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M a r i a L u i z a F e r n a n d e s – P n e u m o p e d – P á g i n a | 1 INTRODUÇÃO C A radiografia do tórax é o exame radiográfico mais realizado em crianças. C Interpretação correta é crucial para alcançar o diagnóstico correto e evitar tratamento inadequado devido à falha em apreciar a variação normal. C É importante a sistematização da avaliação. C Cerca de 10% a 15% desses exames são laudados de maneira errônea por conta de falsos positivos e falsos negativos ocasionados pela má qualidade do exame radiológico de tórax bem como pela falta de pelo menos duas incidências radiológicas para avaliação torácica. AVALIAÇÃO METÓDICA: C Verifique o nome do paciente, a data do exame e marcação lateral. C Observe a projeção (supina ou ereta, ântero- posterior ou póstero-anterior), fase de respiração e presença de qualquer rotação. C Identifique qualquer artefato ou sombras. → EX: Colar, criança na UTI com eletrodos (não podia ser retirado). C Identificar sinais radiológicos anormais revendo sistematicamente todas as regiões, incluindo: traqueia, carina, brônquios maiores; contornos do mediastino e região hilar; tamanho e contorno cardíaco; vascularização pulmonar; tamanho e translucidez dos pulmões; posição das principais fissuras; clareza e altura do diafragma; ângulos costofrênicos; tecidos moles e esqueleto torácico. *Sugerir o diagnóstico mais provável ou listar possíveis diagnósticos diferenciais com base nos dados radiológicos observados, fazendo correlação clínica. C EX: Possível diagnóstico de pneumonia viral → Infiltrado intersticial peribroncovascular que pode SUGERIR, uma etiologia viral ou inflamatória, mas não dizer que É. INFLUÊNCIA DA TÉCNICA E INTERPRETAÇÃO FASE DA RESPIRAÇÃO C Os diafragmas são projetados entre quinta e sétima costela anterior em um exame bem inspirado. No infantil jovem, uma fase expiratória exagerará o tamanho do coração e as marcações broncovasculares, pode levar a um diagnóstico errôneo de broncopneumonia. A alta posição dos diafragmas irá obscurecer anormalidades nas bases do pulmão. C INSPIRAÇÃO PROFUNDA: Rebaixamento do diafragma e ver melhor as estruturas de base pulmonar. C EXPIRAÇÃO PROFUNDA: Comprimir as estruturas e ai a gente pode não conseguir ter imagens claras. POSICIONAMENTO C A rotação é a causa mais comum de desigualdade na translucidez dos dois pulmões. A rotação pode ser avaliada verificando a simetria das costelas e a distancia das bordas mediais das clavículas do processo espinhoso das vértebras e alinhamento das escápulas. C Observar se há diferença entre a distancia do hemitórax esquerdo e direito. PRINCIPAIS INCIDÊNCIAS C PA: Póstero-anterior. Avaliação torácica, evita, na medida do possível, magnificação do coração e alterações estruturais adjacentes. Ao permanecerem mais perto do filme radiográfico, as estruturas que serão estudadas sofrem menos alterações de tamanho, ficando mais próximas da proporção real. Importante posicionamento abaixo para – M a r i a L u i z a F e r n a n d e s – P n e u m o p e d – P á g i n a | 2 C PERFIL: Ela possibilita uma visão dimensional melhor das estruturas. Devido a sobreposição de estruturas que é vista no PA, no perfil podemos perceber posicionamento de lesões anteriores ou posteriores a estruturas anatômicas normais. C AP: É resguardada para pacientes que não conseguem se locomover adequadamente, estão acamados ou possuam algum motivo ou indicação maior para o exame. Essa incidência não é tão confiável, pois as estruturas estão mais longe do filme radiográfico, de forma que os raios X, que são divergentes, ao entrarem anteriormente ao invés de posteriormente favorecem um aumento da área cardíaca, pois o coração encontra-se longe do filme radiográfico, dificultando a análise de tamanho do coração e dos campos pulmonares. C ÁPICO LORDÓTICA: Visualização dos ápices pulmonares, ou seja, o paciente assume uma posição que favorece a retirada das clavículas do campo de avaliação radiológica. De maneira indireta, também avaliamos melhor o lobo médio e a língula. C DECÚBITO LATERAL OU DE LAWRELL: É utilizada quando possuímos alguma lesão que muda sua posição ao alterarmos a posição do paciente EX: Um derrame pleural livre que em pé mostra-se obliterando os seios costofrênicos, que ao paciente deitar o líquido “escorre”. Ou seja, mobilidade de líquido. C OBLÍQUA: É realizada para visualizar e caracterizar melhor as lesões parcialmente encobertas