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Lista de Exercícios : Gramática | Línguagem
1. (Fuvest 2013) São Paulo gigante, torrão adorado
Estou abraçado com meu violão
Feito de pinheiro da mata selvagem
Que enfeita a paisagem lá do meu sertão
Tonico e Tinoco, São Paulo Gigante.
Nos versos da canção dos paulistas Tonico e Tinoco,
o termo “sertão” deve ser compreendido como
a) descritivo da paisagem e da vegetação típicas do sertão
existente na região Nordeste do país.
b) contraposição ao litoral, na concepção dada pelos
caiçaras, que identificam o sertão com a presença dos
pinheiros.
c) analogia à paisagem predominante no Centro-Oeste
brasileiro, tal como foi encontrada pelos bandeirantes no
século XVII.
d) metáfora da cidade-metrópole, referindo-se à aridez do
concreto e das construções.
e) generalização do ambiente rural, independentemente das
características de sua vegetação.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Texto para a(s) questão(ões) a seguir.
amora
a palavra amora
seria talvez menos doce
e um pouco menos vermelha
se não trouxesse em seu corpo
(como um velado esplendor)
a memória da palavra amor
a palavra amargo
seria talvez mais doce
e um pouco menos acerba
se não trouxesse em seu corpo
(como uma sombra a espreitar)
a memória da palavra amar
Marco Catalão, Sob a face neutra.
2. (Fuvest 2020) É correto afirmar que o poema
a) aborda o tema da memória, considerada uma faculdade
que torna o ser humano menos amargo e sombrio.
b) enfoca a hesitação do eu lírico diante das palavras, o que
vem expresso pela repetição da palavra “talvez”.
c) apresenta natureza romântica, sendo as palavras “amora”
e “amargo” metáforas do sentimento amoroso.
d) possui reiterações sonoras que resultam em uma tensão
inusitada entre os termos “amor” e “amar”.
e) ressalta os significados das palavras tal como se
verificam no seu uso mais corrente.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Texto para a(s) questão(ões) a seguir.
Sonetilho do falso Fernando Pessoa
Onde nasci, morri.
Onde morri, existo.
E das peles que visto
muitas há que não vi.
Sem mim como sem ti
posso durar. Desisto
de tudo quanto é misto
e que odiei ou senti.
Nem Fausto nem Mefisto,
à deusa que se ri
deste nosso oaristo*,
eis‐me a dizer: assisto
além, nenhum, aqui,
mas não sou eu, nem isto.
Carlos Drummond de Andrade. Claro
Enigma.
*conversa íntima entre casais.
Ulisses
O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo ‐
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.
Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.
Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá‐la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.
Fernando Pessoa. Mensagem.
3. (Fuvest 2019) O oxímoro é uma “figura em que
se combinam palavras de sentido oposto que parecem
excluir‐se mutuamente, mas que, no contexto, reforçam a
expressão” (HOUAISS, 2001).
No poema “Sonetilho do falso Fernando Pessoa”, o
emprego dessa figura de linguagem ocorre em:
a) “Onde morri, existo” (v. 2).
b) “E das peles que visto / muitas há que não vi” (v. 3-4).
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c) “Desisto / de tudo quanto é misto / e que odiei ou senti”
(v. 6‐8).
d) “à deusa que se ri / deste nosso oaristo” (v. 10‐11).
e) “mas não sou eu, nem isto” (v. 14).
4. (Enem 2018) O rio que fazia uma volta atrás de
nossa casa era a
imagem de um vidro mole que fazia uma volta atrás
de casa.
Passou um homem e disse: Essa volta que o
rio faz por trás de sua casa se chama enseada.
Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que
fazia uma volta atrás de casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem.
BARROS, M. O livro das ignorãças. Rio de Janeiro;
Best Seller. 2008.
O sujeito poético questiona o uso do vocábulo
“enseada” porque a
a) terminologia mencionada é incorreta.
b) nomeação minimiza a percepção subjetiva.
c) palavra é aplicada a outro espaço geográfico.
d) designação atribuída ao termo é desconhecida.
e) definição modifica o significado do termo no dicionário.
5. (Enem PPL 2018) Glossário diferenciado
Outro dia vi um anúncio de alguma coisa que não
lembro o que era (como vocês podem deduzir, o anúncio
era péssimo). Lembro apenas que o produto era
diferenciado, funcional e sustentável. Pensando nisso, fiz
um glossário de termos diferenciados e suas respectivas
funcionalidades.
Diferenciado: um adjetivo que define um
substantivo mas também o sujeito que o está usando. Quem
fala “diferenciado” poderia falar “diferente”. Mas escolheu
uma palavra diferenciada. Porque ele quer mostrar que ele
próprio é “diferenciado”. Essa é a função da palavra
“diferenciado”: diferenciar-se. Por diferençado, entenda:
“mais caro”. Estudos indicam que a palavra “diferenciado”
representa um aumento de 50% no valor do produto. É uma
palavra que faz a diferença.
DUVIVIER, G. Disponível em:
www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 17 nov. 2014
(adaptado).
Os gêneros são definidos, entre outros fatores, por
sua função social. Nesse texto, um verbete foi criado pelo
autor para
a) atribuir novo sentido a uma palavra.
b) apresentar as características de um produto.
c) mostrar um posicionamento crítico.
d) registrar o surgimento de um novo termo.
e) contar um fato do cotidiano.
6. (Fuvest 2018) Examine esta propaganda.
Por ser empregado tanto na linguagem formal
quanto na linguagem informal, o termo “legal” pode ser
lido, no contexto da propaganda, respectivamente, nos
seguintes sentidos:
a) lícito e bom.
b) aceito e regulado.
c) requintado e excepcional.
d) viável e interessante.
e) jurídico e autorizado.
7. (Puccamp 2018) Num dos festivais da música
popular brasileira, a canção “Disparada”, de Geraldo
Vandré, obteve grande repercussão e fez história. Entre
seus versos estão estes:
(...) gado a gente marca,
tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é
diferente.
Se você não concordar não posso me desculpar,
não canto pra enganar, vou pegar minha viola,
vou deixar você de lado, vou cantar noutro lugar,
São versos que, nos anos subsequentes a 1964,
a) assinalam uma atitude de protesto e de engajamento
político da arte popular.
b) propõem a evasão como reação às intransigências do
regime político.
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c) inauguram uma nova fase da pesquisa folclórica no
cancioneiro popular.
d) constituem um chamado ao bucolismo e à simplicidade
da vida rural.
e) convocam o ouvinte a trilhar o caminho do liberalismo
econômico.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Textos para a(s) questão(ões) a seguir.
Este último capítulo é todo de negativas. Não
alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não
fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado
dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão
com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de dona
Plácida, nem a semidemência do Quincas Borba. Somadas
umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não
houve míngua nem sobra, e, conseguintemente, que saí
quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este
outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo,
que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: –
Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado
da nossa miséria.
Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás
Cubas.
Não sei por que até hoje todo o mundo diz que tinha
pena dos escravos. Eu não penso assim. Acho que se fosse
obrigada a trabalhar o dia inteiro não seria infeliz. Ser
obrigada a ficar à toaé que seria castigo para mim. Mamãe
às vezes diz que ela até deseja que eu fique preguiçosa; a
minha esperteza é que a amofina. Eu então respondo: “Se
eu fosse preguiçosa não sei o que seria da senhora, meu pai
e meus irmãos, sem uma empregada em casa”.
Helena Morley, Minha vida de menina.
8. (Fuvest 2018) Nos dois textos, obtém-se ênfase
por meio do emprego de um mesmo recurso expressivo,
como se pode verificar nos seguintes trechos:
a) “Este último capítulo é todo de negativas” / “Eu não
penso assim”.
b) “Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui
ministro, não fui califa, não conheci o casamento” / “Não
sei por que até hoje todo o mundo diz que tinha pena dos
escravos”.
c) “Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa
fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto” /
“Ser obrigada a ficar à toa é que seria castigo para mim”.
d) “qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem
sobra” / “Mamãe às vezes diz que ela até deseja que eu
fique preguiçosa”.
e) “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o
legado da nossa miséria” / “Acho que se fosse obrigada a
trabalhar o dia inteiro não seria infeliz”.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Texto para a(s) questão(ões) a seguir.
Sarapalha
– Ô calorão, Primo!... E que dor de cabeça
excomungada!
– É um instantinho e passa... É só ter paciência....
– É... passa... passa... passa... Passam umas mulheres
vestidas de cor de água, sem olhos na cara, para não terem
de olhar a gente... Só ela é que não passa, Primo
Argemiro!... E eu já estou cansado de procurar, no meio das
outras... Não vem!... Foi, rio abaixo, com o outro... Foram
p’r’os infernos!...
– Não foi, Primo Ribeiro. Não foram pelo rio... Foi
trem-de-ferro que levou...
– Não foi no rio, eu sei... 1No rio ninguém não
anda... 2Só a maleita é quem sobe e desce, olhando seus
mosquitinhos e pondo neles a benção... Mas, na estória...
Como é mesmo a estória, Primo? Como é?...
– O senhor bem que sabe, Primo... Tem paciência,
que não é bom variar...
– Mas, a estória, Primo!... Como é?... Conta outra
vez...
– 3O senhor já sabe as palavras todas de cabeça...
“Foi o moço-bonito que apareceu, vestido com roupa de
dia-de-domingo 4e com a viola enfeitada de fitas... E
chamou a moça p’ra ir se fugir com ele”...
– Espera, Primo, elas estão passando... Vão umas
atrás das outras... Cada qual mais bonita... Mas eu não
quero, nenhuma!... Quero só ela... Luísa...
– Prima Luísa...
– Espera um pouco, deixa ver se eu vejo... Me ajuda,
Primo! Me ajuda a ver...
– Não é nada, Primo Ribeiro... Deixa disso!
– Não é mesmo não...
– Pois então?!
– Conta o resto da estória!...
– ...“Então, a moça, que não sabia que o moço-
bonito era o capeta, 5ajuntou suas roupinhas melhores numa
trouxa, e foi com ele na canoa, descendo o rio...”
Guimarães Rosa, Sarapalha.
