas, tais como contabilidade, administração, finanças, dentre outras 
(DORNELAS, 2018; FABRETE, 2019). 
Dornelas (2018) alerta para o fato de que o ensino de empreendedorismo pode sofrer 
alterações em virtude da instituição no qual é aplicado. Por isso, ele recomenda que 
qualquer curso deve conter os itens a seguir. 
 
 
 
 
, 
 
 
9 
 
Figura 1.2 – Conteúdos para cursos de empreendedorismo 
 
Fonte: Dornelas (2018, p. 31). 
É claro que o ensino do empreendedorismo não garante que todos se tornarão mitos, 
tais como Steve Jobs e Bill Gates, ou Luiza Trajano, Olavo Setúbal, Samuel Klein e Abílio 
Diniz (para citar alguns brasileiros). Mas, certamente, proporcionará uma preparação 
melhor para os empresários, resultando em empresas mais bem preparadas para gerar 
empregos, renda e riqueza (DORNELAS, 2018). 
Esses aspectos são relevantes tendo em vista que a compreensão do 
empreendedorismo depende do entendimento do seu ambiente. Conforme Salim e 
Silva (2010), os principais componentes desse ambiente estão descritos a seguir. 
• Inovação: é a essência do ambiente, composta por invenções e novidades 
tecnológicas; 
• Comunicação: as ferramentas de comunicação virtual tornam os processos de 
comunicação mais simples, ágeis e baratos; 
, 
 
 
10 
 
• Informação: o avanço das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) 
permitem o acesso a um grande volume de informações, sobre diversas áreas, 
muitas delas em tempo real; 
• Distribuição: o crescimento do comércio internacional traz novos desafios 
logísticos com a distribuição de clientes, fornecedores e da produção em vários 
países; 
• Tecnologia: o aumento contínuo das novas tecnologias, em uma velocidade 
muito maior que em um passado recente, representa novas oportunidades, 
mas também novos desafios; 
• Globalização: a velocidade com a qual os negócios tem se espalhado pelo 
mundo, a conexão entre pessoas e empresas de vários países, traz novas 
maneiras de avaliar os negócios existente nesse cenário; 
• Novos conceitos: a evolução da sociedade tem refletido na gestão dos 
negócios, temas como responsabilidade social e ambiental têm sido cobrados 
das empresas por consumidores; além disso, o comércio virtual tem se 
expandido para diversos produtos e serviços, exigindo respostas rápidas e 
adequadas. 
 
1.3 O empreendedorismo no Brasil 
De um ponto de vista conceitual, ou seja, a partir do conceito do empreendedorismo 
como uma forma de assumir riscos para colocar em prática novas ideias, essa atividade 
pode ser identificada no Brasil a partir do século XVII. Nessa época, quando o país 
ainda era uma colônia, o governo português realizou a doação de grandes extensões 
de terra para os cidadãos. Esses novos proprietários assumiram, então, o risco de 
navegar por meses até o novo continente e desenvolver a propriedade recebida 
(SALIM; SILVA, 2010). 
, 
 
 
11 
 
No século XIX, com o Brasil na condição de império, destaca-se a atuação pioneira de 
Irineu Evangelista de Souza (1813-1889), o Visconde de Mauá. Ele foi empresário, 
industrial e banqueiro e sua atuação sempre se direcionou ao desenvolvimento do 
país. São inúmeros os projetos que servem de exemplo a essa ação empreendedora: as 
companhias de navegação a vapor no Rio Grande do Sul e no Amazonas; a primeira 
ferrovia brasileira ligando Petrópolis ao Rio de Janeiro; a companhia de gás para a 
iluminação pública do Rio de Janeiro e primeira rodovia pavimentada do país, 
interligando as cidades de Petrópolis (RJ) à Juiz de Fora (MG) (DORNELAS, 2018; SALIM; 
SILVA, 2010). 
A longo do século XX, diversos empreendedores se tornaram pioneiros nas suas áreas 
de atuação, deixando um extenso legado social e para a economia do país. Confira 
alguns deles no quadro a seguir. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
, 
 
 
12 
 
Quadro 1.2 – Pioneiros do empreendedorismo no Brasil 
PIONEIRO LEGADO 
Francisco Matarazzo • Indústrias Matarazzo (Início da 
industrialização do país). 
 Nami Jafet • Comércio no interior de São Paulo; 
• Clube Monte Líbano;• Hospital Sírio e Libanês. 
Ramos de Azevedo • Reurbanização de São Paulo; 
• Teatro Municipal; 
• Prédio da Faculdade de Medicina da 
USP. 
Júlio Mesquita • Jornal O Estado de S. Paulo. 
Leon Feffer • Suzano Papel e Celulose; 
• Início da produção de papel e celulose; 
• Clube A Hebraica; 
• Hospital Albert Einstein. 
Antônio Ermírio de 
Moraes 
• Grupo Votorantim. 
 Jorge Gerdau 
Johannpeter 
• Setor siderúrgico; 
• Indústrias Gerdau. 
Fonte: adaptado de Salim e Silva (2010, p. 41-47). 
 
, 
 
 
13 
 
Esses pioneiros desenvolveram suas atividades empreendedoras quando o tema 
empreendedorismo ainda não era discutido no país de forma consistente. A economia 
fechada e o cenário político não estimulavam a ação de empreendedores, muito 
menos a abertura de pequenas empresas. A grande maioria dos pequenos negócios 
funcionava de maneira informal. 
Nos anos 1990, com a abertura da economia promovida pelo Presidente Fernando 
Collor (1949-) e a criação do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas 
(Sebrae) e da Sociedade Brasileira para Exportação de Software (Softex). O Sebrae é 
reconhecido como o principal órgão de apoio ao pequeno empresário, fornecendo 
suporte para a formação de empreendedores, apoio para obter soluções para as 
dificuldades e problemas dos negócios e consultoria especializada. A Sofitex contribuiu 
para a expansão do segmento de softwares, capacitando os empresários de 
informática em gestão e tecnologia, e apoiando a nascente indústria de tecnologia 
nacional. Além desses exemplos, o programa Brasil Empreendedor, criado pelo 
Governo Federal em 1999, proporcionou capacitação a mais de seis milhões de 
empreendedores em todo o país, com investimento de R$ 8 bilhões (DORNELAS, 2018; 
FABRETE, 2019). 
A partir do ano 2000, o Global Entrepreneurship Monitor (GEM), instituição destinada 
à pesquisa sobre o empreendedorismo no mundo, em parceria com o Instituto 
Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP), começou a realizar pesquisas sobre o 
empreendedorismo no Brasil. A pesquisa é feita com um grande número de 
empreendedores, que fornecem os dados e informações para consolidar o Relatório 
GEM de Empreendedorismo no Brasil (GEM, 2018). É desse relatório, da edição de 
2017, as informações a seguir. 
Vamos começar com o volume total de empreendimentos captado pela pesquisa em 
2017, que você observa na tabela abaixo. 
 
 
, 
 
 
14 
 
Tabela 1.1 – Empreendimentos por classificação – Brasil 2017 
 
Fonte: GEM (208, p. 8). 
A classificação dos empreendimentos é feita com os seguintes parâmetros: 
• Nascentes: negócio novo que ainda não pagou salários, pró-labores ou outra 
forma de remuneração aos proprietários por mais de três meses; 
• Novos: empreendimento que já remunerou de alguma forma os seus 
proprietários em período superior a três meses e inferior a 3,5 anos; 
• Estabelecidos: negócios que já remuneraram os proprietários de alguma forma 
(salário, pró-labore ou outra) em período superior a 3,5 anos. 
A evolução do número de empreendedores, no período de 2002 a 2017, mostra que 
houve crescimento de 21% para 36%, com o maior percentual em 2015. A maior 
participação, durante a maior parte do período, é de negócios iniciais. Em 2017, esses 
negócios representaram 20%, enquanto os estabelecidos registraram 17%. 
 
 
 
 
 
 
 
, 
 
 
15 
 
Figura 1.3 – Evolução dos tipos de empreendedores – Brasil 2002-2017 
 
Fonte: GEM (2018, p. 8). 
Para compreender essa expansão contínua da atividade empreendedora, os motivos 
pelos quais as pessoas optaram pela abertura de um negócio também são objeto da 
pesquisa. Nesse sentido, o relatório realiza a classificação de duas formas: 
empreendedorismo por oportunidade e por necessidade. 
• Oportunidade: iniciaram o negócio pela percepção de uma oportunidade no 
ambiente; 
• Necessidade: o negócio foi iniciado pela falta de opções para gerar ocupação e 
renda. 
Figura 1.4 – Motivos para empreender – Brasil 2002-2017 
 
Fonte: GEM (2018, p. 10). 
, 
 
 
16 
 
De acordo com as análises do instituto, a participação desses tipos de 
empreendedores tem relação com a situação econômica do país. De maneira geral, 
quando a economia está estável e oferece boas chances de empregabilidade, o 
empreendedorismo por necessidade tende a cair, pelas oportunidades de obter 
emprego e renda. Nesse cenário, a maior participação é a de empreendedorismo por 
oportunidade. Entre 2008 e 2014, percebe-se o grande crescimento de 
empreendedorismo por oportunidade, confirmando a análise do instituto, pois nesse 
período houve grande crescimento econômico no Brasil. 
A partir de 2015, com a desaceleração da economia, a linhas começam a se encontrar, 
o que significa aumento do empreendedorismo por necessidade e queda das 
oportunidades de novos negócios. 
Se você quiser explorar mais o perfil do empreendedorismo no Brasil, acesse o 
relatório completo através do link que está disponível nas referências ao final deste 
texto. 
 
