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solidária dos mandantes (art. 680 do CC);
Art. 680. Se o mandato for outorgado por duas ou mais pessoas, e para negócio co-
mum, cada uma ficará solidariamente responsável ao mandatário por todos os compro-
missos e efeitos do mandato, salvo direito regressivo, pelas quantias que pagar, contra 
os outros mandantes.
Ainda sobre direitos e obrigações, o art. 681 do CC estabelece um direito de 
retenção do mandatário.
Art. 681. O mandatário tem sobre a coisa de que tenha a posse em virtude do mandato, 
direito de retenção, até se reembolsar do que no desempenho do encargo despendeu.
Ou seja, o mandatário, ao aceitar o encargo, passará a ter o direito de reter o 
objeto que estiver em seu poder por força do mandato (ex: quantias pecuniárias 
ou aluguéis recebidos) até ser reembolsado, inclusive por via judicial, do que, no 
desempenho da função, houver despendido.
O art. 682 do CC trata da extinção do mandato:
Art. 682. Cessa o mandato:
I – pela revogação ou pela renúncia;
II – pela morte ou interdição de uma das partes;
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DIREITO CIVIL
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III – pela mudança de estado que inabilite o mandante a conferir os poderes, ou o man-
datário para os exercer;
IV – pelo término do prazo ou pela conclusão do negócio.
• revogação “ad nutum” pelo mandante →	 o mandante poderá revogar 
total ou parcialmente o mandato, se não mais tiver interesse no negócio ou 
se cessar a confiança depositada no procurador. Será total se revogar toda a 
procuração, e parcial se disser respeito a alguns dos poderes outorgados. Tal 
revogação produzirá efeitos ex nunc, respeitando-se os atoa já praticados.
• renúncia expressa do mandatário →	 é uma manifestação da vontade do pro-
curador, abdicando o mandato, mesmo sem qualquer motivo justificado, devendo 
ser comunicada a tempo para que o mandante possa nomear substituto.
• morte de qualquer dos contratantes →	 por ser o mandato um contrato 
intuitu personae, ocorrerá a sua extinção com o falecimento de qualquer um 
dos contratantes. Entretanto, se vários forem os mandatários, o óbito de um 
não extingue o mandato, pois os sobreviventes poderão executá-lo, salvo se 
todos tiverem de agir em conjunto; se houver multiplicidade de mandantes, 
o mandato extinguir-se-á apenas relativamente ao falecido.
• interdição de uma das partes por incapacidade superveniente →	 o 
mandato cessará no instante em que a sentença declaratória de interdição 
transitar em julgado, e os atos praticados com terceiro de boa-fé pelo man-
datário, após a interdição do mandante, não terão validade.
• mudança de estado →	 se houver mudança de estado que venha a inabilitar 
o mandante, o mandato é extinto. Como exemplo, temos a extinção do man-
dato conferido pelo pai, representando filho absolutamente incapaz, quando 
este se tornar relativamente incapaz, devendo a outorga, agora, ser feita pelo 
filho, assistido por aquele.
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•	 término do prazo ou conclusão do negócio →	 se o mandato foi outorgado 
por prazo determinado, quando o próprio instrumento assim estipular, ces-
sará o contrato de pleno direito no momento em que expirar tal período. De 
igual modo, conferido o mandato somente para algum ato específico, ocor-
rendo este ato, também extinguir-se-á.
Demais artigos do Código Civil sobre a extinção do mandato:
Art. 683. Quando o mandato contiver a cláusula de irrevogabilidade e o mandante o 
revogar, pagará perdas e danos.
Art. 684. Quando a cláusula de irrevogabilidade for condição de um negócio bilateral, 
ou tiver sido estipulada no exclusivo interesse do mandatário, a revogação do mandato 
será ineficaz.
Art. 685. Conferido o mandato com a cláusula “em causa própria”, a sua revogação 
não terá eficácia, nem se extinguirá pela morte de qualquer das partes, ficando o man-
datário dispensado de prestar contas, e podendo transferir para si os bens móveis ou 
imóveis objeto do mandato, obedecidas as formalidades legais.
Art. 686. A revogação do mandato, notificada somente ao mandatário, não se pode 
opor aos terceiros que, ignorando-a, de boa-fé com ele trataram; mas ficam salvas ao 
constituinte as ações que no caso lhe possam caber contra o procurador.
Parágrafo único. É irrevogável o mandato que contenha poderes de cumprimento ou 
confirmação de negócios encetados, aos quais se ache vinculado.
Art. 687. Tanto que for comunicada ao mandatário a nomeação de outro, para o mesmo 
negócio, considerar-se-á revogado o mandato anterior.
Art. 688. A renúncia do mandato será comunicada ao mandante, que, se for prejudi-
cado pela sua inoportunidade, ou pela falta de tempo, a fim de prover à substituição 
do procurador, será indenizado pelo mandatário, salvo se este provar que não podia 
continuar no mandato sem prejuízo considerável, e que não lhe era dado substabelecer.
Art. 689. São válidos, a respeito dos contratantes de boa-fé, os atos com estes ajusta-
dos em nome do mandante pelo mandatário, enquanto este ignorar a morte daquele ou 
a extinção do mandato, por qualquer outra causa.
Art. 690. Se falecer o mandatário, pendente o negócio a ele cometido, os herdeiros, 
tendo ciência do mandato, avisarão o mandante, e providenciarão a bem dele, como as 
circunstâncias exigirem.
Art. 691. Os herdeiros, no caso do artigo antecedente, devem limitar-se às medidas 
conservatórias, ou continuar os negócios pendentes que se não possam demorar sem 
perigo, regulando-se os seus serviços dentro desse limite, pelas mesmas normas a que 
os do mandatário estão sujeitos.
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6. Da Fiança
A fiança é o contrato pelo qual uma pessoa se obriga perante o credor, com todo 
o seu patrimônio, a satisfazer o débito do devedor, caso este não efetue o pagamento 
(art. 818 do CC). Trata-se de uma espécie de garantia pessoal ou fidejussória.
Art. 818. Pelo contrato de fiança, uma pessoa garante satisfazer ao credor uma obriga-
ção assumida pelo devedor, caso este não a cumpra.
Graficamente, temos o seguinte:
Sobre a natureza jurídica do contrato de fiança, temos que ele é:
• unilateral: só cria obrigações para o fiador;
• personalíssimo ou intuitu personae: é inspirado na confiança do credor 
no fiador;
• gratuito: em regra, apenas o credor aufere vantagens, entretanto, o próprio 
credor pode remunerar o fiador e, neste caso, a fiança será onerosa;
• solene: deve ser celebrado por escrito público ou particular (art. 819 do CC);
Art. 819. A fiança dar-se-á por escrito, e não admite interpretação extensiva.
Pelo fato de a lei prever que a obrigação decorrente da fiança deve ser interpre-
tada de forma restrita, então o fiador só responde por aquilo que está expresso. 
Como exemplo, a fiança para garantir aos aluguéis, no silêncio, não se estende ao 
incêndio e impostos. Vigora a máxima “in dubio pro fiador”.
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