9. (Fuvest 2018) No texto de Sarapalha, constitui
exemplo de personificação o seguinte trecho:
a) “No rio ninguém não anda” (ref. 1).
b) “só a maleita é quem sobe e desce” (ref. 2).
c) “O senhor já sabe as palavras todas de cabeça” (ref. 3).
d) “e com a viola enfeitada de fitas” (ref. 4).
e) “ajuntou suas roupinhas melhores numa trouxa” (ref. 5).
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
A(s) questão(ões) a seguir refere(m)-se ao trecho
inicial do conto “A aranha”, do escritor e jornalista paulista
Orígenes Lessa (1903-1986).
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− Quer assunto para um conto? – perguntou o
Eneias, cercando-me no corredor.
Sorri.
− Não, obrigado.
− Mas é assunto ótimo, verdadeiro, vivido,
acontecido, interessantíssimo!
− Não, não é preciso... Fica para outra vez...
− Você está com pressa?
− Muita!
− Bem, de outra vez será. 1Dá um conto estupendo.
E com esta vantagem: aconteceu... É só florear um pouco.
2− Está bem...Então...até logo...Tenho que apanhar o
elevador...
3Quando me despedia, surge um terceiro.
Prendendo-me à prosa. Desmoralizando-me a pressa.
− Então, que há de novo?
− Estávamos batendo papo... Eu estava cedendo, de
graça, um assunto notável para um conto. Tão bom, que até
comecei a esboçá-lo, 4há tempos. Mas conto não é gênero
meu − continuou o Eneias, os olhos azuis transbordando de
generosidade.
5− Sobre o quê? − perguntou o outro.
Eu estava frio. Não havia remédio. Tinha que ouvir,
mais uma vez, o assunto.
− Um caso passado. Conheceu o Melo, que foi dono
de uma grande torrefação aqui em São Paulo, e tinha uma
ou várias fazendas pelo interior?
Pergunta dirigida a mim. Era mais fácil concordar.
(In: Omelete em Bombaim, 1946. Disponível em:
www.academia.org.br)
10. (Puccamp 2018) É correta a seguinte
observação:
a) O fragmento transcrito mostra que essa narrativa
reproduz uma cena bastante curta como se fosse captada
mecanicamente por um cinegrafista, sem a presença da
subjetividade de um narrador.
b) A narrativa que se caracteriza pelo ritmo acelerado, em
decorrência da grande presença da fala direta entre
personagens, conta com a presença de um narrador que,
onisciente, faz algumas intromissões no relato.
c) Em relato realizado estritamente por meio de diálogos, as
informações são transmitidas ao leitor pelo que falam ou
fazem as personagens que participam da cena
representada.
d) O trecho é metalinguístico, pois uma personagem,
Eneias, centra seu interesse em convencer, com
fundamentos, um contista a escrever sobre fatos
verídicos; o objetivo da personagem é legítimo, porque a
veracidade do fato narrado é que caracteriza a narrativa
como literária.
e) No conto, os comentários de Eneias permitem
compreender o que esta personagem entende que seja um
conto, demonstrando seu desconhecimento de que, numa
produção literária, a forma não constitui simples
ornamento, mas produz sentidos.
11. (Enem PPL 2017) Um conto de palavras que
valessem mais por sua modulação que por seu significado.
Um conto abstrato e concreto como uma composição tocada
por um grupo instrumental; límpido e obscuro, espiral azul
num campo de narcisos defronte a uma torre a descortinar
um lago assombrado em que o atirar uma pedra espraia a
água em lentos círculos sob os quais nada um peixe turvo
que é visto por ninguém e no entanto existe como algas do
oceano. Um conto-rastro de uma lesma também evento do
universo qual a luz de um quasar a bilhões de anos-luz; um
conto em que os vocábulos são como notas indeterminadas
numa pauta; que é como bater suave e espaçado de um sino
propagando-se nos corredores de um mosteiro [...]. Um
conto noturno com a fulguração de um sonho que, quanto
mais se quer, mais se perde; é preciso resistir à tentação das
proparoxítonas e do sentido, a vida é uma peça pregada
cujo maior mistério é o nada.
SANT’ANNA, S. Um conto abstrato. In: O voo da
madrugada. São Paulo: Cia. das Letras, 2003.
Utilizando o recurso da metalinguagem, o narrador
busca definir o gênero conto pelo procedimento estético que
estabelece uma
a) confluência de cores, destacando a importância do
espaço.
b) composição de sons, valorizando a construção musical
do texto.
c) percepção de sombras, endossando o caráter obscuro da
escrita.
d) cadeia de imagens, enfatizando a ideia de sobreposição
de sentidos.
e) hierarquia de palavras, fortalecendo o valor unívoco dos
significados.
12. (Enem PPL 2017) O comportamento do público,
em geral, parece indicar o seguinte: o texto da peça de
teatro não basta em si mesmo, não é uma obra de arte
completa, pois ele só se realiza plenamente quando levado
ao palco. Para quem pensa assim, ler um texto dramático
equivale a comer a massa do bolo antes de ele ir para o
forno. Mas ele só fica pronto mesmo depois que os atores
deram vida àquelas emoções;que cenógrafos compuseram
os espações, refletindo externamente os conflitos internos
dos envolvidos; que os figurinistas vestiram os corpos
sofredores em movimento.
LACERDA, R. Leitores. Metáfora, n. 7, abr. 2012.
Em um texto argumentativo, podem-se encontrar
diferentes estratégias para guiar o leitor por um raciocínio e
chegar a determinada conclusão. Para defender sua ideia a
favor da incompletude do texto dramático fora do palco, o
autor usa como estratégia argumentativa a
a) comoção.
b) analogia.
c) identificação.
d) contextualização.
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e) enumeração.
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:
Cronista sem assunto
Difícil é ser cronista regular de algum periódico.
Uma crônica por semana, havendo ou não assunto... É
buscar na cabeça uma luzinha, uma palavra que possa
acender toda uma frase, um parágrafo, uma página inteira –
mas qual? 1Onde o ímã que atraia uma boa limalha? 2Onde
a farinha que proverá o pão substancioso? O relógio está
correndo e o assunto não vem. Cronos, cronologia, crônica,
tempo, tempo, tempo... Que tal falar da falta de assunto?
Mas isso já aconteceu umas três vezes... Há cronista que
abre a Bíblia em busca de um grande tema: os
mandamentos, um faraó, o Egito antigo, as pragas, as
pirâmides erguidas pelo trabalho escravo? Mas como
atualizar o interesse em tudo isso? O leitor de jornal ou de
revista anda com mais pressa do que nunca, 3e, aliás, está
munido de um celular que lhe coloca o mundo nas mãos a
qualquer momento.
Sim, a internet! O Google! É a salvação. 4Lá vai o
cronista caçar assunto no computador. Mas aí o problema
fica sendo o excesso: ele digita, por exemplo, “Liberdade”,
e 5lá vem a estátua nova-iorquina com seu facho de luz
saudando os navegantes, ou o bairro do imigrante japonês
em São Paulo, 6ou a letra de um hino cívico, ou um tratado
filosófico, até mesmo o “Libertas quae sera tamen*” dos
inconfidentes mineiros... Tenta-se outro tema geral:
“Política”. Aí mesmo é que não para mais: vêm coisas
desde a polis grega até um poema de Drummond, salta-se
da política econômica para a financeira, chega-se à política
de preservação de bens naturais, à política ecológica, à
partidária, à política imperialista, à política do velho
Maquiavel, ufa.
Que tal então a gastronomia, mais na moda do que
nunca? 7O velho bifinho da tia ou o saudoso picadinho da
vovó, receitas domésticas guardadas no segredo das bocas,
viraram nomes estrangeiros, sob molhos complicados, de
apelido francês. Nesse ramo da alimentação há também que
considerar o que sejam produtos transgênicos, orgânicos, as
ameaças do glúten, do sódio, da química nociva de tantos
fertilizantes. Tudo muito sofisticado e atingindo altos níveis
de audiência nos programas de TV: já seremos um país
povoado por cozinheiros, quer dizer, por chefs de cuisine?
**
Temas palpitantes, certamente de interesse
público, estão no campo da educação: há, por exemplo,
quem veja nos livros de História uma orientação ideológica
conduzida pelos autores; 8há quem defenda uma
neutralidade absoluta diante de fatos que seriam
indiscutíveis. 9Que sentido mesmo tiveram a abolição da
escravatura e a proclamação da República? E o suicídio de
Getúlio Vargas? E os acontecimentos de 1964? Já a
literatura e a redação andam questionadas como itens de
vestibular: mas sob quais argumentos o desempenho
linguístico e a arte literária seriam dispensáveis numa
formação escolar de verdade?
Enfim, 10o cronista que se dizia sem assunto de
repente fica aflito por ter de escolher um no infinito
cardápio digital de assuntos. Que esperará ler seu leitor?
11Amenidades? Alguma informação científica? A
quadratura do círculo encontrada pelo futebol alemão? A
situação do cinema e do teatro nacionais, dependentes de
financiamento por incentivos fiscais? Os megatons da
última banda de rock que visitou o Brasil? O ativismo
político das ruas? Uma viagem fantasiosa pelo interior de
um buraco negro, esse mistério maior tocado pela Física? A
posição do Reino Unido diante da União Europeia?
12Houve época em que bastava ao cronista ser
poético: o reencontro com a primeira namoradinha, uma
tarde chuvosa, um passeio pela infância distante, um amor
machucado, 13tudo podia virar uma valsa melancólica ou
um tango arrebatador. Mas hoje parece que estamos todos
mais exigentes e utilitaristas, e os jovens cronistas dos
jornais abordam criticamente os rumores contemporâneos,
valem-se do vocabulário ligado a novos comportamentos,
ou despejam um humor ácido em seus leitores, 14num tempo
sem nostalgia e sem utopias.
É bom lembrar que o papel em que se imprimem
livros, jornais e revistas está sob ameaça como suporte de
comunicação. 15O mesmo ocorre com o material das fitas,
dos CDs e DVDs: o mundo digital armazena tudo e propaga
tudo instantaneamente. Já surgem incontáveis blogs de
cronistas, onde os autores discutem on-line com seus
leitores aspectos da matéria tratada em seus textos. A
interatividade tornou-se praticamente uma regra: há mesmo
quem diga que a própria noção de autor, ou de autoria, já
caducou, em função da multiplicidade de vozes que se
podem afirmar num mesmo espaço textual. Num plano
cósmico: quem é o autor do Universo? Deus? O Big Bang?
