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04_Nocoes_de_Criminalistica

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prejudiquem o andamento dos 
trabalhos periciais. 
Nos casos de exames em peças, este tópico destina-se à consignação de qualquer fato conflitante 
entre a requisição e o objeto de exame, tais como: número de peças, distinto do constante na requisição 
(para mais ou para menos), peças que não estão discriminadas, objetivos do exame incompatíveis com 
o tipo de peça a ser examinada, como por exemplo, a solicitação de levantamento da memória de 
chamadas recebidas e efetuadas em carregadores de celulares; recentidade de disparo em facas etc. 
 
Objetivo da perícia ou quesitos 
Descrever, conforme consta na requisição, qual(is) o(s) objetivo(s) a ser(em) buscado(s) na perícia, 
que objetivos deverão estar contidos na requisição da perícia ou nos quesitos formulados. 
Não estando especificados na requisição os objetivos da perícia, é de bom alvitre que os peritos 
descrevam, com certa precisão, quais são os objetivos periciais pertinentes àqueles exames. 
 
Dos exames periciais 
Discriminar todas as técnicas e métodos empregados e os respectivos exames levados a efeito 
naquela perícia. Em geral, nos exames periciais relacionados com crimes contra o patrimônio, não é 
necessário o relato de técnicas e métodos. No entanto, é de bom alvitre consignar fontes bibliográficas, 
informaçôes obtidas junto a fabricantes ou via internet. 
Nos exames periciais, não é necessário que constem de forma explícita os subitens seguintes, mas 
seu conteúdo deve, obrigatoriamente, integrar o texto relativo aos exames periciais: 
 
- Do local: é o constituinte essencial do relato. A descrição deve ser metódica, objetiva, fiel, minuciosa, 
clara, sintética de tudo o que foi observado. Quando os fatos forem variados, convém distribuí-los em 
capítulos, conforme sua natureza e interdependência. Evitar informaçôes, discussôes, hipóteses, 
diagnósticos e conclusões; 
 
- Dos vestígios: é conveniente partir das indicações (referências) maiores para as menores 
(detalhes). Descrever conforme a ordem de maior importância, como a acesso ao terreno, ao prédio, ao 
cômodo, à gaveta etc. Aqui, também, devem ser relacionados e devidamente descritos todos os vestígios 
constatados no exame pericial. É importante ater-se somente à descrição dos vestígios, deixando para o 
tópico seguinte a respectiva análise e sua interpretação. 
As técnicas ou métodos empregados devem sempre partir do mais geral para o particular, de exames 
macroscópicos para exames microscópicos. Quando forem empregadas diversas técnicas na realização 
de um determinado exame, é bom citá-Ias na ordem em que foram aplicadas. 
 
Outras verificações 
Neste tópico, devem ser consignados os exames realizados com as luzes forenses, justificando-se o 
seu uso, o tipo de equipamento e os resultados obtidos. 
Se os resultados forem positivos, os respectivos registros fotográficos também devem constar. 
 
Considerações técnicas ou discussão 
Do histórico e das descrições (local e vestígios) defluem as conclusões. Porém, em certos casos, há 
necessidade de cotejar fatos, analisá-Ios, dissipar dúvidas ou esclarecer obscuridades. Através da 
discussão, asseguram-se conclusões lógicas, afastando-se as hipóteses capazes de gerar confusão, 
evidenciando-se aquelas que, depois de cotejadas, conduzirão e subsidiarão a conclusão. 
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É importante analisar a coerência ou não dos elementos observados e anteriormente citados. Depois, 
confrontá-los com a normalidade. 
Enfim, neste tópico, é preciso apresentar as análises e interpretações das evidências constatadas e 
seus respectivos exames, de maneira a facilitar a compreensão e o entendimento por parte dos usuários 
do laudo pericial. 
 
