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Mecanismo de ação do aminoglicosídeos e glicopeptídeos e suas indicações

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➔ Reações alérgicas: Dermatite de contato é uma reação comum para a neomicina aplicada 
topicamente. 
CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES 
Mecanismo de ação dos aminoglicosídeos e glicopeptídeos e suas indicações. | Larissa Gomes de Oliveira. 
 
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São contraindicadas na gestação devido ao risco de toxicidade fetal. 
Os aminoglicosídeos estão entre os antibióticos com maior potencial de toxicidade. São 
basicamente nefrotóxicos e ototóxicos. O tipo de lesão renal induzida por esses antibióticos é a 
necrose tubular aguda, forma não-oligúrica. 
O efeito tóxico é dose-dependente e tempo-dependente (aumenta com o uso prolongado), mas 
tem uma chance maior de ocorrer nos idosos, diabéticos, pacientes hipovolêmicos, desidratados 
e nefropatas prévios. 
OBS: Um conceito de extrema importância: estudos recentes demonstraram que a toxicidade 
dos aminoglicosídeos pode ser bastante reduzida quando administramos a dose total diária em 
apenas uma tomada, sem, entretanto, comprometer a sua eficácia anti-bacteriana. 
INIBIDORES DA PAREDE CELULAR 
A parede celular é composta de um polímero denominado peptidoglicano. Os inibidores da 
síntese de parede celular apresentam eficácia máxima quando os microrganismos estão se 
proliferando. Eles têm pouco ou nenhum efeito em bactérias que não estejam crescendo e se 
dividindo. 
GLICOPEPTÍDEOS 
Os agentes antimicrobianos glicopeptídeos possuem uma estrutura química complexa comum, 
e seu principal mecanismo de ação consiste na inibição da síntese da parede celular num sítio 
diferente dos β-lactâmicos. A atividade desse grupo é dirigida principalmente contra as bactérias 
Gram-positivas. Os bacilos Gram-negativos mostram-se resistentes à ação desses fármacos. 
Os principais representantes deste grupo são: vancomicina, teicoplanina e ramoplanina. 
Diversos glicopeptídeos estão em fase de pesquisa clínica e não são disponíveis no mercado 
nacional. 
MECANISMO DE AÇÃO 
Os glicopeptídeos, representados pela Vancomicina e pela Teicoplanina, são antibióticos 
bactericidas que agem se ligando a pontos específicos da cadeia de peptidoglicanas, bloqueando 
a síntese desta macromolécula (por impedir a adição de novas subunidades ao polímero). Ou 
seja, sem necessitar da PBP (Proteínas Ligadores de Penicilina), esses antibióticos são capazes 
de inibir a síntese da parede bacteriana, levando à morte do micro-organismo. 
Não tem absolutamente nenhum efeito nos Gram-negativos, por não ultrapassarem a 
membrana externa dessas bactérias. 
MECANISMO DE RESISTÊNCIA 
O mecanismo de resistência desta bactéria é a troca de um aminoácido da subunidade 
peptidoglicana que passa a não mais reconhecer o glicopeptídeo. Este não parece ser o 
Mecanismo de ação dos aminoglicosídeos e glicopeptídeos e suas indicações. | Larissa Gomes de Oliveira. 
 