A Física é que explica tudo ou deixemos tudo com o
criacionismo?
Enquanto não chega seu apocalipse profissional, o
cronista de periódico ainda tem emprego, o que não é
pouco, em tempo de crise. Pois então que arrume assunto, e
um bom assunto, para não perder seus leitores. Como não
dá para ser sempre um Machado de Assis, um Rubem
Braga, um Luis Fernando Veríssimo, há que se contentar
com um mínimo de estilo e uma boa escolha de tema. A
variedade da vida há de conduzi-lo por um bom caminho; é
função do cronista encontrar algum por onde possa transitar
acompanhado de muitos e, de preferência, bons leitores.
(Teobaldo Astúrias, inédito)
* Liberdade ainda que tardia.
** chefes de cozinha.
13. (Puccamp 2017) Considerada a situação em que
está inserido, o segmento que NÃO está empregado em
sentido figurado é:
a) “Onde o ímã que atraia uma boa limalha?” (ref. 1)
b) “lá vem a estátua nova-iorquina com seu facho de luz
saudando os navegantes.” (ref. 5)
c) “Houve época em que bastava ao cronista ser poético.”
(ref. 12)
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d) “tudo podia virar uma valsa melancólica ou um tango
arrebatador.” (ref. 13)
e) “o cronista que se dizia sem assunto de repente fica aflito
por ter de escolher um no infinito cardápio digital de
assuntos.” (ref. 10)
14. (Puccamp 2017) O conto Teoria do medalhão,
de Machado de Assis, é um diálogo no qual um pai mostra
ao filho o caminho que deve trilhar para se tornar um
medalhão: um figurão, uma pessoa importante, uma
celebridade da época. Ao final do conto lemos esta última
advertência do pai: “Guardadas as proporções, a conversa
desta noite vale O Príncipe, de Maquiavel.” Esta frase
expõe um procedimento comum na obra de Machado, qual
seja:
a) colocar lado a lado, com efeito irônico, fatos de
importância desproporcional.
b) desprezar qualquer teorização a respeito de práticas
políticas ou comportamentais.
c) condenar como risível a importância de textos clássicos
da literatura política.
d) mostrar como os aristocratas em geral são ingênuos na
condução da política.
e) estabelecer uma conexão de causa e efeito entre eventos
da mesma importância.
TEXTOPARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
As páginas reproduzidas a seguir fazem parte de
publicação do Instituto A gente transforma. Seus
componentes apresentam-se assim: “Nós somos um
movimento que nasceu a partir de um impulso, uma
inquietação e entendimento da necessidade de valorização
do ser humano e seus saberes legítimos ancestrais, como
ferramenta de transformação e liberdade.” Usam o design
como ferramenta para expor a alma brasileira, a partir do
mergulho na cultura dos povos que formam o nosso país.
Observe com cuidado o conjunto abaixo
reproduzido.
Ancestralidade
Quando o antigo bogoió foi encontrado na casa de
dona Chica, em 2012, as artesãs perceberam que o futuro
estava no passado. Ou melhor, que o futuro estava no
conhecimento, na ancestralidade, na cultura, na fé e na
resistência representada pelo artesanato. O artesanato tem o
espírito da resistência e da rebeldia. Não há peças iguais em
Várzea Queimada. Elas carregam a personalidade de seus
autores. O antigo e o novo se misturam na Toca das
Possibilidades.
Aqui, não há limites para a criatividade.
(Instituto A gente transforma: Várzea Queimada. p.
8, 9 e 15)
15. (Puccamp 2017) Sobre o que se tem no texto,
afirma-se com correção:
a) Palavras de sentido oposto, que normalmente se
excluiriam, estão combinadas, para reforçar a expressão,
em as artesãs perceberam que o futuro estava no
passado.
b) A expressão Ou melhor introduz uma retificação, visto
que a palavra futuro, usada na frase anterior, não foi
empregada em seu sentido próprio.
c) As formas verbais empregadas para expressar as ações,
em foi encontrado e perceberam, impedem que essas
sejam entendidas como concomitantes.
d) Se, em lugar do verbo “haver”, em Não há peças iguais
em Várzea Queimada, tivesse sido empregado “existir”,
este verbo deveria também ser usado no singular, para
que fosse mantida a correção gramatical.
e) No contexto em que a palavra Aqui foi empregada, ela
deve ser entendida como reportando aos centros
produtores de artesanato no Brasil.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Versos da canção Irônico, da compositora e cantora
Clarice Falcão.
Queria te dizer que esse amor todo por você
Ele é irônico, é só irônico
A cada “eu te amo” que eu te mando, eu tô
pensando:
Isso é irônico, e é irônico.
Só de pensar que cê pensou que era sério
Falando sério, eu quero rir
Que você acha que quando eu me descabelo
Ao som de um cello, eu tô aí.
Eu gosto de você como quem gosta
De um vídeo do Youtube de alguém cantando mal
Eu gosto de você como quem gosta
De uma celebridade “B”.
(www.vagalume.com.br)
Poema de Manuel Bandeira
Pousa a mão na minha testa
Não te doas do meu silêncio:
Estou cansado de todas as palavras.
Não sabes que te amo?
Pousa a mão na minha testa:
Captarás numa palpitação inefável
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O sentido da única palavra essencial
− Amor.
(Lira dos cinquent'anos, 1940)
16. (Puccamp 2017) Sobre os textos afirma-se com
correção:
a) A canção constrói a harmonia sonora por meio da sua
substância, a linguagem musical, valendo-se da
linguagem verbal, própria do poema, para, como espécie
de redundância enfática, descrever a harmonia obtida.
b) Por explorar idênticos recursos de métrica fixa e rimas
regulares, meios sem os quais não se produz a unidade
rítmica e melódica necessária a uma boa estrutura, o
modo de composição dos versos da canção coincide com
o do poema.
c) Ainda que se assemelhem aos versos do poema, ao
constituir estrofes e explorar recursos da linguagem
verbal para intensificar o poder expressivo, os versos da
canção implicam a associação da musicalidade das
palavras com a dos sons dos instrumentos.
d) O fato de o meio de difusão de uma composição musical
como a canção ser totalmente diverso daquele que se tem
no caso de poemas comprova que não há familiaridade
alguma entre esses dois gêneros, ainda que possam
coexistir.
e) A exploração de recursos que a linguagem verbal oferece
para uma eficaz expressão poética faz do autor, seja
poeta ou compositor, um artista, o que evidencia que não
cabem distinções de ordem alguma entre o fazer de um e
do outro.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
I. Quando um não quer, dois não brigam.
II. Cada cabeça, uma sentença.
III. Um dia da caça, o outro do caçador.
IV. Em briga de marido e mulher, não se mete a
colher.
V. Casa de ferreiro, espeto de pau.
17. (Puccamp 2017) Sobre provérbios é correto
afirmar:
a) Constituem formas que resumem convicções populares,
às vezes a respeito de uma regra moral, como se tem em
II, norma que, independentemente da avaliação pessoal
do indivíduo, deve ser social mente cumprida por ele.
b) São estruturas fixas, facilmente memorizadas, e por isso
não sujeitas a variações; fazem uso de ritmo e rima, esta
nos segmentos finais de cada um dos membros da
construção, como se nota em V.
c) Atingem pela maneira como são construídos sentido
universalizante, como IV o comprova, motivo pelo qual
não admitem que algum contexto social específico
relativize seu conteúdo.
d) Valem-se de distintos recursos para realçar sua
expressividade, como, por exemplo, o que se vê em III: a
ausência de verbo contribui para que seu conteúdo tenha
traços de atemporalidade, de valor permanente.
e) são enunciados de origem popular, com imagens que
tornam seu sentido mais facilmente compreendido e, ao
mesmo tempo, aplicável a distintas situações; essa ampla
aplicabilidade é decorrente de só terem sentido
metafórico, e não valor denotativo, como se vê em I.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
CAPÍTULO LIII
Virgília é que já se não lembrava da meia dobra;
toda ela estava concentrada em mim, nos meus olhos, na
minha vida, no meu pensamento; – era o que dizia, e era
verdade.
Há umas plantas que nascem e crescem depressa;
outras são tardias e pecas. O nosso amor era daquelas;
brotou com tal ímpeto e tanta seiva, que, dentro em pouco,
era a mais vasta, folhuda e exuberante criatura dos bosques.
Não lhes poderei dizer, ao certo, os dias que durou esse
crescimento. Lembra-me, sim, que, em certa noite, abotoou-
se a flor, ou o beijo, se assim lhe quiserem chamar, um
beijo que ela me deu, trêmula, – coitadinha, – trêmula de
medo, porque era ao portão da chácara. Uniu-nos esse beijo
único, – breve como a ocasião, ardente como o amor,
1prólogo de uma vida de delícias, de terrores, de remorsos,
de 2prazeres que rematavam em dor, de aflições que
desabrochavam em alegria, – uma 3hipocrisia paciente e
sistemática, único freio de uma 4paixão sem freio, – vida de
agitações, de cóleras, de desesperos e de ciúmes, que uma
hora pagava à farta e de sobra; mas outra hora vinha e
engolia aquela, como tudo mais, para deixar à tona as
agitações e o resto, e o resto do resto, que é o fastio e a
saciedade: tal foi o 5livro daquele prólogo.
Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás
Cubas.
18. (Fuvest 2017) Dentre os recursos expressivos
empregados no texto, tem papel preponderante a
a) metonímia (uso de uma palavra fora do seu contexto
semântico normal, com base na relação de contiguidade
existente entre ela e o referente).
b) hipérbole (ênfase expressiva resultante do exagero da
significação linguística).
c) alegoria (sequência de metáforas logicamente
ordenadas).
d) sinestesia (associação de palavras ou expressões em que
ocorre combinação de sensações diferentes numa só
impressão).
e) prosopopeia (atribuição de sentimentos humanos ou de
palavras a seres inanimados ou a animais).
