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doenças exantemáticas com base no caso

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P1-FECHAMENTO, KATARINA ALMEIDA DIAS 1 
ABORDAR A CERCA DAS DOENÇAS EXANTEMÁTICAS COM BASE NO CASO. 
RELACIONANDO COM A SEMIOLOGIA 
ANAMNESE 
Importante observar: 
Raça do paciente, pois algumas doenças dermatológicas estão atreladas a ela, como a psoríase e o 
epitelioma que são mais comuns nos brancos do que nos negros, entretanto o queloide é mais visto nesses 
últimos. 
 Profissão, pois possibilita ao médico pensar em algumas hipóteses diagnósticas, como lavrador 
(dermatozoonoses e micoses profundas), pedreiro (eczema de cimento), profissionais de lubrificação 
(elaiconiose) e expostos ao fenol e hidroquinona (hipopigmentação). 
Faixa etária: Certas patologias são mais frequentes em determinadas faixas etárias. Assim, entre 
adolescentes e adultos jovens, são mais comuns a rubéola, sarampo modificado e o atípico, M ycoplasma 
pneumoniae, leptospirose, síndrome luva-meia papular-purpúrica, sífilis secundária e mononucleose 
infecciosa. No pré-escolar e escolar, o sarampo clássico, o eritema infeccioso, a escarlatina, a febre 
maculosa. Em menores de cinco anos, a síndrome de Kawasaki, as enteroviroses e o exantema 
laterotorácico unilateral ou periflexural assimétrico, e no lactente, o exantema súbito. 
Procedência: Algumas regiões são endêmicas para certas doenças ou de têm seu vetor transmissor, 
como, por exemplo, a dengue. Certas situações ambientais ou climáticas, com as chuvas e 
enchentes na Grande São Paulo, favorecem a ocorrência de leptospirose. Também devem ser 
investigadas viagens recentes, contato com animais e hábitos rurais. 
Antecedentes imunitários: A maioria das doenças e/ou aquelas preveníveis por vacina (sarampo, 
rubéola, varicela, difteria) devem ser afastadas no diagnóstico diferencial quando o paciente 
já apresentou a doença anteriormente ou está adequadamente imunizado, devendo-se, sempre 
que possível, investigar sorológicamente essas e outras doenças com quadros semelhante 
Fontes de contágio: A investigação sobre contato prévio domiciliar, creche ou escola com pacientes 
portadores de doenças contagiosas (sarampo, rubéola,meningococcemia) pode auxiliar no diagnóstico do 
paciente, considerando-se o respectivo período de incubação. 
Medicamentos e alergia: as reações dermatológicas reativas são comuns e por isso o uso de 
medicamentos, contato com outros alérgenos ou picadas de insetos devem ser questionados, além da 
história familiar de atopia ou mesmo viagens recentes. As medicações comumente envolvidas incluem 
antibióticos (amoxicilina, sulfametoxazol-trimetropim, ampicilina, antiinflamatório não esteroidal e 
anticonvulsivantes), nos quais o exantema geralmente é morbiliforme e de aspecto maculopapular sem 
quadro febril associado, mas podem evoluir para quadros graves como a síndrome de Stevens-Johnson e 
necrólise epidérmica tóxica. 
Manifestações prodrômicas: 
Período prodrômico O intervalo de tempo entre as primeiras manifestações clínicas e o início do 
exantema caracteriza o período prodrômico. 
A descrição detalhada das manifestações dessa fase é importante para o esclarecimento diagnóstico, já 
que em algumas doenças elas são características. A evolução da febre e sua associação com o período 
prodrômico podem ajudar a definir padrões compatíveis com certas doenças, além de frequentemente 
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ser indicadora de doença infecciosa. No exantema súbito, classicamente há febre elevada com duração 
de 3 a 5 dias (média de 39°C) que desaparece com o surgimento do exantema. Na doença de Kawasaki, 
a febre inicia de forma abrupta, com temperaturas maiores que 39°C, durando em média oito dias e sem 
responder ao uso de antibióticos ou antipiréticos; o exantema surge após três dias do início da febre sendo 
frequentemente escalatiniforme. Além das causas infecciosas, reações medicamentosas e doenças 
reumatológicas também podem apresentar quadro febril no período prodrômico. Diversas outras 
associações podem surgir no período prodrômico. Manifestações respiratórias são comuns ao sarampo, 
em que a tosse seca é um achado constante Alterações neurológicas graves podem ocorrer em infecções 
por enterovírus, tais como paralisia flácida aguda, meningite asséptica, encefalite de tronco cerebral ou 
encefalite focal (romboencefalite).Todavia, algumas doenças como o eritema infeccioso, apenas cerca de 
10% das crianças apresentam período prodrômico e a rubéola e a varicela não apresentam essa fase, 
pois o exantema aparece como o primeiro sinal clínico. 
