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Revista científica dos profissionais de fisioterapia
Ano 11 - Nº 4 - out / nov / dez - 2016
Fundamentação teórica para
®criolipólise polarys convencional,
reperfusão e contraste
Influência do Método Pilates nas 
alterações pulmonar, postural e 
psicossocial observadas na asma
As consequências da mastectomia: 
enfoque físico e psicológico
Distância percorrida no teste de 
caminhada de seis minutos como 
preditora de óbito em cardiopatas:
um estudo retrospectivo
Fisioterapia oculomotora no tratamento 
da presbiopia
Modificações de função pulmonar 
mediante treinamento físico
Percepções pessoais da protetização e 
o impacto na qualidade de vida e na 
independência funcional de pacientes 
com amputação transfemural unilateral
181
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
SUMÁRIO
181
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
ARTIGOS ORIGINAIS
Influência do Método Pilates nas alterações pulmonar, postural e psicossocial observadas na asma ............................... 183
Keila Soares da Silva, Anna Victória Ribeiro Porras, Charles da Cunha Costa, Rondinele de Jesus Barros, Alba Barros Souza Fernandes
As consequências da mastectomia: enfoque físico e psicológico ..................................................................................... 188
Marcela Rufino Araujo, Clícia Guilherme de Oliveira Paiva Araújo, Ana Vanessa Araujo Pedrosa, David Jonathan Nogueira Martins, 
Thiago Brasileiro de Vasconcelos, Vasco Pinheiro Diógenes Bastos
Distância percorrida no teste de caminhada de seis minutos como preditora de óbito em cardiopatas: 
um estudo retrospectivo .................................................................................................................................................. 195
Joédson da Silva, Vanessa do Carmo Correia, Júlio Marins de Castro, Patrícia dos S.V. de Abreu, Marco Orsini, Tiago Batista da Costa Xavier, 
Mauricio de Sant Anna Jr, Dominique Babini Lapa de Albuquerque, Nathielly Carolina Silva Gonçalves, Paulo Henrique de Melo
Fisioterapia oculomotora no tratamento da presbiopia ................................................................................................... 199
Dominique Babini Lapa de Albuquerque, Nathielly Carolina Silva Gonçalves, Paulo Henrique de Melo
Modificações de função pulmonar mediante treinamento físico ...................................................................................... 203
M. S. Pinto, K. Marques, Araújo L.D., P. M. Sá
Percepções pessoais da protetização e o impacto na qualidade de vida e na independência funcional de 
pacientes com amputação transfemural unilateral ........................................................................................................... 206
Angelina Maria dos Santos Oeby, Rebeca Andrade de Freitas, Monique Opuszcka Campos, Leandro Dias de Araujo
REVISÕES
Características anatomofisiológicas da articulação temporomandibular .......................................................................... 213
Aureliano da Silva Guedes, Antônio José da Silva Nogueira, Aureliano da Silva Guedes II
O uso da corrente russa na flacidez abdominal em mulheres no puerpério ..................................................................... 218
Izabel Cristina Melo de Oliveira, Maria dos Prazeres Carneiro Cardoso, Maykon Felipe Pereira da Silva, Francisca Maria Aleudinelia Monte Cunha
Prevenção de lesões em atletas no uso de protocolos: uma revisão integrativa ............................................................... 221
Maykon Felipe Pereira da Silva, Francisca Maria Aleudinelia Monte Cunha
Fundamentação teórica para criolipólise polarys® convencional, reperfusão e contraste .................................................. 224
Estela Sant’Ana
RESUMOS ....................................................................................................................................................................232
AGENDA ......................................................................................................................................................................239
NORMAS .....................................................................................................................................................................240
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
182
A Revista Fisioterapia Ser é um periódico Técnico-científico sobre fisioterapia, registrado no International Standard Se-
rial Number (ISSN), sob o código 1809-3469, com distribuição trimestral no Brasil e na América Latina. É uma publicação di-
rigida a fisioterapeutas, professores, pesquisadores, acadêmicos de fisioterapia, empresários e demais instituições da área.
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Colaboradora de redação
183
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
Artigo Original
Influência do Método Pilates 
nas alterações pulmonar, postural e psicossocial
observadas na asma
Influence of pilates methodin pulmonary,
postural and psychosocial changes observed in asthma
Keila Soares da Silva1, Anna Victória Ribeiro Porras2, Charles da Cunha Costa3, 
Rondinele de Jesus Barros4, Alba Barros Souza Fernandes5
Resumo
Introdução: A asma é uma doença inflamatória crônica, associada à hiperres-
ponsividade das vias aéreas e episódios recorrentes de sibilos, dispneia, opressão 
torácica e tosse. Em função do recrutamento excessivo da musculatura acessória 
da respiração, indivíduos asmáticos podem apresentar alterações posturais, além 
do comprometimento pulmonar. Portanto, o objetivo desse estudo foi analisar os 
efeitos de exercícios do Método Pilates na função pulmonar e nas alterações postu-
rais e psicossociais na asma. Metodologia: Voluntários com asma foram avaliados 
com relação à força muscular respiratória, pico de fluxo expiratório, mobilidade 
torácica, tolerância ao exercício, alterações posturais e qualidade de vida antes 
e após serem submetidos a um protocolo de tratamento com o Método Pilates. 
Resultados: O Método Pilates foi eficaz em aumentar a pressão expiratória máxi-
ma em 23,38% (p = 0,02) e a distância percorrida em seis minutos em 13,20% (p 
= 0,00), além de influenciar a qualidade de vida nos domínios global (p = 0,02), 
sintomas (p = 0,01) e limitação de atividade (p < 0,00). Conclusões: O Método 
Pilates aumentou a força dos músculos expiratórios e a tolerância ao exercício em 
asmáticos, além de melhorar a qualidade de vida.
Palavras-chave: asma, pilates, fisioterapia. 
Abstract
Introduction: Asthma is a chronic inflammatory disease associated with ai-
rway hyperresponsiveness and recurrent episodes of wheezing, breathlessness, 
chest tightness and coughing. The excessive accessory muscles of respiration 
recruitment leads to postural changes, in addition to lung function impairment. 
Therefore, the aim of this study was to analyze the effects of Pilates exercises on 
lung function and the postural and psychosocial changes in asthma. Methodology: 
Volunteers with asthma were evaluated for respiratory muscle strength, peak expi-
ratory flow, thoracic mobility, exercise tolerance, postural changes and quality of 
life before and after undergoing a treatment protocol with the Pilates Method. Re-
sults: The Pilates Method was effective in increasing maximal expiratory pressure 
in 23.88% (p = 0.02) and the six minutes distance walked in 13.26% (p = 0.00), 
besides influencing in domains global (p = 0.02), symptoms (p = 0.01) and limita-
tion of activity (p < 0.00). Conclusions: The Pilates Method increased the strength 
of the expiratory muscles and exercise tolerance in asthmatic, besides favoring the 
improvement in quality of life.
Keywords: asthma, pilates, physiotherapy.
1. Fisioterapeuta, Graduada pelo Centro Univer-
sitário Serra dos Órgãos - UNIFESO, Teresó-
polis, RJ, Brasil.
2. Discente do Curso de Graduação em Fisiote-
rapia do UNIFESO.
3. Fisioterapeuta, Graduado pelo UNIFESO.
4. Fisioterapeuta, Especialista em Fisiologia do 
Exercício, Docente do Curso de Graduação 
em Fisioterapia do UNIFESO.
5. Fisioterapeuta, Doutora em Ciências, Docen-
te do Curso de Graduação em Fisioterapia do 
UNIFESO.
Endereço para correspondência: Alba Barros 
Souza Fernandes – Clínica-Escola de Fisiote-
rapia – Centro de Ciências da Saúde – Cen-
tro Universitário Serra dos Órgãos – Estrada 
Wenceslau José de Medeiros, 1045, Prata – 
CEP 25976-345 – Teresópolis, RJ – Brasil – 
Telefone: (21) 2743-5311
 E-mail: alba.fernandes@gmail.com
Recebido para publicação em 26/08/2016 e acei-
to em 30/09/2016, após revisão.
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
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Introdução 
A asma é uma doença inflamatória crônica, que está 
associada à hiperresponsividade das vias aéreas, levando a 
episódios recorrentes de sibilos, dispneia, opressão torácica 
e tosse, principalmente à noite ou pela manhã ao despertar. 
Esses episódios são uma consequência da obstrução variá-
vel ao fluxo aéreo, que pode ser reversível espontaneamen-
te ou com tratamento. As exacerbações são decorrentes da 
interação entre genética, exposição ambiental a alérgenos e 
irritantes, além de outros fatores que contribuem para o de-
senvolvimento e manutenção dos sintomas1. 
Indivíduos asmáticos apresentam consideráveis res-
trições físicas, que quando não controladas devidamente, 
geram limitações nas atividades de vida diária e atividades 
de lazer, além de também apresentarem alterações sociais e 
emocionais2,3. Segundo Marcelino4, a hiperinsuflação oca-
sionada pelo aumento da resistência das vias aéreas altera a 
posição dos músculos respiratórios, incluindo o diafragma, 
diminuindo a sua eficiência mecânica. 
Além disso, é comum pacientes com asma desenvolve-
rem alguns tipos de alterações posturais, devido ao compro-
metimento da mecânica respiratória. Os episódios de crises, 
o aumento do volume residual e o uso excessivo da muscu-
latura acessória da respiração contribuem para uma restrição 
na mobilidade do tórax e podem causar assimetrias, proble-
mas musculoesqueléticos e movimentos compensatórios5,6,3. 
Além das alterações posturais, pacientes com doença 
respiratória crônica tendem a apresentar menor tolerância ao 
exercício físico em função de diversos fatores, incluindo difi-
culdade respiratória, restrição a atividades ou mesmo falta de 
atividades fisicomotoras7. Essas limitações levam ao descon-
dicionamento do sistema cardiorrespiratório, gerando dimi-
nuição da força muscular de membros superiores e inferiores2. 
O Método Pilates vem se destacando como importante 
ferramenta, principalmente nas correções de alterações pos-
turais, pois tem a função de fortalecer, alongar e melhorar a 
postura. Os diferentes tipos de exercícios realizados no Pila-
tes possibilitam a melhora do condicionamento cardiorrespi-
ratório e muscular. Além disso, a prática do Pilates apresenta 
um diferencial em relação às outras atividades físicas, pois 
uma de suas importantes características é o controle da res-
piração, que enfatiza a importância de manter os níveis de 
oxigenação da circulação sanguínea8. 
Nesse contexto, o Pilates, em virtude do fortalecimento 
do centro corporal e pelo alongamento da musculatura da re-
gião torácica e da musculatura acessória da respiração9, pode 
ser eficaz na asma, visando à correção das alterações pos-
turais e, consequentemente, a melhora da função pulmonar.
Metodologia
O presente estudo foi realizado no setor de Pilates da 
Clínica-Escola de Fisioterapia do Centro Universitário Ser-
ra dos Órgãos (UNIFESO). Foram incluídos indivíduos com 
diagnóstico clínico de asma, de ambos os sexos, independen-
temente do estágio da doença, clinicamente estáveis. Foram 
excluídos indivíduos com incapacidade cognitiva, que impos-
sibilitasse a compreensão/realização das avaliações, com limi-
tação da amplitude de movimento da articulação de ombro e 
de joelhos; voluntários obesos; com história de infecções res-
piratórias em um período inferior a 30 dias, cirurgias recentes 
e indivíduos acima de 60 anos. O protocolo de pesquisa estava 
em consonância com a Resolução 466/12 e foi encaminhado 
ao Comitê de Ética e Pesquisa do UNIFESO – CEPq, via Pla-
taforma Brasil, e aprovado em 03/07/2014 sob o parecer de 
número 712.954. Todos os integrantes da pesquisa assinaram 
o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. 
Os sinais vitais, incluindo ausculta pulmonar (AP), pres-
são arterial (PA), frequência cardíaca (FC), frequência respi-
ratória (FR) e saturação periférica de oxigênio (SpO
2
) foram 
verificados anteriormente e posteriormente à intervenção, 
com os participantes respirando em ar ambiente e em repou-
so. Também foram observados os níveis de fadiga e dispneia, 
através da Escala Subjetiva de Borg.
 A avaliação da força da musculatura respiratória foi 
obtida por meio das medidas de pressão inspiratória máxi-
ma (PImáx) e pressão expiratória máxima (PEmáx)10. Três 
medidas de cada uma das pressões foram executadas com 
um manovacuômetro, sendo considerado para o estudoa de 
maior valor11. O Pico de Fluxo Expiratório (PFE) foi ana-
lisado a partir da Capacidade Pulmonar Total, através de 
três medidas em um medidor de pico de fluxo expiratório. 
O maior valor obtido foi usado para quantificar o grau de 
obstrução das vias aéreas. 
 A mobilidade torácica foi verificada através da cirtome-
tria torácica, utilizando-se uma fita métrica escalonada em 
centímetros (cm) e posicionada horizontalmente em quatro 
níveis: axilar, xifoidiano, últimas costelas e linha umbilical. 
Entretanto, para análise dos dados, foi considerado o maior 
valor obtido das três medidas realizadas e calculado o Índice 
de Amplitude (IA), com a finalidade de atenuar as diferentes 
dimensões de tórax e abdômen12. 
 A análise postural foi realizada através da fotogrametria 
computadorizada (biofotogrametria). O procedimento para ob-
tenção das imagens foi padronizado com a determinação de dis-
tâncias fixas entre a câmera fotográfica e o solo e entre a câmera 
e o voluntário, posicionando a câmera sobre um tripé nivelado 
e colocado paralelamente ao solo, com uma distância de 3,0 m 
do indivíduo avaliado. Os indivíduos se posicionaram com os 
pés descalços a uma distância de 15,0 cm de um pé ao outro e a 
30,0 cm do calcanhar à parede para um melhor equilíbrio corpo-
ral. Os membros superiores permaneceram na posição neutra. 
Foram retiradas três imagens de cada participante em cada uma 
das quatro posições em ortostatismo: vista anterior, posterior, 
lateral direita e lateral esquerda. Não foi utilizado zoom para 
evitar distorções. Todas as fotografias foram realizadas pelo 
mesmo examinador. Os pontos anatômicos utilizados para aná-
lise das imagens foram previamente marcados nos voluntários 
por marcadores de isopor brancos. A todos os voluntários foi 
solicitado o uso de um short ou calça de lycra e de um top, para 
que os pontos anatômicos ficassem expostos. Na vista anterior, 
foram marcadas as articulações acrômio-claviculares, apêndi-
ce xifoide e incisura jugular. Na vista posterior, os processos 
espinhosos da sétima vértebra cervical (C7), décima segunda 
vértebra torácica (T12) e quinta vértebra lombar (L5), ângulos 
inferiores e superiores das escápulas e espinhas ilíacas poste-
rossuperiores (EIPS). As imagens capturadas foram analisadas 
185
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pelo software ALCimagem®, que mede os ângulos formados 
pelas linhas traçadas a partir dos pontos anatômicos, a fim de 
identificar e quantificar possíveis assimetrias6,13,14,15,16.
O instrumento utilizado para avaliar a qualidade de vida 
dos indivíduos asmáticos foi o Questionário sobre Qualida-
de de Vida em Asma com Atividades Padronizadas (AQLQ 
(S)), que é um questionário específico de medição de quali-
dade de vida de pessoas com asma, constituído por 32 itens, 
sendo doze itens relativos aos sintomas, onze relativos a li-
mitações de atividades, cinco relativos à função emocional 
e quatro relativos à exposição ambiental. Foi solicitado aos 
indivíduos que recordassem as experiências das duas últimas 
semanas e que respondessem a cada questão em uma escala 
de sete pontos (de “totalmente limitado” a “nada limitado”). 
A pontuação global do AQLQ (S) foi obtida através da média 
das 32 respostas, e a pontuação individual de cada domínio 
também foi obtida a partir da média dos itens que constituem 
cada domínio. Valores menores que quatro indicam aumen-
to da gravidade e valores maiores que quatro indicam menor 
comprometimento17,18. O questionário foi aplicado sob a for-
ma de entrevista, em um ambiente silencioso e isolado, e os 
participantes responderam às questões sem interferência. Para 
interrogar os participantes, o entrevistador leu as questões e as 
alternativas de resposta em voz alta, sem explicações
A tolerância ao exercício foi avaliada através do Teste de 
Caminhada de Seis Minutos (TC6M), que é um teste de esforço 
submáximo que engloba e integra diversos sistemas envolvidos 
durante a atividade física, sendo indicado principalmente para 
avaliar a capacidade funcional19. É um método simples para se 
observar a melhora do desempenho nas provas de tolerância ao 
exercício, de fácil aplicabilidade, bem tolerado pelos pacientes 
e o que melhor reproduz as atividades de vida diária20. Na re-
alização do teste, os participantes caminharam em um terreno 
plano, nivelado, sem obstáculos e sem trânsito de pessoas, per-
fazendo a distância entre dois cones separados por 30 metros, a 
uma velocidade auto imposta pelo próprio voluntário. 
Os dados obtidos foram comparados estatisticamente ao 
nível de 5% de probabilidade, através do software SigmaStat 
3.5 (Systat Software, Inc., 2006). Para a aplicabilidade da cor-
relação linear simples e comparação entre os grupos, foi testada 
a normalidade dos dados pelo Teste de Normalidade Kolmo-
gorov-Smirnov. Em seguida, foi aplicado o teste da mediana 
de Levene para verificar a homogeneidade das variâncias. Os 
dados paramétricos foram comparados pelo Paired t-test e os 
dados não paramétricos pelo Wilcoxon Signed Rank Test.
 
Resultados
No presente estudo, foram avaliados oito indivíduos 
asmáticos clinicamente estáveis, com idade mediana de 56 
anos (21,50-57,50). Todos os participantes completaram o 
tratamento e, quando houve falta, a sessão de tratamento foi 
reposta na mesma semana. 
 Os resultados deste estudo estão apresentados em tabe-
las, com formatação padronizada no intuito de facilitar a in-
terpretação dos dados. A seguir, estão descritas, na tabela 1, 
as características dos indivíduos asmáticos analisados antes 
e após terem sido submetidos ao tratamento pelo Método 
Pilates. Nenhum dos parâmetros avaliados apresentou dife-
rença estatística após o tratamento.
Tabela 1: Características da amostra. Valores expressos como 
mediana (1º e 3º quartis) de oito indivíduos com asma, que 
foram submetidos ao tratamento com o Método Pilates. IMC: 
índice de massa corpórea; PAS: pressão arterial sistólica; PAD: 
pressão arterial diastólica; FC: frequência cardíaca; FR: frequ-
ência respiratória; SpO2: saturação periférica de oxigênio.
 Antes Após P
IMC (kg/m2) 28,90 (25,68-33,75) 28,90 (25,68-33,75) 1,00
PAS (mmHg) 121,00 (118,00-139,00) 121,00 (120,00-132,00) 1,00
PAD (mmHg) 81,00 (77,00-88,00) 80,00 (80,00-84,00) 1,00
FC (bpm) 77,00 (63,50-91,50) 81,50 (66,50-82,50) 1,00 
FR (irpm) 17,50 (16,50-19,00) 17,00 (13,50-18,50) 0,62
SpO2 (%) 95,00 (94,00-96,00) 95,00 (94,00-97,00) 0,50
Na análise da função pulmonar, foram avaliados os pa-
râmetros de força dos músculos respiratórios e pico de fluxo 
expiratório antes e após o tratamento. Observou-se que ape-
nas a pressão expiratória máxima foi influenciada pelo Mé-
todo Pilates, aumentando em 23,88% (p = 0,02). A mobili-
dade do tórax foi avaliada através da cirtometria torácica em 
quatro níveis: linha axilar, apêndice xifoide, últimas costelas 
e linha umbilical, obtendo-se o índice de amplitude (IA) em 
cada um desses níveis. Após o tratamento, não foi observa-
da diferença estatística em nenhum dos níveis avaliados. A 
tolerância ao exercício foi analisada através da distância per-
corrida no teste de caminhada de seis minutos (DP6M). Ao 
comparar esses valores antes e após a aplicação do protocolo 
de tratamento, foi possível observar um aumento de 13,20% 
nesse último parâmetro (p = 0,00) (tabela 2).
Tabela 2: Análise da função pulmonar, cirtometria torácica 
e teste de caminhada de seis minutos. Dados expressos em 
média ± desvio padrão de oito indivíduos com asma, que 
foram submetidos ao tratamento com o Método Pilates. PI-
máx: pressão inspiratória máxima; PEmáx: pressão expira-
tória máxima; PFE: pico de fluxo expiratório; IA: índice de 
amplitude, DP6M: distância percorrida em seis minutos. 
*Estatisticamente diferente dos parâmetros observados antes do 
protocolo de tratamento.
 Antes Após P
PImáx (cmH2O) -94,00 ± 31,78 -106,50 ± 26,78 0,13
PEmáx (cmH2O) 90,00 ± 22,82 111,50 ± 10,78 0,02*
PFE (L/min) 307,50 ± 123,60 335,00 ± 81,59 0,33
IA axilar 2,47 ± 2,52 1,96± 3,08 0,47
IA apêndice xifoide 2,63 ± 1,85 2,85 ± 2,06 0,51
IA últimas costelas 2,44 ± 3,74 2,63 ± 2,54 0,76
IA linha umbilical -1,55 ± 2,81 1,00 ± 1,77 0,07
DP6M 490,25 ± 85,31 555,00 ± 89,61 0,00*
A análise postural dos indivíduos envolvidos no estu-
do foi realizada no programa ALCimagem. Foram coletadas 
três imagens de cada indivíduo nas posições anterior, pos-
terior e perfil direito. Cada um dos ângulos foi medido três 
vezes e foi calculada uma média, a fim de minimizar os erros 
de análise e medição. 
 Na posição anterior, foram calculados quatro ângulos: 
A1 - ombro esquerdo; A2 - ombro direito, A3 - pelve esquer-
da; A4 - pelve direita. Os ângulos A1 e A2 foram obtidos 
através das marcações: incisura jugular; articulação acrô-
mio-clavicular e processo xifoide. Os ângulos A3 e A4 foram 
obtidos através das marcações: cicatriz onfálica e espinhas 
ilíacas anterossuperiores. Ao comparar os ângulos A1 e A2, 
verificou-se que o ombro mais elevado foi o que apresentou 
menor valor. Ao comparar os ângulos A3 e A4, verificou-se 
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
186
que a pelve mais elevada foi a que apresentou maior valor. 
Após a intervenção, não houve diferença estatisticamente 
significativa na angulação dos ombros e das pelves. 
Na posição posterior, foram calculados quatro ângulos: 
A1 - ombro direito; A2 - ombro esquerdo, A3 - pelve es-
querda; A4 - pelve direita. Os ângulos A1 e A2 foram ob-
tidos através das marcações: processo espinhoso da sétima 
vértebra cervical (C7) e ângulos superiores das escápulas. 
Os ângulos A3 e A4 foram obtidos através das marcações: 
espinhas ilíacas posterossuperiores e quinta vértebra lom-
bar (L5). Ao comparar os ângulos A1 e A2, verificou-se que 
o ombro e/ou escápula mais elevado foi o que apresentou 
maior valor. Após a interversão, não houve diferença signifi-
cativa na angulação dos ombros e/ou escápulas. 
Na posição perfil direito, foram calculados dois ângulos: 
A1 - posição de cabeça; A2 - curvatura torácica. O ângulo A1 
foi obtido através das marcações: processo espinhoso de C7; 
incisura jugular e mento. O ângulo A2 foi obtido através das 
marcações: processo espinhoso de C7; processo espinhoso 
da quarta vértebra torácica (T4) ou ponto mais proeminente 
da cifose e processo espinhoso da décima segunda vértebra 
torácica (T12). Verificou-se que quanto maior o ângulo A1, 
maior a anteriorização da cabeça; e quanto menor o ângulo 
A2, maior a cifose torácica. Após a intervenção, não houve 
diferença significativa tanto na posição da cabeça quanto na 
curvatura torácica. Os valores das medianas das angulações 
obtidas na análise postural estão citados na tabela 3.
Tabela 3: Análise postural. Valores expressos como mediana 
(1º e 3º quartis) de oito indivíduos com asma, que foram sub-
metidos ao tratamento com o Método Pilates. AP.A1: angula-
ção do ombro direito; AP.A2: angulação do ombro esquerdo; 
AP.A3: angulação da pelve direita; AP.A4: angulação da pelve 
esquerda; PA.A1: angulação do ombro direito; PA.A2: angula-
ção do ombro esquerdo; PA.A3: angulação do ombro direito; 
PA.A4: angulação do ombro esquerdo; PERFIL A1: ângulo da 
posição da cabeça; PERFIL A2: angulação do tórax.
 Antes Após P
AP.A1 45,24 (40,41-49,17) 46,22 (40,87-54,10) 0,07
AP.A2 46,00 (42,23-51,82) 47,33 (44,06-54,00) 0,64
AP.A3 14,48 (9,97-21,08) 16,09 (12,54-22,27) 0,38
AP.A4 14,17 (10,26-24,46) 14,72 (13,71-25,46) 0,31
PA.A1 66,76 (64,46-70,29) 66,69 (63,44-68,71) 0,46
PA.A2 64,84 (59,90-68,54) 65,60 (60,42-69,87) 0.31
PA.A3 14,76 (11,61-16,27) 14,57 (12,58-18,50) 0,29
PA.A4 13,59 (12,17-17,00) 14,62 (13,49-19,14) 0,84
Perfi l.A1 102,34 (98,21-105,33) 103,26 (96,09-106,37) 1,00
Perfi l.A2 199,61 (197,04-205,24) 200,53 (195,84-202,90) 0,25
A qualidade de vida foi avaliada através do Questionário 
sobre Qualidade de Vida em Asma com Atividades Padroni-
zadas (AQLQ (S)). Os valores das medianas do AQLQ (S) 
nos domínios “global”, “sintomas”, “limitação de atividade”, 
“função emocional” e “estímulo ambiental” estão dispostos na 
tabela 4. A pontuação quatro indica grau de comprometimento 
moderado; valores acima de quatro indicam menor compro-
metimento; e valores abaixo de quatro indicam um aumento 
da gravidade. Ao comparar esses valores antes e após a aplica-
ção do protocolo de tratamento, foi possível observar uma me-
lhora estatisticamente significativa nos domínios global (p = 
0,02), sintomas (p = 0,01) e limitação de atividade (p < 0,00).
Tabela 4: Questionário sobre Qualidade de Vida em Asma 
com Atividades Padronizadas. Valores expressos como me-
diana (1º e 3º quartis) de oito indivíduos com asma, que fo-
ram submetidos ao tratamento com o Método Pilates. AQLQ 
(S): Questionário sobre Qualidade de Vida em Asma com 
Atividades Padronizadas. *Estatisticamente diferente dos 
parâmetros observados antes do protocolo de tratamento. 
Domínio AQLQ (S) Antes Após P
Global 5,85 (4,75-6,45) 6,55 (6,05-6,75) 0,02*
Sintomas 5,30 (4,10-6,55) 6,50 (6,15-6,90) 0,01*
Limitação de Atividade 5,00 (4,30-5,55) 6,05 (5,75-6,70) < 0,00*
Função Emocional 6,20 (4,70-7,00) 7,00 (6,90-7,00) 0,09
Estímulo Ambiental 5,35 (3,60-6,35) 6,85 (6,10-7,00) 0,07
 
Discussão
O presente estudo teve como objetivo analisar os efeitos 
do Método Pilates nas alterações pulmonares, posturais e na 
qualidade de vida de indivíduos asmáticos. 
O Método Pilates contribui para a melhoria na qualidade 
de vida, pois, através da prática de exercícios físicos espe-
cíficos, promove bem-estar e saúde, proporcionando maior 
agilidade, mobilidade e equilíbrio21. Durante a realização 
dos exercícios, são ativados diversos músculos que estão en-
volvidos na respiração, principalmente os responsáveis pela 
expiração, visto que os mesmos se encontram contraídos du-
rante as fases de inspiração e expiração22.
No presente estudo, foi possível observar uma melho-
ra significativa da força muscular expiratória. Essa melhora 
ocorreu, possivelmente, devido ao trabalho dos músculos 
respiratórios, especificamente dos músculos abdominais, e 
dos exercícios de alongamento da musculatura acessória da 
respiração. Esses resultados se assemelham aos achados de 
Lima23 e Dourado24, que também mostraram uma melhora da 
PEmax, através de exercícios que visavam ao fortalecimento 
direto da musculatura abdominal. A ativação desses múscu-
los, durante a realização dos exercícios do Método Pilates, 
principalmente do músculo reto abdominal, justifica o au-
mento da força muscular expiratória.
Costa et al.25 realizaram um estudo com 10 indivíduos 
asmáticos, de ambos os sexos, utilizando como protocolo de 
tratamento o método kinetic Control, associado ao alonga-
mento da musculatura acessória da respiração. Esses autores 
observaram melhora na força dos músculos respiratórios, 
tanto inspiratórios quanto expiratórios. Apesar desse estudo 
utilizar um outro método de tratamento, os autores também 
mostraram que a melhora da função pulmonar pode ser obti-
da pelo tratamento das alterações posturais. 
De acordo com Fonseca26, o PFE representa o fluxo má-
ximo gerado durante uma expiração forçada, realizada com 
grande intensidade e partindo de um nível elevado de insufla-
ção pulmonar, ou seja, da capacidade pulmonar total. Portanto, 
esse índice é considerado um indicador indireto da obstrução 
das vias aéreas, sendo influenciado pelo grau de insuflação pul-
monar, complacência torácica, musculatura abdominal e força 
muscular inspiratória gerada pelo paciente. No presente estudo, 
não foi observado uma modificação no PFE após o tratamento 
com o Método Pilates. Esse resultado pode ter ocorrido pelo 
fato de não termos observado uma alteração na PImax. De acor-
do com o estudo de Carter27, ao melhorar a força muscular res-
piratória (PImáx e PEmáx) é possível diminuir a resistência das 
187
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
vias aéreas e melhorar o PFE. O presente estudo mostrou que o 
protocolo de exercícios proposto influenciou apenas a PEmax.
Durante a crise de asma, ocorre estreitamentoda via 
aérea, levando ao aumento da resistência ao fluxo de ar, re-
sultando em uso excessivo da musculatura acessória da ins-
piração e um padrão respiratório apical. De acordo com o 
a evolução da doença e com o aumento das crises, ocorre 
encurtamento da musculatura acessória da respiração, levan-
do a uma alteração postural da caixa torácica. Os pacientes 
passam a adotar um padrão apical e pode ocorrer uma hipe-
rinflação, prejudicando a mecânica do músculo diafragma e 
o posicionamento da coluna cervical e da cintura escapular, 
com redução da mobilidade torácica28. 
No presente estudo, verificou-se que a mobilidade to-
rácica não foi influenciada pelos exercícios propostos. Esse 
resultado contradiz os achados observados no estudo de Kaki-
zaki29. Esses autores obtiveram melhora da mobilidade toráci-
ca após realizarem exercícios de alongamento da musculatura 
acessória da respiração. Similarmente, Lozano30, ao utilizarem 
como protocolo de tratamento o alongamento da musculatura 
acessória da respiração em indivíduos com Doença Pulmonar 
Obstrutiva Crônica a partir do método de Reeducação Postural 
Global (RPG), observaram melhora significativa da mobili-
dade torácica. Os resultados do presente estudo podem estar 
relacionados devido ao tempo, sendo insuficiente para que 
houvesse uma melhora durante o tratamento.
O encurtamento muscular observado nos pacientes as-
máticos leva à compensação das estruturas envolvidas, pro-
movendo alterações posturais e prejudicando ainda mais a 
mecânica respiratória31. Quadros e Furlanetto8, em seu es-
tudo, analisaram quatro mulheres sedentárias e observaram, 
após 20 sessões de Pilates, uma melhora estatisticamente 
significativa na postura, o que contradiz os resultados encon-
trados no presente estudo, visto que o protocolo de tratamen-
to aqui empregado não resultou em modificação na análise 
postural. Esses resultados possivelmente podem estar rela-
cionados com o número de sessões realizadas. 
Devido ao nível de obstrução das vias aéreas, indivíduos 
asmáticos tendem a apresentar menor tolerância ao exercício, 
quando comparados com indivíduos comuns, pois apresentam 
limitações durante a prática de atividade física. O exercício in-
duz a ocorrência de broncoespasmos, gerando diminuição da ca-
pacidade ventilatória e aumento da dispneia, o que contribui para 
que o indivíduo reduza a prática de atividades físicas e adote, 
consequentemente, um estilo de vida sedentário32.
Fonseca33 realizou um estudo com seis pacientes asmáti-
cos adultos, que foram submetidos a 12 semanas de tratamen-
to através de um programa de exercícios físicos domiciliares. 
Esses indivíduos realizaram a espirometria e o TC6M antes e 
após o início do programa. Pode-se observar, através da espi-
rometria, a melhora da Capacidade Vital Forçada (CVF) e do 
Volume Expiratório Forçado no Primeiro Segundo (VEF1). 
Os autores também mostraram, através do TC6M, que cinco 
dos seis pacientes aumentaram a distância percorrida após 
12 semanas de tratamento. Tais pacientes relataram melhora 
da sensação de dispneia e da fadiga durante a atividade de 
vida diária. Ao comparar com o presente estudo, também ob-
servamos um aumento significativo da distância percorrida 
após a aplicação do protocolo de tratamento com o Método 
Pilates, evidenciando que a prática de um programa de exer-
cícios beneficia uma melhor tolerância ao exercício.
De acordo com Souza34, pacientes com asma apresentam di-
minuição da qualidade de vida independentemente da gravidade 
da asma, nos domínios psicológicos, físicos e sociais, gerando 
restrições durante a vida. Em nosso estudo, ao comparar a quali-
dade de vida antes e após o protocolo de tratamento, observou-se 
uma melhora significativa nos domínios “Global”, “Sintomas” e 
“Limitação de Atividade” do questionário aplicado. 
Conclusão
Pode-se dizer que, no presente estudo, apesar de não ter-
mos observado uma alteração na avaliação postural, o pro-
tocolo de exercícios proposto determinou uma melhora na 
função pulmonar em relação a força muscular expiratória e 
tolerância ao exercício.
Portanto, o Método Pilates pode ser uma opção para o 
tratamento de indivíduos asmáticos em função de melhorar 
as alterações pulmonares, o condicionamento cardiorrespira-
tório e a qualidade de vida. Dessa forma, o Pilates pode atuar 
em conjunto com a Fisioterapia Respiratória Convencional, 
a fim de fornecer um tratamento mais ampliado para a asma. 
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Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
188
Artigo Original
As consequências da mastectomia:
enfoque físico e psicológico
The consequences of mastectomy:
physical and psychological focus
Marcela Rufino Araujo1, Clícia Guilherme de Oliveira Paiva Araújo2, 
Ana Vanessa Araujo Pedrosa2, David Jonathan Nogueira Martins2, Thiago Brasileiro de Vasconcelos3, 
Vasco Pinheiro Diógenes Bastos4
Resumo
O carcinoma mamário manifesta-se por um nódulo indolor que tem a preva-
lência pelo quadrante superior externo do lado esquerdo da mama, podendo atingir 
em casos mais graves os linfonodos axilares e supraclaviculares, sendo considerada 
como uma das doenças mais comuns nas mulheres. As sequelas pós-cirúrgicas são 
as aderências na parede torácica, fraqueza do membro superior envolvido, alterações 
posturais e restrições na mobilidade do ombro, hipostesia do membro acometido, 
dor e linfedema. O estudo objetiva analisar as consequências da mastectomia com 
enfoque físico e psicológico. O tipo de estudo é de caráter descritivo, observacional 
e transversal com estratégia de análise quantitativa dos resultados, a pesquisa foi 
realizada no Programa de Assistência à Mulher Mastectomizada (PROAMMA) do 
Centro Universitário Estácio do Ceará. A amostra foi composta por mulheres faixa 
etária de 40 a 70 anos de idade participantes do projeto. O perfil demográfico das 
entrevistadas é caracterizado por 55,56% (n= 5) de casadas; 88,89% (n=8) são mães; 
88,89% (n=8) foram submetidas à mastectomia radical; 33,33% (n=3) fizeram op-
ção pela reconstrução mamária; 100% (n=9) realizou radioterapia; 55,56% (n=5) 
apresentavam linfedema no braço homolateral ao procedimento; 77,78% (n=7) 
mantiveram o trofismo normal; 100% (n=9) afirmaram que tiveram o apoio da fa-
mília; 22,22% (n=2) mencionaram que sofreram rejeição e 77,78% (n=7) não exerce 
mais suas funções no trabalho ou em casa. Concluímos nesse estudo que o impacto 
físico ficou mais evidente nesse estudo que o psicológico, e toda essa repercussão 
está diretamente associada ao prejuízo apresentado nos resultados da analise de qua-
lidade de vida dessas mulheres. É relevante o inicio precoce de tratamento fisioterá-
pico na prevenção sequelas e de disfunções relacionadas à retirada da mama, como 
no tratamento de distúrbios já instalados.
Palavras-chave: mastectomia, câncer de mama, aspectos físicos e aspectos 
psicológicos.
1. Fisioterapeuta pelo Centro Universitário Estácio 
do Ceará.
2. Discente do Curso de Fisioterapia do centro 
Universitário Estácio do Ceará.
