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Psicologia Social I - Aulas EAD

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um mesmo lugar ao mesmo tempo sem necessariamente interagir ou se influenciar significativamente. Este é o caso de pessoas que se encontram em uma sala de cinema, em um domingo a tarde assistindo o mesmo filme. Eles são um exemplo de grupo não social.
· É claro que o fato de simplesmente estar na presença de mais alguém já modifica o nosso comportamento. Isto já foi mencionado em aulas anteriores. Mas a maioria dos psicólogos quando se refere a grupo está falando de algo mais do que um bando de pessoas, que por qualquer motivo, ocupam um espaço em comum.
· Para Cottrell (1968) a presença de outras pessoas pode levar à facilitação social ou à indolência social. Mais explicitamente, quando as pessoas estão na presença de outras ficam mais excitadas ou agitadas e este fato pode facilitar certos comportamentos como desempenhar tarefas mundanas e conhecidas, mas também pode atrapalhar outras funções como, por exemplo, aprender novas informações ou comportamentos.
· Grupo Social
· No caso de grupo social contamos com a definição de Cartwright e Zander (1968) que consideram esse grupo como duas ou mais pessoas que não só interagem entre si, mas que também são interdependentes em relação às suas necessidades e objetivos. Assim, um grupo seria várias pessoas que possuem uma relação estável e partilham objetivos em comum com a consciência de que fazem parte de um mesmo grupo (neste caso, podemos citar diversos exemplos como família, amigos, colegas de trabalhos, colegas de faculdade, entre outros).
· Quando estamos em grupo somos mais do que observadores passivos uns dos outros. Quando estamos em grupo nos socializamos, nos misturamos, nos tornamos íntimos. Em outras palavras, interagimos e nos influenciamos. Este é o caso de grupos sociais. Para sermos mais claros nesta diferenciação contamos com o conceito de grupo de McGrath (1984) que se fundamenta na noção de conjuntos vazios da matemática. Para este autor, a definição de grupo pode ser entendida em termos de grau. Mais explicitamente, um conjunto de pessoas pode ser melhor identificado como grupo em função de quatro condições: 
· 
· Na medida que o número de membros seja mais reduzido;
· Na medida que estes poucos membros mantenham interações mais estreitas;
· Na medida que estas interações se mantenham por mais tempo e;
· Na medida que conservem perspectivas futuras compartilhadas.
· 
· A partir desta definição, temos a possibilidade de caracterizar diversos tipos de grupos. Assim, podemos reunir os grupos em vários sistemas de classificação considerando várias dimensões e critérios, como veremos a seguir.
Tipos de Grupos e Definições Básicas
· 
· Categoria Social: é um conjunto de pessoas que se distingue de outras por ter em comum um atributo reconhecível a partir da perspectiva de um observador externo. Este é o caso de grupos formados pela categoria gênero, ou idade, ou profissão etc. São chamados de grupos sociológicos.
· Grupo Psicológico: os próprios membros do grupo se identificam como fazendo parte dele por pertencer à mesma categoria social. A diferença com os grupos sociológicos é que eles não precisam da perspectiva de um observador externo.
· 
· Grupo Mínimo: são pessoas que passam a ser classificadas de forma casual dentro de um mesmo grupo e que começam a atuar em função dessa identificação, chegando a interagir uns com os outros. Na medida em que estas pessoas adquirem consciência de objetivos em comum elas passam a formar grupos sociais.
· 
· Grupos Compactos: são grupos sociais onde seus membros passam a cooperar entre si visando o alcance de objetivos interdependentes.
· Organização Social: são grupos sociais que se organizam definindo uma estrutura de poder reconhecível com papéis e normas que regulam as interações entre seus membros e formando um sistema social hierarquizado que pode competir com outros grupos.
· 
· Grupos Naturais: podem ser permanentes ou temporários, formais ou informais, mas se diferenciam pelo fato de existirem independentemente das considerações de estudiosos e especialistas.
