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Linguística Básica - Trilha de Aprendizagem TODAS

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duma soma de sinais depositados em cada cérebro, 
mais ou menos como um dicionário cujos exemplares, todos idênticos, fossem repartidos entre os 
indivíduos. Trata-se, pois, de algo que está em cada um deles, embora seja comum a todos e independa 
da vontade dos depositários. 
 
Vale destacar que o sinal o qual o mestre genebrino conceitua é o signo linguístico. Em virtude disso, 
ele chega à seguinte conclusão: “A língua é um sistema de signos que exprimem ideias” (SAUSSURE, 
2012, p. 24). 
 
Assim, por causa dessa conclusão, cabe aos linguistas (no caso, vinculados à teoria estruturalista) 
analisarem e descreverem o conjunto de signos que formam o sistema de uma língua. 
 
No entanto, para se fazer isso, o pai da linguística moderna desenvolveu a primeira dicotomia que 
fundamenta a análise: o significante e o significado. 
 
Para ele, 
 
O signo linguístico une não uma coisa e uma palavra, mas um conceito a uma imagem acústica. Esta 
não é o som material, coisa puramente física, mas a impressão (empreinte) psíquica desse som, a 
representação que dele nos dá o testemunho de nossos sentidos; tal imagem é sensorial e, se chegamos 
a chamá-la material, é somente neste sentido, e por oposição ao outro termo da associação, o conceito, 
geralmente mais abstrato (SAUSSURE, 2012, p. 80). 
 
Inclusive, é relevante citar os comentários que Ferigolo (2009, p. 76) desenvolveu acerca do signo 
linguístico saussureano. 
 
Ele é uma unidade linguística e, por isso, psíquica, que comporta a relação significante/significado e 
não qualquer ligação com os objetos e coisas do mundo real. Tudo o que compõe a realidade objetiva 
que nos rodeia é externo ao signo linguístico. Ele “representa” os fatos e as coisas que estão a nossa 
volta, porém, não pode ser tomado como parte desta realidade. 
 
Logo, sabendo disso, vamos aprofundar agora nessa dicotomia. 
 
A primeira parte dela é o significante. Conforme foi exposto anteriormente, o significante é uma 
imagem acústica, ou seja, uma percepção mental de uma massa fônica e gráfica feita pelos falantes 
de uma língua. 
 
Pode parecer um pouco abstrato agora, mas utilizaremos um exemplo, a fim de ficar mais palpável. 
 
Observe o signo linguístico “gato”. Ele pode ser percebido de maneira visual e/ou sonora: 
 
Figura 3- Significante do signo linguístico “gato”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Logo, no momento em que nós entramos em contato com as manifestações visuais e sonoras por meio 
de nosso sistema auditivo e visual, formamos em nossas mentes o significante desse signo linguístico. 
 
Contudo, na visão de Saussure (2012), existe o outro elemento que compõe essa dicotomia: o 
significado. 
 
Para o mestre genebrino, simultaneamente ao ouvirmos/ vermos as manifestações sonoras e visuais, 
é associado a essas manifestações uma representação mental de algo presente na realidade, isto é, um 
conceito dele. 
 
A fim de evidenciar ainda mais isso, empregaremos de novo o signo linguístico “gato”. Quando nos 
deparamos com 
 
Figura 4 - Significado do signo linguístico “gato”. 
 
 
 
 
 
Nesse viés, o significado gerado em nossa mente se associa a um animal mamífero da família Felidae 
e do gênero Felis e da espécie Felis catus, e não, por exemplo, a de um peixe-boi. 
 
A partir da definição dessa dicotomia, pode-se chegar um quadro com o resumo delas: 
 
DICOTOMIA SIGNIFICANTE X SIGNIFICADO 
 
 
 
 
 
 
Assim, a dicotomia “significante/significado geram uma unidade, o signo linguístico. 
 
Figura 5- Signo linguístico “Gato” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Como uma língua é o conjunto definido de vários signos linguístico, esse último é a unidade que 
compõe o sistema da língua. E, conforme abordamos anteriormente, o linguista (da teoria 
estruturalista) tem o dever de analisar e descrevê-los. 
 
