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PORTUGUÊS - PARA AULA 
Uma recadinho: Essa parte da língua portuguesa não é de simples compreensão 
Julia, porém você já tem capacidades para entender e por repetidas vezes voltar a esse 
assunto, pois só com muitas repetições, que ficará fácil. Depois de interpretações de texto, 
esse é o assunto mais cobrado em provas, então qualquer prova que venha a fazer terá pelo 
menos uma questão de figuras de linguagem, por isso elas precisarão ser decoradas e mais, 
entendidas uma a uma, pois se só decorar sem entender, não adianta! Qualquer dúvida 
pode falar comigo e na semana que vem estaremos voltando a esse assunto e corrigindo 
todos exercícios, desde a semana retrasada (que ficou devendo), até os dessas semana. 
FIGURAS DE LINGUAGEM
Antes de estudarmos figuras de linguagens, precisamos relembrar a 
diferença entre conotação (Sentido figurado das palavras ou expressões) e denotação 
(sentido real, sentido literal das palavras ou expressões). Lembrou Julia? Então agora, 
podemos seguir o fluxo.
A figura de linguagem é uma forma de expressão que se distancia das regras da 
linguagem denotativa, ou seja, são as formas que você poderá utilizar a conotação. O que 
eu quero te dizer com isso é: ao usar uma figura de linguagem, você possibilita uma 
interpretação para o seu enunciado que vai allém do seu sentido original. Por exemplo:
A pedra chorou de tristeza
Nesse exemplo, o sentido denotativo (original) é que uma pedra derramou lágrimas 
de seus olhos porque estava triste. Porém, sabemos que pedras não têm olhos e, portanto, 
não podem chorar. Assim, essa expressão afasta-se das regras da linguagem denotativa para 
assumir outro sentido, ou seja, o fato de a pedra chorar mostra o quanto determinada 
situação é triste. É tão triste que até uma pedra poderia chorar. Nesse exemplo, a pedra foi 
personificada, foi tratada como se fosse um ser humano, portanto capaz de chorar e sentir 
tristeza. Acho que ficou claro, né?! Então podemos começar.
As figuras de Linguagem estão divididas em:
1. Figuras de palavras ou semântica;
2. Figuras de sintaxe ou construção;
3. Figuras de pensamento;
4. Figuras de som ou harmonia.
Vamos startar por:
1
1. Figuras de palavras ou semântica
⦁ Comparação
É a figura de linguagem que torna equivalente coisas diferentes, por meio de uma 
semelhança que há entre elas.
Exemplos: 
O pensamento é como um diamante bruto.
O pensamento é tal qual um diamante bruto.
O pensamento é igual a um diamante bruto.
⦁ Metáfora
É uma comparação implícita. Consiste em empregar um termo com significado 
diferente do habitual, com base numa relação de similaridade entre o sentido próprio e o 
sentido figurado. Na metáfora ocorre uma comparação em que o conectivo comparativo 
fica subentendido.
A razão é a luz na escuridão.
Observe que a “razão” está sendo comparada com a “luz”. Portanto, se a frase fosse 
“A razão é como a luz na escuridão”, não teríamos mais uma metáfora, mas sim uma 
comparação.
“Meu pensamento é um rio subterrâneo”
⦁ Metonímia
Substituição de um termo por outro, desde que haja uma relação entre eles.
Assim, pode haver a substituição:
- do autor pela obra:
Você não vai acreditar: comprei um Caravaggio.
(isto é: comprar um quadro do Caravaggio.)
- do possuidor pelo possuído:
2
Amanhã, vou ao médico e não se fala mais nisso!
(isto é: ir ao consultório do médico.)
- do lugar pelo produto:
Ela só fumava havana e nada mais.
(isto é: fumar charuto produzido em Havana.)
- do efeito pela causa:
Aqueles líderes insuflaram a guerra no coração dos jovens.
(isto é: insuflar o ódio, causa da guerra.)
- do continente pelo conteúdo:
Todos os dias, bebo uma xícara de chá de boldo.
(isto é: beber o chá que está na xícara.)
- do instrumento pelo agente:
Amanda é um bisturi excepcional.
(isto é: é uma cirurgiã excepcional.)
- da coisa pela sua representação:
Ninguém fala mal da minha terra sem antes me pedir permissão.
(isto é: falar mal do país, estado ou cidade.)
- do inventor pelo invento:
O Linux é um sistema operacional gratuito.