1.4 O comportamento empreendedor 
Muitas pesquisas foram realizadas, ao longo do tempo, para identificar as 
características que definem o comportamento empreendedor, uma vez que os 
resultados obtidos estão relacionados com seu perfil comportamental. Nesse sentido, 
Maximiano (2012), sintetiza os principais traços do comportamento empreendedor na 
figura a seguir. 
 
 
 
 
 
, 
 
 
17 
 
Figura 1.5 – Traços do comportamento empreendedor 
 
Fonte: Maximiano (2012, p. 17). 
Vamos explorar um pouco mais esses traços, a partir de Maximiano (2012). 
Criatividade: é um dos traços principais do empreendedor, que está sempre envolvido 
na busca de soluções inovadoras. 
Disposição para assumir riscos: é o traço básico da personalidade citado pelos 
pesquisadores, desde a origem dos estudos sobre empreendedorismo. Significa a 
capacidade de lidar com as incertezas associadas a um novo negócio. 
Capacidade de implementação: além do seu potencial de gerar inovações, o 
empreendedor se destaca por levar as ideias até a sua consecução, ou seja, finaliza o 
que imagina. 
Senso de independência: ter forte senso de independência significa que os 
empreendedores não dependem do suporte ou da opinião de outras pessoas. Eles 
confiam na própria capacidade para realizar o que muitos podem considerar 
irrealizável, têm autonomia e trabalham para si mesmos. 
, 
 
 
18 
 
Perseverança: criar um negócio implica em investir e fazer grandes esforços para 
superar os obstáculos. Por isso, ter perseverança significa não desistir e investir tempo 
e energia para obter a realização. 
Otimismo: o empreendedor consegue formar uma visão de futuro na qual não 
considera a possibilidade de fracasso. E se fracassar, compreende o fato como uma 
chance de aprender e ter sucesso na próxima tentativa. 
Chiavenato (2012) também apresenta uma síntese do conjunto de características que 
integram o espírito empreendedor, como poder ser observado na figura a seguir. 
 
Figura 1.6 – As três características básicas do empreendedor 
 
Fonte: Chiavenato (2012, p. 14). 
Com base no autor, e em Fabrete (2019), iremos explorar essas características a seguir. 
Necessidade de realização 
Os indivíduos possuem necessidade de realização em níveis diferentes. Aqueles que a 
tem em nível mais elevado costumam ser mais competitivos, buscam um alto padrão 
de excelência e realizam as próprias tarefas. Essa alta necessidade de realização 
caracteriza os empreendedores. 
 
, 
 
 
19 
 
Disposição para assumir riscos 
Empreendedores, como já comentado, tem tendência a assumir diversos tipos de 
riscos. Muitos abandonam posições estáveis no mercado de trabalho para explorar 
oportunidades identificadas, nas quais realizam investimentos. No entanto, é 
importante destacar que eles assumem riscos calculados, ou seja, aqueles nos quais 
podem exercer certo domínio. 
 
Autoconfiança 
O indivíduo empreendedor éseguro em relação aos seus objetivos, bem como de sua 
capacidade para enfrentar e superar os obstáculos e desafios. Acredita em suas 
habilidades pessoais, e também no fato de que o sucesso depende do seu esforço. 
 
1.5 Características do empreendedor de sucesso 
Os estudos realizados sobre a atuação de inúmeros empreendedores de sucesso 
revelam que eles desenvolvem características que os tornam diferenciados em relação 
aos demais. Para Dornelas (2018), são as características a seguir que devem ser 
buscadas por empreendedores para alcançar o sucesso. 
 
São visionários 
Conseguem estabelecer uma visão de como será o futuro de seu negócio e têm a 
habilidade de implementar seus sonhos. 
 
 
 
 
, 
 
 
20 
 
Sabem tomar decisões 
Têm capacidade para tomar as decisões corretas na hora certa, especialmente em 
situações de adversidade, o que é um fator-chave para seu sucesso. Também 
conseguem colocar em prática suas ações rapidamente. 
São indivíduos que fazem a diferença 
Isso acontece porque eles, de acordo com Dornelas (2018, p. 24), “transformam algo 
de difícil definição, uma ideia abstrata, em algo concreto, que funciona, transformando 
o que é possível em realidade.” Dessa forma, pode-se afirmar que eles fazem a 
diferença por transformar sonhos em realidades. 
 
Sabem explorar ao máximo as oportunidades 
Perceber e explorar oportunidades está na essência do empreendedorismo. E o 
empreendedor de sucesso consegue identificar boas ideias aonde ninguém mais vê, ou 
não percebem o seu potencial. É por isso que são considerados excelentes nas ações 
de identificar e explorar oportunidades. 
 
São determinados e dinâmicos 
Seu dinamismo supera as adversidades e obstáculos, especialmente pela determinação 
e pelo comprometimento aplicados na implementação das suas ações. É por esse 
dinamismo que costumam não se conformar com a rotina. 
 
São dedicados 
Dedicam-se integralmente ao seu negócio, com muita energia e sem restrição de 
tempo, o que muitas vezes cria problemas de relacionamento com amigos e família, 
podendo até mesmo causar-lhes problemas de saúde. Costumam ser incansáveis e 
loucos pelo trabalho. 
, 
 
 
21 
 
São otimistas e apaixonados pelo que fazem 
São otimistas, pois não consideram o fracasso, só enxergando o sucesso. E fazem isto 
de maneira apaixonada, pois adoram o que fazem. É dessa forma que obtém a energia 
que os mantem animados e autodeterminados. 
 
São independentes e constroem o próprio destino 
Não querem ficar presos ao modelo de emprego tradicional, mas, ser seu próprio 
patrão e assim determinar por si próprio seu caminho. Procuram a independência a 
partir da criação de algo novo, que também gere empregos. 
 
Ficam ricos 
Empreendedores de sucesso não têm como meta central ficarem ricos. Eles 
compreendem que o dinheiro é consequência de um bom trabalho e do sucesso dos 
negócios. 
 
São líderes e formadores de equipes 
O empreendedor de sucesso sabe que não pode fazer tudo sozinho e, portanto, 
depende de outros para chegar ao sucesso. Por isso, estudam e exercitam a liderança 
para manter seus colaboradores motivados e valorizados, obtendo, em contrapartida, 
forte comprometimento e respeito de todos. 
 
São bem relacionados (networking) 
Valorizam sua rede de contatos externos à empresa, não só com clientes e 
fornecedores, mas com todos que podem influenciar seus resultados, tais como 
entidades de classe e autoridades. 
, 
 
 
22 
 
São organizados 
Sabem como otimizar a alocação dos recursos, utilizando instalações, máquinas e 
equipamentos, bem como capital humano e recursos financeiros, de maneira racional 
e centrada na produção de resultados para o negócio. 
 
Planejam, Planejam, Planejam 
Para ter sucesso, esses empreendedores investem no planejamento detalhado do seu 
negócio. Todo o processo, que começa com um esboço do plano de negócios, até sua 
demonstração a investidores, o que inclui o desenvolvimento de estratégias de 
marketing para o negócio e outros aspectos relevantes. E esse planejamento sempre 
considera a sua visão de negócio. 
 
Possuem conhecimento 
Eles entendem que o sucesso nos negócios depende do conhecimento obtido em 
diversas fontes, e que deve ser continuamente atualizado. Assim, se mantêm 
atualizados para ter domínio sobre a dinâmica do seu negócio e do ramo de atividade. 
Exploram as diversas fontes de conhecimento, tais como a experiência prática, cursos 
especializados, publicações especializadas e análise de negócios semelhantes. 
 
