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1 Segundo Reinado - Crise 1. (Uerj 2016) A missa campal em São Cristóvão, no Rio de Janeiro, em 17 de maio de 1888, foi uma celebração de Ação de Graças pela libertação dos escravos no Brasil, decretada quatro dias antes, com a assinatura da Lei Áurea. A festividade contou com a presença da princesa Isabel, regente imperial do Brasil, e de seu marido, o conde D´Eu, príncipe consorte, que, no detalhe assinalado na foto, está ao lado da princesa. Cerca de 30 mil pessoas estiveram presentes. Adaptado de brasilianafotografica.bn.br. A abolição da escravatura no Brasil resultou de manifestações políticas e sociais que mobilizaram diferentes grupos, como ilustra a fotografia. Cite dois grupos sociais diretamente envolvidos no movimento abolicionista. Identifique um grupo opositor a esse movimento e uma das razões para seu posicionamento contrário. 2. (Ufjf-pism 2 2016) Dentre os países do continente americano o Brasil foi o último país a acabar com a escravidão em seu território. Até a assinatura do último decreto que libertava definitivamente a escravidão todo um longo percurso foi trilhado, tanto do ponto de vista legal, como dos próprios movimentos sociais, interessados no fim do regime escravocrata. Observe a sucessão das leis decretadas no século XIX: O século XIX e a questão da mão de obra Leis Abolicionistas 1850 – Lei Eusébio de Queirós 1871 – Lei do Ventre Livre 1885 – Lei dos Sexagenários 1888 – Lei Áurea Com base nessas informações e em seus conhecimentos, responda ao que se pede: a) A Lei Eusébio de Queirós proibiu definitivamente o tráfico atlântico de escravos. Com o fim da oferta de escravos africanos, proprietários escravistas no Brasil buscaram outras formas de reposição da mão de obra. Explique DUAS alternativas utilizadas para dar continuidade à exploração escravista. b) A abolição da escravidão no Brasil foi o coroamento de uma política de gabinete, ou seja, ela foi fruto da ação isolada de deputados e senadores do Império do Brasil. Você concorda com essa afirmativa? Explique sua resposta: 2 3. (Unesp 2015) Examine a charge do cartunista Pestana. Como a charge representa a abolição da escravidão? Justifique sua resposta com um elemento extraído da imagem. Identifique um resultado da abolição, ocorrida em 1888, e caracterize, exemplificando, a condição da população afro-brasileira cem anos depois. 4. (Unicamp 2014) Angelo Agostini (1833-1910) expressou sua crítica a D. Pedro II em uma caricatura publicada na Revista Ilustrada, em 1887. a) Conforme a imagem, qual é a crítica de Agostini ao Imperador? b) Indique e explique um processo que expresse a situação de crise vivida no final do Império. 5. (Unesp 2014) É particularmente no Oeste da província de São Paulo – o Oeste de 1840, não o de 1940 – que os cafezais adquirem seu caráter próprio, emancipando-se das formas de exploração agrária estereotipadas desde os tempos coloniais no modelo clássico da lavoura canavieira e do “engenho” de açúcar. 3 (Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil, 1987.) Cite duas semelhanças e duas diferenças significativas entre a exploração agrária cafeeira no Oeste paulista do século XIX e a que predominou na lavoura canavieira no Nordeste colonial. 6. (Ufpe 2013) As agruras das secas, que periodicamente atingem o Brasil e, mais de perto, o Nordeste, têm servido de mote a poetas e cantadores, entre os quais se celebrizou Luiz Gonzaga, que, no ano de 2012, completaria 100 anos de vida. Flagelo antigo no Brasil, a seca de 1870 constituiu-se num dos muitos problemas enfrentados pelo imperador Dom Pedro II. Considerando-se a crise sociopolítica e econômica que se abateu sobre o governo desse Imperador, em seus anos finais, analise as proposições a seguir. ( ) Após a Guerra do Paraguai, houve um afastamento entre o Exército e o governo monárquico, agravado pelas manifestações públicas de descontentamento dos jovens cadetes e oficiais de baixa patente. ( ) Após a prisão do bispo de Recife e Olinda, Dom Vital, ocorreu a cisão entre o poder eclesiástico e o Estado, posicionando-se o monarca a favor do bispo, e aliando-se os generais aos demais clérigos. ( ) O ato abolicionista de maio de 1888 não previu indenizações para os ex-senhores de escravos, o que gerou grande descontentamento por parte desse grupo para com o Governo Imperial. ( ) A dispendiosa campanha militar levada adiante pelo Brasil no Paraguai contribuiu para a grave crise econômica que assolou o país nesse período. ( ) Após a Abolição, os escravos libertos foram realocados em outras fazendas, subsidiadas pelo governo, que garantia, assim, o sustento dessa grande parcela da população. 