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1 CAROLINA CABRAL DE CARVALHO 
SEMIOLOGIA – PSIQUIATRIA 
1. Introdução à psicopatologia 
o A Psiquiatria é uma especialidade médica que usa métodos próprios de duas ciências: 
naturais (física, química, biologia) e humanas (psicologia); 
o A Psicopatologia tem por objetivo estudar o ser humano enfermo mental, através daquilo 
que pode ser comprovado empiricamente; 
o Psicopatologia e a realização na prática: 
- É necessário o trato interpessoal; 
- Apreensão de forma compreensiva e empática; 
- Depende de como o psipotólogo se relaciona com o examinado; 
- Não se trata apenas de escutar com indiferença; 
- É um encontro singular com o examinado, uma atitude afetiva, reflexiva e compreensiva; 
- Não é um interrogatório, uma entrevista ou um conversa; 
- Além de ser uma estratégia semiológica, já é uma terapêutica; 
o Fenomenologia possibilita a apresentação das vivências internas subjetivas da pessoa 
examinada, sendo o fundamento inicial do exame psicopatológico. Há 5 conteúdos 
fenomênicos: 
- Eu interior (sentimentos, reflexões de sua personalidade); 
- Próprio corpo (anorexia); 
- Objetos e pessoas exteriores (alucinação e perseguição); 
- Vivências do tempo e do espaço (perda de memória); 
- Realidade (esquizofrenia) 
Esses conteúdos fenomênicos se expressam patologicamente na forma de: 
- Percepções (alucinações, ilusões); 
- Representações; 
- Vivências temporoespaciais; 
- Vivências corporais; 
- Sentimentos; 
- Reflexão de um ato; 
- Consciência de si mesmo 
o Após avaliar as vivências internas (fenomenologia), solicita-se “tarefas” para avaliar as 
funções psíquicas, que são: 
 
2 CAROLINA CABRAL DE CARVALHO 
- Orientação; 
- Memória; 
- Motricidade; 
- Linguagem e pensamento; 
- Inteligência 
o Expressão corporal 
- Medo e taquicardia; 
- Vômitos psicogênicos e ansiedade; 
- Aumento ou perda de peso; 
- Rigidez muscular; 
- Mímica → alegria, tristeza, ira, maneira de olhar, estender a mão para cumprimentar, modo de 
andar, som da voz, riso, choro, bocejos, movimentações do maníaco, expressão adolescente dos 
esquizofrênicos, face contorcida das depressões, expressão sedutora da histeria, face esvaziada 
nas demências, olhar assustado do delirante perseguido. 
o Expressão psíquica do mundo ou psique do mundo 
- Comportamento e hábitos → sociável, destruidor, colecionismos, fugas, suicídio, explosões 
emocionais, perambulações, erotismo, puerilidade (meninice), condutas insensatas, teatralidade, 
habitação indumentária (vestuário), vanguarda, ornamentações, arrumações estranhas, anarquia, 
recusa alimentar, assassinatos, automutilações, vida artística, misticismo, prodigalidade, higiene, 
sono e vigília, condutas alimentares, vida familiar e socioprofissional, atentados contra moral, 
piromania (incêndio por prazer), oniomania (compulsão por comprar). 
2. Semiologia psiquiátrica 
o Avaliação neurológica 
- Médico atento a: assimetria de força muscular nos membros, reflexos miotáticos profundos e 
musculocutâneos superficiais e alterações sensitivas; 
- Reflexo de preensão: resposta de flexão dos dedos pelo contato rápido de um objeto com a 
região palmar ou plantar do paciente, respondendo com um movimento involuntário de preensão. 
Quando presente em adultos bilateralmente, pode significar lesão ou disfunção frontal ou 
sofrimento cerebral difuso; sendo unilateral, lesão na área 6 de broadman contralateral; 
- Reflexo de sucção: lesões frontais e encefalopatias difusas; 
- Reflexo orbicular dos lábios: percussão da área acima do lábio superior na linha média pode 
produzir a projeção dos lábios para frente, como se o indivíduo fizesse um bico ou focinho, que 
pode ser indicativo de dano cerebral difuso; 
- Reflexo palmomentual: estímulo cutâneo da eminência tentar, contrai o pequeno músculo do 
mento ipsilateral e sua elevação, elevação do labio inferior ipsilateral a mão estimulada. 
Observado em idosos, encefalopatias difusas e lesões piramidais; 
 
3 CAROLINA CABRAL DE CARVALHO 
o Anamnese 
- Identificação → depressão é 2x mais frequente em mulheres, estado civil é fator prognóstico de 
suicídio, a profissão pode estar relacionada com o adoecimento (garimpeiro e intoxicação por 
metais pesados), região endêmica etc; 
- Queixa principal → “ouvindo vozes”, “vendo pessoas mortas”; 
- HDA → descrever sintomas, inicio, duração, tratamento e resposta, médicos procurados, reação 
do paciente frente a doença, repercussão na família, sociedade, vida escolar e profissional. 
Identificar possíveis causas e motivos alegados. 
- Antecedentes pessoais → condições de gestação e nascimento, saúde materna na gestação, 
saúde na infância, desenvolvimento neuropsicomotor, sono, sexualidade, alimentação, jogos 
infantis, amizades, interesses, personalidade pré-mórbida, situação militar e socioeconômica, 
antecedentes psiquiátricos, rotina, história de vida, vida amorosa, escolaridade, profissão; 
- Antecedentes familiares → história e posição social da família, caráter dos familiares, irmãos, 
profissões, doenças, consanguinidade, causa de mortes, suicídios, toxicomanias, doenças 
mentais, criminalidade e eventos extraordinários; 
- Exame físico → muitos pacientes não permitem o contato físico. Biotipo, estado geral, 
distribuição do tecido adiposo, cianose, icterícia, anemia, caracterizar mucosas e pele, pulso, 
respiração. Se o paciente permitir maior contato, realizar exame de tórax e abdome; 
- Exames complementares → solicitar de forma racional e obrigatoriamente em casos de 
hipótese de causa orgânica, como teste bioquímicos, de neuroimagem, ECG, EEG; 
- Súmula e diagnóstico → resumo com as informações mais importantes e possíveis hipóteses 
diagnósticas; 
- Evolução e tratamento; 
- Prognóstico 
“Resumo para paciente depressivo: perguntas objetivas, investigar suicídio, avaliar o prognóstico 
e passar uma mensagem de esperança toda vez que encontrar o paciente. O contato com o 
depressivo: Perguntas objetivas; Investigar sobre o suicídio; Deixar a mensagem que ela tem uma 
doença que pode ser tratável e vai se recuperar; Confiar em alguém”. – Transcrição 
3. Consciência e suas alterações 
o Definição 
- Etiológica: conhecimento compartilhado com o outro ou “consigo mesmo”; 
- Neuropsicológica: estado vigil, grau de clareza do sensório; o nível de consciência é 
regulado pelo Sistema Reticular Ativador Ascendente (SRAA), compreendendo o tálamo, 
regiões do córtex parietal direito e pré-frontal direito. 
- Psicológica: soma total das experiências conscientes de um indivíduo em determinado 
momento; 
- Ético-filosófica: consciência moral ou ética dos indivíduos 
 