Assumem riscos calculados 
Capacidade para assumir riscos é a característica mais conhecida dos empreendedores. 
No entanto, quando estudamos os empreendedores de sucesso, percebe-se que vão 
além de assumir riscos calculados, pois sabem gerenciar o risco e analisar o potencial 
verdadeiro de obter sucesso. Como entendem que riscos e desafios estão 
relacionados, consideram a jornada empreendedora mais recompensadora quando 
assumem desafios maiores. 
, 
 
 
23 
 
Criam valor para a sociedade 
A própria dinâmica de negócios e o sucesso alcançado pelos empreendedores de 
sucesso resultam em valor para a sociedade. Os negócios envolvem a criatividade para 
solucionar problemas, ampliando o potencial de inovação. Essa combinação gera 
empregos e renda, com impactos positivos na economia como um todo. 
Perceba que a descrição das características dos empreendedores de sucesso inclui 
conhecimentos, habilidades e competências construídos ao longo do tempo. São 
resultado de um processo contínuo de aprendizado, e de alguns atributos pessoais, 
que tornam possível conquistar sucesso acima da média. 
 
Conclusão 
Nesta etapa, começamos os estudos sobre o empreendedorismo avaliando sua 
evolução histórica e o contexto que proporcionou sua origem e evolução. O fato de os 
estudos iniciais terem sido desenvolvidos por economistas já evidencia a relação direta 
entre empreendedorismo e atividade econômica. É por isso que o empreendedorismo 
exerce papel significativo para a inovação, padrão e qualidade de vida da população. 
Ao aprofundar a análise do empreendedorismo no Brasil, descobrimos que ele teve 
início, praticamente, desde a descoberta do país, mesmo que as ações desenvolvidas 
até o século XIX não tivessem esse nome. Vários pioneiros do empreendedorismo 
superaram imensas dificuldades e deixaram o seu legado nacional. O impulso à 
atividade empreendedora tem início nos anos 1990, com diversas ações, tais como a 
criação do Sebrae e da Softex. Atualmente, o Brasil é considerado um dos países mais 
empreendedores do mundo, cujo perfil de empreendedor apresenta variação ao longo 
do tempo, como mostraram as pesquisas realizadas pelo GEM. 
Para entender o fenômeno do empreendedorismo, estudamos a sua figura central, o 
empreendedor. Vimos suas características essenciais e diferenciadores, também 
pudemos entender que tudo isso pode ser aprendido, uma vez que existem 
, 
 
 
24 
 
metodologias e técnicas que contribuem para o desenvolvimento do comportamento 
empreendedor. 
E, por fim, observamos os resultados de estudos que avaliam os empreendedores de 
sucesso, que mostram as características daqueles que criaram negócios com 
resultados acima da média. Também nesse aspecto, é possível concluir que ser 
empreendedor é, acima de tudo, uma escolha que envolve muito estudo e 
planejamento. 
 
REFERÊNCIAS 
CHIAVENATO, I. Empreendedorismo: dando asas ao espírito empreendedor. 4 ed. 
Barueri, SP: Manole, 2012. 
DORNELAS, J. Empreendedorismo, transformando ideias em negócios. 7 ed. São 
Paulo: Empreende, 2018. 
FABRETE, T. C. L. Empreendedorismo. 2 ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 
2019. 
GEM - Global Entrepreneurship Monitor. Empreendedorismo no Brasil: Relatório GEM 
2017. São Paulo: GEM, 2018. Disponível em: <https://bit.ly/2TMqMhN>. Acesso em: 
20 jun. 2020. 
MAXIMIANO, A. C. A. Empreendedorismo. São Paulo: Pearson Prentice Hall,2012. 
SALIM, C. S; SILVA, N. C. Introdução ao empreendedorismo: construindo uma atitude 
empreendedora. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. 
“Marco Polo”. In: Wikipedia. Disponível em: 
<https://pt.wikipedia.org/wiki/Marco_Polo>. Acesso em: 24 jun. 2020. 
“Rota das Especiarias” In: Wikipedia. Disponível em: 
<https://pt.wikipedia.org/wiki/Rota_das_especiarias>. Acesso em: 24 jun. 2020. 
 
, 
 
 
25 
 
 
2 O PROCESSO EMPREENDEDOR 
Para a criação de um novo empreendimento, seja uma nova empresa ou um projeto 
em organização já existente, é necessária uma boa ideia, com potencial para se 
transformar em uma oportunidade de negócio. Mas as boas ideias não surgem assim 
tão facilmente, ao contrário do senso comum, elas são resultado de observação e 
direcionamento. 
A habilidade de utilizar a criatividade para gerar novas ideias tem sido o fator crítico de 
sucesso para a sobrevivência das organizações, pois é por elas que são geradas as 
inovações e é possível construir vantagens competitivas. 
Esses resultados somente poderão ser obtidos se as ideias forem analisadas e 
resultarem em oportunidades de negócio. Mas não basta só isso, é preciso analisar se 
esse negócio é viável, quais serão as fontes que financiarão a sua concretização e de 
que forma será feito o gerenciamento que garante a sua sobrevivência. 
Novos empreendimentos, portanto, dependem de um processo estruturado para que 
possam se tornar negócios de sucesso. É sobre esse processo que trataremos nesta 
etapa. 
 
2.1 Fatores que influenciam o processo empreendedor 
O processo empreendedor tem início a partir de fatores originados por alguns 
acontecimentos, e que levam à decisão de avaliar a possibilidade de criação de um 
novo negócio. Dornelas (2018) demonstra os principais fatores na figura a seguir. 
 
 
 
 
, 
 
 
26 
 
Figura 2.1 - Fatores que influenciam o processo empreendedor 
 
Fonte: Dornelas (2018, p. 32). 
 
Observe que são diversos tipos de fatores que exercem influência sobre todo o 
processo de empreender. Desde o início do processo, os fatores pessoais tem 
participação relevante nas decisões do empreendedor. Características como assumir 
riscos dividem o espaço com fatos ocorrido na vida pessoal, como uma demissão ou a 
insatisfação com o emprego atual. Em paralelo, a vida social também influencia a 
tomada de decisão, fatores como o círculo familiar e a influência dos pais podem gerar 
a decisão de empreender. 
No entanto, os aspectos externos também participam do contexto, pois as 
oportunidades estão presentes no cenário externo, a partir da identificação de 
problemas ou necessidades de uma parcela da população, que poderiam ser 
solucionadas ou atendidas com o negócio. A existência de fatores facilitadores e 
dificultadores, como os recursos e o ambiente de negócios, consolidam o quadro no 
qual uma ideia pode resultar em uma oportunidade e se concretizar por meio de um 
negócio com chances de sucesso. 
, 
 
 
27 
 
Ao observar mais atentamente a figura 2.1, vemos que a inovação está no início do 
processo empreendedor, pois ela é a semente do processo. De maneira geral, quando 
falamos de inovação, nos referimos à inovação tecnológica e seu papel no 
desenvolvimento econômico mundial. Esse tipo de inovação implica a análise mais 
aprofundada de quatro fatores críticos, como apresentados por Dornelas (2018) na 
figura que segue. 
 
Figura 2.2 - Fatores críticos para o desenvolvimento econômico 
 
Fonte: Dornelas (2018, p. 32). 
 
A figura evidencia o talento do empreendedor como ponto de partida para gerar 
inovações. É a sua percepção, aliada à dedicação e trabalho comprometido que 
resultam nas inovações que proporcionam a diversidade e o desenvolvimento de 
novos negócios. No entanto, Dornelas (2018) alerta que o talento precisa ser 
alimentado por ideias, representadas na figura 2.2 pela tecnologia. A associação de 
boas ideias com o talento empreendedor dá início ao processo empreendedor. 
Para colocar o processo em movimento, a fonte de energia que funciona como 
combustível do negócio é o capital. Por fim, as competências (know-how), como 
ingredientes finais e que resultam do conhecimento e da habilidade, geram a sinergia 
necessária para combinar talento, tecnologia e capital que viabilizam o 
desenvolvimento do negócio. 
, 
 
 
28 
 
A partir dessas discussões iniciais, é possível compreender o processo de empreender, 
como proposto por Dornelas (2018), e as suas etapas, que estão consolidadas na figura 
a seguir. 
Figura 2.3 - O processo empreendedor 
 
Fonte: Dornelas (2018, p. 34). 
 
Cada uma das etapas desse processo será detalhada nas seções a seguir. 
 
2.2 Identificar e avaliar oportunidades 
Existem muitas fontes de ideias que podem ser convertidas em oportunidades para 
novos negócios. Para Maximiano (2012), é possível agrupar as fontes de ideias em duas 
categorias: a criatividade do empreendedor e o mercado potencial. Dessa combinação, 
resultam algumas possibilidades, tais como as da figura a seguir. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
, 
 
 
29 
 
Figura 2.4 – Possibilidades de novos negócios 
 
Fonte: elaborado pela autora com base em Maximiano (2012). 
Com ajuda de Maximiano (2012), vamos explorar um pouco mais cada uma dessas 
possibilidades. 
 
