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CELULITE MÓDULO 2 – CELULITE Celulite tem sido utilizado para descrever a aparência ondulada e irregular da pele. 1560, por Lambert Sustris. Óleo sobre tela, 1323184 cm. Exposto ao público no Muse'e du Louvre, Paris, França; CELULITE origem na literatura médica francesa 150 anos A celulite também é conhecida como: - ADIPOSIDADE EDEMATOSA - FEG - LIPODISTROFIA GINOIDE - HIDROLIPODISTROFIA GINOIDE DERMATOPANICULOSE DEFORMANTE - PANICULOSE PANICULOPATIA EDEMATO-FIBROESCLEROTICA - DERMOIPODERMOSE - LIPODISTROFIA GINOIDE - LIPOESCLEROSE NODULAR DERMATOPANICULOPATIA EDEMATOSA FIBROSA E ESCLEROSA Embora não exista mortalidade associada à celulite, permanece como preocupação estética frequentemente importante para um grande número de mulheres Em elevado percentual (entre 85% e 98%) das mulheres pós-púberes de todas as raças verifica-se algum grau de celulite ATINGE MAIS AS CAUCASIANAS RARAMENTE EM HOMENS Tende a ocorrer mais em áreas como quadris, coxas e nádegas. Também pode ser encontrada em: Mamas Abdome Braços Principais causas da Celulite Fatores genéticos Algumas pessoas tem maior propensão ao acúmulo de adipócitos, com uma gordura de distribuição periférica e ainda uma arquitetura da face derme-hipoderme que facilitariam o aparecimento de aspecto de casca de laranja. Desequilíbrio Hormonal Estudos mostram que provavelmente os hormônios femininos desempenhem papel fundamental no desenvolvimento da celulite, pois interferem no metabolismo das gorduras, na circulação linfática e venosa e ainda facilitam a retenção de água. Medicamentos Medicamentos que causem a retenção hídrica e também estimulem o aumento do apetite como alguns antidepressivos “chamados triciclos” (a exemplo da imipramina, amitriptilina, cloroimipramina e desimiramina), também podem estar relacionado a uma maior probabilidade de desenvolver celulite. Maus Hábitos de Vida Diária Alguns hábitos de vida também podem estar diretamente relacionados ao desenvolvimento de celulite cutânea, como: Sedentarismo Períodos prolongados de imobilidade Roupas apertadas Tabagismo Consumo excessivo de álcool Hábitos alimentares pouco saudáveis Estresse Todos podem de alguma forma atuar sobre o acumulo de gordura e líquidos no tecido adiposo e conjuntivo, estimulando o desenvolvimento de celulite. EXPLICAÇÃO SEM SLIDE Mesmo com esta alta taxa de incidência.... Principalmente em indivíduos do sexo feminino... Se tendo conhecimento sobre fatores que podem estar diretamente relacionados ao desenvolvimento da celulite... Não existe um consenso na literatura sobre a fisiopatologia desta afecção e sobre isso que vamos falar nesta próxima aula... FISIOPATOLOGIA DA CELULITE Existe um consenso que a celulite é um fenômeno fisiológico, ou pelo menos, que tem uma base fisiológica origem multi-causal COM MUITOS FATORES QUE O DESENCADEIAM A COEXISTIR, PERPETUAR OU AGRAVAR. Atualmente a literatura descreve três principais teorias para a etiologia da celulite: ARQUITETURA SUBCUTÂNEA DO TECIDO CONJUNTIVO ALTERAÇÕES VASCULARES PROCESSO INFLAMATÓRIO 1 - TEORIA DA ARQUITETURA SUBCUTÂNEO DO TECIDO CONJUNTIVO Os investigadores se basearam na diferença entre o sexo masculino e feminino no que diz respeito a constituição do tecido conjuntivo para esclarecer a celulite. Mulheres - apresentam o tecido conjuntivo disposto radialmente ou perpendicular à superfície da pele, formando compartimentos retangulares. Homens – apresentam septos que adotam uma posição oblíqua criando compartimentos menores e poligonais. Esta diferença significa que, quando o adipócitos da fêmea submetido à alterações pressão, as papilas adiposas e as câmaras de gordura de células tem de adaptar sua forma sem alterar seu volume. Este processo promove a extrusão das papilas na interface derme-hipoderme, modificando assim a aparência da superfície da pele, no assim denominado 'Fenômeno colchão', um dos principais sinais de celulite presente em quase 100% das mulheres. Esta linha de pensamento sugere, então, que a celulite não deveria ser considerada um processo patológico e, sim, uma característica típica do sexo feminino, por ser desenvolvida após um incremento da pressão na camada hipodérmica. Foi elucidado que mulheres apresentam uma interface derme-hipoderme irregular, devido à protrusão de lóbulos adiposos, independentemente da presença de qualquer sinal de celulite. Estudos sugerem que a gravidade da celulite está diretamente relacionada com: Diâmetro das estruturas anatômicas afetadas Percentual de gordura do segmento corporal Arquitetura da interface derme-hipoderme (que está diretamente relacionada com a qualidade do tecido conjuntivo) 2 - TEORIA DAS ALTERAÇÕES VASCULARES Dentre os inúmeros termos que podem denominar a patologia sobre o ponto de vista do acometimento vascular destacam-se dois: Fibro Edema Gelóide” (FEG) - já que fibro: é relativo a fibrose; edema: quando se refere a retenção excessiva de líquidos; gelóide: pelo aspecto de gel e subcutâneo: abaixo do tecido adiposo. Hidrolipodistrofia Ginoide (HDLG) - por ser um termo cientifico que etimologicamente significa: hidro, de água; lipo, relativo a gordura; distrofia, desordem nas trocas metabólicas do tecido; e ginoide significa forma de mulher. Primeira fase: Hipertrofia das células adiposas devido a um acúmulo patológico de lipídeos → Diminuição na drenagem do líquido intercelular(tecido inundado) =Fase congestiva simples Se persistir = compressão dos vasos → dilatação venosa permeabilidade → líquido no tecido conjuntivo → a pressão, congestão e os fenômenos de bloqueio. CICLO VICIOSO = CRONICIDADE DA PATOLOGIA. 