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Obs.: Exemplos inconsciência x consciência 
- Inconsciência: pulsações inatas (sede e procurar água, luta e fuga), medos, pulsões 
agressivas, recalcamentos, lembranças, desejos, fantasias; 
- Consciência: raciocínios, percepções, pensamentos 
Obs.: Coma – rebaixamento do nível de consciência 
o Alterações fisiológicas da consciência: 
- Sono: estado de inconsciência do qual a pessoa pode ser despertada por estímulos sensoriais; 
ocorre de forma recorrente e cíclica nos organismos superiores; 
- Sonho: fenômeno associado ao sono, uma alteração normal da consciência; para Freud, é 
resultado da intensa negociação entre o consciente e o inconsciente; 
o Alterações patológicas da consciência: 
- Obnubilação da consciência: desvio mórbido do curso normal dos processo psíquicos. Ligeiro 
rebaixamento do nível de consciência com lentidão da compreensão, dificuldade de percepção e 
da elaboração de impressões sensoriais. No exame clínico, o paciente pode estar sonolento ou 
desperto – um tanto perplexo, com compreensão dificultada e pensamento ligeiramente confuso; 
- Sopor: estado marcante de turvação da consciência; o paciente pode ser despertado apenas 
por estímulo enérgico (doloroso). No exame clínico, o paciente está SEMPRE sonolento e 
incapaz de qualquer ação espontânea;- Coma: estado de inconsciência de si mesmo e do ambiente, mesmo após estímulos de diversas 
modalidades; é o grau mais profundo de rebaixamento do nível de consciência. Sinais 
neurológicos: nistagmo, anormalidade dos reflexos oculocefálicos, ausência de reflexo de 
acomodação, rigidez e decorticação; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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o Síndromes psicopatológicas associadas ao rebaixamento do nível de consciência 
QUANTITATIVAS 
- Delirium: “Síndrome Confusional Aguda” 
 Rebaixamente leve-moderado do nível de consciência; desorientação temporoespacial, 
dificuldade de concentração, perplexidade, ansiedade em graus variáveis, agitação ou 
lentificação psicomotora, discurso ilógico e confuso e ilusões e/ou alucinações; 
 “Tremens” → delirium específico e muito comum, o qual ocorre em pacientes alcoolistas 
em estado de abstinência. Trata-se de uma urgência clínica; 
 Características flutuantes durante o dia → ao entardecer o paciente “surta” (sundown); 
- Estado onírico: alteração da consciência paralelamente à estado muito semelhante a sonho 
muito vívido com amnésia após o episódio. Causas: psicoses tóxicas, síndromes de abstinência a 
substâncias e quadros febris tóxico-infecciosos; 
QUALITATIVAS 
- Estados crepusculares: estreitamento da consciência, restrita a determinadas vivências 
(ideias, afetos, imagens, ações); ocorrência dos atos automáticos; surgem e desaparecem de 
forma abrupta com duração variável. Durante o estado, ocorrem atos explosivos, violentos e de 
descontrole emocional. O início e o fim são súbitos e há, em geral, amnésia a posteriori 
(anterógrada); 
 Ocorre na epilepsia parcial complexa, intoxicação alcoólica patológica, estados 
dissociativos histéricos, devaneio, estado hipnótico, transe, reação aguda ao estresse, 
crises de pavor noturno. 
“Um paciente que sofria de epilepsia do lobo frontal tinha a fotografia como um dos seus 
passatempos prediletos. Durante as crises parciais complexas que frequentemente apresentava, 
muitas vezes pegava sua máquina e, de maneira despropositada e repetitiva, batia fotos de quem 
quer que estivesse à sua frente. Outras vezes seus movimentos se limitavam a bater palmas.” 
4. Afetividade e suas alterações 
o Afetividade: capacidade de experimentar sentimentos e emoções; compreende o estado 
de ânimo ou humor, os sentimentos, as emoções e as paixões; 
o Afeto: 
- Qualidade ou tônus emocional que acompanha uma ideia ou representação mental; 
- Acoplam-se a ideias, anexando a elas um colorido afetivo. Seria assim, um componente 
emocional de uma ideia; 
- Pode ser usado de forma mais ampla como estado de humor, sentimento ou emoção. 
o Emoção 
- Significa comover, emocionar, e está ligada a uma ideia de movimento; 
 
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- Representa um estado afetivo súbito, de CURTA DURAÇÃO e GRANDE INTENSIDADE, 
acompanhada de alterações emocionais, relacionadas a uma hiperatividade autonômica; 
Ex.: nascimento de um bebê para a mãe 
o Sentimento 
- Significa sensação, perceber através dos sentidos, dar-se conta; 
- Estado afetivo de GRANDE DURAÇÃO e PEQUENA INTESIDADE, e sem as alterações 
emocionais encontradas na emoção; 
- Tem processamento cognitivo maior que o da emoção; 
o Paixões 
- Tem a intensidade das emoções (GRANDE INTENSIDADE), porém GRANDE DURAÇÃO; 
- Monopolizam e direcionam os pensamentos e ações dos indivíduos; 
“Ribot: ‘paixão é uma emoção em permanência”; 
- Ex.: paixão por um time de futebol 
o Humor 
- Estado de ânimo ou tônus afetivo; 
- Estado afetivo basal e fundamental, geralmente, persistente e não reativo; 
- Oscila entre polos de alegria, tristeza, irritabilidade, ansiedade e calma; 
o Exaltação afetiva 
- Aumento da intensidade ou da duração dos afetos, ou reação afetiva desproporcional em 
relação à situação ou ao objeto que a motivou; 
- Ex.: Mania → exaltação do humor alegre ou irritado; Depressão → exaltação do humor triste 
Obs.: Frequentemente são usados os termos “hipertimia” e “hipotimia” para se referir às 
alterações quantitativas nos transtornos do humor. 
- Encontra-se presente não apenas em relação à alegria ou tristeza, mas também na ansiedade 
→ transtorno de pânico, transtorno de ansiedade generalizada, transtornos fóbicos etc; 
Obs.: a ansiedade se torna patológica quando é excessiva, paralisante (não leva ao 
enfrentamento ou fuga do perigo) ou quando traz prejuízos físicos (doenças 
psicossomáticas/psicossociais); 
- Boderline, alguns casos de demência, retardo mental, delirium com sintomas psicóticos e em 
quadros psicóticos 
o Embotamento afetivo 
- Trata-se da diminuição da intensidade e excitabilidade dos afetos, sejam eles positivos ou 
negativos; 
 
