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Abdome agudo inflamatório

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de Blumberg: dor à descompressão brusca na sequência da palpação profunda da fossa ilíaca direita; 
• Sinal de Rovsing: dor observada na fossa ilíaca direita por ocasião da palpação profunda na fossa ilíaca e 
flanco esquerdo; 
• Sinal de Lapinsky: dor na fossa ilíaca direita desencadeada pela palpação profunda no ponto de McBurney 
com o membro inferior direito hiperestendido e elevado. 
A dor pode ser difusa e a resistência generalizada em casos de apendicite aguda complicada com peritonite 
difusa. A percussão da parede abdominal deve ser iniciada num ponto distante ao de McBurney, 
encaminhando-se para a fossa ilíaca direita, onde a dor a essa manobra será expressão da irritação peritoneal 
localizada. 
Por fim, a auscultação do abdome costuma evidenciar diminuição dos ruídos hidroaéreos, mais evidente quanto 
mais avançada a fase em que se encontra a apendicite aguda. Diagnosticada precocemente, a apendicite mostra 
sinais de peritonismo localizado, tornandose difusa à medida que o processo inflamatório atinge toda a serosa 
peritoneal. 
Colecistite aguda 
A colecistite aguda pode ser definida como a inflamação química e/ou bacteriana da vesícula biliar, na maioria 
das vezes desencadeada a partir da obstrução do ducto cístico. 
Como a litíase vesicular ou colelitíase são a principal causa dessa doença, a obstrução decorre da impactação 
de um cálculo na região infundíbulo-colocística, com consequente hipertensão, estase, fenômenos vasculares, 
inflamatórios e proliferação bacteriana. 
O processo assim desencadeado pode involuir, abortar, como decorrência da mobilização do cálculo. Pode, 
também, evoluir para hidropisia vesicular, empiema, necrose, perfuração bloqueada ou em peritônio livre 
(coleperitônio). 
Menos frequentemente, a colecistite aguda pode ocorrer na ausência de obstrução do ducto cístico, quando é 
denominada alitiásica com fisiopatologia pouco conhecida. Pode estar associada a processos auto-imunes, 
toxinas circulantes ou substâncias vasoconstritoras, acometendo pacientes hospitalizados crônicos, em 
unidades de terapia intensiva, politraumatizados, sépticos, em pós-operatório e idosos. 
A colecistite aguda acomete preferencialmente pessoas de sexo feminino, adultos jovens e idosos, sendo, 
frequentemente, a primeira manifestação da doença litiásica. 
A dor é a principal manifestação da colecistite aguda, frequentemente desencadeada pela ingestão de alimentos 
colecistocinéticos. Inicialmente, assume o caráter de cólica, expressão clínica do fenômeno obstrutivo, e a 
seguir torna-se contínua, como decorrência dos fenômenos vasculares e inflamatórios. 
À localização inicial no hipocôndrio direito, segue-se irradiação para o epigástrio, dorso e difusa para o abdome 
na vigência de complicações. Náuseas e vômitos são frequentemente observados. 
O estado geral está na dependência da intensidade do processo inflamatório e principalmente infeccioso. 
Costuma estar preservado, sem grandes alterações hemodinâmicas e apresentar febre raramente superior a 
38°C. Em aproximadamente 20% dos pacientes é possível observar icterícia discreta. 
A inspeção do abdome revela posição antálgica ou discreta distensão. A palpação do abdome é, sem dúvida, o 
recurso propedêutico mais valioso, podendo revelar hipersensibilidade no hipocôndrio direito, defesa 
voluntária ou não e mesmo plastrão doloroso. Em 25% dos doentes, é possível observar vesícula palpável e 
dolorosa. 
O sinal de Murphy — interrupção da inspiração profunda pela dor à palpação da região vesicular — é, talvez, 
a expressão maior da propedêutica abdominal na colecistite aguda. 
A percussão abdominal revela dor ao nível do hipocôndrio direito, consequente à irritação do peritônio visceral, 
o mesmo ocorrendo com os ruídos hidroaéreos que se encontram diminuídos ou, até, normais. 
É importante ressaltar que tal exuberância propedêutica pode estar mascarada em pacientes idosos ou 
imunocomprometidos. 