Novo negócio com base em novo conceito 
É o modelo básico do empreendedorismo, quando se cria um conceito novo e 
revolucionário o suficiente para criar um novo mercado. Significa criar um negócio 
baseado em ideias de produtos que ainda não existem. São ideias que utilizam a 
tecnologia para criar soluções que, muitas vezes, tornam obsoletos os existentes e 
viabilizam oportunidades que antes não eram possíveis. São exemplos desse tipo de 
negócio o Whatsapp, que foi viabilizado pela transformação dos telefones celulares em 
smartphones; e o Netflix, que se tornou viável com o acesso à internet pelos aparelhos 
de televisão. 
 
 
, 
 
 
30 
 
Novo negócio com base em conceito existente 
É um empreendimento que nasce a partir de ideias que já existem, no qual o 
empreendedor pode exercer sua criatividade para agregar diferenciais em relação ao 
modelo de negócio que existe no mercado. Dessa forma, um tipo de negócio existente 
pode ser redirecionado a novos mercados que não estão sendo atingidos. São 
exemplos desse tipo de possibilidade os mercados nos quais não existem caixas, ao 
final as compras, os consumidores passam os produtos por equipamentos que 
totalizam o valor a pagar, bastando inserir o cartão de crédito ou débito para realizar o 
pagamento. 
 
Necessidades dos consumidores 
A ideia desse tipo de negócio é identificar necessidades não atendidas ou atendidas de 
maneira inadequada. O empreendedor precisa estar atendo às reclamações e 
sugestões de consumidores. Atualmente, com a disseminação das redes sociais 
digitais, muitas ideias e oportunidades podem ser identificadas a partir dos 
comentários de consumidores sobre as carências existentes em determinados 
mercados. Serviços como consertos e pequenas reformas, por exemplo, passaram a 
ser demandados em virtude da falta de tempo devido ao trabalho e do aumento de 
pessoas que moram sozinhas. Eles deram origem a negócios do tipo “marido de 
aluguel”, em uma alusão ao que era feito pelos antigos “chefes de família”. 
 
Aperfeiçoamento do negócio 
É partindo de um modelo de negócio existente que essa possibilidade se apresenta. 
Aqui, o aperfeiçoamento costuma ser realizado com adequação de preços, meios de 
distribuição, dentre outras possibilidades, de maneira que o desempenho de funções 
existentes seja feito de maneira nova e aprimorada. O atendimento médico em 
ambiente virtual, por exemplo, permite que o processo de solicitação de exames e de 
medicamentos seja feito também de maneira digital. O que viabiliza o 
, 
 
 
31 
 
aperfeiçoamento do negócio de farmácias com o recebimento de receitas digitais e a 
entrega de medicamentosem domicílio. 
 
Exploração de hobbies 
Até mesmo as atividades de lazer que o empreendedor realiza podem criar 
oportunidades de negócios. Isso acontece quando são identificadas possibilidades 
comerciais de aplicação em algum grupo social. Alguém que pratica surfe, por 
exemplo, pode perceber a oportunidade de abrir um negócio para a comercialização 
de produtos para praticantes do setor. 
 
Derivação da ocupação 
O sucesso obtido pelo empreendedor na sua atuação profissional pode representar 
uma possibilidade de oferecer suas competências na forma de um negócio. Isso 
costuma acontecer com profissionais da contabilidade, por exemplo, que abrem seus 
escritórios após atuar na área corporativa. O mesmo se observa com diversos 
profissionais que aproveitam a experiência adquirida para abrir empresas de 
consultoria. 
 
Observação de Tendências 
As rápidas transformações da sociedade trazem mudanças comportamentais que 
podem resultar em oportunidades de negócios para atender novos mercados que 
nascem a partir dessas mudanças. A crescente consciência ambiental, por exemplo, 
demanda produtos e serviços em várias áreas, como produção de energias limpas, 
reciclagem e aproveitamento de resíduos, redução de consumo pelo 
compartilhamento de produtos, dentre outros. Também cabe destacar as mudanças 
alimentares, com o crescimento do consumo de produtos orgânicos e do veganismo. 
, 
 
 
32 
 
Diferenciando ideias de oportunidades 
Um ponto fundamental na identificação de oportunidades é a sua diferença em 
relação a simples ideias. A geração de várias ideias não significa que todas elas se 
transformarão em negócios de sucesso. É por isso que o empreendedor precisa estar 
atento ao cenário para avaliar de maneira ampla como uma ideia pode se tornar uma 
oportunidade de sucesso. Nesse sentindo, 
uma ideia isolada não tem valor se não for transformada em algo cuja 
implementação seja viável, visando atender a um público-alvo que faça 
parte de um nicho de mercado mal explorado. Isso é detectar uma 
oportunidade. (DORNELAS, 2018, p. 49) 
 
É preciso, portanto, que ideias e oportunidades sejam analisadas em relação às 
competências do empreendedor e às possibilidades do mercado para o qual se 
destinam. O processo de planejamento de um negócio deve compatibilizar essas duas 
perspectivas. De um lado, a compreensão que o empreendedor possui acerca de seus 
conhecimentos, habilidades e limitações; de outro lado, analisar os interesses e as 
limitações do mercado (MAXIMIANO, 2012). 
Dentre esses fatores, o principal fator a ser considerado pelo empreendedor é o 
potencial de mercado. Afinal, existe mesmo um público-alvo interessado no que o 
negócio oferece? Para avaliar o potencial de mercado, Maximiano (2012) apresenta 
alguns critérios para auxiliar o empreendedor. Veja no quadro a seguir. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
, 
 
 
33 
 
Quadro 2.1 – Critérios para avaliar o potencial de negócios 
 
Fonte: elaborado pela autora com base em Maximiano (2012, p. 32). 
 
Além da avaliação do mercado, também é preciso avaliar o potencial dos novos 
produtos e serviços, Maximiano (2012) recomenda algumas ações, sintetizadas no 
quadro que segue. 
 
Quadro 2.2 - Fatores críticos para o sucesso de novos produtos 
 
Fonte: elaborado pela autora com base em Maximiano (2012, p. 31). 
Viabilidade de 
mercado
Concorrência Viabilidade de produção Controle governamental
Investimento inicial e 
retorno
O produto tem 
compradores 
potenciais?
Quem são os 
concorrentes?
Existem componentes e 
matérias-primas para fazer o 
produto ou prestar o serviço?
Há controle governamentais 
sobre o produto ou tipo de 
negócio?
Qual o investimento 
necessário?
Com que frequência o 
produto seria 
comprado?
Quantos são?
Existem máquinas, 
equipamentos e instalações?
Há necessidade de 
licenciamento ou aprovação 
prévia?
Qual o período de 
retorno desse 
investimento?
Quem compraria? Onde estão? Existe mão de obra qualificada?
Quanto precisa ser investido 
para atender a legislação?
O retorno está 
equilibrado com os 
riscos do 
investimento?
Quantos comprariam?
Quais são as suas 
vantagens 
competitivas?
Qual a necessidade de 
investimento e de 
experimentação?
Onde estão os 
compradores?
Qual é o alcance e a 
eficiência dos seus 
canais de 
distribuição?
Qual o investimento necessário 
para viabilizar a produção?
Qual preço aceitariam 
pagar?
Há barreiras para 
novos ingressantes?
Há sazonalidade no 
fluxo de compras?
Quais são os 
fornecedores 
concorrentes?
Fator-chave Descrição
Pesquisa de marketing
A pesquisa de marketing é crucial para evitar que o produto fracasse. Sua 
desvantagem é o alto custo. Um exemplo desse tipo de pesquisa seria o teste 
de um novo alimento nas entradas de teatro e cinema e nos supermercados.
Atendimento de uma 
necessidade
Requisito essencial do novo produto ou serviço é ser realmente necessário 
para os consumidores. Por isso a necessidade de aplicar testes para aferir o 
nível de necessidade.
Vantagem do produto
O produto deve ser superior aos concorrentes em atributos como qualidade, 
aparência, tecnologia e praticidade.
Qualidade e preço 
adequados
Se o produto tiver baixa qualidade ou preço elevado, em relação ao mercado, o 
consumidor não irá procurá-lo novamente.
Escolha dos canais de 
distribuição
Uma decisão crítica com novos produtos envolve os canais de distribuição. A 
definição dos locais de vendas e da forma de fazer o produto chegar aos 
clientes é determinante para o sucesso.
, 
 
 
34 
 
O último ponto a ser avaliado é a aderência entre o perfil do empreendedor e a ideia 
de negócio. 
De acordo com Dornelas (2018), é comum um empreendedor investir em uma ideia 
com vasto potencial de mercado, mas em um setor de atividade que ele conhece 
muito pouco ou em um ramo no qual nunca atuou. Esse fato reduz drasticamente as 
chances de sucesso, pois é necessário que o negócio tenha relação com o perfil 
profissional do seu criador. O autor recomenda que os empreendedores invistam seu 
tempo e seus recursos em negócios em áreas que conheçam e tenham alguma 
experiência, ou pelo menos, que algum dos sócios já tenha trabalhado. 
Muitos empreendedores são atraídos por setores nos quais existe elevada 
possibilidade de obter rendimentos financeiros, mesmo sem qualquer conhecimento 
do assunto. Dornelas (2018, p. 51) lembra que, “em primeiro lugar, vem a paixão pelo 
negócio; ganhar dinheiro é consequência”. 
 
