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UNIDADE 6: FORMAS DE CONDUÇÃO DE PROCESSOS FERMENTATIVOS Professora: Msc. Priscila Katerine de Souza Disciplina: Bioquímica geral e aplicada Formas de condução de processos fermentativos ▪ Existem muitas formas de se conduzir um reator biológico, dependendo das características próprias do microrganismo, meio de cultivo e dos objetivos específicos do processo que se pretende executar. ▪ De uma forma geral, um reator biológico pode ser operado das seguintes formas: ▪ Descontínuo ▪ Descontínuo alimentado ▪ Semicontínuo ▪ Contínuo Com um inóculo por tanque ou com recirculação de células Formas de condução de processos fermentativos ▪ Os processos com recirculação do microrganismo, como o próprio nome indica, reaproveitam como inóculo o microrganismo da batelada anterior. ▪ Para tanto, ou se espera que o microrganismo sedimente no fermentador (como é o caso de cervejarias), ou se centrífuga o meio fermentado, separando assim as células e reutilizando-as. Processo descontínuo ▪ Vêm sendo utilizadas pelo homem desde a Antiguidade e, ainda hoje, são as mais empregadas para obtenção de vários produtos fermentados. ▪ São também conhecidas por fermentações por batelada, processo descontínuo simples, ou descontínuo tradicional. ▪ É o mais utilizado na indústria de alimentos: iogurte, chucrute, picles, cerveja, vinho, entre outros. ▪ Permite o conhecimento básico da cinética do processo, para que se possa propor alternativas de condução dos processos. Processo descontínuo ▪ Modo de operação: ▪ No instante inicial a solução de nutriente esterilizada no fermentador é inoculada com microrganismos e incubada; ▪ No decorrer do processo fermentativo nada é adicionado, exceto oxigênio, no caso de processos aeróbicos (na forma de ar), antiespumante, e ácido ou base para controle do pH → o volume no decorrer da fermentação permanece constante ▪ Terminada a fermentação, descarrega-se a dorna, e o meio fermentado segue para os tratamentos finais. ▪ Então, deve-se lavar adorna, esterilizá-la e recarregá-la com mosto e inóculo. Processo descontínuo VANTAGENS ▪ Pode ter baixos rendimentos e/ ou produtividades: substrato adicionado de uma só vez no início da fermentação pode exercer efeitos de inibição ou desviar o metabolismo celular a produtos que não interessam. ▪ Apresenta tempos mortos → tempo de carga e descarga de dorna; período correspondente à lavagem e esterilização. DESVANTAGENS ▪ Apresenta menores riscos de contaminação (se comparados com processos contínuos de fermentação); ▪ Grande flexibilidade de operação: pode-se utilizar os fermentadores para a fabricação de diferentes produtos, a possibilidade de realizar fases sucessivas no mesmo recipiente; ▪ Condição de controle mais estreito da estabilidade genética do microrganismo Processo descontínuo Processo descontínuo Processo descontínuo Processo descontínuo Processo descontínuo Processo descontínuo alimentado ▪ Também conhecido como batelada alimentada; ▪ É definido como um modo de operação no qual um ou mais nutrientes (incluindo substrato) são adicionados gradualmente durante o processo fermentativo e os produtos permanecem na dorna até o final da fermentação. Processo descontínuo alimentado ▪ A vazão de alimentação pode ser constante ou variar com o tempo; ▪ Adição de mosto pode ser de forma contínua ou intermitente. ▪ Mudança de volume pode ou não ocorrer, dependendo da concentração de substrato e da taxa de evaporação do sistema. ▪ Pode haver reaproveitamento de células: Processo descontínuo alimentado Processo descontínuo alimentado Processo descontínuo alimentado Processo Semicontínuo ▪ O processo fermentativo recebe a denominação de semicontínuo quando, uma vez colocados no reator o meio de fermentação e o inóculo, as operações que se seguem obedecerem à seguinte ordem: 1. Aguarda-se o término da fermentação. 2. Retira-se parte do meio fermentado, mantendo-se, no reator o restante de mosto fermentado. 3. Adiciona-se ao reator um volume de meio de fermentação igual ao volume de meio fermentado retirado na Operação n° 2. Processo Semicontínuo ▪ O meio de fermentação adicionado na Operação n° 3 encontra no reator as células microbianas existentes no meio fermentado que nele foi mantido. ▪ Em outras palavras, o meio fermentado não retirado do fermentador na Operação n° 2 serve de inóculo ao meio de fermentação adicionado na Operação n° 3. ▪ Reinicia-se, desse modo, a sequência de operações acima descrita, que será repetida enquanto não houver queda da produtividade do processo. Processo Semicontínuo ▪ Vantagens: ▪ a) possibilidade de operar o fermentador por longos períodos (as vezes, alguns meses) sem que seja necessário preparar um novo inóculo; ▪ b) possibilidade de aumentar a produtividade do reator apenas modificando-se a forma de operação; ▪ Exemplos: ▪ Processo de fermentação do cacau ▪ Fermentação alcoólica executada segundo o processo Melle-Boinot Processo Contínuo ▪ Caracteriza-se por possuir uma alimentação contínua de meio de cultura a uma determinada vazão constante, sendo o volume de reação mantido constante através da retirada contínua de caldo fermentado. ▪ A operação inicia-se como um processo descontínuo e a partir de um dado momento inicia-se a alimentação de nutrientes e a retirada de meio fermentado. Após um tempo o sistema convergirá ao estado estacionário (concentração de células, de substrato limitante e de produto permanecem constantes ao longo do tempo). ▪ Pode operar por longos períodos de tempo em estado estacionário, decorrendo desta situação uma série de vantagens em relação ao processo descontínuo tradicional. VANTAGENS ▪ Aumento da produtividade do processo, em virtude de uma redução dos tempos mortos; ▪ Obtenção de caldo fermentado uniforme; ▪ Manutenção das células em um mesmo estado fisiológico; ▪ Possibilidade de associação com outras operações contínuas na linha de produção; ▪ Menor necessidade de mão-de-obra. DESVANTAGENS ▪ Maior investimento inicial na planta; ▪ Possibilidade de ocorrência de mutações genéticas espontâneas, resultando na seleção de mutantes menos produtivos; ▪ Maior possibilidade de ocorrência de contaminações, por se tratar de um sistema essencialmente aberto; ▪ Dificuldades de manutenção de homogeneidade no reator; ▪ Dificuldades de operação em estado estacionário em determinadas situações (formação de espuma, crescimento do microrganismo nas paredes do reator, ou ainda, nos sistemas de entrada e saída de líquido). Processo Contínuo Processo Contínuo Processo Contínuo Processo Contínuo Processo Contínuo Processo Contínuo Processo Contínuo Processo Contínuo Processo Contínuo