Pancreatite aguda 
A pancreatite aguda é uma doença que tem como substrato um processo inflamatório da glândula pancreática, 
decorrente da ação de enzimas inadequadamente ativadas, que se traduz por edema, hemorragia e até necrose 
pancreática e peripancreática. Este quadro é acompanhado de repercussão sistêmica que vai da hipovolemia ao 
comprometimento de múltiplos órgãos e sistemas e, finalmente, ao óbito. 
Baseando-se em evidências epidemiológicas, admite-se, na atualidade, que aproximadamente 80% das 
pancreatites agudas estão relacionadas à doença biliar litiásica ou ao álcool. 
Embora muitas outras etiologias já estejam estabelecidas (trauma, drogas, infecciosas, vasculares e manuseio 
endoscópico), uma parcela não desprezível permanece com a etiologia desconhecida, sendo, portanto, 
denominada idiopática. 
Nem sempre o quadro clínico da pancreatite aguda é característico, o que, por vezes, torna difícil o seu 
diagnóstico. São importantes, pela freqüência, a dor abdominal intensa, inicialmente epigástrica e irradiada 
para o dorso, em faixa ou para todo o abdome, além de náuseas e vômitos, acompanhada de parada de 
eliminação de gases e fezes. O polimorfismo no quadro clínico da doença é o principal responsável pelo erro 
no seu diagnóstico. 
Considerando a ampla variedade de apresentações da pancreatite aguda, bem como o grande potencial de 
gravidade da doença, há muito se constitui preocupação a caracterização das formas leves e graves da 
pancreatite. A diferenciação entre essas formas pode ser feita pelos critérios prognósticos com base em dados 
clínicos, laboratoriais e de imagem. A diferenciação entre essas formas pode ser feita pelos critérios 
prognósticos com base em dados clínicos e laboratoriais (critérios de Ranson, APACHE II e outros) e/ou 
radiológicos (critérios de Balthazar). 
O exame físico da pancreatite aguda nas formas leves (80 a 90%) mostra um paciente em regular estado geral, 
por vezes em posições antálgicas, sinais de desidratação e taquicardia. O abdome encontra-se distendido, 
doloroso difusamente à palpação profunda, especialmente no andar superior e com ruídos hidroaéreos 
diminuídos. Algumas vezes, é possível palpar abaulamentos de limites indefinidos, os quais sugerem a presença 
de coleções peripancreáticas. 
Nas formas graves de pancreatite aguda (10 a 20%), o paciente se encontra em estado geral ruim, ansioso, 
taquicárdico, hipotenso, dispnéico e desidratado. O abdome encontra-se distendido, doloroso difusamente e 
com sinais de irritação peritoneal difusa. É possível identificar equimose e hematomas em região periumbilical 
(sinal de Cullen) ou nos flancos (sinal de Grey Turner). Os ruídos hidroaéreos encontram-se reduzidos, ou 
mesmo abolidos. 
Nessa eventualidade, impõe-se tratamento em unidades de terapia intensiva e por equipe multidisciplinar. 
Diverticulite 
A diverticulite dos colos caracteriza-se pelo processo inflamatório de um ou mais divertículos, podendo 
estender-se às estruturas vizinhas e causar uma série de complicações. A doença diverticular dos colos 
compreende a diverticulose universal dos colos, a doença diverticular do sigmóide e o divertículo do ceco, cada 
uma dessas formas com características peculiares. Neste capítulo, serão abordados aspectos clínicos da 
diverticulite do sigmóide. Essa doença é mais comum em pessoas acima de 50 anos de idade, fato que contribui 
para o aumento da sua morbimortalidade. 
Do ponto de vista fisiopatológico, caracterizase por um processo inflamatório do divertículo e das estruturas 
peridiverticulares, geralmente desencadeado pela abrasão da mucosa do divertículo por um fecalito. Esse 
processo inflamatório rapidamente envolve o peritônio adjacente, a gordura pericólica e o mesocolo. As 
manifestações clínicas da doença vão desde discreta irritação peritoneal até quadros de peritonite generalizada. 
O sintoma principal é a presença de dor abdominal geralmente localizada na fossa ilíaca esquerda ou na região 
suprapúbica,

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