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1 Julia Florenzano Soares – Patologia - GO PL 1- PATOLOGIAS DO COLO UTERINO Aspectos da normalidade ÚTERO: Órgão do sistema reprodutor feminino. Formato piriforme. Tamanho e peso variável (depende da idade reprodutiva). Em média: pesa 50 a 70 gramas e mede 8x6x4 cm3 Compõe-se de duas porções principais: corpo uterino (2/3 superiores) e colo uterino (1/3 inferior). Entre as duas porções, encontra-se o istmo, uma pequena constrição. → Na pós menopausa, as duas porções (corpo e colo) terão o mesmo tamanho. COLO UTERINO Apresenta dois orifícios: → Óstio externo: comunica o colo com o canal vaginal. → Óstio interno: comunica o colo com o corpo uterino. Canal cervical ou endocervical: comunica a cavidade uterina (através do orifício interno) com a luz vaginal (através do orifício externo). Lábios cervicais: são delimitados pelo óstio externo; um anterior (de cima) e outro posterior (de baixo). O óstio externo em uma mulher multípara é alongado ou em fenda, enquanto que na nulípara é circular. Ectocérvice: superfície mucosa cervical voltada para a vagina, sendo revestida por epitélio estratificado escamoso (não seratinizado) (mais resistente porque essa área é exposta ao traumastismo durante a relação sexual). Endocérvice: superfície mucosa do canal endocervical, sendo revestida por epitélio simples colunar mucossecretor. Junção escamo-colunar (JEC): Local de encontro entre a ectocérvice e a endocérvie. Normalmente situada ao nível do orifício externo. A transição é abrupta. Ectroópio e metaplasia escamosa: É a eversão (saída) da JEC. Um fenômeno fisiológico em que parte da endocérvice move-se para fora do canal endocervical e adiante do orifício externo. Com isso, a JEC localiza-se fora do orifício externo. Ocorre especialmente no período pós-puberal devido estímulos hormonais. O epitélio evertido, mais delgado, é menos resistente às adversidades existentes na luz vaginal (pH ácido, microbiota resistente, traumatismo durante relação sexual). Desse modo, nessa área ocorre um fenômeno fisiológico adaptativo e reversível, a metaplasia escamosa, que é caracterizada pela substituição do epitélio colunar do epitélio evertido por epitélio escamoso (mais resistente). Teste de Schiller: A solução de Schiller é rica em iodo e o teste verifica se na ectocérvice as células ricas em glicogênio (células escamosas) vão ser coradas. O normal é que as células da endocérvice captem o iodo (coloração escura), ou seja, que o teste seja negativo. Se áreas do colo uterino não forem coradas (iodo negativo), o teste 2 Julia Florenzano Soares – Patologia - GO será positivo e pode indicar presença de lesões precursoras do câncer de colo de útero. (o ideal é corar tudo com o iodo = teste negativo/iodo +) OBS: A JEC é o local onde comumente se inicia as lesões cervicais. Assim, para o exame preventivo ser realmente preventivo de câncer de colo de útero, tem que atingir a JEC. Para isso ocorrer o patologista precisa encontrar: epitélio escamoso e colunar; ou metaplasia escamosa e epitélio escamoso; ou os três tipos de epitélios. Obs: cistos de naboth: glândula acumula secreção e forma o cisto glândula tem o orifício obstruído pelo ep metaplásico e acumulou secreção e deu origem ao cisto. Lembrar que a metaplasia é um processo fisiológico. NEOPLASIA CERVICAL- CA COLO DE ÚTERO O câncer de colo de útero se comporta como uma doença sexualmente transmissível, pois está relacionado principalmente com a infecção pelo HPV, que ocorre geralmente por via sexual. Epidemiolgia: O câncer de colo de útero é o terceiro mais incidente em mulheres, perdendo para o câncer de mama e o de cólon e reto. Tem grande impacto populacional, pois afeta geralmente mulheres jovens, que estão em idade fértil e uma fase profissionalmente produtiva. Rastreamento: É realizado por meio do preventivo (citologia oncótica ou papanicolau): Indicado para