Inclusive, no esteio dessa discussão, é importante ressaltar a questão do conceito de valor do signo 
linguístico, o qual é fruto dessa dicotomia. De acordo com a perspectiva teórica de saussure, o signo 
linguístico (união do significante e do significado) é uma unidade a qual forma o sistema como um 
todo. Tal sistema não é um conjunto aleatório de signos, mas sim possui uma organização própria que 
é fundamentada pela oposição deles. 
 
Ficou um pouco confuso? Então observe quando dois signos linguísticos interagem em um enunciado: 
“um gato”. O signo linguístico “um” possui um significante e um significado próprio distinto de 
“gato”. Desta forma, esse último [...] “tem valor porque é o que o outro signo não é” (FERIGOLO, 
2009, p. 77), daí a ideia de valor por oposição. 
 
Tal fato é tão evidente, que, ao trocarmos o signo “um” por “dois”, teremos aí um outro valor, pois 
ambos não podem ter a mesma aplicação no mesmo enunciado. 
 
Por conseguinte, o valor do signo linguístico, o qual é constituído pelo significante e pelo significado, 
auxilia na compreensão e na descrição do sistema linguístico de uma língua. 
 
Outro aspecto que é suscitado nessa dicotomia é o conceito de arbitrariedade do signo. Para o mestre 
genebrino, a união entre o significante e o significado não é uma ocorrência natural, mas sim 
convencionada. 
 
Quanto a isso, ele afirma que A palavra arbitrário requer também uma observação. Não deve dar a 
ideia de que o significado dependa da livre escolha do que fala [...]; queremos dizer que o significante 
é imotivado, isto é, arbitrário em relação ao significado, com o qual não tem nenhum laço natural na 
realidade. 
 
Um exemplo simples que podemos evocar é aquilo que a vaca produz após parir os bezerros: 
 
Figura 6 - Exemplo de arbitrariedade do signo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Na língua portuguesa, isso é chamado de “leite”. Mas, se considerarmos a língua sueca, isso é 
denominado de “mjölk”. Logo, observamos que o mesmo objeto representado mentalmente está 
associado à signos linguísticos distintos. Inclusive, caso a relação entre significado e significante 
fosse natural, possivelmente, não existiriam inúmeras línguas, como ocorre atualmente. 
 
Mesmo que Saussure (2012) tenha desenvolvido tal conceito, ainda existem pessoas que o questionam. 
Para tal, evocam o caso das onomatopeias. No que diz respeito a elas, por mais que possa parecer que 
sejam consideradas a representação fidedigna da realidade, logo, supostamente “natural”, isso não 
procede, uma vez que cada língua tem uma representação específica disso. 
 
No caso da língua portuguesa, existe a onomatopeia “ai!” que está ligada a representação de um grito 
de dor. Porém, na língua inglesa, tal fato é representado pela onomatopeia “ouch”. 
 
Outro questionamento levantado diz respeito à postura do indivíduo frente ao signo linguístico. Como 
esse é arbitrário, logo, um falante de uma língua pode simplesmente inventar discriminadamente 
novas convenções. 
 
Todavia, é importante destacar que a arbitrariedade do signo não está diretamente ligada aos caprichos 
individuais do falante. 
 
Na visão de Agustini e Leite (2012, p. 118), pensar assim é errôneo. Para isso, eles nos explica: 
 
Ao contrário, a delimitação e estabilização de um signo linguístico sofre fortemente a pressão de uso 
por determinado grupo linguístico. Por um lado, o princípio de ordenação do sistema seria imutável, 
implicando uma impossibilidade estrutural de se fazer qualquer operação com a língua. Por outro, no 
curso do tempo, os signos linguísticos podem sofrer alteração em termos da relação entre conceito e 
imagem acústica, sem necessariamente pôr em xeque o alcance e a eficácia do princípio de ordenação. 
Conceituar a Língua e Fala 
A segunda dicotomia que estudaremos é a Fala e a Língua, ou também como são conhecidas, 
respectivamente, Langue e Parole. Conforme vimos anteriormente, o objeto de estudo da linguística 
(no caso, de viés estruturalista), é a língua, a qual é uma parte da linguagem humana. 
 
Desta forma, ela: 
[...] existe na