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Resumo - Mecanismos de Ação no Tratamento da Artrite Reumatoide

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de genes de 
diferenciação de linfócitos T e B, e 
de células NK. Sua administração 
está relacionada à uma rápida 
redução dos níveis de PCR. 
 
Representação da via JAK-STAT. O tofacitinibe 
age impedindo a conexão entre o TNF-α e seu 
receptor, inibindo a transdução gênica 
Tal fármaco é empregado como parte 
do tratamento de 3ª etapa para a AR, 
ainda que tenha sido inicialmente 
desenvolvido para minimizar reações 
de rejeição a órgãos 
transplantados. 
Seus efeitos colaterais abrangem o 
aumento da vulnerabilidade a 
infecções (normalmente de vias 
aéreas superiores e do trato urinário), 
além da possibilidade de 
desenvolvimento de linfomas e 
câncer de pulmão e mama. Pode 
haver elevação laboratorial da 
concentração sérica de lipídeos. 
 MMCDbio não-TNF: 
o Abatacepte: a ação desse mecanismo 
baseia-se na inibição das células T, 
de forma a regular a coestimulação 
de fatores imunes. Esse 
medicamento contém o ligante CTLA-
4, que se liga a receptores CD80 ou 
CD28 em células apresentadores de 
antígenos, afetando a ativação 
linfocitária. 
 Júlia Figueirêdo – FEBRE, INFLAMAÇÃO E INFECÇÃO 
 
Comparação entre a ativação regular de linfócitos 
T e a inibição mediada pelo abatacepte 
Esse composto pode ser 
utilizado tanto isoladamente 
quanto em associação com 
outros tipos de MMCD, 
principalmente em quadros 
moderados a graves de AR 
(2ª etapa terapêutica). 
Como efeitos colaterais, destaca-se 
o aumento de risco para infecções, 
principalmente em vias aéreas 
superiores (justificado a não 
recomendação de uso junto a outro 
modificador biológico), podendo 
também haver raras reações de 
hipersensibilidade e possibilidade de 
incidência maior de linfomas. 
Não devem ser 
administradas vacinas com 
vírus atenuados em pacientes 
em tratamento com abatacepte 
ou em até 3 meses após o 
término deste. 
o Rituximabe: esse medicamento atua 
na degradação de linfócitos B CD20 
por estimulação da apoptose e de 
ações citotóxicas mediadas pelo 
sistema complemento. Ao diminuir o 
número dessas estruturas, há 
diminuição da inflamação, uma vez 
que é interrompida a cadeia de 
ativação de linfócitos T e da 
secreção de citocinas. 
 
Mecanismo de ação do rituximabe sobre linfócitos 
B CD20 
As indicações clínicas para o uso 
desse fármaco são casos ativos 
moderados a graves, como 
medicamento de terceira etapa em 
combinação com o MTX. Ao ser 
associado a glicocorticoides, é parte 
integrante do tratamento de 
vasculites e doenças 
granulomatosas. 
Dentre os efeitos colaterais destacam-
se o exantema (comum no primeiro 
tratamento, é menos frequente nas 
próximas administrações), maior 
susceptibilidade a infecções e 
possível reativação do HBV. 
o Tocilizumabe: é um medicamento de 
2ª linha para o tratamento de AR. 
Corresponde a um anticorpo humano 
que se liga a receptores de IL-6 na 
membrana, inibindo a síntese pró-
inflamatória mediada por esse 
composto, o que atinge diretamente 
linfócitos T e as proteínas hepáticas 
que agem como marcadores de 
inflamação aguda. 
 