mulheres a partir de 25 anos que já iniciaram atividade sexual, devendo ser realizado anualmente. Se houver pelo menos dois exames anuais consecutivos negativos o exame pode ser realizado então de 3 em 3 anos. Isso exclui as pacientes que já tiveram alguma alteração citológica. O rastreamento é recomendado até 64 anos de idade, porque acima dessa idade a chance é quase desprezível. Exame fácil de colher, barato e eficiente. Detecta as lesões precursoras antes de se tornarem invasoras. Permite tratamento precoce das lesões. Reduz a mortalidade em até 80%. Fatores de risco: HPV: É o mais importante, contudo a presença de infecção pelo HPV não necessariamente determina a ocorrência do câncer de colo de útero, visto que depende também do potencial oncogênico do vírus e da imunidade do hospedeiro. Prematuridade de relações sexuais Múltiplos parceiros sexuais Multiparidade Infecções genitais Tabagismo: pode influenciar a resposta imunológica local. Nicotina –> efeito carcinogênico direto- Diminui fator de proteção do colo uterino Anticoncepcionais orais: o seu uso está associado a um uso menor do preservativo (forma mais efetiva de proteção contra infecção pelo HPV). 3 Julia Florenzano Soares – Patologia - GO Fatores nutricionais: associa-se a capacidade de resposta do hospedeiro ao HPV. Estados de imunodepressão: prejudica a resposta imunológica do hospedeiro contra a infecção pelo HPV. Infecção pelo HPV: O papiloma vírus humano (HPV) faz parte de um grupo de vírus de DNA da família papoviridae. A área anogenital pode ser infectada por mais de 30 tipos de HPV, divididos em dois grupos de acordo com o potencial oncogênico: HPV de baixo risco: 6,11,42,44 – induzem lesões de baixo grau (condilomas e NIC I). Permanecem na forma epissomal, sem integração ao DNA HPV de alto risco: 16,18,31,33 – induzem lesões de alto grau (NIC II e NIC III) e carcinoma invasor. Integram- se ao DNA celular Clínica: A infecção pelo HPV pode resultar em: Forma latente: Presença do vírus no trato genital sem evidências de lesões. Forma clínica: Condiloma acuminado, que se caracteriza por lesões verrucosas presentes na região anogenital, induzidas por HPV de baixo grau. Popularmente chamado de “lesão em crista de galo”. Forma subclínica: Apresenta-se como lesões precursoras de neoplasia cervical, não visíveis ao olho nu, identificadas pela citologia, colposcopia e histopatologia. Associa-se ao HPV de alto risco. Patogênese: Proteína E2 inibe a expressão dos genes E6 e E7 (q são oncogênicos). No HPV de alto risco, quando acontece a Integração do DNA do vírus ao DNA da célula pode interromper a transcrição ou deletar a sequência E2 falta de E2 aumenta as oncoproteinas E6 e E7 permite a transcrição desses gens. A proteína E6 do HPV se liga à p53 degradação dessa proteína leva a inibição da apoptose e redução do reparo de DNA. A proteína E7 do HPV se liga à pRb estimula a síntese de DNA e a proliferação celular instabilidade genômica das cels epiteliais, acumulo de mutações, aumento da replicação e transformação celular. Com a entrada do HPV dentro das células basais ocorre a transcrição das proteínas E6 e E7, que se ligam, respectivamente, aos genes supressores tumorais p53 e pRb, permitindo que o ciclo celular se perpetue e a célula se prolifere. Acha-se que o HPV de alto grau produz mais proteína E6 e E7, do que o HPV de baixo grau. Além disso, as proteínas E6 e E7 do HPV de alto grau se ligam de uma forma mais ávida ao p53 e ao pRb, inativando esses genes. Se os genes supressores tumorais estão “desativados”, pode ocorrer transformação maligna das células infectadas. Devido aos traumatismos durante as relações sexuais o HPV atinge o colo do útero e se aloja nas células basais do epitélio escamoso. A partir daí o vírus pode permanecer em estado latente ou gerar lesão. Se ocorrer proliferação celular o HPV induz alterações celulares (displasias). Inicialmente isso