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Macroeconomia
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof. Esp. Valdécio Silvério Bezerra
Revisão Textual:
Profa. Ms. Fátima Furlan
Introdução à Macroeconomia
• Introdução
• O Nascimento da Macroeconomia
• Objetivos da Macroeconomia
• Instrumentos da Macroeconomia
• Oferta e Demanda Agregada
 · Iniciar o estudo da teoria macroeconômica falando, primeiramente 
do contexto histórico em que surgiu essa teoria e quais eram os seus 
objetivos. Vamos estudar além do surgimento da Macroeconomia; 
os seus conceitos básicos; os instrumentos da macroeconomia e a 
definição do que é Oferta e Demanda agregada.
OBJETIVO DE APRENDIZADO
Introdução à Macroeconomia
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Não se esqueça 
de se alimentar 
e se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja uma maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas: 
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e 
horário fixos como o seu “momento do estudo”. 
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar, lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo.
No material de cada Unidade, há leituras indicadas, dentre elas: artigos científicos, livros, vídeos e 
sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você também 
encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua 
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados.
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discussão, 
pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato 
com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e aprendizagem.
UNIDADE Introdução à Macroeconomia
Contextualização
Você, com certeza, em algum momento já se deparou com uma notícia ligada 
ao cenário econômico do nosso país que dizia: “Inflação pelo IPC-Fipe recua para 
0,46% em abril”; “Produção industrial avança em março, mas recua 11,7% no 1º 
trimestre”; “Mercado projeta melhora para atividade econômica no próximo ano”; 
“Ajuste fiscal pode ampliar desigualdade, avalia pesquisador”; “O FMI aumentou 
a projeção de queda da economia brasileira, este ano, de 1% para 3,5%”; “As 
incoerências da atual política macroeconômica”. “Governo vê avanço de 0,58% 
para o PIB no segundo trimestre desse ano”. O que essas manchetes têm em 
comum? Todas estão falando de questões ligadas à Macroeconomia. São siglas, 
porcentagens, expressões que poucos dominam ou sabem o que representam.
Vejamos o significado de algumas dessas siglas importantes: IPC (Índice de Preços ao 
Consumidor); Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas); FMI (Fundo Monetário 
Internacional), PIB (Produto Interno Bruto).
Ex
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Introdução
Mas afinal, o que é Macroeconomia?
De acordo com Mankiw (2008), a Macroeconomia é o estudo da economia 
em sua totalidade, incluindo o crescimento em termos de renda, as variações 
nos preços e na taxa de desemprego. Procura oferecer políticas para melhorar 
o desempenho econômico e explicar os eventos econômicos. Blanchard (2007) 
define a Macroeconomia como o estudo de variáveis econômicas agregadas. Já 
Krugman e Wells (2007), no glossário de seu livro, definem Macroeconomia 
como o ramo da economia que trata da expansão e da retração da economia 
em geral. Froyen (2005) define a Macroecnomia como o estudo dos “negócios 
comuns da vida” de forma agregada, isto é, observando o comportamento da 
economia. Dornbusch e Fischer (2006) colocam que a Macroeconomia trata do 
comportamento global da economia com períodos de recessão e recuperação. 
Importante!
A macroeconomia é um segmento da ciência econômica que se preocupa em explicar 
como a sociedade se organiza para produzir e distribuir riqueza, ou seja, é responsável 
pelo estudo do comportamento e da determinação dos agregados econômicos. Também 
aborda os fenômenos que atingem a economia em sua totalidade, tais como, infl ação, 
desemprego, taxa de câmbio etc.
Em Síntese
Houve um tempo em que ocorreu uma matematização da economia, período 
em que se acreditava que a economia poderia ser explicada como a física, ou seja, 
a partir das leis da matemática, ignorando as aplicações práticas. O que podemos 
afirmar é que a Macroeconomia pertence ao campo das Ciências Sociais Aplicadas, 
isto quer dizer que são as aplicações que justificam a sua razão de ser.
Segundo Keynes, um economista precisa ser matemático, historiador, estadista, 
filósofo e tão alienado e tão incorruptível quanto um artista, embora algumas vezes 
tão próximo do planeta Terra quanto um político (MANKIW, 2008).
Indispensável compreendermos que cada governo e cada período histórico 
apresentam problemas econômicos diferentes, uma hora é a inflação, a 
recessão, balança comercial, queda do PIB. Vemos assim que de nada vale uma 
definição abrangente se, dependendo da situação, o problema se apresenta de 
uma forma diferente.
Ironicamente, por vezes você ouvirá que as previsões macroeconômicas se 
equiparam às meteorológicas, mas sempre damos ouvidos ao que a mídia anuncia 
sobre a previsão do tempo. No entanto o papel da previsão funciona como a 
busca pelo equilíbrio, evitando, por exemplo, que a euforia do consumo leve a 
9
UNIDADE Introdução à Macroeconomia
economia para uma inflação incontrolável; em momentos de recessão procuram 
favorecer certos tipos de atividades etc. Toda e qualquer ação econômica apresenta 
vantagens e desvantagens, ou seja, “não existe almoço grátis”, sejam no curto ou 
no longo prazo os custos serão cobrados. É necessário reconhecermos as limitações 
da nossa disciplina. Importante é pensar exaustivamente e criticamente sobre as 
possíveis ações de condução da economia, claro que sempre procurando acertar.
O Nascimento da Macroeconomia
Em se tratando do surgimento da nossa disciplina é muito importante relatar 
o que aconteceu após a crise de 1929 que foi um marco no desenvolvimento da 
Macroeconomia. Veja só por quê:
Mercado, onde Começa?
As informações sobre a saúde econômicadas 
Adam Smith (1723 - 1790)
Fonte: Wikimedia / Commons
nações começaram a ser coletadas a partir de 
1850. No entanto em 1776, Adam Smith em 
sua obra referencial A Riqueza das Nações. 
(An Inquiry into the Nature and Causes of the 
Wealth of Nations). Esse título já prenunciava 
que a riqueza de uma nação não era determinada 
pelo acúmulo de metais, o que caracterizou o 
período mercantilista, mas pela organização 
social baseada na divisão do trabalho a nas 
motivações pessoais de seus cidadãos. A partir 
daí e evolução da ciência econômica cria a 
figura de vários mercados que teriam seu 
equilíbrio sempre garantido. Nesses mercados 
duas quantidades buscam esse equilíbrio: 
quantidades de itens e preços destes itens, que 
podem ser: bens e serviços, moeda, câmbio, títulos e mão de obra (ou trabalho).
Importante!
Numa conceituação mais ampla, mercado pode ser entendido como uma construção 
social, como um espaço de interação e troca, regido por normas e regras (formais 
ou informais), onde são emitidos sinais (por exemplo, os preços) que influenciam as 
decisões dos atores envolvidos. 
Importante!
A seguir, explicamos cada um desses mercados e também comentamos como 
mantinham o equilíbrio no passado. Com certeza você vai entender! Vejamos:
10
11
 · Mercadode bens e serviços: eram estabelecidos as quantidades e 
os preços de equilíbrio de bens e serviços em mercados individuais: o 
somatório de todos os mercados de bens e serviços resultava em um 
grande hipotético mercado, cujas leis de oferta e procura determinavam o 
produto da economia (quantidades totais) e o nível geral de preços (uma 
espécie de índice de preço médio de todas as mercadorias e serviços).
 · Mercado de moeda: eram estabelecidas as quantidades totais de moeda 
em circulação e a taxa de juros (o preço do dinheiro). No passado, era 
vigente o padrão ouro, ou seja, toda moeda em circulação deveria estar 
lastreada (assegurada, respaldada, duplicada) por igual quantidade 
de ouro em depósito ao governo. Isto dava certa rigidez à quantidade 
de moeda que poderia circular e ser emitida. Havia também a Teoria 
Quantitativa da Moeda (TQM), ou seja, a noção de que a quantidade de 
produto gerado ao longo de um ano na economia tinha forte correlação 
com a quantidade de moeda existente.
 · Mercado de câmbio: em função do padrão ouro, as transações 
internacionais eram feitas fisicamente com este metal. Cada país fixava o 
preço de suas mercadorias na sua moeda interna e esta tinha uma base 
fixa de troca por ouro.
 · Mercado de títulos: era pouco sofisticado, envolvia principalmente os 
títulos emitidos pelos governos. Nesses mercados eram estabelecidas as 
quantidades totais de títulos negociados e o seu preço. Existiam ainda as 
operações bancárias simples como empréstimos e desconto de duplicatas. 
O equilíbrio entre os agentes superavitários da economia e os deficitários 
se realizava nos mercados de títulos de maneira simples, por meio da 
Teoria dos Fundos Emprestáveis.
A TFE tem origem no trabalho de Irving Fisher (1930) que analisou a determinação da taxa 
de juros numa economia verifi cando a razão pela qual os indivíduos poupam (isto é, não 
consomem toda a sua renda ou recursos correntes) e porque outros tomam emprestado. 
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 · Mercado de trabalho: nesse mercado era estabelecida a quantidade total 
de trabalhadores dispostos a trabalharem e o seu salário, ou seja, o preço 
do trabalho. Esse mercado de mão de obra era o somatório de mercados 
particulares de cada setor agrícola, industrial e de serviço. À época, a 
atividade econômica promovia o pleno emprego, arregimentando, 
inclusive, mulheres e crianças de cada domicílio que pudessem 
complementar a oferta de mais mão de obra diante de sua inesgotável 
demanda, como ocorreu na primeira e segunda revoluções industriais.
Vejamos agora os mecanismos de mercado, como funcionam?
Um economista famoso, Jean Baptiste Say criou uma máxima, segundo ele a 
oferta gera a sua própria demanda. A economia sempre estaria em equilíbrio e em 
11
UNIDADE Introdução à Macroeconomia
pleno emprego à medida que houvesse produção, ou seja, tudo que é produzido é 
vendido. Conhecida como a Lei de Say, em suma, eis a; 
Lei de Say: a oferta (venda) de X cria a demanda por (pela compra de) Y.
Pela teoria clássica a partir da Adam Smith, Mills, Marshall e Say os vários 
mercados buscariam o equilíbrio e haveria sempre o pleno emprego, teoricamente. 
No entanto, a partir do início da coleta de dados da estatística econômica, os 
economistas começaram a perceber que existiam ciclos econômicos de expansão 
e retração da economia. Esses ciclos originavam as crises, cujos efeitos eram o 
crescimento do desemprego, a fome e a falência das organizações. 
Com o Crash da Bolsa de Nova Iorque em Outubro de 1929, os economistas 
passaram a emitir um conjunto de respostas totalmente contrárias ao que hoje 
se esperaria para a solução de um tipo de crise como aquela. Propunham 
os economistas: 
 · o incentivo para que os governos mantivessem os seus orçamentos equilibrados 
com despesas de acordo com suas receitas. As receitas tributárias estavam 
diminuindo devido à crise econômica e consequentemente as despesas 
governamentais deveriam ser reduzidas no mesmo ritmo;
 · o aumento dos percentuais de impostos para contrabalançar a diminuição 
de arrecadação;
 · a estabilidade no valor da moeda para evitar a inflação que poderia ser 
mais um complicador na gestão da economia;
 · o incentivo à poupança pessoal como forma de cada indivíduo prevenir-
se diante de um possível agravamento da crise;
 · a liberdade total de mercado com nenhuma intervenção governamental 
para permitir que a economia voltasse o mais rapidamente possível ao 
seu equilíbrio, promovendo a sua correção de maneira natural;
 · as barreiras alfandegárias e de proteção à economia de cada país 
envolvido, na expectativa de que isto aumentasse a demanda por bens 
produzidos internamente no país;
 · postergação dos investimentos na busca de um cenário econômico 
mais promissor no futuro entesourando recursos que poderiam estar em 
circulação; e
 · a quebra de instituições bancárias com a consequente diminuição 
do crédito bancário, acreditando que com isso fossem permanecer no 
mercado apenas as organizações mais sólidas.
Como vimos, políticas econômicas que por ventura viessem a ser aplicadas 
seguindo essa lógica só iriam aprofundar a crise. Dois fatores, entretanto tornaram 
possível a recuperação econômica na época: 
12
13
a) assessores econômicos no governo que acreditavam que este deveria ser 
um papel preponderante da economia, tomando suas rédeas, intervindo, 
promovendo o consumo e o investimento; 
b) o outro fator foi o prenúncio da Segunda Guerra Mundial que determinou 
um aumento na demanda em decorrência dos preparativos para a Guerra.
Paralelo a tudo isso, em 1936, foram formalizadas as ideias de Keynes que 
se aplicadas naquele momento poderiam ter antecipado a recuperação dos 
EUA, da Europa e do resto do mundo. Assim as ideias keynesianas assumiam o 
formato de uma teoria econômica abrangente, fruto dos problemas emergentes 
naquela época.
John Maynard Keynes foi um economista 
britânico cujas ideias mudaram fundamental-
mente a teoria e prática da macroeconomia, 
bem como as políticas económicas instituídas 
pelos governos. 
Nascimento: 5 de junho de 1883, Cambridge, 
Reino Unido
Falecimento: 21 de abril de 1946, morre 
em Tilton, no Reino Unido, aos 62 anos.
John Maynard Keynes
Fonte: Wikimedia / Commons
Macroeconomia Moderna
Alguns fatores condicionaram o surgimento dessa
Alfred Marshall (1842 – 1924)
Fonte: Wikimedia / Commons
 
nova disciplina no campo da economia. Keynes 
participou de grandes acordos internacionais que 
visavam às reparações de guerra do primeiro confli-
to mundial de 1914 a 1918. Embalado pela efer-
vescência acadêmica de sua posição na Universida-
de de Cambridge (ocupava a mesma cátedra que 
tinha tido como titular Alfred Marshall) testemunhou 
a amigos que acreditava estar escrevendo algo que 
revolucionaria a teoria econômica até então. 
A sua previsão estava certa e isto foi o que re-
almente aconteceu quando de sua publicação em 
1936, apesar de ser um livro de difícil leitura e 
sujeito a interpretações. Esta dificuldade e ambi-
guidade fizeram com que a operacionalização de 
sua teoria levasse algum tempo até que fosse via-
bilizada. Assim quando ela efetivamente estava pronta já não era mais necessária, 
pois o mundo já havia voltado ao pleno emprego e ao crescimento do produto, 
diante do esforço preparatório para a Segunda Guerra Mundial. 
13
UNIDADE Introdução à Macroeconomia
Contudo, o keynesianismo passou a dominar a agenda acadêmica nas décadas 
de 1940 e 1950, tendo encontrado aplicações práticas através dos consultores 
econômicos do governo Kennedy no início dos anos de 1960. Seu declínio ocorreu 
com o surto de grandes inflações do final da década de 1960 e início de 1970 em 
função da persistência da operação da economia ao pleno emprego e dos choques 
do petróleo. 
Objetivos da Macroeconomia
Os principais objetivos da macroeconomia, ou digamos, da política 
macroeconômica, são aqueles que visam estabilizar as variáveis abaixo, determinar 
seu crescimento, atingir metas que possam serconsideradas saudáveis, como certo 
nível de desemprego etc. 
 · Produto Interno Bruto (PIB).
 · Taxa de inflação.
 · Taxa de juros.
 · Taxa de Câmbio.
 · Taxa de desemprego.
Produto Interno Bruto (PIB): É a medida do produto agregado que podemos 
considerar sob a ótica do produto (produto agregado) ou sob a ótica da renda (renda 
agregada), sendo assim, o produto agregado e a renda agregada são sempre iguais.
 · Sob a ótica do produto: o PIB é igual ao valor dos bens e serviços finais 
produzidos na economia em um dado período;
 · Ainda sob a ótica do produto: o PIB é a soma dos valores adicionados na 
economia em um dado período;
 · Sob a ótica da renda: o PIB é a soma das rendas na economia em um dado 
período. (BLANCHARD, 2007).
Importante!
PIB nominal e real
O PIB nominal é a soma das quantidades de bens finais multiplicada por seus preços 
correntes ( os economistas usam o termo “nominal” para as variáveis expressas em 
preços correntes); Logo, o PIB nominal sempre aumenta pois a maioria dos preços dos 
bens aumentam assim como a maioria da produção aumenta ao longo do tempo. 
Agora, se pretendemos medir a produção e sua variação ao longo do tempo, precisamos 
eliminar o efeito do aumento dos preços. Isso é possível quando multiplicamos a soma 
das quantidades de bens finais pelos preços constantes, obtendo assim o PIB real.
Importante!
Por ser uma medida da atividade agregada, o PIB é a principal variável 
macroeconômica. 
14
15
Taxa de Inflação
A inflação é uma elevação sustentada do nível geral de preços na economia 
(nível de preços). A taxa de inflação é um percentual que mede a variação de 
preços durante um determinado período de tempo, mensal, semestral, anual, 
por exemplo.
Taxa de juros
Em sua essência, são os preços que vinculam o presente ao futuro, ou seja, 
é a taxa de crescimento do capital ou ainda, a taxa de lucratividade recebida 
num investimento.
Os economistas chamam de taxa de juros nominal aquela paga pelo banco, 
enquanto que a taxa de juros real seria o aumento em seu poder de compra. 
Sendo assim a taxa de juros real é a diferença entre a taxa de juros nominal e a 
taxa de inflação.
Taxa de câmbio
É o preço de uma moeda estrangeira medido em unidades ou gerações da moeda 
nacional. No caso do Brasil, a moeda estrangeira mais negociada é o dólar norte 
americano e a cotação mais utilizada é referenciada nessa moeda.
A taxa de câmbio nominal corresponde ao preço relativo das moedas correntes 
de dois países. Por exemplo, se a taxa de câmbio entre o dólar americano e o 
real é de R$ 3,50 para cada dólar, isso quer dizer que você pode trocar um dólar 
por R$ 3,50;
A taxa de câmbio real corresponde ao preço relativo dos bens de dois países. 
Portanto, a taxa de câmbio real nos informa a taxa com a qual podemos trocar 
bens de um país por bens de outro país. Essa taxa é também denominada, às vezes, 
de termos de comércio ou termos de troca.
Taxa de desemprego
O desemprego é um dos problemas macroeconômicos mais preocupantes, pois 
afeta as pessoas de modo mais direto e cruel. Não é surpreendente que a questão 
do desemprego seja um tópico frequente no debate político. 
A taxa de desemprego é relação entre o número de pessoas desocupadas 
(procurando trabalho) e o número de pessoas economicamente ativas num 
determinado período de referência.
Em uma economia sempre existe algum desemprego. A esse fenômeno damos 
o nome de taxa natural de desemprego, ou seja, é a taxa média de desemprego 
em torno da qual a economia gravita no longo prazo, consideradas todas as 
imperfeições do mercado de mão-de-obra que empreendem os trabalhadores de 
encontrar emprego instantaneamente. 
15
UNIDADE Introdução à Macroeconomia
O gráfico acima demonstra a variação da taxa de desemprego no período 
compreendido entre Janeiro de 2012 e final de 2015. Percebemos a tendência de 
crescimento dessa taxa no final do período.
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) é uma fundação pública da 
administração federal com inúmeros dados estatísticos, indicadores e informações 
relacionadas as questões macroeconômicas no Brasil. 
Acesse: https://goo.gl/80eVaa
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Lei de Okun 
Arthur Okun foi um economista americano que desenvolveu essa teoria quando 
trabalhava no Comitê de Conselheiros Econômicos do presidente norte americano 
John Kennedy. É uma teoria que relaciona o crescimento do Produto Interno Bruto 
à variação do desemprego. É uma relação inversa, segundo a qual existe uma 
relação linear entre as mudanças na taxa de desemprego e o crescimento do PIB: 
a cada ponto percentual de diminuição do desemprego, o PIB real cresce em 
3%. Essa lei está baseada em dados da década de 1950 e é válida para taxas de 
desemprego entre 3 e 7,5%.
Você poderá se aprofundar mais no conhecimento da Lei de Okun consultado o livro: 
MANKIW, N. Gregory. Macroeconomia, 6 ed. Rio de Janeiro: LTC, 2008, págs.188-190) Ex
pl
or
Tendo como base o que vimos, podemos concluir que a política macroeconômica 
tem como objetivos principais atingir a menor taxa de desemprego possível, buscar 
manter a taxa de inflação no menor patamar possível, procurar uma distribuição de 
renda mais justa e estimular a economia visando o crescimento econômico.
16
17
Instrumentos da Macroeconomia
Como acabamos de ver, a macroeconomia tem objetivos complexos e para 
atingir esses objetivos a política macroeconômica conta com alguns instrumentos.
Os principais instrumentos de política macroeconómica utilizados para atin-
gir os objetivos apresentados anteriormente são a política monetária e a polí-
tica orçamental. No caso da política monetária são utilizados instrumentos que 
permitem controlar a oferta de moeda e, por essa via, influenciar as taxas de juro 
praticadas no mercado. Quanto à política orçamental, são utilizados os dois instru-
mentos orçamentais controlados pelo Estado, nomeadamente a despesa pública e 
os impostos.
 · Política fiscal.
 · Politica monetária.
 · Política cambial e comercial.
 · Política de Rendas.
Fonte: iStock/Getty Images
Política Fiscal
Corresponde a todos os instrumentos de que o governo dispõe para a 
arrecadação de tributos (política tributária) e controlar suas despesas (política de 
gastos). É fundamental que a política fiscal seja controlada por regras fixas, como 
por meio de uma exigência constitucional de um orçamento equilibrado, ou pelos 
critérios dos formuladores de politicas.
17
UNIDADE Introdução à Macroeconomia
A política de estabilização fiscal é conduzida pelo governo federal, Estados e 
municípios têm capacidade limitada de incorrer em déficits orçamentários. Tanto 
o nível de gastos estaduais e municipais como suas receitas são determinados por 
necessidades locais e pelo estado da economia, em lugar de serem definidos com a 
finalidade de atingir objetivos macroeconômicos.
Se olharmos para as políticas que visam à estabilização econômica, devemos 
levar em conta três tipos de itens que podem ser alterados para afetar as variáveis 
que são objetivos da política macroeconômica: compra de bens e serviços por 
parte do governo federal; transferências do governo (incluindo concessões de 
verbas a Estados e municípios) e arrecadação tributária. A política fiscal apresenta 
maior eficácia quando o objetivo é uma melhoria na distribuição de renda, pelo 
fato de taxar as rendas mais altas ou aumentar os gastos do governo em setores 
menos favorecidos. 
