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Ecologia Geral - 1 Parte (Introdução a Ciência do Ambiente para Engenheiros)

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1a Parte 
ECOLOGIA GERAL 
 
 
 
1. INTRODUÇÃO À ECOLOGIA 
 
 
 
o século XIX, o biólogo e naturalista alemão Ernest Haeckel (1866) partindo da observa-
ção de que “o conhecimento biológico nunca é completo quando o organismo é estudado 
isoladamente”, deu um novo rumo à História Natural - hoje Biologia, criando uma nova ciência - 
a Ecologia. 
 
O termo eco deriva do grego oikos que significa lugar onde se vive, casa, ambiente, e logos é 
estudo, ciência, tratado. No sentido literal, Ecologia seria o estudo dos seres vivos em sua casa, 
no seu ambiente, ou ainda, a ciência que estuda as relações dos seres vivos com o meio ambien-
te. Numa concepção mais moderna, a ciência que estuda a estrutura e funcionamento da Na-
tureza, considerando que a humanidade é uma parte dela (Odum, 1972). 
 
Com a criação da ciência Ecologia, surgiram os termos ecólogo e ecologista. Este identifica os 
militantes de organizações em defesa do meio ambiente, enquanto que ecólogo é o profissional - 
pesquisador, cientista, que tem formação e trabalha no campo da ecologia. 
 
Em princípio, a Ecologia considerava as espécies individualmente (ecologia da araucária, ecolo-
gia do peixe-boi...), o que deu origem a auto-ecologia. Hoje, a auto-ecologia é a parte da ecolo-
gia que estuda as respostas das espécies aos fatores ambientais, em função de suas fisiologias e 
respectivas adaptações. Posteriormente, os ecólogos perceberam a importância das relações entre 
as diversas espécies, surgindo assim a sinecologia, passando esta a ser a parte da ecologia que 
estuda as interações entre as diferentes espécies que ocupam um mesmo ambiente, como estas se 
interrelacionam e de que maneira interagem com o meio ambiente. 
 
 
1.1. MEIO AMBIENTE 
 
Para a ciência ecológica, o meio ambiente é o conjunto de condições físicas (luz, temperatura, 
pressão...), químicas (salinidade, oxigênio dissolvido...) e biológicas (relações com outros seres 
vivos) que cercam o ser vivo, resultando num conjunto de limitações e de possibilidades para 
uma dada espécie: o meio ambiente é tudo que nos cerca. 
 
Sempre heterogêneo, o meio ambiente segue variando de um local para outro, dando origem a 
agrupamentos de seres vivos diferentes. Tais agrupamentos - comunidades - interferem na com-
posição do meio e são beneficiados ou prejudicados com essas transformações. O meio ambiente 
assim evolui, para melhor ou para pior, conforme a espécie considerada. Num lago que recebe 
adubo, proveniente de projetos agrícolas na vizinhança, se for considerada a população de algas, 
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2 - Introdução às Ciências do Ambiente para Engenharia 
 
 
esta vai ser favorecida, aumentando as suas possibilidades de desenvolvimento, pela maior oferta 
de nitratos e fosfatos; porém, se forem considerados os peixes, estes têm suas possibilidades de 
desenvolvimento limitadas pela redução do oxigênio, ocasionada pela grande proliferação de al-
gas, e como resultado morrem asfixiados. O meio ambiente melhorou para as algas e piorou para 
as populações de peixes. 
 
O meio ambiente está sempre mudando e evoluindo. O clima, os seres vivos e as próprias ativi-
dades humanas modificam o ambiente e são influenciadas por essas modificações, gerando novas 
alterações. Esta é a essência da evolução. Alguns seres vivos são incapazes de adquirir os recur-
sos que necessitam e se extinguem. Outros desenvolvem constantemente melhores formas de a-
daptação aos problemas do ambiente mutante. Diz-se que estes evoluíram. Podemos dizer então 
que o meio ambiente é ‘seletivo’ na medida que certas características dão aos seus possuidores 
certa vantagem na sobrevivência e procriação. Diz-se que os indivíduos melhor adaptados ao 
ambiente mutante ‘foram selecionados’, por meio da seleção natural. 
 