ocorre no 1/3 basal do epitélio,o que corresponde ao NIC 1. Com a evolução, a displasia atinge 2/3 basais do epitélio, ou seja, NIC 2. Se ocupar todo epitélio basal é chamada de NIC 3. O carcinoma pode surgir se as células malignas romperem a membrana basal e invadir os tecidos adjacentes. Na maioria dos casos, as lesões evoluem de uma forma lenta ao longo de anos, entretanto como se trata de uma infecção viral, o tempo de progressão da lesão varia de acordo com o potencial oncogênico do vírus e a imunidade da paciente CLASSIFICAÇÃO DAS LESÕES CERVICAIS: Classificação de Richart (1967) NIC I: A displasia está no 1/3 basal do epitélio (displasia leve). Na maioria das vezes regride espontaneamente, mas pode também estacionar ou progredir. (NIC=neoplasia intraepitelial cervical) NIC II: A displasia está em 2/3 basais do epitélio (displasia moderada). Uma porcentagem pequena regride, sendo que a maior parte pode estacionar ou evoluir. 4 Julia Florenzano Soares – Patologia - GO NIC III: A displasia está ocupando todo epitélio basal (displasia acentuada). Como não ultrapassou a membrana basal, também é chamada de carcinoma “in situ” (não invadiu o estroma, ainda não e neoplasia maligna invasora).Existe grande possibilidade se tornar um carcinoma invasor. Classificação de Richart (1990): Lesão intra-epitelial de baixo grau (LSIL): corresponde ao NIC I. Lesão intra-epitelial de alto grau (HSIL). Corresponde ao NIC II e III. Classificação de Bethesda (2001): ASC-US: células escamosas atípicas de significado indeterminado. ASC-H: células escamosas atípicas não sendo possível descartar a presença de malignidade. AGC: células glandulares de significado indeterminado. Diagnóstico das lesões cervicais: Pelo exame citológico sugere-se NIC. Contudo para confirmar é necessário associar citologia, colposcopia e biópsia. Citologia oncótica: Colhe-se células da ectocérvice com a espátula de Ayre e da endocérvice utillizando-se a escova (cytobrush). Para evitar o ressecamento, o material deve ser espalhado em lâmina, que deve ser imediatamente inserida em frasco contendo álcool. As alterações de ressecamento podem ser confundidas com alterações displásicas. Colposcopia: É possível visualizar as lesões com mais detalhes. Alterações celulares: coilocitose ou coilócito (alteração celular resultante do efeito citopático do HPV; mais comum se NIC I - baixo grau), perda da polaridade (desorganização das camadas) e alteração na relação núcleo/citoplasma. chance grande de involuir Conduta das lesões cervicais segundo o Ministério da Saúde: 1) Exame citopatológico sugestivo de: LSIL (NIC I) ou ASC-US: Repetir a citologia em 6 meses. Se manter a atipia deve-se realizar a colposcopia, que em caso de resultado anormal é necessário realizar biópsia. HSIL (NIC II e III), ASC-H ou ACG: Realizar colposcopia, que em caso de resultado anormal deve-se realizar biópsia. 2) Confirmação pelo exame histopatológico de: NIC I: A maioria regride espontaneamente se não for tratada. A conduta é acompanhamento citológico e colposcópico de 3 a 6 meses durante 2 anos. Se persistir deverá realizar cauterização. NIC II e III: Realizar excisão cirúrgica e avaliar a margem. Se margem livre o seguimento é com colposcopia de 3 a 6 meses durante 2 anos e se margem comprometida o tratamento é específico. ASC-US (cels escamosas atípicas de significado incerto) - baixa probabilidade de ser pre-cancerosa. Pode ter conduta expectante inicialmente. ASC-H (cels escamosas atípicas- não se pode descartar uma lesão de alto grau), que são mais susceptíveis de serem pre-cancerosas. 