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- O doente se torna indiferente ao meio, às pessoas e a si mesmo, sendo a expressão emocional 
bastante restrita. Pode ocorrer a anedonia → perda da capacidade de sentir prazer; 
- Ocorre na esquizofrenia, transtornos de personalidade esquizotípica, demência avançada, 
alguns casos de retardo mental, coma e no TEPT (esturpor emocional ou paralisia afetiva aguda); 
- Indivíduos com transtorno de personalidade antissocial apresentariam um embotamento afetivo 
mais circunscrito, relacionado especificamente à ansiedade e a sentimentos de culpa; 
- “Psicopatas insensíveis”: indivíduos destituídos de compaixão, de vergonha, de sentimento de 
honra, de remorso e de consciência; 
Obs.: Moria → forma especial de embotamento específico; caracteriza-se por uma alegria vazia, 
tola, pueril, sem conteúdo afetivo; encontrada em indivíduos com lesão no lobo frontal, no retardo 
mental, na demência e na esquizofrenia hebefrênica. 
o Distúrbios da modulação afetiva: 
- Labilidade afetiva: instabilidade ou volubilidade afetiva; constitui uma dificuldade no controle 
dos afetos; mudanças no humor frequentes e bruscas, imotivadas e inesperadas. Ocorre na 
mania, no retardo mental e nos casos de delirium com sintomas psicóticos; 
 Ex.: o humor do paciente passa direto da alegria para a tristeza, logo após retorna para a 
alegria e, a seguir, passa para a irritabilidade 
- Incontinência afetiva: distúrbio de regulação afetiva mais grave que a labilidade; há perda 
completa da capacidade de controle da expressão afetiva; as reações afetivas são produzidas 
com grande facilidade, exageradas e prolongadas; manifestam-se na forma de riso ou pranto 
convulsos, ou raiva extrema; presentes na demência, mania, retardo mental, epilepsia no lobo 
temporal, antissocial, transtorno de personalidade explosiva, boderline; 
- Rigidez afetiva: perda da capacidade de modular a resposta afetiva de acordo com a situação; 
a expressão afetiva varia muito pouco (diferentemente da labilidade e da incontinência), menos 
que o normal, no decorrer do tempo; ocorre na esquizofrenia, depressão, demência e mania 
crônica. 
o Distúrbios do conteúdo dos afetos: 
- Paratimia: caracteriza-se por uma inadequação dos afetos → incongruência entre o afeto 
expresso e a situação vivenciada; reflete uma desarmonia entre a afetividade e o pensamento; 
ocorre na esquizofrenia 
 Ex.: o paciente, rindo, conta que foi torturado na noite anterior; ou então o doente afirma 
estar alegre, mas sua mímica é de tristeza. 
- Ambitimia: também chamada de ambivalência afetiva; representa a presença de sentimentos 
opostos ou contraditórios que são simultâneos e se referem ao mesmo sujeito, objeto ou situação; 
 Ex.: amar e odiar a mesma pessoa 
- Neotimia: consiste em uma vivência inteiramente nova, extravagante e inusitada; afetos 
qualitativamente diferentes de todos que o paciente havia experimentado na vida; observada na 
esquizofrenia (trema), intoxicação por alucinógenos e auras epilépticas 
 
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“E sentia que o céu se tinha afundado na terra e me tragara. Sentia Deus como uma verdade 
profunda, sublime, e me senti penetrado por Ele. Sim, existe um Deus, exclamei;o que aconteceu 
depois, não sei. Não suspeitais que maravilhoso sentimento de felicidade enche o epiléptico num 
segundo antes do ataque. Não sei se a felicidade dura segundos, horas, mas crede-me, não 
queria trocar todas as alegrias da vida por ela.” 
5. Pensamento e suas alterações 
o Definição: pensar signfica ficar em suspenso, examinar, pesar, ponderar; 
o Elementos constitutivos do pensamento: 
- Conceito: identifica os atributos ou qualidades mais gerais e essenciais de um objeto ou 
fenômeno. É expresso por uma palavra; 
- Juízo: estabelece uma relação entre dois ou mais conceitos. Consiste no ato da consciência de 
afirmar ou negar algum atributo ou qualidade a um objeto ou fenômeno; 
- Raciocínio: representa uma operação mental que relaciona juízos, leveando a formalçao de 
novos juízos (conclusões) 
Ex.: Homem (conceito) → Luiz é homem (juízo) e Homem é mortal (juízo) → Luiz é mortal 
(raciocínio) 
“O pensamento traduz a aptidão humana em elaborar conceitos, articulá-los em juízos e construir 
raciocínios de modo a solucionar, com êxito, problemas com os quais se depara.” 
o No processo do pensar, destinguem-se: curso (ex.: rapidez do pensamento), forma e o 
conteúdo (alterações: delírios). 
Obs.: No indivíduo bipolar, o pensamento é acelerado (taquipsiquismo), caracterizando uma 
alteração do curso do pensamento 
o Alterações dos conceitos 
Conceito: mais elementar das ideias inteligentes, unidade estrutural do pensamento: 
- Desintegração: ocorrem quando os conceitos sofrem um processo de perda do seu significado 
original, e uma mesma palavra passar a ter significados diversos; ocorre na esquzofrenia e 
síndromes demenciais; 
Ex.: “ateu” deixa de significar descrente de Deus para significar o oposto “a teu comando”, isto é, 
a serviço de Deus. 
- Condensação ou justaposição: duas ou mais ideias são condensadas ou se fundem em um 
pensamento; manifestam-se na linguagem através de neologismos. Ocorre na esquizofrenia 
Ex.: “tristel” = triste + cruel; “vela a vapor” = barco a vela e barco a vapor. 
 
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- Perda das relações conceituais: ou pensamento desagregado, incoerente, dissociado, 
confuso, descarrilhado, disparado, vago; deteriora-se a ligação lógica que se estabelece 
normalmente entre os conceitos; há formação de associações novas, as quais são 
incompreensíveis, irracionais e extravagante com alteração da sintaxe do discurso. Ocorre na 
esquizofrenia, no delirium e em casos de extrema agitação maníaca; 
Ex.: “Não estou bem ausente dessas palavras. Para cumprir uma ordem isso é um aspecto de 
menos esforço 
- Deficiência conceitual: estado deficitário de estabelecer relações entre objetos e seus 
atributos; dificuldade de manejar conceitos, sobretudo, os abstratos; 
Precoce: retardo no desenvolvimento do SNC (deficiência mental); 
Mais tardio: deterioração mental (demência – Alzheimer); 
o Alterações dos juízos 
Juízo consiste na afirmação ou negação de uma relação entre dois conceitos e se expressam na 
linguagem sob a forma de proposições. 
Juízos equivocados (a pessoa entende depois que é corrigida) x juízos patológicos (a pessoa 
não aceita o equívoco) – Delírio é um juízo patológico 
- Juízo deficiente patológico: resultantes de hipodesenvolvimento, lesão ou disfunção de 
estruturas psíquicas que fundamentam ou secundam a capacidade de ajuizar. Presentes na(os): 
 Deficiência mental: acompanham a deficiência conceitual e de raciocínio e retardo do SNC. 
Denomina-se juízo insuficiente; 
 Deficiência sensorial e em pacientes com agnosia e distraibilidade: insuficiência ou 
deformação no ingresso das informações. Denomina-se também de juízo insuficiente; 
 Estados demenciais: deterioração de todos os processos psíquicos, inclusive da 
capacidade judicante. Denomina-se juízo debilitado; 
 Estados depressivos, hipertímicos e ansiosos: alteração afetiva prejudica a capacidade de 
ajuizar. Denomina-se juízo desviado ou ideia sobrevalorada; 
 Estados confusionais (psicoses sintomáticas, intoxicações orgânicas e doenças mentais 
orgânico-cerebrais): obnubilação da consciência constitui um impedimento a 
compreensão da realidade; 
 Epilepsia, estados mórbidos causados por TCE: alteração patológica da memória 
determina alteração do juízo (desorientação, amnésia) 
 