3. Fisioterapeuta. Mestre em Farmacologia.
4. Fisioterapeuta. Doutor em Farmacologia. Do-
cente do Centro Universitário Estácio do Ceará.
Endereço para correspondência:
 E-mail: vascodiogenes@yahoo.com.br
Recebido para publicação em 11/09/2016 e acei-
to em 13/11/2016, após revisão.
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Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
Abstract
Breast carcinoma manifests as a painless nodule that has the prevalence at upper outer quadrant of the left breast, rea-
ching in more severe cases the axillary and supraclavicular lymph nodes, being regarded as one of the most common diseases 
in women. The postoperative sequelae are adhesions in the chest wall, upper limb weakness involved, postural changes and 
restrictions on the mobility of the shoulder, hypoesthesia of the affected limb, pain and lymphedema. The study aims to 
analyze the consequences of mastectomy with physical and psychological approach. The type of study is a descriptive, obser-
vational, cross-sectional nature with quantitative analysis of the results strategy, carried out in the Programme of Assistance 
to Women Mastectomized (PROAMMA) University Center Estácio of Ceará. The sample consisted of women aged 40-70 
years of age participating in the project. The demographic profile of respondents is characterized by 55.56% (n=5) married, 
88.89% (n=8) mothers, 88.89% (n=8) underwent radical mastectomy, 33.33% (n=3) did opt for breast reconstruction, 100% 
(n=9) realized radiotherapy, 55.56% (n=5) had lymphedema of the arm ipsilateral to the procedure, 77,78% (n=7) maintained 
normal tropism, 100% (n=9) said they had family support, 22.22% (n=2) mentioned that suffered rejection and 77.78% (n=7) 
has no more duties at work or at home. We conclude that the physical impact was most evident in this study that the psycho-
logical, and all this effect is directly related to the loss reported in the results of the analysis of quality of life of these women.
We also describe the importance of early onset of sequelae in physical therapy and prevention of disorders related to the re-
moval of the breast, and the treatment of disorders that are already installed. It is relevant early initiation of physical therapy 
in preventing sequelae and dysfunctions related to the removal of the breast, asin the treatment of disorders already installed.
Keywords: mastectomy, breast cancer, physical aspects and psychological aspects.
Introdução
O carcinoma mamário manifesta-se por um nódulo in-
dolor que tem a prevalência pelo quadrante superior externo 
do lado esquerdo da mama, podendo atingir em casos mais 
graves os linfonodos axilares e supraclaviculares, sendo con-
siderado como uma das doenças mais comuns nas mulheres1.
As células cancerosas apresentam a capacidade de in-
vadir o tecido normal e de disseminar para locais distantes. 
Essa característica é responsável, em última análise, pela 
morte da paciente, pois o tumor primário é geralmente sus-
cetível à extirpação cirúrgica. É uma doença complexa e 
heterogênea com formas de evolução lenta ou rapidamente 
progressivas, dependendo do tempo de duplicação celular e 
outras características biológicas de progressão2.
O câncer mamário é o segundo tipo de câncer mais fre-
quente no mundo e o mais comum entre as mulheres. Possui 
taxas de mortalidade elevadas, muito provavelmente porque a 
doença ainda é diagnosticada em estádios avançados. Acima 
dos 35 anos, sua incidência cresce rápida e progressivamente. 
Estima-se 53 mil novos casos de câncer de mama no país3-5.
Os fatores de ricos para o câncer de mama começam 
com a idade. É raro um tumor maligno de mama antes dos 
35 anos, mas aos 50 anos o risco é muito grande; aos 65 
anos, o risco é 100 vezes maior que aos 30. A mulher branca 
apresenta um índice global maior de incidência do que as 
mulheres negras, sendo esta diferença significante somente 
após a menopausa. Em seguida, vem a história familiar que 
pode aumentar em 85% o risco de contrair a doença, tendo 
maior risco de câncer de mama a mulher cuja mãe, tia, irmã 
ou avó foram acometidos pela doença6-8.
É de suma importância a detecção do câncer de mama, 
como forma de prevenção, através do autoexame, consultas 
médicas, mamografias periódicas. Esse é um importante 
fator que tem contribuído para o aumento da sobrevida das 
mulheres com câncer de mama, além dos avanços da me-
dicina. Através da mamografia pode-se detectar lesões não 
palpáveis, antes mesmo que elas se tornem evidentes9,10.
A escolha do tratamento depende da avaliação indivi-
dual de cada caso, levando em conta as características do 
tumor, da paciente e da fase da doença. O retardo no diagnós-
tico ocasiona tratamentos mais agressivos e menos efetivos, 
aumenta o comprometimento físico e emocional da mulher 
e toda sua família o que, consequentemente, eleva os índices 
de mortalidade por esse tipo de câncer. A cirurgia constitui 
uma das fases mais importantes no tratamento do câncer, in-
cluindo a remoção do tumor e dos tecidos adjacentes e, quase 
sempre, o esvaziamento axilar6,11-13.
O esclarecimento sobre a natureza e os objetivos dos 
procedimentos diagnósticos, preventivos ou terapêuticos, é 
um direito do paciente, bem como de ser informado sobre 
sua invasibilidade, duração do tratamento, seus benefícios e 
prováveis desconfortos, e dos possíveis riscos físicos, psico-
lógicos, econômicos e sociais por que possa vir a passar14.
A técnica de tumorectomia consiste na remoção de todo 
o tumor com margens livres e, após o tratamento da mama, 
é realizado o esvaziamento axilar. Como em toda cirurgia 
conservadora, a radioterapia é parte integrante do tratamen-
to. Na quadrantectomia, ocorre a retirada do quadrante ma-
mário onde se localiza o tumor, com margens de segurança, 
juntamente com boa parte de pele e fáscia muscular, sendo 
complementada pelo esvaziamento axilar e radioterapia pós-
-operatória. Para eleição do tratamento conservador os tumo-
res não devem ultrapassar 3 cm, a menos que a mama seja 
bastante volumosa, permitindo bom resultado estético12.
Dentre outras formas de tratamento destacam-se as 
mastectomias:
• A mastectomia modificada, do tipo Patey é menos radical. 
São removidas a glândula mamária e o músculo pequeno 
peitoral de suas inserções na apófise coracóide, terceiro, 
quarto e quinto espaços intercostais em monobloco com 
esvaziamento axilar radical, linfonodos interpeitorais, apo-
neurose anterior e posterior do músculo grande peitoral2.
• A mastectomia radical, do tipo Halsted, consiste na extir-
pação da mama, músculo grande e pequeno peitoral, e es-
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vaziamento axilar radical. É indicada em infiltração exten-
sa da musculatura peitoral e em caso de câncer localmente 
avançado tendo como finalidade básica a citorredução15.
Ainda como terapia, a radioterapia representa uma arma 
importante no combate ao câncer por possuir grande capacida-
de de destruir células malignas remanescentes no leito tumoral 
com alta eficácia. O tratamento é feito com aplicação de raios 
para eliminar qualquer célula que tenha sobrado no local da 
cirurgia que não tenha sido localizada pelo cirurgião e patolo-
gista. E feito em uma máquina com duração e intensidade da 
terapia a depender das características do tumor e da paciente. 
Assim não há risco de lesão de órgãos fora do campo de irra-
diação. Associada à cirurgia, a irradiação diminui o risco de 
recidiva e aumenta o tempo livre da doença, embora permane-
ça controvertido, o potencial de aumento de sobrevida2.
A reconstrução da mama tem por objetivo restabelecer a 
imagem corporal ou melhorar a autoestima, restaurar o vo-
lume perdido, assegurar uma simetria com a mama oposta e 
recriar a aréola e mamilo. A reconstrução da mama pode ser 
feita ao mesmo tempo cirúrgico que a mastectomia, sendo 
denominada imediata ou pode ser feita após a mastectomia, 
sendo denominada tardia2.
As sequelas pós-cirúrgicas são as aderências na parede 
torácica, fraqueza do membro superior envolvido, alterações 
posturais e restrições na mobilidade do ombro, hipostesia 
do membro acometido, dor e linfedema. No entanto, podem 
ocorrer cicatrizes cirúrgicas restritivas no tecido subjacente 
a mama na parede torácica, fibrose por radiação ou infecção 
da ferida. O ato cirúrgico poderá ocasionar diminuição da 
amplitude máxima de movimento no ombro envolvido, além 
de alterações posturais, bem como suas consequências1.
Entre as possíveis complicações da cirurgia, o edema 
linfático de membro superior (linfedema) pode ocorrer após 
esvaziamento axilar e configura-se como condição crônica e 
incapacitante, o que resulta em alterações físicas, psicológi-
cas e sociais. A prevenção é possível por meio de cuidados a 
serem adotados durante as atividades de vida diária. O sinto-
ma inicial é a sensação de peso no braço16.
O linfedema pode ser definido como um edema crôni-
co devido à deficiência da drenagem do sistema linfático, 
com o acúmulo anormal de fluido rico em proteína no espa-
ço intersticial resultando em desconforto, dores, aumento do 
risco de infecção, ocasionando uma diminuição importante 
na qualidade de vida, levando a um decréscimo da ativida-
de física, abandono das atividades de lazer, diminuição da 
capacidade laboral, depressão e ansiedade. Ocorre após a ci-
rurgia, imediatamente ou em fase mais tardia e se deve aos 
traumas da manipulação cirúrgica e a imobilidade antálgica 
da paciente. Geralmente, regride com o posicionamento do 
membro e com os exercícios orientados no pós-operatório12.
O câncer de mama feminino é uma patologia que para a 
mulher, além do estigma, se traduz em muito sofrimento psico-
físico e normalmente progride para uma cirurgia mutiladora de 
um órgão que simboliza feminilidade, sexualidade e materni-
dade. A evolução dos métodos de detecção precoce proporcio-
nam que os tumores passem a ser descoberto em estadiamentos 
menores, favorecendo o tratamento e a sobrevida da paciente, 
tornando-se necessária a busca por abordagens cirúrgicas me-
nos extensas e a oferta de uma reabilitação estética, física e psi-
cológica. A mulher, ao receber o diagnóstico de câncer, vivência 
a expectativa de um futuro incerto, tratamentos longos e doloro-
sos, e também o medo da morte e mutilação13,17,18.
A fisioterapia é uma ciênciada Saúde que estuda, previ-
ne e trata os distúrbios cinéticos funcionais intercorrentes em 
órgãos e sistemas do corpo humano, gerados por alterações 
genéticas, traumas ou doenças adquiridas. Fundamenta suas 
ações em mecanismos terapêuticos próprios, sistematizados 
pelos estudos da Biologia, ciências morfológicas, ciências fi-
siológicas, patologias, bioquímica, biofísica, biomecânica, si-
nergia funcional e as disciplinas comportamentais e sociais19.
Dessa forma, a fisioterapia desempenha um papel muito 
importante no quadro de profissionais que atendem a mu-
lher no pós-operatório de câncer de mama. O tratamento do 
câncer, envolve uma abordagem múltipla desde a cirurgia, 
em seguida na quimioterapia, na radioterapia ou hormonio-
terapia, pode gerar graves consequências físicas. É uma das 
situações específicas na área da oncologia em que o fisiote-
rapeuta pode intervir, desempenhando um papel importante 
na prevenção de sequelas do tratamento da doença, fazendo 
parte integrante da equipe multidisciplinar que deve ser com-
posta também por médico, enfermeiro, assistente social, psi-
cólogo, nutricionista e terapeuta ocupacional, dentre outros, 
sendo cada profissional responsável pelas condutas na sua 
área de competência16.
Após a cirurgia, a mulher passa a ter uma nova realidade 
do esquema corporal, pois ocorrem alterações importantes 
em nível anatômico, fisiológico e funcional que podem vir 
acompanhadas de dores, degradação da forma física e mu-
dança do esquema corporal. Além das preocupações citadas, 
encontram-se presentes outras angústias ligadas à feminili-
dade, maternidade e sexualidade, já que o seio é um órgão 
repleto de simbolismo para a mulher. Baseado nestas altera-
ções é que a reabilitação física torna-se primordial, por apre-
sentar um conjunto de possibilidades terapêuticas suscetíveis 
de serem empregadas, desde a fase mais precoce da recu-
peração funcional do membro superior e cintura escapular 
até a profilaxia e tratamento de sequelas, como aderências 
cicatriciais e linfedema12,20,21.
O tratamento da mulher mastectomizada começa com a 
avaliação da postura, amplitude de movimento do pescoço, 
braço e tronco, força, medida de circunferência do braço, pal-
pação da pele, nível de dor, atividades de vida diária e capaci-
dades funcionais. Fisioterapeutas que trabalham no pós-opera-
tório de cirurgia de mama podem ter um relacionamento com 
cirurgiões, para que recomende as encaminhem para melhor 
conhecer suas diretrizes particulares para recuperação22,23.
O pós-cirúrgico é vivenciado de várias formas pelas pa-
cientes, de acordo com a importância que cada um dá a sua 
imagem corporal. O fisioterapeuta, ao iniciar a reabilitação 
funcional da paciente irá, através da palpação e do toque, 
determinar a presença e a localização da dor, proporcionan-
do à paciente um contato manual importante que ajudará na 
realização dos exercícios2,24.
Alem disso, a fisioterapia tem uma relação fundamental 
com as pacientes, no atendimento não segmentar ou focal, 
mas sistêmico, ou seja, não apenas com o local afetado, mas 
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com a repercussão do problema em todo o organismo da pes-
soa, além da sua autoestima e qualidade de vida25.
A repercussão do câncer de mama implica muitas conse-
quências físicas e psicológicas. O impacto psicológico, por 
sua vez se estende ao convívio familiar, social e afetivo. A 
mulher tem de se adaptar a sua nova imagem, lidar com a 
ideia da perda da feminilidade, com medo de perder o parcei-
ro. Esses fatores podem interferir no sucesso da reabilitação 
e do tratamento da mulher com câncer. Conhecê-los pode 
ajudar os profissionais a identificar as necessidades e traçar 
estratégias de tratamento com soluções eficazes, interferindo 
positivamente na realidade desses pacientes.
O objetivo geral desse estudo consiste em analisar as 
consequências da mastectomia com enfoque físico e psico-
lógico. Como objetivos específicos o presente estudo busca 
determinar as alterações físicas ocorridas após o procedi-
mento de mastectomia, analisando os problemas psicológi-
cos mais comuns e por fim correlacionar as alterações físicas 
e psicológicas nas pacientes avaliadas.
Metodologia
Foi realizado um estudo com caráter descritivo, obser-
vacional e transversal com estratégia de análise quantitativa 
dos resultados, realizado no Programa de Assistência à Mu-
lher Mastectomizada (PROAMMA), que presta assistência 
fisioterápica gratuita a mulheres que realizaram mastecto-
mia, do Centro Universitário Estácio, na unidade Via Cor-
pvs, localizada na Rua: Eliseu Uchoa Becco, Nº. 600 - Bair-
ro: Água Fria, Fortaleza-Ceará. Este programa desenvolve 
atividades destinadas à atenção direta as pacientes que estão 
em tratamento pós-operatório.
A coleta de dados foi realizada após aprovado pelo Co-
mitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário Estácio 
do Ceará (Protocolo nº 487.026/2013). Participaram do es-
tudo as mulheres escolhidas de forma aleatória, com faixa 
etária de 40 e 70 anos de idade, independentemente do es-
tado civil, religião, raça, status socioeconômico ou grau de 
escolaridade, que tenham passado pela primeira cirurgia em 
decorrência de câncer de mama e que manifestem desejo em 
participar da pesquisa, mediante a assinatura do Termo de 
Consentimento Livre e Esclarecido.
Foram excluídas do estudo mulheres que participem do pro-
grama PROAMMA a mais de dois anos. A coleta de dados foi re-
alizada através de uma ficha, onde foram obtidos os dados pesso-
ais, e informações referentes aos aspectos físicos e psicológicos. 
Para aquisição dessas informações foi realizada uma reunião com 
a Coordenadora do Projeto Social PROAMMA para a autoriza-
ção da realização da pesquisa com as participantes do programa. 
O estudo foi pautado nos princípios éticos, adotando a 
resolução 466/12 do Ministério do Brasil26 a partir da expli-
cação de todo o assunto, bem como dos objeitos da investiga-
ção. Posteriormente, foi entregue o Termo de Consentimento 
Livre e Esclarecido as participantes para que elas pudessem 
ter maiores esclarecimentos sobre a pesquisa, e, finalmente, 
foram assinados os termos garantindo a confidencialidade, 
anonimato e da não utilização das informações obtidas em 
prejuízo dos indivíduos, preservando os princípios éticos 
para aqueles que estiverem participando do estudo. 
A análise quantitativa e interpretação dos dados apura-
dos foi realizada através de uma planilha eletrônica, e dispos-
ta na forma de tabelas e gráficos, sendo utilizado o software 
Microsoft Office Excel Versão 2007. Também foi utilizado 
o questionário SF36 que é um inventário que avalia oito as-
pectos distintos dando-se um resultado para cada questão, 
que foram posteriormente transformados numa escala de 0 a 
100, em que zero é considerado o pior e 100 o melhor estado.
Resultados
A amostra foi composta por um grupo de 13 mulheres, 
sendo que nove estão participando assiduamente do projeto e 
foram entrevistadas. A média de idade de 55,89 ± 2,20 anos, 
e Índice de Massa Corpórea (IMC) médio de 26,70 ± 0,6 o 
que aponta sobrepeso.
O perfil demográfico das entrevistadas é caracterizado 
por 55,56% (n=5) de casadas e permaneceram com o mesmo 
estado civil após o diagnóstico de câncer; 88,89% (n=8) são 
mães; 44,44% (n=4) possuíam o ensino fundamental com-
pleto; 55,56% (n=5) informaram como profissão atual dona 
de casa. Quanto à mudança de profissão após a mastectomia 
33,33% (n=3) afirmaram que se tornaram dona de casa, por 
estarem impossibilitadas de exercer a profissão anterior e 
apenas 11,11 % (n=1) se aposentou por este mesmo motivo 
(tabela 1).
Tabela 1: Distribuição dos dados de acordo com o perfi l demo-
gráfi co das participantes do PROAMMA. Fortaleza\CE, 2013.
Dados Entrevistadas %
Estado civil antes da mastectomia
Solteira 4 44,44 
Casada 5 55,56 
Estado civil após a mastectomia
Solteira 4 44,44 
Casada 5 55,56 
Imc
Normal 2 22,22 
Sobrepeso 7 77,78 
Escolaridade
Fundamental 444,44 
Médio 3 33,33 
Superior 2 22,22 
Ocupação anterior
Professora 2 22,22 
Industriária 1 11,11 
Cozinheira 1 11,11 
Comerciante 2 22,22 
Dona de casa 2 22,22 
Recepcionista 1 11,11 
Ocupação atual
Artesã 1 11,11 
Professora 2 22,22 
Dona de casa 5 55,56 
Aposentada 1 11,11 
Diagnóstico médico
Câncer mamário 9 100,00 
Queixa principal
Dores 4 44,44 
Diminuição de adm 1 11,12 
Linfedema 4 44,44 
Filhos
Sim 8 88,89 
Não 1 11,11
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Quando questionadas sobre a historia da doença atual 
(HDA), 88,89% (n=8) foram submetidas à mastectomia radi-
cal; 33,33% (n=3) fizeram opção pela reconstrução mamária; 
77,78% (n=7) iniciaram o tratamento fisioterápico precoce-
mente. Quanto às terapias complementares 77,78% (n=7) re-
alizaram quimioterapia; 100% (n=9) realizaram radioterapia; 
44,44% (n=4) fez uso de hormonioterapia (tabela 2).
Tabela 2: Distribuição dos dados em relação a historia da 
doença atual das participantes do PROAMMA. Fortaleza\
CE, 2013.
Dados Entrevistadas % 
Tipo de mastectomia
Radical 8 88,89 
Quandrantectomia 1 11,11 
Optou pela reconstrução mamária
Sim 3 33,33 
Não 6 66,67 
Iniciou fi sioterapia precocemente 
Sim 7 77,78 
Não 2 22,22 
Realizou quimioterapia 
Sim 7 77,78 
Não 2 22,22 
Realizou radioterapia 
Sim 9 100,00 
Não 0 - 
Realizou hormonioterapia 
Sim 4 44,44 
Não 5 55,56
Na realização do exame físico observamos que 55,56% 
(n=5) apresentavam linfedema no braço homolateral ao pro-
cedimento; 77,78% (n=7) mantiveram o trofismo normal; 
100% (n=9) apresentavam a cicatriz da incisão cirúrgica 
fechada; todas apresentaram algum tipo de desvio postural 
sendo 66,67% (n=6) elevação do ombro à esquerda e 66,67% 
(n=6) inclinação da cabeça à esquerda (tabela 3).
Tabela 3: Distribuição dos dados do exame físico das parti-
cipantes do PROAMMA. Fortaleza\CE, 2013.
Dados Entrevistadas % 
Linfedema
Sim 5 55,56 
Não 4 44,44 
Trofi smo 
Normal 7 77,78 
Hipotrofi a 2 22,22 
Condições da cicatriz 
Aberta 0 - 
Fechada 9 100,00 
Desvios posturais ombro
Elevação do ombro à direita 3 33,33 
Elevação do ombro à esquerda 6 66,67 
Desvios posturais do pescoço
Inclinação do pescosço à direita 3 33,33 
Inclinação do pescosço à esquerda 6 66,67 
No quesito aceitação da cirurgia 55,56% (n=5) afirma-
ram não ter aceitado bem a noticia do procedimento, porém 
88,89% (n=8) relataram sentir-se bem após o procedimento, 
77,78% (n=7) relataram que não possuíam nenhum senti-
mento de revolta pelo diagnóstico e 44,44% (n=4) definiram 
sua saúde atual como boa (tabela 4).
Tabela 4: Distribuição dos dados sobre a aceitação da cirur-
gia das participantes do PROAMMA. Fortaleza\CE, 2013.
Dados Entrevistadas % 
Aceitou bem a noticia da cirurgia
Sim 4 44,44 
Não 5 55,56 
Sentiu-se bem após o procedimento
Sim 8 88,89 
Não 1 11,11 
Algum sentimento de revolta pelo diagnóstico 
Sim 1 11,11 
Não 8 88,89 
Em geral como você define sua saúde hoje 
Excelente 1 11,11 
Muito boa 3 33,33 
Boa 4 44,44 
Ruim 1 11,11 
 
Em relação ao apoio familiar 100% (n=9) afirmaram que 
tiveram o apoio da família; 22,22% (n=2) mencionaram que 
sofreram rejeição e 77,78% (n=7) não exerce mais suas fun-
ções no trabalho ou em casa (tabela 5).
Tabela 5: Distribuição dos dados em relação ao aspecto fa-
miliar das participantes do PROAMMA. Fortaleza\CE, 2013.
Dados Entrevistadas % 
Teve apoio familiar
Sim 9 100,00 
Não 0 - 
 Sofreu rejeição 
Sim 2 22,22 
Não 7 77,78 
Exerce suas funções no trabalho (ou em casa)
Sim 7 77,78 
Não 2 22,22
Nos itens avaliados pelo SF-36 o resultado obtido, através 
do cálculo especifico para o questionário, foram posterior-
mente transformados numa escala de 0 a 100, em que zero é 
considerado o pior e 100 o melhor estado. As médias da pon-
tuação por domínios do Questionário SF-36 estão demonstra-
das no gráfico 1, onde o escore mais evidentes foram o da 
Limitação por Aspectos Físicos2,78, com menor pontuação e 
Aspectos Sociais78,83, com a melhor pontuação (gráfico 1). 
Gráfico 1: Distribuição dos dados de acordo com a pontu-
ação por domínios do Questionário SF-36 das participantes 
do PROAMMA. Fortaleza\CE, 2013.
Discussão
A média de idade das participantes foi de 55,89 anos, o que 
evidencia a idade como um dos fatores mais importantes de ris-
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co para o câncer de mama. Sabbi6 e Zelmanowicz7 citam a 
idade como um dos fatores de ricos para o câncer de mama.
Analisando os resultados da escolaridade 44,44% possu-
íam ensino fundamental, 33,33% nível médio e 22,22% nível 
superior, dessa forma as mulheres apresentavam diferentes 
níveis socioculturais, o que pode ser atribuído ao rápido pro-
cesso de urbanização, que gera desigualdades, e as suas con-
sequências serão igualmente desiguais, tornando o grau de 
escolaridade um indicador socioeconômico, as variáveis que 
com ele se relacionem assim também o serão5. 
Para Oliveira, Ribeiro e Leite10 é de suma importância 
à detecção do câncer de mama, como forma de prevenção, 
através do autoexame, consultas médicas e mamografias 
periódicas. Esse é um importante fator que tem contribuído 
para o aumento da sobrevida das mulheres com câncer de 
mama, além dos avanços da medicina. 
Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA)5 apontam 
que o tratamento sistêmico, que pode ser a quimioterapia, hormo-
nioterapia e terapia biológica, só serão determinados de acordo 
com o risco de recorrência (idade do paciente, comprometimen-
to linfonodal, tamanho tumoral e grau de diferenciação) assim 
como das características tumorais que irão ditar a terapia mais 
apropriada, o que foi verificado no nosso estudo em que 100% 
das mulheres fizeram uso de algum tipo de terapia complementar.
As sequelas pós-cirúrgicas são tanto físicas como psi-
cológicas, de acordo com Guirro e Guirro1 o ato cirúrgico 
poderá ocasionar diminuição da amplitude máxima de movi-
mento no ombro envolvido, hipostesia do membro acometi-
do, dor e linfedema além de alterações posturais, bem como 
suas consequências, o que foi detectado nesse estudo, já que 
100% apresentaram algum tipo de alteração postural, sendo 
as mais relatadas 66,67% elevação do ombro à esquerda e 
66,67% inclinação do pescoço à esquerda.
De acordo com Baracho z12, o linfedema pode ser defini-
do como um inchaço crônico devido à deficiência da drena-
gem do sistema linfático, com o acúmulo anormal de fluido 
rico em proteína no espaço intersticial resultando em descon-
forto, dores, aumento do risco de infecção, ocasionando uma 
diminuição importante na qualidade de vida. Nesse estudo, 
foi encontrada a incidência de linfedema em 55,56% das en-
trevistadas, porém o impacto dessa sequela não foi destacado 
como causador de desconforto, dor ou teve alguma relação 
com a diminuição da qualidade de vida.
Para Pinheiro et al.17 a evolução dos métodos de detec-
ção precoce proporcionam que os tumores passem a ser des-
coberto em estadiamentos menores, tornando-se necessária 
a busca por abordagens cirúrgicas menos extensas e a oferta 
de uma reabilitação estética, física e psicológica. Contudo, 
em nosso estudo, 88,89% das mulheres foram submetidas à 
mastectomia radical. De acordo com Camargo, Marx2 a re-
construção da mama tem por objetivo restabelecer a imagem 
corporal ou melhorar a autoestima, restaurar o volume per-
dido, assegurar uma simetria com a mama oposta e recriar a 
aréola e mamilo, podendo ser feita ao mesmo tempo cirúrgi-
co que a mastectomia, sendo denominada imediata ou pode 
ser feita após a mastectomia, sendo denominada tardia. Em 
nossa pesquisa identificamos poucos casos de reconstrução 
da mama, apenas 33,33% optaram pelo procedimento.
Entre as mulheres que participaram da pesquisa, 77,78% 
iniciaram a fisioterapia precocemente com o objetivo de evi-
tar os comprometimentos mais comuns após a cirurgia, sen-
do assim, apenas 22,22% apresentaram hipotrofiado braço 
homolateral à cirurgia, o que pode ser explicado por Picaro, 
Pelório21 em seu estudo, destacando que a reabilitação física 
torna-se primordial, por apresentar um conjunto de possibi-
lidades terapêuticas suscetíveis de serem empregadas, desde 
a fase mais precoce da recuperação funcional do membro 
superior e cintura escapular até a profilaxia e tratamento de 
sequelas, como aderências cicatriciais e linfedema.
Ao compararmos a ocupação anterior com a ocupação atu-
al das entrevistadas, houve um aumento no numero de mulheres 
que se dizem donas de casa de 22,22% para 55,56% o que con-
firma Fernandes, Mamede27 a restrição das suas atividades pela 
ocorrência da doença faz com que estas se sintam inúteis, e na 
maioria das vezes chegam até deixarem seus empregos.
Silva e Rodrigues28 apontam, em seu estudo que o relacio-
namento familiar pode, na maioria das vezes, fortalecer, assim 
como os laços afetivos e de intimidade com seus familiares 
quando há o acometimento de uma patologia como o câncer 
de mama, o que foi verificado no nosso estudo que, 100% das 
entrevistadas afirmaram que tiveram o apoio da família, não 
havendo nenhum relato de abandono por parte do companhei-
ro, o que fica claro na comparação entre os dados do estado ci-
vil, antes e após a mastectomia, onde 55% das mulheres eram 
casadas e assim permaneceram após o procedimento e 88,89% 
disseram sentir-se bem após a cirurgia.
O estudo de Fernandes, Mamede27 demonstra que o es-
tilo de vida atual no qual a individualidade é buscada em 
detrimento do convívio social deve ser repensado. Dentre as 
possibilidades de ajuda para enfrentamento das dificuldades 
temos as associações, os serviços de saúde, os grupos e a 
família, essa convivência faz com que as mulheres elevem 
a autoestima e busquem se conscientizar de sua condição e 
aprender a lidar com ela. O que pode justificar o fato de que 
entre as entrevistadas do grupo 44,44% definem sua saúde 
como boa e 33,33% como muito boa; 66,66% optaram por 
não fazer uso de prótese mamária e 88,89% afirmaram que 
não tiveram nenhum tipo de sentimento de revolta por terem 
sido diagnosticadas com o câncer.
O câncer de mama e a mastectomia estão associados a 
sofrimento, mutilação, perda da sexualidade e, a depender do 
relacionamento existente entre a mulher mastectomizada e seu 
parceiro, a qualidade de vida de ambos pode sofrer alteração. 
No presente estudo as pesquisadas permaneceram com seus 
parceiros após a retirada da mama. Estudo de Conde et al.29, 
destacam que os companheiros de mulheres com câncer de 
mama podem ser fontes de estresse ou de suporte emocional e 
podem interferir ou contribuir na qualidade de vida das mes-
mas, pois, segundo pesquisa, mulheres satisfeitas com seus 
parceiros referem estar bem psicológica e sexualmente. 
Quanto ao questionário SF-36, se for feito um parale-
lo do que foi discutido até então com os resultados obtidos 
na análise dos domínios do questionário, pode-se verificar 
que os mais prejudicados foram o Aspecto Físico com escore 
(2,78) e o Aspecto Emocional pontuando (40,40). Isso por-
que uma vez descoberta a doença, realizada a mastectomia e 
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o tratamento complementar, acarreta consequências em sua 
saúde física e emocional, ocasionadas pela diminuição na 
quantidade de tempo dedicado ao trabalho e a outras ativida-
des, realização de menos tarefas do que gostaria e dificulda-
des para fazer seu trabalho anterior, ou mesmo em casa. Nos 
quesitos Aspectos Sociais (78,83) e Saúde Mental (74,67) 
observou-se os melhores resultados entre os analisados pelo 
questionário. Constatou-se através desses dados, que a inter-
venção cirúrgica e as suas complicações afetam diretamente 
na qualidade de vida das mulheres diagnosticadas com cân-
cer de mama.
Conclusão
Concluímos que o impacto físico ficou mais evidente e 
interfere diretamente na atividade dessas mulheres, que antes 
exerciam suas profissões e atualmente estão impossibilitadas 
de realiza-las. É relevante o inicio precoce de tratamento fisio-
terápico na prevenção sequelas e de disfunções relacionadas à 
retirada da mama, como no tratamento de distúrbios já insta-
lados bem como a importância de uma abordagem multidis-
ciplinar dessas pacientes, considerando não apenas o quadro 
patológico, mas também a reabilitação física, psicológica, so-
cial e profissional. No aspecto psicológico o suporte e apoio 
familiar, bem como o convívio com um grupo social fazem 
com que, emocionalmente, elas estejam mais preparadas para 
lidar com a sua nova realidade. E toda essa repercussão está 
diretamente associada ao prejuízo apresentado nos resultados 
na analise de qualidade de vida dessas mulheres.
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195
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
Artigo Original
Distância percorrida no teste de caminhada
de seis minutos como preditora de óbito em
cardiopatas: um estudo retrospectivo
Distance on the six minutes walk test as predictor
of cardiac death in: a retrospective study
Joédson da Silva1, Vanessa do Carmo Correia2, Júlio Marins de Castro3, Patrícia dos S.V. de Abreu3,
Marco Orsini4, Tiago Batista da Costa Xavier5, Mauricio de Sant Anna Jr5
1. Serviço de Fisioterapia do Hospital Universi-
tário Clementino Fraga Filho – Universidade 
Federal do Rio de Janeiro (HUCFF-UFRJ) / 
Preceptor de Estágio e Residência Multiprofi s-
sional do HUCFF, Rio de Janeiro / Serviço de 
Fisioterapia do Hospital Icaraí, Rio de Janeiro.
2. Coordenadora e Docente do Curso de Fisiote-
rapia do Centro Universitário Anhanguera de 
Niterói (UNIAN), Niterói, Rio de Janeiro.
3. Fisioterapeuta pelo Centro Universitário Anhan-
guera de Niterói – Niterói, Rio de Janeiro.
4. Doutor Professor do programa de doutorado 
em Neurologia – UFF / Professor do Curso de 
Mestrado em Urgência e Emergência Médica 
– Universidade Severino Sombra (USS), 
5. Professor do Curso de Fisioterapia do Instituto 
Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do 
Rio de Janeiro (IFRJ) / Grupo de Estudos em 
Reabilitação na Alta Complexidade (GERAC) 
/ Serviço de Fisioterapia Hospital Federal dos 
Servidores do Estado (HFSE).
 
Endereço para correspondência: Prof. PhD. 
Mauricio de Sant’ Anna Jr. Instituto Federal 
de Educação – Ciência e Tecnologia do Rio 
de Janeiro (IFRJ) – Campus Realengo – Rua 
Professor Carlos Wenceslau, 343 – Realengo 
– Rio de Janeiro – CEP 21715-000 – Brasil – 
Tel.: (+55.21) 3463-4497.
E-mail: mauricio.junior@ifrj.edu.br 
Recebido para publicação em 13/10/2016 e acei-
to em 28/11/2016, após revisão.
Resumo 
O objetivo do presente estudo foi realizar uma análise retrospectiva quanto à exis-
tência de óbito em pacientes cardiopatas que realizaram teste de caminhada de seis 
minutos (TC6M) ambulatorialmente. Foi realizado contato telefônico, em horário co-
mercial, em dias úteis, onde foram feitos questionamentos sobre a condição atual do 
paciente (clínica e físico-funcional), além do verificação de possíveis reinternações e 
óbito no período. Posteriormente os resultados foram tabulados em planilha específica 
e analisados. Para análise dos resultados foi utilizado o teste t student para comparação 
entre a distância prevista e a obtida no TC6M sendo adotado o nível de significân-
cia p<0,05. Após serem aplicados os critérios de inclusão e exclusão a amostra foi 
composta por 19 prontuários de pacientes de ambos os sexo com media de idade de 
55,4±16,0 onde a distância média percorrida no TC6M foi de 451,7±166,2 metros. 
Cinco indivíduos evoluíram com óbito no período de 4,1 anos sendo eles os indivíduos 
que caminharam as menores distâncias no TC6M (300,0±119,6 metros equivalente 
a 59,9% do previsto). Observamos que para a amostra avaliada o TC6M foi capaz 
de estratificar o risco de óbito em pacientes cardiopatas que percorreram distâncias 
inferiores à 300 metros estando de acordo com as evidências previamente apontadas 
na literatura. Sugerimos que o TC6M seja realizado como rotina de follow up em pa-
cientes cardiopatas em acompanhamento ambulatorial.
Palavras-chave: capacidade funcional, estratificação de risco, prognóstico.
Abstract 
The objective of the present study was to conduct a retrospective analysis of the 
existence of death in patients with heart disease who underwent six-minute walk test 
(6MWT) in the outpatient setting. A telephone contact was made during business 
hours, on working days, where questions were asked about the patient’s current condi-
tion (clinical and physical-functional), as well as verification of possible readmissions 
and death in the period. Subsequently the results were tabulated in a specific worksheet 
and analyzed. For the analysis of the results, the student’s t test was used to compare 
the predicted and obtained distance in the 6MWT. The level of significance was adop-
ted p <0.05. After applying the inclusion and exclusion criteria, the sample consisted 
of 19 medical records of patients of both sex with mean age of 55.4±16.0, where the 
mean distance walked on the 6MWT was 451.7±166.2 meters. Five individuals died in 
the 4.1-year period, and they were the individuals who walked the shortest distances in 
the 6MWT (300.0±119.6 meters equivalent to 59.9% of predicted). We observed that 
for the sample evaluated the 6MWT was able to stratify the risk of death in patients 
with heart disease who traveled distances of less than 300 meters, according to the 
evidence previously mentioned in the literature. We suggest that the 6MWT should be 
performed as a follow-up routine in patients undergoing ambulatory follow-up.
Keywords: risk stratification, function capacity, prognostic.