Política Monetária
A política monetária consiste na atuação do governo, por intermédio do Banco 
Central (Bacen) sobre a quantidade de moeda e títulos públicos que circulam no 
mercado e, em geral, as condições de crédito.
A política monetária pretende influir na atividade econômica, atuando sobre o 
gasto total da economia e, mais especificamente, sobre o gasto das famílias e sobre 
os investimentos das empresas. 
Os instrumentos de política monetária são os seguintes: 
 · Emissões de moeda: É o Banco Central (Bacen) que controla, por força 
de Lei, a emissão demoeda;
 · Reservas compulsórias ou obrigatórias (corresponde ao percentual sobre 
os depósitos que os bancos comerciais são obrigados a depositar no Bacen, 
se o Bacen aumenta ou diminui o percentual de depósito compulsório, há 
uma alteração significativa na oferta de moeda;
 · Mercado aberto ou open market (compra e venda de títulos públicos). 
Quando o Bacen compra títulos públicos no mercado de capitais, ele 
aumenta a oferta monetária, quando vende a diminui;
 · Redescontos (empréstimos que o Bacen disponibiliza aos bancos 
comerciais);
 · Regulamentação sobre crédito e taxa de juros (ocorre pela política de juros, 
controle de prazos e regras para o financiamento aos consumidores). No 
Brasil, a taxa Selic (Sistema de Liquidação e Custódia) também configura 
aumento ou diminuição da oferta monetária, taxa de juros menor, maior 
oferta de moeda e vice-versa. 
Podemos destacar dois tipos de política monetária: a expansionista e 
a contracionista;
18
19
A política monetária expansionista ocorre quando houver uma redução no 
percentual dos depósitos compulsórios, recompra de títulos ou diminuição da 
regulamentação do mercado de crédito, com redução da taxa de juros.
A política monetária contracionista é caracterizada por restrições de crédito, 
aumento da taxa de juros e aumento dos compulsórios sobre os depósitos dos 
bancos comerciais.
A política monetária é um dos instrumentos mais utilizados pelo governo visando 
o controle da inflação e isso é possível com políticas de redução de circulação 
monetária; restrição ao crédito; elevação da taxa de juros; aumento da taxa de 
reservas compulsórias e compra de títulos no open market, por exemplo.
Importante!
O Banco Central é o instrumento pelo qual o governo federal controla o sistema fi nanceiro 
do país, logo, é por intermédio dele que o governo intervém na economia. Portanto é 
papel do Banco Central zelar pela estabilidade da moeda por meio do controle dos meios 
de pagamento. Essa estabilidade consiste na manutenção do seu valor, tanto em relação 
às moedas estrangeiras, por meio da taxa de câmbio, como com relação às mercadorias 
produzidas no país.
Importante!
Política Cambial e Comercial
A politica cambial e comercial é um tipo de política externa, pois atua sobre as 
variáveis relacionadas ao setor externo da economia. A política cambial, como o 
próprio nome diz, está relacionada à atuação do governo sobre a taxa de câmbio, 
já a política comercial diz respeito aos instrumentos de estímulo às exportações, 
assim como ao controle ou abertura das importações.
É bom deixar claro: Uma taxa de câmbio elevada quer dizer que o preço da 
moeda estrangeira está elevado, no nosso caso o dólar, ou que a moeda nacional, o 
real, está desvalorizada; por outro lado quando usamos a expressão desvalorização 
cambial, queremos dizer que a taxa de juros aumentou, mais reais por unidade para 
adquirir uma unidade de moeda estrangeira.
Outra forma recorrente pela qual expressamos essa relação moeda nacional-
moeda estrangeira é a seguinte:
Se a cotação da moeda estrangeira aumenta diz-se que ocorreu depreciação da 
moeda nacional, agora se a cotação da moeda estrangeira diminui diz-se que houve 
uma apreciação cambial da moeda nacional.
A atuação do governo sobre a taxa de câmbio ocorre com a atuação do Banco 
Central se resume a duas situações:
A determinação de uma taxa de câmbio fixa, quando ocorre a intervenção das 
autoridades monetárias.
19
UNIDADE Introdução à Macroeconomia
Temos o caso da taxa de câmbio flexível, quando esta é determinada pelo 
mercado de divisas, caso específico da política cambial brasileira na atualidade.
Quanto à política comercial, esta é fomentada pelos instrumentos de estímulo 
ou desestímulo as exportações e importações.
Quando falamos em política comercial de um país, estamos nos referindo 
às decisões do governo que afetam as entradas e saídas de divisas do país em 
termos de transações comerciais (tarifas de importação, estabelecimento de quotas, 
incentivos à exportação etc.).
Podemos destacar como estímulos fiscais e creditícios às exportações a isenção 
de impostos; o crédito subsidiado; as taxas de juros subsidiados etc.; e como controle 
das importações as tarifas e barreiras sobre importações.
Outro fator que influi na política comercial é a taxa de câmbio, por exemplo: 
A apreciação cambial (quando há uma queda nos preços estrangeiros, queda do 
preço do dólar), isso reduz a competitividade dos produtos brasileiros no exte-
rior, dificultando as exportações brasileiras. Por outro lado, uma depreciação cam-
bial, aumento do valor do dólar em relação ao real, aumenta a competitividade 
dos produtos brasileiros no exterior e pode influenciar positivamente as exporta-
ções brasileiras.
Política de Rendas
É a política exercida pelo governo que visa estabelecer controles sobre a 
remuneração dos fatores diretos de produção envolvidos na economia do país, 
podemos citar como exemplos dessa política aquelas que afetam salários, 
depreciações, lucro, dividendos e preços de produtos intermediários e finais. 
Os principais objetivos dessa política seriam: propiciar ganhos de poder aquisitivo 
dos salários, no caso de controle de outros preços; redistribuição de renda; reduzir 
o nível das tensões inflacionárias buscando a estabilização de preços.
Oferta e Demanda Agregada
Dando prosseguimento à nossa incursão pelos caminhos da Macroeconomia, 
dois conceitos muito importantes precisam ser bem apropriados por você: São os 
conceitos de Demanda Agregada (DA) e Oferta Agregada (OA), acompanhem-me:
Demanda agregada (DA) significa a totalidade de bens e serviços (demanda total) 
que numa determinada economia os consumidores, as empresas e o Estado, estão 
dispostos a comprar, a um determinado nível de preço e em determinado momento.
Na economia de um país, a demanda agregada representa o gasto total com a 
compra de bens e serviços que serão adquiridos, para cada nível de preço. Está 
20
21
relacionada com o total da produção, PIB (Produto Interno Bruto) de um país 
quando os seus níveis de estoque são estáveis.
A demanda agregada depende de alguns fatores como: política monetária e 
fiscal, da renda em poder dos consumidores disponível para consumo, dos impostos 
a que estão sujeitos, dos gastos públicos efetuados pelo Estado, entre outros.
A curva de demanda agregada revela a quantidade de bens que os consumidores 
desejam comprar em cada nível de preço. Tem inclinação negativa devido aos 
efeitos da renda, da taxa de juros e da taxa de câmbio.
Na figura abaixo, demonstramos como podemos representar graficamente a 
Curva de Demanda Agregada (DA) levando-se em consideração o nível geral de 
preços (P) numa economia e o Produto real. (Y).
A Oferta Agregada (OA) representa o que as empresas, no seu conjunto, estão 
dispostas a produzir e a vender para cada nível geral de preços, assumindo como 
constantes todas as restantes variáveis determinantes da oferta agregada tais com 
as tecnologias disponíveis e as quantidades e preços dos fatores produtivos.
A curva de oferta relaciona o preço e a quantidade oferecida de determinado 
bem ou serviço. No longo prazo, a curva de oferta agregada é vertical e no curto 
prazo ela possui inclinação positiva. 
Conjugada com a demanda agregada, a oferta agregada permite encontrar o 
equilíbrio macroeconômico, ou seja, uma situação em que tanto o PIB real quanto 
o nível geral de preços satisfazem compradores e vendedores.
A Oferta Agregada pode ser representada num gráfico em que num dos eixos 
é representado o nível geral de preços (P) e no outro o produto (ou PIB) real 
(Q). Neste gráfico, a Oferta Agregada surgirá como uma curva com inclinação 
positiva, o que significa que a quantidade que as empresas desejam produzir e 
vender aumenta quando aumenta o nível geral de preços.
21
UNIDADE Introdução à Macroeconomia
Na figura abaixo, representamos graficamente a Curva de Oferta Agregada (OA)
Mas longo prazo? Curto prazo? Como podemos determinaro que é longo ou 
curto no decorrer do tempo? Vamos lá!
Para podermos melhor explicar as diferenças nas análises entre o curto e o 
longo prazo é importante considerarmos as diversas classificações e nomenclaturas 
existentes na literatura. 
O curto prazo é o período de tempo em que apenas uma variável do modelo 
econômico é alterável, permanecendo as demais de forma constante. É tipicamente 
um período que vai de seis meses a três anos. 
O longo prazo é o período de tempo em que todas as variáveis podem mudar menos 
a base tecnológica e institucional da sociedade. É um período que vai de três a 
dez anos. Por fim, os prazos ligados ao desenvolvimento tecnológico são aqueles 
que assistem a mudança da base tecnológica da sociedade e de suas instituições, 
compreendendo períodos de dez a 50 anos. Para citarmos apenas dois autores, 
Mankiw (2008) dá a esta periodização o nome de curto, longo e longuíssimo prazo; 
Blanchard (2007) prefere chamar de curto, médio e longo prazo.
 Como estamos tratando do ambiente macroeconômico, precisamos agregar 
todos os produtos individuais distribuídos pelos fabricantes e prestadores de 
serviços numa suposta grande cesta. A tudo isso que foi produzido nessa economia 
dá-se o nome de produto agregado (Y), seja quando falamos de curto ou longo 
prazo. Agora, quando nos referimos ao valor global desta nossa suposta cesta, 
ou seja, quanto estes produtos valem sob o ponto de vista de preços de mercado, 
chamamos de nível geral de preços (P).
22
23
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Vídeos
Economia
Noções básicas de Macroeconomia, Produto Agregado, PIB, Política Fiscal, Política 
Monetária, Políticas Cambial e Comercial, Fluxo Circular de Renda.
https://goo.gl/blTiFh
Economia
Setor Externo: Globalização, Transações Comerciais Internacionais, Taxa de Câmbio, 
Regimes de Câmbio Fixo e Flutuante.
https://goo.gl/2ysdLa
 Livros
Macroeconomia
PARKIN, Michael. Macroeconomia. 5 ed. São Paulo: Addison Wesley, 2003.
Macroeconomia
ABEL, A; B.; BERNANKE, B. S.; CROUSHORE, D. Macroeconomia. São Paulo: 
Pearson Prentice Hall, 2008.
23
UNIDADE Introdução à Macroeconomia
Referências
BLANCHARD, O. J. Macroeconomia. 4. ed. , v. ,São Paulo: Prentice Hall, 2007.
DORNBUSCH, R.; FISHER, S. Macroeconomia. 5. ed. , v., São Paulo: Pearson 
Makron Books, 2006.
FROYEN, Richard T. Macroeconomia. 5. ed. São Paulo-SP: Saraiva, 2005.
LOPES, L. M.; VASCONCELLOS, M. A. S. Manual de Macroeconomia: Nível 
Básico e Nível Intermediário. 2. ed. , v.,São Paulo: Atlas, 2000 
MANKIW, N. Gregory. Macroeconomia. 6. ed.,Rio de Janeiro: LTC-Livros 
Técnicos e Científicos, 2008.
24
Macroeconomia
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof. Esp. Valdécio Silvério Bezerra
Revisão Textual:
Profa. Ms. Fátima Furlan
A Escola Clássica
• Principais pressupostos
• Produção e Emprego
• Produto e Emprego de Equilíbrio
• Moeda, Preços e Juros
• O Governo e a Política Fiscal no Modelo Clássico
 · Nessa unidade, continuamos o estudo da Macroeconomia tendo 
agora como tema o Modelo Clássico e sua contribuição ao desenvol-
vimento da teoria macroeconômica. Procuramos assim inserir você, 
aluno, no estudo da macroeconomia sob a ótica da Escola Clássica 
discutindo seus conceitos básicos como produção e emprego, oferta 
e demanda agregada; noções referentes à poupança, investimentos, 
taxa de juros e política monetária e fiscal e o que os clássicos pensam 
sobre a ação do Governo no processo econômico.
OBJETIVO DE APRENDIZADO
A Escola Clássica
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Não se esqueça 
de se alimentar 
e se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja uma maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas: 
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e 
horário fixos como o seu “momento do estudo”. 
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar, lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo.
No material de cada Unidade, há leituras indicadas, dentre elas: artigos científicos, livros, vídeos e 
sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você também 
encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua 
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados.
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discussão, 
pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato 
com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e aprendizagem.
UNIDADE A Escola Clássica
Contextualização
Uma revolução acontecia sob todos os aspectos ao término do século XVIII 
e transcorrer do XIX. Seja quando nos reportamos ao contexto das ideias, das 
relações sociais e principalmente das relações econômicas. 
O que vai nortear nossa preocupação aqui é entender as teorias econômicas que 
começam e ser desenvolvidas nesse período, como se estruturaram e influenciaram 
o pensamento macroeconômico no seu surgimento. 
Novas relações econômicas se estruturam com uma complexidade específica 
impondo situações que requeriam respostas e estas começavam a ser pensadas 
para esse novo contexto. 
Nessa Unidade, todas essas problematizações e situações serão estudadas, 
ao final você compreenderá como foi importante esse período para todo o 
desenvolvimento da teoria macroeconômica e a influência, que até hoje, o 
pensamento representado pela Escola Clássica exerce sobre as teorias econômicas 
contemporâneas. Preparado? Então vamos lá!
8
9
Principais Pressupostos
A economia clássica surgiu como uma resposta à ortodoxia representada pelo 
conjunto de doutrinas econômicas conhecidas como mercantilismo.
Ortodoxia: um modelo de pensamento econômico predominante representado por um 
determinado conjunto de ideais e teorias.Ex
pl
or
Os principais dogmas mercantilistas atacados pelos teóricos clássicos foram: o 
metalismo que defendia o seguinte princípio: o que determina o poder e a riqueza 
de uma nação era os seus estoques de metais preciosos; o outro dogma combatido 
estava relacionado à necessidade de intervenção do Estado direcionando o 
desenvolvimento do sistema capitalista.
Os economistas clássicos, contrariamente aos mercantilistas, enfatizam a 
importância dos fatores reais na determinação da riqueza das nações assim como 
as tendências otimizadoras do livre mercado e não intervenção e ausência do 
controle estatal nesse processo.
Os principais idealizadores desses princípios foram:
Adam Smith 
(1723 – 1790); 
Obra: A Riqueza das 
Nações (1776)
David Ricardo 
(1772 – 1823); 
Obra: Princípios de 
Economia Política (1817)
John Stuart Mill 
(1806 – 1873);
Obra: Princípios da 
Economia Política (1848)
Thomas Robert Malthus 
(1766 – 1834);
Obra: Um Ensaio Sobre o 
Princípio da População (1798)
Em suma, os economistas clássicos tinham como principais pressupostos a tese 
da existência de uma “Mão Invisível” capaz de eliminar as crises e a teoria do auto 
ajustamento dos mercados via preços e salários.
Segundo Adam Smith as pessoas aplicam o seu capital para que ele renda o 
máximo possível, sendo assim não leva em conta o interesse da comunidade e sim 
o seu próprio interesse, no entanto, o que o autor defende é que ao promover seu 
interesse pessoal o indivíduotermina por promover o interesse geral, o coletivo.
9
UNIDADE A Escola Clássica
Dessa forma ao perseguir o interesse pessoal o homem acaba por beneficiar a 
sociedade, guiado assim por uma espécie de “Mão Invisível”.
Ainda segundo essa teoria, o mercado tenderia ao equilíbrio, ou seja, ele se 
autorregula segundo a lei da oferta e da procura. Por exemplo, a inflação seria 
corrigida pelo equilíbrio forçada dos preços orientados pelo equilíbrio entre a oferta 
e procura conduzido pela Mão Invisível do mercado.
Produção e Emprego
Produção
Uma relação central no modelo clássico é a função produção agregada. Essa 
função produção teria como base a tecnologia das firmas. Essa relação se daria 
entre os níveis da produção e os níveis de insumos. Sendo assim, para cada nível de 
utilização de insumos, por meio da função produção teríamos um valor resultante 
da produção. 
Veja como podemos escrever essa função:
y = F (K, N)
Onde: y é a produção real, K é o estoque de capital (prédios e equipamentos) e 
N é a quantidade de mão-de-obra.
Por convenção, supomos que no curto prazo o estoque da capital seja fixo, 
em decorrência disso temos a barra sobre o símbolo da capital. O mesmo ocorre, 
supostamente, com a tecnologia e a população que permanecem constantes no 
curto prazo. 
Com base nesses pressupostos obtemos um primeiro enunciado: No curto 
prazo, o único fator que provoca a variação da produção é a alteração na utilização 
de mão-de-obra (N), oriunda da população que supostamente é fixa. 
Na Figura 1(a) abaixo, representamos, por meio de um gráfico, o produto 
que representa os efeitos da utilização eficiente de diferentes quantidades de 
mão-de-obra.
Podemos deduzir várias características interessantes de acordo com a função 
produção desenhada nesse gráfico.
Baixos níveis de emprego, (abaixo de N’), opõe-se que a função seja uma linha 
reta; o que isso significa, que mesmo com o aumento na utilização da mão-de-obra 
os retornos constantes na produção, ou seja, não se altera;
No intervalo entre N’ e N”, consideramos que qualquer acréscimo de mão-de-
obra resultam em aumentos da quantidade produzida;
10
11
Mas quando avançamos à direita de N” à medida que empregamos mais 
trabalhadores, mais mão-de-obra, a quantidade produzida passa a ter magnitudes 
progressivamente menores. Isso quer dizer que além de N’’, ao aumentarmos 
a utilização de trabalho, não produzimos e nenhum incremento na produção, 
interessante, não é? 
Agora na Figura 1(b), representamos um gráfico de variação da produção 
por alteração de mão-de-obra, definido como produto marginal do trabalho 
(PMgN). A curva do produto marginal do trabalho é a inclinação da função 
produção (Δy/ΔN) na Figura 1(a). Abaixo de N’, enquanto N cresce, a linha é 
reta, representando um produto marginal do trabalho constante. “Além de N’, o 
produto marginal do trabalho é positivo, mas decrescente diminuindo até que a 
curva encontre o eixo horizontal em N” (FROYEN, p. 48, 2005)
a. A função Produção
b O Produto Marginal do Trabalho
Figura 1 - As Curvas da Função Produção e do Produto Marginal do Trabalho
11
UNIDADE A Escola Clássica
A parte a é o gráfico da função produção, mostrando o valor de produção (y) para 
cada nível de emprego (N). À medida que o emprego sobe, a produção aumenta, 
porém a uma taxa decrescente. A inclinação da função produção (Δy/ΔN) é 
positiva, mas ela diminui à medida que avançamos pela curva. O produto marginal 
do trabalho (PMgN), ilustrado na curva da parte b do gráfico, é o incremento ao 
produto resultando do acréscimo de mais uma unidade de mão-de-obra. O produto 
marginal do trabalho é medido pela inclinação da função produção (Δy/ΔN), e é 
uma curva com inclinação negativa, quando traçada contra os níveis de emprego.
(O símbolo de diferenciação, Δ (delta), indica a variação no valor da variável que 
o segue, por exemplo, Δy é a variação de y) (FROYEN, p. 48, 2005)
Emprego
Você deve ter percebido quão importante é o conceito de produção para os 
economistas clássicos, e para o estudo macroeconômico, mas outro fator associado 
à produção exerce papel importante nesses estudos, o Emprego.
O que caracteriza a análise clássica do mercado de trabalho é a suposição de que 
este funciona harmoniosamente. Segundo essa máxima, tanto as firmas quanto o 
trabalhadores escolhem e agem de forma ótima, ou seja, não há obstáculos aos 
ajustes dos salários nominais, o mercado se equilibra se ajusta naturalmente.
Destacamos no capítulo anterior que para que a produção ocorra é preciso 
alocar mão-de-obra, é preciso trabalho. Agora vamos detalhar como isso acontece 
analisando a demanda por trabalho de uma firma individual. No modelo clássico, 
as firmas são perfeitamente competitivas e visam maximizar seus lucros otimizando 
as quantidades a serem produzidas.
No curto prazo, a produção só pode ser alterada por meio da variação na 
utilização do insumo trabalho, de modo que a escolha do nível de produção e a 
quantidade de trabalho constituem uma única decisão (FROYEN, p. 49, 2005).
Dessa forma uma firma perfeitamente competitiva buscará aumentar a sua 
produção até encontrar o ponto em que ocorre o equilíbrio entre o custo marginal 
de produção e a receita marginal recebida pela venda. Isso quer dizer que a 
receita marginal é igual ao preço do produto. O trabalho é o único fator variável 
da produção, determinando que o custo marginal de cada unidade adicionada à 
produção é o custo marginal do trabalho.
Para encontrarmos o custo marginal do trabalho, basta dividirmos o salário 
monetário pelo número de unidades produzidas por unidade adicional de mão-de-
obra. Parece complicado, mas não é, perceba:
O produto marginal do trabalho é definido como as quantidades produzidas por 
unidade adicional de mão-de-obra (PMgN), como já vimos. Assim o custo marginal 
de uma determinada firma (CMg1) é igual ao salário monetário ou nominal (W) 
dividido pelo produto marginal do trabalho para essa firma (PMgN1)
12
13
1
1
 
W
CMg
PMgN
=
Podemos deduzir então que a condição para que uma firma maximize seu lucro 
no curto prazo é que:
1
1
 WP CMg
PMgN
= =
Voltando ao que afirmamos anteriormente, ocorrerá a maximização do lucro 
quando o salário real (W/P) pago pela firma for igual ao produto marginal do 
trabalho (que é medido em unidades da mercadoria, isto é, em termos reais), 
representando na fórmula, temos:
1 
W PMgN
P
=
Para se aprofundar mais nesse assunto leia os capítulos sobre Produto e Emprego do livro de 
FROYEN, Richard T. Macroeconomia. 5.ed São Paulo: Saraiva, 2005Ex
pl
or
Produto e Emprego de Equilíbrio
A terminologia mais utilizada afirma que o produto, o emprego e o salário real 
são tidos como variáveis endógenas ao modelo clássico. Isso quer dizer que são 
variáveis determinadas dentro do modelo, ou por ele.