5 Julia Florenzano Soares – Patologia - GO CARCINOMA DE CÉLULAS ESCAMOSAS DO COLO UTERINO Epidemiologia: É o tumor invasivo do colo uterino mais frequente (85 a 90% dos casos). É mais frequente entre os 40 e 45 anos. Fatores de risco: Início precoce da vida sexual. (reduz a idade de incidência) HPV de alto grau relação mais comum com o HPV do subtipo 16 Quadro clínico: Corrimento. Sangramento genital. Dispareunia. Microscopia: A célula escamosa pode produzir ceratina, formando pérolas córneas. Quanto mais pérolas corneas, mais diferenciado é o tumor e o prognóstico é melhor. (bem diferenciado tem melhor prognostico que o pouco diferenciado) Evolução: Invasão do corpo uterino, da vagina e dos paramétrios (ligamentos em volta da tuba). Infiltração do ureter: pode causar hidronefrose e insuficiência renal. Invasão da bexiga ou do reto por contiguidade: pode resultar em aderências com estruturas vizinhas, sendo necessário que o paciente seja submetido a cirurgia mutiladora. Metástases em linfonodos pélvicos e inguinais. Metástases hematogênicas: medula óssea, fígado e pulmões. Estadiamento • Estádio 0: carcinoma in situ • Estádio I: carcinoma confinado ao colo uterino - Estádio Ia: carcinoma diagnosticado microscopicamente - Estádio Ib: lesão identificável macroscopicamente • Estádio II: carcinoma que se estende além do colo, sem atingir parede pélvica ou o - terço inferior da vagina - Estádio IIa: não há infiltração dos paramétrios - Estádio IIb: há infiltração dos paramétrios Estádio III: carcinoma se estende à parede pélvica e/ou acomete o terço inferior da vagina - Estádio IIIa: não há extensão a parede pélvica, apenas do terço inferior da vagina - Estádio IIIb: extensão à parede pélvica e/ou presença de hidronefrose e/ou de rim não funcionante Estádio IV: carcinoma se estende além da pelve e/ou se infiltra na mucosa do reto ou da bexiga - Estádio IVa: há extensão além da pelve verdadeira e/ou infiltração da mucosa do reto e/ou da bexiga - Estádio IVb: há metástases a distância ADENOCARCINOMA 2º mais comum relação mais comum com o HPV do subtipo 18 Cerca de 15% dos carcinomas do colo Origem em gl. Endocervicais Neoplasia intra-epitelial glandular – adenocarcinoma in situ Proliferação de gl. Atípicas que invadem o estroma adjacente Fatores de risco: Semelhantes aos do carcinoma de células escamosas, inclusive a infecção pelo HPV, sendo exclusivamente o tipo 18. 6 Julia Florenzano Soares – Patologia - GO Macroscopia: Neoplasia com aspecto esponjoso infiltrando o colo do útero. Microscopia: Proliferação de glândulas atípicas, revestidas por células atípicas, que invadem o estroma. Presença de mitose. Prognostico: Estadiamento Tamanho tumoral (sobrevida de 95% < 2cm; 79% entre 2 e 3 cm; 47% > 4cm) Tipo histopatológico: tumores não epidermoides com pior prognóstico em relação ao CCE Invasão do corpo uterino Profundidade de invasão estromal Invasão linfovascular Metástases linfonodais Margens cirúrgicas Outros tipos: carcinoma adenoescamoso,sarcomas,melanoma PL2 - PATOLOGIA DAS DOENÇAS BENIGNAS DO CORPO UTERINO Aspectos da normalidade: Anatomia: 3x1.5cm; Histologia do endométrio: O endométrio é composto por glândulas e estroma. O aspecto varia de acordo com o ciclo menstrual: Fase proliferativa: Predomínio do estrogênio. As glândulas são tubulares e pode-se encontrar figuras de mitose. Fase secretora: Fase secretora: Predomínio da progesterona. As glândulas são tortuosas e adquirem aspecto secretor, com presença de vacúolos. A transição entre as fases é representada pela ovulação. ADENOMIOSE Definição: Presença de glândulas e estroma endometriais na intimidade do miométrio (células musculares lisas), além de 2,5 mm de profundidade. Patogênese: Causa desconhecida. Acredita-se que pode ser resquício embrionário que restou no miométrio e diferenciou-se. Clínica: Menstruações irregulares e intensas, dor pélvica (pode ser crônica), dismenorreia. 