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
196
Introdução
As doenças que acometem o sistema cardiovascular 
apresentam grande incidência e prevalência, com destaque 
para insuficiência cardíaca (IC), infarto agudo do miocárdio 
(IAM)1-3 o que representa um importante gasto para o siste-
ma único de saúde. Tais condições cursam com importante 
deterioração da capacidade funcional4,5. 
O teste de caminhada de seis minutos (TC6M) é um teste 
simples, de baixo custo, fácil aplicabilidade que visa utilizar 
a atividade habitual como ferramenta de avaliação da capa-
cidade funcional. Ele foi idealizado na década de 19706,7, 
com objetivo de avaliar funcionalmente portadores de do-
ença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)7,8, apresentado 
correlação com o consumo de oxigênio de pico (VO2pico)9, 
sendo indicado e amplamente aplicado em condições como: 
comparação pré e pós tratamento (ex: IC, DPOC, hiperten-
são pulmonar, redução de volumes e capacidades pulmona-
res, dentre outras), avaliação da capacidade funcional (IC, 
DPOC, doença vascular periférica, fibrose cística, dentreou-
tras), além de ser uma ferramenta importante na predição do 
prognostico em diversas condições6,7,10,11,12,13. 
Diversos estudos apontam que a distância percorrida 
no TC6M é um importante indicador mortalidade estando 
os pacientes que caminham distância inferior a 300 metros 
com grave acometimento de sua condição físico-funcional 
o que aumentaria substancialmente a chance de desfechos 
sombrios, como o óbito13,14,15. 
Por tratar-se de uma avaliação que envolve um mínimo 
grau de complexidade para sua realização, o TC6M tem sido 
utilizado como ferramenta para estratificação de risco quan-
to a morbidade e mortalidade10,16,17. Tendo em vista todo ex-
posto o objetivo do presente estudo foi realizar uma análise 
retrospectiva quanto à existência de óbito em pacientes car-
diopatas que realizaram TC6M ambulatorialmente.
Metodologia
O presente estudo foi composto de análise retrospecti-
va de prontuários de pacientes com diagnóstico de doenças 
cardiovasculares e/ou respiratórias que foram admitidos 
no Núcleo de Atenção à Saúde Margarida Waldmann Lei-
te – Clínica Escola de Fisioterapia do Centro Universitário 
Anhanguera de Niterói no período de 2000 a 2015). 
Amostra 
A amostra foi composta por 3.400 prontuários arquiva-
dos na Clinica Escola de Fisioterapia do Centro Universitá-
rio Anhanguera de Niterói. 
Critérios de inclusão
Foram incluídos no estudo prontuários de indivíduos 
com diagnóstico de doença cardiovascular com idade entre 
18 a 85 anos e que realizaram TC6M.
Critérios de exclusão
Foram adotados como critérios de exclusão: pron-
tuários que não apresentavam registros de realização do 
TC6M, que não tivessem registros adequados (distância 
percorrida no TC6M, idade, contato telefônico, diagnóstico 
clínico) menores de 18 anos e inviabilidade de realização 
de contato telefônico (mudança de número de telefone) e 
prontuários que de pacientes que realizaram TC6M mas 
não apresentavam cardiopatias.
Protocolo de pesquisa
Foi realizado contato telefônico, em horário comercial, 
em dias úteis, onde foram feitos questionamentos sobre a 
condição atual do paciente (clínica e físico-funcional), além 
do verificação de possíveis reinternações e óbito no período. 
Posteriormente os resultados foram tabulados em planilha 
específica e analisados.
Para a determinação da distância prevista a ser percorri-
da foi utilizada a equação proposta por Brito et al. para popu-
lação brasileira13 [DPTC6M=890,46-(6,11 x idade)+(0,0345 
x idade2)+(48,87 x gênero)-(4,87x IMC) sendo gênero = 1 
(homens) e gênero = 0 (mulheres)].
Análise estatística
Os dados obtidos foram tabulados e organizados em 
planilha de cálculos e descritos como média±desvio padrão 
e porcentagem. Para caracterização da distribuição dos da-
dos foram aplicados os testes de Kolmogorov-Smirnov com 
correção de Lilliefors (distribuição normal). Para análise dos 
resultados e confecção dos gráficos foi utilizado o GraphPad 
Prims 5®. O teste t student foi utilizado para comparação en-
tre a distância prevista e a obtida no TC6M sendo adotado o 
nível de significância quando P<0,05. 
Resultados
Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão per-
maneceram no estudo para análise 19 prontuários, conforme 
apresentado na figura 1. As características demográficas dos 
componentes da amostra encontram-se descritas na tabela 1. 
Dos prontuários avaliados 14 pertenciam ao sexo feminino 
(73,7%) e 5 pertenciam ao sexo masculino (23,3%).
Figura 1: Organograma dos critérios de exclusão. TC6M = 
teste de caminhada de seis minutos.
Tabela 1: características demográficas dos componentes 
da amostra.
Variáveis Média±desvio padrão
Idade (anos) 55,4±16,0
Estatura (m) 1,60±0,08
Massa Corporal (kg) 72,9±18,7
IMC (kg/m²) 28,8±8,1
IMC = índice de massa corporal.
Os componentes da amostra apresentavam como diag-
nósticos clínicos: insuficiência cardíaca (42,1%), doença ar-
terial coronariana (42,1%) e revascularização do miocárdio 
(15,8%). As comorbidades associadas encontram-se descri-
tas na tabela 2.
197
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
Tabela 2: Características clínicas dos componentes da amostra.
Comorbidades %
Infarto agudo do miocárdio 34
Doença pulmonar obstrutiva crônica 25
Obesidade 10
Hipertensão arterial sistêmica 9
Asma 9
Acidente vascular encefálico 5
Bronquiectasia 4
Pneumotórax 4
No que tange a distância percorrida no TC6M os compo-
nentes da amostra caminharam 416,7±172,1 metros. Obser-
vamos que os indivíduos percorreram uma distância inferior 
ao previsto, com significância estatística (P=0,0096), con-
forme descrito na figura 2. 
Figura 2: Compara-
ção entre a distância 
prevista e a obtida 
no teste de caminha-
da de seis minutos 
por todos os compo-
nentes da amostra. 
Valores descritos 
em média±desvio 
padrão. *Significância 
estatística (P<0,05).
Dos 19 prontuários analisados, observamos que 14 in-
divíduos (9 mulheres e 5 homem) apresentavam condições 
favoráveis no período de 6,8±1,2 anos após alta do tratamen-
to fisioterapêutico, dos quais 29% seguiram praticando ativi-
dade física e apenas 7% necessitou de internação hospitalar, 
porém os motivos da hospitalização não tiveram relação com 
a condição cardiovascular. 
A média de idade desses sujeitos foi de 51,5±17,9 anos. 
A distância percorrida no TC6M foi de 451,7±166,2 metros 
obtendo 85,9% do previsto não apresentando diferenças sig-
nificativas (P=0,1347), conforme apresentado na figura 3. 
Figura 3: Compara-
ção entre a distância 
prevista e a obtida 
no teste de caminha-
da de seis minutos 
pelos componentes 
da amostra que não 
evoluíram com óbi-
to. Valores descritos 
em média±desvio 
padrão. 
Em cinco casos foi observado o de óbito como desfe-
cho (4 mulheres e 1 homem) tendo sido apontado em 100% 
dos casos pelos familiares a IC com causa. A média de idade 
desses sujeitos foi de 67,0±8,5 anos, o tempo entre a alta 
do tratamento fisioterapêutico e o óbito foi de 4,4±1,1 anos 
e a distância percorrida por esses indivíduos no TC6M foi 
de 300,0±119,6 metros (59,9% do previsto) com diferença 
significativa (P=0,0079) conforme apresentado na figura 4. 
Figura 4: Compara-
ção entre a distância 
prevista e a obtida 
no teste de caminha-
da de seis minutos 
pelos componentes 
da amostra que evo-
luíram com óbito. 
Valores descrito em 
média±desvio pa-
drão. * Significância 
estatística (P<0,05).
Discussão
O presente estudo teve como objetivo realizar uma aná-
lise retrospectiva quanto à existência de óbito em pacientes 
cardiopatas que realizaram TC6M ambulatorialmente.
O TC6M é uma ferramenta útil no que diz respeito à ava-
liação da capacidade funcional, além de poder ser aplicado na 
prática clínica como uma ferramenta de estratificação de risco 
e avaliação da efetividade de programas de reabilitação, tendo 
como grande fator positivo o fato de ser de fácil aplicabilida-
de, reprodutibilidade e de intensidade submáxima10.
A realização do TC6M é padronizada pela ATS6,7, porém 
para obtenção dos valores previstos a serem percorridos por 
cada indivíduo é sugerido pelo documento que seja utilizada 
a equação proposta pelos pesquisadores Enright e Sherrill19, 
porém essa equação não é aplicável a realidade da população 
brasileira, por esse motivo em nosso estudo para quantifica-
ção da distância total a ser percorrida utilizamos a equação 
proposta por Britto et al18 sendo a mesma específica e vali-
dada para a população estudada. 
Nossos achados apontaram para uma elevada taxa de 
óbito nos pacientes cardiopatas, em especial os portadores de 
IC. Encontramos descrito na literatura um elegante estudo de-
senvolvido por estudo Mac Gowan et al20 que demonstraram 
que pacientes portadores de IC submetidos ao teste de esforço 
cardiopulmonar (ergoespirometria) que apresentavam consu-
mo de oxigênio de pico (VO2 pico) inferior à 15 mL O2/kg/min 
apresentavam 88% chance de mortalidade em 3,8 anos, quan-
do comparados a pacientes com IC que apresentavam VO2 pico 
maior que 15 mL O2/kg/min
20. Esse achados são significativosem virtude de o VO2 pico
 ser o padrão ouro no que diz respeito a 
avaliação da capacidade aeróbica, que normalmente encontra-
-se consideravelmente deteriorada na presença da IC20. 
É consolidado na literatura que o TC6M possui uma ampla 
relação com o VO2 pico
9,1011,17, isso nos permite fazer uma inferên-
cia de que os indivíduos de nossa amostra que evoluíram com 
óbito provavelmente apresentavam VO2 pico inferior a 15 mL O2/
kg/min sendo uma das possíveis justificativas para o falecimen-
to no período de 4,4±1,1 anos após a realização do TC6M. 
A distância percorrida no TC6M foi utilizada por Cahalin 
et al21. como ferramenta para predição do VO2 pico em portado-
res de IC além de avaliação de sobrevida. Participaram do pro-
tocolo 45 sujeitos com média de idade de 49±8 anos, com uma 
fração de ejeção de ventrículo esquerdo (FEVE) de 20±6%, 
em uma classe funcional da New York Heart Association 
(NYHA) de 3,3±0,6 que foram submetidos à avaliação ergo-
espirométrica e ao TC6M. Foi observado que a distância per-
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
198
corrida foi de 310±100 metros e VO2 pico 12,2±4,5 mL/kg/min, 
assim como em outros estudos a distância percorrida apresen-
tou correlação com o consumo de oxigênio (r=0.64, p<0.001). 
Como desfecho verificado que os pacientes que caminhavam 
distância inferior a 300 metros apresentavam maiores chances 
de internação e óbito no período de seis meses. 
Esses achados são similares aos descrito no Studies of 
Left Ventricular Dysfunction (SLOVD) um estudo clássico 
que apresenta a distância percorrida no TC6M em pacientes 
com IC como sendo um importante índice de internação hos-
pitalar e também preditor de mortalidade, afirmando que dis-
tâncias caminhadas superiores à 450 metros são indicadores 
de bom prognóstico e que distâncias entre 150 à 300 metros 
caracterizam pior prognóstico. Esse estudo tornou-se impor-
tante na literatura científica por ter sido um dos pioneiros na 
demonstração da distância percorrida no TC6M como variá-
vel independente de morbidade e mortalidade em pacientes 
com IC, principalmente. Nossos resultados encontra-se em 
consonância aos descritos no SLOVD.
Outro estudo que investigou o impacto da distância 
percorrida no TC6M no valor prognóstico no que tange a 
estratificação de risco foi o realizado por Ingle et al22, que 
avaliaram uma população de 1.592 pacientes portadores de 
IC, com média de idade de 74±2 anos e que foram acom-
panhado pelo período de 36 meses, onde observou-se uma 
mortalidade de 13,3% ao longo do estudo apresentando uma 
relação diretamente proporcional com a distância percorrida 
no TC6M onde os indivíduos que caminharam uma distância 
inferior a 300 metros evoluíram com a maior taxa de óbito, 
um risco de aproximadamente 8% nos primeiros doze meses 
e aproximadamente 12% em vinte quatro meses. Esses acha-
dos são condizentes aos encontrados em nosso estudo, po-
rém os componentes de nossa amostra evoluíram com óbito 
em um período de tempo superior, aproximadamente meses. 
Os estudos citados acima apresentam resultados que cor-
roboram aos encontrados pelo nosso grupo, uma vez que todos 
os indivíduos que evoluíram com óbito em nossa população 
apresentavam como causa morte a IC e não coincidentemente 
caminharam uma distância no TC6M inferior à 300 metros, o 
que ratifica a importância da utilização do TC6M como ferra-
menta de avaliação funcional e estratificação de risco. 
Um dos mais elegantes trabalhos envolvendo o TC6M em 
uma população de cardiopatas com doença arterial coronariana 
(DAC) foi realizado por Beatty et al17. Eles avaliaram a distân-
cia percorrida no TC6M e capacidade de exercício em esteira de 
556 pacientes ambulatoriais. Os indivíduos foram acompanha-
dos por 8,0 anos sendo definido como desfechos para eventos 
cardiovasculares IC, infarto do miocárdio e óbito. 
Ao dividir a distância percorrida em quartil (Q1 = 87 – 
419 metros, Q2 = 420 – 480 metros, Q3 = 481 – 543 metros e 
Q4 = 544 – 837 metros) observou-se que a distância percorri-
da no TC6M foi capaz de prever eventos cardiovasculares em 
portadores de DAC e que os indivíduos que caminhavam dis-
tâncias entre 87 a 419 (Q1) metros apresentavam quatro vezes 
maior a chance de eventos quando comparados aos indivíduos 
que caminhavam distâncias entre 544 a 837 (Q4) metros.
Em uma análise comparativa aos resultados encontra-
dos em nosso estudo observamos que os indivíduos de nossa 
amostra que não evoluíram com óbito encontram distribuídos 
de acordo com Beatty no segundo quartil (Q 2) com uma dis-
tância média percorrida de 451,7 metros o que reduz em apro-
ximadamente 40% a chance de um dos desfechos descritos.
Já os indivíduos de nossa amostra que evoluíram com 
óbito caminharam uma distância média de 300 metros o que 
no processo de comparação os colocaria no primeiro quartil 
(Q1) composto justamente pelos indivíduos que caminharam 
a menor distância e apresentam o maior número percentual 
de todos os desfechos incluindo óbito. 
Limitações do estudo
Apesar do elevado número de prontuários revisados 
encontramos um pequeno número de documentos elegíveis 
para ingresso em nosso estudo, porém mesmo com núme-
ro reduzido foi possível perceber a importância da distância 
percorrida no TC6M tendo o óbito como desfecho. 
Outro fator limitante foi o fato de não encontrarmos des-
crito à classificação funcional da NYHA o que nos impossi-
bilitou de fazer maiores inferências entre a classe funcional, 
a distância percorrida e o desfecho clínico. 
Conclusão
Observamos que para a amostra avaliada o TC6M foi ca-
paz de estratificar o risco de óbito em pacientes cardiopatas 
que percorreram distâncias inferiores à 300 metros estando de 
acordo com as evidências previamente apontadas na literatura. 
Sugerimos que o TC6M seja realizado como rotina de follow up 
em pacientes cardiopatas em acompanhamento ambulatorial. 
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199
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
Artigo Original
Fisioterapia oculomotora 
no tratamento da presbiopia
Oculomotor physiotherapy in the treatment of presbyopia
Dominique Babini Lapa de Albuquerque1, Nathielly Carolina Silva Gonçalves2, Paulo Henrique de Melo3
Resumo
Introdução: A presbiopia é a mais comum das desordens refrativas da vida adulta, 
estando relacionada à diminuição da amplitude de acomodação. A presbiopia pode 
prejudicar a capacidade do indivíduo em realizar as atividades de vida diária e profis-
sional relacionadas à leitura e realização de atividades manuais precisas. O tratamen-
to fisioterapêutico consiste basicamente em dar tônus à musculatura, proporcionando 
uma melhor interação entre o indivíduo, suas funções e o ambiente que o cerca. Ob-
jetivo: Investigar a eficácia da fisioterapia oculomotora como recurso terapêutico no 
tratamento de pacientes com presbiopia. Metodologia: O grupo de estudo foi consti-
tuído por 10 indivíduos, de ambos os gêneros, na faixa etária entre 40 e 50 anos, com 
diagnóstico clínico de presbiopia, avaliados e submetidos a 20 sessões de Fisioterapia 
compostas pelas seguintes condutas: movimentos oculares horizontais, verticais, dia-
gonais e espirais com e sem ponto, zigue zague, ponto em três direções, exercícios com 
a ponta do lápis, cartelas de três e dez bolas e figuras de sobreposições. Para análise es-
tatística utilizou-se o Teste de student, com nível de significância de 5%. Resultados: 
Foi verificada redução de todos os sintomas que acompanham a presbiopia avaliados, 
com destaque para dificuldade em focalizar objetos próximos (p:0,005), cansaço visual 
durante a leitura (p:0,014), dor ocular (p:0,036) e cefaleia (p:0,039). Considerações 
Finais: A fisioterapia oculomotara através do protocolo de tratamento proposto pare-
ceu ser eficaz no tratamento da presbiopia, melhorando a capacidade de realização das 
atividades diárias e laborais de maior precisão. 
Palavras-chave: presbiopia, acomodação ocular, músculos oculomotores, fisioterapia. 
Abstract
Introduction: Presbyopia is the most common refractive disorder of adulthood and is 
associated with decreased amplitude of accommodation. Presbyopia can impair the 
ability of the individual to perform their activities of daily and professional life related 
to reading and performing precise manual activities. The physiotherapeutic treatment 
primarily consists of giving tone to the musculature, providing a better interaction be-
tween the individual, their functions and the surrounding environment. Objective: To 
investigate the efficacy of oculomotor physiotherapy as a therapeutic resource to treat 
patients with presbyopia. Methodology: The study sample consisted of 10 individuals, 
of both genders, aged between 40 and 50 years, with clinical diagnosis of presbyo-
pia, evaluated and submitted to 20 physiotherapy sessions composed of the following 
exercises: horizontal, vertical, diagonal and spiral eye movements with and without 
point, zig zag, point in three directions, exercises with the point of a pencil, cards of 
three and ten balls and overlapping figures. Statistical analysis was performed using 
Student’s t-test, with 5% significance level. Results: A reduction of all symptoms that 
accompany the evaluated presbyopia was verified, especially regarding difficulty fo-
cusing on near objects (p=.005), eye strain while reading (p=.014), eye pain (p=.036) 
and headache (p=.039). Conclusion: Oculomotor physiotherapy through the proposed 
treatment protocol appeared to be effective in treating presbyopia, improving the abili-
ty to perform daily activities and more precise work.
Keywords: presbyopia, ocular accommodation, oculomotor muscles, physiotherapy.
1. Fisioterapeuta, Doutoranda em Saúde da 
Criança e do Adolescente pela Universidade 
Federal de Pernambuco (UFPE) / Mestre em 
Educação pela Universidade de São Paulo 
(USP), Coordenadora do Curso de Fisiotera-
pia da Faculdade de Comunicação e Turismo 
de Olinda (FACOTTUR), Docente do Centro 
Universitário Maurício de Nassau (UNINAS-
SAU), Recife, PE-Brasil, e-mail: dbabini.fi sio-
terapeuta@gmail.com
2. Fisioterapeuta, graduada pelo Centro Universi-
tário Maurício de Nassau (UNINASSAU), Re-
cife, PE-Brasil, e-mail: nathiellygoncalves@
gmail.com
3. Fisioterapeuta, graduado pelo Centro Univer-
sitário Maurício de Nassau (UNINASSAU), 
Recife, PE-Brasil, e-mail: e-mail: pauldmelo@
gmail.com
Endereço para correspondência: Rua do Futu-
ro, 800, apt. 203 – Afl itos – Recife – Pernam-
buco – Brasil – CEP: 52050-010.
Recebido para publicação em 05/09/2017 e acei-
to em 10/11/2017, após revisão.
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
200
Introdução 
O olho normal, sem vício de refração, é um sistema ópti-
co composto pela córnea e o cristalino. A córnea é a primeira 
lente deste sistema óptico e está localizada na parte externa 
do olho. O cristalino é uma lente natural interna, dentro do 
olho, e somente pode ser vista ou examinada com aparelhos 
específicos1,2. Enquanto a córnea é uma estrutura estática, 
sem capacidade de modificar a sua forma e, portanto o seu 
poder como lente de um sistema óptico, o cristalino é uma 
lente dinâmica modificando a sua forma, permitindo focali-
zar a visão para diferentes distâncias. A este mecanismo cha-
mamos de acomodação3,4. 
 Porém, o cristalino sofre deterioração com o tempo, ou 
seja, a capacidade que o ser humano tem de acomodação da 
visão ativamente para perto se extingue entre os 40 a 50 anos 
de idade e recebeo nome de presbiopia, atingindo 100% da 
população desta faixa etária5,6. A presbiopia é a mais comum 
das desordens refrativas da vida adulta, estando relacionada 
à diminuição da amplitude de acomodação7,8. 
Em indivíduos emétropes, a presbiopia se manifesta em 
torno dos 40 anos, havendo necessidade de óculos para lei-
tura ou lentes de contato. Os sintomas começam com uma 
dificuldade em focalizar objetos próximos e avançam com 
cansaço visual durante a leitura, às vezes acompanhado 
de ardência ocular e lacrimejamento9,10. Apesar dos custos 
anuais acarretados por este problema, as causas básicas da 
presbiopia ainda restam inexplicadas. Quando se consideram 
várias possibilidades, qualquer teoria proposta deve levar em 
consideração o conhecido declínio da habilidade ocular de 
alterar o seu foco com a idade11,12.
 O tratamento desta disfunção pode ser conservador, atra-
vés do uso de óculos ou lentes de contato ou cirúrgico por 
meio da realização de lensectomia refrativa13,14,15. Há alguns 
anos a Fisioterapia passou a ser mais uma opção terapêutica 
no tratamento da presbiopia, sendo conhecida como fisiote-
rapia oculomotora ou oftalmológica, que faz uso de exercí-
cios musculares, equipamentos eletrônicos e ferramentas de 
estimulação motora e sensorial, como lentes prismáticas e 
filtros, para corrigir distúrbios da visão e resgatar a capaci-
dade visual dos pacientes16.
 O tratamento fisioterapêutico consiste basicamente em 
dar tônus à musculatura, proporcionando uma melhor intera-
ção entre o indivíduo, suas funções e o ambiente que o cerca. 
Além da presbiopia, a fisioterapia oculomotora atua no tra-
tamento de diversos transtornos oculares, como estrabismo, 
alterações sensoriais, estereopsia, ambliopia, adaptação de 
lentes de contato, fotofobia, distúrbios de leitura, baixa de 
visão por miopia, astigmatismo e hipermetropia acentuados, 
lesões oculares causadas por paralisias faciais e diabetes e na 
readaptação de moradia, locomoção e vida profissional de 
portadores de deficiência visual16.
 A presbiopia se constitui em um importante problema 
de saúde pública, devido à sua elevada frequência, à existên-
cia de meio corretivo disponível e às limitações funcionais 
e implicações mórbidas que interferem com a qualidade de 
vida dos indivíduos, principalmente quando os constantes 
avanços tecnológicos demandam progressivamente de boa 
higidez visual para perto17,18, justificando, assim, a realização 
desta pesquisa que objetivou investigar a eficácia da fisiote-
rapia oculomotora como recurso terapêutico no tratamento 
de pacientes com presbiopia.
Metodologia
Trata-se de um estudo experimental, analítico e prospec-
tivo, do tipo série de casos, o qual foi constituído por uma 
amostra de 10 indivíduos, de ambos os gêneros, na faixa en-
tre 40 e 50 anos, com diagnóstico clínico de presbiopia.
Foram excluídos do estudo indivíduos que apresentaram am-
bliopia, astigmatismo e estrabismo, baixo nível cognitivo, e/ou 
que realizaram tratamento cirúrgico para correção da presbiopia.
A pesquisa foi desenvolvida na Clínica-Escola de Fisiote-
rapia do Centro Universitário Maurício de Nassau após a ob-
tenção de parecer favorável do Comitê de Ética em Pesquisa, 
segundo o parecer de nº 09071413.6.0000.5193, e assinatura 
do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, atendendo a 
Resolução nº 466/12 do Conselho Nacional de Saúde. 
Os participantes foram submetidos a uma avaliação ela-
borada pelas pesquisadoras do estudo, a fim de coletar seus 
dados pessoais (nome, idade, gênero, estado civil, raça), pro-
fissionais (profissão, atividade atual, tempo de serviço), so-
cioeconômicos (renda per capita e escolaridade) e condições 
visuais (percepção da higiene visual, tempo de dificuldade 
visual e recomendação de correção visual).
Foi investigada também a presença de sintomas associa-
dos à presbiopia, a saber: dificuldade em focalizar objetos 
próximos, cansaço visual durante a leitura, ardência ocular, 
lacrimejamento, dor nos olhos, cefaleias, dificuldade em ler 
letras pequenas na distância habitual, borramento da imagem 
e dificuldade em ler com pouca luz.
Posteriormente, os participantes foram submetidos a 20 
sessões de Fisioterapia Oculomotora, realizadas 02 vezes por 
semana, com duração de 40 minutos cada. As sessões foram 
compostas pelas seguintes condutas: movimentos oculares ho-
rizontais, verticais, diagonais e espirais com e sem ponto, zi-
gue zague, ponto em três direções, exercícios com a ponta do 
lápis, cartelas de três e dez bolas e figuras de sobreposições.
Ao final do tratamento os pacientes foram reavaliados, 
a fim de se verificar possíveis alterações na sintomatologia 
apresentada pelos mesmos. Os dados coletados foram avalia-
dos segundo a estatística descritiva, através de percentuais, 
médias e desvios padrões, representados através da distribui-
ção tabular e gráfica, utilizando-se a Microsoft Excel 2010. 
Para análise das diferenças estatísticas dos escores das cate-
gorias antes e depois da fisioterapia, foi aplicado o Teste de 
student, considerando-se um p<0,05.
Resultados
Entre os participantes da amostra, houve predominância 
do gênero feminino (70.0%), estado civil casado (60.0%) e 
raça branca (40.0%). Os indivíduos apresentaram idade va-
riando entre 41 e 48 anos, com média de 44,8±3,15 anos. 
 A avaliação das condições visuais dos participantes da 
pesquisa pode ser evidenciada na tabela 1. Com relação à 
percepção da higiene visual, 40.0% dos pacientes relataram 
dificuldade para enxergar de perto e de longe, em sua maio-
ria, iniciada acerca de 6 a 10 anos (60.0%). Todos fazem uso 
201
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
de correção visual, sendo 80.0% do tipo óculos, recomenda-
dos pelo médico.
Tabela 1: Condições visuais.
Variáveis (%) n=10
Percepção da higiene visual:
Normal -
Dificuldade para perto 40.0
Dificuldade para longe 20.0
Ambos 40.0
Tempo da dificuldade visual:
De 1 a 5 anos 30.0
De 6 a 10 anos 60.0
Mais de 10 anos 10.0 
Uso de correção visual:
Sim 100.0
Não - 
Tipo de correção visual:
Óculos 80.0
Lentes de contato -
Ambos 20.0
Recomendação de correção visual:
Médico 80.0
Balconista da ótica 20.0
Familiar -
Outros -
Após o término do tratamento fisioterapêutico, houve re-
dução estatística significativa da presença dificuldade em fo-
calizar objetos próximos (p:0,005), bem como, da sensação de 
cansaço visual (p:0,014). Antes do tratamento os participantes 
referiram cansaço visual após 32,3 minutos de leitura, aumen-
tando para 56,5 minutos ao término do tratamento.
O sintoma de dor nos olhos também apresentou redução 
estatística significativa após a fisioterapia (p:0,036). A inten-
sidade e a frequência de dor ocular diminuiram de 8,4 para 
4,7 e de 4,1 para 3,1 dias por semana, respectivamente. 
A maior parte dos participantes apresentou queixa de ce-
faleia associada à leitura. Após o tratamento fisioterapêutico 
houve redução estatística significativa deste sintoma (p:0,039), 
conforme a figura 4. A intensidade e a frequência semanal de 
cefaleia também diminuíram ao termino da fisioterapia, de 7,8 
para 5,1 e de 4,6 para 3,5 dias por semana, respectivamente. 
 Outros sintomas associados à presbiopia também diminuí-
ram após a fisioterapia oculomotora, de acordo com a tabela 2. 
Houve redução estatística significativa das queixas de ardência 
ocular e lacrimejamento durante a leitura. Para os outros sinto-
mas não foram verificadas diferenças estatísticas significativas.
Tabela 2: Variáveis do exame ocular antes e depois da fi-
sioterapia.
Variáveis (%) Antes Depois Valor de p
Dificuldade em focalizar
objetos próximos 100.0 40.0 0.005*
Sensação de cansaço visual 100.0 50.0 0.014*
Dor nos olhos 70.0 30.0 0.036*
Cefaleia 70.0 40.0 0.039*
Ardência ocular 80.0 40.0 0.036*
Lacrimejamento 70.0 30.0 0.036*
Dificuldade em ler letras
pequenas na distância habitual 60.0 30.0 0.081*
Borramento da imagem 40.0 10.0 0.081*
Dificuldade em ler com pouca luz 60.0 40.0 0.167*
Discussão
A presbiopia representa a causamais frequente de dis-
túrbios da visão após os 40 anos de idade19. No Brasil, em um 
estudo de base ambulatorial verificou-se uma prevalência de 
presbiopia de 75% em indivíduos com idade superior a 40 
anos20, corroborando com a presente pesquisa, cuja idade 
média dos participantes foi de 44,8±3,15 anos.
Diversos estudos apontam a prevalência de mulheres com 
presbiopia em todas as faixas etárias consideradas, principal-
mente quando o aparecimento deste agravo é precoce20,21,22, em 
acordo com os resultados obtidos neste estudo, cujo percentual 
de mulheres com presbiopia representou 70,0% da amostra. 
Estudos epidemiológicos sobre presbiopia investigaram 
sua associação com diferentes fatores além da idade e do gê-
nero, como a paridade, a condição socioeconômica e a raça, 
mas para nenhum dos fatores há um consenso23,24.
Duarte et al.20 em seu estudo verificaram que 80,7% da 
amostra foi composto por pacientes da raça branca. Já Ka-
mali et al.25 em um inquérito de base populacional com 2.886 
adultos do meio rural de Uganda, identificou uma prevalên-
cia de 48% para esta disfunção, o que reforça a falta de con-
senso na literatura. Na presente pesquisa 40,0% da amostra 
foi composta por pacientes da raça branca.
Com relação às variáveis relacionadas à condição visual, 
80,0% dos pacientes referiram dificuldade para enxergar de 
perto, corroborando com o estudo de Borreli et al.26, que ve-
rificaram dificuldade para ver objetos próximos em 79,75% 
da amostra investigada.
Na pesquisa de Duarte et al.20, 70,0% dos pacientes com 
presbiopia referiram que a dificuldade para ver de perto foi 
percebida entre 1 e 10, enquanto que neste estudo a alteração 
foi iniciada acerca de 6 a 10 anos (60,0%). 
Quanto ao uso de correção visual, todos os participantes 
da pesquisa referiram utilizá-la, sendo 80,0% do tipo óculos, 
recomendados pelo médico. Outras pesquisas registraram uso 
menos frequente de auxílio óptico, em torno de 50 a 60%, com 
destaque para o uso de óculos e/ou lentes de contato20,26.
Dentre as principais queixas de pacientes com presbio-
pia estão a sensação de cansaço visual, a cefaleia e o borra-
mento visual para perto7,27,28, corroborando com a presente 
pesquisa, na qual estes sintomas acometeram 100,0%, 70,0% 
e 40,0% da amostra, respectivamente.
A queixa de dificuldade em focalizar objetos próximos 
foi referida por todos os participantes deste estudo, valor su-
perior ao encontrado por Duarte et al.20 de 59,1% da amostra 
de sua pesquisa.
O Manual de Orientações da Triagem de Acuidade Visu-
al do Projeto Olhar Brasil, do Ministério da Saúde10, descre-
ve que os principais sintomas que acompanham a presbiopia 
incluem o lacrimejamento e a dor ocular, corroborando com 
esta pesquisa, na qual estes sintomas acometeram 70,0% e 
80,0% da amostra, respectivamente. 
Borrelli et al.26 referem que o tamanho das letras é a princi-
pal causa da dificuldade para leituras de perto (45,25%), queixa 
esta relatada por 40,0% dos pacientes do presente estudo.
Foi observada redução de todos os sintomas que acom-
panham a presbiopia avaliada nesta pesquisa após a realiza-
ção de fisioterapia oculomotora. Não foram encontrados na 
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
202
literatura estudos experimentais sobre o tratamento fisiotera-
pêutico na presbiopia para efeitos comparativos.
Rotnes et al.29, destacam a importância de uma estraté-
gia fisioterapêutica específica através da utilização dos mo-
vimentos oculares para amenizar as deficiências provenien-
tes do comprometimento da função motora em indivíduos 
com ataxia cerebelar. 
 Albuquerque, Oliveira e Costa30 salientam a relevância do 
papel assistencial da Fisioterapia, através da implantação de 
um laboratório de mobilidade ocular extrínseca, em Goiânia 
– GO, para o tratamento de pacientes com desvios oculares, 
em particular a esotropia congênita causada pela ambliopia 
estrabísmica, contribuindo para a prevenção da cegueira.
Considerações Finais
 Os resultados obtidos sugerem que a fisioterapia oculo-
motora pareceu ser eficaz para a redução dos sintomas asso-
ciados à presbiopia, com destaque para a redução da dificul-
dade de focalizar objetos próximos, cansaço visual durante a 
leitura, dor ocular e cefaleia, apontando para a importância do 
tratamento fisioterapêutico nas desordens refrativas do adulto. 
 A capacidade de acomodação da visão é fundamental 
para a execução da maior parte das atividades diárias e labo-
rais do ser humano, o que reforça a importância da atuação 
fisioterapêutica nos distúrbios visuais, contribuindo para a 
melhora da qualidade de vida dos pacientes acometidos. 
 Vale ressaltar que esta é uma área recente de atuação 
do profissional fisioterapeuta, o que implica na necessidade 
de maior conhecimento da classe e da sociedade sobre as 
disfunções oculares, bem como, sobre as contribuições da 
terapia oculomotora para redução dos sintomas associados a 
estas doenças. 
 Os achados do presente estudo também colaboraram 
para a ampliação da literatura sobre o tema, visto que não fo-
ram encontrados estudos na literatura nacional e internacio-
nal sobre a atuação fisioterapêutica na presbiopia, e poucos 
estudos sobre o tratamento de outros distúrbios oculares.
 Sugere-se, assim, a realização de pesquisas futuras que 
abordem o tema com amostras de maior tamanho, maior 
tempo de reabilitação, inclusão de grupos controle e análise 
da influência das variáveis: idade, gênero, atividade laboral e 
hábitos de leitura na intensidade dos sintomas referidos pelos 
pacientes e resultados do tratamento proposto. 
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203
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
Artigo Original
Modificações de função pulmonar 
mediante treinamento físico
Modifications of pulmonary function through physical training
M. S. Pinto1, K. Marques2, Araújo L.D.2, P. M. Sá3
Resumo
Introdução: A relação entre atividade física e saúde está bem estabelecida. 
Durante a execução do exercício físico. A resposta ao treinamento da musculatura 
respiratória é semelhante à dos músculos esqueléticos e estes podem ser treinados 
a fim de melhorarem a sua força e endurance. O baixo desempenho dos músculos 
respiratórios contribui para limitação física e desenvolvimento de doenças. Obje-
tivo: O objetivo deste estudo foi avaliar as modificações de função pulmonar me-
diante emprego de treinamento aeróbico em indivíduos saudáveis. Metodologia: 
A avaliação seguiu-se de: questionário avaliação de sinais e sintomas respiratórios 
e clínicos. Avaliação da força muscular respiratória e medição do Volume Minuto 
e Volume Corrente. O protocolo de treino consistiu de 10 minutos de aquecimento, 
40 minutos de treinamento aeróbico e de fortalecimento muscular periférico e 10 
minutos de desaquecimento com alongamentos. Resultados: 4 voluntárias par-
ticiparam do estudo. Não foram observadas modificações significativas entre os 
grupos estudados, assim como não houve correlação com os fatores de risco ou a 
menor frequência de treinamento entre os participantes. Conclusão: O protocolo 
empregado não influenciou na função pulmonar dos sujeitos estudados.
Palavras-chave: treinamento físico, função pulmonar, sujeitos saudáveis.
Abstract
Introduction: The relationship between physical activity and health is well 
established. During the execution of the exercise, the answer to the training of 
the respiratory muscles is similar to the skeletal muscles and these can be trained 
to improve their strength and endurance. The inadequate performance of the res-
piratory muscles contributes to physical limitation and development of disease. 