19. (Enem 2ª aplicação 2016) Certa vez, eu jogava
uma partida de sinuca, e só havia a bolasete na mesa. De
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Lista de Exercícios : Gramática | Línguagem
modo que a mastiguei lentamente saboreando-lhe os
bocados com prazer. Refiro-me à refeição que havia pedido
ao garçom. Dei-lhe duas tacadas na cara. Estou me
referindo à bola. Em seguida, saí montando nela e a égua,
de que estou falando agora, chegou calmamente à fazenda
de minha mãe. Fui encontrá-la morta na mesa, meu irmão
comia-lhe uma perna com prazer e ofereceu-me um pedaço:
“Obrigado”, disse eu, “já comi galinha no almoço”.
Logo em seguida, chegou minha mulher e deu-me na
cara. Um beijo, digo. Dei-lhe um abraço. Fazia calor. Daí a
pouco minha camisa estava inteiramente molhada. Refiro-
me a que estava na corda secando, quando começou a
chover. Minha sogra apareceu para apanhar a camisa.
Não tive remédio senão esmagá-la com o pé. Estou
falando da barata que ia trepando na cadeira. Malaquias,
meu primo, vivia com uma velha de oitenta anos. A velha
era sua avó, esclareço. Malaquias tinha dezoito filhos, mas
nunca se casou. Isto é, nunca se casou com uma mulher que
durasse mais de um ano. Agora, sentado à nossa frente,
Malaquias fura o coração com uma faca. Depois corta as
pernas e o sangue do porco enche a bacia.
Nos bons tempos passeávamos juntos. Eu tinha um
carro. Malaquias tinha uma namorada. Um dia rolou a
ribanceira. Me refiro a Malaquias. Entrou pra pretoria
adentro arrebentando porta e parou resfolegante junto do
juiz pálido de susto. Me refiro ao carro. E a Malaquias.
FERNANDES, M. Trinta anos de mim mesmo. São
Paulo: Abril Cultural, 1973.
Nesse texto, o autor reorienta o leitor no processo de
leitura, usando como recurso expressões como “refiro-me/
me refiro”, “estou me referindo”, “de que estou falando
agora”, “digo”, “estou falando da”, “esclareço”, “isto é”.
Todas elas são expressões linguísticas introdutoras de
paráfrases, que servem para
a) confirmar.
b) contradizer.
c) destacar.
d) retificar.
e) sintetizar.
20. (Enem PPL 2016) Chegou de Montes Claros
uma irmã da nora de tia Clarinha e foi visitar tia Agostinha
no Jogo da Bola. Ela é bonita, simpática e veste-se muito
bem. [...] Ficaram todas as tias admiradas da beleza da
moça e de seus modos políticos de conversar. Falava
explicado e tudo muito correto. Dizia “você” em vez de
“ocê”. Palavra que eu nunca tinha visto ninguém falar tão
bem; tudo como se escreve sem engolir um s nem um r. Tia
Agostinha mandou vir uma bandeja de uvas e lhe perguntou
se ela gostava de uvas. Ela respondeu: “Aprecio
sobremaneira um cacho de uvas, Dona Agostinha.” Estas
palavras nos fizeram ficar de queixo caído. Depois ela foi
passear com outras e laiá aproveitou para lhe fazer elogios e
comparar conosco. Ela dizia: Vocês não tiveram inveja de
ver uma moça [...] falar tão bonito como ela? Vocês devem
aproveitar a companhia dela para aprenderem”. [...] Na hora
do jantar eu e as primas começamos a dizer, para enfezar
laiá: “Aprecio sobremaneira as batatas fritas”, “Aprecio
sobremaneira uma coxa de galinha”.
MORLEY, H. Minha vida de menina: cadernos de
uma menina provinciana nos fins do século XIX. Rio de
Janeiro: José Olympio, 1997.
Nesse texto, no que diz respeito ao vocabulário
empregado pela moça de Montes Claros, a narradora expõe
uma visão indicativa de
a) descaso, uma vez que desaprova o uso formal da língua
empregado pela moça.
b) ironia, uma vez que incorpora o vocabulário formal da
moça na situação familiar.
c) admiração, pelo fato de deleitar-se com o vocabulário
empregado pela moça.
d) antipatia, pelo fato de cobiçar os elogios de laiá sobre a
moça.
e) indignação, uma vez que contesta as atitudes da moça.
21. (Enem PPL 2016) O adolescente
A vida é tão bela que chega a dar medo.
Não o medo que paralisa e gela,
estátua súbita,
mas
esse medo fascinante e fremente de curiosidade que
faz
o jovem felino seguir para frente farejando o vento
ao sair, a primeira vez, da gruta.
Medo que ofusca: luz!
Cumplicentemente,
as folhas contam-te um segredo
velho como o mundo:
Adolescente, olha! A vida é nova...
A vida é nova e anda nua
– vestida apenas com o teu desejo!
QUINTANA, M. Nariz de vidro. São Paulo:
Moderna, 1998.
Ao abordar uma etapa do desenvolvimento humano,
o poema mobiliza diferentes estratégias de composição. O
principal recurso expressivo empregado para a construção
de uma imagem da adolescência é a
a) hipérbole do medo.
b) metáfora da estátua.
c) personificação da vida.
d) antítese entre juventude e velhice.
e) comparação entre desejo e nudez.
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22. (Enem 2016) Ler não é decifrar, como num jogo
de adivinhações, o sentido de um texto. É, a partir do texto,
ser capaz de atribuir-lhe significado, conseguir relacioná-lo
a todos os outros textos significativos para cada um,
reconhecer nele o tipo de leitura que o seu autor pretendia e,
dono da própria vontade, entregar-se a essa leitura, ou
rebelar-se contra ela, propondo uma outra não prevista.
LAJOLO, M. Do mundo da leitura para a leitura do
mundo. São Paulo: Ática, 1993.
Nesse texto, a autora apresenta reflexões sobre o
processo de produção de sentidos, valendo-se da
metalinguagem. Essa função da linguagem torna-se
evidente pelo fato de o texto
a) ressaltar a importância da intertextualidade.
b) propor leituras diferentes das previsíveis.
c) apresentar o ponto de vista da autora.
d) discorrer sobre o ato de leitura.
e) focar a participação do leitor.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Para responder à(s) questão(ões) a seguir, considere
o texto abaixo.
As Memórias do cárcere, de Graciliano Ramos, são
um paradigma do que se pode chamar literatura de
testemunho: nem pura ficção, nem pura historiografia. O
fundo histórico é o da ditadura Vargas, mas o testemunho
vive e elabora-se numa zona de fronteira: ao percorrer essas
memórias somos levados tanto a reconstituir a fisionomia e
os gestos de alguns companheiros de prisão de Graciliano,
entre os quais líderes comunistas, como a contemplar a
metamorfose dessa matéria objetiva em uma prosa una e
única − a palavra do narrador.
(Adaptado de: BOSI, Alfredo. Literatura e
resistência.
São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p. 222.)
23. (Puccamp 2016) O texto explora algumas
relações de oposição, o que NÃO ocorre, porém, com estes
dois segmentos:
a) pura ficção – pura historiografia
b) fundo histórico – os gestos
c) ditadura Vargas – a fisionomia
d) paradigma – zona de fronteira
e) prosa única – a palavra do narrador
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
TEXTO PARA A(S) PRÍXIMA(S)
QUESTÃO(ÕES)
Capítulo CVII
Bilhete
“Não houve nada, mas ele suspeita alguma cousa;
está muito sério e não fala; agora saiu. Sorriu uma vez
somente, para Nhonhô, depois de o fitar muito tempo,
carrancudo. Não me tratou mal nem bem. Não sei o que vai
acontecer; Deus queira que isto passe. Muita cautela, por
ora, muita cautela.”
Capítulo CVIII
Que se não entende
Eis aí o drama, eis aí a ponta da orelha trágica de
Shakespeare. Esse retalhinho de papel, garatujado em
partes, machucado das mãos, era um documento de
análise, que eu não farei neste capítulo, nem no outro, nem
talvez em todo o resto do livro. Poderia eu tirar ao leitor o
gosto de notar por si mesmo a frieza, a perspicácia e o
ânimo dessas poucas linhas traçadas à pressa; e por trás
delas a tempestade de outro cérebro, a raiva dissimulada, o
desespero que se constrange e medita, porque tem de
resolver-se na lama, ou no sangue, ou nas lágrimas?
ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás
Cubas.
24. (Fuvest2015) Ao comentar o bilhete de
Virgília, o narrador se vale, principalmente, do seguinte
recurso retórico:
a) Hipérbato: transposição ou inversão da ordem natural das
palavras de uma oração, para efeito estilístico.
b) Hipérbole: ênfase expressiva resultante do exagero da
significação linguística.
c) Preterição: figura pela qual se finge não querer falar de
coisas sobre as quais se está, todavia, falando.
d) Sinédoque: figura que consiste em tomar a parte pelo
todo, o todo pela parte; o gênero pela espécie, a espécie
pelo gênero; o singular pelo plural, o plural pelo singular
etc.
e) Eufemismo: palavra, locução ou acepção mais agradável,
empregada em lugar de outra menos agradável ou
grosseira.
25. (Enem PPL 2013)
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A cada verão, o Aedes aegypti, mosquito transmissor
da dengue, traz preocupação para os brasileiros. A charge
retrata essa situação a que o país está submetido.
Considerando os objetivos da charge, sua posição crítica se
dá na medida em que
a) compara o mosquito a um esportista.
b) enfatiza o poder de resistência do inseto.
c) elege o mosquito como o vilão da saúde.
d) atribui características humanas ao mosquito.
e) ignora a gravidade da questão por meio do humor.
26. (Enem 2013)
A tirinha denota a postura assumida por seu produtor
frente ao uso social da tecnologia para fins de interação e de
informação. Tal posicionamento é expresso, de forma
argumentativa, por meio de uma atitude
a) crítica, expressa pelas ironias.
b) resignada, expressa pelas enumerações.
c) indignada, expressa pelos discursos diretos.
d) agressiva, expressa pela contra-argumentação.
e) alienada, expressa pela negação da realidade.
27. (Enem PPL 2013) Mar português
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
PESSOA, F. Mensagens. São Paulo: Difel, 1986.