2.3 Desenvolver o Plano de Negócios 
A expressão “Plano de Negócios” é originada da expressão inglesa Business Plan, um 
documento organizado a partir de análises estratégicas para avaliar uma oportunidade 
de negócio. É um documento de planejamento dinâmico destinado a descrever um 
negócio, descrevendo estratégias operacionais, a inserção do empreendimento no 
mercado e os seus resultados financeiros. Além de ser um importante documento 
estratégico, o Plano de Negócio também auxilia o empreendedor a compreender 
melhor o negócio, o seu ambiente e as diversas variáveis envolvidas. (DORNELAS, 
2018; FABRETE, 2019). 
Os autores Dornelas (2018) e Fabrete (2019) afirmam que o Plano de Negócios permite 
a organização das ideias e o direcionamento do negócio para que ele tenha condições 
de ser concretizado. Permite a documentação e o gerenciamento das análises internas 
e externas, viabilizando a identificação das condições nas quais o negócio é viável, 
auxiliando na prevenção de riscos futuros e aumentando suas chances de 
, 
 
 
35 
 
sobrevivência e crescimento sustentável. Dornelas (2018), propõe a estrutura do Plano 
de Negócios conforme a seguinte figura. 
 
Figura 2.5 – Estrutura do plano de negócios 
 
Fonte: elaborada pela autora com base em Dornelas (2018) e Razzolini Filho (2012). 
 
 
Sumário executivo: 
É a primeira seção do Plano de Negócios que será lida, portanto, deve ser elaborada de 
maneira a mantera atenção do leitor e despertar seu interesse pelo conteúdo de todo 
o plano. Trata-se de uma síntese do que é o negócio, seus diferenciais e vantagens 
competitivas, motivo de o empreendedor ter escolhido o setor ou ramo de atividade. 
Também deve conter um resumo das principais informações que indicam a viabilidade 
do negócio, tais como investimento necessário, projeção de demanda e de receitas e 
as expectativas de retorno. É a última parte a ser desenvolvida, pois depende de todas 
as outras seções para que a síntese represente a totalidade do plano (BIAGIO, 2013; 
DORNELAS, 2018; RAZZOLINI FILHO, 2012). 
 
 
, 
 
 
36 
 
Análise estratégica ou Plano Estratégico: 
Nesta seção, deve ser apresentada a análise do segmento de mercado no qual o 
negócio será implementado. De acordo com Dornelas (2018) e Razzolini Filho (2012), o 
empreendedor deve demonstrar que realizou uma pesquisa aprofundada e que, 
portanto, conhece muito bem o setor. 
A primeira parte é a análise dos ambientes internos e externos, para identificação de 
ameaças e oportunidades. Também deve ser demonstrada a avaliação da concorrência 
atual e futura e a situação dos fornecedores. Para essa análise, recomenda-se a 
utilização das metodologias Análise SWOT3 e Análise Competitiva de Michael Porter4. 
Inclui, ainda, a descrição do consumidor ou público-alvo do negócio, tais como 
segmentação, projeções de crescimento, eventual sazonalidade de demanda. Por fim, 
deve incluir a missão do negócio, seus valores e uma visão de futuro da empresa, que 
inclui uma síntese de objetivos e metas para um período mínimo de cinco anos. 
 
Descrição ou Caracterização da empresa: 
Descrever como surgiu a ideia do negócio, ou seja, como foi identificada a 
oportunidade e, a partir dela, a possibilidade de abrir uma empresa. Apresentar qual 
será a sua forma jurídica e o enquadramento tributário, identificando os principais 
tributos (impostos, taxas e contribuições) que incidirão nas receitas e/ou lucros do 
negócio (BIAGIO, 2013; DORNELAS, 2018). 
 
 
 
3Análise SWOT (Strenght, Weakness, Opportunities and Threats) é a ferramenta que auxilia na 
construção de uma matriz que apresenta Forças, Fraquezas, Ameaças e Oportunidades dos agentes que 
irão interagir com o negócio, tais como situação de mercado, concorrentes, cliente e fornecedores 
(RAZZOLINI FILHO, 2012, p. 212). 
4Também chamada de análise das cinco forças, é um modelo desenvolvido por Michael Porter para 
análise de mercados, identificado as forças que atuam sobre ele e refletem no potencial de lucratividade 
das empresas desse mercado. As cinco forças são: ameaça de novos entrantes, intensidade da rivalidade 
entre concorrentes existentes, ameaça de produtos substitutos, poder de negociação de clientes e 
poder de negociação de fornecedores (RAZZOLINI FILHO, 2012, p. 53). 
, 
 
 
37 
 
Plano de Marketing: 
É o plano que descreve como o negócio será inserido no mercado. Para isso, é preciso 
apresentar um estudo de previsão de demanda, que servirá de base para a posterior 
projeção de vendas e receitas. O Plano de Marketing, como recomenda Biagio (2013), 
também apresenta como foi organizado o composto de marketing5 do negócio, ou 
seja: 
• Produtos e/ou serviços: características, funcionalidades e diferenciais do 
portfólio que serão oferecidos pela empresa. É interessante incluir também a 
forma como são produzidos, o ciclo de vida e os recursos tecnológicos 
envolvidos; 
• Preços: estratégias e políticas de preço; 
• Distribuição: localização, formas de comercialização, canais de distribuição, 
parceiros comerciais; 
• Promoção e comunicação: ferramentas utilizadas para apresentar o negócio e 
seus produtos. 
 
Plano operacional: 
É nesta seção que o empreender apresenta o processo produtivo do negócio, ou seja, 
como serão fabricados os produtos ou a forma de prestação dos serviços. Para 
Dornelas (2018) e Razzolini (2012), isso inclui o planejamento da produção, a 
capacidade para produzir o volume projetado, tanto do ponto de vista dos recursos 
materiais (prédios, instalações, máquinas, equipamentos etc.), como a capacidade da 
mão de obra. É interessante incluir também um layout da empresa e o desenho dos 
fluxogramas dos principais processos. 
 
5 O composto de marketing, também chamado de Mix de Marketing, é a combinação dos quatro Ps de 
marketing: Produto, Preço, Praça e Promoção. Lembrando que o P de praça inclui toda a estrutura de 
comercialização e distribuição do produto, enquanto o P de promoção engloba as ações necessárias 
para divulgar o produto e estimular as vendas, tais como propaganda, publicidade, promoção de 
vendas, marketing digital dentre outras (RAZZOLINI FILHO, 2012). 
, 
 
 
38 
 
Plano de recursos humanos: 
É o momento de apresentar como será feita a gestão de pessoas do empreendimento. 
O planejamento dos recursos humanos inclui as necessidades atuais e futuras do 
negócio, para isso, é preciso descrever as estratégias de recrutamento e seleção, 
descrição dos cargos com as atividades realizadas e perfil do ocupante, política salarial 
e de carreira, programas de capacitação e de retenção de colaboradores (BIAGIO, 
2013). 
Trata-se de um planejamento estratégico destinado a suportar o crescimento da 
empresa, especialmente em setores nos quais o capital humano é fator crítico de 
sucesso, como aqueles em que é necessária a utilização de alta tecnologia. 
(DORNELAS, 2018). 
 
Plano financeiro: 
Os recursos financeiros para o negócio podem ser obtidos de diversas maneiras, 
porém, quaisquer sejam as fontes, Biagio (2013) e Razzolini (2012) alertam sobre a 
necessidade de apresentar de maneira detalhada todas as projeções que confirmam a 
viabilidade econômica e financeira do empreendimento. Assim, o estudo da demanda 
realizado no Plano de Marketing, deve servir de base para as projeções de vendas e de 
receitas. Todos os custos e despesas, fixos e variáveis, devem ser apurados e 
demonstrados. 
Segundo os autores, as informações são consolidadas e apresentadas na forma de 
fluxo de caixa financeiro, registrando as entradas e saídas efetivas de caixa, por um 
período de cinco anos. A demonstração de resultados também deve ser projetada, 
com a apuração das estimativas de lucros para cada um dos cinco anos do horizonte 
previsto. 
Com base na confrontação entre o valor do investimento e os resultados dos fluxos de 
caixa, é feita a análise de viabilidade do projeto, com a apuração do Valor Presente 
, 
 
 
39 
 
Líquido (VPL) e da Taxa Interna de Retorno (TIR)6. A demonstração de resultados 
permite apurar a margem de lucros e o retorno dos investimentos. 
 