Objective: The objective of this study was to evaluate the changes in lung func-
tion by use of aerobic training in healthy subjects. Methodology: The evaluation 
was followed by: questionnaire evaluation of respiratory signs and symptoms and 
clinical. Evaluation of respiratory muscle strength and measurement of minute 
volume and tidal volume. The training protocol consisted of 10 minutes of heating 
40 minutes of aerobic training and peripheral muscle strengthening and 10-minute 
cool-down with stretching. Results: 4 volunteers participated in the study. signi-
ficant changes between groups were observed, and there was no correlation with 
risk factors or the lower frequency of training among participants. Conclusion: 
The protocol used showed no effect on lung function of the subjects studied.
Keywords: physical training, lung function, health subjects.
1. Discente da Universidade Castelo Branco, Rio 
de Janeiro, Brasil
2. Docente da Universidade Castelo Branco, Rio 
de Janeiro, Brasil
3. Pesquisador associado do Laboratório de Ins-
trumentação Biomédica da UERJ. Docente da 
Universidade Castelo Branco, Rio de Janeiro, 
Brasil
Endereço para correspondência:
 E-mail: paulamorisco@hotmail.com 
Recebido para publicação em 06/08/2016 e acei-
to em 29/09/2016, após revisão.
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
204
Introdução
Quase a metade dos adultos (46%) no Brasil são seden-
tários, segundo Pesquisa Nacional de Saúde. O levantamento 
foi feito em 2013, pelo IBGE, e aponta que cerca de 67,2 
milhões de pessoas não faziam exercício físico no momento 
da pesquisa1,2.
A prática regular da atividade física aeróbica é a tera-
pia de menor custo para promoção da saúde e prevenção de 
doenças3. A relação entre atividade física e saúde está bem 
estabelecida, os exercícios físicos associam-se a um estilo de 
vida saudável e aumento da expectativa de vida e, cada vez 
mais, mostram indícios de efeitos benéficos à saúde3. 
Atualmente, campanhas de combate ao sedentarismo re-
comendam a prática de trinta minutos de atividades físicas na 
maioria dos dias da semana envolvendo os grandes grupos 
musculares, podendo ser feita de forma contínua ou fracionada. 
Manter alguma atividade física é melhor do que a inatividade4. 
Durante a execução do exercício físico, as variáveis car-
diorrespiratórias modificam-se com a finalidade de aumentar 
o transporte de oxigênio e nutrientes aos músculos em ativi-
dade contrátil, para manter ao longo do tempo, a formação 
de ATP e/ou restaurar as suas reservas que foram consumi-
das durante as fases de contração anaeróbia. A resposta ao 
treinamento da musculatura respiratória é semelhante à dos 
músculos esqueléticos. Convencionalmente, três grupos de 
músculos têm sido relacionados com a função respiratória: 
diafragma, músculos do gradil costal (incluindo os músculos 
intercostais e acessórios) e músculos abdominais5,6.
Os músculos respiratórios são músculos esqueléticos e, 
como tal, são morfologicamente e funcionalmente semelhantes 
a outros músculos esqueléticos do corpo como, por exemplo, os 
músculos do aparelho locomotor e, portanto, podem sofrer defi-
ciências e alterações semelhantes a qualquer músculo esqueléti-
co enfraquecido. Os músculos respiratórios podem ser treinados 
a fim de melhorarem a sua força e endurance, pois são sensíveis 
a um programa de treinamento físico adequado7. 
Leith et al7 constataram um ganho de força muscular 
inspiratória e expiratóriaapós um programa de treinamento 
muscular respiratório por um período de seis semanas em 
indivíduos sadios. Segundo Celli8 e Gastaldi9, o compro-
metimento da força muscular inspiratória leva a uma dimi-
nuição do volume pulmonar inspirado e a uma diminuição 
de volume, associada ao comprometimento da musculatura 
expiratória, acarreta a diminuição do fluxo expiratório. O de-
sempenho dos músculos respiratórios enfraquecido contribui 
para o desenvolvimento da deficiência respiratória ou para a 
limitação do exercício físico nos pacientes10.
Assim, o objetivo deste estudo foi avaliar as modifica-
ções de função pulmonar mediante emprego de treinamento 
aeróbico em indivíduos saudáveis.
Metodologia
Trata-se de um estudo experimental não controlado, 
realizado em alunos da academia da Universidade Castelo 
Branco, Realengo, RJ. 
A avaliação seguiu-se de: questionário avaliação de si-
nais e sintomas respiratórios e clínico. A força muscular res-
piratória foi verificada pelo manovacuômetro (Globalmed, 
Analógico M120), por meio das medidas de Pimáx e Pemáx. 
Essas medidas de pressões permitem realizar uma avaliação 
simples, rápida e reproduzível da força muscular respiratória, 
sendo influenciada pelo sexo, idade e volumes pulmonares11.
Durante a avaliação os voluntários permaneceram senta-
dos, com o tronco no ângulo de 90º em relação aos membros 
inferiores, com clipe nasal e peça bucal. Para medir a PImáx 
foi solicitada expiração em nível de Volume Residual (VR), 
seguida de uma inspiração rápida e forte em nível da Capaci-
dade Pulmonar Total (CPT) sustentada por um segundo, com 
estímulo verbal do examinador. Para a medição da Pemáx 
foi solicitada inspiração máxima em nível da CPT seguida 
de uma expiração máxima até o nível do VR, mantendo-a 
por um segundo, com estímulo verbal do examinador. Fo-
ram efetuadas cinco manobras máximas, com intervalo de 
um minuto de descanso e, posteriormente, selecionadas três 
manobras aceitáveis e reprodutíveis, sendo registrado o va-
lor mais alto e comparado ao valor predito pela equação de 
Gonçalves et al12 de acordo com idade e sexo. 
Para medição do Volume Minuto (VM), foi realizada 
a ventilometria, com o aparelho da marca (Inspire Wright® 
MK8), com uso de uma máscara facial, onde foi acoplado 
o ventilômetro a máscara, foi solicitado que a mesma respi-
rasse tranquilamente durante um minuto e desta forma ob-
teve o VM. O Volume Corrente (VC) foi obtido, solicitando 
a paciente que realizasse uma inspiração seguida de expira-
ção não forçada. Tanto para medição do VM e VC, foram 
efetuadas três manobras, posteriormente, selecionada uma 
manobra aceitável13.
Após avaliação inicial, os participantes do estudo foram 
submetidos a 10 minutos de aquecimento, seguidos de 40 mi-
nutos de treinamento aeróbico e de fortalecimento muscular pe-
riférico, finalizando com 10 minutos de desaquecimento com 
alongamentos. Todas as atividades foram supervisionadas por 
um profissional de Educação Física devidamente capacitado.
O presente projeto foi submetido ao Comitê de Ética 
em Pesquisa da UCB. Está em acordo com os princípios éti-
cos descritos na Resolução do Conselho Nacional de Saúde 
n.º 466/2012, para pesquisa com seres humanos. Todos os 
voluntários envolvidos no estudo receberão os devidos es-
clarecimentos e assinarão Termo de Consentimento Livre e 
Esclarecido. Os resultados serão apresentados como média e 
desvio padrão e valores percentuais. 
Resultados
O estudo obteve a participação de 4 voluntárias. Na tabe-
la 1 estão dispostos os parâmetros biométricos, sinais vitais 
e avaliação de ventilometria pré e pós protocolo dos sujeitos 
estudados. E na tabela 2, os resultados de pressões máximas 
respiratórias. Não foram observadas modificações signifi-
cativas entre os grupos estudados, assim como não houve 
correlação com os fatores de risco ou a menor frequência de 
treinamento entre os participantes.
Discussão
A influência do treinamento aeróbico na força muscu-
lar respiratória e periférica é um dado muito discutido na 
literatura. Na análise de Leith & Bradley 14, 4 indivíduos 
205
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
Tabela 1: Parâmetros biométricos, sinais vitais e avaliação 
de ventilometria pré e pós protocolo dos sujeitos estudados
IMC – Índice de Massa Corporal. FC- Frequência Cardíaca. FR- Frequência Respirató-
ria. PA- Pressão Arterial. SpO2 – Saturação Periférica de Oxigênio.
Tabela 2: Resultados de pressões máximas respiratórias.
Pimáx – Pressão Inspiratória Máxima. Pemáx- Pressão Expiratória Máxima.
saudáveis foram submetidos a 5 semanas de treinamento de 
força muscular respiratória e os autores observaram aumento 
de 55% nas pressões respiratórias máximas inspiratórias e 
expiratórias. Resultando semelhante ao descrito por outros 
autores em sujeitos saudáveis e doentes15,16,17.
Associando o treinamento respiratório ao de musculatu-
ra periférica, Sampaio et al.18, observaram melhores resulta-
dos para de força muscular respiratória para o grupo experi-
mental quando comparados ao controle. 
Resultado contrário foi descrito por Suzuki et al.19, onde 
os autores não observaram diferença significativa na Pimáx e 
Pemáx após o protocolo de treinamento muscular, tanto para 
o grupo controle quanto para o grupo intervenção.
Zanoni et al.20, classificaram os indivíduos estudados em 
tabagistas e não tabagistas, empregando em ambos os grupos 
um protocolo de treinamento aeróbico de diário por 18 encon-
tros e observaram que, mesmo os tabagistas, foram capazes de 
se beneficiarem pelo treinamento; obtendo resposta de aumento 
de força muscular respiratória, periférica e melhora do desem-
penho físico avaliado pelo teste de caminhada de seis minutos.
Gonçalves et al.21 e Santos et al.22 mostraram em seus 
estudos que a prática de atividade física pode ser considera-
da um fator preventivo significativo relacionado ao declínio 
funcional da musculatura respiratória, uma vez que o grupo 
das praticantes de atividade física apresentaram um aumen-
to significativo nas pressões respiratórias máximas quando 
comparadas aos que não praticavam atividade física. Junta-
mente a estas informações, o estudo de Cader et al.23 mostra 
que além do aumento das pressões respiratórias máximas 
houve uma melhora na qualidade de vida das voluntárias o 
que foi descrito como uma relação direta. 
No nosso estudo, entretanto, não observamos modifi-
cações de força muscular respiratória e volumes pulmona-
res medidos através da manovacuometria e ventilometria, 
respectivamente. É possível creditar nossos achados a uma 
frequência não satisfatória de treino, período de treinamento 
ou sobrecarga ao sistema insuficiente para gerar uma 
resposta aos músculos e volumes respiratórios. A ausência 
de um treinamento muscular respiratório em nosso protoco-
lo pode também contribuído para a ausência de melhora da 
endurance dos músculos respiratórios. Todavia, avaliamos 
nossos resultados preliminares como indispensáveis para a 
reformulação de um novo protocolo que posso trazer infor-
mações mais claras a respeito da proposta de análise.
Conclusão 
O protocolo empregado não influenciou na função pul-
monar dos sujeitos estudados. Considerando o mesmo como 
estudo piloto e parte integrante de nossa linha de pesquisa, 
idealizamos o seu amadurecimento e continuidade para me-
lhor esclarecermos nossos achados e assim complementar o 
conhecimento científico da área.
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Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
206
Artigo Original
Percepções pessoais da protetização e o impacto
na qualidade de vida e na independência funcional 
de pacientes com amputação transfemural unilateral
Personal perceptions of the prosthetization and the impact
on the life quality and on the functional independency of patients
with unilateral amputation transfemoral
Angelina Maria dos Santos Oeby1, Rebeca Andrade de Freitas2, 
Monique Opuszcka Campos3, Leandro Dias de Araujo4
Resumo
Objetivo: Verificar mudanças nas percepções pessoais, qualidade de vida e in-
dependência funcional diante da amputação e protetização em pacientes com ampu-
tação transfemural unilateral. Metodologia: Estudo transversal com 14 voluntários: 
08 amputados e 06 protetizados, elegíveis na AFR, de diversas etiologias de ampu-
tação. Para análise qualitativa foram utilizadas fichas de identificação e entrevistas 
semiestruturadas. Analisados os conteúdos, foi realizada análise categorial das trans-
crições. As análises quantitativas foram realizadas com questionário de qualidade de 
vida SF-36 (8 domínios - 0 a 100 pontos), e questionário de independência funcional 
– MIF (18 tarefas - 18 a 126 pontos). Resultados: No grupo de amputados (65,3 ± 
5,7 anos) 75% eram mulheres e no grupo de protetizados (62,0 ± 6,7 anos) 66,7% 
eram homens. Nas entrevistas semiestruturadas encontramos 8 núcleos centrais e 
diversos sistemas periféricos. A avaliação de qualidade de vida não obteve nenhum 
valor relevante, apresentando significativa diferença apenas em aspectos sociais (P 
= 0,046). A avaliação de independência funcional não mostrou diferenças impactan-
tes. Conclusão: Na pesquisa qualitativa identificamos que a protetização promoveu 
melhora da perspectiva de vida, resgate da imagem corporal e felicidade. Os ins-
trumentos de avaliação SF-36 e MIF não mostraram nenhum impacto relevante da 
protetização em comparação dos grupos.
Palavras-chave: fisioterapia, amputação e qualidade de vida.
Abstract 
Objective: To verify the changes on the personal perceptions, life quality and 
functional independency with the amputation and prosthetization in patients with uni-
lateral amputation transfemoral. Methodology: Transversal study with 14 volunteers: 
08 amputated and 06 prosthetized, eligible at AFR, with various etiologies of ampu-
tation. To qualitative analysis were used records of identification and semi structu-
red interviews. After analyzing the contents, was realized a categorical analysis of the 
transcriptions. The quantitative analyses were done with a quiz of life quality SF-36 (8 
areas – 0 to 100 points), and a quiz of functional independency – MIF (18 tasks – 18 to 
126 points). Results: In a group of amputated (65,3 ± 5,7 years) 75% were women and 
in the group of prosthetized (62,0 ± 6,7 years) 66,7% were men. In the semi structured 
interviews were found 8 central cores and several peripheral systems. The evaluation 
of life quality didn’t have none relevant value, showing a significant difference only on 
social aspects (P = 0,046). The evaluation of functional independency didn’t present 
impacting differences. Conclusion: On the qualitative research was identified that the 
prosthetization brought an improvement in the life perspective, rescue of the corporal 
image and happiness. The evaluation resources SF-36 and MIF didn’t show none rele-
vant impact of the prosthetization in compared groups. 
Keywords: physiotherapy, amputation, life quality.
1. Fisioterapeuta
2. Pós-Graduada em Gerontologia
3. Docente do Curso de Fisioterapia da Universi-
dade Salgado de Oliveira, Mestre em Ciências 
do Exercício e do Esporte,
4. Docente do Curso de Fisioterapia da Univer-
sidade Salgado de Oliveira e Universidade 
Castelo Branco, Mestre em Ensino na Saúde.
Endereço para correspondência:
 E-mail: angelinaoeby@hotmail.com
Recebido para publicação em 24/10/2016 e acei-
to em 05/12/2016, após revisão.
207
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
Introdução
 O conceito de amputação sofreu grandes mudanças com 
o passar dos anos. Visto antigamente como último recurso, 
e sendo sinônimo de derrota, hoje passa a ter como aliada a 
funcionalidade1-5. Definimos como amputação a retirada par-
cial ou total de parte do corpo, para tratamento de algumas 
doenças ou reparações traumáticas6-8. No Brasil não háesta-
tística precisa sobre o número de amputados, mas acredita-se 
que as amputações de membros inferiores são aproximada-
mente 85% do total geral8-10. A causa mais comum de am-
putações de membro inferior são as doneças vasculares em 
pacientes idosos6,7,9. 
A amputação do membro inferior pode acontecer em vá-
rios níveis, sendo a amputação transfemural aquela realizada 
entre a desarticulação de joelho e a de quadril, que se apre-
senta em três níveis: amputação em terço proximal, médio e 
distal5. A altura da amputação se baseia em devolver a fun-
cionalidade do membro afetado1,6,9. 
 A protetização precisa ser vista como alternativa para 
melhora da qualidade de vida do paciente, criando novas 
perspectivas de funcionalidade para a região acometida4,5,9. 
Para pacientes com amputação transfemural pode-se utilizar 
próteses convencionais ou modulares, sendo as modulares 
ou endoesqueléticas aquelas que possuem a conexão entre 
encaixe e pé feita por meio de tubos e componentes modula-
res, com acabamento final em espuma cosmética. Permitem 
troca rápida de componentes, sendo consideradas superiores 
às convencionais quanto à funcionalidade e estética5.
 A amputação traz impactos progressivos para o paciente, 
sua família e a comunidade onde vive, levando ao isolamen-
to social, problemas de autoestima, autoimagem e depen-
dência, conflitos econômicos pela perda do trabalho e até o 
medo da morte, causados por grandes mudanças estéticas e 
impactos diretos na qualidade de vida8,10. 
 Quando a pessoa do amputado demonstra autonomia nas 
atividades de vida diária, a visão da sociedade muda seu olhar 
sobre ele significativamente, já que se tem o conceito de incapa-
cidade física associado à dependência7. Observou-se que as ati-
vidades de maior facilidade são as relacionadas à alimentação, 
higiene e vestuário, enquanto que transferências, uso de escadas 
e deambulação são as mais difíceis, por dependerem do apoio 
bípede ou da marcha5,7. Numa nova visão, o paciente amputa-
do inicia um processo de enfrentamento dessa nova condição e 
tem sua autonomia resgatada10. A devolução de uma imagem 
corporal normal poderá trazer a este paciente maior confiança, 
melhor recuperação e melhor desenvolvimento de habilidades, 
através do uso de próteses adequadas5,8,10. 
Precisamos entender o processo de metamorfose de iden-
tidade do paciente amputado que dá um sentido de emanci-
pação à sua amputação, se libertando dos preconceitos para 
agir de forma mais criativa e com autonomia em sua vida5,11. 
O ser humano precisa ser visto como um ser em constantes 
mutações, onde indivíduo e sociedade se constituem de for-
ma recíproca, através de um processo não linear em que os 
fenômenos são analisados em seus movimentos recíprocos e 
de contínua interação11.
 Se em todo este processo o indivíduo sofre uma amputa-
ção, sua metamorfose será significativamente afetada, trans-
formando o sentido de sua vida e de seus projetos de vida. O 
que não se pode admitir é que este novo sentido de vida seja 
sempre encarado como algo negativo, estereotipado e estig-
matizante. Com os avanços tecnológicos e científicos, uma 
pessoa amputada poderá seguir sua existência com qualida-
de de vida7. A metamorfose poderá ocorrer como superação, 
quando o indivíduo se desprende dos estigmas e preconcei-
tos impostos pela sociedade, sendo expressão de autentici-
dade, autodeterminação e autorreflexão. A criação de novos 
significados e sentidos sempre será possível, criando novas 
formas de ação frente à amputação. Podem surgir novos pro-
jetos de vida, com qualidade, autonomia e independência, 
longe dos estigmas sociais11.
O objetivo desse estudo foi verificar as mudanças acerca 
das percepções pessoais, qualidade de vida e independência 
funcional diante do impacto da amputação e da protetização 
em pacientes com amputação transfemural unilateral.
Metodologia
 Participaram deste estudo 14 (quatorze) voluntários, sen-
do 08 (oito) voluntários com amputação transfemural unilate-
ral (Grupo de Amputados (GA) – 65,3 ± 5,7 anos) e 06 (seis) 
voluntários com protetização transfemural unilateral (Grupo 
de Protetizados (GP) – 62,0 ± 6,7 anos). Não foi observada 
diferença significativa entre as idades dos grupos (P = 0,401). 
O estudo foi conduzido na Associação Fluminense de Reabi-
litação (AFR). Os critérios de inclusão para participação neste 
estudo foram: Voluntários com amputação transfemural unila-
teral; Voluntários com prótese transfemural unilateral; ambos 
os sexos; com idade entre 40 e 75 anos; de diversas etiologias 
de amputação (Diabetes, Trauma, Câncer, e outros problemas 
Vasculares). Os critérios de exclusão para participação nes-
te estudo foram: Voluntários com instabilidade nas variáveis 
hemodinâmicas (Frequência Cardíaca e Pressão Arterial); Vo-
luntários amputados e voluntários protetizados que possuíam 
sequelas de outras enfermidades associadas.
O estudo apresentou um delineamento transversal e foi 
constituído de uma única visita para a investigação das vari-
áveis. Todos os voluntários assinaram o Termo de Consen-
timento Livre e Esclarecido, e a Autorização para Registro 
Fotográfico e/ou Filmagem, e logo após responderam as 
questões das Fichas de Identificação, e as Entrevistas Se-
miestruturadas, que foram gravadas por um aparelho de gra-
vação de voz da marca Samsung, modelo Galaxy Gran Duos 
Prime. Após tais procedimentos, responderam aos Questio-
nários de Qualidade de Vida SF-36 e ao Questionário de Me-
dida de Independência Funcional – MIF.
Ficha de Identifi cação
 Os voluntários responderam a uma Ficha de Identifica-
ção, de acordo com o grupo em que cada um se encontra-
va, onde foram registrados os dados pessoais, como data da 
aplicação da entrevista, nome completo, data de nascimen-
to, idade, sexo, endereço completo, telefone fixo e celular, 
estado civil, se tem filhos, com quem reside, escolaridade, 
profissão, se aposentado e há quanto tempo, se exerce hoje 
algum tipo de trabalho, etiologia da amputação, data da am-
putação, dimidio e nível da amputação, tempo de amputação, 
data de avaliação na instituição, data e tempo da protetização 
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
208
(conforme o caso), se recebe algum tipo de apoio psicológi-
co e se frequenta algum grupo de apoio.
Entrevista Semiestruturada
 Num segundo momento o grupo dos voluntários am-
putados respondeu a uma Entrevista Semiestruturada do 
Paciente Amputado que constava de 03 (três) questões de-
flagradoras sobre sua percepção enquanto pessoa amputada, 
onde a primeira questão indagava o que mudou na vida deste 
paciente após a amputação. Na segunda questão como ele se 
vê após a amputação, e na terceira questão, como ele pensa 
que as outras pessoas o veem após a amputação. 
 O grupo de voluntários protetizados respondeu a Entre-
vista Semiestruturada do Paciente Protetizado que constava 
de 03 (três) questões deflagradoras sobre sua percepção en-
quanto pessoa protetizada, onde a primeira questão indagava 
o que mudou na vida deste paciente após a protetização. Na 
segunda questão como ele se vê após a protetização, e na ter-
ceira questão, como ele pensa que as outras pessoas o veem 
após a protetização. 
Após a coleta de dados foi realizada a transcrição das fa-
las e sua pré-análise. O tratamento dos dados foi feito com a 
análise de conteúdo que diz respeito a técnicas de pesquisa que 
permitem tornar replicáveis e válidas inferências sobre dados 
de um determinado contexto (Bardin, 1979). Segundo Minayo 
(2010) a análise de conteúdo possui a mesma lógica das meto-
dologias quantitativas oscilando entre o rigor da suposta obje-
tividade dos números e a fecundidade da subjetividade.
Dentre as várias modalidades de análise de conteúdo, 
utilizamos a análise categorial das transcrições. As falas fo-
ram categorizadas a partir da análise dos seus conteúdos com 
relação aos objetivos propostos pela pesquisa, relacionando 
percepção sobre deficiências e valores sócio-culturais, e a 
definiçãodos temas se deu durante a análise criteriosa das 
entrevistas obedecendo as fases de descrição, inferência e 
interpretação citada por Bardin (1979). Considerou-se como 
critério de relevância central as respostas categorizadas de 
forma mais frequentes e primeiramente evocadas – Catego-
rias Centrais (CC). As demais categorias foram analisadas 
como sistemas periféricos de importância (SP), que dialo-
gam com as categorias centrais, complementando-as, ou 
mesmo, trazendo ambiguidades.
Ao término das Entrevistas Semiestruturadas os volun-
tários responderam ao Questionário de Qualidade de Vida 
SF-36 e ao Questionário de Medida de Independência Fun-
cional – MIF.
Questionário de Qualidade de Vida
Para realizar a avaliação da qualidade de vida pelo proto-
colo SF-36 foi inicialmente atribuída uma pontuação aos do-
mínios a qual consiste em transformar o valor das questões em 
notas de 8 domínios que variam de 0 (zero) a 100 (cem), onde 
0 = pior e 100 = melhor para cada domínio. Esta pontuação é 
chamada de “Raw Scale” porque o valor final não apresenta 
nenhuma unidade de medida. O cálculo do “Raw Scale” dos 
domínios é resultante da aplicação de uma fórmula que tem 
seus parâmetros ajustados para cada domínio. 
Questionário de Medida de Independência Funcional
 Para avaliação da funcionalidade foi feita aplicação da 
Medida de Independência Funcional (MIF), que avalia 18 ta-
refas, pontuadas de acordo com o grau de dependência, que 
varia de 1 (dependência total) a 7 (independência total), sendo 
que seu escore total mínimo é de 18 e o máximo de 126 pon-
tos. As tarefas são agrupadas em 6 dimensões: autocuidados, 
controle de esfíncteres, transferências, locomoção, comunica-
ção e cognição social. O escore total da MIF, também conhe-
cido como MIF Total, pode ser dividido em duas subescalas: a 
MIF motora (engloba as dimensões autocuidados, controle de 
esfíncteres, transferências e locomoção), com pontuação de 13 
a 91 pontos, e a MIF cognitiva (engloba as dimensões comuni-
cação e cognição social), que varia de 5 a 35 pontos.
 Os dados desta pesquisa foram tratados de forma dis-
tinta, qualitativamente e quantitativamente, para conclusão 
deste estudo. Os dados qualitativos foram analisados pelos 
seus conteúdos, agrupados e categorizados, e os dados quan-
titativos analisados estatisticamente.
Resultados
Caracterização da amostra
Os dados dos voluntários referentes a gênero, estado ci-
vil, grau de escolaridade, situação profissional, etiologia da 
amputação, dimidio e nível, constam da tabela 1. A maioria 
dos voluntários do GA, totalizando 75%, eram mulheres, 
sendo 37,5% de casados. Entre os voluntários do GP, 66,7% 
eram homens, sendo 50% dos voluntários casados.
Quanto às características da amputação, no GA 62,5% das 
amputações foram devido à Diabetes, onde 50% dos voluntá-
rios sofreram amputação transfemural em dimidio esquerdo, 
sendo 37,5% em nível proximal. No GP, 50% dos voluntá-
rios também sofreram a amputação devido à Diabetes, sendo 
66,7% em dimidio direito, com 83,3% em nível medial.
Tabela 1: Caracterização da amostra.
Gênero Ga % Gp %
Masculino 02 25,0% 04 66,7%
Feminino 06 75,0% 02 33,3%
Estado civil 
Casado/união estável 03 37,5% 03 50,0%
Divorciado 0 0 02 33,3%
Viúvo 03 37,5% 01 16,7%
Solteiro 02 25,0% 0 0
Escolaridade 
Analfabeto 01 12,5% 01 16,7%
Ensino fundamental 04 50,0% 04 66,6%
Ensino médio 03 37,5% 0 0
Ensino superior 0 0 01 16,7%
Situação profi ssional 
Desempregado 0 0 01 16,7%
Reformado 0 0 01 16,7%
Pensionista 03 37,5% 01 16,7%
Aposentado 05 62,5% 03 50,0%
Empregado 0 0 0 0
Etiologia da amputação 
Diabetes 05 62,5% 03 50,0%
Doença vascular 01 12,5% 02 33,3%
Trauma 0 0 01 16,7%
Infecções 01 12,5% 0 0
Câncer 01 12,5% 0 0
Dimídio de amputação 
Direito 04 50,0% 04 66,7%
Esquerdo 04 50,0% 02 33,3%
Nível de amputação 
Proximal 03 37,5% 0 0
Medial 02 25,0% 05 83,3%
Distal 03 37,5% 01 16,7%
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Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
Análise das Entrevistas Semiestruturadas com os 
Voluntários (GA e GP)
 Após a coleta das entrevistas semiestruturadas com os 
voluntários amputados e protetizados, foi construído o pri-
meiro corpus para a análise dos resultados com a transcrição 
das mesmas. Para uma melhor compreensão do conteúdo, a 
análise transcorreu, primeiramente, a partir da leitura vertical 
da transcrição de cada entrevista. Em seguida foi feita a aná-
lise por frequência e ordem de evocação das categorias sur-
gidas por questão, destacando-as conforme leitura exaustiva 
das falas, isto é, quanto mais citações aparecem em 1º lugar 
e em maior número, mais centrais elas se tornam. Por fim, as 
categorias foram reagrupadas seguindo a norma de unidades 
de sentido inferidas pelo pesquisador. A seguir, os dados serão 
apresentados segundo os seguintes núcleos: GA-1.Quanto à 
mudança de vida após a amputação; GA-2.Quanto a sua au-
toimagem após a amputação; GA-3. Quanto ao sentimento 
das outras pessoas a respeito da sua amputação; GP-1.Quanto 
à mudança de vida após a protetização; GP-2.Quanto a sua 
autoimagem após a protetização; GP-3.Quanto ao sentimento 
das outras pessoas a respeito da sua protetização.
GA-1. Quanto à mudança de vida após a amputação
 Buscamos analisar e verificar as mudanças ocorridas na 
vida dos voluntários após a amputação. Ao serem questiona-
dos sobre este tema obtivemos dezoito evocações, agrupadas 
em dez categorias de sentido (tabela 2). O grupo apresentou 
como núcleo principal as mudanças significativas de vida, 
com destaque também para os seguintes sistemas periféri-
cos: a ausência de mudança, aumento da dependência, sen-
timento de perda do membro, sentimento de desconforto e 
tristeza, entre outros.
Tabela 2: Análise frequêncial de ordem da questão GA-1 
(NC=Núcleo Central e SP=Sistema Periférico)
Categoria Frequência % Ordem
01 NC Mudanças signifi cativas de vida 4 23 3
02 SP Ausência de mudanças 2 11 2
03 SP Aumento da dependência 2 11 1
04 SP Sentimento de perda do membro 2 11 1
05 SP Sentimento de desconforto e tristeza 2 11 1
06 SP Conformação 2 11 0
07 SP Resgate da relação familiar 1 5,5 0
08 SP Valorização da vida 1 5,5 0
09 SP Sentimento de bem-estar 1 5,5 0
10 SP Resgate da autoestima 1 5,5 0
Podemos ainda reagrupar as categorias surgidas em duas 
unidades temáticas inferidas. A primeira unidade temática 
composta por categorias que trazem a ideia de questões po-
sitivas, colocadas pelos voluntários como: mudança signi-
ficativa de vida, ausência de mudanças, resgate da relação 
familiar, valorização da vida, sentimento de bem-estar e res-
gate da autoestima. Na segunda unidade temática teremos as 
questões negativas, valorizadas como: sentimento de perda 
do membro, conformação, aumento da dependência e senti-
mento de desconforto e tristeza (tabela 3).
 Tentou-se entrar no universo de cada voluntário, e buscar 
em suas respostas subsídios para a escolha das categorias.
 . “O que mudou na sua vida após a amputação? “
“Tudo. “ (A7)
“Tudo! .... Mudou tudo, toda a minha vida...
meu ritmo de vida todo! “ (A8).
Tabela 3: Unidades temáticas da questão GA-1
Unidades Temáticas Categorias 
Questões Positivas Mudança signifi cativa de vida
 Ausência de mudanças
 Resgate da relação familiar
 Valorização da vida 
 Sentimento de bem-estar
 Resgate da autoestima
Questões Negativas Aumento da dependência
 Sentimento de perda do membro
 Sentimento de desconforto e tristeza
 Conformação 
GA-2. Quanto a sua autoimagem após a amputação
 Ao serem indagados sobre esta visão pessoal a respeito da 
amputação, encontramos dezessete evocações, agrupadas em 
dez categorias de sentido (tabela 4). Como núcleo central encon-
tramos a mudança de comportamento, seguido pelos seguintes 
sistemas periféricos: visão da deficiência física, visão otimista da 
vida, dependência total, ausência de mudanças e outros.
 As categorias descritas vieram da observação da fala de 
alguns voluntários, como:
 “... Impotente... Tem tudo tem que depender dos outros.“ 
 (A5)“Dependente...Eu me vejo muito dependente. “ (A7)
Tabela 4: Análise Frequêncial de Ordem da Questão GA-2 
(NC=Núcleo Central e SP=Sistema Periférico)
Categoria Frequência % Ordem
01 NC Mudanças signifi cativas de vida 4 23 3
01 NC Mudança de comportamento 3 17,6 1
02 SP Visão da defi ciência física 2 11,6 1
03 SP Visão otimista da vida 2 11,6 1
04 SP Dependência total 2 11,6 1
05 SP Ausência de mudanças 1 6 1
06 SP Sentimento de impotência 1 6 1
07 SP Visão pessimista da vida 1 6 1
08 SP Dependência na locomoção 3 17,6 0
09 SP Sem alterações para as AVDs 1 6 0
10 SP Não soube o que dizer 1 6 1
GA-3. Quanto ao sentimento das outras pessoas a respei-
to da sua amputação
 Ao serem questionados a respeito desta questão, encon-
tramos quinze evocações, distribuídas em sete categorias de 
sentido. A categoria onde percebemos que não houve impac-
tos sobre a deficiência, ficou como núcleo central. Como 
sistemas periféricos encontramos: negação da amputação, 
impacto da deficiência, melhora nas perspectivas de vida, 
aumento da fragilidade, sentimento de conformação e senti-
mento de piedade (tabela 5).
 As respostas encontradas nas entrevistas reforçam a es-
colha das categorias:
 “.... Me veem bem, normal, muitos têm pena, outros não 
 tem... “ (A3)
“Me vê normalmente... “ (A5)
“Vê, vê normal né. “ (A6)
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
210
GP-1.Quanto à mudança de vida após a protetização
 Buscamos analisar e verificar as mudanças ocorridas na 
vida dos voluntários após a protetização. Ao serem questio-
nados sobre este tema obtivemos dezessete evocações, agru-
padas em sete categorias de sentido (tabela 6). Como núcleo 
central foi encontrado a melhora significativa da perspectiva 
de vida, e como sistemas periféricos encontramos que não 
houve mudanças, mas que também houve melhora na loco-
moção, maior participação social, resgate da alegria e melho-
ra nas atividades de vida diária (AVDs).
Tabela 6: Análise frequêncial de ordem da questão GP-1 
(NC=Núcleo Central e SP=Sistema Periférico)
Categoria Frequência % Ordem
01 NC Melhora significativa
da perspectiva de vida 5 29 5
02 SP Não houve mudança 1 6 1
03 SP Melhora na locomoção 5 29 0
04 SP Maior participação social 2 12 0
05 SP Resgate da alegria 2 12 0
06 SP Melhora nas AVDs 1 6 0
07 SP Autonomia nas atividades domésticas 1 6 0
Podemos ainda reagrupar as categorias surgidas em duas 
unidades temáticas inferidas. A primeira unidade temática 
composta por categorias que trazem a idéia de questões sócio 
afetivas, colocadas pelos voluntários como a melhora signi-
ficativa da perspectiva de vida, ausência de mudanças, maior 
participação social e resgate da alegria. Na segunda unidade 
temática teremos as questões da vida prática, valorizadas nas 
questões de melhora na locomoção, melhora nas AVDs e au-
tonomia nas atividades domésticas (tabela 7). 
Podemos constatar através da fala dos voluntários os 
sentimentos que retratam as categorias acima descritas:
 “Eu não era feliz, eu chorava muito. Mas agora não! 
Agora quando eu botei a prótese, eu fiquei muito alegre, mas 
é muito mesmo! ” (P5)
 “Me deu uma nova perspectiva de vida! Me mexer mais, 
me movimentar, sair... Tava faltando perspectiva. A prótese 
me deu. ” (P6)
Tabela 7: Unidades temáticas da questão GP-1
Unidades Temáticas Categorias 
Questões Sócio Afetivas Melhora signifi cativa da perspectiva de vida
 Não houve mudança 
 Maior participação social 
 Resgate da alegria 
Questões da Vida Prática Melhora da locomoção 
 Melhora nas AVDs 
 Autonomia nas atividades domésticas
GP-2.Quanto a sua autoimagem após a protetização
 Ao serem indagados sobre esta visão pessoal a respeito 
da protetização, encontramos doze evocações, agrupadas em 
oito categorias de sentido (tabela 8). Como núcleo principal 
obtivemos o resgate da imagem corporal normal e a sensação 
de bem-estar, e como alguns dos sistemas periféricos o sen-
timento de empolgação com a vida, melhora da independên-
cia, melhora na locomoção, aumento da autoestima, a entre 
outros, que são confirmados pelas respostas dos voluntários, 
conforme descrito abaixo: 
“Eu me vejo muito ótimo! Muito bem mesmo! Mas 
muito, muito bem, Graças à Deus! ” (P5)
“Uma coisa que a muito tempo não tinha era empolgação! É 
uma coisa que me empolgou. Foi isso, eu botar a prótese! ” (P6)
Tabela 8: Análise frequêncial de ordem da questão GP-2 
(NC=Núcleo Central e SP=Sistema Periférico)
Categoria Frequência % Ordem
01 NC Resgate da imagem corporal normal 2 16,7 2
02 NC Sensação de bem-estar 2 16,7 2
03 SP Não houve mudança 1 8,3 1
04 SP Sentimento de empolgação com a vida 1 8,3 1
05 SP Melhora da independência 2 16,7 0
06 SP Melhora na locomoção 2 16,7 0
07 SP Aumento da autoestima 1 8,3 0
08 SP Permanência da sensação de invalidez 1 8,3 0
GP-3.Quanto ao sentimento das outras pessoas a respeito 
da sua protetização
 Quanto a esta questão, encontramos ao entrevistar os vo-
luntários protetizados, treze evocações, distribuídas em sete 
categorias de sentido. Na tabela 9 podemos observar que sur-
giram dois núcleos principais: a mudança na imagem corpo-
ral e o sentimento de felicidade. Como sistemas periféricos 
encontramos a indiferença com a deficiência, o incentivo à 
reabilitação, o aumento da independência, a valorização da 
protetização e a melhora na locomoção. 