(isto é: linux é a invenção de Linus Torvalds; a palavra vem da união do nome de seu 
inventor “Linus” com “Unix”.)
- do concreto pelo abstrato:
Na minha vida, encontrei muita gente sem coração.
(isto é: gente sem sentimento.)
- da parte pelo todo:
Este foi um livro escrito a quatro mãos.
3
(isto é: escrito por duas pessoas.)
- da qualidade pela espécie:
- Os irracionais também têm seus direitos.
(isto é: os animais também têm seus direitos.)
- do singular pelo plural:
- O artista é livre para expressar pensamentos e emoções.
(isto é: os artistas são livres.)
- da matéria pelo objeto:
“Quem com ferro fere, com ferro será ferido.”
(isto é: ferir com espada.)
- do indivíduo pela classe:
- Era mais um camões incompreendido.
(isto é: ser mais um poeta incompreendido.)
⦁ Catacrese
Emprego inadequado de um termo devido à perda de seu sentido original.
A quarentena já duram 1 ano e 3 meses.
Não podíamos embarcar no ônibus sem tirar aquelas fotos.
No primeiro exemplo, a palavra “quarentena”, em seu sentido original, refere-se a 
um período de quarenta dias. No entanto, o termo passou a ser empregado com o sentido 
de “isolamento”. O mesmo fenômeno acontece no segundo exemplo, em que “embarcar” 
deixou de ser apenas o ato de entrar em uma embarcação e teve seu sentido ampliado para 
o ato de entrar em qualquer veículo de transporte.
⦁ Perífrase ou antonomásia
É a substituição de um termo por outro que o caracterize, como se fosse uma 
espécie de apelido.
O rei das selvas ainda não é uma espécie em extinção.
4
O Boca do Inferno não tinha papas na língua.
No primeiro exemplo, “rei das selvas” é uma expressão que se refere ao leão. Já 
“Boca do Inferno”, no segundo exemplo, era como o poeta barroco Gregório de Matos 
(1636-1695) era chamado.
É importante fazer uma distinção: a perífrase refere-se a coisas ou animais, já a 
antonomásia refere-se a pessoas. Nessa perspectiva, o primeiro exemplo é uma perífrase; e 
o segundo, uma antonomásia.
⦁ Sinestesia
Combinação de dois ou mais sentidos, ou seja, visão, olfato, audição, paladar e tato.
No doce caminho que percorri, ouvi cantarem os pássaros no calor da manhã.
Perceba que a palavra “doce” aciona o paladar; o verbo “cantarem”, a audição; e o 
substantivo “calor”, o tato. Se quiser saber mais sobre essa figura, leia o nosso texto: 
sinestesia.
2. Figuras de sintaxe ou construção
⦁ Elipse
Ocultação de palavra ou expressão na estrutura do enunciado.
— Vou te ligar. Qual o seu número?
Nesse exemplo, foi omitida a expressão “de telefone”: Qual o seu número de telefone?
⦁ Zeugma
Um tipo de elipse caracterizado pela omissão de um termo mencionado 
anteriormente.
Preferia os caminhos difíceis aos fáceis.
Ou seja: Preferia os caminhos difíceis aos (caminhos) fáceis.
⦁ Anáfora
Repetição de uma ou mais palavras no início dos versos ou orações.
5
Eu não devo ter medo. Eu não devo parar. Eu não devo retroceder.
⦁ Pleonasmo
É o uso de algum termo dispensável, repetitivo, com o objetivo de enfatizar 
determinada ideia.
— Vi a abdução com meus próprios olhos — ele afirmou. — Você precisa acreditar em 
mim!
Atenção! Esse tipo de ênfase é aceitável quando utilizado para melhor expressar 
uma ideia; do contrário, é apenas uma redundância, um vício de linguagem, um 
pleonasmo.
⦁ Anacoluto
Falta de conexão sintática entre o início de uma frase e a sequência de ideias.
Aquela atriz não sei de quem você está falando.
⦁ Silepse
Concordância ideológica, ou seja, com a ideia, e não com o termo expresso.
Existem três tipos:
- Silepse de gênero:
A gente ficou chocado com o que aconteceu ontem.
Nesse caso, o enunciador é masculino e refere-se a pessoas do gênero masculino, então faz 
a concordância com a ideia, e não com o sujeito “A gente”: A gente ficou chocada com o 
que aconteceu ontem.
- Silepse de número:
O povo exigiu uma satisfação, pois não suportavam mais aquele silêncio.