7 Julia Florenzano Soares – Patologia - GO Diagnostico- US transvaginal e o histopatologico é o padrao ouro de certeza). LEIOMIOMA UTERINO (MIOMA) Características gerais Tumor benigno mais comum do útero 20% a 50%das mulheres após 30 anos Origem monoclonal (mutação em uma única célula) Únicos ou múltiplos Pequenos ou gigantes Mais comuns na raça negra Etiopatogenia Crescimento hormônio-dependente (aumento do número de receptores de estrogênio e de progesterona) Gravidez: relação com hormônios sexuais Classificação: Quanto ao volume (mesmo volumosos, podem ser assintomáticos) Quanto à localização nas camadas uterinas - Intramurais (dentro do miométrio.). Associa-se mais a dismenorreia - Submucosos (em contato com o endométrio (é o mais sintomático, pois pode provocar sangramento mais facilmente). Associa-se ao sangramento anormal e infertilidade. - Subserosos (faz uma saliência na superfície uterina - se projeta para fora do útero em mais de 50% do volume). Efeito compressivo das estruturas adjacentes. Alterações degenerativas Geralmente por suprimento sanguíneo inadequado Hialina: mais comum Tumor amolecido com acúmulo de material eosinofílico em seu interior. Rubra ou vermelha ou carnosa: mais comum da gravidez (pode provocar dor, hipertermia e ruptura com abdome agudo) Sarcomatosa: transformação maligna;rara; tumores agressivos, crescimento rápido e na pós-menopausa OBS: chance de virar maligno = 0,5% - leiomiosarcoma Outras (necrose, calcificação, gordurosa (rara), cística, mucoide.) 8 Julia Florenzano Soares – Patologia - GO SOP Patologia ados ovários: cistos funcionais não neoplásicos Síndrome de Stein-Levanthal Frequente em jovens (6 a 10-15%) critérios de Rotherdarm 2003: pelo menos dois dos três critérios: - ovários escleróticos (12 ou + folículos entre 2 e 9 mm, ovário > 10 cm) - oligoamenorreia e ciclos anovulatórios - sinais de androginismo Patogênese: Por motivos desconhecidos, há o aumento da secreção ovariana de androgênios, levando a hiperandrogenemia, o que limita o desenvolvimento dos folículos, impedindo que eles cheguem a fase final de maturação, com consequente formação de vários cistos no ovário (ovários policísticos). O excesso de androgênios produzido é convertido no tecido adiposo periférico em estrona (estrogênio), o que estimula a proliferação endometrial, aumentando a chance de ocorrência de hiperplasia e carcinoma endometrial. A estrona elevada reduz o FSH e aumenta o LH (não é o pico de LH, apenas aumento da concentração basal desse hormônio). A redução do FSH leva a anovulação e infertilidade, pois é necessário estímulo do FSH para recrutar folículos. O LH aumentado leva ao aumento da secreção ovariana de androgênios, reiniciando o ciclo. O NORMAL as cels da teca vão utilizar o colesterol p produção de andrógenos e pela atividade de FSH estimulo da aromatase e na granulosa vai ter produção de estrógeno nos pacientes com SOP tem uma alteração da liberação de FSH redução do FSH não tem estimulo adequado da aromatase conversão de estrógeno em andrógeno inadequada e ineficiente (predomínio de androgênio no ovário de pacientes com SOP) esse ambiente estimula a atresia de folículos. A nível periférico: maior quantidade de testosterona e estrógeno pela redução da proteína carregadora de esteroide produzida pelo fígado. Resistência periférica à insulina, que resulta em hiperinsulinemia, que causa: aumento da produção de androgênios, aumento da atividade do LH e inibição da síntese hepática de SHBG (globulina carreadora de hormônios sexuais), acantose nigricans (sinal dermatológico). Qual a degeneração miomatosa encontrada na gravidez? Vermelha (pode ser por obstrução de veia uterina) 9 Julia Florenzano Soares – Patologia - GO DOENÇAS MALIGNAS DO CORPO UTERINO Histologia do endométrio 1 fase: predomínio de acao estrogênica multiplicação celular acentuada (gl começam a ficar tortuosas) 2 fase: predomínio da progesteronagl. Produzem secreção; estroma edemaciado, infiltrado inflamatório HIPERPLASIA ENDOMETRIAL Definição: Proliferação de glândulas e estroma endometriais. Epidemiologia: Afecção comum: 15% das afecções ginecológicas. Predomina na perimenopausa: com os ciclos anovulatórios ocorre prolongamento da fase proliferativa, em que