As categorias descritas foram criadas através da percep-
ção que se teve das falas dos voluntários:
 “ Muito alegre, muito satisfeito... Meu irmão, ...meus 
primos...minha outra irmã que mora no interior, eu ligo pra 
ela e falo: Ó já tô treinando! “ (P5)
Tabela 9: Análise Frequêncial de Ordem da Questão GP-3 
(NC=Núcleo Central e SP=Sistema Periférico)
Categoria Frequência % Ordem
01 NC Mudança na imagem corporal 2 15,4 2
02 NC Sentimento de felicidade 2 15,4 2
03 SP Indiferença com a defi ciência 2 15,4 1
04 SP Incentivo à reabilitação 2 15,4 1
05 SP Aumento da independência 2 15,4 0
06 SP Valorização da protetização 2 15,4 0
07 SP Melhora na locomoção 1 7,6 0
Análise do Questionário de Vida SF-36
 Quanto à avaliação da qualidade de vida, através do proto-
colo SF-36, a média mais baixa no GA foi obtida pelo domínio 
Aspectos Emocionais (50,0 ± 44,1) e o mais alto nível foi atingi-
do pelo domínio Dor (80,3 ± 26,7), enquanto que no GP a média 
mais baixa foi no domínio Capacidade Funcional (50,8 ± 17,2) 
e a mais elevada no domínio Aspectos Sociais (95,8 ± 9,3).
Tabela 5: Análise frequêncial de ordem da questão GA-3 
(NC=Núcleo Central e SP=Sistema Periférico)
Categoria Frequência % Ordem
01 NC Não houve impactos
sobre a defi ciência 4 26,6 4
02 SP Negação da amputação 4 26,6 1
03 SP Impacto da defi ciência 1 6,6 1
04 SP Melhora nas perspectivas de vida 1 6,6 1
05 SP Aumento da fragilidade 1 6,6 1
06 SP Sentimento de conformação 2 13,5 0
07 SP Sentimento de piedade 2 13,5 0
211
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
A análise de variância não obteve nenhum valor alta-
mente significante, indicando que não há altos níveis de 
diferença entre os domínios que compões a qualidade de 
vida dos grupos de voluntários avaliados. Apenas o domínio 
Aspectos Sociais apresentou significativa diferença entre o 
grupo de amputados e o grupo de protetizados (P = 0,046), 
como mostra a tabela 10.
Tabela 10: Valores dos domínios do questionário SF-36 - 
(Média ± Desvio Padrão)
 GA GP P
Capacidade Funcional (0-100) 57,5 ± 28,2 50,8 ± 17,2 0,621
Aspectos Físicos (0-100) 56,3 ± 41,0 75,0 ± 38,2 0,433
Dor (0-100) 80,3 ± 26,7 92,7 ± 10,9 0,294
Estado Geral de Saúde (0-100) 52,1 ± 19,5 65,0 ± 10,8 0,171
Vitalidade (0-100) 56,3 ± 18,7 58,3 ± 14,0 0,829
Aspectos Sociais (0-100) 75,0 ± 21,7 95,8 ± 9,3 0,046*
Aspectos Emocionais (0-100) 50,0 ± 44,1 66,7 ± 38,5 0,862
Saúde Mental (0-100) 67,5 ± 28,7 64,7 ± 23,0 0,234
*diferença significativa p<0,05 (Grupo de Amputados versus Protetizados)
Análise do questionário de medida de independência
funcional – MIF 
 Na análise de Medida da Independência Funcional,ve-
rificamos que não existem diferenças significativas entre os 
domínios. No GA obtivemos escores da MIF Motora (81,4 
+ DP 2,7), da MIF Cognitiva (33,8 + DP 1,5) e da MIF Total 
(115,1 + DP 3,7), com valores semelhantes aos encontrados 
no GP: MIF Motora (82,2 + DP 3,2), MIF Cognitiva (34,5 + 
DP 0,8) e MIF Total (116,7 + DP 3,6), conforme tabela 11.
Tabela 11: Valores dos Domínios do Questionário MIF - 
(Média ± Desvio Padrão)
 GA GP P
Cuidados Pessoais (6-42) 40,8 ± 0,4 40,7 ± 0,9 0,859
Controle Esfincteriano (2-14) 13,8 ± 0,4 13,8 ± 0,4 0,727
Mobilidade/Transferências (3-21) 19,0 ± 1,0 19,3 ± 0,9 0,567
Locomoção (2-14) 7,9 ± 1,6 8,3 ± 1,7 0,647
Comunicação (2-14) 13,5 ± 0,9 14,0 ± 0 0,170
Cognição Social (3-21) 20,3 ± 1,3 20,5 ± 0,8 0,683
Discussão
 Um indicador de grande relevância para a qualidade de 
vida é a independência funcional, tendo como fatores asso-
ciados as condições de saúde, a realização de atividades e as 
relações sociais. Vários estudos demonstram que o bem-estar 
físico está diretamente associado à uma boa saúde física, sen-
do um grande indicativo de bem-estar psicológico. A presen-
ça de incapacidade funcional, causada pela amputação de um 
membro inferior, traz consequências sobre a independência e 
autonomia da pessoa amputada. Ao reabilitar o paciente am-
putado, através da protetização, tem-se como objetivo princi-
pal a melhora de sua capacidade funcional, que trará implica-
ções diretas na melhora de sua qualidade de vida.
 A literatura mostra que há divergência sobre qual as-
pecto tem maior relevância na vida das pessoas amputadas. 
São observadas queixas de diversos aspectos: psicossociais 
(emocional, lazer e social), e físicos (locomoções, transfe-
rências, dor, realização das AVDs). 
 Na pesquisa qualitativa, o grupo de amputados mostrou 
que o aspecto mais relevante foram as mudanças significa-
tivas de vida, onde a visão que tem de si mesmo advém de 
várias mudanças de comportamento diante da amputação, 
mesmo percebendo que diante das outras pessoas não hou-
veram impactos sobre esta deficiência.
Já o grupo de pacientes protetizados relata que houve 
melhora significativa da perspectiva de vida, onde o principal 
aspecto vivenciado pelos protetizados é o resgate da imagem 
corporal normal junto com a sensação de bem-estar, que traz 
em relação ao seu contexto social uma visão de mudança nesta 
imagem corporal associada ao sentimento de felicidade.
 Com isso, observamos que atualmente existe uma pre-
ocupação maior com as condições de vida do amputado, e 
não apenas com o desenvolvimento das próteses. Neste es-
tudo, utilizamos o questionário de qualidade de vida SF-36 
para avaliar estas condições, onde observamos que a única 
mudança significativa encontrada entre os grupos de volun-
tários amputados e protetizados, foi para Aspectos Sociais. 
Quanto à independência funcional avaliada pelo MIF, 
observamos que a diferença entre os dois grupos (amputados 
e protetizados) também não é marcante. Talvez pelas condi-
ções sócio-econômicas dos grupos avaliados, onde as neces-
sidades do dia-a-dia estimulam uma maior independência e 
autonomia, tanto de amputados quanto de protetizados.
 Abdalla e Galindo (2013) correlacionaram qualidade de 
vida com capacidade locomotora (independência funcional) 
e mostraram que o questionário SF-36 apresentou uma dife-
rença estatisticamente significativa entre grupos de amputa-
dos e de protetizados, ao estudar uma amostra de 25 pacien-
tes, homens e mulheres, com idade acima de 18 anos. 
 Caldas e outros (2008) estudaram uma amostra de 12 pa-
cientes, todos do sexo masculino, com idades entre 20 e 35 
anos, e ao utilizar o questionário SF-36 também encontraram 
resultados relevantes quanto a qualidade de vida dos pacientes.
 Em estudos feitos por Vaz (2012) o questionário SF-36 
avaliou os aspectos psicossociais de pacientes com amputa-
ção de membros inferiores, mas demostrou pontuações bai-
xas para os pacientes, principalmente nas dimensões físicas.
 Segundo Chamliam (2014) e Silva (2014), que avaliaram 
grupos de amputados através do MIF, demonstraram que não 
houve diferenças significativas nos resultados estatísticos. 
 Já Caldas (1993) encontrou níveis bem marcantes de de-
pendência, sobretudo em autocuidados, ao avaliar um grupo 
de pacientes amputados do sexo masculino, com idade média 
de 62 anos, utilizando o questionário de medida funcional.
 Num estudo de revisão de literatura feito por Thuller e 
outros (2006), onde foram investigados 11 artigos entre os 
anos de 2000 a 2005, sem limites de faixa etária, chegou-
-se à conclusão de que faltam mais estudos e métodos mais 
específicos para avaliação dos pacientes com amputação de 
membros inferiores.
 Com base nos meus estudos, observei que a análise quali-
tativa demonstrou mudanças positivas na vida dos voluntários 
do grupo protetizado, em relação aos voluntários do grupo de 
amputados. O estudo também ressaltou a diferente visão no 
que se refere à etiologia da amputação, onde percebemos que 
houve uma fala diferenciada para o único voluntário de etio-
logia traumática, onde suas percepções são sempre negativas 
em relação à protetização, diferenciando-o dos demais volun-
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
212
tários protetizados. Uma nova pesquisa, com grupos mais ho-
mogêneos deverá trazer resultados mais semelhantes.
 “Para mim por enquanto não mudou nada...” (P4)
 “ ...tô me sentindo inválida do mesmo jeito...” (P4)
 Quanto ao questionário de qualidade de vida SF-36, 
mesmo sendo um excelente avaliador e sendo este utiliza-
do por diversos estudiosos, não apresentou em meus estudos 
resultados relevantes, deixando a idéia de que não seria o 
mais adequado para pacientes com amputações em membros 
inferiores. Em comparação com os resultados da análise qua-
litativa, o único ponto em comum foram os aspectos sociais 
(único domínio de resultados relevantes no SF-36), que no 
GA teve como núcleo central a ausência de impactos sobre 
a deficiência, mas no GP demonstra a mudança na imagem 
corporal e o sentimento de felicidade.
No questionário de independência funcional - MIF, tam-
bém não foi observado nenhum resultado significativo para 
nenhuma de suas dimensões. Mas como a independência 
funcional está intimamente ligada às necessidades da vida, 
concluí que estas necessidades tornam o amputado quase tão 
independente quanto o protetizado.
 Diante dos resultados encontrados, sugere-se o desen-
volvimento de novos estudos que utilizem grupos com carac-
terísticas diferentes as dos grupos estudados, como mesma 
etiologia de amputação, ou amputação em mesmo dimidio, 
buscando uma maior homogeneidade entre os voluntários, ou 
a validação de um novo instrumento de avaliação mais especí-
fico para pacientes com amputação de membros inferiores.
Faz ainda necessário maior adequação e conhecimento 
em relação aos processos de reabilitação funcional para am-
putados e protetizados. Sugere-se a continuidade de estudos 
nesse tema, buscando identificar melhor os aspectos que in-
terferem diretamente na qualidade de vida e na melhora fun-
cional dos pacientes com amputação de membros inferiores.
Conclusão
 Quanto aos aspectos abordados na pesquisa qualitati-
va, foi possível identificar que a presença da protetização 
promoveu para estes pacientes não apenas uma melhora da 
perspectiva de vida, mas principalmente um resgate da ima-
gem corporal normal e da felicidade. No entanto, o mesmo 
não foi observado nas medidas de qualidade de vida e na 
independência funcional. A partir dos instrumentos utiliza-
dos não foi possível observar nenhum impacto relevante da 
protetização quando comparado com os indivíduos com am-
putação transfemural unilateral. 
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213
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
Revisão
Características anatomofisiológicas
da articulação temporomandibular
Characteristics anatomophysiological
of the temporomandibular joint
Aureliano da Silva Guedes1, Antônio José da Silva Nogueira2,
Aureliano da Silva Guedes II3
Resumo
O conhecimento da Articulação Temporomandibular (ATM) é de fundamen-
tal importância como suporte diagnóstico e procedimentos eficientes e eficazes 
de diversas patologias por fisioterapeutas, cirurgiões bucomaxilofacial, cirurgi-
ões de cabeça e pescoço e outros profissionais, nesse sentido este paper mostra 
as principais estruturas anatomofisilógicas do mecanismo da ATM como suporte 
a atuação clínica.
 
Palavras-chave: articulação temporomandibular – anatomia, articulação tempo-
romandibular – fisiologia, anatomia de cabeça e pescoço
Abstract
The knowledge of the temporomandibular joint (TMJ) is crucial to support 
diagnosis and efficient and effective procedures for various diseases by physical 
therapists, oral and maxillofacial surgeons and head and neck surgeons and other 
professionals, in that sense this paper shows the main anatomophysiological struc-
tures of the TMJ mechanism in support of clinical performance.
Keywords: temporomandibular joint – anatomical, temporomandibular joint – 
physiological, anatomy of head and neck
1. Prof. Pos Doc. Fisioterapeuta, epidemiologista. 
Coord. da Pós-graduação em Geomedicina - IG 
- Universidade Federal do Pará
2. Prof. PhD Cirurgião Dentista. Professor Titular 
da Universidade Federal do Pará 
3. Acadêmico de Odontologia da Escola Superior 
da Amazônia 
Endereço para correspondência: Aureliano 
Guedes – Tv. Lomas Valentinas, 1412 ap. 1704 
– Belém – PA – CEP 66.093-671.
 E-mail aurelian@ufpa.br 
Recebido para publicação em 18/07/2016 e acei-
to em 26/10/2016, após revisão.
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
214
Introdução
A Articulação Temporomandibular (ATM) é uma das ar-
ticulações que possui muita complexibilidade , necessitando 
da compreensão da mecânica do movimento para entendê-la. 
A ATM é tão ou mais complexa quanto às articulações dos 
joelhos. Sua função também é abrangente, compreendendo 
a fonação, deglutição, mastigação, bocejo, expressão, etc., 
através dos movimentos de abaixamento, quando há a aber-
tura da boca; elevação da mandíbula quando há o fechamen-
to da boca e, os movimentos de protrusão e retração, além 
dos movimentos de lateralidade para a esquerda ou direita, 
portanto cinco movimentos.
O seu conhecimento demanda a compreensão dos mús-
culos, estruturas ligamentosas, ossos, cartilagens, dentes e 
outros envolvidos no processo osteocinemático. Assim po-
dendo, se necessário, estabelecer diagnósticos funcionais de 
caráter multidisciplinar, envolvendo profissionais habilita-
dos, como fisioterapeutas, dentistas e cirurgiões de cabeça e 
pescoço e cirurgiões bucomaxilofacial. 
Diante disto, o objetivo deste paper é descrever as estru-
turas anatomofisiológicas da articulação temporomandibular 
para um melhor diagnóstico fisioterapêutico e odontológico. 
A metodologia utilizada foi exploratória-explicativa, 
com técnicas de levantamentos bibliográficos, através de 
meios impressos e eletrônicos, localizados em bibliote-
cas e nas principais plataformas de saúde como: BIREME, 
IBECS, LILACS, MEDLINE, SciELO, dentre outras, onde 
as buscas foram realizada com o uso das palavras articulação 
temporomandibular, anatomia temporomandibular, fisiolo-
gia temporomandibular e anatomia da cabeça e pescoço, nos 
idiomas português,espanhol e inglês. 
Descrição anatômica
Quando comparada a articulação temporomandibular de 
adultos, a articulação fetal possui características histológicas 
diferentes. As superfícies articulares fetais são compostas 
por tecido conjuntivo denso, e o disco articular também se 
mostra altamente celurariado. Abaixo do revestimento celu-
lar do côndilo fetal, comparece cartilagem hialina. Isso é um 
centro de crescimento. Nesse local, a cartilagem cresce qua-
se exclusivamente por crescimento oposicional (isto é, novas 
camadas de cartilagem são apostas na superfície da anterior-
mente existente), mais do que por crescimento intersticial 
(isto é, as células dentro da cartilagem dividindo), tais como 
nas extremidades dos ossos longos. Conforme continua o de-
senvolvimento, a cartilagem é gradualmente substituída por 
osso. Osso compacto forma-se sob o forramento do tecido 
conjuntivo fibroso, e osso trabecular substitui a cartilagem 
dentro da cabeça condilar. O côndilo toma a forma histoló-
gica adulta, porém essa transformação não ocorre precoce-
mente. A cartilagem condilar persiste e possui potencial de 
crescimento até que o indivíduo atinja 20 anos de idade. É o 
centro de crescimento mais persistente do organismo1.
 A localização anatômica está anteriormente à orelha e 
na extremidade postosuperior da mandíbula. É a articulação 
entre a fossa mandibular do osso temporal, superiormente 
e à cabeça da mandíbula do osso temporal. A ATM é uma 
articulação sinovial e tem formato de dobradiça. Como tam-
bém possibilita alguns deslizamentos, não é uma articulação 
sinovial do tipo gínglimo pura e simples2. 
Os movimentos temporomandibulares dependem da 
sinergia de vários músculos, onde se destacam: masseter, 
pterigoideos medial e lateral, temporal, além do digástrico, 
esterno-hióideo, esternotireoideo, estilohioideo, gênio-hiói-
deo, infra-hióideo, milo-hioideo, omo-hióideo, supra-hiói-
deo e tíreo-hioideo. No que concerne a osteologia envolvida 
na ATM destacam-se os ossos: esfenoide, hioide, mandíbu-
la, maxilar, temporal e zigomático. (tabela 1 e 2).
Tabela 1: Principais músculos envolvidos na ATM.
Baseado em Lippert (2013)
Tabela 2: Agonistas primários da ATM.
Movimento da mandíbula Músculos
Elevação Temporal, masseter, pterigoideo medial
Abaixamento Pterigóideo lateral
Protrusão Pterigóideo lateral, pterigoideo medial
Retração Temporal (parte posterior)
Desvio lateral ipsilateral Temporal, masseter
Desvio lateral contralateral Pterigóideo medial, pterigoideo lateral
Fonte: Lippert (2013, p.183)
A articulação temporomandibular é formada pelo pro-
cesso condilar da mandíbula que se ajusta frouxamente na 
fossa mandibular do temporal. É uma articulação sinovial 
que permite uma grande amplitude de rotação, bem como de 
translação. Um disco articular amortece as forças musculares 
repetitivas e potencialmente grandes, está entre a mastiga-
ção. O disco separa a articulação em duas cavidades articula-
res sinoviais. A cavidade articular inferior encontra-se entre 
a face inferior do disco e o processo condilar. A cavidade 
superior maior, está entre a face superior do disco e o osso 
formado pela fossa mandibular e a “eminencia articular”3. 
No que se refere aos ligamentos e outras estruturas: O 
ligamento lateral é conhecido como “ligamento temporo-
mandibular”. Posteriormente, fi xa-se no colo da mandíbula e 
no disco articular, depois dirige-se superoanteriormente até o 
tubérculo articular do osso temporal. Limita os movimentos 
de abaixamento, de retração e lateral da mandíbula2.
215
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
O ligamento esfenomandibular fi xa-se na espinha do 
osso esfenoide e segue até a metade da superfície medial do 
ramo da mandíbula. Sustenta a mandíbula e limita o movi-
mento excessivo da protrusão. O ligamento esfenomandi-
bular é importante para limitar o movimento exagerado de 
abaixamento da mandíbula2.
O ligamento estilomandibular segue no processo estiloi-
de do osso temporal até a margem posteroinferior do ramo da 
mandíbula (ângulo mandibular). Situa-se junto aos músculos 
masseter e pterigoideo medial, e sua função é limitar o movi-
mento anterior excessivo (protrusão)2.
O ligamento estilo-hioideo fi xa-se no processo estiloide 
do osso temporal e segue até o osso hioide. Sua função é 
manter o hioide em sua posição2.
A articulação é dividida pelo menisco em um compartimen-
to superior e um inferior. O volume do compartimento superior 
é cerca de duas vezes maior que a do compartimento inferior4.
A cápsula articular recobre as superfícies articulares do 
osso temporal e a cabeça da mandíbula. Assim como o disco. 
Ela pode ser identifi cada superiormente ao longo do arco da 
fossa mandibular, anteriormente ao redor da superfície da emi-
nencia articular e inferiormente ao redor da cabeça mandibular5. 
A cápsula articular envolve a ATM fi xando-se superiormente no 
tubérculo articular e nas margens da fossa mandibular do osso 
temporal. Inferiormente, fi xa-se no colo da mandíbula2. 
O disco articular da ATM é semelhante ao disco da arti-
culação esternoclavicuar. Está fi xado circunferencialmente à 
cápsula articular e parcialmente ao tendão do músculo pteri-
goideo lateral. Também divide a cavidade articular em dois 
compartimentos: um espaço articular superior maior, e um 
espaço articular inferior, menor. A face superior do disco arti-
cular é tanto côncava quanto convexa para ser compatível com 
o formato da fossa mandibular e do tubérculo articular. A face 
inferior côncava do disco articular se adapta à face convexa 
da cabeça da mandíbula e possibilita que a articulação perma-
neça congruente durante todo o movimento. O formato e as 
fi xações do disco articular também tornam possível seu movi-
mento anterior/posterior sobre a cabeça da mandíbula. Como 
a fi xação do disco articular na mandíbula é mais fi rme do que 
no osso temporal, ele pode mover-se anteriormente com a ca-
beça da mandíbula quando a boca se abre, e retorna à posição 
posterior (de repouso) quando a boca se fecha2.
O crescimento da cartilagem condilar afeta a altura e o 
comprimento da mandíbula infl uenciando sobre a forma da 
face. Em boa parte do crescimento do côndilo mandibular 
pode determinar a oclusão mandibular. Ortondontistas refe-
rem-se a esse tipo de oclusão como Classe II e III1. 
Membrana sinovial é constituída por um tecido conjun-
tivo frouxo, composta por um estroma de fi bras colágenas e 
três camadas de fi broblastos, posicionadas sobre todo o disco 
até um período de 120 dias de formação fetal. Com o cres-
cimento e a erupção dentária, essa membrana degenera, per-
manecendo somente na porção anterior e posterior do tecido 
discal. É ricamente inervada por um contingente simpático 
de tal forma que, quando traumatizada, produz uma dor in-
tensa, aguda, lancinante e de difícil localização6.
O fl uido sinovial normal apresenta-se claro ou levemente 
amarelado. É obtido a partir do plasma sanguíneo e por secreção 
das células sinoviais existentes na membrana sinovial. Sua lu-
brifi cação ocorre a partir do ácido hialurônico, responsável pela 
viscosidade do fl uido sinovial, o qual permite um contato suave 
entre a sinovial e cartilagem. Também há uma glicoproteína, de-
nominada de lubricina, produzida a partir de células sinoviais, 
capaz de fi xar moléculas de água à cartilagem, hidratando-a. 
Isso possibilita à cartilagem articular sofrer a ação de cargas, 
deformando-se sem alterar a sua estrutura funcional6. 
A inervação da ATM é recolhida por ramos da terceira 
divisão do nervo trigêmeo (mandibular). O nervo aurículo-
temporal inerva a parte posterior medial e lateralmente; o 
nervo masseterino inerva a parte medial e anterior da cápsu-
la, e o nervo temporal profundo posterior as porções anterio-
res e laterais da cápsula articular6. 
Se os músculos acessórios dos grupos supra-hióideo e 
infra-hióideo são incluídos, a inervação é feita também pe-
los nervos cranianos facial e hipoglosso. O nervo hipoglosso 
também se comunicacom os primeiros três nervos cervicais2. 
A ATM é suprida, primordialmente de três vasos arteriais: 
artéria temporal superfi cial para sua porção posterior, a menín-
gea média para a porção anterior, e a maxilar para sua porção 
inferior. Estão presentes também outras artérias que contri-
buem para a nutrição da ATM. São elas a auricular profunda, a 
timpânica anterior e a faríngea ascendente. A drenagem veno-
sa é realizada pelas veias temporal superfi cial, maxilar e pelo 
plexo pterigoideo. A cápsula articular e os ligamentos do disco 
são ricamente vascularizados durante o crescimento, mas não 
são vascularizados durante a fase adulta6.
Movimentos da articulação temporomandibular
A articulação temporomandibular (ATM) é uma das 
mais complexas estruturas faciais. Trata-se de uma diartrose, 
bilateral, com movimentação segundo três eixos, condilar 
(elipsoide), com superfícies ósseas discordantes6.
Se examinarmos um crâneo seco, é aparente que as su-
perfícies articulares do côndilo e da sua cavidade recíproca 
permitem um movimento mínimo. O côndilo geralmente é 
descrito como uma articulação universal, mas essa descrição 
não se aplica porque cada côndilo traz limitações ao movi-
mento do outro. Um côndilo não pode se mover de qual-
quer forma sem um movimento recíproco do lado oposto. 
Nos movimentos de abertura e fechamento, os dois côndilos 
possuem um eixo comum, e assim agem como dobradiça. 
Apesar de o fato dos côndilos raramente serem simétricos, 
a rotação axial ocorre ao redor de uma dobradiça verdadeira 
que está num eixo fi xo quando os côndilos estão totalmente 
assentados. A rotação ao redor de um eixo horizontal fi xo pa-
rece improvável devido a angulação dos côndilos em relação 
ao eixo horizontal. Cada côndilo normalmente faz um ângu-
lo de 900 com o plano do ramo mandibular, formando um 
ângulo obtuso entre os côndilos. Para entender como côndi-
los com diferentes alinhamentos podem rotacionar ao redor 
de um eixo comum fi xo, nós devemos observar o contorno 
dos polos mediais e sua relação com a fossa articular. Em 
função das diferentes angulações e assimetrias dos côndilos, 
o polo medial é o único ponto lógico que permitirá uma rota-
ção verdadeira ao redor de um eixo fi xo7. 
Na posição de repouso imagina-se uma pessoa em pé ou 
sentada olhando para frente e para longe, com os lábios em 
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
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leve contato e a musculatura mandibular relaxada. É esta a 
posição de repouso da mandíbula, na qual os músculos man-
dibulares estão em contração mínima, contraídos apenas o 
sufi ciente para manter a postura. Os dentes superiores não 
estão em contato e o espaço entre eles é chamado espaço 
funcional livre ou interoclusal. Certos fatores podem inter-
ferir com a constância desta posição; por exemplo, a dor, 
o estresse físico e emocional e a postura. Se a cabeça for 
inclinada para traz, a relação maxila-mandíbula se modifi -
cará, aumentando o espaço funcional livre. Por outro lado, 
se a cabeça for inclinada para a frente, poderá mesmo eli-
minar completamente o espaço funcional livre. A posição de 
repouso é importante para o descanso muscular e alívio das 
estruturas de suporte dental8,9. 
Quando a mandíbula está em repouso, sua cabeça está 
assentada na fossa mandibular do osso temporal. A posição 
normal de repouso da mandíbula é com os lábios aproximados 
dos dentes afastados alguns milímetros. Essa posição é man-
tida pelo baixo nível de atividade dos músculos temporais2. 
A posição de descanso da mandíbula é uma posição na-
tural na qual existe um balanço entre o peso da mandíbula 
e as forças que suportam as ATMs na posição vertical. Na 
posição ereta é impossível eliminar completamente a sobre-
carga da articulação ou eliminar toda a tensão muscular, uma 
vez que os músculos da mastigação devem contrair-se para 
manter a boca fechada contra a força da gravidade. Na po-
sição normal de descanso a língua é mantida contra o palato 
duro por pressão negativa do ar dentro da boca, formando 
uma área conhecida como espaço de Donder. A pressão ne-
gativa diminui a quantidade de força muscular necessária 
para suportar a mandíbula. As duas fi leiras de dentes não se 
encostam na posição de descanso, mas os lábios se tocam 
levemente. Nessa posição, a cabeça da mandíbula fi ca de 
frente para a eminencia articular do osso temporal e o disco 
é localizado anteriormente na cabeça da mandíbula entre as 
duas superfícies de articulação. Essa combinação da posição 
do disco e a atividade mecânica muscular limitada não so-
brecarrega o tecido mole da ATM. Em contraste, a posição 
de oclusão é defi nida como a postura na qual as duas fi leiras 
de dentes estão levemente em contato5.
O movimento da mandíbula normalmente envolve ação 
bilateral das articulações temporomandibulares. A função 
anormal em uma das articulações interfere na função da ou-
tra. Os princípios para a compreensão da artrocinemática da 
articulação temporomandibular são: 1) durante o movimento 
de rotação, o processo condilar da mandíbula rola em relação 
à face inferior do disco e, 2) durante o movimento de trans-
lação, o processo condilar e o disco deslizam essencialmente 
juntos. Isto é chamado de translação do complexo processo 
condilar-disco. O disco é esticado na direção do processo 
condilar em translação3. 
O abaixamento da mandíbula envolve dois movimen-
tos. O primeiro é realizado pela rotação anterior da cabeça 
da mandíbula sob o disco articular. O segundo movimento 
requer o deslizamento anterior e inferior do disco articular 
e da cabeça da mandíbula sob o tubérculo articular2. Se o 
conjunto côndilo-disco estiver completamente assentado em 
Relação Centrica, o disco está posicionado na posição mais 
súpero-anterior (no topo do côndilo) que o ligamento posterior 
permitir. Nessa posição, as forças do carregamento condilar 
são dirigidas para o terço medial do disco e para anterior, atra-
vés da superfície anterior do côndilo contra a posição mais 
íngreme da eminência. A medida que o ventre inferior do mús-
culo pterigoideo lateral começa a tracionar o disco anterior-
mente, o ventre superior do músculo pterigoideo lateral libera 
a contração para permitir que as fi bras elásticas comecem a 
tracionar o disco mais para o topo do côndilo7. 
Na abertura máxima da mandíbula quando o côndilo 
atinge a crista da eminência, o disco deve estar diretamen-
te no topo do côndilo à medida que as forças são dirigidas 
superiormente contra a parte mais plana da eminência ar-
ticular. Nesse momento as fi bras elásticas já rotacionam o 
disco posteriormente porque o ventre superior do músculo 
pterigoideo lateral está em liberação controlada7. A abertura 
da boca deve ser sufi ciente para se colocar dois ou três dedos 
entre os dentes anteriores superiores e inferiores2. Da po-
sição de abertura máxima, a mandíbula pode ser deslocada 
para frente e para cima, isto é, movimentos de protrusão e 
elevação concomitantes, o máximo possível. Alcança assim, 
a mandíbula sua posição mais protrusiva. Nessa posição, a 
borda incisal do incisivo inferior fi ca em um nível mais alto 
que a borda do incisivo superior8. 
A elevação da mandíbula requer o deslizamento poste-
rior e superior do disco articular da cabeça da mandíbula, 
fazendo rodar posteriormente a referida cabeça sob o disco. 
Esses movimentos ocorrem no plano sagital2.
A medida que a mandíbula se fecha, o côndilo começa a 
se mover para trás e para cima na inclinação acentuada da emi-
nência, de tal forma que o disco deve ser tracionado de volta 
para a porção anterior do côndilo. Para que isso ocorra o ven-
tre superior do músculo pterigoideo lateral começa contração 
à medida que o ventre inferior do músculo pterigoideo lateral 
libera o côndilo para s músculos elevadores que o tracionam 
de volta. Quando o côndilo atinge a relação concêntrica, o dis-
co já está ´posicionado tão anteriormente quanto o ligamento 
posterior permitir. O ventre superior sustenta a contração para 
manter o disco corretamentealinhado7. 
A protrusão e a retração exigem movimentos de desliza-
mento anterior/posterior no plano horizontal. Não há rotação. O 
movimento anterior e posterior de todas as partes da mandíbula 
é igual. A cabeça da mandíbula e o disco articular movem-se em 
bloco em relação a fossa mandibular do osso temporal2.
Durante a protrusão da mandíbula, a zona intermediá-
ria do disco articular fi ca entre as convexidades do processo 
condilar e a eminencia articular. O disco é comprimido entre 
a mandíbula e o osso temporal na lateral da articulação5.
A retrusão ocorre na direção oposta e é limitada pela ten-
são do ligamento anterior e fi bras musculares e pela massa 
do tecido retrodiscal do disco. Como o tecido retrodiscal é 
muito vascularizado e bem inervado, a compressão ou irrita-
ção do tecido retrodiscal por retrusão excessiva ou continua-
da pode produzir dor na ATM5. 
O movimento lateral ocorre no plano horizontal. Uma 
cabeça da mandíbula roda na fossa mandibular, enquanto a 
outra desliza no sentido anterior. Para mover a mandíbula 
para o lado esquerdo, há rotação da sua cabeça esquerda e 
217
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
deslizamento anterior da sua cabeça direita. Essa rotação 
ocorre em torno do eixo longitudinal5. No desvio lateral, o 
disco é estabilizado entre os elementos osteoarticulares no 
lado em direção ao qual a mandíbula desvia. No lado oposto, 
o disco articular se protrai, e o tecido retrodiscal preenche a 
metade posterior e lateral da fossa mandibular3. A excursão 
lateral da mandíbula normalmente é combinada com outras 
translações e rotações relativamente leve. Normalmente a 
trajetória específi ca do movimento é conduzida pelo contato 
feito entre os dentes opostos e a fossa mandibular2. 
Há um aspecto do movimento mandibular, de considerável 
importância, que é o movimento de Bennett. Frequentemente 
durante o movimento lateral, pode ocorrer um deslocamento 
lateral de toda a mandíbula enquanto se realiza o processo de 
rotação e translação. Portanto, o côndilo do lado do movimento 
(côndilo direito para o movimento lateral direito) não perma-
nece sem deslocamento, mas desloca-se cerca de 1,5 milímetro 
para o lado do movimento (direito, no caso). Esta mudança de 
posição da mandíbula para a lateral é chamada movimento de 
Bennett que pode variar de pessoa para pessoa8,9.
Conclusão
Diversos sinais e sintomas podem estar relacionados à 
ATM, os Fisioterapeutas e os Cirurgiões Dentistas devem 
estar atentos à queixas de crepitação ao mastigar ou falar, 
dor e/ou zumbidos no ouvido, constantes enxaquecas, dentre 
outras. Diversas patologias podem estar relacionadas com a 
ATM, dentre elas a anquilose, aplasia condilar, artrite reu-
matoide, atrição, condomatose sinovial, hiperplasia condi-
lar, luxação condilar, nevralgia do trigêmeo, osteoartrite da 
ATM, dentre outras. 
A atuação multidisciplinar incluindo o fi sioterapeuta e o 
Cirurgião Dentista é fundamental para uma terapêutica efe-
tiva e efi caz. Contudo, esses profi ssionais devem estar muni-
dos dos conhecimentos anatomofi siológicos da ATM, inclu-
sive no que concerne a diagnóstico por imagem radiográfi ca, 
para que possam estabelecer em caráter multidisciplinar o 
tratamento adequado a essa região tão complexa. 
Referências
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estudantes de odontologia. 10 ed. São Paulo: Santos, 2010. 
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Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
218
Revisão
O uso da corrente russa na 
flacidez abdominal em mulheres no puerpério
The power use of russian 
flaccidity abdominal in women in puerperium
Izabel Cristina Melo de Oliveira1, Maria dos Prazeres Carneiro Cardoso2
Resumo
Introdução: A aplicação da corrente russa passou a ser uma das ferramentas 
que mais atuam no combate a flacidez muscular, com a utilização de eletrodos na 
superfície da musculatura esquelética para fornecimento de corrente elétrica que 
conduz a contrações musculares involuntárias15. Objetivo: Promover um estímu-
lo ao músculo estriado esquelético proporcionando um aumento na capacidade 
de gerar força e hipertrofia, sendo também aplicada para ajudar na redução de 
dor7. Metodologia: Este estudo caracteriza-se por uma revisão integrativa, com 
abordagem qualitativa, sendo uma pesquisa exploratória, com busca das obras 
potenciais nas bases científicas de dados. Resultados: O uso da eletroestimulação 
russa na fase puerperal tem a capacidade de atuar na fisiologia estética, e também 
contribuir na parte emocional e psicológica da paciente, melhorando sua qualidade 
de vida. Conclusão: Por meio de revisão de literaturas realizadas neste estudo, 
constatou-se a importância do uso desta técnica para promover a regeneração dos 
músculos retos abdominais em um menor tempo, com o objetivo de reduzir a flaci-
dez e a diástase da musculatura abdominal no puerpério, aumentando a capacidade 
e manutenção da musculatura abdominal.
Palavras-chave: estimulação elétrica neuromuscular, diástase abdominal, puer-
pério, gestação.