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mecanismo de resistência descrita para os estafilococos. Os primeiros a mostrarem este 
problema foram os coagulase-negativos. 
ESPECTRO ANTIMICROBIANO 
Os glicopeptídeos, por não ultrapassarem a membrana externa dos Gram negativos não têm 
eficácia alguma contra essas bactérias. Em compensação, os germes Gram positivos são 
naturalmente sensíveis. Os glicopeptídeos são os antibióticos mais confiáveis para o tratamento 
de infecções por S. aureus MRSA e por S. epidermidis (coagulase negativo) nosocomial, muito 
incriminado na infecção de próteses e cateteres. 
Para evitar que a resistência a esta bactéria de alta virulência venha a se tornar um grave 
problema de saúde pública, devemos reservar o uso da Vancomicina apenas para casos 
selecionados da prática médica. 
A Vancomicina é o antibiótico de segunda linha para o tratamento da diarreia por Clostridium 
difficile (a primeira escolha é o Metronidazol oral). 
EFEITOS ADVERSOS 
Consistem em rubor cutâneo ou exantema — a denominada síndrome do homem vermelho — 
que podem ser evitados ao diminuir a velocidade de infusão intravenosa ou através de 
administração prévia de anti-histamínicos. 
Tem sido associada a nefrotoxicidade e ototoxidade, particularmente quando são co-
administrados outros medicamentos nefrotóxicos ou ototóxicos como a gentamicina. 
Pacientes com disfunção renal subjacente: pode ser necessário reduzir a dose, bem como 
determinar os níveis do fármaco para evitar uma maior nefrotoxicidade. Podem ocorrer também 
febre medicamentosa, exantema por hipersensibilidade e neutropenia induzida por fármaco. 
VANCOMICINA 
Foi introduzida para uso clínico em 1958, mas sua utilização em maior escala iniciou-se nos anos 
80, com o surgimento de infecções por estafilococos resistentes à oxacilina e redução da 
toxicidade por purificação das preparações disponíveis. 
A vancomicina é um glicopeptídeo tricíclico que se tornou importante no tratamento de 
infecções ameaçadoras à sobrevivência por MRSA (Staphylococcus aureus resistente à 
meticilina) e Staphylococcus epidermidis resistentes ao agente β-lactâmicos meticilina (MRSE). 
Via de regra, a vancomicina, em virtude de sua toxicidade, só é utilizada quando uma infecção 
demonstra ser resistente a outros fármacos. 
 Com relação a sua farmacocinética: Vancomicina por via intravenosa: é mais comumente 
utilizada no tratamento da sepse ou da endocardite causada por Staphylococcus aureus 
resistente à meticilina. 
Mecanismo de ação dos aminoglicosídeos e glicopeptídeos e suas indicações. | Larissa Gomes de Oliveira. 
 
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A Vancomicina oral: utilizada no tratamento das infecções gastrintestinais por C. difficile; o 
fármaco é pouco absorvido e, portanto, permanece no trato gastrintestinal. 
A vancomicina por via intravenosa é usada em pacientes com prótese de válvulas cardíacas e 
em pacientes que serão submetidos à implantação de próteses, especialmente em hospitais 
onde há elevada incidência de MRSA e MRSE. As concentrações séricas (vales) são medidas 
comumente para monitorar e ajustar a dosagem quanto à segurança e à eficácia. A vancomicina 
não é absorvida após administração oral; seu uso em formulações orais é limitado ao tratamento 
de colite grave causada por C. difficile e devido ao uso de antimicrobiano. 
TEICOPLAMINA 
É amplamente utilizada na Europa para o tratamento de infecções por germes Gram-positivos. 
Quimicamente similar à vancomicina, mas apresenta maior lipossolubilidade que resulta em 
excelente penetração tecidual e meia-vida prolongada, entretanto, tem pouca penetração na 
barreira liquórica. 
 Com relação a sua farmacocinética: 
- Absorção: A teicoplanina pode ser administrada com segurança por injeção tanto 
intramuscular quanto intravenosa. 
- Distribuição: Nos adultos, uma dose intravenosa única de 1 g produz concentrações 
plasmáticas de 15-30µg/mL 1 hora após uma infusão de 1-2 h. Aproximadamente 30% do 
fármaco liga-se às proteínas plasmáticas. A teicoplanina liga-se altamente a proteínas 
plasmáticas (90-95%). 
- Eliminação: Ao contrário da vancomicina, a teicoplanina tem uma meia-vida de eliminação 
sérica extremamente longa (até 100 h em pacientes com função renal normal). 
EM RECÉM-NASCIDOS 
A escolha do esquema empírico de tratamento das infecções relacionadas à assistência em 
neonatologia depende do tempo de aparecimento da clínica (precoce ou tardia), realização 
prévia de procedimentos invasivos, conhecimento da flora prevalente e o padrão de resistência 
de cada hospital. Baseados nestes princípios seguem algumas sugestões de esquema empírico: 
 Infecções precoces (provável origem materna): 
o Ampicilina ou penicilina cristalina + amicacina ou gentamicina 
 Infecções tardias (provável origem na unidade neonatal): 
o Primeira opção: oxacilina + amicacina 
o Segunda opção: vancomicina associado a cefotaxima ou cefepima 
O uso empírico de oxacilina e amicacina é altamente recomendado devido à baixa indução de 
resistência, alta sensibilidade dos bastonetes gramnegativos a amicacina, além da ampla 
disponibilidade