No século passado a poluição nas cidades inglesas fez com que a seleção natural atuasse em uma 
espécie de mariposas. No início da industrialização a maioria das mariposas salpicadas era clara 
com manchas escuras, confundindo-se com as cascas das árvores e escondendo-se de seus preda-
dores. Quando a fuligem das fábricas escureceu as árvores e a paisagem urbana de um modo ge-
ral, as mariposas claras ficaram mais visíveis aos pássaros. Alguns anos depois as mariposas es-
curas tornaram-se mais comuns nas cidades e as claras salpicadas prevaleciam nos campos, me-
nos poluídos. Tal fenômeno de seleção natural ficou conhecido como melanismo industrial. 
 
A seleção nem sempre é natural. O homem aprendeu a utilizar a mutação para produzir organis-
mos que atendam a algum propósito útil ou desejável, criando o processo de seleção artificial. Os 
organismos assim obtidos, sobrevivem no ambiente sob a proteção humana. Um exemplo típico 
é a galinha doméstica, seu ancestral das selvas africanas é extremamente astuto e bota cerca de 
uma dúzia de ovos por ano. Algumas galinhas domésticas botam uma dúzia de ovos por mês, 
são extremamente dóceis, perderam a astúcia e, se fossem devolvidas ao seu ambiente natural, 
seriam extintas. 
 
O meio ambiente é sempre o conjunto de possibilidades físicas, químicas e biológicas para cada 
indivíduo - espécie - de uma comunidade. Neste sentido, a espécie Homo sapiens, entre milhões 
de espécies da Terra, tem sido o foco de toda atenção da ciência ecológica, dada a sua capacidade 
de transformar as condições ambientais, em nome da qualidade de vida humana. 
 
 
1.2. HÁBITAT E NICHO ECOLÓGICO 
 
O meio ambiente é o palco onde se desenrola todo o estudo da ecologia. Neste, segundo Odum 
(1972), cada espécie considerada tem um ‘endereço’- hábitat, e desenvolve uma ‘profissão’ - 
nicho ecológico. 
 
O hábitat de um organismo é o local onde ele vive; ou ainda, é o ambiente que oferece um con-
junto de condições favoráveis ao desenvolvimento de suas necessidades básicas - nutrição, prote-
ção e reprodução. O nicho ecológico é o papel de uma espécie numa comunidade - como ela faz 
para satisfazer as suas necessidades. As algas, por exemplo, têm o seu hábitat na água superficial 
de um lago (zona iluminada), e parte do seu nicho ecológico é a produção de matéria orgânica, 
através da fotossíntese, a qual serve de alimento para sua população e para alguns animais. 
 
1a Parte - Ecologia Geral - 3 
 
 
 
Teoricamente, o hábitat seria aquele ambiente em que as condições ambientais atingem o ponto 
ótimo e uma espécie consegue reproduzir em toda a sua plenitude, ou seja, consegue desenvolver 
o seu potencial biótico. Porém, a reprodução sem oposição não pode manter-se por muito tempo 
em um ambiente de recursos limitados. Desse modo, o ambiente se encarrega de controlar o cres-
cimento da população através da resistência ambiental, o que pode fazer com que a população 
retorne ao ponto de partida. 
 
A resistência ambiental compreende todos os fatores - fome, enfermidades, alterações climáti-
cas, competição, etc. - que impedem o desenvolvimento do potencial biótico. O processo fun-
ciona do seguinte modo: quando a densidade populacional aumenta, aumenta também a resistên-
cia ambiental, que por sua vez origina uma diminuição da densidade populacional. A interação 
entre o potencial biótico e a resistência ambiental resulta num aumento , ou numa diminuição, do 
número total de organismos de uma população, ou seja, o seu crescimento populacional. O hábi-
tat é então a região onde a resistência ambiental para a espécie é mínima, ou seja, onde ela en-
contra melhores possibilidades de sobrevivência. 
 
 
1.3. NÍVEIS DE ORGANIZAÇÃO BIOLÓGICA 
 
A melhor maneira de entender o campo de estudo da ecologia moderna é utilizando-se do concei-
to de níveis de organização dos seres vivos (Odum, 1972). Nestes, um arranjo hierárquico agrupa 
os seres vivos partindo de sistemas biológicos simples – genes - para biossistemas cada vez mais 
complexos – biosfera -, formando um todo unificado, conforme esquema abaixo. 
 
 
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