Ilustramos o equilíbrio do produto e emprego no contexto do modelo clássico 
na Figura 2.
Na parte (a) demonstramos no gráfico como ocorre o equilíbrio entre o emprego 
(N0) e do salário real (W/P)0, ou seja, no ponto de intersecção entre as curvas da 
demanda agregada por trabalho e da oferta total de trabalho.
Atingindo esse nível de trabalho de equilíbrio (N0), obtemos um nível de equilíbrio 
do produto (y0), que está definido pela função produção, representado na parte (b) 
da Figura 2.
13
UNIDADE A Escola Clássica
a. Equilíbrio no Mercado de Trabalho
b. Equilíbrio no Mercado de Trabalho
Figura 2 - A Teoria Clássica do Produto e do Emprego
A parte a ilustra a determinação do equilíbrio no mercado de trabalho 
ao nível de salário real (W/P)0, que iguala perfeitamente a oferta com a 
demanda por trabalho. O nível de equilíbrio de emprego resultante é N0. 
Uma vez determinado o nível de equilíbrio de emprego, achamos o nível 
de equilíbrio de produção, y0, na curva da função produção da parte b. 
(FROYEN, p. 56, 2005)
Agora vamos destacar alguns dos fatores fundamentais que determinam o 
produto e o emprego no modelo clássico.
Nesse modelo, os fatoresque determinam as posições das curvas de oferta e 
demanda por trabalho, assim como a posição da função produção agregada, são 
os que determinam a produção e o emprego, os fatores são:
Mudança de tecnologia; alteração do estoque de capital no decorrer do tempo. 
14
15
Concluímos assim que no modelo clássico, os níveis de produção e emprego 
são determinados exclusivamente por fatores associados à oferta, sendo 
assim o nível de demanda agregada não terá efeito sobre o produto.
Importante!
Duas suposições estão implícitas na representação clássica do mercado de trabalho:
1 Os preços e salários são perfeitamente fl exíveis e;
2 Todos os participantes desse mercado têm informação perfeita sobre os preços.
Importante!
As duas suposições acima são essências para a defesa da natureza do equilíbrio 
do emprego e do produto na teoria clássica, Keynes atacará esses elementos em 
sua teoria.
Moeda, Preços e Juros
A Teoria Quantitativa da Moeda
O que você precisa entender para determinar o nível de preços no modelo 
clássico? É necessário analisar o papel da moeda.
Na teoria clássica, a quantidade de moeda determina o nível de demanda 
agregada, que, por sua vez, determina o nível de preços.
Começamos com a equação de trocas, origem da teoria quantitativa da 
moeda (TQM).
O primeiro pensador a tratar a teoria quantitativa da moeda foi o filósofo 
David Hume no século XVIII, a fórmula abaixo é o ponto de partida da medida da 
velocidade de circulação da moeda.
M V = P Y
M = quantidade de moeda; V = velocidade de transação de moeda; P = nível geral de preços e;
Y = renda ou produto real. Como a velocidade é defi nida ex post, essa relação é uma identidade.
Segundo a TQM, um aumento do meio circulante provoca um aumento geral 
nos preços. Isso implica em que o poder aquisitivo da moeda seria inversamente 
proporcional ao seu montante em circulação. A equação acima nos diz que o 
produto da quantidade de moeda, legal e/ou escritura, pela sua velocidade de 
circulação, é igual à soma de todos os preços multiplicados pelo produto. 
No sistema clássico existe um vínculo direto entre moeda e preços, uma oferta 
excessiva de moeda causaria um aumento na demanda por mercadorias e exerceria 
pressão de alta sobre o nível de geral de preços.
15
UNIDADE A Escola Clássica
Demanda Agregada e Oferta Agregada
Para os economistas clássicos a moeda possui uma única função, meio de 
troca. Dessa forma, os agentes econômicos demandam moeda pelos motivos 
“transação” e “precaução”, ambos relacionados com a renda de forma positiva, 
não há a possibilidade de entesouramento. Utiliza-se a moeda para demandar 
bens e serviços. Portanto, um aumento no estoque de moeda aumenta a demanda 
agregada, deduzimos então que a TQM é ao mesmo tempo uma teoria de demanda 
por moeda e demanda agregada. 
Se o produto real é dado pela oferta, a única variável determinada pela demanda 
é o nível geral de preços. No modelo clássico, políticas monetárias expansionistas 
ampliam a demanda e, como a oferta é dada pelas condições reais, as únicas 
variáveis afetadas pela moeda são as nominais (preços). Na Figura 3, representamos 
a curva de demanda agregada no modelo clássico.
Figura 3 - Curva de Demanda Agregada Clássica
Importante!
Uma mudança na quantidade de moeda é o único fator que desloca a curva de demanda, 
ou seja, um aumento no estoque de moeda desloca a curva de demanda agregada para 
cima e para a direita, curva de DA1.
Importante!
A oferta agregada clássica se define de acordo com algumas hipóteses:
1. Completa flexibilidade de preços e salários: como os preços e salários 
são flexíveis, as forças de mercado tendem a equilibrar a economia a pleno 
emprego, sendo este o ponto em que a oferta e a demanda de mão-de-obra 
se igualam.
2. Neutralidade da moeda: como o nível de emprego é determinado pelas 
forças de mercado, a quantidade de moeda na economia afeta apenas o nível 
16
17
geral de preços, ou seja, as variáveis reais, bem como os preços relativos, não 
são afetados pela política monetária. 
3. Segundo a Lei de Say: a oferta cria sua própria demanda, sendo assim, 
a demanda agregada não é um fator determinante do nível de produto 
da economia.
Sendo assim a curva de oferta agregada clássica é vertical e atende à dicotomia 
clássica, uma vez que o nível de produto é independente da demanda agregada e, 
portanto, independe da oferta de moeda. Este nível de produto de longo prazo, Y, 
é chamado de nível de produto de pleno emprego: é o nível de produto no qual os 
recursos da economia estão plenamente empregados, ou, de forma mais realista, 
em que o desemprego está em sua taxa natural. A redução na demanda agregada 
afeta o nível de preços, mas não o nível do produto.
 
Figura 4 - Curva de Oferta Agregada Clássica
O aumento do estoque da moeda, de M0 para M1, desloca a curva de demanda agregada 
para a direita, de DA0 (M0) para DA1 (M1). O nível de preços aumenta de P0 para P1. No 
entanto, o produto que é determinado pela oferta, permanece inalterado (y0 = y1)
A Teoria Clássica (Poupança, Investimentos e Taxa de Juros)
Na teoria clássica a taxa de juros era aquela que garantia que o montante de 
fundos que os indivíduos desejavam emprestar fosse exatamente igual ao montante 
que os outros indivíduos desejavam tomar emprestado.
No entanto, a taxa de juros também influenciará na decisão da renda entre 
poupança e consumo, ou seja, uma escolha entre consumir hoje ou no futuro. O 
prêmio por essa espera é expressa no tamanho da taxa de juros que remunerará a 
poupança do indivíduo.
Quanto maior a taxa de juros mais caro será o consumo presente em termos do 
consumo futuro, dessa forma a poupança será estimulada.
17
UNIDADE A Escola Clássica
Você percebe que a poupança é estimulada positivamente com a taxa de juros 
alta, por outro lado, o consumo apresenta uma relação inversa com a taxa real de 
juros, à medida que ela aumenta o consumo diminui.
Podemos deduzir então que o volume de poupança corresponde à oferta de 
fundos no mercado financeiro, Quanto maior a taxa de juros, maior será a quantidade 
de recursos ofertados, Assim sendo, a função poupança será crescente, em 
relação à taxa de juros.
Aqueles que desejam investir buscam a demanda por fundos. Esse investimento 
corresponde ao acréscimo no estoque de capital numa economia específica, isso 
tem como objetivo ampliar a produção futura.
O custo do investimento é a taxa de juros que o agente paga para obter 
o empréstimo com o objetivo de adquirir um bem de capital, ou o custo de 
oportunidade, quando o detentor de recursos incorre ao não aplicar sua poupança 
em títulos e imobilizar esses recursos na produção.
No entanto, a produtividade marginal do capital é decrescente, isso quer dier 
que, para que o investimento se amplie, isto é, para que as empresas utilizem mais 
capital é necessário que a taxa real de juros reduza.
Conclui-se assim que a demanda de recursos no mercado financeiro é 
inversamente relacionada com a taxa de juros, o aumento desta incorre em 
diminuição dos investimentos.
Na Figura 5, demonstramos por intermédio de uma gráfico o equilíbrio entre 
poupança e investimento no modelo clássico.
Figura 5 - Equilíbrio entre Poupança e Investimento no Modelo Clássico
No gráfico representado na Figura 5 a taxa real de juros de equilíbrio (rE), o Investimento 
de equilíbrio (IE) e a Poupanças de equilíbrio (SE), são os valores de equilíbrio da taxa 
real de juros, dos investimentos e da poupança agregada
18
19
Duas conclusões podem ser deduzidas: a partir do exposto acima:
Primeiro: No modelo clássico, a taxa de juros não é afetada pela política 
monetária, esta ao afetar o nível de preços, pode afetar a taxa nominal de juros, 
mas não a real, não afeta também as decisões de poupança e investimentos 
na economia.
Segundo: O mercado financeiro é visto como do tipo concorrência perfeita, a 
flexibilidade da taxa de juros garante que a parcela da renda que não for consumida 
será investida, validando a Leide Say, isso porque não há obstáculos do lado da 
demanda à determinação do produto.
Com uma taxa de juros acima da (rE), onde ocorre a igualdade entre poupança e 
investimento, haverá pressão por parte dos poupadores pela aquisição de títulos e 
fará com que esta se reduza, incentivando o investimento e diminuindo a poupança 
até que ambas se igualem. Por outro lado se esta taxa estiver abaixo da (rE), haverá 
excesso por recursos (mais investimentos e menos poupança), provocando pressão 
por parte dos investidores para que a taxa de juros suba até que o mercado 
se equilibre.
O Governo e a Política Fiscal no 
Modelo Clássico
A política fiscal refere-se a alocação de recursos com base no orçamento público, 
sendo composta das decisões governamentais sobre gastos e tributação. Vamos 
partir da análise dos gastos do Governo nesse modelo.
O que você pode conceber como concreto é que o governo trabalha com uma 
restrição orçamentária, da mesma forma que você em sua casa, ou uma empresa. 
Essa limitação impede que o governo gaste mais do que arrecada.
O governo tem três fontes de recursos: a tributação, a venda de títulos ao público 
(empréstimos de recursos do público) ou o financiamento pela criação de moeda.
Suponha que, para efeito didático, a oferta de moeda seja fixa e a cobrança de 
impostos também. Com isso, ainda por suposição, o financiamento do aumento 
dos gastos do governo será financiado pela venda de títulos ao público.
Esse tipo de política não afetará os valores de equilíbrio do produto ou do nível 
de preços. Notamos isso ao construirmos as curvas de demanda e oferta agregadas 
e veremos como juntas determinam o produto e o nível de preços, sem referência 
ao nível de gastos do governo. “Como o produto não é afetado pelas mudanças 
nos gastos do governo, o emprego também não é afetado pelas mudanças nos 
gastos do governo, o emprego deverá permanecer inalterado” (FROYEN, p. 79, 
2005), Hipótese que mais tarde será contestado por Keynes.
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UNIDADE A Escola Clássica
Para que você entenda como isso ocorre, vamos examinar os efeitos de uma 
mudança nos gastos do governo sobre a taxa de juros.
A Figura 6 mostra o efeito provocado pelo aumento nos gastos do gover-
no financiado pela venda de títulos ao público sobre o mercado de fundos 
de empréstimos.
O déficit do governo é equivalente ao montante de aumento em seus gastos. 
Se não há déficit, a demanda por fundos de empréstimos corresponde somente 
ao financiamento dos investimentos privados, representado pela curva i na 
Figura 6. Ocorrendo o aumento nos gastos governamentais a demanda por fundos 
de empréstimos se desloca para a curva i + Δg na figura.
A distância do deslocamento horizontal da curva (Δg) mede a magnitude do 
aumento nos gastos do governo. Como o governo emite e vende títulos ao público 
ocorre um aumento na demanda por fundos de empréstimos. Isso provoca um 
excesso de agentes dispostos a tomar empréstimos com relação aos que estão 
dispostos a concedê-los à taxa inicial r0 e a taxa sobe para r1.
Figura 6 - Efeito do Aumento nos Gastos do Governo (Modelo Clássico)
O aumento nos gastos do governo desloca a curva de demanda por fundos de 
empréstimos para a direita, de i para i + Δg. A taxa de juros de equilíbrio aumenta 
de r0 para r1. O aumento na taxa de juros causa uma queda nos investimentos, de i0 
para i1 a distância B, e um aumento na poupança igual à queda no consumo de s0 para 
s1, a distância A. A queda nos investimentos e do consumo compensa exatamente o 
aumento nos gastos do governo. (FROYEN, p. 80, 2005)
O que podemos observar, ilustrado no gráfico acima é que o montante de 
redução no consumo – aumento na poupança (distância A), somado à redução nos 
investimentos (distância B) é igual ao aumento nos gastos do governo (Δg).
Concluímos que com o aumento da taxa de juros desestimulam as famílias 
ao consumo e estas substituem o consumo presente por consumo futuro. Os 
investimentos privados diminuem, pois se tornam desestimulantes em virtude do 
20
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maior custo. Dessa forma, a demanda agregada não é alterada, os aumentos dos 
gastos do governo financiados por títulos não afetam o nível de preços. Este é um 
ponto crucial, um aumento nos gastos do governo não tem nenhum efeito 
independente sobre a demanda agregada. (FROYEN, 2005)
Importante!
Os economistas clássicos davam ênfase às tendências de auto ajuste na economia. Livre 
das ações do governo que causam instabilidade, o setor privado permaneceria estável, 
e o pleno emprego seria atingido. O primeiro desses mecanismos auto-estabilizadores 
é a taxa de juros, que se ajusta para evitar que mudanças nos diferentes componentes 
da demanda afetem a demanda agregada. O segundo conjunto de estabilizadores 
no sistema clássico é a fl exibilidade de preços e salários nominais, que impede que 
as mudanças da demanda agregada afetem o produto. A fl exibilidade de preços e 
salários é vital para garantir as propriedades de pleno emprego do sistema clássico. 
A estabilidade inerente do setor privado levou os economistas clássicos a concluir por 
políticas econômicas não intervencionistas.(FROYEN, p. 86, 2005)
Em Síntese
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UNIDADE A Escola Clássica
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Livros
Princípios de Economia Política e Considerações sobre sua Aplicação Prática
MALTHUS, Thomas Robert. Princípios de economia política e considerações 
sobre sua aplicação prática. São Paulo: Nova Cultural Ltda., 1996.
Princípios de Economia Política
MILL, John Stuart. Princípios de Economia Política. São Paulo: Nova Cultural 
Ltda., 1996
Princípios da Economia Política e Tributação
RICARDO, David. Princípios da Economia Política e Tributação. São Paulo. Nova 
Cultural Ltda, 1996
Princípios da Economia Política e Tributação
SMITH, Adam. A Riqueza das Nações. São Paulo: Nova Cultural Ltda. 1996
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Referências
BLANCHARD, O. J. Macroeconomia. 4. ed. , v., São Paulo: Prentice Hall, 2007.
DORNBUSCH, R.; FISHER, S. Macroeconomia. 5. ed., v., São Paulo: Pearson 
Makron Books, 2006.
FROYEN, Richard T. Macroeconomia. 5. ed. São Paulo-SP: Saraiva, 2005.
LOPES, L. M.; VASCONCELLOS, M. A. S. Manual De Macroeconomia: Nível 
Básico e Nível Intermediário. 2. ed. , v.,São Paulo: Atlas, 2000 
MANKIW, N. Gregory. Macroeconomia. 6. ed., Rio de Janeiro: LTC-Livros 
Técnicos e Científicos, 2008.
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Macroeconomia
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof. Esp. Valdécio Silvério Bezerra
Revisão Textual:
Profa. Ms. Fátima Furlan
A Teoria Keynesiana
• O Problema do Desemprego
• Condições para o Produto de Equilíbrio
• Componentes da Demanda Agregada
• Gastos do Governo e Impostos
• Renda de Equilíbrio
• Política Fiscal e Estabilização
• A Moeda no Sistema Keynesiano e a Armadilha da Liquidez
 · Expor ao aluno os fatores que propiciaram o desenvolvimento 
teórico elaborado por Keynes relativo, por exemplo, ao problema 
do desemprego, os conceitos de demanda agregada, consumo 
e investimentos. Esclarecer ao aluno o que é renda de equilíbrio, 
política fiscal e moeda no sistema keynesiano.
OBJETIVO DE APRENDIZADO
A Teoria Keynesiana
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Não se esqueça 
de se alimentar 
e se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja uma maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas: 
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia ehorário fixos como o seu “momento do estudo”. 
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar, lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo.
No material de cada Unidade, há leituras indicadas, dentre elas: artigos científicos, livros, vídeos e 
sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você também 
encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua 
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados.
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discussão, 
pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato 
com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e aprendizagem.
UNIDADE A Teoria Keynesiana
Contextualização
A economia keynesiana desenvolveu-se tendo como pano de fundo a Depressão 
mundial da década de 1930. A atividade econômica entrou em um declínio em 
extensão e gravidade sem precedentes na época. O efeito da Depressão sobre a 
economia dos Estados Unidos pode ser visto e exemplificado tendo como base 
a taxa de desemprego que subiu de 3,2% da força de trabalho, em 1929, para 
25,2% da força de trabalho, em 1933, o ponto mais baixo da atividade econômica 
durante a Depressão. O desemprego permaneceu acima de 10% durante toda a 
década. O produto nacional bruto (PNB) real caiu 30% entre 1929 e 1933, e não 
voltou a retornar ao nível de 1929 antes de 1939. 
O economista britânico John Maynard Keynes, cujo livro A Teoria Geral do 
Emprego, do Juro e da Moeda (1936) é a base do sistema keynesiano, foi mais 
influenciado pelos eventos de seu próprio país do que pelos dos Estados Unidos. 
Na Grã-Bretanha, o alto desemprego começou nos primeiros anos da década de 
1920 e persistiu por toda a década de 19301 . Os altos índices de desemprego 
na Grã-Bretanha levariam a um debate entre economistas e responsáveis pelas 
políticas econômicas sobre as causas e os remédios apropriados contra o aumento 
no desemprego. Keynes foi um eminente participante deste debate, durante o qual 
desenvouveu sua teoria macroeconômica. (FROYEN, p.88, 2005)
1 A taxa de desemprego na Grã-Bretanha já era de 10% em 1923 e, exceto por uma breve redução para 9,8%, 
permaneceu acima de lO% até 1936, ano em que A teoria geral foi publicada.
8
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O Problema do Desemprego
Em 1936, John Maynard Keynes lança o livro “A Teoria Geral do Emprego, 
do Juro e da Moeda”. A partir dessa obra, muitos economistas aderem às ideias 
defendidas por Keynes. 
Essa obra tinha como base um conjunto de ideias que propunham a intervenção 
estatal na vida econômica com o objetivo de conduzir a um regime de pleno 
emprego. As teorias keynesianas tiveram enorme influência na renovação das 
teorias clássicas e na reformulação da política de livre mercado. Acreditava-se que 
a economia seguiria o caminho do pleno emprego, sendo o desemprego uma 
situação temporária que desapareceria graças às forças do mercado.
O objetivo fundamental era o crescimento da demanda em paridade com a 
capacidade produtiva da economia a ponto de garantir o pleno emprego, mas 
sem excessos, pois qualquer descontrole nesse crescimento poderia provocar o 
aumento da inflação.
É com Keynes que ganha força a noção de desemprego involuntário. Apesar 
de manter várias hipóteses do modelo clássico, sua teoria rompe com esse modelo 
e o levam a obter conclusões que contestam os clássicos.
Rompe em primeiro lugar com a ideia de que os salários reais não seriam 
determinados pelo equilíbrio de oferta e demanda de mão de obra. O equilíbrio 
no mercado de trabalho determinaria, na verdade, os salários nominais. Para 
Keynes, os trabalhadores também eram suscetíveis à ilusão monetária e resistiriam 
às reduções nos salários nominais, mas não nos salários reais. Desta forma, os 
salários nominais seriam rígidos e não flexíveis à baixa. 
O salário nominal corresponde ao valor do trabalho expresso em moeda, enquanto que o 
salário real corresponde ao poder de compra de bens e serviços com a moeda recebida.Ex
pl
or
A teoria keynesiana fornecerá a base às teorias econômicas de combate ao 
desemprego, isso seria possível ao se estimular a demanda agregada por intermédio 
de políticas monetária e fiscal.
Como a demanda agregada afeta a atividade econômica, é ela que determina o 
nível de emprego, de forma simplificada, o nível de emprego é determinado no 
mercado de bens e serviços pelas expectativas dos empresários. O desemprego 
involuntário surge então por deficiências de demanda. Sendo assim, o desemprego 
involuntário existe em Keynes, independente de haver flexibilidade no mercado de 
trabalho. É o desemprego classificado modernamente como desemprego cíclico, 
possível de ser atenuado pela intervenção do governo na economia. 
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UNIDADE A Teoria Keynesiana
Condições para o Produto de Equilíbrio
Para que o produto esteja em equilíbrio, é necessário que o produto seja igual 
à demanda agregada. Essa é uma noção fundamental no modelo keynesiano. 