por demais estruturas ou até mesmo para avaliação da área cardíaca em casos de imagens duvidosas. PENETRAÇÃO C Se não conseguirmos visualizar nenhum corpo vertebral torácico é sinal de pouca penetração, já o contrário, quando visualizamos inclusive os corpos vertebrais inferiores, estaremos com muita penetração. C PENETRAÇÃO ADEQUADA: Um indicativo referencial de penetração adequada seria a visualização de pelo menos três corpos PENETRAÇÃO ADEQUADA POUCA PENETRAÇÃO MUITA PENETRAÇÃO M a r i a L u i z a F e r n a n d e s – P n e u m o p e d – P á g i n a | 3 vertebrais acima do botão aórtico, porém, os processos vertebrais posteriormente localizados à sombra cardíaca não devem ser visualizados de forma detalhada e/ou consecutiva. Na prática radiográfica não é possível obter sempre uma penetrância perfeita, mas sim um exame “aceitável ou muito bom”. C POUCA PENETRAÇÃO: Dá impressão de infiltração, os vasos ficam mais evidentes (falsa sensação de interstício pulmonar). C MUITA PENETRAÇÃO: Dá pra visualizar a coluna inteira, tudo muito preto, não consegue ver as estruturas bem delineadas. ESPAÇOS INTERCOSTAIS E CENTRALIZAÇÃO ADEQUADA C O espaço entre as clavículas precisa ser simétricos. Visualizar pelo menos o 9º ou 10º arco intercostal posterior ou em média 7 espaços intercostais anteriores. A visualização de menos arcos costais que a referência pode indicar pulmão hipoinsuflado e se houver visualização de mais espaços poder ser um indicativo de um pulmão hiperinsuflado. A centralização é altamente importante, do contrário, determinadas partes do parênquima pulmonar poderão ficar mais penetradas ou menos penetradas que outras, bem como podemos alterar a posição de SISTEMATIZAR A AVALIAÇÃO DA RADIOGRAFIA DO TÓRAX Atenção para a idade e presença de artefatos. A= AIRWAY → vias aéreas (traqueia, brônquios, bronquíolos) B= BREATHING → respiração (pulmões, hilo e pleura) C= CIRCULATION → (coração, mediastino e vasos da base) D= DIAPHRAGM → (diafragma e também os recessos costofrênicos) E= SKELETON → (esqueleto, clavículas, costelas, esterno e coluna) F= FAT → (gordura, tecido subcutâneo, músculos, mamas) G= GADGETS → objetos e instrumentos - C RAIO-X B: Está rodado, expirado, muito penetrado, infiltrado alveolar à direita, broncograma aéreo (desenho do brônquio), discreto derrame pleural à esquerda. MEDIASTINO E CONTORNOS MEDIASTINAIS C Os contornos cardíacos à direita são formados principalmente pelo contorno do AD e contorno da VCS. Já os contornos do lado esquerdo são formados por 4 contornos, porém, melhor visualizáveis somente 3: arco da aorta, tronco pulmonar e VE. Em alguns pacientes que possuem o arco da aorta mais alongada e proeminente podemos observar uma proeminência do primeiro contorno a esquerda não sendo necessariamente algo patológico na maioria das vezes. C Não confundir a artéria pulmonar com pneumonia, isso acontece demais. C Se o VD está aumentado ele roda a ponta do coração para cima. Se o VE está aumentado ele roda a ponta do coração para baixo. A. PULMONAR A. PULMONAR M a r i a L u i z a F e r n a n d e s – P n e u m o p e d – P á g i n a | 4 C Precisamos pedir radiografia de PA e de PERFIL. C Quando olhamos o PERFIL: Temos a partesuperior, anterior, média e posterior. Mas quando olhamos estruturas PULMONARES, se eu estiver olhando o pulmão esquerdo (lobo superior e inferior), já no pulmão direito (lobo superior, médio e inferior), o lobo médio vai ficar “em cima do coração”. GLÂNDULA TIMO C O timo dá origem a um proeminente anterior mediastinal na infância, que é variável em tamanho e pode ser reconhecido pela sua característica “vela de barco” (muito grande). O timo torna-se gradualmente menos evidentes entre as idades entre 2 e 8 anos. Fazer diagnóstico diferencial de massa mediastinal ou uma área de consolidação pulmonar. Solicitar TC de tórax se dúvida diagnóstica. ALARGAMENTO DO MEDIASTINO C IMAGEM 1: Alargamento de mediastino superior, isso é um tumor, sem contorno de vela de barco. C IMAGEM 2: Aumento de gânglio superior. PULMÕES E V IAS AÉREAS C Nesse primeiro raio-x, em PA, vemos a parte superior do lobo superior direito, e em PERFIL também vai estar representada em cima. C LOBO MÉDIO: Borra o contorno cardíaco se tiver alguma lesão. Ele não ocupa a cúpula diafragmática e seio costofrênico direito → não confundir com lobo inferior. C LOBO INFERIOR: É mais alto. Podendo representar a parte superior do lobo inferior. Por isso a avaliação de PERFIL é