Nos versos 1 e 2, a hipérbole e a metonímia foram
utilizadas para subverter a realidade. Qual o objetivo dessa
subversão para a constituição temática do poema?
a) Potencializar a importância dos feitos lusitanos durante
as grandes navegações.
b) Criar um fato ficcional ao comparar o choro das mães ao
choro da natureza.
c) Reconhecer as dificuldades técnicas vividas pelos
navegadores portugueses.
d) Atribuir as derrotas portuguesas nas batalhas às fortes
correntes marítimas.
e) Relacionar os sons do mar ao lamento dos derrotados nas
batalhas do Atlântico.
28. (Enem 2012) Aquele bêbado
— Juro nunca mais beber — e fez o sinal da cruz
com os indicadores. Acrescentou: — Álcool.
O mais, ele achou que podia beber. Bebia paisagens,
músicas de Tom Jobim, versos de Mário Quintana. Tomou
um pileque de Segall. Nos fins de semana embebedava-se
de Índia Reclinada, de Celso Antônio.
— Curou-se 100% de vício — comentavam os
amigos.
Só ele sabia que andava bêbado que nem um gambá.
Morreu de etilismo abstrato, no meio de uma carraspana de
pôr do sol no Leblon, e seu féretro ostentava inúmeras
coroas de ex-alcoólatras anônimos.
ANDRADE, C. D. Contos plausíveis. Rio de
Janeiro: Record, 1991.
A causa mortis do personagem, expressa no último
parágrafo, adquire um efeito irônico no texto porque, ao
longo da narrativa, ocorre uma
a) metaforização do sentido literal do verbo “beber”.
b) aproximação exagerada da estética abstracionista.
c) apresentação gradativa da coloquialidade da linguagem.
d) exploração hiperbólica da expressão “inúmeras coroas”.
e) citação aleatória de nomes de diferentes artistas.
29. (Enem PPL 2012)
Conflitos de interação ajudam a promover o efeito
de humor. No cartum, o recurso empregado para promover
esse efeito é a
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a) intertextualidade, sugerida pelos traços identificadores do
homem urbano e do homem rural.
b) ambiguidade, produzida pela interpretação da fala do
locutor a partir da variedade do interlocutor.
c) conotação, atribuidora de sentidos figurados a palavras
relativas às ações e aos seres.
d) negação enfática, elaborada para reforçar o lamento do
interlocutor pela perda da estrada.
e) pergunta retórica, usada pelo motorista para estabelecer
interação com o homem do campo.
30. (Enem 2012)
O efeito de sentido da charge é provocado pela
combinação de informações visuais e recursos linguísticos.
No contexto da ilustração, a frase proferida recorre à
a) polissemia, ou seja, aos múltiplos sentidos da expressão
“rede social” para transmitir a ideia que pretende
veicular.
b) ironia para conferir um novo significado ao termo “outra
coisa”.
c) homonímia para opor, a partir do advérbio de lugar, o
espaço da população pobre e o espaço da população rica.
d) personificação para opor o mundo real pobre ao mundo
virtual rico.
e) antonímia para comparar a rede mundial de
computadores com a rede caseira de descanso da família.
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:
A ROSA DE HIROXIMA
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.
Vinicius de Moraes, Antologia
poética.
31. (Fuvest 2011) Neste poema,
a) a referência a um acontecimento histórico, ao privilegiar
a objetividade, suprime o teor lírico do
texto.
b) parte da força poética do texto provém da associação da
imagem tradicionalmente positiva da rosa
a atributos negativos, ligados à ideia de destruição.
c) o caráter politicamente engajado do texto é responsável
pela sua despreocupação com a
elaboração formal.
d) o paralelismo da construção sintática revela que o texto
foi escrito originalmente como letra de
canção popular.
e) o predomínio das metonímias sobre as metáforas
responde, em boa medida, pelo caráter concreto
do texto e pelo vigor de sua mensagem.
32. (Fuvest 2011) Dentre os recursos expressivos
presentes no poema, podem-se apontar a sinestesia e a
aliteração, respectivamente, nos versos
a) 2 e 17.
b) 1 e 5.
c) 8 e 15.
d) 9 e 18.
e) 14 e 3.
33. (Enem 2010) Testes
Dia desses resolvi fazer um teste proposto por um
site da internet. O nome do teste era tentador: “O que Freud
diria de você”. Uau. Respondi a todas as perguntas e o
resultado foi o seguinte: “Os acontecimentos da sua
infância a marcaram até os doze anos, depois disso você
buscou conhecimento intelectual para seu
amadurecimento”. Perfeito! Foi exatamente o que
aconteceu comigo. Fiquei radiante: eu havia realizado uma
consulta paranormal com o pai da psicanálise, e ele acertou
na mosca.
Estava com tempo sobrando, e curiosidade e algo
que não me falta, então resolvi voltar ao teste e responder
tudo diferente do que havia respondido antes. Marquei
umas alternativas esdrúxulas, que nada tinham a ver com
minha personalidade. E fui conferir o resultado, que dizia o
seguinte: “Os acontecimentos da sua infância a marcaram
até os 12 anos, depois disso você buscou conhecimento
intelectual para seu amadurecimento”.
MEDEIROS, M. Doidas e santas. Porto Alegre,
2008 (adaptado).
Quanto àsinfluências que a internet pode exercer
sobre os usuários, a autora expressa uma reação irônica no
trecho:
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Lista de Exercícios : Gramática | Línguagem
a) “Marquei umas alternativas esdrúxulas, que nada tinham
a ver”.
b) “Os acontecimentos da sua infância a marcaram até os
doze anos”.
c) “Dia desses resolvi fazer um teste proposto por um site
da internet”.
d) “Respondi a todas as perguntas e o resultado foi o
seguinte”.
e) “Fiquei radiante: eu havia realizado uma consulta
paranormal com o pai da psicanálise”.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Desde pequeno, tive tendência para personificar
as coisas. Tia Tula, que achava que mormaço fazia mal,
sempre gritava: “Vem pra dentro, menino, olha o
mormaço!” Mas eu ouvia o mormaço com M maiúsculo.
Mormaço, para mim, era um velho que pegava crianças! Ia
pra dentro logo. E ainda hoje, quando leio que alguém se
viu perseguido pelo clamor público, vejo com estes olhos o
Sr. Clamor Público, magro, arquejante, de preto,
brandindo um guarda-chuva, com um gogó protuberante
que se abaixa e levanta no excitamento da perseguição. E
já estava devidamente grandezinho, pois devia contar uns
trinta anos, quando me fui, com um grupo de colegas, a ver
o lançamento da pedra fundamental da ponte Uruguaiana-
Libres, ocasião de grandes solenidades, com os presidentes
Justo e Getúlio, e gente muita, tanto assim que fomos
alojados os do meu grupo num casarão que creio fosse a
Prefeitura, com os demais jornalistas do Brasil e
Argentina. Era como um alojamento de quartel, com breve
espaço entre as camas e todas as portas e janelas abertas,
tudo com os alegres incômodos e duvidosos encantos de
uma coletividade democrática. Pois lá pelas tantas da
noite, como eu pressentisse, em meu entredormir, um vulto
junto à minha cama, sentei-me estremunhado* e olhei
atônito para um tipo de chiru*, ali parado, de bigodes
caídos, pala pendente e chapéu descido sobre os olhos.
Diante da minha muda interrogação, ele resolveu explicar-
se, com a devida calma:
- Pois é! Não vê que eu sou o sereno...
Mário Quintana, As cem melhores crônicas
brasileiras.
* Glossário:
estremunhado: mal acordado.
chiru: que ou aquele que tem pele morena, traços
acaboclados (regionalismo: Sul do Brasil).
34. (Fuvest 2010) Considerando que “silepse é a
concordância que se faz não com a forma gramatical das
palavras, mas com seu sentido, com a ideia que elas
representam”, indique o fragmento em que essa figura de
linguagem se manifesta.
a) “olha o mormaço”.
b) “pois devia contar uns trinta anos”.
c) “fomos alojados os do meu grupo”.
d) “com os demais jornalistas do Brasil”.
e) “pala pendente e chapéu descido sobre os olhos”.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
[José Dias] Teve um pequeno legado no testamento,
uma apólice e quatro palavras de louvor. Copiou as
palavras, encaixilhou-as e pendurou-as no quarto, por
cima da cama. “Esta é a melhor apólice”, dizia ele muita
vez. Com o tempo, adquiriu certa autoridade na família,
certa audiência, ao menos; não abusava, e sabia opinar
obedecendo. Ao cabo, era amigo, não direi ótimo, mas nem
tudo é ótimo neste mundo. E não lhe suponhas alma
subalterna; as cortesias que fizesse vinham antes do
cálculo que da índole. A roupa durava-lhe muito; ao
contrário das pessoas que enxovalham depressa o vestido
novo, ele trazia o velho escovado e liso, cerzido, abotoado,
de uma elegância pobre e modesta. Era lido, posto que de
atropelo, o bastante para divertir ao serão e à sobremesa,
ou explicar algum fenômeno, falar dos efeitos do calor e do
frio, dos polos e de Robespierre. Contava muita vez uma
viagem que fizera à Europa, e confessava que a não sermos
nós, já teria voltado para lá; tinha amigos em Lisboa, mas
a nossa família, dizia ele, abaixo de Deus, era tudo.
Machado de Assis, Dom Casmurro.
35. (Fuvest 2010) Considerado o contexto, qual das
expressões sublinhadas foi empregada em sentido
metafórico?
a) “Teve um pequeno legado”.
b) “Esta é a melhor apólice”.
c) “certa audiência, ao menos”.
d) “ao cabo, era amigo”.
e) “o bastante para divertir”.
36. (Enem cancelado 2009) Ouvir estrelas
“Ora, (direis) ouvir estrelas! Certo
perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
que, para ouvi-las, muita vez desperto
e abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda noite, enquanto
a Via-Láctea, como um pálio aberto,
cintila. E, ao vir o Sol, saudoso e em pranto,
inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas?” Que sentido
tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas”.
BILAC, Olavo. Ouvir estrelas. In: Tarde,
1919.
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Lista de Exercícios : Gramática | Línguagem
Ouvir estrelas
Ora, direis, ouvir estrelas! Vejo
que estás beirando a maluquice extrema.
No entanto o certo é que não perco o ensejo
De ouvi-las nos programas de cinema.
Não perco fita; e dir-vos-ei sem pejo
que mais eu gozo se escabroso é o tema.