Simplificadamente, podemos representar essa assertiva como segue abaixo:
Y = DA ( 1 )
Sendo Y igual ao Produto Nacional Bruto (PNB) ou produto total e DA é a 
Demanda Agregada. Já a (DA) é formada por três componentes: consumo total 
das famílias ( C ), a demanda por investimentos desejados pelas firmas ( I ) e a 
demanda por bens e serviços por parte do Governo ( G ). Como ficará nossa 
igualdade acima?
Y = DA = C + I + G ( 2 )
Verificamos nesse modelo que são desconsiderados as exportações e importações, 
isso porque se trata de uma economia “fechada”. Como a depreciação também é 
omitida, tornamos o PNB equivalente a renda nacional. Com o produto nacional Y 
correspondendo a renda nacional, podemos escrever:
Y ≡ C + S + T ( 3 )
Entendemos que a equação ( 3 ) é uma identidade que afirma que a renda 
nacional é consumida ( C ), poupada ( S ) ou paga em impostos ( T ). Logo:
C + S + T ≡ Y = C + I + G
Cujo equivalente é:
S + T = I + G ( 4 )
Uma vez que Y é o produto nacional, podemos escrever:
Y ≡ C + Ir + G ( 5 )
Na equação ( 5 ) o produto nacional é igual ao consumo ( C ), ao investimento 
realizado ( Ir ), mais os gastos do governo ( G ) 
Estabelecendo o equilíbrio entre as equações ( 2 ) e ( 5 ), temos?
C + Ir + G ≡ Y = C + I + G
10
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Ou cancelando:
 Ir = I ( 6 )
Dessa forma concluímos que existem três formas equivalentes de expressar o 
equilíbrio no modelo keynesiano:
Y = C + I + G ( 2 )
S + T = I + G ( 4 )
Ir = I ( 6 )
O fluxograma da Figura 1 possibilita uma visão mais clara dessas condições. 
As variáveis são medidas em unidades monetárias num determinado intervalo de 
tempo, tais como, bilhões de reais por trimestre, semestre ou por ano. O fluxo 
representado na figura consiste em pagamentos monetários aos serviços dos 
fatores (salários, juros, aluguéis. lucros).
A renda nacional é distribuída pelas famílias em três fluxos: Para as firmas em 
forma de consumo; ao mercado financeiro em forma de poupança e ao governo 
em forma de impostos.
“Portanto o ciclo interno de nosso diagrama ilustra um processo pelo 
qual as firmas produzem o produto (Y), gerando um montante igual de 
renda para as famílias, que por sua vez, geram a demanda pelos produtos 
fabricados.” (FROYEN, p. 95, 2005).
Renda Nacional (Y)
Consumo (C)
Poupança (S)
Impostos (T )
Investimento (I)
Gastos do Governo (G)
FirmasFamílias
Mercados Financeiros
Governo
Figura 1 – Fluxo Circular da Renda e do Produto
Fonte: FROYEN p. 95, 2005
Para se aprofundar mais nesse tema uma boa fonte de consulta é o livro: FROYEN, Richard T. 
Macroeconomia, 5 ed. São Paulo: Saraiva, 2005)Ex
pl
or
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UNIDADE A Teoria Keynesiana
Componentes da Demanda Agregada
Ao desenvolver o Princípio da Demanda Efetiva, Keynes rompe com a ideia 
de passividade da demanda e sua forma automática de ajuste à oferta, conforme 
formulado na Lei de Say. Isso porque, ainda segundoKeynes, os empresários 
definiam quantos empregados contratar e quanto produzir com base em quanto ele 
espera vender. Duas curvas virtuais se apresentam para o empresário:
a) Oferta Agregada: a renda necessária para o empresário oferecer determinado 
volume de emprego;
b) Demanda Agregada: a renda que o empresário espera receber por oferecer 
determinado volume de emprego.
Como vimos, de acordo com o modelo keynesiano simples, alguns fatores 
afetam esses componentes da demanda agregada e determinam o nível de renda. 
Vamos examinar melhor cada um desses componentes agora, o consumo, o 
investimento e os gastos do governo.
Consumo
As decisões de consumo das famílias dependem de vários fatores sendo o 
principal o seu rendimento corrente disponível, ou seja, o rendimento deduzido 
de impostos e incluindo as transferências sociais do Estado. Predominantemente, 
quando o rendimento disponível das famílias aumenta, estas tendem a comprar 
mais bens e serviços, por outro lado, quando o seu rendimento disponível diminui, 
as famílias tendem a comprar menos bens e serviços. 
Keynes sabia que outros fatores afetavam o aumento do consumo das famílias, 
mas entendia que a renda era o fator dominante para a determinação do consumo. 
Para efeito de estudos convém deixar esses outros fatores de lado por enquanto.
Tomando como base essa relação consumo-renda, o autor propõe a função 
consumo abaixo:
C = a + bYD a > 0 0 > b > 1
Na Figura 2, ilustramos essa relação, onde:
a supomos positivo, esse intercepto representa o valor do consumo quando a 
renda disponível é igual a zero. 
Já o parâmetro b é a inclinação da função, representa o aumento nos dispêndios 
com o consumo por aumento unitário de renda disponível: Notação básica que 
utilizamos:
12
13
∆
∆
C
b=
YD
Figura 2 – Função Consumo Keynesiana
Fonte: FROYEN, p.99, 2005
A Função consumo mostra o nível de consumo (C) correspondente a cada nível de 
renda disponível (YD). A inclinação da função consumo (ΔC/ΔYD) é a propensão 
marginal a consumir (b), isto é, a variação no consumo por aumento unitário 
de renda disponível. O intercepto da função consumo (a) é o nível (positivo) de 
consumo que ocorreria a um nível de renda disponível igual a zero.
Tomando como referência a definição de renda nacional,
Y ≡ C + S + T
Podemos escrever então:
YD ≡ Y – T ≡ C + S
Deduzimos com isso que a renda disponível é igual ao consumo somado à 
poupança. O que você pode concluir dessa ralação? Por definição a relação 
renda-consumo determina também a relação renda-poupança. Na teoria 
keynesiana, temos:
S = - a + (1 – b) YD
Agora, por que (a) unidades é negativo?
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UNIDADE A Teoria Keynesiana
Como o consumo para YD igual a zero é de (a) unidades, neste ponto
S ≡ YD – C = 0 – a = - a
Por outro lado, um aumento unitário na renda disponível leva a um aumento em 
b unidades no consumo, o resíduo da elevação unitária na renda (1 – b), representa 
o aumento na poupança:
D
1
Y
∆
= −
∆
S
b
Entendemos que o incremento da poupança por aumento unitário na renda 
disponível (1 – b) significa propensão marginal a poupar (PMgS). No gráfico da 
Figura 3, representamos a função poupança.
Po
up
an
ça
Renda Disponível
- a
S
Inclinação = (1 – b)
ΔS
S = - a + (1 – b) Y�
Y�
ΔY�
Figura 3 - Função Poupança Keynesiana
Fonte: (FROYEN, p. 100, 2005)
A função poupança mostra o nível de poupança (S) correspondente a cada nível de 
renda disponível (YD). A inclinação da função poupança é a propensão marginal a 
poupar (1 – b), o aumento na poupança por aumento unitário da renda disponível. 
O intercepto da função poupança (- a) é o nível (negativo) de poupança quando a 
renda disponível é nula.
Investimento
No sistema keynesiano, o investimento é uma variável chave, mudanças no 
dispêndio dessa variável representa um dos principais fatores responsáveis por 
mudanças na renda. 
14
15
Enquanto o consumo é compreendido como uma variável induzida, dependente 
do nível de renda, o investimento, ao contrário, era um componente da demanda 
agregada, autônomo e sua variabilidade é a principal responsável pela instabilidade 
da renda. 
Segundo Keynes, duas variáveis são fundamentais como determinantes à 
propensão aos investimentos no curto prazo: a taxa de juros e as expectativas 
das firmas.
Ao estabelecer a relação entre investimentos e taxa de juros, Keynes não diferiu 
da visão clássica, ou seja, ele supunha que o nível de investimentos mantém uma 
relação inversa com o valor da taxa de juros.
Gastos do Governo e Impostos
Os gastos do governo (G), no modelo keynesiano, é concebido como o segundo 
elemento dos dispêndios autônomos. Supõe-se que estes gastos sejam controlados 
pelos formuladores de política econômicos, em decorrência disso não dependem 
diretamente da renda.
O componente gasto do governo refere-se àqueles gastos com a aquisição de 
bens e serviços pelos governos federal, estadual e municipal.
Os gastos do governo são considerados como despesas autônomas. Sendo assim, 
não dependem de variáveis que possam afetar diretamente o modelo keynesiano. 
Isso pode ser explicado em função de que esses gastos são controlados e definidos 
pelas autoridades econômicas e não dependem do nível de renda. A partir dos 
conceitos definidos no modelo keynesiano simples, pode-se determinar o nível 
de renda ou do produto de equilíbrio numa determinada economia. Para tanto, a 
seguinte forma de expressão demonstra a condição de equilíbrio, 
Y = C + I + G ( 1 ) 
Supondo uma determinada economia (fechada), vamos considerar as seguintes 
informações:
C = 60 + 0,3Y
I = 150
G = 45
Para determinarmos a renda ou produto de equilíbrio, efetuaremos um cálculo 
a partir da identidade básica em uma economia com governo.
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UNIDADE A Teoria Keynesiana
Y = 60 + 0,3Y + 150 + 45
Y – 0,3Y = 60 + 150 + 45
0,7Y = 255
Y = 255 / 0,7, logo Y = 364,28 unidades.
Numa economia com governo, a renda nacional (Y) será destinada ao consumo 
(C), à poupança (S) e aos impostos (T) também, assim temos:
Y = C + S + T ( 2 )
Dessa forma, pelas equações ( 1 ) e ( 2 ), temos:
C + S + T = Y = C + I + G
Para que ocorra equilíbrio da renda é preciso que ocorra:
S + T = I + G
Dessa forma, conhecendo-se os valores de C, I e G ou os valores de ( C, S e T), 
encontra-se o valor da renda de equilíbrio.
Se tomarmos como referência, o valor de Y segundo a equação ( 1 ), a função 
consumo agora não depende da renda nacional (Y), mas da renda disponível (YD), 
ou seja,
C = a + bYD
Por outro lado, a renda disponível é igual à renda nacional (Y) menos os impostos 
(T). Temos então,
YD = Y – T
É preciso que fique claro o fato de que os impostos (T) podem assumir três 
formas diferentes: um valor autônomo, um valor relacionado à renda e um 
valor misto. 
Segundo o seu ponto de vista, de que forma os impostos influenciam na renda e no consumo 
de uma economia ?Ex
pl
or
16
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Renda de Equilíbrio
Bom, agora já temos todos os componentes que nos possibilitam encontrar a 
renda de equilíbrio supondo uma economia fechada.
A renda de equilíbrio (Y) é a variável endógena que buscamos determinar. Os 
termos que são dados são os dispêndios autônomos I e G, assim como o nível de T, 
e são variáveis exógenas, ou seja, determinadas por fatores externos ao modelo. O 
consumo é um dispêndio, em sua maior parte, determinado endogenamente pela 
função consumo.
C = a + bTD = a + bY – bT ( 3 )
A segunda igualdade leva em consideração a definição de renda disponível 
(YD ≡ Y – T).
Agora façamos a seguinte substituição: equação de consumo ( 3 ) na condição 
de equilíbrio ( 2 ), resolvemos a equação para Ῡ, como nível de equilíbrio da renda, 
conforme segue:
Y = C + I + G
Y = a + bY – bT + I + G
Y – bY = a – bT + I + G
Y(1 – b) = a – bT + I + G
1
Y
1-b
= (a – bT + I + G) ( 4 )
A teoria de Keynes, em sua forma mais simples, pode ser expressa da seguinte 
forma: o consumo é uma função estável da renda, isso quer dizer que a propensão 
marginal a consumir é estável. As mudançasna renda refletem o que ocorre com 
a variável investimento, extremamente instável. A equação (4) deixa claro que, 
caso o governo não aplique políticas que visem estabilizar a economia, a renda 
ficará instável em decorrência da instabilidade dos investimentos. Nessa mesma 
equação podemos perceber também se ocorrerem mudanças corretas nos gastos 
do governo (G) e nos impostos (T), o governo poderia neutralizar os efeitos das 
mudanças nos investimento. As mudanças adequadas em G e T poderiam manter 
constante a soma dos termos entre parênteses (dispêndios autônomos), até em face 
as mudanças indesejáveis do termo investimentos. Essa é a base das conclusões por 
políticas econômicas intervencionistas a que chegou Keynes.
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UNIDADE A Teoria Keynesiana
Política Fiscal e Estabilização
Como vimos, a renda de equilíbrio é afetada pelas mudanças nos gastos do 
governo e nos impostos. Existem várias formas possíveis de aplicação de políticas 
fiscais na busca de eliminar os efeitos das mudanças indesejáveis na demanda 
privada por investimentos.
O que queremos dizer com isso?
O governo pode utilizar esses instrumentos de políticas fiscais como forma de 
estabilizar os dispêndios autônomos totais e também a renda de equilíbrio, mesmo 
que os investimentos dos dispêndios autônomos se mostrem instáveis.
Na Figura 4, ilustramos um exemplo de política de estabilização seguindo o 
modelo keynesiano.
Vamos supor que a economia esteja em equilíbrio em nível de pleno emprego 
(potencial) YF. com a DA igual a (C + I + G0). Agora suponhamos que, a partir 
desse ponto, os investimentos autônomos caiam de I0 para I1, resultado de mudança 
desfavorável nas expectativas das firmas. Vemos que na ausência de políticas, a 
demanda agregada cai para DA1, igual a (C + I + G0). Sendo assim, em Y1, ou seja, 
um equilíbrio da renda está abaixo do nível de pleno emprego.
Vejamos então como podemos ilustrar esse exemplo no gráfico da Figura 4 
a seguir:
D
em
an
da
 A
gr
eg
ad
a
Renda
C + I + G
DA� = (C + I
 + G
) = (C + I1 + G1) 
DA
 = (C + I1 + G0) 
45o
Y
Y
 Y�
Figura 4 - Um Exemplo de Política Fiscal de Estabilização
(FROYEN, p. 114, 2005)
A queda nos dispêndios autônomos de I0 para I1 desloca a demanda agregada 
para baixo, de DAF = (C + I0 + G0) para DAL = (C + IL + G0). Um aumento 
compensatório nos gastos do governo de G0 para G1, reverte o deslocamento da 
curva de demanda agregada para C + I1 + G1 = DAF = C + I0 + G0. A renda de 
equilíbrio está de novo em YF . 
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A Moeda no Sistema Keynesiano 
e a Armadilha da Liquidez
Keynes considerava três motivos para a manutenção da moeda, o motivo de 
transação, precaução e especulação. Os indivíduos não supõem tão pouco 
conseguem associar parcelas bem definidas do montante de moeda que carrega a 
cada um dos três motivos, no entanto Keynes julgava importante analisar cada um 
dos motivos separadamente entender o que está por detrás dos estoques monetários 
mantidos pelos indivíduos.
Demanda por Transações
Em primeiro lugar a moeda é um meio de troca, logo Keynes considera 
como primeiro motivo de demanda por moeda, o motivo transação. A relação 
estabelecida entre o recebimento de renda e os dispêndios é viabilizada pela moeda.
A soma de moeda reservada para viabilizar transações variaria positivamente de 
acordo com o volume de transações nas quais os indivíduos estão envolvidos.
Uma das transações viabilizadas pela aquisição de moeda é aquela utilizada para 
a aquisição de títulos para posteriormente serem vendidos para a aquisição de 
moeda como forma de quitar gastos, o que nem sempre gera ganhos, ou seja, 
não é atrativo. Mesmo assim há espaço para redução de estoques monetários para 
transações, optando pela compra de títulos.
Keynes não colocou muita ênfase na taxa de juros ao examinar o motivo 
transacional para a manutenção de moeda, mas a importância está provada 
principalmente na demanda por transações no setor empresarial.
Demanda por Precaução
Outro motivo destacado por Keynes é aquele em que são guardados saldos 
monetários adicionais para quitar possíveis gastos imprevistos, contas inesperadas, 
possíveis emergências, é o motivo precaução. O valor guardado para esse fim 
dependia positivamente da renda. Da mesma forma que na demanda por transações, 
nesse caso a taxa de juros poderia ser um fator importante caso houvesse uma 
tendência das pessoas para reduzir o montante de moeda guardado por precaução 
a medida que os juros subissem.
Demanda Especulativa
O terceiro motivo destacado por Keynes para explicar a demanda por moeda 
era o motivo especulativo, maior novidade da análise keynesiana da demanda 
por moeda.
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UNIDADE A Teoria Keynesiana
Keynes faz a seguinte pergunta:
O que motivaria um indivíduo guardar uma quantidade de moeda maior que a 
necessária para transações ou por precaução, uma vez que os títulos pagam juros 
e a moeda, pura e simples, não? 
A resposta é simples. Em razão da incerteza sobre as taxas de juros futuras. 
Caso as taxas fossem se alterar de forma a causar perdas de capital com os títulos. 
Sendo assim, essa moeda seria retida pelos que “especulam” com mudanças futuras 
das taxas de juros.
Demanda Total por Moeda
Para construir a função demanda total por moeda, vamos agora juntar os três 
motivos keynesianos para manutenção da moeda.
Observamos que a demanda por transações e a demanda por precaução variam 
positivamente com a renda e negativamente em relação a taxa de juros, já a 
demanda especulativa por moeda se relaciona negativamente com a taxa de juros. 
Juntando-as podemos escrever a função da seguinte forma:
Md = L(Y,r)
Sendo: L demanda por moeda, Y a renda, e r é a taxa de juros. O crescimento 
da renda aumenta a demanda por moeda; o aumento da taxa de juros, por outro 
lado, provoca a redução da demanda por moeda. Supostamente podemos usar a 
função demanda por moeda na forma linear,
Md = c0 + c1Y –c2 r c1 > 0 e c2 > 0
c1 mede a elevação da demanda por moeda por aumento unitário da renda, e; 
c2 reflete quanto a demanda por moeda diminui por aumento unitário da taxa 
de juros.
Essa equação indica que podemos traçar a função demanda por moeda como 
uma linha reta em nossos gráficos.
20
21
A Armadilha da Liquidez
 Segundo a teoria de Keynes, é possível supor que os indivíduos têm uma visão 
preconcebida de uma taxa normal de juros. A previsão é que todas as taxas de 
juros acima dessa taxa normal tendam a cair a esses juros, com isso a demanda por 
títulos será preferida à moeda.
No entanto, há uma taxa de juros abaixo dessa taxa normal que a perda de 
capital com títulos, que aumenta à medida que a taxa de juros cai abaixo da taxa 
considerada normal, dessa forma acabará sendo exatamente igual às rendas com 
os juros dos títulos. Chamamos esse valor de taxa de juros crítica, abaixo dessa 
taxa a demanda por moeda será preferida aos títulos.
Keynes, no entanto, não entende que existiria uma taxa específica que se 
atingida estimularia todos os investidores individuais a vender títulos e optar pela 
retenção de moeda, mas entendia que se a taxa de juros, em movimento de queda 
constante, desestimulando a demanda especulativa uma vez que a taxa crítica de 
juros de vários investidores seria atingida, em vista da taxa normal, a moeda seria 
o ativo preferido.
Valores muito baixos das taxas de juros fariam com que quase todos os investidores 
optassem por esperar que as taxas de juros fossem subir significativamente 
no futuro.
A essas taxas próximas de zero ou abaixo desse patamar, os incrementos à 
riqueza seriam retidos diretamente sob a forma de moeda, sem ampliar a queda de 
juros. Essa situação foi denominada por Keynes de armadilha da liquidez.
Com base na teoria keynesiana a política monetária é ineficaz. A taxa de juros 
é tão baixa que as pessoas já retêm bastante moeda e a taxa não pode baixar 
mais, por mais moeda que seja despejada na economia, o que impede que os 
investimentos e o consumo sejam incrementados.
A situação da armadilhada liquidez trata-se de um caso particular do modelo 
IS-LM onde a curva LM é horizontal. Trata-se de uma situação limite na qual os 
agentes estão dispostos a demandar toda a oferta de moeda a uma dada taxa de 
juros constante.
Os casos do Japão na década de 1990 e dos Estados Unidos na década de 1930 
são citados como exemplos dessa situação, pois nesses casos as taxas de juros 
alcançaram níveis muito baixos e permanecerem por anos nesses níveis.
21
UNIDADE A Teoria Keynesiana
A Figura 5 ilustra em gráfico como representamos a curva LM numa situação 
de armadilha de liquidez.
r
r1
r�
Y� Y1
Y
LM
Figura 5 - A Armadilha da Liquidez Keynesiana
Fonte: Elaboração própria
Na Figura 5 podemos verificar o caso denominado por Keynes como armadilha da 
liquidez representado no gráfico pelo trecho indicado pela seta até Y0 , onde a função 
demanda por moeda torna-se quase horizontal a baixas taxas de juros, próximas 
de zero.
Essa particularidade sobre a demanda por moeda é uma discussão que ainda 
provoca muitas interpretações e justificativas diversas, mas que encontra respaldo 
no campo do estudo das políticas econômicas em situações particulares no ambiente 
macroeconômico.
22
23
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Sites
Cruzeiro do Sul Virtual
Bibliotecas do Grupo Cruzeiro do Sul
https://goo.gl/2uQPmj
 Livros
Macroeconomia do Emprego e da Renda, Keynes e o Keynesianismo
LIMA, G. T.; SICSÚ, J. (Org.) Macroeconomia do Emprego e da Renda, Keynes e 
o Keynesianismo. Barueri, SP: Manole, 2003.
 Vídeos
As Teorias Econômicas de Keynes - Análise do Professor Luíz Belluzzo
Abordagem dos aspectos da teoria Keynesiana, comparando-as com a teoria Clássica 
e relacionando com a Grande Depressão. Uma visão do Professor Luíz Gonzaga de 
Mello Belluzzo - ECONOMIA Unicamp.
https://goo.gl/P7pSRX
 Leitura
A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda
KEYNES, J. M. A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda. São Paulo: Abril 
Cultural, 1996.
https://goo.gl/ZhSEFg
Keynes: o liberalismo econômico como mito.