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- Juízo delirante: delírio, delusão ou ideia delirante; “falta de consciência do transtorno, 
inverossimilhança de seu conteúdo, extraordinária convicção e notável certeza subjetiva em sua 
veracidade, irredutibilidade ante a refutação lógica ou negação pela experiência , tendência a 
hipertrofiar-se e difundir-se”. 
 Primárias: núcleo da patologia apresentada pelo paciente; não tem relação com nenhuma 
situação. Ex.: esquizofrenia; 
 Secundárias: são consequentes a uma situação social, manifestação afetiva ou 
perturbação de saúde que lhe são anteriores e que os motivam 
Literatura psiquiátrica: “delírio” – qualquer perturbação da capacidade julgar 
o Estados pré-delirantes: em geral, os delírios surgem após um período pré-delirante, 
chamado de “humor delirante”, o qual apresenta fases: 
- Trema → aflição e ansiedade intensas, perplexidade, sensação de fim do mundo, estranheza 
radical; 
- Apofonia → tensão acumulada agora se desdobra em delírio; nessa 2ª fase ocorrem de fato as 
experiências delirantes. Durante algum tempo ainda se mantém alguma continuidade de sentido. 
Mas, a partir de certo momento, todo o campo se desmorona. Formam-se então as imagens ditas 
assintáticas (já sem sentido), e surge um outro estado da psicose a que Conrad chamou 
Apocalipse. 
Obs.: nessa fase, ocorre a anástrofe – tudo se volta para o indivíduo, ele se sente, de forma 
passiva, no centro do mundo, observando todos. A apofonia e a anástrofe são focos da 
esquizofrenia. 
- Apocalipse → desorganização do sujeito; acompanhada de vivências ameaçadoras de fim do 
mundo; podem surgir sintomas catatônicos, excitação motora e psíquica e vivências de alteração 
do “eu psíquico e corporal”. “Eu não sou mais eu”; “Sinto que já morri”; 
- Consolidação → período de estabilização; o delírio tende a se cristalizar e há certa elaboração 
intelectual, com fixação de alguns elementos. “Finalmente me deixaram em paz, apesar de 
estarem me observando”; 
- Fase de resíduo → fase final do processo psíquico-delirante; há perda do impulso e da 
afetividade manifesta; busca passiva ou ativa de certo isolamento 
o Classificação dos delírios: 
- Quanto a duração: 
 
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 Agudos: transitório e reversível; 
 Crônicos: as ideias delirantes formam o essencial do quadro clínico 
- Quanto a possibilidade de ocorrência: 
 Verossímeis: temas passíveis de ocorrer; 
 Inverossímeis: impossíveis de ocorrer; 
- Quanto ao curso temporal: 
 Retrógrados: dirigem-se ao passado; 
 Anterógrados: dirigem-se ao futuro; 
- Quanto ao número e grau de elaboração: 
 Simples: um único juízo delirante ou alguns juízos em volta de um mesmo tema, como 
acontece na paranoia e em delírios induzidos; 
 Complexo: “polimorfos”; quando mal estruturados, são “mutáveis” ou, ao contrário, 
“delírios sistematizados” ou “elaboração delirante”, Ex.: paciente afirma que querem matá-
lo (sabe dizer que o persegue? Como? Por quê?) 
- Quanto ao número de indivíduos envolvidos: 
 Podem ocorre eventualmente em mais de uma pessoa; são chamados delírios 
compartilhados da loucura a dois; 
- Quanto aos mecanismos formadores do delírio: 
 Intuitivo → fenômeno primário, característico de esquizofrenia; 
 Imaginativo → secundário a uma atividade imaginativa patologicamente aumentada; 
descreve histórias fantásticas com convicção plena, sem qualquer crítica; é notável pelas 
histórias e narrativas fabulosas, irreais, com descrições que se assemelham a contos 
fantásticos e inverossímeis; típico da antiga parafrenia; 
 Catatímico → secundário a um distúrbio básico do humor;Ex.: por se sentir feliz e cheio de energia, o maníaco acredita que tem superpoderes; 
 Interpretativo → secundário a alterações patológicas da personalidade; a lógica é 
preservada e o conteúdo é verossímel; típico do transtorno delirante; 
Ex.: Um indivíduo se aproxima de um grupo de pessoas que estão conversando e elas param de 
falar quando ele chega. Ele então desenvolve a convicção de que estavam tramando alguma 
coisa contra ele, mesmo sem ter ouvido nada do que falavam. 
 
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 Sensorial → secundário a ilusões e alucinações; ocorre na esquizofrenia e na alucinose 
alcoólica; 
Ex.: o indivíduo passa a acreditar que vão matá-lo após ouvir uma voz que diz exatamente isso. 
 Onírico → secundário a alterações sensoperceptivas e do pensamento observadas no 
Delirium que cursam com rebaixamento do nível de consciência; 
 Mnemônico → secundário à atividade fabulatória de pacientes amnésticos ou 
demenciados. Ex.: paciente falsamente lembra de ter sido ameaçado por seu vizinho, e 
passa a acreditar que ele planeja mata-lo; 
- Quanto à temática: 
 De prejuízo → forma atenuada de delírio persecutório; o indivíduo pensa que as pessoas 
são hostis em relação a ele, zombam dele ou o menosprezam; 
 De reivindicação (ou querelante): subtipo do delírio persecutório; o indivíduo se julga 
vítima de terríveis injustiças ou discriminações e se envolve em disputas legais; 
Ex.: Paciente em tratamento psiquiátrico teve alguns efeitos colaterais com a medicação 
prescrita, e resolveu fazer uma queixa no CRM contra seu médico, pois acreditava que este o 
estava usando como “cobaia”. 
 De influência → subtipo de delírio persecutório; o paciente acredita que alguém ou 
alguma força externa controla sua mente ou seu corpo; 
Ex.: Paciente sente-se fraco porque um ímã está sugando suas energias. 
 De ciúme → o indivíduo acredita que seu cônjuge ou amante está sendo infiel a ele; 
ocorre no alcoolismo crônico e transtorno delirante, sendo mais comum no sexo masculino; 
Ex.: Dom Casmurro 
Obs.: Delírio erotomaníaco: O indivíduo crê ser amado, a distância, por outra pessoa. Essa 
outra pessoa é tipicamente mais velha e possui uma situação socioeconômica mais elevada que 
a do paciente. Ex.: caso de Ana Hickman 
 Expansivos → de grandeza, de beleza, de força, de vigor, de poder, de riqueza, de 
linhagem ilustre, de inteligência, de invenção, de salvação do mundo, de missão divina, de 
graça... 
 Autorreferente/Heterreferente; 
 