Nesse exemplo, o verbo “suportavam” tem como sujeito“eles/ elas” (não expresso no 
período), pois o enunciador pensa em povo como uma quantidade de pessoas. Assim, em 
vez de fazer a concordância com a palavra, no singular, “povo” (O povo não suportava mais 
aquele silêncio), o enunciador faz a concordância com a ideia, ou seja, “eles/ elas”, uma 
quantidade de pessoas chamadas de “povo”, portanto no plural.
6
- Silepse de pessoa:
Os ciclistas corremos grande perigo no trânsito.
Observe que, ao conjugar o verbo “correr” na primeira pessoa do plural (nós), o enunciador 
coloca-se na categoria de ciclista, o que não ficaria evidente se ele fizesse a concordância 
gramaticalmente esperada: Os ciclistas correm grande perigo no trânsito.
⦁ Hipérbato
Inversão da ordem direta dos elementos de uma oração ou período.
A ordem direta é composta de sujeito, verbo, complemento ou predicativo:
As manifestações culturais brasileiras são muito valorizadas no exterior.
Assim, temos:
Sujeito: As manifestações culturais brasileiras.
Verbo: são.
Predicativo: valorizadas. (não se atente agora em saber o que é predicativo, vou te ensinar 
depois, só veja como a frase muda)
Se ocorrer o hipérbato, a inversão, temos:
Muito valorizadas são as manifestações culturais brasileiras no exterior.
⦁ Polissíndeto
Repetição da conjunção “e”.
E o cachorro latia, e corria, e babava em tudo que via pela frente.
Veja também: Conjunções coordenativas – palavras responsáveis por estabelecer coesão
3. Figuras de pensamento
⦁ Hipérbole
Exagero na declaração.
Estava com tanta fome que podia comer um boi inteiro.
7
⦁ Litotes
Afirmação realizada pela negação do contrário.
Ariosto não é nada bonito, mas gosto dele mesmo assim.
Nesse exemplo, o enunciador afirma que Ariosto é feio a partir da negação do 
adjetivo contrário a feio, ou seja, bonito: não é nada bonito. 
⦁ Eufemismo
Palavras ou expressões agradáveis para amenizar a declaração.
Segundo o juiz, a deputada faltou à verdade em seu depoimento.
Note que, em vez de dizer que a deputada mentiu, é usada a expressão “faltou à 
verdade”, o que torna a afirmação menos desagradável.
⦁ Ironia
Sugerir o contrário do que se afirma.
A pontualidade daquele médico é britânica. Só esperei duas horas para ser atendido.
A ironia depende muito de um contexto, ou seja, da situação em que é inserida, do 
conhecimento do interlocutor sobre o fato ironizado, além de outros elementos, como 
gestos (na linguagem oral).
⦁ Prosopopeia
Personificação, atribuição de características humanas a seres irracionais ou a coisas.
O lobo conversou com Chapeuzinho, e decidiram fazer as pazes.
⦁ Antítese
Oposição entre palavras, expressões ou ideias.
O bem e o mal caminham de mãos dadas no coração humano.
8
⦁ Paradoxo ou oximoro
Antítese que expressa uma contradição.
Ninguém parecia ouvir, mas a menina gritava em silêncio.
Note que é contraditório alguém gritar em silêncio, já que o grito se configura em um som.
⦁ Apóstrofe
Interrupção da frase para interpelar ou invocar.
Não podia acreditar, ó céus, que aquilo acontecera.
⦁ Gradação
Sequência de ideias.
Ele era um porco, um jumento, um dinossauro. Impossível lidar com alguém assim.
4. Figuras de som ou harmonia
⦁ Aliteração
Repetição de consoantes ou sílabas.
Minha mãe me mandou fazer o meu melhor.
É importante lembrar que essa é uma figura usada em textos literários. Em uma 
linguagem objetiva, ela é considerada um vício de linguagem. Para conhecer melhor essa 
figura sonora, leia o nosso texto: aliteração.
⦁ Assonância
Repetição de vogais.
Por onde andam o amor e a dor do trovador?
9
⦁ Onomatopeia
Palavra cuja sonoridade está associada à coisa representada.
O cocoricó se faz ouvir toda manhã.
O bem-te-vi estava mais triste naquele dia.
Veja que, no primeiro exemplo, “cocoricó” é um substantivo que, em sua 
sonoridade, representa aquilo a que se refere, ou seja, imita o canto do galo. Já no segundo 
exemplo, o substantivo “bem-te-vi” refere-se a um pássaro cujo canto tem essa sonoridade. 