CLASSIFICAÇÃO DOS EXANTEMAS ¹ 
Exantema maculopapular: manifestação cutânea mais comum nas doenças infecciosas sistêmicas. Mais 
comumente associado a vírus, porém também observado em várias doenças de etiologia bacteriana, 
parasitária, riquetsioses, micoplasmose e intoxicações medicamentosas ou alimentares. Pode ser 
caracterizado em diversos tipos: 
• Morbiliforme: pequenas maculo-pápulas eritematosas (3 a 10 mm), avermelhadas, lenticulares ou 
numulares, permeadas por pele sã, podendo confluir. É o exantema típico do sarampo, porém pode estar 
presente na rubéola, exantema súbito, nas enteroviroses, riquetsioses, dengue, leptospirose, 
toxoplasmose, hepatite viral, mononucleose, síndrome de Kawazaki e reações medicamentosas. 
• Escarlatiniforme: eritema difuso, puntiforme, vermelho vivo, sem solução de continuidade, poupando 
a região perioral e áspero (sensação de lixa). Pode ser denominado micropapular. É a erupção típica da 
escarlatina; porém, pode ser observada na rubéola, síndrome de Kawazaki, reações medicamentosas, 
miliária e em queimaduras solares. 
• Rubeoliforme: semelhante ao morbiliforme, porém de coloração rósea, com pápulas um pouco 
menores. É o exantema presente na rubéola, enteroviroses, viroses respiratórias e micoplasma. 
 • Urticariforme: erupção papuloeritematosa de contornos irregulares. É mais típico em algumas reações 
medicamentosas, alergias alimentares e em certas coxsackioses, mononucleose e malária 
•Exantema papulovesicular: presença de pápulas e de lesões elementares de conteúdo líquido 
(vesicular). É comum a transformação sucessiva de maculo-pápulas em vesículas, vesico-pústulas, 
pústulas e crostras. Pode ser localizado (ex. herpes simples e zoster) ou generalizado (ex. varicela, varíola, 
impetigo, estrófulo, enteroviroses, dermatite herpetiforme, molusco contagioso, brucelose, tuberculose, 
fungos, candidíase sistêmica). 
•Exantema petequial ou purpúrico: alterações vasculares com ou sem distúrbios de plaquetas e de 
coagulação. Pode estar associado a infecções graves como meningococcemia, septicemias bacterianas, 
febre purpúrica brasileira e febre maculosa. Presente também em outras infecções como 
citomegalovirose, rubéola, enteroviroses, sífilis, dengue e em reações por drogas. 
EXAME FISICO 
Quando associado à anamnese, o exame físico permite a presunção do diagnóstico etiológico na maioria 
dos casos. As características do exantema, já descritas na seção destinada à anamnese, são válidas ao 
exame físico e somam-se a outras aqui referidas 
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ESTADO GERAL: 
O encontro de prostração, febre elevada e comprometimento do estado geral na vigência de 
exantema maculopapular pode direcionar o diagnóstico para o sarampo. A manutenção do 
estado geral fala em favor de rubéola e exantema súbito. Já a presença de toxemia e 
choque sugere septicemia bacteriana (meningococemia, estafilococcias eestreptococcias) ou 
dengue hemorrágico. 
DISTRIBUIÇÃO CORPORAL: 
 A distribuição corporal pode contribuir para elucidação diagnóstica, como na varicela, em que o 
exantema se distribui centrifugamente. Quanto à varíola, a apresentação é tipicamente centrípeta 
sendo está