Uma boca de estrela dando beijo
é, meu amigo, assunto p’ra um poema.
Direis agora: Mas, enfim, meu caro,
As estrelas que dizem? Que sentido
têm suas frases de sabor tão raro?
Amigo, aprende inglês para entendê-las,
Pois só sabendo inglês se tem ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.
TIGRE, Bastos. Ouvir estrelas. In:
Becker, I. Humor e humorismo: Antologia. São
Paulo: Brasiliense, 1961.
A partir da comparação entre os poemas, verifica-se
que,
a) no texto de Bilac, a construção do eixo temático se deu
em linguagem denotativa, enquanto no de Tigre, em
linguagem conotativa.
b) no texto de Bilac, as estrelas são inacessíveis, distantes, e
no texto de Tigre, são próximas, acessíveis aos que as
ouvem e as entendem.
c) no texto de Tigre, a linguagem é mais formal, mais
trabalhada, como se observa no uso de estruturas como
“dir-vos-ei sem pejo” e “entendê-las”.
d) no texto de Tigre, percebe-se o uso da linguagem
metalinguística no trecho “Uma boca de estrela dando
beijo/é, meu amigo, assunto p’ra um poema.”
e) no texto de Tigre, a visão romântica apresentada para
alcançar as estrelas é enfatizada na última estrofe de seu
poema com a recomendação de compreensão de outras
línguas.
37. (Enem cancelado 2009) Texto I
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra
[...]
ANDRADE, C. D. Reunião. Rio de Janeiro: José
Olympio, 1971 (fragmento).
Texto II
As lavadeiras de Mossoró, cada uma tem sua pedra
no rio: cada pedra é herança de família, passando de mãe a
filha, de filha a neta, como vão passando as águas no tempo
[...]. A lavadeira e a pedra formam um ente especial, que se
divide e se reúne ao sabor do trabalho. Se a mulher entoa
uma canção, percebe-se que a nova pedra a acompanha em
surdina...
[...]
ANDRADE, C. D. Contos sem propósito. Rio de
Janeiro: Jornal do Brasil, Caderno B, 17/7/1979
(fragmento).
Com base na leitura dos textos, é possível
estabelecer uma relação entre forma e conteúdo da palavra
“pedra”, por meio da qual se observa
a) o emprego, em ambos os textos, do sentido conotativo da
palavra “pedra”.
b) a identidade de significação, já que nos dois textos,
“pedra” significa empecilho.
c) a personificação de “pedra” que, em ambos os textos,
adquire características animadas.
d) o predomínio, no primeiro texto, do sentido denotativo
de “pedra” como matéria mineral sólida e dura.
e) a utilização, no segundo texto, do significado de “pedra”
como dificuldadematerializada por um objeto.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Vestindo água, só saído o cimo do pescoço, o
burrinho tinha de se enqueixar para o alto, a salvar também
de fora o focinho. Uma peitada. Outro tacar de patas. Chu-
áa! Chu-áa... – ruge o rio, como chuva deitada no chão.
Nenhuma pressa! Outra remada, vagarosa. No fim de tudo,
tem o pátio, com os cochos, muito milho, na Fazenda; e
depois o pasto: sombra, capim e sossego... Nenhuma pressa.
Aqui, por ora, este poço doido, que barulha como um fogo,
e faz medo, não é novo: tudo é ruim e uma só coisa, no
caminho: como os homens e os seus modos, costumeira
confusão. É só fechar os olhos. Como sempre. Outra
passada, na massa fria. E ir sem afã, à voga surda, amigo da
água, bem com o escuro, filho do fundo, poupando forças
para o fim. Nada mais, nada de graça; nem um arranco, fora
de hora. Assim.
João Guimarães Rosa. “O burrinho pedrês”,
Sagarana.
38. (Fuvest 2009) Como exemplos da
expressividade sonora presente nesse excerto, podemos
citar a onomatopeia, em "Chu-áa! Chu-áa...", e a fusão de
onomatopeia com aliteração, em:
a) "vestindo água".
b) "ruge o rio".
c) "poço doido".
d) "filho do fundo".
e) "fora de hora".
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
TEXTO
Eu amo a rua. Esse sentimento de natureza toda
íntima não vos seria revelado por mim se não julgasse, e
razões não tivesse para julgar, que este amor assim absoluto
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Lista de Exercícios : Gramática | Línguagem
e assim exagerado é partilhado por todos vós. Nós somos
irmãos, nós nos sentimos parecidos e iguais; 1nas cidades,
nas aldeias, nos povoados, não porque soframos, com a dor
e os desprazeres, a lei e a polícia, mas porque nos une,
nivela e agremia o amor da rua. É este mesmo o sentimento
imperturbável e indissolúvel, o único que, como a própria
vida, resiste às idades e às épocas. Tudo se transforma,
tudo varia - o amor, o ódio, o egoísmo. 2Hoje é mais
amargo o riso, mais dolorosa a ironia. Os séculos passam,
deslizam, 3levando as coisas fúteis e os acontecimentos
notáveis. Só persiste e fica, legado das gerações cada vez
maior, o amor da rua.
João do Rio. A alma encantadora das ruas.
39. (Fuvest 2009) Em "nas cidades, nas aldeias, nos
povoados" (ref. 1), "hoje é mais amargo o riso, mais
dolorosa a ironia" (ref. 2) e "levando as coisas fúteis e os
acontecimentos notáveis" (ref. 3), ocorrem,
respectivamente, os seguintes recursos expressivos:
a) eufemismo, antítese, metonímia.
b) hipérbole, gradação, eufemismo.
c) metáfora, hipérbole, inversão.
d) gradação, inversão, antítese.
e) metonímia, hipérbole, metáfora.
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:
Canção do vento e da minha vida
O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.
[...]
O vento varria os sonhos
E varria as amizades...
O vento varria as mulheres...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De afetos e de mulheres.
O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos...
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.
BANDEIRA, M. Poesia completa e prosa. Rio de
Janeiro: José Aguilar, 1967.
40. (Enem 2009) Predomina no texto a função da
linguagem
a) fática, porque o autor procura testar o canal de
comunicação.
b) metalinguística, porque há explicação do significado das
expressões.
c) conativa, uma vez que o leitor é provocado a participar
de uma ação.
d) referencial, já que são apresentadas informações sobre
acontecimentos e fatos reais.
e) poética, pois chama-se a atenção para a elaboração
especial e artística da estrutura do texto.
41. (Enem 2009) Na estruturação do texto, destaca-
se
a) a construção de oposições semânticas.
b) a apresentação de ideias de forma objetiva.
c) o emprego recorrente de figuras de linguagem, como o
eufemismo.
d) a repetição de sons e de construções sintáticas
semelhantes.
e) a inversão da ordem sintática das palavras.
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Lista de Exercícios : Gramática | Línguagem
Gabarito:
Resposta da questão 1: [E]
[Resposta do ponto de vista da disciplina de
Geografia]
O sentido do termo “sertão” na música da dupla
sertaneja paulista Tonico e Tinoco é como “meio rural” ou
“interior do Estado”. O termo “sertão” foi muito utilizado
na Música e na Literatura brasileiras para se referir aos
ambientes rurais em diferentes estados, principalmente em
Minas Gerais, nos estados do Centro-Oeste e nos estados do
Nordeste. Hoje, rigorosamente, o termo é empregado em
Geografia para uma sub-região do Nordeste, o Sertão (zona
semiárida).
[Resposta do ponto de vista da disciplina de
Português]
O termo “sertão” deve ser compreendido, no
contexto, como metáfora do interior do Brasil, em
contraponto à cidade-metrópole caracterizada pela aridez do
concreto e das construções. Ao mencionar o material de que
é feito o violão, o poeta não alude à vegetação típica do
sertão, mas sim à simplicidade do povo do interior que usa
os recursos de que dispõe para desenvolver uma cultura
popular representativa do meio a que pertence (“meu violão
/ Feito de pinheiro da mata selvagem / Que enfeita a
paisagem lá do meu sertão”).
Resposta da questão 2: [D]
No poema “Amora”, o eu lírico tece considerações
sobre os termos “amor”/”amora” e “amar”/”amargo”,
explorando através de figuras sonoras (assonância,
aliteração e paranomásia) as tensões entre amor, sentimento
terno e caloroso de uma pessoa por outra e as adversidades
que surgem quando ele é vivenciado no próprio ato de
amar. Ou seja, possui reiterações sonoras que resultam em
uma tensão inusitada entre os termos “amor” e “amar”,
como se afirma em [D].
Resposta da questão 3: [A]
A definição de oximoro apresentada no enunciado
sintetiza o recurso estilístico que representa um «paradoxo
intelectual», revelador da atitude do sujeito poético/de
enunciação perante determinada realidade. O verso
transcrito na opção [A], “onde morri, existo”, exemplifica
essa contradição ao “jogar” com conceitos contrários: morte
e existência.
Resposta da questão 4: [B]
É correta a opção [B], pois a linguagem denotativa
usada pelo estranho para caracterizar o conjunto de
elementos naturais do espaço contrastava com as imagens
carregadas de subjetividade que o eu lírico construíra sobre
o local em que morava.
Resposta da questão 5: [C]
A afirmar que o adjetivo “diferenciado”, além de
definir o substantivo a que se refere, pretende também
caracterizar o sujeito que o está usando, G. Duvivier critica
ironicamente o uso da palavra, corretamente substituível
por “diferente”, para emprestar caráter de sofisticação ao
objeto e prestígio social a quem o enuncia. Assim, é correta
a opção [C].
Resposta da questão 6: [A]
O termo “legal” pode ser lido, no contexto da
propaganda, como algo que diz respeito ao que segue a lei,
lícito, ou que é benéfico, ou seja, bom. Assim, é correta a
opção [A].
Resposta da questão 7: [A]
A menção à data de 1964 no cabeçalho da questão
evoca o conjunto de eventos ocorridos no Brasil que
culminaram em um golpe militar que encerrou o governo
do presidente democraticamente eleito, João Goulart. A
censura imposta pela ditadura exigia criatividade em
composições poéticas carregadas de metáforas, como as da
canção “Disparada”. O autor criticava a exploração das
classes pobres pelas mais ricas, associando-a à exploração
das boiadas pelos boiadeiros (“gado a gente marca,/tange,
ferra, engorda e mata,mas com gente é diferente”). Assim,
é correta a opção [A].