⦁ Paronomásia
Uso de palavras parecidas, mas com grafia, som e significado distintos.
Depois que fiz a descrição do meu chefe, pedi discrição aos meus colegas de trabalho.
Exercícios
1- Assinale a alternativa que apresenta palavra empregada em sentido figurado.
(A) Esconde o caroço no bolso.
(B) Adoro uva-passa.
(C) Hoje em dia se fala muito em ética.
(D) O homem que tomou o iogurte era um cara de pau.
(E) Outra coisa que odeio é emprestar e não receber.
2- Assinale a alternativa que apresenta expressão com sentido figurado.
(A) … abriu a janela do apartamento do oitavo andar… 
(B) … pulou para fora, certo de que iria morrer. 
(C) Viu estrelas, ao meio-dia, sentindo muita dor. 
(D) Lixo cuja origem ele conhecia desde a semana anterior,… 
10
(E) … depois que os moradores do prédio a haviam denunciado.
3- Assinale a alternativa em que há emprego de linguagem figurada.
(A) Os planos da empresa foram por água abaixo.
(B) Apenas 2,4% da água é doce...
(C) Água potável corresponde a toda água disponível.
(D) A água boa para consumo...
(E) A poluição leva à escassez de água potável.
4 - Dizer que “a vida é um mar de rosas” é uma comparação que é denominada, 
em termos de linguagem figurada, de
(A) metáfora.
(B) pleonasmo.
(C) metonímia.
(D) hipérbole.
(E) eufemismo.
5 - “Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil (...)”
Nos versos “negar minha identidade, / trocá-la por mil”, verifica-se a presença de 
uma figura de linguagem. Essa figura é:
(A) Metonímia.
(B) Metáfora.
(C) Anacoluto.
11
(D) Catacrese.
(E) Hipérbole.
6- Observe a figura:
As figuras são palavras que remetem a algo presente no mundo natural. De 
forma que, nas figuras de pensamento, o sentido da mensagem não está explícito, 
ele se encontra subtendido, ou seja, nas entrelinhas. Observe a foto de Mike Wells 
e assinale a alternativa que apresenta o exemplo de figura de linguagem presente 
nesta linguagem visual.
(A) Antítese.
(B) Apóstrofe.
(C) Gradação.
(D) Metáfora.
7- Atenção ao fragmento do texto de Vinícius de Moraes e Paulo Soledade: As 
coisas devem ser bem grandes Pra formiga pequenina A rosa, um lindo palácio E o 
espinho, uma espada fina A gota d'água, um manso lago O pingo de chuva, um mar 
Onde um pauzinho boiando É navio a navegar (…) A figura de linguagem que mais 
se destaca é
(A) metáfora.
(B) antítese.
(C) metonímia.
12
(D) sinestesia.
(E) paradoxo.
PORTUGUÊS - PARA CASA 
INTERPRETAÇÃO DE TEXTO
Leia o texto a seguir:
Em novo compasso
1 Neste momento, em várias partes do
 mundo, algum pesquisador está tentando descobrir
 um detalhe no funcionamento do músculo cardíaco
4 ainda não percebido pela ciência, enquanto outro
 se esforça para aprimorar um tratamento já
 reconhecido, e um terceiro se lança em um
7 experimento que pode resultar em mais uma opção 
 de terapia. Eles integram um imenso batalhão de 
 investigadores que têm como único objetivo tornar
10 o coração mais forte. Trata-se de um sonho nobre e 
 também de uma urgência. Afinal, o órgão precisará
 bater em um compasso afinadíssimo para dar conta
13 de bombear o sangue em seres humanos cada vez
 mais longevos.
 É de olho nas exigências do futuro que estão
16 sendo desenhadas mudanças nos tratamentos do
 presente. Algumas das mais significativas ocuparam
 as principais discussões de evento que reuniu
13
19 cerca de 11 mil médicos de todo o planeta em
 Orlando - EUA, na semana passada, e que é
 considerado um dos mais importantes encontros
22 mundiais de cardiologistas. Estudo divulgado no
 encontro, por exemplo, fez que a comunidade
 médica passasse a discutir com mais ênfase uma
25 alteração no limite permitido de colesterol ruim
 (LDL) em pacientes de alto risco (portadores de
 alguma doença cardíaca ou que acumulam pelo
28 menos dois fatores de risco - hipertensão,obesidade, diabete, sedentarismo, fumo, entre os
 mais importantes). Hoje, segundo a Sociedade
31 Brasileira de Cardiologia, essas pessoas devem
 manter o LDL abaixo de 100 mg/dL.