· Grupos Artificiais: estes grupos são organizados e identificados pelo pesquisador com o fim de avaliar os efeitos da manipulação de variáveis sobre seus membros, na observação sistemática de uma pesquisa ou experimento.
Interações Sociais e Processos Grupais
· Certos fenômenos estudados na Psicologia Social costumam ser identificados como efeitos da mera presença de outras pessoas e, portanto, só podem ser observados nas interações dos indivíduos de um determinado grupo onde há uma interação social mínima. Alguns destes fenômenos são:
· 
· Facilitação social
· Vadiagem social
· Liderança
· Conflito e cooperação
· Coesão grupal e normas
· 
· Estudaremos, a seguir, detalhadamente, cada fenômeno.
Facilitação Social
· Várias pesquisas na Psicologia Social procuraram entender como a mera presença de outros pode afetar o comportamento dos indivíduos. Ao se falar de mera presença nos referimos às pessoas que não estão diretamente competindo ou sendo recompensadas, ou punidas, mas simplesmente se encontram presentes como uma espécie de audiência ou coatores.
· Em 1898, Triplett observou que ciclistas eram mais rápidos quando corriam juntos do que quando corriam sozinhos contra o relógio. De forma similar, este pesquisador observou que crianças solicitadas para enrolar o mais depressa possível a linha em um molinete, eram muito mais rápidas quando trabalhavam na presença de coatores do que quando realizavam a mesma tarefa sozinhas. Estes casos envolvem o fenômeno chamado de facilitação social. A presença de outros melhora o nosso desempenho em tarefas simples, as quais executamos de maneira mais rápida e efetiva do que quando estamos sozinhos.
· Por volta de 1940 as pesquisas sobre facilitação social ficaram estagnadas pela observação de resultados, aparentemente contraditórios, evidenciando que a presença dos outros ora facilita o desempenho ora atrapalha. 
· Somente em 1965 foi esclarecida esta contradição quando Zajonc observou que “(...) a ativação acentua qualquer tendência à reação que seja dominante. O aumento da ativação acentua o desempenho em tarefas fáceis para as quais a reação mais provável – “dominante” – é a correta. (...) Em tarefas complexas, para as quais a resposta correta não é dominante, o aumento da ativação promove a reação incorreta” (apud Myers, 2000, p. 156). Desta forma, o conceito de facilitação social pode ser definido de duas formas. 
· Em primeiro lugar, facilitação social é quando o grupo social atua como elemento facilitador e as pessoas tendem a ter um melhor desempenho em tarefas simples ou familiares frente à presença dos outros. Em segundo lugar, a facilitação social pode ser entendida na verdade como um fator fortalecedor das reações dominantes ou prevalentes em decorrência da presença dos outros. Esta última seria a definição mais utilizada atualmente.
Vadiagem Social
· Conceito que representa outro fenômeno comumente observado em grupos sociais. Refere-se à tendência de membros de um grupo gastar menos esforços na realização de tarefas em grupo em comparação dos esforços mostrados quando realizam as mesmas tarefas sozinhos. Podemos observar isto na escola, no trabalho ou até mesmo em casa. Na verdade, o grupo oferece a oportunidade de juntar esforços de forma cooperativa para alcançar objetivos comuns, já que ao final, é difícil que nossos esforços individuais sejam apreciados separadamente do grupo. Aos olhos de observadores externos, os esforços individuais não se diferenciam dos esforços de todos e ficam diluídos nos empenhos do grupo em geral. Isto fica mais evidente especialmente quando os benefícios que cada indivíduo receberá serão divididos por igual entre todos os membros de grupo. Nesses casos, muitas pessoas passam a economizar seus esforcos e tentam, inclusive, se beneficiar da situação. E claro, que estamos falando de tendências e que existem particularidades na forma como cada indivíduo age nestas situações.
· Realização das Tarefas 
· O fenômeno da vadiagem social pode ser visto como