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DOPPING

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1. INTRODUÇÃO
A prática do uso de medicamentos para melhoramento de desempenho em competições já vem sendo usada desde os tempos antigos, começando com os gladiadores para aumentar a violência dos combates, quanto em cavalos para terem velocidade nas corridas de bigas. Esse tipo de prática envolve questões éticas e morais, interesses econômicos, muitas vezes gerando pressão sobre o atleta levando-o a dopagem.
De acordo com a Agência Mundial Antidoping (WADA) considera-se dopagem a utilização de substâncias ou métodos capazes de aumentar artificialmente o desempenho esportivo, sejam eles potencialmente prejudiciais à saúde do atleta, à saúde de seus adversários ou contrários ao espírito da competição. A WADA tem como missão promover e coordenar, em nível internacional, a luta contra a dopagem no esporte, sob todas as formas.
2. PRINCIPAIS SUBSTÂNCIAS 
Algumas substâncias usadas, foram desenvolvidas para tratar doenças e não são ilegais, mas seu uso no esporte sem intuito terapêutico pode trazer consequências como anulações de resultados e punições.
O Comitê Olímpico Internacional proíbe as seguintes classes de substâncias:
2.1 Estimulantes
São substâncias que estimulam o sistema nervoso central, aumentando a concentração, o ânimo e os índices metabólicos. Os exemplos mais comuns são as anfetaminas, cocaína e efedrina. São utilizadas pelos atletas porque diminuem momentaneamente a sensação de fadiga. Efeitos colaterais: causam dependência e podem levar a arritmia e derrame, entre outros.
2.2 Narcóticos
São substâncias que agem no sistema nervoso central para aliviar a dor, como a morfina. São utilizados pelos atletas porque diminuem a sensação de dor, permitindo levar o corpo além do limite. Efeitos colaterais: viciam e podem agravar lesões, pois o atleta não é capaz de reconhecer a gravidade de uma eventual lesão.
2.3 Anabolizantes
São compostos derivados do hormônio masculino testosterona. São utilizados no esporte porque aumentam a massa muscular e diminuem a gordura corporal. Efeitos colaterais: o uso contínuo pode levar ao aparecimento de problemas cardíacos, hepáticos, esterilidade (em homens), entre outros. Nas mulheres, pode levar a aumento dos pelos corporais, engrossamento da voz, entre outros.
2.4 Beta-2 agonistas
São drogas utilizadas no tratamento de asma (liberadas para atletas com asma). São utilizadas por atletas porque aumentam a massa muscular, diminuem a gordura corporal e temporariamente aumentam a performance devido à dilatação bronquial. Efeitos colaterais: em altas doses, podem causar arritmia cardíaca, insônia e espasmos musculares, entre outros.
2.5 Diuréticos e agentes mascarantes
São substâncias com o potencial de interferir nos testes antidopings. São utilizadas por atletas para mascarar o uso de outras substâncias proibidas. Efeitos colaterais: variam de acordo com a droga; no caso dos diuréticos, o maior perigo reside no risco de desidratação.
2.6 Hormônios peptídeos, fatores de crescimento
São substâncias que estimulam o aumento artificial do nível de um determinado hormônio ou substância no corpo. Sua utilização depende do tipo de droga: Erythropoietin aumenta o número de células vermelhas no sangue, enquanto outras têm efeito similar aos agentes anabólicos (Gonadotropin e Corticotrophins). Efeitos colaterais: variam de acordo com a droga que se aplica.
2.7 Moduladores hormonais e metabólicos
Em geral, são agentes que controlam a produção de hormônios. São utilizados por atletas porque diminuem os efeitos colaterais do uso de agentes anabólicos; existem alguns que aumentam a massa muscular e a produção de proteína. Efeitos colaterais: variam de acordo com a droga.
2.8 Glicocorticoides
São substâncias que suprimem o sistema imunológico e a sensação de dor. São utilizados porque diminuem a sensação de dor e o cansaço. Efeitos colaterais: osteoporoses, problemas de crescimento e renais, depressão da imunidade, entre outros.