26 26 Segunda fase: O líquido lançado no tecido conjuntivo contém resíduos de diferentes células = corpo estranho no tecido reações químicas (defesa) → septos interlobulares espessam-se e fibras colágenas proliferam. Tecido torna-se espesso, consistência gelatinosa, que se torna cada vez mais densa. Esse é o processo de floculação e precipitação da substância fundamental amorfa do tecido conjuntivo. Guirro, 2004. 27 Terceira fase: O da densidade do tecido conjuntivo irrita as fibras teciduais = tecido fibroso, denso, de malhas cerradas e densas envolvendo e comprimindo todos os elementos do tecido conjuntivo, artérias, nervos e veias, formando uma barreira às trocas vitais. É chamada de fase nodular. Considerada por alguns autores como irreversível. Guirro, 2004. 28 Quarta fase: O tecido fibroso torna-se constantemente mais cerrado e endurece continuamente, tornando-se esclerosado. Esse endurecimento tecidual muito denso provoca uma irritação contínua das terminações nervosas, resultando em dor à palpação ou mesmo sem motivo exterior. Guirro, 2004. 29 As células adiposas estão aumentadas em número e volume; Ocorre espessamento das fibras colágenas interadipocitárias… ingurgitamento dos tecidos; da circulação de drenagem; As células são encarceradas; As fibras colágenas formam uma rede compressão de vasos e nervos. Fisiopatologia 30 Trata-se de um tecido: Mal-oxigenado Subnutrido Desorganizado Sem elasticidade Resultante de um mau funcionamento do sistema circulatório e das consecutivas transformações do tecido conjuntivo. Com este quadro fisiopatológico 31 Infiltração edematosa do tecido conjuntivo, não inflamatória, seguida de polimerização da SFA, produzindo reação fibrótica consecutiva. Definição Histológica 32 34 A HLDG modifica a estrutura histológica da pele e altera o tecido conjuntivo e, conseqüentemente, ocorre polimerização excessiva dos mucopolissacarideos O que resulta: 1. Aumento da retenção de água, sódio e potássio, conduzindo a elevação da pressão intersticial e gerando compressão de veias, vasos linfáticos e nervos.... 35 2. A alteração do esfíncterarteriolar conduz a modificação da permeabilidade capilovenular e ectasia capilar, com transudação e edema pericapilar e interadipocitario; 36 3. O edema dificulta as trocas metabólicas e desencadeia uma resposta conjuntiva, com consequente hiperplasia e hipertrofia do invólucro reticular, resultando na formação de uma trama irregular de fibrilas. 4. As fibrilas se agregam em fibras colágenas e se distribuem em arranjos capsulares em torno de grupos de adipocitos, formando os micronodulos; 37 5. Ocorre esclerose das traves conjuntivas e formação de macronodulos, pela confluência de muitos micronodulos. 38 3 - TEORIA DA INFLAMAÇÃO REINCIDENTE Os hormônios ovarianos exercem inúmeras funções no corpo humano, inclusive sobre: Integridade do colágeno Distribuição e armazenamento de adiposidade A teoria da resposta inflamatória reincidente no desenvolvimento da celulite está baseada nas características da atividade hormonal do ciclo menstrual da uma mulher, ou seja, este processo causaria deterioração da malha de colágeno dérmica, tornando-a mais propensa ao recorte da hipoderme. É importante frisar que as mudanças do qual o endométrio é submetido em cada ciclo menstrual estão relacionados, entre outras substâncias, com metaloproteases, tais como colagenases e as gelatinases, para produzir o correspondente sangramento. Estas colagenases destroem a tripla hélice de colágeno, uma ação que se estende também para a derme. No centro deste processo está a Gelatinase B que é associada a um influxo de leucócitos polimorfonucleares, macrófagos e eosinófilos, que contribuem para o processo inflamatório, que dentre suas características destacam-se a síntese e a proliferação de GAGs dérmicas, que aumentam o teor de água, agravando o aparecimento da celulite e favorecendo edema mucoide. A repetida ocorrência do ciclo menstrual desencadeia um processo inflamatório contínuo de destruição do colágeno, aonde a derme reticular e papilar vão enfraquecendo, e favorecendo intrusão conteúdo adiposo subcutâneo. Mesmo que exista uma ampla discussão acerca da presença, ou não, da inflamação no processo de desenvolvimento celulite, acredita-se que estudos como o que apontaram a presença de macrófagos e linfócitos nos septos fibrosos de mulheres com celulite a partir de biópsias devem ser levados em consideração, colocando a inflamação de baixo grau como responsável direto do que chamamos de atrofia cutânea e como ponto de partida para futuras investigações sobre a etiopatogenia da afecção .