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 De ruína (niilista) → comum na depressão; para o paciente, sua vida está repleta de 
desgraças, sofrimentos, fracassos e perdas. Os delírios somáticos, de culpa e de negação 
são considerados subtipos do delírio de ruína; 
- Delírio somático (hipocondríaco): paciente acredita estar sofrendo de uma grave 
doença; 
- Delírio de infestação (Síndrome de Ekbom): forma especial de delírio somático; doente 
julga estar infestado por pequenos organismos 
- Delírio cenestopático: o indivíduo afirma que existem animais (cobras, ratos) dentro do 
seu corpo; 
- Delírio de culpa: característico da depressão; o paciente acredita que cometeu pecados 
terríveis em seu passado e merece ser punido; 
- Delírio de negação de órgãos: doente experimenta profundas alterações corporais; 
relata que seu corpo está destruído ou morto, que não tem mais vários órgãos, que seus 
membros estão “esfarelando”; 
Obs.: Síndrome ou Delírio de Cotard → quando o delírio de negação de órgãos vem 
acompanhado de delírio de imortalidade – “ não vou morrer nunca mais, vou sofrer para o resto 
da eternidade” e de enormidade – paciente vivencia o corpo se expandindo, tomando conta de 
todo o quarto; 
 Delírio de Capgras (do sósia): acredita que vários sósias tomaram o lugar de seus 
conhecidos 
“Na época de sua admissão, ela recebeu o diagnóstico de uma psicose incomum devido à sua 
crença de que seu marido fora substituído por um outro homem. Ela se recusou a dormir com o 
impostor, trancou seu quarto e porta à noite, pediu uma arma ao seu filho e lutou contra a polícia 
que tentou hospitalizá-la. Por vezes ela acreditava que seu marido era seu pai, há muito falecido. 
Ela reconhecia outros membros da família e confundia apenas seu marido” 
o Alterações do processo de pensar 
CURSO DO PENSAMENTO 
- Lentificação do pensamento (bradipsiquiso) → o pensamento progride lentamente, de forma 
dificultosa; presente em depressões graves e em intoxicações por sedativos; 
- Aceleração do pensamento (taquipsiquismo) → o pensamento flui de forma muito acelerada; 
ocorre em estados maníacos, ansiosos e psicoses tóxicas; 
 
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- Aumento do tempo de latência das respostas → indivíduo demora mais que o esperado para 
responder; ocorre em quadros depressivos e esquizofrenia; 
- Bloqueio do pensamento → o paciente, ao relatar algo, interrompe brusca e repentinamente 
seu pensamento; alteração quase exclusiva da esquizofrenia; 
- Roubo do pensamento → o paciente tem a impressão de que seu pensamento foi extraído de 
sua mente por uma força externa; 
FORMA DO PENSAMENTO 
- Fuga de ideias: as ideias se seguem de forma extremamente rápida, perturbando a lógica e 
passando a ocorrer por assonância; acontece nos estados de mania é secundária à aceleração 
do pensamento; 
- Afrouxamento das associações: afrouxamento dos enlaces associativos das ideias, mas é 
preservada a lógica entre elas; 
- Descarrilhamento do pensamento: o pensamento se extravia do seu curso normal; 
- Desagregação do pensamento: profunda e radical perda dos enlaces associativos, com total 
perda da coerência do pensamento; esquizofrenia → afrouxamento -> descarrilhamento -> 
desagregação; 
- Concretismo reificante: perda da capacidade de abstração; o individuo entende tudo de forma 
literal; 
- Perseveração do pensamento: dificuldade de mudança do tema, comum em demências; 
- Circunstancialidade: raciocínio do pensamento fica “circulando” em torno do tema, sem atingir 
o ponto principal; ocorre Sno TOC 
CONTEÚDO DO PENSAMENTO 
- Delírio 
6. Atenção e suas alterações 
o Atenção → processo através do qual a consciência é direcionada para determinado 
estímulo; determinado objeto da consciência é selecionado e focado em detrimento dos 
outros objetos, adquirindo maior clareza e nitidez; 
“Sem a capacidade de seleção exercida pela atenção, a quantidade de informações externas 
e internas (distratores) que chegariam à nossa mente seria tão grande que inviabilizaria 
qualquer atividade psíquica.” 
 
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o Neuropsicologia da atenção: 
- SRAA: Tálamo (filtro) → regula a transmissão de estímulos nervosos que ascendem para o 
córtex; Córtex frontal → relacionado à capacidade de concentração e seleção de estímulos; 
Estruturas límbicas 
o Funções da atenção: 
- Atenção seletiva: capacidade de prestar atenção em alguns estímulos e ignorar os demais; 
- Vigilância e detecção de sinal: espera passiva de um estímulo que pode surgir a qualquer 
momento (ex.: salva-vidas); 
- Sondagem: procura ativa por um estímulo em particular; 
- Atenção dividida: distribuição de nossos recursos de atenção entre 2 ou mais tarefas que 
realizamos ao mesmo tempo 
o Atenção voluntária 
- Exprime a concentração ativa e intencional da consciência sobre um objeto; 
o Atenção espontânea 
- Suscitada pelo interesse momentânea incidental, que esse ou aquele objeto desperta; 
Ex.: estímulos mais intensos, repentinos e inesperados despertam mais a nossa atenção 
o Tenacidade 
- ou capacidade de concentração; é a capacidade de manter a atenção em determinado objeto 
por certo tempo; 
o Mobilidade da atenção 
- capacidade de, a qualquer momento, desviar-se a atenção de um objeto para outro; 
“Mobilidade da atenção também é chamada ”vigilância” , termo ruim, já que também é usado 
como significado de estado da consciência ou alerta.” 
o Alterações quantitativas da atençãoNa prática, o aumento global da atenção NÃO é possível; embora a tenacidade e mobilidade 
possam diminuir com o tempo, não há situações em que ambas estejam aumentadas. Ou seja, as 
alterações quantitativas da atenção estão restristas à: 
 