Abstract
Introduction: The application of the russian chain has become one of the tools 
that are most active in fighting muscle flaccidity, with the use of electrodes on the 
surface of skeletal muscle to supply electrical current that leads to involuntary 
muscle contractions15. Objective: To promote a stimulus to skeletal muscle resul-
ting in an increase in capacity to generate strength and hypertrophy, and also ap-
plied to help reduce pain7. Methodology: This study is characterized by an integra-
tive review, with qualitative approach, with an exploratory research with search 
of potential works in the scientific basis of. Results: The use of russian electrical 
stimulation in puerperal phase has the ability to act in aesthetic physiology, and 
also contribute to the emotional and psychological part of the patient, improving 
their quality of life. Conclusion: Through literature review performed in this stu-
dy, there was the importance of using this technique to promote the regeneration 
of the rectus abdominis muscles in a shorter time, in order to reduce sagging and 
diastasis of .the abdominal muscles in the postpartum period, increasing the capa-
city and maintenance of the abdominal muscles.
Keywords: neuromuscular electrical stimulation, diastasis abdominal puerpe-
rium, gestation.
1 . Graduanda do Curso Bacharelado em Fisiotera-
pia pelas faculdades INTA.
2. Mestre em Ciências Médico Cirúrgicas pela 
Universidade Federal do Ceará e Doutoranda 
em Ciências Médico Cirúrgicas pela Universi-
dade Federal do Ceará.
Endereço para correspondência:
 E-mail: belano2005@bol.com.br
Recebido para publicação em 09/09/2016 e acei-
to em 13/10/2016, após revisão.
219
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
IntroduçãoA pele representa o maior órgão corporal de um ser hu-
mano. Em um indivíduo adulto, ela mede uma área que varia 
entre 1,5 a 2,0 m, possui peso que varia de 8 a 10 kg. É 
constituída de três camadas bem diferentes: A hipoderme, a 
derme e a epiderme¹. Suas principais funções são: proteção, 
excreção, regulação da temperatura, percepção sensitiva e 
imagem corporal². A pele possui uma característica viscoe-
lástica, pois tem a facilidade de modificar-se quando há uma 
pressão exercida sobre ela. Tendo a pele uma boa capacidade 
ou não de resistir a uma determinada tensão. Pode ser ava-
liada em duas fases, sendo que se após a retirada da carga o 
tecido voltar a sua dimensão anterior essa fase se caracteriza 
como elástica, mas se o tecido ficar deformado de forma per-
manente, essa fase se caracteriza por plástica³. Ela representa 
condições físicas e psicológicas, saúde, diferenças étnicas e 
culturais; por isso é de grande importância manter a sua in-
tegridade, para que seja sempre possível manter a proteção 
contra os danos ao qual o ser humano está exposto, como a 
radiação, traumatismo, agentes químicos e térmicos².
Com o avançar da idade a pele vai mudando suas carac-
terísticas, vai ficando delgada, enrugada, seca e escamosa; fi-
bras colágenas presentes na derme ficam mais grossas, fibras 
elásticas vão perdendo sua elasticidade e há uma gradativa 
diminuição de gordura no tecido subcutâneo o que provoca o 
surgimento de hipotonia muscular e flacidez4.
A redução do tônus faz com que resulte em uma dimi-
nuição da consistência da musculatura, podendo ser evidente 
por duas maneiras diferentes: quando há flacidez no múscu-
lo, e quando há flacidez visível na pele, podendo estas duas 
situações estarem presentes no mesmo local5.
A estimulação elétrica vem sendo utilizada largamente pela 
fisioterapia. A aceitação da estimulação elétrica neuromuscular 
(corrente russa) foi demonstrada tanto em pesquisas como em 
tratamentos de reabilitação, essa técnica possui a capacidade de 
melhorar o desempenho de músculos esqueléticos saudáveis6.
Há pouco mais de 40 anos, profissionais fisioterapeutas 
vem utilizando a técnica de eletroestimulação neuromuscu-
lar russa para o tratamento e prevenção de atrofias muscu-
lares, o objetivo do tratamento é promover um estímulo ao 
músculo estriado esquelético proporcionando um aumento 
na capacidade de gerar força e hipertrofia, sendo também 
aplicada para ajudar na redução de dor7. Também é muito 
utilizada terapeuticamente em diversos tratamentos, como 
tratamento para disfunções da bexiga, em reabilitação de 
disfagia , no tratamento da dor crônica e também é utilizada 
em pós-operatório. A sua atuação no músculo é de origem 
central e periférica, fortalecendo a musculatura8. 
 O uso desta técnica tem como principal enfoque a dimi-
nuição da perda de tônus muscular , que provoca a flacidez, 
gerando melhoras tanto no fator estético, e busca proporcio-
nar um maior rendimento do músculo no setor esportivo. 
Esse é um método que estimula a produção de hipertrofia 
muscular, fazendo com que muitos atletas de elite aumentem 
seu ganho de força em 30 a 40% superior aqueles gerados 
por uma contração voluntária máxima da musculatura9.
A partir do sexto mês de gestação, o desenvolvimento 
fetal, somado a um grande aumento de gordura localizada 
faz com que seja provocado uma diástase abdominal. Uma 
Diástase do músculo reto abdominal quando está analisada 
acima de 2,5 cm provavelmente é considerada prejudicial, 
devido essa medição representar uma dificuldade na capa-
cidade da musculatura abdominal de poder esta¬bilizar o 
tronco e isso interferir em determinadas funções como por 
exemplo a postura, o parto, durante a defecação, movimen-
tos do tronco, além de prejudicar na contenção das vísceras e 
na estabilização lombar10.
No período gestacional, acontecem muitas mudanças no 
corpo da mulher, dentre elas estão as alterações hormonais e 
corporais; O útero em desenvolvimento causa uma protusão 
no abdomem, e provoca um afastamento anterior do centro 
de gravidade. A Diástase dos músculos reto abdominais, é 
caracterizada quando ocorre um afastamento das bordas da 
musculatura do reto abdominal, que se afastam com o pro-
pósito de conceder o crescimento do feto durante a gestação. 
Esse processo causa o estiramento e gera uma grande fraque-
za muscular dessa região11.
Na diástase, ocorre uma projeção anterior da parede ab-
dominal, que leva ao aparecimento de problemas funcionais 
como dor nas costas devido a má postura12.
Na fase do puerpério, principalmente nas 6 a 8 primei-
ras semanas após o parto, período conhecido como puerpério 
imediato, já é notável a flacidez na região abdominal, resul-
tante do acúmulo de gordura que ficou armazenado nesse 
local, o que provoca na mulher uma insatisfação grandiosa 
com seu novo corpo, gerando uma série de transtornos emo-
cionais para ela10.
O estudo teve como finalidade proporcionar uma alter-
nativa de tratamento para promover a regeneração dos mús-
culos retos abdominais em um menor tempo, excluindo a 
necessidade de que essas mulheres precisem fazer exercícios 
que necessite esforço físico de grande intensidade.
Metodologia
 Este estudo caracteriza-se por uma revisão de caráter 
exploratório do tipo integrativa, com abordagem qualitativa, 
por ter uma maior amplitude de conhecimentos sobre a me-
todologia referente às revisões, o que admiti a inclusão de 
estudos experimentais e não-experimentais, garantindo um 
melhor entendimento do assunto analisado13.
Definiu-se como fonte de busca a Literatura Latino-
-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), 
Scientific Electronic Library Online (SciELO), National 
Library of Medicine (MEDLINE). Para a seleção nas bases 
de dados, foram utilizados os seguintes descritores (DECs): 
Diástase Abdominal, Puerpério, Eletroestimulação Neuro-
muscular, Gestação. Para a seleção dos estudos desta revisão 
integrativa, adotamos os seguintes critérios de elegibilidade: 
artigos completos publicados em português e inglês que pos-
suíam a integração ao objetivo proposto e que abordassem de 
forma precisa ao assunto estudado.
Resultados 
Com base nos estudos selecionados, foram encontrados 
16 estudos, onde 7 eram sobre Eletroestimulação Neuromus-
cular, 3 sobre Diástase do músculo reto abdominal, 1 sobre 
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
220
Fisioterapia Dermatofuncional, 4 sobre Fisioterapia Tegu-
mentar, 1 sobre Revisão Integrativa. 
Quadro 1: Lista de artigos selecionados.
Artigo Quantidade
Eletroestimulação Neuromuscular 7
Diástase do músculo reto abdominal 3
Fisioterapia Dermatofuncional 1
Fisioterapia Tegumentar 4
Revisão Integrativa 1
TOTAL 16
Depois da leitura dos resumos das publicações encon-
tradas pela associação dos descritores, foram selecionados 
dezesseis artigos para leitura e análise, a fim de obter melhor 
entendimento sobre o assunto da pesquisa. Desses artigos 
eleitos, todos foram encontrados no SciELO. Os artigos en-
contrados na MEDLINE e LILACS não se enquadraram no 
perfil de obras procuradas para construção da pesquisa.
Discussão
Segundo Lima & Rodrigues (2012) a fisioterapia der-
matofuncional veio reforçar uma nova concepção de beleza 
do século XX, fazendo com que muitas mulheres que não 
se sentem satisfeitas com aquelas gordurinhas que não de-
saparecem nem com atividade física, nem com aquelas die-
tas malucas, busquem alternativas de melhorar sua imagem 
corporal. Um dos instrumentos utilizados pela fisioterapia 
dermato-funcional é a estimulação elétrica neuromuscular 
(EENM), que utiliza uma frequência média, e dessa modali-
dade, a corrente russa é a que mais vem sendo utilizada, pois 
essa técnica promove a contração da musculatura reduzindo 
a flacidez da musculatura que ficou hipotrofiada14.
A aplicação da corrente russa passou a ser uma das fer-
ramentas que mais atuam no combate a flacidez muscular, 
com a utilização de eletrodos na superfície da musculatura 
esquelética para fornecimento de correnteelétrica que conduz 
a contrações musculares involuntárias15; O seu uso vem sendo 
utilizado para trazer de volta aquele corpo desejado, e vem 
fazendo com que muitas pessoas busquem por essa tecnologia 
como método de obter a hipertrofia muscular sem precisar fa-
zer treinamentos físicos de forma intensa. É bastante utilizada 
por profissionais fisioterapeutas em clínicas de estétical16. 
O uso desta técnica tem como objetivo a diminuição da 
perda de tônus muscular , que provoca a flacidez, gerando 
melhoras tanto no fator estético, e busca proporcionar um 
maior rendimento do músculo no setor esportivo. Esse é um 
método que estimula a produção de hipertrofia muscular9. O 
uso da eletroestimulação russa vai atuar na fisiologia estéti-
ca, e também contribuir na parte emocional e psicológica da 
paciente, melhorando sua autoestima que proporcionalmente 
ajuda na sua qualidade de vida. 
Conclusão
Estudos vêm mostrando que a fisioterapia dermatofun-
cional está ganhando cada vez mais aceitação no mercado 
mundial, a sua atuação vem substituindo a necessidade de 
tratamentos cirúrgicos que provocam dor e efeitos pós-cirúr-
gicos. A eletroestimulação Neuromuscular russa é uma alter-
nativa de tratamento contra flacidez muscular, este método 
provoca no músculo um estimulo elétrico que faz com que 
ocorra uma contração involuntária trazendo respostas bené-
ficas, resultando no aumento da força e tonicidade daquela 
musculatura solicitada.
 Muitas mulheres após a gestação apresentam uma diás-
tase na região abdominal, devido a um aumento exagerado de 
peso durante a gestação, o que provoca sentimentos de desani-
mo, fragilidade e decepção; é preciso lidar com a aceitação de 
um novo corpo, e muitas dessas mulheres insatisfeitas buscam 
novas formas de tratamento para melhorar sua auto estima, e 
retornar aquele corpo que possuíam antes de engravidar.
Esta técnica exclui a necessidade de a mulher precisar 
fazer exercícios físicos de alta intensidade neste período 
puerperal, evitando que ela tenha problemas futuros, sendo 
esse um tratamento indolor, que não traz nenhum cansaço ou 
incomodo a paciente, fazendo com que a mulher se sinta bem 
com os resultados, contribuindo tanto na área estética como 
também na parte psicológica e emocional da paciente. 
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sioter Mov. 2013 jan/mar;26(1):123-31.
221
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
Revisão
Prevenção de lesões em atletas no uso 
de protocolos: uma revisão integrativa
The effect of protocols for existing injury prevention in athletes:
an integrative review
Maykon Felipe Pereira da Silva1, Francisca Maria Aleudinelia Monte Cunha2
Resumo
A lesão desportiva envolve vários eventos não desejados que ocorram no en-
volvimento entre o jogador e o ambiente no decorrer da atividade física. Trata-se 
de uma Revisão Integrativa de literatura, em publicações cientificas de 2009 á 
2015, que se objetivou em analisar aprevenção de lesões em atletas no uso de pro-
tocolos através de uma revisão integrativa. A coleta de dados foram nas bases de 
dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), (LILACS), (SciELO) e Base de dados 
de Evidência em Fisioterapia (PEDro), utilizando os descritores: Propriocepção, 
pliometria, FIFA 11+, alongamento muscular, protocolos de prevenção de lesões, 
desportos. A busca originou-se em 30 artigos, que obedecendo aos critérios de in-
clusão e exclusão, resultou em nove artigos completos. Na analise pode-se obser-
var que todos os artigos estão ligados a área da saúde especificamente na área da 
fisioterapia desportiva, onde buscam mostrar protocolos ou métodos para prevenir 
lesões em atletas. A pesquisa pode significar avanços na prevenção de lesões, onde 
pode no futuro auxiliar fisioterapeutas a realizarem trabalhos preventivos e pes-
quisas referentes ao tema.
Palavras-chave: propriocepção, pliometria, fifa 11+, alongamento muscular, pro-
tocolos de prevenção de lesões, desportos.
Abstract
 A sports injury involves several unwanted events that occur in the engagement 
between the player and the environment during the physical atividade. This is an 
integrative review of literature in 2009 scientific publications will in 2015, which 
aimed to analyze the prevention of injuries in athletes use protocols through an 
integrative review. The collection of data in the databases Virtual Health Library 
(VHL), (LILACS), (SciELO) and Physiotherapy Evidence Base (PEDro) using 
the key words: Proprioception, plyometrics, FIFA 11+, muscle stretching, injury 
prevention protocols, sports. The search originated in 30 articles, which according 
to the inclusion and exclusion criteria, resulted in nine full articles. In the analysis 
it can be seen that all items are linked to health specifically in the field of sports 
therapy, which seek to show protocols or methods to prevent injuries in athletes. 
The research could mean advances in injury prevention, which may in the future 
assist physiotherapists to carry out preventive work and research on the topic.
Keywords: proprioception, plyometrics, fifa 11+, muscle stretching, injury pre-
vention protocols, sports.
1. Acadêmico de Fisioterapia das Faculdades 
INTA
2. Fisioterapeuta. Educadora Física. Mestra em 
Saúde Coletiva. Tutora da Residência em 
Urgência e Emergênciadas Faculdades Inta/
Santa Casa de Misericórdia de Sobral.
Endereço paracorrespondência: 
 E-mail: aleudinelia@yahoo.com.br
Recebido para publicação em 21/07/2016 e acei-
to em 28/08/2016, após revisão.
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
222
Introdução
A lesão desportiva envolve vários eventos não desejados 
que ocorram no envolvimento entre o jogador e o ambiente 
no decorrer da ativida¬de física, competitiva ou recreati-
va, resultando em incapacidade física em razão de o corpo 
hu¬mano ou parte dele ter sido sujeito à força que excedeu o 
limiar de tolerância fisiológica1.
Segundo o grupo de trabalho de prevenção das Lesões Des-
portivas no Conselho da Europa, o conceito de lesão desportiva 
decorre da participação no desporto com pelo menos uma das 
seguintes consequências: ter necessidade de orientação clínica 
e/ou tratamento; ter repercussões na vida social e econômica; e/
ou levar à redução total ou parcial das atividades desportivas2.
Dentre os mecanismos de lesão, têm-se as lesões em ca-
deia cinética fechada e aberta. As lesões em cadeia cinética 
fechada (situação em que o pé encontra-se apoiado no solo) 
são consideradas graves, envolvendo maior número de estru-
turas osteomioarticulares, tendo prognóstico desfavorável. 
Já as lesões em cadeia cinética aberta são aquelas em que o 
pé não está em contato com o solo e compromete algumas 
estruturas especificas, tendo, portanto, melhor prognóstico3.
O alongamento e o aquecimento são práticas comumen-
te utilizadas antes de qualquer atividade esportiva, seja ela 
competitiva ou recreacional, no intuito de prevenir lesões do 
sistema osteomioarticular. Acredita-se que o aumento da am-
plitude articular de movimento (ADM) decorrente de uma 
atividade preparatória ao exercício possa melhorar o desem-
penho e reduzir o risco de lesões em exercícios extenuantes4.
Diversos estudos na literatura propõem protocolos de trei-
namento proprioceptivo com o objetivo de prevenir lesões e/
ou diminuir os sintomas da instabilidade. A propriocepção des-
creve a consciência de postura, de movimento e das mudanças 
de equilíbrio, englobando ainda o conhecimento da posição, do 
peso e da resistência dos objetos relacionado ao corpo5.
O FIFA 11+ é um programa completo de aquecimento 
que tem por objetivo reduzir as lesões mais frequentes sofri-
das por jogadores e jogadoras de futebol. É a versão avança-
da do programa de prevenção de lesões intitulado “The 11”.
Em estudos científicos, demonstrou- se que os times de 
futebol de categorias de base que utilizaram o FIFA 11+ como 
aquecimento padrão tiveram um risco significativamente 
menor de lesões que equipes que realizaram aquecimento da 
forma habitual. O estudo justifica-se em buscar protocolos 
ou métodos de prevenção de lesões existentes na literatura e 
objetiva-se analisar a prevenção de lesões em atletas no uso 
de protocolos através de uma revisão integrativa.
Metodologia
A escolha do método de revisão integrativa sustenta-se 
pelo fato deste permitir a busca, a avaliação crítica e a síntese 
das evidências disponíveis sobre o tema investigado, tendo 
como produto final o estado atual do conhecimento, a imple-
mentação de intervenções e a identificação de lacunas que 
direcionam para o desenvolvimento de futuras pesquisas6.
A revisão integrativa é um método de exame específico 
que resume literaturas empíricas ou teóricas para fornecer 
uma compreensão mais abrangente de um fenômeno particu-
lar. Assim, tem o potencial de apresentar o estado da ciência, 
contribuir para o desenvolvimento da teoria, e tem aplicabi-
lidade direta à prática e à política7.
Para a elaboração da revisão integrativa, no primeiro 
momento o revisor determina o objetivo específico, formula 
os questionamentos a serem respondidos ou hipótese a serem 
testadas então realiza a busca para identificar e coletar o má-
ximo de pesquisas primárias relevantes dentro dos critérios 
de inclusão e exclusão previamente estabelecidos8.
A pesquisa na literatura foi realizada no período de ju-
nho á julho de 2016, nas bases de dados Biblioteca Virtual 
em Saúde (BVS), Literatura Latino-Americana e do Caribe 
em Ciências da Saúde (LILACS) e na biblioteca vitualScien-
tificElectronic Library Online (SciELO) e Base de dados de 
Evidência em Fisioterapia (PEDro). Foram selecionadas as 
bases de dados com o intuito de conhecer e buscar protocolos 
de prevenção de lesões utilizados em atletas de diversos des-
portos, existentes na literatura. Os descritores selecionados 
para pesquisa foram: “Propriocepção”, “Pliometria”, “FIFA 
11+”, “alongamento muscular”, “Protocolos de preven-
ção de lesões”, “desportos”. Na busca foram considerados 
artigos publicados no período de 2009 á 2015, onde foram 
encontrados 30 artigos. Após a leitura dos resumos, foram 
observados os seguintes critérios de inclusão: estudos dispo-
níveis nas bases de dados citadas no período de 2009 á 2015, 
publicações originais, nas línguas portuguesa, espanhola e 
inglesa, considerando o objetivo do estudo e o protocolo de 
revisão elaborado previamente. Foram critérios de exclusão: 
artigos repetidos, artigos não acessíveis em texto completo, 
resenhas, anais de congresso, artigos de opinião, artigos de 
reflexão, editoriais, artigos que não abordaram diretamente 
o tema deste estudo e artigos publicados fora do período de 
análise. Por fim, foram excluídos 21 artigos. Assim, iniciou-
-se a análise de 9 estudos completos.
Foi elaborado um quadro para organização da análise 
dos artigos contendo os itens: tipo de publicação, ano, fonte, 
autores, título, tema, método e objetivo. No que se refere aos 
protocolos de prevenção de lesões os resultados foram discu-
tidos e sustentados com outras literaturas pertinentes.
Resultados e discussão
A partir da análise dos textos selecionados, tem-se, quanto 
ao tipo de publicação, que todos os estudos estão, apresentados 
no quadro 1, e são resultados de pesquisas, todas são originais.
Referente ao ano de publicação constatou-se que, dois 
artigos foram publicados em 2009, dois em 2010, um em 
2012, um em 2013, dois em 2014 e um em 2015 mostrando 
assim adequação aos critérios de inclusão. Quanto aos tipos 
de estudos foram classificados como: revisão bibliográfica, 
revisão sistemática, estudo controle, estudo de caso, estudo 
retrospectivo controlado, assim obedecendo aos critérios es-
tabelecidos para pesquisa.
Na analise pode-se observar que todos os artigos estão 
ligados a área da saúde especificamente na área da fisiotera-
pia desportiva, onde buscam mostrar protocolos ou métodos 
para prevenir lesões em atletas melhorando assim o seu ren-
dimento na execução de sua atividade.
Arnason et al., (2004)9 afirma que a lesão é um motivo 
de preocupação não só para atletas de rendimento como para 
223
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
todas as pessoas que se exercitam regularmente com outros 
objetivos, pois elas podem provocar a interrupção das ativi-
dades físicas por tempo indeterminado. No caso de atletas, 
algumas lesões podem levar ao encerramento da carreira.
 Ao praticar alguma modalidade esportiva o atleta está 
sujeito há vários tipos de lesões, seja por traumatismo local 
direto, seja por sobrecarga repetitiva. Seu padrão neuromus-
cular se altera profundamente, assim como suas atividades 
proprioceptivas, que ao longo do tempo poderá influenciar 
negativamente em todas as suas valências físicas, reduzindo 
o desempenho geral, principalmente pela presença da dor, 
edema, isquemias, tensão muscular, contratura muscular re-
flexa, que são fatores limitantes10.
Séries de alongamento muscular são rotineiramente in-
cluídas em programas de exercícios para atletas sob a prerro-
gativa de que elas previnam eventuais lesões e aperfeiçoem o 
desempenho desportivo. Mais especificamente, a técnica de 
alongamento estático tem sido utilizada por ser considerada 
bastante eficiente para produzir aumento agudo na amplitude 
de movimento articular11.
Aquecimento e alongamento ativo e passivo antes dos 
treinos têm sido postulados como estratégias de prevenção delesões; no entanto, há pouca evidência sobre o quanto estas ati-
tudes realmente diminuem a incidência das lesões musculares12.
Quadro 1: Artigos selecionados e estudados sobre protoco-
los e métodos de prevenção de lesões em atletas. Autores, 
ano de publicação, titulo e objetivo de estudo.
Deve-se levar em conta que a pliometria, pois a mesma 
ser utilizada tanto como modo de prevenção, devido a um 
alongamento, um reflexo de estiramento muscular, mais efi-
caz da musculatura com mais precisão e rapidez, quanto para 
objetivo de tratamento.
Dantas (2003)13 afirma que, o treinamento pliométrico 
desenvolve a força explosiva, principalmente nos membros 
inferiores. McArdle, Katch e Katch (2002)14 afirmam que a 
repetição regular desses exercícios proporciona um treina-
mento tanto neurológico quanto muscular capaz de aprimo-
rar o desempenho de potência dos músculos específicos.
Sabe se que dentre os vários métodos de tratamentos 
para lesões no futsal e ou em outros, surge a propriocepção 
que além de método preventivo surge também como um mé-
todo de tratamento, com resultados significativos.
O exercício proprioceptivo tem uma grande ação pro-
filática e de reabilitação em diversas lesões musculoesque-
léticas, pois exigem da modalidade sensorial uma maior 
precisão para obter informações referentes à sensação de 
movimento e de posição articular, baseia-se em elementos 
que não a visual, a auditiva ou a cutânea superficial15.
Consideraçôes fi nais
Conforme foi estudado na literatura, não há um proto-
colo especifico para prevenção de lesões, existe o FIFA 11+ 
voltado para o futebol com diminuição considerada no nu-
mero de lesões em atletas que o praticam regularmente, mais 
no geral há a existência de métodos não protocolados que as-
sociados podem diminuir significamente o numero de lesões.
A pesquisa aponta se de extrema importância devido à 
existência de um pequeno número de materiais existentes na 
literatura sobre protocolos de prevenção de lesões em atle-
tas, faz-se necessário a busca constante por um método para 
diminuir essas injúrias que os acometem.
Trata-se de uma pesquisa relevante de forma que pode 
significar avanços na prevenção de lesões, onde pode no fu-
turo auxiliar fisioterapeutas a realizarem trabalhos preventi-
vos e pesquisas referentes ao tema a que venha melhorar o 
desenvolvimento dos atletas.
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Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
224
Revisão
Fundamentação teórica para criolipólise polarys®
convencional, reperfusão e contraste
Theoretical background for cryolipolysis polarys® 
conventional, reperfusion and contrast
Estela Sant’Ana1
Resumo
Introdução: A criolipólise é uma técnica não-invasiva atualmente em evidência 
que induz atrofia do tecido adiposo por extração de temperatura. Visando potencia-
lizar resultados, equipamentos que combinam frio/calor têm sido propostos. Obje-
tivos: Os objetivos deste estudo foram descrever o histórico de desenvolvimento da 
criolipólise e buscar respaldo científico para a utilização da criolipólise convencio-
nal, criolipólise de reperfusão e criolipólise de contraste no tratamento da gordura 
localizada. Metodologia: Trata-se de uma revisão bibliográfica realizada nas bases 
de dados: Pubmed e Scielo. O período considerado compreendeu desde o ano 2007 
até 2016 e foram utilizados os descritores: criolipólise ou lipocriólise e seus correla-
tos em inglês. Resultados: Ao todo, foram encontrados 70 artigos, destes 40 foram 
usados nessa revisão. Os estudos selecionados abordavam o tema da criolipólise no 
tratamento da gordura localizada e modelagem corporal. Conclusão: A criolipólise 
demonstra ser uma técnica segura e efetiva para o tratamento da gordura localizada. 
A tecnologia Polarys® (Ibramed Eireli) foi desenvolvida para atender as modalidade 
de criolipólise convencional, criolipólise reperfusão e criolipólise de contraste. Estu-
dos de validação e comparação das modalidades devem ser desenvolvidos.
Palavras-chave: paniculite por frio, redução de gordura, gordura localizada, adi-
pócito, cristalização.
Abstract 
Introduction: Cryolipolysis is an outstanding noninvasive technique for the 
treatment of localized fat, which induces adipose tissue atrophy by temperature 
extraction. In order to maximize results, equipment options that combine cold / 
heat have been proposed. Objectives: The objectives of this study were to des-
cribe the developmental history of cryolipolysis and to seek scientific support for 
the use of conventional cryolipolysis, reperfusion and contrast in the treatment 
of localized fat. Results: Altogether, 40 out of 70 articles found were used in this 
review. The studies selected related to the subject of localized fat treatment and 
body contouring. Methodology: This bibliographic review was carried out via da-
tabases: Pubmed and Scielo. The period considered is from 2007 to 2016 and the 
description words used were: cryolipolysis or lipocryolysis and their correlates in 
Portuguese. Conclusion: Cryolipolysis proves to be a safe and effective technique 
for the treatment of localized fat. Polarys® technology has been developed to meet 
conventional cryolipolysis, reperfusion cryolipolysis or contrast cryolipolysis mo-des. Validation and comparison studies of the techniques should be developed.
Keywords: cold panniculitis, fat reduction, localized fat, adipocyte, crystallization.
1. Doutora pelo Departamento de Ciências Fi-
siológicas, Laboratório de Bioquímica e Bio-
logia Molecular Universidade Federal de São 
Carlos (UFSCar) - São Paulo, Brasil. Mestre 
em Interunidades em Bioengenharia – USP; 
Pesquisadora do Departamento de Pesquisa e 
Desenvolvimento da Ibramed.
Endereço para correspondência: Av. Dr. Car-
los Burgos, 2800 – Jd. Itália – CEP: 13.901-
080 – Amparo – SP.
 E-mail: estela@ibramed.com.br 
Recebido para publicação em 21/10/2016 e acei-
to em 15/12/2016, após revisão.
225
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
Introdução
A criolipólise é uma técnica atualmente em evidência 
que induz atrofia do tecido adiposo por extração de tempe-
ratura. Trata-se de uma técnica não invasiva para tratamento 
da gordura localizada e modelagem do contorno corporal por 
extração de temperatura1. O uso do frio como recurso tera-
pêutico remonta de longa data. Na medicina física e na fisio-
terapia a crioterapia é bastante difundida para tratar proces-
sos infamatórios e aliviar a dor2. Na dermatologia, o uso de 
técnicas de congelamento não seletivas de tecidos com nitro-
gênio líquido (-196°C) é amplamente utilizado no tratamen-
to de queratoses actínicas, verrugas e tumores superficiais3. 
No entanto, o frio pode afetar diferentes estruturas corporais 
de forma seletiva, incluindo o tecido adiposo. Os adipócitos 
são as únicas células especializadas no armazenamento de 
lipídios na forma de triglicerídeos em seu citoplasma, sem 
que isto seja nocivo para sua integridade funcional4. Nos 
mamíferos, existem dois tipos de tecido adiposo: o branco 
e o marrom. A principal função dos adipócitos brancos é ar-
mazenamento de energia, enquanto a função dos adipócitos 
marrons é a dissipação de energia em um processo de produ-
ção de calor chamado termogênese5. O adipócito branco ma-
duro armazena os triglicerídeos em uma única grande gota 
lipídica que ocupa de 85-90% do citoplasma, empurrando 
o núcleo e uma fina camada de citosol para a periferia da 
célula, distribuindo-se em diversos depósitos no organismo, 
anatomicamente classificados como tecido adiposo subcutâ-
neo e tecido adiposo visceral. O tecido adiposo subcutâneo é 
principalmente representado pelos depósitos abaixo da pele 
nas regiões abdominal, flancos, glútea e femoral4.
De acordo com Jalian e Avram3, o primeiro artigo a des-
crever a sensibilidade do tecido adiposo ao frio foi publicado 
por Hochsinger em 1902, que relatou a formação de nódulos 
submandibular em crianças, denominado como “reação agu-
da ao congelamento”. Em 1941, Haxthausen publicou uma 
série de casos envolvendo quatro crianças e uma adolescente 
com lesões que ocorreram após a exposição ao frio extremo 
durante o inverno que denominou “adiponecre e frígore”. 
Outros relatos publicados entre 1940 a 1970 descrevem pa-
niculite induzida pelo frio com formação de nódulos tanto 
em crianças quanto em adultos. Em 1970, Epsteian e Oren 
cunham o termo paniculite do picolé (popsicle panniculitis) 
depois de averiguar a presença de um nódulo endurecido e 
avermelhado seguido de necrose transitória do tecido adi-
poso local na bochecha de uma criança causada por chupar 
picolé. Essas observações culminaram com a seguinte obser-
vação: o tecido adiposo rico em lipídeos é mais suscetível ao 
frio que tecidos ricos em água. Estes achados confirmam a 
bioquímica que observamos diretamente na nossa cozinha, 
gorduras saturadas como a gordura animal são sólidos à tem-
peratura ambiente e as não-saturadas, como o azeite e óleos 
vegetais são líquidos à mesma temperatura. A análise dos 
efeitos do frio sobre o tecido adiposo subcutâneo dos mamí-
feros deu subsídio para o desenvolvimento de um dispositi-
vo de resfriamento controlado cujo objetivo era induzir uma 
possível atrofia terapêutica no tecido adiposo subcutâneo.
Os objetivos deste estudo foram descrever o histórico de 
desenvolvimento da criolipólise, bem como buscar respal-
do científico para a utilização da criolipólise convencional e 
suas modalidades: criolipólise de reperfusão e criolipólise de 
contraste no tratamento da gordura localizada.
Metodologia
Trata-se de uma revisão bibliográfica realizada nas bases 
de dados: Pubmed e Scielo. O período considerado compre-
endeu desde o ano 2007 até 2016. Foram utilizados termos 
como: criolipólise (cryolipolysis) e lipocriólise (lipocryoly-
sis). Após a inclusão dos artigos, realizou-se leitura analítica 
de cada estudo, registro do conceito, método utilizado para 
a avalição, classificação da técnica de tratamento empregada 
e análise comparativa entre os achados dos ensaios clínicos. 
Também foi realizada busca via Scielo usando o descritor: 
cristalização de lipídeos.
Resultados e discussão 
Ao todo foram encontrados 70 artigos, destes 40 foram 
usados nessa revisão. Os estudos selecionados abordavam o 
tema da criolipólise no tratamento da gordura localizada e 
modelagem corporal.
Ensaios pré-clínicos
Em 2008, Manstein et al.6 publicaram um estudo realiza-
do em seis porcas Yucatan, sob anestesia e com protótipo de 
dispositivo criogênico, trataram mais de 15 diferentes locais 
entre eles flancos, abdômen e glúteos. Todos os animais fo-
ram expostos a um processo de resfriamento com diferentes 
temperaturas (+20, -1, -3, -5, e -7°C) com o mesmo tempo de 
aplicação de 10 min. Nesta configuração de protótipo, duas 
configurações de aplicadores foram utilizadas: uma plana 
com uma placa de resfriamento e outra dobrável em forma 
de copo com duas placas de resfriamento e uso de vácuo para 
favorecer o contato da pele com as placas (Figura 1).
Figura 1: Imagem esquemática das diferentes configurações 
de aplicadores para resfriamento seletivo da área a ser trata-
da; sendo A, aplicador plano com uma placa de resfriamento 
e B, aplicador em forma de copo com vácuo para sucção da 
pele e camada subcutânea, e dois elementos de resfriamento 
de ação simultânea. Extraído de Manstein et al.6.
Cada ponto demarcado foi tratado em duplicata e os 
locais foram mapeados para avaliação que ocorreram após 
28 dias, 14 dias, 7 dias, 2 dias, 1 dia e imediatamente ao 
tratamento. Entre o dispositivo e a pele do local tratado foi 
aplicado uma loção de glicerol/água para melhorar o contato 
do dispositivo com a pele. Imediatamente após cada expo-
sição, o local tratado era massageado por 1 minuto com um 
vibromassageador comercial. A espessura do tecido adiposo 
foi avaliada por ultrassom diagnóstico e amostras de sangue 
para a avaliação do perfil lipídico foram realizadas. Após 
a eutanásia, amostras de tecido adiposo subcutâneo foram 
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
226
coletadas, processadas e coradas com HE. Os graus de pa-
niculite induzida pelo frio foram avaliadas por meio de uma 
análise histológica, onde a extensão da inflamação se rela-
ciona ao tempo de análise pós-tratamento e à temperatura 
utilizada. Os resultados mais intensos foram obtidos com 
temperatura de -7°C. As análises por ultrassom diagnóstico 
demostraram diminuição de aproximadamente 50% da es-
pessura do tecido adiposo. A paniculite lobular apresentou 
pico de aumento aos 14 dias e os níveis séricos de lipídeos 
não apresentaram diferenças estatisticamente significativas. 
Em 2009, Zelickson et al.7 conduziram um estudo usando 
três porcos Yucatan (animal A, B, e C) e um porco Yorkshire 
(animal D). Todos os animais foram tratados com um protóti-
po para resfriamento controlado da área (Zeltiq, Pleasanton, 
CA). Neste estudo a temperatura de tratamento foi transcrita 
para taxa de extração de calor em mW/cm2 e foi denomi-
nada Fator de intensidade de resfriamento (CIF = cooling 
intensity factor). Diferentes taxas foram aplicadas: animal A, 
CIF=24,5 (-43,8mW/cm+) por 60 min seguidos de 5 min de 
massagem vibratória; animal B, CIF=24,5 (-43,8mW/cm2) 
por 60 min em duas áreas e outras áreastratadas por 45 min 
seguidos de 5 min de massagem vibratória; o animal C foi 
tratado com mesmo CIF, porém todos os locais foram trata-
dos por 45 min seguidos de 5 min de massagem e o animal 
D foi tratado com CIF de 21,5 (-36,8 mW/cm2) e cada local 
foi tratado por 15 min. Os animais A, B e C receberam um 
único tratamento e passaram por eutanásia 90 dias depois. 
O animal D foi tratado em diferentes áreas 90, 60, 30, 14, 7, 
3 dias e 30 min antes da eutanásia. Foram realizadas foto-
grafias padronizadas, avaliações por ultrassom diagnóstico 
antes e após 3 meses de tratamento. Após a eutanásia, foram 
coletadas amostras de tecido subcutâneo para análises his-
tológicas. Amostras de sangue foram coletas (12 horas de 
jejum) antes do tratamento, um dia, uma semana e um, dois 
e três meses após o tratamento. As fotografias de corte trans-
versal demostraram alteração da superfície no local tratado e 
diminuição da camada superficial 90 dias após o tratamento 
(Figura 2). As medidas de espessura foram realizadas por um 
ultrassom diagnóstico que confirmaram o resultados obser-
vados por fotografias.