7. (Unicamp 2013) Após a queda da monarquia, a República tentou ligar-se à memória da abolição. Seu principal argumento era a recusa do Exército em capturar os escravos fugidos. Reivindicava-se, assim, o reconhecimento dos republicanos militares como atores da abolição e redentores da pátria livre. Nas comemorações oficiais da abolição, o 13 de maio e o 15 de novembro eram apresentados como datas complementares de um mesmo processo de modernização do país, abrindo as portas do Brasil ao progresso e à civilização. De modo complementar, ligava-se o sistema monárquico à escravidão e ao atraso do país. (Adaptado de Robert Daibert Jr., “Guerra de Versões”. Revista de História da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, jun. 2008. http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/guerra-de- versoes. Acessado em 30/09/2012.) a) Explique por que o regime republicano associou a monarquia à escravidão. b) Como a questão militar contribuiu para o fim do Império do Brasil? 8. (Ufg 2013) Leia o documento a seguir. A que causa devíamos atribuir esta irrupção da cólera ou, melhor, a que causa não a atribuirmos – Seria talvez a carne estragada que éramos obrigados a comer, ou a fome curtida quando as náuseas venciam o apetite, ou ainda o insuportável ardor dos incêndios que nos escaldavam o sangue, quiçá a infecção oriunda de todas as substâncias vegetais que devorávamos, brotos, frutos verdes e podres, ou também, enfim, a insalubridade do ar viciado pela água estagnada dos charcos e lodaçais que naquela região tanto abundam. Supunham alguns fosse o próprio inimigo o veiculador do cólera. É muito possível que aos paraguaios houvesse acontecido – embora jamais suportassem as mesmas privações que nós – porque, de seu exército do Sul, dizimado pelo flagelo, tinham recebido reforços. Uma circunstância ocorria fazendo-nos crer que também reinasse o mal em suas fileiras: a frouxidão, para o fim, dos ataques, embora sempre frequentes. TAUNAY, Alfredo d´Escragnolle. A retirada de Laguna. 1870. p. 57. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv00304a.pdf>. Acesso em: 20 mar 2013. (Adaptado). O documento apresentado, publicado em 1870, relata um dos principais eventos da Guerra do Paraguai, a Retirada de Laguna. Com base na leitura do documento, explique 4 a) as condições a que as tropas brasileiras foram submetidas, durante o conflito; b) uma consequência para a política interna brasileira, com o fim da Guerra do Paraguai. 9. (Unesp 2013) Cheio de glória, coberto de louros, depois de ter derramado seu sangue em defesa da pátria e libertado um povo da escravidão, o voluntário volta ao país natal para ver sua mãe amarrada a um tronco! Horrível realidade!... (Ângelo Agostini. A Vida Fluminense, 11.06.1870. Adaptado.) Identifique a tensão apresentada pela representação e por sua legenda e analise a importância da Guerra do Paraguai para a luta de abolição da escravidão. 5 Gabarito: Resposta da questão 1: Grupos que defenderam a abolição da escravidão no Brasil: exército após a Guerra do Paraguai, irmandades religiosas descontentes com o Padroado e Beneplácito, classe médiaurbana, intelectuais e profissionais liberais. Contra a abolição: proprietários de terras e escravos que resistiam à ideia de abolição sem indenização, por ter investido capital na aquisição dos escravos. Resposta da questão 2: Para dar continuidade à escravidão, duas estratégias foram adotadas: (1) o tráfico interprovincial (de uma província para outra dentro do Brasil) e (2) o tráfico ilegal pelo Atlântico (tentando burlar a fiscalização inglesa); A abolição da escravatura no Brasil atendeu muito mais à pressão inglesa (principal credora do Império) do que à vontade de deputados ou senadores (que compunham a elite nacional e, logo, eram adeptos da escravatura). Assim, a abolição foi uma ação isolada do governo imperial na figura de d. Pedro II e sua filha, princesa Isabel, e não de deputados e senadores. Resposta da questão 3: O aluno pode mencionar a questão da permanência. Pouca coisa mudou em relação à comunidade afro-brasileira desde o 13 de maio de 1888. Basta observar a condição de miséria da criança negra apresentada na charge, sua inferioridade social e econômica. A elite política brasileira no contexto da Abolição era branca e racista, libertou os negros da escravidão, porém não criou condições para sua melhoria no campo econômico e social, além de restringir a cidadania considerando que pela constituição de 1891, para ser cidadão, era preciso ser homem e alfabetizado marginalizando a grande maioria do povo brasileiro. Ainda hoje, mais de cem anos após a Abolição, pouca coisa mudou para os afro-brasileiros, que ainda são