16 CAROLINA CABRAL DE CARVALHO 
- Hipoprosexia: diminuição global da atividade da atenção, afetando tanto a tenacidade como a 
mobilidade; rápida fadiga, associada ao esforço para se concentrar; aumento do limiar de 
estimulação, ou seja, são necessários estímulos mais intensos para atrair a atenção do indivíduo; 
Ex.: estados de fadiga, tédio e sonolência – fisiológicos; esquizofrenia, depressão, demência, 
delirium sem psicose e retardo 
- Aprosexia: abolição da atenção; 
Ex.: sono sem sonhos – fisiológico; estados de rebaixamento do nível de consciência profundos, 
coma, demência avançada, casos de esturpor esquizofrênico ou depressivo 
o Alterações qualitativas da atenção: 
Podem ser chamadas de: paraprosexias ou disprosexias; 
Ocorrem quando a tenacidade e mobilidade se desviam em sentidos opostos: 
- Rigidez da atenção (distração, estreitamento da atenção, pseudoaprosexia) → hipertenacidade 
com hipomobilidade da atenção; 
Obs.: Ensimesmamento → quando a atenção está dirigida a um objeto interno; 
Ex: Depressão : a atenção volta-se exclusivamente para determinada vivência interna, 
pensamentos e recordações dolorosas; TOC: atenção voltada às ideias recorrentes; 
Hipocondria: em relação às sensações corporais 
“Não é sinal de déficit, mas de superconcentração da atenção sobre determinados conteúdos ou 
objetos, com a inibição de tudo o mais” 
- Labilação da atenção (distraibilidade): hipotenacidade com hipermobilidade da atenção; o 
indivíduo é incapaz de manter por muito tempo sua atenção em um mesmo objeto; é a atenção 
espontânea que predomina 
Ex: estados de Mania; intoxicações por anfetamina, álcool ou alucinógenos; síndromes ansiosas; 
TDAH; Déficit intelectual ou quadros demenciais 
“Estado patológico em que a atenção é muito facilmente desviada de um objeto para o outro.” 
o Exame da atenção 
- Observação da mímica e do comportamento: é importante observar o olhar do paciente → 
mantém sobre o examinador? Constantemente desviado? Parece perdido? – Impressão de que 
 
17 CAROLINA CABRAL DE CARVALHO 
“está olhando, mas não está vendo”; necessidade de estímulos cada vez mais enérgicos para 
despertar ou manter a atenção do paciente indica uma fatigabilidade da atenção. 
- Entrevista psiquiátrica: demora nas respostas (ou ausência), necessidade de repetir 
perguntas, respostas inadequadas, parciais ou perseverantes → prejuízo na atenção; 
- Testagem: Teste de repetição → solicita-se que o paciente repita uma lista de palavras (em 
média, 3) ou uma série de dígitos (começa com 4 e aumenta progressivamente – o adulto normal 
repete de 6-7 dígitos); não se trata de testes de memória, pois a memória imediata reflete a 
atividade da atenção; 
o Atenção e transtornos mentais 
A atenção está sempre diminuída nos transtornos mentais graves: 
Atenção fugitiva no maníaco, concentrada no monomaníaco (melancólico, delirante), vaga e 
difusa no demente; 
- Transtornos de humor: importantes dificuldades de atenção e concentração; 
 Estado maníaco → a atenção salta rapidamente de um estímulo para outro sem se fixar 
em algo; hipermobilidade com hipotenacidade da atenção; 
 Estado depressivo → diminuição geral da atenção (hipoprosexia) em função da falta de 
interesse generalizada; rigidez da atenção, quando a mente se concentra em ideias de 
conteúdo penoso; 
- Esquizofrenia: déficit da atenção é central; dificuldade em filtrar e anular informações 
irrelevantes; muitos suscetíveis à distração com estímulos visuais e auditivos externos; 
lentificação do tempo de reação, não conseguem suprimir informações interferentes e têm grande 
dificuldade com a atenção constante, em consequência da distraibilidade; 
- TDAH: marcante dificuldade em prestar atenção em estímulos internos e externos (aspecto 
primário e central); maior dificuldade de determinar informações infrequentes, principalmente 
quando não é importante para o sujeito; prejuízo à filtragem de estímulos irrelevantes à tarefa; 
relutância em controlar seus comportamentos e impulsos. 
7. Sensopercepção e suas alterações 
o Sensação: fenômeno elementar gerado por estímulos físicos, químicos ou biológicos, 
originados fora ou dentro do organismo, o qual estimula os órgãos receptores; 
o Percepção: tomada de consciência do estímulo sensorial pelo indivíduo; transformação de 
estímulos puramente sensoriais em fenômenos perceptivos conscientes; 
 
18 CAROLINA CABRAL DE CARVALHO 
o Apercepção: perceber algo integralmente, com clareza e plenitude, por meio de 
reconhecimento ou identificação, ou seja, “gnosia” – pleno reconhecimento de um objeto 
percebido; 
SENSOPERCEPÇÃO → Sensação + Percepção + Apercepção 
o Imagem x Representação 
IMAGEM PERCEPÇÃO 
Nitidez Pouca nitidez 
Corporeidade Pouca corporeidade 
Estabilidade Instabilidade 
Extrojeção Introjeção 
Completitude Incompletitude 
Ininfluenciabilidade voluntária Eidetismo e Pareidolias 
Obs.: Um exemplo de representação seria quando nos lembramos de uma pessoa, mas não nos 
recordamos dos mínimos detalhes 
- Eidetismo ou imagem eidética: capacidade extrema de representação; não é algo 
patológico; como um pintor que consegue fazer uma pintura com todos os detalhes, parecendo 
até uma fotografia; 
 
 
 
 
 
- Pareidolias: alteração que temos de representação, quando conseguimos observar em 
um objeto/nuvem/terra uma face, por exemplo. Ver um cavalo em uma nuvem. Não é patológico. 
 
 
 
 
 
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Obs.: outro exemplo seria o teste de Rorschach – teste psiquiátrico no qual as pessoas 
identificam o que estão vendo em uma mancha de tinta para avaliar aspectos de sua 
personalidade 
o Alterações da sensopercepção 
QUANTITATIVAS 
- Hiperestesia/ Hiperpatia: percepções estão anormalmente aumentadas em intensidade ou 
duração; ocorre em uso de alucinógenos, epilepsia, esquizofrenia, mania, enxaqueca e 
hipertireoidismo. Na hiperpatia, um leve estímulo da pele causa uma sensação desagradável de 
dor e queimação; 
- Hipoestesia: percepções anormalmente diminuídas em intensidade ou duração. Depressao, 
paciente em estupor, obnubilação; “vida sem cor, sem brilho”. Nas hipoestesias táteis, pensa-se 
em quadros neurológicos ou orgânicos; 
- Anestesia: abolição de todas as formas de sensibilidade, seja geral ou regional. Em quadros 
histéricos, pode haver um quadro de anestesia regional induzida pela histeria, que não obedece, 
geralmente, um território de inervação; 
- Analgesia: perda de sensibilidade à dor, conservando outras formas. Pode ocorrer em estados 
de catatonia (individuo que não se mexe); 
- Parestesia: sensações táteis desagradáveis, espontâneas, descritas com “formigamento, 
queimação, picadas”; 
- Disestesias: sensações anômalas desencadeadas por um estímulo; ex.: sente frio ao aproximar 
um objeto quente 
Obs.: tanto a parestesia, como a disestesia ocorrem em neuropatias, esclerose múltipla, histeria, 
somatizadores, ansiosos e hipocondríacos. 
QUALITATIVAS 
- Ilusões: percepção alterada, deformada de um objeto real e presente. Ocorre em 
rebaixamento do nível de consciência (delirium), fadiga grave, estados afetivos (ilusões 
catatímicas). Tipos: visuais e auditivas (ao invés de escutar a música que está tocando, escuta as 
vozes falando dela, por exemplo). Por exemplo, você diz que um projetor é um disco voador. 
- Alucinações: percepção de algo que não é real, nem presente. Percepção clara e definida de 
um objeto (voz, ruído ou imagem) sem a presença do objeto real. Por exemplo, a pessoa ficar 
vendo um monstro indo atrás dela, quando não tem nada nem ninguém no local. Simples → 
apenas ruídos primários, como zumbidos, burburinhos, cliques e estalidos; Pode ser devido a 
doenças do sistemaauditivo ou central → sempre avaliação otorrino e neurológica 
 Auditivas → complexas: audioverbal é a mais comum; vozes de comando, narrativa, 
autodepreciativas; sonorização do próprio pensamento ou de terceiros; ocorre na 
Esquizofrenia, depressão, alcoolismo crônico, transtornos de personalidade; 
 
