A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
20 pág.
TRAUMA TORÁCICO

Pré-visualização | Página 1 de 4

Soniely Melo 
TRAUMA TORÁCICO 
 
TRAUMAS: 
▪ Lesões iatrogênicas do tórax: hemotórax 
ou pneumotórax na inserção de um cateter 
central, lesões esofágicas durante uma 
endoscopia. 
▪ Traumatismos fechados 
▪ Lesões penetrantes 
SINAIS E SINTOMAS + COMUNS: 
Hipóxia Resulta: 
▪ da oferta 
inadequada de 
oxigênio aos tecidos 
devido à 
hipovolemia; 
▪ Da alteração 
ventilação/perfusão: 
contusão, hematoma, 
colapso alveolar; 
▪ Alter. Nas relações 
pressóricas 
intratorácicas: 
pneumotórax 
hipertensivo, 
pneumotórax 
aberto, etc; 
Hipercapnia Devido à acidose 
respiratória, decorrente de 
ventilação inadequada – alt 
nas relações pressóricas 
intratorácicas + 
rebaixamento do nível de 
consciência 
Acidose Causada pela hipoperfusão 
dos tecidos 
 
AVALIAÇÃO PRIMÁRIA: via aérea -> 
ventilação -> circulação 
VIA AÉREA 
1. Ouvir os movimentos do ar no nível do 
nariz, boca e campos pulmonares; 
2. Inspecionar orofaringe à procura de 
corpos estranhos; 
Soniely Melo 
3. Observar contrações musculares 
intercostais e supraclaviculares; 
VENTILAÇÃO 
1. Exposição do tórax e do pescoço -> 
requer abertura temporária do colar 
cervical -> a imobilização da coluna 
cervical deve ser mantida segurando-se a 
cabeça do doente; 
2. Inspeção, palpação e ausculta 
 
➔ Lesões com risco iminente à vida: 
▪ pneumotórax hipertensivo, 
▪ hemotórax maciço, 
▪ tamponamento cardíaco, 
▪ tórax instável e contusão pulmonar 
▪ pneumotórax aberto; 
PNEUMOTÓRAX HIPERTENSIVO 
Ocorre quando há vazamento de ar do pulmão e 
da parede torácica para o espaço pleural por um 
sistema de “válvula unidirecional”. 
 
O ar entra para a cavidade pleural sem 
possibilidade de sair, colapsando completamente o 
pulmão. 
O mediastino é deslocado para o lado oposto, 
diminuindo o retorno venoso e comprimindo o 
pulmão contralateral. 
 
Causas: 
▪ ventilação mecânica com pressão positiva 
em doentes com lesão da pleura visceral 
(+ comum); 
▪ complicação de pneumotórax simples; 
▪ lesões torácicas 
Diagnóstico: CLÍNICO! 
Clínica: 
↓retorno 
venoso
↓débito 
cardíaco
choque 
obstrutivo
Soniely Melo 
Dor torácica 
Dispneia importante 
Desconforto respiratório 
Taquicardia 
Hipotensão 
Desvio da traqueia para o lado contrário à 
lesão 
Ausência unilateral de murmúrio 
vesicular 
Timpanismo à percussão 
Elevação do hemitórax sem movimento 
respiratório 
Distensão das veias do pescoço 
Cianose como manifestação tardia 
 
Ddx: tamponamento cardíaco 
Tratamento: não deve ser adiado à espera de 
confirmação radiológica! 
Exige descompressão imediata com a 
inserção de uma agulha de grosso calibre no 
2º espaço intercostal na linha medioclavicular 
do hemitórax afetado; converte para 
pneumotórax simples; 
Uma agulha de 5cm atinge o espaço pleural 
em >50% das vezes -> chance de 
pneumotórax subsequente à inserção da 
agulha 
 
 
Tratamento definitivo: inserção de um dreno 
torácico no 5° espaço intercostal 
(normalmente no nível do mamilo), 
imediatamente anterior à linha média. 
PNEUMOTÓRAX ABERTO 
(FERIDA TORÁCICA 
ASPIRATIVA) 
Causado por ferimentos que permanecem 
abertos. 
Pressões intratorácicas = atmosférica -> o 
ar tende a passar pelo local de menor 
resistência; o ar saí pela lesão -> prejuízo na 
ventilação -> hipóxia e hipercapnia 
 
Tratamento: fechamento imediato da lesão 
através de um curativo estéril. 
Soniely Melo 
O curativo deve ser grande o suficiente para 
encobrir todo o ferimento e fixado com fita 
adesiva em três de seus lados para produzir 
um efeito de válvula unidirecional. 
 
