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Cenários e modalidades da EAD 97
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EAD e mídias interativas
7.1 Interatividade
Interatividade é a palavra do momento. Por toda a parte a encontramos: na mídia, 
na publicidade, nas áreas tecnológicas, nas empresas e organizações, na própria inter-
net e, claro, nos projetos educacionais.
É um termo usado para descrever situações bastante distintas. Um programa de 
rádio anuncia o seu intervalo interativo em uma transmissão esportiva; uma compa-
nhia de TV a cabo vende seus produtos pay-per-view por meio de um sistema interativo; 
uma editora lança seus livros interativos para crianças; um jornal de grande circulação 
promove seu novo visual, agora com um layout interativo e, até mesmo, uma fábrica 
de calçados inova e divulga seu novo “tênis interativo”.
Mas, afinal, do que estamos falando? O que, de fato, é interatividade?
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Cenários e modalidades da EAD98
Em um site, podemos clicar sobre links e, assim, acessar novas páginas, as quais tam-
bém nos oferecerão outros links para irmos para outras páginas, e assim por diante, em 
um universo hipertextual. Em um DVD, podemos escolher idiomas para o áudio e para as 
legendas, o capítulo ou trecho do filme que queremos ver ou o material complementar in-
cluído no DVD. Seja em um quiosque de informações, em um CD-ROM ou em um software, 
são oferecidas a nós algumas opções predefinidas de navegação, entre as quais nos cabe 
escolher uma para continuarmos a nossa viagem. O sistema da mídia reage à nossa escolha 
nos levando para novas telas ou apresentando-nos informações com textos, sons e imagens.
A partir dessa compreensão mais comum da palavra interatividade, poderíamos con-
siderar qualquer livro um material interativo, seja ele impresso ou não. Pois esse artefato 
possibilita ao seu leitor escolher a página que deseja ler, a ordem dos capítulos lidos, o ritmo 
e o modo da leitura.
No entanto, para que possamos compreender melhor a acepção mais apropriada da 
palavra interatividade, tomemos como exemplo as características de um simples objeto, um 
tênis. Ele reage ao peso e ao formato do pé de quem o calça. Dessa forma, entendemos que 
a capacidade desse tênis em responder ao peso e ao movimento corporais não o torna inte-
rativo, mas sim reativo.
Podemos também pensar nas mídias anteriormente mencionadas: um DVD, por exem-
plo, expõe um filme de acordo com as nossas opções. Assim, a mídia apenas reage às nossas 
escolhas, não interage conosco, por isso, não pode ser reconhecida como interativa.
Da mesma forma, o radialista responde à questão do ouvinte, reagindo a ela, mas difi-
cilmente não estabelece com ele um verdadeiro diálogo.
Por isso foi possível falar em interação homem-máquina, pois, como se trata de reação, 
equipamentos podem nos conduzir pelos caminhos programados, reagindo automatica-
mente às nossas escolhas.
Uma interação que, na verdade, é uma reação, não traz muita inspiração para práticas 
educativas que buscam o envolvimento dos agentes da aprendizagem. Por isso, na educação 
a distância, faz-se necessário o estabelecimento de um conceito de interatividade mais apro-
priado ao que, de fato, significa a palavra interação: momento em que se dão trocas comuni-
cativas significativas entre as pessoas. Depende, assim, das ações concretas dos sujeitos em 
comunicação, ações que não podem ser predeterminadas ou antecipadas.
Como exemplos de sistemas interativos, temos a conversa face a face, o telefone e o 
bate-papo online.
A internet e as mídias digitais são potencialmente interativas. Em outras palavras, en-
cerram condições técnicas para a interação, mas não a garantem. Vemos inúmeros exemplos 
de sites que não passam de livros ou textos em formato digital, com toda a interatividade 
reduzida a um virar de páginas eletrônicas na tela.
A digitalização – transformação em bits – das mídias clássicas e o desenvolvimento das 
mídias digitais têm proporcionado condições para o advento de um novo tipo de meio de 
comunicação, as mídias interativas.