Anexos: 
Ao final do Plano de Negócios, podem ser incluídos anexos com informações adicionais 
julgadas relevantes para o melhor entendimento do plano de negócios. Exemplos: 
currículo dos sócios, folhetos e/ou catálogos com descrição de produtos, estrutura do 
website da empresa, contrato social, planilhas financeiras detalhadas, entre outros. 
 
2.4 Determinar e obter os recursos para o negócio 
Após estruturar o Plano de Negócios, o empreendedor precisa avaliar suas opções para 
obter recursos e colocar em prática o plano desenvolvido. Há muitas possibilidades e 
não existe uma regra que determine qual é a melhor. O que o empreendedor precisa 
comparar são os custos e os riscos decorrentes das fontes de capital disponíveis. 
Dornelas (2018) apresenta uma lista, não exaustiva, de opções ao empreendedor para 
obter os recursos necessários à abertura do negócio. 
 
Recursos próprios e empréstimos de familiares e amigos 
As economias pessoais do empreendedor costumam ser a primeira fonte de capital 
para o negócio. Algumas alternativas, em caso de não haver poupança suficiente, são a 
venda de bens patrimoniais, como imóveis e veículos. Ao utilizar esses recursos como 
fonte de capital, o empreendedor conta com relativa liberdade para tomada de 
decisão, além de não ter os encargosdecorrentes de empréstimos e financiamentos. 
 
6 VPL e TIR são técnicas que comparam o valor presente dos futuros fluxos de caixa com o montante 
inicial investido. O VPL apresenta o valor final obtido com a dedução do valor investido da soma dos 
fluxos de caixa, enquanto a TIR apresenta a taxa de retorno anual do empreendimento (BIAGIO, 2013). 
, 
 
 
40 
 
No entanto, o baixo valor de investimento inicial pode limitar as possibilidades de 
crescimento do negócio. 
Existe a possibilidade de recorrer a empréstimos de familiares e amigos, mas Dornelas 
alerta que, 
a decisão de emprestar ou não o dinheiro não se dará com base em fatores 
relacionados com o rendimento do dinheiro, mas como forma de auxílio a 
um amigo conhecido e que inspira credibilidade. Isso, às vezes, pode 
prejudicar a própria amizade, caso, no futuro, o empreendedor não consiga 
honrar seus compromissos com a família e os amigos. (DORNELAS, 2018, p. 
183). 
 
Investidores anjos 
São pessoas físicas que possuem recursos financeiros para investir em empresas novas 
e que apresentam alto potencial de crescimento. Para acessar esse tipo de fonte, é 
necessário que o Plano de Negócios esteja bem estruturado e consolidado, 
demonstrando de forma consistente o potencial do empreendimento. 
Segundo a Anjos do Brasil, organização destinada a estimular o desenvolvimento de 
empresas com potencial inovador, esse tipo de investimento: 
1. É efetuado por profissionais (empresários, executivos e profissionais 
liberais) experientes, que agregam valor para o empreendedor com 
seus conhecimentos, experiência e rede de relacionamentos além dos 
recursos financeiros, por isto é conhecido como smart-money; 
2. Tem normalmente uma participação minoritária no negócio; 
3. Não tem posição executiva na empresa, mas apoiam o empreendedor 
atuando como um mentor ou conselheiro (ANJOS DO BRASIL, n.d., n.p.). 
 
Essa não era uma opção disponível no Brasil até o final do século XX, mas tem crescido 
com abertura e estabilidade econômica do país. Conforme a Endeavor Brasil (2017), 
não é uma prática amplamente difundida, mas o número de investidores anjos tem 
crescido. A seguir, alguns exemplos desse tipo de investidor.: 
• Gávea Angels, Rio de Janeiro; 
• Floripa Angels, Florianópolis; 
, 
 
 
41 
 
• Jacard Investimentos, Santa Catarina; 
• São Paulo Anjos, São Paulo; 
• Bossanova Angels, São Paulo com escritório no Vale do Silício (EUA); 
• Harvard Business School Alumni Angels of Brazil, São Paulo. 
 
Se você quiser conhecer melhor os investidores anjos, acesse o link para o site da Anjos 
do Brasil, disponível nas Referências. 
 
Bancos e agências de fomento 
O empreendedor pode utilizar diversas fontes de financiamento provenientes dos 
governos municipais, estaduais e federal. Há diversos programas com recursos não 
reembolsáveis (chamados de recursos “a fundo perdido”), ou com custo subsidiado 
que permite utilizar taxas abaixo do mercado. Alguns exemplos estão apresentados no 
quadro a seguir. 
 
Quadro 2.3 – Programas com incentivos governamentais 
Programa Responsável Descrição 
Fundos Criatec Banco Nacional de 
Desenvolvimento 
Econômico e Social 
(BNDES) 
Fundos de investimento em 
participações de Micro e Pequenas 
Empresas (MPEs) inovadoras, nos quais 
a BNDESPar é a principal investidora. O 
Criatec está em sua 3ª edição e já 
apoiou mais de 70 empresas brasileiras, 
viabilizando o registro de cerca de 60 
patentes e a criação de quase 1000 
produtos. 
, 
 
 
42 
 
Programa de 
Capacitação de 
Recursos 
Humanos para 
Atividades 
Estratégicas 
(RHAE) 
Conselho Nacional 
de 
Desenvolvimento 
Científico e 
Tecnológico (CNPq) 
Apoio para projetos de inovação por 
meio da inserção de recursos humanos 
em atividades de pesquisa e 
desenvolvimento nas empresas. 
Projeto Inovar Financiadora de 
Estudos e Projetos 
(FINEP) 
Ações em parceria com o Banco 
Interamericano de Desenvolvimento 
(BID), promovendo a realização de 
atividades de estímulo ao setor, como 
rodadas de negócios, seminários e 
campanhas de divulgação. 
Programa de 
subvenção 
econômica 
Financiadora de 
Estudos e Projetos 
(FINEP) 
Promover a aplicação de recursos 
públicos não reembolsáveis (ou seja, 
não se trata de financiamento nem de 
aporte de capital em troca de 
participação acionária) diretamente em 
empresas, para compartilhar com elas 
os custos e riscos inerentes a atividades 
de pesquisa, desenvolvimento 
tecnológico e inovação. 
Finep Startup Financiadora de 
Estudos e Projetos 
(FINEP) 
Apoiar a inovação em empresas 
nascentes intensivas em conhecimento 
através do aporte de recursos 
financeiros para execução de seus 
planos de crescimento. 
Programa de 
Inovação em 
Pequenas 
Empresas 
Fundação de 
Amparo à Pesquisa 
do Estado de São 
Paulo (FAPESP) 
O PIPE é dividido em três fases, com os 
seguintes objetivos: 
• Fase 1: realização de pesquisas 
, 
 
 
43 
 
(PIPE) sobre a viabilidade das ideias 
propostas. 
• Fase 2: fase de desenvolvimento da 
parte principal da pesquisa. 
• Fase 3: desenvolvimento de novos 
produtos comerciais baseados nas 
Fases 1 e 2. 
Programa de 
Apoio 
Tecnológico à 
Exportação 
(Progex) 
Ministério da 
Ciência e 
Tecnologia 
Prestar assistência tecnológica às micro 
e pequenas empresas que queiram se 
tornar exportadoras ou àquelas que já 
exportam e desejam melhorar seu 
desempenho nos mercados externos. 
Fonte: elaborado pela autora com base em Dornelas (2018, p. 188-192). 
 
Instituições financeiras 
A opção de obter capital para financiar a abertura da empresa em instituições 
financeiras pode gerar algumas dificuldades em função das exigências estabelecidas 
pelos agentes financiadores (bancos de varejo principalmente), além das altas taxas de 
juros normalmente cobradas e das dificuldades em pagar os empréstimos depois de 
concretizado o acordo. 
Existem iniciativas de algumas instituições que destinam recursos para linhas de 
financiamento aos pequenos negócios. Alguns desses bancos incluem pacotes com 
ferramentas para auxiliar o empreender na gestão dos negócios. Alguns exemplos são 
o Programa Avançar do Banco Santander; a Movera do Banco do Brasil e o Itaú 
Empreendedor. 
 
 
 
, 
 
 
44 
 
2.5 Gerenciar o negócio criado 
Após avaliar as opções para capitalizar e iniciar o negócio, o empreendedor agora tem 
o desafio da gestão do empreendimento para garantir a sua sobrevivência e 
crescimento. 
O sucesso de uma empresa é medido por meio de indicadores que se 
organizam em uma cadeia de causas e efeitos. O indicador mais importante 
de sucesso é o desempenho financeiro, que depende da satisfação do 
cliente e da eficiência dos processos. A satisfação do cliente depende da 
qualidade dos produtos e serviços, que depende, entre outros fatores, do 
desempenho das pessoas. No final das contas, tudo depende da 
competência gerencial do empreendedor (MAXIMIANO, 2011, p.13). 
 