essencial. TIMO VELA DE BARCO M a r i a L u i z a F e r n a n d e s – P n e u m o p e d – P á g i n a | 5 C Quando não temos o raio-x em PERFIL aumenta a chance de erro. MAS TEMOS UMA DICA: se tiver apenas o PA, e a imagem estiver borrando a silhueta cardíaca à direita, dizemos que é no LOBO MÉDIO. Se existe uma imagem que borre o contorno cardíaco à esquerda, o lobo inferior esquerdo está por trás do coração, então se borra é lobo superior esquerdo. Agora se for uma imagem que for posterior, sem que altere o contorno cardíaco, dizemos que é LOBO INFERIOR ESQUERDO. C LOBO SUPERIOR ESQUERDO/INFERIOR: No pulmão esquerdo como são apenas dois lobos, observem como ele pode chegar até mais embaixo. Então numa pneumonia você pensa que está tomando o pulmão todo, MAS NÃO É, observe que é apenas o lobo superior esquerdo ou inferior esquerdo. Quando visualizamos O raio x em PA percebemos que esse infiltrado não está borrando o contorno cardíaco, então se ele não está borrando é o LOBO INFERIOR! A confirmação da localização vem na incidência de perfil. PNEUMONIAS E COMPLICAÇÕES C IMAGEM 2: Nessas radiografias vemos que não está normal! Existe retificação dos arcos cortais por conta da hiperinsuflação (observe como está mais pretinho na parte inferior esquerdo) → Estou diante de uma pneumonia viral. Raio-x rodado e com penetração ruim. Além disso, existem manchas no contorno cardíaco, sendo a favor de infiltrados intersticiais → pneumonia intersticial viral cursando com uma hiperinsuflação (2). C IMAGEM 1: Já nesse raio-x (1) tem a presença de DERRAME PLEURAL, empurra pro lado de lá (muito branco). Se eu tenho derrame pleural pro lado esquerdo, eu vou empurrar o coração para o outro lado (porque é um líquido que vai empurrar os órgãos pro lado). Não é atelectasia, porque ATELECTASIA puxa pro seu lado. Se eu tenho atelectasia do lado esquerdo, o coração estará repuxado pro lado esquerdo. Se fosse atelectasia esse lobo pulmonar vai estar colabado, por um corpo estranho ou um tampão e etc. PADRÕES INTERSTICIAIS C Para analisar um raio-x precisamos entender quais padrões estamos analisando. Dessa forma, na hora de descrevemos um raio-x utilizamos os termos: infiltrado alveolar, infiltrado intersticial ou infiltrado interstício-alveolar (misto). C OBS: O termo condensação é muito vago. C Nos padrões intersticiais, precisamos definir se ele é. C PERIBRONCOVASCULAR: próximo aos broncos fonte e vasos. C CONTROLOBULAR: mais voltado para a região central. C SUBPLEURAL. C SEPTOS INTERLOBULARES. PNEUMONIA M a r i a L u i z a F e r n a n d e s – P n e u m o p e d – P á g i n a | 6 C INTRALOBULAR: dentro do lobo, tornando-se um infiltrado dentro do lobo. PNEUMONIA VIRAL C HIPERINSUFLAÇÃO por envolvimento de pequenas vias aéreas e represamento – ocorre um edema intra brônquico, que reduz a luz brônquica, então o ar entra e por conta desse edema o ar tem uma resistência pra sair, e então a cada ciclo respiratório vai reter muito o ar. Podendo acontecer um espessamento peribroncovascular simétrico. C Adenopatia hilar pequena → comum. PNEUMONIA INTERSTICIAL (ATÍPICA) C Perceba como o interstício pulmonar está espessado, com manchas mal definidas, além de áreas de hiperinsuflação. C Pode acontecer pela Bordetella pertussis, Clamydia, Mycoplasma e Legionella. PNEUMONIA POR M . PNEUMONIAE : C Nesse raio-x vemos um padrão de pneumonia pelo Mycoplasma, em que a região peribroncovascular está toda infiltrada, com manchas no meio que não consegue identificar as estruturas. Podendo ser de qualquer padrão: infiltrado alveolar, infiltrado intersticial ou infiltrado interstício- alveolar (misto). C Nesse raio-x vemos uma ATELECTASIA À DIREITA, atingindo o lobo inferior, onde é percebido um repuxamento do coração. O contorno cardíaco está todo apagado. Quando foi desfeito a atelectasia vemos a nova imagem com um infiltrado intersticial no lobo médio! C Quando o fisioterapeuta desobstruiu a atelectasia, observem o que aparece → M a r i a L u i z a F e r n a n d e s – P n e u m o p e d – P á g i n a | 7 infiltração do lobo médio, infiltrado intersticial. C Percebam a importância de um bom diagnostico, caso o médico pensasse que fosse um derrame pleural e punciona? Ela vai acabar gerado um dano ao paciente (pneumotórax). C Já nesse raio-x o paciente está com uma HIPERINSUFLAÇÃO MESMO, observem o diâmetro ântero-posterior, rebaixamento da cúpula diafragmática! Em perfil, vemos uma atelectasia em lobo médio! → CRIANÇA COM BRONQUIOLITE.