Resposta da questão 8: [C]
Apenas na opção [C], as frases conferem efeito de
ênfase às afirmações dos personagens narradores. No
entanto, a primeira é iniciada com a oração principal
“verdade é” que precede uma oração subordinada
substantiva iniciada, portanto, por uma conjunção
integrante, enquanto que, na segunda frase, a locução “é
que” constitui expressão de realce, passível de ser retirada
sem prejuízo de nexo sintático. Ou seja, apesar de ambas
expressarem ênfase, não apresentam o mesmo recurso
expressivo como se solicita no enunciado.
Resposta da questão 9: [B]
É correta a opção [B], pois o trecho “só a maleita é
quem sobe e desce” constitui exemplo de personificação
(prosopopeia) por apresentar a doença de forma
humanizada através da ação de subir e descer.
Resposta da questão 10: [E]
As opções [A], [B], [C] e [D] são incorretas, pois
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Lista de Exercícios : Gramática | Línguagem
[A] ao mostrar os sentimentos de enfado e impaciência pela
atitude de Eneias e de resignação, quando é novamente
impedido de seguir o seu caminho por um terceiro
personagem, o narrador imprime subjetividade ao
relato;
[B] trata-se de um conto com narrador em 1ª pessoa;
[C] o relato apresenta diálogos e trechos em discurso
indireto;
[D] a narrativa literária independe da veracidade dos fatos
relatados.
Assim, é correta a opção [E].
Resposta da questão 11: [D]
O narrador busca explicar e definir o que é um conto
através do recurso de metalinguagem, gerando uma cadeia
de imagens que mesclam diversas sensações: visuais
(“espiral azul”, “campo de narcisos defronte a uma torre”,
“uma pedra espraia a água em lentos círculos”, “luz de um
quasar a bilhões de anos-luz”) e sonoras (“composição
tocada por um grupo instrumental”, “notas indeterminadas
numa pauta”, “bater suave e espaçado de um sino”), entre
outras. Assim, é correta a opção [D].
Resposta da questão 12: [B]
No segundo período do texto, ao comparar a massa
crua de um bolo com o texto dramático antes de ser
encenado, o autor estabelece uma relação de analogia
(processo de transferência de informação ou de significado
entre uma fonte e um alvo, ou seja, entre duas coisas
diferentes) que expressa incompletude. Ou seja, o texto
dramático, isolado, é apenas literário, transformando-se em
teatro apenas quando encenado. Assim, é correta a opção
[B].
Resposta da questão 13: [C]
As frases das opções [A], [B], [D] e [E] apresentam
segmentos metafóricos, ou seja, estruturas em que as
palavras tiveram o seu significado ampliado, deixando de
representar apenas a ideia original. Somente em [C], as
palavras apresentam seu sentido original.
Resposta da questão 14: [A]
A comparação do diálogo à obra de Maquiavel,
autor renascentista e fundador do pensamento e da ciência
política moderna, soa como uma caricatura social, já que o
pai, representante da burguesia de um país provinciano
como era o Brasil da época, pretende dar instruções ao
filho, ingênuo e submisso, sobre o tipo de comportamento
que deve adotar para ascender socialmente. Esta relação
entre contextos distintos e de importância desproporcional
provoca efeito irônico inequívoco, como se afirma em [A].
Resposta da questão 15: [A]
É correta a opção [A], pois o contraste que se
estabelece entre os termos “futuro” e “passado” constitui
uma antítese, figura de linguagem que serve,
essencialmente, para dar uma ênfase aos conceitos
envolvidos.
Resposta da questão 16: [C]
Os versos que constituem a segunda estrofe da
canção são ilustrativos da associação da musicalidade das
palavras com a dos sons dos instrumentos, como se afirma
em [C]. As assonâncias e, sobretudo, a aliteração (recurso
para intensificação do ritmo ou como efeito sonoro
significativo) de /c/ reproduzem o som do violoncelo (“Só
de pensar que cê pensou que era sério/ Falando sério, eu
quero rir/ Que você acha que quando eu me descabelo/ Ao
som de um cello, eu tô aí”).
Resposta da questão 17: [D]
As opções [A], [B], [C] e [E] são incorretas, pois
o(s) provérbio(s)
[A] não condicionam a opção individual de adotar a
convicção enunciada;
[B] “Casa de ferreiro, espeto de pau” não apresenta rima;
[C] “Em briga de marido e mulher, não se mete a colher”
especifica situação em que não deve haver interferência
de terceiros, portanto, não tem caráter universalizante;
[E] “Quando um não quer, dois não brigam” apresenta
valor denotativo.
Assim, é correta apenas [D].
Resposta da questão 18: [C]
A sucessão de metáforas ("plantas que nascem e
crescem depressa", ”abotoou-se a flor, ou o beijo, se assim
lhe quiserem”), assim como as comparações implícitas do
primeiro beijo como "prólogo de uma vida de delícias" e o
desenlace do romance como o final do “livro” dos amores
configuram uma alegoria, como se afirma em [C].
Resposta da questão 19: [D]
As expressões linguísticas introdutoras de paráfrases
servem para desfazer mal-entendidos e corrigir uma
possível má interpretação do leitor. Ou seja, essas
expressões servem para estabelecer a construção de uma
narrativa lógica e retificar o que foi expresso anteriormente,
como se afirma em [D].
Resposta da questão 20: [B]
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Lista de Exercícios : Gramática | Línguagem
O uso do advérbio “sobremaneira” (bastante, muito)
produziu a admiração da tia Agostinha e das outras tias que
a consideraram demonstração de “falar bonito”. No entanto,
causou espanto à narradora e às primas pela inadequação do
termo em situações informais como as que são típicas em
convívio familiar. Ao repeti-la de forma afetada na hora de
jantar, a narradora expõe uma visão indicativa de ironia,
como se afirma em [B].
Resposta da questão 21: [C]
Enquanto que as quatro primeiras estrofes
expressam de forma hiperbólica a sensação de medo e
paralisia, as duas últimas exortam o adolescente à satisfação
do desejo, enfrentando a vida, retratada com a forma de
uma mulher jovem e nua. Assim é correta a opção [C], pois
o recurso expressivo empregado para a construção de uma
imagem da adolescência é a personificação da vida: “A vida
é nova e anda nua/– vestida apenas com o teu desejo!”
Resposta da questão 22: [D]
A principal característica da função metalinguística
é o fato de a mensagem estar centrada no próprio código
como, por exemplo, nos dicionários, cujos verbetes
explicam a própria palavra, no filme que tem por próprio
tema o cinema, no teatro que tem por tema a própria
dramaturgia, etc. No texto do enunciado, a autora chama a
atenção do leitor para a importância do ato de ler, pelo que
é correta a opção [D].
Resposta da questão 23: [E]
[A] Incorreta: o emprego da conjunção “nem” indica
oposição entre os elementos citados (“literatura de
testemunho: nem pura ficção, nem pura historiografia”);
[B] Incorreta: o emprego da conjunção “mas” indica
oposição: “O fundo histórico é o da ditadura Vargas,
mas o testemunho vive (...) somos levados tanto a
reconstituir a fisionomia e os gestos”;
[C] Incorreta: o emprego da conjunção “mas” indica
oposição, inclusive no mesmo trecho referente à
alternativa [B];
[D] Incorreta: “paradigma” é sinônimo de “modelo a ser
seguido”, vocábulo oposto à ideia de “zona de
fronteira”, expressão relacionada à ideia de limite
formado por elementos opostos.
[E] Correta. No trecho citado, as expressões são
empregadas como sinônimas: “contemplar a metamorfose
dessa matéria objetiva em uma prosa una e única− a
palavra do narrador”.
Resposta da questão 24: [C]
Preterição é o recurso retórico empregado por Brás
Cubas ao mencionar que o bilhete enviado por Virgília era
objeto de análise – o que ele não faria, pois o delegaria ao
leitor. Em seguida, o próprio narrador faz tal análise.
Resposta da questão 25: [B]
A crítica ocorre no sentido de mostrar a força que tal
inseto adquire a partir do momento em que seu combate não
é efetivo, daí o Aedes aegypti ser retratado pelo princípio da
personificação, uma vez que lhe são atribuídas
características humanas.
Resposta da questão 26: [A]
É correta a opção [A], pois a oposição entre o que é
afirmado no cabeçalho de cada quadro e as posturas
assumidas pelos personagens revela crítica e, também,
ironia, figura de linguagem em que se declara o contrário
do que se pensa.
Resposta da questão 27: [A]
Considerando as definições de hipérbole (figura de
pensamento que consiste no exagero proposital em um
texto) e de metonímia (figura de palavra que consiste na
transnominação da parte pelo todo), percebe-se o
incremento das realizações portuguesas em tal período.
Resposta da questão 28: [A]
Em “Aquele bêbado”, o personagem decidiu que iria
deixar de consumir álcool, mas acabou por morrer de
“etilismo abstrato”. O paradoxo da expressão revela o uso
metafórico do verbo “beber” para descrever a atitude
apaixonada de quem se entrega às sensações para admirar
intensamente o espetáculo da vida e usufruir do prazer
pleno que as múltiplas e variadas manifestações artísticas
lhe provocavam. Assim, é correta a opção [A].
Resposta da questão 29: [B]
O diálogo que se estabelece entre os dois
personagens do cartum, assim, como os acessórios que os
acompanham, permitem deduzir que pertencem a meios
diferentes: o primeiro à esquerda, da cidade, o segundo, do
meio rural. Assim, é correta a opção [B], pois a pergunta do
condutor produz ambiguidade ao ser entendida de forma
diferente pelo camponês, promovendo o efeito de humor.
Resposta da questão 30: [A]
Trata-se de polissemia da expressão “rede social”,
pois tanto pode aludir a interligação de computadores para
uso da internet como designar uma espécie de leito/balanço
onde dorme toda uma família.
Resposta da questão 31: [B]
A imagem da rosa é tradicionalmente associada à
beleza em contextos em que se pretenda acentuação de
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Lista de Exercícios : Gramática | Línguagem
impressões positivas. No entanto, ao associá-la a
Hiroshima, cidade que protagonizou um dos episódios mais
cruéis e destruidores da Segunda Guerra Mundial, o autor
subverte esse sentido emprestando-lhe conotações
negativas, aumenta a sua força poética e causa impacto no
leitor pela estranheza que produz. Termos e expressões
como “objetividade”, despreocupação formal,
“originalmente letra de canção popular” e “caráter
concreto” são improcedentes e eliminariam todas as outras
opções.