Nesse sentido, para obter sucesso no empreendimento é preciso mensurar os 
resultados obtidos, em relação às projeções realizadas no Plano de Negócios, 
utilizando alguns indicadores. O principal deles é o que avalia o desempenho 
financeiro, no entanto, esse resultado depende da aceitação do cliente e da eficiência 
dos processos da empresa. Para Maximiano (2011), os indicadores funcionam em uma 
relação de causa e efeito, uma vez que para ter clientes satisfeitos é preciso ter 
produtos de qualidade e colaboradores competentes. Todas essas relações dependem 
da competência de gestão do empreendedor, como mostra a figura a seguir. 
 
Figura 2.5 – Indicadores do sucesso de uma empresa 
 
Fonte: Maximiano (2011, p. 13). 
 
, 
 
 
45 
 
Com base em Maximiano (2011), vamos aprofundar cada um dos indicadores da figura 
2.5. 
Desempenho financeiro: é medido pelo indicador básico de todo negócio – o Lucro, 
que representa a diferença entre receitas e despesas.A geração de receita depende do 
nível de satisfação dos clientes, que também reflete no preço de venda. Com o cenário 
de competição acirrada, o preço é definido pelo mercado, portanto, o aumento das 
margens de lucro depende do controle dos custos. E os custos dependem da eficiência 
operacional a empresa. 
Eficiência dos processos: ter uma operação eficiente significa produzir resultados sem 
desperdícios, ou seja, aumentar a produtividade. O objetivo é aumentar os níveis de 
produção, sem aumentar o consumo de recursos. Por isso, a produtividade é medida 
pelo consumo dos recursos em relação ao que foi produzido. Cada setor de atividade 
tem fatores de produção próprios que auxiliam na mensuração dos níveis de 
produtividade, e o empreendedor precisa identificar quais fatores são mais relevantes 
no seu negócio. 
Qualidade dos produtos: pode ser avaliada com base em duas perspectivas – a 
qualidade própria dos produtos e a ausência de defeitos. A qualidade do produto está 
relacionada às características que atendem as necessidades ou resolvem os problemas 
dos clientes. Assim, quanto maior for a capacidade de o produto atender a sua 
finalidade, maior será a satisfação do cliente. Em relação aos defeitos, eles 
comprometem os objetivos dos produtos, por isso, quanto menor o número de falhas, 
maiores as possibilidades de satisfazer os clientes. 
Desempenho das pessoas: depende da capacitação dos colaboradores para exercer as 
suas funções, bem como da sua qualidade de vida no trabalho. Implica investimentos 
contínuos no desenvolvimento dos funcionários e em ações para gerar um clima 
organizacional positivo. 
O alcance dos objetivos, medidos pelos indicadores, dependem da atuação do 
empreendedor como gestor do negócio. Nesse contexto, Maximiano (2011) sintetiza a 
atuação do empreendedor como administrador de seu negócio na figura que segue. 
, 
 
 
46 
 
Figura 2.6 – Papéis do empreendedor na gestão do negócio 
 
Fonte: Maximiano (2011, p. 16). 
 
Tomar decisões 
O processo de tomada de decisão é baseado em escolhas que devem ser feitas a partir 
da análise das alternativas disponíveis. Todos os indicadores dependem da capacidade 
do empreendedor em decidir sobre o futuro da empresa, com base no planejamento, 
avaliando os impactos das decisões atuais nos resultados de longo prazo. Além disso, 
deve-se tomar decisões importantes sobre a forma como os recursos – materiais e 
humanos, são alocados nas atividades do empreendimento. Situações imprevistas 
podem ocorrer com o início das atividades da empresa, e o empreendedor deve estar 
preparado para realizar o diagnóstico dos problemas e atuar criativamente para avaliar 
as opções e escolher as mais adequadas. 
Trabalhar com pessoas 
As pessoas fazem parte de todo o contexto de um empreendimento, considerando não 
apenas seus colaboradores e clientes, mas eventuais sócios, além de fornecedores e 
outras pessoas. É por isso que o empreendedor precisa se preparar para compreender 
as diferenças e as formas adequadas para exercer a liderança, bem como desenvolver 
, 
 
 
47 
 
estratégias de motivação. Também precisa saber negociar e compreender como os 
grupos se formam e se relacionam. 
Lidar com informações 
Para tomar decisões adequadas, e compreender a dinâmica da gestão e convivência 
com pessoas, o empreendedor necessita de informações. Assim, ter habilidade para 
procurar informações e identificar as mais relevantes ao processo de gestão é 
fundamental. Mas não basta ter informações, pois a sua utilização requer 
interpretação e análise para suportar as decisões. E o resultado do processo de 
obtenção e análise das informações precisa ser compartilhado com as pessoas que 
atuam nos processos, permitindo que o trabalho seja realizado com maior eficiência. 
 
Conclusão 
O processo empreendedor é uma metodologia que permite ao empreendedor 
organizar as atividades necessárias para tornar viável uma ideia de negócio. Diversas 
fontes podem servir de base à geração de ideias, que devem ser analisadas para que 
possam se tornar oportunidades de negócio, por meio de sua exploração comercial. 
A análise das ideias considera a análise do mercado e de seus participantes, tais como 
tamanho da demanda, perfil do público-alvo, comportamento da concorrência e 
disponibilidade de fornecedores, dentre outras. Após concluir que a ideia pode se 
tornar uma oportunidade de negócio, o empreendedor deve elaborar o Plano de 
Negócios, um instrumento que viabiliza o planejamento de longo prazo do futuro 
empreendimento, por meio de projeções que atingem o horizonte mínimo de 5 anos. 
Além disso, permite que a gestão do negócio seja feita de maneira mais eficiente, 
comparando os resultados obtidos com o que foi planejado. 
Para obter recursos que permitem colocar em prática o conjunto de atividades 
previstas no Plano de Negócios, diversas opções estão disponíveis. Desde recursos 
próprios, de familiares e amigos, até mesmo a busca de investidores anjos. Programas 
governamentais também oferecem alternativas, alguma delas incluem recursos de 
, 
 
 
48 
 
fundos não reembolsáveis. Por fim, as instituições financeiras também estão 
preparadas para não apenas fornecer recursos, mas também para dar suporte ao 
empreendedor na gestão da sua empresa. 
E a gestão é o ponto fundamental no processo empreendedor, pois após todo esforço 
para colocar a ideia em prática, é necessário administrar o negócio com eficiência para 
garantir sua sobrevivência e ampliar as chances de sucesso. A utilização de indicadores 
auxilia nesse processo, bem como o desenvolvimento de competências gerenciais 
essenciais para que o empreendedor possa executar os seus papéis. 
 
REFERÊNCIAS 
ANJOS DO BRASIL. O que é um investidor anjo. Disponível em: 
<https://bit.ly/2JbRvSH>. Acesso em: 27 jun. 2020. 
BIAGIO, L. A. Como elaborar o plano de negócios: curso on-line. Barueri: Manole, 
2013. 
DORNELAS, J. Empreendedorismo, transformando ideias em negócios. 7 ed. São 
Paulo: Empreende, 2018. 
ENDEAVOR BRASIL. Capital, experiência e relacionamento: com um investidor anjo, 
sua empresa está sempre bem acompanhada. Disponível em: 
<https://endeavor.org.br/dinheiro/investidor-anjo/>. Acesso em: 27 jun. 2020. 
FABRETE, T. C. L. Empreendedorismo. 2 ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 
2019. 
MAXIMIANO, A. C. A. Empreendedorismo. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2012. 
MAXIMIANO, A. C. A. Administração para empreendedores: fundamentos da variação 
e da gestão de novos negócios. 2 ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011. 
RAZZOLINI FILHO, E. Empreendedorismo: dicas e planos de negócios para o século 
XXI. Curitiba: Intersaberes, 2012. 
, 
 
 
49 
 
 
3 INOVAÇÃO E EMPREENDEDORISMO 
Inovação e empreendedorismo têm uma relação estreita, pois os empreendedores 
têm sido os maiores responsáveis por gerar ideias que vêm revolucionando a maneira 
de se fazer negócios, tendo a inovação como principal ingrediente. Para Dornelas 
(2018), os empreendedores são o centro de um movimento global que, especialmente 
na era da Internet, tem renovado os conceitos econômicos e proporcionado avanços 
nas relações de trabalho e emprego, proporcionando riqueza para a sociedade. 
Geralmente, essas invenções são fruto de inovação, de algo inédito ou de uma nova 
visão de como utilizar elementos já existentes, mas para os quais ninguém antes ousou 
olhar de outra maneira. Por trás dessas invenções, existem pessoas ou equipes com 
características especiais, visionárias, que questionam, arriscam, querem algo diferente, 
fazem acontecer e empreendem. Ao associar inovação e empreendedorismo, estamos 
retomando e reforçando o conceito inicial e o papel do empreendedor na sociedade, 
uma vez que a inovação é o motor do crescimento econômico, porém, também deve 
proporcionar benefícios para a sociedade, melhorando a sua qualidade de vida. 
Mas como se dá esse processo? De que maneira as ideiasse tornam invenções e 
inovações? Quais fatores do ambiente ampliam o potencial de geração de novos 
negócios baseados em inovação? É sobre isso que trataremos agora. 
 