FONSECA, Pedro Cezar Dutra. Keynes: o liberalismo econômico como mito. Econ. 
soc., Campinas, v. 19, n. 3, p. 425-447, dez. 2010
https://goo.gl/QcterP
23
UNIDADE A Teoria Keynesiana
Referências
BLANCHARD, J. O. Macroeconomia. 4 ed. São Paulo: Prentice Hall, 2007.
DORNBUSCH, R.; FISHER, S. Macroeconomia. 5. ed. , v., São Paulo: Pearson 
Makron Books, 2006.
FROYEN, Richard T. Macroeconomia. 5. ed. São Paulo-SP: Saraiva, 2005.
LOPES, L. M.; VASCONCELLOS, M. A. S. Manual de Macroeconomia: Nivel 
Básico e Nível Intermediário. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2000.
MANKIW, N. Gregory. Macroeconomia. 6.ed., Rio de Janeiro: LTC-Livros 
Técnicos e Científicos, 2008.
24
Macroeconomia
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof. Esp. Valdécio Silvério Bezerra
Revisão Textual:
Profa. Ms. Fátima Furlan
A Teoria Kaleckiana
• Contextualização da sua Obra
• O Modelo Básico de Kalecki
• A Estratégia de Crescimento da Economia
• O Princípio da Demanda Efetiva
• O Ciclo de Negócios na Macroeconomia
• Diferenças e Semelhanças entre Kalecki e Keynes
• Pontos Problemáticos no Modelo Kaleckiano
 · Expor ao aluno os fatores que propiciaram o desenvolvimento 
teórico elaborado por Kalecki e qual o seu modelo básico. Assegurar 
ao aluno o entendimento do conceito de demanda efetiva, ciclo de 
negócios e outros conceitos deste autor. Mostrar ao aluno quais são 
as diferenças e semelhanças teóricas entre Kalecki e Keynes, assim 
como os pontos problemáticos, destacados por alguns autores, do 
modelo kaleckiano.
OBJETIVO DE APRENDIZADO
A Teoria Kaleckiana
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Não se esqueça 
de se alimentar 
e se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja uma maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas: 
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e 
horário fixos como o seu “momento do estudo”. 
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar, lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo.
No material de cada Unidade, há leituras indicadas, dentre elas: artigos científicos, livros, vídeos e 
sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você também 
encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua 
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados.
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discussão, 
pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato 
com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e aprendizagem.
UNIDADE A Teoria Kaleckiana
Contextualização
A contribuição de Kalecki é importante e transcende o fato que antecipou 
Keynes em alguns aspectos, o que é superdimensionado por seus admiradores. 
Para os dois, a determinação do nível de demanda efetiva depende do nível 
de investimento.
A diferença reside nos estímulos ao investimento. Um aspecto interessante em 
alguns modelos de Kalecki é que ele introduz, explicitamente, a distribuição de 
renda, como fizeram Malthus, Ricardo, Stuart Mill e Marx.
Mas, afinal, o que separa Keynes de Kalecki? Nada mais simples: Keynes trabalhou 
para salvar o capitalismo; Kalecki, para provar que ele não pode ser salvo! 
O realmente importante é que, para ambos, o maior pecado de uma organização 
social é ser incapaz de proporcionar emprego para todos que querem e podem 
trabalhar, oferecendo-lhes salários decentes proporcionais às suas habilidades e 
bastante para dar-lhes identidade e recepcioná-los na cidadania.
Ambos sabiam que o nível de atividade da economia, enquanto existem fatores 
de produção disponíveis, é função da demanda efetiva, cujo nível, por sua vez, 
depende, fundamentalmente, do volume do investimento (público + privado).
Para Keynes, o investimento privado é função do “espírito animal” do empresário. 
Se estiver desativado, o governo pode emitir dívida pública, capturar a poupança 
privada e investi-la em projetos de infraestrutura que terão efeitos duradouros sobre 
a produtividade do sistema. Acabarão modificando a “expectativa” dos empresários 
e levando-os a voltar a investir, recuperando a renda e o emprego.
Num famoso e revelador artigo de 1943, “Political aspects of full employment”, 
Kalecki, implicitamente, considerou ingênuo o argumento anterior. Afirma que a 
“hipótese de que um governo manterá o pleno emprego numa economia capitalista, 
mesmo se soubesse como fazê-lo, é uma falácia”, por três motivos.
Os empresários: 1. “Se oporão ao pleno emprego produzido pelo governo, 
porque isso amplia a área de sua intervenção”. 2. “Não apreciam os investimentos 
públicos e são contra os subsídios ao consumo” e, principalmente, 3. “Não gostam 
das consequências do pleno emprego, porque ele destrói o instrumento que 
disciplina o trabalhador: o desemprego”.
Logo, pleno emprego e capitalismo se excluem. Se desejarmos o primeiro, temos 
de acabar com o segundo. O fato é que Kalecki, no auge do seu prestígio intelectual e 
poder (1955-1965), e seus modelos não produziram o desenvolvimento da Polônia.
Apenas o mesmo “pleno emprego” com baixa produtividade que parasitou todo 
o socialismo “real” e custou a liberdade de duas gerações de poloneses.Delfim Netto — https://goo.gl/rnOO9F
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Contextualização da sua obra
Michal Kalecki nasceu em Lodz, Polônia,
Michal Kalecki (1899 – 1970)
Fonte: Commons.Wikimedia.org
em 22 de junho de 1899. Estudou na Escola 
Politécnica de Varsóvia e depois na de 
Gdanski, mas não chegou a graduar-se. Seu 
primeiro título acadêmico foi obtido aos 57 
anos de idade, já era internacionalmente re-
conhecido, quando o governo polonês o no-
meou professor universitário; e em 1964 a 
Universidade de Varsóvia lhe conferiu o títu-
lo de doutor honoris causa. Foi um autodi-
data. Em sua formação como economista, 
recebeu profunda influência das obras de 
Marx e de outros autores marxistas. 
Seu primeiro emprego como economista 
foi no Instituto de Pesquisa de Conjuntura e 
Preços, de Varsóvia, em 1927. Em 1935, 
quando já tinha publicado seu estudo 
inovador em teoria dos ciclos econômicos, 
viajou para a Suécia com uma bolsa de 
estudos. No ano seguinte, mudou-se para a Inglaterra, onde trabalhou na Escola 
de Economia de Londres e depois na Universidade de Cambridge (1937/39) e no 
Instituto de Estatística da Universidade de Oxford (1940/45). Terminada a Segunda 
Guerra Mundial, Kalecki prestou serviços durante algum tempo para a Organização 
Internacional do Trabalho e para o Governo polonês. Daí foi para o departamento 
econômico do Secretariado da ONU, onde ficou até 1954. Retornando à 
Polônia, ocupou diversos cargos: diretor de pesquisas no departamento de 
ciências econômicas da Academia Polonesa de Ciências (1955/56), presidente 
da Comissão de Planejamento de Longo Prazo (1957/60), vice-presidente do 
Conselho Econômico do Estado (1957/63), e também, ao longo de todo esse 
tempo (isto é, de 1956 a 1969), professor na Escola Central de Planificação e 
Estatística. Kalecki morreu em Varsóvia no dia 17 de abril de 1970.
Seus trabalhos podem ser separados em três grupos: os que tratam sobre as 
economias capitalistas desenvolvidas; sobre as economias subdesenvolvidas e sobre 
as economias socialistas. 
Antes de surgir a Teoria Geral de Keynes, Kalecki já havia publicado, em 
polonês, três estudos que constituíram, em conjunto, a primeira formulação precisa 
e sistemática do papel da demanda efetiva no processo de reprodução capitalista. 
Nesses estudos pode-se constatar claramente a influência de Marx, Tugan-
Baranovski e Rosa Luxemburgo, como o próprio Kalecki o reconhece. E a partir 
deles Kalecki foi ampliando e aprimorando suas concepções, que culminaram com 
a publicação de sua Teoria da Dinâmica Econômica em 1954.
9
UNIDADE A Teoria Kaleckiana
Apesar de sua formação marxista e da originalidade de suas concepções, que 
precederam o aparecimento da Teoria Geral de Keynes, durante muito tempo 
Kalecki foi identificado como um “keynesiano”. Na verdade, aconteceu o contrário: 
foi ele quem introduziu diversas ideias que depois foram adotadas pela chamada 
“Economia Keynesiana”; como escreveu Joan Robinson: “Poucos da atual geração 
de ‘keynesianos’ param para indagar quanto eles devem a Kalecki e quanto 
realmente a Keynes”. A partir da segunda metade da década de 1950 — e graças 
à divulgação feita, entre outros, por Joan Robinson, Paul Baran, Paul Sweezy e 
Lawrence Klein — a originalidade das ideias de Kalecki e sua formação marxista 
começaram a ser mais conhecidas. 
Muitos economistas marxistas passaram a perceber que a obra de Kalecki sobre 
as economias capitalistas, embora desprovida do vocabulário marxista tradicional 
e com todo o estilo formal e as expressões matemáticas, constituía um desenvolvi-
mento do velho “problema da realização”.
Problema da realização: se relacionava a necessidade de vender o produto produzido para 
transformar a mais valia de sua forma trabalho, por meio de forma mercadoria, em lucro, 
sua forma dinheiro.
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“A grande crise econômica de 1929/33 exerceu uma influência decisiva 
sobre as preocupações teóricas de Kalecki. Em 1933 ele publicou ‘Esboço 
de uma Teoria do Ciclo Econômico’, que se tornou um dos seus trabalhos 
mais famosos, e dessa época até o fim de sua vida ele se empenhou 
em estudar os problemas da dinâmica (flutuações cíclicas e mudanças de 
longo prazo) das economias capitalistas.” (KALECKI, p. 7, 1977).
O Modelo Básico de Kalecki
O início das análises da Kalecki tem como base os esquemas de reprodução 
de Marx. No entanto, enquanto Marx divide o sistema econômico em dois 
departamentos: um de bens de produção (bens de capital) e um de bens de 
consumo. Kalecki divide o sistema em três, isso porque o departamento de bens 
de consumo é dividido em bens de consumo dos trabalhadores e bens de consumo 
dos capitalistas. Assim temos:
Departamento I produtor de bens de capital;
Departamento II produtor de bens de consumo para os capitalistas; e
Departamento III produtor de bens de consumo para os trabalhadores.
A segunda diferença entre os esquemas de Marx e Kalecki está no fato de que 
para Marx a produção é vista como valor, dividindo-se em capital constante, capital 
10
11
variável e mais-valia, para Kalecki o esquema de produção de cada departamento é 
avaliado em termos de preço e não de valor. Distribuindo-se nas categorias de lucros 
e salários. O produto final de cada departamento já é o próprio valor adicionado de 
cada departamento.
Vejamos esse modelo supondo uma economia fechada e sem governo:
Y = P + W
Y = renda bruta; P = lucros e W = salários.
Como o produto bruto é decomposto na produção dos departamentos?
O Departamento I (DI) corresponde ao investimento (I) da economia;
O Departamento II (DII) corresponde ao consumo dos capitalistas (CK).
O Departamento III (DIII) corresponde ao consumo dos trabalhadores (CW)
Em cada departamento o valor da produção divide-se em lucros e salários 
pagos, veja:
I = P1 + W1
CK = P2 + W2
CW = P3 + W3
Podemos escrever então:
Y = I + CK + CW ou Y = P + W ( 1 )
Para Kalecki, a hipótese é que os trabalhadores gastam tudo o que recebem, 
dessa forma a poupança dos trabalhadores é igual a zero.
W – CW = SW ou seja, SW = 0, assim W = CW
Já a poupança dos capitalistas (SK) é obtida subtraindo-se o total de lucro do 
consumo dos capitalistas.
SK = P – CK
Como a poupança total (S) é igual a SW + SK, e a poupança dos trabalhadores é 
igual a zero, concluímos que:
S = SK
11
UNIDADE A Teoria Kaleckiana
Reproduzindo a equação (1) temos:
Y + W + P = I + CK + CW 
Como os trabalhadores gastam todo o salário com consumo, ou seja: W = CW, 
deduzimos então que: 
CW + P = I + CK + CW, portanto: P = I + CK
Subtraindo-se CK de ambos os lados chegamos a seguinte conclusão:
P – CK = I
Então: 
S = I
Da mesma forma que no caso keynesiano, a poupança não representa um en-
trave ao investimento. Isso porque a qualquer investimento realizado corresponde-
rá uma poupança de igual valor, o que isso quer dizer?
Que o investimento gerará poupança para financiá-lo:
Importante!
A teoria kaleckiana, ao mesmo tempo que é uma teoria de determinação da renda, é 
uma teoria de distribuição, diferentemente de Keynes
Importante!
A Estratégia de Crescimento da Economia
Estudaremos agora como Kalecki imaginava uma estratégia de crescimento para 
uma economia em desenvolvimento. É um exercício mais ou menos especulativo, 
pois o autor nunca formulou uma proposta específica. Apesar disso, quando 
discutiu os problemas das economias em desenvolvimento, e mais ainda quando 
atuou como consultor convidado, ele forneceu muitas pistas de como imaginava 
uma estratégia econômica.
Dessa forma priorizaremos uma economia subdesenvolvida semi-industrializada, 
isso porque nos possibilitará combinar três linhas teóricas desenvolvidas por Kalecki, 
que são: a dinâmica do capitalismo monopolista, o crescimento sob o socialismo 
e a teoria e prática do planejamento do desenvolvimento em economias 
mistas (economias de mercado onde participam tanto o setor privado como o 
setor público).
12
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Kalecki deu mais atenção aos estudos teóricos e aplicados às economias 
semi-industrializadasjustamente por ocuparem um lugar intermediário entre as 
economias de capitalismo avançado e as economias realmente subdesenvolvidas.
Duas características destacam-se nas economias subdesenvolvidas: 
Primeiro: não é possível eliminar o desemprego no curto e médio prazo, mesmo 
que estas utilizem plenamente todos os seus bens de capital.
Segundo: nessas economias a elasticidade renda da demanda por alimentos é 
alta, por outro lado a elasticidade oferta agrícola é baixa, provocados pelos fatores 
técnicos e institucionais. Essa relação provoca fortes pressões inflacionárias ou 
déficits externos ou ambos quando a renda per capita aumenta.
O que viabilizaria uma taxa elevada e sustentada de crescimento da produção 
para as economias mistas? Para Kalecki três condições precisavam ser preenchidas:
a) controle do comércio exterior e do financiamento externo, 
b) controle dos investimentos privados a fim de evitar projetos indesejáveis e 
prontidão do Estado para levar a efeito projetos prioritários, e
c) estabilidade de preços, exceto para correções de alterações nas relações 
de troca.
Em decorrência da existência de capacidade ociosa, no curto prazo supõe-
se que nas economias semi-industrializadas o produto final poderia crescer 
significativamente. Para que isso ocorresse, em primeiro lugar a demanda efetiva 
precisaria crescer.
Kalecki destacou três maneiras de se obter o crescimento suficiente da demanda 
(interna) para assegurar o pleno emprego, tanto da força de trabalho como dos 
bens de capital, isso para as economias capitalistas avançadas:
 · Através de gastos governamentais em investimento público ou subsídios 
para o consumo de massa desde que esses gastos sejam financiados pelo 
déficit orçamentário;
 · Estimulando os investimentos privados;
 · Redistribuindo renda das classes altas para as classes de baixa renda.
Em suma, podemos concluir que, na visão de Kalecki, a demanda efetiva deveria 
ser estimulada com base em uma elevação dos gastos públicos, financiada por 
impostos sobre os lucros. Além disso, o investimento público deveria ser planejado 
de tal modo que sempre que faltassem os investimentos privados, o governo viesse 
em socorro, para que o investimento total pudesse alcançar o nível desejável. 
Simultaneamente, os gastos governamentais deveriam subsidiar os grupos de 
baixa renda. 
Quanto ao crescimento de longo prazo, segundo Kalecki, o problema crucial 
para a economia subdesenvolvida era aumentar a taxa de acumulação.
13
UNIDADE A Teoria Kaleckiana
Kalecki tinha como referência economias com abundância de mão de obra, 
sua referência era uma economia socialista, mas sua visão pode ser aplicada às 
economias mistas.
O modelo proposto por Kalecki é bem simples: digamos que i seja a taxa 
(bruta) de investimento e k a relação técnica capital-produto (ou seja, o número de 
unidades de capital efetivamente em uso, necessário para produzir uma unidade 
de produto final). A taxa de depreciação seria d e u a taxa extra de crescimento 
da produção anual que o país poderia obter se aperfeiçoasse os bens de capital 
existentes (expressamos i, u e d como proporções do PIB).
Representamos por r a taxa de crescimento da capacidade produtiva, o modelo 
de crescimento de longo prazo seria representado como segue: 
r
i
k
u d= + −
Com base nessa equação, deduzimos que a capacidade produtiva crescerá 
somente se a parcela de investimentos aumentar, dados k, u e d. parâmetros, que 
segundo Kalecki, um país pode modificar com medidas de política econômica. 
Assim, é possível aumentar u usando mais (e melhor) os bens de capital. Além 
disso, é possível reduzir d alongando a vida útil dos bens de capital. Finalmente, é 
possível reduzir a relação capital-produto k recorrendo a técnicas mais intensivas 
de mão-de-obra.
Podemos deduzir que para Kalecki, canalizar adequadamente os investimentos 
ou realizá-los com tecnologias apropriadas pode ser tão importante quanto acelerar 
seu crescimento.
O Princípio da Demanda Efetiva
 Trata-se de um princípio da demanda efetiva (PDE), justamente por antecipar, 
ser anterior à formulação de teorias macroeconômicas, tanto por sua generalidade 
(uma crítica à “Lei de Say”), quanto por sua essencialidade (por estabelecer as 
relações básicas de determinação da Macroeconomia).
A proposta de demanda efetiva de Kalecki é essencialmente idêntica a de 
Keynes. Sendo que Kalecki destaca sua preocupação com a distribuição de renda 
sobre a demanda agregada.
Na teoria da demanda efetiva parte-se da premissa de que em uma 
economia mercantil, como a capitalista, se produz com o propósito de 
realizar as mercadorias – isto é, vende-las pelo seu preço de produção – 
e com isso obter o lucro que elas contêm. Por essa razão é o mercado 
quem determina os níveis de atividade econômica (produto, emprego, 
lucros e salários). O limite último de tais níveis, obviamente, está fixado no 
14
15
curto prazo, pela amplitude das capacidades produtivas existentes. O que 
importa, entretanto, é que o nível concreto de atividade econômica [...] é 
definido pelo mercado, isto é, pela demanda efetiva. Há que considerar, 
ademais, que no capitalismo desenvolvido a demanda é normalmente, 
inferior ao produto que, potencialmente, ´poderia gerar-se. Assim o 
comum é que exista sempre uma capacidade produtiva ociosa, o que 
permite que a oferta tenha alguma elasticidade mesmo no curto prazo. Em 
outras palavras, quando a demanda excede a oferta, a produção aumenta; 
por outro lado, quando a demanda é inferior à oferta, a produção diminui. 
(GALLARDO, p. 59, 1986)
Em síntese, numa dada economia mercantil — e, portanto monetária, onde 
o dinheiro cumpre todas as suas funções (meio de circulação, unidade de conta, 
meio de pagamento) —, em toda transação de compra e venda existe apenas 
uma decisão autônoma: a de gastar. Em consequência, todo gasto determina uma 
receita de igual magnitude. Por agregação, o total do gasto em um dado período 
contábil é sempre igual e determina o total da receita. 
Para Kalecki, a determinação do consumo diretamente pela distribuição de 
renda é a primeira diferença importante em relação ao Keynes dominante na 
Teoria Geral.
A segunda diferença relevante diz respeito à concepção dos mercados e, a 
partir daí, aos tipos de retornos vigentes e ao processo de formação de preços. 
Enquanto Keynes mantém os pressupostos neoclássicos da concorrência perfeita 
e dos retornos decrescentes, Kalecki trabalha com a hipótese de diversidade das 
estruturas produtivas, contemplando aquelas caracterizadas pela concorrência 
imperfeita e, desse modo, pela formação de estruturas monopolistas e oligopolistas.
POSSAS, Mário Luiz. Demanda Efetiva, investimento e dinâmica: a atualidade de Kalecki 
para a teoria macroeconômica. Revista de Economia Contemporânea, Rio de Janeiro, 
Brasil, v. 3, n.2, p. 17-46, 1999 
Demanda efetiva, investimento e dinâmica a atualidade de kalecki para a teoria 
macroeconômica
https://goo.gl/69tCNK
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O Ciclo de Negócios na Macroeconomia
As crises cíclicas têm sido um fenômeno comum na economia capitalista e são 
muitas as tentativas de explicar e identificar esses ciclos.
Kalecki foi um dos principais colaboradores na busca de análise dinâmica 
da macroeconomia, onde diferentes variáveis em um modelo são definidas em 
períodos distintos.
15
UNIDADE A Teoria Kaleckiana
Contrariando a ortodoxia econômica de seu tempo, que usava modelos estáticos 
para buscar soluções de equilíbrio, Kalecki primava pelos modelos dinâmicos.
Mesmo hoje, o conceito de ciclo de negócios Kaleckiano é uma das teorias 
mais negligenciadas pelas escolas do pensamento econômico porque sintetiza uma 
instabilidade dinâmica intrínseca da economia mundial, em longo prazo, como 
resultado do que denominou duplo caráter de investimento. 
Kalecki e Schumpeter abordam o fenômeno dos ciclos de negócios de forma 
diferente, mas tem no cerne algo em comum: Na visão de Kalecki, a inovação 
tecnológica é um dos fatores determinantes paraa decisão de investimento e o 
investimento é a chave para justificar os ciclos de negócios.
Tendo como base estudos econométricos sobre o comportamento da taxa de 
juros norte americana, Kalecki concluiu que as taxas de juros no curto prazo são 
voláteis, no entanto, no longo prazo tem pouca oscilação, podendo assim ser 
considerada estável ou constante.
Apesar de atribuir o ciclo de negócios a causas distintas, a visão de Kalecki e de 
Schumpeter é muito próxima quanto ao entendimento que as inovações e rupturas 
tecnológicas são os fatores relevantes para a formação do ciclo de negócios.