Resposta da questão 32: [C]
No verso 8, caracteriza-se a sinestesia em “rosa
cálida”, figura de linguagem que funde sensações
percebidas através de órgãos diferentes: visual e tátil,
respectivamente. A aliteração está presente na paronomásia,
(figura de linguagem que aproxima palavras com som e
grafia semelhantes), “rosa com cirrose”, através da
repetição dos sons consonantais [r] e [s].
Resposta da questão 33: [E]
Ao afirmar que havia realizado uma consulta
paranormal com o “pai” da psicanálise, a autora usa a
ironia, figura de linguagem que reproduz o oposto do que
realmente se pensa. A paranormalidade contraria o
cientificismo da teoria de Freud, o que foi confirmado pelo
resultado do teste obtido na segunda tentativa em que
respostas diferentes obtiveram a mesma conclusão.
Resposta da questão 34: [C]
Se não fosse utilizado o recurso da silepse, a frase da
questão “c” ficaria assim: “foram alojados os do meu
grupo.
Resposta da questão 35: [B]
A palavra apólice, no trecho em questão, foi
utilizada não no seu sentido literal. Foi utilizada para
representar as quatro palavras de louvor destinadas ao
personagem.
Resposta da questão 36: [D]
A alternativa A está incorreta, porque a construção
do eixo temático do poema de Bilac não se deu em
linguagem denotativa, literal, usual, previsível. O eu lírico
personifica as estrelas, o Sol, utiliza figuras de linguagem,
como a prosopopeia que consiste em atribuir a seres
inanimados características de seres animados ou atribuir
características humanas a seres irracionais. O texto do autor
parnasiano possui um alto índice de plurissignificação da
modalidade de linguagem, diversa da modalidade própria
do uso cotidiano.
A alternativa B está incorreta, pois o sujeito
poético, do poema parnasiano, com traços românticos,
afirma que o amor capacita as pessoas a ouvir e
compreender as estrelas, portanto, estas são acessíveis. Já as
estrelas a que se refere o eu lírico do texto de Bastos Tigre
são as atrizes do cinema. A acessibilidade é limitada. A
compreensão sobre elas depende do conhecimento da
língua inglesa, pois, o texto se refere, provavelmente, às
artistas do cinema norte-americano.
As alternativas C e E estão incorretas, na medida
em que as expressões “dir-vos-ei sem pejo” e “entendê-
las” só são utilizadas pelo escritor, para realizar a ironia, a
crítica às ideias do poema parnasiano. Tigre realiza a
intertextualidade, a partir do poema de Bilac. A linguagem
usada no texto humorístico é mais coloquial que a de Bilac:
“Vejo que estás beirando a maluquice extrema.../ Uma
boca de estrela dando beijo / é, meu amigo, assunto p’ra
um poema”. A visão apresentada para alcançar as estrelas,
no texto de Bilac, é romântica; no de Tigre, é moderna.
A afirmação D está correta, porque, no texto de
Tigre, percebe-se o uso da linguagem metalinguística no
trecho “Uma boca de estrela dando beijo/é, meu amigo,
assunto p’ra um poema.” A função metalinguística ocorre
quando se fala sobre o código utilizado, usa-se a linguagem
para falar dela própria. Boca de estrela dando beijo é
matéria, assunto para ser usado em um poema, aqui está a
função citada.
Resposta da questão 37: [A]
A significação dos vocábulos não é fixa. Quando
eles são empregados em seu sentido usual, literal, comum -
há denotação. Quando são empregados no sentido figurado,
dependente de um contexto particular - ocorre a conotação.
A palavra pedra, em ambos os textos, tem sentido
conotativo. No primeiro, o vocábulo pedra significa
obstáculo, empecilho. A repetição da estrutura e da palavra
sugere os vários obstáculos, problemas enfrentados pelas
pessoas ao longo da vida.
No segundo, pedra aparece com o significado
ampliado, na medida em que o mineral duro e sólido, a
rocha pode expressar o destino, passado de mãe para filha:
o de laborar como lavadeira. Logo, a alternativa A está
correta e as afirmações B e D estão incorretas.
A alternativa C está incorreta, pois personificação
ou prosopopeia é uma figura de linguagem que consiste em
atribuir a seres inanimados (sem vida) características de
seres animados; ou em atribuir características humanas a
seres irracionais. Em ambos os textos, a palavra pedra não
se apresenta com traços de ser animado, nem com
características humanas.
A afirmação E está errada, pois, no segundo texto,
pedra é um objeto duro, sólido que serve para as lavadeiras
de Mossoró trabalharem e a sina de continuarem a repetir o
ofício das ascendentes (antepassadas).
Resposta da questão 38: [B]
Resposta da questão 39: [D]
Resposta da questão 40: [E]
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Lista de Exercícios : Gramática | Línguagem
O texto referido é poético, cuja construção pauta-se
pelo emprego de uma linguagem figurada na qual o autor
utilizou-se de alguns recursos expressivos, conferindo uma
autêntica expressividade à linguagem.
Resposta da questão 41: [D]
No texto, há a predominância de aliteração, que,
foneticamente é representada pela consoante “v”.
Caracterizada por meio dos versos: “O vento varria os
sonhos, e varria as amizades, o vento varria as mulheres...
[...].
No que se refere às construções sintáticas, estas apresentam
semelhança nos três grupos de versos, ou seja, todos são
dotados dos termos essenciais que compõem a oração:
sujeito, predicado e complemento.
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Lista de Exercícios : Gramática | Línguagem
Resumo das questões selecionadas
nesta atividade
Data de elaboração: 22/04/2020 às 13:06
Nome do arquivo: GRAL005
Legenda:
Q/Prova = número da questão na prova
Q/DB = número da questão no banco de dados do
SuperPro®
Q/prova Q/DB Grau/Dif.
Matéria Fonte Tipo
1.. .122066.......Média...............Geografia
.................Fuvest/2013Múltipla escolha
2.. .190043.......Média...............Português
.................Fuvest/2020Múltipla escolha
3.. .182309.......Baixa................Português
.................Fuvest/2019Múltipla escolha
4.. .181764.......Média...............Português
.................Enem/2018.Múltipla escolha
5.. .182931.......Média...............Português
.................Enem PPL/2018...................Múltipla escolha
6.. .175401.......Baixa................Português
.................Fuvest/2018Múltipla escolha
7.. .178997.......Baixa................Português
.................Puccamp/2018.....................Múltipla escolha
8.. .175389.......Média...............Português
.................Fuvest/2018Múltipla escolha
9.. .175397.......Média...............Português
.................Fuvest/2018Múltipla escolha
10. 178961.......Elevada............Português
.................Puccamp/2018.....................Múltipla escolha
11. 177001.......Elevada............Português
.................Enem PPL/2017...................Múltipla escolha
12. 176978.......Média...............Português
.................Enem PPL/2017...................Múltipla escolha
13. 164913.......Média...............Português
.................Puccamp/2017.....................Múltipla escolha
14. 164923.......Média...............Português
.................Puccamp/2017.....................Múltipla escolha
15. 164928.......Elevada............Português
.................Puccamp/2017.....................Múltipla escolha
16. 164931.......Elevada............Português
.................Puccamp/2017.....................Múltipla escolha
17. 164929.......Média...............Português
.................Puccamp/2017.....................Múltipla escolha
18. 165870.......Elevada............Português
.................Fuvest/2017Múltipla escolha
19. 165974.......Elevada............Português
.................Enem 2ª aplicação/2016......Múltipla escolha
20. 171890.......Baixa................Português
.................Enem PPL/2016...................Múltipla escolha
21. 171900.......Elevada............Português
.................Enem PPL/2016...................Múltipla escolha
22. 165275.......Média...............Português
.................Enem/2016.Múltipla escolha
23. 160552.......Média...............Português
.................Puccamp/2016.....................Múltipla escolha
24. 135961.......Média...............Português
.................Fuvest/2015Múltipla escolha
25. 131606.......Baixa................Português
.................Enem PPL/2013...................Múltipla escolha
26. 128086.......Baixa................Português
.................Enem/2013.Múltipla escolha
27. 131616.......Média...............Português
.................Enem PPL/2013...................Múltipla escolha
28. 122113.......Média...............Português
.................Enem/2012.Múltipla escolha
29. 127114.......Média...............Português
.................Enem PPL/2012...................Múltipla escolha
30. 122092.......Baixa................Português
.................Enem/2012.Múltipla escolha
31. 101010.......Elevada............Português
.................Fuvest/2011Múltipla escolha
32. 101011.......Elevada............Português
.................Fuvest/2011Múltipla escolha
33. 100242.......Média...............Português
.................Enem/2010.Múltipla escolha
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Lista de Exercícios : Gramática | Línguagem
34. 90637.........Média...............Português
.................Fuvest/2010Múltipla escolha
35. 90648.........Média...............Português
.................Fuvest/2010Múltipla escolha
36. 91759.........Elevada............Português
.................Enem cancelado/2009.........Múltipla escolha
37. 91746.........Elevada............Português
.................Enem cancelado/2009.........Múltipla escolha
38. 86877.........Não definida....Português
.................Fuvest/2009Múltipla escolha
39. 86869.........Não definida....Português
.................Fuvest/2009Múltipla escolha
40. 90766.........Média...............Português
.................Enem/2009.Múltipla escolha
41. 90767.........Média...............Português
.................Enem/2009.Múltipla escolha
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Lista de Exercícios : Gramática | Línguagem
Estatísticas - Questões do Enem
Q/prova Q/DB Cor/prova
Acerto
4.......................181764.............azul......................................
49%
22.....................165275.............azul......................................
23%
26.....................128086.............azul......................................
59%
28.....................122113.............azul......................................2012.......................
57%
30.....................122092.............azul......................................2012.......................
28%
33.....................100242.............azul......................................2010.......................
47%
40.....................90766...............azul......................................2009.......................
55%
41.....................90767...............azul......................................2009.......................
52%
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