predomina estímulo do estrogênio. É fator de risco para adenocarcinoma de endométrio. Clinica: sangramento uterino anormal Fatores de risco: Ovário policístico, tumores ovarianos produtores de estrógeno, hormonioterapia (uso exclusivo de estrogênio). Fisiopatologia: Ocorre um estímulo estrogênico anormal e diminuição da atividade da progesterona. O estrógeno estimula a proliferação endometrial e a progesterona tem efeito secretor. Com o predomínio do estrogênio sem a contraposição da progesterona ocorre a hiperplasia endometrial. Inativação do gene supressor tumoral PTEN(20%) estimulo à proliferação celular e inibição da apoptose Aspectos morfológicos: Macroscopia: endométrio difusamente espessado, às vezes com crescimento polipoide ou com cistos. Microscopia: - Hiperplasia sem atipias: endométrio ± 5mm; glândulas ramificadas e irregulares; estroma ainda persiste; pode haver transformação cística - Hiperplasias com atipias: endométrio mais espesso, pólipos; glândulas com ramificações complexas, tendência a justaposição; células atípicas (núcleos volumosos, nucléolo, mitoses) Importância Possibilidade de evolução para adenocarcinoma endometrial (1 a 3% x até 40%) Classificação morfológica: 1) Hiperplasia de baixo grau (sem atipias): tem 2% de chance de evoluir para adenocarcinoma endometrial. Hiperplasia simples: proliferação de glândulas e estroma na mesma proporção; as glândulas são dilatadas. Hiperplasia complexa sem atipias (raro): proliferação predominante de glândulas, que são mais tortuosas e próximas. 2) Hiperplasia de alto grau (com atipias): tem 25% de chance de evoluir para adenocarcinoma endometrial (indicação de histerectomia). Hiperplasia complexa atípica: proliferação de glândulas revestidas por células com atipias (pleomorfismo celular, mitoses). 10 Julia Florenzano Soares – Patologia - GO ADENOCARCINOMA DE ENDOMÉTRIO Características gerais: Mulheres de 55 a 65 anos, incomum antes dos 40 anos. Clínica: sangramento, corrimento, dor pélvica Tipos: - Tipo I (70 a 80%)- endometrioide Mulheres com exposição a estrogênio sem oposição com progesterona; maioria bem diferenciada. Mutação mais comum: PTEN - Tipo II- seroso Sem estimulação estrogênica do endométrio; pior prognóstico, mais agressivos, mulheres em torno de 10 anos mais velha do que o tipo I; pouco diferenciado. Outras mutações: ex.: p53 Fatores de risco (p/ endometrioide) Nuliparidade Menarca precoce Menopausa tardia Obesidade (maior atividade da aromatase no tec.adiposo que tranforma adrogeno em estrona) Ovários policísticos (pq tem elevação de estrógenos) Diabetes mellitus Estrogenioterapia sem oposição 11 Julia Florenzano Soares – Patologia - GO Tamoxifeno (estrogênio que pode atuar como agonista ou antagonista da acao estrogênica - no tec mamário inibe o efeito proliferativo do estrógeno. Tem efeito de acordo com o órgão. No endométrio tem acao proliferativa) Hiperplasia endometrial atípica (qdo for a complexa aumenta o risco) Tumores ovarianos produtores de estrógeno Predisposição genética Graduação para carcinoma endometrioide Grau arquitetural - GI: <5% áreas solidas. (tumor bem diferenciado- preserva o padrão glandular) - GII: 6 a 50% áreas sólidas. (moderadamente diferenciado) GIII: > 50% áreas sólidas (pouco diferenciado-pior prognostico) Grau nuclear (alterações citológicas) Macroscopia: Microscopia: O adenocarcinoma endometrioide corresponde a 70% dos casos e é do tipo estrogênio- dependente. Pode ser graduado de acordo com o grau arquitetural: Evolução – Prognóstico depende do estadiamento e do tipo histológicodo tumor e sua diferenciação Infiltração do miométrio, do colo uterino, vagina e estruturas regionais Infiltração da bexiga ou do reto Metástases em linfonodos pélvicos e inguinais Metástases hematogênicas à distância (pulmão, fígado) 12 Julia Florenzano Soares – Patologia - GO DOENÇAS INFLAMATÓRIAS/INFECCIOSAS DO SISTEMA GENITAL FEMININO VULVA: Inflamações da pele são as mais comuns As principais inflamações são de natureza infecciosa Adenite das glândulas de Bartholin: abscesso Infecção pelo HPV: lesão verrucosa Herpes genital: lesões vesiculares; úlceras Molusco contagioso: múltiplas lesões elevadas e pequenas, macias e umbilicadas VAGINA: Microbiota normal: lactobacilos; pH local ácido Diagnóstico das infecções: pH, tipo de corrimento, exame colpocitológico; culturas Agentes: - Candida albicans: fungo; corrimento branco-leitoso, inodoro; prurido e desconforto intensos; hiperemia e edema da mucosa (2 +comum) - Gardnerella vaginalis e Mobiluncus: crescimento da microbiota anaeróbia; leucorreia fétida, inflamação pélvica, aborto - Trichomonas vaginalis:protozoário flagelado e oval; clínica variável (50% assintomática); corrimento amarelo- esverdeado, espumoso e fétido; disúria; prurido Vaginite e vaginose A- candidíase (microscopia-pseudohifas) B- Garnerella- substituição da flora bacilar. Presença de Clue-cells C- tricomoniase. Visualizar protozoários flagelados no exame a fresco. COLO UTERINO: Sede frequente de processos inflamatórios Em mulheres em idade fértil, pode ser observado algum grau de inflamação crônica no colo Variações do pH, alteração da microbiota residente, traumas: desequilíbrio da proliferação bacteriana e agressão do epitélio de superfície Agentes Evento inicial da doença inflamatória pélvica e das endometrites (ascensão do MO) Se aguda: mucosa edemaciada, eritematosa e friável; úlceras Se crônica: erosões, ulcerações, hiperemia (proliferação vascular) PÓLIPO ENDOCERVICAL Provável natureza inflamatória Multíparas; 40 a 60 anos Clínica: sangramento (pq o pólipo é mt vascularizado) ou corrimento vaginal Lesões pediculadas, alongadas ou arredondadas, rósea-avermelhadas, superfície esponjosa ou lisa Hiperplasia da mucosa, proliferação do estroma (bem vascularizado) 13 Julia Florenzano Soares – Patologia - GO ENDOMETRITES Endométrio é relativamente resistente a infecções Clínica: sangramento, dor pélvica, secreção vaginal, infertilidade Endometrite aguda: pós-parto, aborto, DIU Infiltrado inflamatório predominantemente neutrofílico Endometrite crônica: seguem-se a endometrites agudas ou inflamações crônica específicas Presença de plasmócitos (endometrite crônica – mt plasmocito pq na fase crônica tem mt mononuclear) DOENÇA INFLAMATÓRIA PÉLVICA (DIP) DIP (doença inflamatória pélvica): trato genital feminino superior; aspectos clínicos variáveis com a extensão da inflamação Maior prevalência entre 15 e 39 anos 2,5 milhões de visitas ambulatoriais e causa mais frequente de atendimento em emergência ginecológica (EUA) Microorganismos principais: gonococos, Chlamydia, estreptococos, E. coli, anaeróbios Vias: ascendente (mais comum); peritônio; vasos linfáticos e sanguíneos Fatores predisponentes: início precoce da atividade sexual; tabagismo, alcoolismo e uso de drogas; múltiplos parceiros; tipo de método contraceptivo; história prévia de DST ou DIP; idade; estados imonodeficientes Clínica: dor pélvica, sensibilidade de anexos, febre, secreção vaginal; sangramento Exames complementares: PCR elevada; leucocitose com desvio à esquerda; teste laboratorial cervical positivo para gonococo e clamídia; biópsia endometrial com evidência de endometrite; ecografia, ressonância, laparoscopia Diagnóstico diferencial: apendicite aguda; torção ou ruptura de cistos ovarianos; infecção urinária aguda; gravidez ectópica, etc Inflamações são as afecções mais comuns das tubas uterinas, podem ser agudas (piogênicas) ou crônicas (evolução das agudas) DIP- estágios: - I: salpingite aguda sem peritonite - II: salpingite aguda com peritonite - III: salpingite aguda com sinais e oclusão tubária ou abscesso tubo-ovariano - IV: sinais clínicos de ruptura de abscesso tubo-ovariano Sequelas: piossalpinge pode evoluir com hidrossalpinge; infertilidade, gravidez ectópica, dor pélvica crônica