Eduardo Holanda, Greice Rodrigues e Mônica Tarantino. Istoé, 16/3/2005, p. 45 (com 
adaptações). 
1 - Com relação às idéias do texto ao lado e às palavras e expressões nele empregadas, 
julgue os itens a seguir.
Desenvolver estudos objetivando fortalecer o funcionamento do coração tem sido um 
interesse de vários pesquisadores no mundo.
( ) Certo
( ) Errado
2 - O texto revela que pesquisas sobre o funcionamento do coração, as quais estão sendo 
muito importantes nos dias atuais, não receberam a devida atenção em épocas passadas.
( )Certo
( )Errado
14
Leia o texto a seguir:
A vírgula não foi feita para humilhar ninguém
 Era Borjalino Ferraz e perdeu o primeiro emprego na Prefeitura de Macajuba por 
coisas de pontuação. Certa vez, o diretor do Serviço de Obras chamou o amanuense para 
uma conversa de fim de expediente. E aconselhativo:
 — Seu Borjalino, tenha cuidado com as vírgulas. Desse jeito, o amigo acaba com o 
estoque e a comarca não tem dinheiro para comprar vírgulas novas.
 Fez outros ofícios, semeou vírgulas empenadas por todos os lados e foi despedido. 
Como era sujeito de brio, tomou aulas de gramática, de modo a colocar as vírgulas em 
seus devidos lugares. Estudou e progrediu. Mais do que isso, saiu das páginas da 
gramática escrevendo bonito, com rendilhados no estilo. Cravava vírgulas e crases como 
ourives crava as pedras. O que fazia o coletor federal Zozó Laranjeira apurar os óculos e 
dizer com orgulho:
 — Não tem como o Borjalino para uma vírgula e mesmo para uma crase. Nem o 
presidente da República! 
 E assim, um porco-espinho de vírgulas e crases, Borjalino foi trabalhar, como 
escriturário, na Divisão de Rendas de São Miguel do Cupim. Ficou logo encarregado dos 
ofícios, não só por ter prática de escrever como pela fama de virgulista. Mas, com dois 
meses de caneta, era despedido. O encarregado das Rendas, funcionário sem vírgulas e 
sem crases, foi franco:
 — Seu Borjalino, sua competência é demais para repartição tão miúda. O amigo é 
um homem de instrução. É um dicionário. Quando o contribuinte recebe um ofício de sua 
lavra cuida que é ordem de prisão. O coronel Balduíno dos Santos quase teve um sopro no 
coração ao ler uma peça saída de sua caneta. Pensou que fosse ofensa, pelo que passou 
um telegrama desaforado ao Senhor Governador do Estado. Veja bem! O Senhor 
Governador.
 E por colocar bem as vírgulas e citar Nabucodonosor em ofício de pequena 
corretagem, o esplêndido Borjalino foi colocado à disposição do olho da rua. Com uma 
citação no Diário Oficial e duas gramáticas debaixo do braço.
CARVALHO, José Cândido de. In: Os mágicos municipais. Rio de Janeiro. José Olympio, 
1984. 
1- Pelas características predominantes do texto, assinale a alternativa que melhor 
identifique o seu gênero:
15
(A) Resenha.
(B) Artigo.
(C) Relatório.
(D) Crônica.
2- A tipologia textual predominante no texto é:
(A) Narrativa.
(B) Descritiva.
(C) Dissertativa.
(D) Injuntiva.
3- A partir da leitura do texto, assinale a alternativa que apresenta sua ideia central:
(A) A gramática normativa como aliada do funcionário da Prefeitura de Macajuba.
(B) A isonomia entre o padrão culto e o uso da vírgula e da crase.
(C) A distância entre os preceitos teóricos e o cotidiano linguístico.
(D) A valorização da norma culta na redação oficial da Prefeitura de Macajuba.
4- Marque a citação que apresenta um efeito de sentido conotativo:
(A) “Cravava vírgulas e crases como ourives crava as pedras.”
(B) “Nem o presidente da República!”
(C) “O amigo é um homem de instrução.”
(D) “Com uma citação no Diário Oficial e duas gramáticas debaixo do braço.”
16

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