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 Musicais → audição de tons, melodias, ritmos e harmonias; raro, geralmente 
acompanhado de insight (o paciente tem noção que está doente). Ocorre na perda de 
audição, demências, depressão; 
 Visuais simples → também denominadas de fotopsias; nela o indivíduo vê bolas, cores, 
pontos brilhantes. Investigar sempre doenças oftalmológicas. Presentes também na 
esquizofrenia, abuso de álcool, enxaqueca e epilepsia; 
 Visuais complexas → figuras e imagens de pessoas, partes do corpo, entidades, objetos, 
crianças, animais. Podem haver visões de cenas complexas → alucinações cenográficas. 
Obs.: Alucinações liliputianas (micropsias) → cenas com personagens diminutos entre objetos 
e personagens reais. 
 Alucinações guliverianas (macropsias) → objetos e personagens maiores. 
Ex.: Síndrome de Charles Bonnet (alucinações visuais complexas) 
 Táteis → paciente relata choques, insetos, espetadas, toque sobre sua pele. 
Esquizofrenicos podem sentir manipulação e penetração de seus genitais; podem estar 
presentes também nas histerias, delirium tremens e psicoses tóxicas; 
Síndrome de Ekbom – alucinações táteis com pequenos animais e insetos, em geral ocorrem 
associadas ao delírio de infestação. Alucinação tátil + delírio de infestação 
 Olfativas e gustativas → geralmente sentem o odor ou sabor de coisas podres: corpos, 
excretas, pus. Relacionadas a interpretações delirantes: “sinto cheiro de veneno, estão 
querendo me matas”. Presentes na histeria e na esquizofrenia; 
 Cenestésicas → sensações incomuns e anormais em diferentes partes do corpo; 
sensações alteradas nas vísceras e corpo → cenestopatia. “Meu cérebro está 
encolhendo”, “meu coração explodiu”; 
 Cinestésicas → sensações incomuns e anormais de movimentos do corpo; “minha cabeça 
rodou”; 
 Extracampinas → paciente relata que vê imagens fora do seu campo visual (nas suas 
costas, atrás da sua cabeça); fenômeno raro, associado a psicoses; 
 Autoscópicas → paciente relata que observa a si mesmo fora do seu corpo, 
contemplando-o (fenômeno do duplo); associado à epilepsia, esquizofrenia e alucinógenos; 
- Alucinoses: o paciente percebe que uma alucinação é estranha à sua pessoa, é autocriticada 
(insight); há um distanciamento entre o “eu” e o “sintoma”; ocorre com mais frequência em quadro 
psico-orgânicos, como intoxicação com alucinógenos 
8. Memória e suas alterações 
o Memória: capacidade de registrar, manter e evocar fatos já ocorridos; está intimamente 
relacionada ao: 
- Interesse afetivo; 
- Nível de consciência; 
- Atenção; 
 
21 CAROLINA CABRAL DE CARVALHO 
“O aprendizado é o processo através do qual adquirimos conhecimento sobre o mundo; já a 
memória representa o armazenamento desse conhecimento.” 
As informações armazenadas se referem às nossas experiências perceptivas e motoras e as 
vivências internas; 
A capacidade mnêmica preservada é fundamental para a percepção (gnosia) e para a orientação 
o A atividade da memora é dividida em 3 fases: 
- Fixação (aquisição, codificação, egramação): refere-se à aquisição de novas informações; 
depende do nível de consciência, da atenção, sensopercepção, interesse e afeto empregado, 
conhecimento prévio, capacidade de compreensão, organização e canais sensoperceptivos 
usados; 
Obs.: Fixam-se mais rapidamente as informações que: 
 Despertam nosso interesse e possuem maior conotação emocional; 
 Têm caráter de novidade; 
 Podem estar associadas às informações anteriormente adquiridas; 
 Envolvem mais de um canal sensorial ao mesmo tempo (visão e audição, por exemplo) 
- Conservação (retenção ou armazenamento): refere-se à manutenção das informações que 
foram fixadas; depende da repetição e associação mnêmica com outros elementos; 
Obs.: Lei de regressão mnêmica de Ribot → as informações conservadas vão, através do 
tempo, sofrendo um processo lento de desintegração; “a perda de informações se faz das mais 
recentes para as mais antigas, das mais complexas para as mais simples e das menos 
organizadas para as mais organizadas.” 
- Evocação (rememoração, recuperação) → corresponde ao retorno, espontâneo ou voluntário, 
à consciência das informações armazenadas; no caso da memória implícita, a evocação 
corresponde à expressão no comportamento do aprendizado prévio; 
Obs.: Esquecimento é a impossibilidade de evocar ou recordar informações. 
Os fatores afetivos podem influenciar a evocação (cada vez que evocamos estamos 
reconstruindo, sempre com alterações, a imagem armazenada) 
o Classificação das memórias 
 
 
 
 
 