3. MÉTODOS UTILIZADOS PELOS ATLETAS
De acordo com a Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem alguns métodos são proibidos como manipulação do sangue e componentes do sangue, manipulação química e física, dopagem genética.
3.1 Manipulação do sangue e componentes do sangue
A manipulação do sangue para aumentar a taxa de transporte de oxigênio é efetuada com drogas e pela adição de sucedâneos de sangue, transfusão de sangue e autotransfusão de sangue.
3.2 Manipulação química e física
Alteração na integridade e validade das amostras recolhidas nos controles de dopagem. Incluindo, substituição e/ou adulteração da urina.
3.3 Dopagem genética
O uso de ácidos nucléicos ou de análogos de ácidos nucléicos que possam alterar sequências do genoma e/ou alterar a expressão do gene por qualquer mecanismo, ou o uso de células normais ou geneticamente modificadas.
4. RISCOS DA UTILIZAÇÃO
Algumas substâncias para melhoria de desempenho são planejadas para fins terapêuticos e apenas deveriam ser prescritas somente por médicos. O uso dessas substâncias, quando não há necessidade médica, representa sérios riscos à saúde dos atletas. O uso prolongado de drogas ou o uso combinado de drogas pode acarretar dano permanente ao corpo. Algumas substâncias podem levar à dependência física e psicológica e, caso seu uso seja descontinuado, é possível que surjam sintomas de abstinência (ABDC).
5. MÉTODOS DAS ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
Para realizar os procedimentos de coleta e análises de amostras o laboratório deve ter grande responsabilidade e garantia da qualidade dos equipamentos e resultados, com rastreabilidade das amostras e da documentação.
Para garantir a segurança e evitar fraudes o Comitê Olímpico Internacional (COI) desenvolveu um sistema em que a amostra deve ser colhida na presença de um observador, a urina é transferida para dois frascos nomeados como A e B (prova e contraprova) onde serão selados e lacrados. Ao ser recebida no laboratório os dados são conferidos, sem revelação da identificação do atleta. Essa identificação fica retida com a Federação solicitante. 
Para a detecção dessas substâncias são coletadas amostras de sangue, e urina sendo a mais utilizada por causa da grande eliminação de moléculas endógenas e exógenas, muitas vezes após modificações de funcionalização ou conjugação.
O material de interesse é isolado, e então são utilizadas técnicas para identificação. Para identificação de estimulantes, analgésicos narcóticos, betabloqueadores, beta-agonistas, anabolizantes, diuréticos, inibidores de excreção e corticoides a técnica empregada é a da cromatografia gasosa de alta resolução acoplada à espectrometria de massas (CG-EM). Eritropoetina (EPO) é analisada por eletroforese, distinguindo-se a sintética da endógena. Hormônios de crescimento (hGH), gonadotrofina coriônica humana (hCG), hormônio luteinizante (LH) e outros hormônios peptídicos são analisados por imunoensaio (AQUINO NETO, 2001).
Caso for encontrado algum analito proibido, a Federação e o responsável pelo controle de dopagem é comunicado, onde tomaram as devidas providências, e a análise de contraprova pode ser solicitada pelo atleta para possíveis confirmações.
6. CONCLUSÃO
Percebe-se o quanto essas substâncias podem fazer mal ao organismo e até mesmo levar a morte, por isso o uso deve ser constantemente monitorado principalmente no esporte, porque pode influenciar pessoas que estão entrando nesse mundo a fazer o mesmo, fazendo com que pensem que não conseguirá chegar a um certo patamar sem a ajuda desses métodos ilícitos. É importante sempre conhecer o que está sendo utilizado e buscar mais informações sobre o produto para evitar o uso de substâncias dopantes.
REFERÊNCIAS
NETO, FRDA. O papel do atleta na sociedade e o controle de dopagem no esporte. Rio de Janeiro, abr./2001. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/rbme/v7n4/v7n4a05.pdf. Acesso em: 19 mai. 2020.
ALMEIDA, Marco Bettine; GUTIERREZ, Diego Monteiro; GUTIERREZ, Gustavo Luis. O doping e os Jogos Olímpicos: diferentes dimensões do fenômeno. Revista USP, São Paulo, n. 108, p. 77-83, dez./2005. Disponível