3.1 Ideias, invenções e inovações 
Para que o empreendedor utilize as inovações como fonte de vantagens competitivas 
precisa estar preparado para criar e administrar a matéria prima das inovações que são 
as ideias. Por isso, para sistematizar e realizar inovações é necessário viabilizar um 
fluxo de geração de ideias. Mas o que é uma ideia? 
 
 
, 
 
 
50 
 
[...] uma ideia se expressa mediante opinião, ponto de vista, noção, 
conhecimento ou qualquer outro meio capaz de representar a concepção 
mental de algo concreto ou abstrato. Por ideia não se entende unicamente a 
representação mental de um objeto existente, mas também uma 
possibilidade ou a antecipação de algo. (BARBIERI; ALAVARES; CAJAZEIRA, 
2009, p. 21) 
 
Com base em uma nova ideia, são desenvolvidos planos, modelos, protótipos e outras 
formas de se registrar essa ideia, resultando em algum tipo de invenção. Ele envolve os 
esforços despendidos para gerar novas ideias e desenvolvê-las para que possam ter 
utilidade prática, e depois sejam exploradas comercialmente com aplicação em áreas 
específicas e nos setores produtivos. O processo de desenvolvimento da ideia, 
portanto, é o que gera as invenções que as ideias iniciais sugeriram como 
possibilidades. A inovação resulta da aplicação dos novos conhecimentos e 
aplicabilidades, gerados no processo de invenção, para desenvolver e ofertas novos 
produtos que atendam às necessidades e aos desejos do consumidor (BARBIERI; 
ALVARES; CAJAZEIRA, 2009). 
Como a inovação é um processo que tem início na mente das pessoas, os modelos de 
inovação fazem referências às fontes de ideias, como mostram os modelos que iremos 
explorar: Modelo em Funil e Inovação Aberta. 
 
Modelo em Funil 
O processo de inovação tem início com uma ideia inicial e outras são inseridas no 
decorrer do tempo, como mostra a figura a seguir. 
 
 
 
 
 
, 
 
 
51 
 
Figura 3.1 – Processo de inovação: modelo de funil 
 
Fonte: BARBIERI; ALVARES; CAJAZEIRA, 2009, p. 21. 
 
A figura demonstra que as ideias integram todas as etapas do processo, o que permite 
concluir que a inovação é um fluxo repleto de ideias, que são filtradas e avaliadas em 
todas as etapas. Após finalizado o processo, com a aplicação e utilização do produto 
decorrente do projeto de inovação, as ideias continuarão a fazer parte dele, pois é 
necessário manter o aperfeiçoamento ao longo do ciclo de vida (PEARSON, 2011). 
As ideias iniciais, representadas na fase 1 do processo entrando no funil, surgem em 
virtude das seguintes situações: 
 
[...] problemas, necessidades e oportunidades nas áreas de produção e 
comercialização que ocorrem tanto na própria empresa quanto no seu 
ambiente geral; e oportunidades vislumbradas com a ampliação dos 
conhecimentos científicos e tecnológicos (BARBIERI; ALVARES; CAJAZEIRA, 
2009, p. 21). 
 
Dessa forma, cada etapa do processo estimula a geração de novas ideias originadas 
pelo conhecimento científico e tecnológico decorrentes das pesquisas científicas e 
também de variáveis do ambiente, tais como problemas e oportunidades operacionais. 
Com essa ampliação da abordagem do funil, a figura 3.2 demonstra com mais detalhes 
o processo envolvido na geração de ideias, os esforços para criar invenções e as 
inovações resultantes. 
, 
 
 
52 
 
Figura 3.2 – Modelo detalhado de inovação em funil 
 
Fonte: BARBIERI; ALAVARES; CAJAZEIRA, 2009, p. 26. 
 
 
Modelo de inovação aberta 
Inovação aberta é um conceito desenvolvido por Henry Chesbrough (1956-) a partir da 
ideia de que as fontes de inovação estão distribuídas em toda a sociedade. Por esse 
modelo, as empresas utilizam ideias e tecnologias externas no seu negócio e liberam 
as que foram desenvolvidas internamente, e não são mais utilizadas, para que outros 
utilizem em seu mercado. A utilização desse conceito proporciona um crescimento nas 
fontes de conhecimento que podem ser utilizadas pelas empresas, em especial, com o 
crescimento da internet e das mídias sociais, que expandiram a produção 
compartilhada de ideias e do conhecimento (CHESBROUGH, 2018; HENRIQUES, 2018). 
Com a adoção da inovação aberta, segundo Chesbrough (2018), as empresas podem 
gerenciar fluxos de conhecimento externos para suas operações, além de desenvolver 
mecanismos que permitam transferir o conhecimento gerado internamente, quando 
não utilizado, para outras empresas do seu mercado. Dessa forma, instrumentos 
podem ser utilizados para realizar a gestão dos fluxos de entradas e saídas de 
conhecimento, portanto, de ideias passíveis de se converterem em inovações. 
 
 
 
, 
 
 
53 
 
Figura 3.3 – Modelo de inovação aberta 
 
Fonte: CHESBROUGH (2018, p. 43). 
 
Para promover a inovação de fora para dentro, segundo o autor, a empresa precisa 
desenvolver processos destinados a gerenciar as diversas possibilidades de obter 
contribuições externas, tais como: busca de tecnologias externas em universidades, 
laboratórios de pesquisa ou empreendimentos de alta tecnologia, financiamento de 
pequenas empresas inovadoras no segmento de mercado desejado, fornecedores e 
clientes. Esses processos devem prever a utilização dos acordos de confidencialidade. 
Para gerenciar o fluxo de inovação de dentro para fora, as organizações devem 
permitir que ideias e ativos não utilizados e subutilizados sejam ofertados para fora da 
organização, para que outros possam utilizá-los em seus negócios e em seus modelos 
de negócios, por meio da venda ou da revelação. Alguns modelos utilizados nesse 
processo incluem o licenciamento, a doação, a criação de incubadoras e as alianças 
(CHESBROUGH, 2018; HENRIQUES, 2018). 
 
 
 
, 
 
 
54 
 
3.2 Transformando conhecimento em inovação 
Para que possamos articular conhecimento e inovação, é necessário refletir sobre as 
expressões: dado, informação e conhecimento. O quadro a seguir mostra uma síntese 
desses três conceitos. 
 
Quadro 3.1 – Dado, informação e conhecimento 
 
Fonte: POSSOLLI (2012, p.107). 
 
Com base nas informações do quadro, percebemos que o dado é uma informação 
bruta, ainda não avaliada, apenas uma descrição de um fato ou evento. Para que um 
dado se torne informação, é necessário que ele seja interpretado, decodificado, de 
maneira a ser compreendido em determinado contexto. Se o dado é a matéria prima 
da informação, esta última é a base para a construção do conhecimento (POSSOLI, 
2012; TROTT, 2012). 
É nesse sentido que a geração de inovações requer das organizações a habilidade de 
conectar sua base de conhecimentos à estratégia de inovação. Assim, exige-se que o 
capital intelectual e o tecnológico sejam convertidos em produtos que os 
consumidores desejem ou necessitem. Para isso, é preciso empregar os recursos de 
maneira que as atividades sejam realizadas no sentido de agregar valor ao 
desenvolvimento de competências organizacionais específicas para suportar o 
processo de inovação (TROTT, 2012). 
, 
 
 
55 
 
O quadro a seguir apresenta, de forma sintética, as etapas do processo de inovação e 
sua articulação as atividades de gestão do conhecimento. 
 
Quadro 3.2 – Gestão do conhecimento e inovação 
 
Fonte: elaborado pela autora com base em Trott (2012). 
 
Explorando as informações do quadro 3.2, vemos que a primeira fase da Inovação é a 
Descoberta. Nessa fase, ocorre o rastreamento e a busca em ambientes internos e 
externos a fim de obter e processar sinais de possíveis inovações. Esses sinais podem 
ser necessidades de vários tipos, oportunidades que surgem a partir de atividades de 
pesquisa, pressões reguladoras ou comportamento de concorrentes. 
As atividades de gestão do conhecimento relacionadas são: buscar, capturar e 
articular. Para buscar conhecimento, a organização utiliza meios de investigar fontes 
potenciais

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