Para conhecer melhor Schumpeter leia o Livro:
SCHUMPETER, Joseph Alois. A Teoria do Desenvolvimento Econômico. São Paulo: Abril 
Cultural, 1997.
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Para Kalecki, o estimulo ao investimento é provocado pela concorrência entre 
os capitalistas, cada um é levado a introduzir inovações tecnológicas e com isso 
estimulado a investir. As inovações estão embutidas nos novos equipamentos 
de capital.
Kalecki, em sua obra Teoria da Dinâmica Econômica, responde uma pergunta 
que ele mesmo formulou, ou seja. “O que causa as crises periódicas? Poderia ser 
respondida brevemente: É o fato de que o investimento não apenas é produzido, 
mas também é produtor. O investimento considerado como despesa é a fonte de 
prosperidade, e cada aumento dele melhoram os negócios e estimula uma posterior 
elevação do investimento.”
Outro conceito importante elaborado por Kalecki é o que ele denominou de 
princípio do risco crescente. 
16
17
Segundo esse princípio, quanto maior for o capital da empresa e seu tamanho, 
mais facilidade esta terá de obter empréstimos, isso porque tem como oferecer 
uma quantidade maior de garantias ao emprestador. Por dedução concluímos 
que o tamanho da firma limita o tamanho dos investimentos que pode realizar. 
Entretanto, dado o capital da empresa, o risco inerente a dado investimento será 
tanto maior quanto maior o recurso a empréstimos, isto porque estes envolvem 
pagamentos fixos (principal e juros) por parte das empresas. Assim, quanto maior 
a alavancagem da empresa, maior o seu risco.
Alavancagem: termo usado no mercado fi nanceiro para designar a obtenção de recursos 
para realizar determinadas operações. Num sentido mais preciso, signifi ca a relação entre 
endividamento de longo prazo e o capital empregado por uma empresa. Assim, o quociente 
Endividamento de Longo Prazo/Capital Total Empregado refl ete o grau de alavancagem 
aplicado. Quanto maior for o quociente, maior será o grau de alavancagem. SANDRONI, 1999
Ex
pl
or
Diferenças e Semelhanças entre 
Kalecki e Keynes
Vamos pontuar algumas discussões conceituais procurando relacionar aproxi-
mações e afastamentos entre esses dois grandes teóricos da economia, contempo-
râneos, mas separados pela linha ideológica com que elaboraram suas teorias que 
tanto contribuíram e nos auxiliam nos estudos macroeconômicos.
John Maynard Keynes e Michal Kalecki, considerados os fundadores da teoria 
da demanda efetiva, foram os primeiros a enfatizar o papel central do investimento 
na determinação de demanda e do produto agregado, assim como do curso do 
ciclo econômico.
Tanto Keynes quanto Kalecki notaram que as quedas dos salários nominais 
provavelmente seriam acompanhadas de preços decrescentes.
No entanto, Kalecki criticou a teoria do investimento de Keynes alegando que 
não levou em consideração a dinâmica necessária à determinação do investimento. 
Em sua crítica à Teoria Geral, Kalecki escreveu:
O conceito de Keynes, que nos diz somente quão elevado deve ser o 
investimento para que um certo desequilíbrio possa converter-se em 
equilíbrio, encontra também uma séria dificuldade ao longo dessa trajetória. 
De fato, o crescimento do investimento não resulta, de maneira nenhuma, 
em um processo que leva o sistema na direção do equilíbrio. Assim, é 
17
UNIDADE A Teoria Kaleckiana
difícil considerar satisfatória a solução de Keynes para o problema do 
investimento. A razão para esse fracasso encontra-se em uma abordagem 
basicamente estática para uma questão dinâmica por natureza. (LIMA; 
SICSÚ. p. 231, 2003)
Kalecki concorda com Keynes que o investimento somente ocorre se a taxa de 
juros for menor do que a taxa de retorno. No entanto, para Keynes, a taxa de juros 
representa o segundo fator decisivo e Kalecki simplesmente atribui-lhe um papel 
secundário, por considerar que a taxa realmente relevante é de longo prazo, que 
é relativamente estável por ser definida pela média das taxas de juros, recentes, de 
curto prazo. 
Embora Kalecki não tenha chegado a elaborar uma teoria do investimento tão 
completa e sofisticada como a de Keynes, inclusive pela abrangência monetária e 
financeira deste último, teve ao menos o mérito de formulá-la de modo diretamente 
voltado para os seus efeitos dinâmicos. Em contrapartida, seu maior defeito em 
comparação com Keynes é a ausência de um tratamento explícito das expectativas. 
(POSSAS, p. 32, 1999)
Em comparação com a teoria de Keynes, as principais lacunas do modelo 
de Kalecki seriam a ausência de tratamento da taxa de juros e da formação de 
expectativas de longo prazo.
No modelo kaleckiano, a função consumo não tem importância, uma vez que 
os investimentos determinam a atividade econômica, diferentemente de Keynes.
A determinação do consumo diretamente pela distribuição de renda é a primeira 
diferença importante do que defende Kalecki em relação ao que é dominante na 
Teoria Geral de Keynes.
Outra diferença relevante diz respeito à concepção dos mercados e, a partir daí, 
aos tipos de retornos vigentes e ao processo de formação de preços. Enquanto 
Keynes mantém os pressupostos neoclássicos da concorrência perfeita e dos 
retornos decrescentes, Kalecki trabalha com a hipótese de diversidade das estruturas 
produtivas, contemplando aquelas caracterizadas pela concorrência imperfeita e, 
desse modo, pela formação de estruturas monopolistas e oligopolistas.
Podemos destacar também como distinção importante entre Keynes e Kalecki 
a observação do fato de que o primeiro defende que a maneira fundamental de 
estimular o emprego se resume em realizar maior volume de investimento. Pois 
o modelo kaleckiano demonstra que a renda, antes de responder a qualquer lei 
psicológica, é influenciada pela distribuição de renda. Com isso, surge a possibilidade 
de se observar o aumento no volume de emprego envolvido na produção destinada 
a atender um certo volume de gastos.
Segundo essa teoria, quanto maior a participação da remuneração do trabalho 
na renda, maior será o multiplicador e maior a variação do produto dado o 
investimento. Kalecki mostra a importância da distribuição no comportamento 
dinâmico da economia.
18
19
Pontos Problemáticos no 
Modelo Kaleckiano
É indiscutivelmente valioso o legado teórico deixado pelos estudos desenvolvidos 
por Kalecki como forma de consolidar a macroeconomia como um segmento da 
economia de fundamental importância no contexto da compreensão estrutural das 
diversas economias.
No entanto, alguns pontos defendidos ou não abordados em seus estudos têm 
sido objeto de críticas e precisam passar por revisão. Vamos procurar destacar 
alguns desses pontos passíveis de análises mais específicas, assim como um 
incentivo a reflexão e estímulo ao seu posicionamento a respeito. 
Procurando fomentar a reflexão e aprofundamento de pesquisa, vamos destacar 
algumas críticas ao modelo kaleckiano que são mais recorrentes e importantes: 
a) a ausência de tendências; b) o duplo papel atribuído às inversões de capital; 
c) a ruptura confusa da poupança como elemento influenciador no processo 
decisório do investimento e d) a falta de uma clara distinção entre taxa de juros e 
taxa de lucro. Claro que existem outras críticas, mas vamos nos limitar a discutir 
essas principais. 
a) ausência de tendências
Em toda a sua obra, Kalecki não integra uma tendência às flutuações. Sua obra 
se caracteriza pelo estudo das flutuações cíclicas e de seus determinantes.Não 
discutir a tendência (crescimento) destas flutuações (ciclo), implica em aceitar que 
independentemente do comportamento das flutuações, tem-se uma coisa dada que 
é o retorno ao estágio original (o ciclo puro despreza a fase de expansão do ciclo). 
Este raciocínio implica, por outro lado, em não admitir que a reprodução ampliada 
seja tão inerente ao capitalismo quanto as flutuações o são. A reprodução ampliada 
é vista pelo autor como resultado único do problema de demanda efetiva e como 
um dos tantos casos possíveis.
b) o duplo papel atribuído às inversões de capital
O duplo papel que o autor atribui à inversão de capital (o princípio de 
ajustamento do estoque de capital), no qual este gera lucros e amplia a massa de 
capital pelo qual se define a taxa de lucros, é duvidosa e resulta da compreensão de 
que o ciclo não comporta a expansão (CASTRO, 1979). Além disso, uma ampliação 
do estoque de capital não necessariamente representa uma reação negativa, pode 
também significar um estímulo quando investir ou não se torna uma questão 
de sobrevivência. 
19
UNIDADE A Teoria Kaleckiana
c) a ruptura confusa da poupança como elemento influenciador no processo 
decisório do investimento
A confusão teórica sobre a poupança atribui-se à necessidade de transparecer 
uma ruptura teórica definitiva com os clássicos, que afirmavam ser a poupança 
o único limite ao investimento. Esta ruptura procura enfatizar que o capitalista 
(individual), no curto prazo, não precisa de poupança, mas de crédito. Contudo, 
Kalecki tinha consciência de que a empresa não poderia investir infinitamente 
baseado em capital de terceiros e conclui que no longo prazo a poupança 
é fundamental.
A poupança (S) no modelo kaleckiano é só a poupança privada. Mas para um 
modelo macroeconômico é necessário a poupança nacional que inclui a poupança 
pública. No caso, se esta for negativa (G > T), a poupança macroeconômica se 
diminui com a consequência que a formação de capital se diminui. 
d) a falta de uma clara distinção entre taxa de juros e taxa de lucro. Claro 
que existem outras críticas, mas vamos nos limitar a discutir essas principais. 
 Kalecki não faz distinção nítida entre a taxa de juros e taxa de lucros. Portanto, 
não estabelece a diferença entre capital financeiro e capital industrial, o que leva a 
pensar que o movimento relativo da taxa de juros e da taxa de lucros seja irrelevante 
na determinação das flutuações econômicas (CASTRO,1979).
O retorno a Kalecki não deve ser, portanto, um simples aceno de reconhecimento 
e justiça a um grande pensador econômico pouco difundido e precocemente 
esquecido; mas um gesto de sobrevivência crítica, e, portanto científica, de uma 
disciplina essencial para a vida social e para a ação pública no capitalismo, mas que 
se esvai em perda de substância científica e falta de rumo ao mesmo tempo em que 
se infla de saber convencional. (POSSAS, p. 23, 1999)
20
21
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Livros
O Capitalismo ainda é aquele
CASTRO, Antonio Barros de O capitalismo ainda é aquele. Rio de Janeiro: 
Forense, 1979.
Michal Kalecki e a Teoria da Demanda Efetiva
GALLARDO. Julio López. Michal Kalecki e a teoria da demanda efetiva. São 
Paulo: Revista de Economia Política v. 6, nº 3, jul/set, 1986
Macroeconomia do Emprego e da Renda: Keynes e o Keynesianismo
LIMA, Gilberto Tadeu; SICSÚ, João (orgs.). Macroeconomia do emprego e da 
renda: Keynes e o keynesianismo, Barueri, SP: Manole, 2003. 
Demanda Efetiva, Investimento e Dinâmica: a Atualidade de Kalecki para a Teoria Macroeconômica
POSSAS, Mário Luiz. Demanda Efetiva, investimento e dinâmica: a atualidade de 
Kalecki para a teoria macroeconômica. Revista de Economia Contemporânea, 
Rio de Janeiro, Brasil, v. 3, n.2, p. 17-46, 1999.
Novíssimo Dicionário de Economia
SANDRONI, Paulo. Novíssimo Dicionário de Economia. São Paulo: Ed. Best 
Seller, 1999.
A Teoria do Desenvolvimento Econômico
SCHUMPETER, Joseph Alois. A Teoria do Desenvolvimento Econômico. 
São Paulo: Abril Cultural, 1997.
21
UNIDADE A Teoria Kaleckiana
Referências
LOPES, L. M.; VASCONCELLOS, M. A. S. Manual De Macroeconomia: Nível 
Básico e Nível Intermediário. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2000 
KALECKI, Michal. Teoria da dinâmica econômica: ensaio sobre as mudanças 
cíclicas e a longo prazo da economia capitalista. São Paulo: Nova Cultural, 1977.
22
Macroeconomia 
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof. Esp. Valdécio Silvério Bezerra
Revisão Textual:
Profa. Ms. Fátima Furlan
O Modelo IS – LM
• O Modelo IS-LM
• Equilíbrio no Mercado de Bens e Serviços e a Curva IS
• Equilíbrio no Mercado Monetário: A Curva LM
• Equilíbrio no Mercado de Bens e Serviços e no Mercado Monetário
• Demanda Agregada no Modelo IS-LM
• Interação Demanda Agregada e Oferta Agregada no Modelo IS-LM
• Políticas Monetária e Fiscal no Modelo IS-LM
 · Detalhar como surgiu o Modelo IS–LM e quais foram os seus 
idealizadores e a partir desse conhecimento definir o que representa 
a curva IS e a curva LM, o que é equilíbrio de mercado de bens e 
serviços e monetário. Assim como explicar os efeitos das políticas 
fiscal e monetária nesse modelo.
 · Entender e interpretar gráficos e os resultados possíveis dessas 
políticas de acordo com as inclinações das curvas IS e LM e suas 
combinações e o que acontece com a taxa de juros, os investimentos, 
o estoque de moedas, a renda e outras variáveis passíveis de serem 
explicadas pelo modelo.
OBJETIVO DE APRENDIZADO
O Modelo IS – LM
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Não se esqueça 
de se alimentar 
e se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja uma maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas: 
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e 
horário fixos como o seu “momento do estudo”. 
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar, lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo.
No material de cada Unidade, há leituras indicadas, dentre elas: artigos científicos, livros, vídeos e 
sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você também 
encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua 
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados.
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discussão, 
pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato 
com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e aprendizagem.
UNIDADE O Modelo IS – LM
Contextualização
Juros Altos Favorecem Investimento em Renda Fixa; Poupança é 
Opção Ruim
A taxa de juros no Brasil continua elevada, o que favorece o investimento 
em renda fixa e afasta o investidor de um risco desnecessário, como aplicação 
em Bolsa, para garantir um bom rendimento. A poupança continua sendo uma 
opção ruim.
Consultores econômicos afirmam que o cenário econômico no país ainda 
é incerto, pois precisa passar pela avaliação da força do governo que procura 
aprovar no Congresso projetos que podem resultar em aumento de impostos. 
O cenário econômico exige do governo tomada de ações impopulares para acertar 
a economia.
Se essas ações de ajuste forem tomadas com sucesso, só então os especialistasacreditam que a Bolsa poderá subir, terminando o ano em curso perto dos 60 mil 
pontos. Dólar deve cair a R$ 3,10 no mesmo período e a taxa de juros poderá 
baixar para 13% ao ano.
Com a atual taxa elevada de juros se mantendo, a renda fixa continua bem 
atraente: ela garante uma rentabilidade alta a um risco menor, dizem os especialistas, 
por outro lado, dependendo do apetite de risco do investidor, é possível já começar 
a diversificar até 20% do seu capital em investimentos mais arriscados, tais 
como ações.
8
9
O Modelo IS-LM 
Atribui-se a origem do Modelo IS–LM ao artigo “Mr. Keynes and the classics: a 
suggested interpretation”, de autoria do economista britânico John Richard Hicks 
em 1937. Neste artigo, Hicks procurava sintetizar as principais ideias contidas no 
livro, então recentemente publicado, A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da 
Moeda, de John Maynard Keynes.
Alvin Hansen - (1887-1975) John Richard Hicks (1904-1989)
Fonte: Adaptado de Wikimedia/Commons
Alvin Hansen - https://goo.gl/MpJhhv
Ex
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or
Neste artigo, o autor procurava descrever, de maneira simplificada, um sistema 
de equações relacionado aos mercados de bens, monetários e de ativos, ao mesmo 
tempo buscava resumir tais ideias com base em termos geométricos, a partir de 
gráficos com duas curvas assim definidas por ele. “SI” (que representava o equilíbrio 
de mercado de bens ou a igualdade entre poupança e investimento), e a curva “LL” 
(representando o equilíbrio no mercado monetário ou a igualdade entre oferta e 
demanda por moeda). Essa análise foi posteriormente ampliada pelo economista 
norte americano Alvin Hansen. Hicks e Hansen chamaram essa formulação de 
modelo IS–LM, também conhecida como modelo de Hicks-Hansen.
9
UNIDADE O Modelo IS – LM
Uma das partes do modelo é composta pela curva IS (do inglês Investiment 
Saving) corresponde a “investimento” e “poupança”, a curva IS representa aquilo 
que está acontecendo no mercado de bens e serviços. O outro componente do 
modelo é a curva LM (do inglês Liquidity Money), representa aquilo que está 
acontecendo com a oferta e demanda por moeda.
Como a taxa de juros influencia tanto o investimento quanto a demanda por 
moeda, ela é a variável que faz a ligação entre as duas metades do modelo IS–LM . 
“O modelo demonstra como interações entre o mercado de bens e serviços e o 
mercado de moeda determinam a posição e a inclinação da curva de demanda 
agregada e, consequentemente, o nível da renda nacional no curto prazo” 
(MANKIW, p. 206, 2008).
Agora que você conheceu um pouco sobre o surgimento do modelo objeto 
de nosso estudo, passemos agora aos principais conceitos relacionados, suas 
aplicações, objetivos e representações gráficas. Vamos lá!
Equilíbrio no Mercado de Bens e 
Serviços e a Curva IS
Como vimos, a curva IS representa graficamente a relação entre a taxa de juros 
e o nível de renda que surge no mercado de bens e serviços.
Representamos a condição de equilíbrio no mercado de bens e serviços assim 
como segue:
Y = C + I + G, também equivalente à expressão: I + G = S + T
Na maioria das vezes, representamos a curva de equilíbrio no mercado de 
bens, denominada curva IS, tendo como referência a segunda forma acima da 
condição de equilíbrio. Tomando como base um caso simplificado, no qual não 
levaremos em conta o setor governamental (G e T são iguais a zero), chegamos 
a seguinte conclusão:
I (r) = S (Y)
Indicamos assim a dependência do investimento em relação à taxa de juros e a 
dependência da poupança em relação ao nível de renda.
10
11
Com base nessas informações, podemos agora construir a curva IS, que 
representamos graficamente na Figura 1 abaixo:
r
r2
r1
r0
C
Y2
B
Y1
A
Y0
IS Y
A Curva IS
Renda
Ta
xa
 d
e 
Ju
ro
s
Figura 1 – Construção da Curva IS (T = G = 0)
Nas combinações taxa de juros-renda (r0, Y0), (r1, Y1) e (r2, Y2) obtemos os pontos 
(A, B, C) ao longo da curva IS.
Cada ponto na curva IS (A, B, C) representa equilíbrio no mercado de bens. 
Além disso, a curva ilustra o modo como o nível de renda de equilíbrio depende da 
taxa de juros. Percebemos também como o aumento na taxa de juros, por exemplo, 
de r0 para r1 provoca uma queda no investimento, o que implica em redução na 
renda, de Y0 para Y1, a curva IS apresenta uma inclinação negativa (descendente). 
Mas o que determinará se esta curva for muito ou pouco inclinada? Veremos mais 
a frente que o declive da curva IS é o fator que determina a efetividade relativa das 
politicas de estabilização monetária e fiscal.
Quando a curva IS é traçada muito inclinada, indica que o investimento não 
é muito sensível a mudanças na taxa de juros, a elasticidade de demanda por 
investimento em relação aos juros é baixa. Agora, se a curva IS apresenta pouca 
inclinação, isso significa que a elasticidade de demanda por investimento em relação 
aos juros é baixa. Ver Figura 2.
O conceito de elasticidade refere-se à mudança percentual em uma variável resultante 
de uma mudança de 1% em outra variável. No caso da elasticidade da demanda por 
investimento em relação aos juros, a elasticidade é negativa. Um aumento de 1% na taxa de 
juros causará uma queda da demanda por investimento. Essa demanda será muito ou pouco 
elástica (sensível) às mudanças na taxa de juros.
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11
UNIDADE O Modelo IS – LM
IS’
Y
C
A
r1
r
r2
Y1 Y2
B
IS
Y’2
Renda
A Curva IS
Ta
xa
 d
e 
Ju
ro
s
Figura 2 - Elasticidade da Demanda de Investimento em Relação aos Juros e a Inclinação da Curva IS
Para exemplificar o que descrevemos acima, o gráfico da Figura 2 demonstra 
como seriam as curvas IS muito ou pouco elástica (sensível) a mudanças da taxa 
de juros. A curva IS (vermelha) é pouco elástica em relação a variação da taxa de 
juros, ocorre um pequeno aumento da renda (poupança) para que se estabeleça 
o equilíbrio do mercado de bens. A curva é mais inclinada. A curva IS’ (preta) é 
mais elástica (sensível) a variação da taxa de juros. O investimento aumenta num 
montante maior, com a queda da taxa de juros. Assim como a poupança e também 
a renda devem aumentar numa magnitude maior. A curva IS’ será pouco inclinada.
Equilíbrio no Mercado Monetário: A Curva LM
Vamos agora estudar a curva LM e como se dá o equilíbrio no mercado monetá-
rio. Vimos anteriormente que a curva LM representa graficamente a relação entre 
a taxa de juros e o nível de renda que ocorre no mercado por encaixes monetários 
(o dinheiro que pertence aos bancos é mantido junto ao Banco Central em forma 
de garantia ou lastro). Para que você entenda essa relação é preciso, antes de qual-
quer coisa, compreender a teoria relacionada à taxa de juros denominada teoria 
da preferência pela liquidez.