ínfima minoria nas universidades e maioria no sistema carcerário. No Brasil atual, há muita permanência em relação à estrutura colonial e Imperial. Racismo, preconceito e violência ainda compõem nosso cotidiano. Resposta da questão 4: a) Angelo Agostini criticava o imobilismo do Imperador diante dos problemas enfrentados pelo Império brasileiro no final da década de 1880. b) A crise vivida pelo Império pode ser explicada por uma série de fatores, a saber: transformações socioeconômicas derivadas da expansão cafeeira, imigração estrangeira, fim do tráfico negreiro, crescimento da campanha abolicionista, e o aumento do movimento republicano. Resposta da questão 5: Semelhanças: o aluno pode citar, entre outros, o latifúndio, a monocultura visando o mercado externo. Diferenças: o aluno pode citar, entre outros: em São Paulo surgiu uma elite que podemos denominar de “burguesia cafeeira paulista” com mentalidade empresarial e empreendedora vinculada ao capitalismo internacional (bem diferente da elite tradicional do nordeste colonial). No nordeste colonial prevaleceu a utilização do trabalho escravo africano enquanto em São Paulo ocorreu a transição do trabalho escravo para o trabalho livre com a chegada dos imigrantes. Resposta da questão 6: V – F – V – V – F. Verdadeira. Após saírem vitoriosos da Guerra do Paraguai, os militares, principalmente cadetes e oficiais de baixa patente, passaram a exigir direitos, como o de reunião e manifestação pública. Esse movimento de ampliação dos direitos dos militares compôs, entre outras coisas, o que se convencionou chamar de “Questão Militar”. Entretanto, cabe ressaltar 6 que essa "questão" também contou com a participação da alta oficialidade do Exército brasileiro. Falsa. A prisão do bispo de Olinda e Recife, D. Vital, por ordem de D. Pedro II, pontuou a dita “Questão Religiosa”, estremecendo as relações entre "trono" e "altar". D. Vital foi solto após quatro anos sob os auspícios do Duque de Caxias, aliado do Imperador. Verdadeira. A chamada “Lei Áurea”, de 13 de maio de 1888, em sua versão final, não previu indenizações aos senhores de escravos, ainda que vários debates tenham sido travados no Parlamento acerca dessas indenizações. Verdadeira. Embora o Brasil tenha saído vitorioso da Guerra, essa vitória não trouxe melhorias à nação. Pelo contrario, os gastos com o conflito oneraram o tesouro do Império, que não se achava forte o suficiente para fazer frente às demandas de uma guerra daquela envergadura. Falsa. A Lei Áurea não previu realocação do trabalho escravo. Os libertos passaram a enfrentar graves problemas, como a falta de moradia e a não especialização para fazer frente às novas exigências do mercado de trabalho. Resposta da questão 7: a) De acordo com a ideologia positivista, presente no Exército Brasileiro, era necessário superar o atraso do Brasil, implementando o progresso. A monarquia e a escravidão eram associadas ao atraso, a república e a abolição, associadas ao progresso. Os militares se identificavam como os defensores do progresso e da liberdade. b) A Questão Militar representou uma série de problemas entre Imperador e militares que desde a Guerra do Paraguai reivindicavam uma maior participação e envolvimento nas decisões políticas. As ideias positivistas muito presentes no meio militar levaram os membros da alta hierarquia a liderar o processo de proclamação da República. Resposta da questão 8: a) A partir do texto, podemos perceber que as tropas brasileiras eram submetidas a condições péssimas na Guerra do Paraguai. “Carne estragada”, “náuseas causadas pela fome”, “incêndios”, “infecções oriundas dos vegetais estragados que comiam” são algumas das informações fornecidas pelo autor que demonstram como era a vida das tropas brasileiras no conflito. b) A Guerra do Paraguai conferiu enorme poder ao exército brasileiro. Os muitos soldados e comandantes que voltaram da guerra passaram a questionar, então, a escravidão e a forma de governo do Brasil. Essa influência do exército brasileiro vai terminar na Proclamação da República, alguns anos à frente. Resposta da questão 9: A gravura destaca a contradição do soldado negro, ex-escravo, libertado para participar da Guerra do Paraguai que, ao voltar, se depara com a mesma realidade, marcada pela manutenção do cativeiro para a maioria. A Guerra contribuiu de diversas maneiras com o movimento abolicionista, não apenas por levantar a óbvia questão do heroísmo de todos, inclusive dos escravos que participaram, mas fortaleceu no interior do exército a ideologia liberal, influenciada pelo positivismo, ajudada ainda pelo contato com soldados argentinos e uruguaios, países onde não mais havia escravidão.