 
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- Memória sensorial/imediata/de curtíssimo prazo: permanece ativa o tempo necessário para 
se dar a percepção; muito frágil e capacidade muito limitada; é mais um função de atenção do 
que de memória; depende da integridade da área pré-frontal; 
- Memória de curto prazo/recente: capacidade de armazenamento limitada, dura de 
segundos a minutos (até 6h?); depende de estruturas cerebrais: partes mediais dos lobos 
temporais, hipocampo, córtex entorrinal e parietal posterior; 
- Memória de longo prazo/remota: capacidade de armazenamento indefinida, dura de meses 
a anos; tipo de memória de capacidade bem mais ampla que a imediata e a recente; áreas 
cerebrais: hipocampo, córtex frontal, todos os lobos cerebrais, sobretudo, áreas de 
associação 
o Tipos específicos de memórias: 
- Caráter consciente x inconsciente → explícitas, implícitas, declarativa e não-declarativa; 
 Memória explícita: adquirida de forma consciente; é a mais relevante clinicamente; 
“lembranças de fatos autobiográficos”; 
 Memória implícita: adquirida de forma mais ou menos automática, inconsciente; “andar 
de bicicleta, aquisições linguísticas”; 
 Memória declarativa: indivíduo consegue declarar verbalmente fatos, eventos, 
conhecimentos memorizados; é SEMPRE explícita! e diz respeito a eventos 
autobiográficos e conhecimentos gerais; 
 Memória não-declarativa: hábitos, capacidades (motoras, sensoriais, linguísticos sobre os 
quais é difícil declarar como são lembrados); “pegar um violão e tocar uma música, nadar”. 
- Áreas e estruturas cerebrais envolvidas → memória de trabalho, episódica, semântica, de 
procedimentos; 
 Memória de trabalho: Atenção + Memória imediata + Concentração; teste de comando 
simples – “pegue essa folha com a mão direita, dobre e coloque no chão”, sequência 
numérica, sequência de gravuras; valor diagnóstico para demências, DFT, DA, DCL, 
esquizofrenia, TDAH, TOC, envelhecimento normal; 
 Memória episódica: Explícita + Autobiográfica + Declarativa; forma mais relevante para a 
clínica; recordação consciente de fatos reais; “onde comeu?”, “onde passou férias?”; 
regiões: face medial dos lobos temporais; 
Lesões nessas áreas → Síndrome de Wernicke-Korsakoff e DA avançada – perda da 
capacidade de lembrar eventos ocorridos há poucos minutos 
 
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Obs.: A Síndrome de Wernicke muitas vezes está associada à deficiência de tiamina (vitamina 
B1), ou seja, é reversível; entretanto, a evolução do quadro, como o indivíduo alcoolista crônico, 
pode levar a uma amnésia, caracterizando a Síndrome de Wernicke-Korsakoff; 
SÍNDROME DE WERNICKE – ESTADO CONFUSIONAL, ATAXIA, NISTAGMO E 
OFTALMOPARESIA; 
SÍNDROME DE WERNICKE-KORSAKOFF – AMNÉSIA ANTERÓGRADA E CONFABULAÇÃO 
 Memória semântica: sempre explícita e declarativa; refere-se a conhecimentos 
cristalizados por meio da linguagem (caráter semântico); registro e retenção de conteúdo 
em função do significado que têm; conhecimento de objetos, fatos, operações 
matemáticas, assim como das palavras e seus usos;deteriorada na DA; lobos temporais 
inferiores e laterais 
“Lembrar como foi o almoço com os avós, em BH, durante as férias do mês passado, depende 
do sistema de memória episódica. Já o conhecimento das palavras ”almoço”, ”Belo Horizonte”, 
”férias”, ”avós”, etc., depende da memória semântica” 
Obs.: indivíduos com Sd. de Wernicke-Korsakoff podem ter a memória semântica bem 
preservada 
 Memória de procedimento: implícita, não-consciente, não-declarativa; 
“Durante a aquisição da habilidade pode ser explícita, mas depois torna-se implícita, automática! 
ÁREAS CEREBRAIS: Área motora suplementar, gânglios da base e cerebelo.” 
Ex.: andar de bicicleta, dirigir carro, jogar videogame, tocar violão; 
Déficit memória de procedimento: perda de uma habilidade antes aprendida (escrita, direção, 
tocar); pode até realizar tais atos, mas sob solicitação verbal e auxílios. Valor diagnóstico: 
Parkinson, Coreia de Huntington, traumas e tumores. 
o Alterações patológicas 
QUANTITATIVAS 
- Hipermnésia: RARO! As representações fluem rapidamente em número, mas perdem em 
clareza e precisão; aceleração do ritmo psíquico 
- Amnésia/Hipomnésia: perda ou diminuição da capacidade de fixar, manter ou evocar fatos; 
psicogênica → eventos focais específicos; orgânica → menos seletiva, segue a lei de Ribot; 
Amnésia anterógrada → a pessoa esquece o que ocorreu depois do trauma, tumor ou abuso 
de substâncias, por exemplo 
 
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Amnésia retrógrada → a pessoa esquece o que ocorreu antes do trauma ou quadros 
dissociativos 
QUALITATIVAS 
- Ilusões mnêmicas: acréscimo de elementos falsos a um núcleo verdadeiro (“tive milhares de 
amigos”, “vivi em centenas de lugares”); 
- Alucinações mnêmicas: criações imaginativas que não correspondem a nenhuma lembrança 
verdadeira. Produzidas INTENCIONALMENTE. Ex.: auto da compadecida – ele inventa toda a 
história e se lembra dessa alucinação perfeitamente. 
Ilusões e alucinações ocorrem na esquizofrenia, dellirium, histeria, transtorno de personalidade 
- Fabulações e confabulações: elementos da imaginação completam as lacunas da memória; o 
paciente NÃO TEM INTENÇÃO de mentir ou inventar histórias; déficit de memória de fixação; 
ocorrem com grande frequência da Síndrome de Korsakoff, Alzheier; 
- Criptomnésia: falseamento da memória, onde lembranças aparecem como fatos novos; por 
exemplo, uma história já contada pela avó diversas vezes e que ela repete como um fato novo. 
Comum nas demências, onde o paciente repete a mesma história várias vezes, como se esta 
fosse um fato novo. 
- Ecmnésia: condensação de eventos passados, com a vivência de uma alucinação. 
Presentificação do passado, uma vista panorâmica da vida (experiência de quase morte – 
visualiza um filme da vida). Presente na epilepsia, hipnose e experiências de quase morte; 
- Lembrança obsessiva: surgimento espontâneo de imagens ou conteúdos do passado que não 
podem ser repelidos espontaneamente pelo indíviduo. Incômodo ao paciente e ao seu bem estar 
social. Presente no TOC e nos estresses pós traumáticos; 
o Alterações do reconhecimento 
- Falso desconhecimento: por processos delirantes, o indivíduo afirma não conhecer parentes 
ou pessoas próximas; 
PROVA – DELÍRIOS DE CAPGRAS/ DO SÓSIA: paciente acredita que as pessoas próximas a 
ele são impostoras, uma sósia; 
- Síndrome de Capgras inversa – a pessoa acredita que ela é impostora dela mesma 
- Síndrome de Frégoli: falso reconhecimento; o paciente acredita ser próximo de uma pessoa 
desconhecida 
- Dejá-vu/ dejá entendu/ dejá pense/ dejá vécu: o indivíduo tem a nítida impressão que já viu, 
ouviu, pensou ou vivenciou a mesma experiência no passado; 
- Jamais-vu: apesar de ter vivido, tem a impressão de que nunca viu, ouviu ou viveu. 
 
 
 
 
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