A preferência pela liquidez, segundo Keynes, determina a quantidade de moeda 
que o público deseja reter de acordo com a taxa de juros,
[...] sendo a taxa de juros, a qualquer momento, a recompensa da renúncia 
à liquidez, é uma medida de relutância dos que possuem dinheiro alienar 
o seu direito de dispor do mesmo. A taxa de juros não é o “preço” que 
equilibra a demanda de recursos para investir e a propensão de abster-se 
do consumo imediato. É o “preço” mediante o qual o desejo de manter 
a riqueza em forma líquida se concilia com a quantidade de moeda 
disponível. Isso implica que, se a taxa de juros fosse menor, isto é, se a 
recompensa da renúncia à liquidez se reduzisse, o montante agregado de 
moeda que o público desejaria conservar excederia a oferta disponível 
12
13
e que, se a taxa de juros se elevasse, haveria um excedente de moeda 
que ninguém estaria disposto a reter. Se esta explicação for correta, 
a quantidade de moeda é outro fator que, aliado à preferência pela 
liquidez, determina a taxa corrente de juros em certas circunstâncias. A 
preferência pela liquidez é uma potencialidade ou tendência funcional 
que fixa a quantidade de moeda que o público reterá quando a taxa de 
juros for dada. (KEYNES, 1996, 174)
Dessa forma, tendo como base a teoria da preferência porliquidez, podemos 
explicar o que determina a taxa de juros, e a partir dessa teoria podemos derivar 
a curva LM.
Em síntese, uma renda alta implica em gasto alto, as pessoas se envolvem em 
um maior número de transações que exigem o uso de moeda. Portanto, de acordo 
com a teoria da preferência pela liquidez, uma renda mais alta acarreta uma taxa de 
juros mais alta, isso porque a oferta de encaixes monetários permanecerá inalterada 
provocando o aumento da taxa de juros.
Vejamos como podemos ilustrar essa relação com base no gráfico da 
Figura 3 abaixo:
Encaixes monetários
reais, M/P
Ta
xa
 d
e 
Ju
ro
s
Renda, produto, Y
Aumento na renda, aumenta
a demanda por moeda.
LM
B
Y2
A
r1
r1
r2
r r
r2
L(r2 ,Y2)
L(r1 ,Y1)
Y1M/P
a) O Mercado de Encaixes Monetários Reais b) A Curva LM
Figura 3
Fonte: MANKIW, 2008
Derivando a Curva LM: O painel (a) apresenta o mercado de encaixes monetários 
reais, um crescimento na renda, de Y1 para Y2, faz crescer a demanda por moeda e, 
por conseguinte, faz crescer a taxa de juros, de r1 para r2. O painel (b) apresenta a 
curva LM, sintetizando essa relação entre a taxa de juros e a renda, quanto mais alto 
o nível de renda, maior a taxa de juros. (MANKIW, p. 218, 2008)
A curva LM, ilustrada na Figura 3, sintetiza a relação entre o nível de renda e a 
taxa de juros. Cada ponto na curva LM (A e B), por exemplo, representa equilíbrio 
no mercado monetário, e a curva ilustra no modelo como a taxa de juros de 
equilíbrio depende do nível de renda. Quanto mais alto o nível de renda, maior a 
demanda por encaixes monetários reais, maior a taxa de juros de equilíbrio. Por 
essa razão, a curva LM tem inclinação ascendente (positiva).
13
UNIDADE O Modelo IS – LM
Equilíbrio no Mercado de Bens e Serviços e 
no Mercado Monetário
Como já vimos, a curva IS tem inclinação negativa e mostra todos os pontos de 
equilíbrio no mercado de bens, já a curva LM tem inclinação positiva e nos mostra 
todos os pontos de equilíbrio no mercado monetário. Agora vamos combinar essas 
duas curvas, IS e LM. O ponto de intersecção entre as duas curvas (E) é o único 
ponto de equilíbrio geral para ambos os mercados. Todos os pontos fora dessa 
intersecção indica algum tipo de desequilíbrio.
A Figura 4 abaixo ilustra graficamente essa combinação:
r
A
D
Renda
Ta
xa
 d
e 
Ju
ro
s
B
C 
Y 
Y0 
IS
F
E
LM
r0
Figura 4 - Ajuste ao Equilíbrio no Modelo das Curvas IS -LM
O ponto de intersecção (E) das curvas IS e LM representa a combinação da taxa 
de juros e a renda (r0 e Y0), que produz o equilíbrio tanto para o mercado de bens 
quanto para o mercado monetário.
Importante a compreensão desse equilíbrio no modelo IS–LM se levarmos em 
consideração as razões pelas quais os pontos fora da intersecção das duas curvas 
não são pontos de equilíbrio e o que cada um desses pontos quer nos dizer.
Os pontos acima da curva LM indicam que há um excesso de oferta de moeda. 
A renda associada a qualquer dos pontos A ou B (Figura 4), a taxa de juros 
correspondente é excessivamente alta para o equilíbrio do mercado monetário. 
Há um excesso de oferta de moeda, com isso há pressão de baixa sobre a taxa 
de juros. Por outro lado, nos pontos abaixo da curva LM, por exemplo, C e D, 
haverá excesso de demanda por moeda, e consequentemente, pressão de alta 
sobre a taxa de juros.
14
15
Agora, nossa referência será a curva IS, sendo agora observados os pontos B 
e C, que estão à direita da curva IS, a produção excederá a demanda agregada, 
ou da mesma forma, o valor da poupança somado aos impostos excederá o do 
investimento somado aos gastos do governo. Há, portanto um excesso de oferta 
de bens, consequentemente uma pressão sobre a produção. Por outro lado, nos 
pontos que ficam à esquerda da curva IS, pontos A e D, a produção está abaixo 
do nível que equilibra o mercado de bens. Há um excesso de demanda por bens, 
haverá, portanto, pressão para aumento da produção.
Um ponto na curva IS, por exemplo, o ponto F, representa equilíbrio no 
mercado de bens, mas, ao mesmo tempo, um ponto ao longo da curva IS que 
não seja o ponto E, resulta em desequilíbrio no mercado monetário. Já um ponto 
ao longo da curva LM, indica equilíbrio no mercado monetário, no entanto, com 
exceção do ponto E, qualquer outro ponto ao longo da curva LM implica em 
desequilíbrio, ou seja, aplica-se a lógica do ponto acima ou abaixo da curva IS.
Demanda Agregada no Modelo IS-LM
A curva da demanda agregada sintetiza os resultados do modelo IS-LM, 
mostrando a renda de equilíbrio em qualquer nível de preços determinado. A curva 
da demanda agregada tem inclinação negativa, uma vez que o nível de preços mais 
baixo faz crescer a quantidade de encaixes monetários reais, reduz a taxa de juros, 
estimula o gasto com investimento e, com isso, faz crescer a renda de equilíbrio.
Agora, substituiremos a teoria quantitativa pelo modelo IS–LM para explicar os 
determinantes de demanda agregada. Nesse modelo a renda nacional cai à medida 
que o nível de preços cresce, isso explica por que a curva da demanda agregada 
tem inclinação negativa e nos mostra o conjunto de pontos de equilíbrio que surge 
no modelo IS–LM à medida que variamos o nível de preços e verificamos o que 
acontece com a renda. 
Na Figura 5, derivamos a curva de demanda agregada com o modelo IS-LM 
para facilitar a compreensão do que definimos acima.
Figura 5
15
UNIDADE O Modelo IS – LM
Derivando a Curva da Demanda Agregada com o Modelo IS-LM. O painel (a) mostra 
o modelo IS-LM um aumento no nível de preços, de P1 para P2, diminui os encaixes 
monetários reais e, por conseguinte, desloca a curva LM para cima. O deslocamento 
da curva LM diminui a renda, de Y1 para Y2. O painel (b) mostra a curva de demanda 
agregada, sintetizando essa relação entre o nível de preços e a renda, quanto mais 
alto o nível de preços, mais baixo o nível de renda. (MANKIW, p. 232, 2008)
Em síntese, quando ocorre uma variação no modelo IS–LM em decorrência 
de uma variação no nível de preços representa um movimento ao longo da 
curva da demanda agregada. Uma variação na renda nesse mesmo modelo, 
para um determinado nível de preços provoca um deslocamento na curva da 
demanda agregada. 
Interação Demanda Agregada e Oferta 
Agregada no Modelo IS-LM 
O modelo de Demanda Agregada (DA) e Oferta Agregada (OA) e o Modelo 
IS–LM podem ser considerados modelos equivalentes. Ambos são baseados nas 
mesmas premissas sobre o comportamento e ajuste de preços e quando utilizados 
para analisar os efeitos de vários choques na economia dão as mesmas respostas.
O modelo IS–LM relaciona a taxa de juros real ao produto, já o modelo 
DA–OA relaciona o nível de preços ao produto. A escolha de um modelo ou 
outro dependerá sempre da variável que queremos analisar expressando a maior 
aproximação possível da realidade. Portanto, se tratamos de assuntos relacionados 
ao comportamento da taxa de juros real será crucial utilizarmos o modelo IS–LM. 
Por outro lado, assuntos relacionados ao nível de preços ou inflação, o uso do 
modelo DA–OA é mais conveniente. A escolha da estrutura IS–LM ou da estrutura 
DA–OA é uma questão de conveniência, os dois modelos expressam a mesma 
teoria macroeconômica básica.
Curva de Demanda Agregada
A curva de demanda agregada representa a relação entre quantidade agregada 
de bens demandados, Cd + Id + G e o nível de preços P, e tem inclinação negativa, 
assim como a demanda por um produto único. O que diferencia uma curva da 
outra e que é muito importante: demanda por um produto, por exemplo, batata, 
relaciona a demanda por esse produto com o preço desse produto em relação 
aos preços de outros bens. Já a curva DA relaciona a quantidade agregada de 
produto demandada ao nível geral de preço.
Destaque-se que, para um dado nível de preços, a quantidade agregada de 
produto que as famílias, as empresas e o governo decidem demandar é onde a 
curva IS e a curva LM se cruzam. 
16
17
Como a demanda agregada é determinada pela interseção entreas curvas IS 
e LM, mantido o nível de preços constante, qualquer fator que desloque para a 
direita esse ponto de interseção entre as curvas IS e LM eleva a demanda agregada 
e desloca a curva DA para cima e para a direita. Assim como, qualquer fator que 
desloque para a esquerda o ponto de interseção entre as curvas IS e LM, desloca a 
curva DA para baixo e para a esquerda.
Na Figura 6, a curva DA tem inclinação negativa porque um aumento no nível 
de preços reduz a oferta real de moeda deslocando a curva LM para cima e para a 
esquerda; a redução na oferta real de moeda eleva a taxa de juros real, reduzindo 
a demanda de famílias e empresas por bens. Os pontos E e F na Figura 6a 
corresponde respectivamente aos pontos E e F na Figura 6b.
LM2(P=P2)
LM2(P=P1)
Y2 Y1
F
E
IS
r
2
r
1
(a) IS-LM
(b) Curva de demanda agredada
Ta
xa
 d
e j
ur
os
 re
al
 r
Ni
ve
l d
e p
re
ço
s, 
P
Produto, Y
Produto, Y
F
E
DA
Y2 Y1
P1
P2
Figura 6
Fonte: ABEL, BERNANKE e CROUSHORE, 2008
Curva de Oferta Agregada
A curva de oferta agregada mostra a relação entre o nível de preços e a 
quantidade agregada de produtos que as empresas ofertam. Importante salientar 
que no modelo IS–LM destacamos a premissa de que as empresas se comportam 
de forma diferente no curto prazo e no longo prazo.
Segundo essa premissa com os preços fixos no curto prazo, é que as empresas 
ofertam a quantidade de produto demandada a esse nível de preços fixos. Assim a 
curva de oferta agregada de curto prazo OACP é uma linha horizontal.
17
UNIDADE O Modelo IS – LM
No longo prazo, preços e salários se ajustam para equilibrar todos os mercados 
na economia. As empresas ofertam Y para qualquer nível de preços e, assim a 
curva de oferta agregada de longo prazo OALP é uma linha vertical em Y = Y 
como mostra a Figura 7.
Figura 7
Fonte: ABEL, BERNANKE e CROUSHORE, 2008
Qualquer fator que aumente o pleno emprego do produto, Y, desloca a curva 
OALP para a direita e qualquer fator que reduza Y desloca a curva OALP para a 
esquerda. Sendo assim, qualquer alteração que desloque a linha de pleno emprego 
para a direita no diagrama IS–LM também desloca a curva OALP para a direita.
Políticas Monetária e Fiscal no Modelo IS-LM
Vamos iniciar nossos estudos relacionados às políticas econômicas estabelecen-
do algumas relações que nos facilitarão compreender os resultados proporcionados 
por dois instrumentos dessas políticas, o monetário e o fiscal que podem ser utiliza-
dos para afetar o nível de renda. A “eficácia”, ou seja, o tamanho do efeito sobre a 
renda de uma determinada mudança na variável de política econômica (monetária 
ou fiscal) depende das inclinações das curvas IS e LM. A tabela abaixo nos possibi-
lita visualizar os efeitos dessas ações.
M, estoque de moeda; G, nível de gastos do governo; T, impostos. O sinal + indica que uma mudança no 
instrumento de política faz com que a variável nessa coluna (Y ou r) se mova na mesma direção. O sinal - 
indica o oposto. 
Efeitos das Variáveis das Políticas Monetária e Fiscal
Efeito de M G F
Sobre Y + + -
Sobre r - + -
(FROYEN, p.178, 2005)
Em primeiro lugar vamos analisar os efeitos da política monetária com base em três 
situações de inclinação da curva IS, ou seja, muito inclinada, pouco inclinada e vertical.
18
19
No caso da curva IS muito inclinada (baixa elasticidade da demanda por 
investimentos em relação aos juros), Figura 8a, observamos que a política 
monetária é relativamente ineficaz. A renda aumenta muito pouco como resultado 
do aumento do estoque de moeda e a curva LM desloca-se de LM0 para LM1. No 
caso da Figura 8b, a curva IS está bem menos inclinada, refletindo uma maior 
elasticidade da demanda por investimentos em relação aos juros. Verificamos 
nesse caso que a política monetária torna-se mais eficaz. Agora simulando um caso 
extremo, a curva IS vertical, Figura 8c investimento completamente insensível 
às variações da taxa de juros (elasticidade zero). O efeito do aumento do estoque 
de moeda simplesmente deslocará a curva LM para baixo ao longo da curva IS, 
ou seja, nesse caso o investimento não é afetado pela política monetária, não 
depende da taxa de juros.
Importante!
Quanto maior for a inclinação da curva IS, mais nos aproximamos desse caso extremo, e 
a política monetária será menos efi caz.
Importante!
Figura 8
Fonte: FROYEN, 2005
19
UNIDADE O Modelo IS – LM
Agora, vamos analisar os efeitos da política fiscal com base nas mesmas três 
situações de inclinação da curva IS, ou seja, muito inclinada, pouco inclinada e vertical.
Nos casos mostrados nas Figuras 9a e 9b, o aumento nos gastos do governo, 
seja a curva IS muito ou pouco inclinada, em ambos os casos, esta se desloca 
de IS0 para IS1. A distância horizontal, ΔG (1/1-b), é a mesma nos dois casos, 
podemos deduzir que a magnitude do impacto da política é igual em ambos os 
casos. Observamos nos gráficos que a política fiscal é muito mais eficaz quando a 
curva IS é mais inclinada, Figura 9a. 
A curva IS muito inclinada ocorre quando o investimento, como vimos, é 
relativamente inelástico aos juros, com isso maior será o efeito de uma determinada 
política fiscal.
“Qual a importância desse efeito no investimento, em geral chamado 
de crowding out (ou efeito deslocamento)? Um fator que determina a 
importância desse deslocamento no investimento privado é a inclinação 
da curva IS.”(FROYEN, p. 183, 2005).
No caso da curva IS vertical, como mostrado na Figura 9c, o investimento é 
completamente sensível aos juros. O aumento dos gastos do governo faz subir a 
taxa de juros, mas não interfere nos investimentos.
a. Curva IS muito inclinada b. Curva IS pouco inclinada
20
21
c. Curva IS pouco inclinada
Figura 9
Fonte:FROYEN, 2005
O Efeito da Política Fiscal e a Inclinação da Curva IS
Comparando os resultados das duas políticas tratadas acima, verificamos que 
a política fiscal é mais eficaz quando a curva IS é muito inclinada (elasticidade da 
demanda por investimento em relação a juros é baixa), por outro lado, a política 
monetária é mais eficaz quando a curva IS é pouco inclinada (elasticidade da 
demanda por investimento em relação aos juros é alta). 
Agora, nosso foco será a inclinação da curva LM, sabemos que essa inclinação 
depende da elasticidade da demanda por moeda em relação aos juros. Veremos 
agora como a eficácia das políticas monetária e fiscal depende da inclinação da 
curva LM, ou seja, da elasticidade da demanda por moeda em relação aos juros.
Na Figura 10, ilustramos os efeitos do aumento na quantidade de moeda em 
relação à inclinação da curva LM, muito ou pouco inclinada ou vertical. Nos 
casos exemplificados, supomos que o aumento no estoque de moeda desloque a 
curva LM, de LM1 para LM0. A inclinação da curva IS é a mesma em todos os 
gráficos. Nos três casos, o aumento no estoque de moeda desloca a curva LM a 
uma distância (∆M/c1) igual, de LM0 para LM1.
21
UNIDADE O Modelo IS – LM
No gráfico da Figura 10ª, onde a curva LM é relativamente pouco inclinada, 
a política monetária é menos eficaz (a elasticidade da demanda por moeda em 
relação aos juros é alta). O efeito sobre a renda do aumento no estoque de moeda 
é sucessivamente maior quando consideramos a Figura 10b, caso em que a 
elasticidade da demanda por moeda em relação aos juros é menor, e depois a 
Figura 10c, onde a elasticidade da demanda por moeda em relação aos juros é 
zero, ou seja, a curva LM é vertical.
Figura 10
22
23
A tabela abaixo faz um resumo dos efeitos das Políticas Fiscal e Monetária no 
contexto do Modelo IS–LM. 
Efeitos das Políticas Fiscal e Monetária
Deslocamento de IS Deslocamento de LM Mudança no produto
Mudança na taxa 
de juros
Aumentos dos 
impostos esquerda nenhum diminui diminui
Diminuição dos 
impostos direita nenhum aumenta aumenta
Aumento dos gastos do 
governo direita nenhum aumenta aumenta
Diminuição dos gastos 
do governo esquerda nenhum diminui diminui
Aumento da moeda nenhum para baixo aumenta diminui
Diminuiçãoda moeda nenhum para cima diminui aumenta
Fonte: BLANCHARD, 2007
23
UNIDADE O Modelo IS – LM
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Livros
Macroeconomia
ABEL, B. A; BERNANKE, B. S.; CROUSHORE, D. Macroeconomia. 6. ed. São 
Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. 
 Leitura
IS-LM: uma história?
ANDRADE, A. A. S. & MAGALHÃES, M. A. IS-LM: uma história? v. 24, nº 4.,São 
Paulo: Revista de Economia Política, out./dez. 2004.
https://goo.gl/W61Yo5
As primeiras impressões de Hicks sobre a Teoria Geral
SOROMENHO, J. E. de C. As primeiras impressões de Hicks sobre a Teoria Geral. v. 
34, nº 2, São Paulo: Revista de Eco. Pol., pp. 327-343, abr./jun. 2014.
https://goo.gl/cRrrSU
24
25
Referências
BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. 4. ed. São Paulo: Pearson Prentice 
Hall, 2007.
FROYEN, Richard T. Macroeconomia. 5. ed. São Paulo-SP: Saraiva, 2005.
KEYNES, John Maynard. A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda. São 
Paulo: Nova Cultural, 1996.
LOPES, L. M.; VASCONCELLOS, M. A. S. Manual de Macroeconomia: Nivel 
Básico e Nível Intermediário. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2000.
MANKIW, N. Gregory. Macroeconomia. 6. ed. ,Rio de Janeiro: LTC-Livros 
Técnicos e Científicos, 2008.
25
Cruzeiro do Sul 
Educacional 
Macroeconomia
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof. Esp. Valdécio Silvério Bezerra
Revisão Textual:
Profa. Ms. Fátima Fulan 
Debates Recentes
• Os Monetaristas
• A Teoria da Taxa Natural
• Política Monetária, Produto e Inflação
• Visão Keynesiana do Trade-off Produto-Inflação
 · Destacar alguns dos debates recentes ligados à interpretação 
macroeconômica que tem como foco novas interpretações sob a 
ótica dos monetaristas, novo-clássicos e novo-keynesianos. Entender 
como essas teorias procuram reformular conceitos defendidos pelos 
teóricos fundadores dos estudos macroeconômicos. Despertar o 
interesse pelo estudo macroeconômico, assim como pela pesquisa 
nessa área em constante atualização e repleta de novos desafios.
OBJETIVO DE APRENDIZADO
Debates Recentes
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Não se esqueça 
de se alimentar 
e se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja uma maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas: 
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e 
horário fixos como o seu “momento do estudo”. 
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar, lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo.
No material de cada Unidade, há leituras indicadas, dentre elas: artigos científicos, livros, vídeos e 
sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você também 
encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua 
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados.
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discussão, 
pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato 
com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e aprendizagem.
UNIDADE Debates Recentes
Contextualização
Com recados claros para o mercado financeiro, governo e Congresso 
Nacional, o Banco Central (BC) afirmou que não pode cortar juros neste 
momento, apesar da recessão econômica. A ata do Comitê de Política 
Monetária (Copom) aponta para um período maior de taxa básica em 
14,25% ao ano. Nela, os dirigentes da autoridade monetária disseram que 
não há espaço para um alívio na política de controle inflacionário porque 
as expectativas para os preços — feita pelos analistas — ainda estão muito 
longe da meta de 4,5%. Frisaram também que a velocidade do processo 
de desinflação depende da aprovação das medidas de controle de gastos 
enviadas ao Legislativo.
Os membros do Copom concordam que houve melhora perceptível do 
cenário macroeconômico e que indicadores recentes mostram perspectiva 
de estabilização da atividade econômica no curto prazo. Houve progressos 
também no controle da inflação, principalmente por causa das quedas das 
estimativas para os próximos dois anos, mas numa velocidade aquém da 
almejada. O BC falou claramente que a sua política depende das projeções 
do mercado:
“O Comitê deve procurar conduzir a política monetária de modo que suas 
projeções de inflação, inclusive no cenário de mercado, apontem inflação 
na meta nos horizontes relevantes”.