Conclusão e/ou respostas aos quesitos 
A conclusão pericial, inserida no laudo, deve ser - obrigatoriamente - uma consequência natural do 
que já fora argumentado, exposto, demonstrado e provado tecnicamente, nos tópicos anteriores do laudo. 
Por sua vez, a conclusão deve obedecer aos critérios técnicos, conforme já foram recomendados. Em 
outras palavras, somente quando nos restar uma possibilidade para aquele evento, sob a ótica técnico-
científica, é que poderemos concluir de forma categórica. 
Para chegarmos a essa única possibilidade, teremos apenas duas situações viáveis. A primeira será 
quando, no conjunto dos vestígios constatados e examinados, tivermos um que, por si só, seja um vestígio 
determinante. Obviamente que vestígio determinante, nesse caso, deve estar caracterizado pela sua 
condição autônoma, associada ao seu significado no evento em estudo. Em muitos casos, esse vestígio 
determinante pode estar associado a outros elementos de convicção técnico-científica. 
Temos exemplos para entender melhor esse conceito: uma impressão digital e individual é um vestígio 
deterrninante; mas, se encontrarmos um desses vestígios no local do crime, não quer dizer que teremos 
identificado o autor do crime e, por consequência, não se tratará de um homicídio. 
A segunda situação, na qual os peritos poderão ter apenas uma possibilidade, será quando, num 
universo de vários vestígios, nenhum deles por si só é determinante, mas apenas probabilístico, e que, 
no seu conjunto de informações técnico-científicas leve a uma única possibilidade. 
Todavia, existem várias situações em que os peritos poderão ter vários vestígios relacionados com o 
fato, onde nenhum deles, por si só, seja determinante. Nesse caso, os peritos deverão apontar quais são 
esses vestígios e descrevê-los. 
Existem situações em que, apesar da existência de vestígios, mesmo analisando-os em seu conjunto, 
não será possível chegar a uma definição quanto ao diagnóstico. Então, os peritos não poderão fazer 
qualquer afirmativa conclusiva quanto ao fato, salientado que OS vestígios existentes são quantitativa e 
qualitativamente insuficientes para se chegar a uma conclusão categórica. 
Há, ainda, a situação na qual, através do seu exame ou de sua análise, não se observem vestígios 
materiais capazes de fundamentar uma conclusão. Nesse caso, deverá constar no laudo que, face à 
exiguidade de vestígios, não há elementos técnicos através dos quais possa ser fundamentada uma 
conclusão categórica. 
. Mesmo que não seja possível uma conclusão categórica numa determinada perícia, deverá constar 
no laudo o tópico correspondente e nele ser informada a impossibilidade de conclusão, face aos motivos 
que devem ser relacionados (exiguidade de vestígios, falta de preservação etc.), de forma clara e 
explicativa; destarte, poderá ser levantada a causa mais provável. 
Em não sendo possível concluir um laudo pericial, para auxiliar no contexto geral das investigações e, 
posteriormente, à justiça, o perito deverá ter todo o cuidado, tanto no exame quanto no texto dessas 
argumentações. 
Em alguns casos concretos, os peritos terão condições de eliminar algumas possibilidades ou 
hipóteses e, com isso, delimitarem o trabalho dos investigadores da polícia e, posteriormente, da justiça. 
Isso, na verdade, é uma conclusão pela sua exclusão e, portanto, deve seguir o mesmo rigor técnico-
científico já mencionado. 
Nota: o técnico-científico refere-se à técnica criminalística e o científico, às demais leis da ciência. O 
perito poderá se valer, para as suas conclusões, de alguma técnica criminalística já consagrada, ou de 
alguma lei da ciência de qualquer área do conhecimento científico, ou de ambas, de acordo com cada 
situação. 
 
Questões 
 
01. (PC/BA - Delegado de Polícia – CEFET-BA). Uma das funções da perícia é 
(A) não permitir a violação do local 
(B) não determinar o instrumento do crime. 
(C) não determinar a maneira como o crime foi perpetrado. 
(D) não elaborar o laudo pericial. 
(E) não promover a preservação do local. 
 
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02. (PC/DF- Perito Médico-Legista – FUNIVERSA/2015). Assinale a alternativa correta a respeito da 
classificação

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