Figura 2:
Fotografia de
corte transversal
mostrando a
redução da gordura
subcutânea
superficial 90 dias
após o tratamento.
Extraído de
Zelickson et al.7.
As análises histológicas demostraram um ciclo de pani-
culite lobular similar ao proposto por Manstein et al.6 e uma 
perda seletiva de células de gordura, sem danos na pele e 
estruturas ao redor. Este resultado parece refletir o fato de 
os adipócitos serem mais sensíveis ao frio. Outro ponto in-
teressante é que, durante a reperfusão que ocorre após o res-
friamento, é a indução na formação de espécies reativas de 
oxigênio que podem resultar peroxidação lipídica e redução 
dos níveis de glutadiona, o que pode resultar no aumento 
dos níveis de morte celular adipocitária. Os autores conclu-
íram que a técnica, denominada como Criolipólise, poderia 
ser usada para tratamentos estéticos em humanos desde que 
avaliados por estudos sequenciais. 
Com estes estudos pré-clínicos foi possível concluir 
que todos os locais tratados com exposição ao frio inferior 
a -1°C desenvolveram inflamação perivascular e paniculite. 
A partir destes sinais clínicos houve significativa redução da 
camada de gordura, mais visível após 90 dias de tratamento. 
Os resultados mais significativos em relação à diminuição 
da camada de gordura foram obtidos com temperaturas mais 
baixas e com maior tempo de tratamento.
Ensaios clínicos
Os primeiros ensaios clínicos sobre criolipólise foram 
publicados em 2009. Nelson et al.8 compilaram resultados 
sobre estudos pré-clínicos publicados previamente e jun-
to à descrição de estudos clínicos apresentados na Reunião 
Anual da Sociedade Americana de Laser para Medicina e 
Cirurgia (Annual Meeting of the American Society for La-
ser Medicine and Surgery), em abril de 2009, relataram que 
os médicos Dover J, Burns J, Coleman S, et al. avaliaram 
o uso da criolipólise para a redução da gordura localizada 
em flancos e costas de 32 pacientes. Através de fotografias, 
demonstraram a avaliação clínica e satisfação dos pacientes. 
Destes, um subgrupo de 10 pacientes foi avaliado por ultras-
som diagnóstico antes e 4 meses após o tratamento, onde os 
pacientes apresentaram uma média de espessura de camada 
adiposa, 22,4% menor. Descreveram também, outro estudo 
apresentado neste mesmo evento por Kaminer M, Weiss R, 
Newman J, et al. que tratou com criolipólise 50 pacientes, to-
dos avaliados por fotografias comparativas realizadas antes 
e 4 meses após a sessão. Destes, 89% dos casos obtiveram 
diminuição da gordura localizada esteticamente importantes.
Correlacionados aos resultados apresentados, foram de-
senvolvidos estudos adicionais para investigar a eficácia e pos-
síveis reações adversas, tais como lesão de tecidos adjacentes 
e avaliação dos níveis séricos de lipídeos circulantes e função 
hepática. Coleman et al.9 realizaram um estudo que envolveu 
10 sujeitos tratados com um protótipo do sistema de resfria-
mento (Zeltiq, Pleasanton, CA). Uma loção anticongelante foi 
usada para facilitar o acoplamento da pele no dispositivo. A 
região selecionada foram os flancos. O lado direito recebeu o 
tratamento e o lado contralateral (esquerdo) foi usado como 
controle. Do total de sujeitos participantes do estudo, 10 foram 
fotografados e avaliados por ultrassom diagnóstico (7,5 MHz 
e transdutor linear) antes do tratamento e após 2 e 6 meses 
do tratamento; 9 passaram por avalição sensorial neurológica 
antes e 7 dias após o tratamento e 1 sujeito se submeteu a uma 
biopsia 6 semanas após o tratamento para avaliar a integridade 
e densidade das fibras nervosas sensoriais e a morfologia da 
pele e tecido subcutâneo. Dos 9 sujeitos avaliados nos testes 
sensoriais, 6 apresentaram redução transitória da sensibilidade 
227
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
avaliada por testes neurológicos; contudo, todos apresentaram 
resolução espontânea em média 3,6 semanas após o tratamen-
to. As análises da biopsia por imunohistoquímica sugerem que 
a criolipólise não causa alterações estruturais ou funcionais 
nos nervos nas condições deste estudo. Os pesquisadores con-
cluíram que o tratamento de criolipólise em humanos apresen-
tou substancial redução do volume de gordura subcutânea e 
melhora do contorno corporal na região de flancos tratada sem 
apresentar danos na pele. 
Klein et al.10 realizaram um estudo no qual trataram 40 
indivíduos (32 mulheres e 8 homens) com gordura localizada 
nos flancos. Critérios de inclusão e exclusão foram aplicados 
e o tratamento foi realizado bilateralmente. O número de áre-
as tratadas por sessão variou de 2 a 4, de acordo com a neces-
sidade terapêutica, cada sessão durou 30 min. Amostras de 
sangue foram coletadas em todos os sujeitos pré-tratamento 
e após 1 dia de tratamento e ainda 1, 4, 8 e 12 semanas após a 
sessão de tratamento. Todos os pacientes obedeceram ao je-
jum de 12 horas prévio à coleta. As amostras de sangue cole-
tadas foram enviadas para análise laboratorial para avalição 
dos níveis de lipídeos: colesterol total, triglicerídeos, VLDL, 
LDL e HDL colesterol. Também foi avaliada a função he-
pática através dos exames séricos laboratoriais: AST, ALT, 
fosfatase alcalina, bilirrubina total e albumina. Sujeitos com 
níveis séricos alterados foram excluídos do estudo. Análises 
estatísticas foram realizadas, sendo que os resultados não 
apresentaram diferenças significativas e os autores conclu-
íram que o tratamento não está associado a alterações pato-
lógicas dos níveis séricos de lipídeos ou de função hepática.
Avram e Harry11 em uma revisão de literatura baseados 
nos achados pré-clínicos histológicos descreveram os possí-
veis mecanismos de ação da criolipólise na indução de apop-
tose dos adipócitos no local tratado. A sequência de eventos 
é relatada de forma temporal. Imediatamente ao tratamento 
não são visíveis alterações no tecido subcutâneo, não há pre-
sença de células inflamatórias e as membranas celulares per-
manecem íntegras. No terceiro dia pós-tratamento existem 
evidências de que o processo inflamatório foi estimulado e 
alguns adipócitos iniciam o processo de apoptose. O pico do 
processo inflamatório se estabelece próximo do 14° dia. À 
microscopia, ao redor dos adipócitos, são visíveis histióci-
tos, neutrófilos, linfócitos e outras células mononucleadas. 
Entre 14 e 30 dias após o tratamento a fagocitose dos lipídios 
é aparente. Macrófagos e neutrófilos envelopam e digerem 
conteúdos e resíduos dos adipócitos em apoptose. Esse me-
canismo é similar ao processo natural de reparo e regene-
ração tecidual de outras regiões corporais. Após 60 dias, o 
processo inflamatório diminui consideravelmente e os septos 
interlobulares aparecem espessos à microscopia. Aos 90 dias 
pós-tratamento não são visíveis sinais de característicos de 
inflamação. É possível observar ao corte histológico, uma 
clara diminuição do tecido adiposo. Os autores concluíram 
que acriolipólise é um métodos seletivo e gradual de dimi-
nuição da espessura da gordura subcutânea, porém os me-
canismos de morte celular e eliminação dos adipócitos não 
estavam muito claros. Reações adversas transitórias foram 
observadas após o tratamento e geralmente se resolveram 
espontaneamente após horas, dias ou semanas. São elas: 
desconforto moderado, eritema, equimoses e/ou diestesia. 
Os autores ressaltam que a criolipólise pode apresentar risco 
para pessoa com doenças raras como a crioglobulinemia, tais 
como: hemoglobinúria ao frio ou urticaria ao frio. Coleman 
et al.9 investigaram se a técnica poderia causar diminuição 
da sensibilidade na área tratada (flancos) em 10 pacientes 
usando um protótipo Zeltiq System por 45 min. A função 
sensorial foi realizada por avaliação neurológica (n=9) e por 
biopsia (n=1). O tratamento resultou em perda transitória da 
sensibilidade em 6 dos 9 pacientes que receberam avaliação 
neurológica. Os resultados que a normalidade da área voltou 
em média 3,6 semanas após o tratamento. 
Estudos clínicos
O sistema de criolipólise CoolSculpting (Zeltiq, Plea-
santon, California) foi aprovado pelo FDA , para o tratamen-
to de flancos em 2010 e para o tratamento de abdômen em 
2012 e em 2013. Stevens et al.12 realizaram um estudo retro-
prospectivo clínico e comercial que envolveu 528 pacientes 
(403 mulheres e 125 homens) tratados com criolipólise de 
janeiro de 2010 a dezembro de 2012. Os tratamentos foram 
realizados em 2 ciclos com intervalos de 2 meses entre eles. 
Cada sessão de tratamento durou 60 min e após as sessões 
os pacientes apresentavam no local tratado eritema, edema, 
equimoses que se resolveram espontaneamente em algumas 
horas ou dias. Durante o período estudado, 1785 locais ana-
tômicos foram tratados com 2729 sessões, principalmente 
no abdômen inferior (28%, n=490 ciclos), abdômen supe-
rior (11%, n=189), flanco esquerdo (19%, n=333), flanco 
direito (19%, n=333), coxa interna (6%, n=111), parte ex-
terna da coxa (5%, n=87), e na parte posterior da coxa (6%, 
n=99). Apenas 3 pacientes relataram dor e/ou neuralgia leve 
ou moderada que foram resolvidos em 4 ou menos dias. Os 
autores concluíram que a criolipólise é um método não ci-
rúrgico seguro e eficaz no tratamento da gordura localizada. 
Corroborando com estes resultados, Dierickx et al.13 também 
publicaram um estudo retrospectivo realizado em clínicas da 
Bélgica e da França que investigou a segurança, tolerância 
e satisfação com o tratamento com criolipólise (CoolSculp-
ting, Zeltiq, Pleasanton, CA). Foram estudados 518 pacien-
tes que receberam o tratamento entre julho de 2009 e feve-
reiro de 2012. O estudo demostrou que não houveram efeitos 
colaterais significativos ou relato de eventos adversos. Do 
total de pacientes tratados, 73% relataram satisfação com 
os resultados do tratamento e 82% recomendariam o proce-
dimento a um amigo. As medições da espessura do tecido 
adiposo demonstraram uma redução de 23% após 3 meses 
do tratamento. Abdômen, costas e flancos foram locais de 
tratamento com melhores resultados e 86% dos indivídu-
os que mostram melhora pela avaliação clínica. Os autores 
concluíram que, quando a seleção do paciente é adequada, a 
criolipólise é um método de tratamento seguro, bem tolerado 
e eficaz para a redução da gordura subcutânea. Outros estudos 
relativos à avaliação eficácia, segurança e satisfação com o 
tratamento foram produzidos e os resultados corroboram com 
os estudos anteriormente descritos14-19.
Em 2012, Shek et al.20 realizaram um estudo para avaliar 
a eficácia e a satisfação dos pacientes chineses com uma ou 
duas sessões de criolipólise (protótipo Zeltiq Breeze Sistem®) 
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
228
nas regiões de flancos e abdômen em ambiente comercial. 
O estudo envolveu 33 sujeitos divididos em dois grupos: 
A, com 21 sujeitos que receberam uma sessão de tratamen-
to (2-4 locais tratados de acordo com a necessidade) e B, 
com 12 sujeitos que receberam duas sessões de tratamento 
(2-4 áreas por sessão, com ~3 meses de intervalo entre as 
sessões). Foram realizadas avaliação médica (cego indepen-
dente), pesagem corporal, fotos padronizadas e medidas por 
adipometria (compasso de dobras) antes e 2 meses após a 
sessão de tratamento. Foi utilizado questionários avaliativos 
referentes à tolerância e satisfação com o tratamento. O tem-
po de resfriamento foi estabelecido em 60 min e o CIF esta-
belecido foi de 41,6 (-73 mW/cm2). As áreas tratadas foram 
divididas em locais tratados (n=66) e locais controle (n=45). 
A análise estatística das medidas de adipometria revelou 
diferenças significativas entre os locais tratados e locais-
-controle (P<0,001). Os sujeitos tratados com duas sessões 
apresentaram resultados mais significativos, porém o maior 
índice de melhora ocorre no primeiro tratamento. Todos os 
locais tratados apresentaram eritema, dor transitória e formi-
gamento, porém os sintomas foram transitórios. Sinais como 
equimoses e alterações de sensibilidade foram resolvidos es-
pontaneamente. Sobre a satisfação com o tratamento, 81% 
dos pacientes consideram-se satisfeito a muito satisfeito. Os 
autores consideraram a técnica efetiva para a redução da ca-
mada de gordura dos locais tratados. 
Usando um sistema de fotografias e software 3D (Can-
field Scientific Inc, Fairfield, New Jersey), Garibyan et al.21 
avaliaram imagens de 11 indivíduos tratados com criolipó-
lise (Coolsculpting, ZELTIQ Aesthics, Pleasanton, CA) em 
região de flancos. As imagens tridimensionais dos indiví-
duos nas vistas sagital (lados esquerdo e direito) e coronal 
(frente e dorso) antes e ao final do estudo. Foi observado 
que houve uma diminuição volumétrica de 39,6 centímetros 
cúbicos, portanto de perda de gordura após 2 meses de tra-
tamento, após uma única sessão de tratamento. Os autores 
consideraram a técnica segura e efetiva. 
Outras áreas podem ser tratadas com a técnica. Em 2015, 
Kilmer et al.22 trataram 60 sujeitos com gordura localizada 
submentoniana com um protótipo de um aplicador (CoolMini 
applicator, CoolSculpting System, Zeltiq Aesthetics). A tem-
peratura de tratamento foi de -10°C e a duração da sessão foi 
de 60 min. Fotografias padronizadas e medições da espessura 
da camada de gordura foram realizadas por ultrassom diag-
nóstico pré-tratamento e 12 semanas após a sessão. Os resulta-
dos demonstraram uma redução média de 20 mm na espessura 
e o tratamento foi bem tolerado. Efeitos adversos transitórios, 
tais como, eritema, edema e equimoses se resolveram espon-
taneamente. Efeitos adversos graves não foram observados. 
Outro ponto de destaque relacionado à criolipólise é o 
relato descrito pela primeira vez em 2014 por Stevens23 que 
denominou criodermastringo. O autor relatou que além da di-
minuição da camada de gordura, a pele do local tratado se apre-
sentou mais firme. O mecanismo pelo qual a criolipólise reduz 
a flacidez da pele não está elucidado, acredita-se que existam 
fatores determinantes para a obtenção dos resultados tais como 
idade do paciente, condições da pele, o número de sessões de 
criolipólise realizados na área e a duração do tratamento. 
Criolipólise de Reperfusão
O uso associado da criolipólise com técnicas de mas-
sagem para favorecer a reperfusão tem sido proposto desde 
os estudos experimentais realizados em porcos6,7 além de 
ser citada como parte do procedimento em estudos clínicos 
e de revisão3,14. Baseados na dinâmica: resfriamento tecidu-
al, constrição vascular induzida pelo frio e reperfusão que 
ocorrem durante o tratamento com criolipólise (ciclo de con-
gelamento/descongelamento) Sasaki et al.24 realizaram um 
estudo cujo objetivo foi registrar as variações de temperatura 
durante o ciclo de resfriamento e reperfusão/recuperação do 
tecido com e sem massagem pós-tratamento. O estudo foi 
desenvolvido em duas partes: um grupo piloto que envol-
veu 6 pacientes e avaliou a temperatura subdérmica e um 
grupo clínico que envolveu 112 pacientes com avaliaçãoda 
temperatura da pele e temperatura oral. As medidas de tem-
peratura foram coletadas a cada 15 min e a temperatura da 
sala foi mantida estável. Todos os pacientes foram avaliados 
previamente e foram realizadas medições como: peso, altura, 
IMC (índice de massa corporal), avaliação do percentual de 
gordura por bioimpedância, adipometria e ultrassom diag-
nóstico. Fotografias padronizadas também foram realizadas. 
Diferentes áreas foram tratadas no estudo clínico, incluindo 
abdômen, flancos, dorso, e regiões mediais e posteriores de 
coxas. O ciclo completo de registro da temperatura de constou 
de 60 min referente ao tratamento de criolipólise e 60 min de 
registro para avaliar a temperatura durante o tempo de reper-
fusão/recuperação. No grupo piloto, após a administração de 
anestesia local, um termômetro (ThermaGuide, Cynosure, Inc, 
Westford, Massachusetts) foi inserido com uma cânula abaixo 
da pele no local onde o aplicador seria posicionado (porção 
inferior do abdômen). Um ultrassom diagnóstico foi usado 
para avaliar se o termômetro estava na profundidade adequa-
da (~1,5 cm). A figura 3A demonstra o registro da média de 
temperatura subdérmica durante o procedimento realizado no 
grupo piloto e a figura 3B demostra a média da temperatura da 
pele e oral dos pacientes do grupo clínico.
As análises dos resultados demostram que nos primeiros 
30 min da fase de resfriamento, as temperaturas subcutâne-
as registradas nos pacientes do grupo piloto caíram rapi-
damente em relação aos níveis pré-tratamento e permane-
ceram baixas até o fim do tratamento quando comparadas 
com medições da superfície da pele. Durante a fase de re-
perfusão/recuperação, a temperatura a subcutânea do sujeito 
4, que recebeu massagem, voltou a níveis mais altos mais 
rapidamente do que as temperaturas de indivíduos que não 
receberam massagem. Dos 112 pacientes do grupo clínico, 
85 voltaram para a reavaliação 6 meses após o tratamento. 
Destes, 21,5% apresentaram redução média de gordura nas 
medidas de adipometria. A média de diminuição na região de 
abdômen e flancos foi de 25% e 27%, respectivamente. As 
avaliações das fotografias por 2 avaliadores independentes 
demostram melhora do contorno corporal. Efeitos colaterais 
mínimos foram observados e se resolveram espontaneamen-
te. Os autores concluíram que o mecanismo de ação exato da 
criolipólise ainda não foi completamente elucidado, porém 
o retorno a temperaturas próximas ao pré-tratamento, mais 
rapidamente promovidas pela massagem podem resultar em 
229
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
Figura 3: A, Média da temperatura subdérmica e oral dos pacientes do grupo piloto, cujas coletas foram realizadas a cada 
15 min, tanto na durante as fases de resfriamento (60 min) quanto na fase de reperfusão/recuperação (60 min). A temperatura 
média mínima subdérmica obtida na medição foi de 9,5°C. A região abdominal foi tratada e um paciente (sujeito 4) recebeu 5 
min de massagem mecânica imediatamente após a retirada do aplicador. B, Média da temperatura da pele e oral dos pacientes 
do grupo clínico, cujas coletas foram realizadas a cada 15 min, tanto na durante as fases de resfriamento (60 min) quanto na 
fase de reperfusão/recuperação (60 min). A temperatura média mínima subdérmica obtida na medição foi de 10,7°C. Diferen-
tes áreas foram tratadas e parte das áreas tratadas receberam 5 minutos de massagem mecânica imediatamente após a retirada 
do aplicador. Extraído de Sasaki et al.24.
A B
Figura 4: Imagens microscópicas de adipócitos resfriados, observe a formação de cristais dentro das células. A e B, adi-
pócitos controle e não expostos à cristalização; C e D, adipócitos expostos a 8°C por 10 minutos; E e F adipócitos expos-
tos a 8°C por 25 minutos (aumento de 100 vezes); G, adipócitos expostos a 8°C por 10 minutos; H, adipócitos expostos a 
8°C por 25 minutos; I e J, adipócitos pós cristalização mantidos a temperatura ambiente (22°C) por 2 h (aumento de 400 
vezes); K e L adipócitos pós cristalização mantidos a temperatura ambiente (22°C) por 45 min (aumento de 40 vezes). 
Modifi cado de Pinto et al.25.
maior morte celular pela produção de espécies reativas de 
oxigênio e outros efeitos deletérios que acompanham a re-
perfusão e com isso melhoras os resultados clínicos. 
Importante ressaltar que a proposta do uso do calor ime-
diato ao tratamento convencional pode se sustentar também 
pela hipótese da formação de espécies reativas de oxigênio, 
pois favorece a reperfusão/recuperação de forma possivel-
mente mais acentuada que a massagem sugerida por Sasaki 
et al.24 com potencial melhora de resultados por indução de 
danos adicionais aos adipócitos do local tratado. O aqueci-
mento do Peltier por reversão da ação de extração de tem-
peratura induz a uma reperfusão significativa, o que poderá 
melhorar os resultados clínicos. 
Criolipólise de contraste 
Os efeitos da extração de temperatura sobre os adipó-
citos com objetivos estéticos foi objeto de estudo de outro 
grupo de pesquisas que isolaram células do coxim intraperi-
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
230
toneal de ratos para observar os efeitos do frio temperatura/
tempo dependente na cristalização do conteúdo de gordura 
intracelular. O tecido extraído foi processado em solução en-
zimática e posteriormente os adipócitos foram isolados e ex-
postos à temperatura de 8°C por 0, 10 ou 25 min. A presença 
de cristais foi avaliada por microscopia de luz polarizada. A 
Figura 4 demostra os efeitos da extração de temperatura em 
diferentes tempos e aumentos das imagens à microscopia de 
luz polarizada. Os autores relatam que os efeitos da cristali-
zação foram irreversíveis neste modelo de estudo25.
Outros dispositivos, além do equipamento produzido pela 
Zeltiq (CA, USA), foram desenvolvidos. Importante ressaltar 
a criolipólise (Convencional), que prevê tratamento de res-
friamento prolongado (~60 min) seguido de breve massagem 
(~5min) para favorecer a reperfusão está bem estabelecido na 
literatura, porém um grupo de pesquisadores, baseados numa 
técnica temperagem utilizada na indústria alimentícia para in-
duzir a cristalização de lipídeos26,27, desenvolveram uma série 
de estudos para avaliar sua aplicabilidade associado a tratamen-
tos para diminuição da gordura localizada que usam a extração 
de calor para indução de apoptose nos adipócitos de regiões 
com gordura localizada28-30. A técnica foi recentemente descrita 
como lipocriólise de contraste (contrast lipocryolysis)30.
Estudos clínicos iniciais prévios que utilizaram somente 
resfriamento do tecido adiposo foram realizados por Pinto 
et al.31. Eles trataram 16 mulheres (18 a 65 anos; IMC25-30) 
com um dispositivo Lipocryo® (Clinipro S.L., Sant Cugat 
del Vallés, Spain) para o tratamento de gordura localizada. 
Os pacientes foram randomizados em 2 grupos: G1 (recebeu 
uma única sessão), G2 (recebeu duas sessões com intervalo 
de 45 dias entre elas). Após avaliação clínica, medições an-
tropométricas e medidas de espessura do tecido adiposo por 
dobras cutâneas (G1, antes, 40 dias após a primeira sessão 
e G2, antes, 40 dias após a primeira sessão e 40 dias após 
a segunda sessão). Este estudo usou uma taxa de extração 
de temperatura de 140 mW/cm2 e a pele se manteve com 
temperatura ~3,1°C por 25-30 min. Os resultados demos-
tram que ambos os grupos tiveram redução estatisticamente 
significativas sendo G1 P= 0,04 e G2 P=0,046. Os autores 
consideraram o tratamento efetivo e não houve diferença es-
tatisticamente significativa entre os grupos. 
A proposta do uso de técnica de temperagem (calor/frio/
calor) para favorecer a cristalização dos adipócitos da gor-
dura localizada foi incialmente estudada em animais. Tecido 
adiposo branco de 7 ratos (Sprague-Dawley, 56 dias de idade 
e 300g de peso) foram extraídos após eutanásia e processa-
dos por enzimas para digestão do estroma. Em seguida os 
adipócitos foram filtrados e incubados em soro bovino. As 
células foram divididas em amostras e foram submetidasa 
diferentes e sequência de temperaturas, conforme demostra-
do na Figura 5. Algumas amostras foram mantidas resfriadas 
a 8°C por 30 min, outras foram mantidas a 37°C (controle). 
Análises estatísticas foram realizadas e os autores concluí-
ram que o efeito térmico promovido pelo aquecimento pré 
e pós a extração de temperatura, promoveram maior destrui-
ção celular e que essa poderia ser a chave para melhorar re-
sultados clínicos29. Seguindo o raciocínio proposto por Pinto 
et al.29 e comparando com resultados obtidos em estudos 
Figura 6: Medidas da dobra cutânea sendo, M1(azul), M2 
(vermelho) e M3 (verde). Extraído de Pinto e Melamed30.
anteriores publicados por Pinto et al.31, Pinto e Melamed30 
realizaram um estudo que usou a técnica de temperarem (ca-
lor/frio/calor) em comparação com a técnica convencional 
(somente resfriamento). O tratamento foi realizado em 10 
pacientes, com média de idade de 48,1±9,73 anos e IMC 
entre 22 e 27. O equipamento utilizado foi o Lipocontrast® 
(Clinipro S.L., Sant Cugat del Vallés, Spain) que aplica a 
técnica de contraste automaticamente e área tratada foi a ab-
dominal. Todas as pacientes foram avaliadas clinicamente, 
medições antropométricas e medidas de espessura do tecido 
adiposo por dobras cutâneas foram realizadas (M1, antes do 
tratamento; M2, 15 dias após a sessão e M3, 30 dias após a 
sessão). O tempo de sessão seguiu o seguinte modelo: Con-
vencional, somente resfriamento (8°C) ou Contraste, aque-
cimento (40°C/5 min), resfriamento (8°C/30 min) e aqueci-
mento (38°C/10 min), totalizando 45 min de sessão28,30. 
Figura 5: Imagem representativa da técnica convencional (so-
mente extração de temperatura) e de contraste (aquecimento/ex-
tração de temperatura/aquecimento); sendo aquecimento (linha 
vermelha), extração de temperatura (linha azul) e temperatura 
estabilizada (linha preta). Extraído de Pinto e Melamed28,32.
Os autores relataram a média de diminuição das medidas 
de espessura do tecido adiposo por dobras cutâneas foi estatis-
ticamente significativa (P=0,01 entre M1 e M2). A redução da 
espessura da dobra cutânea deste estudo30 foi de 42,45% quan-
do comparada ao estudo realizado pelo mesmo grupo que usou 
somente a técnica convencional31. Os efeitos adversos causa-
dos pela técnica forma considerados moderados e reversíveis33.
Em estudo adicional para avaliar os efeitos do frio so-
bre os adipócitos, foi realizado por Pinto, Ricart-Jané e Par-
dina34 estudo experimental usando adipócitos isolados de 
ratos (3 machos Wistar, 8 semanas de idade e 250-300g de 
peso) divididos em 4 grupos experimentais: Grupo contro-
le (CB), Grupo controle lipólise (CL), Grupo controle frio 
(CF) e grupo lipólise e frio (FL). Para indução de lipólise 
foi usado isoproterenol, os grupos controle foram mantidos 
a temperatura ambiente (25°C) e o grupo tratado foi exposto 
ao frio (8°C). Os autores observaram que o frio induziu rele-
231
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
vante danos e destruição às células, porem, as células restan-
tes viáveis mantiveram sua capacidade lipolítica preservada 
pós-tratamento. 
Reações adversas 
De modo geral, as reações adversas são consideradas 
transitórias. Durante o tratamento geralmente são reportados 
dor e desconforto toleráveis35. Imediatamente ao tratamento 
são esperados eritema e edema que desaparecem até 72 h. 
equimoses secundárias ao vácuo produzido pelo aplicador 
não são incomuns e desaparecem por volta de uma semana. 
Alguns pacientes podem experimentar diminuição da sensi-
bilidade cutânea que desaparece por volta de uma semana a 
dois meses3,8,14. Em estudo realizado para avaliar o efeito da 
criolipólise sobre os lipídeos séricos e função hepática não 
encontrou alterações em indivíduos após o tratamento com 
criolipólise10. Hipertrofia paradoxal tem sido reladas, rela-
cionadas à criolipólise36-38. Queimaduras e consequentes al-
terações pigmentares podem ocorrer com sistemas que usam 
temperaturas muito superiores do nível de congelamento da 
água ou técnicas inadequadas3,39.
Conclusão
A criolipólise demonstra ser uma técnica segura e efe-
tiva para redução de depósitos de gordura subcutânea. A 
tecnologia Polarys® foi desenvolvida para atender tanto a 
técnica de criolipólise Convencional quanto a de Contraste e 
teve seu desenvolvimento pautado em estudos previamente 
publicados. Importante ressaltar que a proposta do uso do 
calor imediato ao tratamento convencional pode se sustentar 
também pela hipótese da formação de espécies reativas de 
oxigênio, pois favorece a reperfusão/recuperação de forma 
possivelmente mais acentuada que a massagem sugerida por 
Sasaki et al.24 com potencial melhora de resultados por indu-
ção de danos adicionais aos adipócitos do local tratado. No 
entanto, são necessários mais estudos para avaliar o poten-
cial clínico total deste dispositivo. Nesta revisão também foi 
possível verificar que outros descritores também tem sido 
usados para descrever a técnica que usa a extração de calor 
do tecido adiposo tais como: Fat Freezin14, Cryolysis, Se-
lective Cryolisis6, Lipocryolysis31, Ice-Shock Lipolysis (uso 
associado com terapia por ondas de choque)40, sendo o des-
critor mais conhecido, Cryolipolysis16. 
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Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
232
Resumos
Exercícios de facilitação neuromuscular 
proprioceptiva no equilíbrio de idosas
Laiana Sepúlveda de Andrade Mesquita1, Fabiana Teixeira de Carvalho1, 
Marcelino Martins1, Igor Almeida Silva2, Débora Carvalho Alves3
1. UESPI-Docente da Universidade Estadual do Piauí, Centro de Ciências e Saúde, Teresina, Piauí
2. UESPI-Acadêmico da Universidade Estadual do Piauí, Centro de Ciências e Saúde, Teresina, Piauí
3. AESPI-Acadêmica da Associação de ensino superior do Piauí
Endereço para correspondência: laianasepulveda@hotmail.com
Introdução: As alterações intrínsecas encontradas nos idosos caracterizam-se pelo decréscimo do sistema neuromus-
cular, perda de massa muscular, debilidade do sistema muscular, redução da flexibilidade e limitações na coordenação e no 
equilíbrio corporal estático e dinâmico. Um tratamento proposto para minimizar esses efeitos é a Facilitação Neuromuscular 
Proprioceptiva (FNP) que é uma técnica de alongamento e fortalecimento utilizada para melhorar a elasticidade do músculo 
e tem mostrado um efeito positivo sobre a gama ativa e passiva dos movimentos. Objetivo: Avaliar os efeitos dos exercícios 
de facilitação neuromuscular proprioceptiva no equilíbrio de idosas. Metodologia: Consiste em um estudo de delineamento 
longitudinal com abordagem quantitativa realizado em um hospital público em Teresina-Piauí. A pesquisa obedeceu aos 
critérios éticos com base na Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde – CNS, com aprovação pelo Comitê de 
ética com o parecer 218.352 e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE. A amostra constituiu-se 
idosas com idade entre 65 e 80 anos, que foram submetidas a exercícios de FNP. Avaliou-se o equilíbrio através da escala de 
equilíbrio de Berg que consistiu em 14 tarefas, em uma escala ordinal de 5 pontos, que varia de 0 (incapaz de realizar a tarefa) 
à 5 (realiza a tarefa de modo independente). As pontuações das 14 tarefas foram somadas em uma pontuação total, que varia 
entre 0 e 56 pontos, sendo a maior pontuação relacionada a um melhor desempenho e valores inferiores e iguais a 45 pontos 
como predição de quedas. O protocolo teve duração de quatro semanas, com frequência de 3 atendimentos semanais. Foram 
utilizados três princípios específicos do FNP: iniciação rítmica, sustentar-relaxar e a reversão de antagonistas. A análise dos 
dados foram realizados através do programa BioEstat 5.0. Primeiramente, aplicou-se o teste de Shapiro-Wilk para avaliar a 
normalidade das variáveis, a verificação da correlação foi utilizado o T-Student, considerando estatisticamente significati-
vo um valor de p<0,05. Resultados: Participaram do estudo 20 idosas, com idade média de 68,7 ±5,7 anos; peso de 58,9± 
9,6 Kg, altura de 1,53±5,2 metros e IMC de 25,16±4,9 kg/m². Verificou-se incremento significativo no escore da escala de 
equilíbrio de Berg de 51,7±4,7 para 55,75±0,4 após o protocolo de exercícios de Facilitação neuromuscular proprioceptiva 
com p=0,0007. Conclusões: Foi observado uma melhora no equilíbrio postural das idosas avaliadas após quatro semanas 
de exercícios de FNP. Recomenda-se novos estudos incluindo amostras maiores de idosas e maior número de sessões. Isso 
ajudará a elucidar melhores alternativas que possam ser aplicados para aumentar o equilíbrio, permitindo que os exercícios 
de FNP sejam utilizados não só para a reabilitação, mas como prevenção do desequilíbrio postural.
 
Mensagem do Presidente da Aferj - Dr. Mauro Santos
Associação dos Fisioterapeutas do Estado do Rio de Janeiro.
O FISIO CONNECT é o evento magno da Associação dos Fisioterapeutas do Estado do Rio 
de Janeiro. Após 60 anos de existência, a associação está em plena evolução, desenvolvendo seus 
departamentos através de encontros científicos, criando grandes parcerias com empresas, institui-
ções de ensino e autarquias, valorizandoos profissionais e agregando valores.
O FISIO CONNECT veio com o propósito de discutirmos a importância da ciência na Fisioterapia, como utilizar a 
tecnologia a favor do tratamento de nossos pacientes aumentando qualidade, e entender que a Fisioterapia é mais uma peça 
importante na promoção da saúde em todos os seus níveis.
O processo de seleção dos resumos aqui contidos foi rigoroso, bem como a avaliação da apresentação dos mesmos. 
Portanto, o que será listado nas próximas páginas será um exemplo de que a fisioterapia encontra-se em franco desenvolvi-
mento, mostrado em pesquisas de qualidade extrema como essas. Agradeço o empenho da comissão científica, que não mediu 
esforços para tornar este momento tão rico como foi. Também faço uma menção honrosa aos classificados nestes resumos a 
seguir. Justa homenagem a quem, desde cedo, produz ciência de qualidade para nossa profissão. Obrigado, e esperamos sua 
contribuição científica na próxima edição do FISIO CONNECT .
233
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
 Força muscular respiratória e de membros superiores
em crianças e adolescentes com fibrose cística
Ana Beatriz Santana Cavalcante1, Amanda Tupinambá da Fonseca Oliveira1, 
Christine Pereira Gonçalves1, Célia Regina Moutinho de Miranda Chaves1, Nelbe Nesi Santana1
1. Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira, Fisioterapia Respiratória, Rio de Janeiro, RJ
Endereço para correspondência: biacavalcante91@gmail.com
Introdução: A Fibrose Cística (FC) é uma doença genética autossômica recessiva multisistêmica cujo maior compro-
metimento se dá no sistema respiratório, devido a infecções recorrentes que levam à inatividade em muitas das vezes. A 
fraqueza musculoesquelética na FC, tanto respiratória como periférica, é causada por fatores como o estado nutricional, a hi-
póxia, a inatividade, o uso de corticoides, a doença pulmonar obstrutiva crônica, a inflamação crônica no sistema respiratório 
e a predisposição genética, visto que a alteração primária também está presente nos retículos sarcoplasmáticos musculares. 
Objetivo: Verificar se há associação entre a força muscular respiratória e a força muscular de membros superiores (MMSS) 
em crianças e adolescentes com FC. Metodologia: Foi realizado um estudo transversal, observacional, descritivo, incluindo-
-se crianças e adolescentes entre 8 e 19 anos incompletos atendidos no IFF/Fiocruz, com diagnóstico de FC através do teste 
do suor. Excluíram-se os pacientes com alguma condição neurológica ou musculoesquelética que os incapacitassem de re-
alizar os testes e aqueles com outras doenças além da FC que pudessem interferir nos resultados dos mesmos. Os pacientes 
realizaram testes de dinamometria e manovacuometria. A dinamometria foi realizada através de um dinamômetro de preensão 
manual segundo as normas da American Society of Hand Therapists. O paciente foi instruído a realizar a preensão manual 
máxima durante 3 segundos, utilizando seu membro superior dominante. A manovacuometria foi realizada segundo as nor-
mas da American Thoracic Society. Para a mensuração da pressão inspiratória máxima, foi solicitado ao paciente que expi-
rasse completamente até o volume residual e a seguir inspirasse com força máxima. Para a mensuração da pressão expiratória 
máxima, foi solicitado que o participante inspirasse profundamente até a capacidade pulmonar total e a seguir expirasse com 
força máxima sem utilizar a musculatura da bochecha. Tanto na dinamometria quanto na manovacuometria, foram realizadas 
3 medidas de teste, e o valor maior foi considerado, calculando-se o valor previsto de acordo com as equações disponíveis na 
literatura. Na análise estatística foi realizada a correlação de Pearson. Resultados: Foram avaliados 44 indivíduos, 25 do sexo 
feminino, com idade entre 08 e 18 anos. Os participantes apresentaram, em média, -80,9+/- 37,2 cmH2O de pressão inspira-
tória máxima, o que corresponde a 123,1+/-55% do valor previsto. A pressão expiratória média foi de 66,6+/-28,5 cmH2O, 
correspondendo a 64,8+/-29,3% do previsto. Na dinamometria de preensão palmar a média alcançada foi de 21,3+/-8,2 kgf, 
equivalente a 79,5+/-15,9% do previsto. Na análise de correlação, não houve associação entre a força muscular periférica e 
a força de músculos respiratórios (p>0,05). Conclusões: O declínio da força muscular esquelética é uma importante compli-
cação observada em muitos pacientes com FC. Embora os músculos respiratórios e periféricos sejam ambos pertencentes à 
musculatura esquelética, não foi observada associação entre as medidas de força dos mesmos. Em nosso estudo, os pacientes 
com FC apresentaram maior força relacionada à musculatura inspiratória e menor força relacionada à musculatura expiratória 
e periférica. Alguns estudos mostram que comparando a força muscular esquelética periférica com a força muscular respirató-
ria em pacientes com FC, existe uma preservação dos músculos respiratórios, visto que a tosse crônica e o aumento do esforço 
respiratório levam à manutenção e até mesmo ao aumento da força muscular respiratória através do efeito de treinamento 
desses músculos, o que foi observado em nossos pacientes.