A aposta do mercado está em IPCA de 7,25% para este ano. Está mais alta 
que as previsões feitas nos modelos do BC. Tanto no chamado cenário de 
referência (quando o Copom faz a conta com juros e câmbio estáveis), 
quanto no cenário de mercado (quando usa as estimativas dos analistas 
para fazer as projeções), os cálculos apontam para inflação em torno de 
6,75%. O BC observa que contempla desinflação na economia brasileira 
nos próximos anos, mas aponta que as expectativas do mercado ainda não 
convergiram.
Fonte: O Globo
8
9
Os Monetaristas
O termo Monetarismo ou Monetaristas tem 
origem na década de 1960 quando um grupo 
de economistas, liderados por Milton Friedman, 
(1912 - 2006), economista norte-americano, ar-
gumentava que a política monetária exercia gran-
de efeito sobre a atividade econômica. 
Podemos resumir as proposições monetaristas 
nas quatro características seguintes:
1. A oferta de moeda é a influência dominante 
sobre a renda nominal; 
2. No longo prazo, a influência da moeda re-
vela-se, basicamente, nos preços e em ou-
tras magnitudes nominais. No longo prazo, 
variáveis reais, como produto real e nível de 
emprego, são determinadas por fatores reais, 
e não monetários.
3. No curto prazo, a oferta de moeda influencia variáveis reais. A moeda é 
o fator dominante que causa movimentos cíclicos na produção e nível 
de emprego.
4. O setor privado é inerentemente estável. A instabilidade na economia 
resulta, basicamente, de políticas econômicas governamentais. (FROYEN, 
p. 239, 2005)
Com base nessas quatro proposições, duas conclusões são possíveis sobre a 
política econômica.
Primeiro, “a estabilidade no crescimento do estoque de moeda é fundamental 
para a estabilidade econômica”. Em segundo lugar, “a política fiscal, em si, tem 
pouco efeito sistemático sobre a renda real ou nominal, não sendo instrumento 
eficiente de estabilização”.
Foi Milton Friedman quem defendeu veementemente que a política fiscal tem 
pouca participação independente como instrumento eficiente de estabilização 
econômica, mas outros monetaristas não aceitam uma forma tão forte dessa 
proposição, no entanto a posição monetarista geral concorda com Friedman.
 
Para conhecer mais detalhes sobre a concepção monetarista consulte o Capítulo 9 – 
A Contra-Revolução Monetarista. Livro; Macroeconomia. Richard Froyen, 2005Ex
pl
or
Milton Friedman (1912 – 2006)
Fonte: commons.wikimedia.org
9
UNIDADE Debates Recentes
Importante destacar, por hora, um elemento central do monetarismo, a posição 
forte da reformulação da teoria quantitativa da moeda, que produz conclusões 
de política econômica bastante diferente das visões keynesianas modernas. Na 
Figura 1, ilustramos as curvas IS-LM como faria um teórico do quantitativismo 
forte, o que facilitará comparar monetaristas e keynesianos.
A curva LM é quase, mas não completamente, vertical, pois, segundo Friedman 
a elasticidadeda demanda por moeda em relação aos juros é bastante baixa.
Figura 1- IS–LM Uma Versão Monetarista
Fonte: FROYEN, 2005 
Na visão monetarista, a curva IS é bastante plana, refletindo uma alta elasticidade 
da demanda agregada em relação aos juros. A curva LM é quase vertical, refletindo 
uma baixíssima elasticidade da demanda por moeda em relação aos juros. (FROYEN, 
p. 253, 2005)
Por fim, após um caloroso debate entre duas correntes formuladoras de políticas 
econômicas e muita pesquisa, chegou-se à conclusão de que tanto a política fiscal 
quanto a política monetária afetavam claramente a economia. Para os formuladores 
dessas políticas que se preocupavam não apenas com o nível, mas também com 
a composição do produto, a melhor política seria, na verdade, a combinação das 
duas, a fiscal com a monetária.
10
11
A Teoria da Taxa Natural 
Partindo-se da seguinte proposição:
“No longo prazo a influência da moeda é basicamente sobre o nível de 
preços e outras magnitudes nominais. No longo prazo, variáveis reais, 
como o produto real e o emprego, são determinadas por fatores reais, 
não monetários.” (FROYEN, p. 268, 2005)
A teoria das taxas naturais de desemprego e produto desenvolvida por Milton 
Friedman é a base dessa proposição.
Essa teoria defende que existe um nível de equilíbrio do produto e uma taxa de 
emprego a ele associada que são determinados pela oferta de fatores de produção, 
tecnologia e instituições da economia, determinadas por fatores reais. Esta é a taxa 
natural segundo Friedman. Ele acreditava que mudanças na demanda agregada, 
basicamente na oferta de moeda, causariam movimentos temporários na economia, 
afastando-a da taxa natural.
Por exemplo, uma política expansionista moveria o produto para cima da taxa 
natural, temporariamente deslocando a taxa de desemprego para baixo da taxa 
natural. “Os monetaristas não concordam com a posição clássica de que o 
produto é completamente determinado pela oferta, mesmo no curto prazo.”
Na Figura 2, simbolizamos graficamente as taxas naturais de Emprego e Produto. 
Figura 2 – Taxas Naturais de Emprego e Produto
Fonte: FROYEN, 2005 
Na parte a, a taxa natural de emprego (N*) é determinada no ponto em que a oferta 
de mão de obra é igual a demanda com os ofertantes de mão de obra avaliando 
corretamente o nível de preços (Ps = P). A taxa natural do produto (y*) é, então, 
determinada na parte b pela função produção. (FROYEN, p. 269, 2005)
11
UNIDADE Debates Recentes
Encontramos a taxa natural de desemprego pela subtração da quantidade de 
trabalhadores empregados da força de trabalho total e, então, pela expressão do 
número encontrado como uma porcentagem da força de trabalho total.
Política Monetária, Produto e Inflação
Friedman e outros monetaristas defendem que produto e emprego divergem 
de suas taxas naturais temporariamente, mas convergirão em um determinado 
momento. Agora vamos ver como Friedman analisa as consequências de curto e 
longo prazo provocado pelo aumento de crescimento do estoque de moeda.
Se ocorrer um aumento na taxa de crescimento do estoque de moeda, a demanda 
agregada será estimulada, consequentemente a renda nominal também. Friedman 
descreve os resultados de curto prazo desse aumento da seguinte forma:
Para começar, muito, ou a maior parte, da elevação da renda assumirá a 
forma de um aumento no produto e no emprego, mas não nos preços. 
As pessoas vinham esperando preços estáveis e, com base nisso, os 
preços e salários foram fixados para certo tempo futuro. Leva algum 
tempo para que as pessoas se ajustem a um novo estado da demanda. 
Os produtores tenderão a reagir à expansão inicial da demanda agregada 
aumentando a produção, os empregados, trabalhando por mais horas 
e, os desempregados, aceitando, agora, trabalhos oferecidos a salários 
nominais anteriores. Isso é basicamente a doutrina padrão. (apud 
FROYEN, p. 271, 2005)
Friedman está definindo como doutrina padrão a ideia da curva de Phillips. A 
curva de Phillips é uma relação negativa entre a taxa de desemprego (μ) e a taxa 
de inflação (π). A Figura 3 simboliza graficamente essa curva, mostrando uma 
relação de trade-off entre inflação e desemprego.
 William Phillips (1914 – 1975)
Fonte: commons.wikimedia.org
12
13
TRADE-OFF - Em economia, expressão que defi ne situação de escolha confl itante, isto é, 
quando uma ação econômica que visa à resolução de determinado problema acarreta, 
inevitavelmente, outros.
Ex
pl
or
Figura 3 - Curva de Phillips
Fonte: FROYEN, 2005 
 
No curto prazo, um aumento na taxa de crescimento no estoque de moeda move a 
economia do ponto A para o ponto B ao longo da curva de Phillips de curto prazo. O 
desemprego diminui e a infl ação sobe. (FROYEN, p. 272, 2005)
Para Friedman, taxas mais baixas de desemprego só podem ser obtidas ao custo 
de taxas de inflação mais altas, concordando assim com a tese de trade-off entre 
inflação e desemprego no curto prazo.
Fundamentalmente, o elemento central da análise de Friedman é sua visão dos 
efeitos de longo prazo da política monetária, é nessa análise que a ideia de taxa 
natural de desemprego entra em cena.
Para os monetaristas, a política monetária expansionista só consegue mover 
a taxa de desemprego para baixo da taxa natural temporariamente, ou seja, no 
curto prazo.
Quando a inflação é totalmente antecipada e teve tempo de se ajustar à taxa de 
inflação efetiva ( π = πe) podemos representar essa situação com a curva de Phillips 
de longo prazo, ou seja, vertical. Conforme ilustramos na Figura 4.
13
UNIDADE Debates Recentes
Figura 4 - Efeito de uma Tentativa de Fixar a Taxa de Desemprego Abaixo da Taxa Natural
Fonte: FROYEN, 2005 
Aumentos adicionais no crescimento da moeda, para...
A teoria de Friedman da taxa natural de desemprego e produto é a base 
teórica para a crença monetarista de que, no longo prazo, a influência 
do estoque de moeda atua, basicamente, sobre o nível de preços e outras 
variáveis nominais. Variáveis reais como produto e emprego têm tempo 
para se ajustar a seus níveis naturais de longo prazo. Essas taxas naturais 
de produto e desemprego dependem de variáveis reais, como oferta de 
fatores (mão de obra e capital) e tecnologia. (FROYEN, p. 276, 2005)
A teoria da taxa natural fortalece a tese dos monetaristas favorável a políticas 
econômicas não intervencionistas.
Sendo assim, para Friedman, a curva de Phillips apresenta uma inclinação 
negativa no curto prazo, no entanto, é vertical no longo prazo.
Visão Keynesiana do Trade-off 
Produto-Inflação
Agora vamos procurar responder algumas questões: Qual a visão keynesiana 
da curva de Phillips e como ela se difere da teoria da taxa natural? Como defender 
política intervencionista se a teoria da taxa natural estiver correta?
A visão keynesiana obedece a seguinte lógica: O salário monetário é flexível e a 
oferta de mão de obra é considerada dependente do salário real esperado (W/Pe), 
o salário monetário conhecido dividido pelo nível de preços esperado.
14
15
O modelo keynesiano também estabelece uma relação de trade-off entre inflação 
e desemprego: altas taxas de crescimento da demanda incorre em baixos níveis 
de desemprego e altas taxas de inflação. A curva de Phillips nesse modelo tem 
inclinação negativa. No curto prazo, produto, nível de preços e nível de emprego 
irão subir. 
Para os keynesianos o longo prazo difere do curto prazo, pois o preço esperado 
ajusta-se ao preço efetivo. Aqueles que ofertam mão de obra percebem a inflação 
resultante da política de expansão da demanda agregada. O emprego aumenta no 
modelo keynesiano apenas porque a elevação dos preços reduz os salários reais, 
aumentando a demanda por mão de obra. Dessa forma a quantidade de mão de 
obra ofertada aumenta à medida que o salário monetário (W) sobe. Isso muda no 
longo prazo, quando o preço esperado se ajusta ao preço efetivamente praticado.
Figura 5 - A Curva de Phillips: A Perspectiva Keynesiana
Fonte: FROYEN, 2005 
No curto prazo, a curva Phillips, no modelokeynesiano, tem inclinação negativa. 
No longo prazo, tanto no modelo keynesiano como na análise de Friedman, a curva 
Phillips é vertical. (FROYEN, p. 282, 2005)
Importante ter em mente que no modelo keynesiano chegamos à conclusão que 
um aumento no nível de demanda agregada eleva os níveis de produto e emprego, 
diminuindo a taxa de desemprego somente no curto prazo. Agora, percebemos 
que tanto na visão keynesiana como na monetarista a curva de Phillips de longo 
prazo é vertical, mas para os keynesianos isso não implica, no longo prazo, em 
consequências importantes para a política de estabilização de curto prazo. Os 
keynesianos levantam dúvidas quanto ao próprio conceito de taxa natural. Para 
Robert Solow, “Uma taxa natural que varia... sob a influência de forças inesperadas, 
incluindo taxas de desemprego anteriores, não pode ser ‘natural’” (apud FROYEN, 
p. 288, 2005).
15
UNIDADE Debates Recentes
Os Custos da Inflação
Basicamente, a inflação ocorre quando a quantidade de bens demandados a 
qualquer nível de preços específico está subindo mais rápido que a quantidade 
agregada de bens a esse nível de preços. Alguns dos fatores que podem provocar 
aumentos rápidos e desproporcionais entre demanda agregada e oferta agregada por 
bens. Podemos destacar: aumentos no consumo ou nos gastos com investimento, 
políticas fiscais expansionistas e choques diversos na oferta. Em geral, um único 
fator pode gerar aumentos prolongados na demanda agregada, consequentemente, 
na inflação corrente. Este fator é uma taxa de crescimento monetário.
Vários são os custos advindos do processo inflacionário que acomete uma 
economia. O mais cruel deles á o fato de que sob uma inflação permanente ocorre 
transferência de renda de um grupo para outro. Essa transferência ocorre do grupo 
daqueles que não tem como se precaver da inflação para aqueles que dominam os 
instrumentos que os protege do processo inflacionário, aumentando com isso a 
desigualdade social.
Os economistas keynesianos defendem uma estratégia de combate inflacionário 
gradual, ou seja, uma redução gradual do crescimento monetário e da inflação 
ao longo dos anos. Esse gradualismo pode minimizar os custos de aumento do 
desemprego cíclico, além disso, os ajustes necessários dos preços, salários e 
expectativas ajustem-se a desinflação.
As curvas de Phillips de curto e longo prazo ilustram de forma mais clara como 
se dá o processo de custos provocados pela inflação e a taxa de desemprego 
segundo a expectativa de inflação dos ofertantes de mão de obra.
Figura 6 - Curvas de Phillips de Curto e de Longo Prazo
Fonte: FROYEN, 2005 
16
17
Quando os ofertantes de mão de obra passam a ter expectativa de uma taxa de 
infl ação mais alta, a curva de Phillips de curto prazo desloca-se de CP(πe = 0) para 
CP(πe = 2%). A taxa de desemprego retorna à taxa natural de 6%, e a taxa de 
infl ação permanece mais alta, em 2% (movemo-nos do ponto B para o ponto C)
A Economia Novo-Clássica
A teoria novo-clássica foi desenvolvida durante de década de 1970 tendo como 
fatores centrais de discussão a alta inflação e as taxas de desemprego no período 
em diversas economias. Nasce como resposta a insatisfação com a ortodoxia 
keynesiana dominante.
A principal crítica sustentada pelos economistas novo-clássicos conclui que 
medidas sistemáticas de política fiscal e monetária de alteração da demanda 
agregada não alterarão o produto e o emprego, nem mesmo no curto-prazo. A 
isso denominaram de ineficácia das políticas econômicas.
Um conceito central da teoria novo-clássica se refere às expectativas racionais e 
suas aplicações. Duas hipóteses caracterizam essa teoria, primeiro, as economias 
não admitem a constituição de estoque indesejado após as trocas no mercado, com 
isso os preços se ajustam instantaneamente, garantindo o permanente equilíbrio do 
mercado como resultado do comportamento dos agentes, como resposta ótima de 
suas percepções dos preços. A segunda hipótese defende que as decisões racionais 
tomadas pelos empresários e trabalhadores refletem o comportamento otimizador 
de sua parte. Segundo essa hipótese, os indivíduos utilizam as informações 
relevantes disponíveis sobre a variável que está sendo prevista.
Os ofertantes de mão de obra, por exemplo, terão como referência as 
informações passadas relevantes na realização de uma previsão para o valor do nível 
agregado de preços para o período corrente, e não apenas as informações sobre o 
comportamento dos preços no passado. A elaboração das suas expectativas passa 
por essa análise e estimativa. No entanto, os economistas novo-clássicos entendem 
que os agentes não têm como perceber os efeitos sobre o nível de preços exercidos 
pelas mudanças imprevistas na demanda agregada. Mesmo assim não atribuem 
nenhum papel significativo para as políticas de estabilização macroeconômicas.
Uma linha de pesquisa recente cujo líder intelectual é o economista norte 
americano Edward Prescott, defende a tese de que os macroeconomistas deveriam 
ver até que ponto podiam explicar as flutuações como efeitos de choques nos 
mercados competitivos com preços e salários totalmente flexíveis. Pesquisas 
desenvolvidas por Prescott e seus seguidores desenvolveram modelos que ficaram 
conhecidos como modelos dos ciclos econômicos reais (CER).
Esses modelos supõem que o produto está sempre em seu nível natural. Isso 
significa que todas as flutuações do produto são movimentos do nível natural de 
produto, e não variações em relação ao nível natural de produto. Para Prescott 
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UNIDADE Debates Recentes
tais movimentos resultam do progresso tecnológico. À medida que surgem novas 
descobertas, a produtividade cresce provocando o aumento do produto.
O aumento da produtividade leva a um aumento do salário, levando o trabalhador 
a trabalhar mais. Dessa forma, os aumentos da produtividade levam a aumentos 
tanto do produto quanto do emprego, exatamente como vemos no mundo real.
Essa conclusão defendida pelo enfoque CER têm recebido críticas de várias 
frentes. O desenvolvimento tecnológico ocorre em vários setores como resultado 
de muitas inovações, sendo processado no longo prazo, difícil de gerar grandes 
flutuações do produto no curto prazo. Podemos destacar também evidências muito 
fortes de que variações da moeda, que não têm efeito sobre o produto nos modelos 
CER, na verdade exercem forte efeito sobre o produto no mundo real.
A Economia Novo-Keynesiana
A corrente teórica identificada como novo-keynesiana tem como característica a 
identificação com a tradição keynesiana, mas buscam explicações adicionais para 
o desemprego involuntário. Importantes contribuições foram desenvolvidas para a 
economia novo-keynesiana por Mankiw e David Romer, principalmente na busca 
da construção de uma macroeconomia sobre uma microeconômica sólida.
A economia novo-keynesiana é sustentada por uma literatura de ampla 
diversidade de abordagens. Seguem alguns dos elementos de abordagem comuns.
Primeiro: esse modelo pressupõe alguma forma de concorrência imperfeita 
para o mercado de produtos, o que contraria os modelos keynesianos anteriores 
que defendem a concorrência perfeita;
Segundo: nos modelos keynesianos anteriores, o salário nominal era a principal 
rigidez nominal, já os modelos novo-keynesianos também se voltam para a rigidez 
nos preços dos produtos;
Terceiro: Os modelos novo-keynesianos introduzem a rigidez real, ou seja, 
fatores que provocam a rigidez do salário real ou do preço relativo das firmas diante 
de mudanças na demanda agregada.
Vejamos três tipos de modelos novo-keynesianos: modelos de preços rígidos, 
modelos do salário eficiência e modelos incluído-excluído.
Modelos de preços rígidos:
O conceito fundamental nesses modelos defende que a firma não precisa estar 
em concorrência perfeita. Caso tenhamos concorrência perfeita os preços são 
definidos pela lei da oferta e demanda.
Mas, outro fator pode implicar em rigidez dos preços, ou seja, se os custos 
percebidos com a alteração de preçosforem suficientemente altos, existirá rigidez 
de preços. Custos como informação aos clientes, emissão de novas tabelas de 
preços etc.
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Modelos de Salário-Eficiência:
Esses modelos têm como premissa maior: a eficiência dos trabalhadores depende 
positivamente do salário real que eles recebem.
Segundo a premissa desses modelos de salário-eficiência, em muitos setores, os 
salários são definidos com base em determinados cálculos de eficiência. Os salários 
reais não se ajustam para equilibrar o mercado de trabalho., na verdade as firmas, 
nesses modelos definirão o salário real acima do nível de equilíbrio de mercado, 
resultando num estado de desemprego involuntário persistente.
Modelos Incluído-Excluído e Histerese
Estes modelos estão mais relacionados às persistentes altas taxas de desemprego 
observadas na Europa desde a década de 1980. Procuram explicar por que altas 
taxas de desemprego persistem mesmo depois que sua causa inicial, há muito 
tempo deixou de existir.
Sendo assim, no modelo incluído-excluído, o desemprego resulta de um salário 
real fixado acima do nível de equilíbrio do mercado (desemprego de excluídos) e de 
uma resposta cíclica a mudanças na demanda agregada. Os incluídos seriam aqueles 
que usufruiriam das negociações dos sindicatos, mas os incluídos só empurrarão o 
salario real para cima do nível de equilíbrio do mercado. 
A conclusão a que chegamos é que o desemprego passado também causa o de-
semprego atual por transformar incluídos em excluídos, esse é o fenômeno da histe-
rese, o desemprego atual sendo fortemente influenciado pelo desemprego passado.
BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. 5 ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011.
Biblioteca Virtual - https://goo.gl/EAp09mEx
pl
or
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UNIDADE Debates Recentes
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Livros
A Evolução da Macroeconomia Moderna entre Perspectivas em Busca da Síntese Perdida
AGUILAR Fo. H. A.; SAVIANI Fo., H. A evolução da macroeconomia moderna 
entre perspectivas em busca da síntese perdida.
https://goo.gl/4kvsCP
Regimes Monetários: teoria e a experiência do real.
MODENESI, André de Melo. Regimes monetários: teoria e a experiência do real. 
Barueri: Manole, 2005
A Moeda Importa? A macroeconomia pós-keynesiana e a não-neutralidade da moeda
LIRA, Vitor Carvalho; JESUS, Cleiton Silva de. A moeda importa? A macroeconomia 
pós-keynesiana e a não-neutralidade da moeda. v. 18, nº 34, Chapecó, SC: 
Cadernos de Economia, 2016.
https://goo.gl/TO1M5B
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Referências
BLANCHARD, J. O. Macroeconomia. 4 ed. São Paulo: Prentice Hall, 2007.
DORNBUSCH, R.; FISHER, S. Macroeconomia. 5. ed. , v., São Paulo: Pearson 
Makron Books, 2006.
FROYEN, Richard T. Macroeconomia. 5. ed. São Paulo-SP: Saraiva, 2005.
LOPES, L. M.; VASCONCELLOS, M. A. S. Manual de Macroeconomia: Nivel 
Básico e Nível Intermediário. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2000.
MANKIW, N. Gregory. Macroeconomia. 6. ed. ,Rio de Janeiro: LTC-Livros 
Técnicos e Científicos, 2008.
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