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7.1 Mídias interativas
Como vimos, interação ocorre quando existem trocas comunicativas significativas. 
Para isso, é preciso um canal de duas vias, uma estrada de mão dupla que permita a 
interação e as trocas comunicativas entre as pessoas envolvidas. Os tradicionais meios 
de comunicação de massa (TV, rádio, jornal) são canais de informação de uma única via 
que vai dos produtores aos espectadores, sem que estes possam intervir na construção e 
no fluxo das mensagens veiculadas.
Novas tecnologias como a internet, a videoconferência, os dispositivos móveis e outras 
mídias digitais, vêm abrindo canais de múltiplas vias, possibilitando a emergência e o de-
senvolvimento de formas de comunicação verdadeiramente interativas.
Vale a pena fazer aqui uma pausa para compararmos algumas características dos meios 
lineares (sequenciais e não interativos) e dos meios interativos.
Resumidamente, os meios lineares, tais como a televisão, o rádio, o jornal e outros meios 
de comunicação de massa, possuem:
• controle centralizado – o conteúdo e a forma das mensagens são decididos intei-
ramente por aqueles que controlam os meios; esse controle está centralizado nas 
mãos de poucos;
• comunicação em via única – o processo comunicativo é unidirecional, fluindo da-
queles que têm o controle para aqueles que consomem os produtos, por uma via 
de sentido único;
• meios pouco participativos – certos meios pedem pouco do receptor, mandando 
as mensagens praticamente acabadas, como no caso do cinema; já outros envol-
vem o receptor, que “completa” as mensagens, como no caso do rádio;
• figura do espectador – ao receptor somente cabe o papel passivo de espectador, 
ficar lá simplesmente olhando ou ouvindo;
• múltiplas mensagens em um único meio – cada meio condensa as mensagens, 
atribui formas próprias a elas dentro de cada linguagem específica e disputa com 
os demais meios a atenção do espectador;
• linearidade – os MCM impõem uma sequência e um ritmo obrigatórios, em um 
fluxo linear com temporalidade própria, que não permite desvios, acelerações ou 
caminhos alternativos.
 Em contraposição, podemos relacionar como características dos novos meios intera-
tivos da internet:
• controle descentralizado – a internet é o primeiro grande meio de comunicação 
sem um poder central controlador, sem proprietários e regulamentos, aberto a 
todos que desejarem consultá-la e dela fazer parte;
• comunicação em mão dupla ou em múltiplas vias – o processo comunicativo é 
multidirecional, formando uma grande teia (web) de vias pelas quais circulam as 
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mensagens, sem centro fixo; a internet permite a comunicação em mão dupla, pos-
sibilitando trocas comunicativas mais intensas;
• figura do usuário – não existe ainda um nome para designar esse novo tipo de 
espectador, que participa, interfere, navega e se redireciona e que quer intervir nas 
mensagens e nos meios;
• multimídia – múltiplos meios difundem diversas mensagens, utilizando vários 
estímulos, em um universo de mídias cada vez mais integradas pelo formato di-
gital comum;
• não linearidade – a navegabilidade é a possibilidade que temos de navegar 
nas informações, construindo trajetórias não lineares, seguindo os fios de 
uma rede rizomática1 que não tem pontos fixos de partida ou de chegada, 
nem ritmos predefinidos.
Essas características são comuns a vários meios e tecnologias, muitas das quais já 
fazem parte do cotidiano das pessoas e das organizações. Outras são ainda tecnologias 
emergentes, que podem, ou não, vir a integrar o modo de vida digital. Do celular aos 
computadores vestíveis, da internet aos implantes nanotecnológicos2, estamos cercados 
por novidades que prometem muitos benefícios para a sociedade em geral e para a edu-
cação em particular. Se essas promessas se concretizarão, fica a nosso cargo responder 
como educadores e estudantes.
Mídias lineares e mídias