Correlação entre a força muscular respiratória e a
força de preensão palmar em idosos internados
em uma enfermaria de cirurgia vascular
Christiano Barbosa da Silva1, Ana Paula Petrungaro Novello2, Vitor Savino Campos3, 
Marianna Alexandre dos Santos3, Diana Junqueira Fonseca Oliveira4, Mauricio de Sant Anna Junior5 
1. Hospital Estadual Getúlio Vargas – HEGV - Rio de Janeiro, RJ
2. Núcleo de Atenção ao idoso/Universidade Aberta da Terceira Idade/ UERJ, Rio de Janeiro, RJ. Hospital Geral de Guarus/ Setor de Reabilitação/ Fundação 
Municipal de Saúde, Campos dos Goytacazes, RJ
3. Núcleo de Atenção ao idoso/Universidade Aberta da Terceira Idade/ UERJ, Rio de Janeiro, RJ. Hospital Federal dos Servidores do Estado/ Departamento 
de Fisioterapia/ Ministério da Saúde, Rio de Janeiro, RJ.
4. Instituto Estadual de Cardiologia Aloysio de Castro –IECAC/ Dep. Fisioterapia/ Fundação Saúde, RJ.
5. Instituto Federal do Rio de Janeiro –IFRJ/ Curso de Fisioterapia, Rio de Janeiro, RJ
Endereço para correspondência: christiano_barbosa@yahoo.com.br
Introdução: “A hospitalização oferece riscos para a pessoa idosa tornando esta mais suscetível a complicações causa-
das pelo repouso prolongado no leito e a fragilidade. A fragilidade pode ser definida como um estado dinâmico que afeta o 
indivíduo nos aspectos físicos, psíquico e social, causando redução da sua reserva fisiológica e declínio funcional. A força 
de preensão palmar (FPP) esta associada com a funcionalidade de idosos. O estudo de Sydall e col questiona se FPP pode 
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
234
ser considerada um marcador único de fragilidade. O declínio da força muscular respiratória tem relação com a mobilidade 
de idosos. Objetivo: Verificar se existe correlação entre a força de musculatura respiratória e a força de preensão palmar em 
idosos internados em uma enfermaria de cirurgia vascular de um hospital universitário na cidade do Rio de Janeiro. Meto-
dologia: Trata-se de um estudo transversal (projeto piloto) com 30 indivíduos que foi realizado no período de agosto/2015 
a março/2016. 1ª Etapa: Analise de dados sociodemográficos (idade, gênero, presença de comorbidades e motivo da inter-
nação). 2ª Etapa: Avaliação fisioterapêutica: FPP: foi mensurada por meio de um dinamômetro palmar hidráulico analógico 
Jamar®. Força da musculatura respiratória (PImáx e PEmáx): foi medida utilizando um manovacuômetro (WIKA®/Brasil). 
Critérios de inclusão: Idade igual ou superior a 60 anos, ambos os sexos, admitidos na enfermaria de cirurgia vascular do 
HUPE há menos de 72 horas. Critérios de exclusão: Dor (pontuação > 8 na EVA), doença osteomuscular aguda, deformidade 
que impeça a realização do teste, déficit cognitivo, delirium, doença respiratória exacerbada, indicação médica de repouso 
e/ou com uso de drenosou cateter venoso central com infusão continua de medicação e aneurisma de aorta. O estudo foi 
submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa do HUPE/UERJ e autorizado (número CAAE 44763315.0.0000.5259). Todos os 
participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Para caracterização da distribuição dos dados foram 
aplicados os testes de Kolmogorov-Smirnov com correção de Lilliefors (distribuição normal). Para correlação a PImáx e 
a FPP foi empregado o teste de correlação de Pearson. Para análise dos resultados e confecção dos gráficos foi utilizado o 
programa GraphPrims® 5.0 sendo adotado o nível de significância p<0,05. Resultados: Foram avaliados 30 pacientes idosos 
(21 homens e 9 mulheres) com média de idade 71.3±7.5. Dados antropométricos: Peso: 60.3±11.6, altura: 1.59±0.079 e IMC: 
23.6±3.5. Dentre os pacientes que preencheram os critérios de inclusão, os motivos de internação foram: 64% de Doença 
Arterial Obstrutiva Periférica, 23% de estenose de Carótida e 13% de aneurisma arterial (não-aórtico). E as comorbidades 
foram: 47% cardiorrespiratórias, 23% músculo esqueléticas, 14% neurológicas e 50% outras causas. Houve correlação sig-
nificativa entre a FPP e a PImáx (r=0.5300 / p=0.0026). E não houve diferença entre o valor da PImáx previsto e o obtido 
(p=0.4577).” Conclusões: Foi encontrada correlação entre a FPP e Pimáx dos idosos internados na enfermaria da cirurgia 
vascular e não houve diferença entre o valor da Pimáx previsto e o obtido. Por se tratar de um projeto piloto, será necessário 
aumentar o número da amostra com o objetivo de corroborar ou rechaçar os resultados encontrados.
Efeitos da Laserterapia na síndrome do impacto no ombro
Laiana Sepúlveda de Andrade Mesquita1, Kelson Nonato Gomes da Silva1, 
Fabiana Teixeira de Carvalho1, Marcelino Martins1, Igor Almeida Silva2, Débora Carvalho Alves2
1.Universidade Estadual do Piauí-UESPI
2. Associação de Ensino Superiordo Piauí-AESPI
Endereço para correspondência: laianasepulveda@hotmail.com
Introdução: A síndrome do impacto se caracteriza como o aprisionamento do tendão do músculo supra espinhal entre o 
canto inferior anterior do acrômio e o tubérculo maior do úmero. Clinicamente é acompanhada com inflamação e edema que 
desencadeia dor severa e em casos mais graves à degeneração da bursa e dos tendões dos rotadores no espaço subacromial. A 
Terapia a laser se trata de um método não invasivo, com ação sobre o processo degenerativo, analgésica e anti-inflamatória. 
Estimula a proliferação celular, síntese de colágeno e protéica e reparação cicatricial através da irradiação direta. Objetivo: 
Avaliar os efeitos da laserterapia na síndrome do impacto. Metodologia: Trata-se de estudo Piloto, experimental, prospec-
tivo. O local da pesquisa foi uma Clínica de Traumas de referência da cidade de Teresina, no período de agosto de 2015 
até dezembro de 2015. A população estudada foi a de pacientes que foram encaminhados para o setor de fisioterapia com 
diagnóstico de síndrome do impacto. A pesquisa obedeceu aos critérios éticos com base na Resolução 466/2012 do Conselho 
Nacional de Saúde – CNS, com aprovação pelo Comitê de ética em Pesquisa com o parecer 1.253.863 e assinatura do Ter-
mo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE. Para avaliar a dor foi utilizada a Escala Visual Analógica (EVA) e uma 
escala de avaliação funcional do ombro denominada UCLA (University of Califórnia at Los Angeles), contendo domínios 
referentes à dor, função do ombro, força muscular, grau de mobilidade e satisfação do paciente. De forma geral as somas 
foram representadas em 4 escores, sendo Pobre 0 – 20; Razoável 21 – 27; Bom 20 – 33; Excelente 34 – 35. Um avaliador 
cego realizou a aplicação dos questionários no início e no término do protocolo, que foi constituído de 20 atendimentos com 
uma frequência de 3 vezes por semana. O Laser foi aplicado de forma pontual com uma dosagem de 5 joule/cm2, nos pon-
tos dolorosos durante 1 minuto cada, sobre a região subacromial do ombro. Foi utilizado: o Laser gálio-alumínio-arsenieto, 
com um comprimento de onda de 850nm, com potência de saída de 100 mV, onda contínua de 0.07cm2/área por ponto do 
laser. Resultados: Participaram do estudo 4 pacientes, com idade média de 68,5 ±6,45 anos; peso de 58± 8,08 Kg, altura de 
1,64±0,07 metros e IMC de 21,45±2,02 kg/m². Foi possível observar uma tendência a dominância do membro D, uma vez que 
todos os pacientes eram destros, além de uma correlação entre a dor e a função, onde quanto maior o índice de dor expresso 
pela EVA menor a função do ombro. Houve uma redução no escore da EVA em todos pacientes avaliados, com uma média 
de 6,5 ±1,73 antes do tratamento para 2,5±2,08 após a Laserterapia. Todos os participantes apresentaram a classificação 
“Pobre” pelo escore de UCLA. Após a intervenção 50% dos pacientes evoluíram para “Bom”, 25% para “Excelente” e 25% 
235
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
para “Razoável”. Conclusões: Conclui-se que a laserterapia apresentou propriedades benéficas aos pacientes acometidos 
com síndrome do impacto, reduzindo a dor e permitindo recuperação das funções. Recomenda-se novos estudos incluindo 
amostras maiores e maior número de sessões. Isso ajudará a elucidar melhores alternativas que possam ser utilizadas para o 
tratamento da síndrome do impacto.
A importância da associação de mulheres mastectomizadas
na qualidade de vida em mulheres com câncer de mama
Livia Jaccoud da Silva1, Rafael José Bezerra Siqueira1, Gabriel Gomes Maia1
1. Universidade Estácio de Sá, Nova Friburgo, Rio de Janeiro
Endereço para correspondência: gmaiafi sio@gmail.com
Introdução: O diagnó stico precoce e o avanç o das terapê uticas disponí veis tê m levado ao aumento da sobrevida 
das pacientes com câ ncer de mama, apesar da incidê ncia ainda ser elevada no Brasil. Com o aumento da sobrevida, 
observa-se a importâ ncia de avaliar a qualidade de vida destas pacientes. Objetivo: O objetivo deste estudo é verificar o 
impacto das ações do AMMA na qualidade de vida, na rede social e no apoio e/ou suporte social dos pacientes portado-
res de câncer de mama. Metodologia: Foi realizado um estudo transversal em uma coorte de mulheres com confirmação 
histopatológica de câncer de mama e que estão recebendo assistência pela AMMA no período de 1 a 2 anos. Foram 
selecionadas 16 mulheres para coleta de dados por entrevista realizada para obtenção de dados sócio-demográficos e 
dados clínicos, sendo utilizado como instrumentos o questioná rio da Organizaç ã o Europé ia de Pesquisa e Tratamento de 
Câ ncer-C30 para mensurar qualidade de vida e adaptaç ã o validada do Medical Outcomes Study Social-Support Survey 
para avaliar rede social e apoio social. Foram realizadas aná lises estatísticas entre as dimensõ es da qualidade de vida, de 
rede social e apoio social. Resultados: Foi observado que 56,25% das mulheres tem idade superior a 60 anos, 56,25% 
possuem baixa escolaridade, 81,25% não fumam, 93.75% não realizam reposição hormonal e que 62,5% realizaram 
mais de um tipo de tratamento para o câncer. Na funcionalidade observamos que a AMMA parece influenciar de forma 
significativa nos aspectos cognitivo (4,25±1,87), social (2,87±1,62), porém nos aspectos físico (10,31±3,59), emocional 
(11,62±3,73) e saúde global (10,43±2,52) não foi observado diferença. Em relação a dificuldade financeira (1,87±1,08) 
observamos a importância da AMMA no suporte. Já a rede e apoio social, verificamos uma importante participação 
da AMMA no apoio material (18,5±2,39), afetivo (14,62±0,88), emocional (16,93±2,99), informação (16,81±2,88) e 
interação social (14,68±4,11). Conclusões: Sendo assim, verifica-se que a presença de associações como a AMMA, 
podem gerar grande impactos positivos na funcionalidade e na qualidade de vida de indivíduos portadores de câncer. 
Além de que, pesquisas como estas podem gerar um feedback para a associação com objetivo de melhorar suas missões 
e objetivos em relação ao público alvo.
 
Treinamento de força muscularna reabilitação
pulmonar em pacientes com DPOC: uma revisão sistemática
Ana Carolina Santos Sampaio1, Patrícia Frasson Hommerding1, 
Yves Raphael de Souza2, Felipe Cortopassi2, Kenia Maynard da Silva2
1. Universidade Veiga de Almeida
2. UERJ - Laboratório de Reabilitação Pulmonar
Endereço para correspondência: carol.ssampaio@yahoo.com.br
Introdução: A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma patologia caracterizada pela obstrução progressiva 
ao fluxo aéreo, parcialmente ou não totalmente reversível, causando prejuízos funcionais. Outro fator associado a tais limita-
ções é a disfunção muscular periférica. Existem evidências de que alterações musculoesqueléticas relacionadas à inatividade 
física repercutem negativamente no prognóstico dos pacientes com DPOC. Dessa forma, o fortalecimento muscular nestes 
indivíduos proporcionam além do aumento da força muscular, melhora da capacidade funcional e da qualidade de vida. Obje-
tivo: O presente estudo é uma revisão sistemática que tem como objetivo identificar os aparelhos utilizados para treinamento 
de força muscular e a eficácia dos Programas de Reabilitação Pulmonar (PRP) em pacientes com DPOC. Metodologia: Para 
tanto, foi realizada uma busca sistemática nas bases de dados Scielo, Pubmed, Medline e Tripdatabase, foram incluídos arti-
gos com ano de publicação no período de 2005 à 2016. Resultados: Foram selecionados 24 estudos, e descritos os tipos de 
equipamentos utilizados para o treino de força e os resultados dos programas de reabilitação. Conclusões: Foi constatado que 
os equipamentos de musculação são os mais utilizados para este fim, porém opções mais viáveis e mais versáteis produzem 
os mesmos resultados, e além disso, em todos os estudos, os PRP produziram resultados significativos.
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
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Análise comparativa da frequência cardíaca antes
e após um minuto do teste de caminhada em seis minutos
Diego Alves Saldanha1, Patrícia Frasson Hommerding1, 
Yves Raphael de Souza2, Diego Condesso2, Bianca Figueira2, Kenia Maynard da Silva2
1. Universidade Veiga de Almeida
2. UERJ - Laboratório de Reabilitação Pulmonar
Endereço para correspondência: diegoasaldanha@gmail.com
Introdução: A Frequência cardíaca é a resposta ao esforço máximo e submáximo durante o exercício. A observação do 
retorno da frequência cardíaca após o esforço denota informação prognóstica relevante. De acordo com o protocolo o tempo 
de recuperação para a FC após o teste de caminhada de seis minutos é de trinta minutos para sua repetição. Poucos são os 
estudos sobre o tempo de recuperação da FC após o TD6M. Objetivo: Analisar a FC após um minuto do TC6M dos indiví-
duos saudáveis comparando a FC na sua condição basal e final após o teste. Metodologia: Estudo retrospectivo, com análise 
a partir do banco de dados da tese “Equação de Referência do Teste do Degrau para indivíduos saudáveis e sedentários”. 
Avaliamos 52 homens e 52 mulheres com idade entre 20 - 80 anos. Foi analisada e comparada a FC inicial, final e um minuto 
após o TC6M. Resultados: FC inicial média: total de participantes foi 77,5±16,2, o gênero masculino 73±16,3; gênero fe-
minino 82±16. FC final média: total de participantes foi 111,2±17, homens e mulheres apresentaram 107,5±12,8 e 115±21,3 
respectivamente. FC um minuto após o TC6M média: total de participantes 86,5±13,3, os homens apresentam 85±14,3 e mu-
lheres 88±12,3, os resultados demonstraram uma p-valor para homens >0,0001; e mulheres >0,0001 e total de participantes 
p>0,0001. Para FC no primeiro minuto o p-valor nos homens p>0,0001; mulheres = 0,0035 e total de participantes p>0,0001. 
Conclusões: A FC após 1 minuto no TC6M se aproxima da FC inicial, demonstrando a possibilidade de redução do tempo 
de intervalo para a repetição.
 
Análise do Peak Flow após técnicas de facilitação
neuromuscular proprioceptiva em idosas
Anne Shirley Menezes Costa1, Fabiana Teixeira Carvalho1, Ruan Luiz Rodrigues de Jesus2, 
Maíra Damasceno Cunha Varanda2, Laiana Sepúlveda de Andrade Mesquita1, Marcelino Martins1
1. UESPI-CCS, Teresina –PI
2. Hospital Getúlio Vargas, Teresina – Piauí.
Endereço para correspondência: fi sio5@yahoo.com.br
Introdução: O aumento da idade da população apresenta-se como realidade no Brasil. Quanto mais avançada à idade, 
maiores as alterações morfológicas, funcionais e bioquímicas, levando ao idoso se tornar menos ativo fisicamente. A Facili-
tação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP) é uma técnica de alongamento e fortalecimento muscular que trás benefícios as 
pessoas da terceira idade como a manutenção da massa e aumento da potência muscular e da força. O pico de fluxo expirató-
rio é um instrumento que serve para avaliar o volume pulmonar. Objetivo: Analisar se os exercícios de FNP influenciam na 
variação do pico de fluxo expiratório máximo (PFE) em idosas saudáveis. Metodologia: Estudo retrospectivo exploratório, 
aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual do Piauí, parecer ETIC 356.137 a partir de dados co-
letados de uma pesquisa constituída de 15 idosas que foram submetidas a 12 atendimentos de exercícios de FNP, no setor de 
fisioterapia de um hospital público da cidade de Teresina (PI). Foram coletadas informações presentes nas fichas de avaliação 
de prontuários referentes à antropometria (peso corporal (kg) com a utilização de uma balança marca Toledo (modelo 2096, 
São Paulo, Brasil), estatura (m) através de uma fita métrica e Índice de Massa Corporal (IMC, em kg/m2) e pico de fluxo 
expiratório (realizado antes e após o exercício por meio do Peak Flow Meter® da marca MINI WRIGHT®, graduado em L/
min, com variação de 60 a 880 L/min). As variáveis foram tabuladas, e a média e o desvio padrão calculados. Em seguida, 
realizado o teste de Shapiro-Wilk para avaliar a normalidade, e o t de Student para amostras emparelhadas, considerando o 
nível de significância estatística de 95% (p<0,05) por meio do programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS®, 
versão 17.0) for Windows. Resultados: A média do IMC obtida foi de 25,82 kg/m2. Em relação ao PFE, como efeito ime-
diato, foi verificado uma redução significativa nas comparações das médias antes e logo após os exercícios com p=0,0001. 
Em relação ao efeito tardio do PFE foi comparado as médias dos seis primeiros atendimentos com as médias dos seis últimos 
atendimentos, sendo verificado um aumento significativo desses valores com p= 0,015 antes dos exercícios e p=0,020 depois 
dos exercícios. Conclusões: O exercício de FNP é benéfico para o sistema cardiorrespiratório podendo auxiliar na melhora 
da qualidade de vida dos idosos.
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Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
ID14 - Massagem terapêutica em ambiente de unidade
de terapia intensiva neonatal: uma revisão integrativa
Adriana Prado De Almeida1, Saint Clair dos Santos Gomes Junior1, Carla Trevisan Martins Ribeiro2
1. Fundação Oswaldo Cruz - Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira - Rio de Janeiro, RJ.
2. Fundação Oswaldo Cruz. Instituto Fernandes Figueira. Serviço de Fisioterapia. Rio de Janeiro, RJ.
Endereço para correspondência: dricaterapia@hotmail.com
Introdução: Com o aumento do número de Recém-Nascido Prematuro (RNPT), vários pesquisadores se interessaram 
em desenvolver estudos de Prática Integrativas e Complementares (PIC) para a promoção de qualidade de vida desta po-
pulação. Uma dessas práticas é a massagem terapêutica (MT), também chamada de estimulação tátil-cinestésica, estudada 
como uma técnica complementar, com o objetivo inicial de amenizar os fatores comprometedores do crescimento desta 
população. A MT surge como alternativa para a melhora dos processos neurofisiológicos e no desenvolvimento das funções 
dos RNPT. Objetivo: Reunir evidências disponíveis na literatura sobre a massagem terapêutica em ambiente de unidade 
de terapia intensiva neonatal (UTIN) nos indicadores de crescimento e nos parâmetros de estabilidade clínica dos RNPT. 
Metodologia:O estudo consiste numa revisão integrativa (RI), onde foram incluídos artigos que abordassem RNPT, avalia-
ção da massagem terapêutica em UTIN: variáveis de crescimento, variáveis de intervenção (condutor da massagem, tipo de 
pressão, frequência de realização, duração da técnica e momento de realização da técnica). A RI identifica, analisa, sintetiza 
e permite a geração de novos conhecimentos. Três pesquisadores selecionaram os artigos conforme o título, e consagraram 
quais seriam lidos e incluídos nesta revisão. A escolha para os artigos foi realizada em duas etapas: (1ª) os critérios de in-
clusão e exclusão através da busca nas bases de dados, leitura dos títulos e resumo para depois a leitura propriamente dita 
do texto completo, assim como, (2ª) a avaliação feita através dos instrumentos que validam os mesmos – CASP - Critical 
Appraisal Skills Programme (Ensaios Clínicos Randomizados), e The TREND Statement (Estudo Quase-Experimental). 
Para avaliar os níveis das evidências dos artigos a classificação Oxford Center for Evidence-based Medicine. Na busca ele-
trônica foram utilizados os indexadores contidos no Descritores em Ciências da Saúde: massagem, massagem terapêutica, 
recém-nascido pré-termo, prematuro (massage, massage therapy, premature, preterm infants). Foram empregados operadores 
booleanos AND e OR, sem limite temporal. A averiguação foi realizada no mês de maio de 2014. Foram adotadas as bases 
de dados: PubMed, WEB OF SCIENCE, SCOPUS, PEDro, CINAHALL e a Scielo. Resultados: Após leitura dos artigos, 
verificou-se que de uma forma geral, indicavam evidências de benefícios da MT para as variáveis de crecimento: melhora da 
dor, ganho de peso, regulação térmica, atividade vagal e motilidade gástrica, estado de alerta, organização comportamental, 
alta hospitalar precoce, deposição de gordura corporal e qualidade de crescimento, melhora da função do sistema nervoso 
autônomo, da atividade parassimpática e parâmetros fisiológicos. Dentre as variáveis de intervenção, a maioria seguiu o 
protocolo de Field que preconiza aplicação da técnica com toque profundo, por cinco dias consecutivos, três vezes por dia e 
duração de quinze minutos. Conclusões: Este estudo de RI revelou que esta técnica de intervenção demonstrou eficácia no 
crescimento e na estabilidade clínica de RNPT internados em UTIN. Contudo, mais estudos sobre a aplicabilidade da MT em 
RNPT, em ambiente de UTIN são necessários para produção de dados que proporcionem mais evidências científicas, para 
que futuras investigações incluam a avaliação de mais variáveis de maneira a tornar mais claro o mecanismo, e que possuam 
uma metodologia mais rigorosa, para que seja definitivamente contemplada e respeitada mediante os profissionais que inte-
gram a equipe intensivista neonatal, como também a classe científica. A partir disso, pode se tornar viável a geração de novos 
conhecimentos, pautados nos resultados apresentados nestas pesquisas. Isso contribui para uma possível repercussão benéfica 
na qualidade dos cuidados aos RNPT.
ID15 - Estimulação elétrica nervosa transcutânea
no pós-operatório de cirurgia cardíaca: Revisão sistemática
Diego Eduardo dos Santos1, Gabriel Gomes Maia1, Tiago Eduardo dos Santos1
1. Sanatório Naval em Nova Friburgo - Rio de Janeiro
Endereço para correspondência: eudardosantos17@yahoo.com.br
Introdução: Sendo considerado um sintoma importante em qualquer faixa etária, a dor está frequentemente associada 
ao sofrimento ou desconforto, podendo ser interpretada como um alerta de comprometimento da integridade física e/ou emo-
cional. De forma a contribuir com a reabilitação cardíaca na fase I (hospitalar), a Estimulação Elétrica Transcutanêa (TENS), 
recurso fisioterapêutico utilizado para diminuição da dor e redução das repercussões pulmonares em decorrência da cirurgia 
cardíaca, tem sido incluída como conduta terapêutica no pós-operatório. Objetivo: O objetivo deste estudo foi avaliar os 
efeitos da TENS sobre a dor, e os parâmetros utilizados durante a aplicação terapêutica, no período de pós-operatório de 
cirurgia cardíaca por meio de revisão sistemática. Metodologia: A estratégia de busca incluiu as bases de dados eletrônicas 
SciELO, PubMed, LILACS e PEDro (Physiotherapy Evidence Data base). Para a busca dos estudos científicos, utilizou-se 
a combinação dos termos e seus descritores em português: estimulação elétrica nervosa transcutânea, estimulação elétrica, 
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
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estimulação elétrica terapêutica, cirurgia cardíaca, procedimentos cirúrgicos cardíacos, esternotomia, cirurgia de revascu-
larização do miocárdio, correção aórtica e seus correspondentes da língua inglesa. Dois autores selecionaram de forma in-
dependente os estudos para inclusão, examinando os ensaios clínicos controlados e randomizados encontrados por meio da 
análise dos títulos e resumos. Todos os estudos considerados relevantes tiveram seu texto obtido na íntegra e, com base nas 
informações contidas, foram selecionados aqueles que estavam de acordo com os critérios de inclusão. Discordâncias entre 
os autores foram resolvidas pela análise de um terceiro autor. A qualidade metodológica dos estudos foi avaliada de acordo 
com a Escala PEDro. Essa escala é composta por 11 itens que avaliam a validade interna da metodologia utilizada nos ensaios 
clínicos, bem como informações relacionadas à estatística e apresentação dos resultados. Resultados: Foram analisados os 
parâmetros ajustados para aplicação da TENS (frequência, largura de pulso e o tempo de aplicação) nos estudos seleciona-
dos. O tratamento com a TENS ocorreu entre o 1º e o 3º DPO para o alivio da dor no pós-operatório de cirurgia cardíaca. Os 
estudos sugerem a utilização da TENS no modo convencional, a frequência de 80 a 110 Hz, a largura de pulso de 50 a 80 ms 
e a intensidade que o paciente relate “parestesia forte”, sem que haja desconforto ou dor, e o tempo minimo de 30 minutos, 
não havendo diminuição significativa do nível de dor com o tempo de acima de 60 minutos ou 1 hora, durante uma aplicação 
única. Conclusões: Diante do exposto sobre os parâmetros ajustados no TENS convencional para redução da dor no pós-
-operatório de cirurgia cardíaca, sugere-se uma aplicação diária ou mais aplicação diária, para um resultado mais efetivo.
 
ID18 - A relevância de um parecer
fisioterapêutico em uma ação judicial
Hélia Ribeiro Anniboleti1
1. Fisioterapeuta, Especialista em Fisioterapia Fisioterapia Forense, Saúde do idoso e neurofuncional, Perito Senior ABFF
Endereço para correspondência: fi sioperitohelia@gmail.com
Introdução: A perícia é o exame de situações ou fatos relacionados a coisas e pessoas, praticado por especialista, com 
objetivo de elucidar determinados aspectos técnicos, a fim de dar subsídio técnico-científico para decisão do Juiz. O Perito é 
indivíduo de confiança do Juiz. O Código Processo Civil Art. 156, o Juiz será assistido por um perito quando a prova depen-
der de conhecimento técnico ou científico. O termo “Parecer” é o documento feito Perito Assistente Técnico. A Fisioterapia 
é uma profissão e regulamentada pela Lei Nº 938/1969. Objetivo: O objetivo deste trabalho é fundamentar a relevância de 
um Parecer elaborado por um Perito fisioterapeuta em uma ação Judicial. Metodologia: A pesquisa desenvolveu-se para 
realização de artigo de revisão sistemática. A fim de demonstrar a Relevância de um documento do tipo Parecer Judicial 
Fisioterapêutico. Os levantamentos de dados foram pesquisados em sites como: Jusbrasil, scielo, bibliotecas virtuais, biblio-
grafias. Resultados: A Pericia Fisioterapêutica é a aplicação dos conhecimentos técnicos, a serviço da Justiça, determinando 
a elaboração de documentos cujos teores se relacionem ás disfunções dos movimentos humanos, e a eventual relação destas 
com os sistemas onde os mesmos estejam inseridos. A Perícia Médica é o conjunto de procedimentos técnicos que tem por 
finalidade a emissão de laudo sobre questões médicas, mediante exame, vistoria,investigação, avaliação ou certificação. O 
Conselho Federal de Fisioterapia e terapia Ocupacional - Resolução Nº 370, dispõe sobre adoção da Classificação Internacio-
nal de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, o Fisioterapeuta Perito não pode deixar de usar essa ferramenta para elaboração 
de seus Laudos ou Pareceres e Atestados. Conclusões: Na Perícia Médica, o médico faz um diagnóstico nosológico, o que se 
diagnóstica é a doença ou controvérsia no processo enquanto a presença ou não de doença. Porém quando médico diagnóstica 
doença, o fisioterapeuta será profissional habilitado na análise físico-funcional das incapacidades encontradas e fazer diag-
nóstico qualitativo e quantitativo dessas incapacidades. Segundo CPC Art.472, o Juiz poderá dispensar prova pericial quando 
as partes, na inicial e na contestação apresentarem pareceres técnicos ou documentos elucidativos que considerar suficiente. 
Logo Parecer fisioterapêutico se mostra relevante quando a prova do fato for diagnóstico cinesiológico funcional podendo ser 
juntado mais breve possível para ajudar decisão judicial e vir diminuir custas processuais com despesas periciais.
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Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
Agenda
Março 2017
Congresso Nacional 2017 da SPMFR - Sociedade Portu-
guesa de Medicina Física e de Reabilitação
Data: 23 a 25 de Março de 2017
Local: Porto - Portugal
Informações: spmfr@spmfr.org
Abril 2017
XI Simpósio de Fisioterapia em Terapia Intensiva e
VII Simpósio de Fisioterapia em Cardiologia
Data: 06 a 09 de Abril de 2017
Local: São Paulo - SP
Informações: www.einstein.br
Maio 2017
XVII Congresso Brasileiro de Biomecânica, 
I Encontro Latino Americano de Biomecânica e 
VIII Simpósio em Neuromecânica Aplicada
Data: 8 a 11 de Maio de 2017
Local: Porto Alegre – RS
Informações: www.biomecanica2017.com.br
III Congresso Internacional de Fisioterapia em Coluna
Data: 11 e 13 de Maio de 2017
Local: Salvador - BA
Informações: www.conifi c.com.br
II FISIODESM - Congresso Brasileiro de Fisioterapia 
Dermatofuncional e Saúde da Mulher
Data: 25 de Maio de 2017
Local: Curitiba - PR
Informações: www.fi siodesm.com.br
Julho 2017
22º Congresso Brasileiro Multidisciplinar em Diabetes e 
22ª Exposição Nacional de Produtos e Alimentos Diet
Data: 27 a 30 de Julho de 2017 
Local: São Paulo – SP
Informações: www.anad.org.br
Agosto 2017
I Congresso Internacional e 
II Congresso Brasileiro da ABRAFITO
Data: 17 a 19 de Agosto de 2017
Local: Brasília – DF
Informações: www.eventoabrafi to.com.br
Setembro 2017
XVII Congresso Brasileiro de Quadril
Data: 05 a 8 de Setembro de 2017
Local: Rio de Janeiro - RJ
Informações: www.cbq2017.com.br/inscricoes
9º Congresso Internacional de Fisioterapia
Data: 14 a 17 de Setembro de 2017 
Local: Porto Alegre – RS
Informações: www.sbf.org.br
Outubro 2017
Congresso SONAFE – VIII Congresso Brasileiro e 
VI Congresso Internacional
Data: 11 a 15 de Outubro de 2017
Local: Caldas Novas – GO
Informações: www.sonafe2017.com.br
Novembro 2017
X Congresso Nacional de Fisioterapeutas
Data: 10 a 12 de Novembro de 2017
Local: Universidade de Aveiro - Portugal
Informações: www.facebook.com/universidadedeaveiro
Fisioterapia Ser • vol. 11 - nº 4 • 2016
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Normas
A revista Fisioterapia Ser é uma publicação com periodicidade tri-
mestral e está aberta para a publicação e divulgação de trabalhos cientí-
ficos que contribuam para um melhor entendimento de todos os aspectos 
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Os artigos publicados em Fisioterapia Ser poderão ser também publi-
cados na versão eletrônica da revista (Internet) assim como em outros meios 
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A revista Fisioterapia Ser assume o estilo “Vancouver” (Uniform re-
quirements for manuscripts submites to biomedical journal, Am Ver Respir 
Dis 1986; 134:449-52, preconizado pelo Conselho Internacional de Direto-
res de Revistas Médicas, com as especificações que são resumidas a seguir. 
Ver o texto completo em inglês desses Requisitos Uniformes no site do In-
ternational Committee of Medical Journal Editors (ICMJE), htpp://www.
icmje.org, na versão atualizada em outubro de 2001.
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podem enviar sua contribuição (em arquivo eletrônico/e-mail) para nossa 
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Artigos originais: Os trabalhos devem apresentar dados originais de desco-
bertas com relação a aspectos experimentais ou observacionais, e inclui aná-
lise descritiva e/ou inferências de dados próprios. Sua estrutura é a conven-
cional que traz os seguintes itens: Introdução, Métodos Resultados, Discussão 
e Conclusão.
Textos: Recomendamos que não seja superior a 8 páginas, formato A4, fon-
te English Times (Times Roman) tamanho 12.
Tabelas: Considerar no máximo 4 tabelas, no formato Excel/Word.
Figuras: Considerar no máximo 4 figuras, digitalizadas (formato .tif ou 
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Referência bibliográfica: São recomendáveis no máximo 40 referências bi-
bliográficas, no sistema sequencial, onde as citações são numeradas na ordem 
de aparecimento no texto e listadas nesta mesma ordem ao final do texto.
Os critérios que valorizam a aceitação dos trabalhos serão o rigor me-
todológico científico, novidade, interesse profissional, concisão da exposi-
ção, assim como a qualidade literária do texto.
Revisão: São trabalhos que versem sobre algumas das áreas relacionadas 
à Fisioterapia, que tem por objetivo resumir, analisar, avaliar ou sintetizar 
trabalhos de investigação já publicados em revistas científicas. Quanto aos 
limites do trabalho aconselha-se o mesmo dos artigos originais.
Atualização ou divulgação: São trabalhos que relatam informações ge-
ralmente atuais sobre tema de interesse dos profissionais de Fisioterapia, 
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plorando um método ou problemas através de exemplo. Devem conter um 
máximo de 5 páginas, 5 ilustrações, 5 autores e 15 referências. A formatação 
deve seguir o estilo artigo original. O resumo e, portanto o abstract, não 
deve ultrapassar 150 palavras.
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Numere as figuras em arábico, com a legenda abaixo da própria figua.
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ótima (qualidade gráfica – 300 dpi). Fotos e desenhos devem estar digitaliza-
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O conteúdo do resumo deve conter, de forma estruturada, introdução, 
métodos, resultados e conclusões.
Em seguida os autores deverão indicar quatro palavras-chave para faci-
litar a indexação do artigo. Para tanto deverão utilizar os termos utilizados na 
lista dos DeCS (Descritores em Ciências da Saúde) da Biblioteca Virtual da 
Saúde, que se encontra no endereço da internet seguinte: http://decs.bcvs.br. 
Na medida do possível, é melhor usar os descritivos existentes.
Referências
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nos Requisitos Uniformes. As referências bibliográficas devem ser nume-
radas por numerais arábicos sobrescrito e relacionadas em ordem na qual 
aparecem no texto, seguindo as seguintes normas.
Artigos
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nomes (sem pontos nem espaços), ponto. Título do trabalho, ponto. Título 
da revista ano de publicação seguido de ponto e vírgula, número do volume 
seguido de dois pontos, paginas inicial e final, ponto. Não utilizar maiúscu-
las ou itálicas. Os títulos das revistas são abreviados de acordo com o Index 
Medicus, na publicação List of Journals Indexed in Index Medicus ou com a 
lista das revistas nacionais, disponível no site da Biblioteca Virtual de Saúde 
(www.bireme.br). Devem ser citados todos os autores até 6 autores. Quando 
mais de 6, colocar a abreviação latina et al.
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