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Aula 10 30940425-contratos-em-especie

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Desde que o donatário, ciente do prazo, não faça, dentro dele, a declaração, 
entender-se-á que aceitou, se a doação não for sujeita a encargo.
O Código Civil enumera diversas espécies de doação. Vejamos uma a uma:
•	 doação pura e simples: é aquela que não está sujeita a uma condição ou 
um encargo, que são os elementos acidentais que alteram os efeitos normais 
do negócio jurídico. É o que ocorre quando alguém doa uma casa para um 
amigo sem nada exigir-lhe em troca.
•	 doação contemplativa (art. 540, 1ª parte, do CC): ocorre quando uma 
pessoa doa e declara o motivo de sua doação. Temos como exemplo o doador 
que doa um bem a uma fundação em razão dos seus excelentes trabalhos 
com as crianças carentes.
Art. 540. A doação feita em contemplação do merecimento do donatário não perde 
o caráter de liberalidade, como não o perde a doação remuneratória, ou a gravada, 
no excedente ao valor dos serviços remunerados ou ao encargo imposto.
• doação remuneratória (art. 540, 2ª parte, do CC): é a doação feita para 
agradecer um serviço prestado ou por alguma atitude do donatário. Ressalta-se 
que não se trata de um pagamento, mas de uma simples gratidão.
•	 doação com encargo ou onerosa: ocorre quando o doador impõe ao dona-
tário um encargo como contraprestação. Ocorre, por exemplo, quando A doa 
para B um terreno para que nele seja construído um hospital.
• Possuem legitimidade para exigir o cumprimento do encargo (art. 553 do CC) 
o próprio doador, o terceiro por ele beneficiado, ou mesmo o Ministério Público 
(após a morte do doador), se o encargo for em benefício de interesse geral.
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DIREITO CIVIL
Contratos em Espécie
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Art. 553. O donatário é obrigado a cumprir os encargos da doação, caso forem a bene-
fício do doador, de terceiro, ou do interesse geral.
Parágrafo único. Se desta última espécie for o encargo, o Ministério Público poderá exi-
gir sua execução, depois da morte do doador, se este não tiver feito.
• Caso a doação com encargo não estipule prazo certo para o seu cumprimento, 
pode o beneficiário conceder um prazo razoável, devendo para tanto consti-
tuir o donatário em mora por meio de uma interpelação judicial ou notifica-
ção, nos termos do art. 562, 2ª parte, do CC.
Art. 562. A doação onerosa pode ser revogada por inexecução do encargo, se o 
donatário incorrer em mora. Não havendo prazo para o cumprimento, o doador poderá 
notificar judicialmente o donatário, assinando-lhe prazo razoável para que cumpra 
a obrigação assumida.
• Em decorrência do encargo, a doação passa a ter um caráter oneroso e, por 
isso, aplicam-se as regras referentes aos vícios redibitórios (art. 441, § único 
do CC), além de surgir a possibilidade de revogação da doação por inexecu-
ção do encargo (art. 562, 1ª parte, do CC). Conclui-se, então, que a inexecu-
ção do encargo é uma causa de resolução da doação.
• Mais adiante, trataremos de outras formas de se revogar as doações.
•	 doação em forma de subvenção periódica (art. 545 do CC): é a doação 
feita por meio de vários atos, em vez de uma única vez. Ou seja, trata-se de 
um benefício periódico, que pode ser mensal, semestral, anual etc.
Art. 545. A doação em forma de subvenção periódica ao beneficiado extingue-se mor-
rendo o doador, salvo se esta outra coisa dispuser, mas não poderá ultrapassar a vida 
do donatário.
• Entretanto, esta doação se extingue com a morte do doador, salvo se houver 
previsão no contrato sobre a transferência da obrigação para os herdeiros, 
hipótese que ficará limitada ao valor da herança.
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• De qualquer forma, a obrigação não pode ultrapassar a vida do donatário, ou 
seja, não há um caráter de perpetuidade.
•	 doação ao nascituro (art. 542 do CC): como o nascituro ainda não nasceu, 
a doação feita a ele dependerá de aceitação do seu representante legal.
Art. 542. A doação feita ao nascituro valerá, sendo aceita pelo seu representante legal.
•	 doação com cláusula de reversão (art. 547 do CC): ocorre quando o bem 
doado retorna ao patrimônio do doador, na hipótese de morte do donatário.
Art. 547. O doador pode estipular que os bens doados voltem ao seu patrimônio, se 
sobreviver ao donatário.
Parágrafo único. Não prevalece cláusula de reversão em favor de terceiro.
• Entretanto, ressalta-se que as partes não podem pactuar sobre a reversão 
em favor de terceiro, apenas é permitida a reversão em favor do doador. 
Caso fosse possível a reversão em favor de terceiro, estaríamos admitindo a 
possibilidade de um pacto sucessório (pacta corvina), que é expressamente 
proibido pelo art. 426 do CC.
Art. 426. Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva.
•	 doação universal (art. 548 do CC): é aquela que abrange todos os bens do 
doador, sem deixar uma reserva para a sua própria subsistência. Tal doação 
é passível de nulidade absoluta, pois visa impedir que, em um momento de 
afobação, o doador ultrapasse os limites do patrimônio a ser doado.
Art. 548. É nula a doação de todos os bens sem reserva de parte, ou renda suficiente 
para a subsistência do doador.
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• Caso seja estipulada uma reserva de usufruto ao doador, então a doação uni-
versal será válida.
•	 doação de ascendente para descendente ou de um cônjuge a outro 
(art. 544 do CC): como exemplo, o pai poderá fazer doação a seus filhos, 
e um cônjuge ao outro, porém, tal ata acarretará um adiantamento da he-
rança (legítima), devendo, por isso, ser verificada no inventário do doador 
por meio da colação.
Art. 544. A doação de ascendentes a descendentes, ou de um cônjuge a outro, importa 
adiantamento do que lhes cabe por herança.
Exemplo
Vejamos o exemplo a seguir, em que foi desconsiderada a parte disponível da herança:
Um pai (viúvo) possui um patrimônio de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos 
mil reais), e, ainda em vida, faz uma doação para um de seus três filhos no valor 
de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais).
Patrimônio inicial do Pai: 1.500.000,00
Patrimônio do Pai após a doação: 1.5000.000,00 – 300.000,00 = 1.200.000,00
Por ocasião da morte do pai, não basta dividir por 3 o valor de 1.200.000,00, pois 
o valor doado em vida deve ser “colado” aos 1.200.000, totalizando 1.500.000,00. 
Após a colação, o patrimônio será dividido e o filho que recebeu a doação terá o 
valor doado subtraído de sua parte.
Valor a ser dividido: 1.500.000,00
– Valor do Filho 1: 1.500.000,00 / 3 = 500.000,00
– Valor do Filho 2: 1.500.000,00 / 3 = 500.000,00
– Valor do Filho 3: 1.500.000,00 / 3 = 500.000,00 – 300.000,00 (doação) = 
200.000,00
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