Um dreno de tórax deve ser inserido longe do 
ferimento assim que possível. 
Em geral, o ferimento necessita ser fechado 
definitivamente por procedimento cirúrgico. 
TÓRAX INSTÁVEL (RETALHO 
COSTAL MÓVEL) E CONTUSÃO 
PULMONAR 
Ocorre quando um segmento da parede 
torácica não tem mais continuidade óssea com 
a caixa torácica. 
Causa: 
▪ trauma com múltiplas fraturas de 
arcos costais; 
A instabilidade da parede torácica leve ao seu 
movimento paradoxal durante a inspiração e 
a expiração, isoladamente, não causa 
hipóxia. 
Consequências: 
▪ lesão pulmonar adjacente = contusão 
pulmonar = hipóxia -> dor associada 
à restrição dos movimentos 
ventilatórios e a lesão do parênquima 
pulmonar; 
Tratamento: 
Correção da hipoventilação + administração de 
oxigênio umidificado + reposição volêmica 
Pode-se usar narcóticos endovenosos ou 
anestésicos locais para produzirem analgesia e 
evitar a necessidade de IOT. 
 
HEMOTÓRAX MACIÇO 
Resulta do rápido acúmulo de 1.500ml de sangue 
ou de 1/3 ou mais do volume de sangue do doente 
na cavidade torácica. 
Principal causa: ferimentos penetrantes que 
dilaceram os vasos sistêmicos ou hilares. 
Clínica e exame físico: 
▪ as veias do pescoço podem estar 
colabadas devido à grave hipovolemia 
ou distendidas quando existir um 
pneumotórax hipertensivo 
concomitante. 
in
sp
ira
çã
o
o curativo oclui o
ferimento,
bloqueando a
entrada de ar
ex
pi
ra
çã
o
o lado que não
está fixado
permite o escape
de ar de dentro
da cavidade
pleural
Soniely Melo 
Diagnóstico: 
Choque com ausência de murmúrio vesicular e/ou 
macicez à percussão de um dos hemitóraces. 
Tratamento: 
Reposição volêmica + descompressão da cavidade 
torácica 
Conseguir acesso venoso com cateter calibroso -> 
iniciar infusão de cristaloide -> administrar 
sangue tipo-específico 
 
Drenagem do tórax -> o sangue deve ser 
coletado em disposto que permita a autotransfusão 
Insere-se um dreno de tórax (nº 36 ou 40 
French) no nível do mamilo, anteriormente à 
linha axilar média, e continua-se com a reposição 
volêmica rápida à medida que se completa a 
descompressão da cavidade torácica. 
Indicações de toracotomia: 
1. Se o volume drenado imediatamente for 
+/- 1500ml, é muito provável que seja 
necessária uma toracotomia de urgência 
para o doente. 
2. Volume de sangue drenado por hora 
(200ml/h por 2 a 4 horas) 
3. Estado fisiológico do doente 
4. Necessidade persistente de transfusões 
sanguíneas; 
Calculo da reposição volêmica: volume de sangue 
perdido imediatamente após a drenagem + 
volume que continua drenando a seguir 
Os ferimentos torácicos penetrantes anteriores e 
mediais à linha dos mamilos ou posteriores e 
mediais às escápulas devem alertar o médico para 
a eventual necessidade de toracotomia, pela 
possível lesão dos grandes vasos, das estruturas 
hilares e do coração, com risco potencial de 
tamponamento cardíaco. 
Contraindicação da toracotomia: não estar 
presente um cirurgião qualificado por seu 
treinamento e por sua experiência. 
TORACOTOMIA DE REANIMAÇÃO 
Em pacientes hipovolêmicos, a massagem 
cardíaca externa convencional em caso de parada 
cardíaca ou atividade elétrica sem pulso não é 
eficiente. 
Indicações: 
▪ Lesão torácica penetrante sem pulso, 
porém com atividade elétrica 
miocárdica. 
▪ Doentes com sinais de vida: pupilas 
reativas, movimentos espontâneos ou 
atividade eletrocardiográfica 
organizada. 
Soniely Melo 
Contraindicações: 
▪ Doentes com trauma fechado, que 
chegam sem pulso, mas com atividade 
elétrica miocárdica 
A lesão torácica pode ocasionar impactos nas 
etapas A/B/C do ATLS; 
Traumatismo torácico ou contusão fechada: 
Lesão sem solução de continuidade entre a pele e 
a cavidade torácica: 
▪ Fraturas de costela 
▪ Fraturas de esterno 
▪ Hemotórax 
▪ Pneumotórax 
▪ Sínd desconforto respiratório 
▪ Ruptura traqueobrônquica 
▪ Ruptura de aorta 
▪ Hérnias diafragmáticas 
Lesões que determinam soluções de continuidade 
da pele com a cavidade torácica: 
▪ Lesões de esôfago, traqueia, 
pneumotórax aberto, etc; 
Fraturas de costelas: 
É a lesão das estruturas ósseas mais comum no 
trauma torácico; 
Lesões nos primeiros arcos costais têm maior 
correlação com lesões vasculares associadas 
(subclávia, aorta e pulmonar) 
Lesões de órgãos adjacentes (baço, fígado); 
Crianças: maior elasticidade do arcabouço ósseo 
(rupturas quando existentes indicam