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Nova Lei de Licitação

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atreladas à forma de programação eletrônica das plataformas tecnológicas, 
tais como o uso de robôs, insuficiência do “tempo aleatório” para obtenção das melhores 
propostas e a atuação do licitante “coelho”.
Daí, vislumbrarmos a pertinência de desenvolver a presente obra com viés 
essencialmente prático e analítico acerca das mudanças e inovações substancialmente 
promovidas pelo Decreto Federal nº 10.024, de 20 de setembro de 2019.
Em razão de nossas experiências acadêmicas e profissionais – dada as 
particularidades e especificidades de atuação de cada um –, buscamos conciliar o rigor 
científico com os aspetos reais inerentes à vivência cotidiana daqueles que lidam com 
as contratações públicas rotineiramente. 
Enfim, o caráter ferramental da obra para o gestor público e o particular 
envolvido com contratações advém da conciliação de esforços criativos e científicos 
dos autores. A acurada percepção técnica e consideração dos aspectos normativos 
e jurisprudenciais advém da formação acadêmica de Rafael Sérgio L. de Oliveira, 
doutorando em Ciências Jurídico-Políticas pela Universidade de Lisboa e Procurador 
Federal da Advocacia-Geral da União. A seu turno, a percepção prática e a construção 
de alternativas operacionais é fruto da intensa atuação de Victor Aguiar Jardim de 
Amorim como Pregoeiro há mais de 12 anos, harmonizando a vivência direta na área de 
licitações com sua intensa atividade acadêmica como Mestre em Direito Constitucional 
pelo Instituto Brasiliense de Direito Púbico e professor de cursos de pós-graduação de 
renomadas instituições de ensino.
Não obstante a existência de inúmeras obras que tratam sobre o assunto, 
de forma despretensiosa, mas com confiança na qualidade do trabalho criteriosamente 
realizado, buscamos através deste e-book disponibilizar um material de consulta segura 
e prática para todos os gestores públicos e cidadãos que, diariamente e sem esmorecer, 
contribuem para a melhoria da gestão pública do Brasil.
 
Rafael Sérgio L. de Oliveira
Victor Aguiar Jardim de Amorim
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COMENTÁRIOS AO
DECRETO Nº 10.024, DE 20 DE SETEMBRO DE 2019
Regulamenta a modalidade de licitação pregão, na forma 
eletrônica, para aquisição de bens e contratação de serviços 
comuns, incluídos os serviços comuns de engenharia, e dispõe 
sobre o uso da dispensa eletrônica, no âmbito da administração 
pública federal.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe 
confere o art. 84, caput, incisos II, IV e VI, alínea “a”, da Constituição, 
e tendo em vista o disposto na Lei no 10.520, de 17 de julho de 2002, em 
especial o § 1º do art. 2º, e na Lei nº 8.666, de 21 de junho 1993,
DECRETA:
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
Objeto e âmbito de aplicação
Art. 1º
Art. 1º Este Decreto regulamenta a licitação, na modalidade de pregão, 
na forma eletrônica, para a aquisição de bens e a contratação de serviços 
comuns, incluídos os serviços comuns de engenharia, e dispõe sobre o uso 
da dispensa eletrônica, no âmbito da administração pública federal.
§ 1º A utilização da modalidade de pregão, na forma eletrônica, pelos 
órgãos da administração pública federal direta, pelas autarquias, pelas 
fundações e pelos fundos especiais é obrigatória.
§ 2º As empresas públicas, as sociedades de economia mista e suas 
subsidiárias, nos termos do regulamento interno de que trata o art. 40 da 
Lei nº 13.303, de 30 de junho de 2016, poderão adotar, no que couber, as 
disposições deste Decreto, inclusive o disposto no Capítulo XVII, observados 
os limites de que trata o art. 29 da referida Lei.
§ 3º Para a aquisição de bens e a contratação de serviços comuns pelos 
entes federativos, com a utilização de recursos da União decorrentes de 
transferências voluntárias, tais como convênios e contratos de repasse, a 
utilização da modalidade de pregão, na forma eletrônica, ou da dispensa 
eletrônica será obrigatória, exceto nos casos em que a lei ou a regulamentação 
específica que dispuser sobre a modalidade de transferência discipline de 
forma diversa as contratações com os recursos do repasse.
