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DECISAO JUDICIAL - LEGITIMA DEFESA

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clausulado no dia seguinte (fls. 178).
A r. sentença passou em julgado para a 
Acusação em 23.01.2020 (cf. certidão fls. 264).
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Apelação Criminal nº 1500581-69.2019.8.26.0326 -Voto nº 20024 8
Apelo defensivo, com preliminar de 
conversão do julgamento em diligência, objetivando a 
instauração de incidente de insanidade mental, e, no 
mérito propriamente dito, pela absolvição do réu por 
insuficiência probatória (fls. 244/249).
Contrarrazões pelo não provimento do 
recurso (fls. 256/261), com parecer da douta Procuradoria 
Geral de Justiça em idêntico sentido (fls. 270/271).
É o relatório.
O apelo não comporta provimento.
Colhidos os depoimentos de interesse na 
etapa inquisitiva (fls. 02, 03, 04, 05, 06). Autos formados pelas 
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peças de instrução, destacando-se: os exames 
nosocomiais de lesões físicas para Fernando (fls. 21) e 
Claudemir (fls. 22), em adendo aos correspondentes 
laudos periciais de exame de corpo de delito (fls. 31/32, 
29/30), além do laudo perinecroscópico (fls. 62/70). Em 
juízo, foram inquiridas as vítimas Luzia Alves da Silva e 
Claudemir Aparecido Alves, além das testemunhas 
Marcos Aurélio dos Reis Pinto, Valmir de Jesus 
Fernandes, Valdemir Batista do Nascimento e Wanderlei 
Almerito, interrogando-se o réu Fernando (cf. mídia anexa 
aos autos digitais).
Inicio pela defesa indireta de mérito, com 
o objetivo de, aqui, AFASTÁ-LA.
Em que pese o elogiável esforço 
argumentativo do d. Defensor, não há como se acolher a 
preliminar suscitada, descabendo a conversão do 
julgamento em diligência.
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Do quanto extraído do caso, havia sido 
suscitada, ainda por meio da defesa prévia (fls. 97), a 
instauração do incidente de insanidade mental porque, 
“conforme noticiado pelo genitor do Acusado, ultimamente este passou a 
apresentar um comportamento diverso do de costume, levando o primeiro a 
suspeitar que o filho possa ter desenvolvido alguma doença mental”. A 
apreciação do tema foi dilatada à fase de colheita das 
provas orais, a fim de que o julgador de Primeiro Grau 
pudesse eventualmente concluir pela pertinência da 
medida (decisão de 02.08.2019 fls. 107). Porém, ao cabo da 
instrução, já na sentença, foi sumamente rechaçada a 
pretensão, à míngua de dados bastantes a respeito.
Com acerto o piso.
A dilação probatória, sobretudo, com 
vistas à instauração de incidente, como o de insanidade 
mental, repousa na discricionariedade do magistrado, 
que, além de incumbido de conferir o impulso oficial ao 
feito, ainda deve deliberar, sempre de forma bem 
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fundamentada (como observado na espécie, à simples leitura da r. 
sentença), pela necessidade e pertinência da produção de 
outras provas que tomar por indispensáveis à formação 
de seu convencimento. Assim sendo, destituída de 
qualquer ilegalidade está a decisão ora objurgada, 
apenas por conta do mero indeferimento da 
pretensão defensiva, ora reiterada na esfera recursal, 
não se observando malferidas as garantias fundamentais 
do acusado, até por conta da postergação de um 
convencimento sobre a necessidade do incidente 
senão ao derradeiro ato processual de colheita 
probatória, o de realização do interrogatório do réu (artigo 
400 do Código de Processo Penal).
Em uma dimensão substancial, no mais, 
tampouco se veria a r. sentença desprovida de 
adequada fundamentação idônea ao indeferimento, 
respeitada a cláusula constitucional que impõe a 
motivação judicial adequada (artigo 93, IX, da Carta Magna de 
1988). De um lado, Fernando nada alegou, nem 
demonstrou, no plano comportamental, que pudesse 
levar a deduzi-lo como portador de qualquer distúrbio 
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mental. Conforme consta da r. sentença (fls. 224): “O 
acusado, durante seu interrogatório, respondeu aos questionamentos de 
forma clara e objetiva, mantendo uma linha de raciocínio mesmo quando 
interrompido por perguntas feitas pelo Magistrado.”. D'outra banda, os 
demais elementos indicativos no sentido acenado pela 
Defesa diluíram-se no contexto da instrução. Como 
verificado, a i. Defesa apenas postulara pela instauração 
do incidente previsto no artigo 149 do Estatuto 
Processual, em virtude de declaração, neste sentido, 
do genitor do acusado, Valdemir Batista do 
Nascimento. Sem apor dúvida sobre a idoneidade do 
nobre advogado, por certo, as informações prestadas por 
Valdemir, que é pai do réu e, por isso, direto 
interessado no desfecho do caso, se arrimariam em 
meras “suspeitas” sobre o surgimento de doença 
mental em razão de oscilações no comportamento do 
filho, as quais não foram, ao cabo da instrução, nem 
explanadas, muito menos demonstradas. Aliás, em juízo, 
Valdemir apenas confirmou a existência de pessoas na 
família com “problemas mentais”, nada de específico 
se comprovando sobre Fernando. Outra testemunha 
arrolada pela Defesa, Wanderlei Almerito, que talvez 
detivesse ressentimentos contra Claudemir (o primeiro alegou 
em juízo ter sido “ameaçado” pela referida vítima na sala de espera do 
distrito policial, fato não comprovado), limitou-se a dizer que 
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acreditava que o acusado “não batia bem da cabeça”. 
Noutros termos, os possíveis dados de convicção nesse 
sentido, sequer se alcandorando ao patamar de indícios 
concretos (artigo 239 do Código de Processo Penal), provaram-se 
tíbios e inconsistentes, a ponto de justificar a 
procrastinação do resultado judicial por meio da 
instauração de incidente de insanidade.
Em conclusão, bem afastada, no piso, a 
questão ora alinhavada, aqui urgindo, portanto, 
REJEITAR a preliminar postulada.
No mérito propriamente dito, o pleito 
concentra-se pela absolvição por falta de provas.
O reexame do caderno probatório 
desautoriza a conclusão sustentada pela Defesa, em que 
a dissonância relativa nas provas orais.
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Materialidade arrimada, no caso dos 
delitos de ameaça e descumprimento de medidas 
protetivas de urgência, nas próprias peças de instrução, 
de um modo geral, sem prejuízo do condão probatório, 
também quanto à existência do substrato fático para uma 
e outra infração penal, extraído das provas orais. Mais 
especificamente quanto à lesão corporal, coadunam-se 
as conclusões do laudo pericial de exame de corpo de 
delito realizado em Claudemir (fls. 29/30) com a versão 
acusatória. De fato, em confirmação ao laudo 
nosocomial (fls. 22), o exame pericial de corpo de delito 
confirmou, naquela vítima, a existência de lesão leve 
consistente em equimose com escoriação em região 
peitoral à direita. Noutros termos, a conclusão médico-
legal reafirma a dinâmica fática, tal como exposta na 
denúncia, quanto à agressão desfechada pelo réu, que 
se muniu de caibro de madeira (não apreendido), para 
agredir Claudemir, após descumprir as medidas 
protetivas de aproximação e contato, e vociferar ameaças 
de morte às portas da casa dos ofendidos, igualmente 
danificada no muro, numa janela e no telhado, por 
meio de arremessos de pedaços de tijolo (conclusão aferida, 
pericialmente cf. laudo perinecroscópico, fls. 62/70).
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Autoria certa.