Ação inibitória de IL-6 mediada pelo 
tocilizumabe 
 Júlia Figueirêdo – FEBRE, INFLAMAÇÃO E INFECÇÃO 
A indicação desse composto será 
destinada a pacientes moderados ou 
graves, após falha terapêutica de 3 
meses com medicamentos de 1ª linha, 
podendo ser utilizado individualmente 
ou em associação a MMCD sintéticos. 
A ocorrência de infecções graves, 
como a tuberculose, corresponde a um 
dos possíveis efeitos colaterais desse 
medicamento, que ainda conta com 
neutropenia, plaquetopenia e 
perfurações gastrintestinais em 
pacientes predispostos ao quadro. 
 MMCDbio bloqueadores do TNF: o 
bloqueio direto do TNF-α tem papel 
central para a resposta imune, pois esse 
comporto modula a função celular pela 
ativação de receptores de membrana 
específicos, propagando o estado 
inflamatório. 
o Adalimumabe: é um anticorpo 
monoclonal tipo IgG de origem 
totalmente humana, formando 
complexos com o TNF-α, o que 
impede a interação deste com os 
receptores celulares p55 e p75, 
reduzindo assim a ativação de 
linfócitos e demais leucócitos. 
o Certolizumabe pegol: esse composto é 
um fragmento de anticorpo 
recombinante humano associado a 
um polietilenoglicol específico para 
o TNF-α. A inibição dessa citocina se 
dá diretamente sobre a membrana, 
uma vez que não consegue formar 
imunocomplexos. 
o Etanercepte: esse fármaco é formado 
por uma proteína de fusão 
recombinante formada por dois 
receptores de TNF associados à 
uma porção de um anticorpo IgG, 
tendo mecanismo de ação semelhante 
ao dos demais inibidores, ligando-se 
ao TNF-α membranar de forma 
competitiva. Sua associação ao 
MTX apresenta elevado poder 
retardante para a erosão óssea. 
o Golimumabe: esse anticorpo é capaz 
de eutralizar tanto TNF-α circulante 
quanto ligado à membrana celular, 
impedindo assim sua interação com 
receptores da célula, também 
reduzindo o efeito inflamatório 
desse composto. 
o Infiximabe: é um anticorpo 
monoclonal quimérico, ou seja, 
resultado da interação entre proteínas 
humanas e de outros animais. A 
interação com o TNF-α circulante é 
de alta afinidade, tendo mecanismo 
de ação similar ao dos demais 
compostos citados anteriormente. 
Esse medicamento pode ser 
empregado juntamente ao MTX em 
terapias de 2ª etapa, porém sua 
administração isolada não é 
recomendada, dada a probabilidade 
de desenvolvimento de anticorpos 
anti-infliximabe, o que diminui sua 
eficácia. 
 
Interferência dos inibidores no processo de 
sinalização do TNF-α (exemplificado pelo 
adalizumabe) 
De modo geral, todos inibidores de TNF-α 
possuem risco para o desenvolvimento 
de efeitos colaterais graves, dado seu 
importante papel imunomodulador. Há maior 
propensão para o desenvolvimento de 
tuberculose (primoinfecção ou reativação), 
além de poderem favorecer a ocorrência de 
câncer de pele, alopecia e hipertricose. 
Úlceras gastrintestinais também podem 
 Júlia Figueirêdo – FEBRE, INFLAMAÇÃO E INFECÇÃO 
surgir em pacientes com propensão prévia, 
inclusive com perfuração do apêndice ou de 
divertículos. 
Os corticosteroides, de ação inicialmente 
associada apenas a alterações adrenais, 
também têm papel fundamental na terapia da 
AR, ligando-se a receptores 
glicocorticoides em todo o organismo. 
Após essa interação, o complexo hormônio-
receptor atua como um fator modulador 
de transcrição gênica, apresentando certa 
latência para a expressão de seus efeitos. 
 
Representação da ação celular geral dos 
corticosteroides 
Todos os fármacos glicocorticoides 
atualmente usados na prática médica são 
derivados sintéticos do cortisol, emulando 
seus efeitos endógenos, sendo relevante, do 
ponto de vista reumatológico, a ação anti-
inflamatória e imunossupressora. Tais 
efeitos são fruto dos seguintes processos: 
 Diminuição da concentração de 
leucócitos e linfócitos (realocados para 
tecidos linfoides); 
 Redução da capacidade de resposta 
celular a antígenos; 
 Inibição da fosfolipase A2, percussora 
do ácido araquidônico e de 
prostaglandinas; 
 Supressão da liberação de histaminas 
por basófilos e mastócitos; 
 Diminuição da produção e secreção de 
citocinas pró-inflamatórias. 
No tratamento da artrite reumatoide, a 
indicação de glicocorticoides como a 
prednisona (ativa por meio do metabólito 
prednisolona), é realizada a qualquer 
momento da doença, com efeitos de rápido 
desenvolvimento, podendo atuar como um 
“estepe” até o início da resposta por MMCD. 
O uso de prednisona de liberação 
tardia pode auxiliar a controlar as 
crises de rigidez matinal típicas da 
AR, utilizando a liberação em 
pequenos pulsos como estratégia 
para diminuir o infiltrado inflamatório. 
 
Contraposição entre o tempo de duração dos efeitos 
terapêuticos e o potencial de retenção hídrica de 
glicocorticoides, com destaque para a prednisona