§ 4º Será admitida, excepcionalmente, mediante prévia justificativa da 
autoridade competente, a utilização da forma de pregão presencial nas 
licitações de que trata o caput ou a não adoção do sistema de dispensa 
eletrônica, desde que fique comprovada a inviabilidade técnica ou a 
desvantagem para a administração na realização da forma eletrônica.
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Abrangência do Decreto nº 10.024/2019
O Decreto nº 10.024/2019 foi expedido pelo Presidente da República no 
exercício das suas competências previstas nos incisos II, IV e VI, alínea a, do art. 84, da 
Constituição. Tais incisos referem-se, respectivamente, às competências de: a) exercer 
a direção superior da administração federal; b) expedir decretos para a fiel execução 
das leis; c) e dispor, mediante decreto, acerca da organização e funcionamento da 
administração federal.
De todas as competências mencionadas, 
a que confere maior abrangência ao regulamento em 
análise é a do inciso IV, do art. 84, da Constituição, 
na medida em que se baseia na atribuição do 
Presidente da República de trazer um maior 
detalhamento das leis para a sua execução. Ainda 
assim, no caso de temas ligados à Administração 
Pública, essa competência não abrange as demais 
esferas da federação, motivo pelo qual o Decreto 
nº 10.024/2019 se aplica apenas à Administração 
Pública direta, autárquica e fundacional da federal.
O fato é que na forma federada de Estado, adotada pela Constituição pátria 
(art. 1º e 18), é inerente à autonomia de cada um dos entes a competência para legislar 
sobre normas relativas à sua administração, ressalvados os casos previstos de forma 
diversa na Constituição1. Assim, cada ente da federação tem sua competência para 
regulamentar as leis relativas a licitação e contrato, de modo que não fazem parte 
do campo de incidência do novel regulamento federal as licitações realizadas pelos 
Municípios, Estados e pelo Distrito Federal, ressalvada a hipótese prevista no § 3º do 
art. 1º em comento, que será melhor estudada mais adiante.
Atentemos, entretanto, que nem todas as normas previstas no novo Decreto 
decorrem da competência regulamentar presidencial (art. 84, IV, da Constituição). 
Algumas, conforme já dito, resultam do seu poder hierárquico (art. 84, II e VI, a, da 
Constituição). Nesses casos, a prevalecer a interpretação do Tribunal de Contas da União 
– TCU quanto ao revogado Decreto nº 5.450/20052, a observância desses comandos não é 
obrigatória para os órgãos federais dotados de independência administrativa em relação 
ao Executivo, o que ocorre com os Poderes Judiciário e Legislativo e com o Ministério 
Público e a Defensoria Pública. Como essas instâncias não se vinculam à hierarquia do 
chefe do Executivo, as normas do regulamento presidencial que extrapolem do exercício 
do poder regulamentar serão facultativamente observadas pelos órgãos estranhos ao 
Executivo.
1 Uma exceção prevista no art. 22, XXVII, da Constituição brasileira é a competência para legislar sobre 
normas gerais de licitação e contrato.
2 Na vigência do Decreto nº 5.450/2005, o TCU decidiu que a preferência pela forma eletrônica na realização 
do pregão não era de observância obrigatória para os órgãos do Poder Judiciário, pois tal comando não resultava do 
poder regulamentar do Presidente, mas sim do seu poder hierárquico (Acórdãos nº 3274/2011 e nº 1515/2011, ambos 
do Plenário do TCU).
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 Em relação às empresas estatais, elas também não estão necessariamente 
abrangidas pelo Decreto em comento. O que o § 2º do art. 1º do Decreto nº 10.024/2019 
admite é que as empresas públicas, as sociedades de economia mista e suas subsidiárias 
adotem em seus regulamentos de licitações e contratos (art. 40 da Lei nº 13.303/2016) 
as normas do novo Decreto federal do pregão eletrônico. Desse modo, se o regulamento 
de uma dada estatal optar pela vinculação às regras